Anais

1o Simpósio Paranaense de Design Sustentável
Local:
Universidade Federal do Paraná Rua General Carneiro, 480 Edifício Dom Pedro I Auditório Anfi 100 1o andar

Data:
24/04/2009, das 8:30 às 21:00h

Comissão Organizadora:
Conteúdo científico - Prof. Dr. Aguinaldo dos Santos, PhD, UFPR Organização - Prof. Cláudio Pereira de Sampaio, MsC, Universidade Positivo

Site:
www.design.ufpr.br/spds

Contato:
nds@ufpr.br

Organização e edição:
Núcleo de Design e Sustentabilidade da Universidade Federal do Paraná

Projeto gráfico:
Cláudio Pereira de Sampaio

ISSN:
2176-4093 *O CONTEÚDO DOS ARTIGOS É DE INTEIRA E EXCLUSIVA RESPONSABILIDADE DOS AUTORES.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

1

.

Sumário Estado da pesquisa em design sustentável no Brasil Aguinaldo dos Santos 5 Educação ambiental nos cursos de Design Alexandre L. Marinho Ricardo H. M. Godoi 9 A inserção do design sustentável em um modelo de referência para a gestão do desenvolvimento de produtos 17 Américo Guelere Filho Henrique Rozenfeld Daniela C. Dalton Luiz Razera Dulce de Meira Albach 43 Inovação em Sistemas de Consumo por meio do Design: o Caso do Caixa Ecológico 49 Avanços no Design de Produtos a base de Resíduos de Vidro Reciclado Dulce Maria de Paiva Fernandes 59 Panorama do design para a sustentabilidade Liliane iten Chaves Maria Olinda Lopes 67 77 Validação de uma bula de medicamentos em Braille direcionada ao usuário cego Desafios do design na mudança da cultura de consumo Maristela Mitsuko Ono 87 Diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular: uma estratégia para o design sustentável 93 Priscilla Ramalho Lepre O Paradoxo do Design Sustentável na Moda: Diretrizes para sustentabilidade em produtos de moda e vestuário 99 Suzana Barreto Martins Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 3 . A. Pigosso A Educação através do Design como estratégia para um futuro sustentável Antônio Martiniano Fontoura 25 Design de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas com base em sistemas produto-serviço 33 Cláudio Pereira de Sampaio Tecnologia para uma Sustentabilidade: o caso da Madeira Moldada Prof. Dr.

.

research agenda. Com base nesta survey o artigo aponta aspectos chave para maior efetividade da pesquisa em design sustentável no país.Estado da pesquisa em design sustentável no Brasil State of the research on sustainable design in Brazil Aguinaldo dos Santos Universidade Federal do Paraná. innovation An underlying principle in the field of sustainable design is the development of solutions on a cooperative fashion. Sustainable design. observa-se pouca sinergia entre os grupos de pesquisa em design sustentável no Brasil. Brasil asantos@ufpr. agenda de pesquisa.br design sustentável. With the purpose of stimulating higher proximity among these research groups the present paper reports survey carried out by the author in 2008 within Design postgraduate programs in Brazil. furthermost. Paradoxalmente. Based on the results of this survey the article then points to key aspects to increase design research effectiveness on the country. there is reduced synergy among the research groups on the field resulting in the overlap of research activities. resultando em replicação de pesquisas. In Brazil. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 5 . lacunas de investigação e menor velocidade na disseminação dos princípios e práticas norteadoras da sustentabilidade. paradoxically. Com o propósito de estimular esta maior aproximação dos grupos de pesquisa o presente artigo reporta survey realizada pelo autor em 2008 junto aos programas de pós-graduação em Design no país buscando identificar justamente a agenda temática e a distribuição da pesquisa na área. inovação Um princípio subliminar ao design sustentável é a busca pelo desenvolvimento de soluções de forma cooperada. reduction on the dissemination speed of sustainability theory and practice. attempting to identify the existing research agenda and the geographic distribution of research on the field. gaps of investigation and.

ANHEMBI e PUC) hospedam mais da metade dos pós-graduandos na área. já reconhece esta nova realidade e propõe que o conceito de design seja definido como “. ou seja. O propósito é fundamentalmente aumentar a transparência. A pesquisa em design pode contribuir para a aceleração do desenvolvimento de competências em sustentabilidade nas gerações presentes e futuras de Designers. na revisão epistemológica do que vem a ser Design. O Internacional Council of Society of Industrial Design ICSID. levando em conta o crescimento constante do número de doutores e pesquisadores atuantes na área. exigindo do design novas competências e novo escopo de atuação. a relação do número de orientandos em relação aos prazos de conclusão das dissertações/teses. “Design Sustentável” foi um dos três temas mais publicados entre os mais de 650 papers publicados nos anais do evento. o presente artigo reporta survey realizada pelo autor para apoiar as ações da RBDS. 2.uma atividade criativa que significa estabelecer qualidades multifacetadas a objetos. Portanto. Para aqueles que os dados não nos foram fornecidos diretamente utilizamos o Lattes como fonte de consulta ou a própria página do respectivo programa. Desta forma. Uma das conclusões resultantes dessa conferência foi a clara necessidade de dedicar maiores esforços para desenvolver estratégias que realmente promovam mudanças de estilo de vida em nossa sociedade. muito importante. tem-se que há uma distribuição deste montante de forma bastante desequilibrada.br.google. A planilha geral com todos os dados está a disposição na página de discussão da Rede Brasil de Design Sustentável (groups. ao qual fomos atendidos de forma muito gentil e com presteza. A classificação dos temas utilizou a Tabela de Áreas do Conhecimento do CNPq. Introdução A demanda da sociedade por soluções mais sustentáveis para produtos e serviços demanda alterações radicais nos sistemas de consumo e produção. com o objetivo de alcançar esta transparência e com a meta subliminar de aproximar pós-graduandos de pós-graduandos foi realizada uma consulta a todos os coordenadores de pós-graduação no Brasil. O design de sistemas sustentáveis não necessariamente resulta em bens físicos. Não era pertinente aos propósitos desta survey a avaliação da eficiência do processo de orientação nestas instituições.com/group/rede-brasil-de-design-sustentavel) ou através de solicitação direta ao e-mail asantos@ufpr. Esta survey procura traçar um panorama temático da pesquisa em Design no Brasil a partir da análise das dissertações e teses em andamento nos Programas de Pós-Graduação em Design. ou seja. A análise de cluster de pesquisa realizada aqui se restringiu ao Design Sustentável (linha de pesquisa do autor). o que é um contraste significativo com a visão convencional do propósito da atividade de Design.. A formação destes novos designers para a sustentabilidade e a inclusão de novas competências nos profissionais já atuantes no mercado implica na revisão da visão ortodoxa quanto ao escopo de atuação do designer. serviços e seus sistemas em todo o ciclo de vida”.1.. Esta falta de transparência não só afeta a definição de políticas de fomento efetivamente adequadas à área mas. sendo que três instituições apenas (UFRGS. afeta a própria efetividade da pesquisa na medida que esta passa a não perceber as lacunas de pesquisa nas fronteiras de inovação. permitindo a identificação de lacunas e áreas de potencial sinergia entre grupos de pesquisa. entidade maior da área. No 7º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design organizado em Curitiba pelo Núcleo de Design & Sustentabilidade da UFPR em 2006. levando-se em consideração a existência de dez programas de pós-graduação. Para articular as ações na área foi implementado em 2007 a Rede Brasil de Design Sustentável (RBDS). Demografia da Pesquisa em Design Sustentável em Programas de Pós-Graduação Ao todo foi identificado nesta survey um total de 318 pós-graduandos em design em todo o país realizando suas dissertações/teses em 2008. como o apoio do CNPq em 2005 (disponível no site AENDBR) ficou claro a pouca transparência sobre o estado da pesquisa no Brasil. a qual tem como missão a promoção da sinergia e foco estratégico dos grupos de pesquisa em design sustentável no país. Durante a elaboração do Plano Estratégico para a Pesquisa & Desenvolvimento em Design no Brasil. Para a avaliação dos temas em cada pesquisa foi dado o valor 2 para a especialidade da Tabela de Áreas do Conhecimento mais próxima ao tema e valor 1 6 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Neste contexto. processos.

demandando ações estratégicas de caráter nacional para a indução da implantação de novos grupos e.para o tema também conectado ao tema mas com menor relevância. Importante notar que temas emergentes na sociedade como o “Design & Jogos” e “Design & Sustentabilidade” ainda recebem relativamente pouca atenção da comunidade. Distribuição da Pesquisa em Design no Brasil Os dados da Survey mostram que “Design Gráfico”. portanto. o volume pequeno de pesquisas na área reflete o estado da pesquisa na área de Design no país. Pesquisa em design no Brazil é. “Design. Temas de Pesquisas de Pós-Graduandos em Design em 2008 Foram identificados nesta survey um total de 51 dissertações/teses em desenvolvimento no país em 2008 com pertinência diretamente ligada à questão da sustentabilidade (16 % do total). Obviamente. Paraná e Santa Catarina. “Design e Gestão”. quase 70% dos pós-graduandos nesta temática. Figura 3. “Design da Informação”. em um período de apenas quinze anos o país saiu da ausência de programas de pós-graduação na área para dez programas de pós-graduação em Design em 2008. De fato. a formação de recursos humanos locais de alto nível. Aqui novamente verifica-se uma excessiva concentração das pesquisas na área. Figura 2. por conseqüência. Distribuição da Pesquisa em Design Sustentável no Brasil Figura 1. “Design de Interfaces Digitais”. 3. No caso das pesquisas em Design Sustentável a survey realizada permite concluir quanto a urgente necessidade de ampliar o estímulo aos outros programas de pós-graduação para inclusão do tema design sustentável seja como linha de pesquisa. Áreas de grande importância ambiental ou com severos problemas sociais no país não tem a presença de grupos de pesquisa nesta temática. Somente a PUC e UFPR respondem por Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 7 . seja como filosofia básica a ser utilizada nas linhas de pesquisa de forma horizontal. Ergonomia e Usabilidade” e “Design e Cultura” são os temas mais freqüentes na pesquisa realizada no ambiente da pós-graduação na área do Design. São Paulo. Em 2008 a maioria dos grupos de pesquisa nesta temática concentrava-se nos estados do Rio de Janeiro. uma atividade recente e ainda pouco estruturada e consolidada. Demografia dos Grupos de Pesquisa no Brasil O desenvolvimento e disseminação do conhecimento em design sustentável no âmbito da pesquisa no Brasil têm como desafio central o aumento quantitativo e ampliação da abrangência geográfica dos grupos de pesquisa.

Levando-se em consideração que o país tem cerca e 150 escolas de design. governo e organizações do terceiro setor por profissionais com competência em design sustentável.Figura 4. Distribuição dos Grupos de Pesquisa em Design Sustentável no Brasil A mudança dos padrões de consumo e produção no Brasil passa necessariamente pela aceleração na formação de designers com competência em design sustentável. Apesar disto. 8 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . pesquisa realizada pelo autor na base de dados da CAPES utilizando as palavras chave design sustentável. eco-design e design social revelaram apenas seis teses de doutorado e 34 dissertações de mestrado desenvolvidas nestes temas no período de 2000 até maio de 2008. fica claro que este volume de especialistas formados via mestrados e doutorados está muito abaixo do requerido para a formação dos futuros designers na questão da sustentabilidade. A aceleração do desenvolvimento e disseminação do conhecimento em design sustentável torna-se ainda mais urgente quando levado em consideração a crescente demanda de empresas.

por meio de questionário aplicado aos alunos concluintes (2007). sustentabilidade Este trabalho contribui para a integração da sustentabilidade na idealização de um curso de graduação em Design. Brasil alemarinho@up. an environmental chemistry short course of ten hours was offered to some students. foi oferecido aos alunos um curso resumido de dez horas de Química Ambiental. M. A fim de estimular a preocupação ambiental dos acadêmicos do curso de Design da Universidade Positivo. Marinho Universidade Positivo.edu.Educação ambiental nos cursos de Design Environmental education in Design courses Alexandre L. poucos alunos apresentaram projetos de conclusão de curso com propostas de desenvolvimento de produtos com a preocupação sólida de integrar a sustentabilidade no processo metodológico. The results were pointing out that this isolate action does not incorporate the environmental responsibility to the students but they want to discuss about environmental education and design. Apesar da prática realizada. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 9 . The assimilation of environmental concepts of the course was accessed by qualitative and quantitative questionnaire applied to the participants.com design. it was recognized the lack of environmental subjects in the majority of the design undergraduate courses program. porém se mostraram bastante receptivo para a inserção de discussões sobre as relações ambientais e o design. sustainability This work was designed to contribute to the knowledge and experience on how integration of sustainability issues in regular design course can be accomplished. Brasil Rhmgodoi@hotmail. The main objective of this work was to provide a useful overview for any teacher and/or curriculum developer wishing to integrate sustainability into design programs. environmental education.br Ricardo H. especially in product development. design. O objetivo deste trabalho é o de fornecer uma visão global para qualquer professor e / ou coordenador que pretenda integrar a sustentabilidade no desenvolvimento dos cursos de Design baseado em levantamentos e experiências de campo. educação ambiental. A assimilação e a posterior utilização dos conceitos básicos absorvidos no curso pelos estudantes foi avaliada de forma qualitativa e quantitativa. Godoi Universidade Federal do Paraná. In order to encourage the environmental concern of the Positivo University students of Design department. As an overview of Brazilian design courses.

cabe à universidade propor discussões para a conscientização e a busca de soluções para as novas e necessárias mudanças. . 10 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . A conscientização quanto à urgência de alterar o rumo deste processo e a necessidade para regular condutas sociais que evitem efeitos negativos sobre o meio ambiente reforçam a necessidade imediata da inserção da discussão e da participação ativa do ensino superior na educação ambiental. sobretudo as relações entre o homem e a natureza. A necessidade se mostra evidente quando se reconhece que o primeiro objetivo para a educação ambiental (EA) é a conscientização de que o modelo atual de desenvolvimento econômico com a exploração dos recursos naturais está fadado à exaustão de todo o sistema. pode potencializar mudanças conceituais no desenvolvimento de projetos de produtos e serviços minimizando a exploração dos recursos naturais. PEREIRA : 2002). ideologias. teorias. de modo que venha a integrar-se no seu meio. colaborando com outra discussão sobre o quanto a educação superior deve responder a este tipo de necessidade e quanto este tipo de influência pode ´imprimir à empresa educativa um sentido empresarial. utilitário e de mero adestramento da força de trabalho´ (TEDESCO 2005:27). Este estudo se propôe a contribuir para a integração da sustentabilidade na concepção de um curso de graduação em design. exigindo uma nova reflexão sobre a eterna fase de transição entre o real e o ideal.1 Introdução Os valores legitimados no mundo ocidental. o ensino superior brasileiro foi elitista e sob influência da aristocracia colonial. por meio da reformulação da grade curricular. 2 Universidade e a Educação Ambiental Na sua origem. Forças dominantes como a igreja e os militares. o que parece determinar a exaustão de todo o sistema com o modelo atual de desenvolvimento econômico de exploração dos recursos naturais. evidenciando a ´maximização de benefícios em curto prazo’ (LEFF 2001:146). cultura e política). as influências sofridas nos governos e na sociedade também provocaram mudanças significativas nas linhas de trabalho das instituições educacionais. Em outros tempos. já determinaram os conteúdos e os métodos de ensino. Reflexão crítica para compreender uma sociedade. capaz. O momento atual é sem dúvida um período de transição entre a emergência da saturação ambiental e a necessária mudança na sociedade (economia. para a busca de novos entendimentos e comportamentos. Para isso é necessário identificar os seus problemas e de fato influenciar na transformação da sociedade através da modernização dos seus métodos de ensino. cujos valores busquem a melhoria da sociedade e não apenas o atendimento de uma demanda do mercado. Para isso serão abordadas relações entre a educação ambiental e os cursos de graduação em Design com ênfase em projetos de produto. É difícil conjeturar uma sociedade moderna sem implicar em mudanças comportamentais. Na sequência será apresentada uma ação realizada para incentivar a preocupação ambiental dos estudantes de design da Universidade Positivo e de que maneira esta atividade pôde ajudar a diagnosticar os interesses dos alunos na relação entre o design e o meio ambiente. externalizaram os processos naturais e culturais. Segundo Freire (2001). Atualmente a força de um mercado de trabalho globalizado influencia e até determina conteúdos curriculares. há a hipótese de que a revisão da formação acadêmica do designer no Brasil. permitindo-o recriar. O momento atual exige posicionar os Projetos Políticos Pedagógicos ( PPP) dos cursos de design para que as instituições de ensino sejam responsáveis por iniciativas e sugestões de projetos que proporcionem aos seus alunos a capacidade de tomadas de decisão. bem como a economia e os meios científicos e tecnológicos. no qual caberá às instituições de ensino contri- buir na capacitação do indivíduo. a educação é reconhecida como a mola propulsora da transformação social e política. fortalecer e promover esta mudança. Diante deste cenário crítico. Neste contexto. seus projetos político-pedagógicos (PPP) e principalmente com a atualização das grades curriculares dos cursos (BORDENAVE. por exemplo.

geográfica e cultural dos países do 3° mundo. onde a estratégia das empresas deixou de ser estabelecida pela capacidade produtiva e passou a ser orientada pelas expectativas do mercado. mesmo reconhecendo a falta de estruturação suficiente para permear os paradigmas científicos e as estruturas acadêmicas. A idéia central deste modelo é a produção de um maior número de produtos em menor tempo e custos possíveis. região e comunidade sob uma perspectiva histórica. política. devendo considerar as condições e estágios de cada país. Sobre isto. Contudo. sendo o elo entre a identificação de uma “necessidade”. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 11 .” Segundo Luzzi (2005). na rentabilidade imediata de exploração dos recursos materiais da terra (KAZAZIAN 2005). abordar aspectos políticos. no Rio de Janeiro. sobretudo a partir da perspectiva histórica. conflitos e os problemas existentes que afetam a vida cotidiana. tem no consumismo desenfreado a delineação do mercado. E a educação sociocultural que promove o esclarecimento e o exercício de valores capazes de provocar o aluno a percepção do seu ambiente. que se fortaleceu após a II Guerra Mundial. é preciso que a EA seja efetivada em todos os níveis de ensino. apud GIL 2005:578) aponta que a educação ambiental: “Caracteriza-se por incorporar as dimensões socioeconômicas. as quais têm sua importância. (KAZAZIAN 2005:40 e 67). que novamente iniciará o processo em função de um novo desejo ou necessidade. é uma ferramenta que pode reorganizar os sistemas de produção e de consumo através. a educação ambiental deve permitir a compreensão da natureza complexa do meio ambiente e interpretar a independência entre diversos elementos que conformam o ambiente com vistas a utilizar racionalmente os recursos do meio na satisfação material e espiritual da sociedade no presente e no futuro. em produtos e encaminhar as especificações à produção. não podendo basear-se em pautas rígidas e de aplicação universal. Manzini (2002) atenta para uma difícil convergência entre a racionalidade econômica e a racionalidade ecológica. de uma geração de produtos. o fabricante e o consumidor. Portanto. encaminha ao consumidor. culturais e sociais.Este modelo tornou o marketing uma das ferramentas chaves. os projetos de mudanças no ensino superior podem ser apoiados em dois pilares complementares que são: A educação tecnológica que busca soluções na produção de bens e serviços que diminuam o alto custo para os recursos naturais. para preparar a conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento.] não essenciais.. que acelera ´a renovação incessante da oferta de objetos e opções inúteis [. reunida em 1972. a qual aponta para a necessi- dade da educação ambiental como uma perspectiva de educação que permeie todas as disciplinas. capacitando-o a interpretar as relações. o modelo provoca um aumento de emissões e dos resíduos. Para a Comissão Interministerial. a educação ambiental deve. onde as atividades de transmissão de conhecimento se baseiam na conscientização para a conservação da natureza. Não apenas como um treinamento ou uma instrução para a proteção ao meio ambiente. Dias (1998. já que visa à transformação da sociedade em busca de um presente e de um futuro melhor. e de forma implícita. sempre anunciando uma revolução permanente para disfarçar a saturação crescente´. econômicos. que por fim. Assim sendo. o design. necessariamente. 3 Design e a Educação Ambiental O modelo industrial atual.. política. cultural e histórica. por exemplo. identificados pelos setores de marketing. o da educação sociocultural. atualmente o design tem no seu papel o objetivo de transformar números. Sobre este. contribuindo para o aumento da degradação ambiental.De forma simplista. processos ou serviços que causem o mínimo de impacto adverso ao meio ambiente. Além de requerer cada vez mais quantidade de recursos naturais. a EA tem um sentido fundamentalmente político. a EA apoia-se com conhecimentos teóricos e práticos orientada para a rearticulação das relações econômicas e culturais entre a sociedade e a natureza (LEFF 2001). Muito mais no desejo do que na necessidade do consumidor.

promovendo uma ação concreta que permitiria maiores discussões para a integração da sustentabilidade no design. Fletcher e Dewberry (2002) esclarecem sobre dois extremos para o uso da sustentabilidade nos currículos. os temas relacionados a um projeto sustentável são partes de uma metodologia de desenvolvimento de produto. São atualmente praticados nas poucas instituições de ensino que se preocupam com o assunto. de maneira a atender as contínuas mudanças de mercado e a necessidade da conscientização ambiental. de 10 horas. que é a sustentabilidade. as propostas não serão baseadas no desejo e na necessidade do consumidor. onde o resultado serão bens de consumo para o mercado. o desenvolvimento de produtos busca priorizar as expectativas e saídas para toda a sociedade. O design como uma ferramenta dentro do contexto maior. que tem a sustentabilidade como contexto. considerada sinônimo do conceito Ecodesign. O primeiro. que aponta a necessidade de uma ´ligação entre eficiência dos recursos (que leva a produtvidade e lucratividade) e responsabilidade ambiental´(JÚNIOR. que significa ainda segundo Manzini (2002). Júnior e Demajorovic (2006:289) acrescentam. A possibilidade de a sustentabilidade ser o contexto para o desenvolvimento de um produto provoca mudança no modelo industrial atual. Dentro do escopo da EA surge. proporcionando uma nova cadeia de prioridades. culturais tanto dos consumidores como da região onde será produzido o determinado produto. além da hipótese deste estudo que há a necessidade de repensar a estrutura curricular dos cursos de design. obedecendo ao modelo industrial atual. O curso teve como objetivo principal estimular a consciência ambiental resgatando conceitos por 12 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . 4 Proposta de aplicação Baseado na pesquisa realizada na Delft University of Technology (TU Delft). além de priorizar constantes avaliações dos possíveis impactos ambientais. Para propor o desenvolvimento sustentável no design é importante entender que o desenvolvimento deve ser do design para a sustentabilidade. Holanda e seus resultados relacionados à melhora no aproveitamento dos assuntos que interagem o tema sustentabilidade e o desenvolvimento de projetos. e a credibilidade do desenvolvimento econômico. promover a capacidade do sistema produtivo de responder à procura social de bem-estar utilizando uma quantidade de recursos ambientais drasticamente inferiores aos níveis atualmente praticados. O curso de extensão. contribuindo assim para o entendimento do conceito de desenvolvimento sustentável. adotadas a partir da década de 1990. Diante deste cenário a escola de design pode ser um espaço valioso para a EA. mas deverão reconhecer quais são as expectativas do consumidor para repensar quais as possibilidades de oferta. então. reforça o seu escopo de reorganizar os sistemas de produção e de consumo. este estudo propôs a inclusão de um curso de extensão em química ambiental. que além da satisfação às necessidades dos consumidores com produtos e serviços ambientalmente adequados.A preocupação com o desenvolvimento de produtos com desempenho efetivo também na relação com o meio ambiente é conhecida pelas concepções projetuais. Para esta proposta. o curso também proporcionaria a discussão de temas ligados ao meio ambiente e suas relações com o desenvolvimento de produtos fora do local tradicional de sala de aula. ainda. foi ofertado para os alunos do 2° semestre do 3° ano da graduação em design da Universidade Positivo (UP). com o respeito aos recursos naturais. inserindo a metodologia projetual dentro do conceito da sustentabilidade. A preocupação é fazer com que os alunos desenvolvam o produto e por fim lembre-se da possibilidade de inserir pequenas interferências “verdes”. motivando a existência de novos processos ecologicamente mais favoráveis em relação aos existentes. denominado Planeta no Século XXI (PS21). denominada DfE (Design for environment). é possível integrar as relações sociais. Assim. proporcionando aos alunos reflexões sobre a importância do design e sua influência nas demandas sociais e na sua relação com o meio ambiente. a necessidade de desenvolver produtos e serviços orientados ao atendimento da sociedade. No outro extremo. DEMAJOROVIC 2006:288). confrontando-os com as condições econômicas e sociais entendidas para aquele produto e seu ciclo de vida. Além de provocar um presumível interesse do acadêmico. onde o design é o contexto.

ou a falta deles. E metodologia específica para o desenvolvimento de produto-serviço como o PSS (product-service system). Ecodesign. 23 tinham disponibilidade de tempo no contra turno e manifestaram interesse na participação do curso que foi realizado entre os dias 24 de outubro e 14 de novembro de 2006.0. Apresentada esta formatação a todos os 49 alunos da turma. Com a entrega dos projetos de pesquisa. apenas três apresentaram algum tipo de influência. sejam eles em duplas ou individualmente. por outro professor que não participou do curso intensivo. Para tanto foram consideradas palavras e expressões como: Re-uso. água e ar.5 horas/ aula. sob influências específicas do curso PS21. a turma base. resíduos e poluição. e cinco não apontaram qualquer tipo de indício de influência. totalizando os 49 alunos participantes. de forma espontânea. O resultado de não influência é menor do que os números de Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 13 . As respostas foram compiladas utilizando-se a ferramenta computacional Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 13. Os assuntos ministrados foram: solo. Descartável. realizou-se uma pesquisa quantitativa para analisar os indícios de relações entre o design e o meio ambiente apresentados. 24 eram formados por duplas e dois individuais. No início do ano letivo de 2007 com o início do desenvolvimento de projetos de produtos como trabalho final de graduação. Energia. se organizou. Uso de novas tecnologias. Qualidade de vida. 5 Resultados e Discussões Dos 26 projetos apresentados pelos alunos. para análise. em semanas subseqüentes. Sustentabilidade. tratamento de dados estatísticos e cruzamentos de variáveis para a confirmação dos dados obtidos. Cada um deles apresentados como aula expositiva. Nos individuais. apresentado e recolhido. Ecologia. Dentre os oito projetos onde os autores participaram do curso PS21. nas apresentações das propostas de projetos de pesquisa do trabalho final de graduação (TFG) que seriam realizados durante próximo ano letivo. No ano letivo de 2007. houve a participação de quatro professores do programa de Mestrado Profissional em Gestão Ambiental da UP. Resíduos. Preocupação ambiental. nos objetivos gerais e nos objetivos específicos. A partir do proposto. nove foram formados por alunos onde um fez o curso e nove foram formados por alunos que não fizeram o curso. Coleta seletiva. preocupações e implementações de aspectos ambientais contidos nos temas. Preservação do meio ambiente. Ciclo de vida do produto. no contra turno (tarde) dos alunos. Água. com duração de 2. mediu-se a efetividade desta ação. A coleta de dados foi realizada utilizando como ferramenta um questionário que exigia respostas dissertativas e de múltipla escolha. apontada em dois temas e em um objetivo específico. em duplas ou individualmente. denominados como “turma base”. Para reconhecer e quantificar as influências do curso proposto PS21 foram recolhidos todos os 26 projetos de pesquisa apresentados como propostas para o desenvolvimento do TFG. Os projetos onde apenas um dos autores participou do curso PS21 apresentaram um resultado diferente do grupo de projetos onde ambos os autores participaram. Buscou-se palavras que identificassem indícios. no 4° ano. portanto foi desconsiderado da pesquisa. com as demais disciplinas responsáveis pelo assunto. para redação e apresentação dos projetos de pesquisa para o desenvolvimento de projetos de produtos como TFG durante o ano letivo. ou seja.meio da abordagem de relevantes indicadores que são considerados em documentos sobre desenvolvimento sustentável. na UP. ao final do preenchimento. por meio de uma pesquisa quantitativa e qualitativa a fim de possibilitar confrontos entre as respostas evidenciadas nos projetos de pesquisa apresentados e o início da pesquisa para desenvolvimento dos produtos. possíveis influências do curso. Entre as duplas seis projetos foram propostos por alunos que fizeram o curso PS21. buscou-se um novo momento de coleta de dados com a turma base. que dividiram as relações do homem e o meio ambiente em quatro temas. Para a realização do curso. ambos realizaram o curso. o questionário foi entregue. Um dos alunos não fazia parte da turma base (aluno transferido de outra instituição) e. Para evitar qualquer tipo de influência do autor da pesquisa.

Nenhum aluno se opôs quanto à responsabilidade do curso em promover discussões abordando temas ambientais. Além destas possibilidades. 14 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Dos alunos. Assuntos relacionados ao meio ambiente foram retratados em cinco ocasiões sendo três temas e dois objetivos específicos. Entrevista com os alunos Para a validação e análise dos resultados. por exemplo. sendo um no tema e quatro nos objetivos dos projetos de pesquisa.indicadores obtidos nos tema ou nos objetivos específicos. Estas respostas contribuem para a possibilidade da inserção de temas que relacionem a preocupação com o desenvolvimento de produtos e sua implicação no meio ambiente. como a sustentabilidade deveria ser tratada. Outro fator que pode ter influenciado no resultado é a não relação dos temas abordados com o papel do designer neste processo. seja ela entre a disciplina de Gestão Ambiental e outras do curso de design. ou ainda a somatória da disciplina de Gestão Ambiental com as demais disciplinas do curso e o PS21. enquanto outros 33. os resultados obtidos da entrevista com os alunos também possibilitaria perceber o interesse dos alunos com os temas voltados às relações com o meio ambiente. os resultados quando um dos alunos participou do curso deve considerar.3% entendem que estes devem ser abordados em diversas disciplinas do curso. possibilitando tratar o tema como um valor. e a expectativa do aluno em relação aos temas propostos. mesmo acontecendo em propostas de disciplinas curriculares ou em formatos de extensão como o PS21. acredita-se que este fato comprovou que os temas voltados para a educação ambiental. A proposta de ação para medir uma possível influência sobre os alunos permitiu perceber que há o interesse do aluno com temas ligados ao meio ambiente. Enquanto quatro projetos não demonstraram nenhum indício que pudesse relacioná-lo com o PS21. uma vez que o interesse da pesquisa era conhecer as possíveis diferenças entre os projetos de pesquisa apresentados e o início da pesquisa para desenvolvimento dos produtos. optou-se por entrevistar os alunos da “turma base”. 33. de forma transversal. apontando a interdisciplinaridade.8%. Este pode ter ocorrido por dificuldades na relação ensino-aprendizado causadas pela diferença entre a formação acadêmica dos professores. Porém. Os projetos onde os dois alunos realizaram o curso não refletiram estímulos propostos pelo curso capazes de influenciar nos temas ou nos objetivos dos respectivos projetos finais. mesmo com os resultados de influência do PS21 sendo considerados abaixo da expectativa. seja pela falta de argumentação capaz de convencimento ou pela dificuldade de promover um processo de mudança que exigiria a formulação e apresentação de um novo projeto de pesquisa. Nos projetos cujos autores não participaram do curso PS21. cinco projetos apresentam assuntos ligados ao meio ambiente. deve ser praticada na universidade. com o respectivo vocabulário. Apenas 6. além de possíveis interferências ocorridas. dificultando a percepção da necessidade dos assuntos e conseqüentemente serem contemplados dentro da pesquisa para o desenvolvimento de produtos. o resultado foi similar ao grupo de projetos onde apenas um dos autores participou. não devem ser tratados de forma isolada sem um projeto que contemple objetivos como a inserção de um novo valor. Além do objetivo primeiro do curso PS21. ainda. Quando questionados sobre a relevância dos temas ambientais permearem o curso de design. o curso PS21 com 6. a dificuldade do aluno que fez o curso PS21 em influenciar aquele que não fez.7%.3%.3% entendem que há relevância dos temas ambientais permearem o curso de design e estes devem ser abordados em diversas disciplinas do curso. que era estimular a consciência ambiental através de abordagem de temas complementares e distintos daqueles supostamente referenciados no curso de design. 17. Foram entrevistados 45 dos 49 alunos da turma.7% dos entrevistados entendem que cursos como o PS21 deve ser uma opção para a implementação de temas ambientais no curso de design. ou entre a disciplina de Gestão Ambiental somada a outras “fora” da grade curricular como.8% dos alunos conferem à disciplina de Gestão Ambiental o entendimento e a aplicabilidade desta inclusão. com outros 17. com 13.

Esta visão estreita foi reforçada quando as respostas de 64. desconhecer como inserir este assunto no próprio trabalho. este percentual não se mostrou tão eficiente quando comparado com o número de temas e objetivos propostos nos TFG`s. 4. Mesmo. percebido pela motivação dos alunos e os espaços para a discussão do tema. apenas como uma das etapas projetuais e não como tema principal ou um objetivo a atingir de fato. justificando que não pretendem abordar discussões desta natureza porque entendem que o trabalho em desenvolvimento não tem nenhuma relação com o meio ambiente. Quando perguntado sobre quais os possíveis temas que seriam abordados ao longo do TFG. onde apenas três projetos sofreram algum tipo de influência e cinco não apresentaram quaisquer indícios. Dentre os entrevistados. sendo que 71% apontaram que o curso de design tem oportunizado este tipo de discussão. Isto demonstra uma intenção do aluno em abordar preocupações ambientais. Destes.3% responderam estar interessados e reconhecem a importância e suas relações com outros assuntos estudados no curso de design.4% dos alunos apontaram que há uma etapa para inclusão de premissas ambientais entre outras etapas de caráter projetual dentro da metodologia de desenvolvimento de produtos. Entende-se que mesmo mostrando interesse e reconhecendo a necessidade das relações entre o design e o Meio Ambiente (quando questionado se o aluno irá abordar questões que envolvam o meio ambiente no TFG. que os alunos perceberam as relações ambientais apenas quando o assunto é matéria prima. pôde-se observar que a educação ambiental e suas relações com a formação acadêmica do designer na UP encontravam-se em um momento inicial. processos de produção e reciclagem do produto. 13. evidenciando que o curso não objetivava esta interação tanto no seu projeto pedagógico como na formação dos professores. as respostas têm concentração “apenas” nos itens relacionados a matéria prima. ainda.8% creditaram ao próprio entendimento e 46.3% apontaram o curso PS21 como principal influência para a inclusão de temas ambientais no TFG. 68. 37.7% não admitem a dificuldade de como abordar o assunto meio ambiente.4% disseram que só irão abordar o tema caso o orientador do trabalho ou a instrução normativa do TFG exija.7% ao entendimento da equipe sobre a relevância dos temas ambientais e sua inserção no TFG. categoricamente. Evidencia-se. sem mostrar resultados que comprovem quanto o aluno consegue relacionar o design e o meio ambiente. porém foi possível perceber que os números sugerem um cenário bastante interessante . 6 Considerações finais Este trabalho abordou o ensino superior. esta associado com o não entendimento exato do significado de preocupações ambientais e como este deve ser abordado. ainda. o resultado pretendido junto ao trabalho final de graduação. Porém. Por meio do levantamento de dados até o momento da pesquisa.9% respondem afirmativamente). porque 20% dos alunos entrevistados apontaram. Entre eles 33. 15.A pesquisa apontou que o curso PS21 despertou algum interesse do aluno para discussões sobre a possibilidade dos temas ambientais permearem diversas disciplinas no curso da graduação. Entre eles. também. não se deu. com foco nos cursos de graduação Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 15 . Esta limitação quanto aos possíveis temas ambientais que poderiam ser abordados no desenvolvimento de um TFG no curso de design pode estar relacionada principalmente com o fato de os alunos obedecerem a um currículo que tratou os temas ambientais como etapas projetuais dentro do contexto design . Como também não sabem. a pesquisa indicou que os alunos reconheceram que há assuntos ligados a este tema nas disciplinas do curso. Outros 6. Outro indicativo que reforçou a falta de temas e objetivos nos TFG`s relacionados à educação ambiental na UP. processos de fabricação e reciclagem. Este número reforça os resultados apresentados.6% reforçaram que esta etapa deu-se pelos temas estudados na própria disciplina de Gestão Ambiental do 6° período do curso .

como a sustentabilidade. A proposta de ação. Último acesso em 24 de setembro de 2008. jsp?id=354ec3d6-bbeb-4890-b8e4-8b7fe4b419c8&lang=en .Petrópolis: Editora Vozes. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Modelos e Ferramentas de Gestão Ambiental: Desafios e Perspectivas para as Organizações. PELICIONI. International Journal of Sustainability in Higher Education.. LUZZI. F.PHILIPPI Jr. M. além das relações de convênios entre as empresas e as universidades. 2005. o que só acontecerá principalmente por meio da formação acadêmica dos profissionais. os métodos e material pedagógico. FLETCHER.L. 2005. . PELICIONI. é preciso. A Universidade Formando Especialistas em Educação Ambiental in PHILIPPI. ou seja. acreditando que a revisão das estratégias educacionais pode ser uma das várias ações necessárias para evitar-se o colapso de recursos naturais. a formação e capacitação de professores. imprescindíveis para a manutenção das relações entre o homem e o meio ambiente. 2005. M. o Brasil necessita estar preparado para responder a esta demanda. os conteúdos. K. social. ______ Disponível em: http://www. assumir que todo processo que objetiva a inserção de um novo valor. 2001 KAZAZZIAN. Portanto. permitiu a percepção que há o interesse do acadêmico em temas ligados ao meio ambiente. Além da preocupação principal que é a formação de valores dentro da educação.D. tradução de Claudia Berliner. A. poder. 2001. Porém. JÚNIOR A.. além do que foi proposto por este. DEMAJOROVIC. 16 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Silvana Cobucci Leite. (org). J. e a necessidade da inclusão da educação ambiental.. Petrópolis: Vozes. a pesquisa e a avaliação. PEREIRA. E. Educação Ambiental: Pedagogia. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. Política e Sociedade in PHILIPPI. FREIRE. (org). tradução de Astrid de Carvalho. São Paulo: Editora Senac São Paulo. O que é educação ambiental. Reconhece-se também que são necessários outros projetos que contemplem. Jr.M. Esta inclusão é uma das exigências para a busca de soluções sustentáveis. CASTRO. . P. M. Jr. para estimular o aluno a pensar em outros indicadores além daqueles que o curso de design já lhe proporciona. T. Referências BORDENAVE. A Case Study in Design for Sustainability. complexidade. também.nl/file/program. Entendendo que é inegável à Universidade a função de melhorar a sociedade através do pensamento estratégico para formar cidadãos capazes de provocar mudanças necessárias.studiegids. MANZINI E.C.C. Tradução de Moacir Gadotti e Lillian Lopes Martin. há a necessidade de incluir a educação ambiental nos projetos pedagógicos dos cursos de design.F. D. 2005.F.pdf?program_id=4260. todo o processo educativo de formação ambiental. portanto. M. e seus respectivos resultados dentro de cada curso e da própria instituição. J. M. Tradução de Lúcia Mathilde Endilich Orth.tudelft.. 2002 DELFT UNIVERSITY of TECHNOLOGY. Disponível em: http://www. Saber Ambiental: sustentabilidade. política ou tecnológica. Educação e mudança. A. TEDESCO.tudelft. Barueri: Manole.nl/live/pagina. PELICIONI. 2006.. 2001. DEWBERRY. sejam elas de ordem econômica. é inegável reconhecer que os mercados estão incluindo critérios ambientais nas suas transações comerciais e. as relações que ele (aluno) fez com o meio ambiente foram estreitas. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável. Barueri: Manole. Educação Ambiental e Sustentabilidade. J.C. mesmo executando algumas ações concretas. D.. LEFF. E. Educação e Novas Tecnologias: Esperança ou Incerteza?. os objetivos. dependem de constantes reorganizações de todos os envolvidos. (org). Educação Ambiental e Sustentabilidade. São Paulo: Brasiliense. REIGOTA. 2002. VEZZOLI C. Tradução de Eric Roland René Heneault. São Paulo: Cortez. 2002. limitadas a alguns pontos como a escolha da matéria prima e o seu processo de produção. Último acesso em 02 de julho de 2008. Estratégias de Ensino-Aprendizagem. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: Os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo: Editora Senac São Paulo. racionalidade. 23º ed.de design com habilitação em projeto de produto.V. C.

a type of reference that have also a set of ecodesign methods and tools. ie. Ecodesign.usp. the ecodesign can be defined as an approach that aims to develop ecological products without compromising criteria such as performance. In the universe of companies whose products are commercially successful. é comum a adoção de um processo padrão de desenvolvimento de produtos (DP) o qual guia todos os projetos de desenvolvimento. development time. The main benefits associated with the use of a standard process are related to the structure of DP. ou seja. Pigosso Ecodesign. o que se observa atualmente é que o uso de métodos e ferramentas de ecodesign não figura ainda entre as melhores práticas de DP. processo de desenvolvimento de produtos A menos que os produtos ecológicos (menos prejudiciais aos seres humanos e seu ambiente quando comparados aos produtos tradicionais) obtenham êxito no mercado. However. Uma maneira de suprimir essa lacuna é garantir que métodos e ferramentas de ecodesign integrem o processo padrão de DP das empresas. Dentro do contexto do Processo de Desenvolvimento de Produtos (PDP). por sua vez. methods and tools will be used in the development of all products. estética. One way to eliminate this gap and ensure that ecodesign methods and tools integrates the standard DP businesses process. aesthetics. estabelecendo. reference model. showing a gap in the integration of ecodesign into PDP. O objetivo desse artigo é apresentar os passos empreendidos no desenvolvimento de uma referência dessa natureza. functionality. can be made with the aid of a reference model for the development of green products. The aim of this paper is to present the steps undertaken in the development of such a reference. o que viabiliza sua gestão e aumenta as chances de que os produtos desenvolvidos a partir desse padrão obtenham sucesso no mercado. qualidade e custo.A inserção do design sustentável em um modelo de referência para a gestão do desenvolvimento de produtos Sustainable design insertion into a reference model for product development management Américo Guelere Filho Universidade de São Paulo Brasil Agf@sc. establishing thus a common language for all those involved and ensuring that certain practices. Within the context of the Product Development Process (PDP). there will be no reduction of environmental impacts caused throughout its life cycle. the traditional criteria essential to commercial success of any product. No universo das empresas cujos produtos são bem sucedidos comercialmente. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 17 . which enables the management and increases the chances that the products developed from the standard to obtain success in the market. critérios esses essenciais ao êxito comercial de qualquer produto.br Henrique Rozenfeld Daniela C. Essa integração. safety. 2006 (Unified Model). segurança. assim. A. 2006 (Modelo Unificado). um modelo de referencia que tenham entre seus métodos e ferramentas aqueles relacionados ao ecodesign. métodos e ferramentas serão utilizados no desenvolvimento de todos os produtos. Os principais benefícios associados ao uso de um processo padrão estão relacionados à estruturação do DP. No entanto. quality and cost. This integration. what is observed today is that the use of ecodesign methods and tools not even figure among the best practices of DP. tempo de desenvolvimento. in turn. não haverá diminuição dos impactos ambientais causados ao longo do seu ciclo de vida. a qual está sendo construída a partir da integração de métodos e ferramentas de ecodesign ao modelo de referencia para a gestão do desenvolvimento de produtos proposto por Rozenfeld et al. o ecodesign pode ser definido como uma abordagem que visa desenvolver produtos ecológicos sem comprometer critérios como desempenho. it is common to adopt a standard process for product development (DP) which guide all development projects. modelo de referência. which is being built from the integration of ecodesign methods and tools into the reference model for product development management proposed by Rozenfeld et al. pode ser feita com o auxilio de um modelo de referência para o desenvolvimento de produtos ecológicos. funcionalidade. caracterizando uma lacuna na integração do ecodesign ao PDP. uma linguagem comum a todos os envolvidos e a garantia de que certas práticas. product development process Unless the green products (less harmful to humans and their environment when compared to traditional products) get success in the market.

1995).1 Introdução Devido ao caráter sistêmico do conceito de sustentabilidade (que está apoiado na consideração integrada das questões ambientais. O ecodesign. Esse modelo está sendo construído a partir da integração de práticas de ecodesign ao modelo de referencia para a gestão do desenvolvimento de produtos proposto por Rozenfeld et al. Produtos com melhor desempenho ambiental são também conhecidos como produtos ecológicos ou “verdes” que. WENZEL. uma abordagem de gestão ambiental pró-ativa. custo e estética. o esforço conjunto das áreas da empresa e a sua integração aos diversos processos de negócio (conjunto de atividades destinadas à produção de um produto ou serviço para um tipo específico de cliente (interno ou externo à empresa) se torna necessário. métodos e ferramentas de ecodesign aos processos de negócio das empresas. com o objetivo de minimizar os impactos ambientais dos produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida. uma alternativa para aumentar as chances de êxito comercial dos produtos ecológicos é integrar o ecodesign ao processo de desenvolvimento padrão das empresas. O objetivo desse artigo é apresentar os passos empreendidos no desenvolvimento de um processo padrão (modelo de referência) para o desenvolvimento de produtos ecológicos. O processo de desenvolvimento de produtos é considerado um processo de negócio crítico para aumentar a competitividade das empresas e para reduzir os impactos ambientais associados a produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida. que estão na origem da maior parte da poluição e esgotamento dos recursos naturais causados pela humanidade. 2006 (Modelo Unificado). Este trabalho está sendo desenvolvido no âmbito do doutorado do autor junto ao Grupo de Engenharia Integrada e de Integração (GI2) do Núcleo de Manufatura Avançada (NUMA) e se insere na linha de pesquisa “Gestão de Projetos e Desenvolvimento de Produtos” do Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (SEP/ EESC/USP). O processo de desenvolvimento de produtos e o ecodesign De acordo com a Comissão das Comunidades Européias (2001). 2 Contextualização Esse capítulo apresenta a contextualização do processo de desenvolvimento de produtos e a sua relação com o ecodesign. o desafio envolvido no desenvolvimento de produtos ecológicos passa pela consideração e minimização dos impactos ambientais do ciclo de vida dos produtos ainda durante as fases iniciais de processo de desenvolvimento. 2001). sem comprometer. 18 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . a relação entre produtos e impactos ambientais é estabelecida pelas crescentes taxas de consumo e produção dos produtos. Apesar das inúmeras vantagens competitivas e ambientais associadas ao ecodesign. que é potencializado pelo intenso desenvolvimento de novos métodos e ferramentas em detrimento do estudo e aprimoramento dos existentes. onde estão as maiores oportunidades de melhoria. o que garantiria que a introdução dos aspectos ambientais fosse feita de forma sistemática por meio da aplicação de métodos e ferramentas de ecodesign em todos os projetos de desenvolvimento. são produtos menos prejudiciais aos seres humanos e seu ambiente quando comparados aos produtos tradicionais em uso. além de apresentar o modelo de referência unificado para o processo de desenvolvimento de produtos. e uma vez que tais impactos são. mais especificamente. ALLENBY. sociais e econômicas). outros critérios essenciais do produtos. Nesse contexto. com qualidade. entretanto. em sua grande maioria. Um dos fatores que contribuem para essa situação é a falta de integração das práticas. para bens de consumo duráveis e de capital. Como o desempenho ambiental de um produto é determinado pela soma de todos os impactos ambientais observados ao longo do seu ciclo de vida (NIELSEN. o conceito ainda é pouco aplicado pelas empresas. trata da consideração das questões ambientais nas fases iniciais do processo de desenvolvimento de produtos. segundo NIMSE et al (2007). determinados nas fases iniciais de seu desenvolvimento (GRAEDEL. principalmente por meio da consideração das questões ambientais.

Clark e Fujimoto (1991) definem o processo de desenvolvimento de produtos (PDP) como o processo organizacional responsável pela transformação dedados de mercado e de tecnologia em produtos comerciais. LAGERSTEDT. O conceito do ecodesign trata justamente do desenvolvimento de produtos ecológicos e pode ser visto como uma abordagem de desenvolvimento de produtos cujo maior objetivo é minimizar os impactos ambientais gerados pelos produtos. É fruto de ação conjunta de grupos de pesquisa brasileiros com destacada atuação na área de DP (desenvolvimento de produto) os quais Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 19 . 2006. construindo. entre as melhores práticas de DP. uma linguagem comum e a garantindo que certas práticas. 2006. 1999). 2006. 2006). VEZZOLI. serão aplicados em todos os projetos de desenvolvimento (ROZENFELD et al. (2006) foi construído com o intuito de disseminar conceitos e melhores práticas de desenvolvimento de produtos nas empresas nacionais. incorporando experiências e conhecimentos acumulados pelos autores em suas atividades acadêmicas (pesquisa e ensino) e empresariais. ou modelo unificado. afirma que os fatores de sucesso para a integração do ecodesign ao PDP são. proposto por Rozenfeld et al. empresas que gerenciam bem o seu PDP têm maiores chances de serem bem sucedidas na integração do ecodesign. Johansson (2002). No entanto. LAGERSTEDT. uma empresa define seu processo padrão. SIMON ET AL. uma nova área de conhecimento (GUELERE FILHO. 2006. KARLSSON. MANZINI. apresentado à época como o conceito emblemático do paradigma ganha-ganha. JESWIET. HAUSCHILD. 2. HOCHSCHORNER. Segundo Baumann. No início dos anos 2000 era grande o otimismo existente em torno das vantagens competitivas associadas ao ecodesign (tanto entre acadêmicos como entre representantes do mundo corporativo). 2005.1 O modelo unificado para o processo de desenvolvimento de produtos (pdp) O modelo de referência para a gestão do desenvolvimento de produtos. ROZENFELD. o uso de seus métodos e ferramentas de ecodesign. 2006). Isso conduz a uma visão única desse processo de negócio. As maiores oportunidades de melhorias ambientais de um produto estão nas primeiras fases do seu processo de desenvolvimento. ao fazer uso de um modelo de referência. qualidade e custo (BYGGETH. HOCHSCHORNER. sem comprometer. estética. uma das principais causas da baixa integração do ecodesign com o PDP é a deficiência daqueles envolvidos com o ecodesign em enxergar o PDP como um processo de negócio somado ao intenso desenvolvimento de novos métodos e ferramentas em detrimento ao aperfeiçoamento dos existentes. não figura. No caso do desenvolvimento de produtos. em sua grande maioria. Como conseqüência. LAGERSTEDT. no entanto. tais como desempenho. Na área de processos de negócios (do qual o PDP é um exemplo). os mesmos fatores de sucesso do PDP como um todo. 2002. JOHANSSON. uma lacuna na integração do ecodesign ao PDP. outros critérios essenciais ao seu sucesso comercial. ainda. viabilizando. nivelando os conhecimentos entre os atores que participam de um desenvolvimento específico. o qual guiará todos os seus projetos de desenvolvimentos de produtos. em que os graus de liberdade no estabelecimento das características do produto e o potencial para melhorias ambientais são grandes. LUTTROPP. HAUSCHILD. Boons e Bragd (2002). segurança. assim. O desenvolvimento sustentável pode ser integrado numa completa estratégia de gestão do desenvolvimento do produto como uma abordagem complementar. 2005). funcionalidade. WENZEL. Estimativas apontam que de 60 a 80% do impacto ambiental total de um produto é estabelecido nestas fases (BYGGETH. LUTTROPP. 2006. 2006). principalmente porque leva a uma maior diversidade de produtos e a uma contínua redução do ciclo de vida do produto. tempo de desenvolvimento. NIELSEN. Dessa forma. assim. caracterizando. 2001. 1998. a gestão de todo o processo. métodos e ferramentas. o que se observa atualmente é que a adoção desse conceito encontra-se restrito a grandes e poucas empresas e que os produtos produzidos e consumidos em larga escala não são ainda ofertados em sua versão ecológicos (BOKS. O processo de desenvolvimento de produtos é considerado um processo de negócio crítico para aumentar a competitividade das empresas. JESWIET. modelos de referência têm sido utilizados na sua estruturação. 2005. LUTTROPP.LUTTROPP.

os recursos disponíveis. controle e material dentro da organização. Ao fazer uso de um modelo de referência. Para Vernadat (1996). cooperação e coordenação dentro da empresa tal que seja atingido uma maior produtividade. obtendo. e construindo. um modelo dessa natureza serve para “harmonizar os fluxos de informação. 2006). além de incluir a atividade onde ocorre o detalhamento dos projetos escolhidos no portfólio). uma visão única desse processo de negócio. nivelando os conhecimentos entre os atores que participam de um desenvolvimento específico. que segundo Rozenfeld (2002). capacidade de reação e um melhor gerenciamento de mudança”. até a sua retirada do mercado. Forma uma unidade coesa e deve ser focalizado em um tipo de negócio. A Figura 1 mostra o modelo de referência proposto por Rozenfeld et al (2006) e conhecido como Modelo Unificado. iniciado na declaração de escopo e no planejamento vindo da macro-fase anterior e finalizado com o lançamento do produto no mercado. uma linguagem comum para garantir que certas práticas. uma empresa define um padrão para os projetos de desenvolvimento de seus produtos. assim como o projeto 20 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . associadas às informações manipuladas. Dessa forma. Desenvolvimento (corresponde ao projeto do produto. Preparação da Produção e Lançamento do Produto) e Pós-desenvolvimento (responde pelo acompanhamento do produto após seu lançamento. que representa todos os seus elementos. o PDP como um processo de negócio pode ser representado por meio de um modelo que oriente a estruturação de seus elementos visando sua gestão. Projeto Detalhado. Nesta macro-fase estão inclusas as fases de Projeto Informacional. subdivididas em fases. sendo o processo de desenvolvimento do produto padrão sobre o qual o desenvolvimento de projetos está baseado normalmente representado por um modelo de referência. As macro-fases deste modelo são: Pré-desenvolvimento (garante que as estratégias da empresa sejam seguidas no momento da definição do portfólio de produtos. utilizando os recursos e a organização da empresa. os resultados esperados. Figura 1. A função básica dos modelos para gestão do PDP é uniformizar os conceitos para que todos consigam ver de forma semelhante o produto sendo desenvolvido. que normalmente está direcionado a um determinado mercado/ cliente. com fornecedores bem definidos. serão aplicados em todos os projetos de desenvolvimento (ROZENFELD et al. sendo usualmente representado em visões parciais. avaliando todo o seu ciclo de vida e coletando informações para referência nos próximos desenvolvimentos). é um fenômeno que ocorre dentro das empresas e que contém um conjunto de atividades. A visão do PDP que fundamenta o Modelo Unificado é a de um processo de negócio (Business Process BP). Um modelo de referência descreve as atividades. para aprimorar a comunicação. 2006) Este modelo organiza o PDP em macro-fases. Projeto Conceitual. assim. métodos e ferramentas. flexibilidade. Modelo unificado (ROZENFELD et al. as ferramentas de suporte e as informações necessárias ou geradas no processo e consiste de uma coleção das melhores práticas no desenvolvimento de produtos. Todo processo de negócio pode ser representado por meio de um modelo. os responsáveis.somaram esforços no âmbito de um Programa Nacional de Cooperação Acadêmica (PROCAD) financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). As macro-fases de pré e pós-desenvolvimento são gerais. atividades e tarefas.

.Natureza do objetivo principal do método/ferramenta . de acordo com um protocolo desenvolvido previamente (BRERETON et Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 21 . de acordo com critérios estabelecidos. Os critérios de classificação foram o objetivo principal do método ou ferramenta e a natureza dos dados demandados para seu uso (dados de entrada) bem como a natureza dos dados gerados pelo seu uso (dados de saída). quantitativos ou ambos. Energy.Prescritivo (métodos/ferramentas que apresentam sugestões genéricas (oriundas de um conjunto pré-estabelecido de melhores práticas de redução de impactos ambientais) para a melhoria do desempenho ambiental de produtos considerando impactos ambientais recorrentes a produtos industriais). . A revisão sistemática é uma metodologia de pesquisa específica.Natureza dos dados de entrada e saída: os dados de entrada necessários para um determinado método/ferramenta e aqueles gerados por eles podem ser qualitativos. 4.2 Classificação e sistematização dos métodos e ferramentas de ecodesign No segundo passo. conceitos ou alternativas de projetos para um mesmo produto).Qualitativos e quantitativos.1 Levantamento dos métodos e ferramentas de ecodesign A metodologia da Revisão Bibliográfica Sistemática foi utilizada para o levantamento dos métodos e ferramentas do ecodesign a serem integrados ao modelo de referência para o processo de desenvolvimento de produtos.Quantitativos. Esse procedimento levantou 105 métodos e ferramentas de ecodesign. .Analíticos (métodos/ferramentas que visam identificar po- 4 Integração do ecodesign ao modelo unificado Uma vez que o modelo de referência para o desenvolvimento de produtos ecológicos de que trata esse trabalho encontra-se em desenvolvimento. para levantamento e avaliação de evidências pertencentes a um determinado foco de pesquisa. desenvolvida formalmente. Este instrumento é construído ao redor de uma questão central. os métodos e ferramentas levantados foram cadastrados e classificados. .Qualitativos. . tai como a Design for Environment Matrix (DfE Matrix) e a matriz MECO (Materials. como as 10 Regras de Ouro do Ecodesign e aqueles conhecidos como métodos simplificados de avaliação de ciclo de vida (Simplified LCA methods). . dentre os quais alguns bem conhecidos. O processo de condução da pesquisa em uma revisão sistemática segue uma seqüência bem definida de passos metodológicos. a preparação da produção e o lançamento do produto dentro da macro-fase de desenvolvimento. 3 Metodologia O método hipotético dedutivo está sendo utilizado como abordagem metodológica para o desenvolvimento da pesquisa. . que compreende ainda o uso da metodologia de revisão bibliográfica sistemática e a elaboração de estudos de caso para a validação da integração proposta. A hipótese defendida é que a obtenção das vantagens competitivas e ambientais do ecodesign pode ser obtida por meio da integração das questões ambientais de forma sistemática do processo de negócio de desenvolvimento de produtos das empresas. e é expressa por meio da utilização de conceitos e termos específicos. 2007). que representa a razão da investigação. Chemicals and Others). serão aqui apresentados os passos empreendidos na sua construção e o exemplo da integração na fase de Projeto Conceitual do Modelo de Referência Unificado. 4.informacional. al.Comparativos (métodos/ferramentas que visam comparar o desempenho ambiental de diferentes produtos. As fases de desenvolvimento conceitual e detalhado consideram as particularidades dos produtos e os seus correspondentes processos de manufatura.

A atividade seguinte (Analisar SSC) pode ser vista como sendo um refinamento da definição da arquitetura do produto. são realizados desdobramentos sucessivos (decomposição) dos sistemas em subsistemas e em componentes por meio de um processo top down (do produto final para os componentes) definido assim a modelagem funcional do produto.3 Integração dos métodos e ferramentas de ecodesign ao modelo de referência A integração propriamente dita se deu no terceiro passo e foi feita relacionando o objetivo e natureza dos dados dos métodos e ferramentas de ecodesign com os objetivos e natureza dos dados (entradas e saídas) das fases previstas no Modelo Unificado.. ou biológico. ou seja. Figura 2: Informações principais e dependências entre as atividades da fase de Projeto Conceitual (ROZENFELD et al. as atividades da equipe de projeto relacionamse com a busca. Em seguida. criação. embora tenham sido propostas também novas atividades am alguns casos. 4. 1995). onde as alternativas de soluções são desdobradas em Sistemas.tenciais de melhorias no desempenho ambiental de produtos por meio da determinação de seus impactos ambientais). Nesse processo. No caso do modelo proposto. de tal sorte a garantir que aqueles resultados refletissem de fato a busca pela redução dos impactos ambientais do produto em desenvolvimento. observados em seu ciclo de vida. que deve ser um resumo do que se deve esperar do produto funcionalmente. 2006) A partir da análise das especificações-meta do produto advindas da fase de Projeto Informacional. como questões de fun- 4. inicia-se o desenvolvimento de princípios de solução. representação e seleção de soluções para o problema de projeto. especial atenção foi dada ao alinhamento dos resultados das fases do modelo unificado com os dados de saída dos métodos e ferramentas. A Figura 2 mostra as atividades previstas no Modelo Unificado para a fase do Projeto Conceitual.. a integração do ecodesign implicou fundamentalmente na alteração de atividades pré-existentes no Modelo Unificado. Os princípios de solução totais definem as diferentes partes que compõem o produto.) desejado é definido e em seguida define-se o portador desse efeito definindo assim o princípio de solução (solução individual). definem a sua arquitetura. ALLENBY.4 Exemplo de integração no Projeto Conceitual Na fase do Projeto Conceitual. onde são identificados e analisados fatores críticos do produto. a qual será utilizada nesse artigo para ilustrar como foi feita a integração de ecodesign ao Modelo Unificado. Como as maiores oportunidades para melhoria do desempenho ambiental de um produto estão na fase de geração de conceito (GRAEDEL. especial atenção foi dada a essa fase. As combinações dos princípios de soluções individuais formam os princípios de solução totais para o produto. 22 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . elabora-se a descrição total ou global desse produto (modelo funcional global). Subsistemas e Componentes (SSC). Isso feito. onde inicialmente o efeito físico (ou químico. sendo a matriz morfológica uma importante ferramenta utilizada nessa atividade.

A definição do método ou ferramenta de ecodesign a ser utilizado depende fundamentalmente da quantidade e qualidade das informações referentes ao produto em desenvolvimento. a chance de produtos que causem menos impacto ambiental cheguem ao mercado e sejam de fato consumidos pela população. Dessa forma. para o caso do desenvolvimento de novos produtos. qualidade. montagem. fabricação. No entanto. os quais poderiam estabelecer um processo de trade off entre o que é funcionalmente necessário ao produto com o que é ambientalmente desejado. pode utilizar métodos de ecodesign conhecidos como métodos simplificados de avaliação de ciclo de vida (simplified LCA methods). dessa forma. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 23 . uso. marcando a ultima atividade específica dessa fase. por exemplo. Um modelo genérico para o desenvolvimento de produtos ecológicos pode servir de referência no estabelecimento de modelos específicos em empresas aumentando. custos.cionamento. não permitindo. é preciso que o ecodesign faça parte das melhores práticas de desenvolvimento de produto constando do processo padrão das empresas. Quanto à escolha dos diferentes princípios de soluções. ainda. métodos qualitativos como as 10 Regras de Ouro do Ecodesign. Chemicals and Others). bem como das diferentes concepções para o produto. aspectos ambientais devem ser levados em consideração tanto na escolha das alternativas de solução quanto na seleção da concepção do produto. Por exemplo. descarte e outros. durante essa fase as informações sobre o produto são ainda escassas. podem ser utilizadas para guiar as atividades da equipe de desenvolvimento de alternativas de solução para o projeto do produto. como a Design for Environment Matrix (DfE Matrix) e a matriz conhecida como MECO (Materials. as atividades “Desenvolver as alternativas de soluções”. Para que os produtos ecológicos se tornem uma opção de consumo. Na atividade seguinte. define-se a ergonomia e estética do produto e então o processo de seleção da concepção do produto se inicia. pela criação de novas tarefas e atividades que considerem especificamente as questões ambientais durante o processo de desenvolvimento de produtos. Energy. desempenho. para garantir que o produto em desenvolvimento seja ecológico. Assim. o uso de ferramentas quantitativas (como a Avaliação do Ciclo de Vida ACV). 5 Conclusões Modelos de referência têm sido utilizados para gerenciar o PDP aumentando a probabilidade de êxito comercial dos produtos. por exemplo. A integração dos métodos e ferramentas de ecodesign ao processo de desenvolvimento de produtos pode se dar pela alteração de atividades e tarefas existentes ou. “Analisar SSCs” e “Selecionar concepções alternativas” devem considerar o uso de métodos e ferramentas de ecodesign.

C. 51(1). 1346-1356. C.. Silva.. P.H. São Paulo. S. Guelere Filho. In: Environmental Progress (Vol. Brereton. E. 2006. Gestão Do Desenvolvimento De Produtos: Uma Referência Para A Melhoria Do Processo.. L. Bruxelas. K.. Rozenfeld. In: Journal Of Cleaner Production 10 409 425. Bragd. 2002. 2006. Budgen. Alliprandini. Graedel E. Luttropp.. Integration Of Environmental Aspects In Product Development: A Stepwise Procedure Based On Quantitative Life Cycle Assessment.. Byggeth.. Mapping The Green Product Development Field: Engineering. Simon. 26. S. Ecodesign: What’s Happening? Journal Of Cleaner Production. Edusp. 2). Poole. 2001. Lagerstedt. D. P. The Soft Side Of Ecodesign. Boks C. J. A. Forcellini. F. Organization And Management In The World Auto Industry. Khalil. Sweatman. A. 2007. J. Iv Global Conference On Sustainable Manufacturing. T. M.. Harvard Business School Press. Hauschild. London: Chapman & Hall. Nielsen. H. 1998. W. Vezzoli. H. In: Journal Of Cleaner Production 14 1420-1430 Clark. M. C. A. Ecodesign And Future Environmental Impacts. A Review Of Green Product Databases. Amaral. 1995. 2002. S. In: Journal Of Cleaner Production 1-13. Karlsson R. O Desenvolvimento De Produtos Sustentáveis. Industrial Ecology. Success Factor For Integration Of Ecodesign In Product Development: A Review Of State Of The Art. H. In: Journal Of Cleaner Production 10 247-257. 2005. Pp 98-107. 1291-1298. F. A. . Toledo. 14. Mcaloone. M. C. Scalice. Evans. 2006.. São Paulo. Allenby R. Jeswiet. Rozenfeld.. Vernadat..B.. Boons. Fujimoto. Luttropp C. 2001. A. Hochschorner.. Policy And Business Perspectives. S. Saraiva.. T. Handling Trade-Offs In Ecodesign Tools For Sustainable Product Development And Procurement. 2007. H. B. A. Lessons From Applying The Systematic Literature Review Process Within The Software Engineering Domain. Integrating Decisions Into The Product Development Process: Part 1 The Early Stages. C.. Journal Of Cleaner Production. Turner. P. In: Environmental Management And Health. Kumar. Rozenfeld H.. C.A. Prentice Hall. Integrating Ecodesign Methods And Tools Into A Reference Model For Product Development.Referências Baumann.. Comissão Das Comunidades Européias. T. Product Development Performance: Strategy. R. Livro Verde Sobre La Política Integrada Relativa Aos Produtos. Manzini. M. F. An Architecture For Management Of Explicit Knowledge Applied To Product Development Processes. 2005. A. Nimse. E. Ecodesign And The Ten Golden Rules: Generic Advice For Merging Environmental Aspects Into Product Development. Bhamra. No.. D. Vol 13. Enterprise Modeling And Integration: Principles And Applications. In: The Journal Of Systems And Software.. Nº 1. Cirp Spain... 2002. In: Materials And Design 26 629-634. Vijayan. New Jersey. Kitchenham.. Varadaraja. 2006.. Kb. 413-416. H. Johansson. G. 1996. D. Eversheim.. Wenzel. 2006.

A Educação através do Design como estratégia para um futuro sustentável
Education by Design as a strategy for a sustainable future Dr. Antônio Martiniano Fontoura
UFPR, PUCPR, UTFPR, Brasil
amfont@matrix.com.br

Educação através do Design, Educação para o Desenvolvimento Sustentável, Educação para a Sustentabilidade A EdaDe é uma abreviatura da expressão Educação através do Design. Teve sua origem num trabalho de pesquisa cuja proposta era investigar o potencial pedagógico das atividades de design (FONTOURA, 2002). O estudo inicialmente voltou-se para a educação de crianças e jovens, mas sua abrangência pode ser estendida à todos os níveis de ensino. O presente trabalho tem como objetivos identificar e expor algumas relações da EdaDe com o que se tem chamado de EDS Educação para o Desenvolvimento Sustentável ou EpS Educação para a Sustentabilidade e posicionar a EdaDe como um recurso para a promoção de um futuro mais sustentável. Education by Design, Education for Sustainable Development , Education for Sustainability EdaDe is an abbreviation of the Portuguese expression Educação através do Design [Education by Design]. Its origins is in a research work that investigated the pedagogical potential of design activities (FONTOURA, 2002). The study aimed children’s and youngster’s education but it can be extended to all teaching levels. The main objectives of this paper are: to identify and show the relationships between EdaDe and what has been called ESD - Education for Sustainable Development or EfS Education for Sustainability and to position the EdaDe proposal as a resource to promote a more sustainable future.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

25

1 Introdução
Aspectos culturais, sociais e econômicos determinam o modus de projetar, produzir, distribuir e consumir os bens e serviços no ambiente artificial construído pelo ser humano. É evidente e endógeno ao ciclo projetar, produzir, distribuir, consumir, como atividade humana, a geração de impactos ambientais consumo de energia + consumo de matéria prima = geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e gases em cada uma das suas principais etapas. Os modelos econômicos adotados nas últimas décadas promoveram uma aceleração no giro do ciclo em prol do que se denominou “desenvolvimento”. A aceleração trouxe consigo um agravamento dos problemas ambientais e paradoxalmente, o desenvolvimento econômico e social de alguns promoveu uma degradação econômica e social de outros, além do agravamento dos problemas ambientais de todo o planeta. O agravamento desses problemas e as evidências de que eles são decorrentes do modo de vida adotado pela humanidade fez emergir, em escala mundial, o discurso da sustentabilidade. Organizações governamentais e civis, nacionais e internacionais, passaram a valorizar em suas discussões temas ligados ao meio ambiente, ao desenvolvimento sustentável e ao desenvolvimento social. Os resultados desses debates influenciaram diversas áreas, entre elas, notadamente, a educação. Nessa perspectiva surge a proposta de EDS - Educação para o Desenvolvimento Sustentável ou EpS - Educação para a Sustentabilidade, que ganha cada vez mais espaço no panorama político educacional global. O tema está presente em publicações, acordos legais, compromissos e propostas resultantes de Encontros, Conferências e Congressos locais, regionais e mundiais. Observa-se que por algum motivo não muito bem explicado, mas muito discutido, a atenção que antes era dada á EA - Educação Ambiental voltou-se ao DS - Desenvolvimento Sustentável ou Educação para a Sustentabilidade (SAUVÉ, 1997). Para alguns educadores a Educação Ambiental vem antes e o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade deveriam ser temas de estudo desta disciplina, entre outros como a Justiça Ambiental, a Carta da Terra, a Agenda 21. O valor da educação foi reconhecido como meio de se promover o suposto desenvolvimento sustentável com o lançamento da DEDS 2005-2014 - Década

da Educação para o Desenvolvimento Sustentável promovida pela ONU - Organização das Nações Unidas e liderada pela UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. Porém, foram atribuídas diversas conotações aos termos desenvolvimento e sustentabilidade, o que torna difícil a compreensão das verdadeiras intenções e ideologias atreladas às propostas educacionais. A escola como instituição social encarregada pela formação intelectual das novas gerações, deve ser crítica quanto aos seus próprios propósitos e finalidades diante das novas realidades sociais e econômicas.

2 Tentando esclarecer melhor os termos
Desenvolvimento
O termo desenvolvimento per se, já é carregado de um caráter ideológico, não é neutro (GADOTTI, 2002). O termo refere-se ao nível de industrialização, padrão de consumo e capacidade de acumulação de bens materiais de uma determinada sociedade que a partir destes, se diz desenvolvida, em vias de desenvolvimento ou é, por outras, considerada subdesenvolvida. O padrão de desenvolvimento e bem estar social contemporâneo é baseado no consumo material e isto é um problema quando se constata que o crescimento populacional aumenta e os recursos físicos do planeta se tornaram cada vez mais limitados (MANZINI e JEGOU, 2003). Essa situação pressiona a humanidade a se reorganizar em direção a um futuro sustentável, buscando soluções para se adequar a uma realidade de recursos limitados. O que muitas vezes se questiona é o modelo econômico adotado. O economista Thomas R. Malthus (1766-1834) no final do século XVIII, já indicava a escassez de recursos como fator limitante do crescimento, perante a evidência de problemas como o desemprego, a pobreza e doenças, associados à revolução industrial. Em 1972, seguindo indiretamente os passos de Malthus, o Clube de Roma publica, por meio de uma equipe do MIT - Massachusetts Institute of Technology, um relatório denominado “Os Limites do Crescimento” [The Limits of Growth] (MEADOWS, 1972). O documento concluía que se fossem mantidas as tendên-

26

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

cias atuais de crescimento da população, industrialização, poluição, produção de alimentos e utilização de recursos, atingir-se-iam os limites de crescimentos dentro dos cem anos seguintes. Sendo assim, quanto antes se investisse na mudança destas tendências, maiores seriam as probabilidades de criar condições de estabilidade ecológica e econômica, numa perspectiva de longo prazo. O relatório promoveu muitas repercussões na época de sua publicação, mas poucas mudanças significativas no modelo econômico e industrial produtivo vigente. Talvez um dos maiores equívocos associados a sustentabilidade é pensar que seja possível manter o ritmo de crescimento (e desenvolvimento), como se não fosse haver um limite. O Clube de Roma deixou isto bem claro e evidente. Por vezes se questiona o processo de globalização da economia. Assim, para o economista Enrique Leff: “a degradação ambiental emerge do crescimento e da globalização da economia. Esta escassez generalizada se manifesta não só na degradação das bases da sustentabilidade ecológica do processo econômico, mas como uma crise de civilização que questiona a racionalidade do sistema social, os valores, os modos de produção e os conhecimentos que o sustentam.” (LEFF, 2002, p. 56) Numa visão crítica e alternativa, Max-Neef (in: REVISTA BRASIL SUSTENTÁVEL, 2007) distingue crescimento e desenvolvimento. Para ele uma economia pode parar de crescer e continuar se desenvolvendo. Em todas as sociedades, há um período em que o crescimento econômico leva a uma melhoria da qualidade de vida bem estar social, mas só até certo ponto. A partir daí, se houver mais crescimento, a qualidade de vida tende a se deteriorar. E é, segundo ele, o que se tem observado com as economias atuais. Tornaram-se insustentáveis, degradantes e desumanas. Faz-se necessário uma nova maneira de pensar as relações econômicas, sociais e ambientais. Assim, propõe um novo tipo de economia, baseada em cinco alicerces: 1- A economia está para servir as pessoas e não as pessoas estão para servir a economia;

2- O desenvolvimento se refere às pessoas e não aos objetos; 3- Crescimento não é a mesma coisa que desenvolvimento, e o desenvolvimento não precisa necessariamente do crescimento; 4- A economia não deve desvalorizar o ecossistema; 5- A economia é um subsistema de um sistema maior e finito que é a biosfera, logo o crescimento permanente é impossível.

Sustentabilidade
O termo sustentabilidade refere-se à qualidade do que se pode manter em equilíbrio por longo período. Do ponto de vista ambiental, pode ser definida como: “[...] condições sistêmicas segundo as quais em nível regional e planetário, as atividades humanas não devem interferir nos ciclos naturais me que se baseia tudo o que a resiliência do planeta permite e, ao mesmo tempo, não devem empobrecer seu capital natural, que será transmitido às gerações futuras.” (MANZINI e VEZZOLI, 2002, p.27) Para Fritjof Capra: “o que é sustentado numa comunidade sustentável não é o crescimento econômico, o desenvolvimento, a quota de mercado ou a vantagem competitiva, mas a totalidade da rede da vida da qual a nossa sobrevivência a longo prazo depende. Em outras palavras, uma comunidade sustentável é concebida de uma forma onde o comércio, a economia, as estruturas físicas e as tecnologias não interferem com a capacidade inata da natureza para sustentar as formas de vida.” (CAPRA, 1999, p.1) O termo sustentabilidade parece ter sido concebido para alertar o ser humano, independente de suas crenças, do perigo que ele mesmo representa para o planeta. Em função do comprometimento da biodiversidade, quase todas as atenções da sustentabilidade têm se voltado para o meio ambiente porém, ela possui infindáveis vertentes e estas a transformaram num tema complexo. Torna-se quase impossível limitá-la á um único conceito pois este serviria muito mais para acomodar interesses do que para compreendê-la.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

27

1887. questiona a educação “para” a sustentabilidade a partir da sua instrumentalidade. permeado por valores. como também ficou conhecido. Analisou como podem ser estabelecidas as relações e interações entre a EA Educação Ambiental e o desenvolvimento sustentável. interesses e forças antagônicas (LIMA.” […that meets the needs of the present without compromising the ability of future generations to meet their own needs] (WCED.United Nations Environment Programme [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente] e com o WWF . A expressão aparece oficialmente num documento de 1980. de que os conceitos de desenvolvimento e de sustentabilidade não serem imparciais e estarem sujeitos a várias interpretações (LIMA.Worldwide Fund for Nature.World Commission on Environment and Development [Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento]. sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. Sauvé demonstra que as diferentes concepções de desenvolvimento sustentável correspondem a diferentes pers- 28 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Mas foi em 1987. 2002). O relatório apresenta uma visão complexa das causas dos problemas sócio-econômicos e ecológicos da sociedade e as inter-relações entre a economia. além de tentar responder de alguma maneira os questionamentos sobre os limites do crescimento iniciados na década de 70. apud CAPRA. p. Para ele a educação pressupõe autonomia e pensamento crítico. Ela não deve orientar os estudantes a uma finalidade pré-determinada. 24). GADOTTI. 2003). Percebe-se que o tema é complexo. 1996. empenhada em sanar um conjunto de contradições expostas e não respondidas pelos modelos de desenvolvimento adotados até então. a direção para a qual a educação deve seguir ainda é tema de grande divergência entre os pesquisadores. p. Mas as críticas continuam. Lucie Sauvé (1997) também tem contribuído para o debate. As críticas decorrem do fato já mencionado mais acima. denominado “Our Common Future” [Nosso Futuro Comum] ou “Relatório Brutland”. inspiradas mais por interesses econômicos do que por questões sociais ou ecológicas. fazia-se necessário achar um mecanismo para gerenciar a reprodução econômica do capital. Para a Comissão o desenvolvimento sustentável é aquele que: “satisfaz as necessidades presentes. com a publicação do relatório da WCED . freqüentemente.Desenvolvimento sustentável A associação dos termos desenvolvimento e sustentabilidade deu origem à expressão desenvolvimento sustentável. 1981. não pode ser dirigida para um fim específico e assim. Para Bob Jickling (1994) a educação enquanto prática de liberdade. 2003) . mas o debate sobre o que significa desenvolvimento sustentável e como atingi-lo ainda persiste. pois as relações entre ela e a sustentabilidade reúne diferentes pontos de vista. Por vezes o discurso do desenvolvimento sustentável e da sustentabilidade é entendido como uma operação político-normativa e diplomática. geram algumas discussões conceituais. Diante dos efeitos da degradação ambiental e da necessidade de dar continuidade ao sistema produtor de mercadorias. publicado pela IUCN . Pode-se dizer o mesmo em relação à educação voltada ao desenvolvimento sustentável. denominado “World Conservation Strategy”. (LIMA. que a expressão desenvolvimento sustentável popularizou-se. tecnologia. A educação com finalidade pré-determinada sugere mais um treinamento para a aquisição de habilidades do que um aprendizado comprometido com o entendimento e a compreensão. econômicas e ambientais (ecológicas) que se apresentam e assim. do Worldwatch Institute: “Uma sociedade sustentável é a que satisfaz as necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras” (BROWN. São várias as acepções dadas ao conceito de desenvolvimento sustentável e. As denominações Educação para o Desenvolvimento Sustentável ou Educação para a Sustentabilidade.International Union for Conservation of Nature em parceria com o UNEP . Jickling publicou suas idéias a mais de uma década. 2003. 3 Na educação Freqüentemente afirma-se que os sistemas educacionais atuais não conseguem dar conta dos desafios apresentados pelas rápidas transformações sociais.43). Uma educação “para” sugere uma forma de pensar à qual se deve apenas obedecer. Uma possível definição foi dada por Lester Brown. sociedade e política.

desenvolvimento sustentável e sustentabilidade. São necessárias concepções educacionais criativas e dinâmicas. de manterem contato com a cultura material. os aprendizes realizam pequenas construções. materiais. o cérebro com as mãos. econômicas e ambientais). 3. Para ela. A EdaDe emprega basicamente três tipos de atividades de design (FONTOURA. exploram sistemas construtivos. implicam no desenvolvimento da capacidade ativa de buscar e acessar informações. A EdaDe entende o design como uma forma de pensar ou de conduzir o pensamento e como tal e pode ser ensinado. no construtivismo e na interdisciplinaridade. etc. Portanto ter claro o que se entende por desenvolvimento sustentável e sustentabilidade parece ser de extrema importância. todas as pessoas fazem uso das suas habilidades de fazer e Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 29 . conceber. aprendem a utilizar ferramentas e equipamentos. baseados na transmissão de conhecimentos. sob um ponto de vista bastante crítico. aplicando princípios metodológicos e criativos para a solução de problemas. fica evidente que as abordagens educativas trazem implícitas determinadas concepções de desenvolvimento sustentável e que a maneira como se entende o desenvolvimento sustentável também interfere na adoção de abordagens educativas específicas. são as AIAs. 2002). 4 E a EdaDe? A EdaDe como proposta pedagógica tem seus fundamentos no ensino ativo. Pode afirmar. A EdaDe faz uso de atividades de design como meio para a promoção das aprendizagens e estas visam interar o pensamento com a ação.Habilidade de imaginar um mundo diferente. e da capacidade criativa de imaginar. De certa maneira. A Edade abre espaço para a reflexão sobre as questões ambientais e sobre a sustentabilidade ao colocar em prática as atividades de design. na competição e no individualismo. Para Gustavo Lima (2003). 2. as que mais permitem a reflexão sobre as questões ambientais. não atendem estes requisitos. tecnologias. etc. de fazer e construir coisas. adaptar e inventar coisas e maneiras novas de realizá-las. usar o design no dia-a-dia. Dentre os três tipos básicos de atividades apresentados. com o universo simbólico e com a realidade objetiva de sua sociedade. produzir. os aprendizes desenvolvem estudos e investigações sobre temas relacionados ao design. são elas: 1. Deve promover o entendimento e a discussão sobre as crises. da capacidade reflexiva de pensar sobre o que será ou sobre o que foi feito ou construído. e 3. o fazer com o pensar. de maneira bastante objetiva que uma educação voltada à sustentabilidade demanda o fomento do espírito colaborativo. da autonomia e da criatividade. o corpo com a mente.pectivas educacionais. distribuir e consumir os bens e serviços (questões sociais.ADCs .Habilidade de externar as idéias e partilhar com os demais. o julgamento de valores e o posicionamento ético. o desenvolvimento da capacidade crítica. a teoria com a prática e o abstrato com o concreto.TPDs . físicas e sociais no design: 1. Nelas podem ser desenvolvidos pequenos trabalhos sobre: .Habilidade de usar ferramentas e recursos para transformar as idéias em realidades.AIAs .Atividades de Design e Construção nestas os aprendizes realizam pequenos projetos de design.Atividades de investigação e Análise como o próprio nome diz.Tarefas Práticas de Design por meio delas.a maneira de projetar. Os modelos tradicionais. no desenvolvimento de competências e na participação de todos. os problemas atuais da educação decorrem da inadequação entre o paradigma dominante (cartesiano-mecanicista) na sociedade e ciências ocidentais e que tais problemas demandam uma nova abordagem mais holística e integradora. aprendido e praticado no dia-a-dia por qualquer pessoa. 2. Estudar sobre o design e suas manifestações é criar a oportunidade às crianças e jovens. centradas na conscientização. As atividades de design na escola. na capacidade de avaliação. Para Ken Baynes (1996) os seres humanos usam certas habilidades mentais. processos de fabricação. na mudança de comportamento.

o consumo e descarte de produtos (estratégias de desperdício e obsolescência programada). Deve-se salientar que a adequação de linguagem e vocabulário. experimentam coisas. . em outras palavras.o consumo energético no uso dos produtos. Deve-se lembrar que as TPDs referem-se a atividades nas quais as crianças e jovens “colocam as mãos na massa”. articulações. definir o problema de design a ser resolvido. etc. estabelecer critérios e requisitos que levem em consideração questões relacionadas à sustentabilidade. costumam ser muito ricas em termos de experiências e reflexões. indução e incentivos ao consumo.o consumo energético na produção dos produtos. . a abrangência e o aprofundamento nos estudos. 1999) a construção de novos conhecimentos e compreensões. .como desenvolver sistemas mais eficientes.o uso de materiais recicláveis e reciclados na produção de novos produtos. Assim. enriquece as experiências dos estudantes e os prepara para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo. numa ADC voltada à Educação para a Sustentabilidade. As AIAs são utilizadas nas fases de problematização. Em termos estratégicos. responsável e consciente 30 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .como unir dois ou mais materiais com o menor uso de energia (uso de encaixes. investigações e análises sobre os temas dependerão naturalmente da faixa etária com que se trabalha porém. . as atividades de design. etc.).o consumo sustentável. de externar as idéias e partilhar com os demais. construí-la e finalmente comunicá-la.como obter estruturas mais rígidas. tentam dar forma aos pensamentos. Assim. o educando usa. desenvolve e fomenta uma série de habilidades essenciais. presentes e futuras das freqüentes mudanças no universo da arte. como já tem sido demonstrado em outros contextos educacionais vide caso do D&T . promovem o julgamento de valores e a exploração do pensamento criativo. Através delas. e de usar ferramentas e recursos para transformar as idéias em realidades. . .como reusar. etc).Design and Technology curricular britânico (DfEE/QCA. e integra conhecimentos de diversas áreas do currículo escolar. leves e estáveis com o menor uso de materiais (empilhamento. da tecnologia e da ciência e interferir de forma ativa. .). sobras de confecções. etc.o ciclo de vida de um produto (do berço ao berço). entre elas: .os processos de fabricação de produtos e seus impactos ambientais (produção de resíduos). o consumo conspícuo). constroem e montam pequenos sistemas ou produtos. quando bem empregadas e conduzidas na educação das crianças e jovens. escolher uma alternativa com base nos parâmetros definidos. . as atividades devem sempre visar a promoção do pensamento crítico no aprendiz. . desenvolvimento e comunicação da solução. são mais abrangentes e envolvem AIAs. As ADCs exigem uma visão mais holística do processo de design.. Durante a execução das TPDs também é possível promover algumas reflexões interessantes. treliças. desenvolvem habilidades mentais e físicas. o aprendiz pode identificar uma necessidade contextualizada contexto social. análise e definição do problema a ser resolvido e as TPDs nas fases de solução do problema propriamente dito geração de alternativas.o uso de matérias primas e seus impactos ambientais (degradação e renovação). geodésicas. 5 Enfim.as conseqüências do hiper-consumismo (limites da produção e do consumo). justaposição. proporcionam o ensino e o aprendizado ativos. desenvolvê-la.. entender as influências passadas. E é durante estas construções e experimentos que as reflexões são promovidas.. permitem. uniões. A prática da EdaDe. econômico e ambiental . . . desenvolver alternativas de solução “sustentáveis”.como realizar construções que permitam a separação de materiais para uma futura reciclagem ou reutilização dos mesmos. . TPDs e a solução criativa de problemas nas suas aplicações. As ADCs promovem as habilidades de imaginar. . etc. reciclar e reutilizar materiais e produtos (uso de lixo que não é lixo.as necessidades e desejos dos consumidores (persuasão nos meios de comunicação.

7): “em um mundo de mudanças rápidas. DfEE/QCA. 06. K. jul-dez. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. Pedagogia da terra. 2002. São Paulo: Peirópolis.net/wced-ocf. Meadows. F. Pode ainda contribuir de forma ativa com a educação ambiental. Lima. Why I don’t want my children to be educated for sustainable development. F. 2003. F. pela colaboração e pelo acesso às fontes de informações da sua pesquisa sobre a EdaDe e o consumo sustentável. Ambiente & Sociedade. vol. C. Capra. B. vol. 2007. devemos habilitar os estudantes a debater. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 31 . WCED.org/publications/pdf/challenge. São Paulo: Edusp. 2. São Paulo: Cultrix. Limites do crescimento: um relatório para o projeto do Clube de Roma sobre o dilema da humanidade. Como bem lembra Jickling (1994. Sustainable everyday: scenarios of urban life. Milão: Edizione Ambiente. p. Florianópolis. Petrópolis: Vozes. C. 1999. et al. racionalidade. Report of the World Commission on Environment and Development: Our Common Future. e Jegou. 6. D. E. 1972. 1996. Jickling. 2002. <http://www. 23. Liziane Regina Gomes. mai-jun. Referências Baynes. 5-8. p. Agradecimento Gostaria de agradecer minha orientanda no Programa de Pós-Graduação em Design da UFPR. G. n. 1996. Manzini. 1999. F. n. São Paulo: Perspectiva. H. Campinas. NEPAM/UNICAMP. UN. Mato Grosso: UFMT. Londres: The Stationary Office. poder. 1996. Fontoura. v. M. Revista de Educação Pública. p. 2003. 1997. jul-dez. L. M. How children choose: children’s encounters with design. A. 1987. O discurso da sustentabilidade e suas implicações para a educação. Berkeley: Center for Ecoliteracy. The Journal of Environmental Education. 334f.ecoliteracy. 2002. Leff. São Paulo: CEBDS.complexidade. Revista Brasil Sustentável.pdf> 02/04/2009. 1994. 2002. E. Ecoliteracy: the challenge for education in the next century. 72-103. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos.un-documents. avaliar e julgar por eles mesmos os relativos méritos de contestar posições”. n. Loughborough: DD&T / Loughborough University.neste contexto de mudanças. Design and technology: the national curriculum for England key stages 1-4. Universidade Federal de Santa Catarina. Saber ambiental: sustentabilidade. Manzini. EDADE: a educação de crianças e jovens através do design. Capra.htm> 02/04/2009.14. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. quando promove os devidos debates e reflexões criticas sobre as conseqüências ambientais decorrentes da construção do mundo artificial. n. <http://www. p. 4. Sauvé. e Vezzoli. A vez do homem O economista chileno Manfred Max-Neef defende um novo modelo econômico que coloque as pessoas em primeiro lugar. 20-23. 10. Gadotti. A educação ambiental e desenvolvimento sustentável: uma análise complexa. E.

.

corrugated cardboard. design sustentável. product service systems This article aims to present the final results of the master dissertation developed during the 2007-2008 period. e abrangeu as fases de diagnóstico da situação existente. as research strategy. and proposes the use of design guidelines based on product service systems (PSS). no Programa de Pós Graduação em Design da Universidade Federal do Paraná. análise do diagnóstico. and it was complemented by using qualitative and quantitative analysis tools. and covered the phases of diagnosis of the current situation. Este estudo foi complementado com uma metodologia específica para o design de sistemas produto-serviço PSS. intervenção. a case study in an automotive company of metropolitan region of Curitiba/PR. Moreover literature review.com Embalagens. The design approach based on the packaging life cycle (life cycle design) was used in the study. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 33 . sistemas produto serviço Este artigo tem por objetivo apresentar os resultados finais de dissertação de mestrado desenvolvida no período 2007-2008. e propõe o uso de diretrizes de projeto baseadas em sistemas produtoserviço (PSS). papelão ondulado. sustainable design.Design de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas com base em sistemas produto-serviço Design of B2B corrugated cardboard packages based on product-service systems Cláudio Pereira de Sampaio Universidade Positivo Universidade Federal do Paraná. intervention analysis and validation. e complementada pelo uso de ferramentas de avaliação qualitativa e quantitativa. Packages. it was used. A abordagem de Design baseada no ciclo de vida da embalagem (life cycle design) foi utilizada ao longo do estudo de caso. This work consider design as element that favours environmental sustainability of B2B corrugated cardboard packages. The article is concluded by proposing design guidelines based on PSS for B2B corrugated cardboard packages. intervention. This study was complemented with a specific methodology for product service systems. in the Federal University of Paraná . O estudo de caso envolveu a realização de pesquisa de campo junto à indústria estudada. Além da revisão bibliográfica sobre o tema.UFPR Design Post-Graduation Program. utilizou-se como estratégia de pesquisa o estudo de caso em uma indústria automotiva da região metropolitana de Curitiba/PR. Brasil qddesign@hotmail. chamada MEPSS. análise da intervenção e validação. como o SDO-MEPSS e a Análise do Ciclo de vida. as SDO-MEPSS and Life Cycle Analysis LCA. called MEPSS. Este trabalho considera o Design como elemento que possa favorecer a sustentabilidade ambiental de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas (B2B). O artigo é finalizado com a proposição de diretrizes de Design baseadas em PSS para embalagens B2B em papelão ondulado. The case study included a field research in the company.

Representatividade alta das embalagens no volume global de resíduos. que se propõe a “melhorar a gestão e a qualidade ambiental e promover a conservação e uso sustentável dos recursos naturais. Este projeto teve duração de dois anos (agosto de 2005 a agosto de 2007).Exigências legais cada vez mais rígidas quanto à destinação de resíduos. e esta dissertação refere-se especificamente ao primeiro. a Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. de 42% (Grimberg. e as Leis de Resíduos estaduais. este trabalho está ligado diretamente à promoção de uma produção mais limpa e da responsabilidade empresarial. num primeiro momento. os mais significativos referem-se à: . e foi financiado pelo CNPq Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento e FINEP Agência Financiadora de Estudos e Pesquisas.. . . A partir da tentativa de se responder à questão “Como tornar mais sustentável o uso da embalagem em papelão ondulado movimentada entre empresas?”.Necessidade de alinhamento com a Agenda21 brasileira.Aumento na exigência por certificações ambientais. em seguida. Mega Objetivo II. destinado ao desenvolvimento de embalagens retornáveis para o transporte de componentes automotivos.Crescimento no consumo de matéria-prima para embalagens. . se fazer 34 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .Necessidade de alinhamento com o Plano Plurianual (PPA) 2004-2007 do Governo Federal. no período entre 2005 e 2014. Neste último.1 Introdução A presente dissertação foi desenvolvida dentro de um projeto de pesquisa intitulado “Desenvolvimento de Embalagens e Produtos para Exportação Utilizando a Tecnologia CFG para o Papelão Ondulado”. . cerca de 65% (Brody. como por exemplo.Alta produção de rejeitos (o que não se aproveita na triagem do papelão ondulado e que acaba sendo destinado à incineração ou aterros sanitários). de 2002. .Busca de alinhamento com os Objetivos do Milênio e com a iniciativa da UNESCO/ONU em promover. buscou-se. 2004). .. 2007). sendo duas para Iniciação Científica (IC) e uma para Desenvolvimento Tecnológico Industrial (DTI). o recorte necessário ao estudo. Desta forma. mas insuficiente para enfrentar os problemas ambientais causados pelo aumento do consumo. o projeto foi apoiado com acesso a materiais de consumo e a informações de produção e mercado pelas duas empresas que são objeto desta dissertação. em média.Problemas ambientais decorrentes da reciclagem (alto consumo de água e energia) e da incineração (liberação de CO² e outros gases).) ambientalmente sustentável e redutor das desigualdades sociais”. o autor partiu da hipótese de que “a estratégia de utilização de sistemas produto-serviço (PSS) pode minimizar o impacto ambiental do uso de embalagens movimentadas entre empresas”. emprego e renda (. . especialmente pelas empresas já certificadas quanto aos seus fornecedores. Foram concedidas três bolsas de pesquisa. o Projeto de Lei dos Resíduos (PL 203/91). Além disso. sendo uma montadora de veículos (Volkswagen do Brasil) e uma indústria de embalagens em papelão ondulado (Embrart). para.Reciclagem como estratégia importante. Blauth. com ênfase na promoção da educação ambiental” (PlanoBrasil. que consiste de amplos esforços voltados à educação para a sustentabilidade envolvendo os vários segmentos 2 Contexto da pesquisa Sustentabilidade Embora o objetivo principal deste trabalho seja a redução de impactos ambientais. especialmente no item 21. a dissertação teve como proposta principal a elaboração de “diretrizes para o Design de sistemas produto-serviço (PSS) voltadas a embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas de modo a reduzir o impacto ambiental das mesmas”. No que diz respeito aos aspectos ambientais. 1998). Marsh. O projeto de pesquisa supra descrito abrangeu três estudos de caso. especialmente com as diretrizes do capítulo 21 (manejo ambientalmente saudável dos resíduos sólidos) e capítulos 29 e 30 (fortalecimento do papel do comércio e da indústria (Agenda21 Nacional. . . contextualizar a pesquisa também em relação aos aspectos econômicos e sociais. desenvolvido no Núcleo de Design e Sustentabilidade da Universidade Federal do Paraná UFPR.1997). que busca o “Crescimento com geração de trabalho.

. Já existem iniciativas neste sentido. Há também os chamados catadores de rua e carroceiros. no Brasil.da sociedade. No entanto. com previsão de crescimento de 4.Muitas empresas brasileiras já implantaram sistemas de gestão ambiental (SGA’s). Nesse contexto. o que mais consome recursos financeiros (Morabito. percebe-se o potencial destes sistemas para a sustentabilidade tanto econômica quanto ambiental. para a comercialização de sistemas de produtos e serviços que. PSS podem ser definidos como “o resultado de uma inovação estratégica. 2004). cuja atividade informal envolve cerca de 200 mil pessoas no Brasil (ANAP. Widmer.O Brasil produz cerca de 3. Quanto aos aspectos econômicos.A indústria alimentícia é a grande consumidora do papelão ondulado.9 milhões dos pouco mais de oito milhões de m2 de papelão ondulado produzidos pela América Central e do Sul. sendo o restante relacionado ao processo produtivo e logistico (Stern. . ou PSS) têm como premissa básica a desmaterialização do consumo. 2006). . uma estratégia que implique na redução da geração de resíduos de papelão ondulado nas empresas deve também levar em conta o impacto social nesta atividade. 1989. inclusive as empresas. 2000). afirmando que “serviços eco-eficientes são sistemas de produtos e serviços que são desenvolvidos para causar um mínimo impacto ambiental com o máximo de valor agregado”. . com mudança no foco dos negócios do planejamento e venda de produtos físicos tão somente. 1990) até 50% (Rauch Associates. o que justifica a defesa do uso da estratégia de PSS nesta dissertação.No âmbito das empresas brasileiras. . . o mais alto entre todos os mercados produtores. uma vez que os maiores afetados seriam das classes mais pobres. muitas das pessoas de baixa renda trabalham na atividade de coletar. pode-se destacar os seguintes: . que permite às empresas fazer uma auto-análise do desempenho sócio-ambiental que pode ser transformado em um relatório para posterior comparação (benchmarking) com a concorrência. e obtiveram a certificação ISO14001 (EPELBAUM. vender e reciclar resíduos. 2004). a embalagem pode representar no preço final do produto de 9 (Lazlò. Apenas cerca de 10% do custo da embalagem deve-se ao material de que ela é feita. Finalmente. quase metade da produção da América Latina.Com relação ao bem estar e à geração de trabalho e renda. voltada à certificação. e a norma ABNT NBR 16001. Uma distribuição mista ocupa o segundo lugar. separar. é significativo o crescimento do mercado latino-americano. Há também o uso de indicadores sócio-ambientais do Instituto Ethos (Ethos. a eqüidade e justiça entre os stakeholders ainda representam um desafio. como a Social Accountability 8000 (SA8000).O setor logístico é. o equipamento e o material (Lee e Lye (2003). Briston and Neill. em conjunto.Conforme diferentes autores. 2005). os aspectos sociais foram considerados no presente estudo: . na maior parte das empresas. que são capazes de atender a demandas específicas dos clientes”.Apesar da participação inferior à de asiáticos. A atividade de “catar papel” emprega ao redor de 25.Os três componentes principais do custo da embalagem são a mão-de-obra. 1981). Harckham. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 35 . é crescente o número de ações ligadas à responsabilidade social. Segundo UNEP (2002). . 2002. 2005). absorvendo mais de um terço de toda a produção (ABPO. O papelão ondulado é um dos materiais mais presentes devido ao grande uso em embalagens.2% ao ano (Embalagemmarca.O mercado de embalagens de papelão ondulado responde por cerca de 38% do mercado mundial de embalagem. Com base nestas definições. sobre requisitos para sistemas de gestão em responsabilidade social (ABNT. 2005). buscando a substituição do benefício pela posse de produtos para o benefício pelo acesso aos benefícios finais esperados. e a produção de chapas fica na terceira posição. . é relevante o fato de que.000 pessoas nas unidades de separação de lixo. mas ainda é pequeno o número de organizações buscando a certificação social. norte-americanos e europeus. Morales. pois a maior parte das relações empresariais é fortemente baseada em relações custo-benefício de curto prazo. Sistemas Produto-serviço Sistemas Produto-Serviço (Product Service Systems. 1972). Brezet et al (2001) ressalta ainda a dimensão ambiental dos PSS. de quase 10% entre os anos de 2003 e 2004.

. Com relação ao sistemas. composição e peso das matérias-primas e insumos. o MEPSS (Halen.000 automóveis/mês). A análise dos dados foi feita de forma quantitativa e qualitativa tanto para a situação inicialmente encontrada quanto para a proposta de intervenção. que eram coletados por empresas próximas. 2003). localização geográfica (cerca de 30 quilômetros do NDS/UFPR) e por ter um Sistema de Gestão Ambiental implantado e certificado (ISO14000). do MEPSS. em três outras empresas que utilizam embalagens retornáveis em seus respectivos processos logísticos. e não da função desejada (proteção do veículo para pintura). A validação do estudo foi feita a partir da comparação com os resultados obtidos em um meta estudo de caso formado por três estudos de caso. A visualização tanto do sistema atual quanto do proposto foi feita com o uso da ferramenta System Map. embalagens B2B e o papelão ondulado neste contexto. Wimmer. foram encontrados problemas como: . Problemas encontrados Os problemas mais significativos encontrados na pesquisa de campo foram divididos em duas categorias: problemas sistêmicos e problemas no produto (embalagem). O protocolo de coleta de dados é relativo à etapa de diagnóstico.Estimativa de retorno de investimento (payback) da empresa de apenas três meses. como quantidade. com maior consumo de combustí- 36 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . e SDO-MEPSS (análise qualitativa). após o descarregamento na empresa. com o uso do Software Simapro7 na versão educacional. estoque-espera e inspeção-controle) que não agregam valor ao produto final. para a obtenção de dados tanto quantitativos quanto qualitativos (Laurel. pois. A fundamentação teórica para este trabalho foi feita a partir de revisão de literatura relacionada à sustentabilidade. e envolveu o uso de ferramentas verbais e visuais. nas fases seguintes de avaliação (tanto da proposta inicial quanto da intervenção) buscou-se avaliar de forma quantitativa e qualitativa os dados obtidos. são gerados quase 600 Kg de papelão ondulado oriundo de caixas de papelão ondulado descartáveis. tempo e distância de transporte e operações internas. avaliação da situação inicial. Foram coletadas também amostras de componentes utilizados da empresa. foram utilizadas ferramentas de criação também presentes no MEPSS. análise da nova proposta e validação da proposta de intervenção. 2002) e os storyboards para proposição de cenários futuros. a Volkswagen utiliza cerca de 50 kg por mês de filme plástico para manter as caixas fixas no palete. e a coleta de dados quantitativos da embalagem no sistema logístico-produtivo da empresa. Com base no volume de resíduo de embalagens produzido. intervenção. 2005). como as diretrizes de Design sustentável (MANZINI e VEZZOLI. a empresa gerava mensalmente grande quantidade de resíduos sólidos. que são usadas no transporte de componentes (que serão chamadas de “chapelonas” no decorrer desta dissertação). . Para a análise. A pesquisa de campo foi realizada em cinco etapas: diagnóstico. registro fotográfico. a pesquisa foi feita utilizando algumas etapas e ferramentas de um método específico para o desenvolvimento de PSS. Devido ao fato desta dissertação relacionar-se à abordagem de sistemas produto-serviço (PSS). realizado em uma indústria montadora de automóveis da região metropolitana de Curitiba/PR. O diagnóstico incluiu entrevistas semi-estruturadas. 4 Resultados A indústria Volkswagen foi escolhida para a pesquisa. observação direta. foi realizado também um workshop com especialistas da indústria estudada e de um fornecedor de embalagens. Isto tem implicações também ambientais. e envolveu o uso das ferramentas ACV Análise do Ciclo de vida (análise quantitativa).Excesso de etapas (transporte. principalmente no caso do transporte. Vezzoli.3 Método de pesquisa O método de pesquisa adotado foi o estudo de caso. além do brainstorming clássico com uso de analogias.Remuneração dos fornecedores em função do volume de componentes entregue. foi escolhido o processo de pintura porque. com um recorte teórico para o Design sustentável. Além disso. por atender aos critérios pré-definidos de porte (emprega mais de dois mil funcionários e produz cerca de 18. Para a intervenção. segundo dados fornecidos pela Volkswagen. Além destas caixas.

Com relação às embalagens. Resultados do meta-estudo de caso Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 37 . como pregos. os problemas encontrados foram analisados com foco no sistema e na embalagem. Ao todo. .Variedade de tamanhos. que provocam impactos como a emissão de gases tóxicos e o aquecimento global. fitas. Iniciou-se com um diagnóstico da situação. Foram relatados neste estudo reduções no descarte de embalagens (600 em oito meses).Falta eventual de componentes na produção. Embrart/Correios.vel e emissão de poluentes. na Argentina. para cada componente em separado. lonas plásticas e espumas. a questão ambiental foi analisada apenas de forma qualitativa. . considerando ainda a possibilidade do componente plastic transportado existir ou não. e embalagem retornável tipo kit. sem padrão dimensional. e posteriormente comparados. e os resultados comparados com o estudo de caso principal. usados na logística interna da empresa Correios. As embalagens deveriam suportar até três toneladas. como: . por embalagens compactáveis mistas de papelão ondulado e polipropileno. Soluções propostas Assim como a detecção e análise dos problemas. Entre os principais aspectos a serem destacados neste sistema estão: a viabilidade no uso de materiais alternativos (papelão em vez de aço). e ganhos econômicos entre 11 e 32%. pois não foi possível a realização de uma Análise do Ciclo de vida de cada um dos sistemas. as quais eram movimentadas por distâncias de mais de dois mil quilômetros. pois permitiu verificar que os impactos ambientais mais significativos estavam ligados à etapa de transporte. No entanto.Uso. . O uso da ferramenta ACV foi particularmente importante. vários materiais complementares. foram gerados seis diferentes cenários.Distância (cerca de 500km) entre os produtores dos componentes e a Volkswagen.Baixa qualidade. Tanto as soluções de cenários quanto de embalagem foram apresentadas à equipe da empresa em um workshop. A análise qualitativa foi feita com o uso do checklist do SDO-MEPSS. substituição e destinação final da embalagem. e em seguida. Com o propósito de aumentar a validade externa do estudo. a análise das interações entre os atores e dos problemas ambientais e econômicos. pois eram utilizados. também a proposição de soluções foi dividida em soluções sistêmicas e soluções para a embalagem em si. Com relação ao sistema. devido às distâncias percorridas e ao uso de combustível fossil. No caso da Fiat. modelos e quantidades dos componentes plásticos a serem transportados. os estudos complementares foram realizados de forma semelhante ao estudo de caso principal. que conteria todos os modelos e quantidades de componentes necessários para a montagem de um veículo completo. com o uso de ferramentas como o system map e os storyboards. O sistema envolvia diversos fornecedores. além de madeira e aço. no processo. . e ter como características principais a redução de peso. por limitações técnicas e cronológicas. e o papel ativo da fornecedora de embalagens como fornecedora também de serviços de manutenção. o sistema era composto de embalagens retornáveis para o transporte de componentes automotivos. adquiridas apenas com base no custo financeiro da compra. volume e facilidade de compactação. verificou-se a substituição do uso de racks metálicos. entre Minas Gerais e a cidade de Córdoba. Foram detectados diversos problemas ligados à embalagem. segundo Maia (2001). dependendo da embalagem avaliada. O meta-estudo de caso consistiu na pesquisa e avaliação qualitativa de outros três estudos de caso em empresas situadas em território brasileiro: Fiat. reparo. e em uma indústria de cabeçotes. parafusos. Assim como no estudo de caso principal. foram propostos dois conceitos: embalagem retornável individual. e a alternativa de embalagem tipo kit foi considerada a mais promissora em termos operacionais. de caixas que eram destinadas a outra função. No estudo feito junto à indústria de embalagens Embrart. No entanto. foram propostos novos cenários logistico-produtivos considerando duas possibilidades: soluções aplicáveis de forma imediata e soluções considerando um horizonte temporal de dez anos.

que já era terceirizada pelas empresas estudadas. as diretrizes para o desenvolvimento de sistemas produto-serviço (PSS) voltado a embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas de modo a reduzir o impacto ambiental são apresentadas a seguir. Desta forma. observou-se que as empresas apresentavam atenção quanto aos aspectos ambientais das embalagens utilizadas. De forma geral. embora fossem compactáveis. este aspecto poderia ser aprimorado com o uso de um PSS no qual houvesse uma empresa responsável e especializada para tal. No entanto.Elevar o nível de maturidade em PSS com a incorporação dos conceitos de PSS ao sistema de gestão da empresa (ex. pois as anteriores eram descartáveis. e que retornavam vazias. as embalagens eram transportadas por grandes distâncias. . parafusos. esta empresa faria a destinação adequada dos resíduos. no estudo feito por Maier e Sellitos (2007). Da mesma forma. é relatado o sistema de embalagens retornáveis utilizado por uma indústria fabricante de cabeçotes automotivos localizada em Canoas. nos Estados Unidos. princípios. codesign com os fornecedores.Suprir a falta de conhecimento e experiência em PSS na empresa por meio da realização de eventos como workshops e palestras sobre PSS. deveria haver uma preocupação maior com o transporte. O impacto do transporte torna-se ainda mais relevante porque. fitas. foram propostas diretrizes de Design para PSS em embalagens retornáveis. Proposição de diretrizes para PSS em embalagens retornáveis A partir dos resultados obtidos no estudo de caso principal. de papelão ondulado. pois todas as empresas estudadas localizavam-se distantes ou muito distantes dos clientes finais e utilizavam o modal rodoviário com caminhões a diesel. pois apenas uma empresa (FIAT) utilizava grande quantidade de materiais consumíveis (pregos. Caso houvesse foco sistêmico. relações de longo prazo. e restritas às embalagens (tipo de material. Esse descarte apresenta dificuldades econômicas e ambientais quando é feito nos países de destino. no Rio Grande do Sul. Da mesma forma. devido ao modal rodoviário. . apenas esta empresa utilizava materiais tóxicos ou potencialmente tóxicos na produção das embalagens. e não aos sistemas. e que a manutenção e reparo das embalagens é algo comum na maioria das empresas. Finalmente. e uma utilizava também modal naval.Criar um histórico de codesign em serviços por meio de projetos-piloto em 38 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . criando vazios internos). etc. embora as embalagens retornáveis evitassem o descarte precoce. O sistema utilizado consistia no embalamento dos cabeçotes em paletes retornáveis feitos de plástico termoformado pelo processo twinsheet (duas chapas prensadas a quente. Os resultados indicaram também que a gestão do ciclo de vida das embalagens era feita pela de forma parcial empresa em todos os estudos de caso. .). devido ao tratamento da madeira por fumigação (feito com brometo de metila) ou no fim de vida (incineração). Entre as diretrizes para PSS com foco no sistema estão: Resumo das questões ambientais no meta-estudo de caso Em todos os estudos de caso verificou-se que o critério de decisão era essencialmente econômico. e as preocupações ambientais ainda eram no sentido de atender às legislações ambientais. neste caso os Estados Unidos. etapa de maior impacto ambiental. para que a empresa assuma uma postura mais pró-ativa quanto às questões ambientais. com participação de especialistas externos à empresa. com apresentação de conceitos. bem como da comparação com o meta-estudo de caso. metodologias e ferramentas.verificou-se que. pode-se deduzir que todas as empresas estudadas apresentavam emissão de gases tóxicos durante a etapa de distribuição. divididas em diretrizes com foco no sistema e diretrizes com foco na embalagem. lonas plásticas e espumas) nas embalagens retornáveis. No entanto. por vezes similares às do estudo feito na Fiat. as mesmas eram transportadas por distâncias que ultrapassavam os dez mil quilômetros. forma de descarte). algo comum nos estudos realizados.: foco na diferenciação. Esta empresa produz e exporta cabeçotes para uma fabricante de automóveis situada em Melrose Park. verificou-se que. Um dos aspectos principais relatados sobre o sistema é a minimização no descarte final de embalagens. em conjuntos de doze peças. Isso era agravado pelo fato das embalagens retornarem vazias. também neste caso.

Elevar a densidade de transporte. bem como materiais e processos de clareamento agressivos ao meio ambiente e aos funcionários envolvidos na produção. cujo processo produtivo busca considerar o manejo sustentável de florestas manejadas e o uso de parte da matéria-prima reciclada (ondas internas das chapas). que permitem automatizar etapas do processo e obter um nível de controle mais efetivo e confiável. e com isso definindo o tipo de chapa ideal para a embalagem. remanufatura e atualização destas. como parte de um possível PSS a ser implementado.pontos específicos do processo. . de alto impacto ambiental devido ao uso de combustíveis fósseis e à emissão de gases tóxicos. Etapas de Pré-produção e produção: .Evitar o uso de embalagens. avulsos (podem perder-se).Reduzir o peso das embalagens. com medidas de 1200x1000mm. .Possibilitar a montagem e desmontagem rápida da embalagem. analisando cuidadosamente o tipo de produto a ser transportado e a capacidade máxima de empilhamento. por meio do transporte a granel. Klabin).Reduzir o volume das embalagens. dentro do possível e sem afetar a resistência estrutural da embalagem.Evitar o excesso de operações de transporte. como o “fundo mágico”. a possibilidade do uso de papelão ondulado reciclado. e nas estratégias de life cycle Design propostas por Manzini e Vezzoli (2002) e por CfD/RMIT (2001). . reparo. projetar a embalagem considerando a possibilidade de reciclagem em cascata no destino é fundamental. 2006) defendem que nesta situação os impactos ambientais aumentam consideravelmente devido à matriz fóssil usada no Brasil. caso sejam retornáveis. especialmente a do PBR .Otimizar o uso dos caminhões. reduzir o número de viagens. o que contribui para a redução do consumo de combustível dos caminhões. e com isso dispensar o uso de paletes. e da redução do número de etapas no processo logístico. É desejável que estes calços sejam feitos em um único material para facilitar a separação e a reciclagem (ex. Neste caso pode ser mais interessante prever embalagens de uso único que possam ser facilmente desmontadas e recicladas. ou mesmo reutilizadas para novas aplicações nos locais de destino.Buscar. caixas de câmbio). . que ocupa melhor o espaço de carga no caminhão. ou de fechamento permanente. Vezzoli. da extração da matéria-prima até o descarte. ferroviário) e baseados em fontes energéticas renováveis. evitar o uso de dispositivos e componentes muito complicados (podem causar erros de manuseio).No caso de peças com alto peso (ex. . fornecedores próximos à indústria para produtos de baixo valor agregado. . . o que minimiza o uso de novos recursos florestais e estimula a geração de renda em empresas de reciclagem e cooperativas de coleta e separação de resíduos. . otimizando o tempo e a eficiência de operação.Evitar o superdimensionamento das embalagens.Evitar o uso de embalagens retornáveis em cadeias logísticas que exijam grandes distâncias de retorno. Este modal normalmente utiliza caminhões a diesel. ao invés do modal rodoviário.Optar por sistemas de transporte ambientalmente menos impactantes (hidroviário.Evitar o uso de tintas e vernizes que utilizem em sua composição metais pesados. As diretrizes para PSS com foco na embalagem foram estruturadas com base nas etapas do ciclo de vida. na fabricação da embalagem. como o cloro.Considerar. . . espera e verificação com o uso de PSS que incorporem sistemas de identificação como o RFID. Dar preferência a dispositivos de encaixe rápido. prever a utilização de calços internos. .Otimizar o uso de energia por meio de dispositivos de economia. para então expandir a abordagem para outras partes do sistema onde o PSS fosse aplicável. Etapa de transporte/uso: . Para isso.Terceirizar a gestão do ciclo de vida do sistema de proteção e transporte para uma empresa especializada em PSS voltado a esta necessidade.: papelão ondulado Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 39 . caso o local de destino disponha de um sistema de coleta e reciclagem adequado. Caso seja necessário utilizar este modal.Considerar.Permitir a máxima compactação das embalagens quando retornarem vazias. .Possibilitar a incorporação de suportes nas embalagens. . Neste caso. o que contribui para um melhor aproveitamento do espaço nos caminhões. ou prever o reuso. . sempre que possível. a possibilidade de se utilizar papelão ondulado com certificação FSC (ex.palete brasileiro. motores. por meio de embalagens dimensionadas a partir de medidas-padrão de paletização. . pois alguns especialistas (ex. . .

substituindo-se o seu uso por outros sistemas de proteção e transporte. e não apenas da embalagem. A abordagem de PSS pode minimizar este tipo de erro. transporte. reduzir custos com controle de inventário. pois neste sentido o material apresenta máxima resistência. evitando grampos ou colas não-compatíveis. pelas ferramentas utilizadas. . os Storyboards (visão das propostas) e o checklist (ocorrência ou não de fatos). percebeu-se que a etapa ambientalmente mais impactante era o transporte. ou o reuso em situações em que seria mais adequado o descarte no destino final.com uso da técnica CFG). . da falta de abordagem sistêmica. forma de uso.Evitar o uso de impermeabilizantes na embalagem (ceras.Possibilitar a aplicação. isto possivelmente ocorreria também nas outras três empresas do meta-estudo de caso.Desenvolver a embalagem considerando a finalidade de uso do produto nela transportado. . Com isso. tintas) que inviabilizem a reciclagem. na medida em que considera o impacto ambiental de todo o sistema. Particularmente. . Com isto pode-se. ou pela modularidade de etapas da metodologia. pois nestas as distâncias de transporte eram ainda maiores. foram úteis as ferramentas qualitativas como o System Map (visão do sistema). O uso de um meta-caso mostrou-se bastante produtivo para buscar-se a 40 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .Dependendo da função. Os resultados dos estudos indicaram que o impacto ambiental nos processos logísticos das empresas estudadas é tratado focando-se a embalagem em si. . vernizes. considerar sempre o uso do papelão ondulado com as ondas na vertical. de mensagens visuais e textuais relacionadas à matéria-prima utilizada. base e tampa em termoplástico resistente. manutenção e descarte. e as quantitativas. pois se prioriza ações como a reciclagem em situações em que seria melhor o reuso da embalagem.: embalagem retornável que serve como organizador e dispenser na produção). Com isso. Com isso. considerar o uso de materiais complementares que evitem o contato direto com o papelão ondulado devido à sua abrasividade. e evitar áreas de impressão muito chapadas. por exemplo. Este resultado. Inserir simbologia adequada de reciclagem. e a possibilidade de agregar à embalagem funções adicionais que maximizem esta finalidade (ex. 5 Conclusão e recomendações de estudo Pode-se concluir que as principais contribuições deste estudo referem-se à constatação de que os problemas ambientais mais relevantes nos sistemas estudados decorrem. . . projetar aberturas para o encaixe das mãos dos operadores. na impressão. cuja validade pôde ser ampliada com a realização do metaestudo de caso. ou ACV). laterais em papelão ondulado). ocorrem erros em termos de ações de redução de impacto ambiental.Nas laterais. incentivando a adoção de atitudes ambientalmente corretas. . No estudo de caso principal desenvolvido nesta dissertação. Se. a tintas compatíveis que não inviabilizem a reciclagem. estende-se a vida útil da embalagem sem comprometer a separação e a reciclagem.Considerar a possibilidade de utilizar tecnologias que permitam o controle e identificação da embalagem ao longo do ciclo de vida. na embalagem.Dar preferência. No estudo na Volkswagen. como a ACV (identificação das etapas críticas e tipos de impacto). fitas adesivas em kraft).No caso de peças com superfícies sensíveis. se verificou também que a metodologia Mepss foi adequada à pesquisa e ao desenvolvimento de novos conceitos pelos designers. no estudo de caso da Volkswagen. influenciou diretamente na proposição das diretrizes apresentadas no capítulo anterior. Etapa de fim de vida . a etapa de transporte era a ambientalmente mais impactante. a fim de proporcionar conforto e segurança no manuseio. como o RFID (Radio Frequency Identification ou Identificação por Radio-frequência) aplicado na embalagem por meio de etiquetas adesivas. sobretudo. pode haver situações em que a embalagem nem mesmo seja necessária. e não o sistema como um todo.Considerar a possibilidade de se utilizar materiais diferentes na embalagem retornável conforme o nível de esforço exigido em cada parte da mesma (ex. divisões internas e outros planos da embalagem posicionados verticalmente. . tamanho e peso da embalagem retornável. seja pela possibilidade de planejamento. reparo e até mesmo a remanufatura das embalagens retornáveis por meio de materiais compatíveis (ex. o que foi comprovado pela análise quantitativa (análise do ciclo de vida.Possibilitar a manutenção. tempos de operação e problemas de falta de material na produção.

P. 2005. o que exigiu várias adaptações e mudanças de cronograma ao longo do trabalho. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 41 . Politecnico di Milano. 2002. a fim de que não haja desperdício de trabalho. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Design da Universidade Federal do Paraná. Assen: Royal Van Gorcum. van.. & Wimmer. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. Diretrizes para o design de embalagens em papelão ondulado movimentadas entre empresas com base em sistemas produto-serviço. R. Manzini. Han et al.. sugere-se também que sejam feitas também comparações do nível de sustentabilidade entre diferentes PSS em embalagens retornáveis (caixas. Isso exige uma flexibilidade maior da equipe de pesquisa. clever and competitive strategies in European industries. 1996. quanto às informações sobre processos e produtos. Isto é particularmente significativo no caso de empresas de grande porte. Sampaio. Holanda: Delft University of Technology. Uma das maiores dificuldades para a realização do estudo refere-se à falta de sincronia entre os tempos da empresa e os da equipe de pesquisa. Vezzoli. Rathenau Istitut. madeira. São Paulo: Edusp. Milão: INDACO Department. Vezzoli. C. Halen C. C.confirmação de aspectos comuns para geração de diretrizes. Promise Manual. Editora da Universidade de São Paulo. sugere-se que sejam ampliados os estudos sobre o impacto social do uso de embalagens retornáveis. lonas). que possuem sistemas de acesso mais burocráticos tanto aos profissionais internos. papelão ondulado. C. Product-Service Systems and Sustainability. metal. bigbags) com diferentes materiais (plásticos. Finalmente. 2008. Curitiba: Editora da UFPR. latões. Methodology for product service system innovation: How to implement clean. 2004. UNEP United Nations Enviroment Programme. e sobre o limite de distância para a adoção de PSS com base em embalagens retornáveis. tempo e recursos. E. Entre as recomendações possíveis para futuros estudos nesta área. Referências Breezer..

.

é uma forma de repensar os conceitos de consumo. In these cases the market economy that dictates the rules of the game. wood waste from sawmill. Normally with the crisis is global and local changes that occur with greater intensity. que em molde e prensado a quente. resíduos de madeira de serraria.br Palavras Chave: produtos moldados. Brasil dalton. Normalmente com as crises mundiais e locais é que as mudanças ocorrem com maior intensidade. moldam-se os produtos. and for the better. Porém se torna contemporânea na forma de implantação e avanços. The purpose of this paper is to present a technology that has to reduce environmental impacts in some manufacturing processes we use in our way of living. Dr. which in the hot mold and pressed. With particles of wood and adhesive is obtained by the composite. The manufacture of molded products from waste wood sawdust called “wood flour”. Com partículas de madeira e adesivo obtém-se o compósito. design sustentável. A pesquisa apresenta dois métodos obtidos pelo processo de compressão a quente. a partir de resíduos de serragem de madeira denominada “farinha de madeira”. permeando assim as mudanças. Esta tecnologia não é inteiramente nova. This technology is not entirely new. is shaping the product. Nestes casos a economia de mercado que dita as regras do jogo. Keywords: molded products.razera@ufpr. thus permeating the changes. O propósito deste documento é apresentar uma tecnologia que vem a diminuir os impactos ambientais em alguns processos de fabricação que utilizamos em nossa forma de viver. por extrusão e injeção. e para melhor. has its principles in the 70s of last century. The study presents two methods obtained by the hot compression process. Pode-se obter produtos moldados por compressão a quente e a frio . quando estão mais vulneráveis. is a way of rethinking the concepts of consumption. tem seus princípios na década de 70 do século passado. using thermoplastic or thermosetting polymers. Dalton Luiz Razera Universidade Federal do Paraná. sustainable design. by extrusion and injection. when they are most vulnerable. You can get products molded by the hot and cold compress. But it is contemporary in the way of implementation and progress. utilizando polímeros termorrígido ou termoplástico.Tecnologia para uma Sustentabilidade: o caso da Madeira Moldada Technology for Sustainability: the case of Molded Wood Prof. A fabricação de produtos moldados. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 43 .

O material lignocelulósico tem grande disponibilidade. Desta forma. o Brasil ainda apresenta graves problemas quanto à questão de resíduos. Os compósitos tem sido muito usados nas indústrias de autopeças para fabricação de uma enorme gama de produtos e em crescente expansão. As propriedades mecânicas também são diferentes. alumina. desde painéis. econômico e inclusive social. entre outros. A produção de madeira de reflorestamento no sul do Brasil abrange grandes áreas anteriormente florestais. como as plantações florestais de um modo geral. 44 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . A primeira vantagem é o baixo custo dos materiais lignocelulósicos comparados aos seus concorrentes orgânicos ou inorgânicos. Os polímeros termoplásticos permitem a reciclagem dos objetos produzidos sendo cada vez mais preferidos pelas indústrias que se vêem obrigados a recolher e responsabilizar-se pela destinação final de seus produtos após o término do tempo de vida útil. A produção de compósitos a partir desses materiais pode agregar valor e mitigar possíveis problemas com sua destinação final e poluição ambiental. a cana-deaçúcar. partículas de sílica. e óxidos em geral. Todavia. são um grande potencial de suprimento de material lignocelulósico. laterais e outras partes dos automóveis e caminhões. principalmente em época de crise (processo industrial de transformação) é o foco básico desta proposta. as resinas termofixas são normalmente menos elásticas que as resinas termoplásticas. Os restos de colheitas de ciclo curto como o milho. bancos. Como o material natural usado como reforço nos compósitos apresenta preços menores que a própria matriz polimérica. como o aço e o alumínio. o arroz. uretânicas e epóxi.1 Introdução Embora o tema da sutentabilidade. é originário de fonte renovável. dos processos limpos e do aproveitamento de resíduos tenha tomado grande dimensão nos últimos anos devido à constatação de que o planeta já não possa continuar a ser explorado como antes. mas as culturas perenes também são excelentes fontes. sendo ambientalmente muito mais amigável do que outros materiais. Os compósitos são ideais por aliarem leveza e bom desempenho em serviço. Os compósitos são desenvolvidos com o intuito de formar novos materiais que aproveitem do sinergismo entre as propriedades mais interessantes de outros dois ou mais materiais. Prensagem a Quente ou a Frio A opção por este processo deve-se principalmente a dois aspectos ligados à sustentabilidade: um de natureza energética e outro de natureza econômica. e poucas soluções adequadas . sendo que atualmente ao menos existe preço para sua comercialização. com reflexos possíveis no aspecto ambiental. outra vantagem é que o consumo de energia para a sua produção é muito menor quando comparado a materiais cerâmicos. a soja. Transformar este problema (resíduo) em oportunidade de negócio. sendo os mais usados as resinas fenólicas. permitindo um maior tempo de vida útil dos equipamentos usados na fabricação dos compósitos. o preço final do produto pode ser menor que o do polímero separadamente. pela possibilidade de se criar pequenas indústrias para a produção de objetos moldados em partícula de madeira. e a geração de resíduos no corte desta madeira em serrarias ainda é um problema. A produção de compósitos com fibras naturais têm vantagens sobre os demais materiais de reforço tradicionalmente usados como as fibras de vidro. o presente projeto deverá realizar contribuição à cadeia produtiva através da geração de conhecimento para subsidiar o projeto de produtos que utilizam resíduos do setor florestal. além do baixo custo e facilidade de reciclagem no fim do ciclo de vida dos veículos ou de suas peças. como tijolo e cimento. metálicos. Outra característica vantajosa é a pequena abrasão que os materiais lignocelulósicos causam durante o seu processamento. Em geral os polímeros termofixos apresentam maior compatibilidade com a superfície dos materiais lignocelulósicos. A produção de palmitos comestíveis gera um volume de resíduos que é cinco vezes superior. Outra vantagem é a sua baixa densidade que permite a confecção de compósi- tos com menor densidade comparadas àqueles produzidos com materiais inorgânicos. não são recicláveis e o processo produtivo é mais caro não podendo ser fabricados pelo processo de extrusão e injeção que permite alta produção e baixos custos.

Metodologia de Fabricação dos Produtos No experimento para moldagem dos produtos foram utilizados o molde 1 fabricado em alumínio fundido e o molde 2 em alumínio naval usinado. Método de Prensagem Molde 1 As partículas de madeira encoladas com adesivo (polímero termofixo). No caso aqui apresentado. Esquema do método de prensagem do molde 2 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 45 . depositadas na cavidade do molde. a questão da economia de energia apresenta-se como um aspecto cada vez mais decisivo para a opção ou descarte de determinados processos. o colchão formado é aplicado no molde. acrescenta-se a outra parte do molde (fêmea) sobre o colchão para posterior compressão a quente e consolidação do produto moldado. com uma distância de 3 cm. Para se obter uma distribuição uniforme do compósito. que geralmente têm baixa disponibilidade de capital para investir e uma demanda não tão grande de pedidos quanto as grandes indústrias. Retira-se a chapa de alumínio. este na posição vertical. foi utilizada a prensagem a frio. a frio. Por exigir equipamentos mais simples e baratos e evitar o uso de energia elétrica. depositadas em uma caixa formadora com dimensões próximas às do molde. com limitadores de espessura de 20 mm. e uma chapa de alumínio de 1mm de espessura. sobre um filme plástico (celofane) medindo 55 x 40 cm. e o colchão de partículas se acomoda sobre o molde (macho). Posteriormente feita a compressão a quente para consolidação do produto moldado. embora a prensagem a quente seja a mais usada para a produção de chapas MDF devido à alta produtividade que permite. Posteriormente uma pré-compressão. conforme pode ser visualizado na figura. Figura 1. Na seqüência.No aspecto ambiental. conforme pode ser visualizado na figura. este processo pode ser especialmente útil para pequenos produtores. Figura 2. é preenchida a cavidade entre as partes do molde por gravidade sem compressão. Após esta densificação. (razão de compactação de 1 para 6). Esquema do método de prensagem do molde 1 Método de Prensagem Molde 2 As partículas de madeira encoladas com adesivo (polímero termofixo).

usinado por prototipagem rápida. A peça apresenta a superfície com brilho em função do filme de celofane ser aplicado antes da compressão. e possibilitando o corte dimensional da peça pelo próprio molde. sendo uma face da peça do molde macho polida e outra peça do molde fêmea texturizada para verificação do acabamento superficial da peça moldada para conformação a frio e a quente. confeccionado em alumínio tipo naval. apresentando ângulos de 60º e curva de raio de 100mm. elaborado com desenho de uma gaveta com dimensões de 48cm x 35cm x 9cm. Os produtos moldados (caixa) copiaram com propriedade as características do 46 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . podendo-se até observar a superfície lisa na parte interna do produto e texturizada na externa. O molde não prevê acabamento na borda do produto. com 32kg. O produto moldado 2 copia com fidelidade as características geométricas do molde. porque executa a moldagem e corte. utilizando dois tipos de tratamento superficial. O acabamento superficial é esperado em função da geometria das partículas utilizadas. observa-se a consolidação de duas formas diferentes de formação do colchão para a compressão dos produtos moldados. Através das amostras para medição da densidade média na formação do colchão é constatada a distribuição do material moldado nas superfícies planas. Na fabricação dos produtos a partir de moldes de alumínio. para verificação se a formação do colchão teve uniformidade quando da compressão da moldagem. Conclusões Os produtos moldados (gaveta) copiaram todas as características do molde. O molde foi confeccionado com algumas linhas de perfuração com diâmetro de 2mm em pontos estrategicamente definidos para possibilitar a evaporação dos gases durante a compressão. gerando uma peça com dimensões de 150 x 100 x 50mm. deve ser interpretada levando em consideração essas espessuras e suas densidades diferentes. Produto Moldado 2 (Caixa) O produto moldado 2 por compressão a quente (caixa) moldado através do molde 2 de alumínio usinado por prototipagem rápida com dimensões de 102 x 152 x 45 mm. com espessura de 5 mm. copiando os detalhes dos moldes. O molde 2. A densidade média distribuída ao longo dos eixos médios do produto moldado 1 (gaveta) pode ser levantada.Moldes Molde 1 Em alumínio fundido confeccionado especialmente para a moldagem das peças. O molde prevê acabamento na borda do produto. com as duas maneiras se obtiveram produtos com boa aparência superficial. com espessuras variando de 3 a 4 mm. apresentam superfície brilhante em uma das superfícies em função do filme de celofane e na parte do fundo apresentam compatibilidade com o tamanho das partículas. Como a espessura tem variações conforme o desenho que o molde apresenta. inclinadas e curvas. A peça apresenta a superfície lisa na parte interna e texturizada na externa. O resultado é satisfatório. Este molde apresenta as características de uma peça tridimensional côncava com cavidade de aproximadamente 50mm de profundidade com ângulos próximos de 90º e curvas de concordância. gerando uma geometria definida na borda. Características dos Produtos Moldados Produto Moldado 1 (Gaveta) A moldagem por compressão a quente do produto moldado 1 (gaveta) moldada através do molde 1 de alumínio fundido com dimensões de 350 x 450 x 50 mm e com espessuras variando de 8 a 16 mm (conforme as dimensões do molde).

2000. Alastair. AMERICAN NATIONAL STANDARD . ed. 10 30. MANZINI. A qualidade superficial contou com uma parte interna lisa e a superfície externa texturizada. Pennsylvania: The J. Novas tecnologias para utilização e aproveitamento de resíduos. São Paulo: USP. Wood Recycling: How to Process Materials for Profitable Markets.. Painéis de madeira reconstituída. E. IWAKIRI..molde com detalhes e cortes dimensionais. 2000. Alcides L.Leão and Luiz Henrique Capparelli Mattoso São Carlos: USP-IQSC / Embrapa Instrumentação Agropecuária / Botucatu: UNESP. p. O molde deve permitir a eliminação da umidade liberada durante a prensagem. Gaithersburg: National Particleboards Association. FROLLINI.1993.G.ANSI. 2002. Natural polymers and agrofibers based composites: propriesties and aplications / Editores: Elisabete Frollini. para que o molde de alumínio obtenha a temperatura ideal de cura do adesivo nas várias partes da peça. FUAD LUKE. Barcelona: Gustavo Gili. CD-ROM. Press. O tempo de prensagem nas peças moldado deve ser considerado. através das laterais e perfurações em pontos determinados predefinidos. VEZZOLI. E. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 47 . Mat-formed wood particleboard: specification ANSI A 208.1. com um acréscimo. C. 1993. In: 1º CONGRESSO BRASILEIRO DE INDUSTRIALIZAÇÃO DA MADEIRA E PRODUTOS DE BASE FLORESTAL-. Curitiba. Curitiba. 2002. Referências ALVES. IBAMA. 2005. S. Marcus Vinicius da Silva. Manual de diseño ecológico. 9 p BioCycle Staff. Inc. FUPEF. O desenvolvimento de produtos sustentáveis. 2003.

48 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .

Along with the same approach. A avaliação do comportamento dos envolvidos possibilita detectar novos procedimentos que permitam a intensificação da iniciativa.identificados atualmente como elementos de grande destaque na composição dos resíduos sólidos urbanos – visando à minimização de impactos ambientais. conforme sua própria escolha. sistema de consumo O Caixa Ecológico se caracteriza por uma proposta de mudança de hábito de consumo por meio do gerenciamento de resíduos de embalagens . the main subjects involved (retailer and consumers) can practice actions that will contribute to environmental protection and education. impacto ambiental. A destinação destas para reciclagem reduz o volume de resíduos sólidos de embalagens sem destino planejado. o descarte antecipado de embalagens de plástico e/ou papel ali adquiridas e que não há necessidade de serem levadas com o produto. os principais envolvidos (ponto de venda e consumidores) podem praticar ações que contribuem com a proteção e educação ambiental.com Palavras-chave: embalagens. Desta forma. The evaluation of the behavior of the subjects involved allows the detection of new procedures that will permit the intensification of the initiative.albach@gmail. Associa-se também a proposta. consumption system The Ecological Check-out is characterized by a proposal to change consumption habit through the management of packing residues – currently identified as elements of great importance in the composition of urban solid waste – aiming at the minimization of environmental impact. Configura-se por um check-out diferenciado em um supermercado na cidade de Curitiba-PR. it is encouraged the use of proper bags. o incentivo para que sacolas próprias sejam utilizadas. onde os consumidores podem fazer. solid waste. It is characterized by a different check-out located in a supermarket in the city of Curitiba-PR. reducing the use of the current plastic bags. reduzindo o consumo das atuais sacolas plásticas. the volume of solid waste composed of packs without a planned destination can be reduced. where consumers may – if willing to – readily discard unnecessary plastic or paper packs purchased at the supermarket. highlighting the importance of the society’s active and conscious participation. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 49 . environmental impact. Universidade Positivo dulce. By sending these packs to recycling.Inovação em Sistemas de Consumo por meio do Design: o Caso do Caixa Ecológico Innovation in Consumption Systems through Design: the Ecological Check-out Case Dulce de Meira Albach Mestre. resíduos sólidos. By doing this. evidenciando a importância da participação ativa e consciente da sociedade. Keywords: packages.

um dos elementos de destaque que compõem os resíduos sólidos urbanos atualmente são as embalagens que contém plástico em sua composição (ALGAR. a pecuária. Neste contexto. eram infinitos e que a natureza absorveria o lixo produzido (GORE. estabelecimentos comerciais e escritórios. a pesca e a mineração. 2002. procedentes de residências. além de tampas. p. lacres e adesivos. 2 Geração de resíduo sólido urbano Nas sociedades primitivas a natureza era a fonte de recursos na vida do homem e a maior parte do lixo era composta de matéria orgânica. potes. A venda de produtos no sistema de auto-serviço obrigou a uma completa reformulação na função das embalagens. destaca-se que um ponto de venda que se caracteriza pela grande concentração de embalagens é o supermercado. No entanto. As embalagens se apresentam na forma de: frascos. Neste crescimento. 2001. 2000. 2005.162). e a poluição passou a figurar como um fator de destaque no processo chamado de “desenvolvimento”. 22). Este projeto avalia a aceitação dos agentes participantes do processo quanto a mudanças de hábitos e os caminhos que podem ser tomados para a minimização de impactos associados aos resíduos sólidos urbanos caracterizados por embalagens. Assim sendo e em observação ao grave quadro atual dos resíduos sólidos urbanos enquanto embalagens. p. saches. como água e ar. com a evolução do comércio e da sociedade de consumo. chamados de supermercados. o projeto do “Caixa Ecológico” propõe um sistema de descarte antecipado destas em um supermercado na cidade de Curitiba. as embalagens foram se tornando cada vez mais importantes. a necessidade de tratar e destinar adequadamente o lixo para evitar a proliferação das epidemias tornou-se inegável (MELOSI. a participação do ramo petroquímico no setor seria diminuída e conseqüentemente haveria economia dos recursos naturais.1 Introdução A geração de resíduos sólidos urbanos. bem como embalagens de papel plastificadas. Segundo Mancini et al. sacos. a organização e gerenciamento da produção e do descarte dos resíduos destas embalagens revelam-se comprometidos em relação à proteção ambiental. garrafas. 2005. o ponto de venda e o consumidor. tubos. Nesta análise. está a produção e destinação do lixo que inevitavelmente é gerado neste processo e que assume volumes desproporcionais à capacidade de assimilação dos ecossistemas (Dias. afirmam os mesmos autores. 9) se os resíduos plásticos gerados no Brasil tivessem a devida atenção em relação aos processos de reciclagem. Por outro lado. p.juntamente com os produtos contidos . 145). Com o início da 1ª Revolução Industrial (1780-1850) as atividades consideradas “naturais” como: a agricultura. pois estes resíduos plásticos seriam suficientes para anular as importações brasileiras e incrementar as exportações. é uma situação complexa e muitas vezes ignorada. No entanto. por meio da implantação de um check-out diferenciado que estimule uma mudança de comportamento e conscientização do consumidor quanto as questões ambientais. além de representarem significativas estratégias de comercialização que desenvolvem o setor (Mestriner. Associada ao crescimento das cidades. p. que se transformou em 50 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Exercem suas funções de oferecer conforto para os consumidores. que a economia nacional também seria beneficiada. (2005. como na facilidade de transporte ou na conservação de um produto. desde o início das civilizações. parafinadas e impressas. p. A humanidade passou um longo período de sua história acreditando que os recursos naturais. Estes por sua vez farão o descarte.aos seus clientes e/ou consumidores. CEMPRE. 2001) – associados ou não a outros materiais. 3). foram suplantadas pela produção industrial e pelo capitalismo. Observa-se desta forma que um consumidor informado e consciente e um ponto de venda que proporciona condições efetivas podem protagonizar movimentos de mudanças comportamentais e conseqüentemente podem atingir metas de melhoria de qualidade ambiental e social. os principais envolvidos são: o fabricante. filmes. local este que pode exercer uma forte influência na forma de destinação das embalagens que são por eles adquiridas dos fabricantes e oferecidas . Mestriner. No ciclo de vida das embalagens. 1993. principalmente após o surgimento dos estabelecimentos de venda a varejo. a intensificação da industrialização e às mudanças culturais e sociais.

reciclagem e reutilização. foi evidenciado que em Curitiba. em substituição aos naturais. embalagens de alimentos e outros. feitas em vidro ou papel. O imenso volume de embalagens descartadas provoca atualmente sérias discussões sobre degradabilidade. fibras. Em pesquisa sobre a composição do lixo gerado pelos municípios brasileiros. comunicar e auto-vender o produto. À embalagem moderna foram atribuídas as tarefas de: conter. seja em termos quantitativos ou qualitativos. para plástico. etc. e contribuindo para a escassez de seu recurso natural básico: o petróleo (KAZAZIAN. apresentando propriedades mecânicas semelhantes. passaram a ser amplamente utilizados nas mais diferentes áreas: higiene. Este estudo também destaca que no Brasil são produzidas 241. p. Um exemplo se caracteriza pelos estudos em torno dos bioplásticos (Pradella. 10% são Polipropilenos (PP). 2000. 11% são Poliestirenos (PS) ou styrofoam. identificar. Segundo a Algar (2005). com tempo de vida variando de 50 a 200 anos. 5). Neste segmento.: frascos) ou filmes (ex. dentro de um cenário cada vez mais competitivo (MESTRINER. olfativos. órgãos artificiais). os requisitos operacionais relacionados aos materiais utilizados pela indústria exigiram características específicas de metais. Este processo de desenvolvimento tecnológico não atentou.000 toneladas de lixo. p. 2006). tipo de produto entre outras. materiais que podem vir a substituir os polímeros convencionais advindos do petróleo. mais especificamente os plásticos. etc. E. O plástico começou a fazer parte da vida das pessoas. 2005. desempenha importante papel dentro do ciclo de vida de uma simples embalagem de consumo.: saches). p. embora o principal componente do lixo urbano seja o resíduo orgânico. abordando a necessidade do indivíduo e da coletividade assumir as conseqüências de seus atos (KAZAZIAN. eletroeletrônica. p. que podem ser utilizados em embalagens rígidas (ex. Manzini e Vezzoli (2005. principalmente pela habilidade de transformação do novo material. depois de matéria orgânica (CEMPRE. expor. Dias (2002. 2001. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 51 .23). utilizados em estofamentos.000 têm origem domiciliar (cada pessoa produz em média de 600g a 1 kg de lixo por dia). a embalagem aparece como o item de maior visibilidade. Caracteriza-se por um processo bastante abrangente e com variabilidades em função do tamanho da empresa fabricante. além dos polímeros utilizados em tintas e acabamentos superficiais encontrados também em embalagens de papel. tintas. porém com o diferencial de serem biodegradáveis. as legislações em vigor. a produção de resíduos domésticos.ícone da cultura de massa. a mudança do material de embalagens “tradicionais”. visuais. O objetivo do denominado Life Cycle Design (LCD) é criar uma idéia sistêmica de produto ou serviço. Quanto a composição. Portanto.39). 100) analisam que produtos ambientalmente corretos devem se basear no conceito de ciclo de vida. proteger. Os polímeros. gustativos) (LEFTERY. ponderando-se assim a nocividade de seus efeitos. pois tem forma definida e marcas dos produtos agregados. às conseqüências ambientais que a geração destes “materiais artificiais”. p. bem como o envolvimento dos seus geradores (consumidores). precedido apenas da celulose (Mestriner. vidros. 32). borrachas. p. isolamento térmico. Todos compõem um grupo de materiais de alta persistência no ambiente. para ultrapassar limites de produção e/ou viabilizar um processo produtivo e conquistar a preferência de algum determinado público consumidor em adquirir diversos tipos de produtos.. agregando funções e características técnicas. afetando a vida do homem e do planeta como um todo. 150) descreve que 60% dos plásticos utilizados em embalagens são Polietilenos (PE). Este conceito pode ser associado ao princípio da responsabilidade teorizado em meados de 1979 e que apresentava reflexões sobre um “agir irresponsável”. As primeiras descobertas dos polímeros sintéticos (com início em meados do séc. 90. muitas vezes rapidamente descartáveis. utilizados em fraldas descartáveis. médica (próteses. Impulsionou-se assim. 2005. além do surgimento de modelos novos. o plástico é o segundo material mais utilizado. p. esportiva. logo se configuraram como revolucionárias. 2001). em que os inputs de materiais e de energia bem como o impacto de todas as emissões e refugos sejam reduzidos ao mínimo possível. provocaria na biosfera. 31% da composição dos resíduos sólidos municipais no Brasil são embalagens. XIX). porém. pigmentos e embalagens. plásticos.17). o plástico é o material encontrado em maior quantidade. dentre as quais. envolvendo seus sentidos (táteis. 2001. Por outro lado.

2007). a revenda ou a doação de itens que. No entanto. redução de consumo de energia e de emissões no ar. acontece a campanha denominada de “Second Chance Week” para promover o reuso. Florianópolis.Santos et al. também. Na Califórnia a campanha do “America Recycles Day” é realizada todo ano no dia 15 de Novembro. sem esta iniciativa. a população pode trocar latinhas de alumínio e garrafas PET por bônus a serem descontados na fatura de energia elétrica (CEPROMAT. Referindo-se aos problemas ambientais nos Estados Unidos. para o reuso e a reciclagem. Salvador e São Paulo) sobre a consciência ambiental associada à coleta seletiva de lixo. tornando o setor produtivo responsável por seus resíduos e evitando. firmaram um convênio que pretende reduzir o impacto poluente dos resíduos sólidos. 2002). de papel. em cinco capitais brasileiras (Belo Horizonte. Estes dados alertam para uma possível separação inadequada dos resíduos devido ao desconhecimento sobre o seu destino final. Curitiba. plástico e metal. Nesta proposta. 2007). despertando a consciência das populações para o grave problema que estes resíduos representam nas sociedades. 2007). uma empresa de reciclagem e uma rede de supermercados. 52 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . o reparo. constatou-se que 78% das pessoas entrevistadas têm acesso à coleta seletiva. Este grupo possui. 2006). onerar o setor público. atitudes práticas que efetivamente contribuem com a correta destinação de resíduos sólidos enquanto embalagens podem ser observadas em várias partes do mundo. Estes cupons equivalem a descontos para compras no hipermercado. Em Boston. especializada em bonecos de brinquedo convida o consumidor a participar dos 3 R’s (reduzir. O governo da Noruega financia os projetos do “Cleaner Production”. 2002). Este material é direcionado as cooperativas de catadores de recicláveis cadastradas pelo projeto (Pão de Açúcar. em San Francisco Bay Area na Califórnia que visa conscientizar os consumidores de como suas atitudes impactam no meio ambiente (CIWMB. assim. Segundo a instituição. Na Malásia. 2005). uma rede de supermercados oferece aos seus consumidores e à comunidade um programa que se caracteriza por postos de coleta seletiva de embalagens pós-consumo. no Mato Grosso. o Governo do Estado. na água e no solo (KJAERHEIM. o Massachusetts Department of Environmental Protection (MassDEP) em conjunto com o Massachusetts Food Association (MFA). a Revista Newsweek (Ramirez. ou se o cliente preferir pode doá-los ao projeto “Fome Zero” do Governo Federal. porém somente 23% conhecem o destino dado ao lixo após a coleta. atualmente percebe-se que os consumidores ingleses estão dispostos a pagar mais por produtos embalados de forma ambientalmente responsável e por marcas éticas a este princípio (WOODS. Segundo esta análise. (2004) aborda as responsabilidades no processo de fabricação das embalagens plásticas no Brasil e analisa o sistema de coleta seletiva. que inicia com a sua própria criação. utilização racional de material. “Save Money and the Environment Too” é o nome da campanha criada em 1995. o setor de design é o principal promotor da minimização de resíduos de embalagens. No mês de Outubro. a magazine XL-SHOP. e ao mesmo tempo agregar valor econômico às famílias de baixa renda. por meio das empresas participantes. reciclar) e oferece desconto aos clientes que fizerem suas compras utilizando suas próprias sacolas (XL-SHOP. reutilizar. principalmente em rios e córregos. Em Cuiabá. Em pesquisa realizada pela Market Analysis Brasil (2006). a instalação de centros automatizados de venda reversa no qual máquinas emitem cupons quando recebem a deposição de embalagens de PET e latas de alumínio.COM. como um primeiro passo para viabilizar as atividades recicladoras. programa que há mais de 15 anos estimula. 2007) publicou artigo induzindo à reflexão sobre formas de comportamento que podem modificar a vida em sociedade e que dependem de cada cidadão. No Brasil. Na Inglaterra. juntamente com a empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica ao Estado do MT. 2007). criaram o “Supermarket Recycling Program Certification” (SRPC) para incentivar os supermercados a desenvolverem programas de reciclagem e/ou reuso de materiais (BioCycle. provavelmente seriam dispostos no lixo (CIWMB. vidro. o “Waste and Resources Action Programme” propõe debates com a comunidade dos designers visando a orientação dos projetos de embalagens para a racionalização de materiais.

por meio de duas ações: 1 . Na instalação.trazer de casa sua própria sacola para colocar algumas de suas compras. Quinze dias antes da inauguração. visando à diminuição de sacolas plásticas enquanto resíduos em aterros sanitários. Neste. empacotamento. sem destino planejado. Esta ação diminui o volume de resíduos sólidos gerados nas residências e nos estabelecimentos comerciais. segurança. No entanto. o que distingue a participação do cliente em relação aos demais check-outs. e em análise aos perfis dos supermercados instalados na cidade de Curitiba. pacotes com mais de uma embalagem. envolvendo folders e divulgação na mídia. Além da campanha publicitária desenvolvida pela agência de publicidade desta rede de supermercados. No caso específico deste projeto. embalagens tipo blister. CPD (Central de Processamento de Dados). entre outras. Numa releitura de modelos semelhantes observados fora do Brasil e em alguns poucos casos observados no país. cancelista e zeladoria. se diferenciava também por ter um trabalho de inclusão social. Sendo assim. confeitaria. com destaque às questões ligadas à geração e descarte de resíduos de embalagens. reduzindo a poluição. após o encerramento da passagem das compras é visualizado na tela do check-out o número de embalagens de plástico e de papel deixado pelo cliente e o nome da instituição filantrópica que será beneficiada pelo valor do montante das embalagens arrecadadas e encaminhadas à reciclagem. a intenção é que cada consumidor utilize o mínimo de sacolas necessárias. que estava ainda sendo construído. julgou-se que um supermercado que se interessa pelas questões sociais. observou-se que uma rede. outras estratégias foram traçadas para garantir a eficácia do sistema. Sendo assim. O supermercado foi selecionado para a implantação do sistema por ser um local de grande concentração de embalagens com destino. nos containers apropriados ao lado do caixa e conforme sua própria escolha. Uma estratégia considerada de grande importância foi o esclarecimento ao cliente de que as embalagens são destinadas à reciclagem e o valor arrecadado é revertido para uma instituição filantrópica. Nestes treinamentos. Visando facilitar o atendimento ao consumidor. cliente. este modelo pretende evidenciar a importância da participação ativa da comunidade nas questões ambientais e. legumes e verduras. os funcionários obtiveram informações sobre os graves problemas ambientais da nossa socie- dade. além de outras atividades consideradas condizentes com suas possibilidades. O Caixa Ecológico possui uma sacola plástica diferenciada quanto à cor e a informação gráfica. açougue. Neste contexto. envolvendo os agentes de grande importância na geração de resíduos sólidos urbanos que são: o ponto de venda e o consumidor. poderia estar interessado a discutir também as questões ambientais. também. Este procedimento visa esclarecer que o supermercado não tem lucro com as embalagens deixadas nos containers e pelas quais ele.3 Caixa Ecológico Este sistema se caracteriza por um conjunto de ações que promovem o gerenciamento do descarte de embalagens visando à conscientização e educação ambiental. conheceram os propósitos do projeto do Caixa Ecológico e seu sistema de funcionamento. emprega jovens com deficiência auditiva ou deficiências mentais leves para auxiliar nas atividades de empacotamento e transporte de compras. e 2 – descartar. frios. indicando os procedimentos operacionais para o atendimento e sugestões de algumas embalagens para descarte. embalagens que não há necessidade de serem levadas com o produto. o check-out destinado ao funcionamento do Caixa Ecológico foi diferenciado dos demais pela cor verde onde então. o consumidor é convidado a participar da iniciativa. foi elaborado um material impresso para ser entregue às operadoras de caixa. considerada de médio porte. avaliar a aceitação quanto a mudanças de hábitos. O pressuposto foi confirmado e o supermercado aprovou a iniciativa se predispondo a ser parceiro do projeto. padaria. Três grupos de funcionários foram organizados. principalmente. os funcionários começaram a ser treinados para a ação ter a maior abrangência de entendimento e apoio possível. como: invólucros. Posteriormente. acabara de pagar. selecionada a cada três meses. envolvendo diferentes setores: operação e fiscalização de caixa. às residências dos consumidores. foi definido que a nova proposta seria implantada no novo supermercado da rede. frutas. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 53 .

Os procedimentos de campo foram realizados no período de 10 a 31 de outubro de 2006 onde foram entrevistados 350 consumidores. A pesquisa constatou a aceitação do consumidor. os resultados foram os seguintes: a) 3 pessoas fizeram referência à sacolas. Dos clientes entrevistados. b) 2 pessoas afirmaram que realizam a separação de resíduos em casa. a maioria dos entrevistados (60%) é do sexo feminino. d) 1 pessoa declarou que o supermercado deveria instalar local próprio para resíduos especiais. As ocupações são bastante diversificadas. decidiu-se por realizar uma pesquisa qualitativa com as operadoras de caixa. A maioria reside no bairro da loja ou em bairros próximos. 50% costumam fazer suas compras neste supermercado. Em pergunta aos entrevistados quanto a sugestões sobre o Caixa Ecológico.Pesquisa com os consumidores Para a avaliação do sistema foi aplicado um questionário padrão junto aos consumidores que utilizam o check-out para constatar a aceitação ou não da iniciativa. havendo um pequeno destaque para aposentados(as) e donas de casa. Gráfico 2 – Porcentagem do grau de instrução dos consumidores entrevistados A renda familiar é na faixa de 9 a 13 salários mínimos (sendo 1 salário mínimo correspondente à U$ 870) demonstrando que os freqüentadores do supermercado são de classe média alta. que pelo ineditismo da iniciativa. “As sacolas plásticas deveriam ser biodegradáveis” e “O supermercado deveria ter sacolas de tecido reutilizáveis”. conforme o Gráfico 1. 54 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . porém se predispõe a participar e apoiar a idéia. em diferentes horários de visitação à loja. 97% dos entrevistados souberam do Caixa Ecológico na própria loja. ou seja. Diante destes resultados. bem como detectar necessidades de mudanças e/ou adaptações. Pelo fato da recém inauguração e os sistemas de divulgação estar em processo de implantação na época da realização da pesquisa. não conhecia o Caixa Ecológico. com média de idade entre 41 a 50 anos e grau de escolaridade superior (Gráfico 2). 83% afirmaram que dariam preferência a este supermercado pela iniciativa do Caixa Ecológico. ou seja. local para colocar resíduos trazidos de casa. c) 1 pessoa sugeriu que todos os caixas deveriam ser ecológicos. A Gráfico 1 – Porcentagem das contribuições realizadas no Caixa Ecológico Quanto ao perfil dos consumidores. a maioria. funcionárias que entraram diretamente em contato com os consumidores. e assim poder checar a veracidade das informações. 57% fazem compras em supermercado uma vez por semana e destes. 100% dos entrevistados afirmaram que voltariam a utilizar o caixa e 51% realizaram algum tipo de contribuição. com as seguintes observações: “O supermercado deveria vender sacolas de transporte com a logomarca da rede”. que registraram suas compras no Caixa Ecológico.

não considera que esta atitude é da maioria. Algumas informam ter clientes “fiéis” e que quando chegam ao Caixa Ecológico já estão familiarizados com a participação. pois alegam estar fazendo também uma contribuição social. Segundo as operadoras. Esta rede estabeleceu uma parceria com uma recicladora de alumínio. o número de freqüência de clientes permaneceu constante. Esta pesquisa observou as atitudes dos consumidores em uma rede de hipermercados com lojas em São Paulo. na prática. tenha diminuído. O número total de embalagens descartadas nestes 52 dias analisados é de 3212. Nos resultados da pesquisa constatou-se que a existência de Centros de Coleta não foi um fator que influenciou a escolha do local de compra pelos consumidores. 4 Resultados e discussões O levantamento dos resíduos descartados foi realizado por meio do sistema de controle instalado pela equipe da CPD – Central de Processamento de Dados do supermercado. Nos 30 dias subseqüentes o volume caiu para 1268. os clientes se sentem constrangidos em responder que não querem usar o Caixa ou que não trarão suas próprias sacolas e assim. segundo observação na loja.do que os clientes que fazem suas compras em horários correspondentes ao primeiro turno. bem como desenvolver mecanismos que o estimulem a mudar seus hábitos. que analisou a relevância dos Centros de Coleta de embalagens recicláveis como fator de atração de clientes em supermercados. Embora o volume de embalagens descartadas no Caixa Ecológico. geralmente estão com mais pressa – são normalmente clientes que estão saindo do trabalho e indo para a casa . Pode-se observar que o consumidor não está familiarizado com iniciativas desta natureza. Os fatores considerados influenciadores foram: a proximidade ao local de trabalho e os fatores preço e variedade.pesquisa foi realizada com dois grupos: o grupo das operadoras que trabalham no primeiro turno (09h00 às 15h30) e o grupo das operadoras do segundo turno (15h30 às 10h00). no entanto. Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Esta pesquisa também ressalta a importância de campanhas de incentivo que ampliem o processo de divulgação e motivação dos clientes. e bem por isso não estão dispostos a perder o mínimo tempo ouvindo explicações ou descartando suas embalagens. alegando que muitas pessoas não estão dispostas a deixar suas embalagens. evidenciando a necessidade de se ampliar o processo de informação e divulgação da proposta. segundo dados do supermercado. Na primeira semana foram descartadas 1547 embalagens. para juntos recolherem embalagens descartadas e associarem a imagem das empresas com a proteção do meio ambiente. sendo 1747 em- Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 55 . Averiguou-se que o grupo do segundo turno é mais pessimista em relação ao Caixa. Alguns entrevistados alegaram que não utilizaram o Centro de Coleta do hipermercado porque fazem a coleta seletiva em seus condomínios e outros doam seus resíduos às cooperativas de catadores. aumentando conseqüentemente o fluxo de pessoas nas lojas. Porém. a atitude nem sempre corresponde a estas respostas. Estes resultados podem ser comparados aos de outra pesquisa realizada por Chaves e Batalha (2006). Uma das hipóteses levantadas para este fato ocorrer é que. O grupo do primeiro turno também recebe respostas negativas quanto à colaboração do cliente. os clientes que freqüentam os horários do segundo turno. respondem positivamente às questões da pesquisa. A Tabela 1 apresenta a quantidade média de embalagens descartadas no período de 10 de outubro a 30 de novembro de 2006. Na opinião das operadoras. Tabela 1 – Quantidade de embalagens descartadas Fonte: Dulce Albach Nota: As pesagens foram realizadas conforme a disponibilidade do supermercado. estes clientes afirmam já participar da coleta seletiva em casa ou informam que preferem trazer as embalagens vazias numa próxima vez.

medidas de convencimento do consumidor são importantes para conquistar a participação. o total dos resíduos gerados pelas lojas terá um destino ambientalmente correto além de se somar aos resíduos do Caixa Ecológico. Isto se dá em função do posicionamento do caixa no lay-out da loja. Diante deste quadro de valores. independentemente de qual loja fizessem suas compras. por meio de apelos próprios para distinguir seus produtos e suas embalagens em associação ao Caixa Ecológico. Este procedimento também promoveria o aumento da quantidade de embalagens descartadas diariamente. todos os clientes. Observou-se que além destas. estando situado em local de fácil acesso e circulação. Outra media que favoreceria a divulgação e adesão seria a instalação de um Caixa Ecológico nas demais lojas da rede em Curitiba. outras ações também agregariam qualidade e ampliação do sistema: . teriam a possibilidade de descartar suas embalagens e conseqüentemente conhecer a proposta. Por isto. Neste período de funcionamento do Caixa Ecológico e em análise qualitativa ao comportamento tanto dos funcionários do supermercado. A quantidade de cupons de compras registrados em toda a loja foi de 62. o sistema pode se expandir no sentido de sensibilizar os fabricantes em relação aos projetos de design de suas embalagens. comprovando assim prestar os serviços de assistência a que se propõe e também que necessite de recursos financeiros. . nos supermercados da rede em questão. 8. A primeira alternativa definida foi a instalação de lixeiras destinadas à coleta seletiva. e embasados na importância que todos os envolvidos neste projeto acreditam que ele signifique. Para isto. revendo materiais e processos de forma mais aprofundada enquanto análise de ciclo de vida. o valor arrecadado com as embalagens recicladas deve ser revertido a instituições filantrópicas. Sabe-se que a maior preocupação desta proposta são as questões ambientais.balagens de plástico e 1455 de papel. no entanto. . que se evidencia como o mais utilizado pelos clientes. Processo avaliativo 56 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . O critério estabelecido é que o local seja cadastrado na Receita Federal e na Fundação de Ação Social (FAS). ampliando a participação e efetivando a viabilidade econômica do projeto.Desenvolvimento de novos displays para as prateleiras expondo adequadamente embalagens unitárias. em associação ao fornecimento de brindes promocionais. . Numa abordagem mais abrangente. Por exemplo. Com esta iniciativa.Instalação de um sistema de embalagens retornáveis de produtos de limpeza com desconto em troca da embalagem vazia. pôde–se concluir que um fator a ser melhor desenvolvido é a divulgação.Parcerias com os fornecedores do supermercado. Desta forma. novas ações de informação estão sendo planejadas para conscientização e colaboração dos envolvidos. As lixeiras foram instaladas nas quatro lojas da rede situadas em Curitiba. concluiu-se que é necessário se estabelecer outras atitudes que. para que esta sacola seja utilizada nas compras substituindo as sacolas plásticas. associadas ao Caixa Ecológico viabilizem a somatória de um valor mais significativo para ser doado à instituição filantrópica. independentemente de realizarem alguma contribuição no momento da compra. dos clientes como da comunidade entorno. uma hipótese seria a elaboração de uma Campanha de Incentivo ao Caixa Ecológico envolvendo promotores para auxiliar no processo de esclarecimento e convencimento da população. reduzindo a quantidade de embalagens coletivas.842 sendo que destes. Como já abordado anteriormente.Aquisição de sacolas em tecido para serem comercializadas na loja e/ou oferecidas aos clientes como prêmio a uma determinada quantidade de cupons do Caixa Ecológico. O volume interno de resíduos gerado em todas as lojas da rede é significativo e não possuía até aquele momento um sistema de coleta planejado (A rede tem um sistema de gerenciamento de resíduos apenas para seus resíduos relacionados às mercadorias). tanto internas como externas. como palestras e acompanhamento de atitudes no local.954 são do Caixa Ecológico.

os processos utilizados. New York. Gisele de Lorena Diniz. fornece um local próprio para o descarte de embalagens para a reciclagem. Ilus. Amanda Fiori. passando por todas as demais etapas até o responsável em organizar um destino correto no final do percurso. n. local de grande concentração de embalagens. responsabilidades que até então são atribuídas apenas ao estado. 2000. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 57 . desde a especificação de seus materiais de fabricação. São Carlos. Muitos não colaboram. Trabalha-se assim num círculo fechado onde todas as etapas visam a sustentabilidade e a mínima agressão ao meio ambiente. How to Live a Greener Life. Eduardo D’Áurea. Referências Artigos em revistas acadêmicas/capítulos de livros Anonymous. desinteresse ou por simples desinformação. 13. 2004. Envolve os supermercados concorrentes que observam com atenção a iniciativa e analisam a possibilidade de também aderi-la. p. Sati. BATALHA. Jessica.. porém uma parcela de contribuição está lançada com o Caixa Ecológico. A G U I L A R . p. Envolve o setor público que vê com simpatia atitudes que deleguem aos empresários e a comunidade. 2006. Tendências e Desafios da Reciclagem de Embalagens Plásticas. descarte e processos de destinação e/ou tratamento. Design Week. AGNELLI. 82-82. descaso. O prazo para a consolidação de mudanças quanto ao destino ambientalmente correto e ideal para os resíduos de embalagens domésticas é incerto. Journal of Cleaner Production. p. No entanto. RAMIREZ.3. Londres. 149. Plásticos: consumo versus descarte.. WOODS. v. Recycling Certification for Supermarkets. 2007. Massachusetts. VIEIRA. Porém. Allan Camargo. 16. apr. n. 329-339. 2005. p. aquisição pelo consumidor. MANCINI. Cleaner production and sustainability. Este projeto pretende. uso. Os Consumidores Valorizam a Coleta de Embalagens Recicláveis? Um Estudo de Caso da Logística Reversa em Uma Rede de Hipermercados. São Carlos. Anais. São Paulo: Instituto de Pesquisas Tecnológicas: CEMPRE.-dez. Polímeros. Livros. Envolve as recicladoras que vislumbram mais uma fonte de matéria-prima. 5. O ponto de venda supermercado. KJAERHEIM.5 Considerações finais Os resíduos sólidos urbanos compostos por embalagens representam uma grande ameaça a proteção ambiental se não forem adequadamente observados e inseridos nas análises do ciclo de vida destas embalagens. Gudolf. Sarah. dificuldade de modificar hábitos. 22. sistemas de distribuição. jan. BORDIGNON. se suas atitudes mudarem terão que ser satisfeitas. 423-434. v. mar. Estas análises acompanham o projeto da embalagem. p. 2006. Newsweek. Saneamento Ambiental Brasileiro: Utopia ou Realidade?. Envolve os fabricantes de em- balagens que precisam acompanhar os anseios de seu público alvo e que. Pode-se perceber que se configura por um trabalho em equipe e/ou uma ação de coletividade onde a soma dos esforços se complementam. n.. representar uma parcela de colaboração no final do ciclo de vida das embalagens domésticas e assim atingir o maior número possível de envolvidos para o questionamento de suas atitudes e o comprometimento com as mesmas em relação a proteção ambiental. 7-7. Desde o responsável pela extração da matéria-prima. n. p. v. 2005. Manual de Gerenciamento Integrado do Lixo Municipal. O ciclo é amplo e está num processo inicial. CHAVES. NOGUEIRA. Envolve instituições filantrópicas que podem associar as análises de suas ações sociais também às ambientais. ou por preguiça. com a instalação do Caixa Ecológico. Wrap to Boost Guidance on Greener Packaging Design. n..47. Amélia S. José Augusto M. 16. Gest. 13. o Caixa Ecológico. não é mais considerado experimental e a rede de supermercado está analisando a expansão do conceito para as demais lojas. set. v. SANTOS.. Alex Rodrigues. Mário Otávio. 2. v. Este procedimento confere ao estabelecimento o caráter de ser ecologicamente comprometido. Sandro Donnini. 307-312. In: Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental. p. 2007. 1-10. Rio de Janeiro: ABES. BioCycle. Boston. 14. 3. para que este ciclo seja eficiente.. F. Prod. tab. há necessidade de se estabelecer responsabilidades e comprometimento dos envolvidos neste processo. MANRICH. e material não publicados CEMPRE. Envolve os consumidores (responsáveis pelo descarte das embalagens) que se vêem instigados a repensar suas atitudes e seus hábitos.

gov. and the environment / Martin V.xl-shop. Acesso em 17 fev. 2005. 2007. California. Martin V. br/ port/download/mídia/banasqualidade_fev-06.cepromat. MARKET ANALYSIS BRASIL. Albert. XL-SHOP.. LEFTERY. Carlo. Mies (Switzerland): Rotovision.pt/rsu/valorizacao. 2005. Textos publicados na internet ALGAR Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos S. Save money and the Environment too: A Model for Local Government Recycling and Waste Reduction.com. PRADELLA. Acesso em 23 mar. Garbage in the cities: refuse. VEZZOLI. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis.pdf>.br/html/noticia.mt.pdf>.ciwmb. Os requisitos ambientais dos produtos industriais. Design de Embalagem – Curso Básico. GORE. Thierry. 2007. Porto Alegre: Editora da UFRGS. PÃO DE AÇÚCAR. MENEGAT. PA: University of Pittsburgh Press. Tradução Elenice Mazzilli et. São Paulo: Makron Books. CIWMB – The California Integrated Waste Management Board. David Satterwaite et al. 2007. Melosi – Ver. São Paulo: Editora Senac São Paulo. reform. Disponível em: <http://www. Acesso em 27 ago. Gerson.gov/Publications/LocalAsst/31002002. São Paulo: Augustus.br>. Acesso em 06 abr. Disponível em: <http://www.marketanalysis. Chris. Acesso em 26 abr. MESTRINER. Ezio. Disponível em <http://www.grupopaodeacucar. ALMEIDA. 2002. 2006. São Paulo. Pittsburgh.br/pdf/2/ tr06_biopolimeros.pdf>. 2007. 2005. CEPROMAT – Centro de Processamento de Dados do Estado do Mato Grosso. José Geraldo da Cruz.anbio.com/>. com. 2001. Organizado por Rualdo Menegat e Gerson Almeida. Plastic: Materials for Inspirational Design.Título original: Il y aura l’âge dês choses légères: design et développement durable. 2006. Biopolímeros e Intermediários Químicos. Acesso em 25 mar. São Paulo: Gaia. Centro de Gestão e Estudos Estratégicos.php?codigoNoticia=417>. 2004. Disponível em: <http:// www. Acesso em 21 abr. A Terra em Balanço. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável / organizado por Thierry Kazazian. Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental nas Cidades: estratégias a partir de Porto Alegre. 2001. Disponível em: <http://www. MELOSI.ca.algar. 1993.A. Pegada Ecológica e Sustentabilidade Humana. ed. Disponível em <http://www. 2002. KAZAZIAN. 2007.org.com. tradução de Eric Roland René Heneault. mar. Disponível em: < http://www. 2005.asp>. São Paulo: Edusp. MANZINI. Rualdo. Genebaldo Freire. al. 58 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .DIAS. Fabio.

br dulcefernandes@ufpr.com. tecnológica. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 59 .Avanços no Design de Produtos a base de Resíduos de Vidro Reciclado Dulce Maria de Paiva Fernandes Universidade Federal do Paraná. Doutora dulcefernandes@onda. utilizando resíduos descartados de vidro e visando a participação de designers frente as constantes demandas relacionadas à sustentabilidade ambiental. social e econômica.reciclagem em vidro Este artigo apresenta parte dos resultados obtidos em pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos 10 anos cujo objetivo foi contribuir para o desenvolvimento de tecnologias simples e de baixo custo.br Palavras-chave: design para sustentabilidade.

repensando todo o ciclo de vida do produto. deve-se realizar uma análise ampla já que. com consumo de energia muito mais elevado. aput Kazazian. permitindo uma melhor gestão dos resíduos. Esta rede. e ampliar substancialmente a vida das matérias-primas utilizadas. aput Kazazian. com know how e competência projetual na área dos objetos a serem produzidos e que. 2005). não agredindo o meio ambiente. ou compostagem (abrangendo só os orgânicos. através de instituições de pesquisa. sua distribuição. recuperação e geração de energia. visando verificar sua viabilidade econômica em escala de produção para averiguar uma possível implantação industrial. é muito mais ampla que a do tipo linear tendo em vista que a vida do produto e de seu futuro é abordada de forma articulada e os atores tornam-se mais co-participes. através de redes solidárias comunitárias. Estes consumidores 2 Sustentabilidade e a Reciclagem de Resíduos O desenvolvimento econômico vem estimulando o consumo e promovendo o crescimento do descarte de produtos e conseqüentemente de resíduos. versa sobre as questões sociais. Reciclar assemelha-se ao processo da cadeia alimentar que possui uma lógica bastante sustentável. A proposta circular de Ademe (1999. realizados a partir da técnica desenvolvida. por exemplo. por implicações ambientais (poupar recursos naturais e minimizar a geração de agentes poluentes). para ser de novo colocado no mercado ou desmontado para a reutilização de algumas peças em novos produtos. não os inertes como o vidro e outros materiais)]. como. para validar as ações relacionadas ao ciclo de vida de um produto. A titulo de exemplificação também são apresentados alguns produtos desenvolvidos pela autora e por alunos do curso de Design de Produtos da UFPR. proposto pelo Manual Promise do Pruma. Esta abordagem industrial já é praticada em diversos setores. seu uso e sua re-utilização após descarte. cooperativas de produção. entre outros). tecnológicas e de design. 60 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . os produtos gerados. ainda não implantada. e também pela vantagem de produção de novos produtos com um menor custo (sejam energéticos ou de matéria-prima. Também apresenta uma abordagem em construção. de estima e perenidade de uso pode garantir uma maior permanência do mesmo no mercado e junto ao consumidor. marketing e comercialização com comprovada promoção dos produtos e da rede cooperativa como um todo (voltada aos públicos-alvo que comprovadamente buscam este tipo de produto com selo social e ambiental). determinadas propostas de reutilização ou reciclagem podem criar um impacto muito mais pesado ambientalmente. Na proposta de um fluxo eco industrial fechado. incineração. este produto é “remanufaturado”.1 Introdução A abordagem dada ao que se chama de desenvolvimento sustentável local. se insere no conceito sustentável por buscar desenvolver e produzir novos produtos reciclando parte dos resíduos descartados pela sociedade utilizando técnicas de produção simples. em certos casos. com vidros reciclados. Por outro lado cabe destacar que grande parte dos consumidores são cada vez mais sensíveis à aquisição de produtos que economizem matérias-primas e energia. criar produtos reciclados com elevado valor formal. envolvendo o uso de matérias primas recicladas. reciclagem. Segundo Kazazian (2005) uma vez descartado pelos produtores ou usuários. idealmente todos os elementos de um produto circulam indefinidamente [seja à re-utilização. que propõem a criação de uma rede cooperativa da qual participam: pesquisadores de tecnologias apropriadas. O2 (1996. Trata-se ainda de uma pesquisa experimental que precisa ser testada em unidade piloto. a de vidro. mostra um modelo intitulado “Roda da Eco-concepção”. A reciclagem torna-se necessária. 2005). uma determinada empresa controla a totalidade de um ciclo de vida de um produto. seu processamento (com as implicações energéticas e de resíduos que apresenta). com isto estimulam sua comercialização em canais eficazes (“que vendem”). designers. neste modelo. O projeto dos produtos utilizando sucata. econômicas e culturais. O esquema apresentado acima pode ser do tipo linear ou circular. Cabe destacar que. por exemplo. assim. e procurando o bem estar social. trabalharia inicialmente com tecnologia desenvolvida pelo Laboratório de Cerâmicos da UFPR. questões de espaço (áreas disponíveis para aterros). a Figura 1. Neste sentido. atualizado.

a porcentagem de vidro reciclada no Brasil em 2001 era de apenas 15% e a partir de 2003. Geralmente são produtos com valores formais. 8% de metais. atendendo a 99. este percentual manteve-se estável até o ano de 2005 e avançou para 47% em 2007. Estes dados são questionáveis comparados com a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (IBGE. discussões de logística e viabilidade econômica permeiam o setor. Finlândia 91% e Noruega e Bélgica. Segundo esta instituição. Esse valor é seis vezes maior do que o praticado pela coleta convencional. Dentre os materiais que compõem a coleta seletiva das cidades analisadas. O investimento em coleta seletiva pode justificar-se na medida que gere retorno econômico ou mesmo monetário.770 toneladas/mês com o programa de coleta seletiva. os resíduos mais encontrados em porcentagem de peso foram: 35% de papel e papelão. O2 France in: KAZAZIAN. que mostrou o seguinte perfil qualitativo do lixo gerado no Brasil: 52% matéria orgânica.Associação Brasileira de Embalagens (2006). madeira. o custo que a coleta seletiva representa é de US$76. 16% de outros.95 na época da pesquisa). 15% de plástico. No entanto.00* a tonelada (* US$1. significando 423 mil toneladas. No Brasil. que eleva o custo do armazenamento. Assim. 3% de plástico. mesmo que contrários a interesses ambientais e sociais mais amplos. ampliando sua utilidade ou vida útil. já que muitas vezes estes dados visam atender interesses públicos ou privados alem de imediatistas. segundo esta organização.5% da população. É preciso haver um programa educacional intenso para que os resíduos sejam separados de forma a não sofrerem contaminação logo no descarte. em 2004. No panorama internacional. 25 de metal e 2% de vidro. 3 Reciclagem de vidro Segundo a ABRE . criando um problema ambiental quando simplesmente descartado. 33 de outros materiais. 18% de rejeitos. nos EUA 40% de vidro é reciclado. pois seu acúmulo representa um exponencial crescimento de lixões e aterros sanitários. 25% de papel e papelão. surgem dúvidas. esse número subiu para 45%. 2005) Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 61 .6 milhões de toneladas. o equivalente a 2. 88%. sociais e culturais mais perenes. Em países da Europa e no Japão a reciclagem tem aumentado a cada ano e isso é justificado não só pela escassez de espaço. sendo esta medida fundamental para a primeira etapa do processo da reciclagem. e o CEMPRE Compromisso Empresarial para a Reciclagem (2006).5 milhões de toneladas. coletou 1. como pela escassez de matéria-prima. percebe-se que houve um grande avanço na reciclagem de resíduos. borracha. quanto à tonelagem de lixo gerada diariamente pela população no Brasil. 4% diversos (pilhas. 6 % de plásticos. O CEMPRE (2004).00 = R$2. atesta que a cidade de Curitiba. Roda da Ecoconcepção (Fonte: Manual Promise do Pruma 1996. em 1991. 2000). na Alemanha. Desconsiderando a matéria orgânica temos 53 % de papel e papelão. 92%. 16% de vidro. na Suíça. O país “produz em média 890 mil toneladas de embalagens de vidro por ano e utiliza apenas cerca de 45% de matéria reciclada na forma de cacos (390 mil Figura Figura 1. etc. o mesmo não é biodegradável. Segundo dados da ABIVIDRO (2006). pode-se dizer que frente a desigualdade sócio-econômica e a grande variabilidade na densidade populacional dos diversos municípios brasileiros. 4 % de metal e 4% de vidro. o equivalente a 2. não é absorvido pela natureza. isto quando o valor do resíduo superar os investimentos em lixões e aterros sanitários. 87%.também utilizam e mantém produtos consigo por mais tempo. em 2001. baterias.). Sabe-se que o vidro é um material 100% reciclável. que realizou um estudo em 16 capitais brasileiras. 2% de alumínio e 2% de longa vida.

por exemplo. a maioria das empresas reparadoras descarta os vidros automotivos e estes acabam tendo como destino final os aterros sanitários da cidade ou empresas de reciclagem em São Paulo.258 toneladas referem-se aos resíduos domiciliares. de 45 a 120 reais. barrilha (material importado) e calcário. 125. 2000). o preço médio pago pela tonelada de vidro incolor limpo variava de 65 a 224 reais. Em 2006. TABELA 1 . em média. As usinas de reciclagem adquirem o vidro a ser reciclado comprando-o de sucateiros ou “catadores” na forma de cacos separados previamente por cores ou o recebem diretamente de campanhas de reciclagem. de garrafas e vidraças A grande maioria das usinas de reciclagem e processamento de vidro não reaproveitam vidros planos automotivos.cempre. em virtude do valor irrisório pago pelo mesmo. pela tonelada de vidro automotivo é de apenas dez reais (Böhler.413 toneladas de resíduos sólidos diários. o custo do vidro produzido com matéria-prima virgem é praticamente o mesmo do feito com mistura de cacos. pode-se constatar que hoje não há interesse em coletar vidros descartados. e vidro temperado (utilizados nos vidros laterais e traseiros).”(ibid). 80% na redução do volume de rejeitos de mineração. em Curitiba. Porém. incorporando técnicas de casting a procedimentos de queima utilizados em técnicas de fusing. Segundo CHAVES (2000). do risco de ferimentos e do grande volume ocupado pelo vidro coletado (nos carrinhos e nos depósitos comunitários). O preço médio pago. Com a reciclagem do vidro automotivo. há uma diminuição do consumo energético em 70% (o ponto de fusão do vidro reciclado é mais baixo nos fornos.br. Segundo Souza (1998). o material. como areia. no ano de 2008. “O ideal seria que a usina de beneficiamento pudesse fornecer uma sucata de vidro com padrões de qualidade exigidos pelo comprador final. 4 Reciclagem de vidro automotivo. conforme tabela 1. Conforme a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB. 2008). Em pesquisa realizada junto a catadores da comunidade da Vila Zumbi. 2006). obtido através de resíduos provenientes de vidros 62 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Em Curitiba. Observa-se que este valor caiu para o vidro incolor e subiu para o colorido CEMPRE (2009). Também poupam matérias-primas naturais. e uma diminuição da emissão de dióxido de carbono para o ambiente. atualmente. desenvolvidas com finalidade artística por Damo & Saparolli (2004). Os veículos automotivos utilizam dois tipos de vidros: vidro laminado (utilizado nos vidros de pára-brisas). em relação à utilização de matérias primas virgens. Acesso em: 26 de janeiro de 2006 e Acesso em: 20 de abril de 2009. como já mencionado. e 50% na redução do consumo de água. o que também prolonga a durabilidade do mesmo). na coleta de cerca de 228. o vidro reciclado apresenta uma economia de energia que pode variar de 4% a 32%.org.toneladas por ano).Cotação de Preços de Recicláveis no Mercado Nacional Fonte: CEMPRE . de qualquer forma ainda continua pouco atrativo aos catadores em comparação com o alumínio. 20% na redução da poluição do ar.www. para que o produto final acabado também tivesse seu custo barateado. a reciclagem desse tipo de vidro é necessária devido ao grande número de peças descartadas em aterros sanitários anualmente. (CEMPRE. por um valor compatível. dos quais apenas 2% referem-se a vidros em geral. A coleta de vidro automotivo se dá através de empresas reparadoras e/ou empresas que compram esse material para revendê-lo em usinas de reciclagem de vidro. Segundo dados do CEMPRE (2006). E o preço da tonelada do vidro colorido variava. tendo em vista o valor inferior aos demais materiais coletados para reciclagem. Parte deles foi gerado como refugo nas fábricas e parte retornou por meio de coleta”.

Alguns produtos desenvolvidos são podem ser visualizados nas figuras 2. desenvolvido em 1952.Fabricação própria em Centro de Pesquisa Laboratório de Cerâmicos .Barbara Fórmica e Kelly Wazur TCC Curso de Design de Produto . Melina Ileana Osik Silveira e Paola Azevedo de Andrade e Luminária com componentes modulares em Vidro Reciclado Alan Coelho e Guilherme de Mattos Alunos do curso de Design UFPR Fabricação própria em Centro de Pesquisa Laboratório de Cerâmicos . a exemplo do que já ocorre para micro e pequenas empresas. poderão associar-se ao projeto.UFPR. entregando o vidro nas unidades produtivas. entre outros) para a constituição e manutenção das cooperativas. temperatura.Bruno Vinicius Kutelak Dias. Luminária Navie em Vidro de Garrafas Reciclado . obtidas neste processo de reciclagem. Figura 3. Releitura de lustre tradicional com prato e pendentes em Vidro Reciclado Bruno Fernandes. Figura 4. com baixo investimento inicial. 2008 ( imagens e foto: dos autores) Os resultados apontam possibilidades inovadoras de aplicação deste material com base em ensaios físicos. permitindo sua produção por cooperativas. em escala semi-industrial. podem vir a garantir a certificação deste novo material. Instituições governamentais como Prefeituras poderão auxiliar com consignação de terrenos e pessoal técnico especializado (contabilidade.de garrafas de bebidas. secretaria. poderão oferecer treinamento e linhas de crédito especiais. Os resultados positivos comparados aos de corpos de prova de vidros planos. que permitem descontos de impostos. produzidos por processos de flutuação (vidro float. por Pilkington). 2008 ( foto: arquivo das autoras) As empresas reparadoras de vidro automotivo. químicos e mecânicos realizados em 2006 e 2007. Casemiro Grabias e Fernanda Suzuki Alunos do curso de Design UFPR .Fabricação própria em Centro de Pesquisa Laboratório de Cerâmicos . Orgãos como SEBRAE. 5 Unidades Piloto em vidro reciclado Figura 2. cor. 3 e 4.UFPR. diversos produtos vem sendo desenvolvidos visando mercados cujo público-alvo comprovadamente busca e valoriza este tipo de produto com selo social e ambiental. bem como redes de restaurantes (fornecendo garrafas de bebidas vazias) ou ainda montadoras (vidro automotivo descartado por crash test). 2006). vidraças e vidros automotivos “temperados”.UFPR. Esta técnica permitiu incorporar uma maior redução do consumo energético necessário para prepará-lo e produzi-lo. tendo em vista que a legislação vigente as torna co-responsáveis da sucata gerada. O capital inicial para instalação e manutenção da estrutura necessária para o funcionamento das cooperativas produtivas populares poderá advir de empresas e/ou seus empregados. entre outras. realizados com re-fusão entre 810-850º C (Vasques. Rocha e Fernandes. 2008 ( foto: dos autores) Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 63 . Explorando as características do material como texturas. apoiados em leis sócio-ambientais vigentes. com corpos de prova. apresentou resultados satisfatórios em testes científicos preliminares. forma. Jóias utilizando materiais alternativos associados a materiais tradicionais .

2007 Com relação a reutilização de resíduos. deve ser abandonada. que poderiam qualificar este profissional para a função de líder ou mediador devidamente preparado. já que uma sociedade para que possa se denominar sustentável não pode conviver com níveis de desigualdades tão evidentes como o que nos deparamos atualmente. neste primeiro momento. Para isto também foram realizados estudos em 2008. Além disto. processamento controlado (limpeza. factível e necessária. tendo em vista que este profissional não possui formação adequada para isto. caso do vidro reciclado. que atua e participa de feiras e rodadas de negócios no mercado nacional e internacional desde 1990. reconhecendo a importância da concepção de produtos com preços que valorizem o trabalho dos produtores (cooperados). Profissionais de marketing e vendas deverão estar sempre presentes. Existem exceções. lavagem. separação por granulometria. psicologia. associada a promoção de produtos que tenham maior longevidade ocasionando a redução de descartes. o desenvolvimento sustentável inclusivo deve desenvolver novos modelos de relação produtiva. entre outros. levantamento de fornecedores. Salientamos que a postura de “coordenador” muitas vezes assumida por designers em outros modelos. em 2006. Finalmente. como: plantas piloto. obtendo resultados satisfatórios. da recepção do vidro quebrado ao acabamento das peças. (ABBONIZIO & FERNANDES. não contempla conteúdos que o habilitem em pedagogia. como protagonistas principais de um processo complexo e que deveria ser mais articulado. ou através de ONGs. Para contribuir além das questões ambientais e da viabilidade econômica. 2007). aqui apresentado sob a ótica da sustentabilidade. Modelo circular de rede cooperativa proposto por ABBONIZIO & FERNANDES. mas estas podem ser atribuídas a “indivíduos” que possuem a característica de coordenação e liderança em si. as luminárias “línea Gracie”. Como exemplo. cultural e organizacional/administrativo. 64 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . o trabalho cooperado em rede pressupõe uma construção mais abrangente da qual participem diversas competências complementares (Figura 7). visando possíveis automações e redução de custo no processamento do vidro automotivo temperado. bem como integrando suas competências junto a toda a rede. já que a formação brasileira do designer como bacharel. cabe destacar que os canais de comercialização são parte fundamental da rede. Esta proposta. públicos e/ou privados. diretrizes de gestão de resíduo dentro das unidades piloto. preservação de reservas naturais e redução da emissão de poluentes e dos recursos energéticos. as peças foram montadas em bases fabricadas e comercializadas pela empresa Plano de Luz. Esta urgência social muitas vezes coloca determinados “atores”.Designers. administração. sociologia. integrada a real possibilidade de geração de oportunidade de renda deverá ser devidamente avaliada e monitorada a curto e médio prazo após sua completa implementação através de uma unidade piloto. criadas por Dulce Fernandez. pesquisa de equipamentos mais adequados e de menor custo dentre os existentes no mercado. Neste sentido. aponta uma ação concreta. estudos complementares para implantação de Unidades Piloto de Produção Cooperativa. Também a inclusão da separação magnética no processo de limpeza do vidro para melhorar sua qualidade e transparência e ensaios de reutilização dos objetos confeccionados com esta técnica e que se partiram após o uso. secagem) para levantamento do tempo necessário para 6 Conclusão O desenvolvimento sustentável no contexto brasileiro passa diretamente pela inclusão social. social. ou junto as Instituições de Pesquisa. Figura7. estudos de métodos e tempo para processamento do vidro e produção de peças. participam desenvolvendo produtos com foco nas demandas de mercados potenciais e emergentes. moagem. ou ainda na própria empresa responsável pela comercialização.

Iniciação Científica Voluntária / ago 2006 a jul 2007. Da Sustentabilidade Ambiental e da Complexidade Sistêmica no Design Industrial de Produtos. D. A Franco.o processamento e medição de porcentagens de vidro aproveitado. Evinci.M. Referências Bibliográficas ABIVIDRO . Evinci. 1998 VASQUEZ. R. visando o crescimento de suas reais contribuições sociais e econômicas.. M. ISD . fev 2003. C. Curitiba. Disponível para download em <www. BÖHLER. In: Estudos em Design.shtm> Acesso em 20 de abril de 2009. ARMELLINI. Acesso em 20/04/2009.ibge. 2004.Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro. São Paulo.Thierry (org). M. já foram realizados. análise quantitativa de peças geradas para complementação dos dados sobre tempo e aproveitamento. 2006. Luciana Emy. FERNANDES.org. & BÖHLER. Curitiba 2006-2008 . CEMPRE. Tese de Doutorado. 20022004.cempre. Isto permitirá verificar os modelos da rede e tecnológicos propostos. Acesso em 15/11/06 _________ (2009). Disponível em <http://abre. ROCHA V. Desenvolvimento de novas técnicas para utilização de sucata de vidro visando a produção de novos produtos In: 6 P&D.Bolsa Apoio Técnico CNPq. Rio de janeiro. SOUZA. ABRE ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGENS. 2000 disponível em: <http://www. Arthur Pinto. Curitiba.org..br>. A implantação de uma unidade piloto também deverá oportunizar o avanço constante de novas tecnologias apropriadas pelos Centros de Pesquisa e demais “atores”. Cleusa Cristina Bueno Martha Técnicas de tratamento de minérios para reciclagem de vidro. org. 2008 BERTOLDI. B. Desenvolvimento de Vidros Curvados a partir de Vidros Planos produzidos pelos Processos de Reciclagem. vol. São Paulo. São Paulo..cempre. & FERNANDES.br> Acesso em 05 de novembro de 2006. Curitiba. 37-61. Cleusa Cristina Bueno. VIDRO RECICLADO APLICADO A REVESTIMENTOS CERÂMICOS. 2000. Escola Politécnica USP. Reciclagem por Casting de Vidro Automotivo Temperado: Estudos Preliminares para Unidades Piloto de Produção e Possíveis Aplicações. O estudo de aplicação do vidro reciclado em novos produtos aponta para a viabilidade da utilização da técnica em unidades piloto de pequeno porte. São Paulo: ABIVIDRO. SOUZA. Editora SENAC São Paulo.br>.br/ home/presidencia/noticias/27032002pnsb. Maria Helena . KAZAZIAN. out 2007 a jul 2008. Design for Sustainability: Discussing of Models in the performance of design in the Brasilian reality of sustainnable local development. EVINCI. BATOCCHIO. Pesquisa Nacional de Saneamento Básico. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 65 .. 2008. Curitiba. 2007 ABRAVAUTO ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE VIDROS AUTOMOTIVOS Disponível em <http://www.I International Symposium on Sustainable Design. São Paulo.2007. Ivone. Paola. FERNANDES. Apoio Técnico (CNPq). 2007. situadas próximas dos locais de coleta e do mercado consumidor das peças produzidas. 2005. DAMO. Iniciação Científica (UFPR/TN) / ago 2006 a jul 2007. propiciando melhoria de renda e de qualidade de vida aos cooperados.gov. Ivone. ABBONIZIO.br> Acesso em 05 de novembro de 2006. Atelier de Escultura Centro de Criatividade Prefeitura Municipal de Curitiba. Preço do Material Reciclável. A. 2004. Anais 6 P&D. M. CHAVES. Compromisso Empresaria pela Reciclagem (2006). D. Anais 51 Congresso Brasileiro de Cerâmica. 2007. Preço do Material Reciclável. 01 p. MIYAWAKI. Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. abravauto. Pesquisas em Vidro Reciclado aplicado a Esculturas. Associação de Ensino de Design no Brasil.com. Haverá a Idade das Coisas Leves: Design e Desenvolvimento Sustentável.C. Curitiba. Anuário ABIVIDRO 2006. IBGE. Desenvolvimento de Vidros Curvados a partir de Vidros Planos produzidos pelos Processos de Reciclagem. Disponível para download em <www. In: 51 Congresso Brasileiro de Cerâmica. Salvador. PEREIRA. D. P. Reciclagem de vidros de lâmpadas floures- centes e de para-brisas . Elvo e SAPAROLLI. P. 2007. Relatório de Pesquisa.P.

.

apresentando na terceira secção uma breve evolução da seleção dos materiais para o design do ciclo-de-vida do produto. A partir de um reexame sobre os rumos do desenvolvimento sustentável. The approaches related to strategic design are the subjects of the last two sections. Moving from a review of the routes of the sustainable development. radical innovations. Brasil liliane. onde é descrito os Sistemas Produto-Serviços e novas abordagens para o design para a sustentabilidade. presenting in the third section one brief evolution from the selection of materials to the Life Cycle Design approach. incremental innovations The present paper presents a brief overview of the design for sustainability evolution. o artigo questiona o papel atual do designer. design for sustainability. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 67 . inovações radicais. Inicia apresentando dois percursos possíveis para esta disciplina: através de inovações radicais ou de inovações incrementais. the paper argue about the current role of designer.Panorama do design para a sustentabilidade An overview of design for sustainability Liliane iten Chaves. where it is described the Product-Service System and new approaches of design for sustainability. inovações incrementais O presente artigo apresenta um breve panorama da evolução do design para a sustentabilidade. As abordagens relacionadas ao design estratégico são o tema das últimas secções.chaves@ufpr. PhD Universidade Federal do Paraná.br design para a sustentabilidade. Initially it presents two possible rotes for this discipline: through radical or incremental innovations.

A crise do petróleo dos anos 60 fomentou as discussões sobre os problemas ambientais. O outro percurso que o design para a sustentabilidade tem assumido é o de inovações radicais. principalmente concentrada nos países do sul do planeta. com relação às questões ambientais. o consumo exagerado. Ele foi o relatório do Clube de Roma. Este último é um atributo bastante interessante para a aceitação dos requisitos ambientais nas empresas (Vezzoli & Chaves 2006). O designer. No primeiro.Hoje em dia. uma vez que focalizarão problemas pontuais próprios da área. uma das primeiras pesquisas relacionadas com o problema ambiental. consumirão um menor tempo para sua aplicação. acordou o mundo para estas questões. Em inglês usa-se o termo “end-of-pipe” para definir estes tipos de ações ao final do ciclo produtivo. Isto é. o que demanda tempo para serem aplicadas em um setor ou produto específico. as ferramentas e métodos do design para a sustentabilidade já possuem um conhecimento fundamentado e consolidado na academia e em alguns setores produtivos. no momento em que o planejamento do produto passou a ser foco das ações para a busca de um menor impacto ambiental. contemplando o inteiro ciclo-de-vida de um determinado produto. estes métodos e ferramentas foram desenvolvidos para uso geral. Porém. determinando com isto um menor custo para sua aplicação. finalmente. os 80% restantes da população consomem apenas 20% dos recursos (SACHS. para alcançar resultados mais eficientes estes métodos e ferramentas estão sendo focados em um determinado setor. a oferta de soluções através de serviços e a busca por alternativas para um consumo mais responsável. produto ou contexto. Como resultado prático. observa-se que o design para a sustentabilidade assumiu dois distintos percursos para responder aos desafios da busca por um desenvolvimento sustentável: o caminho das inovações incrementais e o das inovações radicais. no qual são ilustrados os três principais fatores que levaram a estes problemas ambientais: a explosão demográfica. eles serão mais facilmente inseridos. 1978). tema diretamente vinculado à proposta da disciplina. sabe-se que 20% da população mundial consomem 80% dos recursos naturais e. a ECO-92 World Commission for Environmental and Development 68 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . O presente artigo apresenta algumas linhas de ação que estão sendo realizadas nestes dois sentidos. como a desmaterialização de produtos. Em outras palavras. et al 2002). neste caso. Em 1992. fazendo uma breve descrição sobre a evolução do design para a sustentabilidade. nas empresas.1 Introdução O papel do designer. 2 Desenvolvimento sustentável Entender as razões da evolução do design para a sustentabilidade requer uma prévia e breve consideração com relação ao desenvolvimento sustentável. as ações deixaram de ser de reparo para se transformarem em ações de prevenção. tem se tornado mais e mais importante. o design para a sustentabilidade está se movendo no sentido de tornar mais “aplicáveis” os seus métodos e ferramentas. observou-se que ao inserir requisitos ambientais na fase de planejamento do produto. Assim. tem que interpretar e especificar seus usos para o produto que está desenvolvendo. Este fato tem ocorrido de forma paralela à evolução sistêmica que as abordagens das questões ambientais estão assumindo nas empresas. A vantagem desta especialização é a de tornar estes métodos e estratégias próprios para uma realidade produtiva. a introdução de requisitos ambientais era focada em algumas ações para reparar danos realizados com o processo produtivo. Assim. principalmente dos países do norte do planeta e a ineficiência das atuais tecnologias aplicadas (MEADOWS. Progressivamente. Com relação ao consumo. Limites do crescimento. et al. portanto. Inicialmente. compreendeu-se que resultados mais eficientes seriam alcançados se as ações ambientais fossem incorporadas no processo produtivo e. o papel do designer assumiu uma relevância ainda maior neste processo. os resultados em termos ambientais seriam mais eficazes. Tal consideração tem por finalidade compreender o novo e amplo papel do designer em relação a esta temática.

Nele. outros se baseiam em soluções sócio-éticas. discutiu os problemas ambientais e as possibilidades de desenvolvimento. apesar disto. Esta estimativa é chamada por alguns pesquisadores de Fator 10 e representa o maior desafio para um desenvolvimento sustentável. na qual todos os elementos estão interligados. Manzini 2003). As inovações radicais não são contínuas. etc. foi apresentado o mais usado conceito de desenvolvimento sustentável: “.Econômica: desenvolvimento com soluções passíveis de serem praticadas e aplicadas. Assim. Em 2002. & Verkuijl M. U. respeito à diversidade cultural. ditos do “norte” e democratizar o consumo para os países do “sul”. segurança. eles são importantes para evidenciar qual é a dimensão da mudança necessária para a continuação do planeta e revelam a fragilidade do argumento sobre o direito a recursos e melhor distribuição dos bens. A partir destas reflexões é possível entender que para um desenvolvimento ser sustentável há a demanda de uma mudança radical nos modelos atuais de consumo e distribuição. 2006). Enquanto a explosão demográfica e o consumo são fatores difíceis de sofrerem intervenção. Também em número de três são os fatores apontados como causadores do atual problema ambiental: a explosão demográfica. sendo que estes 10% de recursos deveriam ser distribuídos de forma igual para todos no planeta (SACHS et al 2002. acordos e convenções internacionais foram assinados. em um tempo estimado de 50 anos. elas rompem Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 69 . Desenvolvimento sustentável é um tema inerente a três dimensões que podem ser resumidos nos três pilares da sustentabilidade as dimensões econômica. (Vezzoli 2006a). a sustentabilidade começa afrontar argumentos como consumo responsável e justiça social mundial. Para manter e permitir aos países de industrialização recente ou os não industrializados o mesmo padrão existente de consumo dos países ditos industrializados.. a maioria dos países criou ações para a implementação e análise de projetos de cunho ambiental. deveria ocorrer uma diminuição de 90% do consumo atual de recursos naturais. afinal. Mas o confronto para um desenvolvimento sustentável ainda é um desafio complexo. No entanto. direito ao emprego. Elas acontecem de forma contínua no setor produtivo e dependem de uma soma de combinações como. . Além disto.(WDED). mas é uma questão sistêmica. Muitos são os percursos que possibilitam a transição para a sustentabilidade. pontuar sobre um destes fatores tem demonstrado não ser suficiente. Estes números não são exatos e são suscetíveis de discussão. prevê-se que será necessário multiplicar por 10 a quantidade de recursos atualmente existentes. Por inovações incrementais compreendem-se aquelas formadas por pequenas mudanças no processo e nos produtos.. Estas inovações podem ser incrementais ou radicais. de forma simplória. Claro está que a mudança necessária demanda inovações.é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem a suas próprias necessidades” (CNUMAD 1991: 46). disponibilidade de recursos. o Encontro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável. Esta conferência foi uma resposta para o relatório final da Comissão Bruntland Nosso futuro Comum que teve seus trabalhos desenvolvidos entre 1983 e 1987. ambiental e social (FIKSEL 2001): . em Johannesburg (SACHS. o consumo ilimitado e a não eficácia das tecnologias no uso de recursos (Sachs 1994).Social: desenvolvimento que permite a mesmo nível de “satisfação” para as gerações futuras e uma igual distribuição de satisfação para todos no mundo. No evento.Ambiental: desenvolvimento que não excede os limites de resililência da biosfera e da geosfera (Vezzoli & Manzini 1998). paz. sustentabilidade não é mais resumida a argumentos ambientais afrontados de forma pontual. por exemplo. para se manter o padrão atual dos países. . são argumentos inter-relacionados como mostraremos brevemente a seguir. et al 2002) introduz questões como a da sustentabilidade social e ética. educação. Foram incorporadas novas questões para a sustentabilidade como: direitos humanos. interligado por diversos fatores. Desde lá. Em outras palavras. liberdade. Alguns estão apoiados em soluções técnico e tecnológico. da demanda destas inovações e das possibilidades tecnológicas (Tischner. o melhor uso de recursos tem sido gradualmente incorporado nas atividades em geral.

mesmo considerando-se em uma abordagem sistêmica. quando se trata de produtos/ processos. Este âmbito do design para 70 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) .padrões. exatamente por isto. o design para a sustentabilidade. geralmente. à educação ou à pesquisa). pode-se vislumbrar dois níveis de interferência do designer para ajudar na transformação para um desenvolvimento sustentável: no redesign do existente. Vários autores estão trabalhando neste sentido usando nomenclaturas diversas: design for sustainability (Manzini & Vezzoli 1998). impelindo o leitor a pensar sobre os possíveis papéis que o designer pode assumir para auxiliar nesta necessária transição. os pesquisadores que se dedicam ao extremo evolucionário estão trabalhando para melhorar o modelo corrente de produção. um exemplo de inovação radical foi a criação da Internet. nem relacionadas aos impactos ambientais causados pelos produtos. Ainda para este autor. “exige sempre de nós a consideração do inteiro sistema em sua complexidade social. É. Para ilustrar melhor. Após o que foi descrito na secção anterior. sem grandes rupturas. com pequenas variações nas abordagens: ecodesign (Charter & Tischner 2001. as dimensões econômica e social da sustentabilidade. onde devem ser contempladas além da dimensão ambiental. Life Cycle Design (Vezzoli & Manzini 1998. Manzini (2003: 231) tem assumido uma posição claramente revolucionária. Lofthouse 2001). A mudança necessária deverá. a posição revolucionária afirma que a continuação dos modelos de produção. et al. et al 2002). em sua tese de doutorado. dirigindo o desenvolvimento de sistemas socio-técnicos para serem de baixa intensidade material e energética e com elevado potencial regenerativo”. uma possibilidade já sendo implementada e bastante corrente. como por exemplo. com o projeto de Sistemas Produto-Serviço ou mudanças dos padrões atuais de consumo. menos ainda com relação às mudanças sócio-éticas. Com relação a estas duas possibilidades. Hemel (1998: 18). no qual são consideradas questões do desenvolvimento sustentável. tecnológico e na- 3 Design para a sustentabilidade Por design para a sustentabilidade compreende-se a atividade de design (seja em relação à prática. ecoredesign. Apenas uma forma revolucionária poderia atingir este objetivo. Elas aparecem e propiciam uma profunda transformação nos comportamentos. A mudança evolucionária já é bastante presente em nosso dia-a-dia. a sustentabilidade tem sido chamado de diversos nomes. estes pesquisadores e profissionais estão melhorando os métodos e ferramentas do design para a sustentabilidade existentes. cradle-to-grave design (McDonought & Braumgart 2002). 2002). Seguindo este “mapa” traçado por Hemel. que dá uma contribuição para o desenvolvimento sustentável (Manzini & Vezzoli 1998). Para isto. Esta posição revolucionária pode ser considerada como uma abordagem estratégica do design.. Para estes pesquisadores e profissionais uma interrupção no atual modelo não seria possível e aceito. não é eficaz o suficiente para o tipo de mudança necessária para a sustentabilidade. universidades ou centros de pesquisa. EPA 1993). sustainable projection (Lewis.. design for environmental ou DfE (Lewis. portanto. denomina estes dois extremos de posicionamento do designer perante o desenvolvimento sustentável de “evolucionário” e “revolucionário”. ligadas a novas descobertas feitas em empresas. Voltando ao discurso de Hemel (1998). Mas. principalmente. considerando a desmaterialização. ou em uma abordagem que contemple mudanças radicais. ser alcançada através de um incremento do modelo existente. o comércio compreenderam sua importância e estão incorporando ações pequenas. na sociedade e na tecnologia. Ela acontece. e estão. para que estas possam atingir resultados mais eficientes e eficazes. então. Esta breve e superficial descrição sobre os rumos do desenvolvimento sustentável buscam sustentar o artigo nas conseqüentes derivações que o design para a sustentabilidade tem assumido. porque não faz grandes rupturas com os padrões atuais. Hemel 1998. assim como as empresas. A mídia. não cria mudanças radicalmente significantes. Brezet & Hemel 1997.uma atividade de design que tem por objetivo encorajar inovações radicais orientadas para a sustentabilidade. mas favoráveis a uma diminuição do impacto ambiental. numa “evolução” do existente. sustainable product design e sustainable design (Tischner & Charter 2001). Para ele design para a sustentabilidade é “.

ele se concentrou na seleção de materiais e energia com baixo impacto ambiental. ou seja. porém com menor durabilidade. percebe-se que a durabilidade pode vir a ser um fator prioritário no projeto de um produto com menor impacto ambiental. . Whiteley (1993) ou mesmo Schumacher (1983) que. Existem múltiplas e diferentes abordagens para se chegar a um desenvolvimento sustentável. No entanto. já alertavam sobre a importância destas considerações sociais. transporte e descarte). alguns autores como Charter & Tischner (2001) e Vezzoli (Manzini & Vezzoli 1998) acreditam que as duas posições não são antagônicas. produção. considerando-se apenas o impacto das fases de pré-produção e de produção. anteriores a Manzini. Assim. são aceitos como possibilidades viáveis. é possível observar que a cadeira de plástico possui um tempo de uso maior do que a cadeira de papelão. ao se confrontar o impacto ambiental causado pelo produto não apenas na sua fase de pré-produção e produção. algumas perguntas passaram a confrontar a real eficácia de se focar apenas na escolha dos recursos de baixo impacto ambiental. . . apesar de não ser designer. não possibilitaria o alcance da sustentabilidade.outras abordagens de projetual. Porém. A seguir. é bastante interessante. Esta mesma é a posição assumida para a autora deste artigo. produção. naturais. Porém. uma feita de plástico e outra de papelão reciclado (Vezzoli 2006b).Sistema produto-serviço. poderia ser claro que um material com menor impacto ambiental. e. em geral.abordagem do Life Cycle Design. poderá ficar mais claro este argumento. É clara a necessidade de uma mudança drástica. na atividade do designer. no uso de materiais não tóxicos. Em um primeiro momento. uma vida de 12 anos.seleção dos materiais. renováveis e biodegradáveis. Considerando-se a necessidade de uso da cadeira durante um determinado tempo. porém com menor durabilidade? O argumento da durabilidade de um material. com maior profundidade do que como vem sendo considerada nos projetos atuais de inovação e design. esta mudança não pode excluir uma continuidade do presente modelo de produção. seria a melhor escolha. Ainda hoje é este o nível de inserção de requisitos ambientais mais percebido no mercado. Estas questões são levantadas. recicláveis. porém. uso. e para um profissional menos informado. quantas cadeiras de papelão teriam de ser produzidas para cumprirem esta mesma função da cadeira de plástico ao longo deste tempo estimado? Em comparação. de comportamento e sobre cultura. mostrando uma visão crítica em relação aos seus papéis no futuro da vida do planeta. quando o designer se confronta com duas possibilidades projetuais na busca de um menor impacto ambiental no desenvolvimento de seu produto. mas ao mesmo tempo. por exemplo. Estes autores já clamavam a responsabilidade social do designer. o artigo descreve algumas abordagens do design para a sustentabilidade. considerar uma dimensão simplesmente técnica. todos os esforços. afinal prolongar a vida de um material descartado é altamente louvável. tais como: Papaneck (1985). ao ser considerado os impactos das outras fases do ciclo-de-vida do produto (pré-produção. quantas cadeiras 4 Da escolha de materiais para a abordagem do Life Cycle Design Quando o designer iniciou a introduzir requisitos ambientais em sua ativida- Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 71 . A princípio. Seria fundamental considerar a dimensão social. transporte e descarte). estimando. uso. sejam na área técnica ou relacionados com mudanças sociais e de comportamento.tural” . pode-se acreditar que a cadeira de papelão possui um menor impacto ambiental com relação à cadeira de plástico. mas em todo o seu ciclo-de-vida (pré-produção. propunha novos modelos para a apropriação da tecnologia. tendo como fio condutor à evolução desta disciplina: . como por exemplo: é mais interessante à escolha de um material mais durável ou de um material com menor impacto ambiental. reciclados. Para ele. Comparando duas cadeiras com relação ao impacto ambiental. Apesar destas posições descritas serem antagônicas. por conseguinte do próprio produto. entre os extremos da abordagem “evolucionária” e “revolucionária”. não nocivos. Outros autores.

Extensão da vida do produto .Redução do consumo de energia . todos os inputs e outputs gerados durante todo o ciclo-de-vida. ou seja. em inglês cradle-to-grave.Redução do consumo de material . deveriam ser desenvolvidos para auxiliar na tomada de decisão do designer (Vezzoli & Sciama 2006). A abordagem do Life Cycle Design leva em consideração algumas diretrizes. que promovam a desmaterialização dos padrões de consumo. mas. o uso. Muitas vezes as estratégias acima citadas podem entrar em conflito entre si e desta forma o designer deverá tomar a decisão sobre qual a estratégia mais importante a ser adotada em seu produto para se obter melhores resultados.Redução da toxidade e periculosidade . projetar a interação entre diversos atores. O termo Life Cycle Design foi utilizado pela EPA (1993). se for considerado um ciclo fechado onde. ou seja. a produção. o projeto de sistemas eco-eficientes. 72 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . em geral. O ciclo de vida também é conhecido pelo termo do berço à tumba. muito superficialmente. desde a pré-produçao. observando todos os elementos envolvidos na produção do produto. que venham a cumprir a mesma função. em seu Life Cycle Design Guidance Manual: environmental requirements and the product system. mais conhecida pelas iniciais em inglês LCA (Life Cycle Assessment).de plástico seriam necessárias para cumprir a mesma função durante estes mesmos 12 anos de uso? Ou seja. É neste sentido que ferramentas e métodos específicos para um determinado setor/produto. tais como Dewberry (1998). Esta é uma abordagem relacionada ao design estratégico. (Vezzoli. os resíduos entram novamente no sistema como matéria prima (EPA 1993). 5 Sistema produto-serviço É um exemplo de ação revolucionária. neste nível de design para a sustentabilidade a busca de soluções menos impactantes não são mais focadas em produtos. Abaixo está uma tabela comparando alguns tipos de serviços com a tradicional venda de produtos (Manzini & Vezzoli 2002: 4). mais conhecido pelas iniciais PSS (Product Service System) é. Sendo assim.Extensão da vida do material . o termo Life Cycle Design está diretamente vinculado ao uso de uma Análise do Ciclo de Vida do produto. um sistema eco-eficiente. Por ciclo de vida compreende-se o completo ciclo de vida do produto. a redução do consumo de material é somente uma das estratégias a serem consideradas pelo designer que quer introduzir requisitos ambientais no desenvolvimento de seus produtos. Projetar considerando todo o ciclo-de-vida do produto implica em passar de um projeto de produto a um projeto de um sistema-produto. o seu reuso e reciclagem de parte ou do produto total. Neste artigo. 2006b). uma vez que apresenta dados quantitativos sobre qual a fase do ciclo-de-vida do produto que é mais ambientalmente impactante. mas sim a busca da satisfação do cliente através de soluções sistêmicas de um conjunto formado por produtos e serviços. uma LCA é bastante útil. para a cadeira de papelão reciclado cumprir a mesma unidade funcional (12 anos de uso) da cadeira de plástico. o transporte e o descarte do produto. Carlo Vezzoli adota as seguintes: . Projetar um Sistema Produto Serviço. teria que ser produzida N vezes e a cada nova produção acumularia um impacto ambiental. Por isso.Design para a desmontagem Para alguns pesquisadores. onde a idéia principal é satisfazer as necessidades do cliente oferecendo soluções inovadoras. A este tipo de abordagem denomina-se Life Cycle Design (Manzini & Vezzoli 1998).Bio-compatibilidade e conservação . este método pode esclarecer qual é a fase prioritária de intervenção do designer para alcançar resultados mais efetivos. não se quer afirmar que a escolha de materiais com menor impacto ambiental é uma estratégia menos importante que a durabilidade. Esta não é uma imposição. em especial a Unidade de Pesquisa DIS (Design e Inovação de sistemas para a Sustentabilidade) do prof. ou do berço ao berço (cradle-to-cradle). O que se propõe aqui é questionar a prioridade de escolha do designer quando confronta duas estratégias que levam a um menor impacto ambiental. ou seja. Portanto.

porque são os atores que interagem com os seres humanos e os artefatos …’seu papel específico na transição que nos aguarda é oferecer novas soluções a problemas sejam velhos ou novos. Existe. p. o consumidor é responsável pelo uso e pela ‘qualidade’ da limpeza. o consumidor adquiri uma lavadora. Ele entrega a sua roupa suja na ‘lavanderia’ e recebe a roupa limpa após um determinado período de tempo. ser considerado sustentável quando ele auxilia a reorientar os padrões atuais de consumo e produção. Por exemplo. A isto. onde a lavanderia oferece o serviço de lavagem da roupa. onde o interesse econômico e competitivo da empresa resulta em inovações que levem. é o do transporte. Em particular. também. 4 Na primeira coluna é apresentado o modelo atual de lavagem de roupa. na figura do prof. do consumidor. praticamente não existe a participação do consumidor no serviço prestado. etc. bastante recentes. como por exemplo. na última coluna. Fonte: Manzini & Vezzoli 2002. Para ele. em relação a resultados sustentáveis. neste tipo de serviço. o que se pode afirmar é que Sistemas Produto-Serviços possuem um alto potencial para serem mais sustentáveis. irá se organizar lavando uma maior quantidade de peças claras e peças escuras com a mesma quantidade de água. Para Manzini & Vezzoli (2002) um Sistema Produto Serviço só pode. Na última linha da tabela anterior. sabão. chamamos de soluções win-win. Neste caso. realmente. de sabão. pois só assim poderão ter lucro. de sua manutenção e de seu descarte. Já na última coluna. que exijam uma menor manutenção e consumam menor quantidade e energia. o fornecedor do serviço irá otimizar o uso da lavadora. Desta forma. Até agora. a própria empresa responsável pelo serviço é incentivada a tornar o produto mais durável. num Sistema Produto-Serviço à durabilidade do produto é um fator preponderante e de interesse do próprio fornecedor do serviço. apresenta-se um serviço de aluguel de lavadoras. Manzini tem trabalhado principalmente com o âmbito do design estratégico. serão focados alguns temas de pesquisas realizadas pela unidade de pesquisa DIS (Design e Inovação de sistemas para a Sustentabilidade). a quantidade de água. o fornecedor do serviço. Na coluna do meio. o transporte feito pelos clientes para entrega e busca de suas roupas é altamente impactante. No caso da última coluna. Isto é. uma grande participação. ou pelo reuso dos componentes e/ou pela reciclagem do material. de alvejante. os designers são importantes neste novo confronto da sustentabilidade. colaborando na construção de visões compartilhadas sobre futuros possíveis e sustentá- Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 73 . e propor seus cenários como tema em processos de discussão social. Neste caso. as empresas fornecedoras do serviço são impelidas em adquirir produtos mais duráveis. 6 Novas abordagens do design para a sustentabilidade Nesta secção serão delineadas algumas iniciativas. tomadas pelo design para a sustentabilidade. ainda. No entanto. Como já apresentado anteriormente. cuida de sua utilização. Manzini. não está comprovado que um Sistema Produto-Serviço possa realmente levar a uma solução mais sustentável. verifica-se que. isto é. em um Sistema ProdutoServiço. à redução de impacto ambiental. O ponto mais criticado.Tabela 1: Comparação entre a venda tradicional de produtos e alternativas inovadoras Além deste incentivo. o serviço apresentado é o de entrega de roupa lavada. isto é. procurará economizar os materiais suplementares utilizados. etc.

O autor se foca no fato de que uma ruptura nos padrões atuais exige uma descontinuidade sistêmica. 74 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . da escolha voluntária de um novo estilo de vida com rupturas ao padrão de consumo. C. 1997. Ecodesign .. E. CMUMAD (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento). In: Home: UNEP. Em tal exposição são apresentados 72 propostas de cenários e alternativas para inovações sociais orientados para a sustentabilidade aplicadas no contexto urbano e no cotidiano das pessoas. PhD Thesis. H. na dimensão social da sustentabilidade. & Tischner. Rio de Janeiro: Epapers (Cadernos do Grupo de Altos Estudos. reprojetadas e replicadas. Sustainable Solutions: developing products and services for the future. C. 2001.present attitudes and future directions: studies of UK company and Design Consultancy Practice. São Paulo: EDUSP. USA.1) Charter. Conseqüentemente. Design for Sustainability Research Program. Open University. Dewberry. 2002. & Vezzoli. EPA (United States Environmental Protection Agency). C. 2001. H. França. G. Claramente. C. Product-service systems and sustainability: opportunities for sustainable solutions. Japão. Strategic design for sustainability: instruments for radically oriented innovation. E. com grande probabilidade de nascerem em contextos locais. 1998. Paris: UNEP. Já em 2003. Progettare per l’ambiente: guida alla progettazione eco-efficiente dei prodotti. v. (edited by). ambos os argumentos estão baseados em mudanças de comportamentos. Finlândia e Itália. resultado de uma exposição promovida pela UNEP. Milan: Edizione Ambiente. M. Prefácio. onde os seres humanos terão que aprender a “viver bem. Life Cycle Design Guidance Manual: environmental requirements and the product system. 231234. C. Jégou. ed.A proposta do autor. Estes são verdadeiros laboratórios de inovação social. é que tais inovações sociais sustentáveis podem ser estudadas. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. PhD diss. Dois são os argumentos que permeiam este novo fronte de pesquisa: estilos de vida e inovações sociais que orientem para a sustentabilidade. U. organizações colaborativas e novas redes projetuais. pp. através da criação de novas formações sociais colaborativas. Paris: UNEP. os pesquisadores ainda não se acordaram para este novo papel do designer. 2. Measuring sustainability in ecodesign. Hemel. E. School of Industrial and Manufacturing Science Enterprise Integration. 29/03/2009. In: Manzini. Fiksel. Wiltshire: Greenleaf. in: Sustainable everyday: scenarios of urban life. V. 2003. Manzini. Cranfield University. L. Cincinatti: EPA. 2008.org/pc/sustain/reports/pss/ pss-imp-7. 1996. Martin Charter and Ursula Tischner. ____Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas. 1991. Ecodesign: a promising approach to sustainable production and consumption. Manzini. Concluindo. Lofthouse. 2001. <http://uneptie. ed. F. Manzini e Jégou (2003) escrevem o livro ‘Sustainable everyday: scenarios of urban life’. & Hemel. Ezio and François Jégou. Manzini. 165-187. Delft University of Technology. as quais são denominadas pelo autor de ‘Comunidades Criativas’. Brasil. Índia. pela Triennale di Milano e pela Faculdade de design do Politecnico di Milano. et al. consumindo menos recursos ambientais e regenerando os contextos onde vivem” (Manzini 2008: 17). Trata-se de inovações sociais sustentáveis nascidas da necessidade do dia-a-dia. o autor tem voltado seus estudos para as inovações sociais em países de industrialização recente como China.pdf>. E. ou seja. 2003. Cipolla. enquanto promotor de inovações sociais que portem ao bem estar. & Vezzoli. Quais seriam os caminhos para se projetar o bem estar no contexto brasileiro? Referências Brezet. Wiltshire: Greenleaf. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. Milan: Edizione Ambiente. ed. Nosso futuro comum. Sustainable everyday: scenarios of urban life. Canadá. nascidos da emergência da sobrevivência e não. é preciso ressaltar que no Brasil. Milano: Ranieri. 2002. Índia e Brasil.veis (Manzini 2008: 16)’. E. Recentemente. EcoDesign empirically explored: design for environmental in Dutch small and medium sized enterprises. Coréia. J. simplesmente. Lewis. A. Facilitating ecodesign in an industrial design context: an exploratory study.. 1998. In: Sustainable Solutions: developing products and services for the future. PhD Thesis. 1992. Manzini. Manzini. E. Os cenários são criados por estudantes e levantados em 15 escolas ao redor do mundo: China.

In: Home: World Summit 2002. E. Rio de Janeiro: E-papers (Cadernos do Grupo de Altos Estudos. Neste depoimento o autor afirma que seus interesses hoje não estão mais voltados ao produto.org/memo/index. IX Unidade funcional é a unidade de medida utilizada em uma Análise do Ciclo de Vida do produto. o transporte. Vezzoli. São Paulo: Perspectiva. D. N. v. XI Traduzido pelo próprio autor do artigo. isto é. (edited by). Tischner. IV Não cabe neste artigo argumentar sobre a integridade destas ações. organizações colaborativas e novas redes projetuais. O negócio é ser pequeno. 1996). Vezzoli. 2. ou seja. das matérias primas necessárias para a produção do produto. mas que são aspectos distintos que portam a uma ruptura nos padrões e a necessária mudança (Cipolla 2008: 12). a manufatura. (January 2006). Paper presented at the conference Changes to sustainable Consumption. Life Cycle Design: from general methods to product type specific guidelines and checklists: a method adopted to develop a set of guidelines/checklist handbook for the eco-efficient design of NECTA vending machines. C. 1983. Cipolla apresenta um depoimento deste autor confronto seus dois livros publicados no Brasil. através do seu projeto. Design for sustainability: the new research frontiers. Design para a sustentabilidade: um percurso metodológico para pesquisa aplicada no setor de móveis de escritório. compreendendo desde o nascimento do produto. V. Advisory Council for Research on Nature and Environment (em particular: The Ecocapacity as a challenge to technological development. & Verkuijl M. In: 7° Congresso Brasileiro de Design. Copenhagen: SCORE.F. 2002. 2006b. <http://www. 1978. 29-56. W. in Curitiba. McDonough. III “A resiliência é a capacidade que o ecossistema tem de sofrer uma ação negativa e sem sair de sua condição de equilíbrio” (Manzini & Vezzoli 1998: 27). 2006. também. etc. Limites do crescimento: um relatório para o projeto do clube de Roma sobre o dilema da humanidade. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 75 . Cradle to cradle: remaking the way we make things. VII Este termo causa alguma confusão no que se refere a pratica projetual. The Jo’burg-Memo. Schumacher. Umwelt. Paper presented at 7th Brazilian Conference on Design. New York: North Point Press.. H. um estudo financiado por um grupo de Ministérios Holandeses). INDACO dept. Vezzoli.htm>29/03/2009. Neste último âmbito. Sachs. Rio de Janeiro: Zahar.worldsummit2002. Este artigo não tem por finalidade entrar neste mérito da questão. Energie. Berlin: Heinrich Boll Fundation. prolongando sua aceitação no mercado VIII Considera-se fase de pré-produção a fase anterior à produção. São Paulo: Brasiliense. um dos métodos mais confiáveis para se medir o impacto ambiental.Manzini. I. e portanto o produto. & Braungart. Pode-se afirmar que. 2008. Whiteley. In: Para pensar o desenvolvimento sustentável. org. ____________________________ II Sobre este argumento ver os trabalhos desenvolvidos pelo: 1. 2006. apesar de todas as críticas a LCA. et al. L. & Chaves. VI Tradução feita pela autora do artigo. este é. 1993. a extração. o designer trabalha juntamente com o marketing buscando revitalizar as vendas. o primeiro que trata do desenvolvimento de produtos sustentáveis e o último que trata de design para a inovação social e sustentabilidade. August 9-11. Lisboa: Edições 70. Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas. Curitiba. Design for (social) sustainability and radical changes. Brazil. C. V No prefácio do último livro de Manzini escrito no Brasil. W. Presentation in power point for the Master in Design Strategic of Politecnico di Milano. até sua morte comercial. Vezzoli. X Existem algumas críticas com relação ao método LCA. Journal of Cleaner Production 14. não é necessariamente o produto físico. para a vida comercial do produto. Ou seja. System design for sustainability. com relação a busca real de um desenvolvimento sustentável. também. 3. C. Brazil.1) Meadows. porque o termo é adotado. Papanek. sua retirada do mercado. E. 1994. U. M. & Dalia Sciama. London: Reaktion Books. 2002. C. 1319-1325. ainda. a função que este produto cumpre ao longo de um certo período. Arquitetura e design: ecologia e ética. WBCSD. 1985. Fairness in a fragile world. Working group on eco-efficiency que foi promovido pelo World Business Council for Sustainable Development (particularmente o relatório final Eco-efficient Leadership. Sachs. 2006. Wuppertal Institut fur Klima. Marcel Bursztyn. Design for society. mas. Estratégias de transição para o século XXI. Memorandum for the World Summit on Sustainable Development. I. 2006a.

.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 77 . blind user.Validação de uma bula de medicamentos em Braille direcionada ao usuário cego Validation of medicine package insert in Braille to blind user Maria Olinda Lopes Mestre em Design. The objective is the validation of the medicine package insert in to the graphic and informational characteristics for blind people users. Braille System. usuário cego. acessibilidade Nesse artigo é descrita a validação de uma bula de medicamentos em Braille realizado com usuários portadores de cegueira. Sistema Braille. Information Design.com Design da Informação. medicines. Para tanto foi desenvolvido uma entrevista com a aplicação do modelo de apresentação gráfica de Karel van der Waarde. O objetivo deste foi o de validar a bula em suas características gráficas e informacionais para o usuário cego. accessibility This paper pretends the description of a validation realized with blind users. medicamentos. For that reading did develop an interview with the Karel van der Waarde framework of graphic presentation application. UFPR olindaart@hotmail.

br 2 Decreto 5. o modelo analítico proposto é voltado para bulas destinadas a videntes. de dezembro de 2004.4 milhões com baixa visão. que deve estar cada vez mais atento à necessidade de auxiliar pessoas com deficiências sensórias e cognitivas no entendimento das informações (Wright. ou em fonte ampliada”5.296. garantindo o pleno acesso as informações disponíveis. Lei de Acessibilidade4 brasileira estipula que: “(. Com a intenção de auxiliar no acesso eficaz e averiguar as melhorias realizadas no documento. no Brasil. bulas em Braille carecem de instrumentos descritivos e avaliativos de sua eficácia comunicacional. A bula foi impressa em Braille respeitando a legislação vigente sobre este tipo de documento. Assim. Segundo a autora o acesso a informação sobre os medicamentos é um direito básico e particularmente importante para as pessoas com deficiência visual. também. 2 O design de documentos para bulas A área do design de documentos tem explorado como. 2003). dadas as necessidades especiais do usuário. layout do documento são desconsiderados. Isto se deu a partir da leitura da bula por quatro usuários. a ver: o design tipográfico e de layout da página. O Sistema Braille de escrita em relevo.gov. A partir desta matriz chamada de cela.br camentos impressa neste sistema de escrita empregando o modelo proposto por Van der Waarde (1999). com a intenção de avaliar a bula desenvolvida no que se refere a sua estrutura gráfica e informacional a fim de promover a qualidade do documento do ponto de vista do design da informação. do acesso a informação e a comunicação. mas. assim. Neste sentido. Para tanto foi aplicado um modelo descritivo desenvolvido para o design de bulas. capítulo VI.anvisa. o qual deve respeitar uma ordem das informações e conteúdo especificado e regulamentado. O design inclusivo – que considera usuários com necessidades especiais – também deve ser uma preocupação do designer.296. aspectos como legibilidade.gov.. o que foi essencial neste estudo. Wright (1999) enfatiza que esta demanda habilidade verbal e de retórica de comunicação. Entretanto. Braille. entre outros. Van der Waarde (1999) desenvolveu um modelo analítico para este tipo de documento informativo. parágrafo 1º www. foi criado em 1824 por Louis Braille.org. Mas. destacando ainda elementos que influenciam sua eficácia comunicacional. o acesso à bula em Braille é um direito 4 5 Decreto 5. clareza nas instruções visuais. Portanto. artigo 58. de 2 de dezembro de 2004. Sobre a escrita de documentos técnicos. na França (Venturini e Rossi 1995). segundo Fujita e Spinillo (2006): ‘é omissa no que se refere à apresentação gráfica das informações obrigatórias. de direito e cidadania. Tal legislação refere-se ao texto das bulas. ou célula. através da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) pela portaria nº 110. ou Código Braille.. capítulo VI. neste artigo é apresentada a validação de uma bula de medi1 http://www.1 Introdução Aqui é exposta a validação de uma bula de medicamentos em Braille. mediante solicitação.br 78 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)3 . até o ano 2000 havia 148 mil pessoas portadoras de cegueira no Brasil e 2. No Brasil o conteúdo das bulas é regulamentado pelo Ministério da Saúde. Visando a eficácia comunicacional em bulas de medicamentos. No que tange a leitura de bulas por usuários deficientes visuais ou cegos.acessobrasil. a escrita de documentos e uma boa comunicação visual podem melhorar a sua leitura efetiva. constituíramse 64 (sessenta e quatro) sinais. pela ANVISA1 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. artigos 47 a 60 3 www. Portanto.ibge. que permite aos cegos lerem através do tato.) a indústria de medicamentos deve disponibilizar. a promoção de um design eficaz de documentos para deficientes visuais e cegos é uma questão não apenas de comunicação/design da informação. Jones (2005) destaca que a impossibilidade de ler bula de medicamentos é um sério risco para a saúde dos mesmos. apesar da relevância destes aspectos na leitura e compreensão da mensagem’ (Fujita & Spinillo 2006). A Lei de Acessibilidade2 regulamenta o acesso dos cegos e deficientes visuais a qualquer meio impresso e/ou eletrônico. exemplares das bulas dos medicamentos em meio magnético.

Estética Os componentes verbais são definidos como marcas significativas que podem ser pronunciadas. em um segundo nível. pois. esquemáticos e compostos não fizeram parte do design desta bula. Componentes gráficos. Os componentes gráficos visualmente diferentes apresentam diferentes elementos informacionais com status diferentes. Na bula em Braille deste estudo somente o componente verbal está presente. as normas para a aplicação do Sistema no Brasil. a qualidade do papel. Componente composto Nível 2. pode perfeitamente ser utilizado no design de outros materiais. não constam da bula transcrita. Relação de proeminência D. Características físicas C. dispostos em duas colunas de três pontos. e reflexos. Um uso consistente dos componentes gráficos e as relações entre os componentes em toda a bula podem fazer com que a informação seja mais fácil de reter. a proximidade refere-se à distância entre os componentes gráficos. em linhas gerais. Portanto. pois. A seqüência de componentes gráficos indica a sucessão de elementos informacionais. Relação de sequencialidade Nível 3. mas eles são mencionados com maior freqüência em relação à apresentação gráfica. tintas de impressão. foi considerado o mais apropriado para o estudo. mas. 2. Relações entre componentes gráficos. Componentes gráficos A. Estes aspectos são os mais difíceis de descrever. Apresentação gráfica global (figura 1). A proeminência entre diferentes componentes gráficos é uma indicação de um conjunto de diferenças no status hierárquico entre os elementos informacionais. trata o tema do design de bulas de forma completa e sistematizada. Relação de similaridade C. As características da apresentação gráfica global são importantes segundo Waarde (1999) porque provêem o leitor com a primeira impressão do conteúdo informacional de uma bula. A partir desta matriz chamada de cela. O modelo de Karel van der Waarde Waarde (1999) apresenta três níveis de análise em seu modelo: 1. o modelo de Waarde. A segunda relação entre os componentes gráficos é a relação de similaridade. Tabela 1: Modelo descritivo de Waarde (1999) Nível 1. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 79 . as dimensões do documento. Uma segunda característica é a estrutura física do documento. Mesmo sendo direcionado a bulas para videntes. A quarta relação é a de seqüencialidade. Relações entre componentes gráficos A. É importante lembrar que o modelo foi desenvolvido para o design de bulas. serão descritas.garantido por lei no Brasil. e 3. Por exemplo. Componentes verbais B. Os componentes pictóricos. Componentes esquemáticos D. Apresentação gráfica global A. estes não foram mencionados aqui. A primeira característica é a consistência da aplicação das variáveis gráficas em um documento. A terceira relação pode ser descrita como uma relação de proeminência. Consistência B. Relação de proximidade B. Sobre as relações entre componentes. normas e exemplos de uso O Sistema Braille é composto por matrizes constituídas de seis pontos. 3 O sistema Braille: conceituação. A última característica relatada sobre a apresentação é sobre o aspecto gráfico das bulas. Para uma melhor compreensão das características de documentos em Braille. a transparência. Componentes pictóricos C. no tópico a seguir.

de março de 1997. este conteúdo foi selecionado a partir de texto aprovado pela ANVISA/ Ministério da Saúde. Quadro 1: síntese comparativa entre as bulas (antes e após re-design) Figura 1: Sinal fundamental do Braille(a) e cela vazia(b) em tamanho real Figura 2: Pontos do Braille e a direção de leitura na transcrição para a escrita convencional Figura 3: Alfabeto Braille A leitura do Braille se dá da esquerda para a direita e o leitor deve prestar muita atenção para não saltar linhas. podem ocorrer erros gramaticais e de ortografia. É importante ressaltar que. da esquerda para a direita (figura 3). 2003). Na figura 4 se pode verificar o alfabeto Braille: de 2005 (anexo 01) anexo do documento em tinta. todos os itens e conteúdo que compõem a bula são regulamentados por lei6 e qualquer alteração deve ser formalizada e enviada pela fabricante do medicamento para sua atualização. A numeração da cela Braille. pois. 4 Descrição da bula em Braille – estrutura informacional e gráfica O conteúdo da nova bula em Braille é o mesmo da anterior. Portanto. e Copyright 6 Portaria nº 110. com sua última atualização em 12/07/2004. portanto. não foi realizada a revisão ortográfica do texto da bula. não foi alterado. 80 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . pelo mesmo motivo.constituíram-se sessenta e quatro sinais (figura 2). o reconhecimento geral dos símbolos Braille é feito com a mão direita. Nos quadros abaixo (01 e 02) é possível visualizar resumidamente a estrutura gráfica e informacional da bula em Braille antes e após re-design. também chamado de sinal fundamental. se faz de cima para baixo. e a compreensão e leitura com a mão esquerda (Grifin e Gerber.

portanto. se já tiveram contato com bulas. O conteúdo informacional foi o mesmo da bula transcrita a partir do texto que consta no bulário eletrônico da ANVISA. o documento em Braille é composto por 42 páginas em papel liso com a impressão somente na frente da folha. foi realizada a validação da nova bula em Braille com a participação dos usuários. Assim. Material teste Foi analisada a nova bula do medicamento hidroclorotiazida. Parte 2. faixa etária entre 36 e 65 anos. superior e inferior de 25 mm. Procedimentos Para os participantes 02 e 03 a leitura da bula foi dividida em três partes: Preenchimento de dados pessoais. são do sexo masculino. Esta bula foi impressa em papel sulfite com gramatura de 75 gramas. No estudo anterior participaram Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 81 . de que forma recebem estas informações. Neste artigo somente serão expostos os resultados do participante 02 para exemplificação. Parte 3. quais informações mais lhes interessam. e de razoável a muita fluência em Braille. procedimentos. Na impressão em Braille foi usado formulário contínuo (260 X 305 mm) com papel na gramatura de 150 gramas. A bula em “txt” resultou em treze páginas no formato A4 (210 X 297 mm) com margens: esquerda e direita de 30 mm. não houve a preocupação em um misto entre pessoas de sexo masculino e feminino. e com muita fluência em Braille.Participante com a bula de medicamentos em Braille em mãos. O gênero não foi considerado relevante neste estudo. a fim de comparar os resultados entre os estudos. O texto foi salvo em formato “txt”. se conhecem bulas Participantes Quatro adultos portadores de cegueira participaram deste estudo sendo que têm pós-graduação completa. Parte 1. Assim.Participante sem a bula de medicamentos em Braille. e os resultados deste estudo são expostos a seguir. assim como no estudo com a bula corrente. materiais. faixa etária entre 36 e 45 anos. Os dois novos participantes foram convidados com a intenção de se detectar problemas que pudessem ter sido despercebidos na primeira leitura. Como exemplo: onde buscam informações sobre um medicamento prescrito. Os participantes.Solicitar que o participante encontre as informações indicadas. Na parte 1 os leitores responderam questões sobre sua experiência com bulas de medicamentos. . 5 Validação da nova bula em Braille A validação da nova bula em Braille foi feita para verificar a sua eficácia junto a leitores experientes de Braille. pós-graduação completa em Educação Especial.Quadro 02: Síntese da estrutura gráfica e informacional da capa e do sumário (vide página seguinte) duas pessoas que voltaram a participar na validação para averiguar se os problemas detectados haviam sido solucionados.Participante 02: Sexo masculino.

estrutura gráfica da bula em Braille | Componente Gráficos | verbais Para o participante o fato dos títulos estarem numerados e com salto de linha antes e depois. . Quando questionado sobre a possibilidade de acesso a uma bula em Braille. Parte 2 | Participante com a bula de medicamentos em Braille em mãos Os primeiros comentários do participante foram sobre o seu grande volume. contra-indicações. Comentou sobre um ganho de espaço e de papel neste caso. o participante comentou que se o título (contra-indicações) fosse composto por uma frase curta. este citou as contra-indicações e as reações adversas. mas. porque. segundo ele. isenta da necessidade de estar toda a frase em caixa-alta. as relações entre esses componentes e sobre as características físicas da bula. os que adquiriram cegueira após terem sido alfabetizados. foram transcritas para a compilação dos resultados. mas. com relação aos seus componentes gráficos. Ainda. quando há títulos longos. Assim. para ele. para que se inteirassem de seu conteúdo. ou. somente as iniciais. numa escala de 1 a 4. no caso dos cegos. advertência e as indicações de armazenagem. Que o paciente não deve 82 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . que preenchem a linha quase intei- Alguns resultados e discussão . como satisfatória. O mesmo foi observado com relação aos subtítulos antecedidos por letras (a. c). Também foi solicitado se teriam algo a acrescentar que lhes parecesse relevante para o estudo e qual sua opinião sobre a bula que haviam acabado de ler. Na parte 3 os participantes fecharam a bula e foi solicitado que encontrassem informações específicas como. regular ou ruim (ver formulário de entrevista em apêndice B). O participante comentou sobre a presença de muitos termos de difícil compreensão. a falta de parágrafo poderia causar confusão na leitura tátil e o usuário poderia acreditar ser a continuação do texto. técnicos. segundo o participante. mesmo sendo um ganho mínimo. isto pode acarretar-lhe alguma reação adversa. 4= a muito difícil. ater-se somente às informações vindas do médico.Participante 02: Parte 1 | Participante sem a bula de medicamentos em Braille | Questões preliminares sobre a experiência do participante com bulas Segundo o participante ele recebe informações sobre um medicamento prescrito com o médico e oralmente. 2= a regular. em que 1= fácil. interações medicamentosas. Ainda. reações adversas. Porém.em áudio. Portanto. . é a impossibilidade que os impede. que a bula foi impressa somente de um dos lados da folha e que com a impressão frente e verso o volume do documento seria reduzido na metade. Com a oferta da bula em Braille não haverá motivo para não ler a bula. porém. foi solicitado que ambos classificassem a bula com relação à busca de informação. Ainda. O participante expôs que para pessoas com boa fluência em Braille não há problemas em ler documentos extensos. As entrevistas foram filmadas e gravadas em áudio para posterior transcrição. o participante diz ser importante que haja o acesso. há dificuldades e que estes geralmente preferem textos em áudio. Aqui foi solicitado que os participantes lessem as quatro primeiras páginas da bula. entre os que têm fluência em Braille geralmente há a preferência pela leitura de textos impressos. e. b. O único acesso que este teve a bulas de medicamentos foi oralmente. não se faz necessária a abertura de parágrafos. Quando questionado sobre quais as informações ele deseja saber de acordo com o seu interesse. Na parte 2 os participantes responderam questões específicas à estrutura gráfica da bula em Braille. números e letras. ao adicionar hífens. referentes à capa e ao sumário. Também comentou que se as pessoas não lêem a bula pode ser por uma questão cultural. 3= difícil.Relações entre componentes gráficos Proximidade Ao ler o item c da bula.

para a leitura tátil. Consistência Para o participante o fato de títulos. já é uma convenção utilizada no Braille. a leitura da bula. também foi satisfatório. Porém. o participante comentou que. As margens e o comprimento das linhas foram tidos como satisfatórios. segundo ele. a leitura é mais lenta com o acréscimo de caixa-alta em todas as palavras. não é necessário saltar linha entre títulos e subtítulos. pois. A intenção de destacar textos em grandes blocos através do salto de uma linha foi satisfatória. Os hífens utilizados como separadores de números ou letras não interferiram na interpretação dos títulos hifenizados. quando há a numeração em seqüência dos títulos e a abertura de parágrafo. tanto na legibilidade do relevo dos pontos. Os saltos de uma linha antes e/ou depois destes títulos e subtítulos. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 83 . pois. pois o título sem ponto final indica início de texto na próxima linha. não há a necessidade de saltar linhas. assim como o tipo de encadernação em espiral com relação ao manuseio. é necessário a abertura de parágrafo na linha seguinte (Figura 05). subtítulos. proporciona consistência gráfica na bula. O participante observou que é importante imprimir em frente e verso das folhas. para um melhor aproveitamento de papel. Características físicas O formato foi tido como o ideal em suas dimensões (formulário contínuo. pois. a presença de letras ou hífens. 260 X 305 mm). o hífen dobrado já diferencia subtítulos de outros itens presentes no texto corrido. quanto ao que se refere ao tipo de papel utilizado. não há a necessidade de letras maiúsculas e nem de paragrafação. similaridade Ao ler um trecho da bula (figura 06). assim facilita. . Seqüenciamento A convenção de que dois hífens significam itens e um hífen se refere a títulos foi satisfatória. serem representados em caixaalta e com numeração. para ele. sendo que o número de página indicado estava Figura 6: trecho lido pelo participante proeminência Para o participante.Apresentação gráfica global Figura 5: Trecho lido pelo participante Segundo ele. Comentou que nos títulos em pontuação não há prejuízo pela falta de paragrafação. A impressão do documento foi tida como satisfatória. quando a intenção for proporcionar ênfase ao trecho de texto o uso de caixa-alta é válido. neste caso. Parte 3 – Solicitação que o participante encontre informações na bula O participante procurou informações no sumário e comentou não haver dificuldade para encontrá-las.ra. já demonstra que é texto com outra função. Segundo ele. ou seqüência de letras e hífens. Além disso.

assim é possível proporcionar proeminência e/ou similaridade às informações. adição de letras e hifenização de títulos e subtítulos. a inserção de numeração. O uso de hifenização dupla em itens no interior de textos foi considerado satisfatório. pois assim. Um dos participantes comentou que a bula solicitada.correto. O uso de caixa-alta foi considerado uma forma eficaz de proporcionar ênfase nas informações. a numeração. para a otimização do documento. ou cadastramento. para avaliar aspectos da estrutura gráfica e informacional da bula em Braille. Os participantes comentaram sobre a presença de termos técnicos e consideraram que estes são de difícil compreensão. 84 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . foram tidos como satisfatórios pelos participantes. via correio. O destaque proporcionado às advertências e observações proporcionou. assim como. A paragrafação foi considerada desnecessária após títulos curtos. pois facilitou o encontro das informações. pois. A respeito da consistência gráfica e informacional o uso de caixa-alta para títulos e subtítulos foi considerado eficaz. portanto. ou. pois. os problemas e fornecendo um documento de maior qualidade ao usuário cego. Também encontraram erros de grafia na bula. ou técnicos. e assim. Ao solicitar se o participante teria algo a acrescentar que lhe parecesse relevante ao estudo. como o uso de paragrafação de três caracteres e o uso de caixa alta. em estudos experimentais é válido e essencial para detectar problemas que podem ser imperceptíveis ao designer. este comentou novamente sobre a presença de termos de difícil compreensão. O mesmo sobre saltos de linha. de fácil reconhecimento pelo leitor do Braille. pois. Ao buscar a informação na bula. Pode-se afirmar que a avaliação da bula em Braille através do modelo de estruturação gráfica e dos participantes foi eficaz para solucionar problemas estruturais gráficos e informacionais no documento ocorridos na transcrição. letras e hifenização já proporcionou esta separação entre informações. e também sobre a possibilidade de imprimir a bula em frente e verso. foi considerado desnecessário para separar títulos e subtítulos no sumário. Os recursos de ênfase em advertências e observações. A inserção de sumário e numeração de páginas foi confirmada como eficaz na função de orientadores na bula. minimizando assim. porém. Também disseram que o acesso à bula em Braille pode ser por solicitação. Três dos participantes comentaram que o uso da impressão em frente e verso das folhas não prejudicaria a qualidade do documento e reduziria o seu volume. comentou que os saltos de linhas antes e/ou depois de títulos e subtítulos ajudou a encontrar a informação na página. com o médico. foram solucionados problemas de similaridade e proximidade informacional-gráficas. segundo os participantes. que também foi considerado eficaz no auxílio do encontro das informações no interior da bula. reduzindo assim na metade a quantidade de papel gasto na sua produção. 6 Conclusão e considerações A partir da validação foi possível concluir que a participação do usuário durante o processo de design da bula. a definição da hierarquia informacional na bula. pelo médico. Os participantes expuseram que recebem informações sobre o medicamento oralmente e um deles comentou sobre a presença de informações impressas em Braille na embalagem de alguns medicamentos. Considerou a bula como fácil no que se refere à busca de informações. A validação do documento com a participação de usuários é fundamental em pesquisas para a observação da influência dos fatores gráficos mencionados na eficácia da leitura de bulas de medicamentos em Braille e na busca de soluções de problemas percebidos somente pela percepção tátil. e um deles disse que gostaria de ter o acesso em farmácias. poderia chegar ao paciente em sua residência. é usado com freqüência e. ou junto com o medicamento no momento da aquisição.

Análise sobre o processo de obtenção e uso de medicamentos por pacientes com deficiência visual a partir de processo descrito por pacientes videntes. LOPES. 2003.S. BOERSEMA. Referências bibliográficas BRASIL..honeycombonnect. London. Carla G. VENTURINI.anvisa.bvs. Theo.75-81.acessobrasil.gov. Braille labeling of medicines: meeting directive 2004/27/EC. euroblind. WRIGHT.1-6. Taylor & Francis. Acesso em 10 de abril de 2007. p.O. (1995). The graphic presentation of patient package inserts. BRASIL. Patricia. Henriëtte. 1997. 24-35. Artigo completo premiado no P&D 2008. Solange G.Sobre as características físicas do documento. Providing patients with relevant information. Fiona. Jurema Lucy. (2006). 2008. Disponível em: http://www. Censo Demográfico 2000.. Karel.5. (Ed) Visual information for everyday use: Design and research perspectives. (1999). p. Package information leaflets (or Patient Information Leaflets – PIL). In: Journal of Audiovisual Media. Carla Galvão. GIL.G.I. C. M.M. (Eds. BRASIL (2004). SPINILLO. Paul J. Decreto nº. foi considerado satisfatório.org/fichiersgb/pil-guid. (2004). Selected Readings of the Information Design International Conference. Visual information about medicines. comprimento de linhas e margens. COUTINHO. Acesso em 13 de novembro de 2005. 2008.). Bula para o paciente. São Paulo. de 10 de março de 1997. Desenvolvimento tátil e suas implicações na educação de crianças cegas. revisão de Paulo felicíssimo e Vera Lúcia de Oliveira Vogel. Criteria and ingredients for successful patient information. os participantes disseram ser importante o acesso a bulas em Braille e que a bula lida está satisfatória sendo que apresenta todas as informações sobre o medicamento a qual se refere. nº 3. In: Infodesign. Vol. SPINILLO. Carla Galvão. M. London. RNIB. In: ZWAGA. Acesso em 20 de maio de 2007.26.. HOONHOUT. Jonhn (2004-05). In: Anais do 8º Con- gresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. Information Design in medicine inserts in Braille: a case study in Brazil. Patricia. LOPES. HOONHOUT.5. WRIGHT. Estudo experimental de leitura de uma bula de medicamentos transcrita para o Sistema Braille por usuários portadores de cegueira. LOPES. Recife. 2006. Bauru. Harm J.54154305200511&phpsessid=91c00d8354b011596afb51e1e568dcc. São Paulo: Atlas.L. Printed instructions: can research make a difference: In: ZWAGA.org/guidelines/instruction_books. Acesso em abril de 2007. Medicine’s blind spot. GERBER. Disponível http://bulario. BOERSEMA. (2000-07).110. 2009. Ministério da Saúde. Métodos e técnicas de pesquisa social. European Blind Union. ISSN 1808-5377 LOPES. (1999). Carla G.6-10. SBDI – Sociedade Brasileira de Design da Informação. (Ed) Visual information for everyday use: Design and research perspectives. Disponível em: www. o manuseio do documento. Carla Galvão. No entanto. Henriëtte. Theo. 1CD-ROM. Accessibility for Visually Impaired end-users. Patrícia T.br/?action=sa ude. In: International Design Conference | UK.ibge. Disponível em: http://www. VAN DER WAARDE. (2004).com/ people_in_life_sciences(P.htm Acesso em: 13 de abril de 2008. BRASIL. p.shtm>. In: People in Life Sciences (P.G. M. In: Anais do Seminário Design da Informação sobre medicamentos.br.L. Ministério da Saúde.html. Harm J. D. Disponível em: http://www. Disponível em: <http://www.org.296. Harold G.) (2000). P&D 2008.81-89. A apresentação gráfica de bula de medicamentos: um estudo sob a perspectiva da ergonomia informacional. JONES. ashx%3fpage%3dcompliance_column. Guidelines regarding implementation of the European union directive on medicinal products for human use. Louis Braille: sua vida e seu sistema.br/ home/presidencia/noticias/27062003censo. Designing public documents. (2005). SLESS.O.).. GRIFFIN.M. Tradução de Ilza Viegas. de 2 de dezembro de 2004. Lei de Acessibilidade.)/document_5325. Bauru: UNESP.45-66. Análise da estrutura gráfica de uma bula de medicamentos transcrita para o Sistema Braille. M. Quando questionados sobre a sua opinião sobre a bula lida. Portaria n. nº 1. IBGE (Org. no que se refere às dimensões. SPINILLO.br/legis/portarias/110_97.O. Taylor & Francis.htm Acesso em: 13 de abril de 2008. vol. p. 2ª edição. In: Information Design Journal + Document Design 12 (1).tiresias. Anais. (2003). Acesso em 10 de abril de 2007 FUJITA. Disponível em: http://www. _______Karel. Carla Galvão. a bula foi considerada muito volumosa em número de páginas.gov. p. 5ª ed. Antônio Carlos (1999). SPINILLO.L. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 85 . SPINILLO. ROSSI. p.O. Publicação da Fundação para o Livro do Cego no Brasil. SPINILLO. GILL. In: Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade ‘ERGODESIGN’. Teresinha Fleury de Oliveira. C.I. ISBN: 85-99679-02-3.S.

.

Culture. economic. política e ambiental. political and environmental dynamics.Desafios do design na mudança da cultura de consumo Design challenges for changing the consumption culture Maristela Mitsuko Ono I Universidade Tecnológica Federal do Paraná. political and social multiple dimensions. Based on an interpretive. no contexto da dinâmica cultural.com Palavras-chave: Design. within the context of the cultural. destaca-se a relevância da adoção de abordagens interdisciplinares no design de sistemas de produtos e serviços para a sociedade e do aprofundamento de pesquisas de prospecção de cenários. emergindo da relação das pessoas com os artefatos e a sociedade. Consumption. In this sense. Resumo Este artigo traz considerações acerca de desafios. Sob este prisma. artifacts and society. economic. aiming at sustainability. and needs and yearnings satisfaction. cultural. para a promoção de mudanças na cultura de consumo. Key-words: Design. no âmbito do design. Consumption emerges from the relationship between people. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 87 . consumption is here understood as a process that goes beyond a passive absorption. econômica. culturais. Brasil maristelaono@gmail. Cultura. Abstract This paper presents some considerations about design challenges for promoting changes in the consumption culture. Consumo. apropriação de bens e satisfação de necessidades e desejos. políticas e sociais. aiming at reaching a sustainable development. Com base em uma abordagem interpretativa. as well as of developing deeper researches on prospective sceneries. appropriation of goods. com vistas ao desenvolvimento sustentável. abrangendo estilos de vida e comportamentos de consumo. social. em suas múltiplas dimensões ambientais. econômicas. non reductive and non deterministic approach of the diverse cultures and the world. não reducionista e não determinista das diversas culturas e do mundo. which is related to lifestyles and consumption behaviors. the relevance of adopting interdisciplinary approaches in designing products and services systems is emphasized. entende-se o consumo como um processo que vai além da passiva absorção. social. considering its environmental. visando à sustentabilidade.

em termos de pesquisas sobre as dimensões socioculturais no desenvolvimento e consumo de produtos e serviços. na esfera simbólica e nos usos (Mccraken. uma crescente e complexa gama de necessida- 88 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . condutas. 2005. Assim. Douglas & Isherwood. interações e interdependências dinâmicas (Bertalanffy. Há diversas abordagens sobre consumo. política e ambiental. 2006. trazendo em si o caráter ativo da relação das pessoas com os artefatos e a sociedade. social. segundo Néstor García Canclini (2003). e significam a própria existência (Geertz. desejos e significados tem se desenvolvido. a sustentabilidade nas esferas sociocultural. ainda que produzidos industrialmente com modelos padronizados. distribuição. 2004. comunicação. A questão da sustentabilidade tem sido discutida e pesquisada mais ampla e profundamente nas esferas ambientais e do ciclo-de-vida de produtos. Eles. na construção desses significados. Laszlo. Os artefatos. O consumo não consiste em um fenômeno unidirecional e homogêneo. que uma direção na qual se deva conduzir. Capra. como a alimentar ou de abrigo. valores. por sua vez. dentre outros. como o de explodir fogos de artifício em algum festejo. Baudrillard. cujo significado é arbitrário e polissêmico. 1996). e a partir da qual desenvolvem seus pensamentos. 2006. no contexto da dinâmica cultural. a despeito de certos discursos com esta perspectiva. além da sustentabilidade ambiental. até de um desejo efêmero. não têm sentido. materializando-se em artefatos de variadas funções e graus de complexidade. e se “personaliza” mediante a diferença. na medida em que as pessoas se relacionam. 1968. O consumo pode ser compreendido como “uma atividade de manipulação sistemática de signos”.1989). dentre outros). e um objeto de consumo. em prol do desenvolvimento sustentável. Ono. e o papel destes nas relações sociais. dentre outras. há lacunas expressivas. des. comunicação e consumo. compreende uma teia de inter-relações. Hall. 1983. desigualdades e condutas discriminatórias e excludentes. Laszlo.1 Introdução Este artigo tece considerações acerca dos desafios do design para a promoção de mudanças de modos de vida e comportamentos de consumo na sociedade. Ono. regulação. que emergem desde de uma necessidade básica. interagem com eles e os utilizam. 2003. apesar das estratégias e lógicas mercadológicas não raro desfocalizarem a pessoa em sua individualidade e subjetividade. 1972. apesar de estarem estreitamente inter-relacionados aos estilos de vida e referenciais socioculturais. vai além do processo passivo de absorção. 2 Estilos de Vida e Consumo Dos tempos mais remotos. dentre outros). 1992. enquanto que a antropologia cultural trata de como se desenvolvem as relações entre as pessoas e os artefatos. por sua vez. A cultura é aqui compreendida como uma teia de significados tecida pelas pessoas ao longo de suas vidas. no contexto de uma globalização “imaginada”. as culturas não estão se tornando homogêneas (Lorenz. dentre outros). além das dimensões subjetivas e socioculturais. múltiplas e complexas relações se desenvolvem. quando os humanos desenvolveram os primeiros artefatos. E. como um “signo”. 1994. até os dias de hoje. No entanto. a partir de uma visão não reducionista e não determinista do mundo e da vida. Entende-se que o consumo. Cabe lembrar que isto se dá na relação entre sujeitos e objetos. sempre social e culturalmente contextualizados. nos processos que envolvem produção. E. A condição sistêmica. ou de vestir-se de certo modo. econômica e política. sendo que a sociologia do consumo busca compreender a ideologia do consumo (Bourdieu. são continuamente significados e re-significados. distribuição. 1993. por sua vez. que compreende. econômica. como o de Theodore Levitt (1990). conforme Baudrillard (1993 : 149-206). revelando-se com uma miríade de facetas. um objeto ganha sentido mediante sua relação com outros signos. apropriação de bens e satisfação de necessidades e desejos. envolvendo as esferas de produção. por si só. consumo e acesso aos bens. em que persistem contradições. E o desenvolvimento sustentável é visto antes como uma condição sistêmica que se almeja alcançar. conflitos. análises. representação.

considerando-se que nem toda melhoria. atua como um mediador entre pessoas e artefatos. para si mesmos e para os outros. E. A disposição estética. e a sociedade apresenta inúmeras manifestações de “estratificação do poder”. resultantes de impulsos “descontrolados” de compra. como muito se tem dito. por uma questão de distinção social. representando a posição social dos indivíduos. sua posição na estrutura social. hierarquizados de acordo com marcas e modelos (Ono. a vida ou a morte. inter-relacionados a essas três esferas ambiental. o design pode fomentar a durabilidade dos artefatos ou a sua obsolescência e descarte prematuros. quais sejam as culturais. tanto incorporando quanto propiciando significações e relações objetivas e subjetivas. no cultural. podendo promover ou não o desenvolvimento sustentável. na medida em que. os sujeitos sociais constituem e exprimem. em suas múltiplas e complexas relações com a cultura material. visando à harmonia ambiental. Tais desafios demandam pesquisas prospectivas sobre cenários de sistemas sustentáveis de produtos e serviços e suas implicações na vida das pessoas. econômica e política. Os estilos de vida podem ser entendidos como manifestações resultantes das capacidades de estruturar (práticas e esquemas de percepção e apreciação) e ser estruturado (pelas condições e posições sociais). visíveis e invisíveis. é determinada pelo “capital econômico e cultural” que possuem.seguindo modismos (Lipovetsky. E a busca pelo desenvolvimento sustentável requer mudanças sistêmicas nessas três esferas. e o bem estar físico e espiritual das pessoas. ao menos em termos de função prática. que aproximam ou distanciam. o gosto. emancipação ou subordinação. reproduzindo certas relações de poder que se estabelecem na esfera social. Estão. pode respeitar ou não a diversidade cultural e as múltiplas identidades. uma direção na qual se deva ir. em determinadas situações. as preferências e as opções estéticas distinguem-se entre as diferentes classes sociais e estão estreitamente vinculadas ao capital cultural das mesmas. o que se reflete. vinculados à cultura de cada sujeito e grupos sociais. em termos ambientais. sem justificativas plausíveis. que a sustentabilidade ambiental é um objetivo a ser alcançado e não. Mediante “marcas de distinção”. No âmbito ambiental. influenciados por instituições e estruturas materiais que administram. os estilos de vida e o consumo de produtos revestem-se de um caráter simbólico de distinção na estrutura social.. segundo Bourdieu (2007). Há consumos resultantes de modelos normativos de comportamento. E esta consideração se estende a outras dimensões da sustentabilidade. Deste modo. dentre outras. por sua vez. dependência ou independência. promovem realização ou frustração. em termos de adequação aos usos. de status. Eles se expressam por meio de hábitos estéticos.. Sob este prisma. de acordo com Bourdieu (1974) na percepção estética e nos estilos de vida. na sociedade e no meio ambiente. desenvolvem-se os estilos de vida e o consumo. As relações entre os sujeitos envolvem “relações de poder”. inclusivas e exclusivas. como se observa no caso de automóveis que se revestem de valores de status. 2004). diversa e complexa. Vale salientar. estruturas de preferências e gostos distintos. econômicas e sociais. transmitem e renovam o capital cultural (Bourdieu. 3 Desafios do design em mudanças de estilos de vida e consumo No que tange ao consumo e aos estilos de vida. em prol do desenvolvimento sustentável. portanto. pode promover a harmonia ou as desigualdades sociais. no social. não deterministas e não reducionistas. 1989). a exemplo do uso de terno e gravata por homens. Caminhos possíveis e desafiadores para o design. que. dentre outras. pode ser considerada como verdadeiramente sustentável. cultural e social além da econômica e política. É bastante comum adquirem-se novos produtos sem que haja necessidade de substituição dos existentes. estreitamente relacionados aos comportamentos de consumo e à cultura das pessoas. beneficiam ou prejudicam. destaca-se a importância do design como agente promotor de tais mudanças. a saúde ou a doença. de acordo com Manzini e Vezzoli (2002). (Figura 1) Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 89 . exigem abordagens interdisciplinares e sistêmicas. 1983). E outros ditos compulsivos. sociocultural. a relação do design não é menos ambígua. socialização ou isolamento. satisfazem ou não.

os modos de organização social. e mesmo os preceda. dependendo dos requisitos e contextos. os sistemas econômicos e políticos. no âmbito do design. dentre outros fatores. para a promoção de mudanças em estilos de vida e comportamentos de consumo para o desenvolvimento sustentável. voltados à promoção da eficiência ambiental e energética. com intensificação de usos de produtos e serviços. os estilos de vida e o consumo estão entrelaçados em uma dinâmica 90 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . por exemplo. não percebem o impacto do consumo em suas próprias vidas. muitos dos quais sofrem da chamada “miopia cognitiva”. físico e espiritual da sociedade. e a acessibilidade aos bens. O “envelhecimento” gradativo da aparência visual de uma embalagem de produtos com prazo de validade. os anseios e valores das pessoas. poderia auxiliar na identificação do período em que se encontram. Cabe especial atenção no design à adoção de estratégias de comunicação. à otimização de usos de artefatos. destaca-se a relevância da educação interdisciplinar em desenvolvimento sustentável. extensão e intensificação de usos de artefatos. pilares. tendo em vista a necessidade de mudanças expressivas na cultura de consumo e comportamento dos consumidores. de uso e técnica. por exemplo. corpo e alma do desenvolvimento sustentável. Considera-se relevante o design de sistemas sustentáveis que se integrem aos projetos de produtos e serviços. econômico. destaca-se como um grande desafio. as relações sociais. a adoção de abordagens interdisciplinares e sistêmicas em pesquisa e desenvolvimento de artefatos para a sociedade. ou seja. que envolvem as necessidades. do ponto de vista ambiental. Sob este prisma. bem como de estilos de vida mais cooperativos. É imprescindível que o design atue em uma esfera mais ampla que a de desenvolvimento de produtos e serviços isolados. seus hábitos e referências culturais. de modo mais abrangente. sociocultural. pode ou não ser adequada. abrangendo sistemas harmônicos. 3 Considerações finais O design. menos possessivos.teia de inter-relações. A obsolescência estética. respeitando-se a diversidade cultural e as identidades dos indivíduos e grupos sociais. Figura 1: Questões de pesquisas prospectivas de cenários de sistemas sustentáveis Sob este prisma.

iniciando um fenômeno irreversível de degradação. Trad. por Plínio Dentzien. São Paulo: Ática. N. Já o capital natural é entendido como o conjunto de recursos não renováveis e a capacidade sistêmica do ambiente de reproduzir os recursos renováveis. Título original: The question of cultural identity. 39. Development. Capra. (Coord. 2. A imaginação de marketing. também.). 2006. não se constituindo. 3165.com>. ou seja. ao mesmo tempo. Levitt. Tal conceito se estende ao âmbito planetário e nos dá a idéia de que o sistema natural sob o qual a atividade humana atingiu o limite de sua resistência. 2006. ed. Estudos de casos nos setores automobilístico. Design e cultura: sintonia essencial. Design industrial e diversidade cultural: sintonia essencial. por Sergio Miceli et al. Tavares. Ono. 1993. F. A distinção. ed. e. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 91 . 1983. L. G. New York: Hampton Press. III De acordo com Bourdieu (1983). G. Laszlo. Sete de Setembro. Os bens culturais acumulados na história pertencem àqueles que dispõem de meios para apropriar-se deles. Tese (Doutorado). Curitiba: Edição da Autora. S. F. 2003. Brasil. Trad. Bourdieu. 1996. T. por Astrid de Carvalho. von. A identidade cultural na pós-modernidade. São Paulo: EDUSP. Trad. 80230-901. O império do efêmero. Curitiba / PR. a atividade humana não cause distúrbios ao ciclo natural. Programa de Pós-graduação em Design. ed. Departamento Acadêmico de Desenho Industrial. G. Douglas. E. Original em francês. Rebouças. Simões. Oxford: Blackwell. Coleção Grandes Cientistas Sociais. p. P. A economia das trocas simbólicas. 2007. Professora Colaboradora. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Ono. R.. Título original: The turning point. Rio de Janeiro: DP&A Editora. 1983. Por Álvaro Cabral. 1974. por Auriphebo B. B. Bertalanffy. 10. por Tomaz T. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. 1972. 2. O ponto de mutação. The design dimension: the new competitive weapon for product strategy and global marketing. é vista como a sua capacidade de suportar uma ação de distúrbio sem sair irreversivelmente da condição de equilíbrio. 2002. A globalização imaginada. Título original: Le système des objets. A resistência de um ecossistema. moveleiro e de eletrodomésticos no Brasil. para a sua compreensão.A.). Gostos de classe e estilos de vida. por sua vez. C. Porto Alegre: Zouk. (Org. pois. C. Mccraken. o capital cultural é transmitido por aparelhos culturais que engendram hábitos e práticas. & Isherwood. Programa de Pós-graduação em Tecnologia. extensivamente. J. Trad. é necessário a posse e a capacidade de decifrar seus códigos. Isto constitui uma barreira considerável tanto ao acesso. é a condição sistêmica pela qual. Endereço: Av. O sistema dos objetos. da Silva e Guacira L. 1994. quanto ao entendimento dos significados dos artefatos que compõem a cultura material. São Paulo: Cultrix. 2004. M. Lipovetsky. 16. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. propriedade comum da sociedade. 1989. de acordo com Manzini e Vezzoli (2002). Crítica social do julgamento. Introduction to systems philosophy: toward a new paradigm of contemporary thought. M. Universidade de São Paulo. A moda e o seu destino nas sociedades modernas. ____________________________ I Professora Dra. Critique social du jugement. Rio de Janeiro: Mauad. e-mail: <maristelaono@gmail. Lisboa: Dom Quixote. New York: George Braziller.. The systems view of the world: a holistic vision for our time. 1992. P. à padronização dos mesmos e à homogeneização da cultura. Universidade Federal do Paraná. New York: Harper Collins. Trad. São Paulo: Iluminuras. Rio de Janeiro: Editora UFRJ. 1993. Trad. São Paulo: Editora Perspectiva S. O termo refere-se. no qual se baseiam as possibilidades de resistência do planeta. Título original: The world of goods: towards an anthropology of consumption. Bourdieu. ed. M. Louro. Cultura e consumo: novas abordagens ao caráter simbólico dos bens e das atividades de consumo. E. P. 82-121. M. Pierre Bourdieu. apesar de formalmente serem oferecidos a todos. não empobreça o capital natural do mesmo. tendo mesmo ultrapassado este limite. Título original: Lo sviluppo di prodotti sostenibili: i requisiti ambientali dei prodotti industriali. Título original: The marketing imagination. E. Lorenz. Manzini. e. Trad. M. São Paulo: Editora Perspectiva. em nível planetário e regional. O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. São Paulo: Atlas. Título original: La distintion. 1200 p. Canclini.Referências Baudrillard. Applications. 2005. 1968. Laszlo. Foundations. General systems theory. por Zulmira R. 2003. Vezzoli. 1990. Hall. São Paulo. Fernandes. à variedade de espécies vivas no planeta. à riqueza genética. In: Ortiz. II Sustentabilidade ambiental. Bourdieu.

.

design sustentável. Esta expressiva fatia da população brasileira. não contemplam as demandas de mobilidade. apresenta grande mobilidade relativa à habitação e constantes mudanças internas no arranjo familiar. human-error. These people presents. during the family’s life-cycle. durante ciclo de vida da família. sustainable design. flexibility and adaptability of this social class. This paper presents the potential of mistake-proofing devices. 85% of all population lives with three minimum wages for month (IBGE. flexibilidade e adaptabilidade desta classe social. mobiliário popular No Brasil. como forma de promover à adequação do móvel a estas demandas e também como uma estratégia para o design sustentável para a extensão da vida útil do mobiliário popular. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 93 . conhecidos como poka-yoke. 2007). 2007). O presente artigo apresenta os potenciais da utilização de mecanismos à ‘prova de erro humano’. does not attend the real demands about mobility.Diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular: uma estratégia para o design sustentável Guidelines for application of poka-yoke devices on popular furniture design: a sustainable design strategy Priscilla Ramalho Lepre Universidade Federal do Paraná. The furniture. popular furniture In Brazil. named poka-yoke. intensive house mobility e constantly adjustments around the family configuration. poka-yoke. devido aos fatores sócio-econômicos. erro-humano.br poka-yoke.com. 85% da população vivem com renda de até três salários mínimos mensais (IBGE. like a strategy to adequate the popular furniture to attend the popular demands and like a sustainable design strategy to extend the popular furniture’s life-cycle. Brasil cillaramalho@yahoo. Os móveis ofertados pelo mercado.

2002). Entre as classificações de erro humano apresentadas pela literatura. portanto. O erro humano é uma incorreção dependente do fator humano e das interações do homem com os sistemas. que possam comprometer a vida útil do produto e contribuir para o design de mobiliários que contemplem as questões sociais e econômicas desta população. com o sistema em que ele está inserido (ambiente. O erro humano também pode ser classificado de acordo com o momento em que o resultado do erro se apresenta no sistema. psicológicas e cognitivas do homem. utilizouse para esta pesquisa a classificação proposta por Reason (1990) com base na intencionalidade da ação humana. não é regulamentado. 1998. Devido às constantes trocas de domicílios gerados por este déficit. O presente artigo sugere a inclusão de ferramentas para promoção da extensão do ciclo de vida do mobiliário popular e apresenta diretrizes para utilização de mecanismo de prevenção de erros. 83. Deste déficit. funcionalmente e esteticamente. Portanto. por sua vez. Esta seção. bem como o conceito de poka-yoke. seu fator gerador pode não se encontrar no homem em si. ainda que possam ser tomadas como universais. erros e falhas) e intencionais (violações). Estes processos são em geral executados pelos próprios donos. Erro Humano . utilizando-se para isto das estratégias do design para a sustentabilidade. com adensamento excessivo ou falta de itens essenciais à habitabilidade do ambiente construído. Segundo Norman (2006) existem dois tipos de erros humanos: erro ativo e erro latente.) (LEPRE. os móveis destas famílias necessitam ser montados e desmontados constantemente de maneira a adaptar-se a ambientes diversos. Já o erro latente tem o resultado em um momento distante do ponto de desvio. seja ele da performance do produto/processo/sistema.832 milhões de déficit de moradias. Falhas de design em produtos. O descarte de móveis no Brasil. o ambiente e a sociedade (KJELLEN. geram erros do tipo la- 94 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . como ferramenta para prevenir e evitar os erros nos processos de montagem e desmontagem dos móveis populares. DEKKER. 2007). gerando descartes prematuros destes bens. plano ou meta estabelecida. reciclagem ou recuperação energética. O processo da ação humana. etc.1 Introdução Atualmente o Brasil apresenta 7. Não existe ainda uma cultura nacional de reciclagem consolidada entre a população e o móvel ainda é descartado integralmente no meio ambiente. mas em qualquer um dos outros componentes do sistema.definição e tipologias Erro é uma incorreção (FERREIRA. apesar do erro humano depender do homem para sua ocorrência. 95% são de moradias consideradas inadequadas. compreende uma série de interações fisiológicas. conhecidos como poka-yoke. suas classes e funções. sem qualquer preparo técnico e/ou ferramentas adequadas. Estes danos impactam sobre a segurança dos produtos durante o uso e reduzem significativamente sua durabilidade. sendo que deste total. não existindo políticas nacionais consolidadas de gestão de resíduos.2% se concentra na população que recebe até três salários mínimos mensais (IBGE. Isso posto. O erro ativo é aquele cujo resultado pode ser verificado num instante próximo ao ponto de desvio. têm-se que as estratégias para o design sustentável de mobiliário. trás a definição de erro humano e as tipologias empregadas neste estudo. sociedade. um dos objetivos da pesquisa apresentada a seguir consta da prevenção e eliminação de erros humanos no processo de montagem e desmontagem de mobiliário popular através da utilização de conceitos e dispositivos poka-yoke. na maioria das vezes. 2008). 2004) que promove o desvio do resultado esperado. necessitam adequações para atender a estas peculiaridades da realidade brasileira. em relação a um padrão. cultura. 2 Revisão de Literatura – Erro humano & Poka-yoke Conforme apontado na introdução deste artigo. encontradas na literatura. deslizes. que dividinde os erros em não intencionais (lapsos. frequentemente danificando os móveis estruturalmente.

• Métodos de comparação: utilização de mecanismos que comparam as grandezas físicas de um produto com especificações evitando anormalidades. todos os encargos do ciclo de vida de um novo produto: custos ambientais. parar a linha de produção ou o uso de um determinado produto. A utilização de mecanismos e dispositivos para prevenção de erro humano. psicologia e também no design. • Métodos de contagem: cada conjunto deve ter um número correto de peças. além de colocar em risco a integridade do usuário. do produto e do ambiente de uso. 2006). Este sistema não permite que o erro siga na linha de produção através de métodos de alertas e interrupção do fluxo produtivo. A seguir. porém atulamente o conceito de poka-yoke vem sendo amplamente utilizado em áreas como HCI. 1997. Esta afirmação corrobora as pesquisas que apontam o design do produto como um dos principais fatores geradores e indutores do erro humano (RYAN. 1991. também sob o Poka-yoke – conceito e tipologia Poka-yokes são mecanismos ou procedimentos utilizados para prevenir erros humanos em sistemas ou processos. •Sistema poka-yoke com função reguladora: faz parte da inspeção de recursos. NORMAN. CUSHMAN & ROSENBERG. Os mecanismos poka-yoke podem ser classificados em duas categorias de acordo com suas funções principais (SHINGO. contudo. 1987. acusando a existência de um erro. gerando a necessidade de substituição e. 1986). bem como a eficiência nos resultados mostra-se uma alternativa plausível de ser utilizada para a prevenção e mitigação de erros humanos na interface com produtos. econômicos e sociais (MANZINI & VEZZOLI. Este método confere por meio da contagem dos elementos. medicina. ABBOTT & TYLER. dispositivos poka-yokes são amplamente utilizados. que chamam a atenção da pessoa para um erro. Estas funções pokayoke. No design. a segunda alertando para a ocorrência e paralisa a produção para sua imediata correção (SHINGO. originalmente desenvolvidas para atender as demandas de qualidade da indústria. Função reguladora: • Método de controle: métodos que acionam dispositivos que paralisam o equipamento e interrompem a operação do produto ou processo a partir da detecção de um erro. O conceito de poka-yoke foi originalmente idealizado e desenvolvido por SHINGO (1986) junto ao Sistema Toyota de Produção a fim de proteger a produção industrial de erros banais. que pudessem vir a se transformar em produtos defeituosos (TSOU & CHEN. obrigando sua imediata eliminação. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 95 . apresenta-se o conceito e as tipologias de mecanismos à prova de erros denominados poka-yoke que por características como simplicidade. 1986). a conformidade do conjunto. • Método de alerta: métodos que ativam dispositivos de sinais sonoros ou luminosos. aplicados ao design de produtos pode ser um estratégia válida para o design sustentável visto que produtos com falhas e inseguros tendem a ser descartados precocemente. 2005). •Sistema poka-yoke com função de detecção: faz parte da inspeção informativa auxiliando o trabalhador na verificação da condição ideal para a execução da tarefa. que pode se tornar ativos no momento da interação com o usuário final. evitando a montagem em posição inadequada. Função de detecção: • Método de posicionamento: métodos que ativam dispositivos que liberam uso de um produto ou as operações de produção apenas quando os elementos de um conjunto encontram-se em posição correta. sem. 2005). com isso. são apresentadas e definidas a seguir.tente. • Método de contato: sensores eletrônicos ou dispositivos mecânicos que indicam que as peças encontram-se corretamente posicionadas para a continuação da operação de uso de um produto ou das operações de produção. intuitividade e baixo custo de implementação. Os sistemas poka-yoke são compostos por duas funções que agem de maneiras distintas na produção: a primeira verifica padrões pré-estabelecidos. Os métodos acima apresentados compreendem as funções originais projetadas por SHINGO (1986) para o controle de qualidade 100% no Sistema Toyota de Produção.

o produto deveria estar Resultados e análises O estudo de caso teve lugar nas dependências da UFPR. Para a avaliação do protótipo. pois somente nestas condições pode-se verificar a incidência de fatores indutores do erro humano em todos os níveis de complexidade. utilizou-se o estudo de caso. Antes e após a montagem. preconizou-se a seleção de uma amostra de pessoas representantes do público alvo. poka-yokes. a área total não superior a 50m² e a configuração interna similar em número de peças: 2 quartos. pois ambas aumentam a complexidade do produto. a complexidade resultante do número de peças. Outras características importantes deste móvel são a modularidade e a multifuncionalidade (o móvel acumula as funções de mobiliário e divisória de ambientes). evitando danos ao aparelho e ao consumir. liberdade de criação e adaptação e baixo custo para a incorporação ao design de produtos. em produtos do dia à dia. os avaliadores responderiam uma série de questionários entrevistas com o objetivo de definir fatores que pudessem contribuir ou induzir a ocorrência de erros humano. para evitar erros humanos nas diversas fases do ciclo vida deste produto. 3. a multi-funcionalidade. através do qual analisou-se a interface do usuário com o produto. O protótipo utilizado faz parte projeto ‘Kits Do-it-yourself – Mobiliário-divisória’. Cohab-CT e Lojas MM. A atividade a ser desempenhada pelos avaliadores era a de montagem e desmontagem do protótipo obedecendo ao manual de instruções. pela natureza dos dados a serem coletados. tomou-se por critérios principais: a participação do usuário final no processo de montagem. a fim de mapear as classes e tipos de erros ocorridos durante o processo de montagem e desmontagem. Enfim. toma-se por base as características das casas populares construídas pela Cohab-CT. A seção seguinte apresenta os resultados parciais do estudo de caso realizado pelo Núcleo de Design e Sustentabildade da Universidade Federal do Paraná (NDS-UFPR). na fase de protótipo e em escala 1:1.nome de “mistake-proof device” ou “fool-proof device”. Estudo de Caso Estratégia geral de desenvolvimento Como método de pesquisa para a criação de diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular. apresentam-se como ferramenta plausível de ser utilizada em mobiliário popular. ela natureza intuitiva de uso. Para a conceitualização do móvel empregado no estudo. os principais fatores indutores e contribuintes para a ocorrência de erros e as classes e funções poka-yoke mais eficientes na sua prevenção e eliminação. na introdução destes mecanismo em protótipo de mobiliario-divisória destinado ao público de baixa-renda. Como critério para a seleção do ambiente. Esta condição permite a análise de fatores sócio-culturais que podem influenciar a ocorrência de erros na montagem e desmontagem do móvel. cujo formato impedia sua intrudução em posição incorreta no aparelho. em ambiente controlado: uma casa com as mesmas características de uma habitação popular 96 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Exemplos destes poka-yokes são os dispositivos que desligam automaticamente aparelhos de microondas ou secadores de roupa na ausencia de contato perfeito entre as partes. criado e desenvolvido pelo NDS-UFPR para o edital Habitare/Finep e em parceria com a Masisa. cujo projeto deveria seguir algumas das estratégias do design sustentável pertinentes aos mecanismos poka-yoke. Outro exemplo bastante conhecido é o antigo disket ¾” de computador. Verificadas todos os critérios acima citados. entre elas. o que segundo Nielsen e Landauer (1993) pode abranger 80% do número de problemas de usabilidade do produto. cujo principais resultados e análises são apresentados a seguir. deu-se o estudo de caso. sala com cozinha e banheiro. A amostra utilizada foi de dez avaliadores. utilizando como critério de seleção a renda familiar mensal de até três salários mínimos. componentes e tamanho final do produto. Uma das delimitações para a análise da interface usuário-produto neste estudo é que.

Através do estudo de caso pode-se gerar a seguintes diretrizes para aplicação de poka-yoke em design de móveis populares: Poka-yoke de alerta: • Utilizar códigos (cores. • Criar. símbolos integrados ao produto e aos componentes) para identificar conjuntos de montagem/desmontar • Utilizar códigos (cores. sendo portanto um poka-yoke de posicionamento. montagem em posições incorretas. A forma de encaixe dos módulos permita apenas a montagem da forma correta. que devem ser utilizadas em conjunto com os mecanismos de detecção. culturais. por exemplo. • Tornar inequívoca a montagem através de formas lúdicas. Não separar peças de precisem ser utilizadas em conjunto com outras (por exemplo: deixar hastes e buchas de MINIFIX® em um único saquinho). juntamente com odas as ferragens. como macho e fêmea. ambientais. em duplas. Desta forma os avaliadores. O mobiliário-divisória. formando um poka-yoke de contagem. devido a necessidade de captação de imagens do processo. para indicar o final do processo. com os módulos empilhados próximo ao local determinado para a atividade. 3 e 4. contendo todo o conjunto necessário. • Privilegiar encaixes lúdicos à ferragens. durante o processo de montagem e desmontagem dos móveis populares. por exemplo. • Oferecer kits de peças sobressalentes. As funções poka-yoke mais adequadas para evitar erros humanos. porém sem a presença de nenhum outro móvel ou aparato. O manual separava a montagem em etapas: nivel 1. Poka-yoke de posicionamento: • Criar junções que não permitam a estabilidade do conjunto manuseado. evitando erros latentes. Como resultados pôde-se observar a ocorrência de erros não intencionais e intencionais. sendo imprescindível a montagem correta montagem do nível anterior para a continuidade do processo. Cada etapa no manual. o que execia a a função reguladora. Junto ao mobiliário encontrava-se o manual de instrução. • Criar kits de montagem que contenham todas as peças para a fixação de um conjunto.construída pela COHAB-CT. Poka-yoke de contagem: • Oferecer o número exato de peças para a execução total de uma tarefa. através das formas. letras. em fase de protótipo estrutural encontrava-se desmontado. também identificados com cores. instrumentais e sociais. foi identificada por cores com correspondentes no produto. através do método poka-yoke de controle. 2. Poka-yoke em design informacional: Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 97 . As ferramentas necessárias à montagem/desmontagem encontravam-se sobre os módulos e sua utilização era indicada no manual de instruções. sem que haja total travamento das partes. receberam instruções para utilização do manual e para a realização do processo de montagem e desmontagem dos móveis. separadas em sacos plásticos. O foco da avaliação foram as classes e tipos de erros humano que ocorrem no processo de montagem/desmontagem de móveis e a validade dos poka-yokes integrados ao mobiliário avaliado. Impedir. contendo a quantidade exata de peças para a montagem do referido módulo. são as funções reguladoras. Poka-yoke de contato: • Criar diferenças claras entre tipos de encaixes diferentes. símbolos integrados ao produto e aos componentes) para definir seqüências padrão de montagem/desmontagem Poka-yoke de controle: • Impedir o acesso à peça de montagem subseqüente antes do término da tarefa precedente. para as peças do mesmo grupo de encaixes. • Utilizar sons. números. números. formas complementares. evitando perdas. como clicks. • Evitar peças que se desprendam do produto. tanto na forma ativa quanto na forma latente. imprescindível para o correto desenvolvimento da atividade. letras. • Condicionar uma tarefa ao cumprimento efetivo da tarefa precedente. Observou-se também que os principais fatores indutores destes erros são: fatores cognitivos.

A. J. em caso de doações para terceiros. LEPRE. Ezio. Setor de Letras de Artes. April 24-29). Dynamic Model for a Defective Production System with Poka-Yoke. 1991. de H. 2004. V. Proceedings of the Third National Symposium on Human Factors and Industrial Design in Consumer Products. 1997. Aurélio B. home in <http://www. J. e ROSENBERG. Referências ABBOTT. Rio de Janeiro: Rocco.. evitando assim a ocorrência de erros humanos durante os processos de montagem e desmontagem do mobiliário. o design pode. J. RYAN. Amsterdam. and LANDAUER. The Netherlands. Universidade Federal do Paraná: Curitiba. Apresentar as informações de forma seqüencial e lógica. C. Human Error. Santa Monica. 2005. Integrar o design informacional à embalagem de cada conjunto. 2a.shtm > 05/03/07. contendo a localização do emprego do conjunto e as instruções de montagem/desmontagem. “The reasonable and foreseeable use of consumer products”. Gower Publishing Ltd. SHINGO. Safer by design. TSOU. evitando o descarte prematuro e melhorando o bem-estar. Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Inglaterra. oferecendo todas as informações relativas a um grupo em uma única consulta do usuário. Elsevier. durante as atividades de montagem e desmontagem do móvel. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/2000. 1993b. a habitabilidade e por conseqüência. Dissertação de Mestrado. 1982. Tech Report of London University: London. CUSHMAN. James. H. Oregon: Productivity Press. Zero Quality Control: source inspection and the poka-yoke system. Sidney W. Proceedings ACM/IFIP INTERCHI’93 Conference (Amsterdam. The Re-Invention of Human Error. Programa de Pós-Graduação em Design.• • • • • • Oferecer múltiplos pontos de consulta às informações. evitando perdas de informações essências à integridade do produto. Geneva: International Labour Office p. 2008. Journal of Operational Research Society. Empregando os poka-yokes citados anteriormente. A mathematical model of the finding of usability problems. 799-803. 206-213. J. br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2000/default. e TYLER. NIELSEN. o emprego de poka-yokes no design de móveis populares é uma estratégia para a sustentabilidade ambiental e social.ibge. CHEN. 1-56. Human factors in product design. MANZINI. Shigeo. vol. melhorando a qualidade de vida da população de baixa renda e portanto uma estratégia válida para o design sustentável. T. D. p. 98 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . J.. FERREIRA. CA. immindo-as sobre a superfície do produto. Accidents deviation models. 2002. U. que atuam no sistema. Tornar redundante as informações sempre que possível. 4 Conclusão Conforme apontou a pesquisa. Integrar as instruções essenciais à superfície do produto. In : Encyclopedia of Occupational Health and Safety. 1990. H. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: Os Requisitos Ambientais dos Produtos Industriais. reduzir a interferência dos fatores indutores e contribuintes para o erro humano. New York: Cambridge University Press. prolongando a vida útil do produto. São Paulo: Editora Nova Fronteira. IBGE/PNAD.gov. São Paulo: EDUSP. 56. W.. 163-172. NORMAN. Diretrizes para utilização de dispositivos poka-yoke no design de mobiliário popular: uma estratégia para o design sustentável. 2006 REASON. Priscilla Ramalho. O Design do Dia à Dia. KJELLEN. Carlo. 4. M. Donald A. 2005. por contribuir para a aplicação e sucesso de diretrizes propostas para o design sustentável de mobiliário. 56. DEKKER. K. Human Factors Soc. 2 4th edition. mais efetivamente. Vezzoli. e Design Council. ed. Integrar as informações diretamente às áreas a serem manuseadas. 1986. Aldershot. M.

moda. Discusses general strategies to enable sustainability within the clothing (and fashion) sector. com foco na dimensão ambiental. induction of radically new life styles. São avaliadas quatro diretrizes genéricas: redesign.br Este artigo discute o paradoxo do design sustentável na moda e aponta algumas diretrizes para tornar as soluções do setor do vestuário (e moda) mais sustentáveis.O Paradoxo do Design Sustentável na Moda: Diretrizes para sustentabilidade em produtos de moda e vestuário The Paradox of Sustainable Design in fashion: Directions for support in fashion products and clothes Suzana Barreto Martins. design. design. Universidade Estadual de Londrina Núcleo de Design & Sustentabilidade/UFPR suzanabarreto@onda. sistemas produto+serviço e a indução estilos de vida radicalmente novos.com. Drª. design de produtos intrinsecamente mais sustentáveis. clothing Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 99 . fashion. special in clothes. product-service systems. vestuário This article deals with fashion as a social phenomenon of ample influence in contemporary society. modality where fashion has its more visible face. design of new products that are already embedded with environmental/social principles from start. It presents four umbrella strategies: redesign of existing solutions. Palavras-chave: sustentabilidade. Keywords: sustainability.

alterações vêm sendo observadas desde a concepção do produto de vestuário até o atendimento das demandas de mercado. ao mesmo tempo. Martins (2005) assinala que a produção do vestuário. agregação de valor. sustentada por inovações tecnológicas. Dentre as várias estratégias possíveis para o desenvolvimento sustentável. tecelagens e confecções. Nessa direção a sustentabilidade entra como variável fundamental no desenvolvimento do projeto de produto para redefinir todas as etapas dos processos produtivos do vestuário. que inclui fios. comunidade e governos. fibras. sociológicos e artísticos que determinam também um gosto específico. e é nele que a moda ganha maior visibilidade e importância. No entanto. preservar a saúde do corpo. nos últimos anos. os serviços ocupam lugar de destaque devido ao foco na desmaterialização do consumo. é interessante mencionar os trabalhos de Manzini e Vezzoli (2005). então. “como a embalagem do corpo ou como uma arquitetura têxtil em que cada linha tem um sentido e que manifesta um gosto específico localizando seu tempo e espaço” (MARTINS.1 Introdução A moda é caracterizada como algo efêmero. cuja temporalidade é dada por variações constantes. 2005). compreende mais de 30 mil empresas e gera 1. De acordo com a ABIT (2009). assumindo atuação responsável em empresas.” (MARTINS. e identificada principalmente com o vestuário. cuja perspectiva teórica e procedimentos operacionais orientam-se para a noção de sistemas sustentáveis. A roupa. A esse respeito. nascida numa concepção artesanal. 2006). Tal reflexão desenvolve ações de Ecodesign processo metodológico para Desenvolvimento de produtos em processos produtivos. proteger e embelezar o corpo. Por sua vez. somado a velocidade das mudanças e inovações tecnológicas na área têxtil. foi desenvolvida com base em procedimentos empíricos. Para Manzini (2002). ocasionando vários impactos ambientais. uma situação econômica e social. mas sem fundamentação teórica que suportasse as inovações técnicas. essa mudança baseia-se na transferência da posse de produtos para o consumo de 100 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . Em decorrência. redução de custos e de diferenciais de mercado. disciplinado e sancionado” (SOUZA. Suas três principais dimensões estão alicerçadas no tripé: desenvolvimento econômico. social e gestão ambiental. o conceito de sustentabilidade tem norteado e fundamentado cada vez mais as atividades de projeto de produtos. 2001). Os mesmos já “não cumprem apenas a função histórica de cobrir. pode ser vista. sua segurança e bem-estar. Assim. relacionado a aspectos históricos. seja acadêmico ou industrial. incorporando princípios ambientais e ferramentas como a análise do ciclo de vida do produto. o setor têxtil e de confecção nacional. Os produtos de moda e de vestuário adquirem importância cada vez maior.65 milhão de empregos em toda a sua extensa cadeia. os processos de desenvolvimento de projeto de produto de vestuário também estiveram calcados nessa mesma base empírica. a moda é um “fenômeno organizado. È importante destacar que a indústria do vestuário é responsável por elevado índice de emprego devido à velocidade de crescimento do setor no Brasil. Diante disso. o projeto de produtos de moda e vestuário cada vez mais deve responder a um processo de sistematização integrada entre a atividade econômica. a diminuição do ciclo de vida dos produtos e a grande participação de pequenas e médias empresas no setor. bem como entre os maiores parques fabris do planeta São milhares de confecções instaladas e faturamento anual da ordem de bilhões de reais. O Brasil está na lista dos 10 principais mercados mundiais da indústria têxtil. O certo é que o vestuário incorporou a moda e seu termo como próprio de seu campo de ação. também referida como segunda-pele. o que é diametralmente contrário aos axiomas do design sustentável. o aumento do número de consumidores. mas também de desenvolver embalagens e sistemas de embalagens vestíveis para acondicionar o corpo e. O sistema moda impõe um ritmo de obsolescência programada muito rápido em que os produtos de moda são descartados muito antes do final da sua vida potencial. 2 Desenvolvimento de produtos de moda sustentáveis A sustentabilidade tem sido tema amplamente discutido em diferentes âmbitos da sociedade. No entanto.

serviços, isto é, a posse desloca-se do consumidor para o produtor que assume a responsabilidade pelo produto desde a produção, ciclo de vida, utilização até o descarte e a reciclagem. Nesse sentido, busca-se identificar diretrizes genéricas para aplicação da sustentabilidade no vestuário, a fim de possibilitar aos profissionais do setor subsídios para identificação dos próximos estágios de desenvolvimento de seus respectivos produtos e serviços. Nas seções seguintes são apresentados quatro níveis de estratégias de design sustentável, seguindo um caminho progressivo de complexidade e, também, de profundidade do impacto ambiental e social. Estes níveis são baseados na proposta de Manzini & Vezzoli (2005) para produtos de maneira geral, conforme serão descritos a seguir.

Para viabilizar essa estratégia, é necessário que o consumidor tenha postura diferente com o vestuário. Simples iniciativas e atitudes podem ajudar sua viabilização, tais como: direcionar as velhas peças de roupa para instituições de caridade ou empresas recicladoras; descartar sempre pares de sapatos juntos, pois separados não terão utilidade; armazenar as roupas e acessórios de moda e vestuário em locais secos para não danificar as peças e possibilitar a sua venda e direcionar aos locais com as mesmas condições de armazenamento, já que não serviriam se ficarem expostos à intempérie; freqüentar brechós e comprar roupas usadas sempre que possível; privilegiar a compra de roupas elaboradas com fibras e materiais reciclados; dentre outras.

3 Diretrizes para produtos de moda e vestuário mais sustentáveis
Nível 1: Redesign ambiental do vestuário existente
Esta estratégia significa a mera readequação ambiental de um produto existente. Esse é o nível mais enfatizado pelo Setor Têxtil atualmente no que tange ao vestuário e tem se caracterizado principalmente pela substituição de materiais não-renováveis por materiais renováveis. Contudo, esta abordagem pode incluir também melhora na eficiência no consumo de matéria-prima e energia ao longo de toda a cadeia produtiva do vestuário e de seu ciclo de vida, incluindo a facilitação da reciclagem e o reuso de elementos do vestuário. Não há a exigência de mudanças reais nos estilos de vida e consumo, mas apenas a sensibilização do usuário para a escolha de produtos ambientalmente responsáveis, conforme Manzini e Vezzoli (2005). Para efetuar o redesign do vestuário e ao mesmo tempo considerar o ciclo de vida, o designer deve necessariamente contemplar todas as etapas do processo de desenvolvimento: pré-produção, produção, distribuição, uso e descarte (LEWIS & GERTSAKIS, 2001). Nesta abordagem é útil entender os resíduos têxteis como divididos em duas categorias: desperdício pós-industrial, relacionado ao desperdício ocasionado durante a produção e manufatura dos artigos, e desperdício pós-consumo relacionado às roupas usadas e a outros têxteis.

Nível 2: Projeto de novo vestuário intrinsecamente mais sustentável
Este nível procura estabelecer soluções que melhorem o desempenho do vestuário em todas as etapas do ciclo de vida do produto ainda na fase de projeto, partindo da concepção do produto e passando por todas a etapas do ciclo de vida. Neste nível há maior complexidade na atuação do designer dado que a ênfase não é meramente redesenhar o sistema existente, mas desenvolver soluções de vestuário que já na sua origem evitem ou eliminem os problemas que o redesign ambiental busca mitigar. Esse nível de estratégia do design sustentável do vestuário inclui também a ênfase na dimensão social da sustentabilidade que, embora também possa ser aplicada no nível anterior, tem neste nível maior possibilidade de eficácia. Esta dimensão implica considerar intervenções no design do vestuário que contemplem questões como a promoção de condições de trabalho mais adequadas na fase de manufatura e manutenção do vestuário; a integração de pessoas deficientes ou marginalizadas; a promoção da coesão social (incluindo de gêneros); a promoção da educação para o consumo sustentável. Esta abordagem está em sintonia com a campanha da International Clean Clothes (www.cleanclothes.ch) que busca promover que empresas do setor, incluindo os distribuidores e lojistas, implantem ação concreta contra condições inadequadas de trabalho na cadeia produtiva do vestuário.

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

101

Nível 3: Projeto de Sistemas Vestuário + Serviço
O terceiro nível busca desmaterializar todo ou parte do consumo mediante a satisfação do usuário via serviços associados ao vestuário. O projeto de novas soluções para o vestuário+serviço que substituam as atuais soluções centradas no bem físico e não no resultado final, implica uma reestruturação técnicoprodutiva, o que pode gerar ganhos socioambientais mais significativos do que as estratégias apresentadas anteriormente.

Flori e MOB. Nesse caso a troca de experiências entre a ONG Florescer e o Recicla Jeans foi crucial para a obtenção desses resultados. Se antes a ONG comercializava seus produtos apenas na favela, hoje com os pontos de venda é possível disponibilizar os produtos para um maior número de pessoas e conhecer melhor o perfil do público. Segundo a ONG, depois da abertura de lojas no varejo, as vendas aumentaram, e a Recicla Jeans contribui para gerar renda a dezenas de famílias carentes e potencializar ainda mais a projeção já alcançada pela ONG, inclusive com visibilidade no exterior. Ressalta-se aqui importância do aumento das vendas e sua relação com a elevação no nível socioeconômico de famílias de baixa renda para uma condição digna de vida. Contudo, na dimensão ambiental este argumento é contraditório com a urgente necessidade de reduzir a demanda por recursos do planeta. Nesta abordagem há o mero prolongamento do ciclo de vida da matéria-prima, havendo dúvidas quanto a sua eficácia na redução dos recursos como um todo (CO2 no transporte, energia). Como salienta Alcott (2008), há na verdade neste tipo de situação o risco do ‘efeito colateral’ em que o consumo é estimulado pela noção de que se está contribuindo para o meio ambiente.

Nível 4: Implementação de Novos Cenários de Consumo e Produção Sustentável do Vestuário
Este último nível trata das soluções que efetivamente mudam estilos de vida e, dessa forma, hábitos de consumo e produção de maneira a reduzir ou eliminar o impacto do ser humano sobre o meio ambiente. A proposição ou implementação de novos cenários sustentáveis para o consumo e produção, por sua vez, implica a promoção de novos valores culturais radicalmente diferentes do paradigma corrente. Neste caso, o papel do designer é importante, embora limitado, conforme alertam Manzini e Vezzoli (2005).

4 Resultados e análise
Nível 1: Redesign caso do Projeto Recicla Jeans
A ONG Recicla Jeans iniciou, em 1995, em São Paulo, o Projeto Florescer, ONG que presta assistência direta a pessoas carentes e moradoras da favela Paraisópolis a segunda maior da capital paulista, com cerca de 75 mil habitantes. Em 2003, o projeto deu início às atividades do Recicla Jeans, formando artesãos para a reciclagem de jeans, que, com a orientação de estilistas, redesenham, transformam, aplicam e retrabalham roupas produzidas com jeans e resíduos têxteis oriundos das empresas parceiras do projeto. A fase final do ciclo de vida do produto, o descarte, recebe novos usos e ganha novos significados ao tornar-se um novo produto, e vem se mostrando economicamente viável. De fato, a ONG tem aberto franquias de lojas e oficinas em São Paulo e Belo Horizonte e parcerias de exclusividade com as grifes Eugênia

Nível 2: Design de Vestuário Intrinsicamente Sustentável caso das Empresas Döller e Renaux
A Empresa DÖLLER situada no vale do Itajaí (Santa Catarina) vem produzindo também em escala considerável artigos elaborados a partir da celulose obtida do bambu, seja em tolhas de mesa, banho ou roupões. No caso da DÖLLER, o material vem sendo utilizado em tecidos planos para o vestuário em geral com algumas opções de cartela de cores. No caso da RENAUX VIEW, as malhas confeccionadas com a viscose obtida do bambu têm uma pequena porcentagem de elastano, para garantir maior conforto e aderência ao corpo. Quanto à utilização da fibra de bambu para a fabricação de artigos têxteis a priori seria possível relacionar inúmeras vantagens para a sua utilização. É uma fibra celulósica regenerada extraída da polpa de bambu, produzida sem aditivos químicos, percebida pelo consumidor como uma “fibra ecologicamente correta”. Os tecidos, sejam planos ou de ponto (malha) elaborados com fios de fibra de bambu, têm como características o toque extremamente macio, leveza, fluidez e excelente recuperação ao amarrotamento.

102

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

Possui ainda algumas características funcionais positivas que incluem a alta absorção de umidade, facilitando o processo de transpiração, chegando a ser quatro vezes mais absorvente que a fibra de algodão. Possui propriedade bacteriostática natural, o que confere uma sensação de frescor (desodorante), além de inibir o mau odor. É termodinâmico, ou seja, no calor proporciona a sensação de frio e no frio, a sensação de toque quente, além de oferecer também uma boa proteção contra os raios indesejáveis do sol. Contudo, vale ressaltar que esforços como este ainda são carentes de respaldo técnico-científico no Brasil. No caso do bambu, por exemplo, há que se considerar as implicações na fauna e flora regionais, as distâncias de transporte, os processos de tratamento requeridos etc.

serviços da empresa oferecem potencial para reduzir resíduos na indústria e do uso de recursos naturais. Somam-se a isso as ações realizadas pela empresa no sentido de conscientizar não somente seus funcionários e familiares como também comunidades, fornecedores e prestadores de serviços. Vale lembrar que a empresa mantém programa de responsabilidade social e de gestão ambiental. Não foi possível identificar nas informações coletadas sobre esta empresa se os equipamentos e insumos são efetivamente projetados para utilização em ambiente produto+serviço. A análise da literatura permite inferir pouca probabilidade com relação a esta hipótese, havendo neste perfil de empresa um campo de atuação para o designer brasileiro, ainda pouco explorado. Obviamente esse tipo de estratégia demanda competências que normalmente não são enfatizadas e gerenciadas pelo designer com formação ortodoxa, como gestão de conflitos, estratégia, gestão ambiental, governança corporativa, entre outros tópicos.

Nível 3: Sistema Vestuário+Serviço caso da empresa Atmosfera
Este caso analisa o caso da Atmosfera, empresa que oferece serviços de fornecimento de uniformes, higienização, gestão de rouparia e manutenção de equipamentos de proteção individual EPIs, para indústrias, hospitais e hotéis, apresentando soluções e serviços. A empresa contribui para evitar não somente o descarte, ao promover reutilização desses produtos, como também a redução de resíduos e custos operacionais na indústria. Segundo dados apontados no site da empresa, a recuperação dos EPIs gera uma economia de até 50%, se comparada à compra e ao descarte sem reutilização. A empresa propõe um sistema “inteligente” de uniformização, tais como: a locação de roupas protetoras especiais para baixas ou altas temperaturas, repelente a chamas, ambiente controlado, aluminizadas, refletivas e antiestáticas; a gestão de roupas profissionais elaboradas para cada atividade, sendo as peças personalizadas com a logomarca da empresa, identificadas com códigos de barra, acompanhadas de toalhas de banho; higienização periódica dos uniformes dos funcionários. A empresa ainda integra os serviços de lavagem e consertos. Na empresa Atmosfera a inspeção de cada peça garante respaldo técnico em casos de vistorias e auditorias externas, consertos, reparos, eventuais substituições de uniformes desgastados pelo uso e gera relatórios detalhados que possibilitam o controle e a garantia da troca de roupa. As características dos

Nível 4: Mudanças no Estilo de Vida
Vestuário é uma necessidade básica do ser humano e sua eliminação não é aceita culturalmente nem tampouco fisiologicamente desejável. Contudo, na sociedade de consumo contemporânea observa-se descarte prematuro do vestuário em volumes crescentes. O descarte prematuro no caso do vestuário muitas vezes configura-se como a simples contenção do vestuário por anos em guarda-roupas, a ponto de resultar em dano funcional ou estético permanente. Assim, entre as soluções estratégias neste cenário visando reduzir o consumo está a busca pela aproximação do ciclo de vida do vestuário com o efetivo ciclo de uso por parte do usuário. O design de roupas multi-uso, reversíveis ou que “crescem” com o indivíduo (no caso de crianças) é um exemplo típico. Outro exemplo são as roupas que já têm no design original a possibilidade de substituir partes com grande probabilidade de desgaste (caso dos cotovelos em roupas para uso industrial). Algumas medidas práticas incluem: evitar o uso de secadoras de roupa, buscando o uso da secagem natural sob o vento e o sol; se há a necessidade de

Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS)

103

evitando assim. um desejo no consumidor por coisas sem tempo definido. a moda não atrelada a sazonalidade do lançamento das coleções e a “tendência da não tendência”. tem o prazo de validade reduzido. cuja expansão depende diretamente do aumento da preocupação dos consumidores com questões ambientais. por exemplo). 5 Considerações finais Atualmente. entre outros. usar máquinas de lavar com carregamento pela frente (usualmente demandam menos energia e menos água que as máquinas com carregamento pelo topo). usar detergentes livres de fosfato (para evitar a formação excessiva de algas nos rios e lagos) e em pó (evitando o transporte de água). profissionais de marketing. comerciantes. do vestuário e produtos de moda. Nessa direção. Kazazian (2005) propõe buscar aparências menos subordinadas à moda. o “slow fashion”. 104 Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) . tais como agricultores. Segundo Magner (2008) esse pensamento já vem sendo discutido nos meios especializados em pesquisa de tendências. que usam seu poder de escolha para premiar ou punir empresas por suas atitudes sociais e ambientais e estão informados sobre os produtos que consomem. em que os estilistas estão focando suas coleções na própria identidade da marca em vez do que ditam os bureuax de estilo. pois é princípio intrínseco a ela sua eterna reinvenção. Diz-se ‘especialmente’ sobre os produtos de moda. Cabe ainda ressaltar a postura que vem crescendo entre criadores de moda. a obsolência acelerada dos produtos de moda. Ao mesmo tempo. utilizar materiais adaptados ao envelhecimento. Em consonância com esse cenário está um novo perfil de consumidores. segundo Popcorn (1997). empresários. esses atores poderiam contribuir com a redução dos impactos do setor e promover mudanças mais efetivas. mais conscientes de suas ações e de seus poderes como cidadãos. favorecer o reparo e a manutenção a fim de retardar a obsolescência do produto. de acordo com Helvécia (2008). ao procurar transcender à efemeridade da moda buscando um equilíbrio entre contemporaneidade e atemporalidade. o descarte após uso. O ritmo veloz que o modelo de consumo e produção imprime nas relações de compra e venda de mercadorias. evitando assim. como uma tentativa de não criar uma classificação e validade dos produtos. O desenvolvimento da sustentabilidade no setor implica elaborar soluções que tratem do âmago do problema que é justamente o efeito desta efemeridade no meio ambiente. produtores. buscar a utilização de empresas de prestação de serviço em regime self-service ou condominial (o equipamento compartilhado implica considerável menor impacto ambiental e sua característica industrial indica que é usualmente mais eficiente do que o equipamento doméstico). designers. essas ações não podem restringir-se somente ao marketing promocional das grifes para angariar clientes que começam a despertar para as relações entre produção de itens de moda e impactos socioambientais. economistas. com um consumidor mais consciente de suas responsabilidades e de seus hábitos de consumo. evitar o uso de ferro de passar roupa (pendurar a roupa logo depois de lavála ou usar tecidos que não amassam. Trata-se de aumentar a durabilidade dos produtos e criar. Martins e Vascouto (2007) destacam: como um dos caminhos para uma produção de moda com responsabilidade social e ambiental a disseminação de informações sobre a utilização de materiais têxteis: tecnologias e processos de produção sustentável para os diversos atores da cadeia têxtil. uma vez que. de posse dessas informações. especialmente dos itens de moda. as grandes companhias buscam cada vez mais atender a um nicho do mercado de produtos têxteis.uso uma secadora/lavadora. São necessários a disseminação e o desenvolvimento de conceitos e ferramentas que permitam o desenvolvimento de soluções que vão além da mera reciclagem de matéria-prima ou utilização de matéria-prima renovável para que este problema central repercuta na efetiva redução do consumo no setor. Abrem-se também outras possibilidades de mudança na outra ponta. utilizar sempre água fria no processo de lavagem. Paira sobre essa questão a real viabilidade da expansão do conceito e da proposta de sustentabilidade aliada à incessante busca por novas tendências em produtos de moda e vestuário.

ISSD. 2005. In: JC Report <http://jcreport. SBDS. Florianópolis.design. MANZINI. MANZINI. O desenvolvimento de produtos sustentáveis. 2005. Design + environment. The Journal of Sustainable Product Design 2. Gilda de Mello e. São Paulo: Universidade de São Paulo. ________________________. Vanessa.Ao mesmo tempo. Curitiba.. ABERGO 2006. Click .Acesso em 20 de março de 2009. In: Simpósio Brasileiro em Design Sustentável. Acesso em 20 de março de 2009.. Universidade Federal de Santa Catarina. 2002.In: 14º. KAZAZIAN. das Letras.asp?id_menu=2&idioma=PT&rnd=200942313414914 .design. POPCORN. tanto presente quanto futura. The death of Trenes. Ezio. Faith.ufpr. ABEST (Associação Brasileira de Estilistas) APEX Brasil. In. 1997 SOUZA. Sweatman. desenvolvimento sustentável está diretamente relacionado à qualidade de vida e no bem-estar da sociedade. “Context-based wellbeing and the concept of regenerative solution. Holanda: Kluwer Academic Publishers. Greenleaf publishing.786. 2007). In: International Symposium on Sustainable Design. Anais. MARTINS. Tese (Doutorado em Engenharia de Produção) . Suzana Barreto. pp.Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção. 2006. Metodologia para avaliação de usabilidade e conforto no vestuário. Erin. 2005. Blake. HELVÉCIA. produção e comercialização. Curitiba. Congresso Brasileiro de Ergonomia.16 Tendências Que Irão Transformar sua vida. In Vitrine. 30 de agosto de 2008. Acesso em 20 de março de 2009. São Paulo. Grant. onde “sabedoria de redimensionar o tempo e a persistência nas escolhas revestem a vida de características qualitativas. VEZZOLI. A. Heloísa. org.141148. Thierry.abit. ISBN 978-85-60186-02-0 Disponível em http://www.br/sbds.ufpr. A conceptual framework for scenario building and sustainable solutions development”. 2001 MAGNER. I. Folha de São Paulo. 770. 2007 CASTRO. Rio de Janeiro: Editora Campus. _______________________________.br/site/texbrasil/default. Chega de consumo contemporâneo. The sufficiency strategy: Would rich-world frugality lower environmental impact? Ecological Economics. São Paulo: Cia. I. 2007. Disponível em http://www. GERTSAKIS. Marina. Disponível em: http://www.. Challenges to present fashion consuming society and market possibilities of organic cotton: a sustainable proposition. Carlo. Morelli. São Paulo: Editora Senac. J. 2007. In Catálogo ABEST. a global guide to designing greener goods. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável. ALCOTT. 2008. Número 64. Ezio.com/intelligence/zapposen/040808/death-trends-part-i>. Anais do 1º Simpósio Paranaense de Design Sustentável (I SPDS) 105 ..São Paulo. N. T. Verão_ summer2009. Moda sustentável trajetória da criação. O espírito das roupas: a moda no século dezenove. Referências ABIT ..Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. H. O Conforto no vestuário: uma interpretação da ergonomia. Acesso em: 2 de março de 2009..br/issd. VASCOUTO. A soma dessas atitudes pode interferir na construção de um futuro sustentável” (MARTINS. LEWIS.Seletivo. 2001. +B Inspiração Brasil. p.Curitiba. Ergonomia e usabillidade: princípios para projeto de produtos de moda e vestuário.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful