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A Igreja Neopentecostal

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A Igreja Brasileira na Pós-modernidade

O pensamento Pós-Moderno esvaziou a religião formal. Na Pós-Modernidade, a religião deixou a dimensão pública e restringiu-se à esfera privada. Na tentativa de se libertar de uma cultura religiosa com padrões morais absolutos, o indivíduo pósmoderno criou uma religiosidade interiorizada, subjetiva e sem culpa. As pessoas querem optar pela sua “preferência” religiosa sem ser importunadas por opiniões contrárias. Os critérios que orientam essas escolhas são todos íntimos e subjetivos. Semelhantemente, também não tentarão impor sua nova opção de fé a ninguém. Na Igreja, o que antes era convicção, hoje é opção. Os mandamentos divinos passaram a ser sugestões divinas. A igreja é orientada por aquilo que dá certo e não por aquilo que é certo. O pragmatismo missionário e o “novo poder” da igreja (político, econômico, tecnológico, etc) esvaziou o significado da oração e seu espaço na tarefa da igreja. Confiamos mais em nossos recursos e menos em Deus, superestimamos o poder de César e subestimamos o poder de Deus. As ferramentas ideológicas e tecnológicas tornaram-se mais eficientes que a comunidade e a comunhão. Entendo que a versão evangélica da pós-modernidade seja o neopentecostalismo e seus famigerados congêneres. O neopentecostalismo possui diversos traços de continuidade cultural com o catolicismo popular latino-americano. Continuidade que muitas vezes desemboca em sincretismo e no reforço de práticas e concepções corporativistas. O protestantismo, por sua vez, é a religião da escrita, da educação cívica e racional. Favorece uma cultura política democrática e promove uma pedagogia da vontade individual. Entende-se por “protestante” ou “protestantismo” todo o conjunto de instituições religiosas surgidas em conseqüência da Reforma Religiosa do século XVI nas suas principais vertentes que são a luterana e a calvinista e que procuram manter os princípios básicos que formam o princípio protestante da liberdade: a justificação pela fé, a “sola scriptura”, o livre exame da Bíblia e o sacerdócio universal de todos os crentes. Hoje em dia é difícil incluir entre os protestantes alguns setores do pentecostalismo e, principalmente, do neopentecostalismo brasileiro. Esta é a opinião do Dr. Ricardo Mariano [1] que analisou os modernos movimentos neopentecostais e segundo ele: O neopentecostalismo, o responsável pela “explosão protestante”, à medida que passa a formar sincretismos, a se autonomizar em relação à influência das matrizes religiosas norte-americanas, a promover sucessivas acomodações sociais, a abandonar práticas ascéticas e sectárias, a penetrar em novos e inusitados espaços sociais e a assumir o status de uma grande minoria religiosa, cada vez menos tende a representar uma ruptura com a cultura ambiente. Tende, pelo contrário, a mostrar-se menos distintivo, mais aculturado, mais vulnerável à antropofagia brasileira e, portanto, cada vez menos capaz de modificar a cultura que o acolheu e na qual vem se acomodando. O neopentecostalismo, pelo contrário, provêm da cultura religiosa do catolicismo popular, corporativista e autoritário. É a religião da lábia, do engano e da corrupção. Ele

favorece o analfabetismo bíblico. Esta nova religiosidade evangélica é um tipo de ocultismo, recheado de citações bíblicas. O Neopentecostalismo há muito deixou de ser evangélico, tornando uma outra forma de expressão religiosa, distante do pensamento protestante e reformado. Uma das rupturas mais sérias do Neopentecostalismo com o pensamento protestante, é o uso da Bíblia. No Protestantismo a Bíblia é sua última autoridade, não a tradição ou personalidades importantes ou mesmo a experiência espiritual, enquanto que o Neopentecostalismo enfatiza o uso mágico da Escritura. Para os neopentecostais, a Bíblia é mais um oráculo a ser consultado do que a única regra de fé e prática. Em Brasília, um jornal local publica semanalmente um anúncio estranho: “Revela-se por Professia” (sic). A promessa por trás dessa mensagem é a solução imediata dos problemas, dos encostos e das maldições, tal como as inúmeras videntes que infestam os grandes centros urbanos. Normalmente nestas sessões, a vidente se posta diante do pedinte com uma Bíblia aberta. A intenção é encontrar “na palavra” a solução para os problemas. Os versos bíblicos são interpretados fora de contexto, sempre na busca de uma “palavra de bênção”. No neopentecostalismo, as doutrinas bíblicas foram rejeitadas e substituídas por um falso evangelho centralizado no homem. Boa parte da pregação neopentecostal é um mero exercício de auto-ajuda, com a intenção principal de acalmar a consciência pecaminosa com promessas de riqueza e bem-estar. Contudo, o mandamento para todos os ministros cristãos, ainda continua sendo, prega a palavra (I Timóteo 4:1), em lugar disso, os pregadores se transformaram em animadores de auditório. Nossa tarefa apologética para esta era pós-moderna é restaurar a confiança na verdade. A Bíblia continua sendo a Palavra de Deus. A Bíblia é um documento inspirado da revelação divina, quer este ou aquele indivíduo receba ou não o seu testemunho. Devemos, pois, respeito e obediência à Bíblia, não por ser letra fixa e estática, mas porque, sob a orientação do Espírito Santo, essa letra é a Palavra viva do Deus vivo dirigida não só ao crente individual, mas à Igreja em geral. A igreja precisa rever sua atuação, olhando para o Senhor Jesus e lançando-se humildemente de volta às Escrituras, resgatando sua identidade e o seu chamado. Se abrirmos mão da Palavra de Deus como verdade absoluta, correremos sérios riscos diante de uma sociedade sem referenciais, mas principalmente diante de um Senhor zeloso que rege a história e têm em suas mãos todo o domínio e todo o poder.

Elas ocupam um enorme espaço na televisão aberta, chegando a milhões de lares brasileiros todos os dias. As três mais conhecidas e salientes têm nomes parecidos — Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus e Igreja Mundial do Poder de Deus. Esses nomes apontam para objetivos ousados e ambiciosos. Seus líderes máximos adotam, respectivamente, os títulos de bispo, missionário e apóstolo. Elas são o fenômeno mais recente, intrigante e explosivo do “protestantismo” tupiniquim. Trata-se das igrejas neopentecostais, denominadas por alguns estudiosos

“pentecostalismo autônomo”, em virtude de seus contrastes com os grupos mais antigos desse movimento. É difícil categorizá-las adequadamente, não só por serem ainda recentes, mas porque, ao lado de alguns traços comuns, também apresentam diferenças significativas entre si. A Igreja Mundial investe fortemente na cura divina. Seu apóstolo garante que ninguém realiza mais milagres do que ele. Seu estilo é personalista e carismático. Caminha no meio dos fiéis, deixa que as pessoas recolham o suor do seu rosto para fins terapêuticos, às vezes é ríspido com os auxiliares. O missionário da Igreja Internacional é simpático e bonachão; parece um pastor à moda antiga. É também polivalente: prega, canta, conta piadas, anuncia produtos e serviços. Controla com rédea curta o seu pequeno império. Todavia, nenhuma dessas igrejas vai tão longe na ruptura de paradigmas quanto a IURD. Dependendo do ângulo de análise, parece protestante ou católica. Seu carrochefe é a teologia da prosperidade. Defende sem pejo a ética da sociedade de consumo. Seu líder está entrando na lista dos homens mais ricos do país. Desde o início, o cristianismo tem exibido uma grande variedade de manifestações, algumas bastante inusitadas. Foi o caso do gnosticismo e do marcionismo nos primeiros séculos, das seitas apocalípticas na Idade Média e de alguns grupos resultantes dos reavivamentos nos Estados Unidos do século 19. Porém, nenhum movimento tem sido tão pródigo em termos de quantidade e diversidade de ramificações quanto o pentecostalismo contemporâneo. No atual ambiente pluralista e inclusivista, muitos observadores vêem nessa multiplicidade um sinal de vitalidade, de dinamismo. Todavia, há sinais preocupantes nos ensinos e práticas de certos grupos. Na célebre Confissão de Fé de Westminster (1647), os puritanos ingleses colocaram a questão em termos de diferentes graus de pureza das igrejas cristãs — cap. 25.4,5 (igrejas mais puras e menos puras). Uma avaliação simpática e honesta das igrejas neopentecostais aponta para alguns aspectos que precisam ser reconsiderados a fim de que elas se tornem genuínos instrumentos do evangelho de Cristo. O problema hermenêutico Uma grave deficiência dessas novas igrejas está na maneira como interpretam a Bíblia. Os reformadores protestantes insistiram no valioso, porém arriscado, princípio do “livre exame das Escrituras”, ou seja, de que todo cristão tem o direito e o dever de ler e estudar por si mesmo a Palavra de Deus. Acontece que muitos viram nisso uma licença para a livre interpretação do texto sagrado, o que nunca esteve na mente dos líderes da Reforma. Eles lutaram contra uma abordagem individualista e tendenciosa da Escritura, insistindo na adoção de princípios equilibrados de interpretação que levavam em conta o sentido literal e gramatical do texto, a intenção original do autor, o contexto histórico das passagens e também a tradição exegética da igreja. Por essas razões, eles rejeitaram o antigo método de interpretação alegórica, isto é, a busca de sentidos múltiplos na Escritura, por entenderam que ela obscurecia e distorcia a mensagem bíblica. Em muitas igrejas neopentecostais nada disso é levado em consideração. A Bíblia se torna um joguete, uma peteca lançada para lá e para cá ao sabor das conveniências. Tomam-se diferentes declarações, episódios e símbolos bíblicos e, sem esforço algum de interpretação, passa-se diretamente para a aplicação, muitas vezes de uma maneira que nada tem a ver com o propósito original da passagem. O que é ainda mais grave, os textos bíblicos são usados de modo mágico, como se fossem amuletos ou talismãs, como se tivessem um poder imanente e intrínseco. A Bíblia é encarada prioritariamente

como um livro de promessas, de bênçãos, de fórmulas para a solução de problemas, e não como a revelação especial na qual Deus mostra como as pessoas devem conhecê-lo, relacionar-se com ele e glorificá-lo. Uma nova linguagem Na sua releitura da Bíblia, os neopentecostais por vezes criam uma nova terminologia, muito diferente dos conceitos bíblicos tradicionais. Privilegiam-se expressões como “exigir nossos direitos”, “manifestar a fé”, “declarar a bênção”, todos os quais apontam para uma espiritualidade antropocêntrica, ou seja, voltada para as necessidades, desejos e ambições dos seres humanos, e não para a vontade e a glória de Deus. Alguns dos temas bíblicos mais profundos e solenes redescobertos pelos reformadores do século 16 são quase que inteiramente esquecidos. Não mais se fala em pecado, reconciliação, justificação pela fé, santificação, obediência. O evangelho corre o risco de ficar diluído em uma nova modalidade de auto-ajuda psicológica, deixando de ser “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê”. O conceito de fé talvez seja aquele que esteja sofrendo as maiores distorções. No discurso de muitas igrejas do pentecostalismo autônomo, a fé se torna uma espécie de poder ou varinha de condão que as pessoas utilizam para obter as bênçãos que desejam. Deus fica essencialmente passivo até que seja acionado pela fé do indivíduo. É verdade que Jesus usou uma linguagem que aparentemente aponta nessa direção (“tudo é possível ao que crê”, “vai, a tua fé te salvou”). Mas o conceito bíblico de fé é muito mais amplo, a ênfase principal estando voltada para um relacionamento especial entre o crente e Deus. Ter fé significa acima de tudo confiar em Deus, depender dele, buscar a sua presença, aceitar como verdadeiras as declarações da sua Palavra. O objeto maior da fé não são coisas, mas uma pessoa — o Deus trino. Fundamento questionável A teologia da prosperidade, que serve de base para boa parte da pregação e das práticas neopentecostais, é uma das mais graves distorções do evangelho já vistas na história cristã. Essa abordagem teve início nos Estados Unidos há várias décadas, sob o nome de “health and wealth gospel”, ou seja, evangelho da saúde e da riqueza. No neopentecostalismo, essa se torna a principal chave hermenêutica das Escrituras. Tudo passa a ser visto dessa perspectiva reducionista acerca do relacionamento entre Deus e os seres humanos. O raciocínio é que Cristo, através da sua obra na cruz, veio trazer solução para todos os tipos de problemas humanos. Na prática, acaba se dando maior prioridade às carências materiais e emocionais, em detrimento das morais e espirituais, muito mais importantes. Tradicionalmente, as maiores bênçãos que o homem podia receber de Deus incluíam o perdão dos pecados, a reconciliação, a paz interior e, num sentido mais amplo, a salvação. Dentro da nova perspectiva teológica, as coisas mais importantes que Deus tem a oferecer são um bom emprego, estabilidade financeira, uma vida confortável, felicidade no amor e coisas do gênero. É uma nova versão da tese do sociólogo alemão Max Weber, segundo o qual os calvinistas buscavam no sucesso econômico a evidência da sua eleição. Os problemas da teologia da prosperidade são diversos: (a) falta de suporte bíblico — a Escritura aponta na direção oposta, mostrando a armadilha em que caem os que se preocupam com as riquezas; (b) empobrecimento da relação com Deus, concebida em termos interesseiros e mercantilistas; (c) incentivo a atitudes de

individualismo, egocentrismo e falta de solidariedade; (d) tendência para a alienação quanto aos problemas da sociedade. Conclusão O neopentecostalismo representa um grande desafio para as igrejas históricas e mesmo para as pentecostais clássicas. Esse movimento tem encontrado novas formas de atrair as massas que não estão sendo alcançadas pelas igrejas mais antigas. Nem todos os grupos padecem dos males apontados atrás. Muitas igrejas neopentecostais são modestas, evangelizam com autenticidade e não se rendem à tentação dos resultados rápidos, dos projetos megalomaníacos e dos métodos incompatíveis com o evangelho. O grande problema está nas megaigrejas e seus líderes centralizadores, ávidos de fama, poder e dinheiro. Estes precisam arrepender-se e voltar às prioridades da mensagem cristã, buscando em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça, para que então as demais coisas lhes sejam acrescentadas. • Alderi Souza de Matos é doutor em História da Igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil.
ENFOQUE – Como o senhor analisa hoje o cenário evangélico brasileiro?

Augustus: Vivemos um momento de grandes mudanças no cenário brasileiro evangélico, mudanças que começaram a ser gestadas quando as igrejas evangélicas em décadas passadas passaram a abandonar o referencial da Reforma protestante, o referencial da própria Escritura Sagrada, a Bíblia, e passaram a se entender como um movimento voltado para a satisfação das necessidades imediatas e materiais dos seus aderentes e a aferir o sucesso espiritual pela prosperidade material. As igrejas neopentecostais continuam a crescer e continuam a não ter rumo teológico algum, escandalizando cada vez mais a opinião pública, envergonhando os evangélicos com práticas e costumes bizarros e estranhos, e com escândalos que ganham a mídia e que revelam os intestinos dessas igrejas. Espanta-me o fato que a teologia da prosperidade continua crescendo apesar de tudo. Mas, não é somente isso. Hoje, as igrejas evangélicas pentecostais tradicionais correm o risco de ser minadas pelo liberalismo teológico, através dos obreiros e pastores que vão buscar um diploma de teologia reconhecido pelo MEC em universidades públicas e seminários dominados pelo velho liberalismo teológico. Não há nada errado em almejar um diploma desses, mas é que as instituições credenciadas para emiti-los usam o chamado "método científico" para estudar a Bíblia, método esse que parte do pressuposto que ela é simplesmente um livro religioso e não a infalível Palavra de Deus. As igrejas históricas continuam pequenas e sem muito poder de fogo no cenário nacional, embora sejam elas que estejam fornecendo os professores de seminários onde os demais evangélicos vão buscar diplomas reconhecidos. São elas, também, que estão na linha de frente provendo informações e estudos sobre as questões éticas que estão sendo debatidas hoje no Brasil, como, por exemplo, a lei da homofobia. Algumas dessas denominações tradicionais estão totalmente divididas internamente entre conservadores, pentecostais e liberais, que lutam por tomar o controle dessas denominações. Em outras palavras, não vejo o atual cenário brasileiro evangélico com muito otimismo, embora recentemente tenham acontecido algumas coisas que sugerem que nem tudo está perdido. Uma denominação histórica que estava muito minada por pastores e professores de teologia liberais deu uma reviravolta e cortou toda e qualquer relação com organismos ecumênicos que envolvam

o catolicismo. Para muitos foi um retrocesso, para mim, um avanço. Percebo igualmente um aumento do interesse de muitos, especialmente dos pentecostais, pela teologia reformada, pela teologia conservadora séria, erudita e pastoral, que traz um misto de profundidade e piedade. Cresce bastante o mercado de livros evangélicos com boa teologia e boa prática. Isso traz alguma esperança. ENFOQUE: As neopentecostais? igrejas históricas estão conseguindo sobreviver aos furos das

Augustus: Em parte. Por um lado, o neopentecostalismo é tão obviamente antibíblico que a tarefa dos pastores e líderes das igrejas tradicionais fica mais fácil. Seria mais difícil se o neopentecostalismo fosse mais sutil, mais sofisticado. Mas, é um movimento de massas, levado avante no grito, na centralização do poder nas mãos de pseudo-bispos e apóstolos que manipulam as massas usando a Bíblia como pretexto para recolher milhões e milhões de reais. Não é difícil para qualquer pessoa um pouco mais esperta desconfiar do que realmente está acontecendo. Por outro lado, o apelo que o neopentecostalismo faz à alma católica dos evangélicos é muito grande: objetos ungidos, relíquias, líderes apostólicos, prosperidades, milagres físicos – tudo herança do catolicismo na mentalidade brasileira. Mas, muitas igrejas tradicionais já estudaram o assunto e já tomaram posição sobre ele. A Igreja Presbiteriana do Brasil, por exemplo, tem veiculado cartas pastorais que instruem seus membros sobre o movimento G-12, as práticas da Universal do Reino de Deus, coreografia e dança litúrgica, para mencionar alguns. Isso ajuda os membros e pastores presbiterianos a ficarem firmes contra essas práticas. ENFOQUE: Na sua opinião, qual será o futuro da Igreja Evangélica Brasileira? Augustus: Como alguém já disse, “é muito difícil profetizar sobre o futuro”. O presente sugere que esse futuro não é róseo. O crescimento vertiginoso entre os evangélicos do pragmatismo, o relativismo, o liberalismo, a libertinagem, associado à desorganização e à fragmentação do movimento evangélico só pode pressagiar dias maus pela frente, a menos que Deus tenha misericórdia de Sua Igreja e intervenha de forma poderosa, como já fez várias vezes no passado. O que mais me preocupa quanto ao futuro é que os evangélicos estão cada vez mais achando que os valores morais e doutrinários são relativos e cada vez mais abandonando o conceito de verdades absolutas e permanentes. Essa tendência é o resultado óbvio da influência do relativismo que permeia a cultura brasileira. Uma amostragem do relativismo, que desemboca na libertinagem, pode ser encontrada em blogs, comunidades no Orkut e sites evangélicos na internet. Há comunidades evangélicas no Orkut, por exemplo, onde o sexo entre os jovens cristãos antes do casamento é defendido como se fosse absolutamente normal. Os jovens são expostos a todo tipo de doutrinação sem ter o acompanhamento de seus pastores e líderes, que via de regra não estão familiarizados com essa forma de comunicação ou não têm tempo. Pais e líderes evangélicos ficariam abismados se entrassem nessas comunidades. Por um lado, os jovens evangélicos são hoje muito mais bem informados e críticos que os de gerações anteriores. Por outro lado, receio que uma nova geração de evangélicos está se formando, em que pese o alcance ainda bastante limitado desses meios de comunicação, que verá com naturalidade a relativização dos valores morais e dos pontos doutrinários basilares do Cristianismo, com trágicos resultados para a fé e o testemunho cristãos.

No Brasil algumas igrejas que representam os neopentecostais são:
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Comunidade da Graça Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra Convenção Batista Nacional Igreja Apostólica Renascer em Cristo Igreja Apostólica Fonte da Vida Igreja Bola de Neve Igreja Comunhão Plena Igreja Celular Internacional Igreja Evangélica Templo das Águias Igreja Internacional da Graça de Deus Igreja Nacional do Senhor Jesus Cristo Igreja Novo Destino Igreja Mundial do Poder de Deus Igreja Tabernáculo Evangélico de Jesus Igreja Universal do Reino de Deus Igreja Evangélica Verbo da Vida Ministério Apascentar Ministério Internacional da Restauração Missão Socorrista Evangélica O Movimento G12 ou M12.

Entretanto, não formam um movimento homogêneo, sendo atribuído esta classificação apenas por teóricos da religião, e responsável pelo crescimento exponencial do protestantismo no Brasil e no mundo.

Os grupos neopentecostais nos jogos de poder do tempo presente por: Carolina Chalfun Mainoth “No início, a igreja era um grupo de homens e mulheres centrados no Cristo vivo. Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia. Depois, chegou até Roma e tornou-se uma instituição. Em seguida, à Europa, e tornou-se uma cultura. E finalmente, chegou à América,e tornou-se business.” 1 Estudar o fenômeno do neopentecostalismo no Brasil pode parecer, à Academia, uma operação descriteriosa pelo fato de intencionar dar conta de um fenômeno relativamente recente. No entanto, fazer a História do Tempo Presente significa justamente não se esquivar da análise destes acontecimentos já que estamos entrando em contato com questões reais que fazem parte do cotidiano dos homens de nosso tempo 2. Partindo do pressuposto que a arquitetura geopolítica mundial se transforma a partir de 1989, podemos perceber que, amparados pela multiplicação de espaços operacionais propiciada pelos avanços na informática – e, conseqüentemente, nos fluxos de comunicação – os mais variados discursos constroem diferentes realidades nas relações,

e põem em xeque os espaços oficiais ao oferecer códigos alternativos de legitimidade. Nesta lógica dos concorrentes jogos de poder no seio de um ambiente onde a informação é um produto valioso, ganham aqueles que se valerem melhor de políticas imediatistas e midiatizadas 3. Somente amparados por esta teoria podemos encontrar um sentido para o fenômeno do progresso das igrejas neopentecostais no Brasil e no mundo. No entanto, faz-se necessário conhecermos sob quais idéias o conceito de “Neopentecostalismo” se ampara. Segundo a crença cristã, após a morte e ressurreição de Jesus Cristo, os apóstolos temiam ser perseguidos e, por isto, passaram a viver escondidos. Eis que, diante do medo de evangelizar dos discípulos, Deus teria enviado sobre cada um deles, que estavam reunidos, línguas de fogo do Espírito Santo, entidade à qual se atribui o poder de inspirar e dar novo ânimo aos batizados. A partir deste fenômeno, os mesmos teriam ficado cheios de um novo ar, teriam se reavivado. Tal acontecimento se revestiu de um caráter absolutamente mágico e fantástico da manifestação do Espírito Santo, denominado Pentecostes 4. Sendo assim, se uma igreja se denomina pentecostal, evoca um “avivamento”, um entusiasmo diferenciado justamente por seu caráter divino. O prefixo “Neo” também nos induz a pensar que teria existido um outro fenômeno precedente, que o atual buscaria reeditar. De fato, as primeiras fontes que temos em relação ao pentecostalismo no Brasil datam da década de 1960, e dizem respeito ao surgimento de igrejas protestantes que traziam muita contribuição de fenômenos similares surgidos no Estados Unidos. O pentecostalismo tradicional enfatiza em suas práticas a atualização dos dons do Espírito Santo, a inspiração pelo mesmo, o “batismo de fogo”, a conversão e libertação do mal demoníaco, um puritanismo de conduta e um distanciamento do mundo 5. As igrejas neopentecostais se destacam a partir dos finais dos anos 1970 e se fortalecem a partir de meados dos anos 1980. Não há como definir uma marca principal ou específica do movimento, isto porque ele encarna várias facetas. Neste trabalho, iremos nos ocupar, justamente, em evidenciar as características mais polêmicas deste fenômeno que vem despertando a curiosidade dos demais grupos evangélicos 6, dos católicos e afro-brasileiros. Também a Academia tem se ocupado na análise do neopentecostalismo, ação que demanda um esforço cooperativo entre a História, a Psicologia, a Sociologia, a Antropologia e, até mesmo, a Publicidade, denotando a complexidade do terreno que pretendemos explorar. Sendo assim, é importante esclarecer que não iremos efetuar nenhuma análise de caráter profundo em relação às conexões com as disciplinas evocadas no parágrafo anterior. Nosso intuito é de trazer à tona as principais características das quais o neopentecostalismo se reveste, o que pode trazer alguma contribuição para o entendimento do sucesso do nosso objeto de estudo no mundo contemporâneo. Devemos mencionar que, apesar do neopentecostalismo estar concentrado em algumas grandes igrejas evangélicas, sendo elas a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), a Igreja Internacional da Graça de Deus, a Igreja Mundial do Poder de Deus, Deus é amor, Renascer em Cristo, Comunidade Sara Nossa Terra e Igreja Nacional Palavra de Fé 7, não é vertente única destas. É um modo de efetuar a leitura da Bíblia e tomá-la como respaldo para visões de mundo inéditas até então, bastante peculiares por fazer o caminho inverso ao que maioria das religiões cristãs está tradicionalmente trilhando.

Podemos afirmar que este fenômeno vem contaminando o campo religioso brasileiro, já que muitas igrejas, a partir da observação da crescente adesão popular àquelas instituições supracitadas, se vêem obrigadas a oferecer uma resposta igualmente competitiva aos desafios impostos pelos neopentecostais. As grandes divisões no seio deste movimento protestante de resposta acabam por produzir também diversos matizes, por vezes concorrentes, do neopentecostalismo. As análises sobre o nosso objeto justificam seu crescimento como resultado da transformação e acentuação do processo de urbanização, industrialização e anomia social. Ele se apresenta com liberalidade nos costumes e espaços mais elásticos na ética, ambiente ideal para a classe média na fuga do policiamento das igrejas pentecostais. Na maioria dos casos, são igrejas que surgiram de forma autônoma, como um projeto pessoal, e a falta de tradição abre caminho para uma amplitude “dogmática” 8 que conduz a uma facilidade na adequação dos discursos a fins específicos. Outro caráter que ocasiona a pulverização destas igrejas é a tendência de gerar grandes personalidades, “lideranças carismáticas” 9 que imprimem suas marcas de modo a oferecerem barreiras à formação de uma estrutura eclesiástica nacional, produzindo um “caciquismo”, um esfacelamento em “Ministérios” 10. No entanto, até agora tratamos somente de aspectos mais estruturais do nosso objeto, aqueles que menos incitam polêmicas. O centro dos debates se encontra, naturalmente, nos paradigmas da espiritualidade próprios a esta tendência. Para que compreendamos todos eles, precisamos conhecer a partir de qual pressuposto o neopentecostalismo age. A Teologia da Prosperidade, surgida nos EUA, prega que a pobreza é de origem demoníaca e que o verdadeiro Deus, que seria um pai amoroso e rico, teria a vontade de ver seus filhos sadios e prósperos. Aquele que vive excluído deste plano de riqueza estaria fora dos propósitos divinos. Todo aquele que crê nesta doutrina teria o direito de exigir de Deus a realização imediata de seus anseios devido à promessa de aliança feita com Ele, a partir da morte sacrificial de Jesus. Deste modo, Deus estaria obrigado a resolver os assuntos de saúde, de riqueza e de felicidade daqueles filhos que manifestassem fé incondicional 11. No entanto, esta incondicionalidade da fé se manifesta na oferta de dinheiro, que deve ser generosa na proporcionalidade da graça que se deseja receber. A oferta é feita na lógica do sacrifício, e não da compra da benção, o gasto com o sagrado não deve ser medido 12. Sendo assim, podemos afirmar que há o deslocamento do sentido do dinheiro, que, historicamente visto como algo impuro, assume aqui o papel de realizador da mediação com o sagrado 13. E mais, obedece a parâmetros quantitativos, já que a chance de receber a graça depende do valor ofertado. “[...] a prosperidade, cuja idéia central é de que a pobreza é o resultado da falta de fé ou de ignorância. O princípio básico da prosperidade é a doação financeira, entendida não como um ato de gratidão ou devolução a Deus (como na teologia tradicional), mas como um investimento. Devemos dar a Deus para que ele nos devolva com lucro” 14 Com a máxima “Pare de sofrer”, os neopentecostais tomam para si o poder de liquidar os problemas dos fiéis, desde os mais simples até os aparentemente de maior complexidade, como a expulsão de supostos demônios. Consideram-se detentores dos meios legítimos de resolução milagrosa das angústias dos seres humanos. Ao contrário de supervalorizar temas bíblicos tradicionais como o sacrifício e a humildade, o

privilégio é dado à valorização da fé em Deus como escada para alcance de saúde física, mental e financeira 15. Deste modo, podemos verificar que a Teologia da Prosperidade dá à classe média a identificação com os neopentecostais. O neopentecostalismo é um fenômeno de adaptação da sociedade moderna à lógica de onde parte o princípio de que tudo se vende e se compra. Como conseqüência da fé enquanto via de superação dos problemas cotidianos, o neopentecostal desescatologiza a história. O encontro transcendente com Deus é via de cura para os problemas que oferecem resistência ao sucesso do crente em sua vida terrena. E é nisso que reside a grandiosa adesão a esta corrente doutrinária: a teologia não combate os aspectos mais negados por outras religiões relativos às relações sociais. O jornal “O Mensageiro da Paz”, da Assembléia de Deus, condena. Enquanto a Folha Universal, da IURD, ensina o uso de cosméticos, atualiza as últimas tendências da moda e fala de celebridades e comportamento. Tal “informativo”, com uma tiragem que varia de 2.500.000 a 3.000.000 de exemplares, é distribuído gratuitamente em locais de grande movimento, como a estação de trens urbanos Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Estrategicamente, o jornal, os programas de televisão e rádio, além dos livros lançados 16, agem como captadores de grupos de pessoas insatisfeitas, na atração para a possibilidade de sucesso a partir da experiência religiosa. A ênfase na realização de milagres mediados pelas igrejas, a partir de rituais abundantemente emotivos, é dada na divulgação intensa de testemunhos públicos naqueles meios midiáticos de domínio das igrejas. Esta prática é fruto da sensibilidade das mesmas em captar desejos dos fiéis, capacidade que a Igreja Católica não tem, já que não dedica lugar em sua doutrina para a importância da situação financeira de seus adeptos. Desta forma, o neopentecostalismo produz um reencantamento com o mundo por inserir a religião na sociedade, e se centrar na imediatização das respostas aos sofrimentos dos fiéis, independente de serem de ordem espiritual, afetiva ou financeira
17.

Se concebermos “marketing” enquanto tarefa de criar, promover e fornecer bens e serviços a clientes 18, podemos, sem maiores constrangimentos, afirmar o caráter marketeiro das instituições neopentecostais. A produção de serviços mágicos 19 para atender aos problemas dos fiéis relativos aos males da sociedade moderna instaura um mercado religioso de compensadores 20. “A IURD como empresa religiosa sempre soube, desde seu início, na figura caris¬mática de seu líder maior, Edir Macedo, utilizar as mais modernas técnicas mer¬cadológicas de convencimento, tendo consciência de que, na sociedade de consumo, o êxito de qualquer empre¬endimento depende diretamente da satisfação das necessidades do público consumidor.” 21 Podemos concluir que tal caráter abre caminho para uma aceitação e incentivo ao prazer de viver bem, de desfrute do corpo saudável e da riqueza para benefício próprio. neopentecostalismo perdeu no caminho o tradicional mal estar do cristão no mundo. O mundo não é algo estranho, ambiente de sofrimento e aprimoramento espiritual para o alcance do céu como recompensa. Uma vida próspera é sinalizadora de profunda comunhão com um Deus de opulência, graça que só se alcança através de grandes

sacrifícios pessoais medidos na generosidade da oferta em dinheiro. O ambiente eclesiástico deve estar revestido de atmosfera de grandiosidade, vide o tamanho dos templos, e de festividade, produzindo o que podemos chamar de “religião de espetáculo”, onde os aparatos midiáticos têm grande peso. Por este discurso, na contramão dos tradicionais aspectos doutrinários do cristianismo, é que as igrejas neopentecostais são alvo de estudos acerca dos limites da ética no campo religioso. Até que ponto seria legítimo a uma corrente religiosa estabelecer seus dogmas e praticá-los com autonomia? Haveria necessidade e viabilidade do estabelecimento de códigos de ética religiosa? Seria legítimo enquadrar as religiões em tais códigos? A questão da liberdade religiosa indica que qualquer tentativa de limitação traria mais problemas que soluções a questões éticas que incomodam setores religiosos, que se sentem ameaçados diante das proporções que as igrejas neopentecostais vêm assumindo. Os surpreendentes níveis de adesão às tendências neopentecostais se devem à necessidade da escolha, por parte dos fiéis, de visões de mundo e discursos religiosos que estejam em melhor sintonia e imprimam novo sentido à sociedade atual. O neopentecostalismo captou esta necessidade e produziu um discurso, e apropriação da magia 22, que dão conta desta obsessão por sucesso e ascensão urgentes, intolerância ao sofrimento, fracasso e pobreza 23. Sendo assim, as igrejas neopentecostais usam das possibilidades operacionais oferecidas pelos recursos informatizados e midiatizados para oferecer às pessoas espaços alternativos de identificação. As relações estabelecidas, bem como as práticas, marcam um grupo que se constitui como um código novo de identificação dos indivíduos nos jogos de poder atuais, e se destaca justamente pelo êxito com que administra sua posição no jogo, questionando a posição dos outros jogadores.

b) NEO-PENTECOSTALISMO: Nos anos 50, surge um novo grupo pentecostal fazendo dos milagres e da cura divina sua principal ênfase, diferente do primeiro grupo, onde a ênfase recaía sobre a glossolalia; entretanto, a marca fundante e o aspecto doutrinário principal permaneceram inalterados. Esse segundo grupo pentecostal é liderado pela Igreja do evangelho quadrangular quando dois atores do cinema americano chegam ao Brasil em 1951: Harold Williams e Raymond Boatright. Suas primeiras atividades foi o trabalho debaixo de tendas para suas reuniões. Um outro aspecto foi a difusão por meio do rádio (que era considerado até então pelo pentecostalismo clássico como atividade “mundana”). Foi a Igreja do Evangelho quadrangular que criou a primeira escola teológica pentecostal. Fazem parte, ainda, desse primeiro grupo: Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo (1956); Igreja Pentecostal Deus é Amor (1957); Igreja de Nova Vida (1960); Casa da Benção (1964), Metodista Weslyana (1967). Além desses, muitos outros pequenos grupos surgem no Brasil, com o mesmo modelo e ênfases. É

importante notar as diferenças que começam a surgir no pentecostalismo dentro desse grupo. Em primeiro lugar a ênfase muda para as curas e as visões apesar de as línguas fazerem parte da experiência pentecostal. Um outro aspecto que começa a mudar é a participação nas atividades da sociedade como o uso do rádio, uso de estilos musicais mais modernos, criação de seminários de teologia. c ) PÓS-PENTECOSTALISMO Essa nomenclatura é pouco usual entre os que estudam o pentecostalismo. Em alguns casos, pode-se até observar os próprios pós-pentecostais acusarem a igreja pentecostal histórica de ser pós-pentecostal porque trariam um comportamento frio e incrédulo. Em nossa discussão, o termo tem uma conotação diferente. O aspecto mais importante aqui é o de ruptura. Acreditamos que o termo utilizado é o ideal para esse último grupo. Levamos em conta as diferentes ênfases. Esse modelo permanece com alguns elementos do pentecostalismo histórico, como a cura, e a oração; nota-se uma excessiva importância na figura do Espírito Santo. No entanto a grande ênfase passar a ser o exorcismo e a ação do demônio. Associado a isso está uma nova teologia que passa a fazer parte da vida evangélica pentecostal. “A teologia da saúde e da prosperidade”. Com esse grupo tem início a uma ruptura com a igreja pentecostal e um apego em suas práticas ao sincretismo religioso. Entendemos que nos anos setenta, o país recebe o impacto deste grupo pentecostal, junto com uma crise econômica sem precedentes, uma crise internacional do petróleo e vivendo uma ditadura militar. O grande discurso religioso desses grupos é que a culpa de todos os males, financeiros, de saúde e da moral, é do diabo. Com essas idéias surge então o Salão da Fé (1975), a Igreja Universal do Reino de Deus (1977), a Igreja Internacional da Graça de Deus (1980) e várias outras igrejas menores com essas mesmas idéias teológicas e práticas sincréticas dentro do pentecostalismo. Ficaram para trás as preocupações escatológicas e até mesmo a glossolalia que no início do século XX era a grande bandeira do pentecostalismo. Devido a tendência das igrejas pentecostais de aceitarem os dons de profecia e profetas, sem uma ortodoxia bíblica, criou-se um espaço para as afirmações da teologia da prosperidade, que encontrou solo fértil para se firmar. Essa teologia parecia ter raízes no início do pentecostalismo, mas na verdade ela sofreu muitas influências do positivismo, da ciência cristã, de alguns elementos da neuro-lingüística e do humanismo. Afirmam, por exemplo, que a culpa das doenças no homem e a falta de dinheiro é devido ao pecado ou a falta de fé. Para o cristão evangélico reformado e pentecostal histórico, algum posicionamentos são qustionáveis como: o ensino das “maldições hereditárias”, ou “maldições de família”. Esse tipo de conceito circula através de rádio, livros e principalmente através da televisão. Este ensino afirma que se alguém possue algum problema relacionado a pornografia, nervosismo, divórcio, aloolismo, depressão, adultério, alcoolismo e muitos outros, é por que um antepassado ou a geração passada está afetando e isso precisa ser quebrado. (mesmo se a pessoa já for um cristão).Outras questões são quanto as questões criadas por essa corrente sobre: ‘espíritos familiares’, ‘maldição de nomes próprios”, “espiritos territoriais’, ‘mapeamento espiritual’, a’ crença na morte espiritual de Jesus’. Esse assunto é uma confirmação das raízes da confissão positiva: o gnosticismo. Uma outra questão muito delicada é a questão da batalha espiritual. A igreja cristã não pode negar a verdade desta luta, mas deve ser ponderada, nesse caso específico, para aqueles, o

cristão pode ter sua vida afetada e ele ser possuido pelos demônios. Seu maior expoente neste modelo de teologia é Kenneth Hagin. SEGUNDO LIVRO METAMORPHOSIS E NEKROSIS _(SOUSA -João Bosco de – 2007) – Siciliano e livraria Poty livros.

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