Relação de causalidade

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Em nosso CP temos previstos os chamados crimes de mera atividade ou de mera conduta, que se consumam com a simples realização de um comportamento comissivo ou omissivo, sem importar suas eventuais conseqüências. Ainda são englobados também conduta humana e a sua conseqüência de forma que só haver crime consumado quando o resultado se concretizar. Em razão dessa descrição típica de ação e resultado, surge a necessidade de identificar-se um terceiro elemento, que é a relação causal entre eles que enquanto categoria geral é elemento da ação. Diversas teorias procuram explicar essa teoria sendo que a adotada por nosso sistema penal é a “Teoria da equivalência das condições ou conditio sine qua non”. Dentro da parcela da atividade humana que o DP valora negativamente, como conduta indesejada, somente uma parcela menor – os crimes de resultado – apresenta relevância a questão da relação de causalidade, ou seja, somente nesses crimes que iremos perguntar sobre a existência de um nexo de causalidade entre a ação do agente e o resultado produzido. CP art 13: “o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”. A primeira parte do dispositivo diz que a relação de causalidade se limita aos crimes de resultado (materiais). Já a segunda parte consagra a adoção da teoria da equivalência das condições (conditio sine qua non) para determinar a relação de causalidade. É uma teoria que não distingue como prevalente ou preponderante nenhum dos diversos antecedentes causais de um resultado. Todo fator – atividade humana ou não- que de alguma forma contribui para a ocorrência do evento é cauã do mesmo. Causa: segundo a teoria é a soma de todas as condições (consideradas no seu conjunto) produtoras de um resultado. Juízo Hipotético de Eliminação: Será a forma utilizada para descobrirmos se determinado fato é causa do resultado ou não. Ele consiste em imaginar se o comportamento em pauta não ocorreu e assim verifica-se se o resultado aconteceria da mesma forma ou não. Se concluir-se que o resultado ocorreria da mesma forma então não há nenhuma relação de causa e efeito entre a conduta e o resultado, entretanto e ao suprimirmos a conduta desaparecer o resultado evidentemente esta é condição indispensável para a ocorrência do resultado, ou seja, é causa. O problema dessa teoria está no fato de levar ad infinitum a pesquisa do que seja causa do resultado. Se remontarmos todo o processo causal descobriremos que uma série de antecedentes remotos foram condições indispensáveis para a ocorrência do resultado, todos responderiam pelo crime. Ex: Homicida (até os pais seriam responsáveis) Por esse motivo procura-se limitar o alcance dessa teoria utilizando elementos como a localização do dolo e da culpa na ação, as concausas. Assim a exclusão da causalidade física impedirá p reconhecimento de um vínculo causal normativo. Limitação do alcance da conditio sine quo non ( teoria da equivalência de condições): A relação de causalidade entre a conduta humana e o resultado é sempre uma relação valorada, que deve ser aferida conjuntamente com o vinculo subjetivo do agente. Causalidade relevante para o DP é aquela que pode ser prevista, isto é, aquela previsível, que pode mentalmente ser antecipada pelo agente. Em outros termos, a

EX: preexistente: (A) quer cometer suicídio e ingere veneno. Se uma pessoa não agiu com dolo ou culpa (tipicamente) não podemos lhe imputar a conduta constituindo a primeira limitação da teoria. Quaisquer das concausas podem produzir o resultado de forma absolutamente independente do comportamento que examinamos. antes da realização do comportamento humano). EX: preexistente :(A) atira no pé de (B). Nesse caso diríamos que existe uma soma de energias que produz o resultado.cadeia causal. do infortuito ou da força maior. Nesse caso o ferimento é condição indispensável para a ocorrência do resultado já que embora a hemofilia tenha facilitado que esse tivesse acontecido ela sozinha não o haveria causado da forma como ocorreu. concomitante: Se dois indivíduos sem qualquer relação um com o outro e desconhecendo cada um a atividade do outro ministram em um terceiro ao mesmo tempo doses de veneno que separadamente não causariam sua morte porém juntas acabam a causando. portanto fora dos limites do DP). mas sem agir com dolo ou com culpa (e fora deles entramos na esfera do acidental. sem causar sua morte ou acelerá-la. inserindo-se ambas no mesmo fulcro causal. Nenhuma das doses criou um novo nexo de causalidade. Concluindo se eliminarmos qualquer uma das doses de veneno o resultado não se configuraria sendo que ambas as doses serão consideradas como causas relativamente independentes. Assim seguindo a teoria finalista da ação que situa o dolo e a culpa (quando for o caso) no tipo penal. concomitantes (ocorrem simultaneamente com a conduta) e supervenientes (quando se manifesta depois da conduta) à conduta podem auxiliar a conduta na produção do evento ou produzi-lo de maneira total. pois não há relação entre os sujeitos. Não podemos falar em concurso de pessoas. . ou seja. não podendo configurar crime situando-se assim fora do alcance do DP material. Percebemos que existirão dois cursos casais independentes que separadamente não ocasionariam o resultado morte.  Causas (concausas) absolutamente independentes: Existem outras limitações ao nexo causal que são as condições que de forma absolutamente independente causam o resultado que se analisa. quando esta prestes a morrer (B) o esfaqueia. porém este era hemofílico o que configura uma causa preexistente (pois já existe antes da conduta do sujeito). Essas condições que podem ser peexistentes (ocorrem antes da existência da conduta. absolutamente independente da conduta que se analisa. Assim a conduta de (B) não é causa já que pelo juízo hipotético poderemos ver que o resultado ocorreria da mesma forma e nas mesmas circunstâncias por um condição estranha e independente dessa segunda condição. Assim ao fazer-se o juízo hipotético percebe-se que a conduta em nada contribuiu para a concretização do evento excluindose a causalidade pela própria disposição do art 13 caput do CP. estabelece-se um primeiro limite a teoria da equivalência de condições. (raciocínio idêntico se faz as causa concomitantes e supervenientes)  Causas relativamente independentes: Essas mesmas causas poderiam atuar de forma que auxiliem ou reforçam o processo causal iniciado com o comportamento do sujeito. será sempre limitada pelo dolo ou pela culpa. Há. Então pode ser que alguém de causa a um resultado. Há nessa hipótese uma causa preexistente (hemofilia) que somada a conduta do sujeito irá determinar o evento.  Localização do dolo e da culpa no tipo penal: Toda a conduta que não for orientada por dolo ou por culpa estará na seara do acidental. ambas devem responder individualmente pelo homicídio doloso consumado. porém na hipótese cada uma das doses foi indispensável para configuração da morte. aparentemente infinita sob a ótica puramente naturalística.

Nesse caso vislumbra-se claramente a independência relativa. produzir o resultado: Nessa concausa temos as duas alternativas anteriores e mais uma que vem disciplinada no art 13§1º “A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando por si só. pela imprevisibilidade de sua ocorrência. por si só. (A) não será responsável pelo homicídio. em vez de se inserir no fulcro aberto pela conduta anterior. os fatos anteriores. 2ª análise: a infecção somou-se ao ferimento para produzir o evento ou ela o produziu de forma inusitada. (sendo que o autor da conduta anterior só responderá pelos atos que praticou e que. como se tivesse agido sozinha. Enfim quando ocorrer causas preexistentes ou concomitantes teremos duas alternativas: ou serão absolutamente independentes e excluem a relação causal ou são relativamente independentes e se aliam a conduta. que se aliam. pois a causa posterior simplesmente somou-se a ela para a produção do resultado. pois a vitima nem estaria na ambulância se não fosse pela causa anterior. Morreu de comoção cerebral de maneira inusitada. A displicência da vitima criou um novo fluxo causal inusitado e inesperado que por si só causou o resultado. pela anormalidade. vão determinar o evento. imprevisível ou inesperada? Se dissermos que houve soma de esforços estaríamos utilizando-nos de uma responsabilidade penal objetiva em um ferimento que com os devidos cuidados não causaria morte. anormal. no decurso deste. 1ª análise: Há uma conduta anterior (ferimento) e uma superveniente (infecção). produziu o resultado. mas somente por lesão corporal. se a causa superveniente causou isoladamente o evento. entretanto imputam-se a quem os praticou” Quando alguém coloca em andamento coloca em andamento algum processo causal pode ocorrer que sobrevenha. segundo seu elemento subjetivo) EX: (A) esfaqueia (B) causando lesão corporal. a ferida infecciona. uma nova condição – produzida por uma atividade humana ou por um acontecer natural – que. porém esse se descuida. 1ª analise: excluindo-se a conduta anterior o resultado se matem? Sem o ferimento a vitima nem estaria na ambulância. No caso das causas supervenientes devemos partir imediatamente ao juízo hipotético de eliminação para saber se a conduta anterior causou ou não (excluímos a conduta anterior mentalmente e verificamos se o resultado se mantém). medicado e orientado sobre os cuidados que deve tomar. Assim não houve some e a segunda causa superveniente provocou o resultado por si só. é de tal ordem que determina a ocorrência do resultado. a segunda causa. afasta-se a relação de causalidade da conduta anterior. somando-se a ela para a produção do resultado. Tratando-se realmente de uma causa superveniente ainda devemos realizar outra analise que será descobrir se essa causa se insere no fulcro aberto pela conduta anterior. Se isso ocorrer o nexo de causalidade da conduta anterior não será excluído. EX: (A) fere (B) que é levado para o hospital. Se o resulta não ocorrer significa que existia uma conexão de causal entre a conduta anterior e o resultado.  Superveniência de causa relativamente independente que. caso contrario. não excluindo o nexo de causalidade. provoca um novo nexo de causalidade. imprevisível em relação a conduta primitiva. pelo inusitado. (B) é atendido. Embora se possa estabelecer uma conexão entre a conduta primitiva e o resultado final. sem o ferimento o resultado não teria ocorrido o que estabelece a relação de causalidade. constituírem crimes. assim a conduta foi causa.nesse caso. gangrena e ele morre. uma soma de esforços. O autor da lesão leve responderá apenas por ela. mas no meio do caminho a ambulância sofre um acidente e (B) morre. e as duas doses juntas. . 2ª análise: a causa superveniente somou-se a anterior para causar o evento ou o causou por si só. a causa superveniente.

ou seja. Tipo Subjetivo: Abrange todos os aspectos subjetivos do tipo de conduta proibida que. mas a obrigação de agir para se evitar o resultado). que constitui o conhecido elemento subjetivo especial do tipo. pois o crime não é apenas a vontade má. profissional ou social. Ação ou omissão: A ação é o núcleo objetivo do crime. matar. a não ser que o tipo diga. um vínculo que permita imputar o resultado ao autor da conduta que o tenha produzido. Tipo de Injusto Comissivo Doloso (caracterizam-se pela coincidência entre o que o autor quer e o que realiza) Tipo Objetivo: O tipo injusto se classifica em tipo objetivo (representa a exteriorização da vontade que caracteriza o tipo subjetivo) e tipo subjetivo. Essa qualidade pode ser uma condição jurídica. Autor: Como os crimes em sua maioria são comuns o autor pode ser qualquer um. ou seja. . conhecidos como elementos subjetivos especiais do injusto ou do tipo penal. autor etc. Terminologia superada. mas essa vontade má concretizada em um fato. sem ignorar que nem todos esses crimes envolvem o problema da causalidade como é o caso dos omissivos próprios). o resultado deriva de uma ação que ofende ou coloca em perigo concreto um bem juridicamente tutelado. O fundamento material de todo o crime é a concretização da vontade num fato externo. roubar (da forma mais objetiva o possível) Resultado: Nos crimes materiais exige-se a existência de resultado. Entretanto em alguns crimes o autor possui uma qualidade de individualização especial como no crime próprio ou especial. Comissivo por omissão ou omissivo impróprio: o dever de agir é para evitar um resultado concreto (não há a simples obrigação de agir. resultado. Crime omissivo próprio: desobediência a uma norma mandamental que determina a prática de uma conduta que não é realizada (omissão de um dever de agir). concretamente. não é exigido qualidade alguma a ele. na segunda os crimes materiais ou de resultado. O tipo objetivo constitui-se por um núcleo representado por um verbo (ação ou omissão) e por elementos secundários. nexo causal. A relevância causal da omissão: Existe uma dificuldade maior em localizar-se o nexo quando o agente permanece inativo. Esses crimes materiais que também são chamados de crimes de resultado só se realizam quando houver esse nexo causal entre a ação e o resultado. Nexo Causal: Nos crimes materiais é necessária a existência de um nexo causal entre a ação e o resultado. Constitui-se por um elemento geral (dolo) que é por vezes acompanhado por elementos especiais (intenções e tendências) que são elemento acidentais. natural ou até de parentesco. Deve-se tomar cuidado com a teoria do risco permitido. não coloca em pratica determinado processo causal (crimes omissivos. Nesse há um crime material (de resultado) exigindo a presença do nexo causal entre a ação omitida e o resultado. tais como objeto da ação. Dolo específico: especial fim de agir. produzem o tipo objetivo. Os tipos penais podem descrever simplesmente uma atitude humana ou então uma atividade humana que produz determinado resultado: na primeira hipótese teríamos crimes formais e. A ação é a conduta que se encontra no verbo do tipo penal.

que é a vontade de realizá-la. O dolo. Hoje totalmente desacreditada. na medida em que “assumir” equivale a consentir. para ela dolo é a vontade dirigida ao resultado. porém o aplicador da pena os diferencia ao dosimetrá-la. Não nega a existência da consciência do fato. Enfim. mas destaca o valor da vontade de causar o resultado. não de violar a lei. ou na descrição de Welzel. Pelo CP crime doloso é: “quando o agente quis o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-lo (dolo eventual). e a do consentimento (que complementa aquela) em relação ao dolo eventual. caracteriza a culpa consciente. mas de realizar a ação e obter o resultado. “dolo em sentido técnico penal. A vontade para essa teoria como critério aferidor do dolo eventual. Nosso CP adotou duas teorias: a da vontade (que abrange em seu conteúdo a representação) em relação ao dolo direto. poderá o agente apostando em sua sorte ou na sua habilidade. que é o conhecimento ou consciência do fato constitutivo da ação típica (é pressuposto para o segundo elemento que é o volitivo). que nada mais é que uma forma de querer. ai temos equiparados o dolo eventual e o direto que são as espécies de dolo. o que. Mesmo sendo necessária a representação não é suficiente para a existência do dolo. pois a simples representação da probabilidade de ofensa a um bem não é suficiente para demonstrar que o agente tenha assumido o risco de produzir o risco de produzir determinado resultado. orientada pelo conhecimento de suas elementares no caso concreto. A Reforma Penal afastou a intensidade do dolo da mediação da pena. dolo é a vontade de realizar o tipo objetivo. Nela a essência do dolo deve estar na vontade. pode ser traduzida na posição do autor de assumir o risco de produzir o resultado representado como possível. . porém é óbvio que um ação praticada com dolo intenso será muito mais desvalida do que uma com dolo normal ou de menor intensidade.Elemento subjetivo geral: dolo É a consciência e a vontade de realização da conduta descrita em um tipo penal. Teoria do dolo: a) Teoria da vontade: É tida como clássica. é consentir na existência do resultado é uma forma de querêlo. Caderno: Ele precisa primeiro conhecer previamente o elemento para existir vontade de cometer o delito. representado pela vontade consciente de ação dirigida imediatamente contra o mandamento normativo. como se sabe. uma vez que embora sua produção seja provável. c) Teoria do consentimento: As divergências das teorias anteriores foram atenuadas ao chegar-se a conclusão de que o dolo é ao mesmo tempo representação e vontade. defendida por Carrara. puramente natural. constitui o elemento central do injusto penal da ação. é somente a vontade de alção orientada a realização do tipo de um delito”. e um volitivo. (consentir nada mais é do que uma forma de querer) b) Teoria da representação: Para seus defensores Von Liszt e Frank é suficiente a representação subjetiva ou8 a previsão do resultado como certo ou provável para a existência do dolo. Para essa teoria é dolosa também a vontade que mesmo não dirigida diretamente ao resultado consente na sua ocorrência ou assume o risco de produzi-lo. O dolo possui dois elementos: um cognitivo. acreditar seriamente que o resultado não acontecerá.

quando se trata do fim diretamente desejado e dolo de segundo grau ou dolo de conseqüências necessárias. c) O anuir a realização das conseqüências previstas como certas. Ela pressupõe a representação. dos elementos da autoria e da participação. e a vontade sem representação. seja como for. nos meios escolhidos e nos efeitos colaterais representados como necessários para o evento. Dolo eventual (de no que der. mas aceitar como possível ou até provável. os meios escolhidos. mas todos que estavam lá. da lesão ao bem jurídico.  Espécies de dolo: direto e eventual: O surgimento das diferentes espécies de dolo é devido a necessidade de a vontade consciente abranger o objetivo pretendido pelo agente. sua vontade esta dirigida a realização do fato típico. pois não se pode querer algo que não se representou em nossa mente ao menos parcialmente. a consciência (previsão ou representação) Abrange a realização dos elementos descritivos e normativos do nexo causal e do evento (delitos materiais). Enfim. a realização de causalidade. sem previsão é impossível. dos meios necessários e das conseqüências secundárias. (a morte das outras pessoas foi querida pelo agente e vista como conseqüência necessária do meio escolhido. bem como o resultado.Elementos do dolo: a) Cognitivo ou intelectual: Para configurar-se o dolo é necessária a presença da consciência (representação ou previsão) daquilo que se pretende fazer e também que ela seja atual e estar presente no momento da ação (sem a atualidade da conduta destrói-se a divisória entre o dolo e a culpa). A diferenciação em primeiro e segundo grau tem haver com a intensidade não com a diversidade de crimes. Com relação a vitima visada teremos dolo direto de primeiro grau e com relação as outras dolo direto de segundo grau).  . necessárias ou possíveis. EX: Dolo direto de primeiro grau– para matar alguém desfere um tiro para atingir o fim pretendido. bem como os meios escolhidos para a sua consecução. Possui três aspectos: a) A representação do resultado. O dolo direto terá duas modalidades: o dolo direto de primeiro grau. ficando fora dela a consciência da ilicitude. o resultado e o nexo causal. Dolo direto de segundo grau – o agente querendo matar alguém coloca uma bomba em um ônibus matando não apenas o alvo. isto é. quando o resultado é desejado como conseqüência necessária do meio escolhido ou da natureza do fim proposto. b) O querer a ação. a qualquer custo): Haverá quando o agente não quiser diretamente a realização do tipo. Dolo Direto ou imediato: Nele o agente quer o resultado representado como fim de sua ação. b) Elemento volitivo (vontade): A vontade é incondicionada deve abranger a ação ou omissão (conduta). É desnecessário o conhecimento da configuração típica sendo suficiente o conhecimento das circunstâncias de fato necessárias a configuração do tipo. Essa previsão constitui apenas a consciência dos elementos integradores do tipo penal. Seu objeto estará no fim proposto. indiferente ao direito penal. dos elementos objetivos das circunstâncias agravantes e atenuantes que supõe uma maior ou menor gravidade do injusto (tipo qualificado ou privilegiado) e dos elementos acidentais do tipo objetivo. A previsão sem vontade é algo completamente inexpressivo. decorrentes do uso dos meios escolhidos para atingir o fim proposto ou da forma de utilização desses meios. assumindo o risco da produção do resultado. que hoje esta deslocada para a culpabilidade.

É equiparado ao dolo direto no código sendo que ocorrerá diferenciação na valoração da pena. Enfim tenta-se distinguir dolo direito do eventual na expressão: o primeiro é a vontade por causa do resultado e o segundo é a vontade apesar do resultado. em virtude da observância do dever objetivo . b) Princípio da insignificância: Nele é necessária uma efetiva proporcionalidade entre a gravidade da conduta que se deve punir e a drasticidade da intervenção estatal. mas por carência do tipo subjetivo. mas mesmo assim age aceitando as possibilidades configurando o dolo eventual. Pode ocorrer quando a intenção do agente dirigi-se a um fim juridicamente típico ou até um extrapenal.  Tipo Injusto Culposo (diferente do injusto doloso – punida a conduta dirigida a um fim ilícito – o injusto culposo pune a conduta mal dirigida normalmente dirigida a um fim irrelevante quase sempre licito) Culpa: inobservância do dever objetivo de cuidado manifestada numa conduta produtora de um resultado não querido. O erro de tipo essencial sempre exclui o dolo. ao mesmo tempo uma valoração da conduta criminalizada. Enfim a insignificância afasta a tipicidade. por não ofenderem significativamente o bem jurídico. Muitas vezes condutas que de adéquam ao tipo penal do ponto de vista formal não apresentam nenhuma relevância material. O núcleo do tipo injusto consiste na divergência entre a ação efetivamente praticada e a que devia realmente ter sido realizada. Os elementos do dolo consciência e vontade estarão presentes no dolo eventual. mas objetivamente previsível. Muitas vezes a uma incompatibilidade entre as normas penais incriminadoras e o socialmente permitido. permitindo quando for o caso a punição pelo crime culposo.  Princípios da adequação social e da insignificância: a) Princípio da adequação social: O tipo penal implica uma seleção se comportamentos e. O erro de tipo inevitável exclui a tipicidade não por falta de tipo objetivo. em casos assim pode-se afastar liminarmente a tipicidade penal pois o bem jurídico não chegou a ser lesionado. Se o agente não conhece exatamente os elementos requeridos pelo tipo. Ainda existem discussões se esse principio afastaria a tipicidade ou eliminaria a antijuridicidade de determinadas condutas . A insignificância da conduta não será medida apenas em virtude do bem lesado. sendo esse elemento volitivo o fator diferenciador entre dolo e culpa. pois não bastara que o agente tenha consciência da probabilidade de ocasionar o dolo mas que estava presente um elemento volitivo entre o resultado e o agente.Hungria: assumir o risco é alguma coisa a mais do que ter consciência de correr o risco é consentir previamente no resultado caso este venha efetivamente a ocorrer. Elemento subjetivo especial do tipo ou elemento subjetivo especial do injusto: Erro do tipo: É a falsa percepção da realidade sobre um elemento constitutivo do crime. mas especialmente em relação ao grau de intensidade da lesão gerada. É sempre considerado como um principio inseguro que apenas em ultimo caso deve ser utilizado. já que a culpabilidade permanece intacta.

Enquanto a chamada previsibilidade subjetiva constitui um elemento da reprovabilidade da ação típica e antijurídica. Como ocorre nos crimes dolosos a tipicidade é indicio de antijuridicidade que será afastada perante um causa de justificação. A culpabilidade terá a mesma estrutura dos crimes dolosos: imputabilidade. em razão da natureza normativa da culpa. O agente sabe que esta sendo imprudente. se podia no entanto realizar esse juízo sem tê-lo efetivamente realizado age com culpa inconsciente. Assim como a tipicidade do crime culposo se define pela divergência entre a ação efetivamente praticada e a que devia ter sido realizada. contradição entre o querido e o realizado diferente do doloso onde há a concordância. Na tipicidade o questionamento será apenas se o sujeito agiu com o cuidado necessário e exigível. mesmo assim é claro saber que tanto na imprudência quanto na negligencia há a inobservância de cuidados recomendados pela a experiência comum no exercício dinâmico do quotidiano humano. a) Inobservância do cuidado objetivo devido e princípio da confiança: O dever objetivo de cuidado consiste em reconhecer o perigo para o bem jurídico tutelado e preocupar-se com as possíveis conseqüências que uma conduta descuidada pode produzir-lhe. uma característica normativa aberta: o desatendimento ao cuidado objetivo exigível ao autor. a) Imprudência: é a prática de uma conduta arriscada ou perigosa e tem caráter comissivo. O questionamento se o agente possui os meios necessários para agir com o devido cuidado ficará por conta do juízo de culpabilidade. E a imperícia por sua vez não deixa de ser somente uma forma especial de imprudência ou negligência. potencial da ilicitude e exigibilidade de comportamento conforme ao Direito. a questão das possibilidades para isso e se no momento ele tinha como adotar as cautelas devidas será analisada na culpabilidade. deixando de praticá-la ou então executá-la somente depois de adotar as necessárias e suficientes precauções para evitá-lo. com culpa consciente e. a culpabilidade tem a previsibilidade subjetiva como um de seus pressupostos. e obviamente o grau de censura ou reprovabilidade de um crime culposo é bem menor. não contendo o chamado tipo subjetivo. mas a forma em que a ação causadora se dá. age. com referencia ao resultado possível. nela a visível falta de atenção. tem . porém esteja abrigado sobre um excludente de antijuridicidade o que faz com que a ação não seja antijurídica. Juarez Tavares irá sustentar que o delito culposo contém em lugar do tipo subjetivo. Pode ser também que o agente cometa uma ação culposa. No tipo injusto culposo o mais importante não é a causação do resultado.de cuidado. porém irá distinguir-se quanto ao grau de intensidade.  Elementos do tipo de injusto culposo: Sua estrutura é completamente diferente do injusto doloso. A inexigibilidade de outra conduta também atuará como excludente de culpabilidade. A tipicidade do crime culposo estará na realização de uma conduta descuidada que causa uma lesão ou um perigo concreto a um bem jurídico tutelado. Tem como característica a concomitância da culpa e da ação. e a antijuridicidade pela inobservância do cuidado objetivo devido (a contradição com a ordem jurídica). Quando o agente realiza realmente juízo de causalidade adequada ao empreender a ação. o agir descuidado não observa o dever objetivo da cautela que as circunstâncias exigem. Conexão interna entre desvalor da ação e desvalor do resultado: É indispensável  Modalidades da culpa: Nosso legislador as dividiu tornando seu estudo forçoso.

a falta de precaução. porém não convencido disso calcula errado e age. em vez de renunciar a ação. Sua censurabilidade é maior. mas a si próprio. ele não quer o resultado nem assumi o risco de provocá-lo. b) Teoria da vontade ou do consentimento: É insuficiente que o agente represente o resultado como de provável ocorrência. c) Culpa imprópria ou culpa por assimilação:  Distinção entre dolo eventual e culpa consciente: Enquanto no dolo eventual o agente anui ao advento desse resultado. a) Culpa consciente: Quando o agente age deixando de observar o que esta obrigado. Assim se estivesse convencido que o resultado ocorreria desistiria da ação. prevê um resultado previsível. na esperança convicta de que este não ocorrerá. sendo necessário que a probabilidade da produção do resultado seja incapaz de remover a vontade de agir. avalia mal e age. diante de cada caso concreto. a indiferença do agente. Apesar da presença da previsibilidade. Não será a pura previsão do resultado que caracterizará a culpa consciente. não há previsão por descuido. assumindo o risco de produzi-lo. No dolo eventual para o agente o valor negativo que a ação pode gerar é menos importante que o valor positivo que ele atribui a sua pratica. b) Culpa inconsciente: Ação sem resultado previsível . ou seja. mas. Ela não se confunde com erro profissional (é em principio um erro escusável)  Espécies de culpa: O CP não diferencia culpa consciente e culpa inconsciente apesar da doutrina e da jurisprudência considerarem a culpa consciente mais grave que a culpa inconsciente. ele prefere praticar a ação correndo o risco de praticar o resultado a desistir dela. No entanto se a produção for pouco provável haverá culpa consciente. A maior ou menos gravidade de culpa é deixada a apreciação do juiz ao dosar a pena.Em alguns casos pode gerar preocupação com o bem estar do agente que por sua desatenção ou descuido ou mesmo desligamento da realidade representa um perigo ambulante. convictamente. apesar disso. o . ante a inexistência da previsibilidade subjetiva.consciência de que esta agindo arriscadamente. Existem duas teorias que fazem essa distinção: a) Teoria da probabilidade: admite o dolo eventual quando o agente representa o resultado como de muito provável execução e. Muitas vezes negligência e imprudência podem estar juntas em um mesmo caso. É não fazer o que deveria ter sido feito antes da ação descuidada. que podendo adotar as cautelas necessárias não o faz. c) Imperícia: é a falta de aptidão. por acreditar. desatento ou simples desinteresse. adequando-se a ela a culpa inconsciente. pois é fruto da desatenção. Nesse caso o autor não pensa não possibilidade do resultado. despreparo ou insuficiência de conhecimentos técnicos para o exercício de arte. Precede a ação ao contrario da imprudência. Acredita fielmente que poderá evitar o resultado só que não consegue por erro de calculo ou por erro na execução. que não produzirá o resultado não querido se concretiza. mas sim a consciência a respeito da lesão ao dever de cuidado. b) Negligência: é a displicência no agir. profissão ou ofício. ao contrário. repele a hipótese de superveniência do resultado e. não apenas a sociedade. Ela caracterizar-se pela ausência absoluta de nexo psicológico entre o autor e o resultado de sua ação. atua admitindo a sua produção. Já na culpa consciente o valor negativo do resultado possível é maior do que o valor positivo que atribui a pratica da ação. na culpa consciente. mas confia convictamente que ele não ocorrerá.

em suma tem recebido o significado de crime cujo resultado vai além da intenção do agente. Pelo nosso CP não se torna possível a idéia de compensação de culpa. ao contrario. desistisse da ação. concorrem culposamente. Não há concurso de pessoas. Haveria culpa consciência se. para a produção de um fato definido como crime. resumindo há dolo no antecedente e culpa no conseqüente. Havendo concorrência de culpas ambos respondem isoladamente pelo resultado produzido. um ignorando a participação do outro. uma possível culpa da vítima não elimina a do agente. Muitas vezes a idéia de crime preterdoloso é usada como sinônimo de crime qualificado pelo resultado o que incorreto pelo seguinte raciocínio: nunca poderá se mata alguém sem antes ofender sua saúde ou integridade física. nesse caso quando expressamente prevista a modalidade culposa na figura delituosa. Somente a culpa exclusiva da vitima exclui a do agente tendo este agido sem culpa.valor positivo da ação é mais. não há crime. mas autoria colateral. As culpas recíprocas do ofensor e do ofendido não se extinguem. ou seja. estando convencido da probabilidade do resulta. por isso. ou melhor.  Concorrência e compensação de culpas: Ocorre quando dois indivíduos. a ação começa dolosamente e termina culposamente. enquanto para matar alguém não se terá necessariamente fazê-lo abortar. o valor positivo da ação é mais forte para o agente do que o valor negativo do resultado que. elas não se compensam. EX: Choque entre dois veículos que gera danos sendo que ambos estavam errados de alguma forma. assume o risco de produzi-lo. ou seja. ???????????? . e só excepcionalmente a título de culpa e. Assim quando o sujeito pratica uma conduta culposamente e a figura típica não admite a forma culposa. Principio da excepcionalidade do crime culposo: Adotado pelas legislações modernas onde a regra é de que as infrações penais sejam imputadas a título de dolo. A teoria da probabilidade descarta o elemento volitivo que é fundamental na distinção entre dolo eventual e culpa consciente e que por isso mesmo é melhor delimitado na teoria do consentimento.  Crime preterdoloso e crime qualificado pelo resultado: É uma terceira modalidade de crime.

representando certa danosidade social. psicológica e sociológica. sendo assim. todos serão abordados em vários momentos teóricos. Com o passar do tempo agregado aos estudos de autores como Ihering percebeu-se que em algumas circunstâncias nem todos os atos contrários as leis são culpáveis. Sendo assim não podemos estudar a antijuridicidade ou qualquer outro elemento da teoria do delito sem realizarmos uma análise histórico-dogmática dessa evolução que o conceito passou sem esquecer como é indispensável chegarmos a um entendimento adequado da antijuridicidade e conseqüentemente da teoria do delito para que os possamos aplicar corretamente. existindo assim uma exclusão na relação antijurídica e culpável. em seu segundo tratado. Os conceitos que devemos abordar resumem-se em clássico. Terminologia – As terminologias utilizadas para descrever a antijuridicidade podem ser as mais variadas. antijurídica e culpável assim poderemos dizer que ele mantém seu papel material. passa um aspecto material. O crime continua sendo a ação típica. Foi no século XIX que Ihering. Antijuridicidade e suas causas de justificação . Cezar Roberto Bitencourt nos trará na origem dos dois termos. Para expressar suas idéias Ihering desenvolve uma dicotomia entre o “objetivo” – antijurídico – e o “subjetivo” – culpável – sendo as duas formas de contrariedades ao ordenamento jurídico.tipicidade e a culpabilidade . alguns seguirão linhas mais tradicionais utilizando a terminologia “antijuridicidade” outros mais modernos já utilizam a chamada “ilicitude”. Conceito de delito no finalismo: Elaborado por Welzel.sofreram transformações filosóficas doutrinárias no decorrer da história. neoclássico.Antijuridicidade: A antijuridicidade ou Ilicitude. Essa idéia só evoluirá claramente ao chegar as mãos de Von Liszt. negando qualquer influência valorativa filosófica. O conceito de teoria do delito ou o conceito de crime passou ao longo dos séculos por diversas transformações para juntamente com seus elementos constitutivos tornar-se capaz de abranger todos os tipos de delito. de verificação da relevância social do ato praticado. A antijuridicidade antes tida com uma simples oposição a lei. podendo gerar novas probabilidades de causa de justificação.A antijuridicidade conquistou sua autonomia pela separação da “antijuridicidade objetiva” e a culpabilidade subjetiva conceitos que andavam sobrepostos em teorias anteriores sendo considerados ambos como culpabilidade. ou seja. Tanto a antijuridicidade quanto os demais predicados do conceito de crime . finalista e analítico de crime Conceito Clássico: Construído por Von Linzt e Beling. conceito puramente formal. restaura a ciência do espírito caracterizada pelo compreender e valorar de modo que transforma todos os elementos do delito. porém filiando-se a . sua concepção é estritamente positivista. percebeu que dependendo das circunstâncias e da reprovabilidade social que uma conduta pode gerar nem todos os atos contrários as leis seriam culpáveis. definiu assim que a posição do agente na conduta influenciaria no fato de esta ser ou não culpável o que fundamentaria ou não uma ação restituitória. Conceito Neoclássico ou Neo Kantiano: Amparado por um normativismo axiológico substitui o formalismo do direito penal anterior conscrito em si mesmo. porém o destaque será no âmbito da antijuridicidade do qual trataremos logo a seguir. Inicia uma dicotomia entre o “objetivo” – antijurídico – e o “subjetivo” – culpável. existindo assim uma exclusão na relação antijurídica e culpável.

referindo-se ao delito. O autor explicará: “Não se pode negar que o delito. sendo exatamente essa contrariedade à proibição que caracteriza a antijuridicidade. que prevê o tipo proibitivo. o injusto é a forma que foi praticada a conduta e a antijuridicidade é a contradição.. entretanto não antijurídico. Antijuridicidade formal e Antijuridicidade material: A antijuridicidade forma é a contradição do comportamento do agente com a norma jurídica posta.” (Bitencourt. pois todo ilícito penal também será um ilícito em outras áreas do direito. com base no principio da subsidiariedade aliado a seletividade da tipicidade. Enquanto a “antijuridicidade é a contradição da ação com a norma jurídica. pois no momento que o código institui norma permissiva a exemplo de conduta típica sob um ato justificável o fato permanece sendo antinormativo. traça os seus contornos e estabelece as conseqüências de sua realização. Contraria. é uma criação do Direito. se faz necessário que o bem jurídico sofra a ofensa ou a ameaça potencializada pelo comportamento desajustado. que o define. pois conforme Welzel toda ação típica proibitiva é conseqüentemente antinormativa. Antijuridicidade x Injusto . de modo que todas proibições elencadas do ordenamento são antijurídicas para esse ordenamento. Permite a graduação do injusto segundo sua gravidade e expressão da pena e possibilita a existência de causas supralegais. Para Bitencourt assim como para Welzel a antijuridicidade não pode se limitar a apenas ao campo penal. Assim. pela lesão ao bem jurídico tutelado. o será ao direito penal.] quem pratica um delito não contraria a lei. A nova terminologia surge na reforma penal de 1984 através da idéia de cometer-se um equivoco ao chamar de antijurídico uma criação do direito. na verdade. ou seja. ou seja. [. Antijuridicidade genérica e especifica: A antijuridicidade abrange todas as áreas do ordenamento jurídico. também o será para os demais ramos do ordenamento jurídico. Outra terminologia que pode causar problemas é a Antinormatividade e a Antijuridicidade. porém essas idéias tratam-se de coisas completamente diferentes. Exemplo: um ilícito no campo jurídico-civil nem sempre será ilícito no campo jurídico-penal. assim como todo o fato típico que pode ser justificado no direito penal. com base no princípio da reserva legal. o “Injusto” é a própria ação valorada da antijuridicidade. e com isso que “todo o ato ilícito para os demais ramos do direito também deverá sê-lo ao direito penal. ao contrário amolda-se a ela ao realizar exatamente o modo de conduta que a mesma descreve. porém nem sempre antijurídica. Além da contradição da conduta praticada com a previsão da norma. Queiroz irá afirmar que a antijuridicidade é um conceito único para todos os ramos do direito. pg 346) Luiz Régis Prado e Claudio Brandão filiam-se a uma corrente que irá considerar os dois termos como sinônimos ambos demonstrando a relação de contrariedade de um fato com todo o ordenamento jurídico. a norma de proibição que o tipo legal encerra..Segundo Bitencourt alguns se equivocam utilizando a expressão antijuridicidade para descrever o próprio injusto. o que afasta o ilícito penal das outras áreas do direito é a existência da tipicidade que exige que todos os ilícitos penais estejam adequados dentro dos tipos. todo comportamento humano onde é violada a norma penal. a qualidade da conduta. Porém dizer que o contrario é verdadeiro não é possível. Já a antijuridicidade material é representada pela danosidade social. nem sempre aquilo que for antijurídico para os demais ramos. no plano abstrato-jurídico. entretanto.corrente tradicional.” . não se restringindo ao direito penal.

Considerando que a tipicidade é o indício da antijuridicidade. a legítima defesa e o estrito cumprimento do dever legal ou no exercício regular de um direito. Para podermos compreender como funcionará uma causa de justificação precisamos compreender como a antijuridicidade irá atuar ao deparar-se com uma conduta comissiva ou omissiva. necessariamente. se ela vai ou não de encontro ao direito. a conduta será também. Queiroz defende que as causas de justificação não devem ser taxativas.” (BRANDÃO. a ação típica se tornará uma ação licita ou permitida. Em outras palavras. a exemplo das medidas de segurança. ficando as elencadas acima. desnecessariamente. As causas de justificação produzem alguns efeitos que são descritos por Queiroz dentre eles: “excluem. ou sua ratio cognoscendi. os partícipes não respondem. Entretanto sabe-se que o legislador não pode prever todas as hipóteses em que as transformações sociais de um povo passam a autorizar determinadas condutas anteriormente proibidas. 1997. o estado de necessidade. Concluindo que essa ação enquadra-se como um fato típico. Claudio Brandão e Cezar Bitencourt irão criticar o legislador brasileiro por não haver incluído o consentimento do ofendido entre as hipóteses legais de exclusão da ilicitude. em qualquer das hipóteses deste artigo. antijurídica. como regra. Queiroz dirá que: “Há excesso quando o agente. Pois na ocorrência disto. Devemos ressaltar também como faz Bitencourt a existência das causas supralegais que apesar de não prevista em nosso ordenamento são de extrema importância já que não podemos esperar que o legislador possa prever todas as hipóteses em que as idéias de um povo possam autorizar certos atos que em outro momento seriam repudiados. ela passa a ser uma ação justificada.Causas de Justificação As causas de justificação. mas uma ação querida pelo Direito. a ação humana abrangida pelas causas de justificação (excludentes de ilicitude) não é simplesmente uma ação tolerada pelo Direito. responderá pelo excesso doloso ou culposo”. poderemos nos preocupar em saber se esta é ou não antijurídica. No primeiro momento deve avaliar-se se essa conduta é ou não típica salientando que para ela o sê-lo. Carlos Brandão acrescentará que: “Quando o julgador reconhece que a ação humana não poderia ser omitida. prossegue lesionando seu agressor. no rol exemplificativo. a responsabilidade extrapenal. impedem a aplicação de qualquer outra conseqüência jurídico-penal. conforme às exigências do Direito. embora inicialmente amparado por uma causa de justificação e mesmo depois de fazer cessar a agressão que contra ele começara. Desse modo.24).p. em razão do caráter acessório da participação. Por isso. no entanto. Excesso nas causas de justificação: O parágrafo único do artigo 23 código penal que assim institui: “o agente. poderá ser típica e não antijurídica. também são chamadas de excludentes de antijuridicidade ou de ilicitude. Essa conduta. ou seja. uma vez que o autor atua legitimamente. Segundo o autor podemos recorrer aos princípios fundamentais do direito para reconhecer uma causa supralegal. que agora se . A antijuridicidade só se verificará se a conduta não estiver protegida por alguma causa de justificação. precisa ser descrita como um tipo penal.” No artigo 23 do código penal estão elencadas como causas de justificação. e por isso reveste-se de juridicidade. já podemos pré-afirmar que sendo típica.

pg 410). Enfim.. “Art. contra o agressor.24. cujo sacrifício. também. conforme os limites nele inseridos. é a situação na qual se encontra uma pessoa que não pode razoavelmente salvar um bem. acabar por entrar na caracterização de um excesso. dentro dos limites desta dita norma.O estado de necessidade nada mais é que a colisão de interesses juridicamente protegidos. . de modo regular e não abusivo. nada mais razoável que outorgar àquele que sofra uma lesão jurídica. o agente que se defendia passa da legalidade a ilegalidade. Exercício regular de direito – “Não se pode considerar ilícita a prática de ato justificado ou permitido pela lei. sendo um deles sacrificado em favor do outro. havendo excesso. ou se ache sob ameaça de sofrê-la. que viole a dignidade da pessoa humana. causando-lhe lesões ilícitas. ainda que se trate de um tipo penal. tendo começado legalmente o agente pode pela condução inadequada.. pg 403) “Se o fim do direito penal é a proteção subsidiaria de bens jurídicos ante os ataques mais intoleráveis. atual ou iminente. “não se pode falar em ilícito na prática do que a lei permite”. além do estritamente permitido. considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo atual que não provocou por sua vontade nem podia de outro modo evitar direito próprio ou alheio. Noutro dizer. interesse ou direito.” Estado de necessidade . não poderá o direito penal proibi-la.] a repulsa ou o impedimento da agressão ilegítima. 2010) Logo. devendo responder jurídico-penalmente a titulo de dolo ou culpa. senão pela prática de um ato que fora das circunstâncias em que se encontrava. Nas celebres palavras de Aníbal Bruno. caracterizando o excesso. que se consubstancie em exercício de direito dentro do marco legal. seria delituoso. nas circunstâncias. cujo preceito determina a alguém o dever de realizar uma conduta típica. o direito de se autodefender sempre e quando a proteção jurídica que o Estado se predispõe a conferir não puder ser realizada direta e eficazmente. E.. embora em cumprimento de um dever.. em virtude da urgência da situação. sem ultrapassar a necessidade de defesa e dentro da racional proporção dos meios empregados para impedi-la ou repeli-la. a proteção de duplo sentido.converte em vítima. conforme o caso. Conclui-se que se determinada conduta. para que exista essa causa de justificação é necessário que aja uma norma de caráter geral e que o agente atue conforme essa. Todavia lembra-se que o limite do lícito termina onde começa o abuso. que toda ação lesiva autorizada por ela não seja realizada de modo desumano ou degradante. ela é um direito e constitui causa de justificação. pelo agredido ou terceira pessoa.” (Brandão. “A causa de exclusão da antijuricidade que se baseia em uma norma de caráter geral. de um lado proteger o bem jurídico ameaçado pelo injusto e de outro lado proteger o ordenamento jurídico que também é afetado diante de uma agressão ilegítima.A legítima defesa busca. “ [.” (Queiroz) Estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de um direito – “Quem pratica uma ação em cumprimento de um dever imposto por lei não comete crime” (Bitencourt. . é permitida pelo ordenamento jurídico. 2010 pg 379). na realidade.” (Prado. isto é. não era razoável exigir-se” Legítima defesa .” (Prado.

se tal estado lhe era inteiramente desconhecido. sendo necessário que o agente tenha o conhecimento que age conforme uma situação justificante. assim como o juízo de tipicidade.” Em oposição a essa idéia Tavares entende que o juízo de ilicitude. fazem parte de um processo de imputação e por isso. “Não pode se valer de legitima defesa quem matar alguém por vingança.Requisito subjetivo nas causas de justificação . não podendo dessa forma ser considerada conforme o direito uma conduta que subjetivamente constitui um delito. . devem ser sempre aferido objetivamente. Uma conduta deve ser livre de desvalor da ação ou do resultado para que possamos considerá-la em conformidade com o direito. embora venha a se provar que se encontrava em situação passível de invocação da excludente.Para a configuração de uma causa de justificação não é suficiente apenas a presença dos requisitos objetivos.

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