*** O MAIOR VENDEDOR DO MUNDO

***
*** OG MANDINO ***
Este livro é respeitosamente dedicado ao grande vendedor,
W. CLEMENT STOME, que soube combinar amor, compai!o e inigual"vel sistema de vendagem em
uma #iloso#ia viva para o $ito, motivando e orientando a cada ano, mil%ares de pessoas a descobrirem
maior #elicidade, obterem admir"vel sa&de #'sica e mental, pa( de esp'rito, poder e rique(a.
CAPÍTULO UM
)a#id demorou*se ante o espel%o de bron(e e estudou sua imagem re#letida no metal polido.
+,penas os ol%os continuaram -ovens., murmurou ao virar*se e atravessar devagar o espa/oso
piso de m"rmore. 0assou por entre as negras colunas de 1ni que se erguiam para sustentar o teto
brunido de prata e ouro e suas pernas envel%ecidas transportaram*no pelas mesas esculpidas do ciprus
e do mar#im.
Carapa/as de tartarugas relu(iam dos canapés e dias e as paredes, marc%eteadas de gemas,
cintilavam com brocados do mais esmerado desen%o. Enormes palmeiras cresciam placidamente em
vasos de bron(e #ormando uma #onte de nin#as de alabastro, enquanto caias de #lores, como gemas
incrustadas, competiam, em aten/!o, com o seu conte&do. Nen%um visitante do pal"cio podia duvidar
de que )a#id #osse realmente sen%or de grande rique(a.
O anci!o passou por um -ardim murado e entrou no dep2sito que se estendia além da mans!o
por quin%entos passos de dist3ncia. Erasmo, seu guarda*livro c%e#e, esperava, incerto, logo depois da
entrada.
*Sauda/4es, sen%or.
)a#id assentiu com a cabe/a e prosseguiu em sil$ncio. Erasmo o seguiu, o semblante incapa(
de esconder a preocupa/!o com o pedido incomum do amo, de uma reuni!o naquele local. 0r2imo 5
plata#orma de carga, )a#id parou para observar as mercadorias sendo removidas dos carros de
bagagem e contadas ao entrar em barracas separadas.
)avia l!s, bons lin%o, pergamin%os, mel, tapetes e 2leo da 6sia Menor7 vidros, #igos, no(es e
b"lsamo de seu pr2prio pa's7 tecidos e drogas de 0almira7 gengibre, canela e pedras preciosas da
,r"bia7 mil%o, papel, granito, alabastro e balsamo do Egito7 Tape/aria da 8abil1nia7 pinturas de
9oma7 e est"tuas da :récia. O c%eiro de balsamo pesava no ar e o sens'vel e vel%o nari( de )a#id
percebia a presen/a de doces, ameias, ma/as, quei-os e gengibre.
;inalmente ele se voltou para Erasmo.
*<el%o amigo, quanta rique(a %" agora acumulada em nosso tesouro=
Erasmo empalideceu>
*Tudo, meu amo=
*Tudo.
*N!o estudei os n&meros recentemente, mas calcularia que %" um saldo de sete mil%4es de
talentos de ouro.
*E se todas a mercadorias de meus dep2sitos e emp2rios #ossem convertidas em ouro, qual
seria o resultado=
*Nosso invent"rio ainda n!o est" completo para esta temporada, meu sen%or, mas calcularia um
m'nimo de outros tr$s mil%4es de talentos.
)a#id assentiu com a cabe/a.
?
*8asta de compras de mercadorias. Trace imediatamente planos, se-a l" quais #orrem, para
vender tudo que é meu, e converta o total em ouro.
O guarda*livro abriu a boca, mas nen%um som saiu. 9ecuou como se assustado e, quando
#inalmente p1de #alar, as palavras vieram com es#or/o.
*Eu n!o entendo, sen%or. Este tem sido nosso ano mais lucrativo. Todos os emp2rios acusam
aumento nas vendas sobre as do ano anterior. ,té as legi4es romanas s!o agora nossos #regueses, pois
n!o vendeu o sen%or ao 0rocurador de @erusalém du(entos garan%4es "rabes nesta quin(ena= 0erdoe*
me a ousadia, pois raramente discuto suas determina/4es, meu sen%or, mas esta ordem eu n!o posso
compreender...
)a#id sorriu gentilmente e apertou a m!o de Erasmo.
*Meu compan%eiro de con#ian/a, tem sua mem2ria su#iciente #or/a para recordar a primeira
ordem recebida de mim, quando entrou neste emprego, muitos anos atr"s=
Erasmo #ran(iu a testa momentaneamente e ent!o sua #ace iluminou*se.
*;ui encarregado pelo sen%or de retirar, todo ano, a metade do lucro de nosso tesouro e
distribui*las aos pobres.
*N!o me considerou voc$, naquela época, um insensato %omem de neg2cios=
*Eu tin%a grandes pressentimentos, sen%or.
)a#id assentiu e estendeu os bra/os para as plata#ormas de carga.
*,dmite, agora, que sua preocupa/!o era sem #undamento=
*Sim sen%or.
Ent!o deie*me encora-a*lo a ter #é nesta decis!o, até que eplique os meus planos. Eu sou
agora um vel%o e min%as necessidades s!o simples. Aesde que min%a adorada Lis%a #oi a muito
retirado de mim ap2s tantos anos de #elicidade, é meu dese-o distribuir toda a min%a rique(a com os
pobres desta cidade. :uardarei comigo apenas o su#iciente para completar min%a vida sem
descon#orto. ,lém de #a(er nosso invent"rio, dese-o que voc$ providencie os documentos necess"rios
que trans#erir!o a propriedade de todo emp2rio 5quele que o dirige para mim. Aese-o também que
voc$ distribua cinco mil talentos de ouro entre esses administradores, como recompensa por seus anos
de lealdade e para que eles possam reabastecer suas prateleiras de maneira que l%es agradar.
Erasmo come/ou a #alar, mas a m!o erguida de )a#id o silenciou.
*, tare#a parece*l%e desagrad"vel=
O guarda*livros balan/ou a cabe/a e tentou sorrir.
*N!o, meu sen%or, apenas n!o posso entender seu racioc'nio. Suas palavras s!o de um %omem
cu-os dias est!o contados.
*B do seu car"ter, Erasmo, que suas preocupa/!o deva ser por mim, ao invés de por voc$
pr2prio. N!o cogita voc$ de algo para seu #uturo, quando nosso império comercial #or dispersado=
*Ten%o sido compan%eiros por muitos anos. Como posso, agora, pensar somente em mim=
)a#id abra/ou seu vel%o amigo e replicou7
*N!o é necess"rio. 0e/o*l%e que trans#ira imediatamente cinqCenta mil talentos de ouro para
seu nome, e suplico*l%e que permane/a comigo até que uma promessa que #i(, %" muito tempo, se-a
cumprida. Observada a promessa, legarei este pal"cio e dep2sito a voc$, pois ent!o estarei pronto para
reunir*me a Lis%a.
O vel%o guarda*livros #itou o amo, incapa( de compreender as palavras que ouvira.
*CinqCenta mil talentos de ouro, o pal"cio, o dep2sito... n!o #a/o por merecer...
)a#id assentiu com a cabe/a.
*Sempre contei sua ami(ade como meu maior bem. O que agora entrego a voc$ é de pouca
import3ncia, comparado 5 sua in#ind"vel lealdade. <oc$ dominou a arte de viver n!o para si
eclusivamente, mas para os outros, e essa preocupa/!o timbrou*o acima de tudo como um %omem
entre os %omens. ,gora eu o incito a apressar a consuma/!o dos meus planos. O tempo é o que de
mais precioso eu possuo e a ta/a do tempo de min%a vida est" quase c%eia.
Erasmo voltou o rosto para ocultas as l"grimas.
Sua vo( embargou, ao perguntar>
D
*E o que é a promessa, ainda por cumprir= Conquanto ten%amos sido como irm!os, nunca ouvi
o sen%or #alar de tal coisa.
)a#id cru(ou os bra/os e sorriu.
*Encontra*lo*ei de novo ao desincumbir*se de min%as ordens desta man%!. 9evelar*l%e*ei,
ent!o, um segredo que n!o partil%ei com ninguém, eceto min%a adorada esposa, por cerca de trinta
anos.
CAPÍTULO DOIS

E ent!o sucedeu que uma caravana maci/amente guardada logo partiu de Aamasco
transportando certi#icados de propriedade e ouro para aqueles que dirigiam cada um dos emp2rios de
)a#id. Ae Obed, em @oppa, , 9euel, em 0etra, cada um dos de( administradores recebeu a not'cia da
retirada e do presente de )a#id em pasmado sil$ncio. ;inalmente, ap2s #a(er sua &ltima parada no
emp2rio em ,ntipatris, estava #inda a miss!o da caravana.
O mais poderoso império comercial de seu tempo n!o mais eistia.
Com o cora/!o pesado de triste(a, Erasmo mandou avisar ao amo que o dep2sito estava va(io e
que os emp2rios n!o mais ostentavam a orgul%osa bandeira da )a#id. O mensageiro regressou com
um pedido de que Erasmo se encontrasse imediatamente com o amo pr2imo 5 #onte, no peristilo.
)a#id estudou o rosto de seu amigo e perguntou>
*;e( tudo=
*Tudo, meu sen%or.
*N!o de a#li-a, meu bom amigo, e siga*me.
,penas o som de suas sand"lias ecoava no gigantesco aposento quando )a#id levou Erasmo
para a escadaria de m"rmore que #icava ao #undo. Seus passos diminu'ram momentaneamente ao se
aproimarem de um solit"rio vaso de #luorita em alta plata#orma de madeira de "rvore c'trica e ele
observou que a lu( do sol tin%a mudado a cor do vidro, de branco para p&rpura. Sua #ace, envel%ecida
pelos anos, estampou um sorriso.
Ent!o os dois vel%os amigos come/aram a subir os degraus que levavam ao quarto sob a
c&pula do pal"cio. Erasmo notou que a guarda armada n!o mais eistia. ;inalmente gan%aram o
patamar e pararam, visto que ambos estavam quase sem #1lego pelo es#or/o da subida. Aepois
seguiram para o segundo patamar e )a#id retirou a pequena c%ave do cinto, destrancou a pesada porta
de carval%o e #or/ou*a com o corpo, com o que ela se abriu, rangendo. Erasmo %esitou até que seu
amo acenasse para entrar e, ent!o, avan/ou timidamente para o quarto onde ninguém tivera permiss!o
para entrar, por cerca de trinta anos.
Cin(enta e empoeirada lu( irradiava de pequenas torres acima de Erasmo, que se agarrou ao
bra/o de )a#id até que seus ol%os se acostumaram 5 semi*escurid!o. Com um leve sorriso, )a#id
observou Erasmo, que, locomovendo*se lentamente, saiu num quarto va(io, eceto por um pequeno
ba& de cedro iluminado por #eie de lu( solar num canto.
*N!o est" desapontado, Erasmo=
*N!o sei o que di(er, sen%or.
*N!o est" desapontado com os m2veis= Certamente o conte&do deste quarto tem sido assunto
de conversa de muitos. <oc$ nunca especulou sobre o mistério que envolve tudo aqui se encontra e
que eu guardo t!o (elosamente por t!o longo tempo=
Erasmo assentiu com a cabe/a.
*B verdade. Tem %avido muita conversa e muitos rumores, pelos anos, quanto ao que nosso
amo guarda escondido aqui na torre.
E
*Sim, meu amigo, e muitos deles eu ouvi. Tem*se dito que aqui se guarda barris de diamantes,
lingotes de ouro, ou animais selvagens, ou p"ssaros raros. Certa ve( um pesa, mercador de tapetes, deu
a entender que talve( eu mantivesse aqui um pequeno %arém. Lis%a riu, ao imaginar*me com uma
cole/!o de concubinas. Mas, como voc$ pode ver, nada %" aqui, eceto um pequeno ba&. ,gora ven%a
para c".
Os dois se agac%aram*se ao lado do ba& e )a#id cuidadosamente come/ou a soltar as correias
de couro que o envolviam. Ele inalou a #ragr3ncia do cedro e, #inalmente, empurrou a tampa, que se
abriu em sil$ncio. Erasmo curvou*se 5 #rente e espiou sobre o ombro de )a#id o conte&do da arca.
Ol%ou para )a#id e balan/ou a cabe/a de espanto. Nada %avia na arca sen!o pergamin%os...
pergamin%os de couro.
)a#id estendeu a m!o e gentilmente retirou um dos rolos. 0or momentos, apertou*o ao peito e
cerrou os ol%os. Fma calma tranqCila pairou*l%e sobre o rosto, apagando as marcar da idade. Ent!o,
p1s*se de pé e apontou para o ba&.
*;osse este quarto enc%ido até as vigas de diamantes, seu valor n!o superaria o que seus ol%os
v$em nestas simples caia de madeira. Todo o $ito, #elicidade, amor, pa( de esp'rito e rique(a de que
des#ruto provém diretamente do que est" contido nestes poucos pergamin%os. Meu débito para com
eles e para com o s"bio que os con#iou ao meu cuidado n!o pode -amais ser retribu'do.
,ssustado pelo tom de vo( de )a#id, Erasmo recuou e perguntou>
*B este o segredo a que o sen%or se re#eriu= Este ba& se ac%a de alguma maneira ligado 5
promessa que o sen%or tem de cumprir ainda=
*, resposta é +sim. a ambas as suas perguntas.
Erasmo passou a m!o pela testa mol%ada de suor e #itou )a#id com descren/a.
*Gue est" escrito nestes pergamin%os, que l%es con#ere valor maior que o de diamantes=
*, ece/!o de um, todos estes pergamin%os contém um princ'pio, uma lei, ou uma verdade
#undamental, escritos num &nico estilo, para a-udar o leitor a entender seu signi#icado. 0ara se tornar
um mestre na arte de vender, deve*se aprender e praticar o segredo de cada um destes pergamin%os.
Guando se dominam estes princ'pios, tem se o poder de acumular toda rique(a que se dese-a.
Erasmo #itou o pergamin%o com assombro.
*9ico até mesmo como o sen%or=
*,té mais rico se quiser.
*O sen%or a#irmou que, 5 ece/!o de um, todos estes pergamin%os contém princ'pios de venda.
O que contém o &ltimo pergamin%o=
*O &ltimo pergamin%o como voc$ o c%ama, é o primeiro que deve ser lido, -" que cada um é
numerado para ser lido em seqC$ncia especial. E o primeiro contém um segredo que tem sido dado a
pequena por/!o de s"bios através da %ist2ria. Em verdade, ele ensina a maneira mais e#etiva de
aprender o que est" escrito nos demais.
*0arece ser uma tare#a que ninguém possa reali(ar.
*B, na verdade, uma tare#a simples, desde que se queira pagar o pre/o, em tempo e
concentra/!o, até que cada princ'pio se torne uma parte da personalidade de cada um7 se torne como
um %"bito.
Erasmo meteu a m!o no ba& e retirou um pergamin%o. Segurando*o gentilmente entre os
dedos, passou*o a#oito para )a#id.
*0erdoe*me, meu amo, mas por que ra(!o n!o partil%ou estes princ'pios com outro,
especialmente aqueles que labutam %" muito tempo com o sen%or= Se o sen%or sempre mostrou tanta
generosidade em todas as outras quest4es, como é que todos que venderam pelo sen%or n!o gan%aram
a oportunidade de ler estas palavras de sabedoria e, dessa maneira, enriquecer também= ,#inal de
contas, todos seriam mel%ores vendedores com t!o valiosa sabedoria. 0or que o sen%or manteve para
si estes princ'pios por todos estes anos=
*Eu n!o tin%a escol%a. )" muitos anos atr"s, quando estes pergamin%os #oram a mim
con#iados, prometi sob -uramento que partil%aria seu conte&do com apenas uma pessoa. ,té %o-e n!o
entendo o racioc'nio desse estran%o pedido, mas ordenaram*me aplicar os princ'pios dos pergamin%os
5 min%a pr2pria vida, até que um dia alguém aparecesse e necessitasse, mais do que eu quando -ovem,
H
da a-uda e orienta/!o nelas contidas. Aisseram*me que mediante algum sinal eu recon%eceria a pessoa
a quem os pergamin%os, mesmo que tal pessoa n!o soubesse estar procurando os pergamin%os.
+Esperei com paci$ncia e enquanto esperava apliquei estes princ'pios como me #oi permitido
#a(er. Com sua sabedoria tornei*me o que muitos c%amam +o maior vendedor de seu tempo. ,gora,
Erasmo, talve( voc$ entenda, a#inal, por que algumas de min%as a/4es através dos anos l%e pareceram
estran%as e impratic"veis e, contudo resultaram em $ito. Sempre #oram meus #eitos e decis4es
guiados por estes pergamin%os7 portanto, n!o #oi através de min%a sabedoria que adquirimos tantos
talentos de ouro. ;ui apenas o instrumento de reali(a/!o.
*O sen%or ainda cr$ que aquele que deve receber tais pergamin%os do sen%or, meu amo,
aparecer" ap2s tanto tempo=
*Sim.
)a#id recolocou gentilmente os pergamin%os e #ec%ou o ba&. Ae -oel%os, #alou, brandamente>
*<oc$ #icar" comigo até esse dia, Erasmo=
O guarda*livros adiantou*se, ban%ado por uma lu( branda, e eles se apertaram as m!os. Ele
assentiu com a cabe/a e depois se retirou do quarto, como se sob uma ordem ine#"vel de seu amo.
)a#id rep1s as correias de couro no ba&, ergueu*se e dirigiu*se para uma pequena torre. 0assando por
ela, seguiu para um palanque que cercava a grande c&pula.
Fm vento do levante soprava*l%e a #ace, tra(endo consigo o aroma de lagos e do deserto na
dist3ncia. Ele sorriu como se estivesse postado sobre os tel%ados de Aamasco e seus pensamentos
retrocederam tempo adentro...
CAPÍTULO TRÊS
No inverno, o #rio era cruel Monte das Oliveiras. Ae @erusalém, pela estreita abertura do <ale
Iidrom, vin%a o c%eiro de #uma/a, incenso e carne queimada do Templo, e esse ar impuro misturava*
se com o odor resinoso dos terebintos da montan%a.
Num declive descampado, a curta distancia da aldeia de 8etpagee, dormitava a imensa
caravana de mercadorias de 0at%ros de 0almira. , %ora -" era avan/ada e até os garan%4es #avoritos
dos grandes tin%am parado de pastar nos ralos arbustos de pist"ceas e deitavam -unto a uma macia
cerca de louros.
0ara além das longas #ilas de tendas em sil$ncio, grossos cip2s de c3n%amo se enrolavam em
quatro oliveiras antigas. Elas #ormavam um curral esquadre-ado, cercando con#usas #ormas de camelos
e burros amontoados para se aquecerem uns nos outros. Eceto por dois vigias, que rondavam
pr2imos aos carros de bagagem, o &nico movimento no campo era o da alta e m2vel sombra
delineadas na grande tenda de pele de cabra de 0at%ros.
No seu interior, 0at%ros passeava de um lado para outro, parando ocasionalmente, quando
ent!o #ran(ia a testa e balan/ava a cabe/a para o -ovem a-oel%ado timidamente pr2imo 5 entrada da
tenda. ;inalmente assentou o corpo a#lito no tapete bordado a ouro e acenou para o rapa( se
aproimar.
*)a#id, voc$ sempre como de min%a #am'lia. Estou perpleo e embara/ado com o seu estran%o
pedido. <oc$ n!o est" contente com seu servi/o=
Os ol%os do rapa( estavam #ios no tapete.
*N!o, sen%or.
*Talve( o taman%o sempre cresce da nossa caravana tin%a #eito a sua tare#a de tratar dos
camelos e dos burros grande demais. B isso=
*N!o, sen%or.
J
*Ent!o, por #avor, repita o seu pedido. Knclua também, em suas palavras, a ra(!o de t!o
incomum pedido.
*B meu dese-o tornar*me um vendedor de suas mercadorias, meu sen%or, em ve( de guardador
de camelos. Aese-o ser como )ada%, Simom, Caleb e outros, que partem de nosso carro de bagagem
com animais quase a raste-ar com o peso de suas mercadorias e regressar com ouro para o sen%or, meu
amo, e para eles também. Aese-o mel%orar min%a baia posi/!o na vida. Como guardador de camelos
n!o sou nada, enquanto como um vendedor para o sen%or posso adquirir rique(a e $ito.
*O que l%e d" esta certe(a=
*Ten%o ouvido #reqCentemente o sen%or di(er que nen%um outro neg2cio ou o#'cio o#erece
mais oportunidades para uma pessoa se erguer da pobre(a para a grande rique(a do que o de
vendedor.
0at%ros p1s*se a assentir com a cabe/a mas pensou um pouco e continuou a perguntar ao
-ovem>
*Cr$ voc$ que é capa( de desempen%ar suas #un/4es como )ada% e outro vendedores=
)a#id miLrou atentamente o anci!o e replicou>
*Muitas ve(es ouvi, por acaso, Caleb queiar*se como o sen%or dos a(ares que esplicam sua
#alta de vendas e muitas ve(es ouvi o sen%or lembrar*l%e que qualquer um seria capa( de vender todas
as mercadorias de seu dep2sito, meu sen%or, em pouco tempo, se se dedicasse a aprender os princ'pios
e leis de vendas. Se o sen%or cr$ que Caleb, a quem todos c%ame*as tolo, pode aprender esses
principio, n!o posso eu também adquirir essa sabedoria especial=
*Se voc$ dominasse estes princ'pios, qual seria o grande son%o de sua vida=
)as#id %esitou e dep1s respondeu>
*Tem*se repetido pela terra que o sen%or é um grande vendedor. O mundo -amais viu um
império comercial t!o grande como o que o sen%or construiu com o dom'nio da arte de vender. Min%a
ambi/!o é tornar*me maior que o sen%or, o maior mercador, o %omem mais rico, o maior vendedor de
todos o mundoM
0at%ros recuou e estudou aquele rosto -ovem e escuro. O c%eiro dos animais estava em suas
roupas, mas o -ovem demonstrava pouca %umildade nas maneiras.
*E o que #ar" com essa grande rique(a e espantoso poder que certamente o acompan%ar!o=
*;arei como o sen%or. Min%a #am'lia ser" provida com os mel%ores bens mundanos e o resto
dividirei com aqueles em priva/!o.
0at%ros balan/ou a cabe/a.
*9ique(a, meu #il%o, n!o devia nunca ser seu grande son%o. Suas palavras s!o eloqCentes mas
s!o meras palavras. , verdadeira rique(a é a do cora/!o, n!o a da bolsa.
)a#id %esitou.
*N!o é o sen%or rico, meu amo=
O anci!o sorriu da ousadia de )a#id.
*)a#id, no que toca 5 rique(a material, %" apenas uma di#eren/a entre mim e o mais baio
mendigo que ronda o pal"cio de )erodes. O mendigo pensa apenas em seu pr2imo prato de comida e
eu penso apenas naquele que ser" o meu ultimo prato de comida. N!o meu #il%o, n!o aspire 5 rique(a e
ao trabal%o apenas para ser rico. Es#orce*se, em ve( disso, pela #elicidade, para ser amado e amar, e,
mais importante, para adquirir pa( de esp'rito e serenidade.
)a#id persistia>
*Mas essas coisas s!o imposs'veis sem ouro. Guem pode viver, na pobre(a, com pa( de
esp'rito= Como se pode demonstrar amor por uma #am'lia se se é incapa( de alimenta*la, vesti*la e dar*
l%e casa para morar= O sen%or mesmo di( que a rique(a é boa quando tra( alegria aos outros. 0or que
ent!o n!o é boa para a min%a ambi/!o de ser rico= , pobre(a pode ser um privilégio e até uma
maneira de vida para o monge no deserto, pois ele tem apenas a si mesmo para sustentar e ninguém, se
n!o a seu Aeus, para agradar, mas eu considero como a marca de uma #alta de capacidade ou de
ambi/!o. Eu n!o sou de#iciente em nen%uma dessas qualidades.
0at%ros #ran(iu a testa>
N
*O que l%e causou este s&bito acesso de ambi/!o= <oc$ #ala em prover uma #am'lia, mas n!o
tem uma #am'lia alguma, pois #ui eu que o adotei, desde que a peste levou seus pais.
, pele amorenada de sol de )a#id n!o pode esconder*l%e o s&bito rubor das #aces.
*Enquanto acampamos em )ebrom antes de via-armos para c", eu con%eci a #il%a de Calne%.
Elas... ela...
*O%, o%, agora a verdade aparece. O amor, n!o nobres ideais, #e( de meu guardador de camelos
um poderoso soldado pronto a en#rentar o mundo. Calne% é %omem muito rico. Sua #il%a e um
guardador de camelos= Mas sua #il%a e um rico, -ovem e simp"tico mercador... a%, essa é outra
%ist2ria. Muito bem, meu -ovem soldado,eu o a-udarei a iniciar sua carreira de vendedor.
O rapa( caiu de -oel%os e agarrou*se 5s veste de 0at%ros.
*Sen%or, sen%orM Como posso mostrar*l%e min%a gratid!o=
0at%ros esquivou*se do aperto de )a#id e recuou.
*Eu sugeriria que suspendesse sua gratid!o por enquanto. Gualquer a-uda que l%e d$ ser" como
um gr!o de areia comparado 5s montan%as que voc$ deve mover em seu pr2prio bene#'cio.
, alegria de )a#id imediatamente se amainou ao perguntar>
*O sen%or vai ensinar*me os princ'pios e leis que me trans#ormar!o em um grande vendedor=
*N!o ensinarei, como n!o tornei sua in#3ncia branda e #"cil pelo mimo. Ten%o sido criticado
#reqCentemente por condenar meu #il%o adotivo 5 vida de guardador de camelos, mas creio que, se o
#ogo bom queimasse por dentro, ele #inalmente emergiria... e quando tal ocorresse voc$ seria mais
%omem para seus anos de "rdua labuta. Esta noite seu pedido deiou*me #eli(, pois o #ogo da ambi/!o
relu( em seus ol%os e sua #ace bril%a com ardente dese-o. Ksto é bom e min%a suposi/!o sustentou*se,
mas voc$ deve ainda provar que %" mais em suas palavras do que simplesmente ar.
)a#id permaneceu silencioso e anci!o seguiu>
*0rimeiro, voc$ deve provar*me e, mais importante, a si mesmo, que pode suportar a vida de
vendedor, pois n!o é destino #"cil o que escol%eu. <erdadeiramente, muitas ve(es voc$ me ouviu di(er
que as recompensas s!o grandes se se tem $ito,mas apenas porque pouqu'ssimos t$m $ito. Muitos
sucumbem ao desespero e #al%am sem perceber que -" possuem todos os instrumentos necess"rios para
adquirir grande rique(a. Muitos outros en#rentam os obst"culos do camin%o com medo e d&vida e os
consideram inimigos, quando, em verdade, esses empecil%os s!o amigos e colaboradores. Os
obst"culos s!o necess"rios para o $ito, pois em venda, como em todas as carreiras de import3ncia, a
vit2ria s2 vem apenas ap2s muitas lutas e in&meras derrotas. Contudo, cada luta, cada derrota, agu/a
suas técnicas e #or/as, a coragem e persist$ncia, sua capacidade de con#ian/a e, assim7 cada obst"culo
é um compan%eiro de armar #or/ando*o a mel%orar... ou desistir. Cada malogro é uma oportunidade
para seguir avante. Aesvie*se deles, evite*os, e voc$ desperdi/a seu #uturo.
O -ovem assentiu com a cabe/a e amea/ou #alar, mas o anci!o ergueu a m!o e perseguiu>
*,demais. <oc$ est" se aventurando na mais solit"ria pro#iss!o do mundo. ,té os despre(ados
coletores de impostos regressam aos lares ao p1r*do*sol e as legi4es de 9oma t$m um quartel a que
denominam lar. Mas voc$ testemun%ar" muitos pores*do*sol, distante dos amigos e dos entes queridos.
Nada tra( a dor da solid!o a um %omem t!o rapidamente quando passar por uma casa estran%a e
testemun%ar, 5 lu( do lampi!o, uma #am'lia partindo o p!o ao anoitecer no aconc%ego do lar.
+Ser" nesses per'odos de solid!o que as tenta/4es o a#rontar!o. , maneira como voc$ de#ronta
essas tenta/4es a#etar" grandemente sua carreira. Estar*se na estrada apenas com o animal, é uma
sensa/!o estran%a e, #reqCentemente assustadoras. Muitas ve(es esquecemos nossas perspectivas e
nossos valores e nos sentimos como crian/as, o que ac%amos como substituto -" encerrou a carreira de
muitos, inclusive mil%ares que eram considerados de grande potencial na arte de vender. ,demais, n!o
%aver" ninguém para distrai*lo ou consola*lo quando n!o vender nen%uma mercadoria7 ninguém,
eceto aqueles que procuram separa*lo de sua algibeira..
*Eu serei cuidadoso e seguirei 5 risca o seu consel%o, meu sen%or.
*Ent!o vamos come/ar. 0or enquanto voc$ n!o receber" mais nen%um consel%o. Coloque*se
diante de mim como um #igo verde. ,té que o #igo amadure/a n!o pode ser c%amado e até que voc$
n!o se ten%a eposto ao con%ecimento e 5 eperi$ncia n!o pode ser c%amado de vendedor.
*Como come/arei=
O
*0ela man%!, voc$ ir" #alar com S'lvio, no carro de bagagem. Ele deiar" sob sua incumb$ncia
uma das nossas mel%ores e mais novas t&nicas. B tecido com pelo de cabra e resistir" até 5 c%uva mais
pesada. Ela é tingida com vermel%o das ra'(es da garan/a, para que a/or n!o se solte.0r2imo a bain%a
voc$ encontrar" bordada, pelo lado de dentro, uma pequena estrela. B o s'mbolo de Tola, cu-a #"brica
#a( as mel%ores t&nicas do mundo. @" pr2imo 5 estrela est" o meu s'mbolo, um circulo dentro de um
quadrado. ,mbos o s s'mbolos s!o con%ecidos e respeitados por todo o pa's e vendemos in&meros
mil%ares de t&nicas. Ten%o negociado com os @udeus por tanto tempo que apenas sei seus nomes por
um vestu"rio como esse. B c%amado de abeyah.
+0egue a t&nica e uma mula e parta ao aman%ecer para 8elém, a aldeia pela qual nossa
caravana passou antes de c%egar aqui. Nen%um de nossos vendedores -amais a visitou. Ai(em que é
uma perda de tempo, porque o povo é muito pobre, mas a muitos anos atr"s vendi cem t&nicas entre os
pastores de l". 0ermane/a em 8elém até vender uma t&nica.
)a#id assentiu com a cabe/a, tentando em v!o ocultar a emo/!o.
*, que pre/o, devo vender a t&nica, meu amo=
Aebitarei um den"rio de prata em seu nome no meu livro. ,o voltar, voc$ me devolve um
den"rio de prata. :uarde o que receber a mais como comiss!o e assim, realmente, voc$ pr2prio vai
determinar o pre/o da t&nica. 0ode visitar a #ira que #ica no port!o Leste da cidade ou o#erecer em
cada porta da cidade, a qual, estou certo, tem cerca de mil. Certamente, é conceb'vel que uma t&nica
se-a vendida l", n!o ac%a=
)a#id assentiu de novo, -" pensando no dia seguinte.
0at%ros colocou a m!o gentilmente no ombro do rapas.
*N!o colocarei ninguém em seu servi/o até que volte. Se descobrir que seu est1mago n!o é
para esta pro#iss!o, eu entenderei, e voc$ n!o precisar" se considerar em des#avor. Nunca se
envergon%e de tentar e #racassar, pois se alguém nunca #racassou é porque nunca tentou. Guando
voltar, perguntarei detidamente a respeito de suas eperi$ncias. S2 ent!o decidirei como proceder para
a-uda*lo a #a(er com que seus vagos son%os se concreti(em.
)a#id curvou*se e virou para sair, mas o anci!o ainda prosseguiu>
*;il%o, %" um preceito que voc$ deve guardar ao come/ar essa nova vida. Ten%a*o sempre
presente e vencer" obst"culos aparentemente imposs'veis, que com certe(a encontrar", como todo
aqueles que t$m ambi/!o.
)a#id esperou.
Sim, sen%or=
-O fracasso jamais o surpreenderá se sua decisão de vencer for suficientemente forte

0at%ros adiantou para o -ovem.
*<oc$ compreende todo o signi#icado de min%as palavras=
*Sim, sen%or.
*9epita*as, ent!o, para mim.
-O fracasso jamais me surpreenderá! se min"a decisão de vencer for suficientemente forte
CAPÍTULO QUATRO

)a#id p1s de lado o peda/o de p!o mordiscado e pensou em seu in#eli( destino. ,man%! seria
seu quarto dia em 8elém e a &nica t&nica vermel%a que ele retirara t!o con#iante da caravana estava
ainda no embrul%o no lombo do animal, agora amarrado numa estaca na gruta atr"s da %ospedaria.
P
Ele n!o ouvia o barul%o que o cercava no superlotado re#eit2rio, ao #a(er careta, re#ei/!o, a
re#ei/!o ainda por terminar. A&vidas que assaltavam todo vendedor, desde o come/o dos tempos,
passavam*l%e pela mente.
+0or que as pessoas n!o me d!o ouvidos= Como atrair sua aten/!o= 0or que #ec%am suas portas
antes mesmo que eu ten%a dito cinco palavras= 0or que perdem o interesse pela min%a conversa e se
a#astam= Ser" todo mundo pobre, nesta cidade= O que posso di(er quando eles declaram que gostam
da t&nica mas n!o podem paga*la= 0or que tantos me di(em para passar depois= Como os outros
conseguem vender, quando eu n!o consigo= Gue medo é este que me domina quando me aproimo de
uma porta #ec%ada e como posso vence*lo= Ser" que meu pre/o n!o #a( par com o dos outros
vendedores=
8alan/ou a cabe/a, em desgosto pelo #racasso. Talve( n!o #osse aquela a vida para ele. Talve(
devesse continuar como guardador de camelos e gan%ar apenas moedas de cobre por dia de trabal%o.
Como vendedor de mercadorias, #icaria verdadeiramente #eli( se voltasse para a caravana, sem lucro
absolutamente nen%um. Ae que o c%amara 0at%ros= Fm -ovem soldado= Ele quis mentalmente que
estivesse de volta aos animais,
Seus pensamentos voltaram*se, ent!o, para Lis%a e seu severo pai, Calne%, e as d&vidas
imediatamente o abandonaram. ,quela noite ele dormiria de novo nas colinas para conservar suas
economias e na man%! seguinte venderia a t&nica. ,demais, #alaria com tal eloqC$ncia que conseguiria
um bom pre/o por ela. Come/aria cedo, logo ap2s o alvorecer, e se instalaria pr2imo 5 #onte da
cidade. Airigir*se*ia a todos que se aproimassem e dentro de pouco tempo estaria retornando ao
Monte das Oliveiras com prata nos bolsos.
Estendeu a m!o para pegar o resto de p!o e se p1s a comer enquanto pensava no amo. 0at%ros
iria orgul%ar*se dele, pois n!o desesperara ou regressara como #racassado. Em verdade, quatro dias era
muito tempo para consumar a venda de apenas uma &nica t&nica, mas ele sabia que se reali(asse o
#eito em quatro dias poderia aprender com 0at%ros a reali(a*lo em tr$s e, depois, em dois dias. Com
tempo, tornar*se*ia t!o e#iciente que venderia muitas t&nicas numa s2 %oraM Seria, ent!o
verdadeiramente, um vendedor de reputa/!o.
Aeiou a barul%enta %ospedaria e rumou para a gruta e seu animal. O #rio endurecera a grama
com uma #ina camada de geada e cada #ol%in%a queiava*se, estalando com a press!o de suas
sand"lias.
,man%!, sabia, seria um dia mel%or, visto entender agora porque outros sempre se desviavam
da aldeia empobrecida. Tin%am dito que nada se vendia ali e ele recordava essas palavras toda ve( que
alguém recusava comprar sua t&nica. 0at%ros, contudo, vendera centenas de t&nicas ali, muito tempo
antes. Talve( os tempos tivessem sido di#erentes, a#inal de contas, 0at%ros era um grande vendedor.
Fma cintilante lu( vinda da gruta #é*lo apertar os passos temendo algum ladr!o. Ele correu
para a entrada pronto a derrubar o bandido e reaver seus bens. No entanto, a tens!o imediatamente o
abandonou 5 vista do que con#rontava. Fma pequena vela, #or/ada numa #enda na parede da gruta,
bril%ava #racamente sobre um %omem barbado e uma -ovem, ac%egados intimamente. , seus pés,
numa pedra esburacada, onde usualmente #icava a #orragem do gado, dormia um menino. )a#id
con%ecia pouco de tais coisas, mas sentiu, pela pele enrugada e sangu'nea, que o menino era recém*
nascido. 0ara proteger do #rio o menino que dormia, ambos os mantos, e do %omem e o da mul%er,
cobriam*no todo, menos a cabecin%a.
O %omem assentiu com a cabe/a na dire/!o de )a#id enquanto a mul%er ac%egava*se 5 crian/a.
Ninguém #alou. Ent!o a mul%er tiritou de #rio e )a#id viu que o #ino vestu"rio dela o#erecia pouca
prote/!o contra a umidade da gruta. )a#id #itou novamente o menino. Observou #ascinado como sua
boca pequena abria e #ec%ava quase num sorriso e uma
estran%a sensa/!o o assaltou. 0or alguma ra(!o descon%ecida, pensou em Lis%ia. , mul%er
tiritou novamente e seu movimento s&bito despertou )a#id do devaneio.
,p2s dolorosos momentos de indecis!o, o suposto vendedor encamin%ou*se para seu animal.
Cuidadosamente, desatou os n2s, abriu o embrul%o e retirou a t&nica. Aesdobrou*a e correu a m!o
sobre o tecido. , tintura vermel%a relu(iu com a lu( da vela e ele p1de ver o s'mbolo de 0at%ros e o de
Tola, na parte de baio. O c'rculo no quadrado e a Estela. Guantas v$(es erguera essa t&nica nos
Q
bra/os cansados, nos &ltimos tr$s dias= 0arecia*l%e que con%ecia toda con#igura/!o e cada uma de suas
#ibras. Era, realmente, uma t&nica de qualidade. Com cuidado, duraria uma eist$ncia.
)a#id #ec%ou os ol%os e suspirou. Aepois, dirigiu*se com rapide( 5 pequena #am'lia, a-oel%ou
na pal%a ao lado do menino e gentilmente, retirou o manto do pai e, depois, o da m!e. Aevolveu cada
um ao seu dono. ,mbos estavam c%ocados demais com a ousadia de )a#id para reagirem. Ent!o %a#id
abriu a preciosa t&nica vermel%a e, gentilmente, agasal%ou com ela a crian/a que dormia.
, umidade do bei-o da -ovem m!e ainda esta na #ace de )a#id ao condu(ir seu animal para #ora
da gruta. Airetamente acima dele encontrava*se a mais bril%ante estrela que )a#id -amais vira. Ele a
#itou, até que seus ol%os se enc%eram de l"grimas, e ent!o puou seu animal pelo camin%o que levava
5 estrada principal de volta a @erusalém e 5 caravana na montan%a.

CAPÍTULO CINCO


)a#id seguiu devagar, a cabe/a ca'da para n!o mais notar a estrela espal%ando seu camin%o de
lu( diante dele. 0or que cometera um ato t!o tolo= N!o con%ecia aquelas pessoas na gruta. 0orque n!o
tentara vender*l%es a t&nica= O que diria 0at%ros. E os outros= Eles rolariam no c%!o, rindo, quando
souberem que dera de gra/a a t&nica que se incumbira de vender. E para um menino descon%ecido,
numa gruta. 9ebuscou na cabe/a uma %ist2ria que pudesse contar a 0at%ros. Talve( pudesse di(er que
a tRRunica #ora roubada de seu animal, enquanto estava no re#eit2rio. Creria 0at%ros em tal %ist2ria=
,#inal de contas, %avia muitos bandidos na terra. E se 0at%ros acreditasse, n!o seria, ent!o culpa de
desleio=
Logo alcan/ou o camin%o que levava ao @ardim de :ets$mane. Aesmontou e encamin%ou*se
can/adamente 5 #rente da mula, até c%egar 5 caravana. , lu( do céu parecia a lu( do dia, e o momento
que temia rapidamente se avi(in%ou, assim que viu seu amo 0at%ros, do lado de #ora da tenda, #itando
os céus. )a#id permaneceu inerte, mas o anci!o notou*o quase imediatamente.
)avia pavor na vo( de 0at%ros, quando se aproimou do -ovem e perguntou>
*<oc$ veio diretamente de 8elém=
*Sim, meu amo.
*N!o est" alarmado por esta estrela o acompan%ar=
*N!o notei, sen%or.
N!o notou= Senti*me incapa( de sair deste lugar, logo que a vi erguer*se sobre 8elém, %" quase
duas %oras. Nunca vi estrela com mais cor e bril%o. Logo que a vi, ela come/ou a mover*se e
aproimar*se de nossa caravana. ,gora que est" bem em cima, voc$ aparece, e, pelos deuses, ela n!o
se move mais.
0at%ros acercou*se de )a#id eaminou a #ace do -ovem, enquanto perguntava>
*<oc$ participou de algum #ato etraordin"rio l" em 8elém=
*N!o, sen%or.
O anci!o #ran(iu a testa, como a pensar pro#undamente>
*Nunca con%eci uma noite eperi$ncia t!o grandiosa como esta.
)a#id %esitou>
*Eu também -amais esquecerei esta noite, meu sen%or.
*O%, o%, ent!o alguma coisa realmente aconteceu. Como é que voc$ voltou em %ora t!o tardia=
)a#id #icou em sil$ncio enquanto o anci!o soltava, apalpando*o, o embrul%o do lombo da
mula.
*Est" va(io, $ito, #inalmenteM <en%a a min%a tenda e conte*me o que se passou. @" que os
deuses trans#ormaram a noite em dia, eu n!o posso dormir, e talve( suas palavras #orne/am alguma
pista quanto a ra(!o de uma estrela seguir um guardador de camelos.
?S
0at%ros reclinou*se na cama e ouviu de ol%os #ec%ados a longa %ist2ria de )a#id em 8elém, de
in#ind"veis recusas, malogros e insultos. <e( por outra, assentia com a cabe/a, como quando )a#id
descreveu o mercador de cer3mica que o epulsara corporalmente de sua lo-a, e sorriu ao ouvir que um
soldado romano l%e atirara a t&nica ao rosto quando o -ovem vendedor se recusara a baiar o pre/o.
;inalmente, )a#id, com a vo( "spera e velada, descrevia as d&vidas que o %aviam assaltado na
%ospedaria, naquela mesma noite. O anci!o o interrompeu>
*Conte*me, )a#id, as d&vidas, uma por uma, o que l%e passou pela cabe/a quando se sentou
lamentando a sorte. ,p2s )a#id nomea*las todas, dando o mel%or de sua mem2ria, o anci!o
perguntou>
*,gora, que pensamento #inalmente entrou*l%e pela cabe/a e epulsou as d&vidas, dando*l%e
nova coragem para se decidir a tentar de novo vender a t&nica no dia seguinte=
)a#id ponderou a sua resposta por um momento e ent!o disse>
*Eu pensei apenas na #il%a de Calne%. Mesmo naquela imunda %ospedaria, eu sabia que -amais
poderia v$*la outra ve( se #racassasse. TE ent!o, a vo( de )a#id #altou. *Mas eu #al%ei a ela, de
qualquer #orma.
*;al%ou= N!o entendoM <oc$ n!o voltou com a t&nicaM
Em vo( t!o baia que 0at%ros teve de se curvar 5 #rente para ouvir, )a#id contou*l%e o
incidente da gruta, o menino, a t&nica. Enquanto o -ovem #alava, 0at%ros relanceava os ol%os
repetidamente pela entrada aberta da tenda e pelo bril%o além, que ainda iluminava o c%!o do campo.
Fm sorriso gan%ou #orma em seu rosto perpleo e ele n!o notou que o rapa( interrompera a %ist2ria e
solu/ava.
Logo os solu/os amainaram e %ouve apenas sil$ncio na grande tenda. )a#id n!o ousava #itar o
amo. ;racassara e provara que n!o estava em condi/4es de ser mais que simples guardador de
camelos. Combateu a 3nsia de virar*se, de salto, e #ugir da tenda. Sentiu, ent!o, a m!o do grande
vendedor no ombro e #or/ou*se a ol%ar o amo nos ol%os.
*Meu, #il%o, esta viagem #oi de muito lucro para voc$.
*N!o, sen%or.
0ara mim, #oi. , estrela que o seguiu curou*me de uma cegueira que ainda reluto em admitir.
Eplicar*l%e*ei isto depois que regressarmos a 0almira. ,gora, #a/o*l%e um pedido.
*Sim, meu amo.
*Nosso vendedores come/ar!o a c%egar 5 caravana aman%! antes do p1r*do*sol e seus animais
necessitar!o de cuidado. Concorda em reassumir as #un/4es de guardador de camelos, por enquanto=
)a#id p1s*se de pé resignadamente e curvou*se ante seu ben#eitor.
*O que o sen%or quiser. Estarei 5s ordens...
*<", ent!o, e prepare o regresso de nossos %omens7 encontrar*nos*emos em 0almira.
,ssim que )a#id atravessou a entrada tenda, a bril%ante lu( do céu cegou*o momentaneamente.
Es#regou os ol%os e ouviu o seu amo c%ama*lo de dentro da tenda.
O -ovem virou*se e voltou para dentro, esperando que o anci!o #alasse. Ent!o, 0at%ros apontou
para ele e disse>
*Aurma em pa(, pois voc$ n!o #racassou.
, estrela bril%ante permaneceu no céu por toda a noite.
CAPÍTULO SEIS
Guase duas semanas depois que a caravana regressara 5 base em 0almira, )a#id despertado em
sua cama de pal%a, no est"bulo, e c%amado 5 presen/a de 0at%ros.
Airigiu*se com rapide( ao dormit2rio do amo e parou, incerto, ante a enorme cama que redu(ia
o taman%o de seu ocupante. 0at%ros abriu os ol%os e desvencil%ou*se das cobertas até sentar*se ereto.
??
Seu rosto estava descarnado e as veias inc%avam*l%e as m!os. Era di#'cil acreditar que se tratasse do
mesmo %omem com quem #alara apenas do(e dias antes.
0at%ros moveu*se para a parte mais baia da cama e o -ovem sentou*se cuidadosamente na
beirada, esperando que o anci!o #alasse. ,té mesmo a vo( de 0at%ros era di#erente. Em som e timbre,
daquela na &ltima reuni!o.
*Meu #il%o, voc$ ainda tem muitos dias para reeaminar suas ambi/4es. Eiste ainda, dentro de
voc$, a vontade de se tornar um grande vendedor=
*Sim, meu sen%or.
O anci!o assentiu com a cabe/a.
Ent!o que assim se-a. 0lane-ara gastar muito mais tempo com voc$, mas, pode ver, %" outros
planos para mim. Embora me considere um bom vendedor, sinto*me incapa( de vender 5 morte seu
a#astamento de min%a porta. Ela tem esperado a dias, como um c!o #aminto 5 porta de nossa co(in%a.
Como o c!o, ela sabe que #inalmente encontrar" a porta aberta...
Fm acesso de tosse interrompeu 0at%ros e )a#id continuou inerte, enquanto o anci!o lutava
com a #alta de ar. ;inalmente, a tosse parou e 0at%ros sorriu com debilidade.
*Nosso tempo -untos é breve, de maneira que vamos come/ar. 0rimeiro, retire o pequeno ba&
de cedro de debaio da cama.
)a#id a-oel%ou*se e puou uma pequena caia com correias de couro. Colocou*a sob o
contorno que 0at%ros tra/ou com os pés na cama. O anci!o pigarreou>
*)" muitos anos atr"s, quando min%a posi/!o era in#erior 5 de um guardador de camelos, tive o
privilégio de socorrer um via-ante do Oriente que #ora atacado por dois bandidos. Ele insistiu em que
eu salvara sua vida e quis recompensar*me, embora eu n!o procurasse nen%uma recompensa. Como eu
n!o tin%a #am'lia, nem economias, convenceu*me a voltar com ele para sua casa e #am'lia, onde #ui
aceito como um dos seus.
+Fm dia, depois que me acostumara a min%a nova vida, ele me apresentou este ba&. Aentro
%avia de( pergamin%os de couro, todos numerados. O primeiro contin%a o segredo de aprender. Os
outros contin%am todos os segredos e princ'pios necess"rios para tornar*me uma pessoa de grande
$ito na arte de vender. Ent!o, a seguir, #oi*me ministrada, todos os dias, a palavra s"bia dos
pergamin%os, e com segredo de aprender, do primeiro pergamin%o, #inalmente memori(ei palavra por
palavra de todos os pergamin%os até que elas se tornassem parte de min%as maneiras e de min%a vida.
Elas se tornaram %"bito.
+;inalmente, recebi de presente com o ba&, contendo os de( pergamin%os, uma carta selada e
uma bolsa com cinqCenta moedas de ouro. , carta selada n!o era para abris até que meu lar adotivo
estivesse #ora de vista. Aespedi*me da #am'lia e esperei até alcan/ar a rota comercial para 0almira
antes de abrir a carta. , carta, em ess$ncia, mandava*me tornar as moedas de ouro, aplicar o que
aprendera dos pergamin%os e come/ar uma nova vida. Mandava, ainda, partil%ar sempre a metade da
rique(a adquirida, #osse ela qual #osse, com outras pessoas menos a#ortunadas, mas que n!o desse os
pergamin%os de couro nem os partil%asse com ninguém até o dia em que eu recebesse um sinal
especial que me dissesse quem #ora o pr2imo escol%ido para recebe*los..
)a#id balan/ou a cabe/a>
*N!o entendo, sen%or.
*Eplicarei. 0ermaneci 5 espera dessa pessoa e do sinal por muitos anos e enquanto esperava
apliquei o que aprendi dos pergamin%os para acumular uma grande #ortuna. Guase c%eguei a acreditar
que tal pessoa -amais apareceria antes de min%a morte, até que voc$ regressou de sua viagem a 8elém.
Meu primeiro pressentimento de que voc$ #ora o escol%ido para receber os pergamin%os veio*me
quando voc$ apareceu sob a estrela bril%ante que o seguira de 8elém. Em min%a alma tentei
compreender o signi#icado desse #ato, mas resignei*me a n!o desa#iar as a/4es dos deuses. E ent!o,
quando voc$ disse que cedera a t&nica, que signi#icava tanto para voc$, algo dentro de min%a alma
#alou que min%a longa procura terminara. Aescobrira #inalmente aquele a quem #ora ordenado ser o
pr2imo a receber o ba&.
?D
Estran%o mas, logo que soube ter descoberto a pessoa certa, a energia de min%a vida come/ou
lentamente a se esvair. ,gora, veio*me pr2imo do #im, mas min%a longa procura terminou e eu
posso, partir deste mundo em pa(.
, vo( do anci!o en#raquecera, mas ele cerrou os pun%os ossudos e curvou*se para -unto de
)a#id.
*Ou/a atentamente, meu #il%o, -" que n!o terei #or/as para repetir estas palavras.
Os ol%os de )a#id estavam &midos ao aproimar*se de seu amo. Suas m!os tocaram*se e o
:rande <endedor inalou o ar com es#or/o.
*Lego*l%e agora este ba& e seu valioso conte&do, mas antes %" certas condi/4es com as quais
voc$ deve concordar. No ba& %" uma bolsa com cem talentos de ouro. Ksso o capacitar" a viver e
comprar um pequeno sortimento de tapetes com os quais voc$ pode entrar no mundo dos neg2cios.
0oderia deiar*l%e grande rique(a, mas isso seria um terr'vel desservi/o. Muito mel%or é que voc$ se
torne o maior e mais rico vendedor do mundo, so(in%o. Como v$, n!o me esqueci do seu grande
son%o.
+0arta imediatamente para Aamasco. L", encontrar" in#initas oportunidades de aplicar o que os
pergamin%os l%e ensinar!o. Logo que arran-ar um alo-amento, abra apenas o pergamin%o n&mero Fm.
Leia*o repetidamente, até entender por completo o conte&do secreto que ele descreve e que voc$ usar"
para aprender os princ'pios do $ito em vendas, contido em todos os outros. T!o logo aprenda de cada
pergamin%o, pode come/ar a vender os tapetes comprou e, se combinar o que aprender com a
eperi$ncia que adquirir e continuar a estudar cada pergamin%o como #oi instru'do, suas vendas
crescer!o em n&mero a cada dia. Min%a primeira condi/!o, ent!o, é que voc$ prometa sob -uramento
que seguir" as instru/4es do pergamin%o n&mero Fm. Concorda=
*Sim, sen%or.
*8om, bom... e, quando aplicar os princ'pios dos pergamin%os, tornar*se*" muito mais rico do
que -amais son%ou. Min%a segunda condi/!o é que deve constantemente distribuir a metade de seus
gan%os com aqueles menos a#ortunados do que voc$. N!o deve %aver nen%um desvio desta condi/!o.
Concorda=
Sim, sen%or.
*E, agora, a condi/!o mais importante de todas. <oc$ est" proibido de partil%ar os pergamin%os
ou a sabedoria neles contida com os outros. Fm dia surgir" alguém que l%e transmitir" um sinal, como
a estrela7 suas a/4es generosas #oram o sinal que eu procurava. Guando isso acontecer, voc$
recon%ecer" o sinal, mesmo que a pessoa que o transmite ignore ser ela a criatura escol%ida. Guando
seu cora/!o l%e assegurar que voc$ est" certo, ent!o passar" para ele ou ela o ba& e seu conte&do, e
quando isso #or e#etivado n!o %aver" nen%uma necessidade de impor condi/4es ao recebedor como
#oram impostas a mim e agora, por meu intermédio, a voc$. , carta que recebi %" muito temo atr"s
ordenava*me que o terceiro a recebe*los podia partil%ar sua mensagem com o mundo se assim o
dese-asse. <oc$ promete eecutar esta terceira condi/!o=
*0rometo.
0at%ros suspirou de al'vio como se um grande peso tivesse sido retirado de suas costas. Sorriu
;racamente e col%eu a #ace de )a#id na conc%a de suas m!os ossudas.
*0egue o ba& e parta. N!o mais o verei. <" com o meu amor e meus votos de $ito, e que possa
sua Lis%a #inalmente partil%ar toda a #elicidade que seu #uturo trar".
,s l"grimas rolavam sem receio pelas #aces de )a#id ao pegar o ba& e atravessar a porta abeta
do dormit2rio. Ele parou um instante do lado de #ora, colocou o ba& no c%!o e voltou em dire/!o ao
seu amo>
*O fracasso jamais me surpreenderá se min"a decisão de vencer for suficientemente forte#
O anci!o sorriu levemente e assentiu. E ergueu a m!o em adeus.
?E
CAPÍTULO SETE

)a#id entrou montado na cidade murada de Aamasco, pelo port!o do Sul. Tomou a rua
c%amada 9eta, com d&vidas e agita/!o, e o barul%o e preg4es de centenas de ba(ares amainaram*l%e,
um pouco, o medo. Fma coisa era c%egar a uma grande cidade com poderosa caravana comercial
como a de 0at%ros7 outra era c%egar desprotegido e so(in%o. Mercadores de rua passavam por ele
esba#oridos, segurando mercadorias, cada um gritando mais alto do que o outro. 0assou por lo-as
cubiculares e ba(ares que mostravam arte#atos de caldeireiro, ourives, seleiro, tecel!o, carpinteiro7 e a
cada passo de sua mula pun%a*o #rente a #rente com outro mascate, m!os estendidas, c%orando
palavras de lam&ria.
Logo adiante, além do muro ,cidental da cidade, erguia*se o Monte )ermon. Embora #osse
ver!o, o branco coroava*l%e o cume que parecia contemplar a caco#onia da #eira com toler3ncia e
indulg$ncia. ;inalmente, )a#id saiu da #amosa rua e procurou alo-amento, o que n!o #oi di#'cil
encontrar, numa %ospedaria c%amada Mos%a. Seu quarto era asseado e ele pagou adiantado um m$s de
aluguel, o que l%e deu um certo prest'gio -unto a ,ntonine, o propriet"rio. Ent!o, guardou o animal
atr"s da %ospedaria, ban%ou*se nas "guas do 8arada e retornou ao quarto.
Colocou o pequeno ba& de cedro ao pé da cama e p1s*se a desatar as correias de couro. ,
tampa se abriu com #acilidade e ele #itou os pergamin%os de couro. ;inalmente, estendeu a m!o e
tocou*os. Eles cederam a seus dedos como se estivessem vivos, e ele retirou apressadamente a m!o.
Ergueu*se e seguiu para a -anela guarnecida de r2tulos por onde penetrava o barul%o da ruidosa #eita
que #icava a quase um quilometro. O medo e as d&vidas de novo o assaltaram. ,o ol%ar na dire/!o de
vo(es veladas, e sentiu a con#ian/a minguar. Cerrou os ol%os, encostou a cabe/a na parede e gritou
alto>
*Gue tolo sou, em pensar que, simples guardador de camelos, um dia serei aclamado como o
maior vendedor do mundo, quando n!o ten%o coragem sequer para passar montado pelas barracas dos
mascates na ruaM )o-e os meus ol%os testemun%aram centenas de vendedores, todos muito mais
dotados em suas pro#iss4es do que eu. Todos tin%am ousadia, entusiasmo e persist$ncia, todos
pareciam equipados para sobreviver na selva da #eira. Gu!o est&pido e presun/oso pensar que posso
competir e supera*losM 0at%ros, meu 0at%ros, temo que #racassarei com o sen%or novamente.
,tirou*se 5 cama e, cansado de via-ar, solu/ou até dormir.
,man%ecia, quando despertou. ,ntes mesmo de abrir os ol%os, ouviu o pipilar. Sentou*se,
ent!o, e #itou com descren/a o pardal empoleirado na tampa aberta do ba& dos pergamin%os. Ele
correu para a -anela. L" #ora, mil%ares de pardais em bandos, nas #igueiras e sic1moros, cada um
saudando o dia com seu canto. ,o ol%ar, alguns pousaram na beira da -anela, mas, ao menor
movimento de )a#id, rapidamente voaram para longe. <oltou*se, ent!o, e #itou novamente o ba&. Seu
visitante alado aprumou a cabe/a o ol%ou também o -ovem.
)a#id encamin%ou*se lentamente para o ba&, com as m!os estendidas. O p"ssaro pulou*l%e
para a palma da m!o.
*Mil%ares de sua espécie est!o l" #ora, medrosos. Mas voc$ teve a coragem de atravessar a
-anela.
O p"ssaro bicou agudamente a pela de )a#id e o -ovem levou*o para a mesa, onde %avia p!o e
quei-o. Tirou peda/os e os colocou -unto ao amiguin%o, que se p1s a comer .
Fm pensamento passou*l%e pela cabe/a e ele voltou 5 -anela. Es#regou as m!os nas aberturas
da gelosia. Elas eram t!o pequenas... parecia quase imposs'vel o pardal %aver entrado. ;oi quando
recordou a vo( de 0at%ros e repetiu, alto, as palavras>
?H
-O fracasso jamais me surpreenderá! se min"a decisão de vencer for suficientemente forte
Vo$tou para o %a& e estendeu a mão Um per'amin"o de couro estava mais 'asto (ue os
outros Retirou-o da cai)a e! 'enti$mente! desenro$ou-o O medo (ue con"ecera "avia desaparecido
O$"ou! então! para o parda$ *am%+m "avia desaparecido Apenas mi'a$"as de pão e (ueijo
permaneciam como prova da visita da corajosa ave,in"a -afid correu os o$"os pe$o per'amin"o
Em cima $ia-se. O /er'amin"o N&mero Um /0s-se a $er
CAPÍTULO OITO
O PERGAMINHO NÚMERO UM
)o-e come/o uma nova vida.
)o-e mudo min%a pele vermel%a que so#reu, por muito tempo, as mac%ucaduras do #racasso e
os #erimentos da mediocridade.
)o-e renas/o e meu ber/o é uma vin%a onde %" #rutas para todos.
)o-e col%erei uvas de sabedoria da mais alta e mais carregada videira da vin%a, pois elas #oram
plantadas pelos mais s"bios de min%a pro#iss!o que me antecederam, gera/!o ap2s gera/!o.
)o-e provarei o sabor das uvas destas videiras e em verdade, engolirei a semente do $ito
incrustada em cada uva e uma vida brotar" de dentro de mim.
, carreira por mim escol%ida é plena de oportunidades, embora repleta de desgosto e
desespero, e, se os corpos daqueles que #racassaram #ossem empil%ados um em cima do outro,
lan/ariam sua sombra sobre todas as pir3mides da terra.
Contudo, eu n!o #racassarei como os outros, pois em min%as m!os ten%o agora o mapa que me
guiar" por "guas perigosas 5s que, ontem mesmo, pareceram apenas um son%o.
O #racasso n!o mais ser" o tributo de min%a luta. ,ssim como a nature(a n!o proveu ao meu
corpo para toleras a dor, também n!o determinou que min%a vida so#ra o #racasso. O #racasso, como a
dor, é elemento estran%o 5 min%a vida. No passado eu o aceitei, como aceitei a dor. ,gora eu o re-eito
e estou preparado pela sabedoria e pelos princ'pios que me guiar!o das sombras para a lu( da rique(a,
das posi/4es e da #elicidade, meus son%os mais etravagantes, quando até mesmo as ma/!s douradas
do @ardim das )espérides n!o me parecer!o mais que min%a -usta recompensa.
O tempo ensina todas as coisas 5queles que vive para sempre, mas n!o ten%o o luo da
eternidade. Contudo, dentro do tempo que me #oi concedido, ve-o*me na obriga/!o de praticar a
paci$ncia, pis a nature(a -amais age apressadamente. 0ara criar a oliveira, rain%a de todas as "rvores,
cem anos s!o necess"rios. Em nove semanas a cebola -" est" vel%a. Eu vivo como uma cebola. Ksto
n!o me agrada. ,gora, tornar*me*ia na mair das oliveiras e, em verdade, no maior dos vendedores.
E como se reali(ar" isto= 0ois n!o ten%o nem o con%ecimento nem a eperi$ncia para alcan/as
grande(a e -" trope/o na ignor3ncia e caio nas "guas da lam&ria. , resposta é simples. Come/arei
min%a -ornada desembara/ado do peso de con%ecimentos desnecess"rios e de obst"culos da
eperi$ncia sem signi#icado. , nature(a sempre me #orneceu con%ecimento e instinto maior do que a
qualquer animal da #loresta e o valor da eperi$ncia em geral superestimado por vel%os e que assentem
sabiamente e #alam de modo est&pido.
Em verdade, a eperi$ncia ensina completamente, porém seu curso de instru/!o devora os anos
dos %omens e dessa maneira o valor de suas li/4es diminui com o tempo necess"rio para adquirir*se
sua sabedoria especial. Seu #ito desperdi/a*se com %omens moribundos. ,demais, a eperi$ncia é
compar"vel 5 moda7 uma a/!o que resulta em $ito %o-e ser" inaproveit"vel a impratic"vel aman%!.
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,penas princ'pios duram. E estes eu agora possuo, pois as leis que me levar!o 5 grande(a est!o
contidas nas palavras dos pergamin%os. O que elas ensinar!o ser" mais evitar o #racasso do que obter
$ito, pois o que é o $ito se n!o um estado da mente= Aois, entre mil s"bios, se tanto, de#inir!o o
$ito nas mesmas palavras, enquanto o #racasso é sempre descrito de apenas um modo. O fracasso + a
incapacidade do "omem em atin'ir seus o%jetivos na vida! sejam e$es (uais forem
Na verdade, a &nica di#eren/a entre aqueles que #al%aram e aqueles que tiveram sucesso est" na
di#eren/a de seus %"bitos. 8ons %"bitos s!o a c%ave do sucesso. Maus %"bitos s!o a porta aberta para o
#racasso. ,ssim, a primeira lei que obedecerei é *1ormarei %ons "á%itos e me tornarei escravo de$es
Guando crian/a, #ui escravo de meus impulsos7 agora sou escravo de meus %"bitos, como todos
os adultos. 9endi min%a vontade pr2pria aos anos de %"bitos acumulados e os #eitos passados de
min%a vida -" tra/am um camin%o que amea/a aprisionar meu #uturo. Min%as a/4es s!o ditadas pelo
apetite, pai!o, preconceito, avide(, amor, medo, ambiente, %"bito, e o pior de todos estes tiranos é o
%"bito. Se, portanto, devo ser escravo do %"bito, que se-a um escravo de bons %"bitos. Meus maus
%"bitos dever!o ser destru'dos e novos sulcos preparados para boa semente.
Eu #ormarei bons %"bitos e me tornarei escravo deles.
E como reali(arei esse di#'cil #eito= ,través destes pergamin%os, pois cada um deles contém
um princ'pio que epulsara o mau %abito de min%a e nela recolocar" outro que me ac%egar" a ao $ito.
0ois é outra das leis naturais que apenas um %abito pode dominar outro %abito. ,ssim, para que estas
palavras escritas reali(em a tare#a escol%ida devo disciplinar*me ao seguinte, que é o principio de
meus %"bitos>
Eu $erei cada per'amin"o por trinta dias se'uidos! da maneira prescrita! antes de passar ao
per'amin"o se'uinte
0rimeiro, lerei as palavras em silencio, ao levantar. Aepois, lerei em silencio, ap2s almo/ar.
;inalmente, lerei de novo, antes de retirar*me para o leito e, mais importante, nesta ocasi!o lerei em
vo( alta.
No dia seguinte, repetirei o processo e continuarei por trinta dias. Tomarei, ent!o, o
pergamin%o seguinte e repetirei esse processo por outro trinta dias. Continuarei assim até viver com
cada pergamin%o por trinta dias, e min%a leitura se tornar" um %abito.
E o que ser" reali(ado com esse %abito= ,qui est" o segredo oculto das reali(a/4es de todos os
%omens. Com a repeti/!o das palavras diariamente, elas logo se tornar!o parte de min%a mente ativa,
porém, mais importante, também in#iltrar!o em min%a outra mente essa misteriosa #onte que nunca
dorme, que cria meus son%os e #reqCentemente #a(*me agir de maneiras que eu n!o compreendo.
,ssim que as palavras destes pergamin%os #orem consumidas pela min%a mente misteriosa eu
come/arei a despertar, cada man%!, com uma vitalidade que -amais con%eci antes. Meu vigor
aumentar", meu entusiasmo se levantar", meu dese-o de encontrar o mundo vencer" todo o medo que
um dia con%eci ao nascer do sol e serei mais #eli( do que -amais acreditei ser poss'vel neste mundo de
luta e triste(a.
;inalmente, encontrar*me*ei reagindo em todas as situa/4es que con#rontar, como #oi ordenado
nos pergamin%os, e logo, essas a/4es e rea/4es se tornar!o #"ceis de eecutar, pois cada ato, com
pr"tica, torna*se #"cil.
,ssim, nasce um novo e bom %abito, pois, quando um %"bito se torna #"cil através de constante
repeti/!o, é um pra(er eecuta*lo e, se é um pra(er eecuta*lo, é da nature(a do %omem eecuta*lo
#reqCentemente. Guando eu o eecuto #reqCentemente ele se torna um %abito e eu me torno seu
escravo7 e desde que se-a um bom %abito, é a min%a vontade.
)o-e come/o uma nova vida.
E -uro solenemente a mim mesmo que nada retardar" o crescimento de min%a nova vida. N!o
perderei um dia sequer destas leituras, pois este dia n!o pode ser recuperado nem posso substitu'*lo
por outro. N!o devo, n!o quero quebrar o %abito de ler diariamente estes pergamin%os e, em verdade,
os poucos momentos passados cada dia com este %abito s!o apenas um pequeno pre/o a pagar pela
#elicidade e $ito que ser!o meus.
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,o ler e reler as palavras a serem obedecidas, nunca permitirei que a brevidade de cada
pergamin%o ou a simplicidade de suas palavras me #a/a encarar a mensagem como se #osse um a
banalidade. Mil%ares de uvas s!o comprimidas para enc%er uma -arra de vin%o, e a pele e a polpa s!o
atiradas aos p"ssaros. ,ssim é como estas uvas de sabedoria das gera/4es. Muito tem sido #iltrado e
atirado aos p"ssaros. ,penas a verdade pura permanece destilada nas palavras, para ser lembrada.
8eberei segundo as instru/4es e n!o perderei uma s2 gota. E engolirei a semente do $ito.
)o-e min%a pele vel%a se assemel%a a poeira. ,ndarei a prumo ente os %omens e eles n!o me
recon%ecer!o, pois %o-e sou um novo %omem, com uma vida nova.
CAPÍTULO NOVE
O PERGAMINHO NÚMERO DOIS
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
0ois este é o maior segredo do $ito em todas as aventuras. Os m&sculos podem partir um
escudo e até destruir a vida, mas apenas os poderes invis'veis do amor podem abrir os cora/4es dos
%omens, e até dominar esta arte n!o serei mais que um mascate na #eira. <enerarei min%a maior arma
e ninguém que a en#rente poder" de#ender*se de sua #or/a.
0odem opor*se ao meu racioc'nio, descon#iar de min%as apregoa/4es7 podem desaprovar meus
tra-es7 podem re-eitar meu rosto7 e podem até suspeitar de meus neg2cios7 contudo, meu amor
enternecer" todos os cora/4es, compar"vel ao sol cu-os raios amolecem o mais #rio barro.
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
E como o #arei= Ae %o-e em diante ol%arei todas as coisas com amor e renascerei. ,marei o Sol
porque aquece os meus ossos7 n!o obstante, amarei a c%uva porque puri#ica meu esp'rito. ,marei a lu(
porque me mostra o camin%o7 n!o obstante, amarei a escurid!o porque me #a( ver as estrelas7 eu
receberei a #elicidade porque ela dilata o meu cora/!o7 n!o obstante, tolerarei a triste(a porque abre a
min%a alma. ,dmitirei recompensas porque elas me pertencem7 n!o obstante, receberei de bom grado
os obst"culos, porque eles s!o meu desa#io.
Saudarei este dia com amor no cora/!o. E como #arei= Enaltecerei meus inimigos e eles se
tornar!o irm!os. Cavarei #undo, buscando ra(4es para aplaudir7 -amais arran%arei o c%!o, buscando
desculpas para maldi(er. Guando tentado a criticar, morderei a l'ngua7 quando movido a elogios,
clamarei dos tetos.
N!o é assim que os p"ssaros, o vento, o mar e toda a nature(a #alam com a m&sica do elogio a
seu criador= N!o posso eu #alar a seus #il%os com a mesma m&sica= Ae %o-e em diante relembrarei
este segredo e mudarei min%a vida.
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
E como agirei= ,marei todos os comportamentos dos %omens, pois cada um tem qualidade
para ser admirado, mesmo se estiverem ocultas. Com amor derrubarei o muro da suspeita e 2dio que
constru'ram em volta dos cora/4es e, em seu lugar, construirei pontes para que meu amor possa entrar
em suas almas.
,marei as ambi/4es, pois elas podem inspirar*me7 amarei os #racassos, pois eles podem
ensinar*me. ,marei os reis, pois eles s!o, apenas, %umanos7 amarei os %umildes, pois eles s!o divinos.
,marei os ricos, pois eles s!o, n!o obstante, solid"rios7 amarei os pobres, pois eles s!o muitos. ,marei
os -ovens, pela #é que tem7 amarei os vel%os, pela sabedoria que partil%am. ,marei os #ormosos, por
seu ol%ar de triste(a7 amarei os #eios, por suas almas de pa(.
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
?O
Mas como reagirei 5s regras dos outros= Com amor. 0ois, sendo a min%a arma para abrir os
cora/4es dos %omens, o amor é também o meu escudo para repetir as setas do 2dio e as lan/as da ira.
, adversidade e o desencora-amento se c%ocar!o contra meu novo escudo e se tornar!o como as
c%uvas mais brandas. Meu escudo me proteger" na #eira e me sustentar" quando so(in%o. Ele me
reanimar" em momentos de desespero e, contudo, acalmar*me*" na eulta/!o. Tornar*me*ei mais #orte
protegido usando até o dia em que o porei de lado e andarei desembara/ado entre todos os
comportamentos dos %omens, e meu nome se erguer" alto na pir3mide da vida.
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
E como con#rontarei cada um que encontrar= Ae apenas um modo. Em silencio e para mim
mesmo, dir*l%e*ei> +Eu ,mo <oc$.. Embora ditas em sil$ncio. Estas palavras bril%ar!o em meus
ol%os, desenrugar!o min%a #ronte, trar!o um sorriso a meus l"bios e ecoar!o em min%a vo(7 e o
cora/!o dele se abrir". E quem dir" n!o 5s min%as mercadorias quando seu cora/!o sente meu amor=
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
E acima de tudo amarei a min%a mesmo, pois quando o #i(er, (elosamente inspecionarei todas
as coisas que entraram em meu corpo, min%a mente, min%a alma e meu cora/!o. @amais abusarei das
solicita/4es da carne, mas, sobretudo, cuidarei de meu corpo com asseio e modera/!o. @amais
permitirei que min%a mente se-a atra'da para o mal e o desespero, mas sobretudo a elevarei, com o
con%ecimento e a sabedoria das gera/4es. @amais permitirei que min%a alma se torne complacente e
satis#eita, mas %averei de alimenta*la com medita/!o e ora/!o. @amais permitirei que meu cora/!o se
apequene e pade/a, mas compartil%a*lo*ei e ele crescer" e aquecer" a terra.
Saudarei este dia com amor no cora/!o.
Ae %o-e em diante amarei a %umanidade. Aeste momento em diante todo o 2dio desaparece de
min%as veias, pois n!o ten%o tempo para odiar, apenas para amar. Aesde momento em diante dou o
primeiro passo necess"rio para me tornar um %omem entre %omens. Com amor, aumentarei min%as
vendas cem ve(es mais e me tornarei um grande vendedor. Se nen%uma outra qualidade possuo, posso
ter $ito apenas com amor. Sem ele eu #racassarei, embora possua todo o con%ecimento e as técnicas
do mundo.
Saudarei este dia com amor e terei $ito.
CAPÍTULO DEZ
O PERGAMINHO NÚMERO TRÊS
0ersistirei até alcan/ar $ito.
No Oriente, os touros -ovens s!o testados de uma certa maneira para o combate na arena. S!o
levados um a um para o circo, onde l%es é permitido atacar o picador que os #erroa com uma lan/a. ,
bravura de cada touro é ent!o avaliada com cuidado segundo o n&mero de ve(es que demonstra boa
vontade para investir apesar da #erroada da l3mina. Ae %o-e em diante recon%ecerei que cada dia sou
testado pela vida do mesmo modo. Se persisto, se continuo a tentar, se continuo a investir, terei $ito.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
Eu n!o c%eguei a este mundo numa situa/!o de derrota, nem o #racasso corre em min%as veias.
N!o sou ovel%a 5 espera de que meu pastor me aguil%oe e toque, mas um le!o, e me recuso a #alar,
andar e dormir com ovel%a. N!o ouvirei aqueles que coram e se queiam, pois tal doen/a é contagiosa.
Eles que se unam 5 ovel%a. O matadouro do #racasso n!o é o meu destino.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
Os pr$mios da vida est!o no #im de cada -ornada, n!o pr2imos do come/o7 n!o é me dado
saber quantos passos s!o necess"rios a #im de alcan/ar o ob-etivo. O #racasso pode ainda se encontrar
?P
no milésimo passo. O $ito, contudo, se esconde atr"s da pr2ima curva da estrada. @amais saberei a
que distancia est", a n!o ser que dobre a curva.
Sempre darei um passo avante. Se este #or em v!o, darei outro e mais outro. Em verdade, dar
um passo de cada ve( n!o é di#'cil.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
Ae %o-e em diante, n!o considerarei o es#or/o de cada dia sen!o como um golpe do meu
mac%ado no poderoso carval%o. O primeiro golpe pode n!o causar tremor na madeira, nem o segundo,
nem o terceiro. Cada golpe pode ser insigni#icante e parecer de nen%uma conseqC$ncia. Contudo, a
custo de in#antis golpes, o carval%o #inalmente tombar". ,ssim também ser" com os meus es#or/os de
%o-e.
Sou compar"vel a uma gota de c%uva que lava a montan%a7 5 #ormiga que devora o tigre7 5
estrela que ilumina a terra7 ao escravo que constr2i uma pir3mide. Construirei meu castelo com um
ti-olo de cada ve(, pois sei que pequenas tentativas repetidas completar!o qualquer empreendimento.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
@amais aceitarei a derrota, e retirarei de meu vocabul"rio palavras e epress4es como
+desistir., +n!o posso., +imposs'vel., +#ora de cogita/!o., +#racasso., +impratic"vel., +sem
esperan/a., e +recuo., pois s!o palavras e epress4es de tolos. Evitarei o desespero, mas se essa
doen/a da mente me contagiar, ent!o prosseguirei, mesmo em desespero. Labutarei e tolerarei,
ignorarei os obst"culos sob meus pés e mandarei meus ol%os #ormes nos ob-etivos acima de min%a
cabe/a, pois sei que onde um deserto "rido termina, a grama verde nasce.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
Lembrar*me*ei da antiga lei das médias e a curvarei em meu bene#icio. 0ersistirei com o
con%ecimento de que cada #racasso em vender aumentar" min%a oportunidade de $ito na tentativa
seguinte. Cada +n!o. que ouvir me trar" para -unto do som do +sim.. Cada sobrol%o #ran(ido que
encontrar apenas me preparara para o sorriso que c%ega. Cada in#ort&nio com que me deparar trar"
consigo a semente da sorte do aman%!. Aevo ter a noite para apreciar o dia. Aevo #racassar
#reqCentemente para ter $ito uma ve(.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
Tentarei e tentarei e tentarei de novo. Cada obst"culo considerarei como um mero atraso em
rela/!o ao meu ob-etivo e um desa#io 5 min%a pro#iss!o. 0ersistirei e desenvolverei min%as técnicas
como o marin%eiro desenvolve a sua, prendendo a escapar da ira de cada tempestade.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
Ae %o-e em diante, aprenderei e aplicarei outro segredo daqueles pelos quais o meu trabal%o
prima. ,o #indar de cada dia, independente de $ito ou #racasso, tentarei e#etuar mais uma venda.
Guando os meus pensamentos acenarem com o camin%o de casa ao meu corpo cansado, resistirei 5
tenta/!o de partir. Tentarei novamente, #arei uma tentativa mais para #ec%ar com vit2ria e, se #racassar,
#arei outra. @amais permitirei que o dia termine com um #racasso. ,ssim, plantarei a semente do $ito
de aman%! e gan%arei uma insuper"vel vantagem sobre aqueles que interrompem o trabal%o a uma
determinada %ora. Guando outros interromperem suas lutas, ent!o a min%a come/ar" e min%a col%eita
ser" plena.
0ersistirei até alcan/ar $ito.
N!o permitirei que o $ito de ontem me embale na complac$ncia de %o-e, pois essa é a grande
ra(!o do #racasso. Esquecerei os acontecimentos do dia anterior, se-a eles bons ou maus, e saldarei o
novo sol com a con#ian/a de que este ser" o mel%or dia de min%a vida.
,té onde o meu #1lego me acompan%ar, persistirei. 0ois agora come/o um dos maiores
princ'pios do $ito7 se persisto o bastante. <encerei.
Eu persistirei.
Eu vencerei.
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CAPÍTULO ONZE
O PEGAMINHO NÚMERO QUATRO
Eu sou o maior milagre da nature(a.
Aesde o come/o dos tempos -amais %ouve outro com min%a mente, meu cabelo, min%a boca.
Ninguém que me antecedeu, ninguém que ainda vive, nem ninguém que vir" pode andar e #alar e
pensar eatamente como eu. Todos os %omens s!o meus irm!os, porém sou di#erente deles todos. Sou
uma criatura singular.
Eu sou o maior milagre da nature(a.
Embora eu se-a do reino animal, os pra(eres apenas n!o me satis#a(em. Aentro de mim arde a
c%ama que tem passado de gera/4es incont"veis, e seu calor é uma constante incita/!o para o meu
esp'rito, para me tornar mel%or do que sou, e mel%or me tornarei. Soprarei esta c%ama da insatis#a/!o
e proclamarei min%a singularidade ao mundo.
Ninguém é capa( de reprodu(ir min%a pincelada, ninguém é capa( de #a(er as marcar de meu
cin(el, ninguém é capa( de reprodu(ir min%a caligra#ia, ninguém é capa( de #ornecer o meu produto,
e, em verdade, ninguém tem %abilidade para vender eatamente como eu. Ae %o-e em diante,
aproveitarei esta di#eren/a, pois é um acervo a ser inteiramente #avorecido.
Eu sou o maior milagre da nature(a.
8asta, para mim, de v!s tentativas ou imita/4es dos outros. Em ve( disso,colocarei min%a
singularidade 5 mostra na #eira. Eu a proclamarei, sim, eu a vencerei. Come/arei agora a acentuar a
di#eren/a, a ocultar as singularidades. Aa mesma #orma, aplicarei este principio 5s mercadorias que
vender. <endedor e mercadorias di#erentes dos outros e orgul%oso das di#eren/as.
Sou uma criatura singular da nature(a.
Sou raro, e %" um valor em toda raridade7 portanto, sou valioso. Sou o produto #inal de
mil%ares de anos de evolu/!o7 portanto, estou mel%or equipado em mente e corpo do que todos os
imperadores e s"bios que me precederam.
Mas min%as técnicas, min%a mente, meu cora/!o e meu corpo estagnar!o, degenerar!o e
morrer!o se n!o #orem colocados em uso. Ten%o potencial ilimitado. Emprego somente uma parte de
meu cérebro7 #leiono apenas uma despre('vel por/!o de meus m&sculos. 0osso centuplicar min%as
reali(a/4es de ontem, e é o que #arei a partir de %o-e.
@amais #icarei satis#eito com as reali(a/4es de ontem, nem me entregarei mais 5 vangloria dos
meus #eitos que, em realidade, s!o pequenos demais para serem sequer recon%ecidos. 0osso reali(ar
muito mais, e reali(arei, pois por que deveria o milagre que me condu(iu #indar*se com o meu
nascimento= 02 que n!o posso estender este milagre aos #eitos de %o-e=
Eu sou o maior milagre da nature(a.
N!o estou nesta terra por acaso. Estou para um prop2sito, e esse prop2sito é trans#ormar*me
numa montan%a, n!o me encol%er ao taman%o de um gr!o de areia. Ae %o-e em diante aplicarei todos
os meus es#or/os para me tornar a méis alta montan%a e #or/arei min%as capacidades até que pe/am
miseric2rdia.
,umentarei meu con%ecimento da %umanidade, o meu pr2prio e das mercadorias que vendo7
assim, min%as vendas se multiplicar!o. 0raticarei e mel%orarei as palavras que pronunciar para vender
min%as mercadorias pois este é o #undamento sobre o qual construirei min%a carreira e -amais
esquecerei que muitos atingiram grande rique(a e $ito com apenas apregoa/!o, pronunciada com
ecel$ncia. Também procurarei constantemente mel%orar meus modos e virtudes, pois eles s!o o
a/&car que a todos atrai.
Eu sou o maior milagre da nature(a.
Concentrarei min%a energia no desa#io do momento e min%as a/4es me a-udar!o a esquecer
tudo o mais. Os problemas caseiros em casa ser!o deiados. N!o pensarei em min%a #am'lia quando
estiver na #ira7 isso viria obscurecer meus pensamentos. Aa mesma maneira os problemas da #ira
DS
ser!o deiados, e n!o pensarei em min%a pro#iss!o, quando estiver em casa, pois isto embotar" o meu
amor.
N!o %" lugar na #eira para min%a #am'lia, nem %" lugar em meu lar para a #eira. Aivorciarei um
do outro e assim permanecerei casado com ambos. Separados devem permanecer ou min%a carreira
morrer". Este é um paradoo das gera/4es.
Eu sou o maior milagre da nature(a>
9ecebi ol%os para ver e mente para pensar e, agora, con%e/o um grande segredo da vida, pois
percebo, #inalmente, que todos os meus problemas, des3nimos e agita/4es s!o, em verdade, grandes
oportunidades dis#ar/adas. N!o mais serei enganado pelos vestu"rios que os outros usam, pois meus
ol%os est!o abertos. Ol%arei mais do que a roupa e n!o serei iludido.
Eu sou o maior milagre da nature(a.
Nen%um animal, nen%uma planta, nen%um vento, nen%uma c%uva, nen%uma pedra, nen%um
lago teve o mesmo come/o que eu, pois #ui concebido em amor e tra(ido 5 lu( com um prop2sito. No
passado, n!o %avia eaminado este #ato, mas de %o-e em diante ele modelar" e nortear" min%a vida.
Eu sou o maior milagre da nature(a.
E a nature(a n!o con%ece derrota. 0or #im, ela emerge vitoriosa e assim emergirei eu, e apoRs
cada vit2ria a luta pr2ima se torna menos di#'cil.
<encerei e tornar*me*ei um grande vendedor, pois sou uma pessoa singular.
Eu sou o maior milagre da nature(a.
CAPÍTULO DOZE
O PERGAMINHO NÚMERO CINCO.
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
E, agora, o que #arei com este &ltimo e precioso dia que resta em meu poder= 0rimeiro,
tamparei o vidro para que nen%uma gota se derrame na areia. N!o desperdi/arei um momento sequer
velando os in#ort&nios do ontem, as derrotas do ontem, as dores de cora/!o do ontem, pois por que
deveria eu revelar o bem ao mal=
0oder" a areia escorrer do c%!o para a ta/a do tempo= Levantar*se*a o sol de onde se p4e e se
por" de onde se levanta= 0osso eu reviver os erros do ontem e corrigi*los= 0osso eu c%amar de volta os
#erimentos de ontem e cura*los= 0osso eu tornar*me mais -ovem do que era ontem= 0osso eu retirar o
mal que #oi pronunciado, os socos que #oram des#eridos, a dor que #oi causada= N!o. O ontem est"
enterrado para sempre e nele n!o mais pensarei.
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
E agora o que #arei= Esquecendo o ontem também n!o pensarei no #uturo. 0orqu$ deveria eu
relegar o a'ora ao ta$ve,= 0ode a areia do aman%! escorrer para a ta/a antes do %o-e= Levantar*se*" o
sol duas ve(es esta man%!= 0osso eu eecutar os #eitos de aman%! enquanto estiver na tril%a do %o-e=
0osso eu colocar o ouro do aman%! na bolsa do %o-e= 0ode a crian/a do aman%! nascer %o-e=
0ode a morte do aman%! lan/ar suas sombras de volta e enegrecer a alegria do %o-e= Aeveria
eu preocupar*me com os eventos que talve( -amais testemun%e= Aeveria eu atormentar*me com os
problemas que talve( -amais ven%a a ter= N!oM O aman%! est" enterrado com ontem e nele n!o mais
pensarei.
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
Este dia é tudo o que ten%o e estas %oras s!o agora a min%a eternidade. Sa&do este nascer do
sol com gritos de alegria, como um prisioneiro que é aliviado da senten/a de morte. Ergo meus bra/os
em gratid!o por esta d"diva sem pre/o> um novo dia. Aa mesma maneira, levarei a m!o ao peito em
gratid!o ao pensar naqueles que saudaram o nascer do sol do ontem e que n!o mais est!o entre os
D?
vivos. Sou realmente um a#ortunado e as %oras do %o-e n!o s!o sen!o um b1nus imerecido. 0or que
me permiti viver este dia etra quando outros, muitos mel%ores do que eu, -" #eneceram= Ser" que eles
reali(aram seus prop2sitos enquanto o meu ainda est" por alcan/ar= Ser" esta uma outra oportunidade
para que eu me torne o %omem que poderei ser= )" um prop2sito na nature(a= Ser" este o meu dia de
vencer=
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
N!o ten%o sen!o uma vida e a vida n!o é nada sen!o uma medida de tempo. ,o perder um,
destruo o outro. Se desperdi/o o %o-e, destruo a &ltima p"gina de min%a vida. <elarei, portanto, em
cada %ora deste dia, pois ela -amais poder" voltar. Ela n!o pode ser depositada %o-e para ser retirada
aman%!, pois quem pode burlar o vento= ,garrarei com as duas m!os e acariciarei com amor cada
minuto deste dia pois, seu valor é sem pre/o. Gue moribundo pode comprar outro #1lego, embora, de
bom grado, d$ todo o seu ouro= Gue pre/o ouso #iar para as %oras adiante de mim= Eu as #arei
inestim"veisM
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
Evitarei com #&ria os desperdi/adores de tempo. , procrastina/!o, destruirei com a/4es> a
d&vida, enterrarei sob a #é> o medo, desmembrarei com con#ian/a. Onde %ouver bocar ociosas, n!o
ouvirei nada> onde %ouver m!os ociosas, n!o me demorarei> onde %ouver corpos ociosos, n!o visitarei.
Ae %o-e em diante, sei que corte-ar a ociosidade é roubar alimento, roupa e calor daqueles que amo.
N!o sou ladr!o. Sou um %omem de amor e %o-e é min%a &ltima oportunidade de provar meu amor e
min%a grande(a.
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
Cumprirei %o-e os deveres de %o-e. )o-e acariciarei meus #il%os enquanto s!o -ovens7 aman%!
eles partir!o e eu também. )o-e abra/arei min%a mul%er com doces bei-os7 aman%! ela partir" e eu
também. )o-e a-udarei um amigo em necessidade7aman%! ele n!o mais gritar" por a-uda, nem eu
ouvirei seus gritos, )o-e entregar*me*ei ao sacri#'cio e ao trabal%o7 aman%! n!o terei nada para
entregar e nem %aver" ninguém para receber.
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
E, se #or, ser" meu maior monumento. ;arei deste o mel%or dia de min%a vida. 8eberei a cada
minuto 5 sua plenitude. 0rovarei seu sabor e agradecerei aos céus. ;arei valer todas as %oras e
negociarei cada minuto somente por alguma coisa de valor. Trabal%arei mais arduamente do que
-amais trabal%ei e #or/arei meus m&sculos até que c%orem de dor, e ent!o prosseguirei. ;arei até mais
visitas do que antes. <enderei mais mercadorias do que -amais vendi antes. :an%arei mais ouro do que
-amais gan%ei antes. Cada minuto do dia de %o-e ser" mais #rut'#ero do que %oras do dia de ontem.
Meu &ltimo dia deve ser meu mel%or dia.
<iverei %o-e como se #osse meu &ltimo dia.
E, se n!o #or, cairei de -oel%os e agradecerei aos céus.
CAPÍTULO TREZE
O PERGAMINHO NÚMERO SEIS
)o-e serei sen%or de min%as emo/4es.
,s marés avan/am7 as marés recuam. <ai o inverno, vem o ver!o. ;inda*se o ver!o, ,umenta
o #rio. Levanta*se o sol7 p4e*se o sol. C%eia é a lua7 negra é a lua. C%egam os p"ssaros7 partem os
p"ssaros. ;lorescem as #lores, murc%am as #lores. 0lantam*se as sementes, col%em as col%eitas. Toda a
nature(a é um c'rculo de 3nimos7 eu sol uma parte da nature(a e, assim como as marés, meus 3nimos
se elevar!o, meus 3nimos cair!o, meus 3nimos cair!o.
)o-e serei sen%or de min%a emo/4es.
DD
B uma das artiman%as pouco percebidas da nature(a que cada dia acorde com 3nimo di#erentes
dos da véspera. , alegria de ontem ser" a triste(a de %o-e7 -" a triste(a de %o-e se trans#ormar" na
alegria de aman%!. Aentro de mim %" uma roda constantemente a girar, da triste(a para a alegria, da
eulta/!o para a depress!o, da #elicidade para a melancolia. Como as #lores, a #loresc$ncia plena da
alegria de %o-e #enecer" e murc%ar" em desespero7 porém, relembrarei que, como as #lores mortas de
%o-e carregam a semente da #loresc$ncia de aman%!, assim também a triste(a de %o-e carrega a
semente da alegria de aman%!.
)o-e serei sen%or de min%as emo/4es.
E como assen%orear*me dessas emo/4es, para que cada dia se-a produtivo= 0ois, a n!o ser que
o meu 3nimo se-a #orte, o dia ser" um #racasso. ,s "rvores e as plantas dependem da temperatura para
#lorescerem, mas eu #arei min%a pr2pria temperatura, sim, eu a transportarei comigo. Se eu trouer a
c%uva, a melancolia, a escurid!o e o pessimismo aos meus #regueses, eles reagir!o com c%uva,
melancolia, escurid!o e pessimismo e n!o comprar!o nada. Mas, em ve( disso, se l%es trouer alegria,
entusiasmo, claridade e riso, eles reagir!o com alegria, entusiasmo, claridade e riso e min%a
temperatura produ(ir" uma col%eita de vendas e um celeiro de ouro.
)o-e serei sen%or de min%as emo/4es.
E como assen%orear*me de min%as emo/4es para que cada dia traga a #elicidade e se-a
produtivo= ,prenderei este segredo das gera/4es> 1raco + a(ue$e (ue permite (ue seus pensamentos
contro$em suas a23es4 forte + a(ue$e (ue for2a suas a23es a contro$ar seus pensamentos Cada dia,
ao acordar, seguirei este plano de batal%a antes que se-a capturado pelas #or/a da triste(a, da lam&ria e
do #racasso>
Cantarei, se me sentir deprimido.
9irei, se me sentir triste.
9edobrarei meu trabal%o, se me sentir doente.
,van/arei, se sentir medo.
<estirei roupas novas, se me sentir in#erior.
Erguerei min%a vo(, se sentir inseguro.
9elembrarei meu $ito passado, se me sentir incompetente.
9elembrarei meus ob-etivos, se me sentir insigni#icante.
)o-e serei sen%or de min%as emo/4es.

Ae %o-e em diante saberei que apenas os de capacidade in#erior podem estar em sua mel%or
#orma e eu n!o sou in#erior. Aias %aver" em que terei de lutar contra as #or/as que me derrubariam, se
pudessem. Os desesperados e os tristes s!o #"ceis de con%ecer, mas %" quem vir" com sorriso e m!o da
ami(ade, e pode destruir*me. Também contra esse -amais devo ceder o controle.
9ecordarei meus #racassos, se me tornar con#iante demais.
0ensarei nas #omes passadas, se abusar do presente.
9elembrarei min%a luta, se me sentir complacente.
9elembrarei momentos de vergon%a, se me entregar a momentos de grande(a.
Tentarei parar o vento, se me sentir com poder demais.
9elembrarei uma boca sem alimento, se atingir grande rique(a.
9elembrarei momentos de #raque(a, se me tornar demasiado orgul%oso.
;itarei as estrelas ao sentir que min%as técnicas s!o inigual"veis.
)o-e serei sen%or de min%as emo/4es.
E, com este novo con%ecimento, também entenderei e recon%ecerei os 3nimos daquele a quem
visito. 0ermitirei que etravase sua ira e irrita/!o de %o-e, pois ele n!o con%ece o segredo de controlar
sua mente. 0osso tolerar*l%e as setas e insultos, pois agora sei que aman%! ele mudar" e, ent!o, ser"
uma alegria aproimar*me dele.
DE
N!o mais -ulgarei um %omem apenas por um encontro7n!o mais deiarei de visitar aman%!, de
novo, aquele que se encontra irado %o-e. Neste dia ele n!o dar" um tost!o por artigo de ouro7 aman%!,
trocar" sua casa por uma "rvore. Meu con%ecimento deste segredo ser" min%a c%ave para a grande
rique(a.
)o-e serei sen%or de min%as emo/4es.
Ae %o-e em diante, recon%ecerei e identi#icarei o mistério dos 3nimos em toda a %umanidade e
em mim. , partir de %o-e estou preparado para controlar qualquer personalidade com que desperte
cada dia. Serei sen%or de meus 3nimos pela a/!o positiva e, quando #or sen%or de meus 3nimos,
controlarei o meu destino.
)o-e controlarei o meu destino e meu destino é tornar*me o maior vendedor do mundo.
Serei sen%or de mim mesmo.
Serei grande.
CAPÍTULO QUATORZE
O PERGAMINHO NÚRERO SETE
9irei do mundo.
Nen%uma criatura viva ri, 5 ece/!o do %omem. ,s "rvores podem sangrar quando #eridas e os
animais no campo gritar!o de dor e #ome, mas apenas eu ten%o o dom de rir, e ele é meu, para usar
quando o dese-ar. Ae %o-e em diante, cultivarei o %"bito de rir.
Sorrirei e min%a digest!o ser" mel%or7 rirei baiin%o e min%as obriga/4es ser!o aliviadas7 rirei
e min%a vida se alongar", pois este é o segredo da vida longa, e agora, é meu.
9irei do mundo.
E, principalmente, rirei de mim mesmo, pois o %omem é mais c1mico quando se leva a sério
demais. @amais cairei nesta armadil%a da mente. 0ois, embora eu se-a o maior milagre da nature(a, n!o
sou ainda um mero gr!o -ogado para l" e para c" pelos ventos do tempo= Sei eu realmente de onde vim
e para onde vou= N!o parecer" tola min%a preocupa/!o de %o-e, daqui a de( anos= 0or que deveria eu
permitir que os mesquin%os acontecimentos do %o-e me perturbassem= O que pode ocorrer ante este
sol, que n!o parecer" insigni#icante no rio dos séculos=
9irei do mundo.
E como posso rir, quando con#rontado com o %omem ou o #eito que me o#ende de maneira a
#a(er brotar min%as l"grimas e min%as impreca/4es= Tr$s palavras ensaiarei di(er, até que se tornem
um %abito t!o #orte que, imediatamente, aparecer!o em min%a mente, a qualquer momento que o bom
%umor ameace abandonar*me. Essas palavras, passadas pelos antigos, condu(ir*me*!o por toda a
adversidade e manter!o min%a vida em equil'brio. ,s tr$s palavras s!o> Isto tam%+m passará
9irei do mundo.
0ois toda as coisas mundanas, na verdade, passar!o. Guando estiver abatido pelo desgosto,
consolar*me*ei que isto também passar"7 quando estiver en#unado com $ito, advertir*me*ei de que
isto também passar"7 quando estiver carregado de rique(a, direi para mim mesmo que isto também
passar". Sim, pois, em verdade, onde est" aquele que construiu as pir3mides= N!o est" soterrado
dentro de suas pedra= E também n!o ser!o as pir3mides soterradas pela areia= Se todas as coisas um
dia passar!o, por que deveria eu preocupar*me com %o-e=
9irei do mundo.
0intarei este dia com risos7 modelarei esta noite em can/!o. @amais trabal%arei para ser #eli(7
mas, sobretudo, permanecerei ocupado demais para ser triste. Aes#rutarei %o-e a #elicidade de %o-e. Ela
n!o é um gr!o para ser arma(enado numa caia. Ela n!o é vin%o para ser guardada na -arra. Ela n!o
DH
pode ser guardada para o dia seguinte. Aeve ser plantada e col%ida no mesmo dia e isto eu #arei, de
%o-e em diante.
9irei do mundo.
E, como meus risos, todas as coisas ser!o redu(idas ao seu real taman%o. 9irei dos meus
#racassos e eles desaparecer!o nas nuvens de novos son%os7 rirei de meus $itos e eles se encol%er!o
aos seus reais valores. 9irei do mal e ele morrer" esquecido7 rirei da bondade e ela se #or/ar" e
crescer". Cada dia ser" triun#ante apenas quando meus sorrisos provocarem sorrisos dos outros e isso
#arei de modo ego'sta, pois aqueles a quem #oto severamente, s!o os que n!o compram min%as
mercadorias. 9irei do mundo.
Ae %o-e em diante derramarei apenas l"grimas de suor, pois as l"grimas de triste(a, de remorso
ou de #rustra/!o n!o tem valor na #ira, enquanto que cada sorriso pode ser trocado por ouro e cada
palavra gentil sa'da de meu cora/!o pode construir um castelo.
@amais permitirei tornar*me t!o importante, t!o s"bio, t!o imponente e poderoso que esque/a
de como rir de mim mesmo e do meu mundo. ,ssim, sempre permanecerei uma crian/a, pois apenas
como crian/a recebo a capacidade de erguer os ol%os para os outros7 e, enquanto erguer os ol%os para
os outros, -amais serei grande demais par a min%a cama.
9irei do mundo.
E quando rir -amais serei pobre. B esta, ent!o, uma das maiores d"divas da nature(a e eu n!o
mais a desperdi/arei. ,penas com sorriso e a #elicidade posso eu realmente tornar*me um $ito.
,penas com o sorriso e a #elicidade posso apreciar os #rutos de meu trabal%o. Se assim n!o #osse,
muito mel%or seri #racassar, pois a #elicidade é o vin%o que agu/a o sabor da comida. 0ara apreciar o
$ito devo ter #elicidade e o sorriso ser" o criado que me servir".
Serei #eli(.
Terei $ito.
Serei o maior vendedor que o mundo -amais con%eceu.
CAPÍTILO QUINZE
O PERGAMINHO NÚMERO OITO
)o-e centuplicarei meu valor.
Fma #ol%a de amoreira, tocada pelo g$nio do %omem, tornar*se seda.
Fm campo de barro, tocado pelo g$nio do %omem, tornar*se um castelo.
Fm ciprus, tocado pelo g$nio do %omem, tornar*se um santu"rio.
, l! tosquiada, tocada pelo g$nio do %omem, tornar*se vestu"rio para um rei.
Se é poss'vel 5s #ol%as, ao barro, 5 madeira e 5 l! terem seu valor centuplicado, sim,
multiplicado pelo %omem, n!o posso eu #a(er o mesmo com o barro que leva meu nome=
)o-e centuplicarei meu valor.
Sou compar"vel ao gr!o de trigo que en#renta um de tr$s #uturos. O trigo pode ser ensacado e
arma(enado num deposito até servir de alimento ao su'no. Ou pode virar #arin%a e #a(er o p!o. Ou
pode ser lan/ado 5 terra e crescer até que sua piga dourada divida*se e produ(a, de um, mil%ares de
gr!os.
Sou compar"vel ao gr!o de trigo, com apenas uma di#eren/a. O trigo n!o pode escol%er entre
ser alimento do su'no, base de #arin%a, ou plantado para multiplicar*se. Eu posso escol%er e n!o
deiarei que min%a vida se-a alimento do su'no, nem a deiarei colocar*se sob as rodas do #racasso e
do desespero para ser despeda/ada e devorada pela vontade dos outros.
)o-e centuplicarei meu valor.
DJ
0ara crescer e multiplicar é necess"ria plantar o gr!o de trigo na escurid!o da terra e meus
#racassos, meus desesperos, min%a ignor3ncia e min%a inabilidade s!o a escurid!o em que #ui plantado
a #im de amadurecer*me. ,gora, como o gr!o de trigo que brota e #loresce é apenas nutrido com c%uva
e ventos quentes, eu também devo nutrir meu corpo e min%a mente para reali(ar meus son%os. Mas,
para crescer a grande altura, o trigo deve esperar pelos capric%os da nature(a. Eu n!o necessito
esperar, pois ten%o o poder de escol%er meu pr2prio destino.
)o-e centuplicarei meu valor.
E como reali(arei isto= 0rimeiro, estabelecerei ob-etivos para cada dia, cada semana, cada m$s,
cada ano e para min%a vida. ,ssim como a c%uva deve cair antes que o trigo quebre a casca e brote,
assim também devo ter ob-etivos antes que min%a vida se cristali(e. ,o estabelecer meus ob-etivos,
pensarei em meu mel%or desempen%o no passado e o centuplicarei.Este ser" o padr!o sobre o qual
viverei no #uturo. @amais me preocuparei com a elevada altura de meus ob-etivos, pois n!o é mel%or
apontar min%a lan/a para a lua e atira*la apenas numa "guia do que aponta*la para a "guia e acertar
apenas na roc%a=
)o-e centuplicarei meu valor.
, altura dos meus ob-etivos n!o me apavorar", embora possa trope/ar #reqCentemente antes de
alcan/a*los. Se trope/ar, levantar*me*ei e min%as quedas n!o me preocupar!o, pois todos os %omens
devem trope/ar muitas ve(es para alcan/ar a gl2ria. ,penas o verme é livre da preocupa/!o de
trope/os. Eu n!o sou um verme. Gue os outros construam uma caverna com seus barros. Eu
construirei um castelo com o meu.
)o-e centuplicarei meu valor.
E assim, como o sol aquece a terra para #a(er com que brote a semente de trigo, também as
palavras destes pergamin%os aquecer!o min%a vida e trans#ormar!o meus son%os em realidade. )o-e
superarei toda a/!o que eecutei ontem. Subirei a montan%a do %o-e com o etremo de min%a
capacidade, aman%! subirei alto que %o-e e, no dia seguinte, mais alto que na véspera. Superar os
e#eitos dos outros é importante7 superar meus pr2prios #eitos, é tudo.
)o-e centuplicarei meu valor.
E assim como o vento quente condu( o trigo 5 nature(a, os mesmo ventos levar!o min%a vo(
aos que me dar!o ouvidos, e min%as palavras anunciar!o meus ob-etivos. Fma ve( pronunciadas, Fma
ve( pronunciadas, n!o ousarei recorda*las para que n!o percam a epress!o. Serei meu pr2prio
pro#eta, e embora todos possam rir de min%as alocu/4es eles ouvir!o meus planos, con%ecer!o meus
son%os7 e assim n!o %aver" sa'da para mim até que min%as palavras se tornem #eitos reali(ados.
)o-e centuplicarei meu valor.
N!o cometerei o terr'vel crime de aspirar a pouco demais.
Eecutarei o trabal%o que o #racasso n!o eecutar".
Sempre deiarei o meu des'gnio eceder a min%a compreens!o.
@amais me contentarei com o meu desempen%o na #eira.
Sempre elevarei meus ob-etivos t!o logo os atin-a.
Sempre me es#or/arei para #a(er a pr2ima %ora mel%or do que a %ora presente.
Sempre anunciarei meus ob-etivos ao mundo.
Contudo, -amais proclamarei min%as reali(a/4es. Aeiarei, ao contrario, que o mundo se
aproime de mim com louvores e que eu possa ter a sabedoria de recebe*los com %umildade.
)o-e centuplicarei meu valor.
Fm gr!o quando centuplicado produ(ir" centenas de talos. Centuplique*os de( ve(es e eles
alimentar!o todas as cidades da terra. N!o sou eu mais do que um gr!o de trigo=
)o-e centuplicarei meu valor.
E, #eito isto, repetirei a #a/an%a e repetirei de novo e %aver" espanto e estupe#a/!o diante de
min%a grande(a, assim que as palavras destes pergamin%os se cumprirem em mim.
DN
CAPÍTULO DEZESSEIS
O PERGAMINHO NÚMERO NOVE
Meus son%os s!o insigni#icantes, meus planos s!o poeira, meus ob-etivos s!o imposs'veis.
Todos nada valem, a n!o ser seguidos por a/!o.
,girei agora.
@amais eistiu mapa, por mais cuidadosamente eecutado em detal%e e escala, que elevasse seu
possuidor um s2 cent'metro do c%!o. @amais ouve uma lei, conquanto %onesta, que impedisse um
crime. @amais %ouve um pergamin%o, mesmo como este que agora ten%o nas m!os, que gan%asse um
tost!o sequer ou produ(isse uma &nica palavra de aclama/!o. Somente a a/!o trans#orma o mapa, o
papel, este pergamin%o, meus son%os, meus planos, meus ob-etivos em #or/a viva. , a/!o é um
alimento e a bebida nutrir" o meu $ito.
,girei agora.
Min%a procrastina/!o, que me atrasa, nasceu do medo, e agora recon%e/o este segredo tirado
das pro#unde(as de todos os cora/4es cora-osos.
,gora sei que para vencer o medo devo sempre agir sem %esita/!o e as %esita/4es do meu
cora/!o desaparecer!o. ,gora sei que a a/!o redu( o le!o do terror 5 #ormiga da equanimidade.
,girei agora.
Ae %o-e em diante, relembrarei a li/!o do vaga*lume que acende sua lu( apenas quando voa,
apenas quando est" em a/!o. Tornar*me*ei um vaga*lume e, mesmo durante o dia, meu #ulgor ser"
visto, apesar do sol. Gue os outros se-am como borboletas que alisam suas asas, mas dependem da
claridade de uma #lor para viver. Serei como um vaga*lume e, min%a lu( iluminar" o mundo.
,girei agora.
N!o evitarei as tare#as de %o-e e n!o as deiarei para aman%!, pois sei que o aman%! -amais
c%ega. Aeie*me agir agora, mesmo que min%as a/4es n!o possam n!o tra(er #elicidade ou $ito, pois
é mel%or agir e #racassar do que n!o agir e atrapal%ar*me. , #elicidade, em verdade, pode n!o ser o
#ruto col%ido pela min%a a/!o, mas sem a/!o todo #ruto morrer" na vin%a.
,girei agora.
,girei agora. ,girei agora. ,girei agora. Ae %o-e em diante, repetirei estas palavras sempre e
sempre, cada %ora. Cada dia, até que elas se tornem um %"bito como min%a respira/!o e as a/4es que
se seguirem, tornem*se t!o instintivas como o piscar de meus ol%os. Com estas palavras posso
condicionar min%a mente a eecutar tudo que se-a necess"rio ao meu $ito. Com estas palavras posso
condiciona*la a en#rentar todos os desa#ios que o #racasso evita.
,girei agora.
9epetirei estas palavras sempre e sempre.
,o acordar, eu as pronunciarei e pularei da cama, enquanto o #racasso dorme uma %ora mais.
,girei agora.
,o entrar na #eira, eu as pronunciarei imediatamente con#rontarei a primeira possibilidade,
enquanto o #racasso pondera, ainda, uma possibilidade de malogro.
,girei agora.
,o de#rontar uma porta #ec%ada, eu as pronunciarei, e baterei enquanto o #racasso espera l"
#ora com medo e agita/!o.
,o me de#rontar com a tenta/!o eu as pronunciarei e agirei imediatamente para a#astar*me na
maldade.
,girei agora.
,o ser tentado a desistir e recome/ar aman%!, eu as pronunciarei e, imediatamente, agirei para
consumar outra venda.
,girei agora.
,penas a a/!o determina meu valor na #eira e, para multiplicar meu valor, multiplicarei min%as
a/4es. ,ndarei por onde o #racasso teme andar. Trabal%arei enquanto o #racasso procura descanso.
DO
Conversarei enquanto o #racasso permanece calado. <isitarei de( que podem comprar min%as
mercadorias, enquanto o #racasso #a( grandiosos planos para visitar um. Airei que est" tudo
consumado antes que o #racasso diga que é tarde demais.
,girei agora.
0ois o agora é tudo que ten%o. O aman%! é o dia reservado para o trabal%o do pregui/oso. Eu
n!o sou pregui/oso. O aman%! é o dia em que o mau se torna bom. Eu n!o sou mau. O aman%! é o dia
em que o #raco se torna #orte. Eu n!o sou #raco. O aman%! é o dia em que o #racasso ter" $ito. Eu n!o
sou um #racasso.
,girei agora.
Guando o le!o est" #aminto, ele come. Guando a "guia tem sede, ela bebe. Se n!o agem, ambos
correr!o perigo.
Sinto #ome de $ito. Sinto sede de #elicidade e pa( de esp'rito.
,girei para n!o correr perigo numa vida de #racasso, de miséria e de noites indormidas.
Eu ordenarei e obedecerei 5s min%as pr2prias ordens.
,girei agora.
O $ito n!o esperar". Se eu retardo, ele se compromete com outro e eu perco para sempre.
Esta é a %ora. Este é o lugar. Eu sou o %omem.
Eu agirei agora.
CAPÍTULO DEZESSETE
O PERGAMINHO NÚMERO DEZ
Guem tem a #é t!o pequena que, em momento de grande desastre ou agita/!o, n!o %a-a
clamado a seu Aeus= Guem -" n!o gritou quando con#rontado com o perigo, a morte, ou o mistério
além de sua compreens!o ou eperi$ncia normal= Ae onde vem esse pro#undo instinto que escapa da
boca de todas as criaturas vivas em momentos de perigo= Mova r"pido sua m!o ante os ol%os de
alguém e suas p"lpebras mover*se*!o. Ae um tapin%a no ombro de alguém e ele dar" um pulo.
Con#ronte alguém com um negro %orror na #ace e ele dir", +Meu Aeus., levado pelo mesmo impulso.
N!o necessito pernear min%a vida de religi!o a #im de recon%ecer este grande e maior mistério
da nature(a. Todas as criaturas que andam sobre a terra, inclusive o %omem, possuem o instinto de
gritar por socorro. 0or que possu'mos esse instinto, esse dom=
N!o s!o nossos gritos uma #orma de s&plica=
N!o é compreens'vel, num mundo governado pelas leis da nature(a, que uma mente grandiosa,
5 parte de dar ao cordeiro, 5 mula, ao p"ssaro, ao %omem, o instinto de gritar por socorro, ten%a
também permitido que o grito #osse ouvido por algum poder superior capa( de ouvir e atender ao grito
de socorro=
Ae %o-e em diante, eu suplicarei, mas meus gritos por socorro ser!o apenas pedidos de
orienta/!o.
@amais suplicarei pelas coisas materiais do mundo. N!o pe/o ao criado que traga comida. N!o
determino ao %ospedeiro que me d$ um quarto. @amais buscarei d"divas de ouro, amor, sa&de, vit2rias
mesquin%as, #ama, $ito, ou #elicidade. Suplicarei apenas por orienta/!o para que eu ven%a a saber a
maneira de adquirir estas coisas e serei sempre atendido em min%a s&plica.
, orienta/!o que busco pode c%egar como pode n!o c%egar, mas n!o s!o ambas uma resposta=
Se uma crian/a busca p!o com seu pai e n!o encontra, n!o deu o pai uma resposta=
Suplicarei por orienta/!o e suplicarei como um vendedor, desta maneira>
DP
5 criador de todas as coisas! ajudai-me /ois "oje saio pe$o mundo nu e s6! e sem vossa mão
para orientar desviar-me-ei do camin"o (ue condu, ao 7)ito e aa fe$icidade
Não pe2o ouro ou roupa ou mesmo oportunidades se'undo min"a capacidade! mas
orienta2ão para (ue possa ad(uirir capacidade se'undo min"as oportunidades
Ao $eão e 8 á'uia ensinastes a ca2ar e a prosperar com os dentes e as 'arras Ensinai-me a
ca2ar com pa$avras e a prosperar com amor para (ue eu possa ser um $eão entre os "omens
e uma á'uia na feira
Ajudai-me a permanecer "umi$de nos o%stácu$os e fracassos4 mas não ocu$teis dos meus
o$"os o pr7mio (ue virá com a vit6ria
9onferi-me tarefas para as (uais outros fracassaram4 mas orientai-me na co$"eita das
sementes do 7)ito nos fracassos dos outros 9onfrontai-me com temores (ue temperarão o
meu esp:rito4 mas dotai-me de cora'em para rir de meus receios
Reservai-me dias suficientes para a$can2ar meus o%jetivos4 mas ajudai-me a viver este dia
como se fosse o meu &$timo dia
Orientai-me em min"as pa$avras para (ue e$as frutifi(uem4 mas acaute$ai-me a $:n'ua!
para (ue a nin'u+m difame
Discip$inai-me no "á%ito de tentar sempre e sempre4 mas mostrai-me a maneira de uti$i,ar-
me da $ei das m+dias 1avorecei-me com a prontidão em recon"ecer as oportunidades4 nas
dotai-me com a paci7ncia (ue concentrará min"a for2a
;an"ai-me em %ons "á%itos para (ue os maus "á%itos se afo'uem4 mas concedei-me a
compai)ão pe$a fra(ue,a dos outros 1a,ei-me sofrer para sa%er (ue todas as coisas
passarão4 mas ajudai-me a contar min"as %7n2ãos de "oje
<ujeitai-me ao 6dio! para (ue e$a não seja um estran"o4 mas enc"ei min"a ta2a de amor
para transformar estran"os em ami'os
Mas (ue todas estas coisas aconte2am apenas se'undo vossa vontade <ou uma uva pe(uena
e so$itária compondo o vin"o! mas me fi,estes diferente de todas as outras Em verdade! deve
"aver um $u'ar especia$ para mim Orientai-me Ajudai-me Mostrai-me o camin"o
Dei)ai-me tornar em tudo a(ui$o (ue p$anejastes para mim (uando min"a semente foi
p$antada e esco$"ida por v6s para %rotar na vin"a do mundo
Ajudai este "umi$de vendedor
Orientai-me! Meu <en"or
DQ
CAPÍTULO DEZOITO
E assim sucedeu que )a#id esperou em seu solit"rio pal"cio por aqueles que iria receber os
pergamin%os. O anci!o, tendo apenas o guarda*livros de con#ian/a por compan%ia, contemplava as
esta/4es irem e virem, e com a c%egada das en#ermidades da vel%ice #icava, apenas, calmamente
sentado no -ardim coberto.
Ele esperou.
Ele esperou quase tr$s anos ap2s a distribui/!o de suas rique(as mundanas e da dispers!o do
seu império comercial.
E ent!o, do deserto do Levante, surgiu a #igura delgada e coeante de um estran%o que c%egou
a Aamasco e seguiu direto pelas ruas até parar ante o pal"cio de )a#id. Erasmo, comumente um
modelo de cortesia e sobriedade, permaneceu resoluto 5 porta, assim que o estran%o repetiu seu
pedido>
*Eu dese-o #alar com vosso amo.
, apar$ncia do estran%o n!o era de inspirar con#ian/a. 9otas e emendadas com corda estavam
suas sand"lias, #eridas e arran%adas as pernas escuras, c%agas em muitos lugares, e do corpo pendia
uma #roua e es#arrapada tanga de camel!o. O cabelo estava desalin%ado e longo, e os ol%os,
vermel%os de sol, pareciam arder.
Erasmo segurou levemente a tranca da porta>
*O que procura com meu sen%or=
O estran%o deiou o saco cair dos ombros e apertou as m!os em s&plica a Erasmo.
*0or #avor, gentil sen%or, concedei*me uma audi$ncia com o vosso amo. N!o busco pre-udica*
lo, nem esmolas. Aeiai*o ouvir min%as palavras e prometo partir imediatamente se eu o o#ender.
,inda inseguro, Erasmo abriu lentamente a e #e( sinal que entrasse. Ent!o, virou*se e, sem
ol%ar para tr"s, encamin%ou*se para o -ardim com o visitante a acompan%a*lo, coeando.
No -ardim, )a#id coc%ilava, e Erasmo %esitou ante seu amo. Ele tossiu e )a#id moveu*se.
Tossiu de novo e o anci!o abriu os ol%os.
*0erdoe*me incomoda*lo meu amo, mas %" uma visita.
Aespertando, )a#id sentou*se e #itou o estran%o que se curvou e #alou.
*Sois aquele que é c%amado o maior vendedor do mundo=
)a#id #ran(iu a testa e assentiu.
*,ssim #ui c%amado em anos que agora -" passaram. Min%a cabe/a n!o mais ostenta essa
coroa. O que dese-ais de mim=
O pequeno visitante permaneceu embara/ado ante )a#id e passou a m!o pelo peito encardido.
0iscou os ol%os e replicou>
*Sou c%amado Saulo e voltei agora de @erusalém para Tarso, min%a terra natal. Suplico*vos,
todavia, n!o deieis que min%a apar$ncia vos con#unda. N!o sou um bandido do deserto nem um
mendigo das ruas. Sou cidad!o de Tarso e também de 9oma. Os ;ariseus da tribo -udia de 8en-amim
s!o o meu povo e embora eu se-a #abricante de tendas, por pro#iss!o, estudei com o grande :amaliel.
,lguns me c%amam de 0aulo.
Ele se inclinava para o lado, ao #alar, e )a#id, n!o de todo desperto até esse momento, acenou
com gesto de desculpas, para que ele se sentasse.
0aulo assentiu, mas permaneceu de pé.
*Eu vim a v2s em busca da orienta/!o e a-uda que apenas v2s podeis dar*me. 0ermitis, sen%or,
contar*vos min%a %ist2ria=
Erasmo, em pé atr"s do estran%o, balan/ou a cabe/a violentamente, mas )a#id #ingiu n!o notar.
,inda sonolento, eaminou o intruso com cuidado e, ent!o assentiu>
*Estou vel%o demais para levantar os ol%os. Sente*se aos meus pés e eu o ouvirei.
0aulo p1s o saco de lado e a-oel%ou*se pr2imo ao anci!o que esperava em silencio.
*)" quatro anos atr"s, porque o acumulado con%ecimento de meus ecessivos anos de estudo
cegar meu cora/!o para a verdade, #ui testemun%a p&blico do apedre-amento, em @erusalém, de um
ES
santo %omem, c%amado Estev!o. Ele #ora condenado 5 morte pelo sinédrio, por blas#$mia contra o
nosso Aeus.
)a#id o interrompeu, com embara/o na vo(>
*Eu n!o entendo min%a liga/!o com essa atividade.
0aulo ergueu a m!o, como para acalmar o anci!o>
*Eplicarei rapidamente. Ele era seguidor de um %omem c%amado @esus, que, menos de um
ano antes do apedre-amento de Estev!o, #ora cruci#icado pelos romanos, por sedi/!o contra o estado.
, culpa de Estev!o residia na insist$ncia de que @esus era o Messias, cu-a c%egada #ora prevista pelos
pro#etas -udeus, e que o Templo conspirava com 9oma para matar esse #il%o de Aeus. Tal censura 5s
autoridades s2 poderia ser punido com a morte e, como vos disse, eu participei.
+,demais, pelo meu #anatismo e (elo -uvenil, o sumo sacerdote do Templo con#iou*me a
miss!o de via-ar para Aamasco 5 procura de todo seguidor de @esus e, encontrando*o, Tra($*lo
acorrentado a @erusalém para puni/!o. Ksto #oi, como disse, quatro anos atr"s.
Erasmo ol%ou para )a#id espantado, pois %avia no rosto do anci!o um ol%ar -amais visto pelo
leal guarda*livros em muitos anos. ,penas o -orro da #onte se ouvia no -ardim, quando 0aulo
prosseguiu.
*Ent!o, ao aproimar*me de Aamasco com morte no cora/!o, surgiu no céu um s&bito #ac%o de
lu(. 9ecordo*me que n!o me assustei, mas ca' ao c%!o e, embora n!o pudesse ver, ouvi uma vo( em
meu ouvido di(er> Saulo, Saulo, por que me persegues= Eu perguntei> +Guem és tu=. e a vo(
respondeu> +Eu sou @esus, a quem persegues, mas levanta*te e entra na cidade, e ser"s avisado do que
#a(er..
+Ergui*me e #ui levado pelas m!os de meus compan%eiros 5 Aamasco e l" n!o #ui capa( de
comer ou beber por tr$s dias, enquanto permaneci na casa de um seguidor do cruci#icado. ;ui, ent!o,
visitado por outro seguidor, c%amado ,nanias, que disse ter visitado numa vis!o e avisado para vir a
mim. Ele passou a m!o em meus ol%os e pude ver de novo. ;oi me, ent!o, poss'vel comer e beber e
recuperar as #or/as..
)a#id curvou*se para a #rente e inquiriu>
*O que ocorreu depois=
*;ui levado 5 sinagoga e min%a presen/a como perseguidor dos seguidores de @esus
amedrontou*l%es os cora/4es, mas #i( uma prega/!o, e min%as palavras os con#undiram, pois #alei que
aquele que #ora cruci#icado era realmente o #il%o de Aeus.
+E todos que me ouviram suspeitaram de um truque de min%a parte para engana*los, pois n!o
causara eu matan/a em @erusalém= N!o pude convence*los da min%a mudan/a de cora/!o e muitos
tramaram a min%a morte7 ent!o, #ugi e retornei a @erusalém..
+Em @erusalém, os acontecimentos de Aamasco repetiram*se. Nen%um dos seguidores de @esus
se aproimou de mim, conquanto soubessem de min%a prega/!o em Aamasco. N!o obstante, continuei
a pregar em nome de @esus, mas inutilmente. Em todo lugar que #alava despertava o 2dio daqueles que
ouviam, até que um dia #ui ao Templo e, no p"tio, enquanto assistia 5 venda de pombos e cordeiros
para sacri#'cio, a vo( veio*me novamente..
*Ent!o, o que disse= T perguntou Erasmo, sem poder se conter. )a#id sorriu para seu vel%o
amigo e #e( sinal para 0aulo continuar.
*, vo( disse> +Tiveste a 0alavra por quase quatro anos, mas pouco mostraste a lu(. ,té a
palavra de Aeus tem de ser vendida 5s pessoas, ou n!o a ouvir!o. N!o #alei eu em par"bolas, para que
todos entendessem= 0egar"s pu/"s moscas com vinagre. 9etorna a Aamasco e procura aquele que é
aclamado como o maior vendedor do mundo, deia que ele te mostre a maneira de o #a(er..
)a#id relanceou os ol%os rapidamente em Erasmo e o vel%o guarda*livros sentiu a
impronunciada pergunta. Era este, ent!o, aquele por quem ele tanto esperava= O grande vendedor
curvou*se para a #rente e colocou a m!o no ombro de 0aulo.
*;alai*me sobre esse @esus.
, vo( bem viva, com nova #or/a e volume, 0aulo #alou de @esus e de sua vida. Enquanto os
dois ouviam, #alou da longa espera -udia por um Messias que viria e os uniria num novo e
independente reino de #elicidade e pa(. ;alou de @o!o, o 8atista, e da c%agada, no palco da %ist2ria, de
E?
alguém c%amado @esus, dos milagres reali(ados por esse %omem, dos seus serm4es 5s multid4es, da
revivi#ica/!o do morto, do tratamento dado aos vendil%4es7 #alou ainda da cruci#ica/!o, do
sepultamento e da ressurrei/!o. ;inalmente, como para dar maior impacto a seu relato, 0aulo en#iou a
m!o no saco que estava ao lado e dali retirou uma vestimenta vermel%a, que colocou no colo de )a#id.
*Sen%or, a' tendes todos os bens mundanos deiados por esse @esus. Tudo que possu'a ele
distribuiu com o mundo, incluindo a vida. E, ao pé da cru(, soldados romanos disputaram nos dados
esta t&nica. <im a possui*la por meio de muito es#or/o e procura, quando estive por &ltimo em
@erusalém.
, #ace empalidecida de )a#id e suas m!os tremeram ao abrir a t&nica manc%ada de sangue.
,larmado com a apar$ncia de seu amo, Erasmo aproimou*se do anci!o. )a#id continuou a abrir a
vestimenta até encontrar a pequena estrela bordada no tecido... a marca de Tola, cu-o s'mbolo
compun%a as roupas vendidas por 0at%ros. 0r2imo 5 estrela, um c'rculo bordado dentro de um
quadrado... a marca de 0at%ros.
Sob os ol%os de 0aulo e Erasmo, o anci!o ergueu a t&nica e ro/ou*a gentilmente contra a #ace.
)a#id balan/ou a cabe/a. Kmposs'velM Mil%ares de outras t&nicas #oram #abricadas por Tola e vendidas
por 0at%ros nos anos de sua grande carreira de neg2cios.
,inda apertando contra si a t&nica e #alando num murm&rio rouco, )a#id perguntou.
*Ai(ei*me o que se sabe do nascimento desse @esus.
0aulo respondeu.
*Ele deiou nosso mundo com pouco. Entrara nele com menos ainda. Nasceu numa gruta em
8elém, ao tempo do recenseamento #eito por Tibério.
O sorriso de )a#id parecia quase in#antil aos dois %omens e eles ol%avam perpleos, pois
l"grimas também rolavam de sua #ace enrugada. Ele enugou*as com a m!o e perguntou>
*E n!o #oi a mais bril%ante estrela que o %omem -" viu, a que bril%ou sobre o ber/o daquela
crian/a=
0aulo abriu a boca, mas n!o pode #alar, nem era necess"rio. )a#id abriu os bra/os, c%amou
0aulo a si e, ent!o as l"grimas de ambos se con#undiram.
;inalmente, o anci!o ergueu*se e acenou para Erasmo>
*Meu leal amigo, v" 5 torre e traga o ba&. Encontramos, a#inal, o nosso vendedor.
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