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ATENÇÃO BÁSICA

Prof.: Enf. Paula Mangialardo da Luz


O QUE É SAÚDE COLETIVA?

 É a ciência e a arte de prevenir doenças,


prolongar a vida e promover a saúde física e a
eficiência do indivíduo através de esforços
organizados da comunidade visando o
saneamento do meio ambiente, combate das
doenças transmissíveis que ameaçam a
coletividade.
QUANDO SURGIU A SAÚDE COLETIVA?

 A saúde coletiva surgiu na década de 70


contestando os atuais paradigmas de saúde
existentes na América Latina buscando uma
forma de superar a crise no campo da saúde.
ENFERMAGEM EM SAÚDE COLETIVA
É um seguimento da enfermagem onde ela
está direcionado a saberes e práticas aplicados em
favor da coletividade.

Quando um indivíduo busca o atendimento ou


quando surge um problema de impacto coletivo
sobre a saúde, é obrigatório que o serviço
correspondente esteja capacitado para enfrentá-lo e
resolvê-lo até o nível da sua competência.
POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA
 Atenção básica é entendida como um conjunto de
ações de promoção, prevenção, recuperação e
reabilitação de saúde nos âmbitos individual e
coletivo realizadas por meio de trabalho em
equipe e dirigidas a populações de territórios
delimitados.
 Saúde da Família assumida como estratégia
prioritária- centralidade na família e direcionada
para a comunidade
NASCIMENTO DO SUS

 A constituinte de 1988 no capítulo VIII da Ordem


social e na seção II referente à saúde define no
artigo 196 que: “A SAÚDE É DIREITO DE
TODOS E DEVER DO ESTADO”. Garantindo
mediante políticas sociais e econômicas que visem
a redução do risco de doença e de outros agravos
e ao acesso universal e igualitário às ações e
serviços para sua promoção, proteção e
recuperação.
LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO DE
1990
 Dispõe sobre as condições para a promoção,
proteção e recuperação da saúde, a organização e
o funcionamento dos serviços correspondentes e
dá outras providências.
LEI 8.080/90

 “O dever do Estado de garantir a saúde consiste


na formulação e execução de políticas econômicas
e sociais que visem à redução de riscos de
doenças e de outros agravos e no estabelecimento
de condições que assegurem acesso universal e
igualitário às ações e aos serviços para a sua
promoção, proteção e recuperação.”
O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE

 Definido na Constituição de 1988


 Detalhado pelas NOBs 91, 92, 93 e 96
OBJETIVOS E ATRIBUIÇÕES DO SUS;

 Lei 8.080, estabelecei que os recursos destinados


ao SUS seriam provenientes do Orçamento da
Seguridade Social, estabelecendo o repasse de
recursos financeiros a serem transferidos para
estados e municípios.
 NOB – Norma Operacional Básica, trata da
edição de normas operacionais para o
funcionamento e operacionalização do SUS de
competência do Ministério da Saúde, tendo sido
editadas até hoje a NOB – SUS 01/91, NOB –
SUS 01/93 e NOB – SUS 01/96.
Princípios e Diretrizes

Princípios e Dirretrizes do SUS


Sistema Único de Saúde – SUS

Doutrina e Organização do SUS

PRINCÍPIOS DOUTRINÁRIOS E
DIRETRIZES ORGANIZATIVAS

Universalidade,
equidade,
integralidade

participação descentralização e
popular comando único
regionalização e
hierarquização
O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE:

 Princípios doutrinários: filosofia do


conceito de saúde e da ideia de direito à
saúde.

Universalidade
Equidade
Integralidade
O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE:

 Princípios organizativos: orientam a forma


como o sistema deve funcionar.

Participação Popular
Descentralização
Regionalização e Hierarquização
O Sistema Único de Saúde

Descentralização
Participação
Popular
Universalidade
Equidade
Integralidade

Regionalização e
Hierarquização
PRÍNCIPIOS DOUTRINÁRIOS DO SUS
 UNIVERSILIDADE – O acesso às ações e
serviços deve ser garantido a todas as pessoas,
independentemente de sexo, raça, renda,
ocupação, ou outras características, sociais ou
pessoais;
 EQUIDADE – É um princípio de justiça social
que garante a igualdade da assistência à saúde,
sem preconceitos ou privilégios de qualquer
espécie. A rede de serviços deve estar atenta às
necessidades reais da população a ser atendida;
 INTEGRALIDADE – Significa considerar a
pessoa como um todo, devendo as ações de
procurar atender à todas as suas necessidades.
DESTES DERIVAM ALGUNS PRINCÍPIOS
ORGANIZATIVOS DO SUS:

 HIERARQUIZAÇÃO – Entendida como um conjunto


articulado e contínuo das ações e serviços preventivos e
curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada
caso em todos os níveis de complexidade do sistema;
referência e contra referência;
 PARTICIPAÇÃO POPULAR – Ou seja a democratização
dos processos decisórios consolidado na participação dos
usuários dos serviços de saúde nos chamados
CONSELHOS MUNICIPAIS DE SAÚDE;
 DESCENTRALIZAÇÃO POLÍTICA ADMINISTRATIVA
– Consolidada com a municipalização das ações de
saúde, tornando o município gestor administrativo e
financeiro do SUS
VISÃO DO SUS
 Visão mais humana,
 Trata o ser humano e não a doença,

 Ação curativa e preventiva,

 Mudança no modo de administrar o sistema de


saúde:
 De gerente em gestor
PRINCÍPIOS ORGANIZACIONAIS OU
OPERACIONAIS DO SUS
 Descentralização
 Regionalização e Hierarquização

 Atendimento Integralizado

 Participação da Comunidade

 Resolutividade

 Intersetoriedade

 Complementaridade do Setor Privado


DESCENTRALIZAÇÃO
 Redistribuição das responsabilidades às ações e
serviços de saúde entre os vários níveis de
governo. (fed./est./municipal)
 Quanto mais perto do fato a decisão a ser tomada
mais chance haverá de acerto.
 Municipalização – reforço do poder municipal
para atenuar problemas locais, responsabilidade
na implementação de ações.
MUNICIPALIZAÇÃO
 O processo de Municipalização:
 Conselhos Municipais de Saúde
 Fundo Municipal de Saúde
 Plano Municipal de Saúde
 Programação e Orçamentação da Saúde – PROS
 Plano de carreira, cargos e salários – PCCS
 Consórcios administrativos intermunicípios
REGIONALIZAÇÃO
 Divisão por Regiões com a finalidade de facilitar
a gestão do sistema e favorecendo ações mais
localizadas para minimizar os problemas da
comunidade.
 Permite uma abrangência maior em relação aos
problemas locais de cada comunidade gerando
assim maior eficiência no seu acompanhamento e
solução.
HIERARQUIZAÇÃO
 Existe uma única direção de comando, na
seguinte seqüência:
 Esfera federal – ações de alta complexidade
 Esfera estadual - ações de média
complexidade
 Esfera municipal – ações básicas de saúde
 Esfera do Distrito Federal (assume
características de Município e Estado)
ATENDIMENTO INTEGRAL
 Promoção/ Proteção / Recuperação
 Ação conjunta nos três níveis de atenção à saúde
visando a prevenção sem prejuízo dos serviços
assistenciais.
PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE
(LEI ORGÂNICA DA SAÚDE)

 Garantir que a população por intermédio de suas entidades


representativas poderá participar dos processos de formação das
políticas de saúde em todos os níveis desde o Federal até o local.
 Conselhos de Saúde
 Nacional
 Estadual – Cons. De Secretários Estad. de Saúde - CONASS
 Municipal – Cons. De Secretários Munic. de Saúde -
CONASEMS
 Distrito Federal - CONASS
 Função Deliberativa

 Composição do conselho: usuários, governo, prof. da saúde,


prestadores de serviços.

 Conferência de Saúde
 Encontros de 4 em 4 anos
O Sistema Único de Saúde
Conselhos de Saúde
(nos 3 níveis)
Participação
Popular Governo
Usuários
Trabalhadores
da saúde
Prestadores

Conferências de Saúde
(nos 3 níveis)
RESOLUTIVIDADE
 Resolver os problemas de saúde, que levem o
paciente a procurar os serviços de saúde em cada
nível de assistência.
 Dentro do limite de sua complexidade e capacidade
tecnóligica.
COMPLEMENTARIDADE DO SETOR
PRIVADO
 Forma complementar.
 Contratada ou conveniada

 Prevalecendo o interesse público sobre o privado.

 Preferência para os serviços não lucrativos:


Hospitais Filantrópicos, Santas Casas
INTERSETORIEDADE
 Definealguns fatores determinantes e
condicionantes da Saúde, por exemplo:
 Alimentação, moradia, o saneamento básico
 Meio ambiente, trabalho, a renda, a educação.
 Condições de bem-estar físico, mental e social.

Estas ações são executadas por outros setores do


governo, com recursos próprios e são
consideradas ações de intersetoriedade.
ALGUMAS SIGLAS UTILIZÁVEIS DO SUS;

 SIPAC – Sistema de informação de agentes


comunitários de saúde
 SIAB – Sistema de informação de atenção básica

 SIM – Sistema de informação de mortalidade

 SINASC – Sistema de informação de nascidos


vivos
 SIA/SUS – Sistema de informação ambulatorial
do sistema único de saúde
 SISVAN – Sistema de informação da vigilância
alimentar e nutricional
DETERMINANTES SOCIAIS DE SAÚDE
(DSS)
Os debates sobre o conceito de Determinantes Sociais da
Saúde (DSS) iniciaram-se nos anos 70/80 a partir do
entendimento de que as intervenções curativas para o
risco de adoecer eram insuficientes para a produção da
saúde e da qualidade de vida em uma sociedade. As
condições como:
 classe social,
 escolaridade,
 segurança alimentar,
 habitação,
 moradia,
 acesso a serviços e bens públicos,
vem desafiando a execução de práticas inter setoriais
como estratégias provocadoras de mudanças no nível de
saúde dos indivíduos e de grupos sociais.
PREVENÇÃO
 É o conjunto de medidas que visam evitar a
doença na coletividade, utilizando medidas que
acabem com a patologia, ou a minimizem na
população.
TIPOS DE PREVENÇÃO
 Primária - quaisquer atos destinados a diminuir
a incidência de uma doença numa população,
reduzindo o risco de surgimento de casos novos;
 São exemplos a vacinação , o tratamento da
água para consumo humano, medidas de
desinfecção e desinfestação ou de ações para
prevenir a infecção por HIV, ações de educação e
saúde ou distribuição gratuita de preservativos ,
ou de seringas descartáveis aos toxicômanos .
TIPOS DE PREVENÇÃO
 Secundária - quaisquer atos destinados a
diminuir a prevalência de uma doença numa
população reduzindo sua evolução e duração;
 Um exemplo é o rastreio do cancro do colo
uterino, causado pela transmissão sexual do HPV
. A prevenção secundária consiste em um
diagnostico precoce e tratamento imediato.
TIPOS DE PREVENÇÃO
 Terciária - quaisquer atos destinados a diminuir
a prevalência das incapacidades crônicas numa
população, reduzindo ao mínimo as deficiências
funcionais consecutivas à doença.
 Exemplo: ações de formação a nível de escolas
ou locais de trabalho que visem anular atitudes
fóbicas em relação a um indivíduo infectado pelo
HIV. Outro exemplo, a nível da saúde
ocupacional seria a reintegração daquele
trabalhador na empresa, caso não pudesse
continuar a exercer, por razões médicas, o mesmo
tipo de atividades.
INSTRUMENTOS DE EMANCIPAÇÃO DO SUS
 Acolhimento – Neste trabalha-se a escuta,
valorizando suas queixas e problemas (Você pode
produzir saúde em seu cliente pelo simples fato
de ouvi-lo)
 Visita Domiciliar – A equipe de enfermagem
analisa as condições de tratamento entre os
componentes da família, o que cada um faz, como
agem, se o que fazem que pode causar
adoecimento ou morte, considera-se também a
condição financeira.
 Consulta de Enfermagem – Profissional em
contato com o cliente
POLÍTICA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA SAÚDE

As condições de trabalho, moradia, alimentação, do meio


ambiente e de lazer, dentre outras, determinam nossa
maior ou menor saúde.
A Promoção da Saúde é uma das estratégias deste setor
(SAÚDE) montada para buscar a melhoria da qualidade
de vida da população. Seu objetivo é, produzir a gestão
compartilhada entre usuários, movimentos sociais,
trabalhadores do setor sanitário e de outros setores,
produzindo autonomia e co-responsabilidade.
A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS),
aprovada em 30 de março de 2006, dá diretrizes e aponta
estratégias de organização das ações de promoção da
saúde nos três níveis de gestão do Sistema Único de
Saúde (SUS) para garantir a integralidade do cuidado.