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RevistaFAT03_2005

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Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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principalmente à Sala São Paulo. cada um fazia uma coisa. em 1910. começaram a faltar peças.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. ela não foi planejada.de novo por acaso. do tempo do nazismo. Essa história é verdadeira? É verdadeira. Lia-se muito em nossa casa. Mas esse não era o plano. diziam que eu ia ser advogado. no fim. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim.pelo menos não naquela ocasião. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário.tanto que a nossa língua em casa era o português. na Rússia. Quando é que começou esse amor pelos livros. Não pensava em formar qualquer biblioteca. que era meu amigo. eles tinham o apoio da Klabin. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. O senhor. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra.Nunca pensei também em ser empresário. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. o acaso teve um papel muito importante na minha vida.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. Assim. que também desistiu. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. eram apenas amigos. Quanto aos livros. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. Não havia um presidente. Aliás. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. para se encontrarem em Nova York. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. que. E já que o problema era o capital. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. Comecei. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. tornando-me assim sócio da empresa. mas foi crescendo. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. que falava francês perfeitamente. no entanto. só que dirigida também para os livros. Não pensava em formar qualquer biblioteca. preparei a documentação e. De que origem eram seus pais? De origem russa. A empresa começou muito pequena. Ciência e Tecnologia. tivemos uma governanta russa. como aconteceu por um curto período. a ler e a biblioteca resultou de leitura. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. porque como eu falava muito. Eles chegaram em 1936. porém. perderam-se de vista. falei com um amigo meu. O interessante é que.Meus pais falavam russo apenas entre si. uma empresa. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. não de livros raros. Respondilhe que não queria participar. sim. eles . Na época. mas de leitura corrente. Vieram para o Brasil em 1910. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. No mais. Eu era advogado deles. ou seja. e saíram do país por caminhos diferentes. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. Foi quando vieram para o Brasil. acabei aderindo ao empreendimento. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca.à última hora desistiu do negócio. tenho ido. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. Bom.Mas esse não era o plano. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. ao que se sabe. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. com eles. Então. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. talvez eu consiga entrar no negócio”. mas sempre em harmonia.

A biblioteca dele foi para o Itamaraty. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. não vamos falar mais nisso”. Mas aí eu lhe disse: “Olha. que era uma livraria de literatura francesa. Fiquei no cargo por quase um ano. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. em 1878. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. que começou a conversa sobre a questão de tortura. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. Mais tarde comecei a encontrá-los. mas ela não tem a aprovação popular. eu disse que achava que não dava para aceitar. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. Ou seja. Ao longo desses anos. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. ENTREVISTA Mas. entre eles o Antonio Cândido. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen.visconde de Porto Seguro”. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. naquele mesmo dia. uma série de edições raras. o Le Figaro. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. mas insisto que não tem apoio popular. vamos ser claros. Com tudo isso. o que naturalmente eu fiz. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. Ela respondeu que não. de teatro. um tal de Porto Seguro. que era como a secretaria se chamava na época. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. mas política era assunto proibido. que hoje são reverenciados. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 .O Fábio Comparato era. diretor da empresa. na época.na casa do Plínio Doyle. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. no sábado a gente sempre ia para lá. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. Por exemplo. de fato. a ele e ao Pedro Nava. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. Explica-se. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. já está havendo um começo”. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. A pessoa respondeu que. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando.o Celso Lafer. Só se falava de literatura. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile.a Renina Katz. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. foram para o Chile. de coisas amenas. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. mas o que ele tinha no escritório. Então consultei uns amigos. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. Não vou negar que exista. denominado “Sabadóyle”. o Décio de Almeida Prado. Além disso. provas que não foram publicadas. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. Ciência e Tecnologia. existe tortura sim no Brasil. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. mas enquanto conversava. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência.

É. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas.. Detalhe: entre 1455. 92 quilos de peso. uma difere da outra com pequenas variantes. Era uma documentação original das autoridades portuguesas.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista.. anos depois fazia o número 2. que uma hora era de Portugal. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488.800 ilustrações. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. holandês. Um que é o Livro de Horas de 1480. Dela se conhecem 18 exemplares. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular.Na verdade. foi a certidão de nascimento do Uruguai. mas ele queria o pagamento à vista. Recebi. os descendentes de um dos protagonistas. mas foi uma revolução. . outra hora era da Espanha. por exemplo. E de Portugal.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados.Quando cheguei lá eram 180 volumes. quando estive lá. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. comparada à revolução da informática. ele já tinha 95 anos e estava de cama. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. Recentemente. Mas. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. que é um dos exemplos do que foi o livro. depois o número 3. porque era meio caro. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. Possuo. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. Eu acabei tendo as duas edições. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. assim por diante. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. escrito em pergaminho. Ademais. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. A gramática do Anchieta. buscando tecnologia própria. mas não podia recusar e comprei. bém a comprei por acaso. Enfim. que era tenente. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. sobre o tupi-guarani. com a invenção dos tipógrafos. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente.todos em grandes bibliotecas. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. Ora. E isso não se deve fazer nunca. enfim. é um grande livro que serve à história do mundo. Voltei com quatro malas. outra que está à esquerda. E com a Metal Leve. abriram-se novos horizontes. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. venderam para o tal português chamado Assunção. Não tive dúvidas. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. Então veio pelo correio. brasileiras e algumas argentinas. me oferecendo preferência na aquisição. por exemplo. na verdade. um telegrama de um livreiro amigo. Como não havia arquivo naquela época. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. um dia. Tenho a primeira edição de Camões. Tenho. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. já que as populações eram analfabetas na sua maioria.

os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia.br Todos os direitos reservados.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A. Acabamento: lombada canoa. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. à bioética e à Produção Mais Limpa.com. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. formato aberto: 416 x 273 mm. assuntos relacionados à nanotecnologia. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. No eixo educação.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível. Yolanda Silvestre Prof. Dr. César Silva Diretor Administrativo Prof. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN .br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15. responsabilidade social e ética & educação.Número 3 .com.tel. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. sem autorização prévia. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof. Walkiria Barone Fotolito. Impressão: Offset. capa: Couché opaco 150 g. Na questão da responsabilidade social. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. 4x4 cores. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova.com. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof.: 11 6958-1310 policom@uol.com.com. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil. incluindo capa.br Fotos Júlio Hilário. por meio de sua revista. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação. Em tecnologia abordamos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . Moraes Mascarenhas fatcompras@terra. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof.com. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. eletrônico ou impresso. Dr. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof. por meio da divulgação de matérias. Dr. Dr. os livros.612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . levar informações ricas e atualizadas. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . Papel do miolo: Couché opaco 70 g. A FAT mais uma vez procura. 42 . Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof. pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia.SP .ester@uol. Nesta edição. Dr.1807-9687 Rua Três Rios. Dr. Manoel A. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof. verniz de máquina capa/contra-capa.com.Bom Retiro São Paulo . A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof. Victor Sonnenberg Profa. 131 .br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições. Folha Imagem. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam.br . Número de páginas: 48.cj. da Silva. Almério Melquiades de Araújo Profa. entre outros. Silvia Regina Lucca Prof. pesquisas e prestação de serviços de assessoria. os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.com. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. Remo Alberto Fevorini Profa. Dra. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. com ênfase na sua grande paixão. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof.br Diretor-presidente da FAT. Estamos procurando fazer a nossa parte.

JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto .Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA. 1976 óleo sobre tela.ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”.NÚMERO 3 . 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II .2005 . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A. TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente. O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. lembrando um favo (10 -4). 1]. Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se. o olho da mosca e detalhes deste órgão. diferente destas. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante.escalas. um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. um detalhe da mosca (10 -2).ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 .cern.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. QUADRO 1 . como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. Assim. No entanto. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5).A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9).assim. o olho da mosca. O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo. Fonte: CERN (http://microcosm. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado. Micro e Nano . apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica.ch/microcosm). Macro. Em outras palavras. como a industrial ou a da tecnologia da informação. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1).web. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. a base deste sensor (10 -7). A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução.web.cern.Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação.

e ainda estamos engatinhando na sua utilização. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 .ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. sistemas de observação miniaturizados. são as grandes propulsoras. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. Além disso. kits de autodiagnóstico. tecidos que repelem manchas em tecidos. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. como a natureza está acostumada a fazer. novos tipos de bateria.veja Quadro 3). podemos imaginar medicamentos que. junto com tecidos convencionais.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. Alternativamente. veja Quadro 5). elétricas e magnéticas. novos métodos de limpeza de dentes. nanopartículas contra alergias. e é conhecida como abordagem “top-down”. novos processos de fabricação. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). Primeiramente. vidros resistentes a fogo. dispositivos MEMS. Como mencionado anteriormente. Em todas elas. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. arranjos protéicos para diagnóstico. está sujeito a interações com o mundo exterior. pneus mais duráveis. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). São as chamadas tecnologias convergentes. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. processos otimizados de micro e nanorreação. nanocompósitos resistentes a fogo. circuitos eletrônicos mais eficientes. fotossíntese artificial. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. como o próprio coração. tecidos mais leves e rígidos. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. Nessa escala tem-se. aumento na velocidade de processamento da informação. telas planas. certamente. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). novas possibilidades de reciclagem. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. materiais para regeneração de ossos e tecidos. microarranjos para sistemas de análise de DNA. novos sistemas de visualização não invasivos. plásticos não inflamáveis. molécula a molécula. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. implantes totalmente biocompatíveis. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. como demonstra o Quadro 6. proporcionalmente. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. Nanotubos de carbono. ministrados a um paciente. como física. células de combustível. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. química e biologia.Além disso. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. portanto. sistemas de comunicação wirelesss. a nanometrologia. em duas dimensões (como nanofios e nanotubos.

como o nióbio.. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. 0 0.6 0. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. Para se ter uma idéia. Em essência. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. Por outro lado. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. para sua operação. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. por exemplo. em 2001. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). Assim.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. entre outros.dependendo do tipo de aplicação desejada. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 . como mostrado na (Figura a seguir). na atualidade. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. chamada de quantum de fluxo magnético. como somar números.2 0. Ele é construído em materiais supercondutores. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. etc.8 Nanotecnologias”. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). ordenar palavras.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. Para isso. conforme a ilustração à direita. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. para certas tarefas.QUADRO 3 . devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. Como exemplo. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. ela se divide entre os dois ramos do anel. por um magneto). Os quadrados em ouro são terminais de contato. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.4 0. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. Quando comparados com outros países. cerca de 0. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. dimensões nanométricas. Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. Nessas condições.

Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. mas. elétrico e magnético é diferenciado. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. 2] . ablação via Laser e deposição por vapor químico. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). É importante ressaltar que a microtecnologia. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . em São Paulo. produtos e materiais nanotecnológicos. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). de transistores. 3]. em que a produção de emulsões é etapa crucial. Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. evaporação de solvente ou separação de fases. deverão investir fortemente em (N & N). Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica.Nanotec 2005. dentro de suas possibilidades. Por isso. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. de sensores e de atuadores.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. foi realizado. Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. O governo está apoiando esse esforço. juntamente com a exposição internacional de projetos. com vistas à formação de recursos humanos. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados. QUADRO 5 . os institutos de pesquisa e a indústria. afetando características importantes do produto como estabilidade. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. em um arranjo hexagonal. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. comparáveis a suas contrapartes internacionais.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. de displays planos. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. ótico. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. Seu comportamento mecânico.braço fundamental da (N & N). o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref.

A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. representando países distintos – Estados Unidos. para integrar e miniaturizar dispositivos.1 a 100 mm. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. Prevê-se que os aspectos sociais. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). Está composta de átomos. Ex. componentes e microssistemas. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . da combinação da nanociência e da nanotecnologia. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. Microtecnologia A Microtecnologia.realizado em 5 de julho último. processos térmicos. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. vidro. a introdução de um processo contínuo.Durante o evento. Israel e Brasil –. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. manipulação e aplicação de materiais. síntese. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. como: silício. Esta. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. Essa convergência tecnológica. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0.000 nanômetros. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. Desta forma. empresas. ótica. fabricado com moléculas. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. projeto. manipular ou imitar os sistemas biológicos. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. baseando-se em princípios de microfluídica. devem examinar. biotecnologia. que articulem a cooperação efetiva entre governo. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. dado que se ocupa de estruturas atômicas. eletrônica. recebe o nome de nanobiotecnologia. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. com a presença de quatro palestrantes. magnetismo. universidades e institutos de pesquisa. biomedicina. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). O átomo é a menor entidade química. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 .1–100 nanômetros. criação. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. para aplicações em: acústica. quando aplicada às ciências da vida. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. Deste encontro. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. etc. Os desafios são inúmeros. com dimensões típicas de 0. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. mecânica. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. nêutrons e elétrons. quando adequadamente coordenada. cerâmica e polímeros. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. se diferencia-se da nanotecnologia. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. Está composto de prótons.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. Inglaterra. da biotecnologia. Nanotecnologia É o estudo.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. a nanotecnologia. processos químicos.

usp.caltech. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro). Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não.comciencia.mct. (1959).1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0. http://www. 2004. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www.br/ Sites no exterior: d www. QUADRO 7 . O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA. H.nanotechbriefs. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 .com.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. a médio prazo.com. Por outro lado.br/Temas/Nano/prog_nanotec.inovacaotecnologica. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA. 104 p. Washington D.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”.com d www.gov. Henrique. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior.pdf em 05 de Dezembro de 2004).br/temas/nano/ d www. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada. www.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”. 2004. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente.inovacaotecnologica. 2004.edu/~feynman/plenty.gov.br d www. Esses métodos evoluíram separadamente. SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica. na atualidade.com/html/Reports/publications. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar.S..br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0.br/nano/ d http://lqes.ufsc..br d www.pgmat.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers.its. (Disponível em http://www. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007.unicamp.iqm.com/ d www.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química.br/noticias/noticia. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado. É.fapesp. There’s plenty of room at the bottom. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.org d www. e a abordagem “bottom-up”.cientifica.smalltimes. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.C. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. permitindo uma integração muito desejável. May. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi.mct.foresight. R.

(São Paulo.vêm de longe e têm aumentado com o tempo.2003. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas. 14h00. Resumidamente. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 . devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses.01. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento.Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A EDUCAÇÃO SUPERIOR REFORMA DA E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. 05. SP. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. p.. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional.Abril e TAM. Segundo a autora. em 1955. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. No contexto brasileiro. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. entre outras. verifica-se claramente que. Accor Brasil. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas.. conseguiu-se identificar. Sabesp. 2005).. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas. XXVII). constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. 1998). Leader Magazine. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister. pela General Electric.. McDonald’s.nos EUA.”. segundo a mídia especializada. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. com relação ao mercado americano. Fiat. Segundo Meister (1999. sendo provável que já existisse um número bastante superior. CEF. Carrefour. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. Na década de 1950. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston. Ao que tudo indica. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil.”. Ainda segundo essa autora. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. No Brasil. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. no início de 2003. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”. Petrobrás..realizar parcerias com universidades. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. por meio de pesquisa. esse princípio envolve “.no sentido de realizar a formação dos seus empregados. no contexto dos EUA. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. Motorola. Porém. Banco do Brasil..Ambev (antiga Brahma). Segundo a autora.Atualmente. . com o lançamento da Crotonville. Unimed.

Learning & Performance . (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. com 38% das indicações. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. conforme se verifica no Gráfico 2. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. totalizando 20 empresas. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. Entretanto. DE 90 NA DÉC. sem. havendo. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. a partir de então. aqui agrupadas sob a marca PUC. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. com 25% das indicações cada. no entanto.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. tendo sido criadas nos últimos quatro anos.num total de 45 empresas. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. 45% são bastante recentes. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . possuir Universidade Corporativa. Gráfico 2 .

tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. Eduardo Tubosaka. setores afins e estudantes/bolsistas. no que diz respeito às desvantagens. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. fornecedores. (São Paulo. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. formadores de opinião. concessionários. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. Por outro lado. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. 24. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. clientes. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. nos funcionários (67%). A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente.conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. Palavras como “competência”. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. com a qualidade que elas esperam. público em geral. A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se. Segundo.bem como o custo elevado da parceria. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias.01. observando-se mais criteriosamente. declarada por 96% dos respondentes.nos clientes (11%) e nos familiares (8%).Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. familiares.2003.O gerente de marketing e vendas da Sony. SP. Quanto ao investimento em familiares. as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . Primeiro. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. Por outro lado. mais adiante. entretanto. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas.

os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). In:FLEURY. New York: McGraw-Hill. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado. FLEURY.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior. contra 34. ____________. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais.As pessoas na organização. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante.Obtido no endereço http://www. ____________. Afonso.2000.Educação Corporativa. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência.elearningbrasil. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC. The Corporate University Handbook: Designing.. ALLEN. asp?id=2348. São Paulo:Atlas. March/April 1999. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema. ____________. Human Resource Management International Digest. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. and Growing a Successful Program. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. 1998. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 .2002. 1999. 2002. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos.São Paulo:FEA-USP . FLEURY. professor universitário. 1998.5 parcerias por empresa. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência. Mark. Estratégias Empresariais e Formação de Competências.Ten Steps to Creating a Corporate University. 1999.Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI.Faculdade de Economia. ALPERSTEDT.ed. São Paulo: Schmukler Editores. 38-43.2005. Entretanto. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%.. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. como por exemplo. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. FISCHER. ____________. Este é. girando em torno de 2. EBOLI.br/home/noticias/clipping. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. 35-36.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias.Quase 500 universidades corporativas no Brasil.Cristiane. ____________.com. Training & Development. 2001. 2002. acesso em 22 jul. O estudo revelou que 78. São Paulo: Makron Books.Tese (Doutorado em Administração) .Jun. consultor em Administração. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. Conforme ficou evidenciado. Muito embora os resultados do presente estudo. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias. portanto.Maria Tereza Leme et al. São Paulo. André L. Lindolfo Galvão de. pp.São Paulo: Gente.Beth. voltados à capacitação de pessoas.Marisa et al. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa.Revista T&D. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. Managing.com. Maria Tereza L. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities.O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. Nov. MEISTER. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil.114. 2000.ano X. Mark Allen Editor.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. ALBUQUERQUE. o número médio de parcerias por empresa. entretanto. A pesquisa aponta.62% das que não possuem UC. por imposição das limitações metodológicas.br Mestre em Administração pela FEA-USP. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. pp. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional.dade cultural e do seu negócio. Jeanne C.

TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A.

por parte da sociedade. A nova organização. O que parecia.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems). vivendo um momento especial na história. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações. transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. certamente. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. agilidade. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. Novas tecnologias podem ser adotadas. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade. requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). agora está se tornando possível. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. em um passado relativamente recente. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). Isso exige a absorção. A T. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 . A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência.Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. suportados por novas tecnologias. pela busca constante da excelência na administração pública. calcados na tecnologia da Internet. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). especialmente. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo. Alcançar um estado de eficiência. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. em decorrência.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade.I. ser uma utopia. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. pública ou privada. com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas.

com altos impactos sobre eficiência. estamos. em que predominaram a busca pela otimização de processos. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. 1ª GERAÇÃO DE T. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. se ações proativas forem realizadas. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). para efeito desta análise.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. que muitas vezes se inviabilizaram.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. Nesta nova “onda”. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. entre tantos outros: . pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. a “máquina pública” completamente reconfigurada. melhor atendimento ao cidadão.I. desde melhor gestão de recursos. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. o impacto é muito mais profundo. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. entre outras grandes mudanças. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor.I. agora. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade. configurando o que. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T.a primeira remonta aos anos 1920.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. se estendendo além das fronteiras da organização. Na terceira onda.I. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. com menores custos operacionais e muito maior efetividade. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. mas ainda mais para organismos de governo. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos. dentro de poucos anos. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. Poderemos ter. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas.

Terceiro. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. Segundo. por medo de qualquer tipo de sanção. Por exemplo. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. em relação a outros países ou à iniciativa privada.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. estágios que um organismo de governo pode explorar. a comunicação de retorno. desvios e corrupção. em que o governo pode. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. criando-se. e. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. de cargos públicos a serem preenchidos. No Brasil. maior conhecimento das ações governamentais. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. a partir de qualquer “cyber café”.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. o setor público consome. fóruns de discussão. ágeis e de menores custos operacionais. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. o que se promove. entre tantos outros exemplos. na medida em que os sistemas de informações se integram. logo. Infelizmente. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. mais de 40% dos recursos totais existentes. pela participação que o setor público tem no produto nacional. suportados por novas tecnologias. no Brasil. para suportar os processos envolvidos. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. que pode ser acessada sem identificação. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. etc. Primeiro. solicitação e preenchimento de formulários. assim. disseminação. mais flexíveis. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. desvios e corrupção. a disseminação de notícias. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. em geral de muito baixo nível. atualmente. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. Neste estágio. ainda há uma tendência. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. já ocorre a comunicação bidirecional. A Internet. conteúdos de interesse No 1º Estágio. e talvez mais importante ainda. de um lado. muito mais facilmente. basicamente. de outro. direta ou indiretamente. de licitações do governo.consideram-se cinco os estágios de e-government. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. Finalmente. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 .porque.I. isto é.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. seja na forma de perguntas e respostas.

É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. Já em processos integrados e desfragmentados. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. Com a integração de processos. pois. entre tantos outros serviços possíveis. para cada lançamento. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. as fraudes. também. registro eletrônico de autoria e patentes. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. se tivéssemos processos completamente integrados. é o BPM . e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. com menor carga de supervisão e controle e. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. muito maior atenção é dada a essas operações. É. concessão de licenças e autorizações. em geral tratadas fora deles. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. seja internalizada nesses processos. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. o que. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. Essa nova disciplina.Business Process Management . como ilustra a figura a seguir. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção.¡ financeiras entre o governo e a sociedade.porque são especializados demais. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. que agrega diversas tecnologias específicas. com ferramentas integradas em BPMS . neste estágio. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos.integrando-se a processos de outros organismos de governo. inclusive as integrações com a sociedade. materiais ou de quaisquer outras naturezas. mais importante. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. Numa situação desse tipo. a bancos. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. relativamente simples. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. Da mesma forma. sejam esses fluxos financeiros. mas pela obrigatoriedade de. suportada por padrões e ferramentas poderosas. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. há erros ou falhas de lançamento. são grandes. não só pelos registros ali contidos. anomalias indicadoras desses desvios. antes praticamente impossível. é possível ter um grau de transparência muito elevado. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. ter-se contrapartida. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. por si só. no caso de governo.Business Process Management. ocorrem transformações de outra natureza. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. Além disso. por trabalho humano.

18. 2003. 4. 20. por exemplo. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS). p. The Real-Time Enterprise .com.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. Bruce. JP. Peter & BELLINI. 21. altamente suportados por tecnologia. 8-9. 41.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas.desvios e descontrole. etc.Robert. 77. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. na área de Contratos/ Projetos/ Obras.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos.12. decisões tomadas. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. 957. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. Judith. Com processos inteiros. ERASALA.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. 237. 3.Janet K.por exemplo. FONSECA. 269. 10. TORRES. ORR.Accelerating BPM with Business Rules. SOA .. Com essa abordagem. LAMONT. 2005 VOLMER.Knowledge and Process Management.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. pendências registradas e controladas. Denise.Chichester. 51. Ulrich. WETTENHALL. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions. 3. Iss.KM World . BPM: no just for the big kids on the block. Meghan-Kiffer Press. Camden.The Brainstorm BPM Conference.The Brainstorm BPM Conference. projetos gerados. Meghan-Kiffer Press. Jericho. Manhasset. Network World. muito maior agilidade.). p. Peter.All or Nothing. 1064. Chicago. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. p. DUBIE. 2005. I.V. documentos associados. 1. SMITH. Beyond integration. como. Joseph.European Journal of Information Systems. históricos. através de processos. New structures for strategic growth.. SILVER. Chicago. Is. Charles. Public Organization Review. Ken.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores. Oscar Adolfo. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. COLMAN. p. Iss.Forrester Research. Chicago. p. 9. PUCCINELLI. FINGAR. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. orçamentos participativos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 . TORRES natorres@uol. Issue 1. Naveen. Roger. 2005 __________________. Is.The Brainstorm BPM Conference.Vol. 2003 . CRN. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo. 45.30.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). 2005.poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”.. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. Leveraging Process Modeling for Business Value. Shan L.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. Robert. MORGENTHAL. São Paulo. p. Chicago. Francisco & SANCHEZ. 2003. Is.. Is. Oct/Dec 2003 . 2005. HALLE.e não para o benefício daqueles que governam. proporcionando maior transparência. Chicago. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. 2003 . __________________. redução de fraudes. Business Process Management – The Third Wave.Oct 2003 . que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. V . plebiscitos eletrônicos.isto é. XI Congresso de Informática Pública Conip. 57. Processos e Sistemas Ltda.The Brainstorm BPM Conference. Chee Wee & PAN.The power of process. condições de exceção. Sep 29. 13. Chicago. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. 2003. Dordrecht: Sep.V. S4. Howard & FINGAR. NORBERTO A. Idort/PMSBC. IDG/Computerworld – Brasil.Ken. New Directions in BPMS Technology.Camden . Hamilton: Feb 2004. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. Jan 2004 .Vol. CMA Management. InformationWeek. Dec 22-Dec 29. 2003. Vol. TAN. Norberto A. etc. p.BPO meets BPM . Issue 9. 2005. Sep 29. 13. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. Integrating processes: The next Nirvana. WALL.. 2003 . 2002.Barbara von. REMUS. KM World. Presidente da Unicomm Integração de Negócios.The Future of BPM. a partir de critérios como datas-limite.Systems.Vol. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. p. publicada na Revista do Livro Universitário. Framingham. 2005. 2004. Barbara. etc. p. 2005. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. Guarujá.Basingstoke: Dec 2003. Resenha do livro Caminhos da transparência.V. Por meio de tecnologias orientadas a processos. Iss. 4. 12. DARROW. p.The Brainstorm BPM Conference.

desperta a singularidade para a sua .Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco.corrupção.falta de compromisso com os eleitores. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano.Crises de governo. sociais. a conjunção entre um bios e um ethos. No início dos anos 1970. ou melhor. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores. culturais ou religiosas. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. pelo menos. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. deixado de lado em vista dos avanços técnicos.descrédito das instituições. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação.. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e.etc. Como uma tendência que nos é natural. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”. econômicas. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.sobre os princípios que regem as sociedades. Além de questões políticas. a junção. sobretudo.

O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e. redescobrir o humano na técnica. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. os autores que escrevem sobre o argumento. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. sobretudo. por conseguinte. mentiras e verdades. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. as comissões. Na realidade.ambos permanecem o que são: diferentes outros. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. como estamos acostumados a entender a união. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. geraram-se vários problemas. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. ou seja. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. consegue o seu objetivo. portanto. Certamente. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. os cursos. erros. vasculhar as cavernas do início da civilização. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. sobretudo. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. podemos. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. uma decisão. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. depois de um plano meticulosamente elaborado. dissimulação. etc. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. Ao final. voltar-se para o que estava no início e. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. sim. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. mais básica do que qualquer vivência social. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. A vida em sociedade é linguagem e. política ou econômica. O primeiro é uma história fictícia. é uma relação originária. cultural. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). direito este negado pela própria justiça espanhola.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. tanto na ficção como na vida real. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. a diferença faz a diferença. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo.Ao mesmo tempo em que é refém. a Bioética já é uma pos- tura. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. Certamente. Em Potter. assim. a protegê-la. Hoje.como diria Michel Renaud.responsabilidade. as tendências de pensamento sobre este assunto.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. cana Terri Schiavo. para o que estava além da realidade.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. isto é. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. enganos. é também fruição. quando temas como a eutanásia são. uma vocação. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. É como se vivêssemos por um fio. mas para a diferença. um dos principais casos estudados em Bioética. Somos chamados a cuidar da vida. a promovê-la. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político.

a fortiori. vista como uma doença. Neste sentido. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade.ao mesmo tempo. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. não hesitam em se expor. já que a violência voluntária ou vingança é. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. isto é. ou seja. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência. hostil”. de certa maneira. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. com todo contato violento. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. vista como uma doença. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. como um ser capaz de assassínio. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. convém da mesma forma. pois clama por vingança.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado. enquanto ainda há tempo. como diz Girard. um ato “criminoso”. já que a violência voluntária ou vingança é.com. mesmo fortuito. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. Para o autor. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. da Aids ou das guerras. uma pré-visão do perigo. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias.Assim.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior. Se todo contato.A vida depende dessa prevenção. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. de certa maneira.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. já contaminados. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. A Bioética é uma postura.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. só os seres já impregnados de impureza. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. Somos responsáveis por tudo e por todos.vontade e razão.Assim sendo. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. o sacrifício tem um caráter preventivo.etc. na verdade. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. Por conseguinte. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. e todos os dilemas que se apresentam. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. Enfim.

12. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. práticas de negócio e processos operacionais. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann.2003. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). representam. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla.SP. investindo na relação ética. na Comissão Brundtland. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. Em muitos casos. visão. na maioria das vezes. Essas iniciativas. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. seja pela via do estímulo ao voluntariado. conseqüentemente. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. apesar de apresentarem resultados positivos. quando tratado de maneira isolada. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. mas talvez um posicionamento diferente. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. Esse viés de contribuição. 16. ações pontuais e desconectadas da missão. embora relevante. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. seja pela via do investimento social privado. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 . (São Paulo . coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição.

um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". na realidade. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 . provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.09. Em última análise. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. Em outras palavras. comunidade. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões. econômicos e sociais e.acionistas. em última análise. conseqüentemente. Em muitos casos.governo e sociedade.A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto.entre outros. nos modelos de negócio.2004. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. mas também no resultado ambiental e social adicionado. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. seja rentável e gere resultados econômicos. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. Já a sustentabilidade empresarial. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. por exemplo. As empresas podem. focando não só no resultado econômico adicionado. empresas de transporte e mobilidade. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. Dito de outra maneira. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. segundo o Instituto Ethos . então. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. ainda. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo. O conceito de responsabilidade social empresarial traz. na Vila Prudente (zona leste de SP). produtos e. de forma permanente e estruturada. (São Paulo. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. a partir desse pano de fundo.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line.fornecedores. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. a lógica de mercado. empresas de saúde. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. Por outras vezes. 22. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança.clientes. que a empresa cresça.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. os chamados stakeholders – público interno. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. nos processos.meio ambiente. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. e assim sucessivamente. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. as empresas automobilísticas. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. SP. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança.

A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. tornando-os parceiros neste desafio. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade.12.2003. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. pela FEA/USP e em Direito. erradicação do trabalho infantil. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. com mestrado em Desenvolvimento. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. menores índices de turnover e atração de novos talentos. porém. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. que Angélica. gradualmente. 16. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. com o uso de alternativas inteligentes de consumo. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. reutilização e reciclagem de materiais.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial.org. melhoria na distribuição de renda. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP. pela PUC/SP. mas de um jeito diferente.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa.org. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação.criando uma visão compartilhada do negócio. associando a ela valores positivos. sejam elas de comunicação. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. Para que o processo se estruture de maneira sólida. 17h32. de produção. sustentável. Com base nesse diagnóstico. A idéia central da iniciativa é construir. de longo prazo. {São Paulo . a empresa melhoraria outros processos. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. Por outro lado. Para que a mudança na organização seja efetiva. 17. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. Para o sucesso dessa empreitada. dentre outras). ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. Além disso. educação. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. Entre os dirigentes organizacionais. pode-se observar um maior nível motivacional. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução. Digital) vai além do produto tangível. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo.SP. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. Com relação à cadeia de fornecimento. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos.

da Sabesp.2004. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR.07. SP. 23.Estação de tratamanto de água. o que é conseqüência da baixa demanda. Contudo. osmose reversa e troca iônica. nanofiltração. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. ultrafiltração. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. (São Paulo. incluindo a microfiltração. que fica no Alto da Boa Vista. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 .

atualmente. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. 1998). não atendem às necessidades de regiões específicas. conseqüentemente. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. seja de origem doméstica ou industrial. podem estar presentes em um efluente líquido. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. potencialmente. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. na maioria dos casos. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. foram desenvolvidas no início do século XX. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. Como exemplo. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. possivelmente. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. e que.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos.com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. como é o caso dos Estados Unidos. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. que no Brasil. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. Por outro lado. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. 2005). podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e.

Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 .00 50. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.80 0.00 15. • nanofiltração.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA.00 1. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana.00 25.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. CHERYAN.00 CAPACIDADE (L/s) 35.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.40 1 -10 0. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. utilizando-se tecnologias diversas.1 0. 2003): • microfiltração. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados.00 40. Isso.Por exemplo. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa.60 CUSTO (US$/M3) .00 30.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. 2001).Os processos de microfiltração. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada. • ultrafiltração.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água.0. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina.5 Figura 2 .20 10. 1998 e MULDER.00 20.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico.por sua vez. 2.00 0.1 . verificase que os processos de separação por membranas. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema.ultrafiltração.001 Nanofiltração 5 -35 < 0.001 Ultrafiltração 0.80 1. 1996. Como conseqüência. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países.001 . Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 .é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados.20 1. Diâmetro do poro (mm) < 0. Em relação ao processo de eletrodiálise. • osmose reversa. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas. Em primeiro lugar. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004. A baixa competitividade no mercado interno. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples. Como exemplo.. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana.00 45. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior.40 1.

org/cgi-bin/regreport. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente.pl. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. Odendaal and Mark R. Second edition. REFERÊNCIAS AWWA (1996). 564 p. Bureau of Reclamation. Chemical Abstract Service.Wiesner.2004. D8230. MULDER. Department of Interior (2001).S. M. DR. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. Ultrafiltration and microfiltration handbook. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos. Kluwer Academic Publishers.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . No entanto. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. CAS (2005). Editorial Group Joël Mallevialle. podem vir a se tornar competitivos. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. http://www.American Water Works Association Research Foundation. SP. Peter E.03. por exemplo. 2003.cas. M (1998). permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. Lyonnaise des Eaux. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. que realiza análises de água.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. McGraw-Hill. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). (São Paulo.Water treatment membrane process. The latest CAS registry number and substance count. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados. Second Edition. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo.Total plant costs for contaminant fact sheets. carvão ativado e oxidação com ozônio. CHERYAN. CRC Press. Water Research Comission of South Africa. Dentre as opções existentes. Reprinted. acessado em 02/03/2005. 31. Basic Principles of Membrane Technology. U.

Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4). permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). as sociedades industriais passaram por sérias transformações. (Jacareí. Foto de Juca Varella/Folha Imagem.2002. SP. advindas basicamente da tomada de consciência. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92). O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente.dos impactos ambientais por elas causados. . 04. que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2).03. por parte dos governos e da sociedade civil. 18h. eficiência econômica e justiça social.Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP). Este programa de ação internacional. busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental.

sanitária e econômica para todos os países. por exemplo. e. a química. O item 4. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. para incentivar as práticas de prevenção à poluição.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte.outros grupos se formam. mostram a eficácia da prevenção. de gestão da informação. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. são formados: em 1994. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 .em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). toda empresa tenta realizar economias. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. Dentre esses sistemas. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. Compreensivelmente. em seguida. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. de produto e de práticas de housekeeping. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. de matérias-primas. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). Em 1985. resíduos e transferência de tecnologia.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. de gestão da produção. No Estado de São Paulo. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. poluição esta que se configura como. uma ameaça social. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). etc. bem como ao uso eficiente destes recursos. organização sem fins lucrativos. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). o controle e a disposição final dos resíduos. Por exemplo. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. dentro do próprio processo produtivo. Ao longo desses anos. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). Evidentemente.em especial nos que abordam energia. A reciclagem interna. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. o metalúrgico. em diversos tipos de empresa.National Pollution Prevention Roundtable). foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. a gestão de resíduos. industrializados ou não. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. Pesquisas realizadas mundo afora. após eles terem sido produzidos. se contabilizadas.em diversos países. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. Assim. como o têxtil. a farmacêutica.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. o metalmecânico. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. Na década de 1990. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. por exemplo. transportes. entre outros. como o de gestão do pessoal. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. que são a remediação.

com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . calculando seu retorno financeiro que.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. O mais interessante de tudo isso.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. A CIESP. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.06. 13. a empresa irá mudar as condições na fonte. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. em geral. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. De todo o exposto acima. estes muitas vezes problemáticos. para a empresa. introduzindo matérias-primas mais puras.2001. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. (Santo Antônio de Posse. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. seus instrumentos de divulgação. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. sua influência e sua capilaridade no interior. na própria origem da geração de resíduos. produtos e serviços. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. é rápido. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. Assim. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. prêmios pagos às seguradoras. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. SP. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. em Santo Antônio de Posse (SP). assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. utilizando toda a sua estrutura. através do seu presidente Cláudio Vaz. saúde e segurança do trabalhador. prevenir na fonte a poluição do ar. ou seja. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. imagem da empresa. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações.reduzir o uso de recursos naturais. posicionando-se como parceiro do PNUMA . Além de reduzir seus riscos. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição.

br Rua Três Rios.com. ensino. • Cursos . entre outras • Concursos . Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização.Bom Retiro .São Paulo . desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria. desenvolvendo projetos sob encomenda.Vestibular. saúde. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. Saúde. a FAT propõe. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra. Transportes e Indústria. entre outras. Meio Ambiente. indústria e meio ambiente.Especialização. 131 .SP .cj.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 . pesquisa e treinamento. assim. estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. 42 . A FAT posiciona-se.

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. conforme descrito na seção 2 a seguir. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e.marketing e distribuição. seja em aspectos técnico-produtivos.desenvolvimento. bem como à prática empresarial. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. englobando as áreas de design. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. P&D e distribuição) pode ser afetada.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. por outro. respectivamente. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil. em geral.INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. partes e componentes.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento. por um lado. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. tecnológico e organizacional pode ser afetada.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. Mais especificamente. respectivamente. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. nomeadamente a adequação da política de qualidade. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. e. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 . Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. Na seção 3. as mudanças estratégicas. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. design. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). a partir deles.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados.

a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). Neste ponto. isoladamente. 1 .. mostrou. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro. 8 3 de educação para a qualidade. mas integrado a um programa de qualidade ampliado... percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma. e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET .. estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET.Melhoria da qualidade dos produtos F . (2) segundo motivo mais importante. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes.Essas empresas demonstraram.quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa. cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes. investigaram-se os impactos internos e externos associados.Pressão de clientes K . . Note-se. de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante.ainda nesse aspecto.. Em ambos os casos. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. por um lado. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET.Orientação estratégica B .Melhora da imagem da empresa C . em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas.Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000.Obrigação imposta pelo governo L .Assim. e assim por diante.. relataram que.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade. Programa 5S. clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade.via treinamentos técnicos).Busca de novos mercados J . por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos. ambas as empresas pesquisadas. .Aumento da flexibilidade dos processos G .Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. por outro lado..que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total. . o que pode ter afetado tal percepção. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto.. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade.Melhora da competitividade H .Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E . uso de Ferramentas da Qualidade.Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D . com diferentes graus de intensidade. Finalmente. obtido em 2004. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores. Este resultado era esperado. bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa. 2 .. aqui. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2)..

e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas.. em sua(s) especialidade(s). engarrafadores). a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). inspeção. e assim por diante. de longo prazo.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. com sua implementação e manutenção. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . de longo prazo. mas Estável. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou ... desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional.. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. (2) segunda mudança mais importante. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. Neste aspecto. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento. Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas . pode-se ponderar.

especialmente em aspectos técnico-operacionais. Vendas. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil.além de aspectos técnicos do produto. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. neste artigo. que inspiram cuidados na leitura. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. sobretudo. embora em menor intensidade. o primeiro. diferentemente deste último. por um lado. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. por outro. marketing e distribuição. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem).A despeito das similaridades anteriormente apontadas. gestão e.) de empresas e utilização de questionários abertos. em termos de volume de produção e participação de mercado. dependendo. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. etc. origem do capital controlador. Nesse sentido. Ainda a esse respeito.de modo que passaram a cooperar mais. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. geografia de mercados atendidos. realizada por meio de estudo de dois casos. interpretação e utilização posterior dos resultados. Qualidade. mas também. elo da cadeia de valor. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . caracterizado por uma pesquisa qualitativa. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. organização. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros. tais como Assistência Técnica. Compras. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. aqui. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . De fato. No que se refere às primeiras. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. além de funções comerciais (Suprimentos. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. em algum grau. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. em aspectos tecnológicos. Ainda que não apresente representatividade estatística. Tratou-se. Logística. etc. design. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. Assim. especialmente na esfera produtiva.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. com fornecedores e clientes. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar.Já quanto ao método utilizado. de caráter exploratório. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados.

H.construir um ambiente integrado e propício. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra.ids. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada. feb. Global standards and local responses.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. Brighton. & KAZMI. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados. Institute of Development Studies. n.Cabe a cada empresa. Draft for.ac.Diretoria da Presidência 47 . 2001. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. may 2002. em termos de estratégia e políticas. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading.ids. b) de forma similar. Com relação às variáveis intervenientes. Global quality standards. Brighton: Institute of Development Studies.ids.pdf>.pdf>.ac. cabe destacar. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. 16 p. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000.. IDS Working Paper.com. cultura e recursos humanos. 2003. S. & SCHMITZ.. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona.pdf>.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY. R. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. Proceedings. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele. Institute of Development Studies. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno. Acesso em: 16 jun. Acesso em: 02 jun. NADVI.(menor necessidade de supervisão). [2001]. NADVI. & WÄLTRING.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid. Global standards: implications for local and global governance. J. infra-estrutura e modo de operação. F. 2001. K. Output of the.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 156. 13-17 feb. QUADROS.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. 2003.. K.. Disponível em: <http://www. 2003. Brighton. 2001. 50 p.. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes. portanto.ac. [2001].. Disponível em: <http://www. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. Acesso em: 16 jun.. 2001. Brighton. Disponível em: <http://www. Brighton: University of Sussex. Assessora Técnica .uk/ids/bookshop/wp/wp156. Brighton: University of Sussex. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. Como foi preliminarmente constatado. Institute of Development Studies. Brighton: University of Sussex. como características do setor e da natureza do produto. Em conclusão.

Um dos motivos para isso é que não descobrimos. . ' z x c v bn / m. seja utilizando qual mídia for. wertyu CV io 'X pa K L.E RY UIO A SJ q BNM. Pessoalmente. . ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. Como mensurar o quanto os boletins internos. sd f gh jk l . quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. De fato.por parte dos governos e da sociedade civil. só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”.com alguma seriedade.' L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado.tem dúvidas sobre sua eficácia. as sociedades industriais passaram por sérias transformações.dos impactos ambientais por elas causados. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação. ainda. advindas basicamente da tomada de consciência. QW E R YU V XC .

James Hunters . Fácil fosse.e vale para pessoas e organizações. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem.que está na lista dos mais vendidos há semanas. perdão. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. desperdício de tempo e dinheiro. internet. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). melhor dizendo. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”.Não sem razão. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias.”. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. são marido e mulher. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano.”.antes de mais nada. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem.).Dee Hock. Tanto para empresas como para pessoas. videojornal online.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade. ops!. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. colegas de trabalho. mas principalmente ouvir. em Nascimento da Era Caórdica. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda.D. o diálogo muitas vezes é difícil. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. pais e filhos. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando.recorro a Paulo Freire na conversa. Isso exige sacrifício. consultorchefe da J. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. Para complicar. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. Isso vale para os públicos interno e externo. murais físicos e eletrônicos. Dialogar não é apenas falar. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. intranet. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. impressos e eletrônicos. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”.é uma atitude. rádio jornal on-line. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 .tido. todos faríamos. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações. E com- Comunicação. etc.Associados. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. professor e aluno que não se entendem. autor do best-seller O monge e o executivo.fundador e CEO emérito da VISA. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). mesmo que por poucos minutos.

Publicidade é divulgação. Isso torna o processo de decisão lento. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. Assim. Comunicação é troca. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. Espanha. DAVI MACHADO davim@uol. o documento volta a passar um a um novamente. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. sobretudo. seus princípios. (Nascimento da Era Caórdica. seu senso de comunidade. no método de trabalho ringi. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. responda e. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças.não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. . professor da Fundação Getúlio Vargas. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. As organizações que têm consciência disso. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. pela Universidade de Mondragon. de princípios e de valores. De novo me apóio em Dee Hock. pág. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . ouça.por exemplo. wertyu CV io 'X pa K L. explique. é atitude. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. de Paulo Roberto Mota. mas quando ela é tomada. para estimular a participação e difundir valores internamente. de forma estratégica. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão.br Jornalista. Sabendo mais e melhor. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. pergunte. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. participação.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. 119). são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado. de forma integrada e estratégica. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização.com. comunique-se. já está em processo de decadência e dissolução. busque informações. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. seu significado e seus valores.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa.

como computadores. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor. pastas de dentes. máquinas fotográficas. ginástica e ativos financeiros. merchandising.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. entre outros. tratamentos de pele. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. cortes de cabelo. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . manter seus clientes. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. Na esteira dos bens e serviços. planos de previdência privada. iogurtes. no mínimo. queijos. roupas. pães.

mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. ao lado de seus cinco pares de tênis. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. e atributos específicos. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. As ATMs bancárias. portanto.com. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. Não surpreende. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. entre eles um Nike que comprou em três prestações. mas não resolve o problema. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. marcas. recuperação. com seus modelos e marcas historicamente determinados. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica.br Coordenador de Cursos. pode atenuar. (São Paulo . o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. Além do número crescente de opções àa sua escolha. office-boy do hotel Caesar Park. Pesquisa e Consultoria. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. A ancoragem nos atos dos outros. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. quando der vontade. ou seja.sadas. Mas Do seu lado. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. Provar FIA . além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. Essa liberdade de escolha.

Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. em São Paulo (SP). SP. crianças um pouco maiores. de Raquel Kogan. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores.2005. (São Paulo. na exposição "Cinético_Digital". no Itaú Cultural. museu dedicado à arte do século XX. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. orgulhosos.Alguns pais acompanhavam a visita. como alguns quadros de Kandinsky e Miró. No Museu Carnavalet. de história francesa. grupos de crianças muito pequenas – de 4. outras atentamente ouviam as explanações da professora. Corriam algumas de um lado para outro. 01.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. já na faixa dos 10 anos. No Centro Pompidou. sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país.07. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2".

MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo.Discordo. peças de teatro e oficinas. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. na exposição "Cinético_Digital". a resposta seria o espanto. por exemplo. 01. de Raquel Kogan. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. . Cluny. em 20 anos. mas ainda é pouco. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. adolescentes atentos. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. pode. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. articulados.2005. No Museu Rodin. É urgente um investimento maciço em educação. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. tanto em tecnologia quanto em conteúdo. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. com seus acervos permanentes.em parte. caso houvesse resposta. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). por exemplo. SP.com. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. cruzei com uma excursão de estudantes italianos. porém. ainda calcado em elementos humanos e originais. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. somados às mostras temporárias. principalmente. que fazem toda a diferença. Louvre. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. comunidades.br Médico e escritor. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. com responsabilidade e seriedade. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. (São Paulo. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira.07. dessa condenação sumária. Picasso. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). outros tipicamente dispersos. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. Na cidade de São Paulo. se não quisermos. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. apresentar-lhes obras e elementos artísticos. Com o interesse crescente pelo computador. em São Paulo (SP). cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. no Itaú Cultural. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. ONGs e institutos. ambos publicados pela Ateliê Editorial. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. ser uma sociedade completamente insustentável. E. Marmotan. O Instituto Itaú Cultural. mas ali.

propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . R. Está organizado em nove capítulos. iniciando-se com um panorama do setor. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor. desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços. Do lado prático. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). passa a atrair ainda mais a atenção da academia. segundo modelo próprio adotado. na forma de projeto temático. V.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. do lado acadêmico.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. ele começa a ser reestruturado e. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . sempre se destacou no Brasil. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. apoiado pela FAPESP. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. e pelo CNPq.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. no âmbito do PRONEX . Em meados da década de 1990. vindo a público com esta publicação.GALINA Publicação PGT/USP. R$ 30. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V.A expectativa. em suas diversas camadas. 333 páginas. do governo e do meio empresarial. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. é que o estudo.

iamot.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.fia. Brasil Informações: d http://www. Brasil Informações: d http://www. China Informações: d http://www.com.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo. Brasil Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.com.org .fia.fatecsp.

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