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Direito Civil - Parte Geral

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Pablro Stouze
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MATERIAL DE APOIO DIREITO CIVIL

Apostila (Parte Geral - conclusão) PARTE GERAL PROF. PABLO STOLZE GAGLIANO TEMAS: PLANO DE EFICÁCIA E PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

TEMA 01 – PLANO DE EFICÁCIA 1.
0F

1. A Concepção do Plano de Eficácia. Neste plano, após analisarmos a existência e a validade, serão estudados os elementos que interferem na eficácia do negócio jurídico 2. Elementos Acidentais Limitadores da Eficácia do Negócio Jurídico. Nesse campo de estudo do negócio jurídico, são

considerados elementos acidentais (modalidades): a) b) c) o termo; a condição; o modo ou encargo

2.1. Condição

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Tema de uma aula “on line” do amigo e professor Flávio Tartuce.

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Condição é o acontecimento futuro e incerto que subordina a eficácia jurídica de determinado negócio. Dois elementos são fundamentais para que se possa caracterizar a condição:

a) b)

a futuridade; a incerteza (quanto à ocorrência do fato).

O Novo Código Civil dispõe que: “Art. 121 – Considera-se condição a cláusula que, derivando exclusivamente da vontade das partes, subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto”.

Adotando o critério classificatório da condição mais difundido (quanto ao modo de atuação), teremos: a) b) condições suspensivas; condições resolutivas.

Fundindo os subtipos em conceito único, pode-se definir a condição como sendo o acontecimento futuro e incerto que subordina a aquisição de direitos, deveres e a deflagração de efeitos de um determinado ato negocial (condição suspensiva), ou, contrario sensu, que determina o desaparecimento de seus efeitos jurídicos (condição resolutiva). Dentro, ainda, de nosso esforço classificatório, as condições poderão ser, no plano fenomenológico:

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a) b) positivas (consistem na verificação de um fato – negativas (consistem na inocorrência de um fato –

auferição de renda até a colação de grau); empréstimo de uma casa a um amigo, até que a enchente deixe de assolar a sua cidade). Quanto à licitude, as condições podem ser ainda: a) b) lícitas; ilícitas.

Seguindo a redação do novo Código Civil, são lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública e aos bons costumes (arts. 122, NCC e 115, CC-16). Ilícitas, contrario sensu, são as demais. Costuma, ainda, a doutrina (e, agora, o NCC, art.122, parte final) reputar proibidas as condições: a) b) Perplexas (Incompreensíveis ou Contraditórias); Potestativas.

As condições perplexas (incompreensíveis ou contraditórias) são aquelas que privam de todo o efeito o negócio jurídico celebrado. Ex.: João celebra com José um contrato de locação residencial, sob a condição de o inquilino não morar no imóvel. Já as potestativas, decorrem da vontade da própria parte. Não se confundem, outrossim, as condições puramente potestativas – arbitrárias, vedadas por lei - com as condições simplesmente potestativas, as quais, dependendo também de algum fator externo ou circunstancial, não caracterizam abuso ou tirania, razão pela qual são admitidas pelo direito. Em sala de aula, veremos exemplos bem interessantes. Sobre a condição puramente potestativa, decidiu o STJ:

3. 1. 4. SEXTA TURMA. PAGAS RESTITUIÇÃO PARCELAS SOMENTE AO TÉRMINO DA OBRA. Agravo regimental improvido. CLÁUSULA PURAMENTE POTESTATIVA. É vedado pela Súmula 7/STJ o reexame do quantum fixado em multa contratual. por culpa exclusiva da construtora/incorporadora. que a lei não vedar expressamente. IMÓVEL. em caso de rescisão de promessa de compra e venda de imóvel. PROIBIÇÃO PELO SISTEMA JURÍDICO. DEVOLUÇÃO EM DOBRO. CONTRATUAL. por ofensa ao art. CLÁUSULA RESCISÃO A PREVER PROMESSA A DE COMPRA DA DAS E VENDA DE MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. em geral. ARTIGO 115 DO CÓDIGO CIVIL DE 1916. a restituição das parcelas pagas somente ao término da obra. É abusiva. REGIMENTAL PROCESSO EM AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. Entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato. 51. ABUSIVIDADE. haja vista que poderá o . (AgRg no AgRg no Ag 652.503/RJ. ou o sujeitarem ao arbítrio de uma das partes. incisos II e IV. SÚMULA 356/STF. CIVIL.4 AGRAVO LOCAÇÃO. a cláusula contratual que determina. julgado em 20/09/2007. As regras de locação não admitem cláusula que conceda a uma das partes benefício ou vantagem que a torne mais poderosa. 5. CULPA CONSTRUTORA. Ministra DJ 08/10/2007 p. ARRAS. 1. Rel." (Artigo 115 do Código Civil de 1916). do Código de Defesa do Consumidor. ou ainda que a submeta ao arbítrio da outra. OMISSÃO DO ACÓRDÃO ACERCA DA SUA NATUREZA. "São lícitas. todas as condições. 2. O decaimento de parte mínima do pedido não caracteriza a ocorrência de sucumbência recíproca. 377) Esta recente decisão também merece referência: CONSUMIDOR.

por óbvio. o termo é o acontecimento futuro e certo que subordina o início ou o término da eficácia jurídica de determinado ato negocial. 2. Rel. Também espécie de determinação acessória. MIN. QUARTA TURMA.: “Doarei o valor. Termo. julgado em 03/08/2010. se formares a sociedade com fulano”. . Recurso especial improvido. uma vez mais. Ex.5 promitente vendedor. Consoante visto acima. muito embora faça alusão ao contrato. O acórdão recorrido. DJe 12/08/2010) Em seqüência. 3. casuais – as que dependem de um evento fortuito. se chover na 2. São as que dependem da vontade de uma das partes. não deixa explicitado se as arras têm natureza confirmatória ou penitencial. Com efeito. pode não ocorrer. poderão ser simplesmente potestativas ou puramente potestativas. gênero do qual já destacamos as condições potestativas ao abordarmos o critério da licitude. tampouco o recorrente opôs embargos de declaração para aclarar tal ponto. se confirmatórias ou penitenciais. revender o imóvel a terceiros e. quanto à origem. não sanada a omissão do acórdão acerca da natureza das arras. o recurso especial esbarra na Súmula 356/STF. mas também de um fator ou circunstância exterior (como a vontade de um terceiro). a um só tempo.: “darei o capital de que necessitas. b) potestativas – já analisadas. as condições poderão ser: a) lavoura”. alheio à vontade das partes. (REsp 877.980/SC. LUIS FELIPE SALOMÃO. auferir vantagem com os valores retidos.2. natural. além do que a conclusão da obra atrasada. c) mistas – são as que derivam não apenas da vontade de uma das partes. Ex.

consiste em um prazo determinado pelo juiz para que o devedor de boa-fé cumpra a sua obrigação). que a doutrina costuma apresentar a seguinte classificação do termo: a) b) c) convencional – fixado pela vontade das partes (em um legal – determinado por força de lei. Art. 2. 137. quando estipulado (ex. confiram-se os seguintes artigos: Art.6 Possui. Não subordina a aquisição. cumpre-nos mencionar. pelo disponente. salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico. com o encargo de você pagar pensão de um salário mínimo à minha tia idosa). fundamentalmente. . duas características Finalmente. Modo ou encargo é a determinação acessória acidental do negócio jurídico que impõe ao beneficiário um ônus a ser cumprido. caso em que se invalida o negócio jurídico. nem o exercício do direito. por exemplo). O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. certeza (quanto à ocorrência do fato). Considera-se não escrito o encargo ilícito ou impossível.: doou-te uma fazenda. Modo ou Encargo. em prol de uma liberalidade maior. No Código Civil. 136. de graça – fixado por decisão judicial (geralmente contrato. fundamentais: a) b) futuridade.3. salvo se constituir o motivo determinante da liberalidade. como condição suspensiva.

e seguindo a melhor técnica. segundo o critério científico adotado pelo novo Código. esta matéria será devidamente desdobrada e aprofundada. pela prescrição. . 205 e 206. no prazo previsto em lei. dispõe o novo Código Civil: TÍTULO IV DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA CAPÍTULO I DA PRESCRIÇÃO Seção I Disposições Gerais Art. a qual se extingue. nos prazos a que aludem os arts. entenda-se o “poder de exigir de outrem coercitivamente o cumprimento de um dever jurídico. dizer-se que a prescrição ataca a ação. Prescrição A prescrição consiste na perda da pretensão. (grifos nossos) Em sala da aula. a “pretensão”. Por pretensão. em virtude da inércia do seu titular. Violado o direito.7 TEMA 02 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA 1. vale dizer. é o poder de exigir a submissão de um interesse subordinado (do devedor da prestação) a um interesse subordinante (do credor da prestação) amparado pelo ordenamento jurídico”. pois. Não é recomendável. Nesse diapasão. nasce para o titular a pretensão. mas sim. 189.

ART. PRESCRIÇÃO ARGÜIDA EM CONTRA-RAZÕES DE APELAÇÃO. de 17/02/2006. não há nenhum óbice ao pronunciamento da prescrição. revogando. 4. um importante aspecto deve ser destacado. como a sentença de primeiro grau foi proferida após a vigência da mencionada Lei. Na hipótese em apreço.8 No entanto. Nesse sentido. nesse ponto. QUINTA TURMA. ART. a Lei n. 219. para o reconhecimento ex officio da prescrição. do Código de Processo Civil. Precedentes.365/SP. pelo Tribunal a quo. § 5.º 11. fora editada a Lei n. 194 do Código Civil. que modificou a Lei de Execução Fiscal (6. 2. 1. DJe 20/10/2008) Vale lembrar. Precedentes. pois em dezembro de 2004. DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. PRESCRIÇÃO. 11.280. que entrou em vigor em 16/05/2006. Ministra LAURITA VAZ.051. o STJ: PROCESSUAL CIVIL. 11. 193 do Código Civil. de ofício. aplica-se o disposto no art. que a regra não é totalmente nova. 3.830/1980).º. por conseqüência. SENTENÇA POSTERIOR À PUBLICAÇÃO DA LEI N.º 11. § 5. a restrição atinente aos direitos patrimoniais. Rel. julgado em 25/09/2008. para admitir que o .280/2006 passou a admitir o reconhecimento de ofício da prescrição. Inovando. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. 193 DO CÓDIGO CIVIL. foi conferida nova redação ao 219. o art. Recurso especial desprovido. DIREITO PATRIMONIAL. Tendo a parte Recorrida alegado a matéria relativa à prescrição nas contra-razões ao recurso de apelação.280/2006. POSSIBILIDADE.º. afastando. (REsp 968. QUE ENTROU EM VIGOR EM 16 DE MAIO DE 2006. Com a publicação da Lei n.

Por isso. poderá o juiz pronunciar de ofício a prescrição. pois. Finalmente. “§ 4o Se da decisão que ordenar o arquivamento tiver decorrido o prazo prescricional. que determina ao juiz o reconhecimento de ofício da prescrição. NÃOOCORRÊNCIA. dos limites da nossa disciplina. 191 do texto codificado. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. 40. ainda quanto à denominada “prescrição intercorrente”. § 4o) 2. não retira do devedor a possibilidade de renúncia. 2 . PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. o juiz. vale anotar haver resistência da jurisprudência. pensamos ser importante a abertura de prazo ao credor (para que. AUSÊNCIA. depois de ouvida a Fazenda Pública. Aliás. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. A revogação do art. FUNDAMENTOS SUFICIENTES PARA EMBASAR A DECISÃO. a teor o enunciado nº 295 da IV Jornada de Direito Civil: 295 – Art. DEMORA IMPUTADA AO PODER JUDICIÁRIO. 194 do Código Civil pela Lei n. o tema “prescrição intercorrente” é estudado especialmente pelo Direito Processual Civil. 1F Esta possibilidade de reconhecimento de ofício da prescrição. desde que ouvida previamente a Fazenda Pública (art. quando a mora é atribuída ao próprio Poder Judiciário 3: 2F PROCESSUAL CIVIL. 191. eventualmente.280/2006. Direito Tributário e Direito do Trabalho. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. renuncie a esta defesa indireta de mérito). por sua vez. prevista no art. 3 A questão pode ganhar outros contornos em sede de execução. 191 do CC. antes de o juiz se pronunciar. escapando. Caso o devedor quede-se silente.9 magistrado conhecesse de oficio da prescrição do crédito tributário. demonstre que prescrição não há) e ao devedor (para que. de ofício. especialmente de título judicial. poderá. 11. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. tema que toca a grade de processo do curso LFG. querendo. para os processos civis em geral. reconhecer a prescrição intercorrente e decretá-la de imediato”. não retira do devedor a possibilidade de renúncia admitida no art.

909/PE.2006 p. do CPC. CULPA DO EXEQÜENTE. constante na Lei de Execução Fiscal. contradição ou omissão existentes na decisão recorrida. O agravante não procedeu ao cotejo analítico do acórdão recorrido e dos paradigmas.948/SP. DJ 01.ART. 541. Conforme previsto no art.2006. 8/STF . julgado em 21.05. INEXISTÊNCIA. (AgRg no Ag 618. (Súmula 106) (REsp 827. DJ 04. não comportaria interpretação extensiva: PROCESSO CIVIL . 3.11. 144 DA Lei n.TRIBUTÁRIO . 3.2005 p. Ministro 314) Acrescente-se ainda que. PRESCRIÇÃO. Rel. . TERCEIRA TURMA. conforme já decidiu o STJ. do RI/STJ. a demora na citação. DEMORA NA CITAÇÃO.EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NATUREZA TRIBUTÁRIA SÚMULA VINCULANTE N. Agravo regimental improvido.12. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA. A demora na prestação jurisdicional resultou exclusivamente do mecanismo judiciário. 600) RECURSO ESPECIAL. Não há omissão quando o Tribunal de origem pronuncia-se de forma clara e precisa sobre a questão posta nos autos.07. por motivos alheios à vontade do autor. Rel. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência. 4.807/60 HUMBERTO GOMES DE BARROS.2005.Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. a previsão de reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. assentando-se em fundamentos suficientes para embasar a decisão. 535 do CPC. pelo que não se opera a prescrição intercorrente. parágrafo único. §§ 1º e 2º. julgado em 24. e 255. . Inteligência da Súmula 106/STJ. QUINTA TURMA. os embargos de declaração têm como objetivo sanar eventual obscuridade.10 1. conforme exigência dos arts. 2.

a teor da súmula 264 do STF: “VERIFICA-SE A PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE PELA PARALISAÇÃO DA AÇÃO RESCISÓRIA POR MAIS DE CINCO ANOS”. § 4º. 2.NORMA ESPECIAL . Ausente o debate acerca da natureza tributária das contribuições previdenciárias com fatos geradores anteriores à CF/88. 174 do Código Tributário Nacional. julgado em 05. 6. PRIMEIRA TURMA. Execução fiscal paralisada há mais de 5 anos encontra-se prescrita. 6.2008. não provido. DA LEI N. 314/STJ. porque veda-se carente o de conhecimento matéria prequestionamento.ART. DJe 01. § 4º.772/PA. . 8. Recurso especial conhecido em parte e. pela Súmula Vinculante n. decorrência automática do transcurso do prazo de um ano de suspensão e termo inicial da prescrição. Rel. 40. Inteligência da Súmula n. vale anotar ainda que. 3.DECRETAÇÃO DE OFÍCIO INTIMAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA: EXISTÊNCIA . Prescindível a intimação do credor da suspensão da execução por ele mesmo solicitada. somente invocada da nas razões de pelo recurso STJ especial. (REsp 960. aplicando-lhes o prazo prescricional do art. 5.830/80 . pacificou o entendimento sobre a natureza tributária das contribuições previdenciárias. 6. admite-se este tipo de prescrição. 40.08. O art.09. Ministra ELIANA CALMON. nesta parte. no procedimento da rescisória. da Lei n. de aplicação restrita aos executivos fiscais. O STF. Aplicação da Súmula n.2008) Em conclusão.830/80 é norma especial em relação ao CPC. 4. 1. desde que intimada previamente a Fazenda Pública.11 AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO SÚMULA 282/STF - PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE . e autoriza o reconhecimento de ofício da prescrição intercorrente. bem como do arquivamento do feito executivo.SÚMULA 314/STJ. 282/STF.

No caso. 299/STJ. Conforme a Súm. AÇÃO MONITÓRIA DE CHEQUE PRESCRITO. não faz sentido exigir que o prazo prescricional para essa ação seja definido a partir da natureza jurídica da causa debendi. . independentemente da relação jurídica que deu causa à emissão do título. DIREITO CIVIL. seguem importantes decisões referentes ao “abandono afetivo” e à “demanda INDENIZAÇÃO POR ABANDONO AFETIVO. REsp 1. n. Ademais.576-RJ.298. “é admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito”. Precedentes citados: REsp 430. deve-se considerar que o cheque prescrito é instrumento particular representativo de obrigação líquida. 206. razão pela qual a ação monitória submete-se ao prazo prescricional disposto no art. Min. O prazo prescricional para propositura de ação monitória fundada em cheque prescrito é de cinco anos (art. apesar de ser um ato de efeitos ex tunc. do CC. 206. Luis Felipe Salomão. Nesse contexto. PRESCRIÇÃO. assim como a sua maioridade e a prescrição da pretensão de ressarcimento por abandono afetivo. este não gera efeitos em relação a pretensões já prescritas. e AgRg no Ag 1. I. § 5º. julgado em 21/8/2012. PRAZO PRESCRICIONAL. I. os fatos narrados pelo autor ocorreram ainda na vigência do CC/1916. O prazo prescricional das ações de indenização por abandono afetivo começa a fluir com a maioridade do interessado. do CC). como não é necessária a indicação do negócio jurídico subjacente por ocasião da propositura da ação monitória.622-SP. DJe de 16/8/2010. monitória”: arrematando o tema “prescrição”. § 5º. Rel. 247.12 Finalmente. Isso porque não corre a prescrição entre ascendentes e descendentes até a cessação dos deveres inerentes ao pátrio poder (poder familiar).839-MG. segundo a jurisprudência do STJ. DJ de 23/9/2002. mesmo tendo ocorrido o reconhecimento da paternidade na vigência do CC/2002. Quanto ao prazo dessa ação. assim entendida aquela que é certa quanto à sua existência e determinada quanto ao seu objeto.

julgado em 9/10/2012. poderíamos apresentar o seguinte quadro. a decadência potestativos.029-SC. Min. DJ 16/12/2002. quando nasce com o próprio direito potestativo. os decadenciais poderão derivar da LEI ou da VONTADE das próprias partes. sem que este nada possa fazer”. que sempre são LEGAIS.339.038. respeito que ao tem por de objeto a exercício direitos Prazos prescricionais  derivam sempre da lei  extinguem uma pretensão Prazos decadenciais  derivam da lei ou da vontade das partes  extinguem um direito potestativo . REsp 926.104-SP. para o adequado entendimento da matéria: da diz prescrição. E um importante ponto deve ser bem realçado: diferentemente dos prazos prescricionais. e REsp 445. Sidnei Beneti. Em síntese. AgRg no REsp 721.13 Precedentes citados: REsp 1. Rel. DJe 18/6/2009.874-RS. Determinado prazo é considerado “decadencial”. 2. DJe 3/11/2008.312SP. REsp 1.810-SP. DJe 17/10/2011. entendendo-se este como sendo “o poder jurídico conferido ao seu titular de interferir na esfera jurídica terceiro. Decadência Diferentemente pretensão.

Ação de prestação de contas.09. de maneira que. qualquer outro prazo.TEXTOS COMPLEMENTARES . previsto no art. especialmente para a prova de Direito do Consumidor  não confunda o prazo PRESCRICIONAL que tem o consumidor para formular pretensão de reparação civil pelo fato do produto ou do serviço (acidente de consumo). CDC. Agravo no recurso especial não provido. 27 do CDC (5 anos). a teor do art. 26 do Código de Defesa do Consumidor destina-se a vícios aparentes ou de fácil constatação e vícios ocultos. (AgRg no REsp 1045528/PR.2008) 03 .2008. Outra dica. 205 e 206. TERCEIRA TURMA. Prazo decadencial.O art. é considerado decadencial. com o prazo DECADENCIAL para se exercer o direito potestativo de reclamar pelo vício do produto ou do serviço. decidiu o STJ: Consumidor e processual civil.14 DICA DE CONCURSO  Cumpre-nos observar. 26 da mesma Lei (30 ou 90 dias). sobre este art. regulando a decadência. 26. a opção legislativa foi no sentido de aglutinar os prazos prescricionais apenas nos arts. que. Ministra NANCY ANDRIGHI. Não tem qualquer interferência com o julgado que se limitou a afirmar a ausência de provas sobre a correção dos lançamentos que justificaram o saldo devedor. Rel. Agravo no recurso especial. Não-aplicação do CDC. Aliás. DJe 05. . no novo Código Civil.08. julgado em 21. constante na Parte Geral ou Especial.

dispõe que: Art. Este. CC-16 e art. em seu art. ou os prazos A de usucapião. . prescricional máximo das pretensões de natureza pessoal. a pretensão indenizatória contra o agente causador do dano (devedor). razão específica sob comento precisamente.Desmistificando a Contagem de Prazos no Código Civil (ARRUDA ALVIM e PABLO STOLZE GAGLIANO) O Código Civil. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. a reduziu exemplo os do prazos prazo anteriormente lei revogada.028. 205. Uma análise mais acurada do referido diploma indicará que o legislador. por meio da conhecida “ação ordinária de reparação civil”. extraordinário) ou 5 anos (usucapião ordinário). e se. e que foram reduzidos pelo novo diploma legal. para que não cheguemos a conclusões absurdas. especialmente no que tange aos prazos que já estavam em curso. que da diminuíram norma para 15 (usucapião consiste. Serão os da lei anterior os prazos. que foram reduzidos de 20 para 10 anos (art. 2028. se forem por este reduzidos. em inúmeras previstos de na suas normas. sem dúvida alguma.15 3. ao disciplinar a solução do conflito intertemporal de leis. a vítima (credor) ainda não formulou em juízo. Passados 12 anos.1. Imagine-se que um determinado sujeito haja cometido um ato ilícito antes da vigência do novo Código. iniciados na lei anterior. . 177. CC-02). ainda estejam em curso na data da vigência do novo Código. é um artigo que merece a nossa mais detida atenção. Um exemplo irá ilustrar a hipótese. 2. na data de sua entrada em vigor. em resolver a intrincada questão referente à incidência da nova lei em relação aos prazos que. quando reduzidos por este Código.

b) se o prazo menor da lei nova se consumar antes de terminado o prazo maior previsto pela anterior. que entendeu por bem manter a incidência da lei superada. § 3°. se já houvesse transcorrido mais da metade do tempo previsto. fica claro que faltariam três a contar da vigência de lei nova. como se sabe. já havendo transcorrido 12 anos na data da vigência do novo Código. 8 (segundo a lei velha) ou 3 (segundo a lei nova)? O nosso Código estabelece. e. Por mais que se afigure estranho o fato de a lei revogadora reduzir o prazo para 3. pergunta-se: quantos anos restariam para se completar o prazo máximo. devendo-se advertir que. V). remanescer o lapso de 8 anos. . já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. CC-16). entenda-se: “metade do prazo mais um dia”. restarão ainda 8 anos para que se atinja o prazo prescricional máximo extintivo da pretensão indenizatória. Dessa forma. por se tratar de prazo de direito material. 206. no prazo máximo de 20 anos (art. No entanto. sugere que: “Se a lei nova reduz o prazo de prescrição ou decadência. ainda assim. analisando o Código Civil Alemão. que prevalecerá o prazo da lei anterior. 177. Entrando em vigor a nova lei. ainda que mais dilatado.16 Sob a égide do Código de 1916 pretensões pessoais indenizatórias prescreviam. WILSON DE SOUZA CAMPOS BATALHA. que reduziu o prazo prescricional de 20 para 3 anos (art. mais da metade do tempo estabelecido pela lei anterior (10 anos). se somente houvessem transcorrido sete anos (menos da metade do prazo estabelecido pela lei revogada). se. adota-se o prazo estabelecido pela lei anterior. há que se distinguir: a) se o prazo maior da lei antiga se escoar antes de findar o prazo menor estabelecido pela lei nova. esta foi a opção do legislador. no exemplo supra. como visto. na data da entrada em vigor da lei nova. ou seja. Nesse sentido. Pela expressão “mais da metade”. a sua contagem dar-se-á dia-a-dia.

: O próprio STJ perfilhou entendimento no mesmo sentido: CIVIL E PROCESSO NA CIVIL. RECURSO SÚMULA ESPECIAL. ed. derivado das mais comezinhas regras de direito intertemporal. CAUSA DANO . (grifamos) A única conclusão a que o intérprete não deve chegar. Nota: BATALHA. PRESCRIÇÃO. na hipótese supra. é afirmar que a prescrição já havia se operado. estabelecendo-se um parágrafo único ao referido art. pág. Tal aspecto poderia ter sido melhor explicitado pelo Código. OBS. Wilson de Souza Campos. estar-se-ia imprimindo uma retroatividade “astronômica” à lei nova. mesmo na falta deste dispositivo. 3. a partir da vigência do novo Código Civil é imperativo lógico. a contagem do prazo menor. in “Lei de Introdução ao Código Civil”. in Novo Curso de Direito Civil. cit. Rodolfo. PRAZO REDUZIDO.. sob pena de cometer o grave erro de imaginar que o Código estava vigente na data da consumação do ilícito. 2028. DEFICIÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO. Ademais. fulminando complemente a pretensão da ADMISSIBILIDADE. contando-se o prazo a partir da vigência desta”. vítima. 7. NECESSIDADE DE REVISÃO DO CONTEXTO FÁTICOPROBATÓRIO. por GAGLIANO. a partir da lei nova. dispensando profundas reflexões por parte do aplicador do direito. Todavia. 508. 2002. que realçasse a contagem do prazo menor. STJ. São Paulo: Saraiva. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. APLICAÇÃO. CONTAGEM QUE SE INICIAL COM A VIGÊNCIA DO NOVO CÓDIGO CIVIL.17 aplica-se o prazo da lei nova.

. .A modificação do quantum fixado a título de compensação por danos morais só deve ser feita em recurso especial quando aquele seja irrisório ou exagerado.A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. pois nem toda informação verdadeira é relevante para o convívio em sociedade.A vítima de crime contra o costume tem o direito de não perpetuar seu sofrimento. Precedentes. do sofrer contínuo. QUANTUM RAZOÁVEL. Aplicação da Súmula 7. por publicação considerada ofensiva à honra e à dignidade das pessoas. É inadmissível o recurso especial deficientemente fundamentado. se torne conveniente a exposição pública de seu sofrer. pois a falsidade dos dados divulgados manipula em vez de formar a opinião pública. quando diminuído pelo novo Código Civil. STF. .18 MORAL QUEM DIVULGA DE NOME COMPLETO DA VÍTIMA DE CRIME SEXUAL. . Não se pode presumir tampouco que.O prazo prescricional em curso. para além dos autos do inquérito ou do processo criminal. .Não há qualquer interesse público no conhecimento da identidade da vítima do crime de estupro. Aplicável à espécie a Súmula 284. a partir da Constituição em vigor. evidentemente não há interesse social na apuração dos fatos e tampouco na exposição pública de seu nome. se a vítima ofereceu a queixa ou a representação. havendo aí abuso da liberdade de informação. . . bem como ao interesse público.A liberdade de informação deve estar atenta ao dever de veracidade. a indenização tarifada. Se o crime contra o costume se encontra sujeito à ação penal pública. Precedentes. não por isso deixará de passar pelos constrangimentos da apuração dos fatos. . só sofre a incidência da redução a partir da sua entrada em vigor. STJ.Não mais prevalece. por tais motivos. Se opta por não oferecer a queixa e tampouco a representação que a lei lhe faculta. devida por dano moral. prevista na Lei de Imprensa.

19 Recurso Especial não conhecido.2007 p.635/MT. (REsp 948. 1) LOCAÇÃO. 1. no caso 11 de janeiro de 2003. (REsp 896. de modo a reduzir prazo prescricional referente a situações a ela anteriores e sujeitas a um lapso prescricional superior.02. CÓDIGO CIVIL.03. efetivamente importará em atentado aos postulados da segurança jurídica e da irretroatividade da lei. DJ 17. À luz do novo Código Civil os prazos prescricionais foram reduzidos. DJ 10.600/SP. Rel. EXEGESE. INOCORRÊNCIA. Rel. 2. caso se considere a data do fato como marco inicial da contagem do novo prazo. e se. § 3º. 2. SEXTA TURMA.028 DO CÓDIGO CIVIL DE 2002. PRESCRIÇÃO. VIGÊNCIA.2007. e não a data em que a prestação deixou de ser adimplida.028 do Código Civil de 2002. 2. DANOS MORAIS E MATERIAIS. CIVIL. V. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA. o termo a quo do novo prazo é o início da vigência da lei nova. que prescreve em três anos a pretensão de reparação civil. na data de sua entrada em vigor. A aplicação da lei nova. Dessa forma. julgado em 29. Já o art.2008. 372) CIVIL. 1. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada". Ministra NANCY ANDRIGHI. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. TERCEIRA TURMA. nas hipóteses em que incide a regra de transição do art. Infere-se. portanto. 3. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. estabelecendo o art. quando reduzidos por este Código. que tão-somente os prazos em curso que ainda não tenham atingido a metade do prazo da lei anterior .11. 206.028 assenta que "serão os da lei anterior os prazos. TERMO INICIAL. PRAZO. disciplinado pela lei revogada. Recurso especial conhecido e provido.12.2008 p. 2. ART. COBRANÇA DE ALUGUERES. RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. julgado em 26. PRESCRIÇÃO.

3 (três) anos.INOCORRÊNCIA . assim. 1 .028 assenta que "serão os da lei anterior os prazos. do direito adquirido e da irretroatividade legal. ou seja.TERMO INICIAL.05. consoante nossa melhor doutrina. (REsp 698.2006.NOVO CÓDIGO CIVIL . julgado em 04. 3. 254) E também: CIVIL . que tão-somente os prazos em curso que ainda não tenham atingido a metade do prazo da lei anterior (menos de dez anos) estão submetidos ao regime do Código vigente. Já o Recurso conhecido e provido.195/DF. portanto. para reconhecer a e não da inocorrência da prescrição e determinar o retorno dos autos ao juízo de . DJ 29. atenta aos princípios da segurança jurídica.2003.2006 p. Rel. que. pois o ajuizamento da ação ocorreu em 24. do direito adquirido e da irretroatividade legal. origem.20 (menos de dez anos) estão submetidos ao regime do Código vigente. os novos prazos devem ser contados a partir da para 10 (dez) anos. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada". ou seja. Ministro JORGE SCARTEZZINI. consoante nossa melhor doutrina. portanto. 2. 2. esses três anos devem ser contados a partir da vigência do novo Código.À luz do novo Código Civil o prazo prescricional das ações pessoais foi reduzido de 20 (vinte) art. quando reduzidos por este Código. antes. a pretensão do ora recorrente não se encontra prescrita.VIGÊNCIA . Conclui-se. no caso em questão. data da ocorrência do fato danoso.RECURSO ESPECIAL . Infere-se.06. e se. na data de sua entrada em vigor. Entretanto.PRESCRIÇÃO . Entretanto. QUARTA TURMA.PRAZO .05.AÇÃO MONITÓRIA .PROCESSUAL CIVIL . atenta aos princípios da segurança jurídica. 11 de janeiro de 2003. do decurso do prazo prescricional de três anos previsto na vigente legislação civil.

DJ 05.161/MT. com acerto. diria eu) no art. – Vigência do Código Civil (Vladimir Aras) A polêmica data de vigência do novo Código Civil Texto extraído do Jus Navigandi http://jus2. ou seja.02. após o advento da nova legislação civil. a polêmica não cessa nas substanciosas considerações do estimado advogado paulista.br/doutrina/texto.21 vigência do novo Código. Todavia. Rel. Almeida Paiva defendeu.asp?id=3517 Vladimir Aras Procurador da República no Paraná Em recente artigo. por ter estabelecido o .2006.Recurso não conhecido. mas divirjo quanto ao método de determinação desse dies ad quem. e não da data da constituição da dívida. com quem concordo quanto à data de entrada em vigor do novo Código. julgado em 05. 2.com. no caso em questão. Um mês. o professor J.uol.2. (REsp 848. que.12. que o novo Código Civil entrará em vigor em 11 de janeiro de 2003. 2 . assim. É que há uma incoerência (ilegalidade "vertical".Conclui-se. 257) 3. A. QUARTA TURMA. 11 de janeiro de 2003.2007 p.044 do Código Civil de 2002. pois o ajuizamento da ação ocorreu em 13/02/2003. 3 . Ministro JORGE SCARTEZZINI. a pretensão da ora recorrida não se encontra prescrita.

por ser complementar (arts. 95/98. quando o estatuto civil adotou o critério anual. já estava em vigor o preceito cogente da norma complementar federal. 95/98. Então. 2. 59. Facilmente se identifica o problema. 95/98. 59.22 prazo de "vacatio legis" da nova norma civil utilizando o critério anual: "um ano". somente em dias (e não em anos ou em meses). §2º. é preciso observar que a matéria em questão (elaboração de diplomas normativos) tem reserva de lei complementar por expressa disposição constitucional (art. parágrafo único. da contagem em dias. determina expressamente que as leis brasileiras (todas elas) devem estabelecer prazo de vacância em dias. exige quórum mais qualificado para aprovação (maioria absoluta) e é hierarquicamente superior ao Código Civil de 2002. Mas. 8º da Lei Complementar Federal n. É que o §2º do art. atendendo ao comando do art. o Código Civil de 2002 devia (e deve) obediência à Lei Complementar n. 95/98. o art. Há ilegalidade vertical.406/2002 foi publicada. De qualquer modo. ainda que afastada esta opção (não de todo descartada). que veio a lume exatamente para regular a forma de elaboração e redação das leis nacionais.044 do Código Civil de 2002 terá desconsiderado matéria sujeita . Sendo assim. que não passa de lei ordinária. é patente a ilegalidade vertical entre o art. parágrafo único. 10. Não se trata de mero detalhe ou firula. 8º. da LCF n. com a cláusula "esta lei entra em vigor após decorridos (o número de) dias de sua publicação". e 69 da Constituição de 1988). da CF). 2. havendo ou não a ilegalidade vertical. quem ao discorde da de idéia que da não existência se de fundamento dá cotejo hierárquico entre lei complementar e lei ordinária. 107/2001. 59.044 do novo Código Civil e o art. inciso II. Quando a Lei n. alterada pela LCF n. pois a LCF n. da Carta de 1988. descartando o critério unificador. na forma: "Este Código entrará em vigor 1 (um) ano após a sua publicação".

São 21 dias em janeiro de 2002. em lugar de fazêlo em 1 (um) ano. 11 de janeiro de 2003. 31 em agosto. É fácil entender: o Código Civil de 2002 foi publicado no Diário Oficial da União de 11 de janeiro de 2002. 365 dias. da LCF 95/98 (com inclusão da data da publicação e do último dia do prazo). deve-se ler o art. do art. Logo. Contando-se esse prazo em dias na forma do §1º. 30 em abril. 8º. teríamos reduzido substancialmente (quiçá eliminado) a polêmica em torno da exata data de início da vigência do novo Código e de outras tantas leis ordinárias. totalizando 355 dias. contam-se mais dez dias em janeiro de 2003. da LCF 95/98. 31 em maio. de 1949.406/2002). 31 dias em março. Os 365 dias da vacância. começando-se a contagem pelo próprio dia 11/01/2002. 31 em julho.044 do novo Código Civil. como o fez. 30 em setembro. inclusive. . Pelo critério ora proposto.23 a cláusula constitucional de reserva de lei complementar. inclusive. aplicando-se conjuntamente os §§1º e 2º do art. independentemente do conceito de ano civil previsto pela Lei n. 10. termo final de contagem. alcançando-se o marco legal ou dies ad quem. levam-nos ao dia 10 de janeiro de 2003. Para os 365 dias da "vacatio legis". é o da entrada em vigor do novo Código Civil. 28 dias em fevereiro. 31 em outubro. como se tivesse estabelecido o prazo da vacância do diploma em 365 dias (e não 1 ano). Se o art. 810. chegamos ao dia 11 de janeiro de 2003 como de início da vigência do novo Código Civil (Lei Federal n. até o dia 10. 2.044 do Código Civil de 2002 tivesse estabelecido o prazo da vacância em dias. 30 em novembro e 31 em dezembro. 30 em junho. 2. 8º. tem-se que o dia subseqüente.

um artigo acerca da responsabilidade pela perda do tempo livre e o desvio produtivo do consumidor. Professor da Universidade Federal da Bahia e da Rede LFG. Acesso em: 29 mar. n.2002.24 Sobre o texto: Texto inserido no Jus Navigandi nº60 (11.asp?id=3517>. banda “Charlie Juiz de Direito. Jus Navigandi. 4.2002) Elaborado em 10. conforme pudemos perceber ao longo do estudo da prescrição e da decadência. A polêmica data de vigência do novo Código Civil . Fonte: ARAS. Disponível em: <http://jus2. Segue. Vladimir. FIQUE POR DENTRO A natureza jurídica do “tempo” é um dos temas mais instigantes (e desafiadores) para o Direito. nov. Pós-Graduado em Direito Civil pela Fundação Faculdade de Direito da Bahia.uol. Mestre em Direito Civil pela PUC-SP. 2008. Teresina. 60. pois. e a vida é uma lição” (Senhor do Tempo.com. Bom estudo! Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo Pablo Stolze Gagliano 4 3F “O tempo é rei.br/doutrina/texto. ano 7. 4 . 2002.

Porque longe das cercas Embandeiradas.25 Brown Jr. física. No cume calmo Do meu olho que vê Assenta a sombra sonora De um disco voador. 5 . poética ou matemática da cada um.. São Paulo. em 29 de janeiro de 2013. você compreenderá a verdade cósmica dita pelo profeta RAUL SEIXAS. composição: Heitor/Chorão) 1. na linguagem da crença religiosa. Que separam quintais.. A Importância do Tempo em Nossas Vidas 5 4F Existe algo inexplicável por trás desta nossa complexa realidade.. este “algo inexplicável” que une pessoas e vidas. moldam sonhos e Tópico baseado em palestra proferida por ocasião das comemorações pelos 10 anos de fundação da Rede de Ensino LFG.”. o fato é que.. um dia. O que de fato faz a sua vida ter sentido? A posição social que você alcança? O cargo cobiçado que você tanto almeja? O dinheiro que você acumula? Sem menoscabar a importância dessas metas materiais de vida. Esta “sombra sonora de um disco voador” traduz. na música “Ouro de Tolo”: Eu que não me sento No trono de um apartamento Com a boca escancarada Cheia de dentes Esperando a morte chegar.

a posse. se a precipitação ocorre em zona urbana. de uma vez por todas. Uma chuva em alto mar. a oportunidade de escrever: “Considera-se fato jurídico em sentido estrito todo acontecimento natural. inclusive. espancando. por isso. você conheceu diversas figuras jurídicas: o contrato. ou seja. “dinâmica” (ou seja. ao longo de todo o bacharelado. Na perspectiva mais difundida. a empresa. determinante de efeitos na órbita jurídica. Certamente. é fato da natureza estranho para o Direito. a falsa ideia de que a vida é um mero conjunto de coincidências. em movimento). Mas nem todos os acontecimentos alheios à atuação humana merecem este qualificativo. deixa de ser um simples fato natural. qualificado pelo Direito.) . E o tempo? Você saberia dizer qual a sua natureza jurídica? 2. que não podem passar indiferentes ao jurista do século XXI.26 firmam projetos.. Isso porque determinará a ocorrência de importantes efeitos obrigacionais entre o proprietário e a companhia seguradora. o tempo é um “fato jurídico em sentido estrito ordinário”. a família. Para a) b) O Tempo em Dupla Perspectiva bem respondermos a esta pergunta. é preciso considerar o tempo em uma dupla perspectiva: Dinâmica. E. (. por exemplo. a propriedade. Todavia. como já tivemos. objeto de um contrato de seguro. causando graves prejuízos a uma determinada construção. o nosso tempo tem um profundo significado e um imenso valor. e passa a ser um fato jurídico. um acontecimento natural. Estática. apto a deflagrar efeitos na órbita do Direito. que passou a ser devedora da indenização estipulada simplesmente pelo advento de um fato da natureza..

em excelente 6 GAGLIANO. especialmente aquela dedicada ao estudo da responsabilidade civil. 15ª ed. quaisquer práticas abusivas. ainda são ‘normais’ em nosso País situações nocivas como: tem sido denominado de “Desvio Produtivo do Consumidor”. costumeira. em favor do interesse econômico ou da mera conveniência negocial de um terceiro. 3. Durante anos. a doutrina. . Sucede que. nos últimos anos. Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral – Volume 1. obra: “Mesmo que o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8. por outro lado. não cuidou de perceber a importância do tempo como um bem jurídico merecedor de indiscutível tutela. págs. segundo preleção de MARCOS DESSAUNE. este panorama tem se modificado. E parece que. a morte. Pablo Stolze e PAMPLONA FILHO. São Paulo: Saraiva. de durabilidade e de desempenho – para que sejam úteis e não causem riscos ou danos ao consumidor – e também proíba. Rodolfo. especialmente no âmbito do Direito do Consumidor. um relevante bem. o tempo é um valor. 345-346. As exigências da contemporaneidade têm nos defrontado com situações de agressão inequívoca à livre disposição e uso do nosso tempo livre.078/1990) preconize que os produtos e serviços colocados no mercado de consumo devam ter padrões adequados de qualidade. finalmente. a doutrina percebeu isso. na seara consumerista. o decurso do tempo 6”.27 Os fatos jurídicos ordinários são fatos da natureza de ocorrência comum. cotidiana: o nascimento. passível de proteção jurídica. 5F Em perspectiva “estática”. de segurança. Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo Livre O desperdício injusto e ilegítimo do tempo.

por causa de um vício reincidente. 8 Idem.Levar repetidas vezes à oficina. o intolerável abuso de que é vítima o consumidor.Telefonar insistentemente para o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) de uma empresa. contando a mesma história várias vezes. São Paulo: RT.Enfrentar uma fila demorada na agencia bancária em que. Marcos.28 .. diversas são as situações de dano apontadas pelo autor. obrigado a “esperar em casa. págs. com as nítidas cores da perfeição.. mas também com outro problema que não existia antes. 6F Em verdade. 2011. . duas. 7F 7 DESSAUNE.. ou mesmo pra pedir novas providências acerca de um produto ou serviço defeituoso renitente.Ter a obrigação de chegar com a devida antecedência ao aeroporto e depois descobrir que precisará ficar uma. tampouco a assistência material que a ela compete 7”. que ilustra.. 47-48. Desvio Produtivo do Consumidor – O Prejuízo do Tempo Desperdiçado. três. . algumas vezes até dentro do avião – cansado. . quatro horas aguardando desconfortavelmente pelo voo que está atrasado.) .Ter que retornar à loja (quando ao se é direcionado à assistência técnica autorizada ou ao fabricante) para reclamar de um produto eletroeletrônico que já apresenta problema alguns dias ou semanas depois de comprado. 48. pela entrega de um produto novo. sem hora marcada. um veículo que frequentemente sai de lá não só com o problema original intacto. para tentar cancelar um serviço indesejado ou uma cobrança indevida. ou mesmo por um técnico que precisa voltar para fazer o conserto malfeito 8”. mas repetidamente negligenciado. só há dois ou três abertos para atendimento ao público. pelo profissional que vem fazer um orçamento ou um reparo. merecendo destaque uma delas. com calor e com fome – sem obter da empresa responsável informações precisas sobre o problema.) . (. fl. (. dos 10 guichês existentes.

E. mais próximos do calor dos nossos amigos – na alegre troca de figurinhas (como as dos inesquecíveis álbuns ‘Stamp Color’ e ‘Amar é’). uma força capaz de aliviar muitas dores ou descortinar a verdade imanente à natureza humana. caro leitor. ou em divertidas brincadeiras como ‘picula’ ou ‘esconde-esconde’. esta falta de tempo para viver bem é algo trágico em nossa sociedade – e que merece uma autorreflexão crítica – por outro. Esse dito popular encerra profunda sabedoria. Atualmente.. quer seja nas próprias relações pessoais. no decurso do tempo. se por um lado. apanho-me. não apenas na seara econômica e profissional. não traduziria um intolerável desperdício de tempo livre. celular – vivíamos com mais intensidade as 24 horas do nosso dia. se aprofundarmos a investigação científica do tema. em minha infância. a par de vexatória. e reflita se tal situação – pela qual talvez você já haja passado –. descobriremos que a força do tempo expande-se em diversos outros espaços do universo jurídico. nostálgico. como anotei em recente editorial: “O tempo é o senhor de todas as coisas. época em que. relembrando bons momentos vividos na década de 80. mas. até mesmo. posto não tivéssemos os confortos tecnológicos da modernidade – internet. muitas vezes.29 Vasculhe a sua própria experiência de vida. em entusiasmadas disputas de ‘gude’. é forçoso convir que as circunstâncias do nosso cotidiano impõem um aproveitamento adequado do tempo de que dispomos. Não faz muito. que resulte no desperdício intolerável do nosso tempo livre.. na perspectiva do princípio da função social.) Todavia. é situação geradora de potencial dano. Confesso que. quer seja nos âmbitos profissional e financeiro. tablet. com potencial prejuízo. sob pena de experimentarmos prejuízos de variada ordem. um amigo passou por um problema que bem exemplifica isso. . tenho a impressão de que as 24 horas do dia não suprem mais – infelizmente – as nossas necessidades. na medida em que reconhece. Vale dizer. no delicado âmbito de convivência familiar. (. uma indevida interferência de terceiro.

do superior princípio da função social. estabelecer as balizas hermenêuticas da sua adequada aplicação. É justo que. caberá à doutrina especializada e à própria jurisprudência. determinados prestadores de serviço ou fornecedores de produtos. em nossa atual conjuntura de vida. sob o prisma da teoria do abuso de direito. Esta circunstancia tão corriqueira exige uma reflexão. nesse contexto. jurisprudência. VITOR GUGLINSKI . Apenas o desperdício “injusto e intolerável” poderá justificar eventual reparação pelo dano material e moral sofrido. levarei a tarde inteira ao telefone. Terei de acampar lá’. na perspectiva da função social? Em situações de comprovada gravidade. indevidamente. para tentar resolver isso. estou tentando conseguir uma folga no trabalho.. inclusive.. Pablo Stolze.com/pablostolze/posts/399780266768827 . citando. como já dito. não apenas compensatório.facebook. E. por se tratar de conceitos abertos. ingressando na seara do dano indenizável. (. por um determinado serviço não prestado. na perspectiva. então: ‘Ainda não. Eu sei que. indaguei se ele já havia entrado em contato com a referida companhia.30 Uma determinada empresa passou a cobrar-lhe. então. Editorial publicado no dia 25 de dezembro de 2012. anota esforço neste sentido: 9 GAGLIANO. Por isso. ‘o tempo não para’. 8F Deve ficar claro. Respondeu-me. E se eu for à filial da empresa é pior ainda. como bem lembra o poeta. Responsabilidade Civil pela Perda do Tempo. pensamos que esta tese é perfeitamente possível e atende ao aspecto. segundo a sua própria conveniência 9”. mas também punitivo ou pedagógico da própria responsabilidade civil. que nem toda situação de desperdício do tempo justifica a reação das normas de responsabilidade civil. Eu. E não é justo que um terceiro ‘pare’ indevidamente o nosso. ao ligar. imponham-nos um desperdício inaceitável do nosso próprio tempo? A perda de um turno ou de um dia inteiro de trabalho – ou até mesmo a privação do convívio com a nossa família – não ultrapassaria o limiar do mero percalço ou aborrecimento.) Até porque. disponível no: https://www. sob pena de a vítima se converter em algoz.

alguns da relatoria do insigne processualista Alexandre Câmara. indevidos.CONSUMIDOR. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE UMA DAS EXCLUDENTES PREVISTAS NO ART. DES. corrente Demanda indenizatória. Comprovação de inúmeras tentativas de resolução do problema.31 “A ocorrência sucessiva e acintosa de mau atendimento ao consumidor. Confiram-se algumas ementas: DES. passando a admitir a reparação civil pela perda do tempo livre.. TERCEIRA DE CAMARA CIVEL. tem levado a jurisprudência a dar seus primeiros passos para solucionar os dissabores experimentados por milhares de consumidores. FALHA NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TELEFONIA E DE ALÉM COBRANÇA PROCEDÊNCIA. Falha na prestação do serviço. Cancelamento das cobranças que se impõe. Perda do tempo livre. o que sinaliza no sentido do fortalecimento e consequente afirmação da teoria. DESPROVIMENTO DO APELO.) Dentre os tribunais que mais têm acatado a tese da perda do tempo útil está o TJRJ. sem que fosse solucionado. podendo-se encontrar aproximadamente 40 acórdãos sobre o tema no site daquele tribunal. §3º DO CDC.Julgamento: 13/04/2011 INTERNET. CARACTERIZAÇÃO DA PERDA DO TEMPO LIVRE. ALEXANDRE CAMARA . gerando a perda de tempo útil. SENTENÇA AÇÃO DE INDENIZATÓRIA.Julgamento: 03/11/2010 . HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS IGUALMENTE CORRETOS. INDEVIDA. LUIZ FERNANDO DE CARVALHO .00. (. Juros moratórios a contar da citação.SEGUNDA CAMARA CIVEL Agravo Interno. APELAÇÃO DA RÉ. Seguro conta correntista. Correto o valor da compensação fixado em R$ 2. descontado Descontos Direito de do Consumidor. Decisão monocrática em Apelação Cível que deu parcial sem provimento autorização ao do recurso do agravado. DANOS MORAIS FIXADOS PELA SENTENÇA DE ACORDO COM OS PARÂMETROS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. Dano moral configurado. 14.. Aplicação da multa . durante mais de três anos.000.

Disponível em: <http://jus. à luz do princípio da função social. mata.com. utilidade punitiva e pedagógica. Isso tudo porque o intolerável desperdício do nosso tempo livre.info/autor/Mahatma_Gandhi/ . Por outro lado. aos poucos. Vitor Vilela. Bibliografia: Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho.com. a todos nós. 12 maio 2012 . de uma tese relativamente nova . 10 GUGLINSKI. no sofrimento envolvido e não na vitória propriamente dita”. no site do STJ. 2012 11 DESSAUNE. acessado em 15 de março de 2009. Acesso em: 25 dez. que se repetem. Danos morais pela perda do tempo útil: uma nova modalidade. “a responsabilidade pela perda do tempo livre” ou pelo “desvio produtivo do consumidor 11”.br ) 5. Saraiva. 12 Fonte: http://www. o que não se pode mais admitir é o covarde véu da indiferença mesquinha a ocultar milhares (ou milhões) de situações de dano. agressão típica da contemporaneidade. 3237.com. em nossa sociedade. no percentual de 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa. súmulas de interesse da matéria estudada (prescrição e decadência). que.saraivajur. em lenta asfixia. valor dos mais caros para qualquer um de nós. uma mais detida reflexão acerca da sua importância compensatória e.br/revista/texto/21753>. consulte. Marcos. (www. “A força não provém da capacidade física. Teresina. por se tratar. Recurso desprovido 10.ao menos se levarmos 10F em conta o atual grau de penetração no âmbito das discussões acadêmicas. todos os dias. doutrinárias e jurisprudenciais -. Ed. MENSAGEM Duas lindas frases de Mahatma Gandhi 12: 11F “A alegria está na luta. n. pela usurpação injusta do tempo livre. .pensador. sobretudo. mas da vontade férrea”. obra citada.” (grifei) 9F Em verdade.32 prevista no § 2º do artigo 557 do CPC. silenciosa e invisível. ano 17.editorajuspodivm. impõe-se. não se pode negar. Dica: Além da jurisprudência. na tentativa. Jus Navigandi.br ou www.

D. sempre! Um abraço fraternal! O amigo.33 Fique com Deus.2013. .2 C. Revisado. Pablo.S.

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