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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

PRÓ-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO


Departamento de Legislação e Normas

PARECER N°0.../2007 – DLN


INTERESSADO: MÁRCIO DA SILVA COSTA
ASSUNTO: TRANSFERÊNCIA EX OFFICIO

RELATÓRIO

MÁRCIO DA SILVA COSTA , interpõe recurso contra ato do Pró-Reitor


de Ensino de Graduação que, através da Portaria de nº 013/2006, de 14 de agosto de
2006, o excluiu do curso de Enfermagem oferecido no Município de Coari/AM para o
qual ingressou através do Processo Seletivo Macro Verão – PSM 2006, e virtude das
disposições contidas no Parágrafo 3º do artigo 5º da Portaria nº 013/2006 que
disciplina o funcionamento dos cursos de graduação oferecidos pela Universidade
Federal do Amazonas nos campi do Alto Solimões, Vale Rio Madeira e Médio
Solimões.

Alega, dentre outras coisas, em suas razões recursais que a Portaria nº


013/2006 não poderia ser aplicada aos alunos do Processo Seletivo Macro Verão
2006, uma vez que a matrícula teria ocorrido antes da entrada em vigor da referida
Portaria. Além do mais, segundo ele, a mesma Portaria não teria recebido a devida
publicidade entre os alunos aprovados no PSM Verão 2006.

É o relatório sucinto.

PARECER

De relevante na presente questão há que se considerar duas premissas:

O recorrente não possui mais vínculo estudantil com a UFAM, já que está excluído do
cadastro discente;
O recorrente veio removido para Manaus em virtude de transferência obrigatória.
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A propósito da primeira premissa relativa ao vínculo estudantil, prescreve a Súmula


4/92 do Conselho Federal de Educação, hoje Conselho Nacional de Educação:

“ Interrompido o vínculo entre a escola e o aluno, com


o desligamento deste, o estabelecimento não pode
dar transferência a quem não mais figure no seu
corpo discente.
O aluno desligado de um curso poderá apresentar, em
outra instituição que decida acolhê-lo, a certidão de
seu currículo escolar, expedida pelo estabelecimento
em que se iniciou o curso, ao invés da guia de
transferência que não lhe pode ser concedida”.

Portanto, o aluno em tendo sido excluído do curso, somente poderá


solicitar transferência obrigatória no âmbito da IES caso tivesse restabelecido seu vínculo
estudantil.

No tocante à segunda premissa, relativa à remoção, também a lei impõe a


comprovação da transferência do(a) interessado(a) a fim de que o pedido venha a
subsumir-se aos fins pretendidos pelo interesse público.

Com efeito, diz a Lei nº 9.536/97, regulamentadora do Parágrafo único


do Art. 49 da Lei nº 9.394/96 (LDB), que trata da modalidade de transferência “ex-
officio”:

Art. 1º - A TRANSFERÊNCIA
“EX OFFICIO” a que se refere o parágrafo único do Art.
49 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, será
efetivada, entre instituições vinculadas a qualquer sistema
de ensino, em qualquer época do ano e independente da
existência de vaga, quando de tratar de servidor público
federal civil ou militar estudante, ou seu dependente, se
requerida em razão de comprovada remoção ou
transferência de ofício, que acarrete mudança de
domicílio para o município onde se situe a instituição
recebedora, ou para a localidade mais próxima desta
(grifamos).

O recorrente, nesse aspecto, reúne os requisitos necessários para


garantir legalmente sua transferência de estudo.

Portanto, na conclusão do silogismo, a lógica é de que o recorrente


nesse momento somente terá direito à transferência de estudo se conseguir restaurar,
junto à Câmara de Ensino de Graduação, seu vínculo estudantil com esta
Universidade.
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Analisando as razões do recorrente e refletindo sob os efeitos de uma


decisão que venha a acolher o restabelecimento do vínculo com a UFAM, filio-me à
tese do deferimento por entender que a decisão :

1) Não gera qualquer efeito danoso para a UFAM ou terceiros,


uma vez que o restabelecimento do vínculo é apenas para garantia da
transferência e não para tornar a ocupar vaga no campi de origem;
2) A situação do requerente difere dos demais por se constituir
em transferência obrigatória. Não pode, desta feita, constituir-se em
precedente para outros alunos;
3) A decisão que venha, porventura, a restabelecer o vínculo do
aluno não fere nem o edital do Processo Seletivo Macro Verão – PSM
2006 tampouco a Portaria nº 013/2006, do Pró-Reitor de Ensino de
Graduação por tratar de matérias diversas.

Assim sendo, considerando que, no fundo, o recorrente pretende


garantir o vínculo para realizar transferência de estudo e que decisão nesse sentido
não gera direito ou precedente para situações futuras diversas, sou pelo acolhimento
do recurso apenas para restabelecer-lhe o vínculo acadêmico para efeito
exclusivamente de garantir-lhe a transferência ex officio (de estudo).

É o Parecer, S.M.J.

À consideração.

Manaus-AM, 27 de julho de 2007.