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Livro - Capanema - Minha Terra, nossa Gente e sua História

Livro - Capanema - Minha Terra, nossa Gente e sua História

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Há cem anos, nossa Capanema recebeu seu primeiro
documento de existência, foi uma Lei de Nº 1164 datada de 05 de novembro
de 1910, nela está escrito que a atual Cidade de Capanema passava e ser uma
povoação, e para comemorar esse marco singular para nós, filhos desta terra,
filhos de nascimento ou de opção, juntamo-nos para expressar o nosso muito
obrigado a Capanema e expressar nossa gratidão e amor, então resolvemos
juntar neste livro um pouco de suas paisagens e passos dos que fizeram dessas
plagas a região desenvolvida e acolhedora que é hoje e registramos também
um pouco de nossas crenças e lendas.
Para isso, coletamos, alguns relatos do nosso povo, alguns
testemunhos, algumas pesquisas, e de posse disso tudo, fizemos este livro
que é o registro da saga de nossos antepassados, como forma de deixar neste
centenário, documentada um pouco de nossa história que nada mais é do que
o caminhar e o agir dos que resolveram fazer de Capanema o seu pedaço da
pátria mãe.
Reconhecemos que não é uma obra-prima, nem tão pouco uma
obra acabada, mas foi o que conseguimos no momento, porém dizemos aos
leitores e estudantes que nos esforçamos para registrar o máximo possível de
nossa história para a festa deste centenário e esperamos que estejamos
contribuindo para o entendimento e futuro aprofundamento de nossa
história.
Queremos também dizer que dedicamos este livro de modo
especial às nossas crianças, estudantes de 1ª a 4ª séries, pois é fato que no
curso de ensino fundamental a pesquisa sobre nosso Município ainda é muito
exígua, e os livros didáticos usados em nossas Escolas geralmente retratam
regiões de culturas, linguagens, hábitos tradições e toda uma identidade,
diferente da nossa região e, foi também querendo diminuir um pouco o
tamanho dessa lacuna que escrevemos: CAPANEMA: minha Terra, nossa
Gente e sua História e o apresentamos a você para ser lido, e julgado sob a
ótica da complementação de nossa história segundo uma visão crítica e
analítica do que fomos, o que somos e o que seremos como povo pois que
com uma contribuição mais ampla poderemos entender e redefinir melhor a
construção de nosso Município.
Há cem anos, nossa Capanema recebeu seu primeiro
documento de existência, foi uma Lei de Nº 1164 datada de 05 de novembro
de 1910, nela está escrito que a atual Cidade de Capanema passava e ser uma
povoação, e para comemorar esse marco singular para nós, filhos desta terra,
filhos de nascimento ou de opção, juntamo-nos para expressar o nosso muito
obrigado a Capanema e expressar nossa gratidão e amor, então resolvemos
juntar neste livro um pouco de suas paisagens e passos dos que fizeram dessas
plagas a região desenvolvida e acolhedora que é hoje e registramos também
um pouco de nossas crenças e lendas.
Para isso, coletamos, alguns relatos do nosso povo, alguns
testemunhos, algumas pesquisas, e de posse disso tudo, fizemos este livro
que é o registro da saga de nossos antepassados, como forma de deixar neste
centenário, documentada um pouco de nossa história que nada mais é do que
o caminhar e o agir dos que resolveram fazer de Capanema o seu pedaço da
pátria mãe.
Reconhecemos que não é uma obra-prima, nem tão pouco uma
obra acabada, mas foi o que conseguimos no momento, porém dizemos aos
leitores e estudantes que nos esforçamos para registrar o máximo possível de
nossa história para a festa deste centenário e esperamos que estejamos
contribuindo para o entendimento e futuro aprofundamento de nossa
história.
Queremos também dizer que dedicamos este livro de modo
especial às nossas crianças, estudantes de 1ª a 4ª séries, pois é fato que no
curso de ensino fundamental a pesquisa sobre nosso Município ainda é muito
exígua, e os livros didáticos usados em nossas Escolas geralmente retratam
regiões de culturas, linguagens, hábitos tradições e toda uma identidade,
diferente da nossa região e, foi também querendo diminuir um pouco o
tamanho dessa lacuna que escrevemos: CAPANEMA: minha Terra, nossa
Gente e sua História e o apresentamos a você para ser lido, e julgado sob a
ótica da complementação de nossa história segundo uma visão crítica e
analítica do que fomos, o que somos e o que seremos como povo pois que
com uma contribuição mais ampla poderemos entender e redefinir melhor a
construção de nosso Município.

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Terezinha de Jesus Sousa

Capanema
Minha Terra, nossa Gente e sua História.

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) ________________________________________________________ S725 Sousa, Terezinha de Jesus Capanema: minha terra, nossa gente e sua história / Terezinha de Jesus Sousa. – Capanema: Gráfica Vale, 2010.

ISBN: 978-85-911260-0-2

1.Capanema (PA)-História. I. Título. CDD – 20.ed.: 981.15 ________________________________________________________ Email: tecajsousa@yahoo.com.br

Capanema 2010

Agradecimentos. HOMENAGEM: Àquele que é ¢ëöá êáé ÙìÝãá Expresso também minha gratidão a todos que acreditaram ser possível resgatar a história da luta de nossos antepassados na construção deste Município ou pelo menos parte dela. Foram muitos que colaboraram, além dos nomes que estão registrados ao longo da apresentação deste trabalho quero registrar também a colaboração dos lutadores: 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. Professor Daniel Lima; Professor João Watanabe; Professora Madalena Oliveira; Professora Maria Creuza da Silva e Silva; Professora Rosilda Dax; Sr. Antônio Kauati; Sra. Walmeire Melo; Sr. Clóvis Almeida; Sr. Waldir Campos; Ao primeiro centenário da Cidade de Capanema. Aos guerreiros da educação deste município; Aos estudantes que buscam entender este rincão; À minha irmã; Sobrinhas, Sobrinhos e Primas.

SUMÁRIO

Apresentação
Há cem anos, nossa Capanema recebeu seu primeiro documento de existência, foi uma Lei de Nº 1164 datada de 05 de novembro de 1910, nela está escrito que a atual Cidade de Capanema passava e ser uma povoação, e para comemorar esse marco singular para nós, filhos desta terra, filhos de nascimento ou de opção, juntamo-nos para expressar o nosso muito obrigado a Capanema e expressar nossa gratidão e amor, então resolvemos juntar neste livro um pouco de suas paisagens e passos dos que fizeram dessas plagas a região desenvolvida e acolhedora que é hoje e registramos também um pouco de nossas crenças e lendas. Para isso, coletamos, alguns relatos do nosso povo, alguns testemunhos, algumas pesquisas, e de posse disso tudo, fizemos este livro que é o registro da saga de nossos antepassados, como forma de deixar neste centenário, documentada um pouco de nossa história que nada mais é do que o caminhar e o agir dos que resolveram fazer de Capanema o seu pedaço da pátria mãe. Reconhecemos que não é uma obra-prima, nem tão pouco uma obra acabada, mas foi o que conseguimos no momento, porém dizemos aos leitores e estudantes que nos esforçamos para registrar o máximo possível de nossa história para a festa deste centenário e esperamos que estejamos contribuindo para o entendimento e futuro aprofundamento de nossa história. Queremos também dizer que dedicamos este livro de modo especial às nossas crianças, estudantes de 1ª a 4ª séries, pois é fato que no curso de ensino fundamental a pesquisa sobre nosso Município ainda é muito exígua, e os livros didáticos usados em nossas Escolas geralmente retratam regiões de culturas, linguagens, hábitos tradições e toda uma identidade, diferente da nossa região e, foi também querendo diminuir um pouco o tamanho dessa lacuna que escrevemos: CAPANEMA: minha Terra, nossa Gente e sua História e o apresentamos a você para ser lido, e julgado sob a ótica da complementação de nossa história segundo uma visão crítica e analítica do que fomos, o que somos e o que seremos como povo pois que com uma contribuição mais ampla poderemos entender e redefinir melhor a construção de nosso Município.
Professora Terezinha Sousa.

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PRELÚDIO DE NOSSA HISTÓRIA.
No século XV, os europeus que buscavam um caminho que os levassem às Índias navegando as águas do oceano Atlântico, descobriram a existência de terras até então desconhecidas. Nessa época destacam-se destemidos marinheiros como Cristóvão Colombo1 e exploradores que ambicionavam encontrar riquezas em terras distantes da Europa como o El dourado, outros vinham para analisar e pesquisar a natureza pródiga do novo mundo do qual tanto se falava na Europa e cujas informações eram divulgadas por marinheiros e escritores como é o caso de Américo Vespúcio que além de piloto era homem culto e sabia anotar tudo o que via, escrevendo com vivacidade e clareza, legou-nos cartas que fizeram sucesso e correram pela Europa. Américo Vespúcio, observador arguto, notou, revelou e registrou antes que nenhum outro que entre a Europa e a Ásia havia um continente até então não revelado ao Velho Mundo. A grande quantidade de riquezas, que chegava à Espanha (principalmente minerais vinda da América) e a Portugal (vinda das Índias com a exploração do comércio das especiarias), enriqueceu sobremaneira aqueles países que resolveram assinar entre si um acordo chamado TRATADO DE TORDESILHAS que dividiu o mundo entre eles, acordaram que toda terra descoberta ou por descobrir situadas a 370 léguas a oeste do Arquipélago de Cabo Verde (Continente africano), pertenceriam a Espanha e, as localizadas a oeste pertenceriam a Portugal e, segundo esse tratado quase toda a Amazônia brasileira incluindo Capanema pertenceria à Espanha. Esse acordo não agradou a muitos povos europeus como: ingleses, franceses e holandeses e, a exemplo dos países ibéricos tentaram invadir e explorar partes das terras descobertas, eles diziam não ser justo que apenas Portugal e Espanha tivessem direito a elas, pois que Deus ao criar o mundo não o teria dividido entre aqueles dois países, portanto não reconheciam o direito de Espanha e Portugal sobre o continente e, em 1605 deram início à ocupação do território da Guiana e a partir daí tentaram instalar-se em vários outros pontos do Brasil (Capitania do cabo Norte atual Amapá), além de outros pontos do Continente Americano: franceses, holandeses e ingleses fundaram colônias na América do Norte, Central e Sul, o que levou Portugal e
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Espanha a tomar posse da terra descoberta enviando expedições de reconhecimento, de exploração e militares para expulsar os “invasores” erguer fortes e fundar povoações para assegurar o domínio nas terras. Além disso, aqueles povos Instalaram também o sistema de pirataria: alguns cidadãos de posse de embarcações e marujos passaram a patrulhar as águas do Oceano Atlântico. Atacavam e saqueavam as embarcações que vinham tanto das Índias quanto das América, que eles sabiam estarem carregadas de riquezas; tudo isso muitas vezes com incentivo e apoio financeiro dos monarcas de seus países. A expulsão dos invasores e início do povoamento no norte do Brasil (do Maranhão ao Amapá), ocorreu durante a União Ibérica, período compreendido entre 1580 a 1640 durante o qual ocorreu a unificação das monarquias ibéricas (reinos de Espanha e Portugal) sob a direção da coroa espanhola. Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, conquistador frances, fundou a Cidade de São Luís do Maranhão (única capital brasileira fundada pelos franceses), estabeleceu alianças com os Tupinambás que povoavam amplamente as margens dos rios e partiu para conquistar a Amazônia saindo de São Luís ( Maranhão) a 8 de julho de 1613, rumo a aldeia do caeté(Bragança). A 17 de agosto do mesmo ano dirigiu-se para a aldeia de Meron (Maracanan) com apenas 40 (praças) soldados, 10 marinheiros e 20 chefes de tribo indígenas. Em Meron embarcou mais índios e franceses e seguiu para a aldeia de Tabapará (Vigia) depois para o Rio Pará indo até o Araguaia onde fincou a Bandeira da França.

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- Segundo a história foi o primeiro europeu a chegar ao continente americano ou novo mundo.

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Os portugueses liderados por Alexandre Moura expulsaram os franceses do Maranhão e organizaram uma expedição militar para combater e expulsar os holandeses e franceses da região e também ocupar as terras. Essa expedição ficou sob o comando de Francisco Caldeira Castelo Branco que partiu para guarnecer o litoral norte brasileiro do Estado do Maranhão à foz do Rio Amazonas. Na Baía de Guajará, a 40 léguas distante de Maracanã foi erguido um forte de madeira chamado Presépio, hoje Forte do Castelo, que deu origem à Cidade de Nossa Senhora de Belém atual Capital do Estado do Pará fundada em 12 de janeiro de 1616. Vale dizer que:
? Ibérica favoreceu o processo de expansão portuguesa na A União

?de La Touche, Senhor de La Ravardière, foi rendidos aos Daniel

portugueses no Araguaia.
? Marieta (Maracanã) tem essa denominação desde nove de A Ilha de

fevereiro de 1622 quando ali foram sinalizadas as 50 léguas marítimas a oeste do Rio Turiaçú que figurava nos limites da Capitania do Gurupi. Nossa Capitania Hereditária. Depois da expulsão dos franceses, ingleses e holandeses que haviam se fixado no norte (dessas invasões originaram-se as três Guianas) do nosso país, foi feito o reconhecimento das áreas que tinham rios que permitissem a passagem de invasores para o interior, essas áreas foram divididas em Capitanias e, fundados povoados e fortalezas em pontos estratégicos para defender a propriedade das terras para Portugal. De acordo com essa divisão, o Município de Capanema, fazia parte da Capitania do Gurupi. Essa Capitania foi criada pelo rei Felipe III da Espanha e doada a Gaspar de Sousa através da carta de 9 de janeiro de 1622. Sua área era de 50 léguas de costa marítima com 20 de sertão, e compreendia as terras localizadas do Rio Turiaçú no Maranhão a Ilha de Marieta (Maracanã) no Pará. Portanto além do nosso município constituíam a Capitania de Gurupí: os atuais municípios de Bragança, Quatipurú, Primavera, as terras de São João de Pirabas e Bonito. Bragança _ Segundo o relato do capuchinho francês Padre Ives D´Evreux, foi em terras hoje bragantinas que os Franceses se refugiaram em 1612 acossados por Alexandre de Moura e Jerônimo de Albuquerque quando expulsos do Maranhão mas, a primeira povoação considerada é Souza do Caeté fundada por Álvaro de Sousa possivelmente em fevereiro de 1634. Quatipurú – originalmente foi fundada a povoação denominada Valentim com data incerta, porém segundo Saturnino Marques da Costa2 no ano de 1653 já se contava com 13 casas que abrigavam 78 habitantes vindos expulsos da então Sousa do Caeté3 por divergências políticas com o novo donatário da Capitania do Gurupi.
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Amazônia posto que quando do término dessa união, com a restauração da autonomia portuguesa, o processo de ocupação Lusitânia na Amazônia estava avançado e consolidado.
? através do Tratado de Madrid, a Espanha reconheceu Em 1750,

formalmente o direito português sobre a vasta região Amazônica.
? Os Tupinambás que eram aliados dos franceses receberam bem os

portugueses, porém as relações amistosas foram curtas devido aos abusos cometidos pelos portugueses contra os indígenas (abusos morais incluindo escravidão). Os Tupinambás resolveram então expulsar os lusitanos da região. Invadiram Belém em sete de janeiro, comandados pelo cacique Guaimiaba (Cabelo de Velha), porém foram abatidos e, com a morte de Cabelo de Velha, bateram em retirada.
? A fundação de Belém na embocadura do Rio Amazonas permitiu aos

portugueses o efetivo controle da navegação fluvial que comunica o rio-mar ao Oceano Atlântico. Foi o primeiro passo importante dos portugueses em suas ações de posse da região.
? Sol na Ilha de Mosqueiro (1633) e a aldeia de Joanes na Ilha A Baía do

de Marajó (1655) foram indicadas para ser a sede administrativa da Capitania do Grão- Pará.
? Militar de Maracanã (Meron) foi o mais antigo núcleo A base

- Conhecido por Tio Satuca.
- Atual Cidade de Bragança.

povoamento fluvial Frances.
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Capanema _ tem fundação mais recente que os municípios acima citados, mas quanto área de possessão tem a mesma origem, nasceram sob o nome: Capitania do Gurupi, os colonizadores também tem a mesma origem foram os portugueses açorianos, espanhóis, libaneses africanos e sobretudo nordestinos que ao longo dos anos construíram cada um desses municípios com peculiaridades próprias e rumos históricos diferentes. A VILA DE CAPANEMA É SEDE DO MUNICÍPIO. No ano de 1753, Bragança foi elevada à categoria de Vila e fazia parte de sua ação administrativa terras que atualmente constituem vários municípios entre eles Capanema (que não era povoada) e Quatipuru que estava sendo povoado antes dos anos de 1655 e, que conquistou sua autonomia política e administrativa em 1879. Com o surgimento do novo município no território Paraense: QUATIPURÚ e, com a nova divisão territorial, Capanema passou a fazer parte desse Município, sendo elevada a condição de Vila e sede do Município de Quatipurú, no dia 04 de Novembro de 1919. Dentre as Povoações e Vilas do Município de Quatipuru, a que atingiu maior desenvolvimento foi Capanema, pois que por aqui passava a Estrada de Ferro, o que possibilitou o desenvolvimento do comércio local, com o interior, as Vilas vizinhas que já estavam interligadas por ramais embora bastante precários e a cidade de Belém. A vinda dos imigrantes estrangeiros e nordestinos radicados aqui melhorou consideravelmente, agora já se podia adquirir com mais facilidade produtos básicos para a sobrevivência, já podíamos melhorar e variar a alimentação, obter produtos como açúcar, batatas, Charque, sal, louças, tecidos, perfumes produtos de limpeza, material para construção, remédios, etc. Vale dizer – os ramais que interligavam as colônias e municípios vizinhos foram abertos a machado e facão, aterrados e aplainados a braço por trabalhadores denominados de CASSACOS.

A Lei de nº 1.802, de 04 de novembro de 1919 que elevava Capanema não apenas a Vila, mas também a transformava em sede administrativa do Município de Quatipurú, não agradou aos quatipuruenses, eles não acataram a Lei, não aceitavam que Quatipurú perdesse a condição de sede e voltasse a figurar no cenário político administrativo simplesmente como Vila, e ser administrado por uma vila que sempre fora seu distrito e também não aceitavam que outra figura política surgisse para contrapor-se ao Coronel (Leandro Pinheiro) que dominava a região, então, organizaram-se em grupos armados para defender a autonomia política e administrativa de Quatipurú, fizeram barricadas e esperaram os defensores de Capanema liderados por João Eustaquilino Pessoa. Depois de lutas armadas e políticas, os capanemenses saíram vitoriosos e no dia 07 de março de 1920 Capanema festejou a instalação da Vila e da nova sede municipal: CAPANEMA passa a condição de sede do Município de Quatipurú. Por imposições políticas, em 27 de dezembro de 1930 a denominação Capanema dada a nossa Cidade foi substituída por Siqueira Campos e com essa denominação permaneceu até o ano de 1938.

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- Um dos militares da Revolução de 1930.

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O REGATÃO
Nesse período de nossa história destacou-se um personagem muito interessante e que era esperado com ansiedade no interior de nossa região: era o REGATÃO, homem que percorria longas distâncias carregando em lombo de cavalos, em barquinhos, ou nos próprios ombros uma espécie de mochilas chamadas canastras, naquelas canastras ele levava de um tudo: pedaços de tecidos chamados “cortes”, botões, agulhas, barbantes, linhas, perfumes, sapatos, espelhos, rouge, batons, fitas, remédios, uma infinidade de coisas e, ele fazia o comércio na base do escambo: trocava os produtos que levava por produtos que os fregueses tinham como galinha, patos, porcos, farinha, ovos, feijão etc. e quando chegava na cidade ele trocava tudo por dinheiro para comprar novos produtos e retornar novamente. Com esse trabalho realizado com sacrifícios, (pois além de enfrentar as intempéries do tempo, vencer grandes distâncias, passar muito tempo para vender sua mercadoria e ficar longo tempo longe de sua família), muitos Regatões conseguiram juntar algum dinheiro e fizeram fortuna. Vale dizer: Fazendo o comércio entre a capital e o interlan paraense existiu também o caixeiro viajante.

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Governantes: Em 1863, chegou em Quatipurú o Coronel Leandro Pinheiro vindo de Vizeu, candidatou-se a intendente, venceu o pleito e passou a governar Quatipurú a quem era subordinada a área territorial de Capanema. Quatro anos depois nova eleição foi realizada vencendo dessa vez o Coronel Cezar Pinheiro que levou a intendência para Mirasselvas, lá permanecendo até o ano de 1873, quando o Coronel Leandro Pinheiro conseguiu vencer levou a sede do governo de volta para Quatipurú lá permanecendo por mais por menos 36 anos. No ano de 1900, o território foi anexado ao de Bragança, sendo restaurado dois anos depois. O último intendente foi o Coronel Leandro Pinheiro, deposto pela Revolução de 1930. Após essa Revolução tivemos os interventores (eram nomeados): 1. Padre José Maria do Lago; 2. Sr. João Eustaquilino Pessoa; 3. Major Horácio de Figueiredo; 4. Dr. Euclides Cumarú; 5. Sr. Ciriaco Oliveira; 6. Sr. Manoel Aires da Silva; 7. Edgar Dantas de Vasconcelos; 8. Juvenal Leal; 9. Sr. Custódio Ferreira. 10. Sr. Felipe Silva; 11. Sr. Raimundo Neves;

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+

Nome
26 Adalberto do Espírito Santo Ferraz de Lima 27 Frederico Carlos Abdon Braun

Ano
1991 1991 1992 1993 1993 1997 2001 2001 2002 2004 2004 2004 2005 2009 2009

Prefeitos Municipais e Interinos

Interino Interino Interina Prefeito Interino Prefeito Interino Prefeito Prefeito Interino Interino Interino Interino Prefeito Interino

Nome
01 Felipe Antonio da Silva 02 Raimundo Maurício da Silva Neves 03 Jorge Wilson Arbage 04 Joaquim Rodrigues da Silva 05 Maria do Céu Alves Leite 06 Jorge Wilson Arbage 07 Miguel Aissar Anaisse 08 Hugo Travassos da Rosa 09 Inácio Ferreira da Silva 10 Miguel Aissar Anaisse 11 Francisco de Freitas Filho 12 Jaime Nascimento 13 Jaime Nascimento 14 Raimundo Rodrigues Moreira 15 José Pinheiro da Silva 16 Jaime Nascimento 17 Jaime Nascimento 18 Herbert Matos Veríssimo 19 Júlio Maciel Batista 20 Jaime Nascimento 21 Francisco Gomes Reinaldo 22 Edmilsom Lopes Acácio 23 Frederico Carlos Abdon Braun 24 Djalma Durval de Melo 25 Frederico Carlos Abdon Braun

Ano
1948 1951 1955 1955 1959 1963 1967 1967 1971 1973 1973 1974 1974 1974 1975 1976 1977 1977 1983 1986 1989 1989 1989 1990

Prefeitos Municipais e Interinos

28 Maria do Céo Maciel Coutinho 29 Dr. Jorge Neto da Costa 30 José Fernando da Silva Mendes 31 Francisco Ferreira Freitas Neto 32 Eslon Aguiar Martins 33 Dr. Jorge Neto da Costa 34 José Alexandre Buchacra de Araújo 35 Francisco de Oliveira e Silva 36 José Alexandre Buchacra 37 Francisco de Oliveira e Silva 38 José Alexandre Buchacra 39 Eslon Aguiar Martins 40 Antonio David Peixoto Pinheiro

Prefeito Prefeito Prefeito Prefeito Interina Prefeito Prefeito Prefeito Interino Prefeito Prefeito Interino Interino Interino Interino Interino Prefeito Prefeito Interino Prefeito Interino Prefeito Interino Interino Interino

Maria do Céu Ayres Leite
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Os símbolos que representam ou evocam nosso Município.

1. NOSSO HINO Letra e música: Professora Rosalina Favacho. Oficializado pela Lei nº 6.014 de 14 de junho de 2002. Foste chamada Siqueira Campos Há alguns anos atrás, Cidade com habitantes Que têm coragem até demais Vigor e energia, inteligência eficaz Povo sadio e altaneiro É tradição de brasileiro As tuas matas verde cinzento E o teu povo a educar A cultura aqui de expande Analfabeto em ti não há Na ligação norte nordeste Tomaste o primeiro lugar Mostraste ao viajante Grande riqueza que em ti há Guardaste teu solo fértil Pra dar ao povo varonil Construção de edifícios Isto é Cimento do Brasil Capanema está vibrando Se destacando no Pará Os jovens e os adultos Sempre unidos a trabalhar.

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A AVENTURA EM VIAJAR

Em 1938, viver aqui já se gozava de relativo conforto, embora não tivéssemos estrada de rodagem (o único transporte com motor que tínhamos aqui era o trem) já se vislumbrava algum desenvolvimento social e econômico. Com os trens passamos a ter ligação com mais facilidade entre todo o nordeste paraense e a capital do Estado, embora uma viagem de trem entre Belém e Bragança durasse de 12 a 15 horas e eles fizessem esse percurso apenas duas vezes por semana, isso era um avanço muito grande visto que até então para chegarmos à Belém por exemplo, o roteiro da odisséia era assim: cavalgávamos até Mirasselvas de lá navegávamos o rio Quatipurú num barquinho chamado casco ou montaria até a Vila de Quatipurú, chegando lá tínhamos que esperar a chegada de um barco maior que tivesse calado suficiente para navegar o oceano Atlântico. Então ficávamos em Quatipurú o tempo necessário e como não existiam pousadas ou hotéis recorríamos aos quatipuruenses para nos abrigar lavar nossa roupa e nos alimentar, em outras palavras, passávamos um tempo convivendo com aquela família, portanto, uma viagem de Capanema a Belém durava muitas vezes mais de uma semana e em barcos sem cobertura. Com o funcionamento dos trens o Rio quatipuru perdeu enormemente a importância na navegação, agora viajávamos de trem que era muito mais confortável e a viagem era rápida. Essa mudança também contribuiu sobremaneira para o refluxo político, econômico e social da Vila de Quatipurú. Vale dizer: A Estrada de Ferro de Bragança trouxe o desenvolvimento para as Vilas e localidades que a margeavam em detrimento das Vilas litorâneas e ribeirinhas.
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LÁ VEM O TREM!
A CHEGADA DO TREM ERA PAI D'ÉGUA

A Ferrovia cortou nossa Cidade de oeste para leste e, trouxe para nosso Município muitas gentes vindas principalmente do nordeste brasileiro. Na hora da chegada do trem a expectativa era enorme. Quando de longe ele apitava, fazendo a terra tremer, soltando pelos ares fuligem e fumaça, anunciando sua chegada, as pessoas adultas, crianças, vendedores, carregadores, todo mundo saía rumo à Estação para ver o trem chegar ou ganhar algum dinheiro, e o que se via era uma multidão em ação, era uma festa: gente correndo para ocupar lugar no assento, outras descendo, pais e mães gritando por seus filhos, gente que soltava foguetes para avisar à comunidade ou à família distante a chegada de alguém que estava sendo esperado, crianças correndo, gente procurando por alguém, estivadores trazendo mercadorias para embarcar, outras sendo desembarcadas, desciam grandes amarras de papel - eram os últimos números do jornal Folha do Norte, da Província do Pará, da Folha da tarde, da revista O Cruzeiro que traziam as notícias mais atuais do momento: era o manequim, o gibi, os periódicos (foto-novelas intitulado Grande Hotel), que chegavam para o deleite das jovens moças senhoras e crianças, eram os vendedores de guloseimas adentrando o trem uns, com pipocas em sacos multicoloridos e brilhantes, outros com doces arrumados em embalagens bonitas aos olhos de
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ERA UMA VEREDA DE BOIADEIROS.

Ouricuri, Capanema, Garrafão, jaburu e soldadinho entre outros. Mas, por aqui passavam peões que tangiam bois do Maranhão para Quatipurú e regiões circunvizinhas formando caminhos chamados veredas de boiadeiros, mais tarde um desses boiadeiros chamado Antonio Jerônimo escolheria essa região para morar. Vale dizer: a) Quando os colonizadores chegaram, os índios tiveram que ir para o interior das matas, contudo muitas tribos indígenas reagiram a essa expulsão. Na região norte do Brasil, tivemos guerreiros que tentaram organizar as nações indígenas para lutar contra os invasores, nessas lutas destacaram-se os caciques: Ajuricaba em Manaus e o Guaimiaba aqui em nossa região (Maranhão e Pará), Guaimiaba era também chamado Cabelo de Velha por ter cabelos longos e loiros. b) Não sabemos se Guaimiaba era de origem indígena ou se fora alguma criança européia criada pelos índios.

Se tivéssemos registrado em uma foto aérea o território onde está edificada nossa Cidade em meados do Século XIX, ou por volta de mais ou menos 1800, seria impossível identificarmos a Capanema que conhecemos hoje porque nada está como era nem mesmo no aspecto natural, o relevo era constituído de pequenos montes de terras separados entre si por grandes áreas baixas cortadas por pequenos igarapés que formavam pântanos ou igapós e quanto à povoação era inexistente, não conhecemos nenhum registro de pesquisa nem relato que aqui tenha havido aldeias de índios. Vamos saber da presença de tribos como os Tupinambás, Caetés, Potiangas, Urubus, em regiões mais afastadas de onde é hoje nossa Cidade, eles moravam às margens de Rios maiores: Caeté, Quatipurú e Peixe-Boi, rios navegáveis durante o ano todo o que permitia a navegação e eram muito ricos em quantidade e diversidade de peixes, aqui tínhamos apenas as nascentes desses rios, os igarapés:

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O NASCIMENTO DE NOSSA CIDADE. Foi o próprio Senhor Antonio Jerônimo de Barros que em entrevista para o jornal A Província do Pará do dia 26 de setembro de 1954 quem declarou já ter percorrido esta região tangendo gado e afirmou ser um dos primeiros moradores de Capanema chegando aqui em 1907. Devido essa afirmação, alguns autores consideram Antônio Jerônimo o primeiro morador da Cidade de Capanema entretanto temos notícia de que antes desse ano já tinham famílias morando aqui, uma dessas famílias é a do senhor Antônio Joaquim da Silva avô do Sr. Jaime Nascimento ex prefeito do Município de Capanema que chegou em 1906. Antônio Jerônimo de Barros era natural de Baturité (Ceará), aqui chegou com sua esposa dona Luzinha vindo de barco até Bragança e dali saiu procurando terras onde pudessem erguer moradia. Aqui chegando possivelmente no mês de julho. Ergueram sua casa coberta com palhas no local onde funciona hoje a Estação Rodoviária Felipe Iglésias. No mesmo ano (1907), chegaram outras famílias nordestinas que assim como Antônio Jerônimo, também vinham fugindo das secas inclementes que periodicamente assolavam o sertão, eram as famílias do Senhor João Rodrigues, conhecido como João Grande, Família Juvêncio e Queiroz entre outras. Depois da morte de Dona Luzinha, Antônio Jerônimo casou-se com sua cunhada, dona Adélia e foram morar em outra casa no local onde hoje está edificado o Posto da Texaco ao lado da Estação Rodoviária Felipe Iglesias na Avenida João Paulo II com a Av. Barão de Capanema. Foi esse o nosso marco: uma casinha de taipa, coberta com palhas que se multiplicou por muitas outras e no dia 08 de dezembro de 1933, foi elevada à categoria de Cidade: Cidade de Siqueira Campos, depois, em 1938 -CIDADE DE CAPANEMA.

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Depoimento de Alfredo Oliveira.
Quando cheguei, em 1917, vindo de navio até Belém como tantos outros nordestinos, encontrei esta Cidade povoada apenas em alguns trechos da Avenida Barão de Capanema: nas proximidades da Estação Ferroviária; na Rua Barão do Rio Branco: da Igreja do Sagrado Coração de Jesus à Rua D´Jalma Dutra e na Avenida João Paulo II, da Estação Rodoviária até a Passagem Cruzeiro. O restante era tudo mata, capoeira, igarapés e igapós de onde tirávamos lenha, frutos, caça, tomávamos banho e pescávamos. A Avenida João Paulo II naquela época era chamada Rua de Igarapé-Açú e dividia os dois Municípios: da atual Estação Rodoviária para o leste eram terras do Município de Quatipurú e para oeste, as terras pertenciam ao Município de IgarapéAçú, o nosso cemitério era localizado mais ou menos onde é hoje o Estádio de Futebol Leandro Pinheiro, e a Igreja católica, ficava na Passagem Cruzeiro, portanto, o cemitério e a Igreja (Nossa Senhora do Carmo) ficavam em território de Peixe-Boi Município de Igarapé-Açú. Nessa época não havia Igreja Evangélica aqui. Toda a área onde está o Fórum, aqui a Casa Oliveira, Bradesco etc. era um grande pantanal provocado por um córrego que vinha do local onde é hoje a Radisco Magazine. Escolhi esse pantanal para erguer nele a minha propriedade, eu reconhecia o grande esforço que seria vencer aquele lamaçal cheio de aninga, mas estava bem localizado, era próximo à Estação do Trem e, era livre, não estava sendo cobiçado por ninguém e aqui fiquei. Naquela época o comércio se resumia nuns poucos botecos, e tabernas6 e a carne era vendida aos domingos sob um cajueiro. Com a vinda de novos colonizadores é que o povoado foi crescendo, construiu-se a primeira Igreja católica cercada de paxiúba e coberta com cavacos7 onde hoje está o prédio da Caixa Econômica Federal e, a Prefeitura que era chamada Intendência, foi erguida em frente à atual Igreja Matriz. Muitas foram as transformações operadas em nossa Cidade de 1917 até nossos dias, transformações advindas do esforço dos colonizadores que para cá vieram principalmente nordestinos, portugueses, libaneses, espanhóis, e japoneses que vieram a partir de 1930. Esses povos deram origem ao povo capanemense.
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Nota – Alfredo Oliveira era maranhense e se destacou no comércio capanemense, deixando seu nome registrado em uma loja de material de construção: Casa Oliveira.
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- Tabernas - eram mercearias que vendiam todos os produtos necessários ao nosso consumo da farinha ao tabaco. - Cavacos – eram pedaços de madeira tirados de toras de árvores a facão para cobrir casas.

Por que te chamam Capanema?

Essa equipe ficou acampada às margens de um rio e quando as pessoas se referiam àquele local chamavam Capanema, diziam: vou à Capanema, passei por Capanema etc., pois era do conhecimento de todos que aquela turma era chefiada pelo Barão de Capanema embora ele não estivesse alojado ali (não temos registro da presença do Barão em nosso Estado do Pará). Com o tempo a tradição desse nome foi incorporado ao rio, Rio Capanema, e dali se estendeu à povoação que se formava mais para leste daquele alojamento. Contudo o nome Capanema dado à nossa Cidade e Município não foi referência intencional a ele, somente a Avenida Barão de Capanema é homenagem direta ao brasileiro nascido nas Minas GeraisGuilherme Schuch – o Barão de Capanema. Mas existem pessoas que por não conhecerem nossa história insistem em associar o nome Capanema ao significado da língua tupi, porém isso é errôneo mesmo porque se tivermos um pouco de discernimento e analisarmos o aspecto natural deste município veremos que temos matas, nosso relevo é baixo e que aqui nascem vários rios e igarapés e onde tem rio de águas limpas tem peixe, onde tem água e peixe tem muitos animais e nossa área territorial apesar do violento desmatamento que já sofreu ainda é berçário de muitos tipos de peixes, aves, de animais mamíferos, de répteis, quelônios etc..e se voltarmos na observação do tempo podemos imaginar a riqueza que era Capanema para a prática da caça e pesca naquela época. Portanto afirmar que nossas matas eram azaradas, que aqui não tinham animais para a prática de caça nem peixes é uma afirmação muito duvidosa. Vale dizer – A telegrafia foi inventada por Samuel Fiunley Breese Morse, norte americano de Massachusetts. Em 1835 construiu o primeiro protótipo funcional de um telégrafo que passou a funcionar efetivamente através de sinais chamados CÓDIGO MORSE em 1838. Atualmente o Código Morse é usado: Em NDB - espécie de rádio-farol utilizado na navegação aérea e marítima. Em satélites - para sinal de identificação e localização por telemetria E pelo radioamadorismo
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São quatro capanemas que temos aqui: O Município de Capanema, a Cidade de Capanema, a Avenida Barão de Capanema e o Rio Capanema. Afinal o que é Capanema? Vejamos - na tecnologia do mundo moderno os povos conseguiram comunicar-se a longa distância através da telegrafia*8, processo que usava sinais chamados Código Morse para transmitir mensagens através de fios e depois essas mensagens eram escritas e um homem a quem se chamava estafeta ia entregar ao destinatário na grande maioria das vezes cavalgando um cavalo para vencer as longas distâncias, e essa mensagem era chamada Telegrama. No Brasil império destacou-se nessa área um cidadão chamado Guilherme Schuch que por ter prestado muitos serviços à nação brasileira, recebeu de D. Pedro II imperador do Brasil o título de Barão de Capanema porque no povoado onde ele nasceu (Freguesia de Antônio Pereira em Ouro Preto Minas Gerais) tem uma pequena serra chamada Capanema. Guilherme Schuch planejou a implantação do telégrafo em todo o Brasil incluindo nossa região e mandou para cá uma equipe para fazer o reconhecimento do terreno por onde deveria passar a rede telegráfica Maranhão-Pará bem como implantar a referida linha telegráfica
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- O Telégrafo foi inventado por Samuel Morse nos Estados Unidos e dali estendido para o mundo.

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Exemplo de Comunidade

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aqueles tempos idos, a tecnologia por aqui era rara, a iluminação pública, por exemplo, era restrita a determinada área, eram uns poucos postes de ferro redondos cuja parte superior tinha uma iluminaria parecida com lampião, sob ela havia um depósito onde era colocado carbureto com água e todos os dias ao cair da noite vinha um homem que acendia esse candeeiro e ao amanhecer vinha apagar.

Tempos depois a iluminação foi feita pelo lampião a querosene, nesse sistema era assim: em cada poste havia um lampião, às dezessete horas vinha um trabalhador da Intendência (chamado acendedor de lampiões) com uma escada numa mão e uma vasilha com um pano e querosene na outra, ele limpava a fuligem das vidraças dos lampiões, depois colocava o querosene e limpava o pavio, quando terminava esse trabalho em todos os postes, voltava acendendo e pela manhã vinha apagar de um por um os lampiões que acendera ao entardecer do dia anterior. Nas residências, a iluminação era feita na base da lamparina alimentada por resina, óleo ou querosene e é claro que não existia televisão, mas tinha alguém que por ter posses, adquiriu uma bateria (pois também não tínhamos acesso a pilhas) e um rádio e, quando chegava à noite a vida mudava na nossa Capanema, a vizinhança desse senhor vinha toda para a casa dele ouvir o que dizia o rádio e era aquela multidão sentada no chão da sala e no terreiro e com todo mundo junto se aproveitava também para passar a limpo os acontecimentos do dia que eram poucos, limitavam-se ao trabalho da roça, manejo com o gado e acontecimentos domésticos enquanto isso as crianças divertiam-se brincando de pira, de roda, de bandeirinha e outras brincadeira infantis.

Bons tempos aqueles, havia entrosamento, amizade cooperação entre todos, quando uma mulher dava à luz, as vizinhas em sistema de rodízio iam ajudar nas tarefas doméstica até acabar o resguardo, quando alguém adoecia também recebia a ajuda e visita dos vizinhos e parentes e nesse ambiente as crianças aprendiam a viver em comunidade respeitando-se e sendo amigas para toda a vida, e quando adultas participavam também da vida uns dos outros, em outras palavras atuavam como Anjo da Guarda do próximo ajudando-se uns aos outros nas horas difíceis, na doenças e nas labutas diárias organizando-se em mutirões para fazer suas roças, cuidar do gado, e na época da produção do tabaco, ao declinar da tarde, fechavam-se em uma sala para destalar o tabaco ( tirar o talo da parte central das folhas do fumo), e assim eram todos os finais das tardes. Quando terminava a destalagem de uma família todo mundo ia para outra até acabar a safra de todos, depois os homens iam prensar o tabaco para fazer os molhes, tarefa realizada nas primeiras horas do dia. Nessas reuniões rolava comida, café, mingau, piadas, e uma coisa que divertia e ao mesmo tempo fazia tremer de medo a criançada: eram os relatos sobre as visagens e assombrações que apareciam no lugar, os bichos do mato, essas eram as horas da matinta-perêra, da mãe-d'água, da mula–semcabeça, do curupira do lobisomem, do mapinguari, de todo o imaginário popular e seus segredos, dos príncipes e princesas e é claro que nesses mutirões o lugar de destaque era do contador ou contadora de histórias. Outra reunião que se fazia à boca da noite eram as leituras. Após o jantar, a família e vizinhos reuniam-se ao redor da mesa e à luz de lamparina ou candeeiro a pessoa que lesse melhor começava a sessão, os preferidos eram geralmente da Literatura de Cordel (por ser leitura breve e de tradição nordestina), e os ouvintes transportavam-se para aqueles versos vivendo o seu conteúdo rindo em alguns momentos chorando em outros, assim, ainda hoje muita gente lembra a estória da Princesa da Pedra Fina, dos feitos de Pedro Malazarte, da saga de Lampião e Maria Bonita e outros, lia-se também o jornal e revistas, porém em menor escala. Essa foi uma época não só de vida comunitária, mas também de segurança. Nas residências as portas eram apenas para resguardar os moradores do sereno, do frio, das chuvas, não existiam grades nem tranca nas portas, dormia-se de portas encostadas ou abertas sem nenhum temor, Também ainda não existiam grandes desníveis sociais.

Plantação de fumo.
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- Resguardo – tempo de 40 dias dado para recuperação da parturiente, nesse período ela não fazia nenhuma tarefa que exigisse esforço físico.

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Vai um Picolé Aí?

Já muito tempo depois é que nossa Cidade conheceu a luz elétrica. No local onde atualmente funciona o atendimento ao público da Rede Celpa tinha uma pequena casa chamada Casa de Força e Luz, lá tinha um motor a óleo que gerava energia. Aí passamos a ter luz elétrica nas ruas, na praça e nas residências e por essa prestação de serviço não se pagava, porém quando o relógio marcava 22 horas a luz piscava três vezes ai todo mundo já sabia o que iria acontecer: o motor parava de funcionar e tudo ficavam no escuro, e nas residências se acendia a conhecida lamparina ou o candeeiro, (essa foi a época do Pretomax). Só tinha uma exceção: era quando falecia alguém, nessa noite o motor não era desligado pois era noite de velório e também era preciso que se fizesse o ataúde para colocar a pessoa falecida e para realizar essa tarefa já tinham pessoas experientes em providenciar o necessário: fazer a mortalha, armar e forrar o caixão que era geralmente em tábuas de Marupá, madeira leve e de fácil labor e forrado com tecido preto ou roxo se fosse para adulto e de azul claro ou branco se fosse para criança. Mas isso era apenas na Cidade, o interior continuava na lamparina, mas tanto cá quanto lá para se ter geladeira em casa só se fosse a querosene, portanto, aqui não tínhamos sorveteria nem fábrica de gelo. Essa situação durou até 1975. O ano de 1975 foi muito importante para nós, nesse ano passamos a ser atendidos pelas Usinas Térmicas de Belém e em 1981 houve a interligação norte-nordeste, foi um grande avanço, todo o nordeste paraense passou a ter sistema elétrico de potência, portanto energia elétrica 24 horas por dia. Vale dizer: a Casa de Força e Luz funcionou na avenida Barão de Capanema, em frente a Transportadora Caeté depois na Rua D'jalma Dutra esquina com a Rua João Pessoa.

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Capanema sob a ótica de dona Nair Fernandes.
Sou filha desta terra, Falo égua Sou capanemense, Sou Pai d'égua. Em 1942 eu morava na Rua Timbiras, margeando a Timbiras tem o Rio, ele é grande e recebe os nomes de Ouricuri, Rio da Mata e Pau grosso. Quando criança, eu tomava muito banho lá na parte chamada Rio da Mata, era onde a mulherada lavava roupas e tomava banho, as pessoas vinham da rua pra lá, era um balneário. Os homens tomavam banho no Pau grosso, agente chama pau grosso porque tinha uma árvore grande, de tronco muito largo no meio do rio.

O Ouricuri era um rio muito bonito e de águas muito limpas, mais para baixo ele enlarguescia, próximo dele tinha o matadouro e bem perto tinha o pau de Urubu, era uma árvore imensa que ficava cheinha de urubus quando faziam o abate do gado, ou de porco. A água desse rio era usada para lavar as vísceras dos animais abatidos. Hoje nesse local existem as vendas de refeições perto do mercado. A minha infância foi maravilhosa, aos domingos, os moradores da Timbiras se juntavam e íamos com meu avô pescar no Rio Capanema, íamos pelos trilhos, pois nos domingos não tinha trem, quando chegávamos lá, nós, as crianças íamos brincar no rio, pulávamos da ponte, tomávamos muito banho e meu avô ficava pescando, ele pegava muitos peixes, grandes, gordos, maravilhosos, pescava com fisga e anzol, ele levava sal, farinha, pimenta e fazia um grande avoado e assim passávamos nosso domingo com muito banho, muita brincadeira e muito avoado, sinto saudades daquele tempo, não tinha a violência que tem hoje. Além das festas religiosas tínhamos as festas chamadas profanas: de Santa Luzia e São Benedito, organizadas por uma diretoria comandada pela juíza e pelo juiz, nessas festas tinha a marujada, com mastro, leilão, o almoço, era tudo muito bom. Tínhamos também o carimbó da Praça Moura, lá era muito animado, tinha a Julica. A Julica usava muletas porque tinha problemas nas duas pernas, mas era mestra do curimbó, tocava a noite toda, e com muita animação, ela usava aquelas roupas de saias rodadas coloridas, era um visual muito bonito, e próprio dela. Tínhamos também outra diversão e veículo de cultura: o cinema, o cinema funcionava na Avenida Barão de Capanema em um prédio, até hoje pertencente à Prefeitura, próximo de onde está instalado atualmente o DETRAN - era o Cine Rosa Mar, mas não durou muito tempo, foi desativado, depois surgiu o Cine Brasília já no ano de 1960. O prédio era uma casa de taipa localizado na atual Avenida Barão de Capanema nesse local está atualmente erguido o prédio da Receita Federal. Este prédio caiu depois de exibir o filme “O Ébrio” e uns dois anos mais tarde Veio o Cine Pálace.

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No prédio onde funcionava o Cine Pálace, nas manhãs de domingo apresentavam o Show artístico, à tarde era exibido o filme do vesperal ou matinal como chamávamos que eram filmes para crianças e adolescentes, a noite tinha mais uma sessão. Em todos esses horários o cinema lotava, e tinha uma música que chamavam de prefixo que tocava na Almeida Divulgações antes de iniciar o filme, essa música funcionava para nós como se fosse um chamado. Quando ela tocava, corríamos para ir ao cinema, esse tema musical era O Milionário, a Marcha do Assobiador ou A Ponte do Rio Kwan, eram músicas muito bonitas e nos lembram aquela época, nos lembra do Cine Pálace. Vale dizer: Mais ou menos em frente a Transportadora Caeté, há um prédio da Prefeitura onde funcionou a casa de Força e luz na época da iluminação a carbureto e depois a querosene. Nesse prédio funcionou também os primeiros Cinemas de Capanema: 1. Cinema mudo – trazido por Joaquim Costa (pai do ex-prefeito Jorge Neto da Costa). 2. Cine Teatro Moura Carvalho – trazido pelo ex-governador do Pará Moura Carvalho.

Faz parte da história de todos nós, Foi Casa de Ensino e Educação para o Lar, Cinema, Setor de Merenda, Biblioteca e Teatro, Também da arquitetura Art Déco Bem poucos irão recordar.

E agora o que se vê por lá? Apenas um prédio antigo e abandonado, Em nenhum momento lembrado, Esquecido de que um dia Foi palco da Arte do saber e da Alegria.

Hoje por lá nada reluz 3. Cine Iracema. Que estranha e triste ironia 4. Cine Rosa Mar Para quem já fora chamada 5. Cine Brasília. Casa de Força e Luz. 6. Cine Pálace – foi o único a funcionar em prédio próprio e adequado para exibir filmes para o público. O Cine pálace funcionou de 1960 a 1981. Não resistiu à crise que acometeu aos cinemas no Brasil com a difusão da Televisão, Vídeos Cassetes e Antena Parabólica então faliu. Profª Cleni

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Uma Referencia Referenciada.
Em nossa Capanema existem lugares pitorescos uns construídos pela natureza como o Rio Quatipurú, onde passear de barcos ou canoas seja à luz do sol ou à luz da lua é de um prazer ímpar para alguns, bem como fazer um piquenique às suas margens nos finais de semana é relax para outros, porém existe um recanto que é freqüentado por todo capanemense desde a mais tenra idade. Estamos falando de nossa querida Praça Magalhães Barata que, aliás, foi a primeira construída nessa Cidade. A Praça Magalhães Barata também é conhecida por Praça da Bandeira, pois era ali que hasteávamos a Bandeira durante a semana da pátria. Portanto era para lá que convergiam pais e alunos para referenciar a Pátria: cantar o hino Nacional, ouvir os discursos proferidos pelo Prefeito, Juiz, Professores, alunos e todos os patriotas que quisessem fazer sua homenagem pelo dia da independência do Brasil.

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Eu nasci e me criei
Ao longo de sua existência essa Praça tem testemunhado os acontecimentos históricos e corriqueiros de nosso povo. E por ser o ponto dos acontecimentos, abrimos espaço para que o repentista Professor Lucivaldo através da Literatura de Cordel faça sua devida homenagem a nossa Praça querida. Capanema atualmente Para você se informar Tem 614 km quadrados De área pra se explorar Um monte de habitantes É um município importante Quem mora aqui pode provar Capanema localiza-se Ao nordeste do Pará E ao norte do Brasil É fácil de se encontrar Nos mapas que tem nos livros Ou no meio dos arquivos É fácil localizar Lá pelos anos cinqüenta De porta se namorava Crianças brincavam de rodas E os vizinhos conversavam Se escrevia pros amigos Não tinha tantos perigos Nas festas ninguém brigava As feiras em Capanema No sábado acontecia Era quando agricultores O seu produto vendia Nos cavalos ou nas costas Enfrente o ciço costa Comprava-se e se vendia
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Eu nasci e me criei Nesta maravilhosa cidade Acompanhei seu crescimento E suas necessidades Tentei entender a política E sua história escrita E sua realidade As ruas que eram veredas Que hoje são avenidas Das velhas casas de taipas Das ruelas sem saídas Das feiras no meio das ruas Das matas virgens e nuas Dos paus-de –araras da vida Hoje ela tem evoluído De uma maneira desigual Mas tiramos proveito nisso De um jeito natural Aqui se faz o que se pode Levanta a poeira e sacode Assim dizia o Cival Pra gente se divertir Só temos algumas praças E uma delas é famosa Mesmo entregue as traças A mais antiga e verdadeira É a Praça da Bandeira Onde tomei muita cachaça

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Centro de concentração Das manifestações culturais Testemunhou muitas lutas De muitos profissionais Fica a nossa praça velha Que nunca morre jamais Ao lado do Maria Amélia Serviu de testemunha das festas Por exemplo, o carnaval Na assembléia recreativa Que hoje foi pro cacau Veja o tamanho da maldade Que hoje só é saudade Aqui no nosso pessoal A primeira prefeitura Um prédio muito belo Ficava em frente à praça Todo pintado em amarelo Botaram fogo nos seus arquivos Que não sobrou nenhum livro Do passado perdeu o elo A segunda prefeitura Ficava ali pelo lado Passaram-se alguns anos E de novo foi trocado Hoje com o prédio reformado Temos o beijo gelado Com muitos frios variados Depois de todo o desfile Do dia sete de setembro Os jovens a ocupam Qualquer coisinha comendo Não fica ninguém de toca É muito beijo na boca Outros ficam se roendo
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Também teve uma grande loja Por nome Pernambucana Era uma loja amarela Por dentro muito bacana Vendia de tudo um pouco Tecidos e roupas pra jogo Só não vendia banana

A primeira Biblioteca Ali também foi implantada Por lá ficou pouco tempo E pra outro lugar foi trocada E com toda essa mudança Ganhamos um salão de dança Pra nossa rapaziada

Também serviu de testemunha Do incêndio da casa costa Que se queimou por inteira Que não sobrou nada a mostra Foi um incêndio danado Que ficou tudo queimado Como amendoim que tosta A Procissão de corpus Christi Também passa ao seu redor São milhares de fieis Que do chão levanta pó São anos de romaria Todo mundo em sintonia Desde o tempo da vovó Ela também recebeu o programa A cultura vai à praça O povo se reunia Ninguém pagou foi de graça Foi o grupo cultural Os Timbiras e coisa e tal Pessoas de muita raça

Mesmo assim ela resiste E proporciona lazer Desde o tempo do vovô Para mim e pra você Um local maravilhoso Para os novos e idosos Tudo pode acontecer Quero aqui deixar O meu agradecimento Pelos momentos felizes E de total contentamento onde pude namorar e de mãos dadas passear mesmo depois do casamento tudo isso e muito mais nessa praça tão querida nosso patrimônio,nossas lembranças nossa história nossa vida nosso presente,nosso bem nosso amor e de mais ninguém desde quando fostes construída

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Um Pouco da Saga de Nossos Distritos:

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Tauari é um dos Distritos do Município de Capanema, dista da sede 22 km. Seu nome deriva do tauarizeiro uma árvore em torno da qual se aglutinaram os colonizadores que seriam mais tarde os tauarienses.

Apresento-lhes: TAUARI

Desconhecemos a data de sua fundação, porém temos uma referência: é a Estrada de Ferro. Em 1906, quando ela estava sendo construída sua população era de quatro moradores. Com a conclusão dessa Estrada várias famílias vindas no trem escolheram aquela região para morar, eram em sua maioria nordestinos acrescidos de imigrantes estrangeiros representados por espanhóis, libaneses e portugueses que encontraram ali terra farta, fértil e clima com boa umidade, esses fatores foram decisivos para que em pouco tempo a região se tornasse referência na produção agrícola e também na pecuária. Ao lado do sucesso da terra veio também a instalação e desenvolvimento do comércio. Quando o trem chegava em Tauari e Mirasselvas os vagões ficavam abarrotados de arroz, algodão, milho e feijão para serem comercializados em Belém e dali exportados para outros Estados, foi o aumento da produção aliado ao funcionamento do trem que trouxe os comerciantes estrangeiros para Tauari e, antes mesmo de Capanema receber o título de Cidade, Tauari e Mirasselvas contribuíam para a riqueza do município com um comércio consideravelmente grande se comparado ao atual. Em Tauari já contávamos com 9 grandes lojas, 2 farmácias também grandes, casas comerciais de vários produtos e usina de beneficiamento de arroz e algodão que funcionou até o ano de 1946. Quando a Estrada de Ferro foi extinta, ficou difícil transportar a produção para a Capital, aquela fase de desenvolvimento e riqueza não conseguiu manter-se, o declínio econômico, obrigou algumas famílias que até então eram referência no comércio paraense saírem de Tauari para aventurar-se em outras paragens mais promissoras.

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Início do povoamento.

Mirasselvas: terra de Coronelismo e Escravidão negra.

No ano de 1879, aqui chegaram José e Mel Ferreira das Neves ( pai e filho) acompanhados do amigo Bento Pereira da Silva, vieram os três da Serra Grande ou do Ibiapaba, serra que é limite entre os Estados brasileiros Piauí e Ceará, e por não ter nenhum impedimento, dividiram entre eles toda a extensão de terras que seus olhos alcançavam: Os Neves ficaram com a área à margem direita do rio Quatipurú e Bento apoderou-se das terras à esquerda do dito rio, ainda em nossos dias a área que coube aos neves é chamada colônia dos Neves. Bento Pereira da Silva homem de muitas falas, membro da Guarda Nacional e de patente comprada, com o passar do tempo tornou-se pessoa influente entre políticos e moradores das redondezas. Dentre os três Distritos que compõem o Município de Capanema, o de Mirasselvas foi o pioneiro em povoamento e em reconhecimento legal. Pelo Decreto nº 1512 de 20 de abril de 1908, Mirasselvas foi elevada a povoação, portanto podemos dizer que Mirasselvas é o Distrito Mãe do Município de Capanema visto que foi o primeiro a ser povoado e a existir legalmente.

Este é um relato do Sr. Smith.

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Origem do nome: Mirasselvas Os três amigos: José, Mel Ferreira e Bento Pereira da Silva deram início à povoação que nasceu com o nome de Cachoeira ou Cachoeira do Major Bento porque aos olhos dos moradores, a visão do Rio Quatipurú serpenteando entre os dois montes que eram de propriedade dos três moradores parecia ser uma cachoeira. Dizem que no transcorrer da colonização, uma pessoa estava debruçada sobre a janela de sua casa (possivelmente o Coronel Cezar Pinheiro) admirando a exuberância e beleza dos matizes, o colorido das copas das árvores que compunham a floresta que circundava a povoação de Cachoeira, quando passou uma pessoa e perguntou: o que estas fazendo? Ao que o outro respondeu – ESTOU MIRANDO AS SELVAS, daí o nome Mirasselvas. Ainda nos dias de hoje é muito bom parar no alto daqueles montes e beber com os olhos a beleza natural de MIRASSELVAS. Mirasselvas foi terra de coronelismo, ali moraram e contribuíram no panorama político, na economia e no desenvolvimento social: 1. Coronel José Felipe; 2. Coronel Cezar Pinheiro; 3. Coronel Aníbal Augusto Freire; 4. Coronel Chilourico; 5. Capitão Józimo; 6. Major Bento (um dos fundadores de Cachoeira, hoje Mirasselvas); 7. Capitão Serzinato Ferreira da Silva; 8. Capitão Nogueira.
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Além desses coronéis, major e capitães, Mirasselvas viveu também sob a Influência de vários outros líderes políticos, porém os maiores acirramentos ocorreram entre dois primos coronéis: Cezar Pinheiro radicado em Mirasselvas e Leandro Pinheiro radicado em Quatipurú e dependendo do resultado nas urnas, a sede do Município de Quatipurú ora estava em Mirasselvas, ora em Quatipurú. Dessas atuações Mirasselvas foi palco de alguns avanços e desatinos das ações políticas como: A Escola Magalhães Barata prédio suntuoso que alguns anos depois cedeu lugar a outro que ostentava o nome – Escola Reunida Cezar Pinheiro.

Curiosidades de Mirasselvas.

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1. Fidel, Ditador cubano é Quatipuruense? O Sr. Smith nos conta que em 1943 a professora Nazaré Pereira o chamou à secretaria da Escola e mostrou-lhe um livro de ponto escolar muito antigo e falou: Simitinho nessa escola passou há alguns anos atrás uma professora que seria sua parenta, o nome dela é Delfina Smith de Castro. Ele diz que hoje, depois de ler alguns artigos em jornais supõe que a referida professora é a possível mãe de Fidel Castro presidente da República Socialista de Cuba, pois que ela teve um filho chamado Fidel nascido ás margens do Rio Quatipurú no lugar chamado Bom que dói, próximo ao Curral Velho, área que hoje pertence ao Município de Tracuateua. Dona Delfina e seu marido (que se dizia peruano) mudaram-se rumo ao Peru (não se sabe ao certo o lugar) juntamente com o filho Fidel quando este tinha doze anos de idade, tempos depois ela escreveu à família dizendo ter tido outros filhos: Raul e Juanita depois dessa carta nunca mais souberam de Dona Delfina Smith de Castro. Vale dizer: se o Fidel Castro que nasceu na povoação chamada Bom que dói é o mesmo que governa Cuba, não sabemos, somente sabemos que já não podemos constatar o registro de seu nascimento no Cartório de Registro Civil, pois segundo a memória popular, na época em que Janio Quadros presidente do Brasil condecorou Che Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul e, posterior atuação da Operação Condor, o Cartório em questão foi incendiado. 2. Escravocrata sim senhor! Sobre o coronel José Felipe, um dos coronéis radicados em Mirasselvas conta-se que era um homem muito duro, e que em épocas de chuvas quando os pastos ficavam enlameados, ele ordenava aos seus escravos que deitassem um ao lado do outro formando uma grande passarela humana e ele passava por cima deles para não sujar as botas na lama do pasto.
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Havia apenas um escravo que o encarava, era chamado de José Pachiúba, um negro forte e alto comparado a uma Pachiubeira. Nota: O senhor Antônio Elizeu é o último bisneto do Coronel que ainda reside em Mirasselvas. 3.E a última palavra não foi a do Coronel. As desavenças políticas entre o coronel Cezar Pinheiro e o major Bento eram freqüentes e conta o senhor Manuel Atanázio , que o coronel Cezar então intendente do Município de Quatipurú ia viajar para Belém para ter uma conversa com o governador, essa conversa poderia ferir politicamente o major Bento que falou: ele não vai! O trem chegou à estação às 05h30min, o major Bento já estava com seus capangas, na esquina da Travessa Senador Lemos, (hoje em frente ao posto de saúde da Vila). O coronel veio de sua fazenda (hoje Malacacheta) também com alguns capangas, porém não viu seu adversário e quando o trem parou na estação, agarrou-se ao balaustre do vagão para subir, o Major Bento sorrateiramente aproximou-se à retaguarda, atracou-se na cintura do coronel Cezar e os dois foram ao chão aos murros enquanto os capangas também lutavam entre si, o maquinista vendo aquela escaramuça arrancou com o trem de imediato e o coronel Cezar não viajou naquele dia e o Bento falou: eu disse que ele não ia. Nota: De descendentes o Major Bento tem em Mirasselvas a família do Sr. Antônio Elizeu Conhecido por Suíno.

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Agricultor X Terra X Fibra = dinheiro a rodo.
As décadas de 40, 50,60 do século XX trouxeram grande riqueza para o Município de Capanema, foi uma espécie de ciclo têxtil, nosso ciclo de ouro trazido com o cultivo da malva e da juta, a malva trouxe tanto dinheiro que se dizia “banhar o cavalo a cerveja”.

Em Belém construíram a Companhia Têxtil de Aniagem da Amazônia conhecida por CATA, em Castanhal a Companhia Textil de Castanhal- C T C e aqui em Capanema tivemos a Tecelagem Nossa Senhora de Fátima, o cultivo da malva e da Juta era bem aceito pelos agricultores porque além de ter mercado certo eles poderiam ter duas culturas no ano plantando malva depois feijão no mesmo roçado pois a terra ficava adubada com as folhas apodrecidas da malva, aí era lucro certo. Nessa época muitos produtos eram comercializados em sacas e as fibras de malva ou juta eram necessárias nas tecelagens para a fabricação de sacas para exportar os produtos que precisavam ser ensacados, como o café brasileiro, também chamado ouro negro. Porém entre as invenções tecnológicas apareceu a fibra sintética e aquele período áureo da fibra da malva e juta perdeu espaço, daí em diante passou a reinar as sacas de plástico. Vale dizer: em Capanema os maiores postos no comercio da malva foram – Sobral irmão, Cata e Tece Fátima.

Cavalo: o nosso outro

As décadas de 40, 50,60 do século XX trouxeram grande riqueza para o Município de Capanema, foi uma espécie de ciclo têxtil, nosso ciclo de ouro trazido com o cultivo da malva e da juta, a malva trouxe tanto dinheiro que se dizia “banhar o cavalo a cerveja”. No Estado surgiram grandes companhias para beneficiá-la e outras para financiar seu plantio e também para comprar a fibra, essas companhias tinham posto de compra em toda a região, a malva foi rainha na lavoura e praticamente todo agricultor plantava a malva e juta, uns em grandes roçados outros em pequenos, mas todo mundo se envolveu com ela.

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Dos meios de transporte, o pioneiro por aqui foi o cavalo, ele era solicitado para ir ao roçado, para carregar todo tipo de produção: a malva, arroz, farinha, feijão, carregava a lenha para alimentar o trem e as cozinhas das casas, carregava a madeira, palhas, telhas para a fabricação das casas, todo tipo de carga pesada passava pelos lombos dele além de levar seus donos a passear por longas distâncias inclusive para ir às festas. Quando acontecia um casamento o noivo ia num cavalo, a noiva toda vestida de branco com a tiara na cabeça e o véu longo e esvoaçante ia em outro, se a distância fosse grande os padrinhos e parente iam cada um em um cavalo. Na volta os noivos voltavam juntos no cavalo do noivo e o cortejo vinha atrás. Daí termos dois tipos de cavalos os de carga e os de passeio, mas foi o cavalo de carga que ajudou os colonizadores a desbravar a terra, plantar, produzir e transportar toda a riqueza produzida. Iniciou o desenvolvimento desta terra e por muito tempo foi o único transporte usado em nossa região. O agricultor teve também a ajuda do jumento, porém em menor escala.

Capanema já foi mar?

Segurança.
Do início de nossa colonização até a publicação da Constituição Federal do Brasil de 1988, o serviço de segurança era feito por pessoas indicadas. O governador indicava um policial para chefiar a segurança pública na sede do Município, esse delegado nomeava um homem que gozasse de sua confiança e o investia no cargo de Comissário de Polícia, (em Tauari e Mirasselvas havia o comissário), este escolhia seus auxiliares chamados Agentes de polícia que trabalhavam, mas não tinham salário, então o comissário cobrava taxas para manter a sobrevivência daquelas pessoas, cobrava pelo funcionamento de festas, de atestados de vida e residência, e quando uma pessoa era detida por perturbar a ordem pública ou desabonar a conduta de alguém, para ser libertado pagava uma taxa chamada carceragem e quando a pessoa em questão não tinha dinheiro, pagava com trabalho disciplinar: entregavam-lhe um terçado e o detento ia roçar em local movimentado sob os olhares e zombarias dos curiosos.

Há milhões de anos atrás em muitas áreas de nosso município existiam grandes lagoas de água salgada, nessas lagoas a vida marinha era abundante, tinham peixes de vários tamanhos, inclusive tubarões, tinham caranguejos, ostras, e sarnambis (depósitos de conchinhas). Com o passar dos séculos, o mar foi se afastando, as lagoas foram secando e como a água do mar é rica em carbonato de cálcio esse cálcio foi se solidificando e formando o calcário que é uma rocha rica ou quase que exclusiva em carbonato de cálcio, os ossos e as conchas formaram fósseis que são encontrados facilmente nas atuais jazidas de exploração de calcário pela CIBRASA.

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Atualmente quem industrializa esse minério é a CIBRASA, porém temos relatos que há vinte anos antes de se instalar aqui a Pires Carneiro (primeira companhia de exploração desse calcário), inaugurada em 1962, o senhor José Cândido já beneficiava esse minério, fazia isso, de modo muito artesanal, ele era queimado e depois peneirado, a parte fina era usada como cal e a grossa era usada como liga para rebocar as paredes das casas. A embalagem desses produtos era feita em paneiros forrados com guarimã. Como lembrança e testemunha dessa atividade extrativa artesanal temos ainda o forno: uma construção com tijolos à beira da BR-308 no quilômetro cinco ao lado direito no sentido Capanema Bragança.

As Paisagens Naturais.
Paisagens vegetais: por estarmos próximos do Equador, região, portanto de baixa latitude, onde o calor é constante devido os raios solares incidirem de modo quase que perpendicular sobre o solo, as temperatura aqui são elevadas durante todo o ano, a umidade também é muito grande (mesmo nos período sem chuvas), e as chuvas são abundantes, aliado a um relevo de planície ondular, a nossa vegetação é formada por vários andares ou estratos de árvores com alturas diferentes. Daí termos paisagens vegetais diversificadas.

Limites Geográficos.
LOCALIZAÇÃO - O Município de Capanema está localizado na microrregião Bragantina a nordeste do Estado do Pará ao norte do Brasil país da América do Sul. Ocupamos terra em dois hemisférios apresentando as seguintes coordenadas geográficas: 1º 11 33” de latitude sul; 47º 10 38” de longitude oeste. Este é o nosso endereço geográfico. Onde cruzam essas duas linhas no globo terrestre aí está Capanema.
LIMITES: Ao Norte: Município de Primavera e Peixe Boi; Ao Sul: Município de Ourém; Ao Leste: Município de Tracuateua; Ao Oeste: Municípios de Bonito e Peixe Boi.

Paisagem dos campos Naturais no período de cheia. Por ser área de terra baixa, no período chuvoso os nossos campos são recobertos pelas águas e apresentam uma vegetação predominante de água-pé, capim e junco, essa vegetação é cortada por muitos meandros formados pelos rios e igarapés, sobre esses meandros vemos canoinhas que levam pessoas a passear, a transportar mercadorias ou utensílios de trabalho, (nesse período o único meio de deslocamento entre as ilhas campineineira são as canoas) nesses meandros tomamos banho, pescamos, (a diversidade e quantidade de peixes é muito grande)além disso em nossos campo podemos observar vários tipos de aves como garças do tipo pequeno e grandes, cantaú, carão, ciganas, araçari, galinhas-d'água, ariranha, jabutis, sucuris, jibóias, Camaleão, tijú-açú, perema, e outros animais.
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Marco Zero (Macapá )

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- Equador é a linha imaginária que divide a terra nos dois hemisférios: norte e sul - Greenwich linha imaginária que divide a terra nos hemisférios: leste e oeste.

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No início e término do dia acontece um espetáculo deslumbrante em nossos campos: são as revoadas dos pássaros que alegram os olhos e põe a alma em festa de qualquer observador. Temos toda essa riqueza porque os campos é área de berçário, aliás, é um dos maiores berçário na região. Na piracema os peixes vão para lá desovar, é berçário também de muitas aves que lá vão fazer seus ninhos, assim como também os répteis. A visão dos nossos campos se compara ao Pantanal Mato-grossense na pujança de vida animal e vegetal.

Paisagem dos Campos em períodos de estiagem.

No período de estiagem das chuvas, a paisagem natural muda completamente, as águas desaparecem dos igarapés, o solo seca ao ponto de rachar em alguns trechos, do que era um mundo de água restam apenas algumas poças, muitos peixes morrem outros migram para o Lago do Segredo assim como outros animais vão à busca de água e de vegetação verde, as canoinhas são recolhidas, não tem mais o vai-e-vem de canoas, várias aves pescam os poucos peixes que ficaram retidos nas poças d'águas chamadas lagoinhas, agora as pessoas caminham por longas distâncias a pé seco, em áreas onde até pouco tempo a água cobria, é também o período da caça aos quelônios que restaram, agora quando o vento sopra, levanta-se uma nuvem de poeira negra, é a lama seca do leito do igarapé que está sendo levada pelo vento e senta nas folhas da vegetação que margeia aquela imensidão de lama estorricada. A paisagem de várzea e igapós. Nas áreas de Várzea e Igapós a vegetação é bem mais alta, lá é o domínio dos buritis, açaizeiros, andirobeiras, assacus, marachimbés, ananis e muitos outros é lá que se encontram também as bromélias, as orquídeas e borboletas e assim como os campos, durante o período de chuvas é inundado pelas águas dos igarapés e das chuvas e,quando chega o estio, a maioria das áreas dos igapós apresenta solo pantanoso mas a biodiversidade tanto num como noutro é grande. Paisagem de Terra Firme. Terra Firme é o relevo mais elevado de nossa planície, essa região fica fora do alcance das inundações periódicas e nela se encontram as árvores de maiores portes e as mais exuberantes. Em nosso Município a mata primitiva de terra firme é muito reduzida, conseqüência da ação de desmatamento que vem sendo feito desde o início da colonização, mas ainda temos algumas espécies como as Samaumeiras, árvores nativas da Amazônia e também madeiras de lei como o cedro, pau d'arco, jarana, cumaru etc. A nossa vegetação é bastante diversificada, nela encontramos árvores, cipós, flores e plantas rasteiras que são remédios milagrosos contra doenças que acometem nosso corpo, além disso, tanto na mata de igapó quanto na de terra firme temos árvores que nos dão frutos que além de estarem entre os mais saborosos são também muito nutritivos e quando
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Quando chega o período de estiagem a vegetação fica ressequida pela falta de água e morre. A sobrevivência dos peixes e animais fica comprometida e antes que os campos sequem totalmente a grande maioria deles migram em busca de água e vegetação viva e espessa, assim os peixes chegam a lagos como o Lago do Segredo e dos rios, outros animais atingem o relevo mais alto chamado terra firme domínio das grandes árvores, quando o período de chuvas voltar eles retornarão aos campos outra vez para o período de reprodução, mas é bom ressaltar que muitos dos que foram não voltarão porque foram caçados, pescados ou aprisionados para alimentar os habitantes da região ou por terem sido vítimas da ação predatória de outros animais além dos humanos.
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ingeridos regularmente tornam nosso corpo forte contra doenças dando-nos vida longa e são também fontes de juventude pois previnem contra a velhice precoce, vejamos alguns desses fruto que são nativos de nossa região.

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Conversando com as crianças. Veja bem – todos nós precisamos ingerir alimentos. Alimento - é tudo que comemos que faz bem para nosso organismo. O alimento é, portanto constituído por nutrientes. Nutrientes – são substâncias benéficas que estão nos alimentos. Na tabela acima temos algumas frutas que têm nutrientes, vejamos:
? Carboidrato – são também chamados de açúcares, um grama de

A vitamina C – atua no fortalecimento do sistema imunológico, combate os radicais livres e aumenta a absorção do ferro pelo intestino. A insuficiência da Vitamina C causa sangramento nas gengivas (escorbuto).
? lipossolúveis – A, D, K, E. Vitaminas

- A vitamina A – é talvez a mais importante das vitaminas, também é chamada de Retinol , combate os radicais livres, atua na formação dos ossos, da pele e da retina - sua deficiência causa cegueira noturna. - A vitamina D - regula o cálcio do sangue e dos ossos – sua deficiência causa o raquitismo; - A vitamina E
? É a vitamina que retarda o envelhecimento; ? Inibe os radicais livres e doenças cardiovasculares; ? a circulação sanguínea; Melhora ? os tecidos; Regenera ? É útil na tensão pré-menstrual; ? a resistência imunológica; Aumenta ? Pode prevenir o câncer de próstata. (época on line agências

carboidrato tem 4 kcal O carboidrato é a principal fonte de energia do nosso organismo é também a única fonte de energia aceita por nosso cérebro (glicose), por isso para termos bom funcionamento de todo o sistema nervoso e do coração temos que comer alimento que contenham carboidrato todo dia. 60% do nosso alimento tem que ser de CARBOIDRATO.
? – é um alimento construtor, forma nossos músculos e Proteínas

tecidos. A proteína é como se fosse os tijolos na construção de uma casa, quando ela falta em nosso organismo ficamos desnutridos, fracos, sem coragem para brincar ou estudar
? é chamado de gordura ou óleo, é fonte de caloria e tem função Lipídio –

internacionais 14/04/2004). Os Minerais:
? Cálcio – sua deficiência causa a osteoporose (ossos fracos). ? deficiência causa anemia ( sentimos cansaço). Ferro – sua ? é antioxidante. Selênio –

energética- uma grama tem nove kcal. A falta do lipídio em nosso organismo causa a deficiência de vitaminas liposolúveis (Vitaminas: A, D, E, K)- essas vitaminas só serão absorvidas pelo organismo se tiver gordura. E as Vitaminas hidrossolúveis – são as do campo B ( B1, B2, B12, etc) e vitamina C. Cada uma tem uma função.

As vitaminas são nutrientes de imensa importância para que nosso organismo se desenvolva forte, sadio e bonito e para atingir esse objetivo, é vital que se coma alimentos que contenham vitaminas, carboidratos, proteínas, minerais - todos os nutrientes necessários para termos corpo forte na estrutura física e mental.
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PAISAGEM HIDROGRÁFICA

O Rio também tem composição. PARTES DE UM RIO
? – é o lugar de onde vêm as primeiras águas de um rio. Nascente ? Foz ou embocadura – é o lugar onde termina o rio, isto é onde

O Rio de sustentação colonial.
Dentre os rios que são o sustento da vida humana, vegetal e animal em nossa região, destacamos um como representante dos demais, é o Quatipurú rio que até o funcionamento dos trens possibilitou o deslocamento dos desbravadores de nossa região, contribuiu para o povoamento de vários núcleos, alimentou e alimenta o sustento de muitas famílias capanemenses, pois ainda é um dos mais piscosos. Ao longo de seu curso sempre vemos pessoas noite adentro com a lamparina acessa em uma vara fina com uma folha de guarimã colocada atrás que chamam de espelho para impedir que o pescador fique encandeado e dificulte a visão na hora de flechar o peixe, ou mesmo com lanternas, andando no leito ou nas margens do rio e quando é de manhãzinha eles passam com paneiros (chamado cerão) cheios de peixes, os mais saborosos e nutritivos que consumimos através de muitas gerações são eles: o bagre, o camorim, a piramutaba, o dourado, a tainha, a traíra, o espardate, o jacundá coroa, o mundé, o tuvi, o tamuatá, o aracu entre outros.

ele deságua.
?o local onde correm as águas do rio Leito – é ? – são as terras de um e outro lado do leito. Todo rio Margens

tem margem direita e esquerda.
? – sãos os rios que deságuam num outro rio, Afluentes

avolumando as águas deste. Bacia hidrográfica – Conjunto de rios que formam um rio maior. Bacia hidrográfica de Capanema O solo capanemense é drenado pelas bacias dos Rios: Quatipurú, Peixe-Boi e Caeté. 1. Bacia do Rio Quatipurú – cerca de 60% do nosso território é drenada pela bacia do Rio Quatipurú. Nascente – Ele nasce no Município de Tracuateua. Foz ou embocadura – a foz do Rio Quatipurú é na baía de Japerica entre os Municípios de Quatipurú, São João de Pirabas e Tracuateua. Afluentes – em Capanema nascem os afluentes mais importantes da margem do Rio Quatipurú, Rios: Açaiteua,Malacacheta, Braço Grande e Igarapé-Açú. Obs: o conjunto dos Rios Malacacheta, Braço Grande e Igarapé-Açú, formam a Vala do Basílio.

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1. Bacia do Rio Caeté – cerca de 19,6% do território capanemense é drenada pela Bacia do Caeté. Nascente – no Município de Bonito, atravessa os Municípios de Bonito, Tracuateua e Bragança. Foz – O rio Caeté desemboca na Baía do Caeté situada entre os Municípios de Bragança e Augusto Corrêa. Afluente em Capanema – Rio Ananinteua. 2. Bacia do Rio Peixe-Boi – Banha cerca de 20,8% do território capanemense. Nascente – Nasce no Município de Bonito e atravessa terras dos Municípios de: Bonito, Peixe-Boi e Nova Timboteua. Foz – O Rio Peixe-Boi desemboca na baía de Maracanã entre os municípios de Maracanã e Salinópolis. Afluentes em solo capanemense – são pela margem direita, Rio Jaburú e Ouricuri além dos tributários do Ouricuri: Rios Capanema, Garrafão e Soldadinho.

Divisão administrativa.
Além da sede o Município de Capanema administra também Tauari e Mirasselvas - A Cidade de Capanema é composta por 27 bairros que são: 1. Bairro Nossa Senhora Aparecida; 2. Bairro Almir Gabriel. 18. Bairro Samambaia; 19. Bairro Santa Cruz; 20. Bairro Santa Luzia; 21. Bairro São Cristóvão; 22. Bairro São Domingo; 23. Bairro São José; 24. Bairro São Pedro- São Paulo; 25. Bairro São Pio X; 26. Bairro São Raimundo; 27. Bairro Tancredo Neves; 28. Bairro Três de Maio.

3. Bairro da Areia Branca; 4. Bairro da Caixa D'água; 5. Bairro da Igrejinha; 6. Bairro da Pedreira; 7. Bairro do Campinho; 8. Bairro do Centro; 9. Bairro do Garrafão; 10. Bairro do Inussum; 11. Bairro Dom João Vi; 12. Bairro Nossa Senhora de Fátima; 13. Bairro Nossa Senhora de Nazaré; 14. Bairro Nossa Senhora do Rosário; 15. Bairro Oliveira Brito; 16. Bairro Portelinha; 17. Bairro Primeira Travessa;

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O povo conta Contos de Nossa terra.

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1. Seria a cobra grande? No ano de 1951 houve na região de Mirasselvas uma estiagem nunca registrada nem antes nem depois daquele ano até nossos dias, o verão se estendeu pelo inverno, a água do nosso Quatipurú ficou tão pouca que víamos a hora do rio apartar, pois em alguns trechos a profundidade já era de apenas um palmo, os roçados foram queimados e nas ruas a poeira imperava. Meu pai criava gado bovino e como o pasto estava seco, ele dividiu o rebanho em grupos pequenos e os levou para pastos baixos. Um deles ficou em terras do senhor José Inácio de Sousa (Cazuza Inácio) e a cada cinco dias eu ia ver se os bois estavam bem. Lá, existe um lago muito grande e o povo dizia que no fundo daquele lago morava uma grande cobra. Durante a estiagem o referido lago ficou com pouca água e visto de longe parecia ser terra firme, ele ficou coberto de lama, com capim e outros arbustos, tão sólido ficou que pessoas e animais passavam por cima dele durante a grande estiagem, e Cazuza Inácio tinha muita vontade de ver o bendito lago limpo para constatar a estória da cobra, e afirmou: agora eu desvendo o fundo deste lago e passou a queimar o lago pelas margens todos os dias. Um dia cheguei e Cazuza Inácio estava sentado num tronco à beira do dito lago e falou: meu filho a chuva está pra cair, e eu perguntei – Por que tio Cazuza? Ao que ele respondeu – o bicho esturrou a noite toda aí debaixo, isso é sinal de chuva, quatro dias depois a chuva caiu, quando fui lá, o lago estava cheio e todo revirado, era pedaço de lama com capim pra todo lado. Cinco dias depois voltei novamente aí fiquei petrificado, Cazuza Inácio chamou-me para ver: a cobra, bicho ou sei lá o que saiu cortando o lago pelas beiras juntando tudo para um lado e o outro ficou completamente limpo, isso tudo foi feito durante a noite disse tio Cazuza, mas ninguém viu bicho algum. Hoje o lago está lá todo coberto novamente. Sr. José Pereira Smith.

O Segredo é cheio de mistérios. Segredo é uma área próxima a Tauari. Muitos dizem ser misteriosa e por isso temida por muitos, essa crença data antes mesmo da fundação da Vila. Sobre o Segredo contam-se muitas estórias. Os moradores de Tauari afirmam que lá se ouve sons estranhos à mata, outros dizem ser uma região sombria, que dá calafrios ao passar por lá. Nessa área já aconteceram três desaparecimentos de crianças e adolescentes, embora depois tenham sido encontrados. Têm pessoas que afirmam que do Segredo para Califórnia existe uma pedra que dizem ser encantada, essa pedra tem um desenho formando uma igreja com uma porta e uma janela, próximo a essa pedra tem uma mangueira, um dos galhos roça a parte superior do desenho. O povo afirma que a medida que a mangueira cresce a pedra também cresce. Atualmente ela mede um pouco mais de cinquenta centímetros. Nessa área dizem haver uma cidade encantada e que duas pessoas já receberam em sonho instrução de como proceder para fazer surgir em meio aquela mata uma grande cidade, mas não tiveram coragem. Dos casos que chamou mais atenção e mobilizou toda a Vila de Tauari data de oito de setembro de 1980 e que vitimou Maria José filha do senhor Antônio Lopes.

1. O Curupira existe e é o Senhor das matas. O Município de Capanema é muito rico em contos e fatos ocorridos que ainda não temos explicação. Um fato muito intrigante é o que deslocou praticamente metade dos moradores da Cidade de Capanema para Tauari, ocorrido no ano de 1980, com a filha adotiva do Sr. Antônio Lopes e que por tratar-se de uma adolescente e estudante foram para Tauari muitos estudantes e também professores quando anunciaram que Juca a filha do Sr. Antônio havia sido encontrada. Esse fato é verdadeiro e foi testemunhado por muita gente.
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O casal Antônio e Maria Lopes moradores de Tauari, tinha uma filha adotiva chamada Maria José, mas a conheciam por Juca. Uma das tarefas de Juca era levar e trazer o gado do pasto que era um pouco afastado da casa. Na tarde do dia oito de setembro de 1980, Juca foi buscar o gado do pasto eram mais ou menos 15h00min, já se aproximava a noite e Juca não chegava em casa, começaram então a procurá-la, pediam informação aos vizinhos e ninguém sabia dizer nada, um garoto afirmou tê-la visto próximo a um açaizal quando ia para sua casa mas que Juca havia sumido, ele não sabia para onde. Ninguém sabia dar informação precisa. A noite chegou, o gado foi encontrado mugindo bastante, mas nada de Juca, todo o povo da vila procurava e assim passaram-se duas semanas. Seu Antônio ofereceu recompensa alta pra quem a encontrasse e a população toda continuou a procurar Juca. Quarenta homens esquadrinharam palmo a palmo uma área de três quilômetros quadrados ao redor do pasto para onde ela levara o gado e nada. A notícia se espalhou por toda a região e Juca não foi encontrada nem mesmo nos municípios vizinhos. Então convencidos de que Juca já estaria morta, abandonaram a busca. Passados cinqüenta dias, dois caçadores: Manoel Pedro e Francisco Vieira foram caçar e quando chegaram ao igarapé Braço Seco, próximo a um cercado viram no leito seco do rio uma rasteira já um pouco apagada, que era desconhecida para eles, então resolveram seguir os rastros para ver o que era, então... No meio do igarapé seco avistaram um vulto sentado bem encolhido num buraco raso de mais ou menos meio metro de profundidade, o vulto tinha cabelos longos e emaranhados parecendo uma moita, eles viram que era uma pessoa, o olho esquerdo estava transformado numa grande bicheira, porém não apresentava nenhum arranhão. Olhando mais detalhadamente eles reconheceram, que aquela pessoa era Juca, a moça desaparecida há cinqüenta dias. Seu Manoel ficou tão assombrado com o que via que não tinha condição de aproximar-se, e chamou-a pelo nome, na terceira vez ela tentou levantar a mão, mas não teve força para completar o gesto, o seu braço caiu de lado. Quando os dois caçadores chegaram com a notícia na Vila, a família de Juca munida de rede, lençol e água saíram para buscá-la. Na ida outras pessoas juntaram-se ao grupo e chegando ao local, seu Antônio reconheceu ser mesmo sua filha, Dona Maria pegou-a ao colo, descobriu seu rosto, molharam seus lábios ressequido com um pouquinho de água e colocaram-na na rede atada ao pau de carga porém Juca não resistiu mais e deu seu último suspiro sem pronunciar uma única palavra.
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O que aconteceu com Juca, ninguém sabe, ninguém entendeu nada, muitos passaram naquele local procurando por ela inclusive com cachorro, não muito distante dali, uns trezentos metros havia uma casa, o banheiro da casa estava a uns cem metros, e na casa havia galo que cantava todos os dias, havia cachorro que latia, e, além disso, Juca era familiarizada com o local, por que ela se perderia naquela mata onde há anos andava duas vezes por dia? O entendimento desse fato está além da nossa compreensão. E não encontrando resposta, os tauarienses dizem que foi Curupira, o guardião das matas que atraiu e se apossou de Juca. Esse não é um caso isolado, nosso povo conta muitas estórias parecidas com essa que vitimou a menina Maria José conhecida por Juca. N.B. - Fato verídico.

Lenda da Maria Cachorro.
A estória que eu vou contar Poucos vão acreditar Não é de outro planeta É de Capanema, no Pará Falo de Maria Cachorro Você vai se arrepiar Andava sempre enfeitada Com bijuterias das mais ordinárias Os brincos brilhavam tanto Que pareciam luminárias De longe já se avistava Aquela figura lendária

Maria Cachorro era mulher De extrema vaidade Arrumava-se com extravagância Não se importando com a idade As faces de rouge coradas E batom vermelho à vontade

Se passasse por sua casa Nas noites de sexta- feiras Via-se sempre uma vela acesa E um pinto rodopiando na beira Uns afirmavam que era macumba Outros achavam que era besteira

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Os moradores contavam Com muita convicção Que Maria era devota Do santo da maldição Chamado São Cipriano De onde tirava sua oração

Pras bandas do Rio Capanema Saia sempre a assustar Cachorro andarilho e gato Ou qualquer bicho do lugar Somente de manhãzinha Vinha pra casa deitar.

O LOBISOMEM da 1ª Travessa. Quando eu era rapaz, morava com minha família na 1ª Travessa e gostava de ir à noite à casa de meus parentes que moravam na outra Travessa para conversar. Numa noite enluarada, depois de ter passado o dia todo torrando farinha, vinha de uma dessas visitas familiares quando ouvi latidos de cachorro então apressei o passo para chegar em casa. Quando eu passava pela casa do forno, subi em uma árvore e esperei pra ver o bicho passar, era um bicho parecido com um porco, tinha orelhas grandes e roncava muito, os cachorros acuaram o bicho dentro do forno que ainda estava muito quente e ele não aquentando mais enfrentou os cachorros e fugiu. Alguns dias depois, soubemos do boato que um homem que morava sozinho numa velha casa nas vizinhanças estava acamado com tantas queimaduras que não podia nem andar. Esse homem faleceu em conseqüências daquelas queimaduras, depois disso não se ouviu mais falar no lobisomem da 1ª Travessa. José Alexandre. Ele foi flechado por bicho do mato. Seu José da Rosa morava com sua família em um terreno localizado na rodovia Capanema/Salinas há mais ou menos 750 metros do ramal da 7ª Travessa em direção ao Mata-Sede, ele conta que em alguns dias dos meses, (de janeiro a junho) entre uma a duas horas da manhã, todos na casa ouviam tropel e berro de boi ao redor da casa, parecia que uma manada inteira corria para ir comer a roça, eles olhavam, e não viam nada, quando clareava o dia eles procuravam rastros e não havia nada, nenhum vestígio da passagem de bois, vasculhavam os plantios e eles estavam intactos, e isso era fato comum e constante nos primeiros meses do ano e, como não houvesse explicação, eles achavam que eram os bichos do mato tentando infernizar a vida deles. Um dos filhos do seu José gostava de caçar, durante o dia ele procurava as trilhas da caça e à noite, ia esperar, um dia de manhãzinha ele passava por um igarapé quando viu uma paca, ele ficou admirado pois não era hora dela procurar comida, então ele deu um tiro certeiro e ela pulou de lado dentro de uma moita pequena, ele procurou, chamou o cachorro, que correu assustado, então roçou a moita e não encontrou nada. Quando o rapaz chegou ao terreiro da casa, vinha andando de costas e falava: daqui pra frente comigo vai ser tudo ao contrário. Daí por diante todos notaram que ele fazia e dizia coisas estranhas, seu José levou o filho a vários médicos e depois a muitos curandeiros de Capanema, Bragança, Belém e Quatipurú, porém a saúde mental dele continua abalada.

Banho de aninga e sal Era o seu mais favorito Depois de rezar uma prece Ouvia-se em seguida um grito Era Maria transformada Num bicho muito esquisito

Se é verdade ou mentira Nunca vai se saber A lenda de Maria Cachorro Não poderá morrer Faz parte do nosso folclore E lembrar é um prazer. Professora Cleny Guimarães.

Os afoitos brechavam pela janela Viam o que parecia ser um cachorro Sem definir se era ele ou ela Sabiam que era Maria Mas ninguém se atrevia A chamar o nome dela
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O pote de ouro pode estar aquém do fim do arco-íris. No início de nosso século, o regime patriarcal aqui era muito forte, as esposas geralmente não participavam das atividades econômicas dos maridos, eram eles quem fazia as compras para a casa, roupas e calçados para a família, e freqüentemente não sabiam dos bens, nem tampouco do dinheiro que o chefe da casa possuía. Alguns desses senhores enchiam potes com moedas que eram de ouro ou prata e os enterrava. Entre os anos de 1835 a 1840, aconteceu em nosso Estado, um movimento revolucionário armado chamado CABANAGEM que atingiu vários municípios no Pará, nesse período eram freqüentes os saques e, as famílias para preservar suas jóias e dinheiro os enterravam também em potes chamados BOTIJAS. Aconteceu que muitas dessas pessoas morreram sem desenterrar essas botijas e segundo a crença popular começou a aparecer fogo em diversos locais, fogo que não consume nada e às vezes esses fogos andam por determinadas distâncias. É crença comum que a alma dessas pessoas não descansará na eternidade enquanto a botija não for desenterrada, então muitos afirmam já ter recebido em sonho uma botija ou que conhecem gente que já recebeu, ou ainda saber de pessoas que tenham desenterrado. E assim as estórias de botija são inúmeras e faz parte de nossos mitos. Essa BOTIJA pode ser sua. Dona Expedita recebeu em sonho uma botija pra desenterrar juntamente com a irmã. Segundo a alma do doador a botija estava enterrada no pé de uma mangueira, e deu pra ela toda a descrição do local e disse que cavando elas encontrariam um cachimbo de barro, mais abaixo encontrariam um punhal e continuando a escavação mais abaixo do punhal encontrariam um forno de bronze. O dinheiro estaria entre dois fornos de bronze, e que era delas aquela fortuna. Elas foram desenterrar a botija, acharam a mangueira que vira em sonho, então começaram a cavar, encontraram o cachimbo, depois o punhalzinho, e então nesse momento passou no local um homem chamado Micena , e queria saber o porque daquela escavação, elas inventaram alguma desculpa e foram embora, mais tarde voltaram e reiniciaram o trabalho, encontraram o forno porém o que havia dentro era apenas muito carvão. Ainda hoje às vezes as pessoas vêem no local um fogo que sai de dentro da terra, as labaredas chegam a atingir mais da metade da mangueira, mas não a queima, então dizem que a botija ainda está lá.
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CONSULTAS:
1. ALVES, Filho Armando; JÚNIOR, José Alves e NETO, José Maia. Pontos de História da Amazônia -3. Ed. Ver. Ampl-Belém:Paka-Tatu. 2001. 2. Arquivo da Prefeitura Municipal de Capanema: Secretaria Municipal de Administração. 3. AZEVEDO, Goulart Guiomar de e SANTOS, Fabiano Marques do. Panorama do Mundo I natureza e sociedade das Américas. Atual Editora LTDA. São Paulo-SP 4. Ed. 1988. 4. Carimbo Postal Comemorativo – 60 anos de elevação do povoado de Capanema à categoria de Vila e sede do primitivo Município de Quatipurú –ECTCapanema PA- 07 a 14.03.1980- Adm. Herbert Matos Veríssimo prefeito e Júlio Maciel Batista – Vice. 5. COSTA, Saturnino Marques Da. Quatipurú e sua história por: Secretaria de Cultura do Município de Quatipuru. 6. Enciclopédia dos Municípios brasileiros ano 21-10-1957, 7. IBGE, obra conjunta dos Conselhos Nacional de Geografia e Nacional de Estatística – volume XIV. 8. Informes da Rede Celpa. 9. Jornal O Liberal (coleção: Anuário 2008) 10. SILVA, Marcus Vinícios Miranda da. Pará Eletric Railways and Lighting Company- a dinâmica excludente do Sistema Elétrico Paraense, São Paulo, 2005. 11. Projeto Político Pedagógico da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Professora Apolônia Pinheiro dos Santos. 12. Relatório Sintético de informações do Município de Capanema e Região, Secretaria Municipal de Planejamento de Capanema – PA, 2010. 13.SIQUEIRA, José Leôncio Ferreira Da. Trilhos: o caminho dos sonhos Bragança. 2008 14.Site do IBGE.

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ALGUNS DOS CARTÕES COMEMORATIVOS – 60 ANOS.

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