UNINGÁ – CENTRO UNIVERSITÁRIO
Curso de Biomedicina EAD e Farmácia EAD
PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO ESCOLA E COMUNIDADE - PIESC I
CAMPANHA PARA AUMENTO DE DOAÇÕES DE SANGUE
Ubiratã, 2025
VANESSA CAETANO DE MORAES EVARISTO – FARMÁCIA
PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO ESCOLA E COMUNIDADE - PIESC I
CAMPANHA PARA AUMENTO DE DOAÇÕES DE SANGUE
Portfólio apresentado aos cursos de Biomedicina
EAD e Farmácia EAD da UNINGÁ – Centro
Universitário, para avaliação e conclusão da
disciplina/projeto de PIESC I.
Ubiratã, 2025
1 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA SOBRE A DOAÇÃO DE SANGUE
A doação de sangue é reconhecida como prática essencial para a manutenção
da vida. Trata-se de um recurso insubstituível, fundamental para procedimentos
médicos que vão desde cirurgias de grande porte até o tratamento de doenças
hematológicas. Além de repor perdas em situações de urgência, a transfusão
possibilita a sobrevivência de pacientes com doenças crônicas ou em tratamentos
prolongados (Santos et al., 2024).
No Brasil, o processo de institucionalização da hemoterapia ocorreu ao longo
do século XX. A criação dos primeiros bancos de sangue e a regulamentação de
critérios de coleta, estocagem e distribuição representaram marcos importantes. Com
o tempo, abandonou-se o modelo de doações remuneradas, substituindo-o pela
prática voluntária e altruísta. Essa mudança consolidou a ideia de que doar sangue é
não apenas um ato solidário, mas também de cidadania e responsabilidade social
(Santos et al., 2024).
Apesar disso, os índices de doação permanecem abaixo do recomendado.
Atualmente, apenas 1,6% da população brasileira doa sangue regularmente,
enquanto a Organização Mundial da Saúde indica que seriam necessários de 3% a
5% para garantir estoques adequados. Essa discrepância revela um desafio
persistente para os serviços de hemoterapia, que precisam lidar com a constante
instabilidade dos bancos de sangue (Santos et al., 2024).
A pandemia de Covid-19 agravou ainda mais esse cenário. Em 2020, houve
uma queda de cerca de 10% nas coletas em comparação ao ano anterior. Essa
redução impactou diretamente os estoques nacionais e comprometeu a realização de
cirurgias eletivas e transplantes, ampliando o risco para pacientes em condições
críticas (Santos et al., 2024).
Pesquisas recentes apontam que a falta de informação ainda é a principal
barreira para a adesão. Muitos potenciais doadores nunca receberam orientações
claras sobre o processo de doação, o que contribui para a perpetuação de mitos. Entre
os receios mais comuns estão o medo da dor, a possibilidade de contrair doenças e a
crença de que doar sangue pode enfraquecer o organismo. Esses fatores, aliados à
falta de tempo e de horários flexíveis nos hemocentros, reduzem significativamente o
número de doadores ativos (Bonjorno et al., 2023).
Outro dado relevante é que boa parte dos voluntários se mobiliza apenas
quando existe a necessidade de um familiar ou conhecido. Esse comportamento
reforça a ideia de que a solidariedade comunitária ainda não está suficientemente
enraizada na cultura de doação, tornando urgente a promoção de campanhas
educativas e contínuas (Bonjorno et al., 2023).
Nesse contexto, experiências de extensão universitária têm demonstrado
resultados promissores. Atividades como tipagem sanguínea em espaços públicos,
rodas de conversa, dinâmicas interativas e uso de plataformas digitais vêm sendo
utilizadas como estratégias de aproximação com a comunidade. Além de esclarecer
dúvidas, essas ações desconstroem tabus e estimulam novos doadores,
especialmente entre jovens em idade escolar e acadêmica (Goebel et al., 2024).
A inserção do tema em ambientes escolares também é considerada
estratégica. Ao abordar a doação de sangue com crianças e adolescentes, cria-se a
oportunidade de formar uma consciência solidária desde cedo. O envolvimento de
estudantes universitários nesses projetos contribui ainda para a troca de saberes e
para o desenvolvimento de habilidades comunicativas, reforçando a função social da
educação em saúde (Goebel et al., 2024).
A experiência realizada no município de Palmitos, em Santa Catarina, ilustra
os impactos positivos de campanhas locais bem estruturadas. Oficinas, palestras e
materiais de divulgação permitiram a formação de grupos de doadores que, após
orientações e pré-testes, passaram a contribuir de maneira regular. Como resultado,
o número de doadores cadastrados aumentou de 120 para mais de 300 em poucos
anos, garantindo maior estabilidade aos estoques regionais (Franco et al., 2008).
Esse caso evidencia que a informação é um fator determinante. Quando a
comunidade compreende a segurança do processo e a relevância social do gesto, há
maior adesão e fidelização. Além disso, a utilização de rádios, jornais e cartazes como
canais de comunicação reforça a importância da mobilização social para ampliar o
alcance das mensagens (Franco et al., 2008).
Outro aspecto relevante é o envolvimento de adolescentes e jovens. Ainda que
aptos a doar a partir dos 16 anos, desde que autorizados por responsáveis, eles
representam uma parcela pequena dos doadores brasileiros. Muitas vezes,
desconhecem essa possibilidade e não recebem informações adequadas nas escolas.
Projetos voltados a esse público, com palestras, dinâmicas e materiais educativos,
têm mostrado que, quando sensibilizados, os jovens demonstram maior disposição
para se tornarem doadores e multiplicadores de informação (Lima et al., 2020).
O investimento em campanhas direcionadas a esse público pode representar
ganhos significativos a longo prazo. Ao consolidar uma cultura de doação na
juventude, é possível formar doadores recorrentes, assegurando maior estabilidade
para os estoques sanguíneos em nível nacional (Lima et al., 2020).
Além das estratégias de conscientização, é necessário compreender os
critérios técnicos que definem a aptidão do doador. De acordo com as normas
brasileiras, podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, desde que atendam a
requisitos de peso, saúde e intervalo entre doações. Indivíduos menores de 18 anos
precisam apresentar autorização formal dos responsáveis. Esses critérios são
fundamentais para garantir a segurança tanto do doador quanto do receptor, evitando
riscos de complicações médicas ou transmissão de doenças (Lima et al., 2020).
Outro ponto que merece destaque é a forma como o sangue coletado é
utilizado. De uma única bolsa de 450 ml, é possível separar até quatro
hemocomponentes: concentrado de hemácias, plasma, plaquetas e crioprecipitado.
Cada um deles atende a diferentes necessidades clínicas, o que significa que uma
doação pode beneficiar até quatro pessoas distintas. Esse dado evidencia o impacto
coletivo do ato de doar, reforçando sua relevância para a saúde pública (Lima et al.,
2020).
Ainda sobre a segurança do processo, é importante frisar que a coleta é
realizada com material descartável e esterilizado, eliminando qualquer risco de
transmissão de infecções ao doador. Além disso, a quantidade retirada não causa
prejuízos ao organismo, já que o volume de sangue é reposto naturalmente em poucos
dias. A triagem clínica, realizada antes da doação, também contribui para assegurar
que apenas indivíduos aptos realizem o procedimento (Bonjorno et al., 2023).
Mesmo com essas garantias, muitos potenciais doadores permanecem
inseguros. Esse cenário reforça a importância de campanhas educativas que
mostrem, de forma clara e acessível, todas as etapas do processo, desde a triagem
até a utilização dos hemocomponentes. A transparência quanto à segurança e à
relevância da doação é um caminho fundamental para reduzir desistências (Bonjorno
et al., 2023).
Outro desafio está na fidelização dos doadores. É comum que as pessoas
doem apenas uma vez, em resposta a campanhas emergenciais ou pedidos
específicos. Contudo, os hemocentros necessitam de doadores regulares para manter
os estoques estáveis ao longo do ano. Para isso, são necessárias ações que reforcem
o vínculo entre o doador e a instituição, como o envio de lembretes, programas de
acompanhamento e campanhas de valorização do ato voluntário (Santos et al., 2024).
Portanto, observa-se que a ampliação da adesão à doação de sangue depende
de um conjunto de ações articuladas. A superação de mitos, a educação em saúde, a
mobilização social e a fidelização de doadores regulares formam um conjunto de
estratégias indispensáveis. A doação não deve ser vista apenas como uma resposta
emergencial, mas como um gesto contínuo de cidadania, capaz de garantir a vida de
milhares de pessoas que dependem desse ato solidário.
2 DESCRIÇÃO DA FORMA DE EXECUÇÃO DA CAMPANHA PARA A
COMUNIDADE E LOCAL ESCOLHIDO PARA EXECUÇÃO
A campanha foi realizada através da panfletagem, uma forma simples e direta
de transmitir informação e ideias. Tal estratégia foi escolhida por permitir um contato
fácil com as pessoas e por atingir um público variado em pouco tempo, além de ser
uma maneira acessível de conscientizar a população e esclarecer dúvidas sobre o
tema.
Primeiramente, foi elaborado um panfleto informativo, com linguagem clara e
objetiva, explicando quem pode doar sangue, os cuidados necessários e a importância
desse gesto para salvar vidas. O material também trazia informações sobre a
segurança do processo, buscando desmistificar medos e ideias erradas que muitas
pessoas ainda têm sobre o assunto.
Depois de produzido o material, os panfletos foram distribuídos em locais de
grande movimento em Ubiratã, como o comércio local, o posto de saúde e a lotérica.
Esses pontos foram escolhidos por concentrarem pessoas de diferentes idades e
perfis, o que permitiu-nos ampliar o alcance da ação. Durante a panfletagem, os
participantes falaram para o público, explicando a importância da doação e tirando
eventuais dúvidas sobre o procedimento.
A atividade contribuiu para aproximar os acadêmicos da comunidade e reforçou
o papel social da universidade na promoção da saúde. Além de divulgar informações
importantes, a campanha ajudou a despertar um olhar mais solidário e consciente
sobre a doação de sangue entre os moradores da cidade.
3 FEEDBACK DO QUE GRUPO ACHOU EM RELAÇÃO A SUA PARTICIPAÇÃO
NA CAMPANHA
Do planejamento até a execução, todas as etapas contribuíram para o
desenvolvimento pessoal e profissional. O contato com a comunidade possibilitou
aplicar na prática o que se aprende na aula, em especial a importância da educação
em saúde.
Durante a panfletagem, percebe-se que muitas pessoas ainda têm dúvidas e
medo da doação, principalmente da agulha. Situações como essas apenas mostram
que muitas vezes a falta de informação é o principal motivo para que as pessoas
deixem de ajudar. Ao esclarecer algumas dúvidas e desestigmatizar certos receios,
foi notável o interesse genuíno por parte de algumas pessoas em contribuir.
Outro ponto bastante reforçado foi a importância de o profissional da saúde ir
além da atuação técnica, assumindo também o papel de educador; é fundamental
saber se comunicar, orientar e incentivar práticas que beneficiam a todos.
4 ANEXAR CÓPIA (LEGÍVEL) DA DECLARAÇÃO DE DOAÇÃO DE SANGUE.
Figura 1 - Declaração de Banco de Sangue Figura 2 – Declaração de Doação
Fonte: De Autoria Própria (2025) Fonte: De Autoria Própria (2025)
5 REGISTRO FOTOGRÁFICO DE CADA ETAPA E DA AÇÃO EXECUTADA.
Figura 3 - Conversa Com o Público Figura 4 - Explicação Sobre o Tema
Fonte: De Autoria Própria (2025) Fonte: De Autoria Própria (2025)
Figura 5 - Distribuição dos Panfletos Figura 6 - Distribuição dos Panfletos
Fonte: De Autoria Própria (2025) Fonte: De Autoria Própria (2025)
Figura 7 - Distribuição no Posto de Saúde Figura 8 - Distribuição no Comércio
Fonte: De Autoria Própria (2025) Fonte: De Autoria Própria (2025)
Figura 9 - Doadora Voluntária Figura 10 - Sangue Sendo Retirado
Fonte: De Autoria Própria (2025) Fonte: De Autoria Própria (2025)
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho possibilitou entender na prática como a informação correta pode
mudar a opinião e o comportamento do público e incentivar novos doadores. O contato
com o povo mostrou que ainda há muitas dúvidas e receios acerca do tema,
principalmente medos infundados, e que uma simples orientação já faz a diferença.
Por fim, ficou claro que incentivar a doação de sangue é um trabalho de grande
importância, pois promove o abastecimento de bancos e salva vidas. Ampliar o
número de doadores é essencial pra que o sistema de saúde continue funcionando
de forma segura e contínua.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BONJORNO, Alesandra de Fátima Oliveira David et al. Fatores que influenciaram
na doação de sangue, 2023. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso Técnico em
Enfermagem) - Etec Paulino Botelho, São Carlos, 2023.
FRANCO, Patricia et al. A Importância Da Doação De Sangue E Formação De
Novos Doadores Em Palmitos, Sc. Cidadania em Ação: Revista de Extensão e
Cultura, Florianópolis, v. 2, n. 1, 2008.
GOEBEL, Cristine Souza et al. Promovendo o ensino em saúde para doação de
sangue. Revista Brasileira de Extensão Universitária, [S.L.], v. 15, n. 3, p. 267-
278, 2024.
LIMA, Viviane dos Santos Vaccaro et al. Impacto da pandemia COVID-19 na doação
de sangue: Uma revisão integrativa. Saúde Coletiva, v. 12, n. 77, 2022.
SANTOS, Kethuyn Paulucio et al.. A importância da conscientização para doação
de sangue. 2024. Monografia (Técnico em Enfermagem) – Etec Monsenhor Antônio
Magliano, Garça, 2024.
TOLLER, Aline et al. Campanha de Incentivo à Doação de Sangue. Disciplinarum
Scientia | Saúde, Santa Maria (RS, Brasil), v. 3, n. 1,