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ISSN 1679-0901

CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS

VOLUME 15

N° 3

ANO 2007

SBCPD

ISSN 1679-0901 CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS VOLUME 15 N° 3 ANO 2007 SBCPD BOLETIM INFORMATIVO

BOLETIM INFORMATIVO

Boletim Informativo Editado pela Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas Diretoria – Gestão 2006/2008

Presidente: Décio Karam – EMBRAPA 1 o Vice-Presidente: Maria Helena T. Mascarenhas – EPAMIG 2 o Vice-Presidente: Francisco Affonso Ferreira – UFV 1 o Secretário: Elifas Nunes de Alcântara – EPAMIG 2 o Secretário: Tarcisio Cobucci - EMBRAPA 1 o Tesoureiro: João Baptista da Silva – SAMA 2 o Tesoureiro: Nestor Gabriel da Silva – Syngenta

Representantes Regionais Região N: Antonio Pedro da S. S. Filho – EMBRAPA Região NE: Francisco Cláudio L. de Freitas – UFERSA Região CO: Eliana Regina Archangelo – UNITINS Região SE: Cleber Daniel de Góes Maciel -FUNGE/ESAPP Região S: Aldo Merotto Jr – UFRGS

Conselho consultivo Robert Deuber – IAC Julio Cezar Durigan – UNESP Dionisio Luiz P. Gazziero – EMBRAPA Ricardo Victoria Filho – USP Marcus Barifouse Matallo – IB Roberto José de Carvalho Perreira – UNB Jesus Juarez Oliveira Pinto – UFPEL Luiz Lonardoni Foloni – UNICAMP

Revista Planta Daninha Editor-Chefe: Francisco Affonso Ferreira – UFV

Revista Brasileira de Herbicidas Editor-Chefe: Leandro Vargas – EMBRAPA

Boletim Informativo Editor-Chefe: Aldo Merotto Junior – UFRGS Editores-Auxiliares:

Ana Carolina Roso - UFRGS Augusto Kalsing - UFRGS

Conselho Fiscal Edson Begliomini – BASF Eduardo Luiz Panini – DuPont Antonio Alberto da Silva – UFV

Relações internacionais Robinson A. Pitelli – UNESP Ulisses Rocha Antuniassi – UNESP João Baptista da Silva – SAMA Pedro Luis da C.A. Alves – UNESP

Suplentes Maurílio Fernandes da Oliveira – EMBRAPA Lino Roberto Ferreira – UFV Neimar de Freitas Duarte – UEMG

SBCPD

EMBRAPA – CNPMS

Rod. MG 424, Km 65 - CP 151

35701-970– Sete Lagoas, MG, Brasil

Fone: 55 0xx (31) 3779-1086 ou 3779-1035

Fax: 55 0xx (31) 3779-1088

E-mail: secsbcpd@cnpms.embrapa.br

BOLETIM DE PUBLICAÇÃO DE RESULTADOS DE PESQUISA, EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS, NOVOS MÉTODOS E TECNOLOGIAS E NOTÍCIAS DA SOCIEDADE BRASILEIRA DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS

E D I T O R I A L

Apresentamos o terceiro número de 2007 do Boletim Informativo da Sociedade Brasileira da Ciência das

Plantas Daninhas. Destacamos que o período para submissão de trabalhos ao XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DA

CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS e XVIII CONGRESSO DE LA ASOCIACION LATINOAMERICANA DE MALEZAS

foi extendido para até 14 de janeiro de 2007. Chamamos a atenção para que os interesados verifiquem

antecipadamente os procedimentos necessários para inscrição e submissão dos trabalhos na página da internet do

congresso (http://www.26cbcpd.com.br). Reenfatizamos a grande importância deste Congresso para o fortalecimento

das ativifades relacionadas à Ciência das Plantas Daninhas no Brasil e na América Latina. Neste sentido, é

extremanete encorajada a presença de produtores rurais, pesquisadores, professores, extensionistas, indústrias e

todos os profissionais envolvidos com Plantas Daninhas. Destacamos a função do congresso de nossa sociedade

não apenas como um fórum científico, mas também de debate e aperfeiçoamento dos fatores técnicos, econômicos,

políticos e éticos relacinados a Ciência das Plantas Daninhas.

Nesta edição publicamos os trabalhos apresentados no 1º Simpósio Internacional sobre Ghlyphosate

realizado em Batucatu (SP) de 15 a 19 de outubro de 2007. Ainda, estamos dando continuidade à apresentação de

títulos de artigos publicados em revistas científicas especializadas em Plantas Daninhas, e de resumos de artigos

sobre Plantas Daninhas publicados em periódicos científicos nacionais não vinculadas a SBCPD. Reiteramos a

necessidade de participação de todos os associados com relação à utilização deste Boletim como um espaço para

divulgação e debate dos vários assuntos sobre Plantas Daninhas.

Prof. Aldo Merotto Junior Editor Boletim informativo da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas

1 - COMUNICAÇÕES DA SBCPD

1.1 - XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS

XVIII CONGRESSO DE LA ASOCIACION LATINOAMERICANA DE MALEZAS

Prezados (as) Senhores (as),

Viemos através deste comunicar a todos, que as inscrições do XXVI Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas e XVIII Congresso de la Asociación Latinoamericana de Malezas, somente serão feitas on line através do site do congresso http://www.26cbcpd.com.br no ícone Inscrições.

Para se inscrever é necessário preencher o cadastro de inscrição, e em poucos instantes o

sistema enviará um e-mail comunicando que o seu pedido de inscrição foi devidamente cadastrado

e informando o número de sua inscrição e senha. Este login será utilizado pelo inscrito em todas as consultas no site do evento e para obter informações sobre o status de seus trabalhos (caso venha submeter). Para efetuar o pagamento, faça o login, após o recebimento de seu número de inscrição e senha, e escolha a forma do mesmo, por meio de boleto bancário ou pelo cartão VISA. Após efetivação do pagamento, a confirmação do mesmo demora cerca de 3 dias úteis. O sistema enviará um e-mail de confirmação de pagamento para então, serem enviados os trabalhos para submissão. Obs: As normas para submissão de trabalhos estão disponíveis no site do evento. Comissão Organizadora

XXVI CBCPD e XVIII Congresso de la ALAM

1.2 - XXVI CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS

XVIII CONGRESSO DE LA ASOCIACION LATINOAMERICANA DE MALEZAS

SUBMISSÃO DE TRABALHOS AO XXVI CBCPD E XVIII CONGRESO DE LAALAM

Prezados (as) Senhores (as),

Atendendo a inúmeros pedidos de membros da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas e da ALAM, a Comissão Científica prorrogou o prazo de submissão de trabalhos até o dia 14/01/2008. Os valores das inscrições serão reajustados após o dia 30/11/2007, de acordo com a tabela aprovada pela Comissão Organizadora. Faça sua inscrição prévia até o dia 30/11/ 2007 e não sofra o reajuste.

Atenciosamente,

Antônio Carlos de Oliveira

Presidente da Com. Científica

2

- NOTÍCIAS, INFORMAÇÕES E OPINIÕES

3 - COMUNICAÇÕES TÉCNICAS (RESUMOS)

3.1 - TESES

AÇÃO PROTETORA DO ÓXIDO NÍTRICO EM PLANTAS DE SOJA (Glycine max L. Merril) SUBMETIDAS AO LACTOFEN. Tese (Doutorado) – Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas (Botânica) - Instituto de Biociências, Universidade Estadual Paulista, Botucatu – SP, Brasil. Agosto, 2007.

Autor: Dr. Leonardo Cesar Ferreira Orientador: Prof (a). Ph. D. Ana Catarina Cataneo

O lactofen é um herbicida do grupo dos difenil-éteres utilizado na cultura da soja para o controle de plantas daninhas

de folhas largas e possui como mecanismo de ação a inibição da enzima protoporfirinogênio oxidase (Protox), que catalisa a etapa de oxidação do protoporfirinogênio-IX a protoporfirina-IX (proto-IX) na via de biossíntese das clorofilas e citocromos. A inibição é seguida de um acúmulo de proto-IX, que leva à formação de espécies reativas do metabolismo do oxigênio (ERMO), peroxidação de lipídios das membranas e diminuição dos teores de pigmentos fotossintéticos, caracterizando-se assim o estresse oxidativo. Como conseqüências podem ocorrer manchas, enrugamento e queima das folhas, levando à paralisação temporária do crescimento da cultura. Em contrapartida, o óxido nítrico (NO) é uma molécula capaz de eliminar diretamente as ERMO e assim finalizar reações propagadas em cadeia, podendo atuar como um antioxidante. Desta forma, o presente estudo teve como objetivo avaliar se o pré- tratamento de plantas de soja com solução de nitroprussiato de sódio (SNP), substância doadora de NO, promove proteção contra o estresse oxidativo gerado pelo lactofen. Assim, plantas de soja no estádio fenológico V3, após

pré-tratamento com as diferentes doses de SNP (0, 50, 100 e 200 µmol.L -1 ) por dois dias consecutivos, foram pulverizadas com lactofen na dose recomendada para esta cultura, equivalente a 0,7 L.ha -1 . Às 24, 48, 72, 96 e 120

h após a aplicação de lactofen (HAAL), folíolos foram coletados para a quantificação dos teores de lipoperóxidos,

clorofilas totais e suas frações “a” e “b” e carotenóides totais, bem como para a determinação da atividade das

enzimas antioxidantes glutationa S-transferase (GST), superóxido dismutase (SOD), catalase (CAT) e peroxidase

(POD). Além disso, aos dois, quatro e sete dias após a aplicação de lactofen (DAAL) foram realizadas avaliações visuais

de injúria e aos 7 e 14 DAAL, as plantas foram avaliadas quanto à altura, comprimento de raiz e contagem do número de

folíolos. Em seguida, foram separadas em lâminas foliares, caules mais pecíolos e raízes, dos quais a matéria seca e os teores de açúcares solúveis totais e redutores foram quantificados. Foi constatado que o NO reduziu os sintomas de injúria

causados pelo lactofen nos folíolos jovens, além de manter baixos teores de açúcares solúveis totais e redutores.Além disso, apesar da peroxidação lipídica não ter sido totalmente interrompida, o NO apresentou capacidade de eliminação das ERMO geradas pela ação do herbicida lactofen, impedindo a degradação de pigmentos fotossintéticos. Conseqüentemente,

a eliminação das ERMO pelo NO acarretou tanto diminuição de substrato disponível para as enzimas antioxidantes SOD,

CAT e POD, essenciais na proteção das plantas em situações indutoras de estresse oxidativo, como a ausência de indução da GST pelo H 2 O 2 . Porém, o NO proporcionou crescimento mais lento das plantas. Diante destes resultados, sugerem-se posteriores estudos que busquem uma maior elucidação dos mecanismos pelos quais o NO pode atuar na sinalização do estresse promovido pelo lactofen na cultura da soja. Palavras-chave: Enzimas antioxidantes, Estresse oxidativo, Glycine max L. Merril, Lactofen, Óxido nítrico.

DINÂMICA DA ATIVIDADE RESIDUAL DE DIURON, IMAZAPIC E ISOXAFLUTOLE EM DOIS

SOLOS DE TEXTURA CONTRASTANTE. Tese (Doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia - Faculdade de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá, Maringá - PR, Brasil.

Autor: Dr. Miriam Hiroko Inoue Orientador: Prof. Dr. Rubem Silvério de Oliveira Jr.

O objetivo deste trabalho foi estudar a dinâmica dos herbicidas diuron, imazapic e isoxaflutole em dois solos com diferentes atributos. Para tal, foram conduzidos vários experimentos em casa-de-vegetação, na Universidade Estadual de Maringá. No primeiro capítulo, em amostras de LATOSSOLO VERMELHO distrófico (LVd – textura franco-arenosa) e LATOSSOLO VERMELHO distroférrico (LRd – textura argilosa) foi avaliada a atividade residual de diuron (0; 1,6 e 3,2 kg ha -1 ), imazapic (0; 98 e 122,5 g ha -1 ) e isoxaflutole (0; 35 e 70 g ha -1 ), por meio da semeadura da planta-teste (Brachiaria decumbens) aos 0, 25, 50, 75 e 100 dias após a aplicação (DAA). No segundo capítulo, foi verificado o potencial de lixiviação de imazapic e isoxaflutole, em colunas de solo, com amostras de LVd e LRd. Os ensaios consistiram da aplicação de imazapic (0; 65 e 130 g ha -1 ) e isoxaflutole (0; 35 e 70 g ha - 1 ) no topo das colunas e aplicação de lâmina de água, estabelecida de acordo com ensaios anteriores. No terceiro capítulo, estudou-se a lixiviação do diuron em colunas de solo, além do efeito de diferentes métodos de redução da atividade microbiana na degradação deste herbicida nas amostras de LVd e LRd. Para avaliar a movimentação do diuron (0; 1,6 e 3,2 kg ha -1 ) nas colunas de solo, foram aplicadas lâminas de 0, 20, 40, 60 e 80 mm de água. Nos ensaios de degradação, os métodos de restrição empregados foram: autoclavagem prévia, aplicação de brometo de metila, amoxicilina, captan e amoxicilina+captan, sendo que após a aplicação dos herbicidas, as amostras foram mantidas na ausência ou presença de luz. Após 100 DAA, foi semeada B. decumbens nas amostras para avaliar a degradação potencial de diuron nos solos. Os resultados indicam que o diuron apresentou alta estabilidade no LRd, sendo que para a maior dose, o controle foi superior a 92% até aos 100 DAA. No entanto, não houve efeito residual diferenciado no LVd, mesmo com a aplicação do dobro da dose recomendada. De modo geral, o imazapic apresentou baixo efeito residual para o controle de B. decumbens, independente da dose utilizada. Verificou-se ainda que o efeito residual das doses de isoxaflutole foi maior no solo de textura argilosa (entre 20 a 38 dias). Houve lixiviação aparente de imazapic até a camada de 10-15 cm ou de 15-20 cm, dependendo do bioindicador utilizado. Constatou- se também que, mesmo com a dose de 70 g ha -1 , a movimentação do isoxaflutole nas colunas restringiu-se à camada de 5-10 cm. Ao comparar os solos, a maior movimentação ocorreu no LVd, sendo que o imazapic apresentou maior lixiviação que o isoxaflutole. Em relação ao diuron, lâminas superiores a 60 mm foram suficientes para promover movimentação nítida nas amostras de LVd. Para o LRd, independente da lâmina aplicada, a movimentação do herbicida ficou restrita à camada superficial (0-5 cm). Nos ensaios de degradação, para o LRd, verificou-se que, em todos os tratamentos, o acúmulo de biomassa de B. decumbens foi maior nas amostras de solo que não receberam nenhum método de restrição à atividade microbiana. As amostras de LVd que receberam qualquer um dos métodos de restrição e foram mantidas na luz, proporcionaram menor produção de biomassa em relação ao solo que não recebeu nenhum método de restrição. Evidenciou-se ainda que, independente do solo, o acúmulo de biomassa de B. decumbens foi maior nas amostras que permaneceram na luz.

Palavras-chave: Efeito residual, Lixiviação, Mobilidade, Persistência, Retenção.

3.2 - DISSERTAÇÕES

COMPETIÇÃO DE CULTIVARES DE TRIGO (Triticum aestivum L.) COM AZEVÉM (Lolium multiflorum Lam.) OU

NABO (Raphanus raphanistrum L.) Dissertação (Mestrado) - Programa de Pós-Graduação em Fitossanidade – Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas-RS, Brasil. Maio, 2007.

Autor: Msc. Rubia Piesanti Rigoli Orientador: Prof. Dr. Dirceu Agostinetto

Um dos principais fatores limitantes ao potencial de produtividade do trigo (Triticum aestivum L.) é a competição com plantas daninhas. Foram conduzidos experimentos em casa-de-vegetação e a campo, com os objetivos de quantificar variações na velocidade de emergência e crescimento e desenvolvimento inicial de cultivares de trigo com diferentes

ciclos e estatura de plantas; investigar a habilidade competitiva relativa de cultivar de trigo com as espécies daninhas azevém e nabo, e, determinar o período crítico de interferência das plantas daninhas na cultura do trigo. Em casa-de- vegetação foram avaliados a matéria seca aérea e radical; área foliar; estatura de plantas; estádio de desenvolvimento, número de afilhos e relação parte aérea/raízes por planta. No experimento a campo foram avaliados a população da cultura e plantas daninhas; estatura de plantas da cultura; massa da matéria seca da cultura e das plantas daninhas; produtividade de grãos; produtividade biológica; índice de colheita; número de espigas; número de grãos e número de antécios por espiga; peso de mil grãos e peso do hectolitro. Os resultados obtidos indicaram que a estatura e a área foliar são características de planta que podem ser adotadas para relacionar cultivares de trigo com potencial competitivo com plantas daninhas; a cultura do trigo demonstra habilidade competitiva superior ao azevém e inferior ao nabo, sendo sua competitividade dependente da população de plantas; a eliminação das plantas daninhas na cultura do trigo, a fim de evitar perdas de produtividade por competição, deve ser realizada dos 12 aos 24 dias após a emergência da cultura.

Palavras-chave: Cultivares de trigo, população de plantas, planta daninha.

3.3 – TRABALHOS DE GRADUAÇÃO

CONTROLE QUÍMICO DE CAPIM-AMARGOSO (Digitaria insularis). Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, FCAV - UNESP, Jaboticabal - SP.

Autores: Roger Scholten Orientador: Prof. Dr. Pedro Luis da Costa Aguiar Alves

Considerando que o capim-amargoso (Digitaria insularis) constitui-se em uma planta daninha importante e freqüente e que o uso de herbicidas para realizar o controle de plantas daninhas em áreas agrícolas é uma atividade amplamente difundida em todo o mundo, foi objetivo deste trabalho comparar a eficiência de oito herbicidas para o controle químico do capim-amargoso. Os tratamentos estudados foram de oito herbicidas registrados para o controle de capim-amargoso:

glyphosate (Roundup Original) na dose de 4,0 L ha -1 ; ametrina+clomazona (Sinerge CE) na dose de 5,0 L ha -1 ; dicloreto de paraquat (Gramoxone 200) na dose de 3,0 L ha -1 ; cletodim (Select 240 CE) na dose de 0,45 L ha -1 ; haloxifop-p-metílico (Verdict R) na dose de 0,5 L ha -1 ; S-metolachlor (Dual Gold) na dose de 2,0 L ha -1 ; diuron+hexazinona (Velpar K) na dose de 3,0 L ha -1 ; foransulfuron+iodosulfuron-metílico (Equip Plus) na dose de 150 g ha -1 e mais uma testemunha sem aplicação, com quatro repetições. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado e as parcelas consistiam de vasos de um litro e meio preenchidos com Latossolo Vermelho Escuro e areia (2:1 v/v), contendo dez plantas de capim-amargoso cada. Os herbicidas foram aplicados em pré-florescimento das plantas com pulverizador costal, à pressão constante de 28 lbf/pol2, munido de barra com bico de jato plano 110.02, com consumo de calda de 200 L ha -1 . Aos 7, 14 e 21 dias após a aplicação (DAA) dos herbicidas, foram realizadas avaliações visuais de controle atribuindo-se notas através de escala clássica. Aos 7 DAA, os melhores resultados foram com: dicloreto de paraquat, ametrina + clomazona e diuron+hexazinona. Aos 14 DAA, dicloreto de paraquat e diuron + hexazinona apresentaram melhores resultados; o herbicida ametrina + clomazona proporcionou controle próximo a 80%, seguido do herbicida haloxifop-p-metílico, com controle superior a 50%. Aos 21 DAA, os herbicidas dicloreto de paraquat e diuron+hexazinona, continuaram apresentando os melhores resultados; os herbicidas ametrina + clomazona e haloxifopp-metílico apresentaram controle superior a 80% e 60%, respectivamente. Os herbicidas que proporcionaram melhores resultados de controle foram: dicloreto de paraquat, diuron + hexazinona, ametrina + clomazona e haloxifop-p-metílico, respectivamente. Glyphosate, cletodim, S-metolachlor e foransulfuron + iodosulfuron metílico não diferiram significativamente e também não proporcionaram mais de 20% de controle.

Palavras-chave: Capim-amargoso, Controle, Herbicidas.

4 – RESUMOS DE ARTIGOS CIENTÍFICOS PUBLICADOS EM PERIÓDICOS BRASILEIROS NÃO VINCULADOS A SBCPD

1. João Vieira de Castro Júnior, Pedro Alberto Selbach, Marco Antonio Záchaayub. (2006) AVALIAÇÃO DO EFEITO DO HERBICIDA GLIFOSATO NA MICROBIOTA DO SOLO. Pesticidas: Revista de Ecotoxicologia e Meio Ambiente, Curitiba, v.16, p.21-30.

Investigou-se o efeito causado pelo herbicida glifosato na microbiota do solo, utilizando Argissolo vermelho distrofico arênico. No solo, coletado entre 0 e 30 cm de profundidade, quantificou-se a taxa de CO2 produzida e as unidades formadoras de colônia (UFC)

de bactérias e fungos. Foram utilizadas 5 cepas de fungos filamentosos pertencentes do gênero Fusarium, crescidos em meio de

cultura Czapeck com adição de glifosato. Realizaram-se ensaios para determinar a capacidade de utilizaçãodo herbicida como substrato e a concentração máxima inibitória para as cepas de Fusarium. Observou-se que a introdução do herbicida no solo não apresentou efeito negativo sobre a microbiota e que a população de bactérias cultiváveis mostrousemais numerosa que a de fungos. Dentre as cepas testadas nenhuma foi inibida pela presença do glifosato, mesmo em altas concentrações. Todas as cepas estudadas foram capazes de utilizar o herbicida como fonte de nutriente.

2. Jamil Constantin, Rubem Silvério de Oliveira Junior, Luciano Hiroyuki Kajihara, João Guilherme Zanetti de Arantes, Sidnei

Douglas Cavalieri e Diego Gonçalves Alonso CONTROLE DE DIFERENTES ESPÉCIES DE GUANXUMA COM APLICAÇÕES SEQÜENCIAIS DE FLUMICLORAC-PENTIL. Acta Sci. Agron. Maringá, v. 29, n. 4, p. 475-480, 2007.

Diversas espécies do gênero Sida são importantes plantas daninhas. São consideradas espécies de difícil controle e de extensa disseminação. Diante desse contexto, procurou-se verificar a eficácia de aplicações seqüenciais de subdoses de flumiclorac-pentil no controle de 4 espécies de Sida, de ocorrência freqüente nas regiões norte e noroeste do Paraná, comparando tais aplicações à aplicação única do produto, tanto em sudoses quanto na dose recomendada. A eficácia do flumiclorac-pentil, quando utilizado em subdoses com aplicações seqüenciais, foi superior àquela observada quando ele foi utilizado em dose única (em subdoses ou na dose recomendada). O flumiclorac-pentil, principalmente em aplicações seqüenciais, proporcionou níveis de controle semelhantes ou superiores ao fomesafen e ao lactofen no controle de Sida rhombifolia, Sida spinosa, Sida cordifolia e Sida glaziovii. Em termos de susceptibilidade das espécies, S. rhombifolia e S. glaziovii mostraramse menos sensíveis ao herbicida, exigindo aplicações seqüenciais com doses mais elevadas para a obtenção de níveis regulares de controle, ao passo que S. spinosa e S. cordifolia apresentaram maior susceptibilidade ao flumiclorac-pentil.

3. PELLEGRINI, Luiz Giovani de, NABINGER, Carlos, CARVALHO, Paulo César de Faccio et al. Diferentes métodos de controle de

plantas indesejáveis em pastagem nativa. R. Bras. Zootec., set./out. 2007, vol.36, no.5, p.1247-1254.

O experimento foi desenvolvido em área de pastagem nativa representativa da transição entre a Serra do Sudeste e a Depressão

Central do Rio Grande do Sul, onde as espécies indesejáveis foram representadas especialmente por carqueja (Baccharis trimera (Less.) DC.), caraguatá (Eryngium horridum (Spreng.) Less.) e alecrim (Vernonia nudiflora Less.). Foram avaliados os efeitos iniciais de dois métodos de controle de espécies indesejáveis (até 60 dias após aplicação) sobre a produção de forragem, a dinâmica da vegetação e a eficiência de controle: sem-controle; controle mecânico; e controle químico (herbicida comercial à base de Picloram

[64 g/L] + 2,4-D [240 g/L], na dosagem de 5 L do produto comercial/ha). Os tratamentos foram arranjados em um delineamento em blocos ao acaso, com quatro repetições. A massa gramíneas verdes secas e a massa total de MS não diferiram entre os métodos de controle. Foram obtidos valores de 587,9; 472,0 e 0 kg de MS com o controle mecânico, o controle químico e sem-controle, respectivamente, o que comprova influência do método de controle sobre a massa de forragem de leguminosas. A eficiência de controle das espécies indesejáveis, em comparação à ausência de controle, foi de 76,2% para o controle químico e 27,9% para o

controle mecânico. A eficiência de controle de espécies, sob aspectos de freqüência dos componentes da pastagem, evidenciou que

o controle mecânico não foi eficiente aos 60 dias após aplicação no controle de plantas de alecrim no segundo toque (-27,7%) e plantas de caraguatá no primeiro toque (-30,0%).

4. Tuliana Oliveira Brunes, Paulo Hideo Nakano Rangel, Rosana Pereira Vianello Brondani, Francisco Moura Neto, Péricles de

Carvalho Ferreira Neves, Claudio Brondani FLUXO GÊNICO ENTRE ARROZ VERMELHO E ARROZ CULTIVADO ESTIMADO POR MEIO DE MARCADORES MICROSSATÉLITES. Pesq Agropec Trop 37(2): 86-92, jun. 2007

Este trabalho objetivou avaliar a capacidade de marcadores SSR em detectar a ocorrência de fluxo gênico entre o arroz vermelho (AV)

e o arroz cultivado (AC). Marcadores SSR são utilizados em análise genômica de plantas devido ao alto conteúdo informativo, serem

co-dominantes e baseados na reação de PCR. O ensaio de campo foi realizado em dez círculos concêntricos de 5 m a 50 m de distância, a partir de uma planta AV central, que foi a fonte doadora de pólen. Foram semeadas 120 plantas de arroz da cultivar BR- Irga 409, distribuídas nas interseções entre os círculos e doze raios. A partir de 51 marcadores SSR, foram selecionados quatro marcadores que detectaram polimorfismo entre o AV e AC, para identificar os alelos de AV em sementes produzidas pelas plantas da cultivar BR-Irga 409. A distância máxima encontrada entre a planta AV doadora de pólen e uma planta AC que produziu sementes híbridas (AV x AC) foi de 10 m. Teoricamente, sob 0,1% de taxa de cruzamento, esta distância de polinização pode dar origem a 4.710 sementes híbridas entre AC e AV, o que, na geração seguinte, resultará em 3.532 plantas produzindo grãos vermelhos. Marcadores SSR foram capazes de identificar fluxo gênico entre AR e AC; e, portanto, podem ser empregados em associação com outras metodologias (ex. plantas tolerantes a herbicidas) para melhorar a precisão das estimativas

de

polinização cruzada em arroz.

5.

ROSOLEM, Ciro Antonio, CALONEGO, Juliano Carlos, FOLONI, José Salvador Simoneti et al. POTÁSSIO LIXIVIADO DA

PALHA DE AVEIA-PRETA E MILHETO APÓS A DESSECAÇÃO QUÍMICA. Pesq. agropec. bras., ago. 2007, vol.42, no.8, p.1169-

1175.

O objetivo deste trabalho foi avaliar a lixiviação de K da palha de aveia-preta (Avena strigosa) e de milheto (Pennisetum glaucum),

utilizando-se chuva simulada em diferentes períodos após a dessecação química. As plantas foram cultivadas em vasos, e aos 50 dias da emergência foram manejadas com herbicida e submetidas à chuva simulada de 5 e 10 mm, aos 3, 6, 9, 12 e 15 dias após a dessecação (DAD). A quantidade de K lixiviado das palhas, considerando uma quantidade de palha equivalente a 8,0 t ha-1 de matéria seca, aumentou à medida que o estado de senescência das plantas evoluiu após a dessecação. Com a aplicação de 10 mm de chuva aos 15 DAD, a palha de aveia-preta disponibilizou, aproximadamente, 11,1 kg ha-1 de K. A água da chuva extrai maior quantidade de K da palha de aveia-preta em relação à palha de milheto, tanto com a lâmina de 5 mm como de 10 mm, e essas diferenças são maiores de acordo com o estado avançado de desidratação do material vegetal.

6. PEREIRA, Welison Andrade, GIUDICE, Marcos Paiva Del, CARNEIRO, José Eustáquio de Souza et al. FLUXO GÊNICO EM SOJA

GENETICAMENTE MODIFICADA E MÉTODO PARA SUA DETECÇÃO. Pesq. agropec. bras., jul. 2007, vol.42, no.7, p.999-1006.

O objetivo deste trabalho foi avaliar métodos para detecção de sementes de soja tolerante ao glifosato e o fluxo gênico de uma

cultivar transgênica para uma convencional, em Florestal e Viçosa, MG. Para adequar método de detecção, foi conduzido experimento comparativo entre cinco bioensaios, dos quais se destacou o teste de germinação em substrato umedecido com solução do glifosato. O experimento de fluxo gênico foi instalado em campo, no esquema de quadrados concêntricos. No centro, foi plantada

a cultivar tolerante ao glifosato (fonte de pólen). À sua volta, foi semeada a cultivar sensível (receptora do pólen). No estádio R8, foram colhidas sementes das laterais dos quadrados, em distâncias variadas da fonte de pólen: 0,5, 1, 2, 4 e 8 m. Amostras de 900 sementes, por fileira, foram avaliadas pelo teste de germinação em substrato umedecido com solução de glifosato a 0,06%. Plântulas tolerantes ao glifosato indicaram fecundação cruzada. As maiores porcentagens de hibridação - 1,27% em Florestal e 0,25% em

Viçosa - ocorreram a 0,5 m de distância, entre fonte e receptor de pólen, e essas taxas aproximaram-se de zero às distâncias de 2,26

e 1,16 m, para Florestal e Viçosa, respectivamente.

5 – TÍTULOS DE ARTIGOS CIENTÍFICOS PUBLICADOS EM PERIÓDICOS INTERNACIONAIS ESPECIALIZADOS NA ÁREA DE PLANTAS DANINHAS

WEED SCIENCE VOLUME 55, Issue 6 (November)

PHYSIOLOGY, CHEMISTRY, AND BIOCHEMISTRY

Identification of Japanese Foxtail (Alopecurus Japonicus) Resistant to Haloxyfop Using Three Different Assay Techniques.Caihong Yang, Liyao Dong, Jun Li, and Stephen R. Moss

Fate of Prohexadione Calcium in Annual Bluegrass (Poa Annua) and Three Turfgrasses. Josh B. Beam and Shawn D. Askew

Heterologous Hybridization of Cotton Microarrays with Velvetleaf (Abutilon Theophrasti) Reveals Physiological Responses Due to Corn Competition. David P. Horvath, Danny Llewellyn, and Sharon A. Clay

An Ala 205 val Substitution in Acetohydroxyacid Synthase of Eastern Black Nightshade (Solanum Ptychanthum) Reduces Sensitivity to Herbicides and Feedback Inhibition. Jamshid Ashigh and François J. Tardif

Evolution of Glyphosate-Resistant Johnsongrass (Sorghum halepense) in Glyphosate-Resistant Soybean. Martin M. Vila-Aiub, Maria C. Balbi, Pedro E. Gundel, Claudio M. Ghersa, and Stephen B. Powles

WEED BIOLOGYAND ECOLOGY

Glyphosate Susceptibility in Common Lambsquarters (Chenopodium Album) Is Influenced by Parental Exposure.

Andrew R. Kniss, Stephen D. Miller, Philip H. Westra, and Robert G. Wilson

Ploidy Variations in Floridone-Susceptible and -Resistant Hydrilla (Hydrilla verticillata) Biotypes. Atul Puri, Gregory E. MacDonald, and William T. Haller

An Emergence Model for Wild Oat (Avena fatua). Krishona Martinson, Beverly Durgan, Frank Forcella, Jochum Wiersma, Kurt Spokas, and David Archer

Purple Deadnettle (Lamium purpureum) and Soybean Cyst Nematode Response to Cold Temperature Regimes. J. Earl Creech, Judith B. Santini, Shawn P. Conley, Andreas Westphal, and William G. Johnson

WEED MANAGEMENT

Biological ControlAgent for Rice Weeds from Protoplast Fusion between Curvularia Lunata and Helminthosporium Gramineum. Z. B. Zhang, N. R. Burgos, J. P. Zhang, and L. Q. Yu

Feeding Preferences of Weed Seed Predators and Effect on Weed Emergence. Sharon S. White, Karen A. Renner, Fabian D. Menalled, and Douglas A. Landis

Competitiveness of Three Leguminous Cover Crops with Yellow Nutsedge (Cyperus esculentus) and Smooth Pigweed (Amaranthus hybridus). Amanda S. Collins, Carlene A. Chase, William M. Stall, and Chad M. Hutchinson

Time and Temperature Requirements for Weed Seed Thermal Death. Ruth M. Dahlquist, Timothy S. Prather, and James J. Stapleton

Influence of Neighboring Vegetation Height on Seed Dispersal: Implications for Invasive Plant Management. Kirk W. Davies and Roger L. Sheley

SOIL, AIR, AND WATER

Screening and Identification of Glufosinate-Degrading Bacteria from Glufosinate-Treated Soils. Chau-Ling Hsiao, Chiu-Chung Young, and Ching-Yuh Wang

Residual Herbicide Dissipation from Soil Covered with Low-Density Polyethylene Mulch or Left Bare. Timothy L. Grey, William K. Vencill, Nehru Mantripagada, and A. Stanley Culpepper

SPECIAL TOPICS

Evaluation of the Australian Branched Broomrape (Orobanche ramosa) Eradication Program. F. Dane Panetta and Roger Lawes

Developing an Empirical Yield-Prediction Model Based on Wheat and Wild Oat (Avena fatua) Density, Nitrogen and Herbicide Rate, and Growing-Season Precipitation. N. C. Wagner, B. D. Maxwell, M. L. Taper, and L. J. Rew

Influence of Intraspecific Henbit (Lamium amplexicaule) and Purple Deadnettle (Lamium purpureum) Competition on Soybean Cyst Nematode Reproduction. J. Earl Creech, Jamal Faghihi, Virginia R. Ferris, Andreas Westphal, and William G. Johnson

Estimating Yellow Starthistle (Centaurea solstitialis) Leaf Area Index and Aboveground Biomass with the Use of Hyperspectral Data. Shaokui Ge, Ming Xu, Gerald L. Anderson, and Raymond I. Carruthers

WEED TECHNOLOGY VOLUME 21, Issue 3 (July)

RESEARCH

Suppression of Caucasian Old World Bluestem with Split Application of Herbicides. Keith R. Harmoney, Phillip W. Stahlman, and Karen R. Hickman

Control of Acetolactate Synthase–Resistant Shattercane (Sorghum Bicolor) in Field Corn with Kih-485. Steven R. King, Ronald L. Ritter, Edward S. Hagood Jr., and Hiwot Menbere

Control of Rattail Fescue (Vulpia Myuros) in Winter Wheat. Daniel A. Ball, Sandra M. Frost, Larry H. Bennett, Donn C. Thill, Traci Rauch, Eric Jemmett, Carol Mallory-Smith, Charles Cole, Joseph P. Yenish, and Rod Rood

Control of Both Winter Annual and Summer Annual Weeds in No-till Corn with Between-row Mowing Systems. William W. Donald

GlyphosateApplication Timing and Rate forAnnual Ryegrass (Lolium Multiflorum) Cover Crop Desiccation. Ryan

D. Lins, Charles M. Cole, Richard P. Affeldt, Jed B. Colquhoun, Carol A. Mallory-Smith, Ronald A. Hines, Larry

Steckel, and Robert M. Hayes

Effects of Crop Residue Management and Tillage on Weed Control and Sugarcane Production. Wilson E. Judice, James L. Griffin, Luke M. Etheredge Jr., and Curtis A. Jones

Effect of Weed Emergence Time and Intervals of Weed and Crop Competition on Potato Yield. Steponas Ciuberkis, Stasys Bernotas, Steponas Raudonius, and Joel Felix

Weed and Peanut (Arachis Hypogaea) Response to Diclosulam Applied Post. Sarah H. Lancaster, Joshua B. Beam, James E. Lanier, David L. Jordan, and P. Dewayne Johnson

Using Common Ragweed (Ambrosia Artemisiifolia) Control as a Basis for Reduction of Fomesafen Use in Snap and Dry Beans (Phaseolus Vulgaris). Bradley J. Rauch, Robin R. Bellinder, and Daniel C. Brainard

Weed Management in North Carolina Peanuts (Arachis Hypogaea) with S-metolachlor, Diclosulam, Flumioxazin, and Sulfentrazone Systems. Scott B. Clewis, Wesley J. Everman, David L. Jordan, and John W. Wilcut

Purple Nutsedge (Cyperus Rotundus) Management in Direct-seeded Chile Pepper Using Halosulfuron and Cultivation. Justin H. Norsworthy, Jill Schroeder, Stephen H. Thomas, and Leigh W. Murray

Effect of Planting Depth and Isoxaflutole Rate on Corn Injury in Nebraska. Gail A. Wicks, Stevan Z. Knezevic, Mark Bernards, Robert G. Wilson, Robert N. Klein, and Alex R. Martin

A Comparison of Reduced Rate and Economic Threshold Approaches to Weed Management in a Corn–Soybean Rotation. Peter Sikkema, Laura L. Van Eerd, Richard J. Vyn, and Susan Weaver

Cold Weather Application of Glyphosate for Garlic Mustard (Alliaria Petiolata) Control. Mark N. Frey, Catherine P. Herms, and John Cardina

Seeding Cool-season Grasses to Suppress White Locoweed (Oxytropis Sericea) Reestablishment and Increase Forage Production. Michael H. Ralphs, Thomas A. Monaco, Jose R. Valdez, and David Graham

Texasweed (Caperonia Palustris) Control in Soybean with Postemergence Herbicides. Daniel H. Poston, Vijay K. Nandula, R. Matt Griffin, and Clifford H. Koger

Trifloxysulfuron Dissipation at Selected pH Levels and Efficacy on Palmer Amaranth (Amaranthus Palmeri). Mark

A. Matocha and Scott A. Senseman

Differential Response of Processing Spinach Varieties to Clopyralid Tank-mixes. Russell W. Wallace and Alisa K. Petty

Quinclorac Absorption and Translocation Characteristics in Quinclorac- and Propanil-resistant and -susceptible Barnyardgrass (Echinochloa Crus-galli) Biotypes. M.L. Lovelace, R.E. Talbert, R.E. Hoagland, and E.F. Scherder

Horse Purslane (Trianthema Portulacastrum), Smellmelon (Cucumis Melo), and Palmer Amaranth (Amaranthus Palmeri) Control in Peanut with Postemergence Herbicides. W. James Grichar

Response of Seedling Bird Vetch (Vicia Cracca) to Six Herbicides. Steven S. Seefeldt, Jeffery S. Conn, Brian E. Jackson, and Stephen D. Sparrow

Weed Control and Yield with Glufosinate-Resistant Cotton Weed Management Systems. Wesley J Everman, Ian C. Burke, Jayla R. Allen, Jim Collins, and John W. Wilcut

Annual Bluegrass (Poa Annua) Control in Kentucky Bluegrass (Poa Pratensis) with Bispyribac-sodium, Primisulfuron, and Sulfosulfuron. Stephen E. Hart and Patrick E. McCullough

Influence of Cotton Height on Injury from Flumioxazin and Glyphosate Applied POST-Directed. Jason A. Ferrell, Wilson H. Faircloth, Barry J. Brecke, and Gregory E. Macdonald

Processing Spinach Response to Selected Herbicides for Weed Control, Crop Injury, and Yield. Russell W. Wallace, Aaron L. Phillips, and John C. Hodges

Herbicide Evaluation for Fresh Market Celery. Oleg Daugovish, Steven A. Fennimore, and Richard F. Smith

Influence of Fall and Early Spring Herbicide Applications on Winter and Summer Annual Weed Populations in No-till Soybean. Nicholas Monnig and Kevin W. Bradley

Effect of Glyphosate and Several Accase-inhibitor Herbicides on Wirestem Muhly (Muhlenbergia Frondosa) Control. Dwight D. Lingenfelter and William S. Curran

Improved White Clover Control with Mesotrione by Tank-mixing Bromoxynil, Carfentrazone, and Simazine. John B. Willis, Shawn D. Askew, and J. Scott McElroy

Effect of Soybean Row Width and Population on Weeds, Crop Yield, and Economic Return. Dana B. Harder, Christy

L. Sprague, and Karen A. Renner

Reducing Weed Seed Rain with Late-Season Glyphosate Applications.Chad E. Brewer and Lawrence R. Oliver

Dallisgrass (Paspalum Dilatatum) Control with Foramsulfuron in Bermudagrass Turf. Gerald M. Henry, Fred H. Yelverton, and Michael G. Burton

Influence of Nitrogen Application Timing on Low Density Giant Ragweed (Ambrosia Trifida) Interference in Corn. W.G Johnson, E.J. Ott, K.D. Gibson, R.L. Nielsen, and T.T. Bauman

Evaluation of 2,4-D and 2,4-D Mixtures for Path Rush Control in Bermudagrass. Kendall C. Hutto, James M. Taylor, and John D. Byrd Jr.

Effect of Mesosulfuron Rate and Formulation on Wild Oat (Avena Fatua) Control and Malt Barley Tolerance. Steven R. King

Control of Smellmelon (Cucumis Melo) in Soybean with Herbicides. W. James Grichar

Response of Three Nonglufosinate-Resistant Cotton Varieties to Reduced Rates of Glufosinate. Lawrence E. Steckel,

C. Chism Craig, Robert M. Hayes, and Donnie K. Miller

Herbicide Programs for Managing Creeping Rivergrass ( Echinochloa Polystachya ) in Rice. Eric P. Webster, R. Matthew Griffin, and David C. Blouin

Biology, Reproductive Potential, and Winter Survival of Tropical Soda Apple (Solanum Viarum). Charles T. Bryson and John D. Byrd Jr.

SulfentrazoneAdsorption and Mobility in Surface Soil of The Southern United States. G.Anthony Ohmes and Thomas

C. Mueller

Efficacy of Application Placement Equipment for Tall Fescue (Lolium Arundinaceum) Growth and Seedhead

Suppression. Adam C. Hixson, Travis W. Gannon, and Fred H. Yelverton

Hybrid Bluegrass Tolerance to Postemergence Applications of Mesotrione and Quinclorac. J. Scott McElroy, Greg.

K. Breeden, and John C. Sorochan

NOTES

Effects of Intraspecific Seedling Density, Soil Type, and Light Availability Upon Growth and Biomass Allocation in Cogongrass (Imperata Cylindrica). D. Christopher Holly and Gary N. Ervin

Standardized Support to Measure Biomass and Fruit Production by the Invasive Climber (Asparagus Asparagoides). Chris D. Stansbury, Kathryn L. Batchelor, Louise Morin, Tim L. Woodburn, and John K. Scott

EXTENTION/OUTREACH

Consultant Perspectives on Weed Management Needs in Arkansas Cotton. Jason K. Norsworthy, Kenneth L. Smith, Robert C. Scott, and Edward E. Gbur

Consultant Perspectives on Weed Management Needs in Arkansas Rice. Jason K. Norsworthy, Nilda R. Burgos, Robert C. Scott, and Kenneth L. Smith

TEACHING/EDUCATION

Utilizing R Software Package for Dose-Response Studies: The Concept and Data Analysis. Stevan Z. Knezevic, Jens

C. Streibig, and Christian Ritz

WEED RESEARCH VOLUME 47, Issue 5 (October)

Insights

Challenges for herbicide resistance evolution and management: 50 years after Harper. P NEVE

Review Paper

A review of non-chemical weed control on hard surfaces. A M RASK & P KRISTOFFERSEN

Research Papers

Are weed patches stable in location? Application of an explicitly two-dimensional methodology. S HEIJTING, W VAN DER WERF,

A STEIN & M J KROPFF

Testing the spatial significance of weed patterns in arable land using Mead’s test. S HEIJTING, W VAN DER WERF, W KRUIJER &

A STEIN

Tumbleweeds in the Western Australian cropping system: seed dispersal characteristics of Salsola australis. C P D BORGER, M WALSH, J K SCOTT & S B POWLES

Are pre-spraying growing conditions a major determinant of herbicide efficacy? I RIETHMULLER-HAAGE, L BASTIAANS, C KEMPENAAR, V SMUTNY & MJ KROPFF

Suppression of Digitaria sanguinalis and Amaranthus palmeri using autumn-sown glucosinolate-producing cover crops in organically grown bell pepper. J K NORSWORTHY, M S MALIK, P JHA & M B RILEY

Comparing after-ripening response and germination requirements of Conyza canadensis and C. bonariensis (Asteraceae) through logistic functions. L M KARLSSON & P MILBERG

Effects of three management strategies on the seedbank, emergence and the need for hand weeding in an organic arable cropping system. M M RIEMENS, R M W GROENEVELD, LA P LOTZ & M J KROPFF

Molecular and biochemical mechanisms of defence induced in pea by Rhizobium leguminosarum against Orobanche crenata. Y MABROUK, P SIMIER, P DELAVAULT, S DELGRANGE, B SIFI, L ZOURGUI & O BELHADJ

WEED RESEARCH VOLUME 47,Issue 6 (December)

Review Paper

A review of the ecology and management of Ranunculus acris subsp. acris in pasture. S L LAMOUREAUX & G W BOURDÔT

Research Papers

Comparison of three methodologies for efficient seed extraction in studies of soil weed seedbanks. M B MESGARAN, H R MASHHADI, E ZAND & H M ALIZADEH

Identity of naturalised exotic Wisteria (Fabaceae) in the south-eastern United States. J L TRUSTY, B G LOCKABY, W C ZIPPERER

& LR GOERTZEN

Modelling the correlation between plant phenology and weed emergence for improving weed control. S OTTO, R MASIN, G CHISTÈ & G ZANIN

Effect of tillage and soyabean on Ipomoea lacunosa and Senna obtusifolia emergence J K NORSWORTHY & M J OLIVEIRA

Does soil nitrogen affect early competitive traits of annual weeds in comparison with maize? A BERGER, A J MCDONALD & S J RIHA

Availability and biodegradation of metribuzin in alluvial soils as affected by temperature and soil properties. P BENOIT, J PERCEVAL,

M STENRØD, C MONI, O M EKLO, E BARRIUSO, T SVEISTRUP & J KVÆRNER

A

European biotype of Amaranthus retroflexus cross-resistant to ALS inhibitors and response to alternative herbicides. L SCARABEL,

S

VAROTTO & M SATTIN

Molecular basis of multiple resistance to ACCase-inhibiting and ALS-inhibiting herbicides in Lolium rigidum. M-K TAN, C PRESTON

& G-X WANG

Frequency and distribution of herbicide resistance in Raphanus raphanistrum populations randomly collected across the Western Australian wheatbelt. M J WALSH, M J OWEN & S B POWLES

WEED BIOLOGY AND MANAGEMENT VOLUME 7, Issue 4 (December)

RESEARCH PAPERS

Residual activity of clomeprop and its downward movement under laboratory conditions. HIROTATSU MURANO, KATSUICHIRO KOBAYASHI and SHINSUKE FUJIHARA

Response of winter wheat (Triticum aestivum L.) and weeds to tank mixtures of 2,4-D plus MCPA with clodinafop propargyl MOHAMMAD ALI BAGHESTANI, ESKANDAR ZAND, SAEID SOUFIZADEH, MOHAMMAD MIRVAKILI and NASER

JAAFARZADEH

Effects of two surfactant series on the absorption and translocation of 14C-glyphosate in sicklepod and prickly sida SHIV D. SHARMA and MEGH SINGH

Formulation and adjuvant effects on the absorption and translocation of 14C-clethodim in wheat (Triticum aestivum L.) VIJAY K. NANDULA, DANIEL H. POSTON, KRISHNA N. REDDY and CLIFFORD H. KOGER

Growth parameters enhancing the competitive ability of corn (Zea mays L.) against weeds GHOLAM R. MOHAMMADI

Effects of four rice herbicides on the growth of an aquatic fern, Marsilea quadrifolia L. XIAO-YONG LUO and HIROAKI IKEDA

Less hazardous alternative herbicides to control weeds in immature oil palm WAHYU WIBAWA, ROSLI MOHAMAD, DZOLKHIFLI OMAR and ABDUL SHUKOR JURAIMI

6 – ARTIGOS CIENTÍFICOS PUBLICADOS NO 1° SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE O GLYPHOSATE

Os artigos publicados no 1º Simpósio Internacional sobre o Glyphosate são apresentados no final deste Boletim.

7

– PUBLICAÇÕES

Livro: Jonathan Gressel. 2007. Genetic Glass Ceilings. Transgenics for Crop Biodiversity. Johns Hopkins, Baltimore, MD Descrição: As the world’s population rises to an expected ten billion in the next few generations, the challenges of feeding humanity and maintaining an ecological balance will dramatically increase. Today we rely on just four crops for 80 percent of all consumed calories: wheat, rice, corn, and soybeans. Indeed, reliance on these four crops may also mean we are one global plant disease outbreak away from major famine. In this revolutionary and controversial book, Jonathan Gressel argues that alternative crops lack the genetic diversity necessary for wider domestication and that even the Big Four have reached a “genetic glass ceiling”: no matter how much they are bred, there is simply not enough genetic diversity available to significantly improve their agricultural value. Gressel points the way through the glass ceiling by advocating transgenics—a technique where genes from one species are transferred to another. He maintains that with simple safeguards the technique is a safe solution to the genetic glass ceiling conundrum. Analyzing alternative crops—including palm oil, papaya, buckwheat, tef, and sorghum—Gressel demonstrates how gene manipulation could enhance their potential for widespread domestication and reduce our dependency on the Big Four. He also describes a number of ecological benefits that could be derived with the aid of transgenics. A compelling synthesis of ideas from agronomy, medicine, breeding, physiology, population genetics, molecular biology, and biotechnology, Genetic Glass Ceilings presents transgenics as an inevitable and desperately necessary approach to securing and diversifying the world’s food supply.

Livro: Radosevich, Steven R. ; Holt, Jodie S.; Ghersa, Claudio M. 2007. Ecology of Weeds and Invasive Plants. Relationship to Agriculture and Natural Resource Management. 3. Ed. John Wiley & Sons. Descrição: Ecology of Weeds and Invasive Plants: Relationship to Agriculture and Natural Resource Management, Third Edition presents a comprehensive, up-to-date, and in- depth coverage of weed ecology. It gives readers the tools and knowledge to understand how weeds and invasive plants develop and interact in the environment, and thus better manage and control them. This book updates the only text that deals with the subject of weed ecology in depth and is used in both upper division university courses and by natural resource professionals.

8 – OPORTUNIDADES E EMPREGOS

1) Chamamos a atenção para a disponibilidade de várias opções de Bolsas de estudo no país e no exterior financiadas pela CAPES (http://www.capes.gov.br/) e CNPq (http://www.cnpq.br/bolsas/index.htm).

7 - CALENDÁRIO DE EVENTOS

Novembro 2007

IX Seminário Nacional de Milho Safrinha Período: 27 a 29 de novembro de 2007 Local: Dourados, MT Promoção: Associação Brasileira de Milho e Sorgo e EMBRAPAAgropecuária Oeste. Informações: http://www.cpao.embrapa.br/milhosafrinha/

XXIII

Dia de Campo de Feijão

Período: 28 a 30 de novembro de 2007 Local: Campinas, SP Promoção: Instituto Agronômico de Campinas Informações: http://www.iac.sp.gov.br/

Fevereiro 2008

52 º Weed Science Society of American Annual Meeting Período: 04 a 07 de fevereiro Local: Chicago, Illinois, EUA Promoção: WSSA Informações: http://www.wssa.net/

TecnoAgro 2008 - Tecnologia para o cerrado Período: 27 a 28 de fevereiro Local: Chapadão do Sul, MT Promoção: Fundação Chapadão do Sul Informações: http://www.fundacaochapadao.com.br

Março 2008

Expodireto - COTRIJAL Período: 10 a 13 de março de 2008 Local: Não-Me-Toque, RS Promoção: Cooperativa Tritícola Mista do Alto do Jacuí Informações: http://www.expodireto.cotrijal.com.br

Maio 2008

XXVI Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas e XVIII Congresso de la Asociación

Latinoamericana de Malezas Período: 4 a 8 de maio de 2008 Local: Ouro Preto, MG Promoção: SBCPD & ALAM Informações: http://www.sbcpd.org/

16th Australian Weeds Conference Período: 18 a 22 de maio Local: Queensland,Austrália Promoção:The Weed Society of Queensland Inc. Informações: www.16awc.com.au

Junho 2008

5º International Weed Science Congress

Período: 23 a 26 de junho Local: Vancouver, BC, Canadá Promoção: IWSS Informaçôes: http://iws.ucdavis.edu/5intlweedcong.htm

Agosto 2008

9º Encontro de Plantio Direto no Cerrado Período: 22 a 24 de agosto Local: Palmas, TO Promoção: Associação de Plantio Direto do Cerrado Informações: cristinadelicato@terra.com.br

8. NOTA DO EDITOR

Lembramos aos associados que para a manutenção do Boletim Informativo é importante o envio das matérias (comunicações técnicas, relatos, resumos de trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses, notícias, eventos, etc). Relembramos a todos que o conteúdo das comunicações técnicas publicadas no Boletim é de inteira responsabilidade de seus autores.

As matérias deverão ser enviadas para o email: merotto@ufgrs.br

9 – ARTIGOS CIENTÍFICOS PUBLICADOS NO 1° SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE O GLYPHOSATE

para o email: merotto@ufgrs.br 9 – ARTIGOS CIENTÍFICOS PUBLICADOS NO 1° SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE O GLYPHOSATE

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE

“Passado, presente e futuro”

TRABALHOS CIENTÍFICOS

Botucatu, São Paulo, Brasil 15 a 19 de outubro de 2007

Editores Técnicos:

Caio Antonio Carbonari Dana Kátia Meschede Edivaldo Domingues Velini

NOTA DOS EDITORES

Esclarecemos que a responsabilidade técnica dos trabalhos apresentados nesta publicação é dos autores.

Gostaríamos de ressaltar que todos os trabalhos recebidos para inclusão neste volume foram relatados por membros

da comissão científica e devolvidos aos autores para correções quando necessárias e enquadramento nas normas

estabelecidas pela Comissão Organizadora.

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais (FEPAF)

Fazenda Experimental Lageado

CP 237, Botucatu/SP - 18603-970

Fone : (14) 3882 6300

e-mail: cursosfepaf@fca.unesp.br

FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA SEÇÃO TÉCNICA DE AQUISIÇÃO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO – SERVIÇO TÉCNICO DE BIBLIOTECA E DOCUMENTAÇÃO - UNESP – FCA- LAGEADO - BOTUCATU (SP)

S612t

Simpósio Internacional sobre Glyphosate (1.: 2007: Botucatu, SP) Trabalhos científicos [do] 1. Simpósio Internacional sobre Glyphosate, 15 a 19 de outubro de 2007 / Editores técnicos: Caio Antonio Carbonari, Dana Kátia Meschede, Edivaldo Domingues Velini. – Botucatu : Faculdade de Ciências Agronômicas, UNESP, 2007. 342 p. : il., gráfs., tabs.

1. Herbicidas. 2. Resistência a herbicidas. 3. Plan- tio direto. 4. Plantas daninhas. 5. Glyphosate. I. Car- bonari, Caio Antonio. II. Meschede, Dana Kátia. III. Velini, Edivaldo Domingues. IV. Faculdade de Ciências Agronômicas. UNESP – Universidade Estadual Paulista. V. Título.

CDD 21.ed. (632.954)

Diagramação: Gráfica e Editora diagrama (14) 38155339

COMISSÃO ORGANIZADORA

Edivaldo Domingues Velini (FCA/UNESP - Botucatu) – Presidente

Stephen O. Duke (USDA/EUA)

Dana Kátia Meschede (FCA/UNESP)

Caio Antonio Carbonari (FCA/UNESP)

COMISSÃO CIENTÍFICA

Anderson Luiz Cavenaghi – UNIVAG – Várzea Grande/MT

Caio Antonio Carbonari – FCA/UNESP – Botucatu/SP

Carlos Gilberto Raetano – FCA/UNESP – Botucatu/SP

Cláudio Spadotto – EMBRAPA – Jaguariúna/SP

Cleber Daniel de Goes Maciel – ESAPP – Paraguaçu Paulista/SP

Dana Katia Meschede – FCA/UNESP – Botucatu/SP

Dionísio Luiz Pisa Gazziero – EMBRAPA – Londrina/PR

Elza Alves – UNESP – Registro/SP

Julio Cezar Durigan – FCAV/UNESP – Jaboticabal/SP

Luciano Soares de Souza – UNIMAR – Marilia/SP

Marcelo Rocha Corrêa – FCA/UNESP – Botucatu/SP

Marcus Barifouse Matallo – Instituto Biológico – Campinas/SP

Pedro Jacob Christoffoletti – ESALQ/USP – Piracicaba/SP

Robinson Antonio Pitelli – FCAV/UNESP – Jaboticabal/SP

APRESENTAÇÃO

O glyphosate é o principal defensivo em uso no mundo, tanto em termos de volume comercializado quanto em

termos de valor total de faturamento. Este herbicida é um dos componentes fundamentais da grande maioria dos sistemas

de produção agrícola. A grande expansão dos sistemas de produção com menor revolvimento do solo (plantio-direto e

cultivo mínimo) está associada à redução do preço deste herbicida principalmente a partir dos anos 90.

A substituição dos sistemas de produção convencionais por aqueles com menor uso de máquinas e manutenção

de palha sobre o solo gerou grandes benefícios em termos de preservação dos solos e do ambiente como um todo. O

glyphosate pode ainda ser utilizado como maturador (em cana-de-açúcar) na eliminação de culturas como pastagens, cana-

de-açúcar e eucalipto, quando há a necessidade de renová-las e em áreas não agrícolas (áreas urbanas, rodovias, ferrovias

e no controle de plantas aquáticas).

O uso do glyphosate intensificou-se ainda mais nos últimos anos em função do desenvolvimento de variedades

de diversas culturas resistentes ao mesmo. O amplo uso deste herbicida deve-se a um conjunto bastante amplo de

características favoráveis, destacando-se a baixa toxicidade, o baixo custo, o amplo espectro de controle e a capacidade de

translocar pelo floema. As principais limitações ao uso deste herbicida são a ausência de seletividade e a possível interferência

na fisiologia de plantas em baixas doses tornando necessários cuidados para que não haja contato das plantas cultivadas

de interesse com o herbicida. A eficiência do glyphosate é amplamente dependente da formulação do herbicida, dos

adjuvantes e da tecnologia de aplicação utilizada.

O I Simpósio Internacional sobre Glyphosate apresenta palestras e trabalhos científicos nas diversas áreas do

conhecimento contribuindo para o uso racional deste herbicida, destacando-se: mecanismo de ação; comportamento no

solo e na planta; resistência de plantas daninhas e cultivadas; toxicologia; tecnologia de aplicação; formulações e adjuvantes;

interferência na nutrição de plantas e na ocorrência de doenças; impacto ambiental; uso em culturas anuais e perenes; uso

em ambientes aquáticos e uso como maturador em cana-de-açúcar.

Agradecemos a todas as instituições e empresas que apoiaram e colaboraram com a realização deste evento e

desejamos que a realização deste Simpósio auxilie no avanço do conhecimento científico e tecnológico em produção

agrícola no país, com uma visão decisiva de aplicação em tecnologias que promovam a maior sustentabilidade e

competitividade do agronegócio nacional, no mundo globalizado.

Desejamos, ainda, uma boa semana e estadia na cidade de Botucatu a todos os participantes.

Comissão Organizadora

6

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

SUMÁRIO

RESPOSTA DAS TROCAS GASOSAS E EFICIÊNCIA NO CONTROLE DE Commelina difusa SOB DIFERENTES DOSES DE

EFICIÊNCIA DE CONTROLE E RESPOSTAS DAS TROCAS GASOSAS NA ESPÉCIE Commelina erecta SOB DIFERENTES DOSES DE

INFLUÊNCIA DE DIFERENTES DOSES DE GLYPHOSATE NA EFICIÊNCIA DE CONTROLE E NA RESPOSTA DAS TROCAS GASOSAS EM Commelina benghalensis

EFICIÊNCIA AGRONÔMICA DO HERBICIDA GLYPHOSATE ISOLADO E EM MISTURA COM OUTROS HERBICIDAS NO CONTROLE DE QUATRO ESPÉCIES DE CORDA-DE-VIOLA

TOLERÂNCIA DIFERENCIAL DO TIFTON 85 AO GLYPHOSATE EM DIFERENTES ÉPOCAS DE APLICAÇÃO

CONTROLE QUÍMICO DE Brachiaria subquadripara COM GLYPHOSATE E IMAZAPYR

CONTROLE QUÍMICO DE FEIJÃO-DE-RÔLA (Macroptilium lathyroides) COM GLYPHOSATE

EFICÁCIA COMPARATIVA DE DUAS FORMULAÇÕES DE GLYPHOSATE NO CONTROLE DE Brachiaria Brizantha

INTERAÇÕES ENTRE GLYPHOSATE E ADUBOS FOLIARES SOBRE PARÂMETROS AGRONÔMICOS DO HERBICIDA

EFEITO DA CALAGEM NA SORÇÃO E DESSORÇÃO DO 14C-GLYPHOSATE EM SOLOS

TOXICIDADE AGUDA DO GLYPHOSATE (ROUNDUP® WG) PARA OS PEIXES Hyphessobrycon eques E Brachydanio rerio

TOXICIDADE AGUDA DO GLYPHOSATE NA FORMULAÇÃO ROUNDUP® WG PARA ORGANISMOS JOVENS E ADULTOS DE GUARU (Phallocerus caudimaculatus )

TOXICIDADE AGUDA DO GLYPHOSATE NA FORMULAÇÃO RODEO® E DO SURFACTANTE ATERBANE® BR PARA PEIXES NEOTROPICAIS

GLYPHOSATE ENRIQUECIDO COM NITROGÊNIO-15: IMPLICAÇÕES PRÁTICAS

MONITORAMENTO DO ÁCIDO CHIQUÍMICO EM PLANTAS DE CITRUS SOB DIFERENTES SISTEMAS DE MANEJO DE PLANTAS DANINHAS

EFEITO DE SUB-DOSES DE GLYPHOSATE SOBRE O CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DE Commelina benghalensis

EFEITOS DA APLICAÇÃO DE GLYPHOSATE NO CRESCIMENTO INICIAL DE MUDAS DE EUCALIPTO SUBMETIDAS A DOIS NÍVEIS DE ADUBAÇÃO FOSFATADA

CRESCIMENTO DO CURAUÁ BRANCO SOB EFEITO DE SUBDOSES DE GLYPHOSATE

ACÚMULO DE FÓSFORO EM PLANTAS DE EUCALIPTO SUBMETIDAS A APLICAÇÃO DE DIFERENTES DOSES DE GLYPHOSATE

ACÚMULO DE FÓSFORO EM PLANTAS DE CITRUS SUBMETIDAS A BAIXAS DOSES DO HERBICIDA GLYPHOSATE

DETERMINAÇÃO DO TEOR DE LIGNINA E CELULOSE EM AMOSTRAS DE Brachiaria decumbens SUBMETIDAS Á SUB-DOSES DE GLYPHOSATE

GLYPHOSATE NO DESENVOLVIMENTO in vitro DO FUNGO ENTOMOPATOGÊNICO Metarhizium anisopliae (Metsch.) Sorokin

GLIFOSATO NO CONTROLE DA FERRUGEM ASIÁTICA (Phakopsora pachyrhizi) NA SOJA

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

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7

HERBICIDAS ALTERNATIVOS PARA MANEJO DE BUVA RESISTENTE AO GLYPHOSATE

90

MANEJO DE AZEVÉM RESISTENTE AO GLYPHOSATE EM POMARES DE MAÇÃ COM HERBICIDA SELECT

93

CONTROLE DE AZEVÉM RESISTENTE AO HERBICIDA GLYPHOSATE EM POMARES DE MAÇÃ E EM ÁREAS DE PRÉ-SEMEADURA DA CULTURA DA SOJA

96

AVALIAÇÃO DE HERBICIDAS NO CONTROLE DE AZEVÉM (Lolium multiflorum) RESISTENTE A GLYPHOSATE

100

ALTERNATIVAS DE CONTROLE PARA BUVA (Conyza canadensis E Conyza bonariensi) RESISTENTE AO GLYPHOSATE

103

GLYPHOSATE-INDUCED WEED SHIFTS IN GLYPHOSATE-RESISTANT CORN OR A ROTATION OF GLYPHOSATE-RESISTANT CORN, SUGARBEET AND SPRING

108

COBERTURA DO SOLO EM DIFERENTES SISTEMAS MANEJO DA PALHADA NO CULTIVO DE ALGODOEIRO EM SISTEMA DE PLANTIO

112

PLANTAS INFESTANTES NO SISTEMA DE PLANTIO DIRETO DA CULTURA DO TOMATE

116

MANEJO QUÍMICO DE Digitaria insularis NO OUTONO/INVERNO COM GLYPHOSATE E HALOXYFOP-METHYL EM ÁREA DE PLANTIO DIRETO

120

DESSECAÇÃO DE Crotalaria juncea NO OUTONO/INVERNO COM GLYPHOSATE E 2,4-D

124

DESSECAÇÃO DE Crotalaria juncea NO OUTONO/INVERNO COM GLYPHOSATE E METSULFURON-METHYL

128

MANEJO QUÍMICO DE Digitaria insularis NO OUTONO/INVERNO COM GLYPHOSATE E SETHOXYDIM EM ÁREA DE PLANTIO DIRETO

132

MANEJO QUÍMICO DE PLANTAS ADULTAS DE Digitaria insularis COM GLYPHOSATE E CHLORIMURON-ETHYL EM ÁREA DE PLANTIO DIRETO

136

MANEJO QUÍMICO DA VEGETAÇÃO ESPONTÂNEA PARA PLANTIO DIRETO DA SOJA

139

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA SOJA UTILIZANDO-SE MISTURA DE GLYPHOSATE

E

IMAZETHAPYR NA OPERAÇÃO DE DESSECAÇÃO

143

AVALIAÇÃO DE DIFERENTES HERBICIDAS UTILIZADOS EM MANEJO PRÉ-PLANTIO NO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS NA CULTURA DA SOJA

146

EFICIÊNCIA DA MISTURA FORMULADA GLYPHOSATE + IMAZETHAPHYR NA DESSECAÇÃO PRÉ-PLANTIO

E

SEU EFEITO RESIDUAL APÓS A EMERGÊNCIA DA SOJA

150

EFEITO DA UTILIZAÇÃO DE GLYPHOSATE, COMO DESSECANTE DE CAPIM-BRAQUIÁRIA, ANTECEDENDO O PLANTIO DA CULTURA DA SOJA

153

EFICÁCIA DO CHLORIMURON-ETHYL EM MISTURA COM GLYPHOSATE NA DESSECAÇÃO DE PLANTAS DANINHAS PARA O PLANTIO DIRETO DE SOJA CONVENCIONAL

157

INFLUÊNCIA DA ÉPOCA DE DESSECAÇÃO DE DIFERENTES COBERTURAS VEGETAIS NA FORMAÇÃO DE NÓDULOS EM SOJA

162

EFEITO DA APLICAÇÃO DE GLYPHOSATE E ENDOSULFAN SOBRE MICRORGANISMOS DO SOLO NA CULTURA DA SOJA

165

IMPACTO DE GLYPHOSATE E ENDOSULFAN SOBRE A DENSIDADE DE ARTRÓPODES DO SOLO NA CULTURA DA SOJA

169

DESEMPENHO AGRONÔMICO E QUALIDADE DAS SEMENTES DE SOJA RR EM RESPOSTA A APLICAÇÃO GLYPHOSATE EM MISTURAS

174

8

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

COMPONENTES DE PRODUÇÃO E QUALIDADE FISIOLÓGICA E SANITÁRIA DE SEMENTES DE SOJA RR EM RESPOSTA A APLICAÇÃO GLYPHOSATE

EFEITO DE MODALIDADES DE APLICAÇÃO DE GLYPHOSATE, GRUPOS DE MATURAÇÃO E MATERIAL GENÉTICO SOBRE O DESENVOLVIMENTO DE VINTE CULTIVARES DE SOJA RR

EFEITO DE MODALIDADES DE APLICAÇÃO DE GLYPHOSATE SOBRE A NODULAÇÃO DE VINTE CULTIVARES DE SOJA

INFLUÊNCIA DO GLYPHOSATE SOBRE O ACÚMULO DE MASSA SECA DO SISTEMA RADICULAR DE VINTE CULTIVARES DE SOJA RR

INFLUÊNCIA DO GLYPHOSATE SOBRE O ACÚMULO DE MASSA SECA DE PARTE AÉREA DE VINTE CULTIVARES DE SOJA

EFEITOS DE GLYPHOSATE, FLUAZIFOP E FOMESAFEN SOBRE NODULAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE DUAS CULTIVARES DE SOJA

FITOTOXICIDADE DE HERBICIDAS APLICADOS ISOLADOS E EM MISTURA AO GLYPHOSATE EM PLANTAS E FOLHAS DESTACADAS DE SOJA GENETICAMENTE

DINÂMICA DA COMUNIDADE INFESTANTE EM ÁREA DE SOJA TOLERANTE AO GLYPHOSATE (PARTE I)

DINÂMICA DA COMUNIDADE INFESTANTE EM ÁREA DE SOJA TOLERANTE AO GLYPHOSATE (PARTE II)

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS E FITOTOXICIDADE DE TRATAMENTOS HERBICIDAS EM DIFERENTES VARIEDADES DE SOJA ROUNDUP READY

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS EM SOJA RESISTENTE AO HERBICIDA GLYPHOSATE ATRAVÉS DE DIFERENTES FORMULAÇÕES E ÉPOCAS DE APLICAÇÃO

MANEJO DE PLANTAS DANINHAS EM ÁREA DE SOJA TOLERANTE AO GLYPHOSATE

ESTRATÉGIAS DE MANEJO QUÍMICO DE Bidens pilosa (L.) e Euphorbia heterophylla (L.) EM SOJA GENETICAMENTE MODIFICADA

AVALIAÇÃO DA EFICIÊNCIA DO HERBICIDA GLIFOSATO APLICADO SEQUENCIALMENTE, ISOLADO OU EM MISTURA A CHLORIMURON-ETHYL NO CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS EM SOJA RR®

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA AGRONÔMICA DO HERBICIDA GLYPHOSATE DMA NO SISTEMA DE SOJA (RR) EM DIFERENTES ÉPOCAS DE APLICAÇÃO

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA AGRONÔMICA DO EFEITO RESIDUAL DE DICLOSULAN NO SISTEMA DE SOJA (RR) EM SUBSTITUIÇÃO À APLICAÇÃO TARDIA DE GLYPHOSATE E SEUS EFEITOS NA MATOCOMPETIÇÃO INICIAL

CONTROLE DE TRAPOERABA E CORDA-DE-VIOLA COM GLYPHOSATE EM SOJA TRANSGÊNICA

RESÍDUOS DE 14C-GLYPHOSATE NA SOJA ROUNDUP READY APÓS APLICAÇÃO DE DIFERENTES FORMULAÇÕES DESTE HERBICIDA

INVERTASES EM CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES EM INÍCIO DE SAFRA

MATURAÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO A APLICAÇÃO DE MATURADORES EM INÍCIO DE SAFRA

MATURAÇÃO E PRODUTIVIDADE DA CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES EM MEIO DE SAFRA

DESENVOLVIMENTO E PRODUTIVIDADE DE COLMOS DE CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES EM INÍCIO DE SAFRA

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

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DESENVOLVIMENTO E PRODUTIVIDADE DE COLMOS DE CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES EM MEIO DE SAFRA

267

INVERTASES EM CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA

APLICAÇÃO DE MATURADORES EM MEIO DE SAFRA

270

APLICAÇÃO DE MATURADORES QUÍMICOS ASSOCIADO Á ELIMINAÇÃO DE SOQUEIRA EM ÁREA DE REFORMA DO

273

PRODUTIVIDADE E QUALIDADE TECNOLÓGICA DE CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES

277

PRODUTIVIDADE E QUALIDADE TECNOLÓGICA DE CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES DE CLASSES DIFERENTES

281

PRODUÇÃO DA CANA-DE-AÇÚCAR EM FUNÇÃO DA APLICAÇÃO DE MATURADORES DE CLASSES DIFERENTES

285

ASPECTOS NUTRICIONAIS DA CANA-DE-AÇÚCAR EM DECORRÊNCIA DA APLICAÇÃO DE MATURADORES

289

INFLUENCIA DA APLICAÇÃO DE MATURADORES NA NUTRIÇÃO MINERAL DA CANA DE AÇÚCAR

293

TEORES DE CLOROFILAS E CAROTENÓIDES CANA-DE-AÇÚCAR

SUBMETIDA À APLICAÇÃO DE MATURADORES

296

DETERMINAÇÃO DO TEOR DE LIGNINA NO PROCESSO DE MATURAÇÃO E CRESCIMENTO DA CANA-DE-AÇÚCAR SUBMETIDA Á APLICAÇÃO DE INIBIDORES DE CRESCIMENTO

299

TEORES DE CELULOSE E LIGNINA NA CANA-DE-AÇÚCAR SUBMETIDA À APLICAÇÃO DE MATURADORES

302

EFEITO SOBRE A PRODUÇÃO DE CAFEEIROS APÓS 30 ANOS DE APLICAÇÃO NAS ENTRELINHAS DE DIVERSOS MÉTODOS DE CONTROLE DE PLANTAS

304

TRANSLOCAÇÃO DE 14C-GLIFOSATO ENTRE BRACHIARIA BRIZANTHA E MUDAS DE CAFÉ (Coffea arabica) E CITROS (Citrus limonia Osbeck)

307

EXSUDAÇÃO RADICULAR DE GLYPHOSATE POR BRAQUIÁRIA E SEUS EFEITOS EM PLANTAS DE EUCALIPTO

311

FORMULAÇÕES COMERCIAIS DE GLYPHOSATE SOBRE CLONES DE EUCALIPTO:

ALTERAÇÕES NO CRESCIMENTO E NA SUPERFÍCIE FOLIAR

314

POTENCIAL FITOTOXICO DE GLYPHOSATE EM EUCALIPTO A PARTIR DA EXSUDAÇÃO RADICULAR DE BRACHIARIA

318

DANOS MORFOANATÔMICOS CAUSADOS PELO GLYPHOSATE EM FOLHAS DE Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden (Myrtaceae)

322

EFEITO DA DERIVA DE GLYPHOSATE APLICADO EM DIFERENTES LOCAIS DA PLANTA DE Eucalyptus grandis, SOBRE ALGUMAS CARACTERISTICAS MORFOLÓGICAS

326

DETERMINAÇÃO DA FAIXA DE INFLUÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS NO CRESCIMENTO DO EUCALIPTO

330

EFICÁCIA DO GLYPHOSATE NA FORMULAÇÃO RODEO® PARA O CONTROLE DE MACRÓFITAS AQUÁTICAS FLUTUANTES

334

EFEITO DO GLYPHOSATE NAS VARIÁVEIS DE QUALIDADE ÁGUA DURANTE O TESTE TOXICIDADE AGUDA PARA PEIXES TROPICAIS

337

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

RESPOSTA DAS TROCAS GASOSAS E EFICIÊNCIA NO CONTROLE DE Commelina difusa SOB DIFERENTES DOSES DE GLYPHOSATE.

Rodolfo A. Zapparoli (FCA-UNESP/ rodolfo_zapparoli@hotmail.com); Sergio Iraide B. Soares Filho (FCA-UNESP); Leonildo A. Cardoso (FCA- Unesp); Angela Vacaro Souza (FCA-UNESP); Jeferson Klein (FCA-UNESP), João Domingos Rodrigues (IB - UNESP).

RESUMO - O uso do glyphosate como herbicida sistêmico vem sendo utilizado em ampla escala para as mais variadas espécies de plantas invasoras e seu uso em plantas do gênero Commelina vem ganhando importância, devido ao certo grau de tolerância dessas plantas a sua molécula. O objetivo deste trabalho foi avaliar as taxas de trocas gasosas entre planta e ambiente, além de sua eficiência no controle. Os parâmetros avaliados referentes a trocas gasosas foram fotossíntese, transpiração e condutância estomática, nos quais foram observados os efeitos dos

tratamentos (doses de glyphosate 840, 1680 e 3360 e.a. ha -1 ), reduzindo as taxas de fotossíntese líquida, a transpiração e a condutância estomática após 48 h da aplicação, a partir de 11 dias da aplicação. Para análise de eficiência de controle foram realizadas avaliações visuais, nas quais os melhores resultados de controle foram obtidos paras as doses de 1680

e 3360 e.a./ha. No entanto, para os valores de massa seca não verificou- se diferença significativa entre os tratamentos.

Palavras chave: Commelina, glyphosate, controle, trocas gasosas

INTRODUÇÃO

Trapoeraba é o nome comum de plantas daninhas de uma família botânica denominada Commelinaceae. O gênero Commelina é um dos maiores e mais amplamente distribuído nas regiões dos trópicos

e subtrópicos de todo o mundo (Faden & Hunt, 1991). Várias espécies de Commelina foram identificadas para o território brasileiro, sendo a C. benghalensis, C. diffusa e C. erecta as mais comuns, encontradas principalmente infestando culturas de soja, feijão, milho, trigo, café e os pomares de citrus (Kissmam, 1997). Nas áreas agrícolas, estas plantas provocam prejuízos econômicos, os quais são causados pela concorrência com as culturas por nutrientes, água e luz. Essas plantas possuem alto teor de água no caule, o que pode dificultar, em muito, a colheita de grãos e, ainda, podem hospedar insetos que prejudicam o pleno desenvolvimento da lavoura.

Pesquisadores brasileiros comprovaram que estas espécies apresentam comportamentos diferentes quando expostas ao mesmo tratamento com herbicida (Rocha et al. 2000 a e b). A aplicação de herbicidas para controlar trapoerabas pode não inibir o seu desenvolvimento ou inibi-lo parcialmente, causando prejuízos ao agricultor, pois eleva os custos da lavoura e diminui a produção. Apesar do uso intenso de herbicidas para controle destas espécies, os resultados têm sido, muitas vezes, insatisfatórios. Para o controle de C. benghalensis, Lorenzi (1982) apresenta uma listagem de 88 herbicidas, dos quais apenas 33 formulações inibem o desenvolvimento desta planta daninha em menos de 85%, ou seja, controlam-na de modo insatisfatório. Segundo Wilson (1981), a dificuldade de controle de plantas da família Commelinaceae pode ser atribuída ao duplo mecanismo de reprodução que elas apresentam, isto é, por sementes e enraizamentos dos nós.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

Rocha et al. (2000), afirmam que o controle químico das espécies do gênero Commelina é dependente da espécie. As respostas das espécies de Commelina aos herbicidas podem estar relacionadas às diferenças na estrutura da epiderme de suas folhas que recebem os

produtos agroquímicos diretamente.Aepiderme foliar permite trocas entre

o ambiente e o interior da planta, mas também tem a função de proteção

do órgão vegetal (Bukovac, 1976). A presença de maior ou menor quantidade de estruturas, tais como estômatos e tricomas, alteram as características da epiderme podendo afetar a atuação do herbicida (Mendonça, 2000). Outros fatores morfo-anatômicos podem estar associados ao diferente grau de controle encontrados nas diferentes espécies de commelina para o mesmo tratamento com herbicida, tais como: ângulo de inserção das folhas, tamanho das folhas, tricomas, tamanho dos

entre nós, disposição das folhas, presença de ceras epicuticulares, sendo esta ultima considerada uma barreira mais eficiente que os tricomas e estômatos para impedir a penetração de herbicidas na planta (Rocha et al. 2000 a). Entre os principais herbicidas sistêmicos de manejo utilizados para as mais variadas culturas e de maior uso encontra-se o glyphosate, usado sozinho ou em combinação com outros princípios ativos buscando

a maior eficácia de controle das plantas invasoras.

A absorção de glyphosate pela cutícula das folhas é

considerada lenta, com duração de seis horas aproximadamente. Isso ocorre pelas características do próprio herbicida, que apresenta alta

solubilidade em água e baixa lipofilicidade. É importante destacar que existem diferenças de tolerância de algumas plantas daninhas a este herbicida, sendo as trapoerabas citadas freqüentemente na literatura (Zambolim et al. 2005).

O glyphosate está no grupo dos herbicidas com mecanismo

de ação classificado como herbicidas inibidores da biossíntese de aminoácidos aromáticos, ou seja, inibem a biossíntese dos aminoácidos fenilalanina, tirosina e triptofano, chamados de aminoácidos aromáticos, por apresentarem parte da cadeia fechada. O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de controle e as respostas fisiológicas na espécie de Commelina difusa sob diferentes doses de glyphosate.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi conduzido em casa-de-vegetação do Núcleo de

Pesquisa Avançada em Matologia (NUPAM), pertencente ao Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas/Unesp-Botucatu-SP. Utilizou-se um delineamento inteiramente casualizado, no qual as doses de glyphosate aplicadas foram 0, 840, 1680, e 3360 e.a. ha -1 . As plantas foram cultivadas em vasos plásticos, com dimensões de 15 x 15 x 11 cm, contendo solo de textura média devidamente corrigido e adubado.

11

A aplicação do herbicida foi realizada quando as mudas

atingiram o seu pleno desenvolvimento (pouco antes do florescimento)

aos 35 dias após o plantio. Utilizou-se um pulverizador estacionário, pressurizado a ar comprimido munido de barra com quatro pontas TJ 11002VS, espaçados de 0,5m entre si, à pressão de 2,0 bar, com um consumo de calda de 200 L ha -1 .

A taxa de fotossíntese líquida, de transpiração e a condutância

estomática, foram avaliadas na parte mediana das folhas, sendo, utilizadas a primeira ou segunda folha do ápice vegetativo completamente desenvolvidas, para isso foi utilizado um analisador de gases de infravermelho (IRGA Li-6400 Li.cor). As avaliações foram realizadas entre 8 e 10 horas da manhã, nos dias 2, 7, 11 e 30 dias após a aplicação (DAA) escolhendo-se as plantas ao acaso por vaso. As avaliações de fitotoxicidade foram realizadas aos 2, 7, 14, 21 e 28 dias após a aplicação, utilizando uma escala percentual de

notas, em que 0 (zero) corresponde a nenhuma injúria demonstrada pela planta e 100 (cem) a morte das plantas (SBCPD, 1995). A determinação de massa seca das plantas foi realizada após

a última avaliação de fitotoxicidade, na qual foram coletadas as partes aéreas destas plantas, as quais depois foram secas em estufas de circulação forçada a 55 °C e pesadas em balança analítica. Os resultados foram submetidos a analises de variância pelo teste F a 5% de probabilidade, e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste “t” a 5% de probabilidade.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Para o parâmetro de fotossíntese líquida nota-se resposta significativa ao décimo primeiro dia após aplicação (11 DAA) em relação as diferentes doses de glyphosate (Tabela 1).

Tabela 1. Fotossíntese líquida (µmol(CO 2 )m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina difusa . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** significativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Tabela 2. Avaliação visual de fitotoxicidade (%) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina difusa . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** significativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

A menor dose (840 e.a./ha) foi suficiente para reduzir as taxas

líquidas de fotossíntese em 32%, a dose de 1680 e.a. ha -1 reduziu em 50% e a maior dose (3360 e.a. ha -1 ) reduziu em 70%, quando comparados à testemunha sem aplicação de glyphosate, aos 11 DAA,

sendo este o único dia que houve diferença significativa entre as doses.

A redução observada na fotossíntese líquida pode ser

explicada por Vidal (1997), quando menciona que o glyphosate pertence

à classe de herbicidas inibidores de EPSPs, ou seja, inibem a síntese dos

aminoácidos aromáticos (Fenilalanina, tirosina e triptofano). Essa inibição acarreta num desbalanço metabólico ocasionando colapso no sistema e desarranjo na formação e manutenção das estruturas da planta. Aos 4 DAA verifica-se pela avaliação visual de controle

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

(Tabela 2), que ocorreram diferenças entre as doses, sendo 1680 e.a. ha -1 a dose que apresentou o maior controle em relação à testemunha. Nas avaliações de trocas gasosas não há respostas significativas para estas doses até o 11 DAA. Segundo Rodrigues & Almeida (2005), os efeitos visuais de controle com glyphosate são apresentados de 4 a 20 dias após aplicação. Na Tabela 2 observa-se que a partir de 4 DAA os tratamentos apresentaram diferenças significativas, sendo que aos 28 DAA as doses

Tabela 3. Transpiração (mmol(H 2 O)m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de 1680 e 3360 e.a. ha -1 apresentam o melhor controle, acima de 90%. A transpiração (Tabela 3) mostrou-se ser influenciada pela ação do glyphosate, independente da dose, a partir dos 2 DAA até os 28 DAA. Tal efeito reforça a idéia do estresse promovido, onde a saída de água foi reduzida em 63%, 71% e 65% para as doses de 840, 1680 e 3360 e.a. ha -1 , respectivamente, em relação à testemunha aos 2 DAA. Todos os demais dias apresentaram resultados semelhantes.

Todos os demais dias apresentaram resultados semelhantes. Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não

Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** significativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Tabela 4. Condutância estomática (mol(H 2 O)m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina difusa . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** significativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Tabela 5. Massa Seca (g) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina difusa . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** significativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

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Conforme Paiva et al. (2005), a diminuição da transpiração é ocorrida em resposta ao fechamento estomático, sendo assim verificado também por este trabalho pelos valores de condutância estomática (Tabela 4). Taiz & Zeiger (2004) definem esta variável

como sendo o fluxo de saída e entrada de H 2 O e CO 2 pela abertura estomática.

A massa seca, avaliada após 35 DAA, não apresentou

diferença significativa entre os tratamentos (Tabela 5).

CONCLUSÕES

As plantas apresentaram alterações na transpiração e condutância estomática após 48h da aplicação de glyphosate, indiferentemente das doses aplicadas. As doses de 1680 e 3360 g e.a. ha -1 apresentaram os maiores níveis de controle (acima de 90%).

CONTRIBUIÇÃO PRÁTICA E CIENTÍFICA DO TRABALHO

O trabalho mostrou que o uso do equipamento portátilil IRGA

Li-6400 da Li-cor é uma ótima ferramenta para análise da resposta das trocas gasosas de plantas daninha, pois permite verificar o efeito do herbicida antes do aparecimento dos sintomas visíveis.

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

BUKOVAC, M.J. & PETRACEK, P.D. 1993. Characterizing pesticide and surfactant penetration with isolated plant cuticles. Pesticide Science37:179-194. FADEN, R.B. & HUNT, D.R. 1991. The classification of Commelinaceae.

14

Taxon 40:19-31. KISSMANN, K. G. 1997. Plantas infestantes e nocivas. Basf, São Paulo. LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil. Nova Plantarum, 1982. 439 p. MENDONÇA, C.G. 2000. Algumas características da superfícies foliar de diversas plantas daninhas monocotiledôneas. Dissertação de mestrado, Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu. NAVES-BARBIEIRO, C. C.; FRANCO, A. C.; BUCCI, S. J. &

GOLDSTEIN, G. Fluxo de seiva e condutância estomática de duas espécies lenhosas sempre-verdes no campo sujo e cerradão. Revista Brasileira Fisiologia Vegetal, 12(2):119-134, 2000. ROCHA, D.C.; RODELLA, R.A.; MACIEL, C.D.G. & MARTINS, D., BORGES, A. 2000 a. Efeito da aplicação de herbicidas em pós- emergência sobre Commelina diffusa e Commelina erecta. In Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, 22. SBCPD, Londrina, p.444. ROCHA, D.C. ; RODELLA, R.A. & MARTINS, D. 2000 b. Ocorrência de Commelina villosa como planta daninha em áreas agrícolas no Estado do Paraná-PR, Brasil. Planta Daninha 18:161-167. RODRIGUES, B. N. & ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas 5. ed. Londrina,

p. 275-289, 2005.

SBCPD-SOCIEDADE BRASILEIRA DA CIÊ NCIADAS PLANTAS DANINHAS. Procedimentos para instalação, avaliação e análise de experimentos com herbicidas.Londrina: SBCPD, 1995.

TAIZ, L. & ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. Porto Alegre: Artmed, 2004. p.449-

484.

VIDAL, R. A. Herbicidas: mecanismos de ação e resistência de plantas. Porto Alegre, p. 39-44, 1997.

WILSON, A.K. Commelinaceae – review of the distribution, biology and control of the important weeds belonging to this family. Trop. Pest Manag., v. 27,

p. 405-418, 1981.

ZAMBOLIM,L.;CONCEIÇÃO, M.Z.; SANTIAGO,T. O que engenheiros

agrônomos devem saber para orientar o uso de produtos fitossanitários.2 ed. Viçosa. p. 317-374, 2003.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

EFICIÊNCIA DE CONTROLE E RESPOSTAS DAS TROCAS GASOSAS NA ESPÉCIE Commelina erecta SOB DIFERENTES DOSES DE GLYPHOSATE.

Leonildo A. Cardoso (FCA-UNESP/ lacardoso@fca.unesp.br); Sergio Iraide B. Soares Filho (FCA-UNESP); Rodolfo A. Zapparoli (FCA- UNESP); Angela Vacaro Souza (FCA-UNESP); Jeferson Klein (FCA-UNESP), João Domingos Rodrigues (FCA- UNESP)

RESUMO - O uso do glyphosate como herbicida sistêmico vem sendo utilizado em ampla escala para as mais variadas espécies de planta invasoras. E seu uso em plantas do gênero Commelina vem ganhando importância devido a certo grau de tolerância dessas plantas a sua

molécula. O objetivo deste trabalho foi avaliar as taxas de trocas gasosas entre planta e ambiente e sua eficiência de controle. Os parâmetros avaliados referentes a trocas gasosas foram fotossíntese, transpiração

e condutância estomática. Observou-se efeito dos tratamentos (doses de glyphosate 840, 1680 e 3360 e.a. ha -1 ) reduzindo as taxas de

fotossíntese líquida após 11 dias após a aplicação. Para a transpiração

e a condutância estomática foram observadas alterações após 48 h da

aplicação. Para análise de eficiência de controle foram realizadas avaliações visuais. Os melhores resultados de controle foram obtidos

para a maior dose (3360 e.a. ha -1 ) para os diferentes períodos de avaliação. Para os valores de massa seca não verificou-se diferença significativa entre os tratamentos.

Palavras chave: trapoeraba; herbicida; controle, fotossíntese

INTRODUÇÃO

Trapoeraba é o nome comum de plantas daninhas de uma família botânica denominada Commelinaceae, o gênero Commelina é

um dos maiores e mais amplamente distribuídos nas regiões dos trópicos

e subtrópicos de todo o mundo (Faden & Hunt, 1991). Várias espécies

de Commelina estão identificadas para o território brasileiro, sendo a C.

benghalensis, C. diffusa e C. erecta as mais comuns, principalmente infestando culturas de soja, feijão, milho, trigo, café e os pomares de citrus (Kissmam, 1997). Em áreas agrícolas, estas plantas provocam prejuízos econômicos causados pela concorrência com as culturas por nutrientes, água e luz, possuem alto teor de água no caule, o que pode dificultar, em muito, a colheita de grãos e, ainda, podem hospedar insetos que prejudicam o pleno desenvolvimento da lavoura. Pesquisadores brasileiros comprovaram que estas espécies apresentam comportamentos diferentes quando são expostas ao mesmo tratamento com herbicida (Rocha et al. 2000 a e b). A aplicação de herbicidas para controlar Trapoerabas pode não inibir o seu desenvolvimento ou inibi-lo parcialmente, significando prejuízos ao agricultor, elevando os custos da lavoura e diminuindo a produção. Apesar do uso intenso de herbicidas para controle destas espécies, os resultados têm sido insatisfatórios muitas vezes. Para o controle de C. benghalensis, Lorenzi (1982) apresenta uma listagem de 88 herbicidas dos quais apenas 33 formulações inibem o desenvolvimento desta planta daninha em menos de 85%, ou seja, controlam-na de modo insatisfatório. Segundo Wilson (1981), a dificuldade de controle de Commelinaceae pode ser atribuída ao duplo mecanismo de reprodução que elas apresentam, isto é, por

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

sementes e enraizamentos dos nós. Rocha et al. 2000, afirma que o controle químico das espécies do gênero Commelina é dependente da espécie. As respostas das espécies de Commelina aos herbicidas podem estar relacionadas às diferenças na estrutura da epiderme de suas folhas que recebem os

produtos agroquímicos diretamente.Aepiderme foliar permite trocas entre

o ambiente e o interior da planta, mas também tem a função de proteção

do órgão vegetal (Bukovac, 1976). A presença de maior ou menor quantidade de estruturas, tais como estômatos e tricomas, alteram as características da epiderme podendo afetar a atuação do herbicida (Mendonça, 2000).

Outros fatores morfo-anatômicos podem estar associados ao diferente grau de controle encontrados nas diferentes espécies de commelina para o mesmo tratamento com herbicida, tais como: ângulo de inserção das folhas, tamanho das folhas, tricomas, tamanho dos

entre nós, disposição das folhas, presença de ceras epicuticulares sendo esta ultima considerada como uma barreira mais eficiente que os tricomas

e estômatos para impedir a penetração de herbicidas na planta (Rocha et al. 2000 a).

Entre os principais herbicidas sistêmicos de manejo utilizados para as mais variadas culturas e de maior uso encontra-se o glyphosate, usado sozinho ou em combinação com outros princípios ativos buscando

a maior eficácia de controle das plantas invasoras.

A absorção de glyphosate pela cutícula das folhas é

considerada lenta, com duração de seis horas aproximadamente. Isso ocorre pelas características do próprio herbicida, que apresenta alta solubilidade em água e baixa lipofilicidade. É importante destacar que existem diferenças de tolerância de algumas plantas daninhas a este herbicida, sendo as trapoerabas citadas freqüentemente na literatura (Zambolim et al. 2005).

O glyphosate esta no grupo dos herbicidas com mecanismo

de ação classificado como Herbicidas inibidores da biossíntese de aminoácidos aromáticos, ou seja, inibem a biossíntese dos aminoácidos fenilalanina, tirosina e triptofano, chamados de aminoácidos aromáticos, por apresentarem parte da cadeia fechada. O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de controle e as respostas fisiológicas na espécie de Commelina erecta sob diferentes

doses de glyphosate.

MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi conduzido em casa-de-vegetação do Núcleo de

Pesquisa Avançada em Matologia, pertencente ao Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de CiênciasAgronômicas/UNESP, Botucatu- SP. Utilizou-se um delineamento inteiramente casualizado onde as dosagens de glyphosate aplicadas, foram 0,840, 1680, e 3360 g e.a. ha -1 . As plantas foram cultivadas em vasos plásticos, com dimensões de 15x15x11 cm, contendo solo de textura média, devidamente corrigido e adubado.

15

A aplicação do herbicida foi realizada quando as mudas

atingiram o seu pleno desenvolvimento (pouco antes do florescimento)

aos 35 dias após o plantio. Utilizou-se um pulverizador estacionário, pressurizado a ar comprimido munido de barra com quatro pontas TJ 11002VS, espaçados de 0,5m entre si, á pressão de 2,0 bar, com um consumo de calda de 200 L ha -1 .

A taxa de fotossíntese líquida, de transpiração e a

condutância estomática, foram avaliadas na parte mediana das folhas, sendo, utilizadas a primeira ou segunda folha do ápice vegetativo completamente desenvolvidas. Foi utilizado um analisador de gases de infravermelho (IRGA Li-6400 Li.cor). As avaliações foram realizadas entre 8 e 10 horas da manhã, nos dias 2, 7, 11 e 30 dias após a aplicação (DAA) escolhendo-se as plantas ao acaso por vaso.

As avaliações de fitotoxicidade foram feitas aos 2, 7, 14, 21 e 28 dias após a aplicação, utilizando uma escala percentual de notas, em que 0 (zero) corresponde a nenhuma injúria demonstrada pela planta e 100 (cem) a morte das plantas (SBCPD, 1995).

A determinação de massa seca das plantas foi realizada após a última avaliação de fitotoxicidade, onde foram coletadas a parte aérea destas plantas e secas em estufas de circulação forçada a 55 °C e pesadas em balança analítica. Os resultados foram submetidos a analises de variância pelo teste F a 5% de probabilidade e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste “t” a 5% de probabilidade.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Para o parâmetro de fotossíntese líquida, nota-se resposta significativa ao segundo dia após aplicação (2 DAA), em relação às diferentes doses de glyphosate. Respostas semelhantes também são verificadas aos 7 DAA, sendo que a dose de a partir de 1680 g e.a. ha - 1 , para esta data, foram as que apresentaram maior redução na fotossíntese líquida. Já a partir das demais avaliações não foi possível observar diferenças significância entre os tratamentos (Tabela 1).

Tabela 1. Fotossíntese líquida ( µmol(CO 2 )m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina erecta. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina erecta . Botucatu/SP, 2007. Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna,

Médias seguidas de mesma letra maiúscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** significativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Tabela 2. Avaliação visual de fitotoxicidade (%) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina erecta. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina erecta . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

16

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

Ainda na Tabela 1, verifica-se que aos 2 DAA, apenas a maior dose (3360 e.a./ha) diferiu dos demais tratamentos, apresentando uma redução de 83% da taxa de fotossíntese liquida em relação à testemunha. Esta redução observada na fotossíntese

líquida, pode ser explicada por Vidal (1997), quando menciona, que

o glyphosate pertence à classe de herbicidas inibidores de EPSPs,

ou seja, inibem a síntese dos aminoácidos aromáticos (Fenilalanina, tirosina e triptofano). Essa inibição acarreta em um desbalanço metabólico, que por conseqüência ocasiona um colapso e desarranjo na formação e manutenção das estruturas da planta. Comprovando esta observação, pode ser observada a resposta das plantas aos 4 DAA, em avaliação visual de controle (Tabela 2). Nota-se que houve diferença entre as doses, sendo 3360 g e.a./ha a dose que apresentou o maior controle em relação

à testemunha.

Segundo Rodrigues & Almeida (2005) os efeitos visuais de controle com glyphosate são apresentados já no 4º ao 20º dias após aplicação. Na Tabela 2, observa-se a que a partir de 4 DAA os tratamentos apresentam diferenças significativas, sendo que aos 28 DAA, a dose de 3360 g e.a. ha -1 apresentou o melhor controle, porém, não satisfatório segundo SBCPD (1995). Em relação à transpiração (Tabela 3), nota-se influencia do glyphosate na saída de água pelos estômatos independente da dose aplicada, somente aos 7 DAA e 8 DAA. Tal efeito reforça a idéia do estresse promovido pela ação do glyphosate, onde a transpiração foi reduzida em 44, 43 e 59% para as doses de 840, 1680 e 3360 g e.a. ha -1 , respectivamente. Entretanto, diferenças significativas de todas as doses em relação a testemunha só foram observadas aos 8 DAA. Nos demais períodos de avaliação não foram observadas diferenças significativas.

Tabela 3. Transpiração (mmol(H 2 O)m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina erecta. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina erecta . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

A redução da transpiração segundo Naves-Barbiero, et al. (2000) é devido a resposta do fechamento estomático, sendo comprovado por este trabalho, pelos valores de condutância estomática (Tabela 4). Conforme Taiz & Zeiger

(2004), tal variável é considerada como sendo o fluxo de entrada e saída de H 2 O e CO 2 pelo poro estomático, sendo que, conforme menor abertura deste poro, maior a dificuldade, ou seja, a resistência estomática.

Tabela 4. Condutância estomática (mol(H 2 O)m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina difusa . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

17

Somente aos 2 e 7 DAA houveram diferenças estatísticas da testemunha em relação aos demais tratamentos. Para a massa seca, avaliada após 35 DAA, não foram observadas diferenças significativas entre os diferentes tratamentos (Tabela 5).

Tabela 5. Massa Seca (g) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina difusa. Botucatu/SP, 2007.

de glyphosate em Commelina difusa . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna,

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

CONCLUSÕES

As plantas apresentaram alterações nas trocas gasosas após 48h da aplicação de glyphosate, indiferente das doses aplicadas. As dosagens testadas não apresentaram controle satisfatório desta espécie de planta daninha.

CONTRIBUIÇÃO PRÁTICA E CIENTÍFICA DO TRABALHO

O trabalho mostrou que o uso do equipamento portatil IRGA Li-6400 da Li-cor é uma ótima ferramenta para análise da resposta das trocas gasosas de plantas daninha, pois permite verificar o efeito do herbicida antes do aparecimento dos sintomas visíveis.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BUKOVAC, M.J. & PETRACEK, P.D. 1993. Characterizing pesticide and

surfactant penetration with isolated plant cuticles. Pesticide Science 37:179-

194.

FADEN, R.B. & HUNT, D.R. 1991. The classification of Commelinaceae. Taxon 40:19-31. KISSMANN, K. G. 1997. Plantas infestantes e nocivas. Basf, São Paulo. FORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil. Nova Plantarum, 1982. 439 p. MENDONÇA, C.G. 2000. Algumas características da superfícies foliar de diversas plantas daninhas monocotiledôneas. Dissertação de mestrado, Faculdade de Ciências Agronômicas, Universidade Estadual Paulista, Botucatu. PAIVA, A. S.; FERNANDES, E. J.; RODRIGUES, T. J. D. & TURCO, J. E.

P. Condutância estomática em folhas de feijoeiro submetido a diferentes

regimes de irrigação. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v.25, n.1, p.161- 169, jan./abr. 2005 ROCHA, D.C.; RODELLA, R.A.; MACIEL, C.D.G. & MARTINS, D., BORGES, A. Efeito da aplicação de herbicidas em pós-emergência sobre Commelina diffusa e Commelina erecta. In Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, 22. SBCPD, Anais, Londrina, p.444. 2000 a. ROCHA, D.C. ; RODELLA, R.A. & MARTINS, D. 2000 b. Ocorrência de Commelina villosa como planta daninha em áreas agrícolas no Estado do Paraná-PR, Brasil. Planta Daninha 18:161-167. RODRIGUES, B. N. & ALMEIDA, F. S. Guia de herbicidas 5. ed. Londrina,

p. 275-289, 2005.

SBCPD-SOCIEDADE BRASILEIRA DA CIÊ NCIADAS PLANTAS DANINHAS. Procedimentos para instalação, avaliação e análise de experimentos com herbicidas.Londrina: SBCPD, 1995.

TAIZ, L. & ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. Porto Alegre: Artmed, 2004. p.449-

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VIDAL, R. A. Herbicidas: mecanismos de ação e resistência de plantas. Porto Alegre, p. 39-44, 1997.

WILSON, A.K. Commelinaceae – review of the distribution, biology and control of the important weeds belonging to this family. Trop. Pest Manag., v. 27,

p. 405-418, 1981.

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

INFLUÊNCIA DE DIFERENTES DOSES DE GLYPHOSATE NA EFICIÊNCIA DE CONTROLE E NA RESPOSTA DAS TROCAS GASOSAS EM Commelina benghalensis L.

Sergio Iraide B. Soares Filho (FCA-UNESP/ sergioib@fca.unesp.br); Rodolfo A. Zapparoli (FCA-UNESP); Leonildo A. Cardoso ( FCA-UNESP); Angela V. Souza (FCA-UNESP); Jeferson Klein (FCA-UNESP), João Domingos Rodrigues (IB - UNESP).

RESUMO - O uso do glyphosate como herbicida sistêmico vem sendo utilizado em ampla escala para as mais variadas espécies de planta invasoras. E seu uso em plantas do gênero Commelina vem ganhando importância devido a certo grau de tolerância dessas plantas a este

herbicida. O objetivo deste trabalho foi avaliar as taxas de trocas gasosas entre planta e ambiente e sua eficiência de controle. Os parâmetros avaliados referentes a trocas gasosas foram fotossíntese, transpiração

e condutância estomática, onde se observou efeito dos tratamentos (doses de glyphosate 840, 1680 e 3360 e.a. ha -1 ) reduzindo as taxas após 48

h da aplicação, verificando-se diferenças em relação a testemunha sem

aplicação. Para análise de eficiência de controle foram realizadas avaliações visuais. Os melhores resultados de controle foram obtidos para a maior dose (3360 e.a. ha -1 ) nos diferentes períodos de avaliação, atingindo um valor acima de 85 % de controle após 28 DAA nas doses de 1680 e 3360 g e.a. ha -1 . Para os valores de massa seca verificaram- se diferenças para todos os tratamentos com o herbicida glyphosate em relação à testemunha sem aplicação.

Palavras chave: trapoeraba; herbicida; trocas gasosas; controle

INTRODUÇÃO

Trapoeraba é o nome comum de plantas daninhas de uma família botânica denominada Commelinaceae, o gênero Commelina é um dos maiores e mais amplamente distribuídos

nas regiões dos trópicos e subtrópicos de todo o mundo (Faden

& Hunt, 1991).

A Commelina benghalensis L., segundo Lorenzi (1991),

é uma planta daninha perene, herbácea, ereta ou semi-

prostrada, com reprodução por sementes e vegetativa. A espécie

é bastante freqüente em lavouras anuais. Apresenta nítida

preferência por solos argilosos, úmidos e sombreados. Dificulta

a colheita mecânica da cultura da soja e confere excesso de

umidade aos grãos. Em áreas agrícolas, estas plantas provocam prejuízos econômicos causados pela competição com as culturas por nutrientes, água e luz, possuem alto teor de água no caule, o que pode dificultar, em muito, a colheita de grãos e, ainda, podem hospedar insetos que prejudicam o pleno desenvolvimento da

lavoura.

Pesquisadores brasileiros comprovaram que estas espécies apresentam comportamentos diferentes quando são expostas ao mesmo tratamento com herbicida (Rocha et al. 2000 a e b).

A aplicação de herbicidas para controlar trapoerabas

pode não inibir o seu desenvolvimento ou inibi-lo parcialmente, significando prejuízos ao agricultor, elevando os custos da lavoura e diminuindo a produção. Apesar do uso intenso de herbicidas para controle destas espécies, os resultados têm sido

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

insatisfatórios muitas vezes. Para o controle de C. benghalensis, Lorenzi (1982) apresenta uma listagem de 88 herbicidas dos quais apenas 33 formulações inibem o desenvolvimento desta planta daninha em menos de 85%, ou seja, controlam-na de modo insatisfatório. Segundo Wilson (1981), a dificuldade de controle de Commelinaceae pode ser atribuída ao duplo mecanismo de reprodução que elas apresentam, isto é, por sementes e enraizamentos dos nós. Rocha et al. 2000, afirma que o controle químico das espécies do gênero Commelina é dependente da espécie. As respostas das espécies de Commelina aos herbicidas podem estar relacionadas às diferenças na estrutura da epiderme de suas folhas que recebem os produtos agroquímicos diretamente.

A epiderme foliar permite trocas entre o ambiente e o interior da

planta, mas também tem a função de proteção do órgão vegetal (Bukovac, 1976). A presença de maior ou menor quantidade de estruturas, tais como estômatos e tricomas, alteram as características da epiderme podendo afetar a atuação do herbicida (Mendonça, 2000). Outros fatores morfo-anatômicos podem estar associados ao diferente grau de controle encontrados nas diferentes espécies de trapoeraba para o mesmo tratamento com herbicida, tais como: ângulo de inserção das folhas, tamanho das folhas, tricomas, tamanho dos entre nós, disposição das folhas, presença de ceras epicuticulares sendo esta ultima considerada como uma barreira mais eficiente que os tricomas e estômatos para impedir a penetração de herbicidas na planta (Rocha et al. 2000 a). Entre os principais herbicidas sistêmicos de manejo utilizados para as mais variadas culturas e de maior uso encontra-se o glyphosate, usado sozinho ou em combinação

com outros princípios ativos buscando a maior eficácia de controle das plantas invasoras.

A absorção de glyphosate pela cutícula das folhas é

considerada lenta, com duração de seis horas aproximadamente. Isso ocorre pelas características do próprio herbicida, que apresenta alta solubilidade em água e baixa lipofilicidade. É importante destacar que existem diferenças de tolerância de

algumas plantas daninhas a este herbicida, sendo as trapoerabas citadas freqüentemente na literatura. (Zambolim et al. 2004.)

O glyphosate esta no grupo dos herbicidas com mecanismo

de ação classificado como Herbicidas inibidores da biossíntese de aminoácidos aromáticos, ou seja, inibem a biossíntese dos

aminoácidos fenilalanina, tirosina e triptofano, chamados de aminoácidos aromáticos, por apresentarem parte da cadeia fechada. O objetivo deste trabalho foi avaliar a eficiência de controle

e as respostas das trocas gasosas na espécie de Commelina benghalensis L. sob diferentes doses de glyphosate.

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MATERIAL E MÉTODOS

O estudo foi conduzido em casa-de-vegetação do Núcleo

de Pesquisa Avançada em Matologia, pertencente ao Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas/Unesp, Botucatu- SP. Utilizou-se um delineamento inteiramente casualizado onde as dosagens de glyphosate aplicadas foram 0,840, 1680, e

3360 e.a. ha -1 . As plantas foram cultivadas em vasos plásticos, com dimensões de 15 x 15 x 11 cm, contendo solo de textura média, devidamente corrigido e adubado.

A aplicação do herbicida foi realizada quando as mudas

atingiram o seu pleno desenvolvimento (pouco antes do florescimento)

aos 35 dias após o plantio. Utilizou-se um pulverizador estacionário, pressurizado a ar comprimido munido de barra com quatro pontas TJ 11002VS, espaçados de 0,5m entre si, á pressão de 2,0 bar, com um consumo de calda de 200 L ha -1 .

A taxa de fotossíntese líquida, de transpiração e a

condutância estomática, foram avaliadas na parte mediana das folhas, sendo, utilizadas a primeira ou segunda folha do ápice vegetativo, completamente desenvolvidas. Foi utilizado um analisador de gases de infravermelho (IRGA Li-6400 Li.cor). As avaliações foram

realizadas entre 8 e 10 horas da manhã, nos dias 2, 7, 11 e 30 dias após a aplicação (DAA) escolhendo-se as plantas ao acaso por vaso.

As avaliações de fitotoxicidade foram feitas aos 2, 7, 14, 21 e 28 dias após a aplicação, utilizando uma escala percentual de notas, em que 0 (zero) corresponde a nenhuma injúria demonstrada pela planta e 100 (cem) a morte das plantas (SBCPD, 1995). A determinação de massa seca das plantas foi realizada após a última avaliação de fitotoxicidade, sendo coletada a parte aérea destas plantas, as quais foram secas em estufas de circulação forçada a 55 °C e pesadas em balança analítica. Os resultados foram submetidos a analises de variância pelo teste “f” a 5% de probabilidade e as médias dos tratamentos comparadas pelo teste “t” a 5% de probabilidade.

RESULTADO E DISCUSSÃO

Pelos resultados do parâmetro de fotossíntese líquida obtido neste estudo, pode se verificar a influência significativa já ao segundo dia após aplicação (2 DAA), em relação as diferentes doses de glyphosate (Tabela 1).

Tabela 1. Fotossíntese líquida (µmol(CO 2 )m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina benghalensis. Botucatu/SP, 2007.

glyphosate em Commelina benghalensis . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Tabela 2. Avaliação visual de fitotoxicidade (%) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina benghalensis. Botucatu/SP, 2007.

glyphosate em Commelina benghalensis . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

Tabela 3. Transpiração (mol(H 2 O)m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina benghalensis. Botucatu/SP, 2007.

glyphosate em Commelina benghalensis . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Tabela 4. Condutância estomática (mol(H 2 O)m -2 s -1 ) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina benghalensis. Botucatu/SP, 2007.

glyphosate em Commelina benghalensis . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

Pode-se observar ainda na Tabela 1, que a menor dose (840 e.a. ha -1 ) foi suficiente para reduzir as taxas líquidas de fotossíntese em 60%, já a dose de 1680 e.a./ha) e a maior dose (3360 e.a. ha -1 ) reduziram em 78 e 95%, respectivamente, quando comparadas a testemunha (dose 0) aos 2 DAA. Entretanto, só foram observadas respostas significativas entre as doses para este único dia. A redução observada na fotossíntese líquida pode ser explicada pelo fato do glyphosate pertencer à classe de herbicidas inibidores de EPSPs, ou seja, esta molécula inibe a síntese dos aminoácidos aromáticos (fenilalanina, tirosina e triptofano), conforme Vidal (1997). Essa inibição acaba por acarretar de forma geral em um desbalanço metabólico ocasionando colapso e desarranjo na formação e manutenção das estruturas da planta. Aos 4 DAA, oberva-se na Tabela 2, que não houve diferença entre as doses de 840 e 1680 e.a. ha -1 em relação à testemunha, porém nas avaliações de trocas gasosas foram observadas respostas significativas, para estas mesmas doses em relação a testemunha, ao segundo dia após aplicação (2 DAA). O que permite dizer que a influência do glyphosate na resposta do metabolismo das plantas ocorreu antes de ser observado qualquer sintoma visual. Segundo Rodrigues & Almeida (2005) os efeitos visuais de controle com glyphosate são apresentados do 4º ao 20º dias após

aplicação. Nota-se na Tabela 2, a presença dos sintomas aos 4 DAA para as maiores doses. Aos 28 DAA a resposta das doses difere significativamente, sendo as doses de 1680 e 3360 g e.a. ha -1 , as que apresentam melhor controle (acima de 80%). De forma semelhante à fotossíntese, a transpiração (Tabela 3) mostrou-se ser influenciada pela ação do glyphosate, independente da dose. Tal efeito reforça a idéia do estresse promovido pela molécula na planta, onde a saída de água foi reduzida em 56%, 67% e 66% para as doses de 840, 1680 e 3360 g e. a. ha -1 , respectivamente, quando comparadas à testemunha, aos 2 DAA. Nos demais períodos de avaliação foram observados resultados similares. Este fato, demonstra que a ação deste herbicida no metabolismo da planta, de alguma forma ocasionou em uma restrição na abertura estomática. Também Herralde et al. (1998) verificou que o estresse provoca uma redução da transpiração. Os valores de condutância estomática (Tabela 4) demonstram o fechamento estomático. Taiz & Zeiger (2004) definem esta variável como sendo o inverso da resistência estomática, ou seja, quanto menor o fluxo de entrada e saída de H 2 O e CO 2 pelo poro estomático, menor abertura deste poro. A massa seca, avaliada após 35 DAA, evidenciou que todas as doses tiveram efeito significativo na redução de massa seca em relação

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

21

Tabela 5. Massa Seca (g) em resposta a diferentes doses de glyphosate em Commelina benghalensis. Botucatu/SP, 2007.

glyphosate em Commelina benghalensis . Botucatu/SP, 2007. Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não

Média seguidas de mesma letra maiuscula na coluna, não diferem entre si pelo teste “t” (p>0,05). ** signifcativo a 1% de probabilidade. * significativo a 5% de probabilidade. ns não significativo.

à testemunha (Tabela 5). Para a dose de 840 e.a./ha observou-se que houve redução da massa seca em relação à testemunha, porém na

avaliação visual de fitotoxicidade o controle não foi satisfatório (47,5%),

o que demonstra uma paralisação do crescimento da planta.

CONCLUSÕES

As plantas apresentaram alterações nas trocas gasosas após 48h da aplicação de glyphosate, indiferentemente das doses aplicadas. As doses de 1680 e 3360 g e.a.ha -1 apresentaram os maiores níveis de controle (acima de 85%).

CONTRIBUIÇÃO PRÁTICA E CIENTÍFICA DO TRABALHO

O trabalho mostrou que o uso do equipamento portatil IRGA Li-6400 da Li-cor é uma ótima ferramenta para análise da resposta das trocas gasosas de plantas daninha, pois permite verificar o efeito do herbicida antes do aparecimento dos sintomas visíveis.

22

REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

BUKOVAC, M.J. & PETRACEK, P.D. 1993. Characterizing pesticide and

surfactant penetration with isolated plant cuticles. Pesticide Science 37:179-

194.

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

EFICIÊNCIA AGRONÔMICA DO HERBICIDA GLYPHOSATE ISOLADO E EM MISTURA COM OUTROS HERBICIDAS NO CONTROLE DE QUATRO ESPÉCIES DE CORDA-DE-VIOLA

Ana Carolina Ribeiro Dias (ESALQ-USP / acrdias@esalq.usp.br), Tadashi Yotsumoto (BASF SA) , Vanessa C. B. Cardinali (ESALQ-USP), Marcelo Nicolai (ESALQ-USP), Pedro J. Christoffoleti (ESALQ-USP)

RESUMO - As cordas-de-viola estão entre as plantas daninhas de maior importância agricola e demaior dificuldade no controle pelo herbicida glyphosate. Dessa forma foi confeccionado um ensaio para

avaliação da eficácia do glyphosate isolado e em mistura para o controle de quatro espécies de corda-de-viola (I.triloba (IAOTR), I. purpurea (PHBPU), I. nil (IPONI) e I. quamoclit (IPOQU)). As parcelas experimentais constaram de vasos com capacidade para 1,5 L, preenchidos com substrato comercial. Os herbicidas testados em g i.a. -1 , foram: BAS 800UFH (24), BAS 800UFH (48), BAS 800UFH + glyphosate (24 + 720), glyphosate (720), glyphosate (1080), flumioxazin

+ glyphosate (25 + 720), Carfentrazone-Ethyl + Glyphosate (20 + 720),

2,4D + Glyphosate (720 + 720), (Glyphosate + imazathapyr) + glyphosate (623 + 186), além da testemunha. O delineamento experimental adotado foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições. As avaliações de controle foram realizadas aos 7, 14, 28 e 35 DAA, sendo utilizadas notas visuais de porcentagem de controle. Os resultados obtidos mostraram que a adição destes herbicidas a calda do glyphosate contribuiu para o controle das espécies de corda-de-viola. Ainda, o herbicida BAS 800UFH também foi viável aplicado sozinho.

Palavras-chave: glyphosate, Ipomoea spp., eficiência, BAS 800UFH

INTRODUÇÂO

Constantin & Oliveira (2005) comentam que a busca por produtividade e o fator econômico na produção de grandes culturas esbarra na interferência das plantas daninhas, as quais tendem a aumentar o custo de produção, reduzir as margens de lucro e diminuir

a qualidade do produto colhido. O manejo das plantas daninhas na cultura da soja pode minimizar os efeitos da indesejável interferência revelando-se importante, não só para obtenção de maiores rendimentos por unidade de área (Velini, 1997; Pitelli, 1985), como também para a redução dos gastos com insumos e do custo de produção. Para Melo Filho et al., 1996, o manejo dessas plantas possa ser efetuado por diversos métodos, porém, em culturas de médias e grandes propriedades, o controle químico vem sendo amplamente adotado, não só devido ao espaçamento de plantio, que dificulta o uso de máquinas, mas, principalmente, em função da grande oferta de herbicidas, da economia de mão-de-obra e da rapidez da operação (Burnside, 1992). Karam et al. (1993), estudando o efeito de diferentes densidades de algumas plantas daninhas sobre a cultura da soja, observaram que 8,5 plantas por m 2 de Ipomoea grandifolia O’Donnel reduziram o rendimento da cultivar Invicta (60 plantas por m2) em 5%. Em estudo similar Karam et al. (1994) verificou queda no rendimento da cultivar BR-29 devido à interferência de Ipomoea grandifolia, observando uma redução de aproximadamente 6,6 kg ha-1 a cada 1,0 g de biomassa seca acumulada por essa espécie por m2.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

Dentre as várias plantas daninhas que provocam danos para

a cultura da soja destacam-se as cordas-de-viola (Ipomoea spp). A

corda-de-viola e sua incidência e densidade têm aumentado substancialmente nos últimos anos, reduzindo a produtividade e prejudicando a colheita da soja. Lacerda & Victoria Filho avaliaram a eficácia do herbicida glyphosate, por meio do produto comercial Roundup Ready, sobre as espécies de plantas daninhas trapoeraba (Commelina benghalensis) e corda-de-viola (Ipomoea grandifolia) em dois estádios de desenvolvimento das ervas, observando que o efeito deste herbicida aplicado isolado sobre as espécies citadas é lento e que o aumento de doses é o condicionador de notas de controle mais eficientes. Para Christoffoleti et al. (2006) a planta daninha corda-de- viola apresenta comportamento diferencial entre as espécies quanto à tolerância ou suscetibilidade a determinados herbicidas, como o carfentrazone, por exemplo. A espécie Ipomoea grandifolia, quando avaliada quanto à possibilidade de dessecação por glyphosate, em aplicações única e seqüências apresentou baixa eficiência quando a dose do herbicida citado ficou abaixo de 1080 g de equivalente acido por hectare, independentemente da forma de aplicação.Ainda, o controle por canfentrazone apresentou-se como melhor opção (Carvalho et al.,

2004).

A associação de outros herbicidas na calda do glyphosate é

uma estratégia valida de manejo, como aponta Albert et al. (2004) em seu ensaio que avaliou o controle do glyphosate associado a outros herbicidas sobre a planta daninha erva-quente (Spermacoce latifolia). Neste, a adição dos herbicidas lactofen, carfentrazone e flumioxazin foram os que trouxeram os melhores benefícios para o controle da erva citada.

Neste sentido, o presente experimento teve por objetivo avaliar

a eficácia do herbicida glyphosate aplicado, de forma isolada e em

mistura com outros herbicidas, para o controle de quatro espécies de corda-de-viola.

MATERIAIS E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em casa de vegetação na Estação

Experimental Agrícola da empresa BASF S.A., localizada no município de Santo Antônio de Posse, SP. O delineamento experimental adotado foi do tipo blocos ao acaso, com de quatro repetições e 10 tratamentos, totalizando 40 parcelas. As parcelas experimentais constaram de vasos com capacidade para 1,5 L, preenchidos com substrato comercial. O substrato foi devidamente adubado na proporção de 200 g da formulação comercial 10-10-10 (N-P-K) por pacote de substrato de 25 kg. Esta proporção resultou em 4 g de fertilizante por parcela. A aplicação dos tratamentos foi realizada em pós- emergência quando as plantas apresentaram no estádio 13-14, sendo utilizadas as espécies I.triloba (IAOTR ), I. purpúrea (PHBPU), I. nil (IPONI) e I. quamoclit (IPOQU).

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Para a aplicação utilizou-se um pulverizador costal pressurizado com ar comprimido e uma barra com 6 bicos do tipo leque 80.01 com espaçamento de 33 cm entre bicos, calibrado para um volume de calda de 150 L.ha -1 . Para a aplicação os vasos de cada tratamento e suas repetições foram dispostos em uma parcela de 10 m 2 (5 x 2 m) fora da casa-de-vegetação, sendo transportados para a mesma no dia seguinte.

As notas de controle, para avaliação da eficácia, aos 7, 14, 21 e 28 DAA (Dias Após Aplicação), foram baseadas na escala da Asociation.- ALAM (1974), com controles extremos de 0 (ausência de controle) e 100% (controle absoluto). Os dados de controle, aos 7, 14, 21 e 28 dias após a aplicação dos tratamentos herbicidas (DAA) obtidos, foram submetidos à análise de variância, seguido da aplicação do teste de Tukey a 5%.

Tabela 1. Tratamentos herbicidas utilizados no experimento. Sto Antônio de Posse, 2007.

*Adição de Dash a 0,25% v/v; 1 - ingrediente ativo.
*Adição de Dash a 0,25% v/v; 1 - ingrediente ativo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os tratamentos com glyphosate nas doses de 720 e 1080 g e.a. ha -1 apresentaram controle considerado muito bom aos 14 DAA (acima de 80%), mas foi observado durante as últimas avaliações que as plantas de corda-de-viola apresentavam grande potencial de recuperação. As misturas de glyphosate com BAS 800UFH,

carfentrazone-ethyl, flumioxazin e 2,4-D apresentaram um controle considerado excelente. O BAS 800UFH apresentou um ótimo controle mesmo na menor dose testada. Para Lacerda & Victoria Filho (2004), que testaram o herbicida glyphosate observou um controle acima de 90% com a dose de 1.440 g e.a. ha -1 para Ipomoea grandifolia, os resultados dos tratamentos com glyphosate estão dentro do normal.

Tabela 2. Resultados de controle de quatro espécies de corda-de-viola aos 14 DAA. 2007.

de quatro espécies de corda-de-viola aos 14 DAA. 2007. Médias seguidas por letras iguais na coluna,

Médias seguidas por letras iguais na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey com 5% de significância. (1) IAOTR (I.triloba), (2) PHBPU (I. purpúrea), (3) IPONI (I. nil), (4) IPOQU (I. quamoclit).

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

Tabela 3. Resultados de controle de quatro espécies de corda-de-viola aos 28 DAA. 2007.

de quatro espécies de corda-de-viola aos 28 DAA. 2007. Médias seguidas por letras iguais na coluna,

Médias seguidas por letras iguais na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey com 5% de significância. (1) IAOTR (I.triloba), (2) PHBPU (I. purpúrea), (3) IPONI (I. nil), (4) IPOQU (I. quamoclit).

Tabela 4. Resultados de controle de quatro espécies de corda-de-viola aos 35 DAA. 2007.

de quatro espécies de corda-de-viola aos 35 DAA. 2007. Médias seguidas por letras iguais, maiúsculas na

Médias seguidas por letras iguais, maiúsculas na coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey com 5% de significância. (1) IAOTR (I. triloba), (2) PHBPU (I. purpúrea), (3) IPONI (I. nil), (4) IPOQU (I. quamoclit).

CONCLUSÂO

Pelos resultados obtidos, o herbicida BAS 800UFH apresentou uma alta eficácia no controle de espécies de Ipomoea spp., obtendo um controle superior a 95% na menor dose analisada. Todas as misturas testadas apresentaram uma ótima alternativa de associação ao glyphosate no controle das quatro espécies de corda-de-viola testadas. Não houve diferenças entre os controles apresentados pelas diferentes espécies de plantas daninhas trepadeiras testadas (Ipomoea

triloba, Ipomoea purpúrea, Ipomoea nil e Ipomoea quamoclit), quanto ao herbicida BAS 800UFH.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

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Resumos

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

TOLERÂNCIA DIFERENCIAL DO TIFTON 85 AO GLYPHOSATE EM DIFERENTES ÉPOCAS DE APLICAÇÃO 1

Márcia Vitória Santos (UFV, marciavitori@hotmail.com), Francisco Cláudio Lopes de Freitas (UFERSA), Francisco Affonso Ferreira (UFV), Leonardo David Tuffi Santos (UFV), Fabia Giovana do Val de Assis (UFV), Délcio César Cordeiro Rocha (UFV), Leandro Valente Andrade (UFV)

RESUMO - O Tifton 85 (Cynodon spp.) é uma forrageira de alto valor nutritivo recomendada para pastejo, fenação e silagem. Entretanto, em alguns casos essa espécie pode se tornar uma importante planta daninha dada a sua fácil propagação, rápido desenvolvimento e difícil controle, tornando-se problema em áreas de cultivos agrícolas e produção de sementes de outras forrageiras. Com intuito de avaliar a eficiência do glyphosate no controle de Tifton 85 em duas épocas do ano (inverno e final do verão) foi realizado um experimento em vasos de polietileno, com capacidade de 10L. Nas duas épocas de aplicação foram testadas as doses de 270; 540; 1.080; 2.160; 3.240; 4.320; e 5.400 g ha -1 de glyphosate e comparadas com a testemunha sem herbicida. O nível de controle das plantas foram avaliadas visualmente aos 15, 30, e 60 dias após aplicação. Observou-se intoxicação superior a 90% para primeira e segunda época de aplicação, respectivamente, a partir de 2.636,72 e 3.607,03 g ha -1 de glyphosate. Os resultados evidenciam alta tolerância do Tifton 85 ao glyphosate e controle mais eficiente quando da aplicação do glyphosate em épocas mais frias do ano (inverno), quando em comparação as plantas expostas ao herbicida no verão.

Palavras-chave: Cynodon spp., planta daninha, pastagem

INTRODUÇÃO

A cultivar Tifton 85 é uma forrageira recomendada para pastejo,

fenação e silagem, com boa aceitabilidade por bovinos, bubalinos, eqüídeos, ovinos e caprinos. Embora seja considerada uma forrageira de alta qualidade e valor nutritivo, por apresentar alto teor de proteína, alta digestibilidade da matéria seca, além de bom potencial produtivo (Pedreira, 1996) é uma espécie que pode vir a ser problemática, principalmente em áreas de cultivos agrícolas e produção de sementes de forrageiras de outra espécie, devido a sua fácil propagação, rápido

desenvolvimento e difícil controle.

Alguns trabalhos reportam problemas causados por plantas do gênero Cynodon em culturas agronômicas, como pomares de citros (Martini et al., 2002), cana-de-açucar (Richard Jr., 1997), batata e soja (Bedmar, 1997).

O glyphosate é um herbicida recomendado para o manejo de plantas

daninhas monocotiledôneas e dicotiledôneas, sendo utilizado em várias culturas agronômicas e também no controle de forrageiras indesejáveis em áreas de pastagens. Embora o glyphosate seja um herbicida sistêmico, registrado como não seletivo, alguns estudos relatam a maior tolerância do Tifton 85 a esse herbicida, quando em comparação a outras forrageiras, como as do gênero Brachiaria (Santos et al, 2006, 2007). Desta forma, esse experimento foi proposto com o objetivo de avaliar a tolerância das plantas de Tifton 85, quando submetidas a elevadas doses do glyphosate.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

MATERIAIS E MÉTODOS

O ensaio foi conduzido a campo, em vasos de polietileno, no

campus da Universidade Federal de Viçosa, Viçosa-MG, localizada a 20° 45’ de latitude sul, 46° 51’ de longitude oeste e 689 metros de altitude. O delineamento experimental foi em blocos casualizados, no esquema fatorial 2 x 8, sendo duas épocas de aplicação (inverno e verão), e oito doses de glyphosate: 0 (testemunha); 270; 540; 1.080; 2.160; 3.240; 4.320; e 5.400 g ha -1 , o que equivale a: 0; 0,750; 1,5; 3,0;

6,0; 9,0; 12,0; e 15,0 L ha -1 do e.a., com quatro repetições. O Produto comercial utilizado foi o Roundup original na concentração de 360 g L -1 de glyphosate. Cada parcela foi constituída de um vaso de fundo perfurado com duas plantas de Tifton 85, contendo 10 L de solo (Oxissolo/LVA), previamente adubado com 5 kg de super fosfato simples por m 3 de solo.

A cada 14 dias foram efetuadas adubações em cobertura com 2g da

fórmula N-P-K (20-05-20) por vaso.

O plantio do Tifton 85 foi realizado por meio de propagação

vegetativa, a partir de mudas uniformes extraídas no campo e transplantadas nos vasos. As plantas daninhas que ocorreram nas parcelas foram eliminadas manualmente, a fim de observar o efeito dos tratamentos apenas na espécie forrageira. A aplicação do glyphosate foi realizada em 17/06 (primeira época) e em 08/03 (segunda época), quando as plantas de Tifton 85 apresentavam cerca de 40 cm de altura, utilizando um pulverizador costal, munido com barra de dois bicos de jato plano (“leque”) XR11002, espaçados entre si de 0,5 m, à pressão constante (mantida pelo CO 2 comprimido), proporcionando volume de calda aplicado equivalente a 250 L ha -1 . Durante a aplicação manteve- se a altura da barra a 50 cm do alvo e a pressão constante de 180 kPa. Para cada época avaliou-se o controle das plantas de Tifton 85 aos 15, 30, e 60 dias após aplicação (DAA), por meio de observações

visuais, utilizando-se a escala de 0 a 100, sendo 0 ausência de controle

e 100 controle total da espécie. Aos 60 DAA as plantas foram cortadas

ao nível do solo e secas em estufa de renovação forçada de ar por 70

± 3 °C, até peso constante. Após o corte os vasos continuaram sendo

irrigados e adubados, para verificar a possível rebrota das plantas. Aos 60 dias após o corte (DAC) as plantas rebrotadas foram cortadas e secas em estufa, com os mesmos procedimentos descritos anteriormente. Com base na biomassa seca, foi determinada a tolerância do Tifton 85, para as diferentes doses aplicadas e épocas analisadas. Os resultados obtidos foram submetidos às análises de variância,

onde, os efeitos das doses, época de aplicação e a interação entre os

fatores dose e época foram analisados pelo teste F a 5% de probabilidade.

A interação entre os fatores estudados foi realizado o desdobramento

das doses dentro de cada período de avaliação por meio de análise de regressão.

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RESULTADOS E DISCUSSÃO

O controle de Tifton 85 realizado na época do inverno apresentou níveis superiores a 90 % quando da aplicação de doses de glyphosate superiores a 3.839,06 g ha 1 aos 30 DAA e de 2.636,72 g ha 1 aos 60 DAA (Fig. 1). Para a segunda época de aplicação, realizada no verão, níveis de intoxicação superiores a 90% foram verificados a partir da dose de 4.366,41 g ha 1 aos 30 DAA e 3.607,03 g ha 1 aos 60 DAA (Fig. 2). Esses resultados demonstram a elevada tolerância do Tifton 85 ao glyphosate, sendo esta maior quando da realização do controle com glyphosate na época mais quente do ano (final do verão). Isso pode ser explicado pela maior quantidade de reserva nos rizomas e as condições mais adequadas a essa espécie forrageira nesta época do ano (Santos et al., 2006), o que possibilitaria a recuperação das plantas, fato não observado quando da realização do controle no inverno. Os valores de massa seca variaram entre as diferentes doses testadas (P<0,05), aos 60 DAA e na rebrota aos 60 DAC, sendo as médias e suas comparações apresentadas na Tabela 1. Na Tabela 1, aos 60 DAA e 60 DAC, houve redução na produção

v 15DAA = 32,05/(1+exp(-(x-987,03)/286,55); (R 2 =0,98) v 30DAA = 95,99/(1+exp(-(x-1808,36)/747,03)); (R 2 =0,99) v
v 15DAA = 32,05/(1+exp(-(x-987,03)/286,55); (R 2 =0,98)
v
30DAA = 95,99/(1+exp(-(x-1808,36)/747,03)); (R 2 =0,99)
v
60DAA = 97,90/(1+exp(-(x-1465,82)/477,05)); (R 2 =0,99)

Figura 1 - Porcentagem de controle das plantas de Cynodon spp. (Tifton 85) aos 15, 30 e 60 dias após a aplicação (DAA), em função da aplicação de glyphosate na época do inverno.

de massa seca de Tifton 85 com o aumento das doses do herbicida aplicado, quando comparado à testemunha. Quando a aplicação foi realizada no inverno (primeira época), observou-se aos 60 DAA, redução de 93% na produção de massa de forragem das plantas submetidas à dose de 2.160 g ha 1 quando em comparação a testemunha (sem aplicação), e ausência de produção forrageira e rebrota a partir de 3.240 g ha 1 de glyphosate. Já em relação à aplicação no final de verão (segunda época), observou-se aos 60 DAA, uma queda de apenas 14% na produção de massa de forragem na dose de 2.160 g ha 1 e de 85% para as plantas submetidas à dose de 4.320 g ha 1 quando em comparação a testemunha (sem aplicação), e ausência de produção de massa seca e rebrota das plantas de Tifton 85 na dose de 5.400 g ha 1 de glyphosate. Embora a intoxicação de Tifton 85, em plantas submetidas ao glyphosate no verão fosse superior a 90 % a partir das doses de 3.607,03 g ha 1 aos 60 DAA (Fig. 2), observou-se aos 60 DAC, que apenas plantas expostas a 5.400 g ha 1 de glyphosate não apresentaram rebrota (Tab. 1). Esses resultados indicam que mesmo com uso de altas doses no controle de Tifton 85 na época do verão é provável que haja rebrota das plantas e, consecutivamente, necessidade de nova intervenção.

e, consecutivamente, necessidade de nova intervenção. Figura 2 - Porcentagem de controle das plantas de Cynodon

Figura 2 - Porcentagem de controle das plantas de Cynodon spp. (Tifton 85) aos 15, 30 e 60 dias após a aplicação (DAA), em função da aplicação de glyphosate na época do verão.

Tabela 1 - Valores médios de massa seca de plantas de Tifton 85, submetidas às doses de glyphosate em duas épocas do ano (inverno e verão), aos 60 dias após aplicação (DAA) e na rebrota aos 60 dias após o corte (DAC)

(DAA) e na rebrota aos 60 dias após o corte (DAC) Médias seguidas pelas mesmas letras

Médias seguidas pelas mesmas letras na coluna não diferem entre si pelo Teste de Duncan a 5% de probabilidade.

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I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

CONCLUSÕES

O Tifton 85 apresenta alta tolerância ao glyphosate. Nas épocas frias do ano (inverno) o Tifton 85 é mais sensível ao glyphosate, necessitando da aplicação da dose de 2.636,72 g ha 1 de glyphosate para o eficiente controle, enquanto que plantas expostas ao herbicida no verão necessitam de 3.607,03 g ha 1 para serem controladas.

CONTRIBUIÇÃO PRÁTICA E CIENTÍFICA DO TRABALHO

O trabalho comprova a diferença de tolerância do Tifton 85 (Cynodon spp.) ao glyphosate, em função de duas épocas do ano, indicando que maiores doses são necessárias quando da realização do controle na época do verão, fase mais favorável para essa espécie, em comparação ao inverno. Além disso, comprova a grande tolerância do Tifton 85 a este herbicida, cujas causas devem ser melhor investigadas.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

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* Órgão financiador - CAPES

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CONTROLE QUÍMICO DE Brachiaria subquadripara COM GLYPHOSATE E IMAZAPYR

Paulo César Timossi (NEPEAM-UNESP / ptimossi2004@yahoo.com.br), Robinson Antonio Pitelli (NEPEAM-UNESP), Daniel José Duarte (NEPEAM-UNESP)

RESUMO - Brachiaria subquadripara (= Brachiaria arrecta) constitui uma das mais importantes entre as plantas exóticas invasoras de ambientes aquáticos no Brasil e já é considerada uma ameaça à biodiversidade das áreas litorâneas de rios e de ambientes lênticos. Com o presente trabalho objetivou-se avaliar a eficácia do glyphosate

nas doses 1,44; 2,16 e 2,88 kg ha -1 e do imazapyr nas doses 0,50; 1,00

e 1,50 kg ha -1 , no controle desta macrófita aquática. Para tanto, foram transplantados cinco fragmentos de caule de B. subquadripara por vaso

e conduzidos até a formação necessária para o fechamento total da área do vaso (ao redor de 60 dias). Os vasos foram mantidos dentro de caixas de amianto de 0,6x0,6x0,3m com 1/3 de seu volume com água.

O delineamento experimental adotado foi o de blocos ao acaso, com seis

tratamentos e quatro repetições. Cada unidade experimental foi constituída por um vaso com capacidade para cinco litros. A aplicação dos herbicidas foi efetuada com pulverizador costal manual, à pressão constante de 28 lbf pol -2 , mantida por CO 2 comprimido. O aparelho era munido de barra com dois bicos e pontas DG11002 proporcionando consumo de calda equivalente a 200L ha -1 . As avaliações foram visuais adotando-se escala percentual de 0 a 100, realizada aos 10, 20, 30 e 50 dias após a aplicação (DAA) dos herbicidas. Ao final das avaliações (50 DAA), o controle da B. subquadripara foi adequado com os dois herbicidas em todas as doses testadas. Para futuros programas de presenvação ambiental estes produtos se apresentam como alternativa de erradicação

para esta planta daninha, exótica aos ecossistemas brasileiros.

Palavras-chave: Tanner-grass, braquiária-do-brejo, herbicidas; controle.

INTRODUÇÃO

Brachiaria subquadripara (=Brachiaria arrecta), planta da família Poaceae, é originária da África Central e foi introduzida no Brasil com o objetivo de proporcionar forragem para o gado em áreas muito úmidas. Trata-se uma gramínea perene e estolonífera que se reproduz facilmente por meios vegetativos, a partir de estolões e seus fragmentos que são formados em abundância; e tem reduzida reprodução seminífera (Lorenzi, 1991; Kissmann, 1997; Roche et al., 1990). \ Essa espécie é conhecida popularmente no Brasil por “tanner- grass” e constitui importante planta exótica invasora, colonizando agressivamente margens de rios, riachos, lagos e reservatórios, substituindo a flora nativa e constituindo um fator de redução da biodiversidade local, além de proporcionar diversas interferências negativas aos usos múltiplos da água e dos corpos hídricos (Pitelli (1998

e Tanaka, 1998). Ademais, esta planta constitui importante invasora da

cultura do arroz irrigado por inundação e, também, em canais de irrigação

e drenagem (Kissmann, 1997).Aocorrência desta planta está relacionada

à elevada perda de água por transpiração, além de reduzir a velocidade da água nos canais, aumentando a sedimentação de partículas e encarecendo a manutenção destes (Oliveira Jr. & Constantin, 2001). Uma das preocupações atuais é conter o avanço desta planta exótica sobre importantes ecossistemas como o Pantanal Mato-

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Grossense, para tanto, várias modalidades de controle devem ser testadas. Dentre as modalidades existentes, o controle químico é bastante eficaz, tem suas vantagens, desvantagens, aplicações e limitações, os quais devem constitiuir parâmetros num estudo de Avaliação Risco / Benefício. Segundo Martins et al., (2002), o uso de alguns herbicidas é uma excelente alternativa de manejo, promovendo resultados rápidos de controle, além de manter a população de plantas daninhas em níveis satisfatórios, sem prejuízos para o uso da água. No Brasil, apesar do conhecimento dos danos causados por esta macrófita, são escassos os trabalhos visando o seu

controle Assim, o objetivo do ensaio foi avaliar a eficácia de glyphosate

e do imazapyr já registrado em outros países para uso em ambiente

aquático no controle de B.subquadripara e, com isso, fornecer subsídios para futuros programas de manejo desta planta.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi conduzido entre outubro e dezembro de 2006,

no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais em Matologia (Nepeam)

da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Unesp, Jaboticabal.

O delineamento experimental adotado foi o de blocos ao acaso,

com seis tratamentos e quatro repetições. Cada parcela foi constituída por um vaso com capacidade para cinco litros de solo, preenchido com Latossolo Vermelho Escuro misturado à areia e torta de filtro de cana- de-açúcar, na proporção 2:1:1. Cinco fragmentos de caule de B. subquadripara foram transplantados por vaso e conduzidos até o fechamento total da área do vaso (ao redor de 60 dias). Para isso, foi necessário realizar a poda drástica da cobertura vegetal por três vezes. Procurando simular o ambiente úmido de várzeas e rios, os vasos foram mantidos dentro de caixas de amianto de 0,6 x 0,6 x 0,3 m com 1/3 de seu volume com

água. Sempre que havia necessidade o nível da água era reposto. No momento da aplicação dos herbicidas a cobertura vegetal de “tanner-grass” estava viçosa e cobrindo totalmente a superfície do vaso. Em cada vaso havia a presença de estolões de até 0,30m de comprimento. Um dia após a aplicação dos herbicidas, os vasos foram colocados novamente nas caixas de amianto e mantidos sobre as mesmas condições anteriores à aplicação.

A aplicação dos herbicidas foi efetuada com pulverizador costal

manual, mantido à pressão constante de 28 lbf pol -2 (CO 2 comprimido) e provido de barra com dois bicos e pontas DG11002, proporcionando consumo de calda equivalente a 200L ha -1 . As condições climáticas por

ocasião da aplicação, realizada entre 10:00h e 11:00h, foram: temperatura do ar: 26,4ºC e umidade relativa do ar 55%. As doses utilizadas de cada produto são apresentadas na Tabela 1. As avaliações de controle foram realizadas aos 10, 20, 30 e 50 dias após a aplicação (DAA) dos herbicidas, adotando-se escala percentual de 0 a 100, onde 0 significa nenhum controle e 100 significa controle total da B. subquadripara. Os dados obtidos foram submetidos

à análise de variância e para a comparação das médias, ao teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O controle de B. subquadripara foi mais rápido sob ação do glyphosate quando comparado com a ação do imazapyr, mas o

controle final foi similar para ambos os herbicidas. Na Tabela 02 são apresentados os resultados das médias da porcentagem de controle do “tanner-grass”, para as respectivas épocas de avaliação.

Tabela 1. Herbicidas e respectivas doses que constituíram os tratamentos experimentais para o controle de B. subquadripara , Jaboticabal-SP, 2006.

1- Rounduo WG® e 2- Contain(2)
1- Rounduo WG® e 2- Contain(2)

Tabela 2. Avaliação visual das médias da porcentagem de controle de B. subquadripara em diferentes épocas após a aplicação dos herbicidas.

* Dose expressa em ingrediente ativo.
* Dose expressa em ingrediente ativo.

Aos 10 DAA, os sintomas proporcionados pelo glyphosate foram bastante visíveis em todas as dosagens estudadas, proporcionando excelentes avaliações de controle. Estes altos percentuais de controle observados nas avaliações dos tratamentos com glyphosate foram mantidas até o final do período experimental A ação do imazapyr foi mais lenta. Aos 20 DAA, os níveis de controle proporcionados pela imizadolinona foi insatisfatório e não diferiram entre si, e foram significativamente inferiores aos proporcionados pelo glyphosate. Aos 30 DAA, o controle proporcionado pelo imazapyr aumentou para um nível satisfatório, embora, continuasse estatisticamente inferior ao proporcionado pelo glyphosate. As parcelas com imazapyr, embora houvesse algum tecido vivo nas plantas, a aparência era avermelhada e em processo de necrosamento. Na última avaliação (50 DAA), não houve diferença significativa entre os tratamentos e doses utilizadas para os dois herbicidas. Pela aparência, as plantas submetidas à ação do

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imazapyr não evidenciavam qualquer tendência de recuperação. No geral, o controle de B. subquadripara foi eficaz com ambos os herbicidas e em todas as doses utilizadas. A menor dose ministrada de ambos os herbicidas já foram suficientes para manter a espécie em um bom nível de controle. Em pesquisa posterior será interessante o teste de doses menores.

CONCLUSÕES

Para as condições de condução do presente ensaio, em termos de doses, formulações, épocas de aplicação e de avaliação foi possível concluir, que (i) ambos os herbicidas foram eficazes no controle de Brachiaria subquadripara, sem diferença entre as doses testadas e que (ii) a velocidade de controle proporcionado pelo glyphosate é maior quando comparada com a do imazapyr, mas o controle final é praticamente o mesmo.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KISSMANN, K. G. Plantas infestantes e nocivas. 2. ed. São Paulo: Basf, 1997. t. 1. 824 p. LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas e medicinais. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 1991. 440 p. MARTINS, D. Controle de plantas daninhas aquáticas. In: WORKSHOP CONTROLE DE PLANTAS AQUÁTICAS, 1998, Brasília. Resumos Brasília: IBAMA, 1998. MARTINS, D. et al. Controle químico de Pistia stratiotes, Eichhornia crassipes

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e Salvinia molesta em caixas d’água. Planta Daninha, v. 20, p. 83-88, 2002. Edição Especial OLIVEIRA JR, R. S.; CONSTANTIN, J. Plantas daninhas e seu manejo. Guaíba: Agropecuária, 2001. 362 p.

PITELLI, R. A. Macrófitas aquáticas no Brasil, na condição de problemáticas. In: WORKSHOP CONTROLE DE PLANTAS AQUÁTICAS, 1998,

Brasília. Resumos

Brasília: IBAMA, 1998. p. 12-15.

TANAKA, R. H. Prejuízos provocados pelas plantas aquáticas. In: WORKSHOP CONTROLE DE PLANTAS AQUÁTICAS, 1998, Brasília. Resumos Brasília: IBAMA, 1998. p.36-38.

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CONTROLE QUÍMICO DE FEIJÃO-DE-RÔLA (Macroptilium lathyroides) COM GLYPHOSATE

Aritana Gil Basile (Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais em Matologia, Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da UNESP, Câmpus de Jaboticabal. E-mail: basile_ag@hotmail.com), Mário Eduardo Ferreira Neto (Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais em Matologia, FCAV/ UNESP), Paulo César Timossi (Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais em Matologia, FCAV/UNESP), Robinson Antonio Pitelli (Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais em Matologia, FCAV/UNESP).

RESUMO - No Pontal do Paranapanema, SP, a pecuária está sendo substituída pela soja e a planta daninha conhecida como feijão-de-rôla (Macroptilium lathyroides) tem se tornando uma invasora importante competindo com a cultura. Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o controle do feijão-de-rôla (M. lathyroides) em condição de dessecação. O experimento foi conduzido com 10 tratamentos em um delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições: glyphosate na formulação Roundup Transorb ® nas doses 2592 e 3240 g.ha -1 ; glyphosate com carfentrazone (Aurora ® ); com paraquat + diuron (Gramocil ® ); com flumyzin (Flumyzin ® ); com adjuvantes (óleo mineral, óleo vegetal, sulfato de amônia e uréia) e uma testemunha. Nas condições de condução do presente experimento considerando as doses utilizadas, formulação, estádio de crescimento da planta daninha, formulação é possível concluir que: (i) o glyphosate nas doses de 2592 e 3240 g.ha - 1 apresentou eficácia de controle do feijão-de-rôla, (ii) a utilização dos herbicidas carfentrazone, Flumyzin, (paraquat + diuron) combinados com o glyphosate e adjuvantes: óleo mineral, óleo vegetal, uréia e sulfato de amônio, não melhoraram o controle de Macroptilium lathyroides proporcionado pelo glyphosate aplicado isoladamente e (iv) o óleo vegetal promoveu redução no desempenho do glyphosate, diminuindo sua eficácia no controle desta planta daninha.

Palavras-chave: Feijão-pombinha; herbicida; adjuvante; planta daninha.

INTRODUÇÃO

As combinações de plantas forrageiras de diferentes espécies têm grande importância na pecuária nacional, pois promovem ganho na produtividade dos rebanhos. Dentre as forrageiras utilizadas em combinação com gramíneas, o feijão-de-rôla (M. lathyroides (L.) urb.), nativa da América Tropical é uma planta anual que chega a medir até um metro de altura, com crescimento indeterminado (Skerman et al. 1988, Ferreira et al. 2004). Suas flores são vermelho- violáceas ou azul-violáceas com propagação por sementes. Além de sua utilização como forragem, esta planta é empregada na adubação verde, pois participa de interação mutualística para fixação de nitrogênio (Lorenzi, 2000). Esta espécie destaca-se pela sua alta capacidade de formação de biomassa, chegando a atingir 13 t ha -1 de matéria seca quando cultivada em condições ideais, pela elevada produção de sementes de pequeno tamanho, podendo ter de 88.000 a 154.000 sementes por quilograma (FAO 2007) e por grande deiscência de vagens maduras. Pouco exigente em fertilidade, esta planta vegeta em locais mal drenados e com pH baixo; tem caráter eurihígrico, colonizando áreas com precipitações pluviais anuais entre 430 e 3000 mm. (Skerman et al. 1988, Ferreira et al. 2004).

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Com a adoção do sistema de integração lavoura-pecuária ou mesmo com a substituição de áreas de pastagens por lavouras, a grande

agressividade das plantas de feijão-de-rôla e o grande número de propágulos presentes no banco de sementes do solo, permite inferir que esta planta pode se tornar uma daninha de grande importância. Na região do Pontal do Paranapanema, SP em áreas onde

a pecuária está sendo substituída pela cultura de soja no sistema plantio direto, o feijão-de-rôla esta se transformando em uma importante planta daninha, competindo com a cultura e dificultando a colheita mecanizada. Na Austrália, o feijão-de-rôla é utilizado como forrageira e raramente é considerado como uma planta daninha. Em situações onde infestam culturas é recomendado a mistura glyphosate

e 2,4-D amina para o seu controle (Tropical Forages, 2007), o que

não pode ser recomendado na aplicação de condução da cultura da soja resistente ao glyphosate no Brasil. Deste modo, este trabalho teve por objetivo avaliar a eficácia de controle do glyphosate na formulação Roundup Transorb ® nas doses 2592 e 3240 g.i.a.ha -1 ; glyphosate com carfentrazone (Aurora ® ); com paraquat + diuron (Gramocil ® ); com flumyzin (Flumyzin ® ); com adjuvantes (óleo mineral, óleo vegetal, sulfato de amônia e uréia) para o feijão-de-rôla

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido ente abril e junho de 2007, no

Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais em Matologia (Nepeam) da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp Jaboticabal. Cada parcela foi composta por vaso de cinco litros preenchido

com a mistura de uma parte de Latossolo Vermelho, uma parte de areia

e uma parte de esterco de curral curtido. Em cada vaso onde foram

alocadas 20 sementes de feijão-de-rôla e, posteriormente, foi realizado

o desbaste deixando três plantas em cada vaso.

O delineamento experimental adotado foi o inteiramente

casualizado com quatro repetições, tendo nove tratamentos e uma testemunha sem aplicação de herbicidas (Tabela 1).

A aplicação dos herbicidas foi realizada no momento em que

as plantas de feijão-de-rôla estavam no estádio reprodutivo com tamanho variando de 30 a 40 cm. A aplicação foi realizada com pulverizador

costal à pressão constante de 2 kgf cm - 2 mantida por CO 2 . O pulverizador era provido de barra com quatro bicos com pontas DG 11002 promovendo um consumo de calda de 200 L.ha -1 . O controle das plantas de feijão-de- rôla foi avaliado visualmente, adotando uma escala percentual de notas de 0 a 100. As avaliações de controle foram realizadas aos 7, 14, 21, 28

e 35 dias após a aplicação (DAA). Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e para a comparação das médias, foi utilizado o teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

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Tabela 1. Herbicidas e doses utilizadas que constituíram os tratamentos experimentais de controle químico de Macroptilium lathyroides.

1- ingrediente ativo e 2- formulação comercial
1- ingrediente ativo e 2- formulação comercial

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados das avaliações de controle estão apresentados na Tabela 2. Aos 7 DAA, o Glyphosate combinado com a formulação de paraquat + diuron apresentou melhor controle do feijão-de-rôla atingindo 97,5% de eficácia diferindo significativamente dos demais tratamentos. Os tratamentos com menor desempenho foram glyphosate combinado com óleo vegetal, com uréia e com sulfato de amônia, respectivamente com valores de 56, 60, 57% de controle. Aos 14 DAA, o tratamento com

glyphosate combinado com a formulação de paraquat + diuron apresentou melhores resultados de controle, porém foi estatisticamente superior apenas aos tratamentos em que o glyphosate foi combinado com óleo vegetal, uréia ou sulfato de amônio. Aos 21 DAA, todos os tratamentos obtiveram controle superior a 90% sem que houvesse diferença significativa entre eles, com exceção dos tratamentos com glyphosate combinado com óleo vegetal ou sulfato de amônio que não tiveram um controle satisfatório 65 e 77%, respectivamente).

Tabela 2. Avaliação visual da porcentagem de controle de feijão-de-rolâ (M. lathyrodes) nas diferentes épocas de avaliação após a aplicação do herbicida.

1 Roundup Transorb ® , 2 Aurora ® , 3 Flumizyn ® , 4 Gramocil
1 Roundup Transorb ® , 2 Aurora ® , 3 Flumizyn ® , 4 Gramocil ® .

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Nos vasos que receberam aplicação de glyphosate mais a combinação de paraquat +diuron, os quais até então apresentavam as

melhores avaliações, aos 28 DAA foi constatada o inicio de rebrotas das plantas, em todas as repetições. Nesta mesma avaliação, os tratamentos que apresentaram as melhores médias de controle foram glyphosate isolado, nas duas doses e glyphosate combinado com uréia, com valores de.97, 99, 98%, respectivamente. Aos 35 DAA o tratamento com glyphosate associado ao óleo mineral foi o tratamento com pior ação de controle, sendo o único que diferiu dos demais, inferindo que esta não é uma boa opção para o controle desta planta daninha. Não foram observadas vantagens nas combinações de outros herbicidas ao glyphosate no controle químico de Macroptilium lathyroides. A formulação Roundup Transorb ® já possui adjuvante em sua formulação e segundo a empresa produtora é o motivo pelo qual ele

e absorvido e translocado mais rapidamente do que os outros produtos

à base de glyphosate. Esse pode ser o motivo pelo qual os adjuvantes adicionados à calda de aplicação não favoreceram e até pioraram a ação deste herbicida no controle do feijão-de-rôla.

CONCLUSÕES

Nas condições de condução do presente experimento considerando as doses utilizadas, formulação, estádio de crescimento da planta daninha, formulação é possível concluir que: (i) o glyphosate nas doses de 2592 e 3240 g.i.a.ha -1 apresentou eficácia de controle do

feijão-de-rôla, (ii) a utilização dos herbicidas carfentrazone, flumyzin, (paraquat + diuron) combinados com o glyphosate e dos adjuvantes:

óleo mineral, óleo vegetal, uréia e sulfato de amônio, não incrementaram

o controle de Macroptilium lathyroides proporcionado pelo glyphosate nas doses de 2592 e 3240 g.i.a.ha -1 .

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FAO. Food and Agriculture Organization of the United Nations. Macroptilium lathyroides (L.) Urban. 2007 <www.fao.org>. acesso: 02/06/2007. FERREIRA, O. G. L., MONKS, P. L., AFFONSO, A. B., ESTEVES, R. M. G. & PEDROSO, C. E. da S. 2004. Estimativa da digestibilidade e ingestão de matéria seca de feijão-dosarrozais (Macroptilium lathyroides). p. 200- 201. In Reunión del Grupo Técnico Regional del Cono Sur en Mejoramiento y Utilización de los Recursos Forrajeros del Área Tropical y Subtropical - Grupo Campos, 20. Salto, Uruguay. 372 p. Memórias.

LORENZI, H. Plantas daninhas do Brasil: terrestres, aquáticas, parasitas, tóxicas. 3.ed. Nova Odessa, SP. Ed. Plantarum, 2000. 608p. POLO, E.A. Produção de sementes de Macroptilium lathyroides (L.) Urb. em função de espaçamentos e épocas de colheita. Pelotas, 2000. 73p. Dissertação (Mestrado em Zootecnia – Pastagens) - Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel”, Universidade Federal de Pelotas. POPINIGIS, F. Fisiologia de sementes. Brasília: AGIPLAN, Ministério da Agricultura, 1977.

289p.

SKERMAN, P. J., CAMERON, D. G. & RIVEROS, F. 1988. Tropical forage legumes. The pasture legumes. Second edition revised and expanded.

Food and agriculture organization of the United Nations – ONU, Rome. 692

p.

TROPICAL FORAGES An interactive selection tool. Macroptilium lathyroides (L.) Urban. 2007 <http://www.tropicalforages.info/index.htm>. acesso: 20/

06/2007.

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EFICÁCIA COMPARATIVA DE DUAS FORMULAÇÕES DE GLYPHOSATE NO CONTROLE DE Brachiaria Brizantha

Paulo César Timossi (NEPEAM-UNESP Jaboticabal / ptimossi2004@yahoo.com.br), Gilson José Leite (Depto Fitossanidade-UNESP Jaboticabal), Aritana Gil Basile (NEPEAM-UNESP Jaboticabal).

RESUMO - Chuvas logo após a aplicação de herbicidas de manejo levam à lixiviação, diminuindo sua eficácia. Empresas têm buscado desenvolver herbicidas com absorção rápida pelas plantas. No entanto, é necessário pesquisar a eficácia das novas formulações em condições semelhantes. No ensaio objetivou-se comparar glyphosate na marca comercial Roundup Original ® e Roundap Transorb ® , na ausência de chuvas, no controle de Brachiaria brizantha, nas dosagens 0,96; 1,44 e 1,92 kg e.a.ha -1 . As plantas estavam em estádio vegetativo com massa seca ao redor de 14 t ha -

1 . A aplicação dos herbicidas foi efetuada com pulverizador costal, à pressão constante de 35 lbf pol -2 , munido de barra com quatro bicos

e pontas XR 11002 com consumo de calda equivalente a 200 L ha -

1 . O controle da cobertura vegetal foi avaliada visualmente adotando- se a escala percentual de 0 a 100. As avaliações foram realizadas aos 10, 20, 30 e 45 dias após a aplicação. Concluiu-se que, na ausência de chuvas, o glyphosate, em ambas as formulações, apresentou a mesma eficácia no controle da B. brizantha. A dosagem de 0,96 kg e.a.ha -1 , em ambas as formulações, foi insuficiente para controlar a cobertura vegetal, possibilitando rebrotes das plantas.

Palavras-chave: forrageiras; glyphosate; cobertura vegetal.

INTRODUÇÃO

O manejo de plantas de cobertura, no sistema plantio direto,

é feito na maioria das vezes pelo método de controle químico. A

molécula herbicida mais utilizada nesse manejo é o glyphosate,

apresentando ótima eficácia quando aplicado em plantas de cobertura. Nos últimos anos, com a viabilidade da integração lavoura- pecuária, espécies do gênero Brachiaria estão sendo utilizadas para

a formação de palha, tão necessária para uma implantação adequada

do sistema. Segundo Kluthcouski, et al. (2003), para a formação de palhada, para plantio direto, deve-se manter a forrageira com altura em torno de 40 – 50 cm. No momento da dessecação é preferível que as plantas do capim-braquiária tenham o máximo possível de folhas novas para a melhor ação dos herbicidas, que, segundo os autores, podem ser o glyphosate ou sulfosate na dosagem de 3 a 5

L ha -1 .

O glyphosate, em sua primeira versão, é recomendado

para que ocorra absorção eficiente pelas plantas, no mínimo seis horas sem chuvas após a aplicação. Vários trabalhos mostram que há necessidade de pelo menos quatro horas sem chuvas para que não ocorra diminuição da sua eficácia (Pedrinho Júnior et al., 2002; Martini et al. 2003). No decorrer das décadas houve a necessidade de buscar alternativa visando diminuir o período necessário para a absorção desta molécula, diante de situações em que a ocorrência de chuvas

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é freqüente, causando perdas de aplicações de herbicidas. Na década de 90 foi lançada uma fórmula menos dependente em relação à precipitação pluviométrica. Neste caso, boa parte da molécula herbicida é absorvida em até duas horas, diminuindo a probabilidade de perda de aplicação devida á ocorrência de chuvas, uma vez que o manejo da forrageira é realizado no início da estação chuvosa. Embora tenha sido mantida a mesma molécula herbicida, esta diminuição no tempo de absorção foi devido à mudança no tipo de adjuvante, possibilitando além de absorção mais rápida, uma maior translocação nas plantas. No entanto, coube-nos pesquisar em condições semelhantes, ou seja, na ausência de chuvas por um período de pelo menos 24 horas, na mesma concentração do equivalente ácido do herbicida, a eficácia de ambas as fórmulas, visando caracterizar alguma vantagem da nova formulação além da absorção mais rápida da molécula.

MATERIAL E MÉTODOS

O ensaio foi conduzido de janeiro á fevereiro de 2006 em

área de plantio direto pertencente à Faculdade de Ciências Agrárias

e Veterinárias, Unesp-Jaboticabal.

O delineamento experimental adotado foi o de blocos ao

acaso, com seis tratamentos e quatro repetições. As parcelas foram de 4 x 7 m, totalizando uma área útil de 28 m 2 .

A área experimental apresentava comunidade vegetal pura,

ou seja, 100% de cobertura vegetal composto apenas por Brachiaria brizantha, com massa vegetal seca ao redor de 14 t ha -1 e 0,8m de altura.

A aplicação dos herbicidas foi efetuada com pulverizador

costal manual, à pressão constante (mantida por CO 2 comprimido)

de 35 lbf pol -2 , munido de barra com quatro bicos e pontas XR 11002 com consumo de calda equivalente a 200 L ha -1 . As condições climáticas obtidas no momento da aplicação, realizada entre 8h e 8h

e 40min, em 22 de dezembro de 2005, foram: Temperatura do ar

(24,8 ºC), Umidade Relativa (86%) e 100% de cobertura do céu

por nuvens e ausência de ventos. O solo apresentava-se úmido à superfície no momento da aplicação.

A recomendação do glyphosate para dessecação de B.

Brizantha de Rodrigues & Almeida (2005) consiste na utilização de 1,5 a 2,0 L p.c. ha -1 tanto do Roundup Original ® quanto do Roundup Transorb ® , quantidade estas inferior à utilizada no ensaio. Os tratamentos utilizados no ensaio basearam-se no uso de glyphosate em sua formulação Roundup Original ® e Roundup Transorb ® , ministrado em dosagens crescentes á partir de 0,96 kg de equivalente ácido.

As respectivas dosagens utilizadas são apresentadas na Tabela 1.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

Tabela 1. Dosagens de glyphosate, em diferentes fórmulas, ministradas no ensaio.

glyphosate, em diferentes fórmulas, ministradas no ensaio. O controle da cobertura vegetal proporcionada pela

O controle da cobertura vegetal proporcionada pela Brachiaria brizantha foi avaliada visualmente adotando-se a escala percentual de 0 a 100. As avaliações foram realizadas aos 10, 20, 30 e 45 dias após a aplicação (DAA) do herbicida. Para avaliar o controle da cobertura vegetal, utilizou-se a bordadura do ensaio, na qual havia a presença de B. brizantha nas mesmas condições. No entanto, não fora realizada análise estatística com a mesma. Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e para a comparação das médias, ao teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A área experimental utilizada estava em ‘pousio’ por mais de seis meses, quando houve instalação do ensaio. Isto fez com que houvesse bom estabelecimento da espécie e proporcionasse cobertura vegetal total da área. A disponibilidade de grande quantidade de massa vegetal por parte da B. brizantha, é difícil de ocorrer na prática, pois em situação de campo há pressão de pastejo por animais mantendo-a em um nível menor. No entanto, o ensaio mostra a necessidade de controle adequado em situações extremas e mostrou-se adequado para a avaliação comparativa entre as formulações. Na Tabela 2 é apresentado os resultados obtidos com as médias da porcentagem de controle da cobertura vegetal proporcionada pela B. brizantha, para as devidas épocas avaliadas.

Tabela 2. Avaliação visual das médias da porcentagem de controle de Brachiaria brizantha em diferentes épocas após a aplicação dos herbicidas.

Obs: Médias de mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de
Obs: Médias de mesma letra, nas colunas, não diferem estatisticamente entre si pelo teste de Tukey ao nível de 5% de significância.

No momento da aplicação do herbicida, pôde-se constatar que as plantas estavam vigorosas e em estádio vegetativo. Ainda, verificou-se umidade à superfície do solo, facilitando a absorção e translocação do herbicida nas plantas. Aos 10 dias após a aplicação (DAA), verifica-se baixo nível de controle em todos os tratamentos. As menores médias obtidas são constatadas nos tratamentos em que foi ministrada a dosagem de 0,96 kg e.a. ha -1 , sem, no entanto, diferenciar-se estatisticamente das demais

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

dosagens no caso de sua formulação Roundup Original ® . Aos 20 DAA nota-se uma melhora na eficácia do herbicida em todos os tratamentos. No entanto, a dosagem de 0,96 kg e.a. ha -1 , em ambos os produtos comerciais, mostrou-se com controle mais lento, quando comparado às dosagens superiores. Aos 30 DAA, constata-se a mesma tendência, com contínuo acréscimo na porcentagem de controle da cobertura vegetal, sendo esse acréscimo diretamente proporcional ao aumento da dosagem das formulações do herbicida.

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Na última avaliação (45 DAA), embora seja mantida a tendência, observou-se que houve a ocorrência de rebrotes, nos tratamentos ministrados com 0,96 kg e.a. ha -1 em ambas as fórmulas.

Isso nos indica que a dosagem ministrada foi insuficiente para promover

o controle das plantas.

A partir de 1,44 kg e.a. ha -1 o controle da cobertura vegetal mostrou-se estatisticamente semelhante para ambos os herbicidas. No entanto, observa-se que na maior dosagem (1,92 kg e.a.), para ambas as fórmulas, apresentou maiores valores de controle. Embora não fora constatado morte total das plantas, verificou-se que houve paralisação do crescimento e amarelecimento das folhas ainda vivas. Timossi et al. (2006), constataram a necessidade de 2,16 kg e.a. ha -1 de glyphosate

para obter-se controle superior 98%, sem, no entanto, impedir totalmente

a emissão de rebrotes. O não controle por total das coberturas vegetais

pode se tornar problema no início de desenvolvimento das culturas. É provável que o corte das touceiras da B. brizantha, pelos dispositivos presentes na semeadora, intensificaria esse rebrote. No entanto, cabe salientar que esta premissa necessita ser pesquisada. As dosagens utilizadas no manejo da cobertura vegetal, por ambos os herbicidas, em suas respectivas concentrações de equivalente ácido, não eliminaram totalmente a cobertura vegetal. É provável que devido à grande quantidade de massa seca da B. brizantha, seria necessário um aumento na dosagem do glyphosate. Cabe salientar que, em condições normais de pastagem, dificilmente teríamos a cobertura vegetal com o volume de massa testado no ensaio. De acordo com os dados obtidos no ensaio pode-se afirmar que o Roundup Original ® continua sendo eficaz. Em períodos menos propícios à ocorrência de chuvas, ainda é uma boa opção de uso. Nota- se também, que o Roundup Transorb ® , embora tenha sido indicado por melhorar a translocação do mesmo nas plantas, não foi constatado controle das plantas superior ao obtido com o Roundup Original ® , em todas as épocas avaliadas.

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CONCLUSÕES

Não houve diferenças significativas na eficácia do glyphosate aplicado na fórmula Roundup Original ® e Roundup Transorb ® , na mesma proporção de equivalente ácido; Mesmo na maior dosagem (1,92 kg e.a. ha -1 ), em ambas as fórmulas, não houve controle total da B. brizantha; A dosagem de 0,96 kg e.a. ha -1 foi insuficiente para o controle das plantas e possibilitou rebrotes.

CONTRIBUIÇÃO PRÁTICA E CIENTÍFICA DO TRABALHO

Fornecer informações que auxiliem no manejo da cobertura vegetal de B. brizantha em áreas de Integração Lavoura-Pecuária, além de desmistificar algumas controvérsias apresentadas em relação às novas fórmulas da molécula herbicida glyphosate que se encontram disponibilizadas no mercado.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

KLUTHCOUSKI, J. et al. Cultivo do Feijoeiro em Palhada de Braquiária. Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, 28p. 2003. (Documentos

nº157).

MARTINI, G.; PEDRINHO JÚNIOR, A.F.F.; DURIGAN, J.C. Eficácia do

herbicida glifosato-potássico submetido à chuva simulada após a aplicação. Bragantia, Campinas, v.62, n.1, p. 39-45, 2003. PEDRINHO JÚNIOR, A.F.F. et al. Influência da chuva na eficácia do glyphosate em mistura com adjuvantes na dessecação de plantas daninhas. Planta Daninha, Viçosa-MG, v.20, n.2; p.263-71; 2002.

Guia de herbicidas:Ficha técnica

RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. L

do Glyphosate. 5 ed., Londrina,p. 275-89, 2005. TIMOSSI, P.C.; DURIGAN, J.C.; LEITE, G.L. Eficácia de glyphosate em plantas de cobertura. Planta Daninha, Viçosa-MG, v.24, n.3, p.475-80,

S.

2006.

I SIMPÓSIO INTERNACIONAL SOBRE GLYPHOSATE - 2007

INTERAÇÕES ENTRE GLYPHOSATE E ADUBOS FOLIARES SOBRE PARÂMETROS AGRONÔMICOS DO HERBICIDA

Marcelo Nicolai (ESALQ-USP / marcelon@esalq.usp.br) e Pedro Jacob Christoffoleti (ESALQ-USP)

RESUMO - Em virtude do grande número de misturas em tanque de glyphosate e adubos foliares, confeccionou-se um experimento para avaliação da interferência dessas misturas no controle de plantas daninhas, em área experimental, pertencente a ESALQ-USP, entre junho e julho de 2007. As plantas daninhas avaliadas foram erva-

palha (Blainvillea rhomboidea), capim-colchão (Digitaria horizontalis)

e capim-carrapicho (Cenchrus equinatus). Os tratamentos foram,

em g i.a. ha -1 : glyphosate Original a 900, glyphosate WG a 1080, glyphosate Ready a 960, glyphosate a 900 e glyphosate potassico a 930. Todos estes tratamentos foram associados, individualmente aos adubos foliares, na dose por hectare: Hidrofol manganês 132 a 2,0 L, Profol manganês 14 a 0,8 L, Profol gallop a 1,5 L, Mn EDTA a 0,5 kg e Profol Comol a 0,15 L. Complementando, houve um tratamento de cada glyphosate sozinho no tanque além da testemunha sem capina. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso, com quatro repetições. O volume da calda foi de 200 L ha -1 . As avaliações de controle visual aconteceram aos 7, 14, 21, e 28 DAT. Os tratamentos herbicidas mostraram-se eficazes indicando que não há prejuízo para a eficácia do glyphosate, quando são adicionados os adubos foliares citados a calda de pulverização.

Palavras-chave: glyphosate, adubos foliares, interações, plantas daninhas.

INTRODUÇÃO

O glyphosate é um dos herbicidas mais utilizados no controle de plantas daninhas no Brasil e no mundo, perfazendo cerca de 12 % das vendas globais de herbicidas e apresentando mais de 150

marcas comerciais. Por se tratar de um herbicida relativamente barato, de alta eficiência, amplo espectro de controle, baixa toxicidade e de curta persistência no ambiente, o seu uso tem aumentado a cada ano. Outro fator que tem aumentado a utilização do glyphosate é a expansão das áreas cultivadas com plantas geneticamente modificadas, tolerantes

a este herbicida. Inúmeras espécies estão sendo desenvolvidas com

genes de resistência a herbicidas e insetos, como por exemplo, a soja, milho, algodão (Galli & Montezuma, 2005; Junior et al., 2002; Kruze et al., 2000; Malik et al., 1989). Este herbicida por ser um derivado da glicina, assim como os aminoácidos, apresenta caráter mais fortemente ácido que o grupo amônio. Desta forma os grupos fosfato e carboxílico têm maior caráter ácido que o amônio. Seu coeficiente de partição octanol/água (k ow