FILOSOFIA: A CRÍTICA DE PLATÃO AO ENSINO DOS SOFISTAS

“A respeito disso, meu caro Sócrates, ouvi dizer o
seguinte: quem se quer tornar orador não tem necessidade de
conhecer o que realmente é justo, mas o que aparente sê-lo à
multidão que deve julgar; não o que na realidade é bom e belo,
mas quanto dá essa aparência, já que daí deriva a persuasão, e
não a verdade.”

Platão, Fedro, 260 a, Lx, Ed. 70, 1977
Expõe a crítica de Platão ao ensino dos sofistas, implícita no texto.

“Platão caracterizava a retórica sofística como uma forma de
manipulação, pois estes a partir dos seus belos discursos são capazes de
persuadir uma multidão da tese e da sua antítese. Ora, isto significa que
através da arte de bem falar, os sofistas iludem os seus interlocutores acerca
da verdade, fornecendo-lhe um conhecimento aparente, ilusório e enganador.
Este tipo de conhecimento não ultrapassa o domínio da opinião (doxa), tal
como diz o texto “[…] o orador não tem necessidade de conhecer o que
realmente é justo, mas o que aparente sê-lo à multidão que deve julgar; não o
que na realidade é bom e belo, mas quanto dá essa aparência, […]”.
Para Platão, a retórica deve ser utilizada com outra finalidade, a arte de
bem falar deve ser útil não para enganar, mas sim para ajudar a desvelar a
verdade, o verdadeiro conhecimento, a episteme. Assim, a retórica serve como
meio de pesquisa racional da verdade e não como manipulação. Só através do
uso racional da retórica, através da atividade filosófica é que o homem poderá
alcançar a verdade, o conhecimento, as verdadeiras ideias imutáveis e
absolutas.”
Karina Kaupe

ESCOLA SECUNDÁRIA DR. JORGE AUGUSTO CORREIA

PROFESSORA CARLA SARDINHA

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