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aborto - legalidade e ilegalidades - pesquisa metodológica

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FACULDADE METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE

AMÉLIA CRISTINA VIEIRA

TÍTULO: A LEGALIDADE E ILEGALIDADE DO ABORTO

BELO HORIZONTE 2010

2 AMÉLIA CRISTINA VIEIRA TÍTULO: A LEGALIDADE E ILEGALIDADE DO ABORTO Trabalho de metodologia de trabalho científico apresentado à disciplina de Direito como requisito necessário para conclusão do 4º ano de Direito da Faculdade Metropolitana de Belo Horizonte. Professor Orientador: Mários BELO HORIZONTE 2010 .

...9 3 DOUTRINADORES – PENSAMENTOS DIVERSIFICADOS...........8 2...................................10 4 ALVARÁS JUDICIAIS E ACÓRDÃOS........1 LEIS DECRETADAS...................................................................................2 DIREITO BRASILEIRO.........................................1 Direito Comparado...............................12 5 CONCLUSÃO.....................8 2..............................1........................................................................................13 6 REFERÊNCIAS....................................................................4 2 REFERENCIAL TEÓRICO........8 2..14 .......................................................................................3 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.......................................................................................................................................................................................................................

Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. o aborto tem o significado de privação do nascimento. culpa e morte. existe o desafio de conservar-se fiel às religiões e a execução de técnicas próprias para o tratamento e defesa da vida humana. o aborto. O homem tem suas regras estabelecidas por direito.” (MIRABETE. do direito á vida. ou pode a gestante morrer antes da sua expulsão. através do transplante de órgãos assim como formas alternadas que preservem o bem maior: a vida. Júlio Fabrini. Uma destas regras examina e critica a suspensão da gestação de um ser humano. Calcula que absolutamente nada pode ser produzido que as contrarie. A maioria delas oferece caminhos que levam á felicidade constante e eterna assim como a libertação de todo sofrimentos. que conseqüentemente leva á morte do feto. Estudiosos de teologia de um modo generalizado imaginam que a religião é mesmo buscada como uma forma vista de “salvação”. 2008) 1 Júlio Fabrini Mirabete. reabsorvido pelo organismo da mulher ou até mumificado. até que a morte ocorra apenas dentro do padrão de dignidade. Algumas pessoas dizem que existem alguns questionamentos que não são encontrados respostas. . De onde viemos e para onde vamos? Juntamente a estas são acrescentadas as perguntas: Porque nascemos e porque morremos? Muitos buscam a religião como forma de obter uma consistência ou convencimentos que dê sentido á existência humana. Segundo Mirabete1: “O produto da concepção pode ser dissolvido. Uma explicação melhor considera apenas a interrupção da gravidez. O ser humano sempre buscou soluções no que se refere ás questões com relação a esses acontecimentos e não obtém uma resposta que o convença e que seja concreta para ele. Nos dias atuais. Não deixará de haver. no caso.4 1 INTRODUÇÃO Vida e morte são assuntos de constantes polêmicas. De uma forma mais simplificada. Entre eles são citados.

O aborto provocado é mais complicado. que resulta de um estado patológico que pode atacar o feto ou a mãe. 4 Aborto causado por uma ação humana deliberada. existem inúmeras variedades sobre a definição de aborto. 2003). Em conjunto com esta prescrição. ou ainda. O aborto espontâneo é visto como algo natural. 2 Professor Hélio Gomes. sendo este o que cria todo tipo de contestações e polêmicas. que está em vigor desde o ano de 1940. O assunto que trata sobre o aborto necessário é encontrado no artigo 128 do CPB5·. Hélio. qualquer que seja seu período evolutivo – da concepção até momentos antes do parto” (GOMES. De uma forma mais ampla. como por exemplo. Estas variedades são colocadas em ordem desta forma: Abortos espontâneos3 e abortos provocados4. ou resultar de doenças infecciosas. 6 A anencefalia consiste em malformação rara do tubo neural acontecida entre o 16° e o 26° dia de gestação.5 Hélio Gomes2 ressalta que: “O abordo é uma prática criminosa e interrupção ilícita da prenhez. 5 Código Penal Brasileiro. clássico da literatura médico-legal. caracterizada pela ausência parcial do encéfalo e da calota craniana. O defeito pode ser hereditário. Com grande penetração no mundo jurídico e médico. Também é denominado aborto voluntário ou procurado. com a morte do produto. haja ou não a expulsão. condenado á morte por via natural. podendo ser prescritas por lei ou contrárias a ela. mas essa mesma Constituição não mostra perfeita e claramente o assunto relativo a outros possíveis casos. ao nascer. proveniente de defeito de fechamento do tubo neural durante a formação embrionária. Os direitos e a dignidade do ser humano são citados no artigo 5º da Constituição Federal de 1988. causado pela exposição da mãe a certos medicamentos ou radiação. . O conjunto de leis de nossa nação resguarda e defende a gestante se existir perigo de vida para a mesma e mesmo assim a legislação se mostra negligente na maioria dos casos vistos. interrupção voluntária da gravidez. o aborto de um anencéfalo6. os artigos de nº 213 e 214 aprovam o aborto nos casos especiais de gravidez proveniente de estupro ou atentado violento ao pudor. 3 Término acidental de uma gravidez. A causa mais comum é um defeito cromossômico no embrião ou feto que impede seu desenvolvimento natural.

Ver seu filho nascer sem o cérebro e morrer após ser retirado de seu ventre ou abortar. concorrendo para a realização de pessoas jurídicas instruídas e preparadas para satisfazer tanto os modelos atuais como o aperfeiçoamento da tecnologia e ciência. Os objetivos da pesquisa metodológica é estudar as normas constitucionais com relação ao tema do aborto demonstrando o pensamento dos inúmeros juristas. Se a ciência evolui para podermos verificar doenças e males prematuramente. Essa pesquisa metodológica tem por fim principal oferecer auxílio para um provável desenvolvimento da cultura geral e jurídica. porque não corrigi-los antecipadamente? Quando um mal não é curável como os padrões jurídicos reagem diante desse problema? A dignidade do ser humano seria atacada diante do aborto de um feto anencéfalo? Entre estes questionamentos e outros se pensa o que deveria ser mais traumático para uma mãe. Esses padrões atuais demonstram o que devemos ou não ponderar com relação a este assunto. vem à . A constatação de inúmeros fatos que ocorrem em todo o país e fora dele e que conseqüentemente são lançados nos tribunais na tentativa de uma solução apropriada retrata a necessidade desta pesquisa. As questões que norteiam este assunto é que estamos frente a uma realidade a qual não temos influência suficiente para ignorar. reconhecendo o pensamento de julgadores em frente aos casos de aborto induzido identificando a ciência do direito e da legislação. São inúmeras e diferenciadas as posições dos juristas para este assunto. mas é necessário que seja estudado diante da ciência moderna e não como uma proibição determinada por opiniões e idéias antiquadas. Acrescido a esta.6 Inúmeras tentativas foram feitas a fim de alterar as leis constitucionais através de esboços de projetos tendo por fim a ampliação dos casos não jurídicos ali demonstrados. O aborto é um assunto que requer uma atenção maior e abrange os tipos acima demonstrados. com o desígnio de que novas leis sejam estabelecidas para que o ciclo tridimensional do direito seja fechado. A extensão do rol dos abortos não punidos pelo Direito e a caracterização dos conceitos de leis estrangeiras com a análise de possibilidades existentes nos demais ordenamentos jurídicos também favorece para o estudo de novos referencias acrescidos á pesquisa justificando a investigação mais abrangente sobre o aborto.

.7 verificação de como a sociedade em geral procede em frente aos acontecimentos abordados e sua consciencialização sobre a tecnologia avançada e a importância desta para o Direito.

na seção de delitos contra a vida.8 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Direito Comparado Variando das leis que estão em vigor com relação ao aborto. . exemplificando os Estados Unidos onde existe o direito de escolha e opção de mulher. vemos a disciplina do auto aborto. É permitido o aborto terapêutico desde que ele seja realizado até o terceiro mês de gestação.1. Alguns países são totalmente livres nesta questão do aborto. O Estado então executa gratuitamente a cirurgia sem ônus algum para a gestante. ou seja. Estes direitos encontram-se nas leis constitucionais do próprio país. o que é originado com ou fora a aprovação da grávida.1 LEIS DECRETADAS 2. No código penal apresentado na Alemanha. econômicos e sociais. Com a decisão do especialista médico e da grávida. logo depois a cessação da gestação deverá acontecer em um período de três dias após o aconselhamento. a cessação de gravidez poderá ser executada até as vinte primeiras semanas e se a saúde da mãe não está comprometida. alguns países consideram admissível a suspensão da gravidez por decorrência do tempo de gestação e de aconselhamentos médicos. Algumas leis escolhem o nome de “interrupção voluntária da gravidez” ao contrário do nome aborto por motivo desta ser marcada por estigmas e sentimentos de rejeição tanto religiosa quanto moral. juntamente com a realização de abortos. esta será obrigada a passar por um tratamento psicológico extensivo. psicológicos. No caso de uma má formação do feto.

O aborto provocado pode ser legal ou ilegal. um inciso de nº 3. caso esta gravidez seja proveniente de um estupro. nos tempos atuais estes conceitos foram totalmente modificados. a gravidez proveniente de estupro ou atentado ao pudor e os espontâneos que são demonstrados como os causados por algum acidente. .. A imposição deste ato poderá trazer conseqüências como: danos corporais e até mesmo ao óbito. É considerado aborto criminoso quando ele é provocado pela grávida ou por outros com sua aprovação ou sem sua aprovação. incisos I e II do Código penal.. o desembargador Alberto Silva Franco cuidava de crimes contra a vida e destacou o parecer da Comissão para a modificação das leis referentes ao aborto. No mesmo parágrafo deixava claro a aprovação da grávida ou de seu representante legal. pois ele é datado de 1940 e certamente com o avanço da tecnologia e da medicina.9 2. criando um anteprojeto de lei que acrescia ao artigo 128. Todavia. onde diz: “. No ano de 1992. assim como alteração dos conceitos da sociedade ao longo dos anos. necessário ou criminoso. não constitui o crime de aborto praticado por médico se há fundada probabilidade do nascituro apresentar graves e irreversíveis anomalias físicas ou mentais”. o aborto necessário é o praticado por um médico com o propósito de salvar a vida da grávida. São estes: espontâneos e provocados. Estas formas provenientes de patologias que colocam a vida da grávida e do feto em risco de morte. No artigo 128. existem diferenciadas formas de aborto nas quais o código não considera como contrárias a lei. a moral e a consciência da gravidez. No código penal então são separados os tipos de aborto. São diversificadas as tentativas de modificação do Código penal em função do aborto.2 DIREITO BRASILEIRO No Código Penal de nosso país a prática do aborto é descrita como a interrupção contrárias ás leis.

a idéia que se faz é de uma assistência extremamente elitizada. em muitos casos seriam inúteis e não existiria uma causa para a invocação da prestação de esclarecimentos jurisdicional. pois a maior parte dos centros de medicina fetal está ligada a centros universitários.portanto não se poderia exigir dessa mãe.Anelise. relata que: Muitos moralistas católicos de renome têm se posicionado em favor da operação cirúrgica nos casos específicos de anencefalia. . pois não são seres humanos os frutos dessa gestação e. Alberto Franco7 deixa bem claro que um aborto praticado no caso de feto inviável deverá ser retirada da antijuridicidade.(JÚNIOR. diz que: 7 Desembargador.10 3 DOUTRINADORES – PENSAMENTOS DIVERSIFICADOS Ao direcionar o anteprojeto de Lei para a reforma do Código penal. A respeito do aborto.2002) O aborto em fetos com má formação é defendida por Thomas Rafael Gollop com as seguintes palavras: Quando se fala em medicina fetal. vigário da Arquidiocese de São Paulo. que atendem a população de mais baixa renda. 1993) Mario Sebastiani. preservando-a dos riscos de um abortamento clandestino. o direito de optar livremente entre interromper ou levar a termo esta gravidez.(GOLLOP.Thomas. o direito interrupção da gravidez assegura gestante que este procedimento será conduzido por profissional habilitado e realizado em estabelecimento médico-hospitalar adequado. Anelise Tessaro diz que: Faz-se necessária e urgente uma adequação legal aos avanços da tecnologia médica. garantindo assim a todas as gestantes que se depararem com esse dilema.1995) Fernando Altemeyer Junior. as autorizações para o aborto.o sacrifício de uma gravidez que não pudesse oferecer vida humana a uma criança. Ale disso. Este anteprojeto sendo aceito. médico do Hospital Italiano de Buenos Aires.Altemeyer Fernando. ressaltando o alto grau de confiabilidade conferido aos exames pré-natais. (TESSARO. conforme suas convicções pessoais. mas na verdade o que vem ocorrendo no País é exatamente oposto.

que têm um fundamento moral e ético. filósofos.sendo diagnosticado por médicos. teólogos e juristas.11 Procura-se demonstrar que a interrupção da gestação de um feto anencéfalo merece considerações especiais. Propõe-se que essas situações sejam avaliadas por comitês de bioética. e que podem constituir uma diferença clara com o aborto. 4 ALVARÁS JUDICIAIS E ACÓRDÃOS . biólogos.

12 É conhecido que muitas autorizações por parte judicial foram conseguidas com o intuito de consentir a cessação da gestação de um feto com deformidades. não provém essa condição essencial para sua sobrevivência. tecidos e partes do corpo para fins de transplantes e tratamentos. 5 CONCLUSÃO . pois é inexistente no Código penal uma maneira da exclusão das contrariedades ás leis e á moral. O feto então. as autorizações para este ato não serão necessárias. nos casos de deformidades. recebe apenas as funções vitais enquanto estão no ventre da mãe. sem o cérebro. que dispõe sobre a retirada de órgãos. faltando apenas à declaração do juiz competente.º 9. é clara quando estabelece o diagnóstico de morte quando é ligada á morte cerebral. não precisando neste caso de uma autorização para o aborto. Supondo que um projeto de lei seja acrescido no código penal referente a alguns abortos específicos. Mesmo que a Lei n. No caso de constatação e comprovação de fetos mal formado não existe nada a se propor.434/97. Inúmeros juízes têm concedido autorizações para aborto de fetos em má formação com base na constituição de que ninguém deve subjugar-se a um tratamento desumano e sem dignidade. As reivindicações para qualquer autorização dada judicialmente exigem muito tempo e muitas vezes são lançados em instâncias superiores. de inexistência de crime contra a vida. Esta atuação é utilizada. Para um caso de gravidez isto se torna uma grande tortura psicológica para a gestante.

REFERÊNCIAS .13 Na constituição de nosso país. Entretanto. Existem então duas maneiras de excluir este crime: a indicação salvadora e a indicação piedosa ou sentimental. o aborto deixa de ser contrário ás leis e á moral quando feito por um médico para salvar a vida da grávida ou para impedir o nascimento de uma criança que foi feita através de um estupro. algumas das decisões dos juízes em lugares diferenciados autorizam o aborto no caso de fetos anencéfalos para evitar o nascimento de uma criança cientificamente comprovada sem vida e inteiramente desprovida de cérebro. sendo impossibilitada de existir por si só.

Caderno Bioética. Palova Armires. 2002. GOLLOP. SEBASTIANI. Aborto: uma visão ético-jurídica. 2001. 60. TESSARO. 1331. Mario. p. DF. BRASIL. p. 1999. Hélio. Fernando. Anelise. p. TESSARO. 21. Isto É. 2. DF. Brasília. Diário Oficial da União. 109. Curitiba: Juruá. Brasília. Brasília. . Rio de Janeiro. 2002. Aborto seletivo. 1995. Jornal do Brasil. Aborto seletivo. PARREIRA. n. 5-7. Belo Horizonte. p. Anteprojeto do Código Penal: parte especial. Anelise. 2003. 1999. São Paulo. Rio de Janeiro. 1997. p. 1993. Rafael Thomas. 43. Hospital Italiano. de BUE. O crime do aborto. Curitiba: Juruá.14 ALTEMEYER. GOMES. Ministério da Justiça. n. DF.

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