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População e Território

Território
• Espaço físico dentro do qual o Estado exerce seu poder soberano.

• Solo + águas interiores e fronteiriças + subsolo + espaço aéreo + mar


territorial + zona contígua + plataforma continental + zona econômica
exclusiva.

• Lei 8.617/93 regula o território brasileiro:


• 12 milhas de mar territorial; 12 milhas de zona contígua; 200 milhas
de zee. Depois, águas internacionais.
Território

• O que é considerado como território (mas não é): aeronaves e


embarcações militares em qualquer lugar. Aeronaves e embarcações
privadas em zonas internacionais; missões diplomáticas e consulares;
artefatos espaciais e bases militares.
Aquisição e perda de território
• Guerras / Invasão
• Compra
• Negociação (adjudicação por decisão de organismo internacional)
• Acessão (acréscimo de terra por forças da natureza): avulsão
(desprendimento de terra que se une a outro Estado) ou
aparecimento de ilha; ou aluvião (aterro natural).
• Título gratuito ou oneroso (pagamento em dinheiro ou outras
partilhas).
Fronteiras
• A fronteira é o limite físico do território e do exercício do poder do
Estado.

• As fronteiras normalmente são estabelecidas por tratados


Jurisdição territorial: direitos territoriais
de jurisdição. Imperium e dominium
• A jurisdição estatal sobre o território é geral e exclusiva.
• Geral porque abrange todas as competências típicas de um Estado:
ADM, LEG, e JUD.
• Exclusiva porque não deve coexistir com outra soberania.
• Todos os indivíduos dentro do território são obrigados a obedecer às
normas daquele Estado.
• A competência não é absoluta, pois pode ser caso das exceções
previstas sobre jurisdição do território.
• A relação do Estado com o território é objeto de teorias sintetizadas
nas noções de dominium (direito real sobre território) e de imperium
(poder sobre as pessoas, consequentemente, sobre o território).

• Imunidade de jurisdição: Algumas pessoas podem gozar de status


especial em territórios estrangeiros.
• Elas não podem ser julgadas contra sua vontade e não podem ser
submetidas a medidas tomadas por autoridades dos entes estatais
onde se encontram ou onde atuam.
Imunidade de Jurisdição
• Quem é imune?
• Estado estrangeiro; Organizações internacionais; autoridades e
funcionários que representam os Estados em seus relacionamentos
externos (exceto imóvel privado, sucessão e ação comercial).

• O que é? – Prerrogativa para exercício de suas funções; limitação da


Soberania
Imunidade no Processo de
Conhecimento
• Pense no ente Estatal como um empresa. Ele pode comprar bens de
outro ente, pode contratar pessoas locais para as embaixadas,
conceder vistos, etc.

• Uma controvérsia envolvendo Estado estrangeiro pode ser


solucionada pelo Judiciário Nacional?

• Relativização na área civil, comercial ou trabalhista;


• Prevalência da imunidade em ato de império (guerra)
• Caso: morte em barco pesqueiro Changri-la em 1943 por submarino
nazista no mar territorial brasileiro. STF decidirá em RE, tema 944.
Mas o Relatório do Fachin é de não provimento.

• O STF respeita a Convenção das Nações Unidas sobre a imunidade de


jurisdição dos Estados e de suas e propriedades de 2004 (não
assinada pelo Brasil até 2017).
Visão antiga: par in parem non
habet judicium/imperium
• Era na igualdade jurídica entre os Estados que se baseava a antiga
concepção acerca da imunidade de jurisdição estatal.

• A imunidade era absoluta (em qualquer caso) a menos que houvesse


a renúncia à imunidade.
Visão atual: atos de império e atos de gestão.
Teoria da imunidade relativa, limitada ou
restrita
• Atos de império: atos de guerra; atos de concessão ou denegação de
visto; e atos de admissão de estrangeiro ao seu
território/impedimento de ingresso/deportação.

• Atos de gestão: o Estado atua em matéria de ordem privada, como:


aquisição de bens móveis e imóveis, atos de natureza comercial, atos
que envolvam responsabilidade civil e questões trabalhistas,
mormente aquelas que envolvam a contratação de serviços e de
funcionários locais para missões diplomáticas e consulares.
Imunidade tributária
• Convenção de Viena sobre relações democráticas de 1961 e Comissão
de Viena para relações consulares de 1963.

• Os Estados não pagam IPTU


• Agora, impostos e taxas de prestações de serviços, pagam.
Ato de império, o que fazer?
• No caso de um ato de império chegar ao Poder Judiciário, antes de se
declarar incompetente, o juiz deve comunicar a Embaixada do país no
Brasil perguntando se o Estado vai usar da imunidade ou não. O ato
do juiz é uma comunicação, não uma citação.
• A comunicação é feita através de ofício pelo Ministério das Relações
Exteriores.
• Silêncio não implica renúncia.
• Prazo fazendário.
Imunidade no processo de
conhecimento
• Atos de gestão
• Relativizada
• O estado vai ser julgado normalmente.
• Autor ---- não tem oq pensar.
• Ré ---- não tem imunidade
• Juiz recebe, cita o Estado.
• Prazo fazendário.
• Sentença..... Prazo recursal.
• Estado pagar ou cumprir a sentença ---- ótimo!!!
Imunidade no Processo de Execução
• Impedimento que uma autoridade local entre em missão diplomática
ou consular de outro Estado e tome posse de qualquer bem da
missão a título executório.
• É possível renúncia que deve ser expressa.
• Críticas à manutenção desse entendimento.
• TST: só são imunes os bens comprovadamente vinculados ao exercício
das atividades de representação consular e diplomática.
• A imunidade de execução é independente da imunidade de jurisdição.
Renunciar a uma, não implica renunciar a outra.
Imunidade das Organizações
Internacionais
• Exercício das funções
• Regras estabelecidas em seus atos constitutivos ou tratados entre o
Brasil e elas.

• O Brasil tem acordo com ONU e suas agências especializadas, OEA


(entre outros)
• TST: imunidade absoluta, aplicando-se as regras convencionadas a
não ser que elas renunciem.
• Deve-se buscar os mecanismos indicados pelas organizações: foros
arbitrais, conciliação ou tribunais administrativos. Ex.: Tribunal
Administrativo das Nações Unidas.

• As noções de atos de gestão/império não se aplicam.


Competências
• STF: Estados ou Organizações Internacionais versus União, estados, DF
e territórios. Recurso ordinário.

• Justiça Federal/STJ (recurso ordinário): Estados ou Organismos


Internacionais versus Municípios e Pessoas (indivíduos).

• Relações de trabalho: Justiça trabalhista (primeira instância).


População
• Nacionalidade é o vínculo jurídico-político que une uma pessoa a um
Estado, do qual decorre uma série de direitos e obrigações recíprocas.
• Exercício de direito político e proteção no Exterior. É um critério, mas
não se confunde com cidadania.
• Também não se confunde com “pertence a uma nação”. Nem com
naturalidade, onde se nasce.

• Convenção de Haia concernente a certas questões relativas aos


conflitos de leis sobre nacionalidade de 1930.
• Cabe ao Estado definir sobre nacionalidade, apenas.
• Ter nacionalidade é direito humano. “Toda pessoa tem direito à
nacionalidade” (art. XV, par 1ª, DUDDHH).
• É possível trocar de nacionalidade.

• A nacionalidade deve ser efetiva, fundamentada em laços


consistentes.
• Convenção sobre a nacionalidade da mulher casada de 1969: a
mulher não perde a nacionalidade pela dissolução do matrimônio.
• Filhos de agentes de Estados como diplomatas presumem-se
nacionais do Estado dos pais.
• O Estado não pode expulsar seu nacional e deve sempre receber os
detentores de sua nacionalidade.
Conflitos de nacionalidade
• Polipatridia: indivíduo tem 2 ou mais nacionalidades. Ex: filho de
italiano nascido no Brasil.

• Princípio internacional: o indivíduo deve ter apenas uma


nacionalidade.

• Apatridia: sujeito sem nacionalidade. Motivos políticos. A CF/88


declarava que o filho de brasileiro nascido em Estado jus sanguinis
não teria nenhuma nacionalidade (art. 12, I, c)
Brasil
• O Brasil contempla a hipótese de perda da nacionalidade, o que pode levar o
indivíduo a se tornar apátrida. Art. 12, §4º, I.

• § 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:


• I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade
nociva ao interesse nacional;
• II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:
• a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;
• b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente
em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou
para o exercício de direitos civis;
Nacionalidade: tipos, aquisição
• Tipos e critérios de aquisição: primária/secundária ou
originária/adquirida.

• 1º - Nata: jus solis e jus sanguinis (mais antigo). O jus solis advém do
feudalismo. Estados novos que precisavam prender os indivíduos às
terras e criar população.

• Naturalização: vontade.
Naturalização
• Processo interno;
• Casamento (no Brasil, após casamento, a pessoa pode pedir a
naturalização se comprovar morar no Brasil por pelo menos 1 ano);
• Vínculo funcional (Vaticano);
• Anexação de um Estado por outro;
• Por vontade da lei.
Nacionalidade brasileira originária
• Art. 12, I CF
• Pedido de opção pela nacionalidade brasileira após 18 anos é
apresentado na Justiça Federal (jurisdição voluntária);
• Extradição do nato é vedada. Quem pedir depois de cometer delito
não poderá ser extraditado.
Naturalização no Brasil
• Lei 13.445/2017 (faculdade do Estado).
• Imigrante: nacional de outro país trabalhando ou residente no Brasil
que esteja no país.
• Emigrante: brasileiro estabelecido no exterior.
• Residente fronteiriço
• Visitante
• Apátrida
Lei 13445/2017
• Define a política migratória brasileira. Fundada na proteção aos
direitos humanos, repúdio e prevenção à xenofobia, ao racismo e
quaisquer outras formas de discriminação.
• Direito à reunião familiar
• Repúdio à prática de expulsão ou de deportação coletivas.
• Documento de viagem: passaporte; laissez-passer; autorização de
retorno; salvo-conduto; carteira de identidade de marítimo; carteira
de matrícula consular; documento de identidade de estrangeiro;
certidão de membro de tripulação.
• Visto: documento que dá expectativa de ingresso em território
nacional.

• Tipos: de visita, temporário, diplomático, oficial, de cortesia.


Naturalização
• Ordinária, extraordinária, especial ou provisória – art. 64 da lei.

• Pedido à Justiça Federal, endereçado ao Ministério da Justiça.

• Perda da nacionalidade: atividade nociva ao interesse nacional.


Sentença Judicial. Art. 12, §4º, I, CF.
Extradição
• Medida de cooperação internacional
• Entrega de pessoa sobre quem recaia condenação criminal definitiva
ou processo penal em curso.

• Extradição passiva: requerimento ao Brasil de entrega de indivíduo.


Não será concedida: brasileiro nato; se o fato não for considerado
crime no Brasil ou no país requerente; se a competência de julgar for
do Brasil (outros art. 82).
• Ministério da Justiça recebe e encaminha ao STF que julga.
Extradição ativa
• Poder Judiciário -> Ministério da Justiça -> Ministério das Relações
exteriores.
Medidas de retirada compulsória
• Repatriação
• Deportação (condição migratória irregular)
• Expulsão (crime comum doloso com pena privativa de liberdade ou
prática de crime do TPI)