Você está na página 1de 9
Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Instituto Federal de Mato Grosso do

Ministério da Educação Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica Instituto Federal de Mato Grosso do Sul Campus Corumbá

DOC ---

IFMS COMET

DATA ----

Apostila: Capítulo 4 – Origem da célula e estudo da membrana plasmática

 

Disciplina: Biologia

Professora: Me. Michele Soares de Lima

Curso: 111, 211, 121, 221, 331

Turno: Matutino/Vespertino/Noturno

Data:

 

UNIDADE 2 – CITOLOGIA

Capítulo 4 – Citologia: Origem da célula e estudo da membrana plasmática

Neste Capítulo você deverá aprender a:

Relacionar as principais diferenças estruturais entre células procarióticas e eucarióticas;

Reconhecer a célula como unidade tridimensional, na qual cada componente citoplasmático possui atividade específica e integrada com as demais;

Associar corretamente a estrutura e função de cada uma das organelas estudadas;

Aplicar o conhecimento sobre as unidades de medida utilizada em microscopia, de modo a avaliar o tamanho das partes celulares e compará-las.

Acredita-se que os primeiros seres vivos eram unicelulares, ou seja, apresentavam o corpo formado por uma única célula. Essa célula seria estrutural e funcionalmente muito simples, formada por membrana plasmática delimitando o citoplasma, no qual estava presente uma molécula de ácido nucléico, em uma região denominada nucleóide 1 . Esses tipos de células são denominadas células procarióticas, e os organismos que as apresentam são os organismos procariotos ou procariontes 1 . As células procarióticas geralmente apresentam parede celular, externa à membrana plasmática 1 . Os organismos atuais mais parecidos com os primeiros seres vivos são os arqueas ou arqueobactérias, esses seres primitivos vivem quase em ambientes extremos, como fontes de águas quentes, lagos salgados e pântanos 2 . Acredita-se que esses ambientes tenham certa semelhança com os que existiram na Terra primitiva, nos quais as primeiras formas de vida evoluíram 2 . Atualmente, os organismos procariontes existentes são as bactérias e as cianobactérias (algas azuis e cianofíceas) 1 .

Surgimento das células eucarióticas

A

partir

dos

organismos

procariontes

anaeróbios

ancestrais,

surgiram

os

primeiros

organismos eucariontes, formados por membrana plasmática, citoplasma e núcleo 1 . Essas células devem ter surgido há cerca de 1,7 bilhão de anos, a partir de uma transformação progressiva das células procarióticas, que passaram a desenvolver dobramentos internos a partir da membrana plasmática, que deram origem às organelas citoplasmáticas e à carioteca, membrana que delimita o núcleo 1 . A presença de dobras na membrana aumentava a superfície de contato da célula com o ambiente e facilitava a troca de substâncias com o ambiente 2 . Com o tempo, os compartimentos membranosos se diferenciaram, passando a desempenhar funções específicas, o que aumentou a eficiência do funcionamento celular 2 . Dentre as organelas membranosas, apenas as mitocôndrias e cloroplastos parecem ter tido origem diferente 1 . As mitocôndrias são responsáveis pela respiração celular, ocorrendo em praticamente todos os eucariontes; já os cloroplastos são responsáveis pela fotossíntese, estando presente apenas nos seres fotossintetizantes, como as plantas 1 . Supõe-se que os primeiros eucariontes eram anaeróbios e que tinham por hábito englobar bactérias como alimento; em algum momento da evolução desses organismos, algumas dessas bactérias, que já tinham a capacidade de realizar a respiração, foram mantidas no citoplasma dos eucariontes sem serem degradadas 1 . Essas bactérias teriam sido mantidas por beneficiarem os eucariontes, uma vez que realizavam para eles a respiração, e a respiração é um processo de liberação de energia mais eficiente do que a fermentação 1 . Para a bactéria, essa condição também era vantajosa, pois recebia proteção e nutrientes dos eucariontes, sendo considerada uma relação simbiótica, com benefícios para ambos os indivíduos (mutualismo); assim, essa relação teria se perpetuado, e essas bactérias teriam dado origem às atuais mitocôndrias 1 . Algum tempo depois de estabelecida essa relação simbiótica, alguns eucariontes iniciaram outra relação simbiótica, desta vez com cianobactérias, que realizavam fotossíntese 1 . Esses organismos também foram englobadas pelos eucariontes, realizando a fotossíntese a eles, enquanto recebiam proteção e matéria-prima; essa

relação mostrou-se muito vantajosa e foi mantida, e dessa forma as cianobactérias deram origem aos atuais cloroplastos 1 . As células eucarióticas portadoras apenas de mitocôndrias originaram os protozoários, os fungos e animais; já as células eucarióticas portadoras tanto de mitocôndrias quanto de cloroplastos deram origem às algas e plantas 2 . Essas hipóteses da origem das mitocôndrias e cloroplastos são reforçadas por alguns fatos:

As mitocôndrias e os cloroplastos são as únicas organelas a possuírem seu próprio material genético;

são

capazes

de

se

dividir

independentemente da divisão da célula; podem sintetizar suas próprias proteínas 2,1 .

podem sintetizar suas próprias proteínas 2 , 1 . Fig. 4.1 – Representação esquemática dos processos

Fig. 4.1 – Representação esquemática dos processos que deram origem à célula eucariótica segundo a hipótese endossimbiótica (ou simbiogênica). De A a C, formação dos compartimentos membranosos internos por invaginação da membrana plasmática. Em D e E, origem das mitocôndrias por endossimbiose. Em F e G, origem dos plastos por endossimbiose. A célula representada em G seria a ancestral de todas as algas e plantas, enquanto a representada em H teria dado origem aos protozoários, aos fungos e aos animais. Fonte: Amabis & Martho 2004.

A origem da multicelularidade

Os primeiros organismos multicelulares aparecem nos fósseis pela primeira vez em rochas com cerca de 1 bilhão de anos, e pertenciam ao grupo de algas filamentosas e de animais invertebrados de corpo mole, semelhante a águas vivas e a certos vermes marinhos atuais 2 . Possivelmente, células resultantes da multiplicação de uma célula inicial – o zigoto – passam a viver juntas e a dividir as funções, o que permitiu o aparecimento de tecidos e órgãos dos organismos multicelulares 2 .

A membrana plasmática

A célula viva é um compartimento microscópico isolado do ambiente por uma finíssima película, a membrana plasmática, constituída

fundamentalmente por fosfolipídeos e proteínas 2 . A membrana permite a passagem de certas substâncias através dela e impede a passagem de outras, mantendo o meio celular interno adequado às necessidades da célula 2 .

A membrana plasmática deve possuir

características tais que, se por um lado separam do meio externo o interior da célula, por outro propiciam trocas de substâncias com o meio 1 . Sem

trocar substâncias com o meio, a célula não pode se manter viva, pois precisa receber nutrientes e oxigênio e eliminar resíduos de seu metabolismo 1 .

e oxigênio e eliminar resíduos de seu metabolismo 1 . Fig. 4.2 – Representação esquemática da

Fig. 4.2 – Representação esquemática da membrana plasmática segundo o modelo do mosaico fluido, proposto por Singer e Nicolson, em 1972. Fonte: http://www.teliga.net/2010/04/estrutura-da-membrana- plasmatica.html

plasmatica.html Fig. 4.3 – Detalhe da disposição dos componentes da

Fig. 4.3 – Detalhe da disposição dos componentes da membrana plasmática. Fonte: http://3-duca.blogspot.com/2011/06/resumo- sobre-membranas.html

Características da membrana celular

O envoltório celular presente em todos os tipos de célula é a membrana plasmática (ou plasmalema, ou membrana celular, ou membrana citoplasmática) 1 . Essa membrana é lipoprotéica, constituída principalmente de fosfolipídeos e proteínas 1 ; além dessas moléculas, células animais possuem colesterol em sua constituição 2 .

O modelo de estrutura da membrana

plasmática aceito atualmente foi proposto em 1972

pelos cientistas S. J. Singer e G. Nicolson, e denomina- se modelo do mosaico fluido 1 (Fig. 4.2).

As moléculas de fosfolípidos dispõem-se

lado a lado, se organizando em dupla camada (como

visto no capítulo anterior). Essas moléculas deslocam-se continuamente, mas sem perder o contato uns com os outros, como se dançassem trocando de par o tempo todo, o que confere dinamismo e fluidez à membrana 2 . Proteínas da membrana estão incrustadas

na dupla camada de fosfolipídios (Fig. 4.4), formando um mosaico 2 . Algumas proteínas estão aderidas superficialmente à membrana, enquanto outras se encontram totalmente mergulhadas na estrutura, atravessando-a de lado a lado; inclusive, elas podem se movimentar paralelamente ao plano da membrana 2 . Há cerca de 50 tipos de proteínas identificadas, e algumas possuem função de permitir

a passagem de moléculas de água 2 . Outras capturam

substâncias de um dos lados e as soltam no lado oposto 2 . Já outras reconhecem substâncias do meio, alertando a célula e estimulando-a a reagir, como no

caso dos receptores hormonais 2 .

a reagir, como no caso dos receptores hormonais 2 . Fig. 4.4 – Representação esquemática da

Fig. 4.4 – Representação esquemática da membrana plasmática

mostrando a disposição em mosaico das moléculas de proteínas,

lipídios. Fonte:

http://fisiando.blogspot.com/2010/03/membrana-

plasmatica.html

carboidratos e

Esse conjunto de características estruturais

e funcionais das camadas de lipídios e das proteínas

imersas nelas confere à membrana plasmática o que se chama permeabilidade seletiva: a membrana é permeável, mas não a tudo 1 . Os tipos de proteínas

das membranas celulares variam de célula para célula e determinam as funções específicas das membranas 1 . Nas células animais, além dos fosfolipídios, a membrana possui moléculas de colesterol 1 .

Envoltórios externos à membrana plasmática

A membrana plasmática, por ser fluida, torna-se uma estrutura delicada 1,2 . Ao longo da evolução dos seres vivos, surgiram na superfície de suas células modificações que trouxeram como vantagem maior resistência ao envoltório, sem interferir em sua permeabilidade 1 . Esses envoltórios

são:

glicocálix, presente nas células animais e de muitos protistas 1 ;

parede celular, presente na maioria das bactérias, cianobactérias, em alguns protistas, nos fungos e nas plantas 1 .

Glicocálix

O glicocálix (glico, do grego glykys = glicídio; calyx = envoltório) ocorre externamente à membrana plasmática da maioria das células animais e de alguns protistas 1 . É formado por uma associação de glicídios com lipídios (glicolipídios) e com proteínas (glicoproteínas e proteoglicanos) 2 ; estes se entrelaçam formando uma malha protetora externa à membrana 2 . Além de proporcionar resistência à membrana plasmática, o glicocálix possui outras funções 1 :

constitui uma barreira contra agentes físicos e químicos do meio externo 1 ;

confere às células a capacidade de se reconhecerem, uma vez que as células diferentes tem glicocálix formado por glicídios diferentes, assim como células iguais possuem glicocálix iguais 1 ;

forma uma malha que retém nutrientes e enzimas ao redor das células, de modo a manter nessa região um meio externo adequado 1 .

modo a manter nessa região um meio externo adequado 1 . Fig. http://membranaplasmaticacelular.blogspot.com/ 4.5 –

Fig.

http://membranaplasmaticacelular.blogspot.com/

4.5

Representação

esquemática

do

glicocálix.

4.5 – Representação esquemática do glicocálix. Fonte: Fig. 4.6 – Representação esquemática do

Fonte:

Fig. 4.6 – Representação esquemática do glicocálix, uma malha de moléculas de glicoproteínas e de glicolipídios que reveste a maioria das células animais. Fonte: Amabis & Martho 2004.

Fig. membrana http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/membrana- celular/index-membrana-celular.php 4.7 -

Fig.

membrana

http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/membrana-

celular/index-membrana-celular.php

4.7

-

Eletromicrografia

plasmática

e

mostrando

o

as

vilosidades

da

Fonte:

Glicocálix.

Parede Celular

É uma estrutura semi-rígida, porém permeável, não exercendo controle sobre as substâncias que penetram na célula ou que dela saem 1 . A composição da parede celular varia de

acordo com o grupo de organismos. Bactérias, cianobactérias, protistas, fungos e vegetais possuem parede celular de composição diferenciada. Em bactérias e cianobactérias, a parede é formada por uma substância típica de procariontes,

o peptideoglicano (associação entre glicídios e

aminoácidos) 1 . A principal função da parede bacteriana é evitar que a bactéria "estoure" quando submetida a ambientes hipotônicos (ver definição neste capítulo) 2 . A composição química da parede

celular permite separar as bactérias em dois grandes grupos: as Gram-positivas e as Gram-negativas, em referência ao microbiologista Hans Christian J. Gram (1853-1938), que inventou a técnica de coloração que diferencia as bactérias 2 . As bactérias Gram-positivas apresentam uma grossa camada de peptideoglicanos, enquanto

as Gram-negativas apresentam uma fina camada de

peptideoglicanos envolta por uma segunda membrana lipoprotéica com polissacarídeos incrustados, denominada cápsula 2 . Bactérias Gram- positivas são mais sensíveis à ação da penicilina, que afeta a produção de peptideoglicanos pela bactéria 2 .

Já em bactérias Gram-negativas a penicilina não tem efeito, devido à existência da membrana lipoprotéica, que impede que o medicamento seja absorvido 2 . Além disso, bactérias Gram-negativas possuem, em sua parede, componentes tóxicos ao nosso organismo; assim, quando infectam o ser humano, causam febres, cólicas e outras complicações 2 .

causam febres, cólicas e outras complicações 2 . Fig. 4.8 – Representação esquemática da estrutura das

Fig. 4.8 – Representação esquemática da estrutura das paredes celulares de bactérias gram-negativas (A) e gram-positivas (B). Fonte: http://curiofisica.com.br/ciencia/biologia/como-os- antibioticos-funcionam.

antibioticos-funcionam. Fig. 4.9 – Eletromicrografia e desenho esquemático

Fig. 4.9 – Eletromicrografia e desenho esquemático comparativos de bactérias gram-positivas e gram-negativas. Fonte:

http://svaleria68.blogspot.com/2011/03/reino-monera_18.html

Em relação ao grupo dos protistas, muitos apresentam parede celular de diferentes composições químicas, podendo ser basicamente de sílica ou celulose 1 . A maioria dos fungos apresenta parede constituída basicamente por quitina, mas podemos encontra celulose em alguns grupos 1 . Nas plantas, a parede celular é formada por microfibrilas de celulose, sendo por isso denominada de parede celulósica 1 . Nas células vegetais jovens, há uma parede fina e flexível, denominada parede celular primária, que é elástica o suficiente para permitir o crescimento celular 2 . Depois que a célula atinge o seu tamanho definitivo, forma-se internamente à parede celular, outra camada de celulose mais espessa e mais rígida, denominada parede celular secundária 2 . Além de celulose, essa parede secundária possui também lignina (composto fenólico) e suberina (lipídio), que conferem à célula vegetal mais rigidez e resistência a

ataque por micróbios. A disposição destes elementos pode ser comparada ao concreto armado, em que longas e resistentes varetas de ferro estão mergulhadas em uma argamassa de cimento e pedras 2 . Na parede celular, as microfibrilas de celulose correspondem às varetas de ferro de concreto, e estas microfibrilas se mantém unidas devido ao fato de estarem mergulhadas em uma rede ou matriz, constituída de glicorpoteínas, hemicelulose e pectina (polissacarídeos) 2 . O espaço delimitado pela parede primária é denominado lúmen celular, e é ocupado pelo protoplasma, a parte viva da célula, que compreende a membrana plasmática, o citoplasma e o núcleo 1 . É característico das células vegetais a presença de pontos de contato com células vizinhas, onde não há deposição de celulose 1 . Esses pontos semelhantes a poros são denominados plasmodesmos,; eles são atravessados por tubos membranosos finíssimos, que põem em contato direto os citoplasmas das células vizinhas 2 .

contato direto os citoplasmas das células vizinhas 2 . Fig. 4.10 – Representação esquemática da parede

Fig. 4.10 – Representação esquemática da parede celular vegetal, indicando a parede celular primária, secundária e a posição dos

plasmodesmos.

Fonte:

http://labbioeducacaoambiental.blogspot.com/2011/05/pratica-

05-parte-2-observacao.html

A Permeabilidade Celular: processos de troca entre a célula e o meio externo

Os processos de troca entre a célula e o meio externo podem ser agrupados em 3 categorias 1 :

Processos passivos – ocorrem sem gasto de energia: difusão, difusão facilitada e osmose 1 ;

Processos ativos – ocorrem com gasto de energia: bomba de sódio e potássio 1 ;

Processos mediados por vesículas – ocorrem quando vesículas são utilizadas para a entrada de partículas ou microrganismos na célula, ou para a eliminação de substâncias da célula, como endocitose (entrada) e exocitose (saída) 1 .

Noções

Solubilidade

de

concentração

de

uma

solução:

Uma solução é uma mistura homogênea de um soluto (substância a ser dissolvida) distribuída

através de um solvente (substância que efetua a dissolução). Existem soluções nos três estados físicos: gás, líquido ou sólido. Ex: solução de água com açúcar, na qual o soluto é o açúcar, e a água é o solvente. A quantidade de soluto dissolvido em uma quantidade de solvente determina a concentração da solução 1 . A concentração de uma solução será maior quanto mais soluto estiver dissolvido na mesma quantidade de solvente 1 . Baseado nisso, quando comparamos duas soluções, nós podemos ter as seguintes situações:

Soluções com concentração igual de solutos:

neste caso as soluções são denominadas isotônicas ou isosmóticas (iso = igual) 1 ;

Solução com concentrações diferentes: neste caso a solução mais concentrada é denominada hipertônica ou hiperosmótica (hiper = superior), e a solução menos concentrada é denominada hipotônica ou hiposmótica (hipo = inferior) 1 .

Processos passivos

Difusão simples

A difusão corresponde ao movimento de partículas de onde elas estão mais concentradas para onde estão menos concentradas, com o objetivo de igualar a concentração 1 . Isso é explicado pelo fato de que todas as partículas da matéria (átomos, íons, moléculas, etc.) estarem em constante movimento 2 . Devido a essa movimentação contínua e casual, as partículas tendem a se espalhar, isto é, a se difundir 2 . A difusão sempre ocorrerá da região em que as partículas estão mais concentradas (isto é, em quantidade relativamente maior) para as regiões menos concentradas 2 . Através da membrana plasmática há difusão de pequenas moléculas, como as de oxigênio e as de gás carbônico, e de certos íons 1 . No caso do oxigênio, como as células estão sempre consumindo O 2 em sua respiração, a concentração desse gás no interior da célula é sempre baixa em relação ao plasma exterior que banha a célula 1 . O mesmo efeito, porém de forma inversa, ocorre com o CO 2 .

efeito, porém de forma inversa, ocorre com o CO 2 . Fig. 4.11 – Representação esquemática

Fig. 4.11 – Representação esquemática do processo de difusão simples, no qual o soluto passa do meio mais concentrado para o meio menos concentrado, dentro da solução. Fonte:

http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Citologia/cito9.php

Osmose

Se mergulhássemos uma de nossas células em água pura (ou seja, sem soluto), ela incharia até estourar 1 . Porém, se colocássemos essa mesma célula em uma solução concentrada de açúcar, ele murcharia 1 . Como se explica esses fenômenos? Isso se deve ao um processo denominado osmose. A osmose é um processo de difusão de moléculas de água através de membrana semipermeável, neste caso, a membrana plasmática 1 . Nesse fenômeno, apenas a água (o solvente das soluções biológicas) se difunde através da membrana semipermeável das células 2 .

O citoplasma é uma solução aquosa, em que

a água é o solvente e as moléculas dissolvidas no citosol (glicídios, proteínas, sais, etc.) são os solutos 2 . Quando colocada em soluções com diferentes concentrações, podem ocorrer os seguintes fenômenos:

Se a célula for colocada em uma solução com concentração de solutos semelhante à dela,

a água irá entrar e sair da célula na mesma

intensidade, em ambas as direções. Neste caso, dizemos que o meio externo à célula e

o meio interno da célula são isotônicos. Isso

ocorre com o sangue que banha nossas células. A quantidade de solutos existente no sangue é igual a quantidade de solutos existente no interior da célula 2 . Nesse caso, a célula não ganha nem perde água, sua forma permanece a mesma.

Se a célula for colocada em uma solução mais concentrada em solutos, haverá maior difusão de água de dentro para fora da célula, fazendo-a murchar. Neste caso, dizemos que a célula é hipotônica em relação à solução, e esta é hipertônica em relação à célula. Animais marinhos que vivem em um ambiente supersalgado, compensam o excesso de salinidade adaptando o seu próprio organismo, que também possui altas concentrações de sais. Dessa forma, o organismo se torna isotônico em relação ao meio em que vive.

Se a célula for colocada em uma solução menos concentrada em solutos, haverá maior difusão de água de fora para dentro da célula, fazendo-a inchar, e em alguns casos, a célula chega a estourar. Nesse caso, dizemos que a célula é hipertônica em relação à solução, e esta é hipotônica em relação à célula. Animais de água doce, que são hipertônicos em relação à água, evitam "estourar" utilizando um órgão especial, o vacúolo pulsátil, que acumula água e bomba periodicamente o excesso de água para fora da célula.

periodicamente o excesso de água para fora da célula. Fig. 4.12 – Representação esquemática do comportamento

Fig. 4.12 – Representação esquemática do comportamento das moléculas de soluto e solvente através da membrana plasmática em solução isotônica, hipotônica e hipertônica. Fonte:

http://moodle.unipar.br/mod/book/print.php?id=169

Fonte: http://moodle.unipar.br/mod/book/print.php?id=169 Fig. 4.13 – Comportamento das moléculas de soluto

Fig. 4.13 – Comportamento das moléculas de soluto (círculos vermelhos) e as moléculas de água (setas azuis) através da

membrana plasmática. A membrana é permeável à água, mas não ao soluto. Fonte: Adaptado de http://www.natur-

wellness.ch/products/de/Wasserfilter/OF-1-Umkehr-Osmose-

Wasserfilter.html

Nas células vegetais, a osmose não determina a mudança na forma da célula devido à existência da parede celular, que a mantém rígida. Quando colocada em ambiente hipertônico, a célula murcha, perdendo água para o meio. Essa água provém principalmente de uma organela existente nas células vegetais, denominada vacúolo. O vacúolo é delimitado por uma membrana lipoprotéica, semelhante à membrana plasmática, denominada tonoplasto. Ocorre a diminuição do volume do citoplasma, reduzindo a pressão sobre a parede celular que não fica pressionada nem para fora nem para dentro 1 . A célula perde turgor (pressão exercida pela água dentro da célula), e então o citoplasma se separa da parede celular, em um processo denominado plasmólise, processo típico das células vegetais 1 . O processo inverso é denominado deplasmólise, quando a célula vegetal é colocada em meio hipotônico, e volta a ficar túrgida 1 .

é denominado deplasmólise , quando a célula vegetal é colocada em meio hipotônico, e volta a

Fig. 4.14 – Comportamento das células animal e vegetal colocadas em soluções com diferentes concentrações. Fonte:

http://www.teliga.net/2010/05/transporte-atraves-de-

membranas.html

Difusão facilitada

A difusão facilitada também é um processo passivo, na qual uma substância passa pela membrana, de um meio mais concentrado para um meio menos concentrado. Porém, algumas substâncias, tais como a glicose, alguns aminoácidos, vitaminas, íons de cálcio, cloro, sódio e potássio demoram muito tempo para atravessar a bicamada de lipídios da membrana plasmática. Dessa forma, algumas proteínas, denominadas permeases, proteínas transportadoras ou carregadoras atuam facilitando a passagem de certas substâncias que, por difusão simples, demorariam muito tempo para igualarem suas concentrações de um lado para o outro da membrana 1 .

concentrações de um lado para o outro da membrana 1 . Fig. 4.15 – Representação esquemática

Fig. 4.15 – Representação esquemática da disposição das proteínas transportadoras na membrana celular e forma de atuação na captura e transporte dos solutos. Fonte:

http://www.teliga.net/2010/05/transporte-atraves-de-

membranas.html

membranas.html Fig. 4.16 – Esquema da atuação da

Fig.

4.16

Esquema

da

atuação

da

proteína

transportadora

através

da

membrana.

Fonte:

http://www.teliga.net/2010/05/transporte-atraves-de-

membranas.html

Processo ativo

sódio (Na + ). As células humanas mantêm uma concentração interna de íon K + cerca de 20 a 40 vezes maior que a concentração existente no meio extracelular 2 . Por outro lado, a concentração de íon Na + no interior das nossas células é cerca de 18 a 20 vezes menor que a do exterior 2 . Essa concentração diferencial é mantida por um bombeamento de íons, realizado por uma proteína de transporte, com gasto de energia 1 . Essas proteínas, presentes na membrana plasmática atuam como "bombas" de íons, capturando ininterruptamente íons de sódio (Na + ) no citoplasma e transportando-os para fora da célula 2 . Na face externa da membrana, essas proteínas capturam íons de potássio (K+) do meio e os transportam para o citoplasma 2 . Esse bombeamento contínuo, conhecido como bomba de sódio-potássio, compensa a incessante passagem desses íons por difusão simples 2 . Mas por que a célula mantém essa diferença de íons? Isso ocorre porque o íon K + é essencial a diversos processos celulares, participando na síntese de proteínas e da respiração celular 2 . Porém, a alta concentração de K + dentro da célula pode trazer problemas osmóticos, pois a célula torna-se hipertônica 1 . Assim, as proteínas da membrana plasmática bombeiam Na + para fora da célula para compensar a grande concentração interna de íons potássio (K + ) 1 . Inclusive, essa diferença de concentração de íons gera uma diferença de cargas elétricas na superfície da célula, que é fundamental para transmissão de impulsos elétricos pelos neurônios e células musculares 1 .

elétricos pelos neurônios e células musculares 1 . Fig. 4.17 – Esquema do transporte ativo de

Fig. 4.17 – Esquema do transporte ativo de solutos através da membrana, contra um gradiente de concentração, ou seja, da região de menor concentração para o de maior concentração. Fonte: http://www.teliga.net/2010/05/transporte-atraves-de- membranas.html

Processos mediados por vesículas

Transporte

ativo:

bomba

de

sódio-

Endocitose

potássio

Transporte ativo ocorre quando determinadas substâncias necessárias à célula atravessam a membrana plasmática contra um gradiente de concentração, ou seja, da região onde essas substâncias estão menos concentradas, para as regiões mais concentradas (nesse caso, o interior da célula), envolvendo gasto de energia. Nosso corpo humano necessita de grandes quantidades de certos íons, como por exemplo, o íon potássio (K + ) e o íon

Íons e moléculas conseguem passar pelos poros da membrana, mas partículas maiores, como microrganismos e restos de células, não conseguem atravessá-la 1 . Portanto, bolsas se formam por invaginações da membrana e englobam esses materiais 2 . Há dois tipos básicos de endocitose: a fagocitose e a pinocitose. o Fagocitose (fagos = comer, citos = célula): é um processo de ingestão de partículas grandes, tais como

microrganismos e restos de outras células 1 . Utilizado por organismos unicelulares, como os protistas, para obter alimento, e nos organismos multicelulares, como os macrófagos e neutrófilos (tipos de células sanguíneas), que atuam na defesa do corpo humano contra infecções, além de fagocitar células debilitadas e restos celulares 1 . A célula emite pseudópodes, que "abraçam" a partícula, envolvendo a totalmente em uma bolsa membranosa 1 . Quando o material é englobado, ele fica em uma vesícula denominada fagossomo, e depois é degradado por enzimas específicas 1 . o Pinocitose: (pinos = beber, citos = célula): é um processo de ingestão de moléculas dissolvidas em água, tais como polissacarídeos e proteínas 1 . Ao contrário da fagocitose, a pinocitose ocorre em todos os tipos celulares 1 . As partículas ingeridas ficam no interior de uma vesícula denominada pinossomo, e também serve de alimento para as células 1 . É pela pinocitose que as células do revestimento interno do intestino englobam gotículas de lipídios do alimento digerido 2 .

gotículas de lipídios do alimento digerido 2 . Fig. 4.18 – Representação esquemática da fagocitose e

Fig. 4.18 – Representação esquemática da fagocitose e pinocitose, respectivamente. Fonte: http://www.biologia.blogger.com.br/

Exocitose

Fonte: http://www.biologia.blogger.com.br/ Exocitose Fig.

Fig.

http://clientes.netvisao.pt/freiremj/t_particulas_exo.html

4.19

Esquema

da

exocitose.

Fonte:

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(1) LOPES, S.; ROSSO, S. Biologia: volume único. 1.ed. São Paulo:

Saraiva, 2005. (2) AMABIS, J. M.; MARTHO, G.R. Biologia. V.1. 2. ed. São Paulo:

Moderna, 2004.

EXERCÍCIOS

1 – Em que uma célula eucariótica se distingue de uma célula procariótica?

2 – Em que consiste a hipótese endossimbiótica para a origem evolutiva de mitocôndrias e plastos?

3 – (PUC-RS) A chamada "estrutura procariótica"

apresentada

estes

seres vivos são:

pelas

bactérias

nos

indica

que

a) Destituídos de membrana plasmática

b) Formadores de minúsculos esporos

c) Dotados de organelas membranosas

d) Constituídos por parasitas obrigatórios

e) Desprovidos de membrana nuclear

– membrana plasmática?

4

Quais

são

os

constituintes

fundamentais

da

5 - Explique as funções da membrana plasmática e o que significa dizer que ela tem permeabilidade seletiva.

Nesse processo, as substâncias que devem ser eliminadas da célula são temporariamente armazenadas no interior de bolsas citoplasmáticas membranosas, as quais se aproximam da membrana plasmática e se fundem a ela, expelindo seu conteúdo 2 . É por meio da exocitose que certos tipos de células eliminam os restos da digestão intracelular, e também pela qual células glandulares secretam seus produtos 2 .

6 –

processo?

O

que

é

difusão

7 – O que é osmose?

e

que

princípio

rege

esse

8 – O que são soluções hipertônicas, hipotônicas e isotônicas?

9 –

entre os processos de fagocitose e de pinocitose.

Aponte

e

comente semelhanças

e

diferenças

10

– O que é glicocálix?

12

– Qual é a denominação dada a uma proteína que

facilita a difusão de certas substâncias através da

membrana plasmática?

13 – Como ficou conhecida a explicação para o

arranjo das moléculas de fosfolipídios e proteínas na

membrana plasmática?

14 - Bolsas membranosas que contém substâncias

capturadas por fagocitose

e por pinocitose são

chamadas, respectivamente, de:

a) Pseudópode e canal pinocitótico

b) Fagossomo e pinossomo

c) Pinossomo e fagossomo

d) Canal fagocitótico e pseudópode

15 – Durante a osmose a água passa através da

membrana

concentrada em soluto para a solução:

menos

semipermeável

da

solução

a) Hipertônica

b) Hipotônica

c) Isotônica

d) Osmótica

16 – No caso de a membrana plasmática ser

permeável a determinada substância, esta se difundirá para o interior da célula quando:

a) Sua concentração no ambiente for menor que no citoplasma

b) Sua concentração no ambiente for maior que no citoplasma

c) Sua concentração no ambiente for igual à do citoplasma

d) Houver ATP disponível para fornecer energia ao transporte

17 – Neutrófilos e macrófagos combatem bactérias e

outros

englobando-os com projeções de suas membranas

plasmáticas

ingestão de partículas é chamado:

Esse processo de

corpo,

invasores

que

penetram

em

nosso

(pseudópodes).

a) Difusão

b) Fagocitose

c) Osmose

d) Pinocitose

18 – Uma célula vegetal mergulhada em solução (I)

presença de (II). Qual

não

alternativa completa corretamente a questão?

estoura

devido

à

a) (I) = hipotônica; (II) = parede celulósica

b) (I) = hipotônica; (II) = vacúolo

c) (I) = hipertônica; (II) = parede celulósica

d) (I) = hipertônica; (II) = vacúolo