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VII CBE – Congresso Brasileiro de Educação – UNESP

ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO [AEE]


NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL:
UM RELATO DE EXPERIÊNCIAS DE INCLUSÃO
HERNANDES NETO, Pedro.
Centro Paula Souza

Resumo Tópicos do relato


Apresenta uma experiência de atendimento educacional especializado [AEE],
com vistas à inclusão de aluno com deficiência intelectual na educação • O primeiro contato com o aluno: avaliação diagnóstica das necessidades
profissional técnica de nível médio, modalidade em que a presença destes e dificuldades e, principalmente, identificar suas potencialidades
indivíduos ainda precisa ser incrementada, de acordo com os dados disponíveis laborativas.
no Censo Escolar 2017 e nas informações institucionais do CPS. Partindo da • Após dois semestres de curso e de AEE: programa tem apresentado
fundamentação legal sobre o assunto, dispomos o contexto do sujeito resultados satisfatórios, uma vez que, pela primeira vez em 6 anos de
envolvido e as práticas verificadas no AEE, entre as quais destacam-se: a atividades acadêmicas na Etec, o mesmo teve seu primeiro avanço ao
adaptabilidade do currículo, prevista em lei e solicitada junto à supervisão segundo módulo do curso Técnico em Açúcar e Álcool.
educacional, de modo que fosse estabelecido um itinerário formativo • AEE oportuniza um cuidado especifico e direcionado ao discente, além
específico, com a possibilidade de certificação das competências do aluno em
de permitir que o professor regular da sala possa atender de maneira
questão; o acompanhamento permanente em sala de aula por todo o período
escolar, o que facilitaria a aprendizagem por meio da organização dos meios de
uniforme os demais discentes, imprimindo um ritmo mais coeso às
estudos e materiais e o atendimento individualizado; e a produção de aulas.
recursos pedagógicos adaptados às demandas de um curso técnico. • Engajamento de toda comunidade escolar, que vai desde a Direção da
Escola até os colegas de sala.
Palavras-chave: Atendimento educacional especializado. Práticas inclusivas. • Dos avanços que temos percebido no cotidiano do aluno, alguns
Educação profissional. merecem destaque. O aluno X era extremamente agitado em sala de
aula, chamava atenção pela fala e movimentação em horas
O AEE e o ensino técnico inapropriadas. Está menos inquieto e já é capaz de ouvir com atenção
em vários momentos da aula. Além disso, ele tem uma frequência global
“O AEE complementa e/ou suplementa a formação do aluno com vistas à autonomia e independência na
escola e fora dela, favorecendo sua inclusão. Isto porque, alunos com deficiência e os demais que são de 96% às aulas, o que mostra seu interesse e empenho.
público-alvo da Educação Especial, precisam ser atendidos nas suas especificidades para que possam • O aluno tinha grande dificuldade de realizar as atividades propostas em
participar ativamente do ensino comum.” (SCHLÜNZEN et al, 2011, p.157). classe e não tinha o costume de fazer as tarefas extraclasse.
Não mais que 7615 alunos com deficiências cursavam algum curso técnico no país (INEP, 2018). Na Raramente, quando fazia as tarefas solicitadas, as entregava no prazo
instituição focalizada [CPS], que reúne 223 escolas técnicas estaduais de São Paulo (CPS, 2019), o estabelecido pelos professores. De maneira peculiar, adquiriu uma
número de alunos atendidos vem sendo ampliado ano a ano: eram 500 em 2014 e 800 em 2017.
rotina de estudos extraclasse que tem ajudado na sua participação em
apresentações de seminários e trabalhos em grupos.
Como foi feito? • Como tem problemas de visão, o aluno senta-se bem na frente da sala,
na primeira carteira, e conta com a ajuda dos docentes que usam letras
• O relato de experiências: o projeto de AEE teve início em fevereiro de
com tamanhos e fontes especiais, no quadro e no projetor multimídia.
2018 e atende o aluno X. Foi designado um professor, autor deste • A melhoria gradual do desempenho acadêmico do aluno X fica
relato, para o acompanhamento sistemático do aluno durante todo o
evidenciada quando comparamos o seu histórico escolar do 2º semestre
semestre letivo do curso Técnico em Açúcar e Álcool. No Centro Paula
de 2017, quando frequentou o primeiro módulo do Técnico em Meio
Souza, a instituição que abriga a Etec, esta habilitação técnica possui
Ambiente e o do 2º semestre de 2018, ao cursar o Módulo II do Curso
quatro módulos, com aulas no período noturno.
de Açúcar e Álcool. Em 2017, quando ainda não possui AEE, o
• Organização escolar das atividades essenciais desenvolvidas no projeto
educando ficou reprovado em mais de 50% das disciplinas do Curso
de AEE, baseadas nos pressupostos e sugestões listados por
Técnico em Meio Ambiente e não recebeu nenhuma menção MB, numa
Schlünzen e outros (2011), como:
escala de menções que vai de desempenho muito bom [MB], bom [B],
- Avaliação diagnóstica das condições acadêmicas do aluno;
regular [R] à insuficiente [I], que corresponde a retenção no módulo ou
- Planejamento de atividades educacionais em conjunto com os série.
professores, coordenação de curso e orientação educacional da Etec; • Além de ter avançado do primeiro ao segundo módulo do Técnico em
- Prospecção de vagas de estágio que atendam ao perfil específico do
Açúcar e Álcool em 2018, com a participação no AEE, o aluno teve
aluno, em parceria com a responsável pelas relações institucionais da desempenho satisfatório no segundo módulo e foi considerado apto para
unidade;
prosseguimento de estudos em sete das oito disciplinas, ou 87,5% do
- Avaliação processual do desenvolvimento do aluno - geral e das
total. No último ano de 2018, em que teve o acompanhamento da
competências profissionais;
tutoria, o aluno alcançou 3 menções “MB” e 10 “B”.
- Reuniões periódicas com a equipe gestora para informações e avaliação • Até com relação aos cuidados pessoais foram percebidas melhoras
do projeto;
significantes, como higiene pessoal, cuidados primários com sua saúde,
- Acompanhamento presencial do aluno nas atividades diárias das aulas;
através de rede atendimento do município.
- Elaboração de material didático para os componentes curriculares;
- Revisões e adaptações curriculares das atividades de aprendizagem;
- Prestação de relatórios parciais e final do projeto.

Considerações finais
Principais referências do projeto • Este é um relato de experiências educacionais: caberá à escola de
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: educação profissional proporcionar experiências e oportunizar novas
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm> Acesso em: 19 nov. 2018.
____. Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999. Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a estratégias de aprendizagem que valorizem os saberes já
Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras providências.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3298.htm>. Acesso em: 09 jan. 2019. construídos pelos alunos, considerando especialmente suas
____. Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011. Brasília, 2011. Dispõe sobre a educação especial, o atendimento
educacional especializado e dá outras providências. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
dificuldades e potencialidades inerentes. Assim se constitui uma
2014/2011/decreto/d7611.htm>. Acesso em: 14 mai. 2019.
____. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996. Disponível
escola inclusiva;
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm>. Acesso em: 09 jul. 2018. • Objetivos priorizados na proposta foram atingidos, ou seja, foi
____. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Brasília, 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências.
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l13005.htm>. Acesso em: 09 jul. 2018. possível assessorar o aluno em suas necessidades educacionais
____. Lei nº 13.146, de 06 de julho de 2015. Brasília, 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência [Estatuto
da Pessoa com Deficiência]. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm>. Acesso em: dentro da escola; mapear as principais competências a serem
13 mar. 2018.
____. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília. Ministério da Educação. Brasília, desenvolvidas e organizar rotinas de estudo do aluno; adaptar e
janeiro de 2008. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf> Acesso em: 22 out. 2018.
CPS. Perfil e histórico do Centro Paula Souza. Disponível em: < http://www.cps.sp.gov.br/quem-somos/perfil-historico/>. Acesso reelaborar atividades nos componentes curriculares em sala de aula;
em: 09 jan. 2019.
INEP. Censo escolar 2017: sinopse estatística da educação básica. Disponível em: adaptar e reelaborar atividades de apoio ou de reforço extraescolar;
<http://download.inep.gov.br/informacoes_estatisticas/sinopses_estatisticas/sinopses_educacao_basica/sinopse_estatistica_educac
ao_basica_2017.zip>. Acesso em: 09 dez. 2018.
mediar as relações entre aluno, escola e a formação profissional;
MANICA, L. E; CALIMAN, G. Inclusão das pessoas com deficiência na educação profissional e no trabalho: limites e
possibilidades. Jundiaí: Paco Editorial, 2015.
adaptar os itinerários formativos; desenvolver as práticas escolares
SCHLÜNZEN, E.; RINALDI, R.; SANTOS, D. Inclusão escolar: marcos legais, atendimento educacional especializado e
possibilidade de sucesso escolar para pessoas com deficiência. In: UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA. Prograd. Caderno de
inclusivas em parceria com os professores, Orientação Educacional,
formação: formação de professores didática geral. v. 9. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2011, p. 148-160. Coordenação de Curso e Coordenação Pedagógica da unidade.