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SAÚDE COLETIVA –

HISTÓRICO DA Prof.ª Dr.ª Rosana


Carneiro Tavares
SAÚDE NO BRASIL
I. Histórico do sistema de saúde brasileiro:
Linha do tempo
Brasil: um século de historia...
• 1900 - Sanitarismo Campanhista
• 1923 - Lei Eloy Chaves: criação das Caixas de
Aposentadoria e Pensões (CAPs)
• 1933 - Criação dos IAPs (Institutos de
Aposentadorias e Pensões - autarquias)
• 1942 - I Conferência Nacional de Saúde e Criação
do Serviço Especial de Saúde Pública.
• 1953 - Criação do Ministério da Saúde
• 1963 - III Conferência Nacional de Saúde 
campanha pela Municipalização (Gov. João
Goulart)
• 1964 - Golpe Militar  retrocesso (Centralização)
• 1966 - Unificação dos IAPs e criação do INPS –
Estado passa a comprar serviços do setor
privado.
• 1975 - Lei 6.229 que cria o Sistema Nacional de
Saúde (SIMNPAS = INAMPS + INPS + IAPAS)
• 1978 – Movimento de trabalhadores de Saúde
Mental
• 1983 – AIS (Ações Integradas de Saúde)  início
da interiorização das ações e serviços)
• 1986 – VIII Conferência Nacional de Saúde
• 1987 – SUDS  descentralização via convênios / I
Conf. Nacional de Saúde Mental – MNLA (“uma
sociedade sem manicômios”)
• 1988 – Constituição Federal SUS
• 2001 – Lei 10.2016 – Reforma Psiquiátrica.
• 2002 – Portaria 336 – Regulamenta os CAPS
Contexto da Saúde no Brasil entre 1930 e 1940:
dividida em dois campos de ação

(saúde pública X medicina previdenciária).

1966: Criação do Instituto Nacional de Previdência


Social (INPS), a partir da unificação dos IAPS.
1974 a 1979: pressões populares e
reivindicações.

1986: 8ª Conferência Nacional de Saúde, que


aprovou um relatório, cujas bases constituíram
o projeto de Reforma Sanitária Brasileira.
Fim da Década de 1980:

O Inamps a partir da 8ª Conferência Nacional de


Saúde, direciona-se para uma cobertura mais
universal dos serviços de saúde (ex.: fim da
exigência de carteira do Inamps para se ter
atendimento nos hospitais conveniados à rede
pública).
1987: Criado o Sistema Unificado e
Descentralizado de Saúde (SUDS), ainda
gerido pelo Inamps.

1988: Criação definitiva do SUS

O SUS veio romper com o modelo de


seguro social e estabelecer um modelo
de seguridade social.
Artigo 196.

A saúde é direito de todos e dever do Estado,


garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços para
sua promoção, proteção e recuperação.

Constituição da República Federativa do Brasil,


05/10/1988
ANTES DE 1988

Até metade dos anos 60 - modelo hegemônico


de saúde o sanitarismo campanhista (1º
modelo): de inspiração militar (combate às
doenças por meio de estruturas verticalizadas e
estilo repressivo de intervenção.

Na década de 70 - modelo hegemônico: médico


assistencial-privatista (2º modelo). Mas é
também neste período que surgem os alicerces
político-ideológicos para o surgimento do
movimento pela Reforma Sanitária.
Como resultado central da VIII Conf. Nacional de
Saúde - Projeto da Reforma Sanitária, caracterizado
por: 
 Conceito abrangente de saúde.

 Saúde como direito de cidadania e dever do Estado.

  Instituição de um Sistema Único de Saúde.

 Foi a 1ª conferência aberta à sociedade em geral (mais de


4.000 participantes!)  abertura política pós-regime militar.

 Encaminhamento do Relatório da VIII Conferência Nacional de


Saúde para a Assembléia Nacional Constituinte  apoio à
criação do SUS!
SUS

Princípios
Ético-doutrinários
UNIVERSALIDADE

Acesso à saúde como direito público


subjetivo, integrante dos direitos da
cidadania.
INTEGRALIDADE
Direito de as pessoas serem atendidas na
íntegra em suas necessidades.

É o conjunto articulado e contínuo de ações


e serviços preventivos e curativos, individuais e
coletivos de acordo com a necessidade e
complexidade.
EQUIDADE

Tratar os desiguais de forma desigual,


sem preconceitos ou privilégios.
Princípios
Organizativos/
Operacionais
PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Institucionalização da democracia participativa e do
consequente controle social na área de Saúde com a
obrigatoriedade de constituição e de funcionamento de
conselhos de saúde nos três níveis de governo.

REGIONALIZAÇÃO E HIERARQUIZAÇÃO
Distribuição espacial dos serviços de modo a atender às
necessidades da população por regiões e em diferentes
níveis de complexidade.
DESCENTRALIZAÇÃO

Direção única em cada esfera de governo 


Redistribuição de R$ e responsabilidades entre os entes
federados com base no entendimento de que o nível
central, a União, só deve executar aquilo que o nível
local, os Municípios e Estados, não podem ou não
conseguem.

A gestão do Sistema (SUS) passa a ser de


responsabilidade da União, dos Estados e dos
Municípios, agora entendidos como os Gestores do
SUS.
Universalidade
Equidade
Integralidade
(Princípios
Doutrinários )

Participação Regionalização e Descentralização


popular hierarquização e comando único

(Diretrizes Organizativas)
Lei Orgânica da Saúde
Lei 8.080 (1990)
CONCEITO AMPLIADO DE SAÚDE

Art. 3º A saúde tem como fatores determinantes e


condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia,
o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, a
renda, a educação, o transporte, o lazer e o acesso aos
bens e serviços essenciais; os níveis de saúde da
população expressam a organização social e econômica
do País.
Parágrafo único. Dizem respeito também à saúde as ações que, por força
do disposto no artigo anterior, se destinam a garantir às pessoas e à
coletividade condições de bem-estar físico, mental e social.

 Em consonância com o que preconiza a OMS.


O CONCEITO DE NÍVEIS DE ATENÇÃO

Os níveis de atenção estruturam-se por arranjos


produtivos da saúde, conformados segundo
densidades tecnológicas específicas.

OS SISTEMAS DE SAÚDE ORGANIZAM-SE NOS


SEGUINTES NÍVEIS DE ATENÇÃO:

ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE (“BAIXA COMPLEXIDADE”).

ATENÇÃO SECUNDÁRIA À SAÚDE (“MÉDIA COMPLEXIDADE”).

ATENÇÃO TERCIÁRIA À SAÚDE (“ALTA COMPLEXIDADE”).

FONTE: MENDES (2001)


REFORMA SANITÁRIA
BRASILEIRA
Decorre da indignação contra as precárias condições de saúde, do
descaso acumulado, da mercantilização do setor, da
incompetência e do atraso. Por outro lado, representa a possibilidade
da existência de uma viabilidade técnica e política de enfrentar o
problema” (Arouca, 1988).

Um modelo de atenção coerente com as diretrizes da CF pressupõe a


implementação de políticas de impacto articuladas e integradas
nas diversas áreas, buscando melhoria na qualidade de vida das
pessoas.

A saúde passa a ser entendida de forma ampla, determinada


socialmente e, portanto, como sendo fruto de políticas de governo
que promovam condições adequadas de vida ao conjunto da
população.
REFORMA PSIQUIÁTRICA

Movimento Social Política de Estado.

•Modelo privatizante da assistência psiquiátrica.


•Movimento Nacional da Luta Antimanicomial - 1987 (II
Congresso Nacional dos Trabalhadores em Saúde Mental.
•Marcos legais: Lei 10.216 /Abril 2001; Portaria 336/2002.
•Modelo hospitalocêntrico e técnico-biológico

•Modelo psicossocial de atendimento


O MODELO
PSICOSSOCIAL

CAPS
(Centro de Atenção Psicossocial)
PROFISSÕES

Modelo acadêmico diferenciado.


Modelo biomédico hegemônico.
Saúde X Mercado.
Tecnologias duras e medicalização.
POLÍTICA: REDE DE SAÚDE MENTAL

Hospitais Gerais.
CAPS.
Residências Terapêuticas.
Equipes de saúde da família (Equipes matriciais /
NASF).
Unidades básicas de saúde.
Casas de Acolhimento Transitório.
Comunidades Terapêuticas.
Rede de Atenção Psicossocial/RAPS - Instituída pela
Portaria MS/GM nº 3.088, em 2011.
ASSISTÊNCIA À SAÚDE – USO DOS MAIS
SIMPLES, AOS MAIS COMPLEXOS

Exigência de que o Estado utilize todos os recursos nos


diversos níveis de atenção (Carvalho & Santos, 1995)
Atenção primária/Básica: prestada nos postos e centros
de saúde ou unidades básicas de saúde.
Atenção secundária: subespecialidades, Exames mais
complexos de diagnóstico.
Níveis de atenção terciária e quaternária: hospitais de
pequeno, médio e grande porte, grandeza medida pelo
potencial de atendimento dos casos mais complexos de
agravo à saúde.
PRINCÍPIO
ORGANIZATIVO DE
REGIONALIZAÇÃO E
HIERARQUIZAÇÃO
 Regionalização:
Considera as diferenças demográficas: características da
população, cultura e necessidades diferenciadas.
Diferenças no perfil epidemiológico: frequência e
distribuição das doenças e agravos numa população.
Avanços tecnológicos no campo da medicina e a
necessidade de atenção mais completa à saúde.
 Hierarquização: Níveis de atenção pactuados Municípios,
Estado e União.
DISTRITOS SANITÁRIOS
(DS)
É a unidade menor de organização e funcionamento do SUS.
Segundo Mendes (1993), o DS é um processo social de
mudança das práticas sanitárias do SUS, que abrange
dimensões política, ideológica e técnica das ações em saúde.
Dimensão política do DS – espaço em que se encontram os
diferentes interesses no gerenciamento do sistema de saúde:
 Prestadores de serviços de saúde (públicos, particulares,
filantrópicos).
 Cidadãos/Usuários
 Profissionais.
 Dirigentes do setor saúde (secretários municipais e
estaduais de saúde).
 Conselhos de Saúde (Local e Municipal)
Dimensão ideológica do DS – refere-se ao tipo de
atenção à saúde que será prestada à população. O
que está ligada diretamente ao conceito de saúde.
Quais serviços serão ofertados? Tem Estratégia
Saúde da Família? Como lida com o critérios de
Participação Social?

A Lei 8.142 / 1990 – criou os conselhos de saúde e a


conferências de saúde e disciplinou a transferência
de recursos da União para o Distrito Federal, Estados
e Municípios, restabelecendo a participação da
comunidade na gestão do SUS.
COMO PARTICIPA A POPULAÇÃO
A população exerce o controle sobre o SUS participando
dos Conselhos de Saúde (Nacional, Estaduais, Municipais
e Locais) e nas Conferências de Saúde. Estes Conselhos
são permanentes e com poder de decisão.
Compõem este colegiado: representantes do Governo,
prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários.
Aos conselheiros cabe formular estratégias de
funcionamento do SUS e controlar a execução da política
de saúde, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros.
A Conferência Nacional de Saúde acontece de 4 em 4
anos, com a representação de todos os segmentos.