SUMÁRIO DA DISCIPLINA

Plano da Disciplina ......................................................................................................................................

00

UNIDADE I O BRASIL MULTICULTURAL Texto 1: História e Cultura Afro-Brasileiras ............................................................................................... Texto 2: Cultura Indígena ........................................................................................................................... Texto 3: As Influências dos Imigrantes ....................................................................................................... Texto 4: Exclusão Social ............................................................................................................................. UNIDADE II FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Texto 5: As Raízes do Modelo Capitalista Brasileiro ......................................................................................... Texto 6: O Processo de Modernização ........................................................................................................ Texto 7: O Papel do Estado nas Décadas de 70 e 80: Autoritarismo e Concentração de Renda ................ UNIDADE III O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA E O CONTEXTO ATUAL DO BRASIL Texto 8: As Consequências Socioeconômicas do Modelo de Desenvolvimento Brasileiro ........................ Texto 9: A Construção de uma Nova Cidadania e os Movimentos Sociais ................................................. Texto 10: O Brasil e o Contexto Internacional ............................................................................................

00 00 00 00

00 00 00

00 00 00 00 00

Glossário ..................................................................................................................................................... Referências bibliográficas ...........................................................................................................................

4

Plano da Disciplina
Carga Horária Total: 30h/atividades Créditos: 02

Relevância da Disciplina
A disciplina propõe estudar a modernização do Brasil e as consequentes transformações políticas e sociais a partir da compreensão do modelo capitalista brasileiro e dos processos de exclusão social, refletindo acerca da pobreza no Brasil, da diversidade social e cultural e dinâmica de classes que estrutura a sociedade brasileira, situando-a no contexto da nova ordem mundial.

Objetivos da Disciplina
Analisar diferentes visões crítico-reflexiva do contexto social brasileiro; desenvolver e/ou utilizar conhecimentos e habilidades para a formação de profissionais conscientes de sua responsabilidade no processo de implantação e implementação de uma sociedade mais justa e igualitária.

UNIDADE I: O BRASIL MULTICULTURAL
Tempo estimado de autoestudo nesta unidade: 8h/atividade Objetivos: Reconhecer a importância da diversidade cultural que constituiu o povo brasileiro e a influência desse multiculturalismo na formação da nossa sociedade e nos dias atuais.

Quadro-resumo da unidade
Assuntos Onde Encontrar Atividades Complementares Leituras Complementares • FREYRE, Gilberto. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro:Record, 1998. • HOLANDA, Sergio Buarque de. Raízes do Brasil. Rio de Janeiro : J. Olympio, 1989. • MOTA, Carlos G. (org). Brasil em Perspectiva. São Paulo: Difel, 1969. • RIBEIRO, D. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. Ed. Companhia das Letras, 1995. Músicas • Que país é esse?, da Legião Urbana; Filmes Indicados • A Missão; • Chica da Silva. • Desmundo.

Texto 1: História e Cultura Afro-Brasileiras

Página 00

Texto 2: Cultura Indígena

Página 00

Texto 3: As Influências dos Imigrantes

Página 00

Texto 4: Exclusão Social

Página 00

Rio de Janeiro: Editora: Rocco. reconhecer as marcas da economia dependente no modelo de desenvolvimento brasileiro. • DREIFUSS. Em meio à euforia do milagre econômico e da vitória da seleção na Copa de 70. Tempos Modernos é uma crítica contundente ao movimento “frenético” imposto pelo processo da industrialização. identificar o Brasil como um país de industrialização recente. 2004. Reginaldo Faria e Flávio Miggliaccio no elenco.br Texto 7: O Papel do Estado nas Décadas de 70 e 80: Autoritarismo e Concentração de Renda Leituras complementares • DAMATTA. • Pra frente Brasil.gov. Dirigido por Roberto Farias (Assalto ao Trem Pagador). O QUE É O BRASIL?. 5 Quadro-resumo da unidade Assuntos Onde Encontrar Atividades Complementares Filmes Indicados • Tempos Modernos.UNIDADE II: FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Tempo estimado de autoestudo nesta unidade: 8h/atividade Objetivos: Caracterizar a Revolução Industrial como o momento de instalação do modelo capitalista de produção. Petrópolis: Vozes. com Antônio Fagundes. que testou uma “máquina revolucionária” para evitar a hora do almoço. 1981. Um operário de uma linha de montagem. é levado à loucura pela “monotonia frenética” do seu trabalho. 1964 A Conquista do Estado. Sites indicados • http://www. R.dominiopublico. perceber as contradições da modernização surgida a partir da Revolução Industrial. Texto 5: As Raízes do Modelo Capitalista Brasileiro Página 00 Texto 6: O Processo de Modernização Página 00 Página 00 . um pacato cidadão da classe média é confundido com um ativista político. René A. sendo então preso e torturado por agentes federais.

perceber as contradições entre as funções de controle.6 UNIDADE III: O PROCESSO DE REDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRA E O CONTEXTO ATUAL DO BRASIL Tempo estimado de autoestudo nesta unidade: 8h/atividade Objetivos: Relacionar a globalização e o neoliberalismo com o desenvolvimento brasileiro dos anos 90.org/brasilcontemp.brasilcultura. Rio de Janeiro. Página 00 Página 00 Texto 9: A Construção de uma Nova Cidadania e os Movimentos Sociais Texto 10: O Brasil e o Contexto Internacional Página 00 . 2000.htm Leituras Complementares SANTOS. Quadro-resumo da unidade Assuntos Texto 8: As Consequências Socioeconômicas do Modelo de Desenvolvimento Brasileiro Onde Encontrar Atividades Complementares Sites Indicados  www. Do pensamento único à consciência universal. Record. e de modernizador. no plano econômico. Milton. Por uma outra globalização. dos governos pós-90. no plano social.

A que se deve isso? Pare e pense! Sobre o que estamos conversando? Sobre algo que é próprio da nossa cultura e da formação de nossa identidade: a miscigenação. o sentimento nacional. Aqui no Brasil. Foi o sol! Que por todo o sítio imenso do Brasil. políticas. características econômicas. mas os estrangeiros que nos visitam. as suas consequências e influências. quantas marcas deixou. como na História a contradição não fere a lógica. Por exemplo. nossas aulas são para aqueles que desejam lançar seus olhares para uma nação. Nosso estado pode não ir muito bem das pernas. 7 . tentaremos nos aproximar de alguns pensamentos que formam a nossa mentalidade. Como tudo se constituiu até os dias de hoje. como as características da população. das regiões brasileiras. Andou marcando de moreno os brasileiros”. quantas bocas beijou? O português protagonizou o regime escravocrata mais cruel e eficaz do mundo moderno. “O poeta come amendoim”: “Noites pesadas de cheiros e calores amontoados. convivência bastante íntima dos três povos que nos formaram. como no poema de Mário de Andrade. aparece aqui e acolá. múltipla e díspar. desafio contemporâneo de resgatar e reinventar culturas que nos tornaram especiais e diferentes de tudo o mais que existe no mundo. Por meio de trechos da nossa história e episódios da nossa cultura. costumamos cometer o erro de confundir o Estado e a Nação. Como se deu esse encontro. brasileiros. mas nossa nação é um sucesso de público e não somos nós que dizemos isso. a nação brasileira. Três vertentes que criaram uma só nação. Contexto é algo que está nas entrelinhas. que explode em um gol ou que vem manso. sociais e culturais. mas. foi quem mais se miscigenou com seus escravos. quantas feridas abriu. que em nós.INTRODUÇÃO Sabemos que precisamos ser cidadãos atuantes em nossa sociedade. mas para nela melhor atuarmos precisamos conhecer os contextos e nuances que a constituem.

Antonil. No Brasil os índios assumiram parcialmente a função de escravos. Embora seja possível apontar as duas figuras principais da tribo. Para entender como nosso país se tornou tão rico em diversidade cultural. e para vingar ofensas. Se com propriedade podemos dizer que o período pré-colonial foi sustentado pela extração do paubrasil. A educação dos meninos e das meninas ocorria num clima harmonioso. pode-se dizer que os portugueses assumiram uma postura arrogante diante dos índios. por meio do qual eram inseridos. que cobria o correspondente de hoje do nordeste e parte do sudeste. Quando os portugueses chegaram nas terras que futuramente seriam o Brasil. que traziam do Oriente. progressivamente. o extenso território era povoado. frequentou mesas abastadas e boticas de cirurgiões. porque traz consigo o ser servido. A sua população não era grande. E esta combinação foi potencializada pela natureza. como você leu acima. construiu-se um mundo novo. já conhecido pelos indianos de longa data. todos com grande aceitação no mercado europeu. sobre terras vastas e férteis. Produto raro e caro. feijão. depois de estabelecerem contatos comerciais no Índico. Dela extraía-se um suco de extrema doçura. obedecido e respeitado de muitos”. O principal grupo. Ao longo da colonização. que comandava os cultos e cuidava das doenças. o lugar que se chamaria Brasil. Os contatos entre os índios e os portugueses nem sempre foram hostis. Tanto a terra como os produtos dela tirados e o resultado das caçadas e das pescarias pertenciam à coletividade. Na tribo destacavam-se duas figuras: a do sacerdote. na vida da comunidade. divididos em quatro principais troncos linguísticos. com o qual os descobridores fizeram contatos em abril de 1500 foi o tupi-guarani. solo altamente propício ao cultivo da cana-de-açúcar. embora essa fosse rudimentar. Conheciam a agricultura. Três povos distintos. Os comerciantes italianos eram os maiores distribuidores da rara doçura. quando Portugal preparava-se para saltar o Atlântico. era constituída de massapé. que conduzia os seus nas constantes batalhas que travavam com outras tribos pelo domínio territorial de caça e pesca. podemos dizer que se organizavam em núcleos menores – as tribos – e desconheciam a propriedade privada. fundamental para tirar das terras conquistadas as riquezas cobiçadas. Diante do desafio enfrentado pela coroa e pelos comerciantes envolvidos na expansão marítima de encontrar uma saída para o Brasil. e a do guerreiro. chega mesmo a ser inexpressiva. amendoim e abóbora. que se desdobravam em incontáveis dialetos. a cana era cultivada em algumas ilhas e também em terras mediterrânicas. Dois elementos fundamentais para a construção do mundo da cana. Completavam a dieta alimentar com a caça e a pesca . um verdadeiro ouro branco para alguns e mortalha da morte para muitos. Se comparada aos dias atuais. E a mão de obra? Como alimentar enormes fazendas com trabalhadores? De onde trazê-los? Portugal era incapaz de fornecer este subsídio demográfico.no que eram muito hábeis – e com a coleta de frutos silvestres. Ele variou segundo os interesses e os comportamentos de ambos. unidos pela fatalidade dos processos históricos. deve-se ressaltar que entre eles não havia aquilo que conhecemos como classe social. mas também nem sempre foram pacíficos. vamos voltar ao tempo e compreender o desenvolvimento do Brasil e a constituição do “povo brasileiro”. a cana pareceu a mais promissora. Sob sol abundante e intenso. erguiam nas terras americanas um complexo de produção que almejava suprir os mercados internacionais de açúcar. Não mais de um milhão e meio de pessoas viviam em Portugal no século XVI. colaboraram para a vulgarização dos produtos obtidos da cana-de-açúcar. de forma geral. Os portugueses. Uma extensa faixa de terra. Um produto agrícola de valor comercial e terras em abundância. diga-se de passagem. De modo geral. Os trabalhadores deveriam ser gerados fora do reino. não será menos dizer que a cana-de-açúcar fez igual pela colonização. Muito pelo contrário.8 UNIDADE I O BRASIL MULTICULTURAL “O ser senhor de engenho é título a que muitos aspiram. mas continuava sendo cara. No século XV. Adoçava e curava. depois de terem expulsado para o interior as tribos que não eram tupis. Estima-se que viviam aqui cerca de três milhões e meio de índios. Tronco constituído por várias nações que habitavam o litoral. Movidos pela ganância e pela . além de milho. e bem povoado. não as encontraram desabitadas. As crianças acompanhavam os adultos nas atividades cotidianas e pouco a pouco aprendiam. Plantavam principalmente mandioca. Sentiam-se superiores a eles e esforçaram-se para escravizá-los e submetê-los à lógica do trabalho forçado.

os descobridores perpetraram verdadeiros massacres. cristalizado e tratado até ser encaixotado. das sinhás. O engenho era a parte mais mecanizada da fazenda. Trata-se do engenho de açúcar. que sintetiza vários elementos do mundo do açúcar. de cana principalmente. Centro da produção de riqueza e também de um modo de vida. do vaivém das embarcações. Do outro lado a África. Casamentos eram realizados na presença do padre. de trabalhadores. Proprietários de terra e de engenhos eram os senhores. E a América Portuguesa ia sendo paulatinamente construída. A coroa vendia o direito de explorar o comércio escravo e taxava a sua passagem pelos portos. Quanto mais fechada. gerava novas e riquíssimas fontes de renda. pode esclarecer os demais. para formarem uma elite. Estas duas realidades se unem pelas águas atlânticas. A solução encontrada e que melhor cobria as necessidades apontadas foi a escravização do africano em escala mercantil. com suas terras infindas e férteis. E muitos técnicos do velho continente vieram se estabelecer no Brasil nascente. Ser senhor de engenho era o que todos queriam. Porém. E. Por isso também os lotes de terra concedidos aos plantadores deveriam ser vastos. fato importante para a manutenção do pacto colonial. que foram destruídas pelos ataques dos índios. sendo transformada em usina de energia humana. em combustível da colonização. onde desempenhavam importante papel na cadeia produtiva. Aliada a este princípio. atravessadas ordinariamente por velames portugueses abarrotados de homens e de mercadorias. quando se comemora a noite de São João. pois sem concorrência o preço pode ser melhor controlado. O Brasil deixava de ser um fornecedor de energia escrava e se especializava em produzir cana. Proprietários de terras cultivadas eram os grandes lavradores. as praias do mundo. a casa grande primava pela seriedade. E tem mais. A monocultura da cana esgotava o solo. muitas vezes movidas pela força dos escravos. de aristocracia americana. O complexo processo de produção culminava nos seus depósitos. O suco dos homens misturava-se ao da cana e fazia o brasileiro. Os trabalhos começavam normalmente em fins de junho. além de plantarem e colherem a cana. Florestas sendo abatidas para dar lugar ao cultivo e fornecer madeira para alimentar as caldeiras dos engenhos. A história registra vários episódios de construções (incluindo a casa do senhor e o engenho). Sair de casa não era propriamente ir à rua. Gilberto Freire nomeou este complexo aparelho colonial de Casa Grande e Senzala. hortas e pastagem. Depois da moagem o suco era cozido. destacaremos um que pela sua abrangência. Os seus componentes eram importados da Europa. tanto econômica quanto cultural. de mulheres e homens escravizados. Tiravase o caldo da cana nas moendas. cedendo lugar às novas plantações e fornecendo energia ao engenho. um sistema de distribuição da terra. Podemos dizer que boa parte das relações sociais desta primeira idade do Brasil girou em torno do engenho.necessidade. deveriam ser poucos. um gosto tão orgânico quanto suas paisagens. a herança da Ibéria moura nos deu casas com pátios e jardins internos. Era 9 . As florestas eram derrubadas periodicamente. Vários elementos corroboraram para esta construção. morada do senhor. de sua família nuclear. sangue e cana. As terras eram ocupadas por florestas. Durante meses as caldeiras permaneciam funcionando e os edifícios eram iluminados para que o trabalho ocorresse sem grandes intervalos. sendo coberto paulatinamente por plantações. mas também tracionadas por juntas de bois e em alguns casos por grandes moinhos de água. Grande extensão de terra. ela assumia este papel sozinha. Festa de herança colonial. Eram os mais ricos e poderosos porque. que perseveraram na luta pelo seu território ao longo de toda nossa história. pomares. Na base de tudo a grande propriedade. Poucos homens a possuí-la. O engenho recebia e processava a cana plantada nas vastas terras pelos escravos. plantações de cana. Assim não havia concorrência entre as colônias e os lucros eram maiores. Eles constituíam uma espécie de nobreza da terra. portanto. lágrimas. Se a África era transformada em fornecedora de energia. exigindo a abertura de novas clareiras na mata. O mundo da cana preparava-se na íntegra para adoçar as praias do Brasil nascente. A casa grande. dos agregados e dos escravos de casa. ligados a Lisboa por distinção e riqueza. Um país a nascer com gosto de suor. Era um trabalho árduo e intenso. título de seu mais notável livro. que era também o de distribuição da riqueza: a terra era a mais importante fonte de produção. purificado. Uma casa que era também pequena fortificação. mais protegida. que comparecia ao engenho para abençoar os trabalhos e os trabalhadores. De um lado o Brasil. podiam transformá-la em açúcar e outros derivados. Uma noite de folguedos e festejos antecedia a abertura dos trabalhos. de onde eram enviados para os portos e depois para o mundo. Cume da ascensão econômica e social. Além de coibir o controle dos colonos brasileiros sobre a mão de obra. No começo dos tempos coloniais. As grandes fazendas tentavam a autonomia. Em suas terras eram plantados os alimentos que nutriam os escravos e os demais habitantes do lugar. reduzindo a população nativa a um número insignificante comparado ao ano de 1500. O mercantilismo alimentava-se deste trânsito constante.

Nela viviam os escravos. Nela vivia a força motriz do mundo da cana. E este cenário nos remete a um quadro social também familiar. às técnicas. donos dos meios de produção de riqueza. muitas vezes insalubres. à religião. Uma sociedade fortemente vincada pela liberdade e riqueza. A Casa Grande é a sede do patriarca. O índio perdeu as terras e o negro foi brutalmente transportado de ambiente. ao menos em alguns aspectos. Chama-se Desmundo. é ingênua a perplexidade de se surpreender com informação de que tribos. tirando-a. em seguida você encontrará um guia de resolução das atividades propostas. A cultura portuguesa preponderou. Nem todos tinham a mesma fortuna. A violência do escravista e a provedoria do pai estiveram na constituição do senhor de engenho e de sua morada. que estendiam seus poderes para além das fronteiras de suas propriedades. que foi enviada ao Brasil para se casar com um homem que a escolhesse. Por isso. Cabe salientar que a ideia de uma etnia negra é uma invenção do continente americano.10 caminhar pelo pátio interno da casa. e com ela. que tão diretamente agia sobre os destinos de seus subordinados. 2) A lista é enorme. à navegação. Uma massa de trabalhadores. A senzala. que são os escravos. 1) O latifúndio monocultor adaptava-se aos interesses no mercantilismo porque ele produzia um produto de grande aceitação no mercado. reduzidos à condição de objeto. Mas eram livres e assalariados. assim como entre os índios. A espantosa energia do homem da África posta violentamente a serviço do mercantilismo. assim. era uma habitação coletiva. Rústica. Nela concentrava-se o poder e a riqueza. Baseado no romance histórico homônimo da escritora Ana Miranda. o cultivo da cana esgotava o solo e os engenhos necessitavam de muita lenha para funcionar. assim como a Casa Grande. 3) Por que era importante que os lotes de terra cedidos fossem vastíssimos? Gabarito Caro aluno. O senhor de tantas vidas e tantas fortunas. ao comércio. na África não havia essa identidade por meio da cor da pele. escravizassem outras para fornecer aos portugueses. como também eram as casas dos senhores. Os negros e índios foram submetidos de forma física. também seus costumes. de negros ou de índios. Dicas de Estudo Filme recomendado Indicaremos um filme bastante interessante e ilustrativo do viver na colônia no século XVI. o filme conta a história de uma moça órfã. Construção ampla e comum. destituídos de direitos. desta família que Gilberto Freire explicou como patriarcal. Segundo. Exercícios 1) Faça você mesmo a conexão: escreva um parágrafo explicando porque a grande lavoura de cana-de-açúcar encaixa-se tão bem aos interesses do mercantilismo. nem todos viviam a mesma riqueza. mas podemos destacar entre as principais: o senhor. o escravo. E alguns poucos senhores de engenho. porque era um símbolo de distinção social e estratégia de criação de uma elite. Alguns trabalhadores eram livres. da situ- . a família do senhor e os trabalhadores técnicos. aos trabalhos manuais especializados. fez dela sua sede. também denunciava o seu morador. 2) Estabeleça uma lista com as principais personagens do complexo Casa-grande e senzala. vinculados à administração. culturalmente se viram expostos e fragilizados. 3) Primeiro.

São Paulo: Companhia das Letras. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Itatiaia. o acúcar converteu-se em produto de luxo. quanto mais ostensiva a presença portuguesa mais presente era a escravização. Deus ao mar o perigo e o abismo deu. André João. 1988. Mas nele é que espelhou o céu. Não custa lembrar que como afirmou Antonil. Logo essa extensa propriedade. O açúcar pode ser um dos ingredientes de uma massa para modelar e pintar. Por conta dos grandes lucros advindos da comercialização do açúcar no mercado internacional e da . Trata-se de uma obra coletiva. desejado para o consumo. pôde ser regularmente consumido por um público maior e passou a adoçar o chá. quantas mães choraram. que não era facilmente encontrado mas que era. A empresa açucareira necessitava de um latifúndio que plantasse cana para a produção de açúcar. Fabricar açúcar era empresa que necessitava de investimentos vultosos para a instalação dos engenhos. decorar mesas com a esculturas feitas de açúcar. livres e assalariados. o ouro branco. que por sua vez. os escravos eram como as mãos e os pés dos senhores de engenho. na qual vários autores visitam formas de viver e pensar na época colonial. Porém. Escolha alguns capítulos e conheça um pouco mais da vida privada no Brasil nascente. E ainda: ANTONIL. Cultura e opulência do Brasil. sendo que no passado era sinal de status social e fortuna. Segredos internos: Engenhos e escravos na sociedade colonial. o café e o chocolate. em uma sentença já há muito clássica. O filme foi dirigido por Alain Fresnot. com conhecimentos especializados no cozimento e no refinamento do produto. que pertencia ao senhor de engenho. Os índios escravizados eram explorados até o limite de suas forças e acabavam morrendo por maus-tratos ou pelas doenças trazidas do universo bacteriológico europeu.ação de penúria e abandono que vivia em Portugal. Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso. Mas ela não gosta nem um pouco daquele que a escolheu e sua vida torna-se um tormento. quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos. 11 Texto 1: História e Cultura Afro-Brasileiras “Ó mar salgado. “ Fernando Pessoa experiência pregressa do cultivo em outras partes do mundo. mais e mais. vivia da monocultora. fazia uso de uma mão de obra permanente. os usos e abusos do açúcar são bem mais variados: tempero. ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. o litoral do Brasil. Leitura recomendada História da vida privada no Brasil: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa 1 é um livro muito informativo e agradável. conservante. Tanto que foi apenas a partir do século XVIII que. remédio e decoração. vinculada ao processo de desterritorialização sofrido pelo indígena. exigia trabalhadores. Como para o capitalismo comercial praticado em Portugal seria inviável o trabalho assalariado. 1982. recorreu-se ao trabalho escravo. Stuart B. A escravidão no Brasil aparece primeiro. para atender a demanda e gerar os lucros desejados pela coroa portuguesa e pela burguesia comercial. extremamente favorável ao cultivo. também ser tornavam mais acessíveis ao consumo de maiores camadas das populações. São Paulo: Companhia das Letras. Coincidindo com o descobrimento do Brasil em 1500. lançado em 2003 pela Columbia Pictures do Brasil. encontrou na lavoura da cana-deaçúcar sua expressão econômica fundamental. SCHWARTZ. logo. Porém. por sua vez. como consequência da expansão de sua produção e da sua comercialização. 1997. que. abordando aspectos quase sempre esquecidos nos livros escolares. mas economia é pouco para descrever a importância e os futuros desdobramentos para a cultura brasileira dessa opção. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. A coleção foi dirigida por Fernando Novais e este volume foi organizado por Laura de Mello e Souza. o grosso da mão de obra dos engenhos de cana era constituído de escravos.

Essas e outras formas de reação prejudicavam os negócios. correntes para dormir sem causar risco de fuga e castigos corporais. tudo isso pode ser levado em conta por que existia uma alternativa já conhecida e que trazia beneficíos para a coroa portuguesa e para o comércio português. obra máxima da conversão. acabou . O que parece predominar sem excluir alguns outros são os lucros obtidos no comércio transatlântico dos escravos. Transportados para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Era uma forma de estabelecer relações de tabalho desligadas de relações sociais integradoras da coletividade. Foram eles os protagonistas de uma rebelião de escravos ocorrida na Bahia. os indígenas também foram vítimas desse modo de produção. inclusive. mas. sendo. mas para o qual a América estava indefesa. Entre os sudaneses uma informação impressiona.12 africano e asiático que entre si conviviam. os negros. para o jesuíta essa era a sua missão. vinham amontoados. em uma situação considerada por muitos como desumana. Os muitos que morriam no trajeto tinham seus os corpos jogados ao mar. nas regiões que hoje pertencem ao Sudão e também ao norte da Guiné. trazidos da África Equatorial e Tropical em regiões que hoje pertencem a países como o Congo. na rota África-Brasil para a coroa portuguesa e a burguesia comercial de Portugal. em 1835. em função do tráfico negreiro. Deus aos índios reservou a catequese. instalações desconfortáveis com nenhuma facilidade nas senzalas. Guiné e Angola. A justificativa para a adoção de um regime escravocrata era a falta de mão de obra. oferecia perigos para o bom andamento dos trabalhos.” Gregório de Mattos Guerra por se constituir. e que ficou conhecida como a Revolta dos Malês. os escravos eram vendidos como mercadorias. No que diz respeito à composição étnica. No Brasil. para o trabalho na lavoura do açúcar ou na extração de ouro. Os escravos eram submetidos a O uso da mão de obra escrava negra foi bem mais numeroso e propalado. Porém. que se tornariam a principal fonte do trabalho escravo durante o período colonial e imperial brasileiro. a africana se tornou mais comum por diversos motivos. Some-se a isso também a questão dos jesuitas. além de o lucro obtido por sua escravização não chegar ao tesouro da metrópole. embora a escravidão no Brasil tenha sido caracterizada pela presença de escravos trazidos da África. porém. ordem religiosa de fundamental importância para a compreensão do Brasil. Lucravam os comerciantes de escravos e a Coroa portuguesa. o que desagradava profundamente os anseios mercantilistas portugueses. O índio. O tráfico negreiro proporcionava duas vantagens em relação à escravidão indígena: era fonte de mão de obra de mais fácil obtenção sem provocar o desagrado da Igreja e gerava lucros substanciais para a metrópole. a mão de obra do escravo indígena era a que prevalecia. Mestiços e Mulatos. Nos primeiros tempos do cultivo da lavoura da cana. constata-se a presença de dois grupos importantes: os bantos e os sudaneses. Quando aqui chegavam. interessados em largos acúmulos de capital. “Dou ao Demo os insensatos. No começo foi utilizada a mão de obra indígena. posto que. Trazidos pelos portugueses para o trabalho escravo nos engenhos de açúcar do Nordeste. Agora. tais como violentas reações que chegaram até mesmo a ameaçar a segurança e o bom andamento da economia açucareira colonial. a escravidão de forma sistematizada teve início com a produção de açúcar na primeira metade do século XVI. os mais fortes e saudáveis valiam mais. e da África Ocidental. A utilização em larga escala da mão de obra negra no Brasil Colônia. os escravos eram submetidos a um regime de tratamento bastante cruel dos vários pontos de vista que se possa imaginar: trabalho pesado na lavoura. sendo-lhe negada até mesmo a alma. coisa que a maioria de seus algozes sequer era. fugas em um território conhecido. ao ponto de representar uma das mais bem sucedidas formas de acumulação de capitais para metrópole e se consolidando como principal manancial de trabalhadores escravizados. Dou ao demo a gente asnal Que toma por cabedal Pretos. havia muitos que eram islamizados. até mesmo servindo de fundamento para teorias de supremacia racial. isto em uma época em que sequer se considerava o negro escravizado um ser humano. alfabetizados. ainda em fins do século XVI. em uma atividade extremamente lucrativa. que condenava veementemente a escravidão indígena. conforme sua utilidade. que para afirmar sua identidade necessita negar a do outro.

. escravo. provavelmente. considerado “coisa de negros”. por dias e semanas inteiras. sobre os açoitarem e pingarem com a mesma crueldade que fazem os demais. A aplicação dos castigos é realizada de forma sistemática e obedecia a um esquema que. fugas isoladas. tema. da colônia até o Império. e comentando dos «cruéis castigos. entre nós. Se esse impulso pode ser compreendido como a busca por uma vida mais digna. A maior parte da mão de obra negra feminina estava destinada aos afazeres domésticos. sonhava com os quilombos. Pedro II escreveu uma carta indignada ao governador-geral D. tinha como objetivo libertar os escravos africanos mas pregava a escravização dos brancos e dos mulatos que não eram convertidos ao islamismo. que se curou no hospital. Dentre todos os quilombos. um tipo de sociedade que combinava o saber africano com as necessidades específicas que a vida nas florestas impunha.castigos corporais. De Francisco Pereira de Araujo se diz que cortou as orelhas a um. a quem o senhor cortou as partes pudendas. formar quilombos foi a mais estratégica. outro veio do sertão. Por conta da escravidão. que se perpetuam até hoje. Diz ainda de castigos que se fazem por suspensão de cordas em árvores. executando neles a mutilação de membros. que representavam uma constante busca do negro por viver em liberdade apesar de muitas vezes sequer poder imaginar o que lhe aguardava caso obtivesse sucesso no seu intento e de fato conseguisse se embrenhar na mata e encontrar um lugar para viver longe da escravidão que lhe havia sido imposta pelo branco. os filhos dos senhores. o dos Palmares foi o que conheceu maior reputação. Em 1º de março de 1700 por exemplo. bem como. Aconteciam também as fugas. Mesmo nos quilombos a escravatura existiu. o manual. Os quilombos se constituiam em aldeamentos de negros que escapavam da escravidão nas fazendas que abrigavam a lavoura da cana e também mais tarde nas regiões nas quais se extraía o ouro. Certamente vinham à tona no ambiente do quilombo a cultura e seus diversos matizes. fosse o destino dos escravos a lavoura canavieira. banzo (estado de melancolia no qual o negro caía em profunda depressão ocasionando sua morte) e pelos quilombos. Os escravos alforriados compravam escravos para uso próprio. e pingou com lacre. até mesmo. A dos Malês. Havia protestos. as negras alimentavam. por que se ocupar de um tema tão árduo e que preferiríamos esquecer? A escravidão foi.. havendo alguns que por anos se acham metidos em correntes.. tão caro a quem quer que pretenda refletir sobre qualquer contexto brasileiro um pouco mais amplo. Qual a lição da escravidão. O escravo era propriedade de seu senhor. viam-se impedidos de manifestar abertamente a sua religião bem como de celebrar as festas e rituais que gostariam. Não lhe dando fardas e outros nem ainda farinha». apontando-se alguns que obram tanto os senhores como as senhoras com tal crueldade como são pingar de lacre e marcar com ferro ardente nos peitos e na cara. Havia a alforria. 13 Culturalmente. Os quilombos promoveram a fusão de elementos culturais das sociedades indígena e africana. o Brasil consagrou naquelas épocas um sentimento de repulsa quanto ao trabalho. incluindo aí. fosse a área da mineração ou a da lavoura cafeeira. quando conseguiam amealhar alguma riqueza pelo exercício de ofícios mais elaborados ou desviando algum ouro do trabalho nas minas. entre eles a celebração dos rituais religiosos. era isso o que acontecia quando ele. por exemplo. a primeira forma sistemática de exclusão social. sendo mais cruéis as senhoras em alguns casos para com as escravas. Ainda assim conseguiram manter viva e tornaram sua cultura parte fundamental do que somos hoje. hoje. de outro. O seu proprietário o alimentava e vestia. Muitas das revoltas de escravos não visavam o fim da escravidão como sistema.. O tráfico negreiro trouxe lucros consideráveis para seus comerciantes. não tendo qualquer direito. portanto. contra os maus-tratos. Variadas foram as maneiras de resistir ao escravismo. Quilombos eram comunidades que se instalavam nas matas e lá viviam em um estilo de vida que tinha como base. Abortos. João de Lencastre sobre os maus-tratos dados aos escravos no Brasil: «. O fato incontestável é que a escravidão preponderou como forma de trabalho e marcou as relações sociais que com ela decorerram no Brasil. embora por vezes distantes. Uma cena impensável em outros processos de colonização. para que os mosquitos os estejam picando e desesperando. suicídios. em especial. prescritos na lei. pelo que é de razão». a influência indí- . sem continuidade e sem medidas coercitivas. após o açoite no pelourinho.» (Site Wikipédia). gena também se fazia presente. Desenvolvemos no Brasil técnicas para conviver e tolerar a exclusão social. de fundamental importância na construção de uma identidade coletiva. incluía espalhar sal sobre as feridas. o Rei de Portugal D. entendeu com uma sua negra. escravos libertados por vontade do senhor ou que compravam sua liberdade. se diz que foi tão cruelmente açoitado do seu senhor que lhe provocara especialmente o rigor da Justiça Divina. a amamentação.

vestes e castigos corporais.) gente toda da cor da mesma noite. Comprando. Toda essa lucratividade deve-se.14 Atividades e Exercícios 1. no capítulo anterior.. 2. (. E o descanso? Com sor- . No Império Português.1633 / descrição de um engenho). trabalhando vivamente. Agora você vai fazer parte de uma história que se inicia ainda no interior da África. na verdade. O resultado. E foram exatamente esses lucros que. Descobre logo os seus únicos direitos: pão. servia muitas vezes ao tráfico negreiro. fizeram com que algumas das maiores companhias de comércio da Europa se interessassem em participar dessas atividades. às característica desse comércio. essa atividade integrava política oficial dos Estados mercantis europeus. o tráfico interessava também aos senhores de engenho no Brasil. Lembrando-se da dor. Lembremos ainda que garantimos o abastecimento de mão de obra mais barata e lucrativa da época. as principais formas de pagamento pelos negros na África eram mercadorias produzidas no Brasil. Você deve se lembrar que a produção de tabaco e cachaça. Sua tribo acaba de ser invadida e você e outros sobreviventes são amarrados e arrastados até uma feitoria no litoral. e gemendo tudo ao mesmo tempo sem momento de tréguas nem de descanso: quem vir em fim toda a máquina e aparato confuso e estrondoso daquela Babilônia. você imagina o que pode fazer para fugir desse inferno. Batizados no catolicismo à força. Os compradores aproximam-se. examinando-lhe os dentes. O trabalho começa antes do amanhecer. Procure traçar um paralelo com as condições de vida dos brasileiros em situação de miserabilidade ou expostos à violência nos dias de hoje. por exemplo. Sua nova moradia é um galpão sem janelas.. você é exposto como produto em um mercado de escravos em Salvador. Muitos adoecem e outros tantos morrem. Marcado a ferro quente. você vacila. pois dificultava a organização de revoltas. em grande parte. você pode ter imaginado que o ato de traficar era um comércio ilegal ou coisa parecida. Deitado com salmoura nas costas. Enfim no Brasil. Com as costas sem pele e humilhado publicamente no pelourinho. você agora conhece de perto todo o peso da palavra escravidão. Comida.Explique a importância do açúcar como elemento que proporcionou as necessidades do sistema escravocrata no Brasil. Essa separação linguística era proposital. que é uma semelhança do inferno (padre Antônio Vieira . você é agora uma propriedade sujeita às vontades de seu senhor. Cansado. sendo o ritmo ditado pelo chicote do capataz. não poderá duvidar. pano e paulada. ainda que tenha visto Etnas e Vesúvios. dos possíveis castigos de uma tentativa malsucedida. combinados à necessidade de mão de obra nas colônias americanas.Leia o texto complementar abaixo extraído do site Libertaria e de autoria dos professores Lúcia Helena Storto e Sidney Aguilar Filho e reflita sobre as condições de vida dos escravos no Brasil. aí permanecem por mais de um mês. a musculatura e muitas vezes a genitália. Sem banho ou alimentação adequada. interessados nos pesados impostos cobrados sobre os grandes lucros advindos desse comércio. onde convive com vários negros e negras que na sua maioria nem falam sua língua. mas. em geral amarrados. uma surra de chicote. como dissemos. 3. são negociados e embarcados em porões de navios.Comente sobre o equívoco corriqueiro de se espantar que negros escravizassem negros para posterior comercialização nas costas africanas. você é levado a um engenho a alguns dias de viagem. Texto Complementar O Mundo Negro Ao deparar com o termo tráfico negreiro para explicar o comércio de escravos africanos. você resiste. longe de casa e separado de sua família. Estende-se até o escurecer ou enquanto o senhor assim o quiser.

o que favorece a concentração de riquezas e a acentuação da pobreza. Distante das terras do senhor no meio da mata ou no alto dos morros.O acúcar converteu-se em produto de luxo que era desejado para o consumo. e sua existência continua ameaçando a liberdade dos indivíduos. A resistência sempre acompanhou a escravidão durante todo o período escravista no Brasil. Procure também fazer relações com a miséria que ocorre hoje no Brasil com o racismo. Você vive em um país em que o racismo. Podemos inclusive afirmar que a identidade negra determinada pela cor da pele é uma invenção do continente americano. A vontade de resistir não se esgota. um dia por semana. traz notícias da existência de um lugar para onde muitos fugitivos têm se dirigido. 15 Gabarito 1. 2. já que forneciam também lucros por conta de sua comercialização. você já percebeu o seu lugar. apesar de muitas vezes camuflado. a existência do quilombo resgatou-lhe a fé na liberdade. Voltemos agora ao presente.Sua resposta deve versar sobre uma reflexão acerca das condições de vida e o tratamento dispensado aos escravos negros durante boa parte da história brasileira. em um dos raros momentos livres. Você se questiona: Que mundo é esse? Serão os negros naturalmente inferiores? Quais as justificativas para essa dominação? A escravidão deve sempre ser entendida dentro de sua realidade histórica. Naquela época. Fonte: site libertaria. Fabricar açúcar era empresa que necessitava de mão de obra farta. não trabalhar na ausência do feitor. passam despercebidas. ao redor da fogueira. Práticas anticonceptivas e de aborto eram profundamente disseminadas entre as negras escravas como forma de evitar que um filho nascesse escravo. é possível plantar e viver longe da escravidão. . tais como os trabalhos domésticos e os da lavoura. Inumeráveis são os exemplos abordando conflitos. resistir ainda o é. Isso porque todo trabalho considerado "menor" era destinado aos negros. a miséria e o machismo são algumas de suas expressões. tem na escravidão suas raízes. bem como com a extrema desigualdade social da atualidade brasileira. se fugir não é possível no momento. Quebrar ferramentas. mas a realidade impõe o trabalho e a espera da chegada de um momento propício a uma nova tentativa de fuga. as relações de dominação tornaram-se tão comuns que. O grosso dessa mão de obra no Brasil foi constituído por escravos negros. De preferência para um quilombo. está muito presente no cotidiano. eram submetidos à humilhação do cativeiro. a maioria dos brancos acreditava na sua superioridade. Em um país onde a escravidão dourou mais de trezentos anos. muitas vezes. distante de suas sociedades. um negro recém-comprado. o ouro branco. O medo dos castigos o leva a adiar a fuga e. brigar ou ainda entrar em profunda depressão e cometer o suicídio. Dentro desse mundo de proprietários e propriedades. Ainda hoje a manutenção dessa visão reflete-se nos baixos salários e na desvalorização do trabalho manual. fugas e revoltas de negros contra seus senhores. Isso se o senhor permitir. que você deve usar para plantar a sua substância. A discussão sobre inferioridade ou superioridade racial é por si só absurda. Numa noite. Isso não significa que todos os negros aceitassem tal realidade. A visão equivocada do negro como inferior ou marginal. contudo. foram alternativas que nunca deixaram de existir. 3. mas alguns a ela se submetiam. Conta ele ainda que o lugar é seguro e que. O subemprego. e os negros.As sociedades africanas possuem um grau de diversidade cultural que a ideia de uma África fundada na identidade negra é completamente improcedente. apesar de simples.te.

somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Sanumá. iniciando um longo e polêmico processo. 1988. conheça também o http://www. Possuem características seminômades. Leitura Recomendada História da vida privada no Brasil: Cotidiano e vida privada na América Portuguesa 1. Direção: Steven Spielberg. amarrados com cipó e revestidas de palha. a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias. Estima-se que. MAURO. E ainda: ABREU.pro.htm. na época da chegada dos europeus. encontramos no território brasileiro 230 povos. de norte a sul do território nacional. 34. Anthony Hopkins. Sabemos que os índios foram os primeiros habitantes do território brasileiro. caracterizavam o prenúncio da Guerra de Secessão. São formados por povos diferentes com hábitos. João Capistrano. dezenas de africanos a bordo do navio negreiro espanhol La Amistad matam a maior parte da tripulação e obrigam os sobreviventes a levá-los de volta à África. É importante ressaltar que o censo populacional realizado em 2000 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que a parcela da população brasileira que se autodeclarou genericamente como “indígena” alcançou a marca de 734 mil pessoas. A coleção foi dirigida por Fernando Novais e este volume foi organizado por Laura de Mello e Souza. Caminhos antigos e povoamento do Brasil. a população indígena no Brasil atual está estimada em 600 mil indivíduos. sendo que deste total cerca de 450 mil vivem em Terras Indígenas (e. Guerra e Paz: Casa-grande & Senzala e a obra de Gilberto Freyre nos anos 30. Enganados. Lisboa: Estampa. Djmon Housou. em áreas urbanas próximas a elas). Atualmente. Nigel Hawthorne. Elenco: Morgan Freeman. enquanto outros 150 mil encontram-se residindo em diversas capitais do país. FREYRE. Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/ EDUSP. David Paymer. Matthew McConaughey. fossem mais de 1. em menor número. 1997). Texto 2: Cultura Indígena Em pleno século XXI.16 Filme Recomendado Título do filme: AMISTAD (Amistad. 162 min. 1989. falantes de mais de 180 línguas diferentes.libertaria. Frédéric. Escolha alguns capítulos e conheça um pouco mais da vida privada no Brasil nascente. já que mudam de habitat quando acre- . Yanomame e Yanam. sintético e eficiente. br/index. 1990. Um rico instrumento para ajudar a saciar a sua curiosidade. o Brasil e o Atlântico. Gilberto. abordando aspectos quase sempre esquecidos nos livros escolares. costumes e línguas diferentes. são presos. São Paulo: Companhia das Letras.1997. 1570-1670. Rio de Janeiro: Record.000 povos. Portugal. Segundo os dados do Instituto Socioambiental (ISA). TEMÁTICA Em 1839. Simples. ARAÚJO. num período onde as divergências internas do país entre o norte abolicionista e o sul escravista. recomendado nas aulas anteriores. Os Ianomâmis falam quatro línguas: a Yanomam. desembarcam na costa leste dos Estados Unidos. Trata-se de uma obra coletiva. onde. EUA. Site Recomendado Além do site da MULTIRIO. 1994. Suas habitações são construídas de caibros encaixados. é um livro muito informativo e agradável. Casa-grande e senzala. Rio de Janeiro: Ed. Anna Paquin. acusados de assassínios. situadas no interior de 630 Terras Indígenas. na qual vários autores visitam formas de viver e pensar na época colonial. Ricardo Benzaquen de.

italiana. correspondendo a 0. banana. Existem cerca de 225 sociedades indígenas distribuídas em todo o território brasileiro. São caçadores e acreditam em rixis: espíritos de animais que ao serem mortos tornam-se protetores e amigos. Os Guaranis manifestam sua cultura em trabalhos em cerâmica e em rituais religiosos. pois com a constante presença de turistas de todas as partes e residentes de outras nacionalidades. construção das casas. pesca e outros. pois possui influência indígena. casamento. pois acreditam que sua criação. mandioca. curandeiro e sacerdote. Dessa forma. cachimbo. Javaés e Xambioás. estabeleceram a língua geral derivada do tupinambá para que os índios e brancos se comunicassem. A autoridade religiosa dentro das aldeias é o Pajé. Para as mulheres. somente algumas delas foram anteriormente destacadas. somente ensinam o português às crianças maiores de seis anos. fon. jabé. portuguesa. decorrentes da diversidade indígena existente. Palavras de origem africana como fubá. Diante das culturas específicas de cada sociedade. Após o descobrimento do Brasil. Acreditam na transformação do homem em animais e vice-versa. houve uma grande confusão gerada pelo bilinguismo e a partir daí o português se fez predominante no país com data de 1758. Vivem do cultivo do milho. é fácil miscigenar a língua brasileira. Línguas do tronco tupi Palavras Mão Pé Caminho Eu Você Mãe Pesado Marido Onça Árvore Cair Awetí (família Awetí) po py me atit. São migrantes e agricultores. Os Tupis são dominados por um ser supremo designado Monan. abertura de roças. Acreditam que a morte é somente uma passagem para a “terra sem males” onde os que se foram partem para este local para proteger os que na Terra ficaram. Os Carajás falam apenas uma língua: a MacroJê. vejamos que somos muito mais influenciados pelo nosso histórico do que imaginamos. São divididos em Karajás. 17 Comparando Palavras Diferentes Veja exemplos de como os linguistas descobrem línguas "aparentadas": Karitiana (família Arikém) py pi pa yn na ti pyti mana omaky 'ep 'ot Tupari (família Tupari) po tsito ape on en tsi potsi men ameko kyp kat Gavião (família Mondé) pabe pi be õot eet ti patii met neko 'iip 'al- . africana. Dividem o trabalho. houve uma grande imigração da Itália e Alemanha para o país. moleque. alemã e tantas outras aqui não citadas.25% da população do país. cuidar dos afazeres domésticos. melancia. Possuem sua própria língua. vitórias em guerras e outros. nascimento. doenças e epidemias e para festejar boas caçadas. fica para os homens a defesa do território. Utilizam a música e seus instrumentos musicais para a preservação de suas tradições.ditam ter explorado uma região ao máximo. e prezam pela pintura corporal. o que contribuiu com a diversificação de dialetos em diferentes regiões do país. como é o caso do quicongo. quimbundo. faz-se uma nova língua a cada dia. alimento e alegria são dados por ele. ioruba e outras que passaram a ser usadas por pessoas que viviam em contato com os negros. ito en ty potyi men ta'wat 'yp 'at Munduruku (família Munduruku) by i e on en xi poxi itop wida 'ip 'at Agora leiam sobre a miscigenação da Língua Portuguesa com a influência indígena. rituais de passagem. feijão e amendoim. cará. Após a independência do Brasil. não é correto pensar que a língua pronunciada no Brasil é de origem portuguesa somente. batata. em substituição à língua geral. morte. do casamento dos filhos. Residem nas proximidades do rio Araguaia. que é um sábio que atua como adivinho. para produzir efeitos hipnóticos e para momentos de procriação. Quando o território passou a ser povoado por portugueses. bunda. Hoje. puberdade. acarajá e outras passaram a ser incorporadas ao vocabulário brasileiro. da pintura e ornamentação das crianças e outros. para afastar flagelos. o trabalho de educar os filhos. A língua portuguesa é originada do latim vulgar que também se caracteriza como uma língua neolatina que no período colonial passou a ser influenciada pelas línguas africanas trazidas pelos escravos. Antes mesmo da descoberta do território brasileiro já se falavam cerca de 1000 línguas diferentes.

18 Línguas da Família Tupi-Guarani (Tronco Tupi) Palavras Pedra Fogo Jacaré Pássaro Onça Ele morreu "mão dele" Guarani Mbyá Tapirapé itá tatá djakaré gwyrá djagwareté omanõ ipó itã tãtã txãkãré wyrã txãwãrã amãnõ ipá Parintintin itá tatá djakaré gwyrá dja´gwára omanõ ipó Waiampí Língua Geral do Alto Rio Negro takúru táta iakáre wýra iáwa ománo ípo itá tatá iakaré wirá iawareté umanú ipú Línguas da Família Jê (Tronco Macro-Jê) Palavras Pé Perna Olho Chuva Sol Cabeça Pedra Asa. pena Semente Esposa Canela par tè tò taa pyt khrã khèn haaraa hyy prõ Apinayé par tè nò na myt krã kèn 'ara 'y prõ Kayapó par te nò na myt krã kèèn 'ara 'y prõ Xavante paara te tò tã bââdâ 'rã 'eene djèèrè djâ mrõ Xerente pra zda tò tã bdâ krã kne sdarbi zâ mrõ Kaingang pen fa kane ta rã kri pò fer fy prõ Línguas da Família Aruak Palavras Língua Água Sol Mão Pedra Anta Karutana Warekena Tariana inene uni kamui kapi hipa hema inene one kamoi kapi ipa ema enene uni kamoi kapi hipada hema Baré nene uni kabi tiba tema Palikur nene une iwakti tipa aludpikli Wapixana Apurinã nenuba wene kamoo kae keba kudoi nene weni atukatxi piu kai kema Waurá Yawalapití nei une kamy kapi typa teme niati u kame kapi teba tsema kamuhu kamoi .

desenvolveram formas de manejo dos recursos naturais que têm se mostrado fundamentais para a preservação da cobertura florestal no Brasil. não alteraram os princípios de funcionamento e nem colocaram em risco as condições de reprodução deste meio.5%) entre 201-500. pois a partir deste momento os portugueses vieram para o nosso país para dar início ao plantio de cana-de-açúcar. como está a população indígena no Brasil? Onde eles estão? A população indígena total tem crescido nos últimos 28 anos. Além disso. originários da Ucrânia e Polônia.0%) têm uma população de até 200 indivíduos.8%) com mais de 30. a imigração intensificou-se a partir de 1818. Todos estes povos vieram e se fixaram no território brasileiro com os mais variados ramos de negócio. Acre. No Brasil. que vieram para cá durante a regência de D. Dos 227 povos listados 43 têm parte de sua população residindo em outro(s) país(es). a imigração teve uma grande importância para o desenvolvimento do país. Devido ao enorme tamanho do território brasileiro e ao desenvolvimento das plantações de café. • 11 (4. Mato Grosso e parte oeste do Maranhão – vivem 60% da população indígena. e Lombardia. que em sua maior parte vieram para São Paulo.000.000. para cá vieram os suíços. Os povos indígenas contemporâneos estão espalhados por todo o território brasileiro. Amapá. o ramo cafeeiro. mas sobretudo cosmológica – em relação ao meio ambiente. para substituir os escravos. a atividade madeireira. O maior número de imigrantes no Brasil são os portugueses. Rondônia. São Leopoldo.3%) entre 20.000. As chamadas Terras Indígenas (TIs) somam. os alemães. Mesmo não sendo “naturalmente ecologistas”. 19 Texto 3: As Influências dos Imigrantes Podemos considerar o início da imigração no Brasil o ano de 1530. Vários desses povos também habitam países vizinhos.000. Na Amazônia Legal – que é composta pelos estados do Amazonas. mas ainda não existe um censo confiável a esse respeito.000. mesmo transformando de maneira durável seu ambiente. Blumenau. em 1824. Santa Catarina. Gênova. 611. a grande maioria das comunidades indígenas vive em terras coletivas. o governo brasileiro incentivou a entrada de imigrantes europeus em nosso território. os turcos e os árabes. Joinville e Brusque). os índios têm consciência da sua dependência – não apenas física. Muitas delas estão demarcadas e contam com registros em cartórios. • 02 (0. Porém. atualmente. Calábria. aos povos indígenas se deve reconhecer o crédito histórico de terem manejado os recursos naturais de maneira branda. que vieram logo depois. que se concentraram na Amazônia. Pará. • 53 (23. Mas. • 30 (13. essas parcelas não foram consideradas nem na estimativa global para o Brasil nem para esta classificação: • 50 povos (22. Apesar de não serem "naturalmente ecologistas". Com a necessidade de mão de obra qualificada. Em função disso. a vinicultura etc. os japoneses. embora povos específicos tenham diminuído demograficamente e alguns estejam até ameaçados de extinção. as atividades artesanais. como por exemplo. habitando o Paraná.3%) entre 1. Em busca de oportunidades na terra nova. com a chegada dos primeiros imigrantes não portugueses. há também áreas indígenas sem nenhuma regularização.001-20. • 49 (21. O reconhecimento das Terras Indígenas por parte do Estado (processo de demarcação) é um capítulo ainda não encerrado da história brasileira. declaradas pelo governo federal para seu usufruto exclusivo.000. que vieram em grande número desde o período da Independência do Brasil. sete deles têm populações entre 5 e 40 indivíduos. a policultura.2%) entre 501-1. no século XIX. outras estão em fase de reconhecimento. que chegaram em 1819 e se instalaram no Rio de Janeiro (Nova Friburgo). nas indústrias e na zona rural do sul do país. João VI. • 03 (1. É possível estimar em cerca de 10 a 15% os índios que vivem em cidades. Mesmo quando há informações demográficas a respeito. Roraima.001-5. hoje.0%) entre 10. diversas TIs estão envolvidas em conflitos e polêmicas. . Após a abolição da escravatura (1888). os italianos de Veneza. Tocantins. a produção de borracha. • 07 (3. e foram para o Rio Grande do Sul (Novo Hamburgo. Na listagem de povos indígenas no Brasil elaborada pelo ISA.8%) entre 5.001-30. milhares de italianos e alemães chegaram para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo. os eslavos.001-10. entre outros. Souberam aplicar estratégias de uso dos recursos que.Quando falamos da cultura indígena não podemos esquecer da relação dos índios com o meio ambiente.

incorporando características dos quatro cantos do mundo. Cada vez mais me- didas são adotadas com este propósito e uma delas é a dificuldade para se obter um visto americano no passaporte.20 Nos dias atuais. Com a modernização no final do século XX. Desta forma. sempre que possível. procuram dificultála e. que teremos um leque enorme de resultados: o idioma português. cifras elevadas da população não participam do mercado (OLIVA & GIANSANTI. industrial e comercial entre os grandes grupos mundiais e empresas multinacionais. Um povo lindo com uma cultura diversificada e de grande valor histórico. desta forma. por conta de uma organização econômica que se pauta pelo mercado. vieram acreditando que poderão encontrar oportunidades aqui que não encontram em seu país de origem. no Brasil. ao mudo atual. na revisão de leis trabalhistas. especialmente no Brasil e em outros países subdesenvolvidos. num país como o Brasil. a culinária italiana. Esta. as técnicas agrícolas alemãs. Graças a todos eles. que passaram de uma sociedade rural. Não é por outra razão que. que. observamos um novo grupo imigrando para o Brasil: os coreanos. 1994:73). Os críticos desse modelo têm alertado para o fato de que os efeitos da modernização dão. temos um país de múltiplas cores e sabores. “não cria motivações às atividades de trabalho dos indivíduos e gera um polo de miséria absoluta e um outro polo de riqueza inacessível”. foi. os “mercados financeiros são amorais. muitos países. tentar evitar um crescimento exagerado e desordenado de sua população. calçados. Basta pararmos para pensar nas influências trazidas pelos imigrantes. Neles nunca contam valores morais”. que regem o mercado financeiro. afetando a sua competitividade no mercado. exigiu inovações tecnológicas na indústria e no setor de serviços. o mercado mundial passou a ser o teatro privilegiado da guerra tecnológica. Texto 4: Exclusão Social 1 Todos sabem que a dívida externa é responsável por uma das marcas mais perversas da sociedade brasileira: a exclusão social. No entanto. Neste texto abordaremos o modelo econômico e a exclusão social. as exigências sociais aumentaram. na ótica de Félix Guatari. até mesmo impedi-la para. uma configuração bastante heterogênea. vestuário. Essa modernização da economia. são processos isentos de preocupação com as responsabilidades sociais do Estado. onde a solidariedade e o estado do bem-estar social passaram a ser considerados um Temos hoje. da mesma forma. Nesse texto vamos tratar exatamente da relação entre modernização e exclusão social. que se agudiza numa economia de mercado. como os Estados Unidos. Fique atento! O que vem a ser economia de mercado? Fundamentalmente um processo de trocas no qual a informação relativa aos preços leva em consideração a oferta e a demanda. Uma se origina num processo de moderni- 1 Extraído e adaptado do instrucional da disciplina Contextos Brasileiros . acessórios até artigos eletrônicos). de duas espécies distintas. Há consideráveis contingentes da população que ficam impedidos de acesso aos bens mais essenciais. O que se tem dito da economia atual é que ela tem nos levado a perder o sentido de “bem comum”. as batidas musicais africanas e muito mais. Mas a oferta e a demanda. Segundo o megainvestidor George Soros. O governo Collor iniciou um padrão de desenvolvimento baseado numa menor intervenção do Estado na economia. Embora a imigração tenha seu lado positivo. terciária e guiada pelo mercado mundial. Estes não são diferentes dos anteriores. vendendo produtos dos mais variados tipos (alimentos. ao longo dos anos. na concorrência entre capitais nacionais e estrangeiros e na tentativa de incorporação de novos níveis de competitividade industrial. O resultado foi o desemprego e o crescimento das atividades ditas informais. o que se observa é que nem toda a sociedade brasileira tem se beneficiado da modernização da economia. O processo imigratório foi de extrema importância para a formação da cultura brasileira. pois. uma grande massa de trabalhadores subempregados ou desempregados. custo elevado para as empresas. como não podia deixar de ser. que promoveram uma absorção insuficiente da mão de obra disponível. Eles se destacam no comércio. Isso é o que podemos chamar de modernização excludente: destruição das atividades tradicionais e a não inclusão dos destituídos no setor moderno. agrícola e de autossuficiência/mercado local para uma sociedade urbana.

6% Os estudos sobre distribuição de renda demonstram que o Brasil continua a ser um país de grandes desigualdades sociais. provocando desigualdades profundas entre os países e. dentro dos países dependentes. uma vez que a sociedade urbana é. o desemprego estrutural. do emprego. tanto para o setor secundário como para o setor terciário. em essência. no fato da urbanização não ter sido acompanhada pela geração de empregos na indústria e no setor de serviços ou ser resultante da falta de investimentos educacionais que formassem uma mão de obra qualificada para acompanhar os avanços tecnológicos. É fácil entender. à saúde. que não tem lugar para a autossuficiência. Observem o quadro que apresenta um outro grande problema desse contexto.4% 37% 39. a concentração de renda. outra. portanto. é o desemprego conjuntural. que não têm acesso aos bens produzidos. isto é. . As críticas a esse modelo de modernização se originam do fato de ele acarretar a submissão dos interesses sociais aos do desenvolvimento econômico. que é caracterizado pela instabilidade econômica. 21 Fontes: IBGE. como foi gerada a exclusão de que são vítimas parcelas consideráveis da população brasileira. à moradia e ao emprego. World Development Report. Distribuição de renda no Brasil Categorias 60% mais pobres 30% intermediários 10% mais ricos 1960 23. dependem do trabalho.6% 2000 18% 34% 47. Recenseamento geral de 1960/ Banco Mundial. dentro deste quadro. uma sociedade mercantilista. 2001. exclusão de numerosos grupos sociais. à educação.zação dependente. Quem não tem bens e não se integra ao mundo do trabalho passa a ser excluído socialmente. pelas crises econômicas. que implicam demissão em massa. Como não acumularam riquezas.

Por três séculos. é preciso compreender que o desenvolvimento dos países europeus aconteceu à custa da exploração de alguns territórios do continente americano. que se queriam poderosas e tentavam fortalecer o poder dos monarcas. dentre outros fenômenos. Era relativamente pobre em recursos naturais. que atualmente representa uma grande nação em tamanho e diversidade com características específicas. A priori teremos que retornar nosso pensamento ao período que marcou o início da formação do Brasil. Enquanto o novo modelo leva às nações europeias um desenvolvimento notório. A colônia era dependente da vontade da metrópole e considerava-se como mais desejável a importação da cultura e dos comportamentos da Metrópole do que a celebração de uma identidade própria. uma fornecedora de produtos comerciais. encontrar novos recursos econômicos. visando tornar as suas colônias fontes de enriquecimento. pela recuperação econômica baseada no comércio. Daí a ênfase no mercantilismo. Nesse sentido a Colônia era entendida como uma produtora de riqueza para a metrópole. deveria fazer comércio apenas com a metrópole e respeitar os monopólios. Para tentar entender aspectos fundamentais que influenciam a sociedade atual. tornavam-se cada vez mais perigosos. um conjunto de procedimentos colocados em prática pelas potências marítimas. que trouxessem mais dinheiro para os cofres reais. que atravessavam desertos e territórios dominados por nações inimigas. tradicionalmente dominadas pelos italianos. Para as nações modernas. Cabe nesse momento refletirmos sobre os contextos que permeiam a formação da sociedade brasileira no período histórico do Brasil Colônia e as transformações com o Império. XVII e XVIII).22 UNIDADE II FORMAÇÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA Esse país. constituiu-se através dos anos com forte apego ao seu contexto histórico. que caracterizaram o sistema colonial mercantilista: a Colônia deveria ser um mercado consumidor. que levavam os produtos do Oriente até a Europa. Portugal era um pequeno país apertado entre a poderosa Espanha e o desconhecido e temido Atlântico. Os caminhos terrestres. Embora tenha sido a primeira nação moderna da Europa. o Brasil foi uma colônia portuguesa. Na chamada era Moderna. tendo alguns fatores e marcos históricos relevantes para a sociedade mundial. aparecem novas relações produtivas. Mas como a Europa e Portugal transformaram-se em metrópoles de uma nova ordem mundial? E como o Brasil entra nesta nova ordem. a sociedade europeia encontrava-se cercada com um novo processo de produção e consumo. entre eles o Brasil. Faremos isso através do estudo da disciplina Brasil: Contextos e Atualidades. Iniciava-se a sociedade moderna capitalista. Essa mudança de modelo feudal para sociedade atual ocorreu lentamente. com um artesanato incipiente e uma população que não ultrapassava um milhão e meio de habitantes. cujas diversas transformações acentuam uma grande modernização. Para compreendermos esse contexto contraditório vivenciado no Brasil. Porém essa recuperação não se deu apenas pelo aquecimento das antigas rotas comerciais. o Brasil encontra-se preso a uma estrutura que impede esse desenvolvimento. desempenhando qual papel? O final da Idade Média foi marcado. era muito importante. que levaram à formação da sociedade capitalista. faz-se necessário compreender o processo de formação da sociedade brasileira. pautada na política econômica do Pacto Colonial que só beneficiava a Metrópole. o considerável avanço político carecia de iniciativas que a mantivesse autônoma e a colocasse no concerto . Podemos destacar entre esses procedimentos aqueles mais comuns. Era importante estabelecer novas vias de acesso às terras das especiarias para baratear os custos das negociações e escapar do monopólio italiano. Texto 5: As Raízes do Modelo Capitalista Brasileiro Com a crise da sociedade baseada no modelo feudal de produção. O pacto colonial era o ponto culminante do sistema colonial mercantilista (séculos XVI.

nos culturais também. Seu porto é cada vez mais frequentado por navegadores de várias procedências. Analise. deixando apenas uma parcela que ficava nas mãos das elites. Era mais barata. a rota marítima apresentava vantagens sobre a terrestre. tanto nos aspectos econômicos como nos geográficos e. Os produtos que chegavam à Itália do Oriente para serem depois distribuídos pela Europa eram transportados por mar e por terra. No final da Idade Média e princípio da Idade Moderna. europeia. Isso. Muitos navegadores e muitas informações sobre a arte de navegar. o lucro gerado pelo empreendimento comercial seria consumido nas próprias colônias ou seriam escoados para países concorrentes. Então restava aos portugueses a vastidão do mar. Lisboa cresce como um entreposto comercial. Mas precisava consolidar esta importante conquista. incorporavam-nas às posses das metrópoles. à custa de sangrentas e longas batalhas. a produção de riquezas estava baseada na troca de mercadorias. por que não dizer. porque transportava maior quantidade de carga. é claro. criando recursos e saídas para o seu precário equilíbrio econômico. no sistema colonial mercantilista. Agora você tem elementos preciosos para compreender o que é o pacto colonial e o sistema mercantilista. A metrópole. marcado por duas tendências. Esses conhecimentos permitiam que fossem cada vez mais longe em busca de melhores pescarias. vai fazendo de Portugal um importante centro de navegação. famoso pelos seus perigos. Vejamos. representou uma barreira intransponível para a expansão portuguesa e. então. Nesta nova lógica econômica. Mas esses percursos eram caros e perigosos. Temos que ter em mente que o Brasil não foi colonizado para constituir uma nação. resguardando à metrópole o monopólio comercial: a colônia só podia negociar com a sua metrópole.das novas tendências econômicas. o Brasil nem despertou interesse para Portugal. da qual fora apenas um condado. Observamos até agora nesse contexto histórico do Brasil o que chamamos de contradição histórica. não eram aproveitadas para o crescimento do nosso país. Na medida em que se navegava para fora dos limites do mundo conhecido e terras desconhecidas eram descobertas. Esse fato marcou em vários aspectos a constituição da nossa sociedade. A colonização brasileira traz como sua marca principal a exploração do território. E é nesta vastidão que se lança Portugal! De uma hora para outra? Não! Foi um processo paulatino. E quanto mais longe se ia mais se aprendia sobre os mistérios deste mar tenebroso que. a atividade pesqueira em Portugal foi naturalmente cultivada. navega. era gerar um tipo de administração que coibisse a livre circulação comercial. E quem pesca. a prática pesqueira. é a sede de uma ocupação territorial. mas os lucros gerados com a sua negociação deveriam se concentrar nos cofres das monarquias e dos comerciantes. lendário por suas criaturas estranhas e desconhecidas. ficando. Tudo era utilizado para acelerar a acumulação de capital para a burguesia europeia. a ideia principal era explorar para acumular riquezas para os países europeus. Mesmo que timidamente. A estratégia. nas proximidades da praia. por outro. como vimos. Se cada terra desconhecida e descoberta permanecesse livre para produzir e comerciar com qualquer potência marítima expansionista. Então os barcos mercantes saíam do Mediterrâneo e passavam em Portugal para chegar ao Mar do Norte. os pescadores foram dominando cada vez melhor as técnicas de navegação. a rota comercial Mediterrâneo-Mar do Norte. somado à experiência acumulada na atividade pesqueira. Vamos ler o texto complementar a seguir e refletir sobre esse período? 23 . A riqueza produzida no Brasil era levada para a Coroa Portuguesa. aquela que a descobriu e/ou conquistou. Portugal não construiu sozinho este sistema. Cabe-nos nesse momento lembrarmos que. a princípio. o conhecimento sobre o regime dos ventos e marés. Atingiam as regiões mais setentrionais por longos caminhos que cortavam o continente. Por um lado. conquistado a autonomia política em relação à Espanha. O Brasil possuía inúmeras riquezas que. durante séculos. Elas eram produzidas em várias partes do mundo. O mar tenebroso. Ele estava inserido num amplo e complexo movimento de transformação do mundo. Enfrentar a poderosa ex-senhora e vizinha Espanha não parecia ser uma atitude prudente. reconhecido como o limite do mundo. a leitura das estrelas. Havia. Com uma costa considerável. por um período.

da qualidade de suas águas e frutos. Um tempo de aprendizado e de aproximação. Mas o que seria comercializado? O pau-brasil. “Porém. daquela tintura. algumas feitorias foram construídas para servir de entrepostos comerciais. Os portugueses. da parte sul em relação ao monte e. o melhor fruto que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente.Quando as quilhas das embarcações portuguesas chegaram à praia. a esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral. oficializa o descobrimento do Brasil. E assim foi. Porém. por não terem as suas como a dela” (Carta de Caminha. mais. de baixo a cima. E dentro do possível e dos interesses econômicos. data da fundação da Vila de São Vicente. Conhecia-se aquilo que se dava aos olhos. aponta algumas serventias para a terra descoberta. O descobrimento do Brasil é apenas um capítulo na história da expansão marítima e comercial europeia. Com grandes arvoredos. 98). e sua vergonha – que ela não tinha! – tão graciosa. novas ilhas e continentes eram descobertos. 83). ao finalizar. partiram de Lisboa. Segunda . é importante afirmar que o chamado período pré-colonial preparou os momentos posteriores.24 O Período Pré-Colonial Luis Deulefeu Em 22 de Abril de 1500. O que se buscava à época era um caminho alternativo para as especiarias. Na medida em que navegavam. mesmo sendo possível dizer que o Brasil foi descoberto em 1500 e em 1500 esquecido. conjunto de produtos de grande valor mercadológico. sabia-se sobre o local e sua gente. muito alto e redondo. isso bastava” (Carta de Caminha. vendo-lhes tais feições. de uma viagem de contato comercial. outras serras mais baixas.Quando os portugueses. . limitam a sua ação à exploração do pau-brasil e ao envio de algumas expedições. como às vezes somos levados a crer. eles não buscavam exatamente novas terras. mas construir mundos não. ou quase nada. provocaria vergonha. poucas respostas. Podemos concluir que fazer o reconhecimento da língua dos habitantes e de seus costumes. terra de tantas riquezas conhecidas. Ao monte alto o capitão deu o nome de Monte Pascoal. Um documento que descreve a terra e suas características mais salientes. enviou ao rei de Portugal uma missiva na qual narrava os lances do “achamento” da terra e do que nela se passou nos oito dias em que estiveram aqui. avistamos terra! Primeiramente um grande monte. dois degredados foram deixados para coletar informações e estreitar o contato com os habitantes. que as muitas mulheres de nossa terra. e certamente era tão bem feita e tão redonda. depois. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza deve lançar. Que fala dos habitantes como seres bons e lindos. E apenas alguns anos depois. E que não houvesse mais que ter aqui Vossa Alteza esta pousada para a navegação de Calicute. das riquezas e extensão da terra. terra chã. para investir no desconhecido e incerto. uma viagem de descobrimento. eram incorporados às rotas comerciais. Tratavase. antes de 1532. vale considerar que o período batizado de pré-colonial foi uma espécie de laboratório. Antes. o escrivão da armada. Carta que. A terra era grande ou pequena? Os habitantes eram hostis ou receptivos? Que línguas falavam? Às indagações. A colonização não começa imediatamente. que tinha como destino as Índias e como objetivo o comércio de especiarias. e à terra. 77). A inserção destas novas descobertas no universo de interesses dos portugueses era paulatinamente preparada. Não era. “E uma daquelas moças era toda tingida. Terra de Vera Cruz” (Carta de Caminha. Não parece justo pensar que os protagonistas do “achamento” do Brasil desviassem o foco das Índias. do clima e da topografia figurasse como um procedimento estratégico. Para começar. homem versado em letras e funcionário especializado na arte da escrita. Quer isto dizer que os portugueses estavam preparados para viajar longas distâncias e fazer acordos diplomáticos e comerciais. Depois de um breve contato com os naturais da terra a esquadra segue o seu destino. Levemos em consideração as seguintes circunstâncias: Primeira . à hora de véspera. que tinham a tarefa de reconhecer a terra e protegê-la da cobiça de outras nações expansionistas. nada. Ela é a certidão de nascimento do Brasil. traçando de antemão alguns rumos da história. “Neste mesmo dia. Caminha. Um tempo em que os portugueses avaliaram e reconheceram as potencialidades da nova descoberta e tentaram encontrar uma serventia para ela. sim. comandados por Cabral. Trata-se de uma carta de extrema importância.

1) Faça um apanhado dos aspectos gerais que caracterizam o Brasil hoje. 2) Sendo a expansão marítima um movimento primordialmente mercantil. qual o papel desempenhado pelas feitorias no período pré-colonial? Gabarito Caro aluno. Assim as feitorias emergem como laboratórios de encontro cultural.Ou seja. dificuldades oriundas inclusive da quase impossibilidade na comunicação. deixasse as suas descobertas abandonadas. As feitorias de exploração do pau-brasil foram a primeira estratégia de ocupação e manutenção da nova descoberta. que assim conseguia obter lucros sem investir. política econômica ou cultural. como se representasse apenas o esquecimento de Portugal em relação à nova terra. tingindo-os com mais qualidade. Devemos levar em consideração que Portugal não era o único país europeu a navegar por mares nunca antes navegados. 2) O período pré-colonial apresenta características próprias. social. transporte e armazenamento da madeira. pois portugueses e índios relacionavam-se na organização do abate. Por um lado Portugal não dispunha de homens para ocupar as novas terras e nem queria utilizar os seus recursos técnico-navais para garantir a posse de um território que rendia poucos lucros. nem sempre observada. na segunda o contexto da sua comunidade. O período pré-colonial é assim chamado pela ausência de um processo efetivo de colonização. Em troca. Na medida em que consideramos as dificuldades inerentes aos primeiros contatos entre portugueses e indígenas. durabilidade e a preços baixos. podemos entender que o laboratório refere-se a aprender o que é a terra e sua gente. que eram “alugados” à iniciativa privada. Pode ser da área educacional. a constante ameaça de ter as terras invadidas exigia uma atitude. os comerciantes assumiam a responsabilidade. O pau-brasil era madeira valiosa. pagavam altas somas à coroa. Escreva um parágrafo utilizando os aspectos que você agrupou no seu apanhado. Mas não pode ser desprezado. 3) O papel de laboratório da colonização. se não servisse para nada. a colonização não estava nos planos iniciais da coroa portuguesa. Além disso. o Rei deveria catequizar os índios e poderia usar a terra para pousada. Além de pagar pelo direito de comercializar o pau-brasil. em seguida você encontrará um guia de resolução das atividades propostas. Sua seiva de cor vermelha desempenhava importante função na indústria do tecido. Estamos diante de um agudo problema. reparo dos barcos e abastecimento de água e alimentos frescos. Comente como o contexto da expansão comercial europeia dos séculos XV e XVI explica o referido período. mediante o pagamento de taxas acordadas entre as partes. responda às seguintes questões: 1) Aprendemos que contexto é um conjunto de circunstâncias que pode caracterizar o momento histórico e cultural de um povo. . 25 Atividades A partir do texto apresentado. Ricos comerciantes compravam o direito de vir ao Brasil. Por outro lado. de proteger e mapear o litoral. A extração do pau-brasil torna-se uma exclusividade da coroa. Faça uma pequena investigação e escreva em duas etapas sobre o contexto em que você vive. Deve ser compreendido como uma estratégia de aproximação e preparação para os lances que futuramente caracterizariam a espantosa tarefa de criar uma colonização em terras tropicais numa escala gigantesca. extrair a madeira e vendê-la no mercado europeu. que o diferem das posteriores fases da colonização portuguesa no Brasil. outros viriam apossar-se delas. momento das longas viagens transoceânicas destinado ao descanso da tripulação. Você escolhe. as feitorias serviam como pontos de defesa e posse das terras. 3) Além do econômico. por descuido ou desinteresse. Depois faça o mesmo em relação à comunidade em que você vive. E se. Ela tinha os direitos de exploração. Na primeira o contexto brasileiro atual.

Laima. Trata-se de uma ótima obra. Luís Filipe. e leva consigo o filho do chefe de uma tribo. descobrimento e compromisso ético? Então leia o muito bem pesquisado e escrito livro de Leyla Perrone-Moisés. A Carta de Pero Vaz de Caminha: O descobrimento do Brasil. na Região Sul. 1994. Uma leitura instigante e informativa. criada a Imprensa Régia. que. Maria José. WEHLING. Senhores destas terras. Para aqueles que assistiram ao filme Carlota Joaquina.br/historia/index. Viagem de Paulmier de Gonneville ao Brasil: 1503-1505. 1996. manufaturas são abertas. Os portos brasileiros foram abertos às nações amigas. Virgínia Marcos. que tanto apavorava os europeus. Arno & WEHLING. Fique atento! Cabe lembrar que essa transferência da Corte para o Brasil foi patrocinada pelo governo britânico.br. O filme foi dirigido por Luiz Alberto Gal Pereira e lançado em 2000. Formação do Brasil Colonial. pois vieram estrategicamente fugindo de Napoleão. empresa ligada à Secretaria de Educação. São Paulo: Atual. Gilberto & VALADÃO. foi aprisionado pelos índios. Trata-se de Hans Staden. Porto Alegre: Mercado Aberto. depois de prestar dois anos de serviço no forte de Bertioga. Mas não tão distante da realidade. poderíamos pensar: essa seria nossa primeira dívida externa? Ainda com fortes marcas da colonização exploratória no Brasil com a instalação da Corte Portuguesa na Colônia. sabemos que eles não vieram para o Brasil com o intuito de fixar a Coroa aqui. provocou um acontecimento inesperado: a Corte Portuguesa se transferiu para o Brasil. sobre uma belíssima história que mistura aventura. mediante a promessa que o traria de volta em vinte luas. sob o comando de Napoleão. . Viajantes do Maravilhoso. desenvolveu um site muito bem feito. faça uma busca na Internet ou acesse o site http://www. O filme é uma produção bem cuidada que nos aproxima do cotidiano dos índios. de Carla Camurati. 1983. devemos ressaltar que os personagens e os acontecimentos históricos foram apresentados de forma caricata. e dos conflitos que marcaram o encontro entre europeus e tribos indígenas. foi fundado o Banco do Brasil. navegação. BARRETO. 1983. Leitura recomendada Quer ampliar os seus conhecimentos sobre os índios e os primeiros contatos com os europeus? Quer fazer isso lendo um livro muito bem escrito. 1991. Formas de ser e pensar nos séculos XV e XVI.html. Os povos indígenas no Brasil: da colônia aos nossos dias. o Jardim Botânico. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Silvio. O Brasil nos primeiros séculos.gov. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. Vejam o filme Carlota Joaquina. não existia uma proposta ou ideia política de formar uma sociedade no Brasil. 1992. O Novo Mundo. Guilhermo.multirio. Descobrimentos e Renascimento. com amplo material e de fácil consulta sobre o Brasil Colonial. Afinal. GIUCCI. CASTRO. que retraça a história de um navegador francês que vem ao Brasil. Para ler a Carta de Caminha. com textos simples e corretos e boas ilustrações: http://www. de Carla Camurati. 1994. São Paulo: Companhia das Letras. MESGRAVIS. 1992 LOPES. do ritual de antropofagia. E ainda: AZANHA. Porto Alegre: L&PM. A invasão francesa na Península Ibérica. Texto 6: O Processo de Modernização Iniciou-se uma redefinição desse quadro com a vinda da Família Real. com a MULTIRIO.26 Dicas de Estudo Filme recomendado Indicaremos um filme bastante interessante. História do Brasil Colonial. Luis Roberto. É uma ótima fonte de pesquisa. observaram-se algumas substituições das práticas mercantilistas existentes no pacto colonial. São Paulo: Contexto.gov. Até aquele momento.dominiopublico. Com isso. Site recomendado A prefeitura do Rio de Janeiro. no começo do século XVI. aproveitando o clima comemorativo dos 500 anos do descobrimento do Brasil. Vinte Luas. São Paulo: Companhia das Letras. que integra aventura aos contatos entre europeus e indígenas nos primeiros anos do Brasil. baseado no texto de um aventureiro alemão.rj.

através da exploração de mão de obra desrespeito às questões de idade. ocorreu de forma pacífica se for comparado ao restante da América Latina. como também na sociedade. que no Brasil o início para as transformações começa a aparecer. Vamos refletir um pouco mais sobre a estrutura social e as ideologias políticas? Instalou-se com o capitalismo industrial a estrutura da sociedade moderna. que se privilegiavam da política protecionista que existia na época. precisamos ter em mente que o Brasil. começa a passar por transformações que o levaria a um processo de desenvolvimento mais nítido. Nesse contexto temos o Brasil ainda sem a ideia de formação de uma sociedade. Com a Revolução Industrial baseada na ideologia liberal o olhar sob a exploração muda. mas não conseguiu muito. iniciou sua industrialização por um processo conhecido como substituição de importações e que consistia em produzir. escolas. Não existe um pensamento de prosperidade ao povo. desde suas instituições econômicas. O período em que a Corte esteve no Brasil já havia trazido uma fase independente e as transformações ocorridas já tinham se fixado com novas ideias. O Brasil. em 7 de setembro de 1822. em território nacional. defendia os interesses da elite que era formada em parte por produtores de café e outros produtos agrícolas. no Brasil. que se mantinha por encontrarmos no Brasil uma sociedade presa ao passado. a ideia básica é ampliar o mercado consumidor para aumentar e concentrar os lucros nas mãos das elites. A modernização brasileira se mostrava através da existência de alguns bancos. Vale lembrar que ainda temos em nossa história recente exemplos dessa relação de poder. sempre relacionados a uma elite e não ao povo. Vejam o filme Mauá. Irineu Evangelista de Souza. Afinal fomos marcados por trezentos anos de atraso em seu desenvolvimento no período colonial. mas os interesses ainda são constituídos em favor do enriquecimento de uma elite. tentou dar um novo rumo ao desenvolvimento do Brasil. então. Muitas iniciativas progressistas no Brasil vieram de uma das figuras mais representativas do empreendedorismo brasileiro. companhias de seguro. fábricas e indústrias são instaladas e ocorrem articulações que visam a modernização do Brasil. No desenvolvimento do capitalismo industrial não foi diferente. Apesar dessas iniciativas e acontecimentos. Contudo. a lógica do capitalismo segue mantendo alguns aspectos iguais aos do seu início. Antes víamos acontecer o surgimento de modelo comercial que enriquecia a Europa através da exploração das colônias. Nesse contexto o coronelismo e o voto de cabresto marcaram extremamente a sociedade. de transporte urbano e de transporte ferroviário. de transporte a vapor. Encontrávamos como realidade o comando político de uma burguesia cafeeira. como os demais países da América Latina. que carregou traços desse quadro por muito tempo. A hegemonia política e econômica do Brasil era protecionista. onde encontramos de um lado a figura da burguesia. Vamos pensar sobre esse quadro que se formou no século XIX. Você lembra de algum caso em que essa relação é nítida nos dias atuais? Para continuarmos nossos estudos. Ele é diferente do Contexto que encontramos hoje? Em meio a esse contexto. o desenvolvimento do Brasil ainda era lento. Percebemos. a elite econômica e política que comanda e detém o poder da sociedade. As mudanças eram notórias. Formada por classes polarizadas. O que colaborou com esse fato foi a hegemonia econômica e política dos produtores de café e de outros produtos agrícolas. essas transformações se manifestam com raízes no passado.Museu Real. É fácil encontramos marcas desse período por que nosso país passou. Nosso papel é compreendermos que tudo isso influenciou a formação da sociedade brasileira e está refletido em nosso contexto atual. sexo etc. onde o Estado está ausente. políticas e sociais. analisando esses fatos. na qual encontramos pessoas que tomam para si o poder. depender do Estado para a criação da infraestrutura necessária para a circulação de mercadorias. temos a classe trabalhadora. com o surgimento de novos personagens e grupos de poder. com a vinda da Família Real portuguesa em 1808. A independência do Brasil. parte do que era destinado ao mercado de consumo local. que se encontra no outro extremo dessa estrutura. Mesmo com essa visão empreendedora Mauá faliu. Algumas estruturas do Brasil Colônia começam a modificar. ter um parque industrial constituído predominantemente de filiais 27 . Do outro lado. o Visconde de Mauá. O processo de substituição de importações se caracterizava por: produzir apenas para o mercado interno.

Segundo Almeida e Rigolin (2004: 394). Em meio a esse contexto.28 de empresas internacionais. foi o primeiro político a pensar no povo. criou uma identidade nacional. e instalaram-se aqui definitivamente. Também fundou. transportes. lista. instalada em 1942. e a mineradora Companhia Vale do Rio Doce. que era refletida na associação do Estado. que leva à Revolução de 30 e à Era Vargas. inaugurando a era das multinacionais. atividade que até então ocupava um lugar de muito pouca importância no cenário econômico do país. foi criado o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) em 1952 e. que possuía uma ideia desenvolvimentista apresentada pelo slogan “Cinquenta anos em cinco”. nas empresas nacionais e no capital estrangeiro. em Minas Gerais. Foi esse Estado intervencionista o responsável pelo segundo surto industrial no país. em Volta Redonda. época em que as montadoras de automóveis. Juscelino Kubitschek foi eleito no período de transição após o suicídio de Vargas. seria estocado. mas promovia mudanças fundamentais para a modernização e desenvolvimento industrial. Na Era Vargas. em 1945. Rio de Janeiro. para evitar a queda do preço no mercado. e que infelizmente iria piorar. e remeter para o exterior. queima o resto do café que. por meio das transformações que comandou e coordenou no sentido da implantação de um parque industrial brasileiro. para muitos. Geração de energia. a Fábrica Nacional de Motores (FNM) e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco. JK e sua política de improvisação não terminaram com um saldo positivo. Durante seu segundo mandato (1950-1954). Esse desenvolvimento pregado por JK foi baseado na economia capitalista internacional. indústrias de aparelhos eletroeletrônicos e outras começaram a invadir o parque industrial brasileiro. troca pequena parte do produto por trigo americano e. o Estado cumpre com eficiência seu papel de principal agente da modernização capita- Realmente não podemos negar que Vargas era um visionário. Contudo. Foi a quebra da Bolsa de Nova York. Compraram as empresas nacionais. os lucros da produção. por ter uma política para o povo. sua pretensão era fazer com apoio de investimentos internacionais. outro marco em nosso país. O processo de industrialização é auxiliado pela desvalorização da moeda brasileira. A economia brasileira em ascensão era ligada a agroexportação. que não conseguiam competir com os preços e a tecnologia dos estrangeiros. organizada em 1941 e posta em funcionamento em 1946. tendo como seu principal produto o café. aos países-sede das empresas. 2004: 394). tradicionalmente. em 1943. Getúlio Vargas resolve a crise obtendo crédito para compra do excedente da produção. esse período da nossa história foi caracterizado por contradições e inovações. Há um sensível deslocamento dos capitais investidos até então na cafeicultura. Economicamente o nosso país crescia apoiado ao eixo de desenvolvimento dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. foi instituída a Petrobras (Petróleo Brasileiro S/A) (ALMEIDA & RIGOLIN. O governo JK marca o início da internacionalização da indústria no Brasil. que se consubstanciaram no seu plano. Em 1929. . Conhecido como a Era Vargas. não podemos esquecer que o Brasil nesse período enfrentou um contexto em que sua economia já estava presa ao capital estrangeiro. que passaram a ser aplicados na indústria. Mas o desgaste da política das oligarquias e o descontentamento com o governo levam à crise da República Velha. Entre suas realizações estão a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). no ano seguinte. uma política nacional e de desenvolvimento industrial. No ano seguinte Getúlio Vargas toma o poder e inicia um período marcado pela transformação da sociedade e da organização econômica brasileira. Na sociedade brasileira a modernidade começa a apresentar-se através de manifestações artísticas que romperam com os padrões da época. Vargas ficou conhecido como “pai dos pobres”. passando a controlar o mercado interno. A consequente elevação dos preços dos produtos estrangeiros que importávamos vai servir de estímulo para a fabricação de similares no Brasil. Tinham uma postura política que lembrava o passado autoritário do nosso país. aconteceu uma crise que afetou profundamente a economia brasileira. Nesse período tanto a arte como a economia marcaram o Brasil. Governou tentando cumprir seu “Plano de Metas”. na Semana da Arte Moderna de 1922. Vejamos como foi o modelo de desenvolvimento de JK. Getúlio e JK: Início e Consolidação da Industrialização O Brasil chega ao século XX como um país fundamentalmente agrícola. e. Vargas foi o responsável pela infraestrutura necessária para a instalação de indústrias Getúlio no país no período de seu primeiro governo (1930-1945). construção de estradas e criação de indústrias de base foram as suas grandes metas.

No ano de 1968. Segundo . o AI-5 estabeleceu a censura à liberdade de expressão.cessação de privilégio de foro por prerrogativa de função. ame-o ou deixe-o!” e o que anunciava “Este é um país que vai pra frente!”. São nítidas e delicadas as sequelas sociais. Terceiro . Pra frente Brasil. 29 Governo Militar: Aspectos Econômicos e Políticos Ao iniciar a década de 60 do século XX. a crise atinge seu clímax e como consequência. estudantes. Durante o seu governo. com base neste Ato. foi intensamente explorada como sinal de um país que se desenvolvia e era vencedor. um conjunto de ações e uma instabilidade sociopolítica culminaram na tomada dos militares ao poder. b) proibição de frequentar determinados lugares. que se deu a partir dos investimentos internacionais. O clima causado pela repressão era de extrema insatisfação. artistas. E. por 21 anos. das seguintes medidas de segurança: a) liberdade vigiada. c) domicílio determinado. introduzindo o país na era do capitalismo monopolista. Todos juntos vamos. 13 de dezembro de 1968 Vejam o filme O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias. entre os quais ficou famoso o que dizia “Brasil. “Noventa milhões em ação. Intelectuais. Aproveitaram como marketing a conquista da Copa do Mundo de 1970. simultaneamente.. econômicas e políticas deixadas nessa época. trabalhadores. Ato Institucional número 5 (. em 1970. Do meu coração. importa. Vamos pensar sobre a realidade da época? O ambiente político nacional estava instável.suspensão do direito de votar e de ser votado nas eleições sindicais. O governo tentava conquistar o apoio popular com slogans que constituíssem uma mentalidade cívica. de Cao Hamburger. através de slogans que construíssem uma mentalidade cívica. Desse período a sociedade carrega marcas dolorosas das ações políticas ditatoriais.aplicação. na qual vivemos uma política de autoritarismo e repressão.proibição de atividades ou manifestação sobre assunto de natureza política. Em 1964. . em 1970. nos casos de crimes políticos. diz-se que ela é tardia ou recente. Graças ao seu desenvolvimento peculiar. por se realizar num momento em que os países mais avançados já haviam atingido a fase monopolista. iniciando o terceiro mandato presidencial do período militar.) Artigo quinto: a suspensão dos direitos políticos. Ao fim da Era JK.. a nossa industrialização se torna dependente. intensificaramse as campanhas pela conquista do apoio popular. sucedeu a Junta Militar. nossa sociedade esteve diante de mais uma ditadura.. um conjunto de medidas mais rígidas é publicado. em: Primeiro . O descontentamento com o regime mobilizou diversos setores da sociedade civil.Deixando uma característica que permeia por muito tempo no contexto brasileiro: os problemas econômicos com a dívida externa. a ordem econômica e social e a economia popular. Quarto . setores da igreja católica e algumas entidades classistas protestaram contra a repressão provocada pelo regime militar. dominada por grandes empresas estrangeiras. fica confirmado um quadro que por muito tempo tornou o Brasil um país frágil: a dependência brasileira ao capital estrangeiro. quando necessária. A conquista da Copa do Mundo de Futebol. com todas as implicações que isso possa acarretar. O general Garrastazu Médici. a economia brasileira estava entranhada pelo capital internacional. contra a segurança nacional. Brasília. Artigo dez: Fica suspensa a garantia de habeas corpus..

pois esse é um marco de muita relevância para nossa sociedade. Os países árabes. Hoje existem materiais muito ricos sobre a ditadura no Brasil. desde o início. época em que se observou uma retomada do desenvolvimento. o general João Batista Figueiredo. se você vivenciou pode lembrar e refletir sobre a ditadura militar em diversos aspectos e ver o quanto esses 21 anos influenciam nossos contextos atuais. O presidente Tancredo Neves não chega a tomar posse por conta de grave enfermidade que veio a lhe causar a morte. Aproveite que você está estudando agora. pelas lutas no sentido da redemocrati- zação da sociedade. o país recebe vultosos empréstimos internacionais e apresenta uma produção industrial bastante significativa. O cenário mundial. A ideologia econômica recomendava “fazer crescer o bolo para só depois distribuílo”.. Mas o milagre econômico não resultou como se esperava e como consequência vivenciamos mais uma crise política e econômica. a ponto do período entre 1967 e 1970 ser considerado como o do milagre econômico brasileiro. os Estudos de Problemas Brasileiros. principalmente os países não desenvolvidos. disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política do Brasil e. adiando a escolha direta do próximo Presidente. Assume em seu lugar o vice-presidente José Sarney. No governo Geisel. respectivamente. no Ensino Fundamental. Tudo é um só coração! Todos juntos vamos. basicamente. continuam no comando. Pra frente Brasil! Brasil! Salve a Seleção!” As leis que reformaram a educação criam. dependentes do capital externo. O mandato do presidente Figueiredo foi marcado. O movimento pela Diretas já! foi derrotado no Congresso. Em 1973. mas. passam a utilizar o preço do produto como arma econômica. A chapa Tancredo Neves -José Sarney é eleita indiretamente pelo Congresso Nacional para os cargos de presidente e vice-presidente da República. os militares se retiram. dessa vez através de antigos aliados que dariam continuidade à sua obra. o aumento da carga tributária e o arrocho salarial. anunciando que prendia e arrebentava quem se opusesse à abertura política. contenção da inflação e uma brutal concentração de . Salve a Seleção! De repente É aquela corrente pra frente. Vale a pena pesquisar e conhecer mais um pouco! Texto 7: O Papel do Estado nas Décadas de 70 e 80: Autoritarismo e Concentração de Renda O governo que se instala em 1964 institui o PAEG – Plano de Ação Econômica do Governo – que se previa. pois se temia que eventuais eleições diretas para o cargo pusessem em risco o processo de redemocratização da Nação. toma posse em 15 de março de 1979. Foi o início da volta aos quartéis. Os anos entre 1967 e 1973 ficaram conhecidos como os anos do milagre econômico brasileiro. A dívida externa brasileira se avoluma e agrava as desigualdades sociais de um modelo que tentava combinar desenvolvimento com arrocho salarial. com o objetivo de formar nas novas gerações um sentimento de ufanismo pelo país em que estavam vivendo. Clamava-se pela anistia. o primeiro Presidente civil em 21 anos. Parece que todo o Brasil deu a mão.30 Pra frente Brasil. Todos pagam um alto preço. começa a mudar. como a “Tortura nunca mais!”. Aliado a isso. Fique atento! Faça uma reflexão sobre esse período. Foram fundadas várias organizações que se encarregam de denunciar o arbítrio. Para quem não viveu esse período vale a dica para uma boa pesquisa histórica. O PIB brasileiro é o 8º do mundo e o melhor entre as nações periféricas. Todos ligados na mesma emoção. Em 1985.. os donos do poder começam a pressentir que é hora de caminhar para a abertura política. de certa forma.. exportadores de petróleo. para todo universitário é válido ampliar seu conhecimento sobre esse assunto. até 1970. O governo responde com a proposta de uma abertura lenta e gradual e foi esse o modelo que prevaleceu. a redução dos gastos públicos. que havia possibilitado do ponto de vista econômico uma relativa tranquilidade ao governo. E é com essa intenção que o quinto e último presidente militar.. começa a se delinear uma crise no cenário internacional. com o apoio do movimento da Anistia Internacional. no Ensino Superior.

é o organismo financeiro da ONU que fornece recursos financeiros para os países que apresentam déficits nas contas externas. reeditando sobre as experiências do passado os novos elementos da economia mundial. pelo Acordo de Bretton Woods. permitindo às empresas estrangeiras comprar enormes áreas de terra. 14.6%.). Esse modelo exigiu um controle maior da população pobre e o aumento da repressão aos grupos politizados. . e em 1980. em 1970. para 46. especialmente na Amazônia. O Judiciário e o Legislativo submeteram-se ao Executivo. Com o intuito de dar continuidade aos índices de crescimento elevado. não só para o Brasil. em 1970. em 1960. inflação alta. e 16. que por isso ficou conhecida como a década perdida. A riqueza produzida era direcionada para o pagamento dos credores internacionais. Houve o incremento da produção industrial de supérfluos. para 2. trocando o modelo capitalista dependente pela pura e simples subserviência.4% da renda.9%. a legislação benevolente e os financiamentos privilegiados atraíram as multinacionais. em 1960. Mas os operários tiveram os seus salários achatados – a maior baixa real na história do Brasil. índices ruins no que se referia ao desemprego e mortalidade. Cristalizou-se a ditadura.9% da renda nacional. marca dos anos 80 do século XX. o auxílio do FMI incorre em medidas econômicas ortodoxas de equalização fiscal e cortes de gastos públicos (Site: Wikipédia. A economia de todos os países subdesenvolvidos entra num processo de estagnação. Vejamos o que é o Fundo Monetário Internacional: O Fundo Monetário Internacional foi criado em 1944. E os 1% muito ricos progrediram de 11. Os 50% de pobres ficaram com 17.7%. Em 1960. 31 Texto Complementar Autoritarismo e concentração de renda A política econômica do regime militar Chiavenato Do achatamento salarial à concentração de renda Os militares e os seus sócios não se limitaram a subverter o processo político: também intervieram vigorosamente na economia brasileira. Os pobres ficaram mais pobres e os ricos. os 10% mais ricos passaram de 39.7%. como para todos os países da América Latina. a sua renda coletiva caiu para 3. o Estado tornou-se cada vez mais forte. aquele quadro encontrado no Brasil não mudou. fenômenos que vão caracterizar os anos 70 e a primeira metade dos 80.renda.9%. No mundo inteiro o neoliberalismo impulsionava transformações.9%. em 1960. o governo militar aumentou o endividamento externo e cresceu a inflação. em 1980. para o novo milênio segundo este olhar. e 12. mais ricos. O Brasil estava com uma herança de dívidas.4%. para 14. inflação alta e uma série de planos econômicos para conter a hiperinflação.9% em 1980. Leia o texto complementar e reflita um pouco mais sobre esse contexto. uma pequena parcela média – que logo se destacou como “classe média alta” – teve acesso a altos salários e ao consumismo identificado no fugaz “milagre brasileiro”. recessões. que serviu de base para a desnacionalização da economia.8%. Geralmente. os problemas continuaram e com isso a sociedade se desiludia. O quadro encontrado era bastante ruim. militarizado e acima da Nação. os 20% mais pobres detinham 3. reformulando suas bases. dívida externa. A renda dos 5% ainda mais ricos em 1980. As modificações jurídicas. Enquanto isso. e 50. em 1970. Mas a ditadura deixou mais do que as marcas da tortura. Os baixos salários. Mesmo com a mudança de um regime militar para um regime democrático. as isenções e os incentivos fiscais. em 1970.5%. desigualdades regionais e sociais. tornando-as próprias para a proposta neoliberal. Favoreceu-se uma progressiva concentração de renda e o achatamento salarial. atraíram capitais que se reproduziam rapidamente e tinham facilidades na “remessa de lucros”. Graças à concentração de renda. em 1980. Foi um período marcado pelo contexto de crise. entre eles o FMI e o Banco Mundial.

para que os mais “leigos” entendam o processo que culminou jogando a economia brasileira em uma crise que se agrava a cada dia.2% correspondentes à “verdadeira” classe média). pretendia libertar a economia brasileira.1%. Apesar do óbvio. O que vale a pena ressaltar é que. combinado com a especulação financeira. E a maioria das suas medidas correspondia à subserviência externa como garantia de segurança interna. com o sucateamento da indústria nacional e com o maior endividamento externo que o Brasil já teve.) De fato. explica que essa situação torna-se possível quando: (. os governos militares privilegiaram os investimentos externos e comprometeram o futuro imediato da nação.6% que recebiam até cinco salários mínimos aos 7. mas porque podem ir ao encontro de valores e interesses que julgam tais grupos ser os seus próprios. O professor Mário Henrique Simonsen.8% recebiam até um salário mínimo: 31. Se o modelo dependente da economia brasileira já era responsável por uma concentração de renda histórica. de modo mais didático do que técnico). bem ou mal. Nos tempos do “milagre”. “entregava” o subsolo à exploração das empresas estrangeiras interessadas nos minérios estratégicos. até dois salários mínimos: 23. entre dez e vinte salários mínimos: e 1. o modelo dos militares derivava das suas concepções de segurança nacional.5% dos trabalhadores ganhavam até meio salário mínimo. cabe investigar razões mais profundas. Ele favoreceu apenas 7. 64. Isto quer dizer: no tempo do “milagre”. ou mais. não especificamente porque sejam estrangeiros. segundo a visão míope da ditadura. esse fenômeno potencializou-se ao passarmos da dependência à subserviência. que ganhava até dez salários mínimos. O “milagre” só foi possível porque o empobrecimento do povo não significou necessariamente uma estagnação econômica na soma da renda nacional: esta apenas foi desproporcionalmente distribuída. em uma avaliação muito otimista. Isso.8% dos salariados.6%. através de práticas sociais de grupos e classes locais que tentam fazer prevalecer interesses estrangeiros... entre cinco e dez salários mínimos: 3. As estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) comprovam: 12.4% dos trabalhadores ganhavam no máximo dois salários mínimos. Pagando-se cada vez menos aos trabalhadores e oferecendo salários mais altos a uma pequena elite consumidora.6% recebendo até cinco salários mínimos e uma “verdadeira” classe média de 7.2%. que recebiam de dez a vinte salários mínimos. afirmou que em 1970 houve uma concentração muito maior do que nos dez anos anteriores.2% dos assalariados ou. . A seguir. citado por Maria Helena Moreira Alves em Estado e Oposição no Brasil. Da concentração de renda à dívida externa A concentração de renda mostrou-se tão perversa socialmente que os próprios economistas do governo militar tiveram de denunciá-la. entre dois e cinco salários mínimos: 7. Ele foi aplicado pela aliança com as forças externas e internas – a mesma aliança responsável pela queda de um governo que. Daí o desrespeito às leis e a promulgação de uma Constituição à imagem do poder – lembramos que a Constituição de 1967. 20. Que o milagre foi falso. sustentou durante certo tempo o “milagre brasileiro”.2%. Já o grande consumo era feito por 4. ampliou-se o mercado de supérfluos para “classe média alta”.6% deles recebiam mais que vinte salários mínimos. 30. no seu artigo 161. isso precisa ser dito (no nosso caso. por exemplo. ministro da Fazenda no governo do general Geisel. a grande maioria da população ganhava muito pouco. Outro ponto a salientar é como se obteve essa produção: com a abertura da economia às multinacionais.2%. A junção dos interesses internos com os externos provocou o empobrecimento dos pobres e o enriquecimento dos ricos.8% (se somarmos os 23. todo o Brasil soube e sabe.) o sistema de dominação ressurge como uma força “interna”. Para obter sustentação. (O grifo é nosso.32 Essa concentração de renda fez-se à custa do achatamento salarial das chamadas “classes baixas”. Um artigo dos professores Fernando Henrique Cardoso e Enzo Falleto. havia uma faixa intermediária de 23. o aumento da produção industrial também não refletiu um aumento real da economia. Por que os militares permitiram esse modelo? Eram “burros”? Impatriotas? Venais? Foram subornados pelo capital estrangeiro? Sem descartar a possibilidade do “sim” para algumas dessas indagações. naquele período.

O golpe de 64 e a ditadura militar. A Firestone mandou à matriz US$ 50. os governos militares elevaram a dívida externa brasileira em quinze vezes: de US$ 3 bilhões ela passou para US$ 45 bilhões. por exemplo. pág. Coleção Polêmica. ou que já haviam exaurido o mercado dos seus países. Ou seja: em plena crise. além de permissão para a compra de terras com o dinheiro que não conseguiam enviar às suas matrizes. em 1976. A festa multinacional Enquanto a crise econômica brasileira se agravava a partir de 1960.1 bilhões. O fato é que o governo militar preferiu associar-se ao capital estrangeiro. 96%. não havia como voltar atrás sem desfazer alianças externas que sustentavam o modelo interno. ed. 33 . um recorde mundial. em 1960. Em resumo. elevou a dívida externa de US$ 9. para US$ 35. Em 1957. US$ 82. em 1983. Júlio José. segundo as estatísticas do Ministério do Planejamento. com um investimento de US$ 4. em prejuízo das nacionais. em 1974. Nosso problema não estava na capacidade de produção da indústria. Se os problemas da economia internacional afetaram diretamente a economia brasileira. subindo para 77%. e chegaram a 98%. favorecendo políticas que estrangularam a indústria nacional. Além de impedir o desenvolvimento da indústria brasileira. em 1960. a fabricante de cigarros Souza Cruz investiu US$ 2. em que reduzindo os empréstimos internos desaqueceria a produção que dava lucros especialmente às multinacionais. geralmente considerado austero.8 bilhões. A cartelização industrial passou a ser uma regra. em 1956.5 milhões no Brasil e remeteu ao exterior. De 1966 a 1976. Em quinze anos. foram transferidas para o Brasil. em 1964. 124-128. E não estamos esquecendo os chamados “acidentes de percurso”. Referência: CHIAVENATO. Indústrias obsoletas no Exterior. a capacidade de produção da indústria aumentava. que já em 1960 atendia a quase totalidade das exigências do país. sob a forma de lucros. esse processo provocou a evasão de dólares. Por quê? Porque uma vez desencadeado o processo. São Paulo: Moderna. liberdade para a remessa de lucros e incentivos fiscais. a economia trilhou o caminho da industrialização. a participação da indústria nacional na oferta de bens de produção foi de 58%. reformulada. Os bens de consumo participaram com 92%. a política econômica do governo militar privilegiou as multinacionais: baixos salários.1 milhões. eles não servem como desculpa para o fracasso do modelo: a sua subserviência e conformação favoráveis ao capital estrangeiro já previam o fracasso de qualquer “milagre”. conforme dados de uma CPI da Câmara dos Deputados. e chegando a 86%. O governo Geisel. como as sucessivas altas do petróleo. 2004.2 milhões.Outra consequência importante dessa subserviência foi o aumento da dívida externa.3 milhões. 2.

que tinha como promessa de candidatura transformar o Brasil em um país moderno. Temos que pensar que o país ainda possui pontos negativos. Isso não significa que não sejamos atingidos no futuro. porque falta esta solidez para que possamos aumentar o grau de investimento no país. É claro que não devemos ver e sorrir diante de fatos que repercutem negativamente não só aos olhos internacionais. Sendo assim. ver as questões com delicadeza porque as questões sociais ainda continuam como a exclusão social. ele precisava tentar acabar com os problemas fi- . A herança deixada pelos governos militares e pelas políticas exploratórias e protecionistas da nossa história acarretou um longo período de dificuldades e até hoje é possível encontrarmos traços no cotidiano brasileiro. não adianta muito este lado. será que não podemos dizer que essa Nova República. esse novo processo de redemocratização poderiam ser considerados como o primeiro período verdadeiramente republicano? Contudo. Mas podemos refletir sobre esses nomes. afinal. E mesmo com todos os problemas econômicos e sociais delicados que já estudamos até aqui e que continuaremos lendo até o fim desse instrucional. em que o Brasil quita sua dívida externa. como cidadãos. educação precária. liquidando a dívida externa. social etc. mas há um conjunto de atitudes para que o país se desenvolva neste processo. miséria. Na área econômica foram várias tentativas políticas para resolver os problemas desse setor. Cabe-nos refletir que por mais que as realidades ainda sejam cruéis em relação ao que vemos na sociedade. Texto 8: As Consequências Socioeconômicas do Modelo de Desenvolvimento Brasileiro Neste texto abordaremos como se deu a abertura do mercado brasileiro para a chamada “economia global” e a distribuição interna nacional. Muitos planos econômicos foram lançados e todos fracassaram sem alcançar os objetivos almejados. Temos em nossa memória recente as consequências e ações que ocorreram na política e na economia do Brasil. habitação. e este desenvolvimento atinja todos e não apenas uma pequena minoria. para que possamos começar a resolver estes problemas sociais. e não somos logo afetados e massacrados como antes. Mas sabemos que o Brasil se mantém de forma disciplinada para que a economia se torne sólida. e isto é um ponto relevante. bem como para o povo brasileiro e sua economia. econômica. A participação popular nessas ações se tornou cada vez mais comum. mesmo após a Proclamação da República. além de preparar a economia brasileira para uma inserção no mercado mundial. no início de 2008 tivemos um fato muito interessante e que nós. Mas o problema é que não podemos descartar o marco histórico que o país teve e inclusive a repercussão que isto teve. fome. e a economia está estável. afinal vivemos em uma perspectiva de globalização. a sociedade vivencia várias crises em países vizinhos e nações amigas. devemos refletir: o país saiu do estado de devedor mundial para a posição de credor. pobreza. O processo de redemocratização brasileiro teve inicialmente grandes problemas de ordem política. Essas dificuldades fazem parte de nossa história contemporânea. iniciou-se em 1985 o período chamado de Nova República e um processo de redemocratização. o Brasil não vivenciou uma experiência verdadeira de democracia. esse processo não foi fácil. o país teve um desenvolvimento. Quando usamos a expressão “modernização collorida” já podemos imaginar que se trata do que ocorreu no mandato do presidente Fernando Collor de Mello. porque foi a primeira vez desde que a coroa veio para nosso território e trouxe as dívidas em 1808 até este momento. que é uma característica expressiva de qualquer república.34 UNIDADE III O PROCESSO DE R EDEMOCRATIZAÇÃO BRASILEIRO REDEMOCRATIZAÇÃO E O CONTEXTO AT UAL DO BRASIL ATUAL Após 21 anos de ditadura militar. Mas para alcançar tal intenção. Tivemos o primeiro impeachment de um presidente e diversas ações que mudaram o quadro econômico do Brasil.

apoiado por FHC. A postura de Fernando Henrique Cardoso era contraditória ao seu passado de “esquerda”. tinha posturas neoliberais e nacionalistas. O último governo de Fernando Henrique Cardoso terminou de forma ruim e repercutiu nas eleições de 2002. E com o intuito de modificar o contexto econômico. Pela primeira vez um presidente eleito passa a faixa para outro presidente eleito na nova democracia. De um lado Luis Inácio Lula da Silva. influenciaram bastante. que era ministro da economia do Plano Real. O colapso da era Collor não foi causado apenas pelos desacertos políticos e socioeconômicos. conseguiu controlar a inflação. Collor rompeu com o modelo de desenvolvimento da era Vargas e ficou conhecido como “Caçador de Marajás”. mas a imagem negativa do congresso continuava. tivemos a reeleição de FHC. * Em 2001. Fernando Henrique Cardoso. exmetalúrgico. que aprovasse a reforma da previdência social. No caso do governo Lula. Além de não conseguir cumprir suas metas durante o seu governo. foi criado o Plano Real. * No contexto social. que em 2002 se apresentou de uma forma mais moderada. Foram eles: o Movimento pela Ética na Política e o Movimento dos “Caras Pintadas”. a crise econômica na Ásia. E antes que o governo FHC acabasse. chegou ao cargo mais alto do país. vice na chapa de Collor. ainda. A forma que ele escolheu para adotar não foi a melhor. que aumentou quando a CPI concluiu o envolvimento do presidente com o “Esquema PC”. Eles queriam que Lula decretasse uma moratória2 e não pagasse a dívida externa. Após a trágica experiência com Collor. A população se organizou e dois movimentos se destacaram. 2 Moratória é uma disposição que suspende o pagamento num prazo fixado por lei ou por força de um contrato. causando um processo de importação indiscriminado e a desnacionalização de ambos os setores da economia. o presidente conseguiu que o congresso votasse a favor da reeleição para presidência e. com os países que formavam o grupo dos Tigres Asiáticos. As imagens com certeza ficaram marcadas como o dia em que um operário chegou ao poder. aumentando o desemprego naquele período. E o fato mais marcante é que um homem de origem humilde. A postura de Lula à frente da presidência. pois em sua campanha à presidência tinha como objetivo acabar com os culpados pela insuficiência do governo. aos poucos. a privatização de empresas estatais e outras ações. que mesmo tentando evitar a rejeição que a população tinha pelo presidente anterior. não conseguiu se eleger. como ficou conhecido. aumentando o tempo de contribuição para a aposentadoria. Collor enfrentou denúncias e escândalos que acarretaram no fim do seu governo. o Brasil apresentava-se cada vez mais em dificuldades diante de seus problemas. As denúncias feitas por Pedro Collor. querendo ganhar credibilidade dentro e fora do governo. que foi trabalhador operário. Mas vale nesse momento a pergunta: o Brasil melhorou com este modelo de desenvolvimento? Encontramos até os dias atuais antigas questões sociais que ainda não foram resolvidas. Seu governo apresentou-se contraditório. que. Não seguia uma ideologia específica. A repercussão do escândalo resultou numa indignação popular. o processo de privatização iniciado na era Collor foi retomado. No novo mandato. O problema da distribuição de renda é um exemplo desse contexto que encontramos no Brasil e que agrava ainda mais a desigualdade social. Como era imaginado naquela época. . o Brasil teve uma tentativa de conciliação nacional com o presidente Itamar Franco. Na economia não tínhamos mudanças. deixar de pagar seus compromissos internacionais. que desde a volta das eleições diretas disputava a presidência.nanceiros existentes. seu governo continuava tendo a mesma postura neoliberal. contudo teve que enfrentar algumas crises: * Em 1997. ou seja. provocado pelas privatizações. não agradou membros mais radicais de seu partido que romperam e acabaram expulsos do governo. 35 Vamos Lembrar do Governo de FHC: o Sociólogo Neoliberal? Com a política apoiada na ideologia neoliberal. a crise do abastecimento de energia mostrou a fragilidade quanto ao investimento de recursos. O Plano Real teve repercussão direta nas eleições presidenciais de 1995. Como consequência houve uma queda no PIB e a redução da oferta de emprego. Queria fazer com que a população voltasse a ter confiança na credibilidade política. sobre a existência de um esquema de corrupção intermediado pelo empresário Paulo César Farias. foi eleito presidente da República. O Plano Collor. causou reflexos na economia do mundo inteiro. tesoureiro da campanha e amigo do presidente. E do outro lado José Serra. O seu objetivo era implantar um “Estado Mínimo”. irmão do presidente. abriu o mercado ao capital e aos produtos estrangeiros.

A constituição de 1988 traz em seus escritos essa necessidade de vivenciarmos uma cidadania plena. Leia o próximo texto complementar para refletirmos mais sobre esse assunto. nós nunca tivemos nossa revolução francesa completa. o Brasil vivia uma estabilidade. sonhava-se com uma sociedade melhor. o governo não foi tão abalado e Lula acabou sendo reeleito. se elas se associarem para defender seus direitos. “Nas favelas. de não ser violentado pela polícia. a sociedade vive um clima de esperança e alegria. Com o fim do regime militar. A Construção de uma Nova Cidadania Esta palavra pode significar muitas coisas.36 A posição adotada pelo governo fez com que voltasse contra ele as acusações de ser neoliberal. médico e segurança. O fim da ditadura é marcado pela recessão econômica e uma grande mobilização da sociedade civil em busca de democracia. sindicato aprovado pelo governo. Mas contrariando os comentários o governo aumentou os impostos para a população com mais renda e ampliou uma rede de serviços assistencialistas que atendiam à população mais carente. ou seja. a ideia dos direitos do homem e do cidadão surgiu durante a Revolução Francesa de 1789. O direito de ser livre. No governo de Getúlio Vargas. Como vimos em relação à democracia. Vivenciar um regime democrático era algo que trazia conforto no contexto social. ou seja. habitação decente. Infelizmente. na Baixada Fluminense No Mato Grosso. Que país é esse?” Precisamos nos perguntar que país é esse sempre e para responder temos que refletir sobre todo os contextos que temos estudado. de ter emprego. no senado Sujeira pra todo lado Ninguém respeita a constituição Mas todos acreditam no futuro da nação Que país é esse? No Amazonas. aquele que influencia nas decisões da comunidade. todos os brasileiros deveriam ter o direito de exercer a plena cidadania. Por muito tempo. não passar fome. no Araguaia. A Constituição de 1988 estabeleceu vários direitos de cidadania. cidadania era o direito de ser reconhecido pelo Estado. do grupo Legião Urbana. No último ano de seu mandato surgiram denúncias de corrupção no governo. Como você sabe. nas Gerais e no Nordeste tudo em paz Na morte eu descanso mas o sangue anda solto Manchando os papéis. carteira de trabalho assinada. homens livres pobres e mulheres eram não cidadãos. Apesar de toda a repercussão negativa do caso. escravos. Cidadão é o que participa ativamente da cidade. nossa população aprendeu a se posicionar diante do quadro alarmante e os movimentos populares começam a se organizar e lutar por seus direitos. Contudo. ter emprego fixo. No Brasil. Portanto. a maioria ainda não existe na prática. baseada nos ideais democráticos iluministas. Em princípio. Na década de 80 essas ideias e vontades democráticas permeavam por todos os contextos brasileiros. documentos fiéis Ao descanso do patrão Que país é esse? Terceiro Mundo se for Piada no exterior Mas o Brasil vai ficar rico Vamos faturar um milhão Quando vendermos todas as almas Dos nossos índios num leilão. de não ser discriminado racialmente ou sexualmente tudo isso tem a ver com a cidadania. o nosso país ainda é visto como novo. Texto 9: A Construção de uma Nova Cidadania e os Movimentos Sociais Vamos começar a pensar na construção de uma nova cidadania e os movimentos sociais lendo e lembrando da música “Que País é Este?”. . os direitos do cidadão só podem ser garantidos se as pessoas procurarem se interessar ativamente pela política.

Os neoliberais são favoráveis às demissões em massa para aliviar as contas do governo. Porque um grave problema ainda não foi solucionado: como evitar que as pessoas elejam políticos que não têm nenhum compromisso com a população? Como. a Cia. a imprensa é livre. Mas como é possível falar em empreguismo e ao mesmo tempo não aceitar nenhuma demissão? Até mesmo os aspones devem continuar empregados? Até mesmo os funcionários de nível de segundo grau que recebem 60 ou 100 salários mínimos por mês ou mais? Por outro lado. a política era dominada pelos coronéis e pelas oligarquias estaduais. O pior é que esses cabides de empregos (onde ficam pendurados os aspones) não podem ser mexidos por causa da estabilidade no emprego. o Estado procurou incorporar a sociedade civil. A impressão é que o Estado sempre foi privatizado. É desta maneira que combatemos a corrupção e o mal uso que o governo faz com o dinheiro público. É possível que cada lado tenha um pouco de razão. os sindicatos têm autonomia. sociólogo. D. ou seja. ou seja. Por exemplo. Tempo do voto em aberto. Desde Collor até FHC o governo vem seguindo a linha de privatizações. as revoltas regenciais foram esmagadas a ferro e fogo. Felizmente. Por isso. ou seja. mais dinâmico. Recebem uma grana e nem comparecem. Pedro I era um tirano. as empresas estariam sufocadas e muito espertalhão estaria sonegando. Não tem cabimento que hospitais públicos caiam aos pedaços. A mesma truculência foi repetida durante a ditadura militar (1964-1985): o Estado reprimindo greves. Os neoliberais acreditam que as novas empresas privatizadas vão pagar impostos bem maiores ao mesmo tempo em que o governo já não precisa mais investir nelas. mais moderno. que um simples documento leve semanas para ser expedido. que escolas não tenham aulas. fechando jornais. Fernando Henrique Cardoso chegou a privatizar a maior empresa mineradora do mundo. hidrelétricas. o ideal é privatizar as empresas estatais que se dedicam a tais atividades. oportunistas. Vale do Rio Doce. o fim da estabilidade no emprego público pode fazer do funcionarismo um 37 . as pessoas podem ir para rua protestar. Maurício da Silva Duarte. como lembra um estudo do historiador. derrotar os políticos mentirosos. apoiar os grandes proprietários. Um dos problemas mais graves (e isso acontece em quase todo o mundo) é o déficit público. o parlamentarismo monárquico de D. proibindo que se criticasse o governo. Um povão de gente foi nomeado para se tornar aspone (assessor de porcaria nenhuma) numa repartição qualquer. estar sempre atenta ao que o presidente e o Congresso andam fazendo. os sindicatos eram subordinados ao governo e até escola de samba precisava de autorização para desfilar. Os partidos neoliberais acham que há impostos demais e gente pagando de menos. Ele foi instalado pela metrópole portuguesa com algumas finalidades básicas: submeter os índios. os outros funcionários têm de se virar para atender às pessoas. o governo tem feito muito pouco pelo bem público. estradas. prendendo opositores. o funcionário público jamais poderá ser demitido. sobraria mais dinheiro para investir no bem-estar social. o governo está gastando muito mais do que arrecada com impostos. e ele pouco tinha de democrático. sempre foi corriqueiro o político arrumar empregos públicos para seus eleitores. que os aposentados recebam tão pouco. todos os partidos podem funcionar.No Brasil. só existiu para atender aos interesses particulares de alguns grupos privilegiados e não de toda a população. No Brasil. a imprensa estava sob censura. Portanto. Resultaram de anos e anos de luta do povo contra as ditaduras. telefones. através do jogo democrático. Na República Velha. capaz de atender melhor às pessoas. Enquanto isso. Direito garantido por lei. da questão social encarada como um caso de polícia. Quando nos tornamos independentes. Com Vargas. Fiscalizar para evitar a corrupção. E como conseguir? Os partidos de esquerda propõem o aumento de cobrança dos impostos sobre os mais ricos. é claro. O primeiro passo para "desprivatizar" o Estado é garantir que ele seja democrático. enganadores do povo? O Estado brasileiro precisa de reformas urgentes para que se torne mais ágil. o Estado nacional foi construído pelas elites. garantir a disciplina dos escravos. fabricação de aço. invadindo sindicatos. Ou seja. ficar de olho para que o governo faça gastos realmente importantes para a população não é suficiente. hoje possuímos mais liberdade do que em qualquer outra época de nossa história: o presidente é eleito com voto direto e secreto. Mas isso não basta. depois de alguns anos. o governo brasileiro nasceu opressor. Como resolver esse problema? A sociedade precisa aprender a controlar os atos do governo. Porque falta dinheiro mesmo. Esses direitos não caíram do céu. Historicamente. Uma das mudanças propostas seria criar leis que permitam o governo demitir os funcionários públicos em excesso. Pedro II era baseado no voto censitário e indireto. do cabresto eleitoral. jornalista e professor da UFF. A esquerda é contra porque quer garantir o emprego. assegurar a obediência a Portugal. Muitas pessoas argumentam que o governo não tem dinheiro para investir em energia elétrica.

de tal forma que hoje mais da metade da população brasileira vive nas cidades. sem dúvida.] a erosão e a laterização". Se. recursos financeiros e é. especialmente nas cidades pequenas do interior. em alguns casos em situação de enorme precariedade. legumes. não há muitas diferenças. no que se refere às causas da metropolização nos países periféricos. o Brasil tem possibilidades. vive às voltas com graves problemas sociais. Para superar tais problemas é necessário que os solos sejam corrigidos e adubados. hoje. Dentre essas graves questões. por que a fome é uma evidência no nosso país? Por que a maioria da população é subalimentada. carne etc. em desenvolvimento. ao lado de acumulá-los. Apesar de os brasileiros viverem a ideologia do Brasil como "celeiro do mundo". Para os estudos sobre os movimentos sociais. gerada pela injusta distribuição da terra. nas mais variadas condições. como a lixiviação. o tráfico de drogas.htm. a violência e a criminalidade. Um dos mais graves é o da luta pela posse das terras pelos pequenos produtores rurais. . "a maioria dos solos brasileiros são pobres e ácidos e apresentam os problemas comuns ao ambiente tropical. 4) a capacidade de consumo das diferentes camadas da população.. pode-se citar a fome. É. o fato da produção de alimentos ser insuficiente e mal distribuída. inviabilizadas pela modernização. de modo que todos possam viver com abundância. No caso específico do Brasil. a ponto de haver. [. apesar do enorme crescimento econômico de alguns países graças à industrialização e à urbanização que apresentam. 3) a estrutura fundiária. totalmente impedidos de ter acesso aos benefícios que possam estar disponíveis no mundo moderno. Vários fatores contribuem para esse quadro. 1995). que o que se presencia é fruto de um capitalismo dependente. acumulam também empregos.. O fim das formas tradicionais de produzir. criou significativos contingentes sociais que já nascem sob o signo da exclusão. a fim de incremen- 3 Extraído e adaptado do instrucional da disciplina Contextos Brasileiros. “O chamado mundo subdesenvolvido ou. de ser um grande produtor de frutas. como querem alguns. Mais uma vez vem à tona a grande questão: como garantir o controle democrático da sociedade sobre o Estado? Como estimular as pessoas a se interessar pelo que fazem os governantes e passar a cobrar deles? Extraído: www. em que pese os dados estatísticos que escamoteiam a realidade? Como explicar a situação de profunda desigualdade. pode-se dizer que o fato de se ter mais pessoas nas cidades que nas zonas agrícolas ou de possuir uma enorme população não é o que provoca a fome no Brasil. derivados de leite. A urbanização provocada pela industrialização veio alterar profundamente a distribuição da população no espaço territorial brasileiro. o não acesso à saúde. que constitui também uma questão política. um imenso mercado concentrado – pode-se dizer.brasilcultura. O Brasil descrito por Caminha como a terra em que “se plantando tudo dá” não é verdadeiro e nem todos os que vivem neste país têm acesso à mesma quantidade de terras e da mesma forma. faremos agora uma leitura do próximo texto “Movimento social e estrutura agrária brasileira: o movimento dos Sem-Terra” 3. Uma das grandes questões sociais brasileiras é a fome. com todas as mazelas que isso significa. quando se considera que produzir alimentos é uma questão a ser resolvida no Brasil. três vezes mais pessoas morando nas cidades que nas áreas rurais. entre os quais: 1) fatores naturais ligados ao potencial do solo. teoricamente. verduras. com referência à distribuição de alimentos que se verifica na sociedade brasileira? De antemão. Este é um dado que tem que fazer parte da reflexão da sociedade brasileira.38 joguete nas mãos de chefes políticos. (Moreira. a falta de uma educação de qualidade. Se não se pode sempre afirmar que as grandes formações urbanas são constituídas de problemas – uma vez que.org/brasilcontemp. antes de tudo.. 2) possibilidades de exploração das áreas agricultáveis. do ponto de vista territorial e do número de habitantes. da terra boa de onde tudo se pode tirar. As ocupações geradas pela indústria provocaram um intenso fluxo migratório campo-cidade. Este e outros temas serão abordados no presente texto.

a globalização tende a constituir novas determinações sócio-históricas no (1) plano da ideologia e da política. É um fenômeno sócio- . sozinho. satisfazer integralmente à demanda nacional de alimentos. É claro que este último objetivo é o que é atingido mais precariamente. de seus princípios que salientam um dos maiores problemas da sociedade atual. Isso evidencia sua impossibilidade de. A maior parte da produção agrícola brasileira é destinada ao mercado externo. uso de fertilizantes e defensivos agrícolas. ao mesmo tempo em que um imenso número de pequenos proprietários possui áreas ínfimas. O que a medida provisória ainda em vigor acrescenta é que não será desapropriada a terra que for invadida. também constitucional. as diferenças observadas no relevo. o que o torna um exportador desses produtos e importador de outros. vinculado ao desenvolvimento das forças produtivas humanas. Pode-se afirmar.” 39 Texto 10: O Brasil e o Contexto Internacional A sociedade mudou bruscamente desde a primeira Revolução Industrial. em nossa perspectiva. em primeiro lugar. aliás. que vão influenciar e limitar a prática agrícola porque determinam. no caso da agricultura. da função social. fornecendo-lhes matériasprimas ou combustíveis. irrigação. como se sabe. Com isso. os modos de produção e as relações humanas sofreram grandes transformações a cada mudança de modelo econômico vigente e de regime político. que a produção agrícola para consumo próprio é claramente minoritária no território brasileiro. vamos compreender o que é a chamada globalização? A globalização é um processo de integração de economias e mercados nacionais. o regime dos rios. país que apresenta um panorama onde relevo. Globalização e Neoliberalismo Em meio a tudo que estudamos até o momento. ainda. 2. as tentativas de padronização têm sido mais desastrosas do que benéficas. médias de temperaturas e quantidade de chuvas determinam um mosaico de diferentes paisagens. A globalização como mundialização do capital. as três dimensões da globalização que não podem ser separadas e que compõem uma totalidade concreta sócio-histórica. Em terceiro e último lugar é que se exige que ela seja fonte de alimento para os grandes contingentes da população brasileira. Aliás. Apesar de se saber que ainda existem no Brasil grandes áreas não apropriadas para a agropecuária. Os costumes. através da exportação de seus produtos. A globalização como processo civilizatório humano-genérico. gerar divisas. Contudo não se desligam de suas bases. vegetação. A globalização como ideologia.tar a produtividade. o que é bom para determinado lugar não o é. necessariamente. É resultado de múltiplas determinações sóciohistóricas (e ideológicas). As sociedades que detém o poder através desse modelo surgem sempre com uma reformulação. Portanto. mas exigindo que quem a possui respeite o princípio. pois ela deve. uma nova etapa de desenvolvimento do capitalismo moderno. 3. O fato de o Brasil possuir grande parte de suas terras localizada na zona tropical faz com que a maioria de suas lavouras seja igualmente tropical. A MP está estabelecendo que quem manda no ritmo. fator primordial na agricultura. (2) no plano da economia e da sociedade e (3) no plano do processo civilizatório humano-genérico. O capitalismo como conhecemos hoje sofreu modificações diversas. Em segundo lugar. um dos maiores problemas brasileiros. Portanto. por exemplo. Um pequeno número de proprietários concentra a maior parte das terras e os melhores solos. Deve-se considerar. Isso exige o desenvolvimento de técnicas agrícolas. No entanto. escolha do produto a ser plantado. isoladas não explicam a relação entre a produção de alimentos e a prática de agricultura no Brasil. O que a Constituição estabelece é que não haverá reforma agrária em terras produtivas. ela é dirigida diretamente às indústrias. na forma e no local da ação governamental é apenas o governo. Outras questões naturais vão influenciar a potencialidade agrícola do território brasileiro. Essa é uma questão séria no Brasil. a concentração de terras é algo estarrecedor em nosso país. medidas que deverão ser utilizadas de acordo com cada situação específica. E. completa e integral são: 1. A todo o momento esse modelo deixa transparecer sua fragilidade com enormes crises. que é a desigualdade histórico intrinsecamente contraditório e complexo que caracteriza. para outro. sem sombra de dúvida. Este é. o que a legislação está determinando é que a reforma agrária será feita respeitando a propriedade privada.

precisamos refletir bastante. aconteceu a afirmação dos setores de serviços de alta tecnologia (informática. Precisamos dar valor a essa dialética para não cometermos erros. o preço de matérias-primas. a globalização é a solução ou é um problema? A globalização trouxe para os países em desenvolvimento melhorias e solução dos problemas sociais? Para responder a essas questões. isto é. para ser vendido em todos esses países. O desemprego. que surgiu sob o signo da desigualdade.que fala da implantação do modelo econômico neoliberal no Brasil feito por Collor. Segundo Fernandinho e Zélia. “(. robótica. pesquisando um pouco mais sobre os blocos econômicos. org/planoreal/htm.. nesse momento. as condições subumanas de vida. Em resposta a essas exigências. empresas que encerram determinadas sessões e passam a contratar outras empresas para fazer aquele serviço). Vamos entender como é que o neoliberalismo apareceu no mundo? O capitalismo vivia uma profunda transformação desde a crise internacional de 1973. leia o próximo texto complementar retirado de www. a concorrência entre a Europa ocidental. este seria o caminho para o país ingressar no Primeiro Mundo. as guerras. M. Depois da Segunda Guerra. de serviços. os EUA e o Japão exigiu um aumento de eficácia na produção e uma busca frenética por novos mercados. Japão e Itália. Desde a crise de 1929 que o Estado capitalista se intrometia fortemente sobre a economia.)O projeto econômico do governo Collor era apoiado no neoliberalismo. Em primeiro lugar. Agora. o volume de capital gerado pelas empresas particulares superou o que estava nas mãos do Estado.. o keynesianismo levou ao Welfare . Ela é igual para todos os países? Cabe-nos. a falta de acesso à educação e à saúde. algumas perguntas como: Para quê? Para onde? E. engenharia genética. química fina) e a reestruturação das empresas (técnicas administrativas de reengenharia cortando o número de empregados. a desafiar o mundo. sendo como um processo civilizátorio ou como uma barbárie que contribui para a sedimentação de particularismo locais e regionais. as dimensões da globalização são contraditórias e pelo lado de sua ideologia tenta-se “ocultar” a desigualdade e exclusão causada pela mundialização do capital. Segundo Alves (2001). Sri Lanka. Keynes para estimular o crescimento e evitar os desarranjos do mercado. para entender um pouco mais sobre a relação do neoliberalismo e a globalização. tudo isso está aí. controle de qualidade. por exemplo. Foi pensado em um mundo que não tivesse barreiras. para quem está acontecendo essa globalização? Vamos entender a globalização no mundo contemporâneo? A partir da década de 70. computadores e robôs substituindo mão de obra. Fique atento! Vale a pena procurar um aprofundamento no seu estudo.culturabrasil. Em terceiro lugar. do México. Receitas do economista J. as empresas multinacionais passaram a ser responsáveis pela maior parte do volume de produção e comércio do mundo. terceirização. O que significa que os investimentos no estrangeiro eram cada vez maiores e a economia se tornava globalizada: um produto poderia ser feito com peças vindas. que possuem como objetivo fazer frente a políticas cada vez mais competitivas. pois não é difícil percebermos que a globalização é contraditória. Em meio a todas essas transformações que a sociedade mundial tem sofrido nos últimos séculos. no contexto atual. não só no Brasil. Mas analisando nossa realidade. Esse mundo global no qual vivemos hoje é baseado em uma economia que nos leva a perder a ideia de bem comum. a globalização da economia tem desencadeado a formação de blocos econômicos supranacionais. diminuindo ao máximo as tarifas dos produtos gerados no interior dos países membros. É preciso entender seu lado dialético. Em segundo lugar. o que certamente revelava a inferioridade econômica do governo diante dos grandes monopólios e incentivava a privatização de empresas estatais.40 Podemos agora pensar nessa relação de interdependência. principalmente. detectou-se a necessidade de um mercado global para criar a concorrência tão importante em uma economia capitalista. de mão de obra. nem protecionismo que fosse regulamentada apenas pelo mercado sem interferência de nenhum governo. telecomunicações.

Hong Kong. Os impostos cobrados sobre os ricos devem ser menores. 41 . argumentam os neoliberais. Acontece que neoliberalismo econômico não é a mesma coisa que liberdade política. um dos objetivos do neoliberalismo é destruir o poder dos sindicatos operários. liberdade de imprensa. o Mercosul (Brasil. resultando. Paraguai. a assistência social (aposentadoria e planos médicos seriam feitos por empresas privadas especializadas. Aumentariam as diferenças sociais mas. puxa. Nem investimentos em empresas estatais nem gastos sociais. a médio prazo. 5. Além do mais. o que forçaria as multinacionais do Brasil a melhorar a qualidade de seus produtos. abaixando as tarifas alfandegárias: foi a partir de Collor que o país foi invadido pelos produtos estrangeiros. Adorava a imagem de esportista. Havia um fundo de verdade nisso tudo. em mais empregos e melhores salários. Keynes saiu da moda e os países desenvolvidos começaram a seguir o neoliberalismo. ou seja. Fonte: www. Desregulamentação da economia. O presidente era um Indiana Jones tupiniquim. as empresas e bancos estatais seriam todos vendidos para as empresas particulares. Parecia que todos os problemas seriam facilmente resolvidos porque o homem do Planalto possuía a sutileza de um lutador de caratê e a inteligência de um fanático por jet-ski. As duas medidas anteriores se ligam ao corte nos gastos públicos. EUA. deram voz a economistas como Milton Friedman e Friedrich Hayek. na modalidade “disputa por uma migalha de comida”. Collor também mostrava seu empenho em adotar a ideia neoliberal de cortar brutalmente os gastos do governo com programas sociais. A economia do planeta está se tornando multinacional. que já nos anos 80 aplicava as receitas neoliberais. tornando as empresas mais ágeis. Mas a crise de 1973 e as mudanças que nós relatamos acima.State. o povo competindo na raia. Os primeiros “heróis” neoliberais foram o presidente Ronald Reagan (EUA) e a primeira-ministra Margareth Thatcher (Inglaterra). como o da União Europeia. o Estado do bem-estar. Sem dúvida alguma. 2. que atacavam violentamente as ideias keynesianas. de eletrodomésticos a queijos franceses. ou seja. nos anos 80. faria o Brasil entrar no Primeiro Mundo. seriam privatizados os hospitais públicos.culturabrasil. Foi ele quem combateu leis nacionalistas que controlavam os negócios das empresas estrangeiras no Brasil e quem iniciou um programa consistente de venda das empresas estatais. A ideia básica do neoliberalismo é a de que. Formosa). de atleta que tudo pode. 3. 4. de quinquilharias coreanas a vinhos alemães. Os neoliberais acham que o Estado não deve se intrometer sobre a economia. pluripartidarismo. Uruguai) e as ligações entre o Japão e os Tigres Asiáticos (Coreia do Sul. Os neoliberais defendem um regime político liberal. telefone celular e gel para passar no cabelo. No mundo inteiro estão se formando livres mercados. Isso significa abolir leis de proteção trabalhista. que receberiam mensalidades das pessoas interessadas) e as universidades do governo. Tudo isso. Quase todo o mundo desenvolvido seguiu suas receitas. Num segundo passo. sobraria mais dinheiro para os ricos investirem na economia. Facilidade para contratar e demitir mão de obra. Vamos ver como: 1. o Nafta (Canadá. Enquanto isso. Collor tratou ele mesmo de ir para lá fazer umas comprinhas no seu estilo de consumidor yuppie: gravatas Hermès. dizia ele. uísque Logan 12 anos. O segredo para disparar a economia era o mesmo usado para acelerar uma moto Kawasaki 1000. em compensação. Collor foi o primeiro e é o principal responsável por ter “rolado a bola” do neoliberalismo em nosso país. graças a Collor. O governo mandou liberar as importações. Por isso defendem a privatização. Isso inclui abertura para as importações (baixas taxas alfandegárias) e o fim do controle do governo sobre as operações financeiras. mas dentro de uma das piores ditaduras militares que o continente já conheceu (a do general Pinochet). verdadeira heroína de Collor (o que ela fazia o deixava muito doidão). 6. qualquer favelado já tinha o direito de comprar automóveis Mercedes Benz. chegarão a um desenvolvimento do mercado capitalista que beneficiará a toda sociedade. malas Louis Vuitton. Enquanto o país esperava para entrar no Primeiro Mundo. menos o Japão. Os sindicatos podem protestar. Assim. se os homens tiverem total liberdade para investir e lucrar. Argentina. Facilidades absolutas para o vale-tudo capitalista. México). com eleições decentes. Foi o caso do Chile. Neste caso. Estímulos para os investimentos de capital estrangeiro. Os automóveis nacionais foram xingados de “carroças” e esperava-se que a abertura para os importados criasse concorrência.org/planoreal/htm. Ao se recusar a pagar aposentadorias melhores.

utilizando também todas as indicações que fazemos. Sobre este período podemos afirmar: a) Foi um período em que. que o que vem é perfeição” Como é difícil acharmos a perfeição para atendermos de forma mais justa e igualitária para nossa sociedade.. 3) “. Serão cidadãos capazes de compreender a influência do contexto histórico e a importância de buscarmos a ampliação continua de nosso conhecimento para atuarmos com mais qualidade nessa sociedade tão diversificada. (Samba-enredo da Unidos da Tijuca – 1988) Este enredo conta história do Plano Cruzado. velório e caixão Está tudo morto e enterrado agora Já que também não podemos celebrar A estupidez de quem cantou esta canção Venha meu coração está com pressa Quando a esperança está dispersa Só a verdade me liberta Chega de maldade e ilusão Venha. Perfeição.) Vamos festejar a violência E esquecer a nossa gente Que trabalhou honestamente a vida inteira E agora não tem mais direito a nada Vamos celebrar a aberração De toda a nossa falta de bom senso Nosso descaso por educação Vamos celebrar o horror De tudo isso Com festa. Sobre este plano. e para um maior entendimento e mais ampliação de conhecimento você não deve fixar seus estudos apenas nesse material. de Renato Russo..Me dá. “(. c) Com a volta da democracia. Boris. 3 ed. Acredito que essa busca será eterna. podemos afirmar: a) Esta política favoreceu a classe trabalhadora pois aumentava o salário todo mês.. . isto era boato da oposição. História geral da civilização brasileira. apesar dos anos de chumbo.. cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo” (FAUSTO... Bar Brasil/ Berço das grandes revoluções/Pra quem se queixa que dá um duro danado/ E é mal remunerado/ Pro revoltado com as broncas do patrão/ Ai. Mas não é pela dificuldade que iremos desistir de construir a sociedade que almejamos. agora que finalizamos nossos estudos. política econômica do governo Sarney. Finalizando nossos estudos.” (Samba-enredo da escola de samba Império Serrano). 2) “Brasil . “Garantindo a tranquilidade política. d) Este plano causou o problema do ágio e a subida dos preços dos produtos causando perdas salariais para os trabalhadores. conseguimos votar para presidente. Lembro que essa disciplina e material de estudo contemplam uma atualização da antiga disciplina Contextos Brasileiros. Esta música relata de uma forma bem humorada a situação da democracia na época da ditadura militar. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. c) Perseguiam. E sem o seu trabalho/O homem não tem honra..” (Guerreiro Menino – Gonzaguinha). a economia foi estabilizada... Caros alunos. Exercícios 1) “. b) O governo bloqueou todo o dinheiro aplicado nos bancos dos investidores. isto é. nosso país está se desenvolvendo.42 Nesse contexto.. d) A ditadura nunca perseguiu ninguém. temos certeza que no Brasil vocês já farão a diferença. quem me dera se eu fosse um marajá (oba)/ Ganhasse a vida sem precisar trabalhar/Mas acontece que é só a minoria/ Que desfruta a mordomia/ Nessa tal democracia/ Apertaram o gatilho num salário baleado/ Outra piada depois desse tal Cruzado”. me dá/ Me dá o que é meu/ Foram vinte anos/Que alguém comeu. que tinha como slogan “50 em 5”. torturavam e matavam as pessoas que não aceitavam o regime militar. Juscelino partiu para o seu programa econômico. o amor tem sempre a porta aberta E vem chegando a primavera Nosso futuro recomeça: Venha...1995). leia a música a seguir. b) Foi o período de maior progresso democrático.

c) Apesar de todas as críticas o plano foi a fórmula do sucesso econômico. b) A causa da exclusão social é a preguiça do pobre.” (Nos barracos da cidade – Gilberto Gil). 1991. São Paulo: Edusp. d) Intervenção estatal. podemos afirmar: a) A concentração de renda e a falta de políticas públicas são as maiores causas da exclusão social.Sobre o período em que o Brasil foi governado por JK. In: CURRAN. Sobre o governo Collor. Mark. b) Um aumento das desigualdades sociais entre a população brasileira. 4) “Não devemos esquecer/Do confisco da poupança? De milhões de pessoas? Que guardaram na lembrança/ e cresceu o desemprego/Isto não é mais segredo/Só restando a esperança. p. c) Um pequeno aumento da dívida externa. Esta música nos remete à reflexão sobre a exclusão social.243. c) Os governos brasileiros sempre favoreceram a maioria pobre mas o povo não toma uma atitude. História do Brasil em cordel. é correto afirmar que houve: a) Uma baixa inflação na economia brasileira.. d) O povo vota consciente naquele candidato que dará uma vida digna para os favelados e confiscará os privilégios dos ricos. b) O dinheiro confiscado foi para investir na saúde e educação.” (SILVA.. como o programa Bolsa Família. podemos afirmar que: a) Collor foi o salvador da pátria pois conseguiu elevar a nível de vida dos pobres.). d) O confisco da poupança e o congelamento de preços e salários foi uma das características do plano Collor. que Lula prometeu continuar. 5) “Nos barracos da cidade/Ninguém mais tem ilusão /No poder da autoridade/De tomar a decisão/E o poder da autoridade/Se pode não faz questão/ Mas se faz questão não consegue enfrentar o tubarão. 43 Gabarito: 1-C 2-D 3-B 4-D 5-A . “O caçador de marajás e a realidade trágica”. Ulisses Higino. Com relação a este assunto.

onde a colônia serve para enriquecer e complementar a economia da metrópole. buscando o enriquecimento do Estado e o fortalecimento do rei. Quem tinha terra era nobre e tinha todos os direitos e privilégios. . feita por um país mais poderoso. Colonização . as máquinas.forma de organização social. Pacto Colonial . culturas e valores de uma sociedade. Estado . lembranças. Nação . industriais.processo de dominação política e econômica de uma região.parte inferior na frente do navio. o dinheiro. onde o mais importante é o capital. Pré-colonial .características de um indivíduo.modelo de produção de riquezas que substituiu o feudalismo.produtos vindos do oriente como pimenta.período que.mistura racial.divisão territorial de um país sob um governo central.44 Glossário Burguesia . a riqueza girava em torno da posse da terra (chamada de feudo). língua e aspirações comuns e ligadas a um governo central.grupo social constituído pelas pessoas ricas. que domina uma outra região ou país em seu benefício. empresários. no Brasil.país colonizador. Feudalismo .instituições. por exemplo entre Portugal e Brasil. Miscigenação . comerciantes. canela e que tinham grande aceitação comercial na Europa. Metrópole . entre outras coisas. A riqueza. as ferramentas pertencem a um grupo social chamado burguesia. refere-se aos anos 1500 a 1530. o dinheiro. Mercantilismo -conjunto de práticas desenvolvidas pelos países europeus entre os séculos XV e XVIII. Quilha . Capitalista . banqueiros. econômica e política onde. Cultura . Identidade . quando Portugal não se interessou em ocupar a terra.diz-se do conjunto de habitantes de um território ligados por tradições. cravo. interesses. Especiarias .estrutura de exploração desenvolvida por um país europeu sobre uma colônia.

ANTONIL. SILVA. História do Brasil em cordel. 124-128. Por uma outra globalização. Milton. 27 ed. São Paulo: Ática. São Paulo: Atual. TEIXEIRA. Milton. 2005. História da sociedade brasileira. Edgar. Formação econômica do Brasil. ______ & SOUZA. 1988. São Paulo: Difel. São Paulo: Unesp. Rio de Janeiro: Praxis. A invenção do trabalhismo. Do pensamento único à consciência universal. 1980. Stuart B. Igor. São Paulo/Recife: Hucitec/UFPE/CNPV. CHIAVENATO. José Jobson de A. Francisco M. Petrópolis: Vozes. Petrópolis: Vozes. 2004. Brasil: sociedade e espaço. J. A República Velha. 1994. Carlos G. COSTA. 2006 – 308 p. 1989. São Paulo: Ática.1998. Rio de Janeiro: Record. 1993. Rio de Janeiro: FGV. Francisco. O espaço geográfico: geografia geral e do Brasil. 1967. SANTOS. São Paulo: Nobel. 2000. São Paulo: Difel. ______. São Paulo: Ática. reformulada. pág. Brasil: história e sociedade. HOLANDA. RIBEIRO. 2003. São Paulo: Paz e Terra. Giovanni. São Paulo: Edusp. MOTA. São Paulo: Hucitec. A urbanização desigual. Lucia. Cultura e opulência do Brasil. FAUSTO.P. RIBEIRO. Espaço e Modernidade: temas da Geografia mundial. GOMES. São Paulo: Ática. Tércio BARBOS. UCB. 2001.). Raízes do Brasil. 1981 FURTADO Celso. Jaime. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico. História moderna e contemporânea. Lúcia Marina Alves de & RIGOLIN. “O caçador de marajás e a realidade trágica”. SCHWARTZ.1995. GIANSANTI. 1982. 1995. (org. CARPI. 2003. . René A. 2. CARONE. Ulisses Higino. ed. ARRUDA. 1964 A Conquista do Estado. André João. A construção do espaço. OLIVA. Olympio. Rio de Janeiro: J. Brasil em Perspectiva. 1986.243. VESENTINI. SANTOS. 1991. B. Júlio José. Segredos internos. Sergio Buarque de. Belo Horizonte/Rio de Janeiro: Itatiaia. Maria Adélia A. SANTOS. 45 Material Didático Instrucional Núcleo Integrador/ Universidade Castelo Branco – RJ. Roberto. ALVES. (org.W. Engenhos e escravos na sociedade colonial. In: CURRAN.O Capital e Suas Contradições. MOREIRA. São Paulo: Difel. DREIFUSS. Darcy. São Paulo: Companhia das Letras. 2000. ______.). Emília Viotti.1981. Pobreza urbana.Bibliografia Básica ALENCAR. Rio de Janeiro: Companhia das Letras. Dimensões da Globalização . 2004. Bibliografia Complementar ALMEIDA. Mark. 1986. p. C. 1978. Angela M. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. A urbanização brasileira. Editora Nacional/Publifolha. História Geral da Civilização Brasileira. 1970. Fronteiras da globalização. Milton. Marcus Venício. O golpe de 64 e a ditadura militar. Coleção Polêmica. São Paulo: Moderna.1980. O Mito do Desenvolvimento Econômico. Da Senzala à Colônia. São Paulo: Ática. 1969. São Paulo: Cia.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful