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GÊNERO TEXTUAL E TIPOLOGIA TEXTUAL

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GÊNERO TEXTUAL E TIPOLOGIA TEXTUAL: COLOCAÇÕES SOB DOIS ENFOQUES TEÓRICOS

Sílvio Ribeiro da Silva

A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu entender, importante para direcionar o trabalho do professor de língua na leitura, compreensão e produção de textos [1] . O que pretendemos neste pequeno ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero Textual e Tipologia Textual, usando, para isso, as considerações feitas por Marcuschi (2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questionáveis para o termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas considerações a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia. Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreensão e a produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primordial o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele tenha capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua para produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação específica de interação humana. Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na escola a partir da abordagem do Gênero Textual [2] . Marcuschi não demonstra favorabilidade ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para ele, o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas, uma vez que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral, porque, embora possamos classificar vários textos como sendo narrativos, eles se concretizam em formas diferentes – gêneros – que possuem diferenças específicas. Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlândia/MG) defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, sendo os textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência de diferentes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto e com os diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento da competência [1] Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gênero ou com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara para selecionar os textos com os quais trabalhará. [2] Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um pouco a diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo.

O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam. ou apenas com injunções. o professor teria que fazer uma espécie de levantamento de quais tipos seriam mais necessários para os alunos. o termo tipo de texto. De acordo com as idéias do autor. dificilmente são encontrados tipos puros. ele afirma que um tipo pode ser usado no lugar de outro tipo. narração e argumentação. ocorrendo. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um gênero de heterogeneidade tipológica. não se trata de tipo de texto. em função do tipo de interlocução que se pretende estabelecer e que se estabelece. O autor diz que não é correto afirmar que a carta pessoal. que para Fávero & Koch (1987) é um texto injuntivo. tem-se a presença de várias tipologias. Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero mas ter sido construído em outro. Explicando. a partir daí. Para ele. Deixar o aluno restrito a apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só tenha recursos para atuar comunicativamente em alguns casos. ou pouco capaz. e não em função do espaço ocupado por um tipo na constituição desse texto.comunicativa. ou argumentativa. em outros. para. apenas com descrições. iniciar o trabalho com esses tipos mais necessários. Num texto como a bula de remédio. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu no texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza altamente híbrida. ou injuntiva. ele diz desconhecer um gênero necessariamente descritivo. Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros. meio que contrariando o que acabara de afirmar. Por outro lado. muitas das vezes. cada tipo de texto é apropriado para um tipo de interação específica. e comenta que ela pode apresentar as tipologias descrição. para ele. Travaglia afirma que um texto se define como de um tipo por uma questão de dominância. mas de gênero de texto. de maneira equivocada. mas fala de um intercâmbio de tipos. Marcuschi dá o nome de intertextualidade intergêneros. injunção. Certamente. ou dissertativa. . Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. tornando-se incapaz. caracterizado como carta. Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem. Na verdade. Ele atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual. Ele apresenta uma carta pessoal [3] como exemplo. o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais tipos. exposição. criando [3] Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente descritiva. Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto. a injunção e a predição [4] . é um tipo de texto como fazem os livros. como o boletim meteorológico e o horóscopo. como a descrição. por exemplo. sendo que um gênero assume a função de outro. Realmente é raro um tipo puro. ou narrativa. por exemplo. [4] Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem previsão.

que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou de uma lista de produtos em oferta. mas artefatos culturais construídos historicamente pelo ser humano. Para exemplificar. Mesmo que o autor da carta não tenha assinado o nome no final. o autor fala. Resumindo esse ponto. tempos verbais. Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam características sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos. argumentação. Adam. da carta pessoal. graças as suas propriedades necessárias e suficientes [5] . Ele diz. Tipologia Textual é um termo que deve ser usado para designar uma espécie de seqüência teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição. segundo perspectivas que podem variar. mais uma vez. descrição e injunção (Swales. Em geral. Bronckart. os tipos textuais abrangem as categorias narração. relações lógicas) (p. ainda. segundo o autor. uma maneira de interlocução. ela continuará sendo carta. estilo e composição característica. sintáticos. pode não ter uma determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. 22). na opinião do autor. ele fala de descrições e comentários dissertativos feitos por meio da narração. Segundo ele. com outro dado tipo. O que importa é que esteja fazendo divulgação de produtos. Essas perspectivas podem. propriedades funcionais. exposição. e suficientes para que o texto seja uma carta. Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar um modo de interação.determinados efeitos de sentido impossíveis. Um gênero. Para Marcuschi. . Marcuschi traz a seguinte configuração teórica: a) b) intertextualidade intergêneros heterogeneidade tipológica = = um gênero com a função de outro um gênero com a presença de vários tipos Travaglia mostra o seguinte: a) conjugação tipológica b) intercâmbio de tipos = = um texto apresenta vários tipos um tipo usado no lugar de outro Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os gêneros não são entidades naturais. 1999). estar ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao [5] Necessárias para a carta. estimulando a compra por parte de clientes ou usuários daquele produto. Para exemplificar. 1990. para ele. o termo Tipologia Textual é usado para designar uma espécie de seqüência teoricamente definida pela natureza lingüística de sua composição (aspectos lexicais. 1990.

informe. Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma função social específica. informação. no tipo narração. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto dada pela imagem que o mesmo faz do receptor como alguém que concorda ou não com o que ele diz. Quando vamos escrever um e-mail. comunicado. o discurso da transformação. escrever um e-mail para um amigo não é o mesmo que escrever um e-mail para uma universidade. a primeira perspectiva faz surgir os tipos descrição. é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude comunicativa de comprometimento ou não. não exerce uma função social qualquer? Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros. Resumindo. pedindo informações sobre um concurso público. de acordo com a função social dele. Assim. citação (todos com a função social de dar conhecimento de algo a alguém). romance. Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. aula expositiva. surge o discurso da cumplicidade. edital. ou conhecer/saber. texto argumentativo stricto sensu é o que faz argumentação explícita. etc. Tem-se ainda. uma perspectiva em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer. Surge. A do comprometimento dá origem a textos do mundo comentado (comprometimento) e do mundo narrado (não comprometimento) (Weirinch. Mas todo texto. . seria a função social básica comum a cada um: aviso. mas não ressalta sua função social. independente de seu gênero ou tipo. sermão. reunião de condomínio. na opinião de Travaglia. sabemos que gênero usar em momentos específicos de interação. bilhete. na sua opinião. injunção e narração. Assim. Os textos do mundo narrado seriam enquadrados. Se o produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele. não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o que. Parece que ele diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa “qualidade” que o gênero possui. e quanto à inserção destes no tempo e/ou no espaço.fazer/acontecer. A segunda perspectiva faz com que surja o tipo argumentativo stricto sensu [6] e não argumentativo stricto sensu. Os exemplos que ele traz são telefonema. assim. Isso equivale dizer que. de maneira geral. Da mesma forma. Já Travaglia. dissertação. sabemos que ele pode apresentar características que farão com que ele “funcione” de maneira diferente. cada uma das perspectivas apresentadas pelo autor gerará um tipo de texto. intuitivamente. A perspectiva da antecipação faz surgir o tipo preditivo. Já os do mundo comentado ficariam no tipo dissertação. estas funções sociais são pressentidas e vivenciadas pelos usuários. 1968). Para ele. quando o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com ele. Certamente a carta e o e-mail entrariam nessa lista. levando em consideração que o aviso pode ser dado sob a forma de [6] Segundo Travaglia (1991). por exemplo.

o requerimento. Nota promissória. o abaixo assinado (com a função social de pedir. Mas a função de confirmar a promessa de dar o voto a alguém. Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi [7] é a de Espécie. policial. Assim. Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em Marcuschi. Ele continua exemplificando apresentando a petição. Será que é possível especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo porque não é fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes. . esses domínios não seriam nem textos nem discursos. solicitar). Não sei até que ponto a Espécie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. ele mostra as Espécies romance histórico. regionalista. Continuo colocando a carta. Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo narrativo: a história e a não-história. jornalística. Constituiriam práticas discursivas dentro das quais seria possível a identificação de um conjunto de gêneros que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas comunicativas institucionalizadas. termo de compromisso e voto são exemplos com a função de prometer. Espécie se define e se caracteriza por aspectos formais de estrutura e de superfície lingüística e/ou aspectos de conteúdo. erótico. 24). Para mim o voto não teria essa função de prometer. Segundo informa. Este autor discute o conceito de Domínio Discursivo. etc. e-mail ou ofício. Para ele. rígida. o e-mail e o ofício aqui. confirma a promessa de votar que pode ter sido feita a um candidato. mas dariam origem a discursos muito específicos. Ele não apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função social menos rígida. No tipo descritivo ele mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva. como o bilhete. o oposto também acontece. não promete nada. Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso. o memorial. Como exemplo. Quando alguém vota. jurídica e religiosa. ofício. Ainda do tipo narrativo. estática x dinâmica e comentadora x narradora. No gênero romance. etc. não abrange gêneros em particular. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes esferas da atividade humana em que os textos circulam (p. mas não como Marcuschi. apresentam função social formal. telegrama. mesmo os que não foram mostrados aqui. ele apresenta a correspondência com as Espécies carta. bilhete. ele apresenta as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. de ficção científica. Ele cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia de discurso. ele fala do discurso jornalístico.uma carta. Cada uma dessas atividades. Ele apresenta outros exemplos. É bom notar que os exemplos dados por ele. Mudando para gênero. discurso jurídico e discurso religioso. ele fala dos discursos citados mostrando que as tipologias de discurso usarão critérios ligados às condições de produção [7] Pelo menos nos textos aos quais tive acesso. fantástico. mas origina vários deles. mas por questão de espaço não colocarei todos.

estão diretamente ligadas ao ensino. O texto.dos discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar inseridos (Koch & Fávero. religioso. Travaglia considera o discurso como a própria atividade comunicativa. dizendo que ele apresenta a idéia básica de que um maior conhecimento do funcionamento dos Gêneros Textuais é importante para a produção e para a compreensão de textos. é visto como uma unidade lingüística concreta que é tomada pelos usuários da língua em uma situação de interação comunicativa específica. Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual. Para concluir. Travaglia não faz abordagens específicas ligadas à questão do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual. lúdico)). como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida. a domínios de saber (discurso médico. Tipologia Textual e Espécie. Marcuschi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais operacional do que formal. 24). Tipologia Textual e Espécie) são básicos na construção das tipologias e talvez dos textos. a própria atividade produtora de sentidos para a interação comunicativa. independentemente de sua extensão (p. numa espécie de analogia com os elementos químicos que compõem as substâncias encontradas na natureza. etc). Ele chama esses elementos de Tipelementos. p. ideológica (discurso petista. Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando falam que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. 03). acredito que vale a pena considerar que as discussões feitas por Marcuschi. à inter-relação entre elementos da exterioridade (discurso autoritário. Texto é o resultado dessa atividade comunicativa. Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos (Gênero Textual. 03). lingüístico. etc). Marcuschi não faz alusão a uma tipologia do discurso. O discurso se realiza nos textos (p. Marcuschi considera o texto como uma entidade concreta realizada materialmente e corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. para ele. regulada por uma exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. Ele chega a . em defesa da abordagem textual a partir dos Gêneros Textuais. independente de estar ligada ao ensino. filosófico. O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipologia Textual. 3). 24). Discurso para ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em alguma instância discursiva. Citando Koch & Fávero. Ele afirma que o trabalho com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a língua em seus mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta que sua preocupação é com a tipologia de textos. cristão. e não de discursos. jurídico). o autor fala que uma tipologia de discurso usaria critérios ligados à referência (institucional (discurso político. de direita. de esquerda. Sua abordagem parece ser mais taxionômica. 1987. Cita o PCN. polêmico.

afirmar que são os tipos que entram na composição da grande maioria dos textos. não deixa de trabalhar com os outros tipos?). deve levar em conta uma série de fatores. Além disso. embora saiba que todo gênero realiza necessariamente uma ou mais seqüências tipológicas e que todos os tipos inserem-se em algum gênero textual. 2004). Até recentemente. Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais ideais para o ensino de língua. A fórmula de ensino de redação. conforme sugerem Schneuwly & Dolz (2004). como afirmei. Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gênero Textual na escola. não faz considerações sobre o trabalho com a Tipologia Textual e o ensino. levar em conta a questão de com quais tipos de texto deve-se trabalhar na escola. como se todos os tipos de texto fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e. caso seja considerada a idéia de Travaglia. Os gêneros devem passar por um processo de progressão. do nível menos formal ao mais formal. a quais será dada maior atenção e com quais será feito um trabalho mais detido. a questão dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem merece maiores discussões. o aluno. Ele afirma que é possível a identificação de gêneros com dificuldades progressivas. sendo esse o mais trabalhado nessa série. ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste fundamentalmente na trilogia narração. por isso. de certa forma. Um aluno que pára de estudar na 5ª série e não volta mais à escola teria convivido muito mais com o tipo narrativo. Acho que a escolha pelo tipo. Acredito que um trabalho com a tipologia teria que. Para ele. Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê ao aluno o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo. descrição e dissertação – tem por base uma concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a formação de escritores literários (caso o aluno se aprimore nas duas primeiras modalidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da terceira modalidade) (Antunes. outros tipos textuais? Ao lidar somente com o tipo narrativo. não exigissem aprendizagens específicas. o ensino de produção de textos (ou de redação) era feito como um procedimento único e global. Será que ele estaria preparado para produzir. porém dois são mais pertinentes: a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composição de quaisquer outros textos (não sei ao certo se isso é possível. e vice-versa. no mínimo. essa concepção guarda em si uma visão equivocada de . quando necessário. do mais privado ao mais público e assim por diante. por exemplo. Travaglia. b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida.

ou seja. Theorie et pratique de l’analyse. Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textuais socialmente utilizados.que narrar e descrever seriam ações mais “fáceis” do que dissertar. . I. J. A avaliação dessas produções abandona os critérios quase que exclusivamente literários ou gramaticais e desloca seu foco para outro ponto: o bom texto não é aquele que apresenta. mas aquele que é adequado à situação comunicacional para a qual foi produzido. percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da sua constituição como sujeito. fazer um cartão e ofertar a alguém. se a escolha do gênero. além de diversificar e concretizar os leitores das produções (que agora deixam de ser apenas “leitores visuais”). o que é viabilizado e concretizado pela adoção de algumas estratégias. características literárias. como enviar uma carta para um aluno de outra classe. compreensão e produção de texto pela perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor de Língua Materna hoje. A atividade com a língua. o espaço da sala de aula é transformado numa verdadeira oficina de textos de ação social. (2004). (1990). permitem também a participação direta de todos os alunos e eventualmente de pessoas que fazem parte de suas relações familiares e sociais. o conteúdo. Essas atividades. O ensino-aprendizagem de leitura. não mais visto aqui como um especialista em textos literários ou científicos. Mardaga. da participação social dentro de uma sociedade letrada. realizar uma entrevista. M. Assim. Liège. o estilo e o nível de língua estão adequados ao interlocutor e podem cumprir a finalidade do texto. Aula de português: encontros e interação. enviar uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura. orais e escritas. assim. Élements de linguistique textuelle.tanto no ensino fundamental quanto no ensino médio. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADAM. sabendo movimentar-se no dia-a-dia da interação humana. ou só apresenta. etc. razão pela qual esta última tenha sido reservada às séries terminais . ou mais adequadas à faixa etária. ANTUNES. mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais. se a estrutura. São Paulo: Parábola. distantes da realidade e da prática textual do aluno. favoreceria o exercício da interação humana. de uso social.

J. Vol. WEIRINCH.BRONCKART. L. Rio de Janeiro: Lucerna. MARCUSCHI. Tese de Doutorado / IEL / UNICAMP. L. Tipelementos e a construção de uma teoria tipológica geral de textos. H. disponível em: http://www. 330 + 124 pp. Cambridge: Cambridge University Press. 1991. I. English in academic and research settings. (1990). Mimeo. Por um interacionismo sócio-discursivo. V. Campinas.-P. (1987). (2004). Estrutura e función de los tiempos em el lenguaje. SCHNEUWLY.06. “Gêneros textuais: definição e funcionalidade” In DIONÍSIO. L. A. L. M. & DOLZ. Â.unicamp. Um estudo textual-discursivo do verbo no português. J. C. (2002). Gêneros textuais e ensino. Uberlândia: Editora da Universidade Federal de Uberlândia. São Paulo: Editora da PUC/SP. (1991). TRAVAGLIA. FÁVERO. Atividades de linguagem.htm 06.08 . Genre analysis. ___ (2002). In Letras & Letras. “Contribuição a uma tipologia textual”. Madrid: Gredos. Gêneros orais e escritos na escola. & KOCH. (1968). et al. 03. nº 01. Campinas: Mercado de Letras SWALES. (1999).br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/g00003. pp. textos e discursos. J. 3-10. B.

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