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CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

H58 A história das barragens no Brasil, Séculos XIX, XX e XXI : cinquenta anos do Comitê Brasileiro de Barragens / [coordenador, supervisor, Flavio Miguez de Mello ; editor, Corrado Piasentin]. - Rio de Janeiro : CBDB, 2011. 524 p. : il. ; 29 cm Inclui índice ISBN 978-85-62967-04-7

1. Barragens e açudes - Brasil - História. 2. Comitê Brasileiro de Barragens - História. I. Mello, Flavio Miguez de. II. Piasentin, Corrado. III. Comitê Brasileiro de Barragens. III. Título: Cinquenta anos do Comitê Brasileiro de Barragens 11-6197. CDD: 627.80981 CDU: 627.82(81) 22.09.11 029752

20.09.11

Comitê Brasileiro de Barragens - CBDB
DIRETORIA CBDB Presidente: Erton Carvalho Vice-Presidente: Fabio De Gennaro Castro Diretor Secretário: Paulo Coreixas Junior Diretor Técnico: Brasil Pinheiro Machado Diretor de Comunicações: Miguel Augusto Z. Sória Diretor Adjunto: Marcos Luiz Vasconcellos Diretor Adjunto: Ademar Sérgio Fiorini

Agradecimentos
O Comitê Brasileiro de Barragens externa seus agradecimentos às empresas abaixo relacionadas pelo apoio que possibilitou a confecção deste livro que resume o desenrolar de importante segmento da História do Brasil.
Arcadis Tetraplan S/A Banco Bradesco S/A Camargo Corrêa Energia e Construções S/A CEMIG - Companhia Energética de Minas Gerais CESP - Companhia Energética de São Paulo CHESF - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco Construtora Norberto Odebrecht S/A Construtora Queiroz Galvão S/A Construtora Andrade Gutierrez S/A COPEL - Companhia Paranaense de Energia DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas Eletrobras - Centrais Elétricas Brasileiras S/A Eletronorte - Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A Engevix Engenharia S/A Furnas Centrais Elétricas S/A Geobrugg Ag - Protection Systems Grupo Energia Intertechne Consultores S/A. Itaipu Binacional Jeene Juntas Impermeabilizações Ltda. Light S/A Mc Bauchemie Brasil Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A Norte Energia S/A Pires Giovanetti Engenharia e Arquitetura Ltda. Sto Antonio Energia

FICHA TÉCNICA Coordenador / Supervisor: Flavio Miguez de Mello Editor: Corrado Piasentin Projeto Gráfico: Modonovo Design - Marina Hochman Diagramação: Modonovo Design - Marina Hochman / Natália Seiblitz Revisão de texto: Margarida Corção Gráfica: Impressul Indústria Gráfica

índice

Prefácio Apresentação Síntese do Desenvolvimento da Implantação das Barragens no Brasil A Comissão Internacional de Grandes Barragens Oitenta e Três Anos de Excelência História do Comitê Brasileiro de Barragens Um Século de Obras contra as Secas As Barragens Construídas pelo DNOCS Resumo da História Remota da Hidroeletricidade no Brasil Usina Hidroelétrica de Marmelos Usina Hidroelétrica de Angiquinho Usina Hidroelétrica de Itapecuruzinho A Light no Rio de Janeiro, a Cidade Luz Sulamericana A São Paulo Light, Fomentadora de Progresso As Barragens do Departamento Nacional de Obras de Saneamento - DNOS A História da CHESF, Indutora do Progresso do Nordeste Furnas no Século XX A Eletronorte e as Barragens da Região Amazônica A História das Barragens no Paraná Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG

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98 112 124

130 142 150 166 188 206 226 250

CEEE Companhia Energética de São Paulo .Introdução CEHPAR .IPH 272 284 292 304 308 346 354 368 396 406 412 414 426 432 436 O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do 446 Estado de São Paulo .50 Anos de muito Trabalho Centro de Tecnologia de Furnas em Goiânia O Laboratório de Hidráulica HIDROESB - Saturnino de Brito SA O Instituto de Pesquisas Hidráulicas .Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul .IPT .CPFL Breve Memória sobre a Usina de Itaipu 1966 .2010 As Pequenas Centrais Hidroelétricas no Brasil A Nova Face das Empresas Estatais frente à Expansão da Oferta de Energia Hidroelétrica no País As Barragens de Rejeitos no Brasil: Sua evolução nos últimos anos A Evolução do Licenciamento Ambiental de Barragens no Brasil A Evolução da Legislação Aplicada às Barragens Centros de Pesquisas Tecnológicas Aplicadas a Barragens .Energisa Companhia Paulista de Força e Luz .CESP Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina .

Simpósios sobre Pequenas e Médias Centrais Hidroelétricas Anexo 6 .Entrevistas Eduardo Larrosa Bequio Guy Maria Villela Paschoal Hélio Mendes de Amorim João Camilo Penna José Candido Capistrano de Castro Pessoa Luiz Carlos Queiroz Mario Santos Murillo Dondici Ruiz Olavo Augusto Vieira Anexo 2 .Seminários Nacionais de Grandes Barragens Anexo 5 .LAHE O Laboratório CESP de Engenharia Civil .Diretorias do CBDB Anexo 4 .Congressos Internacionais e Reuniões Anuais e Executivas Anexo 7 .Depoimentos José Gelazio da Rocha e Antônio Dias Leite Anexo 3 . LCEC Anexos Anexo 1 .Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos de Furnas .Sócios Coletivos e Mantenedores 454 464 474 477 483 485 488 491 493 506 509 512 514 516 519 520 522 .

A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. XX e XXI .

que previa a formação de reservatórios no semi-árido nordestino. resgatando os principais personagens que contribuíram para o desenvolvimento da nossa engenharia. Além da contribuição nos métodos construtivos das barragens.Prefácio Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em comemoração aos 50 anos de existência do Comitê Brasileiro de Barragens – CBDB – filiado à International Commission on Large Dams (ICOLD). A SUDENE. águas de superfície e subterrânea. hidrologia. Pretendemos. dirigida pelo economista Celso Furtado na década de 1960. onde o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) teve um papel importante com a construção de açudes para irrigação. registrar a história das barragens brasileiras. piscicultura. implementou um plano de desenvolvimento regional embasado em estudos dos recursos naturais. O aparecimento e o desenvolvimento das empresas construtoras de barragens constituem fatos de grande relevância. envolvendo mapeamentos pedológicos. assim. apresentamos o livro “A História das Barragens no Brasil . juntamente com algumas empresas brasileiras. amenizando os processos migratórios para a Região Sudeste do País. Paralelamente. que colaborou. para suporte tecnológico desses empreendimentos. entre outras ciências que serviram de suporte para projetos de irrigação e construção de barragens. 9 . houve um grande desenvolvimento nas áreas de hidrologia e meteorologia. climatologia. mas também empreendedores do setor privado e pesquisadores. No Brasil foram iniciadas as construções de grandes barragens. grupo de grande competência. XX e XXI”.Séculos XIX. O primeiro trabalho de inventário dos rios da Região Sudeste foi elaborado pela Canambra Engineering Consultants Limited. apoiadas em estudos e projetos de alta qualidade. na formação dos nossos engenheiros na área de recursos hídricos e projetos de barragens. quando se iniciou o desenvolvimento do setor elétrico brasileiro. principalmente as de maciços de terra. teve como uma das principais finalidades a permanência do sertanejo no seu ambiente natural. foram criados vários centros de pesquisas. O livro aborda com abrangência o desenvolvimento tecnológico para a construção das barragens brasileiras a partir de 1950. a partir de 1887. abastecimento de água das cidades e pequenos núcleos populacionais. Os técnicos brasileiros foram influenciados principalmente pelas organizações americanas United States Bureau of Reclamation e US Army Corps of Engineers. O livro retrata as primeiras barragens construídas no Nordeste. Essa política. os quais fazem parte dos pontos importantes abordados nesta publicação. envolvendo não só homens públicos. As barragens surgiram em decorrência da necessidade de se usufruir dos benefícios do uso múltiplo dos recursos hídricos para a população brasileira.

o leitor interessado na história contemporânea do desenvolvimento brasileiro. Erton Carvalho Presidente do CBDB 10 . selecionadas por região. principalmente. pertencente ao Brasil e ao Paraguai. Rio Grande do Sul (CEEE) e Paraná (COPEL). é também citada nesta publicação. visando. também.Séculos XIX. Destaca-se na Região Amazônica o relato do projeto e construção da usina de Tucuruí. A legislação sobre a segurança das barragens. a maior hidroelétrica brasileira. irrigação e geração de energia elétrica. realçando a importância da Região Amazônica como continuidade do uso dos nossos recursos hídricos. este livro é dirigido a um público abrangente. como também para a integração dos dois países. sem a exigência de que ele seja possuidor de conhecimentos técnicos sobre o tema. incluindo os empreendimentos realizados e as respectivas estratégias de desenvolvimento. não só para a geração de energia elétrica. sendo também responsável pelas obras de controle de cheias em todo país.A História das Barragens no Brasil . uma significativa documentação sobre o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) extinto no inicio da década de 1990. Finalmente. bem como as dos estados de Minas Gerais (CEMIG). ELETRONORTE e ELETROSUL. XX e XXI Este livro registra as primeiras hidroelétricas construídas no país. o qual realizou vários trabalhos apreciáveis nas áreas de abastecimento de água. A usina de Itaipu Binacional. aparecem documentadas com a história de suas formações. dotada de eclusas para a navegação do rio Tocantins. que faz parte do programa de trabalho do CBDB. está retratada com a sua história e importância. Apresenta. no que se refere à construção das barragens e seus impactos. CHESF. São Paulo (CESP). As empresas subsidiárias da ELETROBRAS: FURNAS. A preocupação do CBDB em defesa do desenvolvimento sustentável do País está comentada nos tópicos sobre a evolução do licenciamento ambiental para os empreendimentos hidráulicos.

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Reservatório de Tucuruí .

em outubro de 2011. foto- 13 . querendo. Belo Monte ser um exemplo de implantação de usina hidroelétrica na Região Amazônica . por abranger o vasto território nacional. dar-se-á nela tudo. 1500. para que a implantação de Belo Monte seja um sucesso de sustentabilidade social e ambiental. e como o assunto a ser abordado no livro é demasiadamente extenso no tempo. cabendo a mim a tarefa de produzir o livro e publicá-lo no aniversário de cinquenta anos do CBDB.” Pero Vaz de Caminha. construção e operação de barragens e reservatórios. Entretanto. a Diretoria do CBDB emitiu uma circular a todos os sócios comunicando a intenção de publicar este livro e incentivou os associados a se apresentarem como voluntários na preparação dos diversos capítulos que haviam sido programados. fizeram com que a tarefa se tornasse árdua em função da busca de documentos.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Apresentação “Águas são muitas. exceto os que tenham uma posição ideológica e não técnica (sobre meio ambiente). de fato. E em tal maneira é grandiosa que. em empreendimentos para qualquer das diversas finalidades de barragens dadas às vigentes dificuldades de aprovação. Essa distorção já contaminou a legislação ambiental brasileira e. infinitas. licenciamento e distorções legais que propiciam priorização soluções mais poluentes. estatais e privados. do Planejamento alertou (2011): “Acreditamos que será possível. os demais serão convencidos Flavio Miguez de Mello de que está sendo feito todo o esforço. presidente da FIESP ao analisar as tendências atuais (2011) do setor elétrico: “O Brasil assiste a desqualificação de suas fontes de energia mais competitivas e abundantemente disponíveis. emocionalmente. como são muitos os aspectos enfocados. projeto. A proposição foi aceita com entusiasmo. por bem das águas que tem. comprometeu o planejamento energético. mesmo assim.” No mesmo sentido. Ao iniciar a tarefa me deparei com grandes dificuldades provenientes das importantes perdas para a Profissão de inúmeros expoentes da engenharia nesses pouco mais de dez anos que separam as publicações das outras associações da edição do livro do CBDB. o dimensionamento dos reservatórios das barragens. superando um século. mais recentemente.. relatórios. planejamento. cabe realçar as palavras de Paulo Skaff. em reunião do Conselho Deliberativo.. e no espaço.” No início dos trabalhos. a aproveitar. Essas perdas de quase uma geração inteira de notáveis pioneiros dos tempos das mais importantes conquistas tecnológicas e da fase pioneira da implantação de grandes barragens para as mais diversas finalidades bem como da época das grandes dificuldades para identificação. Como voluntários não apareceram. A propósito.. O Brasil está desperdiçando importantes potenciais hídricos ao limitar.. Com a proximidade do cinquentenário do Comitê Brasileiro de Barragens CBDB surgiu. a proposta do engenheiro Manuel de Almeida Martins de que se editasse um livro comemorativo versando sobre a história da engenharia de barragens no Brasil. a ministra Miriam Belchior. tive que selecionar alguns voluntários que gentilmente aceitaram a tarefa e desempenharam a função de redatores com maestria e objetividade. o livro acabou apresentando uma certa concentração de capítulos em um autor. Outras entidades publicaram livros de escopo semelhante: a ABMS publicou Cinquenta Anos de Geotecnia em 2000 e a ABGE publicou a Edição Comemorativa dos Trinta Anos. Este livro é lançado em difícil momento para os investidores. em 1998. envolvendo todos os atores. de questionável segurança e de menor economicidade.

de Mello. Carlos Alberto Pádua Amarante. Lyra. Com vários outros atores do passado tive contatos menos extensos. mas de elevado interesse no relato de experiências profissionais tais como Mário Penna Bhering. César Cals de Oliveira Filho e consultores como Manuel Rocha e Porland Port Fox. Os que atualmente atuam em implantação de barragens podem não imaginar que. Victor F. E. Antônio José da Costa Nunes. Por sorte tive o privilégio de conviver profissionalmente com alguns dos mais destacados atores daquele período e que já nos abandonaram. o engenheiro John Cotrim gastou duas semanas a cavalo. por exemplo. Von Ranke. José Machado e José Cândido Castro Parente Pessoa com os quais tive oportunidades de angariar valiosos depoimentos sobre aspectos de vivências profissionais passadas. XX e XXI grafias e depoimentos que formassem as bases para o relato de uma história de mais de um século de conquistas que merecem registro.B. Penna.A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. Theophilo Benedicto Ottoni Netto. Francisco de Assis Basílio. Estive com alguns desses atores com frequência em certas longas fases do exercício profissional tais como os engenheiros Flavio H. Arthur Crocchi. Cotrim. Usina hidroelétrica Serra do Facão 14 . para visitar pela primeira vez o local da hidroelétrica de Salto Grande em Minas Gerais. John R. Léo A. Epaminondas Mello do Amaral Filho.

Talvani Hipólito Nolasco Filho. no Brasil há bem mais de mil dessas estruturas em operação e. de obtenção de materiais e de aquisição de equipamentos. Fernando Pires de Camargo. Procurei congregar neste livro narrativas sucintas. de concessão e de licenciamento ambiental. Viviani Siqueira Vecchi e Walton Pacelli de Andrade. Sérgio Pimenta. devo certamente ser o mais antigo por ter sido chamado muito jovem a apoiar as atividades em sua sede. Ana Teresa Ponte. Gualter Pupo. algumas das quais relato neste livro. Considerando que a história recente é mais conhecida por aqueles que acessarem esse livro. Carlos Mazzaro. 15 . foram em parte devidos à minha atuação profissional na engenharia. implantar barragens e hidroelétricas em até menos de um ano. principalmente. se consideradas as barragens de rejeitos. os que nos precederam conseguiram. de mais difícil caracterização. de todas as principais atividades que resultaram na implantação de tantas barragens que trouxeram progresso e bem estar ao nosso povo desde o Século XIX. Teresa Malveira. José Carlos de Miranda Reis Neto. uma ênfase maior na história remota. implementada na Região Amazônica por Newton Carvalho. Cleber José de Carvalho. T. João Paulo Maranhão Aguiar. Paulo Coreixas Jr. porém objetivas. Cabe ainda agradecer os importantes apoios recebidos de diversos profissionais entre eles Alberto Jorge C. em quase todos os capítulos. Gustavo Nasser Moreira. Vânia Rosa Costa. Heloisa Ottoni. à minha atuação na Universidade e às minhas atividades no CBDB e em outras entidades técnicas. Esses contatos. Gisele Miranda Gomes Reis. Og Pozzoli. pai do atual presidente do CBDB. prazos presentemente ina- creditáveis dadas as atuais delongas e dificuldades legais. Rosana Libânio.. José Gelazio da Rocha. Angiquinho implantada no Nordeste por Delmiro Gouveia e Itapecuruzinho. Hilton Ahiran da Silveira. O livro foi enriquecido com textos. Mair Melo Andrade. Com uma longa história tão rica a ser resumida num espaço tão curto. Dessa forma há uma ênfase nas primeiras barragens para saneamento. Jerson Kelman. o editor Corrado Piasentin. Ricardo Ivan Bicudo. Nicole Schauner. dos quais guardo recordações as mais preciosas. nas mais adversas condições. Delphim Mazon Fernandes. Cavalcanti. Provavelmente foram esses fatores que levaram o Conselho do CBDB a me indicar como responsável pela edição desse livro. presentes e atuantes desde a primeira hora.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Desses contatos pude extrair há anos. a revisora de texto Margarida Corção e o conselheiro Aurélio Alves de Vasconcelos. O relato mais detalhado dessas barragens pioneiras retrata a imagem das imensas dificuldades logísticas de acesso. de aprovação. Mesmo assim. José João Rocha Afonso. Simone Idalgo Machado. construída ainda no Século XIX por Bernardo Mascarenhas. Carlos Henrique Medeiros. Henrique Frade. só considerando as grandes barragens. para controle de cheias e. Agradeço também aos dirigentes e funcionários do CBDB. Flavio Pilz. Não foi possível mencionar todos os atores e relatar todas as inúmeras atividades de implantação de barragens que ocorreram por mais de um século nesse tão vasto território nacional. para combate às trágicas consequências ocasionadas pelas secas e para produção de energia elétrica. embora não seja o mais velho. O presente livro é resultado do apoio e do incentivo de muitas pessoas entre as quais cabe destacar especialmente a constante compreensão e apoio de minha esposa. Alberto Sayão. Margaret Rose Mendes Fernandes. informações de elevado conteúdo histórico. é de se notar que há. além de oposições dos auto-proclamados ambientalistas nacionais e estrangeiros. ultrapassa-se a casa das duas mil grandes barragens. Sobre esse aspecto há um capítulo resumindo as primeiras hidroelétricas nas diversas regiões do País. Julia Ferrer Leal de Araujo. com destaque para as primeiras usinas hidráulicas para fornecimento público de energia elétrica: Marmelos no Sul-Sudeste. André Luiz Fabiani. engenheiro Erton Carvalho. John Denys Cadman. Presentemente. Sandra Pereira. das quatro filhas que passaram mais de um ano sem minha participação em atividades de fins de semana. No CBDB. Agradecimentos são devidos aos autores dos capítulos e aos entrevistados que contribuíram decisivamente para a viabilização do livro. Leila Lobo de Mendonça. entrevistas e informações de alguns dos mais destacados profissionais que atuam na engenharia de barragens em nosso País. Alguns relatos apresentados em capítulos deste livro foram obtidos diretamente desses contatos dos que nos precederam na Profissão. o livro inevitavelmente contém omissões pelas quais desde já peço desculpas.

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Como o País é de tão grande superfície. Nessa área a evaporação média pode atingir 2000 mm/ano e. apresentando descarga específica média de 35 l/s. a quantidade e frequência de precipitações. constituem-se nos grandes recursos hídricos do norte do Brasil. como o substrato cristalino é pouco permeável.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens “We trust that the results of the study will help the power industry of South Central Brazil to develop on a sound basis in the years that lie ahead. o clima. formado por dois grandes rios. o mais caudaloso e mais longo rio do mundo. os recursos hídricos. variando de áreas úmidas ao vasto semi-árido do interior do Nordeste.” “Acreditamos que os resultados do estudo auxiliarão nos anos vindouros o desenvolvimento da indústria de geração do Centro-Sul do Brasil sobre uma base sólida” John K. engenheiro chefe da Canambra. Os mais importantes tributários desses rios e os rios da bacia do rio Tocantins que flui de sul para norte. há diferentes aspectos naturais tais como. 1966. sendo geralmente esta água insuficiente e de baixa qualidade. A pequena espessura da cobertura de solo faz com que haja dificuldade em reter a umidade e. desde 4° de latitude norte a 33º de latitude sul e de 40 º a 75º de longitude oeste. com exceção dos rios São Francisco (que é proveniente do Sudeste) e Parnaíba. pode ser responsável pelo consumo de até 92% das precipitações. O País abriga a quinta maior população do mundo.500 km. Barragem de finalidades múltiplas de Pedra do Cavalo no rio Paraguaçu na Bahia 17 . a maior parte do qual se situa no hemisfério sul. A parte central da Região Amazônica é cortada de oeste para leste pelo rio Amazonas. O ambiente varia das planícies alagadas da Amazônia Equatorial e do Pantanal ao Planalto Central. Nessa área. Quase todos os rios do Nordeste. A leste desta região encontra-se a região semi-árida do nordeste brasileiro cujos rios são em geral intermitentes. o relevo e a vegetação.km². A maior parte dos seus 190 milhões de habitantes vive na Região Sudeste onde as maiores cidades estão localizadas.000 m³/s.  Síntese do Desenvolvimento da Implantação das Barragens no Brasil Flavio Miguez de Mello O País e seus recursos hídricos O Brasil é um território contínuo de forma quase quadrada. com uma extensa costa banhada pelo Oceano Atlântico ao longo de 8. têm regime intermitente em pelo menos parte de seus cursos. Esse grande território tem uma longa fronteira com todos os países da América do Sul à exceção do Equador e do Chile.km². compreendendo 8. com uma descarga média superior a 200. podendo apresentar descargas específicas médias tão baixas quanto 3 l/s. Sexton. só é possível acumular águas subterrâneas em regiões de rochas com fraturas profundas. juntamente com evapotranspiração. o Solimões que drena os Andes peruanos e bolivianos e o Negro. a incidência solar supera as 3000 horas por ano. a precipitação média anual pode ser de 400 mm ou menos. a geologia. denominada Polígono das Secas. da cadeia de montanhas próximas à costa no Sudeste até as planícies do Sul e do Meio Oeste. por exemplo.5x106 km².

tendo sido concluído em dezembro de 1644. Há referências também ao dique Afogados construído no rio Afogados. muitas vezes sem requerer estruturas de desvio e ensecadeiras. em 1650 sofreu transbordamento por ocasião de uma grande cheia. por Harman Agenau por 6000 florins para acesso a um forte também na atual região urbana do Recife. possivelmente no final do Século XVI. Nos últimos 40 anos o País tem participado intensamente da economia internacional. A mais antiga barragem que se tem registro no Brasil 18 . tendo colapsado em vários pontos. variando entre a oitava e a décima maior economia do mundo. Um olhar para o passado remoto A mais antiga barragem que se tem notícia em território brasileiro foi construída onde hoje é área urbana do Recife. No resto do País as descargas específicas variam de 12 l/s. no caso de barragens não muito altas.km². Figuras 1a e 1b . XX e XXI Nesses rios intermitentes. aparece em um mapa holandês de 1577. Apipucos na língua tupi significa onde os caminhos se encontram. o tratamento de fundação pode ser feito na primeira estação seca durante a construção e a barragem construída durante a estação seca seguinte. um braço do rio Capiberibe. O dique tinha três metros de altura e cerca de 2 km de extensão.Séculos XIX. PE.Barragem de Apipucos na cidade do Recife. antes mesmo da invasão holandesa. As secas no Nordeste e o desenvolvimento do País foram os fatores determinantes para a implantação do grande número de barragens construídas desde a última década do século XIX. A barragem original foi alargada e reforçada para permitir a construção de uma importante via de acesso ao centro do Recife.km² a 30 l/s. Conhecida presentemente como açude Apipucos.A História das Barragens no Brasil .

tendo sido palco de migrações em massa de flagelados. Castanhão cuja finalidade principal foi o abastecimento de água da cidade de Fortaleza. perdeu mais de um terço da sua população de maneira trágica. A primeira dessas barragens foi Cedros. nomeou uma comissão para recomendar uma solução para o problema das secas no Nordeste. situada no Ceará e concluída em 1906. diques. outro intenso El Niño foi responsável pela retirada dos invasores holandeses de onde é hoje a costa do Ceará. Na primeira década do século XX uma membrana de alvenaria ou de concreto era usualmente usada como elemento impermeabilizante interno de barragens de terra. Figura 3 – Barragem de Castanhão para abastecimento de água à cidade de Fortaleza.2% desta descarga para as regiões de seca. Isso marcou o início do planejamento e projeto de grandes barragens no Brasil. conduziu à adoção de vertedouros de superfície simplesmente escavados em rocha sã. Os anos 50 e 60 do século passado foram os anos dourados na construção de barragens para combate às secas. logo após a Grande Seca. Muitos anos antes. No seu estágio final a derivação será de 3. Serão construídas diversas barragens. na época com 1.000 km². A pequena altura das barragens e a rocha sã nos leitos dos rios minimizavam a necessidade de tratamento de fundação.Barragem de Cedros. Figura 2 . Pedro II que esteve na área atingida. Somente a partir de meados dos anos oitenta do século passado passou-se a saber que as secas são devidas ao fenômeno conhecido por El Niño no Pacífico Sul. CE Recentemente foi lançado o projeto de derivação de parte das descargas do rio São Francisco para o Polígono das Secas. em vários projetos. O estado do Ceará. uma das áreas mais atingidas.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS As obras contra as secas O ano de 1877 foi o início da maior tragédia nacional devido a fenômeno natural: A Grande Seca no Nordeste com duração superior a três anos deixou cicatrizes que até hoje são nítidas. uma das duas mais antigas grandes barragens do Brasil (1906) Centenas de barragens foram construídas desde a Grande Seca no Nordeste.5 milhão de habitantes. No final do Século XX o DNOCS executou sua última barragem. o Imperador D. Esse grande rio que nasce na Região Sudeste em Minas Gerais. estações de bombeamento e casas de força para 19 . As principais recomendações foram a construção de estradas para que a população pudesse atingir o litoral e a construção de barragens para suprimento de água e irrigação no Polígono das Secas cuja área é superior a 950. Em 1880. canais. tem no seu trecho inferior uma descarga média de longo termo de cerca de 2000 m³/s. A rocha sã em geral encontrada nas ombreiras.

5 m³/s do rio São Francisco. era de alvenaria de pedra constituída por grandes blocos de rocha gnáissica solidarizados com argamassa. um vertedouro de soleira livre. Em 1954 a antiga usina foi substituída por unidades de recalque e a barragem alteada para 18. Em 1934 o decreto federal nº 24643 conhecido como Código de Águas e o cancelamento da cláusula ouro que protegia as empresas concessionárias dos efeitos da desvalorização da moeda nacional. tendo sido causado intenso estrangulamento na expansão de oferta de energia elétrica. Muitas 20 . o setor elétrico foi aos poucos sendo estatizado.Séculos XIX. Devido à contenção tarifária e à fragilidade do capital nacional. Em 1960. Assim. Por esse motivo as mais importantes contribuições no sentido de desenvolvimento de tecnologias de projeto. em grande parte de sua extensão. passaram a desencorajar diretamente os investidores do setor elétrico. XX e XXI geração de energia. quando inaugurada. A maior parte das barragens eram estruturas de concreto gravidade ou de alvenaria de pedra. a maior parte delas em aterro compactado. As primeiras barragens para produção de energia elétrica Nas regiões Sul e Sudeste a implantação de barragens foi principalmente direcionada para produção de energia elétrica. concessionária da mais desenvolvida região do País. sendo.5 m de altura. Durante as estações chuvosas na bacia do rio São Francisco poderão ser bombeadas até 127 m³/s . o vertedouro foi redimensionado com considerável acréscimo de capacidade. sua barragem original com 12. Arthur Casagrande e Portland Port Fox. Logo após a II Guerra Mundial.A História das Barragens no Brasil . dessas unidades estão sendo agora reabilitadas e repotenciadas. devido à desastrosa e desastrada política de restrição tarifária iniciada pelo Código de Águas que incluiu o não reconhecimento de remuneração de capital empregado em obras de geração. No final do século passado. As primeiras grandes barragens do País foram Cedros acima mencionada e Lajes.700 MW provinham de hidroelétricas. todas com barragens de dimensões discretas. Esse estrangulamento fez com que o governo federal e alguns governos estaduais criassem empresas de energia elétrica. para suprimento de energia elétrica à cidade de São Paulo. dos quais 3. construiu diversas barragens e grandes casas de forças subterrâneas no Rio de Janeiro e em São Paulo. passou a haver insuficiência de oferta de energia nas décadas seguintes. a capacidade instalada no território nacional era de apenas 5. Inicialmente denominada Parnaíba e depois Edgard de Souza. na época uma das maiores do mundo. Desde o início dos anos cinquenta as concessionárias estatais passaram a se concentrar em empreendimentos de grandes vultos.000 MW. que entrou em operação em 1906 no estado do Rio de Janeiro com o objetivo de derivar as águas do ribeirão das Lajes para da usina de Fontes no Rio de Janeiro. tinha 2 MW instalados. no rio Tietê. Os danos ao progresso da Nação foram intensos e irrecuperáveis. transmissão e distribuição de energia elétrica. Até os anos cinquenta todas as empresas de energia elétrica eram privadas e as suas usinas eram situadas principalmente nas regiões Sul e Sudeste. sem serem muito altas. Serão bombeados 63. em função das intensas alterações nos coeficientes hidráulicos de sua área de drenagem devido à ur banização da cidade de São Paulo e das cidades vizinhas. A primeira usina da Light entrou em operação em 1901. a Light. a usina. Para esses empreendimentos consultores individuais prestaram importante apoio tais como Karl Terzaghi. construção e operação de barragens são principalmente devidas à implantação de hidroelétricas. não muito altas. A maioria das grandes barragens do Brasil (pela classificação da CIGB) encontra-se na Região Nordeste. No final do Século XIX começaram a ser implantadas pequenas usinas para suprimento de cargas modestas e localizadas.5 m através de reforços em contrafortes e com vertedouro com três comportas de segmento de capacidade conjunta de 800 m³/s. Presentemente (2011) há 1206 MW instalados em hidroelétricas de mais de 50 anos de idade.

Nessa época. A Light. uma das duas grandes barragens mais antigas do Brasil (1906) suprimento de energia elétrica às mais importantes regiões no Rio de Janeiro e em São Paulo. organizou uma expedição pelo rio Grande entre dois potenciais conhecidos: os locais das usinas de Itutinga e de Peixoto. os recursos hídricos em território brasileiro eram pouco conhecidos e não tinha havido ainda estudos sistemáticos que posteriormente. passaram a ser designados por estudos de inventário. Nessa expedição foi identificado o local de Furnas 21 . efetuava estudos dispersos. tendo inclusive atingido as Sete Quedas. John Cotrim. a partir dos anos sessenta. dada a escassez de mapeamento e as dificuldades logísticas. diretor técnico da Cemig. O legado da Canambra Na primeira metade do século passado. responsável pelo Figura 4 – Barragem e reservatório de Lajes.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A evolução do conhecimento dos recursos hidroenergéticos. sem o conhecimento dos potenciais do rio Grande e do rio Paranaíba. muito mais próximos.

os estudos passaram a ser conhecidos como Canambra. em 2 de novembro de 1962. nos anos setenta. e a americana Gibbs & Hill Inc.1 milhão de quilômetros quadrados cobrindo 28. XX e XXI que posteriormente deu origem à empresa de mesmo nome. o governo federal se interessou vivamente pela iniciativa da Cemig e.K.. Os dois primeiros grupos acima mencionados desenvolveram o inventário dos recursos hidroenergéticos em relatórios independentes e o grupo sediado no Rio de Janeiro usou os resultados obtidos adicionados a investigações de outras possíveis fontes geradoras. Nas fases posteriores de implantação das usinas.000 km de rios. e G. a maioria esmagadora dos estudos realizados pela Canambra foi posteriormente aprofundada nas etapas sucessivas de projeto dentro das diretrizes inicialmente estabelecidas. Sexton. o que demandou aerofotografias de uma área de 516. Foram identificados como viáveis potenciais que somados atingiram 40. para que fosse realizado o inventário dos recursos hidroenergéticos em Minas Gerais. usando 3. em 3 de junho do ano seguinte.8 milhões. diretor da Canambra. Montreal Engineering Company Ltd. Um exemplo típico foi a revisão do inventário do rio Paraibuna em Minas Gerais que havia sido feito nos anos oitenta.Séculos XIX. Com esse propósito. O relatório final foi entregue por J. um em São Paulo e um no Rio de Janeiro. inclusive termoelétricas a carvão. Inicialmente conhecido como ONU-Cemig. A Cemig solicitou apoio financeiro ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP sigla em inglês). de estender os estudos à toda Região Sudeste considerando a importância desses estudos para a otimização dos investimentos em geração de energia elétrica e como todos os rios que nascem em Minas Gerais atravessam outros estados. A área total investigada foi de 1. Ao abrigo desse recurso financeiro. Rio de Janeiro e Guanabara assinaram em 1 de março de 1963 o Plano de Operação. em dezembro de 1966. a óleo e usinas nucleares.E.000 km². A descoberta desse potencial causou espanto no meio técnico da época. Progressivamente as condicionantes ambientais foram ganhando espaço nas definições de projetos em inventários.700 horas de voos de reconhecimento. um contrato com a Canambra Engineering Consultants. para formatar o programa final de desenvolvimento energético da Região Sudeste. Para tanto. o UNDP disponibilizou recursos da ordem de US$ 2. A partir dos anos oitenta os estudos anteriores começaram a ser revisados e densificados em quase todo o território nacional. Como reflexo desse levantamento veio o objetivo da Cemig de efetuar um levantamento dos recursos hidroenergéticos de Minas Gerais. englobando 510 locais de barragem dos quais 264 foram levantados com melhor precisão. havendo a contrapartida em moeda nacional no equivalente a US$ 3. os estudos foram estendidos à toda a Região Sudeste através de um contrato assinado entre a Canambra e Furnas. um consórcio entre as empresas consultoras canadenses.7 milhões. Três grupos foram formados. A partir de poucos anos Figura 5 – Grupo de Minas Gerais da Canambra trabalhando no escritório central da Cemig 22 . empresas nacionais realizaram estudos de inventário hidroenergéticos nas regiões Norte e Nordeste. chefe do Comitê de Direção dos Estudos. São Paulo. Cemig assinou.000 MW. a Canambra foi contratada para efetuar estudo de mesmo escopo para a Região Sul. Considerando o sucesso dos estudos desenvolvidos na Região Sudeste. um em Belo Horizonte. Crippen & Associates Ltd. a John Cotrim. tendo direcionado o desenvolvimento hidroenergético da região. Com a sugestão do Banco Mundial que atuou nesse inventário como agente executivo do UNDP. o ministro Gabriel Passos das Minas e Energia e os governadores dos estados de Minas Gerais.A História das Barragens no Brasil . Posteriormente. Os estudos de inventário constituíram-se em atividade sem precedente.

ideal para a prática da canoagem. Na usina que fica mais a jusante foi possível a compatibilização inédita do aproveitamento energético com a canoagem.PCH Monte Serrat no rio Paraibuna. Rio de Janeiro e Minas Gerais 7c Figura 7d – Rafting no rio Paraibuna sobre a soleira vertedora da barragem de derivação de Santa Fé 7d 23 . foram progressivamente alterados para reservatórios de menores dimensões. são liberados para a canoagem pela barragem de derivação a descarga de 50 m³/s. Rio de Janeiro e Minas Gerais Figura 7b . garantindo melhores condições do que as condições naturais. Bonfante e Santa Fé com pequenas áreas inundadas. feriados e noites de lua cheia. Durante os dias de fim de semana. Apesar de pequena perda energética em relação à partição de queda proposta nos anos oitenta. os empreendimentos passaram a ser econômica e ambientalmente viáveis.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 6 . Monte Serrat.PCH Santa Fé no rio Paraibuna. mostrando as dificuldades logísticas durante os levantamentos de campo efetuados pela Canambra após seu término. 7a 7b Figura 7a . os projetos que pelas exageradas dimensões de seus reservatórios inundariam centros urbanos e grandes extensões de obras de infraestrutura viária.John Cadman fotografado por John Cabrera. atolados na beira do rio. Foram definidos os aproveitamentos de Picada. Rio de Janeiro e Minas Gerais Figura 7c . tendo sido implantados a partir do início dos anos noventa. Cabuy. Sobragy.PCH Bonfante no rio Paraibuna. maior número de usinas com quedas mais modestas e pequenos trechos inaproveitados. quase sempre objetivos antagônicos.

Figuras 8a e 8b – PCH Queluz antes e depois do enchimento do reservatório. Essas PCHs. a ANEEL contratou a Es cola Politécnica da UFRJ em 2000 para reestudar toda a bacia do rio Paraíba do Sul com atenção especial aos impactos ambientais. com 30 MW cada. a menos das usinas existentes ou aprovadas entre as quais o complexo de Simplício. Em primeiro plano a ferrovia de concessão da MRS e ao fundo a rodovia Presidente Dutra BR-116 24 . Dentre os aproveitamentos de baixa queda destacam-se as PCHs gêmeas Queluz e Lavrinhas. foram concluídas em 2011 e tiveram seus reservatórios condicionados pela infraestrutura viária do local.Séculos XIX. Em primeiro plano a ferrovia de concessão da MRS e ao fundo a ponte da rodovia Presidente Dutra BR-116 Figuras 9a e 9b . assim denominadas por terem todos os equipamentos idênticos. XX e XXI Influenciada por essas alterações. construídas no rio Paraíba do Sul a montante do reservatório do Funil.PCH Lavrinhas antes e depois do enchimento do reservatório. Dessa revisão dos inventários existentes resultou o projeto de mais de cinquenta novos aproveitamentos.A História das Barragens no Brasil . em sua maioria esquemas de baixa queda para torná-los ambientalmente viáveis.

Lyra. John R. algumas das quais entre as maiores do mundo na época. devido ao estabelecimento do critério da verdade tarifária introduzido no início do governo Castelo Branco por Bulhões de Carvalho e Roberto Campos. a concentração de investimentos em poucos. 25 . Cotrim. A partir da esquerda Flavio H. resultando no que mostra a tabela a seguir. Benedito Dutra e outros. Figura 10 – Local da usina hidroelétrica de Furnas no início de sua construção. continuou. mas grandes empreendimentos. Lyra preocupado com a concepção do projeto Nos anos oitenta e noventa um menor número de hidroelétricas entraram em operação devido à carência de recursos financeiros das estatais causada principalmente pelos impactos na economia nacional devidos aos dois choques do petróleo e a crescente inflação. Juscelino Kubitschek de Oliveira. Entretanto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Alterações nos critérios tarifários e a consequente ampliação de implantação de hidroelétricas Nos anos sessenta e setenta. Todos olhando para o fotografo a menos de Flavio H. um impressionante número de grandes hidroelétricas foram construídas e entraram em operação.

050 NE 1.216 SE 1.450 S 1.192 SE/CO 1.420 1. XX e XXI TABELA 1 Maiores Hidroelétricas em Operação em 2011 Hidroelétrica Tucuruí Itaipu (Brasil) Ilha Solteira Xingó Paulo Afonso IV Itumbiara São Simão Foz do Areia Jupiá Porto Primavera Itá Itaparica Salto Santiago Água Vermelha Segredo Salto Caxias Furnas Emborcação Salto Osório Sobradinho Estreito Potência (MW) 8.396 1.370 N 7.676 1.A História das Barragens no Brasil .260 S 1.240 S SE S Marimbondo 1.082 SE/CO 1.000 3.710 1.444 2.551 SE/CO 1.479 NE 1.Séculos XIX.440 SE 1.162 NE 2.050 SE Legenda: N S SE NE CO TE ER BEFC CG CCR GA CF Região Norte Região Sul Região Sudeste Região Nordeste Região Centroeste barragem de terra barragem de enrocamento com núcleo de terra barragem de enrocamento com face de concreto barragem de concreto gravidade barragem de concreto compactado com rolo barragem de concreto em gravidade aliviada barragem de concreto em contrafortes Figura 13 – Usina hidroelétrica de Itá em final de construção 26 .540 S SE/CO NE SE/CO S SE/CO TE/CG TE/CG BEFC TE/CG TE/CG TE/CG BEFC TE/ER/CG TE/CG BEFC TE/CG TE/CG ER TE/CG BEFC CCR ER ER ER TE/CG ER Figura 12 – Usina hidroelétrica de Salto Santiago no rio Iguaçu Figura 11 – Casa de força e vertedouro da usina hidroelétrica de Tucuruí GA/CG/CT/ER/TE Região Tipo de Barragem 3.462 1.078 S 1.

214 34 Tucuruí 3.250 1. TABELA 2 Maiores Reservatórios Barragem Área (km²) Volume (km³) Extensão (km) 350 170 225 250 116 170 Figura 14 – Usina hidroelétrica de Sobradinho. Figura 15 – Reservatório da usina hidroelétrica de Serra da Mesa. o de maior volume do Brasil 27 . Tais reservatórios passaram a propiciar benefícios de regularização de vazões e.007 50 Balbina 2.784 20 54 Itaipu* 1.360 17 Porto Primavera Serra da Mesa 2. consequentemente.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Extensos reservatórios foram criados para algumas dessas grandes hidroelétricas.350 29 *Incluindo a parte do reservatório sobre território paraguaio. Reservatório de maior área do Brasil Sobradinho 4. otimização de operação e confiabilidade no suprimento de energia elétrica.

Uma grande parte do território brasileiro. a energia elétrica disponibilizada no Brasil possa ser a mais cara do mundo devido principalmente a essa elevada carga tributária. Em 2008 mais de 95% da população tinha acesso a serviço público de eletricidade compreendendo mais de 99% dos municípios. nomeadamente em Itaipu e Tucuruí. Pouco depois foi instituída a Agência Nacional de Águas e o Operador Nacional do Sistema. Considerando as funestas e intensas consequências ao País em outros empreendimentos financiados pelo Banco Mundial. 345 kV. teoricamente privada. esta denunciou a Eletrobras ao Banco Mundial. um vasto sistema de transmissão em alta tensão e em extra alta tensão promove a interligação de várias regiões do País ao sul do rio Amazonas unindo os dois maiores sistemas nacionais: o Norte/ Nordeste ao Sul/Sudeste/Centroeste. tendo afetado negativamente as empresas contratadas para fornecimento de serviços e de bens de capital. entidade. Está programada para futuro próximo a interligação entre a margem sul e a margem norte do rio Amazonas. alterações operacionais e licitações 28 . através da Lei 9427. que atua na coordenação e no controle da operação das geradoras e dos sistemas de transmissão. Em novembro de 2008 a capacidade instalada no País era de 104. Entretanto. Todo o planejamento concernente a privatização. apesar do grande número das grandes usinas hidroelétricas que operam há mais de 30 anos estarem teoricamente depreciadas. Ao final de 2008 essa proporção caiu para 74% devido ao planejamento para a diversificação de fontes geradoras e às dificuldades de obtenção de licenciamentos ambientais para barragens e reservatórios. Uma segunda alteração na legislação ocorreu em 2004 mantendo o processo de licitação para novos projetos. para concessões têm sido processado pela ANEEL. Um dos casos extremos ocorreu na implantação da hidroelétrica de Emborcação que.A História das Barragens no Brasil . Nas obras federais houve intensa concentração de recursos na construção das maiores usinas. A hidroeletricidade nos anos recentes Em 1996. de comercialização e outros investidores são encorajados a implantar usinas de geração e sistemas de transmissão.398 MW. XX e XXI Desde pouco antes do início dos anos oitenta o governo federal e os governos estaduais passaram a enfrentar grandes dificuldades para prover recursos necessários para a implantação de novas usinas e de sistemas de transmissão.816 MW em 1768 usinas geradoras das quais 706 eram hidroelétricas. as novas hidroelétricas.000 km de sistemas de transmissão interconectados em 230 kV. Em abril de 2011 a capacidade total instalada no País passou a ser de 112. Presentemente empresas de geração. mas tornando-se vencedor aquele que apresentasse a menor tarifa. essas obras ficaram sujeitas a vultosos dispêndios devido aos acréscimos de custo de construção e à maior incidência de juros durante a construção. promovem benefícios para outras áreas. o que faz com que. a carga de impostos na geração de energia elétrica é de cerca de 45% da tarifa cheia. Há poucos anos atrás bem mais de 90% da capacidade instalada provinha de usinas hidroelétricas. perante à reiterada ameaça da Eletrobras em não cumprir o contrato de financiamento com a Cemig. de transmissão. Devido ao sistema ser interligado em grande parte do território nacional. de distribuição.Empresa de Pesquisa Energética) foi criada para o desenvolvimento do planejamento do setor elétrico. com exceção de sistemas isolados na Região Norte. e depois em Xingó. é servido por mais de 90. bem como comercializar a energia produzida ou transmitida. uma importante modificação ocorreu no setor elétrico com a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica. ficando assim concessionário da usina ou do sistema de transmissão. 1042 termoelétricas e duas termonucleares. Impostos. 440 kV. Uma empresa federal (EPE . ficando as demais obras federais sujeitas às verbas de desmobilização. Nos últimos 10 anos a média anual do aumento da capacidade instalada foi de 3652 MW. As transações de compra e venda de blocos de energia no sistema interligado de transmissão são feitas sob os auspícios do Mercado Atacadista de Energia através de contratos bi-laterais de curta duração. Essas verbas correspondiam aos valores que seriam despendidos caso as obras viessem a ser paralisadas. Como esses valores eram insuficientes para manter o ritmo ideal de construção. Como resultado. além de suprirem energia na sua região. a Eletrobras foi obrigada a cumprir o contrato.Séculos XIX. 500 kV e 750 kV.

As hidroelétricas a serem licitadas já estarão totalmente depreciadas. a FIESP entrou com representação no TCU solicitando intervenção para que providências sejam tomadas no sentido de garantir a execução das licitações de concessão. o que. com o elevadíssimo nível dos encargos sobre o fornecimento da energia elétrica.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens taxas e contribuições mandatórias em uma conta de consumo de energia elétrica em residência de classe média quando comparada ao custo direto da energia fornecida. pequenas barragens. Essas concessões. Para tanto. Tem havido por parte das atuais concessionárias e de governos estaduais. por exemplo. Presentemente (meados de 2011) a tarifa média para a indústria no Brasil é de R$ 329/MWh. Prevê-se que em 2015 cerca de 20% do parque gerador. Furnas. Em estudo recente a FIRJAN considerou críticos os níveis dos quatorze encargos cobrados sobre a energia elétrica. Por outro lado a FIESP defende que a legislação não venha ser alterada ou violentada e que as licitações sejam feitas. poderá perder até 52% do seu atual faturamento caso as concessões que vencem no período acima mencionado. Pela legislação em vigor essas concessões retornarão à União que deverá efetuar licitações para definição de novos concessionários.000 km de linhas de transmissão e 33% dos contratos de distribuição deverão ter suas concessões licitadas.PCH Calheiros 19 MW no rio Itabapoana. 70. Rússia. CEMIG e COPEL formaram um grupo para discutir o problema e tentar influenciar uma alteração na legislação visando prorrogações das concessões. deverá fazer com que as tarifas venham a ser consideravelmente reduzidas. no caso de Furnas. considera que com as licitações as tarifas despencarão a níveis de 20% dos atuais. Em abril de 2011 as grandes concessionárias como CESP. Entretanto. A esmagadora maioria dessas pequenas usinas tem modestos reservatórios. além de ativos em sistemas de transmissão. Índia e China) que se situam em R$140. vertedouros de superfície em lâmina livre e casas de força em posição remota em relação às barragens. faria com que o governo perdesse arrecadação o que não costuma ser aceito pelos políticos da situação. Figura 16 .7/MWh. compreendem a 5000 MW em seis usinas. 134% superior à média das tarifas industriais nos outros países do BRIC (Brasil. um grande número de investidores têm atuado na implementação de pequenas centrais hidroelétricas até o limite de 30 MW instalados. entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo Figura 17 – Barragem da PCH Ivan Botelho II (Palestina) em Minas Gerais 29 . se situam no entorno de 85%. um dos principais problemas é que. pelo espírito da Lei. pois os investimentos na construção das usinas e nos sistemas de transmissão já foram amortizados há muito tempo. Desde a última década do século XX. intenso lobby para a manutenção das atuais concessões. Entre 2015 e 2017 muitas das concessões das maiores hidroelétricas e dos sistemas de transmissão estarão vencidas. As atuais concessionárias terão que se adaptar à nova realidade. não venham a ser renovadas. a intensa redução das tarifas que beneficiaria os contribuintes e recolocaria a competitividade da indústria nacional no mercado externo.

700 m³/s. passou para 516 km². A ausência de reservatórios de regularização no rio Xingu faz com que o fator de capacidade seja muito baixo. sendo cada um equipado com 20 comportas de segmento de 20 m x 25. uma com 11. XX e XXI 6900 MW instalados. A média nacional é de 0. Esse aproveitamento está sendo estudado há trinta anos. teve seu projeto abandonado e a área do reservatório de Belo Monte que inicialmente era de 1225 km². Monte que terá a capacidade instalada de 11. A hidroelétrica de Belo Monte terá baixa relação entre a área do reservatório e a capacidade instalada: 0. menores custos internos.000 m³/s. a barragem de Babaquara que regularizaria o rio Xingu a montante de Belo Monte. extremamente baixa em comparação com a média nacional.5 m de queda líquida e outra. Figura 19 – Usina hidroelétrica de Monjolinho com vertedouro do tipo lateral Grandes hidroelétricas estão presentemente sendo construídas. pequena estrutura (barragem) de derivação Hidroelétricas de porte médio são também atraentes a investidores privados por apresentarem. a relação entre área inundada em km² e a capacidade instalada em MW é de cerca de 0. O empreendimento afetará 4300 famílias urbanas e 800 famílias rurais. com 233 MW com unidades bulbo sob 11. Entretanto. apresentam índices mais elevados.233 MW no rio Xingu. Itaipu (0.40 km²/MW) embora com relações modestas. inundarão terrenos da Floresta Amazônica.05 km²/MW.3 km². Outras grandes hidroelétricas como Tucuruí (0.A História das Barragens no Brasil . no seu conjunto. no Pará.000 MW com unidades Francis sob 87. denominada casa de força complementar. Pelo projeto em processo de licenciamento. Os reservatórios com área de 258 km² e 271. em relação às empresas estatais. cerca de 30 .2 m. O rio Madeira drena uma extensa área da Cordilheira dos Andes na Bolívia.5 m de queda líquida.49 km²/MW. A descarg a remanescente é a maior que se tem notícia. As hidroelétricas de Jirau e Santo Antônio. serão implantadas duas casas de força.600 m³/s e 84.08.29 km²/MW).Séculos XIX. Encontra-se em início de construção a hidroelétrica de Belo 18 – PCH Cachoeira em Rondônia. Por restrições ambientais e com a finalidade de se conseguir o licenciamento ambiental. Os vertedouros dessas duas barragens foram dimensionados para as descargas decamilenares de 82. que fluirão pela casa de força complementar. situadas no rio Madeira a montante de Porto Velho terão. a usina aproveitará a queda na grande curva do Xingu.10 km²/MW) e Serra da Mesa (1. Ambas casas de força abrigarão unidades bulbo operando praticamente a fio d’água. Localizada nas proximidades de Altamira. um dos maiores tributários do rio Amazonas.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 – Usina hidroelétrica de Santa Clara em Minas Gerais Figura 21 – Barragem vertedoura da hidroelétrica de Picada em Minas Gerais Figura 22 – Obras da usina hidroelétrica de Santo Antônio no rio Madeira 31 .

a CBA deu início à implantação de uma série de usinas no rio Juquiá-Guaçu: em 1958 entrou em operação a hidroelétrica de França com 24 MW.4 MW.87 MW.4 MW e. Figura 23 – Barragem da usina hidroelétrica de Barra no rio Juquiá. em 1982 Porto Raso com 28.4 MW. Com os principais potenciais do rio Juquiá-Guaçu explorados. Nesse período. Em conversa com o autor. SP. finalmente. projetada para 1087 MW instalados encontra-se (maio de 2011) em início de operação comercial após quatro anos de atrasos devido a demoras no licenciamento ambiental e a paralisações referentes a ações judiciais e a atos de ocupação indevida de seu canteiro de obra.Séculos XIX. em 1963 Fumaça com 36. Assim. também situada na Amazônia. a CBA adquiriu da São Paulo Light a hidroelétrica de Itupararanga com 55 MW. No início dos anos quarenta a família Carvalho Dias e o empresário. sendo um empreendedor privado. A concessão só foi outorgada em 1952. Um exemplo marcante é a Companhia Brasileira de Alumínio CBA que por longo período foi o maior auto-produtor de energia elétrica do País. tendo construído as hidroelétricas de Piraju com 80 MW que entrou em operação em 2002 e Ourinhos em operação desde 2006. em 1974. em 1974 Alecrim com 72 MW. engenheiro e político José Ermírio de Moraes fundaram a CBA para exploração da jazida de bauxita que havia sido identificada nas terras dos Carvalho Dias nas proximidades de Poços de Caldas. e montar uma fábrica de alumínio. XX e XXI A hidroelétrica de Estreito. A auto-produção de energia elétrica tem movimentado em anos recentes várias empresas de grande vulto como a Vale. Afirmou ainda que considerava estratégico ter a garantia de produção de pelo menos 50% da energia necessária à sua indústria. em 1978 Serraria com 24 MW. a Votorantim e muitas outras. a CBA partiu para o médio rio Paranapanema. em 1986 Barra com 40. Como a São Paulo Light não dispunha de energia para garantir o fornecimento à CBA. o engenheiro Antônio Ermírio de Moraes externou as dificuldades que encontrou. indústria eletrointensiva. em 1989 Iporanga com 36. a CSN. esta requereu a concessão do rio Juquiá-Guaçu e do seu afluente Assungi. a Petrobrás. em São Paulo 32 .A História das Barragens no Brasil . MG. Em 1942 o DNAEE determinou que a São Paulo Light suprisse de energia elétrica a fábrica que estava projetada para ser construída no município de Mairinque. para a obtenção da concessão.

em São Paulo Figura 25 – Projeto da barragem da usina hidroelétrica de Barra Figura 26 – Projeto da barragem da usina hidroelétrica de Fumaça 33 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 24 . no rio Juquiá.Barragem da usina hidroelétrica de Fumaça.

A barragem do Germano. Embora não haja um registro de barragens de rejeitos no País. Edilberto Maurer e Valério Mortara para o qual o autor teve o privilégio de entregar o título de engenheiro eminente pela Associação dos Antigos Alunos da Politécnica em 2000. o executivo da empresa era o médico Miguel Carvalho Dias que contava com a importante colaboração de vários engenheiros de destaque na profissão entre eles Carlos Mazzaro. Barragens de rejeitos Atividades de mineração representam um importante segmento na economia nacional. detentor da CBA Figura 28 . Newton Sady Busetti. que atualmente (maio de 2011) está com 155 m de altura é projetada para atingir 170 m de altura no seu estágio final. Além do acompanhamento constante do engenheiro Antônio Ermírio de Moraes.Séculos XIX. um grande número de barragens de rejeitos foram construídas ou estão presentemente em construção. com barragens de concreto de gravidade aliviada. Devido à legislação ambiental. XX e XXI Os projetos das hidroelétricas da CBA no rio Juquiá-Guaçu foram todos de concepção italiana. são conhecidas mais de 700 barragens em Minas Gerais e pelo menos 150 outras nos demais estados da Federação.Usina hidroelétrica de Piraju no rio Paranapanema entre São Paulo e Paraná 34 . O método de construção mais empregado é o método de monFigura 27 – Antônio Ermirio de Moraes principal executivo do Grupo Votorantim. a maior do País.A História das Barragens no Brasil .

Vias navegáveis A navegação interior permanece sendo o método de transporte mais usual na Região Amazônica onde há longos e caudalosos rios que podem ser usados ao longo do ano todo. As duas principais bacias com eclusas instaladas em hidroelétricas são as dos rios Tietê e Paraná. o sistema de proteção de cheias da cidade de Recife em Pernambuco. que compreende três barragens de terra. não são capacitados técnica e financeiramente. Nesse grupo de rios se encontram todo o rio Amazonas. Durante a estação chuvosa de 2009 uma grande cheia ocorreu na bacia do rio Itajaí e as três barragens não foram suficientes para controlar toda a descarga afluente. órgão do Ministério do Interior.Eclusas da barragem de Três Irmãos sobre o rio Tietê Paisagismo Desde a construção. para ser construída em três fases. o talude de jusante da barragem foi projetado para ser coberto com uma face de concreto. em São Paulo e do São Francisco. têm de enfrentar por conta própria os problemas de controle de cheias. O maior e mais famoso desses lagos artificiais é o reservatório de Paranoá. Figura 29 . 35 . As barragens foram construídas principalmente com o objetivo de evitar cheias em áreas populosas. O critério de projeto que em geral era adotado objetivava o controle das cheias de período de recorrência de 100 anos ou a maior cheia que tivesse sido registrada. Nas outras regiões. para rejeitos finos a muito finos como na mineração de ouro. foi ativo em empreendimentos de controle de cheias envolvendo a construção de barragens. seus formadores os rios Solimões e Negro. o método de jusante é empregado. os poucos empreendimentos de navegação interior existentes são em geral anexos a hidroelétricas. bem como extensos trechos inferiores dos seus afluentes. Nos primeiros anos dos anos noventa diversas barragens que antes eram controladas pelo DNOS ficaram sem qualquer controle e sem responsável pela operação e segurança. água esta que tem que ser tratada. polders e drenagens. da barragem de Pampulha em que criou um belo espelho d’água na cidade de Belo Horizonte. Os dois mais destacados empreendimentos foram o sistema de controle de cheias do rio Itajaí em Santa Catarina. o Departamento Nacional de Saneamento. algumas pequenas barragens foram construídas no coração de outras cidades para criação de lagos artificiais como elemento paisagístico. com três filtros chaminé internos. Entretanto. na capital federal. no Nordeste. Um projeto não usual foi adotado para a disposição de rejeitos em mina de urânio em Poços de Caldas. que inclui três barragens que são somente usadas para controlar as descargas afluentes. Para impedir que a água de chuva se misturasse com a água percolada pelo maciço da barragem e pela sua fundação. em 1958. em geral. Em 1990 as atividades desse Departamento foram abruptamente encerradas e o Departamento extinto. Controle de cheias Por muitos anos desde 1944. Presentemente estados e prefeituras que. Foi adotada uma barragem de terra e enrocamento compactados.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens tante. Severas consequências em grande área alagada no baixo vale do Itajaí compreenderam impressionantes perdas de propriedades. principalmente nos trechos sobre terrenos sedimentares recentes.

A barragem possibilita o acréscimo de 5. O artigo técnico sobre o projeto e a construção desta barragem de CCR com 53.   Figura 31 . Outro sistema importante é o de Belo Horizonte compreendendo obras hidráulicas de vulto. aproveitamento de finalidades múltiplas 36 . O mais recente Figura 30 – Barragem do Ribeirão João Leite para o abastecimento d’água da cidade de Goiânia empreendimento de vulto para abastecimento de água é a barragem João Leite construida em concreto compactado com rolo. Esse sistema foi construído nos anos setenta e compreende sete grandes barragens de terra. sete túneis escavados em rochas gnaíssicas e graníticas numa extensão total de 29 km e uma grande estação de recalque subterrânea com capacidade de 33 m³/s.46 bilhões de metros cúbicos de água sob uma superfície de 325 km² no nível d’água máximo normal. XX e XXI Obras de abastecimento de água Barragens têm sido construídas como parte de sistema de abastecimento de água para zonas urbanas e industriais. a qual é destinada ao abastecimento de água da cidade de Goiânia. O sistema inclui a barragem de terra do Castanhão com trecho em concreto compactado com rolo.5 m de altura e vertedouro de soleira livre sobre a barragem.33 m³/s de reforço ao abastecimento das principais cidades do estado de Goiás. concluída em 1999 com 72 m de altura. O mais destacado desses sistemas é o sistema de Cantareira para abastecimento de água da grande São Paulo e cidades do vale do Piracicaba.Barragem de Pindobaçu na Bahia. concluida em 2009. Um sistema que merece menção é o sistema para o abastecimento d’água da cidade de Fortaleza.Séculos XIX. O sistema necessitou da construção de 256 km de canais para suprimento de 22 m³/s para a cidade e para projetos de irrigação. com captações em barragens no rio das Velhas e no rio Manso.50 m de altura e alas de terra faz parte da publicação do CBDB Main Brazilian Dams III. Merece menção a barragem do Ribeirão João Leite. e as barragens do sistema de derivação dos rios Piraí e Paraíba do Sul (sistema PPD). represando 4.A História das Barragens no Brasil . descarga essa que corresponde a 90% de permanência. Os dois maiores sistemas do Rio de Janeiro aproveitam as barragens da Light construídas entre o início do século (sistema Lajes). com 53.

Dessa forma. premido por necessidade de iniciar as obras de Três Marias e de Furnas. se concentra na coleta e tratamento de esgoto uma vez que são poucas as cidades que dispõem de estações com capacidade de tratamento de porcentagens consideráveis dos esgotos coletados. o governo Juscelino Kubitschek foi forçado a definir recursos federais para a implantação da barragem. A esmagadora maioria dos esgotos é lançada em corpos d’água (rios.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Entretanto.Barragem de Mirorós na Bahia. Figura 32 . Esse estudo da Agência prevê a necessidade de investimentos superiores a R$ 50 bilhões até 2025 tendo em vista o precário estado dos sistemas de esgoto sanitário de quase todos os municípios brasileiros. O maior problema da área de saneamento básico. beneficiamento à navegação interior e geração de energia elétrica. um estudo recentemente concluído pela Agência Nacional de Águas revelou que a situação do abastecimento de água em 55% dos 5565 municípios brasileiros está se agravando e deverá estar insuficiente em 2015. O primeiro gran de exemplo de barragem implantada com finalidades múltiplas foi Três Marias com objetivos de regularização do rio São Francisco. entretanto. Finalidades múltiplas Barragens com finalidades múltiplas eram raras no cenário nacional devido à estanqueidade dos órgãos federais e estaduais na definição dos empreendimentos hidráulicos. do vertedouro e do reservatório. aproveitamento para irrigação e abastecimento de água 37 . Serão necessários investimentos de R$ 22 bilhões para garantir a oferta de água de qualidade adequada até o ano de 2025. lagos e oceano) sem tratamento. enquanto a Cemig arcou com a casa de força.

Nos últimos 20 anos do século passado o País atravessou um período de severa estagnação econômica quando vinte empreendimentos com barragens do setor elétrico tiveram sua construção suspensa por falta de recursos financeiros. elétricos e eletrônicos se estabeleceram no País e têm suprido a demanda interna e exportado equipamentos para diversos outros países. além de diversas hidroelétricas de pequeno e médio porte. Durante esses anos muitas empresas brasileiras desenvolveram com sucesso atividades no exterior em países de todos os continentes. Muitas empresas brasileiras de projeto e construção se expandiram durante a segunda metade do século XX e presentemente ocupam relevante posição no cenário internacional. Depois de passado esse período. a se tornar uma das líderes mundiais nesse setor. controle de cheias. Jaguari e Funil que contribuem para a regularização de descargas. a produção de energia. Paraitinga. a engenharia brasileira. o abastecimento de água. XX e XXI Outro exemplo é a barragem de Pedra do Cavalo na Bahia que contribui para o controle de cheias. Importantes empreendimentos de finalidades múltiplas são as barragens do alto e médio rio Paraíba do Sul. Santo Antonio. Santa Branca. a engenharia brasileira voltou a ter um mercado interno robusto com alguns dos maiores projetos do mundo atual tais como as hidroelétricas de Jirau. a regularização e a irrigação. Estreito e Belo Monte. Neste mesmo período diversas fábricas de equipamentos mecânicos. geração de energia elétrica e possibilitam o abastecimento do Grande Rio de Janeiro.A História das Barragens no Brasil . Paraibuna. A evolução dos segmentos de bens de capital e de prestação de serviços Toda essa atividade em projeto. tão dependente de apoio estrangeiro na primeira metade do século XX. incentivou Figura 33b – Barragem e casa de força de Paraibuna Figura 33a – Barragem de Paraitinga no final de sua construção Reservatórios interligados de Paraibuna e Paraitinga Figura 33c – Diques durante o primeiro enchimento do reservatório 38 .Séculos XIX. construção e operação de barragens. bem como em fabricação e montagem de equipamentos.

foram se formando importantes e bem estruturadas empresas consultoras nacionais que passaram a atuar nas linhas de frente dos grandes empreendimentos hidroelétricos dessas duas empresas concessionárias. foram feitos no canteiro de obra por equipe nacional com influência de alguns engenheiros estrangeiros recrutados como imigrantes após o término da Segunda Grande Guerra Mundial e de outros que trouxeram marcante influência francesa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A organização da AMFORP veio influenciar na organização da CEMIG. Bureau of Reclamation. nesses dois casos.Barragem de finalidades múltiplas de Funil O desenvolvimento e o desmonte da engenharia consultiva Os estudos e projetos de barragens no País tiveram duas origens distintas. em Minas Gerais. portuguesa e italiana. Aos poucos. com influência de eventuais consultores provenientes do U. No Nordeste. especialmente o engenheiro José Gelazio da Rocha. mesmo que inicialmente carentes de experiência. principalmente na sua primeira hidroelétrica.S. através do engenheiro John Cotrim que também trouxe. por americanos. em seguida. o governo estadual orientava os projetos dos anos cinquenta para empresas brasileiras ou para um conjunto de consultores individuais. Na Região Sudeste. no início do Século XX. Os projetos da CHESF. a força de trabalho e a responsabilidade técnica eram essencialmente nacionais. a equipe do contratante. Em São Paulo. essa experiência organizacional para Furnas. os projetos da Light e da AMFORP eram nitidamente comandados. Quando finalmente foi enfrentado um projeto de grandes proporções. Paulo Afonso I. no rio Paraná. de dimensões inusitadas para a época. Entretanto. Tanto a CEMIG quanto Furnas tiveram seus primeiros grandes projetos elaborados por empresas consultoras americanas. Outras empresas do setor elétrico contavam com projetos desenvolvidos por consultoras suíça. tanto no DNOCS quanto na CHESF. havia predominância da engenharia nacional com grandes contingentes de engenheiros formados em nossas escolas.John Reginald Cotrim jovem na EBASCO 1942-44 39 . Figura 35 . incentivou os consultores independentes das barragens do rio Pardo a formar uma empresa que pudesse desenvolver a contento o projeto da hidroelétrica de Jupiá. Nota-se que os projetos do DNOCS eram feitos na sua sede no Rio de Janeiro antes da mudança para Fortaleza. alemã. Figura 34 . por bacias hidrográficas.

Como o salário direto nominal do Presidente não era muito elevado. conseguida durante o governo de Costa e Silva. Dessa forma praticamente não havia necessidade de capital de giro. esse tipo de contrato veio causar o desmanche das empresas consultoras na década seguinte. de acordo com o então senador Roberto Campos. na época o general Figueiredo. com a adição do seu lucro em função do trabalho efetivamente desenvolvido.Usina hidroelétrica de Volta Grande no rio Grande tratual foi introduzida pelas empresas americanas de consultoria na segunda metade dos anos cinquenta.Usina hidroelétrica de Itapebí no rio Jequitinhonha. as consultoras brasileiras tinham como obstáculo a lei da informática que prejudicou sobremodo o desenvolvimento da produção de projetos e. Dessa forma passou a haver elevada segurança contratual mesmo em regime inflacionário que se acentuou a partir do governo JK. a inflação não era sentida e o risco de inadimplência era muito reduzido. A Associação Brasileira de Consultores de Engenharia . teto este que era o salário direto nominal do Presidente da República. Nos anos setenta quase dez consultoras brasileiras figuravam entre as maiores do mundo. Por outro lado. Nessa época as empresas de projeto assumiam crescentes responsabilidades em um grande número de projetos de envergadura.ABCE analisava cada contratação de consultoria externa para detectar se havia similar nacional. Entretanto. os salários nas estatais passaram 40 . tornou o contrabandista um herói nacional.A História das Barragens no Brasil . Essa lei só foi cancelada sem alarde e sem anúncio no governo Sarney para os projetos do programa de irrigação de um milhão de hectares. Os anos setenta se caracterizaram por um enorme desenvolvimento da consultoria brasileira.Séculos XIX. também já contavam com expressivo contingente de engenheiros brasileiros. Por esse tipo de contrato a consultora era remunerada pelo custo do serviço baseado nos salários de suas equipes técnicas multiplicados por um fator que representava os impostos. Esse desenvolvimento acelerado foi em parte condicionado por lei de proteção ao mercado de consultoria e projeto. Essa modalidade conFigura 37 . XX e XXI As hidroelétricas projetadas pelo DNOS no Sul e na Bahia. Em 1979 foi instituído o teto salarial nas empresas estatais. Quase todo esse desenvolvimento era calcado em contratos cost plus com empresas estatais do setor elétrico. principalmente no setor elétrico. os encargos sociais e as despesas diretas. As consultoras a cada mês recebiam antecipadamente de acordo com a programação aprovada e prestava conta ao final de cada mês. na Bahia Figura 36 .

mesmo que não venha haver pagamento. O equilíbrio financeiro dos contratos das consultoras foi rapidamente corroído. no auge da crise das contratantes estatais federais. em várias ocasiões por mais de cinco meses. As consultoras. algumas delas atuando em segmentos específicos. Entretanto. não mais foram de remuneração pelo custo. algumas foram reduzidas a níveis pequenos e várias fecharam. os funcionários das estatais federais contratantes de serviços de consultoria passaram a não aprovar nos contratos reajustes salariais dos empregados das empresas contratadas. Nessas empresas uma posição de clarividência foi assumida pelo engenheiro João Alberto Bandeira de Mello que atuava na Eletrobras e que propunha que.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens a ser achatados. No advento do governo Sarney houve um dos muitos planos heterodoxos no qual teoricamente a inflação seria nula. pois valiam no mercado apenas uma pequena fração de seu valor de face. As contratantes do setor elétricos viraram “fiscais do Sarney” e unilateralmente abateram os multiplicadores dos contratos alegando que a partir daquele instante não mais haveria inflação. Essas outras empresas passaram a atrasar sistematicamente o pagamento das faturas. mesmo assim após 45 dias da entrega da respectiva fatura. Como para as consultoras. o governo federal desovou empresas nos programas de privatização ganhando dos dois lados. devido a essa experiência desastrosa. Foram criados os “fiscais do Sarney” que acusavam às autoridades eventuais aumentos de preços. Daquelas grandes empresas de consultoria de engenharia que figuravam como das maiores do mundo. para os que não vivenciaram. esses multiplicadores haviam sido estabelecidos nos anos cinquenta quando a inflação antes do governo Juscelino ainda era muito baixa. até 75 dias da execução dos serviços. nos anos oitenta. ou seja. Os contratos. principalmente das federais. já com as consultoras descapitalizadas e endividadas. é que uma correção parcial foi admitida nos contratos. as consultoras foram chamadas para receber parte de alguns atrasados pagos em títulos que eram chamados de moeda podre. A letra desse tipo de contrato pelo custo significava que deveria haver reembolso pelos acréscimos de custos devido à inflação. tendo chegado a um pico de mais de 80% ao mês e ao impressionante e quase inacreditável. pleiteavam incessantemente fórmulas de reajustes sem encontrar eco em muitas das empresas contratantes.” Mas outros profissionais se reuniram em pequenas empresas. Incrivelmente neste País os impostos incidem no ato do faturamento. através da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia . em geral cerca de 25%. índice de 13 trilhões e 342 bilhões por cento no período de apenas quinze anos que antecederam ao Plano Real. tendo originado forte desemprego no ramo da engenharia e tendo sido criado o termo “o engenheiro que virou suco. corroídos por uma inflação galopante. Como a inflação era intensa. Essa proposição sequer foi considerada e só após muito tempo. As consultoras tinham que recolher impostos por serviços que não eram pagos ou que seriam pagos meses depois. os seus técnicos não podiam acumular horas trabalhadas para somente faturá-las quando houvesse recursos nas caixas das contratantes. A inflação se intensificava a cada período. nos contratos pelo custo.ABCE. Por terem salários achatados. as consultoras passaram a sofrer pressões dos dois lados: as suas equipes demandando reajustes salariais corretos e os clientes não aprovando esses reajustes nos contratos. a crise financeira das estatais. sobreveio. mesmo assim quando e só quando eram usados nos programas de privatização. os faturamentos tinham que ser mensais. Finalmente. Adicionando a esses aspectos deletérios. nomeadamente as que não tinham grandes gerações de energia como era o caso da Light e de FURNAS. presentemente a esmagadora maioria dos contratos por prestação de serviços de consultoria 41 . houvesse também o justo reembolso dos elevados juros que as consultoras já estavam pagando ao sistema financeiro. além do correto reajustamento. entretanto. Dessa forma. Algumas dessas empresas foram gradativamente crescendo e hoje já apresentam grande número de profissionais engajados.

o que transfere para a consultora um risco que deveria ser do empreendedor. todas com construções compreendidas do início até meados do século passado. 42 . as obras mais recentes que datam do final do século passado. Com a experiência adquirida essa empresa assim como outras que se capacitaram. O DNOCS construiu mais de duas centenas de grandes barragens com recursos humanos e equipamentos próprios. A partir dos anos oitenta as consultoras menos atingidas pelos impactos acima relatados voltaram-se para o mercado externo com o objetivo de substituir os contratos nacionais. dado o desenvolvimento das construtoras nacionais. Furnas contratou para a usina que deu nome à empresa. Figura 38 . uma construtora britânica associada a uma empreiteira brasileira. ainda nos anos cinquenta. em altura da barragem e em potência dos seus equipamentos de geração. outra empresa brasileira com experiência restrita à construção de estradas foi contratada para erguer a barragem auxiliar de Pium-I. assumiram a condução das construções. A partir de sua fundação até a conclusão da hidroelétrica de Moxotó. empresas estrangeiras foram contratadas para executar as obras civis. Algumas empresas tiveram sucesso e hoje estão presentes em vários continentes.A História das Barragens no Brasil . Para essa usina.Séculos XIX. No caso do DNOCS. No Sudeste as construtoras estrangeiras foram utilizadas pela Light e pela AMFORP em suas hidroelétricas que são mais antigas. estas passaram a ser contratadas para todas as demais obras. já nas obras seguintes. Entretanto. tendo socorrido os empreiteiros principais na elevação rápida do núcleo da barragem de Furnas. A partir dessa época. seja o DNOCS ou a CHESF. foram implantadas por empresas privadas de construção.Usina hidroelétrica de Xingó no rio São Francisco Figura 39 – Usina hidroelétrica de Furnas logo após o enchimento do reservatório Da mesma maneira. a construção de barragens no Nordeste foi efetivada principalmente com equipes do próprio empreendedor. O desenvolvimento das empresas de construção Semelhantemente ao que ocorreu nas atividades de estudos e projetos. apenas em algumas poucas barragens consideradas de grande vulto na época. XX e XXI é por preço fixo. a CHESF construiu com equipe própria suas barragens e usinas. na época uma das maiores do mundo em capacidade instalada.

inclusive as térmicas a óleo e a carvão. Com a intensificação dos investimentos em obras hidráulicas no País. Há duas usinas nucleares em operação e uma em construção. Furnas. foi construída por empreiteira americana. assumiu usinas de portes pequeno e médio que vinham sendo implantadas por empresas nacionais. ao assumir a responsabilidade da construção da usina do Funil.Usina hidroelétrica de São Simão ção de pequenas e médias centrais hidroelétricas que ocorreu nas duas últimas décadas. todas elas tendo tido seus cronogramas de implantação constantemente refeitos e suas obras se arrastado por duas a três décadas. após acirrada concorrência internacional. As grandes empresas brasileiras atravessaram a recessão econômica e a desaceleração das obras no País nas décadas de oitenta e noventa. ao ser instituída.Barragem da usina hidroelétrica de Mascarenhas de Moraes.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 40 . antiga Peixoto. Sua primeira grande obra. Essas usinas têm sofrido das indecisões políticas. mas posteriormente. na época a segunda maior barragem desse tipo no País. contratou uma empresa nacional para a barragem principal e outra empresa nacional para a barragem de terra de Nhangapi. empresas brasileiras passaram a ser contratadas à exceção da hidroelétrica de São Simão que. nos anos setenta. concluída em 1956. 43 . partindo com muito sucesso para empreendimentos no exterior. a usina de Três Marias. Perspectivas para o futuro As dificuldades no licenciamento ambiental e as incertezas que sempre rondam os processos de aprovação de projetos hidroelétricos têm causado impressionante perda na matriz energética limpa que costumava orgulhar o País. construído em 2002 A CHEVAP. fez com que surgisse considerável número de novas construtoras no País. as empresas construtoras têm atuado com intensidade semelhante à do passado. A CEMIG. São muitas novas centrais geradoras termoelétricas poluidoras. A ampla dissemina- Figura 41 . encarregada da implantação da barragem em abóbada de Funil. substituiu a empresa construtora da barragem principal por uma empresa dinamarquesa. entretanto de muito mais fácil licenciamento ambiental e aprovação na ANEEL. Na margem esquerda o vertedouro complementar. foi delegada a uma empresa italiana. hoje de controle nacional.

e pouco inferior ao verificado na Rússia e na África do Sul.A História das Barragens no Brasil .8% a. Pelo atual planejamento energético o País enfrenta a necessidade de instalação de cerca de 5000 MW/ano. o que é no mínimo inusitado: o único licenciamento obtido até agora (maio de 2011) foi concedido em janeiro de 2011 para instalação do canteiro de obra.a. Para o bem da economia e do meio ambiente. verifica-se também que o consumo domiciliar médio no Brasil ainda é muito inferior ao de países desenvolvidos. hoje em 6. comprova a incerteza dos empreendedores em assumir tais riscos. entre 15% e 17% da geração. A falta de um órgão de âmbito nacional para controlar e implementar obras hidráulicas com esse objetivo é imperioso já que os cursos d’água são em geral intermunicipais e mesmo inter estaduais. 44 . vários dos quais abrangendo extensas regiões densamente habitadas.a. passando dos 456. sinalizam para dificuldades de atendimento de demanda na ponta em diversos centros de carga no País. Eventuais paralisações. O controle de cheias permanece nebuloso no futuro próximo. O exemplo mais nítido são as hidroelétricas do vale do rio Paraíba do Sul cujo rio principal. o máximo histórico de 180 kWh/mês registrado antes do racionamento de 2001 só deverá ser ultrapassado em 2017. nucleares e hidroelétricas a fio d’água.. tem uma regra operativa que privilegia a regularização de vazões e o controle de cheias. a Hungria. O setor elétrico através do ONS despacha algumas hidroelétricas levando em conta o controle de cheias. as classes dirigentes têm pressionado licenciamen tos ambientais de grandes centrais geradoras como ocorreu nas duas usinas em construção no rio Madeira e presentemente na hidroelétrica de Belo Monte cujo licenciamento está sendo obtido por etapas. Embates entre membros do governo e do licenciamento ambiental têm provocado demissões em vários níveis. quase três vezes superior ao do segundo colocado. Tendo em vista esse desafio. No passado recente (2000 a 2011) tem sido registrado impressionante número de apagões. por atravessar uma sucessão de importantes cidades de médio porte e servir de abastecimento de água a grandes núcleos urbanos. há imperiosa necessidade de se ultrapassar as resistências dos que se dizem ambientalistas e se voltar à implantação de hidroelétricas com grandes volumes úteis de reservatório para se recuperar a capacidade de regularização de vazões e. térmicas. Isso. Considerando a relativa fragilidade dos sistemas de transmissão e as crescentes demandas na ponta de carga.Séculos XIX. prevê-se a continuidade e mesmo o agravamento dessa situação. associado às interrupções provenientes de ações judiciais ou do Ministério Público ocorrendo na maior hidroelétrica em construção. contribuem para a elevação de prazos e de custos já que os juros reais no Brasil permanecem há décadas como o mais elevado do mundo. Angra II que levou 24 anos em construção. Parcela expressiva dessa perda vem de ligações ilegais. Entretanto. tais como usinas eólicas. pode operar até hoje (maio de 2010) há mais de uma década sem licenciamento ambiental e sem licenciamento da CNEN. Estima-se que o consumo total de energia elétrica no País evolua em média com acréscimos de 4. consequentemente. devidas à ação de vândalos em canteiros de obra e ao Ministério Público que questiona licenças ambientais. O consumo médio residencial deverá passar dos 154 kWh/mês em 2010 para 191 kWh/mês em 2020. O atual modelo do setor elétrico contribui para essas dificuldades por não contemplar qualquer remuneração para a regularização de descargas que beneficiem a operação do sistema interligado. de energia. XX e XXI onerando sobremaneira os seus custos pela forte incidência dos juros sobre os capitais investidos durante as suas prolongadas construções. com 2. Além de serem esperados acréscimos de consumo devido ao desenvolvimento industrial. até no nível ministerial. Entretanto.8% ao ano.5 TWh verificados em 2010 para 730 TWh em 2020. O acréscimo de capacidade de geração em empreendimentos sem possibilidade de armazenamento de energia. As perdas de energia elétrica no sistema interligado e nos sistemas de distribuição atingem em 2011 cifras elevadas.4% a. sendo pouco mais de um décimo do americano.

participam de juntas de consultores.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Historicamente a implantação de eclusas para navegação interior sempre vieram a reboque de algumas hidroelétricas ao contrário do que acontece em países europeus cuja tradição da navegação fluvial sempre esteve arraigada ao desenvolvimento viário. têm feito com que planejadores do setor considerem alternativas dispendiosas.A partir da esquerda os consultores da São Paulo Light: Samuel Chamecky. consequentemente. onerando sobremaneira as futuras captações. engenheiros e geólogos consultores de grande projeção na profissão. As deficiências previstas no curto prazo para o abastecimento da crescente demanda por água nas cidades e distritos industriais. incluindo a captação de água de baixa qualidade a grandes distâncias (médio Tietê para São Paulo e sub-médio Paraíba do Sul para o Rio de Janeiro). da construção de barragens de rejeitos cada vez maiores e mais frequentes. tramita no Congresso um projeto de lei que obriga os investidores em hidroelétricas de implantar sistemas de navegação onde possível. por exemplo. Consolidando essa deformação brasileira. Karl Terzaghi. Othelo Machado e Casemiro Munarski (Foto do Acervo Paulo Chamecki) 45 . aduções e tratamentos de água. vindo como sub-produto a geração de energia elétrica. Homenagem aos membros de juntas de consultores Durante o projeto e construção das mais importantes barragens brasileiras. brasileiros e estrangeiros. Arthur Casagrande e Figura 42 . onerando ainda mais as novas usinas hidroelétricas. com grandes recalques (Juquiá para São Paulo) ou na regeneração de águas em estações de tratamento de esgotos (Alegria para o Rio de Janeiro). Depois de Karl Terzaghi. As constantes e recentes valorizações das commodities no mercado internacional indicam para o futuro a permanência das atividades em mineração e.

inclusive no Brasil. fundador e diretor geral do Laboratório de Engenharia Civil sediado em Lisboa. XX e XXI Figura 43 .Professor Manuel Rocha. Lyra em inspeção de campo em Itaipu Figura 44 .A História das Barragens no Brasil .Arthur Casagrande. Gurmukh Sarkaria e Flavio H. 46 . Destacada atuação na CIGB e em consultoria de barragens em vários paises. pesquisador.Séculos XIX. John Cabrera.

B. Lyra que são aqui mencionados como homenagem àqueles que já faleceram.Consultor Roy Carlson por ocasião da sua condecoração pelo governo brasileiro entre Carlos Alberto de Padua Amarante e Victor F. James Sherard. Esses profissionais altamente qualificados deram valiosas contribuições ao projeto e construção de grandes barragens e formaram engenheiros e geólogos brasileiros que presentemente trabalham como consultores no Brasil e no exterior. Barry Cooke. Flavio H. Don Deere. de Mello e Flavio H. Victor F. Charles Blanchet. de Mello durante o XII SNGB. Figura 45 . Lyra. James Libby. B.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Portland Fox mencionados acima. Arthur Casagrande e Julival de Moraes em inspeção nas obras de Itumbiara Figura 46 . Manuel Rocha. em São Paulo abril de 1978 47 . outros consultores participaram de juntas tais como Roy Carlson.Rubens Vianna de Andrade.

EUA . G.A.1958-1961 3 4 5 .1946-1952 4.Portugal . A.1937-1940 3.Itália .F.França .Os 5 primeiros presidentes da CIGB de 1931 a 1961 1 2 1.França . J. Coyne . G.R. Giandotti .1952-1958 5. Mercier . M.1931-1934 2. Hathaway . Pinto .

ministro de Minas e Energia e John Cotrim. obras em rios muito caudalosos. 1966 .Reunião Executiva no Rio de Janeiro. presidente do CBGB. presidente do CBGB e G. na assembléia de Cernobbio (Itália). Flavio Lyra. Nos anos vinte muito havia que ser aprendido em projeto e construção de barragens e o intercâmbio de conhecimentos passou a ser de nítida importância. assim como o apoio ofertado pelo governo francês. Em 1926. a mecânica Figura 1 . A proposta foi formalmente aceita Figura 2 . tendo sido instituído o Comitê Francês de Grandes Barragens sob a Societé Hydrotechnique de France. Brown. a delegação francesa apresentou formalmente a proposta de criação da Comissão Internacional de Grandes Barragens. 1927. Mauro Thibau. Brown. presidente CIGB dos solos e a geologia de engenharia não haviam ainda sido fundadas. numa época em que havia intensa atividade em implantação de barragens.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Comissão Internacional de Grandes Barragens Oitenta e três anos de excelência Flavio Miguez de Mello A Comissão Internacional de Grandes Barragens CIGB nasceu na França.Reunião Executiva no Rio de Janeiro. notadamente na Europa e nos Estados Unidos. Corria o ano de 1925 quando. 49 . presidente de Furnas pela Conferência Mundial de Energia no ano seguinte. em assembléia da Conferência Mundial de Energia em Basel. 1966 Flavio Lyra.G. foi manifestada a importância do estabelecimento de uma comissão de caráter internacional voltada para grandes barragens. Na época. A proposição foi aceita. em reunião da Associação Francesa para o Progresso da Ciência ocorrida em Grenoble. presidente CIGB. os critérios de projeto de estruturas de concreto eram rudimentares e a hidráulica fluvial enfrentava pela primeira vez na maioria dos países que implantavam barragens e reservatórios.

56 países em 1967. tornando. Itália. o registro da CIGB atualizado em 2010 revela a importante posição do Brasil relativa a outros países com mais de mil grandes barragens construídas: A assembléia que constituiu a CIGB ocorreu no dia 6 de julho de 1928 com a participação de seis países: Estados Unidos.A História das Barragens no Brasil . 81 países em 2000 e 92 países em 2010. 72 países em 1990. A assembléia do Conselho Executivo da Conferência Mundial de Energia aprovou a CIGB por unanimidade em Londres no dia 3 de outubro de 1928. de elevado interesse técnico sobre assuntos os mais atuais. Romênia e Suíça. Apesar do registro das barragens no Brasil estar incompleto. Em 1967. assim.14° Congresso CIGB Rio de Janeiro 1982 – Pierre Londe (presidente) e Joannes Cotillon (secretário geral) sição por um comitê ad hoc novo estatuto que vem corrigir lacunas do estatuto vigente. Encontra-se presentemente (2011) em propo- 1 2 4 5 6 8 9 China USA Japão Coréia do Sul Canadá Brasil Espanha > 40 000 9 265 5 101 3 076 1 302 1 166 1 114 1 011 987 741 623 583 542 519 507 501 3 Índia 7 África do Sul 10 Turquia 11 França 12 México 13 Itália 14 Reino Unido 15 Austrália 16 Irà 50 . Desde sua fundação com apenas cinco países membros. a CIGB publica boletins sobre temas específicos. Do seu primeiro estatuto até o estatuto de 1967 poucas alterações significativas ocorreram. de 1940 a 1944. esses documentos em relatórios do estado da arte sob o ponto de vista global. XX e XXI Figura 3 . cifra esta que representa mais de 90% da população mundial. a CIGB passou a se tornar independente da Conferência Mundial de Energia. França. A CIGB mantém atualizado o registro mundial de grandes barragens (barragens com mais de 15 m de altura ou em condições especiais) contendo as principais características das barragens em todos os países membros e em alguns países não membros da CIGB. ­ Além dos seus anais de congressos e simpósios. tendo atingido 26 países antes da II Guerra. Reino Unido. a CIGB vem continuamente crescendo. Já demonstrando seu dinamismo. Seus anais são verdadeiras seções transversais da tecnologia de cada época que nos permitem visualizar o desenvolvimento dos conceitos e critérios de projeto e de construção de barragens. Desde então. a CIGB promoveu seu primeiro congresso internacional em Estocolmo em 1933. 56 países em 1980. reuniões executivas foram realizadas todos os anos a menos dos anos exceto durante a II Guerra Mundial.Séculos XIX. Como exemplos históricos pode-se mencionar os trabalhos de Karl Terzaghi de 1933 sobre as investigações das características dos solos quanto a sua viabilidade para a construção das barragens de terra e de Wolmar Fellenius sobre cálculo de estabilidade de barragens de terra. considerando seu já grande vulto. Desse registro não constam apenas as barragens de rejeitos. reconhecidamente. Desde então a cada três anos a CIGB promove seus congressos que são. fruto do trabalho dos seus comitês técnicos que congregam profissionais os mais destacados em diversos países do mundo.

nos anos noventa também abriu os campos de compartilhamento dos recursos hídricos de rios transnacionais e de gestão integrada da água. F. todos franceses. Nos anos sessenta a CIGB passou também a enfatizar a segurança e a reabilitação de barragens. Desses comitês foram coordenadores (chairmen) F. Silveira e F. projeto. D. conscientização do público e na primeira década do Século XXI. Höeg. Desde o final dos anos 60 a CIGB dedica especial atenção aos temas socioambientais. Lyra e C. Lyra. Na foto os dois primeiros presidentes deste Comitê Flavio H. sendo seis brasileiros (F. Viotti e E. Entre os dois. Viotti). 126 vice presidentes.K. Maurer) e dez secretários gerais. construção e operação de barragens. F. sendo dois brasileiros (F. Miguez.F.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Desde a sua fundação a CIGB teve 22 presidentes. A participação brasileira se fez sentir desde os anos sessenta em participações em diversos comitês da CIGB. nos anos oitenta liderou a divulgação tecnológica aplicada a barragens de rejeitos de mineração. F.Reunião do Comitê de Meio Ambiente da CIGB em Madrid. 1973. A CIGB sempre teve como foco a promoção e divulgação da tecnologia de planejamento. Budweg. abriu discussão sobre mudanças climáticas globais e planejamento de recursos hídricos escassos. Lyra. Miguez. C. ex-presidente da CIGB Figura 5 . Lyra e Pierre Londe. J. Budweg. Fernandes. o autor 51 . Figura 4 . nos anos setenta passou a ser grande divulgadora de progressos na engenharia ambiental.

Margaret Rose Mendes Fernandes 52 .Foz do Iguaçu 2002 . no seu conjunto. XX e XXI Figura 6 . Flavio Miguez de Mello. agências governamentais e organizações não governamentais. fabricantes. universidades. congregam mais de 10.Ospina (ex vice-presidente) recebendo homenagem do presidente Varma A CIGB fechou o ano de 2010 com 92 comitês nacionais que.000 membros individuais dentre os mais destacados profissionais que presentemente atuam em empresas públicas e privadas.Séculos XIX.70° Reunião Anual CIGB . Maria Bartsch. instituições de pesquisa.Arthur Walz. construtoras. consultoras.Congresso de Brasília 23O CIGB 2009 – Mesa da Questão 90 .A História das Barragens no Brasil . Figura 7 .

Brasília 2009 53 .Homenagem ao professor Victor F.eleito CIGB) Figura 9 .Congresso de Brasília 23o CIGB 2009 – Da esquerda para direita Edilberto Maurer (pres. B. Luis Berga (pres. Comitê do Vietnam). de Mello no 23O CIGB. Pham Hong Giang (pres.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8 . Jia Jinsheng (pres.CBDB). CIGB).

uma placa entregue por sua filha Nicole Schauner (ao microfone) que a substituiu após 25 anos de serviço desde 1948. secretário geral J.Séculos XIX. Nicole assumiu a secretaria da CIGB em 1967 permanecendo até o presente (2011). Lecornu e a secretária Nicole Schauner Figura 12 .A História das Barragens no Brasil .Michel de Vivo secretário geral e Luis Berga presidente da CIGB Figura 10 .Congresso de Brasília 23O CIGB 2009 . XX e XXI Figura 11 .A secretária Margarite Chapelle recebendo homenagem em 1967.Presidente Varma. As duas foram responsáveis pelo eficiente suporte à CIGB ao longo dos últimos 63 anos 54 .

África do Sul .1991-1994 17.1982-1985 14.2006-2009 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 .Noruega . Marcello .P.1997-2000 19. L. C.V.1985-1988 15.1964-1967 8. T.T. Dagenais .A.1961-1964 7.F. Pircher .1973-1976 11.B. J.J. McCarthy .1970-1973 10.Índia . van Robbreck . C. P.1967-1670 9.Áustria .1976-1979 12.Noruega . C.Espanha .Suíça .Brasil . Gröner .França .Espanha . G.2000-2003 20.H. K.1994-1997 18.Presidentes de 1961 a 2009 6.EUA . Londe . F. C. Lyra .1979-1982 13. Veltrop . Guthrie Brown . Viotti . C.1988-1991 16. G.Itália .Canadá .A.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens CIGB . W.EUA . Varma . Berga .Brasil . Toran .2003-2006 21.Reino Unido . Lombardi .C. Höeg . J. J.

Fernandes.Séculos XIX. XX e XXI Flavio H. Os responsáveis pela consolidação e pelos primeiros anos de sucesso do CBDB 56 56 . Lyra e Delphim M.A História das Barragens no Brasil .

trouxe consigo o firme propósito de criar em nosso País uma entidade filiada à CIGB. tendo convidado a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos para integrar esse grupo. Saturnino de Brito. a Comissão Brasileira de Grandes Barragens teve suas atividades paralisadas. ao regressar do Segundo Congresso Internacional de Grandes Barragens realizado pela Comissão Internacional de Grandes Barragens CIGB em Washington. a Comissão Brasileira de Grandes Barragens veio a ser reativada. Figura 1 – Saturnino de Brito Filho e Theophilo Benedicto Ottoni Netto empreendimento de maior destaque no País. Entretanto. O engenheiro Chamenski. com o afastamento do engenheiro Luiz Vieira do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS. Foi indicado para presidente da Comissão o engenheiro Casemiro José Munarski que na época estava fazendo o projeto da barragem de Orós. Somente em 1957. então diretor geral do DNOCS. por iniciativa do engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa. O engenheiro Antônio Alves de Noronha. convocou um grupo para reorganizar a Comissão. o engenheiro Francisco Saturnino de Brito Filho. Na época a CIGB tinha apenas 26 comitês nacionais e havia intensa atividade de projeto e construção de barragens em todos os países mais evoluídos. não mais tendo contato com a CIGB e acumulando seguidos débitos financeiros não cobertos por mais de vinte anos referentes às contribuições anuais à CIGB. Por esse motivo havia dificuldades da 57 . que presidia a Associação Brasileira de Pontes e Grandes Estruturas. USA. conseguiu encontrar receptividade do engenheiro Luiz Vieira que conduziu a então instituída Comissão Brasileira de Grandes Barragens.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens História do Comitê Brasileiro de Barragens Flavio Miguez de Mello A pré-história Em 1936. maravilhado com as perspectivas dos benefícios para o Brasil que eram decorrentes da ampla divulgação de experiências de outros países. que presidia a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos. envidou esforços para conjugar essa associação com a Comissão. após poucos anos e ainda nos anos trinta. Nesse período de cinco anos a Comissão ficou vinculada ao Ministério de Viação e Obras Públicas.

três indicados pela ABMS. época em que a CIGB apresentava crescente participação de comitês nacionais que naquele ano já eram 48. dois vice-presidentes. primeiro presidente do CBDB de outubro de 1961 a início de 1962 . A CIGB retirou da pauta a nova exclusão da representação brasileira e o CBGB pode participar dessa reunião executiva e do VII Congresso Internacional. três indicados pela APGE e seis eleitos em assembléia pelos sócios individuais. Pelo estatuto o conselho era composto por 12 membros.Antônio Alves de Noronha. Nessa primeira assembléia foi eleita por aclamação uma diretoria presidida por Antônio Alves de Noronha que teve como secretário o engenheiro Lucio Washington. obrigações estas que novamente não vinham sendo cumpridas.Séculos XIX. A assembléia seguinte foi convocada para o dia 24 de janeiro de 1962. Nessa segunda assembléia foi eleita a diretoria presidida pelo engenheiro Flavio Henrique Lyra da Silva. Figura 2 – Casemiro José Munarski ao lado de João Alberto Bandeira de Mello manutenção das obrigações financeiras da Comissão com a CIGB. na última hora. Dessa forma. ambos realizados em Roma. tendo como diretor secretário Sydney Gomes dos Santos que foi substituído por Delphim Mazon Fernandes a partir de 25 de março de 1963.A História das Barragens no Brasil . um diretor secretário e dois diretores tesoureiros era eleita pelo conselho. composta pelo presidente. os recursos levantados junto a empresas privadas foram entregues à CIGB no dia anterior à abertura da reunião executiva de 1961. Os primeiros anos da história O grupo constituído pelas associações de Pontes e Grandes Estruturas e de Mecânica dos Solos elaborou os estatutos do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens CBGB e trabalhou para que fossem arrecadados recursos financeiros que cobrissem os débitos com a CIGB. A diretoria. 58 Figura 3 . XX e XXI O estatuto do CBGB foi aprovado em assembléia realizada no Clube de Engenharia no dia 25 de outubro de 1961. Constava da pauta da reunião executiva a nova exclusão da representação brasileira dos quadros da CIGB. sendo os membros da diretoria participantes do conselho.

59 . presidente e diretor secretário respectivamente. no Brasil. ligados ao projeto e à construção de barragens. Os temas foram: Métodos de investigação de fundações de barragens. Jupiá e Paulo Afonso. ambos no Ceará. Nos primeiros O grande impulso que estava ocorrendo no Brasil no campo da implantação de barragens no pós-guerra e principalmente nos anos cinqüenta. Disponibilidade. com parcos recursos humanos. Antes dessa fase. grandes açudes começaram a ser construídos como Orós e Banabuiú (Arrojado Lisboa). notadamente no Nordeste com a construção de açudes com dimensões sensivelmente superiores aos anteriormente construídos e com a necessidade de promover a instalação de grandes hidroelétricas. seminários o número de trabalhos era modesto mas. em 1956) e as hidroelétricas eram de pequeno e médio portes para os padrões atuais. Em cada sessão técnica sempre houve um relato do respectivo tema feito por um profissional de reconhecida experiência e destaque no âmbito nacional. Disponibilidade. tornou-se necessária a difusão de conhecimentos na área da engenharia de barragens e de tecnologias correlatas. Três Marias. permaneceram nesses cargos por quatro diretorias até 1976 quando o engenheiro Flavio Lyra. Os engenheiros Flavio Lyra e Delphim Fernandes. Dessa forma. se afastou da presidência do CBGB. constituindo uma importante contribuição para a divulgação de experiências profissionais. Os trabalhos apresentados nos seminários são o perfil do desenvolvimento da tecnologia aplicada a projeto e construção de barragens no País.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A necessidade de uma associação técnica ativa no campo das barragens era indispensável para a evolução da tecnologia nacional. a partir do Sexto Seminário em 1970. por ter sido eleito presidente da CIGB. Figura 4 – Antônio José da Costa Nunes. Nos primeiros cinco seminários os temas eram limitados a apenas três. o estágio inicial da tecnologia no País. vice-presidente do CBGB em vários mandatos promovendo seminários nacionais de grandes barragens e apoiando atividades de comissões técnicas. as barragens eram de dimensões mais modestas (a primeira barragem com altura superior a 50 m foi Boqueirão das Cabaceiras. Interessante notar pelo temário do primeiro seminário realizado em julho de 1962. Foi nessa época que. A sede do CBGB passou a ser parte de uma sala da diretoria técnica de Furnas. o número de trabalhos passou a ser expressivo. no Brasil de organizações e de equipamentos para construção de grandes barragens. O CBGB passou a ter importante suporte de Furnas já que o presidente do CBGB era diretor técnico de Furnas e seu diretor secretário no CBGB era seu principal assistente na diretoria técnica de Furnas. os seminários passaram a ter quatro temas. e hidroelétricas de grandes projeções a nível internacional estavam começando a ser projetadas e construídas como Furnas. Os eventos nacionais Desde 1962 o CBGB passou a atuar nos moldes da CIGB. na Paraíba. uma atuação efetiva junto à CIGB foi encarada como uma necessidade premente. A partir do VI Seminário realizado no Rio de Janeiro em novembro de 1970 e até a presente data. O País estava entrando em uma era de realizações de grande vulto. de laboratórios para ensaios e experiências.

Essa dedicação passou a ser manifestada em diversos seminários posteriores assim como temas relativos à tecnologia de estudos. concepção. desde o XIV Seminário realizado em Olinda os usos múltiplos de reservatórios passaram a ser realçados. Seabra J á n o S eg u n d o S e m i n á r i o . Após os nove primeiros seminários realizados no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. Amarante. Delphim M. A auscultação de barragens apareceu a partir do IV Seminário realizado no Rio de Janeiro em outubro de 1985. P. a diretoria do CBGB passou a realizar seminá- 60 . A partir de 1980.A História das Barragens no Brasil . realizado em São Paulo em novembro de 1972. barragens de rejeitos passaram a freqüentar os temários. Temas sobre meio ambiente passaram a ser freqüentes já a partir do VIII Seminário. Licinio M. Considerando a importância da maximização de benefícios propiciados pelas barragens. Análises de risco começaram a ser discutidas desde 1987 no XVII Seminário Nacional realizado em Brasília. Carlos A. cálculo e construção de barragens e operação de reservatórios. r e a l i z a d o em S ã o P a ul o em junho de 1963 aparece a dedicação do CBGB à segurança de barragens com o tema Acidentes em barragens. Os esforços do CBDB pelo estabelecimento de uma legislação sobre a segurança de barragens e das interfaces com órgãos concedentes e de licenciamento ambiental passaram a ser debatidos nos seminários mais recentes já no Século XXI.Séculos XIX. Como reflexo das alterações no modelo do setor elétrico. no XIII Seminário realizado no Rio de Janeiro. Lyra. Fernandes. a partir de 1997 passaram a serem discutidos temas institucionais e o retorno com maior intensidade de investimentos privados na implantação e operação de barragens hidroelétricas. XX e XXI Figura 5 – Mesa de abertura do XIII SNGB – Rio de Janeiro 1980 – Flavio H.

Na ocasião os participantes tiveram a Figura 6 . 3 em São Paulo. Com esse mesmo objetivo. Diversion of Large Brazilian Rivers (2009). seguida de um congresso internacional. o que se tornou prática em reuniões posteriores. Em 1982 o CBGB foi novamente anfitrião de uma reunião executiva no Rio de Janeiro. Também foram publicadas diversas traduções dos boletins técnicos do CIGB. um em Foz do Iguaçu. dois em Belo Horizonte.Rio de Janeiro 1966 Flavio Lyra e J. com grande sucesso. Mais uma vez os participantes ficaram vivamente impressionados com o vulto das obras que foram incluídas nas diversas viagens de estudo. Main Brazilian Dams II (2000). Desvios de Grandes Rios Brasileiros (2009).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens rios em diversos outros centros. Nessa ocasião. Main Brazilian Dams (1982). um em Brasília. o CBGB teve seu batismo em 1966 na reunião executiva da CIGB realizada no Rio de Janeiro com extremo sucesso. Dicionário de Barragens (2010). as duas edições de Highlights of Brazilian Dam Engineering (2000 e 2006). Considerando as crescentes atividades de implantação de pequenas centrais hidroelétricas. pela primeira vez foi realizado um simpósio em reunião executiva da CIGB. Quanto a eventos internacionais. Dams in Brazil (1982). o CBGB passou a organizar simpósios sobre pequenas e médias centrais hidroelétricas a partir de 1998. um em Aracajú. O Simpósio foi sobre arranjos de barragens em vales estreitos. Guthrie Brown 61 . Dams in the Northeast of Brazil (1982).34a Reunião Executiva . o CBGB editou importantes livros sobre barragens brasileiras: Topmost Dams of Brazil (1978). Main Brazilian Dams III (2009). um em Olinda. dois em Fortaleza. Large Brazilian Spillways (2002). o CBGB tem colaborado efetivamente com a CIGB pela participação em diversos comitês técnicos desde os anos sessenta. Os eventos internacionais Consolidando sua projeção internacional. dois em Curitiba. um em Salvador e um em Belém. oportunidade de visitar obras de grande vulto que estavam em construção no País. Dessa forma foram realizados 10 seminários no Rio de Janeiro.

Carlos Alberto de Padua Amarante. Fernandes.14o Congresso Internacional CIGB – Rio de Janeiro 1982 – coronel Mauro Moreira. tendo também realizado o International Symposium on Dams and Reservoirs for Multiple Purposes.A História das Barragens no Brasil . Delphim M. XX e XXI Figura 7 – Simpósio Internacional sobre Arranjos de Barragens em Vales Estreitos – Rio de Janeiro 1982 – Marcos Schwab e Leo Penna Em 2002 novamente o CBDB promoveu uma reunião anual da CIGB. John Cotrim e Pierre Londe 62 . João Alberto Bandeira de Mello. Figura 8 . Em 2009 novamente o Brasil foi sede de reunião anual e do congresso internacional da CIGB. general Costa Cavalcanti.Séculos XIX. desta vez em Foz do Iguaçu com o International Symposium on Reservoir Management in Tropical and Sub-Tropical Regions.

A partir dos anos noventa. 63 . no final dos anos sessenta.Ceará Núcleo Regional .Rio De Janeiro Núcleo Regional . uma chapa montada pela Eletrobras colocou no conselho todos os membros menos o Flavio Lyra.Paraná Núcleo Regional .Rio Grande Do Sul Núcleo Regional . Na primeira eleição de conselho realizada em Fortaleza em 1976.Santa Catarina Núcleo Regional .São Paulo Os núcleos têm mantido importantes atividades em suas regiões. destacando-se palestras e simpósios de elevado interesse. Em 1999 o nome do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens CBGB foi alterado para Comitê Brasileiro de Barragens CBDB de forma a abranger também as barragens de menor porte inclusive aquelas da grande maioria das pequenas centrais hidroelétricas. Presentemente são os seguintes núcleos regionais: Núcleo Regional . em 1976 o Comitê lançou a campanha de angariação de sócios coletivos e mantenedores que. passando os sócios coletivos e mantenedores serem restritos a elegerem seis membros do conselho. com o objetivo de dinamizar a atuação do CBDB em todas as regiões.70a Reunião Anual CIGB – Foz do Iguaçu 2002 – Cassio Viotti (presidente CBDB) A evolução institucional do Comitê Semelhantemente à CIGB que se separou da Conferência Mundial da Energia. pelo estatuto da época tinham tantos votos em assembléias quanto as cotas subscritas. Objetivando uma ampliação de suas atividades que demandariam maiores recursos financeiros.Bahia Núcleo Regional .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 9 .Pernambuco Núcleo Regional .Minas Gerais Núcleo Regional . foram criados os núcleos regionais.Goiais/Distrito Federal Núcleo Regional . Pouco depois houve nova alteração dos estatutos. o Comitê deixou de ter os conselheiros indicados pela ABMS e pela ABPGE.

Homenagem ao dr.Sessão de abertura do XXVI Seminário Nacional de Grandes Barragens Goiânia 2005. Dilma Roussef ministra de Minas e Energia. Marconi Perillo governador de Goiás.Como sempre realizado em eventos do CBDB. XX e XXI Figura 10 .A História das Barragens no Brasil . Edilberto Maurer presidente do CBDB Em 1999 o nome do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens CBGB foi alterado para Comitê Brasileiro de Barragens CBDB de forma a abranger também as barragens de menor porte inclusive aquelas da grande maioria das pequenas centrais hidroelétricas. havendo a possibilidade de serem nomeados até dois diretores adjuntos com funções específicas. Da esquerda para direita: José Pedro Rodrigues de Oliveira presidente de Furnas. Figura 12 . 18 sócios coletivos e 35 sócios mantenedores. Os membros da diretoria saem desses conselheiros eleitos. Lyra – Rio de Janeiro 2004 – Maria Lyra e Heloi José Fernandes Moreira (diretor da Escola Politécnica da UFRJ. ao renovar seu conselho. Presentemente (março de 2011) o CBDB conta com um quadro social composto por 1088 sócios individuais. onde Flávio H.Séculos XIX. A cada período de três anos. o CBDB. tem seis de seus conselheiros eleitos pelos sócios mantenedores e coletivos e doze eleitos pelos sócios individuais. visita técnica a obras ( barragem de Itaipu) 64 . Os ex-presidentes são membros do conselho. Lyra se formou em engenharia) Figura 11 . Flavio H.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 13 .Homenagem ao dr. Lyra – Rio de Janeiro 2004 – Erton Carvalho (diretor CBDB). Cassio Viotti (presidente da CIGB) e Delphim Fernandes (ex-presidente do CBGB) Figura 14 . simpósios e congressos Figura 15 . Nos eventos nacionais e internacionais o CBDB promove sempre exposições técnicas de elevado interesse 65 .Dirigentes e ex-dirigentes do CBDB em exposição técnica. Flavio H.Conselheiros do CBDB com familiares em um dos eventos sociais que são sempre realizados em seminários.

no Ceará. Vista da barragem. a barragem é. Primeira obra de barragem para combate às secas no País. a mais antiga grande barragem construida no Brasil .66 Açude de Cedros. juntamente com Lajes. Em operação desde 1906. no estado do Rio de Janeiro. do seu dique e de seu sangradouro.

2% do território nacional. A tentativa de debandada da população interiorana redundou na morte pelos caminhos e na proliferação de doenças como o tifo. posteriormente. no Ceará. Em 1856 o Governo Imperial instalou a Comissão Científica de Exploração para coordenar os estudos e analisar as soluções para o problema das secas. Em números redondos. As secas deixaram marcas que não se apagam por mais que os anos passem. quando a mais intensa e prolongada seca atingiu o semi-árido. Seguiramse quatorze secas no Século XVIII.754. Ceará.000 km² e o úmido com os restantes 200. antes de tudo. não havia meios de transporte eficientes para a retirada das popula- 67 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Um Século de Obras contra as Secas “O sertanejo é. o navio francês Splendide desembarcou no porto de Fortaleza 14 camelos que vieram para procriarem e apoiar as populações no transporte pela caatinga do semi-árido. a instalação de estações meteorológicas e a transposição das águas do rio São Francisco para a bacia do rio Jaguaribe.000 km². áreas do norte do estado de Minas Gerais e leste do estado de Tocantins são assemelhadas ao Nordeste. o Nordeste pode ser dividido em três partes: O semi-árido com cerca de 800. Na seca de 1915 pereceram 27 mil cearenses e 75 mil emigraram para a Amazônia. As melhorias nos sistemas de transporte foram discretas em função inicialmente da precária situação financeira ocasionada pela Guerra da Tríplice Aliança e. O primeiro posto no interior já sob influência da Comissão foi o de Quixeramobim. por encomenda do Governo Imperial. Entretanto. A primeira seca historicamente constatada foi em Pernambuco em 1583. O semi-árido é compreendido pelo Polígono das Secas que tem 936. Uma curiosa tentativa de minorar o sofrimento dos sertanejos com as secas ocorreu em julho de 1859 quando. estão sendo iniciadas. mesmo assim sob forte oposição ambiental.933 km² e onde chove em média menos do que 800 mm/ano. Rio Grande do Norte.000 pessoas que residiam na área atingida pela tragédia.672 km² que corresponde a 18. no início do Século XXI. Sergipe e Bahia. Dessa forma. em 1877. As secas são registradas desde o descobrimento.000 km². Paraíba. instalado em 1896. foram iniciadas apenas as obras da barragem de Cedro em 1884 que só foram concluídas em 1906. doze no Século XIX e dezoito no Século XX. Uma das secas remotas foi responsável pela expulsão dos holandeses que tentaram se estabelecer no Ceará. A Grande Seca que ocorreu de 1877 a 1879 ceifou a vida de mais da metade das 1. Em função de características climáticas.548. Esses postos em áreas litorâneas não eram referências para a região do semiárido. Antes dessa Comissão havia apenas um posto pluviométrico em Recife operando desde 1842 e outro em Fortaleza desde 1849. a construção de açudes. o semi-úmido com cerca de 600. o paratifo e a varíola. pelo governo republicano. mais de cem anos depois. Esse foi de longe a maior catástrofe gerada por fenômenos naturais que ocorreu no País. um forte” Engenheiro Euclides da Cunha Flavio Miguez de Mello O Nordeste é uma região com 1. essa tentativa fracassou pela falta de adaptação dos camelos ao solo duro e pedregulhoso. Alagoas. As obras de transposição das águas do rio São Francisco só agora. A Comissão recomendou que fossem efetuadas a melhoria do sistema de transportes. Pernambuco. Piauí. Quanto à construção de açudes. incluindo a totalidade dos estados do Maranhão.

embrião do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS. Rebouças reconhecia a necessidade de ações imediatas. só em época de calamidades é que obras e organismos governamentais são efetivados. o aparecimento da “Formula de Aguiar” que serviu de base aos estudos posteriores de hidrologia e dimensionamento de açudes por muitas décadas ao longo do Século XX. não mais conseguiu se retirar para o litoral. no governo de Epitácio Pessoa. em 21 de outubro de 1909. convocou renomados profissionais do Sudeste e do exterior para o desenvolvimento de estudos bastante completos. O engenheiro Zózimo Barroso propôs a construção de uma rede de grandes açudes. Os precários resultados observados levaram. em desenvolvimento tecnológico. construção de barragens e canais. enfatizou também a necessidade de construção de abrigos e de alimentação para os flagelados. Importante consignar que em sessões sob o comando do Conde D’Eu no Instituto Politécnico situado na Corte. O professor André Rebouças havia escrito em 1877 o trabalho “As Secas nas Províncias do Norte”. ambos no Ceará. XX e XXI ções interioranas. A população do interior. a Co- missão de Perfuração de Poços. O primeiro inspetor chefe da IOCS foi o dinâmico engenheiro Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa que. O engenheiro e escritor Manuel Buarque de Macedo preconizou que o tesouro imperial não dispunha de recursos para implantar tantos projetos. a botânica. Essas comissões foram aglutinadas em 1906 na Superintendência de Obras Contra os Efeitos das Secas. incluindo poços artesianos. principalmente naquela época de início de mais uma seca. Como de costume. pela idealização de Francisco Sá. O professor André Rebouças destacou também a importância da instalação de rede telegráfica e melhorias nos portos da província do Ceará para possibilitar a implantação de vias férreas. a sociologia. Processando dados hidrológicos principalmente das bacias hidrográficas dos rios Quixeramobim e Jaguaribe. implantação de ferrovias e até dessalinização de água do mar. devida à carência de recursos humanos na época. foram criadas três comissões: a Comissão de Açudes e Irrigação. Os debates retroagiram à proposta de Gabaglia de 1861 que compreendia a perfuração de poços artesianos e a implantação de barragens. eleito em 1926. e a Comissão de Estudos e Obras Contra as Secas. A IFOCS manteve a construção de açudes. A Grande Seca (1877-1879) de devastadoras conseqüências impactou o Governo Imperial. seu sucessor. a antropologia e a economia. a geologia. 68 . depois de meses de seca. da Inspetoria de Obras Contra as Secas IOCS. o engenheiro Gonçalves Aguiar elaborou notável análise hidrológica de caráter determinístico publicada em trabalho intitulado Estudo Hidrométrico do Nordeste Brasileiro. foi debatido amplamente o problema das secas no Nordeste. O geólogo Silva Coutinho também defendeu a construção de grandes barragens. Durante dez anos a IOCS se dedicou a obras de infra-estrutura e promovia apoio aos flagelados assolados pelas secas. O Século XX foi iniciado com outra seca no Nordeste. integradas e definitivas. Pires do Rio e Arrojado Lisboa. a partir de 1904. Registra-se que durante os oito anos desses dois mandatos.Séculos XIX. defendendo a implantação de açudes menores e estradas distritais. Washington Luiz. houve a suspensão de todas as obras e a IFOCS quase desaparece.A História das Barragens no Brasil . Nesse período de carência de recursos sobressai-se. tendo o próprio imperador Pedro II estado no local assolado pela seca. tendo implantado mais de vinte açudes públicos com destaque para Forquilha e Quixeramobim. ocasionando mortes em larga escala. a soma dos recursos destinados à IFOCS representou apenas 20% dos recursos despendidos nos dois últimos anos do governo de Epitácio Pessoa que os antecedeu. o primeiro açude não estava concluído e não havia registros pluviométricos no semi-árido. a pedologia. Em 1919. complementando alguns dos açudes com piscicultura incipiente e mesmo irrigação que já havia sido iniciada no açude de Cedro. O senador Pompeu e o engenheiro Henrique de Beaurepaire Rohan salientaram a importância do reflorestamento extensivo da região. esse órgão passou a se denominar Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas IFOCS. Com a eleição de Artur Bernardes à presidência da República em 1922. Assim. Cabe aqui realçar algumas posições decorrentes desses debates. defendia a construção de obras estruturais. à criação pelo governo de Nilo Peçanha. residências cujos telhados captassem águas de chuva direcionadas para cisternas. abrangendo a hidrologia. dá prosseguimento ao processo de inanição da IFOCS.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 1 . Face de montante com lajes de concreto 69 .Barragem Lima Campos em construção em 1932 Figura 2 Barragem do Choró em construção em 1933.

Juscelino Kubitschek e do ministro Lúcio Meira da viação e obras públicas Figura 4 . XX e XXI Figura 3 .Séculos XIX.Inauguração do Açude Público Boqueirão em 1957 com a presença do pres.A História das Barragens no Brasil .Açude Choró – Vista do talude de montante ao final da construção em 1934 70 .

o orçamento do DNOCS. Patu e Crato. Ipu. A barragem foi concluída em 1986. Os ingleses se retiraram com a paralisação das obras ordenada pelo governo de Artur Bernardes. Adriano Bezerra relata o ocorrido em 1932 no campo de concentração em Senador Pompeu onde os corpos das vítimas da sede e da fome eram jogados em valas coletivas após a extração dos fígados que eram destinados a exames médicos. um cemitério de quinze mil mortos-vivos. No livro “Barragem do Patu. a partir do ano seguinte sob o governo Dutra se mantém com recursos exíguos e praticamente limitados às obras de construção de açudes. os flagelados se espremiam como uma massa esquálida e faminta. foi duplicado em relação ao orçamento deixado pelo seu antecessor. não se promoveu a monetarização do mercado interiorano que funcionava à base de escambo. uma usina termoelétrica. escritório. se transformou em um campo de concentração. Era comum passarem em redes mais de trinta mortos por dia cujos corpos eram jogados em valas comuns. tendo sido substituído pelo engenheiro Augusto da Silva Vieira. depósito de explosivos e casas para seus executivos. Robinson implantou um canteiro de obra. Entretanto. os Descaminhos de uma Obra”. quando apenas 36 famílias são presentemente beneficiadas com a irrigação. não houve financiamento para a mecanização para a lavoura e a pecuária. foi formado o campo de concentração do Urubu. Hoje há esforços para que seja tombado o conjunto de edificações na barragem de Patu. no Ceará. Dessa maneira 71 . segundo Francisco Luís de Araújo. Os flagelados que reclamavam das condições a que eram sujeitos. Há relatos de mortes por febre tifóide de mil pessoas em uma só noite no campo do Urubu. para evitar que os flagelados inchassem as cidades. Nesse período de penúrias o Departamento foi dirigido por Luiz Vieira e Vinícius Berrêdo. sangue de boi e carne da cabeça de gado como comida. a irrigação se devidamente implantada poderia beneficiar três mil famílias. Propositalmente ignorados pela historiografia oficial. Em 1932 Lima Campos faleceu em acidente aéreo. ainda que insuficiente. morriam de desnutrição e de doenças diversas nos “currais de fome”. o que comprova a prática nos primeiros anos da República. por sua vez nomeia o engenheiro Artur Fragoso de Lima Campos inspetor geral da IFOCS.8 milhões de metros cúbicos de capacidade daria para atender 60% da atual população de Senador Pompeu mas. não se promoveu acesso a crédito. Os campos foram criados pela IFOCS em Fortaleza. Naquela época Fortaleza era conhecida por “loura despojada pelo sol” e como ninguém gostaria de visitar a cidade inundada por flagelados. residente da Empresa de Assistência Agropecuária do Ceará. com 71. Cariús. onde a empresa inglesa Dwight P. Em 1932 ocorreu uma seca severa e o canteiro de obra da barragem de Patu que havia sido paralisada em 1923. não foram criadas estruturas de estocagem. Seu reservatório.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Com o golpe de estado de 1930. uma pequena gaiola de varas. sendo violentamente penalizados e recolhidos ao sebo. assume a presidência Getúlio Vargas que nomeia José Américo de Almeida para o Ministério de Viação e Obras Públicas que. desta vez eleito. Uma epidemia de piolho levou o governo a ordenar que as cabeças fossem raspadas. portanto. Com o retorno de Getúlio Vargas à presidência. não houve meios suficientes para a expansão de observações e estudos hidrológicos. Em dezembro de 1945 o presidente José Linhares e seu ministro Maurício Joppert da Silva transformam a Inspetoria no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS que. sem dar seguimento a obras de irrigação e de piscicultura. Quixeramobim. A seca de 1932 marcou profundamente os que sobreviveram aos campos de concentração. eram classificados como infratores. o primeiro campo de concentração que se tem notícia foi o campo de Urubu que foi instalado na seca de 1915. Raquel de Queiroz usou a expressão campo de concentração em seu romance “O Quinze” escrito em 1930. Os detentos nos campos de concentração eram reduzidos a pele e osso como os filmados pelas tropas americanas ao chegarem aos campos de concentração nazistas na II Guerra Mundial. antes da seca de 1932. não aconteceu a difusão de insumos. os campos de concentração ainda estão vivos na memória dos poucos sobreviventes. Quixadá. Os guardas só davam um farelo amarelo. 65 anos após o início de suas obras. O maior campo de concentração era o de Crato que chegou a ter 65 mil flagelados. não havendo recursos para formação de mão de obra. Cercados por muros e por arames farpados.

teve o seu colapso anunciado com meses de antecedência pelos dirigentes do DNOCS dada a incapacidade financeira e de crédito para concluir a barragem antes do período de chuvas.Séculos XIX. depois incorporada à CHESF. Juscelino Kubitschek. XX e XXI foram retomadas ou iniciadas as obras de diversas barragens tais como Orós. Banabuiu. A mais notável delas.A História das Barragens no Brasil . Boqueirão das Cabaceiras e Cocorobó. drenou de todos os lados recursos necessários para a implantação da nova capital. Ao assumir o governo federal.Barragem Quixeramobim 72 . O DNOCS não ficou isento a essa insaciável drenagem de recursos e algumas de suas obras ficaram sem recursos e sem crédito. Figura 5 . posteriormente transferida para a COEBE e. Orós. obcecado pela sua meta síntese de construção de Brasília. Araras. Nesse período tiveram início os estudos da hidroelétrica de Boa Esperança.

a inocência do referido consultor que havia desaconselhado a execução do tapete. com a capacidade de 2. além de praticar uma injustificada caça às bruxas com relação aos dirigentes do período anterior.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens rompeu em 1961 a concessão de subsídios à construção de açudes particulares por regime de cooperação e desacelerou a implantação de açudes públicos. engenheiro de carreira no U. brecada até que as secas intensas ocorridas no início dos anos oitenta demonstraram o equívoco dessa postura. antes do enchimento do reservatório. ocorreu a severa seca entre os anos de 1980 a 1983. Holtz.Açude Banabuiu A SUDENE concorreu com eficiência para a divulgação leviana da idéia de que a capacidade dos açudes então existentes seria suficiente para atender à demanda de água do semi-árido para qualquer seca que viesse a acontecer. Para esse programa foi sorrateiramente e oficiosamente quebrada a proteção à engenharia brasileira conseguida por lei no governo Costa e Silva.S. uma argila de baixa resistência foi colocada anexa ao núcleo da barragem se prolongando para montante em forma de tapete impermeabilizante. No governo de João Goulart o DNOCS passa à categoria de autarquia em junho de 1963 e passa a trabalhar sob a coordenação da SUDENE em ocasiões de emergência. Nos governos seguintes a maior atribuição do DNOCS foi a de implantar perímetros irrigados. Bureau of Reclamation. houve o colapso do talude de montante da barragem por falta de resistência da camada de solo do tapete impermeabilizante. então.Açude Mãe d’Água Figura 7 . Com a chegada de José Sarney à presidência da República é lançado o programa de irrigação de um milhão de hectares. A mais importante obra desse período foi a construção da barragem de Açu no Rio Grande do Norte. inter- 73 . o DNOCS passa a ser gerido por sucessivos coronéis do Exército pouco versados nos problemas do semi-árido. Em 1999 assumiu o governo o general João Batista Figueiredo e. em seguida. A política de implantação de açudes foi.4 bilhões de metros cúbicos de acumulação. Ao final da construção. As autoridades tentaram culpar o consultor. em paralelo ao segundo choque do petróleo. O governo Jânio Quadros. mas o engenheiro José Candido Castro Parente Pessoa logrou provar na delegacia perante a um juiz de direito. Durante a construção. apesar das advertências da empresa encarregada da fiscalização e de seu consultor Mr. Diversas empresas consultoras estrangeiras desembarcaram no País para surpresa da Associação Brasileira de Consultores Figura 6 . Após a deposição do governo Goulart. A modalidade tradicionalmente adotada de executar os empreendimentos por administração direta foi abolida e o efetivo do Departamento passou a entrar em ociosidade.

mas sujeito a profundas modernizações. que tiveram que ser demitidos. o órgão chegou a ter dezessete mil funcionários e fazia as obras por administração direta. a era FHC deixou duas grandes marcas na Autarquia: a sua traumática dissolução com seu posterior ressurgimento e a construção da maior barragem do semi-árido brasileiro que incluiu a utilização rara em nosso País. laboratórios e obras. Holtz e Hoffmann. Nos dois governos Lula houve reestruturação do DNOCS. o que é vedado pela legislação em vigor. Ao ser lançado o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento com uma verba de um bilhão de reais em 2010. bastou que as precipitações em 2009 fossem 59% superiores à média anual para que houvesse o colapso de 50 açudes só em Canindé. Da falta de condições do DNOCS e dos perversos cenários das secas surgiram construções de açudes particulares e por outros órgãos federais e estaduais. Depois de passar trinta anos sem renovar seus quadros. o DNOCS é finalmente extinto por medida provisória. No primeiro dia do segundo governo Fernando Henrique Cardoso. pois há mais de 40 anos não eram feitas manutenções nessas barragens. 14 barragens colapsaram. mas não houve obras de barragens. Esse açude e o longo canal de adução das águas à cidade de Fortaleza executado em tempo recorde de acordo com o planejamento do engenheiro José Cândido Pessoa. acabando longa agonia. ficando o órgão nos limites da sobrevivência. O diretor geral Elias Fernandes lamenta: “todos os meus funcionários têm cabeça branca”. Implantados em condições questionáveis. A SUDENE que havia sido extinta por medida provisória em maio de 2001. Nesta época o autor desse capítulo era o diretor da ABCE encarregado da proteção à engenharia nacional. mas não foram implantadas no curto governo Itamar Franco nem no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. inclusive o autor. Foi instalada uma comissão parlamentar mista tendo resultado daí o relatório de Beni Veras que recomendava a manutenção do DNOCS. Em Targinos. 1 de janeiro de 1999. A diretoria do DNOCS alertou em 2008 que eram urgentes as obras de recuperação dos açudes Estevam Marinho e Mãe D’Água sob o risco de se tornarem inoperantes e causarem danos irreparáveis a bens e a vidas humanas. Assim. mas o Ministério do Planejamento limitou a 92.Séculos XIX. tais como Jack Hilf. os recursos humanos da instituição não puderam acompanhar a disponibilidade financeira pela sua carência de estrutura e de pessoal. com equipe própria. O USBR foi a primeira instituição americana dedicada ao estudo e desenvolvimento de recursos hídricos. Engenheiros do DNOCS e de outras instituições brasileiras. A única obra importante foi conseguida pela bancada cearense no congresso: o açude Castanhão inaugurado ao apagar das luzes do segundo governo de Fernando Henrique. no sertão central do Ceará. A viabilidade da existência do DNOCS passou a ser agenda do governo Fernando Collor de Mello que se instaurou em 1991. Hoje os funcionários da ativa não passam de mil e oitocentos. Entretanto. Dois anos depois as obras foram feitas com dispensa de licitação. fortaleceu politicamente o então governador Ciro Gomes e o lançou na política Federal. muitas delas do INCRA. Sua missão é o desenvolvimento de projetos de barragens de regularização e irrigação do árido oeste dos Estados Unidos. havendo mais de doze mil aposentados e pensionistas. apesar de neste governo ter ocorrida significativa redução de diretores e cargos gratificados. entre 1940 a 1960. mas sem dotações orçamentárias suficientes. Ao longo do Século XX o USBR implantou centenas de barragens e mais de duzentos projetos de irrigação no oeste americano. e do peso do Nordeste no parlamento. Seu criador em 1898. 74 . foram treinar nos seus escritórios. estiveram dando assistência técnica às obras de barragem do DNOCS. W. de diques fusíveis. XX e XXI de Engenharia.A História das Barragens no Brasil . Alguns dos mais destacados profissionais do USBR. Ceará. devido a impressionante mobilização de diversos setores da sociedade civil do Nordeste. a DNOCS pediu abertura de concurso para seiscentas vagas. pois vinham prestando serviços para a atividade fim do órgão. Cabe realçar a influência do United States Bureau of Reclamation USBR no combate às secas do Nordeste brasileiro. Na sua época mais ativa. Essa medida não substituiu devidamente os terceirizados. John Wesley Powell deu origem a uma das mais destacadas instituições de engenharia já formada. o DNOCS foi ressuscitado em maio de 1999. foi novamente criada em janeiro de 2007 com o objetivo de reassumir o planejamento regional. As modernizações foram estudadas.

o que significa cerca de 20% das grandes barragens brasileiras. Quando da primeira fase de construção que eram para ser uma barragem de alvenaria. sendo responsável pela implantação de mais de 220 grandes barragens (de acordo com a classificação da CIGB). viria projetar o vertedouro da barragem. Exemplo de colaboração do US Bureau of Reclamation para o DNOCS 75 . Ao analisar as atividades realizadas no combate às secas verifica-se que a descontinuidade na administração das agências de fomento e a alternância dos recursos disponibilizados fazem com que obras iniciadas há várias décadas são descontinuadas ou retardadas. Figura 8 . fenômeno conhecido desde os tempos coloniais como El Niño. teve suas obras interrompidas. A barragem de Orós cuja proposição é dessa época. A barragem de Castanhão teve sua construção proposta em 1910 e só foi executada quase 100 anos depois. nas fases em que o governo federal propiciou condições financeiras adequadas. Barragens iniciadas ou projetadas no governo de Epitácio Pessoa como Pedra Branca e Patu foram concluídas muitas décadas depois. A partir dessa época as secas passaram a ser previsíveis.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As causas das secas no Nordeste ficaram desconhecidas até a primeira metade dos anos 80 quando foi detectada a influência da permanência de temperaturas mais elevadas da água no oceano Pacífico na latitude do Peru.Jack Hilf e José Candido Pessoa. Um El Niño mais prolongado causa no território brasileiro secas no Norte e Nordeste e cheias no Sul. nasceu no canteiro de obra o Theophilo Benedicto Ottoni Netto que. como engenheiro sênior. Entretanto. a IFOCS e seu sucessor DNOCS mostrou intensa atividade.

76 76 .

em Boqueirão das Cabaceiras. se fazia as obras no leito do rio e nas margens. a barragem de Engenheiro Ávidos pelo seu arrojado projeto original. Como são muitas barragens. Considerando que apenas os rios São Francisco. atividades que foram originadas das drásticas conseqüências da Grande Seca que ocorreu de 1877 a 1889. Já em 1882 o primeiro projeto estava pronto. entretanto. então o sertão virará praia e a praia virará sertão. feita em duas etapas: no primeiro ano se procedia a limpeza e o tratamento de fundação e. 214 grandes barragens (de acordo com a classificação da Comissão Internacional de Grandes Barragens) foram implantadas até 1982. Nos primeiros anos do século passado as barragens eram de alvenaria de pedra. em função do maior ou menor interesse do governo federal. Esse projeto. No caso de haver ombreira em rocha sã. em 1880. dispensando-se revestimentos. o Governo Imperial encomendou ao engenheiro Jules Revy uma seleção de locais para implantação de barragens com o objetivo da formação de açudes. sendo que só nos anos 50. após o recuo das águas. da Comissão de Açudes e Irrigação.” Antônio Conselheiro a construção de barragens era. em geral.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Barragens Construídas pelo DNOCS “Em 1896 há de haver mil rebanhos correndo da praia para o sertão. ou maciços baixos de terra cujo elemento impermeabilizante era um diafragma central de alvenaria. Essa cifra mostra intensas fases de elevada atividade e outras fases de estagnação. chamadas na época de barragens de peso. Com o objetivo de promover condições de fixação dos nordestinos cultivando o semi-árido. Sangradouro de Castanhão 77 . Até meados do século passado as barragens eram de alturas modestas. que flui desde Minas Gerais e o rio Parnaíba que divide os estados do Piauí do Ceará são perenes. Nos cento e vinte anos de atividades no combate aos malefícios das secas. muitas barragens com características extremamente interessantes foram construídas. Dentre os locais selecionados sobressaiu-se o sítio onde foi implantado o açude de Cedro. no segundo ano. para o presente livro o autor selecionou as barragens do açude de Cedro por terem sido as primeiras grandes barragens do Nordeste e as mais bonitas até hoje. os demais cursos d’água do Nordeste são de regime intermitente. a barragem de Orós por ter tido impressionante acidente durante sua construção. foi implantada a primeira barragem de altura superior a 50 m. As obras foram iniciadas em novembro de 1890 e foram concluídas em 1906. foi modificado pelo engenheiro Ulrico Mursa. a barragem de Cocorobó pelos motivos que determinaram a sua implantação e a barragem do Castanhão por ser a última grande barragem construída pelo DNOCS antes da publicação deste livro. o sangradouro podia ser simplesmente escavado numa das ombreiras. As barragens do açude de Cedro Logo após o término da Grande Seca. Flavio Miguez de Mello O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e as inspetorias que o antecederam foram os órgãos que mais barragens implantaram no Brasil.

seu volume é de 60. sua altura é de 18 m sobre as funda- ções em sienito são. XX e XXI sob a direção do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro. comprimento de crista de 243 m e volume de 40.724 m³ e Barragem da Lagoa do Forbes com 4 m de altura.Séculos XIX. O açude se localiza no rio Sitiá do sistema Jaguaribe.5 m de altura e com lâmina livre pela crista. Figura 1 – Açude de Cedro 78 . pela falta de dados hidrológicos na época do projeto.A História das Barragens no Brasil . de longo raio de curvatura de 254 m. o açude ficou super-dimensionado. seu eixo curvo e os pequenos pilares com as grossas correntes aliados à Pedra da Galinha Choca na margem direita da barragem e à esquerda do vertedouro formam um conjunto arquitetônico de rara beleza. A barragem principal é em arco gravidade de alvenaria.925 m³. Há ainda dois diques de terra. um em cada margem do rio. O açude só foi verter (sangrar) pela primeira vez em 1924 o que demonstra que. com 7. A alvenaria de pedra em sua crista. sua extensão de crista é de 415 m. denominados Barragem Sul com altura de 17 m. uma capacidade de acumulação de 126.45 km². com uma superfície de 17. O vertedouro (sangradouro) é também em alvenaria. de gravidade. seu comprimento é de 209 m e seu volume é de 9.000 m³ e uma profundidade média pouco superior a 7 m.000.000 m³. controlando uma área de drenagem de 224 km². 464 m de extensão e 8.473 m³ de volume. após paralisações.

no seu pico. Foi efetuado um novo estudo hidrológico para verificação da hidrógrafa de projeto. apresen- 79 . antiga São José de Piranhas A barragem é localizada no rio Piranhas. em inspeção à barragem. controlando uma área de drenagem de 1124 km². Paraíba. Nesse ano. o que correspondeu a uma escavação de 300. após a cheia. O projeto foi concebido pelos engenheiros Luis Vieira e Vinícius Berrêdo.30 m sobre a crista do vertedouro. o que correspondeu a uma hidrógrafa defluente com pico de apenas 55 m³/s. o engenheiro O. Figura 2 – O engenheiro Moacyr Monteiro Avidos As principais condicionantes do projeto eram: não exigir fundação em rocha sã e o elevado custo devido às dificuldades logísticas para suprimento de cimento ao local da barragem. nos países ocidentais. como as sondagens no aterro da barragem revelaram graus de compactação inadequados. foi decidido que o vertedouro sobre a barragem seria substituído por um vertedouro lateral provido de duas comportas de segmento de 9 m x 10 m que descarregam as descargas vertidas em uma calha em concreto armado e dissipação em salto de esqui. A barragem havia sofrido recalques e os movimentos provocaram a abertura de juntas na laje do vertedouro.6:1. no município de Cajazeiras. Consta que o padre Cícero havia dito que a barragem iria colapsar. tendo sido definida uma hidrógrafa com pico de 1610 m³/s. O projeto original da barragem compreende um maciço de terra a montante com talude variável de cima para baixo de 2:1. Na ombreira esquerda as escavações atingiram a 14 m de profundidade. As tomadas d’água são em duas torres cilíndricas controladas por comportas que aduzem a água para duas tubulações em células de concreto armado. Esses deslocamentos se acentuaram após a passagem da cheia de 1963 que chegou.000 m³ e a um volume de concreto de 16. a uma sobre-elevação de cerca de 0. O vertedouro era de crista livre.000 m³. o reservatório era mantido em nível baixo a maior parte do tempo. Como esta era. e um maciço de enrocamento no espaldar de jusante com talude de 1. de 2.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A barragem de Engenheiro Avidos. com a colaboração de Moacyr Avidos. com ogiva de concreto de 160 m de extensão e cuja calha era constituída por um revestimento do talude jusante em lajes articuladas de concreto armado projetado para um pico de cheia da ordem de 800 m³/s e situado na parte central do corpo da barragem. como a descarga de projeto deveria ser o dobro da descarga original e como essa descarga de projeto era quase 30 vezes superior à descarga ocorrida em 1963. Regis Bittencourt e Lohengrin Chaves. recomendou que fosse construído um novo vertedouro na ombreia direita.5:1 e de 3:1. tando muitos matacões e elevada permeabilidade e a margem direita é constituída por um gnaisse intemperizado. uma das quatro barragens com vertedouro sobre o aterro e a única das quatro que sobreviveu durante quase 30 anos de uso. A barragem tem 44 m de altura e 340 m de extensão. um núcleo de concreto sob a linha de centro da barragem constituindo-se o principal elemento de impermeabilização. Rice do US Bureau of Reclamation. No local da barragem a margem esquerda é composta por um quartzito decomposto. Realmente.

Açude Piranhas durante sua construção em 1936.A História das Barragens no Brasil .Açude Piranhas – Saída das galerias da tomada de água Figura 3 . Vista do talude de montante Figura 5 .Açude Piranhas durante sua construção em 1936. XX e XXI Figura 4 .Séculos XIX. Vista do talude de jusante 80 .

Todos os trabalhos de levantamentos e prospecções e de projetos de infra-estrutura tais como as instalações das residências e escritórios. foram feitos pelos engenheiros A. José Wright e George Shobinger. em vista dos resultados das sondagens executadas pelo engenheiro britânico Louis Philips e pelo engenheiro José Gomes Parente. Durante essa fase. um com barragem de terra e outro com barragem de concreto gravidade. acessos rodoviários. Em 1932 materiais e equipamentos foram retirados de Orós para as construções dos açudes de Pilões. Theophilo Benedicto Ottoni Netto. no decorrer de 1959. O maciço da barragem seria erguido após a estação chuvosa seguinte. Em outubro de 1958 as fundações da barragem estavam escavadas e tratadas. José Visetti. Em 1919. para elaborar um novo projeto e implantar a obra sob a supervisão dos engenheiros Charles W. nasceu seu filho. drástico corte de verbas e a conseqüente paralisação das obras no governo de Arthur Bernardes. formando um sem número de engenheiros. no interior do estado do Ceará. Para fugir da cavidade duas alternativas de eixo foram indicadas: eixo reto na parte jusante do boqueirão ou eixo acentuadamente curvo na entrada do boqueirão. Nessa fase inicial de construção participava da equipe o engenheiro Augusto Benedicto Ottoni. A idéia inicial de uma barragem de eixo reto situada na entrada do boqueirão foi abandonada em 1913. C. Orós foi programada para ter seu maciço totalmente construído em um período seco. A cerca de 200 m a jusante do eixo retilíneo original essa cavidade apresenta profundidades de até 80 m. A barragem de Orós deixou de ser prioridade mesmo com a intensa seca de 1932. ambos com eixo retilíneo a jusante do boqueirão para evitar a espessa camada de aluvião que havia sido detectada nos estudos iniciais. uma neta e o autor desse capítulo. Cunha. no janeiro seguinte. Sargent. Comstock e J. P. Essas sondagens indicaram no leito do rio uma cavidade no seu topo rochoso de 40 m preenchida por aluviões. Desde os tempos do Império e nos primeiros anos da república uma barragem no boqueirão de Orós vinha sendo considerada. tendo havido. que viria a ser destacado engenheiro hidráulico e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Como finalidades secundárias há a piscicultura e aproveitamento hidroelétrico. Posteriormente equipe do engenheiro Luiz Vieira elaborou dois estudos. conhecido como o maior rio intermitente do mundo. Em 1930 estudos adicionais foram realizados sob a orientação do engenheiro Luis Augusto Vieira. Estudos e investigações geotécnicas efetuadas pelo engenheiro Arthur W. o governo federal contratou a empreiteira americana Dwight P. Robinson & Co. motivado pela intensa seca que impactou a região. Curiosamente. o engenheiro Theophilo teria atuação de destaque no projeto do vertedouro da barragem de Orós quase cinqüenta anos depois do seu nascimento. ferrovia. Houve um primeiro anteprojeto desenvolvido no início da Inspetoria de Obras Contra as Secas do qual não se tem notícia por ter se perdido em incêndio ocorrido em dezembro de 1912 na Primeira Seção dessa Inspetoria. incluindo seus filhos. Pyles. Schneider levaram a professor Casemiro José Munarski a conceber o projeto de uma barragem de terra zonada com grande curvatura em planta para montante com o objetivo de fugir da espessa camada de aluvião. no interior do Ceará.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A barragem de Orós A barragem de Orós é situada no rio Jaguaribe. Apesar de dispor de um túnel de desvio. Piranhas e São Gonçalo. como 81 . Sua principal finalidade é perenizar o rio e promover a irrigação nos trechos médio e baixo de seu vale. Em 1940 foi concluído um túnel com 1600 m de extensão ligando Orós ao açude de Lima Campos cuja capacidade de irrigação estava esgotada. eletrificação e canteiro de obra. como será mencio­ nado adiante. A excepcional cheia ocorrida em 1924 destruiu ensecadeiras e parte do canteiro de obra. a 450 km da capital Fortaleza. A. A barragem seria em alvenaria de concreto ciclópico executada com apoio de cabo aéreo cujas torres foram instaladas nas duas ombreiras.

O DNOCS passou a ter sérios problemas na manutenção do ritmo de construção por falta de recursos financeiros para concluir a barragem a tempo.Séculos XIX. No âmbito externo. Cerca de 40% do volume do maciço já executado foi erodido. nos espaldares de montante e de jusante. os demais empreendimentos governamentais ficaram com desmedidas carências de recursos. projetada com 54 m de altura e taludes de 2. Os esforços para conter o colapso da barragem foram inúteis. quanto ao perigo da não conclusão da barragem antes do período chuvoso. As informações disponíveis dão conta de que apenas um óbito foi registrado. tendo perdido também o crédito junto a fornecedores. Figura 7 . XX e XXI era comum nos rios intermitentes do Nordeste. Como mencionado acima. No final do período chuvoso. na margem direita do reservatório havia sido construído um túnel que conduz descargas do rio Jaguaribe ao açude de Lima Campos com o objetivo de reforçar as vazões para irrigação das áreas a jusante desse açude. devido à incrível concentração de recursos federais para a construção de Brasília.A História das Barragens no Brasil .5:1 e 2:1 respectivamente a montante e a jusante. com a barragem ainda incompleta e sem ser possível as águas afluentes atingirem a cota da soleira do vertedouro ainda em escavação. apresentando a jusante uma bifurcação para um descarregador de fundo e para a instalação de uma pequena hidroelétrica que só foi licenciada cinqüenta anos depois. Entretanto. A barragem. tornou-se a tomada d’água e foi revestido posteriormente com chapa de aço. Era nos primeiros minutos da madrugada do dia 26 de março de 1960. O próprio DNOCS construía a barragem com equipamentos provenientes da recém concluída construção da barragem de Araras. a barragem começou a ser galgada. O acidente e suas conseqüências impactaram a opinião pública e muitos recursos foram angariados de populares e remetidos às vítimas do acidente. tendo sido por infarto.Galgamento da barragem de Orós Destaca-se a eficiente atuação das forças armadas no resgate das populações residentes a jusante da barragem. ambos abrandados em cotas inferiores. realçam-se as atitudes de países no apoio às vítimas do rompimento 82 .Barragem de Orós após a ruptura Figura 6 . Várias cidades situadas a jusante foram invadidas pelas águas oriundas do colapso da barragem. engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa. zonas de solo arenoso compactados em camadas de 30 cm de espessura. denominada pelo presidente Juscelino Kubitschek de meta síntese. foi executada com espesso núcleo de argila arenosa compactada em camadas de 15 cm e taludes externos em enrocamento que envelopava. O túnel de desvio situado na ombreira esquerda. Debalde foram os alertas da direção do DNOCS e de seu diretor geral. A campanha em muitas cidades do País tinha o lema “Orós precisa de nós”.

após a emergência. A água escoando a elevadas velocidades sobre a rocha altamente fissurada. destacando-se quartzitos xistosos dobrados e extremamente fraturados.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens da barragem de Orós: Estados Unidos. uma alta autoridade federal mandou abrir a ensecadeira. França. Juarez Távora. o sangradouro permaneceu sem ser revestido de concreto. O projeto foi encomendado ao Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito – HIDROESB e idealizado pelo Professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto aproveitando em parte a configuração da encosta erodida e desenvolvendo uma concepção de elogiável arquitetura hidráulica. recursos foram destinados a concluir a obra do vertedouro. União Soviética e Vaticano. Entretanto. era protegido por uma pequena ensecadeira. Pouco após a reconstrução da barragem. testada em modelo reduzido. provocou grande Figura 9 – Saturnino de Brito Filho.Erosão na área do vertedouro antes do revestimento de concreto 83 . Theophilo Benedicto Ottoni Netto e José Cândido Parente Pessoa em visita ao modelo hidráulico reduzido do vertedouro de Orós erosão regressiva que quase comprometeu a estabilidade da ombreira esquerda. há um monumento em bronze com a estátua do presidente em tamanho natural. Figura 8 . A rocha local é composta por xistos da série Ceará. Apesar de ter sido o responsável pela carência de recursos que ocasionou o colapso da barragem com graves consequências para as populações de jusante. o vertedouro apenas escavado. Reino Unido. Em visita ao local em época em que o reservatório estava com elevado nível d’água. tendo sido inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitscheck. A barragem foi rapidamente reconstruída entre julho de 1960 e janeiro de 1961. Alemanha Ocidental. Mais uma vez.

XX e XXI Figura 10 – Açude de Orós Figura 11 – Vertedouro de Orós em operação 84 .Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil .

aparecendo as antigas construções. Na época. a seleção do local foi questionada por diversos pesquisadores e historiadores. o volume d’água A barragem. principalmente a parte superior da igreja de Antônio Conselheiro bombardeada por canhões do Exército. do Exército Brasileiro contra jagunços seguidores da figura mística de Antônio Vicente Mendes Maciel. também descrita com maestria por Mario Vargas Llosa. com 34 m de altura. Mesmo no local selecionado. cem anos após. concluída em 1968. e. conhecido por Antônio Conselheiro. que já havia assassinado mais de cem habitantes de Nossa Senhora do Desterro. em 1940. em nenhum momento foi cogitado que o sítio selecionado iria submergir o que havia restado de Belo Monte. Inicialmente pacíficos. Getúlio teria perguntado a Isaias Canário o que poderia ser feito por Canudos e recebeu como resposta: “Um açude Senhor Presidente.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A barragem de Cocorobó Na última década do Século XIX foram travados vários combates entre forças militares do estado da Bahia e.” Os estudos do DNOCS indicaram o boqueirão Cocorobó como o sítio mais indicado para a construção da barragem. Principalmente após a construção. cidade posteriormente denominada Florianópolis em homenagem ao ditador da ocasião. do presidente Getúlio Vargas à região e ao segundo Arraial de Canudos. Na realidade. A segunda defende a idéia de que o boqueirão era o local mais apropriado para a implantação do açude. havendo duas correntes distintas: a primeira acusa o governo federal de tentar apagar da memória nacional o triste incidente de Canudos. 643 m de extensão de crista e volume de reservatório de 245. Figura 13 – Estátua de Antônio Conselheiro. tendo ao fundo o açude de Cocorobó Figura 12 – Prisoneiros da guerra de Canudos 85 . posteriormente. há acumulado pelo açude não é suficiente para atender a exploração de todo potencial de solo agricultável a jusante. desarmados e militarmente despreparados. Consta que o pedido da construção da barragem de Cocorobó partiu do chefe político local durante a visita.3 milhões de metros cúbicos. é uma estrutura de terra compactada. prêmio Nobel de literatura em 2010. Esse terrível episódio de nossa história é magistralmente narrado por Euclides da Cunha que foi testemunha ocular da terceira expedição comandada pelo sanguinário coronel Antônio Moreira César. como ficou evidenciado nas estiagens ocorridas entre 1994 e 2000 quando as demandas fizeram com que o espelho d’água atingisse níveis muito baixos. construído em 1909 por parentes e sobreviventes do massacre. escondendo sob as águas a participação do Exército no conflito. o corta cabeças. incontestavelmente de elevado valor histórico. os seguidores de Antônio Conselheiro rechaçaram quatro investidas e expedições das forças armadas. tendo sido finalmente aniquilados em seu arraial denominado Belo Monte.

Pedrão faleceu e inaugurou o modesto cemitério que havia sido feito como um dos equipamentos urbanos necessários para a construção da barragem. Segundo o engenheiro Euclides da Cunha que esteve no teatro da guerra. Nesse trabalho ele identificou o boqueirão do Cunha como sendo um local para implantação de uma barragem que promovesse alguma regularização e que Figura 14 – Açude de Castanhão 86 . Ao final da guerra.” O engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa contou que no início das obras da barragem conversou muitas vezes com o Pedrão. “aquela campanha (do Exército) foi o maior crime praticado em território brasileiro.Séculos XIX. mesmo aqueles que se renderam com a promessa de não serem mortos. se refugiou nos limites do Piauí com o Maranhão até que uma anistia permitiu que ele retornasse a Canudos. que justifica a interpretação de que a barragem teria sido construída para afogar a memória da Guerra de Canudos concluída em 5 de outubro de 1897. XX e XXI pareceres de engenheiros e mesmo de arqueólogos como Paulo Zanettini e Erica Gonzáles. houve um depoimento do diretor geral do DNOCS no início da construção da barragem ao autor deste capítulo. o engenheiro José Cândido candidamente indicou a cova número um para acolher o falecido. principal jagunço de Antônio Conselheiro na fase final dos confrontos com o Exército.A História das Barragens no Brasil . Barragem do Castanhão Os primeiros estudos do Castanhão datam de 1910 quando o geólogo americano Roderic Crandall realizou para a Inspetoria de Obras Contra as Secas. que certificam que o local selecionado é na realidade o mais apropriado para a implantação da barragem: a jusante o vale é muito aberto e com espessas camadas de sedimentos e a montante não havia local tão propício para um reservatório. Era mesmo tentador tentar apagar qualquer registro do massacre dos habitantes de Belo Monte. estudos de locais para implantação de açudes no Nordeste. Pouco tempo depois adentra um coronel do Exército no escritório do referido engenheiro e passa uma descompostura nele por ter enterrado na primeira cova do longínquo cemitério da obra “um inimigo da república”. homens. Como havia sido o primeiro a falecer após a conclusão do cemitério. Pedrão que havia saído para combater a quinta expedição que chegava com soldados do Rio Grande do Sul. mulheres e crianças foram cruelmente degolados pelas tropas do Exército sob o comando do general Artur Oscar de Andrade Guimarães no incidente conhecido por gravata vermelha. Após o aniquilamento do arraial e de seus ocupantes. Entretanto.

V. A descrença e a desconfiança permaneciam na população local e os opositores mantinham todas as ações possíveis para evitar que a obra fosse iniciada.345 m³/s com sobre-elevação de 6 m. tendo capacidade de escoar a descarga de projeto de 12. O reservatório na El. As principais decisões do colegiado foram relativas ao estabelecimento de uma tabela para indenizações de propriedades. – Cocorobó. 1989 Figura 15 – Açude de Castanhão 87 .450 m de extensão e 72 m de altura. 1991 Miguez de Mello. 2007 Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – Barragens no Nordeste do Brasil. o principal impacto foi a necessidade de reassentamento de quinze mil pessoas que eram residentes na área a ser alagada. Referências Cunha. Conviver. acompanhando as obras com reuniões públicas mensais em que as manifestações eram livres. incluindo a seleção do local de cada nova moradia.55 m. A. – Os Sertões – Editora Record. – Canudos. Além da extensa área do reservatório. à seqüência de pagamentos e às prioridades no processo de transferência da população. 2009 Lima. – A Century of Dam Construction in Brazil – Topmost Dams of Brazil. H.46x109 m³. E. – Orós. 100 (nível máximo normal de regularização) possui uma área de 325 km² e represa 4. Histórico sobre a Construção do Açude. A barragem é uma longa estrutura de terra compactada com um trecho em concreto compactado com rolo. Morada Nova e Jaguaretama para o município de Jaguaribara. além do redesenho do município de Jaguaribara que teve cerca de 60% de sua área alagada. 300 páginas de atas de reunião e 360 fitas gravadas. – La Guerra del Fin del Mundo – Seix Barral. Para contornar essas dificuldades foi constituído um colegiado que funcionou como um parlamento. – Castanhão – Conviver. As discussões que foram mantidas no colegiado se transformaram em um documento de importância histórica com 6000 páginas de transcrições de debates. incluindo a totalidade da sede municipal de Jaguaribara. uma Utopia no Sertão – Editora Contexto. O projeto foi aprovado no Conselho Estadual do Meio Ambiente em dezembro de 1992 por doze votos a favor e oito contra. Oitenta anos após. P. Nesse aspecto foi importante a transferência de áreas dos municípios vizinhos de Alto Santo. A. Conviver. F. o projeto da barragem foi concluído e submetido a intensas e extensas discussões para a obtenção do licenciamento ambiental. F. Em novembro de 1995 foi expedida a ordem de serviço autorizando o início da construção. com 3. 1978 Monteiro. M. 2009 Sola J. 2009 Paulino.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens derivasse as águas do rio Jaguaribe. O vertedouro em concreto gravidade é provido de 12 comportas de segmento de 10 m por 11. P. O canal de derivação se estende por 256 km com a capacidade adução de 22 m³/s. uma Barragem Projetada para Reacender as Esperanças no Futuro ou Apagar o Passado. M. 1982 Llosa. Agradecimento O autor agradece à engenheira Ana Teresa Ponte pelas fotografias e informações. nona edição. A barragem do Castanhão foi concluída em 1999. nos anos noventa.

88 .

de onde despachava com sua equipe de governo. prédio da UFRJ hoje tombado pelo seu valor histórico e conhecido como Alma Mater da Engenharia Brasileira. hoje Praça Tiradentes. por ocasião de uma homenagem ao Imperador Dom Pedro II no prédio da Escola Central. É do conhecimento de historiadores o intenso interesse do Imperador pelos desenvolvimentos tecnológicos que na época encontravam ampla divulgação na Escola Central.Século XIX Recuamos à distante época dos meados do Século XIX quando não havia ainda exploração econômica de energia elétrica no mundo. no coração da cidade do Rio de Janeiro.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Resumo da História Remota da Hidroeletricidade no Brasil Flavio Miguez de Mello Os primeiros tempos . A Escola Central era situada no Largo de São Francisco de Paula. esta precursora das atuais Academia Militar das Agulhas Negras e Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ. próxima ao prédio da Escola Central. Em 1879 foi efetuado o primeiro emprego comercial do dínamo pela Edison Electric Light Co. da ciência e da tecnologia. na época sob a direção de Francisco Pereira Passos. Em 1881. A primeira instalação no País de iluminação com base em energia elétrica em área externa foi efetivada em 1881 no Jardim do Campo da Aclamação. pela primeira vez no País. atual estação ferroviária situada na Avenida Presidente Vargas. certamente não poderiam imaginar a dependência que a sociedade viria a ter da eletricidade nos dias atuais. por ocasião da inauguração da estátua eqüestre de Dom Pedro I. por ocasião da viagem de Dom Pedro II a Minas Gerais. o Imperador chegava a ocupar a sala frontal do segundo pavimento (na época o prédio era de dois pavimentos). Nessa época o Brasil vivia no segundo reinado sob um imperador extremamente interessado em todos os domínios da cultura. Dom Pedro II concedeu a Thomas Alva Edison a concessão para introduzir no Brasil os equipamentos de sua revolucionária invenção e inaugurou a iluminação elétrica da estação da Estrada de Ferro Pedro II. até hoje conhecida como a sala do trono. atualmente Praça da República. embora surpresos. no Rio de Janeiro. uma experiência de geração e utilização de energia elétrica que se tem notícia em território nacional. Cinco anos depois. Os que presenciaram a experiência. em 1862. foi realizada em pú- blico. Por ocasião de eventos no prédio. fez acender uma lâmpada com energia proveniente de um dínamo acionado pelos detentos da cadeia local. Essa foi a primeira instalação de iluminação elétrica de caráter permanente que foi instalada no País. Não raro Dom Pedro II freqüentava eventos técnicos na Faculdade de Medicina e na Escola Central. A energia gerada foi utilizada para acender uma lâmpada. demonstrando que a eletricidade poderia trazer benefícios inestimáveis à sociedade. em Nova York. Vista do canal de adução para a casa de força. Nesse mesmo ano. Usina hidroelétrica de Tombos em Minas Gerais. o diretor Claude Henry Gorceix da Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto. no Rio de Janeiro. No ano de 1857. ocorreu na Praça da Proclamação. 89 . uma nova demonstração pública de iluminação baseada em energia elétrica.

com capacidade total de 52 kW. na atual Praça 15 de Novembro. no Rio de Janeiro. atual município de Nova Lima. através de 10 lâmpadas de arco voltaico de 2000 velas cada. A energia gerada movimentava duas bombas de desmonte a jato d’água para exploração de diamante e.25 m de diâmetro. a empresa Real & Portella colocava em funcionamento a iluminação pública da cidade de Rio Claro no Estado de São Paulo. Minas Gerais. contratado na Europa diretamente pelo governo imperial como um dos docentes para aquela Escola. a usina hidroelétrica Marmelos com 252 kW de capacidade em duas unidades geradoras acionadas por duas rodas d’água. através de 16 lâmpadas de arco voltáico supridas por dois dínamos acionados por um locomóvel. então ocupado pelo Ministério da Viação. com energia elétrica gerada por uma termoelétrica com capacidade instalada de 160 kW. A iluminação pública contava com 39 lâmpadas de 2000 velas cada.Séculos XIX. o Professor Armand de Bovet. iluminação e esgotamento de água nos túneis da mina de ouro e. Ainda em 1887. no município de Diamantina. A usina encontra-se desativada há décadas. Não havia barragem. de propriedade da Companhia Força e Luz. Entretanto. Essa usina manteve uma centena de lâmpadas na região central da cidade com energia produzida por um dínamo de 50 CV. após pouco tempo. Essa foi a primeira usina hidroelétrica no Brasil. No dia 24 de junho de 1883. com 1500 rpm. aproveitava uma queda de cerca de 40 m acionando uma roda d’água de 20 pás que movimentava dois dínamos Gramme com potência total de 500 CV.5 km). localizada em Honório Bicalho. Em 1887 foi instalada uma pequena usina termoelétrica no Largo de São Francisco de Paula. na bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha. casa de força abrigando duas máquinas Gramme de 8 CV cada. Em 1887 a empresa Companhia Fiat Lux iniciou um serviço de iluminação pública em Porto Alegre. Dom Pedro II inaugurou. A usina. no Rio de Janeiro. São Paulo. Também em 1887 entrou em operação a usina hidroelétrica do ribeirão dos Macacos.A História das Barragens no Brasil . da Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto. instalou no ribeirão do Inferno. a operação dessa usina teve vida efêmera. sendo a primeira verificada nas noites de 10 e 11 de junho de 1901. com 2 km de extensão (a transmissão da primeira usina de Niagara Falls tinha 1. A usina dispunha de uma barragem que criava uma queda de cerca de 5 m. de propriedade da Compagnie des Mines d’Or du Faria. pioneira de um desenvolvimento impar no século seguinte. Em 1893 era colocada em operação a hidroelétrica Luiz Queiroz no rio Piracicaba. posteriormente. No dia 7 de setembro de 1889 teve início o emprego da hidroeletricidade para serviço público no País pela iniciativa de Bernardo Mascarenhas. Rio Grande do Sul. sendo hoje um pequeno museu mantido pela CEMIG à beira da rodovia União Indústria. gerando em corrente contínua. a mais antiga usina hidroelétrica do País e uma das mais antigas do mundo. A adução era feita por um desvio no 90 . à iluminação das residências do acampamento da empresa. uma usina termoelétrica dotada de três dínamos. industrial estabelecido em Juiz de Fora. passou a ser utilizada também em iluminação. A transmissão era a mais longa do mundo na época. acionadas por uma roda d’água de madeira com 3. era um maciço de enrocamento impermeabilizado na face de montante por uma laje de madeira composta de pranchas aparelhadas. A barragem. em Campos dos Goytacazes. Nessa data foi colocada em operação no rio Paraibuna. na zona urbana da cidade de Piracicaba. na Exposição Industrial que foi instalada no edifício do Paço. No dia 15 de novembro de 1884. XX e XXI pela Diretoria Geral dos Telégrafos. não chegando a durar um ano sequer. Dom Pedro II acionou a ligação de 60 lâmpadas da Edison Electric Co. este devido a Mariano Procópio que obteve do governo imperial concessão para construir e explorar a rodovia inicialmente utilizada por viaturas de tração animal. outro marco histórico do progresso nacional. Minas Gerais. hoje substituída por uma estrutura de concreto gravidade. Ao longo de todo Século XIX a iluminação não sofreu sequer uma paralisação noturna. Em 1883. A energia era destinada às atividades de mineração.

preocupações com o suprimento de energia. no Rio de Janeiro (1883). Em 1895 entrou em operação a hidroelétrica de Corumbataí. destaque é devido ao grupo que se tornou a São Paulo Light e a Rio Light. independente da nacionalidade. formada em Toronto. uma das mais extensas do mundo na época. A primeira concessão do grupo foi dada pela Câmara Municipal de São Paulo para serviços de transporte urbano em veículos movidos a eletricidade. para serviços públicos e exploração de recursos naturais. em Sergipe (1900). no município de Rio Claro. Rio Claro. propiciou a vinda do principal executivo Frederick Pearson que trouxe o advogado e empreendedor 91 . Como não havia legislação específica. por governos estaduais e mesmo por governos municipais. em São Paulo (1884).88 MW.. Canadá. em Alagoas (1895) e Estância. Maceió. Juiz de Fora. em Minas Gerais (1889). uma no ribeirão Claro e outra no rio Corumbataí. Duas barragens.7 MW. Destes últimos. Curitiba. no Rio Grande do Sul (1887).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens curso do rio próximo à sua margem esquerda. em São Paulo e em Minas Gerais por empreendedores nacionais e estrangeiros. A abundância de lenha e a aparente ausência de reivindicações populares para universalização dos serviços de eletricidade faziam com que não houvesse. Essa concessão da São Paulo Railway Light and Power Co. A casa de força abriga duas unidades de capacidades distintas que somam 1.000 km. não se desenvolvia a mineração de carvão e nem se considerava possibilidades da existência de reservas de petróleo. Com uma atividade de exploração puramente extrativista dos recursos florestais com base em desmatamento da Mata Atlântica de forma dispersa e sem registros oficiais. no Paraná (1892). por parte do poder público. Campos dos Goytacazes. tinham seus pequenos reservatórios unidos por um túnel escavado em rocha. Nessa época estavam sendo iniciadas várias atividades de implantação de novos serviços de energia elétrica principalmente no Rio de Janeiro. O ambiente político era favorável a concessão a empresas privadas. A casa de força abriga quatro unidades de potências e procedências diversas somando 2. situada não muito afastada do extenso litoral nacional e servida por uma rede ferroviária de 14. A energia representava pouco na economia nacional retratada pelas importações de carvão e de querosene que atingiam a apenas 6% e 2% do total das importações do País. as concessões de serviços de energia elétrica eram dadas pelo governo central. São Paulo. pela ordem cronológica. Porto Alegre. Até a virada do Século XIX para o Século XX as primeiras cidades por unidades da Federação que tiveram serviços públicos contínuos de força e luz foram. Figura 1 – Usina hidroelétrica de Marmelos O início do Século XX (até 1913) Na virada do Século XIX para o Século XX a população brasileira de 17 milhões de habitantes era predominantemente rural. Ltd.

No Estado do Rio de Janeiro nesse início do Século XX destacamse. a de Lajes. o excesso de energia era destinado à iluminação pública e domiciliar. Desta maneira surgiram os primeiros concessionários privados nacionais de energia elétrica nas regiões Sul e Sudeste. com vertedouro de lâmina livre em sua crista. Essa usina foi sucessivamente ampliada até atingir 16 MW instalados. no rio Tietê. construída no rio Piabanha pelos Guinle em 1908.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 2 Barragem e Reservatório de Lajes canadense Alexander Mackenzie e os engenheiros Hugh Cooper e Robert Brown. Seu objetivo inicial era atender às necessidades da rede de transportes urbanos e iluminação da cidade de São Paulo. a jusante da cidade de São Paulo. as hidroelétricas eram em geral de portes muito modestos e tinham casas de força em posição remota em relação às barragens. hoje Edgard de Souza. denominada na época Parnaíba. instalada pela Light em 1905 com a finalidade de proporcionar iluminação pública e residencial bem como tração para os bondes da capital federal. sendo ampliada para 24 MW em 1909. No Rio de Janeiro a primeira hidroelétrica foi Fontes. A barragem é uma soleira vertedoura de gravidade em pedra arga- 92 . que teria inicialmente 2.Séculos XIX. tendo sido. Nesses casos. As hidroelétricas que eram instaladas no início do Século XX eram destinadas a suprir de energia elétrica centros isolados. tendo sido instaladas por prefeituras ou por pequenos empresários para atendi­ mento às demandas das suas fábricas. Nos últimos anos do Século XIX foram iniciadas as obras da primeira usina hidroelétrica da empresa no Brasil. desativadas anos depois. A empresa passou a operar no País ao abrigo da autorização concedida em 1895 pelo presidente Campos Sales. na quase totalidade. A quase totalidade delas e suas áreas de concessão foram sendo incorporadas por empresas maiores. Com esse perfil de consumo e com os elevados custos da época em que todos os equipamentos eram importados. Em 1908 a usina já tinha 12 MW instalados. Hans e Coronel Fagundes. tornando-se uma das maiores hidroelétricas do mundo. A barragem era em arco-gravidade situada no alto Ribeirão Das Lajes. A segunda hidroelétrica instalada no estado foi Piabanha. a implantação das hidroelétricas de Piabanha.000 kW instalados.

município de Friburgo com o objetivo de suprir a fábrica de linhas de energia. tendo assumido em seguida a concessão de serviço público do município.Casa de Força de Fontes 93 . Figura 3 . Nessa obra trabalhou o engenheiro Flavio Lyra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens massada com 25 m de extensão e altura de 6.7 m. muito próxima à hidroelétrica de Piabanha. com altura de 13 m e 80 m de extensão. pai do então menino Flavio Henrique Lyra que brincava no canteiro de obra e já se familiarizava com barragens e hidroelétricas. A casa de força abriga duas unidades Francis duplas gêmeas de 3 MW cada. Em 1911 os Arp instalaram a hidroelétrica de Hans no ribeirão Santo Antônio. município de Paraíba do Sul. A barragem é em concreto gravidade com soleira vertente livre e a casa de força abriga uma unidade Francis horizontal de 294 kW. em Muri. Em 1912 os Guinle implantaram a hidroelétrica de Coronel Fagundes no rio Fagundes. A barragem é em gravidade de pedra argamassada e concreto. campo de conhecimento em que se tornaria uma das mais altas expressões mundiais a partir da segunda metade do Século XX.

A construção foi supervisionada pelo engenheiro Otávio Carneiro. Com capacidade de 510 kW. sendo desativada em 1970.A História das Barragens no Brasil . Força e Luz Cataguazes-Leopoldina. situada na crista da cachoeira de Tombos. para a prefeitura de Paranaguá. constituindo-se em vertedouro de soleira livre. a hidroelétrica passou em 1932 da Cia Melhoramentos Urbanos de Paranaguá para a Cia Melhoramentos Paulistas. Figura 4 . Figura 5 . Osvaldo Lynch e Henrique Fox Drumond.3 MW.88 MW instalados. instalada por ingleses em 1910 na vertente da Serra do Mar em Paranaguá. município de Tombos. Em 1911 foi inaugurada a hidroelétrica de Pitangui para suprir de energia elétrica a cidade de Ponta Grossa. A casa de força abriga dois grupos geradores num total de 2. A hidroelétrica de Maurício foi implantada em 1908 no rio Novo. A casa de força abriga duas unidades Francis de eixo horizontal de 2. A barragem com 6 m de altura era vertedoura com crista livre situada na crista da cachoeira da Fumaça.4 MW cada.Barragem de Piabanha. assessorado pelos engenheiros Pedro Leivas.Barragem de Coronel Fagundes 94 . município de Leopoldina pela Cia. XX e XXI A barragem. é em concreto gravidade de pequena altura. para o Departamento de Águas e Energia Elétrica e para a COPEL. A potência instalada era de 1. Alfredo do Paço. No início do Século XX em Minas Gerais destacam-se as hidroelétricas de Maurício e Tombos.Séculos XIX. Em 1912 foi instalada a usina hidroelétrica de Tombos no rio Carangola. No estado do Paraná há referência à hidroelétrica Serra da Prata. Os contrafortes em primeiro plano são reforços recentes Nos 30 m centrais a barragem é vertedoura em crista livre.

sendo soleiras livres implantadas nos leitos dos rios. mas sempre ficando com potências inferiores a 6 MW. em 1909. com cinco unidades Pelton com potência nominal de 3 MW cada sob 640 m de queda br uta.Barragem vertedoura e canal de adução de Tombos Em Santa Catarina. As barragens dessas usinas eram de altura modesta. Esmeril. No estado do Rio Grande do Sul as primeiras barragens que se tem notícia para produção de energia elétrica foram construídas a partir de 1911 e entraram em operação em 1912. Votorantim. em 1913. 10 MW de potência efetiva. no município de Figura 7 – Usina hidroelétrica de São Valentim 95 . Salto Pinhal. São Joaquim e Brotas. A barragem Inglês com 4 m de altura e 55 m de extensão. A maioria dos vertedouros era sem controle. Marmelos II. Chibarro. a metade Figura 6 . entrou em operação em 1913 a primeira unidade da hidroelétrica de Salto Weissbach no rio Itajaí Açú.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O Estado de São Paulo se destaca nos primeiros anos do Século XX por um expressivo números de pequenas hidroelétricas como as usinas de Santa Alice que começou a operar a partir de 1907. em alvenaria de pedra. Itatinga. O destaque dentre essas usinas é Itatinga. foi construída no município de Dois Irmãos tendo sua usina a capacidade de 200 kW. A barragem é uma soleira vertedoura de altura apenas suficiente para promover a derivação de parte das descargas para a tomada d’água que conduz as águas captadas para as turbinas que são alojadas em casa de força abrigada na margem direita.5 m de comprimento. as hidroelétricas de Monjolinho. Salto Pinhal e Bocaina foram desativadas nos anos oitenta e noventa do século passado. Rio Novo e Monjolinho. A maioria dessas usinas tinha menos do que 1000 kW instalados em sua primeira etapa. São Valentim e Marmelos II em 1910. Macaco Branco. Gavião Peixoto.4 m³/s. As turbinas de fabricação J. poucas com contrafortes localizados. em alvenaria de pedra e concreto ciclópico foi implantada no município de Cruz Alta tendo sua casa de força a potência instalada de 268 kW e a barragem Picada 48. delas tive ampliações de capacidade instalada em etapas posteriores. Salto Grande. A usina encontra-se implantada na vertente oceânica da Serra do Mar. em 1912. mas apresentando no conjunto.M. as usinas de Socorro. envolvida por densa floresta da Mata Atlântica. com apenas 2.7 m de altura e 41. em geral de gravidade em alvenaria de pedra. Voith são Francis gêmeas de eixo vertical com potência de 1470 kW cada sob a queda nominal de 10. Desse conjunto de usinas pioneiras. San Juan. em 1911. Bocaina. Boa Vista e Quilombo. Capitão Preto.5m com engolimento de 19. Turvinho Batista e Sodré. para suprimento de Blumenau.

Séculos XIX. XX e XXI Figura 8 – Usina hidroelétrica de Brotas Figura 9 – Usina hidroelétrica de Gavião Peixoto Figura 10 – Usina hidroelétrica de Boa Vista 96 .A História das Barragens no Brasil .

Ee Amaral C. – Brazilian Development in Engineering for Dams – Comitê Brasileiro de Grandes Barragens. O conjunto arquitetônico da casa de força é majestoso. tiveram expressivo desenvolvimento nos primeiros anos do Século XX. – Pequenas Centrais Hidrelétricas no Estado de São Paulo – Comissão de Serviços Públicos de Energia. Miguez de Mello. Prado Junior F.1 MW instalados. A usina foi implantada com o objetivo principal de suprir o porto de Santos de energia elétrica. SP.A. A. construída por Delmiro Gouveia na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso. Miguez de Mello. – The Development of the Brazilian Dam Engineering . 1976. 2000 Prado Jr. e Amaral. A. Essas pequenas hidroelétricas aproveitando quedas d’água naturais e operando seus reservatórios a fio d’água. F. hoje Delmiro Gouveia.A. com 1. 1997. Comitê Brasileiro de Barragens. 1999. F. – Pequenas Centrais Hidrelétricas no Estado de São Paulo Governo do Estado de São Paulo. sendo o acesso o mesmo utilizado desde o início das obras em 1890. O reservatório é formado por duas barragens de alvenaria de pedra argamassada com vertedouro de soleira livre. A casa de força foi implantada no trecho médio da escarpa granítica da margem esquerda do salto principal. Em 1913 entra em operação a primeira hidroelétrica do Nordeste Angiquinho. Referências Dias Leite.Reflexos da Cidade. A energia produzida era direcionada para a fábrica de linhas e para a vila residencial na localidade de Pedra.Sinopse Histórica da Eletricidade no Brasil. 1982.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Bertioga. 1979. – A Energia do Brasil. F. F.Main Brazilian Dams III. . 2009. – A Century of Dam Construction in Brazil – Comitê Brasileiro de Grandes Barragens. Saveli.. feito por via férrea a partir da margem direita do rio Itapanhau. Figura 11 – Usina hidroelétrica de Angiquinho 97 . Memória da Eletricidade . M. 2000. A. tendo passado de 306 em 1920 para 1009 em 1930. Miguez de Mello.A. C. A. próximo à rodovia BR-101.

98 98 .

Pedro II. destinada à produção de energia para utilidade pública. na cidade de Campos (RJ). na cidade do Rio de Janeiro. às margens da estrada União e Indústria. Em Minas Gerais. foi a Usina Hidroelétrica Marmelos no rio Paraibuna. o primeiro serviço público municipal de iluminação elétrica do Brasil e da América do Sul. foi instalada pela Diretoria Geral dos Telégrafos a primeira iluminação externa pública do país. a construção de unidades de produção de energia hidroelétrica visando a autoprodução. quando Dom Pedro II inaugura. a Usina Hidroelétrica Ribeirão dos Macacos. localizada no Ribeirão do Inferno. Esta usina Figura 1 . na Estação Central da Estrada de Ferro D. Empresas de mineração e fábricas têxteis promoveram. em trecho da atual Praça da República. No ano de 1883 entrou em operação a primeira usina hidroelétrica no país. afluente do rio Jequitinhonha. na cidade de Juiz de Fora (MG). ambas em Minas Gerais e a Usina Termoelétrica Velha Porto Alegre. Essa história iniciou-se no final do século XIX. no município de Viçosa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Usina Hidroelétrica de Marmelos Adelaide Linhares de Carvalho Carim Introdução O Brasil foi um dos pioneiros na exploração da energia elétrica. Mas a primeira hidroelétrica de maior porte construída na América do Sul. A energia era fornecida por uma usina termoelétrica. no Rio Grande do Sul. hoje Marmelos-Zero. atual Estrada de Ferro Central do Brasil no Rio de Janeiro. o interesse pela nova fonte de energia intensificouse. em 1879. em 1885 a Usina Hidroelétrica da Companhia Fiação e Tecidos São Silvestre. Pedro II inaugurou.Primeira Usina Hidroelétrica da América do Sul destinada à produção de energia para utilidade pública foi desativada cento e quatro anos mais tarde em 1987. entrou em operação em 99 . destinada à extração de minério na região. A usina de Marmelos. em 1887. na cidade de Diamantina. em substituição aos 46 bicos de gás existentes. Posteriormente mais algumas usinas entram em operação. nesse período. Em 1883 o imperador Dom D. a primeira instalação de iluminação elétrica permanente do país.“Marmelos Zero” . Neste mesmo ano Thomas Alva Edison havia construído a primeira central elétrica para utilização na iluminação pública na cidade de Nova Iorque. Em 1881. em 1887.

Dom Pedro II e representantes ilustres da Corte e da Companhia União Indústria percorreram em diligência os 144 quilômetros da primeira rodovia macadamizada brasileira.Juiz de Fora em 1875 100 . Juiz de Fora prosperou grandemente devido à cafeicultura. que iniciaram o processo industrial da cidade. construída pelo engenheiro Mariano Procópio Ferreira Lage e pela Companhia União Indústria.A História das Barragens no Brasil . Santo Antônio do Paraibuna .que em 1965 se tornava Juiz de Fora . Sabará. dois meses antes da proclamação da república e apenas 7 anos depois da hidroelétrica de Appleton em Wisconsin na America do Norte. para ligar o porto do Rio de Janeiro Figura 2 . Ao longo deste caminho. e fundador da já extinta CME . foram erguidos pequenos povoados. havia grandes fazendas de café que eram as bases da economia local. com a inserção de A cidade de Juiz de Fora no final do século XIX A inauguração da usina de Marmelos veio se somar ao pioneirismo desta cidade. marco zero da energia hidroelétrica no Brasil. Sua inauguração trouxe a mão de obra qualificada dos imigrantes alemães. novos investimentos foram trazidos para a cidade. XX e XXI 5 de setembro de 1889. que começou a ser escrito quando o bandeirante Garcia Dias Paes traçou o chamado Caminho Novo que passava pela margem do Rio Paraibuna. Mariana. por iniciativa do industrial Bernardo Mascarenhas. Neste ano.Companhia Mineira de Eletricidade em 1888.Séculos XIX. Com a cafeicultura. como Matias Barbosa. em 1861. entre as cidades de Petrópolis e Juiz de Fora.Barbacena e outras. Diamantina e tantas outras). Estes eram locais de descanso dos tropeiros que passavam pela região. às margens do Paraibuna. até a principal região mineradora (Vila Rica. como a Rodovia União Indústria. Por meio deste caminho que efetivamente a história de Juiz de Fora se inicia. Bernardo Mascarenhas foi o responsável pela instalação de Marmelos. A Companhia Mineira de Eletricidade foi de extrema importância para a industrialização de Juiz de Fora.

Barão de Rio Branco -1903 101 . Barão de Rio Branco em 1903 ambas pertencentes ao acervo do Museu Mariano Procópio. em 1881 ganhava telégrafo. A Estrada União Indústria existe até hoje em vários e extensos trechos. Todos estes empreendimentos foram realizados por iniciativa do industrial Bernardo Mascarenhas.Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora”. telefones urbanos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens algumas fábricas. Mais tarde vieram os italianos e com eles ampliaram outros setores como o comércio e a prestação de serviços. A estrada deu origem também ao primeiro guia de viagens do Brasil. Figura 4 . As figuras a seguir mostram Juiz de Fora em 1893 e a Av. Em 1878 funcionavam seis estabelecimentos de ensino. A cidade de Juiz de Fora se iluminava para o mundo. promoveu a comunicação entre a cidade e a corte. Em 1980 os serviços urbanos foram ampliados com bondes de tração animal. Em 1888 Juiz de Fora ganhava a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas e o Banco de Crédito Real. a construção da ferrovia Dom Pedro II em 1875.Panorâmica de Juiz de Fora – 1893 usina hidroelétrica para iluminação pública da América do Sul. e em 1884. o telégrafo. em 1883. Outro beneficio da estrada foi a melhoria no escoamento da produção cafeeira da Zona da Mata Mineira até o Rio de Janeiro.Av. Posteriormente. e em 1889 a primeira Figura 3 . e intitulado “Doze Horas em Diligência . que ficava neste momento no Rio de Janeiro. fórum e jornais. antes mesmo até que algumas importantes cidades européias. fotógrafo do imperador. escrito pelo alemão Revert Henrique Klumb. tendo sido substituída como ligação rodoviária entre Petrópolis e Juiz de Fora pela BR-040.

considerado à época.A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. Alguns anos mais tarde. no ano de 1872 em Sete Lagoas. visitou fábricas. XX e XXI Figura 5 .A. como fazia com os demais filhos ao completar esta idade. Com 18 anos. um dos melhores de Minas Gerais. utilizando as mais novas tecnologias da época. é o décimo filho dentre os 13 filhos do casal. física. A partir da experiência adquirida com os teares de madeira. recebeu de seu pai 26 contos de reis.Bernardo Mascarenhas Aos 12 anos iniciou seus estudos no colégio Caraça. Para aprender sobre tecelagem. viajou para os Estados Unidos onde ficou por 1 ano e meio. constituindo a primeira S. inaugurou as instalações da fábrica têxtil da companhia Cerdo. adquiriu os maquinários desejados e voltou para o Brasil e. região de Curvelo. tocados a mão na fazenda de seu pai. Bernardo Mascarenhas Bernardo Mascarenhas nasceu em 1846. É criada então em Curvelo a companhia Cachoeira (1877). Neste período estudou idiomas. adquirir novos equipamentos e conhecer a utilização da eletricidade na indústria textil. privada no país. convida dois irmãos para montarem em sociedade uma indústria têxtil.Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas inaugurada em maio de 1888 102 . Figura 6 . Em 1882 foi aprovada a lei das sociedades anônimas no Brasil e em 1883 fez-se a fusão das empresas (Cedro e Cachoeira). dinheiro para iniciar a vida como criador de gado e comércio de sal. viaja para a Europa e Estados Unidos com a incumbência de atualizar-se. mecânica. filho de Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas e de Policena Moreira da Silva Mascarenhas. na fazenda São Sebastião.

Neste local. Em 1886. O empresário adquiriu outro terreno perto da estação ferroviária. encomendando o material para a usina) Figura 7 . devendo ter força bastante para alimentar 50 lâmpadas de arco de 1000 velas e quinhentas ditas incandescentes de 16 velas. local mais propício para o escoamento da produção de tecidos. aproveitando os recursos naturais de seu terreno. A CME foi a responsável pela construção da usina de Marmelos Zero e foi presidida por Mascarenhas até seu falecimento. foi realizada a primeira experiência com a eletricidade e em 5 de setembro de 1889 ocorreu a inauguração oficial. no Brasil ou talvez na América do Sul” (trecho da carta de Mascarenhas em 1887).. Mascarenhas e o banqueiro Francisco Batista de Oliveira recebem aprovação junto à câmara municipal para explorar a Cachoeira dos Marmelos para produção elétrica e a concessão para a iluminação da cidade e obteve a revisão do contrato original. A antiga Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas apresenta rigorosa simetria com um corpo central em três pavimentos e ladeado por suas extensas alas horizontais em dois pavimentos.Esboço da hidroelétrica Marmelos Zero por Bernardo Mascarenhas 103 . Bernardo Mascarenhas faleceu no dia 9 de outubro de 1899 de um ataque cardíaco fulminante. “Me considerarei muito feliz se for o primeiro a transmitir força elétrica. tendo em vista o uso da iluminação elétrica. que se localizava próximo à cachoeira de Marmelos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Bernardo Mascarenhas mudou-se para Juiz de Fora em 1886 e adquiriu o terreno próximo do Rio Paraibuna e da Rodovia União Indústria. “A fábrica de eletricidade será provida de dois excelentes dínamos movidos por duas turbinas verticais ou de eixos horizontais. Bernardo Mascarenhas buscava outras fontes de energia em substituição à energia usada que até então era à base de querosene. fazendo um esboço de próprio punho de como ela seria. No dia 22 de agosto de 1889.” (Trecho de memorial de Bernardo Mascarenhas para Max Nothman & Co. mais tarde. Doou este terreno para a CME Companhia Mineira de Eletricidade. Bernardo Mascarenhas projetou e especificou a usina. onde pretendia montar uma indústria de tecidos. praticamente utilizável. inaugurada em maio de 1888. em substituição à iluminação a gás. seria erguida a primeira usina hidroelétrica da América do Sul. A nova usina além de atender à iluminação pública da cidade atenderia as máquinas da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas. também fundada por ele em janeiro de 1888.

foi construído em 1890. quando ocorreu a inauguração do motor elétrico. denominado “Castelinho”. denominado “Castelinho”. disseminados no manto intemperizado ao longo das encostas e principalmente soltos no leito do rio Paraibuna. gnáissicas. O edifício da Cia. como será descrito em seguida. Nas ombreiras e encostas da barragem é comum um manto de solo de 5 a 10 m de espessura. Mineira de Eletricidade. quartzito e entrecortados por diques de anfibolito. vertentes concavo-convexo e drenagem dentrítica.Primeira usina hidroelétrica da América do Sul destinada à produção de energia para utilidade pública e força motriz para indústria Posteriormente. Figura 8 .A História das Barragens no Brasil . que iria ser colocado na fábrica Bernardo Mascarenhas como força propulsora. As rochas do complexo charnockítico e do embasamento cristalino possuem sistemas de fraturas. migmatito. 104 . Mineira de Eletricidade. A edificação. foram montadas outras usinas no mesmo local para atender inteiramente à crescente demanda de consumo.Usina de Marmelos .Edifício da Cia. De modo geral. O solo residual é constituído de areia siltosa. ambos de idade Pré-Cambriana. As rochas charnockíticas são gnaisses que sofreram desidratação e descalcinação durante metamorfismo de alta temperatura e pressão média a alta (fácies granulito). o relevo nas proximidades das usinas caracteriza-se por altas colinas de topos arredondados. planos de fraqueza e a típica esfoliação esferoidal que se interceptam originando blocos de rocha sã de dimensões variadas. Este complexo charnockítico acha-se intercalado por faixas com espessuras variádas de granulitos. de cor amarelada com alto grau de erodibilidade. lembra a arquitetura medieval . em dois pavimentos.Séculos XIX. gabro e outras rochas básicas e ultrabásicas. granulitos e anfibolitos do Complexo Juiz de Fora e parte do embasamento Pré-Cambriano indiferenciado. Figuras 9 e 10 . XX e XXI Descrição geral da usina Geologia A geologia ao longo do rio e suas margens é constituída por afloramentos de rochas charnockíticas.

foi adquirido na ocasião pela fir ma Pantaleone Arcuri & Timponi. pois a maioria das indústrias têxteis era movida a vapor com complicados sistemas de transmissão para as máquinas e muitas ainda eram acionadas por rodas d’água. a usina iniciou o fornecimento de energia para a fábrica de Mascarenhas após a aquisição do primeiro motor elétrico instalado no Brasil. Em 1952. Outro motor elétrico de 20 HP. acionadas por turbinas Francis.000 kW. na frequência de 60 Hz. também em Juiz de Fora. As figuras a seguir ilustram os equipamentos eletromecânicos da usina de Marmelos. Marmelos atinge a potência de 1200 kW com a entrada em operação da quarta máquina de fabricação da Westinghouse. Esta unidade geradora era composta por uma turbina tipo Francis dupla. como as demais. denominada Usina Zero. que foi inaugurada inicialmente com dois grupos geradores de 600 kW de potência cada. 105 . Em 1898. com capacidade de 1600 kW. A casa de força foi construída em prédio contíguo ao da usina Marmelos 1. operada sob tensão de 1000 Volts. quando obteve a sua concessão através do decreto MME 700725 de 08/07/80. Esta usina. A usina foi projetada inicialmente com uma capacidade de geração de 250 kW distribuída em dois grupos geradores monofásicos de 125 kW. fabricadas pela alemã J. Em 1915 o engenheiro Asdrúbal Teixeiras de Souza projetou a segunda usina Marmelos 2. Marmelos 1 contou inicialmente com duas unidades geradoras bifásicas de 300 kW cada. Nesta época. Marmelos 2 passou então a dispor de capacidade instalada de 4. fabricados pela Westinghouse. quando Juiz de Fora possuia 180 lâmpadas na iluminação pública e 700 para uso particular. afluente do rio Paraíba do Sul a 7 km de Juiz de Fora e a 290 km de Belo Horizonte MG. M. ampliou-se a potência da usina de Marmelos 2 com a instalação da terceira e quarta unidades geradoras. com capacidade de 600 kW cada uma com as mesmas características técnicas das duas anteriores. fabricada pela empresa americana James Leffel e um gerador de fabricação da General Electric. última usina construída pela CME. tem como coordenadas geográficas Latitude 21º 43’ Sul e Longitude 43° 19’ Oeste. construída pouco abaixo da usina desativada. Este motor de 30 HP de potência era de fabricação da Westinghouse. fabricados pela empresa americana General Electric e turbinas tipo Francis de 1000 HP. Em 1948. no momento em que a CME adquiria a companhia de bondes de tração animal de Juiz de Fora. a usina de Marmelos 1 foi desativada. Um terceiro grupo gerador com a capacidade de 125 kW foi instalado em 1892. sendo denominada Usina 1-A. dois anos após a construção da usina de Joasal. a cidade de Juiz de Fora passou a viver um intenso desen­ volvimento industrial o que demandava aumento na oferta de energia. instalada em uma casa de força adjacente à Usina 1. Bicas e Guarará. após a inauguração de Marmelos 1. O acionamento elétrico dessas fábricas representou à época outro marco histórico.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Localização e dados técnicos históricos A usina hidroelétrica de Marmelos está localizada no rio Paraíbuna. Com o aumento da geração a CME ampliou sua área de influência na Zona da Mata Mineira. visando transformá-la em linhas elétricas. de fabricação italiana. Em 1910. Mar de Espanha. Em 1921 e 1922. foi construída a quinta unidade. foi desativada em 1896. Em 1905 foi instalada a terceira unidade com capacidade de 300 kW. Voith. tornando-se concessionária dos serviços de eletricidade de Matias Barbosa. A usina de Marmelos como é denominada atualmente é composta pelas antigas Usinas 2 e 1-A e passou a ser operada pela CEMIG em 1980.

Séculos XIX. XX e XXI Figura 11 .Gerador da unidade 1 a 4 da antiga Usina 2 106 .A História das Barragens no Brasil .Interior da casa de força da antiga Usina 2 de Marmelos Figura 12 -Turbina e gerador da unidade 5 da antiga Usina 1 A Figura 13 .

Usina 2 Figura 15 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 .Painel original das unidades 1 a 4 e excitatrizes 1 e 2.Regulador de velocidade da excitatriz Usina 2 Figura 16 . inoperante 107 .Excitatriz nº 2 semelhante a uma unidade geradora hidráulica .

O circuito hidráulico de geração.5m). é composto por um túnel escavado em rocha. A tomada de água do túnel adutor. fundada em rocha sã pouco fraturada. vencendo um desnível de 51 m entre o nível máximo do reservatório e o eixo das tubulações forçadas na entrada das turbinas. de alvenaria de pedra.5 m). é uma estrutura em alvenaria de pedra possuindo uma comporta moto- 108 . Barragem e vertedouro A barragem é do tipo gravidade.5 x 2. com capacidade de 58 m³/s. também em alvenaria de pedra.5 m de altura divididos em 10 vãos ao longo de todo o comprimento da estrutura. O arranjo da barragem partindo da ombreira esquerda para a direita se constitui por uma descarga de fundo de acionamento motorizado (2. localizada na margem direita. Tomada de água Arranjo geral atual A barragem para a formação do reservatório operado a fio d’água é constituida por uma estrutura do tipo gravidade em alvenaria de pedra com 51 m de extensão e altura máxima de 7. XX e XXI Figura 17 – Vista aérea de montante da usina adução e duas tubulações forçadas que conduzem a água até as unidades geradoras.A História das Barragens no Brasil . que permitem o aumento da capacidade do reservatório em períodos secos.Vista de jusante da barragem e do descarregador de fundo na margem esquerda. e por um trecho.5 m. localizado na margem direita. onde estão localizadas a antiga tomada de água para o canal de adução da usina Zero e a tomada de água do túnel de adução da usina de Marmelos. Sobre o vertedouro existe uma passarela que possibilita a colocação de flash-boards de até 2. localizada na margem esquerda.Séculos XIX.5 x 2. seguido por um canal de Figura 18 . com um trecho em crista livre vertente com comprimento de 20 m e vazão de 134 m³/s. Possui uma descarga de fundo motorizada (2. seguida por um vertedouro de crista livre com 20 m de comprimento.

30 m (tubulação 1) e outra com diâmetro de 1.40 m são a céu aberto.40 m de extensão. abriga quatro unidades geradoras de 600 kW cada e casa de força da antiga Usina 2. Uma pequena torre de seção quadrada e telhado de quatro águas marca a construção. com área total de 273 m². hoje é utilizada como almoxarifado. Na continuação do túnel existe um canal de adução com 283. A casa de força da antiga Usina 1.40 m. O trecho a céu aberto.20 m. Tubulações forçadas Existem duas linhas de tubulações forçadas partindo da câmara de carga. abriga uma unidade geradora de 1600 kW. A Figura 19 a seguir é uma vista geral da usina de Marmelos (casas de força e tubulações forçadas).50 m (tubulação 2). Túnel e canal de adução O túnel adutor tem extensão de 215. cujas vazões são absorvidas por um canal de concreto. que foi a casa de força da Usina 1-A. Câmara de carga Entre o canal de adução e as tubulações forçadas. de eixo horizontal e engolimento de 4. o circuito hidráulico de geração conta com uma câmara de carga em alvenaria de pedra. As turbinas são tipo Francis. O Museu Usina de Marmelos Zero A CEMIG (na época Centrais Elétricas de Minas Gerais) adquiriu a usina em 1980.20 m) formada por painéis de madeira. Casa de força As estruturas da usina de Marmelos (Marmelos Zero. Hoje é Museu da Usina de Marmelos. também em alvenaria de pedra. Marmelos 1A e Marmelos 2) estão localizadas ao longo do rio Pa­ raibuna e foram assentadas em maciços rochosos sãos.76 m². Marmelos 1. situada na Casa de Força 1-A. Canal de fuga As paredes do canal de fuga das antigas Usina 1-A e Usina 2 são em alvenaria de pedra.30 m e 81. dos quais 94. Na parte direita da estrutura existe um vertedouro complementar.67 m³/s. Suas paredes são em alvenaria de tijolos maciços aparentes. na sua margem direita e junto à tomada de água do túnel adutor. A turbina é tipo Francis. A cobertura de duas águas é recoberta por telhas francesas e tem os beirais ornamentados por lambrequim.80 m e seção em ferradura com 10 m². tem seção de 3. O trecho coberto. é formada por dois blocos distintos: um deles. que alimenta a unidade geradora nº 5. em alvenaria de pedra. tem seção em ferradura semelhante à do túnel. A casa de força da usina de Marmelos. situado sob a rodovia. operadas manualmente. sobre embasamento de pedra. sendo vazadas por vãos com vergas em arcos abatidos em seqüência ritmada. de eixo horizontal e engolimento de 1. A casa de força de Marmelos Zero foi edificada em nível abaixo da Estrada União e Indústria. e uma terceira comporta para a regularização do nível de água. A usina de Marmelos Zero se transformou em 109 . Canal de adução desativado Localizado e incorporado à barragem. possui uma comporta de madeira acionada manualmente e muro em alvenaria de pedra. uma com diâmetro de 1.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens rizada tipo deslizante (4. O comprimento de cada uma delas é de 125. Possui duas comportas na tomada de água. possui uma área total de 201.9 m³/s. em planta. em alvenaria de pedra. O outro bloco. totalmente escavado em rocha e revestido lateralmente com concreto.50 x 4.60 x 3. 189 m. Na tubulação nº 2 existe uma bifurcação com diâmetro de 1. Próximo a essa estrutura existe um descarregador de fundo.44 m de comprimento.

desta vez. O museu tem como propósito preser var a memória tecnológica e científica da cidade. tripés de madeira. Está aberto das 8:30 h às 17:00 h. painel de controle de energia e uma réplica de um gerador utilizado na época. livros de ata e contabilidade dos primeiros acionistas da CME. rascunho da planta da usina. 2 e 1A. De segunda a sexta-feira podem ser agendadas visitas monitoradas por acadêmicos da UFJF. por meio do telefone (31) 3229-7606.Séculos XIX. cuja fabricação era da Westinghouse. Esses tombamentos demonstram a suma relevância de sua preservação como um prédio histórico.A História das Barragens no Brasil . teodolito. Após a morte de Mascarenhas o prédio passou por Figura 19 – Vista geral das casas de força da usina hidroelétrica de Marmelos: antigas casa de força 1. concedido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). a usina ganhou um segundo tombamento. pelo Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do município de Juiz de Fora. além de várias fotografias que mostram a construção da usina. 1983 num espaço cultural e museu. O prédio da fábrica de tecidos de Mascarenhas também se encontra preservado. O acervo do museu é composto por objetos particulares de Mascarenhas. inclusive nos finais de semana e feriados. máquina de escrever e de calcular. após seu tombamento. O Museu Usina Marmelos Zero encontra-se localizado às margens da Rodovia União-Indústria. a administração do museu está a cargo da Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF. no qual a cidade de Juiz de Fora foi escolhida para ser a primeira a se iluminar. assim como fotos de Bernardo e sua família e painéis com pequenos textos infor mativos. contas de luz. no bairro Retiro. próximo ao trevo da cidade de Bicas. Em 2005. XX e XXI Desde o ano 2000. Figura 20 .Museu de Marmelos Zero (antiga casa de força Marmelos Zero) 110 . O convênio firmado entre a UFJF e CEMIG (atualmente Companhia Energética de Minas Gerais) tem como meta aprimorar o atendimento ao público que visita o museu. assim como destacar a figura importante de Bernardo como sendo o precursor desta idealização e realização deste sonho. mantendo-o aberto diariamente. neste mesmo ano.

org/701437/pt/Usina-Marmelos http://www.br/centrodeciencias/museu-usina-marmelos-zero/ http://wikimapia. fosse transformado em um centro cultural em 1987.portalsaofrancisco.História das Hidrelétricas no Brasil .com/index.Usina de Marmelos .br/juizdefora. que foi utilizada para pagamento de dívidas junto ao governo. localizado na Avenida Getúlio Vargas 200. Silvânia Duarte – Educação e Turismo uma Forma de Conhecer a História da Usina de Marmelos – Departamento de Geociências – UFJF.com. CEMIG .ebah.pjf.Estudo de Viabilidade de Recapacitação e Modernização . A mobilização de artistas.Canal de adução desativado 111 .asp http://www. jornalistas e intelectuais fizeram com que o imponente prédio. 2009.conotec. A fábrica encerrou suas atividades em janeiro de 1984.Universidade Tecnológica Federal do Paraná Campo Mourão.memoria.ufjf.com. ampliações e modernizações.Setembro 1993.1ª Etapa : Diagnóstico da Situação Atual da Instalação .Edição Especial Junho de 1980.com.html http://www. Cemig Notícia – Mais Energia Para uma Grande Cidade Juiz de Fora .asminasgerais. 2001 http://www.php http://www.html www. Lima.htm www.mg.gov.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 21 .Centro Cultural Bernardo Mascarenhas Referências CEMIG – Inventário civil – SR/SE Usina Hidrelétrica de Marmelos Relatório Final Novembro 1983.com.CCBM .br Figura 22 .eletrobras. Umada. Fernanda Borges Ferreira Murilo Keith .br/alfa/historia-daeletricidade-no-brasil/historia-da-eletricidade-no-brasil-5.br/patrimonio/usina_marmelos. deixando como patrimônio sua sede.br/historia-das-hidreletricas-no-brpdf-a91646.

Usina hidroelétrica de Angiquinho na cachoeira de Paulo Afonso em diferentes regimes do rio São Francisco .

atual Delmiro Gouveia em sua homenagem. casa de bomba e escada de acesso à casa de força. localizada na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso. a bomba d’água que abastecia a cidade. o último. próximo ao atual Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso. que continua de pé no meio da caatinga. A usina ocupava uma área de 253 hectares e possuía dois conjuntos de instalações. além da indústria. localizada na cidade de Pedra.102 KW).000 Volts. de 625 kVA. aproveitando uma queda d’água de uma altura de 42 metros. Angiquinho foi a primeira usina hidroelétrica do Nordeste. almoxarifado. e outro com 2 casas. o segundo de 450 kVA e. A partir de 30 de novembro de 2006. O ousado projeto. Sua energia era suficiente para suprir. operado pela Chesf. as edificações com o acervo interno e externo e toda a área do Complexo de Angiquinho foi tombado e integrado ao Patrimônio Histórico Artístico e Natural do Estado de Alagoas. um com 11 casas e 1 escola. no Rio São Francisco. no estado de Alagoas. distante aproximadamente 24 km da cachoeira. e também a Vila Operária da fábrica. com tensão de saída em 3.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Usina Hidroelétrica de Angiquinho Aurélio Alves de Vasconcelos Figura 1 – Vista geral da Usina Hidroelétrica de Angiquinho Introdução Inaugurada em 26 de janeiro de 1913. subestação elevadora. A Usina Hidroelétrica de Angiquinho tinha capacidade de gerar 1. com sua casa de força encravada nas rochas 113 .500 HP (1. constituída por três grupos geradores sendo o primeiro de 175 kVA. Tinha como objetivo fornecer energia elétrica a indústria têxtil Companhia Agro Fabril Mercantil de propriedade do industrial Delmiro Gouveia.

é um pólo de turismo histórico.Guindaste usado na fase de construção e montagem da casa de força 114 . Figura 3 .Séculos XIX. ambiental e cultural. XX e XXI Figura 2 – Casa de força da Usina Hidroelétrica de Angiquinho íngremes nas margens do cânion do rio São Francisco.A História das Barragens no Brasil . Angiquinho. além de ser área de preservação cultural. Hoje. levou o desenvolvimento para a região que até então só conhecia a luz tênue de candeeiro. educacional. Resgata e cria uma grande oportunidade para todos que desejam conhecer a história da eletricidade do Brasil.

em grande escala. Inicialmente. não contava Delmiro com a recusa do Governador de Pernambuco. Contudo. ou seja. sua vida não seria senão uma conseqüência da prática de ousar. Assim.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens História No início do século XX. Delmiro chegou até a justificar a proposta do projeto de eletrificação Figura 4 . onde foi bem recebido pela oligarquia local. Essa foi a condição para a participação do capital norte-americano no projeto. onde. Tomado pelo ímpeto de realizar proezas. o referido projeto consistia em abastecer e iluminar cidades da região. consegue recuperar a fortuna perdida no Recife. construir o empreendimento pioneiro no campo da hidroeletricidade em pleno sertão nordestino. hoje distrito de Pires Ferreira. em caráter sigiloso. Sabe-se que os estudos contemplaram a viabilidade do aproveitamento hidrelétrico de um trecho do rio. 115 . além de mover indústrias próximas à cachoeira e a outros planos de irrigação de terras locais. restou acertar as condições comerciais. coube ao capitalista Delmiro Gouveia (18631917). com investimentos no comércio exportador de “courinhos” (artigos de pele de bode e cabra) e com amparo financeiro de ricos financiadores norteamericanos. Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu em Ipu. cujo objetivo principal era “empreender. chefiada pelo capitalista Mr. ele buscou refúgio em Alagoas. Por volta de 1909. Apesar dessas considerações. cuja finalidade seria fornecer energia para a fábrica têxtil produtora das linhas Estrela. seria instalado um curtume para armazenar peles.Fruto de um caso extraconjugal. em 5 de junho de 1863. Confirmadas as vantagens. Moore e sob a supervisão técnica do engenheiro Stewart. Fugido do Recife por desavenças políticas. Diante da negativa. em breve. com sua proeza de transformar as idéias em realidade. para estudos no rio São Francisco e na cachoeira de Paulo Afonso. no Ceará. a industrialização da energia hidroelétrica da cachoeira de Paulo Afonso e um vasto plano agrícola-industrial conexo”. constituída com capital nacional e estrangeiro. ambas da Pedra. Era descrito como um homem sempre disposto a assumir grandes compromissos. Delmiro Gouveia refugiou-se no sertão alagoano. de fato. em virtude do surgimento de condições técnicas e econômicas. bem como iluminar sua Vila Operária. Delmiro procurou sondar as potencialidades da região para poder colocar em ação a realização de seu sonho. visando uma cooperação sob a forma de joint-venture. os norte-americanos só participariam. no sertão alagoano. o aproveitamento e exploração do vale do rio São Francisco. Dantas Barreto. recebeu uma delegação de técnicos norte-americanos. precisamente em 1903. com a expressa autorização dos estados fronteiriços ao rio. a Usina Angiquinho. quando fixou residência no vilarejo denominado Pedra. Logo.

a produção de linha de coser foi prejudicada. Delmiro foi à Europa adquirir o maquinário necessário. através da firma Iona & Cia. foram colocadas em uma barca que subiu o rio São Francisco até atracar na lapinha do sertão. o maquinário da usina percorreu os 24 quilômetros que os separavam até a Cachoeira de Paulo Afonso. situada a 23 km da cachoeira. Luigi Borella. junto à firma inglesa W. para projetar a empreitada. para alimentar uma fábrica de linhas em pleno sertão. e acabou por contratar um engenheiro italiano. dentro da cachoeira de Paulo Afonso. M. as caixas com as máquinas e equipamentos. encabeçar outro projeto ousado. então. cruzaram o Atlântico até o porto da cidade de Penedo (AL). A parte hidráulica com a alemã J.A História das Barragens no Brasil . havia concedido a isenção de impostos pelo período de dez anos para a exploração de uma fábrica de linhas de costura. não passando de lenda o lançamento dos equipamentos da fábrica e da usina. coube a Delmiro. e a isenção de impostos referentes à sua fábrica de linhas de costura Estrela. o deputado federal Demócrito Gracindo e o consultor jurídico do Estado Alfredo de Maya. vindos da Europa. Worth e a suíça Piccard Pictet & Co. Em 1912. e do engenheiro Emilio Levermann. Geralmente. Delmiro requisitou a experiência estrangeira do técnico Anton Wer. Em decorrência. Superada a recusa. mas a usina permaneceu intacta. Piranhas. bem como dos consequentes impactos ambientais e econômicos. os quais souberam como poucos resistir às críticas e fundamentar seus argumentos na Câmara e na Imprensa. os equipamentos foram transportados de trem através da Estrada de Ferro Paulo Afonso até chegar na estação da Vila da Pedra. 116 . Boa parte desse aval deve-se aos esforços e à petulância de dois alagoanos. voltou-se para um projeto de construção de uma usina hidroelétrica. Após a morte por assassinato de Delmiro Gouveia. No entanto. e da suíça Brown Boveri & Co. o discurso girava em torno da responsabilidade jurídica sobre a exploração do Rio São Francisco. Por fim. A tribuna da Câmara Federal também foi palco de embaraçosos discursos. Entre 1910 e 1911. em carroções puxados por juntas de bois. Delmiro conseguiu obter vários privilégios do Governo do Estado de Alagoas. do mesmo ano. Também foram contratados engenheiros e técnicos franceses para montar a usina. Já o maquinismo da fábrica veio da companhia Dobson & Barlow. Por conseguinte. mas não foi suficiente. Para construir Angiquinho. Em seguida. Então. os estrangeiros pularam fora. sobretudo por parte das imprensas alagoana e carioca que publicavam manchetes com veementes protestos sobre o assunto.. local de difícil acesso. Contrataram-se. Alagoas. As turbinas foram encomendadas às casas Bromberg e Siemens Schukert & Co. A usina permaneceu no local e os equipamentos da fábrica anos depois foram levados para São Paulo. da Alemanha. As tubulações foram fabricadas pela competente empresa alemã Mannesmann. concretizar o so- nho da eletrificação. na localidade de Pedra. a concessão para captar o potencial hidrelétrico da cachoeira de Paulo Afonso e produzir eletricidade. já que o Governador categoricamente relutou: “O negócio que o senhor propõe é tão vantajoso para o Estado que deve envolver alguma velhacaria”. Equipamentos elétricos ficaram a cargo da empresa alemã Bergmann & Co. A obra foi realizada mediante concessão do estado de Alagoas ao abrigo do decreto nº 520 de 12/08/1911 de acordo com a Constituição Federal de 1891. para a conclusão da longa travessia. Delmiro resolveu. entre os quais o direito de explorar as terras improdutivas na cidade de Água Branca. R. furiosos debates e fracassadas conclusões acerca da célebre concessão de aproveitamento da maravilhosa queda d’água. da Inglaterra. Na etapa seguinte. XX e XXI do Recife. Para a montagem dos equipamentos da usina. com a necessária construção de pontes e estradas adequadas para permitir sua passagem. O decreto nº 503. os projetos iniciais das obras. houve quem duvidasse do sucesso da obra. Bland & Co. pelos ingleses.Séculos XIX. todas essas concessões foram transformadas em decretos-lei pelo Estado de Alagoas. o engenheiro italiano Luigi Borella veio treinar o corpo técnico e dirigir o complexo hidrelétrico. Como a casa de máquinas da usina ficaria no paredão do cânion do São Francisco. Houve reações contrárias à implantação desse aproveitamento hidrelétrico da cachoeira.

Foi o responsável pela urbanização do bairro Figura 5 . se engajou politicamente e partiu para outros empreendimentos. quando já acumulava riqueza suficiente. no início de 1900. casando-se.Delmiro da Cruz Gouveia do Derby. Foi bilheteiro da estação Olinda do trem urbano chamado maxambomba. a Casa Delmiro Gouveia & Cia. havendo por isso desentendimentos com o então prefeito do Recife. filho natural de Delmiro Porfírio de Farias e Leonilda Flora da Cruz Gouveia. em 1896. tangidos pelas secas que periodicamente ocorrem no sertão nordestino e pela morte do pai. Fundou. Trabalhou ainda como despachante de barcaças. onde funciona o Instituto de Documentação. Em 1875. o Mercado Coelho Cintra. bairro do Recife. Dedicou-se ao comércio e exportação de couro e peles. Ceará.  Dispondo de capital. em Pernambuco e depois para o Recife. teve que trabalhar cedo para se manter e ajudar a mãe. trabalhando também na estação de Apipucos. o que culminou com o incêndio do mercado. Em 1872 muda-se para Recife. construiu casas e um grande mercado modelo sem similar no Brasil. onde adquiriu posteriormente. quando tinha apenas 12 anos de idade abandona o lar materno e se lança no mundo à procura de emprego que lhe permitisse sobreviver com o mínimo de folga para proporcionar o seu aprendizado. De família pobre. na fazenda Boa Vista. Interessado na compra e venda de couro e peles de cabras e ovelhas vai para o interior de Pernambuco. presidente do Senado Federal e vicepresidente da República. Em 1868. um palacete que hoje é propriedade da Fundação Joaquim Nabuco. na cidade de Pesqueira. 117 . com 264 compartimentos alugados a comerciantes de alimentos e de outros tipos de mercadoria. no Recife. município de Ipu.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Quem foi Delmiro Gouveia (1863-1817) Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu no dia 5 de junho de 1863. base de sua capacitação necessária a vencer os diversos desafios com que sonhava e que nele tinham a firmeza das idéias-fixas. Os baixos preços praticados no mercado incomodaram a concorrência. passando a destruir a concorrência no setor e ficando conhecido como o Rei das Peles. ruas. onde só havia manguezais: abriu estradas. Esmeraldino Bandeira e em decorrência. conflitos com o poderoso Rosa e Silva. inicialmente como empregado da família Lundgren e depois por conta própria. com Anunciada Cândida de Melo Falcão. inaugurado no dia 7 de setembro de 1899. mantendo um grande número de compradores por toda a região Nordeste do Brasil. quando ele tinha apenas quatro anos de idade. transferiu-se com sua mãe para a cidade de Goiana. em 1883.

à medida que enriquecia criava mais inimigos. no dia 10 de outubro de 1917. que logo dominou o mercado nacional. construiu cerca de 520 km de estradas carroçáveis e introduziu o automóvel no sertão. no lado alagoano.  ambulatório médico. inicia os estudos para aproveitamento econômico da cachoeira de Paulo Afonso.Prédio do antigo mercado que agora abriga o quartel general da Polícia Militar de Pernambuco Angiquinho atualmente Em outubro de 1958 a usina Angiquinho perdeu a concessão do aproveitamento parcial da cachoeira de Paulo Afonso. que o acusava de estar procurando aproveitar-se do seu governo e. depois Bolívia. em 1914. Figura 6 . raptou a adolescente Carmela Eulina do Amaral Gusmão. Inaugurou. utilizando o Porto de Jaraguá. com a marca Estrela. Em 1901. mas con- 118 . uma localidade a cerca de 280 km de Maceió e que na época só possuía seis casas. em Maceió. puxando a rede elétrica até a sua fazenda. hoje município de Delmiro Gouveia. Em 1909. o que causou desentendimentos com o então governador de Pernambuco. Separado da esposa. perseguido e com problemas no casamento refugiou-se durante um ano na Europa. uma vila operária. XX e XXI Hoje. Chile. Barbados e até nas Antilhas e Terra Nova. Levou a energia elétrica para a povoação onde ficava a fábrica e depois até a Vila da Pedra.Séculos XIX. no terraço da sua casa na Vila da Pedra. cinema e ringue de patinação.  A fábrica era um modelo de organização. Embarcava sua produção através de porto de Piranhas. com diversos pavilhões onde ficavam os teares. rompeu relações com o industrial. que culminaram com o seu assassinato à bala. Não querendo ficar isolado e para ajudar no desenvolvimento das suas atividades industriais. e da falta de apoio governamental. uma pequena fábrica têxtil para produção de linha. impondo-se também nos mercados da Argentina. aos 54 anos de idade. Passou a idealizar e desenvolver projetos para a implantação de uma hidroelétrica que abastecesse o Recife de energia. em 1902. Autoritário e de temperamento difícil. Seu temperamento sempre difícil. Peru. o prédio do antigo mercado abriga o quartel general da Polícia Militar de Pernambuco (Figura 6). produziram uma série de atritos e inimizades. capta energia elétrica na queda do Angiquinho.A História das Barragens no Brasil . Passou a comprar e exportar couro e peles. Em 26 de janeiro de 1913. utilizando a ferrovia que ligava Jatobá (atual Itaparica) a Piranhas para transportá-la. por isso. Dantas Barreto. além da tensão em que vivia. após a reforma realizada em 1924. aos 39 anos. fugindo para Alagoas e fixando-se na Vila da Pedra. através de uma pequena usina geradora de eletricidade.

Segundo o projeto de recuperação denominado “Projeto de gestão de Angiquinho”. quando foi por fim desativada. onde dizem que Lampião se escondeu.A casa força de Angiquinho localizada à margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso Figura 8 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens tinuou a distribuir eletricidade para a cidade de Delmiro Gouveia (antiga vila da Pedra) até 1960. Além disso. foi elaborado um projeto de recuperação histórica que inclui a restauração da usina. pois não se encontrou qualquer indício dessa passagem.Escada de acesso à casa de força Furna dos Morcegos. mas nunca se esconderam na Figura 7 . bem como atrair profissionais e leigos com interesse de conhecer a história das hidreléricas no Brasil. da Furna dos Morcegos. seria incoerente um bando tão articulado como o de Lampião se esconder em um local que tem apenas uma única entrada. a usina foi transformada em um ponto de visitação turística. Depoimentos de cangaceiros do bando afirmaram que estiveram naquela área. que além de proporcionar ao turista comum uma vista diferenciada da cachoeira. 119 . Por intermédio da CHESF e da prefeitura de Delmiro Gouveia. contudo a presença dos cangaceiros na área de Angiquinho já foi praticamente desmentida.

passou a gestão de Angiquinho à Fundação Delmiro Gouveia (FDG).A História das Barragens no Brasil . “A luta agora é para que Angiquinho deixe a fila de espera pelo decr eto do gover no federal e Ministério da Cultura para o tombamento nacional” . XX e XXI Figura 9 – Prédios da usina recuperados Figura 10 – Interior da casa de força A Chesf. Nas entranhas da usina saem paisagens lunáticas. que investiu R$ 1. águas muito limpa mostram o fundo translúcido do Velho Chico. coordenador da FDG. que liderou o movimento pelo resgate do acervo. 120 . Passear no sítio histórico de Angiquinho é mover as rodas da história.5 milhão na recuperação da usina.Séculos XIX. assinala Edvaldo Nascimento. São pedras e rochas e tocas de rio para todos os lados (Figura 13).

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 11 – Gerador Figura 12 – Turbina de eixo horizontal 121 .

Séculos XIX. XX e XXI Figura 13 .Vista do cânion a partir da casa de força 122 .A História das Barragens no Brasil .

Magalhães.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O coração começa a bater mesmo na escadaria de metal. 1995.Câmara Municipal de Paulo Afonso. o “Rei do Sertão”. 6. Szmrecsányi. Adriana Sbicca. Silva. nº 11 – 2003. 4.Subestação Elevadora de Angiquinho 123 . Página visitada em 6 de janeiro de 2008. A visão do Velho Chico cercado por cânions e corredeiras é colossal. 11. que alimentavam a usina. Sávio. fruto da cabeça do cearense Delmiro Gouveia. 2007. que desce 45 metros abaixo das rochas. Revista Continente Documento – Ano I.al. 7. no rio e na bela cachoeira. 8. http://www. ou parte dela. Principalmente ao abrir as janelas da casa e correr o olho nas rochas. Folha Sertaneja (03 de dezembro de 2006). Sant’ana. A casa de máquinas continua presa às rochas e é o ponto culminante do passeio. Galdino. empresários e desenvolvimento econômico no Brasil. Força e luz: eletricidade e modernização na República Velha. Jornal Chesf – CER – Ano IV – nº 235 – junho a novembro/2006. no caminho da velha casa das máquinas. Cachapuz. Governador de Alagoas assina decreto de tombamento do complexo Angiquinho (HTML). Empresas.gov. php?option=com content&vieu=article&id=6068Itemid =195(Texto de Semira Adler Vainsencher pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco) Acessado em 17/02/2011. de Barros – Dalla Costa. Davi Roberto Bandeira. http://basilio. 3. 2008. Ousadia no Nordeste: A Saga Empreendedora de Delmiro Gouveia. com plataforma para mirante. Unesp. Antônio – Mascarenhas. 2. 13. Armando. e uma cachoeira transborda na entrada do lago da usina. Gildo.). Site www.br/sala-de-imprensa/noticias/ noticias-2008/angiquinho-atrai-turismo-de-aventurasem-delmiro-gouveia/(Texto de Mário Lima) acessado em 17/02/2011). Fernandes. Rio de Janeiro: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil.fundaj. Maceió: imprensa oficial. 10. Referências 1.gov. São Paulo: ed. Tamás (orgs.br 12. Entrar naquele prédio arrojado e quase secular é sentir segurança e êxtase. 1961. Pequena história de Delmiro Gouveia. A descida é adrenalina pura. Paulo Afonso-BA. Maceió: Fiea/ Gijs.controvérsia. Paulo Afonso I: Imagens de uma epopéia. escadas em espiral. Moacir Medeiros de. 5. Página visitada em 6 de janeiro de 2008. Figura 14 . 9. que abriga os três geradores Brown Boveri e as turbinas Piccard Pictet. 2008. Paulo Afonso: de pouso de boiadas a redenção do Nordeste .br/pesquisaescolar/index. Projeto Gestão de Angiquinho (HTML) (2008). São Paulo: hucitec/Abphe.turismo. de onde os olhos captam uma imagem inesquecível do que resta da cachoeira de Paulo Afonso. 2000.com. que iluminou boa parte da região até nos anos 60. Paulo B.

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4 e 5 mostram a casa de força e seu interior. afluente do rio Manoel Alves Grande. estado do Maranhão. no município de Carolina. que desemboca no rio Tocantins pela margem direita. A usina foi construída aproveitando uma queda de 11. freqüência de 50 Hz e com a velocidade de 750 rotações por minuto. Contava. com rendimento de 75%. No local foi implantada uma casa de força que abrigava uma turbina Francis de 110 kW. com 88 m de comprimento e um desnível de 0. Foi concebida e projetada no período de 1937/1938 e teve a sua construção realizada no período de 1939/1940.000 V. que terminava com uma pequena tomada d’água seguida de um conduto forçado com capacidade de 1.22 m3/s. 380/220 V. dimensionado para aduzir uma vazão de 2.Cachoeira do Itapecuruzinho 125 .30 m. um gerador de 120 kVA. acionando. com uma pequena subestação que tinha um único transformador trifásico de 11. O quadro de comando era de ferro perfilado com painel de mármore polido.44 m3/s. também.50 m (Figura 1).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Usina do Itapecuruzinho A primeira hidroelétrica da Amazônia Erton Carvalho Esta usina está localizada no rio Itapecuruzinho. 3. A linha de transmissão da usina para a cidade de Carolina tinha Figura 1 . através de um sistema de polias. hoje completamente abandonada e em péssimo estado de conservação. As Figuras 2. As obras civis foram constituídas por um canal lateral de forma trapezoidal.

Casa de força Figura 3 .A História das Barragens no Brasil .Turbina Francis 110Kw 126 . XX e XXI Figura 2 .Séculos XIX.

à margem direita do rio Tocantins.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 28. sua fase áurea. capital do estado. Na cidade. conheceu. Excluindo os grandes centros urbanos. único meio de transporte existente na região.Gerador de 120 KVA necessidade de construir em Carolina uma usina hidroelétrica.5 km. a rede pública de distribuição de energia era de 220/110 V. nos anos quarenta. o Brasil possuia apenas uma potência instalada de 847 MW.75% da atual. Por interferência de Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. Naquela época (1937). A linha foi implantada com postes de aroeira a uma distância média de 50 m. arcebispo do Maranhão.Gerador e painel de controle com sucesso. aproveitando a bela cachoeira existente no rio Itapecuruzinho. História A cidade de Carolina. o que permitiu dar andamento ao início dos trabalhos. sendo que as perdas no transporte da energia foram estimadas em 5.2%. para aquela sociedade local de uma obra bastante audaciosa. através de uma subestação abaixadora. A partir daí. e sua classe política bastante temerária quanto às atitudes do citado interventor. a audiência acabou sendo realizada Figura 5 . Os sócios pretendentes exigiram que Newton Carvalho obtivesse do interventor uma autorização para que a usina fornecesse energia para a cidade. situada no extremo sul do Maranhão. homem de idéias progressistas. Newton Carvalho colocou esse empreendimento como a grande meta de sua vida. correspondendo a 0. sendo 192 MW em usinas térmicas e 755 MW em hidroelétricas. Em 1937. 127 . na maioria das cidades. Paulo Ramos. como a maioria das cidades ribeirinhas banhadas pelo grande rio. não tendo conseguido ser recebido por aquela autoridade. Newton Carvalho. ele fez várias viagens a São Luiz. portanto. Tratava-se. iniciou sua luta para convencer um grupo de conterrâneos da Figura 4 . situada a 33 km da cidade. o fornecimento de energia era restrito ao período das 18 às 21 horas. Mesmo assim. Vale ressaltar aqui que Carolina era uma das cidades consideradas de oposição ao interventor do estado.

dividido inicialmente entre oito sócios. Seu idealizador e executor (Figura 6) teve que vencer obstáculos quase intransponíveis para implantar na Região Amazônica a primeira usina hidroelétrica. O sucesso dessa operação só foi possível pelo fato de Newton Carvalho conhecer e fazer uso do princípio de Arquimedes. se esconde um episódio heróico que bem reflete a época e o momento histórico em que foi construída. registrando-a no dia 11 de julho do mesmo ano. publicado no Diário Oficial do dia 8 de fevereiro de 1940. Voltando novamente à capital federal. para negociar com a empresa a consolidação do projeto e a compra dos equipamentos necessários para a construção da usina. Newton Alcides de Carvalho provinha de família numerosa. O capital inicial de 340 contos de réis.A História das Barragens no Brasil . travou-se outra batalha com o transporte dos equipamentos em pequenos caminhões através de caminhos intricados. seguiram através do rio Tocantins até Carolina. com o aproveitamento da referida cachoeira. um dos pesados transformadores da subestação caiu no rio. XX e XXI Em 1938. foi empreendida uma luta titânica para retirá-lo da água. Para a construção da linha de transmissão foi aberta uma picada da cidade até o local da usina. perto da cidade de Porto Franco. a cooperação de mais seis sócios. de novembro de 1941. O rumo da linha de transmissão foi definido por um piloto da Condor. Retornando do Rio de Janeiro com os dados da usina nas mãos. ele mesmo. na Junta Comercial do Maranhão. às margens do pequeno rio Itapecuruzinho. A concessão para o empreendimento ocorreu em 16 de novembro de 1939. Newton Carvalho. Quando passava pela cachoeira de Itaguatins. Foram lançados sacos de areia com bandeiras vermelhas para demarcar o referido caminho. Foi assim instalada. com uma linha de transmissão de aproximadamente 30 km. Desprovido de equipamentos para içá-lo. Newton Carvalho adquiriu da Siemens todos os equipamentos para a instalação da usina. para estudar junto à companhia alemã Siemens a viabilidade do empreendimento.. organizou a firma em 1939. cada um contribuindo com 10 contos de réis. O Decreto nº 15. Com auxilio de mais uma embarcação. Transportados por via marítima até o porto de Belém. utilizados pelos sertanejos locais. em plena ditadura do então presidente Getúlio Vargas. Biografia Por detrás desta pequena central hidroelétrica. posteriormente. então capital federal. Para alcançar o lugar escolhido. mas inicialmente só foi instalada uma unidade de 110 kW. a qual nunca saiu do papel. que fazia voos entre Carolina e Belém. com o auxílio de um velho teodolito de propriedade do professor José Queiroz. Era um dos onze filhos do casal Alípio Alcides de Carvalho e Rosa Sardinha de Carvalho.Séculos XIX. teve. esvaziava a embarcação. em seguida. onde hoje está localizada a usina de Tucuruí. Newton Carvalho foi ao Rio de Janeiro. assim. Viajou às próprias custas e contou com a ajuda de um comerciante alemão.790. em 26 de julho de 1900. Em sua grande maioria esses marcadores não foram encontrados. 128 . esvaziava-as e enchendo-as de água até chegar ao limite de transbordamento tracionava o transforma- dor e. A empresa de nome Hidroelétrica Itapecuru Ltda. dentre elas a de Itaboca. finalmente o maquinário chegou a Carolina. proprietário da Casa Beckgis. O projeto previa a colocação de duas unidades de 143 kW. permitindo. companhia aérea alemã. quando o presidente Getúlio Vargas e seu ministro Fernando Costa assinaram o decreto n o 4. que o equipamento subisse pelo empuxo a que era submetido. foi então organizada para fornecer energia elétrica ao município de Carolina. que outorgou à sociedade o direito de explorar o referido aproveitamento até a potência de 285 kW.888. utilizado em um trabalho de topografia para a ferrovia Pirapora-Belém. totalizando 14 sócios. tendo as embarcações atravessado várias cachoeiras. autorizou o funcionamento da usina e a sua inauguração se deu em 15/11/1941. a primeira usina hidroelétrica da Amazônia. Nasceu em Carolina. Após verdadeira epopéia. elaborou a planta da cidade e implantou a rede pública e o sistema de distribuição de energia residencial.

ao mesmo tempo em que desenvolvia atividades comerciais. 4. cópia datada de 1939. não era comum à época: tinha concluído apenas o curso ginasial. Faleceu em 25 de outubro de 1969. da construção de uma usina açucareira. da física e da engenharia. que pensava adiante do seu tempo. Deixou para a posteridade um exemplo de homem probo. Não tendo sido ressarcido de seus investimentos. 2. já radicado em Goiânia. A formação do homem visionário. conhecido por “Dano”. vítima de acidente automobilístico.Newton Alcides de Carvalho Referências 1. 129 . Autodidata. Elaborou. determinado. o qual lhe proporcionou sólida base cultural voltada para as ciências exatas. Outubro de 2000. lecionou matemática e escrituração mercantil a jovens conterrâneos. altamente avançado para a época. norte de Portugal. 3. participou.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Seu pai era originário da cidade de Caxias do Maranhão e sua mãe era oriunda de berço português. decepcionado com a alta inadimplência dos consumidores de energia. elaborou. para o interior do estado de Goiás. também. antes mesmo de completar 70 anos. Estruturou o serviço de coleta e destino do lixo. construiu as usinas hidroelétricas das cidades de Anicuns (1948/1949) e de Santa Cruz de Goiás. Figura 5 . corajoso e realizador. através de tratamento mecânico e biológico. um projeto para a exploração industrial do babaçu. ainda. Ali. Newton Carvalho. Notas da família Carvalho Artigo do jornalista Waldir Braga no jornal “Folha do Maranhão do Sul” (25/Julho a 03/Agosto de 1996) Revista Século XX “Gente que fez Carolina” de Paulo Noleto Queiroz. trabalhou na Secretaria de Educação no planejamento e construção de 248 prédios escolares na zona rural. Em 1949. dedicou-se com afinco ao estudo da matemática. Ali. obras porém não realizadas. projetos para as usinas de Campos Belos e Babaçulândia. Memória Técnica da Usina de Itapecuruzinho. Diversificando suas atividades. apresentando um estudo sobre o aproveitamento do mesmo. a esposa Eliza Ayres de Carvalho e seus filhos. tendo adquirido por conta própria noções de inglês e alemão. resolveu transferir-se com a família. baseado no método dinamarquês. No período de 1961 a 1965 exerceu a função de chefe-geral da limpeza pública da capital do estado. Ainda não havia atingido quarenta anos quando resolveu vender todos os seus bens para conseguir tornar real o sonho de executar o projeto da construção da pequena usina hidroelétrica em Carolina. em 1944. também. nascida em Vianna do Castelo. Em sua cidade natal. principalmente com a da iluminação pública.

130 .

A barragem era uma estrutura de concreto gravidade em arco de 100 m de raio. em 30 de maio de 1905. fundador e segundo presidente (1915-28) empreendimento foi o engenheiro Clint H. Concepção artística do engenheiro José Carlos de Miranda Reis Neto Figura 2 . Em 1909 foi ampliada com a instalação de mais três unidades geradoras. Em 1908 foi lançado o primeiro grande desafio: a construção no Ribeirão das Lajes. Liderada pelo advogado canadense Alexandre Mackenzie e pelo engenheiro americano Frederick Stark Pearson.Alexander Mackenzie. mas podendo chegar a 15 MW. que deu grandeza ao sistema elétrico brasileiro com projetos ousados. Essa usina. O desenvolvimento da construção. primeiro presidente (1904-15) 131 . com 32 m de altura e crista com 234 m dos quais 134 m eram vertedouro de lâmina livre. 2007 A Light no Rio de Janeiro. mesmo em comparações internacionais.” Antonio Dias Leite. Ltd. da usina de Fontes.Frederick Stark Pearson. residentes no Brasil havia cinco anos. elevando sua capacidade para 24 MW. O gerente do Figura 1 . coube a tarefa de implantar e Casa de força de Fontes. Kearny. no Estado do Rio de Janeiro. na época de sua instalação era a maior hidroelétrica da América Latina e a segunda maior do mundo. A potência instalada era de 12 MW. operação e manutenção de usinas hidroelétricas no Brasil tem um dos capítulos mais importantes na criação de uma empresa chamada The Rio de Janeiro Light and Power Co. recomendado pelo engenheiro Pearson. a Cidade Luz Sulamericana Armando José da Silva Neto e Flavio Miguez de Mello por em funcionamento no Brasil a empresa que seria referência no desenvolvimento da engenharia brasileira de barragens e usinas hidroelétricas. no Município de Piraí.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens “Ter-se-á de reconhecer a importância da contribuição da Light.

Barragem de Lajes construída em 1906 Figura 5 – Saída do túnel de Tócos Em 1914 foi concluída a barragem de Tócos no rio Pirai e um túnel com 8. Os dois escritórios da LIGHT nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo foram reunidos em um só visando a ampliação da geração de energia hidráulica já que a demanda naquela época não parava de aumentar em função do desenvolvimento que estava ocorrendo no País.4 km de extensão. Esse túnel passou a derivar as águas do rio Pirai para o reservatório de Lajes. XX e XXI Figura 4 . na época o mais longo túnel hidráulico do mundo.Barragem de Tócos vista de montante Figura 3 .A História das Barragens no Brasil . possibilitando o aumento de capacidade de Fontes para 55 MW.Séculos XIX. 132 .

Construção da usina hidroelétrica Ilha dos Pombos em 1924 133 . MG no rio Paraíba do Sul a 150 km da cidade do Rio de Janeiro. o vertedouro principal é localizado na margem esquerda. a usina tem um canal de adução com 2. do lado norte.5 km de extensão constituído por diques de terra compactada e trechos em concreto.Engenheiro Asa White Kenney Billings Figura 7 . RJ e Além Paraíba. Figura 6 . A construção da usina ficou a cargo do engenheiro Asa W. Há vertedouros de menores capacidades equipados com comportas Stoney. Com três comportas tipo setor que até hoje são as maiores do mundo. Inaugurada em julho de 1924. As comportas se encontram em operação até os dias de hoje. que era especializado em obras hidráulicas e seus equipamentos. Kenney Billings.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 1921 a LIGHT foi autorizada a construir uma nova usina hidroelétrica nos municípios de Carmo.

as maiores do mundo Com as ampliações realizadas em setembro de 1937. Vista de montante. a LIGHT foi autorizada a ampliar a Usina de Fontes. XX e XXI Figura 8 . 134 . Em março de 1940.Usina hidroelétrica de Ilha dos Pombos tendo seus vertedouros reabilitados. nos anos 90. bem como uma repotenciação da usina com aumento da capacidade instalada.A História das Barragens no Brasil .Usina hidroelétrica de Ilha dos Pombos – Uma das três comportas setor. Figura 9 .Séculos XIX. a usina de Ilha dos Pombos atingiu a potência instalada de 167 MW sob 31 m de queda bruta. Após mais de 55 anos de operação. foi executada uma reabilitação completa da barragem e de suas comportas.

Início do alteamento da barragem de Lajes Figura 11 . elevando a potência instalada para 172 MW. o reservatório jamais foi completamente cheio por dois motivos: o abastecimento de água para a cidade do Rio de Janeiro havia passado a depender das descargas efluentes da casa de força de Fontes sem outro tratamento que não a cloração e a necessidade de obras adicionais para garantir a estabilidade da barragem de Cacaria e do Dique 4. no Dique 4 e no Dique 5.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O projeto do engenheiro Billings elevou em 26 m a Barragem de Lajes.Barragem de Lajes após a conclusão do alteamento 135 . A obra foi concluída em 1958. Entretanto. Para permitir a construção foi necessário desocupar a pequena cidade tombada de São João Marcos no município de Rio Claro. aumentando a capacidade de armazenamento do reservatório para 1. O reservatório havia sido idealizado para ser utilizado para regularizar as descargas que seriam derivadas do rio Paraíba do Sul. Essas obras foram finalmente executadas nos anos 80. implicou também na construção da barragem e do dique de Cacaria. Figura 10 . O alteamento da barragem que passou da soleira vertedora livre em arco gravidade para uma barragem em contrafortes de 63 m de altura. na barragem do Rio da Prata. cada uma com 39 MW.052 milhões de metros cúbicos. A ampliação constou de três novas unidades.

restando apenas as três unidades Francis de Fontes Nova e as seis unidades de Nilo Peçanha. denominada Fontes Nova e na implantação da casa de força subterrânea de Nilo Peçanha que. Carlos Lacerda. Sapucaia e Simplício) e efetuado estudos que cobriram extensas áreas do território nacional. todas Francis de eixo vertical. resultou na ampliação de geração em Fontes com a instalação de três unidades Francis de 39 MW cada. desde a vertente oceânica da Serra do Mar até as Sete Quedas. Nesse cenário.Casa de força de Fontes 136 .A História das Barragens no Brasil . Esse cerceamento de novas concessões e a necessidade de ampliação da geração determinaram a adoção do artifício de se conceber uma ampliação da usina de Fontes pela derivação de descargas dos rios Pirai e Paraíba do Sul. que se referia a ela como “o Polvo Canadense”. Essa foi a obra de engenharia mais importante no final dos anos 40 e início dos anos cinqüenta. até o líder da UDN. à Light não eram concedidas novas concessões. Inaugurada em 1953. sob a queda bruta de 310 m. desde extremados esquerdistas que se intitulavam de nacionalistas. aumentou em 378 MW o Complexo de Lajes. embora ela tenha estudado em detalhe potenciais no médio rio Paraíba do Sul (Funil. XX e XXI Apesar dos bons serviços prestados e do estrangulamento das tarifas a partir do Código de Águas em 1934.Séculos XIX. a Light enfrentava opositores de todas as correntes políticas. Presentemente as antigas unidades Pelton de Fontes estão desativadas. Figura 12 .

a elevatória de Vigário que dispõe de unidades reversíveis. de grandes dimensões para a época. Embora constasse do projeto original. destacando-se a elevatória de Santa Cecília.Barragem Santana 137 . a construção da barragem Terzaghi e do dique Vigário. a segunda casa de força de Nilo Peçanha ainda não foi construída. e a casa de força subterrânea de Nilo Peçanha.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Para esta fase da ampliação uma série de obras foram executadas. Figura 13 . projeto em que Karl Terzaghi introduziu filtros chaminés em barragens de terra. no rio Pirai construída em apenas dois meses. as terceiras instaladas no mundo depois das unidades de Traição e Pedreira em São Paulo. que contou com a importante colaboração do geólogo Portland Port Fox. ficando as usinas de Fontes Nova e Nilo Peçanha com elevado fator de capacidade.Barragem de Santa Cecília Figura 14 . também instaladas pela Light. a barragem de Sant’Ana.

bloqueando os canais de fuga de Fontes e de Nilo Peçanha. ambos de elevada competência e dedicação. Realça-se a coragem dos operadores e a tenacidade da equipe da Light na recuperação das instalações cuja operação era comandada pelos engenheiros Walter Stukembruk e Henrique Smoka. a Light teve que promover a regularização do rio pela implantação da barragem de Santa Branca e contribuído com 40% do Figura 15 .Séculos XIX. XX e XXI Em fevereiro de 1967 intensa precipitação provocou inúmeros deslizamentos nas encostas da Serra das Araras na área das usinas.Elevatória de Vigário. ao fundo dique do Vigário e a barragem Terzaghi 138 . Para que a derivação das águas do rio Paraíba do Sul fosse licenciada.Desvio Paraíba-Piraí .A História das Barragens no Brasil . O refluxo de lama inundou a casa de força de Nilo Peçanha causando a paralisação da usina por vários meses para a recuperação dos equipamentos totalmente feita pelos técnicos da Light.

As estruturas de concreto da tomada d’água e do vertedouro. aproveitando as águas turbinadas do Complexo de Lajes. João Monteiro 139 . Curiosamente a Light esperou a posse do presidente Castelo Branco em 1964 para oficialmente inaugurar a usina. com 99 MW instalados sob 36 m de queda bruta.Presença do Terzaghi (ao fundo) no campo durante a construção da barragem que tem o nome em sua homenagem Figura 17 . Em 1961 foi concluída a usina de Ponte Coberta. posteriormente denominada de Pereira Passos. Figura 16 . J.R. Ministro Apolonio Salles. Nicholson.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens investimento na construção das barragens de Paraitinga e Paraibuna. este com 330 m³/s de capacidade de descarga. essa usina foi inicialmente denominada Lajes Auxiliar.Inauguração da hidroelétrica Nilo Peçanha. A barragem de terra tem 52 m de altura e 231 m de crista. Considerando as dificuldades acima mencionadas na obtenção de novas concessões.Canal de fuga de Nilo Peçanha em 1967 Foto 18 . são situadas na margem esquerda do reservatório. no trecho paulista da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. Somente nos anos 90 a Light instalou as unidades geradoras em Santa Branca.

em visita de inspeção após o acidente de 1967 140 . governador do Estado do Rio de Janeiro em inspeção nas usinas geradoras da Light no dia 4 de fevereiro de 1967.A História das Barragens no Brasil . presidente da Light. chefe da casa militar. americano e nacional para. XX e XXI No final do século passado foi desenvolvido o projeto da PCH Paracambi. Castelo Branco e Gallotti.Pres. General Ernesto Geisel. Figura 20 . ser de controle integralmente nacional. presidente da Light e Geremias Fontes. após os acidentes ocasionados pelas intensas precipitações.João Gonçalves de Sousa. A Light foi estatizada em 1966 e privatizada em maio de 1996. Essa hidroelétrica terá 25 MW instalados com elevado fator de capacidade. tendo passado de grupos francês. Figura 19 . presidente da República. ministro extraordinário para coordenação dos órgãos regionais.Séculos XIX. Antônio Gallotti. mais uma hidroelétrica no leito do ribeirão Das Lajes que presentemente (2011) encontra-se em construção. presentemente. Marechal Castelo Branco.

ao ser agraciado com o título de Engenheiro Eminente pela Associação dos Antigos Alunos da Politécnica.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 21 .Inundação da casa de força de Nilo Peçanha. em 2010 141 . inspeção de barco Figura 23 . professor da UFRJ.O atual presidente da Light após ter dirigido a ANA e a ANEEL.Construção da barragem de terra de Ponte Coberta. parte da hidroelétrica Pereira Passos Figura 22 . Jerson Kelman. Dr.

Alexander Mackenzie. fundador e segundo presidente (1915-28) 142 .

Nos anos 80. e esse é apenas um dos diversos lugares que se situam no entorno de São Paulo e que poderão vender mais energia para todos seus cantos. telefonia. Seylaz. superintendente geral da São Paulo Gas Company e G.E.5 m de altura. passando a ter 18. and this is but one of the several places that stand around São Paulo and sell more power to its elbow”  Rudyard Kipling* * “Eles (Light) afirmam agora que podem fornecer meio milhão de cavalos-vapor somente deste local (Cubatão). posteriormente denominada Edgard de Souza. Fomentadora de Progresso “They (Light) say now that they could deliver half a million more horse-power from this place alone (Cubatão). 143 . Nas fotografias L. considerando a extrema alteração nos coeficientes de escoamento da área de drenagem devida à intensa ocupação urbana da cidade de São Paulo e de cidades vizinhas. nova importante reabilitação foi feita. A capacidade instalada inicial era de 2 MW. Anderson.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A São Paulo Light.” Figuras 1a e 1b .H. A barragem foi construída em alvenaria de pedra com vertedouro de superfície livre em quase toda a extensão de sua crista. tendo sida aumentada a capacidade de descarga do vertedouro. serviços de bondes e ônibus. Light & Power Company e iniciou imediatamente a construção da hidroelétrica de Parnaíba. tesoureiro presidente da Companhia Telefônica Brasileira. situada na cachoeira do Inferno. incluindo fornecimento de gás.Desde os primeiros anos a Light constituiu diversas outras empresas de serviços em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 1954 a antiga casa de força foi substituída por uma estação de recalque com unidades reversíveis e a barragem foi alteada em seis metros através de contrafortes e lajes planas. Edgard de Souza foi a primeira de uma série de obras hidráulicas executadas nas proximidades da cidade de São Paulo dos últimos dois anos do século XIX até meados do Século XX. Armando José da Silva Neto e Flavio Flavio Miguez Miguez de de Mello Mello Em 1899 o advogado canadense Alexander Mackenzie fundou a The São Paulo Railway. no rio Tietê e inaugurada em 1901. Foram introduzidas três comportas de segmento com capacidade de 800 m³/s.

O País entrava em estado de sítio. com 20 m de altura é em arco gravidade. a Light adquiriu da Empresa de Eletricidade de Sorocaba a concessão da hidroelétrica de Itupararanga e concluiu as obras em 1914 com três unidades de 11. A barragem é de terra com 15. Uma cheia extraordinária nos anos oitenta fez com que fosse executado um vertedouro adicional na ombreira esquerda. O canal aberto à mão teve que ser ampliado e as fundações escavadas. em apenas onze meses. O empreendimento foi feito em duas etapas: a usina de Cubatão e a usina de Henry Borden que operavam em paralelo. A usina. A intensa estiagem de 1924 fez com que Asa White Kenney Billings. A coluna Miguel Costa – Prestes iniciava a sua longa marcha. a hidroelétrica de Rasgão. foi construída em 1906 a barragem de Guarapiranga situada no principal afluente do rio Pinheiros. as comprou e as trouxe para São Paulo. tinha o caráter provisório. com duas unidades de 9.000 m³ foi proveniente de área de empréstimo escavada à mão. a maior carroça transportava no máximo 15 toneladas e as estradas eram de tráfego precário. O canal ficou sendo conhecido por Rasgão. A barragem. A barragem teve tratamento de concreto projetado no paramento de montante. Seu volume de 505.Séculos XIX. tratamento este que só havia sido feito na fundação da barragem de Balbina. A Light descobriu duas unidades Francis de 9 MVA em fabricação no exterior.1 MW cada. A logística era muito difícil. o circuito inicia-se pela barragem de Figura 2 – Ferdinand M. XX e XXI Com o objetivo de regularizar as afluências à usina de Edgard de Souza. A época era convulsionada por movimentos revolucionários tenentistas como o de 5 de julho que ocupou São Paulo por semanas. engenheiro americano de elevada competência que vinha de obras na Espanha e no México.3 MW. inaugurada em 1925. o que demandava explosivos nessa época tão explosiva. aproveitando canal escavado pelos escravos de um proprietário de terras na região de nome Fernão Paes de Barros quase um século antes com a esperança nunca concretizada de achar ouro no leito do rio Tietê. De montante para jusante. construísse. o solo foi transportado por tração animal e compactado apenas com a passagem das carroças. a tomada d’água do canal de adução teve reforço em seus contrafortes e a tomada d’água da casa de força teve tratamento de sua fundação por injeção de calda de cimento a alta pressão com cracagem do solo.A História das Barragens no Brasil . tributário do rio Tietê. Nos anos oitenta as estruturas civis da barragem e das duas tomadas d’água do canal de adução e da casa de força foram reabilitadas tendo em vista o elevado estado de deterioração e os preocupantes resultados das análises de estabilidade que foram realizadas. No início da segunda década do século passado. tendo posteriormente dado nome à barragem e à usina.G. Como elemento de impermeabilização foi executada uma cortina de estacas prancha na linha de centro da barragem. injeções de calda de cimento sob a laje executada no pé de montante e teve reforço por atirantamento. A casa de força foi também reabilitada e voltou a operar em 1989. Budweg 144 . mas operou até 1961 quando foi paralisada devido a excesso de percolação sob a tomada d’água da usina. O maior empreendimento foi conduzido por Billings: o chamado Projeto da Serra que aproveitava descargas derivadas da bacia do rio Tietê para a baixada Santista.6 m de altura e 1500 m de crista.

Essa barragem represa as águas até a estação de recalque de Edgard de Souza. A condicionante de projeto era conseguir um esquema que permitisse Figura 3 – Esquema do lake piercing o deplecionamento do reservatório antes da chegada do pico da cheia.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Pirapora no rio Tietê a montante do reservatório de Rasgão. Considerando a impossibilidade do deplecionamento do reservatório durante a construção por serem baixas (6. houve a necessidade de ampliação da capacidade de descarga vertida e a proteção à cidade de Pirapora do Bom Jesus que se situa logo a jusante da barragem. sendo esta amortecida no reservatório previamente rebaixado.40 m) as duas comportas de segmento que ocupam quase toda extensão da crista da barragem. Essa cidade era inundada a partir de descargas de 480 m³/s.6 milhões de habitantes em 1955 para 15 milhões em 1990. é provida de um vertedouro de superfície com duas comportas de segmento de 830 m³/s de capacidade. Essa barragem de 43 m de altura em concreto gravidade. revertendo o curso do rio Tietê. Com as expressivas alterações dos coeficientes de escoamento que ocorreram em sua área de drenagem devido à intensa ocupação urbana que passou de 3. a solução Figura 5 – Instante da detonação do septo de rocha Figura 4 – Execução da ensecadeira dentro do túnel 145 . concluída em 1956.

tendo sido escavado um túnel de jusante para montante com extensão de 168 m e seção de 48 m² pela ombreira direita até bem próximo ao fundo rochoso do reservatório onde. foi construída uma ensecadeira de terra no interior Figura 6 – Saída do túnel em operação Figura 7 . XX e XXI encontrada pelo engenheiro Ferdinand M.Séculos XIX.Vertedouro da barragem de Pirapora 146 146 . deveria ter sido escavada uma depressão (rock trap) para receber a rocha quando da abertura final.A História das Barragens no Brasil .G. As obras foram realizadas no início dos anos noventa. de acordo com o projeto original. Budweg foi a execução de um lake piercing. solução única no País. Em seguida foram instaladas duas comportas de segmento no interior do túnel.

foi concluída com sucesso em 1993. A obra que incluiu também alargamento da calha natural do rio a jusante da barragem. presidente de 1925 a 1941 147 . situada a montante de Pirapora. penetrando no rio PinheiFigura 10 – Miller Lash.Barragem de Pedreira ou do Rio Grande do túnel para proteção das comportas quando da detonação final e detonada uma carga que abriu a entrada do túnel pelo fundo do reservatório. Essas duas barragens fazem com que o rio Tietê flua de jusante para montante. não mais ocorrendo inundações na cidade de Pirapora do Bom Jesus. O circuito hidráulico do Projeto da Serra inclui a barragem e a estação de recalque de Edgard de Souza. A capacidade de descarga da barragem passou para 1450 m³/s.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8 – A estação de recalque de Edgard de Souza Figura 9 .

último presidente da Light envolvendo Rio de Janeiro e São Paulo (1965 a 1974) Figura 11 – Sir Herbert Couzens. O diafragma. além de ser um elemento impermeabilizante. com seis unidades idênticas de 88 MW 148 . subterrânea. Além dessa barragem.A História das Barragens no Brasil . A barragem de Pedras é uma estrutura de concreto em arco gravidade com 35 m de altura concluída em 1926. presidente de 1941 a 1944 e formigas) como afirmou Billings em palestra realizada em Londres em 1936. um em cada lado das estruturas de concreto da estação de recalque. quatro dos quais feitos como aterros hidráulicos e os restantes por transporte animal e compactação apenas pelo tráfego das carroças. Gallotti. alimentando a represa de Billings e daí o reservatório da barragem de Rio Das Pedras. o reservatório de Billings é fechado por outras 13 barragens ou diques. com 25 m de altura e contendo um diafragma de concreto armado central que vai das fundações até o nível d’água máximo normal do reservatório de Billings.Séculos XIX. A barragem de Pedreira ou do Rio Grande é constituída por dois aterros hidráulicos. foi também concebido como “protection against burrowing animals and ants” (proteção contra roedores Figura 13 .50 m.A. represando as águas na elevação 728. a céu aberto com oito unidades no total de 661 MW. As águas estocadas na represa de Billings acessam o reservatório da barragem de Pedras situada na crista da serra do Mar onde o rio das Pedras inicia uma sucessão de cachoeiras e corredeiras em direção à Baixada Santista. XX e XXI ros que também flui de jusante para montante pela ação das elevatórias de Traição e Pedreira implantadas no período 1938-1940. e Henry Borden. O Projeto da Serra era concluído pela condução das vazões com 710 m de queda bruta para as casas de força de Cubatão.

portanto.Seção transversal da elevatória de Traição 149 . A instabilidade natural das encostas da Serra do Mar foi um dos fatores para que Karl Terzaghi recomendasse que a casa de força de Henry Borden fosse subterrânea. instaladas pela Rio Light em 1953. Figura 12 . sendo restrito a ocasiões de ocorrência de precipitações intensas com o objetivo de minimizar as consequências das enchentes na cidade de São Paulo e no vale do rio Tietê. A usina de Henry Borden era a ampliação da usina de Cubatão. o bombeamento para o reservatório de Billings foi praticamente suprimido. perda de geração do Projeto da Serra que tanto progresso garantiu a São Paulo. Todas unidades são com turbinas Pelton. Dignas de nota são as unidades das elevatórias de Traição e Pedreira que foram as primeiras unidades reversíveis a serem instaladas no mundo. por imposições ambientais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cada. Nos anos recentes. Houve. seguidas pelas quatro unidades da elevatória de Vigário.

150 .

Engenheiro Hildebrando de Araujo Góes. Figura 1 – Barragem de Macabú Em 1940 a Comissão para o Saneamento da Baixada Fluminense. Com a redução da população de mosquitos a malária foi erradicada a ponto de muitas pessoas não saberem hoje que ela existiu. em certos casos. após a Segunda Guerra Mundial.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Barragens do Departamento Nacional de Obras de Saneamento . que na época era a principal atividade econômica da região. Os trabalhos se destinavam a drenar as terras e protegê-las contra inundações. principalmente mediante abertura de canais e construção de diques. moradias e empresas sejam periodicamente inundados. Ele originou-se de uma comissão. Por outro lado. criada em 1933. A ênfase no objetivo sanitário levou. que na época era doença endêmica na região em torno da cidade do Rio de Janeiro.DNOS Paulo Poggi Pereira A origem O Departamento Nacional de Obras de Saneamento . foi transformada no Departamento 151 . a dimensionar a drenagem apenas para escoar as águas da chuva em um prazo que impossibilitasse a reprodução dos mosquitos e permitisse a utilização da terra para criação de gado. em grande parte devido à atuação de seu diretor. que não levaram em conta a vulnerabilidade a inundações de parte da área. o que faz com que hoje muitos logradouros. cujos extensos alagadiços formavam um ambiente favorável à procriação de mosquitos transmissores da malária. incluindo grande número de barragens. construiu obras hidráulicas para diversos fins em todo o Brasil. para o saneamento da baixada fluminense. os municípios da Baixada Fluminense permitiram a urbanização destas terras com loteamentos inadequados.DNOS foi um órgão federal que. entre 1940 e 1990.

Uma providência necessária nas obras feitas no planalto do Rio Grande do Sul foi interromper a concretagem quando a temperatura ambiente ficava muito próxima de zero graus centígrados. confeccionado com brita de granulometria pouco mais graúda do que o normal no qual.Séculos XIX. Nos itens seguintes são apresentadas informações sobre estas barragens.00 m de diâmetro após ser revestido. e não foram adicionadas as pedras de mão. com este mesmo objetivo limitava-se a espessura de cada camada de concreto colocada durante a construção. não mais que 200 kg de cimento por m 3. concluída em 1949. adotou-se dosagens modestas. tendo sido impermeabilizado posteriormente mediante injeções de calda de cimento. em todas as outras obras foi utilizado equipamento capaz de preparar e colocar concreto feito com agregados maiores. logo após seu lançamento e durante sua vibração. bastante resistente. Não se dispunha de areia adequada no local nem muita experiência neste tipo de concreto na época. mas com fissuras. a entidade nacional que construiu barragens com a maior diversidade de funções. apoiando programas de eletrificação dos estados. e evitar que o aquecimento que ocorre durante sua hidratação aquecesse o concreto além do limite aceitável. naquela época ainda não existia a Eletrobras nem outro organismo com a atribuição de aplicar recursos federais em eletrificação. Era difícil fiscalizar os trabalhos de modo a garantir a correta colocação das pedras de mão. o que eventualmente acidentou alguns operários. Alguns dias após a escavação de alguns metros do túnel. que continuou trabalhando ativamente na Baixada. O Quadro 1 apresenta a localização e as características principais destas obras. o concreto desta 152 . XX e XXI Nacional de Obras de Saneamento. Depois foram sendo atendidas solicitações para construção de barragens de outras finalidades. e ao final será descrita sumariamente a sistemática utilizada para realizar os trabalhos de construção e a atuação dos engenheiros que lideraram o DNOS. havendo casos em que foi de apenas um metro. os quais foram sendo resolvidos pelos engenheiros do órgão. o que fez do DNOS. face à necessidade de cumprir prazos. mas estendeu sua atuação para todo o território nacional. com boas condições de fundação para barragens deste tipo. A partir de 1944 o DNOS foi encarregado de construir barragens para usinas hidroelétricas. primeira obra não foi feito com a necessária impermeabilidade. Hidroeletricidade Quando acabou a Segunda Guerra Mundial o DNOS começou a construir barragens do programa de eletrificação do estado do Rio Grande do Sul. passando depois a atuar em outros estados. aproveitando o fato de que os locais de implantação eram rochosos. A rocha local era basalto. Uma vez que as tensões que ocorrem numa barragem tipo gravidade. por este motivo.A História das Barragens no Brasil . construída em concreto simples com relativamente pouco cimento. reunidas de acordo com suas finalidades. ocorreram problemas técnicos imprevistos nas obras. não exigindo grande resistência. não muito alta. Como de costume. Duas destas barragens foram feitas com concreto ciclópico. Uma solução interessante foi a estabilização provisória do teto de um túnel que tinha 1200 m de extensão e seção circular com 9. para fazer frente ao alto custo do cimento na época. é do tipo arco-gravidade. o que poderia resultar na abertura de trincas no maciço. soltavam-se blocos de rocha do teto. ao longo de seus 50 anos de existência. porque o cimento poderia ter sua pega prejudicada pelas temperaturas excessivamente baixas. Com uma única exceção todas elas foram feitas de concreto. são pequenas. os operários colocavam manualmente pedras de mão. A primeira barragem de grande porte foi a de Capingui.

O projeto foi proposto como variante. dispensou a importação de roof bolts. e funcionou perfeitamente. Nos Estados Unidos eram realizadas estabilizações deste tipo perfurando a rocha do teto do túnel e introduzindo nos furos hastes metálicas especiais. que prendiam os blocos de rocha superficiais à rocha mais distante da superfície da escavação. impedindo quaisquer outros desabamentos. cujo diretor técnico Figura 2 – Barragem de Glicério 153 . chamadas roof bolts. na concorrência para execução da obra. engastado na rocha de fundação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A solução encontrada foi implantar uma abóbada de concreto simples bombeado. O sistema empregado evitou colocar os operários em risco perfurando o teto do túnel. Uma novidade tecnológica que o DNOS precisou enfrentar foi a construção da barragem de Ernestina. algumas horas após a abertura de cada trecho de túnel. foi executado com equipamento e material disponível na obra. que consistia em um muro vertical de concreto protendido. pela empresa Estacas Franki. apoiando o teto nas paredes laterais.

comentou que só ficaria tranqüilo se o projeto previsse a remoção da areia e a colocação do enrocamento diretamente sobre a rocha subjacente. ficou compreensivelmente apreensivo com relação à solução dada para a fundação. Na última obra de que participou. o DNOS ficou encarregado apenas da orientação técnica e da fiscalização das obras.Séculos XIX. com uma delgada camada de barragens destinadas a hidroeletricidade. barragem de Passo Fundo. que foi ao longo de toda a vida um grande engenheiro entusiasta de tecnologia de ponta. todas as demais obras para hidroeletricidade foram do tipo gravidade.Seção transversal da barragem de Pedra 154 .A História das Barragens no Brasil . e venceu a barragem tipo gravidade aliviada. A barragem foi construída pela empresa proponente e funcionou adequadamente. na Bahia. Figura 3 . uma vez que já existia entidade federal com a incumbência específica de promover a eletrificação do país. Em 1973 o DNOS encerrou suas atividades na construção de A única barragem mais sofisticada foi a de Pedra. Com exceção da barragem de Canastra. no Rio de Contas. preferindo-se sempre soluções mais simples e menos ousadas. que foi construída em contrafortes sustentando lajes planas de concreto armado. com uma altura máxima de 65 m a partir da fundação rochosa. Como não havia condições para alterar o projeto. provindo os recursos da Eletrobras e do governo do estado do Rio Grande do Sul. britas e pedras arrumadas separando o enrocamento da areia da fundação. O diretor geral do DNOS na época. Engenheiro Camilo de Menezes. foi admitida a apresentação de variantes na concorrência para execução da obra. O projeto original desta obra previa um maciço de enrocamento apoiado em fundação de areia. uma estrutura tipo gravidade aliviada. mas este tipo de obra nunca mais foi adotado. construídas em concreto simples. XX e XXI à época era o professor Costa Nunes.

integrante da tomada d’água do sistema adutor constr uído pelo DNOS para abastecer Belo Horizonte. ao reservatório que abastece Fortaleza. dotada de comportas. suas características e os anos de conclusão das obras. Minas Gerais. é de concreto armado. através de um túnel. ponto este 155 . formado por um muro vertical engastado em uma laje horizontal ancorada na rocha de fundação. O sangradouro é do tipo labirinto. no único local da área onde existe rocha a profundidade adequada. Sua característica mais marcante é a calha do rio ter sido bifurcada em duas alças mediante dragagem. a qual é depois aduzida por gravidade. o sangradouro foi localizado. As barragens de Riachão e Pacoti formam um único reservatório. algumas delas têm características interessantes. e tem fundação em terra. e escoam para jusante as vazões excedentes do rio. informando a localização das mesmas. enquanto na outra alça vão sendo removidos os sedimentos que se depositaram enquanto ela esteve em operação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 4 – Barragem de Pedra Abastecimento de água a cidades O Quadro 2 relaciona as barragens construídas pelo DNOS para abastecer cidades. A Barragem do Rio das Velhas. Ceará. que regulariza a contribuição do Rio Pacoti. a duplicação destina-se a ter uma alça conduzindo lentamente água para ser captada.

no Rio Grande do Sul.A História das Barragens no Brasil . no Estado do Rio de Janeiro. ela foi projetada após uma campanha de furos de sondagem a percussão. realizados ao longo do eixo previsto para Figura 5b – Usina hidroelétrica de Passo Fundo . sobre fundação de argila mole. a área que pode ser irrigada. Aproveitando a existência de rocha de boa qualidade no local. na qual foi então implantado o sangradouro em labirinto. só tomando precauções para impedir que a água se aproximasse do maciço da barragem do Pacoti. A barragem de Juturnaíba. no rio São João. Da mesma for ma que a bar ragem acima mencio­­ nada. com base no volume acumulado. fornece água para abastecimento das cidades da Região dos Lagos. pesquisa realizada por sondagens a percussão. autorizandose então o respectivo plantio. XX e XXI a obra. A barragem é de terra.Séculos XIX. em cada ano. com o objetivo de conhecer os locais onde havia rocha subjacente.casa de força e adução encontrado através de uma extensa. é avaliada. Irrigação O grande sucesso do DNOS em matéria de irrigação foi o projeto que irriga aproximadamente 15. O restante da barragem foi construído em terra. dispensou-se o revestimento do canal de restituição. com fundação em rocha.000 hectares de arroz no município de Camaquã. Só foi encontrada rocha em uma pequena ilha. porém simples. A barragem do Arroio Duro fornece água para essa irrigação. com funda- Figura 5a – Usina hidroelétrica de Passo Fundo .condutos forçados 156 . a tomada d’água e a descarga de fundo. deixando-se a água escoar pelo terreno após seu vertimento. obras estas realizadas em concreto.

abortando assim o projeto de irrigação. relativamente curtas. Algumas medições de pressão intersticial na fundação. mas a barragem não apresentou nenhum problema. Estados Unidos. graças ao bom funcionamento do filtro. para povoar a reserva de Poço D’Antas. para proteger Blumenau e outras cidades do Vale. para depois constr uir em terra a Barragem Sul e finalmente a Barragem Norte.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens ção também em terra. mas o Estado de Santa Catarina a concluiu em 1992 e ela está funcionando a contento. esta desapropriação incluiu a área onde se previa o projeto de irrigação. a partir da barragem. no Estado de Pernambuco. além das barragens. Esta área podia ser abastecida de água por gravidade. o projeto previu uma cortina delgada de solo-cimento para vedação e um filtro instalado em uma trincheira situada no pé do talude de jusante. Entretanto. o que é indispensável para evitar a salinização do solo. Terminou sendo necessário complementar as barragens com dragagem do rio Itajaí a jusante de Blumenau. que só foi executada entre as cidades de Blumenau e Gaspar. foi desapropriada uma área de mais de 20. o rio teve sua capacidade aumentada mediante regularização e alargamento de sua calha. que recolheria as infiltrações. realizadas após a entrada em operação da obra. a jusante da barragem. possibilitando não só escoar sem extravasamento as vazões provenientes da área da bacia contribuinte não controlada pelas barragens. imediatamente a jusante da barragem. na bacia do Rio Capibaribe. O controle de cheias de Recife incluiu. Para controlar as infiltrações na fundação. Infelizmente o DNOS foi extinto antes de completar esta dragagem. Iniciou-se pela Barragem Oeste. que é liberado somente quando as vazões do rio Capibaribe aumentam a ponto de serem capazes de diluir e dar escoamento ao vinhoto sem criar problemas ambientais. mediante substituição por outra área equivalente para compor a reserva. com o crescente desenvolvimento de Cabo Frio e outras cidades litorâneas. e informa suas localizações. por outras de maior vão.000 ha para formar a reserva de mico-leão dourado de Poço d’Antas. a canalização do rio Capibaribe na área urbana daquela cidade. Goitá e Carpina. mencionada no ítem sobre abastecimento urbano. Alguns anos depois os jornais noticiaram a chegada de mico-leões dourados importados da Flórida. Foi solicitada a sua liberação. sem beneficiar esta última cidade nem a área a jusante da mesma. Infelizmente os locais onde podiam ser construídas barragens naquele vale não possibilitavam controlar a maior parte da bacia contribuinte. Estas obras aumentaram a capacidade da calha. como também operar as mesmas liberando vazões 157 . características e ano de conclusão. Quando foi projetada a barragem de Juturnaíba. planejou-se implantar irrigação de hortigranjeiros em uma área localizada na margem esquerda do canal do rio São João. em Santa Catarina. Tapacurá é utilizada também para fornecer água destinada ao abastecimento de Recife. além de outros cuidados habituais. caso a cortina não funcionasse adequadamente. e Goitá é utilizada para reter vinhoto. para implantar o projeto. em concreto gravidade. e sua cota era suficientemente alta para ter boa drenagem. A atual contribuição da barragem para irrigação resume-se em disponibilizar água para os fazendeiros que quiserem irrigar suas plantações captando água no rio São João. e substituição de duas pontes. sub-produto malcheiroso da indústria de cana de açúcar. mas este pedido não foi atendido. para abaixar satisfatoriamente o nível d’água naquela cidade. O Quadro 3 relaciona as barragens construídas pelo DNOS para irrigação. o DNOS não terminou a construção desta última. Outras barragens para controle de cheias foram as de Tapacurá. não indicaram funcionamento adequado da cortina de vedação. o reservatório de Juturnaíba tornou-se fundamental para abastecimento urbano de água na denominada Região dos Lagos do Estado do Rio. Quando estavam terminando as negociações com uma cooperativa. Controle de cheias As primeiras barragens para controle de cheias do DNOS foram construídas no Vale do Itajaí.

Algumas outras barragens do DNOS fazem controle de cheias como objetivo secundário. RS. para evitar enchentes na cidade. sendo o caso das barragens de Pedra. retendo em seus reservatórios apenas uma fração da cheia condizente com a capacidade dos mesmos. Flores. inundações a jusante. cujo reservatório só enche quando ocorrem chuvas fortes. evitando assim. que permitiu sua eventual inundação. A última barragem de controle de inundações construída pelo DNOS foi Arroio Gontam.Séculos XIX. Trata-se de uma barragem de concreto simples tipo gravidade. concluída em 1982. O Quadro 4 relaciona as barragens construídas pelo DNOS para controle de cheias e informa suas localizações. retendo os deflúvios e liberando-os aos poucos. XX e XXI Figura 6 – Barragem e diques de Tapacurá relativamente grandes. Passaúna e Juturnaíba. características e ano de conclusão. A característica especial desta obra é o fato do reservatório estar situado em terras do Exército.A História das Barragens no Brasil . Pampulha. 158 . na cidade de Bagé.

pelo Canal de São Gonçalo. o qual drena a Lagoa Mirim. e. nos parágrafos abaixo menciona-se a finalidade das mesmas e acrescenta-se alguns detalhes. prejudicando a irrigação. Esta lagoa é usada intensivamente como fonte de água para irrigação de arroz em ambos os países. Figura 7 – Barragem e Sangradouro de Arroio Duro Figura 8 – Barragem de Carpina 159 . durante a estiagem. situada no extremo sul do Brasil e é partilhada com o Uruguai.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Finalidades diversas O Quadro 5 relaciona barragens construídas com finalidades diversas. frequentemente entrava água salgada do oceano na lagoa. A mais importante destas barragens é a do Canal São Gonçalo. características técnicas e ano de conclusão. informando suas localizações.

Esses sedimentos passaram a ficar retidos no reservatório da barragem de Santa Lúcia. mas a curta distância. A pequena Barragem de Santa Lucia foi construída na zona urbana de Belo Horizonte. com 231 m de comprimento. o que proporciona um acréscimo de energia firme em cinco usinas hidroelétricas existentes a jusante. para permitir fácil captação e adução de água doce para abastecimento de Pelotas e do porto de Rio Grande. onde é obtida água para o abastecimento da cidade. houve empenho em construir a obra exatamente na calha do rio.Séculos XIX. produziam muitos sedimentos que assoreavam a calha do rio. prejudicando ou interrompendo as utilizações de água acima mencionadas. A barragem foi localizada a montante da cidade de Pelotas. Maranhão. possibilitando o acesso de embarcações vindas do mar até a cidade de Pinheiro. durante a urbanização da mesma. com a dupla finalidade de controlar as cheias do rio Leitão e reter seus sedimentos. e atravessa o canal. uma vez que qualquer mudança de posição poderia provocar divagações do leito do rio com graves conseqüências. ao longo destes anos a urbanização ficou mais consolidada e diminuiu a produção de sedimentos que causavam problemas. Periodicamente ocorrem grandes estiagens. o alagado também é utilizado para navegação. rompeu por erosão interna em 1954. de modo a não interferir no acesso marítimo àquela cidade. impedindo a penetra ção da língua salina e garantindo a disponibilidade de água doce. no topo da qual foram instaladas comportas basculantes. A barragem que existia na Pampulha. uma fábrica de cimento situada em Porto Alegre é abastecida com matéria prima vinda do Uruguai em barcaças que passam pelo Canal. A barragem do Canal da Flecha tem como finalidade controlar o nível da água na Lagoa Feia. A barragem é constituída por uma estrutura de concreto com uma cortina profunda de concreto armado. MG. Por outro lado. um dos dissipadores de energia das comportas funciona também como eclusa. depois de alguns anos. para permitir a continuação da navegação fluvial. Suas 160 . O projeto previu uma eclusa. na região de Campos – Rio de Janeiro. esta lagoa integra a drenagem da área. Para executar a obra foi aberto um canal de desvio com 120 m de largura e a calha do rio foi inteiramente aterrada no local previsto para a barragem. criação de gado e irrigação.A História das Barragens no Brasil . existe ali uma área alagada. o grande desenvolvimento que aconteceu recentemente nesta última cidade aumentou a importância da disponibilidade garantida de água doce criada pela barragem. e o DNOS a reconstruiu. Os movimentos de terra realizados na bacia do rio Leitão. e são fechadas na estiagem para impedir que a água salgada do Oceano Atlântico penetre na Lagoa. XX e XXI Após entendimentos com a República do Uruguai. o Governo incumbiu o DNOS de construir uma barragem para impedir a entrada de água salgada na Lagoa. A barragem de Chapéu D’Úvas controla parcialmente as cheias do rio Paraibuna e aumenta a vazão de estiagem do rio. ao lado da cidade de Pinheiro. além de aumentar a disponibilidade de água para o abastecimento de água de Juiz de Fora. A barragem possui comportas que são fechadas por ocasião das estiagens. Para manter a navegação. prejudicando seu escoamento. que recebe a contribuição de grande parte dos rios e canais da planície existente entre a margem direita do rio Paraíba do Sul e o mar. e. Quando necessário. o que torna importante controlar seu nível. Após a conclusão dos trabalhos a areia usada para o aterramento foi retirada completamente e o canal de desvio foi reaterrado. MG. A região é aluvionar. O barramento é de pequena altura. Em cota um pouco mais alta há uma passarela onde estão instalados mecanismos de comando das comportas. mantendo o espelho d’água. Outra barragem que impede a salinização de manancial de água doce é a do rio Pericumã. o reservatório da referida barragem ficou completamente assoreado. em Belo Horizonte. mas serve também como fonte de água para irrigação. as comportas são abertas para deixarem escoar o eventual excesso de água da Lagoa Mirim. que resultam em retração da lâmina d’água do alagado e intrusão de língua salina proveniente do oceano. por causa disso. engastada em fundação de areia e cascalho.

seus laboratórios de solos e concreto. as quais. foram realizados por funcionários do próprio DNOS. A orientação técnica do DNOS foi muito influenciada pelo Engenheiro Otto Pfafstetter. medição e controle de qualidade das obras. Tapacurá e São Gonçalo. ao US Bureau of Reclamation dos Estados Unidos e até mesmo à UNESCO. ao IPT de São Paulo. no Rio de Janeiro. Neste sentido recorreram. para que pudessem cumprir adequadamente suas tarefas. mas ambas as barragens ficaram em excelentes condições. amortecendo as vazões do rio Pampulha. morto em 1950 ao regressar de uma viagem para contato com a Administração Central do DNOS. facilitando assim a navegação. o laboratorista e os demais funcionários. seus engenheiros tinham que viajar com freqüência. Sendo o DNOS um órgão nacional. podendo-se citar as barragens Engenheiro José Batista Pereira. O primeiro deles foi com José Maia Filho. de laboratório. incluindo a locação. existentes na época. Foi autor de importantes trabalhos técnicos. entre outras entidades. As instalações para construção de cada barragem incluíam um conjunto de casas onde ficavam alojados o engenheiro residente. são de difícil definição. Outro trabalho muito interessante dele foi um sistema para designação de número de registro de trechos de cursos d’água. mas meia dúzia de outros países o adotaram. funcionário do órgão. Sempre foi uma preocupação dos dirigentes promover a capacitação dos engenheiros do órgão. para comunicação entre seus escritórios. muitas vezes. que bateu em um morro tentando pousar em Porto Alegre com pouca visibilidade. destinado à organização de cadastro nacional de cursos d’água. a empresa consultora procurou evitar relacionamento entre seus engenheiros e os engenheiros da empresa construtora. e realiza também controle de cheias. Nos seus últimos 15 anos de atividade o DNOS passou a contratar empresas para realizar os trabalhos técnicos de controle da construção de barragens. em um avião Constellation da VARIG. Não se sabe se esses cuidados eram realmente necessários. A organização dos trabalhos A construção das barragens sempre foi realizada por empresas empreiteiras. Este sistema não é utilizado no Brasil. esta numeração parte da foz dos rios e segue para montante. lazer e paisagismo. quase sempre de avião. que correm paralelamente à pista do aeroporto da cidade a jusante da barragem. como o livro “Chuvas Intensas no Brasil”. face às grandes distâncias a percorrer e à deficiência das estradas. autor de muitos projetos de obras importantes. Em pelo menos duas obras. Tendo em vista que as atividades do DNOS se desenvolviam em praticamente todos os estados da Federação. ao invés de partir das cabeceiras. mas nos primeiros 25 anos de construção de barragens os trabalhos de fiscalização. o DNOS montou uma rede de rádio que chegou a ter 50 estações. ajudando a diminuir as enchentes que inundam a cidade de Bacabal e pode ser usada para aumentar a vazão do rio Mearim durante a estiagem. Ele dirigia o Distrito do Rio Grande do Sul. A barragem do Flores. de controle dos serviços. Os engenheiros do órgão passaram a fiscalizar o trabalho das consultoras que realizavam os trabalhos topográficos. que tinham assim possibilidade de comunicação diária com os escritórios regionais e mesmo com a sede do órgão. Antes da adoção de motores a jato e equipamentos modernos para voo por instrumentos aconteciam muitos acidentes. e seu nome foi dado a uma barragem que o DNOS construiu naquele estado.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens finalidades são recreação. proibindo inclusive que fizessem refeições juntos. o topógrafo. controla parte das vazões que escoam pelo rio Mearim. e face à precariedade do Departamento dos Correios e Telégrafos (DCT) e do sistema telefônico. etc. para proporcionar estágios em 161 . Havia estações de rádio nas barragens e outras obras importantes. além disso. A Barragem Mãe D’Água foi construída para fornecer água para o laboratório do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. que é um afluente do rio Mearim. fornece água para irrigação.

e promoveu sua transformação em Departamento Nacional de Obras de Saneamento em 1940. como fazia o Departamento Nacional de Obras contra as Secas naquela época. Ele estabeleceu o sistema de trabalho pelo qual as obras eram executadas por empresas. que na época era a capital federal. uma vez que há uma lei proibindo dar nome de pessoas vivas a obras do governo. conforme havia sido solicitado. Figura 9 Hildebrando de Araújo Góes. após passado um ano. Dirigiu o Figura 10 . Após deixar a direção do DNOS. em vez de serem construídas por administração direta. Diretor-Geral do DNOS de 1946 a 1961 162 . Antes de transcorrer um ano o engenheiro Leitão. Os Gestores O primeiro Diretor do DNOS foi Hildebrando de Araújo Góes. que respondeu escrevendo que preferia continuar vivo. O Diretor Geral encaminhou o assunto ao homenageado. Muitos anos depois houve um abaixo assinado pedindo para dar o nome do Diretor de Obras do DNOS na época. com problemas tecnológicos ainda pouco conhecidos no país. primeiro Diretor do DNOS Camilo de Menezes. Os funcionários do DNOS orientavam e fiscalizavam os trabalhos. Como a grande maioria das empresas não dispunha de escavadeiras para abertura de canais. engenheiro do órgão.A História das Barragens no Brasil . a quem se queria homenagear. que assumiu a chefia da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense na sua fundação em 1933. como às vezes fazia. engenheiro Raimundo Cláudio Correia Leitão a uma barragem que ia ser construída no estado onde ele havia nascido. tendo ficado 15 anos no cargo. fazendo inclusive os levantamentos topográficos necessários para isto. O Diretor-Geral solicitou que o arquivo lhe remetesse os documentos referentes a este assunto de volta. Uma característica comum aos dois primeiros diretores foi continuar estudando assuntos de engenharia enquanto exerciam a direção do órgão. quando Getúlio Vargas era Presidente da República. Expandiu as atividades do DNOS para quase todos os Estados e enfrentou com sucesso o desafio da construção de grande número de barragens. o DNOS começou a adquirir este equipamento e contratar sua operação com empreiteiros. Foi então dado o seu nome à barragem. foi o Diretor-Geral seguinte. quando foi ser prefeito do Rio de Janeiro. XX e XXI órgão até o ano de 1946. morreu num desastre de avião em serviço.Engenheiro Camilo de Menezes. foi presidente da CHEVAP e diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense.Séculos XIX.

inaugurou as obras da adutora do rio das Velhas. pagos em café. mais tarde. governador do estado do Maranhão. Provavelmente o fabricante das máquinas não empregava técnicas de obsolescência programada.Paulo Baier. ao preço total de sete milhões de dólares. em cuja gestão foram executados aterros para saneamento de favelas no Rio de Janeiro. incluindo a Barragem de Pedra. que seria o último engenheiro da casa a dirigir o DNOS. Em 1974 outro engenheiro da casa.Geraldo Bastos da Costa Reis. saiu para ser superintendente da Sudene.José Reinaldo Carneiro Tavares. no rio de Contas. Ao tomar posse em 1990 o presidente Collor. estado da Bahia e a Barragem de Tapacurá. dirigiu o DNOS até sua extinção. da Alemanha Oriental. As obras e os serviços que o órgão estava executando Nos governos dos presidentes João Figueiredo e José Sarney sucederam-se no DNOS diretores que não eram engenheiros do serviço público federal. depois ministro de Minas e Energia e deputado federal. Fez com que as obras e serviços executados para o órgão fossem pagos na ordem cronológica da apresentação das respectivas medições e faturas na tesouraria. necessitando como grandes reparos apenas a substituição periódica dos motores quando acabava sua vida útil e a recomposição da mesa sobre a qual girava o conjunto formado pela cabine e a lança. o que conseguiu fazer apesar da renúncia de Jânio Quadros. depois ministro dos Transportes e. que deu prosseguimento às atividades relacionadas à irrigação no Nordeste e deu grande impulso às obras de controle de cheias no Vale do Itajaí. Goitá. Na sua gestão foram concluídas as barragens de Carpina. mas que se dedicaram ao trabalho com afinco e realizaram excelentes administrações. engenheiro do DNOS que imprimiu notável organização aos trabalhos. Em 1967 assumiu o cargo Carlos Krebs Filho. Pacoti e Riachão acima mencionadas. Assumiu então Jefferson de Almeida. que desenvolveu atividades voltadas para irrigação no Nordeste e deixou a direção para ser ministro da Irrigação. Estas máquinas prestaram bons serviços de 1964 até a extinção do DNOS em 1990. foram realizadas obras de defesa contra inundações em cidades às margens do rio São Francisco e tiveram início os estudos do governo federal para transposição do rio São Francisco para o Nordeste semi-árido. .Vicente Fialho . sendo três deles militares. Após a revolução de 1964 sucederam-se na direção do órgão quatro diretores que ficaram pouco tempo. o que fez com grande competência. Um aspecto interessante de sua gestão foi a compra de 200 escavadeiras marca Nobas. . Foram eles: . Diretor Geral do DNOS 163 . Deixou o cargo para assumir o governo do estado de Mato Grosso do Sul. Harry Amorim Costa. Faziam parte da compra peças sobressalentes no valor de um milhão de dólares. no estado de Pernambuco. que aumentou substancialmente o abastecimento de água a Belo Horizonte.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 1961 o presidente Jânio Quadros nomeou Diretor Geral do DNOS o engenheiro do DNER Geraldo Bastos da Costa Reis. Na sua gestão foram concluídas dez barragens. ajudado por sua longa experiência como Diretor Geral Substituto. determinou a extinção do DNOS. Na sua gestão foi concluída a construção da Barragem do São Gonçalo. com a missão de transformar o órgão em autarquia. Figura 11 . assumiu a direção do DNOS e manteve a mesma sistemática de trabalho.

700.275 22. Paula Ijuí Espumoso Poços Caldas Oliveira Sacramento Glicério Angelina Canela Jequié Jaguarí São Valentim Xanxerê UF RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS MG MG MG RJ SC RS BA RS RS SC RS TIPO / MATERIAL Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Muro de Concreto Protendido Contrafortes / Concreto Armado Terra Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto / Terra ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO RESERVATÓRIO COROAMENTO MÁXIMA MACIÇO(m³) (m³) (m) (m) 3.000. em Santa Catarina..000 40.900 18.750.000 10.00/511.Inauguração de uma barragem no Nordeste.000 6.500 80.000 16. .800/14.000.900 5.000 58. o engenheiro Carlos Krebs Filho.000.000 3.000 155 150 220 100 125 239 600 400 174 896 200 507 164 432 200 113 188 256 100 193 440 582 646 505 582 3..50 3 22 4. em Minas Gerais e a Barragem Norte.000 370.000.000 desenhos de projeto de obras. ficando sem condições de ser consultado.. F. Muitas empresas de engenharia que estavam prestando serviços ou executando obras ficaram numa situação financeira dificílima.000. XX e XXI foram paralisados.000 Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Ciclópico Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Ciclópico Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade Aliviada / Concr.500 119. Paula Passo Fundo Canela Uruguaiana Passo Missões S.500. F. somente duas barragens estavam em construção naquele momento: a Barragem de Chapéu D’Uvas. Entretanto. sem que fosse criada uma alternativa.000 4. Ramos S.000 350. a construção dessas duas barragens foi concluída alguns anos mais tarde.500 8.. Resumindo.50 65 22 40 15 22 38.BARRAGENS PARA HIDROELETRICIDADE LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Ivaí Ijuizinho Capinguí Guarita Forquilha Divisa Santa Cruz Jacuí Santa Maria Sanchuri Guarita Santa Cruz Ijuí Jacuí Antas Jacaré Araguari Macabu Garcia Santa Maria Contas MUNICIPIO Julio Castilhos Santo Ângelo Passo Fundo Passo Missões Marc..000 539. que tinha perto de 40.A História das Barragens no Brasil .000. foi entregue ao Arquivo Nacional.800 2.. Esta última chegou a ter sua vila residencial do canteiro de obras invadida por índios naquela ocasião.000.000 31.500 11.000.000 30.30 42.000 15.000 400. Figura 12 . Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto / Terra PEDRA PASSO FUNDO XANXERÊ FURNAS DO SEGREDO Jaguarí Passo Fundo Chapecozinho Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples ITÚ Itaquí Itaquí 164 .000 10.000 250. F.300 24.000.000 26. Paula S.000.50 3 25 11. Por sorte. Diretor-Geral do DNOS de 1967 a 1974 e o engenheiro Jefferson de Almeida.50 15 24 6 11 17 9 24 11 8 15 20 19 24.000 1.. vendo-se da esquerda para a direita o Gen.Séculos XIX.000 50.560. foi destruída uma organização que produzia obras e serviços extremamente benéficos e necessários.000 15.700 35. Mais de cem escavadeiras de propriedade do DNOS ficaram paradas no campo.000 1..500 2.000 130.000 4.000.000 800 10.000.000. José Costa Cavalcanti.000 390.800 76.000. Ministro do Interior.000 17.000 80.000 1..000 IVAÍ IJUIZINHO CAPINGUÍ GUARITA FORQUILHA DIVISA SALTO / BUGRES ERNESTINA CANASTRA SANCHURI JOÃO AMADO BLANG PASSO DO AJURICABA JOSÉ MAIA FILHO BORTOLAN ANIL PAI JOAQUIM MACABU GARCIA LARANJEIRAS 1948 1948 1949 1949 1949 1950 1951 1954 1956 1956 1957 1957 1960 1961 1956 1959 1960 1960 1962 1965 1970 1972 1973 ..000 5. que viria a ser Diretor-Geral do DNOS em 1978-1979 QUADRO 1 . até enferrujar completamente no lugar onde se encontravam. 51.000.250 20.600 9. O arquivo técnico do DNOS.000.000 57.000 61. graças à atuação dos estados mencionados.

000 370.000 1.450 920 12 14 17 21 45 4.000 758.500.3 15 35 9 30 30 12 **** **** 4.264.500.500 41.360 1.000 775.000 108.000 1956 1958 1962 1977 1980 1982 1988 1994 SANTA LÚCIA PAMPULHA MÃE D'ÁGUA SÃO GONÇALO FLEXA PERICUMÃ FLORES CHAPÉU D'UVAS 165 .5 400 20 15 9 6.000 8.000 150 40 390 1.000 500.000.000.800.000 70.BARRAGENS COM FINALIDADES DIVERSAS LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Leitão Pampulha Afl.000 135.000.000 **** 196.000 115 400 200 218 130 137.800 2.053.000 **** **** 485 104 715 100 42 295 300 438 320 42 1595 650 3.000.000 2.000 148.000 7.000 430.450.000 422 438 1720 220 150 365 25 43.20 3 29.000 93.000.887.580.000.000 97.000 3.900.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens QUADRO 2 .000 270.500 3.000 263.000 **** **** 63.350.000 186.000 1972 1975 1978 1978 1982 1992 QUADRO 5 .000 153.000 1955 1956 1965 1965 1970 1 2 3 4 5 CEDRO CARNAUBA RIVALDO CARVALHO ARROIO DURO JOSÉ BATISTA PEREIRA Ceará Mirim QUADRO 4 .000.800 **** **** 17 10 10 1.000 167.000 **** 16.5 9 28 28.000 126.4 43 700.940.000 1.000 5.000 2.000 **** 165.50 42 38 16 63 78.000 30.000.000 570.000.000 1.950.340 105.000.500.BARRAGENS PARA IRRIGAÇÃO LOCALIZAÇÃO Nº NOME CARACTERÍSTICAS CURSO D'ÁGUA Truçu Carnauba Condado Duro MUNICIPIO Acopiara Acopiara Catarina Camaquã Poço Branco UF CE CE CE RS RN TIPO / MATERIAL Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Terra Homogênea Terra Zoneada ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO MACIÇO(m³) COROAMENTO MÁXIMA RESERVATÓRIO (m³) (m) (m) 7.400 16.500.000.000. Dilúvio São Gonçalo Canal Flexa Pericumã Flores Paraibuna MUNICIPIO Belo Horizonte Belo Horizonte Viamão Pelotas Campos Pinheiro Joselandia Juiz de Fora UF MG MG RS RS RJ MA MA MG TIPO / MATERIAL Terra Homogênea Terra Homogênea Terra Homogênea Concreto Armado Concreto Armado Concreto Armado Terra Homogênea Terra Homogênea ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO RESERVATÓRIO COROAMENTO MÁXIMA MACIÇO(m³) (m³) (m) (m) 60.000 27.000.000 **** **** 1957 **** 1969 1970 1970 1971 1972 1972 1973 1977 1979 1979 1979 **** 1989 Arco Gravid.000 52.000 500 12.000 16.BARRAGENS PARA ABASTECIMENTO URBANO LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 BATATÃ PRETO DO CRICIUMA SANTA BÁRBARA RIO DAS VELHAS RIO DAS VELHAS II MAESTRA VACACAÍ MIRIM VAL DE SERRA TAPACURÁ RIO DAS VELHAS III PACOTI RIACHÃO JUTURNAIBA XARÉU PASSAÚNA CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Batatã Rio Preto Santa Bárbara Velhas Velhas Maestra Vacacaí Mirim Ibicuí Tapacurá Velhas Pacotí Riachão São João Água Pluvial Passúna MUNICIPIO São Luís Jequié Pelotas Nova Lima Nova Lima Caxias do Sul Santa Maria Santa Maria São Lourenço Nova Lima Pacatuba Pacatuba Silva Jardim Fern.000 290.000. Noronha Araúcária UF MA BA RS MG MG RS RS RS PE MG CE CE RJ PE PR Terra TIPO / MATERIAL ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO MACIÇO(m³) COROAMENTO MÁXIMA RESERVATÓRIO (m³) (m) (m) 390.500 2.000 2.000.000 13.000.000 3.BARRAGENS PARA CONTROLE DE CHEIAS LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 OESTE SUL CARPINA GOITÁ GONTAN NORTE CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Itajai Oeste Itajai Sul Capibaribe Goitá Gontan Hercilio MUNICIPIO Taió Ituporanga Carpina Gloria do Goitá Bagé Ibirama UF SC SC PE PE RS SC TIPO / MATERIAL Gravidade / Concreto Simples Terra Terra / Zoneada Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto simples Terra ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO RESERVATÓRIO COROAMENTO MÁXIMA MACIÇO(m³) (m³) (m) (m) 93.000 5.000.440 1. / Concreto Ciclópico Terra Homogênea Enrocamento Concreto Armado Terra Zoneada Terra Homogênea Concreto Armado Gravidade / Concreto Simples Concreto Armado Terra Terra Terra Gravidade / Concreto Simples Terra QUADRO 3 .000.

166 .

o cearense Delmiro Gouveia colocou em operação a pequena usina hidroelétrica de Angiquinho. Foi nesse contexto que também em 1913. O requerimento foi indeferido em 1910. um hindu exclamava “It is just wonderful” e um americano perguntou “How much hydropower is lost here every day?” . escassas rodovias rudimentares regionais e o transporte de cabotagem que atingia o litoral mais povoado e penetrava pelos rios amazônicos. O requerimento foi também indeferido pelo governo federal em 1913. Pedro II. O jornalista Alceu Amoroso Lima relatou no periódico “O Jornal” declarações de três estrangeiros que estiveram a admirar a pujança da queda d’água: um francês disse “C’est très chic”. As geradoras de energia elétrica na primeira metade do Século XX eram de pequeno porte e de operação precária.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A História da CHESF. ainda no Século XIX. no dia 20 de outubro de 1859. os sistemas elétricos operavam em 60 Hz e 50 Hz. nos primeiros anos do Século XX pelo inglês Richard George Reidy que requereu ao governo federal a concessão para exploração do potencial da cachoeira de Paulo Afonso para instalação progressiva de indústrias e serviços. Neste contexto. Pouco após o engenheiro Francisco Pinto Brandão solicitou a concessão do aproveitamento da cachoeira para produção de energia elétrica para uma empresa sua a ser implantada na região com a denominação de Empresa Hidro Elétrica Agrícola Industrial do Brasil. Essa visão do americano foi percebida bem antes. Dentre esses visitantes o de maior destaque foi o Imperador D.102 KW) para gerar energia para 167 . Anos antes. Indutora do Progresso do Nordeste “O rio São Francisco é o mais brasileiro dos rios” Engenheiro Euclides da Cunha Flavio Miguez de Mello O Nordeste na primeira metade do século XX Até a entrada dos anos 50 do século XX o Brasil permanecia sendo um arquipélago de regiões economicamente ativas com parcas conexões entre si a menos da malha ferroviária que integrava a Região Sudeste. atravessando com dificuldades o sertão nordestino.500 HP (1. com 1. Na virada do Século XIX para o Século XX já se destacava o potencial hidroenergético da cachoeira de Paulo Afonso na qual o rio São Francisco despencava com uma vazão média plurianual superior a 2000 m³/s em vários braços por sobre uma espessa camada de rocha granítica sã. castigado pelas freqüentes secas resultantes de extensas estiagens o desenvolvimento do Nordeste era incipiente. a exemplo das diversas bitolas das ferrovias implantadas no país. Em meados do século passado a cachoeira ainda despertava admiração. Nessa época. a imponente e magnífica queda d’água chamava atenção dos Figura 1 – Usina de Angiquinho visitantes que para lá se deslocavam enfrentando grandes distâncias dos centros urbanos.

O desequilíbrio entre o Nordeste e o Sudeste do país passou a ser cada vez mais nítido. não havia tecnologia para a implantação de geração de energia hidroelétrica. ficaram prejudicados devido aos ataques de submarinos alemães e italianos nas nossas águas costeiras.Séculos XIX. O levantamento foi um marco para o desenvolvimento do Nordeste. a capitaneada pelo engenheiro civil e economista por vocação Eugênio Gudin com a justificativa de que os parcos recursos federais deveriam ser concentrados no Sudeste onde já havia grande demanda reprimida de energia elétrica. tendo sido efetuado em região agreste no tempo do cangaço. a cujo ministério a política de energia elétrica estava subordinada. o Lampião. não houve nenhuma idéia de aproveitamento do potencial da cachoeira. dentro da cachoeira de Paulo Afonso. anos depois. as concessões para geração de energia elétrica passaram a ser federais sob atribuição do Ministério da Agricultura. A obra foi realizada mediante concessão do estado de Alagoas ao abrigo do Decreto nº. A equipe era constituída pelos engenheiros Antonio José Alves de Souza. no Tennessee Valley Authority. agravado pela dificuldade nos transportes que se faziam sobretudo por mar. O ministro Apolônio Sales. mas a usina permaneceu intacta. erguida na cachoeira. precursora do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica DNAEE que por sua vez. autarquia americana implantada pelo presidente Franklin D. Apolônio Sales. O Nordeste ficou isolado do resto do país. Forte oposição a essa idéia veio de diferentes áreas. com o fim da II Grande Guerra. durante a Segunda Grande Guerra. Em 1945. A usina. 168 . Naquela época. XX e XXI sua fábrica de linhas de costuras situada na localidade de Pedra. Esse abastecimento em alto mar foi confirmado em 1982 pelo oficial da marinha alemã que comandava as operações no Atlântico Sul. Jayme Martins de Souza. mesmo em países mais evoluídos. Na República. Após a morte por assassinato de Delmiro Gouveia. O Presidente Getúlio Vargas comandava o Estado Novo no qual Apolônio Sales era Ministro da Agricultura. procurava sensibilizar as lideranças políticas para a idéia da exploração do potencial da cachoeira de Paulo Afonso. Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Nacional de Águas (ANA). Apolônio Sales esteve.A História das Barragens no Brasil . Mário Barbosa de Moura e Mengalvio da Silva Rodrigues. No início dos anos quarenta a tendência era a de promover a construção de uma grande usina em Itaparica (que só se tornou realidade nos anos setenta). O Serviço Geológico e Mineralógico deu origem mais tarde à Divisão de Águas. a omissão passou a ser pouco compreensível. não passando de lenda o lançamento dos equipamentos da fábrica e da usina. O Imperador quando a visitou. nas proximidades da cachoeira de Paulo Afonso. foi substituído em passado recente pelas Agências. devoto de Santa Terezinha. Roosevelt como indutora de desenvolvimento para a saída da grande depressão econômica que ocorreu a partir de 1929 nos Estados Unidos. Há versão que narra que Apolônio Sales havia solicitado a Getúlio Vargas a assinatura do Decreto de criação da CHESF em 30 de setembro por ser ele. 520 de 12/08/1911 de acordo com a Constituição Federal de 1891. com a conhecida pobreza de combustíveis fósseis da época. onde coletou subsídios para a entidade a ser criada para atuar no vale do São Francisco no Brasil. o Brasil questionava o regime de exceção do Estado Novo que havia marcado eleições para dezembro. Apolônio. inclusive do bando de Virgulino Ferreira. Antes disso. o que ainda não havia em outras partes do território nacional cuja economia era essencialmente agrícola. A partir de 1943 o ministro da Agricultura. Isto possibilitaria a irrigação das áreas ribeirinhas e também o início de industrialização do Nordeste. maiores do que as existentes na época. em 1944. mas que. cujo Ministério incluía o Setor Elétrico comandou a campanha para a construção de uma hidroelétrica na cachoeira de Paulo Afonso. foram levados para São Paulo. A usina permaneceu no local e os equipamentos da fábrica. submarinos esses abastecidos por navios argentinos sob o manto de sua neutralidade. após a Constituição de 1934. uma das mais importantes. Jorge de Menezes Werneck. No início dos anos vinte do século passado o Serviço Geológico e Mineralógico do Ministério da Agricultura efetuou um levantamento preliminar do potencial hidroenergético do rio São Francisco entre Juazeiro e Paulo Afonso que concluiu com a possibilidade de implantação de grandes centrais hidroelétricas. pelos ingleses da Machine Cotton. aproveitava uma queda parcial e uma pequena parcela da vazão afluente. mesmo na monarquia. a produção de linhas de costura foi prejudicada. o contra almirante Jaigen Rohwer.

mas o Estado Novo estava próximo do fim. indicações de origem político partidárias ficaram afastadas. embora conhecedor de que Getúlio Vargas era agnóstico e que o dia de Santa Terezinha havia passado. quase três anos após sua criação. Ele ficará contente vendo que o senhor criou no Nordeste do Brasil uma companhia com o nome dele”. A concessão. também comandado por Apolônio Sales. afirmara que seria um desperdício gastar recurso no projeto. Dutra. Diversos depoimentos dão conta de que um forte argumento que sensibilizou o general Dutra com relação a Paulo Afonso pode ter sido o que aventava a possibilidade de uma secessão do Nordeste das demais regiões do Brasil. o advogado Afrânio de Carvalho. ou seja. Pernambuco. este para suprimento do que seria a futura capital brasileira no Planalto Central. dada a disparidade daquela região com as regiões Sul e Sudeste. eleito e empossado Presidente da República. ainda no submédio rio São Fran- 169 . A empresa podia ser formada. a idéia de considerar como projeto definitivo um estudo extremamente sumário da usina localizada no Braço da Velha. por linha de transmissão e por subestação a CHESF era responsável por produzir e transportar energia elétrica para 8 estados do Nordeste (Piauí. por exemplo.031 de criação da CHESF foi assinado no dia 4 de outubro de 1945. que atravessava intenso racionamento e não o Nordeste onde nem mercado havia. depois de um árduo trabalho. Esse fato originou a negativa do ministro da fazenda Correia e Castro do pedido de verbas para o Ministério da Agricultura para a execução do projeto. chefe de gabinete do ministro da Agricultura.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens na época. no Centro Oeste. no final de 1946. Com a posse do Gal. No final do século XX quando entrou em vigor o novo modelo do setor elétrico com concessões por usina. Bahia. Alagoas. Posteriormente esse círculo expandiu-se até atingir Natal – capital do Rio Grande do Norte e finalmente Fortaleza – capital do Ceará. Getúlio Vargas foi deposto e tomou posse como Presidente da República o ministro José Linhares do Superior Tribunal Federal. procurou incluir como prioritários os aproveitamentos hidrelétricos de Paulo Afonso. Já Apolônio Sales em conversa informal em 1976 com Eunápio Queiroz. O ministro Souza Costa. Sergipe e Bahia). definiu um círculo inicial de cerca de 450 quilômetros de raio no interior do qual se inseriam as capitais dos estados de Alagoas. no Nordeste. usou o seguinte argumento – “Presidente. continuava a oposição ao empreendimento hidrelétrico no Nordeste e à empresa criada em 3 de outubro de 1945. O início da CHESF O Presidente Dutra entregou o comando da CHESF a um profissional de reconhecida capacidade e idoneidade com total liberdade de indicar os demais membros da diretoria e dessa maneira. Mantinha-se a oposição do agora ministro Eugênio Gudin por considerar que este tipo de empreendimento deveria ser feito pela iniciativa privada e que os investimentos em geração de energia elétrica deveriam priorizar a região Sudeste. no dia 15 de março de 1948. Pernambuco e Sergipe. Rio Grande do Nor te. sendo o General Eurico Gaspar Dutra. Dificuldades adicionais também proviam do próprio ex-ministro Apolônio Sales a apoiar. Outros opositores combateram a idéia usando como argumento a reconhecida incapacidade gerencial do governo. amanhã é dia de São Francisco. O Decreto 8. Na seqüência ocorreram eleições gerais no país. mas com data do dia anterior. então diretor superintendente de Sobradinho.031 de 03/10/1945 concedia à CHESF a exploração de um trecho de cerca de 500 quilômetros entre Piranhas – Alagoas no baixo rio São Francisco e Juazeiro – Bahia no sub-médio rio São Francisco. também assinada no mesmo dia 3 de outubro de 1945. narrou que. foi realizada a Assembléia Geral de Constituição da CHESF. Ceará. Entretanto. Ao trecho de concessão Piranhas – Juazeiro foram acrescentados em 1972 mais 350 quilômetros. festejada naquela data (hoje é 01 de outubro). e Cachoeira Dourada no rio Paranaíba. para transmitir e comercializar a energia hidroelétrica produzida em Paulo Afonso. obtendo a adesão de estados e municípios do Nordeste para a integralização do capital da empresa. Superadas todas as dificuldades. O Decreto Lei º 8. Daniel de Carvalho. Paraíba. o que seria agravado num tipo de empreendimento em que nunca antes havia se envolvido.

primeiro presidente da CHESF Figura 3 . ambas na Bahia. onde tinha sido encarregado das concessões de energia elétrica. Esse engenheiro. Na margem esquerda as instalações de Angiquinho e no cânion a casa de força 170 .A História das Barragens no Brasil . tinha. Em 1948. formado na Escola de Minas de Ouro Preto.Engenheiro Antônio Alves de Souza. resultando que entre Xique Xique (limite montante) e Piranhas (limite jusante) se inserem as usinas hidroelétricas de Sobradinho.Séculos XIX. do Ministério da Agricultura. Paulo Afonso I. Apolônio Sales (Moxotó). Luiz Gonzaga (Itaparica). II. onde a CHESF construiu e opera a hidroelétrica de Sobradinho. XX e XXI cisco entre as cidades de Juazeiro e Xique Xique. Alves de Sousa assumiu o comando da empresa com o programa inicial de destinar o fornecimento de Figura 2 . obedecidas às orientações do Presidente Dutra. foi eleito Presidente da CHESF o engenheiro Antônio José Alves de Sousa. efetuado um levantamento topográfico da Cachoeira de Paulo Afonso. III e IV e Xingó. no governo Epitácio Pessoa. em 1921.A cachoeira de Paulo Afonso antes das obras da CHESF. Piloto.

A barragem Leste com 3117m de extensão tem sua ombreira na margem esquerda e atravessa o braço principal onde escoava cerca de 90% da descarga do rio. Adozindo Magalhães de Oliveira (diretor de administração) e Octávio Marcondes Ferraz (diretor técnico) e como consultor jurídico Afrânio de Carvalho. Ao longo do tempo outros engenheiros foram incorporados à diretoria técnica como Hernani Gusmão. constituindo-se em uma barragem móvel. Hilton Fiúza de Castro. foi implantada mais uma usina denominada Paulo Afonso IV. realizando ensaios de deformação diametral sofrida por câmaras escavadas em rocha. com 1277m de comprimento. Dermeval Resende. logo nos primeiros meses após o início de operação. Dentro da concepção original foram posteriormente executadas outras duas casas de força também subterrâneas denominadas Paulo Afonso II e Paulo Afonso III. passando a original a ser denominada de Paulo Afonso I. Somente após a posse do presidente Jânio Quadros. uma casa de força e um descarregador de fundo provido de comportas de segmento.8m de diâmetro com joelho de 90° para alimentar três turbinas Francis situadas em casa de força subterrânea. através de um canal artificial. O reservatório assim formado tem apenas 11 km² de área. e políticos como Luiz Vianna Filho. formando um funil num comprimento total de 4394m. José Villela e Júlio Miguel de Freitas. pelo seu falecimento. atinge a margem direita atravessando o braço Capuxu. cujo reservatório foi formado captando águas do reservatório de Moxotó. passou a atuar mais diretamente. Posteriormente. O diretor de administração. II e III. os estados da Bahia. da Bahia. além de Pernambuco. Entre as alternativas de projetos que foram consideradas para construção da usina de Paulo Afonso. o braço do Quebra e o braço do Taquari. foi substituído pelo consultor jurídico. A outra parte da barragem. Estes ensaios. uma casa de força subterrânea e a restituição a jusante da cachoeira. Clemente Mariani. realizados em 1951. cercada por usinas hidroelétricas. A barragem atravessa diversas ilhas e suas comportas assinalam os braços originais do rio. 8 no braço Quebra. Juraci Magalhães e Pereira Lira. uma adução em túneis. no próprio local das obras. tendo 171 . A Usina de Moxotó. que alimenta as usinas de Paulo Afonso I.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens energia exclusivamente a Pernambuco e imediatamente propôs estender o fornecimento a outros pontos do nordeste inclusive a Salvador.1 MW que havia sido instalada por Delmiro Gouveia em 1913 e de outra pequena hidroelétrica denominada Usina Piloto. construída no início dos anos 70 do século passado. Graças à vigilância do governador Otávio Mangabeira. Hermínio Lorentz Kerr. Othon Soares. Hélio Gadelha de Abreu e Nédio Lopes Marques. A adução é feita por três túneis verticais de 4. esta com operação iniciada em outubro de 1949. a diretoria passaria a sofrer modificações. São 26 comportas de vertedouro. Para suprimento de energia ao acampamento e ao canteiro de obra da primeira usina. atingindo as proximidades da cachoeira. transformando o centro da cidade de Paulo Afonso em uma ilha. Um aspecto a destacar foi o fato do IPT ter prestado assistência tecnológica à construção dessa usina. foi implantada a montante da bacia de decantação (reservatório Delmiro Gouveia). Alagoas e Sergipe foram beneficiados com a energia elétrica gerada em Paulo Afonso. Gentil Norberto. a diretoria técnica. Alves de Souza compôs a sua diretoria com o coronel engenheiro Carlos Berenhauser Junior (diretor comercial). em 1961. sediada no Rio de Janeiro. O presidente Dutra manteve a sua palavra de não interferir na composição da diretoria. 6 no Taquari e 2 no Capuxu. e é constituída de barragem. marcaram o nascimento da Mecânica das Rochas no Brasil. De início. A tomada d’água fica situada no encontro desses dois trechos da barragem. com a colaboração dos engenheiros Domingos Marchetti. a partir de 1949. quando submetidas a pressão interna. adotando essa postura até o final do seu mandato. sendo 10 delas no braço principal. em fins de 1954. foi selecionada a que previa uma extensa barragem de concreto de gravidade com um vertedouro de superfície incorporado e atravessando um arquipélago de ilhas a montante da cachoeira. a CHESF contou com a geração da usina de Angiquinho com 1.

Atualmente. as instalações do modelo reduzido das usinas de Paulo Afonso podem ser vistas durante visitas turísticas e escolares agendadas previamente com a CHESF. Além da previsão insuficiente de recursos por parte do governo federal. apesar de serem esses estados e municípios os mais beneficiados com a implantação da primeira usina de Paulo Afonso.Usina piloto 172 . para a cidade de Glória e. complementando Angiquinho. no BIRD e no Banco Nacional de Desenvolvimento Industrial. para a fábrica de linhas que havia sido implantada por Delmiro Gouveia no povoado de Pedra (hoje cidade de Delmiro Gouveia. Ao longo de todo o projeto e construção de Paulo Afonso I e continuando durante quatro décadas. para permitir a construção da usina e funcionamento da empresa. Em março de 1960. foram efetuados aumentos de capital e conseguidos empréstimos junto ao Eximbank. um laboratório de modelos hidráulicos reduzidos. depois de quase 47 anos de operação. Esse desinteresse financeiro permaneceu mesmo após a entrada em operação da usina.Séculos XIX. com possibilidade de instalação de uma segunda máquina. XX e XXI uma unidade geradora de 2. sob a administração da Fundação Delmiro Gouveia.A História das Barragens no Brasil . após seus equipamentos terem sido danificados por uma forte enchente. Alagoas). Leal Corrêa e Leopoldo Schimmelpheng e passou a fornecer energia elétrica para a obra e seu acampamento. O sítio desta usina teve seu tombamento histórico decretado pelo estado de Alagoas e atualmente é ponto de visitação turística na região. de inestimável valor para as definições de projeto e construção. a usina de Angiquinho foi desativada pela CHESF. permaneceu em operação no Centro de Formação da CHESF em Paulo Afonso. No início da construção de Paulo Afonso I as escavações para a implantação da casa de força subterrânea foram comandadas pelo enge- Figura 4 .0 MW. A Usina Piloto foi projetada e construída pelos engenheiros J. Além do capital financeiro inicialmente subscrito para formação da CHESF e reconhecidamente insuficiente. ocorreu ainda pronunciada inadimplência de aportes financeiros que haviam sido assumidos por estados e municípios nordestinos por subscrição de ações da CHESF.

em parte cobertos por sacos de cimento vazios surgindo no linguajar popular a Vila Poty e a Vila Zebu. foram executadas sob a supervisão dos engenheiros Roberto Montenegro e Reginaldo Sarcinelli. Importante contribuição para a concepção do projeto e para a execução das obras foi dada pelos que trabalharam no modelo reduzido sob a orientação do engenheiro francês André Balança. De costas. além da irregularidade do fundo rochoso. povoado do município de Delmiro Gouveia. A impossibilidade de execução de batimetria. principalmente através de empresas de consultoria. com 18 m de comprimento. uma das mais prósperas do estado da Bahia.5 m/s) e profundidade do rio nas imediações das cachoeiras (10 m a 12 m). O modelo reduzido definiu a solução considerando a montagem de um flutuante chamado localmente de “Navio”. dificultavam a execução da ensecadeira como fora projetada.Início da obra em 1950 com Marcondes Ferraz e Alves de Souza (primeiro e segundo da esquerda) Figura 6 . estabelecendo-se ao lado do acampamento da CHESF. Marcondes Ferraz implantação de recursos básicos requeridos. André Balança se fixaria no Brasil até seu falecimento. especialista em túneis. Esse flutuante foi imerso no rio em posição previamente definida através de controle por cabos de aço fixados nas margens. A vila Poty é hoje o centro da cidade de Paulo Afonso. A construção de Paulo Afonso exigiu a presença de milhares de trabalhadores e também atraiu outros milhares de pessoas que afluíam ao local da usina à procura de trabalho. Os estudos hidráulicos para o barramento do rio determinaram a aplicação de ensecadeiras celulares de estacas prancha. um crescente conjunto de casebres. tendo contribuído em inúmeros empreendimentos hidrelétricos. contribuindo com assistência social e a Figura 5 . As ensecadeiras propostas pelo engenheiro Gentil Norberto. O flutuante afundado desviou as correntes mais intensas e possibilitou a instalação das estacas prancha sem que essas vergassem.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens nheiro Domingos Marchetti. A CHESF participou do apoio à melhoria de vida dos moradores das novas vilas. devido à velocidade de escoamento (cerca de 3. e a vila Zebu. construído na França e montado no local da obra.Visita do pres. ambas marcas de cimento. Dutra ao lado de Alves de Souza. esquerda e direita. dentro das realidades da época. detentor de profundos conhecimentos de hidráulica adquiridos na sua formação em Grenoble. uma vez que foi bastante reduzida a velocidade das águas nestes locais. À medida que as células iam sendo 173 . 12 m de altura e peso de 350 t.

O fechamento do rio São Francisco.5 m/s. Essa vitória da engenharia brasileira foi comunicada durante uma sessão do Clube de Engenharia no Rio de Janeiro. com calorosos aplausos. atingindo valores de 8. Em depoimento ao autor o engenheiro Rubens Vianna de Andrade que.Montagem do navio defletor Figura 8 . Essa treliça passou a reter blocos de pedra de grandes dimensões lançados na corrente do rio e retidos por redes apoiadas na treliça. disse que o esquema de desvio tinha sido realmente muito ousado. posicionada a jusante da linha de centro da ensecadeira celular em construção. quando jovem participou da construção de Paulo Afonso I.Montagem da guia das estacas prancha Figura 9 . a qual foi interrompida para que a notícia fosse conhecida pelos presentes que vibraram com o êxito da solução de engenharia. XX e XXI executadas barrando e estrangulando a seção do rio. Com a diminuição da velocidade de escoamento. a ensecadeira de estacas prancha pôde então ser concluída. Outra alternativa que havia sido estudada para fechamento desse trecho final do rio era a da construção de um obelisco com uma das Figura 7 .A História das Barragens no Brasil . A solução do “Navio” que protegera a construção das células por montante não mais seria aplicável. Decidiu-se pela implantação de uma estrutura metálica em treliça semi-flexível.Séculos XIX. com o término da ensecadeira foi divulgado para toda a nação e meio técnico de engenharia. a velocidade da água ia aumentando progressivamente. e que uma escavação de canal com estrutura de desvio como feito em Itaipú teria sido um esquema mais garantido.Construção da ensecadeira celular com apoio do navio defletor 174 .

Construção da ensecadeira celular Figura 11 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 .Construção da ensecadeira celular 175 .

Construção da ensecadeira celular Figura 14 .A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 12 .Construção da ensecadeira celular – Carga hidráulica de 9 m Figura 13 .Ensecadeira celular concluída e fase inicial do fechamento do rio 176 .Séculos XIX.

Fase final do fechamento do rio 177 .Início do lançamento da treliça para fechamento do rio Figura 16 .Treliça posicionada para fechamento do rio Figura 17 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 15 .

concluiu o discurso de recepção à delegação com as seguintes palavras. participou da epopéia do desvio em Paulo Afonso. desaconselhara os dois métodos para o ensecamento do leito do rio. we are pleased to note that. No dia 4 de agosto de 1954. formada principalmente por imigrantes europeus após a II Grande Guerra Mundial. de elevada competência e distinto cavalheirismo. admitiu ao autor que o esquema que foi empregado em Paulo Afonso não teria sido o mais recomendado nem o mais seguro. a common and generous inspiration is the source of both your and our success. Aproveitando o fato de que o banco havia chamado Alves de Souza a Washington sem dar conhecimento da pauta da reunião e sem a convocação do diretor técnico. advogado Afranio de Carvalho.” No dia 20 de setembro de 1954 foi iniciado o enchimento do reservatório.. Bass. No dia 1° de dezembro era ligado o primeiro circuito que atenderia Recife e poucos dias após era energizada a linha de transmissão para Salvador. criada por Apolônio Sales para difusão de conhecimento e transferência de tecnologia para produtores rurais e pecuaristas do sertão do São Francisco. Ao ser derrubado esperava-se que esse obelisco obstruísse quase totalmente o fluxo de água. o engenheiro Rubens Vianna de Andrade que. Cinquenta anos após o desvio do rio. Adolph Acker mann que se opusera ao esquema de desvio do rio. uma legião estrangeira prestou importantes serviços para a CHESF nos seus primeiros anos. engenheiro Alves de Souza. in a way. A inauguração de Paulo Afonso ocorreu no dia 15 de janeiro de 1955 em solenidade comandada pelo Presidente da República. demonstrando a importância daquele momento histórico.A História das Barragens no Brasil . além de preservar as realizações da diretoria anterior. Let us hope that in the passing of time the same ideal penetrates into the mind and heart of all men so that mankind may live in peace. Mr. o esquema de desvio foi mantido. Quando. o fundo do rio e colocado em pé em uma das margens do rio. Abdank Abzantovsky e Andre Bijnik. Esse fato gerou a substituição do representante do banco em Paulo Afonso. requisitados na Ilha das Flores. quando jovem na profissão. Dessa legião estrangeira participaram Cyrill Iwanow. para atender a convocação feita pelo banco. efetuou uma visita técnica a Paulo Afonso. Considerando essa afluência de visitantes. o professor Amauri Menezes que assumiu a diretoria técnica durante as ampliações de Paulo Afonso. decency and liberty. iniciou uma grande transformação do entorno da usina em vasto ambiente de agradável paisagismo implantando dezenas de pequenos lagos. o diretor da CHESF. um dos muitos que estavam assistindo o evento atravessou a pé o leito do rio empunhando a bandeira nacional. Essa posição fora transmitida ao ministro Oswaldo Aranha que tivera contato com Mr. da American Engineering Co. Dunn. como o laboratório de modelo reduzido e a fazenda modelo. Black. antecipando-se a John Lennon: “As the World Power Conference represents the triumph of cooperation over isolationism. presidente do banco. durante a visita a Washington do presidente da CHESF. Paulo Afonso passou a ser visitado por vastos contingentes de pessoas para apreciar a grandeza das obras ali implantadas. na fase final de construção e com o desvio já equacionado. intensa arborização pública e jardim zoológico. a jusante das comportas o leito do rio ficou seco. Pensava em esquema semelhante ao de Itaipú com escavação de canal de desvio com aplicação da rocha escavada na barragem e a construção de estrutura de fechamento nesse canal. Importante realçar que o consultor do Banco Mundial. Além de sua vital importância econômica e social para todo o Nordeste. Nessa visita. engenheiro Marcondes Ferraz. XX e XXI faces reproduzindo da melhor maneira possível. por Mr. com o fechamento das comportas. 178 . a Conferência Mundial de Energia que na época ainda incluía a Comissão Internacional de Grandes Barragens. o que foi caracterizado como deslize de ética. Mr.Séculos XIX. João Café Filho. Além do francês André Balança que chegou com 29 anos e ficou para sempre no Brasil. reduto na baía da Guanabara onde os estrangeiros eram recebidos e triados. com sua vasta experiência posteriormente em diversos desvios de grandes rios inclusive o desvio do rio Paraná em Itaipú.

Ao saberem que haveria mudanças na diretoria. Marcondes Ferraz foi destituído em 1960 por Juscelino Kubitschek como presidente da república. T. Quando Jânio Quadros foi eleito em 1960. tendo convidado Marcondes Ferraz para a presidência. notável pintor vindo na comitiva pessoal de Maurício de Nassau. Lott que depôs dois presidentes. seria também subterrânea. Dom Pedro II quando esteve na cachoeira em 1859 reproduziu a imagem que vislumbrava a lápis em seu diário de viagens. promoveu alterações na diretoria da CHESF. convite declinado com o argumento de que não se deveria deslocar um homem do gabarito de Alves de Souza. no seu efêmero governo de dois dias e participado da fuga no cruzador Tamandaré após o primeiro dos dois golpes desferidos pelo general Henrique D. todos os diretores se demitiram e realçaram a importância da Figura 18 . A expansão da CHESF A partir de 1953 a CHESF iniciou as negociações para obtenção de recursos junto ao governo federal para o primeiro plano de expansão de Paulo Afonso que incluía a terceira unidade da primeira casa de força e a construção da segunda casa de força denominada Paulo Afonso II que. O afastamento teve motivação política. A primeira imagem da cachoeira foi captada em 1647 pelos pincéis de Franz Post. como as que se seguiriam.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A notável beleza da cachoeira com suas diferentes quedas em seu estado natural ainda hoje pode ser vista por ocasião de cheias extravasadas pelos vertedouros. por ter Marcondes Ferraz apoiado o presidente da República Carlos Luz. Após doze anos na direção técnica da CHESF e sendo um dos principais artífices do que ficou sendo conhecida como a epopéia de Paulo Afonso.O aproveitamento de Paulo Afonso em seu estágio final 179 . o ministro João Agripino.

Novas casas de força subterrâneas foram se sucedendo. o canal de adução entre os reservatórios de Moxotó e . Como essa condição excepcional não havia sido considerada no projeto da barragem de Paulo Afonso.A História das Barragens no Brasil . afluente pela margem esquerda do rio São Francisco na região de Paulo Afonso. II e III (25. o vertedouro de Moxotó foi dimensionado para a mesma descarga de projeto da barragem das usinas de Paulo Afonso I. e a usina inaugurada em 1980 pelo presidente João Batista Figueiredo. 180 A usina de Paulo Afonso IV. Ele foi mantido e os demais diretores foram substituídos por Amauri Menezes. Fausto Alvim na diretoria administrativa e Ivan Macedo Melo na diretoria comercial.000 m³/s). e concluída em 1974. difere destas por captar. Para garantir o escoamento da cheia máxima possível. por meio de um canal.5 km a jusante das suas precursoras. Ao se projetar a barragem de Paulo Afonso IV verificou-se que. Paulo Afonso III inaugurada em 1972 pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. as ampliações que se sucederam foram muito mais simples. situada a cerca de 1.Séculos XIX. Paulo Afonso II concluída em 1968.000 m³/s em hidrógrafas de cheia de pequenos volumes poderiam se somar ao pico de cheia afluente ao reservatório de Moxotó. descargas de até 10. II e III. tendo a última das seis unidades geradoras entrado em operação em 1983. Paulo Afonso IV cujas obras civis foram concluídas em 1979. devido principalmente às características torrenciais do rio Moxotó. na diretoria técnica. água no nível do reservatório da usina de Moxotó implantada a montante da bacia de decantação Paulo Afonso I. XX e XXI Figura 19 – A usina hidroelétrica de Moxotó continuidade de gestão que seria garantida pela permanência de Alves de Souza na presidência. Com o rio São Francisco domado em 1954.

Posteriormente foi constatada a presença de reação álcali-agregado ocasionando expansão do concreto. ou de Sobradinho ambas no rio São Francisco e a montante de Paulo Afonso e Moxotó. conduziram a implantação da hidroelétrica de Sobradinho. O reservatório da barragem de Moxotó. foi construído para promover a regularização semanal das vazões e possibilitar através do canal de adução acima descrito. época do chamado “milagre brasileiro“. causou constrangimentos na subsidiária. II e III. Na ocasião da concepção do projeto não foi considerada a construção de um obra de barragem para o controle de cheias do rio Moxotó que teria trazido importantes benefícios econômicos à construção de Paulo Afonso IV e aos vertedouros de jusante. 181 . então presidente da CHESF. em empreendimentos de engenharia. ocorrendo o enchimento do reservatório de Sobradinho em 1978 e início de geração de energia em 1979. dedicaram-se aos estudos e acompanhamento. A solução adotada pelo setor elétrico. que haviam sido companheiros no Congresso Nacional. formando um apreciável acervo sobre a reação álcali-agregado.00. separadas por uma ilha. Foi necessária a construção de um núcleo urbano para transferência da população da cidade de Glória-BA. garantindo também o simultâneo escoamento de possível cheia gerada na bacia do rio Moxotó. Essa opção não prosperou em função do aumento de preços pela OPEP e da deflagração da guerra do Yom Kippur. de 100 MW cada.000 m³/s. Em maio de 1974 a CHESF recebeu instruções para motorizar Sobradinho. estimulando a construção de usinas termoelétricas junto aos grandes centros de consumo. Mário Bhering e Pinto Aguiar foram sensibilizados pelos argumentos de Apolônio Sales. Eunápio Queiroz e Ernani Gusmão.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de Paulo Afonso IV foi ampliado para permitir o fluxo adicional de 10. situado a montante de Paulo Afonso I. uma das barragens contendo a tomada d’água e casa de força e a outra o descarregador de fundo (barragem móvel) controlado por comportas de segmento. a derivação do fluxo d’água para a tomada d’água e vertedouro da usina de Paulo Afonso IV. Hilton Silveira. entraram em operação em 1977. Gláucio Furtado. Uma equipe de técnicos da CHESF e consultores (Aurélio Vasconcelos. recomendações plenamente atendidas. além de João Paulo Maranhão de Aguiar. Em meados de 1971 a Eletrobras havia determinado a estruturação de uma superintendência sob o comando do engenheiro Eunápio Peltier de Queiroz que havia criado a Centrais Elétricas do Rio de Contas. o trabalho conjunto de Apolônio Sales e Eunápio Queiroz. As alternativas seriam a construção das hidroelétricas e reservatórios de Itaparica (em cota elevada). quando o barril de petróleo foi cotado a menos de US$ 2. sendo projetado e construído um vertedouro de 10 000 m³/s de capacidade na barragem de Paulo Afonso IV. a partir de relatório do Comitê de Estudos Energéticos do Nordeste foi a construção da barragem de Sobradinho inicialmente sem casa de força por ser a solução de menor investimento para a regularização do rio. que entre outros motivos buscava tirar do comando da Diretoria Técnica da CHESF uma das duas obras gigantescas e simultâneas (Sobradinho e Paulo Afonso IV). uma solução de compromisso: a concessão da hidroelétrica de Sobradinho seria da CHESF. Xingó já em operação e Pão de Açucar. inundada com a formação do reservatório. Ricardo Barbosa e João Francisco Silveira). mais econômica. As obras civis da usina de Moxotó foram iniciadas em 1971 e concluídas em 1974. com apoio de Léo Amaral Penna. Os dirigentes da Eletrobras. e implantado com sucesso a hidroelétrica de Funil e que teria como missão implantar o empreendimento de Sobradinho. II. na Bahia. Paulo Pacheco e Margarida Maria Dantas de Oliveira. Em 1983 a usina de Moxotó passou a ser denominada oficialmente de Usina Apolônio Sales em homenagem ao criador da CHESF. e criaram. As sucessivas ampliações em Paulo Afonso passaram a demandar descargas afluentes mais regularizadas. Além disso. neutralizou as componentes negativas desta divisão. Norman Costa. presentemente em fase de inventário. monitorando os efeitos da expansão e garantindo o aumento da vida útil da casa de força. Essa decisão da Eletrobras. Alberto Jorge Cavalcanti. As quatro unidades geradoras. O planejamento energético foi influenciado também pelo baixo custo do petróleo. o que exigiu a execução de serviços para convivência com esse fenômeno e manutenções periódica nas unidades geradoras. Japhet Diniz. A usina é composta por duas barragens de enrocamento com núcleo de argila. III. A barragem de Moxotó se situa a cerca de 2 km a montante da barragem do Complexo Paulo Afonso I.

portos terminais do trecho navegável entre Pirapora . Remanso. atingindo seus 1050 MW de capacidade instalada. que na época era um sistema isolado do resto do País.A usina hidroelétrica Sobradinho 182 . gerou um reservatório de grandes dimensões com volume acumulado de 34. exigiu e assumiu os custos de implantação de uma grande eclusa de navegação. concluída em 1980. num arranjo característico de hidroelétrica brasileira em vale aberto. O reservatório de Sobradinho. No local da barragem de Sobradinho e em toda a área do seu reservatório o rio São Francisco apresentava margens abatidas em vale muito aberto. sucedido pela Portobrás. A casa de força de Sobradinho teve a entrada de sua primeira máquina em operação em novembro de 1979 e a última unidade geradora em março de 1982. um significativo aumento de descargas garantidas para as usinas a jusante. gerou impactos sócio-ambientais de porte. o Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis. Apesar de se situar a cerca de 50 km a montante de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).A História das Barragens no Brasil . Sento Sé e Pilão Arcado e de outros pequenos povoa- Figura 20 . tão importante para a segurança do suprimento de energia ao Nordeste. com uma depleção de até 12 metros. mesmo limitando a altura da barragem e definindo a usina como de baixa queda. Foi necessário a relocação das cidades de Casa Nova. XX e XXI Uma barragem de terra zoneada flanqueia as estruturas de concreto gravidade da tomada d’água e dos vertedouros de fundo e superfície.1 bilhões de metros cúbicos e extensa área alagada de 4. o que.Séculos XIX.Minas Gerais e o sub médio rio São Francisco.214 km2 possibilitando.

com área irrigável de 25.400 famílias (cerca de 70. no escritório e no campo. Técnicos brasileiros da CHESF e da Projetista (Esmeraldino Pereira. proporcionando significativa economia de petróleo. Antonio Martins. antecedendo à inauguração de Tucuruí. única disponível na área em quantidades compatíveis com os volu- mes requeridos. o canteiro e acampamento dessa hidroelétrica. Ao todo foram 11. que garantiram todos os requisitos de qualidade e segurança na utilização de argila dispersiva. Hiromito Nakao. Hilton Silveira. Hamilton Oliveira. O usina de Sobradinho permitiu a interligação das regiões Nordeste e Norte através de linha de transmissão entre Sobradinho e Tucuruí. Sherard. A construção da barragem de Sobradinho trouxe importante contribuição para a engenharia nacional de barragens ao ter seu núcleo impermeável executado com argila dispersiva.000 hectares.A usina hidroelétrica de Itaparica dos situados às margens do rio São Francisco. a cidade de Belém do Pará e cidades vizinhas foram abastecidas com energia elétrica gerada em Sobradinho. Com Sobradinho ainda em fase de construção a CHESF iniciou em 1975 no rio São Francisco e a cerca de 40 km a montante de 183 . durante cerca de quatro anos. em Sobradinho foi construída a tomada d’água que abastece o mais bem sucedido projeto público de irrigação no Brasil – o Projeto Nilo Coelho. Além do papel importante na redução de piques de cheia e interligação Norte – Nordeste. avaliações e tarefas de controle de laboratório e construção dos maciços.000 pessoas) reassentadas para formação do reservatório. com a transferência das suas populações. Como Tucuruí ainda estava em construção quando Sobradinho iniciou sua operação. Guy Bordeaux e Pedro Tanajura) com a consultoria e acompanhamento de um dos mestres mundiais da engenharia de solos – James L. desenvolveram estudos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 21 .

a Usina de Xingó. já com a denominação de Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga. Boa Esperança no rio Parna- 184 . Somente em 1988 foi fechado o reservatório e entraram em operação as primeiras unidades. Foram construídas as novas cidades de Petrolândia. Nesse ano a usina foi inaugurada pelo presidente José Sarney e atingiu plena capacidade em 1990 com seis unidades geradoras de 246. que atingem até 200m de altura. que abastecia um núcleo agrícola e operou de 1945 até a década de 1970 e foi alagada pelo reservatório da nova hidroelétrica em 1988. em 1951. A indústria americana Reynolds Metals propôs a construção dessa hidroelétrica numa das partes mais estreitas do cânion com uma barragem em arco. da Kaiser. Clemente Mariano e pelo industrial e político paulista José Ermírio de Moraes com os argumentos de que haveria prejuízo da incipiente indústria nacional e que absorveria grande consumo de energia com pequena utilização de mão de obra. foi decidida a implantação dessa segunda alternativa de projeto que se situa imediatamente a montante das sedes municipais de Piranhas – Alagoas e Canindé do São Francisco – Sergipe. sob comando de Eunápio Queiroz. Rodelas e o povoado de Barra do Tarrachil. ambos no estado de Sergipe e viabilizados pela elevação de mais de 120 metros no nível d’água no cânion.A História das Barragens no Brasil . do Grupo Votorantim) no rio Paraguaçu na Bahia. a usina e a indústria não foram adiante. houve a necessidade do assentamento da população ribeirinha que teve que ser desalojada. Somente em 1975 foram contratados pela CHESF. que teve sua operação iniciada em 1913 e desativada em 1960 devido a uma inundação. O nível d’água do reservatório da hidroelétrica de Xingó foi definido pelo valor aceitável de afogamento do canal de fuga de Paulo Afonso IV com conseqüente redução de geração nessa usina. Armando Lencastre e Don Deere que. Essas hidroelétricas foram: Bananeiras (inundada pela usina hidroelétrica Pedra de Cavalo. recomendou.000 pessoas. constituída por uma barragem com 145 m de altura. vislumbrou a construção de uma hidroelétrica nesse cânion. Itacuruba. A concessão teria sido para autoprodutor por 30 anos e reverteria à União no entorno de 1985. por mais econômica. o engenheiro Gerdes. motivo pelo qual as obras se prolongaram muito além do que fora previsto no planejamento de construção. homenagem ao grande compositor e cantor nordestino. com a empresa consultora. de enrocamento com face de concreto e com desvio por túneis escavados na margem direita onde também foi localizada a casa de força. capitaneada pelo político baiano. a menos de Angiquinho já mencionada. O Empreendimento Itaparica foi realizado num período de intensas dificuldades financeiras do setor elétrico estatal. Manuel Rocha. A jusante de Paulo Afonso o rio São Francisco escavou profundo e estreito cânion de paredes rochosas de elevadas qualidades geomecânicas. Essa usina teria como finalidade a geração de grandes blocos de energia para uma unidade fabril de produção de alumínio a ser implantada na região. todas as demais usinas incorporadas pela CHESF se situam em outros rios do Nordeste. James Sherard. sob a supervisão de Felício Limeira de França e a coordenação do engenheiro José Geraldo Araújo. No após guerra. outras foram incorporadas à CHESF ao longo dos anos. Os trabalhos foram apoiados por uma junta de consultores composta por James Libby.6 MW cada. Tendo em vista a extensa área de reservatório de 834 km². Dada a carência de experiência nacional em barragens em abóbada e como o esquema com barragem de enrocamento no final do cânion era viável. a construção de uma barragem em abóbada com casas de forças subterrâneas nas duas margens. Houve forte resistência política dos que consideravam que essa concessão não atendia aos interesses do Brasil e do Nordeste. abrigando cerca de 36. e da antiga pequena usina existente em Itaparica. Ao lado da tomada d’água para geração de energia elétrica foram implantadas duas tomadas para os projetos de irrigação Califórnia e Jacaré Curituba. Com tanta oposição. abrigando seis unidades de 527 MW cada que entraram em operação entre 1994 e 1997.Séculos XIX. XX e XXI Paulo Afonso as obras para implantação da hidroelétrica de Itaparica. O vale aberto do rio foi barrado por um extenso maciço de enrocamento com núcleo de saprolito compactado ladeando as estruturas de concreto gravidade da tomada d’água e do vertedouro. Além das hidroelétricas acima mencionadas e implantadas pela CHESF. os estudos preliminares para seleção de local e de alternativas de projeto. Essas usinas.

A usina de Boa Esperança teve suas obras iniciadas em 1964. a montante da cidade de Cachoeira.A usina hidroelétrica de Xingó 185 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens íba na divisa dos estados do Maranhão e Piauí. as Funil e Pedra no rio de Contas no sul da Bahia. que foi implantada no local. e sua Figura 22 . Em julho de 1963 a COHEBE foi formalmente constituída e sua primeira diretoria foi composta por César Cals de Oliveira Filho. A hidroelétrica de Bananeiras. A usina hidroelétrica de Boa Esperança. Hilton Ahiran da Silveira e Ebenezer Gueiros. Walter Barros da Silva. Essa usina foi transferida da COELBA para a CHESF em 1967 e desativada em 1981 por interferência com a hidroelétrica de Pedra do Cavalo. de maior potência. Dessa iniciativa nasceu a Companhia Hidro Elétrica de Boa Esperança COHEBE. havia entrado em operação em 1920 e teve 9 MW instalados para suprir o Recôncavo Baiano. situada no rio Parnaíba entre os estados do Maranhão e do Piauí. situada no rio Paraguaçu. a partir de Grupo de Trabalho formado pelo DNOCS e pela SUDENE. teve origem na iniciativa do DNOCS de criar uma comissão para inventariar as possibilidades de implantação de hidroelétricas no rio Parnaíba. Curemas a partir dos açudes públicos Estevam Marinho e Mãe-d’água do DNOCS nos rios Piancó e Aguiar na Paraíba e Araras no açude público Paulo Sarasate do DNOCS no rio Acaraú no Ceará. representado pela Eletrobras. com a participação dos estados do Piauí e Maranhão e do Ministério de Minas e Energia.

De modo semelhante ao que aconteceu com Paulo Afonso na década de 1940. encontra-se situada a jusante da barragem do açude público Paulo Sarasate. que foi homenageado com a denominação Barragem Milton Brandão. Ela encontrou apoio na Eletrobras através dos seus diretores Mario Bhering. Pinto Aguiar e Antônio Carlos Bastos.5 MW encontra-se situada a jusante da barragem dos açudes públicos Estevão Marinho e Mãe-d’Água. sendo transferida da COELBA para a CHESF em 1980. dentro do novo modelo do Setor Elétrico Brasileiro. per mite a regularização do rio para controle de enchentes. dotados de comportas de segmento. Teve suas obras iniciadas pelo DNOCS em 1939. Em 1957 a hidroelétrica entrou em operação tendo sido incorporada pela CHESF em 1969. sendo acionista minoritária nas usinas hidroelétricas de Dardanelos. a construção de Boa Esperança sofreu grande oposição dos que consideravam que a demanda dos estados do Nordeste Ocidental (Maranhão e Piauí) não justificava a implantação de um empreendimento desse vulto. Anteriormente. XX e XXI primeira etapa com duas unidades de 54 MW de potência unitária foi concluída em 1970 proporcionando energia abundante e confiável aos estados do Maranhão e Piauí . no sul da Bahia.A História das Barragens no Brasil . a casa de força passara a ser denominada Presidente Castelo Branco. complementando a necessidade de expansão da geração para a região. abastecimento d’água e ir rig ação ag rícola. Em 1972 Alde de Castro Salgado. então vice presidente executivo da CHESF. Esse procedimento foi replicado quando da morte do deputado federal Milton Brandão. haviam os que alegavam que a usina seria um investimento pioneiro fomentador de progresso para a região.Séculos XIX. após a morte do ex-presidente Castelo Branco. atendida pelas hidroelétricas do rio São Francisco através de linha de transmissão 500 kV Sobradinho – Boa Esperança. 186 . sendo suas obras civis iniciadas em setembro de 1976. o passivo da COHEBE foi coberto com recursos da reserva legal para desapropriação de empresas de energia elétrica. Jirau e Belo Monte. Em 1973 a COHEBE foi então absorvida pela CHESF. a montante da usina de Funil. entraram em operação. grande defensor desta usina. previsto no planejamento do setor elétrico e reforçado pela interligação elétrica CHESF – COHEBE. Para não onerar os consumidores. Somente em 1991 as duas últimas unidades geradoras de 63. mantendo-se para o empreendimento a denominação Usina de Boa Esperança. com duas unidades geradoras totalizando 4 MW. A barragem tem múltipla finalidade e além de geração de energia. Novos tempos – século XXI A partir de 2006. atingida com a energização de LT 230 kV Teresina – Sobral – Fortaleza. o que explica a grande defasagem entre as instalações das unidades geradoras. e com a passagem para o Patrimônio da União do imobilizado não ligado diretamente à geração. Em oposição a esses. todas na modalidade de consórcio privado. no Ceará. foi implantada inicialmente com 20 MW em 1962 e posteriormente ampliada para 30 MW em 1970. no estado da Paraíba. possui apenas uma unidade geradora de 20 MW cuja entrada em operação aconteceu em novembro de 1978.65 MW cada. assumiu a presidência da COHEBE avançando no processo de absorção dela pela CHESF. A hidroelétrica de Araras. A usina de Pedra também no rio de Contas. nos rios Piancó e Aguiar. As obras foram iniciadas pelo DNOCS em 1956. composta por três unidades geradoras de 10 MW cada. no rio Acaraú. formando sociedades de propósito específico (SPE). a CHESF voltou a investir e participar de grandes empreendimentos de geração de energia elétrica. A barragem é do tipo contrafortes de concreto com 24 blocos dos quais os sete blocos centrais são vertentes. A usina de Curemas com duas unidades geradoras totalizando 3. A barragem é uma estrutura de concreto gravidade incluindo a tomada d‘água e o vertedouro em vale relativamente fechado. A usina hidroelétrica de Funil no rio de Contas. A usina só entrou em operação em 1967 e em 1969 foi incorporada à CHESF.

dispostas em duas casas de força.85 MW. tendo uma capacidade instalada de 261 MW. com turbinas Francis na casa de força principal denominada Belo Monte e 6 unidades geradoras de potência unitária 38. no Complexo Hidrelétrico de Belo Monte a CHESF se associou a outras 18 empresas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Na usina hidroelétrica Dardanelos a CHESF participa em sociedade com a Neoenergia e a Eletronorte. Sua capacidade instalada é de 3. Seu vertedouro possui 44 vãos e permite uma descarga de vazão de projeto de 85.450 MW com 46 unidades Bulbo de 75 MW cada. uma na margem esquerda e outra na margem direita. na região amazônica. na região amazônica. possuindo três sítios. no noroeste do Mato Grosso. Figura 23 . em Rondônia. a Eletrosul e a Camargo Corrêa. Finalmente. composto de casa de força complementar e vertedouro. quatro delas de 58 MW cada e uma de menor porte de 29 MW. Na usina hidroelétrica Jirau a CHESF participa em sociedade com a GDF Suez. A usina está localizada na margem esquerda do rio Aripuanã. A potência instalada total de Belo Monte é de 11.800 m3/s. outro composto do canal de adução e interligação e o último composto do reservatório intermediário e sítio Belo Monte com a usina principal. com unidades Bulbo na casa de força complementar.1 MW. no rio Madeira. na Região Amazônica. a 120 km de Porto Velho. A usina está sendo construída no local denominado ilha do Padre. A usina será construída no rio Xingu. um deles denominado Pimental onde ocorrerá o barramento do rio Xingu. com dezoito unidades geradoras de potência unitária 611. sendo composta de 5 unidades geradoras.Vista aérea da hidroelétrica de Xingó 187 . no Pará.233 MW.

188 .

essa oferta era inferior à demanda que crescia acima da capacidade de investimento da concessionária.4 x 109 m3 189 . as companhias de energia elétrica passaram a enfrentar problemas no atendimento da crescente demanda.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Furnas no século XX Flavio Miguez de Mello “No Brasil nunca se fez nada demasiadamente grande. fazendo com que. tendo sido adotado em 1934. já nos anos 40. por sua vez. Esse cenário começou a se tornar crítico a partir do Código de Águas que. transmissão e distribuição de energia elétrica. mas as duas maiores eram de capital canadense (Light) e americano (AMFORP American Foreign Power). criou desequilíbrio econômico nos contratos de concessão de fornecimento de energia elétrica. evidenciava esse cenário. A situação da Light. a energia elétrica era praticamente só gerada por empresas privadas. gerou crescente aceleração urbana que passou a pressionar por demanda de energia elétrica. alguns estados como São Paulo e Minas Gerais principalmente. Nessa época o País começou a deixar de ser apenas essencialmente rural para iniciar a industrialização que. tirando o incentivo da iniciativa privada em promover acréscimos de investimento de geração. a maior concessionária do País na época. por exemplo.” Leopoldo Miguez Desde os primórdios da produção de energia elétrica no País até pouco depois da II Grande Guerra Mundial. começassem a criar empresas estatais de energia elétrica. Com as restrições tarifárias. Apesar de procurar aumentar sua oferta de energia elétrica. Reservatório de Serra da Mesa. a maioria delas nacionais. o maior do País com capacidade de 54. Havia também inúmeros pequenos autoprodutores rurais.

O local foi identificado por Francisco Noronha e Anton Rydland em viagem exploratória sugerida por John Cotrim. em 1956. No início do governo Kubitschek. Nos anos cinquenta. estimuladas pela própria Light e com perspectivas de racionamentos.Francisco Noronha e Anton Rydland no local de Furnas 190 . o governo federal que havia criado a CHESF para explorar o potencial do rio São Francisco em Paulo Afonso. As sinalizações de déficit passaram a ser evidentes. Só em São Paulo. A solução estava no local recém descoberto pela CEMIG. CHERP (1955) e Escelsa (1956). foi seguido pelas fundações da CEMIG (1951). No local havia as corredeiras de Furnas que se situavam em vale apertado de encostas íngremes. Os estudos iniciais mostraram que a capacidade instalada seria quase um terço da capacidade instalada nacional. então diretor técnico da CEMIG. O vulto das obras que seriam necessárias para erguer uma das maiores hidroelétricas do mundo na época era muito superior à capacidade das empresas Figura 1 . as indústrias passaram largamente a instalar grupos geradores Diesel. em cujas margens o engenheiro José Mendes Júnior costumava pescar. ficou claro que a diferença entre a capacidade em construção e a demanda projeta- da exigia o início. de obra que acrescentasse cerca de 1000 MW na Região Sudeste. os sistemas do Rio de Janeiro e de São Paulo eram em frequências diferentes. Os dois engenheiros pernoitaram na fazenda e receberam de Mendes Júnior indicações sobre o local das corredeiras. Este se mostrou excepcional para uma grande usina com grande reservatório de regularização.A História das Barragens no Brasil . USELPA (1953). EFE (1954). XX e XXI Desse modo. sendo agravadas pela inexistência de interligação dos sistemas das concessionárias. COPEL (1953). em reconhecimento do potencial do rio Grande entre a hidroelétrica de Itutinga e o remanso do reservatório de Peixoto. em muito curto prazo. Havia apenas uma pequena conversora de muito baixa capacidade entre os dois sistemas. nas proximidades de sua fazenda. havia cerca de 100 MW instalados pela indústria em grupos Diesel que representavam quase 20% da capacidade instalada da São Paulo Light. em 1954. Mesmo na Light.Séculos XIX.

sucessor de Lucas Lopes na presidência da CEMIG. Flavio Lyra que residia no Rio de Janeiro. selecionaram os principais membros da nova empresa. mas também tiveram seu preço. Ele queria garantir que Três Marias fosse feita antes de Furnas para ter certeza de que seria concluída. a sede foi para Passos. Esses aspectos fizeram com que ficasse claro que a empresa a ser constituída deveria ser federal. depois de serem mostrados os benefícios para o estado que seriam trazidos por Furnas. Lucas Lopes teve que concordar. das finanças e dos suprimentos. de diretor técnico da CEMIG para presidente de Furnas. A Comissão pagaria pelo reservatório e pela barragem. sem influências políticas e procurando não sacrificar a CEMIG. Para cuidar da administração. A primeira oposição a Furnas veio do governo de Minas Gerais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens estaduais na época. Enquanto ele pensava que tinha trazido a empresa para Belo Horizonte. No impasse. Quando tudo estava pronto para a fundação da empresa. o governador Jânio Quadros disse que só autorizaria a participação de São Paulo na empresa se Lucas Lopes fosse falar com ele pessoalmente. Os três constituiriam a diretoria executiva de Furnas. Lopes e Cotrim foram a São Paulo e. enquanto que a CEMIG apenas aportaria recursos para a construção da casa de força situada ao pé da barragem. Isso tinha justificativa uma vez que Três Marias era um empreendimento de finalidades múltiplas. Apesar de ser diretor da CEMIG. veio a idéia de finalmente concordar com o governador que então parou de se opor e a empresa pode ser finalmente constituída. Lucas Lopes articulou um esquema de participação da Comissão do Vale do São Francisco em Três Marias. Essa situação só foi normalizada cerca de vinte anos depois com a transferência oficial da sede para o Rio de Janeiro. Candido Holanda e Flavio H. então presidente do BNDE. Além disso. à época exercido por Bias Fortes. Lyra dispunha da infra-estrutura adequada. já que Belo Horizonte na época não Figura 2 – John Cotrim . o que foi um presente do governo federal para a CEMIG. As negociações políticas com São Paulo foram mais fáceis. Bias Fortes. Seu derradeiro lance foi exigir que a sede de Furnas fosse localizada em Minas Gerais. foi convidado o engenheiro Benedito Dutra. Jânio disse que só entraria no projeto se houvesse garantias que o governo federal investisse também nos projetos do estado que eram os aproveitamentos hidroelétricos de Urubupungá e Caraguatatuba. pequena cidade nas proximidades do local da usina. O mercado a atender era primeiramente São Paulo que se encontrava em situação mais crítica e depois os demais estados da Região Sudeste. em cumprimento à promessa feita ao professor Cândido Holanda. tendo resultando nas usinas de Jupiá e Ilha Solteira. ele era contra grandes áreas alagadas em Minas para gerar energia para outros estados: costumava dizer que queriam “fazer de Minas a caixa d’água do Brasil”. sendo pessoas perfeitamente intercambiáveis dadas a formação e a experiência dos três. O aproveitamento de Caraguatatuba não saiu do papel por ser derivação de descargas 191 . As atas das assembléias eram referidas a Passos apenas nominalmente. e o escritório central ficou instalado no Rio de Janeiro. O famoso tripé de Furnas estava formado. foi selecionado como diretor técnico. O aproveitamento de Urubupungá foi feito. Lucas Lopes. Mas a oposição do governador Bias Fortes continuava. Ele temia que o governo federal não tivesse recursos para as duas obras simultaneamente e criou toda sorte de obstáculos para atrasar o início de Furnas até que Três Marias estivesse em construção e em estágio irreversível. e John Cotrim.

Ernani da Motta Rezende. Uma reunião em Alfenas com a comunidade local foi a antevisão das atuais audiências públicas. Sérgio Otaviano de Almeida.A História das Barragens no Brasil . Carlos Mário Faveret. John Cotrim. C. José Luiz Bulhões Pedreira. Por Furnas participaram os engenheiros Cotrim. foi apresentada por Lucas Lopes a estrutura organizacional da empresa. Resolvidas as participações estaduais. L. Da esquerda João Monteiro. diretor da Light. Participaram da reunião que se estendeu até a madrugada muitos proprietários de terras da região e advogados que os incitavam com o objetivo de angariar clientes em ações contra a empresa que estava sendo constituída. foram negociadas as participações da Light e da AMFORP que. Essas alterações foram impedidas pelos parlamentares que se designavam como nacionalistas e a participação dessas duas empresas foi sendo diluída pela renúncia de investimentos adicionais. Além desses diretores executivos. empresa de energia do estado de São Paulo. José Pilz Filho.Séculos XIX. haveria diretores representando os outros principais investidores: a Light. pelas suas mãos. além do engenheiro Souza Dias. para qualquer aumento de capital. chefe do planejamento elétrico do governo de São Paulo. Lyra na diretoria técnica e Benedito Dutra na diretoria de administração e finanças. e os estados de Minas Gerais e São Paulo. Juscelino então perguntou: “E eu? Não sobrou nada para mim aí nessa diretoria?” Lucas Lopes esclareceu: “Não temos Figura 3 – JK e Lucas Lopes reunidos com os indicados para diretoria de Furnas por ocasião da constituição da companhia. Flavio H. que defendia que era melhor para São Paulo que investimentos fossem feitos em obras estaduais e não em obras federais. Barreto de Carvalho e Julival de Moraes que encontraram um clima de hostilidade inédito até aquela época. XX e XXI da bacia do rio Paraíba do Sul para o oceano. Juscelino Kubitschek. com graves impactos para as regiões a jusante no Vale do Paraíba. Maurício Bicalho. Mário Lopes Leão. bem como políticos que tinham suas bases na área. Menção é devida a outras pessoas que tiveram destaque na formação da empresa. o advogado Noé Azevedo se tornou patrono de muitos proprietários e municípios em uma ação cominatória que visava impedir a construção da barragem de Furnas. Flavio Lyra e Benedito Dutra 192 . Lyra. diretor da CELUSA. Emerson Nunes Coelho. Em reunião com o presidente JK realizada no palácio Rio Negro. tais como João da Silva Monteiro. Lucas Lopes. Delphim Mazon Fernandes e Jarbas Di Piero Novaes. A diretoria executiva seria composta por John Cotrim na presidência. diretor da CEMIG. necessitariam de alteração no gargalo tributário a que eram sujeitas. em Petrópolis.

Delphim Mazon Fernandes e senhora em 1966 Figura 5 .Flavio H. Lyra em solenidade no canteiro de obra de Furnas 193 .CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Figura 4 . José Pilz Filho. piloto e convidado Figura 6 .Assis Chateaubriand e Flavio H. Lyra.

já constavam das duas relações. traumatizado por já ter perdido uma barragem por ruptura causada por transbordamento. representando os investidores. em outubro de 1958. O diretor técnico propôs ao BIRD a eliminação de um vão do vertedouro. Como o laboratório era instalado no subsolo de um prédio situado na rua Araujo Porto Alegre. Com o aprofundamento dos estudos hidrológicos verificou-se que não seria possível a ocorrência de uma descarga superior a 10. um empréstimo de US$ 73 milhões. propiciando enrocamento para a barragem. Um marco importante para a engenharia hidráulica brasileira foi a seleção do laboratório que deveria desenvolver os ensaios em modelo hidráulico reduzido. o reservatório é fechado com a barragem de terra de Pium-I que impede que as águas afluam para a área de drenagem do rio São Francisco. e vertedouro com seis comportas de segmento com capacidade total de 13. A indicação dos projetistas era de um laboratório nos Estados Unidos.000 m³/s. concentrando na margem esquerda as estruturas do vertedouro e da tomada d’água.” Disse então o presidente Juscelino: “Ah bom. Flavio Lyra. XX e XXI Figura 7 . quero você na presidência do Conselho de administração. Além da barragem principal e do conjunto tomada d’água e vertedouro. houve a necessidade de se construir os modelos em área do laboratório do Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis. então Lucas.Séculos XIX. Os recursos em moeda nacional vieram do BNDE e do Fundo Federal de Eletrificação. situado no Caju. o maior empréstimo feito pelo BIRD para um só empreendimento até então.A História das Barragens no Brasil . conhecedor da capacidade do professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto e de seus ex-alunos. Na maior parte do tempo os residentes de Furnas na obra foram Rodrigo Mário Penna de Andrade e Franklin Fernandes Filho.Visita do presidente Juscelino Kubitscheck à hidroelétrica de Furnas no início de sua obra como mexer na diretoria. quantia impressionante para a época. houve inflação de capacidade de descarga nos vertedouros a jusante. O canal de adução a essas estruturas foi escavado em cota elevada. Com isso. revoltada com a 194 . mas o engenheiro responsável por esse empreendimento no BIRD. um dos arranjos que estavam sendo considerados: barragem de concreto gravidade. A construção seguiu um projeto muito bem concebido que resultou em uma alta barragem de enrocamento com núcleo de terra no leito do rio. além dos gastos com a escavação. no início dos estudos. para se candidatar ao empréstimo do BIRD. Esse foi o primeiro grande passo para a formação de várias gerações de excelentes engenheiros hidráulicos no País.500 m³/s no local da barragem. Furnas conseguiu do BIRD. assumiu a responsabilidade da execução dos ensaios no Brasil pelo Laboratório Saturnino de Brito. mais convencional na época. O projeto teve que ser mudado devido à pressão da população da cidade. Inicialmente essa barragem seria construída nas cercanias da pequena cidade de Capitólio. o concreto e a comporta do vertedouro e do acréscimo de calha desnecessários. Entretanto. no Centro da cidade do Rio de Janeiro. foi enviado às pressas. uma vez que não havia experiência nesse setor da engenharia no Brasil para encarar os ensaios de uma obra dessa magnitude. mas você tem as vagas do conselho de administração e do conselho fiscal.” E indicou alguns nomes para compor os dois conselhos respeitando os que. não aceitou que a redução fosse efetuada.

Figura 8 . 195 . sujeita à imagem desagradável das áreas que afloravam quando o reservatório era deplecionado.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens possibilidade de ser impactada pela obra. na reconstrução da barragem. o morro dos Cabritos em fase inicial de erosão. sendo o vertedouro. a população verificou as muitas melhorias que Furnas havia introduzido em outras cidades na área do reservatório e pressionou em sentido contrário para que a barragem retornasse ao local originalmente selecionado para que houvesse em Capitólio os benefícios propiciados às outras cidades. A montante do canal de acesso à tomada d’água e ao vertedouro. Cerca de vinte anos após o reservatório ter sido formado. não mais havia tempo para alterações.Vista aérea de Furnas nos primeiros anos de operação. sido deslocado para um local onde ocorria rocha competente. assumiu a vicepresidência da República e o Ministério de Minas e Energia o político mineiro e engenheiro Aureliano Chaves que pressionou Furnas para construir a pequena barragem de Boa Esperança com a finalidade de manter o nível d’água constante em frente à cidade de Capitólio. Durante a construção houve uma ruptura da fundação em argila muito compressível. A cidade de Capitólio ficou às margens do reservatório. com o passar do tempo. um de seus redutos políticos. Tarde demais. Entretanto.

A História das Barragens no Brasil . areia e argila. inclusive a usina de Furnas. quando os plugues estavam quase concretados. saberia efetuar essa sabotagem com eficiência. passou uma descompostura no diretor presente. O ex-presidente Itamar Franco. O oficial de justiça se retirou. com a bem sucedida privatização da CSN. Esse ingênuo comentário fez com que Cotrim entrasse em desespero dizendo que a operação já era do conhecimento geral. No dia anterior membros da diretoria se deslocaram para a obra. Como havia oposição ao empreendimento mesmo depois dele já consolidado. Depois de perder muito tempo na operação padrão da portaria. já sem problemas de oposição ao empreendimento. Quando foi impedido de entrar. enrocamento fino. os vazamentos foram controlados pela colocação de tetrápodos. que. John Cotrim disse para o guarda: “Eu sou o Cotrim”. a começar por Furnas. Ainda não havia amanhecido quando chegou na portaria um oficial de justiça com um mandato para impedir o fechamento do reservatório. John Cotrim também saiu no meio da manhã. o fechamento do reservatório foi sigilosamente programado para o dia 9 de janeiro de 1961. Na guarita da obra foi montado um esquema do tipo operação padrão para impedir ou retardar ao máximo a entrada de qualquer pessoa estranha. Essa longa operação para solucionar o mais importante acidente que até então havia ocorrido em obras no País fez com que o engenheiro Flavio Lyra.” Perto das 24 horas. A pressão política foi grande e a privatização de geradoras do setor elétrico nessa fase se limitou à Eletrosul. enrocamento grosso. ao final desse período tivesse ficado grisalho. aqui não pode entrar ninguém. No seu esforço político contra a privatização. Foi acionado um avião da Líder que costumava fazer o trajeto entre Rio e Furnas. Em cada um dos dois túneis. vendo os VIPs congregados no avião. comentou que deveria ser para o fechamento do reservatório. O piloto que naturalmente acompanhava as atividades de construção. Flavio Lyra.Séculos XIX. No meio do dia chegou na obra o então governador de Minas Gerais. o oficial de justiça entregou o mandato. Após extensos trabalhos. ou comprometido com o mandato de segurança acima mencionado ou querendo ter colhido dividendos políticos na operação de fechamento. A derivação do rio Grande. Ao adotar essa inédita postura afirmava que por ser engenheiro. mobilizou uma força policial para a região de Pium-I com equipamentos de terraplanagem e ameaçou abrir a barragem fazendo com que as águas do rio Grande represadas pela barragem de Furnas fossem afluir para a bacia do rio São Francisco. concessionária de várias hidroelétricas em Minas Gerais. se colocou frontalmente contrário à privatização do setor elétrico. Voltando aos anos sessenta. Flavio Lyra ficou na obra para acompanhar o desempenho do fechamento. Poucos dias depois começou o pesadelo na execução dos plugues dos dois túneis de desvio. O governo Fernando Henrique Cardoso se propunha privatizar o setor elétrico estatal federal. O guarda. três das quais concessões da CEMIG. Na conclusão dos serviços. apesar de ter iniciado o programa de grandes privatizações quando era presidente. O esquema funcionou muito bem. O piloto afirmou que ele não sabia de nada e que apenas supôs que o fechamento do reservatório iria ocorrer vendo quem eram os passageiros no avião. se realmente executada. ministros e demais autoridades. por ocasião da inauguração da usina. a montante das comportas de desvio. que vinha atrás em outro carro. principalmente de Furnas. Magalhães Pinto. disse para o guarda abrir a cancela. pois até o carro que conduzia o Cotrim foi barrado. nessa ordem. Tempos depois. A operação ocorreu com sucesso. só tendo sido liberado quando Flavio Lyra. que não conhecia o presidente da empresa e seguindo instruções disse: “Nem Cotrim nem Delphim. Flavio Lyra disse a ele que ele havia chegado tarde pois não havia mais qualquer possibilidade física de retirar as comportas que já estavam com bem mais de 20 m de água sobre elas. que aguentou firme tal estupidez. prejudicaria enormemente todas as usinas a jusante de Furnas. na época governador de Minas Gerais. o engenheiro Franklin 196 . ocorreram explosões que acarretaram acréscimos substanciais e crescentes de vazão que indicavam que alguma coisa havia colapsado no túnel. o governador Magalhães Pinto foi convidado junto a outros governadores. XX e XXI A respeito da barragem de Pium-I um episódio interessante ocorreu muitos anos depois de sua construção. O avião de Furnas não pôde decolar do aeroporto Santos Dumont. Flavio Lyra com um megafone começou a comandar o fechamento dos dois túneis de desvio. na parte a montante dos plugues.

” O projeto e a obra de Furnas foram executados com grande sucesso. Como consultores internacionais para o projeto e a obra. Nessa obra 197 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Fernandes Filho. a usina e seu sistema de transmissão associado entraram em operação como programado. Aos que lá foram ter com ele. provocar uma onda de até 30 m sobre a barragem. proveniente da decomposição de matéria orgânica da área do reservatório. Furnas contou com o canadense Richard L.950 m³/s e da tomada d’água foram implantadas cada uma em uma das margens. ele acrescentou: “Pois assim seja. naquela vila. a concessão foi transferida para Furnas que. viu uma delas cair. que vai trazer água até a minha roça. do grupo AMFORP. Com a elevação do nível d’água na área do reservatório. Muitos anos se passaram e a encosta do morro dos Cabritos. A Companhia Paulista de Força e Luz detinha a concessão do aproveitamento hidroelétrico de Estreito situado no rio Grande a jusante da usina de Peixoto. A partir de acordo entre as duas companhias. por exemplo. para a visualização dos residentes antes do fechamento do reservatório de Peixoto. foi dito: “Seu Doutor. Cenas como essas não eram incomuns na época. Entretanto. Mais uma vez houve uma corrida contra o tempo para que a usina de Estreito entrasse em operação para evitar colapso no suprimento de energia elétrica à Região Sudeste. fincou estacas brancas de madeira em diversos pontos onde a linha d’água iria atingir quando da formação do reservatório. A Companhia Paulista de Força e Luz. A regularização promovida pelo reservatório beneficiou sobremodo os potenciais a jusante propiciando a ampliação da capacidade instalada de Peixoto (Mascarenhas de Moraes) e viabilizando os muitos e grandes aproveitamentos a jusante que foram todos construídos até Itaipu com exceção de Ilha Grande no rio Paraná que. Nessa ocasião eram impressionantes as fotografias dos reservatórios em São Paulo completamente deplecionados. 1965. houve efetiva colaboração das Forças Armadas na retirada de algumas pessoas que. Foi então descoberta a causa das explosões: mistura de oxigênio com gás metano acumulado nos túneis. hidroelétrica anterior e a jusante de Furnas.” Teve que ser tirado à força. o austríaco Arthur Casagrande e o americano Portland Port Fox. Um desses desplacamentos causou uma onda que incidiu contra a barragem. não foi construída por ter sido criado um parque nacional na área que seria o reservatório. Toda a área instável foi então removida. ambas com largos canais de acesso que propiciaram os enrocamentos necessários à barragem. de acordo com o modelo hidráulico reduzido. quase frontal à barragem apresentava constante e acelerada erosão com desplacamento de material. com barcos encalhados na lama do fundo dos reservatórios. Apesar do importante acidente nos túneis de desvio. Na última hora foi reportado que ainda havia um teimoso na área do reservatório. principalmente os da São Paulo Light. Se a água vier até aqui eu bebo ela todinha. Hearn. A barragem de enrocamento com núcleo de terra fecha o vale e as estruturas do vertedouro com capacidade de 12. se incidisse no reservatório poderia. tendo salvado o estado de São Paulo de uma concreta ameaça de forte racionamento. apesar de ter tido iniciadas as obras. Centros urbanos como a cidade de Guapé e a vila de São José da Barra haviam sido reconstruídas com melhores habitações e equipamentos urbanos às margens do reservatório. A obtenção dessa concessão foi obtida graças ao elevado desempenho da empresa na construção de Furnas e quebrou a orientação governamental de que Furnas se limitaria à implantação da usina de Furnas e à sua operação. A usina foi inaugurada pelo presidente Castelo Branco em 12 de maio de 1965. o senhor não garantiu que as águas iriam subir até a estaca branca?” Após a resposta afirmativa. permaneciam na área que estava sendo alagada. ao adentrar num túnel com outras pessoas. havia um habitante que teimava em permanecer na casa que já havia sido comprada e paga por Furnas. embora avisadas. estava mais bem estruturada para executar a construção. naquela época. Com o progresso da erosão foi se formando um grande monólito que. Eu peguei a estaca e finquei ela lá em baixo. Dizia ele que “nem a cheia de 1930 trouxe água até aqui e não será essa tal de Furnas que fica a léguas de distância.

no ano seguinte. Rio de Janeiro. o que pode ter gerado ineficiência de gestão. São Paulo e de Minas Gerais além do governo federal. A usina.A História das Barragens no Brasil . transferiu essa responsabilidade a Furnas. presidente Castelo Branco e ministro Mauro Thibau em visita a Estreito foi usado pela primeira vez no País rigoroso planejamento e controle de construção em PERT/CPM permitindo que a obra tivesse controle de prazos. empresa estatal destinada a desenvolver os aproveitamentos no Vale do Paraíba. No final dos anos 50 foi criada a CHEVAP. Nessa época apenas sete dos dezessete blocos da barragem principal haviam sido concretados. em 1967. com capacidade final de 1050 MW (duas unidades foram montadas em segunda fase) entrou em operação antes da data programada. Naquela época esses governos eram de diferentes correntes políticas. na época a segunda maior barragem de terra do País. A barragem de Nhangapi. XX e XXI Figura 9 – John Cotrim. sendo que o mais elevado não ultrapassava a cota do piso dos geradores. ambas tendo desenvolvido estudos preliminares. a tempo de se evitar uma crise de suprimento de energia em toda Região Sudeste. Furnas Figura 10 – Ministros Mauro Thibau e Roberto Campos. A Eletrobras assumiu a construção da hidroelétrica de Funil e. também estava com considerável atraso. John Cotrim e presidente Castelo Branco na inauguração da usina hidroelétrica Estreito 198 . Consta que a diretoria abrigava indicações dos governos dos estados da Guanabara.Séculos XIX. O rio Paraíba do Sul após a cidade de Cruzeiro (SP) passa a apresentar gradientes progressivamente mais acentuados até pouco a montante da cidade de Itatiaia (RJ) onde se localizavam três corredeiras que despertaram o interesse da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Light. em 1969. principalmente quando comparada à eficiência demonstrada por Furnas.

Entretanto. Episódio pitoresco ocorreu a partir das primeiras investigações realizadas no local da barragem. o reservatório de Funil amorteceu totalmente a cheia afluente. portanto Figura 12 . por falta de inundações periódicas. ocorrida em fevereiro de 2000. venha sendo ocupado por construções irregulares e até por instalações da Prefeitura de Resende. tendo tido excelente desempenho. Presentemente a usina com 210 MW instalados é também e principalmente usada como elemento de regularização de vazões e de controle de cheias. assim como as usinas e os reservatórios de Paraitinga/Paraibuna. Por ocasião da maior cheia registrada no rio Paraíba do Sul. Santa Branca e Jaguari. Um místico chamado Savananda que se assemelhava a um guru indiano e residia em Resende.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 11 – Luiz Carlos Barreto de Carvalho aplicou um verdadeiro choque de gestão e iniciou a geração comercial em dezembro de 1969. situados a montante. esse eficiente controle de cheias tem feito com que o leito secundário do rio. A barragem principal com altura de 85 m permanece sendo a única barragem em abóbada no País.Barragem de Funil 199 . beneficiando as cidades a jusante.

o autor por acaso esteve em ponto remoto do reservatório e verificou que estava se desenvolvendo uma grande vossoroca que se formava a jusante de uma estreita sela topográfica. o ministro Costa Cavalcanti das minas e energia. a alternativa propiciava uma pequena regularização das vazões do rio Pardo que beneficiaria todas as usinas a jusante. A usina de Porto Colômbia é de queda modesta. Além do considerável acréscimo de energia gerada em Porto Colômbia. Poucos dias depois. muitos anos depois.” Até a presente data (maio de 2011) cerca de 25 milhões de megawatts hora deixaram de ser economicamente gerados. Entretanto. seriam de pouca expressão as áreas a serem inundadas no vale do rio Pardo. que providenciou a devida correção. ambas situadas no rio Grande entre São Paulo e Minas Gerais.Usina hidroelétrica de Porto Colômbia a jusante do local da barragem. pudesse amortizar as cheias do rio Pardo por elevação de seu nível d’água acima do nível máximo normal por ocasião da afluência das cheias. afirmasse que a usina de Porto Colômbia seria implantada a montante da foz do rio Pardo. A usina entrou em operação no dia 29 de junho de 1973. A construção e montagem da usina foram feitas sem maiores problemas. Os primeiros estudos de Furnas visaram o confronto do arranjo do inventário com uma alternativa de projeto situada logo a jusante da confluência dos dois rios. O movimento conseguiu que. XX e XXI Figura 13 . Em 1968. Essa operação não pode ser efetuada devido à interferência da ponte Gumercindo Penteado sobre o rio Grande entre as cidades de Planura e Colômbia. situado a jusante. julgando que a inundação das terras do seu município seria grande.A História das Barragens no Brasil . o prefeito da pequena cidade de Guaira. afirmava que a barragem iria romper causando um desastre sem precedentes. Flavio Lyra propôs que o reservatório de Marimbondo. na época chefe do Departamento de Engenharia Civil. diretores e assessores de Furnas mostraram a conclusão dos estudos que demonstrava que a inundação no vale no rio Pardo seria muito menor do que estava sendo alardeada. O rio Pardo contribui com cerca de 30% da descarga média do rio Grande. numa solenidade em Jupiá. 200 . O ministro afirmou que “palavra de ministro não volta atrás. A barragem não rompeu. Ao serem iniciados os estudos de campo. Furnas recebeu as concessões de Porto Colômbia e Marimbondo. portanto. pouco superior a 20 m. Após a decisão do ministro. e. paralisando o desenvolvimento da vossoroca.Séculos XIX. Foi produzida vasta documentação fotográfica enviada ao engenheiro Erton Carvalho. após a cheia de 2000. capitaneou um movimento de oposição à alternativa de barragem a jusante da foz do rio Pardo. cinquenta e um dias antes do inicialmente programado. No inventário realizado pela Canambra o aproveitamento de Porto Colômbia foi situado pouco a montante da foz do rio Pardo no rio Grande.

ela foi selecionada para construção. tem potência 175 vezes superior à antiga usina de 1928. a perspectiva era de que essa usina supriria de abundante energia todo interior paulista na região de influência de São José do Rio Preto até o Século XXI. implantada pelo governador de São Paulo Armando de Salles Oliveira em 1928 com 8 MW instalados. Essa alternativa teria barragem e reservatório muito ampliados. A concessão seguinte foi o aproveitamento de Itumbiara. dentro do previsto na programação. mas com ligeira defasagem. No local de Marimbondo havia a primeira usina de Marimbondo. Logo a seguir dessa decisão. Porto Colômbia com 320 MW e Marimbondo com 1440 MW foram as últimas usinas de Furnas no rio Grande. foram iniciadas em 1971 e a usina foi inaugurada em 28 de maio de 1976. Assim que foram iniciados os estudos. A usina aproveitava parte das descargas do rio Grande no seu braço esquerdo. palavra indígena que significa o caminho da cachoeira. Apesar das análises energéticas e econômicas internas não terem recomendado essa alternativa. A nova usina que começou a ser construída 30 anos antes da virada do século. Flavio Lyra recomendou que fosse estudada uma alternativa de projeto que englobasse a usina prevista a montante pelo inventário da Canambra. sendo desativada após a construção da barragem da margem esquerda. após o primeiro choque do petróleo ocorrido no final de 1973.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A hidroelétrica de Marimbondo foi implantada em paralelo com Porto Colômbia. A antiga usina foi adquirida por Furnas. Ao inaugurar essa usina. As obras que transcorreram sem atropelos. Figura 14 – Usina hidroelétrica de Marimbondo 201 .

sendo que pelo menos duas recomendaram a adoção de um eixo a montante do local de São Felix. pela primeira vez. XX e XXI Figura 15 . A obra foi iniciada no final de 1973 e. Essa marca foi muito importante para a indústria porque nas últimas duas décadas do século passado o País vivenciou forte recessão. Furnas recebeu a concessão do aproveitamento do alto rio Tocantins em trecho que havia sido estudado inicialmente pela CELG e posteriormente pela ELETRONORTE.Usina hidroelétrica de Itumbiara nova análise energética e econômica revelou que essa alternativa adotada era muito mais viável do que a do inventário. Furnas instituiu um concurso/concorrência entre empresas consultoras.Séculos XIX. Na implantação de Itumbiara. denominado Serra da Mesa. Em 1981. Em Itumbiara foram ultrapassados os recordes de concretagem anteriores e foram instaladas as maiores turbinas já fabricadas até então. Os estudos conduziram a uma barragem de enrocamento com núcleo de terra com 154 m de altura represando 202 . baseada no desenvolvimento que experimentou nas décadas anteriores. muito superiores às do local de São Felix. Nessa época as indústrias de bens de capital. tendo sido definido um aproveitamento designado como São Felix. em 1980 as primeiras unidades geradoras entraram em operação comercial dentro da programação original. foi ultrapassado o índice de 90% de nacionalização nos equipamentos permanentes. com excepcionais características geológicas. o setor elétrico não sendo exceção.A História das Barragens no Brasil . pode se lançar com vigor ao mercado externo obtendo resultados compensadores.

A usina foi concluída em 1997. com tirantes de água de até 12. Essa foi a primeira usina em que Furnas se associou a uma empresa privada. Em 1988 foram executadas as ensecadeiras de terra e rocha que permitiram. Agenor Antônio Bailão Galletti.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 16 – Arthur Casagrande e Guy Bordeaux na área de empréstimo de Itumbiara Figura 17 – Arthur Casagrande.5 m de altura com o objetivo de permitir a passagem de cheias no período construtivo sem danificar o aterro da barragem que seria executado. A elevada qualidade do granito do local permitiu a adoção de casa de força subterrânea abrigando três unidades de 431 MW cada na margem esquerda e desvio por dois túneis escavados na margem direita. João Alberto Bandeira de Mello e Don Deere inspecionando a barragem de Itumbiara 54. A recessão acima referida e a falência do Banco Nacional fizeram com que a obra fosse paralisada de 1990 a 1994. Figura 18 .24 bilhões de metros cúbicos de volume útil para efeitos de regularização de descargas.Os consultores Don Deere e Arthur Casagrande em Itumbiara com o engenheiro Ludgero Pimenta de Ávila 203 . a construção de duas ensecadeiras de concreto compactado com rolo com 25. As ensecadeiras e a parte da barragem construída foram galgadas por cinco vezes por descargas de até 6.5 m e 16. no mesmo ano.571 m³/s.4 bilhões de metros cúbicos que possibilitam a utilização de 43.4 m. no caso inicialmente ao grupo do Banco Nacional.

A obra começou a ser implantada pela CELG e interrompida em dezembro de 1982.Usina hidroelétrica de Serra da Mesa 204 . Furnas implantou a usina hidroelétrica de Corumbá sobre o rio Corumbá em Goiás com potência instalada de 375 MW.A História das Barragens no Brasil . estas de terra e rocha.Séculos XIX. Atenção especial foi dedicada à preservação das águas termais da região de Caldas Novas. XX e XXI Em paralelo à construção de Serra da Mesa. A barragem de enrocamento com núcleo de terra teve também na sua construção ensecadeiras galgáveis. Figura 19 . No Século XXI Furnas passou a atuar com frequência associada a empresas privadas para implantação de novas hidroelétricas como reportado por Márcio Porto nesse livro. No ano seguinte a Eletrobras solicitou a Furnas para examinar a partição de quedas do rio.

Closure of Diversion Tunnels – Institution of Civil Engineers. F. 1967 Miguez de Mello.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 . 1973 Miguez de Mello. Desvio do Rio. – Furnas Hydroelectric Scheme.H. – A Nova Face das Empresas Estatais Frente à Expansão da Oferta de Energia Elétrica no País – A História das Barragens no Brasil – CBDB. E. et al. M. – General Paper – XIII International Congress on Large Dams. _ O Aproveitamento Hidroelétrico de Porto Colômbia – Construção Pesada n° 27. 2011 205 . F. et al.R.A. – Barragem da Usina de Serra da Mesa. Ensecadeiras Galgáveis – Desvio de Grandes Rios Brasileiros – CBDB. 2009 Cotrim. – A História de Furnas das Origens à Fundação da Empresa – Comitê Brasileiro do Conselho Mundial da Energia. 1979 Porto. – O Aproveitamento Hidroelétrico de Itumbiara – Construção Pesada n° 26. 1994 Lyra. – Grandes Barragens Brasileiras – Construção Pesada n° 47. 1975 Miguez de Mello.A. 1973 Miguez de Mello.Usina hidroelétrica de Corumbá Referências Carvalho. F. F. F. J.

Usina Hidroelétrica de Tucurui .

Cel.A. Hoje o nome da empresa é Eletrobras Eletronorte. Encampando a ideia do presidente Juscelino. mas neste histórico. Raul Garcia Llano (Fi­ gura 1). baseada em estudos do Comitê Coordenador de Estudos Ener­ géticos da Amazônia (Eneram) que havia sido criado em 1968. – Eletrobras. Optou-se por descrever alguns fatos relacionando-os aos grandes eventos e obras que marcaram a empresa entremeados por comentários dos tempos atuais. em 1964. Os saudosos tempos das marchinhas de carnaval bem humoradas. A presidência da empresa coube ao Cel. de noite falta luz”. será simplesmente Eletronorte. 207 . sociedade anônima de economia mista e subsidiária da Centrais  Elétricas Brasileiras S. Llano recebendo o presidente João Figueiredo em Tucuruí A Eletrobras anunciou a intenção de construir a usina Tucuruí. os militares assumiram o poder e deram grande impulso às obras de infraestrutura no País. “Rio de Janeiro. mais precisamente a Amazônia. na época. mas bastante críticas. caminhando para o que hoje. O início Estávamos na época do chamado Brasil Grande depois que. construir o maior projeto inteiramente nacional: a usina de Tucuruí. Para isso. em 20 de junho  de 1973. mostravam a situação que havia no País antes desse impulso. de dia falta água. Era o início da inte­ gração do Brasil como um todo. assim incluindo o norte do Brasil. em 2011. podemos perceber.A Eletronorte e as Barragens da Região Amazônica Alexandre Magno Rodrigues Accioly. –  Eletronorte. ao mesmo tempo. os governos da épo­ ca incentivaram a marcha para o oeste. Embora a engenharia nacional.A. não será contada de forma linear. nome que se confunde com a própria Eletronorte. cidade que me seduz. no governo Costa e Silva. a Eletronorte já nasceu com o duplo desafio de constituir a empresa propriamente dita e. como neste trecho de uma delas. pois foi sua capacidade empreendedora que consolidou a empresa executando Tucuruí e outras obras a serem relatadas adiante. Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 1 . Alvaro Lima de Araujo e Humberto Rodrigues Gama A história da Eletronorte. foi criada a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S. como  concessionária de serviço público de energia elétrica com sede em Brasília no Distrito Federal. resumida nas linhas que se seguem. já tivesse em seu cur­ rículo importantes obras tanto em porte quanto em quantida­ de.

Dário Gomes (Fi­ gura 2). a Amazônia.000 m³/s era o maior do mundo na ocasião. cada uma com 6. foi posterior­ mente tomada num ambiente muito mais bucólico do que técnico. cada uma com 350 MW de potência nominal. o topógrafo Geraldo Magela Barbosa.000 m³/s registrados até então). a evolução do desempenho do vertedouro vem correspon­ dendo às previsões do modelo hidráulico reduzido.000 m³/s e picos de mais de 40. em alguns trechos do leito do rio havia A Eletronorte formou seus primeiros quadros buscando.5 MW de potência nominal cada. Érico Bittencourt de Freitas.5 m de largura por 13 m de altura. À sombra de uma grande árvore da margem esquerda do rio. previa o descarregamento de toda essa energia ao pé da própria obra.000 m³/s exigiu a construção de 40 adufas sob o vertedouro.279 em julho de 1974. na segunda etapa. Berilo Mamoré Pereira Belo.Séculos XIX. consultores brasileiros e estrangeiros contratados para assessorá-lo. Albrás e Alumar. inicialmente com a instalação de 12 unidades geradoras princi­ pais. em boa parte. entre outros. a barragem chegou a ter quase 120 m de altura. reuniu os futuros comandantes da obra. e a alta diretoria executiva das empresas escolhidas para o proje­ to e a construção de Tucuruí. na carta elaborada pelos topógrafos. capital do Estado do Pará. especialmente em termos logísticos. Do tipo vertedouro em salto de esqui. Foi assim que vieram para a empresa os engenheiros Geraldo Afonso Pra­ tes. que garantiriam o consumo de boa parte da produção. A cota de coroamento da barragem de terra seria de 78 m acima do nível do mar sendo que. 208 . e mais duas unidades auxiliares com 22. projetado e construído para a vazão de 110. Logo. Humberto Rodrigues Gama. eles localizaram precisamente. Curiosamente. distando aproximadamen­ te 300 km de Belém. profissionais egressos da Cemig.A História das Barragens no Brasil . naqueles tempos. canalões de até 40 m abaixo do nível do mar. a decisão de maior significado daquela fase. Para viabilizar a produção de tamanha quantidade de energia. mais 11 unidades de 375 MW totalizando 8. a que determinaria o local exato da barragem. para funcionar com uma carga de 32 m. Depois de longa confabulação. João Eduardo de Moura Guido.370 MW de potência instalada.245 MW. foi a usina de Tucuruí. em alguns trechos. Embora ainda não tenha sido testado para os limites de vazão. José Augusto Pimentel Pessoa. totalizando uma potência instalada de 4. Isso tornava o desafio importante. sendo o último aproveitamento hidrelétrico antes da foz do Tocantins. Esta obra foi concebida para ser construída em duas etapas. era uma região carac­ terizada por inóspitas florestas tropicais com quase nenhuma infraestrutura. As vazões específicas adotadas foram pionei­ ras e ousadas. A usina foi concebida para ser construída em duas etapas. pelo decreto 74. José Antônio da Silveira. era um empreendimento caracterizado pelo pioneirismo em vários aspectos. o projeto foi as­ sociado ao fornecimento de energia para indústrias de alumínio eletrointensivas. A execução da obra de Tucuruí Não bastasse o porte do rio Tocantins quanto à largura (mais de 2 km) e vazões (média de longo termo da ordem de 11. A primeira missão O batismo de fogo da empresa. XX e XXI A concessão para a construção de Tucuruí foi outorgada à Eletro­ norte. o diretor técnico da Eletronorte. A usina teria. as duas pontas de terra separadas por quase dois quilômetros de água revolta entre as quais seria feito o barramento do Tocantins. O vertedouro da usina. A vazão de desvio de 51. como já dito anteriormente. Enfim.

foi feito em 1975. Transpor­ tes. e que precisou ser treinado para as tarefas específicas de uma construção. Durante o período de trabalho mais intenso. a Amazônia começou a revelar aos pioneiros o tipo de dificuldades que eles podiam esperar no futuro imediato. 209 . Cel. para ensecar a superfície em que as estruturas de concreto e a barragem seriam assentadas sobre a rocha do fundo do rio. Nesse am­ biente foi construída. Sebastião Florentino da Silva durante celebração do lançamento da 1ª caçamba de concreto em Tucuruí O principal obstáculo à construção do novo complexo residencial de apoio às obras da usina foi o isolamento de Tucuruí.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 . Mas somente quando as obras civis foram efetivamente iniciadas. em 1977 (Figura 3). comunicações. sem nenhuma experiência. o 5º Fausto Cesar Vaz Guimarães.Engenheiro Dário Gomes na cabeceira da mesa em reunião no escritório da vila pioneira Figura 3 .Da direita para a esquerda: o 2º. em 1977. sr. a ensecadeira de primeira fase do desvio do rio. O primeiro desvio do Tocantins. em 1975. Érico Bittencourt de Freitas. energia elétrica confiável e saneamento básico não existiam. marcando o início dos trabalhos de terraplenagem.000 pessoas enxameava em torno do canteiro da obra. Llano e o último. uma mul­ tidão de mais de 30. o 8º. Geraldo Afonso Prates. Somente dois anos depois. Sebastião Camargo. que tivera de ser recrutado em locais próximos. o que marcou o início das obras civis. Era um grupo heterogêneo. seriam efetivamente começadas as obras civis.

que ficou na memória do alto comando técnico da obra como uma espécie de marco do empreendimento. a única voz que Sebastião Camargo. Por isso. Essa ruptura causou danos materiais relativamente pequenos. ouvia sem contestar. O desvio do rio foi um dos grandes desafios superados apesar das adversidades. Entre elas. com vários canalões muito profundos. ocorreram três das quatro maiores cheias do histórico. que já ultrapassara o nível da maior enchente observada em 1926. durante a construção. Luiz Fernando Rufato. que alcançou 68. o residente da Eletronorte também se chamava Osório Correa Neto. a capacidade técnica e in­ tegração das equipes de projeto e principalmente de construção possibilitaram atravessar esse imprevisto sem maiores transtornos.000 m³/s. Além disso. os encarregados de turmas convocaram seus homens para enfrentar o problema. às ordens dos chefes. ameaçavam as ensecadeiras que protegiam as obras em construção. construtora de Tucuruí quando. em 1980. o sistema de previsão de vazões a partir da Também entre os primeiros a entrar no grande palco que o governo montara em plena selva para a encenação da primeira grande aventura tecnológica na Amazônia. Por coincidência. vindo uma delas a se romper leitura das réguas linimétricas a montante da obra. visto que o mo­ nitoramento das estruturas detectou em tempo hábil o problema possibilitando a retirada de pessoas e equipamentos. da Camargo Corrêa. 210 . que foi substituído em 1977 pelo engenheiro residente Érico Bittencourt de Freitas responsável pela condução da obra até 1982 quando passou a gerente do Departamen­ to de Construção da Eletronorte. a área afetada permaneceu pouco tempo inundada porque o acidente ocorreu ao final da cheia. em março de 1980.400 m³/s contra uma vazão de projeto de desvio de 51. o lendário capitão da grande empreiteira. as condições do leito do rio. inclusive a maior de todas. Ser viços de alteamento e proteção das ensecadeiras foram feitos com sucesso durante dez dias de trabalho ininterrupto sob violento estresse. O rio estava desviado por ensecadeiras e a tempora­ da de chuvas mais copiosas já parecia ter chegado ao fim. tendo sob sua responsabilidade as demais obras além de Tucuruí. estava Osório Ferrucci (Figura 4).Sebastião Camargo e Osório Ferrucci. nos dias 2 e 3 daquele mês.A História das Barragens no Brasil . Sobretudo. preenchidos com material aluvionar e seixos rolados que difi­ cultaram a execução das ensecadeiras. Ele era funcionário da Camargo Corrêa desde 1947 e. Gilson Nakamura e mais um punhado de executivos sabiam muito bem o que aconteceria se a água que chegava a perigosos 15 centímetros do topo da enseca­ deira conseguisse galgá-la. segundo seus companheiros em Tucuruí. Mas. Érico Bittencourt de Freitas. revelava uma situa­ ção inquietante. um com até 40 m abaixo do nível do mar. O Tocantins levaria por água abaixo equi­ pamentos e materiais. Os homens do alto comando da obra. José Armando Del Greco Peixoto.Séculos XIX. afogaria cinco anos do trabalho de dezenas de milhares de homens e uma considerável fatia do orçamento da Eletronorte. Outro fato relevante foi que. XX e XXI por piping inundando o trecho de jusante da obra. Osório Ferrucci. o rio Tocantins teve um verdadeiro acesso de mau humor. O céu carregado e a cheia. José Antônio da Silveira. As obras de concreto e terra na área ensecada já estavam adiantadas Figura 4 . Contudo. Humberto Gama.

o engenheiro Balança se interessava pessoalmente pelos estudos hidráulicos em modelo reduzido de Tucuruí realizados pelo Hidroesb – Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito SA. As ensecadeiras haviam sido alteadas em três metros e o nível d’água alcançara dois metros acima do topo da ensecadeira original. com um board internacional de consulto­ res composto por James Libby. a água parou de subir. João Ângelo Casagrande (mecânico) e Leôncio Gotti (planejamento). Por conta de sua formação e gosto pessoal. e que era Figura 5 . Somente para corroborar comentários anteriores sobre as dimensões do empreendimento. Nelson Souza Pinto. O projeto contou.Os consultores examinando os testemunhos de sondagem. sucessor do engenhei­ ro Dário Gomes na Diretoria Técnica da Eletronorte. O episódio ficou poeticamente conhecido como “águas de março”. O projeto da usina foi desenvolvido pelo Consórcio Engevix-The­ mag tendo pelo lado da Engevix o comando do engenheiro francês radicado no Brasil André Jules Balança. Na Eletronorte. o gerenciamento do projeto foi feito pelos en­ genheiros João Eduardo de Moura Guido (civil). ainda. James Libby e Milton Vargas 211 . a equipe de engenheiros que operava o mode­ lo e não tinha elementos de comparação com outros projetos. Mais tarde.B. no Rio de Janeiro.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Finalmente. Milton Vargas e Flavio H. essa equipe iria compreender a dimensão de sua primeira experiência. presidente da empresa e detentor de profundos conhecimentos de hidráulica adquiridos na sua formação em Grenoble e na experiência iniciada no Brasil na construção de Paulo Afonso da CHESF. Victor F. A superação dessa ocorrência excepcional em 1980 foi fundamental para a equipe concluir a construção de Tucuruí com êxito. Da esquerda Don Deere. de Mello. O engenheiro Fausto César Vaz Guimarães. na manhã do décimo dia da operação. Lyra. percebeu claramente que “aqueles senhores (Balança e sua equipe) mesmo com toda a experiência mostravam uma preocupação excepcional com o projeto”. Don Deere.

justamente em momento festivo de conclusão do desvio de Samuel. apesar da importante perda. a usina foi inaugurada pelo Presidente da República João Figueiredo em 22 de novembro de 1984. nível máximo normal. as usinas de Samuel em Rondônia e Balbina no Amazonas. A chefia da obra de Tucuruí foi assumida pelo engenheiro Humberto Rodrigues Gama. em março de 1985. XX e XXI responsável pelas construções. atingindo a cota 72. houve um grave acidente aéreo que causou a morte dos diretores da Eletronorte Fausto César Vaz Guimarães (diretoria técnica) e Jayme Barcessat (diretoria de Suprimentos) e do chefe do Departamento de Construção. Figura 6. imprimia seu dinamismo aos trabalhos contagiando toda a equipe envolvida no empreendimento. então condutor dos três empreendimentos Tucurui. a obra continuou em ritmo normal. com duas unidades de 350 MW em operação comercial.00 m. Balbina e Samuel. Em 1982. Entretanto.Séculos XIX. a Eletronorte já contava com funcionários dos mais diversos rincões do país chamados para auxiliar nas tare­ fas da empresa e. Nesta etapa. O engenheiro Kerman José Machado assu­ miu a Diretoria Técnica e o engenheiro Érico Bitencourt de Freitas foi empossado chefe do Departamento de Construção. A Figura 6 dá idéia da dimen­ são do estator de uma forma lúdica muito bem compreendida pelo brasileiro em geral. O enchimento do reservatório teve início em setembro de 1984. engenheiro Geraldo Afonso Prates.Jogo de futebol de salão dentro do estator de uma máquina da primeira etapa 212 . quando a Eletronorte construía simultaneamente com Tucuruí.A História das Barragens no Brasil .

Almir Gabriel em visita às obras da segunda etapa de Tucuruí.Equipe com o José Antônio Muniz.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O coronel Raul Garcia Llano. porém. ao centro. 8 e 9) teve sua montagem concluída no final de novembro de 2002. com um ganho de energia firme de 109 MW. estando em operação comercial desde abril de 2003. As obras de terra­ plenagem e escavação em rocha foram concluídas no ano de 2002.Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Em junho de 1998 as obras de expansão de Tucuruí foram autorizadas e iniciadas. residente da obra da segunda etapa de Tucuruí celebrando a descida do estator da unidade 13 Figura 9 . A unidade geradora 13 (Figuras 7. A motorização da primeira etapa foi concluída em 1992. o nível máximo normal operacio­ nal foi elevado para a cota 74. Figura 7 . 213 . presidente da Eletronorte.875 km² para 3.00 m. Essa elevação aumentou a área de inundação de 2. José Antônio Muniz (presidente da Eletronorte) e governador do Pará. grande incentivador do empreendimento. por conta do destino não chegou a ver concluída a obra que hoje tem seu nome. tendo ao seu lado esquerdo Adailton de Sousa Pinto. Posteriormente.Descida do estator da unidade 13 em 3 de maio de 2002 Figura 8 .007 km².

Maranhão e Tocantins. O mercado principal de Tucuruí é o sub-mercado Norte de energia que abrange os estados do Pará. Em 2011.370 MW de potência instalada. e é segmentado em prestadores de serviços públicos de energia elétrica e indústrias eletrointensivas. foi concluída a eclusa constituída de duas câmaras que vencem um desnível de cerca de 68 m e são separadas por um ca­ 214 .A História das Barragens no Brasil . com as indústrias do alumínio Albrás e Alumar. totalizando 8.Séculos XIX. XX e XXI A unidade 23 entrou em operação em julho de 2006. Tucuruí tem hoje os maiores contratos de fornecimento de energia elétrica em bloco do mundo.

000 m³.800.4% do faturamento global de toda empresa. A Vale e outras empresas da região já iniciaram o transporte de seus produtos pelo rio Tocantins de Marabá até Belém utilizando a eclusa. é a principal responsá­ vel pelo intenso desenvolvimento regional. fruto da abundante oferta de energia e recolhimento de impostos resultantes da comercialização e compensação pela utilização de recursos hídricos. da ordem de 9.000 m³ e o volume de concreto utilizado. . foi a primeira hidroelétrica do mundo certificada pela JIPM (Japan Institute of Plant Maintenance) com Prêmio Excelência em TPM – 1 a Categoria (Total Productive Maintenance. em 2002. além dos programas socioambientais. como podemos ver a seguir: . e a primeira unidade do setor elétrico brasileiro a conquistar o Prêmio de Qualidade do Governo Federal – PQGF. equivale a 28. Tucuruí (Figuras 10 e 11) responde por 28. a cada semana de trabalho era aplica­ do o equivalente ao volume empregado na construção do estádio do Maracanã. .O volume máximo diário de concreto lançado na obra foi de 11.O cimento empregado na obra.Tucuruí .400 sacos de 50 kg. Os números do empreendimento impressionam. . Figura 11 . isto é Manutenção Total Produtiva).400. Atualmente.000. ou seja.000 t.200 m³.O aço aplicado totaliza cerca de 222. Essa obra é fundamental para a implantação da hidrovia do Tocantins.vista do vertedouro em operação 215 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens nal intermediário.O volume total dos aterros executados na obra foi da or­ dem de 59.Tucuruí Casa de Força Figura 10 . e daí ao oceano Atlântico.

Esta missão surgiu numa época em que todos os olhos estavam voltados para Tucuruí de modo que a história dessa usina foi de certa forma ofuscada. mas sem expressiva identidade geográfica. XX e XXI Principal geradora do Sistema Norte-Nordeste. praticamente não havia obra para dissipação de energia: as águas vertidas eram lançadas no canal do rio constituído de material rochoso com um ligeiro salto ao pé da superfície de vertimento. O reservatório tem 120 km² e a operação é a fio d’água. ocupando efetivamente um território que já vinha sendo invadido­ desordenadamente e acrescentando uma formidável potência de geração ao sistema elétrico nacional. Maranhão e Tocantins. e passou a ser servido por extensa rede de estradas e tem uma pista de pouso capaz de receber aeronaves de grande porte. O vertedouro (Figura 10) com capacidade para 12. apesar de seu gigantismo. o município veio a ser o segundo maior arrecadador do Pará – só perde para Belém – e abriga 80 mil habitantes que dispõem do primeiro hospital modelo da região. A contribuição dos engenheiros da Eletronorte formou assim. com população esparsa e arrecadação ínfima até o início dos anos 1970.000 m³/s. com cerca de 4. a usina vem operando desde a inauguração sem apresentar problemas relevantes. Logo no início da vida da usina. entrasse incontestavelmente para o mapa do Brasil.500 MW médios mensais. Tucuruí fez com que uma imensa região coberta de densa floresta.Séculos XIX. Esta usina. Sudeste e Centro-Oeste. Outro exemplo significativo dos benefícios trazidos pela usina é a própria cidade de Tucuruí. Finalmente. Essa linha permite a preservação de  energias estocadas em reservatórios de hidroelétricas situadas em outras regiões durante o período hidrológico favorável no rio Tocantins. a usina exporta energia para os sistemas Nordeste. Além de atender os mercados do Pará. Como a usina foi construída por vários empreiteiros numa obra que levou mais de quinze anos para ser concluída. Mesmo sendo um vertedouro com o porte citado. um simples entreposto de pesca e castanhas. Em segundo lugar. o rio Araguari submeteu a obra a uma cheia de cerca de 4. com o uso inteligente de sua especialidade.000 m³/s escoava as águas para um braço do rio diferente da casa de força. 216 . esta obra não foi submetida a estudos em modelo hidráulico reduzido. a mais significativa coleção de tecnologias para a construção de grandes barragens em am­ biente remoto. Tucuruí passou a fazer parte do Sistema Interligado Nacional – SIN em março de 1999. mas ela foi também a de melhor repercussão socioambiental e econômica entre todas as que foram feitas na região. Ainda hoje há certos aspectos do projeto e da construção sobre os quais não se tem informação precisa. suficiente para apontar graves defeitos do vertedouro. tinha duas máquinas de 20 MW e previsão de ampliação para mais uma máquina de 30 MW. A usina hidroelétrica Coaracy Nunes Em 1975. Como ca­ racterística. A energia firme e renovável de Tucuruí é escoada por linhas de trans­ missão de 230 kV e 500 kV. apesar da importância que tem tido para a Eletronorte e para o estado do Amapá. Mais que isso. a Eletronorte recebeu da Eletrobras a incumbência de operar a usina de Coaracy Nunes situada no rio Araguari no Amapá. a documenta­ ção técnica que a Eletronorte conseguiu obter foi muito precária.A História das Barragens no Brasil . Isso ao mesmo tempo em que construíam Tucuruí. o Brasil e muitos de seus filhos – aqueles que influiram diretamente sobre a monumental empreitada da usina e os que hoje estão sob sua influência – vivem melhor do que viviam antes dela. Com os impostos locais pagos pela Eletronorte. com a conclusão da Interligação Norte-Sul. construída por terceiros. Hoje se pode comemorar dois fatos indiscutíveis: Tucuruí foi a obra isolada de maior impacto sobre a Amazônia.

desde então.Vertedouro da Usina Hidroelétrica Coaracy Nunes 217 . Figura 13 .Casa de Força Figura 12 . Em 2004. A recomendação do CEHPAR foi executada e.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Eletronorte contratou então o CEHPAR. as máquinas de 20 MW foram recapacitadas aumentan­ do sua potência para 24 MW cada uma e a terceira máquina com 30 MW foi instalada entrando em operação em 2000 e aumentando a potência instalada da usina para 78 MW (Figura 12). não ocorreram incidentes com o vertedouro embora a vazão não tenha alcançado o valor que causara os danos iniciais. Na Eletronorte o funcionário que todos identificamos com Coaracy Nunes é o engenheiro Mário Dias Miranda que tem sido o grande entusiasta do empreendimento.Usina Hidroelétrica Coaracy Nunes . laboratório hidrotéc­ nico da UFPR na ocasião sob a direção dos engenheiros Nelson Pinto e Sinildo Hermes Neidert que ofereceram uma solução para o problema.

a Eletronorte vem se dedicando à análise mais aprofundada dessa possibilidade tendo em vista que a região está para ser interligada ao SIN o que tornará ainda mais interessante o investimento. economizando divisas. O primeiro por não ser totalmente conhecido de nossos técnicos: a existência abundante de canalículos com diâmetro de até 5 cm no solo de fundação que tornava a construção de barragem altamente problemática. mas sim o presidente da província do Amazonas. eram obras sem nenhum aspecto inovador ou preocupante. Situada no rio Uatumã. assim como a casa de força e a tomada d’água. município de Presidente Figueiredo. Balbina é mais uma usina pioneira que coube à Eletronorte construir.Enge Rio. para obturar esses canalículos. mas a quantidade tornava muito sério o problema.840 m³/s com bacia de dissi­ pação convencional. XX e XXI Devido às características hidrológicas do rio Araguari. quando os atuais estados eram chamados de província na época do Império.Séculos XIX. Contudo dois aspectos mereceram considerações especiais. Enfim. como citado no capítulo dedicado aos estudos ambien­ tais. não o Presidente da República da década de 80. no entanto a escolha recaiu sobre Balbina que era o menor investimento e a menor distância de transmissão e de acesso. A solução. critério básico do setor elétrico de então. Ademais. O vertedouro com capacidade para 5. Considerando a provável área do reser­ vatório de Balbina. que se mostrou eficiente. apesar de tudo. essas hidroelétricas foram escolhidas para construção por serem as mais econômicas do País na época. já se havia vis­ lumbrado a possibilidade de ampliação do aproveitamento por meio de uma segunda casa de força com potência instalada superior à atual. 218 .A História das Barragens no Brasil . em uma época em que a situação da balança de pagamentos do País era um fator de entrave ao desen­ volvimento. Entretanto. Balbina era uma obra comum para o estado da arte de então. que na época era contra as construções de hidroelétricas na Amazônia por julgar que usinas térmicas a carvão em Manaus e Porto Velho com transporte do carvão do sul pelos navios da Vale (então Vale do Rio Doce) seriam mais vantajosas. foi a execução de uma cortina por injeção de calda de solo cimento com ruptura hidráulica do solo (cracagem). fato não divulgado convenientemente para o público. Seria como construir uma barragem sobre um “queijo suíço”. foi resultado de um embate do cel. No momento. O problema não era totalmente novo para a empresa uma vez que algumas ocorrências do fenômeno haviam sido constatadas em Tucuruí. quando comparadas com as alternativas de geração para atendimento da evolução das cargas locais. os projetistas haviam recomendado que fosse A usina hidroelétrica Balbina A decisão sobre a construção da Usina Hidroelétrica Balbina. a usina trouxe muitos benefícios socioambientais à região. O projeto foi executado pelo Consórcio Monasa . Raul Garcia Llano com a Eletrobras. O segundo aspecto foi a área do reservatório. a usina foi projetada e executada apesar da área inundada ser exagerada para a potência instalada. destinava-se a abastecer Manaus visando solucionar o caos energético ainda reinante na região no final da década de setenta. bem como a de Samuel. Esse proble­ ma viria a nos assombrar com mais intensidade na construção de Samuel como veremos oportunamente. Concebida numa época em que não havia as agências reguladoras e controladoras com os poderes de hoje nem tampouco a consciência ambiental havia se desenvolvido nos níveis atuais. O Consórcio havia elaborado os estudos de inventário e recomen­ dado a construção da usina de Katuema no rio Jatapu como hidro­ elétrica prioritária para suprir Manaus. Com capacidade instalada de 250 MW composta por 5 unidades de 50 MW. Os benefícios econômicos das hidroelétricas de Balbina e de Samuel se acentuaram pela substituição do óleo importado para termoelé­ tricas.

vista de jusante 219 . problema constante na época. Figura 15 . tendo em vista o elevado custo de restituições aerofotogramétricas em função da espessa cobertura vegetal que  acarretava dificuldades logísticas ainda não enfrentadas até aquela época. Este atraso deveu-se à falta de recursos para sua realização em prazos normais. A construtora foi a Andrade Gutierrez cujo residente geral se destacou como responsável pela execução da obra a contento. A construção se iniciou em 1º de maio de 1981.Usina Hidroelétrica Balbina – Casa de Força .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens feito levantamento da área a ser alagada. O grande maestro da construção de Balbina por parte da Eletronorte foi o engenheiro Francisco Nelson Queiroga da Nóbrega. com a primeira máquina entrando em operação em fevereiro de 1989. Figura 14 – Usina Hidroelétrica Balbina A usina (Figuras 14 e 15) vem operando desde a inauguração sem apresentar problemas relevantes. mas isto só foi feito após o início da construção por restrições financeiras.

quando entrou em operação a primeira máquina. era uma obra comum para o estado da arte de então.A História das Barragens no Brasil . cujo coordenador geral foi o engenheiro Paulo Pinho Lopes e a obra foi feita pela Construtora Norberto Odebrecht. XX e XXI A usina hidroelétrica Samuel Situada no rio Jamari no Estado de Rondônia. Figura 16 – Usina Hidroelétrica Samuel – Vista panorâmica de jusante 220 220 . mas tem exigido muita atenção das equipes de instrumentação e manutenção da usina. a usina hidroelétri­ ca Samuel (Figura 16) tem como particularidade ter sido a única usina da Eletronorte a contar com o apoio popular e do governo local personificado no governador Jorge Teixeira.Séculos XIX. a solução adotada foi a construção de tapetes impermeáveis a montante das obras de terra para au­ mentar a distância de percolação. tornando a extensão do problema ainda maior que o usual. Com capacidade instalada de 220 MW. Contudo o aspecto dos canalículos já constatados em Tucuruí e em Balbina mereceu considerações e esforços especiais pela sua incidência em quantidades exageradas e pela quantidade de diques que compunham o projeto.820 m³/s e um reservatório de cerca de 600 km². em linhas gerais. vertedouro para 4. A usina foi projetada pela Sondo­ técnica S/A. a usina hidroelétrica Samuel foi construída no período de 31 de março de 1982 a 31 de julho de 1989 (última unidade) sob o comando do engenheiro Adailton de Souza Pinto residente da Eletronorte. Neste caso. Esta solução vem funcionando satisfatoriamente. Tal como Balbina.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 17 – Usina Hidroelétrica Curuá Una – Casa de Força A usina hidroelétrica Curuá Una Adquirida em 2005 da CELPA em permuta de dívidas. Apenas foi construída uma soleira vertente mais com o intuito de nivelar o leito natural do rio para garantir o nível normal de montante. participa minoritariamente em sociedade com a Neoenergia e a CHESF. Como peculiaridade é uma usina construída sobre uma gran­ de queda d’água natural de cerca de 90 m de altura apro­ veitando esta queda como vertedouro. a usina de Curuá Una (Figura 17). a Eletronorte foi responsável pelos estudos de inventário e viabilidade. no noroeste do Mato Grosso e tem capacidade instalada de 261 MW. No AHE Dardanelos (Figura 18). composta por 5 unidades geradoras. PA tem três unidades de 10 MW e previsão de insta­ lação de uma quarta unidade de 11 MW. Enfim. é uma usina que além de não ter um vertedouro clássico. não tem reser­ vatório. O usina hidroelétrica Dardanelos A usina está localizada na margem esquerda do rio Aripuanã. 221 . situada no rio de mesmo nome no município de Santarém. Esta foi uma das primeiras usinas desse porte construídas na Amazônia. quatro delas de 58 MW cada e uma de menor porte de 29 MW. a Eletronorte está em vias de executar a instalação desta quarta máquina. No momento. Atualmente.

com turbinas Francis na casa de força principal denominada Belo Mon­ te e 6 unidades geradoras de potência unitária 38.1 MW. com unidades Bulbo na casa de força complementar.233 MW. com dezoito unidades geradoras de potência unitária 611. a seguir. outro composto do canal de adução e interligação e o último composto do reservatório intermediário e sítio Belo Monte com a usina principal. a participação da empresa é minoritária. No empreendimento. Finalmente. junto com outras 18 empresas.Figura 18 .85 MW. A potência instalada total de Belo Monte é de 11. A Eletronorte participou. a Figura 19. O grande mentor deste projeto cuja personalidade se identifica com o empreendimento é o engenheiro José Antônio Muniz Lopes. um deles denominado Pimental onde ocorrerá o barramento do rio Xingu. mostra a equipe de residentes das obras da Eletronorte. possuindo três sítios. Aspectos sócioambientais comuns aos diversos empreendimentos “Preservando a biodiversidade amazônica e a cultura brasileira” A geração de energia hidroelétrica na Amazônia é um tema que sempre estará presente nas discussões sobre meio ambiente e de­ senvolvimento sustentável. desde 1975. ele não mediu esforços até levar o projeto a ser leiloado pela ANEEL com sucesso.Usina Hidroelétrica Dardanelos A usina hidroelétrica Belo Monte O aproveitamento hidrelétrico Belo Monte será construído no rio Xingu. presidente da empresa no final da déca­ da de 90 e início dos anos 2000 e finalmente como presidente da Eletrobras. seja pela alta diversidade biológica e 222 . no Pará. Desde os tempos em que foi diretor de engenharia da Eletronorte no final da década de 80. composto de casa de força complementar e vertedouro. dos estudos de inventário do rio Xingu e das otimizações de projeto realizadas desde então que culminaram com o leilão da ANEEL realizado em 20 de abril de 2010.

As Unidades de Conservação tem o objetivo de manter a diversi­ dade biológica regional.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cultural encontrada na região. a formação de reservatórios que modificam a paisagem.A geração de energia hidroelétrica requer. a flora. sendo treze de proteção integral e quatro de uso sustentável. Francisco Nelson Queiroga da Nóbrega (Balbina). Luiz Fernando Rufato (Tucuruí).Residentes da Eletronorte: da esquerda para a direita. a Eletronorte criou uma ampla organização interna. todas na Amazônia Legal. A legislação ambiental brasileira determina que empreendimentos de grande impacto compensem os danos causados ao meio ambiente com a implantação e apoio a unidades de conservação. Em to­ dos os seus projetos são realizados estudos ambientais. as águas e as tradições amazônicas.000 hectares protegidos. e equipes técnicas com profissionais especiali­ zados nas mais diversas áreas do conhecimento ambiental. inun­ Figura 19 . foram ou são apoiadas financeiramente pela Eletronorte. Isso significa 4. e atividades de educação ambiental às populações locais.700. res­ ponsável pelos estudos ambientais. na maioria das vezes. Adailton de Sousa Pinto (Samuel e Tucuruí II e Humberto Rodrigues Gama (Tucuruí) 223 . Atendendo a essas exigências. a fim de aliar desenvolvimento e conservação da natureza. Fauna . com foco na qualidade de vida dos seres humanos. Gustavo Reis Lobo de Vasconcelos (Manso enquanto era da Eletronorte). atividades de proteção e vigilância às áreas. seja pelo grande potencial de geração hidráulica da Região Norte do Brasil. José Antônio da Silveira (Tucuruí). Érico Bittencourt de Freitas (Tucuruí). Vanderlei Ângelo de Menezes (Ávila – convênio com a CERON). São áreas que aliam o desenvolvimento de pesquisas com uso racional dos recursos naturais. projetos de desenvolvimento das populações resi­ dentes. a Eletronorte apoia as seguintes atividades em unidades próximas a seus empreendimentos: demar­ cação das terras. em parceria com as mais capacitadas instituições técnicas e científicas. Com o objetivo de conservar a fauna. A Eletronorte é grande conhecedora da região amazônica. desenvolvimento de técnicas racionais do uso dos recursos naturais e formação de recursos humanos. centros de proteção ambiental em suas maiores usinas. Dezessete unidades de conservação ambiental.

das áreas de soltura e da Terra Indígena Parakanã. A área da Ilha é de 129 hectares. incluindo soltura. Uma das 1. conhecidas como áreas de soltura. estabeleceu orientações pioneiras para resgates futuros. “Esta é uma conservação consciente. Os ani­ mais resgatados foram de suma importância para pesquisas realizadas em diversas áreas de conhecimento. o monitoramento e manejo dos animais.914 indivíduos adultos.A História das Barragens no Brasil . perten­ centes a 221 espécies botânicas distribuídas em cinquenta famílias.Séculos XIX. no entorno da Usina Hidroelétrica Tucuruí. realizada em Tucuruí. E em Samuel. com as ações de identificação das áreas. muitas ilhas seriam formadas. sociais e comerciais. criado a partir da construção da Usina Hidroelétrica Balbina. Em Bal­ bina. Foi um trabalho de resgate. A Eletronorte. são delimitadas e o trabalho começa antes mesmo da formação do lago. quando uma parceria entre a Eletronorte e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa. a Operação Muiraquitã resgatou 26 mil animais. A do Germoplasma foi uma delas. Rubens Ghilardi Ju­ nior. fisiologia e taxonomia (identificação e classificação dos animais) e ecologia. garantem a perpetuação dos recursos da floresta em seu estado natural. apoio à 224 . em conjunto com outras instituições ligadas ao meio ambiente. A Operação Jamari. zoologia. envolveu aproximadamente 60 instituições nacionais.A Eletronorte é responsável pelo desen­ volvimento de dois programas indígenas cujos resultados apresentados desde o final da década de 1980 são considerados referência no Brasil e no mundo. que tem o objetivo de conservar as espécies da região. O plantio foi feito numa área dividi­ da em quadras e a Ilha passou a abrigar a parte nativa (in situ) e a plantada (ex situ). monitoramento e estudos científicos. A Eletronorte conduziu três grandes operações de resgate da fauna. com área total de 22. que vão elaborar. atendimento vete­ rinário. Programas indígenas . Era sabido que. Atualmente.6 ha. Banco de Germoplasma . Para evitar o afogamento da fauna habitante desses ecossistemas. A primeira e a mais importante delas é dar prioridade às espécies raras ou ameaçadas de extinção. resgatou 300 mil animais. XX e XXI dando áreas de florestas. as espécies de árvores mantidas nas áreas de coleta de sementes florestais da Ilha de Germoplasma. e Parakanã. Para o analista ambiental da Eletronorte. deu início ao processo de resgate do material genético das principais espécies florestais existentes na área de inundação e de plantio em local específico. foram plantadas aproximadamente 15 mil mudas distribuídas em 29 quadras. incluindo o aproveitamento científico. no Pará.Muita gente não sabe que Tucuruí guar­ da boa parte do DNA da Amazônia na Ilha de Germoplasma. A Operação Curupira. conduzir e supervisionar esses procedimentos. São os programas Waimiri Atroari. Para isso. alimentação e remessa de animais para instituições de pesquisa e preservação. E essa diferença começou a ser construída em 1980. mais de 16 mil animais foram resgatados. saúde. Os dois programas envolvem ações de educação. a Eletronorte realiza o resgate dos animais. com a participação de outras instituições de pesquisa.600 ilhas que formam o Mosaico de Tucuruí é especial. afirma. O banco de conservação in situ compreende 32 ha de floresta nativa. com a identificação e marca­ ção de 100% das árvores com diâmetro igual ou superior a 25 cm. e investir na capacitação de novos profissionais. depois do enchi­ mento do reservatório da Hidroelétrica Tucuruí. com a Operação Jamari. No banco ex situ estão representadas 28 famílias botânicas e 82 espécies. pré-resgate. no Amazonas. Para esse fim. espécie por espécie. Foram identificados e mapeados 2. é preciso criar e conso­ lidar unidades de conservação para compensar a perda do habitat. Os bancos de germoplasma mantidos pela Eletronorte permitirão que a região de Tucuruí e outras regiões recuperem sua vocação natural de uso sustentável de florestas nativas”. é possível conhecer cada uma das ‘árvores-mães’ que geram sementes saudáveis e que estão sendo utilizadas para reflorestamentos com objetivos ecológicos. As novas áreas que receberão os animais. manejo de filhotes. as ações dos resgates são baseadas em conservação e aproveitamento científico e cultural da fauna local. As principais atividades desenvolvidas nas operações de resgate são a triagem e manejo. como genética. Esse procedimento faz parte do Programa de Resgate da Fauna. pois por meio dos inventários florestais e o monitoramento fenológico das matrizes de sementes.

Na educação são doze escolas com 57. controle in­ formatizado da saúde dos índios e um programa de saúde bucal preventivo. 63. Na cultura houve o resgate de todas as práticas culturais e de sua dignidade como povo indíge­ na. Na saúde. A situação dos Parakanã antes do início do Programa. casta­ nha entre outros. controle to­ tal da hepatite B. A situação fundiária está totalmente regularizada. das terras e da dignidade daqueles povos indígenas. o que resultou em total independência alimentar. malária e gripes. sua medicina. sem nenhum invasor. falta de vacinação e qualquer controle sobre a saúde. boa nutrição. A redução populacional chegava a 20 % ao ano. pinturas corporais. além do aumento populacional. controle total de doenças respiratórias. falta de vacinação e qualquer controle so­ bre a saúde. em 1988. Na educação são 21 escolas com 60 professores indígenas. sua tecnologia. enfim sua história.40% da população Waimiri Atroari alfabetizada e o restante em processo de alfabetização. além de uma grande parte da população em processo de alfabetização. nenhum atendi­ mento odontológico. As escolas não existiam e a escrita era desconhecida. vacinação de 100% da população. Hoje. Na saú­ de não se observa nenhuma doença imunoprevenível nos últimos 12 anos. nenhuma doença imunoprevenível nos últimos 15 anos. controle total de doenças respiratórias. em 1986. Na produção observase grandes roças. 225 . A terra está demarcada. A população era de 247 pessoas. estoque de animais para abate (peixes e gado) e total independência alimentar. com registro em cartório de imóveis e serviço de patrimônio da União. A cultura encontrava-se em processo de perda dos seus valores como festas tradicionais. A terra não estava delimitada. controle da malária e de outras doenças endêmicas. foi regatada a prática do extrativismo e coletas de frutos para comercialização como açaí. Também na cultura houve o resgate de todas as práticas culturais. hepatite B. controle de malária e de outras doenças endêmicas. era totalmente diferente.404 pessoas. vacinação de 100% da população. resultado de uma taxa de crescimento de 4. grandes roças têm tido produção de excedentes. com registro em cartório de imóveis e serviço de patrimônio da União. e controle informatizado da saúde dos índios. sem nenhum invasor e com fiscalização sistemática dos seus limites e dos transeuntes das estradas existentes dentro das terras indígenas Waimiri Atroari. A terra era demarcada.77% ao ano. No campo da saúde o quadro era grave: epidemias de sarampo. as escolas eram inexistentes e a escrita desconheci­ da. seus mitos. o quadro era de epidemias de sarampo. subnutrição. a situação é totalmente diferente. Na pro­ dução havia pequenas roças e dependência alimentar externa. a população era de 374 pessoas. além da situação fundiária totalmente irregular.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens produção e proteção ambiental. com uma taxa de crescimento de 5. Na produ­ ção havia dependência total dos alimentos fornecidos pela Funai. A cultura encontrava-se em processo de perda dos seus valores. nenhum atendi­ mento odontológico. com fiscalização sistemática dos seus limites e dos transeuntes da rodovia Transamazônica. a população dos Waimiri Atroari era de 1. nem demarcada e com processo de invasão em andamento. Hoje. homologada. malária e gripe. e ritos de passagem e morte. que faz limite com a Terra Indígena Parakanã. Antes do início do Programa.8% ao ano. não se realizando mais as principais manifestações de seu patrimônio cultural e em fase de desmoralização como etnia. No campo da saúde. A terra está demarcada. A língua estava sendo perdida gradativamente bem como os conhe­ cimentos dos mais velhos sobre a natureza. homologada. Em julho de 2010. diarreias crônicas. Em julho de 2010 a população dos índios Parakanã era de 840 pessoas. boa nutrição. curativo e corretivo. Na educação. mas com pendências de registros e regularização. diarreias crônicas. subnutrição. possibilitando o resgate das tradições. cupuaçu.86% da população Paraka­ nã alfabetizada na língua materna e em português. A situação fundiária está totalmente regularizada.

primeiro vertedouro do Brasil com aeração da calha .Calha do vertedouro de Foz do Areia.

vencendo desníveis da ordem de 800 a 1000 m e com isso favorecendo a instalação de aproveitamentos hidroelétricos. no planalto. O aproveitamento dos recursos hídricos do estado foi fundamen­ talmente ligado à geração hidroelétrica. e.Estado do Paraná à criação de pequenos reservatórios para o suprimento de água potável a algumas comunidades. PontaGrossa e Londrina. os cursos d’água apresentam elevados gradientes. A drenagem em relação ao rio Paraná é conformada pela Serra do Mar. A leste da Serra do Mar. Isto faz com que os principais cursos d’água do estado nas­ çam próximo ao litoral e se desenvolvam em direção ao inte­ rior. A maior parte de seu território pertence à bacia hidrográfica do rio Paraná. que nasce a noroeste de Curitiba. Piquirí.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens História das Barragens no Paraná Brasil Pinheiro Machado e Denise Araújo Vieira Krüger Introdução O Paraná é um estado rico em recursos hídricos. os principais cursos de água que formam a hi­ drografia paranaense. dotado de um sis­ tema fluvial importante. A orografia que cria a barreira da Serra do Mar e faz com que os rios se afastem do litoral não favorece à navegação fluvial. com desníveis de 500 a 800 m vencidos em percursos menores de 80 quilômetros. entre União da Vitória e Curitiba. Isto foi no trecho superior do rio Iguaçu. e em muito menor grau. em sua margem esquerda. Este rio faz a divisa do esta­ do com o Paraguai e com Mato Grosso do Sul e recebe. A exceção é o rio Ribeira. além disso. este último formando a divisa entre os estados do Paraná e São Paulo. que se desenvolve paralelamente ao litoral Atlântico. 227 . em­ bora tenha havido um período histórico em que esta atividade ocorreu. havia interesse econômico no transporte de erva-mate da região sul para as indústrias de beneficiamento instaladas em Curitiba. Figura 1. entre os quais se destacam os rios Iguaçu. Ivaí e Paranapanema. a oeste de Curitiba com altitudes entre 1200 a 1800 m acima do nível do mar. particularmente Curitiba. onde o rio flui no planalto e não se requeriam obras específicas para permitir a navegação. com altitudes da ordem de 800 m e desenvolve em direção ao litoral entrando no estado de São Paulo através de uma região onde a Serra do Mar permite uma passagem.

1901 228 .A História das Barragens no Brasil . sempre tiveram a preocupação da integração das regiões. União da Vitória. (ii) a região norte. XX e XXI Com a diminuição do valor desta atividade econômica. a partir dos anos 40. incluindo a implantação de obras de infraestrutura. com a agricultura de ce­ reais entre os quais trigo e soja. Ponta-Grossa. que se desenvolveram a partir dos anos 50-60. a história das barragens no Paraná se confunde com a história da implantação da geração de energia elétrica para o atendimento público. onde se destacam as cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel. na região leste do estado. onde se destacam a cidades de Paranaguá. e colonizada com deslocamentos populacionais originados principalmente no Rio Grande do Sul. (iii) a região sudoeste. de colonização antiga. colonizada a partir de Londrina e incluindo cidades como Maringá e Apucarana. e durante muitos anos. Em função destas peculiaridades a implantação de obras de eletrificação no Paraná ocorreu inicialmente. desenvolvida a partir dos anos 30-40 com base na agricultura do café atingindo seu pico econômico nos anos 50 e estreitamente vincula­ da economicamente ao estado de São Paulo. a navegação neste trecho desapareceu e não prosperou de forma significativa em nenhum outro local do Estado.Séculos XIX. centrada em Curitiba. inicialmente desenvolvidas a partir do comércio de tropas entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. o poder político sempre esteve em Curi­ tiba e as ações de governo.Usina Termoelétrica de Curitiba . Por estas razões. Os primórdios da geração elétrica no Paraná Historicamente o estado do Paraná se desenvolveu em três regi­ ões economicamente distintas: (i) o leste incluindo o litoral e os planaltos que formam o primeiro e o segundo degraus em direção ao rio Paraná. Apesar desta diversidade. enfrentando grandes dificuldades até pelo menos o início dos anos 70. originadas ou Figura 2 . Curitiba.

com dois conjuntos geradores de 200 cavalos-vapor cada. termoelé­ trica. quando o presidente da Intendência Municipal de Curitiba. assinou o contrato com a Companhia Água e Luz do Estado de São Paulo. no litoral paranaense. construída por técnicos ingleses. Outras cidades na região. com 760 kW de potência. Um ano mais tarde. propriamente dita. em 12 de outubro de 1892. somente dispuseram de geração elétrica na segunda década do século vinte. Dr.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O primeiro esforço para eletrificação ocor­ reu no dia 9 de setembro de 1890. União da Vitória e Campo Largo. até 3 de agosto de 1970. Vicente Machado. e com uma conces­ são por 20 anos. localizada atrás do então Congresso Estadual. Ponta Grossa. na região de Ponta Grossa. instaladas no estado. para abastecer a cidade de Paranaguá. que começou a operar em 1910 com a potência de 510 kW. 229 . 3b e 3c . entre elas Pa­ ranaguá. geralmente com as prefeituras dos municípios corres­ pondentes. a citada companhia instalou a primeira usina elétrica do Paraná. Nomes como Hauer. entrou em operação a usina de Pitangui. num terreno próximo à antiga estação ferrovi­ ária. A maior parte destes empreen­ dedores era imigrante de origem alemã ou da Europa Central. Blitzkow e Schlemm tiveram papel importante nas iniciati­ vas pioneiras no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. Baseada nesse contrato. oficialmente. térmi­ cas ou hidráulicas. pertenciam a empreendedores priva­ dos locais que contratavam. A usina começou a funcionar. Em 1901 foi instalada a primeira usina. os serviços de suprimento e distribuição diretamente aos consumido­ res finais. Figuras 3a. As primeiras usinas geradoras. para iluminar a cidade com “uma força iluminativa de onze mil velas”. Grollmann.Usina Hidroelétrica Serra da Prata – 1910 A primeira usina hidroelétrica do estado foi Hidroelétrica Serra da Prata.

Neste ano a con­ cessão do suprimento elétrico da cidade de Curitiba foi adquirida do empresário local José Hauer pela empresa anglo-francesa South Brazilian Railways Company Ltd.uma usina para geração de energia eletrica por força hydraulica . pela soma de 500 contos de réis. no município de São José dos Pinhais. disto resultou a constru­ ção da usina hidroelétrica de Chaminé. “as quedas d’água existentes no Rio Capivary. na Serra do Mar. a associação da geração de energia elétrica com recursos hidráulicos começa a aparecer no Paraná na segunda década do século XX. que também implantava a ligação ferroviária entre São Paulo e o Rio Grande do Sul. Neste contrato o governo do estado requeria que a concessionária construísse “. o presidente do estado sabendo que o estado de Mato Grosso pretendia outorgar a concessão das Sete Quedas.A História das Barragens no Brasil . no Rio Paraná para exploração energética (hoje inundadas pelo reservató­ rio de Itaipu). a AMFORP – American Foreign Power . com a finalidade de “interessar a todos nossos industriais na organização de uma sociedade anonyma que tome a seu cargo a construção de uma usina hydro-eletrica e sua exploração”. telegrafou ao presidente daquele estado dizendo que este era um recurso paranaense. em 1928. iniciada em 1929 230 . Em 1913. na máxima estiagem” situadas próximas a Curitiba. um braço da empresa americana Electric Bond & Share Company se estabele­ ceu no Brasil e.” no prazo máximo de 3 anos. Efetivamente. quando então o rio Capivari foi aproveitado para geração de energia elétrica com um esquema muito diferente do que foi imaginado originalmente. mu- nicípios de Campina Grande e Bocaiuva com capacidade de 30. Em 1926 o governo do estado adquiriu de particulares... Em 1927.Usina Hidroelétrica Pitangui – 1911 É interessante observar que no discurso político..Séculos XIX. sobre o qual tinha “direito de posse”. Logo em seguida constituiu uma empresa com o nome de Companhia Força e Luz do Paraná (CFLP) e a ela transferiu a concessão. XX e XXI Figura 4 . embora as insta­ lações geradoras existentes e em estudo fossem todas privadas. com o nome de Empresas Elétricas Brasileiras contratou com o governo do Paraná a concessão da distribuição de energia elétrica em Curitiba. O ano de 1910 marca a entrada das grandes empresas internacio­ nais no negócio de energia elétrica no Paraná. Nada resultou desta iniciativa até 50 anos depois.. no rio São João..000 c.v.

O trole acabou se tornando a principal característica de Chaminé por proporcionar uma viagem de 720 m. suficiente apenas para regularização diária. formados pelas barragens de Salto do Meio e Voçoroca. desde os 22 anos trabalhou e se dedicou ao Brasil. para a segunda a bicicleta e para a terceira.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figuras 5a e 5b . preparando acampamento (1928) e na inauguração da usina de Guaricana (1957) e concluída em 1931. ia-se a pé. como o aces­ so era difícil para transportar pessoal. com capacidade máxima de descarga de 360 m³/s. Howell Lewis Fry – Visita a Chaminé em outubro de 1978 motores eram operados a vapor na época da obra e foram automatizados em 1999. O vertedouro fica no trecho central da barragem e é equipado por flash-boards perfazendo 34 m de vão. Esses Figura 6 . Aproveitando um desnível de mais de trezentos metros. 12 km a montante. Howell Lewis Fry. ao centro. 231 . segundo ele: “Em 1929 nós tivemos que colocar cascalho na avenida principal de São José dos Pinhais para poder passar com os equipamentos que seriam usados na construção da usina de Chaminé”. a usina gera 18 MW através de quatro unidades Pelton. Operando desde 1929.” O trabalho de construção durou três anos e. Mr. foi construído um trole. Seu reservatório tem um volu­ me útil de 500 mil m³. Fry era o engenheiro residente e assistente do superinten­ dente geral. Howell Lewis Fry. com 12 m de altura e 92 m de extensão. por uma exuberante reserva da Mata Atlântica. usava-se o cavalo. A barragem de Salto do Meio é do tipo concreto gravidade..Mr. de aprova­ ção das fundações da barragem e da casa de força e. responsável por todo serviço de campo. quando esta realiza­ va estudos no rio São João. ven­ cendo declives de até 55 graus. ligando os escri­ tórios à casa de força.Mr. o trole é acionado por motores que liberam e recolhem cabos de aço. e “em 1930 havia três escalas de prioridades para serviços urgentes: para a primeira. Em 1928 começou a trabalhar nas Empresas Elétricas Brasileiras. nascido nos Estados Unidos. máquinas e peças. que resultaram na usina de Chaminé. Mr. vagonete sobre trilhos. A usina hidroelétrica Chaminé é atualmente alimentada por dois reservatórios no rio São João..

3 m de largura e flash boards de 2 m de altura. com 29.A História das Barragens no Brasil .Trole para acesso à casa de força – Usina hidroelétrica Chaminé Figura 7 b – Barragem de Salto do Meio A barragem de Voçoroca foi iniciada somente em 1947. Daí surgiu o nome Guaricana. Este estudo foi contratado com a firma americana de consultoria EBASCO International Corporation e nas suas conclusões há a iden­ tificação das possibilidades técnicas de implantação de projetos de grande porte no rio Iguaçu.” O vertedouro. também sob a responsabilidade de Mr. mencionada anteriormente. a usina hidroelétrica de Guaricana. tam­ bém projetada e construída por Mr. “na região destas usinas havia uma palmeirinha que os colonos usavam para fazer paredes e coberturas de casas e se chamava Guaricanga. Fry. possui três vãos de 12.5 x 6. a 75 km de Curitiba. com 21 m de altura e 152 m de comprimento tendo em seu trecho cen­ tral. onde hoje se situam as usinas 232 . cujo reservatório é criado por uma barragem de concreto a gravidade. com 36 MW instalados também na Serra do Mar. Conforme explicado por ele. além da usina de Chaminé. três vãos vertedores com comportas radiais de 5.4 m para uma capacidade máxima de descarga 495 m3/s. A CFLP continuou com a concessão e o suprimento de energia elé­ trica à região de Curitiba até a década de 70 quando foi absorvida pelo governo do estado através da COPEL. que embora distantes da região de Curitiba. po­ deriam no futuro vir a ser alimentadores do seu sistema. XX e XXI Figura 7a . Fry. é de concreto a gravidade. A usina aproveita uma queda superior a trezentos metros. Em 1954 contratou um levanta­ mento de possíveis locais nos rios Iguaçu e Tibagi.5 m de altura e 95 m de extensão.Séculos XIX. Durante os 45 anos em que foi responsável por este mercado. na parte central. onde era concessionária. a CFPL construiu. Além destas duas usinas hidráulicas. a CFLP desenvolveu outros estudos visando identificar locais promissores para a instalação de reservatórios e usinas geradoras. Esta usina comissionada em 1957 utiliza as águas do rio Arraial. gerando os 36 MW com quatro turbinas Pelton.

Interior da casa de força com os grupos geradores de Segredo (chamada na ocasião de Encantillado) e Salto Santiago. O desenvolvimento dos recursos hídricos do estado para fins energéticos passou a ser explicitamente considerado como preocupação política governa­ mental nos anos 40. As conclusões deste relatório não ge­ raram nenhuma ação específica e a CFLP continuou operando unicamente as hidroelétricas da Serra do Mar e instalações térmicas a Diesel em Curitiba até desa­ parecer como empresa concessionária.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8a – Usina hidroelétrica Chaminé – Casa de força Figura 8b . com a criação do Serviço de 233 . nos anos 70.

tais como Capivari-Cachoeira (105 MW). no litoral do estado. O primeiro Plano Hidroelétrico do Estado foi elaborado em 1948. previa a construção de pequenas hidroelétricas (Cavernoso. União da Vitória e cidades do chamado norte-velho. com previsão dos sistemas elétricos do sul apoiados nas usinas de Capivari-Cachoeira e Salto Grande do Iguaçu. Caiacanga e Laranjinha) e a segunda. dependente de financiamentos especiais. Caverno­ so no rio Laranjeiras e Melissa em Cascavel. Posteriormente. Na realidade. do norte pelas usinas de Salto Grande do Paranapanema. Ponta Grossa. previa a cons­ trução das centrais de maior porte. a ser cumprido em duas etapas: a primeira. os dois interligados em Teixeira Soares. desativada para a formação do lago de Itaipu. e do oeste com centros gera­ dores isolados. a curto prazo. Capivara e Mourão. este departamento governamental encampou incipientes serviços em municípios que não eram atendidos por empresas privadas organizadas como os das regiões de Curitiba. Lon­ drina. transformado em 1948 no Departa­ mento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) com a atribuição de cuidar.A História das Barragens no Brasil . em nível estadual. a mini-usina de Cotia. Tibagi (36 MW). bem como pelo início das usinas de Chopim I em Pato Branco e Mourão I em Campo Mourão que foram posteriormente concluídas pela COPEL. com recursos orçamentários do DAEE. Nos municípios em que atuou instalou geradores Diesel e realizou um único projeto hidráulico. em 1952. Carvalhópolis (27 MW) e a termo­ elétrica de Figueira (20 MW). XX e XXI Energia Elétrica do estado.Séculos XIX. Figura 9 – Usina hidroelétrica Presidente Vargas – Rio Tibagi – Grupo Klabin de Papel e Celulose (1947) 234 . O Departamento foi responsá­ vel pela construção das usinas hidroelétricas de Ocoí em Foz do Iguaçu. este plano transformou-se em outro. do suprimento de energia elétrica e do desenvolvimento de projetos hidroelétricos. na região de Antonina.

COPEL. distribuição e comércio de energia elétrica e serviços correlatos. uma reputação técnica ligada a questões energéticas por ter participado da discussão de planos governamentais envolvendo usinas hidroelétricas na Serra do Mar. cate­ drático da cadeira de hidráulica na Escola de Engenharia da Uni­ versidade do Paraná (atualmente Universidade Federal do Paraná). habilitar-se de maneira mais eficaz aos financiamentos requeridos para a realização de obras de geração e transmissão. o governo do es­ tado criou a Companhia Paranaense de Energia Elétrica . do então gover­ nador Bento Munhoz da Rocha Neto. Nesta primeira diretoria da COPEL foi de sua res­ ponsabilidade a formulação técnica racional de uma evolução objetiva e realista da oferta de energia elétrica no estado que. como indicado anteriormente. mudanças no governo do estado afastaram a diretoria inicial da empresa em menos de um ano após sua instalação. Esta empresa seria uma instituição mais flexível que os órgãos governamentais tradicionais e poderia. in­ clusive.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 – Usina hidroelétrica de Ocoí A era da COPEL Em 1954. seguindo o exemplo de Minas Gerais.917 de 26 de outubro. A primeira diretoria da COPEL incluiu como diretor técnico. na época. uma empresa de econo­ mia mista que teria a atribuição de implementar o suprimento de energia elétrica do estado. construir e explorar sistemas de produção. era extremamente precária. A nova sociedade se destinava a “planejar. transmissão e transformação.” e teve como seu presidente nomeado The­ místocles Linhares. através do decreto n°14. o professor Pedro Viriato Parigot de Souza. O professor Parigot tinha já. En­ tretanto. 235 .

XX e XXI Não obstante. para o rio Cachoeira. a derivação para o litoral vencendo desnível importante foi nesta ocasião revista e estudada detalhadamente. foram chamadas e encarregadas de propor soluções técnicas para o aproveitamento.Mapa de 1915 com os primeiros estudos para o aproveitamento do Rio Capivari 236 . que corre relativamente próximo a Curitiba. Figura 11 . como mencionado anteriormente. agora como presidente e go­ zando da inteira confiança do governador. vencen­ do o degrau de mais ou menos 800 m da Serra do Mar. Entretanto. que consiste na derivação do rio Capivari que se desenvolve no planalto. subterrânea. atualmente denominado usina hidroelétrica Governador Parigot de Souza. A solução que prevaleceu foi proposta pela SOGREAH.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . Entre estas obras destaca-se o aproveitamento hidroelétrico CapivariCachoeira. de países diferentes. na curta gestão de sua participação inicial na em­ presa. Outras soluções propostas consideravam várias usinas menores em sequência. Fizeram parte deste grupo os engenheiros Hiran Lamas. e consiste em uma barragem no rio Capivari e desvio para o rio Cachoeira. Para isto três empresas internacionais. A idéia do aproveitamento do rio Capivari. Maurício Schulman. que tinham sido admitidos na empresa entre 1955-60 e neste período desenvolveram estudos importantes que deram origem às obras executadas no período seguinte. no litoral. no litoral. era antiga. Nel­ son Luiz de Sousa Pinto. Isto fez com que a COPEL pudesse atrair um con­ junto de engenheiros que teve uma atuação decisiva na evolução bem sucedida da empresa especialmente nos anos 60. francesa. entre outros. instalada com quatro grupos Pelton somando 260 MW de potência. instaladas ao longo da encosta da serra. Péricles Tourinho e Clodoveu Holz­ mann. o professor Parigot implantou uma filosofia de seriedade e respeito técnico. através de sistema de túneis de grande extensão e casa de força única. quando novamente este voltou à empresa.

não foi este o único empreendimento desenvolvido pela COPEL no início dos anos 60. conquistando dois recordes para a época: maior avanço médio em escavação subterrânea em obras do gênero e maior volume de concretagem mensal no interior dos túneis. se estudou um aproveitamento de porte médio que foi considerado muito grande para atender a demanda existente. Tem 60 m de altura. Este é o chamado Salto Grande do Iguaçu. assistido por consultores pessoas físicas e não empresas. não só foi muito bem sucedida como também foi importante na for­ mação e desenvolvimento de quadros técnicos locais treinados em empreendimentos de dimensões e de grande complexidade. Apesar de inusitada e mesmo arriscada. para uma vazão de projeto de 750 m3/s. CEPHH (mais tarde CEHPAR e hoje Lactec) recebeu a incumbência de realizar os estudos hidráulicos em mode­ lo reduzido. Neste local. controla­ do por duas comportas de segmento. que foi utilizado para o desvio e suple­ menta a capacidade do vertedouro em 250 m3/s. Imaginou-se então 237 . é de terra homogênea e dispõe de vertedouro de superfície em canal.Cachoeira – Perfil esquemático Para a construção do aproveitamento a COPEL criou. naquela época. na divisa com Santa Catarina. Na construção desta usina a Copel se projetou no panorama da energia brasileira. a decisão de executar o projeto e a supervisão da construção com equipe pró­ pria. no início dos anos 60. prescindindo da contratação de uma empresa de projeto. contro­ lado por comportas vagão. Juntamente com as demais obras do aproveitamento a barragem começou a operar em outubro de 1970 e ao longo deste período demonstrou um desempenho excelente sem nenhum incidente. Apesar da relevância de Capivari-Cachoeira. uma subsidiária específica a ELETROCAP e outorgou a Hiran Lamas e Nelson de Sousa Pinto a responsabilidade de sua implementação. Dispõe também de um descarregador de fundo. A chamada Usina Piloto do Salto Grande do Iguaçu foi também nesta época projetada e construída. Maurice Bouvard foi contratado como consultor ge­ ral do projeto. Foi decidido desenvolver o projeto detalhado com esforço próprio. Milton Vargas como consultor para a barragem de terra no rio Capivari e o incipiente laboratório de hidráulica da Universidade do Paraná. que nunca haviam sido feitos no estado. Logo a jusante desta cidade o rio entra na região dos basaltos e aí ocorre o primeiro salto abrupto dos vários que o rio apresenta ao longo de percurso. O rio Iguaçu nasce na região urbana de Curitiba e se desenvolve em uma região do planalto com baixas declividades até as imediações da cidade de União da Vitó­ ria.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 12 – Usina hidroelétrica Capivari . A barragem do Capivari pode ser considerada como a primeira bar­ ragem de porte realizada no Paraná.

alimentando uma barragem-tomada d’água em arco com 4 grupos geradores de 3. num esquema semelhante ao projeto CapivariCachoeira. Para isto foi contratada a IECO – International Engineering Company. Houve tentativas 238 . dos Estados Unidos.8 MW cada um.Séculos XIX. XX e XXI Figura 13 – Usina hidroelétrica Capivari Cachoeira – fotos da casa de força uma usina menor que serviria como passo inicial para um apro­ veitamento futuro de maiores dimensões. foi construído a partir de 1962 e entrou em operação em setembro de 1967. São Paulo. O empreendimento não prosperou porque. que tinha contratos em andamento com Furnas e grande repu­ tação técnica. O estudo final viabilizava o empreendimento (supondo a existência de demanda) com três barragens no alto Iguaçu associadas a estações elevatórias. O fluxo principal do rio não era afetado e continuava livre so­ bre o salto.000 MW instalados e restituição através de túneis de fuga descarregando próximo a Garuva. O projeto foi contratado com o engenhei­ ro Cardellini. túneis de adução e casa de força subterrânea com aproximadamente 4. Outra iniciativa importante nesta época foi a contratação de um estudo para verificar a viabilidade técnica e econômica da reversão do alto rio Iguaçu para o litoral. O projeto de características hidráulicas e constru­ tivas complicadas foi estudado no laboratório de hidráulica do CEHPAR. não existia demanda para tal potência. O conceito do projeto previa um canal de adução de pare­ des curvas na margem esquerda. entre outras razões. na divisa entre o Paraná e Santa Catarina.A História das Barragens no Brasil . Por isso foi chamada de “usina piloto”. de formação italiana e radicado em São Carlos. Este empreendimento. 15 anos mais tarde. mas agora revertendo uma vazão muitas vezes maior. foi inundado pelo reservatório de Foz do Areia.

entre os estados de São Paulo e do Paraná. Entretanto. no rio Paraná (Jupiá e Ilha Solteira) que. Figura 15 . mas que também não progrediram porque este estado estava iniciando na ocasião os grandes projetos do Complexo Urubupungá. embora mais distantes da capital do estado e mais caros que a alternativa do Iguaçu.200 kW 239 . houve uma parceria importante para ocasião.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 – Barragem de Capivari-Cachoeira modestas de acordo com o estado de São Paulo para o desenvolvi­ mento em parceria. do governo paulista.Vista da casa de força da usina de Salto Grande do Iguaçu – 15. através da participação da COPEL na USELPA – Usinas Elétricas do Paranapanema. não podiam politicamente ser trocados por projeto em outro estado. com base na qual foi possível o suprimento de energia elétrica à região de Londrina e Maringá a partir da usina de Salto Grande do Paranapanema.

Este empreendimento foi projetado pela SERETE Engenharia. situada na margem esquerda do rio Iguaçu. general José Costa Cavalcanti e governador Paulo Pimentel do Sul.casa de força e barragem Figura 16 . O Comitê Sul era a continuação dos estudos executados na região Sudeste pela CANAMBRA.Inauguração de Salto Grande do Iguaçu em 29 de setembro de 1967.Usina hidroelétrica de Foz do Chopim . O estudo desenvolvido entre 1967 e 1969 identificou as principais obras no curso principal e afluentes dos rios Iguaçu. além de alguns designados pelas empresas de Santa Catarina e do Rio Grande Figuras 17a e 17b .A História das Barragens no Brasil . chamada pos­ teriormente de Júlio de Mesquita Filho. O rio Chopim é um afluente pela margem esquerda do rio Iguaçu. foi a constituição do Comitê de Estudos Energéticos da Região Sul – Comitê Sul. a vazão do rio Chopim é encaminhada por meio de canal aberto e conduto forçado a uma casa de força equipada com dois grupos de 22 MW cada. técnica e economicamente. Com uma pequena barragem-tomada d’água na última curva. O objetivo do Comitê Sul era o levantamento das principais bacias hidrográficas dos três estados sulinos (menos os rios que já tinham sido considerados no estudo do sudeste: Tibagi e Ribeira do Iguape e dos trechos que formam fronteira internacional) com o propósito de identificar e avaliar os locais potencialmente ade­ quados. no oeste do Estado. sediado em Curitiba e organizado sob a gestão da COPEL. atingindo este rio após desenvolvimento em várias curvas (falsos meandros) ocasionadas pela orografia da região basáltica. Piquiri 240 . Pela COPEL o responsável foi o engenheiro Arturo Andre­ oli. XX e XXI Na segunda metade dos anos 60 a COPEL desenvolveu o projeto e construiu a usina hidroelétrica de Foz do Chopim. Um fato extremamente relevante ocorrido na segunda metade dos anos 60. para desenvolvimento hidro­ elétrico. com 44 MW. de São Paulo. Da esquerda para direita: professor Parigot de Souza. e foi formado por engenheiros canadenses e americanos que haviam atuado no Sudeste e por profissionais locais designados pela COPEL. que mais tarde viria a ser presidente da empresa e responsável pelas obras subsequentes no rio Iguaçu até o final dos anos 70.Séculos XIX.

A solução técnica do projeto inclui uma barragem de enrocamen­ to com núcleo inclinado de argila. Barry Cooke. que re­ tomou alguns estudos preliminares já executados para a ELETRO­ SUL em anos anteriores. fez com que a concessão fosse transferida para a ELETRO­ SUL. O projeto de engenharia de Salto Osório foi contratado com o consórcio SERETE (que já atuava em Foz do Chopim) e Kaiser Engineers Corp.420 MW). James Libby.A. A COPEL. com 56 m de altura máxima e 750 m de comprimento. em 1974. na época. houve a sugestão da junta de consultores para adoção de uma barragem de enrocamento com face de concreto. entretanto. naquela 241 . Salto Osório (1. O gerente do projeto do consórcio projetista foi o engenheiro Warren Schumann que teve um papel fundamental no desenvolvimento da maioria das obras do rio Iguaçu. então diretor técnico da empre­ sa. a COPEL não aceitou a sugestão. Jacuí. apesar da COPEL ter tido a iniciativa do empreen­ dimento. a recente criação. A ELETROSUL. no Rio Grande do Sul.050 MW) foi a grande realização da COPEL no início dos anos 70 e o ponto de partida para os sucessos seguintes.000 m3/s. situada imediatamente a montante de Salto Osório com a possibilidade de iniciar serviços de campo a partir da base estabelecida em Salto Osório. de uma empresa federal que teria a exclusividade na geração de obras de propósito supra-esta­ dual. Apesar de ter havido revisões nos resultados dos estudos. Ibirapuitã e Camaquã. Um outro aspecto relevante no desenvolvimento deste projeto foi o fato de que. Canoas e Uruguai. em 1974. no Paraná. e dois vertedouros com capacidade con­ junta de descarga de 27. que também teriam um papel muito importante nas obras subsequentes. Pela primeira vez no Paraná. dos Estados Unidos. que poderia parecer injustificada. conseguiu ser designada a “gestora” do empreendimento e seguiu assim até o final da obra. quase todos os potenciais identificados estão hoje aproveitados. e Rio Grande do Sul. foi tomada por razões prá­ ticas uma vez que no local estava sendo finalizada a construção de Foz do Chopim e existia uma estrutura de apoio para o início de um novo empreendimento. B. de Mello.. Esta decisão. com base no resultado dos estudos do Comitê Sul – CANAMBRA. a ELETROSUL e a COPEL se mobilizaram politicamente para realizar outras obras no rio Iguaçu tomando sempre por base a previsão de obras formulada pelo Comitê-Sul – CANAMBRA. A ELETROSUL fixou seu objetivo na usina de Salto Santiago (1. Depois de Capivari-Cachoeira. Figura 18 . Thomas Leps e Victor F. Esta junta era formada pelos engenheiros J. No final dos anos setenta. mas como não havia antecedentes deste tipo de obra no Brasil. pela SERETE. A decisão e a implementação com su­ cesso das gestões voltadas para a realização da obra são devidas ao engenheiro Arturo Andreoli. Ela obteve sucesso em seu pleito pela concessão do aproveitamento e contratou os estudos de engenharia de projeto com a Milder-Kaiser Engenharia S. pois iniciava o desenvolvimento do rio com uma obra situada longe das cabeceiras. foi estabelecida pela COPEL uma junta de consultores independentes.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens e Ivaí.Usina hidroelétrica de Salto Osório Antes do final de Salto Osório. em Santa Catarina. Nas discussões para a formulação do arranjo e do tipo de barragem. a COPEL decidiu pleitear e cons­ truir a usina hidroelétrica de Salto Osório.

A COPEL centrou sua atenção nas obras previstas no trecho ini­ cial do rio Iguaçu. Barry Cooke. O projeto incluiu uma barragem principal de enrocamento com núcleo de argila. oriundo da SERETE. foi construída pela Camargo Correa estrita­ mente no cronograma estabelecido inicialmente. com a primeira unidade entrando em operação no final de 1980. A MilderKaiser que tinha sido organizada em São Paulo por Isaac Milder. era dirigida pelo engenheiro Mario Lannes e seu diretor técnico era o engenheiro Fernando Correa de Azevedo. Kamal Kamel.A História das Barragens no Brasil . Arturo Andreoli) época. XX e XXI Figura 19 . A ELETROSUL. Piuma. A usina hidroelétrica de Salto Santiago. James Libby. B. Lança a montante de União da Vitória.Obra e fechamento do desvio do rio da usina hidroelétrica de Salto Santiago. Salto 242 . Thelmo Thompson Flores. projetada para uma insta­ lação de 2. Victor F. Jaime L. de Mello e Thomas Leps. montou uma estrutura técnica no Rio de Janei­ ro e designou para a gerência do Projeto Salto Santiago o engenheiro Jaime Leivas Piuma que foi o principal responsável pela engenha­ ria desta obra.000 MW. com 80 m de altura. Machado.Séculos XIX. seguindo a prática de Salto Osório contratou o mesmo grupo de consultores especiais daquela obra: J. Engenheiros e consultores (a partir da esquerda: Brasil P. e uma barragem de terra homogênea fechando um ponto baixo no reservatório.

Barry Cooke. Definidas as características energéticas e orográficas de Foz do Areia a seleção do tipo de barragem que teria 160 m de altura demandou longas discussões técnicas. tinha menor área e criava uma queda aproveitável para geração de energia. com uma barragem muito mais alta. agora formada por J. Victor F. Os estudos realizados pela Milder-Kaiser mostraram que Lança. A projetista. Isto tudo fez com que o grupo técnico envolvido na concepção e desenvolvimento da obra fosse formado e mantido com pessoal de alta qualificação. que não só seria a primeira do tipo no país. mas seria na época a mais alta do mundo neste tipo. uma barragem baixa criando um reservató­ rio de área muito extensa tinha méritos. como fizera em Salto Osório.Usina hidroelétrica Salto Santiago Grande do Iguaçu e Foz do Areia a jusante desta cidade. já dis­ punha de um quadro técnico de primeiro nível e a COPEL trouxe da Colômbia o engenheiro Bayardo Materón. uma junta de consultores especiais. além de criar um reservatório regulador semelhante ao previsto para Lança. chamada na época Foz do Areia Alto. prevaleceu pois. Esta alternativa. como gerente do projeto. Milder-Kaiser. inundasse o Salto Grande do Iguaçu estabelecendo o nível máximo em cota compatível com a cidade de União da Vitória. B. da Kaiser Engineers.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 . teve o gran­ de mérito de assegurar o projeto para o Paraná e de convencer a ELETROBRAS a criar uma exceção à regra que determinava que só empresas federais poderiam construir obras de geração que ultra­ passassem a demanda do estado onde se situam. presidente da COPEL na época. A COPEL contratou. mas resultava economica­ mente menos atraente que uma variante de Foz do Areia que. de Warren Schu­ mann. O engenheiro Arturo Andreoli. Em 1973 contratou os serviços de engenharia da Milder-Kaiser e assegurou a participação técnica. de Mello e Nelson Luiz de Sousa Pinto. A influência de Barry Cooke fez com que se decidisse por uma barragem de enrocamento com face de concreto. que tinha experiência 243 .

Séculos XIX. a pequena vila em formação recebeu o nome de Nova Divinéia e seus principais personagens inspiraram nomes de bares. estrita­ mente de acordo com o cronograma formulado 5 anos antes.A História das Barragens no Brasil . com 1. Um pouco antes da implantação da planejada Faxinal.600 residências e to­ dos os serviços urbanos necessários. XX e XXI Figuras 21a e 21b – Obras da usina hidroelétrica Foz do Areia neste tipo de obra nas realizações na­ quele país. e designou o experiente en­ genheiro Pedro Marques Filho. A usina. Figura 22 . com o interesse da população ribeirinha por Foz do Areia. para o restante das obras civis foi outorgado à CBPO hoje uma empresa do Grupo Odebre­ cht. A construção da obra foi dividida em dois contratos: o primeiro para os túneis de desvio e préensecadeiras foi realizado pela Andrade Gutierrez. a Copel ini­ ciou a implantação das obras de infraestrutura que incluíam uma verdadeira cidade.Usina hidroelétrica Foz do Areia 244 . em janeiro de 1975. pensões e outros ramos comerciais. Para que a obra começasse a deslan­ char. o segundo. “Fogo sobre Terra”. tais como Barbearia Sandra Bréa e Bar Pedro Azulão. Com a influência da novela da época (1973).500 MW teve sua primeira unidade entrando em operação em outubro de 1980. Faxinal do Céu. para o acompanhamento e controle dos ma­ teriais de enrocamento e questões ge­ ológicas associadas. em busca de um novo “Eldorado” iniciou-se a formação de um pequeno povoado próximo ao canteiro da usina. projetada para 2. cerca de 12 km da obra.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Desta forma. Para isso foram contratadas Figura 23 – Visita às obras de Foz do Areia em 31 de agosto de 1979. naquele tempo. A partir da esquerda Douglas Souza Luz. na qual foi confirmada a concessão da usina hidroelétrica Segredo. Se­ gredo seria uma obra da ELETROSUL que efetivamente realizou estudos incluindo al­ ternativas com barragens de concreto em abóbada propostas pela Enge-Rio.100 MW e foram iniciadas as ativida­ des de projeto. hoje denominada usina hidroelétrica Go­ vernador Bento Munhoz da Rocha Netto. a jusante de Foz do Areia tinha sido planejada para ser cons­ truída contemporaneamente com Salto Santiago. com potência prevista à época de 2. Entretan­ to. governador Ney Braga assinando. Da esquerda para direita Lindolfo Zimmer (diretor de engenharia e construções da COPEL). O projeto incluiu uma barragem de enrocamento com face de concreto com 145 m de altura formulada com os mesmos conceitos de Foz do Areia. que por isso tinha tido a cota má­ xima do seu reservatório aumentada em 15 m de modo que numa operação conjunta houvesse ganho de volume em Santiago e de queda em Segredo. A usina de Segredo. Fernando Luiz Correa de Azevedo (presidente Milder Kaiser) e Willian Simonsen (diretor comercial da Milder-Kaiser) 245 . Em 1985 foi contratada Figura 24 – Assinatura do contrato do projeto da usina hidroelétrica Segredo em 19 de março de 1980. a obra de Segredo foi postergada. governador Ney Braga e o presidente João Figueiredo discursando as empresas MDK (sucessora da Milder-Kaiser agora parte do grupo CNEC) e CENCO. Segredo e desta obra so­ mente conseguiu executar os túneis de desvio e escavações preliminares para a barragem. No Paraná a COPEL fez várias tentativas de viabilizar financiamentos para a próxima usina do rio Iguaçu. Douglas Souza Luz (presidente da COPEL). na MDK. Manteve a mesma junta de consultores especiais de Foz do Areia. em 31 de agosto de 1979. Brasil Pinheiro Machado (diretor técnico da Milder Kaiser). por problemas econômico-financeiros. Salto Santiago e Foz do Areia. Neste conceito. foi confir­ mada a concessão da usina de Segredo para a COPEL. Salto Osório. A década de oitenta foi marcada pela crise da dívida externa brasileira que fez com que as fontes de financiamento do governo secas­ sem e poucas obras pudessem ser realizadas. no princípio da década de oitenta as grandes barragens do Paraná vinculadas à COPEL e ELETROSUL eram Capivari. Durante a visita do então presidente da re­ pública João Figueiredo à obra de Foz do Areia. De 1982 a 1987 o projeto foi desenvolvido sob a gerência do engenheiro Kamal Kamel.

CESBE e SINODA.Usina hidroelétrica Segredo 246 . Estas obras duraram aproximadamente um ano e a continuação não pode ser realizada por problemas políticos e econômico-financeiros. vertedouro e túnel de interligação entre os dois reservatórios.A História das Barragens no Brasil . A obra foi iniciada em maio de 1994 e concluída em outubro de 1996. Durante a implantação da hidroelétrica de Segredo.A.Séculos XIX. o eixo da usina de Segredo foi modificado para montante da foz do rio Jordão. permi­ Figura 26 . XX e XXI Figuras 25a e 25b – Obras da usina hidroelétrica Segredo a construção das obras do desvio com a Construtora CR Almeida S. A obra foi concluída em 1992 e a geração inicial ocorreu em julho daquele ano sendo hoje denominada Usina Hidroelétrica Governador Ney Braga. por questões ambientais. Com a definição da implantação da usina de Salto Santiago em cota mais alta que a originalmente prevista. Desde o inventário. a motorização e energia da usina hidroelétrica Segredo consideraram as águas do rio Jordão. O conjun­ to de obras de derivação do rio Jordão contempla ainda uma pequena central hidroelétrica para aproveitamento da vazão mínima de 10 m3/s necessária à pereni­ zação do trecho a jusante do rio Jordão. Em 1988 foi possível a retomada da obra que foi contratada com um consórcio de empresas do Paraná: DM Construtora de Obras. que é um tributário importante do rio Iguaçu. considerou-se para efeito de motorização a derivação das águas do rio Jordão através de conjunto barra­ gem.

Barragem e túnel de derivação tindo a geração na usina hidroelétrica Segredo com as águas derivadas do rio Jordão.000 m3 de concreto compactado com rolo e 80. que possui altura máxima de 95 m. O projeto básico foi executado pela MDK Engenharia de Projetos. concessionária dos dois apro­ veitamentos do complexo. um com solução da barragem em enrocamento com face de con­ creto e o outro arranjo em barragem de concreto compactado com rolo. Figura 28 – Derivação do rio Jordão 247 . A PCH entrou em operação em 2 de dezembro de 1997 comple­ tando o complexo energético SegredoJordão.p.A. e o projeto executivo foi feito internamente pela COPEL . considerando o arranjo utilizando barragem de concreto compacta­ do com rolo.000 m3 de concreto convencional. A licitação para contratação das obras permitiu a escolha pelo empreiteiro entre dois projetos. com uma potência instalada de 6.5 m.5 MW e queda líquida de 71. O túnel da derivação tem extensão de 4.800 m e diâmetro de 9 m. A proposta vencedora foi apresentada pelo consórcio formado pela empresa paranaense Ivaí Construtora de Obras e pela italiana Del Favero S. O arranjo selecionado tem o vertedouro em soleira livre incorporado à barragem.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figuras 27a e 27b – Derivação do rio Jordão durante a construção.Companhia Paranaense de Energia. utilizando 570.

Esta foi a primeira barragem de porte expressivo de CCR no Brasil.000 de m³ e em capacidade do vertedouro incorporado. Thomas M. também. da INTERTECHNE. A última barragem realizada no curso do rio Iguaçu foi a usi­ na hidroelétrica de Salto Caxias.A História das Barragens no Brasil . Leps e Paolo Cassano. Esta obra estava prevista na divisão de quedas proposta pelo Comitê-Sul – CANAMBRA. em 1992. Barry Cooke. à contratação do consórcio projetista liderado pela INTERTECHNE e formado adicionalmente por ENGEVIX.000. Este consórcio realizou os estudos de engenharia e meio-ambiente incluindo projeto básico e executivo civil e eletromecânico. porém com nível de represamento mais baixo. A junta de consultores foi composta pelo renomado engenheiro paranaense Nelson Luiz de Sousa Pinto e os con­ sultores internacionais J. A construção foi contratada com a DM Constru­ tora de Obras que já havia atuado no Projeto Segredo. Estudos realizados ao longo da década de oitenta pela COPEL indicaram a conveniência de aumentar o nível de represamento. que havia ven­ cido a licitação promovida pela COPEL. atualmente usina hidroelétrica Governador José Richa. e a primeira que demonstrou a competitividade deste tipo de solução. permitindo a construção de uma outra obra – Cruzeiro – a jusante de Salto Osório e a mon­ tante de Foz do Chopim. os consultores Walton Pacelli de Andrade. 248 . LEME e ESTEIO. tendo como consultor de mate­ riais para a barragem o engenheiro Francisco Rodrigues Andriolo. A barragem selecionada foi de concreto compactado a rolo (CCR) com 67 m de altura e 1. levando o re­ manso até Salto Osório e inundando Foz do Chopim. O gerente do projeto foi o engenheiro Kamal Kamel. A usina entrou em operação em 1998 seguindo estritamente o cronograma de obras pré-determinado. Esta foi a solução adotada e que deu origem. no processo de definições da barragem de CCR. XX e XXI Figura 29 – Engenheiros da COPEL e consultores durante reunião da junta de consultores da derivação do rio Jordão O projeto executivo foi gerido e coordenado pelo engenheiro José Marques Filho da COPEL.083 m de comprimento.Séculos XIX. mencionada anteriormente. Uma característica significativa é o vertedouro controlado por comportas com vazão de projeto de 50.000 m3/s. Colaboraram. Paulo José Melaragno Monteiro e Brian Forbes. Na época de sua construção foi um passo muito significativo em termos de volume da barragem com cerca de 1.

Usina hidroelétrica Salto Caxias 249 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figuras 30a e 30b – Obras da usina hidroelétrica Salto Caxias Figura 31 .

250 .

. Muitas micro-usinas hidroelétricas supriam a necessidade de energia de fazendas isoladas e mesmo de pequenas cidades. A mais importante usina da Cemig: a de maior produção de energia e a mais rentável 251 . Fazendo progresso com energia Flavio Miguez de Mello A pré-história No estado de Minas Gerais antes da II Gran­ de Guerra Mundial a energia elétrica era escassa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG “Trata-se (a Cemig) da mais bem sucedida história dentre todas as experiências em âmbito estadual” Antonio Dias Leite Jr. nas pro­ ximidades de Juiz de Fora. pois as concessões eram dadas por estados e municípios. inaugurada em 1946 Usina hidroelétrica de São Simão. Dentre as Figura 1 – Início da obra da hidroelétrica de Gafanhoto sobre o rio Pará em Divinópolis. A capital do estado era suprida pelo grupo da AMFORP. Essas empresas passaram a sofrer as consequências funestas do Código de Águas. criado em 1934 com o pretexto de disciplinar o regime de concessões dos serviços de eletricidade que até então era anárquico. Destacava-se na época a Zona da Mata que era suprida pela Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina CFLCL no vale do rio Pomba e pela Companhia Mineira de Eletricidade no vale do rio Paraibuna. 2007.

A idéia era criar a infra­ estrutura energética para incentivar a implantação de indústrias e de atividades de mineração. desestimulava novos empreendimentos de geração. Na formação da equipe foram incluídos os engenheiros Mauro Thibau e John Cotrim. Das empresas privadas que atuavam em Minas Gerais. No estado de Minas Gerais o início da participação do estado na geração de energia elétrica começou a ocorrer no governo Milton Campos que formulou um plano de maior envergadura para aten­ dimento das necessidades de eletrificação do estado. desaceleração no desenvolvimento econômico no pós guer­ ra. passou a haver dificuldades para o correto equilíbrio econômico e financeiro dos contratos de con­ cessão na medida em que a inflação. O principal objetivo do Código de Águas era a paralisação das empresas privadas do setor elétrico o que gerou considerável gargalo na expansão da oferta de energia elétrica e. A esse respeito. Pela primeira vez foi feito no Brasil um plano de obras públicas tão abrangente. apenas a CFLCL sobreviveu ao Código de Águas que era mais de energia do que de águas. Como as empresas acima mencionadas eram privadas. o poder concedente passou a ser exercido pela União. O secretário de viação e obras públicas entre 1947 e 1951. os mineiros não perdoaram Getúlio Vargas por não instalar a primeira grande siderúrgica em Minas Gerais apesar do Macedo Soares ter explicado inúmeras vezes que foi selecionado o local de Volta Redonda por questões de mer­ cado pois siderúrgicas devem ficar próximas ao mercado e não ao minério. Para tanto foi criada a Divisão de Águas no Ministério da Agricul­ tura. trans­ missão e distribuição de energia elétrica. primeiro presidente da CEMIG 252 . consequen­ temente. ainda que nos níveis modestos da época. Foi feito um detalhado levantamento das vocações econômicas mineiras e dos locais onde essas vocações deveriam ter o suporte de energia elétrica. O Código de Águas estabeleceu determinados princípios tais como o de que todos os recursos hídricos eram da União e. XX e XXI consequências funestas estava a eliminação da cláusula ouro que ga­ rantia às empresas o reajustamento das tarifas. antecessora do Departamento de Águas e Energia Elétrica DNAEE que deu origem às atuais Agências Nacionais de Águas ANA e de Energia Elétrica ANEEL. O gargalo acima mencionado propiciou o aparecimento do estado na geração de energia elétrica. Figura 2 – Lucas Lopes. Águas era só o pretexto. engenheiro José Rodrigues Seabra contratou a consultora Companhia Brasileira de Engenharia para elaborar o Plano de Eletrificação de Minas Ge­ rais. época em que houve forte incremento da economia em quase todos os outros países.Séculos XIX. Mas o Plano de Eletrificação garantiu a energia necessária para a instalação da Mannesmann em Minas Gerais.A História das Barragens no Brasil . A intenção do engenheiro Seabra era que o engenheiro Lucas Lopes se encarregasse de comandar a elaboração do plano com o apoio da consultora. nem a consultora nem Lucas Lopes tinham experiência na elaboração de planos dessa natureza. Entretanto. consequente­ mente.

Getúlio disse aos alemães que procurassem o recém governador de Minas Gerais pois ele havia mencionado o Plano de Eletrificação elaborado no governo Milton Campos. Júlio Soares e José de Castro.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Na campanha presidencial de 1950 Getúlio se disse em dívida com Minas Gerais e prometeu a instalação de uma segunda siderúrgica em território mineiro. Os alemães argumentaram que em Minas Gerais não havia energia elétrica. Desde o seu início até 1955/1956 a CEMIG dedicou-se basicamente à construção de usinas hidroelétricas. dava início a algumas hidroelétricas. a Companhia de Eletricidade do Médio Rio Doce para a construção da hidroelétrica de Tronqueiras. Indústria. foram diretores dessas empresas Lucas Lopes. Juscelino afirmou aos alemães: “Podem instalar a usina que nós garantimos a energia”. John Cotrim. Grato. a Companhia de Eletricidade do Alto Rio Grande para implementar a hidroelétrica de Itutinga. Para facilitar-lhe a organização e dar-lhe o caráter comercial que possibilite entendimentos com firmas financiadoras. Comércio e Trabalho. então presidente da República. titular da Secretaria de Agricultura. A Mannesmann tinha planos de se instalar no Rio de Janeiro e foi ao Getúlio. para pedir apoio federal para implantação da nova siderúrgica. Como essas empresas existiam e como era necessário haver recursos para o pagamento dos salários dos executivos que iriam comandar a CEMIG que ainda não existia. Assim. A CEMIG em seus primeiros anos A CEMIG foi fundada em 22 de maio de 1952. enquanto o Plano de Eletrificação era formulado. foram criadas a Companhia de Eletricidade do Alto Rio Doce para implantar a hidroelétrica de Santo Antônio. Em resposta Getúlio disse “Eu dou tudo que os senhores quiserem contanto que essa usina vá para Minas”. precisamos estabelecer um “holding” que controle as atividades gerais das diversas centraes elétricas que pretendemos construir.Bilhete do governador Juscelino Kubitschek. Pedro Laborne Tavares. José Esteves. Essa garantia dada pelo governador foi a principal razão do sucesso inicial da CEMIG uma vez que passou a haver a necessidade de promover o suprimento de energia elétrica tão logo que a siderúrgica ficasse pronta. Peço combinar com eles e assentar em definitivo as medidas. algumas das quais já se encontravam em Figura 3 . datado de 22 de fevereiro de 1951: “O Sílvio Barbosa e o Júlio vão lhe falar sobre os planos que desejo pôr em execução no sector de energia elétrica. Assim. Empossado no governo Milton Campos.” 253 . Foram criadas empresas estatais estaduais para implantação das primeiras hidroelétricas estatais em Minas Gerais que posteriormente foram incorporadas pela CEMIG quando esta foi criada no governo Juscelino Kubitschek. os membros da equipe de transição ficaram sendo diretores dessas empresas. o engenheiro Américo René Gianetti. dirigido ao seu secretário de Viação e Obras Públicas.

Cândido Hollanda de Lima. vice-presidente da Cemig.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 4 .Inauguração da Usina Hidroelétrica de Camargos em janeiro de 1961. presidente do Eximbank Figura 5 .Assinatura de contrato para financiamento no Export Import Bank para construção da usina de Camargos. Da esquerda para a direita: Mário Bhering. Cândido Hollanda de Lima 254 . vendo-se o governador Bias Fortes descerrando a placa inaugural. e S. presidente da Cemig. Wangh.Séculos XIX. ao lado do presidente da Cemig.

não haviam sido executadas prospecções geológicas e geotécnicas. 255 . totalizando quase 150 MW instalados. John Reginald Cotrim. Piáu e Cajuru. Lyra. a casa de força estava em terreno não apro­ priado. Tancredo Neves. Troqueiras. os equipamentos permanentes já haviam sido comprados e entregues. Há relatos de que os estudos existentes eram muito superficiais. Mauro Thibau e Mario Bhering. Seu programa inicial compreendia a construção ou a conclusão das hidroelétricas de Itutinga. deputado federal. os túneis estavam mal locados. vice-presidente da Cemig construção. não havia levantamento topográfico completo da área de implantação da usina. Das obras iniciadas no governo anterior a que demandou mais trabalho foi a hidroelétrica de Salto Grande. Da esquerda para a direita. colocando a usina em operação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 6 – Inauguração da Usina de Itutinga. Vários equipamentos elétricos estavam estragados. Os passos iniciais da CEMIG na implantação de suas usinas eram apoiados por recursos diretamente destinados à empresa sem pas­ sar pela Secretaria de Finanças para desespero do secretário José Maria Alkmin. vendo-se o governador Juscelino Kubitschek no momento simbólico em que aciona a chave. Na realidade havia uma disputa nesse sentido entre o secretário de finanças Alkmin e o engenheiro Lucas Lopes que conse­ guiu manter os recursos financeiros diretamente alocados à CEMIG. estando há mais de um ano abandonados em caixotes em terreno marginal à ferrovia em Coronel Fabriciano sem qualquer identificação. Entre os primeiros engenheiros que foram contratados estavam Camilo Penna e Henrique Guatimosin. em 3 de fevereiro de 1955. Salto Grande. Após a constituição da CEMIG foram agregados ao grupo de diretores anteriormente composto os engenheiros Flavio H.

ambas americanas que já estavam engajadas em outros contratos no Brasil. Essa indispensável alteração teve suas implicações políticas. Carlos Gomes foi o engenheiro eletricista encarregado de identificar. pois uma obra iniciada no governo da UDN estava sendo novamente concebida e projetada num governo do PSD. Os padrões exigidos pelo Banco Mundial fizeram com que a CEMIG fosse obrigada a. outro 256 .A História das Barragens no Brasil . a obra de Salto Grande que envolvia duas barragens. XX e XXI Figura 7 . Como na época não havia empresas nacio­ nais com reconhecidas capacitações para o desenvolvimento do projeto e da construção. Com uma nova estrutura geren­ cial que compreendeu a contratação de novos quadros da CEMIG foram incluídos engenheiros civis que permaneceram no setor elétrico como Carlos Alberto Pádua Amarante e João Alberto Bandeira de Mello.Inauguração da barragem de Cajuru em 1959. Mário Bhering como responsável pelas compras e uma equipe de supervisão de obras que contava com Camilo Penna. Com isso foi necessário que se fizesse um estudo completo de viabilidade técnica. Um dos fatores que garantiram o sucesso nos primeiros anos da CEMIG foi o criterioso processo de contratação. dois túneis de adução e uma casa de força foi concluída com sucesso. econômica e financeira que nunca antes havia sido feito em empreendimento não privado no País. estocar e recuperar os equipamentos que haviam se estragado pela chuva no matagal marginal à ferrovia. a implantação de Itutinga não causou problemas como os verificados em Salto Grande. Lyra acumu­ lando a diretoria financeira da CEMIG com a superintendência de Itutinga. foram contratadas a IECO de São Fran­ cisco e a Morrison & Knudsen. através de Julio Soares. Flavio H. vice-presidente da Cemig A Techint italiana foi contratada e o projeto foi alterado e detalhado. Numa oportu­ nidade o governador Israel Pinheiro. A implantação da hidroelétrica de Itutinga teve uma história diversa. se tornar uma empresa com gestão moderna para a época.Séculos XIX. John Cotrim como diretor técnico. Juscelino Kubitschek. Após a instituição da CEMIG surgiu a oportunidade do Banco Mundial financiar a aquisição dos equipamentos e de alguns serviços de engenharia. candidato a presidente da República do Brasil e Mario Bhering. des­ de seu início.

Figura 8 – Escavação do túnel de adução da hidroelétrica de Salto Grande 257 .

contraparente e amigo do governador Bias Fortes e ex-professor de muitos que compunham os quadros técnicos da CEMIG. foi de fundamental importância. lembrou-se do ocorrido anteriormente e per­ guntou ao Júlio Soares: “Como é que se chama aquilo que o Cotrim pede quando não quer contratar alguém?” Cabia ao engenheiro Mauro Thibau a organização das equipes de operação das primeiras usinas. era um empreendimento simpático aos mineiros enquanto que Furnas. John Cotrim pediu inicialmente que lhe enviassem o currículo do referi­ do engenheiro. Três Marias – A primeira grande obra Desde 1946 foram acentuadas as discussões sobre os problemas de controle das vazões do rio São Francisco que desembocaram na criação. Lyra começaram a trabalhar para viabilizar a hidro­ elétrica de Furnas. posteriormente denominada SUVALE. inclusive Vítor Cataldo que veio de Porto Rico organizar a operação e Mr. essa companhia não vai funcionar nunca. a única fonte de receita operacional vinha da venda de energia da usina de Gafa­ nhoto herdada do DAE. XX e XXI diretor da empresa. pois na hora de desempatar a disputa por recursos. foi alvo de ferrenha oposição a partir do governo estadual. A receita era insuficiente para os gastos da recém criada CEMIG. Leslie T.” Passado algum tempo o próprio Israel foi assediado por um cidadão que queria um emprego em qualquer lugar. tinha as condições de bom trânsito interna­ mente na empresa e externamente junto ao governo do estado. A ferrenha oposição à implantação de Furnas fez com que o governo federal firmasse um acordo muito vantajoso com a CEMIG para a implantação de Três Marias pelo qual o governo federal custeou o reservatório e a obra civil. indicou um engenheiro para contratação.Séculos XIX. desempatava sempre a favor da CEMIG. Lucas Lopes. mas grande parte do pessoal veio de fora. Schnaptis. assumiu o BNDE (hoje BNDES). A barragem de Três Marias deveria ter sido uma obra da SUVALE. situada em uma área pobre de recursos naturais e com baixíssima ocupação demográfica. Ele conseguiu alguns poucos veteranos de outras empresas que operavam no Brasil como Mr.” Israel con­ cluiu: “Ah. Dificuldades iniciais existiram com a Comissão do Vale do São Francisco que queria gerenciar a obra civil e com ofertas de fabricantes despreparados para o fornecimento de equipamentos. 258 . autarquia destinada ao desenvolvimento do vale do rio São Fran­ cisco. e a CEMIG se encarregou apenas da casa de força. Quando os esforços estavam direcionados para a conclusão das usinas de Salto Grande. Nessa época a atuação de Júlio Soares. Itutinga e Tronqueiras. Tornovsky e os Popof. Smith. A solução encontrada para a CEMIG foi a colocação do professor Cândido Holanda de Lima na presi­ dência uma vez que. O governo federal passou a atuar no sentido de viabili­ zar dois grandes empreendimentos de geração com grandes reservatórios em Minas Gerais: Três Marias com objetivos de regularizar e melhorar as condições de navegabilidade do rio São Francisco e Furnas com objetivo de vir a ser o principal regularizador de todo rio Grande onde muitas hidroelétricas grandes viriam a se localizar. nome­ adamente a Light e as empresas do grupo AMFORP.A História das Barragens no Brasil . Veio a posse do Juscelino como presidente da República e um natural esvaziamento da CEMIG com a drenagem de seus quadros para o governo federal. em dezembro de 1948. Também vieram mais de dez russos após a revolução chinesa de 1949 como Alissof. por ser destinada a atender a demanda regional e principalmente socorrer centros de carga situados em outros estados estrangulados pelos efeitos do Código de Águas em empresas privadas do setor elétrico. presidente da CEMIG. na Comissão do Vale do São Fran­ cisco CVSF. contador inglês vindo da Light. Israel comentou “Que bobagem é essa que o Cotrim está inventando?” Julio Soares explicou: “É o curriculum vitae. John Cotrim e Flavio H. cunha­ do do Juscelino e responsável por sua educação. Crowl que trouxe a disciplina financeira do TVA. Como o Israel queria se livrar do referido cidadão. Os primeiros estudos foram concluídos em 1952. Três Marias.

Cândido Hollanda de Lima. o superintendente da CVSF. Assis Scafa. Shoeller. os dirigentes da CEMIG lhe dispensavam toda atenção. Como ele sabia que uma viatura da CEMIG passaria por ali naquele dia. Galdino Mendes. o presidente da Cemig. Em outra opor­ tunidade. vice-presidente da MorrisonKnudsen. ficou aguardando. Consta que o diretor técnico John Cotrim. no caminho para a obra. um técnico de solos que posteriormente trabalhou no IPT e na Enge-Rio. ele viu Mário. tremia de medo. novidade na época. Muitas horas depois Cotrim chegou na obra e mandou chamar o motorista do veículo que. Ao se apresentar ao Cotrim. Embora o local de Três Marias fosse na época considerado remoto. Da esquerda para a direita: o embaixador dos EUA no Brasil. Júlio Soares. explicou o método. diretor da Cemig. Juscelino Kubitschek de Oliveira.” Para a implantação de Três Marias foi repetida a estrutura que teve excelente desempenho em Itutinga: o projeto pela IECO que insta­ lou um escritório em Belo Horizonte e a construção pela Morrison Knudsen. este elogiou o motorista que havia cumprido o que determinava a circular apesar da difícil situação daquele que pedia carona e que ele não conhecia. o vice-presidente da Cemig. teve seu carro danificado em uma das longas estradas não pavimentadas. o presidente da República. Mário respondeu que estava fazendo o controle de compactação pelo método Hilf. ele começou a fazer sinais para que o veículo parasse. Juscelino não entendeu nada mas disse ao pé do ouvido: “A qualidade é importante mas não retarde a construção. numa visita do presidente Juscelino ao canteiro de obra. em construção. retirando com um cilindro na praça de compactação da barragem. Cautelosamente ele se aproximou do técnico e. Ao aparecer o veículo salvador levantando uma nuvem de poeira. ao saber quem era o pretenso carona. superintendente de construções da Cemig Três Marias era obra estratégica para o governo federal e se situava a meio do caminho entre a então capital federal e a futura capital. em voz baixa.P. perguntou o que ele estava fazendo. Mario Penna Bhering. C. Os principais equipamentos permanentes vieram da Voith e da Siemens da Alemanha e contribuíram decisivamente para 259 . tido como nervoso e bravo. e que havia expedido circular proibindo que veículos da empresa dessem carona.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 9 – Visita presidencial às obras de Três Marias. O veículo diminuiu a marcha mas não parou. engenheiro da CVSF e Henrique Guatimosin.

A História das Barragens no Brasil . Celso Melo de Azevedo. o governador José de Magalhães Pinto e o presidente da Cemig. Marcou também a evolução da engenha­ ria geotécnica em obras de terra. São Simão e Emborcação. Licínio Marcelo Seabra. em 25 de julho de 1962. Paulo e Mario Mafra. Sorridentes na fotografia. esta vinda do grupo AMFORP. Cássio Viotti. este por estar em oposição a Trancredo Neves. Construtoras nacionais passaram a ser con­ tratadas com uma única exceção: a construção da hidroelétrica de São Simão. Três Marias marcou a transição da CEMIG na implantação de obras de porte modesto para grandes usinas e obras de grande vulto. Pouco após essa época. meses depois Magalhães participaria ativamente da deposição de Goulart usinas geradoras como as da Companhia Mineira de Eletricidade. Luiz Francisco Gualda Pereira. Paulo do Val. José Maria Baptista. a Ebasco de Nova Iorque efetuou um estudo dos recursos hidroenergéticos do esti­ rão de 33 km do rio Grande nas proximidades da cidade de Rifaina concluindo pela recomendação da implantação de uma hidroelétrica 260 . além dos mais novos colaboradores do CBDB como Ricardo Aguiar Magalhães. ocorreram incorporações de pequenas usinas. José Augusto Pimen­ tel. Guy Vilella.Inauguração de Três Marias. Marcos Vasconcelos e Gilson de Almeida Furtado e muitos outros. da Sul-Mineira de Eletricidade e da Companhia Força e Luz de Minas Gerais. começaram a aparecer as segunda e terceira gerações de engenhei­ ros e gestores nas quais despontaram nomes de projeção tais como. e principalmente nas usinas que se seguiram. Octávio Mello Areas. entre outros. acionando a chave de funcionamento da usina. que esses fabricantes posteriormente instalassem fábricas no Brasil.Séculos XIX. O desvio do rio foi feito no término do governo Juscelino e a inauguração da usina pouco antes da revolução de 31 de março de 1964. resultante de concorrência internacional em que o fator financiamento e contrapartidas pesaram na decisão da concorrência. seguidas das hidroelétricas no rio Paranaíba. Sérgio Brito. importantes passos no rio Grande Sob encomenda da Companhia Geral de Minas. XX e XXI Figura 10 . cooperativas de eletrificação rural e de empresas e Jaguara e Volta Grande. Mais tarde a CEMIG assumiu a área de concessão da Bragantina em território mineiro. Em Três Marias. A partir de Três Marias a CEMIG foi gradativamente passando a contratar consultoria nacional. Wellington Sebastião Jacarandá. Logo após dava início às hidroelétricas no rio Grande. Vinício Noce de Magalhães Gomes. não sem dificuldades políticas pois a Bragantina apelou para congressistas ligados a Paulo Maluf e ao ministro Murilo Badaró da Indústria e Comércio. vendo-se o presidente João Goulart. Roberto Fonseca. já com a CEMIG estabelecida como grande empresa. nomeadamente Jaguara e Volta Grande. Archimedes Viola.

e Israel Pinheiro. Em primeiro plano Mario Bhering.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 11 – Usina hidroelétrica de Jaguara Figura 12 – Inauguração da usina de Jaguara. A necessidade de deslocamento do eixo para montante por motivos geológicos em sua fundação demandou tempo para tomada de decisão e ocasionou importante retardo no cronograma inicial de construção. Coube inicialmente à CEMIG a hidroelétrica de Volta Grande com 27. O projeto foi contratado à Eletroprojetos/ Eletrowatt associada à Geotécnica. No estirão do rio Grande entre Jaguara e as cachoeiras Dos Patos e Das Andorinhas (local da antiga e da nova hidroelétrica de Marim­ bondo) não havia nenhuma concentração de queda natural no rio Grande. Sua segunda hidroelétrica com capacidade acima de 600 MW propiciou à CEMIG importante desenvolvimento nos campos de barragens de enrocamento com núcleo de terra e de mecânica de rochas.50m de queda bruta como recomendada pelos estudos de inventário hidroenergéticos feitos pela Canambra em 1966. governador de Minas Gerais que veio a ser confirmada pelo inventário da Canambra realizado a partir de 1963 e confirmada pelo Comitê Energético da Re­ gião Centro-Sul. presidente da Cemig. A construção foi iniciada pela Mendes Jr em 1966 e. em 1964. No início de 1969 foi assinado com o consórcio TAMS/ENGEVIX o contrato para desenvolvimento do projeto 261 . a primeira unidade entrou em operação. A queda nesse trecho do rio Grande foi dividida em três locais com quedas brutas modestas. em 1971.

Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 13 – Usina hidroelétrica de Volta Grande 262 .

na cidade de Washington. para a construção da usina hidroelétrica de São Simão. de im­ pressionante riqueza cênica pelo fato do rio Paranaíba despencar em saltos verticais pelos dois lados de longa fenda longitudinal em seu leito. Tremores se seguiram nos últimos dias de fevereiro e no início de março. totalizando 380 MW. 263 . com importante operação de reassentamento populacional. podendo ser citadas as erosões nos blocos de impacto da bacia de dissipação e a ocorrência de sismos induzidos pelos reservatórios de Volta Grande (2. O reservatório com área de 674 km² demandou a relocação das cidades de São Simão e Paranaiguara. No dia 24 de fevereiro de 1974 foi sentido na cidade de Conceição das Alagoas pouco ao norte dos dois reservatórios um sismo de intensidade VIII na escala Mercalli modificada. As unidades geradoras entraram em operação entre julho de 1974 e agosto de 1975.5x109 m³). se constituiu em excelente local para implantação econô­ mica de hidroelétrica de elevada capacidade instalada. Pela primeira vez a CEMIG ultrapassou os 1000 MW instalados em uma única casa de força.17x109 m³). Esse foi o maior sismo induzido por reservatórios no Brasil. Poucos problemas ocorreram na construção.Assinatura de contrato de financiamento com o Banco Mundial. cujo enchimento foi iniciado em junho de 1973. As consequências na cidade foram pequenas e os tremores não se repetiram desde então. em 14 de junho de 1972 A conquista do rio Paranaíba: as hidroelétricas de São Simão e Emborcação O local das quedas conhecidas como Canal de São Simão. cujo enchimento foi iniciado em novembro de 1973 e de Porto Colômbia (1. além das vilas de Chaveslândia e Gouveilândia. Esse local não passou desapercebido no inventário da Canambra e resul­ tou na hidroelétrica de São Simão com capacidade instalada de 1608 MW na primeira etapa (projetada capacidade de 2680 MW na segunda etapa). Os primeiros levantamentos de campo visando a implantação de uma hidroelétrica foram efetuados a partir de 1960 pela Comissão da hidroelétrica de Volta Grande e no início de 1970 começou a construção pela Mendes Jr.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 .

São Simão era um empreendimento gigantesco para a CEMIG. Seu investimento era equivalente a todo capital da CEMIG. XX e XXI Figura 15 .. Em 1970 foi assinado o contrato com o consórcio projetista composto pela IECO e sua filial brasileira. tendo a Mendes Júnior em segundo lugar com uma diferença de apenas cerca de 2%.”. Licínio começou. Um dos mais ferrenhos argüidores foi o deputado Sylo Costa disse que a CR Almeida não tinha referências bancárias. O referido deputado insistiu várias vezes e Camilo Penna desconversava até que o depu­ tado repetiu a afirmação de que as referências. mas o deputado irado pros­ seguia pedindo as referências e afirmou “denuncio o Sr. o presidente do Banco Central. Nessa hora Camilo Penna solicita a Licínio Marcelo Seabra que mostre as garantias. O Banco Mundial foi inflexível e a CEMIG teve que reconhecer a Impregilo/CR Almeida como vencedora. Isso gerou muita reclamação das empreiteiras nacionais. Interessante realçar que dias depois da abertura das propostas. a quarta é do Banco Real. Por mais de duas vezes o Camilo Penna desconversou.Séculos XIX. Estes vieram de financiamento do Banco Mundial que exigiu uma concorrência internacional. 264 .. teriam sido dadas por um “banquinho vagabundo”. Paulo Lyra. apresentando toda documentação: “a primeira referência é do Banco do Brasil. Camilo Penna por estar escondendo documentos que são solicitados”. assinam o contrato com a Impregilo para a construção das obras civis da usina hidroelétrica de São Simão. Em depoimento ao Congresso Nacional o presidente da CEMIG foi argüido por horas. se realmente existiam. Camilo Penna.A História das Barragens no Brasil . Camilo Penna disse que a CEMIG sempre pedia em suas concor­ rências referências bancárias dos concorrentes. ao valorizar o Cruzado aumentou a diferença a favor da Impregilo/CR Almeida. em consórcio com a CR Almeida. em 14 de junho de 1973 Interestadual da Bacia do Paraná-Uruguai CIBPU. A pressão sobre a diretoria da CEMIG foi grande. a terceira é do Banco Nacional.. a segunda é do Bradesco.O governador Rondon Pacheco e o presidente da Cemig. construtora italiana. A concorrência foi vencida pela Impregilo. Foi necessário grande esforço para captar recursos externos para equi­ pamentos e para a obra civil. Em 1969 a CEMIG desenvolveu estudos visando a obtenção da concessão.

por exemplo. Igarapava 265 . onde havia empresas importantes na geração de energia elétrica. Cadman que havia trabalhado na CEMIG quando da realização do inventário da Canambra. E tanto lutamos por Marimbondo que acabamos ganhando São Simão. Érico Bitencourt entre outros. O aproveitamento de Igarapava havia sido identificado pela COBAST em 1960 e reavaliado pela Canambra em 1964/1965. Retorno às hidroelétricas de porte médio Após São Simão e Emborcação a CEMIG passou a implantar hidroelétricas de porte médio em território mineiro. também foi da UFRJ para a Eletronorte levando consigo o geólogo Homero Teixeira.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em junho de 1973 o consórcio construtor composto pela Impregilo e a CR Almeida foi contratado para a execução das obras civis.João Camilo Penna. Entretanto. com a obra sendo iniciada dois meses depois. foi ao longo do início da obra de São Simão que a CEMIG. John D. que havia sofrido uma sangria de recursos humanos quando da formação de Furnas. Nessa ocasião foram da CEMIG para a Eletronorte os engenheiros Dário Gomes. o de ligar a rentabilidade das empresas de energia elétrica ao esquema de tarifa única. Desde 1976 as tarifas passaram a ser manipuladas pelo governo federal longe do princípio de serviço pelo custo. São Simão conferiu à CEMIG nova importante ampliação em sua escala de obras civis e principalmente em equipamentos permanentes. o que penalizou a CEMIG como empresa de elevada eficiência. voltou a perder quadros técnicos com a instituição da Eletronorte. João Camilo Penna afirmou que “Da luta por Estreito a CEMIG ganhou Jaguara e depois ganhou Volta Grande. a CEMIG que havia contratado a TAMS em 1976 para projetar a hidroelétrica de Emborcação a partir dos estudos de inventário da Canambra no rio Paranaíba a montante de São Simão.” O País atravessava a segunda metade dos anos setenta com dificuldades econômicas geradas a partir do primeiro choque do petróleo (1973). Inicialmente relegado a um segundo plano por causa de sua baixa queda e potência inferior a de outros aproveitamentos. Cachoeira Dourada e Itumbiara. estando também na área de Furnas. A hi­ droelétrica de Emborcação se caracteriza pela alta barragem de enrocamento com núcleo de terra. desde o governo Geisel. tendo que transferir recursos através da Reserva Global de Garantia. contratou a Construtora Andrade Gutierrez que construiu a usina de Emborcação entre 1977 e 1982. em seu trecho inferior dividia os estados de Minas Gerais e São Paulo. O rio Grande. presidente da Cemig na época da usina hidroelétrica São Simão Dentro dessas perspectivas sombrias para o setor elétrico. João Eduardo de Moura Guido. Outro erro dessa época foi. Figura 16 . O governo Figueiredo passou a se interessar intensamente por obtenção de empréstimos externos o que endividou as estatais federais. Em junho de 1978 a primeira unidade entrou em operação comercial após cinco anos de construção. Pimentel. desvio e adução subterrânea e capacidade de 1192 MW. Naquela época a disputa por concessões era intensa entre as prin­ cipais empresas do setor elétrico que se concentravam na Região Sudeste.

Séculos XIX. afluente do rio Paranaíba.5 MW cada entraram em operação. XX e XXI Figura 17 – Usina hidroelétrica de Emborcação foi o último aproveitamento a ser desenvolvido no baixo rio Grande. a Enge-Rio desen­ volveu o estudo de viabilidade com aplicação de unidades bulbo. A usina. entrou em operação no final de 1988 e passou a ser referência para outros projetos posteriores de usinas de baixa queda. a construção só foi iniciada em 1987 pela CNO após a CEMIG se associar outros inves­ tidores (Vale. CSN. tendo conseguido viabilizar o até então “patinho feio” do rio Grande. Morro Velho e Cia Mineira de Metais). Durante o ano de 1998 as três unidades Francis de 132. por carência de recursos. sob a coordenação de José Turco Neto e a liderança técnica de Joaquim Pimenta de Ávila. Também identificada pela Canambra. a usina de Miranda no rio Araguari. 266 .A História das Barragens no Brasil . No final de 1987 a IESA foi contratada para o desenvolvi­ mento do projeto mas. com quatro unidades bulbo de 40 MW cada sob a queda bruta de 17m. Em 1985. A partir de 1986 a IESA foi contratada para o desenvolvimento do projeto e em 1995 a Queiroz Galvão iniciou a construção. teve o aprofundamen ­ to técnico inicial em 1985 pelo consórcio Leme-EPC.

o local foi adotado pelos estudos da Canambra nos anos sessenta. Em 1971 a CEMIG encaminhou ao DNAEE relatório de pré-via­ bilidade. os estudos foram retomados. O baixo rio Doce envolvendo Figura 18 – Usina hidroelétrica de Igarapava 267 . Já nos anos 2000 foi formado o consórcio construtor composto que teve como projetista a SPEC que alterou o projeto adotando uma barragem de terra com­ pactada.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O exemplo das hidroelétricas anteriores. frutificou também em Funil do rio Grande. A primeira das três unidades geradoras Kaplan entrou em operação em fevereiro de 2006. Após 20 anos. como construtor foi contratada a Servix/Mendes Jr. Esses estudos foram complementados em 1996 indicando uma barragem em concreto compactado com rolo. Prosseguindo com a associação bem sucedida com a Vale. no que se refere à asso­ ciação com outros investidores. em 1991. A capacidade instalada da usina é 180 MW. Após reconheci­ mento preliminar executado pela IECO em 1955. a Cemig e a Vale implantaram a hidroelétrica de Aimorés denominada Elie­ zer Batista em homenagem ao engenheiro que fez carreira na Vale atingindo a sua presidência e exercendo cargos públicos de relevância política no cenário federal. Vale e CEMIG se associaram para a implantação da hidroelétrica de Funil situada no rio Grande. túnel de desvio e estruturas de concreto situadas na margem direita.

no rio Grande Figura 22 – Usina hidroelétrica de Irapé 268 .A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. ex-presidente da Cemig Figura 20 – Usina hidroelétrica de Miranda Figura 21 – Usina hidroelétrica de Funil. XX e XXI Figura 19 .Guy Maria Villela Paschoal.

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com a presença de ex-presidentes e do atual presidente da Cemig. o governador Aécio Neves. Djalma Bastos de Moraes. Maristela Kubitschek Lopes e o presidente do conselho de administração da Cemig. no dia 22 de fevereiro de 2001. a filha de Juscelino Kubitschek. Mario Penna Bhering. Hidroelétrica Presidente Juscelino Kubitschek.A História das Barragens no Brasil . no momento simbólico de acionamento das unidades geradoras. Aparecem na fotografia o presidente da Cemig. Wilson Bruner Figura 24 . João Camilo Penna. realizada na Sociedade Mineira dos Engenheiros – SME. Francisco Afonso Noronha e Guy Maria Villela Paschoal 270 .Inauguração da Usina de Irapé. Da esquerda para a direita: Celso Mello de Azevedo.Solenidade de entrega da “Medalha Lucas Lopes” à família de Licínio Seabra.Séculos XIX. Djalma Bastos de Morais. XX e XXI Figura 23 . no dia 8 de junho de 2006.

Em 2002 a CEMIG iniciou a construção da usina de Irapé no vale do Jequitinhonha com projeto Leme/ Intertechne e construção Andrade Gutierrez/CNO. A implantação dessa usina fez jus ao prêmio Puente de Alcántara que a cada dois anos é entregue a obras que congreguem grande importância cultural. Essa derivação per­ mite o aproveitamento de uma queda bruta de 26. Ao final desse meio século de intensas atividades. A barragem de enrocamento com nú­ cleo de terra com 208m de altura é a mais alta do País e a segunda mais alta da América Latina. Implantada em uma das regiões mais carentes do Estado de Minas Gerais. funcional e social.9m resultando em três unidades geradoras Kaplan com 110 MW cada. a hidroelétrica de Irapé representou um investimento de cerca de R$ 1 bilhão dos quais R$ 250 milhões foram destinados a programas sócio-ambientais. os da Themag/Montreal no mesmo período para a Portobrás. os da Monasa para a CEMIG e Vale em 1992 e finalmente os da Promon SPEC em 1997 para a CEMIG que resultaram no projeto executivo da SPEC. tendo vindo ter grande participação na Light. os da IESA para a Eletrobras entre 1985 e 1989. estética. tecnológica. Todos esses estudos e projetos revelam que a concepção da hidroelétrica sofreu grandes alterações ao longo do tempo em função das interferências e dos impactos sócio-ambientais com a cidade de Aimorés e com a fer­ rovia da Vale. tradicional e importante empresa do setor elétrico no Estado do Rio de Janeiro. As 638 famílias que ocupavam a área da hidroelétrica foram reassentadas em proprie­ dades que ocupam sessenta mil hectares. os da Canambra a partir de 1964. os da CEMIG entre 1975 e 1980. a CEMIG ultra­ passou as fronteiras do Estado de Minas Gerais com importantes participações em grandes empreendimentos como sua participação de 10% no aproveitamento hidroelétrico de Santo Antônio no rio Madeira. área que supera em quatro vezes a área ocupada pelo reservatório. implicando em derivação das descargas por vales laterais situados na margem esquerda do rio. .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens o local de Aimorés foi alvo de diversos estudos sendo os principais os da Servix em 1963/1964. A constru­ ção foi feita pela Queiroz Galvão e a primeira unidade entrou em operação em fevereiro de 2006.

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º 328. construídas pelo DNOS ou empresas privadas. Touros. Pirapó. Vertedouro. casa de força e subestação 273 . Iniciava uma vida profissional talentosa o engenheiro Pedro Holtermann Netto. projetista nesse período. anteriores à formação da CEEE. vinculada à hidroeletricidade. bem como inte­ grar esforços para a eletrificação dos municípios riograndenses através do Plano de Eletrificação do Estado. desde o seu início.CEEE Lúcia Wilhelm Véras de Miranda A história da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Gran­ de do Sul se apresenta em cinco principais períodos. As hidroelétricas construídas no estado. era inaugurada a primeira unidade geradora de energia elétrica da Companhia. que acompanhou a história da CEEE até a sua gestão como diretor de obras no período de 1965 a 1970. Figura 1 .520 kW) Usina hidroelétrica de Itauba. Forquilha. seguida pelas hidroelétricas de Ernestina. condutos forçados. lançado em 1945. estando. totalmente projetada e construída pela Companhia. acompanhado dos engenheiros Primeiro período: A CEEE como Comissão Estadual de Energia Elétrica Criada em 1º de fevereiro de 1943 através do decreto lei n. Andorinhas e Herval. o aproveitamento dos potenciais hidráuli­ cos e carboníferos para a produção de energia.Barragem Capingui no rio do mesmo nome (2. Canastra. a usina do Passo do Inferno. com a participação do DNOS. Em 1948. em plano geral elaborado para todo o estado. pertencen­ tes aos municípios e empresas privadas. Seriam seguidas por Ijuizinho. Capingui. Bugres. Ivaí. Santa Rosa e Guari­ ta. vinculada à Secretaria de Estado dos Negócios e Obras Públicas com a finalidade de prever e sistematizar. Picada 48. foram encampadas pelo valor histórico menos a depreciação. Toca. Guaporé. elas foram basicamente repassadas para a CEEE. a termoelétrica de São Jerônimo e a usina Diesel de Porto Alegre.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul . Saltinho. tomada d’água. Como se tratava de unidades antigas. como Inglês. sendo assumidos seus passivos e encargos trabalhistas.

Já em 1939 o então Prefeito de Porto Alegre. apresen­ tara ao Coronel Osvaldo Cordeiro de Farias. José Loureiro da Silva. e logo formado. Participou ativamente de todas as obras relacionadas à hidroeletricidade da CEEE. A disponibilidade de um empréstimo do Banco Mundial arquite­ tada por Assis Chateaubriant. Dietrisch Kuhlmann.Séculos XIX. pois já no ano de 1950 a CEEE supria a Companhia de Energia Elétrica Rio Grandense – CEERG. Após essa data. A foto foi tirada em 23 de julho 2011 em sua residência. em valores da época de 30 milhões de dólares não foi viabilizado. um estudo sobre os contratos de concessão Figura 3 . quando foi diretor de obras. Interventor Federal no governo do estado. um empréstimo con­ cretizado por parte do BNDE permitiu o desenvolvimento de projetos diferenciados. tendo cada vez mais importância devido ao seu crescimento. primeiro presidente da CEEE quando assinava o contrato da usina hidroelétrica Jacuí 274 . No entanto. como engenheiro civil. Mario Lanes Cunha.especialmente entre os anos de 1965 e 1970. a CEEE foi conver­ tida em autarquia. pela Lei n. É neste período que começam a se materializar as intenções da comunidade gaúcha de agregar à CEEE esses serviços. XX e XXI Figura 2 – Engenheiro Pedro Holtermann Netto iniciou sua atividade profissional como estagiário da CEEE. Heinrich Kotzien e Silvio Freitas. de capital americano.Noé de Melo Freitas. Segundo período: A CEEE como autarquia Em 20 de fevereiro de 1952. da energia necessária para o atendimento do seu mercado. que era basicamente Porto Alegre.   Jorge Ernesto Dreher. continuou atuando como projetista de hidroelétricas. em 1948. atuando inclusive em Tucuruí.º 1744.A História das Barragens no Brasil .

através de cisão. pois já no ano de 1945 se pronunciava a respeito da encampação. começaram a ser privatizados.  destinada a projetar. No dia 21 de outubro de 1997 ocorreu o leilão na sede da FIERGS.duas sociedades anônimas de geração de energia elétrica. Terceiro período: a CEEE como sociedade de economia mista Na década de 60 ocorreram profundas mudanças no setor elé­ trico em âmbito nacional. ção de um novo pacto político com a participação preponderante dos militares. que é a Companhia Estadual de Energia Elétrica. a Companhia Sul-Sudeste de Distribuição de Energia Elétrica. construir e explorar sistemas de produção.º 10.1961. Um ano após a transformação da CEEE em sociedade de econo­ mia mista.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens dos serviços públicos de energia elétrica com a CEERG.uma sociedade controladora (holding) das sociedades de energia elétrica. para fins de desapropriação. transmissão e distribuição de energia elétrica no estado. Somado a isso. através do decreto n. sendo que em 11 de maio de 1959. a Companhia Transmissora de Energia Elétrica. 3 .  O engenheiro-chefe da CEEE.uma sociedade anônima de transmissão de energia elétrica. Foram criados o Ministério das Minas e Energia e a Eletrobras. sacramentava-se a en­ campação de contratos de concessão e declarava-se de utilidade pública.º 10. a qual foi efetivamente criada  em 19 de dezembro de 1963. extinção. passando a denominar-se Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE. 2 . determinando a forma­ 275 . no qual a Companhia Centro-Oeste de Distribuição de Energia Elétrica e a Companhia Norte-Nordeste de Distribuição de Energia Elétrica foram adquiridas por capital privado. como o setor elétrico. em 1965 o governo federal passou a estatizar os serviços de energia elétrica.três sociedades anônimas de distribuição de energia elétrica.136 de 13. Quarto período: a privatização Nos anos 90 setores antes considerados estratégicos para a economia.900 autorizando o poder executivo a reestruturar societariamente e patrimonialmen­ te a CEEE. havia a discutível alteração de valores de tarifas nos contratos. a Companhia Centro-Oeste de Distribuição de Energia Elétrica e a Companhia Norte-Nordeste de Distribuição de Energia Elétrica. Walter Jobim. transformação. incorporação. Em 26 de dezembro de 1996 a lei estadual n. No ano de 1957 inicia-se o processo de encampação. O modelo adotado desenvolveu-se sob a égide das empresas multinacionais e do setor produtivo estatal.º 4. os bens da CEERG. assim discriminadas: 1 . e Maia Filho. que passou a ser considerado bem pú­ blico e promotor do desenvolvimento nacional.466 assinado pelo então governador Leonel Brizola. em docu­ mento enviado ao secretário de obras públicas do estado. Noé de Mello Freitas. Bugres e Canastra. podendo criar sociedades coligadas. Foi então discutida a encampação dos serviços de energia elétrica prestados pela CEERG. com túnel de importante valor técnico para a época. A Centro-Oeste foi vendida à AES Guaíba Empreendimentos e a Norte-Nordeste foi adquirida pelo consórcio formado pela VBC (Votorantim. com tubulação adutora de 7 km. através da lei estadual n. redução ou aumento de capital ou a combinação destes instrumentos. fusão. controladas ou subsidiárias. Na década de setenta as concessionárias do setor de energia elétrica passaram a ter capital nacional. 4 . Com o objetivo de melhorar a infra-estrutura para o desenvolvimento na­ cional. Em 1961 o então governador Leonel de Moura Brizola foi autoriza­ do a criar uma sociedade por ações para os serviços de eletricidade.09. acontece a Revolução de 1964. sob controle acionário do Estado do Rio Grande do Sul. A CEEE viabilizava a construção de obras relevantes como as hidroelé­ tricas de Ernestina. a Companhia de Geração Hídri­ ca de Energia Elétrica e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica. desempenhou um papel fundamental neste processo.

assim discriminadas: a) constituição de uma sociedade por ações holding. controlada.CEEE.848.2006. rogação de prazo à ANEEL. a CEEE procedeu à contratação de consultoria para indicar alternativas para a desverticalização da empresa. criando. autorizando o Poder Executivo a promover a re­ estruturação societária e patrimonial da Companhia Estadual de Energia Elétrica .2005.º 10. Em 20 de outubro de 2006. ela teve que desverticalizar-se. permanecendo o Governo do Estado do Rio Grande do Sul com o controle acionário das empresas oriundas do processo de reestruturação. a Assembléia Legislativa aprovou a Lei n.para Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica .CEEE-GT. Nesta ocasião. deno­ minada Companhia Estadual de Energia Elétrica Participações .09. foram eleitos os conselheiros de administração e fiscalização da companhia. entretan­ to.CEEE. com 99. transmissão e venda de energia a consumi­ dores livres. XX e XXI Bradesco e Camargo Correa). c) constituição de uma sociedade por ações. a Diretoria da CEEE aprovou  os organogramas iniciais para a CEEE-Par. Desta forma.2% dos lares urbanos e 84% das economias rurais abastecidos com energia elétrica. de 15 de março de 2004.593. a segregação da atividade de distribuição. para separar a distribuidora de energia das demais. a qual será controladora das duas sociedades referidas nos itens seguintes.º 12. anteriormente citada. CEEE-GT e CEEE-D. de distribuição de energia elétrica. ou seja. mediante altera­ ção de sua denominação e constituição de duas outras sociedades. dois terços da área de Distribuição deixaram de pertencer à CEEE. fato que levou a CEEE a solicitar pror­ 276 .6. Para viabilizar a adequação societária da companhia à legis­ lação federal e implantar o modelo proposto havia. a CEEE-Par foi declarada formalmente constituída.A História das Barragens no Brasil . em espe­ cial. Previ (fundo de pensão dos fun­ cionários do Banco do Brasil) e Community Energy Alternatives. em 1997. a necessidade de realização de plebiscito ou de alterações na Constituição Estadual e de promulgação de Lei Esta­ dual específica. a qual será resultante da cisão parcial da atual Companhia Estadual de Energia Elétrica .CEEE-D -. fa­ zendo com que o estado alcançasse um dos mais altos índices de eletrificação rural do país. através de uma assembléia geral de constituição. mais uma empresa. A CEEE havia chegado. atendendo aos argumentos apresentados pela CEEE concedeu a prorrogação solicitada até 30. A ANEEL. uma vez que a data-limite ini­ cial para a adequação da empresa ao novo modelo expirou em 15. para ajustá-la ao disposto na Lei Federal n. denominada Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica .CEEE-Par. no mínimo. Uma vez que a CEEE era uma empresa verticalizada. data limite para a cisão. dentre outras restrições. transmissão e venda de energia a consumidores livres. geração. O modelo societário adotado compreendeu a criação de uma empresa holding com duas subsidiárias. com a finalidade de segregar as ativi­ dades de distribuição de energia elétrica das demais atividades por ela exercidas. Quinto período: a desverticalização Em 15 de março de 2004 foram aprovadas pelo Congresso Nacional novas regras para o setor elétrico brasileiro. Em seus dispositivos a Lei proíbe que uma empresa de distribuição de energia exerça atividades de geração. b) alteração da denominação da atual Companhia Estadual de Energia Elétrica . exigida pela legislação federal. No final de 2004. para adequar-se à lei.  Em 26 de outubro de 2006.Séculos XIX. A Centro-Oeste alterou sua razão social para AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia S/A e a Norte-Nordeste passou à denomina­ ção de Rio Grande Energia S/A. possuia na mesma empre­ sa atividades de distribuição.CEEE . Em 13 de setembro de 2006.

em etapa inicial de urgência. Forquilha e Ijuizinho. Sendo então anunciado em 1945 o Plano de Eletrificação. Com o advento da república entrou o Rio Grande do Sul na fase da industrialização. a atividade relacionada com a suinocultura e laticínio demandava energia. do endereço da sede social e objeto social. através de uma assembléia geral extraordiná­ ria de acionistas. Ernestina. Ivaí.850 m de barramento. poden­ do ser prorrogado por até igual período ou rescindido de comum acordo entre as empresas. assim como de inúmeros pequenos estabelecimentos fabris completavam a feliz diversidade de atividades econômicas que asseguravam o progresso da região. ou estavam construídas. O prazo de vigência deste ter­ mo é de dois anos a partir da data de sua assinatura.º de dezembro de 2006. Saltinho. enquanto já estavam sendo construídas. assim como a maior produção agrícola. Na fronteira. como princi­ palmente de potencialidade econômica das zonas de influência de cada usina. o braço do colono foi sua força propulsora. A etapa seguinte do Plano de Eletrificação trouxe as hidroelétri­ cas do Jacuí. foi aprovada a mudança de denominação social da CEEE para Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEE-GT. que se constituiriam em centrais destinadas a abastecer as zonas de maior densidade demográfica. Forquilha e o segundo grupo de Capingui. Na mesma assembléia. Pirapó. ficando estabele­ cido que a companhia deveria iniciar as atividades previstas em seu objeto social a partir do dia 1. O estudo das diversas centrais foi baseado em investigações cui­ dadosas. conjugando-os a usinas termoelétricas a vapor. também criador da cadeira de mecânica dos solos na Universidade do Rio Grande do Sul. Canastra. As hidroelétricas no plano de eletrificação do estado Em 1824 chegaram ao Rio Grande do Sul os primeiros colonos alemães e da mesma forma os italianos em 1874. Passo Real foi o segundo aproveitamento do rio Jacuí.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 27 de novembro. com o objetivo de ressarcir e compartilhar o exercício de ativi­ dades comuns e de apoio necessárias à consecução dos seus respectivos objetos sociais. colaborando com o seu conhecimento em barragens de terra. criando o maior lago artificial do estado através dos 3. Na Colônia Nova a noroeste do estado se desenvolviam a opulen­ ta riqueza madeireira e o desenvolvimento das serrarias. ocorreu a constituição formal da Companhia de Distribuição de Energia Elétrica – CEEE-D. Na década de 60 foi dado o início da operação da usina hidroe­ létrica do Jacuí e gerado o projeto da usina de Passo Real. Na Colônia Antiga do norte do estado. Capingui e Santa Rosa. não somente sob o ponto de vista técnico. Todos os projetos hidroelétricos foram feitos. 277 . colonizada por ale­ mães e italianos. Na Zona Central encontravam-se as indústrias transformativas. tendo como base dados hidrológicos desde o ano de 1917. Em 1° de dezembro de 2006 foi assinado um termo de com­ promisso e cooperação entre a CEEE-GT e a CEEE-D. a industrialização da carne era feita nos grandes frigo­ ríficos. Assim vieram as hidroelétricas de Passo do Inferno. com a conseqüente alteração do estatuto social. As obras tiveram início em 1972 e a operação comercial ocorreu em 1978. engenhos de farinha. Preocupados com a falta de energia. as hidroe­ létricas dos Bugres. Touros. Nesse período. resolveu o governo do estado estudar o aproveitamento racional de seus potenciais hidráulicos. Guarita. pois ali se localizava a bacia carbonífera. que tolhia o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. Os estudos de viabilidade técnico-econômica da usina hidroelétrica de Itaúba foram iniciados em 1969. houve a participação consultiva do engenheiro Casemiro Munarski. Na transformação de povo pastoril para povo agrícola e industrial.

A História das Barragens no Brasil .Usina hidroelétrica de Itaúba Figura 5 .Séculos XIX. XX e XXI Figura 4 . no rio Jacui 278 .Barragem Dona Francisca em concreto compactado com rolo.

A barragem foi concebida com extensão de 400 m e altura de 14. mediados por pilares com 1.25 m de trecho retilíneo sem vertedores e 46 m de ombreira esquerda.32 m. a quem coube realizar a correspondente con­ corrência. 65. Para ga­ rantir a estabilidade externa essa estrutura é atirantada por uma linha de cabos verticais ancorados na rocha 4 metros abaixo do embutimento em concreto. a barragem é configurada por cortinas protendidas com cabos curvos com painéis de 15 m de largura. quando a CEEE obteve a concessão para implantar a usina. O grupo investidor deu origem à Dona Francisca Energética S. alternativa escolhida em substituição ao projeto original do tipo enrocamento com núcleo de argila. No seu comprimento. As cortinas possuem protensão nas A barragem de Ernestina e sua concepção original. – DFESA. um projeto único no mundo A barragem de Ernestina sobre o Rio Jacuí está localizada no atual município de Tio Hugo. 145. Através de convênio firmado entre CEEE e o extinto DNOS. a construção da usina se viabilizou. No final da década de 1990. extensão compreendendo trecho retilíneo na região das comportas e tomada d’água. Segundo o memorial descritivo da obra. Na variante apresentada pelo consórcio contratado. ao norte do Estado do Rio Grande do Sul.50 m de largura também protendidos que são independentes.Grandense.A.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A história do empreendimento de Dona Francisca iniciou em 1980.Vertedouro da barragem de Ernestina antes das obras de reforço 279 . com a permissão de parceria com in­ vestidores privados por meio de lei. o sistema estrutural foi concebido de forma a ter-se toda a estrutura em concreto protendido. em 1995. a execução do projeto ficou a cargo deste segundo. com eixo curvo. A barragem foi construída em concreto compacta­ do com rolo. e a possibilidade de formação de consórcios. no Planalto Rio .75 m de Figura 6 . tem-se 44 m na ombreira direita. A barragem de Ernestina foi originalmente concebida como bar­ ragem de gravidade. O consórcio entre a filial brasileira das Estacas Franki e empresa Campenon Bernard francesa foi o vencedor da licitação.Vertedouro da barragem de Ernestina antes das obras de reforço Figura 7 . 99 m em curva.

várias dúvi­ das quanto à estabilidade estrutural da barragem de Ernestina foram levantadas e. a própria equipe de Eugéne Freyssinet foi responsável pela elaboração do projeto.Séculos XIX. realizado pela empresa gaucha Azambuja Engenharia e Geotécnica.A História das Barragens no Brasil . Seguiu-se a apresentação do sistema de injeção dos cabos de proten­ são. Figura 8 – Planta da barragem e seção típica do vertedouro Figura 9 – Seções transversais típicas dos pilares do vertedouro da barragem de Ernestina. na década de 90. detalhando o estado da prática na épo­ ca da construção. O reservatório passou a ser operado com rebaixamento de 1. O laudo consistiu na recuperação dos documentos de projeto originais. iniciado em 1954. coordenado pelo engenheiro Marco Aurélio Azambuja. Durante o seu período de operação. alguns estudos foram elaborados. o sistema de protensão empregado. os fios de aço empregados em cabos.00 m por medida de segurança. qualidade do concreto e dos agregados. já que eram consultores associados à Campenon Bernard. foi realizada uma reavaliação do projeto estrutural original concluindo que nenhuma tensão de tração deveria ser esperada para as cortinas ou pilares. XX e XXI duas direções: na direção vertical para resistir aos principais esfor­ ços e na direção transversal para garantir comportamento uniforme sem fissuração. a sistemática do atiran ­ tamento dos cabos verticais na rocha adotados assim como os cabos transversais e as cabeças de ancoragem. à semelhança de uma laje armada em duas direções. a fim de elucidá-las. com a posição dos cabos de protensão 280 . geologia e geotecnia da região de Ernestina. Ao que tudo indica. a corrosão dos cabos de protensão e suas consequ­ ências. Foi sugerido que fosse realizado monitoramento das vibrações para verificar o risco de amplificação dinâmica. O trabalho apresentou as estruturas pro­ tendidas em barragens. mesmo estimando a relaxação dos cabos de protensão e as acomodações por fluência e retração do concreto após 40 anos de construção. a CEEE contratou a execução de um completo lau­ do técnico de avaliação da estrutura da barragem de Ernes­ tina. Em 1963 foram instalados clinômetros junto aos pilares para co­ nhecimento dos deslocamentos e. Em 2008.

As condições de ve­ dação das cabeças de ancoragem e a presença de fluxo d’água nos bicos de injeção denunciavam que a corrosão nos cabos estaria avançada. à semelhança de uma barragem convencional de enrocamento com face de concreto. a estrutura poderia entrar em ressonância com o galgamento dos vertedores. os estudos hidrológicos e hidráulicos sugeriram capacidade insuficiente do vertedouro. podendo ser esse fenômeno progressivo para os painéis e pilares. A solução adotada para reforçar a barragem fora da região do vertedouro foi a construção Figura 11 – Fundação da barragem 281 . exigindo intervenções de manutenção. prova de carga dinâmica e verificação estrutural.Seções transversais típicas dos paineis do vertedouro da barragem de Ernestina. utilizando o paramento existente apenas como paramento de veda­ ção.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 . Os ensaios dinâmicos das cortinas mostravam perda grave de rigidez. Ao final do estudo foram apresentadas as informações que con­ cluiam estar Ernestina no final de sua vida útil. Assim. restauração e reforço. com a posição dos cabos de protensão de um maciço de enrocamento reforçado com grelhas metálicas. foi desenvolvido projeto de reforço. retirando-se as comportas e a passarela. Foi realizado um diagnóstico da qualidade dos materiais. Da mesma for ma. Com a estabilidade crítica para excitações dinâmicas. sendo previstas fraturas na face de montante. sendo possível muitos desses cabos já tivessem se rompido ou viriam a fazê-lo brevemente. A condição de ancoragem dos tirantes na rocha sugeria uma grande vulnerabilidade à corrosão. A solução para o reforço do vertedouro foi a transformação do mesmo em um maciço de concreto gra­ vidade com perfil Creager. de soleira vertente.

Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 12 – Seção transversal típica do vertedouro reabilitado Figura 13.Obras de reforço do vertedouro 282 .

prolongando-se assim a vida útil da barragem. A barragem de Ernestina pode ser considerada como a única no mun­ do com essa concepção original executada. Com a reforma.Seção transversal típica do trecho não submersível A obra de reforço estrutural en­ contra-se em fase de finalização (julho de 2011). a bar­ ragem em seu trecho não submer­ sível passará a ser uma barragem de enrocamento com face de mon­ tante verticalizada em concreto protendido.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 . Figura 15 – Obras de reforço da barragem no trecho não submersível 283 . também concepção única no mundo.

284 .

são paulino que era.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Energética de São Paulo – CESP Fabio De Gennaro Castro A CESP Centrais Elétricas de São Paulo foi criada em 5 de dezembro de 1966. 285 . Francisco Lima de Souza Dias Filho. no governo Laudo Natel.A. inicialmente foi deno­ minada CESP Centrais Elétricas de São Paulo S. Em 27 de outubro de 1977 a CESP passou a ser Companhia Energética de São Paulo. que controlava: Companhia Luz e Força de Tatuí e Empresa Luz e Força Elétrica de Tietê Companhia Melhoramentos de Paraibuna (Comepa). assumiu seu vice. pela unificação de todas as empre­ sas estatais de energia elétrica então existentes. fez chegar ao então governador. vindo a exercer a terceira presidência entre 23 de março de 1979 a 27 de maio de 1982. que detinha o controle acionário de: Central Elétrica de Rio Claro (Sacerc) e de suas associadas. os seus sonhos de unificação das empresas de energia elétrica do estado. Companhia Luz e Força de Jacutinga e Figura 1 – Souza Dias. Dai foi criada a CESP. As onze empresas que formaram a CESP eram: Usinas Elétricas do Paranapanema (Uselpa). advogado e são paulino! Souza Dias foi designado como o primeiro Diretor Técnico. Bandeirante de Eletricidade (Belsa). Souza Dias. Laudo Natel. com Garcez em visita às obras de Ilha Solteira Usina hidroelétrica de Ilha Solteira a maior do sistema CESP Empresa Luz e Força de Mogi Mirim Centrais Elétricas de Urubupungá (Celusa). sendo seu primeiro presidente Henry Aidar. de chapéu. com área de atuação mais abrangente. Souza Dias. em 1966. por meio de um amigo comum e também presidente do São Paulo Futebol Clube. Deposto o governador Adhemar de Barros. Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu. Companhia Hidroelétrica do Rio Pardo (Cherp). Seu idealizador foi o Dr.

A.A História das Barragens no Brasil . propriedade da Central Elétrica de Rio Claro. todas formadoras da CESP.A. BELSA. Em 1915 foi fundada a Companhia Luz e Força de Tatuí. chefiado pelo engenheiro Octávio Sampaio Ferraz. Logo no início de seu mandato de governador criou o Departamento de Águas e Energia Elétrica DAEE. incorporada à CESP em 1973. na função de diretor geral.A. Justiça deve ser feita à figura pública do professor Lucas Nogueira Garcez. e em 1923 a Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu. Figura 2 – Os engenheiros Souza Dias e Gelazio da Rocha em avião de Furnas Primórdios da geração hidroelétrica no estado de São Paulo Relevante também relembrar a situação anterior à criação.A. que governou o estado de São Paulo de 1951 a 1955. originando em 1962 a empresa estadual Bandeirante de Eletricidade S.Fantinatto. XX e XXI Em 1912 Eloy de Miranda Chaves e outros empresários paulis­ tas adquiriram o controle acionário da Central Elétrica Rio Claro e a reorganizaram como SACERC. em 1895. Em 1911 foi inaugurada a Usina Hidroelétrica São Valentim. com o objetivo de ser a grande distribuidora de energia no estado. Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo.Séculos XIX. interior do estado e pertencente à Com­ panhia Força e Luz São Valentim. re­ motamente iniciando pela inauguração da Usina Hidroelétrica do Corumbatai. Em 1909 foram fundadas de forma independente a Empresa Luz e Força Elétrica de Tietê S. Foi também formadora da CESP. pela sua visão técnica e também por ser formador e agregador de ca­ pacitações. que foi comprada em 1923 pela Companhia Prada de Eletricidade. Souza Dias. Esta usina atualmente encontra-se totalmente res­ taurada e tombada pelo Patrimônio Histórico. Em 1931 foi fundada a Companhia Sanjoanense de Eletricida­ de. José Gelazio da Rocha. e a Empresa Luz e Força de Mogi Mirim S. Darcy Andrade de Almeida e Reynaldo de Barros em Jupiá 286 . assim como em 1919 também foi criada a Companhia Luz e Força de Jacutinga S. em Santa Rita do Passa Quatro. Figura 3 . encampada em 1953 pelo governo do paulista.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

As estaduais de economia mista foram:

Usinas Elétricas do Paranapanema S.A. USELPA
Nascera objetivando a eletrificação da Estrada de Ferro Sorocabana e tendo como meta a implantação da Usina Salto Grande no rio Para­ napanema, inaugurada em 28 de abril de 1958 e hoje merecidamente chamada Lucas Nogueira Garcez. Importante registrar a Comissão Mista Brasil Estados Unidos, instituída logo após o término da Segun­ da Guerra Mundial e sediada na então capital do País, Rio de Janeiro. Tal comissão canalizava recursos para auxiliar o desenvolvimento bra­ sileiro. Os dirigentes da Estrada de Ferro Sorocabana desenvolveram estudos para eletrificação da ferrovia e para tal conceberam que seria construída uma usina hidroelétrica no rio Paranapanema, Salto Grande. Foram pleitear recursos financeiros na referida Comissão Mista Brasil Estados Unidos. Junto com a negativa recebe­ ram a orientação que somente poderiam obter financiamento se fosse organizada uma empresa de economia mista espe­ cífica para tal finalidade. Daí foi criada a USELPA em 1953,
Figura 4 - Professor Lucas Nogueira Garcez

que obteve os recursos necessários e construiu Salto Grande. O principal executivo da USELPA era Dagoberto Salles Filho, o qual se apoiou na SERVIX, como projetista e construtora para as duas primeiras barragens e início da terceira. Posteriormente os planos feitos foram concretizados com a Usina de Jurumirim, hoje Armando A. Laydner,tendo a seguir iniciado a usina Chavantes, também no mesmo rio Paranapanema. Desnecessário mencionar que o objetivo de eletrificação da Estrada de Ferro Sorocabana deixou de ser prioritário.

O DAEE era organizado por Serviços de Vales. Quatro eram os vales abrangidos, a saber do Rio Pardo, chefiado pelo enge­ nheiro Souza Dias, o do rio Tietê, chefiado pelo engenheiro Catullo Branco, o do rio Paraiba, chefiado pelo engenheiro Antonio Graef Borba e o do rio Ribeira de Iguape, chefiado pelo en­ genheiro Dagmar Malet de Andrade. Foi o DAEE o embrião das mais importantes empresas de economia mista na área de energia elétrica do Estado de São Paulo, como será exposto neste texto. No governo Garcez também foi realizado o primeiro Plano de Eletrificação do Estado de São Paulo, que embora somente tenha sido formalizado no mandato sucessivo, em 1956, já fora posto em prática enquanto elaborado. Garcez também foi presidente da CESP por dois mandatos sucessivos, de 16/02/1967 a 20/03/1975, o que contribuiu fortemente para a continuidade da gestão. Onze foram as empresas agregadas para formar a CESP, cinco estaduais e seis empresas privadas, porém controladas pelas estaduais.

Companhia Hidroelétrica do Rio Pardo CHERP
Como já mencionado o Serviço do Vale do rio Pardo do DAEE era chefiado pelo engenheiro Souza Dias, o qual também participava da Comissão Mista Brasil Estados Unidos. Em 1952, o jovem engenheiro José Gelazio da Rocha foi convidado para integrar a equipe de Souza Dias e designado para estudar o

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

aproveitamento de Limoeiro, hoje Armando de Salles Oliveira, dizendo que havia sido encarregado pelo Lucas Nogueira Garcez para construir as usinas do rio Pardo. Assim sendo acrescentou: “Você vai projetando e eu vou dando as orientações que você precisar.” Para realizar a missão foi constatado que não existia nem levantamento topográfico e menos ainda o perfil do rio em toda sua extensão. Gelazio contratou então o engenheiro Gustavo Pratti para tal escopo, ou seja, fazer o perfil do rio que daria assim origem ao plano de aproveitamento integrado de toda a bacia, com Graminha, duas barragens menores a jusante de Graminha, Euclides da Cunha e Limoeiro. Em 1954 o DAEE iniciou Euclides da Cunha, mesmo antes de ser criada a CHERP em 1955. Essa barragem teve o projeto de seu túnel de desvio feito pela TECHINT e executado pela NORENO do Brasil. Para construir o túnel de desvio de Graminha Gelazio fez um contato com Sebastião Camargo, com o objetivo de obter uma proposta, enquanto Dr. Souza Dias fez o mesmo com a Noreno. Ao ser procurado Sebastião perguntou ao interlocutor quem era seu chefe e por que o mesmo não estava presente, sugerindo que fosse marcada outra reunião com Souza Dias presente. Na segun­ da reunião Souza Dias acompanhou Gelazio e a Camargo Correa decidiu apresentar proposta. Venceu a concorrência por ter sido a única empresa proponente. O projeto da barragem de terra de Graminha foi feito pelo Professor Milton Vargas e o projeto das estruturas de concreto pelo engenheiro Henrique Herweg, ambos contratados com a chancela do IPT. Em 1955 era criada a CHERP, que embora somente tivesse rio Pardo em seu nome posteriormente também incorporou toda a responsabilidade do rio Tietê. A necessidade de sua criação foi decorrente de apresentar ao BNDES uma empresa de economia mista que tivesse projetos sólidos para obter seus recursos. Parale­ lamente às atividades do rio Pardo, o Serviço do Vale do rio Tietê, chefiado por Catullo Branco, realizou estudos à semelhança da­ queles do Tennessee Valley Authority TVA, que contemplassem o desenvolvimento integrado do vale, com barragens e usinas que gerassem energia e tivessem eclusas que viessem permitir

a navegação interior. Assim, em 1957, iniciavam-se as obras de Barra Bonita, com projeto da TECHINT. Em 1959 tiveram início as obras de Bariri, hoje Engenheiro Álvaro de Souza Lima, antigo diretor do DAEE e pai do professor Victor de Souza Lima. E em 1963 foram iniciadas as obras de Ibitinga. Os quadros da CHERP no setor Tietê contaram com ilustres engenheiros, tais como Geraldo Queiroz Siqueira, Jacob Leiner, Julio Petenucci e Reolando Silveira, além de Darcy Andrade de Almeida, que foi da área do rio Pardo.

Centrais Elétricas do Urubupungá S.A. CELUSA
Uma palavra inicial sobre a CIBPU Comissão Interestadual da Bacia Paraná Uruguai. Tal comissão, chefiada pelo Professor Paulo Mendes da Rocha, criada em 1952, tinha por objetivo o estudo e o desenvolvimento dos estados brasileiros que pertenciam às bacias dos rios Paraná e Uruguai. A CIBPU tinha recursos e contratara a empresa italiana Edison de Milão para desenvolver os estudos do aproveitamento do Salto de Urubupungá, no rio Paraná, junto à foz do rio Tietê. Em 1961 foi lançada a concorrência para as ensecadeiras da usina de Jupiá, no rio Paraná, concorrência essa vencida pela Camargo Correa. Lançada a concorrência para a obra principal, a vencedora Camargo Correa apresentou uma variante que fora estudada na França pela SOGREAH, pelo engenheiro Charles Blanchet. Tal alternativa apresentava vantagens sobre aquela estudada por Edison de Milão para a CIBPU. A variante foi aceita e exe­ cutada a usina de Jupiá que hoje é denominada Engenheiro Francisco Lima de Souza Dias. Eleito Carvalho Pinto como governador do estado, Plínio de Ar­ ruda Sampaio, de sua equipe, foi motivado por Gelazio para levar ao coordenador do Plano de Ação do Governo, Diogo Gaspar, a idéia de construir a usina hidroelétrica de Jupiá. Assim nasceu a CELUSA. Posteriormente, ainda no governo Adhemar de Bar­

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 5 – Usina hidroelétrica de Jupiá

ros, foram iniciados os estudos e as obras de Ilha Solteira, com projeto THEMAG e obras da Camargo Correa. A THEMAG foi criada como um departamento técnico da CELUSA e também em caráter de exclusividade, o qual somente foi extinto por decisão da CESP, por ocasião do projeto do Metrô de São Paulo, quando a projetista ficou desobrigada de sua cláusula de exclusividade.

das cheias e contenção de várzeas, tendo construído com ma­ estria muitos quilômetros de “polders”. A COMEPA realizou ainda a usina de Jaguari e iniciou as de Paraitinga e Paraibuna, duas barragens formando um único reservatório com só uma casa de força ao pé de Paraibuna, com projeto Hidroservice e construção Camargo Correa.

Outras empresas de energia elétrica
Em 1962 foi criada a Bandeirante de Eletricidade S.A. BELSA. Em 1963 foi criada a Companhia Melhoramentos de Paraibuna COMEPA, por inspiração de Plinio de Queiroz. O antigo Serviço do Vale do Paraíba, que ocupava-se do rio Paraíba do Sul, preocupou-se prioritariamente com o problema

Estudos de inventário
Ainda na década de 60, foram desenvolvidos os estudos da Canambra, primeiros estudos de planejamento integrado, com critérios uniformes, que propiciaram condições técnicas de com­ paração e priorização de usinas em uma mesma bacia hidrográ­ fica. Na área de São Paulo foram muito importantes e também com papel de formação de técnicos.

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 6 a – Barragem de Três Irmãos no rio Tietê com suas eclusas na margem direita

Figura 6 b – Barragem de Três Irmãos - entrada da eclusa inferior no lago intermediário

Consultores que atuaram nas hidroelétricas na área de São Paulo
Menção deve ser feita sobre os consultores independentes que atuaram na área de São Paulo, contribuindo para a garantia da qua­ lidade dos projetos e obras, assim como na formação de pessoas que com eles conviveram. Dentre eles podem ser citados Karl Terzaghi, Arthur Casagrande, Tom Leps , James Sherard, Victor de Mello, Don Deere, Milton Vargas, Roy Carlson, Manuel Rocha, Fernando de Oliveira Lemos, Charles Blanchet, Flavio H. Lyra, Ven Te Chow, Araken da Silveira, Evelina Bloem Souto, Vic­ tor Souza Lima e inúmeros outros que no dia a dia contribuíram para colocar a CESP na posição de destaque que ocupa.

senvolvimento do Canal Tietê-Paraná, como também pelas inúmeras eclusas construídas. Pode também ser afirmado que ela foi pioneira nos estudos ambientais. Chegou a ter vinte e cinco usinas, todas com alta expressão técnica e padrão de projetos, construção e operação.

Anos recentes
Em 1996 iniciou-se o processo de privatização do setor de energia do Estado de São Paulo. Em 1999 CESP passou por uma cisão parcial, sendo criada a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, a CTEEP e três empresas de geração. Hoje a CESP possui apenas seis usinas e sete barragens, pelo fato de Paraitinga não ter casa de força.

Navegação interior
A CESP detém o mérito de ter contribuído de forma ampla para o desenvolvimento da navegação interior no país, não só pelo de­

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 7 – Usina hidroelétrica Porto Primavera (Sergio Motta)

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Usina Mauricio, primeira hidroelétrica da CFLCL

Usina hidroelétrica de Nova Maurício. Primeiro financiamento do BNDE para empresa privada, em 24 de agosto de 1954. Em operação desde março de 1956

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina – Energisa - Cem anos de luz na Zona da Mata
“A trajetória da CFLCL é exemplar para demonstração de que a livre iniciativa tem tanta vitalidade quanto a vida.” João Camilo Penna Flavio Miguez de Mello

Na virada do Século XIX para o Século XX o Brasil tinha apenas dez usinas geradoras totalizando 12.085 kW instalados. Nesse início de século na Zona da Mata Mineira, incentivados pelo agente executivo (equivalente ao atual cargo de prefeito) de Ca­ taguazes, Araújo Porto, destacavam-se o Senador José Monteiro Ribeiro Junqueira, o Dr. Norberto Custódio Ferreira e o comer­ ciante, político e banqueiro João Duarte Ferreira como homens que gerenciavam seus negócios com clarividência e se interes­ savam pelo desenvolvimento da tecnologia, principalmente pela incipiente aplicação da energia elétrica. Em 26 de fevereiro de 1905 os três fundaram a Companhia Força e Luz Cataguazes Le­ opoldina com capital de 400 contos de réis em quatro mil ações adquiridas por 263 investidores, com o objetivo de “exploração da eletricidade para fins industriais em suas diversas aplicações e comércio de materiais elétricos, dentro ou fora da república, principalmente nos municípios de Cataguazes e Leopoldina.” Pouco após um ano da fundação da empresa, dois dos três fundado­ res, João Duarte Ferreira e Norberto Custódio Ferreira renunciam a seus cargos de diretores para, respectivamente, cuidar de seus empreendimentos particulares e para assumir elevada posição no Banco do Brasil do qual assumiu a presidência em 1910.

Foi lançada concorrência (mesmo sem projeto) para a construção da primeira usina geradora, a hidroelétrica de Maurício, na cacho­ eira da Fumaça, no rio Novo. Oito concorrentes se apresentaram, tendo a obra sido alocada à Trajano de Medeiros & Cia, destacada indústria metalúrgica para os padrões do início do século passado. O contrato foi assinado em maio do ano seguinte. Pela primeira vez uma usina hidroelétrica foi construída por uma empreiteira ge­ nuinamente brasileira. Os primeiros estudos para o aproveitamento parcial da queda natural da cachoeira da Fumaça no distrito de Leopoldina foram desenvolvidos pelo engenheiro Eupídio de Lacerda Werneck, na época recém formado nos Estados Unidos. O potencial a ser aproveitado foi definido como sendo de 1,3 MW, suficiente para suprir de energia elétrica outros muni­ cípios da região como Rio Novo e São João Nepomuceno, bem como a fábrica do industrial Daniel Sarmento que fez um contra­ to de pré-venda de energia. A organização geral e as compras de materiais ficaram a cargo do engenheiro Otávio Carneiro e a res­ ponsabilidade da construção com o engenheiro Ferreira Martins. O engenheiro L. Luck, enviado pela Westinghouse, supervisionou as instalações elétricas. O engenheiro Paulo Saboia, recém chega­ do dos Estados Unidos, supervisionou as montagens. A primeira unidade geradora entrou em operação em 7 de julho de 1908.

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 1 - Cachoeira da Fumaça no rio Novo, local da hidroelétrica de Maurício

Figura 2 - Cachoeira da Fumaça no rio Novo, local da hidroelétrica de Maurício

Figura 3 – Casa de força da hidroelétrica de Maurício

Figura 4 - Geradores da hidroelétrica de Maurício

Os primeiros anos consolidaram a empresa e, em 1915, apenas dez anos após sua fundação e sete anos de geração e distribui­ ção de energia elétrica, a empresa contava com ilustres investi­ dores de outras localidades de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo entre eles o então presidente de Minas Gerais, Raul Soares de Moura, e o presidente da república, Wenceslau Braz. Em 1918 a empresa adquiriu a usina Coronel Domiciano de 360 HP que era concessão da Câmara Municipal de Muriaé, o que possibilitou que seus serviços fossem estendidos às localidades de Piedade, Laranjal, Palma, Guarani e Tebas, além da cidade de Coronel Domiciano.

Os anos vinte do século passado propiciaram expressivo crescimen­ to da indústria de energia elétrica. Uma das principais causas foi a rápida difusão dos serviços de bondes e de iluminação pública. Além disso, o perfil das indústrias modificava-se rapidamente; o recensea­ mento de 1920 revelara que a energia elétrica já assumia 47% da força motriz consumida pelas fábricas no País. Com o objetivo de su­ prir esse acentuado acréscimo de demanda, ocorreu intenso surto de instalações de novas hidroelétricas que ultrapassaram com folga a geração térmica.

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CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS

Figura 5a – Barragem da hidroelétrica Coronel Domiciano Figura 5b - Usina hidroelétrica Coronel Domiciano

Imagens dos aspectos logísticos dos primeiros tempos da CFLCL

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Aquisições de empresas e de concessões foram realizadas pela Light nesse período principalmente no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. A Cataguazes Leopoldina também entendeu o momento e adquiriu em 1920 a Companhia Pombense de Eletricidade que detinha a hidroelétrica de Santo Antônio situada no município de Rio Pomba e que, dada as suas desfavoráveis condições geotécnicas, teve que ser desativada. Iniciaram-se as atividades visando a implan­ tação de uma nova usina: a hidroelétrica de Ituerê que aproveita a queda natural da cachoeira do Sumidouro. A barragem de concreto tem 15 m de altura, imponente para a época, e 74 m de comprimen­ to de crista, fechando um vale estreito. O projeto foi comandado pelo engenheiro Vanor Ribeiro Junqueira, os equipamentos foram

contratados junto à Siemens e as obras ficaram a cargo da Christia­ ni Nielsen e da Trajano Medeiros & Cia. Inicialmente foi instalada uma unidade Francis dupla horizontal de 2,83 MW. A adução era feita com um trecho inicial de conduto em concreto armado com 3 m de diâmetro e 600 m de extensão; a adução em alta pressão foi executada em aço vindo da Alemanha. Entretanto foi verificado no início da montagem que não havia luvas de dilatação da tu­ bulação forçada. As luvas foram fabricadas em Jundiaí. A usina foi inaugurada em 16 de agosto de 1928 pelo presidente de Mi­ nas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade que, em discurso solene, afirmou que teve “a grande ventura (...) de acionar as máquinas da monumental instalação de Ituerê”.

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Construção do vertedouro de Ituerê Figura 9 .Construção do vertedouro de Ituerê com o desvio num vão rebaixado Figura 8 .Casa de força da usina hidroelétrica de Ituerê Figura 11 .Cachoeira do Sumidouro no rio Pomba. local da hidroelétrica de Ituerê Figura 7 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 6 7 8 9 10 Figura 6 .Cinematografando a inauguração da usina hidroelétrica de Ituerê 11 297 .A barragem de Ituerê e o vertedouro de soleira livre Figura 10 .

58 MW da hidroelétrica de Nova Maurício que apro­ veita a queda total de 90 m da cachoeira da Fumaça. O Código havia inicialmente sido preparado por Alfredo Valadão em 1907 com colaboração de Inácio Verís­ simo de Melo e José Castro Nunes. A empresa se voltou à ampliação das capaci­ dades instaladas das usinas de Ituerê e Coronel Domiciano. houve a expansão da intervenção do estado na economia a partir da promulgação da constituição de 1934 que. Foi datado do dia 24 de agosto de 1954. XX e XXI Os anos vinte foram também importantes para os funcionários da empresa que passaram a ter participação nos lucros.Séculos XIX. dia do suicídio de Getúlio Vargas. A crise econômica mundial de 1929 gerou profundas conseqüências nos cenários econômicos e políticos no Brasil que acarretaram con­ flito aberto com lançamento de candidatura de oposição na figura de Getúlio Vargas à presidência da república. Esse ambiente foi propício ao aparecimento do Código de Águas. pela primeira vez. aí incluídas a “exploração de quedas d’água para geração de energia”. no governo Juscelino Kubitscheck. Com a eclosão da revolução de 1930. tendo sido eleito pela Assembléia Constituinte em 1934 e se tornado ditador de 1937 até a queda do Estado Novo. sociais e políticas ocorreram no País. profundas modificações econômicas. após trinta anos de intensa dedicação à empresa e com o ambiente economicamente hostil à iniciativa privada no setor elétrico. tendo Getúlio assumido o comando de um governo provisório em novembro de 1930 com plenos po­ deres. promulgado em 1934. A segunda unidade geradora só entrou em operação em abril de 1958. além dos desconfortos que haviam sido introduzidos pelo Código de Águas e pela inflação que passou a ser acelerada nesse governo. candidatura esta que foi oficialmente derrotada nas urnas. Nesse longo período. o engenheiro Ormeo Junqueira Botelho forma­ do pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil (UFRJ) em 1918. Como as demais empresas do setor elétrico.000 consumidores e havia instalado mais de 900 km de redes de transmissão e de distribuição. O quadro estatizante do setor elétrico foi ampliado nos anos cin­ quenta. já que João Duarte Ferreira havia falecido em 1924 e José Monteiro Ribeiro Junqueira. o que penalizou sobremodo as empresas privadas. a Cataguazes Leopoldina não passou incólume por essa legislação equivocada e pela II Guerra Mundial e teve que reduzir gastos. O Código introduziu o absurdo instrumento do reconhecimento apenas dos custos histó­ ricos dos investimentos realizados pelos concessionários no am­ biente inflacionário vigente no País. passou a presidência para seu sobrinho. o primeiro financiamento do Banco para uma empresa privada. Em 5 de fevereiro de 1935. O Código de Águas gerou o confronto entre uma corrente interessada em manter os serviços de eletricidade com a iniciativa privada e outra corrente radical que pugnava por uma profunda intervenção estatal com a encam­ pação de concessionárias estrangeiras.A História das Barragens no Brasil . mes­ mo porque nesse período se instalou a inadimplência no pagamento de energia fornecida para o serviço público de prefeituras. iniciati­ va patronal de vanguarda para a época. 298 . Já em 1950 a empresa obteve permissão para proceder a um racionamento preventivo que se estendeu às fábricas de tecido em até três ve­ zes por semana. Norberto Custódio Ferreira faleceu e abriu caminho para o encerramento do ciclo dos fundadores da empresa na sua direção. Ormeo Junqueira Botelho ajustou a empresa às condições políticas e econômicas advindas da Constituição Federal de 1937. tendo tido como uma das principais dificuldades a entrega dos equipa­ mentos encomendados em 1938 a países que se envolveram na II Guerra Mundial. cerceando a expansão da capacidade instalada com nefastos reflexos na evolução do crescimento da economia nacional. A empresa ultrapassara a marca de 9. em 1945. investimentos e distribuição de dividendos aos acionistas. A situação de carência de energia perdurou até março de 1956 quando entrou em operação a primeira uni­ dade de 5. estabelecendo a legitimidade da intervenção do Estado em atividades consideradas de importância para o interesse nacio­ nal. garantindo a manutenção dos serviços e não mais podendo expandi-los por longo período. pela proibição de rea­ juste de tarifas de serviços públicos em função da inflação. fortemente influenciada pela doutrina fascista e que instituíu um regime de exceção. inserira um capítulo sobre a ordem econômica e social. o contrato de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento para a construção da hidroelétri­ ca de Nova Maurício.

No período entre 1962 e 1965 o engenheiro Ormeo Junqueira Botelho foi eleito deputado federal pela UDN.Engenheiro Ormeo Junqueira Botelho No início dos anos sessenta o agravamento do cenário político e a aceleração da inflação que atingiu 80% ao ano com a impossibilidade de se obter a devida correção tarifária.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 12 .Ormeo Junqueira Botelho na campanha eleitoral Figura 14 . Figura 13 . encontrou totalmente descapitalizadas as empresas priva­ das de energia elétrica. engenheiro também formado pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil (UFRJ).Ormeo Junqueira Botelho com Tancredo Neves 299 . tendo nesse período transferido para o engenheiro Vanor Ribeiro Junqueira. a presidência da empresa.

climáticas. Entretanto. Os constantes abatimentos nas tarifas produziram intensas cri­ ses de liquidez nas concessionárias.Séculos XIX. O Decreto 54936 de novembro de 1964. A Brascan respondeu que venderia se tivesse o consenti­ mento do governo federal. Durante um ano a empresa consultou o ministério de Minas e Energia sob Shigeaki Ueki sem obter qual­ quer resposta. A orientação do governo federal passou a ser voltada para a contenção da inflação e a reto­ mada do desenvolvimento.A História das Barragens no Brasil . culturais e sociais. A então chamada de realidade tarifária e serviço pelo custo veio proporcionar novo desenvolvimento do setor elétrico. Entretanto. implantado pelo ministro Mauro Thibau das Minas e Energia. geomorfológicas. identificados com o li­ beralismo econômico mais ortodoxo. esta até hoje (2011) ainda inacabada. nessa década o governo federal passou a utilizar as tarifas de energia elétrica para controle da inflação que retomava o ritmo do início dos anos sessenta. Esse decreto acabou com a concorrência e com os esforços para redução de custos. Em 1977 a em­ presa ofereceu ao grupo Brascan US$ 330 milhões para adquirir a Light. que ocasionaram elevados índices de inadimplência que geraram o colapso da engenharia consultiva no País. no Centro-Oeste e no Nordeste. autorizou a correção monetária do valor original do ativo imo­ bilizado. Somente em 1993 pela Lei 8631 é que as tarifas diferenciadas vol­ taram a ser praticadas. principalmente nas estatais federais. Com o advento do governo Castelo Branco ocorreu profunda e benéfica alteração na política eco­ nômica do País por terem composto o ministério dois políticos. Vanor teve como sucessor o enge­ nheiro Ivan Müller Botelho. Em dezembro de 1974 veio novo golpe para as empresas eficientes: passa a vigorar a tarifa unificada independentemente das diferenças geográficas. Passou a haver a concentração de investimentos estatais em grandes obras hidroelétricas e no pro­ grama nuclear com a construção das usinas de Angra 1. Bulhões de Carvalho e Roberto Campos. Figura 15 . XX e XXI Ao se aposentar em 1965. No ano seguinte a empresa tentou adquirir a Companhia Mineira de Eletricidade. Os anos setenta foram iniciados sob o signo do Brasil Grande com Estado todo poderoso sob o excesso de consumo deno­ minado de milagre brasileiro. A empresa nesse novo cenário pode ampliar seu parque gerador instalando mais duas unidades geradoras em Maurício Nova que passou a ter 31 MW de capacidade instalada. No final desse período o próprio governo federal adquiriu por US$ 380 milhões a Light. Em 1976 a Cataguazes Leopoldina adquiriu a Companhia Leste Mineira de Eletricidade na região de Manhuaçu. tendo vindo a tempo de salvar as empresas de energia elétrica da destruição devida ao arrocho tarifário tão prolongado. muitas delas concentradas no Norte. O Decreto 1383 passou a fazer com que a parcela da remuneração que ultrapassasse 12% ao ano fosse revertida para subsidiar as empresas com retorno inferior a 10% ao ano sobre os investimentos num cenário chama­ do de Robin Hood em que as empresas mais eficientes passaram a socorrer as menos eficientes. 2 e 3.Engenheiro Ivan Müller Botelho 300 .

02 por ação. Com a aquisição da CENF a empresa passou a operar as hidroelétricas de Hans. Ituerê e Nova Maurício. Com o falecimento de seu pai em fevereiro de 1990.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens adução por túnel. a empresa ampliou as capacidades ins­ Figura 16 . No início dessa década a empresa começou o projeto da hidroe­ létrica do Gloria com barragem de concreto com 14 m de altura e taladas das hidroelétricas de Coronel Domiciano e Neblina II e adquiriu. todas situadas no rio Grande. concessões de serviço público. subsi­ diária da Vale. o engenheiro Ivan Botelho assumiu a presidência do Conselho do grupo de em­ presas e o engenheiro Manoel Otoni Neiva assumiu a presidência da CPFL Minas onde se concentravam as hidroelétricas. em 1999. a Cemig arrematou a Mineira de Eletricidade por Cr$ 2. como auto-produtora para suprir parte da carga de sua fábrica no Rio de Janeiro. A usina.8 MW instalados. Em 1999 a empresa adquiriu a Companhia Figura 17a – Barragem da hidroelétrica Sinceridade Figura 17b – Barragem da hidroelétrica Santa Cecilia 301 . Catete e Xavier. Em 1991 as hidroelétricas do Gloria. projeto da Promon. estado do Rio de Janeiro. Em 1997 a em­ presa adquiriu a Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo CENF e a Empresa Energética de Sergipe ENERGIPE.Engenheiro Manoel Otoni Neiva em manobra considerada pela Comissão de Valores Imobiliários como tendo sido “ao arrepio da lei”.5 MW). localizadas em Santos Dumont e colocou em operação a hidroelétrica de Ervália de 6 MW instalados. Nessa década. somente em 1983 entrou em operação comercial com 13. as hidroelétricas de Anna Maria e Guary (6. Em 1999 a empresa criou a Cat-Leo para operar como produtor independente de energia elétrica. foram vendidas à Valesul.

o grupo. Ormeo Junqueira Botelho e Ivan Botelho III. Figura 18 .Barragem da hidroelétrica Túlio Cordeiro de Mello (Granada) 302 . em apenas dois anos. XX e XXI de Eletricidade de Borborema CELB e. Em segui­ da. para se capitalizar. Em 2004 o engenheiro Manoel Otoni Neiva se aposentou. Considerando a grande expansão do grupo em diversos ramos industriais e nas diversas aquisições de conces­ sões de distribuição de energia elétrica em outros estados. tendo assumido a presidência da Energisa Minas o engenheiro José Antônio da Silva Marques. carinhosamente chamado de Zé Tunim. em 2000. que veio a falecer prematuramente em 2009. Ivan Botelho II. Em 2000 a Cat-Leo construiu em 362 dias a PCH Benjamin Ma­ rio Baptista com 9. teve que se desfazer de algumas hidroelétricas acima em favor do grupo Brascan. instalou as PCHs Ivan Botelho I.Engenheiro José Antônio da Silva Marques (Zé Tunim) Figura 19 . Túlio Cordeiro de Melo.A História das Barragens no Brasil . a Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba Saelpa. hoje Brookfield.5 MW instalados.Séculos XIX. em Manhuaçu. tendo sido substituído pelo engenheiro Gabriel Pereira.

5 MW com apenas uma única unidade geradora 303 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 Barragem da hidroelétrica Ormeo Junqueira Botelho (Cachoeira Encoberta) Figura 21 .Barragem da hidroelétrica Ivan Botelho I (Ponte) Figura 22 – Casa de força da hidroelétrica Benjamim Mario Baptista (Nova Sinceridade) de 9.

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quaisquer empreendimentos que possam contribuir para o desenvolvimento do consumo de energia elétrica e também comércio de mercadorias relativas à indústria da eletricidade”. Paralelamente. promovendo ou auxiliando. O ponto de partida da CPFL foi a Empresa Força e Luz de Botucatu. isto em 1914. Já em 1913 incorporou a Empresa Força e Luz de São Manoel e a Companhia Elétrica do Oeste de São Paulo. O artigo 3º de seu Estatuto Social dispunha que a empresa “terá por fim a exploração industrial da eletricidade em todas as suas variadas aplicações no Estado de São Paulo. Fonseca Rodrigues e Usina hidroelétrica de Campos Novos. José Balbino de Siqueira e outros capitalistas. pelas mãos de Ataliba Vale. direta ou indiretamente. seguida da Empre­ sa Força e Luz Agudos-Pederneiras. com ou sem privilégio. em 1912 era criada a Empresa de Eletricidade de Araraquara. na capital de São Paulo.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Paulista de Força e Luz .CPFL Fabio De Gennaro Castro No dia 16 de novembro de 1912. foi criada a Companhia Paulista de Força e Luz. com foco na produção de energia elétrica por iniciativa dos engenheiros Manfredo Antonio da Costa. onde atual ou futuramente se possa explorar tal indústria. exemplo recente de parceria da CPFL com outros agentes do setor elétrico na implantação de grandes hidroelétricas 305 . para em 1919 incorporar a Empresa de Eletricidade de Bauru.

Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras S A. tais como as usinas hidro­ elétricas de Campos Novos e Foz do Chapecó.55 MW. a qual.Usina hidroelétrica de Americana com 30 MW 306 . pelo Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). passou a controlar a Empresa de Eletricidade de São Paulo e Rio. em 1920. em 1871 fora implantada a iluminação pública a querosene em Campinas. po­ rém de Itatiba e Souzas. atual Mascarenhas de Moraes. pois esta deveria ser atendida pela Companhia de Iluminação a Gás. Em 1904 a firma Cavalcante Byington & Cia construiu a Usina Salto Grande no rio Atibaia também para iluminação pública.A História das Barragens no Brasil . Em 1975 o controle acionário passa a ser exercido pela CESP. Bradesco e  Camargo Corrêa). com a privatização. Por outro lado. Sistel. inicia-se a construção da usina de Americana e da termoelétrica de Carioba. XX e XXI Ramos de Azevedo. o controle da com­ panhia passou para o atual grupo composto pela VBC Energia (Grupo Votorantim. sendo criada em 1875 a Companhia Campineira de Iluminação a Gás. no rio Atibaia Em novembro de 1997. Petros e Sabesprev). subsidiária da AMFORP. que atuava em parte do vale do Paraíba. Nos anos recentes a CPFL passou a atuar intensamente com outros parceiros em grandes hidroelétricas. Em 1946 inaugurou-se a usina Avanhandava no rio Tietê. Em 1957 entra em operação Peixoto. e pela Bonaire Participações (que reúne os fundos de pensão Funcesp. sem conseguir atender Campinas. Figura 3 .Usina hidroelétrica de Salto Grande com 4. American & Foreign Power Company.Séculos XIX. Figura 1 – Barragem de Lavrinha Em 1927 o controle acionário da CPFL passa para a CAEEB. Figura 2 .

Esta usina foi agregada a CPFL Renováveis pela fusão da ERSA e CPFL Figura 6 . Corrente Grande. Plano Alto. Arvoredo. Paiol.Barragem da PCH Alto Irani.Visão artística do arranjo da usina hidroelétrica de Foz do Chapecó 307 . Figura 4 . São Gonçalo e Ninho da Águia. Cocais Grande. Com isso o parque gerador foi ampliado com diversas outras usinas de pequeno porte.Barragem de São Gonçalo com 11 MW Figura 5 . com 21 MW. tais como Alto Irani. Varginha.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 2011 ocorreu a fusão da CPFL com a ERSA dando origem à CPFL Reno­ váveis.

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Como são Usina hidroelétrica de Itaipú. Introdução A hidroelétrica de Itaipu é fruto do Tratado celebrado em 26 de abril de 1973 pelo Brasil e pelo Paraguai para o aproveitamento dos recursos hídricos do rio Paraná.2011 Miguel Augusto Zydan Sória 1. instalada em 15 de maio de 1974 e constituí­ da com igual participação em seu capital pela Centrais Elétricas Brasileiras S. e o Anexo C – Bases financeiras e de pres­ tação de serviços de eletricidade. Nesse período. no Brasil.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Breve Memória sobre a Usina de Itaipu 1966 . o Anexo B – Des­ crição das instalações destinadas à produção de energia elétrica e das obras auxiliares. desde e inclusive o Salto Grande de Sete Quedas ou Salto de Guaíra até a foz do rio Iguaçu. pertencentes em condomínio aos dois países. e Raúl Sapena Pastor. pelo Paraguai. O Tratado é complementado por acordos.A.Itaipu Binacional 309 . e Alfredo Stroessner. representando o Paraguai. pelo Brasil. notas reversais. leis e protocolos. Fazem parte do Tratado o Anexo A – Estatuto. Apresentamos neste capítulo um breve relato histórico sobre a obtenção desse ingente resultado por ambos os países. (Eletrobras). o Tratado cria a entidade binacional Itaipu. eram presidentes Emílio Garrastazu Médici. Barragem principal e condutos forçados Foto de Caio Francisco Coronel . representando o Brasil. no Paraguai. e pela Administración Nacional de Electricidad (ANDE). Com a finalidade de realizar o aproveitamento hidroelétrico. tendo como signatários os chanceleres Mário Gibson Barboza.

Sugerimos que os leitores que esti­ verem interessados em conhecer informações técnicas sobre o projeto Itaipu consultem outras publicações. decorrentes estas das escolhas julgadas mais favoráveis. Esses marcos nos permitem separar com nitidez as diferentes fases do processo de construção de Itaipu. nominando alguns de seus inúmeros protagonistas. abaixo. das referências bibliográficas exis­ tentes recomendamos pesquisa no livro “Itaipu Hydroelectric Project – Engineering Features” . limitamo-nos a apresentar refe­ rências sobre detalhes técnicos do empreendimento quando as descrições assim o exigirem. ITAIPU Binacional 2009. Aspectos de Engenharia”. publicada em 2009. editado pela Itaipu Binacional em 1994. 310 . pode ser considerada como o momento que encerra a fase estratégica do processo. anexo.e. de modo resumido. realizada em conjunto com o Paraguai -. que possui versão em português “Usina Hidroelé­ trica de Itaipu. A assinatura da Ata de Iguaçu.A História das Barragens no Brasil . e considerando que a presente publicação se propõe a organizar em um único volume a memória das principais barragens cons­ truídas no Brasil para várias finalidades .Séculos XIX. Como nosso intento é o de dissertar sobre a história da constru­ ção da hidroelétrica de Itaipu. por isso mais ligada à engenharia civil e à geologia.Aspectos de Engenharia”. Nesse sentido. e o Quadro II. onde as encontrarão fartamente. no caso de Itaipu. Fonte: livro “Usina Hidroelétrica de Itaipu . Cronologia do Projeto Itaipu O Quadro I. XX e XXI muitos os aspectos da Itaipu possíveis de serem explorados. em 1966. a qual constitui também o texto-guia deste trabalho. Registra a concepção da idéia e prescreve as estratégias de alto nível a serem seguidas. 2. As menções feitas a eles devem ser consideradas uma homenagem a todos os que indistintamente participaram no esforço de construir Itaipu. descreveremos as motivações e a concepção do projeto e enfatizamos os tópicos relacionados aos estudos prévios realizados e às obras civis. as principais etapas e datas relativas ao Projeto Itaipu. mostram.

Mas. no trecho do rio Paraná “desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do rio Iguaçu”. Em 1962. da socioeconomia. O consórcio formado pelas empresas IECO – International Engineering Company Inc. encerrou a disputa por terras na fronteira. primeira descrição minuciosa da fronteira brasileiro-paraguaia. E foi justamente o que aconteceu com Brasil e Paraguai no início da década de 60 com a desco­ berta do potencial hidroelétrico do rio Paraná. Raúl Sapena Pastor. deparamo-nos com hábitos da sociedade que 311 . optaram por unir forças. foi escolhido para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. a inteligência política quando se estabeleceu que a construção e o uso da futura instalação seriam realizados em conjunto. e pelo cume da Serra de Maracaju. era impreciso ao determinar os limites entre os territórios na margem direita do rio Paraná. o detalhamento completo dos limites da fronteira jamais foi concluído em face de desacordo entre as partes em relação à demarcação da Serra de Maracaju no trecho em que ela se divide em dois ramos. sabiamente. Ao investigarmos a formação da demanda de energia naquele mo­ mento da história. energia em conjunto. A inauguração da Ponte da Amizade em 1965 alimentou o clima de cooperação ao oferecer a perspectiva de facilitar o intercâmbio comercial entre eles. e do Paraguai. (Itália). Principais motivações para a construção de Itaipu A análise mais profunda dos acontecimentos que levaram à construção de Itaipu revela que duas foram as suas motivações primordiais. devido a circunstâncias intrínsecas. porém. Juracy Magalhães. Em 1967. con­ vergiram e se somaram. em vez de medir forças. 3. A primeira dessas motivações é oriunda da política externa. Brasil e Paraguai assinam então o Tratado de Itaipu. até o Salto. porém. Motivação decorrente da política externa Para explicar a origem da motivação fundamentada na política externa remontamos a 1750. pela sua enorme importância.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 3. as quais. pode dar causa a signi­ ficativos conflitos de interesses. No entanto.1. O entendi­ mento da questão sob esse prisma acabou por reverter totalmente a situação. logo após o término da Guerra do Paraguai (1865-1870). e a segunda. acabou por reabrir a polêmica em torno da fronteira na região das Sete Quedas porque estabelecia que os territórios deveriam dividir-se pelo rio Paraná. Esse brevíssimo repasse pela história nos serve para compreen­ der que a possibilidade de exploração de um grande potencial hidroelétrico. A solução proposta por um consórcio de empresas estrangeiras. Em 26 de abril de 1973. pois a indefinição quanto à posse das Sete Quedas interferia nos planos de um e de outro para o aproveitamento pretendido. É importante frisar que era central nessa discussão a estratégica aspiração de suficiência no suprimento futuro de energia elétrica para os dois países. Prevaleceu. os dois go­ vernos. ano em que Espanha e Portugal assinaram em Madri o Tratado de Limites. pela pri­ meira vez cogitou-se de os dois países se unirem para produzir 3. uma Comissão Mista foi criada para implementar a Ata do Iguaçu. Como resultado de intensas negociações. depois de adequada avaliação das propostas de diversos grupos qualificados. que pre­ via o alagamento de grande parte da área em litígio. um acima e outro abaixo das Sete Quedas. Motivação decorrente da socioeconomia Conforme assinalado. (EUA) e ELC – Electroconsult SpA. O entendimento diplomá­ tico abriu caminho para o início dos estudos técnicos. colocando ambos os países em oposição. O Tratado de Paz assinado em 1872. O texto.2. em 1966 foi assinada a Ata de Iguaçu pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil. A declaração conjunta manifestava a disposição de estudar o apro­ veitamento dos recursos hidráulicos pertencentes em condo­ mínio aos dois países. a disposição de construir uma hidroelétrica para atender à demanda de energia elétrica foi motivo de desa­ cordo entre Brasil e Paraguai nos anos 60.

Em razão disso. em sociedade com o Paraguai. pelo lado da procura. e de suas implicações nas demais infra-estruturas públicas e privadas que foram posteriormente implantadas. sobreveio a crise mundial do petróleo. gás e petróleo. coincidentemente o mesmo ano em que é assinado o Tratado de Itaipu. pois o Brasil evoluía da construção de barragens baixas e médias para barragens e hidroelétricas de grande vul­ to. a segunda. Entre as principais. solar. Furnas (1963) e Jupiá (1968). o Brasil. Pelo lado da oferta. principalmente com a Argentina e o Paraguai. que se inscreve na magnanimidade das políticas de estado. Dessa presciente decisão maior decorreram todas as demais. ondas. Àquela época já se sabia que o potencial hidroelétrico dos rios interiores brasileiros era imen­ so. A forma preferen­ cial. É nesse clima de grande atenção ao tema energético nacional que foi criado em 1961 o Comitê Brasileiro de Grandes Barra­ gens (CBGB). E as previsões sobre a importância que viria a ter a hidroeletricici­ dade acabaram por se confirmar. no trecho de fronteira fluvial entre os dois países. dos citados fatores políticos e socioeco­ nômicos formaram o argumento de base para Brasil e Paraguai decidirem pela construção em conjunto de uma usina hidroelétri­ ca sobre o rio Paraná. A hidroeletricidade é.A História das Barragens no Brasil .). os dados da questão eram razoavelmente claros. Ou seja. Esse preciso diagnóstico feito com competência pelo meio téc­ nico acabou por ser em grande parte internalizado pela classe dirigente do país. objeto de nosso relato. em 1975. da construção das mega-hidroelétricas de Tucuruí e de Itaipu. que perdura até então mundo afora. consiste no fato de que os combustíveis fósseis não são renováveis. o que podia ser feito de diferentes formas. tendo como pontos altos justamente o início. A essas formas acresce-se hoje o emprego da biomassa e de outras fontes alternativas (eólica. vem a pro­ dução de energia elétrica de base hidráulica e atômica. A experiência na execução desses projetos proporcionou adicionalmente a acumulação do capital inte­ lectual. XX e XXI requeriam crescentes níveis de uso da eletricidade. de construção do futuro dos dois países. faz valer sua visão de “se­ gurança energética”. etc. um diferencial competitivo. Secundariamente. onde disponível e viável. já nas décadas de 50 e 60. que naquele momento não pas­ sou despercebido pelos estrategistas mais argutos. numa miría­ de de aplicações cotidianas. que serviu mais tarde para os outros tantos projetos que foram realizados. preponderantemente). A iniciativa de criação do CBGB foi dos engenheiros que naquela época estavam assumindo gradativamente a respon­ sabilidade pelas atividades técnicas relacionadas à implantação dessas barragens no País. um predicado. o que indicava autossuficiência de energia elétrica a médio prazo. Foi antes de tudo. A visão de “seguran­ ça energética” tomou então contornos dogmáticos. tendo reflexos profundos nas decisões toma­ das sobre a matriz energética brasileira. a pro­ dução de energia elétrica com base em energia atômica (Usina de Angra I – 1976) e a expansão da geração de energia de base hidráulica. Paulo Afonso I (1954). geotermia. de profundos impactos na economia e no ordenamento social de muitas nações.3. abrangendo os entendimentos prévios entres 312 . proporcionadas por tecnologias cada vez mais inovadoras e sofisticadas. incluindo o de Itaipu. Três Marias (1962). voltadas para a substituição de importações do petróleo. é a de produzir energia elétrica com o emprego de combustíveis fósseis (carvão. têm início a produção de etanol de cana-de-açúcar (Pró-Álcool – 1975). não restava alternativa a não ser incrementar a produção maciça de energia elétrica nos níveis demandados. estimulando o rápido desenvolvimento de iniciativas em diversos segmentos no campo da produção de energia. portanto. A decisão de construir Itaipu A conjugação. a primeira na inexplorada região Norte do País. de caráter mais técnico. uma decisão de cunho macroeconô­ mico. Mas considerava-se também a possibilidade de aprovei­ tamento conjunto dos rios compartilhados com países vizinhos. en­ quanto a água que corre nos rios o é. pois em 1973. portanto.Séculos XIX. 3. na região Sul. O contraste. e constrói hidroelétricas de grande por­ te. de longo alcance.

por conseguinte.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens os dois países. Para esse fim foi então contratado. a divisão da energia em partes iguais. Foram esses os principais antecedentes do acordo prévio que Brasil e Paraguai alcançaram em 1966. por ocasião do enchimento do reservatório de Itaipu. tal como será visto na con­ tinuidade deste trabalho. porém. contratada a empresa EMF. em 10 de abril de 1970. que. o Serviço de Navegação da Bacia do Prata já havia construído uma pequena hidroelétrica com 1. fundada antes de tudo na amizade e no respeito mútuo cultivado entre os dois países.200 kW de potência instala­ da em um dos braços das Sete Quedas. O papel da Comissão Mista Técnica Para cumprir o disposto na Ata de Iguaçu.2. a execução da obra e montagem dos equipamentos e. por sua vez. a elaboração dos estudos e projeto de en­ genharia. 4. já estava ciente das potencialidades energéticas que representavam os aproximadamente 100 me­ tros de queda existentes no Salto Grande de Sete Quedas. Período preparatório Conforme salientado. por fim. na região mais meridional da porção brasileira da imen­ sa bacia hidrográfica do rio Paraná. achando-lhes solução compatível com os interesses de ambas as Nações. da usina de Paulo Afonso. em 1959. que intercedeu a favor do projeto perante o Congresso Nacional brasileiro.. traduzido pela Ata de Iguaçu. não pode ser aceito porque se pre­ via sua implantação exclusivamente em território brasileiro. Esses aspectos serão tratados com mais detalhes nas seções seguintes deste capítulo. faz prescrições sobre alguns aspec­ tos relevantes do empreendimento. firma convênio de cooperação com a Eletrobras e com a ANDE. entre outras obras. visando ao aproveitamento hi­ droelétrico conjunto. Cabe destacar a atuação do engenheiro e economista Antonio Dias Leite Júnior. desviando-se o rio em trecho de fronteira e desconsideran­ do-se o aspecto binacional do sítio. O governo brasileiro. a assinatura do Tratado de Itaipu.. em 1967 foi criada a Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia com a finalidade de realizar o estudo e o levantamento das possibilidades econômicas do aproveitamento hidroelétrico pretendido e apresentar o resul­ tado aos dois governos. o registro do entendimento a que chegaram os governos do Brasil e do Paraguai e que expressa irrefutavelmente o amadurecimento da ideia de construir Itaipu. no princípio da década de 60 cresce com rapidez a demanda de energia elétrica na metade Centro-Sul do Brasil. . A Ata de Iguaçu. a cessão da energia não utilizada e a necessidade de entendimentos com os estados ribeirinhos da Bacia do Prata. A Comissão Mista Técnica. ”. a contratação de estudos de alternativas de locali­ zação da obra. eram esperados óbices de diversas naturezas para sua concretização. num projeto daquela envergadura. O convênio estabelecia que o trabalho fosse realizado por um gru­ po de técnicos de ambos os países.1. a qual foi desmontada em 1982. o vivo desejo de superar. Antes disso. A Ata de Iguaçu A “Ata de Iguaçu: Brasil – Paraguai”. tais como a decisão de dar início ao estudo e levantamento das possibilidades econômicas de uso dos recursos hidráulicos comuns. então. assinada em 22 de junho de 1966. que se encerra com o Tratado de Itaipu. quaisquer dificuldades ou problemas. o consórcio ítalo-americano IECO-ELC. dirigida pelo engenheiro Octávio Marcondes Ferraz. Ministro de Minas e Energia do Brasil de 1969 a 1974. com a supervisão de uma firma de consultores de engenharia. sob a direção geral e coordenação de um Comitê Executivo. na época. A EMF propôs um aproveitamento hidroelétrico da ordem de 10 mil MW. 4. é. a produção de eletricidade. projetista. portanto.. documento que marca o início do período preparatório. 4. No documento consta “. complementado depois pelo Acordo Tripartite. após alguns estu­ dos realizados em 1955-56. dentro de um mesmo espírito de boa-vontade e de concórdia. Foi.. o que revela o reconhecimento explícito das partes de que. em 18 de novembro de 1970. a constituição da Itaipu Binacional. 313 .

análises hidrológi­ cas. a solução Itaipu Baixo e Santa Maria mostrou-se menos competi­ tiva porque os custos dos desvios do rio e dos vertedouros seriam duplicados. as estimativas de custos e os resul­ tados das simulações operacionais.3. fluviometria. Arroio Guaçu. Itaipu. Foi então feita a classificação e análise das informações existentes e aquisição de dados adi­ cionais envolvendo a meteorologia. a serem desenvolvidos em quatro fases metodológicas. condições geológicas e geotécnicas. investigações geotécnicas e um inventário completo de al­ ternativas possíveis de projeto. A escolha do local Itaipu No cotejamento entre as duas alternativas finais selecionadas.A História das Barragens no Brasil . a topografia. São Francisco. 4. Alex Gage. uma única barragem na ilha de Itai­ pu.4. Porto Mendes.Séculos XIX. os saltos hidráulicos líquidos seriam menores e os custos da potência instalada maiores. assim como a disponibilidade de materiais de construção e seus meios de transporte. duas barragens. com o potencial dividido em duas hidroelétricas. com todo o potencial concentrado em uma única usina hi­ droelétrica e (ii) Itaipu Baixo e Santa Maria. Laguna Verá. topografia. XX e XXI Figura 1 . Comparando-se os arranjos. Santa Maria. duas soluções se mostraram preferenciais: (i) Itaipu Alto. Além disso. sedimentação. Disso resultou a indicação de dez locais possíveis para a construção de barragens (Guaíra. Os estudos de viabilidade Em 1 de fevereiro de 1971 foram iniciados os estudos do aprovei­ tamento. Puerto Embalse e Ilha Acaray) e 50 diferentes arranjos. uma na ilha de Itaipu e outra 150 km a montante em Santa Maria. que envolveram levantamentos de campo. 314 .Comissão Mista-Técnica Brasileiro-Paraguaia 4. pluviometria.

Trabalhos de sondagem na Ilha de Itaipu . era localizada logo após uma curva acentuada do rio Paraná.1972 a geologia e as condições de vazão do rio também encareceriam os custos em Santa Maria. Por outro lado. Figura 4 . 315 . foi apresentado o relatório sobre o estu­ do preliminar de viabilidade. que significa na língua tupi “a pedra que canta”. Ou seja. a capacidade instalada para Itaipu Alto seria 5. W. a pouco mais de 20 quilômetros da confluência com o rio Iguaçu.5% maior e a energia firme por volta de 33% superior à da combinação Itaipu Baixo e Santa Maria. que indicou como mais favorável o projeto Itaipu Alto. Taboada. concluiu-se que o esquema com uma única barragem fornecia maior capacidade instalada ao menor custo por quilowatt (kW).Ilha de Itaipu – rio Paraná Figura 3 . A ilha de Itaipu. A partir daí passou-se a utilizar a denominação Itaipu simplesmente. quase sem­ pre submersa. Giovanni Salerno e Piero Sembenelli (todos da IECO-ELC). Ela consistia em um afloramento de rocha. após a realização das três primeiras fases previstas na metodologia. R. Delgado. o consultor Arthur Casagrande e outros não reconhecidos – 1973. cujo maru­ lhar provocado pela correnteza inspirou os indígenas a chamá-la “Itaipu”.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 . No final de dezembro de 1972. que deu nome ao empreendimento. o que foi aceito pela Comissão Mista Técnica.A partir da direita: Pierucci.

atribuindo a ambos os países o mesmo poder de decisão e.6. com igual participação no capital. Essas altas cifras. que são: a possibilidade de aporte de recursos financeiros mediante operações de cré ­ dito. didas prévias que o viabilizaram. O relatório final dos consultores foi apresentado posteriormente. o que inviabilizava investimentos com uso de recursos próprios. foi apresentada uma minuta do re­ latório final de viabilidade à Comissão. o Tratado foi ratificado pelos poderes legislativos de ambos os países no mesmo ano de 1973. não aplicação de impostos (mediante isenções fiscais) e de algumas restrições administrativas. de 26 de abril de 1973.Séculos XIX. 4. basicamente. a Comis­ são Mista Técnica determinou que fosse realizado pelos con­ sultores estudo completo de viabilidade para confirmação da alternativa escolhida.5. superando divergên­ cias pretéritas.A História das Barragens no Brasil . Os três anexos do Tratado servem. sendo seus documentos oficiais redigidos em português e espanhol. 4. O Tratado de Itaipu O Tratado de Itaipu. o instru­ mento-chave de consolidação do acordo alcançado pelo Brasil e pelo Paraguai para a execução do aproveitamento hidroelétrico. se já eram onerosas para o Brasil. a divisão da energia pro­ duzida em partes iguais e o estabelecimento da obrigação de aqui­ sição por um país da energia não utilizada pelo outro país para seu próprio consumo. portanto. e em igualdades de condições. Algumas disposições do Tratado refletem a adoção das me­ Em 12 de janeiro de 1973. De modo a conferir a adequada segurança jurídica ao acordo. A singular engenharia econômico-financeira do projeto As simulações de custo do projeto que foram feitas na fase inicial dos estudos de viabilidade já indicavam a necessidade de recur­ sos financeiros da ordem de bilhões de dólares americanos para a execução das obras. A ITAIPU foi então constituída pela Eletrobras e pela ANDE. oportunidade em que se optou pelo prosseguimento do projeto Itaipu. com detalhamento e profundidade adequados à obtenção de empréstimo perante os organismos financeiros internacionais. é. Essa deci­ são possibilitou o avanço dos entendimentos que resultaram na redação do Tratado de Itaipu. 316 . XX e XXI oportunidades iguais para mobilização da força de trabalho e para a realização dos fornecimentos em geral. ultrapassavam em muito a própria economia do Paraguai. O Tratado também define que a ITAIPU é administrada por um Conselho de Figura 5 . Essa harmonização de interesses contribuiu para que se estabelecesse o “espírito binacional” que reinou durante toda a empreitada e perdura até hoje.Consultor Arthur Casagrande (à esquerda) e Piero Sembenelli (IECO-ELC) na travessia do rio Paraná . na medida do possível. tendo-se como limite apenas a capacidade de cada um. O acordo foi feito de modo equilibrado. regendo-se por normas esta­ belecidas no próprio Tratado e seus anexos. para detalhar o “como fazer” no empreendimento.1973 Administração e uma Diretoria Executiva integrados por igual número de nacionais de ambos os países. Na continuidade. em julho de 1974.

passou a assumir todas as incertezas financeiras e de mercado associadas a um empreendi­ mento desse porte. produziria anualmente uma quantida­ de variável de energia. encargos financeiros e demais itens de custeio do empreendimento se­ riam depois pagos com as receitas resultantes da produção de energia elétrica da própria usina. e. medido 317 . Paralelamente. Para aferir o grau dessa responsabilidade. utilizando aproximadamente 92% da energia gerada pela usina. assegurando assim o necessário suporte dos gastos a serem realizados nas diversas frentes de obra. com uma média estimada da ordem de 70 milhões de megawatts-hora por ano (MWh/ano).medida em MWh. por meio da Eletrobras. Dessa imensa quantidade de energia. dependendo das condições hi­ drológicas na bacia do rio Paraná e do grau de regularização a montante da barragem.Assinatura do Tratado de Itaipu em 26 de abril de 1973 . va­ riável -. Ficou definido que os empréstimos. pelo financiamento integral do Projeto Itai­ pu por meio de empréstimos bancários. o Brasil em 2011 assume cerca de 95% de todos os encargos da ITAIPU. e assim viabilizar economicamente o empreendimento. pois o Brasil. respectivamente. Os modelos matemáticos utilizados nos estudos de viabilidade indicaram que a hidroelétrica. na prática. assim. pois só utilizaria para consumo próprio algo em torno de 10% de sua metade. enquanto o Paraguai não conseguiria fazer o mesmo. Para garantir que a totali­ dade da potência disponível da ITAIPU fosse sempre contratada.Presidentes Alfredo Stroessner (Paraguai) e Emílio Garrastazu Médici (Brasil). Para que se alcançasse a constância de receitas almejada. o Brasil estaria apto a ab­ sorver a metade que lhe corresponderia. acompanhados pelos chanceleres Raúl Sapena Pastor (esquerda da foto) e Mário Gibson Barboza. o Brasil. os gover­ nos do Brasil e do Paraguai resolveram então adotar um modelo de comercialização pelo qual as contratações anuais seriam feitas não pela produção de energia . quando estivesse completa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 6 . com 18 unidades geradoras operando. Optou-se. mas pela potência do conjunto gerador da usina. Essas duas disposições viabilizaram economicamente o empreendimento. concordou em celebrar contratos com a ITAIPU de forma que o total da potência contratada fosse igual à potência instalada. portanto. o Brasil e o Paraguai se comprometeram a contratar conjuntamente o total da potência instalada da usina.

Tal modelo acabou por constituir o fator diferencial que selou a decisão de construir Itaipu. em razão de o setor elétrico brasileiro ser de grandes proporções. Figura 7 . tornando suportável desse modo os efeitos da contratação por potência sinalizado para o Projeto Itaipu. ele teria condições de absorver e diluir eventuais variações de demanda para menos que viessem a ocorrer. O Paraguai ficava. em uma fase predominantemente de intervenção na realidade. do Paraguai. e estar em expansão.05. Ou seja. grandeza invariável cujo valor seria fixado nos limites de potência necessários à produção da “energia garantida”. 5. por sua vez. assim. esta pagaria sempre pelo direito de ter potência energética à sua disposição. viabilizando-o defini­ tivamente. A prestação do serviço de eletricidade seria então remunerada pela capacidade de produção posta à disposição do usuário.Séculos XIX. e destas. às demais enti­ dades compradoras a elas vinculadas. Execução do projeto Atendidas as condições necessárias ao desenvolvimento do proje­ to. sendo nomeados Diretores-Gerais José Costa Cavalcanti. Isso acarretava para o comprador au­ mento do componente de custeio devido à energia adquirida da Itaipu sempre que o consumo fosse inferior à capacidade contratada. passou-se então à sua execução. é claro. os Ministros das Relações Exteriores e de Minas e Energia do Brasil conjuntamente com os Ministros de Relações Exteriores e de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai deram posse nos respectivos cargos aos Membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva. Esse modelo implica. com a presença dos Presidentes Ernesto Geisel. pelo Paraguai.1. e Enzo Debernardi.1974 é efetuada a instalação da ITAIPU Binacional.Constituição da Itaipu Binacional em 17de maio de 1974: Presidentes Alfredo Stroessner (Paraguai) e Ernesto Geisel (Brasil) 318 . Contudo. o maior impacto dessas incer­ tezas recairia sobre seu setor elétrico. mesmo que nada fosse consumido pela entidade compradora. exemplificandose pelo extremo.A História das Barragens no Brasil . 5. em 15. e Alfredo Stroessner. Como o Brasil consumiria a maior parte da energia produzida. na transferência das incertezas para a Eletrobras e para a ANDE. pelo Brasil. em seu patamar mais elevado. XX e XXI em MW. independente­ mente do que fosse consumido de energia. Para esse fim. praticamente blindado contra os efeitos dessas sazonalidades. Constituição da Itaipu Binacional Cumprindo o disposto no Tratado e seus anexos. as avaliações feitas indicaram que. do Brasil.

Altino Ventura Filho (1998). para a formação do reservatório. o aparato organizacional e o instrumental necessários ao início da execução do projeto. tendo sido posteriormente definida a área total delimitada. responsáveis pela coorde­ nação. para instalação dos serviços administra­ tivos. Estavam desse modo estabelecidos o local.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Logo após. para as instalações do aproveitamento hidroelétrico e suas obras auxiliares. Jorge Nacli Neto (1991-93). são então destinadas áreas de terras no Brasil para a construção da hidroelétrica. De igual manei­ ra. Antonio José Correia Ribas (2002-03).Organograma geral da ITAIPU Binacional Foram Diretores-Gerais Brasileiros. Francisco Luiz Sibut Gomide (1993-95). Euclides Girolamo Scalco (1998-2002). Euclides Girolamo Scalco (1995-98). posteriormente. a estratégia de alto nível. 319 . Ney Aminthas de Barros Braga (1985-90). o orçamento inicial. e. Fernando Xavier Ferreira (1990-91). Figura 8 . Desde 2003 o cargo é ocupado por Jorge Miguel Samek. para a edificação da vila residencial para os trabalhadores. organização e direção das atividades da Itaipu. em caráter parcial. são destinadas áreas de terras no Paraguai. José Costa Cavalcanti (1974-85).

foram forma­ dos. Sembenelli. detento­ res de conhecimentos compatíveis com as necessidades técnicas de Figura 9 . Lyra (Chairman do Board de Consultores da Itaipu) – outubro de 1977 320 . (iv) a capacidade instalada da usina. Don Deere. cujo relatório foi apresen­ tado em julho de 1974. para elaborar o projeto de engenharia de Itaipu. Estudos e investigações confirmatórios Com vistas a cumprir a determinação da Comissão Mista Técnica para que fossem desenvolvidos pelos consultores estudos de viabilidade adicionais e de confirmação da alternativa escolhida. no Paraguai e em outros países. P. 5. (vi) as unidades geradoras principais. Nauroz Khan (gerente do estudo de viabilidade). Arthur Casagrande (consultor). Superintendente da Obra). Consoante a complexidade e importância da tarefa. Arthur Casagrande. (viii) o arranjo geral. (iii) os estudos da frequência das enchentes. José Gelazio da Rocha (Itaipu. (x) as barragens. (v) os ensaios em modelo de regulari­ zação do rio e instalações para navegação.600 m3/s.1974 5. (vii) a dupla frequência. Rubens Vianna de Andrade (Itaipu.3.A História das Barragens no Brasil . vários grupos especialistas. A. Edwin Smith . na escala 1:100. Esse relatório final incorporou: (i) os estudos hidrológicos levados adiante. concluindo pela instalação de Figura 10 . de maneira concatenada. (ix) o vertedouro. passou-se à realização da quarta e última fase dos estudos de viabi­ lidade do projeto. A partir da esquerda: Castro. e (xi) a casa de força. na margem direita. José Roberto Monteiro (Itaipu) e Flavio H. com o emprego de técnicas apuradas de gerenciamento de projetos. (ii) a enchen­ te de projeto do vertedouro. Gallico .Séculos XIX. na ordem de 62. XX e XXI 18 unidades de 700 MW. Projeto de engenharia: dados básicos e características Com base nas prescrições do relatório final de viabilidade do em­ preendimento a partir do segundo semestre de 1974 deu-se início a ampla mobilização de pessoas e empresas no Brasil. Belloni. portanto logo após a instalação da ITAIPU Binacional. Superintendente de Engenharia). Piasentin. decorrente do fato de que o Brasil adota a frequência de 60 Hz e o Paraguai de 50 Hz.Grupo de engenheiros com os consultores.2.A partir da esquerda: Luis Carlos Domenicci (Unicon).

Orlando Gomes dos Santos e Flavio H. por sua vez. pois não se revela possível nes­ ta memória resumida listar as muitas outras empresas e profissionais que participaram do esforço. Figura 11 . vertedouro. Don Deere. Conforme mencionado. A diretriz geral que marcou essa etapa essencialmente conceptiva do Projeto Itaipu foi a do emprego incondicional de critérios de excelência técnica mundialmente disponíveis para projetos des­ sa natureza. Essas partes principais. Arthur Casagrande. que se refletiram posteriormente em toda a cadeia de processos. desempenhou a função de Coordenador-Geral do Projeto. em razão do aprofundamento dos estudos. naquela fase. igualmente tratadas por especialistas de diversas áreas. reservatório. foram subdivididas em diversas outras. casa de força e equipamentos de geração de energia.A partir da esquerda: Corrado Piasentin. Gurmukh Sarkaria (Coordenador-Geral da IECOELC).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens dimensionamento e especificações das principais partes da hidroe­ létrica: estruturas de desvio. Fernão Paes de Barros. que. O Quadro III. Lyra (Chairman do Board de Consultores da Itaipu) – outubro de 1977 321 . e mediante os resultados dos testes e verificações feitos na fase de projeto. o arranjo geral das instalações permanentes foi diferente em alguns aspectos daquele definido durante a fase de viabilidade. barragens e ensecadeiras. representado pelo experiente Engenheiro Gurmukh Sarkaria. anexo. Isso necessariamente implicou o atendimento de rigorosas exigências. apresenta uma síntese das principais atividades desenvolvidas nessa etapa de estudos e projetos. Klaus John. de subprojetos e de esquemas organizacionais do empreendimento. Cabe destacar que a Itaipu manteve a liderança do processo a cargo do consórcio internacional IECO-ELC. relacionando somente as principais empresas participantes.

nas fundações da barragem principal no leito do rio. os recursos de simulação auxiliaram significativamen­ te nas decisões dos projetistas. e Diretores-Gerais José Costa Cavalcanti (Brasil) e Enzo Debernardi (Paraguai) – dezembro de 1977 A Itaipu manteve um painel permanente de consultores inter­ nacionais (Board). contatos. Esses consultores. poços e túneis para verificação e a realização de ensaios in situ e ensaios em laboratório. anexo. poço de investigação e de acesso. representativos do conhecimento acumulado no mundo até aquela época em projetos hidroelétricos. escavações de trincheiras. As­ sim. anexo. de maior extensão e volume. se reuniam re­ gularmente para analisar aspectos especiais do projeto e da cons­ trução das obras civis.Rubens Vianna de Andrade (esquerda. áreas fraturadas e zonas cisalhadas.4. exigiram o emprego de tratamen­ tos subterrâneos para assegurar sua estabilidade frente às cargas a serem suportadas. que jazem sobre grandes derrames basálticos da bacia superior do rio Paraná. cortinas de injeção e de drenagem. Superintendente da Obra). pôde-se dar início ao aprofundamento das investigações geológicas e geo­ técnicas feitas na Fase 1 dos estudos de viabilidade. furos e túneis de drenagem. O Quadro V. tendo em vista 322 . complementares às estruturas das fundações. partiu-se para as investigações geotécnicas. 5. basalto vesicular e basalto denso. Fundações: investigações geológicas e geotécnicas Definido o arranjo geral das instalações permanentes e. e.A História das Barragens no Brasil . apre­ senta uma relação dos principais ensaios e estudos especiais realizados e das instituições que os conduziram. relacionados no Quadro IV. bem como do projeto e da fabricação das unidades geradoras. que definiram a deformabilidade e a resistência dos diversos tipos de brecha. XX e XXI Figura 12 . bem como identificaram as principais descontinuidades existentes no subsolo de assentamento das fundações. por meio de sondagens e perfurações. o cálculo e dimensionamento das fundações das barragens e das demais estruturas a serem erigidas. a geometria e a disposição territorial do conjunto. encontradas na forma de juntas.Séculos XIX. foi também prescrita a execução de injeções. fabricação e funcionamento dos geradores. com o emprego principalmente de chavetas de con­ creto na descontinuidade da margem direita. por conse­ guinte. que foram devidamente instrumentadas para posterior monitoramento. Essas descontinuidades. Foram também mobilizados muitos consultores. especialistas e firmas encarregadas dos ensaios em modelos para resolverem problemas específicos de engenharia civil e aspectos ligados ao projeto. Dessas investigações. Caracterizada a geologia da área do projeto e do reservatório.

Relações do trabalho e previdência social Para o normal andamento da obra.Grupo de geólogos das projetistas se apronta para inspecionar os túneis e poços. Desde 2002 o cargo é ocupado por Antonio Otelo Cardoso. Roberto Ramón Acosta Alvarez. responsáveis pela condução do projeto. Nesse sentido. Tratava-se de uma operação complexa. em 1975. tais como as séries ISO. Planejamento e organização dos trabalhos A Itaipu. No laboratório foram adotados padrões até mais exigentes do que aqueles que essas normas depois vieram a estabelecer.5. situado no contexto geral do Sistema de Qualidade das Construções de Concreto. Conclu­ ído o canal de desvio. Rubens Vianna de Andrade (1990-91). se previsse o início em 1975 de diferen­ tes frentes de trabalho em paralelo. e Maurício Muller – maio de 1977 ainda não existiam normas avançadas de controle de qualidade. Szolt Gombosy. foram en­ tão separadas as atividades que dela independiam. Nelson Infanti Jr. Foram Diretores Técnicos brasileiros da Itaipu. John Cabrera.6. 323 . e com dinâmica adequada à velocidade de construção da obra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Por essa lógica. Flávio Decat de Moura (1993-95). A partir da esquerda: Minervino Buosi. a calha do vertedouro e a fundação da barragem de enrocamento. Marcos Antônio Schwab (1995-96) e Altino Ven­ tura Filho (1996-2002). era importante assegurar direitos laborais e proteção social que favorecessem a recepção e a perma­ nência do expressivo contingente de trabalhadores e suas famílias na área do projeto. merece menção especial a contribuição do La­ boratório de Materiais e Concreto da Itaipu (que atualmente se denomina Laboratório de Tecnologia do Concreto da Itaipu – LabTecon). tendo como mais volumosas o próprio canal de desvio. no programa de construção. definiu que no ano de 1983 seria iniciada a operação da primeira unidade geradora. 5. segundo indicou a rede CPM (Critical Path Method) elaborada. que tiveram seu advento nos anos seguin­ tes. Roberto Lei­ te Schulman (1985-90). as obras civis tiveram início com a execução de vá­ rias frentes conjuntas de escavações. envolvendo algumas importantes obras civis e diversas encomendas de equipamentos e componentes eletromecânicos com perfil de fornecimento de longo prazo. Márcio de Almeida Abreu (1991-92). Na época de sua implantação (1975-76) Figura 13 . o que permitiu que. passou-se para a cons­ trução da barragem principal e do vertedouro e da casa de força. suas ensecadeiras em arco e a estrutura de controle nele existentes. Sendo a construção do canal de desvio a atividade mais crítica. e desviado o rio. a cronologia e a organização dos trabalhos a serem realizados. construção das obras e operação das instalações: John Reginald Cotrim (1974-85). 5. parte desta última no leito do rio ao pé da barragem principal e parte dela ao pé da estrutura do desvio. Essa decisão determinou o planeja­ mento. O material das escavações foi utilizado para a construção das ensecadeiras principais no leito do rio Para­ ná e da barragem de enrocamento na margem esquerda. pela expressiva monta das di­ mensões e volumes envolvidos na construção da usina.

8. No Quadro VI. em que também é previsto a constituição de comissões de prevenção de acidentes de trabalho. e estradas pavimentadas permanentes para garantir o transporte de pessoal. segurança física e de assistência social aos trabalhadores e suas famílias. não dispunham de condições de absorver os contingentes humanos que a elas afluiriam em breve. Por sua impor­ tância e complexidade. em matéria do direito de trabalho e previdência social. creches.7. Foi também melhorada e expandida a rede viária existente para integrar as instalações do projeto com as cidades da área e organizados serviços de coleta de lixo. esgoto e comunicação. foi assinado pelo Brasil e pelo Paraguai. como mencionado no item 5. anexo. Logo depois. 5.5 acima. independentemente de sua nacionalidade.1974. as matérias relativas a higiene e a segurança do trabalho são objeto de acordo complementar ao Protocolo.09. que foram concluídas em 1991. XX e XXI Para tanto. escolas. as conhecidas CIPAs. água. aos trabalhadores contratados pela Itaipu. Na mesma linha. Ronan Rodrigues da Silva (Diretor de Construção da Unicon). As obras do desvio têm como elementos 5. com a constru­ ção do canteiro e da infraestrutura. Essas obra incluíram conjuntos habitacionais. Francisco Andriolo e Ademar Sonoda (todos da Itaipu) 324 .Ultima inspeção das adufas e do canal antes do desvio do rio Paraná em outubro de 1978. em 11. clubes e áreas de lazer. dos empreiteiros e subem­ preiteiros de obras e locadores e sublocadores de serviços. iniciando-se em outubro de 1975 pela escavação do canal de desvio e terminando em julho de 1979 com o esgotamento da área de trabalho entre as ensecadeiras principais. hospitais. materiais e equipamentos. Figura 14 . centros comunitários. redes de serviços de eletricidade. em maio do mesmo ano.A História das Barragens no Brasil . em 10.Séculos XIX. estabelecendo as normas jurídicas aplicáveis. começaram as obras civis propriamente ditas. Da esquerda para a direita: José Augusto Braga (Itaipu). o Protocolo sobre Relações de Trabalho e Previdência Social. em ambas as margens. uma vez que as cidades de Foz do Iguaçu e Puerto Stroessner.02. Infraestrutura de apoio Foram implantadas obras de infraestrutura destinadas a abrigar e dar assistência aos trabalhadores brasileiros e paraguaios das várias empresas contratadas para executar as obras e serviços.1974. Execução das obras civis As obras tiveram início em janeiro de 1975. O desvio do rio Paraná se deu em quatro etapas. o Protocolo Adicional so­ bre Relações do Trabalho e Previdência Social relativo aos contratos de trabalho dos trabalhadores. é também assinado. consta a relação dos consórcios e empresas que as executaram. à época. Roberto Monteiro.

foi possível operar o vertedouro.200 m3/s por meio de três calhas com trampolim. Foram então executados a estrutu­ ra da crista. A barragem de enrocamento da margem esquerda (1. observar seu desempenho hidráulico e seu desempenho estrutural e os processos erosivos de jusante.294 m) e na margem direita (872 m).Consultores Klaus John (à esquerda).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 15 . testes de funcionamento e seu fechamento final que aconteceu em 13. 325 . Uma das fases mais importantes e críticas foi o fechamento do rio Paraná e seu desvio para o canal e a estrutura de desvio. teve seu arranjo final precedido de ensaios em mo­ delo hidráulico em escala 1:100. o túnel rodoviário. com o enchimento do reservatório. evento que marca o início do enchimento do reservatório de Itaipu. com capacidade de evacuar 62. As comportas de desvio foram posteriormente recuperadas e recondicionadas para uso como comportas de tomada d´água.10. A experiência de operar a contento o vertedouro durante muitos anos atestou sua absoluta confiabilidade para extravasar as descargas necessárias. Don Deere e Arthur Casagrande – outubro de 1978. O vertedouro. gerando imagens que ficaram famosas devido à ampla divulgação do fato na mídia) e as ensecadeiras principais de montante e de jusante no rio. requereram em suas extremidades zonas de transi­ ção para contato entre si e dispositivos de abraço para contato com as estruturas de concreto (barragem de contrafortes e vertedouro). e que depois receberam as respecti­ vas comportas e equipamentos associados. localizado na margem direita do rio Paraná. A partir de 1982. as ensecadeiras auxiliares em arco de montante e de jusan­ te no canal de desvio (demolidas a fogo posteriormente.1982.984 m de com­ primento) e as barragens de terra existentes na margem esquerda (2. que compõem o arranjo geral da Itaipu. que são os principais componentes que formam a geometria dessas estruturas. as calhas. testes nos trampolins e análises dos efeitos erosivos a jusante. Atenção es­ pecial foi dada às comportas de desvio e seu fechamento. sendo reali­ zados ensaios e estudos em modelo hidráulico necessários ao projeto e fabricação de seus componentes. construtivos principais o canal de desvio. os trampolins e as galerias. os muros. que exigiram os cuidados executivos de costume para terraplenos com essa tipologia. a estrutura de controle do desvio.

5 milhões de metros 326 . e feitas as injeções. o Edifício da Produção. Essas obras civis envolveram colossais quantidades: mais de 23 mi­ lhões de metros cúbicos de escavação em terra. Arthur Casagrande e Gurmukh Sarkaria (IECO-ELC) no canal de desvio – outubro de 1978 Figura 17 .Séculos XIX. quase 32 milhões de metros cúbicos de escavação em rocha. enquanto o longo segmento em curva que liga a barragem ao vertedouro na margem direita e a estrutura de desvio na margem esquerda foram dotados de barragens de concreto de contrafortes. O desempenho da barragem durante a fase de construção e o enchimento do reservatório foram avaliados pela instrumenta­ ção de monitoramento instalada nas estruturas e suas fundações. hidráulico e térmico das barragens pelos resultados da instrumentação. 6. foram se erigindo gra­ dualmente as estruturas das tomada d’água e dos demais blocos de concreto. em grande volume. XX e XXI Figura 16 . associada às inspeções dos engenheiros e técnicos da Itaipu. que aloja a casa de força e.Paul Joachim Folberth (à esquerda) e Gurmukh Sarkaria (ambos da IECO-ELC) – abril de 1979 A parte central da hidroelétrica. tratamentos e construção de chavetas sob o leito do rio. sobre esta. foi dotada de uma barragem de concreto de gravidade aliviada.Maquete da escavação da barragem de Itaipu .A História das Barragens no Brasil . Essa atividade de auscultação da barragem continua na fase atu­ al de operação e inclui a avaliação do comportamento estrutural. Enquanto eram executadas as escavações para as fundações.Consultores Charles Blanchet (à esquerda).

Ricardo Abrahão (Promon). posição. não identificado. o que consumiu mais 2. Libero Medaglia (IECO-ELC). (motorista IECO-ELC). Engenheiro Gurmukh Singh Sarkaria (Coordenador Geral IECO-ELC). assegurando assim a observação direta das estruturas e fundações e dos próprios instrumentos. Giacomo Re (Themag). 5.5 milhões de toneladas de cimento e 481 mil toneladas de aço. No projeto original de Itaipu foi adotado o critério da leitura manual da instrumentação. A partir da esquerda: Adão K. Figura 18 . Dillo Rocha (Engevix) – outubro de 1982. nessa complexa etapa do projeto. representatividade de um trecho e peculiaridades da fundação. até hoje não 327 . José Antônio Rosso (Itaipu). não identificado. Hilário Da Fré (motorista IECO-ELC). Michael Sucharov (Engevix).Enchimento do reservatório. Fernão Paes de Barros (Itaipu). pois a leitura manual obriga os técnicos a visitar roti­ neiramente toda a barragem. 12. Alessandro Gallico (Engenheiro Chefe da ELC . O objetivo é monitorar a even­ tual ocorrência de sismos induzidos pelo reservatório. tipo. Existe também uma rede de sismômetros que cobre a área da bar­ ragem e do reservatório de Itaipu. denomi­ nados blocos-chave.Milão). É importante salientar a decidida atuação do Engenheiro Rubens Vianna de An­ drade. Superintendente de Obras. A auscultação da barragem e a junta de consultores civis O projeto de auscultação da represa de Itaipu busca a garantia da segurança da barragem. em vez da leitura centralizada e automática. Os blocos mais instrumentados.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cúbicos de argila compactada e 15 milhões de metros cúbicos de enrocamento. foram selecionados levando em conta altura.5 milhões de toneladas de peso.9.6 milhões de metros cúbicos de concreto com 31.

de Souza Pinto (2010). a Itaipu mantém um painel permanente de consultores inter­ nacionais especialistas em engenharia de barragens.10. os consultores recomendam eventuais ações de melhoria e correção. ciente das expressivas dimensões da barragem de Itaipu e de sua capacidade de armazenamento e de contro­ le dos caudais. levantamentos e pré-análises técnicas. João Francisco Al­ ves da Silveira. Alguns desses profissionais são colaboradores de longa data da Itaipu. como a Cordilheira dos Andes e as Filipinas. Os argumentos se contrapunham ao ponto de o assunto ter sido debatido inclusive durante a Assembléia Geral da ONU realizada em 1972. a ser erigido logo a jusante de Itaipu. na manutenção da viabilidade da navegação e do abastecimen­ to de água. Brasil e Paraguai avocavam direitos de uso das águas do rio. 328 .10. XX e XXI registrados. As reuniões da Junta são precedidas de acurados preparativos. a natureza do assunto o insere ainda como última providência do período preparatório. Deve-se destacar a presença no Projeto Itaipu desses renomados engenheiros. mobilizou-se para assegurar uma regulação do fluxo que não prejudicasse seus direitos e interesses sobre as águas do rio Paraná. celebrado em 19. Nascia desse modo o Acordo sobre Cooperação Técnico-Opera­ tiva entre os Aproveitamentos de Itaipu e Corpus. Por outro lado. Gurmukh S. Corrado Piasentin. Se necessário. Lyra (1974 a 1992). passando depois pelas fases de construção. Isso se deu em boa parte graças ao hábil uso pelos diplomatas dos elementos fornecidos pelo meio técnico que possibilitaram o alcance de entendimentos operativos que vieram a pacificar a questão. Entre estes men­ cionamos: do Brasil.3. Sarkaria (1995 a 2006) e Nelson L. Criado em 1974. para satisfação de todos os interessados. As questões estavam centradas no estabeleci­ mento de um nível de água de operação de Itaipu que permitisse a viabilidade do futuro aproveitamento hidroelétrico argentinoparaguaio de Corpus. também chamado de “Junta de Consultores Civis” ou “Board de Con­ sultores Civis”. 5. atualmente se reúne a cada qua­ tro anos aproximadamente para verificar o desempenho das estruturas civis da Itaipu. Foram presidentes da Junta Flavio H. para as três Partes. conforme citado no Quadro IV do item 5. Os equipamentos são capazes de registrar terremotos que ocorrem inclusive em regiões distantes. que se reunia com frequência maior durante a fase de estudos e projetos e iní­ cio da construção das obras. feitas por consultores especialistas que acompanham por anos o cotidiano da aus­ cultação da barragem e apóiam as equipes técnicas da Itaipu. e do Paraguai. Ao término de cada reunião é elaborado um relatório técnico sobre a segurança da barragem e seus temas correlatos. montagem e operação da usina. Embora nessa oportunidade a obra de Itaipu já estivesse em andamento. bem como na adoção de medidas de segurança e de preservação ambiental.Séculos XIX. A Junta realizou 20 reuniões entre 1975 e 2010. mais uma vez triunfou.”.1979 pela Argentina. pelo Brasil e pelo Paraguai. a efetiva convergência de interesses e a obtenção de benefícios recíprocos. tendo participado dos trabalhos de engenharia desde o início do projeto. Michael Maxwell Dayan Dermont Sucharov. Marcos Antonio Daniel Damus e Roberto Ramón Acosta Alvarez. que. exigiram mais um tour de force da área diplomática. Essa Junta de consultores. A Junta realiza inspeções técnicas e analisa os dados da auscultação para aferir as condições de uso e segurança da usina. que não foram isentas de momentos tensos. que consideravam igualmente legítimos e pertinentes. As negociações. em que “As deliberações (do Acordo) caracterizam-se por um espírito de boa vizinhança e de cooperação na busca de uma solução que representasse.A História das Barragens no Brasil . sem dúvida os mais qualificados para exercer a gestão técnica do empreendimento. O Acordo Tripartite A Argentina. conhecidos in­ ternacionalmente. em cujos traba­ lhos participaram trinta consultores.

fundamentais para que a operação fosse bem-sucedida. 5. A formação do reservatório Conforme mencionado. compartilhado pelo Brasil e pelo Paraguai. que enfim transborda da calha do rio. passa a ser insuficiente para a água que se acumula.350 km2 (780 km2 no Brasil e 570 km2 no Paraguai). que se deu em três etapas. que antes comportava inte­ gralmente o veloz rio Paraná. dentro de um espírito de cooperação entre os países do Cone-Sul da América do Sul. Esse evento. da mais alta importância para todo o projeto. com elevado grau de regu­ larização. em 13 de outubro de 1982 as comportas de desvio foram completamente fechadas e teve início o enchimento do reservatório de Itaipu. 329 . no prazo de 15 dias.1979 – Chanceleres Alberto Nogués (Paraguai. em direção ao Paraguai e à Argentina.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 19 . O cânion. capaz de armazenar 29 bilhões de metros cúbicos de água. O rio Paraná.10. sendo por isso o último de um conjunto de 47 reservatórios de usinas com potência maior que 30 MW existentes na Região Hi­ drográfica do Paraná. que drenam os cursos de água de uma vasta área com mais de 820 mil quilômetros quadrados a montan­ te de Itaipu. justamente por Itaipu. Carlos Washington Pastor (Argentina) e Ramiro Saraiva Guerreiro (Brasil).80 metros (acima do nível do mar). profundidade máxima de 180 m e su­ perfície de 1. situa-se na porção mais a jusante do rio Paraná ainda em território brasileiro. em pé). invade e se espraia com rapidez nas adjacências mais altas e mais planas. A cessão desse benefício é feita pelo Brasil sem ônus para a Argentina e para o Paraguai. a montante e a jusante da barragem.11.Assinatura do Acordo Tri-Partite Argentina-Brasil-Paraguai em 19. Formou-se desse modo um lago artificial de expressivas dimensões: 170 km de comprimento. então. elevandose em quase 100 metros . foi antecedido de uma série de preparativos. Cabe salientar que a existência desses reservatórios faz com que o rio Paraná saia do Brasil. Esse lago. passou da cota 109 me­ tros para a cota 205. tal como ocorreu.

biológicos e sociais e traçou diretrizes para a proteção e valorização do meio ambiente na área do projeto e nas regiões afetadas. o qual posteriormente publicou o livro “Hidroelétricas. inusuais à época. A possibilidade de adoção de medidas voltadas ao meio ambien­ te deu o tom para toda a ação que se seguiu. pesca. suas formas de ocupação e usos permitidos. que definiu a política ambiental da Itaipu a partir de 1975. não ocorrem fenômenos geofísicos que afetem adversamente a segurança e a estabilidade das estruturas da represa. Definiu também um zoneamento territorial do reservatório: (1) zona do reservatório e (2) zona do litoral (onde se encontra a área de proteção do reservatório): setores especiais. o resgate de animais (operação Mymba Kuera – pega-bicho). ainda que naquela época parte da região registrasse importante inter­ venção humana. meio ambiente e desenvolvimento”. tendo o relató­ rio referente a esse último item sido elaborado pelos consultores James Albert Harder e Hans Albert Einstein). abastecimento de água para consumo doméstico e irrigação. Ltda. se aprofundaram no assunto e apresentaram à Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia estudo elaborado pelo Dr. 5. ao meio ambiente biológico (levantamento florestal. projeto em que atuou o arquiteto e paisagista Fernando Magalhães Chacel e que foi executado pelas empresas PARELC – GCAP e Arquitetura Ambiental S. O plano também estipula os procedimentos de gestão dos usos múltiplos pela Itaipu e a coordenação dessa com as autoridades das diversas esferas de governo. e prescreveu a realização de levantamento ambiental na área do projeto. foi elaborado o “Plano Básico de Conservação do Meio Ambiente”. a implantação de reservas e refúgios (em um total de oito no Brasil e no Paraguai). levantamento da fauna e levan­ tamento da pesca) e ao meio ambiente social (programas sanitários e de saúde pública e investigações arqueológicas). Essas considerações ambientais. XX e XXI Afora os aspectos ambientais relacionados à formação do lago de Itaipu. foi criada a Diretoria de Coordenação. Robert Goodland e por especialistas da própria IECO-ELC. Essa avaliação serviu principalmente para definir qual estru­ turação seria mais adequada ao Plano-Mestre de utilização da área do reservatório. o pro­ jeto previu também a avaliação do desempenho geofísico do reservatório no que se refere a recalques da crosta terrestre devido ao peso da água e à atividade sísmica relacionada ao reservatório (sismo induzido). além. A partir dos estudos de 1973. a aqui­ cultura (tanques-rede e canal de migração e desova – Canal da Piracema) e a recuperação e paisagismo da área de construção da obra. a constru­ ção de Itaipu inevitavelmente interviria no ambiente natural. que já havia alterado significativamente o meio ambiente local.A História das Barragens no Brasil . na agricultura e na pecuária. como se previa. é claro. limpeza da área do reservatório.C. algumas delas potencialmente conflitantes entre si. 330 . setores de lazer e setores de integração urbana. As medidas de proteção e valorização do meio ambiente envolveram a proteção das florestas existentes e reflorestamento (que nos dias atuais contabiliza 44 milhões de árvores plantadas). tiveram reflexo inclusive na estrutura organizacional da Itaipu. a elaboração de um plano-mestre para utili­ zação da área do reservatório e a aplicação de medidas de prote­ ção ambiental. pois. Os levantamentos previstos se deram então quanto ao meio am­ biente físico (qualidade da água. conforme estabelecido no Anexo A do Tratado. em 1973. O plano definiu então os usos múltiplos do reservatório. da geração de energia elétrica: nave­ gação. Cabe men­ cionar a participação do Engenheiro Arnaldo Carlos Muller na liderança desses trabalhos. Isso foi percebido pelos projetistas que. turismo e lazer.Séculos XIX. A medição desses parâmetros tem indicado que.12. setores de aproveitamentos múltiplos. que serão apresentados na sequência. As informações e os resultados obtidos com os levantamentos realizados mostraram quais seriam as várias utilizações possíveis do reservatório. entre cujas atribuições está a de ser responsável “pelos serviços relacionados com a preservação das condições ambientais na área do reservatório”. principalmente na mar­ gem brasileira. Meio ambiente e ecologia Como a maioria dos empreendimentos de grande porte. efeitos climáticos e transporte de sedimentos. Esse estu­ do categorizou os possíveis efeitos físicos.

331 . Tércio Alves de Albuquerque (1991). Nessas cidades e em outras. Desenvolvimento regional e turismo No que se refere ao desenvolvimento econômico e social da re­ gião com a implementação do Projeto Itaipu.5 mil propriedades (6.Faixa de proteção do reservatório. não se limita ao sítio da usina.9 mil rurais e 1. talvez o mais im­ portante tenha sido a necessidade de reassentamento de pessoas que residiam ou tinham suas posses ou desenvolviam suas atividades (majoritariamente agrícolas. por­ tanto. Esses valores possibilitaram que os deslocados comprassem em média uma metade a mais em relação às terras que possuíam antes. tanto pelo atendimento da diversidade de suprimentos necessários às diversas frentes das obras. cuja densidade demográfica era de 35 habitantes/km2. verifica-se que.6 mil urbanas). proporcionando assim um uso regular de sua linha costeira para atividade de turismo e lazer. houve notório incremento da circulação econômica. Antonio José Correia Ribas (2000-2002) e Olivo Zanella (2002). foram também submersos 577 km de estradas.1). Luiz Eduardo Veiga Lopes (1985-90). com reflexos socioeconômicos locais. Foram Diretores de Coordenação brasileiros da Itaipu. da submersão de equipamentos urbanos e de construções lo­ cais de valor cultural ou afetivo. Nelson Farhat (1990-91). 5. Entre os impactos físicos de repercussão social. Desde 2003. a tal ponto de ter sido visitada por cerca de 16 milhões de pessoas de 1977 a 2010. o que de­ senvolveu o comércio e a prestação de serviços locais. com uma média histórica por volta de meio milhão de pessoas por ano. com balneários e marinas. ou seja. com vias pavimentadas. água. uma vez que o nível de água do reservatório permanece pratica­ mente inalterado ao longo do tempo.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens principalmente em Foz do Iguaçu e em Ciudad del Este (anti­ ga Puerto Stroessner). responsá­ veis pelos serviços relacionados com a preservação das condições ambientais na área do reservatório e à execução de projetos e obras fora da área das instalações destinadas à produção de energia elétrica: Cássio de Paula Freitas (1974-85). Tais áreas requeridas pelo projeto perfaziam em torno de mil qui­ lômetros quadrados no lado brasileiro (ver item 5. além do aumento populacional. Brasílio de Araújo Neto (1995-97). produtivas) nas áreas que seriam inunda­ das pelo lago. como pelo consumo de bens e serviços proporcionados pelos milhares de trabalhadores que recebiam salários e benefícios de seus empregadores vinculados ao projeto. A atividade turística. Márcio de Almeida Abreu (1994-95). houve melhorias e expansão da infra-estrutura nos municípios da área de influência do reservatório. o cargo é ocupado por Nelton Miguel Friedrich. próximas a elas. a grande atratividade que a represa exerce sobre os turistas. Alia-se ao fato da Itaipu ter sido construída na região que abriga as mundialmente famosas Cataratas do Iguaçu .e por isso forte­ mente turística -. esgoto e demais equipamentos urbanos.13. estendendo-se também às localidades próximas ao lago. no entanto. Nos dois municípios foram construídas 10 mil casas nas áreas residenciais. Figura 20 . para a maior permanência de turistas na região da fronteira trinacional Argentina-Brasil-Paraguai. o que coopera também para o processo de desenvolvimen­ to da região. ele­ tricidade. cuja compensação paga pela Itaipu foi equivalente a US$ 190 milhões. Além da perda das áreas cultiváveis (a maior parte no Brasil). o que exigiu que outros 390 km fossem reabertos com novo traçado. e a grande maioria deles permaneceu nas proximidades da área do projeto. onde exis­ tiam 8. A Itaipu contribui. José Luiz Dias (1997-2000).

A. acarretando para a Itaipu dispêndios em obras de acon­ dicionamento de rodovias e de pontes no Brasil para a passagem dessas cargas de grandes dimensões e peso. Obede­ cendo-se os delays programados. anexo. e. à direita). contém a relação dos consórcios e empresas fabricantes..14. foram também iniciadas as montagens eletromecânicas. 5. Funciona a primeira unidade geradora Cumprindo o cronograma de montagem. O Quadro VIII e o Quadro IX. em 17 de dezembro de 1983 ocorre o primeiro giro mecânico da turbina da unidade geradora U1.Entra em operação a primeira unidade geradora em 05. alguns dias depois. deu-se continuidade à montagem dos equipamentos de geração da casa de força e dos equipamen­ tos e sistemas auxiliares desta. por meio das subestações construídas na margem brasileira e na margem paraguaia. Figura 21 . foram então montadas as tomadas de água. supervisão e proteção. pondo em funciona­ mento a primeira de suas 18 unidades geradoras contratadas à época. pertencente a empresa Furnas Centrais Elétricas S. Superintendente de Engenharia da Itaipu em 1974. passando por portos marítimos. No caso de Itaipu. esses portos eram bastante afastados da região das obras. ela passou a transmitir energia em caráter experimental para São Paulo. também anexos.1984 – Congratulações dos Diretores-Gerais José Costa Cavalcanti (Brasil) e Enzo Debernardi (Paraguai.05. Desse modo. foi iniciada sua operação efetiva. contêm as relações dos consórcios e empresas que fizeram respectivamente o controle de qualidade e inspeção e exe­ cutaram a montagem propriamente dita dos equipamentos.Séculos XIX. localizada na extremidade direita da Casa de Força. Foram também montadas as linhas de transmissão que conectam a usina ao sistema elétrico interligado. ao passo que foram também sendo instalados os sistemas de controle. o que exigia transportes de longa distância em veículos especiais. A montagem eletromecânica À medida que obras civis foram avançando. no setor de 50 Hz. O Quadro VII. de acordo com o cronograma geral. 332 . utilizando o sistema de corrente contínua (HVDC – High Voltage Direct Current). Conforme é característico dessa fase da construção de uma hidro­ elétrica. em 5 de maio de 1984. e os segmentos da construção foram sendo liberados. boa parte das peças eletromecânicas provém de centros industriais ou do exterior. sincronizada com a rede da ANDE. As obras de montagem eletromecânica foram iniciadas em 1980 e concluídas em 1991. os condu­ tos forçados e os equipamentos na barragem de concreto. XX e XXI 5. Foi um importante marco na história do empreendimento.A História das Barragens no Brasil . Logo depois. Esses trabalhos contaram com a experiente atuação do engenheiro José Gelazio da Rocha. A usina alcançava desse modo autonomia parcial.15.

utilizando as receitas a serem geradas com a própria produção da usina. Na margem paraguaia foram criadas para as mesmas finalidades a Caja Paraguaya de Jubilaciones y Pensiones del Personal de la Itaipu Binacional (Cajubi) e a Fundación de Salud Tesai . O ápice da participação da Itaipu Binacional no mercado brasilei­ ro foi então alcançado em 1997. Nessa linha foi também criada em 1994 no Brasil a Fundação de Saúde Itaiguapy. que somados aos US$ 100 milhões relativos ao capital social inicial. fase que exigiria competências e relações de trabalhos diferentes das aplicáveis aos trabalhado­ res que atuaram durante o tempo que durou a construção e a montagem. o que resu­ me o histórico do endividamento da Itaipu. Mantido o ritmo de montagem de duas a três unidades por ano. sua potência máxima de 14. os governos do Brasil e do Paraguai resolveram realizar a obra mediante a obtenção de emprés­ timos a serem pagos a longo prazo.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 6. Operação da usina e desenvolvimento organizacional 6. assim. Desse montante. ambas em 50 Hz. para efeitos de faturamento. passando a hidroelétrica a contar en­ tão com 20 unidades geradoras.2. Posteriormente. mostra a relação dos consórcios e empresas que executaram a instalação das unidades de reserva. em face do novo vínculo emprega­ tício. a Itaipu começou o processo de mobilização da força de trabalho necessária para a futura ope­ ração e manutenção da usina.600 megawatts (MW) que consta no Anexo B.2 bilhões correspondem aos investimentos diretos. de 1974 a 2008. que via­ bilizaram a obra.000 megawatts (MW). em 25 de outubro de 1984 foram então oficialmente inauguradas as unidades geradoras U1 e U2. alcançando. foram também montadas as unidades U9A e U18A.1. 6. US$ 12. totalizam a cifra de US$ 27 bi­ lhões de recursos utilizados no empreendimento. A exemplo dessas empresas. uma entidade fechada de previdência privada (fundo de pensão). Início da operação comercial da usina A partir de 1 de março de 1985. 6. foram captados. que seria de longa duração. sem fins lu­ crativos. sete anos da entrada em operação das duas primeiras unidades. ainda em 1984 foram produzidos por Itaipu 277 gigawatts-hora (GWh) de energia. assim. portanto. para atender aos empregados do quadro permanente da Entidade binacional. Nesse sentido. O Quadro X.9 bilhões. por volta de 1982.5 acima. O Governo Federal Brasileiro apoiou integralmente o esforço de captação de recur­ sos para o financiamento da construção e o Tesouro Nacional do Brasil ofereceu todas as garantias para os empréstimos. em 6 de maio de 1991. muitos deles vindos de outras empresas do setor elétrico. com o atendimento de 26% da demanda do setor elétrico do país. é enfim inaugurada a uni­ dade geradora U18. foi então iniciada a comercializa­ ção da energia produzida pelas duas primeiras unidades geradoras (U1 e U2). montantes da ordem de US$ 26. Antes.1. Foi.1. Desse modo. última das 18 unidades previstas do conjunto gerador principal com 12. decorridos. anexo. 333 .1. ativando assim a contabilidade dos suprimentos de ele­ tricidade da Itaipu às entidades compradoras Eletrobras e ANDE. de 2000 a 2007. gradualmente constituído o quadro de trabalhadores per manentes da usina. Custo direto de Itaipu De acordo com o item 4.8 bilhões ao pagamento dos encargos e rolagem da dívida durante a construção. que passou a adminis­ trar o Hospital Ministro Costa Cavalcanti. cuja descrição será apresentada adiante. porém. entregues ao sistema interligado. e US$ 14. a Itaipu instituiu a Fundação Itaipu-BR de Previdência e Assistência Social. A operação da usina Decorrido o breve período inicial.

que possui 18. sendo contabilizado no custo anual do serviço de eletricidade prestado pela Itaipu. Recorde operativo e comparações A Usina de Itaipu.3.1. em valor equivalente a US$ 650 por gigawatt-hora (GWh) gerado e medido na central elétrica. de S. 6. como a maior usina hidroelétrica do mundo em geração de energia.Reunião do Board de Consultores Civis em novembro de 2006.2 mil megawatts (MW) de potência instalada. Vidal Galeano. questão primordial quando se trata de hidroeletricidade.Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de vários municípios da região. João Francisco Alves Silveira (consultor especialista) e Carlos Leonardo (Itaipu). que passa então de 12. Essa excepcional condição fez com que desde 1997 a Itaipu venha gerando em torno de 90 mil gigawatts-hora (GWh) por ano. de outro lado.4. é superada nesse quesito somente pela Usina de Três Gargantas.600 MW para 14. o Tratado de Itaipu estabeleceu os royalties em seu Anexo C como mecanismo compensatório pelo uso do potencial hidráulico do rio Paraná no trecho em condomínio entre os dois países. Pagamento dos “royalties” e seus benefícios Conforme mencionado. ao regime hidrológico favorável do rio Paraná e à regularização do fluxo a montante na Região Hidrográfica do Paraná e.000 MW de capacidade. que alcançaram a casa dos US$ 7 bilhões. alcançado seu recorde operativo em 2008 com a produção de 94.685 gigawatts-hora (GWh) de energia. na assessoria aos consultores. proporcionam um aumento da capacidade realizadora dos dois países. devido. Pinto. Esse efeito pode ser constatado pela elevação verificada no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD . em montantes iguais. principalmente por parte dos municípios da região impactada. atualmente. Paulo Teixeira da Cruz.A História das Barragens no Brasil . ao fato de que o projeto de Três Gargantas prioriza o controle de cheias em detrimento da geração de energia. e. a usina chinesa dificilmente superará a de Itaipu em geração anual de energia. A Itaipu se consagra desse modo. Mas. Nelson L. 334 . XX e XXI Figura 22 . O pagamento dos royalties é então feito às Altas Partes Contratantes.1. de um lado. que auferem inegáveis benefícios para sua população. localizada na China. Os valores transferidos a título de Royalties entre 1991 e 2010 ao Brasil e ao Paraguai. Juan Bosio.Séculos XIX. A partir da esquerda: Victor de Souza Lima. 6. Gurmukh Sarkaria (Chairman). acrescido do respectivo fator de ajuste.

um. conforme será percebido pelas ações mostradas cronologicamente na seqüência. Tal fenômeno. não impede o desenvolvimento endógeno da Itaipu como organização empresarial. a montante.. acompanhados dos respectivos Diretores-Gerais da Itaipu Jorge Miguel Samek e Victor Luis Bernal Garay. praticamente também ocorria na região de Guaíra. com águas calmas. a construção da barragem sobre o rio criou dois ambientes bastante distintos. e outro a jusante.. que é uma vereda pela 6. todavia. na restituição do fluxo de água no leito do rio Paraná.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 23 .2007 – Presidentes Luis Inácio Lula da Silva (Brasil) e Nicanor Duarte Frutos (Paraguai). já antes da construção da usina.” .2005. Esses dois ambientes perma­ neceram originalmente incomunicáveis entre si. porém. decorrente da escassez de chuvas naquele período e conseqüente dificuldade de reposição da água armazenada nos reservatórios da maior parte das hidroelétricas do País. a partir do início da operação da usina. com mais intensidade durante os períodos secos do rio Paraná. que as iniciativas no campo da responsabilidade social e ambiental devem inserir-se como componente permanente na atividade de geração de energia.03. na crise de abastecimento de energia elétrica vi­ vida pelo Brasil em 2001 .1.2. novo.2002. não prevendo sua expansão para outros negócios. conseguindo desse modo mitigar sobre­ maneira os efeitos da redução da oferta de energia no sistema interligado brasileiro naquele momento crítico.Inauguração das duas últimas unidades geradoras em 17.05. qual a Entidade tem experimentado significativo êxito. Isso é sobremaneira reforçado pelas Notas Reversais sobre Responsabilidade Social e Ambiental. da ordem de 80 milhões de megawattshora (MWh) por ano. 335 . no lago. O canal de transposição de peixes Em termos de ictiofauna.. assinadas em 31.2. Essa limitação. A Itaipu se desenvolve organizacionalmente O Tratado de Itaipu define como propósito específico da Enti­ dade Binacional construir e operar unicamente a hidroelétrica de Itaipu. sob determinados parâmetros e normas. mantendo ele­ vados níveis de produção. pelas quais o Brasil e o Paraguai defi­ nem “. 6. Itaipu pôde deplecionar seu reservatório.. Cabe registrar que.

O parque tecnológico Itaipu Ao por em operação suas duas últimas unidades geradoras. Selmo Kuperman. Ruben Brasa Soto (Diretor Técnico de Itaipu) e João Francisco Alves Silveira (consultor especialista da assessoria ao Board). Pinto (Chairman). Desse processo. de S. O Canal da Piracema permite então que os peixes migradores cheguem às áreas de reprodução e berçários acima da usina no período da piracema (migração reprodutiva). enunciado mais amplo à Missão da Entidade.Reunião do Board de Consultores Civis em novembro de 2010 – foto da esquerda (a partir da esquerda). como um espaço para a integração educacional.5 km a jusante da usina. os consultores em túnel de drenagem.2. logo depois. Nelson L. a administração da Itaipu deu. Giuseppe Stevanella. a Itaipu encerrou suas obras principais da usina. Com essas concepções. o necessário impulso ao desenvolvimento tecnológico sustentável no Brasil e no Paraguai. John Gummer. inclusive na região de Guaíra. o PTI. idéia que surgiu depois de muitas discussões. no Brasil e no Paraguai. como canoagem de rafting e slalom. mediante acordo deste com a Itaipu. A partir daí foi implantado em 2003 o Parque Tecnológico Itaipu. tecnológica e cultural da América Latina. entre outros aspectos. Assim. mesmo nas épocas de estiagem. XX e XXI Por isso. construídas para essa finalidade. portanto. A comunicação estabelecida finalmente entre o lago e o rio passa. em corredeiras especialmente Figuras 24 e 25 . inserindo nela. a desempenhar um papel importante para a conservação da biodiversidade. O Canal foi inaugurado em 2002. 6. firmadas em 2003. hoje é livre a migração de peixes de jusante para montante e vice-versa. 2. hoje e no futuro e pode ser útil ao meio externo à Itaipu. foi projetado e construído pela Itaipu o Canal da Piracema. cuja foz se localiza na margem esquerda do rio Paraná. complexo. e retornem no outono e inverno (migrações ascendente e descendente). cuja reutilização é indispensável ao adequado funcionamento da empresa. Vidal Galeano. Essa decisão foi precedida do estudo denominado “A ictiofauna de ocorrência do rio Bela Vista”. embora sua execução tenha sido iniciada em 1997 pelo Governo do Estado do Paraná.2. No Canal da Piracema são também praticados esportes náuticos. Paulo Teixeira da Cruz. resultou apreciável acúmulo de conhecimento por parte dos profissionais e da organização. com 10 km de extensão. As competições ali realizadas também contribuem para o desenvolvimento do turismo regional. em parte artificial e em parte regularizando o rio Bela Vista. na foto da direita.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . Antonio Otelo Cardoso (Diretor Técnico Executivo da Itaipu). 336 .

avaliar resultados das medições efetuadas. ou Salto de Guaíra. Trata-se. ONGs. além dos comitês específicos dos programas transver­ sais. associações de classe. portanto. Essa Missão ampliada obrigou o reajustamento das políticas e di­ retrizes fundamentais da Itaipu e influiu diretamente na redefinição de seus objetivos estratégicos. Em decorrência desse conceito. pelo PTI. produtores rurais. na forma de uma Missão ampliada em relação ao enunciado anterior. moldando-se assim uma nova maneira de operar a 6. cooperativas. representantes da sociedade civil organizada e outros. de viver. principalmente relacionadas às pequenas propriedades. no Brasil e no Paraguai”. impulsionando o desenvolvimento econômico. a organização exterioriza para as sociedades de Brasil e Paraguai valores convergentes com uma governança corporativa atualizada. Atualmente. o que inclui também o CBDB. pós-doutores e profissionais de notório saber. O CEASB conta com alunos de graduação. portanto. à educação. hoje e sempre.”.600 parceiros.2003 aprovou a revisão de seu planejamento estratégico. O CAB define como território de atuação a unidade de planejamen­ to da natureza: a bacia hidrográfica. além de mitigar e cor­ rigir passivos ambientais existentes nas comunidades da região.09. o que passou a exigir determinados resultados empresariais antes não requeridos ou requeridos de for­ ma diferente. pela Universida­ de Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e por instituições parceiras. na margem brasileira - para os 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3). após reflexões feitas por parte de sua Direção. os comporta­ mentos das estruturas de barragens e seus respectivos materiais. foi então criado o Programa Cultivando Água Boa (CAB). em que a Itaipu. órgãos governamentais. desde e inclusive o Salto Grande de Sete Quedas. enfim. a área de influência de atuação direta de Itaipu deslocou-se dos 16 mu­ nicípios conhecidos como lindeiros . para “Gerar energia elétrica de qualidade.4.que tiveram áreas inundadas pelo  reservatório da usina. que se constitui em um espaço técnico-científico implantado pela Universidade Corporativa Itaipu. até a foz do rio Iguaçu. O Programa Cultivando Água Boa Considerando-se que é pela água. sustentável. 337 . turístico e tecnológico.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O PTI se dedica. doutores. proporcionando desse modo uma fonte de receitas que ajuda no financiamento de suas atividades) e ao empreendedorismo. que consiste em uma das 16 bacias hidrográficas instituídas oficialmente no Estado do Paraná. O objetivo do CEASB é estudar. que organizados em Comitês Gestores em cada um dos 29 municípios. nele explicitando aquelas ini­ ciativas que já vinha conduzindo. pertencentes em condomínio aos dois países. atuam nos programas e ações que estão sendo de­ senvolvidos. Os membros do Comitê Gestor se reúnem periodicamente para dialogar sobre o an­ damento das ações do CAB no município.2. em 05. ao turis­ mo (em 2007 foi repassada à Fundação PTI a exploração do Complexo Turístico Itaipu. correlacionar me­ dições com as prováveis causas e desenvolver técnicas de inteligência computacional relacionadas ao comportamento e segurança de barragens.2. Nas atividades de pesquisa conta com o CEASB – Centro de Estudos Avançados em Segurança de Bar­ ragens. trabalha com a sociedade para mudar os seus valores e sua maneira de se conduzir. mestres. o CAB conta com mais de 1. para que ela se mantenha abundante. de produzir e de consumir. que permeiam todo o tecido social da BP3. O comitê faz também a articulação perante os órgãos públicos do Poder Executivo. com responsabilidade social e ambiental. à pesquisa. próprias de qualquer empresa contemporânea. entre outros. entre prefei­ turas. A Missão ampliada da Itaipu e seus reflexos Conforme citado nos itens anteriores. Desse modo. do Po­ der Judiciário e dos órgãos ambientais para ajudarem a encaminhar soluções. com qua­ lidade. de especial interesse para a engenharia de barragens. que era a reprodução do objeto do caput do Tratado de Itaipu. que se justifica a existên­ cia de Itaipu.3. com o propósito final de dedicar cuidados extremos à água de que dispomos. de um movimento de participação permanente. a Itaipu. A Missão ampliada da Itaipu passa então de: “Aproveitamento hidroelétrico dos recursos hídricos do rio Paraná. 6.

tecnológico . Foi a solidez dessa base de entendimento e de união que verdadeiramente permitiu que 6. Portanto.. Epílogo Os números de Itaipu suscitam impressionantes comparações: o volume total de concreto utilizado na construção da usina seria suficiente para construir 210 estádios de futebol como o do Maraca­ nã. A altura da barragem principal (196 metros) equivale à altura de um prédio de 65 andares. desenvolvimento . quer sob a de pesquisa. XX e XXI empresa. Esses projetos estratégicos. Contudo. o volume de escavações de terra e rocha em Itaipu é 8.03. e o volume de concreto é 15 vezes maior. em 2003. o projeto de software livre. a Itaipu. dada à importância do assunto. estão os valores maiores do acordo que os cidadãos brasileiros e paraguaios souberam consolidar. Embora essa concepção não seja novidade na Itaipu.. a Itaipu criou a Coordenação dos Progra­ mas de Responsabilidade Social. quer sob a linha da educação corporativa. com a cooperação do PTI. mas sim eri­ gir uma das obras de engenharia mais portentosas existentes no planeta.. o projeto do Centro Internacional de Hidroinformática (junto com a UNESCO) e a Uni­ versidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA).ASCE). que estabelece também o “. mas aproveitando-se sua estrutura organizacional. com poucas alterações para atender a essas demandas. com nível de superintendência.2.. partem da Universidade Corporativa Itaipu (UCI) para seu de­ senvolvimento.2005 o Brasil e o Paraguai trocaram notas diplomáticas reversais. Nesse sentido.  Em razão disso. de grandeza obliterante. Isso reafirma a visão de que a responsabilidade social não é apenas um conjunto de ações. de desenvolvimento e inovação e de gestão do conheci­ mento. o ferro e aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel. E. a ação de gerar energia pressupõe que sua execução se dê com responsabilidade social e ambiental.5. dentre os quais se encontra o próprio PTI.5 vezes superior ao do Eurotúnel no Canal da Mancha.. Consoante a Missão ampliada.”. o fato de ela passar a constar na Missão serve para reiterar a convicção das Altas Partes Contratantes quanto à necessária e contínua assimilação desses valores pela Itaipu. dentro de um espírito de cordialidade e os laços de fraternal amizade. 338 .. a Plataforma Itaipu de Energias Re­ nováveis. em 31. que a todos tanto impressiona. Responsabilidade social e ambiental De acordo com a Missão ampliada da Itaipu.A História das Barragens no Brasil . que são considerados estratégicos para a organização porque estão alinhados com objetivos da organização e procuram apresentar os resultados que se pretende obter com o desenvolvimento tecnológico da usina e do seu entorno. Com esse ordenamento conceitual.Séculos XIX. próprios de uma atuação empresarial moderna. em 1995 classificaram a Itaipu como “uma das sete maravilhas do mundo moderno”. a capacidade de descarga máxima do vertedouro de Itaipu (62. estão sendo conduzidos o projeto de modernização da usina (atualização tecnológica). essas comparações. mas uma forma de gestão da empresa na sua inte­ gralidade. o Brasil teria que queimar 536 mil barris de petróleo por dia para obter em plantas termoelétricas a mesma produção de energia de Itaipu. sob o título “Missão da Itaipu Binacional no campo da responsabilidade socioambiental”. 7. desenvolve alguns projetos. subjacentes à exatidão dos números e de seus resul­ tados materiais. que selam o acordo celebrado pelos dois países quanto à conduta de ambos no campo da responsabilidade socioambiental na Itaipu. o projeto do veículo elétrico. a revista norte-americana Popular Mechanics e a Associação Norte-Americana de Engenheiros Civis (American Society of Civil Engineers . comentários e adjetivos servem para demonstrar que o Brasil e o Paraguai decidiram construir juntos não só uma hidroelétrica de extragrande porte.2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu.

Flavio Miguez de Mello. José Ricardo da Silveira. João Emílio C. 339 . Esperamos que esse texto tenha sido útil ao leitor. Corrado Piasentin. que foi fundamental para a concretização do Projeto Itaipu. S. Agradecimentos Pelas contribuições ao texto e quadros anexos: a Margaret Mussoi Luchetta Groff. Marco Aurélio Vianna de Escobar.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens ambos os países convergissem para o interesse comum de re­ alizar o aproveitamento hidroelétrico. na pessoa de seu gerente Jorge Henn. José Augusto Braga e a Corrado Piasentin (álbum particular). Joran Alfredo Sachs e ao Centro de Documentação da margem brasileira. Pela cessão das fotografias: à Assessoria de Comunicação Social. Cláudio Porchetto Neves. de Mendonça. todos órgãos da Itaipu. principalmente para a com­ preensão desse aspecto sinérgico. Ademar Sérgio Fiorini. Superintendência de Engenharia e Superintendência de Obras.

Centro de Documentação da ITAIPU Binacional.Aspectos de Engenharia”. 340 . ITAIPU Binacional 2009. margem brasileira. XX e XXI Continuação da página anterior Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu .Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil .

Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. 341 .Aspectos de Engenharia”. margem brasileira. ITAIPU Binacional 2009.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu .

A História das Barragens no Brasil . ITAIPU Binacional 2009. Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. 342 . Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu Aspectos de Engenharia”. margem brasileira. XX e XXI Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu .Aspectos de Engenharia”.Séculos XIX. ITAIPU Binacional 2009. margem brasileira.

Aspectos de Engenharia”. Itaipu .vista aérea 343 . Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. margem brasileira. ITAIPU Binacional 2009.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu .

Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. margem brasileira. ITAIPU Binacional 2009. 344 . XX e XXI Fontes: livro “Usina Hidroelétrica de Itaipu Aspectos de Engenharia”.A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX.

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PCH Ivan Botelho III (Triunfo) no rio Pomba em Minas Gerais .

o desenvolvimento. a crise das pequenas centrais hidroelétricas. Quadro 1 – Quadro comparativo UHE x PCH 347 . ultrapassa­ vam 1. Foram. complexidades e tecnologia que orgulham a engenharia nacional e são referência internacional. atualmente. O desenvolvimento do país sempre esteve ligado diretamente à expansão da geração de energia. as pequenas cen­ trais hidroelétricas PCHs são de até 30 MW e são chamadas de “pequenas”. Entre 1901 e 1910 foram construídas em todo o Brasil setenta e sete usinas hidroelétricas. o apogeu e. mas com características. Foi um período notável para o País. com mais de 10 anos de história na defesa das PCHs. Naquela época. Neste capítulo são enfocados o nascimento. A caracterização e definição do conceito de pequenas centrais hidroelétricas – PCHs só foi criado no Brasil nos anos 80 do século XX. um quadro elaborado pela ABRAGEL – Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Pequenas Centrais Hidroelétricas no Brasil Ricardo Nino Machado Pigatto Introdução As pequenas centrais hidroelétricas sempre fizeram parte da his­ tória do Brasil no que diz respeito à geração de energia elétrica. No início do século passado as usinas hidroelétricas eram referidas como “pujantes e estru­ turantes”. antes denominada APM­ PE – Associação Brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Energia. as usinas eram de potências modestas porque alimentavam pequenas cidades. literalmente. muito mais importante pelo pio­ neirismo e como alavanca do desenvolvimento. As usinas. algumas poucas indústrias e iluminação pública. Até 1930 mais de mil diferentes empre­ sas de geração e distribuição de energia elétrica estavam ativas. do que os em­ preendimentos dos dias de hoje. além de fornecerem força motriz para bondes nas cidades maiores. com raras exceções. Naquela época. Para demonstrar a atual importância das PCHs na matriz elétrica brasileira. a geração de energia elétrica era eminentemente privada. Pela definição atual. operando hidroelétricas de pequeno ou médio portes.000 kW instalados. relaciona a soma das PCHs em operação no Brasil com as grandes hidroelétricas e apresenta o conjunto das PCHs como a terceira maior fonte geradora de energia hidráulica nacional. a força motriz do Brasil no final do século XIX e no início do século XX.

com características de concessão de serviço público. um marco para o setor. Em suma. Havia sobra de energia. mas faltava alguma coisa. Mas. mas faltava o essencial: o comprador da energia. E assim a implantação de novas pequenas usinas hidráulicas foram se arrastando até 1995. por serem também novos assuntos tratados no âmbito dos órgãos li­ cenciadores. Um novo horizonte para o desenvolvimento de profissionais nas áreas de engenharia. Para obter financiamento de longo prazo era fundamental ter garantias de pagamento num conceito moderno denomina­ do project finance (onde o próprio negócio gera suas condições de financiabilidade). Mas vieram os questiona­ mentos ambientais. cinquenta e sessenta. O desenvolvimento das PCHs Em 1998 também foi criado o MAE – Mercado Atacadista de Energia. XX e XXI Nos anos seguintes. Algumas poucas usinas. Neste período muitos dos pequenos aproveita­ mentos foram caindo no ostracismo e. assim como o conceito de autoprodutor que poderia vender exce­ dentes de energia elétrica. Realmente uma equação difícil e de contornos assustadores diante dos desafios das soluções possíveis. geologia. os valores praticados como tarifas eram relativamente baixos e aplicados pelas distribuidoras. meio-ambiente.000 kW e menor ou igual a 30. havia um grande potencial de empreendimentos para serem construídos. os questionamentos sobre os “danos” dos grandes reservatórios e o retorno do conceito de que muitas peque­ nas usinas poderiam ser melhores do que uma grande usina.000 kW.000 kW. através da Lei das Concessões. tanto para produtores independentes de energia. Neste ano. Em 1998. Para os aproveitamentos com potên­ cia inferior a 1. O Brasil cresceu muito nos anos setenta e consolidou o conceito de que usina “boa” era usina grande. PIEs. Muitos novos projetos de PCHs foram desenvolvidos.000 kW. com restrições quanto às áreas  de seus reservatórios nos níveis d’água máximos normais. foi descortinado. Mesmo que tenha havido um programa de pequenas centrais nos anos 1980’s.A História das Barragens no Brasil . foi criado o conceito de produtor independente de energia elétrica. para construir uma PCH era necessário capital intensivo e financiamento de longo prazo. foi a partir de 1998 que passou a ser definida comercialmente como PCH as usinas com capacidade instala­ da acima de 1 MW e até 30 MW. Era uma mu­ dança de paradigmas e um mundo novo a ser explorado. aquele que poderia escolher seu fornecedor de energia elétrica. não havendo qualquer estímulo para aderir ao novo programa criado. Havia um nicho para ser explorado pelas PCHs. Já estava criado o conceito de consumidor livre. Para haver um project finance era necessário um fluxo-de-caixa previsível. Para haver uma receita previsivelmente segura para fins de garantias de financiamento. é claro. até 10. Passou a ser atri­ buição da ANEEL conceder outorgas de autorização. infelizmente. tendo sido analisados e aprovados pela ANEEL. o momento econômico do Brasil não era fa­ vorável para quaisquer investimentos que necessitassem de capi­ tal intensivo e retorno de longo prazo. mesmo que difíceis. com geração de empregos e renda para especialistas nessas áreas de desenvolvimento de projetos. mediante licitação. Os licenciamentos ambientais.000 kW cabia (e ainda permanece assim) apenas comunicação ao poder concedente. etc. estavam em andamento. Poderia. e isto as PCHs não tinham. aproveitamentos com potência superior a 1. estes limites foram mudados. 348 . permaneceram ativas. Para haver um fluxo financeiro previsível era necessária receita previsível e não sujeita a sazonalidades ou a variáveis climáticas. sem licitação. Esse debate alimentou os ambientes acadêmicos e ainda nos anos oitenta o governo federal buscou criar um programa de pequenas usinas denominado de Programa Nacional de Pequenas Centrais Hidroelétricas que buscava incentivar a autoprodução de energia. posteriormente. Para autoprodutor seria autorização. após a criação da ANEEL (1996). como para auto­ produtores de energia APEs de usinas hidrelétricas com potên­ cia igual ou maior que 1. ser um con­ sumidor livre. Para produtores independentes seriam concedidos. somente seria possí­ vel havendo geração de energia garantida.Séculos XIX. desati­ vados. a industrializa­ ção do País exigia maior expansão da geração e o braço forte estatal migrou dos pequenos aproveitamentos para as grandes hidroelétricas. mas como garantir a entrega da energia contratada de uma PCH se tratava-se de empreendimentos dependentes da hidraulicidade e de variáveis climáticas? E mais.

estabelecido por Lei em 1995. além das PCHs. Os empreendedores de PCHs foram convidados para apoiar uma iniciativa louvável da Eletrobras de criar um programa chamado de PCH-Com. tais como projetos. Foram contrata­ dos 3. teve um caráter didático e de­ senvolvimentista que permitiu a expansão da indústria de equipa­ mentos. o agente financiador exigia garantias corporativas dos empreendedores. o PROINFA. Ainda século XX. produtos financeiros e muito mais. Quadro 2 – Evolução das pequenas centrais hidroelétricas Qtde Total até 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 189 15 12 23 7 11 18 17 38 30 22 189 204 216 239 246 257 275 292 330 360 382 Potência (MW) 831 69 51 268 68 126 228 253 650 463 248 Total (MW) 831 900 952 1219 1287 1413 1641 1894 2544 3007 3256 Fonte: BIG .000 MW em 2008. Pelo critério de cálculo ado­ tado para as hidroelétricas de maior porte.500 MW. O denomina­ do “aproveitamento ótimo”. mas dentro de certos limites garantidos de geração que. talvez o mais importante sob o ponto de vista regulatório e viabilizador dos empreendimentos de hoje. Um crescimento digno de nota e de reconhecimento. mas altamente preparador para o atendimen­ to do mercado dos consumidores livres. numa ação conjunta e bem conduzida pelo MME. um dos programas mundiais mais importantes de geração de energia através de fontes ambientalmente corretas e socialmente justas. sem adotar o conceito de project finance. Desta forma. O Brasil tinha cerca de 850 MW em operação de PCHs em 1998 passando para 3. Apenas o governo tinha. Para financiar com segurança era necessário um comprador/garantidor com bom rating na praça e contratos de compra e venda de energia de longo prazo. Neste período muito se aprendeu. Este programa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Já era o ano de 2000. Como vender para consu­ midor livre ainda era uma novidade. que se encerra neste ano de 2011. Mas ainda não estava tudo resolvido. no caso o BNDES. topografia. resultava em fatores de capaci­ dade muito baixos para as usinas. geologia.setembro/10 Relatório Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica . ANEEL e Eletrobras com seus corpos técnicos qualificados e empenhados em dar as condições necessárias para a expansão do setor. hidrologia. este perfil. era impossível. que então englobou. assim como os agentes financiadores confiarem nos mecanismos de atenuação de riscos e garantias de pagamentos. já então confiantes da capacidade das PCHs atenderem suas demandas de energia. com controle de re­ servatórios.Programa de Incentivo (de geração de ener­ gia elétrica através) de Fontes Alternativas. da construção civil. as PCHs passaram a fazer parte do MRE (Mecanismo de Realocação de Energia) com o cálculo da energia média através da Resolução ANEEL 169/2001 de 3 de maio de 2001.: consideradas apenas as PCH . não havia como vender a energia para consumidor livre por não haver uma energia garantida e também não havia como vender para a Eletrobras porque a forma que esta estava pensando em adotar para calcular a energia firme das PCHs não era su­ ficiente para garantir o pagamento dos financiamentos. ONS.300 MW.1 a 30 MW A figura na página a seguir é o resultado desta expansão e mostra as localizações das PCHs no Brasil em 2011. na época. Logo. de serviços especializados. gerando uma receita incapaz de suportar as exigências do agente financiador de longo prazo. mas com ares de sécu­ lo XXI. em 2002 e consolidado em 2004. o programa não progrediu. de forma a assegurar uma expansão do setor de PCHs com segurança para o mercado cativo (ambiente regulado). as fontes biomassa e eólicas. A questão ambiental foi foco de discussões acaloradas e ainda assim permanece. Atualmente (2011) está em torno de 3. Ou seja. serviços ambientais. Ter uma energia de placa.ANEEL . um cír­ culo virtuoso desde o ano 2000 até 2008. segu­ ros. Então. haja vista que a quase totalidade dos reservatórios de PCHs eram projetados para operar a fio d’água. E então foi criado. Ou seja. Mais um dos grandes marcos do setor. pela modelagem pro­ posta pela Eletrobras na época. Era um programa no qual a Eletrobras garantia a compra da energia gerada pelas PCHs. divididos entre as três fontes. exige o estudo e a definição de uma sucessão de aproveitamentos no 349 .setembro/10 Obs. o grande problema a ser solucionado era firmar a energia das PCHs.

288 15 Subtotal 2 17.089 213 3 Análise/Aceite .: não foi considerado potencial em fase de inventário Obs. XX e XXI mesmo curso d’água.:Dados ANEEL Janeiro/2011.980 473 Em Elaboração/Complementação 2.271 170 7 Potencial Teórico 15.454 1. Nesta área. 350 . Com o grande desenvolvimento das PCHs.035 194 6 Subtotal 1 5. Em janeiro de 2011 encontravam-se em tramitação dentro da ANEEL projetos conforme tabela abaixo: Figura 1 . Os ór­ gãos ambientais e ONGs ambientais questionam se esta é melhor condição ambiental para o curso d’água e. mas no sentido inverso. As teses do passado voltaram a as­ sombrar novamente. baseada em mé­ dia histórica de 2007 até 2010. Prazo (1) (anos) Com autorização (com LP/LI) 2. certamente. houve uma avalanche de novos projetos e inventários junto à agencia reguladora ANEEL que resultou no enorme potencial identifica­ do no Brasil.início da construção Obs. que é um estudo do CERPCH de Itajubá.A História das Barragens no Brasil .ANEEL (com LP/LI) 856 66 5 Aguardando Análise ANEEL 3. provocando uma cascata de usinas. de forma cíclica.Séculos XIX.Localizações das PCHs no Brasil em 2011 Quadro 3 – Situação dos projetos de PCH em tramitação na ANEEL em janeiro de 2011 Potência (MW) Quant. Entretanto há movimentos firmes e sérios na agência para redução drástica dos prazos de tramitação. ou apogeu. ques­ tionam se não seria melhor um grande reservatório ao invés de uma sequência de pequenos. Agora há necessidade de um profundo estudo para cada inventário de rio denominado de análise ambiental integrada – AAI que ampliou os limites das discussões.931 (1) prazo estimado de maturação dos projetos .458 TOTAL 23. as discussões nunca terão fim.705 1.725 1. salvo o Potencial Teórico. Figura 2 – Distribuição das PCHs nos diversos estados Fonte: Abragel / 2011 Na tabela acima a coluna prazo é uma estimativa de tramitação na ANEEL até a emissão da outorga de autorização.

então este ciclo se encerrou. de forma abrupta. ficaram sem mercado potencial de comercialização de seu produto. com va­ lores modestos. Mas como “não há mal que sempre dure. Naturalmente esta crise teve reflexo no desenvolvimen­ to do Brasil e estancou.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A crise das PCHs Em 2008 o mundo foi sacudido por uma crise econômico-finan­ ceira que envolveu os principais bancos internacionais e provocou uma falta de liquidez e. desde 1883. no mercado livre (as PCHs são denominadas como fonte incentiva­ da pois há desconto de 50% nos custos de transporte da energia). Os valores que passaram a ser negociados no ACL .” certamente as PCHs retomarão o mes­ mo caminho virtuoso que. tudo em nome da “modicidade tarifária”.. sustentável. capaz de construir usinas memoráveis do passado e brilhantes. houve uma importante e fatal perda de compe­ titividade em função da evolução tecnológica de outras fontes. por consequência. além de outros adjetivos qualificativos favoráveis ao seu desenvolvimento. a expansão industrial.. a busca de fornecedores incentivados. socialmente inseridas nas comunidades. levando o potencial de geração através de PCHs no Brasil aos almejados 25. além da disponibilidade internacional de equipamentos. Nem tudo estava perdido. também agravada por desequilíbrios tributários. redução da atividade econômica. foi capaz de desenvolver o estado da arte na engenharia hidroelétrica.000 MW em 20 anos. O Governo passou a fazer leilões de energia tendo como competição apenas o valor do MWh. Ledo engano. As PCHs. renovável. descentralizada.ambiente de contratação livre . no caso das PCHs. fazendo competir entre si diversas fontes de geração e. sem levar em consideração as características e as regionalidades de cada fonte.não foram mais capazes de viabilizar a cons­ trução dos empreendimentos. atualmente. à perda de mão-de-obra qualificada desenvolvida ao longo dos últimos anos e ao desenvolvimento de outras fontes ambientalmente menos qualificadas. Passou a ter excesso de oferta de energia e o mercado spot desde então esteve. fazendo com que as PCHs. fiquem completamente alijadas dos processos de leilões no ACR. que vinham se desenvolvendo muito bem através da venda antecipada de sua energia e assim viabilizando os project finance. em média. Mas ainda existia (e existe) o ACR . A esperança no futuro Não há dúvidas de que as PCHs são fontes de geração de energia limpa. Figura 3 – PCH Antônio Brennand no rio Jauru 351 ..que são os leilões de energia levados a efeito pelo poder conce­ dente.ambiente de contratação regula­ da . sem impactos de êxodos rurais. As cir­ cunstâncias atuais levam à desindustrialização do setor. não induzindo aos consumidores livres.

em Goiás Figura 5 – PCH São Simão com 27 MW no rio Itapemirim Braço Norte Esquerdo.PCH São Joaquim no rio Benevente.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 4 – PCH Irara com 30 MW no rio Doce. no Espírito Santo Figura 6 .Séculos XIX. no Espírito Santo Figura 7 – PCH Anna Maria no rio Pinho em Minas Gerais 352 .

Santos.– CERPCH – Itajubá/MG (2) ABRAGEL – Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa – Diversas apresentações em palestras (3) Prado Jr. Edson – Centrais Hidrelétricas – Ed. Maurício – Geração de Energia Elétrica no Brasil – Ed.000 – Governo do Estado de São Paulo (4) Souza. Amaral.Pequenas Centrais Hidroelétricas do Estado de São Paulo – 2. Afonso Henriques. Ferrari. Bortoni.PCH Santa Fé no rio Paraibuna. Interciência – 2009 (5) Site da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica (6) Tolmasquim. Cristiano . Zulcy.A Evolução Histórica do Conceito das PCHs no Brasil. Geraldo. Galhardo. Rio de Janeiro e Minas Gerais 353 . José Guilherme.2005 Figura 9 . Interciência . Nascimento. Jason. Fernando. Camila .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8 – PCH Ivan Botelho I (Ponte) no rio Pomba em Minas Gerais Referências (1) Tiago.

354 .

desverticalizando as empresas. por certo de forma muito bre­ ve. que em um desenho inicial da reestruturação seriam todas privatizadas. inspiração de experiências desenvolvidas em outros países oci­ dentais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Nova Face das Empresas Estatais frente à Expansão da Oferta de Energia Hidroelétrica no País Márcio Antônio Arantes Porto e João Batista Gribel Soares Neto O setor elétrico brasileiro vivenciou mudanças profundas em sua orga­ nização estrutural a partir de meados da década de 1990. tanto no plano da expansão da oferta de energia elétrica (geração). todos. que seriam gradualmente privatizadas. dessa forma. atrair os investimentos privados. Ao Estado restaria o papel da regulação. com foco particular nas novas usinas hidroelétricas. buscando. sob esse contexto político e econômico. com a consequente redução da presença do Estado nesse segmento da economia. Os exemplos contidos no texto que se segue referem-se. atrair os capitais privados para o setor. privatizando todas as empresas públicas então existentes. em sua maio­ ria. especialmente aqueles voltados à sua ex­ pansão. dada a dificuldade de o poder público continuar a arcar com os vultosos recursos demandados pelo setor. desse modo. Essa reestruturação setorial viveu dois momentos distintos. diversida­ de de hidrologias entre regiões. O contexto de mudanças A partir da década de 1990 a estrutura regulatória e funcional do setor elétrico brasileiro foi profundamente modificada. tendo sido criada. A justificativa para essa reestruturação era introduzir uma maior competitividade nesse importante segmento da infraestrutura e. Neste capítulo procura-se discutir. Dada a natureza peculiar do sistema brasileiro – forte prevalência da hidroeletricidade. à época. a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. No primeiro movi­ mento da reestruturação. dando oportunidade de acesso a novos agentes às receitas expressivas dessa atividade econômica. Tal reestrutu­ ração teve por objetivo promover a criação de um mercado competitivo de energia elétrica no país. essas experiências das empresas públicas no novo ambiente setorial. tiveram que se adap­ tar às mudanças de cenários e às diferentes lógicas às quais o setor elétrico foi submetido nos anos seguintes. a empreendimentos relacionados à empresa Furnas Centrais Elétricas. sob amplamente majoritário controle estatal. como nos segmentos de transmissão e distribuição. então. as adaptações às quais tiveram que se submeter para se manterem como agentes importantes no setor elétrico e as carac­ terísticas (e desafios) para a gestão dos empreendimentos no novo contexto. transmissão e distribuição seriam segregadas. ten­ do como grande divisor de águas o traumático racionamento de energia elétrica vivenciado em 2001 e 2002. extensão continental. A partir de então as empresas públicas. na qual os autores exercem suas atividades profissionais. entre outras – a adaptação dos modelos importados mostrou-se particularmente desafiadora e não isenta de riscos. As atividades de geração. sob Usina hidroelétrica de Anta 355 . a meta era retirar completamente do Estado o papel de agente econômico no setor.

Tais parcerias tem-se mostrado não somente rentáveis.2004. enfim. que devem ser regulados. determinados pelo planejamento setorial. observandose maiores deságios sobre os tetos de remuneração estabelecidos pela ANEEL. o “Ambiente de Contratação Regulada (ACR)” e o “Ambiente de Contratação Livre (ACL)”. um compromisso entre qualidade (regulada) e o preço (tarifa) do serviço. que era inicialmente vedada. investidores nacionais e estrangeiros para os leilões de outorga das concessões dos ativos de transmissão. a menor Receita Anual Permitida ou RAP. ainda em curso. para o empreendedor – é um dos grandes desafios a ser en­ frentado nas obras do setor.A História das Barragens no Brasil .03.Séculos XIX. são outorgados aos agentes que se dispuserem a realizálos pela menor tarifa para os usuários. ficou em meio do caminho com a ascensão de um novo governo a partir de 2003 e após o fracasso do modelo anterior. ao tratar-se dos Modelos de Gestão dos empreendi­ mentos e da Engenharia do Proprietário. tema ao qual será dedicada. Ou seja. no modelo competitivo busca-se a efici­ ência econômica. embora mantida a ênfase na competição. com o setor público. permissionárias e autorizadas do serviço público de distribuição de energia elétri­ ca. Os novos empreendimentos. introduziu uma nova regula­ mentação para a outorga de concessões de geração e para a comercialização de energia no país. somando experiências e capacitações que se complementam. A Lei n o 10. O modelo de competição na Transmissão se consolidou primeiro. ou seja. O movimento de privatização das empresas públicas foi suspenso. alguma reflexão. mas – e até mesmo mais importante – tem atraído a participação dos investidores privados para compartilhar. insumo essencial para o desenvolvimento econômico e social do país. o planejamento do setor pelo Estado foi retomado (com a criação da EPE – Empresa de Pesquisa Energética) e o modelo setorial radicalmente revisto. atraindo. o desafio imenso que é expandir a oferta de energia para o vigoro­ so mercado brasileiro. adiante. aos consumidores. enquanto no ACL se daria a comercialização direta de energia pelos agentes de geração aos consumidores livres. enquanto a Trans­ missão e a Distribuição são consideradas monopólios naturais. enfim. É esse o ambiente competitivo complexo onde hoje convivem empresas privadas e públicas. Mudanças culturais importantes. XX e XXI A privatização conforme originalmente planejada. desde o início. foram necessárias às empresas estatais para adaptar sua atuação ao novo contexto. A concorrência tornou-se notoriamente mais acirrada. 356 . causando prejuízos profundos à economia do país. Em verdade elas vem sendo particularmente bem sucedidas nessa nova configuração do setor.848. mas agora sob uma lógica que priorizava a segurança energética. As tarifas aos consumidores não tem mais como base os custos incorridos na construção dos empreendimentos (a tarifa pelo cus­ to). conforme ocorria anteriormente sob a égide da prestação do serviço público – onde não havia uma preocupação dominante com a minimização dos custos. que seriam repassados. O ACR para a compra e venda de energia elétrica por concessionárias. de 15. No segmento da Transmissão a concorrência se dá através de leilões para outorga das novas obras de ampliação do sistema. Esse equilíbrio entre a qualidade e os investimentos – custos. com a comple­ ta retirada do Estado da atividade econômica na área da energia elétrica. que desaguou no racionamento de 2001-2002. Em especial quando se consorciam com empresas privadas para a exploração dos novos empreendimen­ tos. Requisitos essenciais para o sucesso das empresas públicas no novo modelo O modelo setorial vigente tem por base a competição nos segmentos de Geração e Comercialização. Estabeleceu dois ambientes de comercialização. após liberada a participação das empresas públicas nos leilões.

não obstante aplicáveis a todos os agentes. alguns fatores que se consideram essenciais para o desenvolvimento favorável dos novos projetos de geração no ambiente competitivo e que. recebia a concessão para as novas usinas hidroelétricas aquele inves­ tidor que ofertasse o maior valor pelo Uso do Bem Público (UBP). Houve necessidade de mudanças culturais profundas no modo de atuar das empresas públicas com vistas à sua adaptação e sobrevi­ vência no novo modelo competitivo setorial. no rio São Marcos. Ou seja. em Goiás. através de contratos bilaterais registrados no Mercado Atacadista de Energia – MAE. de receitas antecipadamente estabelecidas e de longo prazo. fornecedores de bens e serviços e concessionárias. Os parceiros individualmente. as 357 . as melhores características das empresas privadas e das empre­ sas públicas em prol do desenvolvimento do projeto. de forma sinérgica. muitas vezes. ficavam oneradas por um ágio elevado na UBP. O desenvolvimento dos projetos através de SPE As SPE – Sociedades de Propósito Específico são empresas priva­ das quando apresentam. dentro das estruturas funcionais de suas organizações. que teve um ágio de 3. no rio Uruguai. uma mudança radical de con­ ceitos.090% sobre o piso de UBP estabelecido – agregando elevação de cerca de 30% aos seus custos de produção. Nesse novo contexto setorial. em muitos casos. teriam dificuldades. devido às características do modelo seto­ rial. Podem incorporar parceiros com perfis bastante distintos. que teve ágio de 554%. Ademais. estando presentes em vários empreendimentos importantes. as SPE podem exercer uma gestão do projeto moderna e dentro das melhores práticas. podem justificar o sucesso das empresas públicas nos certames para expansão da oferta de energia. Aquelas usinas mais atraentes. Aliam. outorgadas sob o modelo anterior – e que ficaram conhecidas como “Botox” – encontraram dificuldades para se viabilizar e comercia­ lizar sua energia no novo ambiente. Por desenvolver um empreendimento específico. 100% estatais. Alguns fatores de sucesso Relacionam-se.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Já no segmento de Geração houve. muitas dessas usinas. a usina de Foz do Chapecó. ressurgiram como agentes de relevo. a parceria das empresas estatais. participa­ ção minoritária das empresas públicas. liberadas para participar dos leilões de novas concessões. Nesse ambiente a energia disponibilizada ao mercado acabava. com 855 MW de capacidade. ou seja. finalmente. No modelo competitivo inicial a outorga das concessões se dava àquele agente que mais pagasse por essa outorga. a seguir. prejudicados pela mudança de modelo. em sua constituição societária. com cus­ to de produção mais econômico. sob uma estrutura organizacional projetada. As parcerias com a iniciativa privada e o contexto de com­ petição pelas novas outorgas de concessão proporcionaram um importante aprendizado às empresas públicas. tanto em parceria com a iniciativa privada – maio­ ria dos casos – como através de empreendimentos corporativos. com a reformulação do modelo setorial introduzida a partir de 2004. valor de referência estipulado pelo governo. em especial no que se refere às novas usinas hidroelétricas. por disporem. as empresas públicas. em virtuosa complementaridade. foi necessário um forte empenho no âmbito da regulação bem como. Para resgatar esses projetos. Na transição de modelo ocorrida após 2003. como investi­ dores puros. Daí o agente negociaria sua energia livremente. motivado pela competição acirrada por sua outorga. sempre cara. mas ainda há muito por avançar frente às exigências do mercado. Caso típico foi a excelente usina de Serra do Facão (210 MW). A ótica do “negócio” e sua rentabilidade tiveram que prevalecer frente à tradição das obras de altíssima qualidade. Outro exemplo. a partir de um piso. mas que eram construídas com elevados custos. em gerir o projeto com tais ca­ racterísticas – fato especialmente verdadeiro para as empresas públicas.

que muitas vezes são o grande diferencial que define o vencedor de um leilão de outor­ ga. agregando-se sempre. a colocação de parcela de energia no ACL. construção e operação. com avaliação de benefícios e custos associados à nova usina cuja outorga será licitada. Assim conseguem. face aos baixos riscos envolvidos. em geral. dá ensejo aos agentes a propor soluções inovadoras para sua execução. o melhor perfil da dívida e dos desembolsos. Vantagens essas que são potencia­ lizadas através de parcerias venturosas. XX e XXI SPE podem usar tais receitas futuras como garantia para obter os financiamentos. os incentivos fiscais. enfim. alavancar seus projetos com custos de financiamento bastante atraentes. bem como o que não é viável. direta e indiretamente pelo empreendimento. A adequada modelagem financeira do negócio. por isso. são necessárias compensa­ ções àqueles atingidos pelo empreendimento. redução dos riscos associados ao projeto. mas não exclusivamente.Séculos XIX. Há necessidade de transparência no trato com os órgãos ambientais e com os afetados. os aspectos sociais – é absolutamente determinan­ te no sucesso dos empreendimentos hidrelétricos na atualidade. com toda a ênfase. impacta o meio ambiente – físico. Permite. A qualidade dos estudos ambientais deve ser a melhor possível. biológico e social – e que. Um ambiente de mútua confiança e de aceitação do empreendimento é construído a partir do tratamento respeitoso às partes interessa­ das. Engenharia financeira do projeto O equacionamento financeiro do projeto talvez seja o ítem mais importante. a antecipação da produção e a eventual geração de caixa durante Conhecimento aprofundado do projeto Aos agentes interessados. quer nas áreas ambiental e fundiária – e pela grande intimidade que muitas vezes tem com as regiões de desenvolvimento dos projetos. com a possível profundidade que os prazos em geral escassos permitem. embargos. em suas várias disciplinas. as empresas públicas são naturalmente fortes. a melhor solução tributária. Investir. envolve várias componen­ tes: a busca pelas melhores fontes de financiamento. que se somam ao expertise das empresas públicas. ademais. paralisações. no conhecimento técnico que envolve o pro­ jeto. os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Im­ pacto Ambiental (RIMA). Con­ templa os Estudos de Viabilidade Técnico-Econômica (EVTE). sua otimização energética. Nesse aspecto. técnico-econômica e ambiental. o que acarreta em menores prêmios de risco e melhores condi­ ções de contratações das obras e outros serviços – enfim. com­ prometer fortemente sua rentabilidade. As interações com os órgãos ambientais devem ser constantes e tecnicamente elevadas. Tratamento da questão ambiental O tratamento adequado da questão ambiental – aí incluídos. dando agilidade na realização de estudos complementares àqueles disponibilizados pela ANEEL. e seus riscos. a ANEEL disponibiliza participar dos leilões de outorga dos novos empreendimentos de geração um con­ 358 . por disporem de equipes próprias e capacitadas – quer na engenha­ ria. maior competitividade nos leilões. O papel do financial advisor é essencial. com o adequado atendimento às condicionantes de licencia­ mento. o conhecimento científico existente na região do empreendimento. negociando prioridades de forma aberta com a sociedade organizada. definidor do sucesso e da rentabilidade empreendimento no ambiente competitivo existente em nosso modelo setorial.A História das Barragens no Brasil . não obstante sua utilidade pública. É preciso reconhecer que toda e qualquer obra de infraestrutura. Não observar essa “regra de ouro” significa condenar o projeto a atrasos no seu licenciamento. junto de estudos nos quais é definida a concepção global da usina. que deve inserir-se de forma sustentável no contexto regional ao qual que se incorpora. e deixando claro à população o que é factível realizar a título de compensação.

tendo em mira benefícios mútuos para as partes. com reflexos positivos para a sociedade. combinando aspectos positivos de modelos de gestão já utilizados e minimizan­ do seus pontos falhos. tanto durante a implantação quanto na fase de operação. os agentes devem compartilhar a visão de longo prazo que as inversões no setor elétrico requerem. sacrificar margens e compartilhar ganhos. ganha importância a busca por modelos de gestão apropriados. a existência de várias modalidades de gestão de empreendimentos na área de geração. A não observância desses preceitos tem como consequência perdas diretas para os empreendedores e indiretas para o negócio de geração de energia no país. que pagará por uma energia mais cara e menos favorável sob o ponto de vista ambiental. de buscar soluções que garan­ tam a conclusão das obras conforme os preços e prazos definidos nos planos de negócios (uma vez que a energia já está vendida com preço e data de entrega contratados). para vencer os leilões de outorga dos novos empreendimentos. dentre outros – com sacrifícios à rentabilidade dos projetos. No primeiro caso. não ha­ vendo. efetivamente. Modelos de gestão dos empreendimentos As características atuais do modelo setorial reforçam a necessida­ de. pois. espaço para retornos espetaculares e em curto prazo. em que todos os envolvidos perdem. jun­ tamente com seus parceiros. Independentemente de outras possibilidades. na atualidade. os participantes que se consorciam para a competição – investidores e fornecedores de bens e serviços – identificam a necessidade de atuar de forma solidária. prejuízos à imagem das empresas envolvidas. podemos citar os aumentos dos prêmios de seguros. Mascarenhas de Moraes – MG e Luiz Carlos Barreto de Carvalho – MG/SP). No segundo caso. · Modernização de usinas existentes Em suas obras de modernização de usinas hidroelétricas (usina hidro­ elétrica Mal. para o sucesso efetivo dos empreendimentos. por parte dos empreendedores. Na discussão que se segue procura-se identificar alguns dos mo­ delos já utilizados ou em utilização. a fim de contribuir para que o tema seja analisado sob vários ângulos pelos profissionais do setor. o fato é que. 359 . As empresas públicas incorporaram e vem aperfeiçoando essa abordagem financeira “privada” nos leilões do setor elétrico.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens a construção – tudo isso é absolutamente crucial para a proposição de uma tarifa módica e tecnicamente sustentável nos leilões. necessidade de aquisição de energia no mercado livre para suprir os compromissos assumidos. através de uma atuação em parceria entre os proprietários dos empreendimentos e os consórcios contratados para a execução. Igualmente. no fim da linha. multas impostas pelos órgãos públicos de fiscalização e regulação. maior preocupação da sociedade civil quanto à segurança dos empreendimentos e maiores cuidados dos organismos de licenciamento ambiental. perde a sociedade brasileira. Portanto. buscando e testando fórmulas que possam viabilizar os novos negócios de maneira a reduzir riscos e atender aos objetivos de todas as partes interessadas. Modelos de gestão recentemente utilizados Percebe-se. podemos elencar as perdas de receita de geração por atrasos das obras. Regidos pela modelagem financeira abrangente e detalhada. no modelo competitivo em vigor. Estes devem procurar blindar todas as partes interessadas. é preciso gestão consistente dos projetos no sentido de assegurar a qualidade dos serviços. que tem sido desenvolvidas desde 2001. o que pressupõe que: (i) não há uma única modalidade que possa ser considerada como ideal para o atingimento dos objetivos e atendimento das necessidades de todas as partes interessadas no negócio. Sendo de risco moderado os retornos dos investimentos em geração hidroelétrica. e (ii) os empreendedores estão. Furnas adotou a modalidade de contratação mista com EPC – Engineering.

pelo licenciamento ambiental. Os contratados só podem desenvolver suas intervenções nos equipamentos após aprovação de Furnas.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . incluindo as obras de reservatório. Já na modernização e ampliação da UTE Santa Cruz (RJ). reservando para si os licenciamentos ambientais e os fornecimentos dos turbo-geradores. · Novas usinas hidroelétricas Na implantação da usina hidroelétrica Peixe Angical. o projeto. separadamente. da execução dos comissionamentos e dos licenciamentos ambientais. a Enerpeixe (parceria entre Energias do Brasil e Furnas) contratou. ini­ ciada em 2002. todas a preços globais. pelos fornecimentos dos equipamentos. a preço global. Figura 1 – Usina hidroelétrica Peixe Angical 360 . Fornecimentos e Construção) e execução direta. Os Consórcios contratados respon­ sabilizam-se pelo projeto. Furnas resguardou para si a prerrogativa de apro­ vação de todos os projetos. com contratos a preços globais. À Concessionária coube a responsabilidade pelo controle da qualidade das obras. pela construção e pela montagem eletromecânica. concluída ao longo de 2006. o fornecimento/mon­ tagem e a construção civil. XX e XXI Procurement and Construction (Engenharia. pela gestão fundiária e pelos programas ambientais. Furnas adotou o regime de EPC.

No caso da usina hidroelétrica Serra do Facão (GO).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 – Usina hidroelétrica de Foz do Chapecó Para a implantação da usina hidroelétrica Foz do Chapecó (SC/ RS). Camargo Corrêa Cimentos). Na construção da usina hidroelétrica Simplício (RJ/MG). o Consórcio Empresarial Foz do Chapecó (pertencente à CPFL. manteve. similarmente a Foz do Chapecó. optou pela contratação de um EPC tradicio­ nal (engenharia. do 361 . incluindo o contro­ le da qualidade).A. fornecimentos e construção. fornecimentos e construção. pela gestão fundiária. Furnas. DME. a preço global. concessão 100% de Furnas. a empresa decidiu pelas contratações separadas do projeto (preço global). a preço global. as res­ ponsabilidades pelo licenciamento ambiental. cujas obras foram iniciadas em janeiro de 2007. pela execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. a Serra do Facão Energética S. (pertencente à Alcoa. CEEE e Fur­ nas) optou pela contratação de um EPC tradicional (engenharia. Analogamente ao caso anterior. incluindo o controle da qualidade). que iniciou as obras em março de 2007. pela gestão fundiária e pela execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. cuja obra teve início em janeiro de 2007. sob sua tutela direta. também reservou para si as responsabilidades pelo licenciamento ambiental. No entanto.

Tal opção foi feita buscando eliminar volumes significativos de verbas de contingenciamento relativas a riscos geotécnicos. A integração das responsabilida­ des que se interfaceiam é gerida diretamente pela própria conces­ sionária.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 3 – Barragem de Foz do Chapecó Figura 4 . de um sistema misto de preços: parte do contrato é por um preço global e parte é por preços unitários.Usina hidroelétrica de Serra do Facão no rio São Marcos fornecedor/montador (preço global) e das obras civis (misto de preço global e preços unitários). no contrato das obras civis. Além disso. nem as obras de reservatório. O contrato da construção civil não inclui o controle da qualidade das obras.Séculos XIX. A novidade no caso de Simplício foi a utilização. 362 . pela gestão fundiária e pelos programas ambientais. A contrapartida é que tal risco está sendo assumido por Furnas. anterior mente embutidos no preço global da empreiteira. Furnas se responsabiliza pelo licenciamento ambiental.

outra concessão 100% de Furnas.A. Analogamente à usina hidroelétrica Simplício. também denominado internamente por Turn Key. do fornecedor/ montador (preço global) e das obras civis (preço unitário). Figura 5 – Obras da barragem e usina de Anta do aproveitamento hidroelétrico de Símplicio Figura 6 . Na usina hidroelétrica Retiro Baixo (MG). Furnas se responsabiliza pelo licenciamento ambiental.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Já a implantação da usina hidroelétrica Batalha (GO/MG).Usina hidroelétrica de Retiro Baixo 363 . A integração das responsabilidades que se interfaceiam também será gerida diretamente pela própria concessionária. incluindo o controle da qualidade.O contrato da construção civil não inclui as obras de reservatório. optou pela contratação de um EPC mais amplo. obras iniciadas em março de 2007. a Retiro Baixo Energética S. possui a seguinte formatação atual: contratações separadas do projeto (preço global). pela gestão fundiária e pelos programas ambientais.

programas ambientais e obras de reservatório. ou (ii) pleitos de reequilíbrios econômicofinanceiros em função de serviços adicionais imprevisíveis. pode-se afirmar que ela ainda é a que mais agrada aos investidores. que findam por gerar: (i) preços mui­ to avultados em função de grandes contingenciamentos embutidos pelos construtores. pela gestão fundiária. bastante ricos em diversidades de modelos de ges­ tão. manteve sob sua tutela direta as responsabilidades pelo licenciamento ambiental. gestão fundiária. contudo. Por tal motivo. fornecimentos e construção. fornecimentos e construção. pela execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. a gestão fundiária a execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. ou seja. as gestões fundiárias e os programas ambientais. Para a implantação da usina hidroelétrica Santo Antônio (RO). XX e XXI onde o contratado responsabiliza-se pela integralidade das ações necessárias à implantação completa do empreendimento. ELETROSUL. Percebe-se. Não obstante. OII. mostrando. fornecimento. Tal constatação deve-se ao fato de que as obras de reservatório tem uma dependência direta da área afetada e dos condicionantes 364 . FIP.A História das Barragens no Brasil . percebe-se algum movimento no sentido de se incluir preços unitários em partes do projeto mais sensíveis a previsões muito antecipadas. Uma delas é a adoção da modalidade de preço global. uma das exigências que A questão das obras de reservatório não tem uma tendência defini­ da. com foco na hidroeletricidade. projeto. São. em que o contratado se responsabiliza pelo projeto. optou pela contratação de um EPC tradicional (engenharia. em substituição aos preços unitários. algumas fortes tendências. para si. ou por alterações de projeto ou por situações reais distintas daquelas previstas nos projetos básicos. CEMIG.Séculos XIX. cuja obra foi iniciada em setembro de 2008. montagem eletromecânica. Via de regra. uma tendência para o futuro próximo. incluindo o controle da qualidade). os organismos financiadores dos projetos tem colocado para as viabilizações dos empréstimos. que recebem tal exigência dos órgãos financiadores. dado o caráter crítico dessas atividades para o sucesso dos empreendimentos e para a imagem da empresa na região de inserção dos projetos. a preço global. os concessionários reservam. CNO e AG). No caso da usina hidroelétrica Teles Pires (MT/PA). incluin­ do o controle da qualidade das obras. por ser entendida como a que melhor transfere os riscos de execução e integração dos empreende­ dores aos contratados. já há movimentos mais recentes no sentido de se mesclar os regimes de preço global com partes por preços unitários. As experiências têm mostrado que os regimes de preços globais fixos não eliminam por completo possibilidades de situações como acima relatadas. com obras previstas para iniciar em julho de 2011. controle da qualidade. comissionamentos. Outra modalidade comumente observada é a utilização de contrata­ ções do tipo EPC. construção civil. No entanto. a Santo Antônio Energia S. NEOENERGIA e ODE­ BRECHT) igualmente optou pela contratação de um EPC tradicio­ nal – engenharia. incluindo o controle da qualidade – a preço global. Tal tendência tem forte relação com a transferência de riscos do empreendedor para o construtor. os exemplos acima não encerram todos os ca­ sos recentemente utilizados ou em implantação atual no Brasil.A. construção civil e montagem eletromecânica. as responsabi­ lidades sobre os licenciamentos ambientais. ratificando a inquietude dos diversos empreendedores quanto à busca pelo melhor modelo a ser utilizado para os negócios de geração de energia elétrica no país. licenciamento ambien­ tal. a Companhia Hidroelétrica Teles Pires (FURNAS. no entanto. tudo por um preço global. em nossa opinião. Mesmo havendo variações percebidas em tal modalidade de contratação. (parceria de FURNAS. fornecimentos. · Tendências Obviamente. Manteve também sob responsabili­ dade direta da SPE o licenciamento ambiental.

e não a vitória na batalha dos tribunais.Figura 7 . Complementarmente. por meio do monitoramento adequado dos processos empregados. especialistas passaram a questionar esse modelo sob a ótica da segurança. Fica patente que.Vista aérea das obras da usina hidroelétrica de Santo Antônio sobre o Rio Madeira dos licenciamentos. sob o ponto de vista da engenharia. possíveis as prédefinições necessárias aos orçamentos seguros pelas construto­ ras e. visto que as incertezas inerentes à execução dos serviços de construção. ainda mais quando 365 . Entretanto. fizerem parte do mesmo grupo responsável pela execução das obras o construtor e o projetista. pois o interesse do investidor é o empreendimento concluído da forma como foi planejado. fornecimento. bem como a preservação de sua imagem. comissionamento e operação de empreendimentos de geração devem ser controladas. montagem. impossível uma orçamentação isenta de riscos. sendo. A questão da responsabilidade integral do contratado. que fatalmente elevaria o preço proposto em função de contingenciamentos altos. é secundária. em outros casos. a engenharia do proprietário deve disponi­ bilizar informações para subsídio técnico ao empreendedor na to­ mada de decisões frente ao construtor. de forma a atender aos objetivos previamente estabelecidos para o empreendimento e aos critérios de segurança operativa definidos Engenharia do proprietário Não resta dúvida quanto às inúmeras vantagens que o modelo de contrato EPC – Turn key trazem ao empreendedor sob o ponto de vista econômico. o empreendedor deve ter em seu auxílio equipe técnica que exerça a engenharia do proprietário de forma ostensiva. com a ocorrência de inúmeros acidentes em obras de grande porte. incluindo eventos em usinas hidroelétricas e também no metrô de São Paulo. Entendemos que a engenharia do proprietário tem como principal papel a atenuação de riscos envolvidos quanto a prazos e confor­ midade de produtos contratados. com base no contrato EPC. em alguns casos. para o emprego desse modelo de contrato.

sem se limitar a elas. A forma de atuação da Engenharia do Proprietário De modo geral. quanto à conformidade em relação aos documentos de projeto. quando solicitados. os conceitos anteriormente apresentados não encontram discordâncias entre os diversos segmentos e atores envolvidos nas gestões de empreendimentos de grande porte. quanto a alterações no projeto básico consolidado e/ou especifica­ ções técnicas. registros fotográficos. Emissão de relatórios e documentações específicos para os órgãos financiadores. Análise de redes de precedência emitidas pelo contratado e emissão de pareceres ao empreendedor. filmes e vídeos relativos à obra. Atividades contempladas na Engenharia do Proprietário Dessa forma. plano de inspeções e testes. fornecedor e montador e emissão de pareceres ao empreendedor. Acompanhamento do pré-comissionamento. Análise e emissão de pareceres relativos a fornecimentos ne­ cessários que estejam fora do escopo do Contrato EPC. quando na entrega do empreendimento para operação comercial. Análise e parecer sobre relatórios de progresso emitido pelo empreendedor. quanto a questões técnicas no âmbito das atividades no local da implantação. Acompanhamento de liberações de serviços por parte da projetista. Emissão de relatórios técnicos destinados à análise de pleitos. Atendimento às solicitações do empreendedor. as seguintes atividades: Acompanhamento das obras civis e eletromecânicas.data book Acompanhamento das obras e serviços em face das normas de higiene e segurança industrial pertinentes. caso requerido pelo empreendedor. Emissão de relatórios.A História das Barragens no Brasil . Análise dos métodos e resultados relativos ao controle de qualidade dos materiais de construção desenvolvido pelo laboratório contratado pelo contratado. há grandes divergências com relação à forma e/ou intensidade de atuação da engenharia do proprietário. Certificações parciais dos produtos entregues pelo contratado e certificação global. Seleção de assuntos de interesse do empreendedor para serem discutidos nas reuniões de produção (semanal) e de coordenação (mensal). Com a en­ trada de diversos agentes econômicos no setor de energia elétrica 366 . especificações técnicas. Emissão de pareceres ao empreendedor quanto a pedi­ do de modificação de projeto – pedido de modificação de campo. a engenharia do proprietário deverá exercer. Acompanhamento rigoroso dos processos executivos emprega­ dos pelo contratado previstos nos anexos da qualidade. emitidos pelo contratado. Análise dos dossiês de qualidade . Acompanhamento de quantitativos dos serviços executados das obras civis e de montagem eletromecânica. subsidiando-o de elementos necessários para análise econômico-financeira afetos à relação contratual estabelecida com o contratado. normas técnicas aplicáveis e aos demais documentos técnicos contratuais. Emissão de pareceres. comissionamento e pré-operação. Análise de planejamentos executivos elaborados pelo cons­ trutor. para subsidiar solu­ ção de impasses ou divergências que possam ocorrer entre o empreendedor e o construtor.Séculos XIX. Organização das reuniões de coordenação e de produção. Por outro lado. XX e XXI nos procedimentos de rede do ONS e nas regulamentações da ANEEL e MME.

sem acompanhamento integral das obras. A interferência direta se dá apenas em casos extremos. uma das principais alterações conceituais percebida foi no enfoque dado à questão da engenharia do proprietário. em que se verificam riscos às obras e às pessoas. A engenharia do proprietário pode. desenvolvendo um trabalho de verificação de aderência das atividades às normas e especificações técnicas. acompanhando a integralidade das obras. dimensionadas dentro desse conceito de atuação extremamente distante e pontu­ al. traduzido do inglês owner’s engineering. atuar de maneira mais consistente. apontando eventuais não-conformidades para subsidiar as decisões do proprietário. sem um acompanhamento passo a passo da obra. uma vez que não interfere diretamente na execução das atividades das obras. mas tão somen­ te verifica o atendimento às normas e especificações executivas. o emprego do neologismo “engenharia do proprietário”. a exemplo do que sempre ocorria nas gestões de grandes obras no Brasil. vindo a manifestar suas consequências danosas apenas na fase de operação. Com receio de trazer para o empreendedor riscos contratualmente definidos como de responsabilidade dos fornecedores/construto­ res. acompanhando o emprei­ teiro em todos os turnos de trabalho. com a intensidade devida. Com isso. Tal tipo de atuação não transfere riscos sob responsabilidade dos construtores para o empreendedor. Vem. diretamente pelo “olho do dono”. sem que isso traga ao empreendedor a assunção de riscos que não são de sua responsabilidade. Vemos uma grave omissão dos empreendedores em tal tipo de atuação. Entendemos que as equipes de engenharia do proprietário deverão ser dimensionadas de maneira a que as obras sejam fiscalizadas em sua integralidade. a partir das mudanças no marco regulatório observadas desde 1995. o exercício da engenharia do proprietário passou a ser defini­ do como de spot check. e deve. Eventuais defeitos poderão ficar ocultos por vários anos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens no Brasil. de então.Usina hidroelétrica de Serra do Facão no rio São Marcos com 212 MW de capacidade instalada 367 . ficaram reduzidas a poucos profissionais. onde se faz a checagem do atingimento de grandes marcos. as equipes de engenharia do proprietário. muitas vezes quando o construtor já estiver isento de qualquer responsabilidade legal sobre o problema. Figura 8 . com atuação restrita aos horários comerciais. uma vez que importantes etapas das obras deixam de ser acompanhadas. O termo “fiscalização” passou a sofrer forte preconceito por trazer consigo a ideia da presença da mão-forte do empreendedor nas de­ cisões de obra.

368 .

Em 1821. a evolução histórica das barra­ gens de rejeitos no Brasil. A mineralização está inserida no Supergrupo Minas.2005 369 . com foco em seu desenvolvimento de tecnologias de disposição e na aplicação das técnicas da engenharia de barragens ao projeto e construção de barragens de rejeitos. as quais tiveram seu início em épocas que remontam a cerca de 300 anos atrás. a atividade de mineração de ouro no Brasil já ha­ via se iniciado com a Mina da Passagem. pelo Barão de Eschwege. a Mina da Passagem foi transformada num complexo turístico onde os equipamentos desativados foram requalificados. que criou a primeira companhia mineradora do País de capital pri­ vado. Antes até da corrida do ouro no oeste americano. sendo que uma lavra rudimentar foi iniciada em 1729. Há alguns anos. A Mina da Passagem é um bom exemplo de iniciativa de valorização e utilização de minas antigas para geoturismo. Entre 1729 e 1819. a exploração do ouro utilizava técnicas e ferra­ mentas rudimentares na lavagem e beneficiamento do minério. até então não usados no Brasil. Atualmente. vá­ rios mineiros obtiveram concessões para explorar a propriedade mineral da Passagem até que em 1819 ela foi adquirida. a sudeste de Belo Horizonte. Eschwege deixou o Brasil e desta época em diante a propriedade passou pelas mãos de vários mineradores. em Mariana. o ouro primário foi descoberto na região no início do século XVIII. com o nome de Sociedade Mineralógica da Passagem. Descreve. Esta mina é descrita a seguir. Introdução O presente capítulo apresenta um sumário da experiência brasileira em barragens de contenção de resíduos de mineração e de indús­ tria. de forma sintética. sob o Ribeirão do Carmo. O acesso é feito por meio de um trolley. entre a Forma­ ção Cauê. no topo. e o Grupo Caraça (Formação Moeda e Batatal) ou Grupo Nova Lima (Supergrupo Rio das Velhas). 1] Barragem São Bento . a mina também passou a ser utilizada para mergulho nas galerias e túneis inundados pelas águas do lençol freático. De acordo com Ruchkys e Renger [Ref. e a estrutura é a mesma uti­ lizada na época de Eschwege. Até essa época. o que já é bastante difundido na Europa. junto com algumas concessões vizinhas. pela importância histórica que tem na mineração brasileira. e instalou um engenho com nove pilões e moinhos para pedras. dando inicio a uma profunda galeria para esgotamento de água e elaborou o primeiro plano de lavra subterrânea em Passagem. ficando a exploração paralisada em alguns momentos devido à conjuntura econômica do Brasil e à baixa cotação do ouro no mercado. 1].Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Barragens de Rejeitos no Brasil: Sua evolução nos últimos anos Joaquim Pimenta de Ávila e Marta Sawaya 1. conforme é descrito adiante neste capítulo. [Ref. A Mina da Passagem está localizada na Vila da Passagem. lugar da passagem da estrada entre Ouro Preto e Mariana. Eschwege aplicou técnicas modernas para a época. As barragens de rejeitos no Brasil surgiram das atividades de mi­ neração.

as atividades de mineração. A partir do século XV. Os produtores rurais começaram a associar a diminui­ ção da colheita nas terras impactadas aos rejeitos. com o cessamento de práticas inadequadas que ocorriam até 1930. que os pequenos dis­ tritos minerários começaram a se desenvolver. para a manutenção da mineração e a mitigação dos impactos ambientais. XX e XXI Em relação aos rejeitos gerados. O desenvolvimento da tecnologia para construção de barragens de contenção de rejeitos ocorreu de modo empírico. geralmente próximo aos rios ou cursos d’água. especialmente em minas a céu aberto. poucas destas barragens permaneciam estáveis. Raramente existiam engenheiros ou critérios técnicos envolvidos nas fases de construção e de operação. Na década de 40. ainda prevalece em minas de tecnologia mais rudimen­ tar a construção empírica. A situação no Brasil não foi diferente do resto do mundo. Consequentemente. equipamentos para movimentação de terras não eram acessíveis para a construção das barragens. por mui­ to tempo descartaram seus resíduos na natureza.A História das Barragens no Brasil . resultando na produção ainda maior de rejeitos. No entanto. e os aspectos relacionados ao uso da terra e da água conduziram os confli­ tos iniciais. de maneira similar às barragens convencionais. Entretanto. embora em algumas mi­ nas sejam hoje aplicadas tecnologias disponíveis de implantação de barragens. lagos e oceanos. como resultado. Um pequeno dique era inicialmente preenchido com rejeitos hidraulicamente depo­ sitados e depois incrementado por pequenas bermas. Antes do século XV. Entretanto. formando depósitos sem nenhuma preocupação de ordenação e sistematização. e a evolução deste assunto no panorama mundial pode ser percebida por um levantamento feito pelo USCOLD. em 2004 [Ref. Esse procedimento de construção. a geração de rejeitos aumentou significativamente e estes pre­ cisavam ser removidos da área de produção. particularmente por inte­ resses agrícolas. Até meados de 1930. que abriram caminho para elaboração das primeiras legislações sobre o gerenciamento de resíduos da mineração.3]. além de contaminar as áreas a jusante. com considerações limitadas apenas para inundações. em cursos d’água ou lançando-os em terrenos adjacentes. quando fortes chuvas ocorriam. Foi a partir da década de 30 que. as práticas de dispo­ sição de rejeitos permaneceram inalteradas e. mais rejeitos estavam sendo depositados e transportados por distâncias cada vez maiores das fontes geradoras para os cursos d’água. com a introdução da força a vapor e com o aumento significativo da ca­ pacidade de processamento dos minerais de interesse econômico.Séculos XIX. o desenvolvimento tecnológico aumen­ tou ainda mais a habilidade de minerar corpos com baixo teor mineral. Na diversidade das condições brasileiras. a disponibilidade de equipamentos de alta ca­ pacidade para movimentação de terras. tornou possível a construção de barragens de con­ tenção de rejeitos com técnicas de compactação e maior grau de segurança. engrena­ do pelas práticas de construção e equipamentos disponíveis em cada época. continua sendo utilizado. Foi somente a partir do início do século XX. Esse desenvolvimento ocorreu ainda sem a aplicação das técnicas da engenharia de barragens. como descrito a seguir. algumas destas práticas acontecem até hoje em muitos países em desenvolvimento. atualmente mecanizado. a geração de rejeitos pelas empresas de mi­ neração e os impactos decorrentes de sua disposição no meio ambiente eram considerados desprezíveis. atraindo indústrias de apoio e desenvolvendo a comunidade local. com cada vez menor granulometria. Surgiram também conflitos pelo uso da terra e da água. As barragens construídas no início do século XIX geralmente eram projetadas transversalmente aos cursos d’água. as indústrias investiram na construção das primeiras barragens de contenção de rejeitos. que se desenvolveu a partir da década 370 . sendo então enca­ minhados para algum local conveniente. Precedentes legais gradativamente trouxeram um fim à dispo­ sição incontrolada de rejeitos na maioria dos países ocidentais. pois os rejeitos frequentemente acumulados no solo obstruíam os poços de irrigação.

Exemplos desta aplica­ ção são as barragens de: Pontal. construindo aterros com o material estéril removidos da mina e lançados em forma de aterros. a maioria dos aspectos técnicos (por exemplo. o controle da segurança das barragens era basicamente orientado para a segurança estrutural e hidráulicooperacional. introdução de equipamentos cada vez mais robustos para movimentação de terra. a produção de rejeitos aumentou. novos desenvolvimentos na ciência de mecânica do solo. as atividades eram bem sucedidas. e às populações residentes nos vales a jusante. com orientação técnica dos engenheiros de minas. em Itabira. na década de 50. Assim. Esses projetos se torna­ ram possíveis com a ampliação contínua do conhecimento e con­ trole dos aspectos de segurança. pela exigência da sociedade de eliminação desses desastres. em Nova Lima. o qual se resumia a operações de britagem e peneiramento com lavagem. Na década de 70. infiltração. Águas Claras. trans­ versalmente aos vales. A atenção foi amplamente voltada para estabili­ dade física e econômica das barragens. da Vale. em Mariana. [Ref. compatível com probabilidade de ruptura adequadamente baixa. tais como melhor compreensão do comportamento dos materiais. por causa de recentes acidentes com barragens de rejeitos que ganharam amplo espaço na mídia. Enquanto estas barragens rudimentares se resumiam a estruturas baixas e de menores volumes de represamento. abordados em outras áreas como a de geração de energia elétrica. as técnicas de observação do comportamento das barragens durante a operação vieram reforçar a necessidade do controle da segurança em longo prazo. Com o passar do tem­ po. os problemas estruturais destas barragens passaram a representar riscos maiores e rupturas significativas começaram a ocorrer. devido à falta de aplicação adequada dos métodos conhecidos. um terremoto causou rompimento de muitas barra­ gens no Chile. Entretanto. para criar volumes de retenção dos rejeitos do beneficiamento do minério. da então MBR Minerações Brasileiras Reunidas. e Germano. 2 e 3] 371 . Assim. a construção de barragens de rejeitos no Brasil teve por muitos anos aplicada a prática de utilizar os equipamentos de la­ vra. ou negligência das características vitais incorporadas na fase de construção. com o progres­ so das atividades de mineração e aumento da escala de operações. Aspectos de estabilidade física têm permanecido na vanguar­ da.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de 30. uma segurança satisfatória. da Samarco. os quais sempre foram catalisadores do progresso tec­ nológico da engenharia de barragens. considerando o potencial de dano ambiental e os mecanismos de transporte de contaminan­ tes. culminando no desenvolvi­ mento dos projetos de engenharia permitindo a construção de barragens com alturas cada vez maiores. O progresso das tecnologias de implantação de barragens de re­ jeitos foi sempre entremeado pelos acidentes com rupturas de barragens. construção e operação como for­ ma de garantir à sociedade. de projetos mal elaborados. A partir da década de 80. especiali­ zados nas técnicas de lavra. recebendo considerável atenção e tornou-se um fator chave na pesquisa sobre as causas das rupturas. falhas ocorrem. embora nem sempre fossem usados os conhe­ cimentos sobre a engenharia de barragens. resultando em volumes de resíduos a serem represados pelas barragens. Numa primeira fase. Em 1965. os aspectos ambientais também cresceram em importância. e as áreas para disposição se tornaram cada vez mais escassas. mui­ tos dos princípios fundamentais de geotecnia já eram compre­ endidos e aplicados em barragens de contenção de rejeitos. Entretanto. liquefação e estabilidade da fundação) já eram bem entendidos e controlados pelos projetistas. em que a característica básica era investir contra a causa potencial da ruptura da barragem. Posteriormente. com implicações financeiras severas em muitos casos. de supervisão deficiente durante a construção. sem grandes acidentes. em geral. quando o progresso na fabricação dos equipamentos de terraplenagem foi aproveitado nas operações de lavra e constru­ ção de barragens. muitas vezes. A regra era optar pelo controle rigoroso do projeto.

tanto na direção da redução do potencial de dano dos reservatórios de rejeitos. em termos de aplicação de engenharia: Buffalo Creek era uma pilha de estéril que estava operando como dique de contenção dos rejeitos. representaram. A partir dos resultados apresentados. As causas des­ tes acidentes têm sido atribuídas. e Buffa­ lo Creek. à época dois extremos. durante cinco anos. po­ rém em uma situação de ocorrência de uma geologia complexa e materiais de fundação com comportamento de difícil análise. Observa-se que o Brasil comparece na tabela com dois casos: Fernandinho e Rio Verde. na Itália. Rupturas e incidentes em barragens de rejeitos A apresentação destes fatos relevantes inicia-se obrigatoriamente pelos acidentes com rupturas. Os métodos de disposição de rejeitos têm também evoluído po­ sitivamente.Séculos XIX. que marcaram. Stava foi uma barragem projetada segundo a prática corrente da engenharia. em grande parte. e no estabelecimento de regulamentações específicas sobre a segurança de barragens de rejeitos. Tabela 1 . o ICOLD ( International Commission on Large Dams ). são mostrados os acidentes com maior número de mortes. até 2001. inventariou os acidentes e incidentes ocorridos desde 1970. portanto. Fatos relevantes na evolução recente da geotecnia de barragens de rejeitos 2.1.Principais Acidentes com Mortes (1970-2001) Ano 1985 1972 1970 1994 1974 1995 1986 2001 1978 Barragem / País Stava / Itália Buffalo Creek / USA Mufilira / Zambia Merriespruit/ África do Sul Bakofeng / África do Sul Placer / Filipinas Fernandinho / Brasil Rio Verde / Brasil Arcturus / Zimbabwe No de mortes 269 125 89 17 12 12 7 5 1 (dados segundo ICOLD-2001) 2. Em 2001. Lessons Learnt From Practical Experiences ) com o resultado de um trabalho da comissão de barragens de rejeitos que. As duas maiores catástrofes ocorridas: Stava. quando esta estatística foi atualizada. que colaboraram com informações sobre acidentes e incidentes. Risk of Dangerous Occurrences. sem qualquer engenharia de barragem. aspectos que são abordados resumidamente. desde os anos 70. o limite do “estado da arte” vigente à época.A História das Barragens no Brasil . Participaram deste inventário represen­ tantes de 52 países. embora seja observado o aparecimento em número crescente de publicações específicas sobre barragens de rejeitos e temas correlatos. em suas particularidades principais. atingindo. Cerca de 400 casos foram analisados para identificar as causas principais destes eventos. Na primeira tabela. o panorama desta área da engenharia. O melhor conhecimen­ to do comportamento geotécnico dos rejeitos vem permitindo implantar estruturas mais seguras. nas ações preven­ tivas. 372 . muitas das quais catastróficas. à não aplicação das tecnologias existentes. XX e XXI A ocorrência destes acidentes tem tido grande influência na atitu­ de dos profissionais de geotecnia de barragens. foram preparadas as duas tabelas apresentadas a seguir. o que tem catalisado uma evolução positiva da própria tecnologia de rejeitos. nos EUA. como do aumento da segurança das estruturas de contenção dos mesmos. publicou um boletim (Bulletin 121: “Tailings Dams.

onde não ocorre a ruptura. para redução de riscos. construção e operação de barragens de rejeitos. Alguns são citados a seguir: O ICOLD. mas ocorre o vazamento de sólidos para jusante com conseqüências variáveis.000m³ de cianeto contaminando águas 700. com três casos.000 t. com consequências indesejáveis para a sociedade e para o setor de mineração e indústria.0 milhões de m³ de água ácida liberada 4. Esta situação não é exclusiva do Brasil.000 m³ de água ácida tóxica liberada 5. Várias entidades internacionais têm trabalhado para a cons­ cientização dos proprietários e têm produzido excelentes contri­ buições sobre a segurança das barragens de rejeitos. na grande maioria dos ca­ sos. e outros países já identifi­ caram as mesmas deficiências de proprietários e operadores. tirando a chance de aprendizado com suas causas. Além destes acidentes ocorrem incidentes . em forma de recomen­ dações de boa prática para projeto. Observa-se que o Brasil compa­ rece novamente na tabela. composto de especialistas de diversos países.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A segunda tabela mostra os aciden­ tes. porém com degradação ambiental significativa.Acidentes Recentes com Contaminação Ano Local Consequência 2007 Mirai / Brasil Mirai / Brasil Cataguases/ Brasil Kentucky/ Usa Vazamento de rejeitos de bauxita Interrupção de fornecimento de água Vazamento de rejeitos de bauxita Interrupção de fornecimento de água Lixívia negra liberada Interrupção de fornecimento de água Mortalidade de peixes Interrupção no fornecimento de água Contaminação das águas c/ metais pesados 100. que falham na sua responsabilidade de adotar procedimentos gerenciais de segurança. sem mortes. situações já resolvidas pela tecnologia disponível. Existem ain­ da numerosos incidentes que. de cianeto contaminando águas 50. As causas desses acidentes incluem.2 milhões de m³ de lama com cianeto (dados segundo ICOLD-2001) 2006 2003 2000 2000 2000 1999 1998 1998 1995 Romênia Romênia Filipinas Haelva/ Espanha Aznalcóllar/ Espanha Omai / Guiana Os acidentes em barragens de rejeitos continuam insistente­ mente a ocorrer no Brasil. como um todo. pro­ duziu nos últimos anos 10 boletins. não são informados. infelizmente.estes mais nume­ rosos . 373 . porque os proprietários não os revelam. Tabela 2 . e as defici­ ências decorrem da não aplicação de ações voltadas a garantir a segurança de estruturas.

em 2001. DN 62/2002. constata-se um maior progresso na regulamentação. onde são apresentados e analisados os acidentes e incidentes com barragens de rejeitos nos últimos anos. As barragens de rejeitos em MG somente são licenciadas se atenderem aos requisitos das regulamentações. desde diretores até operadores de barragens de rejeitos.com/tailings). · Aplica-se às barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos. e contou com consultoria especializada.goodpracticemining. promovendo se­ minários e workshops específicos e instituiu cursos de treinamento para empresas de mineração em todas as esferas hierárquicas. A MAC (Mining Association of Canada) produziu vários trabalhos de interesse aos procedimentos de segurança de barragens para uso de seus associados. Implementação de legislação e regulamentação de segurança de barragens Os acidentes em barragens provocaram sempre reações da sociedade em todo o mundo. diversos países da Europa.A História das Barragens no Brasil .2. com a colaboração do ICOLD. concentrada nas barragens de rejeitos. que financia o setor privado. sobre a segurança de barragens A Lei 12. já mencionado. O Banco Mundial. a comissão de barragens de rejei­ tos do ICOLD publicou o boletim 121. 87/2005 e 124/2008. (www.334/2010.3.feam. África do Sul 2. Embora as ações para implantação de uma legislação federal de segurança de barragens tenham já cerca de 30 anos no Brasil (basi­ camente. Austrália. com forte influência da ocorrência de acidentes e da atuação dos órgãos re­ guladores e fiscalizadores como o Ministério Público Estadual e a Fundação Estadual do Meio Ambiente . que foi discutida com representantes das empresas mineradoras. infelizmente ainda desconhecem os aspectos principais da técnica de segurança de barragens. XX e XXI Dentre os 10 boletins. No estado de Minas Gerais. No Brasil. por meio do IFC (International Finance Corporation). A lei federal 12. DN 65/2003. somente em 2010 foi criada uma lei federal de segurança de barragens (Lei 12. em 2001. com recomendações sobre a melhor prática para a segurança. que podem ser consultadas pelo site da FEAM: www. Após o acidente com a barragem de rejeitos da Mineração Rio Verde.334/2010). entretanto. algumas empresas de menor porte. do corpo docente de universidades e de empresas de engenharia. estabeleceu requisitos mínimos de segurança que as barragens de rejeitos devem atender para receberem empréstimos daquela instituição. Nos países mais desenvolvidos.334/2010 tem as características a seguir listadas. as tentativas que vêm sendo feitas há mais de trinta anos somente agora. como EUA.FEAM. Embora existam algumas empresas de grande desempenho. As regulamentações resultantes deste processo estão hoje nas Delibe­ rações Normativas. essas ações resultaram em regulamentações sobre a segurança de barragens e esses países contam com legislação sobre o assunto. à disposição final ou temporária de rejeitos e à acu­ mulação de resíduos industriais que apresentem pelo menos uma das características abaixo:  374 . resultaram em uma legislação federal sobre segurança de barragens.br. a situação não é diferente. O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) tem incentivado debates sobre o tema de segurança de barragens. em 2010.Séculos XIX. No Brasil. Canadá. O ICMM (International Council on Mining Metals) criou. levando a tentativas diversas de regulamentação legal que obrigue os proprietários de barragens a tomarem providências efetivas de redução de riscos. que conhecem a necessidade de uma boa gestão da segurança. a FEAM coordenou a elaboração de regulamenta­ ção específica. ações do CBDB junto ao governo). 2. um website de boas práticas para a engenharia de barragens de rejeitos.

George O. A partir dos anos 80.A segurança de uma barragem influi diretamente na sua sustentabilidade e no alcance de seus potenciais efeitos sociais e ambientais.O Relatório de Segurança de Barragens.L. indicando as principais referências bibliográficas sobre cada um destes estágios. ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica). VI . conforme definido no art. médio ou alto.  III .000. das ações preventivas e emergenciais.A população deve ser informada e estimulada a participar.A segurança de uma barragem deve ser considerada nas suas fases de planejamento.O sistema de classificação de barragens por categoria de risco e por dano potencial associado. em todos os aspectos de seu comportamento geotécnico. VII . projeto.000 m³ (três milhões de metros cúbicos). Design and Analysis of Tailings Dams ( 1983).  · Os instrumentos da Política Nacional de Segurança de Barragens são: I . que aborda os aspectos relevantes relacionados ao projeto.  IV . Jr (Ed.goodpracticemining.). e vá­ rios projetos com aplicação de novos métodos de disposição têm resultado em significativa evolução das práticas de engenharia de barragens de rejeitos. sociais.com/tailings Recentemente.Reservatório que contenha resíduos perigosos conforme normas técnicas aplicáveis. 3.O empreendedor é o responsável legal pela seguran­ ça da barragem.O Plano de Segurança de Barragem. (1978). V . Volume 2: Proceedings of the Second International Symposium.Altura do maciço. Tailing Disposal Today. em termos econômicos.Capacidade total do reservatório maior ou igual a 3. Vick. 6o. de início como Uranium Mill Tailings Management. ambientais ou de perda de vidas humanas. Desenvolvimento de tecnologia específica sobre barragens de rejeitos Vários trabalhos têm sido publicados sobre a tecnologia de pro­ jeto. trabalhos de pesquisa nas universidades brasileiras passaram a enfocar o comportamento dos rejeitos.O Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais. maior ou igual a 15 m (quinze metros).  V . IV .  III . Os principais estão listados a seguir: • • • • • • C. cabendo-lhe o desenvolvimento de ações para garanti-la. vários anos a partir de 1978.  II . Planning.O Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. REGEO e COBRAMSEG´s. direta ou indiretamente.  · Os fundamentos da Política Nacional de Segurança de Barragens – PNSB são: I . concluiu o boletim Improving Tailings Dams Safety. Colorado University. Argall. Proceedings: Tailings and Mine Wastes.O Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB). construção.A promoção de mecanismos de participação e controle social. ICMM site: www. a Comissão de Barragens de Rejeitos do ICOLD. Argall.Categoria de dano potencial associado. contada do ponto mais baixo da fundação à crista. (1987 e seguintes). • • Proceedings of an International Bauxite Tailings Workshop (1992). construção. Aplin e George O. ICOLD Committee on Tailings Dams and Waste Lagoons. opera­ ção e fechamento de barragens de rejeitos.). primeiro enchimento e primeiro vertimento. Volume 1. construção. Tailing Disposal Today. G. S. III . II . operação e fechamento de barragens de rejeitos. operação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens I .O Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente. 10 boletins a partir de 1982.  II .  IV . desativação e de usos futuros. 375 . Jr (Ed. Volume 1: Proceedings of the First International Symposium (1972).

pois apresentam redução do custo de implantação e têm o custo de construção e custo operacional distri­ buído no tempo. pesqui­ sando as características de compressibilidade de rejeitos com uti­ lização de ensaios de adensamento em laboratório (inicialmente CRD e atualmente HCT). algumas universidades passaram a dar atenção à geotecnia de disposição de rejeitos. com importantes contribui­ ções ao conhecimento deste comportamento e possibilitando a implantação de projetos de novos métodos de disposição. Estudos em laboratório sobre secagem de rejeitos (Lúcio Villar) também foram desenvolvidos. Vários aspectos importantes têm sido pesquisados.Séculos XIX. Comportamento geotécnico dos rejeitos Nos anos anteriores à década de 70. 3. inicialmente na PUC-Rio (anos 80). Os métodos de alteamento por montante e por linha de centro têm vantagens econômicas. UnB Universidade de Brasília e UFV Univer­ sidade Federal de Viçosa. um grande pro­ gresso foi possibilitado. Aplicação de novos métodos de disposição de rejeitos Os métodos mais comuns de disposição de rejeitos consideram. em um núme­ ro crescente de casos. pela aplicação da teoria do adensamento a grandes deformações. Cerca de 50 dissertações de mestrado até o presente. Deve ser mencionado que o desenvolvimento dessas pesquisas tem sido aplicado tanto para determinação de características geo­ técnicas dos rejeitos.A História das Barragens no Brasil . passou-se a considerar e. como para aplicação de métodos de análises dos problemas de disposição. como nos casos de alteamento por linha de centro e alteamento por montante. e posteriormente de forma mais intensa na UFOP (anos 90 e atual) e UFV. em geral. elaborando projetos de pesquisas em co­ laboração com empresas de mineração e indústria. mento por diferenças finitas. Conforme já mencionado. Na área de novos métodos de disposição. a aplicação da tecnologia disponível de engenharia de barragens ao problema. XX e XXI Na área da pesquisa as universidades PUC-Rio Pontifícia Uni­ versidade Católica Rio de Janeiro. na Universidade do Colorado. ou armazenavam os rejeitos em reservatórios cria­ dos por aterros de estéril de lavra. o principal elemento instabilizador.1. para a previsão das densidades e cálculos da vida útil dos reservatórios. Nos aspectos de compressibilidade de rejeitos. têm na água dos poros do rejeito e do reservatório. UFOP Universidade Federal de Ouro Preto. Entretanto. Estudos sobre a influência da mineralogia na resistência ao cisalha­ mento de rejeitos granulares. após a ocorrência de grandes rupturas com mortes e grandes impactos ambientais. a de rejeitos finos com secagem e a aplicação de empilhamento drenado merecem des­ taque pelas características de economia. Várias teses de mestrado e doutorado foram desenvolvidas sobre esse tema. baixo potencial de dano e benefícios ambientais que estes métodos proporcionam. Alguns projetos simplesmente lançavam os rejeitos nos cursos de água existentes. a polpa represada em barragem convencional (projetada como barragem para água) ou como parte do maciço do barramento. UNB. A disposição de rejeitos em pasta ainda não conseguiu superar os problemas do seu custo alto. com os modelos de simulação de adensa­ 3. a partir dos trabalhos pioneiros do professor Robert Schiffman. UFV. a disposição de rejeitos era feita sem uma abordagem de engenharia adequada. podem ser encontrados em trabalhos produzidos pela UNB e UFOP. No Brasil. assim como de potencial de liquefação. embora tecnicamente este método seja uma solução muito favorável. abordando estas características dos rejeitos nas universidades: PUC/Rio.2. 376 . UFOP. já produziram dezenas de teses so­ bre o comportamento de rejeitos. foram desen­ volvidas nos últimos 25 anos.

desde a década de 80. nestes casos. da Samarco (altura de 175. com a mesma in­ tenção de diferenciar do método clássico de bombear lama de alto grau de saturação para uma barragem impermeável que retém os sólidos e a água. Os objetivos principais dos novos métodos de disposição são: • Redução do custo. maior capacidade e vida útil. no Brasil. • Maior aproveitamento da água. Pilha da Barragem do Germano. Há também a expressão “métodos alternativos”. Este método tem sido utiliza­ do no Brasil. Este tipo de disposição é o mais utilizado. Além destas características. • Maior capacidade do reservatório. • Obter maior densidade e. O projeto da barragem. al­ guns dos métodos hoje chamados de novos. de forma que inovações estão presentes em processos antigos de disposição. o que se pretende apresentar são méto­ dos que priorizam a disposição com menor grau de saturação dos rejeitos. 377 . Monjolo (Mina de Água Limpa). foram iniciados há algumas décadas e vêm sendo aprimorados ao longo do tempo. com fração mínima de areia. adota-se uma estrutura drenante. os métodos que utilizam a disposição com menor grau de saturação dos rejeitos têm assumido maior importância por introduzirem situações de menor risco. A expressão “novos métodos de disposição” contém implícita uma expectativa de inovação na técnica de disposição. Empilhamento drenado Neste método. Entretanto. as pilhas do Xin­ gu (Mina de Alegria). São exemplos principais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Os novos métodos de disposição procuram reduzir o grau de satu­ ração da polpa de rejeitos por meio da drenagem da água dos poros ou da evaporação. ao invés de utilizar uma estrutura impermeável de barramento. portanto. de grande capacidade de vazão. • Aumento da segurança. Em conseqüência. É interessante notar que na Europa. embora em poucos casos. sendo que a polpa de rejeito fica retida com praticamente o mesmo grau de saturação da ocasião do bombeamento. • Vantagens para o fechamento. 3. a água é retirada por drenagem e no caso dos rejeitos argilosos a evaporação é o principal agente da retirada da água. Os objetivos principais do método de empilhamento drenado são: • Obter um maciço não saturado. No caso dos rejeitos arenosos. assumiu uma expressão maior e vem condicionando várias escolhas na seleção de alternativas. mais vantajoso é o método. Os dois tipos de rejeitos podem ser dispostos por métodos que retiram água dos mesmos. quanto mais água for retirada dos rejeitos. ligada aos rejeitos do reservatório. e b) os que contêm maior conteúdo de material mais fino. embora contenham aspectos de desenvolvimento recente. com baixo risco de liquefação e de ruptura.0 m). que não retém a água livre que sai dos poros dos rejeitos.2. envolvendo os dois tipos básicos de rejeitos: a) os que contêm uma fração expressiva de material arenoso/siltoso. Nos anos mais recentes. predominando argila e silte. • Aplicação segura do método de montante. Na presente abordagem. surgiu recentemente a expres­ são pervious dam para designar um “novo método”. Desta forma. deste método. • Obter menor potencial de dano em uma eventual ruptura. e Pilha da Cava do Germano (altura de 160 m). portanto com maior estabilidade. com baixo teor de argila e de grande conteúdo de fração granular. São apresentadas aqui duas situações de projeto. também da Samarco. mas libera essa água através de um sistema de drenagem interna. é semelhante ao de uma barragem para retenção de água.1. a disposição é mais econômica por tonelada de rejeito disposto. • Obter maior facilidade para o fechamento e recuperação ambiental. que está sendo proposto para reduzir o potencial de dano. • Menor chance de contaminação. o problema da segurança das barragens de rejei­ tos.

A História das Barragens no Brasil .Aspecto do rejeito após a drenagem Figura 3 .Séculos XIX.Correia transportadora implantada sobre a pilha de rejeitos 378 . Figura 1 . sem risco de ruptura que provoque uma onda de lama para jusante.Superfície final do talude da pilha Figura 4 . XX e XXI Nas figuras a seguir são apresentadas fotos das pilhas da Samarco. na umidade natural. O dreno de base é implantado no fundo do reservatório e recebe toda a água drenada dos rejeitos. O maciço de rejeitos obtido ao final é uma pilha de material arenoso.Empilhamento drenado após drenagem Figura 2 . onde duas áreas são preenchidas com pilha drenada. que devem ter suas características de drenabilidade bem estudadas previamente no projeto.

procurando-se obter um teor de sólidos entre 30 e 35% para então ser submetido à evaporação no reservatório final.2. A solução de projeto depende do comportamento reológico da lama. procura-se bombear a lama na máxima densidade bombeável com bombas centrífugas. Neste método o rejeito fino (em geral de granulometria passando na peneira 400) é adensado em espessadores até teores de sóli­ dos elevados.Lançamento de lama de bauxita no reservatório 3. Disposição de rejeitos finos com secagem O método de disposição chamado de dry stacking é antigo e muito utilizado pelas empresas de alumínio para disposição econômica de rejeitos de resíduo de produção de alumina (red mud). pois suas características podem inviabilizar em custo uma so­ lução. São exemplos deste tipo de disposição os projetos da MRN. Basicamente. e da Vale. acima de 50%. 379 .2. em Porto Trombetas. e bombeado para um reservatório onde sua superfície é exposta à evaporação com o teor de sólidos crescendo até valores da ordem de 80%. com vantagens em relação ao bombeamento convencional de lama. os resíduos da lavagem do minério é tam­ bém uma lama com sólidos de granulometria fina. devendo a escolha ser feita pela combinação do menor custo com a viabilidade da secagem com menores densidades. O Método de Secagem pode também ser aplicado.Vista geral da pilha a jusante da barragem Figura 6 . passando na #400. A disposição com secagem apresenta diferenças em relação ao método de dry stacking de lama vermelha. As figuras e as fotos a seguir mostram as características de secagem das lamas da MRN e Paragominas. em Paragominas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em minas de bauxita. Figura 5 .

Lama em estágio final de secagem Figura 9 .Séculos XIX. da Samarco.Lama lançada. em processo inicial de secagem Figura 8 . na Mina de Morro Velho (Mina do Queiroz).0 m de altura. em Nova Lima. Algumas barragens de rejeitos representativas Apresenta-se aqui um resumo das informações de duas dessas barragens: uma que pode ser considerada como o primeiro siste­ ma de rejeitos implantado no Brasil. A descri­ ção apresentada é do sistema em sua configuração atual. Minas Gerais. XX e XXI Figura 7 . 380 . a qual contém a barragem de rejeitos mais alta do Brasil.Aterro construído sobre lama após a secagem Figura 10 .A História das Barragens no Brasil . em 1944. A segunda barragem aqui apresentada é a barragem do Germano. no município de Mariana. atualmente com cerca de 175.Teste piloto de secagem 4.

A planta possui duplo circuito. além da planta de beneficiamento industrial propriamente dita. será abordado o tratamento na planta industrial do Queiroz.Raposos. O acesso ao empreendimento. na região do chamado Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. Figura 11 .000 toneladas de minério por ano. pode ser feito pela rodovia MG-030. Em particular aqui. partindo-se de Belo Horizonte. Localização e acessos A Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração (AGACSM) ope­ ra algumas minas e plantas metalúrgicas para beneficiamento de minério aurífero na região de Minas Gerais e Goiás.MG. transportado por meio de um teleférico com 15 km de extensão e capacidade no­ minal instalada de 830. três barragens e seis valas para disposição de rejei­ tos.Nova Lima . alimentado pelo minério sulfetado da Mina de Cuiabá. que liga Nova Lima a Belo Horizonte a uma distância aproximada de 30 km. denominado Cuia­ bá . A planta industrial do Queiroz está situada no Município de Nova Lima .000 m2. O concentrado do minério da Mina de Cuiabá.Anglo Gold Ashanti Este item foi redigido pelo engenheiro Murilo Amorim Costa e gentilmente cedido pela Anglo Gold Ashanti.1 Mina do Queiroz . através das etapas de ustulação (que corresponde à Figura 12 – Localização da planta industrial do Queiroz (AngloGold Ashanti) 381 . próximo à divisa com o Município de Raposos. incluindo. afluente do Rio das Velhas (Figura 12). 4 a 8].Sistema de disposição de rejeitos – foto aérea das instalações A planta metalúrgica do Queiroz possui uma área útil de 480. em região da bacia hidrográfica do Córrego do Queiroz. principal unidade em operação no Brasil (Figura 11).MG . Os dados aqui apresentados têm como base os documentos mencionados nas referências desta publicação [Ref.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 4.

No momento atual. XX e XXI oxidação ou queima do minério na presença de oxigênio e tempera­ tura elevada) e a hidrometalurgia (responsável pela extração do ouro contido no minério). de um modo geral. Histórico A AGACSM mantém. Hoje con­ templa as seguintes unidades: barragem de rejeitos de Cocuruto.500 toneladas de ácido sul­ fúrico. o programa de Descrição do sistema O sistema de deposição de rejeitos industriais processados pela An­ gloGold Ashanti Brasil Mineração na sua Instalação de Beneficia­ mento localizada no Queiroz é contido em 03 reservatórios e mais um sistema de valas fechadas. 60 kg de prata e 17. desde o ano provável de 1944. o que irá capacitar aquele reservatório a um incremento de deposição de cerca de 12 x 106 m3. que passaram a operar no final do ano de 1982. neste período. A produção média mensal (2010) é de 800 kg de ouro. todos eles localizados no vale do Queiroz. constava este de uma barragem interposta ao vale do Queiroz. de Rapaunha. construída em 1986. A partir do ano de 1995. de cerca de 2. Essas barragens. foram sistematicamente instituídos pro­ cedimentos de gerenciamento das atividades de operação e moni­ toração das barragens de rejeitos integrantes do sistema. para a recuperação do ouro no processo industrial. foram concebidas de forma a serem alteadas à medida em que venha a ocorrer a ocupação do seu reservatório pelos rejeitos lançados: para isso. e os resíduos são encaminhados para barragem de Calcinados e valas de lama arsenical. 382 . foi via­ deposição previu uma sequência de lançamentos com os consequentes alteamentos dos maciços. O rejeito gerado no processo de beneficiamento do minério é conduzido para tanques na unidade industrial e então bombeado para as barragens por meio de tubulações em PEAD ou aço car­ bono.5 x 106 m3. à altura do antigo bairro do Galo. encontram-se sob utilização os reservatórios das barragens de Rapaunha e Calcinados. este sistema foi ampliado com a construção de mais duas barragens. O circuito Raposos é alimentado por minérios não-sulfe­ tados extraídos de minas menores do entorno de Nova Lima e está atualmente paralisado.Barragem de Cocuruto . Inicialmente. O produto final obtido são os metais ouro e prata. a barragem de rejeitos Calcinados. denominadas Rapaunha e Cocuruto.capacidade total de .A História das Barragens no Brasil . com a acumulação. exaurida a capacidade de deposição na barragem de Rapaunha.capacidade total de . de for­ ma a adequar o sistema às necessidades decorrentes da expansão da Empresa (Projeto Cuiabá/ Raposos).Barragem de Calcinados .Barragem de Queiroz . em Nova Lima. suportadas por estruturas metálicas por um caminhamento sempre em nível ascendente. que se situa na mesma bacia hidrográfica da planta in­ dustrial do Queiroz. foi necessário introduzir a tecnologia de ustulação. um sistema de deposição de seus rejeitos industriais na região do vale do Queiroz. Uma vez que o processo de ustulação retém os gases de SO2. e o ácido sulfúrico. a saber: . o que dará vez à chamada barragem do Queiroz. além de uma outra. (denominada Barragem de Queiroz) a qual assegurou a deposi­ ção dos rejeitos da Empresa até meados do ano de 1954.capacidade de . com a primitiva barragem ali existente.capacidade total de ~4 x 106 m3 17 x 106 m3 12 x 106 m3 12 milhões de m³.Barragem de Rapaunha . virá a ser pro­ movido o alteamento da barragem de Cocuruto. No futuro. A operação deste sistema foi iniciada no ano de 1944. bilizada a construção de uma fábrica de ácido sulfúrico. A partir de 1981. No circuito de Cuiabá.Séculos XIX. inserindo nestes a criação de uma equipe permanente de fiscalização e controle. de Calcinados e o conjunto de valas de deposição de arsenato férrico (lama de gesso). Parte do material resultante da ustulação volta para receber o processo de cianetação.

Sua elevação de crista encontra-se na cota 856.50 m. entrada em operação da planta metalúrgica de Cuiabá. Quando de sua operação. onde está posicionado o lago e o sistema de recirculação de água para aproveitamento nas operações industriais. formando a partir daí a praia.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Na barragem do Rapaunha.Seção esquemática da barragem do Rapaunha 383 . Após esse período. os rejeitos eram conduzidos por gravidade por meio de canaletas construídas em concreto e lançadas tal como em Rapaunha na posição mais a montante possível. 4.1. que consiste em um alteamento da antiga barragem da MMV. A capacidade total de deposição em seu reservatório é de cerca de 17 milhões de toneladas de rejeitos. posicionado sobre a crista da barragem) e o nível d’água do reservatório na elevação 853. encontra-se no momento sem receber aporte de rejeitos.50 m (topo do muro de concreto. A barragem do Cocuruto. sendo que 4. o aporte de rejeitos foi interrompido. no momento. prevê-se disponibilizar a barragem do Queiroz.1 Barragem do Rapaunha A barragem de rejeitos de Rapaunha. aproximadamente 10 milhões de metros cúbicos. teve sua construção e início de operação em meados de 1983. Na posição a montante e mais próximo da ombreira esquerda. não recebe rejeitos por estar com sua capacidade volumétrica tomada. esses são lançados por meio de espigotes posicionados sobre o barra­ mento. havendo sido utilizada até o final do ano de 1985. Na barragem de Calcinados. que abriga rejeitos não inertes. e foi concebida para que sua construção ocorresse em fases. mantidas as taxas de produ­ ção previstas até o momento. quando teve esgotada a sua capacidade adicional do alteamento. como abordado anteriormente. que veio a operar até o ano de 1957. de tal ma­ neira que a formação da praia ocorra de montante para o barra­ mento. esses são lançados na posição mais a montante possível. A barragem de rejeitos de Rapaunha situa-se no vale Queiroz. um lago protegido por dique é formado e o sobrenadante é bombeado para uma estação de tratamento de efluentes. construída a montante e simultaneamente com a barragem de Cocuruto. que abriga os rejeitos inertes. Desde a Figura 13 . O final de sua vida útil está previsto para se dar até o ano de 2025.1. servindo apenas como reservatório de água para suprimento à planta metalúrgica.2 Barragem do Cocuruto A barragem de Cocuruto. dos quais 5 milhões encontram-se ocupados por rejeitos depositados no período de 1986 até a presente data. de acordo com a necessidade de enchimento do reservatório.

Figura 14 . excetuado seu recobrimento coluvionar e horizontes superficiais mais alterados. Quanto às propriedades hidráulicas do solo da fundação. A cons­ trução do maciço ciclonado. o mesmo apresentabaixas permeabilidades. passando a operar desde então.1. tendo sua crista situada na cota 830 m. embora anisotrópico devido à xistosidade. XX e XXI a disposição desses rejeitos passou a ser feita no reservatório da barragem Rapaunha. é relativamente homogêneo. apresentandobons parâmetros de resistência à penetração. na forma de camadas descontínuas ou lentes de médio porte. destinando-se aos depósitos de rejeitos calcinados pro­ cessados na planta do Queiroz. Esta barragem não descarta efluen­ tes para jusante. competentes para garantir a estabilidade das fun­ dações das barragens de terra. graças a sua maior resistência aos processos de erosão e denudação. a partir de quando terá sua capacidade acrescida em aproxi­ madamente 12 milhões de metros cúbicos. utilizando para o alteamento material ciclonado do rejeito originário do circuito de Raposos e do Rejeito da Flotação. por vezes na forma de solo re­ sidual resistente. secundaria­ mente. A barragem do Cocuruto tem previsão de alteamento no futu­ ro. em conseqüência da elevação de sua crista em mais 20 m. os alte­ amentos passaram a ser realizados por jusante. 384 .Seção da barragem do Cocuruto 4. O alteamento da barra­ gem de Calcinados. caracterizados geomorfologicamente por cristas ou cordões realçados na topografia. mantendo bombeamentos dos fluxos internos e do excedente da fração líquida do reservatório de retorno para a planta industrial.Seção da barragem de Calcinados Os filitos apresentam-se alterados. com predominância de rochas do Grupo Nova Lima.Séculos XIX. utilizando como material de cons­ trução o underflow da ciclonagem dos rejeitos gerados na Planta ocorreu por meio do método construtivo centerlining (linha-decentro) até atingir a cota 846 m. A partir desta elevação. contendo para isso dispositivos especiais que lhe asseguram a operação em regime de “circuito-fechado”. por Formação Ferrífera laminada e conglomerado de matriz xística. de acordo com as condições de projeto. Esse grupo é representado principalmente por xistos e filitos metassedimentares e metavulcanicos e.A História das Barragens no Brasil .3 Barragem de Calcinados A barragem de Calcinados foi construída em 1986. O maciço original foi construído de um núcleo de aterro argiloso compactado. A área da bacia de deposição de rejeitos é caracterizada pela ocor­ rência da série Rio das Velhas. O pacote estratigráfico do Grupo Nova Lima é local­ mente cortado por diques metadiabásicos e veios de quartzo de espessura métrica. Figura 15 . Geologia e Fundação O maciço de fundações. ocorreu até a cota 860 m. da ordem de 10-5 cm/s. Os filitos se apresentam menos alterados na ombreira esquerda e na região de descarga das vazões. devido à presença de siltes micáceos.

ocorrem solos residuais de xisto. sem estrutura preservada. pro­ veniente da alteração dos xistos metassedimentares. feita com base nas inspeções periódicas. com trechos bastante íngremes. Vertedouro de emergência. Bombas flutuantes. A calha do rio apresenta material impenetrável a percussão em profundidades de 5 a 15 metros – xisto alterado. constituído inicialmente por uma camada de silte argiloso de consistência média. até ser alcançado o impenetrável. sendo que o índice de resistência à penetração SPT cresce com a profundida­ de. Existe uma camada superficial de argila. O perfil do subsolo apresenta basicamente uma camada superficial de argila siltosa mole. O perfil típico do manto de intemperismo apresenta. com espessura média de 2 m. d) Aplicação de medidas de controle. Sob essa camada. nas leituras dos instrumentos. amarelo). vermelho. com coloração variegada (rosa. c) Avaliação das condições de funcionamento e/ou de segurança da estrutura. uma camada de argila pouco arenosa. com coloração esverdeada. compacto. e fi­ nalmente o xisto são. Tubulação de recirculação de água. O coeficiente de permeabilidade é da ordem de 10-5 cm/s. apresentando índice de resistência à pe­ netração crescente com a profundidade. Estação de tratamento de efluentes. marrom. pouco consistente. A estrutura mais marcante dos xistos é a foliação. De uma maneira geral. com espessura de poucos metros. aparecendo ainda uma camada superficial descontínua de argila sil­ tosa mole.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A área é recoberta por espesso manto de intemperismo. a partir da super­ fície. Sobrejacente ao solo residual de xisto. Corta-rio. passando gra­ dativamente a rijo e duro com xistosidade preservada. no conhecimento teórico e na experiência acumulada tanto com as atuais estruturas quanto com estruturas semelhantes. até a superfície da rocha alterada. que se apresenta descontínua em face de escavações anteriormente re­ alizadas na área. na utilização de ferramentas auxiliares como as ”cartas de risco”. que assumem localmente direção variando de N10 a N30. geralmente róseo. A margem esquerda apresenta inclinação acentuada. com espessura média de 2 metros. na sequência do Manual de Operação: Barragens de rejeitos. representada pelos seus planos de xistosidade. o coeficiente de permeabilidade dos solos varia de 3 x 10-5 cm/s a 2 x 10-4 cm/s. sendo coberta por manto de intemperismo de espessu­ ra de 15 a 25 metros. pouco espessa. representado pela superfície de rocha alterada. b) Leituras sistemáticas dos instrumentos. Cada uma delas é abordada de forma conveniente. amarela ou mar­ rom. pouco compac­ to. A margem direita do vale apresenta inclinação média. Monitoramento e controle do sistema O monitoramento e o controle do sistema de contenção de rejeitos são realizados na seguinte seqüência: a) Inspeções periódicas de campo. 385 . de consistência mole. uma camada de silte arenoso. marrom ou amarela. ocorrem solos silto argilosos de consistência rija a média. Reservatórios das barragens. Sobre esse ma­ terial. em destacado. onde são feitas observações superficiais nas várias estruturas que constituem o sistema de con­ tenção de rejeitos. da ordem de 11º. com mergulhos acentuados para SE. uma camada de xisto alterado. quando for o caso. entre outras. constituídos de silte argiloso de consistência média a rija. As estruturas seguintes são objeto de monitoramento e controle. Tubulação de rejeitos. Sistema de coleta e bombeamento de água percolada. uma camada de silte argiloso vermelho.

Pontos de monitoramento ambiental Diante das dificuldades de detecção de problemas pela simples inspeção visual. para avaliação do potencial de ruptura.Séculos XIX. tem seu sistema extravasor. Régua graduada e pluviômetro. foi preparada uma carta de risco. Piezômetros e medidores de nível d’água. Sistema de vertimento O sistema de disposição de rejeitos do Queiroz. A figura 16 apresenta a localização dos pontos de monitoramento ambiental. constituído pelas três barragens e mais seis valas de lama. XX e XXI O monitoramento da segurança da barragem é feito utilizando-se dos seguintes tipos de instrumentos: Marcos superficiais. conforme adiante descrito: 386 . seja por erosão interna. cisalhamento ou galgamento. Medidor de vazão. Figura 16 . cisalhamento ou galgamento.A História das Barragens no Brasil . Com as informações obtidas nas inspeções periódicas e na leitura dos instrumentos pode-se então avaliar a segurança da barragem para as condições de ruptura por erosão interna.

60 0. para o fechamento da barragem. A água acumulada no reservatório é encaminhada ao sistema de tratamento de efluentes por meio de bombeamento e posteriormente conduzida à barragem do Rapaunha. À medida que são dispostos rejeitos no interior do reservatório.80 m e declividade igual a 22%. ver­ timento de seu reservatório. 560 Drenagem Filtro vertical e tapete Tapete Filtro inclinado e tapete Classe III III III Calcinados Operação Cocuruto Fechada FS = Fator de segurança 387 .20 m e altura igual a 1.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Barragem de Calcinados É uma barragem em circuito fechado. 592 1. que atravessa o maciço e liga-se a uma tubulação em aço. incluindo o sistema de disposição de rejeitos. portanto.50 m. Calcinados e Cocoruto Barragem Status Volume m3 Área km2 Rapaunha Operação 12 x106 4 x 106 4.50 52 41 FS 1. vão sendo adicionadas placas de concreto na torre de captação dessa estrutura para evitar o vertimento de rejeitos. onde os fluxos são coletados e bombeados para a estação de tratamento de efluentes. seja pelo maciço. foi elaborado um plano de fechamen­ to para a Planta Metalúrgica do Queiroz. que é direcionada para jusante para um poço. responsável por lançar os vertimentos no córrego do Queiroz a jusante da barragem. construído na ombreira esquerda da barragem. Barragem do Rapaunha Esta barragem possui a missão de armazenar rejeitos e água para uso na planta metalúrgica e utiliza um vertedouro tipo poço. Muito embora haja outros orifícios inferiores a esta elevação.20 m e declividade igual a 2.1. não havendo.60 4. seja pelas fundações. com ori­ fícios verticais duplos com dimensões iguais a 2.55 Construção Aterro compactado Rejeito ciclonado Aterro compactado Altura m 50.4. suficiente para amor­ tecimento de uma PMP (Precipitação Máxima Provável). com seção transversal igual a 2.3 m e soleira na elevação 802. 4.40 m x 1. Tabela 3 – Ficha Técnica das Barragens Rapaunha. em seção retangular com base igual a 1. garantindo uma borda livre igual a 3. com diâmetro igual a 1.0 m. o vertedouro permite operação até quando o nível do rejeito atingir a elevação 859.0 m.00 m.0 m x 1. A torre do vertedor acopla-se a uma galeria em concreto arma­ do. é captado a jusante em poço e bombeado para o reservatório.5%. sendo que está prevista a construção de outro vertedouro de superfície. apenas drena­ gem interna. O fluxo oriundo das águas de percolação. Barragem do Cocuruto O barramento é dotado de um vertedouro tipo poço. Ficha Técnica Plano de Fechamento Com vistas no futuro.9 x 106 1. Valas de lama As valas de lama não possuem sistema de vertimento. estes encontram-se selados por stop-logs em virtude do avanço de rejeitos. 628 1. Como foi construído contemplando o arranjo inicial.

ex­ traído pela Samarco. denominado rejeito arenoso.2 Sistema de Disposição de Rejeitos do Germano Samarco Mineração S.Séculos XIX. para ade­ quação da dinâmica das operações e atendimento às novas leis ambientais que venham a ser aprovadas. A seguir estão apresentadas as informações do sistema do Ger­ mano. Com o início de operação da segunda unidade de beneficiamento (Planta II) da Samarco. Esse plano de fechamento atende também o disposto no Código Internacional de Cianeto. houve um aumento na geração de rejeitos. Além da função de reservação de água. são gerados dois tipos de rejeitos com ca­ racterísticas bastante distintas: um rejeito mais fino. alimentando um sistema de correias transportadoras de longa distância. em Mariana . somado à proximidade do final da vida útil do Reservatório do Germano. Na Samarco. denominado lama e um rejeito com granulometria mais grosseira. A partir do processo de beneficiamento do minério de ferro. Esse fato. que está localizada a jusante dos reservatórios do Germano e do Fundão. 4. a barragem do Santarém tem como finalidade a contenção dos sedimentos provenientes destes reservatórios. 9 a 11]. Este sistema não faz parte da presente descrição. fez surgir a necessidade de um novo local para a disposição dos rejeitos gerados pelas duas unidades de beneficiamento (Planta I e Planta II). em um horizonte de operação de aproximadamente 9 anos. Tulipa e Selinha. com base nos documentos mencionados no item 6 deste capítulo [Ref. como uma nova área para a disposição dos rejeitos granulares (arenosos) e finos (lamas). A empresa realiza lavra a céu aberto por meio de equipamentos móveis e por correias de banca­ da.A Introdução A Samarco Mineração S.MG.A é uma empresa brasileira de mineração que extrai minério de ferro das frentes de lavra do complexo de Alegria. no final de 2008. aos sistemas de certificações obtidos e implementados pela empresa. Neste contexto surge o Sistema de Rejeitos do Fundão. gerados pelas Plantas I e II.A História das Barragens no Brasil . e pelos diques da Sela. na Unidade Germano. o reaproveitamento da água utilizada no processo de beneficiamento do minério de ferro é realizado através de um sistema de recirculação com captação no reservatório da barragem do San­ tarém. que levam o minério para a planta de beneficiamento. que fecha o vale no lado extremo leste. Localização do sistema O reservatório do Germano é formado pela barragem prin­ cipal. localizados a montante. XX e XXI Esse plano de fechamento é revisado periodicamente. posicionados sobre três antigas selas Figura 17 – Mapa com a localização da Unidade Operacional Germano 388 .

no sistema do Germano. sem comprometer a estabilidade da barragem. 4. montante. foi a alternativa adotada para postergar a implantação de uma nova área de disposição de rejeitos e me­ lhorar as condições de estabilidade da barragem principal. A partir de 1993 o alteamento da barragem principal. construído com aterro compactado. na medida em que se elevava o nível de rejeitos arenosos. os alteamentos sub­ sequentes foram executados com afastamento entre 60 e 100 metros para montante da crista existente na elevação 886 m. A partir daí.0 m. provenientes da planta de beneficiamento de minério de ferro. a jusante da barragem do Germano. o empilhamento drenado de rejeitos arenosos. com inclinação dos taludes igual a 1V:1. Os alteamentos foram realizados através de diques de aterro com­ pactado com altura variável entre 4 e 6 metros.2. separando uma área do reservatório a montante e servindo de estrada de acesso para o lado norte. visando a situação de fechamento. A partir daí. passou a ficar inviável por razões de estabilidade da barragem. O empilhamento de rejeitos a jusante da barra­ gem principal teve início a partir de um dique de partida. Com o ob­ jetivo de garantir a continuidade do lançamento dos rejeitos no reservatório. até ser atingida a elevação 886 m. em 1976. Tulipa e Selinha para o fechamento das três selas topográficas existentes na região nordeste do reservatório.5H e crista na cota 790 m. finos e granulares. com a finalidade de receber os rejeitos. Este dique foi construído com crista na elevação 849. lançados no interior do seu reservatório. O dique Auxiliar atravessa o reser­ vatório do Germano.Vista geral do sistema de disposição de rejeitos da Samarco O reservatório do Germano foi formado a partir da construção da barragem Princi­ pal do Germano.5 m e altura máxima igual a 70 m. impermeabilizado por um núcleo de material argiloso a 389 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens topográficas na margem nordeste do reservatório. A mesma entrou em operação em 1977.1 Barragem principal e empilhamento a jusante Generalidades A implantação da barragem do Germano foi iniciada com a construção de um dique de partida de enrocamento. foi necessária a construção dos diques da Sela. foram realizados altea­ mentos sucessivos para montante. por diques a montante junto à crista do estágio anterior. com o ponto mais baixo das funda­ ções na elevação 745. Posteriormente. com a subida do nível de rejeitos no interior do reservatório do Germano. com uma camada de transição entre o núcleo e o enrocamento. A crista da barragem alcançou a elevação 899 m com aproximadamente 120 metros de altura. A Figura 18 ilustra a configuração das estruturas. O sistema de drena­ gem interna deste dique de partida consistia em Figura 18 .

de um dreno situado no fundo do vale.Séculos XIX. em seu ponto mais baixo. O talude de jusante foi protegido com blocos.0 m. No contato dos rejeitos do reservatório da Pilha a Jusante com o talude de jusante da barragem prin­ cipal do Germano há um dreno interligado ao dreno de fundo. desde o dique de partida do empilhamento até o offset de jusante da barragem do Germano. portanto. Considerando a cota de fundação. blocos passados em gre­ lha e blocos de maior dimensão. a altura total atual é de 175. O sistema de drenagem interna do empilhamen­ to consiste. XX e XXI um filtro inclinado no talude de montante e na crista do dique. O sistema de drenagem superficial é constituído por uma escada de descida d’água.A História das Barragens no Brasil . Com este sistema de drenagem interna.0 m. pro­ tegido na face de jusante por solo argiloso compactado Os taludes de jusante possuem inclinação igual a 1V:2H com um talude médio global igual a 1V:3H. O reservatório da barragem do Germano unificará com o reservatório da barragem do Fundão na cota 920. O sistema será expandido à medida que os alteamentos forem sendo implantados Na figura 19 está apresentada uma seção típica da barragem principal do Germano incluindo o empilhamento de rejeitos a jusante. em um maciço não saturado estável e de baixo potencial de dano. Figura 19 – Seção transversal típica da barragem principal do Germano com o empilhamento a jusante Figura 20 – Foto de estrutura construída sobre o empilhamento drenado 390 . posicionada na ombreira esquerda. composto por camadas de oversize fino e grosso. o maciço de rejeitos é drenado constituindo-se. disposta perpendicularmente às canaletas lon­ gitudinais das bermas. A partir da construção deste dique de partida foram feitos alteamentos consecutivos para montante. além do dreno do dique de partida. O núcleo dos diques é constituído por rejeito arenoso. a cada 5 m de altura.

À medida que o nível de rejeitos dentro do reservatório do Germa­ no foi sendo elevado foram necessários vários alteamentos. denominados dique da Sela e dique da Tulipa.2. sendo alterada para cada 15 dias em caso de anomalias. foram instalados 6 piezômetros Tabela 4 – Características da Barragem do Germano (maio/2008) Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Contenção de rejeitos Bechtel / Pimenta de Ávila Consultoria do tipo Casagrande. funcionando como núcleo. tanto do dique da Sela. Na região do fundo do córrego foram removidos blocos de rocha. A parte superior das ombreiras é formada por filito decomposto. Na pilha a jusante do Germano. foi necessária a construção de dois diques. com crista na El. No final de 2010.0 m. A frequência das leituras é mensal. Na barragem principal do Germano foram instalados 14 piezôme­ tros do tipo Casagrande. e uma zona em enrocamento no espaldar de jusante. foram necessários novos alteamentos dos diques da Sela e da Tulipa.2 Dique da Sela e Dique da Tulipa Devido à existência de duas selas topográficas na margem norte do re­ servatório do Germano.00 m 300.0 m e nas bermas do talude de jusante. em geral são constituídos em seção mista. matacões. Os maciços.0 m Tipo tulipa com galeria de descarga (localizado adjacente ao dique da Tulipa) Geologia e fundações A fundação da barragem principal do Germano é composta por fili­ to são.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Ficha Técnica Na Tabela 4 estão apresentadas as principais características da barragem principal do Germano. 391 . Em toda a região de fundação da barragem foi removida a camada superficial de material orgânico. com uti­ lização de uma zona impermeável em aterro argiloso compacta­ do. localizados no patamar da cota 886. para possibilitar a continuidade do lançamento de rejeitos no interior do reservatório. Os materiais de construção disponíveis para a implantação dos maciços de alteamento dos dois diques conduziram a uma geo­ metria em blocos sujos com uma faixa de material argiloso im­ Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Sistema Extravasor - 919.913. os dois diques foram alteados pelo método de mon­ tante. 4. Monitoramento O monitoramento da barragem principal do Germano consiste na leitura dos piezômetros instalados. comprovando a boa drenagem do maciço de rejeitos. nas porções inferiores das ombreiras esquerda e direita e em todo o fundo do vale.0 m 169. areia e cascalho. quanto do dique da Tulipa. Os piezômetros instalados na pilha de jusante indicam leitu­ ras com poropressões nulas. Devido ao início de operação da segunda planta de beneficia­ mento de minério de ferro da Samarco e o conseqüente aumento na geração de rejeitos.

Monitoramento No dique de Sela estão instalados 3 piezômetros de Casagrande e 3 indicadores de nível de água. conectada a um canal rápido e uma bacia de dissipação à jusante deste.0 m dos diques da Sela e Tulipa é composto por uma galeria ligeiramente inclinada associada a uma torre vertical.2.no local do antigo túnel bala. com cota 392 . respectivamente. No dique da Tulipa estão instalados 3 piezômetros de Casagrande e 3 indicadores de nível de água. Na fundação do alteamento dos dois diques foi implantada uma base constituída de blocos sujos. 4. ambos em concre­ to celular pré-fabricado PÁDUA e um trecho de galeria em concreto armado. XX e XXI permeabilizante a montante. a sul do reservatório do dique auxiliar. no reserva­ tório do Germano. controladas por soleiras vertentes situadas nas seguintes posições: a). em soleira construída sobre a encosta rochosa.0 m concluído Março de 2011 913.0 m 23. c).0 m 450.913.3 Dique da Selinha Na região sudeste do reservatório do Germano. foi verificada a existência de uma nova sela topográfica.A História das Barragens no Brasil . b).913.0 m Ficha Técnica Nas Tabelas 5 e 6 estão apresentadas as princi­ pais características do dique da Sela e do dique da Tulipa.0 m 375. na confluência do acesso ao Empi­ lhamento de Rejeitos Granulares de Germano Jusante e do acesso à mina de Fábri­ ca Nova (Vale).Séculos XIX.0 m Sistema extravasor As condições de amortecimento das cheias. apenas para dar suporte ao alteamento. supõe a distribuição dos deflúvios nas várias sub-áreas.na área imediatamente a montante da tulipa.na extremidade de jusante da Baia 3. O sistema extravasor construído na ocasião do alte­ amento para El. Tabela 5 – Características do Dique da Sela Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Contenção de rejeitos Figueiredo Ferraz / Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El.0 m concluído Março de 2011 913.0 m 41.910. Tabela 6 – Características do Dique da Tulipa Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Contenção de rejeitos Figueiredo Ferraz / Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El.

Os materiais de construção disponíveis para a implantação do maciço de altea­ mento do dique conduziu a uma geometria com utilização de uma faixa imper­ meável de material argiloso a montante e em blocos sujos no espaldar de jusante. No final de 2010 a crista do dique da Selinha foi alteada pelo método de montante para a El.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de topo posicionada na elevação 901. dos rejeitos da flotação em célula.50 m em julho de 2010. encontram-se instalados e funcionando corretamente 3 indicadores de nível d’água. que conectam o reservatório do dique Auxiliar ao reservatório do dique da Sela/Tulipa.0 m. A drenagem interna do dique foi prolongada nesse trecho.0 m 135. e filtro vertical de areia. simultaneamente aos alteamentos a serem implantados nos diques da Sela e da Tulipa. Ao longo do tempo. Monitoramento Ficha técnica Na Tabela 7 estão apresentadas as principais características do dique da Selinha. Atualmente a cota da crista do dique Auxiliar está na elevação 917. inicialmente para se­ parar as lamas dos rejeitos arenosos. 393 . Para o estabelecimento de uma borda livre. Dessa forma tornou-se necessário im­ plantar um dique de sela nesta região.50 m. apenas como suporte ao alteamento.0 m de espessura. Monitoramento No dique da Selinha estão instalados 4 piezômetros de Casagrande e 5 indicadores de nível de água. em ambos os lados do dique auxiliar.0 m 23.0 m concluído 913.2. Tabela 7 – Características do Dique da Selinha Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Contenção de lama Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El. de aproximadamente 1.913. o lançamento simultâneo de lamas e rejeitos arenosos.50 m). O sistema de drenagem interna é composto por tapete horizontal de areia. sendo utiliza­ do laterita na sua construção. foi executado um alteamento emer­ gencial de 0. Na fundação do alteamento do dique foi implantada uma base constituída de blocos sujos. 4.0 m Atualmente. resultou em uma estrutura submersa tanto a montante como a jusante. Ficha Técnica A Tabela 8 apresenta as características gerais do dique Auxiliar. O dique da Selinha foi construído utilizando uma seção composta por aterro compactado de material argiloso proveniente da pilha de estéril da Vale. em Fá­ brica Nova. O dique não possui sistema de drenagem interna. A jusante do dique foi im­ plantada uma berma de blocos sujos afim dar estabilidade à estrutura alteada. denominado dique da Selinha.4 Dique Auxiliar O dique Auxiliar foi implantado.913. Extravasor Até dezembro de 2010 o dique Auxiliar possuía um sistema extravasor composto por três tubos ARMCO’s (Ø 1.0 m. sendo alteada sucessivamente. atra­ vés de tubulação. retendo as lamas na área de montante do reservatório do Germano e ficando o restante do reservatório para a descarga.

com taludes de 5.5 m concluído 917. A pilha de rejeito atingirá a elevação 1.0 m 3 tubos ARMCO’s Ø 1.00 m de largura da crista e uma inclinação média de 1V:3H.00 m e o tapete drenante com 30.5 Cava do Germano A Cava do Germano é uma antiga área de lavra. alteados para montante.50 m e 4 tubos ARMCO’s Ø 1.0 m.00 m material proveniente da erosão das suas paredes. com superfície da funda­ ção na elevação 945.917.00 m e os diques de alteamento da pilha. 4. tanto o dique quanto o tapete possuem camadas de transição fina junto a fundação da pilha. Em 2006 iniciou-se o empilhamento de rejeito arenoso da segunda fase da Cava do Germano. O dique de partida e o tapete drenante são os principais dispositivos de drenagem interna da pilha de primeira fase. foram projetados com suas bermas com declividade de 2% para sul.50 m 37.50 m). O material assoreado funcionou como a fundação da pilha de re­ jeitos na primeira fase de recuperação da cava. A crista do dique de partida foi posicionada na elevação 955.Séculos XIX. exaurida no final da década de 80.50 m de altura em substituição aos três tubos ARMCO’s (Ø 1.00 m de altura. Esse projeto de recuperação foi divido em duas partes.00 m) com o intuito de melhorar a eficiência de extravasão desse reserva­ tório. dando continuidade ao projeto de reabilitação dessa área degradada. vislumbra-se a possibilidade de implantação de um canal trapezoidal em enrocamento. 5.00 m de extensão e para montante. Como a fundação é em solo.2. sendo desenvolvido um projeto de recuperação. Recentemente. A cota de crista do dique foi projetada na elevação 950. com base menor de 5.00 m. denominadas de primeira e segunda fase. Além disso. taludes 1V:1H e 2. XX e XXI Tabela 8 – Características do Dique Auxiliar Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Sistema Extravasor Contenção de rejeitos Figueiredo Ferraz / Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El.50 m 820. com o objetivo de manter a linha de saturação afastada do talude externo da pilha. A partir dessa época a cava passou a ser assoreada pelo Figura 22 – Seção transversal típica da Cava do Germano Figura 21 – Vista da Cava do Germano 394 .100 m.A História das Barragens no Brasil . foram instalados mais quatro ARMCO’s (Ø 1.

Minas Gerais. Agradecimentos Agradecemos à Pimenta de Ávila Consultoria Ltda a utilização de informações de seu arquivo técnico e a preparação dos textos aqui publicados. UFMG. 2004. 4. 9. 10. Julho /2002.br.Pimenta de Ávila Consultoria.UNITED STATES COMMITTEE ON LARGE DAMS – USCOLD. 6. Barragem do Queiroz. 11. Tailings Dams Incidents. Barragem do Queiroz.Manual de Operações do Sistema de Rejeitos da Planta Metalúrgica do Queiroz. Rapaunha e Cocuruto da CMEC. 2.RT-039-5133-1310-0007-00-B . 5. 7.913.Estudos de Descomissionamento das Barragens de Rejeitos da Área da Planta do Queiroz.Avaliação do Trânsito de Cheias nos Reservatórios da Barragem do Germano – Atualização Base Topográfica – Dezembro 2010.G3-PR-13-0017/79. Relatório Final de Estudos Geológico-Geotécnicos. 82p. 395 .MMVREPAA.Azevedo.Bacia de Acumulação de Rejeitos. SA-901-RL-4596-0C – Sistema de Rejeitos – Rejeito Arenoso – “Manual de Operação da Barragem do Germano”. Patrimônio Geológico e Geoconservação no Quadrilátero Ferrífero. Tabela 9 – Características da Cava do Germano Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Sistema Extravasor Empilhamento de rejeito arenoso Pimenta de Ávila Consultoria Ltda Alteamento para El. Dezembro de 2003.Anderson Pires Duarte. Disponível em: http://www. da Geotécnica de Novembro de 1978. Revisão ano 2009.icold.O sistema de drenagem su­ perficial do talude de jusante da pilha é composto por canaletas e escadas em concreto estrutural.0 m 54. Geotécnica de Maio de 1980. 3. de Setembro de 2004. Sistema extravasor O sistema extravasor é composto por tubo flauta acoplado a uma galeria de concreto posicionada na parede direita da cava (sul). Programa Preliminar de Estudos Geológico-Geotécnicos. Potencial Para Criação de Um Geoparque da UNESCO. UFMG.Pimenta de Ávila Consultoria. da Golder Associates.PI-PR-130005/78.Bacia de Acumulação de Rejeitos. Ficha técnica As principais informações da Cava do Germano estão apresentadas na Tabela 9.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O sistema de drenagem interna é constituído de tapete drenan­ te associado a drenos de fundo e por um dique de partida com paramento de montante drenante. Tese de Doutorado. 2007. R. Referências 1. Setembro de 2010.Laudo Técnico de Segurança de Barragem – Barragem do Germano. 2008.Estudo de Operação dos Reservatórios das Barragens de Calcinados. Classificação das Barragens de Contenção de Rejeitos de Mineração e de Resíduos Industriais no Estado de Minas Gerais em Relação ao Potencial de Risco.0 m concluído Março de 2011 992. U.0 m 325. Março de 2011. 8. SA-410-LT-22349-00 . SA-410-RL-22801-0C .Pimenta de Ávila Consultoria.0 m Tubo flauta conectado a uma galeria de concreto Monitoramento O monitoramento na Cava é realizado através de instrumentos insta­ lados sendo dez piezômetros do tipo Casagrande e dois indicadores de nível de água.

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não haver exigência legal de licenciamento ambiental. ELETROSUL. vivia sob um regime ditatorial. pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). mas não visível na foto. Além desses temas. Nesse evento. a necessidade de somente aceitar a introdução de novas tecnologias após a avaliação das consequências de sua utilização sobre o ambiente. além da ITAIPU 397 . à custa de endividamento externo. ELETRONORTE. em junho de 1972. Dessa Conferência. a necessidade de encorajar a distribuição internacional da capacidade industrial. via fluvial para migração de peixes. foram identificados como prioritários a necessidade de compreensão e controle das modificações ambientais produzidas pela humanidade nos principais sistemas ecológicos. de forma a minimizar os riscos ambientais de suas estratégias de desenvolvimento. da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. conecta o lago de Itaipu ao rio Paraná aproveitando em seu trecho inferior o leito natural do rio Bela Vista. O dia 5 de junho de 1972. foi construído o canal de águas bravas. em que se incluíam as barragens. que veio a realizar-se em Estocolmo. é preciso lançar um olhar histórico sobre a questão do meio ambiente como um todo e situá-lo no contexto político do País. quando foi realizada a primeira plenária dessa Conferência. foram definidos vários tópicos que requeriam atenção urgente e ações O canal da Piracema de Itaipu. em 1968. entre elas. O Governo impunha a sua vontade e. COPEL e CEEE. uma significativa quantidade de usinas hidroelétricas teve sua construção iniciada na década de 70. Em primeiro plano o lago de Itaipu e a tomada de água do canal. Como resultados. Apesar de. O Brasil. como suprimento de água. ao mesmo tempo em que os demais não queriam que se impusessem limitações ao seu próprio desenvolvimento. e as principais geradoras estaduais como CEMIG. as empresas do chamado setor elétrico de então (FURNAS. predominantemente com o objetivo de formação de reservatórios para geração de energia elétrica. do Sistema ELETROBRAS. e a necessidade de prestar assistência a países em desenvolvimento. as mais destacadas: usina hidroelétrica Itaipu e usina hidroelétrica Tucuruí. com plena dominância estatal dos investimentos em grandes obras públicas. poluição de mares e oceanos e ocupação urbana desordenada. As primeiras manifestações de preocupação com o meio ambiente podem ser identificadas na convocação.Evolução do Licenciamento Ambiental de Barragens no Brasil Para abordar o tema do licenciamento ambiental de barragens no Brasil. ficou estabelecido como o Dia Mundial do Meio Ambiente. criando condições de grande risco para a própria sobrevivência da humanidade. em 1972. Os primeiros externaram suas preocupações com os danos impostos ao ambiente pelo modelo de desenvolvimento predatório por eles próprios empreendido. a necessidade de acelerar a disseminação de tecnologias ambientalmente amigáveis e de desenvolver tecnologias alternativas àquelas danosas ao meio ambiente. com cerca de 10 km de extensão e desnível médio de 120 m. utilizado para competições esportiva desaguando no rio Bela Vista (foto Caio Francisco Coronel) Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Homero André dos Santos Teixeira em larga escala. participaram representantes de 113 países e de cerca de 250 organizações não-governamentais e o seu foco de atenção principal foi a constatação de que a ação do homem vinha produzindo severa degradação da natureza. CHESF. em seguida o canal para peixes e mais abaixo o lago e a represa. àquela época. A jusante do lago. ficou patente a divisão de enfoque entre os representantes de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento. CESP.

na companhia de profissionais da ELETRONORTE. avaliação de impactos a montante e a jusante da barragem e monitoramento ambiental.430 km2. bem como o reflorestamento de suas margens. Amazônia (Avaliação ambiental do aproveitamento hidroelétrico de Tucuruí – Rio Tocantins). A implantação da usina hidroelétrica Tucuruí. também. Rio Tocantins. já eram objeto de ações das empresas do Setor Elétrico desde a década de 60. despertou nos responsáveis pelo empreendimento a certeza de que ações de diagnóstico dos meios físico e biótico. conceituado profissional ligado ao Cary Arboretum of the New York Botanical Garden. Assim. uma Divisão de Ecologia que passou a concentrar as atividades ligadas ao meio ambiente. Simultaneamente. abordado. em um bioma sensível – Floresta Amazônica. o tratamento das questões ligadas aos povos indígenas foi. quando do enchimento do reservatório. Esse despertar para o meio ambiente foi iniciado pelos problemas de conflitos de reassentamentos de populações desalojadas pela formação de reservatórios e pela necessidade de compatibilizar a eventual explotação de recursos minerais em áreas alagáveis antes de sua inundação. Essas ações desenvolvidas entre 1978 e 1984. que abrangeram estudos a montante e a jusante da barragem. que já havia prestado consultoria para FURNAS. para soltura em áreas protegidas ou aproveitamento científico. em 1976.A História das Barragens no Brasil . a ELETRONORTE. o relatório Environmental Assessment of the Tucuruí Hydroelectric Project. que teve por objetivo promover o salvamento do maior número possível de indivíduos da fauna silvestre. CEMIG e ITAIPU.Séculos XIX. ligadas principalmente à qualidade da água e à introdução de peixes em reservatórios. com um reservatório da ordem de 2. em setembro de 1977. continuou ações ambientais sistematizadas em nove subprojetos. Com o início do aproveitamento de potenciais hidrelétricos na Região Amazônica. Iniciativas anteriores de preservação ambiental. para elaborar um relatório diagnóstico da problemática ambiental relativa à implantação da usina hidroelétrica Tucuruí e recomendar ações para minimizar os potenciais impactos ambientais identificados. O ecólogo Goodland. XX e XXI BINACIONAL) já demonstravam alguma consciência da importância do componente ambiental em seus empreendimentos. contratou o ecólogo Robert Goodland. A partir desse relatório. a ELETRONORTE criou. realizou várias campanhas de campo na região e apresentou. culminaram na denominada Operação Curupira. seriam indispensáveis para o sucesso do projeto. que já vinha enfrentando a problemática ambiental. Consultor de meio ambiente Robert Goodland em 2011 Consultor ambiental Robert Goodland (à direita) junto com Rupert Spearman (Ieco-Elc) na primeira inspeção a Itaipu em 1972 398 .

450 indivíduos.08.” E o inciso IV do Art. concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida. II . da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos.educação ambiental a todos os níveis de ensino.acompanhamento do estado da qualidade ambiental. dos Estados. define que a PNMA visa: “I . o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente. já restabelecida a democracia no Brasil.ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais. melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. a instituição do licenciamento ambiental de atividades efetiva ou poten cialmente poluidoras.à imposição. no País. tendo em vista o uso coletivo. IV .racionalização do uso do solo. cujo fechamento do desvio e enchimento do reservatório ocorreu em 1982. do Distrito Federal.02. objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. Em seu Art. do subsolo.proteção dos ecossistemas. encampa os resultados da Primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano e estabelece. 2º. considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido. que dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental.ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais. define que são instrumentos da PNMA “o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras”. da Política Nacional do Meio Ambiente . X . II . IX .938. da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e.incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais. IV . atendendo aos interesses da União. Somente nove anos após a realização da Conferência de Estocolmo é que surge.ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico.controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras. pela primeira vez no Brasil. ao poluidor e ao predador. e da Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA em caráter supletivo.PNMA (Lei 6. a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente.. VI . portanto. com resgate de 36.à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente. V . 4º. e define no Art. A Lei 6. VII .planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.DOU a Resolução CONAMA n o. condições ao desenvolvimento sócio-econômico. aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. de forma integrada.proteção de áreas ameaçadas de degradação. V . tais como: 399 . inclusive a educação da comunidade. somente em 17. que: “Dependerá de elaboração de Estudo de Impacto Ambiental .à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente.81). VII . à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Na implantação da usina hidroelétrica Itaipu. atendidos os seguintes princípios: I . de 31. esta lei estabelece: “A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação. VIII . da água e do ar .EIA e respectivo Relatório de Impacto Ambiental – RIMA. ao usuário.938. também foi realizada operação de salvamento de animais silvestres.à definição de áreas prioritárias de ação govername tal relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico. com a preservação de áreas representativas.à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preser vação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico.recuperação de áreas degradadas. 9º. Ill . 2º. visando assegurar. é publicada no Diário Oficial da União . III . 01. no Brasil. a primeira lei que trata. VI .” Já o Art.86. dos Territórios e dos Municípios. No entanto.

. analisando os aspectos de suas especialidades. o município.12. quando couber. O setor elétrico. a ELETROBRAS publicou o primeiro Plano Diretor para Proteção e Melhoria do Meio Ambiente nas Obras e Serviços do Setor Elétrico (I PDMA). A mesma Resolução CONAMA no. ou pela SEMA ou. para conhecimento e manifestação. de 03. responsável por considerável quantidade de barragens em operação. Esse documento orientava a forma de conduzir o Setor sob a égide das diretrizes que o norteavam. diagnosticando problemas e propondo soluções. Imediatamente após a publicação do I PDMA. o DOU publicou a Resolução CONAMA no. o Comitê Consultivo de Meio Ambiente da ELETROBRAS – CCMA. apresentando. a SEMA ou. contudo estabelece-lo. bastante inconsistente. e alinhado com as preocupações com o meio ambiente. receberão cópia. prestou assessoria à alta direção da ELETROBRAS. Essa Divisão tornou-se. além de demonstrarem a importância atribuída ao tema. 06/86. Determina. Define. elaborado por um grupo de trabalho constituído por profissionais de empresas do setor. liderou uma série de ações que. pela sua importância. e eficácia gerencial. foi promulgada a Resolução CONAMA no. promoverá a realização de Audiência Pública para informação sobre o projeto e seus impactos ambientais e discussão do RIMA. com predominância daquelas para abastecimento de água (açudes). manual esse previsto para ser revisado em 1991. que o RIMA deverá ser dado a público e que os órgãos públicos que manifestarem interesse. construção e projeto nas décadas de 70 e 80 do século passado. ainda. acima de 10MW. que dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental.Séculos XIX. Em novembro de 1986. a ELETROBRAS criou. articulação interinstitucional e com a sociedade. uma vez mais não o estabelecendo. no processo de licenciamento ambiental. 01/86 determina que o Estudo de Impacto Ambiental e respectivo RIMA devam ser analisados pelo órgão estadual competente. ou tiverem relação direta com o projeto. pelo município. XX e XXI .12.. sem. sem vínculos com o setor. sempre que julgar necessário.07. em decorrência da evolução esperada para o assunto. baseando-a em quatro diretrizes: viabilidade ambiental. também. coordenado pela Eletrobras. composto por técnicos de notório saber nas áreas social e ambiental. uma Divisão de Meio Ambiente ligada ao Departamento de Estudos Energéticos. 01/86. . que dispõe sobre a aprovação de modelos para publicação de pedidos de licenciamento. cuja regulamentação se apresentava.A História das Barragens no Brasil . do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica – DNAEE. foi publica- do o Manual de Estudos de Efeitos Ambientais dos Sistemas Elétricos. 09. O esforço de um trabalho conjunto de representantes das principais empresas do setor elétrico. inserção regional. Assim. VII – Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos. foi criado. Apesar de o número de barragens para outros fins. uma análise dos empreendimentos considerados de maior impacto social e ambiental e propunha medidas mitigadoras e compensatórias. foi o setor elétrico que comandou as ações para estruturar o seu processo de licenciamento ambiental...90. que terá prazo para essa análise. o Departamento de Meio Ambiente – DEMA. ainda. em junho de 1986.87. pela sua importância e estruturação por concessionárias estatais. Em 19. que propôs uma política socioambiental para o Setor. Na mesma data de publicação da Resolução CONAMA no. 400 . de saneamento ou de irrigação. em 05. em agosto de 1989. que esses órgãos públicos e demais interessados deverão ter prazo para se manifestarem. que estabelece a exigência de licenciamento para barragens e diques. 237.. em fevereiro de 1987.” . tais como: barragens para fins hidrelétricos. A realização de Audiências Públicas. O órgão estadual competente. tinham em foco o licenciamento dos empreendimentos. Esse Comitê. Com o objetivo de organizar a estrutura gerencial e executiva para o trato da temática ambiental. só veio a se tornar efetiva quando de sua publicação no DOU. também. Nasce. representar cerca de duas vezes o das barragens para geração de energia elétrica.1997. em dezembro de 1986. assim.. embora tenha sido objeto da Resolução CONAMA no. quando couber. o licenciamento ambiental de barragens no Brasil.

96).371.87.88).735. cada vez mais com a presença de atores que são determinantes para o sucesso. publicada no DOU em 22. a possibilidade de o empreendedor debater essas exigências. de cada processo individualmente. de 24.771. diploma que também disciplinou o regime de concessões de serviços públicos de energia elétrica. Essa lei particularizou. a criação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI (Lei 5.09. O estabelecimento das diretrizes da Resolução CONAMA n o. a organização do patrimônio histórico e artístico nacional.02. etc. de 05. histórico e paisagístico (Lei 7.030. foi criada a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL (Lei 9. contudo.34).347.07. 127 a Art. o Códig o Florestal (Lei 4.81 e suas modificações). ou não. O aprendizado das partes envolvidas no processo de licenciamento ambiental de barragens vem sendo paulatino. desde a promulgação dessas leis. da SEMA. criado pela Lei 7. entre outros.12. a bens e direitos de valor artístico. Em 1996. de 22. ao consumidor.02.01. a Lei de Proteção à Fauna (Lei 5. a FUNAI. 130). Resguardou-se. conforme atribuições constantes da Constituição Federal de 1988 (Art. de 30. a abrangência e a profundidade dos estudos ambientais.427. Destacam-se o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. da Superintendência de Desenvolvimento da Pesca – SUDEPE e da Superintendência da Borracha – SUDHEVEA. que absorveu as atribuições do IBDF. os Órgãos Estaduais do Meio Ambiente – OEMAs. o IPHAN.643.12. hoje IPHAN. que devem ser consi derados na elaboração dos estudos ambientais e formam um elenco legislativo de grande porte.67). de 16. a criação do Instituto de Colonização e Reforma Agrária – INCRA (Decreto-Lei 1. para o setor elétrico. de 10. foi desencadeado um processo de formação de equipes técnicas multidisciplinares em empresas de consultoria e nas empresas e autarquias estatais. a criação do Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal (Decreto-Lei 289. o que determina a Lei 8. de 26. bem como o nível de detalhe dos programas do Projeto Básico Ambiental.70). cuja ementa informa que dispõe sobre o licenciamento ambiental de obras do setor de geração de energia elétrica.04.37). 01/86.987. de 03. estético. o que hoje se denomina discussão do Termo de Referência . de 28. de 13. de 27. de 09. o conteúdo.07. a promulgação da lei que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente. As empresas estatais de água e energia perdem a exclusividade de receber concessões e os agentes privados entram em cena. de 30. contudo. de 15. a criação da Fundação Cultural Palmares – FCP (Lei 7.89. bem como nos próprios órgãos ambientais licenciadores. Licença de Instalação – LI e Licença de Operação – LO). estabelecendo os documentos necessários a cada solicitação.02.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens da Secretaria Especial de Meio Ambiente – SEMA e de órgãos ambientais estaduais resultou na elaboração e publicação da Resolução CONAMA no.65 e suas modificações). 06/87 não tornou.197. a FCP e o Ministério Público.85). a Lei de Criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental (Lei 6. essa resolução é um marco histórico. A modificação do marco regulatório das concessões vem alterando.10. Para as barragens.668. É de ressaltar que essa modificação é marcante para as barragens para fins de 401 . com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN (Decreto-Lei 25. que dispõe sobre o regime de concessão e permissão de serviços públicos. a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA (Decreto-Lei 73.110. 06.11. Essa resolução.95.09.TR.07. de 22. em que se incluem.10. os trâmites e a responsabilidade pela obtenção das licenças ambientais. resguardado o disposto na Resolução CONAMA no. destacando-se o Estudo de Impacto Ambiental e o RIMA para a LP e o Projeto Básico Ambiental para a LI.67).73).902. o Código de Águas (Decreto 24.87. abrange também obras de transmissão. o licenciamento ambiental de barragens uma questão simples e pacífica. no entanto. Os mais variados diplomas legais de proteção ambiental. A partir do estabelecimento das exigências de produção de estudos e projetos ambientais para o licenciamento de barragens e outras atividades consideradas “modificadoras do meio ambiente”. pois pela primeira vez os tipos de licenças são correlacionados a etapas de desenvolvimento do empreendimento (Licença Prévia – LP.08. Ficou também estabelecido que o órgão ambiental competente definirá.67 e suas modificações).

obviamente.12. Essa determinação está sendo seguida para a licitação de concessões de geração hidroelétrica.08. em especial as de proteção integral. paleontológicos e espeleológicos e com áreas de preservação ambiental. de 09. incrementos de prazos e custos para a obtenção das licenças ambientais. Os problemas de interferências com aldeias e terras indígenas vêm sendo. que se manifesta necessariamente na análise do Estudo de Impacto Ambiental. selecionados pela EPE” . A remoção e o reassentamento de populações para implantação de reservatórios de barragens vêm sendo feitos mediante acordos dos empreendedores (públicos ou privados) com os atingidos. Tem-se conhecimento que a ANEEL está estudando uma modificação nas diretrizes de apresentação de projetos para permitir que apenas um empreendedor autorizado seja o responsável pelo licenciamento ambiental. necessários. Os aspectos ambientais mais importantes atrás mencionados estão diretamente ligados ao processo de licenciamento. organização que milita pelos direitos dos afetados pelas barragens. que permite a apresentação de mais de um estudo ou projeto para uma única usina hidroelétrica ou PCH. Essa situação perdura. muitas remoções foram feitas para novas vilas ou cidades. com evidente desperdício de recursos. Nas décadas de 1970 e 1980. pela Lei 10. às interferências com populações indígenas. Itaipu. Essa legislação. XX e XXI geração hidroelétrica. tanto dos empreendedores quanto dos analistas dos órgãos ambientais. conforme disposto na Resolução Normativa no. estabelece que a obtenção do licenciamento ambiental pertinente é de responsabilidade do interessado. sendo hoje muito atuante e geradora de dificuldades nos processos de licenciamento ambiental. implantadas. à proteção da flora nativa e da fauna silvestre e à preservação da qualidade dos recursos hídricos. expressa pela LP. com sítios arqueológicos. quando da implantação de grandes barragens e imensos reservatórios (usinas hidroelétricas Tucuruí. É dessa época a fundação do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens. 12. 343. ao longo dos anos. implica o licenciamento ambiental do mesmo objeto por mais de um interessado. passou a ser de sua competência. a LI e a LO. da LI e da LO para cada empreendimento. Em 04. cria. a cada dia. embora lhe caiba a obtenção das demais licenças ambientais. mesmo antes da existência de legislação referente ao licenciamento ambiental de barragens. a FUNAI. especialmente. do Projeto Básico Ambiental e dos Relatórios de Acompanhamento da Implantação dos Programas Ambientais.98. biótico e antrópico. inciso IV). especialmente para as barragens que formam reservatórios. às margens dos lagos formados. 395. de 15.A História das Barragens no Brasil . “obter a licença prévia ambiental e a declaração de disponibilidade hídrica necessárias às licitações envolvendo empreendimentos de geração de energia elétrica e de transmissão de energia elétrica. Historicamente. Sobradinho. garantindo ao empreendedor a certeza da viabilidade ambiental do empreendimento. cada vez mais. os principais problemas ligados aos potenciais impactos dessas obras se focavam em aspectos ambientais ligados aos meios físico. não tendo sofrido alterações para barragens de outras finalidades. respectivamente à emissão da LP. 4º. Eles estão ligados à remoção de populações das áreas dos reservatórios. desde a publicação da Resolução CONAMA no. um complicador no processo de licenciamento. em geral. que trata dos procedimentos gerais para registro e aprovação de Estudos de Viabilidade e Projeto Básico de empreendimentos de geração hidroelétrica. em audiências públicas. Mesmo não havendo interferência direta com essas unidades. (Art. Esse requisito se aplicava tanto para em preendimentos a serem colocados em licitação (Usinas Hidroelétricas) quanto àqueles com características de Pequena Cen tral Hidroelétrica. objeto de legislação elaborada por diversas entidades que interferem diretamente no grau de detalhamento do Estudo de Impacto Ambiental. com comunidades quilombolas. Ita e Machadinho) construídos por empresas estatais. para PCHs. Itaparica.847. tem feito exigências de estudos etnoecológi- 402 . a Resolução Normativa ANEEL no.Séculos XIX. conforme inciso VI do Art. tendo sido.12. assim como autorização para exploração de Centrais Hidroelétricas até 30 MW. Essa Resolução.04.03. geralmente por meio de desapropriação por utilidade pública. com voz presente. Com a criação da Empresa de Pesquisa Energética – EPE. 01/86.

de 20. Esses procedimentos oneram e atrasam o processo de licenciamento ambiental das barragens. foi regulada. 347. Com esse Decreto.03. a mais de 20 km de distância da barragem e seu reservatório e que não seriam.556. para inclusão no Estudo de Impacto Ambiental. A proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes no território nacional foi estabelecida pelo Decreto 99.10. delimitação. bem como desenvolver um Programa de Educação Patrimonial a ser implantado nas comunidades próximas ao achado. A Fundação Cultural Palmares tem necessariamente que ser ouvida no processo de licenciamento.12. para a obtenção da LP. que modificou a redação do anterior Decreto 99.09. que dispõem sobre os procedimentos para obtenção de licenças ambientais referentes à apreciação e acompanhamento das pesquisas arqueológicas no País.90. tem havido imposição de “compensações”. A proteção do patrimônio espeleológico. desde que sejam implementas medidas e compensações. 403 . Depois de muita discussão. considerando-o dentro do processo de licenciamento ambiental de empreendimentos. mediante o Decreto-Lei 4. que provam não haver impacto. Mesmo não havendo evidências da existência de vestígios arqueológicos relatada no Diagnóstico Arqueológico. para fins de liberação das LP e LI. 230. inicialmente. de 10. passou a ser possível a convivência de barragens e outros empreendimentos com a proteção às cavidades naturais subterrâneas. a cargo do IBAMA. A definição dos critérios para estabelecimento da relevância das cavidades na turais subterrâneas foi feita através da Instrução Normativa do Ministério do Meio Ambiente no. muitas vezes.11. Para a realização dos trabalhos de arqueologia é necessário submeter ao IPHAN um projeto de pesquisa que. Essa Resolução institui o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas – CANIE. Esse tipo de omissão pode acarretar atraso no processo. 4º.04. realizados em atenção ao Termo de Referência específico. que. instalação. gera uma Portaria específica para o arqueólogo responsável. caso identifique algum vestígio. em seu Art. As comunidades remanescentes de quilombos. a realização de diagnóstico das Áreas de Influência da barragem. com a edição do Decreto 6. a aprovação dos seus relatórios. Para a realização dos trabalhos de arqueologia. para a obtenção da LI é requerida a realização de Prospecção Arqueológica que. modificação e operação de empreendimentos e atividades. deve-se obedecer ao disposto nas Portarias SPHAN no. pela Resolução CONAMA n o. inviabilizava a implantação de empreendimentos em regiões dotadas de cavernas naturais.08. independente de seu porte. considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou degradadores do patrimônio espeleológico ou de sua área de influência dependerão de prévio licenciamento pelo órgão ambiental competente.88 e IPHAN no. ampliação.02. deverá promover o seu salvamento e deposição em instituição de pesquisa.12. nos termos da legislação vigente”. de 15. em áreas cujas rochas apresentem potencial paleontológico. 2. ou até inviabilizar um empreendimento.08. havendo sempre o risco de existir algum processo de autorreconhecimento em andamento e isso não ser informado na consulta prévia que as consultoras costumam fazer na fase inicial de elaboração do EIA. uma vez autorizado. praticamente. que regulamenta o procedimento para identificação. O patrimônio arqueológico é protegido. O patrimônio paleontológico é protegido. de 07. reconhecimento. submetidos a qualquer tipo de impacto. também. construção. de 20. o IPHAN vem atrasando a análise dos projetos de pesquisa. Mesmo após estudos antropológicos conclusivos. 07. sendo obrigatória.640. definindo. exceto nas de relevância máxima. requer a identificação e o resgate dos fósseis.556. de 01.09. cujos serviços só podem ser iniciados após a publicação da mesma no DOU. que oneram o empreendedor e que são motivo de atraso no licenciamento. que “a localização.146. foi definido que deveriam ser criados critérios de relevância para a classificação das cavidades naturais subterrâneas e a possibilidade de implantar empreendimentos em áreas em que elas ocorram. A implantação de barragens e reservatórios. em qualquer hipótese. que são passíveis de autorreconhecimento. Devido à falta de quadros técnicos.. desde 1942. com o atraso na emissão das Portarias e. são amparadas pelo disposto no Decreto 4.11.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cos dos grupos indígenas que se encontram. de 17.887. demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes de comunidades quilombolas.

de 11. De acordo com seu “Art. Essa distância foi estabelecida sem qualquer critério de avaliação de impactos ambientais. abrangendo mamíferos. o assunto está finalmente regulado pela Resolução CONAMA no. XII .proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica. exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural.contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais. quando conveniente.proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional. regulamentada pelo Decreto 4.985.proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica.340. a obrigatoriedade de realizar diagnósticos da fauna. Essa IN veio sendo aplicada. VII .07.contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais. coleta. de acordo com o disposto neste artigo e no regulamento desta Lei.08. a chamada Lei do SNUC estabelece: “Art. corredores ecológicos. 404 . 13. restringiu a sua aplicação a empreendimentos de geração hidroelétrica. Essa Resolução. 10/87 e Resolução CONAMA n o. devem possuir uma zona de amortecimento e. com fundamento em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo relatório . As unidades de conservação. 146. foi revogada. IV . de 18. a qualquer tipo de empreendimento. 25. IX . indistintamente. depois de várias determinações exaradas em Resoluções do CONAMA para o tema (Resolução CONAMA n o.proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos.recuperar ou restaurar ecossistemas degradados. X . A proteção da fauna silvestre é um tema que passou a ser encarado com extremo rigor no âmbito do licenciamento ambiental de barragens. VI . com captura.10. geomorfológica. 428. como definido na Lei do SNUC. que estabeleceu critérios para definição das distâncias a serem consideradas para as zonas de amortecimento. requerendo-se.90.Séculos XIX.” No apoio às Unidades de Conservação de Proteção Integral. finalmente. assim considerado pelo órgão ambiental competente.02. 36.05. espeleológica. em seu “Art. A Instrução Normativa do MMA n o. de 22. Esses diagnósticos só podem ser realizados mediante autorização do IBAMA. XI . VIII .09. aves. estabeleceu.07.valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica. para tal. répteis e peixes.06.10. XX e XXI O Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC foi estabelecido pela Lei 9. de 05. o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral.04. que caíram para 3 km no caso de empreendimentos sujeitos a elaboração de EIAe RIMA e para 2 km para os de reduzido impacto ambiental. V . arqueológica. para qualquer empreendimento.” Como houve muita discussão quanto aos critérios de cálculo da compensação financeira.A História das Barragens no Brasil . em 17. Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental.12. de 22.EIA/RIMA. 2/96). A Portaria Normativa do MMA no. 4 o o SNUC tem os seguintes objetivos: I . em 10 quilômetros.proteger as características relevantes de natureza geológica. passando o assunto a ser regulado pela Resolução CONAMA no.favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental. III . 371.12.promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de desenvolvimento. ou seja. estudos e monitoramento ambiental. transporte e exposição de grupos da fauna.promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente. paleontológica e cultural. a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico.” Essa zona de amortecimento foi estipulada na Resolução CONAMA no. XIII .proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais. Outra limitação à implantação de barragens e outros empreendimentos é a que define critérios de distância para proteção do entorno de Unidades de Conservação. embora o seu espírito original fosse de que deveria ser aplicada a barragens formadoras de reservatórios. de 06.01. a execução de um processo dispendioso e demorado. a barragens com essa finalidade.00. II .

Disponível em: http://www.html Acesso em: mar. Rio de Janeiro. 2011. se pode dizer que a “evolução” tenha um sentido de aprimoramento. Os prazos constantes dos diplomas legais não são cumpridos. O processo é penoso. Essa Resolução vem sendo aplicada. Legislação ambiental. ELETRONORTE/ENGEVIX. 1984. essa Resolução introduz a Reunião Técnica Informativa – RTI. bem como sobre a fauna silvestre. verifica-se que a evolução do licenciamento ambiental de barragens no Brasil é um tema complexo e. que estabelece procedimentos para o licenciamento ambiental simplificado de empreendimentos elétricos com pequeno potencial de impacto ambiental. em geral. em atenção a ações do Ministério Público. promoverem constante troca de experiências no sentido de que o licenciamento sofra.br/ zpublisher/paginas/legislacao_ambiental. Relatório Condensado. Rio de Janeiro. 2011. Stockholm 1972: Brief summary of the general debate. pelos órgãos licenciadores. São Paulo: Novo Grupo Editora Técnica. 405 . no entanto. Inventário do baixo Araguaia – Tocantins. Disponível em: http://www. os órgãos ambientais sofrem de falta de pessoal qualificado para analisar os estudos ambientais que são apresentados para instruir os processos de licenciamento. Os analistas tendem a se resguardar. cabe mencionar a Resolução CONAMA no. exigindo. como elemento base para a concessão da LP e Relatório de Detalhamento dos Programas Ambientais – RDPA para a solicitação da LI. principalmente. Ela instituiu o Relatório Ambiental Simplificado – RAS. caros.com. de 27. out. Entendendo o meio ambiente: principais Conferências Internacionais sobre o meio ambiente e documentos resultantes. ______. Plano Nacional de Energia Elétrica 1987/2010: Plano 2010. Em substituição à Audiência Pública. Rio de Janeiro. ELETROBRAS. por receio de ação do Ministério Público que. que.br/biblioteca/ fe_e_meio_ambiente/principais_conferencias_internacionais_ sobre_o_meio_ambiente_e_documentos_resultantes. empreendedores.asp?DocumentID=97&ArticleID=1497&l=en Acesso em: mar. hoje. Ecclesia.01. UNEP. praticamente. ELETRONORTE. o mercado de consultoria ambiental cresceu. Estudos Tocantins: inventário hidrelétrico das bacias dos rios Tocantins e Araguaia. Relatório Final. da FCP e do IPHAN. Disponível em: http://www. nem sempre. 1990. Pelo exposto.unep.279.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Finalmente. tornando os processos demorados e. Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico 1991/1993.asp Acesso em: mar. Topmost dams of Brazil.06. Referências CBGB. detalhamentos incompatíveis com o porte dos empreendimentos e. dez. às PCHs com pequenas barragens e reservatórios. consequentemente. consultores ambientais. intervém na maioria dos processos como guardião da lei. 1978. muitas vezes esses de qualidade duvidosa. Relatório Geral. restando às partes envolvidas. A legislação aplicável é vasta. analistas dos órgãos licenciadores. 1986. nem sempre atendendo aos requisitos exigíveis. elaboram pareceres sobre estruturas de pequeno porte semelhantes aos aplicáveis a grandes barragens. efetivamente. para a concessão das licenças. jun.org/DocumentsMultilingual Default. Brasília. como as manifestações da FUNAI. Centro nacional de desenvolvimento de PCH. 1977. bem como da avaliação fundamentada dos impactos sobre o patrimônio paleontológico e espeleológico e as Unidades de Conservação.cndpch. O processo de licenciamento simplificado não desobriga. posto que com o aumento da demanda. 2011.com. demais instituições intervenientes e à sociedade civil. a consideração de todos os aspectos ambientais atrás mencionados. Brasília. ______.ecclesia. 1987. Livro Branco sobre o Meio Ambiente na Usina Hidrelétrica de Tucuruí. é exigida por praticamente todos os órgãos ambientais licenciadores. uma evolução sustentável.

Figuras selecionadas dos resultados da instrumentação Deslocamentos horizontais máximos para jusante (períodos de inverno) .uma barragem densamente monitorada com elevado nível de segurança.Itaipu .

danos ambientais e conseqüências de elevado valor econômico decorrentes de uma eventual ruptura. em Nova Delhi. empreendimentos que tem papel relevante no desenvolvimento do nosso país. “Automated Observations for Safety Control of Dams” (1982). tendo atuado neste campo com a formação de diversos comitês. com graves conseqüências ocorridas na época. construção e operação desses empreendimentos são tratados com seriedade.1 Panorama internacional O ICOLD (Inter national Commission on Lar ge Dams) sempre esteve preocupado com a segurança de barragens. aumento nas dimensões das novas barragens e envelhecimento de uma quantidade apreciável de outras. Dentre as diversas publicações do ICOLD relacionadas à segurança de barragens. III World Water Fórum (Kyoto. 2003). industrial e irrigação. foi decidido investir maiores esforços no âmbito de segurança em função de: diversos incidentes em barragens. além do incremento da quantidade de barragens sendo construídas em países com pouca ou nenhuma experiência em engenharia de barragens. seminários e cursos. gerando energia elétrica e controlando enchentes”. “Deterioration 407 . Ciro Humes Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 1. destacam-se: “Lessons from Dams Incidents” (1974). assim como levanta a importância do papel da Comunidade Técnica e dos pertinentes órgãos governamentais no sentido de minimizar a possibilidade da ocorrência de eventos desta natureza. que seguramente contribuirá para reduzir os riscos de acidentes nas nossas barragens. Introdução Obras de tamanha importância devem ter a sua segurança gerenciada ao longo de toda a sua vida. O Comitê Brasileiro de Barragens sempre esteve atento à necessidade da implantação de uma política e de uma legislação que tratassem do aspecto de segurança de barragens. 2. Todavia.A Evolução da Legislação Aplicada às Barragens “A História prova que se as barragens não fossem construídas. deixa claro a grande responsabilidade das concessionárias e proprietárias quanto à preservação da segurança das barragens. A ruptura de barragens é uma hipótese pouco provável e de baixíssima probabilidade de ocorrência quando os aspectos de projeto. edição de boletins e organização de congressos. Histórico da legislação sobre segurança de barragens 2.000 grandes barragens ao redor do mundo servindo a sociedade por meio do fornecimento de água para uso doméstico. promovido pelo ICOLD em 1979. Durante o Congresso Internacional de Grandes Barragens. o imenso potencial de perdas de vida. não haveria desenvolvimento humano. Existem aproximadamente 45. Neste capítulo será resumidamente apresentada a atuação do CBDB na evolução dos aspectos ligados à implantação de uma política de segurança de barragens no Brasil.

“Dam Monitoring-General Considerations” (1988). em 1980. organizada em 1979. autorizando o financiamento federal a programas estaduais de segurança de barragens (1986). o LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil. revisado em 1997. verificou que a legislação de todas as províncias e territórios era genérica e continha poucos artigos específicos sobre programas de segurança e monitoramento. revisão dos procedimentos adotados por agências federais (1977) por junta de consultores independentes. na década de 70. “Monitoring of Dams and Their Foundations” (1989). “Inspection of Dams Following Earthquake” (1988).S. o decreto-lei sobre o “Regulamento de Segurança de Barragens”. Kelley Barnes (causando 39 mortes) e Teton (causando 14 mortes e danos avaliados em um bilhão de dólares). supervisionar e divulgar a segurança de barragens: o ICODS ( Interagency Committee on Dam Safety ) e a ASDSO (Association of State Dam Safety Officiais). Foi organizado um serviço especial de inspeção de barragens pertencentes aos “State Power Board” que passou a inspecioná-las com especialistas. Inspeções periódicas por meio da autoridade competente. XX e XXI of Dams and Reservoirs” (1983). Nos Estados Unidos da América. “Dams less than 30 m high – Cost Savings and Safety Improvements” (1998). Army Corps of Engineers a inventariar e inspecionar barragens não federais (1972). as rupturas das barragens de Buffalo Creek (causando 125 mortes e enormes prejuízos materiais) e Canyon Lake. A partir desta constatação foi dada maior ênfase aos aspectos de segurança. Os mesmos procedimentos foram seguidos pelas companhias associadas à Swedish Power Association. Além da FEMA.Séculos XIX. em um intervalo de cinco anos. Ordem presidencial para que o Guia de Segurança de Barragens fosse aplicado e que suas conclusões fossem encaminhadas à nova agência FEMA (Federal Emergency Management Agency). contribuíram decisivamente para uma revisão geral da legislação para a segurança e inspeção de barragens no país. a Comissão de Segurança de Barragens e o proprietário da obra. em 1976. Na Suécia o controle de construção e manutenção é regido pelo Water Rights Act de 1918.A História das Barragens no Brasil . Entre estas imposições pode-se destacar: Designação dos responsáveis pela segurança englobando o governo (representado pela Direção Geral dos Recursos Naturais). Constituição de um plano de observação e sua adaptação quando necessário. em 1990. tendo sido preparado o Dam Safety Guidelines em 1995. Revisão de critérios de segurança. “Rehabilitation of Dams and Appurtenant Works – State of the Art and Case Histories” (2000). 408 . “Dam Safety Guidelines” (1987). A legislação sobre recursos hídricos foi reformulada no início da década de 80. Entre as iniciativas adotadas pelo governo americano figuram: Lei autorizando o U. para que as barragens existentes passassem a aplicar as imposições do regulamento. Um terceiro órgão. inspeção e eventuais medidas a serem tomadas junto aos proprietários das barragens. passando as autoridades municipais a arcar com a responsabilidade pela supervisão.A Reconnaissance of Benefits. Aprovação do National Dam Safety Act e respectivas dotações orçamentárias (1997). em intervalos pré-fixados. o Serviço Nacional de Proteção Civil. coordenação centrali zada de programas de segurança de barragens. o Comitê de Segurança de Barragens do Canadian National Commitee on Large Dams. foram criados outros dois organismos encarregados de desenvolver. “Dam Failures Statistical Analysis” (1995). principalmente no tocante aos planos de ações emergenciais em barragens. a FERC (Federal Energy Regulatory Commission) também atua na área. “Risk Assessment in Dams Safety Management . No Canadá. Publicação do Water Resources Development Act . obrigatoriamente a cada 20 anos. Methods and Current Applications” (2005). em 1972. Em Portugal foi promulgado.

Posteriormente. elaboradas por comissões do CBGB. em 1977.. logo após os acidentes ocorridos com as barragens de Euclides da Cunha e Armando de Salles Oliveira. onde são indicadas as responsabilidades que envolvem os diversos organismos nas várias fases de um empreendimento. nº. O mesmo nível de abordagem consta da Lei 7663 que esta belece normas de orientação à Política Estadual de Recursos Hídricos bem como ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos. foi emitido o Decreto nº. propostas em 1975.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Noruega adotou. quanto à garantia de segurança e saúde pública. formalmente. Auscultação e Instrumentação de Barragens no Brasil. A Constituição do Estado de São Paulo aborda de maneira indireta o assunto ao se referir. a Itália editou um decreto aplicável e barragens com altura superior a 10 m e reservatórios com capacidade superior a 100.. bem como enfoca a segurança durante a operação e aborda aspectos técnicos. q u e o f e r e ç a m riscos à saúde e segurança pública.articulará com a União. o Dam Safety Code of Pratice obrigando que o mesmo fosse obedecido em conjunto com o Dam Safety Act e o Dam Safety Decree. O CBDB.000 m 3. em 1930. como não houve a regulamentação deste decreto. que se mostraram eficazes. Outras rupturas ocorreram no início da década de 70 dando ensejo a mudanças legais. Construção e Operação de Barragens. outr os Estados viz inhos e Municípios. em 1994. O Ministério de Minas e Energia. e dr enagem e à correta utilização das várzeas”. tais como os que dizem que: o Estado assegurará meios financeiros e institucionais para “defesa contra eventos hidrológicos c r í t i c o s . 10752 dispondo sobre segurança das barragens no Estado e recomendando auditorias técnicas permanentes. assim como prejuízos econômicos e sociais. A Finlândia editou.. ele nunca foi implementado. o Estado . Especificamente no Estado de São Paulo. em 1996. editou em 1979 e 1983 as Diretrizes para a Inspeção e Avaliação da Segurança de Barragens em Operação. na época CBGB: Comitê Brasileiro de Grandes Barragens. que editou em 1992 o Projeto Norueguês de Segurança de Barragens que estabelece responsabilidade e respectivos impactos. 210. a contr ole de cheias. 409 . criou um grupo de trabalho com o objetivo de normalizar procedimentos preventivos e de manutenção voltados à segurança 2. Em 1982. quando de eventos hidr ológicos indesejáveis .. 739.. de 1988. Alguns trechos de certos artigos podem ser aplicáveis à segurança de barragens e ao seu funcionamento adequado. com vista a . em 1995 o Cadastro Brasileiro de Deterioração de Barragens e Reservatórios e. o Estado realizará pr ogramas conjuntos com os Municípios mediante convênios . seguindo a tendência mundial da década de 70. no art.. com vistas.2 Histórico da segurança de barragens no Brasil e o papel do CBDB Os fatos mostram que as demandas por programas de segurança de barragens ocorrem principalmente após a ocorrência de acidentes de vulto. Entretanto. a pr e venção de inundações. através da Portaria nº. foram muito importantes para nortear os procedimentos de segurança adotados por algumas organizações brasileiras. o Regulamento para Planejamento.implantação de sistemas de alerta e defesa civil para garantir a segurança e a saúde pública. em 1986.. atuação para apr oveitamento e controle dos recursos hídricos em seu território .. ambos de 1984.. editou as Recomendações para a Formulação e Verificação de Critérios e Procedimentos de Segurança de Barragens.. quando de eventos hidrológicos indesejáveis. A Inglaterra possui várias barragens muito antigas e a ruptura de algumas delas deu origem a uma legislação especifica sobre segurança de barragens. através de decreto real de 1980. Estas publicações.

com apoio de outras entidades como a ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos) e com o apoio importante da ANA (Agência Nacional de Águas). definição da periodicidade de inspeção. Coordenado pela Eletrobras o grupo publicou em 1987 a publicação Avaliação da Segurança de Bar ragens Existentes que é uma tradução do Manual SEED (Safety Evaluation of Existing Dams) do Bureau of Reclamation dos Estados Unidos da América. definição das responsabilidades pela execução das ações. O relatório previa a criação de uma Sub-Comissão de Segurança de Barragens. aceitou o substitutivo proposto pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos.A História das Barragens no Brasil . a instalação de um Cadastro Nacional de Barragens e a caracterização do potencial de risco de cada barragem. novamente confirma-se que a demanda por programas de segurança de barragens ocorrem principalmente após a ocorrência de acidentes de vulto. hoje ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica). o qual não conseguiu dar prosseguimento a esta proposta do CBDB. Foi realiza do um processo de aproximação e apoio a esta iniciativa. procedimentos gerais a serem seguidos em casos de acidentes. através da Comissão de Deterioração e Reabilitação de Barragens. XX e XXI das diversas barragens existentes. foi a elaboração do Guia Básico de Segurança de Barragens pela sua Comissão de Segurança. órgão do Ministério de Minas e Energia. deixando uma vasta população sem água nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Também concluiu.Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. por meio do Núcleo Regional de São Paulo. Este acidente espalhou resíduos no rio Paraíba do Sul e causou graves danos ao meio ambiente e à sociedade. Este guia foi desenvolvido com base no Canadian Dam Safety Guidelines com a incorporação da cultura e experiência nacional. o projeto de lei passou pelas comissões do Meio Ambiente e Infraestrutura. Este projeto passou pelas Comissões de Minas e Energia. a uniformidade e a posição de lei que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens. Este documento foi apresentado para debate no XXII Seminário de Grandes Barragens realizado na cidade de São Paulo e posteriormente foi consolidado com as sugestões recebidas de vários associados e encaminhado para a análise do DNAEE . 410 . um relatório que abordou entre outros aspectos importantes: estabelecimento de mecanismo de monitoração e da instrumentação. em 1989. Após este acidente o Deputado Leonardo Monteiro propôs o projeto de lei (PLC-168) com foco na Segurança de Barragens. elaborado com participação do CBDB. Neste momento o deputado Leonardo Monteiro. estabelecendo as diretrizes para a avaliação da segurança das barragens e propondo a criação do Conselho Nacional de Segurança de Barragens (CNSB). de onde saiu aprovado em março de 2010 e recebeu a sanção presidencial em 21/09/2010 que conferiu ao projeto de lei. Neste ano ocorreu a ruptura de uma barragem de rejeitos situada no rio Pombas no município de Cataguases no Estado de Minas Gerais. Meio Ambiente e Constituição e Justiça. Ele foi apresentado à nossa comunidade no XXIII Seminário Nacional de Grandes Bar ragens que aconteceu em Belo Horizonte em 1999. cujo relator foi o deputado Arnaldo Jardim. Em 1996 o CBGB. elaborou minuta de Portaria do Ministério de Minas e Energia. Encaminhado para o Senado. Este instrumento previa que o CNSB providenciaria a redação de um Regulamento de Segurança de Barragens e Reservatórios e na etapa seguinte seria responsável pela supervisão da correta aplicação deste regulamento. Nesta ocasião O CBDB deslumbrou a oportunidade de suportar tecnicamente a implantação desta lei.Séculos XIX. com base nos diversos trabalhos pertinentes já desenvolvidos. Em 2003. coordenador do projeto de lei. Outra importante iniciativa do CBDB.

foi relevante e fundamental para que após uma luta de décadas uma lei sobre segurança de barragens fosse promulgada. Precursor das atividades sobre implantação de legislação aplicada a barragens no Brasil Figura 2 .G. por meio de publicação de documentos técnicos consistentes e atuando firmemente para a criação de uma legislação específica. Budweg. coordenador da Comissão Técnica de Segurança de Barragens do CBDB e membro do Comitê de Segurança de Barragens da CIGB 411 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 3.Fábio De Gennaro Castro. Considerações finais A atuação do CBDB na área de segurança de barragens.Ferdinand M. Vale registrar que a caminhada ainda não está finalizada. Figura 1 . pois falta a regulamentação da lei. O CBDB continuará atento para que a concretização da legislação que cria uma política de Segurança de Barragens seja efetivada. promovendo o debate deste tema nos seus seminários e simpósios.

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hoje denominado Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) que. Dentre os vários estudos realizados em modelo reduzido des tacam-se os ensaios para a hidroelétrica de Itaipu. Em 1983. Os laboratórios de hidráulica experimental foram surgindo para atender à exigência da ampliação do setor elétrico no Sudeste Brasileiro. sendo o responsável pelos estudos em modelo reduzido da Usina de Furnas. complementado pelo Laboratório CESP de Engenharia Civil (LCEC). o laboratório. que estavam sendo estudadas pelo Hidroesb.Introdução Erton Carvalho A história das barragens brasileiras contempla os centros de pesquisas que foram. que trabalhava desde 1938 em investigações geotécnicas para a construção de barragens e obras de terra de um modo geral. desenvolveu importantes estudos para as Companhia Paranaense de Energia (COPEL). A seguir. O Departamento de Águas e Energia de São Paulo (DAEE) em convênio com a Universidade de São Paulo (USP) implantou um importante laboratório de hidráulica. Furnas implantou no Rio de Janeiro. o Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito SA (Hidroesb) que teve sua origem no Escritório Saturnino de Brito Filho. Hidroesb. Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) do Rio Grande do Sul. ficou mais dedicado ao desenvolvimento de pesquisas no campo da hidráulica experimental. IPT e LCEC. prestando. mecânica dos solos e mecânica das rochas. também. localizado junto à hidroelétrica de Ilha Solteira. tornando-se um laboratório de grande importância nacional a partir de 1965. posteriormente denominado Centro de Hidráulica e Hidrologia professor Parigot de Souza. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). na sua maioria. IPH. Pela necessidade de se ter um grande desenvolvimento na área tecnológica de concreto massa. teve as suas instalações ampliadas visando a atender o desenvolvimento de ensaios e pesquisas que permitiram subsidiar principalmente os grandes projetos de aproveitamentos hidrelétricos construídos pela Companhia Energética de São Paulo (CESP) bem como várias obras no país. serviços a outras empresas do setor elétrico. Furnas (DCT e LAHE). No sul do país.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Centros de Pesquisas Tecnológicas Aplicadas a Barragens . O Centro de Estudos e Pesquisas de Hidráulica e Hidrologia (CEPHH). (CEHPAR). desenvolveram praticamente todos os estudos em modelo reduzido das usinas da CESP. seu Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos (LAHE). junto à subestação de Jacarepaguá. dando continuidade aos estudos em modelo reduzido das hidroelétricas da empresa. dos projetos e das construções de barragens. implantados a partir da década de 1950. 413 . Furnas agrupou em Goiânia os seus laboratórios em um moderno centro de pesquisas (DCT) e passou a atender os projetos e construções das barragens de Furnas. Dentre eles. devido à necessidade de se ter um apoio tecnológico para o desenvolvimento dos estudos. estão apresentados os textos específicos dos centros de pesquisas: CEHPAR.

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responsável pela implantação do trabalho sério. Cabe a ele o mérito do Laboratório ter conquistado o reconhecimento internacional. Antes mesmo da inauguração do Centro Politécnico. em homenagem ao seu fundador que faleceu enquanto Governador do Estado. professor Pedro Viriato Parigot de Souza. Teve como fundadores o Catedrático da Cadeira de Hidráulica Teórica e Aplicada. com mostra a Figura 1. mas o presente texto enfoca basicamente o caminho percorrido pelo laboratório de Hidráulica.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens CEHPAR . Outra grande personagem foi o professor Sinildo Neidert.50 Anos de muito Trabalho André Luiz Tonso Fabiani e José Junji Ota Introdução Em 14 de março de 1959 o Centro de Estudos e Pesquisas de Hidráulica e Hidrologia CEPHH passou a existir legalmente com a aprovação do seu primeiro estatuto. com uma liderança inquestionável. com preocupação universitária permanente de seus membros. o CEPHH iniciou suas atividades dentro do Campus Universitário. O Centro passou a ser chamado de Centro de Hidráulica e Hidrologia professor Parigot de Souza . Em todo o processo é indiscutível a importância que teve o professor Nelson Pinto. no CEHPAR. Na época. Os estudos das usina hidroelétrica Itaipu e Foz do Areia estavam para se iniciar. realizando trabalhos considerados úteis à sociedade e ainda respeitando os limites do mercado das empresas de engenharia. o Centro de Hidráulica conta com uma história de mais de 50 anos. estavam sendo estudadas em modelos reduzidos as obras de Salto Osório e São Simão. preciso e eficiente no Laboratório de Hidráulica. As atividades de Hidrologia também começaram logo em seguida e a Divisão de Hidrologia tem uma história de muitas realizações. 415 . fruto do convênio Figura 1 – Primeiro modelo em operação no Centro Politécnico da UFPR.CEHPAR em julho de 1973. Em 1976 o Centro passou a ser administrado pela Companhia Paranaense de Energia – COPEL. Desde então. diretor do Centro por quase trinta anos. que posteriormente foi Presidente da COPEL e Governador do Estado do Paraná e seu assistente professor Isaac Milder grande idealista que mais tarde veio a presidir a SERETE e a MILDER KAISER. em 1961.

como mostrado na Figura 2. De fato.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . O convênio garantiu também a existência Figura 3 – Testes em modelo reduzido escala 1:8 do aerador da usina hidroelétrica Foz do Areia. XX e XXI Figura 2 – Fechamento do Rio Uruguai para a construção da usina hidroelétrica Itá. entre a Universidade Federal do Paraná e a empresa de energia. houve quem afirmasse que “o Centro de Hidráulica jamais teve uma fase de baixa” . até aquela data o laboratório vinha mantendo um ritmo acelerado de sucessos. No Seminário CEHPAR 30 anos. a Figura 3 apresenta estudos de aeração para Foz do Areia. Nos anos setenta o CEHPAR teve um considerável avanço. na consolidação da metodologia para os estudos de fechamento de grandes rios com a construção de ensecadeiras em água corrente. 416 . eliminando o risco da perda dos seus seletos e treinados profissionais para o mercado externo. deu estabilidade ao emprego dos engenheiros e técnicos do laboratório. por exemplo. Os estudos sobre aeração de fluxos de altas velocidades para evitar cavitação em descarregadores de cheias se desenvolveram nos anos setenta e oitenta. O convênio com a COPEL foi bastante favorável ao Centro pois tornou os salários dos funcionários mais competitivos.

Se não fosse a competência dos que os substituíram. Os engenheiros do Laboratório começaram a ser procurados por empresas que ofereciam melhores oportunidades e salários. O Seminário 30 anos do CEHPAR. período negro que se estenderia até a virada do milênio. O Centro sempre apoiou a formação de seus engenheiros . os professores Francisco Gomide e Sinildo Neidert que deixaram as chefias das Divisões de Hidrologia e de Hidráulica. Nos primeiros anos da privatização o período era de muitas dificuldades para o setor de construção de usinas e o CEHPAR teve que buscar outra forma de garantir o caráter de auto-sustentabilidade. o CEHPAR 417 . que nem teve uma comemoração formal. Estados Unidos. O LACTEC é uma OSCIP . incentivando a realizar seus cursos pós-graduação. com palestras de professores estrangeiros (Maurice Bouvard da França e Vujica Yevjevich dos Estados Unidos). São José. professor Carlos Roberto Antunes dos Santos. de direito privado. que provê seus recursos através da venda de projetos de pesquisa e desenvolvimento e outros serviços tecnológicos. CHESF. realizado nos dias 24 e 25 de novembro de 1989. o laboratório poderia ter entrado em colapso. o laboratório investiu na formação dos seus engenheiros. 30 tiveram algum tipo de apoio para a sua formação no seu mestrado ou doutorado. Mesmo nesse período difícil. Aos poucos o CEHPAR começou a ser procurado para realizar estudos hidráulicos de várias obras brasileiras (Itapebi. A Universidade não pôde assumir o CEHPAR e. respectivamente. seguindo a própria orientação do Reitor da época. da Inglaterra. auto-sustentável e sem fins lucrativos que também nasceu da privatização dos laboratórios da COPEL e da Universidade. O curso de pós-graduação em engenharia hidráulica foi criado em 1986 e patrocinado pelo CEHPAR que colocou seus engenheiros à disposição do curso. reuniu 108 pessoas inscritas e se desenvolveu em grande estilo. Nesse período o CEHPAR teve a satisfação de ver lançado dois de seus grandes líderes a serviço da Diretoria da COPEL. O CEHPAR trouxe vários professores. CERJ e CEB foram desenvolvidos com muito empenho e eficiência na Divisão de Hidráulica. Entretanto o Brasil estava em recessão em termos de construção de hidroelétricas desde 1982 (ano do enchimento do reservatório de Itaipu). O aniversário de 40 anos. conhecidos como P&D ANEEL foram essenciais. Com a vinda do modelo reduzido de Paute Mazar. Brilhou aqui o caráter universitário do CEHPAR que jamais limitou suas atividades aos estudos em modelo reduzido e procurou sempre investir e dar um passo a mais para desenvolver conhecimentos. como Foz do Areia e Segredo. COPEL. A Universidade teve o seu retorno com o aperfeiçoamento do seu quadro de docentes do Departamento de Hidráulica e Saneamento e dos seus estudantes através de estágios.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de trabalhos de modelos reduzidos das usinas da COPEL que estavam em acelerado processo de projeto e de construção no rio Iguaçu.Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. foi dos mais difíceis para o Centro. São João. pois o Governo Estadual estava prestes a privatizar a própria COPEL e o processo começou pelos laboratórios que hoje compõem o LACTEC – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento. Havia até quem dissesse que os estudantes deveriam pagar para es tagiar no Centro pois sempre foi um invejável treinamento reservado a poucos selecionados entre os bons alunos do curso de engenharia civil. o laboratório começou a recuperar o seu ânimo. uma obra importante do Equador. Castro Alves. A passagem do CEHPAR da COPEL para o LACTEC foi gerenciada pelo engenheiro Ralph Carvalho Groszewicz que soube conduzir a transição com muita habilidade e paciência. Ironicamente. 14 de Julho) e estrangeiras.dos 33 engenheiros que trabalharam na Divisão de Hidráulica. em maio de 2000 o CEHPAR passou a ser administrado pelo LACTEC. França e Holanda para o curso de mestrado. o aquecimento do mercado trouxe também alguns problemas. Nesse aspecto. Projetos da ELETRONORTE. O laboratório e a oficina foram também disponibilizados para se desenvolver pesquisas na área de Hidráulica. Ficaram nas chefias os professores Marcos Tozzi (Hidráulica) e Heinz Fill (Hidrologia) até suas aposentadorias em 1999. os projetos de pesquisa e desenvolvimento. tanto para ministrar aulas como para administrar o curso. Por uma época. uma associação civil.

A. Pedro Viriato Parigot de Souza e Nelson Luiz de Sousa Pinto. mostrando.A História das Barragens no Brasil . uma série de estudos que relatam os passos da Divisão de Hidráulica do CEHPAR. que mostra o fechamento do rio na usina hidroelétrica Itapebi. com seus funcionários trabalhando com bastante otimismo.Séculos XIX. Primeiros estudos do Laboratório de Hidráulica e estudos sobre erosão ao redor de pilares de pontes Segundo o que consta nos anais do Seminário CEHPAR 30 anos. o primeiro projeto do Laboratório de Hidráulica foi um trabalho singelo. o engenheiro Octavio Marcondes Ferraz (na época da usina e depois presidente da Eletrobras) e um técnico do Laboratório 418 . com representação de aluvião realizar estudos sobre erosão ao redor de pilares de pontes. realizou ensaios com fundo móvel utilizando serragem de imbuia peneirada e tratada para Figura 4 – Teste de fechamento na usina hidroelétrica Itapebi. Cambambe da Angola. O Professor Nelson Pinto. o de estudar em modelo hidráulico as condições de assoreamento na tomada de água da Termoelétrica de Figueira. recém retornado dos EUA. Hoje o laboratório está bastante ativo. Figura 5 – Modelo de Salto Grande do Iguaçu. Lista-se a seguir. o Centro utiliza essa técnica para reproduzir o aluvião em modelo reduzido. Esta foi uma iniciativa do engenheiro Leão Schulman. como pode ser visto na Figura 4. Presidente da Central Elétrica de Figueira S. Gibe III da Etiópia. Ituango da Colômbia) até o início dos estudos para a usina hidroelétrica Belo Monte. da esquerda para a direita os professores Sinildo Hermes Neidert. XX e XXI passou a ter mais estudos de obras estrangeiras do que brasileiras (Palomino da República Dominicana. – UTELFA que apoiou os primeiros passos do CEHPAR. mas com objetivo bem claro. Ainda hoje.

de Grenoble. como Estudos hidráulicos de Salto Osório e São Simão A hidroelétrica de Salto Osório é uma grande obra do rio Iguaçu. constituiu a primeira experiência concreta de participação no desenvolvimento e otimização de um projeto de grande porte. mas ainda foi usado muito cedro nas partes importantes das estruturas. O relevo do modelo foi feito com fitas de aço niveladas segundo as curvas de nível. O primeiro modelo foi destinado ao estudo do desvio. a construção das préensecadeiras devia proporcionar uma limpeza automática através da apropriada escolha da seqüência de avanço nas pontas de aterro. A Figura 5 apresenta uma visita do representante da empresa de Salto Grande do Iguaçu ao modelo. Foram cinco modelos reduzidos. uma região de corredeira e cachoeira foi feita de forma muito minuciosa numa época em que não se dispunham de técnicas eletrônicas de levantamento e de registro de imagens. caracterização do vertedouro e erosão da rocha a jusante do vertedouro com material coesivo. duas para a ensecadeira de montante e duas para a de jusante. A técnica de construção de modelos de estruturas com acrílico estava sendo consolidada na época. com duração de três dias. Testes de fechamento requeriam um controle dinâmico das pontas de aterro com medições de níveis de água e de velocidades do escoamento. O custo dessas instalações foi financiado pela COPEL e pago posteriormente pelos trabalhos realizados pelo CEHPAR. um prédio que merece ser visitado. O modelo contribuiu com a definição do esquema de desvio que era sofisticado. na seqüência. Como havia uma camada de sedimentos na região. Para fechamento de rios com considerável profundidade. capaz de circular 1000 l/s. Os estudos da hidroelétrica Capivari-Cachoeira marcaram o início das relações do Centro com o engenheiro Maurice Bouvard. Nelson Pinto e Sinildo Neidert.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A usina de Capivari-Cachoeira. construída na década de sessenta (1963-1970). O fechamento do rio foi feito em avanços simultâneos de quatro pré-ensecadeiras. Um pavilhão de 70 m por 50 m em estrutura metálica foi construído especialmente para abrigar o grande modelo. Os ensaios dinâmicos foram feitos de maneira ininterrupta. Hoje o Centro executa com seções transversais de Duratex. O laboratório fez também estudos sobre vórtice na tomada de água. o CEHPAR enviou o seu engenheiro Sinildo Neidert para aperfeiçoamento na Alemanha. A contratação do Centro para os estudos para a hidroelétrica de São Simão em 1971 foi um marco que levou o CEHPAR para além dos limites do Estado do Paraná. Os estudos em modelo incluíram a descarga de fundo e o vertedouro. e a estrutura de dissipação de energia na restituição ao rio Cachoeira. A reprodução do leito. que não só orientou o desenvolvimento geral desse projeto como participou em diversas atividades didáticas promovidas pelo CEHPAR. 419 . um grupo de engenheiros e bem intencionados técnicos começaram seus trabalhos em 1972 para a maior obra hidroelétrica do mundo. Havia também uma preocupação com a ponte que tinha seus pilares fixados dentro do canal. Essas construções podem ser vistas na Figura 6. cujos estudos se desenvolveram no começo dos anos setenta. a chaminé de equilíbrio com câmara de expansão. no início da década de 1960. acumulando conhecimentos para que fossem confiados. desde a verificação do grande canal. o sistema de restituição das águas das turbinas Pelton ao túnel de fuga. Nessa época. Estudos hidráulicos para o aproveitamento hidroelétrico de Itaipu Itaipu foi um marco importante para o setor elétrico e foi sem dúvida um ponto alto para o CEHPAR. da estrutura das comportas até dos detalhes da construção das ensecadeiras. analisando-se a estabilidade do enrocamento a cada deposição de material. Dirigido pelo professor Sinildo Neidert. Um dos modelos foi implantado no interior do pavilhão com estrutura em madeira com grande vão. onde pode-se ver ainda os professores Parigot de Souza. os estudos de grandes obras do rio Iguaçu. Foi instalado um novo sistema de recalque. Foram importantes os estudos para Salto Grande do Iguaçu (estudos de vórtices na tomada de água) e de Mourão.

que pode ser visto na Figura 7. Para o arranjo final do vertedou ro foram feitos testes de erosão com leito coesivo envolvendo enorme volume de material. ou seja. Grandes planilhas bem estruturadas foram utilizadas para gerenciar esses testes de fechamento. que o diâmetro do enrocamento necessário para o fechamento com um desnível é da ordem de 30% a 40% desse valor. .A História das Barragens no Brasil . 420 . XX e XXI é o caso de Itaipu. Com o intuito de Figura 6 – Construção do pavilhão para o modelo tri-dimensional de Itaipu e a a instalação de recalque. A capacidade de descarga do vertedouro foi cuidadosamente verificada no modelo geral e confirmada também no modelo parcial construído em escala maior. assunto que foi também explorado no modelo parcial da tomada de água. No modelo geral de Itaipu foram desenvolvidos os estudos do vertedouro de encosta com 14 comportas e calhas bem longas de concreto. Para escoamentos com pequenas profundidades essa regra não parece ser válida.Séculos XIX. Foram feitos os testes de verificação das tendências à formação de vórtices e condições de aproximação. a Figura 8 apresenta um dos resultados obtidos nos ensaios. A tomada de água e a casa de força foram ensaiadas extensivamente. começou a tornar um consenso uma “regra prática”. com defletores em salto de esqui nas extremida des de jusante. Vários arranjos foram verificados uma vez que a equipe de projeto se preocu- pava muito com a erosão provocada pela enorme concentração de energia do jato efluente do vertedouro.

cogitou-se instalar no vertedouro de Itaipu um sistema de auto-aeração das calhas. por exemplo). foram feitos testes em um modelo parcial construído na escala 1:50. Influenciado pela cavitação ocorrida em grandes obras da época. (Karun no Irã. não necessitando a implantação de aeradores. Estudos hidráulicos de Foz do Areia. O Centro teve a oportunidade de contribuir com vários ensaios sobre juntas da laje de concreto da barragem. Figura 8 – Resultado dos testes de erosão a jusante do vertedouro de Itaipu. compensar possíveis efeitos de escala.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Para o vertedouro. o laboratório realizou ensaios com distorção da escala das velocidades. 421 . forçando intensificar no modelo a formação de vórtices aumentando a vazão de teste. a maior área de laje do mundo). a exemplo do adotado em Foz do Areia. Emborcação e Sabaneta – estudo sobre aeração Figura 7 – Modelo tri-dimensional do AHE Itaipu em operação De forma paralela aos estudos para Itaipu. Entretanto. os cálculos sobre índices incipientes de cavitação indicaram que a configuração da calha do vertedouro de Itaipu é favorável. com a reprodução de três vãos. Foz do Areia trazia uma novidade que é a barragem de enrocamento com face de concreto (na época. o Centro conduziu os ensaios para Foz do Areia e Salto Santiago.

o CEHPAR iniciou seus primeiros testes de aeração no modelo reduzido (escala 1:30) do descarregador de fundo de Foz do Areia. a sobrescavação do túnel e a rugosidade. Xingó foi outra usina que o CEHPAR veio a contribuir decisivamente. o perfil seria desenhado mais delgado de forma que a pressão final fosse razoável e garantisse uma boa capacidade de descarga. Coincidência ou não. feito para o vertedouro de Emborcação foi também confirmado no protótipo. O CEHPAR efetuou uma série de ensaios medindo a vazão de ar no modelo utilizando medidores simples (bocal. Estudo semelhante. Os estudos em modelo tornaram possível um dos mais complicados esquemas de fechamento do rio. do engenheiro Júlio César Olinger que se preocupou em estudar as pressões nos degraus. isto é. A cavitação e aeração tornaram-se assuntos muito enfocados na época. O laboratório também se despertou no uso de modelo matemático (elementos finitos e elementos de contorno) para estudos dessa natureza. Estudos sobre vertedouros em degraus Já em 1985 o CEHPAR defrontou com o estudo de barragens de concreto compactadas com rolo (CCR). venturi) com manômetro dotado de micrômetro. quando desejável. o CEHPAR estava realizando testes para instruir o passo seguinte na obra. pitot. o CEHPAR sugeriu uma redução da carga de projeto da crista. Mas a contracurva. O mesmo pesquisador veio a atuar na pesquisa e desenvolvimento ANEEL para a Eletronorte. O estudo sobre vertedouro em degraus culminou em mais uma tese de doutorado. O laboratório também teve uma contribuição importante para a definição do aerador do descarregador de cheias no túnel de Sabaneta (República Dominicana). mas foi retomado como um estudo mais aprofundado para a tese de doutorado do então chefe da Divisão de Hidráulica.000 anos de 422 . pela Universidade de São Paulo. estudando a possibilidade de se operar os vertedouros com degraus de grandes dimensões para fins de economia. Mas logo concluiu que os efeitos de escala são consideráveis e que não há correspondência entre modelo e protótipo em termos de demanda de ar em testes realizados em modelos construídos nas escalas usuais. Com estudos feitos posteriormente.A História das Barragens no Brasil . Estudou-se também uma descarga de fundo instalada em um dos túneis de desvio. Este estudo permitiu a caracterização do escoamento conhecido como skimming flow. hoje muitas obras brasileiras adotam como padrão a carga de projeto igual a 75% da carga máxima de operação. orifício. Estudos hidráulicos de Segredo e Xingó No estudo do desvio de Segredo os túneis foram reproduzidos por tubos de acrílicos dotados de rugosidades em forma de tiras. de forma a produzir um escoamento mais próximo do esperado para o protótipo. (1982) na revista Water Power & Dam Construction (Aeration at High Velocity Flow). Esse estudo foi realizado a título de mestrado por um aluno que veio a desistir do curso. que faz a ligação da estrutura da crista com a longa calha inclinada.Séculos XIX. mas estavam prejudicando a sua capacidade de descarga. engenheiro Marcos Tozzi. estava majorada pela presença da contracurva. O laboratório desenvolveu uma técnica própria para dimensionar a espessura dessas tiras e passou a considerar. conforme havia mostrado os russos no vertedouro de Nurek e Bratsk. Até então. Analisando-se a crista do vertedouro que seguia aproximadamente o padrão US Army Corps of Engineers. as cristas tinham como carga de projeto a carga máxima de operação (enchente de 10. Assim. Em conjunto com a COPEL. Em 1991 realizou os primeiros ensaios de vertedouros em degraus para fins de pesquisa utilizando como projeto piloto o vertedouro de Cubatão. A crista do vertedouro foi redimensionada com uma carga de projeto 25% menor que a carga máxima de operação. A pressão sobre a crista que deveria ser nula pelo conceito original. recorrência). concluiu-se que as pressões registradas na crista estavam totalmente a favor da segurança. mais um engenheiro do CEHPAR defendeu sua tese de mestrado. provocava um aumento excessivo das pressões que atingia a linha da crista. O laboratório levou o programa adiante e efetuou estudos em modelos parciais de escalas maiores (1:15 a 1:8 – Figura 3) que culminou na publicação do trabalho: Pinto et al. XX e XXI Os desastres devido à cavitação ocorridos na calha do vertedouro de Karun do Irã e nos túneis americanos de Palisades e Yellowtail preocuparam o meio técnico e já se sabia que a solução é a aeração do escoamento. O laboratório teve a oportunidade de estudar os aeradores da calha do vertedouro de Foz do Areia e de medir a vazão correspondente de ar no protótipo. Até no dia do fechamento.

Campos Novos. tendo em vista o cuidado com que as estruturas foram executadas. Destaca-se.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Estudos hidráulicos para a hidroelétrica de Salto Caxias O modelo de Caxias foi o que permaneceu mais tempo no CEHPAR. após o fechamento das comportas do vertedouro. Esse engenheiro foi fundamental no desenvolvimento de ensaios hidrodinâmicos de movimentação Figura 9 – Estudo da Comporta de Fechamento daTomada de Água de Tucuruí – 2a fase. teve a preocupação de contratar um engenheiro eletrônico para dar assistência à instrumentação. Machadinho e Barra Grande O CEHPAR teve a oportunidade de trabalhar com as obras catarinenses dos rios Canoas. Começou nos anos noventa e só foi demolido em 2010. O laboratório reativou o modelo e prestou uma contribuição importante à usina. e a tão esperada redução do custo não ocorreu a contento. Pelotas e Uruguai. Mas o talento dos engenheiros fez surgir uma nova oportunidade 423 . Foram estudados os problemas de desvio. no entanto. perfeitamente aceitável sob o ponto de vista da engenharia. Os ensaios mostraram que água acumulada nas vigas constituía um peso adicional exigindo que aumentasse a capacidade do servomecanismo. O outro projeto que foi um desafio interessante foi o da definição do esforço no servomecanismo de acionamento da comporta da tomada de água de Tucuruí (Figura 9). Realizaram-se testes de abertura e de fechamento da comporta para extrair o atrito do modelo. com o engº Edie Taniguchi em primeiro plano Pesquisa e desenvolvimento: projetos ANEEL e modelos matemáticos A Divisão de Hidráulica passou por uma fase difícil no período em que no Brasil o ritmo de construção de usinas teve acentuada queda. O CEHPAR estudou o downpull e catapultamento da comporta da tomada de água de Segredo. tornou-se um problema para a usina devido ao aprisionamento de peixes nas fossas de erosão e em locas. A COPEL procurou uma medida definitiva. A título de pesquisa de mestrado. em geral por efeito de escala mais pronunciados. de comportas. Neste projeto o grande problema foi o atrito do modelo da comporta. que veio trabalhando essencialmente com engenheiros civis. A conclusão foi que modelos muito pequenos não conduzem a bons resultados. Depois recebeu o desafio de estudar a comporta do aqueduto da eclusa de Porto Primavera. que não apresenta semelhança física e não pode ser transposto ao protótipo. da tomada de água e do canal de fuga. Caxias representou o último grande estudo da fase do convênio entre a Universidade e a COPEL que terminou em maio de 2000. Estudos das hidroelétricas de Itá. Nos modelos de Itá e Machadinho foram realizados ensaios de erosão em rocha utilizandose materiais coesivos. O material erodido e depositado a jusante (barra) tornou-se também um obstáculo para a saída dos peixes. o CEHPAR chegou a construir um modelo reduzido de Itá na escala 1:300 para verificar a viabilidade de estudo em modelo em escala mais reduzida visando a economia no estudo. que não se limitasse ao resgate manual dos peixes aprisinados. do vertedouro. Estudos hidrodinâmicos de movimentação de comportas O CEHPAR. como de praxe. que a erosão a jusante do vertedouro. realizando ensaios para várias alternativas de canais para a liberação dos peixes.

CEB e DUKE firmaram parcerias que deram oportunidades de pesquisa ao Centro. do U. CHESF. em cujo topo pretende-se instalar um vertedouro orifício. Palomino. Atualmente o Centro faz um estudo sobre geração de energia alternativa.A História das Barragens no Brasil . S. na escala 1:60 mostrou que essa configuração não é propícia e contribuiu na seleção de uma nova forma aceitável sob o ponto de vista técnico e econômico. A CERJ e a CEB foram as empresas que estudaram metodologias para repotenciação de usinas antigas. Está programado também implantar um vertedouro de encosta. De certa forma essa é também uma contribuição importante do CEHPAR ao setor elétrico. Depois a COPEL liberou mais dois projetos. vertedouro não convencional em curva e vertedouro de ogiva baixa. ELETRONORTE. Army Corps of Engineers em uma aplicação à sua tese de mestrado e ao projeto de P&D ANEEL com a COPEL. O modelo reduzido. Paute Mazar no Equador foi 424 . Para a LIGHT o laboratório fez estudos sobre escadas de peixes. Trata-se de uma barragem de concreto em arco. de vertedouro em degraus. Para a Duke está sendo desenvolvido um equipamento para geração de energia elétrica. Principalmente a ELETRONORTE propiciou três estudos. utilizando o HEC-RAS e o DELFT-3D.500 m3/s. mas em vista de que já havia experimentado um desastre com rompimento de uma barragem natural formada pelos restos de um desmoronamento de encostas. o projetista foi forçado a sugerir uma configuração não convencional semelhante a um vertedouro lateral. uma pesquisa aplicada ao rio São Francisco. Pela primeira vez o CEHPAR realizou um ensaio de purga de sedimentos conhecida como flushing.Séculos XIX. Figura 10 – Modelo de Gibe III em operação uma dessas obras estudadas pelo CEHPAR. Modelos de Paute Mazar. foi concluído que o rio tem um potencial de gerar uma vazão de 7. CERJ. XX e XXI para Centro. Cambambe. sobre dissipadores de energia em fenda e pilares defletores e sobre vertedouros labirinto que haviam sido submetidos anteriormente. Sendo o vertedouro construído em um reduzido espaço devido aos íngremes taludes das encostas. Com a CHESF o Centro executou um interessante trabalho sobre a capacidade natatória de peixes. O modelo de Palomino (República Dominicana) trouxe um novo desafio. Desde então muitos engenheiros passaram a usar esse modelo. A passagem dessa vazão tornou-se requisito para o vertedouro. Um dos engenheiros começou os estudos em modelos matemáticos com o uso do modelo RMA. sendo necessária a operação sem comportas. LIGHT. Ituango e Gibe III A demanda de energia em vários países fez com que as empresas brasileiras encontrassem um excelente mercado. Assim. As duas estruturas são objetos de estudo no CEHPAR. O modelo CFX deu origem a uma tese de mestrado de um bolsista LACTEC. Para o rio Paute havia sido calculada uma vazão decamilenar de 2. O Centro fez também um estudo do escoamento no rio Iguaçu para a usina de Baixo Iguaçu da COPEL. em modelo reduzido construído na escala 1:70. O Coordenador do CEHPAR no período de 1999 a 2008 tomou uma iniciativa bastante positiva à Divisão de Hidráulica com a aquisição do modelo computacional DELFT 3D. Foi feita uma pesquisa para a COPEL um estudo sobre sedimentação na baia de Antonina utilizando o DELFT 3D. um software livre bastante útil em projetos. Com a COPEL o Centro desenvolveu um estudo sobre o uso de perfilador acústico ADCP como medidor de transporte de sedimentos e outro estudo sobre assoreamento de reservatório (parte de um projeto maior do CEHPAR). Foram os projetos de pesquisa e desenvolvimento da ANEEL. a COPEL. Cambambe é uma obra da Angola que estava inacabada por anos.340 m3/s. Ao estudar o habitat de peixes no projeto de P&D ANEEL da Chesf o CEHPAR deparou com o modelo RIVER 2D.

o que fará dela a maior capacidade instalada em hidroelétrica inteiramente brasileira. simulando paradas instantâneas das usinas e levando em conta as condições de maré na região de descarga da água. Modelo reduzido da hidroelétrica de Belo Monte O CEHPAR está iniciando os estudos para a terceira maior hidroelétrica do mundo. pois uma boa maioria dos estagiários do CEHPAR escolhe o setor elétrico para desenvolver seus talentos. professor Parigot. A seriedade. A seleção de bons estagiários é uma contribuição importante para o setor elétrico. Modelo reduzido do sistema de refrigeração da usina nuclear de Angra dos Reis A ELETRONUCLEAR procurou o Centro de Hidráulica para realizar os estudos em modelo reduzido do sistema de refrigeração da usina nuclear de Angra dos Reis.233 MW. são responsáveis pela precisão dos resultados. e a medida dessa utilidade é a vontade da sociedade pagar por estes trabalhos”. A Figura 11 apresenta o trabalho de construção do modelo principal (sítio Pimental) no pavilhão antes ocupado por 13 outros estudos. Sua potência instalada será de 11. Os trabalhos dos serventes. Está em estudo o desempenho do vertedouro. Segundo palavras do seu fundador. a humildade e o compromisso com a verdade têm ajudado em muito o CEHPAR. o “CEHPAR faz trabalhos úteis à sociedade. normalmente considerados modestos em outras áreas de atuação. Observações finais O laboratório de hidráulica do CEHPAR faz questão de lembrar que os sucessos dos estudos em modelos reduzidos não se devem apenas aos engenheiros. O laboratório fez questão de oferecer uma solução para realizar testes dinâmicos do sistema de refrigeração. O ponto forte do laboratório são ainda os estudos hidráulicos em modelos reduzidos. incluindo a sua capacidade de descarga. Os estudos se- Figura 11 – construção do modelo reduzido do sítio Pimental do AHE Belo Monte 425 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O projeto Gibe III é uma contratação feita diretamente por uma empresa italiana que faz serviços para a obra a ser construída na Etiópia. pressões e erosão provocada pelo jato efluente e a operação da usina. Construiu-se no laboratório um modelo com 4. Atrás do reconhecimento internacional do Centro de Hidráulica está o apoio imprescindível dos artífices que contribuem a cada dia com excelentes idéias dentro de suas especialidades. O termo “pesquisa aplicada útil” sempre foi o foco do CEHPAR. a ser construída no Rio Xingu. rão feitos em 5 modelos reduzidos e levará um tempo total de 3 anos. levando em conta a inclusão iminente da unidade III. pedreiros e artífices.5 m de altura. mas a privatização do laboratório tornou o grupo mais forte e fez descobrir que seus integrantes têm potencial para ampliar seus campos de atuação. no Estado do Pará. visto que a de Itaipu está localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

Corumbá Marimbondo Serra Mesa Itumbiara .

os aproveitamentos de Porto Colômbia e de Marimbondo. a solicitação percolou sem despertar interesse no sentido do seu atendimento tendo por destino o seu arquivamento. Os equipamentos foram instalados no acampamento de Marimbondo em 1968.Resumo histórico e atividades de pesquisa Resumo histórico O início dos ensaios especiais O ano de 1968 estava iniciando quando o Departamento de Obras de Furnas. Os ensaios especiais eram contratados junto a laboratórios de empresas ou a institutos de pesquisa. além de prever a aplicação em eventuais projetos futuros. Em Marimbondo outro jovem engenheiro. Ao longo desse percurso. Com instruções de apenas tomar ciência antes do arquivamento. O pedido de aquisição dos equipamentos e o trabalho sobre ensaios triaxiais percolou em sentido contrário ao anterior mas dessa vez atingindo a Diretoria Técnica. Esse engenheiro preparou um trabalho com considerações teóricas sobre os diversos tipos de ensaios triaxiais e desenvolveu um estudo do aproveitamento da instalação desses aparelhos em laboratório próprio para. A documentação foi enviada para o engenheiro Humberto Pate coordenador do grupo de estudo dos novos projetos de Furnas. depois denominada Luiz Carlos Barreto. Flavio Miguez de Mello 427 . chefiado por Geofredo de Moraes. recebeu uma solicitação vinda da obra da hidroelétrica de Estreito. Esses foram os primeiros equipamentos de laboratório de Furnas além dos equipamentos de ensaios correntes em obras. Funil e Nhangapi) laboratórios de campo apenas para os controles de liberação de obra. Até então Furnas mantinha nas suas barragens que na época estavam em estágios avançados de construção (Estreito. com pouca perda de carga. A referida solicitação foi enviada ao Departamento de Engenharia chefiado por Franklin Fernandes Filho que passou a documentação para a Divisão de Engenharia Civil sob o comando do engenheiro Adolfo Szpilman.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Centro de Tecnologia de Furnas em Goiânia . para aquisição de equipamentos para ensaios triaxiais em amostras de solo. Lyra concedeu a permissão para a aquisição. com maior disponibilidade de execução de ensaios. Agenor Bailão Galletti ficou encarregado do laboratório de solos. obter informações necessárias e abundantes para o desenvolvimento dos projetos das hidroelétricas de Marimbondo e de Porto Colômbia cujos estudos preliminares indicavam grandes maciços de terra com extensas fundações em solo. O engenheiro Flavio H. Pate entregou a documentação a um engenheiro recém formado que acabara de integrar o grupo dos novos projetos.

Séculos XIX. Belo Horizonte e Goiânia. assumiu a chefia do DCT o engenheiro Rubens Machado Bitencourt. Em 1975 os laboratórios de solos e de concreto foram transferidos para Itumbiara onde Furnas passou a implantar sua maior hidroelétrica. Figura 1 – Engenheiro Walton Pacelli de Andrade. entre outros. É importante realçar as contribuições dos consultores Roy Carlson e Paulo Monteiro para o DCT e os laboratórios que o antecederam. A partir de dezembro de 1992 o centro foi chefiado já em nível de departamento (Departamento de Apoio e Controle Técnico – DCT) pelo engenheiro Walton Pacelli de Andrade que acumulava a chefia do laboratório de concreto. Lyra recomendou a Rubens Vianna de Andrade. cargo que exerce presentemente (agosto de 2011). Com a aposentadoria dos engenheiros Pacelli e Caproni em dezembro de 2002. superintendente das obras do rio Grande. não tenha trabalhado com o DCT e aqui relata o início dessa história de sucesso. por capricho do destino. Inicialmente o centro foi comandado pelo engenheiro Ludgero Pimenta de Ávila. De 1970 a 1975 Pacelli melhorou a capacitação do laboratório de concreto com a instalação de prensas de grande capacidade e estudos de propriedades térmicas. Três locais foram considerados: Brasília. em Goiânia. A destacada atuação do engenheiro Pacelli no DCT projetou-o como consultor no País e no exterior. que incorporasse o engenheiro Walton Pacelli de Andrade para atuar na tecnologia do concreto nas novas obras que se iniciavam. Quanto ao engenheiro recém formado mencionado acima. tendo sido decidida pela instalação em área anexa à subestação de Furnas. presidente do CBDB e do IBRACON 428 . O DCT passou a dar crescentes e importantes contribuições técnicas para os projetos e obras. Figura 2 – Ambiente de trabalho no DCT As instalações definitivas Com o término da obra de Itumbiara foi pensada a criação de um centro tecnológico. tendo como assistente o engenheiro Nelson Caproni que acumulava a chefia dos laboratórios de solos e rocha. expoente na construção de barragens. A usina entrou em operação comercial nos últimos dias de dezembro de 1969. destaque na tecnologia do concreto e Epaminondas Mello do Amaral Filho. ele ficou sempre ligado profissionalmente à engenharia de barragens embora. tendo sido presidente do Instituto Brasileiro do Concreto IBRACON. A construção inicial foi concluída em 1985 já abrigando também o laboratório de mecânica de rochas. Flavio H. Na fase de Itumbiara houve expansão da capacidade dos laboratórios. Nessa época estava começando a obra da hidroelétrica de Serra da Mesa e em seguida Corumbá. XX e XXI Os laboratórios nos seus primeiros anos Em 1969 Furnas acelerava as obras e montagens da hidroelétrica de Funil para que pelo menos uma das três unidades entrasse em operação antes do fim do ano para que os custos de construção já incidissem na tarifa do ano seguinte.A História das Barragens no Brasil . Com a obra tendo sido concluída em 1970.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Atividades de pesquisa do DCT Furnas constituíu o DCT. O DCT é hoje reconhecido nacionalmente como uma das mais importantes instituições tecnológicas em sua área de atuação. Diversos estudos para a construção de barragens de enrocamento com face de concreto foram desenvolvidos com o apoio desse laboratório. UFRGS. diversos ensaios na área de geotecnia iniciaram o processo de informatização e automação. esta tecnologia foi intensificada com a aplicação da metodologia do concreto compactado com rolo na construção das ensecadeiras galgáveis da barragem de Serra da Mesa. Posteriormente. Europa e África. o DCT implantou e inaugu rou o seu laboratório de mecânica das rochas. tendo como intuito o incremento do 429 . como a COPPE/UFRJ. UFSC. também em meados dos anos noventa. além da central nuclear de Angra dos Reis que já se encontrava em curso e que demandava padrões de garantia de qualidade estabelecidos pela Agência Internacional de Energia Atômica. um laboratório singular. como por exemplo: O único equipamento do mundo. dentre outras. unidade criada para atuar no desenvolvimento de serviços tecnológicos e atividades de pesquisa. UnB. Alguns exemplos destes avanços são descritos a seguir. o DCT sempre procurou identificar e acompanhar os avanços necessários à superação dos desafios que a evolução do setor de energia impunha. incluindo-se acreditações junto ao INMETRO. Possui alguns diferenciais. possibilitando a obtenção da acreditação junto ao Inmetro em 1994 e a sua certificação ISO 9000 no ano de 1996. implicando em relevantes benefícios de segurança no empreendimento. Em paralelo. PUC-RJ. que possibilita um conjunto de análises aplicadas que vão desde a análise em nível microscópico por análise eletrônica de varredura até a análise de resistência por meio de ensaios triaxiais. USP. O mais bem equipado laboratório do Brasil na área de mecânica das rochas e enrocamento. único do mundo em funcionamento. desenvolvimento e inovação. foi implantado e inaugurado o laboratório de concreto compactado com rolo. Extraido de texto redigido pela equipe do DCT No limiar da década de 70. os laboratórios também participaram de estudos e desenvolvimentos da tecnologia para as usinas hidroelétricas Itaipu e Tucuruí. Ao longo de sua história. capaz de executar pistas experimentais de concreto compactado com rolo em laboratório. direcionadas aos novos empreendimentos com foco nas aplicações de engenharia civil e correlatas. no final da década de 90. A partir dos anos 90 consolidou-se com a participação em mais de 200 empreendimentos hidrelétricos no seu acervo de serviços prestados em países da América. em operação. A área de instrumentação e segurança de barragens com a certificação ISO 9001 Sistema de gestão implantado com reconhecimentos obtidos desde o ano de 1994. Ao final da década de 80. UFG. Realização de pesquisas e desenvolvimentos em parceria com as principais universidades e centros de tecnologia do Brasil. Em meados dos anos noventa. de cisalhamento e de compressão unidirecional em rochas. certificação segundo as normas da série ISO 9000 e premiações pelo Prêmio Nacional da Gestão Pública do Governo Federal. No início dos anos noventa os processos foram mais bem estruturados dentro de padrões internacionais de gestão da qualidade.

outra área que ganhou impulso foi a de instrumentação e auscultação de barragens e estruturas anexas. fica sob a responsabilidade da equipe do controle tecnológico. possibilitou o exercício do papel de controle e apoio tecnológico à execução dessa solução de engenharia. Estes estudos possibilitam os seguintes diferenciais competitivos: 430 . ampliando a busca de agregação de valor por este centro de tecnologia. conduz estudos e pesquisas de materiais para subsídios ao projeto. O desenvolvimento de um projeto de P&D desta tecnologia. XX e XXI desempenho em prazos. juntamente com o setor de análises de materiais. Dando continuidade a conhecimentos técnicos pré–existentes na análise da microestrutura dos materiais. Análises químicas para caracterização dos materiais de construção. o DCT desenvolve um conjunto de estudos e pesquisas avançadas. pela dinâmica que é a escolha e emprego dos materiais. O aprimoramento de tecnologias existentes e o desenvolvimento de outras novas tecnologias se seguiram desde então. Análises que chegam próximo ao nível nano possibilitaram o desenvolvimento de competências únicas no Brasil nesta área. aditivos. prevenção e correção de reações álcalis-agregado e também na área de sulfetos.991 e outras que se seguiram. No final dos anos noventa e no início da década seguinte. O co nhecimento das características técnicas dos materiais do local do empreendimento permite subsidiar análises de custo. O DCT possui equipe qualificada e infraestrutura adequada para o desenvolvimento deste processo. incluindo reatividade potencial. anterior ao empreendimento.A História das Barragens no Brasil . Uma intensa atividade de pesquisa e desenvolvimento foi desenvolvida aproveitando os estímulos trazidos pela lei 9. areias. à construção e à otimização do custo final do empreendimento. O primeiro está basicamente sob a responsabilidade da projetista e o segundo basicamente sob a responsabilidade da construtora. O terceiro pilar. para as obras civis. que desempenhará suas funções com o mínimo de intervenções externas pela equipe de ma nutenção. custos e confiabilidade dos resultados e análises realizados. na segunda metade dos anos noventa. Três pilares sustentam bons empreendimentos no que tange à sua qualidade: um bom projeto. empreendimento que utilizou a solução do núcleo asfáltico pela primeira vez no País. permite a obtenção de um empreendimento “saudável”. Dentro desta área de competência encontram-se estruturadas as seguintes linhas de trabalho: Ensaios físicos de caracterização de rochas. A atuação da equipe do controle tecnológico durante a construção. Do ponto de vista tecnológico. sinalizando no momento atual desenvolvimentos ainda maiores. Visando aprimorar o conhecimento dos materiais e dos métodos construtivos a serem implementados nos diversos empreendi mentos da empresa. além de avaliar a qualidade especificada dos materiais utilizados nas obras civis. Análises microscópicas e mineralógicas. prazo e qualidade global das estruturas. cimento. que em casos de barragens estima-se da ordem de 100 anos.Séculos XIX. A proficiência e a competência nesta nova linha de trabalho foi reconhecida em 2004. A junção destes três pilares. com destaque para técnicas de diagnóstico. adequadamente gerenciados. à redução de impactos ambi entais e a estruturas mais seguras e mais duráveis. à redução de custos. O adequado emprego dos materiais disponíveis nos locais onde os grandes empreendimentos deverão ser construídos leva à otimização de estruturas. por toda sua vida útil. a utilização de métodos e técnicas construtivos adequados e a qualidade e uso dos materiais empregados. buscando o domínio e aplicação de técnicas em tecnologia dos materiais em nano e microtecnologia. os projetos de P&D desenvolvidos possibilitaram o exercício de um importante papel na construção da usina hidroelétrica Foz do Chapecó. quando obteve a extensão do escopo certificado segundo a ISO 9000 para essa atividade. o desenvolvimento de pesquisas na área de durabilidade de estruturas. o DCT intensificou. água e asfalto.

é o capital humano.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Dentro desta área de competência encontra-se estruturadas as seguintes sub-áreas: Ensaios Especiais. dos empreendimentos em construção e à sociedade. Desenvolvimento de Novas Soluções de Engenharia. Estudos e pesquisas do ambiente construído voltado às instalações de FURNAS. Os principais produtos entregues. Baseado na premissa de que nos tempos atuais. Uma das áreas de competência decorrente desta atividade é a de confiabilidade metrológica. Assessoria em tecnologias de gestão. são os seguintes: Estudos e pesquisas avançadas como subsídios às otimizações de projeto e de custos dos empreendimentos. em consonância com as equipes técnicas em todas as áreas de atuação do DCT é implementado e desenvolvido um conjunto de atividades que visam à identificação de necessidades e demandas de co nhecimento e capacitação. Vista aérea do DCT 431 . Tecnologia do Ambiente Construído. como elementos agregadores de valor aos serviços prestados. Essa área de competência tem os seguintes produtos principais: Padrões de trabalho adequados e atualizados. em especial na área de serviços. Capacitação e treinamento voltados aos empreendimentos e às atividades de tecnologia. o seu conhecimento e a sua cultura. a base para o sucesso de qualquer organização. Confiabilidade metrológica e calibração de instrumentos de medição. por intermédio da qual se busca a garantia e a precisão de todos os processos de medição técnica voltados aos empreendimentos. no âmbito desta área de competência.

Ensaio em modelo reduzido e o protótipo em operação .Sangradouro do açude de Orós.

no Rio de Janeiro. Em 1959. responsável. Ceará. Presidiu o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e foi membro de várias outras associações como ASCE (American Society of Civil Engineers) e AWWA (American Water Works Association). 1899 – Rio de Janeiro. 1921 . Há indicações de que o Escritório Saturnino de Brito foi a primeira empresa constituída no Brasil com a finalidade específica de atuação na engenharia consultiva tendo sido responsável. o Escritório passou a ser dirigido por Francisco Saturnino de Brito Filho (Campos dos Goytacazes. no sub-solo do prédio ocupado pelo Escritório Saturnino de Brito. Seu fundador desenvolveu técnicas de projetos de saneamento que vieram a ser adotadas em países como França. até hoje. 1929) considerado o “Patrono da Engenharia Sanitária Brasileira”. pela captação de parcela significativa da água potável consumida na cidade do Rio de Janeiro e pelo projeto do sistema hidráulico de renovação das águas da lagoa Rodrigo de Freitas. Inglaterra e Estados Unidos. Em 1946. com o apoio de seu assistente Theophilo Benedicto Ottoni Neto. Desenvolveu ao longo da vida intensa atividade em associações de engenheiros tendo sido fundador da FEBRAE (Federação Brasileira de Associações de Engenheiros) e da UPADI (Associação Panamericana de Associações de Engenheiros). 1977).CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS O Laboratório de Hidráulica HIDROESB – Saturnino de Brito SA Luiz Felipe Pierre O HIDROESB – Saturnino de Brito SA . se transferiu para uma grande área no bairro do Andaraí.Rio de Janeiro. Após a morte de seu fundador. 1864 – Pelotas. pelo projeto de saneamento básico de várias cidades brasileiras. então recém formado. onde havia espaço suficiente para expandir suas atividades. no centro da cidade do Rio de Janeiro. na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. ainda ligado ao Escritório Saturnino de Brito. Formado em 1º lugar na turma de 1923 da Escola de Minas de Ouro Preto foi professor catedrático da cadeira de Higiene e Saneamento da Escola Politécnica da Universidade do Brasil e teve onze livros publicados. embrião do que viria a se transformar no Hidroesb. Na década de 50 a empresa foi pioneira na realização das primeiras medições de descarga sólida em rios brasileiros e foi responsável por projetos de destaque como a tomada d’água do rio Guandu. no estado da Bahia. Sua origem remonta ao Escritório Saturnino de Brito fundado por Francisco Rodrigues Saturnino de Brito (Campos dos Goytacazes. 2009). 433 . com o aumento no volume de serviços. Saturnino de Brito Filho. A partir do final da década de 40 a empresa desenvolveu diversos estudos hidrológicos e hidráulicos aplicando técnicas inovadoras no Brasil para a época como foi o caso da utilização do método do hidrograma unitário nos estudos hidrológicos do rio Joanes. desde o final do século XIX. o primeiro laboratório de hidráulica do país. já então sob a supervisão direta de Theophilo Benedicto Ottoni Neto (Porangaba. o laboratório de hidráulica. decidiu criar.foi a mais importante instituição privada de hidráulica experimental no Brasil.

em Ipatinga. ministro de viação e obra públicas. Boa Esperança.Juarez Távora. Volta Grande.293 a 300. Ottoni Netto sobre o modelo reduzido do vertedouro de Orós 434 . modelos para estudos especiais como as eclusas do AHE Tucuruí e do AHE Boa Esperança Figura 1 . no canal de São Francisco. no rio Parnaíba e Balbina. no Rio de Janeiro. No ano de 1962 desenvolveu os estudos hidráulicos em modelo reduzido e os projetos hidráulico e estrutural para reconstrução do sangradouro do açude de Orós.A História das Barragens no Brasil . Nas décadas de 60 e 70 desenvolveu estudos hidráulicos em modelo reduzido de vários dos mais importantes aproveitamentos hidroelé tricos projetados na época dentre os quais Estreito.123 a 128). no rio Uatumã. para a CSN. CBDB . Na década de 60 o Hidroesb realizou projetos e estudos hidráulicos em modelo reduzido de tomadas d’água para fins industriais para as instalações da USIMINAS. páginas 68 a 70. A nova empresa se dedicou a estudos de campo nas áreas de topografia. Porto Colômbia e Ma rimbondo. no Ceará. O Hidroesb construiu. XX e XXI Em 1965 foi criado o Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito SA .Hidroesb. no rio Jaguaribe. ouvindo a explicação do professor Theophilo B. no rio Paraíba do Sul. hidrometria e sedimentometria bem como a estudos e projetos hidráulicos. se deu no campo da hidráulica experimental.Séculos XIX. também. Grandes Vertedouros Brasileiros pág.Main Brazilian Dams II pág. todos no rio Grande. Seu maior destaque. em Volta Redonda e para a usina termoelétrica de Santa Cruz. no rio Doce. no rio Piracicaba. Mascarenhas. que havia sido destruído por uma cheia ocorrida em 1960 (ver ICOLD – “Lessons from Dam Incidents” – 1974. porém. Jaguara. empresa independente do Escritório Saturnino de Brito. no rastro dos grandes projetos que o País desenvolveu na época.

Em 1978 a empresa teve sua razão social alterada para Hidroesb – Saturnino de Brito SA. Saneamento.Professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto tendo à sua esquerda os engenheiros Lúcio Washington e Olívio Kalckman e a tomada d’água do AHE Fur nas visando avaliar a possibilidade de redução da cota do seu nível mínimo operativo. atuou profissionalmente na área da Educação Superior e na prestação de ser viços de Engenharia Consultiva. como Escola Técnica do Exército (Ministério da Guerra). com a sua experiência prática de engenharia e acadêmica de professor pesquisador. Aproveitamentos Hidroelétricos. O Hidroesb e o professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto. Saneamento Ambiental. UFF. Pelo pioneirismo de sua atuação o Hidroesb deu importante contribuição ao desenvolvimento da engenharia hidráulica no país. do Conselho de Pesquisas e Ensino para Graduação da UFRJ. Abastecimento d’Água de Cidades e Impactos Ambientais. Perenização e Regularização Fluvial. Engenharia Costeira. Foi professor titular e emérito da UFRJ. chefe do Departamento de Hidráulica e Saneamento do Curso de Engenharia Civil da UFRJ. Controle de Enchentes e de Secas. Seu principal executivo. 435 . Como docente. Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz e SUDENE. membro do Conselho de Curadores da UFRJ. envolvendo Hidráulica. professor Theophilo Ottoni.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 . do Conselho Diretor da Fundação de Ensino Especializado de Saúde Pública e coordenador da Sub-Comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas para Projeto de Construção de Órgãos Auxiliares de Barragens. em temas de Hidráulica. UnB e em instituições oficiais. Hidrologia Geral. Hidrologia. vice-presidente da Associação de Antigos Alunos da Politécnica. Fluviometria. Planejamento Integrado dos Recursos Hídricos. em universidades como UFRJ. Ecologia Aplicada e Engenharia Sanitária. Empreendimentos Hidráulicos. Hidrotécnica. ministrou aulas em cursos de graduação e pósgraduação. PUC. Recursos Hídricos. desempenharam importante papel na evolução da engenharia hidráulica e na formação de novos profissionais na área.

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assim como de um laboratório de hidráulica para ensino. que começou em 1956 para o DEPRC (Figura 2) com a ajuda de pesquisadores franceses.França. de que havia necessidade do domínio da técnica dos modelos reduzidos. Desta forma. A conjuntura histórica da época ajudou nesse objetivo.IPH Marcelo Giulian Marques. O primeiro trabalho realizado foi sobre o estudo da desembocadura do Rio Tramandaí. irrigação. Luiz Augusto Magalhães Endres e André Luiz Lopes Silveira setores das obras marítimas. tais como: Travessia do Delta do Jacuí para o DAER (Figura 3). estudos e treinamento que atuasse nos 437 . entre outros). Em seguida outros estudos foram realizados em modelo reduzido. em função de um oficio do professor Adolfo Laranjeira Mariante solicitando a criação de um centro destinado às questões hidráulicas. que designou uma comissão para criação deste novo instituto em 7 de agosto de 1953. de pesquisa. termina do em 1955 e inaugurado oficialmente em 1957 pelo Presidente Juscelino Kubitschek. Vários docentes de então atuavam simultaneamente na referida secretaria e na universidade. Figura 1 – Vista geral do Instituto de Pesquisa Hidráulicas da UFRGS (1962) Um breve histórico O Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) é o instituto das águas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). navegação. seus anseios tiveram eco no reitorado do Professor Elyseu Paglioli. Barragem Bom Retiro do Sul (Figura 5). a localização da nova Cidade Universitária junto à área destinada à implantação do IPH. de extensão e de prestação de serviços em hidráulica. fluviais. também em 1953. abastecimento de água. realizando atividades de ensino. todos os prédios do projeto original (Figura 1) estavam concluídos e operando. Em 1962. recursos hídricos e meio-ambiente atuando ativamente em diferentes setores (elétrico brasileiro. O primeiro prédio do IPH foi o Pavilhão Marítimo. incluindo o Laboratório de Ensino. A sua criação tomou corpo em 1953. entre outros. pois a universidade aprovou. Barragem do Arroio Duro para o DNOS (Figura 4). na então Universidade do Rio Grande do Sul. planejado pelo engenheiro Pierre Engeldinger do Laboratoire National d’Hydráulique de Chatou . hidroelétricas e assemelhados na região sul do Brasil e da América Latina.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O Instituto de Pesquisas Hidráulicas . em função de uma idéia circulante na Escola de Engenharia e na Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul.

XX e XXI Figura 3 . Figura 4 .Séculos XIX.Barragem do Arroio Duro (extinto DNOS) – estudo do vertedouro 438 .estudo da proteção com enrocamento – DAER Figura 2 .A História das Barragens no Brasil .escoamento com comporta de fundo e lâmina vertente.Desembocadura do rio Tramandaí RS – DEPREC Figura 5 .Barragem Bom Retiro do Sul (DEPREC) .Vista do modelo da travessia do Jacuí (DAER) .

podendo-se citar: * Administração das Hidrovias do Sul . Esse convênio com a UNESCO. único na América Latina. em 1969. abastecimento de água. Barragem Laranjeira . atuando no ensino (técnico.RS Figura 6 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Os anos 60 consolidam o IPH como referência nacional e sulamericana para estudos hidráulicos. ainda hoje. Em função da visão de tratar de maneira mais ampla os recursos hídricos.Barragem do Arroio Mãe D’água .Rio Jacuí –RS. usina hidroelétrica Passo Real .AHSUL . e está em fase de implantação o curso de engenharia hídrica. O IPH.RS (Figura 5) * Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) Barragem do Arroio Duro –RS (Figura 4) * Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis (DNPVN) . com apoio de pesquisadores estrangeiros. foi criado o curso de pós-graduação do IPH e o Curso Técnico em Hidrologia.Rio Jacuí – RS (Figura 9). de recursos hídricos e de meio-ambiente. Desta forma. usina hidroelétrica Dona Francisca 1º arranjo de obra (Figura 7) . completando efetivamente todos os níveis de ensino e diplomação. pr eser vação e conser vação” .Barragem eclusa do canal São Gonçalo Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim .Rio Jacuí –RS. juntamente com a reforma universitária de 1970 marca uma segunda fase do IPH. usina hidroelétrica Salto Grande – Rio Santa Cruz .rio Santa Cruz.ex-Usina Hidroelétrica do Jacuí . Em 1989 o doutorado foi implantado no seu programa de pós-graduação.Rio Taquari . usina hidroelétrica Leonel de Moura Brizola .escoamento no vertedouro As pesquisas O IPH como instituto de pesquisa sempre teve a visão: “O uso da água com sustentabilidade. entre outros. Rios e Canais (DEPRC) Barragem de Bom Retiro do Sul . 15 foram estudos em modelo reduzido de barragens. tem um acervo de centenas de trabalhos de prestação de serviços à comunidade nas áreas de hidráulica. irrigação. e a meta: “A capacitação de indivíduos e de instituições aptas a lidar com os problemas que envolvem o uso da água”. foi implantado o curso de engenharia ambiental.Barragem do Anel de Dom Marco (CEEE) . além de dar novo impulso e amplitude às pesquisas. o IPH também se tornou um pólo de capacitação e pesquisa em hidrologia no âmbito do Decênio Hidrológico Internacional 1965-1975.usina hidroelétrica Machadinho (1º arranjo de obra) – Rio Pelotas –RS (Figura 10) * Garcia de Garcia .RS.RS * Departamento Estadual de Portos. com o apoio da UNESCO. até o presente momento. modelos reduzidos de obras hidráulicas. Em 2006.Barragem do Anel de Dom Marco Rio Jacuí . graduação e pósgraduação) e apoiado por ampla atividade em pesquisa e extensão. usina hidroelétrica Itaúba .RS * Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) – Barragem do Anel de Dom Marco – Rio Jacuí (Figura 6).RS * ELETROSUL . Cerca de um terço destes trabalhos são referentes ao setor elétrico brasileiro e as obras hidráulicas ligadas a barragens.Rio Jacuí –RS (Figura 8). Destes. navegação. sobretudo franceses.Barragem do Arroio Ribeiro -RS * Instituto de Pesquisa Hidráulicas (IPH) . 439 . usina hidroelétrica Passo Fundo – rios Passo Fundo e Erechim . atuando ativamente em diferentes setores: hidrelétrico. que passa a ser um instituto de pesquisas também em recursos hídricos e saneamento ambiental.

A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. XX e XXI Figura 7 – Usina hidroelétrica Dona Francisca (CEEE) 1º arranjo escoamento no vertedouro Figura 8 – Usina hidroelétrica Itaúba (CEEE) – erosão a jusante do salto de esqui 440 .

apresentação do modelo pela equipe do IPH durante vista técnica Isto levou o IPH a desenvolver uma ampla gama de especialidades nas ciências da água.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 – Usina hidroelétrica Machadinho (ELETROSUL) – escoamento pelo vertedouro. * Projetar obras e sistemas para aproveitá-los. à qualidade. necessárias para uma abordagem integrada dos problemas que envolvem os recursos hídricos ligados à quantificação. 441 . Figura 9 – Modelo da usina hidroelétrica Leonel de Moura Brizola . ao armazenamento e ao controle das águas fluviais.ex-Jacuí (CEEE) . influenciando diretamente os projetos e a operação das barragens e do setor elétrico. * Preservar a sua qualidade e * Promover a gestão integrada dos mesmos. da forma mais eficiente possível. Para isso reuniu e busca atualizar o seu conhecimento para: * Avaliar as disponibilidades desses recursos.

aprimorando os conhecimentos sobre fenômenos hidráulicos.Mecanismo de Transposição para Peixes (MTPs). * Vibração em Estrutura Hidráulica em Cilindro e em Comporta. Na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) relacionados a empreendimentos no setor elétrico. O acervo de dissertações de mestrado e teses de doutorado do curso de pós-graduação do IPH é resumidamente de cerca: 110 teses de doutorado e 315 dissertações (http://www.ufrgs. foram desenvolvidas nove teses e mais de dezesseis dissertações. * Transientes Hidráulicos em Usinas Hidroelétricas e em Eclusa. o IPH (http://www. verificar e comparar os critérios de dimensionamento existentes na literatura. assim como nos principais fóruns de discussões sobre hidráulica. * desenvolver linhas de pesquisa na área de eficiência energética e hidráulica. seguras e de menor custo para o dimensionamento de obras hidráulicas. a fim de gerar soluções técnicas que sejam eficientes.br/apresentacao/) conta com diferentes laboratórios e núcleos de pesquisa que trabalham de forma integrada nas diferentes áreas dos recursos hídricos: * Laboratório da Estação Recuperadora da Qualidade da Água da UFRGS (ERQA) * Laboratório de Clima e Recursos Hídricos * Laboratório de Eficiência Energética e Hidráulica (LENHS) * Laboratório de Engenharia de Água e Solo * Laboratório de Ensino de Hidráulica * Laboratório de Hidráulica Marítima (LAHIMA) * Laboratório de Hidrometria * Laboratório de Instrumentação e Canal de Velocidade * Laboratório de Limnologia * Laboratório de Obras Hidráulicas (LOH) * Laboratório de Processos Erosivos e Deposicionais * Laboratório de Saneamento * Laboratório de Sedimentos * Núcleo de Águas Urbanas * Núcleo de Estudos em Correntes de Densidade (NECOD) * Núcleo de Estudos em Transição e Turbulência (NETT) * Núcleo de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos Aproximadamente 35 pesquisas desenvolvem-se regularmente nesses laboratórios e núcleos. * Eco Hidráulica . As pesquisas têm sido desenvolvidas dentro das seguintes Linhas Mestras: * Esforços Hidrodinâmicos: em Dissipadores de Energia Hidráulica e a Jusante de comportas. 442 .ufrgs. o IPH vem desenvolvendo projetos através do seu Laboratório de Obras Hidráulicas (LOH).A História das Barragens no Brasil . com cerca de 150 publicações anuais entre periódicos e anais de eventos. Entre os trabalhos dos últimos 10 anos referentes diretamente ao setor elétrico brasileiro e as obras hidráulicas ligadas às barragens. * desenvolver ferramentas e metodologias de previsão de esforços hidrodinâmicos provocados pelo escoamento.iph. Há participação efetiva dos professores e alunos nos principais eventos na cionais e internacionais no domínio das águas.br/handle/10183/2). XX e XXI Hoje. planos nacionais e estaduais de recursos hídricos e de meio-ambiente. * desenvolver. Esses projetos de P&Ds visam: * compreender os processos físicos envolvidos nos fenômenos hidráulicos.lume. Vertedouro em Degraus e Salto esqui a Jusante de comportas.Séculos XIX. obras hidráulicas.

(Figura 12) Análise do comportamento hidráulico dos sistemas de enchimento e esgotamento de eclusas de navegação (Figura 13) Análise do escoamento em mecanismo de transposição para peixes – MTPs (Figura 14) Análise dos processos físicos envolvidos na formação de fossas de erosão em leito Coesivo a jusante de salto de esqui . Figura 11 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Titulo do P&Ds Análise da macro turbulência em dissipadores por ressalto hidráulico (Figura 11) Análise das características macro turbulentas ao longo da calha de um vertedouro em degrau e no ressalto hidráulico formado a jusante.em desenvolvimento (Figura 15) Características de escoamentos sobre vertedouros em degraus Determinação das características geométricas da soleira terminal em bacias de dissipação a jusante de vertedouro em degraus .Análise de vibrações induzidas pelo escoamento sobre uma comporta 443 . PUC/Rio e UFMG UFSM (colaborador) LAHE/FURNAS LAHE/FURNAS e IME LAHE/FURNAS e IME Os P&Ds desenvolvidos ou em desenvolvimento nos últimos 10 anos pelo LOH. aplicados a barragens no setor elétrico estão listados acima.em desenvolvimento (Figura 16) Padrões de vibração em estruturas hidráulicas por ação de escoamentos (Figura 17) Transientes hidráulicos em circuitos de usinas hidroelétricas Utilização de modelos numérico e experimental para dimensionamento e otimização de bacias de dissipação Parceiros LAHE/FURNAS INA e IST (colaboradores) DFESA IST (colaborador) LAHE/FURNAS e UFMG URI e UNISINOS (colaboradores) CPH/UFMG IST (colaborador) LAHE/FURNAS UFSM (colaborador) LAHE/FURNAS IST (colaborador) DFESA IST (colaborador) LAHE/FURNAS.em desenvolvimento Estudo dos processos geomecânicos provocados por esforços hidrodinâmicos em fossas de erosão a jusante de saltos de esqui .

A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 12 – Análise da macro turbulência em dissipadores por ressalto hidráulico Figura 13 – Análise das características macro turbulentas ao longo da calha de um vertedouro em degrau e no ressalto hidráulico formado a jusante.Séculos XIX. Figura 14 – Análise do escoamento a jusante de uma comporta tipo segmento invertida de uma eclusa 444 .

Análise das pressões dinâmicas em um jato direcionado Figura 15 – Análise do escoamento em mecanismo de transposição para peixes – MTPs Em resumo. 445 . o IPH construiu uma história voltada às águas buscando a quantificação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 16 – Análise das pressões dinâmicas a jusante de um salto esqui Figura 17 . o armazenamento. o controle e a gestão deste recurso de maneira a tornar os empreendimentos sustentáveis. a qualidade.

446 .

O maior ensaio in situ de resistência ao cisalhamento feito no mundo 447 . A participação do IPT se desenvolveu nas áreas de geotecnia. em Campina Grande. fundou o laboratório da I.O. o IPT teve atuação relevante no desenvolvimento das barragens no país. na determinação das propriedades de comportamento de solos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo . tanto pelo seu envolvimento direto em muitas obras. USELPA – Usinas Elétricas do Paranapanema e de outras que foram unidas. no controle de execução dos maciços de terra e das estruturas de concreto e no monitoramento das obras. geologia de engenharia. professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. o primeiro ensaio de perda d’água sob pressão em furo de sondagem. . Ensaio de cisalhamento de grandes dimensões do maciço rochoso num bloco de rocha de 6 m x 6 m de seção por 4 m de altura. sem dúvida. o engenheiro Mario Brandi Pereira. Em 1953. pioneiro da geologia aplicada às obras hidráulicas. dando as primeiras contribuições ao avanço da área de hidrogeologia no País. Nos levantamentos geológicos dos locais das obras. destacou-se a atividade do engenheiro Ernesto Pichler. como pelo seu papel de difusor de conhecimentos técnicos. na caracterização das jazidas naturais. dando origem à CESP – Companhia Energética de São Paulo. rochas e agregados para concreto.S. com a construção de usinas hidroelétricas construídas no estado de São Paulo pelas empresas CHERP – Centrais Elétricas do Rio Pardo. as barragens de Poço Preto e Piraçununga. realizado em Ilha Solteira em 1969. além da consultoria técnica na formulação e a adaptação dos projetos durante a construção. após estagiar no IPT. Ronaldo Rocha e Antonio Marrano Pela sua característica de instituto pioneiro no Brasil na tecnologia da engenharia civil. Geotecnia e geologia de engenharia Um exemplo do papel difusor de conhecimentos do IPT se fez notar logo após a fundação de sua Seção de Solos. no rio Paranapanema. Paraíba. na barragem de Barra Bonita (rio Tietê).N.Inspetoria Nacional de Obras Contra a Seca. em 1938. No ano seguinte.IPT Carlos de Sousa Pinto. realizou. Pichler iniciou a prática de estudos geológicos para projeto e construção de barragens baseados em sondagens rotativas adaptadas aos fins de engenharia civil. o primeiro laboratório de solos a se dedicar ao apoio tecnológico das barragens no Brasil. No início da década de 1940. este.C. Ainda no final da década de 1940. concreto e estruturas. que já em 1947 havia publicado um conjunto de conferências intitulado “Elementos básicos de Geologia Aplicada”. o IPT estudou fundações e solos de empréstimo para duas pequenas barragens de terra. CELUSA – Centrais Elétricas de Urubupungá SA. na cons trução da Usina de Salto Grande. Esta atuação se realizou no reconhecimento geológico dos locais. Mas a atuação mais marcante do IPT nas obras de barragens passou a ocorrer a partir da década de 1950.

o IPT coordenou todo o controle de compactação dos maciços. na coordenação dos trabalhos. a partir da característica de “duplo manômetro”. em plena atividade no campo. Em reconhecimento à relevante contribuição. com extensômetros elétricos colados em membrana de aço inoxidável. com algumas alterações propostas pelo engenheiro Pacheco Silva e aceitas pelo fabricante. No laboratório de solos de Ilha Solteira. 448 . o engenheiro Pacheco Silva instalou piezômetros de sua própria idealização. Nas barragens do Rio Pardo. a influência das condições de compactação nas propriedades geotécnicas do solo compactado e a comparação entre as características apresentadas pelos corpos de prova compactados em laboratório com as dos corpos de prova moldados a partir de blocos indeformados extraídos do maciço. Além da determinação das propriedades mecânicas dos solos usados na barragem. por ele batizada de “célula DM”. atualmente. Nesta ocasião.Séculos XIX. inclusive um ensaio de grandes dimensões. Barra Bonita (1952 a 1962) e Promissão (1966 a 1975) envolveu a supervisão do controle de compactação e a instrumentação dos maciços. XX e XXI Pichler foi também pioneiro na implantação da mecânica das rochas no Brasil. com câmaras de ensaios triaxiais. A atuação do IPT nas barragens do rio Tietê. característico de solos tropicais. merecem destaques as relacionadas com as características das fundaçõesdas barragens de Jupiá e Ilha Solteira. diversas pesquisas foram realizadas durante a obra. Seus resultados tiveram repercussão internacional. onde se sucediam camadas de constituição bem distintas. enquanto que no laboratório de mecânica das rochas toda a equipe era do IPT. que passou a ser adotada em muitas obras. importados da Suíça. Limoeiro (1953 a 1958). Notável foi o conjunto de ensaios de cisalhamento do maciço rochoso. o seu nome foi atribuído ao aeroporto de Jupiá. Ibitinga (1964 a 1969). principalmente o de Ilha Solteira. Observou que as pressões neutras decresciam inicialmente durante o alteamento do aterro. fato totalmente inesperado. No campo da mecânica das rochas. para só passarem a aumentar após ser atingido um certo nível de carregamento. com desenvolvimento de pressões neutras baixas quando devidamente compactados. Faleceu. Bariri (1959 a 1960). Já na barragem de Limoeiro. obtendo o desenvolvimento das pressões neutras durante o alteamento do aterro e o enchimento do reservatório. Os laboratórios de Ilha Solteira. por exemplo. um manômetro lendo diretamente a pressão neutra no maciço e o outro acionado por ação pneumática a partir da superfície fazendo a leitura do primeiro. o engenheiro Hamilton de Oliveira fez uma adaptação para solos brasileiros do método de Hilf de controle de compactação. Cinco piezômetros deste tipo foram instalados na barragem de Ilha Solteira Nas barragens de Jupiá (1961 a 1969) e de Ilha Solteira (1966 a 1973) o IPT especificou e colaborou na instalação dos laboratórios de solos e de mecânica das rochas instalados pela CESP. Frustrado com a perda de algumas destas células. três pesquisadores do IPT ficaram permanentes. introduzindo no Brasil esta técnica. equipamentos de cisalhamento direto e de adensamento. O engenheiro Pacheco Silva analisou este comportamento. Estes trabalhos passaram a ser referência para projetos de outras obras. passou-se a usar piezômetros de corda vibrante. em 1959. em virtude da deformação lenta. Pacheco dedicou-se ao desenvolvimento de outra. Estes estudos foram fundamentais para a definição das cotas de fundação dos diversos setores da obra. esclarecendo. tornou-se laboratório do curso de engenharia civil da UNESP. dentre as investigações realizadas pela equipe do IPT. Euclides da Cunha (1956 a 1960) e Graminha (1959 a 1966). num bloco de rocha de 6 m x 6 m de seção por 4 m de altura (Figura 1). Tendo notado que primeiros piezômetros instalados nas barragens do rio Pardo não se mantinham confiáveis por muito tempo.A História das Barragens no Brasil . tendo se notabilizado pela determinação das tensões in situ e realização de ensaios de deformação de maciços rochosos nas escavações da casa de força da usina de Paulo Afonso. com equipamentos da mais alta qualidade. sob a liderança do engenheiro Murilo Ruiz. o que caracterizava o maior ensaio in situ de resistência ao cisalhamento feito no mundo. pelo efeito de descargas elétricas nas proximidades das barragens. o que serviu de orientação para o projeto de barragens posteriores. passaram a prestar assistência tecnológica a outras barragens e. fazendo levantamento geológico no local da barragem de Jupiá. após a conclusão da barragem. Os laboratórios foram muito bem equipados.

Na década de 1970. rio Paraná. 449 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 1 – Usina hidroelétrica de Ilha Solteira. Na década de 1990. Também foi desenvolvido o primeiro sistema de classificação de maciços rochosos utilizados no Brasil. Avanços significativos na compreensão do comportamento dos basaltos como fundações de barragens foram obtidos com os estudos a respeito das estruturas circulares em Água Vermelha. assim como na caracterização tecnológica de agregados naturais. na compreensão do comportamen to das juntas-falhas e na avaliação da rápida decomposição das rochas basálticas (alterabilidade). John. as lavas em almofadas (pillow lavas) em Nova Avanhandava e os basaltos leves de Porto Primavera. os estudos de caldas de cimento e argamassa para tratamento de maciços de fundações e análise da eficiência dos tratamentos de fundações de barragens. estabelecendo uma prática brasileira para os estudos e investigações de eixos de barragens. destacaram-se os trabalhos junto à Centrais Elétricas de São Paulo (CESP) que possibilitaram o desenvolvimento de especificações de sondagens e de critérios para a classificação dos graus de alteração e de fraturamento das rochas. bem como a definição de vários outros procedimentos até hoje utilizados. especialmente na identificação de ar gilominerais expansivos. destacam-se o desenvolvimento dos obturadores de impressão e um protótipo de equipamento para o televisionamento de furos de sondagens. com a colaboração do consultor alemão Klaus W. Contribuições significativas decorrentes da experiência com grandes obras envolveram desenvolvimentos na caracterização geológico-geotécnica de basaltos. empregado com sucesso na fundação de Ilha Solteira e posteriormente adotado em todas as demais obras da CESP com fundação em maciço basáltico. destacaram-se a formulação das primeiras orientações técnicas de normatização dos ensaios de permeabilidade em furos de sondagens. Ensaio de cisalhamento em bloco de grandes dimensões (1969) Também a partir do final da década de 1960.

A barragem de Ponte Nova. em que se compactou o solo com umidade muito acima da ótima. Alguns destes casos. o IPT instalou e operou piezômetros que registravam o crescimento e a dissipação da pressão neutra após cada lançamento do aterro.Departamento de Águas e Energia Elétrica do estado de São Paulo. inclusive rodoviárias e de fundações. estudos para identificar as características da percolação.Séculos XIX. fundação em sedimentos arenosos (que requereu paredes diafragma para vedação). sem sucesso. O IPT contribuiu muito no campo da geotecnia e geologia de engenharia nas barragens da CESP. as infiltrações cessaram e o monitoramento posterior. apresentou infiltração e surgimento de água a jusante. Este laboratório foi posteriormente vendido a um consórcio de empresas empreiteiras.A História das Barragens no Brasil . Em virtude das peculiaridades da obra. quando atingida cota parcial de enchimento do reservatório. passando de montante para jusante. o desenvolvimento e aplicação da geologia estrutural para a análise dos condicionantes geológico-geotécnicos. mas deve-se registrar que igualmente importante para o próprio IPT foi o apoio recebido da CESP para o desenvolvimento desta instituição. dividindo a represa em duas áreas. em 450 . como reguladora do rio e parte do sistema de abastecimento da cidade de São Paulo. projetado de maneira a poder ser transformado numa posterior barragem. construída pelo DAEE . Foram realizados. em 1989. o DAEE optou pela instalação de laboratório de solos completo no local. com poucos centímetros de diâmetros. ensaios de injeção de corantes e de traçadores radioativos que. teve a assistência do IPT tanto nos ensaios dos materiais como no controle de compactação. o IPT teve a oportunidade de participar de diversas obras de barragens de outras entidades. que passou a dar assistência a várias obras de engenharia. construída pela Petrobrás. de difícil secagem em virtude do clima na região e com peculiaridades de compactação (grande alteração dos parâmetros de compactação com ligeira secagem a partir da umidade natural). Além dos trabalhos para as barragens da CESP. próxima às nascentes do rio Tietê. resultantes de antigas colônias de formigas. em 1970. Na construção da rodovia dos Imigrantes os projetistas optaram por fazer a travessia da Represa Billings por meio de um aterro lançado dentro d’água. no Paraná. localizada na Baixada Fluminense. para abastecimento de água para a Refinaria Duque de Caxias. proporcionando a oportunidade para a formação de especialistas que vieram posteriormente contribuir para a engenharia nacional em diversas atividades. pioneiramente no Brasil. de 1960 a 1962. no seu aproveitamento no suprimento de água na região. cuja primeira aplicação com equipamentos idealizados e construídos pelo IPT foi na barragem de Porto Primavera. liderado pelo engenheiro Murilo Ruiz. garantindo-se a estabilidade dos taludes do maciço. Após diversas tentativas de impermeabilização das ombreiras. como nos recursos humanos. a melhoria e desenvolvimento das técnicas da geofísica e as primeiras pesquisas desenvolvidas no Brasil para estudo da permeabilidade tridimensional dos maciços rochosos que começaram em 1984. o grupo de geologia aplicada e de geotecnia do IPT. realizou. permitiram a identificação de pequenos túneis. constituindo o Laboratório Rankine. A barragem de Saracuruna. Após a execução de cortina de solo-cimento nas ombreiras e fundações. pelas suas peculiaridades. destacam-se estudos voltados ao monitoramento dos processos erosivos nas margens do reservatório de Porto Primavera. permitiu assegurar a estabilidade da barragem e a plena utilização do reservatório na cota de projeto. muito úmido. juntamente com a inspeção de amostras indeformadas. tanto no investimento em recursos materiais. A partir da década de 2000. A experiência da obra anterior possibilitou ao IPT atuação importante na construção da Barragem do Rio Verde. e área de empréstimo de solo muito argiloso. feito pelo IPT. são apresentados a seguir. nas ombreiras. já acima do nível d’água em função do que era liberado o lançamento de novas camadas. Na execução desta obra. XX e XXI Igualmente importante foram os estudos de sismicidade induzida decorrente da instalação de reservatórios de barragens. podendo ser operadas de maneira distinta. a profundidades de cerca de 3 m.

Restringem-se a casos especiais. No caso específico dos modelos da barragem de Itaipu. foram executados dois modelos para o projeto da barragem de Itaipu. tendo sido construído com poliéster. Conhecer o estado de tensões nos maciços rochosos é particularmente importante para o projeto de túneis de alta pressão. depois de um estágio na Itália. devido às características dos agregados. segundo a técnica de ensaios em modelo desenvolvida pelo Istituto Sperimentale Modelli e Strutture (ISMES). constituiu-se no primeiro modelo estrutural voltado a barragens no Brasil. com o ganho adicional de redução da temperatura do concreto durante a cura e o endurecimento. tinha cerca de 50 cm de altura. o que foi adotado. empregados pelo ISMES. representando a barragem numa escala de 1:100 e foi carregado por meio de pesos mortos até serem atingidas as pressões na escala empregada. de maneira que resulte em material com propriedades reológicas adequadas à escala do modelo. Posteriormente. conciliando-se esta solução com a baixa resistência do solo da fundação. conforme descrito a seguir. quando os projetistas recorrem a eles para esclarecer dúvidas sobre o comportamento da estrutura em obras cujo valor e importância os justifiquem. e para o seu desenvolvimento. Medido res de recalque e piezômetros mostraram o comportamento adequado da barragem. o IPT. colaborando para o contínuo desenvolvimento tecnológico das barragens brasileiras. por parte da empresa projetista. foi desenvolvido um material básico com micro-concreto de argila expandida. também. solicitou ao IPT um modelo dos apoios das comportas nos contrafortes da barragem. Quando o material deveria ter módulo de deformação muito baixo. que não precisou ser escavado. apresentava muita dificuldade em virtude da pouca disponibilidade de materiais. ou o gesso. a possibilidade de reações álcali-agregados que comprometeriam a durabilidade das obras. utilizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa. de 1977 a 1979. foram realizados dois estudos com modelos físicos de características diferentes. o engenheiro Fausto Tarran do IPT. construiu um equipamento para realização de ensaios de medidas de tensões in situ por meio de fraturamento hidráulico. Os estudos apontaram para a incorporação de pozolanas na constituição dos concretos. a realização dos ensaios. com o consequente abatimento dos taludes do maciço para garantir a estabilidade. em substituição às pedras-pomes diatomito. projetou um laboratório especial. O modelo foi moldado com as dimensões estudadas. O conhecimento sobre o estado de tensões do maciço também contribui significativamente para o dimensionamento da blindagem do conduto forçado. Tecnologia de concreto No campo de concreto o IPT contribuiu na consultoria e supervisão das dosagens e no controle dos materiais constituintes. Os micro-concretos utilizados para a representação das fundações e do elemento estrutural em estudo são executados com materiais especiais e misturas adequadas. Modelos físicos estruturais Modelos físicos de estruturas de barragens não são rotineiros nos projetos destas obras. justificando a solução adotada. sendo um trabalho que na época. 451 . o professor Telêmaco van Langendonck. micro-concreto de pedra pomes e sistema especial de aplicação de cargas de peso próprio. Itália. de Bergamo. Em 2010. o que requereu um estudo preliminar para a determinação da adequada proporção dos componentes e dos procedimentos de cura. 1968. No Brasil. onde é necessário evitar que a pressão hidráulica interna conduza à ruptura do maciço. Coube a ele. formas de resina. a partir de matérias primas. no modelo. onde se constatou. utilizou-se argamassa de areia. O modelo foi de comportamento elástico. Papel importante ocorreu nas barragens de Jupiá e Ilha Solteira.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens virtude das condições de umidade muito elevada na região. O contraforte da barragem. que foi construído pelo IPT. Para a barragem de Jupiá. Esta técnica se caracteriza pela utilização de modelos de grandes dimensões. Conduzido com sucesso. na realidade um pórtico de reação que permite ensaio de modelos de até 3 m. A técnica de ensaio é extremamente complexa. cimento e pérola de isopor.

Séculos XIX. em função do que foi feita modificação do projeto estrutural da obra. a aplicação mais importante e extensiva ocorreu nas barragens do Jaguari e Jacareí da SABESP. Figura 2 – Usina hidroelétrica Itaipu. estas uma réplica. juntamente com os aperfeiçoamentos na unidade de leitura. de maneira a simular o empuxo correspondente ao reservatório em plena altura. Nesta fase. XX e XXI Os modelos tinham alturas de 1. A comparação dos resultados alcançados revelou o bom desempenho dos pneumáticos. As formas das estruturas foram construídas sobre contra-formas.Figura 2). e Piraquara da SANEPAR. As primeiras utilizações destes instrumentos pneumáticos em barragens foram nas barragens de Rio Verde da Petrobrás.8 m (estrutura de controle do desvio do rio) e 2. Em seguida. em madeira.A História das Barragens no Brasil . foram desenvolvidas as células de pressão total que. o ensaio foi até a ruptura da junta vertical de concretagem dos contrafortes. As cargas hidrostáticas na face do modelo foram aplicadas por pequenos macacos hidráulicos. Também foram instrumentadas barragens na América do Sul com Instrumentação de barragens Em meados da década de 1970. as importações de instrumentos geotécnicos eram difíceis e tal fato favoreceu o crescimento e aplicação dos instrumentos fabricados no Brasil.5 m (bloco de gravidade aliviada da barragem principal. No modelo do contraforte. foram nomeados de instrumentos pneumáticos tipo IPT. Nas barragens da SABESP. No corpo dos modelos foram introduzidos tirantes para simulação do peso próprio da estrutura. em 1978 (Figura 3). foram instalados instrumentos pneumáticos tipo IPT ao lado de instrumentos elétricos de corda vibrante tipo Maihak. pelo engenheiro Alinor Figueiredo e equipe. em 1976. em 1979. Foram muitas as barragens instrumentadas com piezômetros e células de pressão tipo IPT. Rio Paraná Modelo reduzido do bloco da barragem principal (1978) 452 . incluindo as fundações . No entanto. a semelhança do ocorrido na barragem de Piraquara onde se utilizou piezômetros elétricos tipo Geonor. entre elas destaca-se a barragem de Itaparica da CHESF onde foram instalados quase duas centenas de instrumentos pneumáticos. foi desenvolvido o primeiro piezômetro pneumático no IPT. Os ensaios foram conduzidos até a observação de indícios de ruptura nas fundações. da estrutura do modelo a ser construído. No modelo do corpo da barragem. foram aplicados 22 macacos. no modelo da estrutura de desvio.

Em 1978. IPT 100 anos de Tecnologia. Paso Severino no Uruguai. Vinte e três barragens na região metropolitana de São Paulo tiveram suas características técnicas levantadas e passaram a ser vistoriadas anualmente. São Paulo. em 1977. Além dos instrumentos pneumáticos. duas barragens em cascata no Rio Pardo. por exemplo. entre outras. constituindo-se este projeto num exemplo da auditoria externa de segurança de barragem (Figura 4). Por falta de regulamentação este decreto não foi implementado por todas as autarquias e companhias. Publicação IPT no 2600. dispondo sobre a realização de auditoria técnica externa permanente em autarquias e Figura 3 – Barragem de Piraquara. com princípio de transdução por strain-gauge .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens estes pneumáticos como. em 21 de novembro de 1977. Segurança de barragens Após os acidentes ocorridos com as barragens de Euclides da Cunha e Armando de Salles Oliveira (Limoeiro). o IPT também desenvolveu instrumentos elétricos. o governo de São Paulo promulgou o decreto estadual no 10. Referências Figura 4 – Barragem de Pedro Beicht. Mapeamento de fissuras no paramento de jusante (1992). em razão da automação das medidas e não em função do desempenho deste tipo de instrumento.752. 24/06/1999 453 . o IPT organizou uma equipe formada por especialistas de diversas áreas do próprio instituto acrescida de consultores externos. para monitorar a segurança das barragens dessa companhia responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo. SABESP. Instalação de piezômetro pneumático (1978) companhias em cujo capital o Estado tivesse participação majoritária. atendendo solicitação da SABESP. Dentro destes conceitos de segurança de barragens também foi objeto de continuidade dos trabalhos a barragem de Saracuruna da Petrobrás. A partir dos anos 2000 os instrumentos pneumáticos perderam espaço para os instrumentos elétricos de corda vibrante. SANEPAR. que também foram aplicados em várias barragens nacionais e internacionais.

Vista aérea do LAHE .

Com isso. junto a subestação de Jacarepaguá. Furnas foi. Essa medida se apoiou Figura 1 LAHE – Sede em Jacarepaguá – Instalações 455 . pouco a pouco.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos de Furnas . Visando exercer maior controle técnico sobre os trabalhos realizados e manter os modelos de suas usinas construídos mesmo após as definições de projeto das mesmas.LAHE Fátima Moraes de Almeida e Marcos da Rocha Botelho Para atender necessidades específicas que foram surgindo ao longo de seus projetos. no Rio de Janeiro. Furnas começou a supervisionar diretamente os testes realizados para a validação e otimização dos projetos de seus empreendimentos e a atividade de desenvolvimento de estudos hidráulicos em modelo reduzido passou a ser de responsabilidade do seu Departamento de Engenharia Civil. em 26 de dezembro de 1983 foi iniciada a implantação do Laboratório de Hidráulica Experimental (LAHE) de Furnas. sendo inicialmente desenvolvida através da contratação do laboratório Hidroesb. em área própria da empresa. aumentando o seu grau de participação nos estudos em modelo até assumir integralmente a coordenação dos mesmos.

e pelo engenheiro Carlos Alfredo de Almeida Paiva. em projeto. Esse trabalho foi coordenado pelo engenheiro Erton Carvalho. da esquerda para direita). então chefe da Divisão de Estudos e Projetos Hidrotécnicos de Furnas.Séculos XIX. No modelo de conjunto da usina de Serra da Mesa foi feito o acompanhamento dos projetos básico e executivo e de alguns pro- 456 . nas fases de projeto e construção. A construção da sede própria do LAHE foi iniciada somente após três anos de funcionamento efetivo do laboratório. Usina de Cana Brava. fez-se necessário um enorme trabalho de mobilização dos recursos internos da empresa. em operação. em projeto e Usinas de Anta e Simplício.A. Nas instalações de Furnas esse laboratório desenvolveu as atividades de projeto. em operação. o LAHE. seu substituto imediato. Usina Luiz Carlos Barreto de Carvalho (Estreito).A História das Barragens no Brasil . em suas instalações. Ressalta-se. no início desse período. a importante atuação do engenheiro Dirceu Pennafirme Teixeira (do Hidroesb) que ao lado da equipe de Furnas colaborou ativamente no processo de implantação do laboratório. Para o desenvolvimento do projeto e construção de toda a infraestrutura necessária ao funcionamento de um laboratório de hidráulica. Usina de Porto Colômbia. Furnas os teria disponíveis para atender a qualquer necessidade que surgisse durante ou mesmo após a construção das suas usinas. em operação. construção e operação dos modelos dos empreendimentos em estudo àquela época. criado com objetivo de atender exclusivamente aos empreendimentos da empresa. Com a construção dos modelos em área própria. XX e XXI Figura 2 . Usina de Furnas. a saber: Usina de Serra da Mesa. Nos seus primeiros quatro anos de funcionamento. Responsável pela criação do LAHE – Visita ao modelo vertedouro da usina hidroelétrica de Batalha no fato do modelo reduzido também se revelar uma importante ferramenta de trabalho para as fases de construção e operação dos empreendimentos hidráulicos. contou com a prestação de serviços do Laboratório Hidroesb Saturnino de Brito S.Engenheiro Erton Carvalho (segundo à frente.

entre outras coisas. esse estudo 457 . de fácil execução e baixo custo. a instrumentação necessária às medições de ondas. Além da aproximação com outro centro de tecnologia. otimizando. o balanço de materiais. Figura 4 . vam comprometer a estabilidade da estrutura de seu vertedouro em salto de esqui. os coeficientes de forma que alimentaram o modelo matemático adotado para a simulação dos transientes hidráulicos a que a usina estaria submetida durante a sua operação. trazendo assim grande economia ao empreendimento. Sem os recursos de instrumentação necessários às medições a serem realizadas.Modelo de conjunto da usina hidroelétrica de Serra da Mesa. Foram estudadas as ondas geradas por esse deslizamento e que poderiam ameaçar seriamente as estrutura da barragem. foi a alteração da geometria da concha de arremesso do vertedouro.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS cessos construtivos utilizados pela obra. Foram avaliadas as alturas das ondas. modificando assim as características de lançamento do jato. No modelo da usina Luiz Carlos Barreto de Carvalho as pesquisas foram direcionadas para eliminar as erosões regressivas que ameaça- Para a usina de Furnas foi analisada a ameaça de desmoronamento de parte da encosta do Morro dos Cabritos. num modelo de detalhe de seu circuito de geração. os danos que ocorreriam a montante da barragem e os níveis de segurança do reservatório. o LAHE contou com o apoio técnico e logístico do INPH (Instituto de Pesquisas Hidroviárias) e da COPPE (Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro). Com o INPH foi obtida. A solução encontrada. Já a COPPE contribuiu com o desenvolvimento de parte da instrumentação necessária ao LAHE e com o estudo teórico do fenômeno em estudo. Detalhe da reprodução da tomada d’água Foram pesquisados também. por empréstimo. Isso permitiu a integração entre as diversas etapas de construção da usina. Diversas possibilidades de queda desse maciço rochoso foram estudadas.Modelo de conjunto da usina Luiz Carlos Barreto de Carvalho (Estreito) Figura 3 .

A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

marcou assim a primeira interface do LAHE com um centro acadêmico de pesquisa. Nessa ocasião, os dados obtidos no modelo físico foram confrontados com o resultado de estudos em modelos matemáticos desenvolvidos pela COPPE. No modelo bidimensional do vertedouro de Porto Colômbia foi diagnosticada a causa das erosões existentes no concreto da bacia de dissipação do vertedouro. Os estudos que conduziram à solução adotada na obra foram complementados em um modelo de conjunto da usina que permitiu, inclusive, direcionar as obras de ensecamento da bacia. Em parceria com outros laboratórios e entidades de pesquisa, após a realização da obra corretiva sugerida pelo modelo, foi realizada uma campanha de medição de pressões instantâneas na bacia de dissipação do empreendimento.

Tirando partido das informações modelo-protótipo, os dados de pressão obtidos em Porto Colômbia foram posteriormente utilizados na calibração de um modelo matemático de previsão do campo de pressões, velocidades e níveis d’água em bacias de dissipação. Com orientação do IME, esse estudo gerou a tese de mestrado intitulada “Estudo Numérico e Experimental de Bacia de Dissipação” da Renata Cavalcanti Rodrigues, na época engenheira do LAHE. No modelo da usina de Cana Brava, construída a jusante de Serra da Mesa, no rio Tocantins, foi feito o acompanhamento de toda a fase de estudo do projeto básico.

Figura 6 - Modelo da usina de Cana Brava

Figura 5 - Modelo de conjunto da usina de Porto Colômbia. Medição de pressões instantâneas na bacia de dissipação

Nos modelos onde foram estudados os arranjos originais da usinas de Anta e Simplício, no rio Paraíba do Sul, foram otimizados os projetos básicos das mesmas. Após quatro anos de existência do LAHE, e num momento em que alguns dos estudos acima citados ainda se encontravam em andamento, Furnas se deparou com o término do contrato com a Hidroesb e com a impossibilidade de sua renovação. Diante desse impasse, parte da mão de obra especializada da Hidroesb acabou

Esses dados foram disponibilizados para a comunidade científica que não dispunha, até aquele momento, de dados suficientes de protótipo que pudessem validar os estudos teóricos que vinham sendo desenvolvidos nessa área de atuação.

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 7 - Engenheiros Marcos da Rocha Botelho e Fátima Moraes de Almeida, técnicos pioneiros do LAHE

por ser absorvida por Furnas que, contando com o apoio de seus técnicos locais, passou a se responsabilizar pelo completo desenvolvimento dos estudos em modelo. Dentre esses técnicos, responsáveis pela supervisão dos serviços do laboratório, destacam-se como pioneiros os engenheiros Marcos da Rocha Botelho (atual gerente do LAHE) e Fátima Moraes de Almeida (que atua ainda hoje na coordenação de estudos em desenvolvimento no laboratório). Esse foi um dos momentos decisivos para a constituição da atual identidade do laboratório de Furnas que, ainda sob a condição de uma atividade de uma divisão de projeto da empresa, precisou obter recursos para a aquisição de todo o ferramental, equipamento e instrumentação eletrônica indispensável aos estudos em modelo. Itens esses que antes eram fornecidos através do contrato com o laboratório Hidroesb. Nessa ocasião, mais uma vez o espírito empreendedor do engenheiro Erton Carvalho entrou em ação. Como chefe da divisão responsável pelo Laboratório e tendo em mãos uma carteira de trabalhos já realizados, ele foi buscar junto aos órgãos superiores de Furnas os recursos necessários à consolidação do controle total pela empresa de todos os estudos hidráulicos em modelo reduzido de seus empreendimentos. A superação dessa fase acabou por trazer ao LAHE alguns grandes benefícios, tais como: modernização da instrumentação utilizada nos seus processos de construção e operação de modelos, reformulação dos processos de construção de modelos que geraram facilidades construtivas e operativas dos mesmos e maior possibilidade de investimento no aperfeiçoamento de seu quadro técnico. Quanto à usina de Manso, estudada pelo CEHPAR quando de propriedade da Eletronorte, ao assumir 70% de seus investimentos em parceria com o consórcio PROMAN, Furnas decidiu pela construção de um novo modelo da usina em seu laboratório para a realização de estudos complementares, acompanhamento do término da construção e fornecimento de subsídios para a operação da mesma. Visando subsidiar o projeto, construção e operação de um vertedouro complementar que compatibilizasse a capacidade de vertimento da usina com os demais aproveitamentos da cascata, foi construído e operado no LAHE um modelo de conjunto da Usina Marechal Mascarenhas de Moraes, inicialmente em concessão da CPFL e que, a partir de 1973, passou a ser operada por Furnas. Em 1994, o LAHE foi procurado pela Light para subsidiar, através de estudos hidráulicos em modelo reduzido, o projeto de reabilitação da Usina de Ilha dos Pombos. Esses estudos foram realizados entre os anos de 1995 e 1996. Essa primeira solicitação de desenvolvimento de um serviço externo motivou o LAHE a investir, a partir de 1997, na melhoria contínua de seus processos e produtos por meio da busca pela certificação através da Norma NBR ISO 9001. Esse projeto, incentivado pelo engenheiro Erton Carvalho, chefe do Departamento de Engenharia Civil de Furnas, foi desenvolvido na gestão do engenheiro Danilo Lopes Marques da Silva que exercia, àquela época, a chefia da divisão responsável pelas atividades do Laboratório. Para alcançar esse objetivo fez-se

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 8 - Modelo da usina Marechal Mascarenhas de Moraes (Peixoto)

necessário, além de um intenso treinamento de sua equipe, a elaboração de instruções de trabalho prescritivas de cada uma das etapas dos estudos. Tecnicamente apoiada nos fundamentos teóricos da hidráulica, da mecânica dos fluidos e de outras disciplinas afins, a realização de estudos hidráulicos em modelo reduzido não possui um conjunto rígido de critérios ou normas próprias que norteiem ou que, obrigatoriamente, devam ser aplicadas nas fases de projeto e construção dos modelos e durante a fase de estudos propriamente dita. Toda a fundamentação teórica em que se baseiam os estudos experimentais é extraída dos manuais clássicos tanto de hidráulica, quanto de projeto de estruturas hidráulicas, de trabalhos e pesquisas acadêmicas e, ainda, de publicações de estudos específicos realizados em diversos laboratórios do ramo.Embora possam ser encontrados alguns trabalhos esparsos, em que se procurou reunir o maior número possível das informações em que se baseiam os estudos em modelo físico, os mesmos estão longe de se constituírem num compêndio

ou num manual clássico dessa disciplina. Por essa razão, as dificuldades encontradas na sistematização dessas tarefas foram enormes tendo em vista que, ao longo de anos, elas se basearam unicamente na experiência profissional dos técnicos envolvi dos nos serviços de modelo. A elaboração dessas “normas” de projeto, construção e realização de ensaios em modelo, além de consolidar a experiência adquirida pelo LAHE ao longo dos seus, até então, 16 anos de serviços prestados a Furnas, contribuiu de forma marcante, não só para o auxílio à formação de seus profissionais iniciantes, como também para o trabalho daqueles que já atuantes na área, passaram a poder contar com um roteiro organizador de suas atividades. Após três anos de trabalho nesse sentido o laboratório, ainda na condição de uma atividade de uma divisão, obteve em outubro de 2000 a sua Certificação ISO 9001. A partir desse momento o Laboratório de Furnas, apresentando como diferencial o fato de ser o primeiro laboratório de hidráulica

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

experimental do Brasil certificado pela ISO 9001, passou a participar de várias concorrências para a prestação de serviços externos, colocando-se lado a lado com os tradicionais laboratórios brasileiros já citados. Logo após a sua primeira prestação de serviço externo, foram estudados no LAHE: A usina de São Gabriel da Cachoeira para a qual, por solici-

de energia elétrica as concessionárias de geração e empresas autorizadas à produção independente de energia elétrica ficaram obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, um por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico. O primeiro ciclo de participação de Furnas nesse programa compreendeu os anos de 2000/2001. Com o programa de P&D assim implementado por Furnas, o LAHE passou também a participar dos projetos anuais de pesquisas que utilizassem os estudos hidráulicos em modelo reduzido como ferramenta de trabalho. Desde então, em parceria com universidades e entidades afins, o LAHE vem realizando estudos em pesquisa e desenvolvimento que abrangem, dentre outros temas, as áreas de: Transientes hidráulicos em circuitos de usinas hidroelétricas; Escoamento sobre vertedouros em degraus;

tação do Ministério da Aeronáutica, foi avaliado num modelo bidimensional o comportamento de seu vertedouro de superfície com paramento de jusante em degraus; A usina Cana Brava, da Tractebel. Esses estudos foram reto-

mados para atender ao projeto executivo e fases construtivas da usina. A usina de Monte Claro, da CERAN (Companhia Energética

Rio das Antas), localizada no Rio das Antas, no Rio Grande do Sul, cujos estudos objetivaram o diagnóstico do projeto, a otimização e a caracterização dos vertedouros da usina; As usinas de Capim Branco I e II, ambas da CEMIG, lo-

Padrões de vibração em estruturas hidráulicas por ação de escoamentos; Dimensionamento e otimização de bacias de dissipação através da utilização de modelos numérico e experimental;

calizadas no Rio Araguari, em Minas Gerais. Para a realização desses estudos o LAHE foi contratado pela Intertechne visando o diagnóstico dos arranjos propostos e a otimização das estruturas hidráulicas e A usina de Foz do Rio Claro, localizada a montante da foz

Análise de macroturbulência em estrutura de dissipação de energia; Eclusa de navegação; Previsão de erosões a jusante de vertedouros

do Rio Claro (afluente do Rio Paranaíba pela margem direita), no estado de Goiás. Esse estudo foi desenvolvido para a Alusa Engenharia Ltda e teve por objetivo fornecer informa ções de interesse ao projeto executivo do aproveitamento no sentido de avaliar, otimizar e consolidar o projeto das estruturas hidráulicas do mesmo. Com a implementação da lei 9.991, de 24 de julho de 2000, que dispõe sobre a realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em eficiência energética por parte das em presas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor

Os assuntos abordados nas pesquisas que vem sendo desenvolvidas pelo LAHE são aqueles em que o laboratório sente maior necessidade de aprofundamento para o desempenho de suas atividades e os que, por apontarem para tendências futuras, possam permitir o seu desenvolvimento e expansão. Os parceiros tecnológicos foram, inicialmente, aqueles com os quais o LAHE havia desenvolvido trabalhos em conjunto e onde as exigências de cumprimento de cronograma e metas haviam se

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 9 - Modelo físico utilizado no P&D sobre eclusa de navegação

Nessa mesma época o LAHE havia recebido outro grande desafio: realizar o diagnóstico do projeto de viabilidade da usina hidroelétrica de Jirau, no rio Madeira, projeto esse que Furnas vinha desenvolvendo em parceria com outras empresas do ramo. Para atender a essa solicitação o LAHE precisou, num exíguo espaço de tempo, ampliar as suas instalações adequando-as às necessidades de área, volume d’água e vazão exigidas por um empreendimento do porte das usinas da Região Amazônica. Esses estudos foram concluídos em dezembro de 2006. Posteriormente, a topobatimetria implantada nesse modelo foi aproveitada para o estudo do sistema de interceptação e coleta de troncos que estava sendo estudado em conjunto com os empreendedores das usinas de Jirau e de Santo Antônio, ambas no rio Madeira. Foi também estudado no LAHE o modelo de conjunto da usina de Anta, de concessão de Furnas e integrante do complexo Simplício. Esse modelo foi utilizado para o estudo de desvio do rio, diagnóstico das estruturas e definição do plano de operação das comportas do seu vertedouro. Logo a seguir surgiu outro grande desafio: a construção de um posto avançado de trabalho para o desenvolvimento dos estudos em modelo da usina hidroelétrica de Santo Antônio. Somente o modelo de conjunto da usina hidroelétrica de Santo Antônio, na escala 1:80 por exigência da empresa projetista, compreende uma área útil de 4.000 m². Como, para atender a toda essa demanda, as instalações existentes em Jacarepaguá se mostraram insuficientes, o LAHE viabilizou a utilização de outra área de Furnas localizada ao lado da Subestação de São José, em Belford Roxo. Nesse local, com o apoio dos parceiros de Furnas nesse empreendimento, foi montada uma nova unidade do

revelado satisfatórias. Posteriormente foram feitos contatos com outros centros de pesquisa em função das áreas de estudo a que estes estavam se dedicando e novas parcerias surgiram. A diversidade de parceiros é vista como benéfica, pois cada instituição de pesquisa tem características e excelências próprias que aumentam as perspectivas e os horizontes do LAHE. Em parceria com o IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o IME (Instituto Militar de Engenharia) e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), os projetos de P&D desenvolvidos geraram doze teses de mestrado e quatro de doutorado. Após 22 anos de existência, em janeiro de 2005 o LAHE foi transformado num órgão oficial de Furnas. Na qualidade de escritório regional da empresa, incorporou em suas atribuições as atividades da área de recursos hídricos da extinta DEPH.T, divisão a qual pertencia. Nessa ocasião, para atender a demanda de serviços e poder fornecer acomodações adequadas ao seu novo corpo técnico, o LAHE teve a área de suas instalações prediais duplicada.

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LAHE para atendimento exclusivo dos estudos da usina hidroelétrica de Santo Antônio. Em contribuição ao projeto dessa usina já foram realizados em modelo: O diagnóstico e otimização do arranjo geral das estruturas; O levantamento da capacidade de vazão dos seus vertedouros; As simulações das condições de desvio do rio; O diagnóstico e otimização do sistema de transposição de peixes;

O último projeto diagnosticado e otimizado no LAHE foi o da usina hidroelétrica Batalha, concessão de Furnas. Encontra-se hoje em andamento a realização dos estudos hidráulicos em modelo reduzido da usina hidroelétrica de Teles Pires, localizada no Rio Teles Pires.

A trajetória do LAHE, desde a sua criação em 1983 até a presente data, esteve calcada na competência e dedicação dos profissionais que atuam nos diversos setores que o compõem, a saber: estudos, projeto, construção e modelagem, operação, documentação cinefotográfica, instrumentação, pesquisa e desenvolvimento, administração e qualidade. Foi com o traba lho e o comprometimento desses profissionais que o laboratório de Furnas conseguiu, ao longo de sua existência, se colocar no patamar de visibilidade em que se encontra. Todo o seu histórico de serviços realizados, tanto para Furnas quanto para clientes externos, sua iniciativa em pesquisas voltadas ao setor de energia, sua política de valorização de pessoal, sua respon sabilidade técnica e, principalmente, seu compromisso com os princípios éticos na condução de seus trabalhos, consolidaram a imagem do LAHE a nível nacional e o tornou conhecido internacionalmente.

Figura 10 - LAHE – Unidade Belford Roxo

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

O Laboratório CESP de Engenharia Civil - LCEC
Flávio Moreira Salles, Wanderley Ognebene, Luiz Morita
O Laboratório CESP de Engenharia Civil - LCEC, instalado em Ilha Solteira/SP, é o mais antigo laboratório de tecnologia das empresas ligadas ao setor elétrico no país, tendo completado 40 anos de existência em agosto de 2009, e considerado uma referência na prestação de serviços tecnológicos para os empreendimentos da CESP e de terceiros. Reviver a história do Laboratório CESP é passar a limpo o desenvolvimento da tecnologia de construção de barragens no Brasil. É verificar como se deu a transposição da ponte do desenvolvimento - passando da total dependência dos estrangeiros ao domínio da arte de construir hidroelétricas no Brasil e permitir a participação em obras de usinas no exterior. Na seqüência foram construídas usina hidroelétrica Jurumirim no rio Paranapanema e usina hidroelétrica Euclides da Cunha no rio Pardo. A partir da segunda metade dos anos 50 foram tomadas algumas iniciativas governamentais, como a instalação da CIBPU - Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai, para estudar o desenvolvimento sócio-econômico e os aproveitamentos energéticos dessa importante bacia hidrográfica. Por solicitação da CIBPU, a Societá Edison de Milão-Itália desenvolveu estudos para o aproveitamento das quedas de Urubupungá, contemplando a construção de duas barragens: uma em Jupiá e outra em Ilha Solteira. Aprovada a construção, realizadas as investigações geológicas, iniciou-se a construção da usina hidroelétrica Jupiá em 1961, que sem dúvida, constituiu-se num marco na história das grandes hidroelétricas do país, quer pela dimensão do projeto e o desenvolvimento técnico que propiciou, quer pelas dificuldades enfrentadas para sua execução. Ainda vivia-se sob forte dependência tec nológica do exterior. O projeto foi desenvolvido no Brasil, mas modelo hidráulico foi feito na França, os estudos de mecânica das rochas realizados no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, de Lisboa, e o concreto e seus constituintes estudados na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Os frutos desses investimentos foram colhidos a partir do projeto executivo de Ilha Solteira, a hidroelétrica de maior capacidade de geração da CESP, que foi desenvolvido no Brasil.

O início do laboratório com o IPT
A década de 50 se notabilizou pelas iniciativas empreendedoras, destacadas pelo início dos trabalhos de projeto e construção das grandes barragens no Brasil. Particularmente no Estado de São Paulo, a Usina Hidroelétrica Salto Grande no rio Paranapanema foi a primeira, tendo sido totalmente projetada no exterior. Depois se seguiram as usinas Barra Bonita (1952) no rio Tietê e Limoeiro (1953) no rio Pardo, que tiveram assistência de técnicos estrangeiros, principalmente nas questões de hidráulica e de equipamentos.
Usina hidroelétrica de Porto Primavera (Sérgio Motta)

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Na ocasião da obra, instalou-se em Jupiá, ainda na CELUSA, um laboratório de hidráulica, com a consultoria francesa da SOGREAH (Société Grenobloise d’Etudes et d’Applications Hydrauliques) onde foram estudados os modelos hidráulicos reduzidos da Usina hidroelétrica Ilha Solteira, e posteriormente das usinas Promissão, Água Vermelha, Capivara, Nova Avanhandava, Porto Primavera,Taquaruçu, Rosana e Três Irmãos. Posteriormente, tal laboratório foi incorporado ao CTH, da USP. Em Jupiá foram instalados laboratórios de concreto e solos, formando o Laboratório de Obras, com a colaboração do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo - IPT: o Laboratório de Solos, implantado quando as ensecadeiras começaram a ser construídas em Jupiá, era caracterizado como área de apoio do Setor de Terraplenagem da obra, e seu quadro era formado por técnicos especializados do IPT que supervisionavam os empregados da recém formada CELUSA - Centrais Elétricas de Urubupungá S.A., proprietária da obra, orientando-os nos ensaios de controle de qualidade. Eram de sua responsabilidade, compreendendo tanto as atividades de campo como as de laboratório, os serviços de controle de qualidade das barragens de terra e de enrocamento, os filtros, drenos e transições e a proteção de taludes, além das sondagens nas jazidas e áreas de empréstimo da barragem e das estradas da região, executados como serviços de apoio para outros setores do empreendimento. A necessidade de se contar com gente experiente em algumas atividades, trouxe para trabalhar na CELUSA e se incorporar à equipe do Laboratório de Obras o técnico Agostinho Maldonado Guirão, com a missão de adequar os ambientes físicos e os equipamentos e implantar os métodos de ensaios, consolidando a Área de Solos. Papel semelhante cumpriu, à época, o técnico Clarindo Brandão na Área de Concreto. O Laboratório de Concreto se instalou no mesmo ano de 1961, sob a supervisão do engenheiro Fausto Cesar Vaz Guimarães. Destacam-se na época, as relevantes análises de aplicabilidade dos materiaisdisponíveis na região da obra para confecção do concreto.

As seções do laboratório de concreto foram implantadas e incrementadas com suas diferentes modalidades e especialidades, para possibilitar o adequado controle de qualidade dos materiais, da produção dos aglomerantes e dos concretos lançados. Foram desenvolvidos estudos multidisciplinares para determinação do mecanismo de desagregação das rochas basálticas e a sua influência no comportamento do concreto, quando usadas como material de construção. Deve-se ressaltar a participação do ilustre professor Arthur Casagrande, que em muito contribuiu para o sucesso dessas pesquisas com suas opiniões e ensinamentos. Importante contribuição foi oferecida pelo engenheiro Heraldo de Souza Gitahy do IPT, em visitas sistemáticas à obra, por suas obser vações e pesquisas da reatividade potencial do seixo rolado do rio Paraná para a reação álcali-agregado, oferecendo ao Brasil o conhecimento dessa anomalia recém descoberta e as conseqüências para o concreto. A constatação de que a composição mineralógica dos terraços aluvionares da região de Jupiá era constituída em grande parte por minerais deletérios, sujeitos a reações químicas com os álcalis do concreto, intensificou a pesquisa para obtenção do inibidor da reação. Após pesquisa com emprego da pozolana artificial produzida no canteiro de obras, a partir da argila calcinada e moída, comprovou-se os benefícios desse material, impulsionando a tecnologia do uso da pozolana, que adicionada à mistura de concreto provoca a mitigação do processo expansivo da reação. Em 1964, o técnico Adonis Thimóteo dos Santos dedicouse à tradução das normas da ASTM - The American Society for Testing Materials e do US Army Corps of Engineers , para a adaptação e implantação dos métodos de ensaios de tecnologia do concreto no Laboratório de Obras, que foram usados por mais de duas décadas no país, suprindo a necessidade de metodologia referência para os ensaios em concreto no Brasil.

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Figura 1 - Vista aérea do canteiro de obras de Ilha Solteira, mostrando localização do LCEC

O laboratório da CESP
Em 1969, os laboratórios de Concreto e Solos foram transferidos para o canteiro de obras de Ilha Solteira, constituindo-se formalmente o Laboratório da CESP para fazer frente às experiências tecnológicas que aquele projeto exigia, e se consolidando a partir de então, em local para ensaios de materiais da própia CESP, das congêneres no Brasil e do exterior. O Complexo Urubupungá, integrado por Jupiá e Ilha Solteira, se destacou nesse contexto como um marco brasileiro na construção das grandes barragens. E o Laboratório se notabilizou pelo suporte oferecido àqueles empreendimentos, quer pelas inovações tecnológicas conquistadas, quer pela conduta do experimentar para aplicar, desenvolvendo técnicas construtivas e empregando materiais alternativos, e pela metodologia de ensaios oferecida ao meio técnico nacional. Esse processo se deu com maestria, capitaneado por técnicos dedicados e competentes, aos quais muito se deve por essa jornada desenvolvimentista.

O professor Roy Carlson, da Universidade da Califórnia em Berkeley, se destacou neste período, na transferência da tecnologia do concreto para os engenheiros brasileiros, particularmente do concreto-massa, e teve no Laboratório CESP guarida para seus experimentos e ensinamentos. Menção para o engenheiro José Florentino de Castro Sobrinho, idealista determinado, que naquela época como gerente do laboratório estabeleceu os contornos da independência tecnológica externa e a forma de trabalho do Laboratório idealizado, sustentado pelas viagens de intercâmbio aos Estados Unidos, especificamente na Universidade da Califórnia em Berkeley. É inegável a contribuição oferecida por Ilha Solteira à engenharia nacional, com as inovações tecnológicas e novas técnicas construtivas, o emprego de equipamentos e materiais não convencionais. E a participação do Laboratório CESP foi intensa e fundamental, oferecendo suporte para as decisões e garantindo a qualidade do empreendimento. Na construção de Ilha Solteira foi empregado pela primeira vez no Brasil o concreto refrigerado com gelo em escamas, marco pioneiro da CESP, introduzido pelo seu Laboratório de Concreto.

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Segurança e Controle de Barragens e Instrumentos e Modelos Estruturais. com atribuições para atender as demandas internas da CESP e com estrutura que possibilitou intensificar a prestação de serviços a projetos externos nacionais e internacionais. realizando pesquisas e análises em materiais. a Unidade foi denominada Laboratório Central de Engenharia Civil . As subestações se multiplicavam. Nesse período. tendo a participação do Laboratório em testes de arrancamento em bases das torres. ou liberando escavações e tratamentos geológicos. Aqueles blocos de concreto foram expostos ao tempo e assim estão até hoje. construía a usina hidroelétrica Água Vermelha. pela forma e disposição dos espécimes.Cemitério de blocos de concreto integral.A História das Barragens no Brasil . Mecânica das Rochas. com quadros especializados e atividades específicas: Concreto e Materiais. particularmente da reação álcali-agregado. 468 . Mecânica dos Solos. Figura 2 . reconstruía as usinas acidentadas do rio Pardo. e certificar a eficiência da aplicação de material pozolânico nas misturas para inibir os processos expansivos. instalava o canteiro para as obras da usina hidroelétrica Nova Avanhandava e concluía os projetos básicos para as três obras do Pontal. As malhas de linhas de transmissão de responsabilidade da CESP se espalhavam pelo interior do Estado. O Laboratório Central de Engenharia Civil – LCEC No ano de 1976. e o LCEC realizava os trabalhos de controle da compactação das suas áreas de implantação. nos trabalhos de investigação e levantamento de campo nos estudos de viabilidade de aproveitamentos hidráulicos no Estado de São Paulo. Geologia Aplicada. Promissão e Paraibuna/Paraitinga. Diversos foram os clientes. Esse trabalho. com os seus diversos barramentos. Ribeira e Alto Mogi-Guaçú. confeccionados com diversos agregados e aglomerantes (desde 1971) Período bastante promissor para o laboratório de ensaios tecnológicos da CESP. particular mente da equipe de Geotecnia. destacando-se as obras das barragens: Itaipu. e instalando instrumentos ou realizando provas de carga nas estruturas. Alto e Baixo Pardo.LCEC. Couto Magalhães. XX e XXI Naquela oportunidade existiam seis áreas distintas. a partir de 1971. para uma no Alto rio Tietê e realizava as investigações no Canal Pereira Barreto. Registra-se importante participação do Laboratório CESP. Tucuruí. desenvolvido pela CESP nos anos 80. Sob o comando do engenheiro George Antonio Mellios. pois a Companhia vivia época de franca expansão: terminava as construções das usinas hidroelétricas Capivara. Itaparica. teve início um notável programa de ensaios com a moldagem de blocos para verificar o comportamento de concretos confeccionados com diferentes composições de agregados e de aglomerantes. com avanços para os estados circunvizinhos. Em área de destaque.Séculos XIX. possibilitando acompanhar eventual fissuração e sua evolução. Juquiá. levantamento e liberação das fontes de agregados e controle das resistências dos concretos. acompanhamento da produção e qualidade dos maciços e dos concretos. Sapucaí. o Laboratório reuniu vinte e quatro colaboradores com formação superior em atividades permanentes nas salas de ensaios e nos canteiros de obras. possibilitou mapear o potencial energético remanesceste nas bacias dos rios Turvo. Sobradinho. o conjunto de blocos de concreto é conhecido por “cemitério”. Médio Tietê.

Paraitinga. Bento Carlos Sgarbosa. verificações de processos construtivos e testes para controle de qualidade e acompanhamento das obras das hidroelétricas e barragens da CESP: Capivara.Ensaio de cisalhamento direto em materiais rochosos 469 . Sérgio Silva Macedo. Luércio Scandiuzzi. particularmente na caracterização das propriedades geodinâmicas dos arenitos da escavação do Canal Pereira Barreto. As escavações no Canal Pereira Barreto também contaram com os serviços do LCEC. Horácio Sverzut Júnior. Porto Primavera e Mogi Guaçu. Rosana. O Laboratório CESP de Engenharia Civil realizou investigações e pesquisas em materiais e jazidas. Paraibuna. não pode ser omitida a participação do professor Manuel Rocha.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Começaram suas atividades profissionais no Laboratório CESP e de lá partiram para outras conquistas em novos desafios: Ademar Sonoda. Assim como foi mencionada a colaboração dos professores Arthur Casagrande e Roy Carlson. Taylor Castro Oliveira. Três Irmãos. entre outros. Francelino Fernandes Neto.Companhia Brasileira de Alumínio teve a participação do Laboratório nas atividades de controle de qualidade. Nova Avanhandava. Água Vermelha. reconstrução de Limoeiro e Euclides da Cunha. Miguel Normando Abdalla Saad. José Eduardo Costanzo. de concessão do Consórcio CESP . Adilson Barbi. além de Jupiá e Ilha Solteira. Promissão. em modelo diferente daquele praticado até então nas obras da Companhia. Dilermando Hermínio Bispo. Figura 4 . João Luiz Armelin. Francisco Rodrigues Andriolo. Regis Frota.CBA .Ensaios geotécnicos especiais triaxiais sobre amostras indeformadas usinas hidroelétricas Canoas I e Canoas II. Luiz Carlos Mendes. Taquaruçu. Assim como a construção das Figura 3 .

acima das recomendações das normas. resultou em benefícios técnicos (bons desempenhos e eficiência dos concretos). com estruturas específicas e atribuições definidas. a saber: a Usinas hidroelétricas Jupiá e Ilha Solteira A identificação da reatividade potencial álcali-agregado do seixo rolado do rio Paraná e o emprego de material pozolânico para o combate desta reação. através da montagem de moinhos de cimento e pozolana em Jupiá. O emprego de concreto com agregado pré-colocado.Ensaio de módulo de elasticidade de corpo de prova de concreto de grandes dimensões (450 mm x 900 mm) Estruturas para o controle tecnológico Concluídas as usinas Jupiá e Ilha Solteira. e controle da qualidade do produto. Uso de cimento de alta finura. Ao seu tempo. desenvolvendo pesquisas e avaliando os materiais e os processos executivos empregados nas obras. A utilização de caldas refrigeradas e técnicas de injeção a vácuo em cabos de protensão. pela formação heterogênea e alterabilidade. Benefícios técnicos e vantagens econômicas O desenvolvimento de um eficiente Controle Tecnológico dos materiais e produtos aplicados nas estruturas construídas.Séculos XIX. outras obras de hidroelétricas de concessão da CESP se seguiram. XX e XXI compatibilizados com o cronograma de obras.A História das Barragens no Brasil . A aplicação de pré-moldados incorporados à barragem. Emprego de aglomerante em concreto abaixo do limite de 100 kg/m3. devidamente b Usina hidroelétrica Três Irmãos Emprego racional e seletivo de alguns basaltos e recusa de outros. reduzindo o índice de homens/hora por tonelada de barras de aço aplicada. que tiveram a participação do LCEC. Figura 5 . com uso de 84 kg/m3. conseqüentes vantagens econômicas. e a possibilidade de se contar com os serviços de um Laboratório. em alguns pilares da subestação de Ilha Solteira. praticado nos anos 70. e oferecia metodologia e procedimentos para padronização das atividades em campo. peculiares a cada empreendimento. identificadas 470 . Podem ser citados alguns exemplos na CESP. O controle tecnológico sempre mereceu atenção e destaque. O emprego de armadura pré-montada. Desenvolvimento de técnicas de produção. com a finalidade de melhor explorar toda a potencialidade do cimento. com grandes contribuições aos empreendimentos e à Engenharia Nacional. os canteiros das obras tinham Laboratório de Campo para o acompanhamento das construções e o LCEC em Ilha Solteira executava os ensaios especiais e não corriqueiros.

Pesquisa de mercado para definição de cimento a ser aplicado com material potencialmente reativo com os álcalis. Taquaruçu. trouxe benefícios técnicos com vantagens econômicas significativas. c Usina hidroelétrica Porto Primavera Estudo da viabilidade de emprego do basalto de escavação. . garantindo o produto requerido e evitando-se rejeições. E também nas construções das hidroelétricas Rosana. após longo período de exposição. minimizando descarte de materiais. Considerações finais A atuação do LCEC acompanhando par e passo a evolução da obra. Verificação da condição aceitável para manutenção dos perfis de veda-junta e de barras de aço aplicadas nos blocos. empregado nos diferentes concretos da obra de Porto Primavera. d Complexo Canoas Confecção de concretos convencional e bombeado com emprego de areia artificial como agregado miúdo. resultando cimento Portland CP IV de excelente qualidade. Desenvolvimento de cimento pozolânico com características específicas de finura e teor de adição do material pozolânico. Porto Primavera e Canoas. avaliando soluções para as mais diferentes situações e controlando os materiais e suas aplicações.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens a partir de estudos conduzidos no Laboratório. atrasos no cronograma e retrabalho. computando-se o volume de escavação. A economia resultante dessa seleção foi de aproximadamente US$ 1 milhão. Vantagens que se apresentaram também junto aos fornecedores. com economia da ordem de US$ 30 milhões. susceptível ao intemperísmo. Alternativa aprovada pelos ensaios desenvolvidos no Laboratório.000 m3 e ampliação da pedreira com decape superior a 10 m. no concreto da barragem. com condição de restrição. que foi superior se considerados transporte e criação de bota-fora com volume de 160.

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Depoimentos Anexo 3 . Simpósios sobre Pequenas e Médias Centrais Hidroelétricas Anexo 6 .Anexos Anexo 1 . Entrevistas Anexo 2 .Sócios Mantenedores e Coletivos 473 . Seminários Nacionais de Grandes Barragens Anexo 5 . Congressos Internacionais e Reuniões Anuais e Executivas Anexo 7 . Diretorias do CBDB Anexo 4 .

Em 1991 fui convidado para trabalhar no DNAEE.Ante à falta de recursos. Em 1968 cursei uma pós-graduação em hidrologia e hidráulica em Madri. destacando-se as UHE’s Belo Monte.Larrosa. sai do setor estatal e fundei a Larrosa & Santos Engenheiros Consultores. entre outros. decretos. Entre 1980 e 1991 atuei na Eletronorte. você veio para Brasília e permanece aqui até hoje. no Mato Grosso e de Samuel. então. as empresas estatais partiram para a paralisação total de seus estudos e obras ou a manutenção em ritmo lento e ajustes no planejamento setorial GCPS (Grupo Coordenador do Planejamento do Sistema). na sua maioria estatais (lei 8631/97). Em paralelo à regulamentação do Art 175.Em 1974 vim trabalhar na Sondotécnica no Rio de Janeiro em estudos. do Vale do Paraíba do Sul e dos aproveitamentos hidroelétricos de Manso. Tive. FMM . no Projeto Lagoa MirimBrasil/Uruguai/FAO/PNUD. surgiram ações implantadas para resolver a situação de falência econômico-financeira das empresas concessionárias. Posteriormente fui co-diretor pela contrapartida uruguaia dos estudos dos aproveitamentos hidroelétricos de Salto Centurião e Talavera no rio Jaguarão. em Rondônia. entre outros. entidade esta responsável pelas outorgas de água para irrigação. meio ambiente. fui chefe do departamento de Estudos de Recursos Naturais da ECP/Projest. entre 1978 e 1980. ELB .Como consequência da necessidade de reestruturar o setor elétrico diversas disposições legais foram estabelecidas a partir do final da década de 80.Larrosa. XX e XXI Anexo 1 Entrevista com o engenheiro Eduardo Larrosa Bequio Formação: Faculdade de Engenharia da Universidad de la Republica Oriental del Uruguay. tendo sido gerente do Departamento de Estudos e Projetos de Geração onde foram desenvolvidos empreendimentos em bacias hidrográficas e de usinas. sempre através de licitação. também no Rio de Janeiro. FMM . Como foi a época em que a implantação de usinas hidroelétricas era feita com as verbas de desmobilização? ELB . com a criação da ANEEL. etc. antes de sua vinda para o Brasil como foi a sua carreira no Uruguai? ELB . FMM .Na sua trajetória no DNAEE. irrigação. da qual participo da direção até hoje. sem este acerto era impossível pensar em reestruturação do setor elétrico. Posteriormente. portarias e outros tipos de disposições. Lajeado. 474 . economia. como foi a sua formação profissional? ELB . qual foi a mais interessante tarefa que você vivenciou? ELB .E quando você veio para o Brasil? ELB . Exerci também a presidência do Comitê de Irrigação do Leste do Uruguai. Jirau e Santo Antônio. na fronteira entre Brasil e Uruguai. onde fui Coordenador Geral de Concessões. hidroeletricidade.Sou engenheiro civil formado em 1968 pela Faculdade de Engenharia da Universidad de la Republica Oriental del Uruguay FMM .Exatamente.Nos anos oitenta havia sérias dificuldades de investimento na quase totalidade das empresas estatais.Depois dessas experiências em consultoria. contacto com mais de 50 técnicos nacionais e estrangeiros nas diversas disciplinas de uso de recursos naturais.A História das Barragens no Brasil . no período 1966/1973. em 1968 Entrevistador: Flavio Miguez de Mello Abril de 2010 FMM .Art 175. mas essa vez. Desse arcabouço sobressai-se a Constituição de 1988. estudo de desenvolvimento integrado desta bacia internacional.Séculos XIX. A sequência de tarefas que surgiram depois foi imensa e é difícil escolher a mais interessante.De inicio trabalhei. No final de 1997.que estabeleceu que os serviços de energia elétrica são responsabilidade da União e podem ser outorgados em regime de concessão ou permissão. Santa Isabel. A necessidade de regulamentar o dispositivo constitucional incorporou varias leis. FMM .

Como foi tratada situação de concessões de exploração de serviços públicos que estavam com os prazos vencidos ou indeterminados? ELB . em alguns casos. em abril de 1995.Dos anos sessenta até meados da década de 1990 a geração de energia elétrica era predominantemente estatal. caso de Tucuruí II. Itá ( Eletrosul) e Serra da Mesa (Furnas). procurando estabelecer condições favoráveis para a participação de grupos privados no setor de geração de energia elétrica. pois coube ao DNAEE ajudar na formação das parcerias. distribuição e comercialização. o Mercado Atacadista de Energia (livre negociação de energia) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). não dando inicio a novas obras que o planejamento setorial indicava como necessárias em horizontes próximos. Outra disposição do Modelo foi a obrigatoriedade das emp