A LÍNGUA DE SINAIS

Uma das crenças da língua de sinais é que ela é universal. Nas comunidades de línguas orais cada pais tem sua própria língua e com a língua de sinais não é diferente cada pais possui uma língua de sinais, por exemplo, a língua de sinais japonesa, língua de sinais americana, etc. Em qualquer lugar que haja surdos interagindo haverá a língua de sinais, universal é o impulso dos indivíduos para a comunicação e, no caso dos surdos esse impulso é sinalizado, por isso a língua dos surdos não pode ser considerada universal, pois não é utilizada da mesma maneira por todos os surdos de todas as sociedades ela varia de acordo com o país. A língua de sinais dos surdos é natural, pois evolui como parte de um grupo cultural do povo surdo. São consideradas artificiais as línguas estabelecidas por um grupo de indivíduos com algum propósito específico. Exemplo: esperanto e o gestuno são exemplos de línguas “artificiais”, cujo objetivo é estabelecer comunicação internacional, é um tipo de língua auxiliar. Sobre a Gramática da língua de sinais é importante saber que o reconhecimento linguístico tem marca nos estados descritivos do linguístico americano William Stokoe em 1960, e neste mesmo ano desenvolveu-se uma teoria de língua em que as estruturas e categorias gramaticais podiam ser associadas a padrões lógicos universais de pensamento Stokoe descreveu os níveis fonológicos e morfológicos da língua americana de sinais que são: configuração de mão; ponto de articulação e movimento. Na década de 1970 os linguistas Robbin Battison e Edward S. Klima conduziram os estudos da gramática mais aprofundados sobre a gramática descrevendo um quarto parâmetro: a orientação da palma da mão. Ficou demonstrado que dois sinais com os mesmos outros três parâmetros iguais, poderiam mudar de significado de acordo com a orientação da palma da mão, e esse contraste recebe o nome de par mínimo, onde a orientação da palma da mão faz a distinção de significado, sendo validada, portanto, com mais de um parâmetro. Vários verbos fazem a flexão verbal dependendo da orientação da palma da mão. Os sinais também podem ser realizados com uma ou duas mãos. A configuração de mão diz respeito à forma da mão e a orientação da palma da mão indica que o sinal tem direção e que sua inversão, em alguns sinais, pode alterar o significado do sinal. A locação refere-se ao lugar, podendo ser realizado em alguma parte do corpo como, por exemplo, em frente o queixo. O movimento pode ou não estar presente nos sinais. As mãos não são o único veículo usado nas línguas de sinais para produzir informação linguística, os surdos fazem uso extensivo de marcadores não manuais como, por exemplo: traços de línguas orais, entonação, velocidade, ritmo, sotaque, expressões faciais (movimento de cabeça, olhos, boca,

O pensamento de que a língua de sinais é mímica é um preconceito muito grave. mas na verdade todas as línguas são conceituais. deficiente. uma visão de anormalidade. podem expressar sentimentos. O canal comunicativo diferente que o surdo usa para se comunicar não anula a existência de uma língua natural. Analisando esses parâmetros percebemos que as línguas orais e as línguas de sinais são similares em seu nível estrutural.sobrancelha. faz apresentações. além de transitar por diversos gêneros discursivos. mesmo sinais mais icônicos tendem a se diferenciar de uma língua de sinais para outra. Além disso. Tudo isso também esta ligado às ideias que muitos ouvintes têm sobre os surdos. A crença ainda é muito forte na sociedade ouvinte. Enquanto as línguas de sinais incorporam unidades simultaneamente. literatura. A língua de sinais possui todas as características linguísticas da língua humana natural. A língua de sinais pode também discutir filosofia. assuntos cotidianos. as línguas orais tendem a organizá-las. ou seja. . As línguas orais e de sinais se diferem quanto à forma como as combinações das unidades são constituídas. etc. que vai além da discussão sobre a legitimidade linguística ou mesmo sobre quais quer relações que ela possa ter ou não com a língua de sinais. Existe também a crença de que a língua de sinais seriam mais conceituadas do que as língua orais. Para demonstrar a diferença entre a mímica e os sinais Klima & Belluge conduziram um estudo onde foi constatado que houve uma simplificação e uma estilização nos movimentos. mudo. Existe uma crença em que a língua de sinais é considerada uma representação pantomímica. Outra diferença entre pantomimas e mímicas é que a pantomima faz com que veja o objeto e o sinal faz com que veja o símbolo convencionado para esse objeto. a diferença é a formação de cada língua pois a complexidade é inerente a todas as línguas humanas e naturais.. cria poesias. etc. são formadas a partir de unidades simples que. emoções e quaisquer ideias de sentimentos abstratos. Embora exista um grau elevado de sinais icônicos destaca-se que essa característica não é exclusiva da língua de sinais. formam unidades mais complexas. complexa e genuína como é a língua de sinais.. política. As investigações linguísticas apontam e descrevem a existência de características linguístico-estruturais que marcam as línguas humanas naturais. etc.) são elementos gramaticais que compõem a estrutura da língua. combinadas. de que a língua de sinais dos surdos não tem gramática está ancorada nas crença de que falamos a seguir: a de quedas não passariam de mímicas e pantomimas. etc. Vale lembrar ainda que os surdos apresentam conceitos abstratos na língua de sinais.

Por ser proibida a língua de sinais eram usadas as escondidas. e de um grupo de surdos adultos aprende a escrever os sinais de acordo com o “SignWriting”. pois imaginam. Em 1988 Padden & Humphries mostram que as escolas proibiam a língua de sinas entre os surdos e forçavam a fazer a leitura labial. Para muitos ouvintes que desconhecem a carga semântica dos termos: surdo. por entender que seria o termo correto e não a palavra por entender como um desrespeito ao surdo. isso depende de cada país a configuração das mãos. obsceno e extremamente agressivo já que era exposto o corpo demais ao sinalizar. como se faz. lugares. utilizam-se termos como deficiente. e sim um código de representação das letras alfabéticas. por exemplo.kegl . Vários estudos têm apontado a dificuldade que os surdos têm para se comunicarem com a população ouvinte. nos Estados Unidos.o que é. Muitas das pessoas se confundem em pensar que a língua de sinais é o alfabeto manual. são muitos as crenças entre a população. na mesma proporção em que se torna inverdade dizer que todos os surdos usam a mesma LIBRAS. não é uma língua. escrito em 1999. A LIBRAS ‘falada’ no Brasil apresenta uma unidade? O sociolinguista Marcos Bagno faz uma bela discussão em torno da desconstrução de alguns mitos sobre a língua portuguesa em seu famoso livro Preconceito linguístico . Há pouco tempo atrás a língua de sinais era considerada uma língua sem escrita.cegos da mesma forma que o soletramento britânico usa para as duas mãos com a diferença que precisam pegar na Mão do interlocutor para tatear o sinal. Foi em 1855 que um surdo Francês chegou no Brasil com o apoio do imperador dom Pedro II para criar a primeira escola para surdos brasileiros. Mais não é o alfabeto manual é utilizado para soletrar manualmente as palavras.Portanto.muitos intelectuais . organizado por Judy Shepard. A língua de sinais americana e brasileira tem sua origem na língua francesa de sinais. A ideia de representar as línguas de sinais remete-nos ao primeiro encontro de pesquisadores. dizer que todos os brasileiros falam o mesmo português é uma inverdade. Muitos podem pensar que a língua de sinas é mímica. Segundo o pesquisador. . mas de . pois está presente no discurso não somente da população.Os surdos foram privados de se comunicarem em sua língua natural séculos. as pessoas visavam como um “código secreto” era vista como algo exótico. No Brasil. amarravam as mãos dentro da sala. Essa soletração é utilizada para nomes próprios. siglas ou algum vocabulário não existente na língua de sinais que ainda não tenha sinal.se como seria entediante uma conversa tendo que soletrar. quando eram pegos eram castigados fisicamente como. Também existe um alfabeto para surdos. No alfabeto manual britânico é feito co as duas mãos. ela também não é igual a todos os países nem inventada. o mito da “UNIDADE LINGÍSTICA NO BRASIL” é o maior e mais sério de todos. surdo-mudo e deficiente auditivo remetem . o alfabeto manual é composto de 27 formatos incluindo o ç.

[. [.. A principal característica do surdo é seu jeito de ser. mas pode ter uma miríade de interpretações e seleções “. Em 1960. Ouve-se muito dizer. mas.] Esta é uma reflexão importante a ser feita atualmente. E a cultura do povo surdo é visual.. “ o som não tem um significado inerente. pois na grande maioria os intérpretes mantêm um maior contato com a língua de sinais a partir de laços entre famílias . E este assunto é muito discutido entre surdos e ouvintes em muitos ambientes sociais. o barulho se e o silêncio se transformam adquirindo uma outra versão a da visão. devemos também respeitar a ideologia e a vontade de outros surdos a também optar pelo aprendizado a oralização da língua portuguesa. vemos que a cultura surda foi marcada por muitos estereótipos. o barulho ou ruído é perceptível aos ouvidos . seja através da imposição da cultura dominante. A quem acredite que. A pesquisadora Karin Strobel desconstrói a ideia de que existe a cultura dos surdos: “Ao analisarmos sua historia. Na escrita.A interpretação na LIBRAS tem tido uma importante representação na interação entre surdos e ouvintes . quando dito que o surdo tem “Cultura Própria” exprimem a ideia de que de um grupo que precisa se distinguir da maioria ouvinte para marcar visibilidade. Padden & Humphries (1988:92) “ ser surdo em sua língua e linguagem própria” Perlin(2004:72) É válido ressaltar que se respeitamos a língua de sinais e o direito do surdo a ser educado em sinais. E a insegurança é tão grande.. pode-se ressaltar que não é uma questão de dificuldade.. mas isto é mito. foi reconhecida a língua de Sinais.. Não digo que seja errado. pessoas surdas têm mais dificuldades no aprendizado. e sim de oportunidade. Outro ponto de suma importância e esclarecimento é a ideia que temos e que os surdo vivem no mundo do silêncio. esta interação oferece ao surdo maior convívio social.onde através de uma dinâmica de objetos ou pessoas manifestadas em forma de movimentos e conversas e expressões faciais se torna perceptível ao entendimento do surdo. de que se estude em uma . o que quero dizer é que essas metodologias não seguem a cultura surda. o surdo não aprende as matérias escolares por tem mais dificuldade do que ouvintes. sentir e se relacionar com o mundo. onde a dificuldade fica maior. pois a Língua Portuguesa tem uma grande relação fônica. que não é dominada pelos surdos.]”.. porque as metodologias citadas não foram criadas pelo povo surdo e sim por ouvintes. que uma pessoa é muda pelo fato de não ouvir. Na opinião do escritor. O surdo tem uma identidade e uma cultura própria? Sim. A verdade é que o surdo fala em uma linguagem própria. seja das representações sociais que narram o povo surdo como seres diferentes.

Neste estudo a grande ocorrência da surdez entre familiares e gerações fez com que a surdez fosse considerada um fator genético ou hereditário. este assunto já foi defendido por professores de português. não é extremamente necessário que o surdo domine a língua Portuguesa para que se sobreviva em sociedade onde a maioria é ouvinte. que liderava campanhas proibindo o agrupamento de surdos. Já as causas congênitas estão relacionadas no contato do embrião ou feto como o vírus da rubéola. alguns surdos tem a facilidade de fazer leitura labial. sífilis.escola onde reconheça as diferenças entre os alunos e proporcione professores especializados na língua de sinais. A questão da hereditariedade também foi estudada por Alexandre Graham Bell. Mas isto não significa que o Português não tenha um papel fundamental para a vida dos surdos. compreensão dos sons vocálicos e consonantais através dos aparelhos auditivos podem ser identificados somente pelos indivíduos que tem surdez moderada ou leve. mas não são tosos que dominam esta arte. citomegalovírus e herpes tendo também as anomalias craniofaciais. sendo transmitida através de um gene recessivo. Além da língua de sinais. e não a restabilização da audição. Mas. pois a proporção era de 1 surdo para cada 155 recém-nascidos. . que são desagradáveis. pois a sociedade é baseada em o que é normal e anormal e o normal é ouvir. O grau de surdez varia de leve a profunda podendo a leve se agravar e com o tempo se tornar profunda. A surdez é considerada como uma anormalidade uma vez que é vista como um déficit. toxoplasmose. hiperbilirrubinemia. É necessário que treino para o desenvolvimento de tal habilidade. pois considerava a surdez uma anormalidade da raça humana. podendo ter aproximadamente 70 tipos de surdez hereditária. E para que isto aconteça. meningite bacteriana entre outros. Com relação à surdez profunda o uso de aparelhos auditivos faz com que se obtenham apenas ruídos fortes. Muitos cientistas realizaram estudos sobre os fatores hereditários da surdez. Essa restabilização. O uso da língua de sinais atrapalha o aprendizado da língua de sinais? Não. A surdez pode ter varias causas. um deles foi realizado por Groce na ilha de Martha's Vineyard. onde 50% estão associadas a outras anormalidades. A dificuldade surge a partir das repetitivas sessões de treino para que se aprenda a língua majoritária. para que se promova uma alfabetização a todos.

pois dependem de vários fatores: idade do surdo. situação da cóclea. . Contudo não podemos deixar de acreditar e lutar para que a população consiga compreender e enxergar o surdo de outra forma. comunicando com outras pessoas podendo construir sua própria identidade e subjetividades. O implante coclear também é bem polemico. acompanhamento periódico do medico para ativação e ajustes no dispositivo do implante. pois quando os surdos conseguem acesso ao uso da língua de sinais este desenvolve tanto habilidades cognitivas e lingüísticas quanto sociais. as respostas auditivas nem sempre são alcançadas. etc sendo que a satisfação entre surdos implantados nem sempre é positiva. a linguagem é essencial para todos os aspectos do desenvolvimento de uma pessoa. trabalho fisioterápico do fonoaudiólogo. pois alem de ser um método invasivo. Pois com o acesso a língua de sinais o surdo consegue se desenvolver em sua totalidade. condições do nervo auditivo. discriminação e reconhecimento dos sons e compreensão da linguagem. e sim pela falta de acesso a uma língua. Podemos através dos aspectos e questão abordada ate agora sobre a surdez chegar à conclusão de que apesar das grandes conquistas já alcançadas como a oficialização das LIBRAS. quantidade de eletrodos implantados. tempo de surdez. a inclusão de LIBRAS em alguns currículos. para que seus direitos sejam não só compreendidos mais aplicados na sua totalidade e assim quebrando as crenças e preconceitos ainda vividos pelos surdos. ainda se observa grande resistência na aplicação desses direitos.Sendo necessário um acompanhamento com profissionais após o inicio do uso dos aparelhos para que o individuo surdo consiga uma melhor detecção. o uso de interpretes. formação nas áreas de licenciaturas e no ensino superior para surdos. O desenvolvimento cognitivo-linguistico não é comprometido pela surdez.

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