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Universidade Federal de Roraima

Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação


Programa de Pós-graduação em Letras

Estrutura musical dos Erenkons do circum Roraima:


discussões

AUTORES:
Emílio Gomes Martins
Devair Antônio Fiorotti
Introdução

 Experiências como músico

 Prática na composição musical

 Interesse pelo tema


Questão de pesquisa

 Como, mesmo que provisoriamente, se


organizaria a estrutura musical dos erenkon
indígenas?
Objetivo da pesquisa

 Ainda em caráter provisório tem por objetivo refletir


sobre a estrutura musical da composição dos cantos
tradicionais dos povos Taurepang e Macuxi do
circum-Roraima.
Reflexões

 Planejamento
 Escuta dos áudios
 Transcrições dos cantos
 Dificuldades
 Sucessos
Fundamentação teórica
 Ao ouvirmos uma música, nossa imaginação acústica se
desperta. Deste modo, dela, muitas vezes, subtraímos
aquilo que é irrelevante com relação ao que entendemos
ser indigesto de sons que atingem nossos ouvidos. Ouvir a
música, assim como entender sua linguagem, é constituir
um ato cotidiano da imaginação criadora para que seu
mecanismo possa ser aceito sem reservas (ROSEN, 2000).

 ROSEN, C. A Geração Romântica. São Paulo, Edusp, 2000, p.25.


 Pesquisadores como Valente (1999) e Tavares (2005)
relatam que a estrutura musical de uma composição se
organiza pelos seus elementos básicos como: melodia,
harmonia, ritmo, pequenos ciclos, sonoridades estranhas
ou já aceitas, notas musicais, intervalos musicais, e temas.
Esta organização reflete uma atividade formalizada, pois
na música ocidental são utilizados os códigos musicais
tradicionais, que requerem um conhecimento prévio a
respeito das regras e normas estabelecidas em séculos
passados.
 TAVARES, Braulio. Contando Histórias em Versos: poesia e romanceiro popular no Brasil. São Paulo: Editora 34, 2005.
 VALENTE, Heloisa de Araújo Duarte. Os Cantos da Voz: entre o ruído e o silêncio. São Paulo: Annablume, 1999.
 Ao refletir sobre organização da estrutura musical de uma
composição, Schoenberg (1991) delineia que a estrutura
musical seria composta de diferentes subestruturas
conectadas por certos procedimentos formais. O conteúdo
de partes, seções e segmentos seriam interligados,
relacionados, e a estrutura musical da composição
relaciona o individual ao todo de forma orgânica.

 SCHOENBERG, Arnold. Fundamentos Da Composição Musical. Traduzido por Eduardo Seicman. São Paulo: EDUSP,
1991.
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Canto 2
Canto 3
Reflexões
 Diante do que foi exposto, foi possível perceber
que estas composições não possuem um forte
investimento de amplitudes melódicas, blocos
distintos que estruturam a composição, tal como
ocorre em geral na música ocidental europeia ao
longo de seu desenvolvimento histórico. Embora
o motivo temático destes cantos utiliza-se de
repetições escalares, em nada isso seja simplório
do ponto de vista da composição e sua finalidade
enquanto estrutura funcional principalmente para
a dança na comunidade.
 Os padrões da música indígena não demonstram
uma incapacidade, mas uma riqueza. Devemos
ser flexíveis quanto aos aspectos de hesitação
sonora com relação à afinação que habituamos
identificar, reconhecer, de modo que a
composição indígena possa ser percebida como
um resplendor de riquezas timbrísticas da voz
entrelaçadas em torno de um foco sonoro.
 As riquezas dos timbres vocais e aquilo que pode ser
entendido como ruídos não devem ser depreciados
em nome da nota precisa, afinada como em geral
julgamos a partir de nosso conhecimento não
indígena. Para isso, há necessidade de se examinar a
estrutura musical das composições produzidas pelos
índios brasileiros levando sempre em consideração,
tanto quanto possível, os próprios parâmetros da
sociedade indígena examinada, conforme os
aspectos refletidos neste trabalho como: a estrutura
musical da composição indígena e sua relevância, e o
processo de construção dos cantos específicos
inseridos numa estrutura social específica.
 Restituir, dentro do possível, a música indígena ao
seu contexto de produção é contribuir para a sua
compreensão e, consequentemente, para a sua
valorização e inserção à contemporaneidade da qual
fazem parte.
Obrigado!