o sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas
(1999 - 2010)

à revelia

para fins estritamente não comerciais.3° Edição Revisada– Maio de 2012 – São Paulo – SP – Brasil Revisão: Israel de Sá Capa: Junior Bellé o sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas (1999 .2010) (CC) CREATIVE COMMONS É livre e incentivada a cópia e reprodução deste livro. desde que a fonte seja citada .

la e versificá-la sem medo. sorri-la. renascem em novas formas.é mesmo um grande exercício de desapego que. Não é a toa que o teu Sonhador colhe beringelas na Terra das Flores Murchas. comê-la. ela deixa tinindo todas funções fundamentais para a vida de um poeta boêmio como os de nossa estirpe. significa vida. os devaneios de saudade. Este teu livro é mais Poesia do que Poema. coração partido não significa coração fraco. não vamos cair nessa armadilha e tornar nossos corações rochas inóspitas. que os tragos filosóficos e os convivas da boemia nunca te faltem. Mas estou certo de que. haja sempre mais poesia. Afinal. cada homem que já pisou nessa terra. mesmo tentados a tanto. se movem. e que no final. nutridas de tua inspiração. funciona muito bem na regulação da pressão arterial e é sugerida no tratamento de vários males do coração. bebê-la. para poetas.continue a render mais dessas belas cicatrizes de batalha. e que deve sofrer desgastes demais numa terra de flores já sem vida. gozá. Tiago Lobão . torço para que a vida . Vamos vivê-la.'esse incômodo sinônimo de dor' . como cada um de nós soltos no mundo e.Compadre. traduzem novos sentimentos e recriam os cantos solitários e tristes. inspira.essa moça pouco confiável e muito convidativa . pode virar um exercício de desafeto. A vida . os momentos de tesão e desejo (correspondidos ou não) de. Agora que já colocaste teu primeiro volume poético no mundo. interagem. sofrê-la. as palavras são livres e vivem por si só. Enfim. Sinceramente. parente do Pimentão. certamente. fígado e estômago. A Beringela. perigosamente.

bem diferente dos seus Mas de repente se a gente conversar quem sabe não há em nosso olhar algo em comum? .Solstícios e Equinócios Um dia alguém muito especial me disse que tenho os olhos tristes.

A garota do colégio Se não te beijei outrora agora não te beijo mais Quero namorar em poesia não. não em cantiga antiga que se vinha vinha-se quando só quando podia e só podia com excesso de poesia .

. ssssuuuulllll . . .A mão norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul norte sul nortesulnortesulnortesulnortesulnorte .

Os tais corações enjaulados Como um rasgo negro em um céu de estertor remoendo cores úmidas num sopro nublado assim vão amando os corações enjaulados: corações daqueles que não desaprendem a amar Na vigília de estrelas como lauréis passados: canto de signos há séculos chorados onde o páramo rabisca entre faíscas as memórias até o alvor inundar as artérias a pequena imensidão toma a maré e o luar e nós os corações enjaulados em algum barco em alguma deriva em algum mar Em um arrepio aceso nos salgados poros abertos pelo carinho feito em sangue de rosas vermelhas no vácuo de uma pálpebra enamorada no silêncio esbravejado de nossos corações emputecidos corações daqueles que leem o amor em letras de saudade Uma gota suja de paixão escorre como um látego em mãos suaves o espelho coxo de nossa melodia .

como o algoz de alma cintilante o horizonte em uma torre de diâmetros estelares Rindo uma gotinha suja de paixão c a i dentro da lonjura de pele podre mármore de carne em esculturas de ossos corações com asas pálidas pulsando para o desassossego do vento desenha plantações de pérolas enluaradas madurando logo abaixo do esquecimento E toda manhã o orvalho é suor acinzentado estes somos nós os tais corações enjaulados corações daqueles que bebem sede para hidratar as lágrimas porque nós os corações enjaulados somos fiéis as nossas lágrimas .

Em minhas roupas se procurares em minhas roupas algum aroma perfumado algum tom asseguro-te que tentas compor obra em vão nem um sinal de sutileza nenhuma marca de batom não por santa castidade e sim por falta de opção .

Almas gêmeas II somos apenas eu e você contra o mundo ou apenas o mundo contra eu e você? .

Não saíram do papel Dele herdaram apenas as traças [e quando acabar o papel] [como oficializarão minha consciência?] Vou deixar minha alma ao vento pra ver se ela sobre como a pipa [quem é o coração que sonha no seu sonho?] Coração – a palavra amor não tem sentido algum tanto que a passo no pão [para o café da manhã] Coração – seu sentido é o sangue não se doa pelo impulso parado Coração a alma é o verde dos campos e é por isso que o progresso é urbanização [mas alma mas coração] Sonhem! Pois o sonho é necessário Assim como necessária é a desilusão .

Amante não acordo ao cantar do galo com seu canto vou dormir pois se a noite é uma criança a madrugada minha infâmia é nela que descubro o quanto a luz escurece meus pensamentos do silêncio que se apossa das cantigas mais baladas dos poemas que se tornam poesias distraídas e atrapalhadas concentro-me enquanto o sono não vem vou gozando a quieta serenata sua escura aura e o demorado despertar meu amor é o ocaso minha amante a madrugada fogosa e desconcertante atraente e mal vestida despida das ganâncias naturalmente me atrai e meu amor figura apenas como sua demorada preliminar .

? a flor de lótus ESTÀ grávida e a árvore elefante leva seus pés de coelho ao gengivista para tirar uma chispa mas o que os papéis de fígado extraterrestre dos letárgicos-simples não transam NORMAL o umbigo demétrio do pingo anis esverdeado é roliço e vomita gasolina em escala cinza na geologia geográfica da palmilha radioativa entre A placenta da cortina dona fezes e o chicle de esferas triangulares de POÉTICA mono/stereo da (?) vó do cu do mundo escatologicamente por enquanto freetando os verbos no chulé dos peidos vernáculos para fauna peristáltica do léxico de merda ontologicamente .

vendo... consigno Troco por aquilo que vier Está menorzinho Cintilando Cintilando Na pontinha do dedinho do pé .Poesia simpática Se fores a um enterro Não te esqueças de falar Que aqui jaz um morto Bem mais morto que o de lá Se o tal corpo apodrecendo O meu a decantar Ao tal espírito o horizonte Meu horizonte a se verticalizar De meu espírito. nem te conto. Liquido.

. (... (porque mais brilho) Porque tristeza ........Ainda não sei Estou em um mundo tão cc+-/cccoonff%$fUusoo#oo E me perco numa estrada Em um giratória beco Em uma carteira de cigarros Em um escarro em meus pensamentos Estão de um lado tão primárioE não entendo Porque disso (.. porque escuro Porque porque (.. do advérbio .) .. do deserto No primeiro estrondo ...) PORQUE Estou na sutiliza Estou no HHHHHÁÁÁescÁrNioÁÁÁÁÁÁ E me descarto No primeiro raio .) porque daquilo (Porque do azul) ... E me perco Eu só me p r e c o ..

Licença poética para o livro das perguntas Pode o cavalo jogar a cavalaria? Por que algumas rosas são tão pálidas? O universo está sempre de luto? A pomba faz as pazes dos ventos? O Cruzeiro do Sul inveja o Norte? Pode a tinta rebelar-se do papel? A luz escurece os pensamentos? A tristeza é onda que umedece a praia Ou correnteza que afoga o oceano? E estas pessoas que vivem muito bem tão mal? E quando alegria é significado de solidão? E nossa paixão é sexo ou masturbação? .

ah! era tão bom entrar naquela igreja sem ter religião dormir em frases curtas rezar sem devoção ah! era tão bom .

Palavras Ainda não veio aquela inspiração que me faz sentir como um caracol quadrado e até como um sentimental no leite morno Pois me arrepiam as palavras que só existem “entre aspas” E outras mais as quais se sente somente (entre parênteses) Estão cá também as tais que cheiram a limão com sabor de chocolate leia-se num sussurro. protagonistas das entrelinhas [e aquelas que morreram caladas para que sua herança não seja apenas um legado mudo] .

Serra dos espinhos quero soltar o grito preso me esconder atrás do ar nas angústias e sombras do vento nos tesouros que não são riquezas .

. As informações buscam você.)Ponto Enquanto isso. cara pálida” . os robôs produtores de robôs da Fábrica Mundo de Robôs. hão de ser interpeladas por um visceral petardo a perpetrar sua débâcle numa escarpa digna de tamanha letargia oh isto deveras me apetece oh toadas e melopeias seminais Ponto(. [observação primeira: a Fábrica Mundo de Robôs pede moratória desde que o mundo é Mundo] .... lançaram seu mais antigo slogan de sua mais corriqueira campanha: “Você não busca informações polidas e lapidadas.)Permuta linguística(.Bruma de vários milhões de dinheiros As idiotias verborrágicas repimpam-se em seu píncaro prosaico imersas em superlativos pífios donde flanam sem verve alguma Porém.

..O suicida ao homicida Era uma vez..

o sonhador que colhe berinjelas na terra das flores murchas onde vossa miséria é ourives do mundo então. no píncaro dos pícaros. onde língua é afiada a facão lê-se em violetas gigantescas: ESQUECEU QUE PARA UM SONHO DE VERDADE SE PERDE A VIDA INTEIRA? e no instante em que dos olhos desaparece a cor desaparecida nos olhares a orquídea rega a beleza com o sonho esquecido é a alma procurando-se entre os destroços entre a carne. entre os ossos entre a obscura pálpebra do coração em que a bromélia vasculha os desejos pois é no útero estéril da ignorância que se ilumina a grande fertilidade dos tolos junto da líquida papoula que voa o seu maldito e delicioso disparo de enganos assim o lírio oficial chora uma última assinatura uma última mentira de envelope em seu envelope de mentiras e ainda persiste este incômodo sinônimo de dor que é a vida e prospera o transeunte girassol em seu magma púrpuro cortejando a lua num lamaçal de estrelas . enquanto a rosa colora de roxo todo ouro impune lá no alto.

Exórdio Infelizmente tenho de respeitar o seu direito de ser um idiota mas para minha felicidade as regras não são réguas da honra É um beijo de morango com sabor de anestesia e efeito depressivo E você com seu olhar bovino marchando com a manada vai pastando o lixo heroico que te vendem pra engorda Infelizmente é cada um com a sua hipocrisia e concedo-me o direito de chafurdar na minha .

porra! . caralho? Desbunde esse rabo misericordioso dessa poltrona divina e livra a gente dessa merda. deus! Tu tá cego.Oração para desesperados Puta que o pariu.

Elegia Na dobra do vento lenta a saudade fogem os caminhos de instinto cinza escarlate o abismo de histórias acorrenta p r o f u n d i d a d e s rios de memória choram para que o passado não volte em apenas 50% OFF .

.Esperança: deveria existir uma primavera para cada dúvida.

oficializaram as traças .burocracia como diria bellé. de tanto exigirem papéis.

vou pra vida em linha reta caminhar em tuas pernas pra lembrar da curva tua e nessa estrada sem esquina untar o universo com a tua na minha saliva e no fogo úmido e alto da tua vagina assear minha fantasia . meu amor.A tua e a minha um dia.

carinho.Um isqueiro um cinzeiro e uma paixão Chega aqui. me deixa queimar em teus dedos e arde comigo só arde comigo até me dichavar a baforadas Passa essa língua esse lábio essa boca me rebolando nessa sua bruma e deixa ela suingar no meu reggae de seda Num isqueiro um cinzeiro e uma paixão mas é na tua ponta que me acendo então me puxa me suga me enche o peito e do seu jeito me assopra no ar .

Bakunin se um dia eu te encontrar numa barricada de estrelas em um universo paralelo qualquer me dê a honra de te pagar uma cerveja no boteco da esquina ou numa taberna lunar só não estranhe quando eu te abraçar e bêbado “gosto de você pra caralho” é do fundo da alma que espalho estas palavras me leva no teu cometa visionário pra mais uma peleja libertária sigo teu corcel na gravidade adentro na tua barba afora hasteando um trapo rubro-negro pelo cosmos ordenhando a liberdade na teta das galáxias e festejando e festejando .

Augusta caminhando pela augusta puta linda e absurda quando a lua infla no céu é o céu anestesiado da boca na boca e o canino amortece e o pó é só o pó branco dos olhos ruivos e ruivos demais no samba da fumaça nos alvéolos e as cervejas rolam e os compadres mambos e a augusta nossa la bossa baby a calçada pequena de gente feliz e bêbada e feliz e feliz e toda noite te moo no dichavador do meu coração e enrolo teu glamour decadente em três guardanapos vagabundos pra tragar fundo a tua aura inteira e teu meio fio com os compadres chapados enlouquecidos lindos geniais e mais e muito mais augusta sua puta nossa bruma intensa de pecado e redenção teu chão pisoteio pisoteamos pistoleiros loucos da madrugada e vamos porque é inebriante que deve ser eé e antes era deles amante e glória agora é nossa e assim e assim é nossa augusta cósmica .

Compadres
hoje saí do trabalho e passei no mercado
troquei meu fardo
num fardo de cerveja
dichavei 20g de maconha e enrolei em sedas longas

respirei

chega aqui em casa
meu bem
aproveitar a vida de antes
e antes que ela se aproveite de nós
deita teus lábios nessa big size
e puxa nesse sonho minha saliva

agora estou com os compadres aqui do lado
me emprestam o fogo e acendo o entusiasmo
dividem o trago e a algumas velhas lágrimas
na brasa de um e outro abraço
e admiro cada um destes canalhas
por santos chapados
e bêbados de tanto e tanto mundo
que amo e amam e escrevem
os versículos da porra da bíblia da minha vida
por onde rezo e esbarro e inspiro estes safados
marotos
de rock de samba de bossa de versos
e reversos destilados de cá
de lá
do coração em frente

Daquilo que já foi
Um dia
nossa noite já foi dia
nossa prosa, poesia
nosso samba, rockstar.
Lupicinio
por meus lábios assovia
ainda
longe do mar
pampeano
aos pobres moços intangível judiaria
mas na camiseta Sandinista
look here
what d’you think you’re
gonna be doing next year.
Sabina
da nossa distorção el mediodía
insurrecto grito nas jovens tardes de rebeldia
um refrão que era nosso
e ninguém sabia

cantar.

O que há do outro lado da tragada?
têm olhos de jornal
obviamente familiar
enxerga manchetes andando vivas e queimando
dúvidas e
desesperanças
de pedra rolada
do concreto
da cidade
de concreto
cimento e aço duro
reerguerão um novo futuro
segundo havia lido ontem
estará no lugar que desabito
onde se escondem homens perdidos
dentre a chama de plástico
de açoite
e cicatriz de tinta negra
espreita entre todas as escolhas de merda
existência de nada
uma geração e meia na mesma calçada
para agora
como manada
seguir em fuga sem saber
até quando errar demais ainda satisfará
os derrotados que somos
esquecidos pelo caminho
que dizia felicidade
e já não importa
para alguns ódio
para outros piedade

Haverá um depois depois de nós nascemos estrela e morreremos buraco negro e então já bastante humano confundirá gravidade com egoísmo e solitário esfriará conosco no maior de todos os invernos .

seria mais fácil .se não soubesse o sentido da vida – a existência da palavra vida – se não houvesse a palavra sentido – o sentido da palavra vida – se nem imaginasse a existência da palavra existência – se não fizesse sentido a palavra sentido – nem a existência no sentido da palavra vida – este é o dilema do átomo .

a pior poesia que já escrevi justo eu que sempre disse de peito estufado e otimista que se apaixonar é fácil instinto simples como estava enganado percebo agora profundamente triste quando te espero às vezes te busco noutras te escuto e num sussurro te sonho meu amor seria nosso o romance do desencontro? .

acordo com sono e discordo como um amanhã em nosso amanhã acendo o cigarro e sinto o gosto louco dos porquês peco pouco e escarro na sorte da noite pois era dia quando ela me fez esquecer de velejar-te no mar da minha história atrita agora essas duas rochas vadias que palpitam e sangram e nas faíscas dessas horas dessas fodas nessa brasa esquenta teu peito e no fogo alto de nossos corpos queima a última fogueira de nós dois .

amor. latejando. daqueles lábios. meu caralho.O Amor em Dois Atos O Primeiro Amor: fodeu. Amor Segundo o Amor: me dá carinho. deu. tu e eu. amor. caralho. deu. sugando. . eu to carente. tu e eu. amor. fodeu. teu carinho. fodeu.

Rente a palavras busco estrelas por que entre estrelas busco palavras junto palavras busco estrelas por que junto estrelas e risco palavras arrisco palavras entre estrelas condeno estrelas ao outono das palavras curiosamente palavras e estrelas têm algo em comum: nós .

muito triste com leminski num copo de vodca dois dedos amargos de nossos idos de escola bons tempos. me diz os piores. contesto você: admirada pelos padres a mocidade cristã entre os mais populares eu: discos do nirvana legião urbana poetas malditos os primeiros porres e no intervalo alguns gramas de maconha os anos e a distância já nos borraram muito mas quando penso naquele começo de milênio só me sobra a vontade dos seus olhos verdes de amizade nos meus platônicos e selvagens que em mim hoje já não reconheço .Amiga estou com vontade de lembrar de você você que ama: mas não a mim você que é: de vez em quando porém triste.

tudo devidamente assinado.15/06/2004 – 0h14 queria voar por entrelinhas. por aquilo que parece deliciosamente oficioso. gramáticos. o dia de ponto insiste. a cafonice é tão bela quando se está apaixonado. pois poesia também se faz de amanhã . no sono que vem vindo. teimoso em retornar. loucuras parecem escritas em diários. ambígua. imperfeita. estúpida pretensão que obriga à rima. não poesia retilínea. suburbana. subversiva – ah. de pé cedo amanhã. profana. para contrariar-nos. pela noite que só espera pra passar. caretas.

as livres possibilidades do amor ele ela ele ela ele ela ele ela ela ele ele ela ele ele ele ela ele ela ele ela ela ela ele ela eleelaelaeleeleeleelaela ela ele ele ela ela ela .

Lírios ou Rosas quando abrir sua cortina e mostrar ao mundo seu jardim de lírios antes tenras rosas ruivas chama no encosto da janela os segundos largos mergulhados na sutileza a sós e silenciosa uma gota antes geada tateia a pétala de li za e s c o r r e .

IBIS REDIBIS NON PERIBIS IN ARMIS algo de errado está errado nalgum lugar estranho em todas as partes em todos os mitos as espadas cruzam as pedras partem marés em gritos os olhares se cruzam dementes rogam o sangue se espalha como lanças no escuro diferentes lutos a mente se engaja tribulam-se almas em neblina e sal surpresas esperam presentes rotineiros bocas aflitas emudecem ainda mais a dor aloja-se nas gerações com medo talvez sonhos ainda busquem cais procurando farelos desvendado e o que foi nada um dia entre migalhas cinzas queimadas de repente corrompeu tateio nos passos do deserto entre tantos batalhões e exércitos os vestígios do que ainda resta das estátuas deportadas a força esculpidas em carne e osso movimentos perdidos alertam há um presente que chega de longe .

lobos camuflados rosnam ao meu lado e vão misteriosos sem avisar [sobre o alinhamento caótico de cada posição] e aquele silêncio mórbido [e a sua ingratidão] que então revida pelo ontem [o que lamento integro] era antes mártir [e não tardaria incrédulo aos que lhe tentam] quando piso entediado em teu nome [e resgato indecisão em piedade] num insulto que aqui deixastes qual a benção [que veneras tarde mas não tarda] pois inquietos gritam por deslumbre [já chega arbitrária em teus contrastes] que reges em orquestras quando regas mortalhas [e repudia a ânsia promiscua que irás sepultar] no penão de serpente a gritar rijo e ardente [suas sombras a clamar] horrores estalando cedo as mágoas arrastadas [a correntes de pó] silencia teu pranto [homem impuro] pois não honrastes tua corja amada [e nem agora ouve os ecos] de tua história soar .

no nosso peito bate um órgão muito falso e no nosso corpo a defesa é muito frágil pele corada mas doentia sorriso mordo mas rotina rosto e fadiga já se completam é tal a distância em seu olhar o infinito é só uma esperança que de tão estúpida chega a nos confortar .

.um fantasma ronda a poesia..

Minha mão está seca e meus lábios também nada adianta sequer sêmen de desdém vou tirar meus bagos e te dar pra adubo ser popular com cereal de hormônio tomando laxante pra cagar o coração debaixo da sua cama adiantando a pulsação .

Teoria Antropocêntrica das Imagens Enluaradas bocas movidas à pilha esperanças queimando em velas de sétimo dia espirros de suor e peitos de aço cartas em latim arcaico sobre castelos de papel líquido e seus filósofos analfabetos para-raios no chão e espelhos em espadas o ar sente-se livre embriagado a venda de indulgências está novamente na moda mas agora com passaporte e carimbo a democracia burguesa é a nova simonia da plebe sempre foi assim poeira e deserto flutuando no concreto religiões complexas e seus lençóis de histeria estaca aberta no braço alcança arde e repudia está no pântano no pântano de estranhos e também na arca na arca incendiada parece câncer crescendo em prantos parece unha calejada está chorando vê! mas não sente nada enlouquece! segue lenta e embalsamada a alma em sua nau que enfim ateu em retirada .

o...s.a.d.o.a.o.T. .a.ç.t.m.s.o.a.ç.í...v.e.r.r.p.p.r...e.n.o.v.n.l.o..c.u.g.i.

nem busque palavras esqueça as lágrimas e algumas vírgulas e na minha ferida assopre amor . meu conto de fadas me faz cafuné. Me conta uma estória. me diz sem cinismo “eu sou seu amigo”. me faz um carinho.Nestes versos bobos. me faz um favor: não briga comigo. massagem no pé acalma minh'alma com seu coração Não rebusque as palavras.

profundidade à vida. quantidade ao amor.Preciso dar ao delírio. delírio e amor Preciso dar aos beijos. romance ao desejo. quem sabe . uma chance dar sexo à liberdade Preciso dar ao bem um tanto de mim ao mal um pouco de sim ao futuro.

Eu amei ainda mais a paixão pode ser cafajeste com o coração de um bom rapaz quando sussurra volátil e vulgar sua prece voraz: “é o amor que pode esperar” .Tenho um plano: vamos para o campo e deixar pra trás o tempo só foder no frio da cachoeira debaixo da ameixeira escutar Belchior vendo os cachorros correrem soltos ao redor da esperança mansa que ainda resta do que nunca fomos. Você tardou no pecado dos apaixonados meu bem e amou. Nós.

chegou nu o horário certo mas nós estávamos na rapidinha da manhã deixa o sacana esperando alguns carinhos cronometrados e bebe com capricho meu orgasmo esquece às sete os ponteiros do tempo e faz da segunda-feira nosso cobertor sobe e desce como a temperatura aqui de dentro e sussurra de cor os versos que invento meu amor .

o passo de fora num caminho capenga na dobra do vento faz a curva minha saudade diante das masmorras de barro mas deita tua pálpebra em meus lábios e beija e me beija amor descalço palavras disfarçados sentidos que escrevo no vento: “esse lamento defeituoso de eternidade” de esperanças pro alto deitado na rede a lua em seus braços dorme comigo amor pois no seu tempo já me falta espaço .

dou meu amor derradeiro e só peço que me leve as lembranças .para poesia e para puta dou meu nome verdadeiro e um beijo molhado de esperança . .

me dê a mão vamos dançar na beira do penhasco não precisamos mais chorar o que foi e o futuro está no próximo passo nosso cadafalso para tudo e para sempre lá embaixo as incertezas e os medos perdem as cores nas lentes do ar pousa seus dedos em meus ombros e sente os meus firmes na sua cintura rodopiamos de olhos fechados e sussurro em nossa história a canção da morte eu só quero beijar teus lábios quando cair definitivamente .

o cigarro me fumava e a cerveja me bebia enquanto eu ia e enquanto ia evaporando-me em você a solidão pluralizava e a poesia me ardia e seguia e eu seguia embriagando-me em você a paixão serpenteava e a serpente me mordia e eu sentia e sentia sabotando-me em você a saudade me esquecia e o esquecimento me saudava e eu ia e eu ia exorcizando-me em você o futuro me espreitava e o tempo me passava e eu corria e corria volteando-me em você o céu distanciava e o inferno me doía enquanto eu ia e enquanto ia envelhecendo-me em você o anjo me chupava e o diabo emputecia e eu fodia e fodia emprenhando-me em você o coração me bobeava e o sonho valseava e eu ria e eu ria aceitando-me em você oh ida que me vinha oh vinda que me ia e eu seguia e seguia sendo-me em você .

......... negativa vazão na carne... eu sei. da pletora das minhas veias.. da mão..... aquela que desafia a constância fria.......... e má....... então..só... ato da vida matando a vida. pulsa a cor pessimista..... o sabor doce da decepção...... quer tornar-se novamente. curtindo minha estratégia estúpida do flerte frente à melancolia.... vazia e regrada. desavisada. marca rasgada na palma....... que parte de sua vista. e das letras... é uma paixão por dia.... .. cantando mortes...... até o mórbido anseio insistente......

Encontro Marcamos em um bar sossegadinho e eu bebendo aqui sozinho esperei sem te encontrar Era uma noite em que o mundo estava escuro o amor. tão inseguro insinuei no meu olhar Meu bem esse seu jeito não é sério e eu que gosto de mistério cansei de desvendar Te remeti uma mensagem de carinho e no meio do caminho me arrependi de me doar Eu sei que entre tantos desavisos fui apenas improviso história fora de lugar Entendo aqueles beijos de algum jeito sempre cheios de desejo já se vão pra não ficar .

. meu amor. Na esquina logo em frente uma moça se entristece nossa dor lá dentro se parece e eu já nem sei quem bebe mais. Mas agora. coração. cervejas e o bar. Descanso minhas mágoas no ombro de um amigo embebedados pelo vinho pelos nãos. como tudo isso é vago aquela cena. E nosso tempo carregado e desatento me diz desassossegos e não temos mais direito de voltar. Pois tropeço em suas pernas nego. aquele trago todo aquele despedaço que a moça juntou em mim. Pelo atalho deste afeto que se umedece incendeio com a lágrima ardendo e assim não olho atrás. desamparos moça dói. choro. antes demais.Uma garota em mim partia Olha só. como escorre do meu peito uma lágrima sem jeito de rolar por teu amor.

desiste reincide no mesmo desespero de lembrar de teu cheiro do teu hálito caralho.E sumiu na tarde cinza uma garoa assim chovia uma garota em mim partia disritmia e solidão. me deixa em paz. bate. resiste. E o meu e o seu coração não bateram como antes velhos amantes agora tristes e quando o meu ainda insiste bate. .

olhos lameados insistentes no olhar sob o prisma um tanto aquoso num lacrimejar nebuloso pelas ambições de antes e de nunca mais .

você era um virgem inocente que deflorado e desprezado por seu amante emputeceu Hoje é um puto arregaçado que cansado de gozarem em e gozarem de sua alma entristeceu Mas amanhã. coração.Ontem. você será o derradeiro cafetão que a vadia da vida e suas vadias um dia (a)marão . coração.

o corpo cresce diluindo o espaço mas minha alma se mantém pequena quando na impureza existia encanto e nossa indiferença nos manteve íntegros o tempo passava e não passa lento aprisionando o que parecia certo Estamos velhos e sem experiência Porém. qual é a diferença? já fomos jovens e não sabemos ficamos velhos ainda meninos regurgitando as mesmas teses enfeitadas com ideais esculpindo os pulmões em cinza resumidos em ideologias não estou nessa de deixar estar mil novecentos e oitenta e quatro & ½ .

confio no amor a ponto de saber que ele não é confiável fio meus horizontes e dou um nó e só e só .

desfaz as malas e volta pra cama que eu vou deitar no pôr do sol da nossa treva que renascerá não vem dizer que falta tempo nos teus lençóis fui descobrir na mágoa que ela deixou no meu sofá porque coei teu café já pela manhã num outono agora você se demora no próximo verão .

Não honro mais o laurel poetero pois não sei quem é ela que me chupará num verso ereto Quem cavalga em minhas pernas? Qual o tamanho dos seios? São grandes? Ou pequenos? Têm cheiro de suor ou de sonho? Ou milhões de verões em dois melões inteiros? Quais bicos mordisco e aperto? Diante de que bunda ajoelho e rezo entre as abóbodas austrais que guardam apertado o mais visceral dos pecados? Esperarei em cada linha de minhas poesias escritas com sêmen presente de minha amante nietzschiana Sasha Grey .

não entendi a última palavra gritada por uma espécie de serafim negro de longo cabelo cacheado e sotaque de trovoada com urgência desbainhou sua navalha e encostou-a em minha garganta perguntava por coisas e essas coisas não eram respostas apertou a ponta ameaçadora e senti um fio de sangue e s . sempre tão indefiníveis somos intempestivos e calculistas somos bandidos cósmicos com aura de indolência inocente 38 anos.Serafim negro Lembro que alguém se aproximava vestido de nuvem eu relampejava num inverno lento e nebuloso mas via e ouvia a tempestade do outro lado com seu furacão nervoso feito de anjos apressados também o vermelho intermitente que julgo ser da morte iluminava os mantos brancos e realçava o rubro borrifado nas asas dos mais agitados não sei se cheguei aqui caminhando ou se despenquei do alto da montanha rotineira para um voo inédito e solitário tudo que agora minha memória consegue processar é dor cálculo sádico do insuportável numa biologia empírica para o futuro simbiótico da mais adaptável das espécies e por isso a menos inocente humanos. branco. B negativo.

lombadas e curvas até um devaneio onírico por onde circulava cada gota de um líquido da cor do sonho que pingava desde um recipiente acima da minha cabeça e atravessava minha veia como uma ponte afiada entre dois desfiladeiros atirei-me sem medo no mais escuro deles e despertei na realidade e num susto em que um anjo negro de cabelos cacheados dava choques em meu peito e então me beijava .c o r r e n d o berrou o mais alto que pode as trombetas do desespero mas seu idioma alado era rápido e desconhecido demais para um humano renegado e caído olhando profundamente em meus olhos abertos e serenos cravou fundo a lâmina. na raiz de minha traqueia um golpe certeiro e fugaz que fez escapar ar por um tubo do tempo e numa única lufada de vida me guiou veloz por um túnel iluminado de asfalto irregular. por fim.

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