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Guia do Formando

Válvulas e Sistemas

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deAlívio de Pressão

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COMUNIDADE EUROPEIA Fundo Social Europeu

de Pressão deAlívio de Pressão deAlívio de Pressão deAlívio de Pressão COMUNIDADE EUROPEIA Fundo Social Europeu

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Colecção

MODULFORM - Formação Modular

Título

Válvulas e Sistemas de Alívio de

Pressão

Suporte Didáctico

Guia do Formando

Coordenação Técnico-Pedagógica

IEFP - Instituto do Emprego e Formação Profissional Departamento de Formação Profissional Direcção de Serviços de Recursos Formativos

Apoio Técnico-Pedagógico

CENFIM - Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica

Coordenação do Projecto

ISQ - Instituto de Soldadura e Qualidade Direcção de Formação

Autor

José Pedro dos Santos Paixão

Capa

SAF - Sistemas Avançados de Formação, SA

Maquetagem e Fotocomposição

ISQ / Rui Bacelar

Revisão

OMNIBUS, LDA

Montagem

BRITOGRÁFICA, LDA

Impressão e Acabamento

BRITOGRÁFICA, LDA

Propriedade

Instituto do Emprego e Formação Profissional Av. José Malhoa, 11 1099 - 018 Lisboa

1.ª Edição

Portugal, Lisboa, Julho de 1999

Tiragem

1 000 Exemplares

Depósito Legal

ISBN

Copyright, 1999 Todos os direitos reservados IEFP

Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma ou processo sem o consentimento prévio, por escrito, do IEFP

Produção apoiada pelo Programa Operacional Formação Profissional e Emprego, co-financiado pelo Estado Português, e pela União Europeia, através do FSE

M.T1.08

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Índice Geral

M.T1.08

ÍNDICE GERAL

I - TIPOS DE VÁLVULAS

Tipos de válvulas

I.2

Nomenclatura

I.3

Válvulas de passagem

I.4

Válvulas de cunha e de comporta

I.4

Válvulas de macho esférico

I.9

Válvulas de macho cónico e de macho cilíndrico

I.11

Válvulas reguladoras ou estranguladoras

I.12

Válvulas de globo

I.12

Válvulas de borboleta

I.16

Válvulas de diafragma

I.18

Válvulas de retenção

I.19

Válvulas ou sistemas de alívio de pressão

I.22

Válvula de segurança

I.22

Válvula de alívio

I.24

Válvulas de segurança/alívio

I.25

Válvulas de vácuo

I.27

Discos de ruptura

I.28

Resumo

I.32

Actividades / Avaliação

I.33

II - INSPECÇÃO PERIÓDICA E MANUTENÇÃO PREVENTIVA

Porquê, quando e como

II.2

Porquê

II.2

Quando

II.3

Como

II.4

Válvulas de passagem, reguladoras ou estranguladoras

II.5

de passagem, reguladoras ou estranguladoras II.5 VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Índice Geral

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M.T1.08

IGIGIGIGIG

22222

Válvulas de não retorno

II.6

Válvulas e sistemas de alívio de pressão

II.7

Resumo

II.10

Actividades / Avaliação

II.11

III - CAUSAS DE FUNCIONAMENTO IMPRÓPRIO

Causas de funcionamento impróprio

III.2

Selecção da válvula ou dispositivo de segurança

III.2

Selecção dos materiais

III.4

Corrosão

III.5

Erosão

III.6

Calibração

III.7

Falta de informação dos elementos do fabricante

III.7

Equipamento de teste inadequado

III.9

Falta de informação do pessoal de manutenção

III.9

Manutenção

III.9

Transporte e acondicionamento

III.10

Resumo

III.12

Actividades / Avaliação

III.13

IV - MANUTENÇÃO, PROCEDIMENTOS DE REPARAÇÃO E CALIBRAÇÃO

Preparação

IV.2

Desmontagem da válvula na instalação

IV.3

Inspecção visual após remoção

IV.4

Inspecção da tubagem

IV.4

Inspecção da válvula

IV.5

Transporte para a oficina

IV.5

Caso particular

IV.5

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Índice Geral

M.T1.08

Ensaio prévio - Dispositivos ou válvulas de segurança

IV.6

Desmontagem em oficina

IV.7

Caso particular

IV.7

Limpeza e análise dos componentes

IV.9

Reparação das faces de vedação (sede e obturador)

IV.10

Caso particular

IV.11

Substituição do empanque

IV.12

Montagem dos componentes

IV.15

Caso particular

IV.15

Ensaio final

IV.15

Transporte e montagem no local

IV.16

Resumo

IV.17

Actividades / Avaliação

IV.18

V - FICHEIROS E REGISTO HISTÓRICO

Ficheiros base

V.2

Ficheiros de inspecção periódica

V.4

Acompanhamento da reparação

V.5

Registo histórico

V.7

Resumo

V.9

Actividades / Avaliação

V.10

VI - ENSAIOS

Bancada de ensaios

VI.2

Ensaios de vedação

VI.3

Aquisição de válvula nova (cunha)

VI.3

Aquisição de válvula nova (dispositivo de segurança)

VI.4

Após acções de manutenção

VI.7

Ensaios de calibração em bancada (dispositivos de segurança)

VI.7

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Índice Geral

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M.T1.08

IGIGIGIGIG

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Ensaios em funcionamento (dispositivos de segurança)

VI.9

Ensaio real

VI.9

Ensaio utilizando uma força exterior à válvula

VI.10

Ensaio utilizando seccionamento a montante

VI.11

Resumo

VI.13

Actividades / Avaliação

VI.14

BIBLIOGRAFIA

B.1

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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TiposTiposTiposTiposTipos dedededede VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee suasuasuasuasua AplicaçãoAplicaçãoAplicaçãoAplicaçãoAplicação

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M.T1.08 UT.01 Tipos de Válvulas e sua Aplicação

Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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OBJECTIVOS

No final desta Unidade Temática, o formando deverá estar apto a:

Identificar os diversos tipos de válvulas existentes, sobretudo em unidades industriais;

Seleccionar discos de ruptura, no âmbito dos sistemas de alívio de pressão;

Seleccionar válvulas e identificar suas funções.

TEMAS

Tipos de válvulas

Nomenclatura

Válvulas de passagem

Válvulas de cunha e de comporta

Válvulas de macho esférico

Válvulas de macho cónico e macho cilíndrico

Válvulas reguladoras ou estranguladoras

Válvulas de globo

Válvulas de borboleta

Válvulas de diafragma

Válvulas de retenção

Válvulas ou sistemas de alívio de pressão

Válvula de segurança

Válvula de alívio

Válvulas de segurança/alívio

Válvulas de vácuo

Discos de ruptura

Resumo

Actividades / Avaliação

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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TIPOS DE VÁLVULAS

Válvulas são dispositivos destinados a estabelecer, controlar e interromper a normal circulação, ou escoamento de um fluido, em circuitos fechados.

Antes de iniciar este assunto, convém referir que o dimensionamento das válvulas varia, de uma maneira geral, entre 1/4" e 72", podendo ser aplicadas numa vasta gama de pressões e temperaturas. Os materiais do exterior poderão ser em ferro ou em aço, em bronze, latão, PVC, etc., enquanto que, no interior, e na grande maioria dos casos, os componentes são, regra geral, em aço inoxidável.

Em virtude de existirem diversos tipos de válvulas disponíveis para uma desejada função, é necessário determinar quais as condições de serviço em causa. Assim, é de primordial importância o conhecimento das características físicas e químicas do fluido em questão.

Em resumo, a selecção do tipo de válvulas está dependente das seguintes condicionantes:

Função da válvula:

De passagem;

Redutoras, reguladoras ou de controlo;

Não retorno;

De alívio de pressão.

Tipo de fluido:

Líquidos;

Gases;

Líquidos com gases;

Líquidos com sólidos;

Gases com sólidos;

Ponto de faísca de um vapor derivado de um líquido por abaixamento da pressão deste;

Corrosivo ou não corrosivo;

Erosivo ou não erosivo.

Uma vez definida a função e tipo de serviço pretendido, poderemos, então, escolher, de acordo com a sua construção, um dos tipos de válvula indicados anteriormente.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

Componente Científico-Tecnológica

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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No âmbito das válvulas de passagem, temos a considerar os seguintes modelos:

Cunha e de comporta;

Macho esférico;

Macho cónico ou cilíndrico.

Nas válvulas reguladoras ou estranguladoras, encontramos os seguintes modelos:

Globo;

Borboleta;

Diafragma.

Nas válvulas de não retorno, encontramos um único modelo:

Não retorno (“Check Valve”).

As válvulas ou sistemas de alívio de pressão incluem vários modelos. São eles os seguintes:

Segurança ;

Segurança/alívio;

Alívio;

Vácuo;

Discos de ruptura.

Nomenclatura

A construção das válvulas varia conforme o tipo e o fabricante mas, de uma maneira geral, a sua nomenclatura é a mesma ou sofre alterações pouco significativas. A figura I.1 dá a conhecer os componentes fundamentais de uma válvula.

dá a conhecer os componentes fundamentais de uma válvula. Componente Científico-Tecnológica

Componente Científico-Tecnológica

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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Legenda: 1 - Corpo; 5 - Obturador; 2 - Castelo aparafusado; 6 - Volante; 3

Legenda:

1 - Corpo;

5 - Obturador;

2 - Castelo aparafusado;

6 - Volante;

3 - Haste;

7 - Empanque.

4 - Sede;

Figura I.1 - Nomenclatura geral de uma válvula

4 - Sede; Figura I.1 - Nomenclatura geral de uma válvula VÁLVULAS DE PASSAGEM Válvulas de

VÁLVULAS DE PASSAGEM

Válvulas de cunha e de comporta

Na categoria de válvulas de passagem, as válvulas de cunha e de comporta ultrapassam, em muito, a percentagem de aplicação em relação a outros tipos de válvulas. Contudo, têm as suas limitações. Não são, por exemplo, recomendadas como válvulas reguladoras, visto que tanto a sede como o obturador são bastante sensíveis à erosão e turbulência do fluido, quando as mesmas se encontram, parcialmente, abertas ou fechadas. Quando uma válvula está completamente aberta, o obturador é totalmente levantado, permitindo, assim, a passagem livre do fluido numa área sensivelmente igual à da tubagem onde aquela se encontra instalada. O obturador é circular e, quando as faces laterais do mesmo são convergentes, dizemos tratar-se de uma válvula de cunha; se as mesmas são paralelas, a denominação corrente é de válvula de comporta. Em ambas, o obturador poderá ser composto por uma só peça (rígido), ou por duas (flexível).

No obturador flexível, as duas faces de vedação são repelidas uma da outra através de uma mola interior ou outro dispositivo, o que permite que haja uma compensação automática de qualquer desalinhamento angular nas sedes. Por esta razão, a sua utilização é preferencial em relação ao obturador rígido. Na figura I.2, está representado um dos modelos de uma válvula de cunha; na figura I.3, está representada uma válvula de comporta; na figura I.4, estão representados os dois tipos de obturador, rígido e flexível.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

Componente Científico-Tecnológica

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

 
Legenda:

Legenda:

  Legenda:

1 - Corpo;

7 - Empanque;

2 - Sede;

8 - Bucim;

3 - Obturador ou cunha;

9 - Porcas e parafusos;

4 - Haste;

10 - Bucha;

5 - Castelo;

11 - Volante;

6 - Gaxeta;

12 - Porca da bucha.

Figura I.2 - Válvula de cunha

12 - Porca da bucha. Figura I.2 - Válvula de cunha   Legenda: 1 - Corpo;
12 - Porca da bucha. Figura I.2 - Válvula de cunha   Legenda: 1 - Corpo;
 

Legenda:

1 - Corpo;

8 - Empanque;

2 - Castelo;

9 - Bucim;

3 - Haste;

10 - Gaxeta;

4 - Sede;

11 - Porcas e parafusos;

5 - Obturador (faces paralelas);

12 - Volante;

6 - Bucha;

13 - Junta.

7 - Porca da bucha;

Figura I.3 - Válvula de comporta

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Componente Científico-Tecnológica

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 66666 Figura I.4 - Obturador rígido e flexível Movimentação
· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 66666 Figura I.4 - Obturador rígido e flexível Movimentação

Figura I.4 - Obturador rígido e flexível

Movimentação dos componentes de controlo de fluido

Um aspecto importante a ter em conta na concepção de todas as válvulas é a forma como se processa a movimentação dos componentes de controlo de fluído. Nas válvulas de cunha e de comporta, este movimento é obtido através de uma haste roscada cuja rotação desloca o obturador, afastando-o ou aproximando-o da sede. A haste pode, igualmente, mover-se para o interior ou exterior, acompanhando o movimento do obturador e tendo, neste caso, a vantagem de se poder visualizar o seu posicionamento pelo exterior. Em situações onde a temperatura seja elevada (circuitos de vapor), ou em que o fluido tenha características corrosivas, a rosca da haste e casquilho colocam- -se no exterior da válvula, evitando, assim, o contacto nocivo com o mesmo. Pelo contrário, se o ambiente exterior possuir características corrosivas como, por exemplo, plataformas marítimas e serviços similares, a rosca e casquilho situam-se no seu interior.

Válvulas de grandes dimensões necessitam de muitas voltas no volante para se obter o fim de curso (aberto ou fechado). Neste caso, e porque a força a aplicar é grande, são utilizadas engrenagens que desmultiplicam a força e, se se verificar a necessidade de uma actuação rápida, então a utilização de um actuador torna-se essencial. A figura I.5 mostra as variantes de movimentação referidas.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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Legenda: A - Rosca interna, haste móvel ; B - Rosca externa, haste móvel; C

Legenda:

A - Rosca interna, haste móvel ;

B - Rosca externa, haste móvel;

C - Rosca interna, haste não móvel;

D - Sem rosca, actuador manual e haste deslizante.

Figura I.5 - Variantes de movimentação dos componentes de controlo de fluido

Zonas de vedação

Nas válvulas de cunha e de comporta, existem quatro zonas onde a vedação é fundamental. Três dizem respeito à prevenção de fugas para o exterior; a quarta situa-se ao nível da sede e obturador a fim de evitar a passagem de fluido para jusante da válvula.

As zonas de vedação de fugas para o exterior situam-se na ligação à tubagem (válvulas roscadas ou flangeadas), na ligação corpo/castelo e em volta da haste. A figura I.6 mostra as zonas referidas.

e em volta da haste. A figura I.6 mostra as zonas referidas. Componente Científico-Tecnológica

Componente Científico-Tecnológica

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 88888 Legenda: 1 - Ligação à tubagem; 2 - Junta
Legenda: 1 - Ligação à tubagem; 2 - Junta corpo/castelo; 3 - Empanque; 4 -

Legenda:

1 - Ligação à tubagem;

2 - Junta corpo/castelo;

3 - Empanque;

4 - Sede/obturador.

Figura I.6 - Zonas críticas de vedação

Na ligação à tubagem, quer seja roscada ou flangeada, os vedantes indicados são, geralmente, os mesmos aplicados nas restantes ligações do mesmo circuito. Existe uma grande variedade de materiais que compõem estes vedantes, sendo a sua selecção dependente das condições de pressão, de temperatura e do tipo de fluído. No caso de válvulas soldadas à própria tubagem, não existe, obviamente, vedante. Este é substituído pela soldadura de ligação, a qual deverá ser efectuada de acordo com especificações próprias para o efeito.

A ligação corpo/castelo pode ser roscada, aparafusada e soldada. Também aqui, factores como a pressão, temperatura e natureza do fluido são determinantes. Estes três tipos de ligação, não sendo únicos, são, com certeza, os mais comuns.

A zona da haste é bastante mais delicada que as anteriores, em virtude do movimento rotativo da mesma. É normalmente efectuada através de um cordão, vulgarmente designado por empanque, o qual é inserido em anéis sobrepostos dentro de uma caixa (caixa do bucim) e, posteriormente, compactado pelo bucim. Na grande maioria das válvulas de cunha e de comporta, a localização destes componentes situa-se na parte superior do castelo, sendo possível, em alguns casos, a substituição do empanque pela válvula em serviço.

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Finalmente, a quarta zona de vedação que evita a passagem de fluido para jusante quando a válvula se encontra fechada, depende, fundamentalmente, do contacto perfeito entre as faces de vedação. Também aqui, deverão ser tomadas considerações no que respeita a alterações de pressão e temperatura. Tais alterações poderão resultar em tensões na tubagem, as quais, por sua vez, provocam desalinhamentos nas faces de vedação.

Existem dois tipos básicos de vedação: metal com metal ou metal em contacto com um material elástico.

A face metal com metal apresenta maior força mecânica, embora esteja mais

sujeita a agarramento e gripagem. Para colmatar este problema, alguns fabricantes procuram materiais de diferentes durezas sendo, no entanto, expectáveis os problemas apontados, ao fim de alguns ciclos de funcionamento.

A face de metal em contacto com um material elástico tem tido algum

sucesso, principalmente onde não é desejável a contaminação de produtos, isto é, quando a vedação representa um factor essencial. Este tipo de construção

tem limites, relacionados com a pressão e a temperatura.

Espaço físico de montagem

Em virtude da grande variedade de modelos, que poderão atingir grandes dimensões, é fundamental que o espaço físico circundante seja bastante amplo, de modo a que, tanto as acções de operação como de manutenção possam ser efectuadas com facilidade. Um dos factores a que estas válvulas são bastantes sensíveis consiste nas tensões provocadas pela tubagem de ligação tornando-se, por isso, necessário tomar as respectivas precauções no que respeita aos suportes da mesma.

Válvulas de macho esférico

Embora este modelo de válvulas esteja disponível no mercado há já algum tempo, só se verificou a sua plena aceitação, talvez, nos últimos quinze anos, nomeadamente na indústria química. Esta situação ficou a dever-se ao facto de ter existido uma grande evolução, tanto no fabrico de borrachas e plásticos, como nas máquinas capazes de uma produção em série deste tipo de válvulas.

Inicialmente, e daí a sua aceitação não ser a melhor, as faces de vedação eram de metal com metal com a consequente fraca estanquicidade. Posteriormente,

a face que constitui a sede passou a ser fabricada à base de polímeros e nylon,

tendo o obturador, de formato esférico, sofrido também uma evolução qualitativa. Um dos modelos de uma válvula de macho esférico está representada na figura I.7.

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 1010101010 Figura I.7 - Válvula de macho esférico Movimentação dos
· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 1010101010 Figura I.7 - Válvula de macho esférico Movimentação dos

Figura I.7 - Válvula de macho esférico

Movimentação dos componentes de controlo de fluido

O processo de movimentação dos componentes de controlo de fluido é

semelhante ao das válvulas de macho cónico, isto é, basta a rotação de um quarto de volta para termos a válvula fechada ou aberta.

A passagem do fluido é obtida através de um orifício existente no obturador

esférico e que o atravessa de um lado ao outro. Este orifício é, de uma maneira geral, de idêntica dimensão à da entrada da válvula. Esta normalmente está equipada com um indicador de posição (fechada ou aberta).

Zonas de vedação

Na prevenção de fugas para o exterior, as válvulas de macho esférico empregam vários tipos de vedantes na haste ou na ligação corpo/tampa, as

quais vão desde os ‘o ringues’ aos empanques normais. Na sua ligação à tubagem, quer seja flangeada, roscada ou soldada, o tipo de vedante ou junta deverá estar de acordo com as especificações utilizadas para a tubagem onde

a mesma se encontra inserida.

Na vedação à passagem do fluido para jusante e, no caso mais comum, com esfera flutuante, à medida que a pressão aumenta, mais eficaz se torna a estanquicidade, em virtude da natureza do material da sede que, como dissemos, poderá ser em borracha ou teflon. Apresentam, no entanto, alguns problemas quando o diferencial de pressão, a montante e a jusante, é reduzido.

Estas válvulas estão limitadas na sua aplicação por factores como a pressão e

a temperatura devido, essencialmente, aos materiais elásticos aplicados.

Quando o controlo de estanquicidade se torna imperativo e a manutenção

periódica se torna difícil, estas válvulas poderão estar munidas de um dispositivo

de lubrificação ao nível das faces de contacto.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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Espaço físico de montagem

As válvulas deste tipo oferecem vantagens em relação, por exemplo, às válvulas de cunha, pois o seu formato é mais compacto, sendo, por isso, bastante aplicadas onde o espaço de montagem constitui problema. São bastante utilizadas em plataformas de exploração de petróleo e a sua aplicação em refinarias e indústrias químicas ganha cada vez mais significado.

Válvulas de macho cónico e macho cilíndrico

A válvula de macho cónico é o modelo aperfeiçoado da simples torneira, sendo

a mais velha na família das válvulas. A sua origem remonta ao tempo dos

Romanos, tendo sido encontrado um exemplar quase intacto, feito em bronze,

nas ruínas de Pompeia. A sua utilização estaria relacionada com a distribuição de água por meio de aquedutos. Os componentes básicos desta válvula são:

o

corpo, o macho ou obturador e a tampa.

O

macho poderá ser cilíndrico ou cónico e contém uma abertura, através da

qual se dá o escoamento do fluido. Na posição aberta, e tal como na válvula de macho esférico, o orifício do macho estabelece o contacto entre a entrada e

saída da válvula, proporcionando a passagem do fluido em linha recta. O orifício

ou janela do macho tem, normalmente, a forma rectangular. A figura I.8 representa

uma válvula de macho cónico.

A figura I.8 representa uma válvula de macho cónico. Figura I.8 - Válvula de macho cónico

Figura I.8 - Válvula de macho cónico (posição fechada)

Figura I.8 - Válvula de macho cónico (posição fechada) Componente Científico-Tecnológica

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Movimentação dos componentes de controlo de fluido

Tal como vimos na válvula de macho esférico, a posição de aberta ou fechada é obtida através da rotação de um quarto de volta do macho. Na tampa, e como parte integrante da mesma, existe um batente que limita a movimentação do manípulo. A detecção da posição do macho é bastante simples, visto que, quando o manípulo se encontra em linha com a válvula, significa que a mesma se encontra aberta. Se a sua posição for de 90° em relação à válvula, então esta encontra-se fechada.

Zonas de vedação

Os pontos de vedação para o exterior a ter em atenção numa válvula deste tipo são os mesmos de uma válvula de cunha. A vedação na haste poderá ser efectuada através de ‘o ringues’ ou da injecção pelo exterior de um fluido vedante especial. Na ligação à tubagem, o método de selecção está, novamente, dependente do tipo de extremidades da válvula e dos materiais aplicados no mesmo circuito.

O método de vedação da passagem do fluido para jusante poderá ter duas

variantes: ou lubrificado na zona de vedação, permitindo uma melhor estanquicidade e evitando também que o macho se agarre à sede, ou utilizando materiais mais macios como o teflon. Este material é bastante durável, sendo afectado por uma quantidade mínima de fluidos. O seu desgaste por fricção é muito ligeiro, proporcionando, assim, um prolongamento das condições ideais de funcionamento da válvula.

Espaço físico de montagem

A válvula de macho cónico ou cilíndrico é uma válvula compacta que requer

pouco espaço para a sua montagem. É mais leve que as válvulas idênticas, de

cunha ou de globo.

VÁLVULAS REGULADORAS OU ESTRANGULADORAS

Válvulas de globo

A designação de válvulas de globo abarca um variadíssimo número de modelos,

desde os que são comandados manualmente aos comandados através de um dispositivo automático.

O factor de construção, comum a todas elas, situa-se no interior da válvula e

consiste num disco ou obturador que se movimenta no sentido vertical e que encastra numa sede.

As válvulas de globo são, normalmente, utilizadas em regulação de caudais e ao contrário, por exemplo, das válvulas de cunha, a direcção do fluxo de fluido sofre um desvio de 90°. Muitos dos modelos são unidireccionais e possuem

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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uma seta no exterior, a qual indica o sentido correcto de montagem. Na maior parte dos casos, a pressão é exercida por baixo do disco. A perda de pressão é bastante elevada e, para minimizá-la, os construtores disponibilizaram modelos alternativos, tais como o modelo em Y e em ângulo recto.

A válvula de agulha é uma variante da válvula de globo, que é fabricada até 2", com o obturador e sede cónicos e que permite grande precisão na regulação de caudal. As figuras I.9, I.10, I.11 e I.12 representam os tipos de válvulas de globo referenciados.

representam os tipos de válvulas de globo referenciados. Figura I.9 - Válvula de globo normal Figura

Figura I.9 - Válvula de globo normal

globo referenciados. Figura I.9 - Válvula de globo normal Figura I.10 - Válvula de globo a

Figura I.10 - Válvula de globo a 90°

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 1414141414 Figura I.11 - Válvula de globo em Y Figura I.12

Figura I.11 - Válvula de globo em Y

IIIII 1414141414 Figura I.11 - Válvula de globo em Y Figura I.12 - Válvula de agulha

Figura I.12 - Válvula de agulha

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Movimentação dos componentes de controlo de fluido

As técnicas de movimentação dos componentes de controlo de fluido são, essencialmente, as mesmas da família das válvulas de cunha, ou seja, através da utilização de uma haste roscada que desloca o obturador, afastando-o ou aproximando-o da sede.

Zonas de vedação

Os problemas e soluções para as válvulas de globo são idênticos aos verificados nas válvulas de cunha, com excepção da zona de passagem de fluido para jusante. O obturador pode ser em forma de disco ou de bujão e a face de vedação pode ser em metal ou possuir um material elástico embutido. A figura I.13 mostra um obturador com material elástico embutido.

Legenda: 1 - Sede; 2 - Obturador; 3 - Material elástico embutido.

Legenda:

1 - Sede;

2 - Obturador;

3 - Material elástico embutido.

Figura I.13 - Obturador com material elástico embutido

Onde as condições de serviço não são muito severas e a pressão não é muito elevada, o obturador com material elástico embutido proporciona uma vedação extremamente boa, sendo recomendado, em particular, para fluidos que arrastem consigo partículas sólidas. Quando uma destas partículas é entalada entre as faces de vedação, é comprimida de encontro à superfície mais macia, o que diminui a possibilidade de interferência com a vedação. No entanto, o material elástico (por exemplo borracha) não é aconselhável para efeitos de regulação de caudal, devido à rápida degradação do mesmo.

O obturador em metal tem, normalmente, a forma afunilada ou cónica, sendo

a superfície de contacto da sede igualmente cónica. A sede pode fazer parte

integrante do corpo ou poderá ser roscada, o que proporciona a sua substituição.

A figura I.14 mostra o tipo de obturador citado, assim como o caso de uma sede

roscada.

de obturador citado, assim como o caso de uma sede roscada. Componente Científico-Tecnológica

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 1616161616 Legenda: 1 - Obturador em metal (substituível); 2 -
Legenda: 1 - Obturador em metal (substituível); 2 - Sede (substituível).

Legenda:

1 - Obturador em metal (substituível);

2 - Sede (substituível).

Figura I.14 - Obturador em metal / sede roscada

Espaço físico de montagem

As válvulas de globo, quando comparadas com as de cunha, necessitam sensivelmente do mesmo espaço e possuem sensivelmente o mesmo peso. Embora não tão sensíveis a tensões provocadas pela tubagem, as válvulas de globo deverão ser também devidamente suportadas.

Válvulas de borboleta

O princípio de concepção destas válvulas é semelhante ao “registo” aplicado na

chaminé de uma lareira ou da vulgar salamandra. O disco ou obturador tem sensivelmente a medida do diâmetro da tubagem onde se encontra inserida. Um quarto de volta é suficiente para permitir uma abertura total, visto que a haste funciona como eixo de rotação.

Quase todas as válvulas deste tipo possuem sedes em material elástico e são aplicadas em serviços de baixa pressão e temperatura, gases ou líquidos, corrosivos ou não, e que arrastam consigo partículas sólidas.

Estas válvulas possuem aspectos exteriores distintos, dependendo das dimensões dos serviços a que se aplicam. Em tamanhos pequenos, as válvulas são normalmente roscadas à tubagem. Em dimensões maiores, são montadas entre duas flanges, podendo ter dois aspectos, consoante possuam, ou não, furação para aplicação de pernos. Se a possuem, poderão ter uma ou duas flanges de ligação.

A figura I.15 representa uma válvula de borboleta sem furação e a figura I.16

uma válvula de borboleta com furação.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Legenda: 1 - Corpo; 2 - Disco; 3 - Haste; 4 - Revestimento interior (“

Legenda:

1 - Corpo;

2 - Disco;

3 - Haste;

4 - Revestimento interior (“lining”).

Figura I.15 - Válvula de borboleta sem furação

Legenda: 1 - Corpo; 2 - Disco; 3 - Haste; 4 - Revestimento interior (“

Legenda:

1 - Corpo;

2 - Disco;

3 - Haste;

4 - Revestimento interior (“lining”).

Figura I.16 - Válvula de borboleta com furação

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Movimentação dos componentes de controlo de fluido

Como vimos, o movimento destes componentes é bastante simples, consistindo apenas na rotação de um quarto de volta para a obtenção da abertura ou fecho total da válvula.

Zonas de vedação

Estas válvulas são constituídas por um corpo único, não havendo ligação corpo/ /castelo ou tampa. No entanto, e no que diz respeito à vedação para o exterior, existe uma zona de aplicação de empanque em redor da haste. No interior, são normalmente revestidas com material resistente à corrosão (“lining”), o qual constitui, conjuntamente com o disco, a vedação da válvula. Este modelo está limitado a pressões normalmente não superiores a 10 Kg/cm 2 (150 psi). Podem, ainda, possuir a face de encosto do disco (sede) em material elástico, não sendo, neste caso, revestidas por dentro. Finalmente, se as faces de vedação forem metal com metal, a sua utilização é bastante reduzida (altas temperaturas), não se obtendo a estanquicidade desejada.

Espaço físico de montagem

Devido à sua concepção, estas válvulas não necessitam de grande espaço de montagem. No entanto, deverão ser tomadas as devidas precauções, de modo

a obter-se o espaço necessário para se poder actuar, tanto em operação como em manutenção.

Válvulas de diafragma

As válvulas de diafragma encontram utilização, tanto como válvulas reguladoras, como de passagem. Desempenham uma grande variedade de funções em fluidos líquidos.

Nestas válvulas, o diafragma isola totalmente o fluido do mecanismo de controlo, não podendo, por isso, contaminar o mesmo e conduzir, consequentemente, a uma falha de operação. Devido à grande flexibilidade e variedade dos materiais empregues no fabrico do diafragma, mais concretamente na patente “Saunders”, estas válvulas podem ser utilizadas em serviços altamente corrosivos. São válvulas praticamente sem problemas de manutenção e não necessitam de empanque na zona da haste, sendo, no entanto, previsto para casos mais perigosos, um castelo devidamente equipado com um empanque suplementar. É fabricado numa vasta gama de materiais, incluindo ferro ou aço vazado, aço inoxidável e outras ligas especialmente indicadas para resistir à corrosão. O interior poderá ser totalmente revestido com algumas variantes de teflon não contamináveis. As dimensões destas válvulas poderão situar-se normalmente entre 1/8 e 24".

A figura I.17 representa uma válvula de diafragma.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Legenda: 1 - Obturador; 2 - Diafragma; 3 - Sede tipo “barragem”.

Legenda:

1 - Obturador;

2 - Diafragma;

3 - Sede tipo “barragem”.

Figura I.17 - Válvula de diafragma

tipo “barragem”. Figura I.17 - Válvula de diafragma VÁLVULAS DE RETENÇÃO Como o próprio nome indica,

VÁLVULAS DE RETENÇÃO

Como o próprio nome indica, estas válvulas destinam-se a impedir o retorno do fluido para montante. São também vulgarmente chamadas de “não retorno”.

O seu funcionamento é bastante simples. A válvula encontra-se aberta quando

a pressão a montante é superior à de jusante. Quando se verifica o inverso,

tanto o peso do obturador como a pressão a jusante impelem o mesmo de encontro à sede, obtendo-se, assim, a posição fechada. Como ajuda ao fecho, as válvulas poderão ser equipadas com uma mola, a qual prime o obturador.

Existem três modelos fundamentais, consoante o tipo de obturador. Poderão ser de charneira, de esfera ou de pistão.

A válvula de charneira é, normalmente, utilizada onde a velocidade do fluxo é

baixa e onde não são previsíveis situações de retorno frequentes. Pode ter como acessórios, componentes que permitam regular tanto a pressão de abertura

como a pressão de fecho. Os materiais de fabrico poderão ser os seguintes:

bronze, ferro, ferro fundido, aço forjado ou fundido e aço inoxidável.

As ligações à tubagem podem ser roscadas, flangeadas ou soldadas. A sua montagem no circuito poderá ser na horizontal ou na vertical, sendo o sentido do fluxo, neste caso, de baixo para cima.

A figura I.18 representa uma válvula de charneira.

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1 - Tampa; 2 - Sede; Legenda: 3 - Obturador; 4 - Mola.

1 - Tampa; 2 - Sede;

Legenda:

3 - Obturador; 4 - Mola.

Figura I.18 - Válvula de retenção de charneira

As válvulas de esfera, como o nome indica, possuem um obturador em forma de esfera que pode rodar livremente. A sua construção é limitada a pequenas dimensões e, normalmente, são utilizadas em produtos viscosos. A posição de montagem é na horizontal ou na vertical.

A figura I.19 representa uma válvula de retenção de esfera.

1 - Corpo; 2 - Sede; Legenda: 3 - Esfera; 4 - Porcas e pernos.

1 - Corpo; 2 - Sede;

Legenda:

3 - Esfera; 4 - Porcas e pernos.

Figura I.19 - Válvula de retenção de esfera (montagem vertical)

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As válvulas de pistão possuem um obturador guiado e, tal como as de esfera,

o seu funcionamento faz-se por acção da gravidade. Poderão, no entanto, possuir uma mola que proporcione uma vedação mais estável. A configuração das faces de vedação é muito semelhante à da válvula de globo.

São normalmente utilizadas em serviços de alta pressão e possuem dimensões inferiores às válvulas de charneira.

A figura I.20 representa uma válvula de retenção de pistão.

1 - Corpo; 2 - Obturador; 3 - Sede; Legenda: 4 - Haste do obturador;

1 - Corpo;

2 - Obturador;

3 - Sede;

Legenda:

4 - Haste do obturador;

5 - Porcas e parafusos;

6 - Junta.

Figura I.20 - Válvula de retenção de pistão

Zonas de vedação

A zona de vedação para o exterior situa-se na ligação do corpo à tampa.

A ligação à tubagem, roscada ou flangeada, é outra das zonas a ter em

consideração, tal como em casos anteriores.

No interior, ou seja, nas faces de vedação e, em particular, nas válvulas de

charneira e de pistão, as faces de vedação podem ser constituídas por materiais

já anteriormente referidos (metal com metal, ou metal com material elástico).

(metal com metal, ou metal com material elástico). Componente Científico-Tecnológica

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Espaço físico de montagem

Em virtude de serem válvulas de funcionamento automático que, na grande generalidade, não necessitam de acessórios externos de funcionamento, o espaço físico de montagem é relativamente reduzido, embora seja sempre necessária uma boa movimentação do pessoal ligado à montagem ou conservação das mesmas.

VÁLVULAS OU SISTEMAS DE ALÍVIO DE PRESSÃO

De um modo geral, poder-se-á dizer que, onde houver um equipamento sob pressão, existe uma válvula de alívio de pressão ou um outro tipo de dispositivo denominado disco de ruptura. Existem ainda outros dispositivos, mas, face à sua fraca representatividade, não os iremos abordar nesta unidade temática.

A sua função fundamental é a de evitar que os aumentos de pressão não

controláveis ponham em risco a segurança de pessoas ou bens (equipamentos, tubagem, etc.). A pressão de timbre, ou a pressão máxima de serviço do equipamento onde se encontram instaladas, corresponde, geralmente, à pressão

de abertura da válvula ou ao rebentamento do disco de ruptura.

Existem vários modelos de válvulas de alívio de pressão. Embora nenhum deles seja recomendado para todos os serviços, existe um ideal para a aplicação que é desejada. Os fundamentais são os seguintes: válvula de segurança, alívio, segurança/alívio e vácuo.

Válvula de segurança

A válvula de segurança é normalmente utilizada nos sistemas de vapor ou ar

comprimido.

Estas válvulas caracterizam-se por possuírem uma abertura rápida (“pop action”),

a partir de um braço de abertura manual, o qual deverá poder ser activado

quando a pressão de serviço atingir os 75% da pressão de abertura e por um castelo aberto que proporciona a refrigeração da mola. Geralmente, são também munidas de anéis ou rosetas, que permitem a regulação de uma abertura rápida e de um fecho controlado.

A ligação à tubagem poderá ser roscada, flangeada ou soldada.

São válvulas especialmente indicadas para gases não poluentes.

Têm contra-indicações tais como:

Serviços corrosivos e tóxicos;

Circuitos com contrapressão, isto é, circuitos onde haja condições para a existência de pressão a jusante;

Circuitos de líquidos.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Estas contra-indicações resultam do facto deste tipo de válvulas possuir o castelo aberto, possibilitando assim o escape do produto para a atmosfera.

A figura I.21 representa uma válvula de segurança e a figura I.22 os anéis ou rosetas que, como vimos, permitem obter o efeito “pop” e fecho controlado, quando devidamente regulados. A sua regulação será dada na unidade temática IV (Manutenção, procedimentos de reparação e calibração).

Legenda: 1 - Parafuso de afinação da mola; 2 - Porca de fixação tirante/estribo; 3

Legenda:

1 - Parafuso de afinação da mola;

2 - Porca de fixação tirante/estribo;

3 - Estribo;

4 - Prato superior da mola;

5 - Tirante;

6 - Mola;

7 - Prato inferior da mola;

8 - Perno;

Obs.: Flange de escape não visível (lado oposto da imagem)

9 - Porca;

10 - Bujões com pinos de fixação dos anéis ou rosetas;

11 - Porca de fixação tirante/corpo;

12 - Bujão de purga;

13 - Entrada da válvula (ligação soldada);

14 - Haste.

Figura I.21 - Válvula de segurança

soldada); 14 - Haste. Figura I.21 - Válvula de segurança Componente Científico-Tecnológica

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 2424242424 Legenda: 1 - Sede; 3 - Anel superior; 2 -
Legenda: 1 - Sede; 3 - Anel superior; 2 - Obturador; 4 - Anel inferior.

Legenda:

1 - Sede;

3 - Anel superior;

2 - Obturador;

4 - Anel inferior.

Figura I.22 - Anéis de regulação ou “rosetas”

Válvula de alívio

As válvulas de alívio são destinadas a actuar exclusivamente em circuitos de líquidos. São válvulas de escoamento lento e progressivo, estando a abertura da zona de escape dependente da maior ou menor pressão interna do equipamento protegido. Têm o castelo fechado e, normalmente, não possuem braço de abertura manual. Não dispõem de anéis de regulação, embora alguns fabricantes os incluam e os considerem fundamentais ao funcionamento da válvula.

Tal como as válvulas de segurança, possuem também algumas limitações como, por exemplo, circuitos de gases.

A figura I.23 representa uma válvula de alívio.

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Legenda: 1 - Capacete; 5 - Castelo; 2 - Contraporca do parafuso de afinação; 6

Legenda:

1 - Capacete;

5 - Castelo;

2 - Contraporca do parafuso de afinação;

6 - Haste; 7 - Guia;

3 - Parafuso de afinação;

8 - Obturador;

4 - Mola;

9 - Sede.

Figura I.23 - Válvula de alívio

Válvulas de segurança/alívio

Nas unidades industriais, as válvulas de segurança/alívio são, sem dúvida, as mais comuns desta família. Com uma vasta gama de utilização, que abrange desde os circuitos de vapor a circuitos de líquidos, podem estar munidas de castelo aberto ou fechado, terem braço de abertura manual ou não e, normalmente, possuem um anel de regulação ou roseta.

São subdivididas em dois grupos: convencionais e balanceadas ou equilibradas. A sua principal diferença consiste na existência ou não de um “fole” na zona das peças deslizantes.

ou não de um “fole” na zona das peças deslizantes. Componente Científico-Tecnológica

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 2626262626 O “fole” tem como funções principais evitar que o

O “fole” tem como funções principais evitar que o produto protegido ou proveniente da tubagem de descarga, no caso de ser corrosivo ou tóxico, consiga não só penetrar na zona de peças deslizantes, provocando o seu agarramento, como também escapar-se para a atmosfera. Outra das funções, não menos importante, é a de evitar, quase totalmente, que a contrapressão actue nas costas do obturador, situação esta que, a verificar-se, iria ajudar a função da mola e aumentar a pressão de abertura.

As balanceadas possuem fole e as convencionais não. As figuras I.24 e I.25 representam, respectivamente, uma válvula convencional e uma balanceada.

Legenda: 1 - Corpo; 13 - Porca; 2 - Sede roscada; 14 - Mola; 3

Legenda:

1 - Corpo;

13 - Porca;

2 - Sede roscada;

14 - Mola;

3 - Obturador;

15 - Pratos da mola;

4 - Freio (fixação do obturador);

16 - Parafuso de regulação;

5 - Roseta;

17 - Contraporca do parafuso de

6 - Pino de fixação da roseta;

regulação;

7 - Suporte do obturador;

18 - Tubo redutor;

8 - Guia;

19 - Capacete;

9 - Haste;

20 - Junta de bujão;

10 - Freio (fixação da haste);

21 - Junta de ligação corpo/castelo;

11 - Castelo;

22 - Junta do capacete;

12 - Perno de ligação corpo/castelo;

23 - Junta corpo/guia.

Figura I.24 - Válvula segurança/alívio convencional

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Legenda: 1 - Corpo; 13 - Porca; 2 - Sede roscada; 14 - Mola; 3

Legenda:

1 - Corpo;

13 - Porca;

2 - Sede roscada;

14 - Mola;

3 - Obturador;

15 - Pratos da mola;

4 - Fole;

16 - Parafuso de regulação;

5 - Roseta;

17 - Contraporca do parafuso de regulação;

6 - Pino de fixação da roseta;

18 - Freio (fixação do obturador);

7 - Suporte do obturador;

19 - Capacete;

8 - Guia;

20 - Junta de ligação corpo/castelo;

9 - Haste;

21 - Junta do fole;

10 - Freio (fixação da haste);

22 - Junta corpo/guia;

11 - Castelo;

23 - Junta de bujão;

12 - Perno de ligação corpo/castelo;

24 - Junta do capacete.

Figura I.25 - Válvula segurança/alívio balanceada

Válvulas de vácuo

As válvulas de vácuo, como o próprio nome indica, são utilizadas onde possam ocorrer situações de vácuo, dentro dos equipamentos protegidos. Podem ser encontradas trabalhando em conjugação com uma válvula de alívio, nomeadamente em tanques de armazenagem. São vulgarmente chamadas de respiros e funcionam com pressões, positivas ou negativas, muito próximas da pressão atmosférica.

ou negativas, muito próximas da pressão atmosférica. Componente Científico-Tecnológica

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Tipos de Válvulas e sua Aplicação

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A figura I.26 representa uma válvula de alívio e vácuo.

1 - Válvula de alívio; 2 - Válvula de vácuo; 3 - Ligação à tubagem;

1 - Válvula de alívio;

2 - Válvula de vácuo;

3 - Ligação à tubagem;

Legenda:

4 - Sede;

5 - Obturador ou “palete”.

Figura I.26 - Válvula de alívio e vácuo

Discos de ruptura

Os discos de ruptura consistem, basicamente, num diafragma, o qual é normalmente apertado entre duas flanges especiais.

Têm o seu rebentamento sensivelmente coincidente com a pressão máxima de serviço do equipamento. A pressão de rebentamento varia na razão directa da

espessura e na razão inversa do diâmetro. Quer isto dizer que, quanto maior for

o diâmetro, menor será a pressão de rebentamento e, quanto maior a espessura, maior aquela será. Esta pressão poderá atingir os 422 Kg/cm 2 (6.000 Psig).

As dimensões situam-se entre 1/2" e 24", embora alguns fabricantes alarguem

a

sua gama até 44".

O

tipo de montagem ou de instalação poderá ser flangeado, como já referimos

e, ainda, do tipo união ou tipo aparafusado.

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A figura I.27 representa os três tipos mencionados.

1 1 - Flangeado; 23 Legenda: 2 - União; 3 - Aparafusado.

1

1 - Flangeado;

23

Legenda:

2 - União;

3 - Aparafusado.

Figura I.27 - Tipos de montagem

Os modelos fundamentais são os seguintes: o convencional, de deformação inversa e planos.

A figura I.28 representa estes três modelos.

Legenda: 1 - Plano; 2 - Convencional; 3 - Deformação inversa; 4 - Lâminas; 5

Legenda:

1 - Plano;

2 - Convencional;

3 - Deformação inversa;

4 - Lâminas;

5 - Flanges;

6 - Disco.

Figura

I.28 - Modelos fundamentais

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IEFPIEFPIEFPIEFPIEFP · ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 O modelo convencional é o mais sujeito à fadiga por

O modelo convencional é o mais sujeito à fadiga por stress. Este facto deriva

directamente da tensão provocada pela constante pressão do fluido a montante,

a qual é exercida na face convexa do disco. Em termos de rebentamento é, sem dúvida, o menos fiável.

O modelo de deformação inversa é mais fiável que o anterior porque a

face em contacto com a pressão é côncava e, por isso, menos sujeito à fadiga. São normalmente equipados com lâminas que proporcionam uma ajuda suplementar ao rebentamento.

O modelo plano é o mais fiável de todos. É fabricado em grafite, material

muito resistente à deformação ou fadiga, quer a temperaturas elevadas, como a baixas pressões. Talvez a sua única limitação seja em conjugação com uma válvula de segurança, em virtude da danificação que os estilhaços poderão provocar nas faces de vedação da mesma.

A montagem de um disco de ruptura, em conjugação com uma válvula

de segurança, tem algumas vantagens que, resumidamente, se nomeiam:

Não há produto no interior da válvula;

Prolonga a vida da válvula;

Período de inspecção da válvula mais dilatado;

Material da válvula pode ser menos dispendioso.

A

grande desvantagem de um disco de ruptura actuando sozinho é que, após

o

seu rebentamento, o equipamento é despressurizado e só poderá ser

pressurizado após substituição do disco.

Movimentação dos componentes de controlo de fluido

Nas válvulas de segurança, segurança/alívio e alívio e, salvo raras excepções, o obturador é pressionado de encontro à sede por meio de uma mola, a qual é devidamente calibrada através de um parafuso de regulação que a comprime ou descomprime. Quando se comprime, a pressão de abertura da válvula aumenta

e, no caso inverso, baixa.

Em virtude de existirem várias gamas de mola para as diversas pressões desejadas, é de toda a conveniência não ultrapassar os limites impostos pelo fabricante.

Estas válvulas são muito delicadas, não só pela função que desempenham, mas também porque raramente são chamadas a actuar. Esta situação leva o utilizador quase a esquecer-se da sua importância. É muito comum encontrar válvulas desta família agarradas na zona da haste com a guia, daí a necessidade de um controlo periódico efectivo das mesmas. O braço de abertura manual, no caso concreto dos geradores de vapor, é um importante auxiliar na verificação periódica do funcionamento da válvula.

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VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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Outro problema que afecta estas válvulas é a danificação das faces de vedação. Estas, tal como nos casos anteriormente vistos, podem ser de metal com metal, ou metal em contacto com material elástico. As condicionantes de aplicação destes materiais são, regra geral, as mesmas, ou seja, sempre em função do tipo de fluido, pressão e temperatura.

Zonas de vedação

As zonas críticas de vedação destas válvulas estão dependentes do tipo de serviço a que se destinam. A escolha do modelo de válvula é importante, na medida em que existem diferenças substanciais de concepção.

Assim, não iremos escolher uma válvula de castelo aberto para um serviço tóxico em que, obviamente, não é desejável a presença desse produto na atmosfera. Por outro lado, também não iremos escolher uma válvula para trabalhar em vapor sobreaquecido, em que a temperatura é bastante elevada, com castelo fechado. Neste caso, é necessário que a mola seja refrigerada.

O facto de existir uma grande variedade de opções, significa que a escolha terá, forçosamente, de ser criteriosa.

Estas válvulas não necessitam de empanque na haste, visto que o funcionamento perfeito da válvula depende da liberdade de movimentos das peças móveis.

Na ligação à tubagem, que poderá ser roscada, flangeada (a mais comum) e soldada, o tipo de vedante a escolher faz-se novamente em função da pressão, temperatura e tipo de fluido.

No interior, ou seja, no controlo de passagem de fluido para jusante, é necessário uma atenção suplementar em relação à rectificação e esmerilagem das faces de vedação. Tal como em outros tipos de válvulas, existem normas que regulamentam a quantidade de fuga admissível, sendo, no caso presente, o nível de aceitação bastante exigente e regulamentado, por exemplo, pelo API 527.

Espaço físico de montagem

Estas válvulas, tal como as válvulas de cunha, podem atingir grandes dimensões, necessitando, por isso, de um amplo espaço em redor das mesmas.

Porque algumas são munidas de braço de abertura manual e anéis de regulação, é de toda a conveniência que o acesso e actuação nestes componentes se faça com bastante liberdade. Por vezes, são necessários equipamentos de elevação para a instalação e remoção, facto que motiva também algumas considerações, em termos de projecto inicial da instalação.

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.01 IIIII 3232323232 RESUMO Nesta Unidade Temática, foram apresentados vários

RESUMO

Nesta Unidade Temática, foram apresentados vários tipos de válvulas e suas principais características. Foi também efectuada uma descrição dos principais tipos de discos de ruptura.

Válvulas de passagem

Cunha ou comporta

Macho esférico

Macho cónico ou cilíndrico

Válvulas reguladoras ou estranguladoras

Globo

Borboleta

Diafragma

Válvulas de retenção

Válvulas ou sistemas de alívio de pressão

Segurança

Alívio

Segurança/alívio

Vácuo

Discos de ruptura

• Plano

• Convencional

• Deformação inversa

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ACTIVIDADES

1. Uma válvula é um dispositivo destinado a estabelecer, controlar e interromper a normal circulação de um fluido em circuitos fechados. Quais são as condicionantes que regulam a escolha de um determinado tipo de válvula?

2. Se pretender uma válvula de alívio de pressão, destinada a proteger um equipamento que contenha um gás tóxico, e não seja desejável a presença de contrapressão a jusante, que tipo de modelo escolheria?

3. Quais são os pontos de vedação mais críticos para o exterior, numa válvula de cunha?

4. Enumere e distinga, em termos de concepção, os modelos de válvulas de retenção existentes.

5. Quais são as principais vantagens de um disco de ruptura, em conjugação com uma válvula de alívio de pressão?

/ AVALIAÇÃO

com uma válvula de alívio de pressão? / AVALIAÇÃO Componente Prática

Componente Prática

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M.T1.08 UT.02 Inspecção Periódica e Manutenção Preventiva

Inspecção Periódica e Manutenção Preventiva

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OBJECTIVOS

No final desta Unidade Temática, o formando deverá estar apto a:

Identificar porquê, quando e como se deverá proceder a uma inspecção;

Organizar um programa de inspecção periódico.

TEMAS

Porquê, quando e como

Porquê

Quando

Como

Válvulas de passagem, reguladoras ou estranguladoras

Válvulas de não retorno

Válvulas e sistemas de alívio de pressão

Resumo

Actividades / Avaliação

VálvulasVálvulasVálvulasVálvulasVálvulas eeeee SistemasSistemasSistemasSistemasSistemas dedededede AlívioAlívioAlívioAlívioAlívio dedededede PressãoPressãoPressãoPressãoPressão

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PORQUÊ, QUANDO E COMO

PORQUÊ

A inspecção periódica tende a confundir-se com a manutenção preventiva,

tanto mais que ambas procuram prevenir situações de paragens não programadas

e estabelecer períodos de inspecção ideal.

Se perguntarmos aos responsáveis de manutenção qual a sua definição de inspecção periódica e manutenção preventiva, cada um deles irá dar a

sua própria visão do assunto, porque a mesma varia, grandemente, em objectivos

e frequência.

Muitos pensam na IP/MP como sistemas isolados dentro da sua própria actividade, citando, como exemplo, o responsável das protecções anti-corrosivas, que lida somente com assuntos relativos à sua área de actuação, ou o responsável da área mecânica, que actua isoladamente da anterior.

Quer isto dizer que, em termos de inspecção periódica de válvulas ou dispositivos de segurança, a filosofia da mesma deverá ser sempre interligada com as outras actividades existentes, dentro da unidade industrial.

Basicamente, e não dependendo do tipo de programas de IP/MP, todos contêm dois objectivos:

Prevenção de condicionantes que motivem paragens de produção, danificação de equipamentos e acidentes pessoais;

Conservação da instalação, de modo a evitar as situações anteriores, e proceder a pequenas reparações e afinações.

O porquê da IP/MP nas válvulas ou dispositivos de segurança é objecto desta

unidade formativa e, tal como em todos os outros equipamentos de uma unidade industrial, relaciona-se directamente com três factores fundamentais:

Maximização da produção;

Minimização de custos;

Segurança de pessoas e bens.

Para que se verifique este tipo de condições, é necessário que haja um conhecimento profundo, não só da instalação em si (fluidos, pressões, temperaturas, etc.), mas também dos equipamentos, no caso presente, válvulas. Paralelamente, deverá existir uma equipa de inspecção, cuja dimensão estará de acordo com o volume de equipamentos da unidade e que procederá a rotinas

volume de equipamentos da unidade e que procederá a rotinas IIIIIIIIII 22222

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de inspecção visual. Durante estas rotinas, irão com certeza ser detectadas anomalias que, prontamente corrigidas, contribuirão para um prolongamento da vida útil dos equipamentos.

Convém referir que quem esperar resultados imediatos de um programa de IP/MP ficará por certo desapontado, visto que o mesmo só produzirá os efeitos desejáveis, por vezes, ao fim de alguns anos. Se não for implementado, o utilizador nunca terá qualquer noção de quando e como intervencionar os equipamentos.

A maximização da produção não é mais que manter a instalação em

funcionamento, o máximo tempo possível sem interrupção. Ela é, sem dúvida, uma consequência directa do conjunto das acções citadas e de outras, não

menos importantes, como sejam: suporte documental (catálogos do fabricante

e instruções de manutenção), planeamento de intervenções, especialização de pessoal, relatórios de controlo, instalações e ferramentas adequadas.

A minimização dos custos é também uma consequência das acções referidas,

visto que, quanto maior é o tempo de vida útil de um equipamento e menor o

número de intervenções, assim os custos de manutenção serão também reduzidos. Outra das vantagens que daí advêm é a possibilidade de reduzir também os aprovisionamentos, ou seja, a aquisição de peças de reserva.

A segurança de pessoas e bens está mais directamente relacionada com

válvulas ou sistemas de alívio de pressão que, como vimos na Unidade Temática I, constituem equipamentos importantíssimos para a segurança de qualquer

instalação. Não quer isto dizer que os outros tipos de válvulas não requeiram atenção. Contudo, os danos provocados pelo deficiente funcionamento de uma válvula de segurança são consideravelmente superiores. A emissão de produtos tóxicos, corrosivos ou inflamáveis para a atmosfera é um dos graves problemas que poderão ser evitados com a detecção e correcção atempada das anomalias existentes.

QUANDO

A decisão de quando inspeccionar é, provavelmente, uma das que mais influencia

os custos de um programa de IP/MP.

Um ritmo de inspecção exagerado poderá, inclusive, tornar-se tão dispendioso como uma paragem não programada.

Por outro lado, um ritmo negligente poderá resultar em avarias constantes, com a consequente e provável paragem da instalação, perdas exageradas de produto e substituição precoce de componentes, ou mesmo do próprio equipamento.

O equilíbrio entre estes dois factores, traduzir-se-á, com certeza, numa redução

de custos.

traduzir-se-á, com certeza, numa redução de custos. Componente Científico-Tecnológica

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IEFPIEFPIEFPIEFPIEFP · ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.02 Mas, para que se atinja este equilíbrio, devemos ter em

Mas, para que se atinja este equilíbrio, devemos ter em atenção que não existem duas unidades industriais iguais. A idade da instalação, tipo de equipamento, condições ambientais, tipos de fluido, pressões, temperaturas, etc. deverão ser ponderados. Os manuais do fabricante são, sem dúvida, um importante auxiliar nas decisões a tomar. Outro auxiliar importante, caso exista, será o registo histórico dos equipamentos.

O intervalo entre as acções contidas no IP/MP deverá ser reduzido, se o

desempenho do equipamento não for satisfatório, e dilatado, se nesse intervalo não forem detectadas anomalias.

COMO

Fluidos nos diversos estados físicos circulam por todos os equipamentos de qualquer unidade industrial, e a circulação dos mesmos é regulada por válvulas que deverão ser mantidas em perfeitas condições de funcionamento.

Iremos abordar, neste tema, como inspeccionar visualmente, e introduzindo sempre que possível as medidas correctivas necessárias, as válvulas e dispositivos de segurança descritos neste manual. Como complemento, o inspector deverá estar munido de uma folha de registo de anomalias, onde deverão constar os seguintes elementos:

Válvula n.º ou disco de ruptura n.º;

Modelo;

Localização;

Dimensões;

Anomalias detectadas;

Período de inspecção;

Inspeccionado por;

Data.

Se pensarmos, por exemplo, na vulgar torneira existente em qualquer habitação

(que não é mais do que uma válvula de globo), sabemos que o procedimento normal quando a torneira “pinga” é apertá-la com mais força até que esta, por maior que seja, já não permita fechá-la. É então que normalmente se procede à substituição do obturador elástico (borracha).

Este procedimento pode causar sérios danos na torneira, não só nas faces de vedação, como também nas peças móveis.

O mesmo se aplica às válvulas tratadas neste manual, com a agravante de que a extensão da danificação será, com certeza, maior, porque se tratam de válvulas mais complexas.

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Válvulas de passagem, reguladoras ou estranguladoras

Existem várias anomalias a ter em conta durante uma inspecção de rotina. Genericamente, estão relacionadas com fugas para o exterior e com o estado dos componentes visíveis, constituindo estes, fundamentalmente, o corpo, castelo, haste, pernos e porcas, bucim e volante ou manípulo.

Como vimos na Unidade Temática I, existem várias zonas de vedação para o exterior, em válvulas com este tipo de função:

Junta de ligação corpo/castelo;

Juntas de ligação à tubagem;

Empanque.

São precisamente estas as zonas a ter em conta, em termos de fugas para o exterior, durante uma inspecção de rotina.

A ocorrência de uma fuga, na ligação corpo/castelo ou na ligação à tubagem,

conduz, se não se actuar prontamente, à rápida degradação da junta. Referimo-nos, logicamente, a válvulas com ligações flangeadas. O aperto dos pernos ou parafusos deverá ser uniforme, de modo a manter o paralelismo das faces.

Se a vedação for conseguida no momento, é de toda a conveniência uma nova inspecção, de preferência pouco espaçada da primeira (dia seguinte).

Se não for conseguida, esta anomalia deverá ser registada e resolvida, logo que as condições de serviço assim o permitam.

Sem dúvida, o problema mais comum é a fuga pelo empanque. A sua

solução passa pelo aperto uniforme das porcas do bucim. O sentido do aperto

é o mesmo dos ponteiros do relógio. A não uniformidade do mesmo poderá

conduzir ou a uma fuga maior ou a uma falta de suavidade de movimentação da haste.

Se a fuga não for resolvida, será então necessário substituir o empanque. Muitos fabricantes reclamam que as suas válvulas podem ser empancadas em funcionamento. Embora este tipo de manutenção tenha as suas vantagens, não é, contudo, aconselhável, sobretudo, em circuitos de pressões e temperaturas elevadas. A anomalia deverá ser registada e a sua solução implementada, principalmente se estivermos em presença de produtos prejudiciais ao meio ambiente.

O estado dos componentes visíveis poderá apresentar vários aspectos, tais

como corrosão generalizada, falta de lubrificação e empenos, entre outros.

falta de lubrificação e empenos, entre outros. Componente Científico-Tecnológica

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IEFPIEFPIEFPIEFPIEFP · ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.02 A corrosão generalizada depende, sobretudo, do meio

A corrosão generalizada depende, sobretudo, do meio ambiente onde a válvula

se encontra instalada. A proximidade do mar e o próprio ambiente fabril são duas situações que podem ocorrer, sendo este último caso derivado, essencialmente, de imanações ácidas ou alcalinas, provenientes de fugas na própria instalação, ou da própria válvula. Uma protecção anti-corrosiva adequada pode contribuir, sem dúvida, para um retardamento desta situação. Uma inspecção negligente poderá, neste caso, contribuir para a substituição total da válvula.

A lubrificação é outro dos aspectos a ter em conta. Durante a inspecção de

rotina, deverá ser dada particular atenção aos pernos e porcas e, fundamentalmente, à zona da haste. Deverá ser feita, se necessária, uma limpeza com escova ou ar comprimido e, posteriormente, aplicada a massa de lubrificação adequada.A haste deverá também ser movimentada periodicamente, de modo a garantir a sua função.

Todas estas acções de limpeza e lubrificação têm como objectivo, não só a conservação dos componentes, com o consequente prolongamento de vida dos mesmos, mas também uma manutenção mais simples e rápida.

Os empenos são, na maioria dos casos, provenientes de esforços exagerados aplicados nas válvulas, tanto na montagem como em operação.

Na montagem, derivam, fundamentalmente, do deficiente alinhamento ou suporte da tubagem. Deverão ser registadas também estas anomalias como parte integrante da inspecção de rotina. Raramente podem ser corrigidas em funcionamento.

Em operação, são, na maioria dos casos, motivadas por falta de sensibilidade por parte das pessoas envolvidas. Se uma válvula se encontrar com o obturador danificado, não é, de modo algum, aconselhável sujeitar a válvula a apertos exagerados, no sentido de se obter a vedação total da válvula. Um volante partido ou uma haste empenada pode ser o resultado de uma situação deste tipo.

Em manutenção, também se poderão provocar empenos, sobretudo, por montagem deficiente. Neste caso, deve verificar-se se existem desalinhamentos, principalmente, na face de ligação corpo/castelo.

Todas estas situações deverão também ser registadas, dado que a sua correcção não é, geralmente, viável em funcionamento.

Válvulas de não retorno

A inspecção de rotina nestas válvulas, e em virtude de uma maior simplicidade

em relação às anteriores, resume-se à detecção de fugas para o exterior, aspecto exterior (corrosão, empenos) e lubrificação de pernos e porcas. Como vimos, estas válvulas não possuem peças exteriores para movimentação dos componentes de controlo de fluido.

Os procedimentos de inspecção de rotina e de manutenção preventiva são exactamente os mesmos das anteriores.

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Válvulas e sistemas de alívio de pressão

As válvulas de segurança, segurança/alívio e alívio são, como já referimos, elementos fundamentais na segurança de qualquer unidade fabril. Nesta situação, estão também os discos de ruptura.

No caso destas válvulas, e com excepção das fugas pelo empanque, poderão ocorrer todas as situações anteriormente referidas.

No entanto, se são válvulas que, normalmente, estão sempre fechadas e devem actuar automaticamente, como verificar periodicamente o seu funcionamento? Como verificar, por exemplo, que o fole se encontra em bom estado? Como saber se a válvula tem fuga pelo obturador?

No caso presente, e porque as alternativas, como iremos ver, não são muitas, é fundamental que as acções de manutenção em paragem sejam efectuadas em estreita colaboração com a inspecção periódica. Se conseguirmos determinar quanto tempo uma válvula deste tipo se mantém em perfeitas condições de funcionamento, em determinado serviço, estamos, certamente, a caminho do chamado período de inspecção ideal.

Para verificarmos se a válvula funciona, só existem duas alternativas.

A primeira é que, se a válvula possui braço de abertura manual, podemos

fazer actuar a válvula através do mesmo. Esta manobra é especialmente recomendada em circuitos de vapor. No entanto, existem circuitos onde este tipo de actuação não é aconselhável. Convém, por isso, sabermos onde podemos

actuar.

A figura II.1 representa o braço de abertura manual citado.

A figura II.1 representa o braço de abertura manual citado. Figura II.1 - Braço de abertura

Figura II.1 - Braço de abertura manual

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IEFPIEFPIEFPIEFPIEFP · ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.02 A segunda consiste em manter estreita colaboração com a

A segunda consiste em manter estreita colaboração com a produção da unidade,

procurando saber se alguma válvula abriu e qual, e se o funcionamento da mesma correspondeu ao pretendido. Em caso negativo, e se o problema for relacionado com a calibração, existem equipamentos que possibilitam essa mesma calibração em funcionamento, isto é, sem ser necessário remover a válvula do local.

O fole, que, como vimos, é um componente das válvulas de segurança/alívio

balanceadas, pode também ser inspeccionado através de um orifício roscado, existente no castelo da válvula. O procedimento normal de detecção do estado de um fole consiste na aplicação de um manómetro (normalmente até 1,0 Kg/cm²) nesse mesmo orifício. Se for detectada alguma pressão, então estaremos perante um fole danificado ou a respectiva junta. Se assim acontecer, o fole só poderá ser substituído após remoção e desmontagem da válvula.

A figura II.2 indica a localização da montagem do manómetro no castelo da

válvula.

da montagem do manómetro no castelo da válvula. Figura II.2 - Detecção de fuga no fole

Figura II.2 - Detecção de fuga no fole

A fuga pelo obturador é também uma anomalia algo difícil de detectar,

especialmente se for muito ligeira e se a tubagem de descarga estiver ligada a um colector. Pelo contrário, se a descarga for para a atmosfera, torna-se mais fácil, podendo, em alguns casos, visualizar-se a mesma, concretamente em circuitos de vapor. Em qualquer dos casos, são situações que, dependendo do fluido em causa, podem conduzir, rapidamente, à degradação das faces de vedação e ao agarramento das peças deslizantes.

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Finalmente, os discos de ruptura também podem ser inspeccionados, concretamente, quando se encontram montados em conjugação com uma destas válvulas. Numa situação deste tipo, deverá existir sempre um manómetro instalado entre o disco de ruptura e a entrada da válvula. Se o manómetro indicar alguma pressão, significa que o disco se encontra danificado.

A figura II.3 representa este tipo de conjugação.

Legenda : 1 - Disco de ruptura; 2 - Manómetro.

Legenda :

1 - Disco de ruptura;

2 - Manómetro.

Figura II.3 - Conjugação válvula / disco de ruptura

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· ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.02 IIIIIIIIII 1010101010 RESUMO Os objectivos fundamentais da inspecção periódica

RESUMO

Os objectivos fundamentais da inspecção periódica e manutenção preventiva são, fundamentalmente, os seguintes:

Prevenção de condicionantes que motivem paragens de produção, danificação de equipamentos e acidentes pessoais;

Conservação da instalação, de modo a evitar as situações anteriores, e proceder a pequenas reparações e afinações;

Maximização da produção;

Minimização de custos;

Segurança de pessoas e bens.

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ACTIVIDADES

1. Quais são os objectivos fundamentais de um programa de IP/MP ?

2. Quais são os elementos fundamentais a incluir numa ficha de registo de anomalias?

3. Nas válvulas de passagem, reguladoras ou estranguladoras, onde se localiza o problema mais comum de fuga para o exterior e, caso seja possível solucioná-lo, como proceder?

4. Como verificar o estado de conservação de um fole, numa válvula de segurança/alívio balanceada?

5. Como verificar o estado de um disco de ruptura, quando este se encontra montado em conjugação com uma válvula?

/ AVALIAÇÃO

montado em conjugação com uma válvula? / AVALIAÇÃO Componente Prática

Componente Prática

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CausasCausasCausasCausasCausas dedededede FuncionamentoFuncionamentoFuncionamentoFuncionamentoFuncionamento ImpróprioImpróprioImpróprioImpróprioImpróprio

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M.T1.08 UT.03 Causas de Funcionamento Impróprio

Causas de Funcionamento Impróprio

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Causas de Funcionamento Impróprio

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OBJECTIVOS

No final desta Unidade Temática, o formando deverá estar apto a:

Identificar os problemas e causas de funcionamento impróprio ou deficiente;

Reconhecer situações expectáveis, face às condicionantes de serviço, ambientais e outras (selecção, manutenção, transporte, etc.).

TEMAS

Causas de funcionamento impróprio

Selecção da válvula ou dispositivo de segurança

Selecção dos materiais

Corrosão

Erosão

Calibração

Falta de informação dos elementos do fabricante

Equipamento de teste inadequado

Falta de informação do pessoal de manutenção

Manutenção

Transporte e acondicionamento

Resumo

Actividades / Avaliação

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CAUSAS DE FUNCIONAMENTO IMPRÓPRIO

As causas de funcionamento impróprio não são mais do que situações que ocorrem com relativa frequência e que condicionam o desempenho e tempo de vida útil das válvulas e dispositivos de segurança.

As mais importantes são, sem dúvida, as seguintes:

Selecção da válvula ou dispositivo de segurança;

Selecção dos materiais;

Corrosão;

Erosão;

Calibração;

Manutenção;

Transporte e acondicionamento.

Iremos, seguidamente, abordar de que maneira estas condicionantes influem no funcionamento e vida útil destes equipamentos.

influem no funcionamento e vida útil destes equipamentos. SELECÇÃO DA VÁLVULA OU DISPOSITIVO DE SEGURANÇA Como

SELECÇÃO DA VÁLVULA OU DISPOSITIVO DE SEGURANÇA

Como vimos na Unidade Temática I, a selecção depende de condicionantes relacionadas com a função que se pretende que a válvula ou dispositivo de segurança venha a desempenhar e com as características do fluido em causa.

Uma escolha precipitada pode dar origem à rápida degradação da válvula ou do dispositivo e, ainda, a um comportamento em serviço não desejável.

Como exemplo, admitamos que escolhíamos uma válvula de cunha, para desempenhar funções de regulação ou estrangulamento do fluido. Se atendermos que a válvula de cunha é uma válvula de passagem e que o obturador se posiciona sempre, ou totalmente aberto, ou totalmente fechado, estamos com certeza perante uma escolha errada. A tentativa de controlar o fluxo de fluido, nestas condições, iria provocar uma rápida degradação do obturador.

iria provocar uma rápida degradação do obturador. IIIIIIIIIIIIIII 22222

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A figura III.1 representa uma válvula de cunha com ligações roscadas.

representa uma válvula de cunha com ligações roscadas. Figura III.1 - Válvula de cunha (ligações roscadas)

Figura III.1 - Válvula de cunha (ligações roscadas)

Citando outro caso, este relacionado com os dispositivos de segurança, supunhamos que, por exemplo, tínhamos seleccionado uma válvula de segurança/alívio convencional (sem fole) para um serviço em que a presença de um fluido altamente corrosivo, tanto a montante como a jusante, era uma constante. Esta válvula iria, seguramente, ficar “agarrada” em pouco tempo porque, como vimos, uma das principais funções do fole é a de proteger as peças móveis da presença nociva deste tipo de fluidos. A figura III.2 representa uma válvula de segurança alívio convencional.

representa uma válvula de segurança alívio convencional. Componente Científico-Tecnológica

Componente Científico-Tecnológica

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IEFPIEFPIEFPIEFPIEFP · ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.03 Figura III.2 - Válvula de segurança/alívio convencional

Figura III.2 - Válvula de segurança/alívio convencional

Estes são apenas dois exemplos de como se pode incorrer, facilmente, num erro de selecção. A paragem não programada da instalação pode ser uma das consequências imediatas de problemas desta natureza, daí que seja fundamental a selecção criteriosa da válvula ou dispositivo de segurança.

criteriosa da válvula ou dispositivo de segurança. SELECÇÃO DOS MATERIAIS A escolha dos materiais adequados

SELECÇÃO DOS MATERIAIS

ou dispositivo de segurança. SELECÇÃO DOS MATERIAIS A escolha dos materiais adequados é, sem dúvida, outra

A escolha dos materiais adequados é, sem dúvida, outra das grandes condicionantes de um correcto funcionamento. A sua definição está novamente dependente das condicionantes de serviço (tipo de fluido, pressão e temperatura).

Todos os fabricantes oferecem uma vasta gama de alternativas, constituindo, por isso, um importante auxiliar na selecção dos materiais indicados.

Por outro lado, existem códigos e normas que regulamentam e auxiliam a selecção de válvulas, consoante o tipo de serviço para que são destinadas.

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Como exemplo, citamos o ASME VIII (American Society of Mechanical Engineers), Divisão I, parágrafo UG-136, o qual define regras básicas para a selecção de materiais em dispositivos de segurança (válvulas), tais como:

Sedes e obturadores em ferro não são permitidos. Deverão ser fabricados em material resistente à corrosão, provocada pelo produto protegido;

As peças deslizantes e adjacentes deverão ser fabricadas num material resistente à corrosão;

As molas deverão ser fabricadas em material não corrosivo ou possuírem um revestimento destinado ao mesmo fim.

Estes documentos resultam de longos anos de experiência e de uma conjugação de esforços entre os fabricantes e utilizadores, na perspectiva de encontrar o material mais indicado para um determinado tipo de fluido e de condições de funcionamento.

Os documentos normativos e regulamentares são inúmeros, não constituindo os mesmos objectivo deste manual. No entanto, e porque consideramos que poderão vir a ser futuramente importantes auxiliares de consulta, iremos referir alguns no final do mesmo.

CORROSÃO

Este fenómeno resulta directamente ou da agressividade do meio (corrosão externa) ou da natureza do fluido (corrosão interna).

A corrosão externa incide nos componentes visíveis: corpo, castelo, pernos e

porcas, bucim, haste, volante e braço de abertura manual, entre outros. Pode ter como origem, por exemplo, a proximidade do mar, a precipitação intensa (chuva), ou imanações ácidas ou alcalinas, provenientes de fugas existentes

na instalação ou da própria válvula.

A corrosão interna actua directamente nos componentes não visíveis: sede,

obturador, haste, guia, fole, interior do corpo e castelo, entre outros. Tem como

origem fundamental a natureza do fluido que circula no interior da tubagem.

A sua origem deve-se a fenómenos electroquímicos, os quais geram correntes

eléctricas de fraca intensidade entre pontos superficiais dos componentes da válvula, ou mesmo da própria tubagem. Estas correntes vão dissolvendo o

material, pouco a pouco, nas zonas de menor potencial, formando em sua substituição óxidos ou hidróxidos.

A corrente eléctrica originada por uma diferença de potencial, tanto pode

ocorrer entre dois pontos da superfície do mesmo material, como de materiais

diferentes.

Cada metal possui o seu potencial electrolítico, dependendo este da natureza dos metais e da respectiva heterogeneidade.

da natureza dos metais e da respectiva heterogeneidade. Componente Científico-Tecnológica

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IEFPIEFPIEFPIEFPIEFP · ISQISQISQISQISQ M.T1.08 UT.03 Seguidamente, dão-se exemplos de potenciais electrolíticos

Seguidamente, dão-se exemplos de potenciais electrolíticos de alguns metais:

Prata (Ag)

0,797 v;

Cobre (Cu)

0,337

v;

Chumbo (Pb)

-0,126 v;

Níquel (Ni)

-0,250 v;

Ferro (Fe)

-0,440 v.

Na interacção entre dois metais (ferro e cobre), é gerada uma corrente de 0,777 v, sendo o ferro o metal com potencial mais baixo.

O metal de mais baixo potencial designa-se por ânodo, e o de mais alto potencial,

por cátodo. O ânodo é sempre a zona corroída.

A velocidade da corrosão é mais acelerada, se a diferença de potencial for,

igualmente, maior.

A heterogeneidade de um metal pode resultar de vários factores, como:

rugosidades superficiais, fissuras, cortes, estrutura interna do metal e sua pureza,

composição química, dureza, etc.

A corrosão interna pode ser agravada por factores que não estão presentes

no exterior, citando, como exemplo, a composição química do fluido circulante

e sua densidade, temperatura, pressão, a velocidade de circulação e a turbulência.

Se as causas que originam este fenómeno são bastantes, também o são as consequências do mesmo. É muito comum encontrar válvulas sem recuperação possível, componentes internos completamente desfeitos, fugas pelas juntas e empanques, anomalias estas derivadas directamente deste problema.

A selecção da válvula (função e materiais), inspecção periódica e a manutenção,

quer seja preventiva ou periódica, constituem factores determinantes para a minimização dos efeitos da corrosão.

EROSÃO

A erosão é um processo interno que se manifesta pelo desgaste de alguns

componentes, nomeadamente: o corpo, castelo, haste, sede e obturador, os quais estão directamente expostos ao fluxo de fluido.

A causa deste processo de desgaste deriva da circulação do fluido no interior

da válvula.

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As zonas mais afectadas são as faces de vedação, estando a rapidez do desgaste dependente de circunstâncias várias, tais como: o grau de agressividade do

fluído, densidade, velocidade de circulação, pressão, temperatura e quantidade

e densidade dos resíduos arrastados.

Como exemplo, citamos o caso de uma válvula de segurança instalada num circuito de vapor sobreaquecido de uma caldeira. Basta a existência de uma pequena fuga para que, rapidamente, a mesma se transforme, através da acção erosiva deste tipo de vapor, numa fuga maior, sendo quase certa a substituição ou da sede ou do obturador. O aspecto final de uma anomalia deste tipo é semelhante ao corte de uma faca.

CALIBRAÇÃO

A calibração é outra causa de funcionamento impróprio, mas exclusiva dos

dispositivos de segurança. Válvuas e setas de alívio de pressão, também requerem a calibração do actuador, quer seja eléctrico ou pneumático, não sendo, contudo, objectivo deste trabalho a sua especificação.

Os factores motivadores deste tipo de situação são os seguintes:

Falta de informação dos elementos do fabricante;

Equipamento de teste inadequado;

Falta de informação do pessoal ligado à manutenção.

Falta de informação dos elementos do fabricante

Os elementos do fabricante (catálogos) são decisivos, no que diz respeito, por exemplo, ao factor de correcção da temperatura, regulação dos anéis ou rosetas

e

efeitos de contrapressão.

O

factor de correcção da temperatura não é mais do que uma compensação,

dada à força da mola, quando a válvula é calibrada a frio (em bancada). Quando

a mesma se encontra em serviço, a temperatura do circuito dilata os componentes provocando, assim, um aliviar da tensão da mola.

Exemplo III . 1

Exemplo III . 1

Imaginemos uma válvula com pressão de abertura em serviço de 10 Kg/cm², inserida num circuito que possuí a temperatura de serviço de 200°C. Se o factor de correcção, dado pelo fabricante, for de 3%, qual é a pressão de abertura a frio (em bancada)?

de 3%, qual é a pressão de abertura a frio (em bancada)? Componente Científico-Tecnológica

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Solução:

P af = P as + (P as x Fc)

P af = 10 Kg/cm² + (10 Kg/cm² x 3%)

P af = 10 Kg/cm² + 0,300 Kg/cm²

P af = 10,3 Kg/cm²

P af -

P as - Fc -

Pressão de abertura a frio (em bancada);

Pressão de abertura em serviço;