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CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ

H58 A história das barragens no Brasil, Séculos XIX, XX e XXI : cinquenta anos do Comitê Brasileiro de Barragens / [coordenador, supervisor, Flavio Miguez de Mello ; editor, Corrado Piasentin]. - Rio de Janeiro : CBDB, 2011. 524 p. : il. ; 29 cm Inclui índice ISBN 978-85-62967-04-7

1. Barragens e açudes - Brasil - História. 2. Comitê Brasileiro de Barragens - História. I. Mello, Flavio Miguez de. II. Piasentin, Corrado. III. Comitê Brasileiro de Barragens. III. Título: Cinquenta anos do Comitê Brasileiro de Barragens 11-6197. CDD: 627.80981 CDU: 627.82(81) 22.09.11 029752

20.09.11

Comitê Brasileiro de Barragens - CBDB
DIRETORIA CBDB Presidente: Erton Carvalho Vice-Presidente: Fabio De Gennaro Castro Diretor Secretário: Paulo Coreixas Junior Diretor Técnico: Brasil Pinheiro Machado Diretor de Comunicações: Miguel Augusto Z. Sória Diretor Adjunto: Marcos Luiz Vasconcellos Diretor Adjunto: Ademar Sérgio Fiorini

Agradecimentos
O Comitê Brasileiro de Barragens externa seus agradecimentos às empresas abaixo relacionadas pelo apoio que possibilitou a confecção deste livro que resume o desenrolar de importante segmento da História do Brasil.
Arcadis Tetraplan S/A Banco Bradesco S/A Camargo Corrêa Energia e Construções S/A CEMIG - Companhia Energética de Minas Gerais CESP - Companhia Energética de São Paulo CHESF - Companhia Hidro Elétrica do São Francisco Construtora Norberto Odebrecht S/A Construtora Queiroz Galvão S/A Construtora Andrade Gutierrez S/A COPEL - Companhia Paranaense de Energia DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas Eletrobras - Centrais Elétricas Brasileiras S/A Eletronorte - Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A Engevix Engenharia S/A Furnas Centrais Elétricas S/A Geobrugg Ag - Protection Systems Grupo Energia Intertechne Consultores S/A. Itaipu Binacional Jeene Juntas Impermeabilizações Ltda. Light S/A Mc Bauchemie Brasil Mendes Júnior Trading e Engenharia S/A Norte Energia S/A Pires Giovanetti Engenharia e Arquitetura Ltda. Sto Antonio Energia

FICHA TÉCNICA Coordenador / Supervisor: Flavio Miguez de Mello Editor: Corrado Piasentin Projeto Gráfico: Modonovo Design - Marina Hochman Diagramação: Modonovo Design - Marina Hochman / Natália Seiblitz Revisão de texto: Margarida Corção Gráfica: Impressul Indústria Gráfica

índice

Prefácio Apresentação Síntese do Desenvolvimento da Implantação das Barragens no Brasil A Comissão Internacional de Grandes Barragens Oitenta e Três Anos de Excelência História do Comitê Brasileiro de Barragens Um Século de Obras contra as Secas As Barragens Construídas pelo DNOCS Resumo da História Remota da Hidroeletricidade no Brasil Usina Hidroelétrica de Marmelos Usina Hidroelétrica de Angiquinho Usina Hidroelétrica de Itapecuruzinho A Light no Rio de Janeiro, a Cidade Luz Sulamericana A São Paulo Light, Fomentadora de Progresso As Barragens do Departamento Nacional de Obras de Saneamento - DNOS A História da CHESF, Indutora do Progresso do Nordeste Furnas no Século XX A Eletronorte e as Barragens da Região Amazônica A História das Barragens no Paraná Companhia Energética de Minas Gerais - CEMIG

9 12 16 48 56 66 76 88
98 112 124

130 142 150 166 188 206 226 250

CESP Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina .Energisa Companhia Paulista de Força e Luz .CPFL Breve Memória sobre a Usina de Itaipu 1966 .Introdução CEHPAR .IPH 272 284 292 304 308 346 354 368 396 406 412 414 426 432 436 O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do 446 Estado de São Paulo .50 Anos de muito Trabalho Centro de Tecnologia de Furnas em Goiânia O Laboratório de Hidráulica HIDROESB - Saturnino de Brito SA O Instituto de Pesquisas Hidráulicas .IPT .2010 As Pequenas Centrais Hidroelétricas no Brasil A Nova Face das Empresas Estatais frente à Expansão da Oferta de Energia Hidroelétrica no País As Barragens de Rejeitos no Brasil: Sua evolução nos últimos anos A Evolução do Licenciamento Ambiental de Barragens no Brasil A Evolução da Legislação Aplicada às Barragens Centros de Pesquisas Tecnológicas Aplicadas a Barragens .Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul .CEEE Companhia Energética de São Paulo .

LCEC Anexos Anexo 1 .Diretorias do CBDB Anexo 4 .Simpósios sobre Pequenas e Médias Centrais Hidroelétricas Anexo 6 .Sócios Coletivos e Mantenedores 454 464 474 477 483 485 488 491 493 506 509 512 514 516 519 520 522 .LAHE O Laboratório CESP de Engenharia Civil .Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos de Furnas .Seminários Nacionais de Grandes Barragens Anexo 5 .Entrevistas Eduardo Larrosa Bequio Guy Maria Villela Paschoal Hélio Mendes de Amorim João Camilo Penna José Candido Capistrano de Castro Pessoa Luiz Carlos Queiroz Mario Santos Murillo Dondici Ruiz Olavo Augusto Vieira Anexo 2 .Congressos Internacionais e Reuniões Anuais e Executivas Anexo 7 .Depoimentos José Gelazio da Rocha e Antônio Dias Leite Anexo 3 .

A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. XX e XXI .

Os técnicos brasileiros foram influenciados principalmente pelas organizações americanas United States Bureau of Reclamation e US Army Corps of Engineers. para suporte tecnológico desses empreendimentos.Prefácio Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em comemoração aos 50 anos de existência do Comitê Brasileiro de Barragens – CBDB – filiado à International Commission on Large Dams (ICOLD). apoiadas em estudos e projetos de alta qualidade. Paralelamente. juntamente com algumas empresas brasileiras. As barragens surgiram em decorrência da necessidade de se usufruir dos benefícios do uso múltiplo dos recursos hídricos para a população brasileira. envolvendo mapeamentos pedológicos. mas também empreendedores do setor privado e pesquisadores. O aparecimento e o desenvolvimento das empresas construtoras de barragens constituem fatos de grande relevância. dirigida pelo economista Celso Furtado na década de 1960. houve um grande desenvolvimento nas áreas de hidrologia e meteorologia. grupo de grande competência. O primeiro trabalho de inventário dos rios da Região Sudeste foi elaborado pela Canambra Engineering Consultants Limited. Essa política. águas de superfície e subterrânea. os quais fazem parte dos pontos importantes abordados nesta publicação. principalmente as de maciços de terra. foram criados vários centros de pesquisas. piscicultura. na formação dos nossos engenheiros na área de recursos hídricos e projetos de barragens. implementou um plano de desenvolvimento regional embasado em estudos dos recursos naturais. a partir de 1887. XX e XXI”. apresentamos o livro “A História das Barragens no Brasil . 9 . onde o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) teve um papel importante com a construção de açudes para irrigação. envolvendo não só homens públicos. hidrologia. resgatando os principais personagens que contribuíram para o desenvolvimento da nossa engenharia. que previa a formação de reservatórios no semi-árido nordestino. Além da contribuição nos métodos construtivos das barragens. A SUDENE. entre outras ciências que serviram de suporte para projetos de irrigação e construção de barragens. que colaborou. quando se iniciou o desenvolvimento do setor elétrico brasileiro. O livro aborda com abrangência o desenvolvimento tecnológico para a construção das barragens brasileiras a partir de 1950. O livro retrata as primeiras barragens construídas no Nordeste. assim.Séculos XIX. No Brasil foram iniciadas as construções de grandes barragens. teve como uma das principais finalidades a permanência do sertanejo no seu ambiente natural. climatologia. Pretendemos. registrar a história das barragens brasileiras. amenizando os processos migratórios para a Região Sudeste do País. abastecimento de água das cidades e pequenos núcleos populacionais.

sendo também responsável pelas obras de controle de cheias em todo país. pertencente ao Brasil e ao Paraguai. que faz parte do programa de trabalho do CBDB. selecionadas por região. dotada de eclusas para a navegação do rio Tocantins. o qual realizou vários trabalhos apreciáveis nas áreas de abastecimento de água. uma significativa documentação sobre o Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) extinto no inicio da década de 1990. A legislação sobre a segurança das barragens. A preocupação do CBDB em defesa do desenvolvimento sustentável do País está comentada nos tópicos sobre a evolução do licenciamento ambiental para os empreendimentos hidráulicos. Destaca-se na Região Amazônica o relato do projeto e construção da usina de Tucuruí. CHESF. A usina de Itaipu Binacional. As empresas subsidiárias da ELETROBRAS: FURNAS. visando. não só para a geração de energia elétrica.A História das Barragens no Brasil . também. é também citada nesta publicação. XX e XXI Este livro registra as primeiras hidroelétricas construídas no país. Erton Carvalho Presidente do CBDB 10 . bem como as dos estados de Minas Gerais (CEMIG). a maior hidroelétrica brasileira. como também para a integração dos dois países. ELETRONORTE e ELETROSUL. irrigação e geração de energia elétrica. principalmente. Rio Grande do Sul (CEEE) e Paraná (COPEL). incluindo os empreendimentos realizados e as respectivas estratégias de desenvolvimento. sem a exigência de que ele seja possuidor de conhecimentos técnicos sobre o tema. Apresenta. este livro é dirigido a um público abrangente. aparecem documentadas com a história de suas formações.Séculos XIX. está retratada com a sua história e importância. no que se refere à construção das barragens e seus impactos. São Paulo (CESP). realçando a importância da Região Amazônica como continuidade do uso dos nossos recursos hídricos. Finalmente. o leitor interessado na história contemporânea do desenvolvimento brasileiro.

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Reservatório de Tucuruí .

estatais e privados. querendo. Essas perdas de quase uma geração inteira de notáveis pioneiros dos tempos das mais importantes conquistas tecnológicas e da fase pioneira da implantação de grandes barragens para as mais diversas finalidades bem como da época das grandes dificuldades para identificação. os demais serão convencidos Flavio Miguez de Mello de que está sendo feito todo o esforço. Entretanto. Belo Monte ser um exemplo de implantação de usina hidroelétrica na Região Amazônica . cabe realçar as palavras de Paulo Skaff. em 1998. Outras entidades publicaram livros de escopo semelhante: a ABMS publicou Cinquenta Anos de Geotecnia em 2000 e a ABGE publicou a Edição Comemorativa dos Trinta Anos. planejamento.” No início dos trabalhos. Como voluntários não apareceram. Com a proximidade do cinquentenário do Comitê Brasileiro de Barragens CBDB surgiu. mais recentemente. envolvendo todos os atores. relatórios. como são muitos os aspectos enfocados. em empreendimentos para qualquer das diversas finalidades de barragens dadas às vigentes dificuldades de aprovação. Este livro é lançado em difícil momento para os investidores. Ao iniciar a tarefa me deparei com grandes dificuldades provenientes das importantes perdas para a Profissão de inúmeros expoentes da engenharia nesses pouco mais de dez anos que separam as publicações das outras associações da edição do livro do CBDB. A propósito. para que a implantação de Belo Monte seja um sucesso de sustentabilidade social e ambiental. de fato. e como o assunto a ser abordado no livro é demasiadamente extenso no tempo. emocionalmente. comprometeu o planejamento energético. mesmo assim. construção e operação de barragens e reservatórios. a Diretoria do CBDB emitiu uma circular a todos os sócios comunicando a intenção de publicar este livro e incentivou os associados a se apresentarem como voluntários na preparação dos diversos capítulos que haviam sido programados. cabendo a mim a tarefa de produzir o livro e publicá-lo no aniversário de cinquenta anos do CBDB. a proposta do engenheiro Manuel de Almeida Martins de que se editasse um livro comemorativo versando sobre a história da engenharia de barragens no Brasil. em reunião do Conselho Deliberativo. do Planejamento alertou (2011): “Acreditamos que será possível. exceto os que tenham uma posição ideológica e não técnica (sobre meio ambiente). e no espaço. licenciamento e distorções legais que propiciam priorização soluções mais poluentes.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Apresentação “Águas são muitas. A proposição foi aceita com entusiasmo. E em tal maneira é grandiosa que. foto- 13 . o livro acabou apresentando uma certa concentração de capítulos em um autor.” No mesmo sentido. a ministra Miriam Belchior. O Brasil está desperdiçando importantes potenciais hídricos ao limitar. em outubro de 2011.. fizeram com que a tarefa se tornasse árdua em função da busca de documentos... de questionável segurança e de menor economicidade. por bem das águas que tem. 1500. dar-se-á nela tudo. infinitas. Essa distorção já contaminou a legislação ambiental brasileira e.. o dimensionamento dos reservatórios das barragens. presidente da FIESP ao analisar as tendências atuais (2011) do setor elétrico: “O Brasil assiste a desqualificação de suas fontes de energia mais competitivas e abundantemente disponíveis. projeto. a aproveitar. superando um século.” Pero Vaz de Caminha. por abranger o vasto território nacional. tive que selecionar alguns voluntários que gentilmente aceitaram a tarefa e desempenharam a função de redatores com maestria e objetividade.

XX e XXI grafias e depoimentos que formassem as bases para o relato de uma história de mais de um século de conquistas que merecem registro. mas de elevado interesse no relato de experiências profissionais tais como Mário Penna Bhering. Francisco de Assis Basílio.A História das Barragens no Brasil . E. Estive com alguns desses atores com frequência em certas longas fases do exercício profissional tais como os engenheiros Flavio H. Lyra. para visitar pela primeira vez o local da hidroelétrica de Salto Grande em Minas Gerais. Theophilo Benedicto Ottoni Netto. Cotrim. Arthur Crocchi. Victor F. César Cals de Oliveira Filho e consultores como Manuel Rocha e Porland Port Fox. Penna. José Machado e José Cândido Castro Parente Pessoa com os quais tive oportunidades de angariar valiosos depoimentos sobre aspectos de vivências profissionais passadas. Com vários outros atores do passado tive contatos menos extensos. por exemplo. de Mello. Léo A. Antônio José da Costa Nunes.Séculos XIX. Von Ranke. Usina hidroelétrica Serra do Facão 14 . Por sorte tive o privilégio de conviver profissionalmente com alguns dos mais destacados atores daquele período e que já nos abandonaram. Os que atualmente atuam em implantação de barragens podem não imaginar que. John R. Carlos Alberto Pádua Amarante. Epaminondas Mello do Amaral Filho. o engenheiro John Cotrim gastou duas semanas a cavalo.B.

é de se notar que há. Agradecimentos são devidos aos autores dos capítulos e aos entrevistados que contribuíram decisivamente para a viabilização do livro. Gisele Miranda Gomes Reis.. Simone Idalgo Machado. Ricardo Ivan Bicudo. devo certamente ser o mais antigo por ter sido chamado muito jovem a apoiar as atividades em sua sede. de todas as principais atividades que resultaram na implantação de tantas barragens que trouxeram progresso e bem estar ao nosso povo desde o Século XIX. Viviani Siqueira Vecchi e Walton Pacelli de Andrade. Esses contatos. Flavio Pilz. engenheiro Erton Carvalho. presentes e atuantes desde a primeira hora. para controle de cheias e. para combate às trágicas consequências ocasionadas pelas secas e para produção de energia elétrica. Henrique Frade. algumas das quais relato neste livro. foram em parte devidos à minha atuação profissional na engenharia. embora não seja o mais velho. entrevistas e informações de alguns dos mais destacados profissionais que atuam na engenharia de barragens em nosso País. Cavalcanti. Considerando que a história recente é mais conhecida por aqueles que acessarem esse livro. construída ainda no Século XIX por Bernardo Mascarenhas. só considerando as grandes barragens. No CBDB. Angiquinho implantada no Nordeste por Delmiro Gouveia e Itapecuruzinho. informações de elevado conteúdo histórico. Nicole Schauner. Dessa forma há uma ênfase nas primeiras barragens para saneamento. uma ênfase maior na história remota. Margaret Rose Mendes Fernandes. Não foi possível mencionar todos os atores e relatar todas as inúmeras atividades de implantação de barragens que ocorreram por mais de um século nesse tão vasto território nacional. das quatro filhas que passaram mais de um ano sem minha participação em atividades de fins de semana. Gualter Pupo. Og Pozzoli. Teresa Malveira. Alberto Sayão. O relato mais detalhado dessas barragens pioneiras retrata a imagem das imensas dificuldades logísticas de acesso. de mais difícil caracterização. Rosana Libânio. 15 . Sobre esse aspecto há um capítulo resumindo as primeiras hidroelétricas nas diversas regiões do País. pai do atual presidente do CBDB. Cleber José de Carvalho. Procurei congregar neste livro narrativas sucintas. porém objetivas. Carlos Mazzaro. principalmente. Mesmo assim. Sandra Pereira. Ana Teresa Ponte. Hilton Ahiran da Silveira. Gustavo Nasser Moreira. implantar barragens e hidroelétricas em até menos de um ano. O presente livro é resultado do apoio e do incentivo de muitas pessoas entre as quais cabe destacar especialmente a constante compreensão e apoio de minha esposa. com destaque para as primeiras usinas hidráulicas para fornecimento público de energia elétrica: Marmelos no Sul-Sudeste. Provavelmente foram esses fatores que levaram o Conselho do CBDB a me indicar como responsável pela edição desse livro. dos quais guardo recordações as mais preciosas. de aprovação. Vânia Rosa Costa. Paulo Coreixas Jr. à minha atuação na Universidade e às minhas atividades no CBDB e em outras entidades técnicas. Presentemente. a revisora de texto Margarida Corção e o conselheiro Aurélio Alves de Vasconcelos. Mair Melo Andrade. João Paulo Maranhão Aguiar. Fernando Pires de Camargo. prazos presentemente ina- creditáveis dadas as atuais delongas e dificuldades legais. de obtenção de materiais e de aquisição de equipamentos. André Luiz Fabiani. Cabe ainda agradecer os importantes apoios recebidos de diversos profissionais entre eles Alberto Jorge C. implementada na Região Amazônica por Newton Carvalho. os que nos precederam conseguiram. Delphim Mazon Fernandes. O livro foi enriquecido com textos. Alguns relatos apresentados em capítulos deste livro foram obtidos diretamente desses contatos dos que nos precederam na Profissão. no Brasil há bem mais de mil dessas estruturas em operação e. José Carlos de Miranda Reis Neto. Julia Ferrer Leal de Araujo. em quase todos os capítulos. Leila Lobo de Mendonça. Sérgio Pimenta. John Denys Cadman. se consideradas as barragens de rejeitos. Jerson Kelman. Carlos Henrique Medeiros. o editor Corrado Piasentin. José João Rocha Afonso. nas mais adversas condições. T.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Desses contatos pude extrair há anos. Talvani Hipólito Nolasco Filho. ultrapassa-se a casa das duas mil grandes barragens. Com uma longa história tão rica a ser resumida num espaço tão curto. Agradeço também aos dirigentes e funcionários do CBDB. o livro inevitavelmente contém omissões pelas quais desde já peço desculpas. Heloisa Ottoni. além de oposições dos auto-proclamados ambientalistas nacionais e estrangeiros. José Gelazio da Rocha. de concessão e de licenciamento ambiental.

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engenheiro chefe da Canambra. pode ser responsável pelo consumo de até 92% das precipitações. formado por dois grandes rios. Barragem de finalidades múltiplas de Pedra do Cavalo no rio Paraguaçu na Bahia 17 .km². Nessa área. com exceção dos rios São Francisco (que é proveniente do Sudeste) e Parnaíba.5x106 km². os recursos hídricos. variando de áreas úmidas ao vasto semi-árido do interior do Nordeste.” “Acreditamos que os resultados do estudo auxiliarão nos anos vindouros o desenvolvimento da indústria de geração do Centro-Sul do Brasil sobre uma base sólida” John K. o Solimões que drena os Andes peruanos e bolivianos e o Negro. O ambiente varia das planícies alagadas da Amazônia Equatorial e do Pantanal ao Planalto Central. têm regime intermitente em pelo menos parte de seus cursos. juntamente com evapotranspiração. A maior parte dos seus 190 milhões de habitantes vive na Região Sudeste onde as maiores cidades estão localizadas. podendo apresentar descargas específicas médias tão baixas quanto 3 l/s. O País abriga a quinta maior população do mundo. desde 4° de latitude norte a 33º de latitude sul e de 40 º a 75º de longitude oeste. Quase todos os rios do Nordeste. A leste desta região encontra-se a região semi-árida do nordeste brasileiro cujos rios são em geral intermitentes. o clima. com uma extensa costa banhada pelo Oceano Atlântico ao longo de 8.km². denominada Polígono das Secas. há diferentes aspectos naturais tais como. 1966.500 km. da cadeia de montanhas próximas à costa no Sudeste até as planícies do Sul e do Meio Oeste. a precipitação média anual pode ser de 400 mm ou menos. com uma descarga média superior a 200. o mais caudaloso e mais longo rio do mundo. constituem-se nos grandes recursos hídricos do norte do Brasil. Esse grande território tem uma longa fronteira com todos os países da América do Sul à exceção do Equador e do Chile. a quantidade e frequência de precipitações. como o substrato cristalino é pouco permeável.000 m³/s. Nessa área a evaporação média pode atingir 2000 mm/ano e. Sexton.  Síntese do Desenvolvimento da Implantação das Barragens no Brasil Flavio Miguez de Mello O País e seus recursos hídricos O Brasil é um território contínuo de forma quase quadrada. por exemplo. o relevo e a vegetação. apresentando descarga específica média de 35 l/s. A pequena espessura da cobertura de solo faz com que haja dificuldade em reter a umidade e. Como o País é de tão grande superfície. a incidência solar supera as 3000 horas por ano. compreendendo 8. A parte central da Região Amazônica é cortada de oeste para leste pelo rio Amazonas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens “We trust that the results of the study will help the power industry of South Central Brazil to develop on a sound basis in the years that lie ahead. sendo geralmente esta água insuficiente e de baixa qualidade. a geologia. só é possível acumular águas subterrâneas em regiões de rochas com fraturas profundas. Os mais importantes tributários desses rios e os rios da bacia do rio Tocantins que flui de sul para norte. a maior parte do qual se situa no hemisfério sul.

em 1650 sofreu transbordamento por ocasião de uma grande cheia. O dique tinha três metros de altura e cerca de 2 km de extensão. Há referências também ao dique Afogados construído no rio Afogados. Nos últimos 40 anos o País tem participado intensamente da economia internacional. As secas no Nordeste e o desenvolvimento do País foram os fatores determinantes para a implantação do grande número de barragens construídas desde a última década do século XIX. aparece em um mapa holandês de 1577. o tratamento de fundação pode ser feito na primeira estação seca durante a construção e a barragem construída durante a estação seca seguinte. um braço do rio Capiberibe.Séculos XIX. A barragem original foi alargada e reforçada para permitir a construção de uma importante via de acesso ao centro do Recife. Apipucos na língua tupi significa onde os caminhos se encontram. tendo sido concluído em dezembro de 1644. variando entre a oitava e a décima maior economia do mundo.Barragem de Apipucos na cidade do Recife. Um olhar para o passado remoto A mais antiga barragem que se tem notícia em território brasileiro foi construída onde hoje é área urbana do Recife. XX e XXI Nesses rios intermitentes. possivelmente no final do Século XVI. muitas vezes sem requerer estruturas de desvio e ensecadeiras. Figuras 1a e 1b . por Harman Agenau por 6000 florins para acesso a um forte também na atual região urbana do Recife. No resto do País as descargas específicas variam de 12 l/s. tendo colapsado em vários pontos. antes mesmo da invasão holandesa. no caso de barragens não muito altas.A História das Barragens no Brasil . PE.km². A mais antiga barragem que se tem registro no Brasil 18 .km² a 30 l/s. Conhecida presentemente como açude Apipucos.

Esse grande rio que nasce na Região Sudeste em Minas Gerais.000 km². Isso marcou o início do planejamento e projeto de grandes barragens no Brasil. diques. em vários projetos. Os anos 50 e 60 do século passado foram os anos dourados na construção de barragens para combate às secas. nomeou uma comissão para recomendar uma solução para o problema das secas no Nordeste. No seu estágio final a derivação será de 3.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS As obras contra as secas O ano de 1877 foi o início da maior tragédia nacional devido a fenômeno natural: A Grande Seca no Nordeste com duração superior a três anos deixou cicatrizes que até hoje são nítidas. perdeu mais de um terço da sua população de maneira trágica. estações de bombeamento e casas de força para 19 . No final do Século XX o DNOCS executou sua última barragem.Barragem de Cedros. uma das duas mais antigas grandes barragens do Brasil (1906) Centenas de barragens foram construídas desde a Grande Seca no Nordeste. A rocha sã em geral encontrada nas ombreiras.2% desta descarga para as regiões de seca. Castanhão cuja finalidade principal foi o abastecimento de água da cidade de Fortaleza. Pedro II que esteve na área atingida. uma das áreas mais atingidas. outro intenso El Niño foi responsável pela retirada dos invasores holandeses de onde é hoje a costa do Ceará. logo após a Grande Seca. As principais recomendações foram a construção de estradas para que a população pudesse atingir o litoral e a construção de barragens para suprimento de água e irrigação no Polígono das Secas cuja área é superior a 950.5 milhão de habitantes. Na primeira década do século XX uma membrana de alvenaria ou de concreto era usualmente usada como elemento impermeabilizante interno de barragens de terra. situada no Ceará e concluída em 1906. Muitos anos antes. Figura 2 . canais. Em 1880. CE Recentemente foi lançado o projeto de derivação de parte das descargas do rio São Francisco para o Polígono das Secas. conduziu à adoção de vertedouros de superfície simplesmente escavados em rocha sã. tem no seu trecho inferior uma descarga média de longo termo de cerca de 2000 m³/s. o Imperador D. Somente a partir de meados dos anos oitenta do século passado passou-se a saber que as secas são devidas ao fenômeno conhecido por El Niño no Pacífico Sul. Figura 3 – Barragem de Castanhão para abastecimento de água à cidade de Fortaleza. na época com 1. A pequena altura das barragens e a rocha sã nos leitos dos rios minimizavam a necessidade de tratamento de fundação. Serão construídas diversas barragens. tendo sido palco de migrações em massa de flagelados. O estado do Ceará. A primeira dessas barragens foi Cedros.

dos quais 3. No final do século passado. a capacidade instalada no território nacional era de apenas 5. passou a haver insuficiência de oferta de energia nas décadas seguintes. todas com barragens de dimensões discretas. passaram a desencorajar diretamente os investidores do setor elétrico. tendo sido causado intenso estrangulamento na expansão de oferta de energia elétrica. Esse estrangulamento fez com que o governo federal e alguns governos estaduais criassem empresas de energia elétrica. para suprimento de energia elétrica à cidade de São Paulo.5 m através de reforços em contrafortes e com vertedouro com três comportas de segmento de capacidade conjunta de 800 m³/s. sendo.000 MW. tinha 2 MW instalados. Em 1934 o decreto federal nº 24643 conhecido como Código de Águas e o cancelamento da cláusula ouro que protegia as empresas concessionárias dos efeitos da desvalorização da moeda nacional. quando inaugurada. As primeiras grandes barragens do País foram Cedros acima mencionada e Lajes. Inicialmente denominada Parnaíba e depois Edgard de Souza. Até os anos cinquenta todas as empresas de energia elétrica eram privadas e as suas usinas eram situadas principalmente nas regiões Sul e Sudeste. Logo após a II Guerra Mundial. era de alvenaria de pedra constituída por grandes blocos de rocha gnáissica solidarizados com argamassa. Em 1954 a antiga usina foi substituída por unidades de recalque e a barragem alteada para 18. a usina. sem serem muito altas. Muitas 20 . um vertedouro de soleira livre. A maioria das grandes barragens do Brasil (pela classificação da CIGB) encontra-se na Região Nordeste. no rio Tietê. transmissão e distribuição de energia elétrica. a maior parte delas em aterro compactado.700 MW provinham de hidroelétricas. que entrou em operação em 1906 no estado do Rio de Janeiro com o objetivo de derivar as águas do ribeirão das Lajes para da usina de Fontes no Rio de Janeiro. dessas unidades estão sendo agora reabilitadas e repotenciadas. Serão bombeados 63. Devido à contenção tarifária e à fragilidade do capital nacional. em função das intensas alterações nos coeficientes hidráulicos de sua área de drenagem devido à ur banização da cidade de São Paulo e das cidades vizinhas. Os danos ao progresso da Nação foram intensos e irrecuperáveis. o vertedouro foi redimensionado com considerável acréscimo de capacidade.Séculos XIX. em grande parte de sua extensão.5 m de altura. construção e operação de barragens são principalmente devidas à implantação de hidroelétricas. o setor elétrico foi aos poucos sendo estatizado. Presentemente (2011) há 1206 MW instalados em hidroelétricas de mais de 50 anos de idade. devido à desastrosa e desastrada política de restrição tarifária iniciada pelo Código de Águas que incluiu o não reconhecimento de remuneração de capital empregado em obras de geração.A História das Barragens no Brasil . A maior parte das barragens eram estruturas de concreto gravidade ou de alvenaria de pedra. sua barragem original com 12. Para esses empreendimentos consultores individuais prestaram importante apoio tais como Karl Terzaghi. No final do Século XIX começaram a ser implantadas pequenas usinas para suprimento de cargas modestas e localizadas. Por esse motivo as mais importantes contribuições no sentido de desenvolvimento de tecnologias de projeto. na época uma das maiores do mundo. Arthur Casagrande e Portland Port Fox. não muito altas. Durante as estações chuvosas na bacia do rio São Francisco poderão ser bombeadas até 127 m³/s .5 m³/s do rio São Francisco. XX e XXI geração de energia. As primeiras barragens para produção de energia elétrica Nas regiões Sul e Sudeste a implantação de barragens foi principalmente direcionada para produção de energia elétrica. Assim. concessionária da mais desenvolvida região do País. a Light. Em 1960. A primeira usina da Light entrou em operação em 1901. Desde o início dos anos cinquenta as concessionárias estatais passaram a se concentrar em empreendimentos de grandes vultos. construiu diversas barragens e grandes casas de forças subterrâneas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

John Cotrim. tendo inclusive atingido as Sete Quedas. efetuava estudos dispersos. muito mais próximos. Nessa época. organizou uma expedição pelo rio Grande entre dois potenciais conhecidos: os locais das usinas de Itutinga e de Peixoto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A evolução do conhecimento dos recursos hidroenergéticos. Nessa expedição foi identificado o local de Furnas 21 . uma das duas grandes barragens mais antigas do Brasil (1906) suprimento de energia elétrica às mais importantes regiões no Rio de Janeiro e em São Paulo. a partir dos anos sessenta. A Light. passaram a ser designados por estudos de inventário. responsável pelo Figura 4 – Barragem e reservatório de Lajes. diretor técnico da Cemig. sem o conhecimento dos potenciais do rio Grande e do rio Paranaíba. O legado da Canambra Na primeira metade do século passado. os recursos hídricos em território brasileiro eram pouco conhecidos e não tinha havido ainda estudos sistemáticos que posteriormente. dada a escassez de mapeamento e as dificuldades logísticas.

Sexton. a John Cotrim. o ministro Gabriel Passos das Minas e Energia e os governadores dos estados de Minas Gerais. Um exemplo típico foi a revisão do inventário do rio Paraibuna em Minas Gerais que havia sido feito nos anos oitenta. para formatar o programa final de desenvolvimento energético da Região Sudeste. de estender os estudos à toda Região Sudeste considerando a importância desses estudos para a otimização dos investimentos em geração de energia elétrica e como todos os rios que nascem em Minas Gerais atravessam outros estados. A descoberta desse potencial causou espanto no meio técnico da época. em 3 de junho do ano seguinte. Os dois primeiros grupos acima mencionados desenvolveram o inventário dos recursos hidroenergéticos em relatórios independentes e o grupo sediado no Rio de Janeiro usou os resultados obtidos adicionados a investigações de outras possíveis fontes geradoras.7 milhões.. a maioria esmagadora dos estudos realizados pela Canambra foi posteriormente aprofundada nas etapas sucessivas de projeto dentro das diretrizes inicialmente estabelecidas. Foram identificados como viáveis potenciais que somados atingiram 40. Montreal Engineering Company Ltd. Para tanto. um em Belo Horizonte. chefe do Comitê de Direção dos Estudos. São Paulo. usando 3. Crippen & Associates Ltd. Três grupos foram formados. a óleo e usinas nucleares. A partir dos anos oitenta os estudos anteriores começaram a ser revisados e densificados em quase todo o território nacional. em 2 de novembro de 1962. inclusive termoelétricas a carvão. Posteriormente. um consórcio entre as empresas consultoras canadenses. Progressivamente as condicionantes ambientais foram ganhando espaço nas definições de projetos em inventários.000 km de rios. um contrato com a Canambra Engineering Consultants.E.000 km². O relatório final foi entregue por J. Com esse propósito. o governo federal se interessou vivamente pela iniciativa da Cemig e. diretor da Canambra.Séculos XIX. havendo a contrapartida em moeda nacional no equivalente a US$ 3. os estudos passaram a ser conhecidos como Canambra. Ao abrigo desse recurso financeiro. em dezembro de 1966.1 milhão de quilômetros quadrados cobrindo 28. Cemig assinou. para que fosse realizado o inventário dos recursos hidroenergéticos em Minas Gerais. Os estudos de inventário constituíram-se em atividade sem precedente. um em São Paulo e um no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro e Guanabara assinaram em 1 de março de 1963 o Plano de Operação. empresas nacionais realizaram estudos de inventário hidroenergéticos nas regiões Norte e Nordeste. Como reflexo desse levantamento veio o objetivo da Cemig de efetuar um levantamento dos recursos hidroenergéticos de Minas Gerais.000 MW. XX e XXI que posteriormente deu origem à empresa de mesmo nome. A Cemig solicitou apoio financeiro ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP sigla em inglês). Com a sugestão do Banco Mundial que atuou nesse inventário como agente executivo do UNDP. tendo direcionado o desenvolvimento hidroenergético da região. A área total investigada foi de 1. os estudos foram estendidos à toda a Região Sudeste através de um contrato assinado entre a Canambra e Furnas.8 milhões. e a americana Gibbs & Hill Inc. nos anos setenta.700 horas de voos de reconhecimento. A partir de poucos anos Figura 5 – Grupo de Minas Gerais da Canambra trabalhando no escritório central da Cemig 22 . e G. o UNDP disponibilizou recursos da ordem de US$ 2. Considerando o sucesso dos estudos desenvolvidos na Região Sudeste. a Canambra foi contratada para efetuar estudo de mesmo escopo para a Região Sul. Inicialmente conhecido como ONU-Cemig. o que demandou aerofotografias de uma área de 516.K.A História das Barragens no Brasil . englobando 510 locais de barragem dos quais 264 foram levantados com melhor precisão. Nas fases posteriores de implantação das usinas.

mostrando as dificuldades logísticas durante os levantamentos de campo efetuados pela Canambra após seu término. 7a 7b Figura 7a . tendo sido implantados a partir do início dos anos noventa. ideal para a prática da canoagem. os projetos que pelas exageradas dimensões de seus reservatórios inundariam centros urbanos e grandes extensões de obras de infraestrutura viária. Apesar de pequena perda energética em relação à partição de queda proposta nos anos oitenta. foram progressivamente alterados para reservatórios de menores dimensões.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 6 . feriados e noites de lua cheia. quase sempre objetivos antagônicos. atolados na beira do rio. Foram definidos os aproveitamentos de Picada. garantindo melhores condições do que as condições naturais. os empreendimentos passaram a ser econômica e ambientalmente viáveis. Bonfante e Santa Fé com pequenas áreas inundadas. Sobragy. Cabuy. Na usina que fica mais a jusante foi possível a compatibilização inédita do aproveitamento energético com a canoagem. maior número de usinas com quedas mais modestas e pequenos trechos inaproveitados. Rio de Janeiro e Minas Gerais 7c Figura 7d – Rafting no rio Paraibuna sobre a soleira vertedora da barragem de derivação de Santa Fé 7d 23 .PCH Santa Fé no rio Paraibuna. Monte Serrat. Rio de Janeiro e Minas Gerais Figura 7c . Rio de Janeiro e Minas Gerais Figura 7b . Durante os dias de fim de semana.PCH Monte Serrat no rio Paraibuna.John Cadman fotografado por John Cabrera. são liberados para a canoagem pela barragem de derivação a descarga de 50 m³/s.PCH Bonfante no rio Paraibuna.

Essas PCHs.A História das Barragens no Brasil . a menos das usinas existentes ou aprovadas entre as quais o complexo de Simplício. foram concluídas em 2011 e tiveram seus reservatórios condicionados pela infraestrutura viária do local. Dentre os aproveitamentos de baixa queda destacam-se as PCHs gêmeas Queluz e Lavrinhas. em sua maioria esquemas de baixa queda para torná-los ambientalmente viáveis. assim denominadas por terem todos os equipamentos idênticos. Dessa revisão dos inventários existentes resultou o projeto de mais de cinquenta novos aproveitamentos. Figuras 8a e 8b – PCH Queluz antes e depois do enchimento do reservatório. XX e XXI Influenciada por essas alterações. com 30 MW cada. construídas no rio Paraíba do Sul a montante do reservatório do Funil. a ANEEL contratou a Es cola Politécnica da UFRJ em 2000 para reestudar toda a bacia do rio Paraíba do Sul com atenção especial aos impactos ambientais.Séculos XIX. Em primeiro plano a ferrovia de concessão da MRS e ao fundo a rodovia Presidente Dutra BR-116 24 . Em primeiro plano a ferrovia de concessão da MRS e ao fundo a ponte da rodovia Presidente Dutra BR-116 Figuras 9a e 9b .PCH Lavrinhas antes e depois do enchimento do reservatório.

Entretanto. Juscelino Kubitschek de Oliveira.Lyra. mas grandes empreendimentos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Alterações nos critérios tarifários e a consequente ampliação de implantação de hidroelétricas Nos anos sessenta e setenta. a concentração de investimentos em poucos. Benedito Dutra e outros. John R. devido ao estabelecimento do critério da verdade tarifária introduzido no início do governo Castelo Branco por Bulhões de Carvalho e Roberto Campos. um impressionante número de grandes hidroelétricas foram construídas e entraram em operação. Figura 10 – Local da usina hidroelétrica de Furnas no início de sua construção. 25 . Lyra preocupado com a concepção do projeto Nos anos oitenta e noventa um menor número de hidroelétricas entraram em operação devido à carência de recursos financeiros das estatais causada principalmente pelos impactos na economia nacional devidos aos dois choques do petróleo e a crescente inflação. continuou. algumas das quais entre as maiores do mundo na época. resultando no que mostra a tabela a seguir. Todos olhando para o fotografo a menos de Flavio H. Cotrim. A partir da esquerda Flavio H.

551 SE/CO 1.479 NE 1.000 3.396 1.Séculos XIX.216 SE 1. XX e XXI TABELA 1 Maiores Hidroelétricas em Operação em 2011 Hidroelétrica Tucuruí Itaipu (Brasil) Ilha Solteira Xingó Paulo Afonso IV Itumbiara São Simão Foz do Areia Jupiá Porto Primavera Itá Itaparica Salto Santiago Água Vermelha Segredo Salto Caxias Furnas Emborcação Salto Osório Sobradinho Estreito Potência (MW) 8.440 SE 1.050 NE 1.050 SE Legenda: N S SE NE CO TE ER BEFC CG CCR GA CF Região Norte Região Sul Região Sudeste Região Nordeste Região Centroeste barragem de terra barragem de enrocamento com núcleo de terra barragem de enrocamento com face de concreto barragem de concreto gravidade barragem de concreto compactado com rolo barragem de concreto em gravidade aliviada barragem de concreto em contrafortes Figura 13 – Usina hidroelétrica de Itá em final de construção 26 .710 1.540 S SE/CO NE SE/CO S SE/CO TE/CG TE/CG BEFC TE/CG TE/CG TE/CG BEFC TE/ER/CG TE/CG BEFC TE/CG TE/CG ER TE/CG BEFC CCR ER ER ER TE/CG ER Figura 12 – Usina hidroelétrica de Salto Santiago no rio Iguaçu Figura 11 – Casa de força e vertedouro da usina hidroelétrica de Tucuruí GA/CG/CT/ER/TE Região Tipo de Barragem 3.240 S SE S Marimbondo 1.260 S 1.444 2.A História das Barragens no Brasil .192 SE/CO 1.078 S 1.420 1.676 1.082 SE/CO 1.450 S 1.462 1.370 N 7.162 NE 2.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Extensos reservatórios foram criados para algumas dessas grandes hidroelétricas. TABELA 2 Maiores Reservatórios Barragem Área (km²) Volume (km³) Extensão (km) 350 170 225 250 116 170 Figura 14 – Usina hidroelétrica de Sobradinho. otimização de operação e confiabilidade no suprimento de energia elétrica.360 17 Porto Primavera Serra da Mesa 2. Reservatório de maior área do Brasil Sobradinho 4.214 34 Tucuruí 3. consequentemente. o de maior volume do Brasil 27 . Figura 15 – Reservatório da usina hidroelétrica de Serra da Mesa.350 29 *Incluindo a parte do reservatório sobre território paraguaio. Tais reservatórios passaram a propiciar benefícios de regularização de vazões e.784 20 54 Itaipu* 1.007 50 Balbina 2.250 1.

esta denunciou a Eletrobras ao Banco Mundial. Considerando as funestas e intensas consequências ao País em outros empreendimentos financiados pelo Banco Mundial. Devido ao sistema ser interligado em grande parte do território nacional. que atua na coordenação e no controle da operação das geradoras e dos sistemas de transmissão. Como esses valores eram insuficientes para manter o ritmo ideal de construção. Em novembro de 2008 a capacidade instalada no País era de 104. XX e XXI Desde pouco antes do início dos anos oitenta o governo federal e os governos estaduais passaram a enfrentar grandes dificuldades para prover recursos necessários para a implantação de novas usinas e de sistemas de transmissão. de transmissão. Um dos casos extremos ocorreu na implantação da hidroelétrica de Emborcação que. Uma grande parte do território brasileiro. as novas hidroelétricas.A História das Barragens no Brasil . Ao final de 2008 essa proporção caiu para 74% devido ao planejamento para a diversificação de fontes geradoras e às dificuldades de obtenção de licenciamentos ambientais para barragens e reservatórios. Uma empresa federal (EPE . 345 kV. Nos últimos 10 anos a média anual do aumento da capacidade instalada foi de 3652 MW.816 MW em 1768 usinas geradoras das quais 706 eram hidroelétricas. e depois em Xingó.398 MW. Todo o planejamento concernente a privatização. Essas verbas correspondiam aos valores que seriam despendidos caso as obras viessem a ser paralisadas. para concessões têm sido processado pela ANEEL. Em abril de 2011 a capacidade total instalada no País passou a ser de 112. 440 kV. A hidroeletricidade nos anos recentes Em 1996. alterações operacionais e licitações 28 . Como resultado. o que faz com que.Séculos XIX. essas obras ficaram sujeitas a vultosos dispêndios devido aos acréscimos de custo de construção e à maior incidência de juros durante a construção. de distribuição. Há poucos anos atrás bem mais de 90% da capacidade instalada provinha de usinas hidroelétricas. com exceção de sistemas isolados na Região Norte.000 km de sistemas de transmissão interconectados em 230 kV. entidade.Empresa de Pesquisa Energética) foi criada para o desenvolvimento do planejamento do setor elétrico. 1042 termoelétricas e duas termonucleares. Uma segunda alteração na legislação ocorreu em 2004 mantendo o processo de licitação para novos projetos. As transações de compra e venda de blocos de energia no sistema interligado de transmissão são feitas sob os auspícios do Mercado Atacadista de Energia através de contratos bi-laterais de curta duração. Pouco depois foi instituída a Agência Nacional de Águas e o Operador Nacional do Sistema. Está programada para futuro próximo a interligação entre a margem sul e a margem norte do rio Amazonas. uma importante modificação ocorreu no setor elétrico com a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica. nomeadamente em Itaipu e Tucuruí. mas tornando-se vencedor aquele que apresentasse a menor tarifa. tendo afetado negativamente as empresas contratadas para fornecimento de serviços e de bens de capital. a energia elétrica disponibilizada no Brasil possa ser a mais cara do mundo devido principalmente a essa elevada carga tributária. bem como comercializar a energia produzida ou transmitida. além de suprirem energia na sua região. apesar do grande número das grandes usinas hidroelétricas que operam há mais de 30 anos estarem teoricamente depreciadas. ficando as demais obras federais sujeitas às verbas de desmobilização. ficando assim concessionário da usina ou do sistema de transmissão. perante à reiterada ameaça da Eletrobras em não cumprir o contrato de financiamento com a Cemig. Entretanto. Em 2008 mais de 95% da população tinha acesso a serviço público de eletricidade compreendendo mais de 99% dos municípios. um vasto sistema de transmissão em alta tensão e em extra alta tensão promove a interligação de várias regiões do País ao sul do rio Amazonas unindo os dois maiores sistemas nacionais: o Norte/ Nordeste ao Sul/Sudeste/Centroeste. Presentemente empresas de geração. promovem benefícios para outras áreas. é servido por mais de 90. Nas obras federais houve intensa concentração de recursos na construção das maiores usinas. a carga de impostos na geração de energia elétrica é de cerca de 45% da tarifa cheia. através da Lei 9427. teoricamente privada. de comercialização e outros investidores são encorajados a implantar usinas de geração e sistemas de transmissão. a Eletrobras foi obrigada a cumprir o contrato. 500 kV e 750 kV. Impostos.

poderá perder até 52% do seu atual faturamento caso as concessões que vencem no período acima mencionado. CEMIG e COPEL formaram um grupo para discutir o problema e tentar influenciar uma alteração na legislação visando prorrogações das concessões. deverá fazer com que as tarifas venham a ser consideravelmente reduzidas. entre os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo Figura 17 – Barragem da PCH Ivan Botelho II (Palestina) em Minas Gerais 29 . 134% superior à média das tarifas industriais nos outros países do BRIC (Brasil. Tem havido por parte das atuais concessionárias e de governos estaduais. a FIESP entrou com representação no TCU solicitando intervenção para que providências sejam tomadas no sentido de garantir a execução das licitações de concessão.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens taxas e contribuições mandatórias em uma conta de consumo de energia elétrica em residência de classe média quando comparada ao custo direto da energia fornecida. Essas concessões. intenso lobby para a manutenção das atuais concessões. o que.PCH Calheiros 19 MW no rio Itabapoana. vertedouros de superfície em lâmina livre e casas de força em posição remota em relação às barragens. As atuais concessionárias terão que se adaptar à nova realidade. com o elevadíssimo nível dos encargos sobre o fornecimento da energia elétrica.7/MWh. A esmagadora maioria dessas pequenas usinas tem modestos reservatórios. Por outro lado a FIESP defende que a legislação não venha ser alterada ou violentada e que as licitações sejam feitas. 70. pois os investimentos na construção das usinas e nos sistemas de transmissão já foram amortizados há muito tempo. um grande número de investidores têm atuado na implementação de pequenas centrais hidroelétricas até o limite de 30 MW instalados. Índia e China) que se situam em R$140. no caso de Furnas. se situam no entorno de 85%. Desde a última década do século XX. As hidroelétricas a serem licitadas já estarão totalmente depreciadas. Para tanto. pequenas barragens. Pela legislação em vigor essas concessões retornarão à União que deverá efetuar licitações para definição de novos concessionários.000 km de linhas de transmissão e 33% dos contratos de distribuição deverão ter suas concessões licitadas. Entre 2015 e 2017 muitas das concessões das maiores hidroelétricas e dos sistemas de transmissão estarão vencidas. Rússia. a intensa redução das tarifas que beneficiaria os contribuintes e recolocaria a competitividade da indústria nacional no mercado externo. Figura 16 . não venham a ser renovadas. Presentemente (meados de 2011) a tarifa média para a indústria no Brasil é de R$ 329/MWh. pelo espírito da Lei. um dos principais problemas é que. além de ativos em sistemas de transmissão. considera que com as licitações as tarifas despencarão a níveis de 20% dos atuais. Prevê-se que em 2015 cerca de 20% do parque gerador. Em abril de 2011 as grandes concessionárias como CESP. Entretanto. faria com que o governo perdesse arrecadação o que não costuma ser aceito pelos políticos da situação. compreendem a 5000 MW em seis usinas. Furnas. por exemplo. Em estudo recente a FIRJAN considerou críticos os níveis dos quatorze encargos cobrados sobre a energia elétrica.

a barragem de Babaquara que regularizaria o rio Xingu a montante de Belo Monte. cerca de 30 . no Pará.3 km². A descarg a remanescente é a maior que se tem notícia. As hidroelétricas de Jirau e Santo Antônio. com 233 MW com unidades bulbo sob 11. Ambas casas de força abrigarão unidades bulbo operando praticamente a fio d’água. Os reservatórios com área de 258 km² e 271. sendo cada um equipado com 20 comportas de segmento de 20 m x 25. que fluirão pela casa de força complementar. Monte que terá a capacidade instalada de 11. 700 m³/s.000 MW com unidades Francis sob 87. menores custos internos. no seu conjunto. apresentam índices mais elevados. O rio Madeira drena uma extensa área da Cordilheira dos Andes na Bolívia. inundarão terrenos da Floresta Amazônica. Outras grandes hidroelétricas como Tucuruí (0.A História das Barragens no Brasil . A ausência de reservatórios de regularização no rio Xingu faz com que o fator de capacidade seja muito baixo.233 MW no rio Xingu. a usina aproveitará a queda na grande curva do Xingu. uma com 11.000 m³/s.05 km²/MW. A hidroelétrica de Belo Monte terá baixa relação entre a área do reservatório e a capacidade instalada: 0.29 km²/MW). teve seu projeto abandonado e a área do reservatório de Belo Monte que inicialmente era de 1225 km². Entretanto. a relação entre área inundada em km² e a capacidade instalada em MW é de cerca de 0. um dos maiores tributários do rio Amazonas. Localizada nas proximidades de Altamira. passou para 516 km². Os vertedouros dessas duas barragens foram dimensionados para as descargas decamilenares de 82. XX e XXI 6900 MW instalados.5 m de queda líquida e outra.40 km²/MW) embora com relações modestas.600 m³/s e 84.10 km²/MW) e Serra da Mesa (1. denominada casa de força complementar. Pelo projeto em processo de licenciamento.2 m. em relação às empresas estatais.49 km²/MW. extremamente baixa em comparação com a média nacional. Figura 19 – Usina hidroelétrica de Monjolinho com vertedouro do tipo lateral Grandes hidroelétricas estão presentemente sendo construídas.5 m de queda líquida. Encontra-se em início de construção a hidroelétrica de Belo 18 – PCH Cachoeira em Rondônia. serão implantadas duas casas de força. A média nacional é de 0. situadas no rio Madeira a montante de Porto Velho terão. O empreendimento afetará 4300 famílias urbanas e 800 famílias rurais. Esse aproveitamento está sendo estudado há trinta anos.08.Séculos XIX. Itaipu (0. Por restrições ambientais e com a finalidade de se conseguir o licenciamento ambiental. pequena estrutura (barragem) de derivação Hidroelétricas de porte médio são também atraentes a investidores privados por apresentarem.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 – Usina hidroelétrica de Santa Clara em Minas Gerais Figura 21 – Barragem vertedoura da hidroelétrica de Picada em Minas Gerais Figura 22 – Obras da usina hidroelétrica de Santo Antônio no rio Madeira 31 .

Como a São Paulo Light não dispunha de energia para garantir o fornecimento à CBA. e montar uma fábrica de alumínio. em 1978 Serraria com 24 MW. a CBA adquiriu da São Paulo Light a hidroelétrica de Itupararanga com 55 MW. Em conversa com o autor. A auto-produção de energia elétrica tem movimentado em anos recentes várias empresas de grande vulto como a Vale. XX e XXI A hidroelétrica de Estreito. em São Paulo 32 . Nesse período. finalmente. a Petrobrás. Afirmou ainda que considerava estratégico ter a garantia de produção de pelo menos 50% da energia necessária à sua indústria. Em 1942 o DNAEE determinou que a São Paulo Light suprisse de energia elétrica a fábrica que estava projetada para ser construída no município de Mairinque. projetada para 1087 MW instalados encontra-se (maio de 2011) em início de operação comercial após quatro anos de atrasos devido a demoras no licenciamento ambiental e a paralisações referentes a ações judiciais e a atos de ocupação indevida de seu canteiro de obra. tendo construído as hidroelétricas de Piraju com 80 MW que entrou em operação em 2002 e Ourinhos em operação desde 2006. em 1974. sendo um empreendedor privado. No início dos anos quarenta a família Carvalho Dias e o empresário. para a obtenção da concessão. MG.4 MW.A História das Barragens no Brasil . a CBA deu início à implantação de uma série de usinas no rio Juquiá-Guaçu: em 1958 entrou em operação a hidroelétrica de França com 24 MW. Assim. esta requereu a concessão do rio Juquiá-Guaçu e do seu afluente Assungi.87 MW. SP. Figura 23 – Barragem da usina hidroelétrica de Barra no rio Juquiá. Um exemplo marcante é a Companhia Brasileira de Alumínio CBA que por longo período foi o maior auto-produtor de energia elétrica do País. engenheiro e político José Ermírio de Moraes fundaram a CBA para exploração da jazida de bauxita que havia sido identificada nas terras dos Carvalho Dias nas proximidades de Poços de Caldas. a Votorantim e muitas outras. também situada na Amazônia.Séculos XIX. o engenheiro Antônio Ermírio de Moraes externou as dificuldades que encontrou. em 1963 Fumaça com 36. em 1974 Alecrim com 72 MW. indústria eletrointensiva.4 MW. em 1982 Porto Raso com 28. em 1989 Iporanga com 36. em 1986 Barra com 40. Com os principais potenciais do rio Juquiá-Guaçu explorados. a CBA partiu para o médio rio Paranapanema. A concessão só foi outorgada em 1952. a CSN.4 MW e.

no rio Juquiá.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 24 . em São Paulo Figura 25 – Projeto da barragem da usina hidroelétrica de Barra Figura 26 – Projeto da barragem da usina hidroelétrica de Fumaça 33 .Barragem da usina hidroelétrica de Fumaça.

Séculos XIX. Devido à legislação ambiental. Embora não haja um registro de barragens de rejeitos no País. detentor da CBA Figura 28 . o executivo da empresa era o médico Miguel Carvalho Dias que contava com a importante colaboração de vários engenheiros de destaque na profissão entre eles Carlos Mazzaro. são conhecidas mais de 700 barragens em Minas Gerais e pelo menos 150 outras nos demais estados da Federação. Edilberto Maurer e Valério Mortara para o qual o autor teve o privilégio de entregar o título de engenheiro eminente pela Associação dos Antigos Alunos da Politécnica em 2000. Além do acompanhamento constante do engenheiro Antônio Ermírio de Moraes. A barragem do Germano.Usina hidroelétrica de Piraju no rio Paranapanema entre São Paulo e Paraná 34 . que atualmente (maio de 2011) está com 155 m de altura é projetada para atingir 170 m de altura no seu estágio final. a maior do País. Barragens de rejeitos Atividades de mineração representam um importante segmento na economia nacional. Newton Sady Busetti. com barragens de concreto de gravidade aliviada. XX e XXI Os projetos das hidroelétricas da CBA no rio Juquiá-Guaçu foram todos de concepção italiana. O método de construção mais empregado é o método de monFigura 27 – Antônio Ermirio de Moraes principal executivo do Grupo Votorantim.A História das Barragens no Brasil . um grande número de barragens de rejeitos foram construídas ou estão presentemente em construção.

Um projeto não usual foi adotado para a disposição de rejeitos em mina de urânio em Poços de Caldas. Nesse grupo de rios se encontram todo o rio Amazonas. As duas principais bacias com eclusas instaladas em hidroelétricas são as dos rios Tietê e Paraná. em 1958. Durante a estação chuvosa de 2009 uma grande cheia ocorreu na bacia do rio Itajaí e as três barragens não foram suficientes para controlar toda a descarga afluente. Em 1990 as atividades desse Departamento foram abruptamente encerradas e o Departamento extinto. os poucos empreendimentos de navegação interior existentes são em geral anexos a hidroelétricas. têm de enfrentar por conta própria os problemas de controle de cheias. Controle de cheias Por muitos anos desde 1944. Severas consequências em grande área alagada no baixo vale do Itajaí compreenderam impressionantes perdas de propriedades. para ser construída em três fases. em geral. Os dois mais destacados empreendimentos foram o sistema de controle de cheias do rio Itajaí em Santa Catarina. Nas outras regiões. com três filtros chaminé internos.Eclusas da barragem de Três Irmãos sobre o rio Tietê Paisagismo Desde a construção. Vias navegáveis A navegação interior permanece sendo o método de transporte mais usual na Região Amazônica onde há longos e caudalosos rios que podem ser usados ao longo do ano todo. para rejeitos finos a muito finos como na mineração de ouro. o método de jusante é empregado. algumas pequenas barragens foram construídas no coração de outras cidades para criação de lagos artificiais como elemento paisagístico. polders e drenagens. água esta que tem que ser tratada. o Departamento Nacional de Saneamento. Nos primeiros anos dos anos noventa diversas barragens que antes eram controladas pelo DNOS ficaram sem qualquer controle e sem responsável pela operação e segurança. na capital federal. Presentemente estados e prefeituras que. O maior e mais famoso desses lagos artificiais é o reservatório de Paranoá. Foi adotada uma barragem de terra e enrocamento compactados. órgão do Ministério do Interior. da barragem de Pampulha em que criou um belo espelho d’água na cidade de Belo Horizonte. 35 . em São Paulo e do São Francisco. bem como extensos trechos inferiores dos seus afluentes. Entretanto. Figura 29 . o talude de jusante da barragem foi projetado para ser coberto com uma face de concreto. seus formadores os rios Solimões e Negro. que compreende três barragens de terra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens tante. foi ativo em empreendimentos de controle de cheias envolvendo a construção de barragens. As barragens foram construídas principalmente com o objetivo de evitar cheias em áreas populosas. O critério de projeto que em geral era adotado objetivava o controle das cheias de período de recorrência de 100 anos ou a maior cheia que tivesse sido registrada. não são capacitados técnica e financeiramente. Para impedir que a água de chuva se misturasse com a água percolada pelo maciço da barragem e pela sua fundação. principalmente nos trechos sobre terrenos sedimentares recentes. que inclui três barragens que são somente usadas para controlar as descargas afluentes. no Nordeste. o sistema de proteção de cheias da cidade de Recife em Pernambuco.

A História das Barragens no Brasil . concluida em 2009. A barragem possibilita o acréscimo de 5. e as barragens do sistema de derivação dos rios Piraí e Paraíba do Sul (sistema PPD). O sistema necessitou da construção de 256 km de canais para suprimento de 22 m³/s para a cidade e para projetos de irrigação. aproveitamento de finalidades múltiplas 36 . Merece menção a barragem do Ribeirão João Leite.Séculos XIX. com captações em barragens no rio das Velhas e no rio Manso. O mais recente Figura 30 – Barragem do Ribeirão João Leite para o abastecimento d’água da cidade de Goiânia empreendimento de vulto para abastecimento de água é a barragem João Leite construida em concreto compactado com rolo.46 bilhões de metros cúbicos de água sob uma superfície de 325 km² no nível d’água máximo normal. Um sistema que merece menção é o sistema para o abastecimento d’água da cidade de Fortaleza.Barragem de Pindobaçu na Bahia.50 m de altura e alas de terra faz parte da publicação do CBDB Main Brazilian Dams III. descarga essa que corresponde a 90% de permanência.5 m de altura e vertedouro de soleira livre sobre a barragem. O sistema inclui a barragem de terra do Castanhão com trecho em concreto compactado com rolo. O mais destacado desses sistemas é o sistema de Cantareira para abastecimento de água da grande São Paulo e cidades do vale do Piracicaba. Esse sistema foi construído nos anos setenta e compreende sete grandes barragens de terra. a qual é destinada ao abastecimento de água da cidade de Goiânia. com 53. represando 4. XX e XXI Obras de abastecimento de água Barragens têm sido construídas como parte de sistema de abastecimento de água para zonas urbanas e industriais.   Figura 31 .33 m³/s de reforço ao abastecimento das principais cidades do estado de Goiás. Os dois maiores sistemas do Rio de Janeiro aproveitam as barragens da Light construídas entre o início do século (sistema Lajes). concluída em 1999 com 72 m de altura. O artigo técnico sobre o projeto e a construção desta barragem de CCR com 53. Outro sistema importante é o de Belo Horizonte compreendendo obras hidráulicas de vulto. sete túneis escavados em rochas gnaíssicas e graníticas numa extensão total de 29 km e uma grande estação de recalque subterrânea com capacidade de 33 m³/s.

um estudo recentemente concluído pela Agência Nacional de Águas revelou que a situação do abastecimento de água em 55% dos 5565 municípios brasileiros está se agravando e deverá estar insuficiente em 2015. A esmagadora maioria dos esgotos é lançada em corpos d’água (rios. Serão necessários investimentos de R$ 22 bilhões para garantir a oferta de água de qualidade adequada até o ano de 2025. Esse estudo da Agência prevê a necessidade de investimentos superiores a R$ 50 bilhões até 2025 tendo em vista o precário estado dos sistemas de esgoto sanitário de quase todos os municípios brasileiros. entretanto. enquanto a Cemig arcou com a casa de força. premido por necessidade de iniciar as obras de Três Marias e de Furnas. beneficiamento à navegação interior e geração de energia elétrica. se concentra na coleta e tratamento de esgoto uma vez que são poucas as cidades que dispõem de estações com capacidade de tratamento de porcentagens consideráveis dos esgotos coletados.Barragem de Mirorós na Bahia. o governo Juscelino Kubitschek foi forçado a definir recursos federais para a implantação da barragem. lagos e oceano) sem tratamento. Finalidades múltiplas Barragens com finalidades múltiplas eram raras no cenário nacional devido à estanqueidade dos órgãos federais e estaduais na definição dos empreendimentos hidráulicos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Entretanto. Figura 32 . Dessa forma. do vertedouro e do reservatório. O primeiro gran de exemplo de barragem implantada com finalidades múltiplas foi Três Marias com objetivos de regularização do rio São Francisco. aproveitamento para irrigação e abastecimento de água 37 . O maior problema da área de saneamento básico.

Muitas empresas brasileiras de projeto e construção se expandiram durante a segunda metade do século XX e presentemente ocupam relevante posição no cenário internacional. a regularização e a irrigação. Estreito e Belo Monte. tão dependente de apoio estrangeiro na primeira metade do século XX. incentivou Figura 33b – Barragem e casa de força de Paraibuna Figura 33a – Barragem de Paraitinga no final de sua construção Reservatórios interligados de Paraibuna e Paraitinga Figura 33c – Diques durante o primeiro enchimento do reservatório 38 . Santo Antonio. XX e XXI Outro exemplo é a barragem de Pedra do Cavalo na Bahia que contribui para o controle de cheias. Jaguari e Funil que contribuem para a regularização de descargas. Paraitinga. a se tornar uma das líderes mundiais nesse setor. o abastecimento de água.A História das Barragens no Brasil . Importantes empreendimentos de finalidades múltiplas são as barragens do alto e médio rio Paraíba do Sul. a engenharia brasileira voltou a ter um mercado interno robusto com alguns dos maiores projetos do mundo atual tais como as hidroelétricas de Jirau. A evolução dos segmentos de bens de capital e de prestação de serviços Toda essa atividade em projeto. a produção de energia. controle de cheias. Santa Branca.Séculos XIX. Durante esses anos muitas empresas brasileiras desenvolveram com sucesso atividades no exterior em países de todos os continentes. Neste mesmo período diversas fábricas de equipamentos mecânicos. geração de energia elétrica e possibilitam o abastecimento do Grande Rio de Janeiro. Nos últimos 20 anos do século passado o País atravessou um período de severa estagnação econômica quando vinte empreendimentos com barragens do setor elétrico tiveram sua construção suspensa por falta de recursos financeiros. Paraibuna. construção e operação de barragens. além de diversas hidroelétricas de pequeno e médio porte. Depois de passado esse período. a engenharia brasileira. elétricos e eletrônicos se estabeleceram no País e têm suprido a demanda interna e exportado equipamentos para diversos outros países. bem como em fabricação e montagem de equipamentos.

por bacias hidrográficas. foram se formando importantes e bem estruturadas empresas consultoras nacionais que passaram a atuar nas linhas de frente dos grandes empreendimentos hidroelétricos dessas duas empresas concessionárias. a equipe do contratante.Barragem de finalidades múltiplas de Funil O desenvolvimento e o desmonte da engenharia consultiva Os estudos e projetos de barragens no País tiveram duas origens distintas. Paulo Afonso I. portuguesa e italiana. Bureau of Reclamation. através do engenheiro John Cotrim que também trouxe. Na Região Sudeste. com influência de eventuais consultores provenientes do U. os projetos da Light e da AMFORP eram nitidamente comandados.John Reginald Cotrim jovem na EBASCO 1942-44 39 . de dimensões inusitadas para a época. o governo estadual orientava os projetos dos anos cinquenta para empresas brasileiras ou para um conjunto de consultores individuais. havia predominância da engenharia nacional com grandes contingentes de engenheiros formados em nossas escolas. Figura 34 . Tanto a CEMIG quanto Furnas tiveram seus primeiros grandes projetos elaborados por empresas consultoras americanas. nesses dois casos. no rio Paraná. em Minas Gerais. alemã. especialmente o engenheiro José Gelazio da Rocha. essa experiência organizacional para Furnas. No Nordeste. por americanos. no início do Século XX. Quando finalmente foi enfrentado um projeto de grandes proporções. a força de trabalho e a responsabilidade técnica eram essencialmente nacionais. foram feitos no canteiro de obra por equipe nacional com influência de alguns engenheiros estrangeiros recrutados como imigrantes após o término da Segunda Grande Guerra Mundial e de outros que trouxeram marcante influência francesa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A organização da AMFORP veio influenciar na organização da CEMIG. Em São Paulo. Os projetos da CHESF. Figura 35 . Aos poucos. principalmente na sua primeira hidroelétrica. Entretanto. Nota-se que os projetos do DNOCS eram feitos na sua sede no Rio de Janeiro antes da mudança para Fortaleza. em seguida. Outras empresas do setor elétrico contavam com projetos desenvolvidos por consultoras suíça. tanto no DNOCS quanto na CHESF.S. incentivou os consultores independentes das barragens do rio Pardo a formar uma empresa que pudesse desenvolver a contento o projeto da hidroelétrica de Jupiá. mesmo que inicialmente carentes de experiência.

Esse desenvolvimento acelerado foi em parte condicionado por lei de proteção ao mercado de consultoria e projeto. A Associação Brasileira de Consultores de Engenharia .Usina hidroelétrica de Itapebí no rio Jequitinhonha. esse tipo de contrato veio causar o desmanche das empresas consultoras na década seguinte. teto este que era o salário direto nominal do Presidente da República. Nessa época as empresas de projeto assumiam crescentes responsabilidades em um grande número de projetos de envergadura. na época o general Figueiredo. Como o salário direto nominal do Presidente não era muito elevado. Por outro lado. conseguida durante o governo de Costa e Silva. Essa modalidade conFigura 37 . XX e XXI As hidroelétricas projetadas pelo DNOS no Sul e na Bahia. Entretanto. com a adição do seu lucro em função do trabalho efetivamente desenvolvido.Séculos XIX.Usina hidroelétrica de Volta Grande no rio Grande tratual foi introduzida pelas empresas americanas de consultoria na segunda metade dos anos cinquenta. Em 1979 foi instituído o teto salarial nas empresas estatais. os encargos sociais e as despesas diretas. Nos anos setenta quase dez consultoras brasileiras figuravam entre as maiores do mundo. tornou o contrabandista um herói nacional. as consultoras brasileiras tinham como obstáculo a lei da informática que prejudicou sobremodo o desenvolvimento da produção de projetos e. na Bahia Figura 36 . a inflação não era sentida e o risco de inadimplência era muito reduzido. Os anos setenta se caracterizaram por um enorme desenvolvimento da consultoria brasileira. Quase todo esse desenvolvimento era calcado em contratos cost plus com empresas estatais do setor elétrico. As consultoras a cada mês recebiam antecipadamente de acordo com a programação aprovada e prestava conta ao final de cada mês. de acordo com o então senador Roberto Campos. Dessa forma praticamente não havia necessidade de capital de giro.ABCE analisava cada contratação de consultoria externa para detectar se havia similar nacional. também já contavam com expressivo contingente de engenheiros brasileiros. principalmente no setor elétrico. os salários nas estatais passaram 40 .A História das Barragens no Brasil . Dessa forma passou a haver elevada segurança contratual mesmo em regime inflacionário que se acentuou a partir do governo JK. Por esse tipo de contrato a consultora era remunerada pelo custo do serviço baseado nos salários de suas equipes técnicas multiplicados por um fator que representava os impostos. Essa lei só foi cancelada sem alarde e sem anúncio no governo Sarney para os projetos do programa de irrigação de um milhão de hectares.

além do correto reajustamento. tendo originado forte desemprego no ramo da engenharia e tendo sido criado o termo “o engenheiro que virou suco. houvesse também o justo reembolso dos elevados juros que as consultoras já estavam pagando ao sistema financeiro. mesmo assim após 45 dias da entrega da respectiva fatura. As consultoras. As consultoras tinham que recolher impostos por serviços que não eram pagos ou que seriam pagos meses depois. as consultoras passaram a sofrer pressões dos dois lados: as suas equipes demandando reajustes salariais corretos e os clientes não aprovando esses reajustes nos contratos. já com as consultoras descapitalizadas e endividadas. tendo chegado a um pico de mais de 80% ao mês e ao impressionante e quase inacreditável. devido a essa experiência desastrosa. algumas delas atuando em segmentos específicos. em geral cerca de 25%. mesmo assim quando e só quando eram usados nos programas de privatização. mesmo que não venha haver pagamento. presentemente a esmagadora maioria dos contratos por prestação de serviços de consultoria 41 . entretanto. No advento do governo Sarney houve um dos muitos planos heterodoxos no qual teoricamente a inflação seria nula. Os contratos. Como para as consultoras. algumas foram reduzidas a níveis pequenos e várias fecharam. ou seja. Nessas empresas uma posição de clarividência foi assumida pelo engenheiro João Alberto Bandeira de Mello que atuava na Eletrobras e que propunha que. no auge da crise das contratantes estatais federais. A inflação se intensificava a cada período. sobreveio. pleiteavam incessantemente fórmulas de reajustes sem encontrar eco em muitas das empresas contratantes. Adicionando a esses aspectos deletérios. nomeadamente as que não tinham grandes gerações de energia como era o caso da Light e de FURNAS. Finalmente. é que uma correção parcial foi admitida nos contratos. Por terem salários achatados. para os que não vivenciaram. O equilíbrio financeiro dos contratos das consultoras foi rapidamente corroído.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens a ser achatados. Daquelas grandes empresas de consultoria de engenharia que figuravam como das maiores do mundo. Essa proposição sequer foi considerada e só após muito tempo. os faturamentos tinham que ser mensais. índice de 13 trilhões e 342 bilhões por cento no período de apenas quinze anos que antecederam ao Plano Real. através da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia . Essas outras empresas passaram a atrasar sistematicamente o pagamento das faturas. os funcionários das estatais federais contratantes de serviços de consultoria passaram a não aprovar nos contratos reajustes salariais dos empregados das empresas contratadas. em várias ocasiões por mais de cinco meses. Algumas dessas empresas foram gradativamente crescendo e hoje já apresentam grande número de profissionais engajados. o governo federal desovou empresas nos programas de privatização ganhando dos dois lados. Dessa forma. Entretanto. As contratantes do setor elétricos viraram “fiscais do Sarney” e unilateralmente abateram os multiplicadores dos contratos alegando que a partir daquele instante não mais haveria inflação. A letra desse tipo de contrato pelo custo significava que deveria haver reembolso pelos acréscimos de custos devido à inflação. Incrivelmente neste País os impostos incidem no ato do faturamento. pois valiam no mercado apenas uma pequena fração de seu valor de face.” Mas outros profissionais se reuniram em pequenas empresas. esses multiplicadores haviam sido estabelecidos nos anos cinquenta quando a inflação antes do governo Juscelino ainda era muito baixa. não mais foram de remuneração pelo custo.ABCE. Foram criados os “fiscais do Sarney” que acusavam às autoridades eventuais aumentos de preços. até 75 dias da execução dos serviços. corroídos por uma inflação galopante. a crise financeira das estatais. os seus técnicos não podiam acumular horas trabalhadas para somente faturá-las quando houvesse recursos nas caixas das contratantes. principalmente das federais. nos anos oitenta. as consultoras foram chamadas para receber parte de alguns atrasados pagos em títulos que eram chamados de moeda podre. nos contratos pelo custo. Como a inflação era intensa.

A partir dos anos oitenta as consultoras menos atingidas pelos impactos acima relatados voltaram-se para o mercado externo com o objetivo de substituir os contratos nacionais. Furnas contratou para a usina que deu nome à empresa. na época uma das maiores do mundo em capacidade instalada. dado o desenvolvimento das construtoras nacionais.Séculos XIX. apenas em algumas poucas barragens consideradas de grande vulto na época. seja o DNOCS ou a CHESF.Usina hidroelétrica de Xingó no rio São Francisco Figura 39 – Usina hidroelétrica de Furnas logo após o enchimento do reservatório Da mesma maneira. O desenvolvimento das empresas de construção Semelhantemente ao que ocorreu nas atividades de estudos e projetos.A História das Barragens no Brasil . estas passaram a ser contratadas para todas as demais obras. A partir de sua fundação até a conclusão da hidroelétrica de Moxotó. Com a experiência adquirida essa empresa assim como outras que se capacitaram. Entretanto. a CHESF construiu com equipe própria suas barragens e usinas. foram implantadas por empresas privadas de construção. assumiram a condução das construções. XX e XXI é por preço fixo. outra empresa brasileira com experiência restrita à construção de estradas foi contratada para erguer a barragem auxiliar de Pium-I. Para essa usina. O DNOCS construiu mais de duas centenas de grandes barragens com recursos humanos e equipamentos próprios. uma construtora britânica associada a uma empreiteira brasileira. tendo socorrido os empreiteiros principais na elevação rápida do núcleo da barragem de Furnas. Algumas empresas tiveram sucesso e hoje estão presentes em vários continentes. já nas obras seguintes. empresas estrangeiras foram contratadas para executar as obras civis. A partir dessa época. No Sudeste as construtoras estrangeiras foram utilizadas pela Light e pela AMFORP em suas hidroelétricas que são mais antigas. No caso do DNOCS. ainda nos anos cinquenta. 42 . as obras mais recentes que datam do final do século passado. Figura 38 . a construção de barragens no Nordeste foi efetivada principalmente com equipes do próprio empreendedor. todas com construções compreendidas do início até meados do século passado. em altura da barragem e em potência dos seus equipamentos de geração. o que transfere para a consultora um risco que deveria ser do empreendedor.

Perspectivas para o futuro As dificuldades no licenciamento ambiental e as incertezas que sempre rondam os processos de aprovação de projetos hidroelétricos têm causado impressionante perda na matriz energética limpa que costumava orgulhar o País. assumiu usinas de portes pequeno e médio que vinham sendo implantadas por empresas nacionais. A CEMIG. empresas brasileiras passaram a ser contratadas à exceção da hidroelétrica de São Simão que. antiga Peixoto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 40 . encarregada da implantação da barragem em abóbada de Funil. As grandes empresas brasileiras atravessaram a recessão econômica e a desaceleração das obras no País nas décadas de oitenta e noventa. a usina de Três Marias. A ampla dissemina- Figura 41 . foi construída por empreiteira americana. ao assumir a responsabilidade da construção da usina do Funil. Há duas usinas nucleares em operação e uma em construção. inclusive as térmicas a óleo e a carvão. nos anos setenta.Usina hidroelétrica de São Simão ção de pequenas e médias centrais hidroelétricas que ocorreu nas duas últimas décadas. Na margem esquerda o vertedouro complementar. na época a segunda maior barragem desse tipo no País. 43 . contratou uma empresa nacional para a barragem principal e outra empresa nacional para a barragem de terra de Nhangapi. Com a intensificação dos investimentos em obras hidráulicas no País. entretanto de muito mais fácil licenciamento ambiental e aprovação na ANEEL. todas elas tendo tido seus cronogramas de implantação constantemente refeitos e suas obras se arrastado por duas a três décadas. hoje de controle nacional. fez com que surgisse considerável número de novas construtoras no País. São muitas novas centrais geradoras termoelétricas poluidoras. foi delegada a uma empresa italiana. ao ser instituída. substituiu a empresa construtora da barragem principal por uma empresa dinamarquesa. mas posteriormente. construído em 2002 A CHEVAP. as empresas construtoras têm atuado com intensidade semelhante à do passado. concluída em 1956. Essas usinas têm sofrido das indecisões políticas.Barragem da usina hidroelétrica de Mascarenhas de Moraes. Sua primeira grande obra. Furnas. partindo com muito sucesso para empreendimentos no exterior. após acirrada concorrência internacional.

até no nível ministerial. pode operar até hoje (maio de 2010) há mais de uma década sem licenciamento ambiental e sem licenciamento da CNEN. comprova a incerteza dos empreendedores em assumir tais riscos. quase três vezes superior ao do segundo colocado. Considerando a relativa fragilidade dos sistemas de transmissão e as crescentes demandas na ponta de carga.Séculos XIX. XX e XXI onerando sobremaneira os seus custos pela forte incidência dos juros sobre os capitais investidos durante as suas prolongadas construções. 44 . com 2. O controle de cheias permanece nebuloso no futuro próximo. tais como usinas eólicas. vários dos quais abrangendo extensas regiões densamente habitadas. consequentemente.. As perdas de energia elétrica no sistema interligado e nos sistemas de distribuição atingem em 2011 cifras elevadas. O atual modelo do setor elétrico contribui para essas dificuldades por não contemplar qualquer remuneração para a regularização de descargas que beneficiem a operação do sistema interligado. A falta de um órgão de âmbito nacional para controlar e implementar obras hidráulicas com esse objetivo é imperioso já que os cursos d’água são em geral intermunicipais e mesmo inter estaduais. Entretanto. Para o bem da economia e do meio ambiente. O acréscimo de capacidade de geração em empreendimentos sem possibilidade de armazenamento de energia.a. associado às interrupções provenientes de ações judiciais ou do Ministério Público ocorrendo na maior hidroelétrica em construção. contribuem para a elevação de prazos e de custos já que os juros reais no Brasil permanecem há décadas como o mais elevado do mundo.8% ao ano.8% a. sendo pouco mais de um décimo do americano. Angra II que levou 24 anos em construção.A História das Barragens no Brasil . O exemplo mais nítido são as hidroelétricas do vale do rio Paraíba do Sul cujo rio principal. Embates entre membros do governo e do licenciamento ambiental têm provocado demissões em vários níveis. térmicas.5 TWh verificados em 2010 para 730 TWh em 2020. o máximo histórico de 180 kWh/mês registrado antes do racionamento de 2001 só deverá ser ultrapassado em 2017. devidas à ação de vândalos em canteiros de obra e ao Ministério Público que questiona licenças ambientais. há imperiosa necessidade de se ultrapassar as resistências dos que se dizem ambientalistas e se voltar à implantação de hidroelétricas com grandes volumes úteis de reservatório para se recuperar a capacidade de regularização de vazões e. Parcela expressiva dessa perda vem de ligações ilegais. de energia. verifica-se também que o consumo domiciliar médio no Brasil ainda é muito inferior ao de países desenvolvidos.4% a. o que é no mínimo inusitado: o único licenciamento obtido até agora (maio de 2011) foi concedido em janeiro de 2011 para instalação do canteiro de obra. O setor elétrico através do ONS despacha algumas hidroelétricas levando em conta o controle de cheias. Tendo em vista esse desafio. por atravessar uma sucessão de importantes cidades de médio porte e servir de abastecimento de água a grandes núcleos urbanos. tem uma regra operativa que privilegia a regularização de vazões e o controle de cheias. as classes dirigentes têm pressionado licenciamen tos ambientais de grandes centrais geradoras como ocorreu nas duas usinas em construção no rio Madeira e presentemente na hidroelétrica de Belo Monte cujo licenciamento está sendo obtido por etapas. a Hungria. Estima-se que o consumo total de energia elétrica no País evolua em média com acréscimos de 4. nucleares e hidroelétricas a fio d’água. O consumo médio residencial deverá passar dos 154 kWh/mês em 2010 para 191 kWh/mês em 2020. Entretanto.a. Além de serem esperados acréscimos de consumo devido ao desenvolvimento industrial. Eventuais paralisações. entre 15% e 17% da geração. prevê-se a continuidade e mesmo o agravamento dessa situação. No passado recente (2000 a 2011) tem sido registrado impressionante número de apagões. sinalizam para dificuldades de atendimento de demanda na ponta em diversos centros de carga no País. e pouco inferior ao verificado na Rússia e na África do Sul. hoje em 6. Isso. passando dos 456. Pelo atual planejamento energético o País enfrenta a necessidade de instalação de cerca de 5000 MW/ano.

têm feito com que planejadores do setor considerem alternativas dispendiosas. Consolidando essa deformação brasileira. brasileiros e estrangeiros. tramita no Congresso um projeto de lei que obriga os investidores em hidroelétricas de implantar sistemas de navegação onde possível. Arthur Casagrande e Figura 42 . Depois de Karl Terzaghi. onerando sobremaneira as futuras captações. As deficiências previstas no curto prazo para o abastecimento da crescente demanda por água nas cidades e distritos industriais. vindo como sub-produto a geração de energia elétrica. da construção de barragens de rejeitos cada vez maiores e mais frequentes. As constantes e recentes valorizações das commodities no mercado internacional indicam para o futuro a permanência das atividades em mineração e.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Historicamente a implantação de eclusas para navegação interior sempre vieram a reboque de algumas hidroelétricas ao contrário do que acontece em países europeus cuja tradição da navegação fluvial sempre esteve arraigada ao desenvolvimento viário. participam de juntas de consultores. incluindo a captação de água de baixa qualidade a grandes distâncias (médio Tietê para São Paulo e sub-médio Paraíba do Sul para o Rio de Janeiro). consequentemente.A partir da esquerda os consultores da São Paulo Light: Samuel Chamecky. Karl Terzaghi. aduções e tratamentos de água. Othelo Machado e Casemiro Munarski (Foto do Acervo Paulo Chamecki) 45 . com grandes recalques (Juquiá para São Paulo) ou na regeneração de águas em estações de tratamento de esgotos (Alegria para o Rio de Janeiro). onerando ainda mais as novas usinas hidroelétricas. engenheiros e geólogos consultores de grande projeção na profissão. por exemplo. Homenagem aos membros de juntas de consultores Durante o projeto e construção das mais importantes barragens brasileiras.

inclusive no Brasil.Professor Manuel Rocha. pesquisador.Arthur Casagrande. Destacada atuação na CIGB e em consultoria de barragens em vários paises. Lyra em inspeção de campo em Itaipu Figura 44 . John Cabrera. fundador e diretor geral do Laboratório de Engenharia Civil sediado em Lisboa. Gurmukh Sarkaria e Flavio H.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 43 .Séculos XIX. 46 .

B. B. Lyra que são aqui mencionados como homenagem àqueles que já faleceram.Consultor Roy Carlson por ocasião da sua condecoração pelo governo brasileiro entre Carlos Alberto de Padua Amarante e Victor F. Victor F. Figura 45 . Manuel Rocha. Esses profissionais altamente qualificados deram valiosas contribuições ao projeto e construção de grandes barragens e formaram engenheiros e geólogos brasileiros que presentemente trabalham como consultores no Brasil e no exterior.Rubens Vianna de Andrade. Arthur Casagrande e Julival de Moraes em inspeção nas obras de Itumbiara Figura 46 . outros consultores participaram de juntas tais como Roy Carlson. James Sherard. Lyra. Don Deere. Charles Blanchet.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Portland Fox mencionados acima. em São Paulo abril de 1978 47 . James Libby. Barry Cooke. de Mello durante o XII SNGB. Flavio H. de Mello e Flavio H.

Coyne .A. M. Mercier .1952-1958 5. Hathaway .1937-1940 3.1931-1934 2.Portugal .França .R. Pinto .França .1958-1961 3 4 5 . J. G.F.Itália . G.1946-1952 4.Os 5 primeiros presidentes da CIGB de 1931 a 1961 1 2 1. A.EUA . Giandotti .

na assembléia de Cernobbio (Itália).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Comissão Internacional de Grandes Barragens Oitenta e três anos de excelência Flavio Miguez de Mello A Comissão Internacional de Grandes Barragens CIGB nasceu na França.Reunião Executiva no Rio de Janeiro. presidente CIGB.Reunião Executiva no Rio de Janeiro. Nos anos vinte muito havia que ser aprendido em projeto e construção de barragens e o intercâmbio de conhecimentos passou a ser de nítida importância. Em 1926. Brown. em assembléia da Conferência Mundial de Energia em Basel. Brown. foi manifestada a importância do estabelecimento de uma comissão de caráter internacional voltada para grandes barragens. em reunião da Associação Francesa para o Progresso da Ciência ocorrida em Grenoble. presidente de Furnas pela Conferência Mundial de Energia no ano seguinte.G. a delegação francesa apresentou formalmente a proposta de criação da Comissão Internacional de Grandes Barragens. obras em rios muito caudalosos. Flavio Lyra. presidente CIGB dos solos e a geologia de engenharia não haviam ainda sido fundadas. A proposta foi formalmente aceita Figura 2 . Mauro Thibau. a mecânica Figura 1 . 1927. numa época em que havia intensa atividade em implantação de barragens. notadamente na Europa e nos Estados Unidos. 1966 . 1966 Flavio Lyra. tendo sido instituído o Comitê Francês de Grandes Barragens sob a Societé Hydrotechnique de France. 49 . presidente do CBGB e G. presidente do CBGB. Na época. A proposição foi aceita. ministro de Minas e Energia e John Cotrim. assim como o apoio ofertado pelo governo francês. Corria o ano de 1925 quando. os critérios de projeto de estruturas de concreto eram rudimentares e a hidráulica fluvial enfrentava pela primeira vez na maioria dos países que implantavam barragens e reservatórios.

a CIGB promoveu seu primeiro congresso internacional em Estocolmo em 1933. Seus anais são verdadeiras seções transversais da tecnologia de cada época que nos permitem visualizar o desenvolvimento dos conceitos e critérios de projeto e de construção de barragens. a CIGB publica boletins sobre temas específicos. Já demonstrando seu dinamismo. Itália. esses documentos em relatórios do estado da arte sob o ponto de vista global. tornando. 81 países em 2000 e 92 países em 2010. de 1940 a 1944. Apesar do registro das barragens no Brasil estar incompleto. assim. XX e XXI Figura 3 .A História das Barragens no Brasil . Encontra-se presentemente (2011) em propo- 1 2 4 5 6 8 9 China USA Japão Coréia do Sul Canadá Brasil Espanha > 40 000 9 265 5 101 3 076 1 302 1 166 1 114 1 011 987 741 623 583 542 519 507 501 3 Índia 7 África do Sul 10 Turquia 11 França 12 México 13 Itália 14 Reino Unido 15 Austrália 16 Irà 50 . reuniões executivas foram realizadas todos os anos a menos dos anos exceto durante a II Guerra Mundial. Desse registro não constam apenas as barragens de rejeitos. Em 1967. 72 países em 1990. Desde então. A CIGB mantém atualizado o registro mundial de grandes barragens (barragens com mais de 15 m de altura ou em condições especiais) contendo as principais características das barragens em todos os países membros e em alguns países não membros da CIGB. Desde então a cada três anos a CIGB promove seus congressos que são. considerando seu já grande vulto. A assembléia do Conselho Executivo da Conferência Mundial de Energia aprovou a CIGB por unanimidade em Londres no dia 3 de outubro de 1928. o registro da CIGB atualizado em 2010 revela a importante posição do Brasil relativa a outros países com mais de mil grandes barragens construídas: A assembléia que constituiu a CIGB ocorreu no dia 6 de julho de 1928 com a participação de seis países: Estados Unidos. 56 países em 1980.14° Congresso CIGB Rio de Janeiro 1982 – Pierre Londe (presidente) e Joannes Cotillon (secretário geral) sição por um comitê ad hoc novo estatuto que vem corrigir lacunas do estatuto vigente. a CIGB vem continuamente crescendo. Romênia e Suíça. tendo atingido 26 países antes da II Guerra. Reino Unido. Desde sua fundação com apenas cinco países membros. 56 países em 1967.Séculos XIX. ­ Além dos seus anais de congressos e simpósios. cifra esta que representa mais de 90% da população mundial. Do seu primeiro estatuto até o estatuto de 1967 poucas alterações significativas ocorreram. fruto do trabalho dos seus comitês técnicos que congregam profissionais os mais destacados em diversos países do mundo. Como exemplos históricos pode-se mencionar os trabalhos de Karl Terzaghi de 1933 sobre as investigações das características dos solos quanto a sua viabilidade para a construção das barragens de terra e de Wolmar Fellenius sobre cálculo de estabilidade de barragens de terra. reconhecidamente. França. de elevado interesse técnico sobre assuntos os mais atuais. a CIGB passou a se tornar independente da Conferência Mundial de Energia.

F. J. Maurer) e dez secretários gerais. nos anos setenta passou a ser grande divulgadora de progressos na engenharia ambiental. sendo seis brasileiros (F. ex-presidente da CIGB Figura 5 . A CIGB sempre teve como foco a promoção e divulgação da tecnologia de planejamento. F. nos anos noventa também abriu os campos de compartilhamento dos recursos hídricos de rios transnacionais e de gestão integrada da água. Lyra. Entre os dois. Viotti e E. Miguez. projeto.Reunião do Comitê de Meio Ambiente da CIGB em Madrid. A participação brasileira se fez sentir desde os anos sessenta em participações em diversos comitês da CIGB. Budweg. conscientização do público e na primeira década do Século XXI. Lyra e Pierre Londe. Viotti).K. Desses comitês foram coordenadores (chairmen) F.F. Lyra e C. Nos anos sessenta a CIGB passou também a enfatizar a segurança e a reabilitação de barragens. Figura 4 . construção e operação de barragens. C. 126 vice presidentes. Silveira e F.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Desde a sua fundação a CIGB teve 22 presidentes. Na foto os dois primeiros presidentes deste Comitê Flavio H. abriu discussão sobre mudanças climáticas globais e planejamento de recursos hídricos escassos. Lyra. nos anos oitenta liderou a divulgação tecnológica aplicada a barragens de rejeitos de mineração. sendo dois brasileiros (F. Fernandes. o autor 51 . Desde o final dos anos 60 a CIGB dedica especial atenção aos temas socioambientais. todos franceses. 1973. F. Miguez. D. Höeg. Budweg.

Congresso de Brasília 23O CIGB 2009 – Mesa da Questão 90 . congregam mais de 10. construtoras. Flavio Miguez de Mello. agências governamentais e organizações não governamentais.A História das Barragens no Brasil . consultoras. Margaret Rose Mendes Fernandes 52 . universidades.000 membros individuais dentre os mais destacados profissionais que presentemente atuam em empresas públicas e privadas.Ospina (ex vice-presidente) recebendo homenagem do presidente Varma A CIGB fechou o ano de 2010 com 92 comitês nacionais que.Arthur Walz.70° Reunião Anual CIGB .Foz do Iguaçu 2002 .Séculos XIX. instituições de pesquisa. Figura 7 . XX e XXI Figura 6 . no seu conjunto. fabricantes. Maria Bartsch.

de Mello no 23O CIGB. Jia Jinsheng (pres. Pham Hong Giang (pres.Homenagem ao professor Victor F.eleito CIGB) Figura 9 .CBDB). Luis Berga (pres. B. CIGB). Comitê do Vietnam).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8 .Congresso de Brasília 23o CIGB 2009 – Da esquerda para direita Edilberto Maurer (pres. Brasília 2009 53 .

Congresso de Brasília 23O CIGB 2009 . Lecornu e a secretária Nicole Schauner Figura 12 .Séculos XIX.Presidente Varma. uma placa entregue por sua filha Nicole Schauner (ao microfone) que a substituiu após 25 anos de serviço desde 1948. XX e XXI Figura 11 .A secretária Margarite Chapelle recebendo homenagem em 1967.A História das Barragens no Brasil . Nicole assumiu a secretaria da CIGB em 1967 permanecendo até o presente (2011). secretário geral J. As duas foram responsáveis pelo eficiente suporte à CIGB ao longo dos últimos 63 anos 54 .Michel de Vivo secretário geral e Luis Berga presidente da CIGB Figura 10 .

Espanha .V.Noruega . C. Veltrop .1988-1991 16.C.2000-2003 20.1985-1988 15.1994-1997 18. F.Itália . Guthrie Brown .Reino Unido .P.Áustria . W.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens CIGB .J.1982-1985 14.Suíça .A.1973-1976 11.Índia .Presidentes de 1961 a 2009 6. Viotti .1961-1964 7.1991-1994 17.1970-1973 10. Dagenais . Höeg .1967-1670 9. G. J.EUA . C.T. T. van Robbreck . Toran . Marcello .Brasil .1979-1982 13. Londe . J. Varma .Canadá .1964-1967 8. Berga . C. J.1997-2000 19. L.F.França .H. C.Espanha .Brasil .1976-1979 12.2003-2006 21.Noruega .B.EUA .2006-2009 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 . P.A. Lyra .África do Sul . Pircher . Lombardi . G. C. McCarthy . K. Gröner .

Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . Lyra e Delphim M. XX e XXI Flavio H. Fernandes. Os responsáveis pela consolidação e pelos primeiros anos de sucesso do CBDB 56 56 .

com o afastamento do engenheiro Luiz Vieira do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS. então diretor geral do DNOCS. por iniciativa do engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa. Saturnino de Brito. ao regressar do Segundo Congresso Internacional de Grandes Barragens realizado pela Comissão Internacional de Grandes Barragens CIGB em Washington. Somente em 1957. a Comissão Brasileira de Grandes Barragens teve suas atividades paralisadas. a Comissão Brasileira de Grandes Barragens veio a ser reativada. que presidia a Associação Brasileira de Pontes e Grandes Estruturas. Por esse motivo havia dificuldades da 57 . tendo convidado a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos para integrar esse grupo. que presidia a Associação Brasileira de Mecânica dos Solos. conseguiu encontrar receptividade do engenheiro Luiz Vieira que conduziu a então instituída Comissão Brasileira de Grandes Barragens. O engenheiro Antônio Alves de Noronha. convocou um grupo para reorganizar a Comissão. envidou esforços para conjugar essa associação com a Comissão. Entretanto. trouxe consigo o firme propósito de criar em nosso País uma entidade filiada à CIGB. USA. após poucos anos e ainda nos anos trinta. maravilhado com as perspectivas dos benefícios para o Brasil que eram decorrentes da ampla divulgação de experiências de outros países. Na época a CIGB tinha apenas 26 comitês nacionais e havia intensa atividade de projeto e construção de barragens em todos os países mais evoluídos. não mais tendo contato com a CIGB e acumulando seguidos débitos financeiros não cobertos por mais de vinte anos referentes às contribuições anuais à CIGB. Foi indicado para presidente da Comissão o engenheiro Casemiro José Munarski que na época estava fazendo o projeto da barragem de Orós. Figura 1 – Saturnino de Brito Filho e Theophilo Benedicto Ottoni Netto empreendimento de maior destaque no País.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens História do Comitê Brasileiro de Barragens Flavio Miguez de Mello A pré-história Em 1936. O engenheiro Chamenski. o engenheiro Francisco Saturnino de Brito Filho. Nesse período de cinco anos a Comissão ficou vinculada ao Ministério de Viação e Obras Públicas.

Séculos XIX. os recursos levantados junto a empresas privadas foram entregues à CIGB no dia anterior à abertura da reunião executiva de 1961. época em que a CIGB apresentava crescente participação de comitês nacionais que naquele ano já eram 48. tendo como diretor secretário Sydney Gomes dos Santos que foi substituído por Delphim Mazon Fernandes a partir de 25 de março de 1963. sendo os membros da diretoria participantes do conselho. composta pelo presidente. três indicados pela APGE e seis eleitos em assembléia pelos sócios individuais. Nessa primeira assembléia foi eleita por aclamação uma diretoria presidida por Antônio Alves de Noronha que teve como secretário o engenheiro Lucio Washington. Constava da pauta da reunião executiva a nova exclusão da representação brasileira dos quadros da CIGB. XX e XXI O estatuto do CBGB foi aprovado em assembléia realizada no Clube de Engenharia no dia 25 de outubro de 1961. três indicados pela ABMS.A História das Barragens no Brasil .Antônio Alves de Noronha. Os primeiros anos da história O grupo constituído pelas associações de Pontes e Grandes Estruturas e de Mecânica dos Solos elaborou os estatutos do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens CBGB e trabalhou para que fossem arrecadados recursos financeiros que cobrissem os débitos com a CIGB. um diretor secretário e dois diretores tesoureiros era eleita pelo conselho. A assembléia seguinte foi convocada para o dia 24 de janeiro de 1962. Nessa segunda assembléia foi eleita a diretoria presidida pelo engenheiro Flavio Henrique Lyra da Silva. primeiro presidente do CBDB de outubro de 1961 a início de 1962 . Dessa forma. A diretoria. obrigações estas que novamente não vinham sendo cumpridas. Figura 2 – Casemiro José Munarski ao lado de João Alberto Bandeira de Mello manutenção das obrigações financeiras da Comissão com a CIGB. ambos realizados em Roma. na última hora. 58 Figura 3 . A CIGB retirou da pauta a nova exclusão da representação brasileira e o CBGB pode participar dessa reunião executiva e do VII Congresso Internacional. Pelo estatuto o conselho era composto por 12 membros. dois vice-presidentes.

os seminários passaram a ter quatro temas. Os trabalhos apresentados nos seminários são o perfil do desenvolvimento da tecnologia aplicada a projeto e construção de barragens no País. constituindo uma importante contribuição para a divulgação de experiências profissionais. Figura 4 – Antônio José da Costa Nunes. Antes dessa fase. com parcos recursos humanos. Interessante notar pelo temário do primeiro seminário realizado em julho de 1962. ligados ao projeto e à construção de barragens. grandes açudes começaram a ser construídos como Orós e Banabuiú (Arrojado Lisboa). 59 . O CBGB passou a ter importante suporte de Furnas já que o presidente do CBGB era diretor técnico de Furnas e seu diretor secretário no CBGB era seu principal assistente na diretoria técnica de Furnas. Nos primeiros O grande impulso que estava ocorrendo no Brasil no campo da implantação de barragens no pós-guerra e principalmente nos anos cinqüenta. presidente e diretor secretário respectivamente. Foi nessa época que. Disponibilidade. a partir do Sexto Seminário em 1970. seminários o número de trabalhos era modesto mas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A necessidade de uma associação técnica ativa no campo das barragens era indispensável para a evolução da tecnologia nacional. na Paraíba. o estágio inicial da tecnologia no País. e hidroelétricas de grandes projeções a nível internacional estavam começando a ser projetadas e construídas como Furnas. Nos primeiros cinco seminários os temas eram limitados a apenas três. A sede do CBGB passou a ser parte de uma sala da diretoria técnica de Furnas. se afastou da presidência do CBGB. Dessa forma. vice-presidente do CBGB em vários mandatos promovendo seminários nacionais de grandes barragens e apoiando atividades de comissões técnicas. as barragens eram de dimensões mais modestas (a primeira barragem com altura superior a 50 m foi Boqueirão das Cabaceiras. ambos no Ceará. uma atuação efetiva junto à CIGB foi encarada como uma necessidade premente. Jupiá e Paulo Afonso. o número de trabalhos passou a ser expressivo. por ter sido eleito presidente da CIGB. notadamente no Nordeste com a construção de açudes com dimensões sensivelmente superiores aos anteriormente construídos e com a necessidade de promover a instalação de grandes hidroelétricas. Três Marias. em 1956) e as hidroelétricas eram de pequeno e médio portes para os padrões atuais. Os engenheiros Flavio Lyra e Delphim Fernandes. no Brasil. Em cada sessão técnica sempre houve um relato do respectivo tema feito por um profissional de reconhecida experiência e destaque no âmbito nacional. Disponibilidade. Os eventos nacionais Desde 1962 o CBGB passou a atuar nos moldes da CIGB. no Brasil de organizações e de equipamentos para construção de grandes barragens. A partir do VI Seminário realizado no Rio de Janeiro em novembro de 1970 e até a presente data. permaneceram nesses cargos por quatro diretorias até 1976 quando o engenheiro Flavio Lyra. tornou-se necessária a difusão de conhecimentos na área da engenharia de barragens e de tecnologias correlatas. Os temas foram: Métodos de investigação de fundações de barragens. O País estava entrando em uma era de realizações de grande vulto. de laboratórios para ensaios e experiências.

Considerando a importância da maximização de benefícios propiciados pelas barragens. desde o XIV Seminário realizado em Olinda os usos múltiplos de reservatórios passaram a ser realçados. Essa dedicação passou a ser manifestada em diversos seminários posteriores assim como temas relativos à tecnologia de estudos. Lyra.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 5 – Mesa de abertura do XIII SNGB – Rio de Janeiro 1980 – Flavio H. A partir de 1980. r e a l i z a d o em S ã o P a ul o em junho de 1963 aparece a dedicação do CBGB à segurança de barragens com o tema Acidentes em barragens.Séculos XIX. a partir de 1997 passaram a serem discutidos temas institucionais e o retorno com maior intensidade de investimentos privados na implantação e operação de barragens hidroelétricas. Após os nove primeiros seminários realizados no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. P. a diretoria do CBGB passou a realizar seminá- 60 . Como reflexo das alterações no modelo do setor elétrico. Licinio M. Fernandes. Seabra J á n o S eg u n d o S e m i n á r i o . cálculo e construção de barragens e operação de reservatórios. concepção. no XIII Seminário realizado no Rio de Janeiro. Os esforços do CBDB pelo estabelecimento de uma legislação sobre a segurança de barragens e das interfaces com órgãos concedentes e de licenciamento ambiental passaram a ser debatidos nos seminários mais recentes já no Século XXI. Carlos A. Amarante. A auscultação de barragens apareceu a partir do IV Seminário realizado no Rio de Janeiro em outubro de 1985. barragens de rejeitos passaram a freqüentar os temários. Análises de risco começaram a ser discutidas desde 1987 no XVII Seminário Nacional realizado em Brasília. Delphim M. Temas sobre meio ambiente passaram a ser freqüentes já a partir do VIII Seminário. realizado em São Paulo em novembro de 1972.

dois em Fortaleza. Nessa ocasião. Dams in Brazil (1982). Dams in the Northeast of Brazil (1982). dois em Curitiba. Os eventos internacionais Consolidando sua projeção internacional. o CBGB teve seu batismo em 1966 na reunião executiva da CIGB realizada no Rio de Janeiro com extremo sucesso. o CBGB editou importantes livros sobre barragens brasileiras: Topmost Dams of Brazil (1978). Main Brazilian Dams (1982). Com esse mesmo objetivo. Em 1982 o CBGB foi novamente anfitrião de uma reunião executiva no Rio de Janeiro. Quanto a eventos internacionais. 3 em São Paulo. Também foram publicadas diversas traduções dos boletins técnicos do CIGB.Rio de Janeiro 1966 Flavio Lyra e J. Considerando as crescentes atividades de implantação de pequenas centrais hidroelétricas. um em Foz do Iguaçu.34a Reunião Executiva .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens rios em diversos outros centros. um em Brasília. Desvios de Grandes Rios Brasileiros (2009). Main Brazilian Dams II (2000). Mais uma vez os participantes ficaram vivamente impressionados com o vulto das obras que foram incluídas nas diversas viagens de estudo. o CBGB tem colaborado efetivamente com a CIGB pela participação em diversos comitês técnicos desde os anos sessenta. um em Aracajú. com grande sucesso. oportunidade de visitar obras de grande vulto que estavam em construção no País. Dicionário de Barragens (2010). pela primeira vez foi realizado um simpósio em reunião executiva da CIGB. O Simpósio foi sobre arranjos de barragens em vales estreitos. seguida de um congresso internacional. um em Olinda. as duas edições de Highlights of Brazilian Dam Engineering (2000 e 2006). o que se tornou prática em reuniões posteriores. Main Brazilian Dams III (2009). dois em Belo Horizonte. o CBGB passou a organizar simpósios sobre pequenas e médias centrais hidroelétricas a partir de 1998. Large Brazilian Spillways (2002). Dessa forma foram realizados 10 seminários no Rio de Janeiro. Guthrie Brown 61 . um em Salvador e um em Belém. Na ocasião os participantes tiveram a Figura 6 . Diversion of Large Brazilian Rivers (2009).

Carlos Alberto de Padua Amarante. Em 2009 novamente o Brasil foi sede de reunião anual e do congresso internacional da CIGB. Delphim M. Figura 8 . Fernandes. tendo também realizado o International Symposium on Dams and Reservoirs for Multiple Purposes.14o Congresso Internacional CIGB – Rio de Janeiro 1982 – coronel Mauro Moreira.Séculos XIX. desta vez em Foz do Iguaçu com o International Symposium on Reservoir Management in Tropical and Sub-Tropical Regions. XX e XXI Figura 7 – Simpósio Internacional sobre Arranjos de Barragens em Vales Estreitos – Rio de Janeiro 1982 – Marcos Schwab e Leo Penna Em 2002 novamente o CBDB promoveu uma reunião anual da CIGB. general Costa Cavalcanti.A História das Barragens no Brasil . João Alberto Bandeira de Mello. John Cotrim e Pierre Londe 62 .

destacando-se palestras e simpósios de elevado interesse.70a Reunião Anual CIGB – Foz do Iguaçu 2002 – Cassio Viotti (presidente CBDB) A evolução institucional do Comitê Semelhantemente à CIGB que se separou da Conferência Mundial da Energia. foram criados os núcleos regionais. no final dos anos sessenta.Goiais/Distrito Federal Núcleo Regional . pelo estatuto da época tinham tantos votos em assembléias quanto as cotas subscritas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 9 . Em 1999 o nome do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens CBGB foi alterado para Comitê Brasileiro de Barragens CBDB de forma a abranger também as barragens de menor porte inclusive aquelas da grande maioria das pequenas centrais hidroelétricas.Minas Gerais Núcleo Regional . com o objetivo de dinamizar a atuação do CBDB em todas as regiões. Presentemente são os seguintes núcleos regionais: Núcleo Regional .Rio Grande Do Sul Núcleo Regional . passando os sócios coletivos e mantenedores serem restritos a elegerem seis membros do conselho. uma chapa montada pela Eletrobras colocou no conselho todos os membros menos o Flavio Lyra.Rio De Janeiro Núcleo Regional . Na primeira eleição de conselho realizada em Fortaleza em 1976.Paraná Núcleo Regional . o Comitê deixou de ter os conselheiros indicados pela ABMS e pela ABPGE. em 1976 o Comitê lançou a campanha de angariação de sócios coletivos e mantenedores que. A partir dos anos noventa.Bahia Núcleo Regional . Objetivando uma ampliação de suas atividades que demandariam maiores recursos financeiros.Ceará Núcleo Regional .Pernambuco Núcleo Regional . Pouco depois houve nova alteração dos estatutos.São Paulo Os núcleos têm mantido importantes atividades em suas regiões. 63 .Santa Catarina Núcleo Regional .

Figura 12 . Flavio H. Os membros da diretoria saem desses conselheiros eleitos. A cada período de três anos. Marconi Perillo governador de Goiás. Lyra se formou em engenharia) Figura 11 .Séculos XIX. visita técnica a obras ( barragem de Itaipu) 64 . Presentemente (março de 2011) o CBDB conta com um quadro social composto por 1088 sócios individuais. tem seis de seus conselheiros eleitos pelos sócios mantenedores e coletivos e doze eleitos pelos sócios individuais. onde Flávio H.A História das Barragens no Brasil . Da esquerda para direita: José Pedro Rodrigues de Oliveira presidente de Furnas.Como sempre realizado em eventos do CBDB. havendo a possibilidade de serem nomeados até dois diretores adjuntos com funções específicas. Edilberto Maurer presidente do CBDB Em 1999 o nome do Comitê Brasileiro de Grandes Barragens CBGB foi alterado para Comitê Brasileiro de Barragens CBDB de forma a abranger também as barragens de menor porte inclusive aquelas da grande maioria das pequenas centrais hidroelétricas. ao renovar seu conselho. Os ex-presidentes são membros do conselho.Homenagem ao dr. XX e XXI Figura 10 . o CBDB. 18 sócios coletivos e 35 sócios mantenedores. Dilma Roussef ministra de Minas e Energia.Sessão de abertura do XXVI Seminário Nacional de Grandes Barragens Goiânia 2005. Lyra – Rio de Janeiro 2004 – Maria Lyra e Heloi José Fernandes Moreira (diretor da Escola Politécnica da UFRJ.

Homenagem ao dr.Conselheiros do CBDB com familiares em um dos eventos sociais que são sempre realizados em seminários. simpósios e congressos Figura 15 . Cassio Viotti (presidente da CIGB) e Delphim Fernandes (ex-presidente do CBGB) Figura 14 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 13 . Lyra – Rio de Janeiro 2004 – Erton Carvalho (diretor CBDB).Dirigentes e ex-dirigentes do CBDB em exposição técnica. Nos eventos nacionais e internacionais o CBDB promove sempre exposições técnicas de elevado interesse 65 . Flavio H.

Primeira obra de barragem para combate às secas no País. a barragem é. juntamente com Lajes. do seu dique e de seu sangradouro. no Ceará. a mais antiga grande barragem construida no Brasil .66 Açude de Cedros. no estado do Rio de Janeiro. Em operação desde 1906. Vista da barragem.

000 km². Rio Grande do Norte. mesmo assim sob forte oposição ambiental. áreas do norte do estado de Minas Gerais e leste do estado de Tocantins são assemelhadas ao Nordeste. Em números redondos. O semi-árido é compreendido pelo Polígono das Secas que tem 936. Na seca de 1915 pereceram 27 mil cearenses e 75 mil emigraram para a Amazônia. As secas deixaram marcas que não se apagam por mais que os anos passem. Pernambuco. Seguiramse quatorze secas no Século XVIII. Em função de características climáticas. a construção de açudes. instalado em 1896. Antes dessa Comissão havia apenas um posto pluviométrico em Recife operando desde 1842 e outro em Fortaleza desde 1849. Esses postos em áreas litorâneas não eram referências para a região do semiárido. incluindo a totalidade dos estados do Maranhão. pelo governo republicano. foram iniciadas apenas as obras da barragem de Cedro em 1884 que só foram concluídas em 1906. quando a mais intensa e prolongada seca atingiu o semi-árido. A primeira seca historicamente constatada foi em Pernambuco em 1583. Paraíba. no Ceará. Alagoas.933 km² e onde chove em média menos do que 800 mm/ano. não havia meios de transporte eficientes para a retirada das popula- 67 . As secas são registradas desde o descobrimento. antes de tudo.754. A Comissão recomendou que fossem efetuadas a melhoria do sistema de transportes. Uma curiosa tentativa de minorar o sofrimento dos sertanejos com as secas ocorreu em julho de 1859 quando. As obras de transposição das águas do rio São Francisco só agora. As melhorias nos sistemas de transporte foram discretas em função inicialmente da precária situação financeira ocasionada pela Guerra da Tríplice Aliança e. Uma das secas remotas foi responsável pela expulsão dos holandeses que tentaram se estabelecer no Ceará.548.672 km² que corresponde a 18. doze no Século XIX e dezoito no Século XX. Piauí. Ceará. a instalação de estações meteorológicas e a transposição das águas do rio São Francisco para a bacia do rio Jaguaribe. o Nordeste pode ser dividido em três partes: O semi-árido com cerca de 800. Em 1856 o Governo Imperial instalou a Comissão Científica de Exploração para coordenar os estudos e analisar as soluções para o problema das secas. no início do Século XXI. Sergipe e Bahia. posteriormente. mais de cem anos depois. A tentativa de debandada da população interiorana redundou na morte pelos caminhos e na proliferação de doenças como o tifo. Dessa forma. o paratifo e a varíola. Quanto à construção de açudes.000 pessoas que residiam na área atingida pela tragédia.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Um Século de Obras contra as Secas “O sertanejo é.2% do território nacional. o semi-úmido com cerca de 600. um forte” Engenheiro Euclides da Cunha Flavio Miguez de Mello O Nordeste é uma região com 1. por encomenda do Governo Imperial. Entretanto. A Grande Seca que ocorreu de 1877 a 1879 ceifou a vida de mais da metade das 1. Esse foi de longe a maior catástrofe gerada por fenômenos naturais que ocorreu no País. o navio francês Splendide desembarcou no porto de Fortaleza 14 camelos que vieram para procriarem e apoiar as populações no transporte pela caatinga do semi-árido.000 km². O primeiro posto no interior já sob influência da Comissão foi o de Quixeramobim. em 1877. essa tentativa fracassou pela falta de adaptação dos camelos ao solo duro e pedregulhoso.000 km² e o úmido com os restantes 200. estão sendo iniciadas.

residências cujos telhados captassem águas de chuva direcionadas para cisternas. complementando alguns dos açudes com piscicultura incipiente e mesmo irrigação que já havia sido iniciada no açude de Cedro. incluindo poços artesianos. Rebouças reconhecia a necessidade de ações imediatas. convocou renomados profissionais do Sudeste e do exterior para o desenvolvimento de estudos bastante completos. abrangendo a hidrologia. a botânica. XX e XXI ções interioranas. o aparecimento da “Formula de Aguiar” que serviu de base aos estudos posteriores de hidrologia e dimensionamento de açudes por muitas décadas ao longo do Século XX. Importante consignar que em sessões sob o comando do Conde D’Eu no Instituto Politécnico situado na Corte. Em 1919. defendia a construção de obras estruturais. construção de barragens e canais. implantação de ferrovias e até dessalinização de água do mar. o engenheiro Gonçalves Aguiar elaborou notável análise hidrológica de caráter determinístico publicada em trabalho intitulado Estudo Hidrométrico do Nordeste Brasileiro. pela idealização de Francisco Sá. Assim. 68 . em desenvolvimento tecnológico. à criação pelo governo de Nilo Peçanha. eleito em 1926. O engenheiro e escritor Manuel Buarque de Macedo preconizou que o tesouro imperial não dispunha de recursos para implantar tantos projetos. Os debates retroagiram à proposta de Gabaglia de 1861 que compreendia a perfuração de poços artesianos e a implantação de barragens. a pedologia. a Co- missão de Perfuração de Poços. a soma dos recursos destinados à IFOCS representou apenas 20% dos recursos despendidos nos dois últimos anos do governo de Epitácio Pessoa que os antecedeu. Durante dez anos a IOCS se dedicou a obras de infra-estrutura e promovia apoio aos flagelados assolados pelas secas. só em época de calamidades é que obras e organismos governamentais são efetivados. Nesse período de carência de recursos sobressai-se. Como de costume. a sociologia. embrião do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS. a antropologia e a economia. A Grande Seca (1877-1879) de devastadoras conseqüências impactou o Governo Imperial. da Inspetoria de Obras Contra as Secas IOCS. integradas e definitivas. devida à carência de recursos humanos na época. O Século XX foi iniciado com outra seca no Nordeste. Cabe aqui realçar algumas posições decorrentes desses debates. Processando dados hidrológicos principalmente das bacias hidrográficas dos rios Quixeramobim e Jaguaribe. foi debatido amplamente o problema das secas no Nordeste. A IFOCS manteve a construção de açudes. O primeiro inspetor chefe da IOCS foi o dinâmico engenheiro Miguel Arrojado Ribeiro Lisboa que. O professor André Rebouças havia escrito em 1877 o trabalho “As Secas nas Províncias do Norte”. e a Comissão de Estudos e Obras Contra as Secas. Washington Luiz. dá prosseguimento ao processo de inanição da IFOCS.Séculos XIX. Os precários resultados observados levaram. no governo de Epitácio Pessoa. em 21 de outubro de 1909. enfatizou também a necessidade de construção de abrigos e de alimentação para os flagelados. Com a eleição de Artur Bernardes à presidência da República em 1922. seu sucessor. O geólogo Silva Coutinho também defendeu a construção de grandes barragens. foram criadas três comissões: a Comissão de Açudes e Irrigação. tendo o próprio imperador Pedro II estado no local assolado pela seca. O engenheiro Zózimo Barroso propôs a construção de uma rede de grandes açudes. tendo implantado mais de vinte açudes públicos com destaque para Forquilha e Quixeramobim. não mais conseguiu se retirar para o litoral. defendendo a implantação de açudes menores e estradas distritais. Essas comissões foram aglutinadas em 1906 na Superintendência de Obras Contra os Efeitos das Secas. ambos no Ceará. principalmente naquela época de início de mais uma seca. A população do interior. esse órgão passou a se denominar Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas IFOCS. O senador Pompeu e o engenheiro Henrique de Beaurepaire Rohan salientaram a importância do reflorestamento extensivo da região. a geologia. O professor André Rebouças destacou também a importância da instalação de rede telegráfica e melhorias nos portos da província do Ceará para possibilitar a implantação de vias férreas. a partir de 1904. depois de meses de seca. ocasionando mortes em larga escala. o primeiro açude não estava concluído e não havia registros pluviométricos no semi-árido. Registra-se que durante os oito anos desses dois mandatos. houve a suspensão de todas as obras e a IFOCS quase desaparece.A História das Barragens no Brasil . Pires do Rio e Arrojado Lisboa.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 1 . Face de montante com lajes de concreto 69 .Barragem Lima Campos em construção em 1932 Figura 2 Barragem do Choró em construção em 1933.

Séculos XIX.Inauguração do Açude Público Boqueirão em 1957 com a presença do pres.Açude Choró – Vista do talude de montante ao final da construção em 1934 70 . XX e XXI Figura 3 .A História das Barragens no Brasil . Juscelino Kubitschek e do ministro Lúcio Meira da viação e obras públicas Figura 4 .

Cercados por muros e por arames farpados. Nesse período de penúrias o Departamento foi dirigido por Luiz Vieira e Vinícius Berrêdo. Os detentos nos campos de concentração eram reduzidos a pele e osso como os filmados pelas tropas americanas ao chegarem aos campos de concentração nazistas na II Guerra Mundial. 65 anos após o início de suas obras. Em 1932 ocorreu uma seca severa e o canteiro de obra da barragem de Patu que havia sido paralisada em 1923. O maior campo de concentração era o de Crato que chegou a ter 65 mil flagelados. um cemitério de quinze mil mortos-vivos. não havendo recursos para formação de mão de obra. sendo violentamente penalizados e recolhidos ao sebo. o orçamento do DNOCS. Dessa maneira 71 . Com o retorno de Getúlio Vargas à presidência. A seca de 1932 marcou profundamente os que sobreviveram aos campos de concentração. não se promoveu a monetarização do mercado interiorano que funcionava à base de escambo. depósito de explosivos e casas para seus executivos. antes da seca de 1932. Entretanto. desta vez eleito. os campos de concentração ainda estão vivos na memória dos poucos sobreviventes. Em 1932 Lima Campos faleceu em acidente aéreo. Robinson implantou um canteiro de obra. escritório. Os flagelados que reclamavam das condições a que eram sujeitos. para evitar que os flagelados inchassem as cidades. Era comum passarem em redes mais de trinta mortos por dia cujos corpos eram jogados em valas comuns. uma usina termoelétrica. portanto. no Ceará. Os campos foram criados pela IFOCS em Fortaleza. não houve meios suficientes para a expansão de observações e estudos hidrológicos. os flagelados se espremiam como uma massa esquálida e faminta. Naquela época Fortaleza era conhecida por “loura despojada pelo sol” e como ninguém gostaria de visitar a cidade inundada por flagelados. onde a empresa inglesa Dwight P. Ipu. os Descaminhos de uma Obra”. o primeiro campo de concentração que se tem notícia foi o campo de Urubu que foi instalado na seca de 1915.8 milhões de metros cúbicos de capacidade daria para atender 60% da atual população de Senador Pompeu mas. Cariús. sem dar seguimento a obras de irrigação e de piscicultura. Quixeramobim. Raquel de Queiroz usou a expressão campo de concentração em seu romance “O Quinze” escrito em 1930. Hoje há esforços para que seja tombado o conjunto de edificações na barragem de Patu. Em dezembro de 1945 o presidente José Linhares e seu ministro Maurício Joppert da Silva transformam a Inspetoria no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS que. Uma epidemia de piolho levou o governo a ordenar que as cabeças fossem raspadas. No livro “Barragem do Patu. ainda que insuficiente. a partir do ano seguinte sob o governo Dutra se mantém com recursos exíguos e praticamente limitados às obras de construção de açudes. eram classificados como infratores. foi duplicado em relação ao orçamento deixado pelo seu antecessor. a irrigação se devidamente implantada poderia beneficiar três mil famílias. Quixadá. foi formado o campo de concentração do Urubu.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Com o golpe de estado de 1930. Seu reservatório. uma pequena gaiola de varas. com 71. segundo Francisco Luís de Araújo. se transformou em um campo de concentração. tendo sido substituído pelo engenheiro Augusto da Silva Vieira. o que comprova a prática nos primeiros anos da República. não se promoveu acesso a crédito. não aconteceu a difusão de insumos. Patu e Crato. sangue de boi e carne da cabeça de gado como comida. A barragem foi concluída em 1986. por sua vez nomeia o engenheiro Artur Fragoso de Lima Campos inspetor geral da IFOCS. quando apenas 36 famílias são presentemente beneficiadas com a irrigação. Os ingleses se retiraram com a paralisação das obras ordenada pelo governo de Artur Bernardes. Propositalmente ignorados pela historiografia oficial. Os guardas só davam um farelo amarelo. residente da Empresa de Assistência Agropecuária do Ceará. Adriano Bezerra relata o ocorrido em 1932 no campo de concentração em Senador Pompeu onde os corpos das vítimas da sede e da fome eram jogados em valas coletivas após a extração dos fígados que eram destinados a exames médicos. assume a presidência Getúlio Vargas que nomeia José Américo de Almeida para o Ministério de Viação e Obras Públicas que. morriam de desnutrição e de doenças diversas nos “currais de fome”. não foram criadas estruturas de estocagem. não houve financiamento para a mecanização para a lavoura e a pecuária. Há relatos de mortes por febre tifóide de mil pessoas em uma só noite no campo do Urubu.

O DNOCS não ficou isento a essa insaciável drenagem de recursos e algumas de suas obras ficaram sem recursos e sem crédito. drenou de todos os lados recursos necessários para a implantação da nova capital. depois incorporada à CHESF. Nesse período tiveram início os estudos da hidroelétrica de Boa Esperança.A História das Barragens no Brasil . Ao assumir o governo federal. posteriormente transferida para a COEBE e. obcecado pela sua meta síntese de construção de Brasília.Barragem Quixeramobim 72 .Séculos XIX. teve o seu colapso anunciado com meses de antecedência pelos dirigentes do DNOCS dada a incapacidade financeira e de crédito para concluir a barragem antes do período de chuvas. Figura 5 . A mais notável delas. Orós. Araras. Boqueirão das Cabaceiras e Cocorobó. XX e XXI foram retomadas ou iniciadas as obras de diversas barragens tais como Orós. Banabuiu. Juscelino Kubitschek.

uma argila de baixa resistência foi colocada anexa ao núcleo da barragem se prolongando para montante em forma de tapete impermeabilizante. a inocência do referido consultor que havia desaconselhado a execução do tapete. A modalidade tradicionalmente adotada de executar os empreendimentos por administração direta foi abolida e o efetivo do Departamento passou a entrar em ociosidade. então. Nos governos seguintes a maior atribuição do DNOCS foi a de implantar perímetros irrigados. Para esse programa foi sorrateiramente e oficiosamente quebrada a proteção à engenharia brasileira conseguida por lei no governo Costa e Silva. A política de implantação de açudes foi. A mais importante obra desse período foi a construção da barragem de Açu no Rio Grande do Norte. em seguida. Durante a construção. No governo de João Goulart o DNOCS passa à categoria de autarquia em junho de 1963 e passa a trabalhar sob a coordenação da SUDENE em ocasiões de emergência. antes do enchimento do reservatório.Açude Banabuiu A SUDENE concorreu com eficiência para a divulgação leviana da idéia de que a capacidade dos açudes então existentes seria suficiente para atender à demanda de água do semi-árido para qualquer seca que viesse a acontecer. o DNOCS passa a ser gerido por sucessivos coronéis do Exército pouco versados nos problemas do semi-árido. Com a chegada de José Sarney à presidência da República é lançado o programa de irrigação de um milhão de hectares. em paralelo ao segundo choque do petróleo. além de praticar uma injustificada caça às bruxas com relação aos dirigentes do período anterior. houve o colapso do talude de montante da barragem por falta de resistência da camada de solo do tapete impermeabilizante. Diversas empresas consultoras estrangeiras desembarcaram no País para surpresa da Associação Brasileira de Consultores Figura 6 . inter- 73 . Em 1999 assumiu o governo o general João Batista Figueiredo e. Após a deposição do governo Goulart.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens rompeu em 1961 a concessão de subsídios à construção de açudes particulares por regime de cooperação e desacelerou a implantação de açudes públicos.S. Ao final da construção. Holtz. Bureau of Reclamation. O governo Jânio Quadros.Açude Mãe d’Água Figura 7 . ocorreu a severa seca entre os anos de 1980 a 1983.4 bilhões de metros cúbicos de acumulação. com a capacidade de 2. mas o engenheiro José Candido Castro Parente Pessoa logrou provar na delegacia perante a um juiz de direito. apesar das advertências da empresa encarregada da fiscalização e de seu consultor Mr. brecada até que as secas intensas ocorridas no início dos anos oitenta demonstraram o equívoco dessa postura. As autoridades tentaram culpar o consultor. engenheiro de carreira no U.

entre 1940 a 1960. tais como Jack Hilf. o que é vedado pela legislação em vigor.Séculos XIX. As modernizações foram estudadas. Essa medida não substituiu devidamente os terceirizados. no sertão central do Ceará. A SUDENE que havia sido extinta por medida provisória em maio de 2001. mas sem dotações orçamentárias suficientes. e do peso do Nordeste no parlamento. mas não foram implantadas no curto governo Itamar Franco nem no primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso. Ceará. estiveram dando assistência técnica às obras de barragem do DNOCS. mas não houve obras de barragens. acabando longa agonia. Da falta de condições do DNOCS e dos perversos cenários das secas surgiram construções de açudes particulares e por outros órgãos federais e estaduais. de diques fusíveis. foram treinar nos seus escritórios. Implantados em condições questionáveis. A diretoria do DNOCS alertou em 2008 que eram urgentes as obras de recuperação dos açudes Estevam Marinho e Mãe D’Água sob o risco de se tornarem inoperantes e causarem danos irreparáveis a bens e a vidas humanas. Sua missão é o desenvolvimento de projetos de barragens de regularização e irrigação do árido oeste dos Estados Unidos. Engenheiros do DNOCS e de outras instituições brasileiras. Hoje os funcionários da ativa não passam de mil e oitocentos. foi novamente criada em janeiro de 2007 com o objetivo de reassumir o planejamento regional. fortaleceu politicamente o então governador Ciro Gomes e o lançou na política Federal. John Wesley Powell deu origem a uma das mais destacadas instituições de engenharia já formada. muitas delas do INCRA. Ao longo do Século XX o USBR implantou centenas de barragens e mais de duzentos projetos de irrigação no oeste americano. pois há mais de 40 anos não eram feitas manutenções nessas barragens. Dois anos depois as obras foram feitas com dispensa de licitação. A única obra importante foi conseguida pela bancada cearense no congresso: o açude Castanhão inaugurado ao apagar das luzes do segundo governo de Fernando Henrique. W. a era FHC deixou duas grandes marcas na Autarquia: a sua traumática dissolução com seu posterior ressurgimento e a construção da maior barragem do semi-árido brasileiro que incluiu a utilização rara em nosso País. Depois de passar trinta anos sem renovar seus quadros. 14 barragens colapsaram. a DNOCS pediu abertura de concurso para seiscentas vagas. ficando o órgão nos limites da sobrevivência. O USBR foi a primeira instituição americana dedicada ao estudo e desenvolvimento de recursos hídricos. apesar de neste governo ter ocorrida significativa redução de diretores e cargos gratificados. XX e XXI de Engenharia. Em Targinos. Cabe realçar a influência do United States Bureau of Reclamation USBR no combate às secas do Nordeste brasileiro. mas sujeito a profundas modernizações. laboratórios e obras. No primeiro dia do segundo governo Fernando Henrique Cardoso. o DNOCS foi ressuscitado em maio de 1999. havendo mais de doze mil aposentados e pensionistas. inclusive o autor. com equipe própria. Ao ser lançado o PAC – Plano de Aceleração do Crescimento com uma verba de um bilhão de reais em 2010. Alguns dos mais destacados profissionais do USBR. O diretor geral Elias Fernandes lamenta: “todos os meus funcionários têm cabeça branca”. Assim. 1 de janeiro de 1999. mas o Ministério do Planejamento limitou a 92. devido a impressionante mobilização de diversos setores da sociedade civil do Nordeste. A viabilidade da existência do DNOCS passou a ser agenda do governo Fernando Collor de Mello que se instaurou em 1991. 74 . o órgão chegou a ter dezessete mil funcionários e fazia as obras por administração direta. Foi instalada uma comissão parlamentar mista tendo resultado daí o relatório de Beni Veras que recomendava a manutenção do DNOCS. Entretanto. que tiveram que ser demitidos. Seu criador em 1898. Holtz e Hoffmann. Nesta época o autor desse capítulo era o diretor da ABCE encarregado da proteção à engenharia nacional. Na sua época mais ativa. bastou que as precipitações em 2009 fossem 59% superiores à média anual para que houvesse o colapso de 50 açudes só em Canindé. Nos dois governos Lula houve reestruturação do DNOCS. o DNOCS é finalmente extinto por medida provisória.A História das Barragens no Brasil . os recursos humanos da instituição não puderam acompanhar a disponibilidade financeira pela sua carência de estrutura e de pessoal. pois vinham prestando serviços para a atividade fim do órgão. Esse açude e o longo canal de adução das águas à cidade de Fortaleza executado em tempo recorde de acordo com o planejamento do engenheiro José Cândido Pessoa.

fenômeno conhecido desde os tempos coloniais como El Niño.Jack Hilf e José Candido Pessoa. A partir dessa época as secas passaram a ser previsíveis. A barragem de Castanhão teve sua construção proposta em 1910 e só foi executada quase 100 anos depois. sendo responsável pela implantação de mais de 220 grandes barragens (de acordo com a classificação da CIGB). Ao analisar as atividades realizadas no combate às secas verifica-se que a descontinuidade na administração das agências de fomento e a alternância dos recursos disponibilizados fazem com que obras iniciadas há várias décadas são descontinuadas ou retardadas. nasceu no canteiro de obra o Theophilo Benedicto Ottoni Netto que. nas fases em que o governo federal propiciou condições financeiras adequadas. Figura 8 . o que significa cerca de 20% das grandes barragens brasileiras. teve suas obras interrompidas. Entretanto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As causas das secas no Nordeste ficaram desconhecidas até a primeira metade dos anos 80 quando foi detectada a influência da permanência de temperaturas mais elevadas da água no oceano Pacífico na latitude do Peru. Quando da primeira fase de construção que eram para ser uma barragem de alvenaria. como engenheiro sênior. Um El Niño mais prolongado causa no território brasileiro secas no Norte e Nordeste e cheias no Sul. Barragens iniciadas ou projetadas no governo de Epitácio Pessoa como Pedra Branca e Patu foram concluídas muitas décadas depois. a IFOCS e seu sucessor DNOCS mostrou intensa atividade. viria projetar o vertedouro da barragem. A barragem de Orós cuja proposição é dessa época. Exemplo de colaboração do US Bureau of Reclamation para o DNOCS 75 .

76 76 .

As barragens do açude de Cedro Logo após o término da Grande Seca.” Antônio Conselheiro a construção de barragens era. Esse projeto. Nos primeiros anos do século passado as barragens eram de alvenaria de pedra. o Governo Imperial encomendou ao engenheiro Jules Revy uma seleção de locais para implantação de barragens com o objetivo da formação de açudes. após o recuo das águas. então o sertão virará praia e a praia virará sertão. Considerando que apenas os rios São Francisco. em geral. Como são muitas barragens. chamadas na época de barragens de peso. Flavio Miguez de Mello O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas e as inspetorias que o antecederam foram os órgãos que mais barragens implantaram no Brasil. No caso de haver ombreira em rocha sã. muitas barragens com características extremamente interessantes foram construídas. atividades que foram originadas das drásticas conseqüências da Grande Seca que ocorreu de 1877 a 1889. em Boqueirão das Cabaceiras. As obras foram iniciadas em novembro de 1890 e foram concluídas em 1906. o sangradouro podia ser simplesmente escavado numa das ombreiras. Com o objetivo de promover condições de fixação dos nordestinos cultivando o semi-árido. Essa cifra mostra intensas fases de elevada atividade e outras fases de estagnação. feita em duas etapas: no primeiro ano se procedia a limpeza e o tratamento de fundação e. foi modificado pelo engenheiro Ulrico Mursa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Barragens Construídas pelo DNOCS “Em 1896 há de haver mil rebanhos correndo da praia para o sertão. foi implantada a primeira barragem de altura superior a 50 m. Até meados do século passado as barragens eram de alturas modestas. que flui desde Minas Gerais e o rio Parnaíba que divide os estados do Piauí do Ceará são perenes. da Comissão de Açudes e Irrigação. para o presente livro o autor selecionou as barragens do açude de Cedro por terem sido as primeiras grandes barragens do Nordeste e as mais bonitas até hoje. em 1880. a barragem de Engenheiro Ávidos pelo seu arrojado projeto original. entretanto. se fazia as obras no leito do rio e nas margens. 214 grandes barragens (de acordo com a classificação da Comissão Internacional de Grandes Barragens) foram implantadas até 1982. Já em 1882 o primeiro projeto estava pronto. Nos cento e vinte anos de atividades no combate aos malefícios das secas. no segundo ano. em função do maior ou menor interesse do governo federal. dispensando-se revestimentos. Sangradouro de Castanhão 77 . Dentre os locais selecionados sobressaiu-se o sítio onde foi implantado o açude de Cedro. ou maciços baixos de terra cujo elemento impermeabilizante era um diafragma central de alvenaria. a barragem de Orós por ter tido impressionante acidente durante sua construção. sendo que só nos anos 50. os demais cursos d’água do Nordeste são de regime intermitente. a barragem de Cocorobó pelos motivos que determinaram a sua implantação e a barragem do Castanhão por ser a última grande barragem construída pelo DNOCS antes da publicação deste livro.

000 m³ e uma profundidade média pouco superior a 7 m. A barragem principal é em arco gravidade de alvenaria. controlando uma área de drenagem de 224 km². Figura 1 – Açude de Cedro 78 .000. Há ainda dois diques de terra. denominados Barragem Sul com altura de 17 m. A alvenaria de pedra em sua crista. sua extensão de crista é de 415 m. um em cada margem do rio. com 7. XX e XXI sob a direção do engenheiro Bernardo Piquet Carneiro.Séculos XIX. 464 m de extensão e 8. O açude só foi verter (sangrar) pela primeira vez em 1924 o que demonstra que. o açude ficou super-dimensionado. comprimento de crista de 243 m e volume de 40.473 m³ de volume. de gravidade.000 m³. seu volume é de 60. O açude se localiza no rio Sitiá do sistema Jaguaribe.724 m³ e Barragem da Lagoa do Forbes com 4 m de altura. seu comprimento é de 209 m e seu volume é de 9. de longo raio de curvatura de 254 m.925 m³.5 m de altura e com lâmina livre pela crista. sua altura é de 18 m sobre as funda- ções em sienito são. seu eixo curvo e os pequenos pilares com as grossas correntes aliados à Pedra da Galinha Choca na margem direita da barragem e à esquerda do vertedouro formam um conjunto arquitetônico de rara beleza.A História das Barragens no Brasil . pela falta de dados hidrológicos na época do projeto. O vertedouro (sangradouro) é também em alvenaria. após paralisações. com uma superfície de 17.45 km². uma capacidade de acumulação de 126.

Regis Bittencourt e Lohengrin Chaves. Consta que o padre Cícero havia dito que a barragem iria colapsar. o que correspondeu a uma hidrógrafa defluente com pico de apenas 55 m³/s. A barragem havia sofrido recalques e os movimentos provocaram a abertura de juntas na laje do vertedouro. nos países ocidentais. Realmente. Na ombreira esquerda as escavações atingiram a 14 m de profundidade. no seu pico. apresen- 79 . uma das quatro barragens com vertedouro sobre o aterro e a única das quatro que sobreviveu durante quase 30 anos de uso.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A barragem de Engenheiro Avidos. No local da barragem a margem esquerda é composta por um quartzito decomposto.30 m sobre a crista do vertedouro.000 m³. com ogiva de concreto de 160 m de extensão e cuja calha era constituída por um revestimento do talude jusante em lajes articuladas de concreto armado projetado para um pico de cheia da ordem de 800 m³/s e situado na parte central do corpo da barragem.5:1 e de 3:1. um núcleo de concreto sob a linha de centro da barragem constituindo-se o principal elemento de impermeabilização. O projeto original da barragem compreende um maciço de terra a montante com talude variável de cima para baixo de 2:1. O projeto foi concebido pelos engenheiros Luis Vieira e Vinícius Berrêdo. O vertedouro era de crista livre. no município de Cajazeiras. em inspeção à barragem. Foi efetuado um novo estudo hidrológico para verificação da hidrógrafa de projeto. após a cheia.6:1. foi decidido que o vertedouro sobre a barragem seria substituído por um vertedouro lateral provido de duas comportas de segmento de 9 m x 10 m que descarregam as descargas vertidas em uma calha em concreto armado e dissipação em salto de esqui. controlando uma área de drenagem de 1124 km². com a colaboração de Moacyr Avidos.000 m³ e a um volume de concreto de 16. o engenheiro O. de 2. e um maciço de enrocamento no espaldar de jusante com talude de 1. Nesse ano. Esses deslocamentos se acentuaram após a passagem da cheia de 1963 que chegou. Rice do US Bureau of Reclamation. As tomadas d’água são em duas torres cilíndricas controladas por comportas que aduzem a água para duas tubulações em células de concreto armado. como a descarga de projeto deveria ser o dobro da descarga original e como essa descarga de projeto era quase 30 vezes superior à descarga ocorrida em 1963. como as sondagens no aterro da barragem revelaram graus de compactação inadequados. tendo sido definida uma hidrógrafa com pico de 1610 m³/s. antiga São José de Piranhas A barragem é localizada no rio Piranhas. A barragem tem 44 m de altura e 340 m de extensão. o que correspondeu a uma escavação de 300. o reservatório era mantido em nível baixo a maior parte do tempo. Como esta era. recomendou que fosse construído um novo vertedouro na ombreia direita. Figura 2 – O engenheiro Moacyr Monteiro Avidos As principais condicionantes do projeto eram: não exigir fundação em rocha sã e o elevado custo devido às dificuldades logísticas para suprimento de cimento ao local da barragem. a uma sobre-elevação de cerca de 0. Paraíba. tando muitos matacões e elevada permeabilidade e a margem direita é constituída por um gnaisse intemperizado.

Açude Piranhas – Saída das galerias da tomada de água Figura 3 . Vista do talude de montante Figura 5 .Açude Piranhas durante sua construção em 1936. XX e XXI Figura 4 .Séculos XIX.Açude Piranhas durante sua construção em 1936. Vista do talude de jusante 80 .A História das Barragens no Brasil .

Durante essa fase. tendo havido. Schneider levaram a professor Casemiro José Munarski a conceber o projeto de uma barragem de terra zonada com grande curvatura em planta para montante com o objetivo de fugir da espessa camada de aluvião. Pyles. Houve um primeiro anteprojeto desenvolvido no início da Inspetoria de Obras Contra as Secas do qual não se tem notícia por ter se perdido em incêndio ocorrido em dezembro de 1912 na Primeira Seção dessa Inspetoria. o governo federal contratou a empreiteira americana Dwight P. Robinson & Co. Desde os tempos do Império e nos primeiros anos da república uma barragem no boqueirão de Orós vinha sendo considerada. Orós foi programada para ter seu maciço totalmente construído em um período seco. Theophilo Benedicto Ottoni Netto. como será mencio­ nado adiante. Em outubro de 1958 as fundações da barragem estavam escavadas e tratadas. Cunha. Em 1932 materiais e equipamentos foram retirados de Orós para as construções dos açudes de Pilões. o engenheiro Theophilo teria atuação de destaque no projeto do vertedouro da barragem de Orós quase cinqüenta anos depois do seu nascimento. no decorrer de 1959. A. José Visetti. Todos os trabalhos de levantamentos e prospecções e de projetos de infra-estrutura tais como as instalações das residências e escritórios. A cerca de 200 m a jusante do eixo retilíneo original essa cavidade apresenta profundidades de até 80 m. Apesar de dispor de um túnel de desvio. Estudos e investigações geotécnicas efetuadas pelo engenheiro Arthur W. Comstock e J. A barragem de Orós deixou de ser prioridade mesmo com a intensa seca de 1932. no interior do Ceará. Piranhas e São Gonçalo. C. que viria a ser destacado engenheiro hidráulico e professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro. no interior do estado do Ceará. foram feitos pelos engenheiros A. no janeiro seguinte. uma neta e o autor desse capítulo. formando um sem número de engenheiros. A idéia inicial de uma barragem de eixo reto situada na entrada do boqueirão foi abandonada em 1913. como 81 . em vista dos resultados das sondagens executadas pelo engenheiro britânico Louis Philips e pelo engenheiro José Gomes Parente. drástico corte de verbas e a conseqüente paralisação das obras no governo de Arthur Bernardes. eletrificação e canteiro de obra. incluindo seus filhos. a 450 km da capital Fortaleza. conhecido como o maior rio intermitente do mundo. Como finalidades secundárias há a piscicultura e aproveitamento hidroelétrico. Em 1919. Posteriormente equipe do engenheiro Luiz Vieira elaborou dois estudos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A barragem de Orós A barragem de Orós é situada no rio Jaguaribe. ambos com eixo retilíneo a jusante do boqueirão para evitar a espessa camada de aluvião que havia sido detectada nos estudos iniciais. A excepcional cheia ocorrida em 1924 destruiu ensecadeiras e parte do canteiro de obra. José Wright e George Shobinger. A barragem seria em alvenaria de concreto ciclópico executada com apoio de cabo aéreo cujas torres foram instaladas nas duas ombreiras. O maciço da barragem seria erguido após a estação chuvosa seguinte. Sargent. um com barragem de terra e outro com barragem de concreto gravidade. para elaborar um novo projeto e implantar a obra sob a supervisão dos engenheiros Charles W. motivado pela intensa seca que impactou a região. P. Em 1940 foi concluído um túnel com 1600 m de extensão ligando Orós ao açude de Lima Campos cuja capacidade de irrigação estava esgotada. Em 1930 estudos adicionais foram realizados sob a orientação do engenheiro Luis Augusto Vieira. nasceu seu filho. ferrovia. Sua principal finalidade é perenizar o rio e promover a irrigação nos trechos médio e baixo de seu vale. acessos rodoviários. Para fugir da cavidade duas alternativas de eixo foram indicadas: eixo reto na parte jusante do boqueirão ou eixo acentuadamente curvo na entrada do boqueirão. Curiosamente. Nessa fase inicial de construção participava da equipe o engenheiro Augusto Benedicto Ottoni. Essas sondagens indicaram no leito do rio uma cavidade no seu topo rochoso de 40 m preenchida por aluviões.

Figura 7 . XX e XXI era comum nos rios intermitentes do Nordeste. Debalde foram os alertas da direção do DNOCS e de seu diretor geral.Séculos XIX. quanto ao perigo da não conclusão da barragem antes do período chuvoso. tendo perdido também o crédito junto a fornecedores. na margem direita do reservatório havia sido construído um túnel que conduz descargas do rio Jaguaribe ao açude de Lima Campos com o objetivo de reforçar as vazões para irrigação das áreas a jusante desse açude. a barragem começou a ser galgada. engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa. Como mencionado acima.Barragem de Orós após a ruptura Figura 6 . No âmbito externo. tendo sido por infarto. devido à incrível concentração de recursos federais para a construção de Brasília. Entretanto.5:1 e 2:1 respectivamente a montante e a jusante. Cerca de 40% do volume do maciço já executado foi erodido. A campanha em muitas cidades do País tinha o lema “Orós precisa de nós”. nos espaldares de montante e de jusante. O acidente e suas conseqüências impactaram a opinião pública e muitos recursos foram angariados de populares e remetidos às vítimas do acidente. O DNOCS passou a ter sérios problemas na manutenção do ritmo de construção por falta de recursos financeiros para concluir a barragem a tempo. denominada pelo presidente Juscelino Kubitschek de meta síntese. tornou-se a tomada d’água e foi revestido posteriormente com chapa de aço. O túnel de desvio situado na ombreira esquerda. com a barragem ainda incompleta e sem ser possível as águas afluentes atingirem a cota da soleira do vertedouro ainda em escavação. realçam-se as atitudes de países no apoio às vítimas do rompimento 82 . zonas de solo arenoso compactados em camadas de 30 cm de espessura. Várias cidades situadas a jusante foram invadidas pelas águas oriundas do colapso da barragem. A barragem. O próprio DNOCS construía a barragem com equipamentos provenientes da recém concluída construção da barragem de Araras. No final do período chuvoso. Era nos primeiros minutos da madrugada do dia 26 de março de 1960. Os esforços para conter o colapso da barragem foram inúteis. As informações disponíveis dão conta de que apenas um óbito foi registrado. apresentando a jusante uma bifurcação para um descarregador de fundo e para a instalação de uma pequena hidroelétrica que só foi licenciada cinqüenta anos depois. ambos abrandados em cotas inferiores. projetada com 54 m de altura e taludes de 2.Galgamento da barragem de Orós Destaca-se a eficiente atuação das forças armadas no resgate das populações residentes a jusante da barragem.A História das Barragens no Brasil . foi executada com espesso núcleo de argila arenosa compactada em camadas de 15 cm e taludes externos em enrocamento que envelopava. os demais empreendimentos governamentais ficaram com desmedidas carências de recursos.

Apesar de ter sido o responsável pela carência de recursos que ocasionou o colapso da barragem com graves consequências para as populações de jusante. tendo sido inaugurada pelo presidente Juscelino Kubitscheck. há um monumento em bronze com a estátua do presidente em tamanho natural. era protegido por uma pequena ensecadeira. A água escoando a elevadas velocidades sobre a rocha altamente fissurada. Figura 8 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens da barragem de Orós: Estados Unidos. o vertedouro apenas escavado. A rocha local é composta por xistos da série Ceará. O projeto foi encomendado ao Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito – HIDROESB e idealizado pelo Professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto aproveitando em parte a configuração da encosta erodida e desenvolvendo uma concepção de elogiável arquitetura hidráulica. provocou grande Figura 9 – Saturnino de Brito Filho. após a emergência. uma alta autoridade federal mandou abrir a ensecadeira. Juarez Távora. Theophilo Benedicto Ottoni Netto e José Cândido Parente Pessoa em visita ao modelo hidráulico reduzido do vertedouro de Orós erosão regressiva que quase comprometeu a estabilidade da ombreira esquerda. Entretanto. União Soviética e Vaticano. Mais uma vez. A barragem foi rapidamente reconstruída entre julho de 1960 e janeiro de 1961. Reino Unido. destacando-se quartzitos xistosos dobrados e extremamente fraturados.Erosão na área do vertedouro antes do revestimento de concreto 83 . testada em modelo reduzido. Pouco após a reconstrução da barragem. Em visita ao local em época em que o reservatório estava com elevado nível d’água. recursos foram destinados a concluir a obra do vertedouro. França. o sangradouro permaneceu sem ser revestido de concreto. Alemanha Ocidental.

Séculos XIX. XX e XXI Figura 10 – Açude de Orós Figura 11 – Vertedouro de Orós em operação 84 .A História das Barragens no Brasil .

com 34 m de altura. 643 m de extensão de crista e volume de reservatório de 245. tendo sido finalmente aniquilados em seu arraial denominado Belo Monte. Inicialmente pacíficos. e. tendo ao fundo o açude de Cocorobó Figura 12 – Prisoneiros da guerra de Canudos 85 . Getúlio teria perguntado a Isaias Canário o que poderia ser feito por Canudos e recebeu como resposta: “Um açude Senhor Presidente. conhecido por Antônio Conselheiro. construído em 1909 por parentes e sobreviventes do massacre. aparecendo as antigas construções. cidade posteriormente denominada Florianópolis em homenagem ao ditador da ocasião. Principalmente após a construção.3 milhões de metros cúbicos. do Exército Brasileiro contra jagunços seguidores da figura mística de Antônio Vicente Mendes Maciel. concluída em 1968. o corta cabeças. Consta que o pedido da construção da barragem de Cocorobó partiu do chefe político local durante a visita. do presidente Getúlio Vargas à região e ao segundo Arraial de Canudos. escondendo sob as águas a participação do Exército no conflito. posteriormente. os seguidores de Antônio Conselheiro rechaçaram quatro investidas e expedições das forças armadas. prêmio Nobel de literatura em 2010.” Os estudos do DNOCS indicaram o boqueirão Cocorobó como o sítio mais indicado para a construção da barragem. que já havia assassinado mais de cem habitantes de Nossa Senhora do Desterro.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A barragem de Cocorobó Na última década do Século XIX foram travados vários combates entre forças militares do estado da Bahia e. Na época. Na realidade. havendo duas correntes distintas: a primeira acusa o governo federal de tentar apagar da memória nacional o triste incidente de Canudos. desarmados e militarmente despreparados. principalmente a parte superior da igreja de Antônio Conselheiro bombardeada por canhões do Exército. como ficou evidenciado nas estiagens ocorridas entre 1994 e 2000 quando as demandas fizeram com que o espelho d’água atingisse níveis muito baixos. há acumulado pelo açude não é suficiente para atender a exploração de todo potencial de solo agricultável a jusante. em nenhum momento foi cogitado que o sítio selecionado iria submergir o que havia restado de Belo Monte. é uma estrutura de terra compactada. em 1940. a seleção do local foi questionada por diversos pesquisadores e historiadores. incontestavelmente de elevado valor histórico. cem anos após. A segunda defende a idéia de que o boqueirão era o local mais apropriado para a implantação do açude. o volume d’água A barragem. Figura 13 – Estátua de Antônio Conselheiro. Mesmo no local selecionado. também descrita com maestria por Mario Vargas Llosa. Esse terrível episódio de nossa história é magistralmente narrado por Euclides da Cunha que foi testemunha ocular da terceira expedição comandada pelo sanguinário coronel Antônio Moreira César.

Após o aniquilamento do arraial e de seus ocupantes. que justifica a interpretação de que a barragem teria sido construída para afogar a memória da Guerra de Canudos concluída em 5 de outubro de 1897. Ao final da guerra. estudos de locais para implantação de açudes no Nordeste. se refugiou nos limites do Piauí com o Maranhão até que uma anistia permitiu que ele retornasse a Canudos. Pedrão faleceu e inaugurou o modesto cemitério que havia sido feito como um dos equipamentos urbanos necessários para a construção da barragem.A História das Barragens no Brasil . houve um depoimento do diretor geral do DNOCS no início da construção da barragem ao autor deste capítulo. XX e XXI pareceres de engenheiros e mesmo de arqueólogos como Paulo Zanettini e Erica Gonzáles. mulheres e crianças foram cruelmente degolados pelas tropas do Exército sob o comando do general Artur Oscar de Andrade Guimarães no incidente conhecido por gravata vermelha.Séculos XIX. Nesse trabalho ele identificou o boqueirão do Cunha como sendo um local para implantação de uma barragem que promovesse alguma regularização e que Figura 14 – Açude de Castanhão 86 . homens. Como havia sido o primeiro a falecer após a conclusão do cemitério. o engenheiro José Cândido candidamente indicou a cova número um para acolher o falecido. Era mesmo tentador tentar apagar qualquer registro do massacre dos habitantes de Belo Monte.” O engenheiro José Cândido Castro Parente Pessoa contou que no início das obras da barragem conversou muitas vezes com o Pedrão. Entretanto. Pedrão que havia saído para combater a quinta expedição que chegava com soldados do Rio Grande do Sul. Segundo o engenheiro Euclides da Cunha que esteve no teatro da guerra. que certificam que o local selecionado é na realidade o mais apropriado para a implantação da barragem: a jusante o vale é muito aberto e com espessas camadas de sedimentos e a montante não havia local tão propício para um reservatório. principal jagunço de Antônio Conselheiro na fase final dos confrontos com o Exército. Barragem do Castanhão Os primeiros estudos do Castanhão datam de 1910 quando o geólogo americano Roderic Crandall realizou para a Inspetoria de Obras Contra as Secas. mesmo aqueles que se renderam com a promessa de não serem mortos. Pouco tempo depois adentra um coronel do Exército no escritório do referido engenheiro e passa uma descompostura nele por ter enterrado na primeira cova do longínquo cemitério da obra “um inimigo da república”. “aquela campanha (do Exército) foi o maior crime praticado em território brasileiro.

Em novembro de 1995 foi expedida a ordem de serviço autorizando o início da construção. M. As discussões que foram mantidas no colegiado se transformaram em um documento de importância histórica com 6000 páginas de transcrições de debates. – Cocorobó. F. – La Guerra del Fin del Mundo – Seix Barral. H. – Orós. O vertedouro em concreto gravidade é provido de 12 comportas de segmento de 10 m por 11. As principais decisões do colegiado foram relativas ao estabelecimento de uma tabela para indenizações de propriedades. Nesse aspecto foi importante a transferência de áreas dos municípios vizinhos de Alto Santo. P. Além da extensa área do reservatório.46x109 m³. O projeto foi aprovado no Conselho Estadual do Meio Ambiente em dezembro de 1992 por doze votos a favor e oito contra. M. incluindo a seleção do local de cada nova moradia. A barragem é uma longa estrutura de terra compactada com um trecho em concreto compactado com rolo. V. A barragem do Castanhão foi concluída em 1999. uma Barragem Projetada para Reacender as Esperanças no Futuro ou Apagar o Passado.55 m. Para contornar essas dificuldades foi constituído um colegiado que funcionou como um parlamento. A. 2009 Sola J. 2007 Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – Barragens no Nordeste do Brasil. incluindo a totalidade da sede municipal de Jaguaribara. uma Utopia no Sertão – Editora Contexto.345 m³/s com sobre-elevação de 6 m. 1989 Figura 15 – Açude de Castanhão 87 . à seqüência de pagamentos e às prioridades no processo de transferência da população. além do redesenho do município de Jaguaribara que teve cerca de 60% de sua área alagada. 1978 Monteiro. – Os Sertões – Editora Record. 2009 Paulino. Histórico sobre a Construção do Açude. O canal de derivação se estende por 256 km com a capacidade adução de 22 m³/s. O reservatório na El. Conviver. Agradecimento O autor agradece à engenheira Ana Teresa Ponte pelas fotografias e informações. A descrença e a desconfiança permaneciam na população local e os opositores mantinham todas as ações possíveis para evitar que a obra fosse iniciada. o principal impacto foi a necessidade de reassentamento de quinze mil pessoas que eram residentes na área a ser alagada. o projeto da barragem foi concluído e submetido a intensas e extensas discussões para a obtenção do licenciamento ambiental.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens derivasse as águas do rio Jaguaribe. E. 300 páginas de atas de reunião e 360 fitas gravadas. 100 (nível máximo normal de regularização) possui uma área de 325 km² e represa 4. nona edição. Referências Cunha. Morada Nova e Jaguaretama para o município de Jaguaribara. – Canudos. F. 2009 Lima. Conviver.450 m de extensão e 72 m de altura. P. Oitenta anos após. com 3. A. 1982 Llosa. 1991 Miguez de Mello. acompanhando as obras com reuniões públicas mensais em que as manifestações eram livres. – A Century of Dam Construction in Brazil – Topmost Dams of Brazil. tendo capacidade de escoar a descarga de projeto de 12. – Castanhão – Conviver. nos anos noventa.

88 .

Essa foi a primeira instalação de iluminação elétrica de caráter permanente que foi instalada no País. No ano de 1857. pela primeira vez no País.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Resumo da História Remota da Hidroeletricidade no Brasil Flavio Miguez de Mello Os primeiros tempos . em 1862. atual estação ferroviária situada na Avenida Presidente Vargas. Nesse mesmo ano. Em 1879 foi efetuado o primeiro emprego comercial do dínamo pela Edison Electric Light Co. foi realizada em pú- blico. ocorreu na Praça da Proclamação. É do conhecimento de historiadores o intenso interesse do Imperador pelos desenvolvimentos tecnológicos que na época encontravam ampla divulgação na Escola Central. prédio da UFRJ hoje tombado pelo seu valor histórico e conhecido como Alma Mater da Engenharia Brasileira. Em 1881. A energia gerada foi utilizada para acender uma lâmpada. Não raro Dom Pedro II freqüentava eventos técnicos na Faculdade de Medicina e na Escola Central. próxima ao prédio da Escola Central. 89 . por ocasião da inauguração da estátua eqüestre de Dom Pedro I. Dom Pedro II concedeu a Thomas Alva Edison a concessão para introduzir no Brasil os equipamentos de sua revolucionária invenção e inaugurou a iluminação elétrica da estação da Estrada de Ferro Pedro II. o diretor Claude Henry Gorceix da Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto. fez acender uma lâmpada com energia proveniente de um dínamo acionado pelos detentos da cadeia local. no Rio de Janeiro. uma nova demonstração pública de iluminação baseada em energia elétrica. atualmente Praça da República. Os que presenciaram a experiência. da ciência e da tecnologia. certamente não poderiam imaginar a dependência que a sociedade viria a ter da eletricidade nos dias atuais. Por ocasião de eventos no prédio. na época sob a direção de Francisco Pereira Passos. no Rio de Janeiro. no coração da cidade do Rio de Janeiro. até hoje conhecida como a sala do trono. por ocasião da viagem de Dom Pedro II a Minas Gerais. de onde despachava com sua equipe de governo. esta precursora das atuais Academia Militar das Agulhas Negras e Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ. Usina hidroelétrica de Tombos em Minas Gerais. A primeira instalação no País de iluminação com base em energia elétrica em área externa foi efetivada em 1881 no Jardim do Campo da Aclamação. Nessa época o Brasil vivia no segundo reinado sob um imperador extremamente interessado em todos os domínios da cultura. demonstrando que a eletricidade poderia trazer benefícios inestimáveis à sociedade. uma experiência de geração e utilização de energia elétrica que se tem notícia em território nacional. hoje Praça Tiradentes. Cinco anos depois.Século XIX Recuamos à distante época dos meados do Século XIX quando não havia ainda exploração econômica de energia elétrica no mundo. Vista do canal de adução para a casa de força. por ocasião de uma homenagem ao Imperador Dom Pedro II no prédio da Escola Central. o Imperador chegava a ocupar a sala frontal do segundo pavimento (na época o prédio era de dois pavimentos). embora surpresos. em Nova York. A Escola Central era situada no Largo de São Francisco de Paula.

gerando em corrente contínua. contratado na Europa diretamente pelo governo imperial como um dos docentes para aquela Escola. atual município de Nova Lima. pioneira de um desenvolvimento impar no século seguinte. instalou no ribeirão do Inferno. Ao longo de todo Século XIX a iluminação não sofreu sequer uma paralisação noturna.Séculos XIX. da Escola de Minas e Metalurgia de Ouro Preto. A iluminação pública contava com 39 lâmpadas de 2000 velas cada. no Rio de Janeiro. na zona urbana da cidade de Piracicaba. no Rio de Janeiro. Não havia barragem. Essa usina manteve uma centena de lâmpadas na região central da cidade com energia produzida por um dínamo de 50 CV. Também em 1887 entrou em operação a usina hidroelétrica do ribeirão dos Macacos. Entretanto. com capacidade total de 52 kW. era um maciço de enrocamento impermeabilizado na face de montante por uma laje de madeira composta de pranchas aparelhadas. Minas Gerais. aproveitava uma queda de cerca de 40 m acionando uma roda d’água de 20 pás que movimentava dois dínamos Gramme com potência total de 500 CV.5 km). sendo hoje um pequeno museu mantido pela CEMIG à beira da rodovia União Indústria. Em 1883. então ocupado pelo Ministério da Viação. A adução era feita por um desvio no 90 . A usina dispunha de uma barragem que criava uma queda de cerca de 5 m. Em 1893 era colocada em operação a hidroelétrica Luiz Queiroz no rio Piracicaba. Essa foi a primeira usina hidroelétrica no Brasil. com energia elétrica gerada por uma termoelétrica com capacidade instalada de 160 kW.A História das Barragens no Brasil . iluminação e esgotamento de água nos túneis da mina de ouro e. não chegando a durar um ano sequer. a operação dessa usina teve vida efêmera. localizada em Honório Bicalho. no município de Diamantina. No dia 15 de novembro de 1884. hoje substituída por uma estrutura de concreto gravidade. com 1500 rpm. A transmissão era a mais longa do mundo na época. XX e XXI pela Diretoria Geral dos Telégrafos. a empresa Real & Portella colocava em funcionamento a iluminação pública da cidade de Rio Claro no Estado de São Paulo. A usina encontra-se desativada há décadas. de propriedade da Compagnie des Mines d’Or du Faria. a mais antiga usina hidroelétrica do País e uma das mais antigas do mundo. Nessa data foi colocada em operação no rio Paraibuna. este devido a Mariano Procópio que obteve do governo imperial concessão para construir e explorar a rodovia inicialmente utilizada por viaturas de tração animal. em Campos dos Goytacazes. Rio Grande do Sul. industrial estabelecido em Juiz de Fora. Em 1887 a empresa Companhia Fiat Lux iniciou um serviço de iluminação pública em Porto Alegre. através de 10 lâmpadas de arco voltaico de 2000 velas cada. outro marco histórico do progresso nacional. sendo a primeira verificada nas noites de 10 e 11 de junho de 1901. A energia gerada movimentava duas bombas de desmonte a jato d’água para exploração de diamante e. Minas Gerais. de propriedade da Companhia Força e Luz. Dom Pedro II acionou a ligação de 60 lâmpadas da Edison Electric Co. A barragem. posteriormente. na bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha. após pouco tempo. Em 1887 foi instalada uma pequena usina termoelétrica no Largo de São Francisco de Paula. o Professor Armand de Bovet. São Paulo.25 m de diâmetro. A energia era destinada às atividades de mineração. na atual Praça 15 de Novembro. A usina. uma usina termoelétrica dotada de três dínamos. casa de força abrigando duas máquinas Gramme de 8 CV cada. com 2 km de extensão (a transmissão da primeira usina de Niagara Falls tinha 1. passou a ser utilizada também em iluminação. na Exposição Industrial que foi instalada no edifício do Paço. No dia 7 de setembro de 1889 teve início o emprego da hidroeletricidade para serviço público no País pela iniciativa de Bernardo Mascarenhas. a usina hidroelétrica Marmelos com 252 kW de capacidade em duas unidades geradoras acionadas por duas rodas d’água. Ainda em 1887. No dia 24 de junho de 1883. à iluminação das residências do acampamento da empresa. Dom Pedro II inaugurou. acionadas por uma roda d’água de madeira com 3. através de 16 lâmpadas de arco voltáico supridas por dois dínamos acionados por um locomóvel.

em Minas Gerais (1889). Em 1895 entrou em operação a hidroelétrica de Corumbataí. em São Paulo (1884). Essa concessão da São Paulo Railway Light and Power Co. Ltd.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens curso do rio próximo à sua margem esquerda.88 MW. por parte do poder público. A energia representava pouco na economia nacional retratada pelas importações de carvão e de querosene que atingiam a apenas 6% e 2% do total das importações do País. A casa de força abriga duas unidades de capacidades distintas que somam 1. Curitiba. preocupações com o suprimento de energia. Com uma atividade de exploração puramente extrativista dos recursos florestais com base em desmatamento da Mata Atlântica de forma dispersa e sem registros oficiais. em Sergipe (1900). uma das mais extensas do mundo na época. por governos estaduais e mesmo por governos municipais. Canadá.000 km. pela ordem cronológica. situada não muito afastada do extenso litoral nacional e servida por uma rede ferroviária de 14. propiciou a vinda do principal executivo Frederick Pearson que trouxe o advogado e empreendedor 91 . A casa de força abriga quatro unidades de potências e procedências diversas somando 2. uma no ribeirão Claro e outra no rio Corumbataí. formada em Toronto. Destes últimos. Duas barragens. O ambiente político era favorável a concessão a empresas privadas. para serviços públicos e exploração de recursos naturais. as concessões de serviços de energia elétrica eram dadas pelo governo central. no Paraná (1892). Até a virada do Século XIX para o Século XX as primeiras cidades por unidades da Federação que tiveram serviços públicos contínuos de força e luz foram. não se desenvolvia a mineração de carvão e nem se considerava possibilidades da existência de reservas de petróleo. Maceió. São Paulo. no município de Rio Claro. Nessa época estavam sendo iniciadas várias atividades de implantação de novos serviços de energia elétrica principalmente no Rio de Janeiro. no Rio Grande do Sul (1887).7 MW. independente da nacionalidade. Porto Alegre. Rio Claro. Como não havia legislação específica. A abundância de lenha e a aparente ausência de reivindicações populares para universalização dos serviços de eletricidade faziam com que não houvesse. em Alagoas (1895) e Estância. Campos dos Goytacazes.. Figura 1 – Usina hidroelétrica de Marmelos O início do Século XX (até 1913) Na virada do Século XIX para o Século XX a população brasileira de 17 milhões de habitantes era predominantemente rural. tinham seus pequenos reservatórios unidos por um túnel escavado em rocha. em São Paulo e em Minas Gerais por empreendedores nacionais e estrangeiros. no Rio de Janeiro (1883). destaque é devido ao grupo que se tornou a São Paulo Light e a Rio Light. A primeira concessão do grupo foi dada pela Câmara Municipal de São Paulo para serviços de transporte urbano em veículos movidos a eletricidade. Juiz de Fora.

Nesses casos. as hidroelétricas eram em geral de portes muito modestos e tinham casas de força em posição remota em relação às barragens. instalada pela Light em 1905 com a finalidade de proporcionar iluminação pública e residencial bem como tração para os bondes da capital federal. No Rio de Janeiro a primeira hidroelétrica foi Fontes. A quase totalidade delas e suas áreas de concessão foram sendo incorporadas por empresas maiores. a implantação das hidroelétricas de Piabanha. hoje Edgard de Souza. Seu objetivo inicial era atender às necessidades da rede de transportes urbanos e iluminação da cidade de São Paulo. Em 1908 a usina já tinha 12 MW instalados. que teria inicialmente 2. denominada na época Parnaíba. XX e XXI Figura 2 Barragem e Reservatório de Lajes canadense Alexander Mackenzie e os engenheiros Hugh Cooper e Robert Brown. construída no rio Piabanha pelos Guinle em 1908. tornando-se uma das maiores hidroelétricas do mundo. na quase totalidade. no rio Tietê. Essa usina foi sucessivamente ampliada até atingir 16 MW instalados. o excesso de energia era destinado à iluminação pública e domiciliar. Hans e Coronel Fagundes. sendo ampliada para 24 MW em 1909. Com esse perfil de consumo e com os elevados custos da época em que todos os equipamentos eram importados. tendo sido. As hidroelétricas que eram instaladas no início do Século XX eram destinadas a suprir de energia elétrica centros isolados.A História das Barragens no Brasil .000 kW instalados. a jusante da cidade de São Paulo. com vertedouro de lâmina livre em sua crista. tendo sido instaladas por prefeituras ou por pequenos empresários para atendi­ mento às demandas das suas fábricas. desativadas anos depois. a de Lajes. A barragem era em arco-gravidade situada no alto Ribeirão Das Lajes. A barragem é uma soleira vertedoura de gravidade em pedra arga- 92 . Nos últimos anos do Século XIX foram iniciadas as obras da primeira usina hidroelétrica da empresa no Brasil. A segunda hidroelétrica instalada no estado foi Piabanha. Desta maneira surgiram os primeiros concessionários privados nacionais de energia elétrica nas regiões Sul e Sudeste. A empresa passou a operar no País ao abrigo da autorização concedida em 1895 pelo presidente Campos Sales. No Estado do Rio de Janeiro nesse início do Século XX destacamse.Séculos XIX.

Casa de Força de Fontes 93 . Figura 3 . A barragem é em gravidade de pedra argamassada e concreto.7 m. Em 1912 os Guinle implantaram a hidroelétrica de Coronel Fagundes no rio Fagundes. município de Friburgo com o objetivo de suprir a fábrica de linhas de energia. em Muri. muito próxima à hidroelétrica de Piabanha.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens massada com 25 m de extensão e altura de 6. A casa de força abriga duas unidades Francis duplas gêmeas de 3 MW cada. município de Paraíba do Sul. Em 1911 os Arp instalaram a hidroelétrica de Hans no ribeirão Santo Antônio. tendo assumido em seguida a concessão de serviço público do município. Nessa obra trabalhou o engenheiro Flavio Lyra. campo de conhecimento em que se tornaria uma das mais altas expressões mundiais a partir da segunda metade do Século XX. A barragem é em concreto gravidade com soleira vertente livre e a casa de força abriga uma unidade Francis horizontal de 294 kW. com altura de 13 m e 80 m de extensão. pai do então menino Flavio Henrique Lyra que brincava no canteiro de obra e já se familiarizava com barragens e hidroelétricas.

A barragem com 6 m de altura era vertedoura com crista livre situada na crista da cachoeira da Fumaça. assessorado pelos engenheiros Pedro Leivas. Em 1912 foi instalada a usina hidroelétrica de Tombos no rio Carangola. A casa de força abriga duas unidades Francis de eixo horizontal de 2.Séculos XIX. Figura 4 .3 MW. é em concreto gravidade de pequena altura. constituindo-se em vertedouro de soleira livre. A hidroelétrica de Maurício foi implantada em 1908 no rio Novo. Com capacidade de 510 kW. sendo desativada em 1970.A História das Barragens no Brasil . Osvaldo Lynch e Henrique Fox Drumond.4 MW cada. situada na crista da cachoeira de Tombos. para a prefeitura de Paranaguá. A construção foi supervisionada pelo engenheiro Otávio Carneiro. Os contrafortes em primeiro plano são reforços recentes Nos 30 m centrais a barragem é vertedoura em crista livre.Barragem de Coronel Fagundes 94 .88 MW instalados. Em 1911 foi inaugurada a hidroelétrica de Pitangui para suprir de energia elétrica a cidade de Ponta Grossa. instalada por ingleses em 1910 na vertente da Serra do Mar em Paranaguá. município de Tombos. a hidroelétrica passou em 1932 da Cia Melhoramentos Urbanos de Paranaguá para a Cia Melhoramentos Paulistas. município de Leopoldina pela Cia. No início do Século XX em Minas Gerais destacam-se as hidroelétricas de Maurício e Tombos. para o Departamento de Águas e Energia Elétrica e para a COPEL. Figura 5 .Barragem de Piabanha. Força e Luz Cataguazes-Leopoldina. No estado do Paraná há referência à hidroelétrica Serra da Prata. XX e XXI A barragem. A potência instalada era de 1. Alfredo do Paço. A casa de força abriga dois grupos geradores num total de 2.

Chibarro. a metade Figura 6 . envolvida por densa floresta da Mata Atlântica. para suprimento de Blumenau. Salto Pinhal e Bocaina foram desativadas nos anos oitenta e noventa do século passado. com apenas 2. Capitão Preto. mas apresentando no conjunto. A usina encontra-se implantada na vertente oceânica da Serra do Mar. foi construída no município de Dois Irmãos tendo sua usina a capacidade de 200 kW. Marmelos II. em 1911. Turvinho Batista e Sodré. no município de Figura 7 – Usina hidroelétrica de São Valentim 95 . com cinco unidades Pelton com potência nominal de 3 MW cada sob 640 m de queda br uta. em geral de gravidade em alvenaria de pedra. em alvenaria de pedra. Gavião Peixoto. Salto Grande. Voith são Francis gêmeas de eixo vertical com potência de 1470 kW cada sob a queda nominal de 10. em 1912.5m com engolimento de 19.Barragem vertedoura e canal de adução de Tombos Em Santa Catarina.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O Estado de São Paulo se destaca nos primeiros anos do Século XX por um expressivo números de pequenas hidroelétricas como as usinas de Santa Alice que começou a operar a partir de 1907. Esmeril. as usinas de Socorro. Macaco Branco. entrou em operação em 1913 a primeira unidade da hidroelétrica de Salto Weissbach no rio Itajaí Açú. No estado do Rio Grande do Sul as primeiras barragens que se tem notícia para produção de energia elétrica foram construídas a partir de 1911 e entraram em operação em 1912. A barragem é uma soleira vertedoura de altura apenas suficiente para promover a derivação de parte das descargas para a tomada d’água que conduz as águas captadas para as turbinas que são alojadas em casa de força abrigada na margem direita. Bocaina. O destaque dentre essas usinas é Itatinga. Boa Vista e Quilombo. As turbinas de fabricação J. poucas com contrafortes localizados. A barragem Inglês com 4 m de altura e 55 m de extensão. São Valentim e Marmelos II em 1910. Votorantim. em 1913. 10 MW de potência efetiva. Desse conjunto de usinas pioneiras. em 1909. A maioria dessas usinas tinha menos do que 1000 kW instalados em sua primeira etapa. Rio Novo e Monjolinho. mas sempre ficando com potências inferiores a 6 MW. Itatinga. sendo soleiras livres implantadas nos leitos dos rios.5 m de comprimento.7 m de altura e 41.M. As barragens dessas usinas eram de altura modesta. San Juan. delas tive ampliações de capacidade instalada em etapas posteriores. Salto Pinhal. São Joaquim e Brotas.4 m³/s. as hidroelétricas de Monjolinho. em alvenaria de pedra e concreto ciclópico foi implantada no município de Cruz Alta tendo sua casa de força a potência instalada de 268 kW e a barragem Picada 48. A maioria dos vertedouros era sem controle.

A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. XX e XXI Figura 8 – Usina hidroelétrica de Brotas Figura 9 – Usina hidroelétrica de Gavião Peixoto Figura 10 – Usina hidroelétrica de Boa Vista 96 .

tiveram expressivo desenvolvimento nos primeiros anos do Século XX.1 MW instalados. – The Development of the Brazilian Dam Engineering .Reflexos da Cidade. 1997. Memória da Eletricidade . C. M. – A Century of Dam Construction in Brazil – Comitê Brasileiro de Grandes Barragens.. Referências Dias Leite. F. Figura 11 – Usina hidroelétrica de Angiquinho 97 . Saveli. Ee Amaral C. O conjunto arquitetônico da casa de força é majestoso.A.A. com 1. construída por Delmiro Gouveia na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso. – Brazilian Development in Engineering for Dams – Comitê Brasileiro de Grandes Barragens. Essas pequenas hidroelétricas aproveitando quedas d’água naturais e operando seus reservatórios a fio d’água. e Amaral. Miguez de Mello. F. A. A. A casa de força foi implantada no trecho médio da escarpa granítica da margem esquerda do salto principal. Miguez de Mello. A usina foi implantada com o objetivo principal de suprir o porto de Santos de energia elétrica. 2000.A. Prado Junior F. 1999. A. Miguez de Mello. 1982. – Pequenas Centrais Hidrelétricas no Estado de São Paulo Governo do Estado de São Paulo. – Pequenas Centrais Hidrelétricas no Estado de São Paulo – Comissão de Serviços Públicos de Energia. A energia produzida era direcionada para a fábrica de linhas e para a vila residencial na localidade de Pedra. próximo à rodovia BR-101. . feito por via férrea a partir da margem direita do rio Itapanhau. SP.Sinopse Histórica da Eletricidade no Brasil. 1976. – A Energia do Brasil.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Bertioga. O reservatório é formado por duas barragens de alvenaria de pedra argamassada com vertedouro de soleira livre. sendo o acesso o mesmo utilizado desde o início das obras em 1890. 2000 Prado Jr.Main Brazilian Dams III. Em 1913 entra em operação a primeira hidroelétrica do Nordeste Angiquinho. tendo passado de 306 em 1920 para 1009 em 1930. 2009. hoje Delmiro Gouveia. Comitê Brasileiro de Barragens. A. F. 1979. F.

98 98 .

nesse período. foi instalada pela Diretoria Geral dos Telégrafos a primeira iluminação externa pública do país.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Usina Hidroelétrica de Marmelos Adelaide Linhares de Carvalho Carim Introdução O Brasil foi um dos pioneiros na exploração da energia elétrica. Neste mesmo ano Thomas Alva Edison havia construído a primeira central elétrica para utilização na iluminação pública na cidade de Nova Iorque. No ano de 1883 entrou em operação a primeira usina hidroelétrica no país. na Estação Central da Estrada de Ferro D. Em 1883 o imperador Dom D. às margens da estrada União e Indústria. foi a Usina Hidroelétrica Marmelos no rio Paraibuna. na cidade de Juiz de Fora (MG). localizada no Ribeirão do Inferno. Essa história iniciou-se no final do século XIX. destinada à produção de energia para utilidade pública. Pedro II inaugurou. o primeiro serviço público municipal de iluminação elétrica do Brasil e da América do Sul. no município de Viçosa. hoje Marmelos-Zero. Empresas de mineração e fábricas têxteis promoveram. em 1879.Primeira Usina Hidroelétrica da América do Sul destinada à produção de energia para utilidade pública foi desativada cento e quatro anos mais tarde em 1987. o interesse pela nova fonte de energia intensificouse. destinada à extração de minério na região. afluente do rio Jequitinhonha. Em Minas Gerais. em 1887. Esta usina Figura 1 . em 1885 a Usina Hidroelétrica da Companhia Fiação e Tecidos São Silvestre. a Usina Hidroelétrica Ribeirão dos Macacos. na cidade do Rio de Janeiro. A usina de Marmelos. a primeira instalação de iluminação elétrica permanente do país. em trecho da atual Praça da República. entrou em operação em 99 .“Marmelos Zero” . a construção de unidades de produção de energia hidroelétrica visando a autoprodução. Mas a primeira hidroelétrica de maior porte construída na América do Sul. em substituição aos 46 bicos de gás existentes. Pedro II. atual Estrada de Ferro Central do Brasil no Rio de Janeiro. Posteriormente mais algumas usinas entram em operação. no Rio Grande do Sul. em 1887. Em 1881. na cidade de Diamantina. quando Dom Pedro II inaugura. na cidade de Campos (RJ). A energia era fornecida por uma usina termoelétrica. ambas em Minas Gerais e a Usina Termoelétrica Velha Porto Alegre.

Barbacena e outras. por iniciativa do industrial Bernardo Mascarenhas. Santo Antônio do Paraibuna .Companhia Mineira de Eletricidade em 1888. dois meses antes da proclamação da república e apenas 7 anos depois da hidroelétrica de Appleton em Wisconsin na America do Norte. que começou a ser escrito quando o bandeirante Garcia Dias Paes traçou o chamado Caminho Novo que passava pela margem do Rio Paraibuna. com a inserção de A cidade de Juiz de Fora no final do século XIX A inauguração da usina de Marmelos veio se somar ao pioneirismo desta cidade. Mariana. entre as cidades de Petrópolis e Juiz de Fora. como a Rodovia União Indústria. Ao longo deste caminho. Por meio deste caminho que efetivamente a história de Juiz de Fora se inicia. Bernardo Mascarenhas foi o responsável pela instalação de Marmelos. e fundador da já extinta CME . foram erguidos pequenos povoados. às margens do Paraibuna. XX e XXI 5 de setembro de 1889.A História das Barragens no Brasil . até a principal região mineradora (Vila Rica. em 1861. Sabará.que em 1965 se tornava Juiz de Fora .Juiz de Fora em 1875 100 . Sua inauguração trouxe a mão de obra qualificada dos imigrantes alemães. marco zero da energia hidroelétrica no Brasil. havia grandes fazendas de café que eram as bases da economia local. como Matias Barbosa. A Companhia Mineira de Eletricidade foi de extrema importância para a industrialização de Juiz de Fora. Juiz de Fora prosperou grandemente devido à cafeicultura. novos investimentos foram trazidos para a cidade. que iniciaram o processo industrial da cidade. Com a cafeicultura. Dom Pedro II e representantes ilustres da Corte e da Companhia União Indústria percorreram em diligência os 144 quilômetros da primeira rodovia macadamizada brasileira. construída pelo engenheiro Mariano Procópio Ferreira Lage e pela Companhia União Indústria. para ligar o porto do Rio de Janeiro Figura 2 . Neste ano. Diamantina e tantas outras). Estes eram locais de descanso dos tropeiros que passavam pela região.Séculos XIX.

promoveu a comunicação entre a cidade e a corte. As figuras a seguir mostram Juiz de Fora em 1893 e a Av. Outro beneficio da estrada foi a melhoria no escoamento da produção cafeeira da Zona da Mata Mineira até o Rio de Janeiro. que ficava neste momento no Rio de Janeiro. Barão de Rio Branco -1903 101 . A estrada deu origem também ao primeiro guia de viagens do Brasil.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens algumas fábricas. Mais tarde vieram os italianos e com eles ampliaram outros setores como o comércio e a prestação de serviços. A cidade de Juiz de Fora se iluminava para o mundo.Guia do Viajante de Petrópolis a Juiz de Fora”. e intitulado “Doze Horas em Diligência . fórum e jornais. em 1883. fotógrafo do imperador. escrito pelo alemão Revert Henrique Klumb. Figura 4 . antes mesmo até que algumas importantes cidades européias. Posteriormente. a construção da ferrovia Dom Pedro II em 1875. em 1881 ganhava telégrafo. A Estrada União Indústria existe até hoje em vários e extensos trechos. e em 1884. Em 1980 os serviços urbanos foram ampliados com bondes de tração animal. telefones urbanos. Barão de Rio Branco em 1903 ambas pertencentes ao acervo do Museu Mariano Procópio.Av. Todos estes empreendimentos foram realizados por iniciativa do industrial Bernardo Mascarenhas. Em 1878 funcionavam seis estabelecimentos de ensino. e em 1889 a primeira Figura 3 . o telégrafo. tendo sido substituída como ligação rodoviária entre Petrópolis e Juiz de Fora pela BR-040.Panorâmica de Juiz de Fora – 1893 usina hidroelétrica para iluminação pública da América do Sul. Em 1888 Juiz de Fora ganhava a Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas e o Banco de Crédito Real.

inaugurou as instalações da fábrica têxtil da companhia Cerdo. adquiriu os maquinários desejados e voltou para o Brasil e. filho de Antônio Gonçalves da Silva Mascarenhas e de Policena Moreira da Silva Mascarenhas. como fazia com os demais filhos ao completar esta idade. dinheiro para iniciar a vida como criador de gado e comércio de sal. constituindo a primeira S. utilizando as mais novas tecnologias da época. É criada então em Curvelo a companhia Cachoeira (1877).Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas inaugurada em maio de 1888 102 . Para aprender sobre tecelagem.A.Bernardo Mascarenhas Aos 12 anos iniciou seus estudos no colégio Caraça. adquirir novos equipamentos e conhecer a utilização da eletricidade na indústria textil. XX e XXI Figura 5 . visitou fábricas. viaja para a Europa e Estados Unidos com a incumbência de atualizar-se. Em 1882 foi aprovada a lei das sociedades anônimas no Brasil e em 1883 fez-se a fusão das empresas (Cedro e Cachoeira). Figura 6 . na fazenda São Sebastião. Com 18 anos. convida dois irmãos para montarem em sociedade uma indústria têxtil. considerado à época. Bernardo Mascarenhas Bernardo Mascarenhas nasceu em 1846. viajou para os Estados Unidos onde ficou por 1 ano e meio. mecânica. Alguns anos mais tarde. no ano de 1872 em Sete Lagoas.A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. um dos melhores de Minas Gerais. é o décimo filho dentre os 13 filhos do casal. tocados a mão na fazenda de seu pai. região de Curvelo. física. recebeu de seu pai 26 contos de reis. A partir da experiência adquirida com os teares de madeira. Neste período estudou idiomas. privada no país.

inaugurada em maio de 1888. que se localizava próximo à cachoeira de Marmelos. fazendo um esboço de próprio punho de como ela seria. Neste local. praticamente utilizável. Bernardo Mascarenhas projetou e especificou a usina. aproveitando os recursos naturais de seu terreno. No dia 22 de agosto de 1889. Mascarenhas e o banqueiro Francisco Batista de Oliveira recebem aprovação junto à câmara municipal para explorar a Cachoeira dos Marmelos para produção elétrica e a concessão para a iluminação da cidade e obteve a revisão do contrato original. Bernardo Mascarenhas buscava outras fontes de energia em substituição à energia usada que até então era à base de querosene. encomendando o material para a usina) Figura 7 . em substituição à iluminação a gás. Doou este terreno para a CME Companhia Mineira de Eletricidade. A CME foi a responsável pela construção da usina de Marmelos Zero e foi presidida por Mascarenhas até seu falecimento. “A fábrica de eletricidade será provida de dois excelentes dínamos movidos por duas turbinas verticais ou de eixos horizontais. foi realizada a primeira experiência com a eletricidade e em 5 de setembro de 1889 ocorreu a inauguração oficial.Esboço da hidroelétrica Marmelos Zero por Bernardo Mascarenhas 103 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Bernardo Mascarenhas mudou-se para Juiz de Fora em 1886 e adquiriu o terreno próximo do Rio Paraibuna e da Rodovia União Indústria. seria erguida a primeira usina hidroelétrica da América do Sul. também fundada por ele em janeiro de 1888. mais tarde. onde pretendia montar uma indústria de tecidos. tendo em vista o uso da iluminação elétrica. Bernardo Mascarenhas faleceu no dia 9 de outubro de 1899 de um ataque cardíaco fulminante. A nova usina além de atender à iluminação pública da cidade atenderia as máquinas da Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas. O empresário adquiriu outro terreno perto da estação ferroviária.. Em 1886.” (Trecho de memorial de Bernardo Mascarenhas para Max Nothman & Co. local mais propício para o escoamento da produção de tecidos. A antiga Companhia Têxtil Bernardo Mascarenhas apresenta rigorosa simetria com um corpo central em três pavimentos e ladeado por suas extensas alas horizontais em dois pavimentos. devendo ter força bastante para alimentar 50 lâmpadas de arco de 1000 velas e quinhentas ditas incandescentes de 16 velas. “Me considerarei muito feliz se for o primeiro a transmitir força elétrica. no Brasil ou talvez na América do Sul” (trecho da carta de Mascarenhas em 1887).

quartzito e entrecortados por diques de anfibolito. foi construído em 1890. disseminados no manto intemperizado ao longo das encostas e principalmente soltos no leito do rio Paraibuna. Nas ombreiras e encostas da barragem é comum um manto de solo de 5 a 10 m de espessura. De modo geral. As rochas do complexo charnockítico e do embasamento cristalino possuem sistemas de fraturas. 104 . granulitos e anfibolitos do Complexo Juiz de Fora e parte do embasamento Pré-Cambriano indiferenciado. Figuras 9 e 10 .Usina de Marmelos . gnáissicas. O solo residual é constituído de areia siltosa. em dois pavimentos. A edificação. As rochas charnockíticas são gnaisses que sofreram desidratação e descalcinação durante metamorfismo de alta temperatura e pressão média a alta (fácies granulito). foram montadas outras usinas no mesmo local para atender inteiramente à crescente demanda de consumo. ambos de idade Pré-Cambriana. gabro e outras rochas básicas e ultrabásicas. que iria ser colocado na fábrica Bernardo Mascarenhas como força propulsora. planos de fraqueza e a típica esfoliação esferoidal que se interceptam originando blocos de rocha sã de dimensões variadas. lembra a arquitetura medieval . Mineira de Eletricidade. o relevo nas proximidades das usinas caracteriza-se por altas colinas de topos arredondados. O edifício da Cia. denominado “Castelinho”. de cor amarelada com alto grau de erodibilidade. Mineira de Eletricidade. como será descrito em seguida.Séculos XIX. denominado “Castelinho”.Primeira usina hidroelétrica da América do Sul destinada à produção de energia para utilidade pública e força motriz para indústria Posteriormente. migmatito.Edifício da Cia. quando ocorreu a inauguração do motor elétrico. XX e XXI Descrição geral da usina Geologia A geologia ao longo do rio e suas margens é constituída por afloramentos de rochas charnockíticas. Este complexo charnockítico acha-se intercalado por faixas com espessuras variádas de granulitos. vertentes concavo-convexo e drenagem dentrítica.A História das Barragens no Brasil . Figura 8 .

foi construída a quinta unidade.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Localização e dados técnicos históricos A usina hidroelétrica de Marmelos está localizada no rio Paraíbuna. após a inauguração de Marmelos 1. com capacidade de 1600 kW. que foi inaugurada inicialmente com dois grupos geradores de 600 kW de potência cada. acionadas por turbinas Francis. Marmelos 1 contou inicialmente com duas unidades geradoras bifásicas de 300 kW cada. M. fabricadas pela alemã J. A casa de força foi construída em prédio contíguo ao da usina Marmelos 1. Com o aumento da geração a CME ampliou sua área de influência na Zona da Mata Mineira. instalada em uma casa de força adjacente à Usina 1. Mar de Espanha. tornando-se concessionária dos serviços de eletricidade de Matias Barbosa.000 kW. a usina de Marmelos 1 foi desativada. Marmelos atinge a potência de 1200 kW com a entrada em operação da quarta máquina de fabricação da Westinghouse. ampliou-se a potência da usina de Marmelos 2 com a instalação da terceira e quarta unidades geradoras. Um terceiro grupo gerador com a capacidade de 125 kW foi instalado em 1892. Em 1952. Em 1915 o engenheiro Asdrúbal Teixeiras de Souza projetou a segunda usina Marmelos 2. afluente do rio Paraíba do Sul a 7 km de Juiz de Fora e a 290 km de Belo Horizonte MG. a usina iniciou o fornecimento de energia para a fábrica de Mascarenhas após a aquisição do primeiro motor elétrico instalado no Brasil. fabricados pela empresa americana General Electric e turbinas tipo Francis de 1000 HP. de fabricação italiana. construída pouco abaixo da usina desativada. tem como coordenadas geográficas Latitude 21º 43’ Sul e Longitude 43° 19’ Oeste. como as demais. Esta usina. Outro motor elétrico de 20 HP. dois anos após a construção da usina de Joasal. quando obteve a sua concessão através do decreto MME 700725 de 08/07/80. com capacidade de 600 kW cada uma com as mesmas características técnicas das duas anteriores. Voith. sendo denominada Usina 1-A. denominada Usina Zero. Este motor de 30 HP de potência era de fabricação da Westinghouse. A usina de Marmelos como é denominada atualmente é composta pelas antigas Usinas 2 e 1-A e passou a ser operada pela CEMIG em 1980. Marmelos 2 passou então a dispor de capacidade instalada de 4. operada sob tensão de 1000 Volts. também em Juiz de Fora. visando transformá-la em linhas elétricas. pois a maioria das indústrias têxteis era movida a vapor com complicados sistemas de transmissão para as máquinas e muitas ainda eram acionadas por rodas d’água. Esta unidade geradora era composta por uma turbina tipo Francis dupla. Em 1898. foi adquirido na ocasião pela fir ma Pantaleone Arcuri & Timponi. Em 1905 foi instalada a terceira unidade com capacidade de 300 kW. fabricada pela empresa americana James Leffel e um gerador de fabricação da General Electric. última usina construída pela CME. a cidade de Juiz de Fora passou a viver um intenso desen­ volvimento industrial o que demandava aumento na oferta de energia. O acionamento elétrico dessas fábricas representou à época outro marco histórico. As figuras a seguir ilustram os equipamentos eletromecânicos da usina de Marmelos. 105 . na frequência de 60 Hz. no momento em que a CME adquiria a companhia de bondes de tração animal de Juiz de Fora. Em 1948. quando Juiz de Fora possuia 180 lâmpadas na iluminação pública e 700 para uso particular. Em 1921 e 1922. A usina foi projetada inicialmente com uma capacidade de geração de 250 kW distribuída em dois grupos geradores monofásicos de 125 kW. foi desativada em 1896. fabricados pela Westinghouse. Nesta época. Em 1910. Bicas e Guarará.

Gerador da unidade 1 a 4 da antiga Usina 2 106 .Interior da casa de força da antiga Usina 2 de Marmelos Figura 12 -Turbina e gerador da unidade 5 da antiga Usina 1 A Figura 13 .A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 11 .Séculos XIX.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 .Usina 2 Figura 15 .Regulador de velocidade da excitatriz Usina 2 Figura 16 .Painel original das unidades 1 a 4 e excitatrizes 1 e 2.Excitatriz nº 2 semelhante a uma unidade geradora hidráulica . inoperante 107 .

com capacidade de 58 m³/s. seguida por um vertedouro de crista livre com 20 m de comprimento.5 x 2. localizado na margem direita. localizada na margem esquerda. que permitem o aumento da capacidade do reservatório em períodos secos.5 m de altura divididos em 10 vãos ao longo de todo o comprimento da estrutura. também em alvenaria de pedra. fundada em rocha sã pouco fraturada. de alvenaria de pedra. Barragem e vertedouro A barragem é do tipo gravidade.Séculos XIX. Tomada de água Arranjo geral atual A barragem para a formação do reservatório operado a fio d’água é constituida por uma estrutura do tipo gravidade em alvenaria de pedra com 51 m de extensão e altura máxima de 7.5 x 2. Possui uma descarga de fundo motorizada (2. localizada na margem direita.5 m. é composto por um túnel escavado em rocha. XX e XXI Figura 17 – Vista aérea de montante da usina adução e duas tubulações forçadas que conduzem a água até as unidades geradoras.A História das Barragens no Brasil . O circuito hidráulico de geração. A tomada de água do túnel adutor.5m). onde estão localizadas a antiga tomada de água para o canal de adução da usina Zero e a tomada de água do túnel de adução da usina de Marmelos. seguido por um canal de Figura 18 . Sobre o vertedouro existe uma passarela que possibilita a colocação de flash-boards de até 2.5 m). e por um trecho. O arranjo da barragem partindo da ombreira esquerda para a direita se constitui por uma descarga de fundo de acionamento motorizado (2. com um trecho em crista livre vertente com comprimento de 20 m e vazão de 134 m³/s. é uma estrutura em alvenaria de pedra possuindo uma comporta moto- 108 .Vista de jusante da barragem e do descarregador de fundo na margem esquerda. vencendo um desnível de 51 m entre o nível máximo do reservatório e o eixo das tubulações forçadas na entrada das turbinas.

e uma terceira comporta para a regularização do nível de água. que foi a casa de força da Usina 1-A. Próximo a essa estrutura existe um descarregador de fundo. é formada por dois blocos distintos: um deles.20 m. Uma pequena torre de seção quadrada e telhado de quatro águas marca a construção.9 m³/s. O trecho a céu aberto. Câmara de carga Entre o canal de adução e as tubulações forçadas.50 m (tubulação 2). Túnel e canal de adução O túnel adutor tem extensão de 215. O outro bloco. Tubulações forçadas Existem duas linhas de tubulações forçadas partindo da câmara de carga. em alvenaria de pedra.67 m³/s. de eixo horizontal e engolimento de 1. sendo vazadas por vãos com vergas em arcos abatidos em seqüência ritmada. A casa de força da usina de Marmelos.20 m) formada por painéis de madeira. operadas manualmente.40 m. possui uma comporta de madeira acionada manualmente e muro em alvenaria de pedra. possui uma área total de 201. Na parte direita da estrutura existe um vertedouro complementar. A turbina é tipo Francis. Casa de força As estruturas da usina de Marmelos (Marmelos Zero.80 m e seção em ferradura com 10 m². A casa de força de Marmelos Zero foi edificada em nível abaixo da Estrada União e Indústria. Marmelos 1. Na continuação do túnel existe um canal de adução com 283. tem seção de 3. em planta. abriga uma unidade geradora de 1600 kW. O trecho coberto.40 m são a céu aberto. uma com diâmetro de 1. abriga quatro unidades geradoras de 600 kW cada e casa de força da antiga Usina 2. que alimenta a unidade geradora nº 5.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens rizada tipo deslizante (4. de eixo horizontal e engolimento de 4.50 x 4. Na tubulação nº 2 existe uma bifurcação com diâmetro de 1. situada na Casa de Força 1-A. 189 m. em alvenaria de pedra. hoje é utilizada como almoxarifado. também em alvenaria de pedra. O comprimento de cada uma delas é de 125. Canal de adução desativado Localizado e incorporado à barragem. o circuito hidráulico de geração conta com uma câmara de carga em alvenaria de pedra. totalmente escavado em rocha e revestido lateralmente com concreto. cujas vazões são absorvidas por um canal de concreto. na sua margem direita e junto à tomada de água do túnel adutor. A usina de Marmelos Zero se transformou em 109 . A Figura 19 a seguir é uma vista geral da usina de Marmelos (casas de força e tubulações forçadas).44 m de comprimento. dos quais 94. A casa de força da antiga Usina 1. tem seção em ferradura semelhante à do túnel.40 m de extensão.30 m (tubulação 1) e outra com diâmetro de 1.30 m e 81. O Museu Usina de Marmelos Zero A CEMIG (na época Centrais Elétricas de Minas Gerais) adquiriu a usina em 1980.60 x 3. A cobertura de duas águas é recoberta por telhas francesas e tem os beirais ornamentados por lambrequim.76 m². Suas paredes são em alvenaria de tijolos maciços aparentes. com área total de 273 m². Marmelos 1A e Marmelos 2) estão localizadas ao longo do rio Pa­ raibuna e foram assentadas em maciços rochosos sãos. As turbinas são tipo Francis. sobre embasamento de pedra. Canal de fuga As paredes do canal de fuga das antigas Usina 1-A e Usina 2 são em alvenaria de pedra. Possui duas comportas na tomada de água. situado sob a rodovia. Hoje é Museu da Usina de Marmelos.

O acervo do museu é composto por objetos particulares de Mascarenhas.Museu de Marmelos Zero (antiga casa de força Marmelos Zero) 110 . a administração do museu está a cargo da Universidade Federal de Juiz de Fora UFJF. cuja fabricação era da Westinghouse. O museu tem como propósito preser var a memória tecnológica e científica da cidade. mantendo-o aberto diariamente. neste mesmo ano. painel de controle de energia e uma réplica de um gerador utilizado na época. rascunho da planta da usina. 1983 num espaço cultural e museu. Figura 20 . concedido pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). assim como destacar a figura importante de Bernardo como sendo o precursor desta idealização e realização deste sonho. 2 e 1A. inclusive nos finais de semana e feriados. no qual a cidade de Juiz de Fora foi escolhida para ser a primeira a se iluminar. no bairro Retiro. Em 2005. O convênio firmado entre a UFJF e CEMIG (atualmente Companhia Energética de Minas Gerais) tem como meta aprimorar o atendimento ao público que visita o museu. por meio do telefone (31) 3229-7606. pelo Patrimônio Histórico Artístico e Cultural do município de Juiz de Fora. teodolito. XX e XXI Desde o ano 2000. além de várias fotografias que mostram a construção da usina. livros de ata e contabilidade dos primeiros acionistas da CME. máquina de escrever e de calcular. De segunda a sexta-feira podem ser agendadas visitas monitoradas por acadêmicos da UFJF. desta vez. O prédio da fábrica de tecidos de Mascarenhas também se encontra preservado. Após a morte de Mascarenhas o prédio passou por Figura 19 – Vista geral das casas de força da usina hidroelétrica de Marmelos: antigas casa de força 1. tripés de madeira. após seu tombamento.Séculos XIX. Está aberto das 8:30 h às 17:00 h. Esses tombamentos demonstram a suma relevância de sua preservação como um prédio histórico. contas de luz.A História das Barragens no Brasil . próximo ao trevo da cidade de Bicas. assim como fotos de Bernardo e sua família e painéis com pequenos textos infor mativos. O Museu Usina Marmelos Zero encontra-se localizado às margens da Rodovia União-Indústria. a usina ganhou um segundo tombamento.

A mobilização de artistas.html http://www. CEMIG .br/centrodeciencias/museu-usina-marmelos-zero/ http://wikimapia.br Figura 22 .asminasgerais.br/historia-das-hidreletricas-no-brpdf-a91646.memoria. ampliações e modernizações.eletrobras.CCBM . Umada.gov.com.br/juizdefora.ebah.ufjf. Cemig Notícia – Mais Energia Para uma Grande Cidade Juiz de Fora .htm www. 2009.php http://www.pjf.Usina de Marmelos .História das Hidrelétricas no Brasil .Centro Cultural Bernardo Mascarenhas Referências CEMIG – Inventário civil – SR/SE Usina Hidrelétrica de Marmelos Relatório Final Novembro 1983.html www.org/701437/pt/Usina-Marmelos http://www.br/alfa/historia-daeletricidade-no-brasil/historia-da-eletricidade-no-brasil-5.com. Silvânia Duarte – Educação e Turismo uma Forma de Conhecer a História da Usina de Marmelos – Departamento de Geociências – UFJF. deixando como patrimônio sua sede.mg.Estudo de Viabilidade de Recapacitação e Modernização . jornalistas e intelectuais fizeram com que o imponente prédio.Edição Especial Junho de 1980.br/patrimonio/usina_marmelos.com.com.Canal de adução desativado 111 . que foi utilizada para pagamento de dívidas junto ao governo.com/index. Fernanda Borges Ferreira Murilo Keith .asp http://www.portalsaofrancisco.1ª Etapa : Diagnóstico da Situação Atual da Instalação . 2001 http://www. Lima.Setembro 1993. fosse transformado em um centro cultural em 1987. A fábrica encerrou suas atividades em janeiro de 1984. localizado na Avenida Getúlio Vargas 200.Universidade Tecnológica Federal do Paraná Campo Mourão.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 21 .conotec.

Usina hidroelétrica de Angiquinho na cachoeira de Paulo Afonso em diferentes regimes do rio São Francisco .

distante aproximadamente 24 km da cachoeira. de 625 kVA. A partir de 30 de novembro de 2006. e também a Vila Operária da fábrica. as edificações com o acervo interno e externo e toda a área do Complexo de Angiquinho foi tombado e integrado ao Patrimônio Histórico Artístico e Natural do Estado de Alagoas. no Rio São Francisco. o segundo de 450 kVA e.500 HP (1. a bomba d’água que abastecia a cidade. no estado de Alagoas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Usina Hidroelétrica de Angiquinho Aurélio Alves de Vasconcelos Figura 1 – Vista geral da Usina Hidroelétrica de Angiquinho Introdução Inaugurada em 26 de janeiro de 1913. subestação elevadora. aproveitando uma queda d’água de uma altura de 42 metros. A Usina Hidroelétrica de Angiquinho tinha capacidade de gerar 1. almoxarifado. localizada na margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso. atual Delmiro Gouveia em sua homenagem. o último. um com 11 casas e 1 escola. Tinha como objetivo fornecer energia elétrica a indústria têxtil Companhia Agro Fabril Mercantil de propriedade do industrial Delmiro Gouveia. operado pela Chesf. O ousado projeto. com sua casa de força encravada nas rochas 113 . próximo ao atual Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso. com tensão de saída em 3. Angiquinho foi a primeira usina hidroelétrica do Nordeste. constituída por três grupos geradores sendo o primeiro de 175 kVA. Sua energia era suficiente para suprir. e outro com 2 casas. localizada na cidade de Pedra.000 Volts.102 KW). casa de bomba e escada de acesso à casa de força. A usina ocupava uma área de 253 hectares e possuía dois conjuntos de instalações. além da indústria. que continua de pé no meio da caatinga.

ambiental e cultural. Resgata e cria uma grande oportunidade para todos que desejam conhecer a história da eletricidade do Brasil.Guindaste usado na fase de construção e montagem da casa de força 114 . Angiquinho. XX e XXI Figura 2 – Casa de força da Usina Hidroelétrica de Angiquinho íngremes nas margens do cânion do rio São Francisco.A História das Barragens no Brasil . educacional. Hoje.Séculos XIX. levou o desenvolvimento para a região que até então só conhecia a luz tênue de candeeiro. Figura 3 . além de ser área de preservação cultural. é um pólo de turismo histórico.

a industrialização da energia hidroelétrica da cachoeira de Paulo Afonso e um vasto plano agrícola-industrial conexo”. Tomado pelo ímpeto de realizar proezas. Moore e sob a supervisão técnica do engenheiro Stewart. Fugido do Recife por desavenças políticas. coube ao capitalista Delmiro Gouveia (18631917). além de mover indústrias próximas à cachoeira e a outros planos de irrigação de terras locais. os norte-americanos só participariam. visando uma cooperação sob a forma de joint-venture. sua vida não seria senão uma conseqüência da prática de ousar. Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu em Ipu. chefiada pelo capitalista Mr. em 5 de junho de 1863. com sua proeza de transformar as idéias em realidade. o referido projeto consistia em abastecer e iluminar cidades da região. cujo objetivo principal era “empreender. Dantas Barreto. hoje distrito de Pires Ferreira. para estudos no rio São Francisco e na cachoeira de Paulo Afonso. Era descrito como um homem sempre disposto a assumir grandes compromissos. 115 . no sertão alagoano. ele buscou refúgio em Alagoas. bem como iluminar sua Vila Operária. onde foi bem recebido pela oligarquia local. Apesar dessas considerações. Assim. ou seja. Delmiro Gouveia refugiou-se no sertão alagoano. Delmiro procurou sondar as potencialidades da região para poder colocar em ação a realização de seu sonho. construir o empreendimento pioneiro no campo da hidroeletricidade em pleno sertão nordestino. seria instalado um curtume para armazenar peles. precisamente em 1903. no Ceará. o aproveitamento e exploração do vale do rio São Francisco. em grande escala.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens História No início do século XX. consegue recuperar a fortuna perdida no Recife. ambas da Pedra. com investimentos no comércio exportador de “courinhos” (artigos de pele de bode e cabra) e com amparo financeiro de ricos financiadores norteamericanos. onde. em breve. a Usina Angiquinho. recebeu uma delegação de técnicos norte-americanos. Logo. Confirmadas as vantagens. Diante da negativa. Por volta de 1909. quando fixou residência no vilarejo denominado Pedra. restou acertar as condições comerciais. Delmiro chegou até a justificar a proposta do projeto de eletrificação Figura 4 . de fato. em virtude do surgimento de condições técnicas e econômicas. constituída com capital nacional e estrangeiro. Contudo. Inicialmente. cuja finalidade seria fornecer energia para a fábrica têxtil produtora das linhas Estrela. em caráter sigiloso. Sabe-se que os estudos contemplaram a viabilidade do aproveitamento hidrelétrico de um trecho do rio. com a expressa autorização dos estados fronteiriços ao rio. Essa foi a condição para a participação do capital norte-americano no projeto. não contava Delmiro com a recusa do Governador de Pernambuco.Fruto de um caso extraconjugal.

situada a 23 km da cachoeira. sobretudo por parte das imprensas alagoana e carioca que publicavam manchetes com veementes protestos sobre o assunto. O decreto nº 503. Então. da Alemanha. para projetar a empreitada. Também foram contratados engenheiros e técnicos franceses para montar a usina. houve quem duvidasse do sucesso da obra. os equipamentos foram transportados de trem através da Estrada de Ferro Paulo Afonso até chegar na estação da Vila da Pedra. Na etapa seguinte. Em decorrência. Luigi Borella. então. Já o maquinismo da fábrica veio da companhia Dobson & Barlow.. Piranhas. mas a usina permaneceu intacta. e do engenheiro Emilio Levermann. a concessão para captar o potencial hidrelétrico da cachoeira de Paulo Afonso e produzir eletricidade. Em seguida. os quais souberam como poucos resistir às críticas e fundamentar seus argumentos na Câmara e na Imprensa. Geralmente. M. Superada a recusa. Houve reações contrárias à implantação desse aproveitamento hidrelétrico da cachoeira. Alagoas. Equipamentos elétricos ficaram a cargo da empresa alemã Bergmann & Co. e a isenção de impostos referentes à sua fábrica de linhas de costura Estrela. coube a Delmiro. não passando de lenda o lançamento dos equipamentos da fábrica e da usina. Como a casa de máquinas da usina ficaria no paredão do cânion do São Francisco. Para a montagem dos equipamentos da usina. Por conseguinte. foram colocadas em uma barca que subiu o rio São Francisco até atracar na lapinha do sertão. Delmiro resolveu. vindos da Europa. Em 1912. para a conclusão da longa travessia. Entre 1910 e 1911. o discurso girava em torno da responsabilidade jurídica sobre a exploração do Rio São Francisco. Após a morte por assassinato de Delmiro Gouveia. para alimentar uma fábrica de linhas em pleno sertão. cruzaram o Atlântico até o porto da cidade de Penedo (AL).Séculos XIX. Worth e a suíça Piccard Pictet & Co. XX e XXI do Recife. e da suíça Brown Boveri & Co. As turbinas foram encomendadas às casas Bromberg e Siemens Schukert & Co. concretizar o so- nho da eletrificação. local de difícil acesso. já que o Governador categoricamente relutou: “O negócio que o senhor propõe é tão vantajoso para o Estado que deve envolver alguma velhacaria”. bem como dos consequentes impactos ambientais e econômicos. do mesmo ano. da Inglaterra. em carroções puxados por juntas de bois. dentro da cachoeira de Paulo Afonso. na localidade de Pedra. pelos ingleses. o deputado federal Demócrito Gracindo e o consultor jurídico do Estado Alfredo de Maya. A usina permaneceu no local e os equipamentos da fábrica anos depois foram levados para São Paulo. 116 . o maquinário da usina percorreu os 24 quilômetros que os separavam até a Cachoeira de Paulo Afonso. os estrangeiros pularam fora. os projetos iniciais das obras. furiosos debates e fracassadas conclusões acerca da célebre concessão de aproveitamento da maravilhosa queda d’água. No entanto. havia concedido a isenção de impostos pelo período de dez anos para a exploração de uma fábrica de linhas de costura. e acabou por contratar um engenheiro italiano. R. todas essas concessões foram transformadas em decretos-lei pelo Estado de Alagoas. Delmiro requisitou a experiência estrangeira do técnico Anton Wer. Boa parte desse aval deve-se aos esforços e à petulância de dois alagoanos. mas não foi suficiente. junto à firma inglesa W. através da firma Iona & Cia. A tribuna da Câmara Federal também foi palco de embaraçosos discursos. com a necessária construção de pontes e estradas adequadas para permitir sua passagem. entre os quais o direito de explorar as terras improdutivas na cidade de Água Branca. Delmiro foi à Europa adquirir o maquinário necessário. Para construir Angiquinho. Bland & Co. As tubulações foram fabricadas pela competente empresa alemã Mannesmann. as caixas com as máquinas e equipamentos.A História das Barragens no Brasil . o engenheiro italiano Luigi Borella veio treinar o corpo técnico e dirigir o complexo hidrelétrico. Delmiro conseguiu obter vários privilégios do Governo do Estado de Alagoas. a produção de linha de coser foi prejudicada. Por fim. A obra foi realizada mediante concessão do estado de Alagoas ao abrigo do decreto nº 520 de 12/08/1911 de acordo com a Constituição Federal de 1891. A parte hidráulica com a alemã J. voltou-se para um projeto de construção de uma usina hidroelétrica. Contrataram-se. encabeçar outro projeto ousado.

presidente do Senado Federal e vicepresidente da República. passando a destruir a concorrência no setor e ficando conhecido como o Rei das Peles. em Pernambuco e depois para o Recife. na cidade de Pesqueira. 117 . transferiu-se com sua mãe para a cidade de Goiana. trabalhando também na estação de Apipucos. inaugurado no dia 7 de setembro de 1899. na fazenda Boa Vista. o que culminou com o incêndio do mercado. ruas. município de Ipu. onde só havia manguezais: abriu estradas. Em 1875. no início de 1900. base de sua capacitação necessária a vencer os diversos desafios com que sonhava e que nele tinham a firmeza das idéias-fixas. com Anunciada Cândida de Melo Falcão.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Quem foi Delmiro Gouveia (1863-1817) Delmiro Augusto da Cruz Gouveia nasceu no dia 5 de junho de 1863. teve que trabalhar cedo para se manter e ajudar a mãe. Esmeraldino Bandeira e em decorrência. o Mercado Coelho Cintra. inicialmente como empregado da família Lundgren e depois por conta própria. Interessado na compra e venda de couro e peles de cabras e ovelhas vai para o interior de Pernambuco. Dedicou-se ao comércio e exportação de couro e peles.  Dispondo de capital. Em 1872 muda-se para Recife. mantendo um grande número de compradores por toda a região Nordeste do Brasil. onde funciona o Instituto de Documentação. Trabalhou ainda como despachante de barcaças. construiu casas e um grande mercado modelo sem similar no Brasil. em 1883. em 1896. onde adquiriu posteriormente. Os baixos preços praticados no mercado incomodaram a concorrência. no Recife.Delmiro da Cruz Gouveia do Derby. Fundou. havendo por isso desentendimentos com o então prefeito do Recife. um palacete que hoje é propriedade da Fundação Joaquim Nabuco. filho natural de Delmiro Porfírio de Farias e Leonilda Flora da Cruz Gouveia. Ceará. quando já acumulava riqueza suficiente. quando ele tinha apenas quatro anos de idade. Em 1868. bairro do Recife. a Casa Delmiro Gouveia & Cia. Foi bilheteiro da estação Olinda do trem urbano chamado maxambomba. Foi o responsável pela urbanização do bairro Figura 5 . conflitos com o poderoso Rosa e Silva. tangidos pelas secas que periodicamente ocorrem no sertão nordestino e pela morte do pai. casando-se. se engajou politicamente e partiu para outros empreendimentos. quando tinha apenas 12 anos de idade abandona o lar materno e se lança no mundo à procura de emprego que lhe permitisse sobreviver com o mínimo de folga para proporcionar o seu aprendizado. com 264 compartimentos alugados a comerciantes de alimentos e de outros tipos de mercadoria. De família pobre.

  ambulatório médico. Dantas Barreto. depois Bolívia. que o acusava de estar procurando aproveitar-se do seu governo e. no dia 10 de outubro de 1917. Passou a idealizar e desenvolver projetos para a implantação de uma hidroelétrica que abastecesse o Recife de energia. uma pequena fábrica têxtil para produção de linha. e da falta de apoio governamental. Figura 6 . mas con- 118 . através de uma pequena usina geradora de eletricidade. por isso. capta energia elétrica na queda do Angiquinho. em 1902.Prédio do antigo mercado que agora abriga o quartel general da Polícia Militar de Pernambuco Angiquinho atualmente Em outubro de 1958 a usina Angiquinho perdeu a concessão do aproveitamento parcial da cachoeira de Paulo Afonso. Não querendo ficar isolado e para ajudar no desenvolvimento das suas atividades industriais. Chile. além da tensão em que vivia. uma vila operária. que logo dominou o mercado nacional. em Maceió. puxando a rede elétrica até a sua fazenda. uma localidade a cerca de 280 km de Maceió e que na época só possuía seis casas. inicia os estudos para aproveitamento econômico da cachoeira de Paulo Afonso. aos 39 anos. perseguido e com problemas no casamento refugiou-se durante um ano na Europa. em 1914. Embarcava sua produção através de porto de Piranhas. Passou a comprar e exportar couro e peles. utilizando o Porto de Jaraguá. à medida que enriquecia criava mais inimigos. construiu cerca de 520 km de estradas carroçáveis e introduziu o automóvel no sertão. hoje município de Delmiro Gouveia. cinema e ringue de patinação. com a marca Estrela. após a reforma realizada em 1924. Em 1901. utilizando a ferrovia que ligava Jatobá (atual Itaparica) a Piranhas para transportá-la. Em 1909. fugindo para Alagoas e fixando-se na Vila da Pedra. no lado alagoano. o prédio do antigo mercado abriga o quartel general da Polícia Militar de Pernambuco (Figura 6). o que causou desentendimentos com o então governador de Pernambuco. rompeu relações com o industrial. Inaugurou. Peru. Autoritário e de temperamento difícil. com diversos pavilhões onde ficavam os teares. Seu temperamento sempre difícil. impondo-se também nos mercados da Argentina. Levou a energia elétrica para a povoação onde ficava a fábrica e depois até a Vila da Pedra. XX e XXI Hoje. no terraço da sua casa na Vila da Pedra.  A fábrica era um modelo de organização.Séculos XIX. aos 54 anos de idade. produziram uma série de atritos e inimizades. Separado da esposa.A História das Barragens no Brasil . que culminaram com o seu assassinato à bala. Em 26 de janeiro de 1913. raptou a adolescente Carmela Eulina do Amaral Gusmão. Barbados e até nas Antilhas e Terra Nova.

que além de proporcionar ao turista comum uma vista diferenciada da cachoeira. da Furna dos Morcegos. mas nunca se esconderam na Figura 7 . 119 . a usina foi transformada em um ponto de visitação turística.Escada de acesso à casa de força Furna dos Morcegos. Segundo o projeto de recuperação denominado “Projeto de gestão de Angiquinho”.A casa força de Angiquinho localizada à margem alagoana da cachoeira de Paulo Afonso Figura 8 . foi elaborado um projeto de recuperação histórica que inclui a restauração da usina. Por intermédio da CHESF e da prefeitura de Delmiro Gouveia. quando foi por fim desativada. contudo a presença dos cangaceiros na área de Angiquinho já foi praticamente desmentida. seria incoerente um bando tão articulado como o de Lampião se esconder em um local que tem apenas uma única entrada. Depoimentos de cangaceiros do bando afirmaram que estiveram naquela área. Além disso. bem como atrair profissionais e leigos com interesse de conhecer a história das hidreléricas no Brasil. onde dizem que Lampião se escondeu. pois não se encontrou qualquer indício dessa passagem.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens tinuou a distribuir eletricidade para a cidade de Delmiro Gouveia (antiga vila da Pedra) até 1960.

assinala Edvaldo Nascimento. que investiu R$ 1. águas muito limpa mostram o fundo translúcido do Velho Chico. passou a gestão de Angiquinho à Fundação Delmiro Gouveia (FDG). Nas entranhas da usina saem paisagens lunáticas. Passear no sítio histórico de Angiquinho é mover as rodas da história. que liderou o movimento pelo resgate do acervo.A História das Barragens no Brasil . São pedras e rochas e tocas de rio para todos os lados (Figura 13). coordenador da FDG. “A luta agora é para que Angiquinho deixe a fila de espera pelo decr eto do gover no federal e Ministério da Cultura para o tombamento nacional” .Séculos XIX. 120 .5 milhão na recuperação da usina. XX e XXI Figura 9 – Prédios da usina recuperados Figura 10 – Interior da casa de força A Chesf.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 11 – Gerador Figura 12 – Turbina de eixo horizontal 121 .

XX e XXI Figura 13 .Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil .Vista do cânion a partir da casa de força 122 .

Paulo Afonso-BA. 3. escadas em espiral. São Paulo: hucitec/Abphe. Maceió: Fiea/ Gijs. 13. com plataforma para mirante. que iluminou boa parte da região até nos anos 60. Unesp.controvérsia. 11. São Paulo: ed. 1995. fruto da cabeça do cearense Delmiro Gouveia.fundaj. Figura 14 . A visão do Velho Chico cercado por cânions e corredeiras é colossal. A descida é adrenalina pura. Paulo B. Fernandes. no caminho da velha casa das máquinas.al. Szmrecsányi. Governador de Alagoas assina decreto de tombamento do complexo Angiquinho (HTML). que desce 45 metros abaixo das rochas. Adriana Sbicca. no rio e na bela cachoeira. Cachapuz. 5. ou parte dela. Rio de Janeiro: Centro da Memória da Eletricidade no Brasil. 10. http://www.turismo. Gildo. A casa de máquinas continua presa às rochas e é o ponto culminante do passeio. Silva.br/sala-de-imprensa/noticias/ noticias-2008/angiquinho-atrai-turismo-de-aventurasem-delmiro-gouveia/(Texto de Mário Lima) acessado em 17/02/2011). 9. Revista Continente Documento – Ano I. 1961. Davi Roberto Bandeira. 4. Sant’ana. Referências 1. Magalhães. e uma cachoeira transborda na entrada do lago da usina. Sávio.gov. Folha Sertaneja (03 de dezembro de 2006). 7.Subestação Elevadora de Angiquinho 123 .). Armando. Página visitada em 6 de janeiro de 2008. Pequena história de Delmiro Gouveia. de onde os olhos captam uma imagem inesquecível do que resta da cachoeira de Paulo Afonso. que abriga os três geradores Brown Boveri e as turbinas Piccard Pictet. 6. que alimentavam a usina. Paulo Afonso: de pouso de boiadas a redenção do Nordeste . Site www. 8. Maceió: imprensa oficial.br 12.gov. 2008. Jornal Chesf – CER – Ano IV – nº 235 – junho a novembro/2006.Câmara Municipal de Paulo Afonso. Empresas. php?option=com content&vieu=article&id=6068Itemid =195(Texto de Semira Adler Vainsencher pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco) Acessado em 17/02/2011. Antônio – Mascarenhas. Projeto Gestão de Angiquinho (HTML) (2008). http://basilio. Moacir Medeiros de. Galdino. Principalmente ao abrir as janelas da casa e correr o olho nas rochas. Ousadia no Nordeste: A Saga Empreendedora de Delmiro Gouveia. Paulo Afonso I: Imagens de uma epopéia. Página visitada em 6 de janeiro de 2008. Tamás (orgs. Força e luz: eletricidade e modernização na República Velha. Entrar naquele prédio arrojado e quase secular é sentir segurança e êxtase.com. o “Rei do Sertão”. 2000.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O coração começa a bater mesmo na escadaria de metal. empresários e desenvolvimento econômico no Brasil. 2. de Barros – Dalla Costa. nº 11 – 2003. 2007. 2008.br/pesquisaescolar/index.

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afluente do rio Manoel Alves Grande. com rendimento de 75%. As Figuras 2. hoje completamente abandonada e em péssimo estado de conservação. As obras civis foram constituídas por um canal lateral de forma trapezoidal. A usina foi construída aproveitando uma queda de 11.50 m (Figura 1). No local foi implantada uma casa de força que abrigava uma turbina Francis de 110 kW. 3.Cachoeira do Itapecuruzinho 125 .44 m3/s. A linha de transmissão da usina para a cidade de Carolina tinha Figura 1 . Foi concebida e projetada no período de 1937/1938 e teve a sua construção realizada no período de 1939/1940. 380/220 V. que terminava com uma pequena tomada d’água seguida de um conduto forçado com capacidade de 1.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Usina do Itapecuruzinho A primeira hidroelétrica da Amazônia Erton Carvalho Esta usina está localizada no rio Itapecuruzinho. dimensionado para aduzir uma vazão de 2. Contava. freqüência de 50 Hz e com a velocidade de 750 rotações por minuto.30 m. 4 e 5 mostram a casa de força e seu interior.000 V. que desemboca no rio Tocantins pela margem direita.22 m3/s. um gerador de 120 kVA. através de um sistema de polias. com uma pequena subestação que tinha um único transformador trifásico de 11. acionando. com 88 m de comprimento e um desnível de 0. O quadro de comando era de ferro perfilado com painel de mármore polido. no município de Carolina. estado do Maranhão. também.

Séculos XIX. XX e XXI Figura 2 .Turbina Francis 110Kw 126 .Casa de força Figura 3 .A História das Barragens no Brasil .

Newton Carvalho.2%. Excluindo os grandes centros urbanos. como a maioria das cidades ribeirinhas banhadas pelo grande rio. não tendo conseguido ser recebido por aquela autoridade. situada a 33 km da cidade. Por interferência de Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta.Gerador de 120 KVA necessidade de construir em Carolina uma usina hidroelétrica. a audiência acabou sendo realizada Figura 5 . Tratava-se. sua fase áurea.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 28. iniciou sua luta para convencer um grupo de conterrâneos da Figura 4 .Gerador e painel de controle com sucesso. capital do estado. Mesmo assim. Naquela época (1937). arcebispo do Maranhão. para aquela sociedade local de uma obra bastante audaciosa. único meio de transporte existente na região. ele fez várias viagens a São Luiz. portanto.75% da atual. a rede pública de distribuição de energia era de 220/110 V. Paulo Ramos. sendo que as perdas no transporte da energia foram estimadas em 5. o que permitiu dar andamento ao início dos trabalhos. A linha foi implantada com postes de aroeira a uma distância média de 50 m. à margem direita do rio Tocantins. Na cidade. na maioria das cidades. e sua classe política bastante temerária quanto às atitudes do citado interventor. situada no extremo sul do Maranhão. o fornecimento de energia era restrito ao período das 18 às 21 horas. sendo 192 MW em usinas térmicas e 755 MW em hidroelétricas. Vale ressaltar aqui que Carolina era uma das cidades consideradas de oposição ao interventor do estado. homem de idéias progressistas. nos anos quarenta. Os sócios pretendentes exigiram que Newton Carvalho obtivesse do interventor uma autorização para que a usina fornecesse energia para a cidade. Em 1937. através de uma subestação abaixadora. A partir daí. aproveitando a bela cachoeira existente no rio Itapecuruzinho. 127 . História A cidade de Carolina.5 km. o Brasil possuia apenas uma potência instalada de 847 MW. Newton Carvalho colocou esse empreendimento como a grande meta de sua vida. conheceu. correspondendo a 0.

autorizou o funcionamento da usina e a sua inauguração se deu em 15/11/1941. companhia aérea alemã. O Decreto nº 15. ele mesmo. a primeira usina hidroelétrica da Amazônia. Newton Alcides de Carvalho provinha de família numerosa. A empresa de nome Hidroelétrica Itapecuru Ltda. a cooperação de mais seis sócios. onde hoje está localizada a usina de Tucuruí. um dos pesados transformadores da subestação caiu no rio. para negociar com a empresa a consolidação do projeto e a compra dos equipamentos necessários para a construção da usina. finalmente o maquinário chegou a Carolina. em seguida. que o equipamento subisse pelo empuxo a que era submetido. publicado no Diário Oficial do dia 8 de fevereiro de 1940. elaborou a planta da cidade e implantou a rede pública e o sistema de distribuição de energia residencial. na Junta Comercial do Maranhão. quando o presidente Getúlio Vargas e seu ministro Fernando Costa assinaram o decreto n o 4. para estudar junto à companhia alemã Siemens a viabilidade do empreendimento. Newton Carvalho foi ao Rio de Janeiro. Após verdadeira epopéia. Viajou às próprias custas e contou com a ajuda de um comerciante alemão. se esconde um episódio heróico que bem reflete a época e o momento histórico em que foi construída. foi então organizada para fornecer energia elétrica ao município de Carolina. utilizado em um trabalho de topografia para a ferrovia Pirapora-Belém. O projeto previa a colocação de duas unidades de 143 kW. utilizados pelos sertanejos locais. permitindo. às margens do pequeno rio Itapecuruzinho. de novembro de 1941. Quando passava pela cachoeira de Itaguatins. 128 . Foram lançados sacos de areia com bandeiras vermelhas para demarcar o referido caminho. Biografia Por detrás desta pequena central hidroelétrica. Foi assim instalada. esvaziava a embarcação. com uma linha de transmissão de aproximadamente 30 km. Em sua grande maioria esses marcadores não foram encontrados.Séculos XIX. foi empreendida uma luta titânica para retirá-lo da água.888. Para a construção da linha de transmissão foi aberta uma picada da cidade até o local da usina. O sucesso dessa operação só foi possível pelo fato de Newton Carvalho conhecer e fazer uso do princípio de Arquimedes. totalizando 14 sócios. a qual nunca saiu do papel. O rumo da linha de transmissão foi definido por um piloto da Condor. perto da cidade de Porto Franco. em 26 de julho de 1900.A História das Barragens no Brasil . teve. dividido inicialmente entre oito sócios. Com auxilio de mais uma embarcação. esvaziava-as e enchendo-as de água até chegar ao limite de transbordamento tracionava o transforma- dor e. Retornando do Rio de Janeiro com os dados da usina nas mãos.790. então capital federal. O capital inicial de 340 contos de réis. Newton Carvalho. organizou a firma em 1939. que fazia voos entre Carolina e Belém. Era um dos onze filhos do casal Alípio Alcides de Carvalho e Rosa Sardinha de Carvalho. posteriormente. Transportados por via marítima até o porto de Belém. com o auxílio de um velho teodolito de propriedade do professor José Queiroz. Voltando novamente à capital federal. A concessão para o empreendimento ocorreu em 16 de novembro de 1939. Para alcançar o lugar escolhido. dentre elas a de Itaboca. Desprovido de equipamentos para içá-lo. Newton Carvalho adquiriu da Siemens todos os equipamentos para a instalação da usina. Seu idealizador e executor (Figura 6) teve que vencer obstáculos quase intransponíveis para implantar na Região Amazônica a primeira usina hidroelétrica. mas inicialmente só foi instalada uma unidade de 110 kW. registrando-a no dia 11 de julho do mesmo ano. em plena ditadura do então presidente Getúlio Vargas. assim. Nasceu em Carolina. cada um contribuindo com 10 contos de réis. travou-se outra batalha com o transporte dos equipamentos em pequenos caminhões através de caminhos intricados. com o aproveitamento da referida cachoeira.. tendo as embarcações atravessado várias cachoeiras. XX e XXI Em 1938. proprietário da Casa Beckgis. que outorgou à sociedade o direito de explorar o referido aproveitamento até a potência de 285 kW. seguiram através do rio Tocantins até Carolina.

vítima de acidente automobilístico. o qual lhe proporcionou sólida base cultural voltada para as ciências exatas. Figura 5 . determinado. Em sua cidade natal. A formação do homem visionário. Não tendo sido ressarcido de seus investimentos. altamente avançado para a época. não era comum à época: tinha concluído apenas o curso ginasial. principalmente com a da iluminação pública. Memória Técnica da Usina de Itapecuruzinho. resolveu transferir-se com a família. Elaborou. Em 1949. obras porém não realizadas. da física e da engenharia. que pensava adiante do seu tempo. tendo adquirido por conta própria noções de inglês e alemão. 4. cópia datada de 1939. elaborou. para o interior do estado de Goiás.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Seu pai era originário da cidade de Caxias do Maranhão e sua mãe era oriunda de berço português. construiu as usinas hidroelétricas das cidades de Anicuns (1948/1949) e de Santa Cruz de Goiás. Deixou para a posteridade um exemplo de homem probo. trabalhou na Secretaria de Educação no planejamento e construção de 248 prédios escolares na zona rural. já radicado em Goiânia. Notas da família Carvalho Artigo do jornalista Waldir Braga no jornal “Folha do Maranhão do Sul” (25/Julho a 03/Agosto de 1996) Revista Século XX “Gente que fez Carolina” de Paulo Noleto Queiroz. apresentando um estudo sobre o aproveitamento do mesmo. corajoso e realizador. 2. antes mesmo de completar 70 anos. lecionou matemática e escrituração mercantil a jovens conterrâneos. Ali. também. decepcionado com a alta inadimplência dos consumidores de energia. Ainda não havia atingido quarenta anos quando resolveu vender todos os seus bens para conseguir tornar real o sonho de executar o projeto da construção da pequena usina hidroelétrica em Carolina. nascida em Vianna do Castelo. baseado no método dinamarquês. Autodidata.Newton Alcides de Carvalho Referências 1. 129 . norte de Portugal. ao mesmo tempo em que desenvolvia atividades comerciais. a esposa Eliza Ayres de Carvalho e seus filhos. 3. também. em 1944. projetos para as usinas de Campos Belos e Babaçulândia. através de tratamento mecânico e biológico. dedicou-se com afinco ao estudo da matemática. conhecido por “Dano”. da construção de uma usina açucareira. um projeto para a exploração industrial do babaçu. Newton Carvalho. Ali. Diversificando suas atividades. No período de 1961 a 1965 exerceu a função de chefe-geral da limpeza pública da capital do estado. Faleceu em 25 de outubro de 1969. ainda. Outubro de 2000. Estruturou o serviço de coleta e destino do lixo. participou.

130 .

Alexander Mackenzie. no Estado do Rio de Janeiro. residentes no Brasil havia cinco anos. da usina de Fontes. A barragem era uma estrutura de concreto gravidade em arco de 100 m de raio. Essa usina. no Município de Piraí. O gerente do Figura 1 . Liderada pelo advogado canadense Alexandre Mackenzie e pelo engenheiro americano Frederick Stark Pearson. recomendado pelo engenheiro Pearson. Em 1908 foi lançado o primeiro grande desafio: a construção no Ribeirão das Lajes. mas podendo chegar a 15 MW. elevando sua capacidade para 24 MW. Em 1909 foi ampliada com a instalação de mais três unidades geradoras. com 32 m de altura e crista com 234 m dos quais 134 m eram vertedouro de lâmina livre. Concepção artística do engenheiro José Carlos de Miranda Reis Neto Figura 2 . a Cidade Luz Sulamericana Armando José da Silva Neto e Flavio Miguez de Mello por em funcionamento no Brasil a empresa que seria referência no desenvolvimento da engenharia brasileira de barragens e usinas hidroelétricas. A potência instalada era de 12 MW. Kearny.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens “Ter-se-á de reconhecer a importância da contribuição da Light. 2007 A Light no Rio de Janeiro. na época de sua instalação era a maior hidroelétrica da América Latina e a segunda maior do mundo. O desenvolvimento da construção. primeiro presidente (1904-15) 131 . operação e manutenção de usinas hidroelétricas no Brasil tem um dos capítulos mais importantes na criação de uma empresa chamada The Rio de Janeiro Light and Power Co.” Antonio Dias Leite. fundador e segundo presidente (1915-28) empreendimento foi o engenheiro Clint H. Ltd. em 30 de maio de 1905. mesmo em comparações internacionais. que deu grandeza ao sistema elétrico brasileiro com projetos ousados.Frederick Stark Pearson. coube a tarefa de implantar e Casa de força de Fontes.

132 .4 km de extensão.Barragem de Tócos vista de montante Figura 3 .Séculos XIX. XX e XXI Figura 4 .Barragem de Lajes construída em 1906 Figura 5 – Saída do túnel de Tócos Em 1914 foi concluída a barragem de Tócos no rio Pirai e um túnel com 8. na época o mais longo túnel hidráulico do mundo.A História das Barragens no Brasil . Os dois escritórios da LIGHT nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo foram reunidos em um só visando a ampliação da geração de energia hidráulica já que a demanda naquela época não parava de aumentar em função do desenvolvimento que estava ocorrendo no País. Esse túnel passou a derivar as águas do rio Pirai para o reservatório de Lajes. possibilitando o aumento de capacidade de Fontes para 55 MW.

que era especializado em obras hidráulicas e seus equipamentos.5 km de extensão constituído por diques de terra compactada e trechos em concreto.Engenheiro Asa White Kenney Billings Figura 7 . A construção da usina ficou a cargo do engenheiro Asa W. As comportas se encontram em operação até os dias de hoje. o vertedouro principal é localizado na margem esquerda.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 1921 a LIGHT foi autorizada a construir uma nova usina hidroelétrica nos municípios de Carmo. Figura 6 . Com três comportas tipo setor que até hoje são as maiores do mundo. a usina tem um canal de adução com 2.Construção da usina hidroelétrica Ilha dos Pombos em 1924 133 . Inaugurada em julho de 1924. Há vertedouros de menores capacidades equipados com comportas Stoney. Kenney Billings. do lado norte. RJ e Além Paraíba. MG no rio Paraíba do Sul a 150 km da cidade do Rio de Janeiro.

Usina hidroelétrica de Ilha dos Pombos tendo seus vertedouros reabilitados. a LIGHT foi autorizada a ampliar a Usina de Fontes.Usina hidroelétrica de Ilha dos Pombos – Uma das três comportas setor. Vista de montante. Após mais de 55 anos de operação. as maiores do mundo Com as ampliações realizadas em setembro de 1937.Séculos XIX. bem como uma repotenciação da usina com aumento da capacidade instalada. a usina de Ilha dos Pombos atingiu a potência instalada de 167 MW sob 31 m de queda bruta. XX e XXI Figura 8 . Figura 9 . Em março de 1940. 134 .A História das Barragens no Brasil . foi executada uma reabilitação completa da barragem e de suas comportas. nos anos 90.

A ampliação constou de três novas unidades. Entretanto. aumentando a capacidade de armazenamento do reservatório para 1.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O projeto do engenheiro Billings elevou em 26 m a Barragem de Lajes. Para permitir a construção foi necessário desocupar a pequena cidade tombada de São João Marcos no município de Rio Claro. O reservatório havia sido idealizado para ser utilizado para regularizar as descargas que seriam derivadas do rio Paraíba do Sul. Figura 10 . O alteamento da barragem que passou da soleira vertedora livre em arco gravidade para uma barragem em contrafortes de 63 m de altura. o reservatório jamais foi completamente cheio por dois motivos: o abastecimento de água para a cidade do Rio de Janeiro havia passado a depender das descargas efluentes da casa de força de Fontes sem outro tratamento que não a cloração e a necessidade de obras adicionais para garantir a estabilidade da barragem de Cacaria e do Dique 4. elevando a potência instalada para 172 MW. implicou também na construção da barragem e do dique de Cacaria. na barragem do Rio da Prata.052 milhões de metros cúbicos. cada uma com 39 MW. Essas obras foram finalmente executadas nos anos 80.Início do alteamento da barragem de Lajes Figura 11 . no Dique 4 e no Dique 5.Barragem de Lajes após a conclusão do alteamento 135 . A obra foi concluída em 1958.

denominada Fontes Nova e na implantação da casa de força subterrânea de Nilo Peçanha que. à Light não eram concedidas novas concessões. Sapucaia e Simplício) e efetuado estudos que cobriram extensas áreas do território nacional. Presentemente as antigas unidades Pelton de Fontes estão desativadas. Esse cerceamento de novas concessões e a necessidade de ampliação da geração determinaram a adoção do artifício de se conceber uma ampliação da usina de Fontes pela derivação de descargas dos rios Pirai e Paraíba do Sul. até o líder da UDN. embora ela tenha estudado em detalhe potenciais no médio rio Paraíba do Sul (Funil. Nesse cenário. resultou na ampliação de geração em Fontes com a instalação de três unidades Francis de 39 MW cada. Figura 12 . sob a queda bruta de 310 m. Inaugurada em 1953. restando apenas as três unidades Francis de Fontes Nova e as seis unidades de Nilo Peçanha. XX e XXI Apesar dos bons serviços prestados e do estrangulamento das tarifas a partir do Código de Águas em 1934. Carlos Lacerda. Essa foi a obra de engenharia mais importante no final dos anos 40 e início dos anos cinqüenta. que se referia a ela como “o Polvo Canadense”. aumentou em 378 MW o Complexo de Lajes.A História das Barragens no Brasil . desde a vertente oceânica da Serra do Mar até as Sete Quedas. desde extremados esquerdistas que se intitulavam de nacionalistas. todas Francis de eixo vertical.Casa de força de Fontes 136 . a Light enfrentava opositores de todas as correntes políticas.Séculos XIX.

Embora constasse do projeto original. que contou com a importante colaboração do geólogo Portland Port Fox.Barragem de Santa Cecília Figura 14 . as terceiras instaladas no mundo depois das unidades de Traição e Pedreira em São Paulo. a barragem de Sant’Ana. destacando-se a elevatória de Santa Cecília. Figura 13 . projeto em que Karl Terzaghi introduziu filtros chaminés em barragens de terra. a construção da barragem Terzaghi e do dique Vigário. a elevatória de Vigário que dispõe de unidades reversíveis. a segunda casa de força de Nilo Peçanha ainda não foi construída.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Para esta fase da ampliação uma série de obras foram executadas. ficando as usinas de Fontes Nova e Nilo Peçanha com elevado fator de capacidade. também instaladas pela Light.Barragem Santana 137 . de grandes dimensões para a época. no rio Pirai construída em apenas dois meses. e a casa de força subterrânea de Nilo Peçanha.

O refluxo de lama inundou a casa de força de Nilo Peçanha causando a paralisação da usina por vários meses para a recuperação dos equipamentos totalmente feita pelos técnicos da Light. a Light teve que promover a regularização do rio pela implantação da barragem de Santa Branca e contribuído com 40% do Figura 15 .Séculos XIX. Realça-se a coragem dos operadores e a tenacidade da equipe da Light na recuperação das instalações cuja operação era comandada pelos engenheiros Walter Stukembruk e Henrique Smoka. ambos de elevada competência e dedicação. XX e XXI Em fevereiro de 1967 intensa precipitação provocou inúmeros deslizamentos nas encostas da Serra das Araras na área das usinas.Elevatória de Vigário. Para que a derivação das águas do rio Paraíba do Sul fosse licenciada.A História das Barragens no Brasil . ao fundo dique do Vigário e a barragem Terzaghi 138 . bloqueando os canais de fuga de Fontes e de Nilo Peçanha.Desvio Paraíba-Piraí .

Presença do Terzaghi (ao fundo) no campo durante a construção da barragem que tem o nome em sua homenagem Figura 17 . este com 330 m³/s de capacidade de descarga. João Monteiro 139 . essa usina foi inicialmente denominada Lajes Auxiliar.Canal de fuga de Nilo Peçanha em 1967 Foto 18 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens investimento na construção das barragens de Paraitinga e Paraibuna. posteriormente denominada de Pereira Passos. As estruturas de concreto da tomada d’água e do vertedouro. A barragem de terra tem 52 m de altura e 231 m de crista. Em 1961 foi concluída a usina de Ponte Coberta. Nicholson. Ministro Apolonio Salles. J. Curiosamente a Light esperou a posse do presidente Castelo Branco em 1964 para oficialmente inaugurar a usina. Somente nos anos 90 a Light instalou as unidades geradoras em Santa Branca. Considerando as dificuldades acima mencionadas na obtenção de novas concessões. aproveitando as águas turbinadas do Complexo de Lajes. com 99 MW instalados sob 36 m de queda bruta. são situadas na margem esquerda do reservatório.R.Inauguração da hidroelétrica Nilo Peçanha. no trecho paulista da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. Figura 16 .

General Ernesto Geisel. presidente da Light e Geremias Fontes. XX e XXI No final do século passado foi desenvolvido o projeto da PCH Paracambi. Antônio Gallotti.Séculos XIX. chefe da casa militar. tendo passado de grupos francês. Figura 20 . em visita de inspeção após o acidente de 1967 140 . ser de controle integralmente nacional. mais uma hidroelétrica no leito do ribeirão Das Lajes que presentemente (2011) encontra-se em construção. Castelo Branco e Gallotti. americano e nacional para.Pres.João Gonçalves de Sousa. Marechal Castelo Branco. presentemente. após os acidentes ocasionados pelas intensas precipitações. A Light foi estatizada em 1966 e privatizada em maio de 1996. presidente da República. ministro extraordinário para coordenação dos órgãos regionais.A História das Barragens no Brasil . Essa hidroelétrica terá 25 MW instalados com elevado fator de capacidade. governador do Estado do Rio de Janeiro em inspeção nas usinas geradoras da Light no dia 4 de fevereiro de 1967. Figura 19 . presidente da Light.

professor da UFRJ.Inundação da casa de força de Nilo Peçanha. inspeção de barco Figura 23 . parte da hidroelétrica Pereira Passos Figura 22 . em 2010 141 . Jerson Kelman. ao ser agraciado com o título de Engenheiro Eminente pela Associação dos Antigos Alunos da Politécnica. Dr.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 21 .Construção da barragem de terra de Ponte Coberta.O atual presidente da Light após ter dirigido a ANA e a ANEEL.

fundador e segundo presidente (1915-28) 142 .Alexander Mackenzie.

E. Foram introduzidas três comportas de segmento com capacidade de 800 m³/s. Light & Power Company e iniciou imediatamente a construção da hidroelétrica de Parnaíba. A barragem foi construída em alvenaria de pedra com vertedouro de superfície livre em quase toda a extensão de sua crista. telefonia.H. Nos anos 80. passando a ter 18.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A São Paulo Light. and this is but one of the several places that stand around São Paulo and sell more power to its elbow”  Rudyard Kipling* * “Eles (Light) afirmam agora que podem fornecer meio milhão de cavalos-vapor somente deste local (Cubatão). e esse é apenas um dos diversos lugares que se situam no entorno de São Paulo e que poderão vender mais energia para todos seus cantos. serviços de bondes e ônibus. Nas fotografias L. tesoureiro presidente da Companhia Telefônica Brasileira. Em 1954 a antiga casa de força foi substituída por uma estação de recalque com unidades reversíveis e a barragem foi alteada em seis metros através de contrafortes e lajes planas. Anderson. nova importante reabilitação foi feita. situada na cachoeira do Inferno. tendo sida aumentada a capacidade de descarga do vertedouro.5 m de altura. Edgard de Souza foi a primeira de uma série de obras hidráulicas executadas nas proximidades da cidade de São Paulo dos últimos dois anos do século XIX até meados do Século XX. Armando José da Silva Neto e Flavio Flavio Miguez Miguez de de Mello Mello Em 1899 o advogado canadense Alexander Mackenzie fundou a The São Paulo Railway. superintendente geral da São Paulo Gas Company e G. considerando a extrema alteração nos coeficientes de escoamento da área de drenagem devida à intensa ocupação urbana da cidade de São Paulo e de cidades vizinhas. posteriormente denominada Edgard de Souza.Desde os primeiros anos a Light constituiu diversas outras empresas de serviços em São Paulo e no Rio de Janeiro. A capacidade instalada inicial era de 2 MW. no rio Tietê e inaugurada em 1901. 143 . incluindo fornecimento de gás. Fomentadora de Progresso “They (Light) say now that they could deliver half a million more horse-power from this place alone (Cubatão). Seylaz.” Figuras 1a e 1b .

G. A casa de força foi também reabilitada e voltou a operar em 1989. a Light adquiriu da Empresa de Eletricidade de Sorocaba a concessão da hidroelétrica de Itupararanga e concluiu as obras em 1914 com três unidades de 11.000 m³ foi proveniente de área de empréstimo escavada à mão. com duas unidades de 9. A barragem é de terra com 15. mas operou até 1961 quando foi paralisada devido a excesso de percolação sob a tomada d’água da usina. com 20 m de altura é em arco gravidade.3 MW. tendo posteriormente dado nome à barragem e à usina. O empreendimento foi feito em duas etapas: a usina de Cubatão e a usina de Henry Borden que operavam em paralelo. tratamento este que só havia sido feito na fundação da barragem de Balbina. XX e XXI Com o objetivo de regularizar as afluências à usina de Edgard de Souza. A barragem teve tratamento de concreto projetado no paramento de montante. injeções de calda de cimento sob a laje executada no pé de montante e teve reforço por atirantamento. A logística era muito difícil. No início da segunda década do século passado. o que demandava explosivos nessa época tão explosiva. Uma cheia extraordinária nos anos oitenta fez com que fosse executado um vertedouro adicional na ombreira esquerda. as comprou e as trouxe para São Paulo. a hidroelétrica de Rasgão. Seu volume de 505. A Light descobriu duas unidades Francis de 9 MVA em fabricação no exterior. O maior empreendimento foi conduzido por Billings: o chamado Projeto da Serra que aproveitava descargas derivadas da bacia do rio Tietê para a baixada Santista. A coluna Miguel Costa – Prestes iniciava a sua longa marcha. O canal aberto à mão teve que ser ampliado e as fundações escavadas. Budweg 144 . tributário do rio Tietê.A História das Barragens no Brasil . aproveitando canal escavado pelos escravos de um proprietário de terras na região de nome Fernão Paes de Barros quase um século antes com a esperança nunca concretizada de achar ouro no leito do rio Tietê. De montante para jusante.6 m de altura e 1500 m de crista. Como elemento de impermeabilização foi executada uma cortina de estacas prancha na linha de centro da barragem. construísse. a tomada d’água do canal de adução teve reforço em seus contrafortes e a tomada d’água da casa de força teve tratamento de sua fundação por injeção de calda de cimento a alta pressão com cracagem do solo. foi construída em 1906 a barragem de Guarapiranga situada no principal afluente do rio Pinheiros. tinha o caráter provisório. O canal ficou sendo conhecido por Rasgão.Séculos XIX. em apenas onze meses. inaugurada em 1925.1 MW cada. o circuito inicia-se pela barragem de Figura 2 – Ferdinand M. A época era convulsionada por movimentos revolucionários tenentistas como o de 5 de julho que ocupou São Paulo por semanas. a maior carroça transportava no máximo 15 toneladas e as estradas eram de tráfego precário. o solo foi transportado por tração animal e compactado apenas com a passagem das carroças. O País entrava em estado de sítio. A barragem. engenheiro americano de elevada competência que vinha de obras na Espanha e no México. A usina. A intensa estiagem de 1924 fez com que Asa White Kenney Billings. Nos anos oitenta as estruturas civis da barragem e das duas tomadas d’água do canal de adução e da casa de força foram reabilitadas tendo em vista o elevado estado de deterioração e os preocupantes resultados das análises de estabilidade que foram realizadas.

Com as expressivas alterações dos coeficientes de escoamento que ocorreram em sua área de drenagem devido à intensa ocupação urbana que passou de 3. houve a necessidade de ampliação da capacidade de descarga vertida e a proteção à cidade de Pirapora do Bom Jesus que se situa logo a jusante da barragem.40 m) as duas comportas de segmento que ocupam quase toda extensão da crista da barragem. é provida de um vertedouro de superfície com duas comportas de segmento de 830 m³/s de capacidade. Essa cidade era inundada a partir de descargas de 480 m³/s. concluída em 1956. A condicionante de projeto era conseguir um esquema que permitisse Figura 3 – Esquema do lake piercing o deplecionamento do reservatório antes da chegada do pico da cheia.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Pirapora no rio Tietê a montante do reservatório de Rasgão. sendo esta amortecida no reservatório previamente rebaixado. Essa barragem represa as águas até a estação de recalque de Edgard de Souza. revertendo o curso do rio Tietê. Considerando a impossibilidade do deplecionamento do reservatório durante a construção por serem baixas (6.6 milhões de habitantes em 1955 para 15 milhões em 1990. a solução Figura 5 – Instante da detonação do septo de rocha Figura 4 – Execução da ensecadeira dentro do túnel 145 . Essa barragem de 43 m de altura em concreto gravidade.

de acordo com o projeto original. foi construída uma ensecadeira de terra no interior Figura 6 – Saída do túnel em operação Figura 7 . Em seguida foram instaladas duas comportas de segmento no interior do túnel. tendo sido escavado um túnel de jusante para montante com extensão de 168 m e seção de 48 m² pela ombreira direita até bem próximo ao fundo rochoso do reservatório onde. XX e XXI encontrada pelo engenheiro Ferdinand M.A História das Barragens no Brasil . deveria ter sido escavada uma depressão (rock trap) para receber a rocha quando da abertura final. solução única no País.Séculos XIX. Budweg foi a execução de um lake piercing. As obras foram realizadas no início dos anos noventa.Vertedouro da barragem de Pirapora 146 146 .G.

penetrando no rio PinheiFigura 10 – Miller Lash. O circuito hidráulico do Projeto da Serra inclui a barragem e a estação de recalque de Edgard de Souza. foi concluída com sucesso em 1993. não mais ocorrendo inundações na cidade de Pirapora do Bom Jesus. A obra que incluiu também alargamento da calha natural do rio a jusante da barragem. presidente de 1925 a 1941 147 .Barragem de Pedreira ou do Rio Grande do túnel para proteção das comportas quando da detonação final e detonada uma carga que abriu a entrada do túnel pelo fundo do reservatório. situada a montante de Pirapora.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8 – A estação de recalque de Edgard de Souza Figura 9 . Essas duas barragens fazem com que o rio Tietê flua de jusante para montante. A capacidade de descarga da barragem passou para 1450 m³/s.

50 m. além de ser um elemento impermeabilizante. O Projeto da Serra era concluído pela condução das vazões com 710 m de queda bruta para as casas de força de Cubatão.Séculos XIX. um em cada lado das estruturas de concreto da estação de recalque. subterrânea. a céu aberto com oito unidades no total de 661 MW. alimentando a represa de Billings e daí o reservatório da barragem de Rio Das Pedras.A. com seis unidades idênticas de 88 MW 148 . A barragem de Pedras é uma estrutura de concreto em arco gravidade com 35 m de altura concluída em 1926. presidente de 1941 a 1944 e formigas) como afirmou Billings em palestra realizada em Londres em 1936. XX e XXI ros que também flui de jusante para montante pela ação das elevatórias de Traição e Pedreira implantadas no período 1938-1940. quatro dos quais feitos como aterros hidráulicos e os restantes por transporte animal e compactação apenas pelo tráfego das carroças. com 25 m de altura e contendo um diafragma de concreto armado central que vai das fundações até o nível d’água máximo normal do reservatório de Billings. O diafragma. Além dessa barragem. o reservatório de Billings é fechado por outras 13 barragens ou diques. foi também concebido como “protection against burrowing animals and ants” (proteção contra roedores Figura 13 . último presidente da Light envolvendo Rio de Janeiro e São Paulo (1965 a 1974) Figura 11 – Sir Herbert Couzens. Gallotti. As águas estocadas na represa de Billings acessam o reservatório da barragem de Pedras situada na crista da serra do Mar onde o rio das Pedras inicia uma sucessão de cachoeiras e corredeiras em direção à Baixada Santista. A barragem de Pedreira ou do Rio Grande é constituída por dois aterros hidráulicos.A História das Barragens no Brasil . represando as águas na elevação 728. e Henry Borden.

o bombeamento para o reservatório de Billings foi praticamente suprimido. instaladas pela Rio Light em 1953. sendo restrito a ocasiões de ocorrência de precipitações intensas com o objetivo de minimizar as consequências das enchentes na cidade de São Paulo e no vale do rio Tietê. portanto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cada. perda de geração do Projeto da Serra que tanto progresso garantiu a São Paulo. Todas unidades são com turbinas Pelton.Seção transversal da elevatória de Traição 149 . por imposições ambientais. A instabilidade natural das encostas da Serra do Mar foi um dos fatores para que Karl Terzaghi recomendasse que a casa de força de Henry Borden fosse subterrânea. Dignas de nota são as unidades das elevatórias de Traição e Pedreira que foram as primeiras unidades reversíveis a serem instaladas no mundo. Nos anos recentes. A usina de Henry Borden era a ampliação da usina de Cubatão. Figura 12 . Houve. seguidas pelas quatro unidades da elevatória de Vigário.

150 .

entre 1940 e 1990. A ênfase no objetivo sanitário levou. incluindo grande número de barragens. Por outro lado. Engenheiro Hildebrando de Araujo Góes. Figura 1 – Barragem de Macabú Em 1940 a Comissão para o Saneamento da Baixada Fluminense. principalmente mediante abertura de canais e construção de diques. para o saneamento da baixada fluminense. o que faz com que hoje muitos logradouros. a dimensionar a drenagem apenas para escoar as águas da chuva em um prazo que impossibilitasse a reprodução dos mosquitos e permitisse a utilização da terra para criação de gado.DNOS foi um órgão federal que. que na época era doença endêmica na região em torno da cidade do Rio de Janeiro. em certos casos. em grande parte devido à atuação de seu diretor. cujos extensos alagadiços formavam um ambiente favorável à procriação de mosquitos transmissores da malária. após a Segunda Guerra Mundial. moradias e empresas sejam periodicamente inundados. Os trabalhos se destinavam a drenar as terras e protegê-las contra inundações. Com a redução da população de mosquitos a malária foi erradicada a ponto de muitas pessoas não saberem hoje que ela existiu. os municípios da Baixada Fluminense permitiram a urbanização destas terras com loteamentos inadequados.DNOS Paulo Poggi Pereira A origem O Departamento Nacional de Obras de Saneamento . criada em 1933. que na época era a principal atividade econômica da região. foi transformada no Departamento 151 . Ele originou-se de uma comissão.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Barragens do Departamento Nacional de Obras de Saneamento . construiu obras hidráulicas para diversos fins em todo o Brasil. que não levaram em conta a vulnerabilidade a inundações de parte da área.

o que eventualmente acidentou alguns operários. o concreto desta 152 . ao longo de seus 50 anos de existência. reunidas de acordo com suas finalidades. Hidroeletricidade Quando acabou a Segunda Guerra Mundial o DNOS começou a construir barragens do programa de eletrificação do estado do Rio Grande do Sul.00 m de diâmetro após ser revestido. Alguns dias após a escavação de alguns metros do túnel. com este mesmo objetivo limitava-se a espessura de cada camada de concreto colocada durante a construção. Uma vez que as tensões que ocorrem numa barragem tipo gravidade. o que fez do DNOS. soltavam-se blocos de rocha do teto. Com uma única exceção todas elas foram feitas de concreto. que continuou trabalhando ativamente na Baixada. não mais que 200 kg de cimento por m 3. Uma providência necessária nas obras feitas no planalto do Rio Grande do Sul foi interromper a concretagem quando a temperatura ambiente ficava muito próxima de zero graus centígrados. mas com fissuras. e ao final será descrita sumariamente a sistemática utilizada para realizar os trabalhos de construção e a atuação dos engenheiros que lideraram o DNOS. é do tipo arco-gravidade. com boas condições de fundação para barragens deste tipo. e não foram adicionadas as pedras de mão. Não se dispunha de areia adequada no local nem muita experiência neste tipo de concreto na época. O Quadro 1 apresenta a localização e as características principais destas obras. A rocha local era basalto. concluída em 1949. XX e XXI Nacional de Obras de Saneamento. não exigindo grande resistência. os quais foram sendo resolvidos pelos engenheiros do órgão. aproveitando o fato de que os locais de implantação eram rochosos. apoiando programas de eletrificação dos estados. e evitar que o aquecimento que ocorre durante sua hidratação aquecesse o concreto além do limite aceitável. são pequenas. em todas as outras obras foi utilizado equipamento capaz de preparar e colocar concreto feito com agregados maiores.A História das Barragens no Brasil . para fazer frente ao alto custo do cimento na época. face à necessidade de cumprir prazos. a entidade nacional que construiu barragens com a maior diversidade de funções. Uma solução interessante foi a estabilização provisória do teto de um túnel que tinha 1200 m de extensão e seção circular com 9. por este motivo. passando depois a atuar em outros estados. Duas destas barragens foram feitas com concreto ciclópico. bastante resistente. logo após seu lançamento e durante sua vibração. naquela época ainda não existia a Eletrobras nem outro organismo com a atribuição de aplicar recursos federais em eletrificação. havendo casos em que foi de apenas um metro. os operários colocavam manualmente pedras de mão. mas estendeu sua atuação para todo o território nacional. A partir de 1944 o DNOS foi encarregado de construir barragens para usinas hidroelétricas. adotou-se dosagens modestas. o que poderia resultar na abertura de trincas no maciço. tendo sido impermeabilizado posteriormente mediante injeções de calda de cimento. Depois foram sendo atendidas solicitações para construção de barragens de outras finalidades. A primeira barragem de grande porte foi a de Capingui. construída em concreto simples com relativamente pouco cimento.Séculos XIX. não muito alta. Era difícil fiscalizar os trabalhos de modo a garantir a correta colocação das pedras de mão. ocorreram problemas técnicos imprevistos nas obras. Nos itens seguintes são apresentadas informações sobre estas barragens. porque o cimento poderia ter sua pega prejudicada pelas temperaturas excessivamente baixas. Como de costume. primeira obra não foi feito com a necessária impermeabilidade. confeccionado com brita de granulometria pouco mais graúda do que o normal no qual.

que prendiam os blocos de rocha superficiais à rocha mais distante da superfície da escavação. foi executado com equipamento e material disponível na obra. e funcionou perfeitamente. O sistema empregado evitou colocar os operários em risco perfurando o teto do túnel. Uma novidade tecnológica que o DNOS precisou enfrentar foi a construção da barragem de Ernestina. impedindo quaisquer outros desabamentos. que consistia em um muro vertical de concreto protendido. cujo diretor técnico Figura 2 – Barragem de Glicério 153 . Nos Estados Unidos eram realizadas estabilizações deste tipo perfurando a rocha do teto do túnel e introduzindo nos furos hastes metálicas especiais. na concorrência para execução da obra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A solução encontrada foi implantar uma abóbada de concreto simples bombeado. dispensou a importação de roof bolts. O projeto foi proposto como variante. pela empresa Estacas Franki. chamadas roof bolts. algumas horas após a abertura de cada trecho de túnel. apoiando o teto nas paredes laterais. engastado na rocha de fundação.

O projeto original desta obra previa um maciço de enrocamento apoiado em fundação de areia. Como não havia condições para alterar o projeto. foi admitida a apresentação de variantes na concorrência para execução da obra. Em 1973 o DNOS encerrou suas atividades na construção de A única barragem mais sofisticada foi a de Pedra.Séculos XIX. no Rio de Contas. na Bahia. preferindo-se sempre soluções mais simples e menos ousadas. barragem de Passo Fundo. uma estrutura tipo gravidade aliviada. Figura 3 . que foi construída em contrafortes sustentando lajes planas de concreto armado. Com exceção da barragem de Canastra. uma vez que já existia entidade federal com a incumbência específica de promover a eletrificação do país. e venceu a barragem tipo gravidade aliviada. o DNOS ficou encarregado apenas da orientação técnica e da fiscalização das obras. Na última obra de que participou. que foi ao longo de toda a vida um grande engenheiro entusiasta de tecnologia de ponta. com uma altura máxima de 65 m a partir da fundação rochosa. XX e XXI à época era o professor Costa Nunes. com uma delgada camada de barragens destinadas a hidroeletricidade. britas e pedras arrumadas separando o enrocamento da areia da fundação.A História das Barragens no Brasil . A barragem foi construída pela empresa proponente e funcionou adequadamente. comentou que só ficaria tranqüilo se o projeto previsse a remoção da areia e a colocação do enrocamento diretamente sobre a rocha subjacente. todas as demais obras para hidroeletricidade foram do tipo gravidade. ficou compreensivelmente apreensivo com relação à solução dada para a fundação.Seção transversal da barragem de Pedra 154 . Engenheiro Camilo de Menezes. provindo os recursos da Eletrobras e do governo do estado do Rio Grande do Sul. mas este tipo de obra nunca mais foi adotado. construídas em concreto simples. O diretor geral do DNOS na época.

a qual é depois aduzida por gravidade. A Barragem do Rio das Velhas. As barragens de Riachão e Pacoti formam um único reservatório. Ceará. integrante da tomada d’água do sistema adutor constr uído pelo DNOS para abastecer Belo Horizonte. através de um túnel. que regulariza a contribuição do Rio Pacoti. suas características e os anos de conclusão das obras. dotada de comportas. ponto este 155 . o sangradouro foi localizado. informando a localização das mesmas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 4 – Barragem de Pedra Abastecimento de água a cidades O Quadro 2 relaciona as barragens construídas pelo DNOS para abastecer cidades. é de concreto armado. O sangradouro é do tipo labirinto. Sua característica mais marcante é a calha do rio ter sido bifurcada em duas alças mediante dragagem. a duplicação destina-se a ter uma alça conduzindo lentamente água para ser captada. e tem fundação em terra. ao reservatório que abastece Fortaleza. formado por um muro vertical engastado em uma laje horizontal ancorada na rocha de fundação. no único local da área onde existe rocha a profundidade adequada. enquanto na outra alça vão sendo removidos os sedimentos que se depositaram enquanto ela esteve em operação. e escoam para jusante as vazões excedentes do rio. Minas Gerais. algumas delas têm características interessantes.

autorizandose então o respectivo plantio. no Rio Grande do Sul. A barragem é de terra. é avaliada. pesquisa realizada por sondagens a percussão. na qual foi então implantado o sangradouro em labirinto. porém simples. no rio São João. sobre fundação de argila mole. com funda- Figura 5a – Usina hidroelétrica de Passo Fundo . realizados ao longo do eixo previsto para Figura 5b – Usina hidroelétrica de Passo Fundo . a tomada d’água e a descarga de fundo. com base no volume acumulado. Da mesma for ma que a bar ragem acima mencio­­ nada. obras estas realizadas em concreto. em cada ano. XX e XXI a obra. fornece água para abastecimento das cidades da Região dos Lagos. com o objetivo de conhecer os locais onde havia rocha subjacente.condutos forçados 156 . ela foi projetada após uma campanha de furos de sondagem a percussão. só tomando precauções para impedir que a água se aproximasse do maciço da barragem do Pacoti.A História das Barragens no Brasil .casa de força e adução encontrado através de uma extensa. no Estado do Rio de Janeiro. A barragem do Arroio Duro fornece água para essa irrigação. O restante da barragem foi construído em terra. Aproveitando a existência de rocha de boa qualidade no local. dispensou-se o revestimento do canal de restituição. A barragem de Juturnaíba. Só foi encontrada rocha em uma pequena ilha.Séculos XIX.000 hectares de arroz no município de Camaquã. deixando-se a água escoar pelo terreno após seu vertimento. a área que pode ser irrigada. com fundação em rocha. Irrigação O grande sucesso do DNOS em matéria de irrigação foi o projeto que irriga aproximadamente 15.

por outras de maior vão. abortando assim o projeto de irrigação. que recolheria as infiltrações. Iniciou-se pela Barragem Oeste. com o crescente desenvolvimento de Cabo Frio e outras cidades litorâneas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens ção também em terra. realizadas após a entrada em operação da obra. mencionada no ítem sobre abastecimento urbano. Esta área podia ser abastecida de água por gravidade. Estas obras aumentaram a capacidade da calha. o que é indispensável para evitar a salinização do solo. Controle de cheias As primeiras barragens para controle de cheias do DNOS foram construídas no Vale do Itajaí. além de outros cuidados habituais. que é liberado somente quando as vazões do rio Capibaribe aumentam a ponto de serem capazes de diluir e dar escoamento ao vinhoto sem criar problemas ambientais. para abaixar satisfatoriamente o nível d’água naquela cidade. planejou-se implantar irrigação de hortigranjeiros em uma área localizada na margem esquerda do canal do rio São João. graças ao bom funcionamento do filtro. Goitá e Carpina. Entretanto. Algumas medições de pressão intersticial na fundação. mas a barragem não apresentou nenhum problema. que só foi executada entre as cidades de Blumenau e Gaspar. possibilitando não só escoar sem extravasamento as vazões provenientes da área da bacia contribuinte não controlada pelas barragens. Foi solicitada a sua liberação. na bacia do Rio Capibaribe. características e ano de conclusão. esta desapropriação incluiu a área onde se previa o projeto de irrigação. Estados Unidos. em concreto gravidade. no Estado de Pernambuco. O Quadro 3 relaciona as barragens construídas pelo DNOS para irrigação. mas o Estado de Santa Catarina a concluiu em 1992 e ela está funcionando a contento. mediante substituição por outra área equivalente para compor a reserva. e informa suas localizações. em Santa Catarina. Quando foi projetada a barragem de Juturnaíba. mas este pedido não foi atendido. o rio teve sua capacidade aumentada mediante regularização e alargamento de sua calha. para implantar o projeto. para depois constr uir em terra a Barragem Sul e finalmente a Barragem Norte. a jusante da barragem. e sua cota era suficientemente alta para ter boa drenagem. não indicaram funcionamento adequado da cortina de vedação. Alguns anos depois os jornais noticiaram a chegada de mico-leões dourados importados da Flórida. sem beneficiar esta última cidade nem a área a jusante da mesma.000 ha para formar a reserva de mico-leão dourado de Poço d’Antas. Terminou sendo necessário complementar as barragens com dragagem do rio Itajaí a jusante de Blumenau. o projeto previu uma cortina delgada de solo-cimento para vedação e um filtro instalado em uma trincheira situada no pé do talude de jusante. A atual contribuição da barragem para irrigação resume-se em disponibilizar água para os fazendeiros que quiserem irrigar suas plantações captando água no rio São João. Outras barragens para controle de cheias foram as de Tapacurá. foi desapropriada uma área de mais de 20. como também operar as mesmas liberando vazões 157 . além das barragens. e substituição de duas pontes. Quando estavam terminando as negociações com uma cooperativa. sub-produto malcheiroso da indústria de cana de açúcar. a canalização do rio Capibaribe na área urbana daquela cidade. imediatamente a jusante da barragem. relativamente curtas. Infelizmente os locais onde podiam ser construídas barragens naquele vale não possibilitavam controlar a maior parte da bacia contribuinte. para povoar a reserva de Poço D’Antas. o DNOS não terminou a construção desta última. para proteger Blumenau e outras cidades do Vale. Tapacurá é utilizada também para fornecer água destinada ao abastecimento de Recife. caso a cortina não funcionasse adequadamente. O controle de cheias de Recife incluiu. Para controlar as infiltrações na fundação. o reservatório de Juturnaíba tornou-se fundamental para abastecimento urbano de água na denominada Região dos Lagos do Estado do Rio. a partir da barragem. Infelizmente o DNOS foi extinto antes de completar esta dragagem. e Goitá é utilizada para reter vinhoto.

evitando assim. retendo os deflúvios e liberando-os aos poucos. A última barragem de controle de inundações construída pelo DNOS foi Arroio Gontam. que permitiu sua eventual inundação. XX e XXI Figura 6 – Barragem e diques de Tapacurá relativamente grandes. Pampulha. RS. características e ano de conclusão. sendo o caso das barragens de Pedra.A História das Barragens no Brasil . inundações a jusante. A característica especial desta obra é o fato do reservatório estar situado em terras do Exército. 158 . concluída em 1982. cujo reservatório só enche quando ocorrem chuvas fortes. retendo em seus reservatórios apenas uma fração da cheia condizente com a capacidade dos mesmos. O Quadro 4 relaciona as barragens construídas pelo DNOS para controle de cheias e informa suas localizações. Passaúna e Juturnaíba. Algumas outras barragens do DNOS fazem controle de cheias como objetivo secundário.Séculos XIX. para evitar enchentes na cidade. Flores. Trata-se de uma barragem de concreto simples tipo gravidade. na cidade de Bagé.

informando suas localizações. situada no extremo sul do Brasil e é partilhada com o Uruguai.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Finalidades diversas O Quadro 5 relaciona barragens construídas com finalidades diversas. A mais importante destas barragens é a do Canal São Gonçalo. frequentemente entrava água salgada do oceano na lagoa. e. pelo Canal de São Gonçalo. o qual drena a Lagoa Mirim. Esta lagoa é usada intensivamente como fonte de água para irrigação de arroz em ambos os países. durante a estiagem. nos parágrafos abaixo menciona-se a finalidade das mesmas e acrescenta-se alguns detalhes. características técnicas e ano de conclusão. prejudicando a irrigação. Figura 7 – Barragem e Sangradouro de Arroio Duro Figura 8 – Barragem de Carpina 159 .

o reservatório da referida barragem ficou completamente assoreado. uma fábrica de cimento situada em Porto Alegre é abastecida com matéria prima vinda do Uruguai em barcaças que passam pelo Canal. o Governo incumbiu o DNOS de construir uma barragem para impedir a entrada de água salgada na Lagoa. para permitir a continuação da navegação fluvial. A barragem de Chapéu D’Úvas controla parcialmente as cheias do rio Paraibuna e aumenta a vazão de estiagem do rio. Para executar a obra foi aberto um canal de desvio com 120 m de largura e a calha do rio foi inteiramente aterrada no local previsto para a barragem. Esses sedimentos passaram a ficar retidos no reservatório da barragem de Santa Lúcia.A História das Barragens no Brasil . com 231 m de comprimento. A região é aluvionar. A barragem é constituída por uma estrutura de concreto com uma cortina profunda de concreto armado. O barramento é de pequena altura. Os movimentos de terra realizados na bacia do rio Leitão. as comportas são abertas para deixarem escoar o eventual excesso de água da Lagoa Mirim. o grande desenvolvimento que aconteceu recentemente nesta última cidade aumentou a importância da disponibilidade garantida de água doce criada pela barragem. de modo a não interferir no acesso marítimo àquela cidade. Após a conclusão dos trabalhos a areia usada para o aterramento foi retirada completamente e o canal de desvio foi reaterrado. com a dupla finalidade de controlar as cheias do rio Leitão e reter seus sedimentos. no topo da qual foram instaladas comportas basculantes. o que torna importante controlar seu nível. A barragem possui comportas que são fechadas por ocasião das estiagens. Outra barragem que impede a salinização de manancial de água doce é a do rio Pericumã. Periodicamente ocorrem grandes estiagens. e. um dos dissipadores de energia das comportas funciona também como eclusa. que resultam em retração da lâmina d’água do alagado e intrusão de língua salina proveniente do oceano. rompeu por erosão interna em 1954. para permitir fácil captação e adução de água doce para abastecimento de Pelotas e do porto de Rio Grande. por causa disso. mas a curta distância. engastada em fundação de areia e cascalho. prejudicando seu escoamento. mantendo o espelho d’água. Quando necessário. o que proporciona um acréscimo de energia firme em cinco usinas hidroelétricas existentes a jusante. que recebe a contribuição de grande parte dos rios e canais da planície existente entre a margem direita do rio Paraíba do Sul e o mar. ao longo destes anos a urbanização ficou mais consolidada e diminuiu a produção de sedimentos que causavam problemas. em Belo Horizonte. além de aumentar a disponibilidade de água para o abastecimento de água de Juiz de Fora. o alagado também é utilizado para navegação. uma vez que qualquer mudança de posição poderia provocar divagações do leito do rio com graves conseqüências. Para manter a navegação. A barragem do Canal da Flecha tem como finalidade controlar o nível da água na Lagoa Feia. mas serve também como fonte de água para irrigação. houve empenho em construir a obra exatamente na calha do rio. Em cota um pouco mais alta há uma passarela onde estão instalados mecanismos de comando das comportas. depois de alguns anos. e atravessa o canal. Maranhão. esta lagoa integra a drenagem da área. existe ali uma área alagada. Suas 160 . produziam muitos sedimentos que assoreavam a calha do rio. possibilitando o acesso de embarcações vindas do mar até a cidade de Pinheiro. ao lado da cidade de Pinheiro. A barragem que existia na Pampulha. O projeto previu uma eclusa. durante a urbanização da mesma. A barragem foi localizada a montante da cidade de Pelotas. onde é obtida água para o abastecimento da cidade. impedindo a penetra ção da língua salina e garantindo a disponibilidade de água doce. Por outro lado. e são fechadas na estiagem para impedir que a água salgada do Oceano Atlântico penetre na Lagoa. MG. na região de Campos – Rio de Janeiro. e o DNOS a reconstruiu.Séculos XIX. criação de gado e irrigação. prejudicando ou interrompendo as utilizações de água acima mencionadas. XX e XXI Após entendimentos com a República do Uruguai. A pequena Barragem de Santa Lucia foi construída na zona urbana de Belo Horizonte. MG.

em um avião Constellation da VARIG. mas meia dúzia de outros países o adotaram. A organização dos trabalhos A construção das barragens sempre foi realizada por empresas empreiteiras. além disso. Este sistema não é utilizado no Brasil. Não se sabe se esses cuidados eram realmente necessários. mas nos primeiros 25 anos de construção de barragens os trabalhos de fiscalização. fornece água para irrigação. e face à precariedade do Departamento dos Correios e Telégrafos (DCT) e do sistema telefônico. Havia estações de rádio nas barragens e outras obras importantes. lazer e paisagismo. que correm paralelamente à pista do aeroporto da cidade a jusante da barragem. face às grandes distâncias a percorrer e à deficiência das estradas. o laboratorista e os demais funcionários. entre outras entidades. amortecendo as vazões do rio Pampulha. Neste sentido recorreram. Tendo em vista que as atividades do DNOS se desenvolviam em praticamente todos os estados da Federação. Outro trabalho muito interessante dele foi um sistema para designação de número de registro de trechos de cursos d’água. e seu nome foi dado a uma barragem que o DNOS construiu naquele estado. Nos seus últimos 15 anos de atividade o DNOS passou a contratar empresas para realizar os trabalhos técnicos de controle da construção de barragens. morto em 1950 ao regressar de uma viagem para contato com a Administração Central do DNOS. funcionário do órgão. para que pudessem cumprir adequadamente suas tarefas. O primeiro deles foi com José Maia Filho. as quais. para proporcionar estágios em 161 . ao US Bureau of Reclamation dos Estados Unidos e até mesmo à UNESCO. ao invés de partir das cabeceiras. o DNOS montou uma rede de rádio que chegou a ter 50 estações. para comunicação entre seus escritórios. Ele dirigia o Distrito do Rio Grande do Sul. e realiza também controle de cheias. a empresa consultora procurou evitar relacionamento entre seus engenheiros e os engenheiros da empresa construtora. controla parte das vazões que escoam pelo rio Mearim. o topógrafo. muitas vezes. ao IPT de São Paulo. ajudando a diminuir as enchentes que inundam a cidade de Bacabal e pode ser usada para aumentar a vazão do rio Mearim durante a estiagem. etc. Foi autor de importantes trabalhos técnicos. seus engenheiros tinham que viajar com freqüência. destinado à organização de cadastro nacional de cursos d’água. são de difícil definição. de laboratório. foram realizados por funcionários do próprio DNOS. como o livro “Chuvas Intensas no Brasil”. Tapacurá e São Gonçalo. As instalações para construção de cada barragem incluíam um conjunto de casas onde ficavam alojados o engenheiro residente. mas ambas as barragens ficaram em excelentes condições. de controle dos serviços. que é um afluente do rio Mearim. medição e controle de qualidade das obras. podendo-se citar as barragens Engenheiro José Batista Pereira.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens finalidades são recreação. Os engenheiros do órgão passaram a fiscalizar o trabalho das consultoras que realizavam os trabalhos topográficos. A Barragem Mãe D’Água foi construída para fornecer água para o laboratório do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. no Rio de Janeiro. quase sempre de avião. seus laboratórios de solos e concreto. Sempre foi uma preocupação dos dirigentes promover a capacitação dos engenheiros do órgão. que bateu em um morro tentando pousar em Porto Alegre com pouca visibilidade. existentes na época. proibindo inclusive que fizessem refeições juntos. autor de muitos projetos de obras importantes. incluindo a locação. A barragem do Flores. Sendo o DNOS um órgão nacional. esta numeração parte da foz dos rios e segue para montante. Em pelo menos duas obras. Antes da adoção de motores a jato e equipamentos modernos para voo por instrumentos aconteciam muitos acidentes. que tinham assim possibilidade de comunicação diária com os escritórios regionais e mesmo com a sede do órgão. facilitando assim a navegação. A orientação técnica do DNOS foi muito influenciada pelo Engenheiro Otto Pfafstetter.

engenheiro Raimundo Cláudio Correia Leitão a uma barragem que ia ser construída no estado onde ele havia nascido. Como a grande maioria das empresas não dispunha de escavadeiras para abertura de canais. Diretor-Geral do DNOS de 1946 a 1961 162 . que na época era a capital federal. XX e XXI órgão até o ano de 1946. foi o Diretor-Geral seguinte. conforme havia sido solicitado. Antes de transcorrer um ano o engenheiro Leitão. o DNOS começou a adquirir este equipamento e contratar sua operação com empreiteiros. Expandiu as atividades do DNOS para quase todos os Estados e enfrentou com sucesso o desafio da construção de grande número de barragens. Dirigiu o Figura 10 . Uma característica comum aos dois primeiros diretores foi continuar estudando assuntos de engenharia enquanto exerciam a direção do órgão. foi presidente da CHEVAP e diretor da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense. O Diretor-Geral solicitou que o arquivo lhe remetesse os documentos referentes a este assunto de volta. após passado um ano.Engenheiro Camilo de Menezes. Muitos anos depois houve um abaixo assinado pedindo para dar o nome do Diretor de Obras do DNOS na época. que respondeu escrevendo que preferia continuar vivo. primeiro Diretor do DNOS Camilo de Menezes. com problemas tecnológicos ainda pouco conhecidos no país.Séculos XIX. Ele estabeleceu o sistema de trabalho pelo qual as obras eram executadas por empresas. como fazia o Departamento Nacional de Obras contra as Secas naquela época. uma vez que há uma lei proibindo dar nome de pessoas vivas a obras do governo. O Diretor Geral encaminhou o assunto ao homenageado. a quem se queria homenagear. fazendo inclusive os levantamentos topográficos necessários para isto. que assumiu a chefia da Comissão de Saneamento da Baixada Fluminense na sua fundação em 1933. e promoveu sua transformação em Departamento Nacional de Obras de Saneamento em 1940. quando foi ser prefeito do Rio de Janeiro. Os funcionários do DNOS orientavam e fiscalizavam os trabalhos. quando Getúlio Vargas era Presidente da República. Figura 9 Hildebrando de Araújo Góes. como às vezes fazia. em vez de serem construídas por administração direta. Após deixar a direção do DNOS. tendo ficado 15 anos no cargo. Os Gestores O primeiro Diretor do DNOS foi Hildebrando de Araújo Góes.A História das Barragens no Brasil . engenheiro do órgão. Foi então dado o seu nome à barragem. morreu num desastre de avião em serviço.

dirigiu o DNOS até sua extinção.José Reinaldo Carneiro Tavares. Goitá. Diretor Geral do DNOS 163 . assumiu a direção do DNOS e manteve a mesma sistemática de trabalho. Estas máquinas prestaram bons serviços de 1964 até a extinção do DNOS em 1990. depois ministro de Minas e Energia e deputado federal. que deu prosseguimento às atividades relacionadas à irrigação no Nordeste e deu grande impulso às obras de controle de cheias no Vale do Itajaí. Foram eles: . determinou a extinção do DNOS. Pacoti e Riachão acima mencionadas. Fez com que as obras e serviços executados para o órgão fossem pagos na ordem cronológica da apresentação das respectivas medições e faturas na tesouraria. Em 1974 outro engenheiro da casa. Faziam parte da compra peças sobressalentes no valor de um milhão de dólares. Ao tomar posse em 1990 o presidente Collor. no estado de Pernambuco. no rio de Contas. governador do estado do Maranhão. que aumentou substancialmente o abastecimento de água a Belo Horizonte. que seria o último engenheiro da casa a dirigir o DNOS. em cuja gestão foram executados aterros para saneamento de favelas no Rio de Janeiro.Geraldo Bastos da Costa Reis. foram realizadas obras de defesa contra inundações em cidades às margens do rio São Francisco e tiveram início os estudos do governo federal para transposição do rio São Francisco para o Nordeste semi-árido. Após a revolução de 1964 sucederam-se na direção do órgão quatro diretores que ficaram pouco tempo. Provavelmente o fabricante das máquinas não empregava técnicas de obsolescência programada.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 1961 o presidente Jânio Quadros nomeou Diretor Geral do DNOS o engenheiro do DNER Geraldo Bastos da Costa Reis. ajudado por sua longa experiência como Diretor Geral Substituto. Na sua gestão foi concluída a construção da Barragem do São Gonçalo. incluindo a Barragem de Pedra. com a missão de transformar o órgão em autarquia. necessitando como grandes reparos apenas a substituição periódica dos motores quando acabava sua vida útil e a recomposição da mesa sobre a qual girava o conjunto formado pela cabine e a lança. mais tarde. Em 1967 assumiu o cargo Carlos Krebs Filho. da Alemanha Oriental. Deixou o cargo para assumir o governo do estado de Mato Grosso do Sul. depois ministro dos Transportes e. Na sua gestão foram concluídas as barragens de Carpina. ao preço total de sete milhões de dólares. Harry Amorim Costa. o que fez com grande competência. estado da Bahia e a Barragem de Tapacurá. o que conseguiu fazer apesar da renúncia de Jânio Quadros.Vicente Fialho . . mas que se dedicaram ao trabalho com afinco e realizaram excelentes administrações. sendo três deles militares. .Paulo Baier. Assumiu então Jefferson de Almeida. engenheiro do DNOS que imprimiu notável organização aos trabalhos. inaugurou as obras da adutora do rio das Velhas. Um aspecto interessante de sua gestão foi a compra de 200 escavadeiras marca Nobas. Figura 11 . pagos em café. Na sua gestão foram concluídas dez barragens. que desenvolveu atividades voltadas para irrigação no Nordeste e deixou a direção para ser ministro da Irrigação. As obras e os serviços que o órgão estava executando Nos governos dos presidentes João Figueiredo e José Sarney sucederam-se no DNOS diretores que não eram engenheiros do serviço público federal. saiu para ser superintendente da Sudene.

000 30. José Costa Cavalcanti.000 4. que viria a ser Diretor-Geral do DNOS em 1978-1979 QUADRO 1 .000 desenhos de projeto de obras.250 20.300 24.000. Ramos S.000 26..900 5.00/511.Inauguração de uma barragem no Nordeste.000.000 15.000 58.A História das Barragens no Brasil .500 2.800 76.000.000 4.000.000 130.000 5.000.000 6. .. Paula S. o engenheiro Carlos Krebs Filho.50 3 25 11. 51.500 80.. sem que fosse criada uma alternativa. F.000 Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Ciclópico Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Ciclópico Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade Aliviada / Concr.000 390. até enferrujar completamente no lugar onde se encontravam.50 65 22 40 15 22 38.000.500.000 40.000 1.560.000 370..BARRAGENS PARA HIDROELETRICIDADE LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Ivaí Ijuizinho Capinguí Guarita Forquilha Divisa Santa Cruz Jacuí Santa Maria Sanchuri Guarita Santa Cruz Ijuí Jacuí Antas Jacaré Araguari Macabu Garcia Santa Maria Contas MUNICIPIO Julio Castilhos Santo Ângelo Passo Fundo Passo Missões Marc.000 350.000.. em Minas Gerais e a Barragem Norte.Séculos XIX. O arquivo técnico do DNOS. Paula Ijuí Espumoso Poços Caldas Oliveira Sacramento Glicério Angelina Canela Jequié Jaguarí São Valentim Xanxerê UF RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS RS MG MG MG RJ SC RS BA RS RS SC RS TIPO / MATERIAL Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Muro de Concreto Protendido Contrafortes / Concreto Armado Terra Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto / Terra ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO RESERVATÓRIO COROAMENTO MÁXIMA MACIÇO(m³) (m³) (m) (m) 3.700 35. Diretor-Geral do DNOS de 1967 a 1974 e o engenheiro Jefferson de Almeida. somente duas barragens estavam em construção naquele momento: a Barragem de Chapéu D’Uvas. F. Por sorte.000 400.000. graças à atuação dos estados mencionados.000.000 10.000 250.000 50.000 1. Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto / Terra PEDRA PASSO FUNDO XANXERÊ FURNAS DO SEGREDO Jaguarí Passo Fundo Chapecozinho Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples ITÚ Itaquí Itaquí 164 .500 8.000. em Santa Catarina.000.000 1.275 22. Ministro do Interior.000 800 10.000 57.000 155 150 220 100 125 239 600 400 174 896 200 507 164 432 200 113 188 256 100 193 440 582 646 505 582 3..000 IVAÍ IJUIZINHO CAPINGUÍ GUARITA FORQUILHA DIVISA SALTO / BUGRES ERNESTINA CANASTRA SANCHURI JOÃO AMADO BLANG PASSO DO AJURICABA JOSÉ MAIA FILHO BORTOLAN ANIL PAI JOAQUIM MACABU GARCIA LARANJEIRAS 1948 1948 1949 1949 1949 1950 1951 1954 1956 1956 1957 1957 1960 1961 1956 1959 1960 1960 1962 1965 1970 1972 1973 . Figura 12 .000.500 119..30 42.. ficando sem condições de ser consultado. Esta última chegou a ter sua vila residencial do canteiro de obras invadida por índios naquela ocasião. que tinha perto de 40.000.000.750.000 539. Mais de cem escavadeiras de propriedade do DNOS ficaram paradas no campo. XX e XXI foram paralisados.800 2.600 9.000.000 15. Paula Passo Fundo Canela Uruguaiana Passo Missões S. a construção dessas duas barragens foi concluída alguns anos mais tarde..700.000 80.000 31. foi destruída uma organização que produzia obras e serviços extremamente benéficos e necessários.000 16.000 10.000 61.000 17. foi entregue ao Arquivo Nacional.800/14. Muitas empresas de engenharia que estavam prestando serviços ou executando obras ficaram numa situação financeira dificílima.500 11.000 3. Resumindo. Entretanto. vendo-se da esquerda para a direita o Gen.000.900 18.50 3 22 4..50 15 24 6 11 17 9 24 11 8 15 20 19 24. F.

Dilúvio São Gonçalo Canal Flexa Pericumã Flores Paraibuna MUNICIPIO Belo Horizonte Belo Horizonte Viamão Pelotas Campos Pinheiro Joselandia Juiz de Fora UF MG MG RS RS RJ MA MA MG TIPO / MATERIAL Terra Homogênea Terra Homogênea Terra Homogênea Concreto Armado Concreto Armado Concreto Armado Terra Homogênea Terra Homogênea ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO RESERVATÓRIO COROAMENTO MÁXIMA MACIÇO(m³) (m³) (m) (m) 60.000 1955 1956 1965 1965 1970 1 2 3 4 5 CEDRO CARNAUBA RIVALDO CARVALHO ARROIO DURO JOSÉ BATISTA PEREIRA Ceará Mirim QUADRO 4 .BARRAGENS PARA CONTROLE DE CHEIAS LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 OESTE SUL CARPINA GOITÁ GONTAN NORTE CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Itajai Oeste Itajai Sul Capibaribe Goitá Gontan Hercilio MUNICIPIO Taió Ituporanga Carpina Gloria do Goitá Bagé Ibirama UF SC SC PE PE RS SC TIPO / MATERIAL Gravidade / Concreto Simples Terra Terra / Zoneada Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto simples Terra ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO RESERVATÓRIO COROAMENTO MÁXIMA MACIÇO(m³) (m³) (m) (m) 93.900.000 422 438 1720 220 150 365 25 43.000 16.000 115 400 200 218 130 137.50 42 38 16 63 78.000 758.20 3 29.000 13.500.000 52.360 1.000 97.000.000 500 12.000 263.000.000 186.800 2.000 135.440 1.000 148.000 270.500.500.000 570.000 7.000 500.000 108.500.000.000 1956 1958 1962 1977 1980 1982 1988 1994 SANTA LÚCIA PAMPULHA MÃE D'ÁGUA SÃO GONÇALO FLEXA PERICUMÃ FLORES CHAPÉU D'UVAS 165 .000 **** 165.000 126.000.350.000.000 30.000.000 1.000 5.340 105.5 400 20 15 9 6.000 2.000 27.000 1972 1975 1978 1978 1982 1992 QUADRO 5 .000.000 290.000 775.580.000.940.053. Noronha Araúcária UF MA BA RS MG MG RS RS RS PE MG CE CE RJ PE PR Terra TIPO / MATERIAL ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO MACIÇO(m³) COROAMENTO MÁXIMA RESERVATÓRIO (m³) (m) (m) 390.BARRAGENS COM FINALIDADES DIVERSAS LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Leitão Pampulha Afl.000.264.500 2.000.5 9 28 28.BARRAGENS PARA IRRIGAÇÃO LOCALIZAÇÃO Nº NOME CARACTERÍSTICAS CURSO D'ÁGUA Truçu Carnauba Condado Duro MUNICIPIO Acopiara Acopiara Catarina Camaquã Poço Branco UF CE CE CE RS RN TIPO / MATERIAL Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Gravidade / Concreto Simples Terra Homogênea Terra Zoneada ANO DE ALTURA ACUMULAÇÃO CONCLUSÃO VOLUME DO EXTENSÃO MACIÇO(m³) COROAMENTO MÁXIMA RESERVATÓRIO (m³) (m) (m) 7.BARRAGENS PARA ABASTECIMENTO URBANO LOCALIZAÇÃO Nº 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 BATATÃ PRETO DO CRICIUMA SANTA BÁRBARA RIO DAS VELHAS RIO DAS VELHAS II MAESTRA VACACAÍ MIRIM VAL DE SERRA TAPACURÁ RIO DAS VELHAS III PACOTI RIACHÃO JUTURNAIBA XARÉU PASSAÚNA CARACTERÍSTICAS NOME CURSO D'ÁGUA Batatã Rio Preto Santa Bárbara Velhas Velhas Maestra Vacacaí Mirim Ibicuí Tapacurá Velhas Pacotí Riachão São João Água Pluvial Passúna MUNICIPIO São Luís Jequié Pelotas Nova Lima Nova Lima Caxias do Sul Santa Maria Santa Maria São Lourenço Nova Lima Pacatuba Pacatuba Silva Jardim Fern.000 **** 16.000.000.500 3.000 **** 196.000 8. / Concreto Ciclópico Terra Homogênea Enrocamento Concreto Armado Terra Zoneada Terra Homogênea Concreto Armado Gravidade / Concreto Simples Concreto Armado Terra Terra Terra Gravidade / Concreto Simples Terra QUADRO 3 .000 1.000.000 1.000.000.800.000 370.3 15 35 9 30 30 12 **** **** 4.000.950.000 3.000 93.000 167.887.000.4 43 700.000 430.800 **** **** 17 10 10 1.000.000 150 40 390 1.000 **** **** 485 104 715 100 42 295 300 438 320 42 1595 650 3.000 5.450.000 2.000 **** **** 63.000 **** **** 1957 **** 1969 1970 1970 1971 1972 1972 1973 1977 1979 1979 1979 **** 1989 Arco Gravid.500 41.450 920 12 14 17 21 45 4.000 2.000 3.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens QUADRO 2 .000 153.400 16.000 70.

166 .

nos primeiros anos do Século XX pelo inglês Richard George Reidy que requereu ao governo federal a concessão para exploração do potencial da cachoeira de Paulo Afonso para instalação progressiva de indústrias e serviços. Em meados do século passado a cachoeira ainda despertava admiração. O requerimento foi também indeferido pelo governo federal em 1913. Na virada do Século XIX para o Século XX já se destacava o potencial hidroenergético da cachoeira de Paulo Afonso na qual o rio São Francisco despencava com uma vazão média plurianual superior a 2000 m³/s em vários braços por sobre uma espessa camada de rocha granítica sã.102 KW) para gerar energia para 167 . no dia 20 de outubro de 1859.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A História da CHESF. Pouco após o engenheiro Francisco Pinto Brandão solicitou a concessão do aproveitamento da cachoeira para produção de energia elétrica para uma empresa sua a ser implantada na região com a denominação de Empresa Hidro Elétrica Agrícola Industrial do Brasil.500 HP (1. O jornalista Alceu Amoroso Lima relatou no periódico “O Jornal” declarações de três estrangeiros que estiveram a admirar a pujança da queda d’água: um francês disse “C’est très chic”. Essa visão do americano foi percebida bem antes. Anos antes. Neste contexto. com 1. atravessando com dificuldades o sertão nordestino. O requerimento foi indeferido em 1910. a exemplo das diversas bitolas das ferrovias implantadas no país. os sistemas elétricos operavam em 60 Hz e 50 Hz. As geradoras de energia elétrica na primeira metade do Século XX eram de pequeno porte e de operação precária. Pedro II. Indutora do Progresso do Nordeste “O rio São Francisco é o mais brasileiro dos rios” Engenheiro Euclides da Cunha Flavio Miguez de Mello O Nordeste na primeira metade do século XX Até a entrada dos anos 50 do século XX o Brasil permanecia sendo um arquipélago de regiões economicamente ativas com parcas conexões entre si a menos da malha ferroviária que integrava a Região Sudeste. um hindu exclamava “It is just wonderful” e um americano perguntou “How much hydropower is lost here every day?” . ainda no Século XIX. a imponente e magnífica queda d’água chamava atenção dos Figura 1 – Usina de Angiquinho visitantes que para lá se deslocavam enfrentando grandes distâncias dos centros urbanos. Nessa época. Dentre esses visitantes o de maior destaque foi o Imperador D. escassas rodovias rudimentares regionais e o transporte de cabotagem que atingia o litoral mais povoado e penetrava pelos rios amazônicos. o cearense Delmiro Gouveia colocou em operação a pequena usina hidroelétrica de Angiquinho. Foi nesse contexto que também em 1913. castigado pelas freqüentes secas resultantes de extensas estiagens o desenvolvimento do Nordeste era incipiente.

pelos ingleses da Machine Cotton. submarinos esses abastecidos por navios argentinos sob o manto de sua neutralidade. dentro da cachoeira de Paulo Afonso. no Tennessee Valley Authority. A equipe era constituída pelos engenheiros Antonio José Alves de Souza. o que ainda não havia em outras partes do território nacional cuja economia era essencialmente agrícola. maiores do que as existentes na época. O Imperador quando a visitou. durante a Segunda Grande Guerra. O Serviço Geológico e Mineralógico deu origem mais tarde à Divisão de Águas. as concessões para geração de energia elétrica passaram a ser federais sob atribuição do Ministério da Agricultura. autarquia americana implantada pelo presidente Franklin D. A obra foi realizada mediante concessão do estado de Alagoas ao abrigo do Decreto nº. não passando de lenda o lançamento dos equipamentos da fábrica e da usina. foi substituído em passado recente pelas Agências. A usina.A História das Barragens no Brasil . onde coletou subsídios para a entidade a ser criada para atuar no vale do São Francisco no Brasil. Em 1945. procurava sensibilizar as lideranças políticas para a idéia da exploração do potencial da cachoeira de Paulo Afonso. Há versão que narra que Apolônio Sales havia solicitado a Getúlio Vargas a assinatura do Decreto de criação da CHESF em 30 de setembro por ser ele. O levantamento foi um marco para o desenvolvimento do Nordeste. mesmo em países mais evoluídos. 520 de 12/08/1911 de acordo com a Constituição Federal de 1891. O Presidente Getúlio Vargas comandava o Estado Novo no qual Apolônio Sales era Ministro da Agricultura. cujo Ministério incluía o Setor Elétrico comandou a campanha para a construção de uma hidroelétrica na cachoeira de Paulo Afonso. devoto de Santa Terezinha. mesmo na monarquia. aproveitava uma queda parcial e uma pequena parcela da vazão afluente. a omissão passou a ser pouco compreensível. Esse abastecimento em alto mar foi confirmado em 1982 pelo oficial da marinha alemã que comandava as operações no Atlântico Sul. precursora do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica DNAEE que por sua vez. mas a usina permaneceu intacta. o Lampião. nas proximidades da cachoeira de Paulo Afonso. A partir de 1943 o ministro da Agricultura. com a conhecida pobreza de combustíveis fósseis da época. Apolônio Sales esteve. No início dos anos vinte do século passado o Serviço Geológico e Mineralógico do Ministério da Agricultura efetuou um levantamento preliminar do potencial hidroenergético do rio São Francisco entre Juazeiro e Paulo Afonso que concluiu com a possibilidade de implantação de grandes centrais hidroelétricas. Jorge de Menezes Werneck. Forte oposição a essa idéia veio de diferentes áreas. com o fim da II Grande Guerra. Jayme Martins de Souza. A usina permaneceu no local e os equipamentos da fábrica. O desequilíbrio entre o Nordeste e o Sudeste do país passou a ser cada vez mais nítido. No início dos anos quarenta a tendência era a de promover a construção de uma grande usina em Itaparica (que só se tornou realidade nos anos setenta). Na República. após a Constituição de 1934. Naquela época. a cujo ministério a política de energia elétrica estava subordinada. Roosevelt como indutora de desenvolvimento para a saída da grande depressão econômica que ocorreu a partir de 1929 nos Estados Unidos. o Brasil questionava o regime de exceção do Estado Novo que havia marcado eleições para dezembro. ficaram prejudicados devido aos ataques de submarinos alemães e italianos nas nossas águas costeiras. Mário Barbosa de Moura e Mengalvio da Silva Rodrigues. XX e XXI sua fábrica de linhas de costuras situada na localidade de Pedra. tendo sido efetuado em região agreste no tempo do cangaço. Após a morte por assassinato de Delmiro Gouveia. Apolônio Sales. Antes disso. não havia tecnologia para a implantação de geração de energia hidroelétrica. não houve nenhuma idéia de aproveitamento do potencial da cachoeira. o contra almirante Jaigen Rohwer. agravado pela dificuldade nos transportes que se faziam sobretudo por mar. em 1944. O ministro Apolônio Sales. anos depois. a produção de linhas de costura foi prejudicada. O Nordeste ficou isolado do resto do país. Apolônio. inclusive do bando de Virgulino Ferreira. mas que. foram levados para São Paulo. 168 . Isto possibilitaria a irrigação das áreas ribeirinhas e também o início de industrialização do Nordeste. a capitaneada pelo engenheiro civil e economista por vocação Eugênio Gudin com a justificativa de que os parcos recursos federais deveriam ser concentrados no Sudeste onde já havia grande demanda reprimida de energia elétrica. uma das mais importantes. Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e Nacional de Águas (ANA). erguida na cachoeira.Séculos XIX.

continuava a oposição ao empreendimento hidrelétrico no Nordeste e à empresa criada em 3 de outubro de 1945.031 de criação da CHESF foi assinado no dia 4 de outubro de 1945. este para suprimento do que seria a futura capital brasileira no Planalto Central. amanhã é dia de São Francisco. usou o seguinte argumento – “Presidente. e Cachoeira Dourada no rio Paranaíba. sendo o General Eurico Gaspar Dutra. Ceará. Superadas todas as dificuldades.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens na época. No final do século XX quando entrou em vigor o novo modelo do setor elétrico com concessões por usina. Rio Grande do Nor te. quase três anos após sua criação. Sergipe e Bahia). Alagoas. narrou que. ou seja. Com a posse do Gal. Na seqüência ocorreram eleições gerais no país. obtendo a adesão de estados e municípios do Nordeste para a integralização do capital da empresa. no Nordeste. Já Apolônio Sales em conversa informal em 1976 com Eunápio Queiroz. também assinada no mesmo dia 3 de outubro de 1945. no Centro Oeste. mas com data do dia anterior. Esse fato originou a negativa do ministro da fazenda Correia e Castro do pedido de verbas para o Ministério da Agricultura para a execução do projeto. Dificuldades adicionais também proviam do próprio ex-ministro Apolônio Sales a apoiar. Bahia. O Decreto 8. definiu um círculo inicial de cerca de 450 quilômetros de raio no interior do qual se inseriam as capitais dos estados de Alagoas. O ministro Souza Costa.031 de 03/10/1945 concedia à CHESF a exploração de um trecho de cerca de 500 quilômetros entre Piranhas – Alagoas no baixo rio São Francisco e Juazeiro – Bahia no sub-médio rio São Francisco. Ao trecho de concessão Piranhas – Juazeiro foram acrescentados em 1972 mais 350 quilômetros. por exemplo. Ele ficará contente vendo que o senhor criou no Nordeste do Brasil uma companhia com o nome dele”. O início da CHESF O Presidente Dutra entregou o comando da CHESF a um profissional de reconhecida capacidade e idoneidade com total liberdade de indicar os demais membros da diretoria e dessa maneira. para transmitir e comercializar a energia hidroelétrica produzida em Paulo Afonso. o advogado Afrânio de Carvalho. foi realizada a Assembléia Geral de Constituição da CHESF. Pernambuco. a idéia de considerar como projeto definitivo um estudo extremamente sumário da usina localizada no Braço da Velha. procurou incluir como prioritários os aproveitamentos hidrelétricos de Paulo Afonso. Outros opositores combateram a idéia usando como argumento a reconhecida incapacidade gerencial do governo. Getúlio Vargas foi deposto e tomou posse como Presidente da República o ministro José Linhares do Superior Tribunal Federal. ainda no submédio rio São Fran- 169 . Mantinha-se a oposição do agora ministro Eugênio Gudin por considerar que este tipo de empreendimento deveria ser feito pela iniciativa privada e que os investimentos em geração de energia elétrica deveriam priorizar a região Sudeste. A empresa podia ser formada. Entretanto. por linha de transmissão e por subestação a CHESF era responsável por produzir e transportar energia elétrica para 8 estados do Nordeste (Piauí. Diversos depoimentos dão conta de que um forte argumento que sensibilizou o general Dutra com relação a Paulo Afonso pode ter sido o que aventava a possibilidade de uma secessão do Nordeste das demais regiões do Brasil. indicações de origem político partidárias ficaram afastadas. Dutra. Paraíba. Daniel de Carvalho. também comandado por Apolônio Sales. o que seria agravado num tipo de empreendimento em que nunca antes havia se envolvido. no final de 1946. depois de um árduo trabalho. chefe de gabinete do ministro da Agricultura. embora conhecedor de que Getúlio Vargas era agnóstico e que o dia de Santa Terezinha havia passado. afirmara que seria um desperdício gastar recurso no projeto. eleito e empossado Presidente da República. no dia 15 de março de 1948. então diretor superintendente de Sobradinho. que atravessava intenso racionamento e não o Nordeste onde nem mercado havia. festejada naquela data (hoje é 01 de outubro). A concessão. Posteriormente esse círculo expandiu-se até atingir Natal – capital do Rio Grande do Norte e finalmente Fortaleza – capital do Ceará. dada a disparidade daquela região com as regiões Sul e Sudeste. Pernambuco e Sergipe. O Decreto Lei º 8. mas o Estado Novo estava próximo do fim.

Na margem esquerda as instalações de Angiquinho e no cânion a casa de força 170 . primeiro presidente da CHESF Figura 3 . onde a CHESF construiu e opera a hidroelétrica de Sobradinho. em 1921. do Ministério da Agricultura. tinha. Luiz Gonzaga (Itaparica). II. Paulo Afonso I. Alves de Sousa assumiu o comando da empresa com o programa inicial de destinar o fornecimento de Figura 2 . no governo Epitácio Pessoa. ambas na Bahia. onde tinha sido encarregado das concessões de energia elétrica. obedecidas às orientações do Presidente Dutra. Esse engenheiro. efetuado um levantamento topográfico da Cachoeira de Paulo Afonso. Piloto. resultando que entre Xique Xique (limite montante) e Piranhas (limite jusante) se inserem as usinas hidroelétricas de Sobradinho.A cachoeira de Paulo Afonso antes das obras da CHESF. formado na Escola de Minas de Ouro Preto. XX e XXI cisco entre as cidades de Juazeiro e Xique Xique. Apolônio Sales (Moxotó).Séculos XIX. foi eleito Presidente da CHESF o engenheiro Antônio José Alves de Sousa. III e IV e Xingó.A História das Barragens no Brasil . Em 1948.Engenheiro Antônio Alves de Souza.

e é constituída de barragem. os estados da Bahia. Othon Soares. cercada por usinas hidroelétricas. marcaram o nascimento da Mecânica das Rochas no Brasil. foi selecionada a que previa uma extensa barragem de concreto de gravidade com um vertedouro de superfície incorporado e atravessando um arquipélago de ilhas a montante da cachoeira. a partir de 1949. 8 no braço Quebra.8m de diâmetro com joelho de 90° para alimentar três turbinas Francis situadas em casa de força subterrânea. através de um canal artificial. A barragem atravessa diversas ilhas e suas comportas assinalam os braços originais do rio. Ao longo do tempo outros engenheiros foram incorporados à diretoria técnica como Hernani Gusmão. O reservatório assim formado tem apenas 11 km² de área. sediada no Rio de Janeiro. De início. atingindo as proximidades da cachoeira. 6 no Taquari e 2 no Capuxu. tendo 171 . e políticos como Luiz Vianna Filho. com a colaboração dos engenheiros Domingos Marchetti. Alagoas e Sergipe foram beneficiados com a energia elétrica gerada em Paulo Afonso. transformando o centro da cidade de Paulo Afonso em uma ilha.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens energia exclusivamente a Pernambuco e imediatamente propôs estender o fornecimento a outros pontos do nordeste inclusive a Salvador. Adozindo Magalhães de Oliveira (diretor de administração) e Octávio Marcondes Ferraz (diretor técnico) e como consultor jurídico Afrânio de Carvalho. formando um funil num comprimento total de 4394m. São 26 comportas de vertedouro. no próprio local das obras. esta com operação iniciada em outubro de 1949. A outra parte da barragem. logo nos primeiros meses após o início de operação. Clemente Mariani. a CHESF contou com a geração da usina de Angiquinho com 1. quando submetidas a pressão interna. em fins de 1954. adotando essa postura até o final do seu mandato. a diretoria técnica. Juraci Magalhães e Pereira Lira. construída no início dos anos 70 do século passado. O diretor de administração. o braço do Quebra e o braço do Taquari. foi implantada a montante da bacia de decantação (reservatório Delmiro Gouveia). Gentil Norberto. A Usina de Moxotó. cujo reservatório foi formado captando águas do reservatório de Moxotó. pelo seu falecimento. Dermeval Resende. sendo 10 delas no braço principal. Alves de Souza compôs a sua diretoria com o coronel engenheiro Carlos Berenhauser Junior (diretor comercial). realizando ensaios de deformação diametral sofrida por câmaras escavadas em rocha. Graças à vigilância do governador Otávio Mangabeira. O presidente Dutra manteve a sua palavra de não interferir na composição da diretoria. da Bahia. a diretoria passaria a sofrer modificações. Hélio Gadelha de Abreu e Nédio Lopes Marques. atinge a margem direita atravessando o braço Capuxu. Hilton Fiúza de Castro. em 1961. além de Pernambuco. II e III. foi substituído pelo consultor jurídico. Somente após a posse do presidente Jânio Quadros. passando a original a ser denominada de Paulo Afonso I. A barragem Leste com 3117m de extensão tem sua ombreira na margem esquerda e atravessa o braço principal onde escoava cerca de 90% da descarga do rio. Para suprimento de energia ao acampamento e ao canteiro de obra da primeira usina. realizados em 1951. com 1277m de comprimento. José Villela e Júlio Miguel de Freitas. uma adução em túneis. Um aspecto a destacar foi o fato do IPT ter prestado assistência tecnológica à construção dessa usina. constituindo-se em uma barragem móvel. A adução é feita por três túneis verticais de 4. A tomada d’água fica situada no encontro desses dois trechos da barragem. foi implantada mais uma usina denominada Paulo Afonso IV. passou a atuar mais diretamente. que alimenta as usinas de Paulo Afonso I. Hermínio Lorentz Kerr. Estes ensaios.1 MW que havia sido instalada por Delmiro Gouveia em 1913 e de outra pequena hidroelétrica denominada Usina Piloto. Posteriormente. Dentro da concepção original foram posteriormente executadas outras duas casas de força também subterrâneas denominadas Paulo Afonso II e Paulo Afonso III. uma casa de força e um descarregador de fundo provido de comportas de segmento. Entre as alternativas de projetos que foram consideradas para construção da usina de Paulo Afonso. uma casa de força subterrânea e a restituição a jusante da cachoeira.

para a fábrica de linhas que havia sido implantada por Delmiro Gouveia no povoado de Pedra (hoje cidade de Delmiro Gouveia. Atualmente. O sítio desta usina teve seu tombamento histórico decretado pelo estado de Alagoas e atualmente é ponto de visitação turística na região. após seus equipamentos terem sido danificados por uma forte enchente. as instalações do modelo reduzido das usinas de Paulo Afonso podem ser vistas durante visitas turísticas e escolares agendadas previamente com a CHESF. ocorreu ainda pronunciada inadimplência de aportes financeiros que haviam sido assumidos por estados e municípios nordestinos por subscrição de ações da CHESF. com possibilidade de instalação de uma segunda máquina. Ao longo de todo o projeto e construção de Paulo Afonso I e continuando durante quatro décadas. para a cidade de Glória e. Além da previsão insuficiente de recursos por parte do governo federal. Alagoas). um laboratório de modelos hidráulicos reduzidos. apesar de serem esses estados e municípios os mais beneficiados com a implantação da primeira usina de Paulo Afonso. Leal Corrêa e Leopoldo Schimmelpheng e passou a fornecer energia elétrica para a obra e seu acampamento.Usina piloto 172 . permaneceu em operação no Centro de Formação da CHESF em Paulo Afonso. complementando Angiquinho. Além do capital financeiro inicialmente subscrito para formação da CHESF e reconhecidamente insuficiente. sob a administração da Fundação Delmiro Gouveia. A Usina Piloto foi projetada e construída pelos engenheiros J.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . para permitir a construção da usina e funcionamento da empresa. no BIRD e no Banco Nacional de Desenvolvimento Industrial. Em março de 1960. de inestimável valor para as definições de projeto e construção. Esse desinteresse financeiro permaneceu mesmo após a entrada em operação da usina. a usina de Angiquinho foi desativada pela CHESF. No início da construção de Paulo Afonso I as escavações para a implantação da casa de força subterrânea foram comandadas pelo enge- Figura 4 . depois de quase 47 anos de operação. XX e XXI uma unidade geradora de 2.0 MW. foram efetuados aumentos de capital e conseguidos empréstimos junto ao Eximbank.

Dutra ao lado de Alves de Souza. principalmente através de empresas de consultoria. André Balança se fixaria no Brasil até seu falecimento. De costas.Início da obra em 1950 com Marcondes Ferraz e Alves de Souza (primeiro e segundo da esquerda) Figura 6 . foram executadas sob a supervisão dos engenheiros Roberto Montenegro e Reginaldo Sarcinelli. A construção de Paulo Afonso exigiu a presença de milhares de trabalhadores e também atraiu outros milhares de pessoas que afluíam ao local da usina à procura de trabalho. detentor de profundos conhecimentos de hidráulica adquiridos na sua formação em Grenoble. devido à velocidade de escoamento (cerca de 3. 12 m de altura e peso de 350 t. uma vez que foi bastante reduzida a velocidade das águas nestes locais. esquerda e direita. tendo contribuído em inúmeros empreendimentos hidrelétricos. O modelo reduzido definiu a solução considerando a montagem de um flutuante chamado localmente de “Navio”.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens nheiro Domingos Marchetti. A vila Poty é hoje o centro da cidade de Paulo Afonso. e a vila Zebu. Os estudos hidráulicos para o barramento do rio determinaram a aplicação de ensecadeiras celulares de estacas prancha. ambas marcas de cimento. As ensecadeiras propostas pelo engenheiro Gentil Norberto. dentro das realidades da época. Esse flutuante foi imerso no rio em posição previamente definida através de controle por cabos de aço fixados nas margens. uma das mais prósperas do estado da Bahia.Visita do pres. dificultavam a execução da ensecadeira como fora projetada. contribuindo com assistência social e a Figura 5 . O flutuante afundado desviou as correntes mais intensas e possibilitou a instalação das estacas prancha sem que essas vergassem. Marcondes Ferraz implantação de recursos básicos requeridos.5 m/s) e profundidade do rio nas imediações das cachoeiras (10 m a 12 m). além da irregularidade do fundo rochoso. um crescente conjunto de casebres. estabelecendo-se ao lado do acampamento da CHESF. Importante contribuição para a concepção do projeto e para a execução das obras foi dada pelos que trabalharam no modelo reduzido sob a orientação do engenheiro francês André Balança. À medida que as células iam sendo 173 . em parte cobertos por sacos de cimento vazios surgindo no linguajar popular a Vila Poty e a Vila Zebu. A CHESF participou do apoio à melhoria de vida dos moradores das novas vilas. especialista em túneis. com 18 m de comprimento. A impossibilidade de execução de batimetria. construído na França e montado no local da obra. povoado do município de Delmiro Gouveia.

Construção da ensecadeira celular com apoio do navio defletor 174 . Essa treliça passou a reter blocos de pedra de grandes dimensões lançados na corrente do rio e retidos por redes apoiadas na treliça.Montagem da guia das estacas prancha Figura 9 . e que uma escavação de canal com estrutura de desvio como feito em Itaipú teria sido um esquema mais garantido. A solução do “Navio” que protegera a construção das células por montante não mais seria aplicável. Em depoimento ao autor o engenheiro Rubens Vianna de Andrade que. Com a diminuição da velocidade de escoamento. Outra alternativa que havia sido estudada para fechamento desse trecho final do rio era a da construção de um obelisco com uma das Figura 7 .5 m/s.A História das Barragens no Brasil . posicionada a jusante da linha de centro da ensecadeira celular em construção. Essa vitória da engenharia brasileira foi comunicada durante uma sessão do Clube de Engenharia no Rio de Janeiro. quando jovem participou da construção de Paulo Afonso I. com o término da ensecadeira foi divulgado para toda a nação e meio técnico de engenharia. XX e XXI executadas barrando e estrangulando a seção do rio.Montagem do navio defletor Figura 8 . a qual foi interrompida para que a notícia fosse conhecida pelos presentes que vibraram com o êxito da solução de engenharia. a ensecadeira de estacas prancha pôde então ser concluída. O fechamento do rio São Francisco. com calorosos aplausos. a velocidade da água ia aumentando progressivamente. atingindo valores de 8. disse que o esquema de desvio tinha sido realmente muito ousado.Séculos XIX. Decidiu-se pela implantação de uma estrutura metálica em treliça semi-flexível.

Construção da ensecadeira celular Figura 11 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 .Construção da ensecadeira celular 175 .

A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 12 .Séculos XIX.Construção da ensecadeira celular – Carga hidráulica de 9 m Figura 13 .Ensecadeira celular concluída e fase inicial do fechamento do rio 176 .Construção da ensecadeira celular Figura 14 .

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 15 .Treliça posicionada para fechamento do rio Figura 17 .Início do lançamento da treliça para fechamento do rio Figura 16 .Fase final do fechamento do rio 177 .

Esse fato gerou a substituição do representante do banco em Paulo Afonso. reduto na baía da Guanabara onde os estrangeiros eram recebidos e triados. Essa posição fora transmitida ao ministro Oswaldo Aranha que tivera contato com Mr. durante a visita a Washington do presidente da CHESF.Séculos XIX. o esquema de desvio foi mantido. Abdank Abzantovsky e Andre Bijnik. com o fechamento das comportas. Quando. quando jovem na profissão. de elevada competência e distinto cavalheirismo. Mr. o fundo do rio e colocado em pé em uma das margens do rio. a jusante das comportas o leito do rio ficou seco. demonstrando a importância daquele momento histórico. formada principalmente por imigrantes europeus após a II Grande Guerra Mundial. além de preservar as realizações da diretoria anterior. Importante realçar que o consultor do Banco Mundial. a common and generous inspiration is the source of both your and our success. efetuou uma visita técnica a Paulo Afonso. Ao ser derrubado esperava-se que esse obelisco obstruísse quase totalmente o fluxo de água. João Café Filho. Além de sua vital importância econômica e social para todo o Nordeste. engenheiro Alves de Souza. Bass. a Conferência Mundial de Energia que na época ainda incluía a Comissão Internacional de Grandes Barragens. Além do francês André Balança que chegou com 29 anos e ficou para sempre no Brasil. criada por Apolônio Sales para difusão de conhecimento e transferência de tecnologia para produtores rurais e pecuaristas do sertão do São Francisco. advogado Afranio de Carvalho. como o laboratório de modelo reduzido e a fazenda modelo.” No dia 20 de setembro de 1954 foi iniciado o enchimento do reservatório. Let us hope that in the passing of time the same ideal penetrates into the mind and heart of all men so that mankind may live in peace. Dunn. intensa arborização pública e jardim zoológico. Mr. da American Engineering Co. na fase final de construção e com o desvio já equacionado. decency and liberty. com sua vasta experiência posteriormente em diversos desvios de grandes rios inclusive o desvio do rio Paraná em Itaipú. No dia 1° de dezembro era ligado o primeiro circuito que atenderia Recife e poucos dias após era energizada a linha de transmissão para Salvador. presidente do banco. Paulo Afonso passou a ser visitado por vastos contingentes de pessoas para apreciar a grandeza das obras ali implantadas. Considerando essa afluência de visitantes. o que foi caracterizado como deslize de ética. Aproveitando o fato de que o banco havia chamado Alves de Souza a Washington sem dar conhecimento da pauta da reunião e sem a convocação do diretor técnico. we are pleased to note that. Nessa visita..A História das Barragens no Brasil . para atender a convocação feita pelo banco. uma legião estrangeira prestou importantes serviços para a CHESF nos seus primeiros anos. A inauguração de Paulo Afonso ocorreu no dia 15 de janeiro de 1955 em solenidade comandada pelo Presidente da República. iniciou uma grande transformação do entorno da usina em vasto ambiente de agradável paisagismo implantando dezenas de pequenos lagos. Pensava em esquema semelhante ao de Itaipú com escavação de canal de desvio com aplicação da rocha escavada na barragem e a construção de estrutura de fechamento nesse canal. admitiu ao autor que o esquema que foi empregado em Paulo Afonso não teria sido o mais recomendado nem o mais seguro. desaconselhara os dois métodos para o ensecamento do leito do rio. 178 . por Mr. um dos muitos que estavam assistindo o evento atravessou a pé o leito do rio empunhando a bandeira nacional. antecipando-se a John Lennon: “As the World Power Conference represents the triumph of cooperation over isolationism. Dessa legião estrangeira participaram Cyrill Iwanow. Cinquenta anos após o desvio do rio. participou da epopéia do desvio em Paulo Afonso. requisitados na Ilha das Flores. engenheiro Marcondes Ferraz. o engenheiro Rubens Vianna de Andrade que. No dia 4 de agosto de 1954. Black. o professor Amauri Menezes que assumiu a diretoria técnica durante as ampliações de Paulo Afonso. in a way. o diretor da CHESF. Adolph Acker mann que se opusera ao esquema de desvio do rio. XX e XXI faces reproduzindo da melhor maneira possível. concluiu o discurso de recepção à delegação com as seguintes palavras.

notável pintor vindo na comitiva pessoal de Maurício de Nassau. tendo convidado Marcondes Ferraz para a presidência. A primeira imagem da cachoeira foi captada em 1647 pelos pincéis de Franz Post. promoveu alterações na diretoria da CHESF. Após doze anos na direção técnica da CHESF e sendo um dos principais artífices do que ficou sendo conhecida como a epopéia de Paulo Afonso.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A notável beleza da cachoeira com suas diferentes quedas em seu estado natural ainda hoje pode ser vista por ocasião de cheias extravasadas pelos vertedouros. convite declinado com o argumento de que não se deveria deslocar um homem do gabarito de Alves de Souza. Ao saberem que haveria mudanças na diretoria. T. o ministro João Agripino. A expansão da CHESF A partir de 1953 a CHESF iniciou as negociações para obtenção de recursos junto ao governo federal para o primeiro plano de expansão de Paulo Afonso que incluía a terceira unidade da primeira casa de força e a construção da segunda casa de força denominada Paulo Afonso II que. todos os diretores se demitiram e realçaram a importância da Figura 18 . O afastamento teve motivação política. por ter Marcondes Ferraz apoiado o presidente da República Carlos Luz.O aproveitamento de Paulo Afonso em seu estágio final 179 . seria também subterrânea. como as que se seguiriam. Quando Jânio Quadros foi eleito em 1960. Dom Pedro II quando esteve na cachoeira em 1859 reproduziu a imagem que vislumbrava a lápis em seu diário de viagens. Lott que depôs dois presidentes. no seu efêmero governo de dois dias e participado da fuga no cruzador Tamandaré após o primeiro dos dois golpes desferidos pelo general Henrique D. Marcondes Ferraz foi destituído em 1960 por Juscelino Kubitschek como presidente da república.

XX e XXI Figura 19 – A usina hidroelétrica de Moxotó continuidade de gestão que seria garantida pela permanência de Alves de Souza na presidência.A História das Barragens no Brasil . Com o rio São Francisco domado em 1954. as ampliações que se sucederam foram muito mais simples. o vertedouro de Moxotó foi dimensionado para a mesma descarga de projeto da barragem das usinas de Paulo Afonso I. Ao se projetar a barragem de Paulo Afonso IV verificou-se que. Fausto Alvim na diretoria administrativa e Ivan Macedo Melo na diretoria comercial. situada a cerca de 1. tendo a última das seis unidades geradoras entrado em operação em 1983. descargas de até 10.5 km a jusante das suas precursoras.000 m³/s). difere destas por captar. por meio de um canal. II e III. afluente pela margem esquerda do rio São Francisco na região de Paulo Afonso. 180 A usina de Paulo Afonso IV. Novas casas de força subterrâneas foram se sucedendo. e concluída em 1974. Paulo Afonso III inaugurada em 1972 pelo presidente Emílio Garrastazu Médici. II e III (25. Ele foi mantido e os demais diretores foram substituídos por Amauri Menezes. devido principalmente às características torrenciais do rio Moxotó.000 m³/s em hidrógrafas de cheia de pequenos volumes poderiam se somar ao pico de cheia afluente ao reservatório de Moxotó. o canal de adução entre os reservatórios de Moxotó e . e a usina inaugurada em 1980 pelo presidente João Batista Figueiredo. na diretoria técnica. Paulo Afonso IV cujas obras civis foram concluídas em 1979.Séculos XIX. água no nível do reservatório da usina de Moxotó implantada a montante da bacia de decantação Paulo Afonso I. Como essa condição excepcional não havia sido considerada no projeto da barragem de Paulo Afonso. Para garantir o escoamento da cheia máxima possível. Paulo Afonso II concluída em 1968.

ou de Sobradinho ambas no rio São Francisco e a montante de Paulo Afonso e Moxotó.00. em empreendimentos de engenharia. Os dirigentes da Eletrobras. Além disso. O planejamento energético foi influenciado também pelo baixo custo do petróleo. formando um apreciável acervo sobre a reação álcali-agregado. sendo projetado e construído um vertedouro de 10 000 m³/s de capacidade na barragem de Paulo Afonso IV. quando o barril de petróleo foi cotado a menos de US$ 2. causou constrangimentos na subsidiária. foi construído para promover a regularização semanal das vazões e possibilitar através do canal de adução acima descrito. Xingó já em operação e Pão de Açucar. de 100 MW cada. mais econômica. Ricardo Barbosa e João Francisco Silveira). monitorando os efeitos da expansão e garantindo o aumento da vida útil da casa de força. que entre outros motivos buscava tirar do comando da Diretoria Técnica da CHESF uma das duas obras gigantescas e simultâneas (Sobradinho e Paulo Afonso IV). Na ocasião da concepção do projeto não foi considerada a construção de um obra de barragem para o controle de cheias do rio Moxotó que teria trazido importantes benefícios econômicos à construção de Paulo Afonso IV e aos vertedouros de jusante. situado a montante de Paulo Afonso I. III. neutralizou as componentes negativas desta divisão. o que exigiu a execução de serviços para convivência com esse fenômeno e manutenções periódica nas unidades geradoras. garantindo também o simultâneo escoamento de possível cheia gerada na bacia do rio Moxotó. Alberto Jorge Cavalcanti. a partir de relatório do Comitê de Estudos Energéticos do Nordeste foi a construção da barragem de Sobradinho inicialmente sem casa de força por ser a solução de menor investimento para a regularização do rio. Em 1983 a usina de Moxotó passou a ser denominada oficialmente de Usina Apolônio Sales em homenagem ao criador da CHESF. Paulo Pacheco e Margarida Maria Dantas de Oliveira. na Bahia. O reservatório da barragem de Moxotó. que haviam sido companheiros no Congresso Nacional. Gláucio Furtado. A usina é composta por duas barragens de enrocamento com núcleo de argila. 181 . separadas por uma ilha. II e III. A barragem de Moxotó se situa a cerca de 2 km a montante da barragem do Complexo Paulo Afonso I. Japhet Diniz.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de Paulo Afonso IV foi ampliado para permitir o fluxo adicional de 10. As alternativas seriam a construção das hidroelétricas e reservatórios de Itaparica (em cota elevada). As sucessivas ampliações em Paulo Afonso passaram a demandar descargas afluentes mais regularizadas. Essa opção não prosperou em função do aumento de preços pela OPEP e da deflagração da guerra do Yom Kippur. além de João Paulo Maranhão de Aguiar. a derivação do fluxo d’água para a tomada d’água e vertedouro da usina de Paulo Afonso IV. conduziram a implantação da hidroelétrica de Sobradinho. estimulando a construção de usinas termoelétricas junto aos grandes centros de consumo. As quatro unidades geradoras. e implantado com sucesso a hidroelétrica de Funil e que teria como missão implantar o empreendimento de Sobradinho. Eunápio Queiroz e Ernani Gusmão. Norman Costa. recomendações plenamente atendidas. época do chamado “milagre brasileiro“. Hilton Silveira. Foi necessária a construção de um núcleo urbano para transferência da população da cidade de Glória-BA. Em maio de 1974 a CHESF recebeu instruções para motorizar Sobradinho. e criaram. ocorrendo o enchimento do reservatório de Sobradinho em 1978 e início de geração de energia em 1979. As obras civis da usina de Moxotó foram iniciadas em 1971 e concluídas em 1974. o trabalho conjunto de Apolônio Sales e Eunápio Queiroz. uma solução de compromisso: a concessão da hidroelétrica de Sobradinho seria da CHESF.000 m³/s. A solução adotada pelo setor elétrico. inundada com a formação do reservatório. Posteriormente foi constatada a presença de reação álcali-agregado ocasionando expansão do concreto. Mário Bhering e Pinto Aguiar foram sensibilizados pelos argumentos de Apolônio Sales. Uma equipe de técnicos da CHESF e consultores (Aurélio Vasconcelos. presentemente em fase de inventário. com apoio de Léo Amaral Penna. Em meados de 1971 a Eletrobras havia determinado a estruturação de uma superintendência sob o comando do engenheiro Eunápio Peltier de Queiroz que havia criado a Centrais Elétricas do Rio de Contas. entraram em operação em 1977. então presidente da CHESF. II. uma das barragens contendo a tomada d’água e casa de força e a outra o descarregador de fundo (barragem móvel) controlado por comportas de segmento. Essa decisão da Eletrobras. dedicaram-se aos estudos e acompanhamento.

A casa de força de Sobradinho teve a entrada de sua primeira máquina em operação em novembro de 1979 e a última unidade geradora em março de 1982. num arranjo característico de hidroelétrica brasileira em vale aberto. gerou um reservatório de grandes dimensões com volume acumulado de 34.Minas Gerais e o sub médio rio São Francisco. um significativo aumento de descargas garantidas para as usinas a jusante. portos terminais do trecho navegável entre Pirapora .A usina hidroelétrica Sobradinho 182 . o que. sucedido pela Portobrás. Remanso. o Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis. mesmo limitando a altura da barragem e definindo a usina como de baixa queda. com uma depleção de até 12 metros. No local da barragem de Sobradinho e em toda a área do seu reservatório o rio São Francisco apresentava margens abatidas em vale muito aberto. O reservatório de Sobradinho. concluída em 1980.1 bilhões de metros cúbicos e extensa área alagada de 4. exigiu e assumiu os custos de implantação de uma grande eclusa de navegação. Foi necessário a relocação das cidades de Casa Nova. atingindo seus 1050 MW de capacidade instalada. XX e XXI Uma barragem de terra zoneada flanqueia as estruturas de concreto gravidade da tomada d’água e dos vertedouros de fundo e superfície. tão importante para a segurança do suprimento de energia ao Nordeste. que na época era um sistema isolado do resto do País. gerou impactos sócio-ambientais de porte.A História das Barragens no Brasil .214 km2 possibilitando. Sento Sé e Pilão Arcado e de outros pequenos povoa- Figura 20 .Séculos XIX. Apesar de se situar a cerca de 50 km a montante de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 21 . antecedendo à inauguração de Tucuruí. que garantiram todos os requisitos de qualidade e segurança na utilização de argila dispersiva.000 hectares. única disponível na área em quantidades compatíveis com os volu- mes requeridos. Ao todo foram 11. Hiromito Nakao. O usina de Sobradinho permitiu a interligação das regiões Nordeste e Norte através de linha de transmissão entre Sobradinho e Tucuruí. proporcionando significativa economia de petróleo. Além do papel importante na redução de piques de cheia e interligação Norte – Nordeste. Sherard. durante cerca de quatro anos. com a transferência das suas populações. Hamilton Oliveira. com área irrigável de 25. em Sobradinho foi construída a tomada d’água que abastece o mais bem sucedido projeto público de irrigação no Brasil – o Projeto Nilo Coelho. Técnicos brasileiros da CHESF e da Projetista (Esmeraldino Pereira.400 famílias (cerca de 70. Hilton Silveira. A construção da barragem de Sobradinho trouxe importante contribuição para a engenharia nacional de barragens ao ter seu núcleo impermeável executado com argila dispersiva. desenvolveram estudos. o canteiro e acampamento dessa hidroelétrica.000 pessoas) reassentadas para formação do reservatório. Como Tucuruí ainda estava em construção quando Sobradinho iniciou sua operação. Guy Bordeaux e Pedro Tanajura) com a consultoria e acompanhamento de um dos mestres mundiais da engenharia de solos – James L. Com Sobradinho ainda em fase de construção a CHESF iniciou em 1975 no rio São Francisco e a cerca de 40 km a montante de 183 .A usina hidroelétrica de Itaparica dos situados às margens do rio São Francisco. a cidade de Belém do Pará e cidades vizinhas foram abastecidas com energia elétrica gerada em Sobradinho. avaliações e tarefas de controle de laboratório e construção dos maciços. Antonio Martins. no escritório e no campo.

a construção de uma barragem em abóbada com casas de forças subterrâneas nas duas margens. em 1951.A História das Barragens no Brasil . Nesse ano a usina foi inaugurada pelo presidente José Sarney e atingiu plena capacidade em 1990 com seis unidades geradoras de 246. constituída por uma barragem com 145 m de altura. Ao lado da tomada d’água para geração de energia elétrica foram implantadas duas tomadas para os projetos de irrigação Califórnia e Jacaré Curituba. Rodelas e o povoado de Barra do Tarrachil. foi decidida a implantação dessa segunda alternativa de projeto que se situa imediatamente a montante das sedes municipais de Piranhas – Alagoas e Canindé do São Francisco – Sergipe. Tendo em vista a extensa área de reservatório de 834 km². que atingem até 200m de altura. Com tanta oposição. A indústria americana Reynolds Metals propôs a construção dessa hidroelétrica numa das partes mais estreitas do cânion com uma barragem em arco. Os trabalhos foram apoiados por uma junta de consultores composta por James Libby. por mais econômica. homenagem ao grande compositor e cantor nordestino. a menos de Angiquinho já mencionada. O nível d’água do reservatório da hidroelétrica de Xingó foi definido pelo valor aceitável de afogamento do canal de fuga de Paulo Afonso IV com conseqüente redução de geração nessa usina. Manuel Rocha. O Empreendimento Itaparica foi realizado num período de intensas dificuldades financeiras do setor elétrico estatal. Essas usinas. Houve forte resistência política dos que consideravam que essa concessão não atendia aos interesses do Brasil e do Nordeste. abrigando cerca de 36.6 MW cada. Essas hidroelétricas foram: Bananeiras (inundada pela usina hidroelétrica Pedra de Cavalo. de enrocamento com face de concreto e com desvio por túneis escavados na margem direita onde também foi localizada a casa de força. Itacuruba. com a empresa consultora. já com a denominação de Usina Hidroelétrica Luiz Gonzaga. No após guerra. a Usina de Xingó. que abastecia um núcleo agrícola e operou de 1945 até a década de 1970 e foi alagada pelo reservatório da nova hidroelétrica em 1988. recomendou. todas as demais usinas incorporadas pela CHESF se situam em outros rios do Nordeste. Essa usina teria como finalidade a geração de grandes blocos de energia para uma unidade fabril de produção de alumínio a ser implantada na região. Além das hidroelétricas acima mencionadas e implantadas pela CHESF. os estudos preliminares para seleção de local e de alternativas de projeto. Clemente Mariano e pelo industrial e político paulista José Ermírio de Moraes com os argumentos de que haveria prejuízo da incipiente indústria nacional e que absorveria grande consumo de energia com pequena utilização de mão de obra. outras foram incorporadas à CHESF ao longo dos anos. abrigando seis unidades de 527 MW cada que entraram em operação entre 1994 e 1997. Foram construídas as novas cidades de Petrolândia. houve a necessidade do assentamento da população ribeirinha que teve que ser desalojada. e da antiga pequena usina existente em Itaparica. capitaneada pelo político baiano. Somente em 1975 foram contratados pela CHESF. Boa Esperança no rio Parna- 184 . Somente em 1988 foi fechado o reservatório e entraram em operação as primeiras unidades. o engenheiro Gerdes. Armando Lencastre e Don Deere que. XX e XXI Paulo Afonso as obras para implantação da hidroelétrica de Itaparica. sob a supervisão de Felício Limeira de França e a coordenação do engenheiro José Geraldo Araújo. a usina e a indústria não foram adiante. O vale aberto do rio foi barrado por um extenso maciço de enrocamento com núcleo de saprolito compactado ladeando as estruturas de concreto gravidade da tomada d’água e do vertedouro. Dada a carência de experiência nacional em barragens em abóbada e como o esquema com barragem de enrocamento no final do cânion era viável.000 pessoas.Séculos XIX. James Sherard. sob comando de Eunápio Queiroz. motivo pelo qual as obras se prolongaram muito além do que fora previsto no planejamento de construção. A jusante de Paulo Afonso o rio São Francisco escavou profundo e estreito cânion de paredes rochosas de elevadas qualidades geomecânicas. que teve sua operação iniciada em 1913 e desativada em 1960 devido a uma inundação. vislumbrou a construção de uma hidroelétrica nesse cânion. ambos no estado de Sergipe e viabilizados pela elevação de mais de 120 metros no nível d’água no cânion. A concessão teria sido para autoprodutor por 30 anos e reverteria à União no entorno de 1985. da Kaiser. do Grupo Votorantim) no rio Paraguaçu na Bahia.

as Funil e Pedra no rio de Contas no sul da Bahia. Essa usina foi transferida da COELBA para a CHESF em 1967 e desativada em 1981 por interferência com a hidroelétrica de Pedra do Cavalo. A usina hidroelétrica de Boa Esperança. A hidroelétrica de Bananeiras. A usina de Boa Esperança teve suas obras iniciadas em 1964. Dessa iniciativa nasceu a Companhia Hidro Elétrica de Boa Esperança COHEBE.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens íba na divisa dos estados do Maranhão e Piauí. e sua Figura 22 . a montante da cidade de Cachoeira. havia entrado em operação em 1920 e teve 9 MW instalados para suprir o Recôncavo Baiano. situada no rio Parnaíba entre os estados do Maranhão e do Piauí.A usina hidroelétrica de Xingó 185 . representado pela Eletrobras. teve origem na iniciativa do DNOCS de criar uma comissão para inventariar as possibilidades de implantação de hidroelétricas no rio Parnaíba. situada no rio Paraguaçu. a partir de Grupo de Trabalho formado pelo DNOCS e pela SUDENE. Em julho de 1963 a COHEBE foi formalmente constituída e sua primeira diretoria foi composta por César Cals de Oliveira Filho. Curemas a partir dos açudes públicos Estevam Marinho e Mãe-d’água do DNOCS nos rios Piancó e Aguiar na Paraíba e Araras no açude público Paulo Sarasate do DNOCS no rio Acaraú no Ceará. com a participação dos estados do Piauí e Maranhão e do Ministério de Minas e Energia. de maior potência. Walter Barros da Silva. Hilton Ahiran da Silveira e Ebenezer Gueiros. que foi implantada no local.

XX e XXI primeira etapa com duas unidades de 54 MW de potência unitária foi concluída em 1970 proporcionando energia abundante e confiável aos estados do Maranhão e Piauí . Novos tempos – século XXI A partir de 2006. mantendo-se para o empreendimento a denominação Usina de Boa Esperança. Para não onerar os consumidores. atingida com a energização de LT 230 kV Teresina – Sobral – Fortaleza. com duas unidades geradoras totalizando 4 MW.Séculos XIX. Em 1957 a hidroelétrica entrou em operação tendo sido incorporada pela CHESF em 1969. composta por três unidades geradoras de 10 MW cada. Em 1973 a COHEBE foi então absorvida pela CHESF. sendo acionista minoritária nas usinas hidroelétricas de Dardanelos. a montante da usina de Funil. que foi homenageado com a denominação Barragem Milton Brandão. entraram em operação. A usina só entrou em operação em 1967 e em 1969 foi incorporada à CHESF. dentro do novo modelo do Setor Elétrico Brasileiro. após a morte do ex-presidente Castelo Branco. Teve suas obras iniciadas pelo DNOCS em 1939. o passivo da COHEBE foi coberto com recursos da reserva legal para desapropriação de empresas de energia elétrica. De modo semelhante ao que aconteceu com Paulo Afonso na década de 1940. A barragem tem múltipla finalidade e além de geração de energia. A barragem é do tipo contrafortes de concreto com 24 blocos dos quais os sete blocos centrais são vertentes. a casa de força passara a ser denominada Presidente Castelo Branco. Somente em 1991 as duas últimas unidades geradoras de 63. a CHESF voltou a investir e participar de grandes empreendimentos de geração de energia elétrica. no estado da Paraíba. A usina de Curemas com duas unidades geradoras totalizando 3. haviam os que alegavam que a usina seria um investimento pioneiro fomentador de progresso para a região. per mite a regularização do rio para controle de enchentes.A História das Barragens no Brasil . dotados de comportas de segmento. encontra-se situada a jusante da barragem do açude público Paulo Sarasate. a construção de Boa Esperança sofreu grande oposição dos que consideravam que a demanda dos estados do Nordeste Ocidental (Maranhão e Piauí) não justificava a implantação de um empreendimento desse vulto. complementando a necessidade de expansão da geração para a região. no sul da Bahia. Pinto Aguiar e Antônio Carlos Bastos. abastecimento d’água e ir rig ação ag rícola. sendo suas obras civis iniciadas em setembro de 1976.5 MW encontra-se situada a jusante da barragem dos açudes públicos Estevão Marinho e Mãe-d’Água. no rio Acaraú. previsto no planejamento do setor elétrico e reforçado pela interligação elétrica CHESF – COHEBE.65 MW cada. então vice presidente executivo da CHESF. Em oposição a esses. Em 1972 Alde de Castro Salgado. possui apenas uma unidade geradora de 20 MW cuja entrada em operação aconteceu em novembro de 1978. atendida pelas hidroelétricas do rio São Francisco através de linha de transmissão 500 kV Sobradinho – Boa Esperança. foi implantada inicialmente com 20 MW em 1962 e posteriormente ampliada para 30 MW em 1970. o que explica a grande defasagem entre as instalações das unidades geradoras. A barragem é uma estrutura de concreto gravidade incluindo a tomada d‘água e o vertedouro em vale relativamente fechado. A usina de Pedra também no rio de Contas. grande defensor desta usina. no Ceará. nos rios Piancó e Aguiar. As obras foram iniciadas pelo DNOCS em 1956. formando sociedades de propósito específico (SPE). sendo transferida da COELBA para a CHESF em 1980. A usina hidroelétrica de Funil no rio de Contas. Anteriormente. e com a passagem para o Patrimônio da União do imobilizado não ligado diretamente à geração. A hidroelétrica de Araras. Ela encontrou apoio na Eletrobras através dos seus diretores Mario Bhering. assumiu a presidência da COHEBE avançando no processo de absorção dela pela CHESF. Esse procedimento foi replicado quando da morte do deputado federal Milton Brandão. 186 . Jirau e Belo Monte. todas na modalidade de consórcio privado.

no Pará.233 MW. com unidades Bulbo na casa de força complementar. na Região Amazônica. A usina está localizada na margem esquerda do rio Aripuanã. A usina será construída no rio Xingu. uma na margem esquerda e outra na margem direita. A usina está sendo construída no local denominado ilha do Padre. com dezoito unidades geradoras de potência unitária 611. Na usina hidroelétrica Jirau a CHESF participa em sociedade com a GDF Suez. no rio Madeira. A potência instalada total de Belo Monte é de 11. Finalmente. com turbinas Francis na casa de força principal denominada Belo Monte e 6 unidades geradoras de potência unitária 38. a 120 km de Porto Velho. Seu vertedouro possui 44 vãos e permite uma descarga de vazão de projeto de 85. na região amazônica. um deles denominado Pimental onde ocorrerá o barramento do rio Xingu.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Na usina hidroelétrica Dardanelos a CHESF participa em sociedade com a Neoenergia e a Eletronorte.Vista aérea da hidroelétrica de Xingó 187 .1 MW.800 m3/s. tendo uma capacidade instalada de 261 MW. quatro delas de 58 MW cada e uma de menor porte de 29 MW. outro composto do canal de adução e interligação e o último composto do reservatório intermediário e sítio Belo Monte com a usina principal. Figura 23 . composto de casa de força complementar e vertedouro. no Complexo Hidrelétrico de Belo Monte a CHESF se associou a outras 18 empresas. a Eletrosul e a Camargo Corrêa. possuindo três sítios. Sua capacidade instalada é de 3.85 MW.450 MW com 46 unidades Bulbo de 75 MW cada. em Rondônia. no noroeste do Mato Grosso. na região amazônica. dispostas em duas casas de força. sendo composta de 5 unidades geradoras.

188 .

por exemplo. por sua vez. a maior concessionária do País na época. mas as duas maiores eram de capital canadense (Light) e americano (AMFORP American Foreign Power). Nessa época o País começou a deixar de ser apenas essencialmente rural para iniciar a industrialização que. fazendo com que.4 x 109 m3 189 . Reservatório de Serra da Mesa. Com as restrições tarifárias. Havia também inúmeros pequenos autoprodutores rurais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Furnas no século XX Flavio Miguez de Mello “No Brasil nunca se fez nada demasiadamente grande. a energia elétrica era praticamente só gerada por empresas privadas. A situação da Light. transmissão e distribuição de energia elétrica. alguns estados como São Paulo e Minas Gerais principalmente. tendo sido adotado em 1934. começassem a criar empresas estatais de energia elétrica. Apesar de procurar aumentar sua oferta de energia elétrica. evidenciava esse cenário. as companhias de energia elétrica passaram a enfrentar problemas no atendimento da crescente demanda. a maioria delas nacionais. Esse cenário começou a se tornar crítico a partir do Código de Águas que. tirando o incentivo da iniciativa privada em promover acréscimos de investimento de geração. gerou crescente aceleração urbana que passou a pressionar por demanda de energia elétrica. essa oferta era inferior à demanda que crescia acima da capacidade de investimento da concessionária. criou desequilíbrio econômico nos contratos de concessão de fornecimento de energia elétrica.” Leopoldo Miguez Desde os primórdios da produção de energia elétrica no País até pouco depois da II Grande Guerra Mundial. já nos anos 40. o maior do País com capacidade de 54.

o governo federal que havia criado a CHESF para explorar o potencial do rio São Francisco em Paulo Afonso. COPEL (1953). de obra que acrescentasse cerca de 1000 MW na Região Sudeste. As sinalizações de déficit passaram a ser evidentes.Séculos XIX. Este se mostrou excepcional para uma grande usina com grande reservatório de regularização. Nos anos cinquenta. Havia apenas uma pequena conversora de muito baixa capacidade entre os dois sistemas. Os dois engenheiros pernoitaram na fazenda e receberam de Mendes Júnior indicações sobre o local das corredeiras. No início do governo Kubitschek. em muito curto prazo. USELPA (1953).Francisco Noronha e Anton Rydland no local de Furnas 190 . ficou claro que a diferença entre a capacidade em construção e a demanda projeta- da exigia o início. as indústrias passaram largamente a instalar grupos geradores Diesel. sendo agravadas pela inexistência de interligação dos sistemas das concessionárias.A História das Barragens no Brasil . em 1954. foi seguido pelas fundações da CEMIG (1951). então diretor técnico da CEMIG. EFE (1954). nas proximidades de sua fazenda. os sistemas do Rio de Janeiro e de São Paulo eram em frequências diferentes. No local havia as corredeiras de Furnas que se situavam em vale apertado de encostas íngremes. A solução estava no local recém descoberto pela CEMIG. XX e XXI Desse modo. O vulto das obras que seriam necessárias para erguer uma das maiores hidroelétricas do mundo na época era muito superior à capacidade das empresas Figura 1 . O local foi identificado por Francisco Noronha e Anton Rydland em viagem exploratória sugerida por John Cotrim. Mesmo na Light. Só em São Paulo. estimuladas pela própria Light e com perspectivas de racionamentos. Os estudos iniciais mostraram que a capacidade instalada seria quase um terço da capacidade instalada nacional. em reconhecimento do potencial do rio Grande entre a hidroelétrica de Itutinga e o remanso do reservatório de Peixoto. em 1956. em cujas margens o engenheiro José Mendes Júnior costumava pescar. CHERP (1955) e Escelsa (1956). havia cerca de 100 MW instalados pela indústria em grupos Diesel que representavam quase 20% da capacidade instalada da São Paulo Light.

O mercado a atender era primeiramente São Paulo que se encontrava em situação mais crítica e depois os demais estados da Região Sudeste. mas também tiveram seu preço. veio a idéia de finalmente concordar com o governador que então parou de se opor e a empresa pode ser finalmente constituída. O aproveitamento de Urubupungá foi feito. já que Belo Horizonte na época não Figura 2 – John Cotrim . Lucas Lopes articulou um esquema de participação da Comissão do Vale do São Francisco em Três Marias. das finanças e dos suprimentos. Isso tinha justificativa uma vez que Três Marias era um empreendimento de finalidades múltiplas. Enquanto ele pensava que tinha trazido a empresa para Belo Horizonte. pequena cidade nas proximidades do local da usina. depois de serem mostrados os benefícios para o estado que seriam trazidos por Furnas. As negociações políticas com São Paulo foram mais fáceis. Flavio Lyra que residia no Rio de Janeiro. A primeira oposição a Furnas veio do governo de Minas Gerais. Ele queria garantir que Três Marias fosse feita antes de Furnas para ter certeza de que seria concluída. sendo pessoas perfeitamente intercambiáveis dadas a formação e a experiência dos três. Lucas Lopes teve que concordar. enquanto que a CEMIG apenas aportaria recursos para a construção da casa de força situada ao pé da barragem. ele era contra grandes áreas alagadas em Minas para gerar energia para outros estados: costumava dizer que queriam “fazer de Minas a caixa d’água do Brasil”. Quando tudo estava pronto para a fundação da empresa. foi convidado o engenheiro Benedito Dutra. sucessor de Lucas Lopes na presidência da CEMIG. Lopes e Cotrim foram a São Paulo e. e o escritório central ficou instalado no Rio de Janeiro. Seu derradeiro lance foi exigir que a sede de Furnas fosse localizada em Minas Gerais. Jânio disse que só entraria no projeto se houvesse garantias que o governo federal investisse também nos projetos do estado que eram os aproveitamentos hidroelétricos de Urubupungá e Caraguatatuba. Lyra dispunha da infra-estrutura adequada. Lucas Lopes. Além disso. de diretor técnico da CEMIG para presidente de Furnas. e John Cotrim. Para cuidar da administração. No impasse. Apesar de ser diretor da CEMIG. As atas das assembléias eram referidas a Passos apenas nominalmente. Candido Holanda e Flavio H.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens estaduais na época. foi selecionado como diretor técnico. em cumprimento à promessa feita ao professor Cândido Holanda. Os três constituiriam a diretoria executiva de Furnas. Mas a oposição do governador Bias Fortes continuava. Bias Fortes. o que foi um presente do governo federal para a CEMIG. a sede foi para Passos. sem influências políticas e procurando não sacrificar a CEMIG. Essa situação só foi normalizada cerca de vinte anos depois com a transferência oficial da sede para o Rio de Janeiro. então presidente do BNDE. à época exercido por Bias Fortes. A Comissão pagaria pelo reservatório e pela barragem. selecionaram os principais membros da nova empresa. tendo resultando nas usinas de Jupiá e Ilha Solteira. O famoso tripé de Furnas estava formado. Ele temia que o governo federal não tivesse recursos para as duas obras simultaneamente e criou toda sorte de obstáculos para atrasar o início de Furnas até que Três Marias estivesse em construção e em estágio irreversível. o governador Jânio Quadros disse que só autorizaria a participação de São Paulo na empresa se Lucas Lopes fosse falar com ele pessoalmente. Esses aspectos fizeram com que ficasse claro que a empresa a ser constituída deveria ser federal. O aproveitamento de Caraguatatuba não saiu do papel por ser derivação de descargas 191 .

que defendia que era melhor para São Paulo que investimentos fossem feitos em obras estaduais e não em obras federais. John Cotrim. XX e XXI da bacia do rio Paraíba do Sul para o oceano.Séculos XIX. Além desses diretores executivos. diretor da Light. Ernani da Motta Rezende. necessitariam de alteração no gargalo tributário a que eram sujeitas. Lyra. em Petrópolis. José Luiz Bulhões Pedreira. Maurício Bicalho. Em reunião com o presidente JK realizada no palácio Rio Negro. haveria diretores representando os outros principais investidores: a Light. empresa de energia do estado de São Paulo. José Pilz Filho. além do engenheiro Souza Dias. Juscelino então perguntou: “E eu? Não sobrou nada para mim aí nessa diretoria?” Lucas Lopes esclareceu: “Não temos Figura 3 – JK e Lucas Lopes reunidos com os indicados para diretoria de Furnas por ocasião da constituição da companhia. Uma reunião em Alfenas com a comunidade local foi a antevisão das atuais audiências públicas. A diretoria executiva seria composta por John Cotrim na presidência. C. Da esquerda João Monteiro. pelas suas mãos. foram negociadas as participações da Light e da AMFORP que. para qualquer aumento de capital. Emerson Nunes Coelho. Mário Lopes Leão. Flavio Lyra e Benedito Dutra 192 . Menção é devida a outras pessoas que tiveram destaque na formação da empresa. Lyra na diretoria técnica e Benedito Dutra na diretoria de administração e finanças. Essas alterações foram impedidas pelos parlamentares que se designavam como nacionalistas e a participação dessas duas empresas foi sendo diluída pela renúncia de investimentos adicionais. Carlos Mário Faveret. Juscelino Kubitschek. Participaram da reunião que se estendeu até a madrugada muitos proprietários de terras da região e advogados que os incitavam com o objetivo de angariar clientes em ações contra a empresa que estava sendo constituída. chefe do planejamento elétrico do governo de São Paulo. tais como João da Silva Monteiro. diretor da CELUSA. L. e os estados de Minas Gerais e São Paulo. Lucas Lopes. o advogado Noé Azevedo se tornou patrono de muitos proprietários e municípios em uma ação cominatória que visava impedir a construção da barragem de Furnas.A História das Barragens no Brasil . Flavio H. Por Furnas participaram os engenheiros Cotrim. foi apresentada por Lucas Lopes a estrutura organizacional da empresa. Sérgio Otaviano de Almeida. bem como políticos que tinham suas bases na área. Resolvidas as participações estaduais. Delphim Mazon Fernandes e Jarbas Di Piero Novaes. diretor da CEMIG. com graves impactos para as regiões a jusante no Vale do Paraíba. Barreto de Carvalho e Julival de Moraes que encontraram um clima de hostilidade inédito até aquela época.

Lyra.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Figura 4 . José Pilz Filho. piloto e convidado Figura 6 . Lyra em solenidade no canteiro de obra de Furnas 193 .Delphim Mazon Fernandes e senhora em 1966 Figura 5 .Flavio H.Assis Chateaubriand e Flavio H.

quantia impressionante para a época. conhecedor da capacidade do professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto e de seus ex-alunos. um dos arranjos que estavam sendo considerados: barragem de concreto gravidade. Entretanto. Além da barragem principal e do conjunto tomada d’água e vertedouro. revoltada com a 194 .500 m³/s no local da barragem. no Centro da cidade do Rio de Janeiro. houve a necessidade de se construir os modelos em área do laboratório do Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis. no início dos estudos. representando os investidores. XX e XXI Figura 7 . Como o laboratório era instalado no subsolo de um prédio situado na rua Araujo Porto Alegre. mais convencional na época.Séculos XIX. o reservatório é fechado com a barragem de terra de Pium-I que impede que as águas afluam para a área de drenagem do rio São Francisco. o concreto e a comporta do vertedouro e do acréscimo de calha desnecessários. Furnas conseguiu do BIRD. quero você na presidência do Conselho de administração.” Disse então o presidente Juscelino: “Ah bom. e vertedouro com seis comportas de segmento com capacidade total de 13. Um marco importante para a engenharia hidráulica brasileira foi a seleção do laboratório que deveria desenvolver os ensaios em modelo hidráulico reduzido. Flavio Lyra. em outubro de 1958. O canal de adução a essas estruturas foi escavado em cota elevada.” E indicou alguns nomes para compor os dois conselhos respeitando os que. Esse foi o primeiro grande passo para a formação de várias gerações de excelentes engenheiros hidráulicos no País. foi enviado às pressas. já constavam das duas relações. Com o aprofundamento dos estudos hidrológicos verificou-se que não seria possível a ocorrência de uma descarga superior a 10. então Lucas. Os recursos em moeda nacional vieram do BNDE e do Fundo Federal de Eletrificação. não aceitou que a redução fosse efetuada. O diretor técnico propôs ao BIRD a eliminação de um vão do vertedouro. concentrando na margem esquerda as estruturas do vertedouro e da tomada d’água. Na maior parte do tempo os residentes de Furnas na obra foram Rodrigo Mário Penna de Andrade e Franklin Fernandes Filho. além dos gastos com a escavação.A História das Barragens no Brasil . um empréstimo de US$ 73 milhões. para se candidatar ao empréstimo do BIRD. situado no Caju. assumiu a responsabilidade da execução dos ensaios no Brasil pelo Laboratório Saturnino de Brito. houve inflação de capacidade de descarga nos vertedouros a jusante. O projeto teve que ser mudado devido à pressão da população da cidade. Inicialmente essa barragem seria construída nas cercanias da pequena cidade de Capitólio.Visita do presidente Juscelino Kubitscheck à hidroelétrica de Furnas no início de sua obra como mexer na diretoria. mas você tem as vagas do conselho de administração e do conselho fiscal. traumatizado por já ter perdido uma barragem por ruptura causada por transbordamento. A construção seguiu um projeto muito bem concebido que resultou em uma alta barragem de enrocamento com núcleo de terra no leito do rio. Com isso. uma vez que não havia experiência nesse setor da engenharia no Brasil para encarar os ensaios de uma obra dessa magnitude.000 m³/s. mas o engenheiro responsável por esse empreendimento no BIRD. A indicação dos projetistas era de um laboratório nos Estados Unidos. propiciando enrocamento para a barragem. o maior empréstimo feito pelo BIRD para um só empreendimento até então.

Cerca de vinte anos após o reservatório ter sido formado. assumiu a vicepresidência da República e o Ministério de Minas e Energia o político mineiro e engenheiro Aureliano Chaves que pressionou Furnas para construir a pequena barragem de Boa Esperança com a finalidade de manter o nível d’água constante em frente à cidade de Capitólio. sendo o vertedouro. A montante do canal de acesso à tomada d’água e ao vertedouro. 195 .Vista aérea de Furnas nos primeiros anos de operação. a população verificou as muitas melhorias que Furnas havia introduzido em outras cidades na área do reservatório e pressionou em sentido contrário para que a barragem retornasse ao local originalmente selecionado para que houvesse em Capitólio os benefícios propiciados às outras cidades. na reconstrução da barragem. sujeita à imagem desagradável das áreas que afloravam quando o reservatório era deplecionado. não mais havia tempo para alterações. A cidade de Capitólio ficou às margens do reservatório.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens possibilidade de ser impactada pela obra. Durante a construção houve uma ruptura da fundação em argila muito compressível. Tarde demais. com o passar do tempo. Figura 8 . Entretanto. o morro dos Cabritos em fase inicial de erosão. sido deslocado para um local onde ocorria rocha competente. um de seus redutos políticos.

Ao adotar essa inédita postura afirmava que por ser engenheiro. com a bem sucedida privatização da CSN. Voltando aos anos sessenta. aqui não pode entrar ninguém. enrocamento fino. o engenheiro Franklin 196 . prejudicaria enormemente todas as usinas a jusante de Furnas. Flavio Lyra. John Cotrim também saiu no meio da manhã. Esse ingênuo comentário fez com que Cotrim entrasse em desespero dizendo que a operação já era do conhecimento geral. Flavio Lyra com um megafone começou a comandar o fechamento dos dois túneis de desvio. os vazamentos foram controlados pela colocação de tetrápodos. comentou que deveria ser para o fechamento do reservatório. O ex-presidente Itamar Franco. que aguentou firme tal estupidez. No dia anterior membros da diretoria se deslocaram para a obra. areia e argila. na época governador de Minas Gerais. saberia efetuar essa sabotagem com eficiência. três das quais concessões da CEMIG. O piloto afirmou que ele não sabia de nada e que apenas supôs que o fechamento do reservatório iria ocorrer vendo quem eram os passageiros no avião. O oficial de justiça se retirou. O piloto que naturalmente acompanhava as atividades de construção. quando os plugues estavam quase concretados. concessionária de várias hidroelétricas em Minas Gerais. vendo os VIPs congregados no avião. O governo Fernando Henrique Cardoso se propunha privatizar o setor elétrico estatal federal.Séculos XIX. O guarda.A História das Barragens no Brasil . Na conclusão dos serviços. O esquema funcionou muito bem. Após extensos trabalhos. Ainda não havia amanhecido quando chegou na portaria um oficial de justiça com um mandato para impedir o fechamento do reservatório. A operação ocorreu com sucesso. Flavio Lyra disse a ele que ele havia chegado tarde pois não havia mais qualquer possibilidade física de retirar as comportas que já estavam com bem mais de 20 m de água sobre elas. a começar por Furnas. já sem problemas de oposição ao empreendimento. o governador Magalhães Pinto foi convidado junto a outros governadores. Tempos depois. apesar de ter iniciado o programa de grandes privatizações quando era presidente. enrocamento grosso. Quando foi impedido de entrar. No meio do dia chegou na obra o então governador de Minas Gerais. ocorreram explosões que acarretaram acréscimos substanciais e crescentes de vazão que indicavam que alguma coisa havia colapsado no túnel. por ocasião da inauguração da usina. Poucos dias depois começou o pesadelo na execução dos plugues dos dois túneis de desvio. se colocou frontalmente contrário à privatização do setor elétrico. ou comprometido com o mandato de segurança acima mencionado ou querendo ter colhido dividendos políticos na operação de fechamento. que. John Cotrim disse para o guarda: “Eu sou o Cotrim”. Flavio Lyra ficou na obra para acompanhar o desempenho do fechamento. o oficial de justiça entregou o mandato. nessa ordem. que não conhecia o presidente da empresa e seguindo instruções disse: “Nem Cotrim nem Delphim. se realmente executada. disse para o guarda abrir a cancela. Magalhães Pinto. o fechamento do reservatório foi sigilosamente programado para o dia 9 de janeiro de 1961. O avião de Furnas não pôde decolar do aeroporto Santos Dumont. passou uma descompostura no diretor presente. No seu esforço político contra a privatização. na parte a montante dos plugues. inclusive a usina de Furnas. Essa longa operação para solucionar o mais importante acidente que até então havia ocorrido em obras no País fez com que o engenheiro Flavio Lyra. A derivação do rio Grande. ao final desse período tivesse ficado grisalho. só tendo sido liberado quando Flavio Lyra. XX e XXI A respeito da barragem de Pium-I um episódio interessante ocorreu muitos anos depois de sua construção. A pressão política foi grande e a privatização de geradoras do setor elétrico nessa fase se limitou à Eletrosul. pois até o carro que conduzia o Cotrim foi barrado. principalmente de Furnas. que vinha atrás em outro carro. Foi acionado um avião da Líder que costumava fazer o trajeto entre Rio e Furnas.” Perto das 24 horas. Na guarita da obra foi montado um esquema do tipo operação padrão para impedir ou retardar ao máximo a entrada de qualquer pessoa estranha. Em cada um dos dois túneis. Como havia oposição ao empreendimento mesmo depois dele já consolidado. Depois de perder muito tempo na operação padrão da portaria. a montante das comportas de desvio. mobilizou uma força policial para a região de Pium-I com equipamentos de terraplanagem e ameaçou abrir a barragem fazendo com que as águas do rio Grande represadas pela barragem de Furnas fossem afluir para a bacia do rio São Francisco. ministros e demais autoridades.

Eu peguei a estaca e finquei ela lá em baixo. permaneciam na área que estava sendo alagada. Nessa obra 197 . Aos que lá foram ter com ele. o senhor não garantiu que as águas iriam subir até a estaca branca?” Após a resposta afirmativa. Dizia ele que “nem a cheia de 1930 trouxe água até aqui e não será essa tal de Furnas que fica a léguas de distância. que vai trazer água até a minha roça. com barcos encalhados na lama do fundo dos reservatórios.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Fernandes Filho. A Companhia Paulista de Força e Luz. principalmente os da São Paulo Light. a usina e seu sistema de transmissão associado entraram em operação como programado. Com a elevação do nível d’água na área do reservatório. Na última hora foi reportado que ainda havia um teimoso na área do reservatório. A regularização promovida pelo reservatório beneficiou sobremodo os potenciais a jusante propiciando a ampliação da capacidade instalada de Peixoto (Mascarenhas de Moraes) e viabilizando os muitos e grandes aproveitamentos a jusante que foram todos construídos até Itaipu com exceção de Ilha Grande no rio Paraná que.950 m³/s e da tomada d’água foram implantadas cada uma em uma das margens. ambas com largos canais de acesso que propiciaram os enrocamentos necessários à barragem. o austríaco Arthur Casagrande e o americano Portland Port Fox. Se a água vier até aqui eu bebo ela todinha. A barragem de enrocamento com núcleo de terra fecha o vale e as estruturas do vertedouro com capacidade de 12. Centros urbanos como a cidade de Guapé e a vila de São José da Barra haviam sido reconstruídas com melhores habitações e equipamentos urbanos às margens do reservatório. para a visualização dos residentes antes do fechamento do reservatório de Peixoto. Cenas como essas não eram incomuns na época. hidroelétrica anterior e a jusante de Furnas. a concessão foi transferida para Furnas que. Como consultores internacionais para o projeto e a obra. fincou estacas brancas de madeira em diversos pontos onde a linha d’água iria atingir quando da formação do reservatório. Entretanto. Nessa ocasião eram impressionantes as fotografias dos reservatórios em São Paulo completamente deplecionados. estava mais bem estruturada para executar a construção. tendo salvado o estado de São Paulo de uma concreta ameaça de forte racionamento. Hearn. A partir de acordo entre as duas companhias. Foi então descoberta a causa das explosões: mistura de oxigênio com gás metano acumulado nos túneis. A usina foi inaugurada pelo presidente Castelo Branco em 12 de maio de 1965. viu uma delas cair. A Companhia Paulista de Força e Luz detinha a concessão do aproveitamento hidroelétrico de Estreito situado no rio Grande a jusante da usina de Peixoto. Um desses desplacamentos causou uma onda que incidiu contra a barragem. Furnas contou com o canadense Richard L. ao adentrar num túnel com outras pessoas. embora avisadas. Apesar do importante acidente nos túneis de desvio. havia um habitante que teimava em permanecer na casa que já havia sido comprada e paga por Furnas. Mais uma vez houve uma corrida contra o tempo para que a usina de Estreito entrasse em operação para evitar colapso no suprimento de energia elétrica à Região Sudeste. A obtenção dessa concessão foi obtida graças ao elevado desempenho da empresa na construção de Furnas e quebrou a orientação governamental de que Furnas se limitaria à implantação da usina de Furnas e à sua operação.” Teve que ser tirado à força. proveniente da decomposição de matéria orgânica da área do reservatório. não foi construída por ter sido criado um parque nacional na área que seria o reservatório. Com o progresso da erosão foi se formando um grande monólito que. naquela época. naquela vila. do grupo AMFORP. apesar de ter tido iniciadas as obras. por exemplo.” O projeto e a obra de Furnas foram executados com grande sucesso. 1965. houve efetiva colaboração das Forças Armadas na retirada de algumas pessoas que. quase frontal à barragem apresentava constante e acelerada erosão com desplacamento de material. ele acrescentou: “Pois assim seja. se incidisse no reservatório poderia. de acordo com o modelo hidráulico reduzido. foi dito: “Seu Doutor. Toda a área instável foi então removida. Muitos anos se passaram e a encosta do morro dos Cabritos. provocar uma onda de até 30 m sobre a barragem.

John Cotrim e presidente Castelo Branco na inauguração da usina hidroelétrica Estreito 198 . empresa estatal destinada a desenvolver os aproveitamentos no Vale do Paraíba. em 1967. XX e XXI Figura 9 – John Cotrim. transferiu essa responsabilidade a Furnas. no ano seguinte.Séculos XIX. Furnas Figura 10 – Ministros Mauro Thibau e Roberto Campos. O rio Paraíba do Sul após a cidade de Cruzeiro (SP) passa a apresentar gradientes progressivamente mais acentuados até pouco a montante da cidade de Itatiaia (RJ) onde se localizavam três corredeiras que despertaram o interesse da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Light. principalmente quando comparada à eficiência demonstrada por Furnas. presidente Castelo Branco e ministro Mauro Thibau em visita a Estreito foi usado pela primeira vez no País rigoroso planejamento e controle de construção em PERT/CPM permitindo que a obra tivesse controle de prazos. A usina. na época a segunda maior barragem de terra do País. sendo que o mais elevado não ultrapassava a cota do piso dos geradores. São Paulo e de Minas Gerais além do governo federal. Rio de Janeiro. Consta que a diretoria abrigava indicações dos governos dos estados da Guanabara.A História das Barragens no Brasil . Nessa época apenas sete dos dezessete blocos da barragem principal haviam sido concretados. A Eletrobras assumiu a construção da hidroelétrica de Funil e. também estava com considerável atraso. a tempo de se evitar uma crise de suprimento de energia em toda Região Sudeste. Naquela época esses governos eram de diferentes correntes políticas. com capacidade final de 1050 MW (duas unidades foram montadas em segunda fase) entrou em operação antes da data programada. ambas tendo desenvolvido estudos preliminares. No final dos anos 50 foi criada a CHEVAP. A barragem de Nhangapi. em 1969. o que pode ter gerado ineficiência de gestão.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 11 – Luiz Carlos Barreto de Carvalho aplicou um verdadeiro choque de gestão e iniciou a geração comercial em dezembro de 1969. ocorrida em fevereiro de 2000. Um místico chamado Savananda que se assemelhava a um guru indiano e residia em Resende.Barragem de Funil 199 . portanto Figura 12 . por falta de inundações periódicas. situados a montante. Presentemente a usina com 210 MW instalados é também e principalmente usada como elemento de regularização de vazões e de controle de cheias. tendo tido excelente desempenho. assim como as usinas e os reservatórios de Paraitinga/Paraibuna. A barragem principal com altura de 85 m permanece sendo a única barragem em abóbada no País. Por ocasião da maior cheia registrada no rio Paraíba do Sul. beneficiando as cidades a jusante. Santa Branca e Jaguari. venha sendo ocupado por construções irregulares e até por instalações da Prefeitura de Resende. Entretanto. esse eficiente controle de cheias tem feito com que o leito secundário do rio. o reservatório de Funil amorteceu totalmente a cheia afluente. Episódio pitoresco ocorreu a partir das primeiras investigações realizadas no local da barragem.

que providenciou a devida correção. o autor por acaso esteve em ponto remoto do reservatório e verificou que estava se desenvolvendo uma grande vossoroca que se formava a jusante de uma estreita sela topográfica. após a cheia de 2000. o prefeito da pequena cidade de Guaira. afirmava que a barragem iria romper causando um desastre sem precedentes. muitos anos depois. Após a decisão do ministro. A usina de Porto Colômbia é de queda modesta. Em 1968. Ao serem iniciados os estudos de campo. Furnas recebeu as concessões de Porto Colômbia e Marimbondo. pouco superior a 20 m.A História das Barragens no Brasil . O ministro afirmou que “palavra de ministro não volta atrás. paralisando o desenvolvimento da vossoroca. No inventário realizado pela Canambra o aproveitamento de Porto Colômbia foi situado pouco a montante da foz do rio Pardo no rio Grande.” Até a presente data (maio de 2011) cerca de 25 milhões de megawatts hora deixaram de ser economicamente gerados. A barragem não rompeu. A construção e montagem da usina foram feitas sem maiores problemas. seriam de pouca expressão as áreas a serem inundadas no vale do rio Pardo. Flavio Lyra propôs que o reservatório de Marimbondo. capitaneou um movimento de oposição à alternativa de barragem a jusante da foz do rio Pardo. o ministro Costa Cavalcanti das minas e energia. Além do considerável acréscimo de energia gerada em Porto Colômbia. afirmasse que a usina de Porto Colômbia seria implantada a montante da foz do rio Pardo. A usina entrou em operação no dia 29 de junho de 1973. Essa operação não pode ser efetuada devido à interferência da ponte Gumercindo Penteado sobre o rio Grande entre as cidades de Planura e Colômbia. a alternativa propiciava uma pequena regularização das vazões do rio Pardo que beneficiaria todas as usinas a jusante. Poucos dias depois. na época chefe do Departamento de Engenharia Civil. XX e XXI Figura 13 . O rio Pardo contribui com cerca de 30% da descarga média do rio Grande. situado a jusante. julgando que a inundação das terras do seu município seria grande. Entretanto. ambas situadas no rio Grande entre São Paulo e Minas Gerais. pudesse amortizar as cheias do rio Pardo por elevação de seu nível d’água acima do nível máximo normal por ocasião da afluência das cheias. 200 . numa solenidade em Jupiá. Os primeiros estudos de Furnas visaram o confronto do arranjo do inventário com uma alternativa de projeto situada logo a jusante da confluência dos dois rios. e. Foi produzida vasta documentação fotográfica enviada ao engenheiro Erton Carvalho. O movimento conseguiu que.Séculos XIX.Usina hidroelétrica de Porto Colômbia a jusante do local da barragem. portanto. cinquenta e um dias antes do inicialmente programado. diretores e assessores de Furnas mostraram a conclusão dos estudos que demonstrava que a inundação no vale no rio Pardo seria muito menor do que estava sendo alardeada.

As obras que transcorreram sem atropelos. A usina aproveitava parte das descargas do rio Grande no seu braço esquerdo. Figura 14 – Usina hidroelétrica de Marimbondo 201 . Apesar das análises energéticas e econômicas internas não terem recomendado essa alternativa. implantada pelo governador de São Paulo Armando de Salles Oliveira em 1928 com 8 MW instalados. Logo a seguir dessa decisão. mas com ligeira defasagem. Assim que foram iniciados os estudos. após o primeiro choque do petróleo ocorrido no final de 1973.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A hidroelétrica de Marimbondo foi implantada em paralelo com Porto Colômbia. Ao inaugurar essa usina. dentro do previsto na programação. Essa alternativa teria barragem e reservatório muito ampliados. A nova usina que começou a ser construída 30 anos antes da virada do século. foram iniciadas em 1971 e a usina foi inaugurada em 28 de maio de 1976. Flavio Lyra recomendou que fosse estudada uma alternativa de projeto que englobasse a usina prevista a montante pelo inventário da Canambra. No local de Marimbondo havia a primeira usina de Marimbondo. A concessão seguinte foi o aproveitamento de Itumbiara. palavra indígena que significa o caminho da cachoeira. sendo desativada após a construção da barragem da margem esquerda. tem potência 175 vezes superior à antiga usina de 1928. a perspectiva era de que essa usina supriria de abundante energia todo interior paulista na região de influência de São José do Rio Preto até o Século XXI. Porto Colômbia com 320 MW e Marimbondo com 1440 MW foram as últimas usinas de Furnas no rio Grande. ela foi selecionada para construção. A antiga usina foi adquirida por Furnas.

muito superiores às do local de São Felix. Na implantação de Itumbiara. sendo que pelo menos duas recomendaram a adoção de um eixo a montante do local de São Felix.Séculos XIX. Nessa época as indústrias de bens de capital.Usina hidroelétrica de Itumbiara nova análise energética e econômica revelou que essa alternativa adotada era muito mais viável do que a do inventário. XX e XXI Figura 15 . pela primeira vez. A obra foi iniciada no final de 1973 e. foi ultrapassado o índice de 90% de nacionalização nos equipamentos permanentes. pode se lançar com vigor ao mercado externo obtendo resultados compensadores. baseada no desenvolvimento que experimentou nas décadas anteriores. o setor elétrico não sendo exceção. Os estudos conduziram a uma barragem de enrocamento com núcleo de terra com 154 m de altura represando 202 . com excepcionais características geológicas. tendo sido definido um aproveitamento designado como São Felix. Essa marca foi muito importante para a indústria porque nas últimas duas décadas do século passado o País vivenciou forte recessão. denominado Serra da Mesa. Em Itumbiara foram ultrapassados os recordes de concretagem anteriores e foram instaladas as maiores turbinas já fabricadas até então. em 1980 as primeiras unidades geradoras entraram em operação comercial dentro da programação original. Furnas recebeu a concessão do aproveitamento do alto rio Tocantins em trecho que havia sido estudado inicialmente pela CELG e posteriormente pela ELETRONORTE. Furnas instituiu um concurso/concorrência entre empresas consultoras.A História das Barragens no Brasil . Em 1981.

no caso inicialmente ao grupo do Banco Nacional.4 m.5 m de altura com o objetivo de permitir a passagem de cheias no período construtivo sem danificar o aterro da barragem que seria executado.571 m³/s. João Alberto Bandeira de Mello e Don Deere inspecionando a barragem de Itumbiara 54. com tirantes de água de até 12. A recessão acima referida e a falência do Banco Nacional fizeram com que a obra fosse paralisada de 1990 a 1994.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 16 – Arthur Casagrande e Guy Bordeaux na área de empréstimo de Itumbiara Figura 17 – Arthur Casagrande.Os consultores Don Deere e Arthur Casagrande em Itumbiara com o engenheiro Ludgero Pimenta de Ávila 203 .24 bilhões de metros cúbicos de volume útil para efeitos de regularização de descargas. Agenor Antônio Bailão Galletti.4 bilhões de metros cúbicos que possibilitam a utilização de 43.5 m e 16. Em 1988 foram executadas as ensecadeiras de terra e rocha que permitiram. Figura 18 . no mesmo ano. a construção de duas ensecadeiras de concreto compactado com rolo com 25. Essa foi a primeira usina em que Furnas se associou a uma empresa privada. A usina foi concluída em 1997. As ensecadeiras e a parte da barragem construída foram galgadas por cinco vezes por descargas de até 6. A elevada qualidade do granito do local permitiu a adoção de casa de força subterrânea abrigando três unidades de 431 MW cada na margem esquerda e desvio por dois túneis escavados na margem direita.

Atenção especial foi dedicada à preservação das águas termais da região de Caldas Novas. estas de terra e rocha. Figura 19 . Furnas implantou a usina hidroelétrica de Corumbá sobre o rio Corumbá em Goiás com potência instalada de 375 MW. No Século XXI Furnas passou a atuar com frequência associada a empresas privadas para implantação de novas hidroelétricas como reportado por Márcio Porto nesse livro. A obra começou a ser implantada pela CELG e interrompida em dezembro de 1982. No ano seguinte a Eletrobras solicitou a Furnas para examinar a partição de quedas do rio.A História das Barragens no Brasil .Usina hidroelétrica de Serra da Mesa 204 . XX e XXI Em paralelo à construção de Serra da Mesa.Séculos XIX. A barragem de enrocamento com núcleo de terra teve também na sua construção ensecadeiras galgáveis.

F. – General Paper – XIII International Congress on Large Dams.R.A. – Grandes Barragens Brasileiras – Construção Pesada n° 47. 1975 Miguez de Mello.H. E. 2009 Cotrim.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 . 2011 205 . – Barragem da Usina de Serra da Mesa. M. F. – Furnas Hydroelectric Scheme. 1973 Miguez de Mello. – A História de Furnas das Origens à Fundação da Empresa – Comitê Brasileiro do Conselho Mundial da Energia. et al. 1967 Miguez de Mello. 1973 Miguez de Mello.A. F. _ O Aproveitamento Hidroelétrico de Porto Colômbia – Construção Pesada n° 27. Closure of Diversion Tunnels – Institution of Civil Engineers. – O Aproveitamento Hidroelétrico de Itumbiara – Construção Pesada n° 26. 1979 Porto. et al. F. Ensecadeiras Galgáveis – Desvio de Grandes Rios Brasileiros – CBDB. – A Nova Face das Empresas Estatais Frente à Expansão da Oferta de Energia Elétrica no País – A História das Barragens no Brasil – CBDB. Desvio do Rio.Usina hidroelétrica de Corumbá Referências Carvalho. 1994 Lyra. J. F.

Usina Hidroelétrica de Tucurui .

não será contada de forma linear. os governos da épo­ ca incentivaram a marcha para o oeste. de dia falta água.Cel. O início Estávamos na época do chamado Brasil Grande depois que. será simplesmente Eletronorte. caminhando para o que hoje. em 1964. Embora a engenharia nacional. os militares assumiram o poder e deram grande impulso às obras de infraestrutura no País. Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 1 . mas bastante críticas. mas neste histórico. podemos perceber. Optou-se por descrever alguns fatos relacionando-os aos grandes eventos e obras que marcaram a empresa entremeados por comentários dos tempos atuais. construir o maior projeto inteiramente nacional: a usina de Tucuruí. como neste trecho de uma delas. mostravam a situação que havia no País antes desse impulso. mais precisamente a Amazônia. em 20 de junho  de 1973. Os saudosos tempos das marchinhas de carnaval bem humoradas. Raul Garcia Llano (Fi­ gura 1). Encampando a ideia do presidente Juscelino. como  concessionária de serviço público de energia elétrica com sede em Brasília no Distrito Federal. pois foi sua capacidade empreendedora que consolidou a empresa executando Tucuruí e outras obras a serem relatadas adiante. assim incluindo o norte do Brasil. A presidência da empresa coube ao Cel.A. na época. Para isso. baseada em estudos do Comitê Coordenador de Estudos Ener­ géticos da Amazônia (Eneram) que havia sido criado em 1968. – Eletrobras. sociedade anônima de economia mista e subsidiária da Centrais  Elétricas Brasileiras S. em 2011. nome que se confunde com a própria Eletronorte. Era o início da inte­ gração do Brasil como um todo. foi criada a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S. cidade que me seduz. a Eletronorte já nasceu com o duplo desafio de constituir a empresa propriamente dita e. –  Eletronorte.A Eletronorte e as Barragens da Região Amazônica Alexandre Magno Rodrigues Accioly. resumida nas linhas que se seguem. Alvaro Lima de Araujo e Humberto Rodrigues Gama A história da Eletronorte. Llano recebendo o presidente João Figueiredo em Tucuruí A Eletrobras anunciou a intenção de construir a usina Tucuruí. de noite falta luz”. já tivesse em seu cur­ rículo importantes obras tanto em porte quanto em quantida­ de.A. 207 . “Rio de Janeiro. no governo Costa e Silva. Hoje o nome da empresa é Eletrobras Eletronorte. ao mesmo tempo.

245 MW. na carta elaborada pelos topógrafos.000 m³/s registrados até então). José Antônio da Silveira. em alguns trechos. consultores brasileiros e estrangeiros contratados para assessorá-lo. a decisão de maior significado daquela fase. na segunda etapa. Do tipo vertedouro em salto de esqui. o diretor técnico da Eletronorte. distando aproximadamen­ te 300 km de Belém. profissionais egressos da Cemig. como já dito anteriormente. foi a usina de Tucuruí. Berilo Mamoré Pereira Belo. Para viabilizar a produção de tamanha quantidade de energia. cada uma com 6. reuniu os futuros comandantes da obra.279 em julho de 1974. Enfim.A História das Barragens no Brasil . Depois de longa confabulação. Foi assim que vieram para a empresa os engenheiros Geraldo Afonso Pra­ tes. Embora ainda não tenha sido testado para os limites de vazão. a Amazônia. que garantiriam o consumo de boa parte da produção.000 m³/s e picos de mais de 40. sendo o último aproveitamento hidrelétrico antes da foz do Tocantins. A vazão de desvio de 51. Dário Gomes (Fi­ gura 2). Curiosamente.Séculos XIX. as duas pontas de terra separadas por quase dois quilômetros de água revolta entre as quais seria feito o barramento do Tocantins. projetado e construído para a vazão de 110. canalões de até 40 m abaixo do nível do mar.5 m de largura por 13 m de altura. o projeto foi as­ sociado ao fornecimento de energia para indústrias de alumínio eletrointensivas.5 MW de potência nominal cada. a que determinaria o local exato da barragem. A primeira missão O batismo de fogo da empresa. XX e XXI A concessão para a construção de Tucuruí foi outorgada à Eletro­ norte. a evolução do desempenho do vertedouro vem correspon­ dendo às previsões do modelo hidráulico reduzido. O vertedouro da usina. A usina teria. As vazões específicas adotadas foram pionei­ ras e ousadas. para funcionar com uma carga de 32 m. inicialmente com a instalação de 12 unidades geradoras princi­ pais. e mais duas unidades auxiliares com 22. e a alta diretoria executiva das empresas escolhidas para o proje­ to e a construção de Tucuruí. era um empreendimento caracterizado pelo pioneirismo em vários aspectos. A execução da obra de Tucuruí Não bastasse o porte do rio Tocantins quanto à largura (mais de 2 km) e vazões (média de longo termo da ordem de 11. naqueles tempos. Humberto Rodrigues Gama. era uma região carac­ terizada por inóspitas florestas tropicais com quase nenhuma infraestrutura. Isso tornava o desafio importante. previa o descarregamento de toda essa energia ao pé da própria obra.370 MW de potência instalada. 208 . em alguns trechos do leito do rio havia A Eletronorte formou seus primeiros quadros buscando. capital do Estado do Pará. José Augusto Pimentel Pessoa. cada uma com 350 MW de potência nominal. A usina foi concebida para ser construída em duas etapas.000 m³/s era o maior do mundo na ocasião. totalizando uma potência instalada de 4. eles localizaram precisamente. especialmente em termos logísticos. Albrás e Alumar. pelo decreto 74. em boa parte. mais 11 unidades de 375 MW totalizando 8. À sombra de uma grande árvore da margem esquerda do rio. Esta obra foi concebida para ser construída em duas etapas. Logo. a barragem chegou a ter quase 120 m de altura. Érico Bittencourt de Freitas. A cota de coroamento da barragem de terra seria de 78 m acima do nível do mar sendo que. João Eduardo de Moura Guido. entre outros.000 m³/s exigiu a construção de 40 adufas sob o vertedouro. o topógrafo Geraldo Magela Barbosa. foi posterior­ mente tomada num ambiente muito mais bucólico do que técnico.

Sebastião Florentino da Silva durante celebração do lançamento da 1ª caçamba de concreto em Tucuruí O principal obstáculo à construção do novo complexo residencial de apoio às obras da usina foi o isolamento de Tucuruí. em 1977 (Figura 3). o 5º Fausto Cesar Vaz Guimarães. sem nenhuma experiência. marcando o início dos trabalhos de terraplenagem.Engenheiro Dário Gomes na cabeceira da mesa em reunião no escritório da vila pioneira Figura 3 . Durante o período de trabalho mais intenso. para ensecar a superfície em que as estruturas de concreto e a barragem seriam assentadas sobre a rocha do fundo do rio. Era um grupo heterogêneo. a ensecadeira de primeira fase do desvio do rio. seriam efetivamente começadas as obras civis. Érico Bittencourt de Freitas. o que marcou o início das obras civis.Da direita para a esquerda: o 2º. 209 . Sebastião Camargo. comunicações. O primeiro desvio do Tocantins. Transpor­ tes. Llano e o último. energia elétrica confiável e saneamento básico não existiam. em 1977. sr. que tivera de ser recrutado em locais próximos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 .000 pessoas enxameava em torno do canteiro da obra. Nesse am­ biente foi construída. foi feito em 1975. Geraldo Afonso Prates. o 8º. uma mul­ tidão de mais de 30. e que precisou ser treinado para as tarefas específicas de uma construção. Somente dois anos depois. em 1975. Mas somente quando as obras civis foram efetivamente iniciadas. a Amazônia começou a revelar aos pioneiros o tipo de dificuldades que eles podiam esperar no futuro imediato. Cel.

ameaçavam as ensecadeiras que protegiam as obras em construção. as condições do leito do rio. em março de 1980. tendo sob sua responsabilidade as demais obras além de Tucuruí. Entre elas. Érico Bittencourt de Freitas. o rio Tocantins teve um verdadeiro acesso de mau humor.400 m³/s contra uma vazão de projeto de desvio de 51. às ordens dos chefes. Sobretudo. José Armando Del Greco Peixoto. José Antônio da Silveira. Por isso. revelava uma situa­ ção inquietante. vindo uma delas a se romper leitura das réguas linimétricas a montante da obra. Além disso. estava Osório Ferrucci (Figura 4). o lendário capitão da grande empreiteira. 210 .Séculos XIX. ocorreram três das quatro maiores cheias do histórico. em 1980. Mas. As obras de concreto e terra na área ensecada já estavam adiantadas Figura 4 . visto que o mo­ nitoramento das estruturas detectou em tempo hábil o problema possibilitando a retirada de pessoas e equipamentos. inclusive a maior de todas. segundo seus companheiros em Tucuruí. Luiz Fernando Rufato. O desvio do rio foi um dos grandes desafios superados apesar das adversidades. Os homens do alto comando da obra.000 m³/s. que já ultrapassara o nível da maior enchente observada em 1926. a única voz que Sebastião Camargo. O céu carregado e a cheia. que foi substituído em 1977 pelo engenheiro residente Érico Bittencourt de Freitas responsável pela condução da obra até 1982 quando passou a gerente do Departamen­ to de Construção da Eletronorte. os encarregados de turmas convocaram seus homens para enfrentar o problema. XX e XXI por piping inundando o trecho de jusante da obra. o residente da Eletronorte também se chamava Osório Correa Neto. Gilson Nakamura e mais um punhado de executivos sabiam muito bem o que aconteceria se a água que chegava a perigosos 15 centímetros do topo da enseca­ deira conseguisse galgá-la. construtora de Tucuruí quando. a área afetada permaneceu pouco tempo inundada porque o acidente ocorreu ao final da cheia. afogaria cinco anos do trabalho de dezenas de milhares de homens e uma considerável fatia do orçamento da Eletronorte. Ser viços de alteamento e proteção das ensecadeiras foram feitos com sucesso durante dez dias de trabalho ininterrupto sob violento estresse. durante a construção. O rio estava desviado por ensecadeiras e a tempora­ da de chuvas mais copiosas já parecia ter chegado ao fim. Contudo. a capacidade técnica e in­ tegração das equipes de projeto e principalmente de construção possibilitaram atravessar esse imprevisto sem maiores transtornos.Sebastião Camargo e Osório Ferrucci. da Camargo Corrêa. um com até 40 m abaixo do nível do mar. O Tocantins levaria por água abaixo equi­ pamentos e materiais. nos dias 2 e 3 daquele mês. preenchidos com material aluvionar e seixos rolados que difi­ cultaram a execução das ensecadeiras. que ficou na memória do alto comando técnico da obra como uma espécie de marco do empreendimento. Outro fato relevante foi que. Ele era funcionário da Camargo Corrêa desde 1947 e. Por coincidência. Osório Ferrucci. Humberto Gama. ouvia sem contestar. com vários canalões muito profundos. que alcançou 68. Essa ruptura causou danos materiais relativamente pequenos. o sistema de previsão de vazões a partir da Também entre os primeiros a entrar no grande palco que o governo montara em plena selva para a encenação da primeira grande aventura tecnológica na Amazônia.A História das Barragens no Brasil .

B. Nelson Souza Pinto. Por conta de sua formação e gosto pessoal. o gerenciamento do projeto foi feito pelos en­ genheiros João Eduardo de Moura Guido (civil). Mais tarde. A superação dessa ocorrência excepcional em 1980 foi fundamental para a equipe concluir a construção de Tucuruí com êxito. O engenheiro Fausto César Vaz Guimarães. o engenheiro Balança se interessava pessoalmente pelos estudos hidráulicos em modelo reduzido de Tucuruí realizados pelo Hidroesb – Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito SA. Victor F. no Rio de Janeiro.Os consultores examinando os testemunhos de sondagem. Da esquerda Don Deere. João Ângelo Casagrande (mecânico) e Leôncio Gotti (planejamento).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Finalmente. com um board internacional de consulto­ res composto por James Libby. a equipe de engenheiros que operava o mode­ lo e não tinha elementos de comparação com outros projetos. As ensecadeiras haviam sido alteadas em três metros e o nível d’água alcançara dois metros acima do topo da ensecadeira original. Milton Vargas e Flavio H. essa equipe iria compreender a dimensão de sua primeira experiência. na manhã do décimo dia da operação. O projeto contou. e que era Figura 5 . presidente da empresa e detentor de profundos conhecimentos de hidráulica adquiridos na sua formação em Grenoble e na experiência iniciada no Brasil na construção de Paulo Afonso da CHESF. O episódio ficou poeticamente conhecido como “águas de março”. a água parou de subir. Somente para corroborar comentários anteriores sobre as dimensões do empreendimento. de Mello. O projeto da usina foi desenvolvido pelo Consórcio Engevix-The­ mag tendo pelo lado da Engevix o comando do engenheiro francês radicado no Brasil André Jules Balança. Don Deere. ainda. percebeu claramente que “aqueles senhores (Balança e sua equipe) mesmo com toda a experiência mostravam uma preocupação excepcional com o projeto”. Na Eletronorte. James Libby e Milton Vargas 211 . sucessor do engenhei­ ro Dário Gomes na Diretoria Técnica da Eletronorte. Lyra.

O engenheiro Kerman José Machado assu­ miu a Diretoria Técnica e o engenheiro Érico Bitencourt de Freitas foi empossado chefe do Departamento de Construção. as usinas de Samuel em Rondônia e Balbina no Amazonas. Em 1982. em março de 1985. houve um grave acidente aéreo que causou a morte dos diretores da Eletronorte Fausto César Vaz Guimarães (diretoria técnica) e Jayme Barcessat (diretoria de Suprimentos) e do chefe do Departamento de Construção.A História das Barragens no Brasil . a usina foi inaugurada pelo Presidente da República João Figueiredo em 22 de novembro de 1984. A Figura 6 dá idéia da dimen­ são do estator de uma forma lúdica muito bem compreendida pelo brasileiro em geral. nível máximo normal. Nesta etapa. Entretanto. O enchimento do reservatório teve início em setembro de 1984. quando a Eletronorte construía simultaneamente com Tucuruí. com duas unidades de 350 MW em operação comercial. imprimia seu dinamismo aos trabalhos contagiando toda a equipe envolvida no empreendimento. Balbina e Samuel. Figura 6. atingindo a cota 72. justamente em momento festivo de conclusão do desvio de Samuel. A chefia da obra de Tucuruí foi assumida pelo engenheiro Humberto Rodrigues Gama. a obra continuou em ritmo normal. a Eletronorte já contava com funcionários dos mais diversos rincões do país chamados para auxiliar nas tare­ fas da empresa e. XX e XXI responsável pelas construções.00 m. engenheiro Geraldo Afonso Prates. apesar da importante perda.Jogo de futebol de salão dentro do estator de uma máquina da primeira etapa 212 . então condutor dos três empreendimentos Tucurui.Séculos XIX.

estando em operação comercial desde abril de 2003. porém. tendo ao seu lado esquerdo Adailton de Sousa Pinto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O coronel Raul Garcia Llano.Presidente da República Fernando Henrique Cardoso. Em junho de 1998 as obras de expansão de Tucuruí foram autorizadas e iniciadas. Essa elevação aumentou a área de inundação de 2. por conta do destino não chegou a ver concluída a obra que hoje tem seu nome. 213 . A motorização da primeira etapa foi concluída em 1992.007 km². grande incentivador do empreendimento. Figura 7 . José Antônio Muniz (presidente da Eletronorte) e governador do Pará. A unidade geradora 13 (Figuras 7. o nível máximo normal operacio­ nal foi elevado para a cota 74.00 m.Equipe com o José Antônio Muniz.875 km² para 3.Descida do estator da unidade 13 em 3 de maio de 2002 Figura 8 . Posteriormente. As obras de terra­ plenagem e escavação em rocha foram concluídas no ano de 2002. Almir Gabriel em visita às obras da segunda etapa de Tucuruí. presidente da Eletronorte. residente da obra da segunda etapa de Tucuruí celebrando a descida do estator da unidade 13 Figura 9 . com um ganho de energia firme de 109 MW. ao centro. 8 e 9) teve sua montagem concluída no final de novembro de 2002.

e é segmentado em prestadores de serviços públicos de energia elétrica e indústrias eletrointensivas. foi concluída a eclusa constituída de duas câmaras que vencem um desnível de cerca de 68 m e são separadas por um ca­ 214 . totalizando 8. XX e XXI A unidade 23 entrou em operação em julho de 2006. Em 2011.Séculos XIX.370 MW de potência instalada. O mercado principal de Tucuruí é o sub-mercado Norte de energia que abrange os estados do Pará. Maranhão e Tocantins. com as indústrias do alumínio Albrás e Alumar. Tucuruí tem hoje os maiores contratos de fornecimento de energia elétrica em bloco do mundo.A História das Barragens no Brasil .

4% do faturamento global de toda empresa. Essa obra é fundamental para a implantação da hidrovia do Tocantins. é a principal responsá­ vel pelo intenso desenvolvimento regional.O aço aplicado totaliza cerca de 222. equivale a 28.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens nal intermediário. Atualmente. em 2002. foi a primeira hidroelétrica do mundo certificada pela JIPM (Japan Institute of Plant Maintenance) com Prêmio Excelência em TPM – 1 a Categoria (Total Productive Maintenance.000 m³.Tucuruí Casa de Força Figura 10 .O volume total dos aterros executados na obra foi da or­ dem de 59. Os números do empreendimento impressionam. .800.000. ou seja. além dos programas socioambientais.Tucuruí . e a primeira unidade do setor elétrico brasileiro a conquistar o Prêmio de Qualidade do Governo Federal – PQGF.000 t. . a cada semana de trabalho era aplica­ do o equivalente ao volume empregado na construção do estádio do Maracanã.O volume máximo diário de concreto lançado na obra foi de 11.400.O cimento empregado na obra. isto é Manutenção Total Produtiva).000 m³ e o volume de concreto utilizado. . como podemos ver a seguir: . Tucuruí (Figuras 10 e 11) responde por 28.vista do vertedouro em operação 215 .200 m³.400 sacos de 50 kg. e daí ao oceano Atlântico. fruto da abundante oferta de energia e recolhimento de impostos resultantes da comercialização e compensação pela utilização de recursos hídricos. da ordem de 9. A Vale e outras empresas da região já iniciaram o transporte de seus produtos pelo rio Tocantins de Marabá até Belém utilizando a eclusa. Figura 11 .

Maranhão e Tocantins. apesar da importância que tem tido para a Eletronorte e para o estado do Amapá. Isso ao mesmo tempo em que construíam Tucuruí. um simples entreposto de pesca e castanhas. Esta missão surgiu numa época em que todos os olhos estavam voltados para Tucuruí de modo que a história dessa usina foi de certa forma ofuscada. XX e XXI Principal geradora do Sistema Norte-Nordeste.000 m³/s escoava as águas para um braço do rio diferente da casa de força. 216 . a Eletronorte recebeu da Eletrobras a incumbência de operar a usina de Coaracy Nunes situada no rio Araguari no Amapá. tinha duas máquinas de 20 MW e previsão de ampliação para mais uma máquina de 30 MW. Tucuruí passou a fazer parte do Sistema Interligado Nacional – SIN em março de 1999. com a conclusão da Interligação Norte-Sul. Mais que isso. Com os impostos locais pagos pela Eletronorte. praticamente não havia obra para dissipação de energia: as águas vertidas eram lançadas no canal do rio constituído de material rochoso com um ligeiro salto ao pé da superfície de vertimento. apesar de seu gigantismo. esta obra não foi submetida a estudos em modelo hidráulico reduzido. entrasse incontestavelmente para o mapa do Brasil. com o uso inteligente de sua especialidade. Em segundo lugar. a usina exporta energia para os sistemas Nordeste. A energia firme e renovável de Tucuruí é escoada por linhas de trans­ missão de 230 kV e 500 kV. a documenta­ ção técnica que a Eletronorte conseguiu obter foi muito precária. o município veio a ser o segundo maior arrecadador do Pará – só perde para Belém – e abriga 80 mil habitantes que dispõem do primeiro hospital modelo da região.000 m³/s. Sudeste e Centro-Oeste. e passou a ser servido por extensa rede de estradas e tem uma pista de pouso capaz de receber aeronaves de grande porte. Logo no início da vida da usina. A usina hidroelétrica Coaracy Nunes Em 1975. o Brasil e muitos de seus filhos – aqueles que influiram diretamente sobre a monumental empreitada da usina e os que hoje estão sob sua influência – vivem melhor do que viviam antes dela.500 MW médios mensais. Finalmente. Como ca­ racterística. a mais significativa coleção de tecnologias para a construção de grandes barragens em am­ biente remoto. Esta usina. Outro exemplo significativo dos benefícios trazidos pela usina é a própria cidade de Tucuruí. Tucuruí fez com que uma imensa região coberta de densa floresta. mas sem expressiva identidade geográfica. Essa linha permite a preservação de  energias estocadas em reservatórios de hidroelétricas situadas em outras regiões durante o período hidrológico favorável no rio Tocantins. com população esparsa e arrecadação ínfima até o início dos anos 1970. suficiente para apontar graves defeitos do vertedouro. Além de atender os mercados do Pará. O vertedouro (Figura 10) com capacidade para 12. Mesmo sendo um vertedouro com o porte citado. com cerca de 4. Ainda hoje há certos aspectos do projeto e da construção sobre os quais não se tem informação precisa. construída por terceiros. Hoje se pode comemorar dois fatos indiscutíveis: Tucuruí foi a obra isolada de maior impacto sobre a Amazônia. Como a usina foi construída por vários empreiteiros numa obra que levou mais de quinze anos para ser concluída. O reservatório tem 120 km² e a operação é a fio d’água. mas ela foi também a de melhor repercussão socioambiental e econômica entre todas as que foram feitas na região. o rio Araguari submeteu a obra a uma cheia de cerca de 4. A contribuição dos engenheiros da Eletronorte formou assim.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . a usina vem operando desde a inauguração sem apresentar problemas relevantes. ocupando efetivamente um território que já vinha sendo invadido­ desordenadamente e acrescentando uma formidável potência de geração ao sistema elétrico nacional.

Em 2004.Vertedouro da Usina Hidroelétrica Coaracy Nunes 217 . desde então.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Eletronorte contratou então o CEHPAR. Na Eletronorte o funcionário que todos identificamos com Coaracy Nunes é o engenheiro Mário Dias Miranda que tem sido o grande entusiasta do empreendimento. não ocorreram incidentes com o vertedouro embora a vazão não tenha alcançado o valor que causara os danos iniciais. Figura 13 . A recomendação do CEHPAR foi executada e. laboratório hidrotéc­ nico da UFPR na ocasião sob a direção dos engenheiros Nelson Pinto e Sinildo Hermes Neidert que ofereceram uma solução para o problema. as máquinas de 20 MW foram recapacitadas aumentan­ do sua potência para 24 MW cada uma e a terceira máquina com 30 MW foi instalada entrando em operação em 2000 e aumentando a potência instalada da usina para 78 MW (Figura 12).Usina Hidroelétrica Coaracy Nunes .Casa de Força Figura 12 .

O primeiro por não ser totalmente conhecido de nossos técnicos: a existência abundante de canalículos com diâmetro de até 5 cm no solo de fundação que tornava a construção de barragem altamente problemática. quando os atuais estados eram chamados de província na época do Império. XX e XXI Devido às características hidrológicas do rio Araguari. Esse proble­ ma viria a nos assombrar com mais intensidade na construção de Samuel como veremos oportunamente. apesar de tudo. A solução. essas hidroelétricas foram escolhidas para construção por serem as mais econômicas do País na época. Seria como construir uma barragem sobre um “queijo suíço”.A História das Barragens no Brasil . Balbina é mais uma usina pioneira que coube à Eletronorte construir. O vertedouro com capacidade para 5. 218 . Contudo dois aspectos mereceram considerações especiais. a usina foi projetada e executada apesar da área inundada ser exagerada para a potência instalada. O projeto foi executado pelo Consórcio Monasa . mas sim o presidente da província do Amazonas. mas a quantidade tornava muito sério o problema. para obturar esses canalículos. como citado no capítulo dedicado aos estudos ambien­ tais. assim como a casa de força e a tomada d’água. eram obras sem nenhum aspecto inovador ou preocupante.840 m³/s com bacia de dissi­ pação convencional. Raul Garcia Llano com a Eletrobras. já se havia vis­ lumbrado a possibilidade de ampliação do aproveitamento por meio de uma segunda casa de força com potência instalada superior à atual. O problema não era totalmente novo para a empresa uma vez que algumas ocorrências do fenômeno haviam sido constatadas em Tucuruí.Enge Rio.Séculos XIX. Os benefícios econômicos das hidroelétricas de Balbina e de Samuel se acentuaram pela substituição do óleo importado para termoelé­ tricas. os projetistas haviam recomendado que fosse A usina hidroelétrica Balbina A decisão sobre a construção da Usina Hidroelétrica Balbina. destinava-se a abastecer Manaus visando solucionar o caos energético ainda reinante na região no final da década de setenta. em uma época em que a situação da balança de pagamentos do País era um fator de entrave ao desen­ volvimento. bem como a de Samuel. O segundo aspecto foi a área do reservatório. Com capacidade instalada de 250 MW composta por 5 unidades de 50 MW. que na época era contra as construções de hidroelétricas na Amazônia por julgar que usinas térmicas a carvão em Manaus e Porto Velho com transporte do carvão do sul pelos navios da Vale (então Vale do Rio Doce) seriam mais vantajosas. Concebida numa época em que não havia as agências reguladoras e controladoras com os poderes de hoje nem tampouco a consciência ambiental havia se desenvolvido nos níveis atuais. quando comparadas com as alternativas de geração para atendimento da evolução das cargas locais. critério básico do setor elétrico de então. Considerando a provável área do reser­ vatório de Balbina. que se mostrou eficiente. não o Presidente da República da década de 80. No momento. município de Presidente Figueiredo. foi a execução de uma cortina por injeção de calda de solo cimento com ruptura hidráulica do solo (cracagem). Ademais. Enfim. fato não divulgado convenientemente para o público. Balbina era uma obra comum para o estado da arte de então. Entretanto. foi resultado de um embate do cel. Situada no rio Uatumã. a Eletronorte vem se dedicando à análise mais aprofundada dessa possibilidade tendo em vista que a região está para ser interligada ao SIN o que tornará ainda mais interessante o investimento. a usina trouxe muitos benefícios socioambientais à região. no entanto a escolha recaiu sobre Balbina que era o menor investimento e a menor distância de transmissão e de acesso. O Consórcio havia elaborado os estudos de inventário e recomen­ dado a construção da usina de Katuema no rio Jatapu como hidro­ elétrica prioritária para suprir Manaus. economizando divisas.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens feito levantamento da área a ser alagada. problema constante na época. tendo em vista o elevado custo de restituições aerofotogramétricas em função da espessa cobertura vegetal que  acarretava dificuldades logísticas ainda não enfrentadas até aquela época. com a primeira máquina entrando em operação em fevereiro de 1989.Usina Hidroelétrica Balbina – Casa de Força . A construção se iniciou em 1º de maio de 1981. O grande maestro da construção de Balbina por parte da Eletronorte foi o engenheiro Francisco Nelson Queiroga da Nóbrega.vista de jusante 219 . Este atraso deveu-se à falta de recursos para sua realização em prazos normais. mas isto só foi feito após o início da construção por restrições financeiras. Figura 14 – Usina Hidroelétrica Balbina A usina (Figuras 14 e 15) vem operando desde a inauguração sem apresentar problemas relevantes. Figura 15 . A construtora foi a Andrade Gutierrez cujo residente geral se destacou como responsável pela execução da obra a contento.

a usina hidroelétri­ ca Samuel (Figura 16) tem como particularidade ter sido a única usina da Eletronorte a contar com o apoio popular e do governo local personificado no governador Jorge Teixeira. Com capacidade instalada de 220 MW. vertedouro para 4. mas tem exigido muita atenção das equipes de instrumentação e manutenção da usina.Séculos XIX. Figura 16 – Usina Hidroelétrica Samuel – Vista panorâmica de jusante 220 220 . a solução adotada foi a construção de tapetes impermeáveis a montante das obras de terra para au­ mentar a distância de percolação. Esta solução vem funcionando satisfatoriamente. quando entrou em operação a primeira máquina. em linhas gerais. Neste caso. era uma obra comum para o estado da arte de então. Contudo o aspecto dos canalículos já constatados em Tucuruí e em Balbina mereceu considerações e esforços especiais pela sua incidência em quantidades exageradas e pela quantidade de diques que compunham o projeto.820 m³/s e um reservatório de cerca de 600 km². A usina foi projetada pela Sondo­ técnica S/A. tornando a extensão do problema ainda maior que o usual. Tal como Balbina. XX e XXI A usina hidroelétrica Samuel Situada no rio Jamari no Estado de Rondônia.A História das Barragens no Brasil . a usina hidroelétrica Samuel foi construída no período de 31 de março de 1982 a 31 de julho de 1989 (última unidade) sob o comando do engenheiro Adailton de Souza Pinto residente da Eletronorte. cujo coordenador geral foi o engenheiro Paulo Pinho Lopes e a obra foi feita pela Construtora Norberto Odebrecht.

a Eletronorte está em vias de executar a instalação desta quarta máquina. Enfim. Apenas foi construída uma soleira vertente mais com o intuito de nivelar o leito natural do rio para garantir o nível normal de montante. Como peculiaridade é uma usina construída sobre uma gran­ de queda d’água natural de cerca de 90 m de altura apro­ veitando esta queda como vertedouro. No AHE Dardanelos (Figura 18). composta por 5 unidades geradoras. quatro delas de 58 MW cada e uma de menor porte de 29 MW. situada no rio de mesmo nome no município de Santarém. a usina de Curuá Una (Figura 17). participa minoritariamente em sociedade com a Neoenergia e a CHESF. PA tem três unidades de 10 MW e previsão de insta­ lação de uma quarta unidade de 11 MW. Atualmente. não tem reser­ vatório. no noroeste do Mato Grosso e tem capacidade instalada de 261 MW. O usina hidroelétrica Dardanelos A usina está localizada na margem esquerda do rio Aripuanã. Esta foi uma das primeiras usinas desse porte construídas na Amazônia. é uma usina que além de não ter um vertedouro clássico. No momento. 221 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 17 – Usina Hidroelétrica Curuá Una – Casa de Força A usina hidroelétrica Curuá Una Adquirida em 2005 da CELPA em permuta de dívidas. a Eletronorte foi responsável pelos estudos de inventário e viabilidade.

a seguir. Aspectos sócioambientais comuns aos diversos empreendimentos “Preservando a biodiversidade amazônica e a cultura brasileira” A geração de energia hidroelétrica na Amazônia é um tema que sempre estará presente nas discussões sobre meio ambiente e de­ senvolvimento sustentável. um deles denominado Pimental onde ocorrerá o barramento do rio Xingu. A Eletronorte participou. Finalmente. A potência instalada total de Belo Monte é de 11.Figura 18 . mostra a equipe de residentes das obras da Eletronorte.Usina Hidroelétrica Dardanelos A usina hidroelétrica Belo Monte O aproveitamento hidrelétrico Belo Monte será construído no rio Xingu. presidente da empresa no final da déca­ da de 90 e início dos anos 2000 e finalmente como presidente da Eletrobras. a Figura 19.233 MW. a participação da empresa é minoritária. no Pará. com unidades Bulbo na casa de força complementar. ele não mediu esforços até levar o projeto a ser leiloado pela ANEEL com sucesso. com turbinas Francis na casa de força principal denominada Belo Mon­ te e 6 unidades geradoras de potência unitária 38. outro composto do canal de adução e interligação e o último composto do reservatório intermediário e sítio Belo Monte com a usina principal. com dezoito unidades geradoras de potência unitária 611.85 MW. seja pela alta diversidade biológica e 222 . O grande mentor deste projeto cuja personalidade se identifica com o empreendimento é o engenheiro José Antônio Muniz Lopes. dos estudos de inventário do rio Xingu e das otimizações de projeto realizadas desde então que culminaram com o leilão da ANEEL realizado em 20 de abril de 2010. possuindo três sítios. junto com outras 18 empresas. composto de casa de força complementar e vertedouro.1 MW. desde 1975. Desde os tempos em que foi diretor de engenharia da Eletronorte no final da década de 80. No empreendimento.

Com o objetivo de conservar a fauna. a formação de reservatórios que modificam a paisagem. projetos de desenvolvimento das populações resi­ dentes. e equipes técnicas com profissionais especiali­ zados nas mais diversas áreas do conhecimento ambiental. Francisco Nelson Queiroga da Nóbrega (Balbina). Érico Bittencourt de Freitas (Tucuruí). Em to­ dos os seus projetos são realizados estudos ambientais. São áreas que aliam o desenvolvimento de pesquisas com uso racional dos recursos naturais.A geração de energia hidroelétrica requer. foram ou são apoiadas financeiramente pela Eletronorte. inun­ Figura 19 . A legislação ambiental brasileira determina que empreendimentos de grande impacto compensem os danos causados ao meio ambiente com a implantação e apoio a unidades de conservação. Vanderlei Ângelo de Menezes (Ávila – convênio com a CERON). e atividades de educação ambiental às populações locais. res­ ponsável pelos estudos ambientais. As Unidades de Conservação tem o objetivo de manter a diversi­ dade biológica regional.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cultural encontrada na região. centros de proteção ambiental em suas maiores usinas. Dezessete unidades de conservação ambiental. a fim de aliar desenvolvimento e conservação da natureza. Adailton de Sousa Pinto (Samuel e Tucuruí II e Humberto Rodrigues Gama (Tucuruí) 223 . José Antônio da Silveira (Tucuruí). Fauna . Gustavo Reis Lobo de Vasconcelos (Manso enquanto era da Eletronorte). atividades de proteção e vigilância às áreas. na maioria das vezes. a flora. as águas e as tradições amazônicas.000 hectares protegidos. desenvolvimento de técnicas racionais do uso dos recursos naturais e formação de recursos humanos. a Eletronorte apoia as seguintes atividades em unidades próximas a seus empreendimentos: demar­ cação das terras. a Eletronorte criou uma ampla organização interna.700. seja pelo grande potencial de geração hidráulica da Região Norte do Brasil. sendo treze de proteção integral e quatro de uso sustentável. com foco na qualidade de vida dos seres humanos. em parceria com as mais capacitadas instituições técnicas e científicas. Isso significa 4.Residentes da Eletronorte: da esquerda para a direita. A Eletronorte é grande conhecedora da região amazônica. Luiz Fernando Rufato (Tucuruí). Atendendo a essas exigências. todas na Amazônia Legal.

o monitoramento e manejo dos animais. Uma das 1. no Amazonas.914 indivíduos adultos. As novas áreas que receberão os animais. foram plantadas aproximadamente 15 mil mudas distribuídas em 29 quadras. depois do enchi­ mento do reservatório da Hidroelétrica Tucuruí. as ações dos resgates são baseadas em conservação e aproveitamento científico e cultural da fauna local. pois por meio dos inventários florestais e o monitoramento fenológico das matrizes de sementes. No banco ex situ estão representadas 28 famílias botânicas e 82 espécies. no entorno da Usina Hidroelétrica Tucuruí. em conjunto com outras instituições ligadas ao meio ambiente. incluindo soltura. quando uma parceria entre a Eletronorte e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Inpa. perten­ centes a 221 espécies botânicas distribuídas em cinquenta famílias. Programas indígenas . sociais e comerciais. com a Operação Jamari. A Eletronorte conduziu três grandes operações de resgate da fauna. “Esta é uma conservação consciente. Banco de Germoplasma . no Pará. monitoramento e estudos científicos. envolveu aproximadamente 60 instituições nacionais. Para isso. XX e XXI dando áreas de florestas. Em Bal­ bina. Para evitar o afogamento da fauna habitante desses ecossistemas. deu início ao processo de resgate do material genético das principais espécies florestais existentes na área de inundação e de plantio em local específico. com a identificação e marca­ ção de 100% das árvores com diâmetro igual ou superior a 25 cm. a Eletronorte realiza o resgate dos animais. Rubens Ghilardi Ju­ nior. estabeleceu orientações pioneiras para resgates futuros. conhecidas como áreas de soltura. e Parakanã. criado a partir da construção da Usina Hidroelétrica Balbina. são delimitadas e o trabalho começa antes mesmo da formação do lago. conduzir e supervisionar esses procedimentos. A do Germoplasma foi uma delas.Séculos XIX. Atualmente. com área total de 22. As principais atividades desenvolvidas nas operações de resgate são a triagem e manejo. saúde.600 ilhas que formam o Mosaico de Tucuruí é especial. garantem a perpetuação dos recursos da floresta em seu estado natural. que vão elaborar.Muita gente não sabe que Tucuruí guar­ da boa parte do DNA da Amazônia na Ilha de Germoplasma. é preciso criar e conso­ lidar unidades de conservação para compensar a perda do habitat. E em Samuel. A área da Ilha é de 129 hectares. com as ações de identificação das áreas. fisiologia e taxonomia (identificação e classificação dos animais) e ecologia. pré-resgate. A primeira e a mais importante delas é dar prioridade às espécies raras ou ameaçadas de extinção. muitas ilhas seriam formadas. A Operação Jamari. A Eletronorte. apoio à 224 .6 ha.A Eletronorte é responsável pelo desen­ volvimento de dois programas indígenas cujos resultados apresentados desde o final da década de 1980 são considerados referência no Brasil e no mundo. E essa diferença começou a ser construída em 1980. Para o analista ambiental da Eletronorte. com a participação de outras instituições de pesquisa. O plantio foi feito numa área dividi­ da em quadras e a Ilha passou a abrigar a parte nativa (in situ) e a plantada (ex situ). Esse procedimento faz parte do Programa de Resgate da Fauna. atendimento vete­ rinário. Foram identificados e mapeados 2. Os bancos de germoplasma mantidos pela Eletronorte permitirão que a região de Tucuruí e outras regiões recuperem sua vocação natural de uso sustentável de florestas nativas”. Para esse fim. espécie por espécie. realizada em Tucuruí. mais de 16 mil animais foram resgatados. a Operação Muiraquitã resgatou 26 mil animais.A História das Barragens no Brasil . resgatou 300 mil animais. A Operação Curupira. zoologia. O banco de conservação in situ compreende 32 ha de floresta nativa. como genética. Era sabido que. Foi um trabalho de resgate. Os dois programas envolvem ações de educação. das áreas de soltura e da Terra Indígena Parakanã. São os programas Waimiri Atroari. incluindo o aproveitamento científico. manejo de filhotes. afirma. é possível conhecer cada uma das ‘árvores-mães’ que geram sementes saudáveis e que estão sendo utilizadas para reflorestamentos com objetivos ecológicos. Os ani­ mais resgatados foram de suma importância para pesquisas realizadas em diversas áreas de conhecimento. alimentação e remessa de animais para instituições de pesquisa e preservação. e investir na capacitação de novos profissionais. as espécies de árvores mantidas nas áreas de coleta de sementes florestais da Ilha de Germoplasma. que tem o objetivo de conservar as espécies da região.

o quadro era de epidemias de sarampo. com uma taxa de crescimento de 5. diarreias crônicas. No campo da saúde o quadro era grave: epidemias de sarampo. controle in­ formatizado da saúde dos índios e um programa de saúde bucal preventivo. subnutrição. falta de vacinação e qualquer controle sobre a saúde. A terra está demarcada. Na saú­ de não se observa nenhuma doença imunoprevenível nos últimos 12 anos. em 1988. foi regatada a prática do extrativismo e coletas de frutos para comercialização como açaí. mas com pendências de registros e regularização. 63. A situação fundiária está totalmente regularizada. nenhuma doença imunoprevenível nos últimos 15 anos. No campo da saúde. A terra está demarcada. A redução populacional chegava a 20 % ao ano. boa nutrição. e ritos de passagem e morte. malária e gripe. Na pro­ dução havia pequenas roças e dependência alimentar externa. a população era de 374 pessoas. Na cultura houve o resgate de todas as práticas culturais e de sua dignidade como povo indíge­ na. A terra era demarcada. Na educação são doze escolas com 57. nem demarcada e com processo de invasão em andamento. além de uma grande parte da população em processo de alfabetização. Na educação. pinturas corporais. homologada.8% ao ano. nenhum atendi­ mento odontológico. A cultura encontrava-se em processo de perda dos seus valores como festas tradicionais. boa nutrição. em 1986. Na produção observase grandes roças. possibilitando o resgate das tradições. sua tecnologia. curativo e corretivo. A situação fundiária está totalmente regularizada. vacinação de 100% da população. enfim sua história. Hoje. A cultura encontrava-se em processo de perda dos seus valores. controle da malária e de outras doenças endêmicas. 225 . sem nenhum invasor. cupuaçu. casta­ nha entre outros. das terras e da dignidade daqueles povos indígenas.86% da população Paraka­ nã alfabetizada na língua materna e em português. além do aumento populacional. Antes do início do Programa. Na produ­ ção havia dependência total dos alimentos fornecidos pela Funai. com registro em cartório de imóveis e serviço de patrimônio da União. A população era de 247 pessoas. sem nenhum invasor e com fiscalização sistemática dos seus limites e dos transeuntes das estradas existentes dentro das terras indígenas Waimiri Atroari. Hoje. controle total de doenças respiratórias. com registro em cartório de imóveis e serviço de patrimônio da União. controle total de doenças respiratórias.40% da população Waimiri Atroari alfabetizada e o restante em processo de alfabetização. homologada. com fiscalização sistemática dos seus limites e dos transeuntes da rodovia Transamazônica. a população dos Waimiri Atroari era de 1. além da situação fundiária totalmente irregular.77% ao ano. grandes roças têm tido produção de excedentes. A terra não estava delimitada. Na educação são 21 escolas com 60 professores indígenas. malária e gripes. Em julho de 2010 a população dos índios Parakanã era de 840 pessoas. era totalmente diferente. controle to­ tal da hepatite B. Também na cultura houve o resgate de todas as práticas culturais. sua medicina. as escolas eram inexistentes e a escrita desconheci­ da. nenhum atendi­ mento odontológico. o que resultou em total independência alimentar. resultado de uma taxa de crescimento de 4. a situação é totalmente diferente. As escolas não existiam e a escrita era desconhecida. falta de vacinação e qualquer controle so­ bre a saúde. A língua estava sendo perdida gradativamente bem como os conhe­ cimentos dos mais velhos sobre a natureza. estoque de animais para abate (peixes e gado) e total independência alimentar. não se realizando mais as principais manifestações de seu patrimônio cultural e em fase de desmoralização como etnia. que faz limite com a Terra Indígena Parakanã. vacinação de 100% da população. hepatite B. Na saúde. diarreias crônicas. A situação dos Parakanã antes do início do Programa.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens produção e proteção ambiental. controle de malária e de outras doenças endêmicas.404 pessoas. e controle informatizado da saúde dos índios. Em julho de 2010. subnutrição. seus mitos.

Calha do vertedouro de Foz do Areia. primeiro vertedouro do Brasil com aeração da calha .

O aproveitamento dos recursos hídricos do estado foi fundamen­ talmente ligado à geração hidroelétrica. Ivaí e Paranapanema. Figura 1. Isto foi no trecho superior do rio Iguaçu. que se desenvolve paralelamente ao litoral Atlântico. no planalto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens História das Barragens no Paraná Brasil Pinheiro Machado e Denise Araújo Vieira Krüger Introdução O Paraná é um estado rico em recursos hídricos. com altitudes da ordem de 800 m e desenvolve em direção ao litoral entrando no estado de São Paulo através de uma região onde a Serra do Mar permite uma passagem. e em muito menor grau. onde o rio flui no planalto e não se requeriam obras específicas para permitir a navegação. entre os quais se destacam os rios Iguaçu. A orografia que cria a barreira da Serra do Mar e faz com que os rios se afastem do litoral não favorece à navegação fluvial. PontaGrossa e Londrina. 227 . a oeste de Curitiba com altitudes entre 1200 a 1800 m acima do nível do mar. vencendo desníveis da ordem de 800 a 1000 m e com isso favorecendo a instalação de aproveitamentos hidroelétricos. Piquirí.Estado do Paraná à criação de pequenos reservatórios para o suprimento de água potável a algumas comunidades. havia interesse econômico no transporte de erva-mate da região sul para as indústrias de beneficiamento instaladas em Curitiba. em sua margem esquerda. Isto faz com que os principais cursos d’água do estado nas­ çam próximo ao litoral e se desenvolvam em direção ao inte­ rior. A exceção é o rio Ribeira. Este rio faz a divisa do esta­ do com o Paraguai e com Mato Grosso do Sul e recebe. este último formando a divisa entre os estados do Paraná e São Paulo. os cursos d’água apresentam elevados gradientes. entre União da Vitória e Curitiba. A drenagem em relação ao rio Paraná é conformada pela Serra do Mar. dotado de um sis­ tema fluvial importante. e. particularmente Curitiba. em­ bora tenha havido um período histórico em que esta atividade ocorreu. com desníveis de 500 a 800 m vencidos em percursos menores de 80 quilômetros. além disso. os principais cursos de água que formam a hi­ drografia paranaense. A leste da Serra do Mar. A maior parte de seu território pertence à bacia hidrográfica do rio Paraná. que nasce a noroeste de Curitiba.

colonizada a partir de Londrina e incluindo cidades como Maringá e Apucarana. sempre tiveram a preocupação da integração das regiões. e colonizada com deslocamentos populacionais originados principalmente no Rio Grande do Sul. União da Vitória. a partir dos anos 40. de colonização antiga. enfrentando grandes dificuldades até pelo menos o início dos anos 70. incluindo a implantação de obras de infraestrutura. Por estas razões. que se desenvolveram a partir dos anos 50-60.A História das Barragens no Brasil . na região leste do estado. a navegação neste trecho desapareceu e não prosperou de forma significativa em nenhum outro local do Estado. originadas ou Figura 2 . o poder político sempre esteve em Curi­ tiba e as ações de governo. onde se destacam a cidades de Paranaguá. (iii) a região sudoeste. inicialmente desenvolvidas a partir do comércio de tropas entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. Ponta-Grossa.1901 228 . centrada em Curitiba. Curitiba. Em função destas peculiaridades a implantação de obras de eletrificação no Paraná ocorreu inicialmente. XX e XXI Com a diminuição do valor desta atividade econômica. com a agricultura de ce­ reais entre os quais trigo e soja. desenvolvida a partir dos anos 30-40 com base na agricultura do café atingindo seu pico econômico nos anos 50 e estreitamente vincula­ da economicamente ao estado de São Paulo. Os primórdios da geração elétrica no Paraná Historicamente o estado do Paraná se desenvolveu em três regi­ ões economicamente distintas: (i) o leste incluindo o litoral e os planaltos que formam o primeiro e o segundo degraus em direção ao rio Paraná. onde se destacam as cidades de Foz do Iguaçu e Cascavel. e durante muitos anos. a história das barragens no Paraná se confunde com a história da implantação da geração de energia elétrica para o atendimento público.Usina Termoelétrica de Curitiba .Séculos XIX. (ii) a região norte. Apesar desta diversidade.

a citada companhia instalou a primeira usina elétrica do Paraná. num terreno próximo à antiga estação ferrovi­ ária. os serviços de suprimento e distribuição diretamente aos consumido­ res finais. somente dispuseram de geração elétrica na segunda década do século vinte. Figuras 3a. no litoral paranaense. Em 1901 foi instalada a primeira usina. termoelé­ trica. na região de Ponta Grossa. União da Vitória e Campo Largo. pertenciam a empreendedores priva­ dos locais que contratavam. Outras cidades na região. até 3 de agosto de 1970. Grollmann. geralmente com as prefeituras dos municípios corres­ pondentes. quando o presidente da Intendência Municipal de Curitiba. Vicente Machado. entre elas Pa­ ranaguá.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O primeiro esforço para eletrificação ocor­ reu no dia 9 de setembro de 1890. instaladas no estado. Um ano mais tarde. Baseada nesse contrato. oficialmente. propriamente dita. A maior parte destes empreen­ dedores era imigrante de origem alemã ou da Europa Central. com 760 kW de potência. térmi­ cas ou hidráulicas. localizada atrás do então Congresso Estadual. que começou a operar em 1910 com a potência de 510 kW. para abastecer a cidade de Paranaguá. A usina começou a funcionar. entrou em operação a usina de Pitangui. 229 . Nomes como Hauer. Blitzkow e Schlemm tiveram papel importante nas iniciati­ vas pioneiras no final do século XIX e primeiras décadas do século XX. assinou o contrato com a Companhia Água e Luz do Estado de São Paulo. Dr. e com uma conces­ são por 20 anos. para iluminar a cidade com “uma força iluminativa de onze mil velas”. 3b e 3c .Usina Hidroelétrica Serra da Prata – 1910 A primeira usina hidroelétrica do estado foi Hidroelétrica Serra da Prata. As primeiras usinas geradoras. em 12 de outubro de 1892. com dois conjuntos geradores de 200 cavalos-vapor cada. Ponta Grossa. construída por técnicos ingleses.

Séculos XIX. com o nome de Empresas Elétricas Brasileiras contratou com o governo do Paraná a concessão da distribuição de energia elétrica em Curitiba. a AMFORP – American Foreign Power . a associação da geração de energia elétrica com recursos hidráulicos começa a aparecer no Paraná na segunda década do século XX. Em 1927. Efetivamente. O ano de 1910 marca a entrada das grandes empresas internacio­ nais no negócio de energia elétrica no Paraná. Nada resultou desta iniciativa até 50 anos depois. que também implantava a ligação ferroviária entre São Paulo e o Rio Grande do Sul. no rio São João.. “as quedas d’água existentes no Rio Capivary.” no prazo máximo de 3 anos.. Logo em seguida constituiu uma empresa com o nome de Companhia Força e Luz do Paraná (CFLP) e a ela transferiu a concessão. o presidente do estado sabendo que o estado de Mato Grosso pretendia outorgar a concessão das Sete Quedas.v. telegrafou ao presidente daquele estado dizendo que este era um recurso paranaense. iniciada em 1929 230 . um braço da empresa americana Electric Bond & Share Company se estabele­ ceu no Brasil e. na Serra do Mar. XX e XXI Figura 4 . na máxima estiagem” situadas próximas a Curitiba.. no Rio Paraná para exploração energética (hoje inundadas pelo reservató­ rio de Itaipu). quando então o rio Capivari foi aproveitado para geração de energia elétrica com um esquema muito diferente do que foi imaginado originalmente. disto resultou a constru­ ção da usina hidroelétrica de Chaminé. Neste contrato o governo do estado requeria que a concessionária construísse “. Em 1926 o governo do estado adquiriu de particulares. embora as insta­ lações geradoras existentes e em estudo fossem todas privadas. sobre o qual tinha “direito de posse”.Usina Hidroelétrica Pitangui – 1911 É interessante observar que no discurso político. mu- nicípios de Campina Grande e Bocaiuva com capacidade de 30.uma usina para geração de energia eletrica por força hydraulica . com a finalidade de “interessar a todos nossos industriais na organização de uma sociedade anonyma que tome a seu cargo a construção de uma usina hydro-eletrica e sua exploração”. em 1928.. Neste ano a con­ cessão do suprimento elétrico da cidade de Curitiba foi adquirida do empresário local José Hauer pela empresa anglo-francesa South Brazilian Railways Company Ltd. pela soma de 500 contos de réis.000 c. no município de São José dos Pinhais.A História das Barragens no Brasil .. Em 1913.

Operando desde 1929.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figuras 5a e 5b . ia-se a pé. Esses Figura 6 . responsável por todo serviço de campo. e “em 1930 havia três escalas de prioridades para serviços urgentes: para a primeira. Em 1928 começou a trabalhar nas Empresas Elétricas Brasileiras. Seu reservatório tem um volu­ me útil de 500 mil m³. Aproveitando um desnível de mais de trezentos metros. O vertedouro fica no trecho central da barragem e é equipado por flash-boards perfazendo 34 m de vão. formados pelas barragens de Salto do Meio e Voçoroca. nascido nos Estados Unidos. 12 km a montante.Mr. preparando acampamento (1928) e na inauguração da usina de Guaricana (1957) e concluída em 1931. a usina gera 18 MW através de quatro unidades Pelton. quando esta realiza­ va estudos no rio São João. com capacidade máxima de descarga de 360 m³/s. Mr. O trole acabou se tornando a principal característica de Chaminé por proporcionar uma viagem de 720 m. Mr. que resultaram na usina de Chaminé. desde os 22 anos trabalhou e se dedicou ao Brasil. suficiente apenas para regularização diária. máquinas e peças. o trole é acionado por motores que liberam e recolhem cabos de aço. usava-se o cavalo.Mr. A usina hidroelétrica Chaminé é atualmente alimentada por dois reservatórios no rio São João. vagonete sobre trilhos. por uma exuberante reserva da Mata Atlântica. Fry era o engenheiro residente e assistente do superinten­ dente geral. de aprova­ ção das fundações da barragem e da casa de força e.. 231 . ao centro. A barragem de Salto do Meio é do tipo concreto gravidade.. segundo ele: “Em 1929 nós tivemos que colocar cascalho na avenida principal de São José dos Pinhais para poder passar com os equipamentos que seriam usados na construção da usina de Chaminé”. Howell Lewis Fry. ligando os escri­ tórios à casa de força. Howell Lewis Fry – Visita a Chaminé em outubro de 1978 motores eram operados a vapor na época da obra e foram automatizados em 1999. para a segunda a bicicleta e para a terceira. ven­ cendo declives de até 55 graus. foi construído um trole. como o aces­ so era difícil para transportar pessoal. com 12 m de altura e 92 m de extensão. Howell Lewis Fry.” O trabalho de construção durou três anos e.

gerando os 36 MW com quatro turbinas Pelton.” O vertedouro. três vãos vertedores com comportas radiais de 5. XX e XXI Figura 7a . com 21 m de altura e 152 m de comprimento tendo em seu trecho cen­ tral.5 m de altura e 95 m de extensão. a 75 km de Curitiba.5 x 6. a CFPL construiu. A CFLP continuou com a concessão e o suprimento de energia elé­ trica à região de Curitiba até a década de 70 quando foi absorvida pelo governo do estado através da COPEL. Fry. Esta usina comissionada em 1957 utiliza as águas do rio Arraial.3 m de largura e flash boards de 2 m de altura. onde hoje se situam as usinas 232 . po­ deriam no futuro vir a ser alimentadores do seu sistema. além da usina de Chaminé. com 29. Em 1954 contratou um levanta­ mento de possíveis locais nos rios Iguaçu e Tibagi. a CFLP desenvolveu outros estudos visando identificar locais promissores para a instalação de reservatórios e usinas geradoras. com 36 MW instalados também na Serra do Mar. mencionada anteriormente. também sob a responsabilidade de Mr. “na região destas usinas havia uma palmeirinha que os colonos usavam para fazer paredes e coberturas de casas e se chamava Guaricanga.Séculos XIX. Durante os 45 anos em que foi responsável por este mercado. Este estudo foi contratado com a firma americana de consultoria EBASCO International Corporation e nas suas conclusões há a iden­ tificação das possibilidades técnicas de implantação de projetos de grande porte no rio Iguaçu.A História das Barragens no Brasil .4 m para uma capacidade máxima de descarga 495 m3/s.Trole para acesso à casa de força – Usina hidroelétrica Chaminé Figura 7 b – Barragem de Salto do Meio A barragem de Voçoroca foi iniciada somente em 1947. Fry. é de concreto a gravidade. cujo reservatório é criado por uma barragem de concreto a gravidade. A usina aproveita uma queda superior a trezentos metros. Além destas duas usinas hidráulicas. tam­ bém projetada e construída por Mr. Conforme explicado por ele. possui três vãos de 12. Daí surgiu o nome Guaricana. onde era concessionária. que embora distantes da região de Curitiba. na parte central. a usina hidroelétrica de Guaricana.

As conclusões deste relatório não ge­ raram nenhuma ação específica e a CFLP continuou operando unicamente as hidroelétricas da Serra do Mar e instalações térmicas a Diesel em Curitiba até desa­ parecer como empresa concessionária. com a criação do Serviço de 233 .Interior da casa de força com os grupos geradores de Segredo (chamada na ocasião de Encantillado) e Salto Santiago. O desenvolvimento dos recursos hídricos do estado para fins energéticos passou a ser explicitamente considerado como preocupação política governa­ mental nos anos 40.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8a – Usina hidroelétrica Chaminé – Casa de força Figura 8b . nos anos 70.

Ponta Grossa. do norte pelas usinas de Salto Grande do Paranapanema. com previsão dos sistemas elétricos do sul apoiados nas usinas de Capivari-Cachoeira e Salto Grande do Iguaçu. Carvalhópolis (27 MW) e a termo­ elétrica de Figueira (20 MW). a ser cumprido em duas etapas: a primeira. União da Vitória e cidades do chamado norte-velho. previa a cons­ trução das centrais de maior porte. Caverno­ so no rio Laranjeiras e Melissa em Cascavel. Tibagi (36 MW). os dois interligados em Teixeira Soares. transformado em 1948 no Departa­ mento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) com a atribuição de cuidar. XX e XXI Energia Elétrica do estado. tais como Capivari-Cachoeira (105 MW). a mini-usina de Cotia. no litoral do estado. Capivara e Mourão. este plano transformou-se em outro. O primeiro Plano Hidroelétrico do Estado foi elaborado em 1948. este departamento governamental encampou incipientes serviços em municípios que não eram atendidos por empresas privadas organizadas como os das regiões de Curitiba. Lon­ drina. desativada para a formação do lago de Itaipu. do suprimento de energia elétrica e do desenvolvimento de projetos hidroelétricos. na região de Antonina. O Departamento foi responsá­ vel pela construção das usinas hidroelétricas de Ocoí em Foz do Iguaçu. em 1952.Séculos XIX. dependente de financiamentos especiais.A História das Barragens no Brasil . previa a construção de pequenas hidroelétricas (Cavernoso. Figura 9 – Usina hidroelétrica Presidente Vargas – Rio Tibagi – Grupo Klabin de Papel e Celulose (1947) 234 . com recursos orçamentários do DAEE. em nível estadual. Caiacanga e Laranjinha) e a segunda. a curto prazo. Posteriormente. Nos municípios em que atuou instalou geradores Diesel e realizou um único projeto hidráulico. Na realidade. bem como pelo início das usinas de Chopim I em Pato Branco e Mourão I em Campo Mourão que foram posteriormente concluídas pela COPEL. e do oeste com centros gera­ dores isolados.

era extremamente precária. En­ tretanto. o governo do es­ tado criou a Companhia Paranaense de Energia Elétrica .917 de 26 de outubro. uma reputação técnica ligada a questões energéticas por ter participado da discussão de planos governamentais envolvendo usinas hidroelétricas na Serra do Mar. através do decreto n°14.COPEL. distribuição e comércio de energia elétrica e serviços correlatos. mudanças no governo do estado afastaram a diretoria inicial da empresa em menos de um ano após sua instalação. na época. A nova sociedade se destinava a “planejar. cate­ drático da cadeira de hidráulica na Escola de Engenharia da Uni­ versidade do Paraná (atualmente Universidade Federal do Paraná). O professor Parigot tinha já. Nesta primeira diretoria da COPEL foi de sua res­ ponsabilidade a formulação técnica racional de uma evolução objetiva e realista da oferta de energia elétrica no estado que. habilitar-se de maneira mais eficaz aos financiamentos requeridos para a realização de obras de geração e transmissão.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 – Usina hidroelétrica de Ocoí A era da COPEL Em 1954. construir e explorar sistemas de produção. uma empresa de econo­ mia mista que teria a atribuição de implementar o suprimento de energia elétrica do estado.” e teve como seu presidente nomeado The­ místocles Linhares. como indicado anteriormente. Esta empresa seria uma instituição mais flexível que os órgãos governamentais tradicionais e poderia. o professor Pedro Viriato Parigot de Souza. do então gover­ nador Bento Munhoz da Rocha Neto. transmissão e transformação. A primeira diretoria da COPEL incluiu como diretor técnico. in­ clusive. seguindo o exemplo de Minas Gerais. 235 .

de países diferentes. no litoral. Entre estas obras destaca-se o aproveitamento hidroelétrico CapivariCachoeira. agora como presidente e go­ zando da inteira confiança do governador. no litoral. que corre relativamente próximo a Curitiba. instaladas ao longo da encosta da serra. A idéia do aproveitamento do rio Capivari. Maurício Schulman. quando novamente este voltou à empresa. Figura 11 .A História das Barragens no Brasil . A solução que prevaleceu foi proposta pela SOGREAH. Isto fez com que a COPEL pudesse atrair um con­ junto de engenheiros que teve uma atuação decisiva na evolução bem sucedida da empresa especialmente nos anos 60. através de sistema de túneis de grande extensão e casa de força única. que consiste na derivação do rio Capivari que se desenvolve no planalto. Nel­ son Luiz de Sousa Pinto. Péricles Tourinho e Clodoveu Holz­ mann. que tinham sido admitidos na empresa entre 1955-60 e neste período desenvolveram estudos importantes que deram origem às obras executadas no período seguinte. XX e XXI Não obstante. como mencionado anteriormente. subterrânea. instalada com quatro grupos Pelton somando 260 MW de potência.Séculos XIX. na curta gestão de sua participação inicial na em­ presa. Fizeram parte deste grupo os engenheiros Hiran Lamas. Outras soluções propostas consideravam várias usinas menores em sequência.Mapa de 1915 com os primeiros estudos para o aproveitamento do Rio Capivari 236 . vencen­ do o degrau de mais ou menos 800 m da Serra do Mar. entre outros. atualmente denominado usina hidroelétrica Governador Parigot de Souza. Entretanto. era antiga. o professor Parigot implantou uma filosofia de seriedade e respeito técnico. a derivação para o litoral vencendo desnível importante foi nesta ocasião revista e estudada detalhadamente. francesa. e consiste em uma barragem no rio Capivari e desvio para o rio Cachoeira. foram chamadas e encarregadas de propor soluções técnicas para o aproveitamento. para o rio Cachoeira. Para isto três empresas internacionais.

que foi utilizado para o desvio e suple­ menta a capacidade do vertedouro em 250 m3/s. Maurice Bouvard foi contratado como consultor ge­ ral do projeto. naquela época. Tem 60 m de altura. se estudou um aproveitamento de porte médio que foi considerado muito grande para atender a demanda existente.Cachoeira – Perfil esquemático Para a construção do aproveitamento a COPEL criou. na divisa com Santa Catarina. controla­ do por duas comportas de segmento. prescindindo da contratação de uma empresa de projeto. Neste local. Na construção desta usina a Copel se projetou no panorama da energia brasileira. Apesar de inusitada e mesmo arriscada. Logo a jusante desta cidade o rio entra na região dos basaltos e aí ocorre o primeiro salto abrupto dos vários que o rio apresenta ao longo de percurso. A chamada Usina Piloto do Salto Grande do Iguaçu foi também nesta época projetada e construída. conquistando dois recordes para a época: maior avanço médio em escavação subterrânea em obras do gênero e maior volume de concretagem mensal no interior dos túneis. CEPHH (mais tarde CEHPAR e hoje Lactec) recebeu a incumbência de realizar os estudos hidráulicos em mode­ lo reduzido. Imaginou-se então 237 . que nunca haviam sido feitos no estado. Dispõe também de um descarregador de fundo. Foi decidido desenvolver o projeto detalhado com esforço próprio. no início dos anos 60. não foi este o único empreendimento desenvolvido pela COPEL no início dos anos 60. a decisão de executar o projeto e a supervisão da construção com equipe pró­ pria. uma subsidiária específica a ELETROCAP e outorgou a Hiran Lamas e Nelson de Sousa Pinto a responsabilidade de sua implementação. não só foi muito bem sucedida como também foi importante na for­ mação e desenvolvimento de quadros técnicos locais treinados em empreendimentos de dimensões e de grande complexidade.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 12 – Usina hidroelétrica Capivari . Apesar da relevância de Capivari-Cachoeira. A barragem do Capivari pode ser considerada como a primeira bar­ ragem de porte realizada no Paraná. para uma vazão de projeto de 750 m3/s. contro­ lado por comportas vagão. é de terra homogênea e dispõe de vertedouro de superfície em canal. assistido por consultores pessoas físicas e não empresas. O rio Iguaçu nasce na região urbana de Curitiba e se desenvolve em uma região do planalto com baixas declividades até as imediações da cidade de União da Vitó­ ria. Milton Vargas como consultor para a barragem de terra no rio Capivari e o incipiente laboratório de hidráulica da Universidade do Paraná. Juntamente com as demais obras do aproveitamento a barragem começou a operar em outubro de 1970 e ao longo deste período demonstrou um desempenho excelente sem nenhum incidente. Este é o chamado Salto Grande do Iguaçu.

que tinha contratos em andamento com Furnas e grande repu­ tação técnica. túneis de adução e casa de força subterrânea com aproximadamente 4. O estudo final viabilizava o empreendimento (supondo a existência de demanda) com três barragens no alto Iguaçu associadas a estações elevatórias. Este empreendimento. Outra iniciativa importante nesta época foi a contratação de um estudo para verificar a viabilidade técnica e econômica da reversão do alto rio Iguaçu para o litoral. alimentando uma barragem-tomada d’água em arco com 4 grupos geradores de 3. O empreendimento não prosperou porque. mas agora revertendo uma vazão muitas vezes maior. na divisa entre o Paraná e Santa Catarina. dos Estados Unidos.8 MW cada um.A História das Barragens no Brasil . foi construído a partir de 1962 e entrou em operação em setembro de 1967. O projeto foi contratado com o engenhei­ ro Cardellini. O fluxo principal do rio não era afetado e continuava livre so­ bre o salto. Para isto foi contratada a IECO – International Engineering Company. XX e XXI Figura 13 – Usina hidroelétrica Capivari Cachoeira – fotos da casa de força uma usina menor que serviria como passo inicial para um apro­ veitamento futuro de maiores dimensões.Séculos XIX. Por isso foi chamada de “usina piloto”. entre outras razões. São Paulo. num esquema semelhante ao projeto CapivariCachoeira. O conceito do projeto previa um canal de adução de pare­ des curvas na margem esquerda.000 MW instalados e restituição através de túneis de fuga descarregando próximo a Garuva. 15 anos mais tarde. não existia demanda para tal potência. de formação italiana e radicado em São Carlos. O projeto de características hidráulicas e constru­ tivas complicadas foi estudado no laboratório de hidráulica do CEHPAR. foi inundado pelo reservatório de Foz do Areia. Houve tentativas 238 .

com base na qual foi possível o suprimento de energia elétrica à região de Londrina e Maringá a partir da usina de Salto Grande do Paranapanema.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 – Barragem de Capivari-Cachoeira modestas de acordo com o estado de São Paulo para o desenvolvi­ mento em parceria. houve uma parceria importante para ocasião. entre os estados de São Paulo e do Paraná. não podiam politicamente ser trocados por projeto em outro estado.200 kW 239 . Entretanto. embora mais distantes da capital do estado e mais caros que a alternativa do Iguaçu.Vista da casa de força da usina de Salto Grande do Iguaçu – 15. no rio Paraná (Jupiá e Ilha Solteira) que. mas que também não progrediram porque este estado estava iniciando na ocasião os grandes projetos do Complexo Urubupungá. Figura 15 . do governo paulista. através da participação da COPEL na USELPA – Usinas Elétricas do Paranapanema.

Piquiri 240 . atingindo este rio após desenvolvimento em várias curvas (falsos meandros) ocasionadas pela orografia da região basáltica. Com uma pequena barragem-tomada d’água na última curva. a vazão do rio Chopim é encaminhada por meio de canal aberto e conduto forçado a uma casa de força equipada com dois grupos de 22 MW cada. Um fato extremamente relevante ocorrido na segunda metade dos anos 60. XX e XXI Na segunda metade dos anos 60 a COPEL desenvolveu o projeto e construiu a usina hidroelétrica de Foz do Chopim. com 44 MW.Usina hidroelétrica de Foz do Chopim . O rio Chopim é um afluente pela margem esquerda do rio Iguaçu.Séculos XIX. Pela COPEL o responsável foi o engenheiro Arturo Andre­ oli. técnica e economicamente. chamada pos­ teriormente de Júlio de Mesquita Filho. no oeste do Estado. Este empreendimento foi projetado pela SERETE Engenharia. e foi formado por engenheiros canadenses e americanos que haviam atuado no Sudeste e por profissionais locais designados pela COPEL. para desenvolvimento hidro­ elétrico. O estudo desenvolvido entre 1967 e 1969 identificou as principais obras no curso principal e afluentes dos rios Iguaçu. de São Paulo. que mais tarde viria a ser presidente da empresa e responsável pelas obras subsequentes no rio Iguaçu até o final dos anos 70. Da esquerda para direita: professor Parigot de Souza. O objetivo do Comitê Sul era o levantamento das principais bacias hidrográficas dos três estados sulinos (menos os rios que já tinham sido considerados no estudo do sudeste: Tibagi e Ribeira do Iguape e dos trechos que formam fronteira internacional) com o propósito de identificar e avaliar os locais potencialmente ade­ quados. O Comitê Sul era a continuação dos estudos executados na região Sudeste pela CANAMBRA. situada na margem esquerda do rio Iguaçu. sediado em Curitiba e organizado sob a gestão da COPEL.A História das Barragens no Brasil . foi a constituição do Comitê de Estudos Energéticos da Região Sul – Comitê Sul.casa de força e barragem Figura 16 .Inauguração de Salto Grande do Iguaçu em 29 de setembro de 1967. general José Costa Cavalcanti e governador Paulo Pimentel do Sul. além de alguns designados pelas empresas de Santa Catarina e do Rio Grande Figuras 17a e 17b .

e dois vertedouros com capacidade con­ junta de descarga de 27. no Rio Grande do Sul. em 1974. pela SERETE.Usina hidroelétrica de Salto Osório Antes do final de Salto Osório. Depois de Capivari-Cachoeira. O projeto de engenharia de Salto Osório foi contratado com o consórcio SERETE (que já atuava em Foz do Chopim) e Kaiser Engineers Corp. James Libby. que também teriam um papel muito importante nas obras subsequentes. naquela 241 . que re­ tomou alguns estudos preliminares já executados para a ELETRO­ SUL em anos anteriores. A decisão e a implementação com su­ cesso das gestões voltadas para a realização da obra são devidas ao engenheiro Arturo Andreoli. Ela obteve sucesso em seu pleito pela concessão do aproveitamento e contratou os estudos de engenharia de projeto com a Milder-Kaiser Engenharia S. foi estabelecida pela COPEL uma junta de consultores independentes. Thomas Leps e Victor F. em 1974. entretanto. Pela primeira vez no Paraná. B. dos Estados Unidos.050 MW) foi a grande realização da COPEL no início dos anos 70 e o ponto de partida para os sucessos seguintes. apesar da COPEL ter tido a iniciativa do empreen­ dimento. conseguiu ser designada a “gestora” do empreendimento e seguiu assim até o final da obra. de uma empresa federal que teria a exclusividade na geração de obras de propósito supra-esta­ dual. pois iniciava o desenvolvimento do rio com uma obra situada longe das cabeceiras. na época. Esta junta era formada pelos engenheiros J. A ELETROSUL. em Santa Catarina. a ELETROSUL e a COPEL se mobilizaram politicamente para realizar outras obras no rio Iguaçu tomando sempre por base a previsão de obras formulada pelo Comitê-Sul – CANAMBRA. houve a sugestão da junta de consultores para adoção de uma barragem de enrocamento com face de concreto. Figura 18 . no Paraná. fez com que a concessão fosse transferida para a ELETRO­ SUL. e Rio Grande do Sul.. Apesar de ter havido revisões nos resultados dos estudos. O gerente do projeto do consórcio projetista foi o engenheiro Warren Schumann que teve um papel fundamental no desenvolvimento da maioria das obras do rio Iguaçu. com base no resultado dos estudos do Comitê Sul – CANAMBRA. com 56 m de altura máxima e 750 m de comprimento. a recente criação. quase todos os potenciais identificados estão hoje aproveitados. A ELETROSUL fixou seu objetivo na usina de Salto Santiago (1. Jacuí. foi tomada por razões prá­ ticas uma vez que no local estava sendo finalizada a construção de Foz do Chopim e existia uma estrutura de apoio para o início de um novo empreendimento. mas como não havia antecedentes deste tipo de obra no Brasil. Esta decisão. Nas discussões para a formulação do arranjo e do tipo de barragem. Ibirapuitã e Camaquã. situada imediatamente a montante de Salto Osório com a possibilidade de iniciar serviços de campo a partir da base estabelecida em Salto Osório. de Mello.420 MW). que poderia parecer injustificada.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens e Ivaí. a COPEL não aceitou a sugestão. Um outro aspecto relevante no desenvolvimento deste projeto foi o fato de que. Salto Osório (1. Barry Cooke. Canoas e Uruguai.A. No final dos anos setenta. A solução técnica do projeto inclui uma barragem de enrocamen­ to com núcleo inclinado de argila. a COPEL decidiu pleitear e cons­ truir a usina hidroelétrica de Salto Osório. então diretor técnico da empre­ sa.000 m3/s. A COPEL.

Machado. A MilderKaiser que tinha sido organizada em São Paulo por Isaac Milder. Jaime L. XX e XXI Figura 19 . Piuma. Victor F. O projeto incluiu uma barragem principal de enrocamento com núcleo de argila. Engenheiros e consultores (a partir da esquerda: Brasil P. Barry Cooke. de Mello e Thomas Leps. Arturo Andreoli) época. seguindo a prática de Salto Osório contratou o mesmo grupo de consultores especiais daquela obra: J.Obra e fechamento do desvio do rio da usina hidroelétrica de Salto Santiago. oriundo da SERETE. Thelmo Thompson Flores. Kamal Kamel. A COPEL centrou sua atenção nas obras previstas no trecho ini­ cial do rio Iguaçu. e uma barragem de terra homogênea fechando um ponto baixo no reservatório. era dirigida pelo engenheiro Mario Lannes e seu diretor técnico era o engenheiro Fernando Correa de Azevedo. Salto 242 . montou uma estrutura técnica no Rio de Janei­ ro e designou para a gerência do Projeto Salto Santiago o engenheiro Jaime Leivas Piuma que foi o principal responsável pela engenha­ ria desta obra. A usina hidroelétrica de Salto Santiago. B. James Libby.A História das Barragens no Brasil .000 MW. Lança a montante de União da Vitória.Séculos XIX. com 80 m de altura. foi construída pela Camargo Correa estrita­ mente no cronograma estabelecido inicialmente. A ELETROSUL. projetada para uma insta­ lação de 2. com a primeira unidade entrando em operação no final de 1980.

Milder-Kaiser. Isto tudo fez com que o grupo técnico envolvido na concepção e desenvolvimento da obra fosse formado e mantido com pessoal de alta qualificação. com uma barragem muito mais alta. Definidas as características energéticas e orográficas de Foz do Areia a seleção do tipo de barragem que teria 160 m de altura demandou longas discussões técnicas. Victor F. teve o gran­ de mérito de assegurar o projeto para o Paraná e de convencer a ELETROBRAS a criar uma exceção à regra que determinava que só empresas federais poderiam construir obras de geração que ultra­ passassem a demanda do estado onde se situam. prevaleceu pois. B. de Warren Schu­ mann. O engenheiro Arturo Andreoli. que não só seria a primeira do tipo no país. A projetista. tinha menor área e criava uma queda aproveitável para geração de energia. Barry Cooke. além de criar um reservatório regulador semelhante ao previsto para Lança. mas resultava economica­ mente menos atraente que uma variante de Foz do Areia que. A influência de Barry Cooke fez com que se decidisse por uma barragem de enrocamento com face de concreto. chamada na época Foz do Areia Alto. como fizera em Salto Osório. que tinha experiência 243 . Os estudos realizados pela Milder-Kaiser mostraram que Lança. presidente da COPEL na época. uma junta de consultores especiais. da Kaiser Engineers. Em 1973 contratou os serviços de engenharia da Milder-Kaiser e assegurou a participação técnica. inundasse o Salto Grande do Iguaçu estabelecendo o nível máximo em cota compatível com a cidade de União da Vitória. Esta alternativa. mas seria na época a mais alta do mundo neste tipo. uma barragem baixa criando um reservató­ rio de área muito extensa tinha méritos. agora formada por J. como gerente do projeto.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 . de Mello e Nelson Luiz de Sousa Pinto.Usina hidroelétrica Salto Santiago Grande do Iguaçu e Foz do Areia a jusante desta cidade. já dis­ punha de um quadro técnico de primeiro nível e a COPEL trouxe da Colômbia o engenheiro Bayardo Materón. A COPEL contratou.

em janeiro de 1975. Figura 22 . para o restante das obras civis foi outorgado à CBPO hoje uma empresa do Grupo Odebre­ cht. Um pouco antes da implantação da planejada Faxinal. estrita­ mente de acordo com o cronograma formulado 5 anos antes. XX e XXI Figuras 21a e 21b – Obras da usina hidroelétrica Foz do Areia neste tipo de obra nas realizações na­ quele país. A usina. projetada para 2. Para que a obra começasse a deslan­ char. com 1. em busca de um novo “Eldorado” iniciou-se a formação de um pequeno povoado próximo ao canteiro da usina. com o interesse da população ribeirinha por Foz do Areia.Séculos XIX. Faxinal do Céu. pensões e outros ramos comerciais. Com a influência da novela da época (1973). para o acompanhamento e controle dos ma­ teriais de enrocamento e questões ge­ ológicas associadas.A História das Barragens no Brasil .500 MW teve sua primeira unidade entrando em operação em outubro de 1980. o segundo. A construção da obra foi dividida em dois contratos: o primeiro para os túneis de desvio e préensecadeiras foi realizado pela Andrade Gutierrez. a pequena vila em formação recebeu o nome de Nova Divinéia e seus principais personagens inspiraram nomes de bares.600 residências e to­ dos os serviços urbanos necessários. “Fogo sobre Terra”.Usina hidroelétrica Foz do Areia 244 . e designou o experiente en­ genheiro Pedro Marques Filho. tais como Barbearia Sandra Bréa e Bar Pedro Azulão. cerca de 12 km da obra. a Copel ini­ ciou a implantação das obras de infraestrutura que incluíam uma verdadeira cidade.

Durante a visita do então presidente da re­ pública João Figueiredo à obra de Foz do Areia. A década de oitenta foi marcada pela crise da dívida externa brasileira que fez com que as fontes de financiamento do governo secas­ sem e poucas obras pudessem ser realizadas. No Paraná a COPEL fez várias tentativas de viabilizar financiamentos para a próxima usina do rio Iguaçu. Neste conceito. na qual foi confirmada a concessão da usina hidroelétrica Segredo. governador Ney Braga e o presidente João Figueiredo discursando as empresas MDK (sucessora da Milder-Kaiser agora parte do grupo CNEC) e CENCO. Salto Osório. Para isso foram contratadas Figura 23 – Visita às obras de Foz do Areia em 31 de agosto de 1979. Brasil Pinheiro Machado (diretor técnico da Milder Kaiser). Em 1985 foi contratada Figura 24 – Assinatura do contrato do projeto da usina hidroelétrica Segredo em 19 de março de 1980. a obra de Segredo foi postergada. O projeto incluiu uma barragem de enrocamento com face de concreto com 145 m de altura formulada com os mesmos conceitos de Foz do Areia. Fernando Luiz Correa de Azevedo (presidente Milder Kaiser) e Willian Simonsen (diretor comercial da Milder-Kaiser) 245 . Entretan­ to. A usina de Segredo. hoje denominada usina hidroelétrica Go­ vernador Bento Munhoz da Rocha Netto. Da esquerda para direita Lindolfo Zimmer (diretor de engenharia e construções da COPEL). por problemas econômico-financeiros. Se­ gredo seria uma obra da ELETROSUL que efetivamente realizou estudos incluindo al­ ternativas com barragens de concreto em abóbada propostas pela Enge-Rio. em 31 de agosto de 1979. Douglas Souza Luz (presidente da COPEL). governador Ney Braga assinando. com potência prevista à época de 2. na MDK. Segredo e desta obra so­ mente conseguiu executar os túneis de desvio e escavações preliminares para a barragem.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Desta forma.100 MW e foram iniciadas as ativida­ des de projeto. Salto Santiago e Foz do Areia. naquele tempo. De 1982 a 1987 o projeto foi desenvolvido sob a gerência do engenheiro Kamal Kamel. no princípio da década de oitenta as grandes barragens do Paraná vinculadas à COPEL e ELETROSUL eram Capivari. Manteve a mesma junta de consultores especiais de Foz do Areia. a jusante de Foz do Areia tinha sido planejada para ser cons­ truída contemporaneamente com Salto Santiago. A partir da esquerda Douglas Souza Luz. que por isso tinha tido a cota má­ xima do seu reservatório aumentada em 15 m de modo que numa operação conjunta houvesse ganho de volume em Santiago e de queda em Segredo. foi confir­ mada a concessão da usina de Segredo para a COPEL.

vertedouro e túnel de interligação entre os dois reservatórios. Desde o inventário. A obra foi concluída em 1992 e a geração inicial ocorreu em julho daquele ano sendo hoje denominada Usina Hidroelétrica Governador Ney Braga.Séculos XIX.A.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figuras 25a e 25b – Obras da usina hidroelétrica Segredo a construção das obras do desvio com a Construtora CR Almeida S. permi­ Figura 26 . Em 1988 foi possível a retomada da obra que foi contratada com um consórcio de empresas do Paraná: DM Construtora de Obras. Durante a implantação da hidroelétrica de Segredo. Estas obras duraram aproximadamente um ano e a continuação não pode ser realizada por problemas políticos e econômico-financeiros. por questões ambientais. que é um tributário importante do rio Iguaçu. O conjun­ to de obras de derivação do rio Jordão contempla ainda uma pequena central hidroelétrica para aproveitamento da vazão mínima de 10 m3/s necessária à pereni­ zação do trecho a jusante do rio Jordão.Usina hidroelétrica Segredo 246 . o eixo da usina de Segredo foi modificado para montante da foz do rio Jordão. CESBE e SINODA. Com a definição da implantação da usina de Salto Santiago em cota mais alta que a originalmente prevista. considerou-se para efeito de motorização a derivação das águas do rio Jordão através de conjunto barra­ gem. a motorização e energia da usina hidroelétrica Segredo consideraram as águas do rio Jordão. A obra foi iniciada em maio de 1994 e concluída em outubro de 1996.

800 m e diâmetro de 9 m.000 m3 de concreto convencional. com uma potência instalada de 6. O projeto básico foi executado pela MDK Engenharia de Projetos.000 m3 de concreto compactado com rolo e 80.5 MW e queda líquida de 71. e o projeto executivo foi feito internamente pela COPEL . Barragem e túnel de derivação tindo a geração na usina hidroelétrica Segredo com as águas derivadas do rio Jordão. concessionária dos dois apro­ veitamentos do complexo. que possui altura máxima de 95 m. A licitação para contratação das obras permitiu a escolha pelo empreiteiro entre dois projetos. utilizando 570. um com solução da barragem em enrocamento com face de con­ creto e o outro arranjo em barragem de concreto compactado com rolo.p.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figuras 27a e 27b – Derivação do rio Jordão durante a construção. considerando o arranjo utilizando barragem de concreto compacta­ do com rolo. O arranjo selecionado tem o vertedouro em soleira livre incorporado à barragem.A.5 m. Figura 28 – Derivação do rio Jordão 247 .Companhia Paranaense de Energia. A proposta vencedora foi apresentada pelo consórcio formado pela empresa paranaense Ivaí Construtora de Obras e pela italiana Del Favero S. A PCH entrou em operação em 2 de dezembro de 1997 comple­ tando o complexo energético SegredoJordão. O túnel da derivação tem extensão de 4.

da INTERTECHNE. Na época de sua construção foi um passo muito significativo em termos de volume da barragem com cerca de 1. levando o re­ manso até Salto Osório e inundando Foz do Chopim. Este consórcio realizou os estudos de engenharia e meio-ambiente incluindo projeto básico e executivo civil e eletromecânico. em 1992. A barragem selecionada foi de concreto compactado a rolo (CCR) com 67 m de altura e 1. Colaboraram. no processo de definições da barragem de CCR.000 m3/s. 248 . e a primeira que demonstrou a competitividade deste tipo de solução.000 de m³ e em capacidade do vertedouro incorporado. Barry Cooke. LEME e ESTEIO.A História das Barragens no Brasil . O gerente do projeto foi o engenheiro Kamal Kamel. permitindo a construção de uma outra obra – Cruzeiro – a jusante de Salto Osório e a mon­ tante de Foz do Chopim. os consultores Walton Pacelli de Andrade. porém com nível de represamento mais baixo. tendo como consultor de mate­ riais para a barragem o engenheiro Francisco Rodrigues Andriolo.000.Séculos XIX. A construção foi contratada com a DM Constru­ tora de Obras que já havia atuado no Projeto Segredo. XX e XXI Figura 29 – Engenheiros da COPEL e consultores durante reunião da junta de consultores da derivação do rio Jordão O projeto executivo foi gerido e coordenado pelo engenheiro José Marques Filho da COPEL. também. A junta de consultores foi composta pelo renomado engenheiro paranaense Nelson Luiz de Sousa Pinto e os con­ sultores internacionais J. Esta foi a solução adotada e que deu origem. A última barragem realizada no curso do rio Iguaçu foi a usi­ na hidroelétrica de Salto Caxias. Paulo José Melaragno Monteiro e Brian Forbes. à contratação do consórcio projetista liderado pela INTERTECHNE e formado adicionalmente por ENGEVIX. atualmente usina hidroelétrica Governador José Richa. mencionada anteriormente. Esta foi a primeira barragem de porte expressivo de CCR no Brasil. Esta obra estava prevista na divisão de quedas proposta pelo Comitê-Sul – CANAMBRA. Thomas M. Estudos realizados ao longo da década de oitenta pela COPEL indicaram a conveniência de aumentar o nível de represamento. que havia ven­ cido a licitação promovida pela COPEL. Leps e Paolo Cassano. A usina entrou em operação em 1998 seguindo estritamente o cronograma de obras pré-determinado. Uma característica significativa é o vertedouro controlado por comportas com vazão de projeto de 50.083 m de comprimento.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figuras 30a e 30b – Obras da usina hidroelétrica Salto Caxias Figura 31 .Usina hidroelétrica Salto Caxias 249 .

250 .

Destacava-se na época a Zona da Mata que era suprida pela Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina CFLCL no vale do rio Pomba e pela Companhia Mineira de Eletricidade no vale do rio Paraibuna. nas pro­ ximidades de Juiz de Fora.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG “Trata-se (a Cemig) da mais bem sucedida história dentre todas as experiências em âmbito estadual” Antonio Dias Leite Jr. Fazendo progresso com energia Flavio Miguez de Mello A pré-história No estado de Minas Gerais antes da II Gran­ de Guerra Mundial a energia elétrica era escassa. Essas empresas passaram a sofrer as consequências funestas do Código de Águas. criado em 1934 com o pretexto de disciplinar o regime de concessões dos serviços de eletricidade que até então era anárquico.. inaugurada em 1946 Usina hidroelétrica de São Simão. pois as concessões eram dadas por estados e municípios. Muitas micro-usinas hidroelétricas supriam a necessidade de energia de fazendas isoladas e mesmo de pequenas cidades. Dentre as Figura 1 – Início da obra da hidroelétrica de Gafanhoto sobre o rio Pará em Divinópolis. A capital do estado era suprida pelo grupo da AMFORP. 2007. A mais importante usina da Cemig: a de maior produção de energia e a mais rentável 251 .

trans­ missão e distribuição de energia elétrica. apenas a CFLCL sobreviveu ao Código de Águas que era mais de energia do que de águas. ainda que nos níveis modestos da época. antecessora do Departamento de Águas e Energia Elétrica DNAEE que deu origem às atuais Agências Nacionais de Águas ANA e de Energia Elétrica ANEEL. passou a haver dificuldades para o correto equilíbrio econômico e financeiro dos contratos de con­ cessão na medida em que a inflação. Figura 2 – Lucas Lopes. No estado de Minas Gerais o início da participação do estado na geração de energia elétrica começou a ocorrer no governo Milton Campos que formulou um plano de maior envergadura para aten­ dimento das necessidades de eletrificação do estado. primeiro presidente da CEMIG 252 . Como as empresas acima mencionadas eram privadas. Na formação da equipe foram incluídos os engenheiros Mauro Thibau e John Cotrim. engenheiro José Rodrigues Seabra contratou a consultora Companhia Brasileira de Engenharia para elaborar o Plano de Eletrificação de Minas Ge­ rais. consequen­ temente. Pela primeira vez foi feito no Brasil um plano de obras públicas tão abrangente. nem a consultora nem Lucas Lopes tinham experiência na elaboração de planos dessa natureza. consequente­ mente. Foi feito um detalhado levantamento das vocações econômicas mineiras e dos locais onde essas vocações deveriam ter o suporte de energia elétrica. O gargalo acima mencionado propiciou o aparecimento do estado na geração de energia elétrica. A idéia era criar a infra­ estrutura energética para incentivar a implantação de indústrias e de atividades de mineração.Séculos XIX. desaceleração no desenvolvimento econômico no pós guer­ ra. O Código de Águas estabeleceu determinados princípios tais como o de que todos os recursos hídricos eram da União e. Águas era só o pretexto. O secretário de viação e obras públicas entre 1947 e 1951. A intenção do engenheiro Seabra era que o engenheiro Lucas Lopes se encarregasse de comandar a elaboração do plano com o apoio da consultora. o poder concedente passou a ser exercido pela União. Para tanto foi criada a Divisão de Águas no Ministério da Agricul­ tura. Entretanto. Mas o Plano de Eletrificação garantiu a energia necessária para a instalação da Mannesmann em Minas Gerais. desestimulava novos empreendimentos de geração. Das empresas privadas que atuavam em Minas Gerais.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI consequências funestas estava a eliminação da cláusula ouro que ga­ rantia às empresas o reajustamento das tarifas. A esse respeito. O principal objetivo do Código de Águas era a paralisação das empresas privadas do setor elétrico o que gerou considerável gargalo na expansão da oferta de energia elétrica e. os mineiros não perdoaram Getúlio Vargas por não instalar a primeira grande siderúrgica em Minas Gerais apesar do Macedo Soares ter explicado inúmeras vezes que foi selecionado o local de Volta Redonda por questões de mer­ cado pois siderúrgicas devem ficar próximas ao mercado e não ao minério. época em que houve forte incremento da economia em quase todos os outros países.

foram criadas a Companhia de Eletricidade do Alto Rio Doce para implantar a hidroelétrica de Santo Antônio. Assim. Assim. os membros da equipe de transição ficaram sendo diretores dessas empresas. titular da Secretaria de Agricultura. Juscelino afirmou aos alemães: “Podem instalar a usina que nós garantimos a energia”. a Companhia de Eletricidade do Médio Rio Doce para a construção da hidroelétrica de Tronqueiras. Getúlio disse aos alemães que procurassem o recém governador de Minas Gerais pois ele havia mencionado o Plano de Eletrificação elaborado no governo Milton Campos. John Cotrim. Essa garantia dada pelo governador foi a principal razão do sucesso inicial da CEMIG uma vez que passou a haver a necessidade de promover o suprimento de energia elétrica tão logo que a siderúrgica ficasse pronta. Indústria. Grato. foram diretores dessas empresas Lucas Lopes. A CEMIG em seus primeiros anos A CEMIG foi fundada em 22 de maio de 1952. enquanto o Plano de Eletrificação era formulado. algumas das quais já se encontravam em Figura 3 . a Companhia de Eletricidade do Alto Rio Grande para implementar a hidroelétrica de Itutinga.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS Na campanha presidencial de 1950 Getúlio se disse em dívida com Minas Gerais e prometeu a instalação de uma segunda siderúrgica em território mineiro. Júlio Soares e José de Castro. Em resposta Getúlio disse “Eu dou tudo que os senhores quiserem contanto que essa usina vá para Minas”. Foram criadas empresas estatais estaduais para implantação das primeiras hidroelétricas estatais em Minas Gerais que posteriormente foram incorporadas pela CEMIG quando esta foi criada no governo Juscelino Kubitschek. o engenheiro Américo René Gianetti. José Esteves. para pedir apoio federal para implantação da nova siderúrgica. datado de 22 de fevereiro de 1951: “O Sílvio Barbosa e o Júlio vão lhe falar sobre os planos que desejo pôr em execução no sector de energia elétrica. Desde o seu início até 1955/1956 a CEMIG dedicou-se basicamente à construção de usinas hidroelétricas. Empossado no governo Milton Campos. A Mannesmann tinha planos de se instalar no Rio de Janeiro e foi ao Getúlio. Pedro Laborne Tavares. Os alemães argumentaram que em Minas Gerais não havia energia elétrica. dirigido ao seu secretário de Viação e Obras Públicas. Como essas empresas existiam e como era necessário haver recursos para o pagamento dos salários dos executivos que iriam comandar a CEMIG que ainda não existia.Bilhete do governador Juscelino Kubitschek. Comércio e Trabalho. precisamos estabelecer um “holding” que controle as atividades gerais das diversas centraes elétricas que pretendemos construir. dava início a algumas hidroelétricas. Peço combinar com eles e assentar em definitivo as medidas.” 253 . Para facilitar-lhe a organização e dar-lhe o caráter comercial que possibilite entendimentos com firmas financiadoras. então presidente da República.

Inauguração da Usina Hidroelétrica de Camargos em janeiro de 1961. Cândido Hollanda de Lima 254 .A História das Barragens no Brasil . presidente da Cemig. Wangh. e S. vendo-se o governador Bias Fortes descerrando a placa inaugural. Cândido Hollanda de Lima. Da esquerda para a direita: Mário Bhering. XX e XXI Figura 4 . ao lado do presidente da Cemig.Séculos XIX.Assinatura de contrato para financiamento no Export Import Bank para construção da usina de Camargos. vice-presidente da Cemig. presidente do Eximbank Figura 5 .

vice-presidente da Cemig construção. totalizando quase 150 MW instalados. Os passos iniciais da CEMIG na implantação de suas usinas eram apoiados por recursos diretamente destinados à empresa sem pas­ sar pela Secretaria de Finanças para desespero do secretário José Maria Alkmin. Após a constituição da CEMIG foram agregados ao grupo de diretores anteriormente composto os engenheiros Flavio H. Há relatos de que os estudos existentes eram muito superficiais. a casa de força estava em terreno não apro­ priado. em 3 de fevereiro de 1955. Das obras iniciadas no governo anterior a que demandou mais trabalho foi a hidroelétrica de Salto Grande. 255 . vendo-se o governador Juscelino Kubitschek no momento simbólico em que aciona a chave.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 6 – Inauguração da Usina de Itutinga. Lyra. John Reginald Cotrim. não havia levantamento topográfico completo da área de implantação da usina. não haviam sido executadas prospecções geológicas e geotécnicas. Seu programa inicial compreendia a construção ou a conclusão das hidroelétricas de Itutinga. estando há mais de um ano abandonados em caixotes em terreno marginal à ferrovia em Coronel Fabriciano sem qualquer identificação. Entre os primeiros engenheiros que foram contratados estavam Camilo Penna e Henrique Guatimosin. Tancredo Neves. Vários equipamentos elétricos estavam estragados. Mauro Thibau e Mario Bhering. deputado federal. os túneis estavam mal locados. os equipamentos permanentes já haviam sido comprados e entregues. Troqueiras. colocando a usina em operação. Piáu e Cajuru. Da esquerda para a direita. Salto Grande. Na realidade havia uma disputa nesse sentido entre o secretário de finanças Alkmin e o engenheiro Lucas Lopes que conse­ guiu manter os recursos financeiros diretamente alocados à CEMIG.

dois túneis de adução e uma casa de força foi concluída com sucesso. se tornar uma empresa com gestão moderna para a época. vice-presidente da Cemig A Techint italiana foi contratada e o projeto foi alterado e detalhado. Lyra acumu­ lando a diretoria financeira da CEMIG com a superintendência de Itutinga. Numa oportu­ nidade o governador Israel Pinheiro. Um dos fatores que garantiram o sucesso nos primeiros anos da CEMIG foi o criterioso processo de contratação. Flavio H. outro 256 . Mário Bhering como responsável pelas compras e uma equipe de supervisão de obras que contava com Camilo Penna. Como na época não havia empresas nacio­ nais com reconhecidas capacitações para o desenvolvimento do projeto e da construção. des­ de seu início. candidato a presidente da República do Brasil e Mario Bhering. através de Julio Soares. Os padrões exigidos pelo Banco Mundial fizeram com que a CEMIG fosse obrigada a. XX e XXI Figura 7 . Essa indispensável alteração teve suas implicações políticas. Carlos Gomes foi o engenheiro eletricista encarregado de identificar. a implantação de Itutinga não causou problemas como os verificados em Salto Grande. a obra de Salto Grande que envolvia duas barragens.Séculos XIX. Com uma nova estrutura geren­ cial que compreendeu a contratação de novos quadros da CEMIG foram incluídos engenheiros civis que permaneceram no setor elétrico como Carlos Alberto Pádua Amarante e João Alberto Bandeira de Mello. A implantação da hidroelétrica de Itutinga teve uma história diversa. foram contratadas a IECO de São Fran­ cisco e a Morrison & Knudsen.A História das Barragens no Brasil . Após a instituição da CEMIG surgiu a oportunidade do Banco Mundial financiar a aquisição dos equipamentos e de alguns serviços de engenharia. Juscelino Kubitschek. estocar e recuperar os equipamentos que haviam se estragado pela chuva no matagal marginal à ferrovia. ambas americanas que já estavam engajadas em outros contratos no Brasil. John Cotrim como diretor técnico.Inauguração da barragem de Cajuru em 1959. pois uma obra iniciada no governo da UDN estava sendo novamente concebida e projetada num governo do PSD. econômica e financeira que nunca antes havia sido feito em empreendimento não privado no País. Com isso foi necessário que se fizesse um estudo completo de viabilidade técnica.

Figura 8 – Escavação do túnel de adução da hidroelétrica de Salto Grande 257 .

Tornovsky e os Popof. indicou um engenheiro para contratação. autarquia destinada ao desenvolvimento do vale do rio São Fran­ cisco. Como o Israel queria se livrar do referido cidadão. mas grande parte do pessoal veio de fora. Veio a posse do Juscelino como presidente da República e um natural esvaziamento da CEMIG com a drenagem de seus quadros para o governo federal. a única fonte de receita operacional vinha da venda de energia da usina de Gafa­ nhoto herdada do DAE. Lyra começaram a trabalhar para viabilizar a hidro­ elétrica de Furnas. Leslie T. cunha­ do do Juscelino e responsável por sua educação. Israel comentou “Que bobagem é essa que o Cotrim está inventando?” Julio Soares explicou: “É o curriculum vitae. pois na hora de desempatar a disputa por recursos. Quando os esforços estavam direcionados para a conclusão das usinas de Salto Grande.” Israel con­ cluiu: “Ah. era um empreendimento simpático aos mineiros enquanto que Furnas. XX e XXI diretor da empresa. situada em uma área pobre de recursos naturais e com baixíssima ocupação demográfica. Itutinga e Tronqueiras. lembrou-se do ocorrido anteriormente e per­ guntou ao Júlio Soares: “Como é que se chama aquilo que o Cotrim pede quando não quer contratar alguém?” Cabia ao engenheiro Mauro Thibau a organização das equipes de operação das primeiras usinas. desempatava sempre a favor da CEMIG. inclusive Vítor Cataldo que veio de Porto Rico organizar a operação e Mr. e a CEMIG se encarregou apenas da casa de força. Smith. Nessa época a atuação de Júlio Soares. A receita era insuficiente para os gastos da recém criada CEMIG. contraparente e amigo do governador Bias Fortes e ex-professor de muitos que compunham os quadros técnicos da CEMIG. A ferrenha oposição à implantação de Furnas fez com que o governo federal firmasse um acordo muito vantajoso com a CEMIG para a implantação de Três Marias pelo qual o governo federal custeou o reservatório e a obra civil. Ele conseguiu alguns poucos veteranos de outras empresas que operavam no Brasil como Mr. Schnaptis. assumiu o BNDE (hoje BNDES).A História das Barragens no Brasil . nome­ adamente a Light e as empresas do grupo AMFORP. Três Marias. John Cotrim pediu inicialmente que lhe enviassem o currículo do referi­ do engenheiro. Dificuldades iniciais existiram com a Comissão do Vale do São Francisco que queria gerenciar a obra civil e com ofertas de fabricantes despreparados para o fornecimento de equipamentos.” Passado algum tempo o próprio Israel foi assediado por um cidadão que queria um emprego em qualquer lugar. 258 . tinha as condições de bom trânsito interna­ mente na empresa e externamente junto ao governo do estado. O governo federal passou a atuar no sentido de viabili­ zar dois grandes empreendimentos de geração com grandes reservatórios em Minas Gerais: Três Marias com objetivos de regularizar e melhorar as condições de navegabilidade do rio São Francisco e Furnas com objetivo de vir a ser o principal regularizador de todo rio Grande onde muitas hidroelétricas grandes viriam a se localizar. Também vieram mais de dez russos após a revolução chinesa de 1949 como Alissof. Os primeiros estudos foram concluídos em 1952. em dezembro de 1948. Crowl que trouxe a disciplina financeira do TVA. foi de fundamental importância. contador inglês vindo da Light. Três Marias – A primeira grande obra Desde 1946 foram acentuadas as discussões sobre os problemas de controle das vazões do rio São Francisco que desembocaram na criação. essa companhia não vai funcionar nunca. na Comissão do Vale do São Fran­ cisco CVSF. presidente da CEMIG. posteriormente denominada SUVALE. por ser destinada a atender a demanda regional e principalmente socorrer centros de carga situados em outros estados estrangulados pelos efeitos do Código de Águas em empresas privadas do setor elétrico. A barragem de Três Marias deveria ter sido uma obra da SUVALE. John Cotrim e Flavio H. foi alvo de ferrenha oposição a partir do governo estadual. A solução encontrada para a CEMIG foi a colocação do professor Cândido Holanda de Lima na presi­ dência uma vez que. Lucas Lopes.Séculos XIX.

Mario Penna Bhering. numa visita do presidente Juscelino ao canteiro de obra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 9 – Visita presidencial às obras de Três Marias. e que havia expedido circular proibindo que veículos da empresa dessem carona. os dirigentes da CEMIG lhe dispensavam toda atenção. C. Em outra opor­ tunidade. em construção. um técnico de solos que posteriormente trabalhou no IPT e na Enge-Rio. Ao se apresentar ao Cotrim. retirando com um cilindro na praça de compactação da barragem.” Para a implantação de Três Marias foi repetida a estrutura que teve excelente desempenho em Itutinga: o projeto pela IECO que insta­ lou um escritório em Belo Horizonte e a construção pela Morrison Knudsen. este elogiou o motorista que havia cumprido o que determinava a circular apesar da difícil situação daquele que pedia carona e que ele não conhecia. Cândido Hollanda de Lima. o presidente da Cemig. Da esquerda para a direita: o embaixador dos EUA no Brasil. Consta que o diretor técnico John Cotrim. Os principais equipamentos permanentes vieram da Voith e da Siemens da Alemanha e contribuíram decisivamente para 259 . ele começou a fazer sinais para que o veículo parasse. no caminho para a obra. o presidente da República. Juscelino não entendeu nada mas disse ao pé do ouvido: “A qualidade é importante mas não retarde a construção. tido como nervoso e bravo. ao saber quem era o pretenso carona. Como ele sabia que uma viatura da CEMIG passaria por ali naquele dia. ele viu Mário. teve seu carro danificado em uma das longas estradas não pavimentadas. Embora o local de Três Marias fosse na época considerado remoto. Cautelosamente ele se aproximou do técnico e. Shoeller. engenheiro da CVSF e Henrique Guatimosin. Muitas horas depois Cotrim chegou na obra e mandou chamar o motorista do veículo que. Juscelino Kubitschek de Oliveira. Assis Scafa. em voz baixa. vice-presidente da MorrisonKnudsen. tremia de medo.P. Galdino Mendes. o vice-presidente da Cemig. Mário respondeu que estava fazendo o controle de compactação pelo método Hilf. O veículo diminuiu a marcha mas não parou. superintendente de construções da Cemig Três Marias era obra estratégica para o governo federal e se situava a meio do caminho entre a então capital federal e a futura capital. o superintendente da CVSF. ficou aguardando. perguntou o que ele estava fazendo. novidade na época. Ao aparecer o veículo salvador levantando uma nuvem de poeira. diretor da Cemig. Júlio Soares. explicou o método.

a Ebasco de Nova Iorque efetuou um estudo dos recursos hidroenergéticos do esti­ rão de 33 km do rio Grande nas proximidades da cidade de Rifaina concluindo pela recomendação da implantação de uma hidroelétrica 260 . que esses fabricantes posteriormente instalassem fábricas no Brasil. entre outros. Archimedes Viola. em 25 de julho de 1962. começaram a aparecer as segunda e terceira gerações de engenhei­ ros e gestores nas quais despontaram nomes de projeção tais como. Paulo e Mario Mafra. Em Três Marias. já com a CEMIG estabelecida como grande empresa. e principalmente nas usinas que se seguiram. Celso Melo de Azevedo. Paulo do Val. Guy Vilella. A partir de Três Marias a CEMIG foi gradativamente passando a contratar consultoria nacional. Vinício Noce de Magalhães Gomes. resultante de concorrência internacional em que o fator financiamento e contrapartidas pesaram na decisão da concorrência. o governador José de Magalhães Pinto e o presidente da Cemig. não sem dificuldades políticas pois a Bragantina apelou para congressistas ligados a Paulo Maluf e ao ministro Murilo Badaró da Indústria e Comércio. importantes passos no rio Grande Sob encomenda da Companhia Geral de Minas. este por estar em oposição a Trancredo Neves.A História das Barragens no Brasil . cooperativas de eletrificação rural e de empresas e Jaguara e Volta Grande. Logo após dava início às hidroelétricas no rio Grande. Construtoras nacionais passaram a ser con­ tratadas com uma única exceção: a construção da hidroelétrica de São Simão. O desvio do rio foi feito no término do governo Juscelino e a inauguração da usina pouco antes da revolução de 31 de março de 1964. ocorreram incorporações de pequenas usinas. esta vinda do grupo AMFORP. São Simão e Emborcação. Licínio Marcelo Seabra. da Sul-Mineira de Eletricidade e da Companhia Força e Luz de Minas Gerais. Roberto Fonseca. além dos mais novos colaboradores do CBDB como Ricardo Aguiar Magalhães.Inauguração de Três Marias. seguidas das hidroelétricas no rio Paranaíba.Séculos XIX. Luiz Francisco Gualda Pereira. Sérgio Brito. meses depois Magalhães participaria ativamente da deposição de Goulart usinas geradoras como as da Companhia Mineira de Eletricidade. Mais tarde a CEMIG assumiu a área de concessão da Bragantina em território mineiro. XX e XXI Figura 10 . Wellington Sebastião Jacarandá. José Augusto Pimen­ tel. Três Marias marcou a transição da CEMIG na implantação de obras de porte modesto para grandes usinas e obras de grande vulto. Sorridentes na fotografia. Marcos Vasconcelos e Gilson de Almeida Furtado e muitos outros. nomeadamente Jaguara e Volta Grande. Marcou também a evolução da engenha­ ria geotécnica em obras de terra. José Maria Baptista. Pouco após essa época. vendo-se o presidente João Goulart. Cássio Viotti. acionando a chave de funcionamento da usina. Octávio Mello Areas.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 11 – Usina hidroelétrica de Jaguara Figura 12 – Inauguração da usina de Jaguara. Sua segunda hidroelétrica com capacidade acima de 600 MW propiciou à CEMIG importante desenvolvimento nos campos de barragens de enrocamento com núcleo de terra e de mecânica de rochas. A queda nesse trecho do rio Grande foi dividida em três locais com quedas brutas modestas.50m de queda bruta como recomendada pelos estudos de inventário hidroenergéticos feitos pela Canambra em 1966. a primeira unidade entrou em operação. presidente da Cemig. A necessidade de deslocamento do eixo para montante por motivos geológicos em sua fundação demandou tempo para tomada de decisão e ocasionou importante retardo no cronograma inicial de construção. No estirão do rio Grande entre Jaguara e as cachoeiras Dos Patos e Das Andorinhas (local da antiga e da nova hidroelétrica de Marim­ bondo) não havia nenhuma concentração de queda natural no rio Grande. Coube inicialmente à CEMIG a hidroelétrica de Volta Grande com 27. No início de 1969 foi assinado com o consórcio TAMS/ENGEVIX o contrato para desenvolvimento do projeto 261 . em 1964. O projeto foi contratado à Eletroprojetos/ Eletrowatt associada à Geotécnica. governador de Minas Gerais que veio a ser confirmada pelo inventário da Canambra realizado a partir de 1963 e confirmada pelo Comitê Energético da Re­ gião Centro-Sul. Em primeiro plano Mario Bhering. em 1971. A construção foi iniciada pela Mendes Jr em 1966 e. e Israel Pinheiro.

XX e XXI Figura 13 – Usina hidroelétrica de Volta Grande 262 .A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX.

Tremores se seguiram nos últimos dias de fevereiro e no início de março.Assinatura de contrato de financiamento com o Banco Mundial. de im­ pressionante riqueza cênica pelo fato do rio Paranaíba despencar em saltos verticais pelos dois lados de longa fenda longitudinal em seu leito. Esse local não passou desapercebido no inventário da Canambra e resul­ tou na hidroelétrica de São Simão com capacidade instalada de 1608 MW na primeira etapa (projetada capacidade de 2680 MW na segunda etapa). Poucos problemas ocorreram na construção.17x109 m³). No dia 24 de fevereiro de 1974 foi sentido na cidade de Conceição das Alagoas pouco ao norte dos dois reservatórios um sismo de intensidade VIII na escala Mercalli modificada. cujo enchimento foi iniciado em junho de 1973. Esse foi o maior sismo induzido por reservatórios no Brasil. O reservatório com área de 674 km² demandou a relocação das cidades de São Simão e Paranaiguara. As consequências na cidade foram pequenas e os tremores não se repetiram desde então. Pela primeira vez a CEMIG ultrapassou os 1000 MW instalados em uma única casa de força. para a construção da usina hidroelétrica de São Simão. Os primeiros levantamentos de campo visando a implantação de uma hidroelétrica foram efetuados a partir de 1960 pela Comissão da hidroelétrica de Volta Grande e no início de 1970 começou a construção pela Mendes Jr. 263 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 . na cidade de Washington. com importante operação de reassentamento populacional. se constituiu em excelente local para implantação econô­ mica de hidroelétrica de elevada capacidade instalada.5x109 m³). totalizando 380 MW. As unidades geradoras entraram em operação entre julho de 1974 e agosto de 1975. cujo enchimento foi iniciado em novembro de 1973 e de Porto Colômbia (1. podendo ser citadas as erosões nos blocos de impacto da bacia de dissipação e a ocorrência de sismos induzidos pelos reservatórios de Volta Grande (2. em 14 de junho de 1972 A conquista do rio Paranaíba: as hidroelétricas de São Simão e Emborcação O local das quedas conhecidas como Canal de São Simão. além das vilas de Chaveslândia e Gouveilândia.

XX e XXI Figura 15 .. A concorrência foi vencida pela Impregilo. Em 1969 a CEMIG desenvolveu estudos visando a obtenção da concessão. ao valorizar o Cruzado aumentou a diferença a favor da Impregilo/CR Almeida. se realmente existiam. construtora italiana. Isso gerou muita reclamação das empreiteiras nacionais.. Estes vieram de financiamento do Banco Mundial que exigiu uma concorrência internacional. Camilo Penna por estar escondendo documentos que são solicitados”. a quarta é do Banco Real. Licínio começou. Interessante realçar que dias depois da abertura das propostas. Foi necessário grande esforço para captar recursos externos para equi­ pamentos e para a obra civil. em consórcio com a CR Almeida. assinam o contrato com a Impregilo para a construção das obras civis da usina hidroelétrica de São Simão.A História das Barragens no Brasil .”. o presidente do Banco Central. teriam sido dadas por um “banquinho vagabundo”.O governador Rondon Pacheco e o presidente da Cemig. Em depoimento ao Congresso Nacional o presidente da CEMIG foi argüido por horas. 264 . O referido deputado insistiu várias vezes e Camilo Penna desconversava até que o depu­ tado repetiu a afirmação de que as referências. a terceira é do Banco Nacional. apresentando toda documentação: “a primeira referência é do Banco do Brasil. Camilo Penna. Em 1970 foi assinado o contrato com o consórcio projetista composto pela IECO e sua filial brasileira. O Banco Mundial foi inflexível e a CEMIG teve que reconhecer a Impregilo/CR Almeida como vencedora.. A pressão sobre a diretoria da CEMIG foi grande. Um dos mais ferrenhos argüidores foi o deputado Sylo Costa disse que a CR Almeida não tinha referências bancárias. mas o deputado irado pros­ seguia pedindo as referências e afirmou “denuncio o Sr.Séculos XIX. São Simão era um empreendimento gigantesco para a CEMIG. em 14 de junho de 1973 Interestadual da Bacia do Paraná-Uruguai CIBPU. Paulo Lyra. Seu investimento era equivalente a todo capital da CEMIG. Camilo Penna disse que a CEMIG sempre pedia em suas concor­ rências referências bancárias dos concorrentes. tendo a Mendes Júnior em segundo lugar com uma diferença de apenas cerca de 2%. Por mais de duas vezes o Camilo Penna desconversou. Nessa hora Camilo Penna solicita a Licínio Marcelo Seabra que mostre as garantias. a segunda é do Bradesco.

também foi da UFRJ para a Eletronorte levando consigo o geólogo Homero Teixeira. A hi­ droelétrica de Emborcação se caracteriza pela alta barragem de enrocamento com núcleo de terra. Figura 16 . Em junho de 1978 a primeira unidade entrou em operação comercial após cinco anos de construção. João Camilo Penna afirmou que “Da luta por Estreito a CEMIG ganhou Jaguara e depois ganhou Volta Grande. estando também na área de Furnas. E tanto lutamos por Marimbondo que acabamos ganhando São Simão. a CEMIG que havia contratado a TAMS em 1976 para projetar a hidroelétrica de Emborcação a partir dos estudos de inventário da Canambra no rio Paranaíba a montante de São Simão.” O País atravessava a segunda metade dos anos setenta com dificuldades econômicas geradas a partir do primeiro choque do petróleo (1973). O aproveitamento de Igarapava havia sido identificado pela COBAST em 1960 e reavaliado pela Canambra em 1964/1965. que havia sofrido uma sangria de recursos humanos quando da formação de Furnas. O governo Figueiredo passou a se interessar intensamente por obtenção de empréstimos externos o que endividou as estatais federais. John D. Desde 1976 as tarifas passaram a ser manipuladas pelo governo federal longe do princípio de serviço pelo custo. Érico Bitencourt entre outros. desde o governo Geisel. foi ao longo do início da obra de São Simão que a CEMIG. O rio Grande.João Camilo Penna. Pimentel. Cachoeira Dourada e Itumbiara. em seu trecho inferior dividia os estados de Minas Gerais e São Paulo. Inicialmente relegado a um segundo plano por causa de sua baixa queda e potência inferior a de outros aproveitamentos. Nessa ocasião foram da CEMIG para a Eletronorte os engenheiros Dário Gomes. São Simão conferiu à CEMIG nova importante ampliação em sua escala de obras civis e principalmente em equipamentos permanentes. por exemplo. onde havia empresas importantes na geração de energia elétrica. Entretanto. contratou a Construtora Andrade Gutierrez que construiu a usina de Emborcação entre 1977 e 1982. voltou a perder quadros técnicos com a instituição da Eletronorte.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em junho de 1973 o consórcio construtor composto pela Impregilo e a CR Almeida foi contratado para a execução das obras civis. o que penalizou a CEMIG como empresa de elevada eficiência. tendo que transferir recursos através da Reserva Global de Garantia. o de ligar a rentabilidade das empresas de energia elétrica ao esquema de tarifa única. com a obra sendo iniciada dois meses depois. João Eduardo de Moura Guido. Retorno às hidroelétricas de porte médio Após São Simão e Emborcação a CEMIG passou a implantar hidroelétricas de porte médio em território mineiro. Cadman que havia trabalhado na CEMIG quando da realização do inventário da Canambra. Outro erro dessa época foi. Igarapava 265 . desvio e adução subterrânea e capacidade de 1192 MW. presidente da Cemig na época da usina hidroelétrica São Simão Dentro dessas perspectivas sombrias para o setor elétrico. Naquela época a disputa por concessões era intensa entre as prin­ cipais empresas do setor elétrico que se concentravam na Região Sudeste.

sob a coordenação de José Turco Neto e a liderança técnica de Joaquim Pimenta de Ávila. tendo conseguido viabilizar o até então “patinho feio” do rio Grande. teve o aprofundamen ­ to técnico inicial em 1985 pelo consórcio Leme-EPC. Morro Velho e Cia Mineira de Metais). a construção só foi iniciada em 1987 pela CNO após a CEMIG se associar outros inves­ tidores (Vale. Em 1985. por carência de recursos. A partir de 1986 a IESA foi contratada para o desenvolvimento do projeto e em 1995 a Queiroz Galvão iniciou a construção. entrou em operação no final de 1988 e passou a ser referência para outros projetos posteriores de usinas de baixa queda. CSN.5 MW cada entraram em operação.Séculos XIX. 266 . a Enge-Rio desen­ volveu o estudo de viabilidade com aplicação de unidades bulbo. Durante o ano de 1998 as três unidades Francis de 132. Também identificada pela Canambra. com quatro unidades bulbo de 40 MW cada sob a queda bruta de 17m. No final de 1987 a IESA foi contratada para o desenvolvi­ mento do projeto mas. a usina de Miranda no rio Araguari. A usina. afluente do rio Paranaíba.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 17 – Usina hidroelétrica de Emborcação foi o último aproveitamento a ser desenvolvido no baixo rio Grande.

Já nos anos 2000 foi formado o consórcio construtor composto que teve como projetista a SPEC que alterou o projeto adotando uma barragem de terra com­ pactada. A primeira das três unidades geradoras Kaplan entrou em operação em fevereiro de 2006. Vale e CEMIG se associaram para a implantação da hidroelétrica de Funil situada no rio Grande. Prosseguindo com a associação bem sucedida com a Vale. no que se refere à asso­ ciação com outros investidores. a Cemig e a Vale implantaram a hidroelétrica de Aimorés denominada Elie­ zer Batista em homenagem ao engenheiro que fez carreira na Vale atingindo a sua presidência e exercendo cargos públicos de relevância política no cenário federal. Após reconheci­ mento preliminar executado pela IECO em 1955. O baixo rio Doce envolvendo Figura 18 – Usina hidroelétrica de Igarapava 267 . Após 20 anos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O exemplo das hidroelétricas anteriores. A capacidade instalada da usina é 180 MW. frutificou também em Funil do rio Grande. em 1991. como construtor foi contratada a Servix/Mendes Jr. Esses estudos foram complementados em 1996 indicando uma barragem em concreto compactado com rolo. os estudos foram retomados. túnel de desvio e estruturas de concreto situadas na margem direita. Em 1971 a CEMIG encaminhou ao DNAEE relatório de pré-via­ bilidade. o local foi adotado pelos estudos da Canambra nos anos sessenta.

Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 19 .Guy Maria Villela Paschoal. ex-presidente da Cemig Figura 20 – Usina hidroelétrica de Miranda Figura 21 – Usina hidroelétrica de Funil. no rio Grande Figura 22 – Usina hidroelétrica de Irapé 268 .

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Da esquerda para a direita: Celso Mello de Azevedo.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI Figura 23 . João Camilo Penna.Solenidade de entrega da “Medalha Lucas Lopes” à família de Licínio Seabra. Francisco Afonso Noronha e Guy Maria Villela Paschoal 270 . no dia 8 de junho de 2006. Maristela Kubitschek Lopes e o presidente do conselho de administração da Cemig. Mario Penna Bhering. o governador Aécio Neves. Aparecem na fotografia o presidente da Cemig. no momento simbólico de acionamento das unidades geradoras. Djalma Bastos de Moraes. Wilson Bruner Figura 24 . realizada na Sociedade Mineira dos Engenheiros – SME.Inauguração da Usina de Irapé. no dia 22 de fevereiro de 2001. Hidroelétrica Presidente Juscelino Kubitschek. a filha de Juscelino Kubitschek.Séculos XIX. Djalma Bastos de Morais. com a presença de ex-presidentes e do atual presidente da Cemig.

tendo vindo ter grande participação na Light. área que supera em quatro vezes a área ocupada pelo reservatório.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens o local de Aimorés foi alvo de diversos estudos sendo os principais os da Servix em 1963/1964. . os da Canambra a partir de 1964. Em 2002 a CEMIG iniciou a construção da usina de Irapé no vale do Jequitinhonha com projeto Leme/ Intertechne e construção Andrade Gutierrez/CNO. tradicional e importante empresa do setor elétrico no Estado do Rio de Janeiro. Todos esses estudos e projetos revelam que a concepção da hidroelétrica sofreu grandes alterações ao longo do tempo em função das interferências e dos impactos sócio-ambientais com a cidade de Aimorés e com a fer­ rovia da Vale. Ao final desse meio século de intensas atividades. funcional e social. tecnológica. os da Themag/Montreal no mesmo período para a Portobrás. A constru­ ção foi feita pela Queiroz Galvão e a primeira unidade entrou em operação em fevereiro de 2006. A implantação dessa usina fez jus ao prêmio Puente de Alcántara que a cada dois anos é entregue a obras que congreguem grande importância cultural. Essa derivação per­ mite o aproveitamento de uma queda bruta de 26. a hidroelétrica de Irapé representou um investimento de cerca de R$ 1 bilhão dos quais R$ 250 milhões foram destinados a programas sócio-ambientais. a CEMIG ultra­ passou as fronteiras do Estado de Minas Gerais com importantes participações em grandes empreendimentos como sua participação de 10% no aproveitamento hidroelétrico de Santo Antônio no rio Madeira. As 638 famílias que ocupavam a área da hidroelétrica foram reassentadas em proprie­ dades que ocupam sessenta mil hectares. implicando em derivação das descargas por vales laterais situados na margem esquerda do rio.9m resultando em três unidades geradoras Kaplan com 110 MW cada. os da Monasa para a CEMIG e Vale em 1992 e finalmente os da Promon SPEC em 1997 para a CEMIG que resultaram no projeto executivo da SPEC. Implantada em uma das regiões mais carentes do Estado de Minas Gerais. estética. A barragem de enrocamento com nú­ cleo de terra com 208m de altura é a mais alta do País e a segunda mais alta da América Latina. os da IESA para a Eletrobras entre 1985 e 1989. os da CEMIG entre 1975 e 1980.

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o aproveitamento dos potenciais hidráuli­ cos e carboníferos para a produção de energia. era inaugurada a primeira unidade geradora de energia elétrica da Companhia. Ivaí. foram encampadas pelo valor histórico menos a depreciação. lançado em 1945. com a participação do DNOS. acompanhado dos engenheiros Primeiro período: A CEEE como Comissão Estadual de Energia Elétrica Criada em 1º de fevereiro de 1943 através do decreto lei n.Barragem Capingui no rio do mesmo nome (2. Touros. sendo assumidos seus passivos e encargos trabalhistas. Picada 48. Forquilha. seguida pelas hidroelétricas de Ernestina. Iniciava uma vida profissional talentosa o engenheiro Pedro Holtermann Netto. condutos forçados. Vertedouro. Em 1948. como Inglês. Canastra. Andorinhas e Herval. Saltinho.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul . Seriam seguidas por Ijuizinho. estando. Capingui. anteriores à formação da CEEE. bem como inte­ grar esforços para a eletrificação dos municípios riograndenses através do Plano de Eletrificação do Estado. em plano geral elaborado para todo o estado. Como se tratava de unidades antigas. projetista nesse período. desde o seu início. tomada d’água. Pirapó. a termoelétrica de São Jerônimo e a usina Diesel de Porto Alegre. que acompanhou a história da CEEE até a sua gestão como diretor de obras no período de 1965 a 1970.CEEE Lúcia Wilhelm Véras de Miranda A história da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Gran­ de do Sul se apresenta em cinco principais períodos. As hidroelétricas construídas no estado. Santa Rosa e Guari­ ta. pertencen­ tes aos municípios e empresas privadas. casa de força e subestação 273 . elas foram basicamente repassadas para a CEEE. totalmente projetada e construída pela Companhia. Guaporé. Figura 1 .º 328. construídas pelo DNOS ou empresas privadas.520 kW) Usina hidroelétrica de Itauba. vinculada à hidroeletricidade. Bugres. Toca. vinculada à Secretaria de Estado dos Negócios e Obras Públicas com a finalidade de prever e sistematizar. a usina do Passo do Inferno.

e logo formado.º 1744. um empréstimo con­ cretizado por parte do BNDE permitiu o desenvolvimento de projetos diferenciados. em valores da época de 30 milhões de dólares não foi viabilizado.A História das Barragens no Brasil . tendo cada vez mais importância devido ao seu crescimento. pela Lei n. Dietrisch Kuhlmann. da energia necessária para o atendimento do seu mercado. No entanto. que era basicamente Porto Alegre. José Loureiro da Silva. Heinrich Kotzien e Silvio Freitas.Séculos XIX.Noé de Melo Freitas. Mario Lanes Cunha. Segundo período: A CEEE como autarquia Em 20 de fevereiro de 1952. Após essa data. como engenheiro civil. continuou atuando como projetista de hidroelétricas. Participou ativamente de todas as obras relacionadas à hidroeletricidade da CEEE. Já em 1939 o então Prefeito de Porto Alegre. É neste período que começam a se materializar as intenções da comunidade gaúcha de agregar à CEEE esses serviços. pois já no ano de 1950 a CEEE supria a Companhia de Energia Elétrica Rio Grandense – CEERG. um estudo sobre os contratos de concessão Figura 3 . quando foi diretor de obras. XX e XXI Figura 2 – Engenheiro Pedro Holtermann Netto iniciou sua atividade profissional como estagiário da CEEE. atuando inclusive em Tucuruí.especialmente entre os anos de 1965 e 1970. primeiro presidente da CEEE quando assinava o contrato da usina hidroelétrica Jacuí 274 . a CEEE foi conver­ tida em autarquia. A foto foi tirada em 23 de julho 2011 em sua residência. de capital americano. Interventor Federal no governo do estado.   Jorge Ernesto Dreher. apresen­ tara ao Coronel Osvaldo Cordeiro de Farias. A disponibilidade de um empréstimo do Banco Mundial arquite­ tada por Assis Chateaubriant. em 1948.

Noé de Mello Freitas.uma sociedade anônima de transmissão de energia elétrica.º 4.º 10. Em 26 de dezembro de 1996 a lei estadual n. fusão. Bugres e Canastra. a qual foi efetivamente criada  em 19 de dezembro de 1963. assim discriminadas: 1 . Em 1961 o então governador Leonel de Moura Brizola foi autoriza­ do a criar uma sociedade por ações para os serviços de eletricidade. Foi então discutida a encampação dos serviços de energia elétrica prestados pela CEERG.136 de 13.uma sociedade controladora (holding) das sociedades de energia elétrica. A Centro-Oeste foi vendida à AES Guaíba Empreendimentos e a Norte-Nordeste foi adquirida pelo consórcio formado pela VBC (Votorantim. sendo que em 11 de maio de 1959. através do decreto n. transmissão e distribuição de energia elétrica no estado. a Companhia Transmissora de Energia Elétrica. podendo criar sociedades coligadas. Somado a isso. que passou a ser considerado bem pú­ blico e promotor do desenvolvimento nacional. determinando a forma­ 275 . os bens da CEERG. que é a Companhia Estadual de Energia Elétrica.três sociedades anônimas de distribuição de energia elétrica. controladas ou subsidiárias. como o setor elétrico. desempenhou um papel fundamental neste processo. Com o objetivo de melhorar a infra-estrutura para o desenvolvimento na­ cional.1961. a Companhia Sul-Sudeste de Distribuição de Energia Elétrica.º 10. começaram a ser privatizados. construir e explorar sistemas de produção. Um ano após a transformação da CEEE em sociedade de econo­ mia mista. No dia 21 de outubro de 1997 ocorreu o leilão na sede da FIERGS. com túnel de importante valor técnico para a época. a Companhia Centro-Oeste de Distribuição de Energia Elétrica e a Companhia Norte-Nordeste de Distribuição de Energia Elétrica. Walter Jobim. No ano de 1957 inicia-se o processo de encampação. transformação. 4 . no qual a Companhia Centro-Oeste de Distribuição de Energia Elétrica e a Companhia Norte-Nordeste de Distribuição de Energia Elétrica foram adquiridas por capital privado.09.duas sociedades anônimas de geração de energia elétrica. sacramentava-se a en­ campação de contratos de concessão e declarava-se de utilidade pública. redução ou aumento de capital ou a combinação destes instrumentos. a Companhia de Geração Hídri­ ca de Energia Elétrica e a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens dos serviços públicos de energia elétrica com a CEERG. passando a denominar-se Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE.  O engenheiro-chefe da CEEE. através de cisão. O modelo adotado desenvolveu-se sob a égide das empresas multinacionais e do setor produtivo estatal. 3 . Terceiro período: a CEEE como sociedade de economia mista Na década de 60 ocorreram profundas mudanças no setor elé­ trico em âmbito nacional. e Maia Filho. 2 . incorporação. Quarto período: a privatização Nos anos 90 setores antes considerados estratégicos para a economia. Na década de setenta as concessionárias do setor de energia elétrica passaram a ter capital nacional.466 assinado pelo então governador Leonel Brizola. Foram criados o Ministério das Minas e Energia e a Eletrobras. para fins de desapropriação. ção de um novo pacto político com a participação preponderante dos militares. em docu­ mento enviado ao secretário de obras públicas do estado. sob controle acionário do Estado do Rio Grande do Sul.  destinada a projetar. havia a discutível alteração de valores de tarifas nos contratos.900 autorizando o poder executivo a reestruturar societariamente e patrimonialmen­ te a CEEE. acontece a Revolução de 1964. extinção. pois já no ano de 1945 se pronunciava a respeito da encampação. A CEEE viabilizava a construção de obras relevantes como as hidroelé­ tricas de Ernestina. com tubulação adutora de 7 km. em 1965 o governo federal passou a estatizar os serviços de energia elétrica. através da lei estadual n.

de distribuição de energia elétrica.2005.CEEE. uma vez que a data-limite ini­ cial para a adequação da empresa ao novo modelo expirou em 15. A Centro-Oeste alterou sua razão social para AES Sul Distribuidora Gaúcha de Energia S/A e a Norte-Nordeste passou à denomina­ ção de Rio Grande Energia S/A. permanecendo o Governo do Estado do Rio Grande do Sul com o controle acionário das empresas oriundas do processo de reestruturação. XX e XXI Bradesco e Camargo Correa). Desta forma. criando.CEEE-D -. ela teve que desverticalizar-se. A CEEE havia chegado. exigida pela legislação federal.Séculos XIX. possuia na mesma empre­ sa atividades de distribuição. a CEEE procedeu à contratação de consultoria para indicar alternativas para a desverticalização da empresa. Em 20 de outubro de 2006.CEEE . No final de 2004. data limite para a cisão. entretan­ to.2% dos lares urbanos e 84% das economias rurais abastecidos com energia elétrica. b) alteração da denominação da atual Companhia Estadual de Energia Elétrica .6.CEEE-GT.593. deno­ minada Companhia Estadual de Energia Elétrica Participações .CEEE. mais uma empresa. com 99. com a finalidade de segregar as ativi­ dades de distribuição de energia elétrica das demais atividades por ela exercidas. para adequar-se à lei. anteriormente citada. atendendo aos argumentos apresentados pela CEEE concedeu a prorrogação solicitada até 30. no mínimo. a CEEE-Par foi declarada formalmente constituída. mediante altera­ ção de sua denominação e constituição de duas outras sociedades. a necessidade de realização de plebiscito ou de alterações na Constituição Estadual e de promulgação de Lei Esta­ dual específica.A História das Barragens no Brasil . geração. denominada Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica .º 10. fa­ zendo com que o estado alcançasse um dos mais altos índices de eletrificação rural do país.para Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica . rogação de prazo à ANEEL. transmissão e venda de energia a consumi­ dores livres.2006. transmissão e venda de energia a consumidores livres. para separar a distribuidora de energia das demais. a Assembléia Legislativa aprovou a Lei n. de 15 de março de 2004. O modelo societário adotado compreendeu a criação de uma empresa holding com duas subsidiárias.09. em espe­ cial. autorizando o Poder Executivo a promover a re­ estruturação societária e patrimonial da Companhia Estadual de Energia Elétrica . Para viabilizar a adequação societária da companhia à legis­ lação federal e implantar o modelo proposto havia. c) constituição de uma sociedade por ações. dois terços da área de Distribuição deixaram de pertencer à CEEE. Uma vez que a CEEE era uma empresa verticalizada.º 12.  Em 26 de outubro de 2006. dentre outras restrições. foram eleitos os conselheiros de administração e fiscalização da companhia.848. fato que levou a CEEE a solicitar pror­ 276 . ou seja. através de uma assembléia geral de constituição. Em seus dispositivos a Lei proíbe que uma empresa de distribuição de energia exerça atividades de geração. para ajustá-la ao disposto na Lei Federal n. assim discriminadas: a) constituição de uma sociedade por ações holding. a Diretoria da CEEE aprovou  os organogramas iniciais para a CEEE-Par. CEEE-GT e CEEE-D. Em 13 de setembro de 2006. controlada. Nesta ocasião. a qual será controladora das duas sociedades referidas nos itens seguintes. A ANEEL. Quinto período: a desverticalização Em 15 de março de 2004 foram aprovadas pelo Congresso Nacional novas regras para o setor elétrico brasileiro. a segregação da atividade de distribuição. a qual será resultante da cisão parcial da atual Companhia Estadual de Energia Elétrica .CEEE-Par. Previ (fundo de pensão dos fun­ cionários do Banco do Brasil) e Community Energy Alternatives. em 1997.

Na transformação de povo pastoril para povo agrícola e industrial. assim como de inúmeros pequenos estabelecimentos fabris completavam a feliz diversidade de atividades econômicas que asseguravam o progresso da região. poden­ do ser prorrogado por até igual período ou rescindido de comum acordo entre as empresas. Na mesma assembléia. Saltinho. Guarita. Touros. ficando estabele­ cido que a companhia deveria iniciar as atividades previstas em seu objeto social a partir do dia 1. 277 . Com o advento da república entrou o Rio Grande do Sul na fase da industrialização. em etapa inicial de urgência. O prazo de vigência deste ter­ mo é de dois anos a partir da data de sua assinatura. As hidroelétricas no plano de eletrificação do estado Em 1824 chegaram ao Rio Grande do Sul os primeiros colonos alemães e da mesma forma os italianos em 1874. através de uma assembléia geral extraordiná­ ria de acionistas. a industrialização da carne era feita nos grandes frigo­ ríficos. como princi­ palmente de potencialidade econômica das zonas de influência de cada usina. Na Zona Central encontravam-se as indústrias transformativas. Na Colônia Nova a noroeste do estado se desenvolviam a opulen­ ta riqueza madeireira e o desenvolvimento das serrarias.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 27 de novembro. colonizada por ale­ mães e italianos. resolveu o governo do estado estudar o aproveitamento racional de seus potenciais hidráulicos. com o objetivo de ressarcir e compartilhar o exercício de ativi­ dades comuns e de apoio necessárias à consecução dos seus respectivos objetos sociais. Forquilha e Ijuizinho. do endereço da sede social e objeto social. Ivaí. Ernestina. assim como a maior produção agrícola. que se constituiriam em centrais destinadas a abastecer as zonas de maior densidade demográfica. as hidroe­ létricas dos Bugres. Os estudos de viabilidade técnico-econômica da usina hidroelétrica de Itaúba foram iniciados em 1969. engenhos de farinha. a atividade relacionada com a suinocultura e laticínio demandava energia. ocorreu a constituição formal da Companhia de Distribuição de Energia Elétrica – CEEE-D. enquanto já estavam sendo construídas. não somente sob o ponto de vista técnico. o braço do colono foi sua força propulsora. houve a participação consultiva do engenheiro Casemiro Munarski. Capingui e Santa Rosa. colaborando com o seu conhecimento em barragens de terra. O estudo das diversas centrais foi baseado em investigações cui­ dadosas. Pirapó. Forquilha e o segundo grupo de Capingui. tendo como base dados hidrológicos desde o ano de 1917. Em 1° de dezembro de 2006 foi assinado um termo de com­ promisso e cooperação entre a CEEE-GT e a CEEE-D. Preocupados com a falta de energia. Todos os projetos hidroelétricos foram feitos. com a conseqüente alteração do estatuto social. Assim vieram as hidroelétricas de Passo do Inferno. Nesse período. As obras tiveram início em 1972 e a operação comercial ocorreu em 1978. também criador da cadeira de mecânica dos solos na Universidade do Rio Grande do Sul. conjugando-os a usinas termoelétricas a vapor. Canastra.850 m de barramento.º de dezembro de 2006. Na fronteira. Na Colônia Antiga do norte do estado. Passo Real foi o segundo aproveitamento do rio Jacuí. A etapa seguinte do Plano de Eletrificação trouxe as hidroelétri­ cas do Jacuí. foi aprovada a mudança de denominação social da CEEE para Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica – CEEE-GT. criando o maior lago artificial do estado através dos 3. Sendo então anunciado em 1945 o Plano de Eletrificação. que tolhia o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul. ou estavam construídas. pois ali se localizava a bacia carbonífera. Na década de 60 foi dado o início da operação da usina hidroe­ létrica do Jacuí e gerado o projeto da usina de Passo Real.

A História das Barragens no Brasil . no rio Jacui 278 .Séculos XIX.Barragem Dona Francisca em concreto compactado com rolo.Usina hidroelétrica de Itaúba Figura 5 . XX e XXI Figura 4 .

em 1995. O consórcio entre a filial brasileira das Estacas Franki e empresa Campenon Bernard francesa foi o vencedor da licitação. No seu comprimento.50 m de largura também protendidos que são independentes. No final da década de 1990.75 m de Figura 6 .Vertedouro da barragem de Ernestina antes das obras de reforço 279 . – DFESA. quando a CEEE obteve a concessão para implantar a usina. Na variante apresentada pelo consórcio contratado.32 m. um projeto único no mundo A barragem de Ernestina sobre o Rio Jacuí está localizada no atual município de Tio Hugo. Para ga­ rantir a estabilidade externa essa estrutura é atirantada por uma linha de cabos verticais ancorados na rocha 4 metros abaixo do embutimento em concreto. a quem coube realizar a correspondente con­ corrência. O grupo investidor deu origem à Dona Francisca Energética S. ao norte do Estado do Rio Grande do Sul. 99 m em curva. a barragem é configurada por cortinas protendidas com cabos curvos com painéis de 15 m de largura. a execução do projeto ficou a cargo deste segundo. Através de convênio firmado entre CEEE e o extinto DNOS.25 m de trecho retilíneo sem vertedores e 46 m de ombreira esquerda. 145. o sistema estrutural foi concebido de forma a ter-se toda a estrutura em concreto protendido. 65.Grandense. extensão compreendendo trecho retilíneo na região das comportas e tomada d’água. com a permissão de parceria com in­ vestidores privados por meio de lei. As cortinas possuem protensão nas A barragem de Ernestina e sua concepção original. tem-se 44 m na ombreira direita. a construção da usina se viabilizou. e a possibilidade de formação de consórcios. alternativa escolhida em substituição ao projeto original do tipo enrocamento com núcleo de argila. A barragem foi concebida com extensão de 400 m e altura de 14. A barragem de Ernestina foi originalmente concebida como bar­ ragem de gravidade. no Planalto Rio . A barragem foi construída em concreto compacta­ do com rolo. mediados por pilares com 1. com eixo curvo.A.Vertedouro da barragem de Ernestina antes das obras de reforço Figura 7 . Segundo o memorial descritivo da obra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A história do empreendimento de Dona Francisca iniciou em 1980.

detalhando o estado da prática na épo­ ca da construção. coordenado pelo engenheiro Marco Aurélio Azambuja. XX e XXI duas direções: na direção vertical para resistir aos principais esfor­ ços e na direção transversal para garantir comportamento uniforme sem fissuração.Séculos XIX. já que eram consultores associados à Campenon Bernard. a sistemática do atiran ­ tamento dos cabos verticais na rocha adotados assim como os cabos transversais e as cabeças de ancoragem. geologia e geotecnia da região de Ernestina. Em 2008. Figura 8 – Planta da barragem e seção típica do vertedouro Figura 9 – Seções transversais típicas dos pilares do vertedouro da barragem de Ernestina. a CEEE contratou a execução de um completo lau­ do técnico de avaliação da estrutura da barragem de Ernes­ tina. a corrosão dos cabos de protensão e suas consequ­ ências. a fim de elucidá-las. os fios de aço empregados em cabos. mesmo estimando a relaxação dos cabos de protensão e as acomodações por fluência e retração do concreto após 40 anos de construção. O laudo consistiu na recuperação dos documentos de projeto originais. Seguiu-se a apresentação do sistema de injeção dos cabos de proten­ são. alguns estudos foram elaborados. na década de 90. realizado pela empresa gaucha Azambuja Engenharia e Geotécnica. à semelhança de uma laje armada em duas direções. O reservatório passou a ser operado com rebaixamento de 1.00 m por medida de segurança. Em 1963 foram instalados clinômetros junto aos pilares para co­ nhecimento dos deslocamentos e. o sistema de protensão empregado. O trabalho apresentou as estruturas pro­ tendidas em barragens.A História das Barragens no Brasil . Durante o seu período de operação. qualidade do concreto e dos agregados. Ao que tudo indica. foi realizada uma reavaliação do projeto estrutural original concluindo que nenhuma tensão de tração deveria ser esperada para as cortinas ou pilares. várias dúvi­ das quanto à estabilidade estrutural da barragem de Ernestina foram levantadas e. a própria equipe de Eugéne Freyssinet foi responsável pela elaboração do projeto. Foi sugerido que fosse realizado monitoramento das vibrações para verificar o risco de amplificação dinâmica. iniciado em 1954. com a posição dos cabos de protensão 280 .

A solução para o reforço do vertedouro foi a transformação do mesmo em um maciço de concreto gra­ vidade com perfil Creager.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 . exigindo intervenções de manutenção. Assim. Da mesma for ma. A solução adotada para reforçar a barragem fora da região do vertedouro foi a construção Figura 11 – Fundação da barragem 281 . com a posição dos cabos de protensão de um maciço de enrocamento reforçado com grelhas metálicas. A condição de ancoragem dos tirantes na rocha sugeria uma grande vulnerabilidade à corrosão. de soleira vertente. Foi realizado um diagnóstico da qualidade dos materiais. retirando-se as comportas e a passarela. Com a estabilidade crítica para excitações dinâmicas. sendo previstas fraturas na face de montante. Os ensaios dinâmicos das cortinas mostravam perda grave de rigidez. Ao final do estudo foram apresentadas as informações que con­ cluiam estar Ernestina no final de sua vida útil. sendo possível muitos desses cabos já tivessem se rompido ou viriam a fazê-lo brevemente. à semelhança de uma barragem convencional de enrocamento com face de concreto. foi desenvolvido projeto de reforço. podendo ser esse fenômeno progressivo para os painéis e pilares. os estudos hidrológicos e hidráulicos sugeriram capacidade insuficiente do vertedouro. a estrutura poderia entrar em ressonância com o galgamento dos vertedores. utilizando o paramento existente apenas como paramento de veda­ ção.Seções transversais típicas dos paineis do vertedouro da barragem de Ernestina. prova de carga dinâmica e verificação estrutural. restauração e reforço. As condições de ve­ dação das cabeças de ancoragem e a presença de fluxo d’água nos bicos de injeção denunciavam que a corrosão nos cabos estaria avançada.

Séculos XIX. XX e XXI Figura 12 – Seção transversal típica do vertedouro reabilitado Figura 13.Obras de reforço do vertedouro 282 .A História das Barragens no Brasil .

também concepção única no mundo. Figura 15 – Obras de reforço da barragem no trecho não submersível 283 .Seção transversal típica do trecho não submersível A obra de reforço estrutural en­ contra-se em fase de finalização (julho de 2011). prolongando-se assim a vida útil da barragem.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 14 . A barragem de Ernestina pode ser considerada como a única no mun­ do com essa concepção original executada. a bar­ ragem em seu trecho não submer­ sível passará a ser uma barragem de enrocamento com face de mon­ tante verticalizada em concreto protendido. Com a reforma.

284 .

Souza Dias. Deposto o governador Adhemar de Barros. que controlava: Companhia Luz e Força de Tatuí e Empresa Luz e Força Elétrica de Tietê Companhia Melhoramentos de Paraibuna (Comepa). são paulino que era. Bandeirante de Eletricidade (Belsa). fez chegar ao então governador. Companhia Luz e Força de Jacutinga e Figura 1 – Souza Dias.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Energética de São Paulo – CESP Fabio De Gennaro Castro A CESP Centrais Elétricas de São Paulo foi criada em 5 de dezembro de 1966. por meio de um amigo comum e também presidente do São Paulo Futebol Clube. Em 27 de outubro de 1977 a CESP passou a ser Companhia Energética de São Paulo. Seu idealizador foi o Dr. inicialmente foi deno­ minada CESP Centrais Elétricas de São Paulo S. sendo seu primeiro presidente Henry Aidar. com Garcez em visita às obras de Ilha Solteira Usina hidroelétrica de Ilha Solteira a maior do sistema CESP Empresa Luz e Força de Mogi Mirim Centrais Elétricas de Urubupungá (Celusa). que detinha o controle acionário de: Central Elétrica de Rio Claro (Sacerc) e de suas associadas. assumiu seu vice. com área de atuação mais abrangente.A. advogado e são paulino! Souza Dias foi designado como o primeiro Diretor Técnico. de chapéu. Dai foi criada a CESP. pela unificação de todas as empre­ sas estatais de energia elétrica então existentes. 285 . Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu. Companhia Hidroelétrica do Rio Pardo (Cherp). As onze empresas que formaram a CESP eram: Usinas Elétricas do Paranapanema (Uselpa). no governo Laudo Natel. vindo a exercer a terceira presidência entre 23 de março de 1979 a 27 de maio de 1982. Laudo Natel. Francisco Lima de Souza Dias Filho. em 1966. Souza Dias. os seus sonhos de unificação das empresas de energia elétrica do estado.

Em 1911 foi inaugurada a Usina Hidroelétrica São Valentim. pela sua visão técnica e também por ser formador e agregador de ca­ pacitações. Logo no início de seu mandato de governador criou o Departamento de Águas e Energia Elétrica DAEE. encampada em 1953 pelo governo do paulista. propriedade da Central Elétrica de Rio Claro.A. Justiça deve ser feita à figura pública do professor Lucas Nogueira Garcez. XX e XXI Em 1912 Eloy de Miranda Chaves e outros empresários paulis­ tas adquiriram o controle acionário da Central Elétrica Rio Claro e a reorganizaram como SACERC. na função de diretor geral. em Santa Rita do Passa Quatro. José Gelazio da Rocha.A. e a Empresa Luz e Força de Mogi Mirim S. Darcy Andrade de Almeida e Reynaldo de Barros em Jupiá 286 . chefiado pelo engenheiro Octávio Sampaio Ferraz. assim como em 1919 também foi criada a Companhia Luz e Força de Jacutinga S. Em 1909 foram fundadas de forma independente a Empresa Luz e Força Elétrica de Tietê S. interior do estado e pertencente à Com­ panhia Força e Luz São Valentim. em 1895. re­ motamente iniciando pela inauguração da Usina Hidroelétrica do Corumbatai. incorporada à CESP em 1973. Em 1931 foi fundada a Companhia Sanjoanense de Eletricida­ de. Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo. originando em 1962 a empresa estadual Bandeirante de Eletricidade S.Séculos XIX. que foi comprada em 1923 pela Companhia Prada de Eletricidade. Foi também formadora da CESP. Figura 3 . com o objetivo de ser a grande distribuidora de energia no estado.A. todas formadoras da CESP. BELSA.A História das Barragens no Brasil . Figura 2 – Os engenheiros Souza Dias e Gelazio da Rocha em avião de Furnas Primórdios da geração hidroelétrica no estado de São Paulo Relevante também relembrar a situação anterior à criação.Fantinatto. que governou o estado de São Paulo de 1951 a 1955. Em 1915 foi fundada a Companhia Luz e Força de Tatuí.A. e em 1923 a Empresa Melhoramentos de Mogi Guaçu. Esta usina atualmente encontra-se totalmente res­ taurada e tombada pelo Patrimônio Histórico. Souza Dias.

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

As estaduais de economia mista foram:

Usinas Elétricas do Paranapanema S.A. USELPA
Nascera objetivando a eletrificação da Estrada de Ferro Sorocabana e tendo como meta a implantação da Usina Salto Grande no rio Para­ napanema, inaugurada em 28 de abril de 1958 e hoje merecidamente chamada Lucas Nogueira Garcez. Importante registrar a Comissão Mista Brasil Estados Unidos, instituída logo após o término da Segun­ da Guerra Mundial e sediada na então capital do País, Rio de Janeiro. Tal comissão canalizava recursos para auxiliar o desenvolvimento bra­ sileiro. Os dirigentes da Estrada de Ferro Sorocabana desenvolveram estudos para eletrificação da ferrovia e para tal conceberam que seria construída uma usina hidroelétrica no rio Paranapanema, Salto Grande. Foram pleitear recursos financeiros na referida Comissão Mista Brasil Estados Unidos. Junto com a negativa recebe­ ram a orientação que somente poderiam obter financiamento se fosse organizada uma empresa de economia mista espe­ cífica para tal finalidade. Daí foi criada a USELPA em 1953,
Figura 4 - Professor Lucas Nogueira Garcez

que obteve os recursos necessários e construiu Salto Grande. O principal executivo da USELPA era Dagoberto Salles Filho, o qual se apoiou na SERVIX, como projetista e construtora para as duas primeiras barragens e início da terceira. Posteriormente os planos feitos foram concretizados com a Usina de Jurumirim, hoje Armando A. Laydner,tendo a seguir iniciado a usina Chavantes, também no mesmo rio Paranapanema. Desnecessário mencionar que o objetivo de eletrificação da Estrada de Ferro Sorocabana deixou de ser prioritário.

O DAEE era organizado por Serviços de Vales. Quatro eram os vales abrangidos, a saber do Rio Pardo, chefiado pelo enge­ nheiro Souza Dias, o do rio Tietê, chefiado pelo engenheiro Catullo Branco, o do rio Paraiba, chefiado pelo engenheiro Antonio Graef Borba e o do rio Ribeira de Iguape, chefiado pelo en­ genheiro Dagmar Malet de Andrade. Foi o DAEE o embrião das mais importantes empresas de economia mista na área de energia elétrica do Estado de São Paulo, como será exposto neste texto. No governo Garcez também foi realizado o primeiro Plano de Eletrificação do Estado de São Paulo, que embora somente tenha sido formalizado no mandato sucessivo, em 1956, já fora posto em prática enquanto elaborado. Garcez também foi presidente da CESP por dois mandatos sucessivos, de 16/02/1967 a 20/03/1975, o que contribuiu fortemente para a continuidade da gestão. Onze foram as empresas agregadas para formar a CESP, cinco estaduais e seis empresas privadas, porém controladas pelas estaduais.

Companhia Hidroelétrica do Rio Pardo CHERP
Como já mencionado o Serviço do Vale do rio Pardo do DAEE era chefiado pelo engenheiro Souza Dias, o qual também participava da Comissão Mista Brasil Estados Unidos. Em 1952, o jovem engenheiro José Gelazio da Rocha foi convidado para integrar a equipe de Souza Dias e designado para estudar o

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

aproveitamento de Limoeiro, hoje Armando de Salles Oliveira, dizendo que havia sido encarregado pelo Lucas Nogueira Garcez para construir as usinas do rio Pardo. Assim sendo acrescentou: “Você vai projetando e eu vou dando as orientações que você precisar.” Para realizar a missão foi constatado que não existia nem levantamento topográfico e menos ainda o perfil do rio em toda sua extensão. Gelazio contratou então o engenheiro Gustavo Pratti para tal escopo, ou seja, fazer o perfil do rio que daria assim origem ao plano de aproveitamento integrado de toda a bacia, com Graminha, duas barragens menores a jusante de Graminha, Euclides da Cunha e Limoeiro. Em 1954 o DAEE iniciou Euclides da Cunha, mesmo antes de ser criada a CHERP em 1955. Essa barragem teve o projeto de seu túnel de desvio feito pela TECHINT e executado pela NORENO do Brasil. Para construir o túnel de desvio de Graminha Gelazio fez um contato com Sebastião Camargo, com o objetivo de obter uma proposta, enquanto Dr. Souza Dias fez o mesmo com a Noreno. Ao ser procurado Sebastião perguntou ao interlocutor quem era seu chefe e por que o mesmo não estava presente, sugerindo que fosse marcada outra reunião com Souza Dias presente. Na segun­ da reunião Souza Dias acompanhou Gelazio e a Camargo Correa decidiu apresentar proposta. Venceu a concorrência por ter sido a única empresa proponente. O projeto da barragem de terra de Graminha foi feito pelo Professor Milton Vargas e o projeto das estruturas de concreto pelo engenheiro Henrique Herweg, ambos contratados com a chancela do IPT. Em 1955 era criada a CHERP, que embora somente tivesse rio Pardo em seu nome posteriormente também incorporou toda a responsabilidade do rio Tietê. A necessidade de sua criação foi decorrente de apresentar ao BNDES uma empresa de economia mista que tivesse projetos sólidos para obter seus recursos. Parale­ lamente às atividades do rio Pardo, o Serviço do Vale do rio Tietê, chefiado por Catullo Branco, realizou estudos à semelhança da­ queles do Tennessee Valley Authority TVA, que contemplassem o desenvolvimento integrado do vale, com barragens e usinas que gerassem energia e tivessem eclusas que viessem permitir

a navegação interior. Assim, em 1957, iniciavam-se as obras de Barra Bonita, com projeto da TECHINT. Em 1959 tiveram início as obras de Bariri, hoje Engenheiro Álvaro de Souza Lima, antigo diretor do DAEE e pai do professor Victor de Souza Lima. E em 1963 foram iniciadas as obras de Ibitinga. Os quadros da CHERP no setor Tietê contaram com ilustres engenheiros, tais como Geraldo Queiroz Siqueira, Jacob Leiner, Julio Petenucci e Reolando Silveira, além de Darcy Andrade de Almeida, que foi da área do rio Pardo.

Centrais Elétricas do Urubupungá S.A. CELUSA
Uma palavra inicial sobre a CIBPU Comissão Interestadual da Bacia Paraná Uruguai. Tal comissão, chefiada pelo Professor Paulo Mendes da Rocha, criada em 1952, tinha por objetivo o estudo e o desenvolvimento dos estados brasileiros que pertenciam às bacias dos rios Paraná e Uruguai. A CIBPU tinha recursos e contratara a empresa italiana Edison de Milão para desenvolver os estudos do aproveitamento do Salto de Urubupungá, no rio Paraná, junto à foz do rio Tietê. Em 1961 foi lançada a concorrência para as ensecadeiras da usina de Jupiá, no rio Paraná, concorrência essa vencida pela Camargo Correa. Lançada a concorrência para a obra principal, a vencedora Camargo Correa apresentou uma variante que fora estudada na França pela SOGREAH, pelo engenheiro Charles Blanchet. Tal alternativa apresentava vantagens sobre aquela estudada por Edison de Milão para a CIBPU. A variante foi aceita e exe­ cutada a usina de Jupiá que hoje é denominada Engenheiro Francisco Lima de Souza Dias. Eleito Carvalho Pinto como governador do estado, Plínio de Ar­ ruda Sampaio, de sua equipe, foi motivado por Gelazio para levar ao coordenador do Plano de Ação do Governo, Diogo Gaspar, a idéia de construir a usina hidroelétrica de Jupiá. Assim nasceu a CELUSA. Posteriormente, ainda no governo Adhemar de Bar­

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 5 – Usina hidroelétrica de Jupiá

ros, foram iniciados os estudos e as obras de Ilha Solteira, com projeto THEMAG e obras da Camargo Correa. A THEMAG foi criada como um departamento técnico da CELUSA e também em caráter de exclusividade, o qual somente foi extinto por decisão da CESP, por ocasião do projeto do Metrô de São Paulo, quando a projetista ficou desobrigada de sua cláusula de exclusividade.

das cheias e contenção de várzeas, tendo construído com ma­ estria muitos quilômetros de “polders”. A COMEPA realizou ainda a usina de Jaguari e iniciou as de Paraitinga e Paraibuna, duas barragens formando um único reservatório com só uma casa de força ao pé de Paraibuna, com projeto Hidroservice e construção Camargo Correa.

Outras empresas de energia elétrica
Em 1962 foi criada a Bandeirante de Eletricidade S.A. BELSA. Em 1963 foi criada a Companhia Melhoramentos de Paraibuna COMEPA, por inspiração de Plinio de Queiroz. O antigo Serviço do Vale do Paraíba, que ocupava-se do rio Paraíba do Sul, preocupou-se prioritariamente com o problema

Estudos de inventário
Ainda na década de 60, foram desenvolvidos os estudos da Canambra, primeiros estudos de planejamento integrado, com critérios uniformes, que propiciaram condições técnicas de com­ paração e priorização de usinas em uma mesma bacia hidrográ­ fica. Na área de São Paulo foram muito importantes e também com papel de formação de técnicos.

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 6 a – Barragem de Três Irmãos no rio Tietê com suas eclusas na margem direita

Figura 6 b – Barragem de Três Irmãos - entrada da eclusa inferior no lago intermediário

Consultores que atuaram nas hidroelétricas na área de São Paulo
Menção deve ser feita sobre os consultores independentes que atuaram na área de São Paulo, contribuindo para a garantia da qua­ lidade dos projetos e obras, assim como na formação de pessoas que com eles conviveram. Dentre eles podem ser citados Karl Terzaghi, Arthur Casagrande, Tom Leps , James Sherard, Victor de Mello, Don Deere, Milton Vargas, Roy Carlson, Manuel Rocha, Fernando de Oliveira Lemos, Charles Blanchet, Flavio H. Lyra, Ven Te Chow, Araken da Silveira, Evelina Bloem Souto, Vic­ tor Souza Lima e inúmeros outros que no dia a dia contribuíram para colocar a CESP na posição de destaque que ocupa.

senvolvimento do Canal Tietê-Paraná, como também pelas inúmeras eclusas construídas. Pode também ser afirmado que ela foi pioneira nos estudos ambientais. Chegou a ter vinte e cinco usinas, todas com alta expressão técnica e padrão de projetos, construção e operação.

Anos recentes
Em 1996 iniciou-se o processo de privatização do setor de energia do Estado de São Paulo. Em 1999 CESP passou por uma cisão parcial, sendo criada a Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, a CTEEP e três empresas de geração. Hoje a CESP possui apenas seis usinas e sete barragens, pelo fato de Paraitinga não ter casa de força.

Navegação interior
A CESP detém o mérito de ter contribuído de forma ampla para o desenvolvimento da navegação interior no país, não só pelo de­

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 7 – Usina hidroelétrica Porto Primavera (Sergio Motta)

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Usina Mauricio, primeira hidroelétrica da CFLCL

Usina hidroelétrica de Nova Maurício. Primeiro financiamento do BNDE para empresa privada, em 24 de agosto de 1954. Em operação desde março de 1956

Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Companhia Força e Luz Cataguazes Leopoldina – Energisa - Cem anos de luz na Zona da Mata
“A trajetória da CFLCL é exemplar para demonstração de que a livre iniciativa tem tanta vitalidade quanto a vida.” João Camilo Penna Flavio Miguez de Mello

Na virada do Século XIX para o Século XX o Brasil tinha apenas dez usinas geradoras totalizando 12.085 kW instalados. Nesse início de século na Zona da Mata Mineira, incentivados pelo agente executivo (equivalente ao atual cargo de prefeito) de Ca­ taguazes, Araújo Porto, destacavam-se o Senador José Monteiro Ribeiro Junqueira, o Dr. Norberto Custódio Ferreira e o comer­ ciante, político e banqueiro João Duarte Ferreira como homens que gerenciavam seus negócios com clarividência e se interes­ savam pelo desenvolvimento da tecnologia, principalmente pela incipiente aplicação da energia elétrica. Em 26 de fevereiro de 1905 os três fundaram a Companhia Força e Luz Cataguazes Le­ opoldina com capital de 400 contos de réis em quatro mil ações adquiridas por 263 investidores, com o objetivo de “exploração da eletricidade para fins industriais em suas diversas aplicações e comércio de materiais elétricos, dentro ou fora da república, principalmente nos municípios de Cataguazes e Leopoldina.” Pouco após um ano da fundação da empresa, dois dos três fundado­ res, João Duarte Ferreira e Norberto Custódio Ferreira renunciam a seus cargos de diretores para, respectivamente, cuidar de seus empreendimentos particulares e para assumir elevada posição no Banco do Brasil do qual assumiu a presidência em 1910.

Foi lançada concorrência (mesmo sem projeto) para a construção da primeira usina geradora, a hidroelétrica de Maurício, na cacho­ eira da Fumaça, no rio Novo. Oito concorrentes se apresentaram, tendo a obra sido alocada à Trajano de Medeiros & Cia, destacada indústria metalúrgica para os padrões do início do século passado. O contrato foi assinado em maio do ano seguinte. Pela primeira vez uma usina hidroelétrica foi construída por uma empreiteira ge­ nuinamente brasileira. Os primeiros estudos para o aproveitamento parcial da queda natural da cachoeira da Fumaça no distrito de Leopoldina foram desenvolvidos pelo engenheiro Eupídio de Lacerda Werneck, na época recém formado nos Estados Unidos. O potencial a ser aproveitado foi definido como sendo de 1,3 MW, suficiente para suprir de energia elétrica outros muni­ cípios da região como Rio Novo e São João Nepomuceno, bem como a fábrica do industrial Daniel Sarmento que fez um contra­ to de pré-venda de energia. A organização geral e as compras de materiais ficaram a cargo do engenheiro Otávio Carneiro e a res­ ponsabilidade da construção com o engenheiro Ferreira Martins. O engenheiro L. Luck, enviado pela Westinghouse, supervisionou as instalações elétricas. O engenheiro Paulo Saboia, recém chega­ do dos Estados Unidos, supervisionou as montagens. A primeira unidade geradora entrou em operação em 7 de julho de 1908.

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 1 - Cachoeira da Fumaça no rio Novo, local da hidroelétrica de Maurício

Figura 2 - Cachoeira da Fumaça no rio Novo, local da hidroelétrica de Maurício

Figura 3 – Casa de força da hidroelétrica de Maurício

Figura 4 - Geradores da hidroelétrica de Maurício

Os primeiros anos consolidaram a empresa e, em 1915, apenas dez anos após sua fundação e sete anos de geração e distribui­ ção de energia elétrica, a empresa contava com ilustres investi­ dores de outras localidades de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo entre eles o então presidente de Minas Gerais, Raul Soares de Moura, e o presidente da república, Wenceslau Braz. Em 1918 a empresa adquiriu a usina Coronel Domiciano de 360 HP que era concessão da Câmara Municipal de Muriaé, o que possibilitou que seus serviços fossem estendidos às localidades de Piedade, Laranjal, Palma, Guarani e Tebas, além da cidade de Coronel Domiciano.

Os anos vinte do século passado propiciaram expressivo crescimen­ to da indústria de energia elétrica. Uma das principais causas foi a rápida difusão dos serviços de bondes e de iluminação pública. Além disso, o perfil das indústrias modificava-se rapidamente; o recensea­ mento de 1920 revelara que a energia elétrica já assumia 47% da força motriz consumida pelas fábricas no País. Com o objetivo de su­ prir esse acentuado acréscimo de demanda, ocorreu intenso surto de instalações de novas hidroelétricas que ultrapassaram com folga a geração térmica.

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CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS

Figura 5a – Barragem da hidroelétrica Coronel Domiciano Figura 5b - Usina hidroelétrica Coronel Domiciano

Imagens dos aspectos logísticos dos primeiros tempos da CFLCL

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Aquisições de empresas e de concessões foram realizadas pela Light nesse período principalmente no eixo Rio de Janeiro e São Paulo. A Cataguazes Leopoldina também entendeu o momento e adquiriu em 1920 a Companhia Pombense de Eletricidade que detinha a hidroelétrica de Santo Antônio situada no município de Rio Pomba e que, dada as suas desfavoráveis condições geotécnicas, teve que ser desativada. Iniciaram-se as atividades visando a implan­ tação de uma nova usina: a hidroelétrica de Ituerê que aproveita a queda natural da cachoeira do Sumidouro. A barragem de concreto tem 15 m de altura, imponente para a época, e 74 m de comprimen­ to de crista, fechando um vale estreito. O projeto foi comandado pelo engenheiro Vanor Ribeiro Junqueira, os equipamentos foram

contratados junto à Siemens e as obras ficaram a cargo da Christia­ ni Nielsen e da Trajano Medeiros & Cia. Inicialmente foi instalada uma unidade Francis dupla horizontal de 2,83 MW. A adução era feita com um trecho inicial de conduto em concreto armado com 3 m de diâmetro e 600 m de extensão; a adução em alta pressão foi executada em aço vindo da Alemanha. Entretanto foi verificado no início da montagem que não havia luvas de dilatação da tu­ bulação forçada. As luvas foram fabricadas em Jundiaí. A usina foi inaugurada em 16 de agosto de 1928 pelo presidente de Mi­ nas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrade que, em discurso solene, afirmou que teve “a grande ventura (...) de acionar as máquinas da monumental instalação de Ituerê”.

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Cachoeira do Sumidouro no rio Pomba.Construção do vertedouro de Ituerê Figura 9 .Casa de força da usina hidroelétrica de Ituerê Figura 11 .Cinematografando a inauguração da usina hidroelétrica de Ituerê 11 297 .Construção do vertedouro de Ituerê com o desvio num vão rebaixado Figura 8 .A barragem de Ituerê e o vertedouro de soleira livre Figura 10 . local da hidroelétrica de Ituerê Figura 7 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 6 7 8 9 10 Figura 6 .

houve a expansão da intervenção do estado na economia a partir da promulgação da constituição de 1934 que.000 consumidores e havia instalado mais de 900 km de redes de transmissão e de distribuição. inserira um capítulo sobre a ordem econômica e social. no governo Juscelino Kubitscheck. fortemente influenciada pela doutrina fascista e que instituíu um regime de exceção. A empresa se voltou à ampliação das capaci­ dades instaladas das usinas de Ituerê e Coronel Domiciano. cerceando a expansão da capacidade instalada com nefastos reflexos na evolução do crescimento da economia nacional. pela primeira vez. em 1945.Séculos XIX. o engenheiro Ormeo Junqueira Botelho forma­ do pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil (UFRJ) em 1918. Norberto Custódio Ferreira faleceu e abriu caminho para o encerramento do ciclo dos fundadores da empresa na sua direção. O quadro estatizante do setor elétrico foi ampliado nos anos cin­ quenta. sociais e políticas ocorreram no País. A situação de carência de energia perdurou até março de 1956 quando entrou em operação a primeira uni­ dade de 5. Já em 1950 a empresa obteve permissão para proceder a um racionamento preventivo que se estendeu às fábricas de tecido em até três ve­ zes por semana. dia do suicídio de Getúlio Vargas. Nesse longo período. já que João Duarte Ferreira havia falecido em 1924 e José Monteiro Ribeiro Junqueira. tendo sido eleito pela Assembléia Constituinte em 1934 e se tornado ditador de 1937 até a queda do Estado Novo. Foi datado do dia 24 de agosto de 1954. após trinta anos de intensa dedicação à empresa e com o ambiente economicamente hostil à iniciativa privada no setor elétrico. candidatura esta que foi oficialmente derrotada nas urnas. estabelecendo a legitimidade da intervenção do Estado em atividades consideradas de importância para o interesse nacio­ nal. mes­ mo porque nesse período se instalou a inadimplência no pagamento de energia fornecida para o serviço público de prefeituras. O Código havia inicialmente sido preparado por Alfredo Valadão em 1907 com colaboração de Inácio Verís­ simo de Melo e José Castro Nunes. o contrato de empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento para a construção da hidroelétri­ ca de Nova Maurício. Esse ambiente foi propício ao aparecimento do Código de Águas. O Código introduziu o absurdo instrumento do reconhecimento apenas dos custos histó­ ricos dos investimentos realizados pelos concessionários no am­ biente inflacionário vigente no País. garantindo a manutenção dos serviços e não mais podendo expandi-los por longo período. XX e XXI Os anos vinte foram também importantes para os funcionários da empresa que passaram a ter participação nos lucros. o primeiro financiamento do Banco para uma empresa privada. a Cataguazes Leopoldina não passou incólume por essa legislação equivocada e pela II Guerra Mundial e teve que reduzir gastos. Ormeo Junqueira Botelho ajustou a empresa às condições políticas e econômicas advindas da Constituição Federal de 1937.A História das Barragens no Brasil . iniciati­ va patronal de vanguarda para a época. tendo tido como uma das principais dificuldades a entrega dos equipa­ mentos encomendados em 1938 a países que se envolveram na II Guerra Mundial. Com a eclosão da revolução de 1930. A segunda unidade geradora só entrou em operação em abril de 1958. A empresa ultrapassara a marca de 9. além dos desconfortos que haviam sido introduzidos pelo Código de Águas e pela inflação que passou a ser acelerada nesse governo. o que penalizou sobremodo as empresas privadas. passou a presidência para seu sobrinho. profundas modificações econômicas. Em 5 de fevereiro de 1935. 298 . A crise econômica mundial de 1929 gerou profundas conseqüências nos cenários econômicos e políticos no Brasil que acarretaram con­ flito aberto com lançamento de candidatura de oposição na figura de Getúlio Vargas à presidência da república. aí incluídas a “exploração de quedas d’água para geração de energia”. O Código de Águas gerou o confronto entre uma corrente interessada em manter os serviços de eletricidade com a iniciativa privada e outra corrente radical que pugnava por uma profunda intervenção estatal com a encam­ pação de concessionárias estrangeiras. Como as demais empresas do setor elétrico. investimentos e distribuição de dividendos aos acionistas.58 MW da hidroelétrica de Nova Maurício que apro­ veita a queda total de 90 m da cachoeira da Fumaça. promulgado em 1934. tendo Getúlio assumido o comando de um governo provisório em novembro de 1930 com plenos po­ deres. pela proibição de rea­ juste de tarifas de serviços públicos em função da inflação.

tendo nesse período transferido para o engenheiro Vanor Ribeiro Junqueira. engenheiro também formado pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil (UFRJ). a presidência da empresa.Ormeo Junqueira Botelho na campanha eleitoral Figura 14 . encontrou totalmente descapitalizadas as empresas priva­ das de energia elétrica. No período entre 1962 e 1965 o engenheiro Ormeo Junqueira Botelho foi eleito deputado federal pela UDN. Figura 13 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 12 .Engenheiro Ormeo Junqueira Botelho No início dos anos sessenta o agravamento do cenário político e a aceleração da inflação que atingiu 80% ao ano com a impossibilidade de se obter a devida correção tarifária.Ormeo Junqueira Botelho com Tancredo Neves 299 .

Passou a haver a concentração de investimentos estatais em grandes obras hidroelétricas e no pro­ grama nuclear com a construção das usinas de Angra 1. A orientação do governo federal passou a ser voltada para a contenção da inflação e a reto­ mada do desenvolvimento. Vanor teve como sucessor o enge­ nheiro Ivan Müller Botelho. Com o advento do governo Castelo Branco ocorreu profunda e benéfica alteração na política eco­ nômica do País por terem composto o ministério dois políticos. tendo vindo a tempo de salvar as empresas de energia elétrica da destruição devida ao arrocho tarifário tão prolongado. Durante um ano a empresa consultou o ministério de Minas e Energia sob Shigeaki Ueki sem obter qual­ quer resposta. no Centro-Oeste e no Nordeste. XX e XXI Ao se aposentar em 1965.A História das Barragens no Brasil . muitas delas concentradas no Norte. 2 e 3. Os anos setenta foram iniciados sob o signo do Brasil Grande com Estado todo poderoso sob o excesso de consumo deno­ minado de milagre brasileiro. Em 1976 a Cataguazes Leopoldina adquiriu a Companhia Leste Mineira de Eletricidade na região de Manhuaçu. O Decreto 54936 de novembro de 1964. esta até hoje (2011) ainda inacabada.Engenheiro Ivan Müller Botelho 300 . A Brascan respondeu que venderia se tivesse o consenti­ mento do governo federal. No ano seguinte a empresa tentou adquirir a Companhia Mineira de Eletricidade. identificados com o li­ beralismo econômico mais ortodoxo. principalmente nas estatais federais. geomorfológicas. Entretanto. Esse decreto acabou com a concorrência e com os esforços para redução de custos. autorizou a correção monetária do valor original do ativo imo­ bilizado.Séculos XIX. climáticas. Bulhões de Carvalho e Roberto Campos. Em dezembro de 1974 veio novo golpe para as empresas eficientes: passa a vigorar a tarifa unificada independentemente das diferenças geográficas. que ocasionaram elevados índices de inadimplência que geraram o colapso da engenharia consultiva no País. A então chamada de realidade tarifária e serviço pelo custo veio proporcionar novo desenvolvimento do setor elétrico. Entretanto. implantado pelo ministro Mauro Thibau das Minas e Energia. Em 1977 a em­ presa ofereceu ao grupo Brascan US$ 330 milhões para adquirir a Light. Os constantes abatimentos nas tarifas produziram intensas cri­ ses de liquidez nas concessionárias. O Decreto 1383 passou a fazer com que a parcela da remuneração que ultrapassasse 12% ao ano fosse revertida para subsidiar as empresas com retorno inferior a 10% ao ano sobre os investimentos num cenário chama­ do de Robin Hood em que as empresas mais eficientes passaram a socorrer as menos eficientes. Figura 15 . nessa década o governo federal passou a utilizar as tarifas de energia elétrica para controle da inflação que retomava o ritmo do início dos anos sessenta. culturais e sociais. A empresa nesse novo cenário pode ampliar seu parque gerador instalando mais duas unidades geradoras em Maurício Nova que passou a ter 31 MW de capacidade instalada. Somente em 1993 pela Lei 8631 é que as tarifas diferenciadas vol­ taram a ser praticadas. No final desse período o próprio governo federal adquiriu por US$ 380 milhões a Light.

a empresa ampliou as capacidades ins­ Figura 16 . Ituerê e Nova Maurício. No início dessa década a empresa começou o projeto da hidroe­ létrica do Gloria com barragem de concreto com 14 m de altura e taladas das hidroelétricas de Coronel Domiciano e Neblina II e adquiriu. Em 1997 a em­ presa adquiriu a Companhia de Eletricidade de Nova Friburgo CENF e a Empresa Energética de Sergipe ENERGIPE. concessões de serviço público. localizadas em Santos Dumont e colocou em operação a hidroelétrica de Ervália de 6 MW instalados. Em 1999 a empresa adquiriu a Companhia Figura 17a – Barragem da hidroelétrica Sinceridade Figura 17b – Barragem da hidroelétrica Santa Cecilia 301 .02 por ação. A usina. Nessa década. Com a aquisição da CENF a empresa passou a operar as hidroelétricas de Hans. todas situadas no rio Grande.Engenheiro Manoel Otoni Neiva em manobra considerada pela Comissão de Valores Imobiliários como tendo sido “ao arrepio da lei”. o engenheiro Ivan Botelho assumiu a presidência do Conselho do grupo de em­ presas e o engenheiro Manoel Otoni Neiva assumiu a presidência da CPFL Minas onde se concentravam as hidroelétricas. as hidroelétricas de Anna Maria e Guary (6. Em 1999 a empresa criou a Cat-Leo para operar como produtor independente de energia elétrica. Catete e Xavier. projeto da Promon.5 MW). Em 1991 as hidroelétricas do Gloria. estado do Rio de Janeiro. subsi­ diária da Vale.8 MW instalados. somente em 1983 entrou em operação comercial com 13. Com o falecimento de seu pai em fevereiro de 1990. foram vendidas à Valesul. em 1999. a Cemig arrematou a Mineira de Eletricidade por Cr$ 2. como auto-produtora para suprir parte da carga de sua fábrica no Rio de Janeiro.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens adução por túnel.

Considerando a grande expansão do grupo em diversos ramos industriais e nas diversas aquisições de conces­ sões de distribuição de energia elétrica em outros estados. Figura 18 . hoje Brookfield. em apenas dois anos. em Manhuaçu. Ivan Botelho II. em 2000. Em segui­ da. tendo assumido a presidência da Energisa Minas o engenheiro José Antônio da Silva Marques. instalou as PCHs Ivan Botelho I. o grupo. que veio a falecer prematuramente em 2009. Ormeo Junqueira Botelho e Ivan Botelho III. a Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba Saelpa. Túlio Cordeiro de Melo. tendo sido substituído pelo engenheiro Gabriel Pereira. para se capitalizar.Engenheiro José Antônio da Silva Marques (Zé Tunim) Figura 19 .Séculos XIX. Em 2004 o engenheiro Manoel Otoni Neiva se aposentou. teve que se desfazer de algumas hidroelétricas acima em favor do grupo Brascan. Em 2000 a Cat-Leo construiu em 362 dias a PCH Benjamin Ma­ rio Baptista com 9. XX e XXI de Eletricidade de Borborema CELB e.Barragem da hidroelétrica Túlio Cordeiro de Mello (Granada) 302 .A História das Barragens no Brasil . carinhosamente chamado de Zé Tunim.5 MW instalados.

Barragem da hidroelétrica Ivan Botelho I (Ponte) Figura 22 – Casa de força da hidroelétrica Benjamim Mario Baptista (Nova Sinceridade) de 9.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 20 Barragem da hidroelétrica Ormeo Junqueira Botelho (Cachoeira Encoberta) Figura 21 .5 MW com apenas uma única unidade geradora 303 .

304 .

Fonseca Rodrigues e Usina hidroelétrica de Campos Novos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Companhia Paulista de Força e Luz . com ou sem privilégio. exemplo recente de parceria da CPFL com outros agentes do setor elétrico na implantação de grandes hidroelétricas 305 . direta ou indiretamente. pelas mãos de Ataliba Vale. quaisquer empreendimentos que possam contribuir para o desenvolvimento do consumo de energia elétrica e também comércio de mercadorias relativas à indústria da eletricidade”. José Balbino de Siqueira e outros capitalistas. em 1912 era criada a Empresa de Eletricidade de Araraquara. seguida da Empre­ sa Força e Luz Agudos-Pederneiras.CPFL Fabio De Gennaro Castro No dia 16 de novembro de 1912. O ponto de partida da CPFL foi a Empresa Força e Luz de Botucatu. O artigo 3º de seu Estatuto Social dispunha que a empresa “terá por fim a exploração industrial da eletricidade em todas as suas variadas aplicações no Estado de São Paulo. Paralelamente. para em 1919 incorporar a Empresa de Eletricidade de Bauru. promovendo ou auxiliando. Já em 1913 incorporou a Empresa Força e Luz de São Manoel e a Companhia Elétrica do Oeste de São Paulo. isto em 1914. na capital de São Paulo. foi criada a Companhia Paulista de Força e Luz. com foco na produção de energia elétrica por iniciativa dos engenheiros Manfredo Antonio da Costa. onde atual ou futuramente se possa explorar tal indústria.

pelo Fundo de Pensão dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). pois esta deveria ser atendida pela Companhia de Iluminação a Gás.Usina hidroelétrica de Americana com 30 MW 306 . po­ rém de Itatiba e Souzas. XX e XXI Ramos de Azevedo. atual Mascarenhas de Moraes. no rio Atibaia Em novembro de 1997. inicia-se a construção da usina de Americana e da termoelétrica de Carioba. Em 1975 o controle acionário passa a ser exercido pela CESP. passou a controlar a Empresa de Eletricidade de São Paulo e Rio. e pela Bonaire Participações (que reúne os fundos de pensão Funcesp. a qual.55 MW. Sistel.Séculos XIX. Em 1946 inaugurou-se a usina Avanhandava no rio Tietê. Bradesco e  Camargo Corrêa). Figura 1 – Barragem de Lavrinha Em 1927 o controle acionário da CPFL passa para a CAEEB.Usina hidroelétrica de Salto Grande com 4. em 1920. Em 1904 a firma Cavalcante Byington & Cia construiu a Usina Salto Grande no rio Atibaia também para iluminação pública. que atuava em parte do vale do Paraíba. sem conseguir atender Campinas. Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras S A. em 1871 fora implantada a iluminação pública a querosene em Campinas. tais como as usinas hidro­ elétricas de Campos Novos e Foz do Chapecó. sendo criada em 1875 a Companhia Campineira de Iluminação a Gás. American & Foreign Power Company. Em 1957 entra em operação Peixoto. Por outro lado.A História das Barragens no Brasil . Figura 2 . com a privatização. o controle da com­ panhia passou para o atual grupo composto pela VBC Energia (Grupo Votorantim. Figura 3 . Petros e Sabesprev). Nos anos recentes a CPFL passou a atuar intensamente com outros parceiros em grandes hidroelétricas. subsidiária da AMFORP.

Figura 4 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em 2011 ocorreu a fusão da CPFL com a ERSA dando origem à CPFL Reno­ váveis. Plano Alto. com 21 MW.Barragem da PCH Alto Irani. tais como Alto Irani. São Gonçalo e Ninho da Águia. Esta usina foi agregada a CPFL Renováveis pela fusão da ERSA e CPFL Figura 6 . Cocais Grande. Varginha.Barragem de São Gonçalo com 11 MW Figura 5 . Paiol. Corrente Grande.Visão artística do arranjo da usina hidroelétrica de Foz do Chapecó 307 . Com isso o parque gerador foi ampliado com diversas outras usinas de pequeno porte. Arvoredo.

308 .

no Paraguai. o Tratado cria a entidade binacional Itaipu. e o Anexo C – Bases financeiras e de pres­ tação de serviços de eletricidade. Nesse período. Apresentamos neste capítulo um breve relato histórico sobre a obtenção desse ingente resultado por ambos os países. notas reversais. pelo Brasil. representando o Brasil. eram presidentes Emílio Garrastazu Médici. Como são Usina hidroelétrica de Itaipú. Barragem principal e condutos forçados Foto de Caio Francisco Coronel . e Alfredo Stroessner. instalada em 15 de maio de 1974 e constituí­ da com igual participação em seu capital pela Centrais Elétricas Brasileiras S. desde e inclusive o Salto Grande de Sete Quedas ou Salto de Guaíra até a foz do rio Iguaçu. no Brasil. leis e protocolos. (Eletrobras). Fazem parte do Tratado o Anexo A – Estatuto. pelo Paraguai. Introdução A hidroelétrica de Itaipu é fruto do Tratado celebrado em 26 de abril de 1973 pelo Brasil e pelo Paraguai para o aproveitamento dos recursos hídricos do rio Paraná.A. e pela Administración Nacional de Electricidad (ANDE). Com a finalidade de realizar o aproveitamento hidroelétrico.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Breve Memória sobre a Usina de Itaipu 1966 . representando o Paraguai. tendo como signatários os chanceleres Mário Gibson Barboza. O Tratado é complementado por acordos.2011 Miguel Augusto Zydan Sória 1. e Raúl Sapena Pastor. pertencentes em condomínio aos dois países.Itaipu Binacional 309 . o Anexo B – Des­ crição das instalações destinadas à produção de energia elétrica e das obras auxiliares.

Esses marcos nos permitem separar com nitidez as diferentes fases do processo de construção de Itaipu. as principais etapas e datas relativas ao Projeto Itaipu. editado pela Itaipu Binacional em 1994. onde as encontrarão fartamente. e considerando que a presente publicação se propõe a organizar em um único volume a memória das principais barragens cons­ truídas no Brasil para várias finalidades . Nesse sentido.e. e o Quadro II. limitamo-nos a apresentar refe­ rências sobre detalhes técnicos do empreendimento quando as descrições assim o exigirem. em 1966. Como nosso intento é o de dissertar sobre a história da constru­ ção da hidroelétrica de Itaipu. Fonte: livro “Usina Hidroelétrica de Itaipu . A assinatura da Ata de Iguaçu. de modo resumido. mostram. 310 .A História das Barragens no Brasil . que possui versão em português “Usina Hidroelé­ trica de Itaipu. por isso mais ligada à engenharia civil e à geologia. no caso de Itaipu. Cronologia do Projeto Itaipu O Quadro I. XX e XXI muitos os aspectos da Itaipu possíveis de serem explorados. realizada em conjunto com o Paraguai -. 2. das referências bibliográficas exis­ tentes recomendamos pesquisa no livro “Itaipu Hydroelectric Project – Engineering Features” . anexo.Séculos XIX. decorrentes estas das escolhas julgadas mais favoráveis. a qual constitui também o texto-guia deste trabalho. ITAIPU Binacional 2009. Sugerimos que os leitores que esti­ verem interessados em conhecer informações técnicas sobre o projeto Itaipu consultem outras publicações. Aspectos de Engenharia”. descreveremos as motivações e a concepção do projeto e enfatizamos os tópicos relacionados aos estudos prévios realizados e às obras civis. pode ser considerada como o momento que encerra a fase estratégica do processo. Registra a concepção da idéia e prescreve as estratégias de alto nível a serem seguidas. As menções feitas a eles devem ser consideradas uma homenagem a todos os que indistintamente participaram no esforço de construir Itaipu. publicada em 2009. nominando alguns de seus inúmeros protagonistas.Aspectos de Engenharia”. abaixo.

porém. era impreciso ao determinar os limites entre os territórios na margem direita do rio Paraná. Raúl Sapena Pastor. até o Salto. energia em conjunto. Prevaleceu. encerrou a disputa por terras na fronteira. uma Comissão Mista foi criada para implementar a Ata do Iguaçu. É importante frisar que era central nessa discussão a estratégica aspiração de suficiência no suprimento futuro de energia elétrica para os dois países. O entendi­ mento da questão sob esse prisma acabou por reverter totalmente a situação. O Tratado de Paz assinado em 1872. (Itália).2. No entanto. pode dar causa a signi­ ficativos conflitos de interesses. Principais motivações para a construção de Itaipu A análise mais profunda dos acontecimentos que levaram à construção de Itaipu revela que duas foram as suas motivações primordiais. O texto. o detalhamento completo dos limites da fronteira jamais foi concluído em face de desacordo entre as partes em relação à demarcação da Serra de Maracaju no trecho em que ela se divide em dois ramos. O consórcio formado pelas empresas IECO – International Engineering Company Inc. pela pri­ meira vez cogitou-se de os dois países se unirem para produzir 3.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 3.1. porém. Esse brevíssimo repasse pela história nos serve para compreen­ der que a possibilidade de exploração de um grande potencial hidroelétrico. (EUA) e ELC – Electroconsult SpA. pois a indefinição quanto à posse das Sete Quedas interferia nos planos de um e de outro para o aproveitamento pretendido. Juracy Magalhães. depois de adequada avaliação das propostas de diversos grupos qualificados. A inauguração da Ponte da Amizade em 1965 alimentou o clima de cooperação ao oferecer a perspectiva de facilitar o intercâmbio comercial entre eles. colocando ambos os países em oposição. O entendimento diplomá­ tico abriu caminho para o início dos estudos técnicos. Em 1962. a inteligência política quando se estabeleceu que a construção e o uso da futura instalação seriam realizados em conjunto. Ao investigarmos a formação da demanda de energia naquele mo­ mento da história. A declaração conjunta manifestava a disposição de estudar o apro­ veitamento dos recursos hidráulicos pertencentes em condo­ mínio aos dois países. e a segunda. devido a circunstâncias intrínsecas. E foi justamente o que aconteceu com Brasil e Paraguai no início da década de 60 com a desco­ berta do potencial hidroelétrico do rio Paraná. da socioeconomia. Brasil e Paraguai assinam então o Tratado de Itaipu. ano em que Espanha e Portugal assinaram em Madri o Tratado de Limites. que pre­ via o alagamento de grande parte da área em litígio. optaram por unir forças. logo após o término da Guerra do Paraguai (1865-1870). Em 26 de abril de 1973. acabou por reabrir a polêmica em torno da fronteira na região das Sete Quedas porque estabelecia que os territórios deveriam dividir-se pelo rio Paraná. A primeira dessas motivações é oriunda da política externa. Motivação decorrente da política externa Para explicar a origem da motivação fundamentada na política externa remontamos a 1750. sabiamente. pela sua enorme importância. em vez de medir forças. Como resultado de intensas negociações. Motivação decorrente da socioeconomia Conforme assinalado. a disposição de construir uma hidroelétrica para atender à demanda de energia elétrica foi motivo de desa­ cordo entre Brasil e Paraguai nos anos 60. foi escolhido para a realização dos estudos de viabilidade e para a elaboração do projeto da obra. con­ vergiram e se somaram. as quais. os dois go­ vernos. deparamo-nos com hábitos da sociedade que 311 . e pelo cume da Serra de Maracaju. e do Paraguai. primeira descrição minuciosa da fronteira brasileiro-paraguaia. 3. A solução proposta por um consórcio de empresas estrangeiras. em 1966 foi assinada a Ata de Iguaçu pelos ministros das Relações Exteriores do Brasil. um acima e outro abaixo das Sete Quedas. Mas. no trecho do rio Paraná “desde e inclusive o Salto de Sete Quedas até a foz do rio Iguaçu”. Em 1967.

objeto de nosso relato. na região Sul. Àquela época já se sabia que o potencial hidroelétrico dos rios interiores brasileiros era imen­ so. o que podia ser feito de diferentes formas. etc. Esse preciso diagnóstico feito com competência pelo meio téc­ nico acabou por ser em grande parte internalizado pela classe dirigente do país. a pro­ dução de energia elétrica com base em energia atômica (Usina de Angra I – 1976) e a expansão da geração de energia de base hidráulica. dos citados fatores políticos e socioeco­ nômicos formaram o argumento de base para Brasil e Paraguai decidirem pela construção em conjunto de uma usina hidroelétri­ ca sobre o rio Paraná. A decisão de construir Itaipu A conjugação. que perdura até então mundo afora. em 1975. da construção das mega-hidroelétricas de Tucuruí e de Itaipu. A visão de “seguran­ ça energética” tomou então contornos dogmáticos. em sociedade com o Paraguai. um predicado. A experiência na execução desses projetos proporcionou adicionalmente a acumulação do capital inte­ lectual. no trecho de fronteira fluvial entre os dois países. ondas. 3. não restava alternativa a não ser incrementar a produção maciça de energia elétrica nos níveis demandados. de construção do futuro dos dois países. Secundariamente. a segunda. A forma preferen­ cial. que naquele momento não pas­ sou despercebido pelos estrategistas mais argutos. preponderantemente).A História das Barragens no Brasil . gás e petróleo. tendo reflexos profundos nas decisões toma­ das sobre a matriz energética brasileira. Dessa presciente decisão maior decorreram todas as demais. incluindo o de Itaipu. de longo alcance. que serviu mais tarde para os outros tantos projetos que foram realizados. estimulando o rápido desenvolvimento de iniciativas em diversos segmentos no campo da produção de energia. coincidentemente o mesmo ano em que é assinado o Tratado de Itaipu. A essas formas acresce-se hoje o emprego da biomassa e de outras fontes alternativas (eólica. a primeira na inexplorada região Norte do País. já nas décadas de 50 e 60. Entre as principais. de profundos impactos na economia e no ordenamento social de muitas nações. tendo como pontos altos justamente o início.Séculos XIX. de caráter mais técnico. Paulo Afonso I (1954). abrangendo os entendimentos prévios entres 312 . é a de produzir energia elétrica com o emprego de combustíveis fósseis (carvão. numa miría­ de de aplicações cotidianas.). A iniciativa de criação do CBGB foi dos engenheiros que naquela época estavam assumindo gradativamente a respon­ sabilidade pelas atividades técnicas relacionadas à implantação dessas barragens no País. XX e XXI requeriam crescentes níveis de uso da eletricidade. e de suas implicações nas demais infra-estruturas públicas e privadas que foram posteriormente implantadas. Foi antes de tudo. solar. pois em 1973. onde disponível e viável. consiste no fato de que os combustíveis fósseis não são renováveis. um diferencial competitivo. O contraste. Ou seja. portanto. geotermia. en­ quanto a água que corre nos rios o é. o que indicava autossuficiência de energia elétrica a médio prazo. vem a pro­ dução de energia elétrica de base hidráulica e atômica. faz valer sua visão de “se­ gurança energética”. A hidroeletricidade é. sobreveio a crise mundial do petróleo. uma decisão de cunho macroeconô­ mico. Três Marias (1962).3. e constrói hidroelétricas de grande por­ te. os dados da questão eram razoavelmente claros. proporcionadas por tecnologias cada vez mais inovadoras e sofisticadas. Furnas (1963) e Jupiá (1968). têm início a produção de etanol de cana-de-açúcar (Pró-Álcool – 1975). que se inscreve na magnanimidade das políticas de estado. portanto. Pelo lado da oferta. Em razão disso. voltadas para a substituição de importações do petróleo. o Brasil. pelo lado da procura. Mas considerava-se também a possibilidade de aprovei­ tamento conjunto dos rios compartilhados com países vizinhos. pois o Brasil evoluía da construção de barragens baixas e médias para barragens e hidroelétricas de grande vul­ to. E as previsões sobre a importância que viria a ter a hidroeletricici­ dade acabaram por se confirmar. principalmente com a Argentina e o Paraguai. É nesse clima de grande atenção ao tema energético nacional que foi criado em 1961 o Comitê Brasileiro de Grandes Barra­ gens (CBGB).

em 1967 foi criada a Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia com a finalidade de realizar o estudo e o levantamento das possibilidades econômicas do aproveitamento hidroelétrico pretendido e apresentar o resul­ tado aos dois governos. contratada a empresa EMF. A Ata de Iguaçu. na época.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens os dois países. tais como a decisão de dar início ao estudo e levantamento das possibilidades econômicas de uso dos recursos hidráulicos comuns. 4. projetista. é. por sua vez.200 kW de potência instala­ da em um dos braços das Sete Quedas.. Foi. desviando-se o rio em trecho de fronteira e desconsideran­ do-se o aspecto binacional do sítio. quaisquer dificuldades ou problemas. faz prescrições sobre alguns aspec­ tos relevantes do empreendimento. a cessão da energia não utilizada e a necessidade de entendimentos com os estados ribeirinhos da Bacia do Prata. sob a direção geral e coordenação de um Comitê Executivo. Foram esses os principais antecedentes do acordo prévio que Brasil e Paraguai alcançaram em 1966. então. dirigida pelo engenheiro Octávio Marcondes Ferraz. No documento consta “. ”. o vivo desejo de superar. . A EMF propôs um aproveitamento hidroelétrico da ordem de 10 mil MW. na região mais meridional da porção brasileira da imen­ sa bacia hidrográfica do rio Paraná. que intercedeu a favor do projeto perante o Congresso Nacional brasileiro.. porém. o consórcio ítalo-americano IECO-ELC. traduzido pela Ata de Iguaçu.2. a qual foi desmontada em 1982. achando-lhes solução compatível com os interesses de ambas as Nações. que. no princípio da década de 60 cresce com rapidez a demanda de energia elétrica na metade Centro-Sul do Brasil. fundada antes de tudo na amizade e no respeito mútuo cultivado entre os dois países. por conseguinte. entre outras obras. Período preparatório Conforme salientado. já estava ciente das potencialidades energéticas que representavam os aproximadamente 100 me­ tros de queda existentes no Salto Grande de Sete Quedas. portanto. Cabe destacar a atuação do engenheiro e economista Antonio Dias Leite Júnior. em 1959. a produção de eletricidade. o que revela o reconhecimento explícito das partes de que. O convênio estabelecia que o trabalho fosse realizado por um gru­ po de técnicos de ambos os países. o Serviço de Navegação da Bacia do Prata já havia construído uma pequena hidroelétrica com 1. eram esperados óbices de diversas naturezas para sua concretização. a execução da obra e montagem dos equipamentos e. que se encerra com o Tratado de Itaipu. firma convênio de cooperação com a Eletrobras e com a ANDE. 4. da usina de Paulo Afonso. complementado depois pelo Acordo Tripartite. 313 .. assinada em 22 de junho de 1966. visando ao aproveitamento hi­ droelétrico conjunto. O papel da Comissão Mista Técnica Para cumprir o disposto na Ata de Iguaçu. por ocasião do enchimento do reservatório de Itaipu. após alguns estu­ dos realizados em 1955-56. a assinatura do Tratado de Itaipu. Para esse fim foi então contratado. O governo brasileiro. Antes disso. não pode ser aceito porque se pre­ via sua implantação exclusivamente em território brasileiro. por fim. a contratação de estudos de alternativas de locali­ zação da obra.. com a supervisão de uma firma de consultores de engenharia. em 10 de abril de 1970. num projeto daquela envergadura. A Comissão Mista Técnica. o registro do entendimento a que chegaram os governos do Brasil e do Paraguai e que expressa irrefutavelmente o amadurecimento da ideia de construir Itaipu. tal como será visto na con­ tinuidade deste trabalho. 4. documento que marca o início do período preparatório. em 18 de novembro de 1970. a elaboração dos estudos e projeto de en­ genharia. dentro de um mesmo espírito de boa-vontade e de concórdia.1. Esses aspectos serão tratados com mais detalhes nas seções seguintes deste capítulo. a divisão da energia em partes iguais. a constituição da Itaipu Binacional. A Ata de Iguaçu A “Ata de Iguaçu: Brasil – Paraguai”. Ministro de Minas e Energia do Brasil de 1969 a 1974.

com todo o potencial concentrado em uma única usina hi­ droelétrica e (ii) Itaipu Baixo e Santa Maria. os saltos hidráulicos líquidos seriam menores e os custos da potência instalada maiores. sedimentação. XX e XXI Figura 1 . 4. Disso resultou a indicação de dez locais possíveis para a construção de barragens (Guaíra.A História das Barragens no Brasil .4. duas barragens. a topografia. Puerto Embalse e Ilha Acaray) e 50 diferentes arranjos. com o potencial dividido em duas hidroelétricas. as estimativas de custos e os resul­ tados das simulações operacionais. assim como a disponibilidade de materiais de construção e seus meios de transporte. condições geológicas e geotécnicas. A escolha do local Itaipu No cotejamento entre as duas alternativas finais selecionadas. Itaipu. Comparando-se os arranjos. topografia.Comissão Mista-Técnica Brasileiro-Paraguaia 4.Séculos XIX. uma na ilha de Itaipu e outra 150 km a montante em Santa Maria. a serem desenvolvidos em quatro fases metodológicas. investigações geotécnicas e um inventário completo de al­ ternativas possíveis de projeto. a solução Itaipu Baixo e Santa Maria mostrou-se menos competi­ tiva porque os custos dos desvios do rio e dos vertedouros seriam duplicados. Os estudos de viabilidade Em 1 de fevereiro de 1971 foram iniciados os estudos do aprovei­ tamento. duas soluções se mostraram preferenciais: (i) Itaipu Alto. fluviometria. análises hidrológi­ cas. Além disso. pluviometria. Santa Maria. 314 . Porto Mendes. Laguna Verá. Foi então feita a classificação e análise das informações existentes e aquisição de dados adi­ cionais envolvendo a meteorologia. que envolveram levantamentos de campo. uma única barragem na ilha de Itai­ pu. Alex Gage.3. São Francisco. Arroio Guaçu.

que indicou como mais favorável o projeto Itaipu Alto. R. A ilha de Itaipu. A partir daí passou-se a utilizar a denominação Itaipu simplesmente. Por outro lado.A partir da direita: Pierucci. era localizada logo após uma curva acentuada do rio Paraná. Delgado.Trabalhos de sondagem na Ilha de Itaipu . a pouco mais de 20 quilômetros da confluência com o rio Iguaçu.1972 a geologia e as condições de vazão do rio também encareceriam os custos em Santa Maria. cujo maru­ lhar provocado pela correnteza inspirou os indígenas a chamá-la “Itaipu”. o consultor Arthur Casagrande e outros não reconhecidos – 1973. Giovanni Salerno e Piero Sembenelli (todos da IECO-ELC). Figura 4 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 . o que foi aceito pela Comissão Mista Técnica. a capacidade instalada para Itaipu Alto seria 5. Ela consistia em um afloramento de rocha. No final de dezembro de 1972. que significa na língua tupi “a pedra que canta”. 315 . após a realização das três primeiras fases previstas na metodologia. que deu nome ao empreendimento.5% maior e a energia firme por volta de 33% superior à da combinação Itaipu Baixo e Santa Maria. Taboada. Ou seja. W.Ilha de Itaipu – rio Paraná Figura 3 . quase sem­ pre submersa. concluiu-se que o esquema com uma única barragem fornecia maior capacidade instalada ao menor custo por quilowatt (kW). foi apresentado o relatório sobre o estu­ do preliminar de viabilidade.

O Tratado também define que a ITAIPU é administrada por um Conselho de Figura 5 . sendo seus documentos oficiais redigidos em português e espanhol. o instru­ mento-chave de consolidação do acordo alcançado pelo Brasil e pelo Paraguai para a execução do aproveitamento hidroelétrico. A ITAIPU foi então constituída pela Eletrobras e pela ANDE.6. Os três anexos do Tratado servem. O acordo foi feito de modo equilibrado.5. O Tratado de Itaipu O Tratado de Itaipu. A singular engenharia econômico-financeira do projeto As simulações de custo do projeto que foram feitas na fase inicial dos estudos de viabilidade já indicavam a necessidade de recur­ sos financeiros da ordem de bilhões de dólares americanos para a execução das obras. e em igualdades de condições. é. atribuindo a ambos os países o mesmo poder de decisão e. Na continuidade. XX e XXI oportunidades iguais para mobilização da força de trabalho e para a realização dos fornecimentos em geral. De modo a conferir a adequada segurança jurídica ao acordo. regendo-se por normas esta­ belecidas no próprio Tratado e seus anexos. a divisão da energia pro­ duzida em partes iguais e o estabelecimento da obrigação de aqui­ sição por um país da energia não utilizada pelo outro país para seu próprio consumo. com detalhamento e profundidade adequados à obtenção de empréstimo perante os organismos financeiros internacionais. se já eram onerosas para o Brasil. para detalhar o “como fazer” no empreendimento. não aplicação de impostos (mediante isenções fiscais) e de algumas restrições administrativas. que são: a possibilidade de aporte de recursos financeiros mediante operações de cré ­ dito. O relatório final dos consultores foi apresentado posteriormente. foi apresentada uma minuta do re­ latório final de viabilidade à Comissão. Essa harmonização de interesses contribuiu para que se estabelecesse o “espírito binacional” que reinou durante toda a empreitada e perdura até hoje. didas prévias que o viabilizaram. ultrapassavam em muito a própria economia do Paraguai.1973 Administração e uma Diretoria Executiva integrados por igual número de nacionais de ambos os países. Algumas disposições do Tratado refletem a adoção das me­ Em 12 de janeiro de 1973. basicamente.A História das Barragens no Brasil . portanto. superando divergên­ cias pretéritas.Séculos XIX. de 26 de abril de 1973. o que inviabilizava investimentos com uso de recursos próprios.Consultor Arthur Casagrande (à esquerda) e Piero Sembenelli (IECO-ELC) na travessia do rio Paraná . 4. 316 . 4. em julho de 1974. Essas altas cifras. Essa deci­ são possibilitou o avanço dos entendimentos que resultaram na redação do Tratado de Itaipu. na medida do possível. oportunidade em que se optou pelo prosseguimento do projeto Itaipu. a Comis­ são Mista Técnica determinou que fosse realizado pelos con­ sultores estudo completo de viabilidade para confirmação da alternativa escolhida. tendo-se como limite apenas a capacidade de cada um. com igual participação no capital. o Tratado foi ratificado pelos poderes legislativos de ambos os países no mesmo ano de 1973.

produziria anualmente uma quantida­ de variável de energia. os gover­ nos do Brasil e do Paraguai resolveram então adotar um modelo de comercialização pelo qual as contratações anuais seriam feitas não pela produção de energia . assim.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 6 . Paralelamente. Optou-se. respectivamente. enquanto o Paraguai não conseguiria fazer o mesmo. Para garantir que a totali­ dade da potência disponível da ITAIPU fosse sempre contratada. Para que se alcançasse a constância de receitas almejada. Para aferir o grau dessa responsabilidade. com 18 unidades geradoras operando. acompanhados pelos chanceleres Raúl Sapena Pastor (esquerda da foto) e Mário Gibson Barboza. portanto. o Brasil em 2011 assume cerca de 95% de todos os encargos da ITAIPU. medido 317 . encargos financeiros e demais itens de custeio do empreendimento se­ riam depois pagos com as receitas resultantes da produção de energia elétrica da própria usina. mas pela potência do conjunto gerador da usina. o Brasil estaria apto a ab­ sorver a metade que lhe corresponderia.Assinatura do Tratado de Itaipu em 26 de abril de 1973 .Presidentes Alfredo Stroessner (Paraguai) e Emílio Garrastazu Médici (Brasil). quando estivesse completa. e. pois o Brasil. Os modelos matemáticos utilizados nos estudos de viabilidade indicaram que a hidroelétrica. passou a assumir todas as incertezas financeiras e de mercado associadas a um empreendi­ mento desse porte. dependendo das condições hi­ drológicas na bacia do rio Paraná e do grau de regularização a montante da barragem. e assim viabilizar economicamente o empreendimento. Essas duas disposições viabilizaram economicamente o empreendimento. Dessa imensa quantidade de energia. pois só utilizaria para consumo próprio algo em torno de 10% de sua metade. por meio da Eletrobras.medida em MWh. Ficou definido que os empréstimos. o Brasil e o Paraguai se comprometeram a contratar conjuntamente o total da potência instalada da usina. assegurando assim o necessário suporte dos gastos a serem realizados nas diversas frentes de obra. na prática. concordou em celebrar contratos com a ITAIPU de forma que o total da potência contratada fosse igual à potência instalada. va­ riável -. pelo financiamento integral do Projeto Itai­ pu por meio de empréstimos bancários. utilizando aproximadamente 92% da energia gerada pela usina. com uma média estimada da ordem de 70 milhões de megawatts-hora por ano (MWh/ano). o Brasil.

em uma fase predominantemente de intervenção na realidade. Tal modelo acabou por constituir o fator diferencial que selou a decisão de construir Itaipu. Isso acarretava para o comprador au­ mento do componente de custeio devido à energia adquirida da Itaipu sempre que o consumo fosse inferior à capacidade contratada. Execução do projeto Atendidas as condições necessárias ao desenvolvimento do proje­ to. A prestação do serviço de eletricidade seria então remunerada pela capacidade de produção posta à disposição do usuário. exemplificandose pelo extremo. assim. tornando suportável desse modo os efeitos da contratação por potência sinalizado para o Projeto Itaipu. e estar em expansão. é claro. em seu patamar mais elevado.1974 é efetuada a instalação da ITAIPU Binacional. o maior impacto dessas incer­ tezas recairia sobre seu setor elétrico. em razão de o setor elétrico brasileiro ser de grandes proporções. às demais enti­ dades compradoras a elas vinculadas.Constituição da Itaipu Binacional em 17de maio de 1974: Presidentes Alfredo Stroessner (Paraguai) e Ernesto Geisel (Brasil) 318 . mesmo que nada fosse consumido pela entidade compradora. os Ministros das Relações Exteriores e de Minas e Energia do Brasil conjuntamente com os Ministros de Relações Exteriores e de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai deram posse nos respectivos cargos aos Membros do Conselho de Administração e da Diretoria Executiva. na transferência das incertezas para a Eletrobras e para a ANDE.05. pelo Brasil. sendo nomeados Diretores-Gerais José Costa Cavalcanti. Ou seja. Esse modelo implica.Séculos XIX. e destas. e Alfredo Stroessner. passou-se então à sua execução.A História das Barragens no Brasil . pelo Paraguai. 5.1. ele teria condições de absorver e diluir eventuais variações de demanda para menos que viessem a ocorrer. viabilizando-o defini­ tivamente. do Paraguai. do Brasil. com a presença dos Presidentes Ernesto Geisel. O Paraguai ficava. praticamente blindado contra os efeitos dessas sazonalidades. Constituição da Itaipu Binacional Cumprindo o disposto no Tratado e seus anexos. esta pagaria sempre pelo direito de ter potência energética à sua disposição. Como o Brasil consumiria a maior parte da energia produzida. XX e XXI em MW. Para esse fim. e Enzo Debernardi. independente­ mente do que fosse consumido de energia. Contudo. em 15. Figura 7 . por sua vez. grandeza invariável cujo valor seria fixado nos limites de potência necessários à produção da “energia garantida”. as avaliações feitas indicaram que. 5.

Antonio José Correia Ribas (2002-03). posteriormente. Ney Aminthas de Barros Braga (1985-90). Altino Ventura Filho (1998). Francisco Luiz Sibut Gomide (1993-95). Estavam desse modo estabelecidos o local. Euclides Girolamo Scalco (1998-2002). para a edificação da vila residencial para os trabalhadores. são destinadas áreas de terras no Paraguai. Euclides Girolamo Scalco (1995-98).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Logo após. o orçamento inicial. a estratégia de alto nível. tendo sido posteriormente definida a área total delimitada. para instalação dos serviços administra­ tivos. 319 . Figura 8 . o aparato organizacional e o instrumental necessários ao início da execução do projeto. organização e direção das atividades da Itaipu. Fernando Xavier Ferreira (1990-91). em caráter parcial. são então destinadas áreas de terras no Brasil para a construção da hidroelétrica. De igual manei­ ra. para as instalações do aproveitamento hidroelétrico e suas obras auxiliares. Desde 2003 o cargo é ocupado por Jorge Miguel Samek. para a formação do reservatório. José Costa Cavalcanti (1974-85). e.Organograma geral da ITAIPU Binacional Foram Diretores-Gerais Brasileiros. responsáveis pela coorde­ nação. Jorge Nacli Neto (1991-93).

1974 5. XX e XXI 18 unidades de 700 MW. vários grupos especialistas. com o emprego de técnicas apuradas de gerenciamento de projetos.2. Esse relatório final incorporou: (i) os estudos hidrológicos levados adiante. na ordem de 62. cujo relatório foi apresen­ tado em julho de 1974.Grupo de engenheiros com os consultores. detento­ res de conhecimentos compatíveis com as necessidades técnicas de Figura 9 . P. Gallico . (viii) o arranjo geral. A partir da esquerda: Castro. Superintendente da Obra). passou-se à realização da quarta e última fase dos estudos de viabi­ lidade do projeto.A partir da esquerda: Luis Carlos Domenicci (Unicon).A História das Barragens no Brasil . Estudos e investigações confirmatórios Com vistas a cumprir a determinação da Comissão Mista Técnica para que fossem desenvolvidos pelos consultores estudos de viabilidade adicionais e de confirmação da alternativa escolhida. Piasentin. 5. Belloni. Superintendente de Engenharia). na margem direita. (ii) a enchen­ te de projeto do vertedouro. (vi) as unidades geradoras principais. Lyra (Chairman do Board de Consultores da Itaipu) – outubro de 1977 320 . para elaborar o projeto de engenharia de Itaipu. (x) as barragens. concluindo pela instalação de Figura 10 . A. Rubens Vianna de Andrade (Itaipu.600 m3/s. de maneira concatenada. Arthur Casagrande. e (xi) a casa de força. Sembenelli. (iv) a capacidade instalada da usina.3. (ix) o vertedouro. foram forma­ dos. Don Deere. Projeto de engenharia: dados básicos e características Com base nas prescrições do relatório final de viabilidade do em­ preendimento a partir do segundo semestre de 1974 deu-se início a ampla mobilização de pessoas e empresas no Brasil.Séculos XIX. Consoante a complexidade e importância da tarefa. José Roberto Monteiro (Itaipu) e Flavio H. portanto logo após a instalação da ITAIPU Binacional. Nauroz Khan (gerente do estudo de viabilidade). Arthur Casagrande (consultor). (v) os ensaios em modelo de regulari­ zação do rio e instalações para navegação. Edwin Smith . decorrente do fato de que o Brasil adota a frequência de 60 Hz e o Paraguai de 50 Hz. no Paraguai e em outros países. José Gelazio da Rocha (Itaipu. na escala 1:100. (vii) a dupla frequência. (iii) os estudos da frequência das enchentes.

foram subdivididas em diversas outras. que se refletiram posteriormente em toda a cadeia de processos. Fernão Paes de Barros. Lyra (Chairman do Board de Consultores da Itaipu) – outubro de 1977 321 . o arranjo geral das instalações permanentes foi diferente em alguns aspectos daquele definido durante a fase de viabilidade. relacionando somente as principais empresas participantes. Isso necessariamente implicou o atendimento de rigorosas exigências. e mediante os resultados dos testes e verificações feitos na fase de projeto. Essas partes principais. representado pelo experiente Engenheiro Gurmukh Sarkaria. apresenta uma síntese das principais atividades desenvolvidas nessa etapa de estudos e projetos. por sua vez. em razão do aprofundamento dos estudos. O Quadro III.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens dimensionamento e especificações das principais partes da hidroe­ létrica: estruturas de desvio. Figura 11 . Don Deere. reservatório. Arthur Casagrande. naquela fase. vertedouro. Klaus John. que. Conforme mencionado. Orlando Gomes dos Santos e Flavio H. A diretriz geral que marcou essa etapa essencialmente conceptiva do Projeto Itaipu foi a do emprego incondicional de critérios de excelência técnica mundialmente disponíveis para projetos des­ sa natureza. anexo. Gurmukh Sarkaria (Coordenador-Geral da IECOELC).A partir da esquerda: Corrado Piasentin. desempenhou a função de Coordenador-Geral do Projeto. barragens e ensecadeiras. pois não se revela possível nes­ ta memória resumida listar as muitas outras empresas e profissionais que participaram do esforço. casa de força e equipamentos de geração de energia. Cabe destacar que a Itaipu manteve a liderança do processo a cargo do consórcio internacional IECO-ELC. igualmente tratadas por especialistas de diversas áreas. de subprojetos e de esquemas organizacionais do empreendimento.

4. complementares às estruturas das fundações. fabricação e funcionamento dos geradores. Superintendente da Obra). o cálculo e dimensionamento das fundações das barragens e das demais estruturas a serem erigidas. os recursos de simulação auxiliaram significativamen­ te nas decisões dos projetistas. Foram também mobilizados muitos consultores.Rubens Vianna de Andrade (esquerda. 5. Essas descontinuidades. escavações de trincheiras. furos e túneis de drenagem. bem como identificaram as principais descontinuidades existentes no subsolo de assentamento das fundações. Dessas investigações. partiu-se para as investigações geotécnicas. foi também prescrita a execução de injeções. com o emprego principalmente de chavetas de con­ creto na descontinuidade da margem direita. Esses consultores. que foram devidamente instrumentadas para posterior monitoramento. apre­ senta uma relação dos principais ensaios e estudos especiais realizados e das instituições que os conduziram. As­ sim. por conse­ guinte. e Diretores-Gerais José Costa Cavalcanti (Brasil) e Enzo Debernardi (Paraguai) – dezembro de 1977 A Itaipu manteve um painel permanente de consultores inter­ nacionais (Board). O Quadro V. anexo. que definiram a deformabilidade e a resistência dos diversos tipos de brecha.A História das Barragens no Brasil . Fundações: investigações geológicas e geotécnicas Definido o arranjo geral das instalações permanentes e. poços e túneis para verificação e a realização de ensaios in situ e ensaios em laboratório. Caracterizada a geologia da área do projeto e do reservatório. pôde-se dar início ao aprofundamento das investigações geológicas e geo­ técnicas feitas na Fase 1 dos estudos de viabilidade.Séculos XIX. que jazem sobre grandes derrames basálticos da bacia superior do rio Paraná. de maior extensão e volume. por meio de sondagens e perfurações. e. exigiram o emprego de tratamen­ tos subterrâneos para assegurar sua estabilidade frente às cargas a serem suportadas. representativos do conhecimento acumulado no mundo até aquela época em projetos hidroelétricos. bem como do projeto e da fabricação das unidades geradoras. áreas fraturadas e zonas cisalhadas. nas fundações da barragem principal no leito do rio. cortinas de injeção e de drenagem. basalto vesicular e basalto denso. anexo. a geometria e a disposição territorial do conjunto. encontradas na forma de juntas. especialistas e firmas encarregadas dos ensaios em modelos para resolverem problemas específicos de engenharia civil e aspectos ligados ao projeto. tendo em vista 322 . contatos. XX e XXI Figura 12 . relacionados no Quadro IV. poço de investigação e de acesso. se reuniam re­ gularmente para analisar aspectos especiais do projeto e da cons­ trução das obras civis.

as obras civis tiveram início com a execução de vá­ rias frentes conjuntas de escavações. Tratava-se de uma operação complexa. Desde 2002 o cargo é ocupado por Antonio Otelo Cardoso. suas ensecadeiras em arco e a estrutura de controle nele existentes. Planejamento e organização dos trabalhos A Itaipu. 323 . a calha do vertedouro e a fundação da barragem de enrocamento. Relações do trabalho e previdência social Para o normal andamento da obra. 5. Conclu­ ído o canal de desvio. No laboratório foram adotados padrões até mais exigentes do que aqueles que essas normas depois vieram a estabelecer. que tiveram seu advento nos anos seguin­ tes. foram en­ tão separadas as atividades que dela independiam. envolvendo algumas importantes obras civis e diversas encomendas de equipamentos e componentes eletromecânicos com perfil de fornecimento de longo prazo. tais como as séries ISO. Flávio Decat de Moura (1993-95). parte desta última no leito do rio ao pé da barragem principal e parte dela ao pé da estrutura do desvio. passou-se para a cons­ trução da barragem principal e do vertedouro e da casa de força. A partir da esquerda: Minervino Buosi. em 1975. Essa decisão determinou o planeja­ mento. segundo indicou a rede CPM (Critical Path Method) elaborada. Na época de sua implantação (1975-76) Figura 13 . e Maurício Muller – maio de 1977 ainda não existiam normas avançadas de controle de qualidade. a cronologia e a organização dos trabalhos a serem realizados. era importante assegurar direitos laborais e proteção social que favorecessem a recepção e a perma­ nência do expressivo contingente de trabalhadores e suas famílias na área do projeto.5. no programa de construção. Roberto Ramón Acosta Alvarez. tendo como mais volumosas o próprio canal de desvio. 5. responsáveis pela condução do projeto. Márcio de Almeida Abreu (1991-92). Rubens Vianna de Andrade (1990-91). Sendo a construção do canal de desvio a atividade mais crítica. Nesse sentido.Grupo de geólogos das projetistas se apronta para inspecionar os túneis e poços. Roberto Lei­ te Schulman (1985-90). e desviado o rio. Nelson Infanti Jr. Szolt Gombosy. merece menção especial a contribuição do La­ boratório de Materiais e Concreto da Itaipu (que atualmente se denomina Laboratório de Tecnologia do Concreto da Itaipu – LabTecon). Foram Diretores Técnicos brasileiros da Itaipu. John Cabrera. e com dinâmica adequada à velocidade de construção da obra.6. definiu que no ano de 1983 seria iniciada a operação da primeira unidade geradora. situado no contexto geral do Sistema de Qualidade das Construções de Concreto. pela expressiva monta das di­ mensões e volumes envolvidos na construção da usina. O material das escavações foi utilizado para a construção das ensecadeiras principais no leito do rio Para­ ná e da barragem de enrocamento na margem esquerda. o que permitiu que. se previsse o início em 1975 de diferen­ tes frentes de trabalho em paralelo. Marcos Antônio Schwab (1995-96) e Altino Ven­ tura Filho (1996-2002).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Por essa lógica. construção das obras e operação das instalações: John Reginald Cotrim (1974-85).

Figura 14 . Roberto Monteiro. hospitais.7. O desvio do rio Paraná se deu em quatro etapas. Execução das obras civis As obras tiveram início em janeiro de 1975. é também assinado. esgoto e comunicação. consta a relação dos consórcios e empresas que as executaram. começaram as obras civis propriamente ditas.8.A História das Barragens no Brasil . as conhecidas CIPAs. Essas obra incluíram conjuntos habitacionais. Por sua impor­ tância e complexidade.1974. independentemente de sua nacionalidade.Séculos XIX. que foram concluídas em 1991. segurança física e de assistência social aos trabalhadores e suas famílias. escolas. em que também é previsto a constituição de comissões de prevenção de acidentes de trabalho.5 acima. não dispunham de condições de absorver os contingentes humanos que a elas afluiriam em breve. água.1974. com a constru­ ção do canteiro e da infraestrutura. em matéria do direito de trabalho e previdência social. à época. redes de serviços de eletricidade. materiais e equipamentos. Na mesma linha. Infraestrutura de apoio Foram implantadas obras de infraestrutura destinadas a abrigar e dar assistência aos trabalhadores brasileiros e paraguaios das várias empresas contratadas para executar as obras e serviços. Ronan Rodrigues da Silva (Diretor de Construção da Unicon). em ambas as margens. centros comunitários. em maio do mesmo ano. XX e XXI Para tanto. dos empreiteiros e subem­ preiteiros de obras e locadores e sublocadores de serviços. 5. o Protocolo Adicional so­ bre Relações do Trabalho e Previdência Social relativo aos contratos de trabalho dos trabalhadores. Foi também melhorada e expandida a rede viária existente para integrar as instalações do projeto com as cidades da área e organizados serviços de coleta de lixo. em 10. Logo depois. em 11. o Protocolo sobre Relações de Trabalho e Previdência Social. uma vez que as cidades de Foz do Iguaçu e Puerto Stroessner. Francisco Andriolo e Ademar Sonoda (todos da Itaipu) 324 . estabelecendo as normas jurídicas aplicáveis. As obras do desvio têm como elementos 5. as matérias relativas a higiene e a segurança do trabalho são objeto de acordo complementar ao Protocolo.Ultima inspeção das adufas e do canal antes do desvio do rio Paraná em outubro de 1978. e estradas pavimentadas permanentes para garantir o transporte de pessoal.09. clubes e áreas de lazer. creches. aos trabalhadores contratados pela Itaipu. No Quadro VI. iniciando-se em outubro de 1975 pela escavação do canal de desvio e terminando em julho de 1979 com o esgotamento da área de trabalho entre as ensecadeiras principais. Da esquerda para a direita: José Augusto Braga (Itaipu). como mencionado no item 5.02. anexo. foi assinado pelo Brasil e pelo Paraguai.

294 m) e na margem direita (872 m).Consultores Klaus John (à esquerda). 325 . construtivos principais o canal de desvio.1982. localizado na margem direita do rio Paraná. teve seu arranjo final precedido de ensaios em mo­ delo hidráulico em escala 1:100. o túnel rodoviário. testes nos trampolins e análises dos efeitos erosivos a jusante.10. a estrutura de controle do desvio.200 m3/s por meio de três calhas com trampolim. requereram em suas extremidades zonas de transi­ ção para contato entre si e dispositivos de abraço para contato com as estruturas de concreto (barragem de contrafortes e vertedouro).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 15 . A experiência de operar a contento o vertedouro durante muitos anos atestou sua absoluta confiabilidade para extravasar as descargas necessárias. evento que marca o início do enchimento do reservatório de Itaipu. as ensecadeiras auxiliares em arco de montante e de jusan­ te no canal de desvio (demolidas a fogo posteriormente. Foram então executados a estrutu­ ra da crista. testes de funcionamento e seu fechamento final que aconteceu em 13. O vertedouro. observar seu desempenho hidráulico e seu desempenho estrutural e os processos erosivos de jusante. que são os principais componentes que formam a geometria dessas estruturas. A barragem de enrocamento da margem esquerda (1. e que depois receberam as respecti­ vas comportas e equipamentos associados. Don Deere e Arthur Casagrande – outubro de 1978. As comportas de desvio foram posteriormente recuperadas e recondicionadas para uso como comportas de tomada d´água. os muros. que compõem o arranjo geral da Itaipu. gerando imagens que ficaram famosas devido à ampla divulgação do fato na mídia) e as ensecadeiras principais de montante e de jusante no rio. com o enchimento do reservatório. foi possível operar o vertedouro. que exigiram os cuidados executivos de costume para terraplenos com essa tipologia. Uma das fases mais importantes e críticas foi o fechamento do rio Paraná e seu desvio para o canal e a estrutura de desvio. A partir de 1982.984 m de com­ primento) e as barragens de terra existentes na margem esquerda (2. as calhas. com capacidade de evacuar 62. Atenção es­ pecial foi dada às comportas de desvio e seu fechamento. os trampolins e as galerias. sendo reali­ zados ensaios e estudos em modelo hidráulico necessários ao projeto e fabricação de seus componentes.

quase 32 milhões de metros cúbicos de escavação em rocha. Arthur Casagrande e Gurmukh Sarkaria (IECO-ELC) no canal de desvio – outubro de 1978 Figura 17 . O desempenho da barragem durante a fase de construção e o enchimento do reservatório foram avaliados pela instrumenta­ ção de monitoramento instalada nas estruturas e suas fundações. Essas obras civis envolveram colossais quantidades: mais de 23 mi­ lhões de metros cúbicos de escavação em terra. foi dotada de uma barragem de concreto de gravidade aliviada.Séculos XIX. enquanto o longo segmento em curva que liga a barragem ao vertedouro na margem direita e a estrutura de desvio na margem esquerda foram dotados de barragens de concreto de contrafortes.Maquete da escavação da barragem de Itaipu . Essa atividade de auscultação da barragem continua na fase atu­ al de operação e inclui a avaliação do comportamento estrutural. Enquanto eram executadas as escavações para as fundações.5 milhões de metros 326 .Paul Joachim Folberth (à esquerda) e Gurmukh Sarkaria (ambos da IECO-ELC) – abril de 1979 A parte central da hidroelétrica. associada às inspeções dos engenheiros e técnicos da Itaipu. que aloja a casa de força e. XX e XXI Figura 16 . hidráulico e térmico das barragens pelos resultados da instrumentação. e feitas as injeções. o Edifício da Produção. 6. tratamentos e construção de chavetas sob o leito do rio. em grande volume.Consultores Charles Blanchet (à esquerda). foram se erigindo gra­ dualmente as estruturas das tomada d’água e dos demais blocos de concreto. sobre esta.A História das Barragens no Brasil .

Superintendente de Obras. No projeto original de Itaipu foi adotado o critério da leitura manual da instrumentação. Dillo Rocha (Engevix) – outubro de 1982. não identificado. 12.6 milhões de metros cúbicos de concreto com 31. Michael Sucharov (Engevix). É importante salientar a decidida atuação do Engenheiro Rubens Vianna de An­ drade. A auscultação da barragem e a junta de consultores civis O projeto de auscultação da represa de Itaipu busca a garantia da segurança da barragem.9. Libero Medaglia (IECO-ELC). Engenheiro Gurmukh Singh Sarkaria (Coordenador Geral IECO-ELC). foram selecionados levando em conta altura. Existe também uma rede de sismômetros que cobre a área da bar­ ragem e do reservatório de Itaipu. Ricardo Abrahão (Promon). (motorista IECO-ELC). O objetivo é monitorar a even­ tual ocorrência de sismos induzidos pelo reservatório.5 milhões de toneladas de peso. representatividade de um trecho e peculiaridades da fundação. denomi­ nados blocos-chave. até hoje não 327 . Figura 18 . pois a leitura manual obriga os técnicos a visitar roti­ neiramente toda a barragem. assegurando assim a observação direta das estruturas e fundações e dos próprios instrumentos. Fernão Paes de Barros (Itaipu). em vez da leitura centralizada e automática. Alessandro Gallico (Engenheiro Chefe da ELC .Enchimento do reservatório. José Antônio Rosso (Itaipu). Giacomo Re (Themag). Os blocos mais instrumentados. 5. não identificado. tipo.5 milhões de toneladas de cimento e 481 mil toneladas de aço. Hilário Da Fré (motorista IECO-ELC).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cúbicos de argila compactada e 15 milhões de metros cúbicos de enrocamento. nessa complexa etapa do projeto.Milão). A partir da esquerda: Adão K. o que consumiu mais 2. posição.

O Acordo Tripartite A Argentina. Se necessário. Sarkaria (1995 a 2006) e Nelson L. que se reunia com frequência maior durante a fase de estudos e projetos e iní­ cio da construção das obras.3. Por outro lado. também chamado de “Junta de Consultores Civis” ou “Board de Con­ sultores Civis”. bem como na adoção de medidas de segurança e de preservação ambiental. feitas por consultores especialistas que acompanham por anos o cotidiano da aus­ cultação da barragem e apóiam as equipes técnicas da Itaipu. a natureza do assunto o insere ainda como última providência do período preparatório. atualmente se reúne a cada qua­ tro anos aproximadamente para verificar o desempenho das estruturas civis da Itaipu. Gurmukh S. sem dúvida os mais qualificados para exercer a gestão técnica do empreendimento. conforme citado no Quadro IV do item 5. Marcos Antonio Daniel Damus e Roberto Ramón Acosta Alvarez. a ser erigido logo a jusante de Itaipu. que consideravam igualmente legítimos e pertinentes. montagem e operação da usina. Os equipamentos são capazes de registrar terremotos que ocorrem inclusive em regiões distantes. Michael Maxwell Dayan Dermont Sucharov. 5. A Junta realizou 20 reuniões entre 1975 e 2010. Isso se deu em boa parte graças ao hábil uso pelos diplomatas dos elementos fornecidos pelo meio técnico que possibilitaram o alcance de entendimentos operativos que vieram a pacificar a questão. Corrado Piasentin.10. A Junta realiza inspeções técnicas e analisa os dados da auscultação para aferir as condições de uso e segurança da usina. João Francisco Al­ ves da Silveira. exigiram mais um tour de force da área diplomática. que. em que “As deliberações (do Acordo) caracterizam-se por um espírito de boa vizinhança e de cooperação na busca de uma solução que representasse. As reuniões da Junta são precedidas de acurados preparativos.A História das Barragens no Brasil . ciente das expressivas dimensões da barragem de Itaipu e de sua capacidade de armazenamento e de contro­ le dos caudais. Nascia desse modo o Acordo sobre Cooperação Técnico-Opera­ tiva entre os Aproveitamentos de Itaipu e Corpus. XX e XXI registrados. os consultores recomendam eventuais ações de melhoria e correção. a efetiva convergência de interesses e a obtenção de benefícios recíprocos. Brasil e Paraguai avocavam direitos de uso das águas do rio. Alguns desses profissionais são colaboradores de longa data da Itaipu. para satisfação de todos os interessados. e do Paraguai. passando depois pelas fases de construção. mobilizou-se para assegurar uma regulação do fluxo que não prejudicasse seus direitos e interesses sobre as águas do rio Paraná. que não foram isentas de momentos tensos. celebrado em 19. Entre estes men­ cionamos: do Brasil. Embora nessa oportunidade a obra de Itaipu já estivesse em andamento. a Itaipu mantém um painel permanente de consultores inter­ nacionais especialistas em engenharia de barragens. pelo Brasil e pelo Paraguai. As questões estavam centradas no estabeleci­ mento de um nível de água de operação de Itaipu que permitisse a viabilidade do futuro aproveitamento hidroelétrico argentinoparaguaio de Corpus. Ao término de cada reunião é elaborado um relatório técnico sobre a segurança da barragem e seus temas correlatos.10. para as três Partes. em cujos traba­ lhos participaram trinta consultores. como a Cordilheira dos Andes e as Filipinas. conhecidos in­ ternacionalmente. de Souza Pinto (2010).”.Séculos XIX. levantamentos e pré-análises técnicas. Deve-se destacar a presença no Projeto Itaipu desses renomados engenheiros. tendo participado dos trabalhos de engenharia desde o início do projeto.1979 pela Argentina. Criado em 1974. Foram presidentes da Junta Flavio H. mais uma vez triunfou. Os argumentos se contrapunham ao ponto de o assunto ter sido debatido inclusive durante a Assembléia Geral da ONU realizada em 1972. Essa Junta de consultores. 328 . na manutenção da viabilidade da navegação e do abastecimen­ to de água. As negociações. Lyra (1974 a 1992).

O cânion.11. passou da cota 109 me­ tros para a cota 205. Cabe salientar que a existência desses reservatórios faz com que o rio Paraná saia do Brasil. dentro de um espírito de cooperação entre os países do Cone-Sul da América do Sul. passa a ser insuficiente para a água que se acumula. em direção ao Paraguai e à Argentina. que enfim transborda da calha do rio. então. a montante e a jusante da barragem. compartilhado pelo Brasil e pelo Paraguai. justamente por Itaipu. tal como ocorreu. capaz de armazenar 29 bilhões de metros cúbicos de água. 5.Assinatura do Acordo Tri-Partite Argentina-Brasil-Paraguai em 19. com elevado grau de regu­ larização. A formação do reservatório Conforme mencionado. Formou-se desse modo um lago artificial de expressivas dimensões: 170 km de comprimento. fundamentais para que a operação fosse bem-sucedida. profundidade máxima de 180 m e su­ perfície de 1.10.1979 – Chanceleres Alberto Nogués (Paraguai. que antes comportava inte­ gralmente o veloz rio Paraná. Esse evento. A cessão desse benefício é feita pelo Brasil sem ônus para a Argentina e para o Paraguai.80 metros (acima do nível do mar).350 km2 (780 km2 no Brasil e 570 km2 no Paraguai). O rio Paraná. situa-se na porção mais a jusante do rio Paraná ainda em território brasileiro. Carlos Washington Pastor (Argentina) e Ramiro Saraiva Guerreiro (Brasil). invade e se espraia com rapidez nas adjacências mais altas e mais planas. sendo por isso o último de um conjunto de 47 reservatórios de usinas com potência maior que 30 MW existentes na Região Hi­ drográfica do Paraná. em 13 de outubro de 1982 as comportas de desvio foram completamente fechadas e teve início o enchimento do reservatório de Itaipu. 329 . da mais alta importância para todo o projeto. foi antecedido de uma série de preparativos. elevandose em quase 100 metros . no prazo de 15 dias. que se deu em três etapas.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 19 . em pé). que drenam os cursos de água de uma vasta área com mais de 820 mil quilômetros quadrados a montan­ te de Itaipu. Esse lago.

da geração de energia elétrica: nave­ gação. além. suas formas de ocupação e usos permitidos. a elaboração de um plano-mestre para utili­ zação da área do reservatório e a aplicação de medidas de prote­ ção ambiental. projeto em que atuou o arquiteto e paisagista Fernando Magalhães Chacel e que foi executado pelas empresas PARELC – GCAP e Arquitetura Ambiental S. o qual posteriormente publicou o livro “Hidroelétricas. não ocorrem fenômenos geofísicos que afetem adversamente a segurança e a estabilidade das estruturas da represa. O plano também estipula os procedimentos de gestão dos usos múltiplos pela Itaipu e a coordenação dessa com as autoridades das diversas esferas de governo. setores de lazer e setores de integração urbana. que definiu a política ambiental da Itaipu a partir de 1975. se aprofundaram no assunto e apresentaram à Comissão Mista Técnica Brasileiro-Paraguaia estudo elaborado pelo Dr. setores de aproveitamentos múltiplos. ainda que naquela época parte da região registrasse importante inter­ venção humana. a implantação de reservas e refúgios (em um total de oito no Brasil e no Paraguai). em 1973. o resgate de animais (operação Mymba Kuera – pega-bicho). principalmente na mar­ gem brasileira. que serão apresentados na sequência. Isso foi percebido pelos projetistas que. meio ambiente e desenvolvimento”. entre cujas atribuições está a de ser responsável “pelos serviços relacionados com a preservação das condições ambientais na área do reservatório”. Cabe men­ cionar a participação do Engenheiro Arnaldo Carlos Muller na liderança desses trabalhos. foi criada a Diretoria de Coordenação. algumas delas potencialmente conflitantes entre si. conforme estabelecido no Anexo A do Tratado. pesca. 330 . limpeza da área do reservatório.12. As informações e os resultados obtidos com os levantamentos realizados mostraram quais seriam as várias utilizações possíveis do reservatório. abastecimento de água para consumo doméstico e irrigação.C. Essa avaliação serviu principalmente para definir qual estru­ turação seria mais adequada ao Plano-Mestre de utilização da área do reservatório. As medidas de proteção e valorização do meio ambiente envolveram a proteção das florestas existentes e reflorestamento (que nos dias atuais contabiliza 44 milhões de árvores plantadas). foi elaborado o “Plano Básico de Conservação do Meio Ambiente”. a aqui­ cultura (tanques-rede e canal de migração e desova – Canal da Piracema) e a recuperação e paisagismo da área de construção da obra. Essas considerações ambientais. Robert Goodland e por especialistas da própria IECO-ELC. 5. o pro­ jeto previu também a avaliação do desempenho geofísico do reservatório no que se refere a recalques da crosta terrestre devido ao peso da água e à atividade sísmica relacionada ao reservatório (sismo induzido).Séculos XIX. é claro. Meio ambiente e ecologia Como a maioria dos empreendimentos de grande porte. Definiu também um zoneamento territorial do reservatório: (1) zona do reservatório e (2) zona do litoral (onde se encontra a área de proteção do reservatório): setores especiais. O plano definiu então os usos múltiplos do reservatório. biológicos e sociais e traçou diretrizes para a proteção e valorização do meio ambiente na área do projeto e nas regiões afetadas. pois.A História das Barragens no Brasil . A medição desses parâmetros tem indicado que. ao meio ambiente biológico (levantamento florestal. que já havia alterado significativamente o meio ambiente local. efeitos climáticos e transporte de sedimentos. e prescreveu a realização de levantamento ambiental na área do projeto. a constru­ ção de Itaipu inevitavelmente interviria no ambiente natural. Esse estu­ do categorizou os possíveis efeitos físicos. levantamento da fauna e levan­ tamento da pesca) e ao meio ambiente social (programas sanitários e de saúde pública e investigações arqueológicas). tiveram reflexo inclusive na estrutura organizacional da Itaipu. Os levantamentos previstos se deram então quanto ao meio am­ biente físico (qualidade da água. inusuais à época. como se previa. A partir dos estudos de 1973. tendo o relató­ rio referente a esse último item sido elaborado pelos consultores James Albert Harder e Hans Albert Einstein). na agricultura e na pecuária. Ltda. turismo e lazer. XX e XXI Afora os aspectos ambientais relacionados à formação do lago de Itaipu. A possibilidade de adoção de medidas voltadas ao meio ambien­ te deu o tom para toda a ação que se seguiu.

1). Antonio José Correia Ribas (2000-2002) e Olivo Zanella (2002). o que de­ senvolveu o comércio e a prestação de serviços locais. a grande atratividade que a represa exerce sobre os turistas. para a maior permanência de turistas na região da fronteira trinacional Argentina-Brasil-Paraguai. verifica-se que. Desenvolvimento regional e turismo No que se refere ao desenvolvimento econômico e social da re­ gião com a implementação do Projeto Itaipu. no entanto. Márcio de Almeida Abreu (1994-95). ou seja.13. uma vez que o nível de água do reservatório permanece pratica­ mente inalterado ao longo do tempo. A atividade turística. Tais áreas requeridas pelo projeto perfaziam em torno de mil qui­ lômetros quadrados no lado brasileiro (ver item 5. José Luiz Dias (1997-2000). talvez o mais im­ portante tenha sido a necessidade de reassentamento de pessoas que residiam ou tinham suas posses ou desenvolviam suas atividades (majoritariamente agrícolas. com reflexos socioeconômicos locais. Alia-se ao fato da Itaipu ter sido construída na região que abriga as mundialmente famosas Cataratas do Iguaçu . Além da perda das áreas cultiváveis (a maior parte no Brasil). cuja densidade demográfica era de 35 habitantes/km2. Desde 2003. Nessas cidades e em outras. Foram Diretores de Coordenação brasileiros da Itaipu. onde exis­ tiam 8. Esses valores possibilitaram que os deslocados comprassem em média uma metade a mais em relação às terras que possuíam antes. esgoto e demais equipamentos urbanos. 331 . o que coopera também para o processo de desenvolvimen­ to da região. houve notório incremento da circulação econômica. Brasílio de Araújo Neto (1995-97). tanto pelo atendimento da diversidade de suprimentos necessários às diversas frentes das obras. Figura 20 .e por isso forte­ mente turística -.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens principalmente em Foz do Iguaçu e em Ciudad del Este (anti­ ga Puerto Stroessner). Nelson Farhat (1990-91). Tércio Alves de Albuquerque (1991). Entre os impactos físicos de repercussão social. proporcionando assim um uso regular de sua linha costeira para atividade de turismo e lazer.6 mil urbanas). A Itaipu contribui.5 mil propriedades (6. com balneários e marinas. por­ tanto. próximas a elas. com vias pavimentadas. Nos dois municípios foram construídas 10 mil casas nas áreas residenciais. o que exigiu que outros 390 km fossem reabertos com novo traçado. água. houve melhorias e expansão da infra-estrutura nos municípios da área de influência do reservatório. responsá­ veis pelos serviços relacionados com a preservação das condições ambientais na área do reservatório e à execução de projetos e obras fora da área das instalações destinadas à produção de energia elétrica: Cássio de Paula Freitas (1974-85).9 mil rurais e 1. além do aumento populacional. como pelo consumo de bens e serviços proporcionados pelos milhares de trabalhadores que recebiam salários e benefícios de seus empregadores vinculados ao projeto. cuja compensação paga pela Itaipu foi equivalente a US$ 190 milhões. produtivas) nas áreas que seriam inunda­ das pelo lago. com uma média histórica por volta de meio milhão de pessoas por ano. foram também submersos 577 km de estradas. ele­ tricidade.Faixa de proteção do reservatório. 5. e a grande maioria deles permaneceu nas proximidades da área do projeto. da submersão de equipamentos urbanos e de construções lo­ cais de valor cultural ou afetivo. não se limita ao sítio da usina. Luiz Eduardo Veiga Lopes (1985-90). o cargo é ocupado por Nelton Miguel Friedrich. estendendo-se também às localidades próximas ao lago. a tal ponto de ter sido visitada por cerca de 16 milhões de pessoas de 1977 a 2010.

ao passo que foram também sendo instalados os sistemas de controle. em 17 de dezembro de 1983 ocorre o primeiro giro mecânico da turbina da unidade geradora U1. alguns dias depois. por meio das subestações construídas na margem brasileira e na margem paraguaia. acarretando para a Itaipu dispêndios em obras de acon­ dicionamento de rodovias e de pontes no Brasil para a passagem dessas cargas de grandes dimensões e peso.Entra em operação a primeira unidade geradora em 05. no setor de 50 Hz. sincronizada com a rede da ANDE. contêm as relações dos consórcios e empresas que fizeram respectivamente o controle de qualidade e inspeção e exe­ cutaram a montagem propriamente dita dos equipamentos. Superintendente de Engenharia da Itaipu em 1974.A História das Barragens no Brasil . Logo depois. boa parte das peças eletromecânicas provém de centros industriais ou do exterior. Obede­ cendo-se os delays programados. e. em 5 de maio de 1984. 5. ela passou a transmitir energia em caráter experimental para São Paulo. A usina alcançava desse modo autonomia parcial. anexo. Foi um importante marco na história do empreendimento. supervisão e proteção. também anexos. passando por portos marítimos. de acordo com o cronograma geral. esses portos eram bastante afastados da região das obras. As obras de montagem eletromecânica foram iniciadas em 1980 e concluídas em 1991. O Quadro VII. os condu­ tos forçados e os equipamentos na barragem de concreto. e os segmentos da construção foram sendo liberados. Conforme é característico dessa fase da construção de uma hidro­ elétrica. Figura 21 . utilizando o sistema de corrente contínua (HVDC – High Voltage Direct Current). pondo em funciona­ mento a primeira de suas 18 unidades geradoras contratadas à época.Séculos XIX. Funciona a primeira unidade geradora Cumprindo o cronograma de montagem. pertencente a empresa Furnas Centrais Elétricas S.A. Desse modo. o que exigia transportes de longa distância em veículos especiais. No caso de Itaipu. localizada na extremidade direita da Casa de Força. XX e XXI 5. Esses trabalhos contaram com a experiente atuação do engenheiro José Gelazio da Rocha. A montagem eletromecânica À medida que obras civis foram avançando. Foram também montadas as linhas de transmissão que conectam a usina ao sistema elétrico interligado.15. à direita). foram então montadas as tomadas de água. foram também iniciadas as montagens eletromecânicas. contém a relação dos consórcios e empresas fabricantes. O Quadro VIII e o Quadro IX.14. 332 ..1984 – Congratulações dos Diretores-Gerais José Costa Cavalcanti (Brasil) e Enzo Debernardi (Paraguai. foi iniciada sua operação efetiva.05. deu-se continuidade à montagem dos equipamentos de geração da casa de força e dos equipamen­ tos e sistemas auxiliares desta.

foram captados. passando a hidroelétrica a contar en­ tão com 20 unidades geradoras.1. é enfim inaugurada a uni­ dade geradora U18. em 6 de maio de 1991. o que resu­ me o histórico do endividamento da Itaipu. Operação da usina e desenvolvimento organizacional 6. a Itaipu instituiu a Fundação Itaipu-BR de Previdência e Assistência Social. com o atendimento de 26% da demanda do setor elétrico do país. de 1974 a 2008. muitos deles vindos de outras empresas do setor elétrico. Mantido o ritmo de montagem de duas a três unidades por ano. para efeitos de faturamento. que passou a adminis­ trar o Hospital Ministro Costa Cavalcanti. US$ 12.1. gradualmente constituído o quadro de trabalhadores per manentes da usina. foi então iniciada a comercializa­ ção da energia produzida pelas duas primeiras unidades geradoras (U1 e U2). ambas em 50 Hz. sem fins lu­ crativos. em 25 de outubro de 1984 foram então oficialmente inauguradas as unidades geradoras U1 e U2. última das 18 unidades previstas do conjunto gerador principal com 12. que seria de longa duração. Nessa linha foi também criada em 1994 no Brasil a Fundação de Saúde Itaiguapy. assim. porém. portanto. que via­ bilizaram a obra. montantes da ordem de US$ 26.2. A operação da usina Decorrido o breve período inicial.600 megawatts (MW) que consta no Anexo B. Posteriormente. ainda em 1984 foram produzidos por Itaipu 277 gigawatts-hora (GWh) de energia. Antes. mostra a relação dos consórcios e empresas que executaram a instalação das unidades de reserva. fase que exigiria competências e relações de trabalhos diferentes das aplicáveis aos trabalhado­ res que atuaram durante o tempo que durou a construção e a montagem. alcançando. Na margem paraguaia foram criadas para as mesmas finalidades a Caja Paraguaya de Jubilaciones y Pensiones del Personal de la Itaipu Binacional (Cajubi) e a Fundación de Salud Tesai . ativando assim a contabilidade dos suprimentos de ele­ tricidade da Itaipu às entidades compradoras Eletrobras e ANDE. entregues ao sistema interligado.1. Desse modo. anexo.9 bilhões. 6.1.000 megawatts (MW). sete anos da entrada em operação das duas primeiras unidades. os governos do Brasil e do Paraguai resolveram realizar a obra mediante a obtenção de emprés­ timos a serem pagos a longo prazo.5 acima. O Governo Federal Brasileiro apoiou integralmente o esforço de captação de recur­ sos para o financiamento da construção e o Tesouro Nacional do Brasil ofereceu todas as garantias para os empréstimos. 333 . em face do novo vínculo emprega­ tício. utilizando as receitas a serem geradas com a própria produção da usina. O Quadro X. decorridos. O ápice da participação da Itaipu Binacional no mercado brasilei­ ro foi então alcançado em 1997. e US$ 14. sua potência máxima de 14. para atender aos empregados do quadro permanente da Entidade binacional. por volta de 1982.2 bilhões correspondem aos investimentos diretos. Início da operação comercial da usina A partir de 1 de março de 1985.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 6. A exemplo dessas empresas. de 2000 a 2007. Nesse sentido. Foi. Custo direto de Itaipu De acordo com o item 4. que somados aos US$ 100 milhões relativos ao capital social inicial. uma entidade fechada de previdência privada (fundo de pensão). 6. totalizam a cifra de US$ 27 bi­ lhões de recursos utilizados no empreendimento. assim. foram também montadas as unidades U9A e U18A. Desse montante. cuja descrição será apresentada adiante. a Itaipu começou o processo de mobilização da força de trabalho necessária para a futura ope­ ração e manutenção da usina.8 bilhões ao pagamento dos encargos e rolagem da dívida durante a construção.

sendo contabilizado no custo anual do serviço de eletricidade prestado pela Itaipu. Vidal Galeano. de S. em montantes iguais.600 MW para 14.4. em valor equivalente a US$ 650 por gigawatt-hora (GWh) gerado e medido na central elétrica.Reunião do Board de Consultores Civis em novembro de 2006.2 mil megawatts (MW) de potência instalada. questão primordial quando se trata de hidroeletricidade. o Tratado de Itaipu estabeleceu os royalties em seu Anexo C como mecanismo compensatório pelo uso do potencial hidráulico do rio Paraná no trecho em condomínio entre os dois países. de um lado.685 gigawatts-hora (GWh) de energia. e. O pagamento dos royalties é então feito às Altas Partes Contratantes. que alcançaram a casa dos US$ 7 bilhões. acrescido do respectivo fator de ajuste. que auferem inegáveis benefícios para sua população.1. Nelson L. que passa então de 12. Recorde operativo e comparações A Usina de Itaipu. que possui 18. Gurmukh Sarkaria (Chairman). como a maior usina hidroelétrica do mundo em geração de energia. Os valores transferidos a título de Royalties entre 1991 e 2010 ao Brasil e ao Paraguai. 334 . de outro lado. localizada na China. a usina chinesa dificilmente superará a de Itaipu em geração anual de energia. João Francisco Alves Silveira (consultor especialista) e Carlos Leonardo (Itaipu). 6. alcançado seu recorde operativo em 2008 com a produção de 94. XX e XXI Figura 22 .A História das Barragens no Brasil .1. A partir da esquerda: Victor de Souza Lima.Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) de vários municípios da região.000 MW de capacidade. ao regime hidrológico favorável do rio Paraná e à regularização do fluxo a montante na Região Hidrográfica do Paraná e.3. Pinto. na assessoria aos consultores. Paulo Teixeira da Cruz. proporcionam um aumento da capacidade realizadora dos dois países. A Itaipu se consagra desse modo. devido. Essa excepcional condição fez com que desde 1997 a Itaipu venha gerando em torno de 90 mil gigawatts-hora (GWh) por ano. principalmente por parte dos municípios da região impactada. Esse efeito pode ser constatado pela elevação verificada no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD . é superada nesse quesito somente pela Usina de Três Gargantas. Pagamento dos “royalties” e seus benefícios Conforme mencionado.Séculos XIX. Juan Bosio. ao fato de que o projeto de Três Gargantas prioriza o controle de cheias em detrimento da geração de energia. 6. Mas. atualmente.

a construção da barragem sobre o rio criou dois ambientes bastante distintos. qual a Entidade tem experimentado significativo êxito. a montante.. conforme será percebido pelas ações mostradas cronologicamente na seqüência. 335 . A Itaipu se desenvolve organizacionalmente O Tratado de Itaipu define como propósito específico da Enti­ dade Binacional construir e operar unicamente a hidroelétrica de Itaipu. pelas quais o Brasil e o Paraguai defi­ nem “. decorrente da escassez de chuvas naquele período e conseqüente dificuldade de reposição da água armazenada nos reservatórios da maior parte das hidroelétricas do País. praticamente também ocorria na região de Guaíra.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 23 ..05. 6.03. a partir do início da operação da usina.” .2002.. na restituição do fluxo de água no leito do rio Paraná. Essa limitação.2007 – Presidentes Luis Inácio Lula da Silva (Brasil) e Nicanor Duarte Frutos (Paraguai).2005.1. que as iniciativas no campo da responsabilidade social e ambiental devem inserir-se como componente permanente na atividade de geração de energia. novo. Cabe registrar que. Itaipu pôde deplecionar seu reservatório. conseguindo desse modo mitigar sobre­ maneira os efeitos da redução da oferta de energia no sistema interligado brasileiro naquele momento crítico. que é uma vereda pela 6. Esses dois ambientes perma­ neceram originalmente incomunicáveis entre si. com águas calmas. Isso é sobremaneira reforçado pelas Notas Reversais sobre Responsabilidade Social e Ambiental. não impede o desenvolvimento endógeno da Itaipu como organização empresarial. porém. acompanhados dos respectivos Diretores-Gerais da Itaipu Jorge Miguel Samek e Victor Luis Bernal Garay. e outro a jusante. com mais intensidade durante os períodos secos do rio Paraná.2. na crise de abastecimento de energia elétrica vi­ vida pelo Brasil em 2001 . Tal fenômeno. no lago. da ordem de 80 milhões de megawattshora (MWh) por ano. O canal de transposição de peixes Em termos de ictiofauna. não prevendo sua expansão para outros negócios..2. assinadas em 31. já antes da construção da usina. mantendo ele­ vados níveis de produção. um. todavia. sob determinados parâmetros e normas.Inauguração das duas últimas unidades geradoras em 17.

o PTI.5 km a jusante da usina. mesmo nas épocas de estiagem. embora sua execução tenha sido iniciada em 1997 pelo Governo do Estado do Paraná. hoje é livre a migração de peixes de jusante para montante e vice-versa. firmadas em 2003. a desempenhar um papel importante para a conservação da biodiversidade. e retornem no outono e inverno (migrações ascendente e descendente). inclusive na região de Guaíra. hoje e no futuro e pode ser útil ao meio externo à Itaipu. complexo. O parque tecnológico Itaipu Ao por em operação suas duas últimas unidades geradoras. 336 . portanto. Nelson L. a administração da Itaipu deu. inserindo nela.Séculos XIX. Giuseppe Stevanella. com 10 km de extensão.A História das Barragens no Brasil . Ruben Brasa Soto (Diretor Técnico de Itaipu) e João Francisco Alves Silveira (consultor especialista da assessoria ao Board). foi projetado e construído pela Itaipu o Canal da Piracema. cuja foz se localiza na margem esquerda do rio Paraná. Paulo Teixeira da Cruz. no Brasil e no Paraguai. de S. cuja reutilização é indispensável ao adequado funcionamento da empresa. mediante acordo deste com a Itaipu. O Canal foi inaugurado em 2002. enunciado mais amplo à Missão da Entidade. entre outros aspectos. em parte artificial e em parte regularizando o rio Bela Vista. Antonio Otelo Cardoso (Diretor Técnico Executivo da Itaipu).Reunião do Board de Consultores Civis em novembro de 2010 – foto da esquerda (a partir da esquerda). O Canal da Piracema permite então que os peixes migradores cheguem às áreas de reprodução e berçários acima da usina no período da piracema (migração reprodutiva). A comunicação estabelecida finalmente entre o lago e o rio passa. John Gummer. Vidal Galeano.2. 6. XX e XXI Por isso. idéia que surgiu depois de muitas discussões. a Itaipu encerrou suas obras principais da usina. como um espaço para a integração educacional. resultou apreciável acúmulo de conhecimento por parte dos profissionais e da organização.2. Pinto (Chairman). em corredeiras especialmente Figuras 24 e 25 . na foto da direita. Desse processo. Selmo Kuperman. 2. Com essas concepções. como canoagem de rafting e slalom. As competições ali realizadas também contribuem para o desenvolvimento do turismo regional. os consultores em túnel de drenagem. A partir daí foi implantado em 2003 o Parque Tecnológico Itaipu. Essa decisão foi precedida do estudo denominado “A ictiofauna de ocorrência do rio Bela Vista”. construídas para essa finalidade. tecnológica e cultural da América Latina. Assim. o necessário impulso ao desenvolvimento tecnológico sustentável no Brasil e no Paraguai. No Canal da Piracema são também praticados esportes náuticos. logo depois.

O comitê faz também a articulação perante os órgãos públicos do Poder Executivo. pós-doutores e profissionais de notório saber.600 parceiros. com responsabilidade social e ambiental. de produzir e de consumir. para que ela se mantenha abundante. que organizados em Comitês Gestores em cada um dos 29 municípios.que tiveram áreas inundadas pelo  reservatório da usina. os comporta­ mentos das estruturas de barragens e seus respectivos materiais. Os membros do Comitê Gestor se reúnem periodicamente para dialogar sobre o an­ damento das ações do CAB no município. cooperativas. produtores rurais. de viver. O CAB define como território de atuação a unidade de planejamen­ to da natureza: a bacia hidrográfica. nele explicitando aquelas ini­ ciativas que já vinha conduzindo. pertencentes em condomínio aos dois países. Essa Missão ampliada obrigou o reajustamento das políticas e di­ retrizes fundamentais da Itaipu e influiu diretamente na redefinição de seus objetivos estratégicos. o que passou a exigir determinados resultados empresariais antes não requeridos ou requeridos de for­ ma diferente. avaliar resultados das medições efetuadas.2.”. portanto. entre prefei­ turas. ao turis­ mo (em 2007 foi repassada à Fundação PTI a exploração do Complexo Turístico Itaipu. à educação. no Brasil e no Paraguai”.09. além de mitigar e cor­ rigir passivos ambientais existentes nas comunidades da região. Trata-se. turístico e tecnológico. em 05. principalmente relacionadas às pequenas propriedades. sustentável. Atualmente. o CAB conta com mais de 1. enfim. A Missão ampliada da Itaipu passa então de: “Aproveitamento hidroelétrico dos recursos hídricos do rio Paraná. após reflexões feitas por parte de sua Direção. na margem brasileira - para os 29 municípios da Bacia Hidrográfica do Paraná 3 (BP3).2003 aprovou a revisão de seu planejamento estratégico. hoje e sempre.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O PTI se dedica. até a foz do rio Iguaçu. de especial interesse para a engenharia de barragens. a Itaipu. que se constitui em um espaço técnico-científico implantado pela Universidade Corporativa Itaipu. para “Gerar energia elétrica de qualidade. representantes da sociedade civil organizada e outros. desde e inclusive o Salto Grande de Sete Quedas. mestres. O objetivo do CEASB é estudar. o que inclui também o CBDB. órgãos governamentais. que consiste em uma das 16 bacias hidrográficas instituídas oficialmente no Estado do Paraná. correlacionar me­ dições com as prováveis causas e desenvolver técnicas de inteligência computacional relacionadas ao comportamento e segurança de barragens. de um movimento de participação permanente. moldando-se assim uma nova maneira de operar a 6. à pesquisa. a organização exterioriza para as sociedades de Brasil e Paraguai valores convergentes com uma governança corporativa atualizada. além dos comitês específicos dos programas transver­ sais. Em decorrência desse conceito. na forma de uma Missão ampliada em relação ao enunciado anterior. 6. ou Salto de Guaíra. pelo PTI. que era a reprodução do objeto do caput do Tratado de Itaipu. 337 . portanto.3.2. do Po­ der Judiciário e dos órgãos ambientais para ajudarem a encaminhar soluções. A Missão ampliada da Itaipu e seus reflexos Conforme citado nos itens anteriores. Desse modo. a área de influência de atuação direta de Itaipu deslocou-se dos 16 mu­ nicípios conhecidos como lindeiros . que se justifica a existên­ cia de Itaipu. pela Universida­ de Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e por instituições parceiras. com qua­ lidade. doutores. próprias de qualquer empresa contemporânea. que permeiam todo o tecido social da BP3. associações de classe. em que a Itaipu. proporcionando desse modo uma fonte de receitas que ajuda no financiamento de suas atividades) e ao empreendedorismo. com o propósito final de dedicar cuidados extremos à água de que dispomos. atuam nos programas e ações que estão sendo de­ senvolvidos.4. entre outros. impulsionando o desenvolvimento econômico. ONGs. foi então criado o Programa Cultivando Água Boa (CAB). O CEASB conta com alunos de graduação. Nas atividades de pesquisa conta com o CEASB – Centro de Estudos Avançados em Segurança de Bar­ ragens. O Programa Cultivando Água Boa Considerando-se que é pela água. trabalha com a sociedade para mudar os seus valores e sua maneira de se conduzir.

que selam o acordo celebrado pelos dois países quanto à conduta de ambos no campo da responsabilidade socioambiental na Itaipu. Com esse ordenamento conceitual. o projeto do Centro Internacional de Hidroinformática (junto com a UNESCO) e a Uni­ versidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). a ação de gerar energia pressupõe que sua execução se dê com responsabilidade social e ambiental. E.  Em razão disso.5 vezes superior ao do Eurotúnel no Canal da Mancha. o volume de escavações de terra e rocha em Itaipu é 8. dentro de um espírito de cordialidade e os laços de fraternal amizade.ASCE). com a cooperação do PTI. a capacidade de descarga máxima do vertedouro de Itaipu (62. que são considerados estratégicos para a organização porque estão alinhados com objetivos da organização e procuram apresentar os resultados que se pretende obter com o desenvolvimento tecnológico da usina e do seu entorno. em 2003. A altura da barragem principal (196 metros) equivale à altura de um prédio de 65 andares. o ferro e aço utilizados permitiriam a construção de 380 Torres Eiffel. Responsabilidade social e ambiental De acordo com a Missão ampliada da Itaipu. quer sob a de pesquisa.. de grandeza obliterante. Consoante a Missão ampliada. o projeto de software livre. com poucas alterações para atender a essas demandas. comentários e adjetivos servem para demonstrar que o Brasil e o Paraguai decidiram construir juntos não só uma hidroelétrica de extragrande porte. Epílogo Os números de Itaipu suscitam impressionantes comparações: o volume total de concreto utilizado na construção da usina seria suficiente para construir 210 estádios de futebol como o do Maraca­ nã. Foi a solidez dessa base de entendimento e de união que verdadeiramente permitiu que 6. partem da Universidade Corporativa Itaipu (UCI) para seu de­ senvolvimento.Séculos XIX. sob o título “Missão da Itaipu Binacional no campo da responsabilidade socioambiental”. em 31.. Portanto. essas comparações. estão os valores maiores do acordo que os cidadãos brasileiros e paraguaios souberam consolidar.. o Brasil teria que queimar 536 mil barris de petróleo por dia para obter em plantas termoelétricas a mesma produção de energia de Itaipu. estão sendo conduzidos o projeto de modernização da usina (atualização tecnológica). a revista norte-americana Popular Mechanics e a Associação Norte-Americana de Engenheiros Civis (American Society of Civil Engineers .A História das Barragens no Brasil . dada à importância do assunto. e o volume de concreto é 15 vezes maior. em 1995 classificaram a Itaipu como “uma das sete maravilhas do mundo moderno”.2005 o Brasil e o Paraguai trocaram notas diplomáticas reversais. Isso reafirma a visão de que a responsabilidade social não é apenas um conjunto de ações.. desenvolvimento . com nível de superintendência. dentre os quais se encontra o próprio PTI. subjacentes à exatidão dos números e de seus resul­ tados materiais. o fato de ela passar a constar na Missão serve para reiterar a convicção das Altas Partes Contratantes quanto à necessária e contínua assimilação desses valores pela Itaipu.5. o projeto do veículo elétrico.”. tecnológico . XX e XXI empresa. 338 . a Plataforma Itaipu de Energias Re­ nováveis. Nesse sentido. que a todos tanto impressiona. mas sim eri­ gir uma das obras de engenharia mais portentosas existentes no planeta. Esses projetos estratégicos. Embora essa concepção não seja novidade na Itaipu. de desenvolvimento e inovação e de gestão do conheci­ mento. quer sob a linha da educação corporativa. próprios de uma atuação empresarial moderna. Contudo.2. a Itaipu criou a Coordenação dos Progra­ mas de Responsabilidade Social.. mas uma forma de gestão da empresa na sua inte­ gralidade. 7. que estabelece também o “. mas aproveitando-se sua estrutura organizacional.2 mil metros cúbicos por segundo) corresponde a 40 vezes a vazão média das Cataratas do Iguaçu. desenvolve alguns projetos..03. a Itaipu.

que foi fundamental para a concretização do Projeto Itaipu. João Emílio C. Superintendência de Engenharia e Superintendência de Obras.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens ambos os países convergissem para o interesse comum de re­ alizar o aproveitamento hidroelétrico. Ademar Sérgio Fiorini. Joran Alfredo Sachs e ao Centro de Documentação da margem brasileira. Agradecimentos Pelas contribuições ao texto e quadros anexos: a Margaret Mussoi Luchetta Groff. Marco Aurélio Vianna de Escobar. José Augusto Braga e a Corrado Piasentin (álbum particular). Esperamos que esse texto tenha sido útil ao leitor. todos órgãos da Itaipu. 339 . Pela cessão das fotografias: à Assessoria de Comunicação Social. de Mendonça. José Ricardo da Silveira. Corrado Piasentin. Cláudio Porchetto Neves. Flavio Miguez de Mello. principalmente para a com­ preensão desse aspecto sinérgico. na pessoa de seu gerente Jorge Henn. S.

Centro de Documentação da ITAIPU Binacional.Aspectos de Engenharia”. ITAIPU Binacional 2009. XX e XXI Continuação da página anterior Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu .A História das Barragens no Brasil .Séculos XIX. 340 . margem brasileira.

margem brasileira.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu . ITAIPU Binacional 2009. Centro de Documentação da ITAIPU Binacional.Aspectos de Engenharia”. 341 .

margem brasileira.A História das Barragens no Brasil . margem brasileira.Aspectos de Engenharia”. 342 . Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu Aspectos de Engenharia”. ITAIPU Binacional 2009. XX e XXI Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu . Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. ITAIPU Binacional 2009.Séculos XIX.

vista aérea 343 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Fontes: livro “Usina Hidrelétrica de Itaipu . Itaipu .Aspectos de Engenharia”. Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. ITAIPU Binacional 2009. margem brasileira.

ITAIPU Binacional 2009.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . margem brasileira. Centro de Documentação da ITAIPU Binacional. XX e XXI Fontes: livro “Usina Hidroelétrica de Itaipu Aspectos de Engenharia”. 344 .

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PCH Ivan Botelho III (Triunfo) no rio Pomba em Minas Gerais .

atualmente. complexidades e tecnologia que orgulham a engenharia nacional e são referência internacional. o apogeu e. com mais de 10 anos de história na defesa das PCHs.000 kW instalados. a força motriz do Brasil no final do século XIX e no início do século XX. Neste capítulo são enfocados o nascimento. Foram. a geração de energia elétrica era eminentemente privada. o desenvolvimento. operando hidroelétricas de pequeno ou médio portes. do que os em­ preendimentos dos dias de hoje. relaciona a soma das PCHs em operação no Brasil com as grandes hidroelétricas e apresenta o conjunto das PCHs como a terceira maior fonte geradora de energia hidráulica nacional. Naquela época. um quadro elaborado pela ABRAGEL – Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa. Naquela época. as pequenas cen­ trais hidroelétricas PCHs são de até 30 MW e são chamadas de “pequenas”. Para demonstrar a atual importância das PCHs na matriz elétrica brasileira. O desenvolvimento do país sempre esteve ligado diretamente à expansão da geração de energia. algumas poucas indústrias e iluminação pública.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Pequenas Centrais Hidroelétricas no Brasil Ricardo Nino Machado Pigatto Introdução As pequenas centrais hidroelétricas sempre fizeram parte da his­ tória do Brasil no que diz respeito à geração de energia elétrica. Até 1930 mais de mil diferentes empre­ sas de geração e distribuição de energia elétrica estavam ativas. com raras exceções. a crise das pequenas centrais hidroelétricas. ultrapassa­ vam 1. muito mais importante pelo pio­ neirismo e como alavanca do desenvolvimento. Foi um período notável para o País. Pela definição atual. A caracterização e definição do conceito de pequenas centrais hidroelétricas – PCHs só foi criado no Brasil nos anos 80 do século XX. antes denominada APM­ PE – Associação Brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Energia. As usinas. Quadro 1 – Quadro comparativo UHE x PCH 347 . literalmente. as usinas eram de potências modestas porque alimentavam pequenas cidades. mas com características. Entre 1901 e 1910 foram construídas em todo o Brasil setenta e sete usinas hidroelétricas. além de fornecerem força motriz para bondes nas cidades maiores. No início do século passado as usinas hidroelétricas eram referidas como “pujantes e estru­ turantes”.

foi criado o conceito de produtor independente de energia elétrica. sem licitação. Passou a ser atri­ buição da ANEEL conceder outorgas de autorização. assim como o conceito de autoprodutor que poderia vender exce­ dentes de energia elétrica. e isto as PCHs não tinham.000 kW.000 kW e menor ou igual a 30.000 kW. posteriormente. estes limites foram mudados. Já estava criado o conceito de consumidor livre. Mas vieram os questiona­ mentos ambientais. O desenvolvimento das PCHs Em 1998 também foi criado o MAE – Mercado Atacadista de Energia. XX e XXI Nos anos seguintes. Em 1998. é claro. Para haver uma receita previsivelmente segura para fins de garantias de financiamento. foi a partir de 1998 que passou a ser definida comercialmente como PCH as usinas com capacidade instala­ da acima de 1 MW e até 30 MW. até 10. permaneceram ativas. os questionamentos sobre os “danos” dos grandes reservatórios e o retorno do conceito de que muitas peque­ nas usinas poderiam ser melhores do que uma grande usina. não havendo qualquer estímulo para aderir ao novo programa criado. mas faltava alguma coisa. por serem também novos assuntos tratados no âmbito dos órgãos li­ cenciadores. meio-ambiente. PIEs. o momento econômico do Brasil não era fa­ vorável para quaisquer investimentos que necessitassem de capi­ tal intensivo e retorno de longo prazo. E assim a implantação de novas pequenas usinas hidráulicas foram se arrastando até 1995. Para obter financiamento de longo prazo era fundamental ter garantias de pagamento num conceito moderno denomina­ do project finance (onde o próprio negócio gera suas condições de financiabilidade). mas como garantir a entrega da energia contratada de uma PCH se tratava-se de empreendimentos dependentes da hidraulicidade e de variáveis climáticas? E mais. Um novo horizonte para o desenvolvimento de profissionais nas áreas de engenharia. Neste período muitos dos pequenos aproveita­ mentos foram caindo no ostracismo e. Em suma. Os licenciamentos ambientais. com restrições quanto às áreas  de seus reservatórios nos níveis d’água máximos normais. aproveitamentos com potência superior a 1. um marco para o setor. Poderia. Para os aproveitamentos com potên­ cia inferior a 1. com geração de empregos e renda para especialistas nessas áreas de desenvolvimento de projetos. O Brasil cresceu muito nos anos setenta e consolidou o conceito de que usina “boa” era usina grande. através da Lei das Concessões. somente seria possí­ vel havendo geração de energia garantida. Esse debate alimentou os ambientes acadêmicos e ainda nos anos oitenta o governo federal buscou criar um programa de pequenas usinas denominado de Programa Nacional de Pequenas Centrais Hidroelétricas que buscava incentivar a autoprodução de energia. Neste ano. Para haver um project finance era necessário um fluxo-de-caixa previsível.Séculos XIX. Mesmo que tenha havido um programa de pequenas centrais nos anos 1980’s. Havia um nicho para ser explorado pelas PCHs. Muitos novos projetos de PCHs foram desenvolvidos.A História das Barragens no Brasil . Realmente uma equação difícil e de contornos assustadores diante dos desafios das soluções possíveis. estavam em andamento. aquele que poderia escolher seu fornecedor de energia elétrica. Algumas poucas usinas. para construir uma PCH era necessário capital intensivo e financiamento de longo prazo. mesmo que difíceis. foi descortinado. etc. infelizmente. após a criação da ANEEL (1996). os valores praticados como tarifas eram relativamente baixos e aplicados pelas distribuidoras. desati­ vados. Para produtores independentes seriam concedidos. cinquenta e sessenta. 348 . a industrializa­ ção do País exigia maior expansão da geração e o braço forte estatal migrou dos pequenos aproveitamentos para as grandes hidroelétricas. ser um con­ sumidor livre.000 kW cabia (e ainda permanece assim) apenas comunicação ao poder concedente. geologia. Para haver um fluxo financeiro previsível era necessária receita previsível e não sujeita a sazonalidades ou a variáveis climáticas.000 kW. Para autoprodutor seria autorização. Havia sobra de energia. como para auto­ produtores de energia APEs de usinas hidrelétricas com potên­ cia igual ou maior que 1. Mas. tanto para produtores independentes de energia. Era uma mu­ dança de paradigmas e um mundo novo a ser explorado. tendo sido analisados e aprovados pela ANEEL. com características de concessão de serviço público. havia um grande potencial de empreendimentos para serem construídos. mediante licitação. mas faltava o essencial: o comprador da energia.

Programa de Incentivo (de geração de ener­ gia elétrica através) de Fontes Alternativas. Mas ainda não estava tudo resolvido. Ou seja.: consideradas apenas as PCH . não havia como vender a energia para consumidor livre por não haver uma energia garantida e também não havia como vender para a Eletrobras porque a forma que esta estava pensando em adotar para calcular a energia firme das PCHs não era su­ ficiente para garantir o pagamento dos financiamentos. talvez o mais importante sob o ponto de vista regulatório e viabilizador dos empreendimentos de hoje. Foram contrata­ dos 3. topografia. gerando uma receita incapaz de suportar as exigências do agente financiador de longo prazo. A questão ambiental foi foco de discussões acaloradas e ainda assim permanece. pela modelagem pro­ posta pela Eletrobras na época. Mais um dos grandes marcos do setor. na época. Para financiar com segurança era necessário um comprador/garantidor com bom rating na praça e contratos de compra e venda de energia de longo prazo. geologia. ONS. numa ação conjunta e bem conduzida pelo MME. Este programa. além das PCHs. serviços ambientais. tais como projetos. no caso o BNDES. assim como os agentes financiadores confiarem nos mecanismos de atenuação de riscos e garantias de pagamentos. Atualmente (2011) está em torno de 3. o PROINFA.setembro/10 Relatório Acompanhamento da Expansão da Oferta de Geração de Energia Elétrica . o agente financiador exigia garantias corporativas dos empreendedores. divididos entre as três fontes.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Já era o ano de 2000. Apenas o governo tinha. resultava em fatores de capaci­ dade muito baixos para as usinas. era impossível. o programa não progrediu. em 2002 e consolidado em 2004.300 MW. segu­ ros. que então englobou. um dos programas mundiais mais importantes de geração de energia através de fontes ambientalmente corretas e socialmente justas. ANEEL e Eletrobras com seus corpos técnicos qualificados e empenhados em dar as condições necessárias para a expansão do setor. um cír­ culo virtuoso desde o ano 2000 até 2008. Então.1 a 30 MW A figura na página a seguir é o resultado desta expansão e mostra as localizações das PCHs no Brasil em 2011. este perfil. hidrologia.ANEEL .setembro/10 Obs. Ter uma energia de placa. O denomina­ do “aproveitamento ótimo”. Pelo critério de cálculo ado­ tado para as hidroelétricas de maior porte. haja vista que a quase totalidade dos reservatórios de PCHs eram projetados para operar a fio d’água. já então confiantes da capacidade das PCHs atenderem suas demandas de energia. mas altamente preparador para o atendimen­ to do mercado dos consumidores livres. Um crescimento digno de nota e de reconhecimento. Quadro 2 – Evolução das pequenas centrais hidroelétricas Qtde Total até 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 189 15 12 23 7 11 18 17 38 30 22 189 204 216 239 246 257 275 292 330 360 382 Potência (MW) 831 69 51 268 68 126 228 253 650 463 248 Total (MW) 831 900 952 1219 1287 1413 1641 1894 2544 3007 3256 Fonte: BIG . as PCHs passaram a fazer parte do MRE (Mecanismo de Realocação de Energia) com o cálculo da energia média através da Resolução ANEEL 169/2001 de 3 de maio de 2001. mas dentro de certos limites garantidos de geração que. Os empreendedores de PCHs foram convidados para apoiar uma iniciativa louvável da Eletrobras de criar um programa chamado de PCH-Com. Era um programa no qual a Eletrobras garantia a compra da energia gerada pelas PCHs. Ainda século XX. Ou seja. O Brasil tinha cerca de 850 MW em operação de PCHs em 1998 passando para 3.000 MW em 2008. Neste período muito se aprendeu. as fontes biomassa e eólicas. o grande problema a ser solucionado era firmar a energia das PCHs. teve um caráter didático e de­ senvolvimentista que permitiu a expansão da indústria de equipa­ mentos. produtos financeiros e muito mais. de serviços especializados. com controle de re­ servatórios. exige o estudo e a definição de uma sucessão de aproveitamentos no 349 . Desta forma. Como vender para consu­ midor livre ainda era uma novidade. Logo. E então foi criado.500 MW. mas com ares de sécu­ lo XXI. sem adotar o conceito de project finance. que se encerra neste ano de 2011. de forma a assegurar uma expansão do setor de PCHs com segurança para o mercado cativo (ambiente regulado). estabelecido por Lei em 1995. da construção civil.

Com o grande desenvolvimento das PCHs. Figura 2 – Distribuição das PCHs nos diversos estados Fonte: Abragel / 2011 Na tabela acima a coluna prazo é uma estimativa de tramitação na ANEEL até a emissão da outorga de autorização. houve uma avalanche de novos projetos e inventários junto à agencia reguladora ANEEL que resultou no enorme potencial identifica­ do no Brasil. Prazo (1) (anos) Com autorização (com LP/LI) 2. As teses do passado voltaram a as­ sombrar novamente.271 170 7 Potencial Teórico 15.Localizações das PCHs no Brasil em 2011 Quadro 3 – Situação dos projetos de PCH em tramitação na ANEEL em janeiro de 2011 Potência (MW) Quant.A História das Barragens no Brasil . mas no sentido inverso. Agora há necessidade de um profundo estudo para cada inventário de rio denominado de análise ambiental integrada – AAI que ampliou os limites das discussões. ou apogeu. Entretanto há movimentos firmes e sérios na agência para redução drástica dos prazos de tramitação. Em janeiro de 2011 encontravam-se em tramitação dentro da ANEEL projetos conforme tabela abaixo: Figura 1 . salvo o Potencial Teórico.035 194 6 Subtotal 1 5. baseada em mé­ dia histórica de 2007 até 2010.931 (1) prazo estimado de maturação dos projetos .: não foi considerado potencial em fase de inventário Obs.705 1. XX e XXI mesmo curso d’água. provocando uma cascata de usinas. Os ór­ gãos ambientais e ONGs ambientais questionam se esta é melhor condição ambiental para o curso d’água e. 350 . as discussões nunca terão fim. ques­ tionam se não seria melhor um grande reservatório ao invés de uma sequência de pequenos. que é um estudo do CERPCH de Itajubá.início da construção Obs.458 TOTAL 23. Nesta área. de forma cíclica.725 1.089 213 3 Análise/Aceite . certamente.Séculos XIX.288 15 Subtotal 2 17.:Dados ANEEL Janeiro/2011.454 1.ANEEL (com LP/LI) 856 66 5 Aguardando Análise ANEEL 3.980 473 Em Elaboração/Complementação 2.

Mas como “não há mal que sempre dure. fiquem completamente alijadas dos processos de leilões no ACR.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A crise das PCHs Em 2008 o mundo foi sacudido por uma crise econômico-finan­ ceira que envolveu os principais bancos internacionais e provocou uma falta de liquidez e. então este ciclo se encerrou. sem levar em consideração as características e as regionalidades de cada fonte. fazendo competir entre si diversas fontes de geração e. Mas ainda existia (e existe) o ACR .. desde 1883. a busca de fornecedores incentivados. Naturalmente esta crise teve reflexo no desenvolvimen­ to do Brasil e estancou. não induzindo aos consumidores livres. com va­ lores modestos.. houve uma importante e fatal perda de compe­ titividade em função da evolução tecnológica de outras fontes. ficaram sem mercado potencial de comercialização de seu produto. atualmente. além da disponibilidade internacional de equipamentos. levando o potencial de geração através de PCHs no Brasil aos almejados 25. capaz de construir usinas memoráveis do passado e brilhantes. que vinham se desenvolvendo muito bem através da venda antecipada de sua energia e assim viabilizando os project finance. As PCHs. Os valores que passaram a ser negociados no ACL . foi capaz de desenvolver o estado da arte na engenharia hidroelétrica.não foram mais capazes de viabilizar a cons­ trução dos empreendimentos. de forma abrupta. também agravada por desequilíbrios tributários. no caso das PCHs. no mercado livre (as PCHs são denominadas como fonte incentiva­ da pois há desconto de 50% nos custos de transporte da energia). Figura 3 – PCH Antônio Brennand no rio Jauru 351 . à perda de mão-de-obra qualificada desenvolvida ao longo dos últimos anos e ao desenvolvimento de outras fontes ambientalmente menos qualificadas. redução da atividade econômica.que são os leilões de energia levados a efeito pelo poder conce­ dente. a expansão industrial.ambiente de contratação livre . tudo em nome da “modicidade tarifária”. A esperança no futuro Não há dúvidas de que as PCHs são fontes de geração de energia limpa. por consequência.ambiente de contratação regula­ da . além de outros adjetivos qualificativos favoráveis ao seu desenvolvimento. descentralizada. sustentável.. em média. As cir­ cunstâncias atuais levam à desindustrialização do setor. renovável.” certamente as PCHs retomarão o mes­ mo caminho virtuoso que. O Governo passou a fazer leilões de energia tendo como competição apenas o valor do MWh. fazendo com que as PCHs. sem impactos de êxodos rurais.000 MW em 20 anos. socialmente inseridas nas comunidades. Nem tudo estava perdido. Ledo engano. Passou a ter excesso de oferta de energia e o mercado spot desde então esteve.

PCH São Joaquim no rio Benevente. XX e XXI Figura 4 – PCH Irara com 30 MW no rio Doce.A História das Barragens no Brasil . no Espírito Santo Figura 6 . no Espírito Santo Figura 7 – PCH Anna Maria no rio Pinho em Minas Gerais 352 . em Goiás Figura 5 – PCH São Simão com 27 MW no rio Itapemirim Braço Norte Esquerdo.Séculos XIX.

PCH Santa Fé no rio Paraibuna.2005 Figura 9 .000 – Governo do Estado de São Paulo (4) Souza. Rio de Janeiro e Minas Gerais 353 . Interciência – 2009 (5) Site da ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica (6) Tolmasquim. Cristiano . Afonso Henriques. Zulcy. Maurício – Geração de Energia Elétrica no Brasil – Ed.– CERPCH – Itajubá/MG (2) ABRAGEL – Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa – Diversas apresentações em palestras (3) Prado Jr. Nascimento. Ferrari. Jason. Interciência . José Guilherme.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 8 – PCH Ivan Botelho I (Ponte) no rio Pomba em Minas Gerais Referências (1) Tiago. Santos. Geraldo. Bortoni. Edson – Centrais Hidrelétricas – Ed.A Evolução Histórica do Conceito das PCHs no Brasil. Galhardo. Fernando. Camila . Amaral.Pequenas Centrais Hidroelétricas do Estado de São Paulo – 2.

354 .

Neste capítulo procura-se discutir. a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Ao Estado restaria o papel da regulação. entre outras – a adaptação dos modelos importados mostrou-se particularmente desafiadora e não isenta de riscos. que em um desenho inicial da reestruturação seriam todas privatizadas. transmissão e distribuição seriam segregadas. em sua maio­ ria. como nos segmentos de transmissão e distribuição. as adaptações às quais tiveram que se submeter para se manterem como agentes importantes no setor elétrico e as carac­ terísticas (e desafios) para a gestão dos empreendimentos no novo contexto. dessa forma. à época. A justificativa para essa reestruturação era introduzir uma maior competitividade nesse importante segmento da infraestrutura e. tendo sido criada. a empreendimentos relacionados à empresa Furnas Centrais Elétricas. especialmente aqueles voltados à sua ex­ pansão. tanto no plano da expansão da oferta de energia elétrica (geração). tiveram que se adap­ tar às mudanças de cenários e às diferentes lógicas às quais o setor elétrico foi submetido nos anos seguintes. ten­ do como grande divisor de águas o traumático racionamento de energia elétrica vivenciado em 2001 e 2002. sob Usina hidroelétrica de Anta 355 . na qual os autores exercem suas atividades profissionais. diversida­ de de hidrologias entre regiões. desverticalizando as empresas. Os exemplos contidos no texto que se segue referem-se. A partir de então as empresas públicas. Essa reestruturação setorial viveu dois momentos distintos. As atividades de geração.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Nova Face das Empresas Estatais frente à Expansão da Oferta de Energia Hidroelétrica no País Márcio Antônio Arantes Porto e João Batista Gribel Soares Neto O setor elétrico brasileiro vivenciou mudanças profundas em sua orga­ nização estrutural a partir de meados da década de 1990. sob esse contexto político e econômico. privatizando todas as empresas públicas então existentes. O contexto de mudanças A partir da década de 1990 a estrutura regulatória e funcional do setor elétrico brasileiro foi profundamente modificada. sob amplamente majoritário controle estatal. dada a dificuldade de o poder público continuar a arcar com os vultosos recursos demandados pelo setor. No primeiro movi­ mento da reestruturação. com foco particular nas novas usinas hidroelétricas. Tal reestrutu­ ração teve por objetivo promover a criação de um mercado competitivo de energia elétrica no país. Dada a natureza peculiar do sistema brasileiro – forte prevalência da hidroeletricidade. atrair os capitais privados para o setor. por certo de forma muito bre­ ve. então. inspiração de experiências desenvolvidas em outros países oci­ dentais. todos. essas experiências das empresas públicas no novo ambiente setorial. dando oportunidade de acesso a novos agentes às receitas expressivas dessa atividade econômica. desse modo. a meta era retirar completamente do Estado o papel de agente econômico no setor. que seriam gradualmente privatizadas. com a consequente redução da presença do Estado nesse segmento da economia. extensão continental. buscando. atrair os investimentos privados.

somando experiências e capacitações que se complementam. determinados pelo planejamento setorial. O movimento de privatização das empresas públicas foi suspenso. insumo essencial para o desenvolvimento econômico e social do país. Mudanças culturais importantes. permissionárias e autorizadas do serviço público de distribuição de energia elétri­ ca. são outorgados aos agentes que se dispuserem a realizálos pela menor tarifa para os usuários. A concorrência tornou-se notoriamente mais acirrada. As tarifas aos consumidores não tem mais como base os custos incorridos na construção dos empreendimentos (a tarifa pelo cus­ to). de 15. enfim. mas – e até mesmo mais importante – tem atraído a participação dos investidores privados para compartilhar.848. Tais parcerias tem-se mostrado não somente rentáveis. ficou em meio do caminho com a ascensão de um novo governo a partir de 2003 e após o fracasso do modelo anterior. tema ao qual será dedicada. no modelo competitivo busca-se a efici­ ência econômica. ainda em curso. Ou seja. enfim. mas agora sob uma lógica que priorizava a segurança energética. ao tratar-se dos Modelos de Gestão dos empreendi­ mentos e da Engenharia do Proprietário. para o empreendedor – é um dos grandes desafios a ser en­ frentado nas obras do setor. embora mantida a ênfase na competição. o desafio imenso que é expandir a oferta de energia para o vigoro­ so mercado brasileiro. atraindo. Requisitos essenciais para o sucesso das empresas públicas no novo modelo O modelo setorial vigente tem por base a competição nos segmentos de Geração e Comercialização. investidores nacionais e estrangeiros para os leilões de outorga das concessões dos ativos de transmissão. que devem ser regulados. Os novos empreendimentos.03. desde o início. O ACR para a compra e venda de energia elétrica por concessionárias. 356 . observandose maiores deságios sobre os tetos de remuneração estabelecidos pela ANEEL. conforme ocorria anteriormente sob a égide da prestação do serviço público – onde não havia uma preocupação dominante com a minimização dos custos. que era inicialmente vedada. o “Ambiente de Contratação Regulada (ACR)” e o “Ambiente de Contratação Livre (ACL)”. É esse o ambiente competitivo complexo onde hoje convivem empresas privadas e públicas. foram necessárias às empresas estatais para adaptar sua atuação ao novo contexto. Esse equilíbrio entre a qualidade e os investimentos – custos.A História das Barragens no Brasil .2004. a menor Receita Anual Permitida ou RAP. que desaguou no racionamento de 2001-2002. No segmento da Transmissão a concorrência se dá através de leilões para outorga das novas obras de ampliação do sistema. com o setor público. enquanto no ACL se daria a comercialização direta de energia pelos agentes de geração aos consumidores livres. alguma reflexão. A Lei n o 10. enquanto a Trans­ missão e a Distribuição são consideradas monopólios naturais. que seriam repassados. o planejamento do setor pelo Estado foi retomado (com a criação da EPE – Empresa de Pesquisa Energética) e o modelo setorial radicalmente revisto. causando prejuízos profundos à economia do país. ou seja. Em especial quando se consorciam com empresas privadas para a exploração dos novos empreendimen­ tos. Estabeleceu dois ambientes de comercialização. um compromisso entre qualidade (regulada) e o preço (tarifa) do serviço. XX e XXI A privatização conforme originalmente planejada. O modelo de competição na Transmissão se consolidou primeiro. adiante. após liberada a participação das empresas públicas nos leilões.Séculos XIX. aos consumidores. com a comple­ ta retirada do Estado da atividade econômica na área da energia elétrica. introduziu uma nova regula­ mentação para a outorga de concessões de geração e para a comercialização de energia no país. Em verdade elas vem sendo particularmente bem sucedidas nessa nova configuração do setor.

finalmente. em muitos casos. em gerir o projeto com tais ca­ racterísticas – fato especialmente verdadeiro para as empresas públicas. em virtuosa complementaridade. a parceria das empresas estatais. dentro das estruturas funcionais de suas organizações. Houve necessidade de mudanças culturais profundas no modo de atuar das empresas públicas com vistas à sua adaptação e sobrevi­ vência no novo modelo competitivo setorial.090% sobre o piso de UBP estabelecido – agregando elevação de cerca de 30% aos seus custos de produção. a seguir. liberadas para participar dos leilões de novas concessões. no rio Uruguai. sempre cara. as melhores características das empresas privadas e das empre­ sas públicas em prol do desenvolvimento do projeto. foi necessário um forte empenho no âmbito da regulação bem como. Daí o agente negociaria sua energia livremente. com cus­ to de produção mais econômico. 100% estatais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Já no segmento de Geração houve. As parcerias com a iniciativa privada e o contexto de com­ petição pelas novas outorgas de concessão proporcionaram um importante aprendizado às empresas públicas. Na transição de modelo ocorrida após 2003. Ou seja. uma mudança radical de con­ ceitos. com 855 MW de capacidade. de forma sinérgica. em sua constituição societária. fornecedores de bens e serviços e concessionárias. mas que eram construídas com elevados custos. Por desenvolver um empreendimento específico. tanto em parceria com a iniciativa privada – maio­ ria dos casos – como através de empreendimentos corporativos. como investi­ dores puros. as SPE podem exercer uma gestão do projeto moderna e dentro das melhores práticas. ou seja. Os parceiros individualmente. no rio São Marcos. as 357 . teriam dificuldades. podem justificar o sucesso das empresas públicas nos certames para expansão da oferta de energia. alguns fatores que se consideram essenciais para o desenvolvimento favorável dos novos projetos de geração no ambiente competitivo e que. ficavam oneradas por um ágio elevado na UBP. a usina de Foz do Chapecó. Aquelas usinas mais atraentes. ressurgiram como agentes de relevo. participa­ ção minoritária das empresas públicas. Para resgatar esses projetos. de receitas antecipadamente estabelecidas e de longo prazo. motivado pela competição acirrada por sua outorga. em especial no que se refere às novas usinas hidroelétricas. não obstante aplicáveis a todos os agentes. No modelo competitivo inicial a outorga das concessões se dava àquele agente que mais pagasse por essa outorga. A ótica do “negócio” e sua rentabilidade tiveram que prevalecer frente à tradição das obras de altíssima qualidade. mas ainda há muito por avançar frente às exigências do mercado. a partir de um piso. sob uma estrutura organizacional projetada. O desenvolvimento dos projetos através de SPE As SPE – Sociedades de Propósito Específico são empresas priva­ das quando apresentam. valor de referência estipulado pelo governo. recebia a concessão para as novas usinas hidroelétricas aquele inves­ tidor que ofertasse o maior valor pelo Uso do Bem Público (UBP). que teve um ágio de 3. devido às características do modelo seto­ rial. estando presentes em vários empreendimentos importantes. Caso típico foi a excelente usina de Serra do Facão (210 MW). outorgadas sob o modelo anterior – e que ficaram conhecidas como “Botox” – encontraram dificuldades para se viabilizar e comercia­ lizar sua energia no novo ambiente. Aliam. Outro exemplo. Alguns fatores de sucesso Relacionam-se. Ademais. Podem incorporar parceiros com perfis bastante distintos. com a reformulação do modelo setorial introduzida a partir de 2004. Nesse novo contexto setorial. por disporem. através de contratos bilaterais registrados no Mercado Atacadista de Energia – MAE. as empresas públicas. muitas vezes. prejudicados pela mudança de modelo. muitas dessas usinas. que teve ágio de 554%. em Goiás. Nesse ambiente a energia disponibilizada ao mercado acabava.

impacta o meio ambiente – físico. que se somam ao expertise das empresas públicas. em geral. Vantagens essas que são potencia­ lizadas através de parcerias venturosas. os aspectos sociais – é absolutamente determinan­ te no sucesso dos empreendimentos hidrelétricos na atualidade. o que acarreta em menores prêmios de risco e melhores condi­ ções de contratações das obras e outros serviços – enfim. agregando-se sempre. o melhor perfil da dívida e dos desembolsos. em suas várias disciplinas. Engenharia financeira do projeto O equacionamento financeiro do projeto talvez seja o ítem mais importante. paralisações. por disporem de equipes próprias e capacitadas – quer na engenha­ ria. enfim. Um ambiente de mútua confiança e de aceitação do empreendimento é construído a partir do tratamento respeitoso às partes interessa­ das. ademais. a ANEEL disponibiliza participar dos leilões de outorga dos novos empreendimentos de geração um con­ 358 .Séculos XIX. O papel do financial advisor é essencial. construção e operação. Assim conseguem. com avaliação de benefícios e custos associados à nova usina cuja outorga será licitada. A qualidade dos estudos ambientais deve ser a melhor possível. direta e indiretamente pelo empreendimento. e deixando claro à população o que é factível realizar a título de compensação. bem como o que não é viável. negociando prioridades de forma aberta com a sociedade organizada. Permite. por isso. Há necessidade de transparência no trato com os órgãos ambientais e com os afetados. com a possível profundidade que os prazos em geral escassos permitem. técnico-econômica e ambiental. junto de estudos nos quais é definida a concepção global da usina. envolve várias componen­ tes: a busca pelas melhores fontes de financiamento. mas não exclusivamente. Con­ templa os Estudos de Viabilidade Técnico-Econômica (EVTE). Investir. Não observar essa “regra de ouro” significa condenar o projeto a atrasos no seu licenciamento. as empresas públicas são naturalmente fortes. sua otimização energética. são necessárias compensa­ ções àqueles atingidos pelo empreendimento. dá ensejo aos agentes a propor soluções inovadoras para sua execução. quer nas áreas ambiental e fundiária – e pela grande intimidade que muitas vezes tem com as regiões de desenvolvimento dos projetos. alavancar seus projetos com custos de financiamento bastante atraentes. As interações com os órgãos ambientais devem ser constantes e tecnicamente elevadas. com o adequado atendimento às condicionantes de licencia­ mento. os Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Im­ pacto Ambiental (RIMA). e seus riscos. dando agilidade na realização de estudos complementares àqueles disponibilizados pela ANEEL. a colocação de parcela de energia no ACL. que deve inserir-se de forma sustentável no contexto regional ao qual que se incorpora. embargos. biológico e social – e que. maior competitividade nos leilões. A adequada modelagem financeira do negócio. face aos baixos riscos envolvidos. não obstante sua utilidade pública. com toda a ênfase. a melhor solução tributária. É preciso reconhecer que toda e qualquer obra de infraestrutura. o conhecimento científico existente na região do empreendimento. definidor do sucesso e da rentabilidade empreendimento no ambiente competitivo existente em nosso modelo setorial. Tratamento da questão ambiental O tratamento adequado da questão ambiental – aí incluídos. os incentivos fiscais. que muitas vezes são o grande diferencial que define o vencedor de um leilão de outor­ ga. XX e XXI SPE podem usar tais receitas futuras como garantia para obter os financiamentos.A História das Barragens no Brasil . Nesse aspecto. redução dos riscos associados ao projeto. no conhecimento técnico que envolve o pro­ jeto. com­ prometer fortemente sua rentabilidade. a antecipação da produção e a eventual geração de caixa durante Conhecimento aprofundado do projeto Aos agentes interessados.

podemos citar os aumentos dos prêmios de seguros. Independentemente de outras possibilidades. a fim de contribuir para que o tema seja analisado sob vários ângulos pelos profissionais do setor. os agentes devem compartilhar a visão de longo prazo que as inversões no setor elétrico requerem. através de uma atuação em parceria entre os proprietários dos empreendimentos e os consórcios contratados para a execução. que pagará por uma energia mais cara e menos favorável sob o ponto de vista ambiental. o fato é que. espaço para retornos espetaculares e em curto prazo. As empresas públicas incorporaram e vem aperfeiçoando essa abordagem financeira “privada” nos leilões do setor elétrico. que tem sido desenvolvidas desde 2001. Portanto. a existência de várias modalidades de gestão de empreendimentos na área de geração. o que pressupõe que: (i) não há uma única modalidade que possa ser considerada como ideal para o atingimento dos objetivos e atendimento das necessidades de todas as partes interessadas no negócio. com reflexos positivos para a sociedade. tanto durante a implantação quanto na fase de operação. efetivamente. combinando aspectos positivos de modelos de gestão já utilizados e minimizan­ do seus pontos falhos. Furnas adotou a modalidade de contratação mista com EPC – Engineering. no modelo competitivo em vigor. em que todos os envolvidos perdem. Modelos de gestão recentemente utilizados Percebe-se. por parte dos empreendedores. 359 . · Modernização de usinas existentes Em suas obras de modernização de usinas hidroelétricas (usina hidro­ elétrica Mal. prejuízos à imagem das empresas envolvidas. no fim da linha. maior preocupação da sociedade civil quanto à segurança dos empreendimentos e maiores cuidados dos organismos de licenciamento ambiental. na atualidade. sacrificar margens e compartilhar ganhos. para vencer os leilões de outorga dos novos empreendimentos. os participantes que se consorciam para a competição – investidores e fornecedores de bens e serviços – identificam a necessidade de atuar de forma solidária. ganha importância a busca por modelos de gestão apropriados. Mascarenhas de Moraes – MG e Luiz Carlos Barreto de Carvalho – MG/SP). tendo em mira benefícios mútuos para as partes. Na discussão que se segue procura-se identificar alguns dos mo­ delos já utilizados ou em utilização. perde a sociedade brasileira. No segundo caso. necessidade de aquisição de energia no mercado livre para suprir os compromissos assumidos. Sendo de risco moderado os retornos dos investimentos em geração hidroelétrica. e (ii) os empreendedores estão. jun­ tamente com seus parceiros.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens a construção – tudo isso é absolutamente crucial para a proposição de uma tarifa módica e tecnicamente sustentável nos leilões. Igualmente. A não observância desses preceitos tem como consequência perdas diretas para os empreendedores e indiretas para o negócio de geração de energia no país. Estes devem procurar blindar todas as partes interessadas. para o sucesso efetivo dos empreendimentos. Modelos de gestão dos empreendimentos As características atuais do modelo setorial reforçam a necessida­ de. é preciso gestão consistente dos projetos no sentido de assegurar a qualidade dos serviços. de buscar soluções que garan­ tam a conclusão das obras conforme os preços e prazos definidos nos planos de negócios (uma vez que a energia já está vendida com preço e data de entrega contratados). podemos elencar as perdas de receita de geração por atrasos das obras. Regidos pela modelagem financeira abrangente e detalhada. multas impostas pelos órgãos públicos de fiscalização e regulação. No primeiro caso. buscando e testando fórmulas que possam viabilizar os novos negócios de maneira a reduzir riscos e atender aos objetivos de todas as partes interessadas. pois. dentre outros – com sacrifícios à rentabilidade dos projetos. não ha­ vendo.

· Novas usinas hidroelétricas Na implantação da usina hidroelétrica Peixe Angical. pelo licenciamento ambiental. incluindo as obras de reservatório. Fornecimentos e Construção) e execução direta. a Enerpeixe (parceria entre Energias do Brasil e Furnas) contratou. Os contratados só podem desenvolver suas intervenções nos equipamentos após aprovação de Furnas. pela construção e pela montagem eletromecânica. Figura 1 – Usina hidroelétrica Peixe Angical 360 . Já na modernização e ampliação da UTE Santa Cruz (RJ). ini­ ciada em 2002. pelos fornecimentos dos equipamentos. todas a preços globais. À Concessionária coube a responsabilidade pelo controle da qualidade das obras.Séculos XIX. separadamente. reservando para si os licenciamentos ambientais e os fornecimentos dos turbo-geradores. Furnas resguardou para si a prerrogativa de apro­ vação de todos os projetos. o projeto. o fornecimento/mon­ tagem e a construção civil.A História das Barragens no Brasil . pela gestão fundiária e pelos programas ambientais. com contratos a preços globais. concluída ao longo de 2006. da execução dos comissionamentos e dos licenciamentos ambientais. Furnas adotou o regime de EPC. XX e XXI Procurement and Construction (Engenharia. Os Consórcios contratados respon­ sabilizam-se pelo projeto. a preço global.

a preço global. manteve. a Serra do Facão Energética S. também reservou para si as responsabilidades pelo licenciamento ambiental. optou pela contratação de um EPC tradicio­ nal (engenharia. as res­ ponsabilidades pelo licenciamento ambiental. Furnas. Camargo Corrêa Cimentos). incluindo o contro­ le da qualidade). concessão 100% de Furnas. pela execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. Analogamente ao caso anterior. do 361 . Na construção da usina hidroelétrica Simplício (RJ/MG). o Consórcio Empresarial Foz do Chapecó (pertencente à CPFL. (pertencente à Alcoa. pela gestão fundiária. que iniciou as obras em março de 2007. CEEE e Fur­ nas) optou pela contratação de um EPC tradicional (engenharia. fornecimentos e construção. incluindo o controle da qualidade).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 – Usina hidroelétrica de Foz do Chapecó Para a implantação da usina hidroelétrica Foz do Chapecó (SC/ RS). sob sua tutela direta. similarmente a Foz do Chapecó. No entanto. DME. a preço global. a empresa decidiu pelas contratações separadas do projeto (preço global). fornecimentos e construção. No caso da usina hidroelétrica Serra do Facão (GO). cuja obra teve início em janeiro de 2007. cujas obras foram iniciadas em janeiro de 2007.A. pela gestão fundiária e pela execução dos programas ambientais e das obras de reservatório.

Tal opção foi feita buscando eliminar volumes significativos de verbas de contingenciamento relativas a riscos geotécnicos. Furnas se responsabiliza pelo licenciamento ambiental. A novidade no caso de Simplício foi a utilização. de um sistema misto de preços: parte do contrato é por um preço global e parte é por preços unitários.A História das Barragens no Brasil . O contrato da construção civil não inclui o controle da qualidade das obras. 362 . Além disso.Séculos XIX.Usina hidroelétrica de Serra do Facão no rio São Marcos fornecedor/montador (preço global) e das obras civis (misto de preço global e preços unitários). XX e XXI Figura 3 – Barragem de Foz do Chapecó Figura 4 . pela gestão fundiária e pelos programas ambientais. nem as obras de reservatório. A integração das responsabilida­ des que se interfaceiam é gerida diretamente pela própria conces­ sionária. anterior mente embutidos no preço global da empreiteira. A contrapartida é que tal risco está sendo assumido por Furnas. no contrato das obras civis.

A. Na usina hidroelétrica Retiro Baixo (MG). do fornecedor/ montador (preço global) e das obras civis (preço unitário). Figura 5 – Obras da barragem e usina de Anta do aproveitamento hidroelétrico de Símplicio Figura 6 . a Retiro Baixo Energética S.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Já a implantação da usina hidroelétrica Batalha (GO/MG). obras iniciadas em março de 2007.Usina hidroelétrica de Retiro Baixo 363 . A integração das responsabilidades que se interfaceiam também será gerida diretamente pela própria concessionária. Analogamente à usina hidroelétrica Simplício. incluindo o controle da qualidade. também denominado internamente por Turn Key. Furnas se responsabiliza pelo licenciamento ambiental. optou pela contratação de um EPC mais amplo. possui a seguinte formatação atual: contratações separadas do projeto (preço global).O contrato da construção civil não inclui as obras de reservatório. pela gestão fundiária e pelos programas ambientais. outra concessão 100% de Furnas.

NEOENERGIA e ODE­ BRECHT) igualmente optou pela contratação de um EPC tradicio­ nal – engenharia. pela gestão fundiária. Não obstante. os organismos financiadores dos projetos tem colocado para as viabilizações dos empréstimos. · Tendências Obviamente. CNO e AG). ratificando a inquietude dos diversos empreendedores quanto à busca pelo melhor modelo a ser utilizado para os negócios de geração de energia elétrica no país.A História das Barragens no Brasil .A. Via de regra. a gestão fundiária a execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. Outra modalidade comumente observada é a utilização de contrata­ ções do tipo EPC. pela execução dos programas ambientais e das obras de reservatório. com obras previstas para iniciar em julho de 2011. OII. ou seja. montagem eletromecânica. No caso da usina hidroelétrica Teles Pires (MT/PA). Tal constatação deve-se ao fato de que as obras de reservatório tem uma dependência direta da área afetada e dos condicionantes 364 . que findam por gerar: (i) preços mui­ to avultados em função de grandes contingenciamentos embutidos pelos construtores. FIP. construção civil e montagem eletromecânica. em que o contratado se responsabiliza pelo projeto. bastante ricos em diversidades de modelos de ges­ tão. uma das exigências que A questão das obras de reservatório não tem uma tendência defini­ da. a Companhia Hidroelétrica Teles Pires (FURNAS. fornecimento. que recebem tal exigência dos órgãos financiadores. os exemplos acima não encerram todos os ca­ sos recentemente utilizados ou em implantação atual no Brasil. as responsabi­ lidades sobre os licenciamentos ambientais. no entanto. em nossa opinião. CEMIG. (parceria de FURNAS. XX e XXI onde o contratado responsabiliza-se pela integralidade das ações necessárias à implantação completa do empreendimento. manteve sob sua tutela direta as responsabilidades pelo licenciamento ambiental. No entanto. ou (ii) pleitos de reequilíbrios econômicofinanceiros em função de serviços adicionais imprevisíveis. cuja obra foi iniciada em setembro de 2008. dado o caráter crítico dessas atividades para o sucesso dos empreendimentos e para a imagem da empresa na região de inserção dos projetos. algumas fortes tendências. em substituição aos preços unitários. Manteve também sob responsabili­ dade direta da SPE o licenciamento ambiental. Para a implantação da usina hidroelétrica Santo Antônio (RO). programas ambientais e obras de reservatório. optou pela contratação de um EPC tradicional (engenharia. para si. fornecimentos e construção. Mesmo havendo variações percebidas em tal modalidade de contratação. fornecimentos e construção. as gestões fundiárias e os programas ambientais. São. percebe-se algum movimento no sentido de se incluir preços unitários em partes do projeto mais sensíveis a previsões muito antecipadas. projeto. ou por alterações de projeto ou por situações reais distintas daquelas previstas nos projetos básicos. controle da qualidade. construção civil. Por tal motivo. com foco na hidroeletricidade. pode-se afirmar que ela ainda é a que mais agrada aos investidores. a preço global. As experiências têm mostrado que os regimes de preços globais fixos não eliminam por completo possibilidades de situações como acima relatadas. por ser entendida como a que melhor transfere os riscos de execução e integração dos empreende­ dores aos contratados. comissionamentos. já há movimentos mais recentes no sentido de se mesclar os regimes de preço global com partes por preços unitários. mostrando. Uma delas é a adoção da modalidade de preço global. Percebe-se. uma tendência para o futuro próximo. Tal tendência tem forte relação com a transferência de riscos do empreendedor para o construtor. fornecimentos. incluindo o controle da qualidade – a preço global. os concessionários reservam. ELETROSUL. tudo por um preço global.Séculos XIX. licenciamento ambien­ tal. incluindo o controle da qualidade). contudo. gestão fundiária. incluin­ do o controle da qualidade das obras. a Santo Antônio Energia S.

por meio do monitoramento adequado dos processos empregados. pois o interesse do investidor é o empreendimento concluído da forma como foi planejado. o empreendedor deve ter em seu auxílio equipe técnica que exerça a engenharia do proprietário de forma ostensiva. é secundária. comissionamento e operação de empreendimentos de geração devem ser controladas. A questão da responsabilidade integral do contratado. para o emprego desse modelo de contrato. possíveis as prédefinições necessárias aos orçamentos seguros pelas construto­ ras e. com a ocorrência de inúmeros acidentes em obras de grande porte. que fatalmente elevaria o preço proposto em função de contingenciamentos altos. com base no contrato EPC. impossível uma orçamentação isenta de riscos. bem como a preservação de sua imagem. ainda mais quando 365 . Complementarmente. fizerem parte do mesmo grupo responsável pela execução das obras o construtor e o projetista. visto que as incertezas inerentes à execução dos serviços de construção. em outros casos. Entretanto.Vista aérea das obras da usina hidroelétrica de Santo Antônio sobre o Rio Madeira dos licenciamentos. sendo. em alguns casos. incluindo eventos em usinas hidroelétricas e também no metrô de São Paulo. de forma a atender aos objetivos previamente estabelecidos para o empreendimento e aos critérios de segurança operativa definidos Engenharia do proprietário Não resta dúvida quanto às inúmeras vantagens que o modelo de contrato EPC – Turn key trazem ao empreendedor sob o ponto de vista econômico.Figura 7 . fornecimento. sob o ponto de vista da engenharia. e não a vitória na batalha dos tribunais. especialistas passaram a questionar esse modelo sob a ótica da segurança. a engenharia do proprietário deve disponi­ bilizar informações para subsídio técnico ao empreendedor na to­ mada de decisões frente ao construtor. Fica patente que. montagem. Entendemos que a engenharia do proprietário tem como principal papel a atenuação de riscos envolvidos quanto a prazos e confor­ midade de produtos contratados.

comissionamento e pré-operação. Emissão de relatórios técnicos destinados à análise de pleitos. Análise dos métodos e resultados relativos ao controle de qualidade dos materiais de construção desenvolvido pelo laboratório contratado pelo contratado. Emissão de pareceres. as seguintes atividades: Acompanhamento das obras civis e eletromecânicas. emitidos pelo contratado. Acompanhamento de liberações de serviços por parte da projetista. Acompanhamento do pré-comissionamento. A forma de atuação da Engenharia do Proprietário De modo geral. Seleção de assuntos de interesse do empreendedor para serem discutidos nas reuniões de produção (semanal) e de coordenação (mensal). quanto a alterações no projeto básico consolidado e/ou especifica­ ções técnicas. sem se limitar a elas.Séculos XIX. Certificações parciais dos produtos entregues pelo contratado e certificação global. fornecedor e montador e emissão de pareceres ao empreendedor. filmes e vídeos relativos à obra. Emissão de pareceres ao empreendedor quanto a pedi­ do de modificação de projeto – pedido de modificação de campo. Análise dos dossiês de qualidade . Acompanhamento rigoroso dos processos executivos emprega­ dos pelo contratado previstos nos anexos da qualidade. Análise de redes de precedência emitidas pelo contratado e emissão de pareceres ao empreendedor. Atendimento às solicitações do empreendedor. quanto a questões técnicas no âmbito das atividades no local da implantação. Atividades contempladas na Engenharia do Proprietário Dessa forma. XX e XXI nos procedimentos de rede do ONS e nas regulamentações da ANEEL e MME. Emissão de relatórios e documentações específicos para os órgãos financiadores. Por outro lado.data book Acompanhamento das obras e serviços em face das normas de higiene e segurança industrial pertinentes. normas técnicas aplicáveis e aos demais documentos técnicos contratuais. quando solicitados. Análise de planejamentos executivos elaborados pelo cons­ trutor. Análise e parecer sobre relatórios de progresso emitido pelo empreendedor. os conceitos anteriormente apresentados não encontram discordâncias entre os diversos segmentos e atores envolvidos nas gestões de empreendimentos de grande porte. a engenharia do proprietário deverá exercer. quanto à conformidade em relação aos documentos de projeto. plano de inspeções e testes. caso requerido pelo empreendedor. registros fotográficos. Emissão de relatórios. quando na entrega do empreendimento para operação comercial. Com a en­ trada de diversos agentes econômicos no setor de energia elétrica 366 . Organização das reuniões de coordenação e de produção. especificações técnicas. subsidiando-o de elementos necessários para análise econômico-financeira afetos à relação contratual estabelecida com o contratado. para subsidiar solu­ ção de impasses ou divergências que possam ocorrer entre o empreendedor e o construtor. Análise e emissão de pareceres relativos a fornecimentos ne­ cessários que estejam fora do escopo do Contrato EPC. Acompanhamento de quantitativos dos serviços executados das obras civis e de montagem eletromecânica. há grandes divergências com relação à forma e/ou intensidade de atuação da engenharia do proprietário.A História das Barragens no Brasil .

em que se verificam riscos às obras e às pessoas. a partir das mudanças no marco regulatório observadas desde 1995. atuar de maneira mais consistente. apontando eventuais não-conformidades para subsidiar as decisões do proprietário.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens no Brasil. Vemos uma grave omissão dos empreendedores em tal tipo de atuação. muitas vezes quando o construtor já estiver isento de qualquer responsabilidade legal sobre o problema. O termo “fiscalização” passou a sofrer forte preconceito por trazer consigo a ideia da presença da mão-forte do empreendedor nas de­ cisões de obra. uma vez que não interfere diretamente na execução das atividades das obras. Com isso. uma das principais alterações conceituais percebida foi no enfoque dado à questão da engenharia do proprietário. o exercício da engenharia do proprietário passou a ser defini­ do como de spot check. Com receio de trazer para o empreendedor riscos contratualmente definidos como de responsabilidade dos fornecedores/construto­ res. A engenharia do proprietário pode. Figura 8 . Vem. desenvolvendo um trabalho de verificação de aderência das atividades às normas e especificações técnicas.Usina hidroelétrica de Serra do Facão no rio São Marcos com 212 MW de capacidade instalada 367 . o emprego do neologismo “engenharia do proprietário”. diretamente pelo “olho do dono”. ficaram reduzidas a poucos profissionais. de então. Eventuais defeitos poderão ficar ocultos por vários anos. mas tão somen­ te verifica o atendimento às normas e especificações executivas. sem que isso traga ao empreendedor a assunção de riscos que não são de sua responsabilidade. dimensionadas dentro desse conceito de atuação extremamente distante e pontu­ al. Entendemos que as equipes de engenharia do proprietário deverão ser dimensionadas de maneira a que as obras sejam fiscalizadas em sua integralidade. acompanhando a integralidade das obras. sem acompanhamento integral das obras. traduzido do inglês owner’s engineering. e deve. as equipes de engenharia do proprietário. com a intensidade devida. onde se faz a checagem do atingimento de grandes marcos. vindo a manifestar suas consequências danosas apenas na fase de operação. com atuação restrita aos horários comerciais. sem um acompanhamento passo a passo da obra. Tal tipo de atuação não transfere riscos sob responsabilidade dos construtores para o empreendedor. acompanhando o emprei­ teiro em todos os turnos de trabalho. a exemplo do que sempre ocorria nas gestões de grandes obras no Brasil. A interferência direta se dá apenas em casos extremos. uma vez que importantes etapas das obras deixam de ser acompanhadas.

368 .

as quais tiveram seu início em épocas que remontam a cerca de 300 anos atrás. pelo Barão de Eschwege. Esta mina é descrita a seguir. Eschwege deixou o Brasil e desta época em diante a propriedade passou pelas mãos de vários mineradores. De acordo com Ruchkys e Renger [Ref. a Mina da Passagem foi transformada num complexo turístico onde os equipamentos desativados foram requalificados. que criou a primeira companhia mineradora do País de capital pri­ vado. Antes até da corrida do ouro no oeste americano. lugar da passagem da estrada entre Ouro Preto e Mariana. Introdução O presente capítulo apresenta um sumário da experiência brasileira em barragens de contenção de resíduos de mineração e de indús­ tria. As barragens de rejeitos no Brasil surgiram das atividades de mi­ neração. e instalou um engenho com nove pilões e moinhos para pedras. com foco em seu desenvolvimento de tecnologias de disposição e na aplicação das técnicas da engenharia de barragens ao projeto e construção de barragens de rejeitos. A mineralização está inserida no Supergrupo Minas. pela importância histórica que tem na mineração brasileira. Descreve. A Mina da Passagem é um bom exemplo de iniciativa de valorização e utilização de minas antigas para geoturismo.2005 369 . de forma sintética. Eschwege aplicou técnicas modernas para a época. com o nome de Sociedade Mineralógica da Passagem. junto com algumas concessões vizinhas. o que já é bastante difundido na Europa. vá­ rios mineiros obtiveram concessões para explorar a propriedade mineral da Passagem até que em 1819 ela foi adquirida. a atividade de mineração de ouro no Brasil já ha­ via se iniciado com a Mina da Passagem. o ouro primário foi descoberto na região no início do século XVIII. Atualmente. a mina também passou a ser utilizada para mergulho nas galerias e túneis inundados pelas águas do lençol freático. a exploração do ouro utilizava técnicas e ferra­ mentas rudimentares na lavagem e beneficiamento do minério. Em 1821. conforme é descrito adiante neste capítulo. ficando a exploração paralisada em alguns momentos devido à conjuntura econômica do Brasil e à baixa cotação do ouro no mercado. [Ref. Entre 1729 e 1819. Há alguns anos. entre a Forma­ ção Cauê. sendo que uma lavra rudimentar foi iniciada em 1729. e a estrutura é a mesma uti­ lizada na época de Eschwege.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens As Barragens de Rejeitos no Brasil: Sua evolução nos últimos anos Joaquim Pimenta de Ávila e Marta Sawaya 1. até então não usados no Brasil. dando inicio a uma profunda galeria para esgotamento de água e elaborou o primeiro plano de lavra subterrânea em Passagem. em Mariana. a evolução histórica das barra­ gens de rejeitos no Brasil. 1]. a sudeste de Belo Horizonte. 1] Barragem São Bento . O acesso é feito por meio de um trolley. A Mina da Passagem está localizada na Vila da Passagem. Até essa época. no topo. e o Grupo Caraça (Formação Moeda e Batatal) ou Grupo Nova Lima (Supergrupo Rio das Velhas). sob o Ribeirão do Carmo.

As barragens construídas no início do século XIX geralmente eram projetadas transversalmente aos cursos d’água. e os aspectos relacionados ao uso da terra e da água conduziram os confli­ tos iniciais. com a introdução da força a vapor e com o aumento significativo da ca­ pacidade de processamento dos minerais de interesse econômico. além de contaminar as áreas a jusante. resultando na produção ainda maior de rejeitos. poucas destas barragens permaneciam estáveis. Consequentemente. No entanto. Entretanto. as práticas de dispo­ sição de rejeitos permaneceram inalteradas e. algumas destas práticas acontecem até hoje em muitos países em desenvolvimento. Os produtores rurais começaram a associar a diminui­ ção da colheita nas terras impactadas aos rejeitos. que abriram caminho para elaboração das primeiras legislações sobre o gerenciamento de resíduos da mineração. engrena­ do pelas práticas de construção e equipamentos disponíveis em cada época. atraindo indústrias de apoio e desenvolvendo a comunidade local. a disponibilidade de equipamentos de alta ca­ pacidade para movimentação de terras. A partir do século XV. Surgiram também conflitos pelo uso da terra e da água. particularmente por inte­ resses agrícolas.Séculos XIX. embora em algumas mi­ nas sejam hoje aplicadas tecnologias disponíveis de implantação de barragens. equipamentos para movimentação de terras não eram acessíveis para a construção das barragens. Na década de 40. quando fortes chuvas ocorriam. e a evolução deste assunto no panorama mundial pode ser percebida por um levantamento feito pelo USCOLD. como resultado.A História das Barragens no Brasil . A situação no Brasil não foi diferente do resto do mundo.3]. formando depósitos sem nenhuma preocupação de ordenação e sistematização. com cada vez menor granulometria. Foi a partir da década de 30 que. Entretanto. Na diversidade das condições brasileiras. sendo então enca­ minhados para algum local conveniente. que se desenvolveu a partir da década 370 . tornou possível a construção de barragens de con­ tenção de rejeitos com técnicas de compactação e maior grau de segurança. com o cessamento de práticas inadequadas que ocorriam até 1930. mais rejeitos estavam sendo depositados e transportados por distâncias cada vez maiores das fontes geradoras para os cursos d’água. Até meados de 1930. continua sendo utilizado. como descrito a seguir. que os pequenos dis­ tritos minerários começaram a se desenvolver. Raramente existiam engenheiros ou critérios técnicos envolvidos nas fases de construção e de operação. Esse desenvolvimento ocorreu ainda sem a aplicação das técnicas da engenharia de barragens. para a manutenção da mineração e a mitigação dos impactos ambientais. Um pequeno dique era inicialmente preenchido com rejeitos hidraulicamente depo­ sitados e depois incrementado por pequenas bermas. Precedentes legais gradativamente trouxeram um fim à dispo­ sição incontrolada de rejeitos na maioria dos países ocidentais. com considerações limitadas apenas para inundações. Esse procedimento de construção. a geração de rejeitos pelas empresas de mi­ neração e os impactos decorrentes de sua disposição no meio ambiente eram considerados desprezíveis. ainda prevalece em minas de tecnologia mais rudimen­ tar a construção empírica. a geração de rejeitos aumentou significativamente e estes pre­ cisavam ser removidos da área de produção. as indústrias investiram na construção das primeiras barragens de contenção de rejeitos. as atividades de mineração. lagos e oceanos. de maneira similar às barragens convencionais. Antes do século XV. em 2004 [Ref. XX e XXI Em relação aos rejeitos gerados. especialmente em minas a céu aberto. o desenvolvimento tecnológico aumen­ tou ainda mais a habilidade de minerar corpos com baixo teor mineral. em cursos d’água ou lançando-os em terrenos adjacentes. pois os rejeitos frequentemente acumulados no solo obstruíam os poços de irrigação. atualmente mecanizado. geralmente próximo aos rios ou cursos d’água. por mui­ to tempo descartaram seus resíduos na natureza. Foi somente a partir do início do século XX. O desenvolvimento da tecnologia para construção de barragens de contenção de rejeitos ocorreu de modo empírico.

tais como melhor compreensão do comportamento dos materiais. resultando em volumes de resíduos a serem represados pelas barragens. [Ref. com o progres­ so das atividades de mineração e aumento da escala de operações. os aspectos ambientais também cresceram em importância. a construção de barragens de rejeitos no Brasil teve por muitos anos aplicada a prática de utilizar os equipamentos de la­ vra. Águas Claras. a produção de rejeitos aumentou. 2 e 3] 371 . embora nem sempre fossem usados os conhe­ cimentos sobre a engenharia de barragens. novos desenvolvimentos na ciência de mecânica do solo. um terremoto causou rompimento de muitas barra­ gens no Chile. liquefação e estabilidade da fundação) já eram bem entendidos e controlados pelos projetistas. introdução de equipamentos cada vez mais robustos para movimentação de terra. Enquanto estas barragens rudimentares se resumiam a estruturas baixas e de menores volumes de represamento. recebendo considerável atenção e tornou-se um fator chave na pesquisa sobre as causas das rupturas. a maioria dos aspectos técnicos (por exemplo. Com o passar do tem­ po. Entretanto. especiali­ zados nas técnicas de lavra. por causa de recentes acidentes com barragens de rejeitos que ganharam amplo espaço na mídia. na década de 50. em Itabira. Na década de 70. o qual se resumia a operações de britagem e peneiramento com lavagem. sem grandes acidentes. muitas vezes. de supervisão deficiente durante a construção. os quais sempre foram catalisadores do progresso tec­ nológico da engenharia de barragens. O progresso das tecnologias de implantação de barragens de re­ jeitos foi sempre entremeado pelos acidentes com rupturas de barragens. Posteriormente. em Nova Lima. devido à falta de aplicação adequada dos métodos conhecidos. e as áreas para disposição se tornaram cada vez mais escassas. construção e operação como for­ ma de garantir à sociedade. em geral. infiltração. A regra era optar pelo controle rigoroso do projeto. pela exigência da sociedade de eliminação desses desastres. Assim. A partir da década de 80. compatível com probabilidade de ruptura adequadamente baixa. ou negligência das características vitais incorporadas na fase de construção. culminando no desenvolvi­ mento dos projetos de engenharia permitindo a construção de barragens com alturas cada vez maiores. com orientação técnica dos engenheiros de minas. Aspectos de estabilidade física têm permanecido na vanguar­ da. mui­ tos dos princípios fundamentais de geotecnia já eram compre­ endidos e aplicados em barragens de contenção de rejeitos. em Mariana. e às populações residentes nos vales a jusante. A atenção foi amplamente voltada para estabili­ dade física e econômica das barragens. considerando o potencial de dano ambiental e os mecanismos de transporte de contaminan­ tes. e Germano.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de 30. Numa primeira fase. Entretanto. trans­ versalmente aos vales. da Samarco. para criar volumes de retenção dos rejeitos do beneficiamento do minério. uma segurança satisfatória. abordados em outras áreas como a de geração de energia elétrica. as técnicas de observação do comportamento das barragens durante a operação vieram reforçar a necessidade do controle da segurança em longo prazo. com implicações financeiras severas em muitos casos. Exemplos desta aplica­ ção são as barragens de: Pontal. Em 1965. falhas ocorrem. Esses projetos se torna­ ram possíveis com a ampliação contínua do conhecimento e con­ trole dos aspectos de segurança. os problemas estruturais destas barragens passaram a representar riscos maiores e rupturas significativas começaram a ocorrer. em que a característica básica era investir contra a causa potencial da ruptura da barragem. o controle da segurança das barragens era basicamente orientado para a segurança estrutural e hidráulicooperacional. Assim. da Vale. da então MBR Minerações Brasileiras Reunidas. construindo aterros com o material estéril removidos da mina e lançados em forma de aterros. as atividades eram bem sucedidas. quando o progresso na fabricação dos equipamentos de terraplenagem foi aproveitado nas operações de lavra e constru­ ção de barragens. de projetos mal elaborados.

em grande parte. Os métodos de disposição de rejeitos têm também evoluído po­ sitivamente. As causas des­ tes acidentes têm sido atribuídas. Na primeira tabela. aspectos que são abordados resumidamente. As duas maiores catástrofes ocorridas: Stava. Cerca de 400 casos foram analisados para identificar as causas principais destes eventos.A História das Barragens no Brasil .Principais Acidentes com Mortes (1970-2001) Ano 1985 1972 1970 1994 1974 1995 1986 2001 1978 Barragem / País Stava / Itália Buffalo Creek / USA Mufilira / Zambia Merriespruit/ África do Sul Bakofeng / África do Sul Placer / Filipinas Fernandinho / Brasil Rio Verde / Brasil Arcturus / Zimbabwe No de mortes 269 125 89 17 12 12 7 5 1 (dados segundo ICOLD-2001) 2. em termos de aplicação de engenharia: Buffalo Creek era uma pilha de estéril que estava operando como dique de contenção dos rejeitos. foram preparadas as duas tabelas apresentadas a seguir. po­ rém em uma situação de ocorrência de uma geologia complexa e materiais de fundação com comportamento de difícil análise. Participaram deste inventário represen­ tantes de 52 países.Séculos XIX. nos EUA. como do aumento da segurança das estruturas de contenção dos mesmos. Em 2001. Risk of Dangerous Occurrences. 372 . à época dois extremos. em suas particularidades principais. O melhor conhecimen­ to do comportamento geotécnico dos rejeitos vem permitindo implantar estruturas mais seguras. o limite do “estado da arte” vigente à época. o panorama desta área da engenharia. e Buffa­ lo Creek. nas ações preven­ tivas. o que tem catalisado uma evolução positiva da própria tecnologia de rejeitos. sem qualquer engenharia de barragem. Lessons Learnt From Practical Experiences ) com o resultado de um trabalho da comissão de barragens de rejeitos que. são mostrados os acidentes com maior número de mortes. portanto. Tabela 1 . representaram. Observa-se que o Brasil comparece na tabela com dois casos: Fernandinho e Rio Verde. Stava foi uma barragem projetada segundo a prática corrente da engenharia. quando esta estatística foi atualizada. que marcaram. publicou um boletim (Bulletin 121: “Tailings Dams. à não aplicação das tecnologias existentes. inventariou os acidentes e incidentes ocorridos desde 1970. muitas das quais catastróficas. embora seja observado o aparecimento em número crescente de publicações específicas sobre barragens de rejeitos e temas correlatos. Rupturas e incidentes em barragens de rejeitos A apresentação destes fatos relevantes inicia-se obrigatoriamente pelos acidentes com rupturas.1. Fatos relevantes na evolução recente da geotecnia de barragens de rejeitos 2. e no estabelecimento de regulamentações específicas sobre a segurança de barragens de rejeitos. XX e XXI A ocorrência destes acidentes tem tido grande influência na atitu­ de dos profissionais de geotecnia de barragens. que colaboraram com informações sobre acidentes e incidentes. na Itália. desde os anos 70. atingindo. durante cinco anos. até 2001. tanto na direção da redução do potencial de dano dos reservatórios de rejeitos. A partir dos resultados apresentados. o ICOLD ( International Commission on Large Dams ).

000m³ de cianeto contaminando águas 700. As causas desses acidentes incluem. sem mortes.estes mais nume­ rosos . Observa-se que o Brasil compa­ rece novamente na tabela. na grande maioria dos ca­ sos.000 m³ de água ácida tóxica liberada 5. construção e operação de barragens de rejeitos. Além destes acidentes ocorrem incidentes . Existem ain­ da numerosos incidentes que. que falham na sua responsabilidade de adotar procedimentos gerenciais de segurança. situações já resolvidas pela tecnologia disponível. porém com degradação ambiental significativa. porque os proprietários não os revelam. de cianeto contaminando águas 50. Tabela 2 . como um todo. com três casos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A segunda tabela mostra os aciden­ tes. pro­ duziu nos últimos anos 10 boletins. em forma de recomen­ dações de boa prática para projeto. mas ocorre o vazamento de sólidos para jusante com conseqüências variáveis.0 milhões de m³ de água ácida liberada 4.2 milhões de m³ de lama com cianeto (dados segundo ICOLD-2001) 2006 2003 2000 2000 2000 1999 1998 1998 1995 Romênia Romênia Filipinas Haelva/ Espanha Aznalcóllar/ Espanha Omai / Guiana Os acidentes em barragens de rejeitos continuam insistente­ mente a ocorrer no Brasil. para redução de riscos. Alguns são citados a seguir: O ICOLD. e as defici­ ências decorrem da não aplicação de ações voltadas a garantir a segurança de estruturas. e outros países já identifi­ caram as mesmas deficiências de proprietários e operadores. composto de especialistas de diversos países. Várias entidades internacionais têm trabalhado para a cons­ cientização dos proprietários e têm produzido excelentes contri­ buições sobre a segurança das barragens de rejeitos.Acidentes Recentes com Contaminação Ano Local Consequência 2007 Mirai / Brasil Mirai / Brasil Cataguases/ Brasil Kentucky/ Usa Vazamento de rejeitos de bauxita Interrupção de fornecimento de água Vazamento de rejeitos de bauxita Interrupção de fornecimento de água Lixívia negra liberada Interrupção de fornecimento de água Mortalidade de peixes Interrupção no fornecimento de água Contaminação das águas c/ metais pesados 100. com consequências indesejáveis para a sociedade e para o setor de mineração e indústria. 373 . não são informados. tirando a chance de aprendizado com suas causas.000 t.onde não ocorre a ruptura. Esta situação não é exclusiva do Brasil. infelizmente.

87/2005 e 124/2008. desde diretores até operadores de barragens de rejeitos. DN 65/2003. as tentativas que vêm sendo feitas há mais de trinta anos somente agora. onde são apresentados e analisados os acidentes e incidentes com barragens de rejeitos nos últimos anos. ações do CBDB junto ao governo). constata-se um maior progresso na regulamentação. a FEAM coordenou a elaboração de regulamenta­ ção específica. em 2001. a situação não é diferente.Séculos XIX.2. (www. que financia o setor privado. XX e XXI Dentre os 10 boletins. estabeleceu requisitos mínimos de segurança que as barragens de rejeitos devem atender para receberem empréstimos daquela instituição. Nos países mais desenvolvidos.334/2010). O ICMM (International Council on Mining Metals) criou. As barragens de rejeitos em MG somente são licenciadas se atenderem aos requisitos das regulamentações. concentrada nas barragens de rejeitos. algumas empresas de menor porte. que podem ser consultadas pelo site da FEAM: www. A MAC (Mining Association of Canada) produziu vários trabalhos de interesse aos procedimentos de segurança de barragens para uso de seus associados. por meio do IFC (International Finance Corporation). O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) tem incentivado debates sobre o tema de segurança de barragens. entretanto. diversos países da Europa. essas ações resultaram em regulamentações sobre a segurança de barragens e esses países contam com legislação sobre o assunto. que conhecem a necessidade de uma boa gestão da segurança. O Banco Mundial. Embora existam algumas empresas de grande desempenho. um website de boas práticas para a engenharia de barragens de rejeitos. Após o acidente com a barragem de rejeitos da Mineração Rio Verde. No Brasil. já mencionado.feam. que foi discutida com representantes das empresas mineradoras. Canadá. somente em 2010 foi criada uma lei federal de segurança de barragens (Lei 12. DN 62/2002.334/2010. sobre a segurança de barragens A Lei 12.A História das Barragens no Brasil . A lei federal 12. Austrália.br. No estado de Minas Gerais. como EUA. promovendo se­ minários e workshops específicos e instituiu cursos de treinamento para empresas de mineração em todas as esferas hierárquicas. As regulamentações resultantes deste processo estão hoje nas Delibe­ rações Normativas. infelizmente ainda desconhecem os aspectos principais da técnica de segurança de barragens. No Brasil. resultaram em uma legislação federal sobre segurança de barragens.com/tailings). África do Sul 2. a comissão de barragens de rejei­ tos do ICOLD publicou o boletim 121. em 2001.goodpracticemining. 2. à disposição final ou temporária de rejeitos e à acu­ mulação de resíduos industriais que apresentem pelo menos uma das características abaixo:  374 .3.FEAM.334/2010 tem as características a seguir listadas. e contou com consultoria especializada. com recomendações sobre a melhor prática para a segurança. em 2010. · Aplica-se às barragens destinadas à acumulação de água para quaisquer usos. Implementação de legislação e regulamentação de segurança de barragens Os acidentes em barragens provocaram sempre reações da sociedade em todo o mundo. levando a tentativas diversas de regulamentação legal que obrigue os proprietários de barragens a tomarem providências efetivas de redução de riscos. do corpo docente de universidades e de empresas de engenharia. com a colaboração do ICOLD. Embora as ações para implantação de uma legislação federal de segurança de barragens tenham já cerca de 30 anos no Brasil (basi­ camente. com forte influência da ocorrência de acidentes e da atuação dos órgãos re­ guladores e fiscalizadores como o Ministério Público Estadual e a Fundação Estadual do Meio Ambiente .

construção.  II .O Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental. direta ou indiretamente.  III .O sistema de classificação de barragens por categoria de risco e por dano potencial associado.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens I . (1987 e seguintes). e vá­ rios projetos com aplicação de novos métodos de disposição têm resultado em significativa evolução das práticas de engenharia de barragens de rejeitos. VII . que aborda os aspectos relevantes relacionados ao projeto.goodpracticemining. Os principais estão listados a seguir: • • • • • • C.O Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais. em todos os aspectos de seu comportamento geotécnico.O empreendedor é o responsável legal pela seguran­ ça da barragem.Altura do maciço. G. construção. 10 boletins a partir de 1982.  · Os instrumentos da Política Nacional de Segurança de Barragens são: I . Volume 1. A partir dos anos 80. ambientais ou de perda de vidas humanas.Capacidade total do reservatório maior ou igual a 3. VI . projeto. Volume 2: Proceedings of the Second International Symposium. Vick. ICOLD Committee on Tailings Dams and Waste Lagoons.  IV .A segurança de uma barragem influi diretamente na sua sustentabilidade e no alcance de seus potenciais efeitos sociais e ambientais. Argall.  IV .000 m³ (três milhões de metros cúbicos). médio ou alto. desativação e de usos futuros. Jr (Ed. III .O Plano de Segurança de Barragem.). (1978). operação. 6o. Colorado University. em termos econômicos. indicando as principais referências bibliográficas sobre cada um destes estágios. IV . S. a Comissão de Barragens de Rejeitos do ICOLD. concluiu o boletim Improving Tailings Dams Safety. Jr (Ed.O Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente. Tailing Disposal Today. Planning. V . Desenvolvimento de tecnologia específica sobre barragens de rejeitos Vários trabalhos têm sido publicados sobre a tecnologia de pro­ jeto.). Proceedings: Tailings and Mine Wastes.L. de início como Uranium Mill Tailings Management. ICMM site: www. das ações preventivas e emergenciais. conforme definido no art. Argall. Design and Analysis of Tailings Dams ( 1983). construção. contada do ponto mais baixo da fundação à crista. maior ou igual a 15 m (quinze metros).  · Os fundamentos da Política Nacional de Segurança de Barragens – PNSB são: I . operação e fechamento de barragens de rejeitos. cabendo-lhe o desenvolvimento de ações para garanti-la. opera­ ção e fechamento de barragens de rejeitos.O Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB). George O.A população deve ser informada e estimulada a participar. trabalhos de pesquisa nas universidades brasileiras passaram a enfocar o comportamento dos rejeitos. sociais.A segurança de uma barragem deve ser considerada nas suas fases de planejamento.  V . ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica).Categoria de dano potencial associado.  III .  II . • • Proceedings of an International Bauxite Tailings Workshop (1992). REGEO e COBRAMSEG´s. 3.Reservatório que contenha resíduos perigosos conforme normas técnicas aplicáveis. 375 . Aplin e George O. Volume 1: Proceedings of the First International Symposium (1972).com/tailings Recentemente.O Relatório de Segurança de Barragens. vários anos a partir de 1978.A promoção de mecanismos de participação e controle social.000. II . primeiro enchimento e primeiro vertimento. Tailing Disposal Today.

UFOP Universidade Federal de Ouro Preto. a aplicação da tecnologia disponível de engenharia de barragens ao problema. Na área de novos métodos de disposição. a polpa represada em barragem convencional (projetada como barragem para água) ou como parte do maciço do barramento.Séculos XIX. Cerca de 50 dissertações de mestrado até o presente. baixo potencial de dano e benefícios ambientais que estes métodos proporcionam. para a previsão das densidades e cálculos da vida útil dos reservatórios. embora tecnicamente este método seja uma solução muito favorável. têm na água dos poros do rejeito e do reservatório.1. um grande pro­ gresso foi possibilitado. Estudos sobre a influência da mineralogia na resistência ao cisalha­ mento de rejeitos granulares. Comportamento geotécnico dos rejeitos Nos anos anteriores à década de 70. Vários aspectos importantes têm sido pesquisados. Entretanto. o principal elemento instabilizador. Várias teses de mestrado e doutorado foram desenvolvidas sobre esse tema. A disposição de rejeitos em pasta ainda não conseguiu superar os problemas do seu custo alto. abordando estas características dos rejeitos nas universidades: PUC/Rio. 3.2. após a ocorrência de grandes rupturas com mortes e grandes impactos ambientais. No Brasil. pois apresentam redução do custo de implantação e têm o custo de construção e custo operacional distri­ buído no tempo. com os modelos de simulação de adensa­ 3. elaborando projetos de pesquisas em co­ laboração com empresas de mineração e indústria. já produziram dezenas de teses so­ bre o comportamento de rejeitos. como nos casos de alteamento por linha de centro e alteamento por montante. com importantes contribui­ ções ao conhecimento deste comportamento e possibilitando a implantação de projetos de novos métodos de disposição. Nos aspectos de compressibilidade de rejeitos. UFOP. Estudos em laboratório sobre secagem de rejeitos (Lúcio Villar) também foram desenvolvidos.A História das Barragens no Brasil . em geral. Os métodos de alteamento por montante e por linha de centro têm vantagens econômicas. pela aplicação da teoria do adensamento a grandes deformações. pesqui­ sando as características de compressibilidade de rejeitos com uti­ lização de ensaios de adensamento em laboratório (inicialmente CRD e atualmente HCT). podem ser encontrados em trabalhos produzidos pela UNB e UFOP. passou-se a considerar e. XX e XXI Na área da pesquisa as universidades PUC-Rio Pontifícia Uni­ versidade Católica Rio de Janeiro. UNB. mento por diferenças finitas. UFV. inicialmente na PUC-Rio (anos 80). assim como de potencial de liquefação. algumas universidades passaram a dar atenção à geotecnia de disposição de rejeitos. Conforme já mencionado. em um núme­ ro crescente de casos. na Universidade do Colorado. Alguns projetos simplesmente lançavam os rejeitos nos cursos de água existentes. a partir dos trabalhos pioneiros do professor Robert Schiffman. a de rejeitos finos com secagem e a aplicação de empilhamento drenado merecem des­ taque pelas características de economia. foram desen­ volvidas nos últimos 25 anos. como para aplicação de métodos de análises dos problemas de disposição. Aplicação de novos métodos de disposição de rejeitos Os métodos mais comuns de disposição de rejeitos consideram. Deve ser mencionado que o desenvolvimento dessas pesquisas tem sido aplicado tanto para determinação de características geo­ técnicas dos rejeitos. 376 . a disposição de rejeitos era feita sem uma abordagem de engenharia adequada. ou armazenavam os rejeitos em reservatórios cria­ dos por aterros de estéril de lavra. e posteriormente de forma mais intensa na UFOP (anos 90 e atual) e UFV. UnB Universidade de Brasília e UFV Univer­ sidade Federal de Viçosa.

• Menor chance de contaminação. São apresentadas aqui duas situações de projeto.2.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Os novos métodos de disposição procuram reduzir o grau de satu­ ração da polpa de rejeitos por meio da drenagem da água dos poros ou da evaporação. ao invés de utilizar uma estrutura impermeável de barramento. Este tipo de disposição é o mais utilizado. Nos anos mais recentes. sendo que a polpa de rejeito fica retida com praticamente o mesmo grau de saturação da ocasião do bombeamento.0 m). quanto mais água for retirada dos rejeitos. Em conseqüência. de forma que inovações estão presentes em processos antigos de disposição. Pilha da Barragem do Germano. que está sendo proposto para reduzir o potencial de dano. o problema da segurança das barragens de rejei­ tos. al­ guns dos métodos hoje chamados de novos. Os dois tipos de rejeitos podem ser dispostos por métodos que retiram água dos mesmos. Além destas características. com fração mínima de areia. Há também a expressão “métodos alternativos”. • Vantagens para o fechamento. portanto. é semelhante ao de uma barragem para retenção de água. 3. as pilhas do Xin­ gu (Mina de Alegria). No caso dos rejeitos arenosos. embora em poucos casos. desde a década de 80. e Pilha da Cava do Germano (altura de 160 m). da Samarco (altura de 175. a água é retirada por drenagem e no caso dos rejeitos argilosos a evaporação é o principal agente da retirada da água. portanto com maior estabilidade. Os objetivos principais dos novos métodos de disposição são: • Redução do custo. embora contenham aspectos de desenvolvimento recente. • Obter menor potencial de dano em uma eventual ruptura. É interessante notar que na Europa. o que se pretende apresentar são méto­ dos que priorizam a disposição com menor grau de saturação dos rejeitos. com baixo risco de liquefação e de ruptura. com a mesma in­ tenção de diferenciar do método clássico de bombear lama de alto grau de saturação para uma barragem impermeável que retém os sólidos e a água. Monjolo (Mina de Água Limpa). predominando argila e silte. foram iniciados há algumas décadas e vêm sendo aprimorados ao longo do tempo. Na presente abordagem. Empilhamento drenado Neste método. Este método tem sido utiliza­ do no Brasil. Desta forma. • Aumento da segurança. nestes casos. surgiu recentemente a expres­ são pervious dam para designar um “novo método”. 377 . envolvendo os dois tipos básicos de rejeitos: a) os que contêm uma fração expressiva de material arenoso/siltoso. com baixo teor de argila e de grande conteúdo de fração granular. • Maior aproveitamento da água. e b) os que contêm maior conteúdo de material mais fino. maior capacidade e vida útil. • Obter maior facilidade para o fechamento e recuperação ambiental. A expressão “novos métodos de disposição” contém implícita uma expectativa de inovação na técnica de disposição. mais vantajoso é o método. Os objetivos principais do método de empilhamento drenado são: • Obter um maciço não saturado. no Brasil. os métodos que utilizam a disposição com menor grau de saturação dos rejeitos têm assumido maior importância por introduzirem situações de menor risco. ligada aos rejeitos do reservatório. também da Samarco. de grande capacidade de vazão. O projeto da barragem. a disposição é mais econômica por tonelada de rejeito disposto. São exemplos principais. que não retém a água livre que sai dos poros dos rejeitos. mas libera essa água através de um sistema de drenagem interna. assumiu uma expressão maior e vem condicionando várias escolhas na seleção de alternativas.1. adota-se uma estrutura drenante. • Maior capacidade do reservatório. • Obter maior densidade e. Entretanto. deste método. • Aplicação segura do método de montante.

Figura 1 . que devem ter suas características de drenabilidade bem estudadas previamente no projeto.Superfície final do talude da pilha Figura 4 .A História das Barragens no Brasil . onde duas áreas são preenchidas com pilha drenada. O maciço de rejeitos obtido ao final é uma pilha de material arenoso. XX e XXI Nas figuras a seguir são apresentadas fotos das pilhas da Samarco.Séculos XIX. sem risco de ruptura que provoque uma onda de lama para jusante.Aspecto do rejeito após a drenagem Figura 3 .Correia transportadora implantada sobre a pilha de rejeitos 378 . O dreno de base é implantado no fundo do reservatório e recebe toda a água drenada dos rejeitos. na umidade natural.Empilhamento drenado após drenagem Figura 2 .

A disposição com secagem apresenta diferenças em relação ao método de dry stacking de lama vermelha. Basicamente. passando na #400. em Paragominas. acima de 50%. devendo a escolha ser feita pela combinação do menor custo com a viabilidade da secagem com menores densidades.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Em minas de bauxita. As figuras e as fotos a seguir mostram as características de secagem das lamas da MRN e Paragominas. e bombeado para um reservatório onde sua superfície é exposta à evaporação com o teor de sólidos crescendo até valores da ordem de 80%. Disposição de rejeitos finos com secagem O método de disposição chamado de dry stacking é antigo e muito utilizado pelas empresas de alumínio para disposição econômica de rejeitos de resíduo de produção de alumina (red mud). A solução de projeto depende do comportamento reológico da lama. O Método de Secagem pode também ser aplicado. com vantagens em relação ao bombeamento convencional de lama. Figura 5 . pois suas características podem inviabilizar em custo uma so­ lução. Neste método o rejeito fino (em geral de granulometria passando na peneira 400) é adensado em espessadores até teores de sóli­ dos elevados.Lançamento de lama de bauxita no reservatório 3.Vista geral da pilha a jusante da barragem Figura 6 .2. procurando-se obter um teor de sólidos entre 30 e 35% para então ser submetido à evaporação no reservatório final.2. em Porto Trombetas. São exemplos deste tipo de disposição os projetos da MRN. 379 . procura-se bombear a lama na máxima densidade bombeável com bombas centrífugas. os resíduos da lavagem do minério é tam­ bém uma lama com sólidos de granulometria fina. e da Vale.

0 m de altura. atualmente com cerca de 175.Séculos XIX. em 1944.A História das Barragens no Brasil . no município de Mariana. em Nova Lima.Teste piloto de secagem 4. 380 . Minas Gerais.Lama lançada. Algumas barragens de rejeitos representativas Apresenta-se aqui um resumo das informações de duas dessas barragens: uma que pode ser considerada como o primeiro siste­ ma de rejeitos implantado no Brasil. da Samarco. XX e XXI Figura 7 . A descri­ ção apresentada é do sistema em sua configuração atual. em processo inicial de secagem Figura 8 . a qual contém a barragem de rejeitos mais alta do Brasil.Lama em estágio final de secagem Figura 9 .Aterro construído sobre lama após a secagem Figura 10 . na Mina de Morro Velho (Mina do Queiroz). A segunda barragem aqui apresentada é a barragem do Germano.

três barragens e seis valas para disposição de rejei­ tos. denominado Cuia­ bá . Figura 11 . através das etapas de ustulação (que corresponde à Figura 12 – Localização da planta industrial do Queiroz (AngloGold Ashanti) 381 .Nova Lima . O concentrado do minério da Mina de Cuiabá.MG.Raposos. Os dados aqui apresentados têm como base os documentos mencionados nas referências desta publicação [Ref. próximo à divisa com o Município de Raposos. A planta possui duplo circuito. que liga Nova Lima a Belo Horizonte a uma distância aproximada de 30 km. A planta industrial do Queiroz está situada no Município de Nova Lima . em região da bacia hidrográfica do Córrego do Queiroz.000 toneladas de minério por ano. na região do chamado Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais. pode ser feito pela rodovia MG-030. partindo-se de Belo Horizonte. alimentado pelo minério sulfetado da Mina de Cuiabá.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 4. será abordado o tratamento na planta industrial do Queiroz. 4 a 8]. além da planta de beneficiamento industrial propriamente dita. principal unidade em operação no Brasil (Figura 11). incluindo. O acesso ao empreendimento. afluente do Rio das Velhas (Figura 12). transportado por meio de um teleférico com 15 km de extensão e capacidade no­ minal instalada de 830.MG .Sistema de disposição de rejeitos – foto aérea das instalações A planta metalúrgica do Queiroz possui uma área útil de 480. Localização e acessos A Anglogold Ashanti Córrego do Sítio Mineração (AGACSM) ope­ ra algumas minas e plantas metalúrgicas para beneficiamento de minério aurífero na região de Minas Gerais e Goiás. Em particular aqui.Anglo Gold Ashanti Este item foi redigido pelo engenheiro Murilo Amorim Costa e gentilmente cedido pela Anglo Gold Ashanti.1 Mina do Queiroz .000 m2.

Séculos XIX. 382 . de Rapaunha. Histórico A AGACSM mantém. um sistema de deposição de seus rejeitos industriais na região do vale do Queiroz.500 toneladas de ácido sul­ fúrico. de um modo geral. com a primitiva barragem ali existente.capacidade total de ~4 x 106 m3 17 x 106 m3 12 x 106 m3 12 milhões de m³. em Nova Lima. foram sistematicamente instituídos pro­ cedimentos de gerenciamento das atividades de operação e moni­ toração das barragens de rejeitos integrantes do sistema. e os resíduos são encaminhados para barragem de Calcinados e valas de lama arsenical. foi necessário introduzir a tecnologia de ustulação. além de uma outra. e o ácido sulfúrico. O circuito Raposos é alimentado por minérios não-sulfe­ tados extraídos de minas menores do entorno de Nova Lima e está atualmente paralisado. o que dará vez à chamada barragem do Queiroz. desde o ano provável de 1944. foram concebidas de forma a serem alteadas à medida em que venha a ocorrer a ocupação do seu reservatório pelos rejeitos lançados: para isso. neste período.capacidade de . Essas barragens. que passaram a operar no final do ano de 1982. que se situa na mesma bacia hidrográfica da planta in­ dustrial do Queiroz.Barragem de Calcinados . Inicialmente. constava este de uma barragem interposta ao vale do Queiroz. A partir do ano de 1995. de for­ ma a adequar o sistema às necessidades decorrentes da expansão da Empresa (Projeto Cuiabá/ Raposos). de cerca de 2. inserindo nestes a criação de uma equipe permanente de fiscalização e controle. A produção média mensal (2010) é de 800 kg de ouro. para a recuperação do ouro no processo industrial. denominadas Rapaunha e Cocuruto. exaurida a capacidade de deposição na barragem de Rapaunha. construída em 1986.capacidade total de . o que irá capacitar aquele reservatório a um incremento de deposição de cerca de 12 x 106 m3. O rejeito gerado no processo de beneficiamento do minério é conduzido para tanques na unidade industrial e então bombeado para as barragens por meio de tubulações em PEAD ou aço car­ bono.A História das Barragens no Brasil . suportadas por estruturas metálicas por um caminhamento sempre em nível ascendente.Barragem de Rapaunha . Uma vez que o processo de ustulação retém os gases de SO2.5 x 106 m3. virá a ser pro­ movido o alteamento da barragem de Cocuruto. de Calcinados e o conjunto de valas de deposição de arsenato férrico (lama de gesso).capacidade total de . XX e XXI oxidação ou queima do minério na presença de oxigênio e tempera­ tura elevada) e a hidrometalurgia (responsável pela extração do ouro contido no minério). a barragem de rejeitos Calcinados. No futuro. 60 kg de prata e 17. a saber: . Parte do material resultante da ustulação volta para receber o processo de cianetação. com a acumulação. foi via­ deposição previu uma sequência de lançamentos com os consequentes alteamentos dos maciços. A operação deste sistema foi iniciada no ano de 1944. (denominada Barragem de Queiroz) a qual assegurou a deposi­ ção dos rejeitos da Empresa até meados do ano de 1954. A partir de 1981. O produto final obtido são os metais ouro e prata. No momento atual. à altura do antigo bairro do Galo. todos eles localizados no vale do Queiroz. este sistema foi ampliado com a construção de mais duas barragens. Hoje con­ templa as seguintes unidades: barragem de rejeitos de Cocuruto. o programa de Descrição do sistema O sistema de deposição de rejeitos industriais processados pela An­ gloGold Ashanti Brasil Mineração na sua Instalação de Beneficia­ mento localizada no Queiroz é contido em 03 reservatórios e mais um sistema de valas fechadas. encontram-se sob utilização os reservatórios das barragens de Rapaunha e Calcinados.Barragem de Cocuruto . bilizada a construção de uma fábrica de ácido sulfúrico. No circuito de Cuiabá.Barragem de Queiroz .

no momento. formando a partir daí a praia. quando teve esgotada a sua capacidade adicional do alteamento. Na posição a montante e mais próximo da ombreira esquerda. Desde a Figura 13 . o aporte de rejeitos foi interrompido. Após esse período. dos quais 5 milhões encontram-se ocupados por rejeitos depositados no período de 1986 até a presente data. os rejeitos eram conduzidos por gravidade por meio de canaletas construídas em concreto e lançadas tal como em Rapaunha na posição mais a montante possível.1. A capacidade total de deposição em seu reservatório é de cerca de 17 milhões de toneladas de rejeitos. construída a montante e simultaneamente com a barragem de Cocuruto. esses são lançados por meio de espigotes posicionados sobre o barra­ mento.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Na barragem do Rapaunha. aproximadamente 10 milhões de metros cúbicos. O final de sua vida útil está previsto para se dar até o ano de 2025.Seção esquemática da barragem do Rapaunha 383 . Sua elevação de crista encontra-se na cota 856.1. servindo apenas como reservatório de água para suprimento à planta metalúrgica. 4. Na barragem de Calcinados. prevê-se disponibilizar a barragem do Queiroz. e foi concebida para que sua construção ocorresse em fases. que consiste em um alteamento da antiga barragem da MMV. que veio a operar até o ano de 1957. de acordo com a necessidade de enchimento do reservatório. posicionado sobre a crista da barragem) e o nível d’água do reservatório na elevação 853. não recebe rejeitos por estar com sua capacidade volumétrica tomada. encontra-se no momento sem receber aporte de rejeitos. A barragem do Cocuruto. onde está posicionado o lago e o sistema de recirculação de água para aproveitamento nas operações industriais. que abriga os rejeitos inertes. teve sua construção e início de operação em meados de 1983. A barragem de rejeitos de Rapaunha situa-se no vale Queiroz. de tal ma­ neira que a formação da praia ocorra de montante para o barra­ mento. entrada em operação da planta metalúrgica de Cuiabá. como abordado anteriormente. havendo sido utilizada até o final do ano de 1985.50 m. mantidas as taxas de produ­ ção previstas até o momento. esses são lançados na posição mais a montante possível.1 Barragem do Rapaunha A barragem de rejeitos de Rapaunha. um lago protegido por dique é formado e o sobrenadante é bombeado para uma estação de tratamento de efluentes.2 Barragem do Cocuruto A barragem de Cocuruto. que abriga rejeitos não inertes. sendo que 4. Quando de sua operação.50 m (topo do muro de concreto.

A barragem do Cocuruto tem previsão de alteamento no futu­ ro. graças a sua maior resistência aos processos de erosão e denudação. Esse grupo é representado principalmente por xistos e filitos metassedimentares e metavulcanicos e. O pacote estratigráfico do Grupo Nova Lima é local­ mente cortado por diques metadiabásicos e veios de quartzo de espessura métrica.3 Barragem de Calcinados A barragem de Calcinados foi construída em 1986. Figura 14 . mantendo bombeamentos dos fluxos internos e do excedente da fração líquida do reservatório de retorno para a planta industrial. por vezes na forma de solo re­ sidual resistente. da ordem de 10-5 cm/s. A cons­ trução do maciço ciclonado. competentes para garantir a estabilidade das fun­ dações das barragens de terra. passando a operar desde então. em conseqüência da elevação de sua crista em mais 20 m. caracterizados geomorfologicamente por cristas ou cordões realçados na topografia. XX e XXI a disposição desses rejeitos passou a ser feita no reservatório da barragem Rapaunha. Geologia e Fundação O maciço de fundações. O maciço original foi construído de um núcleo de aterro argiloso compactado. a partir de quando terá sua capacidade acrescida em aproxi­ madamente 12 milhões de metros cúbicos. utilizando como material de cons­ trução o underflow da ciclonagem dos rejeitos gerados na Planta ocorreu por meio do método construtivo centerlining (linha-decentro) até atingir a cota 846 m. excetuado seu recobrimento coluvionar e horizontes superficiais mais alterados.A História das Barragens no Brasil . embora anisotrópico devido à xistosidade. Os filitos se apresentam menos alterados na ombreira esquerda e na região de descarga das vazões. os alte­ amentos passaram a ser realizados por jusante.Seção da barragem do Cocuruto 4. ocorreu até a cota 860 m. Esta barragem não descarta efluen­ tes para jusante. o mesmo apresentabaixas permeabilidades. é relativamente homogêneo. devido à presença de siltes micáceos. Quanto às propriedades hidráulicas do solo da fundação. com predominância de rochas do Grupo Nova Lima. A área da bacia de deposição de rejeitos é caracterizada pela ocor­ rência da série Rio das Velhas. 384 .Seção da barragem de Calcinados Os filitos apresentam-se alterados. Figura 15 . utilizando para o alteamento material ciclonado do rejeito originário do circuito de Raposos e do Rejeito da Flotação. secundaria­ mente.Séculos XIX. O alteamento da barra­ gem de Calcinados. de acordo com as condições de projeto. apresentandobons parâmetros de resistência à penetração. na forma de camadas descontínuas ou lentes de médio porte. A partir desta elevação. destinando-se aos depósitos de rejeitos calcinados pro­ cessados na planta do Queiroz.1. por Formação Ferrífera laminada e conglomerado de matriz xística. tendo sua crista situada na cota 830 m. contendo para isso dispositivos especiais que lhe asseguram a operação em regime de “circuito-fechado”.

com coloração variegada (rosa. na sequência do Manual de Operação: Barragens de rejeitos. representado pela superfície de rocha alterada. marrom. Reservatórios das barragens. uma camada de silte argiloso vermelho. sendo coberta por manto de intemperismo de espessu­ ra de 15 a 25 metros. Bombas flutuantes. da ordem de 11º. As estruturas seguintes são objeto de monitoramento e controle. Monitoramento e controle do sistema O monitoramento e o controle do sistema de contenção de rejeitos são realizados na seguinte seqüência: a) Inspeções periódicas de campo. até ser alcançado o impenetrável. 385 . pouco compac­ to. com espessura de poucos metros. geralmente róseo. A calha do rio apresenta material impenetrável a percussão em profundidades de 5 a 15 metros – xisto alterado. uma camada de xisto alterado. o coeficiente de permeabilidade dos solos varia de 3 x 10-5 cm/s a 2 x 10-4 cm/s. A margem esquerda apresenta inclinação acentuada. representada pelos seus planos de xistosidade. pouco consistente. onde são feitas observações superficiais nas várias estruturas que constituem o sistema de con­ tenção de rejeitos. quando for o caso. uma camada de silte arenoso. Vertedouro de emergência. vermelho. na utilização de ferramentas auxiliares como as ”cartas de risco”. com trechos bastante íngremes. A estrutura mais marcante dos xistos é a foliação. sem estrutura preservada. em destacado. uma camada de argila pouco arenosa. d) Aplicação de medidas de controle. que se apresenta descontínua em face de escavações anteriormente re­ alizadas na área. O perfil típico do manto de intemperismo apresenta. Sobre esse ma­ terial. com coloração esverdeada.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A área é recoberta por espesso manto de intemperismo. ocorrem solos residuais de xisto. Cada uma delas é abordada de forma conveniente. Sobrejacente ao solo residual de xisto. c) Avaliação das condições de funcionamento e/ou de segurança da estrutura. nas leituras dos instrumentos. A margem direita do vale apresenta inclinação média. com mergulhos acentuados para SE. Corta-rio. com espessura média de 2 m. Tubulação de rejeitos. a partir da super­ fície. constituído inicialmente por uma camada de silte argiloso de consistência média. Estação de tratamento de efluentes. de consistência mole. O perfil do subsolo apresenta basicamente uma camada superficial de argila siltosa mole. Sistema de coleta e bombeamento de água percolada. sendo que o índice de resistência à penetração SPT cresce com a profundida­ de. aparecendo ainda uma camada superficial descontínua de argila sil­ tosa mole. até a superfície da rocha alterada. entre outras. e fi­ nalmente o xisto são. apresentando índice de resistência à pe­ netração crescente com a profundidade. amarela ou mar­ rom. pouco espessa. compacto. marrom ou amarela. amarelo). que assumem localmente direção variando de N10 a N30. pro­ veniente da alteração dos xistos metassedimentares. Sob essa camada. passando gra­ dativamente a rijo e duro com xistosidade preservada. ocorrem solos silto argilosos de consistência rija a média. Tubulação de recirculação de água. no conhecimento teórico e na experiência acumulada tanto com as atuais estruturas quanto com estruturas semelhantes. feita com base nas inspeções periódicas. b) Leituras sistemáticas dos instrumentos. Existe uma camada superficial de argila. O coeficiente de permeabilidade é da ordem de 10-5 cm/s. com espessura média de 2 metros. De uma maneira geral. constituídos de silte argiloso de consistência média a rija.

seja por erosão interna.Pontos de monitoramento ambiental Diante das dificuldades de detecção de problemas pela simples inspeção visual. A figura 16 apresenta a localização dos pontos de monitoramento ambiental. cisalhamento ou galgamento. tem seu sistema extravasor. Figura 16 . Régua graduada e pluviômetro. Sistema de vertimento O sistema de disposição de rejeitos do Queiroz.A História das Barragens no Brasil . constituído pelas três barragens e mais seis valas de lama. Com as informações obtidas nas inspeções periódicas e na leitura dos instrumentos pode-se então avaliar a segurança da barragem para as condições de ruptura por erosão interna. Piezômetros e medidores de nível d’água. Medidor de vazão. conforme adiante descrito: 386 . cisalhamento ou galgamento.Séculos XIX. para avaliação do potencial de ruptura. foi preparada uma carta de risco. XX e XXI O monitoramento da segurança da barragem é feito utilizando-se dos seguintes tipos de instrumentos: Marcos superficiais.

incluindo o sistema de disposição de rejeitos. ver­ timento de seu reservatório.0 m. Ficha Técnica Plano de Fechamento Com vistas no futuro. que atravessa o maciço e liga-se a uma tubulação em aço.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Barragem de Calcinados É uma barragem em circuito fechado. seja pelo maciço. com ori­ fícios verticais duplos com dimensões iguais a 2. onde os fluxos são coletados e bombeados para a estação de tratamento de efluentes.00 m. Tabela 3 – Ficha Técnica das Barragens Rapaunha. construído na ombreira esquerda da barragem.0 m x 1.50 m. A torre do vertedor acopla-se a uma galeria em concreto arma­ do. portanto.20 m e altura igual a 1. que é direcionada para jusante para um poço. não havendo. Calcinados e Cocoruto Barragem Status Volume m3 Área km2 Rapaunha Operação 12 x106 4 x 106 4. 4.0 m. para o fechamento da barragem. o vertedouro permite operação até quando o nível do rejeito atingir a elevação 859. estes encontram-se selados por stop-logs em virtude do avanço de rejeitos. em seção retangular com base igual a 1. 628 1.4. com diâmetro igual a 1.60 0. Como foi construído contemplando o arranjo inicial. é captado a jusante em poço e bombeado para o reservatório. 592 1.1. A água acumulada no reservatório é encaminhada ao sistema de tratamento de efluentes por meio de bombeamento e posteriormente conduzida à barragem do Rapaunha.5%. vão sendo adicionadas placas de concreto na torre de captação dessa estrutura para evitar o vertimento de rejeitos.3 m e soleira na elevação 802. com seção transversal igual a 2. Muito embora haja outros orifícios inferiores a esta elevação.20 m e declividade igual a 2. garantindo uma borda livre igual a 3. À medida que são dispostos rejeitos no interior do reservatório.9 x 106 1. 560 Drenagem Filtro vertical e tapete Tapete Filtro inclinado e tapete Classe III III III Calcinados Operação Cocuruto Fechada FS = Fator de segurança 387 . Barragem do Rapaunha Esta barragem possui a missão de armazenar rejeitos e água para uso na planta metalúrgica e utiliza um vertedouro tipo poço. suficiente para amor­ tecimento de uma PMP (Precipitação Máxima Provável).80 m e declividade igual a 22%.40 m x 1. apenas drena­ gem interna. O fluxo oriundo das águas de percolação.50 52 41 FS 1. Valas de lama As valas de lama não possuem sistema de vertimento. Barragem do Cocuruto O barramento é dotado de um vertedouro tipo poço. seja pelas fundações.60 4. foi elaborado um plano de fechamen­ to para a Planta Metalúrgica do Queiroz.55 Construção Aterro compactado Rejeito ciclonado Aterro compactado Altura m 50. responsável por lançar os vertimentos no córrego do Queiroz a jusante da barragem. sendo que está prevista a construção de outro vertedouro de superfície.

Esse fato. somado à proximidade do final da vida útil do Reservatório do Germano.A Introdução A Samarco Mineração S. o reaproveitamento da água utilizada no processo de beneficiamento do minério de ferro é realizado através de um sistema de recirculação com captação no reservatório da barragem do San­ tarém. em Mariana . Além da função de reservação de água. e pelos diques da Sela.MG. XX e XXI Esse plano de fechamento é revisado periodicamente. em um horizonte de operação de aproximadamente 9 anos. Na Samarco. Localização do sistema O reservatório do Germano é formado pela barragem prin­ cipal. com base nos documentos mencionados no item 6 deste capítulo [Ref.2 Sistema de Disposição de Rejeitos do Germano Samarco Mineração S. A seguir estão apresentadas as informações do sistema do Ger­ mano. denominado lama e um rejeito com granulometria mais grosseira. Neste contexto surge o Sistema de Rejeitos do Fundão. 4. A empresa realiza lavra a céu aberto por meio de equipamentos móveis e por correias de banca­ da. ex­ traído pela Samarco. Com o início de operação da segunda unidade de beneficiamento (Planta II) da Samarco. Este sistema não faz parte da presente descrição. 9 a 11]. a barragem do Santarém tem como finalidade a contenção dos sedimentos provenientes destes reservatórios. fez surgir a necessidade de um novo local para a disposição dos rejeitos gerados pelas duas unidades de beneficiamento (Planta I e Planta II). houve um aumento na geração de rejeitos. que fecha o vale no lado extremo leste. que está localizada a jusante dos reservatórios do Germano e do Fundão. como uma nova área para a disposição dos rejeitos granulares (arenosos) e finos (lamas). para ade­ quação da dinâmica das operações e atendimento às novas leis ambientais que venham a ser aprovadas. no final de 2008. denominado rejeito arenoso. alimentando um sistema de correias transportadoras de longa distância. aos sistemas de certificações obtidos e implementados pela empresa. gerados pelas Plantas I e II.A é uma empresa brasileira de mineração que extrai minério de ferro das frentes de lavra do complexo de Alegria. posicionados sobre três antigas selas Figura 17 – Mapa com a localização da Unidade Operacional Germano 388 .A História das Barragens no Brasil . A partir do processo de beneficiamento do minério de ferro. que levam o minério para a planta de beneficiamento. Esse plano de fechamento atende também o disposto no Código Internacional de Cianeto. na Unidade Germano. Tulipa e Selinha. são gerados dois tipos de rejeitos com ca­ racterísticas bastante distintas: um rejeito mais fino.Séculos XIX. localizados a montante.

passou a ficar inviável por razões de estabilidade da barragem. A partir de 1993 o alteamento da barragem principal. foi a alternativa adotada para postergar a implantação de uma nova área de disposição de rejeitos e me­ lhorar as condições de estabilidade da barragem principal. com a subida do nível de rejeitos no interior do reservatório do Germano. a jusante da barragem do Germano. com uma camada de transição entre o núcleo e o enrocamento. lançados no interior do seu reservatório. A partir daí. separando uma área do reservatório a montante e servindo de estrada de acesso para o lado norte. visando a situação de fechamento. os alteamentos sub­ sequentes foram executados com afastamento entre 60 e 100 metros para montante da crista existente na elevação 886 m. por diques a montante junto à crista do estágio anterior. Com o ob­ jetivo de garantir a continuidade do lançamento dos rejeitos no reservatório. o empilhamento drenado de rejeitos arenosos.5 m e altura máxima igual a 70 m. foi necessária a construção dos diques da Sela. em 1976. O empilhamento de rejeitos a jusante da barra­ gem principal teve início a partir de um dique de partida.1 Barragem principal e empilhamento a jusante Generalidades A implantação da barragem do Germano foi iniciada com a construção de um dique de partida de enrocamento.0 m.Vista geral do sistema de disposição de rejeitos da Samarco O reservatório do Germano foi formado a partir da construção da barragem Princi­ pal do Germano. A mesma entrou em operação em 1977. até ser atingida a elevação 886 m. com inclinação dos taludes igual a 1V:1. O dique Auxiliar atravessa o reser­ vatório do Germano. Este dique foi construído com crista na elevação 849. A partir daí. com a finalidade de receber os rejeitos. com o ponto mais baixo das funda­ ções na elevação 745. foram realizados altea­ mentos sucessivos para montante. impermeabilizado por um núcleo de material argiloso a 389 . construído com aterro compactado. O sistema de drena­ gem interna deste dique de partida consistia em Figura 18 .2. Tulipa e Selinha para o fechamento das três selas topográficas existentes na região nordeste do reservatório. no sistema do Germano. Posteriormente. 4.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens topográficas na margem nordeste do reservatório. montante.5H e crista na cota 790 m. sem comprometer a estabilidade da barragem. provenientes da planta de beneficiamento de minério de ferro. Os alteamentos foram realizados através de diques de aterro com­ pactado com altura variável entre 4 e 6 metros. finos e granulares. na medida em que se elevava o nível de rejeitos arenosos. A crista da barragem alcançou a elevação 899 m com aproximadamente 120 metros de altura. A Figura 18 ilustra a configuração das estruturas.

composto por camadas de oversize fino e grosso. o maciço de rejeitos é drenado constituindo-se.A História das Barragens no Brasil . O reservatório da barragem do Germano unificará com o reservatório da barragem do Fundão na cota 920. desde o dique de partida do empilhamento até o offset de jusante da barragem do Germano. em seu ponto mais baixo. além do dreno do dique de partida.0 m. pro­ tegido na face de jusante por solo argiloso compactado Os taludes de jusante possuem inclinação igual a 1V:2H com um talude médio global igual a 1V:3H.0 m. No contato dos rejeitos do reservatório da Pilha a Jusante com o talude de jusante da barragem prin­ cipal do Germano há um dreno interligado ao dreno de fundo. em um maciço não saturado estável e de baixo potencial de dano. portanto. O sistema de drenagem superficial é constituído por uma escada de descida d’água. XX e XXI um filtro inclinado no talude de montante e na crista do dique. O talude de jusante foi protegido com blocos. Figura 19 – Seção transversal típica da barragem principal do Germano com o empilhamento a jusante Figura 20 – Foto de estrutura construída sobre o empilhamento drenado 390 . A partir da construção deste dique de partida foram feitos alteamentos consecutivos para montante. Com este sistema de drenagem interna. de um dreno situado no fundo do vale. a altura total atual é de 175. disposta perpendicularmente às canaletas lon­ gitudinais das bermas. O núcleo dos diques é constituído por rejeito arenoso. a cada 5 m de altura. blocos passados em gre­ lha e blocos de maior dimensão. O sistema será expandido à medida que os alteamentos forem sendo implantados Na figura 19 está apresentada uma seção típica da barragem principal do Germano incluindo o empilhamento de rejeitos a jusante. posicionada na ombreira esquerda. O sistema de drenagem interna do empilhamen­ to consiste.Séculos XIX. Considerando a cota de fundação.

A parte superior das ombreiras é formada por filito decomposto. Devido ao início de operação da segunda planta de beneficia­ mento de minério de ferro da Samarco e o conseqüente aumento na geração de rejeitos. foram necessários novos alteamentos dos diques da Sela e da Tulipa. foram instalados 6 piezômetros Tabela 4 – Características da Barragem do Germano (maio/2008) Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Contenção de rejeitos Bechtel / Pimenta de Ávila Consultoria do tipo Casagrande. Os piezômetros instalados na pilha de jusante indicam leitu­ ras com poropressões nulas.2. Os maciços. Os materiais de construção disponíveis para a implantação dos maciços de alteamento dos dois diques conduziram a uma geo­ metria em blocos sujos com uma faixa de material argiloso im­ Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Sistema Extravasor - 919. e uma zona em enrocamento no espaldar de jusante. Monitoramento O monitoramento da barragem principal do Germano consiste na leitura dos piezômetros instalados. tanto do dique da Sela. com crista na El. quanto do dique da Tulipa. matacões. foi necessária a construção de dois diques. Na barragem principal do Germano foram instalados 14 piezôme­ tros do tipo Casagrande.913.0 m. Na pilha a jusante do Germano.0 m 169. sendo alterada para cada 15 dias em caso de anomalias. os dois diques foram alteados pelo método de mon­ tante. A frequência das leituras é mensal. localizados no patamar da cota 886. para possibilitar a continuidade do lançamento de rejeitos no interior do reservatório. funcionando como núcleo. com uti­ lização de uma zona impermeável em aterro argiloso compacta­ do. 391 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Ficha Técnica Na Tabela 4 estão apresentadas as principais características da barragem principal do Germano. 4.2 Dique da Sela e Dique da Tulipa Devido à existência de duas selas topográficas na margem norte do re­ servatório do Germano.00 m 300. Em toda a região de fundação da barragem foi removida a camada superficial de material orgânico. No final de 2010. areia e cascalho.0 m Tipo tulipa com galeria de descarga (localizado adjacente ao dique da Tulipa) Geologia e fundações A fundação da barragem principal do Germano é composta por fili­ to são. comprovando a boa drenagem do maciço de rejeitos.0 m e nas bermas do talude de jusante. denominados dique da Sela e dique da Tulipa. em geral são constituídos em seção mista. À medida que o nível de rejeitos dentro do reservatório do Germa­ no foi sendo elevado foram necessários vários alteamentos. Na região do fundo do córrego foram removidos blocos de rocha. nas porções inferiores das ombreiras esquerda e direita e em todo o fundo do vale.

4. a sul do reservatório do dique auxiliar. b).0 m Sistema extravasor As condições de amortecimento das cheias.0 m concluído Março de 2011 913.0 m 375.913.913. em soleira construída sobre a encosta rochosa. Tabela 6 – Características do Dique da Tulipa Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Contenção de rejeitos Figueiredo Ferraz / Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El.no local do antigo túnel bala. Monitoramento No dique de Sela estão instalados 3 piezômetros de Casagrande e 3 indicadores de nível de água. O sistema extravasor construído na ocasião do alte­ amento para El. No dique da Tulipa estão instalados 3 piezômetros de Casagrande e 3 indicadores de nível de água. ambos em concre­ to celular pré-fabricado PÁDUA e um trecho de galeria em concreto armado.Séculos XIX.0 m dos diques da Sela e Tulipa é composto por uma galeria ligeiramente inclinada associada a uma torre vertical. c).0 m concluído Março de 2011 913. supõe a distribuição dos deflúvios nas várias sub-áreas.2. XX e XXI permeabilizante a montante. Na fundação do alteamento dos dois diques foi implantada uma base constituída de blocos sujos. controladas por soleiras vertentes situadas nas seguintes posições: a).0 m 23. no reserva­ tório do Germano.0 m Ficha Técnica Nas Tabelas 5 e 6 estão apresentadas as princi­ pais características do dique da Sela e do dique da Tulipa. na confluência do acesso ao Empi­ lhamento de Rejeitos Granulares de Germano Jusante e do acesso à mina de Fábri­ ca Nova (Vale). Tabela 5 – Características do Dique da Sela Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Contenção de rejeitos Figueiredo Ferraz / Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El.0 m 41.0 m 450.910. foi verificada a existência de uma nova sela topográfica.3 Dique da Selinha Na região sudeste do reservatório do Germano. apenas para dar suporte ao alteamento.na área imediatamente a montante da tulipa.na extremidade de jusante da Baia 3. conectada a um canal rápido e uma bacia de dissipação à jusante deste.A História das Barragens no Brasil . respectivamente. com cota 392 .

0 m concluído 913. Para o estabelecimento de uma borda livre.50 m em julho de 2010.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de topo posicionada na elevação 901. Os materiais de construção disponíveis para a implantação do maciço de altea­ mento do dique conduziu a uma geometria com utilização de uma faixa imper­ meável de material argiloso a montante e em blocos sujos no espaldar de jusante. O dique não possui sistema de drenagem interna. inicialmente para se­ parar as lamas dos rejeitos arenosos.50 m. apenas como suporte ao alteamento. e filtro vertical de areia. Ficha Técnica A Tabela 8 apresenta as características gerais do dique Auxiliar.2. 393 . A drenagem interna do dique foi prolongada nesse trecho. Monitoramento No dique da Selinha estão instalados 4 piezômetros de Casagrande e 5 indicadores de nível de água. que conectam o reservatório do dique Auxiliar ao reservatório do dique da Sela/Tulipa.0 m 23. denominado dique da Selinha. 4.0 m Atualmente. No final de 2010 a crista do dique da Selinha foi alteada pelo método de montante para a El.913. Ao longo do tempo. dos rejeitos da flotação em célula. sendo utiliza­ do laterita na sua construção. de aproximadamente 1. encontram-se instalados e funcionando corretamente 3 indicadores de nível d’água.0 m de espessura. A jusante do dique foi im­ plantada uma berma de blocos sujos afim dar estabilidade à estrutura alteada. em ambos os lados do dique auxiliar. Atualmente a cota da crista do dique Auxiliar está na elevação 917.50 m). foi executado um alteamento emer­ gencial de 0. Monitoramento Ficha técnica Na Tabela 7 estão apresentadas as principais características do dique da Selinha. atra­ vés de tubulação. resultou em uma estrutura submersa tanto a montante como a jusante.0 m. O dique da Selinha foi construído utilizando uma seção composta por aterro compactado de material argiloso proveniente da pilha de estéril da Vale. Na fundação do alteamento do dique foi implantada uma base constituída de blocos sujos. em Fá­ brica Nova. simultaneamente aos alteamentos a serem implantados nos diques da Sela e da Tulipa. O sistema de drenagem interna é composto por tapete horizontal de areia.4 Dique Auxiliar O dique Auxiliar foi implantado.0 m. Tabela 7 – Características do Dique da Selinha Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Contenção de lama Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El. Extravasor Até dezembro de 2010 o dique Auxiliar possuía um sistema extravasor composto por três tubos ARMCO’s (Ø 1. sendo alteada sucessivamente. Dessa forma tornou-se necessário im­ plantar um dique de sela nesta região.0 m 135. o lançamento simultâneo de lamas e rejeitos arenosos. retendo as lamas na área de montante do reservatório do Germano e ficando o restante do reservatório para a descarga.913.

50 m 37.917. denominadas de primeira e segunda fase. vislumbra-se a possibilidade de implantação de um canal trapezoidal em enrocamento.2.50 m).00 m material proveniente da erosão das suas paredes. Em 2006 iniciou-se o empilhamento de rejeito arenoso da segunda fase da Cava do Germano. 4. XX e XXI Tabela 8 – Características do Dique Auxiliar Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Sistema Extravasor Contenção de rejeitos Figueiredo Ferraz / Pimenta de Ávila Consultoria Alteamento para El.00 m e os diques de alteamento da pilha.50 m de altura em substituição aos três tubos ARMCO’s (Ø 1. foram instalados mais quatro ARMCO’s (Ø 1. com o objetivo de manter a linha de saturação afastada do talude externo da pilha.5 Cava do Germano A Cava do Germano é uma antiga área de lavra.00 m e o tapete drenante com 30. dando continuidade ao projeto de reabilitação dessa área degradada.A História das Barragens no Brasil .0 m.50 m e 4 tubos ARMCO’s Ø 1. A partir dessa época a cava passou a ser assoreada pelo Figura 22 – Seção transversal típica da Cava do Germano Figura 21 – Vista da Cava do Germano 394 .00 m) com o intuito de melhorar a eficiência de extravasão desse reserva­ tório.0 m 3 tubos ARMCO’s Ø 1. O dique de partida e o tapete drenante são os principais dispositivos de drenagem interna da pilha de primeira fase.5 m concluído 917.00 m de altura. sendo desenvolvido um projeto de recuperação. exaurida no final da década de 80. A cota de crista do dique foi projetada na elevação 950.00 m. com superfície da funda­ ção na elevação 945.00 m de extensão e para montante.Séculos XIX.50 m 820. Esse projeto de recuperação foi divido em duas partes. A pilha de rejeito atingirá a elevação 1. O material assoreado funcionou como a fundação da pilha de re­ jeitos na primeira fase de recuperação da cava. Além disso. com base menor de 5. taludes 1V:1H e 2. alteados para montante. Recentemente. A crista do dique de partida foi posicionada na elevação 955. 5.100 m. foram projetados com suas bermas com declividade de 2% para sul.00 m de largura da crista e uma inclinação média de 1V:3H. tanto o dique quanto o tapete possuem camadas de transição fina junto a fundação da pilha. com taludes de 5. Como a fundação é em solo.

Azevedo.Anderson Pires Duarte. Tese de Doutorado. 10. Minas Gerais. 11. UFMG. Potencial Para Criação de Um Geoparque da UNESCO. Barragem do Queiroz. Geotécnica de Maio de 1980.Laudo Técnico de Segurança de Barragem – Barragem do Germano.Bacia de Acumulação de Rejeitos.Estudos de Descomissionamento das Barragens de Rejeitos da Área da Planta do Queiroz. 395 .0 m Tubo flauta conectado a uma galeria de concreto Monitoramento O monitoramento na Cava é realizado através de instrumentos insta­ lados sendo dez piezômetros do tipo Casagrande e dois indicadores de nível de água.O sistema de drenagem su­ perficial do talude de jusante da pilha é composto por canaletas e escadas em concreto estrutural.Pimenta de Ávila Consultoria. 6. da Golder Associates. 3. 2008. 7.Pimenta de Ávila Consultoria.0 m concluído Março de 2011 992. Setembro de 2010. Tabela 9 – Características da Cava do Germano Dados gerais Finalidade Empresas Projetistas Etapa Construtiva Atual Data Conclusão Cota Atual da Crista Altura Atual do Maciço Comprimento Atual da Crista Sistema Extravasor Empilhamento de rejeito arenoso Pimenta de Ávila Consultoria Ltda Alteamento para El. 4. Rapaunha e Cocuruto da CMEC.PI-PR-130005/78. SA-410-LT-22349-00 .Bacia de Acumulação de Rejeitos.UNITED STATES COMMITTEE ON LARGE DAMS – USCOLD. SA-901-RL-4596-0C – Sistema de Rejeitos – Rejeito Arenoso – “Manual de Operação da Barragem do Germano”. de Setembro de 2004.0 m 54. da Geotécnica de Novembro de 1978. Revisão ano 2009. SA-410-RL-22801-0C . U.G3-PR-13-0017/79. 9. Ficha técnica As principais informações da Cava do Germano estão apresentadas na Tabela 9. Março de 2011.Manual de Operações do Sistema de Rejeitos da Planta Metalúrgica do Queiroz. Barragem do Queiroz. Referências 1. Dezembro de 2003. Agradecimentos Agradecemos à Pimenta de Ávila Consultoria Ltda a utilização de informações de seu arquivo técnico e a preparação dos textos aqui publicados. Tailings Dams Incidents.Avaliação do Trânsito de Cheias nos Reservatórios da Barragem do Germano – Atualização Base Topográfica – Dezembro 2010. 2. UFMG.MMVREPAA. Programa Preliminar de Estudos Geológico-Geotécnicos. Patrimônio Geológico e Geoconservação no Quadrilátero Ferrífero. 82p.icold. Disponível em: http://www.Pimenta de Ávila Consultoria. Sistema extravasor O sistema extravasor é composto por tubo flauta acoplado a uma galeria de concreto posicionada na parede direita da cava (sul). R. Relatório Final de Estudos Geológico-Geotécnicos.913.Estudo de Operação dos Reservatórios das Barragens de Calcinados. 5. 8. 2004.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O sistema de drenagem interna é constituído de tapete drenan­ te associado a drenos de fundo e por um dique de partida com paramento de montante drenante.RT-039-5133-1310-0007-00-B . Julho /2002.br.0 m 325. 2007. Classificação das Barragens de Contenção de Rejeitos de Mineração e de Resíduos Industriais no Estado de Minas Gerais em Relação ao Potencial de Risco.

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do Sistema ELETROBRAS. ficou estabelecido como o Dia Mundial do Meio Ambiente. predominantemente com o objetivo de formação de reservatórios para geração de energia elétrica. as empresas do chamado setor elétrico de então (FURNAS. da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano. quando foi realizada a primeira plenária dessa Conferência. ELETROSUL. Nesse evento. Além desses temas. foi construído o canal de águas bravas. à custa de endividamento externo. O Governo impunha a sua vontade e. além da ITAIPU 397 . ao mesmo tempo em que os demais não queriam que se impusessem limitações ao seu próprio desenvolvimento. em 1972. Como resultados. criando condições de grande risco para a própria sobrevivência da humanidade. ficou patente a divisão de enfoque entre os representantes de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento. O Brasil.Evolução do Licenciamento Ambiental de Barragens no Brasil Para abordar o tema do licenciamento ambiental de barragens no Brasil. em que se incluíam as barragens. O dia 5 de junho de 1972. a necessidade de encorajar a distribuição internacional da capacidade industrial. utilizado para competições esportiva desaguando no rio Bela Vista (foto Caio Francisco Coronel) Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Homero André dos Santos Teixeira em larga escala. vivia sob um regime ditatorial. mas não visível na foto. ELETRONORTE. que veio a realizar-se em Estocolmo. foram definidos vários tópicos que requeriam atenção urgente e ações O canal da Piracema de Itaipu. de forma a minimizar os riscos ambientais de suas estratégias de desenvolvimento. A jusante do lago. pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Apesar de. Em primeiro plano o lago de Itaipu e a tomada de água do canal. COPEL e CEEE. CESP. as mais destacadas: usina hidroelétrica Itaipu e usina hidroelétrica Tucuruí. é preciso lançar um olhar histórico sobre a questão do meio ambiente como um todo e situá-lo no contexto político do País. As primeiras manifestações de preocupação com o meio ambiente podem ser identificadas na convocação. poluição de mares e oceanos e ocupação urbana desordenada. Os primeiros externaram suas preocupações com os danos impostos ao ambiente pelo modelo de desenvolvimento predatório por eles próprios empreendido. uma significativa quantidade de usinas hidroelétricas teve sua construção iniciada na década de 70. e as principais geradoras estaduais como CEMIG. CHESF. àquela época. Dessa Conferência. como suprimento de água. com cerca de 10 km de extensão e desnível médio de 120 m. em 1968. participaram representantes de 113 países e de cerca de 250 organizações não-governamentais e o seu foco de atenção principal foi a constatação de que a ação do homem vinha produzindo severa degradação da natureza. via fluvial para migração de peixes. a necessidade de somente aceitar a introdução de novas tecnologias após a avaliação das consequências de sua utilização sobre o ambiente. conecta o lago de Itaipu ao rio Paraná aproveitando em seu trecho inferior o leito natural do rio Bela Vista. entre elas. foram identificados como prioritários a necessidade de compreensão e controle das modificações ambientais produzidas pela humanidade nos principais sistemas ecológicos. a necessidade de acelerar a disseminação de tecnologias ambientalmente amigáveis e de desenvolver tecnologias alternativas àquelas danosas ao meio ambiente. em junho de 1972. com plena dominância estatal dos investimentos em grandes obras públicas. e a necessidade de prestar assistência a países em desenvolvimento. não haver exigência legal de licenciamento ambiental. em seguida o canal para peixes e mais abaixo o lago e a represa.

A implantação da usina hidroelétrica Tucuruí. na companhia de profissionais da ELETRONORTE. continuou ações ambientais sistematizadas em nove subprojetos. que já havia prestado consultoria para FURNAS.A História das Barragens no Brasil . CEMIG e ITAIPU. Simultaneamente. Consultor de meio ambiente Robert Goodland em 2011 Consultor ambiental Robert Goodland (à direita) junto com Rupert Spearman (Ieco-Elc) na primeira inspeção a Itaipu em 1972 398 . em setembro de 1977. seriam indispensáveis para o sucesso do projeto. uma Divisão de Ecologia que passou a concentrar as atividades ligadas ao meio ambiente.430 km2. Esse despertar para o meio ambiente foi iniciado pelos problemas de conflitos de reassentamentos de populações desalojadas pela formação de reservatórios e pela necessidade de compatibilizar a eventual explotação de recursos minerais em áreas alagáveis antes de sua inundação. ligadas principalmente à qualidade da água e à introdução de peixes em reservatórios. Amazônia (Avaliação ambiental do aproveitamento hidroelétrico de Tucuruí – Rio Tocantins). já eram objeto de ações das empresas do Setor Elétrico desde a década de 60. para elaborar um relatório diagnóstico da problemática ambiental relativa à implantação da usina hidroelétrica Tucuruí e recomendar ações para minimizar os potenciais impactos ambientais identificados. a ELETRONORTE. que abrangeram estudos a montante e a jusante da barragem. A partir desse relatório. com um reservatório da ordem de 2. conceituado profissional ligado ao Cary Arboretum of the New York Botanical Garden. quando do enchimento do reservatório. o tratamento das questões ligadas aos povos indígenas foi. para soltura em áreas protegidas ou aproveitamento científico. Assim. avaliação de impactos a montante e a jusante da barragem e monitoramento ambiental. contratou o ecólogo Robert Goodland. em 1976. Rio Tocantins. culminaram na denominada Operação Curupira. Essas ações desenvolvidas entre 1978 e 1984. despertou nos responsáveis pelo empreendimento a certeza de que ações de diagnóstico dos meios físico e biótico. Iniciativas anteriores de preservação ambiental. XX e XXI BINACIONAL) já demonstravam alguma consciência da importância do componente ambiental em seus empreendimentos. também. a ELETRONORTE criou.Séculos XIX. O ecólogo Goodland. em um bioma sensível – Floresta Amazônica. que já vinha enfrentando a problemática ambiental. bem como o reflorestamento de suas margens. que teve por objetivo promover o salvamento do maior número possível de indivíduos da fauna silvestre. abordado. o relatório Environmental Assessment of the Tucuruí Hydroelectric Project. realizou várias campanhas de campo na região e apresentou. Com o início do aproveitamento de potenciais hidrelétricos na Região Amazônica.

A Lei 6.educação ambiental a todos os níveis de ensino.86. é publicada no Diário Oficial da União . da água e do ar . já restabelecida a democracia no Brasil. VIII .à definição de áreas prioritárias de ação govername tal relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico. atendidos os seguintes princípios: I . 4º. concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida. Somente nove anos após a realização da Conferência de Estocolmo é que surge.450 indivíduos. de forma integrada. tais como: 399 . com resgate de 36. com a preservação de áreas representativas.acompanhamento do estado da qualidade ambiental.ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais. que: “Dependerá de elaboração de Estudo de Impacto Ambiental . e da Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA em caráter supletivo. dos Estados. IV . ao poluidor e ao predador. 9º.controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras. Em seu Art.” Já o Art. atendendo aos interesses da União. 01. da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e. VII .EIA e respectivo Relatório de Impacto Ambiental – RIMA.à imposição. do subsolo.racionalização do uso do solo. dos Territórios e dos Municípios. ao usuário. o licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente..incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais. que dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impacto ambiental.ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico. da Política Nacional do Meio Ambiente .à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente.à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente. VI .ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais.PNMA (Lei 6. de 31. IX .recuperação de áreas degradadas.proteção de áreas ameaçadas de degradação.à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preser vação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.81). visando assegurar.” E o inciso IV do Art. II . No entanto. também foi realizada operação de salvamento de animais silvestres. cujo fechamento do desvio e enchimento do reservatório ocorreu em 1982. encampa os resultados da Primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano e estabelece. II . VII . no Brasil. define que são instrumentos da PNMA “o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras”. III . considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido. a instituição do licenciamento ambiental de atividades efetiva ou poten cialmente poluidoras. no País. X .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Na implantação da usina hidroelétrica Itaipu. 2º. à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico. tendo em vista o uso coletivo. Ill . a primeira lei que trata. esta lei estabelece: “A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação. melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida. VI . define que a PNMA visa: “I . IV .938.planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.938. V .02. da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. 2º. do Distrito Federal. a serem submetidos à aprovação do órgão estadual competente. inclusive a educação da comunidade.08. aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. condições ao desenvolvimento sócio-econômico.proteção dos ecossistemas. somente em 17. portanto. V .DOU a Resolução CONAMA n o. e define no Art. pela primeira vez no Brasil.

87. contudo estabelece-lo. XX e XXI . Nasce. assim. O esforço de um trabalho conjunto de representantes das principais empresas do setor elétrico. responsável por considerável quantidade de barragens em operação.12.. quando couber. diagnosticando problemas e propondo soluções. só veio a se tornar efetiva quando de sua publicação no DOU. também. construção e projeto nas décadas de 70 e 80 do século passado. promoverá a realização de Audiência Pública para informação sobre o projeto e seus impactos ambientais e discussão do RIMA.1997. bastante inconsistente. em 05. elaborado por um grupo de trabalho constituído por profissionais de empresas do setor. Esse Comitê. quando couber. sem vínculos com o setor. que esses órgãos públicos e demais interessados deverão ter prazo para se manifestarem. . Em 19. Assim. o município. Na mesma data de publicação da Resolução CONAMA no. que dispõe sobre a aprovação de modelos para publicação de pedidos de licenciamento. Em novembro de 1986. embora tenha sido objeto da Resolução CONAMA no. o licenciamento ambiental de barragens no Brasil. 06/86.. em dezembro de 1986. em junho de 1986.A História das Barragens no Brasil . 237. sempre que julgar necessário. Essa Divisão tornou-se. que terá prazo para essa análise. representar cerca de duas vezes o das barragens para geração de energia elétrica. liderou uma série de ações que.. analisando os aspectos de suas especialidades. foi o setor elétrico que comandou as ações para estruturar o seu processo de licenciamento ambiental. além de demonstrarem a importância atribuída ao tema. 400 . manual esse previsto para ser revisado em 1991. Esse documento orientava a forma de conduzir o Setor sob a égide das diretrizes que o norteavam. VII – Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos. A mesma Resolução CONAMA no. no processo de licenciamento ambiental. para conhecimento e manifestação. o Comitê Consultivo de Meio Ambiente da ELETROBRAS – CCMA. inserção regional. coordenado pela Eletrobras. tais como: barragens para fins hidrelétricos. apresentando. baseando-a em quatro diretrizes: viabilidade ambiental. ainda. também. uma Divisão de Meio Ambiente ligada ao Departamento de Estudos Energéticos. uma vez mais não o estabelecendo. de 03. O setor elétrico.07. em decorrência da evolução esperada para o assunto. uma análise dos empreendimentos considerados de maior impacto social e ambiental e propunha medidas mitigadoras e compensatórias. 01/86 determina que o Estudo de Impacto Ambiental e respectivo RIMA devam ser analisados pelo órgão estadual competente. tinham em foco o licenciamento dos empreendimentos. O órgão estadual competente.12. cuja regulamentação se apresentava. que propôs uma política socioambiental para o Setor. foi publica- do o Manual de Estudos de Efeitos Ambientais dos Sistemas Elétricos.” . com predominância daquelas para abastecimento de água (açudes). em agosto de 1989. pela sua importância. 01/86. ou pela SEMA ou. em fevereiro de 1987. o DOU publicou a Resolução CONAMA no. receberão cópia. articulação interinstitucional e com a sociedade. prestou assessoria à alta direção da ELETROBRAS. Imediatamente após a publicação do I PDMA. pelo município. Com o objetivo de organizar a estrutura gerencial e executiva para o trato da temática ambiental.. que estabelece a exigência de licenciamento para barragens e diques.90. foi criado. pela sua importância e estruturação por concessionárias estatais. A realização de Audiências Públicas. ainda. acima de 10MW. foi promulgada a Resolução CONAMA no. Define. de saneamento ou de irrigação. e alinhado com as preocupações com o meio ambiente.. Determina. Apesar de o número de barragens para outros fins. sem. o Departamento de Meio Ambiente – DEMA. que dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e critérios utilizados para o licenciamento ambiental. a SEMA ou. ou tiverem relação direta com o projeto. que o RIMA deverá ser dado a público e que os órgãos públicos que manifestarem interesse. e eficácia gerencial. a ELETROBRAS criou. 09. a ELETROBRAS publicou o primeiro Plano Diretor para Proteção e Melhoria do Meio Ambiente nas Obras e Serviços do Setor Elétrico (I PDMA). do Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica – DNAEE. composto por técnicos de notório saber nas áreas social e ambiental.Séculos XIX..

pois pela primeira vez os tipos de licenças são correlacionados a etapas de desenvolvimento do empreendimento (Licença Prévia – LP. O estabelecimento das diretrizes da Resolução CONAMA n o.771. de 24.73). de 05. A modificação do marco regulatório das concessões vem alterando. desde a promulgação dessas leis. de 03. da Superintendência de Desenvolvimento da Pesca – SUDEPE e da Superintendência da Borracha – SUDHEVEA. O aprendizado das partes envolvidas no processo de licenciamento ambiental de barragens vem sendo paulatino. bem como o nível de detalhe dos programas do Projeto Básico Ambiental. É de ressaltar que essa modificação é marcante para as barragens para fins de 401 .04.85).07. os Órgãos Estaduais do Meio Ambiente – OEMAs. contudo. de 28. Destacam-se o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. de 26. As empresas estatais de água e energia perdem a exclusividade de receber concessões e os agentes privados entram em cena. a possibilidade de o empreendedor debater essas exigências. ao consumidor.TR. destacando-se o Estudo de Impacto Ambiental e o RIMA para a LP e o Projeto Básico Ambiental para a LI. de 30. a Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.67 e suas modificações). entre outros. a criação da Fundação Nacional do Índio – FUNAI (Lei 5.01. ou não. no entanto.110.371. contudo. a promulgação da lei que disciplina a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente. 06.07.902. de 30. conforme atribuições constantes da Constituição Federal de 1988 (Art. da SEMA.09. etc.668. com a criação do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – SPHAN (Decreto-Lei 25.70). Para as barragens.81 e suas modificações).37).347. para o setor elétrico.11.09. 127 a Art. o Código de Águas (Decreto 24. o IPHAN. Resguardou-se. em que se incluem. de cada processo individualmente. a FUNAI.12. Essa lei particularizou. 01/86. de 09.030.197. hoje IPHAN.10. essa resolução é um marco histórico. estabelecendo os documentos necessários a cada solicitação.02. a criação do Instituto de Colonização e Reforma Agrária – INCRA (Decreto-Lei 1. a criação da Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA (Decreto-Lei 73.95. de 13. diploma que também disciplinou o regime de concessões de serviços públicos de energia elétrica.02. que absorveu as atribuições do IBDF.427. Licença de Instalação – LI e Licença de Operação – LO). 130). o que determina a Lei 8. Ficou também estabelecido que o órgão ambiental competente definirá. a criação do Instituto Brasileiro do Desenvolvimento Florestal (Decreto-Lei 289. que dispõe sobre o regime de concessão e permissão de serviços públicos. publicada no DOU em 22. Em 1996. foi criada a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL (Lei 9. de 22. a criação da Fundação Cultural Palmares – FCP (Lei 7. de 16.67).89.65 e suas modificações).643. a abrangência e a profundidade dos estudos ambientais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens da Secretaria Especial de Meio Ambiente – SEMA e de órgãos ambientais estaduais resultou na elaboração e publicação da Resolução CONAMA no. criado pela Lei 7. estético. de 27. o licenciamento ambiental de barragens uma questão simples e pacífica.07. Os mais variados diplomas legais de proteção ambiental. o Códig o Florestal (Lei 4.02. cuja ementa informa que dispõe sobre o licenciamento ambiental de obras do setor de geração de energia elétrica. o que hoje se denomina discussão do Termo de Referência . o conteúdo. a bens e direitos de valor artístico.88). de 10.08.34). A partir do estabelecimento das exigências de produção de estudos e projetos ambientais para o licenciamento de barragens e outras atividades consideradas “modificadoras do meio ambiente”. abrange também obras de transmissão. foi desencadeado um processo de formação de equipes técnicas multidisciplinares em empresas de consultoria e nas empresas e autarquias estatais.987. a organização do patrimônio histórico e artístico nacional. cada vez mais com a presença de atores que são determinantes para o sucesso. bem como nos próprios órgãos ambientais licenciadores. histórico e paisagístico (Lei 7.10. que devem ser consi derados na elaboração dos estudos ambientais e formam um elenco legislativo de grande porte.735.67). os trâmites e a responsabilidade pela obtenção das licenças ambientais. a Lei de Criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental (Lei 6.87. Essa resolução. 06/87 não tornou.12. de 15.96). de 22.87. resguardado o disposto na Resolução CONAMA no. a FCP e o Ministério Público.

muitas remoções foram feitas para novas vilas ou cidades. desde a publicação da Resolução CONAMA no. sendo hoje muito atuante e geradora de dificuldades nos processos de licenciamento ambiental. com comunidades quilombolas. implica o licenciamento ambiental do mesmo objeto por mais de um interessado. a LI e a LO. obviamente. à proteção da flora nativa e da fauna silvestre e à preservação da qualidade dos recursos hídricos. garantindo ao empreendedor a certeza da viabilidade ambiental do empreendimento. em geral. 12.12. Os aspectos ambientais mais importantes atrás mencionados estão diretamente ligados ao processo de licenciamento. Historicamente. paleontológicos e espeleológicos e com áreas de preservação ambiental. de 09. respectivamente à emissão da LP. tem feito exigências de estudos etnoecológi- 402 . em audiências públicas. 01/86. um complicador no processo de licenciamento.98. para PCHs. Sobradinho. especialmente. não tendo sofrido alterações para barragens de outras finalidades. Tem-se conhecimento que a ANEEL está estudando uma modificação nas diretrizes de apresentação de projetos para permitir que apenas um empreendedor autorizado seja o responsável pelo licenciamento ambiental. pela Lei 10. Eles estão ligados à remoção de populações das áreas dos reservatórios. Mesmo não havendo interferência direta com essas unidades. assim como autorização para exploração de Centrais Hidroelétricas até 30 MW. embora lhe caiba a obtenção das demais licenças ambientais. Essa legislação.03. Esse requisito se aplicava tanto para em preendimentos a serem colocados em licitação (Usinas Hidroelétricas) quanto àqueles com características de Pequena Cen tral Hidroelétrica.847. conforme disposto na Resolução Normativa no. 343. “obter a licença prévia ambiental e a declaração de disponibilidade hídrica necessárias às licitações envolvendo empreendimentos de geração de energia elétrica e de transmissão de energia elétrica. quando da implantação de grandes barragens e imensos reservatórios (usinas hidroelétricas Tucuruí.04. Essa situação perdura. com evidente desperdício de recursos. (Art. a FUNAI. É dessa época a fundação do MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens. os principais problemas ligados aos potenciais impactos dessas obras se focavam em aspectos ambientais ligados aos meios físico. especialmente para as barragens que formam reservatórios. expressa pela LP. ao longo dos anos. cada vez mais. mesmo antes da existência de legislação referente ao licenciamento ambiental de barragens. inciso IV). tanto dos empreendedores quanto dos analistas dos órgãos ambientais. Itaparica. 4º. Essa determinação está sendo seguida para a licitação de concessões de geração hidroelétrica. geralmente por meio de desapropriação por utilidade pública. Itaipu. às margens dos lagos formados. em especial as de proteção integral. que permite a apresentação de mais de um estudo ou projeto para uma única usina hidroelétrica ou PCH. cria.08. de 15. a Resolução Normativa ANEEL no. XX e XXI geração hidroelétrica.12. passou a ser de sua competência. A remoção e o reassentamento de populações para implantação de reservatórios de barragens vêm sendo feitos mediante acordos dos empreendedores (públicos ou privados) com os atingidos.Séculos XIX. incrementos de prazos e custos para a obtenção das licenças ambientais. estabelece que a obtenção do licenciamento ambiental pertinente é de responsabilidade do interessado. Essa Resolução. Ita e Machadinho) construídos por empresas estatais. Nas décadas de 1970 e 1980. Com a criação da Empresa de Pesquisa Energética – EPE. do Projeto Básico Ambiental e dos Relatórios de Acompanhamento da Implantação dos Programas Ambientais. às interferências com populações indígenas.A História das Barragens no Brasil . com sítios arqueológicos. que se manifesta necessariamente na análise do Estudo de Impacto Ambiental. da LI e da LO para cada empreendimento. a cada dia. que trata dos procedimentos gerais para registro e aprovação de Estudos de Viabilidade e Projeto Básico de empreendimentos de geração hidroelétrica. Os problemas de interferências com aldeias e terras indígenas vêm sendo. 395. organização que milita pelos direitos dos afetados pelas barragens. Em 04. conforme inciso VI do Art. implantadas. necessários. selecionados pela EPE” . objeto de legislação elaborada por diversas entidades que interferem diretamente no grau de detalhamento do Estudo de Impacto Ambiental. biótico e antrópico. com voz presente. tendo sido.

146. mediante o Decreto-Lei 4. construção. a aprovação dos seus relatórios. que são passíveis de autorreconhecimento. que dispõem sobre os procedimentos para obtenção de licenças ambientais referentes à apreciação e acompanhamento das pesquisas arqueológicas no País. Para a realização dos trabalhos de arqueologia é necessário submeter ao IPHAN um projeto de pesquisa que. caso identifique algum vestígio. foi definido que deveriam ser criados critérios de relevância para a classificação das cavidades naturais subterrâneas e a possibilidade de implantar empreendimentos em áreas em que elas ocorram. Depois de muita discussão. a realização de diagnóstico das Áreas de Influência da barragem. praticamente. definindo. sendo obrigatória. Para a realização dos trabalhos de arqueologia. pela Resolução CONAMA n o. gera uma Portaria específica para o arqueólogo responsável. de 15. bem como desenvolver um Programa de Educação Patrimonial a ser implantado nas comunidades próximas ao achado. que.887. em áreas cujas rochas apresentem potencial paleontológico. demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes de comunidades quilombolas. nos termos da legislação vigente”. A implantação de barragens e reservatórios.556. de 07. Essa Resolução institui o Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas – CANIE. A proteção das cavidades naturais subterrâneas existentes no território nacional foi estabelecida pelo Decreto 99. A proteção do patrimônio espeleológico. que regulamenta o procedimento para identificação. para a obtenção da LP. muitas vezes. inviabilizava a implantação de empreendimentos em regiões dotadas de cavernas naturais.88 e IPHAN no. requer a identificação e o resgate dos fósseis. Esses procedimentos oneram e atrasam o processo de licenciamento ambiental das barragens. exceto nas de relevância máxima. independente de seu porte. de 20. foi regulada. com o atraso na emissão das Portarias e. em qualquer hipótese. que “a localização.08. havendo sempre o risco de existir algum processo de autorreconhecimento em andamento e isso não ser informado na consulta prévia que as consultoras costumam fazer na fase inicial de elaboração do EIA. Esse tipo de omissão pode acarretar atraso no processo. 07.90. 2.556. A Fundação Cultural Palmares tem necessariamente que ser ouvida no processo de licenciamento.09. também. desde que sejam implementas medidas e compensações. a mais de 20 km de distância da barragem e seu reservatório e que não seriam.10. desde 1942. delimitação. As comunidades remanescentes de quilombos. em seu Art.11. 347. submetidos a qualquer tipo de impacto. modificação e operação de empreendimentos e atividades.03. instalação. 403 . O patrimônio paleontológico é protegido. o IPHAN vem atrasando a análise dos projetos de pesquisa. 4º. A definição dos critérios para estabelecimento da relevância das cavidades na turais subterrâneas foi feita através da Instrução Normativa do Ministério do Meio Ambiente no. deve-se obedecer ao disposto nas Portarias SPHAN no. passou a ser possível a convivência de barragens e outros empreendimentos com a proteção às cavidades naturais subterrâneas.09. Devido à falta de quadros técnicos. cujos serviços só podem ser iniciados após a publicação da mesma no DOU.640. Mesmo após estudos antropológicos conclusivos. a cargo do IBAMA. inicialmente.12. reconhecimento.12. para fins de liberação das LP e LI. que provam não haver impacto..11.08. de 10.02. de 17. deverá promover o seu salvamento e deposição em instituição de pesquisa. Mesmo não havendo evidências da existência de vestígios arqueológicos relatada no Diagnóstico Arqueológico. realizados em atenção ao Termo de Referência específico. ou até inviabilizar um empreendimento. ampliação. para a obtenção da LI é requerida a realização de Prospecção Arqueológica que. 230.04. tem havido imposição de “compensações”. considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou degradadores do patrimônio espeleológico ou de sua área de influência dependerão de prévio licenciamento pelo órgão ambiental competente.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens cos dos grupos indígenas que se encontram. O patrimônio arqueológico é protegido. uma vez autorizado. considerando-o dentro do processo de licenciamento ambiental de empreendimentos. são amparadas pelo disposto no Decreto 4. Com esse Decreto. com a edição do Decreto 6. de 20. que oneram o empreendedor e que são motivo de atraso no licenciamento. para inclusão no Estudo de Impacto Ambiental. que modificou a redação do anterior Decreto 99. de 01.

ou seja. 13. corredores ecológicos. VII .promover a utilização dos princípios e práticas de conservação da natureza no processo de desenvolvimento. 25. de 18. o assunto está finalmente regulado pela Resolução CONAMA no. A Instrução Normativa do MMA n o. IX . 428.proporcionar meios e incentivos para atividades de pesquisa científica. com captura. respeitando e valorizando seu conhecimento e sua cultura e promovendo-as social e economicamente. paleontológica e cultural. exceto Área de Proteção Ambiental e Reserva Particular do Patrimônio Natural. a obrigatoriedade de realizar diagnósticos da fauna. de acordo com o disposto neste artigo e no regulamento desta Lei. o empreendedor é obrigado a apoiar a implantação e manutenção de unidade de conservação do Grupo de Proteção Integral. répteis e peixes.12.EIA/RIMA. a barragens com essa finalidade.10.proteger os recursos naturais necessários à subsistência de populações tradicionais. Essa Resolução.09. para qualquer empreendimento. 4 o o SNUC tem os seguintes objetivos: I . a recreação em contato com a natureza e o turismo ecológico. passando o assunto a ser regulado pela Resolução CONAMA no. de 22.04. 371.” Como houve muita discussão quanto aos critérios de cálculo da compensação financeira. V .340. Nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ambiental. com fundamento em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo relatório . embora o seu espírito original fosse de que deveria ser aplicada a barragens formadoras de reservatórios.01. a qualquer tipo de empreendimento.promover o desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. de 06. que estabeleceu critérios para definição das distâncias a serem consideradas para as zonas de amortecimento. coleta. A proteção da fauna silvestre é um tema que passou a ser encarado com extremo rigor no âmbito do licenciamento ambiental de barragens. em 17.proteger as espécies ameaçadas de extinção no âmbito regional e nacional.90. XX e XXI O Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC foi estabelecido pela Lei 9.06. Essa distância foi estabelecida sem qualquer critério de avaliação de impactos ambientais.02. finalmente. para tal. X . 404 . depois de várias determinações exaradas em Resoluções do CONAMA para o tema (Resolução CONAMA n o.00.07. XI . 146.recuperar ou restaurar ecossistemas degradados. As unidades de conservação. 10/87 e Resolução CONAMA n o. estudos e monitoramento ambiental. arqueológica. de 11. Esses diagnósticos só podem ser realizados mediante autorização do IBAMA. quando conveniente. De acordo com seu “Art.12. transporte e exposição de grupos da fauna.valorizar econômica e socialmente a diversidade biológica. III . 2/96). abrangendo mamíferos. a execução de um processo dispendioso e demorado.05.A História das Barragens no Brasil .” Essa zona de amortecimento foi estipulada na Resolução CONAMA no.proteger paisagens naturais e pouco alteradas de notável beleza cênica. em 10 quilômetros. VIII .proteger as características relevantes de natureza geológica.08. que caíram para 3 km no caso de empreendimentos sujeitos a elaboração de EIAe RIMA e para 2 km para os de reduzido impacto ambiental. em seu “Art. II . como definido na Lei do SNUC. indistintamente. assim considerado pelo órgão ambiental competente. foi revogada.” No apoio às Unidades de Conservação de Proteção Integral. XII . devem possuir uma zona de amortecimento e.10. a chamada Lei do SNUC estabelece: “Art. 36. Outra limitação à implantação de barragens e outros empreendimentos é a que define critérios de distância para proteção do entorno de Unidades de Conservação. de 05. VI . IV .favorecer condições e promover a educação e interpretação ambiental. XIII . restringiu a sua aplicação a empreendimentos de geração hidroelétrica.contribuir para a preservação e a restauração da diversidade de ecossistemas naturais.07.contribuir para a manutenção da diversidade biológica e dos recursos genéticos no território nacional e nas águas jurisdicionais. estabeleceu. espeleológica.proteger e recuperar recursos hídricos e edáficos. geomorfológica. requerendo-se. Essa IN veio sendo aplicada.Séculos XIX. aves. A Portaria Normativa do MMA no. de 22. regulamentada pelo Decreto 4.985.

Legislação ambiental. principalmente.unep. hoje. Relatório Geral. Topmost dams of Brazil. é exigida por praticamente todos os órgãos ambientais licenciadores. Plano Nacional de Energia Elétrica 1987/2010: Plano 2010.com. bem como sobre a fauna silvestre. Relatório Condensado. Pelo exposto. out. Rio de Janeiro. Disponível em: http://www. 1987. Os analistas tendem a se resguardar.com. analistas dos órgãos licenciadores.06.cndpch.html Acesso em: mar. nem sempre. UNEP. por receio de ação do Ministério Público que. no entanto. em geral.asp?DocumentID=97&ArticleID=1497&l=en Acesso em: mar. caros. consultores ambientais. Plano Diretor de Meio Ambiente do Setor Elétrico 1991/1993. da FCP e do IPHAN. pelos órgãos licenciadores. Centro nacional de desenvolvimento de PCH. posto que com o aumento da demanda. detalhamentos incompatíveis com o porte dos empreendimentos e. Essa Resolução vem sendo aplicada. tornando os processos demorados e. às PCHs com pequenas barragens e reservatórios. uma evolução sustentável. São Paulo: Novo Grupo Editora Técnica. dez.org/DocumentsMultilingual Default. demais instituições intervenientes e à sociedade civil. Livro Branco sobre o Meio Ambiente na Usina Hidrelétrica de Tucuruí. como elemento base para a concessão da LP e Relatório de Detalhamento dos Programas Ambientais – RDPA para a solicitação da LI. Os prazos constantes dos diplomas legais não são cumpridos. jun. 2011. se pode dizer que a “evolução” tenha um sentido de aprimoramento.br/ zpublisher/paginas/legislacao_ambiental. restando às partes envolvidas. Ela instituiu o Relatório Ambiental Simplificado – RAS. Disponível em: http://www. Referências CBGB. ELETRONORTE/ENGEVIX. nem sempre atendendo aos requisitos exigíveis. essa Resolução introduz a Reunião Técnica Informativa – RTI. ______. Stockholm 1972: Brief summary of the general debate.asp Acesso em: mar. ELETRONORTE. promoverem constante troca de experiências no sentido de que o licenciamento sofra. de 27. 405 . para a concessão das licenças. 1984. intervém na maioria dos processos como guardião da lei. os órgãos ambientais sofrem de falta de pessoal qualificado para analisar os estudos ambientais que são apresentados para instruir os processos de licenciamento. Disponível em: http://www. Estudos Tocantins: inventário hidrelétrico das bacias dos rios Tocantins e Araguaia. que estabelece procedimentos para o licenciamento ambiental simplificado de empreendimentos elétricos com pequeno potencial de impacto ambiental. 2011. efetivamente. Brasília.br/biblioteca/ fe_e_meio_ambiente/principais_conferencias_internacionais_ sobre_o_meio_ambiente_e_documentos_resultantes. 1977. 1978.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Finalmente. como as manifestações da FUNAI. exigindo. consequentemente. elaboram pareceres sobre estruturas de pequeno porte semelhantes aos aplicáveis a grandes barragens. O processo de licenciamento simplificado não desobriga. Ecclesia. que. bem como da avaliação fundamentada dos impactos sobre o patrimônio paleontológico e espeleológico e as Unidades de Conservação. ______. Brasília. Inventário do baixo Araguaia – Tocantins. O processo é penoso.ecclesia. em atenção a ações do Ministério Público. Em substituição à Audiência Pública. 1990. Rio de Janeiro. cabe mencionar a Resolução CONAMA no.279. a consideração de todos os aspectos ambientais atrás mencionados. Relatório Final. praticamente. ELETROBRAS. Entendendo o meio ambiente: principais Conferências Internacionais sobre o meio ambiente e documentos resultantes. verifica-se que a evolução do licenciamento ambiental de barragens no Brasil é um tema complexo e.01. 2011. 1986. Rio de Janeiro. empreendedores. muitas vezes esses de qualidade duvidosa. o mercado de consultoria ambiental cresceu. A legislação aplicável é vasta.

Figuras selecionadas dos resultados da instrumentação Deslocamentos horizontais máximos para jusante (períodos de inverno) .uma barragem densamente monitorada com elevado nível de segurança.Itaipu .

Neste capítulo será resumidamente apresentada a atuação do CBDB na evolução dos aspectos ligados à implantação de uma política de segurança de barragens no Brasil. tendo atuado neste campo com a formação de diversos comitês. deixa claro a grande responsabilidade das concessionárias e proprietárias quanto à preservação da segurança das barragens. Introdução Obras de tamanha importância devem ter a sua segurança gerenciada ao longo de toda a sua vida. destacam-se: “Lessons from Dams Incidents” (1974). 2. III World Water Fórum (Kyoto. construção e operação desses empreendimentos são tratados com seriedade. Durante o Congresso Internacional de Grandes Barragens. “Automated Observations for Safety Control of Dams” (1982). edição de boletins e organização de congressos. “Deterioration 407 . não haveria desenvolvimento humano. danos ambientais e conseqüências de elevado valor econômico decorrentes de uma eventual ruptura. o imenso potencial de perdas de vida. Histórico da legislação sobre segurança de barragens 2. com graves conseqüências ocorridas na época. promovido pelo ICOLD em 1979. 2003). que seguramente contribuirá para reduzir os riscos de acidentes nas nossas barragens. foi decidido investir maiores esforços no âmbito de segurança em função de: diversos incidentes em barragens. Dentre as diversas publicações do ICOLD relacionadas à segurança de barragens.000 grandes barragens ao redor do mundo servindo a sociedade por meio do fornecimento de água para uso doméstico. gerando energia elétrica e controlando enchentes”.A Evolução da Legislação Aplicada às Barragens “A História prova que se as barragens não fossem construídas. A ruptura de barragens é uma hipótese pouco provável e de baixíssima probabilidade de ocorrência quando os aspectos de projeto. Todavia. aumento nas dimensões das novas barragens e envelhecimento de uma quantidade apreciável de outras. seminários e cursos. além do incremento da quantidade de barragens sendo construídas em países com pouca ou nenhuma experiência em engenharia de barragens. em Nova Delhi. empreendimentos que tem papel relevante no desenvolvimento do nosso país. O Comitê Brasileiro de Barragens sempre esteve atento à necessidade da implantação de uma política e de uma legislação que tratassem do aspecto de segurança de barragens. assim como levanta a importância do papel da Comunidade Técnica e dos pertinentes órgãos governamentais no sentido de minimizar a possibilidade da ocorrência de eventos desta natureza. Ciro Humes Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 1.1 Panorama internacional O ICOLD (Inter national Commission on Lar ge Dams) sempre esteve preocupado com a segurança de barragens. industrial e irrigação. Existem aproximadamente 45.

Aprovação do National Dam Safety Act e respectivas dotações orçamentárias (1997). o LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil. “Dam Safety Guidelines” (1987).S. Publicação do Water Resources Development Act . “Rehabilitation of Dams and Appurtenant Works – State of the Art and Case Histories” (2000).A Reconnaissance of Benefits. “Dam Monitoring-General Considerations” (1988). o decreto-lei sobre o “Regulamento de Segurança de Barragens”. inspeção e eventuais medidas a serem tomadas junto aos proprietários das barragens. No Canadá. o Serviço Nacional de Proteção Civil. em 1972. A legislação sobre recursos hídricos foi reformulada no início da década de 80. verificou que a legislação de todas as províncias e territórios era genérica e continha poucos artigos específicos sobre programas de segurança e monitoramento. Revisão de critérios de segurança. “Risk Assessment in Dams Safety Management . foram criados outros dois organismos encarregados de desenvolver. Na Suécia o controle de construção e manutenção é regido pelo Water Rights Act de 1918. a FERC (Federal Energy Regulatory Commission) também atua na área. A partir desta constatação foi dada maior ênfase aos aspectos de segurança. a Comissão de Segurança de Barragens e o proprietário da obra. Os mesmos procedimentos foram seguidos pelas companhias associadas à Swedish Power Association. Kelley Barnes (causando 39 mortes) e Teton (causando 14 mortes e danos avaliados em um bilhão de dólares). Army Corps of Engineers a inventariar e inspecionar barragens não federais (1972). para que as barragens existentes passassem a aplicar as imposições do regulamento. supervisionar e divulgar a segurança de barragens: o ICODS ( Interagency Committee on Dam Safety ) e a ASDSO (Association of State Dam Safety Officiais). Além da FEMA. contribuíram decisivamente para uma revisão geral da legislação para a segurança e inspeção de barragens no país. em 1980. em um intervalo de cinco anos. revisão dos procedimentos adotados por agências federais (1977) por junta de consultores independentes.A História das Barragens no Brasil . “Dams less than 30 m high – Cost Savings and Safety Improvements” (1998). “Dam Failures Statistical Analysis” (1995). Methods and Current Applications” (2005). revisado em 1997. passando as autoridades municipais a arcar com a responsabilidade pela supervisão. em 1990. Um terceiro órgão. coordenação centrali zada de programas de segurança de barragens. obrigatoriamente a cada 20 anos. 408 . XX e XXI of Dams and Reservoirs” (1983). Em Portugal foi promulgado. Foi organizado um serviço especial de inspeção de barragens pertencentes aos “State Power Board” que passou a inspecioná-las com especialistas. Ordem presidencial para que o Guia de Segurança de Barragens fosse aplicado e que suas conclusões fossem encaminhadas à nova agência FEMA (Federal Emergency Management Agency). “Monitoring of Dams and Their Foundations” (1989). principalmente no tocante aos planos de ações emergenciais em barragens. autorizando o financiamento federal a programas estaduais de segurança de barragens (1986). “Inspection of Dams Following Earthquake” (1988).Séculos XIX. o Comitê de Segurança de Barragens do Canadian National Commitee on Large Dams. as rupturas das barragens de Buffalo Creek (causando 125 mortes e enormes prejuízos materiais) e Canyon Lake. na década de 70. organizada em 1979. em 1976. Inspeções periódicas por meio da autoridade competente. em intervalos pré-fixados. tendo sido preparado o Dam Safety Guidelines em 1995. Nos Estados Unidos da América. Entre estas imposições pode-se destacar: Designação dos responsáveis pela segurança englobando o governo (representado pela Direção Geral dos Recursos Naturais). Entre as iniciativas adotadas pelo governo americano figuram: Lei autorizando o U. Constituição de um plano de observação e sua adaptação quando necessário.

o Regulamento para Planejamento. como não houve a regulamentação deste decreto. através da Portaria nº... criou um grupo de trabalho com o objetivo de normalizar procedimentos preventivos e de manutenção voltados à segurança 2. 210. O mesmo nível de abordagem consta da Lei 7663 que esta belece normas de orientação à Política Estadual de Recursos Hídricos bem como ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos. A Constituição do Estado de São Paulo aborda de maneira indireta o assunto ao se referir. foram muito importantes para nortear os procedimentos de segurança adotados por algumas organizações brasileiras. outr os Estados viz inhos e Municípios. O CBDB. 10752 dispondo sobre segurança das barragens no Estado e recomendando auditorias técnicas permanentes. que editou em 1992 o Projeto Norueguês de Segurança de Barragens que estabelece responsabilidade e respectivos impactos.. A Finlândia editou. no art. Construção e Operação de Barragens.000 m 3. em 1977. ambos de 1984... Outras rupturas ocorreram no início da década de 70 dando ensejo a mudanças legais..implantação de sistemas de alerta e defesa civil para garantir a segurança e a saúde pública.. a contr ole de cheias. tais como os que dizem que: o Estado assegurará meios financeiros e institucionais para “defesa contra eventos hidrológicos c r í t i c o s .. e dr enagem e à correta utilização das várzeas”. quando de eventos hidr ológicos indesejáveis . Posteriormente. em 1930. de 1988.articulará com a União. Especificamente no Estado de São Paulo. 739. nº. Alguns trechos de certos artigos podem ser aplicáveis à segurança de barragens e ao seu funcionamento adequado. editou as Recomendações para a Formulação e Verificação de Critérios e Procedimentos de Segurança de Barragens. o Estado realizará pr ogramas conjuntos com os Municípios mediante convênios . propostas em 1975... editou em 1979 e 1983 as Diretrizes para a Inspeção e Avaliação da Segurança de Barragens em Operação. através de decreto real de 1980. bem como enfoca a segurança durante a operação e aborda aspectos técnicos. logo após os acidentes ocorridos com as barragens de Euclides da Cunha e Armando de Salles Oliveira. Auscultação e Instrumentação de Barragens no Brasil.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A Noruega adotou. em 1995 o Cadastro Brasileiro de Deterioração de Barragens e Reservatórios e. com vistas. formalmente. quando de eventos hidrológicos indesejáveis. seguindo a tendência mundial da década de 70. onde são indicadas as responsabilidades que envolvem os diversos organismos nas várias fases de um empreendimento. ele nunca foi implementado. que se mostraram eficazes. quanto à garantia de segurança e saúde pública. atuação para apr oveitamento e controle dos recursos hídricos em seu território . A Inglaterra possui várias barragens muito antigas e a ruptura de algumas delas deu origem a uma legislação especifica sobre segurança de barragens. O Ministério de Minas e Energia. a Itália editou um decreto aplicável e barragens com altura superior a 10 m e reservatórios com capacidade superior a 100. Em 1982. em 1994. em 1996. a pr e venção de inundações. o Dam Safety Code of Pratice obrigando que o mesmo fosse obedecido em conjunto com o Dam Safety Act e o Dam Safety Decree. assim como prejuízos econômicos e sociais. em 1986.2 Histórico da segurança de barragens no Brasil e o papel do CBDB Os fatos mostram que as demandas por programas de segurança de barragens ocorrem principalmente após a ocorrência de acidentes de vulto. foi emitido o Decreto nº. Estas publicações. com vista a . Entretanto. o Estado . elaboradas por comissões do CBGB. 409 . na época CBGB: Comitê Brasileiro de Grandes Barragens. q u e o f e r e ç a m riscos à saúde e segurança pública.

Outra importante iniciativa do CBDB. Este instrumento previa que o CNSB providenciaria a redação de um Regulamento de Segurança de Barragens e Reservatórios e na etapa seguinte seria responsável pela supervisão da correta aplicação deste regulamento. um relatório que abordou entre outros aspectos importantes: estabelecimento de mecanismo de monitoração e da instrumentação. estabelecendo as diretrizes para a avaliação da segurança das barragens e propondo a criação do Conselho Nacional de Segurança de Barragens (CNSB). a instalação de um Cadastro Nacional de Barragens e a caracterização do potencial de risco de cada barragem. através da Comissão de Deterioração e Reabilitação de Barragens. elaborou minuta de Portaria do Ministério de Minas e Energia. Encaminhado para o Senado. o qual não conseguiu dar prosseguimento a esta proposta do CBDB. Coordenado pela Eletrobras o grupo publicou em 1987 a publicação Avaliação da Segurança de Bar ragens Existentes que é uma tradução do Manual SEED (Safety Evaluation of Existing Dams) do Bureau of Reclamation dos Estados Unidos da América. definição da periodicidade de inspeção.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI das diversas barragens existentes. Foi realiza do um processo de aproximação e apoio a esta iniciativa. Neste momento o deputado Leonardo Monteiro. com apoio de outras entidades como a ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos) e com o apoio importante da ANA (Agência Nacional de Águas). cujo relator foi o deputado Arnaldo Jardim. Este documento foi apresentado para debate no XXII Seminário de Grandes Barragens realizado na cidade de São Paulo e posteriormente foi consolidado com as sugestões recebidas de vários associados e encaminhado para a análise do DNAEE . Neste ano ocorreu a ruptura de uma barragem de rejeitos situada no rio Pombas no município de Cataguases no Estado de Minas Gerais. foi a elaboração do Guia Básico de Segurança de Barragens pela sua Comissão de Segurança. Este acidente espalhou resíduos no rio Paraíba do Sul e causou graves danos ao meio ambiente e à sociedade.Séculos XIX. Em 1996 o CBGB. aceitou o substitutivo proposto pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos. por meio do Núcleo Regional de São Paulo. em 1989. Também concluiu. o projeto de lei passou pelas comissões do Meio Ambiente e Infraestrutura. novamente confirma-se que a demanda por programas de segurança de barragens ocorrem principalmente após a ocorrência de acidentes de vulto. elaborado com participação do CBDB. de onde saiu aprovado em março de 2010 e recebeu a sanção presidencial em 21/09/2010 que conferiu ao projeto de lei. Este projeto passou pelas Comissões de Minas e Energia. Após este acidente o Deputado Leonardo Monteiro propôs o projeto de lei (PLC-168) com foco na Segurança de Barragens. Meio Ambiente e Constituição e Justiça. hoje ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica). O relatório previa a criação de uma Sub-Comissão de Segurança de Barragens.Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica. definição das responsabilidades pela execução das ações. procedimentos gerais a serem seguidos em casos de acidentes. com base nos diversos trabalhos pertinentes já desenvolvidos. deixando uma vasta população sem água nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro. a uniformidade e a posição de lei que estabelece a Política Nacional de Segurança de Barragens. Nesta ocasião O CBDB deslumbrou a oportunidade de suportar tecnicamente a implantação desta lei. coordenador do projeto de lei. Este guia foi desenvolvido com base no Canadian Dam Safety Guidelines com a incorporação da cultura e experiência nacional. Ele foi apresentado à nossa comunidade no XXIII Seminário Nacional de Grandes Bar ragens que aconteceu em Belo Horizonte em 1999. Em 2003. órgão do Ministério de Minas e Energia. 410 .

por meio de publicação de documentos técnicos consistentes e atuando firmemente para a criação de uma legislação específica. Figura 1 . foi relevante e fundamental para que após uma luta de décadas uma lei sobre segurança de barragens fosse promulgada. Precursor das atividades sobre implantação de legislação aplicada a barragens no Brasil Figura 2 . Vale registrar que a caminhada ainda não está finalizada. coordenador da Comissão Técnica de Segurança de Barragens do CBDB e membro do Comitê de Segurança de Barragens da CIGB 411 .Fábio De Gennaro Castro. Budweg.Ferdinand M. promovendo o debate deste tema nos seus seminários e simpósios.G. O CBDB continuará atento para que a concretização da legislação que cria uma política de Segurança de Barragens seja efetivada. pois falta a regulamentação da lei. Considerações finais A atuação do CBDB na área de segurança de barragens.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens 3.

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posteriormente denominado Centro de Hidráulica e Hidrologia professor Parigot de Souza. sendo o responsável pelos estudos em modelo reduzido da Usina de Furnas. Dentre eles. que trabalhava desde 1938 em investigações geotécnicas para a construção de barragens e obras de terra de um modo geral. serviços a outras empresas do setor elétrico. Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) do Rio Grande do Sul. estão apresentados os textos específicos dos centros de pesquisas: CEHPAR. O Centro de Estudos e Pesquisas de Hidráulica e Hidrologia (CEPHH). devido à necessidade de se ter um apoio tecnológico para o desenvolvimento dos estudos. teve as suas instalações ampliadas visando a atender o desenvolvimento de ensaios e pesquisas que permitiram subsidiar principalmente os grandes projetos de aproveitamentos hidrelétricos construídos pela Companhia Energética de São Paulo (CESP) bem como várias obras no país. prestando. tornando-se um laboratório de grande importância nacional a partir de 1965. Furnas (DCT e LAHE). Hidroesb. desenvolveram praticamente todos os estudos em modelo reduzido das usinas da CESP. 413 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Centros de Pesquisas Tecnológicas Aplicadas a Barragens . hoje denominado Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) que. seu Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos (LAHE). ficou mais dedicado ao desenvolvimento de pesquisas no campo da hidráulica experimental. também. A seguir. implantados a partir da década de 1950. O Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). O Departamento de Águas e Energia de São Paulo (DAEE) em convênio com a Universidade de São Paulo (USP) implantou um importante laboratório de hidráulica. localizado junto à hidroelétrica de Ilha Solteira. o Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito SA (Hidroesb) que teve sua origem no Escritório Saturnino de Brito Filho. junto à subestação de Jacarepaguá. dando continuidade aos estudos em modelo reduzido das hidroelétricas da empresa. desenvolveu importantes estudos para as Companhia Paranaense de Energia (COPEL). complementado pelo Laboratório CESP de Engenharia Civil (LCEC). dos projetos e das construções de barragens.Introdução Erton Carvalho A história das barragens brasileiras contempla os centros de pesquisas que foram. Furnas implantou no Rio de Janeiro. que estavam sendo estudadas pelo Hidroesb. IPT e LCEC. No sul do país. o laboratório. IPH. Em 1983. Pela necessidade de se ter um grande desenvolvimento na área tecnológica de concreto massa. Furnas agrupou em Goiânia os seus laboratórios em um moderno centro de pesquisas (DCT) e passou a atender os projetos e construções das barragens de Furnas. Dentre os vários estudos realizados em modelo reduzido des tacam-se os ensaios para a hidroelétrica de Itaipu. mecânica dos solos e mecânica das rochas. na sua maioria. (CEHPAR). Os laboratórios de hidráulica experimental foram surgindo para atender à exigência da ampliação do setor elétrico no Sudeste Brasileiro.

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estavam sendo estudadas em modelos reduzidos as obras de Salto Osório e São Simão. realizando trabalhos considerados úteis à sociedade e ainda respeitando os limites do mercado das empresas de engenharia. fruto do convênio Figura 1 – Primeiro modelo em operação no Centro Politécnico da UFPR. O Centro passou a ser chamado de Centro de Hidráulica e Hidrologia professor Parigot de Souza . preciso e eficiente no Laboratório de Hidráulica. Desde então. em homenagem ao seu fundador que faleceu enquanto Governador do Estado. Os estudos das usina hidroelétrica Itaipu e Foz do Areia estavam para se iniciar. com mostra a Figura 1. no CEHPAR. Teve como fundadores o Catedrático da Cadeira de Hidráulica Teórica e Aplicada. o CEPHH iniciou suas atividades dentro do Campus Universitário. responsável pela implantação do trabalho sério. Na época.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens CEHPAR . 415 . Outra grande personagem foi o professor Sinildo Neidert. professor Pedro Viriato Parigot de Souza. com uma liderança inquestionável. Em 1976 o Centro passou a ser administrado pela Companhia Paranaense de Energia – COPEL. As atividades de Hidrologia também começaram logo em seguida e a Divisão de Hidrologia tem uma história de muitas realizações. diretor do Centro por quase trinta anos. Antes mesmo da inauguração do Centro Politécnico. com preocupação universitária permanente de seus membros. que posteriormente foi Presidente da COPEL e Governador do Estado do Paraná e seu assistente professor Isaac Milder grande idealista que mais tarde veio a presidir a SERETE e a MILDER KAISER. Em todo o processo é indiscutível a importância que teve o professor Nelson Pinto. mas o presente texto enfoca basicamente o caminho percorrido pelo laboratório de Hidráulica. em 1961. o Centro de Hidráulica conta com uma história de mais de 50 anos. Cabe a ele o mérito do Laboratório ter conquistado o reconhecimento internacional.CEHPAR em julho de 1973.50 Anos de muito Trabalho André Luiz Tonso Fabiani e José Junji Ota Introdução Em 14 de março de 1959 o Centro de Estudos e Pesquisas de Hidráulica e Hidrologia CEPHH passou a existir legalmente com a aprovação do seu primeiro estatuto.

O convênio garantiu também a existência Figura 3 – Testes em modelo reduzido escala 1:8 do aerador da usina hidroelétrica Foz do Areia. De fato. deu estabilidade ao emprego dos engenheiros e técnicos do laboratório. 416 .A História das Barragens no Brasil . até aquela data o laboratório vinha mantendo um ritmo acelerado de sucessos. eliminando o risco da perda dos seus seletos e treinados profissionais para o mercado externo. entre a Universidade Federal do Paraná e a empresa de energia. O convênio com a COPEL foi bastante favorável ao Centro pois tornou os salários dos funcionários mais competitivos. Nos anos setenta o CEHPAR teve um considerável avanço. Os estudos sobre aeração de fluxos de altas velocidades para evitar cavitação em descarregadores de cheias se desenvolveram nos anos setenta e oitenta. XX e XXI Figura 2 – Fechamento do Rio Uruguai para a construção da usina hidroelétrica Itá. a Figura 3 apresenta estudos de aeração para Foz do Areia.Séculos XIX. houve quem afirmasse que “o Centro de Hidráulica jamais teve uma fase de baixa” . na consolidação da metodologia para os estudos de fechamento de grandes rios com a construção de ensecadeiras em água corrente. por exemplo. como mostrado na Figura 2. No Seminário CEHPAR 30 anos.

CERJ e CEB foram desenvolvidos com muito empenho e eficiência na Divisão de Hidráulica. Castro Alves. o laboratório poderia ter entrado em colapso. Os engenheiros do Laboratório começaram a ser procurados por empresas que ofereciam melhores oportunidades e salários. de direito privado. o laboratório investiu na formação dos seus engenheiros. em maio de 2000 o CEHPAR passou a ser administrado pelo LACTEC.dos 33 engenheiros que trabalharam na Divisão de Hidráulica. Nos primeiros anos da privatização o período era de muitas dificuldades para o setor de construção de usinas e o CEHPAR teve que buscar outra forma de garantir o caráter de auto-sustentabilidade. França e Holanda para o curso de mestrado. A Universidade não pôde assumir o CEHPAR e. os professores Francisco Gomide e Sinildo Neidert que deixaram as chefias das Divisões de Hidrologia e de Hidráulica. O LACTEC é uma OSCIP . Nesse período o CEHPAR teve a satisfação de ver lançado dois de seus grandes líderes a serviço da Diretoria da COPEL. da Inglaterra. o laboratório começou a recuperar o seu ânimo. período negro que se estenderia até a virada do milênio. os projetos de pesquisa e desenvolvimento. uma associação civil. o aquecimento do mercado trouxe também alguns problemas. seguindo a própria orientação do Reitor da época. uma obra importante do Equador. O CEHPAR trouxe vários professores. reuniu 108 pessoas inscritas e se desenvolveu em grande estilo. como Foz do Areia e Segredo. Ironicamente. Brilhou aqui o caráter universitário do CEHPAR que jamais limitou suas atividades aos estudos em modelo reduzido e procurou sempre investir e dar um passo a mais para desenvolver conhecimentos. 14 de Julho) e estrangeiras. 30 tiveram algum tipo de apoio para a sua formação no seu mestrado ou doutorado. Aos poucos o CEHPAR começou a ser procurado para realizar estudos hidráulicos de várias obras brasileiras (Itapebi. Entretanto o Brasil estava em recessão em termos de construção de hidroelétricas desde 1982 (ano do enchimento do reservatório de Itaipu). O curso de pós-graduação em engenharia hidráulica foi criado em 1986 e patrocinado pelo CEHPAR que colocou seus engenheiros à disposição do curso. Mesmo nesse período difícil. professor Carlos Roberto Antunes dos Santos. O aniversário de 40 anos.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens de trabalhos de modelos reduzidos das usinas da COPEL que estavam em acelerado processo de projeto e de construção no rio Iguaçu. foi dos mais difíceis para o Centro. tanto para ministrar aulas como para administrar o curso. O laboratório e a oficina foram também disponibilizados para se desenvolver pesquisas na área de Hidráulica. Nesse aspecto. pois o Governo Estadual estava prestes a privatizar a própria COPEL e o processo começou pelos laboratórios que hoje compõem o LACTEC – Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento. Estados Unidos. incentivando a realizar seus cursos pós-graduação. Havia até quem dissesse que os estudantes deveriam pagar para es tagiar no Centro pois sempre foi um invejável treinamento reservado a poucos selecionados entre os bons alunos do curso de engenharia civil. Se não fosse a competência dos que os substituíram.Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. Por uma época. realizado nos dias 24 e 25 de novembro de 1989. A passagem do CEHPAR da COPEL para o LACTEC foi gerenciada pelo engenheiro Ralph Carvalho Groszewicz que soube conduzir a transição com muita habilidade e paciência. que nem teve uma comemoração formal. São João. São José. com palestras de professores estrangeiros (Maurice Bouvard da França e Vujica Yevjevich dos Estados Unidos). Com a vinda do modelo reduzido de Paute Mazar. que provê seus recursos através da venda de projetos de pesquisa e desenvolvimento e outros serviços tecnológicos. respectivamente. auto-sustentável e sem fins lucrativos que também nasceu da privatização dos laboratórios da COPEL e da Universidade. CHESF. o CEHPAR 417 . COPEL. A Universidade teve o seu retorno com o aperfeiçoamento do seu quadro de docentes do Departamento de Hidráulica e Saneamento e dos seus estudantes através de estágios. Ficaram nas chefias os professores Marcos Tozzi (Hidráulica) e Heinz Fill (Hidrologia) até suas aposentadorias em 1999. O Seminário 30 anos do CEHPAR. O Centro sempre apoiou a formação de seus engenheiros . conhecidos como P&D ANEEL foram essenciais. Projetos da ELETRONORTE.

o primeiro projeto do Laboratório de Hidráulica foi um trabalho singelo. XX e XXI passou a ter mais estudos de obras estrangeiras do que brasileiras (Palomino da República Dominicana. Ainda hoje. – UTELFA que apoiou os primeiros passos do CEHPAR. recém retornado dos EUA. com seus funcionários trabalhando com bastante otimismo.A História das Barragens no Brasil . uma série de estudos que relatam os passos da Divisão de Hidráulica do CEHPAR. mostrando. com representação de aluvião realizar estudos sobre erosão ao redor de pilares de pontes. O Professor Nelson Pinto. mas com objetivo bem claro. Hoje o laboratório está bastante ativo. Cambambe da Angola. Esta foi uma iniciativa do engenheiro Leão Schulman. o de estudar em modelo hidráulico as condições de assoreamento na tomada de água da Termoelétrica de Figueira. Figura 5 – Modelo de Salto Grande do Iguaçu. da esquerda para a direita os professores Sinildo Hermes Neidert.Séculos XIX. que mostra o fechamento do rio na usina hidroelétrica Itapebi. Gibe III da Etiópia. Lista-se a seguir. Ituango da Colômbia) até o início dos estudos para a usina hidroelétrica Belo Monte. Pedro Viriato Parigot de Souza e Nelson Luiz de Sousa Pinto. o Centro utiliza essa técnica para reproduzir o aluvião em modelo reduzido. como pode ser visto na Figura 4. Presidente da Central Elétrica de Figueira S. o engenheiro Octavio Marcondes Ferraz (na época da usina e depois presidente da Eletrobras) e um técnico do Laboratório 418 . realizou ensaios com fundo móvel utilizando serragem de imbuia peneirada e tratada para Figura 4 – Teste de fechamento na usina hidroelétrica Itapebi. Primeiros estudos do Laboratório de Hidráulica e estudos sobre erosão ao redor de pilares de pontes Segundo o que consta nos anais do Seminário CEHPAR 30 anos.A.

Um dos modelos foi implantado no interior do pavilhão com estrutura em madeira com grande vão. 419 . na seqüência. que não só orientou o desenvolvimento geral desse projeto como participou em diversas atividades didáticas promovidas pelo CEHPAR. e a estrutura de dissipação de energia na restituição ao rio Cachoeira. mas ainda foi usado muito cedro nas partes importantes das estruturas. Foram importantes os estudos para Salto Grande do Iguaçu (estudos de vórtices na tomada de água) e de Mourão. Os ensaios dinâmicos foram feitos de maneira ininterrupta. o CEHPAR enviou o seu engenheiro Sinildo Neidert para aperfeiçoamento na Alemanha. um grupo de engenheiros e bem intencionados técnicos começaram seus trabalhos em 1972 para a maior obra hidroelétrica do mundo. uma região de corredeira e cachoeira foi feita de forma muito minuciosa numa época em que não se dispunham de técnicas eletrônicas de levantamento e de registro de imagens. Um pavilhão de 70 m por 50 m em estrutura metálica foi construído especialmente para abrigar o grande modelo. de Grenoble. O modelo contribuiu com a definição do esquema de desvio que era sofisticado. Como havia uma camada de sedimentos na região. onde pode-se ver ainda os professores Parigot de Souza. constituiu a primeira experiência concreta de participação no desenvolvimento e otimização de um projeto de grande porte. analisando-se a estabilidade do enrocamento a cada deposição de material. Estudos hidráulicos para o aproveitamento hidroelétrico de Itaipu Itaipu foi um marco importante para o setor elétrico e foi sem dúvida um ponto alto para o CEHPAR. a construção das préensecadeiras devia proporcionar uma limpeza automática através da apropriada escolha da seqüência de avanço nas pontas de aterro. O primeiro modelo foi destinado ao estudo do desvio. a chaminé de equilíbrio com câmara de expansão. construída na década de sessenta (1963-1970). da estrutura das comportas até dos detalhes da construção das ensecadeiras. capaz de circular 1000 l/s. acumulando conhecimentos para que fossem confiados. duas para a ensecadeira de montante e duas para a de jusante. O laboratório fez também estudos sobre vórtice na tomada de água. os estudos de grandes obras do rio Iguaçu. Dirigido pelo professor Sinildo Neidert. A técnica de construção de modelos de estruturas com acrílico estava sendo consolidada na época. A reprodução do leito. O fechamento do rio foi feito em avanços simultâneos de quatro pré-ensecadeiras. cujos estudos se desenvolveram no começo dos anos setenta. O custo dessas instalações foi financiado pela COPEL e pago posteriormente pelos trabalhos realizados pelo CEHPAR. com duração de três dias. Havia também uma preocupação com a ponte que tinha seus pilares fixados dentro do canal. um prédio que merece ser visitado. Testes de fechamento requeriam um controle dinâmico das pontas de aterro com medições de níveis de água e de velocidades do escoamento. Essas construções podem ser vistas na Figura 6. o sistema de restituição das águas das turbinas Pelton ao túnel de fuga. Foi instalado um novo sistema de recalque. Foram cinco modelos reduzidos. Nessa época. Os estudos em modelo incluíram a descarga de fundo e o vertedouro. A Figura 5 apresenta uma visita do representante da empresa de Salto Grande do Iguaçu ao modelo. Os estudos da hidroelétrica Capivari-Cachoeira marcaram o início das relações do Centro com o engenheiro Maurice Bouvard. no início da década de 1960. como Estudos hidráulicos de Salto Osório e São Simão A hidroelétrica de Salto Osório é uma grande obra do rio Iguaçu. desde a verificação do grande canal. A contratação do Centro para os estudos para a hidroelétrica de São Simão em 1971 foi um marco que levou o CEHPAR para além dos limites do Estado do Paraná. caracterização do vertedouro e erosão da rocha a jusante do vertedouro com material coesivo. Nelson Pinto e Sinildo Neidert. Para fechamento de rios com considerável profundidade.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens A usina de Capivari-Cachoeira. O relevo do modelo foi feito com fitas de aço niveladas segundo as curvas de nível. Hoje o Centro executa com seções transversais de Duratex.

Séculos XIX. 420 . com defletores em salto de esqui nas extremida des de jusante. Para o arranjo final do vertedou ro foram feitos testes de erosão com leito coesivo envolvendo enorme volume de material. XX e XXI é o caso de Itaipu. Vários arranjos foram verificados uma vez que a equipe de projeto se preocu- pava muito com a erosão provocada pela enorme concentração de energia do jato efluente do vertedouro. começou a tornar um consenso uma “regra prática”. Grandes planilhas bem estruturadas foram utilizadas para gerenciar esses testes de fechamento. Para escoamentos com pequenas profundidades essa regra não parece ser válida. assunto que foi também explorado no modelo parcial da tomada de água. A capacidade de descarga do vertedouro foi cuidadosamente verificada no modelo geral e confirmada também no modelo parcial construído em escala maior. que pode ser visto na Figura 7. . a Figura 8 apresenta um dos resultados obtidos nos ensaios. ou seja.A História das Barragens no Brasil . No modelo geral de Itaipu foram desenvolvidos os estudos do vertedouro de encosta com 14 comportas e calhas bem longas de concreto. A tomada de água e a casa de força foram ensaiadas extensivamente. Foram feitos os testes de verificação das tendências à formação de vórtices e condições de aproximação. Com o intuito de Figura 6 – Construção do pavilhão para o modelo tri-dimensional de Itaipu e a a instalação de recalque. que o diâmetro do enrocamento necessário para o fechamento com um desnível é da ordem de 30% a 40% desse valor.

Emborcação e Sabaneta – estudo sobre aeração Figura 7 – Modelo tri-dimensional do AHE Itaipu em operação De forma paralela aos estudos para Itaipu. a maior área de laje do mundo). 421 . compensar possíveis efeitos de escala. Figura 8 – Resultado dos testes de erosão a jusante do vertedouro de Itaipu. não necessitando a implantação de aeradores. Entretanto. Foz do Areia trazia uma novidade que é a barragem de enrocamento com face de concreto (na época. (Karun no Irã. o Centro conduziu os ensaios para Foz do Areia e Salto Santiago. por exemplo). os cálculos sobre índices incipientes de cavitação indicaram que a configuração da calha do vertedouro de Itaipu é favorável. o laboratório realizou ensaios com distorção da escala das velocidades. forçando intensificar no modelo a formação de vórtices aumentando a vazão de teste.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Para o vertedouro. Influenciado pela cavitação ocorrida em grandes obras da época. cogitou-se instalar no vertedouro de Itaipu um sistema de auto-aeração das calhas. foram feitos testes em um modelo parcial construído na escala 1:50. O Centro teve a oportunidade de contribuir com vários ensaios sobre juntas da laje de concreto da barragem. Estudos hidráulicos de Foz do Areia. a exemplo do adotado em Foz do Areia. com a reprodução de três vãos.

Xingó foi outra usina que o CEHPAR veio a contribuir decisivamente. O laboratório desenvolveu uma técnica própria para dimensionar a espessura dessas tiras e passou a considerar. Assim. de forma a produzir um escoamento mais próximo do esperado para o protótipo. estudando a possibilidade de se operar os vertedouros com degraus de grandes dimensões para fins de economia. Com estudos feitos posteriormente. mais um engenheiro do CEHPAR defendeu sua tese de mestrado. hoje muitas obras brasileiras adotam como padrão a carga de projeto igual a 75% da carga máxima de operação. quando desejável. A crista do vertedouro foi redimensionada com uma carga de projeto 25% menor que a carga máxima de operação. engenheiro Marcos Tozzi. feito para o vertedouro de Emborcação foi também confirmado no protótipo. Mas a contracurva. recorrência). mas estavam prejudicando a sua capacidade de descarga. Estudos sobre vertedouros em degraus Já em 1985 o CEHPAR defrontou com o estudo de barragens de concreto compactadas com rolo (CCR). a sobrescavação do túnel e a rugosidade. Em 1991 realizou os primeiros ensaios de vertedouros em degraus para fins de pesquisa utilizando como projeto piloto o vertedouro de Cubatão. concluiu-se que as pressões registradas na crista estavam totalmente a favor da segurança. A pressão sobre a crista que deveria ser nula pelo conceito original. Os estudos em modelo tornaram possível um dos mais complicados esquemas de fechamento do rio. XX e XXI Os desastres devido à cavitação ocorridos na calha do vertedouro de Karun do Irã e nos túneis americanos de Palisades e Yellowtail preocuparam o meio técnico e já se sabia que a solução é a aeração do escoamento. Analisando-se a crista do vertedouro que seguia aproximadamente o padrão US Army Corps of Engineers. orifício. venturi) com manômetro dotado de micrômetro. Estudou-se também uma descarga de fundo instalada em um dos túneis de desvio. Estudo semelhante. Estudos hidráulicos de Segredo e Xingó No estudo do desvio de Segredo os túneis foram reproduzidos por tubos de acrílicos dotados de rugosidades em forma de tiras. pela Universidade de São Paulo. mas foi retomado como um estudo mais aprofundado para a tese de doutorado do então chefe da Divisão de Hidráulica. O laboratório teve a oportunidade de estudar os aeradores da calha do vertedouro de Foz do Areia e de medir a vazão correspondente de ar no protótipo. provocava um aumento excessivo das pressões que atingia a linha da crista. que faz a ligação da estrutura da crista com a longa calha inclinada. Coincidência ou não. do engenheiro Júlio César Olinger que se preocupou em estudar as pressões nos degraus. (1982) na revista Water Power & Dam Construction (Aeration at High Velocity Flow). Até no dia do fechamento. O estudo sobre vertedouro em degraus culminou em mais uma tese de doutorado. O laboratório também teve uma contribuição importante para a definição do aerador do descarregador de cheias no túnel de Sabaneta (República Dominicana).A História das Barragens no Brasil . O mesmo pesquisador veio a atuar na pesquisa e desenvolvimento ANEEL para a Eletronorte. Este estudo permitiu a caracterização do escoamento conhecido como skimming flow. o CEHPAR iniciou seus primeiros testes de aeração no modelo reduzido (escala 1:30) do descarregador de fundo de Foz do Areia. Até então. Mas logo concluiu que os efeitos de escala são consideráveis e que não há correspondência entre modelo e protótipo em termos de demanda de ar em testes realizados em modelos construídos nas escalas usuais. A cavitação e aeração tornaram-se assuntos muito enfocados na época. o perfil seria desenhado mais delgado de forma que a pressão final fosse razoável e garantisse uma boa capacidade de descarga. Esse estudo foi realizado a título de mestrado por um aluno que veio a desistir do curso. O laboratório levou o programa adiante e efetuou estudos em modelos parciais de escalas maiores (1:15 a 1:8 – Figura 3) que culminou na publicação do trabalho: Pinto et al.Séculos XIX. Em conjunto com a COPEL.000 anos de 422 . o CEHPAR estava realizando testes para instruir o passo seguinte na obra. o CEHPAR sugeriu uma redução da carga de projeto da crista. estava majorada pela presença da contracurva. conforme havia mostrado os russos no vertedouro de Nurek e Bratsk. isto é. O CEHPAR efetuou uma série de ensaios medindo a vazão de ar no modelo utilizando medidores simples (bocal. pitot. as cristas tinham como carga de projeto a carga máxima de operação (enchente de 10. O laboratório também se despertou no uso de modelo matemático (elementos finitos e elementos de contorno) para estudos dessa natureza.

Campos Novos. de comportas. tornou-se um problema para a usina devido ao aprisionamento de peixes nas fossas de erosão e em locas. Estudos das hidroelétricas de Itá. Depois recebeu o desafio de estudar a comporta do aqueduto da eclusa de Porto Primavera. A COPEL procurou uma medida definitiva. que não se limitasse ao resgate manual dos peixes aprisinados. como de praxe. e a tão esperada redução do custo não ocorreu a contento. tendo em vista o cuidado com que as estruturas foram executadas. Mas o talento dos engenheiros fez surgir uma nova oportunidade 423 . Foram estudados os problemas de desvio. Nos modelos de Itá e Machadinho foram realizados ensaios de erosão em rocha utilizandose materiais coesivos. o CEHPAR chegou a construir um modelo reduzido de Itá na escala 1:300 para verificar a viabilidade de estudo em modelo em escala mais reduzida visando a economia no estudo. A conclusão foi que modelos muito pequenos não conduzem a bons resultados. que a erosão a jusante do vertedouro. Destaca-se. Neste projeto o grande problema foi o atrito do modelo da comporta. Estudos hidrodinâmicos de movimentação de comportas O CEHPAR. Esse engenheiro foi fundamental no desenvolvimento de ensaios hidrodinâmicos de movimentação Figura 9 – Estudo da Comporta de Fechamento daTomada de Água de Tucuruí – 2a fase. realizando ensaios para várias alternativas de canais para a liberação dos peixes. em geral por efeito de escala mais pronunciados. Pelotas e Uruguai. que não apresenta semelhança física e não pode ser transposto ao protótipo. do vertedouro. Começou nos anos noventa e só foi demolido em 2010. O material erodido e depositado a jusante (barra) tornou-se também um obstáculo para a saída dos peixes. A título de pesquisa de mestrado. com o engº Edie Taniguchi em primeiro plano Pesquisa e desenvolvimento: projetos ANEEL e modelos matemáticos A Divisão de Hidráulica passou por uma fase difícil no período em que no Brasil o ritmo de construção de usinas teve acentuada queda. perfeitamente aceitável sob o ponto de vista da engenharia. Machadinho e Barra Grande O CEHPAR teve a oportunidade de trabalhar com as obras catarinenses dos rios Canoas. Os ensaios mostraram que água acumulada nas vigas constituía um peso adicional exigindo que aumentasse a capacidade do servomecanismo. Caxias representou o último grande estudo da fase do convênio entre a Universidade e a COPEL que terminou em maio de 2000. O outro projeto que foi um desafio interessante foi o da definição do esforço no servomecanismo de acionamento da comporta da tomada de água de Tucuruí (Figura 9).Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Estudos hidráulicos para a hidroelétrica de Salto Caxias O modelo de Caxias foi o que permaneceu mais tempo no CEHPAR. após o fechamento das comportas do vertedouro. que veio trabalhando essencialmente com engenheiros civis. O laboratório reativou o modelo e prestou uma contribuição importante à usina. teve a preocupação de contratar um engenheiro eletrônico para dar assistência à instrumentação. no entanto. O CEHPAR estudou o downpull e catapultamento da comporta da tomada de água de Segredo. da tomada de água e do canal de fuga. Realizaram-se testes de abertura e de fechamento da comporta para extrair o atrito do modelo.

Army Corps of Engineers em uma aplicação à sua tese de mestrado e ao projeto de P&D ANEEL com a COPEL. de vertedouro em degraus. O Centro fez também um estudo do escoamento no rio Iguaçu para a usina de Baixo Iguaçu da COPEL. sobre dissipadores de energia em fenda e pilares defletores e sobre vertedouros labirinto que haviam sido submetidos anteriormente. sendo necessária a operação sem comportas. em cujo topo pretende-se instalar um vertedouro orifício. A CERJ e a CEB foram as empresas que estudaram metodologias para repotenciação de usinas antigas. LIGHT. uma pesquisa aplicada ao rio São Francisco. do U. utilizando o HEC-RAS e o DELFT-3D.A História das Barragens no Brasil . XX e XXI para Centro. foi concluído que o rio tem um potencial de gerar uma vazão de 7. vertedouro não convencional em curva e vertedouro de ogiva baixa. em modelo reduzido construído na escala 1:70. Principalmente a ELETRONORTE propiciou três estudos. Desde então muitos engenheiros passaram a usar esse modelo. ELETRONORTE. O Coordenador do CEHPAR no período de 1999 a 2008 tomou uma iniciativa bastante positiva à Divisão de Hidráulica com a aquisição do modelo computacional DELFT 3D. Um dos engenheiros começou os estudos em modelos matemáticos com o uso do modelo RMA. Foi feita uma pesquisa para a COPEL um estudo sobre sedimentação na baia de Antonina utilizando o DELFT 3D. Depois a COPEL liberou mais dois projetos. De certa forma essa é também uma contribuição importante do CEHPAR ao setor elétrico. A passagem dessa vazão tornou-se requisito para o vertedouro. Está programado também implantar um vertedouro de encosta. CERJ.500 m3/s. Atualmente o Centro faz um estudo sobre geração de energia alternativa. S. Modelos de Paute Mazar. Para a Duke está sendo desenvolvido um equipamento para geração de energia elétrica. O modelo reduzido. As duas estruturas são objetos de estudo no CEHPAR. Ao estudar o habitat de peixes no projeto de P&D ANEEL da Chesf o CEHPAR deparou com o modelo RIVER 2D. CHESF. Paute Mazar no Equador foi 424 . mas em vista de que já havia experimentado um desastre com rompimento de uma barragem natural formada pelos restos de um desmoronamento de encostas.Séculos XIX. Cambambe é uma obra da Angola que estava inacabada por anos. Cambambe. na escala 1:60 mostrou que essa configuração não é propícia e contribuiu na seleção de uma nova forma aceitável sob o ponto de vista técnico e econômico.340 m3/s. a COPEL. Figura 10 – Modelo de Gibe III em operação uma dessas obras estudadas pelo CEHPAR. CEB e DUKE firmaram parcerias que deram oportunidades de pesquisa ao Centro. Ituango e Gibe III A demanda de energia em vários países fez com que as empresas brasileiras encontrassem um excelente mercado. O modelo CFX deu origem a uma tese de mestrado de um bolsista LACTEC. Foram os projetos de pesquisa e desenvolvimento da ANEEL. Para a LIGHT o laboratório fez estudos sobre escadas de peixes. O modelo de Palomino (República Dominicana) trouxe um novo desafio. Sendo o vertedouro construído em um reduzido espaço devido aos íngremes taludes das encostas. Trata-se de uma barragem de concreto em arco. Com a CHESF o Centro executou um interessante trabalho sobre a capacidade natatória de peixes. Para o rio Paute havia sido calculada uma vazão decamilenar de 2. um software livre bastante útil em projetos. Palomino. Assim. o projetista foi forçado a sugerir uma configuração não convencional semelhante a um vertedouro lateral. Com a COPEL o Centro desenvolveu um estudo sobre o uso de perfilador acústico ADCP como medidor de transporte de sedimentos e outro estudo sobre assoreamento de reservatório (parte de um projeto maior do CEHPAR). Pela primeira vez o CEHPAR realizou um ensaio de purga de sedimentos conhecida como flushing.

O termo “pesquisa aplicada útil” sempre foi o foco do CEHPAR. visto que a de Itaipu está localizada na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.5 m de altura. A Figura 11 apresenta o trabalho de construção do modelo principal (sítio Pimental) no pavilhão antes ocupado por 13 outros estudos. simulando paradas instantâneas das usinas e levando em conta as condições de maré na região de descarga da água. Sua potência instalada será de 11. O ponto forte do laboratório são ainda os estudos hidráulicos em modelos reduzidos. normalmente considerados modestos em outras áreas de atuação. o que fará dela a maior capacidade instalada em hidroelétrica inteiramente brasileira. o “CEHPAR faz trabalhos úteis à sociedade. A seriedade. professor Parigot. incluindo a sua capacidade de descarga. Atrás do reconhecimento internacional do Centro de Hidráulica está o apoio imprescindível dos artífices que contribuem a cada dia com excelentes idéias dentro de suas especialidades. rão feitos em 5 modelos reduzidos e levará um tempo total de 3 anos. pois uma boa maioria dos estagiários do CEHPAR escolhe o setor elétrico para desenvolver seus talentos. Os trabalhos dos serventes.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O projeto Gibe III é uma contratação feita diretamente por uma empresa italiana que faz serviços para a obra a ser construída na Etiópia. no Estado do Pará. Modelo reduzido do sistema de refrigeração da usina nuclear de Angra dos Reis A ELETRONUCLEAR procurou o Centro de Hidráulica para realizar os estudos em modelo reduzido do sistema de refrigeração da usina nuclear de Angra dos Reis. Observações finais O laboratório de hidráulica do CEHPAR faz questão de lembrar que os sucessos dos estudos em modelos reduzidos não se devem apenas aos engenheiros. mas a privatização do laboratório tornou o grupo mais forte e fez descobrir que seus integrantes têm potencial para ampliar seus campos de atuação. Os estudos se- Figura 11 – construção do modelo reduzido do sítio Pimental do AHE Belo Monte 425 .233 MW. Está em estudo o desempenho do vertedouro. pressões e erosão provocada pelo jato efluente e a operação da usina. levando em conta a inclusão iminente da unidade III. A seleção de bons estagiários é uma contribuição importante para o setor elétrico. Construiu-se no laboratório um modelo com 4. são responsáveis pela precisão dos resultados. pedreiros e artífices. Segundo palavras do seu fundador. Modelo reduzido da hidroelétrica de Belo Monte O CEHPAR está iniciando os estudos para a terceira maior hidroelétrica do mundo. e a medida dessa utilidade é a vontade da sociedade pagar por estes trabalhos”. O laboratório fez questão de oferecer uma solução para realizar testes dinâmicos do sistema de refrigeração. a humildade e o compromisso com a verdade têm ajudado em muito o CEHPAR. a ser construída no Rio Xingu.

Corumbá Marimbondo Serra Mesa Itumbiara .

O engenheiro Flavio H. Esse engenheiro preparou um trabalho com considerações teóricas sobre os diversos tipos de ensaios triaxiais e desenvolveu um estudo do aproveitamento da instalação desses aparelhos em laboratório próprio para. Funil e Nhangapi) laboratórios de campo apenas para os controles de liberação de obra. O pedido de aquisição dos equipamentos e o trabalho sobre ensaios triaxiais percolou em sentido contrário ao anterior mas dessa vez atingindo a Diretoria Técnica. Lyra concedeu a permissão para a aquisição. Os ensaios especiais eram contratados junto a laboratórios de empresas ou a institutos de pesquisa. obter informações necessárias e abundantes para o desenvolvimento dos projetos das hidroelétricas de Marimbondo e de Porto Colômbia cujos estudos preliminares indicavam grandes maciços de terra com extensas fundações em solo.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Centro de Tecnologia de Furnas em Goiânia . recebeu uma solicitação vinda da obra da hidroelétrica de Estreito. com maior disponibilidade de execução de ensaios. com pouca perda de carga. Os equipamentos foram instalados no acampamento de Marimbondo em 1968. para aquisição de equipamentos para ensaios triaxiais em amostras de solo. Pate entregou a documentação a um engenheiro recém formado que acabara de integrar o grupo dos novos projetos. além de prever a aplicação em eventuais projetos futuros. Com instruções de apenas tomar ciência antes do arquivamento. Esses foram os primeiros equipamentos de laboratório de Furnas além dos equipamentos de ensaios correntes em obras. chefiado por Geofredo de Moraes.Resumo histórico e atividades de pesquisa Resumo histórico O início dos ensaios especiais O ano de 1968 estava iniciando quando o Departamento de Obras de Furnas. Ao longo desse percurso. Agenor Bailão Galletti ficou encarregado do laboratório de solos. A documentação foi enviada para o engenheiro Humberto Pate coordenador do grupo de estudo dos novos projetos de Furnas. Em Marimbondo outro jovem engenheiro. depois denominada Luiz Carlos Barreto. A referida solicitação foi enviada ao Departamento de Engenharia chefiado por Franklin Fernandes Filho que passou a documentação para a Divisão de Engenharia Civil sob o comando do engenheiro Adolfo Szpilman. a solicitação percolou sem despertar interesse no sentido do seu atendimento tendo por destino o seu arquivamento. Até então Furnas mantinha nas suas barragens que na época estavam em estágios avançados de construção (Estreito. os aproveitamentos de Porto Colômbia e de Marimbondo. Flavio Miguez de Mello 427 .

cargo que exerce presentemente (agosto de 2011). O DCT passou a dar crescentes e importantes contribuições técnicas para os projetos e obras. ele ficou sempre ligado profissionalmente à engenharia de barragens embora.A História das Barragens no Brasil . tendo sido presidente do Instituto Brasileiro do Concreto IBRACON. Lyra recomendou a Rubens Vianna de Andrade. superintendente das obras do rio Grande. Com a obra tendo sido concluída em 1970. tendo como assistente o engenheiro Nelson Caproni que acumulava a chefia dos laboratórios de solos e rocha. Três locais foram considerados: Brasília. não tenha trabalhado com o DCT e aqui relata o início dessa história de sucesso. Flavio H. que incorporasse o engenheiro Walton Pacelli de Andrade para atuar na tecnologia do concreto nas novas obras que se iniciavam. por capricho do destino. A destacada atuação do engenheiro Pacelli no DCT projetou-o como consultor no País e no exterior. A usina entrou em operação comercial nos últimos dias de dezembro de 1969. Figura 1 – Engenheiro Walton Pacelli de Andrade. expoente na construção de barragens. em Goiânia. A partir de dezembro de 1992 o centro foi chefiado já em nível de departamento (Departamento de Apoio e Controle Técnico – DCT) pelo engenheiro Walton Pacelli de Andrade que acumulava a chefia do laboratório de concreto. Com a aposentadoria dos engenheiros Pacelli e Caproni em dezembro de 2002. Na fase de Itumbiara houve expansão da capacidade dos laboratórios. tendo sido decidida pela instalação em área anexa à subestação de Furnas. XX e XXI Os laboratórios nos seus primeiros anos Em 1969 Furnas acelerava as obras e montagens da hidroelétrica de Funil para que pelo menos uma das três unidades entrasse em operação antes do fim do ano para que os custos de construção já incidissem na tarifa do ano seguinte. Em 1975 os laboratórios de solos e de concreto foram transferidos para Itumbiara onde Furnas passou a implantar sua maior hidroelétrica. presidente do CBDB e do IBRACON 428 . Quanto ao engenheiro recém formado mencionado acima. Figura 2 – Ambiente de trabalho no DCT As instalações definitivas Com o término da obra de Itumbiara foi pensada a criação de um centro tecnológico. entre outros. destaque na tecnologia do concreto e Epaminondas Mello do Amaral Filho. A construção inicial foi concluída em 1985 já abrigando também o laboratório de mecânica de rochas. Inicialmente o centro foi comandado pelo engenheiro Ludgero Pimenta de Ávila. De 1970 a 1975 Pacelli melhorou a capacitação do laboratório de concreto com a instalação de prensas de grande capacidade e estudos de propriedades térmicas. assumiu a chefia do DCT o engenheiro Rubens Machado Bitencourt. Belo Horizonte e Goiânia. É importante realçar as contribuições dos consultores Roy Carlson e Paulo Monteiro para o DCT e os laboratórios que o antecederam. Nessa época estava começando a obra da hidroelétrica de Serra da Mesa e em seguida Corumbá.Séculos XIX.

que possibilita um conjunto de análises aplicadas que vão desde a análise em nível microscópico por análise eletrônica de varredura até a análise de resistência por meio de ensaios triaxiais. No início dos anos noventa os processos foram mais bem estruturados dentro de padrões internacionais de gestão da qualidade. os laboratórios também participaram de estudos e desenvolvimentos da tecnologia para as usinas hidroelétricas Itaipu e Tucuruí. Ao longo de sua história. certificação segundo as normas da série ISO 9000 e premiações pelo Prêmio Nacional da Gestão Pública do Governo Federal. como a COPPE/UFRJ. esta tecnologia foi intensificada com a aplicação da metodologia do concreto compactado com rolo na construção das ensecadeiras galgáveis da barragem de Serra da Mesa. Em meados dos anos noventa. Possui alguns diferenciais. no final da década de 90. A área de instrumentação e segurança de barragens com a certificação ISO 9001 Sistema de gestão implantado com reconhecimentos obtidos desde o ano de 1994. PUC-RJ. desenvolvimento e inovação. Alguns exemplos destes avanços são descritos a seguir. diversos ensaios na área de geotecnia iniciaram o processo de informatização e automação. em operação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Atividades de pesquisa do DCT Furnas constituíu o DCT. USP. A partir dos anos 90 consolidou-se com a participação em mais de 200 empreendimentos hidrelétricos no seu acervo de serviços prestados em países da América. direcionadas aos novos empreendimentos com foco nas aplicações de engenharia civil e correlatas. Europa e África. unidade criada para atuar no desenvolvimento de serviços tecnológicos e atividades de pesquisa. UnB. possibilitando a obtenção da acreditação junto ao Inmetro em 1994 e a sua certificação ISO 9000 no ano de 1996. implicando em relevantes benefícios de segurança no empreendimento. UFRGS. único do mundo em funcionamento. também em meados dos anos noventa. além da central nuclear de Angra dos Reis que já se encontrava em curso e que demandava padrões de garantia de qualidade estabelecidos pela Agência Internacional de Energia Atômica. capaz de executar pistas experimentais de concreto compactado com rolo em laboratório. Posteriormente. Em paralelo. Diversos estudos para a construção de barragens de enrocamento com face de concreto foram desenvolvidos com o apoio desse laboratório. tendo como intuito o incremento do 429 . O mais bem equipado laboratório do Brasil na área de mecânica das rochas e enrocamento. O DCT é hoje reconhecido nacionalmente como uma das mais importantes instituições tecnológicas em sua área de atuação. Extraido de texto redigido pela equipe do DCT No limiar da década de 70. UFSC. foi implantado e inaugurado o laboratório de concreto compactado com rolo. como por exemplo: O único equipamento do mundo. Ao final da década de 80. dentre outras. Realização de pesquisas e desenvolvimentos em parceria com as principais universidades e centros de tecnologia do Brasil. um laboratório singular. UFG. o DCT implantou e inaugu rou o seu laboratório de mecânica das rochas. o DCT sempre procurou identificar e acompanhar os avanços necessários à superação dos desafios que a evolução do setor de energia impunha. incluindo-se acreditações junto ao INMETRO. de cisalhamento e de compressão unidirecional em rochas.

O co nhecimento das características técnicas dos materiais do local do empreendimento permite subsidiar análises de custo. O primeiro está basicamente sob a responsabilidade da projetista e o segundo basicamente sob a responsabilidade da construtora. ampliando a busca de agregação de valor por este centro de tecnologia. O adequado emprego dos materiais disponíveis nos locais onde os grandes empreendimentos deverão ser construídos leva à otimização de estruturas. permite a obtenção de um empreendimento “saudável”. o desenvolvimento de pesquisas na área de durabilidade de estruturas. a utilização de métodos e técnicas construtivos adequados e a qualidade e uso dos materiais empregados. outra área que ganhou impulso foi a de instrumentação e auscultação de barragens e estruturas anexas. com destaque para técnicas de diagnóstico. prevenção e correção de reações álcalis-agregado e também na área de sulfetos. Análises que chegam próximo ao nível nano possibilitaram o desenvolvimento de competências únicas no Brasil nesta área. para as obras civis. à redução de impactos ambi entais e a estruturas mais seguras e mais duráveis. Análises químicas para caracterização dos materiais de construção. na segunda metade dos anos noventa. O terceiro pilar. prazo e qualidade global das estruturas. anterior ao empreendimento. Uma intensa atividade de pesquisa e desenvolvimento foi desenvolvida aproveitando os estímulos trazidos pela lei 9. buscando o domínio e aplicação de técnicas em tecnologia dos materiais em nano e microtecnologia. sinalizando no momento atual desenvolvimentos ainda maiores. areias. os projetos de P&D desenvolvidos possibilitaram o exercício de um importante papel na construção da usina hidroelétrica Foz do Chapecó. empreendimento que utilizou a solução do núcleo asfáltico pela primeira vez no País. Dando continuidade a conhecimentos técnicos pré–existentes na análise da microestrutura dos materiais. Dentro desta área de competência encontram-se estruturadas as seguintes linhas de trabalho: Ensaios físicos de caracterização de rochas. juntamente com o setor de análises de materiais. pela dinâmica que é a escolha e emprego dos materiais. O DCT possui equipe qualificada e infraestrutura adequada para o desenvolvimento deste processo. incluindo reatividade potencial.A História das Barragens no Brasil .991 e outras que se seguiram. Análises microscópicas e mineralógicas. A atuação da equipe do controle tecnológico durante a construção. A junção destes três pilares.Séculos XIX. à redução de custos. conduz estudos e pesquisas de materiais para subsídios ao projeto. o DCT desenvolve um conjunto de estudos e pesquisas avançadas. Estes estudos possibilitam os seguintes diferenciais competitivos: 430 . custos e confiabilidade dos resultados e análises realizados. fica sob a responsabilidade da equipe do controle tecnológico. Visando aprimorar o conhecimento dos materiais e dos métodos construtivos a serem implementados nos diversos empreendi mentos da empresa. água e asfalto. aditivos. que desempenhará suas funções com o mínimo de intervenções externas pela equipe de ma nutenção. adequadamente gerenciados. A proficiência e a competência nesta nova linha de trabalho foi reconhecida em 2004. quando obteve a extensão do escopo certificado segundo a ISO 9000 para essa atividade. No final dos anos noventa e no início da década seguinte. por toda sua vida útil. O desenvolvimento de um projeto de P&D desta tecnologia. o DCT intensificou. Três pilares sustentam bons empreendimentos no que tange à sua qualidade: um bom projeto. cimento. possibilitou o exercício do papel de controle e apoio tecnológico à execução dessa solução de engenharia. além de avaliar a qualidade especificada dos materiais utilizados nas obras civis. Do ponto de vista tecnológico. à construção e à otimização do custo final do empreendimento. que em casos de barragens estima-se da ordem de 100 anos. XX e XXI desempenho em prazos. O aprimoramento de tecnologias existentes e o desenvolvimento de outras novas tecnologias se seguiram desde então.

como elementos agregadores de valor aos serviços prestados. Essa área de competência tem os seguintes produtos principais: Padrões de trabalho adequados e atualizados. são os seguintes: Estudos e pesquisas avançadas como subsídios às otimizações de projeto e de custos dos empreendimentos. em especial na área de serviços. Estudos e pesquisas do ambiente construído voltado às instalações de FURNAS.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Dentro desta área de competência encontra-se estruturadas as seguintes sub-áreas: Ensaios Especiais. Os principais produtos entregues. Assessoria em tecnologias de gestão. Vista aérea do DCT 431 . no âmbito desta área de competência. Tecnologia do Ambiente Construído. a base para o sucesso de qualquer organização. é o capital humano. dos empreendimentos em construção e à sociedade. Baseado na premissa de que nos tempos atuais. Confiabilidade metrológica e calibração de instrumentos de medição. Capacitação e treinamento voltados aos empreendimentos e às atividades de tecnologia. o seu conhecimento e a sua cultura. Uma das áreas de competência decorrente desta atividade é a de confiabilidade metrológica. por intermédio da qual se busca a garantia e a precisão de todos os processos de medição técnica voltados aos empreendimentos. Desenvolvimento de Novas Soluções de Engenharia. em consonância com as equipes técnicas em todas as áreas de atuação do DCT é implementado e desenvolvido um conjunto de atividades que visam à identificação de necessidades e demandas de co nhecimento e capacitação.

Ensaio em modelo reduzido e o protótipo em operação .Sangradouro do açude de Orós.

decidiu criar. no sub-solo do prédio ocupado pelo Escritório Saturnino de Brito. Sua origem remonta ao Escritório Saturnino de Brito fundado por Francisco Rodrigues Saturnino de Brito (Campos dos Goytacazes.foi a mais importante instituição privada de hidráulica experimental no Brasil. pela captação de parcela significativa da água potável consumida na cidade do Rio de Janeiro e pelo projeto do sistema hidráulico de renovação das águas da lagoa Rodrigo de Freitas. 1977). A partir do final da década de 40 a empresa desenvolveu diversos estudos hidrológicos e hidráulicos aplicando técnicas inovadoras no Brasil para a época como foi o caso da utilização do método do hidrograma unitário nos estudos hidrológicos do rio Joanes. Em 1946. no centro da cidade do Rio de Janeiro. responsável. Após a morte de seu fundador.CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS O Laboratório de Hidráulica HIDROESB – Saturnino de Brito SA Luiz Felipe Pierre O HIDROESB – Saturnino de Brito SA . Há indicações de que o Escritório Saturnino de Brito foi a primeira empresa constituída no Brasil com a finalidade específica de atuação na engenharia consultiva tendo sido responsável. 1921 . 1899 – Rio de Janeiro. Desenvolveu ao longo da vida intensa atividade em associações de engenheiros tendo sido fundador da FEBRAE (Federação Brasileira de Associações de Engenheiros) e da UPADI (Associação Panamericana de Associações de Engenheiros). ainda ligado ao Escritório Saturnino de Brito. onde havia espaço suficiente para expandir suas atividades. o primeiro laboratório de hidráulica do país. se transferiu para uma grande área no bairro do Andaraí. no Rio de Janeiro. na zona sul da cidade do Rio de Janeiro. Saturnino de Brito Filho. com o apoio de seu assistente Theophilo Benedicto Ottoni Neto. até hoje. pelo projeto de saneamento básico de várias cidades brasileiras. então recém formado. 433 . embrião do que viria a se transformar no Hidroesb. com o aumento no volume de serviços. Ceará. Na década de 50 a empresa foi pioneira na realização das primeiras medições de descarga sólida em rios brasileiros e foi responsável por projetos de destaque como a tomada d’água do rio Guandu. Presidiu o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro e foi membro de várias outras associações como ASCE (American Society of Civil Engineers) e AWWA (American Water Works Association). o laboratório de hidráulica. Formado em 1º lugar na turma de 1923 da Escola de Minas de Ouro Preto foi professor catedrático da cadeira de Higiene e Saneamento da Escola Politécnica da Universidade do Brasil e teve onze livros publicados. Seu fundador desenvolveu técnicas de projetos de saneamento que vieram a ser adotadas em países como França. Em 1959. Inglaterra e Estados Unidos. o Escritório passou a ser dirigido por Francisco Saturnino de Brito Filho (Campos dos Goytacazes. desde o final do século XIX. 2009).Rio de Janeiro. 1864 – Pelotas. já então sob a supervisão direta de Theophilo Benedicto Ottoni Neto (Porangaba. no estado da Bahia. 1929) considerado o “Patrono da Engenharia Sanitária Brasileira”.

todos no rio Grande. Nas décadas de 60 e 70 desenvolveu estudos hidráulicos em modelo reduzido de vários dos mais importantes aproveitamentos hidroelé tricos projetados na época dentre os quais Estreito. A nova empresa se dedicou a estudos de campo nas áreas de topografia. no rio Jaguaribe.293 a 300. Porto Colômbia e Ma rimbondo. hidrometria e sedimentometria bem como a estudos e projetos hidráulicos. Na década de 60 o Hidroesb realizou projetos e estudos hidráulicos em modelo reduzido de tomadas d’água para fins industriais para as instalações da USIMINAS. se deu no campo da hidráulica experimental. empresa independente do Escritório Saturnino de Brito. em Ipatinga. também. Boa Esperança. no Rio de Janeiro. no rio Piracicaba. no Ceará. Seu maior destaque.Séculos XIX. modelos para estudos especiais como as eclusas do AHE Tucuruí e do AHE Boa Esperança Figura 1 . Volta Grande. Ottoni Netto sobre o modelo reduzido do vertedouro de Orós 434 . Grandes Vertedouros Brasileiros pág. no rio Uatumã. ouvindo a explicação do professor Theophilo B. no rio Paraíba do Sul. no rio Doce. No ano de 1962 desenvolveu os estudos hidráulicos em modelo reduzido e os projetos hidráulico e estrutural para reconstrução do sangradouro do açude de Orós.Juarez Távora. ministro de viação e obra públicas. no rio Parnaíba e Balbina. que havia sido destruído por uma cheia ocorrida em 1960 (ver ICOLD – “Lessons from Dam Incidents” – 1974. para a CSN. Jaguara.123 a 128).A História das Barragens no Brasil . O Hidroesb construiu. CBDB . no rastro dos grandes projetos que o País desenvolveu na época. porém. páginas 68 a 70. no canal de São Francisco.Main Brazilian Dams II pág. em Volta Redonda e para a usina termoelétrica de Santa Cruz.Hidroesb. Mascarenhas. XX e XXI Em 1965 foi criado o Laboratório Hidrotécnico Saturnino de Brito SA .

Como docente. PUC. com a sua experiência prática de engenharia e acadêmica de professor pesquisador. atuou profissionalmente na área da Educação Superior e na prestação de ser viços de Engenharia Consultiva. envolvendo Hidráulica. chefe do Departamento de Hidráulica e Saneamento do Curso de Engenharia Civil da UFRJ. Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz e SUDENE. Ecologia Aplicada e Engenharia Sanitária. desempenharam importante papel na evolução da engenharia hidráulica e na formação de novos profissionais na área. Controle de Enchentes e de Secas. Hidrologia Geral. Pelo pioneirismo de sua atuação o Hidroesb deu importante contribuição ao desenvolvimento da engenharia hidráulica no país. Aproveitamentos Hidroelétricos. 435 . UFF. O Hidroesb e o professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto. Saneamento. do Conselho de Pesquisas e Ensino para Graduação da UFRJ. Em 1978 a empresa teve sua razão social alterada para Hidroesb – Saturnino de Brito SA. Hidrologia. membro do Conselho de Curadores da UFRJ. Hidrotécnica.Professor Theophilo Benedicto Ottoni Netto tendo à sua esquerda os engenheiros Lúcio Washington e Olívio Kalckman e a tomada d’água do AHE Fur nas visando avaliar a possibilidade de redução da cota do seu nível mínimo operativo. Empreendimentos Hidráulicos. professor Theophilo Ottoni. UnB e em instituições oficiais. Saneamento Ambiental. ministrou aulas em cursos de graduação e pósgraduação. Engenharia Costeira. Seu principal executivo. do Conselho Diretor da Fundação de Ensino Especializado de Saúde Pública e coordenador da Sub-Comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas para Projeto de Construção de Órgãos Auxiliares de Barragens. Planejamento Integrado dos Recursos Hídricos. Abastecimento d’Água de Cidades e Impactos Ambientais. Foi professor titular e emérito da UFRJ. Perenização e Regularização Fluvial. Fluviometria. Recursos Hídricos. em universidades como UFRJ. como Escola Técnica do Exército (Ministério da Guerra). em temas de Hidráulica. vice-presidente da Associação de Antigos Alunos da Politécnica.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 2 .

436 .

A conjuntura histórica da época ajudou nesse objetivo. pois a universidade aprovou. Barragem Bom Retiro do Sul (Figura 5). Em 1962. fluviais. também em 1953. Vários docentes de então atuavam simultaneamente na referida secretaria e na universidade.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O Instituto de Pesquisas Hidráulicas . Luiz Augusto Magalhães Endres e André Luiz Lopes Silveira setores das obras marítimas. O primeiro prédio do IPH foi o Pavilhão Marítimo. entre outros. termina do em 1955 e inaugurado oficialmente em 1957 pelo Presidente Juscelino Kubitschek. todos os prédios do projeto original (Figura 1) estavam concluídos e operando. na então Universidade do Rio Grande do Sul. irrigação. abastecimento de água. assim como de um laboratório de hidráulica para ensino. de pesquisa. seus anseios tiveram eco no reitorado do Professor Elyseu Paglioli. incluindo o Laboratório de Ensino. que começou em 1956 para o DEPRC (Figura 2) com a ajuda de pesquisadores franceses. realizando atividades de ensino.IPH Marcelo Giulian Marques. tais como: Travessia do Delta do Jacuí para o DAER (Figura 3). planejado pelo engenheiro Pierre Engeldinger do Laboratoire National d’Hydráulique de Chatou . que designou uma comissão para criação deste novo instituto em 7 de agosto de 1953. em função de uma idéia circulante na Escola de Engenharia e na Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul. estudos e treinamento que atuasse nos 437 . navegação. em função de um oficio do professor Adolfo Laranjeira Mariante solicitando a criação de um centro destinado às questões hidráulicas. de extensão e de prestação de serviços em hidráulica. Desta forma. recursos hídricos e meio-ambiente atuando ativamente em diferentes setores (elétrico brasileiro. a localização da nova Cidade Universitária junto à área destinada à implantação do IPH. Figura 1 – Vista geral do Instituto de Pesquisa Hidráulicas da UFRGS (1962) Um breve histórico O Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) é o instituto das águas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em seguida outros estudos foram realizados em modelo reduzido. de que havia necessidade do domínio da técnica dos modelos reduzidos.França. Barragem do Arroio Duro para o DNOS (Figura 4). hidroelétricas e assemelhados na região sul do Brasil e da América Latina. entre outros). A sua criação tomou corpo em 1953. O primeiro trabalho realizado foi sobre o estudo da desembocadura do Rio Tramandaí.

Figura 4 .estudo da proteção com enrocamento – DAER Figura 2 .escoamento com comporta de fundo e lâmina vertente.A História das Barragens no Brasil .Barragem do Arroio Duro (extinto DNOS) – estudo do vertedouro 438 .Barragem Bom Retiro do Sul (DEPREC) .Séculos XIX. XX e XXI Figura 3 .Desembocadura do rio Tramandaí RS – DEPREC Figura 5 .Vista do modelo da travessia do Jacuí (DAER) .

Barragem eclusa do canal São Gonçalo Lagoa dos Patos e Lagoa Mirim . até o presente momento. Em 1989 o doutorado foi implantado no seu programa de pós-graduação. único na América Latina. completando efetivamente todos os níveis de ensino e diplomação.RS (Figura 5) * Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS) Barragem do Arroio Duro –RS (Figura 4) * Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis (DNPVN) . Destes. atuando ativamente em diferentes setores: hidrelétrico. irrigação. atuando no ensino (técnico. e a meta: “A capacitação de indivíduos e de instituições aptas a lidar com os problemas que envolvem o uso da água”. pr eser vação e conser vação” . de recursos hídricos e de meio-ambiente. que passa a ser um instituto de pesquisas também em recursos hídricos e saneamento ambiental.RS * ELETROSUL .Rio Jacuí – RS (Figura 9). Desta forma. juntamente com a reforma universitária de 1970 marca uma segunda fase do IPH.RS Figura 6 . usina hidroelétrica Passo Fundo – rios Passo Fundo e Erechim . modelos reduzidos de obras hidráulicas. em 1969. usina hidroelétrica Leonel de Moura Brizola .Barragem do Anel de Dom Marco (CEEE) . sobretudo franceses. o IPH também se tornou um pólo de capacitação e pesquisa em hidrologia no âmbito do Decênio Hidrológico Internacional 1965-1975.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Os anos 60 consolidam o IPH como referência nacional e sulamericana para estudos hidráulicos. ainda hoje. Barragem Laranjeira .Barragem do Arroio Mãe D’água . Em função da visão de tratar de maneira mais ampla os recursos hídricos. com apoio de pesquisadores estrangeiros. O IPH. Em 2006. abastecimento de água.RS * Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) – Barragem do Anel de Dom Marco – Rio Jacuí (Figura 6). 15 foram estudos em modelo reduzido de barragens. tem um acervo de centenas de trabalhos de prestação de serviços à comunidade nas áreas de hidráulica. além de dar novo impulso e amplitude às pesquisas. foi implantado o curso de engenharia ambiental.RS * Departamento Estadual de Portos.Barragem do Anel de Dom Marco Rio Jacuí . Cerca de um terço destes trabalhos são referentes ao setor elétrico brasileiro e as obras hidráulicas ligadas a barragens.AHSUL .Barragem do Arroio Ribeiro -RS * Instituto de Pesquisa Hidráulicas (IPH) . entre outros. navegação.escoamento no vertedouro As pesquisas O IPH como instituto de pesquisa sempre teve a visão: “O uso da água com sustentabilidade. usina hidroelétrica Passo Real .Rio Jacuí –RS (Figura 8). usina hidroelétrica Salto Grande – Rio Santa Cruz .ex-Usina Hidroelétrica do Jacuí . podendo-se citar: * Administração das Hidrovias do Sul . com o apoio da UNESCO. Rios e Canais (DEPRC) Barragem de Bom Retiro do Sul . foi criado o curso de pós-graduação do IPH e o Curso Técnico em Hidrologia. Esse convênio com a UNESCO.RS.Rio Taquari .Rio Jacuí –RS. 439 . graduação e pósgraduação) e apoiado por ampla atividade em pesquisa e extensão.Rio Jacuí –RS. usina hidroelétrica Dona Francisca 1º arranjo de obra (Figura 7) .rio Santa Cruz.usina hidroelétrica Machadinho (1º arranjo de obra) – Rio Pelotas –RS (Figura 10) * Garcia de Garcia . usina hidroelétrica Itaúba . e está em fase de implantação o curso de engenharia hídrica.

Séculos XIX. XX e XXI Figura 7 – Usina hidroelétrica Dona Francisca (CEEE) 1º arranjo escoamento no vertedouro Figura 8 – Usina hidroelétrica Itaúba (CEEE) – erosão a jusante do salto de esqui 440 .A História das Barragens no Brasil .

ao armazenamento e ao controle das águas fluviais. influenciando diretamente os projetos e a operação das barragens e do setor elétrico. da forma mais eficiente possível. Para isso reuniu e busca atualizar o seu conhecimento para: * Avaliar as disponibilidades desses recursos. * Projetar obras e sistemas para aproveitá-los. Figura 9 – Modelo da usina hidroelétrica Leonel de Moura Brizola . * Preservar a sua qualidade e * Promover a gestão integrada dos mesmos. à qualidade. 441 . necessárias para uma abordagem integrada dos problemas que envolvem os recursos hídricos ligados à quantificação.apresentação do modelo pela equipe do IPH durante vista técnica Isto levou o IPH a desenvolver uma ampla gama de especialidades nas ciências da água.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 10 – Usina hidroelétrica Machadinho (ELETROSUL) – escoamento pelo vertedouro.ex-Jacuí (CEEE) .

assim como nos principais fóruns de discussões sobre hidráulica. foram desenvolvidas nove teses e mais de dezesseis dissertações.Séculos XIX. * desenvolver ferramentas e metodologias de previsão de esforços hidrodinâmicos provocados pelo escoamento. O acervo de dissertações de mestrado e teses de doutorado do curso de pós-graduação do IPH é resumidamente de cerca: 110 teses de doutorado e 315 dissertações (http://www. As pesquisas têm sido desenvolvidas dentro das seguintes Linhas Mestras: * Esforços Hidrodinâmicos: em Dissipadores de Energia Hidráulica e a Jusante de comportas. a fim de gerar soluções técnicas que sejam eficientes. * Vibração em Estrutura Hidráulica em Cilindro e em Comporta. Entre os trabalhos dos últimos 10 anos referentes diretamente ao setor elétrico brasileiro e as obras hidráulicas ligadas às barragens. * desenvolver. * Transientes Hidráulicos em Usinas Hidroelétricas e em Eclusa.lume. * Eco Hidráulica .A História das Barragens no Brasil .br/handle/10183/2). Esses projetos de P&Ds visam: * compreender os processos físicos envolvidos nos fenômenos hidráulicos.ufrgs. seguras e de menor custo para o dimensionamento de obras hidráulicas. o IPH (http://www.Mecanismo de Transposição para Peixes (MTPs). planos nacionais e estaduais de recursos hídricos e de meio-ambiente. Na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) relacionados a empreendimentos no setor elétrico. aprimorando os conhecimentos sobre fenômenos hidráulicos. Vertedouro em Degraus e Salto esqui a Jusante de comportas. verificar e comparar os critérios de dimensionamento existentes na literatura.br/apresentacao/) conta com diferentes laboratórios e núcleos de pesquisa que trabalham de forma integrada nas diferentes áreas dos recursos hídricos: * Laboratório da Estação Recuperadora da Qualidade da Água da UFRGS (ERQA) * Laboratório de Clima e Recursos Hídricos * Laboratório de Eficiência Energética e Hidráulica (LENHS) * Laboratório de Engenharia de Água e Solo * Laboratório de Ensino de Hidráulica * Laboratório de Hidráulica Marítima (LAHIMA) * Laboratório de Hidrometria * Laboratório de Instrumentação e Canal de Velocidade * Laboratório de Limnologia * Laboratório de Obras Hidráulicas (LOH) * Laboratório de Processos Erosivos e Deposicionais * Laboratório de Saneamento * Laboratório de Sedimentos * Núcleo de Águas Urbanas * Núcleo de Estudos em Correntes de Densidade (NECOD) * Núcleo de Estudos em Transição e Turbulência (NETT) * Núcleo de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos Aproximadamente 35 pesquisas desenvolvem-se regularmente nesses laboratórios e núcleos. XX e XXI Hoje.ufrgs. * desenvolver linhas de pesquisa na área de eficiência energética e hidráulica. com cerca de 150 publicações anuais entre periódicos e anais de eventos.iph. obras hidráulicas. 442 . Há participação efetiva dos professores e alunos nos principais eventos na cionais e internacionais no domínio das águas. o IPH vem desenvolvendo projetos através do seu Laboratório de Obras Hidráulicas (LOH).

aplicados a barragens no setor elétrico estão listados acima.em desenvolvimento (Figura 16) Padrões de vibração em estruturas hidráulicas por ação de escoamentos (Figura 17) Transientes hidráulicos em circuitos de usinas hidroelétricas Utilização de modelos numérico e experimental para dimensionamento e otimização de bacias de dissipação Parceiros LAHE/FURNAS INA e IST (colaboradores) DFESA IST (colaborador) LAHE/FURNAS e UFMG URI e UNISINOS (colaboradores) CPH/UFMG IST (colaborador) LAHE/FURNAS UFSM (colaborador) LAHE/FURNAS IST (colaborador) DFESA IST (colaborador) LAHE/FURNAS. (Figura 12) Análise do comportamento hidráulico dos sistemas de enchimento e esgotamento de eclusas de navegação (Figura 13) Análise do escoamento em mecanismo de transposição para peixes – MTPs (Figura 14) Análise dos processos físicos envolvidos na formação de fossas de erosão em leito Coesivo a jusante de salto de esqui .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Titulo do P&Ds Análise da macro turbulência em dissipadores por ressalto hidráulico (Figura 11) Análise das características macro turbulentas ao longo da calha de um vertedouro em degrau e no ressalto hidráulico formado a jusante. Figura 11 .Análise de vibrações induzidas pelo escoamento sobre uma comporta 443 . PUC/Rio e UFMG UFSM (colaborador) LAHE/FURNAS LAHE/FURNAS e IME LAHE/FURNAS e IME Os P&Ds desenvolvidos ou em desenvolvimento nos últimos 10 anos pelo LOH.em desenvolvimento Estudo dos processos geomecânicos provocados por esforços hidrodinâmicos em fossas de erosão a jusante de saltos de esqui .em desenvolvimento (Figura 15) Características de escoamentos sobre vertedouros em degraus Determinação das características geométricas da soleira terminal em bacias de dissipação a jusante de vertedouro em degraus .

XX e XXI Figura 12 – Análise da macro turbulência em dissipadores por ressalto hidráulico Figura 13 – Análise das características macro turbulentas ao longo da calha de um vertedouro em degrau e no ressalto hidráulico formado a jusante.Séculos XIX.A História das Barragens no Brasil . Figura 14 – Análise do escoamento a jusante de uma comporta tipo segmento invertida de uma eclusa 444 .

Análise das pressões dinâmicas em um jato direcionado Figura 15 – Análise do escoamento em mecanismo de transposição para peixes – MTPs Em resumo. o armazenamento. a qualidade. 445 . o controle e a gestão deste recurso de maneira a tornar os empreendimentos sustentáveis. o IPH construiu uma história voltada às águas buscando a quantificação.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 16 – Análise das pressões dinâmicas a jusante de um salto esqui Figura 17 .

446 .

no controle de execução dos maciços de terra e das estruturas de concreto e no monitoramento das obras. este.S. as barragens de Poço Preto e Piraçununga. Pichler iniciou a prática de estudos geológicos para projeto e construção de barragens baseados em sondagens rotativas adaptadas aos fins de engenharia civil. em Campina Grande. além da consultoria técnica na formulação e a adaptação dos projetos durante a construção. No início da década de 1940. na caracterização das jazidas naturais. na barragem de Barra Bonita (rio Tietê). fundou o laboratório da I. geologia de engenharia. Ainda no final da década de 1940. pioneiro da geologia aplicada às obras hidráulicas. após estagiar no IPT. o IPT teve atuação relevante no desenvolvimento das barragens no país. No ano seguinte. no rio Paranapanema. o IPT estudou fundações e solos de empréstimo para duas pequenas barragens de terra. o engenheiro Mario Brandi Pereira. Geotecnia e geologia de engenharia Um exemplo do papel difusor de conhecimentos do IPT se fez notar logo após a fundação de sua Seção de Solos. na determinação das propriedades de comportamento de solos. o primeiro ensaio de perda d’água sob pressão em furo de sondagem. realizado em Ilha Solteira em 1969. Mas a atuação mais marcante do IPT nas obras de barragens passou a ocorrer a partir da década de 1950. realizou. o primeiro laboratório de solos a se dedicar ao apoio tecnológico das barragens no Brasil.N.Inspetoria Nacional de Obras Contra a Seca.O. A participação do IPT se desenvolveu nas áreas de geotecnia. USELPA – Usinas Elétricas do Paranapanema e de outras que foram unidas. concreto e estruturas. com a construção de usinas hidroelétricas construídas no estado de São Paulo pelas empresas CHERP – Centrais Elétricas do Rio Pardo. dando origem à CESP – Companhia Energética de São Paulo. Paraíba. destacou-se a atividade do engenheiro Ernesto Pichler. Ronaldo Rocha e Antonio Marrano Pela sua característica de instituto pioneiro no Brasil na tecnologia da engenharia civil. rochas e agregados para concreto. O maior ensaio in situ de resistência ao cisalhamento feito no mundo 447 . Esta atuação se realizou no reconhecimento geológico dos locais. dando as primeiras contribuições ao avanço da área de hidrogeologia no País. Em 1953. em 1938.C. Nos levantamentos geológicos dos locais das obras. CELUSA – Centrais Elétricas de Urubupungá SA. professor da Escola Politécnica do Rio de Janeiro. que já em 1947 havia publicado um conjunto de conferências intitulado “Elementos básicos de Geologia Aplicada”.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens O Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo .IPT Carlos de Sousa Pinto. tanto pelo seu envolvimento direto em muitas obras. na cons trução da Usina de Salto Grande. sem dúvida. como pelo seu papel de difusor de conhecimentos técnicos. Ensaio de cisalhamento de grandes dimensões do maciço rochoso num bloco de rocha de 6 m x 6 m de seção por 4 m de altura. .

o engenheiro Pacheco Silva instalou piezômetros de sua própria idealização. O engenheiro Pacheco Silva analisou este comportamento. que passou a ser adotada em muitas obras. Tendo notado que primeiros piezômetros instalados nas barragens do rio Pardo não se mantinham confiáveis por muito tempo. 448 . pelo efeito de descargas elétricas nas proximidades das barragens. inclusive um ensaio de grandes dimensões. Seus resultados tiveram repercussão internacional. o seu nome foi atribuído ao aeroporto de Jupiá. introduzindo no Brasil esta técnica. fazendo levantamento geológico no local da barragem de Jupiá. tornou-se laboratório do curso de engenharia civil da UNESP.Séculos XIX. No laboratório de solos de Ilha Solteira. em 1959. na coordenação dos trabalhos. A atuação do IPT nas barragens do rio Tietê. Em reconhecimento à relevante contribuição. Ibitinga (1964 a 1969). o que caracterizava o maior ensaio in situ de resistência ao cisalhamento feito no mundo. obtendo o desenvolvimento das pressões neutras durante o alteamento do aterro e o enchimento do reservatório. um manômetro lendo diretamente a pressão neutra no maciço e o outro acionado por ação pneumática a partir da superfície fazendo a leitura do primeiro. Cinco piezômetros deste tipo foram instalados na barragem de Ilha Solteira Nas barragens de Jupiá (1961 a 1969) e de Ilha Solteira (1966 a 1973) o IPT especificou e colaborou na instalação dos laboratórios de solos e de mecânica das rochas instalados pela CESP. fato totalmente inesperado. Barra Bonita (1952 a 1962) e Promissão (1966 a 1975) envolveu a supervisão do controle de compactação e a instrumentação dos maciços. Notável foi o conjunto de ensaios de cisalhamento do maciço rochoso. com extensômetros elétricos colados em membrana de aço inoxidável. a partir da característica de “duplo manômetro”. onde se sucediam camadas de constituição bem distintas. esclarecendo. No campo da mecânica das rochas. com câmaras de ensaios triaxiais. merecem destaques as relacionadas com as características das fundaçõesdas barragens de Jupiá e Ilha Solteira. Observou que as pressões neutras decresciam inicialmente durante o alteamento do aterro. após a conclusão da barragem. atualmente. Os laboratórios foram muito bem equipados. o IPT coordenou todo o controle de compactação dos maciços. por ele batizada de “célula DM”. Já na barragem de Limoeiro. Nesta ocasião. diversas pesquisas foram realizadas durante a obra. passaram a prestar assistência tecnológica a outras barragens e. com equipamentos da mais alta qualidade. o que serviu de orientação para o projeto de barragens posteriores. dentre as investigações realizadas pela equipe do IPT. enquanto que no laboratório de mecânica das rochas toda a equipe era do IPT. o engenheiro Hamilton de Oliveira fez uma adaptação para solos brasileiros do método de Hilf de controle de compactação. num bloco de rocha de 6 m x 6 m de seção por 4 m de altura (Figura 1). Além da determinação das propriedades mecânicas dos solos usados na barragem. Estes trabalhos passaram a ser referência para projetos de outras obras. passou-se a usar piezômetros de corda vibrante. Bariri (1959 a 1960). em plena atividade no campo. Faleceu. com desenvolvimento de pressões neutras baixas quando devidamente compactados. para só passarem a aumentar após ser atingido um certo nível de carregamento. tendo se notabilizado pela determinação das tensões in situ e realização de ensaios de deformação de maciços rochosos nas escavações da casa de força da usina de Paulo Afonso. Frustrado com a perda de algumas destas células. equipamentos de cisalhamento direto e de adensamento. Limoeiro (1953 a 1958). por exemplo. XX e XXI Pichler foi também pioneiro na implantação da mecânica das rochas no Brasil. Estes estudos foram fundamentais para a definição das cotas de fundação dos diversos setores da obra.A História das Barragens no Brasil . sob a liderança do engenheiro Murilo Ruiz. Euclides da Cunha (1956 a 1960) e Graminha (1959 a 1966). Pacheco dedicou-se ao desenvolvimento de outra. principalmente o de Ilha Solteira. importados da Suíça. três pesquisadores do IPT ficaram permanentes. a influência das condições de compactação nas propriedades geotécnicas do solo compactado e a comparação entre as características apresentadas pelos corpos de prova compactados em laboratório com as dos corpos de prova moldados a partir de blocos indeformados extraídos do maciço. Os laboratórios de Ilha Solteira. em virtude da deformação lenta. com algumas alterações propostas pelo engenheiro Pacheco Silva e aceitas pelo fabricante. característico de solos tropicais. Nas barragens do Rio Pardo.

449 . as lavas em almofadas (pillow lavas) em Nova Avanhandava e os basaltos leves de Porto Primavera. especialmente na identificação de ar gilominerais expansivos. com a colaboração do consultor alemão Klaus W. assim como na caracterização tecnológica de agregados naturais.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Figura 1 – Usina hidroelétrica de Ilha Solteira. empregado com sucesso na fundação de Ilha Solteira e posteriormente adotado em todas as demais obras da CESP com fundação em maciço basáltico. destacaram-se os trabalhos junto à Centrais Elétricas de São Paulo (CESP) que possibilitaram o desenvolvimento de especificações de sondagens e de critérios para a classificação dos graus de alteração e de fraturamento das rochas. destacam-se o desenvolvimento dos obturadores de impressão e um protótipo de equipamento para o televisionamento de furos de sondagens. destacaram-se a formulação das primeiras orientações técnicas de normatização dos ensaios de permeabilidade em furos de sondagens. Na década de 1990. Também foi desenvolvido o primeiro sistema de classificação de maciços rochosos utilizados no Brasil. na compreensão do comportamen to das juntas-falhas e na avaliação da rápida decomposição das rochas basálticas (alterabilidade). Avanços significativos na compreensão do comportamento dos basaltos como fundações de barragens foram obtidos com os estudos a respeito das estruturas circulares em Água Vermelha. Na década de 1970. bem como a definição de vários outros procedimentos até hoje utilizados. Ensaio de cisalhamento em bloco de grandes dimensões (1969) Também a partir do final da década de 1960. rio Paraná. os estudos de caldas de cimento e argamassa para tratamento de maciços de fundações e análise da eficiência dos tratamentos de fundações de barragens. Contribuições significativas decorrentes da experiência com grandes obras envolveram desenvolvimentos na caracterização geológico-geotécnica de basaltos. John. estabelecendo uma prática brasileira para os estudos e investigações de eixos de barragens.

permitiu assegurar a estabilidade da barragem e a plena utilização do reservatório na cota de projeto. em 450 . liderado pelo engenheiro Murilo Ruiz. projetado de maneira a poder ser transformado numa posterior barragem. juntamente com a inspeção de amostras indeformadas. Após a execução de cortina de solo-cimento nas ombreiras e fundações. com poucos centímetros de diâmetros. resultantes de antigas colônias de formigas. pioneiramente no Brasil. passando de montante para jusante. A barragem de Saracuruna. Alguns destes casos. pelas suas peculiaridades. a melhoria e desenvolvimento das técnicas da geofísica e as primeiras pesquisas desenvolvidas no Brasil para estudo da permeabilidade tridimensional dos maciços rochosos que começaram em 1984. nas ombreiras. o desenvolvimento e aplicação da geologia estrutural para a análise dos condicionantes geológico-geotécnicos. próxima às nascentes do rio Tietê. A experiência da obra anterior possibilitou ao IPT atuação importante na construção da Barragem do Rio Verde. o grupo de geologia aplicada e de geotecnia do IPT. feito pelo IPT. o IPT teve a oportunidade de participar de diversas obras de barragens de outras entidades. construída pelo DAEE . cuja primeira aplicação com equipamentos idealizados e construídos pelo IPT foi na barragem de Porto Primavera. como nos recursos humanos. em que se compactou o solo com umidade muito acima da ótima. no seu aproveitamento no suprimento de água na região. dividindo a represa em duas áreas. e área de empréstimo de solo muito argiloso. proporcionando a oportunidade para a formação de especialistas que vieram posteriormente contribuir para a engenharia nacional em diversas atividades. de 1960 a 1962. o IPT instalou e operou piezômetros que registravam o crescimento e a dissipação da pressão neutra após cada lançamento do aterro. localizada na Baixada Fluminense.Departamento de Águas e Energia Elétrica do estado de São Paulo. Em virtude das peculiaridades da obra. as infiltrações cessaram e o monitoramento posterior. A partir da década de 2000. fundação em sedimentos arenosos (que requereu paredes diafragma para vedação). no Paraná. destacam-se estudos voltados ao monitoramento dos processos erosivos nas margens do reservatório de Porto Primavera. sem sucesso.A História das Barragens no Brasil . ensaios de injeção de corantes e de traçadores radioativos que. Na execução desta obra. o DAEE optou pela instalação de laboratório de solos completo no local. tanto no investimento em recursos materiais. muito úmido. Foram realizados. são apresentados a seguir. garantindo-se a estabilidade dos taludes do maciço. podendo ser operadas de maneira distinta.Séculos XIX. como reguladora do rio e parte do sistema de abastecimento da cidade de São Paulo. Além dos trabalhos para as barragens da CESP. a profundidades de cerca de 3 m. realizou. quando atingida cota parcial de enchimento do reservatório. constituindo o Laboratório Rankine. Após diversas tentativas de impermeabilização das ombreiras. O IPT contribuiu muito no campo da geotecnia e geologia de engenharia nas barragens da CESP. estudos para identificar as características da percolação. em 1989. apresentou infiltração e surgimento de água a jusante. já acima do nível d’água em função do que era liberado o lançamento de novas camadas. que passou a dar assistência a várias obras de engenharia. Este laboratório foi posteriormente vendido a um consórcio de empresas empreiteiras. teve a assistência do IPT tanto nos ensaios dos materiais como no controle de compactação. A barragem de Ponte Nova. inclusive rodoviárias e de fundações. XX e XXI Igualmente importante foram os estudos de sismicidade induzida decorrente da instalação de reservatórios de barragens. para abastecimento de água para a Refinaria Duque de Caxias. de difícil secagem em virtude do clima na região e com peculiaridades de compactação (grande alteração dos parâmetros de compactação com ligeira secagem a partir da umidade natural). construída pela Petrobrás. permitiram a identificação de pequenos túneis. Na construção da rodovia dos Imigrantes os projetistas optaram por fazer a travessia da Represa Billings por meio de um aterro lançado dentro d’água. mas deve-se registrar que igualmente importante para o próprio IPT foi o apoio recebido da CESP para o desenvolvimento desta instituição. em 1970.

em substituição às pedras-pomes diatomito. Medido res de recalque e piezômetros mostraram o comportamento adequado da barragem. colaborando para o contínuo desenvolvimento tecnológico das barragens brasileiras. a realização dos ensaios. o que requereu um estudo preliminar para a determinação da adequada proporção dos componentes e dos procedimentos de cura. Em 2010. Coube a ele. O conhecimento sobre o estado de tensões do maciço também contribui significativamente para o dimensionamento da blindagem do conduto forçado. onde é necessário evitar que a pressão hidráulica interna conduza à ruptura do maciço. Os estudos apontaram para a incorporação de pozolanas na constituição dos concretos. de maneira que resulte em material com propriedades reológicas adequadas à escala do modelo. constituiu-se no primeiro modelo estrutural voltado a barragens no Brasil. O modelo foi de comportamento elástico. No Brasil. que não precisou ser escavado. o IPT. quando os projetistas recorrem a eles para esclarecer dúvidas sobre o comportamento da estrutura em obras cujo valor e importância os justifiquem. empregados pelo ISMES. O modelo foi moldado com as dimensões estudadas. também. Papel importante ocorreu nas barragens de Jupiá e Ilha Solteira. segundo a técnica de ensaios em modelo desenvolvida pelo Istituto Sperimentale Modelli e Strutture (ISMES). foi desenvolvido um material básico com micro-concreto de argila expandida. formas de resina. tinha cerca de 50 cm de altura. por parte da empresa projetista. solicitou ao IPT um modelo dos apoios das comportas nos contrafortes da barragem. de Bergamo. de 1977 a 1979. com o consequente abatimento dos taludes do maciço para garantir a estabilidade. Conhecer o estado de tensões nos maciços rochosos é particularmente importante para o projeto de túneis de alta pressão. 451 . Quando o material deveria ter módulo de deformação muito baixo. Tecnologia de concreto No campo de concreto o IPT contribuiu na consultoria e supervisão das dosagens e no controle dos materiais constituintes. micro-concreto de pedra pomes e sistema especial de aplicação de cargas de peso próprio. Conduzido com sucesso.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens virtude das condições de umidade muito elevada na região. Para a barragem de Jupiá. Esta técnica se caracteriza pela utilização de modelos de grandes dimensões. construiu um equipamento para realização de ensaios de medidas de tensões in situ por meio de fraturamento hidráulico. Os micro-concretos utilizados para a representação das fundações e do elemento estrutural em estudo são executados com materiais especiais e misturas adequadas. representando a barragem numa escala de 1:100 e foi carregado por meio de pesos mortos até serem atingidas as pressões na escala empregada. a possibilidade de reações álcali-agregados que comprometeriam a durabilidade das obras. o que foi adotado. utilizou-se argamassa de areia. conforme descrito a seguir. o professor Telêmaco van Langendonck. Restringem-se a casos especiais. a partir de matérias primas. Itália. na realidade um pórtico de reação que permite ensaio de modelos de até 3 m. o engenheiro Fausto Tarran do IPT. sendo um trabalho que na época. conciliando-se esta solução com a baixa resistência do solo da fundação. cimento e pérola de isopor. devido às características dos agregados. Modelos físicos estruturais Modelos físicos de estruturas de barragens não são rotineiros nos projetos destas obras. utilizado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil de Lisboa. O contraforte da barragem. projetou um laboratório especial. que foi construído pelo IPT. A técnica de ensaio é extremamente complexa. No caso específico dos modelos da barragem de Itaipu. ou o gesso. 1968. justificando a solução adotada. onde se constatou. foram realizados dois estudos com modelos físicos de características diferentes. depois de um estágio na Itália. com o ganho adicional de redução da temperatura do concreto durante a cura e o endurecimento. apresentava muita dificuldade em virtude da pouca disponibilidade de materiais. no modelo. e para o seu desenvolvimento. foram executados dois modelos para o projeto da barragem de Itaipu. Posteriormente. tendo sido construído com poliéster.

No modelo do corpo da barragem. em função do que foi feita modificação do projeto estrutural da obra. entre elas destaca-se a barragem de Itaparica da CHESF onde foram instalados quase duas centenas de instrumentos pneumáticos. Rio Paraná Modelo reduzido do bloco da barragem principal (1978) 452 . estas uma réplica. em 1979. Os ensaios foram conduzidos até a observação de indícios de ruptura nas fundações. em 1976. A comparação dos resultados alcançados revelou o bom desempenho dos pneumáticos. foram instalados instrumentos pneumáticos tipo IPT ao lado de instrumentos elétricos de corda vibrante tipo Maihak.Figura 2). o ensaio foi até a ruptura da junta vertical de concretagem dos contrafortes. XX e XXI Os modelos tinham alturas de 1. pelo engenheiro Alinor Figueiredo e equipe. a semelhança do ocorrido na barragem de Piraquara onde se utilizou piezômetros elétricos tipo Geonor. as importações de instrumentos geotécnicos eram difíceis e tal fato favoreceu o crescimento e aplicação dos instrumentos fabricados no Brasil. Figura 2 – Usina hidroelétrica Itaipu. e Piraquara da SANEPAR. a aplicação mais importante e extensiva ocorreu nas barragens do Jaguari e Jacareí da SABESP. No corpo dos modelos foram introduzidos tirantes para simulação do peso próprio da estrutura. no modelo da estrutura de desvio. Nas barragens da SABESP. As formas das estruturas foram construídas sobre contra-formas. No modelo do contraforte.Séculos XIX. em 1978 (Figura 3). As cargas hidrostáticas na face do modelo foram aplicadas por pequenos macacos hidráulicos. As primeiras utilizações destes instrumentos pneumáticos em barragens foram nas barragens de Rio Verde da Petrobrás. de maneira a simular o empuxo correspondente ao reservatório em plena altura.5 m (bloco de gravidade aliviada da barragem principal. em madeira. Em seguida. juntamente com os aperfeiçoamentos na unidade de leitura. No entanto.A História das Barragens no Brasil . da estrutura do modelo a ser construído. foram nomeados de instrumentos pneumáticos tipo IPT. foram desenvolvidas as células de pressão total que. Foram muitas as barragens instrumentadas com piezômetros e células de pressão tipo IPT. foram aplicados 22 macacos. foi desenvolvido o primeiro piezômetro pneumático no IPT.8 m (estrutura de controle do desvio do rio) e 2. incluindo as fundações . Também foram instrumentadas barragens na América do Sul com Instrumentação de barragens Em meados da década de 1970. Nesta fase.

em 1977. o IPT também desenvolveu instrumentos elétricos. com princípio de transdução por strain-gauge . em 21 de novembro de 1977. Vinte e três barragens na região metropolitana de São Paulo tiveram suas características técnicas levantadas e passaram a ser vistoriadas anualmente. Referências Figura 4 – Barragem de Pedro Beicht. Instalação de piezômetro pneumático (1978) companhias em cujo capital o Estado tivesse participação majoritária.752. entre outras. por exemplo. São Paulo. IPT 100 anos de Tecnologia. para monitorar a segurança das barragens dessa companhia responsável pelo abastecimento da Grande São Paulo. o governo de São Paulo promulgou o decreto estadual no 10. Por falta de regulamentação este decreto não foi implementado por todas as autarquias e companhias. o IPT organizou uma equipe formada por especialistas de diversas áreas do próprio instituto acrescida de consultores externos. Paso Severino no Uruguai. que também foram aplicados em várias barragens nacionais e internacionais. A partir dos anos 2000 os instrumentos pneumáticos perderam espaço para os instrumentos elétricos de corda vibrante. SANEPAR. duas barragens em cascata no Rio Pardo.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens estes pneumáticos como. Publicação IPT no 2600. Mapeamento de fissuras no paramento de jusante (1992). SABESP. Em 1978. 24/06/1999 453 . Além dos instrumentos pneumáticos. constituindo-se este projeto num exemplo da auditoria externa de segurança de barragem (Figura 4). Dentro destes conceitos de segurança de barragens também foi objeto de continuidade dos trabalhos a barragem de Saracuruna da Petrobrás. Segurança de barragens Após os acidentes ocorridos com as barragens de Euclides da Cunha e Armando de Salles Oliveira (Limoeiro). atendendo solicitação da SABESP. em razão da automação das medidas e não em função do desempenho deste tipo de instrumento. dispondo sobre a realização de auditoria técnica externa permanente em autarquias e Figura 3 – Barragem de Piraquara.

Vista aérea do LAHE .

LAHE Fátima Moraes de Almeida e Marcos da Rocha Botelho Para atender necessidades específicas que foram surgindo ao longo de seus projetos. pouco a pouco. Com isso. no Rio de Janeiro. aumentando o seu grau de participação nos estudos em modelo até assumir integralmente a coordenação dos mesmos. Furnas foi. junto a subestação de Jacarepaguá. Visando exercer maior controle técnico sobre os trabalhos realizados e manter os modelos de suas usinas construídos mesmo após as definições de projeto das mesmas. Furnas começou a supervisionar diretamente os testes realizados para a validação e otimização dos projetos de seus empreendimentos e a atividade de desenvolvimento de estudos hidráulicos em modelo reduzido passou a ser de responsabilidade do seu Departamento de Engenharia Civil. sendo inicialmente desenvolvida através da contratação do laboratório Hidroesb. Essa medida se apoiou Figura 1 LAHE – Sede em Jacarepaguá – Instalações 455 .Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Laboratório de Hidráulica Experimental e Recursos Hídricos de Furnas . em 26 de dezembro de 1983 foi iniciada a implantação do Laboratório de Hidráulica Experimental (LAHE) de Furnas. em área própria da empresa.

o LAHE. e pelo engenheiro Carlos Alfredo de Almeida Paiva. Com a construção dos modelos em área própria. A construção da sede própria do LAHE foi iniciada somente após três anos de funcionamento efetivo do laboratório. em operação. fez-se necessário um enorme trabalho de mobilização dos recursos internos da empresa. seu substituto imediato. em projeto e Usinas de Anta e Simplício. Furnas os teria disponíveis para atender a qualquer necessidade que surgisse durante ou mesmo após a construção das suas usinas. Nas instalações de Furnas esse laboratório desenvolveu as atividades de projeto. construção e operação dos modelos dos empreendimentos em estudo àquela época. Responsável pela criação do LAHE – Visita ao modelo vertedouro da usina hidroelétrica de Batalha no fato do modelo reduzido também se revelar uma importante ferramenta de trabalho para as fases de construção e operação dos empreendimentos hidráulicos. Usina de Cana Brava. Nos seus primeiros quatro anos de funcionamento. em operação.A. nas fases de projeto e construção.A História das Barragens no Brasil . Usina de Porto Colômbia. da esquerda para direita). Esse trabalho foi coordenado pelo engenheiro Erton Carvalho. então chefe da Divisão de Estudos e Projetos Hidrotécnicos de Furnas. em operação. No modelo de conjunto da usina de Serra da Mesa foi feito o acompanhamento dos projetos básico e executivo e de alguns pro- 456 . Para o desenvolvimento do projeto e construção de toda a infraestrutura necessária ao funcionamento de um laboratório de hidráulica. em projeto. Usina Luiz Carlos Barreto de Carvalho (Estreito). XX e XXI Figura 2 .Engenheiro Erton Carvalho (segundo à frente. Ressalta-se. no início desse período. Usina de Furnas. criado com objetivo de atender exclusivamente aos empreendimentos da empresa. contou com a prestação de serviços do Laboratório Hidroesb Saturnino de Brito S. em suas instalações. a saber: Usina de Serra da Mesa.Séculos XIX. a importante atuação do engenheiro Dirceu Pennafirme Teixeira (do Hidroesb) que ao lado da equipe de Furnas colaborou ativamente no processo de implantação do laboratório.

Foram estudadas as ondas geradas por esse deslizamento e que poderiam ameaçar seriamente as estrutura da barragem. entre outras coisas. Com o INPH foi obtida. Sem os recursos de instrumentação necessários às medições a serem realizadas. modificando assim as características de lançamento do jato. Diversas possibilidades de queda desse maciço rochoso foram estudadas. Figura 4 . foi a alteração da geometria da concha de arremesso do vertedouro. de fácil execução e baixo custo. Além da aproximação com outro centro de tecnologia. esse estudo 457 .CINQUENTA ANOS DO COMITÊ BRASILEIRO DE BARRAGENS cessos construtivos utilizados pela obra. Já a COPPE contribuiu com o desenvolvimento de parte da instrumentação necessária ao LAHE e com o estudo teórico do fenômeno em estudo. No modelo da usina Luiz Carlos Barreto de Carvalho as pesquisas foram direcionadas para eliminar as erosões regressivas que ameaça- Para a usina de Furnas foi analisada a ameaça de desmoronamento de parte da encosta do Morro dos Cabritos. Isso permitiu a integração entre as diversas etapas de construção da usina.Modelo de conjunto da usina Luiz Carlos Barreto de Carvalho (Estreito) Figura 3 . a instrumentação necessária às medições de ondas. os danos que ocorreriam a montante da barragem e os níveis de segurança do reservatório. o balanço de materiais. trazendo assim grande economia ao empreendimento. Foram avaliadas as alturas das ondas. otimizando. o LAHE contou com o apoio técnico e logístico do INPH (Instituto de Pesquisas Hidroviárias) e da COPPE (Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro). os coeficientes de forma que alimentaram o modelo matemático adotado para a simulação dos transientes hidráulicos a que a usina estaria submetida durante a sua operação. Detalhe da reprodução da tomada d’água Foram pesquisados também.Modelo de conjunto da usina hidroelétrica de Serra da Mesa. num modelo de detalhe de seu circuito de geração. vam comprometer a estabilidade da estrutura de seu vertedouro em salto de esqui. A solução encontrada. por empréstimo.

A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

marcou assim a primeira interface do LAHE com um centro acadêmico de pesquisa. Nessa ocasião, os dados obtidos no modelo físico foram confrontados com o resultado de estudos em modelos matemáticos desenvolvidos pela COPPE. No modelo bidimensional do vertedouro de Porto Colômbia foi diagnosticada a causa das erosões existentes no concreto da bacia de dissipação do vertedouro. Os estudos que conduziram à solução adotada na obra foram complementados em um modelo de conjunto da usina que permitiu, inclusive, direcionar as obras de ensecamento da bacia. Em parceria com outros laboratórios e entidades de pesquisa, após a realização da obra corretiva sugerida pelo modelo, foi realizada uma campanha de medição de pressões instantâneas na bacia de dissipação do empreendimento.

Tirando partido das informações modelo-protótipo, os dados de pressão obtidos em Porto Colômbia foram posteriormente utilizados na calibração de um modelo matemático de previsão do campo de pressões, velocidades e níveis d’água em bacias de dissipação. Com orientação do IME, esse estudo gerou a tese de mestrado intitulada “Estudo Numérico e Experimental de Bacia de Dissipação” da Renata Cavalcanti Rodrigues, na época engenheira do LAHE. No modelo da usina de Cana Brava, construída a jusante de Serra da Mesa, no rio Tocantins, foi feito o acompanhamento de toda a fase de estudo do projeto básico.

Figura 6 - Modelo da usina de Cana Brava

Figura 5 - Modelo de conjunto da usina de Porto Colômbia. Medição de pressões instantâneas na bacia de dissipação

Nos modelos onde foram estudados os arranjos originais da usinas de Anta e Simplício, no rio Paraíba do Sul, foram otimizados os projetos básicos das mesmas. Após quatro anos de existência do LAHE, e num momento em que alguns dos estudos acima citados ainda se encontravam em andamento, Furnas se deparou com o término do contrato com a Hidroesb e com a impossibilidade de sua renovação. Diante desse impasse, parte da mão de obra especializada da Hidroesb acabou

Esses dados foram disponibilizados para a comunidade científica que não dispunha, até aquele momento, de dados suficientes de protótipo que pudessem validar os estudos teóricos que vinham sendo desenvolvidos nessa área de atuação.

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 7 - Engenheiros Marcos da Rocha Botelho e Fátima Moraes de Almeida, técnicos pioneiros do LAHE

por ser absorvida por Furnas que, contando com o apoio de seus técnicos locais, passou a se responsabilizar pelo completo desenvolvimento dos estudos em modelo. Dentre esses técnicos, responsáveis pela supervisão dos serviços do laboratório, destacam-se como pioneiros os engenheiros Marcos da Rocha Botelho (atual gerente do LAHE) e Fátima Moraes de Almeida (que atua ainda hoje na coordenação de estudos em desenvolvimento no laboratório). Esse foi um dos momentos decisivos para a constituição da atual identidade do laboratório de Furnas que, ainda sob a condição de uma atividade de uma divisão de projeto da empresa, precisou obter recursos para a aquisição de todo o ferramental, equipamento e instrumentação eletrônica indispensável aos estudos em modelo. Itens esses que antes eram fornecidos através do contrato com o laboratório Hidroesb. Nessa ocasião, mais uma vez o espírito empreendedor do engenheiro Erton Carvalho entrou em ação. Como chefe da divisão responsável pelo Laboratório e tendo em mãos uma carteira de trabalhos já realizados, ele foi buscar junto aos órgãos superiores de Furnas os recursos necessários à consolidação do controle total pela empresa de todos os estudos hidráulicos em modelo reduzido de seus empreendimentos. A superação dessa fase acabou por trazer ao LAHE alguns grandes benefícios, tais como: modernização da instrumentação utilizada nos seus processos de construção e operação de modelos, reformulação dos processos de construção de modelos que geraram facilidades construtivas e operativas dos mesmos e maior possibilidade de investimento no aperfeiçoamento de seu quadro técnico. Quanto à usina de Manso, estudada pelo CEHPAR quando de propriedade da Eletronorte, ao assumir 70% de seus investimentos em parceria com o consórcio PROMAN, Furnas decidiu pela construção de um novo modelo da usina em seu laboratório para a realização de estudos complementares, acompanhamento do término da construção e fornecimento de subsídios para a operação da mesma. Visando subsidiar o projeto, construção e operação de um vertedouro complementar que compatibilizasse a capacidade de vertimento da usina com os demais aproveitamentos da cascata, foi construído e operado no LAHE um modelo de conjunto da Usina Marechal Mascarenhas de Moraes, inicialmente em concessão da CPFL e que, a partir de 1973, passou a ser operada por Furnas. Em 1994, o LAHE foi procurado pela Light para subsidiar, através de estudos hidráulicos em modelo reduzido, o projeto de reabilitação da Usina de Ilha dos Pombos. Esses estudos foram realizados entre os anos de 1995 e 1996. Essa primeira solicitação de desenvolvimento de um serviço externo motivou o LAHE a investir, a partir de 1997, na melhoria contínua de seus processos e produtos por meio da busca pela certificação através da Norma NBR ISO 9001. Esse projeto, incentivado pelo engenheiro Erton Carvalho, chefe do Departamento de Engenharia Civil de Furnas, foi desenvolvido na gestão do engenheiro Danilo Lopes Marques da Silva que exercia, àquela época, a chefia da divisão responsável pelas atividades do Laboratório. Para alcançar esse objetivo fez-se

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 8 - Modelo da usina Marechal Mascarenhas de Moraes (Peixoto)

necessário, além de um intenso treinamento de sua equipe, a elaboração de instruções de trabalho prescritivas de cada uma das etapas dos estudos. Tecnicamente apoiada nos fundamentos teóricos da hidráulica, da mecânica dos fluidos e de outras disciplinas afins, a realização de estudos hidráulicos em modelo reduzido não possui um conjunto rígido de critérios ou normas próprias que norteiem ou que, obrigatoriamente, devam ser aplicadas nas fases de projeto e construção dos modelos e durante a fase de estudos propriamente dita. Toda a fundamentação teórica em que se baseiam os estudos experimentais é extraída dos manuais clássicos tanto de hidráulica, quanto de projeto de estruturas hidráulicas, de trabalhos e pesquisas acadêmicas e, ainda, de publicações de estudos específicos realizados em diversos laboratórios do ramo.Embora possam ser encontrados alguns trabalhos esparsos, em que se procurou reunir o maior número possível das informações em que se baseiam os estudos em modelo físico, os mesmos estão longe de se constituírem num compêndio

ou num manual clássico dessa disciplina. Por essa razão, as dificuldades encontradas na sistematização dessas tarefas foram enormes tendo em vista que, ao longo de anos, elas se basearam unicamente na experiência profissional dos técnicos envolvi dos nos serviços de modelo. A elaboração dessas “normas” de projeto, construção e realização de ensaios em modelo, além de consolidar a experiência adquirida pelo LAHE ao longo dos seus, até então, 16 anos de serviços prestados a Furnas, contribuiu de forma marcante, não só para o auxílio à formação de seus profissionais iniciantes, como também para o trabalho daqueles que já atuantes na área, passaram a poder contar com um roteiro organizador de suas atividades. Após três anos de trabalho nesse sentido o laboratório, ainda na condição de uma atividade de uma divisão, obteve em outubro de 2000 a sua Certificação ISO 9001. A partir desse momento o Laboratório de Furnas, apresentando como diferencial o fato de ser o primeiro laboratório de hidráulica

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

experimental do Brasil certificado pela ISO 9001, passou a participar de várias concorrências para a prestação de serviços externos, colocando-se lado a lado com os tradicionais laboratórios brasileiros já citados. Logo após a sua primeira prestação de serviço externo, foram estudados no LAHE: A usina de São Gabriel da Cachoeira para a qual, por solici-

de energia elétrica as concessionárias de geração e empresas autorizadas à produção independente de energia elétrica ficaram obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, um por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico. O primeiro ciclo de participação de Furnas nesse programa compreendeu os anos de 2000/2001. Com o programa de P&D assim implementado por Furnas, o LAHE passou também a participar dos projetos anuais de pesquisas que utilizassem os estudos hidráulicos em modelo reduzido como ferramenta de trabalho. Desde então, em parceria com universidades e entidades afins, o LAHE vem realizando estudos em pesquisa e desenvolvimento que abrangem, dentre outros temas, as áreas de: Transientes hidráulicos em circuitos de usinas hidroelétricas; Escoamento sobre vertedouros em degraus;

tação do Ministério da Aeronáutica, foi avaliado num modelo bidimensional o comportamento de seu vertedouro de superfície com paramento de jusante em degraus; A usina Cana Brava, da Tractebel. Esses estudos foram reto-

mados para atender ao projeto executivo e fases construtivas da usina. A usina de Monte Claro, da CERAN (Companhia Energética

Rio das Antas), localizada no Rio das Antas, no Rio Grande do Sul, cujos estudos objetivaram o diagnóstico do projeto, a otimização e a caracterização dos vertedouros da usina; As usinas de Capim Branco I e II, ambas da CEMIG, lo-

Padrões de vibração em estruturas hidráulicas por ação de escoamentos; Dimensionamento e otimização de bacias de dissipação através da utilização de modelos numérico e experimental;

calizadas no Rio Araguari, em Minas Gerais. Para a realização desses estudos o LAHE foi contratado pela Intertechne visando o diagnóstico dos arranjos propostos e a otimização das estruturas hidráulicas e A usina de Foz do Rio Claro, localizada a montante da foz

Análise de macroturbulência em estrutura de dissipação de energia; Eclusa de navegação; Previsão de erosões a jusante de vertedouros

do Rio Claro (afluente do Rio Paranaíba pela margem direita), no estado de Goiás. Esse estudo foi desenvolvido para a Alusa Engenharia Ltda e teve por objetivo fornecer informa ções de interesse ao projeto executivo do aproveitamento no sentido de avaliar, otimizar e consolidar o projeto das estruturas hidráulicas do mesmo. Com a implementação da lei 9.991, de 24 de julho de 2000, que dispõe sobre a realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento e em eficiência energética por parte das em presas concessionárias, permissionárias e autorizadas do setor

Os assuntos abordados nas pesquisas que vem sendo desenvolvidas pelo LAHE são aqueles em que o laboratório sente maior necessidade de aprofundamento para o desempenho de suas atividades e os que, por apontarem para tendências futuras, possam permitir o seu desenvolvimento e expansão. Os parceiros tecnológicos foram, inicialmente, aqueles com os quais o LAHE havia desenvolvido trabalhos em conjunto e onde as exigências de cumprimento de cronograma e metas haviam se

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Figura 9 - Modelo físico utilizado no P&D sobre eclusa de navegação

Nessa mesma época o LAHE havia recebido outro grande desafio: realizar o diagnóstico do projeto de viabilidade da usina hidroelétrica de Jirau, no rio Madeira, projeto esse que Furnas vinha desenvolvendo em parceria com outras empresas do ramo. Para atender a essa solicitação o LAHE precisou, num exíguo espaço de tempo, ampliar as suas instalações adequando-as às necessidades de área, volume d’água e vazão exigidas por um empreendimento do porte das usinas da Região Amazônica. Esses estudos foram concluídos em dezembro de 2006. Posteriormente, a topobatimetria implantada nesse modelo foi aproveitada para o estudo do sistema de interceptação e coleta de troncos que estava sendo estudado em conjunto com os empreendedores das usinas de Jirau e de Santo Antônio, ambas no rio Madeira. Foi também estudado no LAHE o modelo de conjunto da usina de Anta, de concessão de Furnas e integrante do complexo Simplício. Esse modelo foi utilizado para o estudo de desvio do rio, diagnóstico das estruturas e definição do plano de operação das comportas do seu vertedouro. Logo a seguir surgiu outro grande desafio: a construção de um posto avançado de trabalho para o desenvolvimento dos estudos em modelo da usina hidroelétrica de Santo Antônio. Somente o modelo de conjunto da usina hidroelétrica de Santo Antônio, na escala 1:80 por exigência da empresa projetista, compreende uma área útil de 4.000 m². Como, para atender a toda essa demanda, as instalações existentes em Jacarepaguá se mostraram insuficientes, o LAHE viabilizou a utilização de outra área de Furnas localizada ao lado da Subestação de São José, em Belford Roxo. Nesse local, com o apoio dos parceiros de Furnas nesse empreendimento, foi montada uma nova unidade do

revelado satisfatórias. Posteriormente foram feitos contatos com outros centros de pesquisa em função das áreas de estudo a que estes estavam se dedicando e novas parcerias surgiram. A diversidade de parceiros é vista como benéfica, pois cada instituição de pesquisa tem características e excelências próprias que aumentam as perspectivas e os horizontes do LAHE. Em parceria com o IPH (Instituto de Pesquisas Hidráulicas) da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o IME (Instituto Militar de Engenharia) e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), os projetos de P&D desenvolvidos geraram doze teses de mestrado e quatro de doutorado. Após 22 anos de existência, em janeiro de 2005 o LAHE foi transformado num órgão oficial de Furnas. Na qualidade de escritório regional da empresa, incorporou em suas atribuições as atividades da área de recursos hídricos da extinta DEPH.T, divisão a qual pertencia. Nessa ocasião, para atender a demanda de serviços e poder fornecer acomodações adequadas ao seu novo corpo técnico, o LAHE teve a área de suas instalações prediais duplicada.

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LAHE para atendimento exclusivo dos estudos da usina hidroelétrica de Santo Antônio. Em contribuição ao projeto dessa usina já foram realizados em modelo: O diagnóstico e otimização do arranjo geral das estruturas; O levantamento da capacidade de vazão dos seus vertedouros; As simulações das condições de desvio do rio; O diagnóstico e otimização do sistema de transposição de peixes;

O último projeto diagnosticado e otimizado no LAHE foi o da usina hidroelétrica Batalha, concessão de Furnas. Encontra-se hoje em andamento a realização dos estudos hidráulicos em modelo reduzido da usina hidroelétrica de Teles Pires, localizada no Rio Teles Pires.

A trajetória do LAHE, desde a sua criação em 1983 até a presente data, esteve calcada na competência e dedicação dos profissionais que atuam nos diversos setores que o compõem, a saber: estudos, projeto, construção e modelagem, operação, documentação cinefotográfica, instrumentação, pesquisa e desenvolvimento, administração e qualidade. Foi com o traba lho e o comprometimento desses profissionais que o laboratório de Furnas conseguiu, ao longo de sua existência, se colocar no patamar de visibilidade em que se encontra. Todo o seu histórico de serviços realizados, tanto para Furnas quanto para clientes externos, sua iniciativa em pesquisas voltadas ao setor de energia, sua política de valorização de pessoal, sua respon sabilidade técnica e, principalmente, seu compromisso com os princípios éticos na condução de seus trabalhos, consolidaram a imagem do LAHE a nível nacional e o tornou conhecido internacionalmente.

Figura 10 - LAHE – Unidade Belford Roxo

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

O Laboratório CESP de Engenharia Civil - LCEC
Flávio Moreira Salles, Wanderley Ognebene, Luiz Morita
O Laboratório CESP de Engenharia Civil - LCEC, instalado em Ilha Solteira/SP, é o mais antigo laboratório de tecnologia das empresas ligadas ao setor elétrico no país, tendo completado 40 anos de existência em agosto de 2009, e considerado uma referência na prestação de serviços tecnológicos para os empreendimentos da CESP e de terceiros. Reviver a história do Laboratório CESP é passar a limpo o desenvolvimento da tecnologia de construção de barragens no Brasil. É verificar como se deu a transposição da ponte do desenvolvimento - passando da total dependência dos estrangeiros ao domínio da arte de construir hidroelétricas no Brasil e permitir a participação em obras de usinas no exterior. Na seqüência foram construídas usina hidroelétrica Jurumirim no rio Paranapanema e usina hidroelétrica Euclides da Cunha no rio Pardo. A partir da segunda metade dos anos 50 foram tomadas algumas iniciativas governamentais, como a instalação da CIBPU - Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai, para estudar o desenvolvimento sócio-econômico e os aproveitamentos energéticos dessa importante bacia hidrográfica. Por solicitação da CIBPU, a Societá Edison de Milão-Itália desenvolveu estudos para o aproveitamento das quedas de Urubupungá, contemplando a construção de duas barragens: uma em Jupiá e outra em Ilha Solteira. Aprovada a construção, realizadas as investigações geológicas, iniciou-se a construção da usina hidroelétrica Jupiá em 1961, que sem dúvida, constituiu-se num marco na história das grandes hidroelétricas do país, quer pela dimensão do projeto e o desenvolvimento técnico que propiciou, quer pelas dificuldades enfrentadas para sua execução. Ainda vivia-se sob forte dependência tec nológica do exterior. O projeto foi desenvolvido no Brasil, mas modelo hidráulico foi feito na França, os estudos de mecânica das rochas realizados no Laboratório Nacional de Engenharia Civil, de Lisboa, e o concreto e seus constituintes estudados na Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos. Os frutos desses investimentos foram colhidos a partir do projeto executivo de Ilha Solteira, a hidroelétrica de maior capacidade de geração da CESP, que foi desenvolvido no Brasil.

O início do laboratório com o IPT
A década de 50 se notabilizou pelas iniciativas empreendedoras, destacadas pelo início dos trabalhos de projeto e construção das grandes barragens no Brasil. Particularmente no Estado de São Paulo, a Usina Hidroelétrica Salto Grande no rio Paranapanema foi a primeira, tendo sido totalmente projetada no exterior. Depois se seguiram as usinas Barra Bonita (1952) no rio Tietê e Limoeiro (1953) no rio Pardo, que tiveram assistência de técnicos estrangeiros, principalmente nas questões de hidráulica e de equipamentos.
Usina hidroelétrica de Porto Primavera (Sérgio Motta)

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A História das Barragens no Brasil - Séculos XIX, XX e XXI

Na ocasião da obra, instalou-se em Jupiá, ainda na CELUSA, um laboratório de hidráulica, com a consultoria francesa da SOGREAH (Société Grenobloise d’Etudes et d’Applications Hydrauliques) onde foram estudados os modelos hidráulicos reduzidos da Usina hidroelétrica Ilha Solteira, e posteriormente das usinas Promissão, Água Vermelha, Capivara, Nova Avanhandava, Porto Primavera,Taquaruçu, Rosana e Três Irmãos. Posteriormente, tal laboratório foi incorporado ao CTH, da USP. Em Jupiá foram instalados laboratórios de concreto e solos, formando o Laboratório de Obras, com a colaboração do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo - IPT: o Laboratório de Solos, implantado quando as ensecadeiras começaram a ser construídas em Jupiá, era caracterizado como área de apoio do Setor de Terraplenagem da obra, e seu quadro era formado por técnicos especializados do IPT que supervisionavam os empregados da recém formada CELUSA - Centrais Elétricas de Urubupungá S.A., proprietária da obra, orientando-os nos ensaios de controle de qualidade. Eram de sua responsabilidade, compreendendo tanto as atividades de campo como as de laboratório, os serviços de controle de qualidade das barragens de terra e de enrocamento, os filtros, drenos e transições e a proteção de taludes, além das sondagens nas jazidas e áreas de empréstimo da barragem e das estradas da região, executados como serviços de apoio para outros setores do empreendimento. A necessidade de se contar com gente experiente em algumas atividades, trouxe para trabalhar na CELUSA e se incorporar à equipe do Laboratório de Obras o técnico Agostinho Maldonado Guirão, com a missão de adequar os ambientes físicos e os equipamentos e implantar os métodos de ensaios, consolidando a Área de Solos. Papel semelhante cumpriu, à época, o técnico Clarindo Brandão na Área de Concreto. O Laboratório de Concreto se instalou no mesmo ano de 1961, sob a supervisão do engenheiro Fausto Cesar Vaz Guimarães. Destacam-se na época, as relevantes análises de aplicabilidade dos materiaisdisponíveis na região da obra para confecção do concreto.

As seções do laboratório de concreto foram implantadas e incrementadas com suas diferentes modalidades e especialidades, para possibilitar o adequado controle de qualidade dos materiais, da produção dos aglomerantes e dos concretos lançados. Foram desenvolvidos estudos multidisciplinares para determinação do mecanismo de desagregação das rochas basálticas e a sua influência no comportamento do concreto, quando usadas como material de construção. Deve-se ressaltar a participação do ilustre professor Arthur Casagrande, que em muito contribuiu para o sucesso dessas pesquisas com suas opiniões e ensinamentos. Importante contribuição foi oferecida pelo engenheiro Heraldo de Souza Gitahy do IPT, em visitas sistemáticas à obra, por suas obser vações e pesquisas da reatividade potencial do seixo rolado do rio Paraná para a reação álcali-agregado, oferecendo ao Brasil o conhecimento dessa anomalia recém descoberta e as conseqüências para o concreto. A constatação de que a composição mineralógica dos terraços aluvionares da região de Jupiá era constituída em grande parte por minerais deletérios, sujeitos a reações químicas com os álcalis do concreto, intensificou a pesquisa para obtenção do inibidor da reação. Após pesquisa com emprego da pozolana artificial produzida no canteiro de obras, a partir da argila calcinada e moída, comprovou-se os benefícios desse material, impulsionando a tecnologia do uso da pozolana, que adicionada à mistura de concreto provoca a mitigação do processo expansivo da reação. Em 1964, o técnico Adonis Thimóteo dos Santos dedicouse à tradução das normas da ASTM - The American Society for Testing Materials e do US Army Corps of Engineers , para a adaptação e implantação dos métodos de ensaios de tecnologia do concreto no Laboratório de Obras, que foram usados por mais de duas décadas no país, suprindo a necessidade de metodologia referência para os ensaios em concreto no Brasil.

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Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens

Figura 1 - Vista aérea do canteiro de obras de Ilha Solteira, mostrando localização do LCEC

O laboratório da CESP
Em 1969, os laboratórios de Concreto e Solos foram transferidos para o canteiro de obras de Ilha Solteira, constituindo-se formalmente o Laboratório da CESP para fazer frente às experiências tecnológicas que aquele projeto exigia, e se consolidando a partir de então, em local para ensaios de materiais da própia CESP, das congêneres no Brasil e do exterior. O Complexo Urubupungá, integrado por Jupiá e Ilha Solteira, se destacou nesse contexto como um marco brasileiro na construção das grandes barragens. E o Laboratório se notabilizou pelo suporte oferecido àqueles empreendimentos, quer pelas inovações tecnológicas conquistadas, quer pela conduta do experimentar para aplicar, desenvolvendo técnicas construtivas e empregando materiais alternativos, e pela metodologia de ensaios oferecida ao meio técnico nacional. Esse processo se deu com maestria, capitaneado por técnicos dedicados e competentes, aos quais muito se deve por essa jornada desenvolvimentista.

O professor Roy Carlson, da Universidade da Califórnia em Berkeley, se destacou neste período, na transferência da tecnologia do concreto para os engenheiros brasileiros, particularmente do concreto-massa, e teve no Laboratório CESP guarida para seus experimentos e ensinamentos. Menção para o engenheiro José Florentino de Castro Sobrinho, idealista determinado, que naquela época como gerente do laboratório estabeleceu os contornos da independência tecnológica externa e a forma de trabalho do Laboratório idealizado, sustentado pelas viagens de intercâmbio aos Estados Unidos, especificamente na Universidade da Califórnia em Berkeley. É inegável a contribuição oferecida por Ilha Solteira à engenharia nacional, com as inovações tecnológicas e novas técnicas construtivas, o emprego de equipamentos e materiais não convencionais. E a participação do Laboratório CESP foi intensa e fundamental, oferecendo suporte para as decisões e garantindo a qualidade do empreendimento. Na construção de Ilha Solteira foi empregado pela primeira vez no Brasil o concreto refrigerado com gelo em escamas, marco pioneiro da CESP, introduzido pelo seu Laboratório de Concreto.

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Ribeira e Alto Mogi-Guaçú. Segurança e Controle de Barragens e Instrumentos e Modelos Estruturais. destacando-se as obras das barragens: Itaipu.Cemitério de blocos de concreto integral. o Laboratório reuniu vinte e quatro colaboradores com formação superior em atividades permanentes nas salas de ensaios e nos canteiros de obras. e instalando instrumentos ou realizando provas de carga nas estruturas. XX e XXI Naquela oportunidade existiam seis áreas distintas. desenvolvido pela CESP nos anos 80. Mecânica dos Solos. pois a Companhia vivia época de franca expansão: terminava as construções das usinas hidroelétricas Capivara. possibilitando acompanhar eventual fissuração e sua evolução. Diversos foram os clientes. O Laboratório Central de Engenharia Civil – LCEC No ano de 1976. Registra-se importante participação do Laboratório CESP.Séculos XIX. particular mente da equipe de Geotecnia. Figura 2 . Tucuruí.LCEC. acompanhamento da produção e qualidade dos maciços e dos concretos. reconstruía as usinas acidentadas do rio Pardo. com atribuições para atender as demandas internas da CESP e com estrutura que possibilitou intensificar a prestação de serviços a projetos externos nacionais e internacionais. particularmente da reação álcali-agregado. instalava o canteiro para as obras da usina hidroelétrica Nova Avanhandava e concluía os projetos básicos para as três obras do Pontal. com os seus diversos barramentos. Juquiá. Nesse período. com quadros especializados e atividades específicas: Concreto e Materiais. Sob o comando do engenheiro George Antonio Mellios. levantamento e liberação das fontes de agregados e controle das resistências dos concretos. o conjunto de blocos de concreto é conhecido por “cemitério”. Mecânica das Rochas. e o LCEC realizava os trabalhos de controle da compactação das suas áreas de implantação. a partir de 1971. nos trabalhos de investigação e levantamento de campo nos estudos de viabilidade de aproveitamentos hidráulicos no Estado de São Paulo. Alto e Baixo Pardo. Aqueles blocos de concreto foram expostos ao tempo e assim estão até hoje. ou liberando escavações e tratamentos geológicos. a Unidade foi denominada Laboratório Central de Engenharia Civil . e certificar a eficiência da aplicação de material pozolânico nas misturas para inibir os processos expansivos. Couto Magalhães. Sobradinho. pela forma e disposição dos espécimes. Itaparica. com avanços para os estados circunvizinhos. Geologia Aplicada. teve início um notável programa de ensaios com a moldagem de blocos para verificar o comportamento de concretos confeccionados com diferentes composições de agregados e de aglomerantes. 468 . para uma no Alto rio Tietê e realizava as investigações no Canal Pereira Barreto. realizando pesquisas e análises em materiais. Médio Tietê. possibilitou mapear o potencial energético remanesceste nas bacias dos rios Turvo. tendo a participação do Laboratório em testes de arrancamento em bases das torres. Esse trabalho. Promissão e Paraibuna/Paraitinga. Sapucaí. As malhas de linhas de transmissão de responsabilidade da CESP se espalhavam pelo interior do Estado.A História das Barragens no Brasil . As subestações se multiplicavam. construía a usina hidroelétrica Água Vermelha. confeccionados com diversos agregados e aglomerantes (desde 1971) Período bastante promissor para o laboratório de ensaios tecnológicos da CESP. Em área de destaque.

Ensaio de cisalhamento direto em materiais rochosos 469 . Dilermando Hermínio Bispo. Figura 4 . entre outros. João Luiz Armelin. Francelino Fernandes Neto.Companhia Brasileira de Alumínio teve a participação do Laboratório nas atividades de controle de qualidade. particularmente na caracterização das propriedades geodinâmicas dos arenitos da escavação do Canal Pereira Barreto. Assim como foi mencionada a colaboração dos professores Arthur Casagrande e Roy Carlson. As escavações no Canal Pereira Barreto também contaram com os serviços do LCEC. reconstrução de Limoeiro e Euclides da Cunha. Sérgio Silva Macedo. Porto Primavera e Mogi Guaçu.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens Começaram suas atividades profissionais no Laboratório CESP e de lá partiram para outras conquistas em novos desafios: Ademar Sonoda. Paraitinga. Miguel Normando Abdalla Saad.Ensaios geotécnicos especiais triaxiais sobre amostras indeformadas usinas hidroelétricas Canoas I e Canoas II. José Eduardo Costanzo. Água Vermelha. Taylor Castro Oliveira. em modelo diferente daquele praticado até então nas obras da Companhia. verificações de processos construtivos e testes para controle de qualidade e acompanhamento das obras das hidroelétricas e barragens da CESP: Capivara. Luiz Carlos Mendes. Rosana. Bento Carlos Sgarbosa. de concessão do Consórcio CESP . além de Jupiá e Ilha Solteira. Adilson Barbi. Francisco Rodrigues Andriolo. não pode ser omitida a participação do professor Manuel Rocha.CBA . Luércio Scandiuzzi. Assim como a construção das Figura 3 . Promissão. Horácio Sverzut Júnior. Nova Avanhandava. Paraibuna. Taquaruçu. Três Irmãos. O Laboratório CESP de Engenharia Civil realizou investigações e pesquisas em materiais e jazidas. Regis Frota.

Benefícios técnicos e vantagens econômicas O desenvolvimento de um eficiente Controle Tecnológico dos materiais e produtos aplicados nas estruturas construídas. em alguns pilares da subestação de Ilha Solteira. com grandes contribuições aos empreendimentos e à Engenharia Nacional. desenvolvendo pesquisas e avaliando os materiais e os processos executivos empregados nas obras. pela formação heterogênea e alterabilidade. identificadas 470 . e a possibilidade de se contar com os serviços de um Laboratório. Figura 5 . os canteiros das obras tinham Laboratório de Campo para o acompanhamento das construções e o LCEC em Ilha Solteira executava os ensaios especiais e não corriqueiros. Uso de cimento de alta finura.A História das Barragens no Brasil . reduzindo o índice de homens/hora por tonelada de barras de aço aplicada. que tiveram a participação do LCEC. com estruturas específicas e atribuições definidas. a saber: a Usinas hidroelétricas Jupiá e Ilha Solteira A identificação da reatividade potencial álcali-agregado do seixo rolado do rio Paraná e o emprego de material pozolânico para o combate desta reação. devidamente b Usina hidroelétrica Três Irmãos Emprego racional e seletivo de alguns basaltos e recusa de outros. com uso de 84 kg/m3. A utilização de caldas refrigeradas e técnicas de injeção a vácuo em cabos de protensão. O emprego de concreto com agregado pré-colocado. peculiares a cada empreendimento. através da montagem de moinhos de cimento e pozolana em Jupiá. O emprego de armadura pré-montada. Ao seu tempo. O controle tecnológico sempre mereceu atenção e destaque. acima das recomendações das normas. Desenvolvimento de técnicas de produção. outras obras de hidroelétricas de concessão da CESP se seguiram. resultou em benefícios técnicos (bons desempenhos e eficiência dos concretos). Emprego de aglomerante em concreto abaixo do limite de 100 kg/m3. praticado nos anos 70. A aplicação de pré-moldados incorporados à barragem. com a finalidade de melhor explorar toda a potencialidade do cimento.Ensaio de módulo de elasticidade de corpo de prova de concreto de grandes dimensões (450 mm x 900 mm) Estruturas para o controle tecnológico Concluídas as usinas Jupiá e Ilha Solteira. Podem ser citados alguns exemplos na CESP.Séculos XIX. XX e XXI compatibilizados com o cronograma de obras. conseqüentes vantagens econômicas. e oferecia metodologia e procedimentos para padronização das atividades em campo. e controle da qualidade do produto.

Vantagens que se apresentaram também junto aos fornecedores. c Usina hidroelétrica Porto Primavera Estudo da viabilidade de emprego do basalto de escavação. Pesquisa de mercado para definição de cimento a ser aplicado com material potencialmente reativo com os álcalis. A economia resultante dessa seleção foi de aproximadamente US$ 1 milhão. trouxe benefícios técnicos com vantagens econômicas significativas. com condição de restrição. Taquaruçu. E também nas construções das hidroelétricas Rosana. com economia da ordem de US$ 30 milhões.Cinquenta Anos do Comitê Brasileiro de Barragens a partir de estudos conduzidos no Laboratório. avaliando soluções para as mais diferentes situações e controlando os materiais e suas aplicações. no concreto da barragem. susceptível ao intemperísmo. minimizando descarte de materiais. Verificação da condição aceitável para manutenção dos perfis de veda-junta e de barras de aço aplicadas nos blocos. que foi superior se considerados transporte e criação de bota-fora com volume de 160. Considerações finais A atuação do LCEC acompanhando par e passo a evolução da obra. após longo período de exposição. . d Complexo Canoas Confecção de concretos convencional e bombeado com emprego de areia artificial como agregado miúdo. Alternativa aprovada pelos ensaios desenvolvidos no Laboratório. empregado nos diferentes concretos da obra de Porto Primavera. Porto Primavera e Canoas. garantindo o produto requerido e evitando-se rejeições.000 m3 e ampliação da pedreira com decape superior a 10 m. computando-se o volume de escavação. atrasos no cronograma e retrabalho. Desenvolvimento de cimento pozolânico com características específicas de finura e teor de adição do material pozolânico. resultando cimento Portland CP IV de excelente qualidade.

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Congressos Internacionais e Reuniões Anuais e Executivas Anexo 7 . Depoimentos Anexo 3 .Anexos Anexo 1 . Diretorias do CBDB Anexo 4 . Simpósios sobre Pequenas e Médias Centrais Hidroelétricas Anexo 6 .Sócios Mantenedores e Coletivos 473 . Seminários Nacionais de Grandes Barragens Anexo 5 . Entrevistas Anexo 2 .

Em 1991 fui convidado para trabalhar no DNAEE.Séculos XIX. na fronteira entre Brasil e Uruguai. ELB . Exerci também a presidência do Comitê de Irrigação do Leste do Uruguai. No final de 1997. sempre através de licitação. como foi a sua formação profissional? ELB . Como foi a época em que a implantação de usinas hidroelétricas era feita com as verbas de desmobilização? ELB . com a criação da ANEEL. A sequência de tarefas que surgiram depois foi imensa e é difícil escolher a mais interessante. entre outros.A História das Barragens no Brasil . irrigação. em Rondônia. você veio para Brasília e permanece aqui até hoje. sai do setor estatal e fundei a Larrosa & Santos Engenheiros Consultores. Posteriormente fui co-diretor pela contrapartida uruguaia dos estudos dos aproveitamentos hidroelétricos de Salto Centurião e Talavera no rio Jaguarão. entre 1978 e 1980.De inicio trabalhei.Em 1974 vim trabalhar na Sondotécnica no Rio de Janeiro em estudos.Ante à falta de recursos. Tive.E quando você veio para o Brasil? ELB . na sua maioria estatais (lei 8631/97). FMM . Entre 1980 e 1991 atuei na Eletronorte. economia. no período 1966/1973. onde fui Coordenador Geral de Concessões. tendo sido gerente do Departamento de Estudos e Projetos de Geração onde foram desenvolvidos empreendimentos em bacias hidrográficas e de usinas.Larrosa. A necessidade de regulamentar o dispositivo constitucional incorporou varias leis. estudo de desenvolvimento integrado desta bacia internacional. qual foi a mais interessante tarefa que você vivenciou? ELB . as empresas estatais partiram para a paralisação total de seus estudos e obras ou a manutenção em ritmo lento e ajustes no planejamento setorial GCPS (Grupo Coordenador do Planejamento do Sistema). entidade esta responsável pelas outorgas de água para irrigação. FMM .Exatamente. hidroeletricidade. Desse arcabouço sobressai-se a Constituição de 1988. XX e XXI Anexo 1 Entrevista com o engenheiro Eduardo Larrosa Bequio Formação: Faculdade de Engenharia da Universidad de la Republica Oriental del Uruguay. decretos. 474 . destacando-se as UHE’s Belo Monte. Posteriormente. fui chefe do departamento de Estudos de Recursos Naturais da ECP/Projest. no Projeto Lagoa MirimBrasil/Uruguai/FAO/PNUD. do Vale do Paraíba do Sul e dos aproveitamentos hidroelétricos de Manso. portarias e outros tipos de disposições. em 1968 Entrevistador: Flavio Miguez de Mello Abril de 2010 FMM . também no Rio de Janeiro.Como consequência da necessidade de reestruturar o setor elétrico diversas disposições legais foram estabelecidas a partir do final da década de 80. etc. meio ambiente. surgiram ações implantadas para resolver a situação de falência econômico-financeira das empresas concessionárias.Depois dessas experiências em consultoria. sem este acerto era impossível pensar em reestruturação do setor elétrico.Larrosa. contacto com mais de 50 técnicos nacionais e estrangeiros nas diversas disciplinas de uso de recursos naturais. Em 1968 cursei uma pós-graduação em hidrologia e hidráulica em Madri. mas essa vez.Sou engenheiro civil formado em 1968 pela Faculdade de Engenharia da Universidad de la Republica Oriental del Uruguay FMM . no Mato Grosso e de Samuel. Lajeado. então.que estabeleceu que os serviços de energia elétrica são responsabilidade da União e podem ser outorgados em regime de concessão ou permissão. entre outros. FMM . FMM . Jirau e Santo Antônio.Na sua trajetória no DNAEE. Santa Isabel.Nos anos oitenta havia sérias dificuldades de investimento na quase totalidade das empresas estatais. Em paralelo à regulamentação do Art 175.Art 175. antes de sua vinda para o Brasil como foi a sua carreira no Uruguai? ELB . da qual participo da direção até hoje.

foi cancelado um conjunto de 40 concessões cujas obras não tinham sido iniciadas. Nesse caso abriu-se espaço para a participação privada.Como eram as bases do modelo implantado no governo Fernando Henrique Cardoso? ELB . FMM . sem a obrigatoriedade de se proceder os tombamentos. Posteriormente. já existentes.Como a legislação viabilizou a figura do produtor independente no aspecto de implantação dos empreendimentos e comercialização da energia gerada? ELB . FMM . em alguns casos. Foi uma tarefa muito interessante. não dando inicio a novas obras que o planejamento setoria