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Subjetividade e Cartografias Grupais

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SUBJETIVIDADE E CARTOGRAFIAS GRUPAIS: UMA PERSPECTIVA ÉTICO-ESTÉTICO-POLÍTICA.

Antonio Vladimir Félix da Silva

Existirmos: a que será que se destina? (Caetano Veloso, In: Cajuína)

Uns dizem fim Uns dizem sim. Uns Uns Uns Uns Uns Uns Uns amam Uns andam Uns avançam Uns também cem Uns sem Uns vêm Uns têm Uns nada têm mal uns bem Uns nada além bichos Uns deuses Uns azuis Uns quase iguais menos Uns mais Uns médios Uns por demais masculinos Uns femininos Uns assim meus Uns teus Uns ateus Uns filhos de Deus

(Caetano Veloso, In: Uns)

não não não não não

tem tem tem tem tem

um, tem dois, dois, tem três, lei, tem leis, vez, tem vezes, deus, tem deuses,

não há sol a sós somos o que somos inclassificáveis

(Arnaldo Antunes. In: Inclassificáveis)

Nós não existimos co-existimos, nós não vivemos convivemos

(Leonardo Boff)

às vezes. parece superada a questão se a subjetividade é constituída individual e/ou socialmente.Introdução Na história da psicologia. . ainda nos deparamos com representações teórico-metodológicas que tratam de restringir o individual ao biológico. negando todo o histórico-cultural da evolução da espécie humana e do desenvolvimento ontológico do sujeito. No entanto. o biológico ao fisiológico e o social ao cultural.

Este gesto de escrita no ar é um gesto indicador para o outro. qual seja: a constituição da subjetividade. concebemos a formação e desenvolvimento das funções psicológicas como processos complexos condicionados pela mediação do outro aprendentes e ensinantes e das vivências. por meio de artefatos culturais e dos processos psicológicos mais complexos. a mediação é feita estabelecendo-se vínculos de uns com os outros. este sentido dado ao significante pode marcar o corpo da criança em dada situação social de . em outras palavras: produção de sentidos polifônicos. representações e significações inconscientes. somos feitos pela historia dada as condições sociais. quem atribui sentido a esse gesto é o outro.1934). memória. Vygotsky (1896 . Esta. Como exemplo. emoções.Para contribuir com a noção de subjetividade como socius. nós a definimos como a relação singular e única que cada ser estabelece com seu entorno e consigo mesmo em um dado contexto e em cada período de idade e fase da vida (VYGOTSKY citado por FÉLIXSILVA. retomamos. a primeira vez que a criança aponta para um objeto. pois. Desde esse enfoque. Para Vygotsky todo o social é histórico e todo o psicológico é social e histórico. esta tese parte da concepção materialista histórico-dialética de que nós fazemos culturalmente a historia e. As vivências são as experiências afetivo-cognitivas marcadas pela emoção e a situação social de desenvolvimento. 2005). significados. tais como a unidade do sistema de consciência: percepção. do enfoque histórico-cultural em psicologia. pesemos com Vygotsky a questão do gesto indicador como a primeira inscrição da criança. a parte menos explorada pelos seguidores de L. S. econômicas e políticas em que nos tocam viver. Ontologicamente. ao mesmo tempo.

cálculo. depois imitando e repetindo a fala do outro par a nomear os signos lingüísticos. mediada pelas vivências experiências afetivas ela aprenda a falar e/ou a saber caso dos surdos que o gesto indicador é um gesto indicador também para si (Vygotsky. e concebemos o grupo como um dispositivo para pensar relações de saber poder. se constituem e as constituímos enquanto paisagens psicossociais (PASSOS. enunciados científicos. filantrópicas. tecnologias do conhecimento e da informação.desenvolvimento. proposições filosóficas. processos instituídos e instituientes nos cenários nos quais as cartografias grupais são constituídas. citado por PASSOS. BARROS. O que é um dispositivo? Michel Foucault nomeia dispositivo: Um conjunto decididamente heterogêneo que engloba discursos. 2007). de maneira que a criança pode começar a balbuciar gestos de fala. O dispositivo é a rede que se . medidas administrativas. 2005) A constituição da subjetividade como socius (DELEUZE e GUATARRI. o dito e o não dito são os elementos do dispositivo. arte e instituições. escrita. 2007). decisões regulamentares. das vivências e dos vínculos afetivo-cognitivos estabelecidos por meio de artefatos culturais: linguagem. citado por FÉLIXSILVA. tentado imitar o outro. instituições. pela mediação da experiência de vida. Em suma. organizações arquitetônicas. morais. multimídias. Cartografias grupais e processos de subjetivação Partimos da noção de subjetividade como socius e do reconhecimento de que toda subjetividade é subjetividade de grupo (GUATTARI. 1995) vai adquirindo sentidos na convivência e coexistência de uns com os outros. até que. leis. trabalho. 2007.

c) Produção de subjetividade. sofrer. atuar. de inscrever-se ao escrever. modos de ler-se ao ler. cartografias grupais são paisagens humanas. cartografias são paisagens psicossociais (ROLNIK. produzir cultura e reinventar a vida. 2006). modo grupo-identidade e devir-grupo nos processos grupais. O que são cartografias grupais? Em psicologia. de odiar.pode estabelecer entre esses elementos (FOUCAULT citado por KASTRUP e BARROS. a partir dos seguintes analisadores: a) Relações de saber poder estabelecidas e movimentos de resistência que tencionam essas relações nos grupos e na vida cotidiana. Que é subjetividade? E o que são processos de subjetivação? Compreendemos subjetividade como a produção dos modos de existência e invenção cultural do mundo. devir. desejar. b) Processos de subjetivação que ora mostram o grupo em movimentos de assujeitamento ora como grupo-sujeito. Sendo assim. modos de viver. E denominamos processos de subjetivação os modos de sentir. pensar. enfermar- . carta subjetiva cuja escrita corpo é a que se faz presente no espaço dos grupos e cuja composição é feita do acompanhamento dos processos de subjetivação e da produção de subjetividade na sociedade contemporânea. ser. (re)produzir a historia. sonhar. 2009) Conceber o grupo como um dispositivo e como uma paisagem psicossocial significa cartografar processos de subjetivação e produção de subjetividade.

citado por BARROS. Neste sentido. Ser é Devir (DELEUZE e GUATARRI. um movimento social. Não uma história que venha para dizer quem somos. necessidades e vontades (FOUCAULT citado por PASSOS. tanto dentro da sociedade global como dentro de um grupo. (GUATTARI. a cada momento da história. ou seja. Igreja. uma instituição: Família. viver. Na contemporaneidade. se diferenciando.se. 2007). prevalecem certas relações de poder-saber que produzem objetossujeitos. afirmando estas diferenças. de cuidar de si e de inventar o mundo. Criar é se diferenciar. amar. um território. Estado. território hegemônico] e dos sistemas normativos do saber [epistemologia normativa] constituem a maneira pela qual. A diferença é a . a subjetividade não é um dado determinado por uma estrutura psicológica. desejos. nem um vir-a-ser-sendo. Escola. técnicas de subjetivação do desejo [micropolítica do desejo] e estratégias de subjetivação do sistema vigente de poder [máquina capitalista.. 2003). mas naquilo que nos diferenciamos (FOUCAULT. mas um produto produtor da história: história e devir na história. Modos de subjetivação. a produção da subjetividade e dos processos de subjetivação se dá nas múltiplas formas de interação social dentro do capitalismo mundial integrado. modos de fazer cultura. Devir é ser em movimento e é liberdade de ser e também liberdade de ser diferente. de produzir saúde. citados por BAREMBLITT.. 1995). 2007) Devir não é um vir a ser. Foucault dizia que a liberdade existe quando se pode rejeitar um modo de subjetivação em que se foi constituído para criar outros. uma comunidade. uma cidade.

Também estão relacionados ao devir nossas produções literárias ao acaso. além de textos e artigos que publicamos e até músicas que tocamos com o corpo em oficinas que participamos. Disponível em <http://www. 324) São exemplos relacionados a essa polifonia e à produção de sentidos da subjetividade em múltiplos devires: os heterônimos de Fernando Pessoa1.terra. sentimentos que nunca tive.eurooscar. 2009. aos 72 anos. é aquilo que consegue escapar a fala única.com/poesoutros/mario_quintana1. que é. que.htm 5 CARPINEJAR. deixando vazar a polifonia que habita as multiplicidades (FOUCAULT. como se deve ler .pessoa. O próprio Fernando Pessoa explicou: Por qualquer motiv o temperamental que me não proponho analisar. Terceira sede: elegias . os escreveria. sua temática poética singular e seu estilo específ ico. ele diz que poderá ter morrido antes. nos meus sentimentos e idéias. Na escrita desse livro o ser do autor é puro devir.que produz no mundo capacidade de provocar outras diferenças. pois muitos deles exprimem idéias que não aceito. personagens essas a que atribuí poemas vários que não são c omo eu. Assim têm estes poemas de Caeiro. então decidiu antecipar a velhice"5.htm#TODAS_AS_VIDAS 3 http://letras. p. citado por BARROS. 1 Os heterônimos constituem vários poetas fragmentados e múltiplos que habitam Fernand o Pessoa.Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. de Mário Quintana4.br/elza-soares/476981/ 4 http://www.com. inventa e vive a experiência de escrever um livro de 2045. 2007.br/?p=56 3> 2 http://www.art. a música Flores Horizontais de Oswald de Andrade e Zé Miguel Wisnik3. escrevemos. Há simplesmen te que os ler como estão. construí dentro de mim várias p ersonagens distintas entre si e de mim.com. as várias composições de Chico Buarque em seus múltiplos encontros com um devir-mulher e um devir-poesia de Carpinejar. mesmo sem que cada um de nós possua uma identidade de músico. gerando poesias totalmente diversas. aos 37 anos (2009). nem importa que analise. aliás. como poemas e contos que.br/coracoralina. Cada um deles tem a sua própria biografia. a poesia Deixe-me seguir para o Mar . Não há que buscar em quaisquer deles idéias ou sentime ntos meus. . às vezes.paralerepensar. os de Ricardo Reis e os de Álvaro de Campos que ser considerados. o poema Todas as Vidas de Cora Coralina2.

ao inconsciente maquínico. identificações. 202). sublimações. p. 1995. 1995). Desejo concebido como processo de produção do social. Roteiro: Vladimir Félix). um indivíduo. um devir invisível etc. produção real de seus objetos. 2006). atropologicamente etiquetado de masculino. (GUATTARI. de suas técnicas de subjetivação e do próprio desejo (ROLNIK. Esta concepção de desejo está associada diretamente à economia desejante. O personagem Jamie (Ian Colletti) é um exemplo de devir-mulher ao escolher vivenciar o papel da Rainha de Copas no musical apresentado no filme A Menina no País das Maravilhas (EUA. 2008. Maria Preta é um exemplo de devir-poesia ao recitar oralmente um poema de sua autoria no documentário BB Educar: Turma Maria Preta (Direção: Cristina Digo e Vladimir Félix. em aparência.O termo devir é relativo à economia desejante: Assim. Fotografia e Imagens: Maria Dias. ao elaborar um auto-retrato no filme Entre os Muros da Escola (França. micropolítica do desejo é o processo de produção de paisagens psicossociais e ao mesmo tempo é o próprio movimento dessas paisagens (ROLNIK. imagens. um devir animal. projeções. Direção: Laurent Cantet. Direção e Roteiro: Daniel Barnz). faltas. 2006). desejo que quer ser só desejo e produzir-se desejante. Souleymane (Franck Keïta) é um exemplo de devir-fotografia. Roteiro: Robin Campillo). significantes (GUATARRI. De maneira que um agenciamento coletivo do . Os fluxos de desejo procedem por afetos e devires. Por tanto. contraditórios: devir feminino coexistindo com um devir criança. independente do fato de que essa produção desejante seja atribuída a pessoas. pode estar atravessado de múltiplos devires. 2008.

pai e filho/filha. em uma palavra: institucionais. 151) . (GUATTARI. TIC s. de desejo. orgânicos etc. religiosos.desejo é constituído e movido por componentes heterogêneos. e micropolíticos: inconsciente maquínico. professor aluno. ROLNIK. ligada ao poder. Sistemas econômicos. sujeito que conhece]. na intercessão entre a macropolítica e a micropolítica. educacionais. Sociedade global. territorial. a política é a forma de atividade humana que. uma classe). indicando esta dimensão micropolítica das relações de poder (FOUCAULT. tecnológicos. por microrrelações. (BARROS. coloca em relação sujeitos. politikós diz respeito a tudo que se refere à cidade (polis). A subjetividade é esse socius que é produzido e que se produz na fronteira das relações. 2009. maquínico. social. pequenos grupos. ecológicos etc. Não mais pensada exclusivamente a partir de um centro do poder (o Estado. 1995). Retomando a etimologia da palavra. p. A produção da subjetividade em múltiplos devires envolve componentes macropolíticos: sistemas maquínicos econômicos. seja de ordem biológica. tecnológicos. irmãos. casal. parceiros. ecológicos. sendo a arte e a ciência de governar o Estado um de seus aspectos. de afeto. sócios. 2006). a política se faz também em arranjos locais. articula-os segundo regras ou normas não necessariamente jurídicas e legais. na zona de jogo e na zona de sentidos. Macropolítica se refere a relações mais complexas: Estado. sociais. gnosiológico [relativo à razão do conhecimento em relação ao sujeito cognoscente. epistemológico [relativo à construção do conhecimento e ao sujeito que aprende] etc. E micropolítica se refere a relações mais elementares. Mídias. imaginário. estabelecidas também por meio de vínculos afetivos: amizade. 2007. citado por PASSOS e BARROS. sistemas perceptivos. mãe e filho/filha. Com esse sentido ampliado.

numa perspectiva ético-estético-política. compõem uma cartografia grupal que pôde devir-grupo por meio da produção de um autoretrato e da mediação do professor François Marin (François Bégaudeau).Se política é um dilema de onde nasce a crítica . constituem um exemplo de devir-grupo no documentário BB Educar: Turma Maria Preta (Direção: Cristina Digo e Vladimir Félix. . tensões e conflitos na escola. ao longo do ano letivo. alunas e alunos de diferentes etnias. no filme Entre os Muros da Escola (França. Direção: Laurent Cantet. Também. no teatro. as mulheres e os homens que participam da oficina em dinâmica de grupo e do círculo de cultura sobre a problemática da água em Assaré-CE. 6 SILVA. Sabendo que o grupo pode romper com o modo grupo-identidade e devir-grupo no sentido de transvalorar normas instituídas e se reinventar outro grupo. In: PATATIVA DO ASSARÉ: Aqui tem coisa Fortaleza: Multigraf/ Editora. mais no teatro do que na sala de aula. pensar a subjetividade como socius. de professores e da direção da escola. durante os ensaios e apresentação de um musical: Alice no País das Maravilhas. 2008. Miudinho e Curioso. 1994. enfrentando dificuldades de aprendizagem com o idioma francês. as cartografias grupais dos alunos de uma escola vão compondo um devir-grupo. Direção e Roteiro: Daniel Barnz). de familiares. como diz um dos versos do poeta Patativa do Assaré6. basicamente no momento em que há um círculo de cultura sobre uma síndrome que afeta uma das personagens. Também. No filme A Menina no País das Maravilhas (EUA. com a participação dos colegas de sala.. mediado por Phoebe Lichten (Elle Fanning). Antonio Gonçalves da. Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Cea rá. na sala de aula. Roteiro: Vladimir Félix). 2008. Fotografia e Imagens: Maria Dias. implica fazer intervenção na realidade de um grupo por meio da problematização dos processos grupais instituídos. Roteiro: Robin Campillo).

que trata de cooptar modos de vida que se configuram como resistência. os momentos de insurreição na história e os pontos de inflexão dos discursos na composição de certas práticas e certas paisagens psicossociais (PASSOS. Nessa perspectiva ético-estético-política. problematizando os saberes e os lugares instituídos. movimento em uma ação transgressora de significantes sociais dominantes e das regras de assujeitamento. é o que nos mobiliza a operar processos de desindividuação. 2007). partindo de uma transformação da realidade para uma produção de conhecimento (PASSOS. 2007. uma maneira de pensar a vida e uma forma de intervir na realidade. pressupõe fazer da resistência aos modos vigentes de saber-poder. BARROS. De maneira que tomar o grupo como dispositivo de intervenção da/na realidade. 1995). coexistem processos de subjetivação que marcam as cartografias grupais ora como grupo assujeitado ora como grupo sujeito. de maneira que o grupo cria suas próprias regras e opera com autonomia (PASSOS. 2007). 2007). as dicotomias naturalizadas. O ethos de submissão mostra o grupo submetido a regras externas e faz da posição subjetiva uma forma de assujeitamento. experimentação e invenção. acompanhar a produção de subjetividade em um grupo é tratar de cartografar processos de subjetivação nas múltiplas formas de interação social dentro desse grupo e pensar o ser do . como espaço objetivo-subjetivo que nos faz pensar em movimento e nos convida a colocar para funcionar os modos de expressão de subjetividade.Nos contextos de produção de uma subjetividade capitalística (DELEUZE e GUATTARI. O ethos do grupo sujeito é o da fala irruptiva. Situar o grupo entre a clínica e política.

os desvios e para a produção de novos sentidos. a questão ética refere-se à desindividuação e à transvaloração na composição das cartografias grupais. 2008. as ressonâncias múltiplas. são exemplos que podemos relacionar a uma postura ético-estético-política: a postura da professora Miss Dodger (Patricia Clarkson) no filme A Menina no País das Maravilhas (EUA. a composição das cartografias grupais e recomposição de universos de subjetivação.grupo (modo-identidade) e o devir grupo (cartografias grupais em movimentos para além da identidade do grupo). 2007. trabalhando as matérias de expressão da subjetividade como a transformação da vida voltada para as diferenças. a postura do professor François Marin (François Bégaudeau) no filme Entre os Muros da Escola (França. fazendo proliferar ramos de rizoma em que o grupo se transforma para que a intercessão se faça entre estrangeiros-em mim em contato com os estrangeiros-no-outro (BARROS. Neste sentido. 324). Direção: Laurent Cantet. p. por meio da problematização de segmentações e assujeitamentos nos processos grupais e por meio de intervenções na realidade que potencializem movimentos de singularização. 2008. Nesta perspectiva. a inclusão. desvios que rompam com relações de saber e poder cristalizadas e potencializem a criação de novos modos de existência. Roteiro: Robin Campillo). singularizar as diferenças é criar caminhos entre impossibilidades e tocar virtualidades. E estética refere-se à experimentação e à criação. Direção e Roteiro: Daniel Barnz). De acordo com Barros (2007) e Passos (2007). a postura do grupo de alfabetização de jovens e adultos ao inclinar-se para cuidar Maria Preta e escutar sua poesia no .

devir-editor de som. Fotografia e Imagens: Maria Dias. de viver (p. uma série de movimentos mundiais marcados por suas especificidades socioculturais. que se ligavam em uma crítica às formas instituídas de ser. Outros exemplos de múltiplos devires: Mirco (Luca Capriotti) devircinema.documentário BB Educar: Turma Maria Preta (Juriti Vídeo Produções. que se produz heterogênea e está comprometida com os processos coletivos que a produzem (BARROS. 2007). Barros (2007) nos conta que maio de 1968 (século XX) escapa a historia. Direção: Cristina Digo e Vladimir Félix. produção e apresentação da peça de teatro no filme Vermelho Como o Céu (Itália. de se organizar. Cristiano Bortone e Monica Zapelli).. devir-ator. Direção Cristiano Bortone. Este acontecimento traduz uma série de correntes de pensamento. Roteiro: Vladimir Félix). a ruptura que ele produziu pôde e pode se irradiar. além de um devir-amizade relacionado às crianças que se envolvem com Mirco e Francesca e um devir-grupo dela e de todas na pesquisa. Francesca (Norman Mozzato) devir-autora e devir-atriz. que se arrisca em outros modos de composição psicossocial. encontrar ressonância em .. devir-música. trata-se de uma subjetividade que se põe a ouvir o estrangeiro que se produz no encontro com o outro. 2006. elaboração. 242). que experimente o encontro com o estrangeiro em si... Em cada um dos exemplos anteriores e no exemplo abaixo. de maneira que os grupos em múltiplos devires interromperam com uma sucessão de fatos e produziram fraturas num modelo de produção de subjetividade que separava lutas políticas de movimentos do desejo. Roteiro: Paolo Sassanelli.. Mesmo sendo um acontecimento histórico determinado.. montagem.

Para Sant anna (2008). hippes. na composição das cartografias . 1968 é a história de um fracasso. homossexuais. Nesta zona de sentidos. houve um recrudescimento da direita. Paradoxalmente. os Estados Unidos eram um caldeirão de protestos: negros. França. nosso modo de viver e de produzir nossa existência vão adquirindo sentidos na convivência com os outros mediados pelas vivências e também pelos jogos de saber poder estabelecidos nas relações micro y macropolíticas. greves e guerrilhas. ecologistas. coexistem processos de subjetivação que ora são capturados pela produção de subjetividade vigente em um dado sistema econômico e ora produzem desvios nos modos de vida estabelecidos. 2008). Um não lugar . Tchecoslováquia. é um fato a posteriori. 2008) Nosso estilo de vida. que esperavam a invenção de formas para sua atualização (p. protestos contra o Vietnã. que surgiram no fim dos anos 1950 e em 1964 já eram internacionalmente conhecidos. A produção desses modos de subjetivação conectados ao devir e à multiplicidade implica uma aposta no coletivo. é penoso reconhecer após 1968. caixa de ressonância que foi Paris. que era igual ao que dizem. sendo totalmente diferente. México e Brasil era totalmente diversa. Sem lembrar dos Hippies (1965). fracasso por meio do qual construímos nossa fracassada e vitoriosa trajetória (Clarice Lispector citada por SANT ANNA. aconteceu depois: um surto de passeatas. A situação nos Estados Unidos. É impossível pensar nessa data sem citar os Beatles. Naqueles anos. índios. De maneira que um ente um ser pode devir outro por meio de processos de singularização que produzam outros modos de existência. 242). que se apoderaram das ruas de São Francisco.uma multiplicidade de acontecimentos invisíveis. como todo feito histórico. É o ano que nunca existiu ou o ano que a gente inventou . experiências com LSD e toda sorte de drogas. E o mais desnorteante é como a história se constrói por meio dos fracassados (SANT ANNA. 1968 começou a acontecer antes e.

Maio de 68. Bibliografia: BARROS. Entrada grupal: uma escolha ético-estéticopolítica (317 . SAICF. FÉLIX-SILVA. Regina Benevides de.) Porto Alegre: Sulina. Procesos de subjetivación en el aprendizaje de la lectura y la escritura. El Anti Edipo. Recurso Didático. Tesis (doctorado) Universidad de La Habana. Afonso Romano de.grupais como dispositivos para produzir novos processos de constituição de subjetividade. domingo. 8 Brasília. ROLNIK. Regina Benevides de. Antônio Vladimir. 1972). Porto Alegre: Sulina Editora da UFRGS. In: BARROS. 1995. Como citar (provisoriamente) este texto: FÉLIX-SILVA. Dinâmica de Grupo. Eduardo. PASSOS. Virgínia Kastrup. Antonio Vladimir. BARROS. DELEUZE. Título Original: L'Anti-Oedipe. 2010. 2005. acessado em abril de 2008. París. 6 de abril de 2008. In: Correio brasiliense caderno C. Capitalisme et schizophrénie (Éditions de Minut. Félix. Liliana da Escóssia (Orgs. Editora da UFRGS. Eduardo. Gilles. y GUATTARI. Subjetividade e Cartografias Grupais: uma perspectiva ético-estético-política. Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade / Eduardo passos. Cartografia Sentimental: transformações contemporâneas do desejo. Traducción: Francisco Monge.In: Grupo: a afirmação de um simulacro. Suely. 2010. Disponível em <cultura@correioweb. Capitalismo y esquizofrenia. Natal: Universidade Potiguar. 2007 PASSOS. Grupo: a afirmação de um simulacro. Porto Alegre: Sulina Editora da UFRGS. . 2009.2 julho a dezembro. Buenos Aires: Editorial Paidós. SANT ANNA. p. Editora da UFRGS.com. Quando o grupo é afirmação de um paradoxo (11 19).br>. In: Auto-Atendimento UnP. 2006. Regina Benevides de. 2007. Porto Alegre: Sulina.

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