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TIPOS DE EXPLOSIVOS

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OPERAÇÕES MINEIRAS TIPOS DE EXPLOSIVOS 1 - Introdução Comercialmente, há 4 tipos de explosivos, sendo um deles utilizado como iniciador (acessórios: cordel

detonante, estopim, espoletas, nonel, etc...). A seleção de um explosivo para uma dada tarefa na engenharia, tal como o desmonte de rocha, pode ser classificada de 3 maneiras: a) Altos explosivos (TNT, dinamites); b) Baixos explosivos (pólvora); c) Agentes detonantes (Anfo, Anfoa, Anfo pesado, Slurry, emulsões) 2 - Explosivos iniciadores Graças ao seu alto custo, os iniciadores são utilizados somente para iniciar altos explosivos. Após a iniciação, eles produzem um choque intenso, capaz de iniciar uma onda de detonação na carga explosiva. 3 - Altos explosivos (explosivos detonantes) Os altos explosivos ou explosivos detonantes, se decompõem com velocidades na faixa de 1500 a 9000 m/s e produzem grandes volumes de gases e considerável calor à pressões extremamente altas. O desempenho de tais explosivos depende principalmente do volume e da temperatura dos gases produzidos e da velocidade de detonação. 4 - Baixos explosivos (explosivos deflagrantes) São explosivos de baixa velocidade de decomposição e que, mesmo quando confinados, queimam-se, progressivamente, em um intervalo de tempo muito longo (até 1000 m/s). Os explosivos deflagrantes correspondem às pólvoras, compostos pirotécnicos e compostos propulsores para artilharia e fogos de artifício, sem nenhuma aplicação na mineração ou na engenharia, exceto no caso de rochas ornamentais. 5 - Agentes detonantes São misturas consistindo de um combustível e um oxidante. O produto final, misturado ou encarchutado, não pode ser detonado pela espoleta número 8. O agente detonante consiste primariamente de nitratos inorgânicos e carbonaceos e pode conter substâncias adicionais não explosivas, tal como alumínio em pó ou ferrosilício. A reação típica do Anfo é: 3 NH4NO3 + CH2 - 7 H2O + CO2 + 3 N2 Os explosivos industriais de uso civil se dividem por sua vez em dois grandes grupos, em ordem de importância por nível de consumo e não de aparição no mercado, são:

a) Agentes explosivos - os principais são: - Anfo; - Emulsões; - Alanfo; - Anfo pesado. - Hidrogel; Essas misturas não levam, salvo algum ingredientes intrinsecamente explosivos.

caso,

b) Explosivos convencionais - necessitam para a sua fabricação de substâncias intrinsecamente explosivas que atuam como sensibilizadores das misturas. Os mais conhecidos são; - Gelatinosos; - Pulverulentos; - De segurança (permissível). Agentes Explosivos: a) Anfo Qualquer substância combustível pode ser usada com o nitrato de amônio para produzir um agente explosivo. Nos EUA no final da década de 50 se utilizava o carvão em pó, que foi substituído por combustível líquido que permitia misturas mais íntimas e homogêneas com o nitrato de amônio. O produto mais utilizado é o óleo diesel, que frente a outros líquidos como a gasolina, querosene e outros, apresenta a vantagem de ter um ponto de volatilidade tão baixo e, por conseguinte, menor risco de explosões de vapor. A reação de decomposição do sistema equilibrado em oxigênio é: 3 NH4NO3 + CH2 - 3 N2 + 7 H2O + CO2 ± 920 Kcal/g A mistura estequiométrica corresponde a 94,3% de nitrato de amônio e 5,7% de óleo diesel, que equivale a 3,7 litros de óleo diesel para cada 50 Kg de nitrato de amônio. A quantidade do combustível afeta a quantidade de gases nocivos emanados na explosão (CO + NO). Quando nos desmontes os fumos produzidos tem a cor laranja, é um indicativo de uma percentagem insuficiente de óleo diesel, decorrente do Anfo ter absorvido água do furo ou não ter sido iniciado corretamente. O diâmetro da carga influencia no velocidade do Anfo: Diâmetro Velocidade de detonação (m/s) 1 falha 4 2710 6 3500 8 3810 12 3960 14 4180 A densidade do Anfo é de 0,85 g/cm3 Velocidade teórica: 5140 m/s Composição: Anfo, 94,6% por peso O diâmetro crítico do Anfo é influenciado pelo confinamento e pela densidade de carga. Usado dentro de um furo a uma densidade de 0,8 g/cm3, o diâmetro crítico é de 25 mm, enquanto que com 1,15 g/cm3 se eleva a 75 mm.

A sensibilidade de iniciação do Anfo diminui conforme aumenta o diâmetro do furo. Na prática os reforçadores de 150 g são efetivos em diâmetro de carga inferiores aos 150 mm, e acima desse calibre se recomenda reforçadores de 400 a 500 g. O Anfo apresenta as seguintes vantagens: - Ocupa inteiramente o volume da furação; - Possui grande sensibilidade aos choques mesmo após misturado; - Redução do preço global de explosivo. As desvantagens do ANFO são: - Falta de resistência à água; - Baixa densidade; - Necessidade de um iniciador especial. b) Alanfo Como a densidade do Anfo é muito baixa, a energia que resulta por unidade de longitude de coluna é pequena. Para se elevar essa energia, desde 1968 que se vem acrescentando Al ao Anfo com bons resultados técnicos e econômicos, sobretudo quando as rochas são massivas e os custos de perfuração são altos. Quando se mistura o nitrato de amônio com uma pequena quantidade de Al a reação que se tem é a seguinte: 2 Al + 3 NH4NO3 - 3 N2 + 6 H2O + Al2O + 1650 cal/g Se a percentagem do alumínio é maior, tem lugar a seguinte reação: 2 Al + 3 NH4NO3 - 3 N2 + 6 H2O + Al2O + 2300 cal/g O limite prático, por questões de rendimento e economia se encontra entre 13 e 15%. Percentagens superiores a 25% fazem diminuir a eficiência energética. c) Hidrogéis (pastas, lamas ou slurrys) Os Hidrogéis são agentes explosivos constituídos por soluções aquosas saturadas de nitrato de amônio, em menor uso com outros oxidantes como o nitrato de sódio e/ou de cálcio, em que se encontram dispersos os combustíveis, sensibilizantes, agentes espessantes e gelatinizantes que evitam a segregação dos produtos sólidos. O desenvolvimento destes explosivos ocorreu no final da década de 50 quando Cook e Farnam, conseguiram os primeiros ensaios positivos com uma mistura de 65% de Nitrato de Amônio, 20% de alumínio e 15% de água. Após esses primeiros resultados, Cook utilizou TNT como sensibilizante e assim começou no Canadá a fabricação comercial patenteada, estendendo-se depois aos EUA. Já em 1969 a Dupont desenvolveu os Hidrogéis (aquagel) que se caracterizavam por não conter os explosivos tradicionais, nem metais particulares com sensibilizantes fundamentais, sendo que incorporavam como combustíveis substâncias orgânicas como os derivados das aminas, parafinas, açucares e outros. A solução de oxidantes está constituída por água, nitrato de amônio e nitrato de sódio, a qual se adiciona

tioureia e parte de gomas que permitem conseguir uma viscosidade para reter as bolhas de gás. O nitrato de sódio tem a vantagem de dispor de uma grande quantidade de oxigênio e de diminuir o ponto de cristalização das soluções salinas. Por outro lado, como a percentagem de água utilizada não é suficiente para dissolver todos os nitratos, certas quantidades destes são acrescentados no estado sólido formando parte da fase dispersa. Para modificar a densidade e se proceder a gaseificação química, geralmente com nitrito de sódio, adição de produtos de baixa densidade ou microesferas de vidro. A densidade varia de 0,8 a 1,6 g/cm3. As energias desenvolvidas oscilam entre 700 e 1500 cal/g. Apresentam menor quantidade de fumos em relação aos explosivos convencionais. A velocidade de detonação dos slurrys varia entre 3350 e 5500 m/s. d) Emulsões Este grupo de explosivos, que é o mais recente no mercado, mantém as propriedades dos Hidrogéis já citados, porém com melhor potência e resistência à água. O interesse deste explosivo surgiu no começo da década de 60. Dentro de um ponto de vista químico, uma emulsão é um sistema bifásico em forma de uma dispersão estável de um líquido imiscível em outro. As emulsões explosivas são do tipo denominado "água em óleo" em que a fase aquosa está composta por sais inorgânicos oxidantes dissolvidos em água e a fase oleosa está composta por um combustível líquido imiscível com a água do tipo hidrocarbonato. O desenvolvimento dos explosivos tem levado à redução progressiva das partículas, passando desde os sólidos às soluções salinas com sólidos e por último, às microgotas de uma emulsão explosiva. Para conseguir uma sensibilização adequada, os explosivos, quando estes não contém sensibilizantes químicos sólidos ou líquidos, precisam de um mecanismo físico como o das bolhas de gás, que ao serem comprimidas adiabaticamente produzem o fenômeno de "pontos quentes" (hot spots) que favorecem tanto a iniciação como a propagação da detonação. Os agentes gaseificantes utilizados são constituídos por poliestireno expandido ou microesferas de vidro. A tendência atual é pelo emprego das emulsões nas operações de arranque com explosivos em virtude das numerosas vantagens apresentadas pelas emulsões: - Menor preço, já que sua fabricação não requer as gomas e féculas, de alto custo; - Excelente resistência à água; - Possibilidade de se conseguir produtos com densidades entre 1 e 1,45 g/cm3; - Elevadas velocidades de detonação - 4000 a 7000 m/s com pouco efeito do diâmetro do cartucho;

- Grande segurança na fabricação e manipulação; - Possibilidade de mecanizar a carga e preparar misturas de Anfo. e) Anfo pesado (heavy Anfo) Na tecnologia atual de desmonte de rochas é inquestionável que o Anfo constitui o explosivo básico. O Anfo pesado, que é uma mistura de emulsão base com Anfo, abriu uma nova perspectiva no campo dos explosivos. O Anfo apresenta uns interstícios ocos que podem ser ocupados por um explosivo líquido como a emulsão que atua como uma matriz energética. Algumas das propriedades deste explosivo dependem das percentagens da mistura e as vantagens principais que apresentam são: - Maior energia; - Melhores características de sensibilidade; - Grande resistência à água; - Possibilidade de efetuar cargas com variação de energia ao longo do furo. f) Altos explosivos Alfred Nobel, químico sueco, em 1875 descobriu que uma grande quantidade de Nitroglicerina (NG), que foi descoberta em 1846 pelo químico italiano Ascanio Sobrero, podia dissolver-se e ficar retida na Nitrocelulose (NC), obtendose um produto com consistência plástica de fácil uso e manipulação naquela época. Essa gelatina explosiva formada por 92% de NG e 8% de NC tinha um balanço de oxigênio nulo e desenvolvia uma energia superior a NG pura. Posteriormente, com intenção de reduzir a potência da mistura explosiva, se adicionou substâncias oxidantes e combustíveis, em proporções adequadas para manter um balanço de oxigênio, afim de reduzir consideravelmente o custo de fabricação. Assim, a percentagem de NC-NG atualmente oscila entre 30 e 35%, o resto corresponde aos oxidantes como o nitrato de amônio, aos combustíveis e a outros produtos especiais que servem para corrigir a higroscopilidade dos nitratos. As vantagens desse explosivo são: - Potências elevadas; - Altas densidades, desde 1,2 até 1,5 g/cm3; - Elevadas velocidades de detonação, entre 5000 e 6000 m/s; - Grande resistência à água e estabilidade química; Os inconvenientes mais importantes são: - Risco de acidentes na fabricação e transporte; - Sensíveis a estímulos subsônicos e por conseguinte elevado perigo da maquinaria golpear os tocos com restos de explosivos; - Produz dores de cabeça, pois a NG dilata os vasos sanguíneos;

- Reduzida flexibilidade para a utilização em condições ambientais extremas. As principais aplicações destes explosivos ocorrem no arranque de rochas duras, como carga de fundo, em desmontes de baixa pressão de água e em furos úmidos. g) Dinamites São explosivos que resultam da mistura de trinitroglicerina com outras substâncias que a absorvem e a retém; substâncias estas que vão fazer parte do explosivo, comunicando-lhe propriedades ou protegendo-o. As dinamites diferem em tipo e graduação conforme o fabricante, podendo, contudo, serem classificadas segundo os seguintes grupos principais: g.1) Dinamites guhr; De interesse puramente histórico (Nobel - 1866), resulta da mistura de NG, Kieselguhr (farinha de diatomáceas - SiO2) e estabilizantes. Não é mais usada. C3H5 x 3 (NO3) + SiO2 = dinamite guhr g.2) Dinamites simples; NE + serragem + oxidante + estabilizante. A serragem substitui o Kieselguhr como absorvente e o nitrato de sódio é, em geral, o oxidante usado. Como estabilizante ou antiácido, usa-se o carbonato de cálcio com cerca de 1%. A dinamite simples produz boa fragmentação e é empregada em serviços a céu aberto. g.3) Dinamites amoniacais; São dinamites em que (oxidante) ou mesmo da base NH4NO3 (nitrato de amônio). simples, menos sensível ao resistência à água. parte do nitrato de sódio explosiva, é substituída por É mais barata que a dinamite choque, bem como tem menor

g.4) Gelatinas; A "blasting" gelatina ou gelatina explosiva foi descoberta por Nobel em 1875. É obtida pela adição de Nitrocelulose [C4H7(NO3)2] à Nitroglicerina e fica com textura de uma goma de mascar. Um antiácido é adicionado para aumentar a resistência à estocagem. Usualmente é acrescentada serragem à mistura, com a intenção de estabilizar e aumentar a segurança ao manuseio. A composição típica da "blasting" é 91% de NE, 8% de NC, 0,9% de antiácido e 0,1% de absorvente. Tem como propriedades mais importantes: - Altíssima velocidade de detonação (± 8000 m/s); - Excelente resistência à água; - Produz boa fragmentação e ótimo adensamento no furo; - É um dos mais fortes explosivos comerciais, porém de alto custo e liberador de gases tóxicos. g.5) Gelatinas amoniacais;

Essas gelatinas, assim como as dinamites especiais, foram desenvolvidas para substituir as gelatinas puras, com maior segurança no manuseio e custo menor de produção, porém menos resistente à água. As gelatinas amoniacais têm força de 30 a 90%, gases excelentes até 80% e regulares, acima desta percentagem. g.6) Semi-gelatinas Constituem um tipo intermediário entre as gelatinas e as dinamites amoniacais, combinando a baixa densidade das dinamites amoniacais com a resistência à água e coesão das gelatinas, em graus mais atenuados. Os gases variam de excelentes a pouco tóxicos. g.7) Explosivos granulados (pulverulentos) Os explosivos granulados, também conhecidos em alguns países como agentes detonantes, geralmente consistem em misturas de nitratos inorgânicos e óleo combustível, formando um Nitrocarbonitrato (NCN) e podendo sofrer adição ou não de substâncias não explosivas (alumínio e ferrosilício) ou explosivas como o Trinitrotolueno (TNT). Outro explosivos granulados, fabricados por diferentes fabricantes, nada mais são do que formulações similares à do Anfo, com adição de outros ingredientes , explosivos ou sensibilizantes, oxidantes e absorventes. g.8) Explosivos de segurança ou permissíveis São aqueles especialmente preparados para o uso em minas de carvão com ambientes inflamáveis de poeira e grisu. Sua característica principal é a baixa temperatura de explosão. Atualmente os explosivos permissíveis se classificam em dois grupos. O primeiro possui um aditivo que faz o papel de inibidor da explosão; geralmente o sal comum (NaCl) é um depressor de chamas. O segundo grupo, de mais recente aparição é chamado de seguridade reforçada ou de intercâmbio iônico, conseguem rebaixar a temperatura de explosão mediante diversos ingredientes que ao reagirem no momento da detonação formam um inibidor nesse mesmo instante. NaNO3 + NH4Cl - NaCl + NH4NO3 As características práticas desses explosivos são: - Potência média-baixa; - Velocidade de detonação entre 2000 e 4500 m/s; - Baixa resistência à água, salvo em algum composto. No Brasil, o explosivo de segurança foi especialmente desenvolvido para ser usado pela Petromisa, em Sergipe, onde ocorrem emanações de grisu. h) Pólvora negra O primeiro explosivo conhecido foi a pólvora negra, derivada de "fogo de guerra grego", descoberta em 671. Por muito tempo a pólvora negra serviu apenas para fins militares, tendo sido utilizada para fins civis apenas em

1627, pelo mineiro Tiroles Kaspar Weindl, na Hungria. Logo após teve uso generalizado na extração de carvão mineral. Originalmente consistia em uma mistura de nitrato de potássio (KNO3), carvão e enxofre, nas proporções de 75, 15 e 10%, respectivamente. Mais tarde o nitrato de potássio foi substituído por nitrato de sódio (NaNO3), em menor proporção, e as percentagens de enxofre e carvão foram aumentadas. A pólvora negra é extremamente propensa à autodeflagração por causa de sua sensibilidade à ignição por chama ou faísca. Com densidade de 1,6 g/cm3 e velocidade de detonação de ± 450 m/s, só tem aplicação nos desmontes de rochas extremamente macias e em condições em que a ação de choque é praticamente indesejável, como por exemplo, no corte de blocos maciços de mármore ou em minas de carvão, visando a produção de carvão grosso. Especialmente formulada e contendo materiais inertes como aditivos, é utilizada em núcleos de estopins. Neste caso, é finamente granulada e convenientemente compactada de forma a apresentar uma velocidade constante de queima. O tamanho, o calor (2000-25000C) e a duração da chama da pólvora, tornam proibitivo seu uso em carvoeiras grisuosas ou poeirentas. As aplicações da pólvora são limitadas, porque não pode ser usada em serviços úmidos e, além disso, produz mais fumaça e gases nocivos do que explosivos. O seu consumo tem caído continuamente. PROPRIEDADES DOS EXPLOSIVOS 1 - Densidade A densidade de um explosivo pode ser expressa em termos de peso específico ou contagem de cartuchos. O peso específico é a razão entre a densidade da massa explosiva e a densidade da água em condições normais de temperatura e pressão; normalmente é expressa em g/cm3. O peso específico dos explosivos comerciais varia entre 0,5 e 1,7 g/cm3. Com raras exceções, os explosivos com altas densidades também apresentam altas velocidades e altas pressões de detonação. A densidade de um explosivo determina o peso da carga por unidade de comprimento do furo, e consequentemente pode influenciar na razão linear de carregamento: 2 massa da carga / m = densidade x 0,785 x sendo o expresso em metros e a densidade em kg/cm3. Geralmente, a energia do explosivo aumenta com a densidade, contudo não pode ser aplicado para algumas emulsões ou aquagéis. Frequentemente, os explosivos com alta densidade e energia são usados nas cargas de fundo onde o confinamento é maior e onde os espaçamentos são frequentemente maiores (Ex.: furos verticais e faces inclinadas).

Para detonações difíceis em que uma fina fragmentação é desejada, recomenda-se um explosivo denso. Para rochas fragmentadas "in situ", ou onde não é requerida uma fragmentação demasiada, um explosivo pouco denso será suficiente. Os explosivos de baixa densidade são os mais utilizados na produção de carvão ou outros minerais macios. A densidade de um explosivo é deveras importante em condições de trabalho com água. Um explosivo com densidade menor ou igual a 1,0 não deve ser utilizado em furos cheios de água. 2 - Velocidade de detonação (VOD) A velocidade de detonação de um explosivo é a taxa em que a onda de detonação move-se através da carga explosiva, e é um fator importante no desempenho de um explosivo. A velocidade de detonação de um explosivo é influenciada pela densidade, tamanho da partícula e grau de confinamento da carga. A maioria dos explosivos granulares exibem uma velocidade de detonação que é dependente do diâmetro da carga, e são denominados de não ideal. O ideal é o explosivo que não varia a velocidade de detonação quando o diâmetro aumenta. A velocidade de detonação pode ser expressa para detonação confinada ou não confinada, e geralmente é medida em m/s. A velocidade de detonação confinada é a medida da velocidade de deslocamento da onda de choque através da coluna de explosivo confinada em um furo ou em outro espaço qualquer. A velocidade de detonação não confinada indica a velocidade de deslocamento da onda quando o explosivo está ao ar livre ou em um espaço não confinado. Como geralmente os explosivos são utilizados confinados, a velocidade de detonação confinada é mais significativa. A velocidade de detonação de um explosivo controla a taxa de liberação da energia total do explosivo. Explosivos com alta velocidade de detonação exibem alta deformação ou onda de choque, e são mais relevantes para os tipos de rocha que exibem a mínima fratura natural e altos módulos de young. Explosivos com baixa velocidade de detonação (Anfo) são mais apropriados para o desmonte de rochas altamente fraturadas, produzindo energia para executar o deslocamento da pilha, empolamento e escavibilidade. Bauer, em 1984, declarou que a real velocidade de detonação pode ser usada para calcular a fração do volume de um explosivo envolvido na reação da frente de detonação, de acordo com a equação: % de explosivo reagido = (VODreal / VODideal)² 3 - Pressão de detonação

A pressão de detonação de um explosivo, uma função da velocidade de detonação e da densidade do explosivo, é a medida da pressão gerada pela onda de detonação. No mecanismo do desmonte, principalmente nas rochas duras, a reflexão das ondas de choque na face livre é essencial. A seguir apresentamos a fórmula prática para o cálculo da pressão de detonação: P = (4,55 x 10-6 x d x V²)/(1 + 0,8d) P = pressão de detonação (Kbar) d = densidade do explosivo (g/cm³) V = velocidade de detonação (m/s) Uma alta pressão de detonação é preferível para o desmonte de rochas duras ou muito densas. Para rochas macias, uma pressão baixa é suficiente. Os explosivos comerciais apresentam pressões de detonação variáveis entre 70 e 140 Kbar. A pressão de detonação é a propriedade mais difícel de ser medida, mas pode ser medida através do teste de aquário. 4 - Energia relativa Existem diferentes formas de expressar a energia de um explosivo. Nas antigas dinamites (straight dynamites) era a percentagem de NG, o parâmetro de medida da "força". Posteriormente, com a substituição parcial da NG por outras substâncias e a realização de testes comparativos de laboratório, se passou a chamar de Energia Relativa por Peso (Relative Weight Strength - RWS) e Energia Relativa por Volume (Relative Bulk Strength - RBS). Assim, é frequente referir a potência de um explosivo em tantos por cento de outro que se toma por padrão, dinamite, Anfo e outros, ao qual se estabelece o valor 1 ou 100. 4.1 - Energia Relativa por Peso (RWS) RWSx = ETx / ETo RWSx = energia relativa por peso de um explosivo x ETx = energia termoquímica de um explosivo x (cal/g) ETo = energia termoquímica de um explosivo tomado como padrão (cal/g) RWSx = [( x x VODx²) / ( o x VODo²)]1/3 x = densidade do explosivo x (g/cm³) o = densidade do explosivo padrão (g/cm³) VODx = velocidade de detonação do explosivo x (m/s) VODo= velocidade de detonação do explosivo padrão (m/s) Exemplo 1: Considere o Anfo como padrão, o qual apresenta as seguintes propriedades: anfo = 0,85 g/cm³ ETanfo = 900 cal/g - Cálculo da Energia Relativa por Peso (RWS) do explosivo Powergel (emulsão da Explo-ICI), o qual apresenta as seguintes propriedades: x = 1,15 g/cm³

ETx = 1014 cal/g RWS = ETx / ETo = (1014 cal/g) / (900 cal/g) RWS = 1,127 ou 112,7% 4.2 - Energia Relativa por Vomule (RBS) RBS = (ETx / ETo) x ( x / o) Exemplo 2: Utilizando os dados do exemplo 1: - Cálculo da Energia Relativa por Volume (RBS): RBS = (1014 / 900) x (1,15 / 0,85) RBS = RWS x ( x / o) = 1,127 x (1,15 / 0,85) RBS = 1,52 = 152% 5 - Diâmetro crítico À medida que o diâmetro do explosivo é reduzido, o diâmetro crítico é atingido, no qual o grau de reação produzido apresenta energia e pressão insuficiente para manter a detonação.

A QUÍMICA DOS EXPLOSIVOS 1 - Geral Basicamente um explosivo é um composto de hidrogênio (H), nitrogênio (N) e carbono (C), e a explosão é uma reação exotérmica que procede de uma maneira extremamente rápida. Na reação geralmente N2 é formado e o oxigênio combina com o carbono e/ou o hidrogênio (e/ou com o enxofrre se este é presente). As reações explosivas são realizadas em um intervalo da ordem de 1 microsegundo, por isso é quase impossível descobrir exatamente o que ocorre. A situação é complicada ainda mais por causa do fato de que as reações e, consequentemente, os produtos formados, variam com a temperatura e pressão. 2 - Termoquímica da explosão Cada substância tem eneergia interna que reside na forma potencial dentro das moléculas. Em uma reação química a energia interna das substâncias reagindo não é igual à energia interna dos produtos formados e, consequentemente, a diferença deve ser absorvida durante a reação (energia interna dos produtos maior do que a energia interna das substâncias).

Quase sempre a diferença das energias internas aparece na forma de calor e uma das características mais importantes dos explosivos é a grande quantidade de calor liberado pela explosão. Os produtos de uma explosão sempre incluem gases, e a energia liberada na forma de calor causa uma expansão dos gases, transformando grande parte do calor em trabalho mecânico, dado pela integral W = P dV, sendo V1 e V2 os volumes original e final. Além disso, uma parte da energia é consumida ao esquentar os produtos e os arredores. Podemos levar em conta o trabalho W feito durante a reação e a mudança de energia interna usando a entalpia que é definida como: H = E + PV H = entalpia por mol (cal/mol) E = energia interna por mol P = pressão por mol V = volume por mol Então em uma reação química: H = E + (PV) onde H representa a soma da mudança de energia interna e o trabalho realizado por causa das diferença de pressão e volume entre os produtos e as substâncias originais. Valores negativos de H correspondem à emissão de calor (diminuição da energia interna) e valores positivos significam que o calor é absorvido. A entalpia de formação (ou calor de formação) Hf, é a mudança da entalpia quando 1 mol de um composto é formado dos seus elementos, os elementos e o composto encontrando-se em um estado padrão (P = 1 atm e T = 298K). A entalpia de formação é tabelada para todos os compostos comuns. O valor da entalpia de formação é independente da maneira de combinar os elementos, dependendo somente do composto. Pela definição, Hf = 0 para cada elemento. Como Hf não depende da maneira de formação, podemos usar valores tabelados para calcular o valor emitido ou absorvido em uma reação. Entalpia de formação Hf Composto PM H2O 18.0 CO 28.0 CO2 44.0 CH2 (óleo diesel) 14.0 NH4NO3 (nitrato de amônio) 80.1 NaOH 40.0 N 14.0 NO (óxido de nitragênio) 30.0 NO2 (dióxido de nitrogênio) 46.0 C3H5O9N3 (nitroglicerina) 227.1 C5H8O12N4 (nitropenta) 316.1 C7H5O6N3 (TNT) 227.1 Hf (kcal/mol) - 57,8 - 26,4 - 94,1 - 7,0 - 87.3 -101,9 0,0 + 21.6 + 8,1 - 82,7 -123,0 - 13,0

Exemplo 1: Considere a mistura do nitrato de amônio (NH4NO3) com o óleo diesel (CH2). Rearrumando a fórmula teremos N2H4O3 e escrevendo-a verticalmente: Elementos Produtos desej. da reação Necessidade de O2 N2 N2 nenhuma H4 2 H2O 2 O3 nenhum nenhuma deficiência ou excesso: 3 - 2 = 1 excesso de O. C CO2 2 H2 H2O 1 deficiência ou excesso: 3 - 2 = 1 excesso de 0. O resultado é a deficiência de oxigênio para cada unidade de CH2. Desde que cada AN tem um oxigênio em excesso, três unidades de AN são necessárias para balancear uma unidade de FO na mistura do Anfo: AN + FO - CO2 + H2O + N2 3 NH4NO3 + 1 CH2 - CO2 + 7 H2O + 3 N2 - Cálculos do balanço de oxigênio e do calor liberado Como foi dito antes, o gás tóxico mais importante é o CO, e este gás é produzido quando não existe oxigênio suficiente para oxidar o carbono completamente, quer dizer, para formar CO2. O termo "balanço de energia" se refere à quantidade de oxigênio presente em relação à quantidade exata necessária para oxidar todo o carbono presente no dióxido. Um balanço de -5% significa que a quantidade de oxigênio é de 95% do mínimo necessário e um valor de +8% corresponde à 108% da quantidade mínima. Usando os pesos atômicos: H = 1, C = 12, N = 14 e O = 16, podemos calcular os pesos moleculares: NH4NO3 = 80 e CH2 = 14 Então sabemos que 3 x 80 = 240 g de NA reagem com 14 g de carbono quando o balanço é perfeito, quer dizer, o óleo deve ser (14 / 254) x 100% = 5,5% por peso de mistura AN/FO. - Cálculo da percentagem do NA será: (240 / 254) x 100% = 94,5% por peso de mistura AN/FO. - Cálculo do calor da explosão (Hf) para o nitrato de amônio e óleo diesel: 3 AN + 1 FO = CO2 + 7 H2O + 3 N2 3 AN + 1 = reagentes 3(-87.3) + (-7) = calor de formação dos reagentes (Hr) CO2 + 7 H2O + 3 N2 = produtos (-94.1) + 7(-57.8) + 3(0) = calor de formação dos produtos (Hp) - Então: Hr = -268 kcal e Hp = -498.7 kcal - Calor de explosão: Hf = Hp - Hr Hf = -498.7 - (-268) = -297.8 kcal - Cálculo de kcal por kg: [kcal/kg = (-229.8 kcal / 254g) x (1000 g/kg)] - Calor de explosão: Hf = -904.7 kcal/kg A pesquisa de BO de um explosivo, apresenta uma grande importância prática, não só do ponto de vista da formação de gases tóxicos, mas porque ela está correlacionada com a energia da explosão, o poder de ruptura e outras propriedades do explosivo usado. O máximo de energia é

conseguido quando o BO é zero. Na prática, esta condição é utópica.

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