UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE ARTES – CEART FUNDAÇÃO DE ARTE E TECNOLOGIA - FUNDARTEC CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO: A LINGUAGEM

PLÁSTICA CONTEMPORÂNEA

RELEITURA NÃO É CÓPIA: REFLETINDO UMA DAS POSSIBILIDADES DO FAZER ARTÍSTICO

Valeska Bernardo

Florianópolis, dezembro de 1999.

RELEITURA NÃO É CÓPIA: REFLETINDO UMA DAS POSSIBILIDADES DO FAZER ARTÍSTICO Valeska Bernardo
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Maria Cristina Alves dos Santos Pessi

ABSTRACT: This article has the objective of clearing up some frequent mistakes among art educators from the late 1980’s, in Brazil. Among those mistakes are: 1) to consider that rereading is a copy; 2) to consider that Art Production corresponds only to the practice of rereading and 3) to consider that rereading is associate only to make, to the act of producing an art object. Other mistakes are being cleared up in this context, for example call Proposta Triangular erroneously by Metodologia Triangular, and apply it in a unique and constant sequence: 1º) appreciation, 2º) contextualization and 3º) production. These reflections are based theoretically and founded in my own teaching practice experience, about which I describe an experience on project named: “Reread is not a copy”, developed at Escola Técnica Federal de Santa Catarina. To reflect the close relation between theory and practice in my pedagogical action, that was the challenge that I faced when I began my research, which I present in this article. KEY WORDS: art education, Proposta Triangular, art production, rereading, copy. RESUMO: O presente artigo tem por objetivo elucidar alguns equívocos freqüentes entre os arte-educadores, a partir do final da década de 80, no Brasil. Entre esses equívocos estão: 1) considerar que releitura é cópia; 2) considerar que o Fazer Artístico corresponde apenas à prática da releitura; 3) considerar que a releitura está associada apenas ao fazer, a produzir um objeto artístico. Nesse contexto vão sendo elucidados outros mal entendidos, como chamar a Proposta Triangular de Metodologia Triangular, e aplicá-la em uma sequência única e constante: 1º) apreciação, 2º) contextualização 3º) produção. Estas reflexões estão embasadas teoricamente e fundamentadas na minha própria prática pedagógica, desenvolvida na experiência de um projeto intitulado: “Releitura não é cópia” desenvolvido na Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Refletir a íntima relação entre teoria e prática na ação pedagógica por mim praticada, eis o desafio que me propus ao iniciar as pesquisas que apresento neste artigo. PALAVRAS-CHAVE: arte-educação, Proposta Triangular, fazer artístico, releitura, cópia.

Graduada em Licenciatura Ed. Artística – Artes Plásticas/UDESC (1997), Professora de Artes da Escola Técnica Federal de Santa Catarina, em artigo apresentado para obtenção do título de especialista no curso “A Linguagem Plástica Contemporânea”/UDESC (1999).
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Orientadora da pesquisa, Professora do CEART/UDESC, e mestranda no curso “Educação e Cultura” -UDESC.

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O presente artigo tem por objetivo refletir questões pertinentes ao campo da Arte Educação, referentes à interpretação frequentemente errônea que se faz do Fazer Artístico, um dos pilares da Metodologia Triangular. Essa má interpretação restringe o Fazer Artístico à prática da releitura, e define esta apenas como a produção de um objeto artístico. Mas o equívoco mais comum é achar que releitura significa cópia. Este artigo não pretende condenar a cópia, mas procurar esclarecer qual é o verdadeiro significado da releitura. A cópia também é um recurso didático possível, quando queremos realizar estudos de estilo, de técnica, estudos comparativos, mas não deve estar associada à releitura, que requer não copiar a obra escolhida, mas recriá-la sob uma nova ótica, a ótica do fruidor-produtor, e não somente do artista. Destacamos ainda que todas estas discussões ganharam corpo a partir da década de 80, no Brasil, com a divulgação da Metodologia Triangular, através de Ana Mae Barbosa, que introduziu esta experiência no MAC – Museu de Arte Contemporânea da USP. Esta Proposta Triangular (que foi apelidada erroneamente de Metodologia, como veremos adiante), está apoiada em três pilares: a Apreciação, a História da Arte, e o Fazer Artístico. A leitura da imagem entraria na categoria Apreciação, e a releitura entraria no Fazer Artístico. À História da Arte, caberia não apenas o estudo dos Movimentos Artísticos e seus respectivos artistas, mas também o contexto em que surgiram. Aliás, esta Proposta foi disseminada entre os arte-educadores brasileiros, que em alguns casos a adotaram sem refletir sobre as possibilidades de adequação à sua própria realidade. Mesmo porque esta Proposta requer recursos mínimos, como por exemplo, a utilização de reproduções de obras de arte a serem apreciadas, ou as obras originais que se encontram nos museus. Quando o professor não tem a disposição ou condições para mostrar aos alunos as reproduções ou as originais, o que fazer? É o que veremos adiante, quando ampliamos o sentido de leitura de imagens, restritas à obra de arte, para a leitura de imagens do mundo. Outro equívoco frequente é a aplicação da Proposta Triangular, na seguinte ordem: apreciação, contextualização (História da Arte) e fazer artístico, como se fosse a única sequência possível. Por fim, estaremos resgatando uma experiência realizada na Escola Técnica Federal de Santa Catarina, com o projeto entitulado “Releitura não é cópia”. Este projeto foi desenvolvido junto às turmas das Primeiras Fases do Ensino Médio, no ano de 1998. Na verdade, este artigo é fruto de minhas inquietações e dúvidas a cerca da prática da releitura, fruto de discussões com outros arte-educadores, quando estes 3

pois perpassam pelos professores de Arte e seus alunos. foi interpretada e disseminada como uma Metodologia. Todo esse processo seria esvaziado de sentido se não temos bem claros objetivos. Ana Mae. Maria Heloísa & FUSARI. Hoje recuso a idéia de metodologia por ser particularizadora. Maria F. Da Metodologia Triangular: e das mazelas de sua má interpretação Metodologia ou Proposta Triangular? As confusões já começam aí. ler e produzir um objeto artístico. 1993. pág. Contribuiu para este equívoco a própria Ana Mae Barbosa. 1995. como sendo releituras. 4 . Estes componentes vão mais além do que métodos e técnicas. prescritiva e pedagogizante. portanto. e não apenas metodologia. A triangulação fica por conta dos três eixos do ensino/aprendizagem: criação (fazer artístico). 98 – 105. mas subscrevo a designação triangular"1. o Critical Studies inglês e o DBAE americano. O que a princípio era para ser uma proposta. Espero assim poder partilhar com arte educadores e demais interessados estas reflexões. leitura da obra de arte e contextualização histórica.: Arte na Escola: Anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. Segundo Ferraz & Fusari2. pág. da sistematização a partir de três outras abordagens epistemológicas: as Esculeas al Aire Libre mexicanas. métodos e os meios de comunicação escolares 1 Barbosa. que enquanto agentes atuantes no processo ensinoaprendizagem estabelecem os objetivos educacionais. Quando Ana Mae Barbosa amplia o conceito de Metodologia para Proposta está justamente querendo alertar que esta não envolve apenas contextualizar. Metodologia do Ensino em Arte. conteúdos. bem como por sua origem. o que seria restritivo. 22 FERRAZ. os métodos de ensino e aprendizagem e os meios de comunicação escolares em arte. 238. que também estava permeada por dúvidas semelhantes. Ou seja.apresentavam trabalhos de seus alunos. In. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. para reavaliar a minha própria prática pedagógica. existem alguns componentes curriculares básicos que se articulam nas aulas de Arte. nitidamente cópias. A pesquisa e leituras que apresento neste artigo serviram. para que sirva de estímulo para reavaliarem sua própria prática pedagógica. todo esse processo é o que poderíamos chamar de proposta. que anos mais tarde assume que falhou ao permitir que os arte-educadores tenham "apelidado" assim o que seria uma proposta "culpo-me por ter aceitado o apelido. por arte educadores de todo Brasil. de Rezende. São Paulo: Cortez. os conteúdos.

1989. nos E. pág. e que na década de 80 passa a ser reavaliado com o Movimento Arte Educação. A Proposta Triangular tem como uma das bases mais influentes o DBAE (Discipline-Based Art Education). o que contribuiu para que seus estudos ficassem em voga e fossem rapidamente assimiladas por um público ávido por novas metodologias de ensino. entre outras com pesquisas recentes e diversificadas no campo da ArteEducação. a ânsia dos professores por aplicar fórmulas prontas e eficazes. Miriam Celeste Martins. na década de 60. Os princípios teóricos do DBAE. da livre expressão foi desencadeado com o fim do regime militar no Brasil. e assim foi por um longo período. 4. ou Educação Artística como Disciplina. o que é importante ensinar e como o respectivo conteúdo pode ser organizado"4. é que contribuiu para reduzir a Proposta Triangular a uma fórmula. Outro fator que intensificou este processo é a falta de pesquisas na área de ArteEducação. Além disso. contribuiu para a adoção da Proposta Triangular como modelo. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº017/1993. porém ignorar a contribuição das professoras Analice Dutra Pillar. foram desenvolvidos por Manuel Barkan e Elliot Eisner.em Artes. ela é "um conjunto de recursos desenvolvidos a partir de um conjunto de convicções. Ana Amélia Bueno Buoro. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº037/1993. Anotações da palestra de BARBOSA. viria a dar o merecido valor e respaldo a Arte Educação. In: DUKE. Seminário Arte na Escola. Ana Mae. 5 . Não podemos. ou que a Proposta Triangular. do fazer artístico. uma vez sistematizado na forma de Metodologia. pág. The Getty Center for Education in the arts and Discipline-Based Art Educacion. Este processo de liberação das artes. Aplicada em sala de aula 3 VIEIRA. Parecia a única saída para o laisse-faire de até então. e que muito produz na área é Ana Mae Barbosa. para ver. Projeto Arte na Escola. Um estudo mais aprofundado desta teoria está sendo fomentado desde a sua criação em 1982. o que não existia até então. receitas padrão de sucesso para serem aplicadas em sala de aula.A e Inglaterra respectivamente. Porto Alegre. único padrão viável a aplicação em sala de aula. para conhecer por meio da imagem"3. Estas pesquisas são relativamente recentes. não é uma receita padrão para o sucesso. Uma das primeiras autoras. pelo Getty Center for Education in Arts. 4. Metodologia Triangular: exemplos de estratégias.U. Ana Mae Barbosa define a Proposta Triangular como “uma proposta para conhecer a linguagem das artes plásticas. Denyse. A procura por fórmulas. 4 EISNER. teorias e fatos sobre como as crianças aprendem. Lilani Lattin. Segundo as palavras do próprio Elliot Eisner. que representava a censura e o ensino tecnicista.

Ou então formados nos cursos de Licenciatura. que vem em grande parte do Magistério em sua maioria (sendo assim habituados a fórmulas. Crítica de Arte. à Contextualização. temos assim correspondente à História da Arte. DBAE Arte Educação como Disciplina (Hamilton. ou seja.nem sempre da maneira mais eficaz. analisar uma imagem no contexto em que foi produzida. 80 -Brasil ) PCNs Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC-1999/Brasil) História da Arte Crítica da Arte Estética Produção Artística História da Arte Leitura da Imagem Fazer Artístico Contextualização Apreciação Produção Artística Portanto. ampliou de Leitura da Imagem para Apreciação. conforme quadro comparativo abaixo. Crítica de Arte e Estética transformaram-se em Leitura da Imagem. principalmente pela precária formação dos professores. os aspectos culturais. “a História da Arte. Barkan. Analisamos desse modo através das imagens. na Proposta Triangular. receitas prontas). Quando este se depara com a realidade. Estética e Produção Artística. Eisner déc 60 -Inglaterra/EUA ) PROPOSTA TRIANGULAR (Ana Mae Barbosa – déc. históricos e sociais que permeiam a produção de determinada imagem. O DBAE baseia o seu conteúdo em quatro disciplinas interelacionadas: História da Arte. o que fez com que as Universidades reformulassem seus currículos possibilitando o contato com a sala de aula em outras fases do curso não somente na última. papéis mimeografados. Sendo assim. Os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo MEC. em 1999 no Brasil. não é tratada numa 6 . adiando este contato para as fases finais do curso. de História da Arte para Contextualização e de Fazer Artístico para Produção Artística. Na adaptação feita para o caso brasileiro da Proposta Triangular. acaba apelando para alguma fórmula eficaz pelo menos para manter o controle da turma. e de que maneira esta se relaciona com nosso contexto atual. que pouco aproximam o futuro professor da realidade da sala de aula. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação prevê a ampliação da carga horária para os estágios.

O Vídeo e a Metodologia Triangular no Ensino da Arte. objetiva e interpretativa poderemos diminuir a distância criada entre o trabalho do artista e o entendimento do público em relação à produção artística”7. pois não existe uma leitura única e correta sobre uma imagem. Esta seria a definição primordial da releitura: uma nova leitura. a obra. de uma imagem. que deve ser reavaliado e adaptado conforme a realidade a qual será aplicada. mas sempre existirão múltiplas leituras possíveis. Ele agora poderá traduzir plasticamente o que não comporta apenas em palavras ou gestos. portanto a Crítica e a Estética. julgar e interpretar as qualidades das obras. reler. ou seja. pág. como seleção de materiais a serem utilizados. o contexto. suas interpretações no trabalho produzido. através de uma leitura crítica.abordagem puramente cronológica e sim contextualiza o artista e sua obra no meio sócio cultural”5. uma vez que necessitamos de uma primeira leitura para que possamos realizar uma nova leitura. da técnica entre outros. Porto Alegre: UFRGS: Fundação Iochpe. ao contextualizarmos as imagens. mas também deverá ser capaz de julgar e interpretar esta imagem. ler novamente. Deste modo. Mas acima de tudo devemos conceber a Proposta Triangular como um processo. escolha do tema. 7 7 . de uma obra. ao colocar suas vivências. restrita a imagem em si. Na Leitura da Imagem – Apreciação. Idem: 10. E a cada nova leitura irão surgindo novas e diversificadas interpretações. podendo assim aprender sobre os diferentes aspectos que envolvem este processo. Analice. Pode ser um novo olhar sobre algo já lido anteriormente. 1992. que derivou da Crítica de Arte e Estética (DBAE). onde entraria. 6 Idem: 10. destacamos “as habilidades de ver. Da leitura Antes de falarmos da releitura cabe definir o que entendemos por leitura. “histórica e culturalmente. Apreciar o todo. compreendendo os elementos e as relações estabelecidas no todo do trabalho” 6. a imagem lida. O aluno deverá estabelecer uma leitura não apenas formal. Essa nova leitura poderá ser verbal. Esta nova leitura não precisa necessariamente ficar restrita a produção artística. o aluno é colocado em contato com o processo de criação. 10. estabelecer uma experiência estética que transcende o objeto. No Fazer Artístico – Produção Artística. mental ou ainda uma nova experiência estética ao 5 PILLAR. a releitura.

Sendo assim leitura e releitura podem ser interpretadas por um “discurso silencioso”. A leitura de textos escritos nos permite aprender sobre determinado assunto. In: Estudos Avançados. ler as imagens? De que maneira? Seria pois um mero exercício de domínio e decodificação de códigos? Ou implicaria a leitura das imagens em uma leitura também subliminar. leitura da imagem é "construir uma metalinguagem da imagem. 8 GOULEMOT. Seria a releitura portanto. que para serem compreendidos em determinadas culturas precisam de um processo de "iniciação" dos indivíduos para identificar esses códigos.) ler é. mas falar a pintura num outro discurso. Mas para isso é primordial reconhecer os códigos de linguagem. Isto não é falar sobre uma pintura. a menos que este domine os códigos que permitam decifrá-lo.. portanto. Esta leitura pode ser silenciosa ou não. estamos reconhecendo através da visão o que está escrito.º 006/1993. pág. pág. e verbal somente na sua visibilidade primária" 9. portanto um fator cultural. reconhecer. explicar. constituir e não reconstituir um sentido”8. não faz sentido algum a um brasileiro. perceber. ou pintado. de saber. uma leitura mais atenta. 178. o que seria esta primeira leitura? O que é ler? Que implicações envolvem o ato da leitura? Podemos ler uma imagem? Ou ler restringi-se apenas a textos escritos? Ao ler. e não apenas produção artística. Podemos ainda atribuir outros significados ao ato da leitura como decifrar ou interpretar o sentido. Arte-Educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. 8 . às vezes silencioso. 9 BARBOSA. Ana Mae. algumas vezes gráfico. A leitura é. resultando ou não em uma produção plástica. Um texto em chinês. ou ainda “o que o artista quis dizer com tal obra”. para que um amontoado de letras e regras gramaticais façam sentidos. In. “Da Leitura como produção de sentidos”. Mas e as imagens? Podemos então. Se a releitura seria uma segunda leitura.identificarmos detalhes que possam ter passado despercebidos numa primeira leitura. Brasília: Estação Liberdade. por exemplo. subjetiva? Segundo Ana Mae Barbosa.. uma vez que possuímos diversificados códigos lingüísticos. está intrinsecamente ligado a aquisição de conhecimento. Não podemos esquecer que a leitura sempre será produção de significados. 108. procurando observar aspectos não lidos anteriormente. portanto. Jean Marie. Esta definição é importante quando encontramos muitos arte-educadores querendo que os alunos descubram “qual a intenção do artista ao produzir aquela obra”. “não é encontrar o sentido desejado pelo autor (.: Práticas da Leitura. Esse processo.

1990. descrevê-la. 12 13 PILLAR. isto porque a atividade de leitura supõe a compreensão do modo de construção seja de um texto ou de uma imagem"13 Se ler não é meramente decifrar. ou seja. Porto Alegre. mas inclui também uma leitura subjetiva. Mas como se apresentam estes elementos? Onde se apresentam. Projeto Cultural Arte na Escola. Analice Dutra. Leitura da Imagem. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n.º 007/1993. Emília. seria pouco produtivo para o processo de ensino-aprendizagem bem como para seus agentes envolvidos. etc. apreender informações.º 007/1993. ressurge na interpretação. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. uma aula onde fossem apresentados os elementos da linguagem visual como ponto. Porto Alegre. Cortez. linha. E para os não iniciados na arte de decorar restam alguns recursos de emergência tais como a calculadora. equivaleria a decorar a tabuada. Do mesmo modo com relação às Artes. P. A autora destaca ainda que os pesquisadores do Projeto Zero de Harvard consideram a leitura “uma atividade simbólica tão importante quanto a produção artística porque ela é que possibilita interpretar as imagens”11. no ato da leitura. ler não é decifrar. ler é compreender. que fundamentados em Kant e na teoria construtivista de Piaget. “numa visão construtivista. para o sujeito se apropriar de um determinado objeto de conhecimento ele constrói representações e as interpreta. E para aqueles que não memorizaram todas as 10 PILLAR. interpretála.Segundo Analice Dutra Pillar. O que foi excluído. Analice Dutra. decompô-la para aprendê-la enquanto objeto a conhecer” 10. pág. 1985. 11 Idem. 1. Devemos ensinar a ler e não a decorar a tabuada ou o alfabeto para posteriormente repeti-lo mecanicamente sem maiores significações para o aluno. As representações possuem algumas propriedades dos seus referentes e excluem outras. Projeto Cultural Arte na Escola. no entanto. São Paulo. Para estes pesquisadores. 'não equivale a reproduzir com a boca o que o olho reconhece visualmente'12. 55. ou mesmo a contagem com o auxílio dos dedos. FERREIRO. ler uma imagem seria “compreendê-la. 9 . 1990. na História da Arte e no cotidiano dos alunos leitores? Avaliar a quantidade de variações de linhas que o aluno é capaz de (re)produzir. a leitura é uma atividade complementar a produção. Reflexões sobre alfabetização. Assim. Leitura da Imagem. pág. selecioná-las e reconstruir o objeto analisado. uma leitura do processo de construção de um texto/imagem. o não domínio dos códigos da linguagem visual determinaria a impossibilidade de ler estas mesmas imagens? Acreditamos que não. estudos de cores. 1.

Assim. Precisamos reverter o conceito de que estudar não significa memorizar dados e sim compreender processos14. Como ela vai assimilar então centena e milhar se só foi a ela permitida aprender contar até 30? Outro processo de simplificação é o de começar a ensinar a ler pelas unidades mínimas do alfabeto. experiências relacionais com o mundo das imagens. através de suas vivências. ou ainda nas palavras de Hernández. reflete um processo de simplificação. Segundo Fernando Hernández. Tese de Doutorado. Este processo de simplificação está presente nas escolas de um modo geral e em outras disciplinas. para depois chegar no todo. 1998. restam os manuais de leitura de imagem ou uma visita guiada ao museu. além de Artes. Restringir o aprendizado em Artes a um mero domínio dos fundamentos da linguagem visual. com o tema "Trabalhos por Projetos”. que possa estabelecer 14 RAMALHO e OLIVEIRA. as crianças da 1ª série do ensino fundamental só aprendem contar até 30 . Mesmo porque atribuímos à leitura de imagens. ou a virada do milênio para o ano 2000. Se podemos ler uma imagem sem o domínio prévio dos códigos seria importante reavaliar os processos de aprendizagem em Artes que priorizam o domínio dos fundamentos da linguagem visual. Do mesmo modo não estaríamos subestimando nossos leitores aos lhes impor uma aprendizagem que passe primeiro pelo domínio dos códigos para posterior leitura da imagem? É sabido que não devemos considerar nosso aluno uma “uma folha em branco”. Estaríamos subestimando. caindo nas leituras meramente formais esvaziadas de significados.variações possíveis de retas. 15 Em palestra proferida na UFSC. descontextualizados de suas funções. não é do mais simples que se chega ao complexo".quando a televisão divulga as comemorações dos 500 anos de Brasil. 24. consoantes. vogais. o que provavelmente resultaria em uma leitura superficial da imagem. isto graças a Psicologia principalmente com Piaget que determinou a capacidade de apreensão das crianças conforme a idade” 15. Neste sentido determinamos o que ensinar a nossas crianças conforme sua "capacidade" de aprender determinado assunto. Pág. em 01 e novembro de 1999. "o complexo já está no simples. no mais complexo. 10 . Leitura de Imagens para a Educação. "infantilizando as crianças. São Paulo. planos. um significado mais amplo do que a mera decodificação de códigos. orações. etc. Sandra R. Defendemos aqui a formação de um cidadão que por sua capacidade crítica. juízos de valor. texturas. cores. na formação de palavras. ritmos. linhas e superfícies. de atribuir significado. PUC. ou seja. possui o poder de emitir opiniões. O autor defende ainda que o que os alunos podem ou não podem compreender em determinadas séries é questionável. pontos.

Brasília: Estação Liberdade. quer dizer. interpretar baseado nos seus conhecimentos previamente adquiridos. In. A leitura implica ainda em uma interpretação. como qualquer outra área de conhecimento. ler nas entrelinhas. Leitura de Imagens para a Educação. Além disso. a memória de leituras anteriores e de dados culturais”17. Creio que para os não iniciados no âmbito das Artes. o que desconsideraria a bagagem que o aluno já possui. São Paulo. portanto uma experiência estética. plano. captar o significado oculto das formas. Defende ainda que “é um processo que necessita. como os elementos se organizam para gerar significação.: Práticas da Leitura. portanto possui códigos específicos para ser apreendida. Caso contrário. com a imagem. alguma interpretação para a imagem a qual estão sendo apresentados. Conhecimentos estes. etc. 17 GOULEMOT. Em Artes Visuais. portanto. 22. Sandra R. “ler será. 1998. um primeiro contato com a obra. Se considerarmos que a Arte é uma linguagem e que. Pág. ou seja. decodificar esta imagem através de seus códigos específicos. Segundo Goulemot . é possível que tenham. não se restringem especificamente a conceitos e conteúdos do âmbito das Artes. fazer emergir a biblioteca vivida. pág. A esse respeito RAMALHO E OLIVEIRA. de procedimentos pedagógicos para conduzí-los”16. contribuindo assim para a elitização da Arte se considerarmos que só é capaz de ler uma imagem aquele que domine os códigos de apreensão desta linguagem. Afinal "ninguém ignora tudo. PUC. não aparentes. Mas seria a leitura de uma imagem meramente o reconhecimento destes fundamentos? Sabemos que não. é necessária a regra de articulação. cores. Tese de Doutorado. que no caso das Artes. 113. Jean Marie. uma leitura subjetiva dos dados. 11 . linha.uma primeira leitura. interpretar. Se esta leitura puder ser mais aprofundada tanto melhor será para seu leitor fruidor. dos códigos apresentados.). entendemos por estes códigos específicos os Fundamentos da Linguagem Visual (ponto. Ninguém sabe 16 RAMALHO e OLIVEIRA. um leigo jamais seria capaz de ler uma imagem. Ou seja. E o que carecemos justamente é de uma educação estética que leve a níveis mais aprofundados de leitura. apresenta um estudo esclarecedor onde propõe justamente o ensino dos códigos e não a alfabetização dos códigos. que ele se permita a num primeiro momento estabelecer suas próprias relações e significados. “Da Leitura como produção de sentidos”. é possível que sejam capazes de esboçar algum sentido. o conceito de leitura de uma imagem ou de uma obra de arte seria o ato de decifrar. Daí a justificativa do ensino de arte.

In. mais da cultura visual como um todo e que seja capaz de interagir criticamente neste contexto "isto porque a leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo. Pág. Cortez. A Importância do Ato de Ler. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. fruidor. Ana Mae. In: FREIRE. 1999. interpretar. de produção de significado. pág . desenvolver a capacidade de formular hipóteses. pág. compreender o seu contexto. A Imagem no Ensino da Arte. ou os fundamentos da linguagem visual. E ainda segundo Ana Mae Barbosa. a escrever. 241. é que.tudo. 19 Barbosa. história da arte. de estética e de crítica de arte”21. é desconsiderar sua bagagem histórico-cultural. 1999. não numa manipulação mecânica de palavras. “o importante não é ensinar estética. 20 SEVERINO. julgar. seria contribuir para esta manipulação. Todos nós ignoramos alguma coisa"18. Ana Mae. 18 FREIRE. Cortez. iniciar seu aluno neste processo. Antônio Joaquim.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. São Paulo: Perspectiva. contribuindo assim para ampliar o abismo que separa cidadãos comuns do acesso a Arte. Todos nós sabemos alguma coisa. Esse discurso reproduz uma ideologia onde exclui os não iniciados neste processo. A Importância do Ato de Ler. Segundo Ana Mae Barbosa. significar a linguagem do mundo cabe ao (arte) educador. estes pobres serão mais facilmente manipulados"19. sobre a leitura de uma dada imagem. conhecer. do mundo em que está inserido. 12 . mais do que conhecer técnicas. E aprender a ler. São Paulo.. 64. 21 BARBOSA. que lhe permite estabelecer relações entre a imagem lida e suas vivências. antes de tudo. (. mas. Analfabetos da palavra. 8. 4ªed. Paulo. não só no campo das artes visuais. 1995. São Paulo. os pobres precisam somente aprender a ler. Para diminuir este abismo. em três artigos que se completam. escrever e contar. a alfabetizar-se é. justificar e contextualizar julgamentos acerca de imagens e de arte. mas só nós sabemos. em três artigos que se completam. artistas. "sonegação de informação das elites para as classes populares é uma constante no Brasil. Para isso usa-se conhecimentos de história. 1999. mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade"20 Perceber. cabe a Arte Educação.) segundo eles. formar um cidadão leitor. 69. Paulo. assim. O que eles não dizem. história e crítica de arte. condená-los a analfabetos da imagem artística por considerá-los incapazes de leitura. certamente não são analfabetos da imagem. Ignorar que os não iniciados sejam capazes de emitir alguma opinião. aprender a ler o mundo. pág..

1998. Pág. 40.Ler antes de tudo é um ato de cidadania. a alfabetização para leitura da imagem é fundamental e a leitura da imagem artística humanizadora" 24. "Abordagem Triangular não é receita pronta". Leitura de Imagens para a Educação. 22 Idem. decorar a tabuada. tomando-se como ponto de partida algumas iniciativas onde se busca a leitura de textos do cotidiano do aluno. 25 RAMALHO e OLIVEIRA. Tese de Doutorado. compreender o contexto ao qual se está inserido é antes de tudo um ato político "a aprendizagem da leitura e a alfabetização são atos de educação e educação é um ato fundamentalmente político" 22 O domínio dos códigos de linguagem. 1995. "num país onde os políticos ganham eleição através da televisão. entenda-se aqui por analfabetos não só os que não sabem ler e escrever. incluem-se também. Sandra R. 3. O que de mesmo modo se aplica no caso das Artes ao ampliarmos o conceito de imagem como sendo “toda e qualquer imagem estética produzida pelo homem. em leitura da cultura visual. PUC. além das manifestações do código visual. quando repassados de maneira superficial privilegiam alguns grupos e excluem outros. 23 RAMALHO e OLIVEIRA. 13 . Leitura de Imagens para a Educação. Tese de Doutorado. Pág. empurrando-lhe os fundamentos da linguagem visual. musical e mesmo o verbal”25 Mas se estamos aqui falando em leitura do contexto. cabe reavaliarmos nossa prática pedagógica onde a leitura ficou restrita a reproduções fixas de obras de arte em sala de aula.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. mas os que não conseguem realizar uma leitura crítica do mundo que os cerca. PUC. Estas imagens são em sua maioria figurativas. 24 Barbosa. Isso talvez ocorra porque há uma distância significativa entre a maioria das cartilhas e a realidade de nossos alunos. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. Sandra R. P 240. Ana Mae. Assim têm-se a ilusão de que o aluno é capaz de realizar uma leitura de uma imagem. In. Ou seja. 1998. Igualmente cria-se a falsa ilusão de que estamos alfabetizando nossos alunos quando vemos na verdade cada dia mais diminuírem os níveis de conhecimento de Língua Portuguesa23 Isto contribui para aumentar a massa de analfabetos deste país. seja ela uma obra de arte ou não. aquelas pertencentes aos sistemas cênico. Talvez este quadro possa ser revertido. São Paulo. não apenas da Literatura oficial. São Paulo.

quais são seus objetivos. tanto melhor para o aluno e para o professor. E também RAMALHO e OLIVEIRA. 14 . 1998. Dentro da Proposta Triangular. linhas. Sandra R. Na inexistência de museus próximos. mas de qualquer outra imagem que lhe atribua significação. Leitura de Imagens para a Educação. São Paulo. ao fazer. pontos. etc. planos. sem produção. e para o aluno que descobrirá uma maneira prazerosa de interpretar a realidade em que vive. ao tratar de imagens que o aluno estará vivenciando em tempo e espaço real. Fernando. a produção. PUC. Agora. Da releitura Antes de entrarmos no mérito da releitura convém esclarecer o que é o Fazer Artístico um dos eixos da Proposta Triangular. Os próprios alunos estranham e cobram do professor quando elaboramos uma aula teórica. pode-se colocar o aluno diante da leitura do mundo. (. para a introdução de imagens no aprendizado da Arte. mas não deve ser o único momento em uma aula de Artes. Porto Alegre: Artes Médicas: 2000. e Projeto de Trabalho. de seus diferentes materiais e instrumentos. ao artelier. o Fazer Artístico é encarado como “interpretação e representação pessoal de vivências numa linguagem plástica. Mudança Educativa. Para o professor que poderá atingir seu público com mais eficácia. O aluno ainda perceberá que poderá ter uma experiência estética não apenas diante de um quadro. e onde entra a releitura neste contexto.. E a imagem móvel? O cinema? E a fotografia? E as paisagens urbanas? E a televisão? As novelas? E a cultura visual que nos rodeia? Como ler estes e outros textos que nos rodeiam?26 Ana Mae Barbosa contribuiu e muito com o seu trabalho "A Imagem no Ensino da Arte". Sendo possível a visita ao museu. Tese de Doutorado.porque assim é mais fácil decodificá-las detectar. e análise de reproduções ao mesmo tempo. das imagens do cotidiano do seu contexto. Cultura Visual.) a produção associada às imagens pode colaborar para a construção de formas com 26 A este respeito ver HERNÁNDEZ. As aulas de Arte parecem estar quase sempre associadas ao Fazer Artístico. porém cabe ampliar este leque de textos passíveis de serem lidos.. Na verdade a produção faz parte.. quando possível.(..) é somente através do fazer que a criança e o adolescente podem descobrir as possibilidades e limitações das linguagens expressivas. Faz-se necessário colocar o aluno diante da obra e não apenas da reprodução.

e que tem por ações básicas: Apreciar Assistir Escutar Ler Contemplar Fazer (inclui) Encenar Atuar Cenografar Iluminar Musicar Dançar Coreografar Interpretar Compor Reger Performar Escrever Publicar Instalar Pintar Desenhar Gravar Imprimir Esculpir Modelar Construir Fotografar Expor Filmar Montar Exibir Contextualizar Continente País Estado Cidade Bairro Família Etnia Línguas Credos Faixa etária Gênero Ideologias Temas Etc. Christina Rizzi. fazendo. ao mesmo tempo em que estimula o pensar sobre a criação visual ”27 Como o aluno poderá perceber “as possibilidades e limitações das linguagens expressivas”. Literatura de variados gêneros. o Fazer está relacionado com a aprendizagem da História da Arte e a Leitura de Imagens. que se relacionam na construção do conhecimento. Música. nos propõe um esquema bastante esclarecedor. meios. Com relação ao Fazer Artístico. artistas. qual será o perfil do Arte Educador? Um sujeito polivalente que transitaria com maestria por todas as áreas? Qual 27 PILLAR. Música. Dança. apenas olhando reproduções de obras de arte. reforçado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. escolas. Segundo este esquema a Arte envolveria não só as Artes Visuais mais ainda Teatro.maior força expressiva. pág. 1992. ou lendo sobre História da Arte? Observamos então que na Proposta Triangular. procedências. Se entendermos por Arte. Dança. que deve ser assimilado como exercício e não como um quadro definitivo e completo. Aprender a fazer. Teatro. 15 . Analice Dutra. O vídeo e a Metodologia Triangular no ensino da Arte. 8. Literatura e Artes Visuais. História da Arte Crítica e estética Corresponde ao campo das práticas artísticas Bastante diversificado este quadro nos coloca diante de mais um problema da Arte Educação. períodos. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Fundação Iochpe.

Esta proposta ainda sugere que professor deva levantar com os estudantes algumas questões sobre o artista e seu trabalho. e . Artes Plásticas. . ou seja. equipamentos e técnicas”. .desenvolver qualidades pessoais requeridas para um trabalho artístico com sucesso. Porque? Para que fazer uma gravura? Para conhecer a técnica? Para estudar luz e sombra? Para conhecer os primórdios da imprensa? Para conhecer a técnica utilizada por determinado artista? Para fazer pesquisa de matrizes possíveis de serem gravadas? Para conhecer a Literatura de Cordel do Nordeste brasileiro? Temos aqui várias entradas que possibilitem a construção do conhecimento em Artes. com uma habilitação por semestre? Ou estaríamos aqui falando em uma escola ideal com um professor para cada habilitação? O MEC (Ministério da Educação e Cultura). Isto inclui as histórias culturais das quais os artistas tiraram inspiração e idéias"28. estudadas e experimentadas: “. É o que nos propõe o DBAE (Disipline-Based in Art Education).apreciar as contribuições de um trabalho artístico feito por seu treinamento artístico e experiência. e compiladas no material de apoio distribuído no curso de verão oferecido pelo Savannah Institute for Education in the Arts. corresponde a disciplina do art-making. um Fazer Artístico fundamentado em questões que orientarão este fazer. "o criativo processo através do qual os artistas produzem imagens em vários materiais produzindo efeitos visuais desejados".familiarizar-se com uma ampla variedade de materiais artísticos. paciência. pág. . propositor dos Parâmetros. No DBAE. e apontar saídas para que em última instância o aluno não seja prejudicado com esta polivalência. O objetivo deste fazer tem que estar bem claro para o professor. Dança. aprendendo sobre suas vidas e suas contribuições para a sociedade.aprender como expressar idéias e sentimentos em formas visuais.seria então sua formação? "Artes ". tais como referentes aos materiais. Entre elas: 28 Estas idéias foram extraídas do "The DBAE Handbook" de Stephen Mark Dobbs. enquanto os alunos estão praticando.aprender sobre tradições do artesanato. ferramentas. .entender a motivação dos artistas. Destacamos algumas das muitas facetas da Produção Artística que podem ser exploradas. que estabelecem como sendo Artes – Música. tais como persistência. desenvolvendo suas habilidades no fazer artístico. deverá entrar em acordo com escolas. 16 . em julho de 1997. o Fazer Artístico denominado "Art Production". 22. Teatro. e atitudes tidas pelos artistas sobre seus trabalhos. e auto crítica. Além deste alerta o quadro aponta as múltiplas formas possíveis do Fazer Artístico.

Temos que ampliar o conceito de Fazer Artístico que por anos ficou associado a prática da releitura. portanto. o que é muito comum. e o produto final consistente com os altos padrões da obra de arte? . e 5) contextualizar/ fazer/ apreciar30.“. na livre-expressão. orientado por questões básicas que poderão ser reformuladas pelo professor conforme os objetivos traçados anteriormente com seus alunos. Pode partir da representação de um dos aspectos da contextualização. O Fazer Artístico. 1995. a biografia. e orientado por questionamentos que instiguem o aluno a produzir algo.Que mudanças podem ser feitas para fortalecer o trabalho? "29 Temos assim um Fazer fundamentado. uma variação ou uma idéia já estabelecida ou uma repetição do trabalho de alguém? . e na cópia. Outro equívoco a ser esclarecido é o fato do fazer artístico constituir a última atividade dentro da Proposta Triangular. ou como veremos mais adiante partir dos referenciais do artista (máscaras africanas que inspiraram Picasso). contextualização e por último o fazer artístico.Quais são os passos envolvidos em modelar um determinado material e a aplicação de técnicas para produzir uma composição artística?”. A motivação. Christina. Quando na verdade existem outras cinco sequências possíveis: 1) fazer/ apreciar/ contextualizar. ou partir de algum aspecto interior ou exterior a ela. Pág. Deixar claro para o aluno o que é uma releitura. não tem que obrigatoriamente partir da obra que foi lida anteriormente. 17 . por exemplo.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. e a refletir sobre sua prática artística e que nesse processo ele seja capaz de emitir algum juízo crítico sobre o que lhe foi proposto. 2) apreciar/ fazer/ contextualizar.O trabalho é bem feito. Este vício ficou formatado no trinômio: leitura (apreciação). 29 Idem: 22. depois da Leitura e da Contextualização. 3) contextualizar/ apreciar/ fazer. Assim não caímos no fazer por fazer. 30 RIZZI. anteriores a obra. como o contexto histórico. 4) fazer/ contextualizar/ apreciar. o movimento artístico entre outros. Temos que deixar claro para o aluno o que está sendo proposto. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. . 246. E não simplesmente deixar uma reprodução de uma obra na frente do aluno com uma folha em branco na mão e pedir que ele faça uma releitura. portanto pode partir da obra lida. In. "A Proposta Triangular do Ensino da Arte neste 'Último Período da Era da Escrita Impressa'". Este Fazer deve estar bem fundamentado.A idéia do artista é nova.

uma nova forma de representação. o que já foi lido muda de sentido. Jean Marie. O importante é “que o professor não exija representação fiel. temos aí a cópia. contando para isso com a autonomia que cerca a prática pedagógica dos professores de Artes da Escola Técnica. pelas professoras de Artes da Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Gizely Cesconetto e Valeska Bernardo. pág. Reler uma obra subentende adquirir conhecimento sobre o artista e a contextualização histórica. 116. O produto final da releitura pode levar ou não ao reconhecimento da obra escolhida. portanto. um novo significado. uma nova leitura. Não é cópia. Brasília: Estação Liberdade. pois a cada leitura estamos modificados. em Florianópolis. Releitura no sentido do Fazer Artístico significa fazer a obra de novo acrescentando ou retirando informações. pois a obra observada é suporte interpretativo e não modelo para os alunos copiarem”32. torna-se outro”31. A releitura seria. 4ªed. novembro de 1999. É uma nova visão. Sendo assim. e 31 GOULEMOT. 107. Se ao contrário identificarmos neste novo texto. A Imagem no Ensino da Arte. é colocar sua visão do mundo. temos então uma releitura. sua linguagem e suas experiências sobre a obra escolhida. que se amplia a cada nova leitura. em Jacareí/SP. pág. adquirimos outros conhecimentos. Ana Mae. uma nova leitura sobre a obra já existente. um novo texto. Se apresentar como resultado a reprodução da obra escolhida. suas críticas.: Práticas da Leitura. nesta releitura. Pois a cada leitura vamos ampliando nossa significação do objeto analisado. vivenciamos outras experiências. 32 33 BARBOSA.Mas o que seria então a releitura? Seria uma nova leitura sobre o texto anteriormente lido. esta parceria encontra agora subsídios necessários para ser ampliada. mas ganha diferentes versões a cada vez que é efetuada pelo intérprete. uma nova construção. São Paulo: Perspectiva. In. “a cada leitura. com uma técnica diferenciada. ampliamos nossa bagagem cultural. 1999. Podemos então definir a releitura. É como uma música que pode ser cantada por vários intérpretes. Artes Plásticas no Ensino Médio da Escola Técnica Federal de Santa Catarina33 Artes Plásticas e Ensino Técnico: seria esta uma parceria possível? Incompatíveis no passado recente da história da Arte Educação brasileira. Ela foi elaborada por um compositor. Reler é interpretar a obra. a uma releitura. Uma versão preliminar do presente artigo foi apresentada na forma de comunicação por ocasião do III Congresso Internacional de Arte e Ensino. uma leitura nunca será igual a outra leitura. “Da Leitura como produção de sentidos”. como uma atualização do olhar que se transforma. e ainda no X Encontro Técnico da Rede Arte na Escola. novos elementos que foram acrescentados ou retirados. outubro de 1999. E é este novo texto que diferencia uma releitura de uma cópia. Deste modo. 18 . por exemplo.

19 . A teoria. nada mais justo e louvável que as Artes tenham retomado fôlego. A Escola cumpre ainda uma função social. pois se tem a consciência de que a Escola é pública e público deve ser o ensino. a Banda. O tempo escasso para desenvolvermos um projeto mais aprofundado fez com que lutássemos pela ampliação da carga horária. no primeiro semestre do ano 2000. A instituição ETF/SC enquanto escola pública. Atualmente a Escola passa por um processo para tornar-se Centro Federal de Educação Tecnológica. Hoje o sistema ETF/SC é formado pelas Unidades de Florianópolis (Sede). de São José e Jaraguá do Sul (unidades descentralizadas).ainda com uma boa dose de força de vontade e persistência. que teve por principal objetivo desvincular o significado releitura como sendo cópia. Antes. cada fase equivale a um semestre letivo. gratuita e de qualidade. bem como pela avaliação periódica de seus cursos e a criação de outros que venham ao encontro das necessidades da sociedade catarinense. Numa escola que já abrigou em seu quadro docente o artista plástico catarinense Franklin Cascaes. possibilitando o acesso de pessoas com baixo poder. portanto aplicada na prática. ao longo da história possuiu várias outras denominações até que em 1968 passou a chamar-se Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Tais atividades têm divulgado o nome da Escola e ampliado o conceito da mesma perante a comunidade local e do próprio estado. o Teatro e as Oficinas de Artes. o que contribuiu significativamente para a divulgação e ampliação da Arte no Ensino Técnico. principalmente a partir de 1998 com a criação das Oficinas de Artes. desenvolvido ao longo de um semestre. denominada como Escola de Aprendizes e Artífices. A Escola tem como missão “gerar e difundir conhecimento tecnológico e formar indivíduos para o exercício da cidadania e da profissão”. Sendo assim. já que todas as atividades na área de Artes são oferecidas gratuitamente. porém vamos conhecer as origens. o aluno tem as seguintes opções: Artes Plásticas e Música. na disciplina de Artes. e o contexto institucional que permitiu tal prática. As aulas curriculares são ministradas nas turmas de primeira fase do Ensino Médio de nossa escola. Atualmente. A vinculação com o mundo do trabalho é garantida pela sintonia constante com as transformações e avanços no campo tecnológico. entre outras. oferece e desenvolve cursos de qualificação/requalificação de profissionais. Fundada em 23 de setembro de 1909. Vamos conhecer agora um pouco desta prática que culminou em um projeto. Uma das formas de integração da Escola com a comunidade acontece através da realização de atividades como o Coral. O espaço é aberto a todos.

que atendem a Escola (funcionários. criação de poemas. professores e alunos) e a comunidade em geral. a responsabilidade e outros valores necessários para a formação de um cidadão consciente. Nesse sistema o professor orienta o aluno sem se impor. palestras e resenhas. gravura. onde se desenvolvem atividades como dramatização. culminando com o Festival de Teatro que contou com a participação de um grande número de grupos de teatro de escolas públicas e particulares de Florianópolis. a honestidade. falecido em 10/12/98. entre outros. Além da disciplina curricular. pela artista Marlene Karin Werner. inspirada e não copiada de outros artistas. desenho. o senso crítico. proporcionando a todo o corpo discente um contato contínuo com as artes cênicas. este último com 20 anos de serviços prestados à comunidade escolar estendendo-se a todo o estado de Santa Catarina. Destacam-se ainda a Banda e o Coral. Outra atividade que vem se destacando desde 1998 são as Oficinas de Artes. Um evento importante que resultou em uma grande Mostra de todas as atividades culturais e artísticas desenvolvidas na escola foi o “Estação das Artes”. Outra opção já aprovada e em fase de implantação é a opção por Artes Cênicas.contaremos com a disciplina de Artes em duas fases. a autocrítica. desenhos. O envolvimento do aluno é total. Junto à Mostra foi homenageado o poeta catarinense Lindolf Bell. a mostra denúncia do 20 . demonstrando técnicas e dando dicas que irão enriquecer o seu trabalho plástico. Dentre as homenagens destacou-se a apresentação dos alunos da ETF/SC com a peça “Menor que meu sonho não posso ser”. entre outros. a ETF/SC conta ainda com o trabalho do Grupo Teatral “Boca de Siri”. constituindo assim a terceira opção para os alunos de primeira fase. que participou de modo determinante na divulgação da poesia em todos os campos. a interpretação plástica da obra poética “As Annamárias”. criado em 1995 com a proposta de “humanizar” o ensino técnico. que se desenvolvem sob o sistema de ateliers onde incentivamos o aluno a desenvolver uma linguagem própria. O Projeto Estação das Artes concretiza toda a labuta desenvolvida. numa demonstração valiosa do talento e força de vontade dos alunos envolvidos. sendo o fundador do movimento Catequese Poética e Corpoemas. sugerindo leituras. poesias impressas em camisetas. pois tais atividades propiciam a reflexão. São oferecidos cursos de pintura. O aluno participa com sugestões. o auto conhecimento. A iniciativa partiu do projeto de português “Vivendo Prazerosamente a Leitura”. gravações em vídeo. reportagens. decidindo em grupo a obra a ser lida e como será a apresentação perante a turma. que aconteceu em julho de 1999.

Fizemos a leitura da obra e em seguida partimos para a releitura. de amizade. Iniciamos com uma aula expositiva sobre o Cubismo. de conflitos e de construção e afirmação da personalidade. ou falta de educação e saúde. negação dos direitos. Instigamos os alunos a identificarem sua verdadeira identidade sem a utilização de máscaras. não podemos restringir o fazer artístico à releitura. Utilizamos como motivação à prática da releitura as máscaras africanas. de profissão. Pensando nisso. entre outros. A partir de sua vida e obra chegamos ao ponto marco do Cubismo que foi a obra “Les Demoiselles d’Avigon”. O projeto. Essa diversidade cultural e artística constitui-se em fonte preciosa para o desenvolvimento do projeto que veremos a seguir. período de intensas mudanças físicas e psicológicas. trabalhamos no primeiro semestre de 98 com um projeto que culminou na realização de releituras de obras de artistas plásticos escolhidos pelos alunos. destacando o contexto histórico. o contexto histórico e o fazer artístico por vezes esbarram na própria má formação dos professores. Na prática artística o aluno dividiu a máscara em duas faces. as características principais do movimento e os principais artistas. Isso refletiu positivamente nos resultados. metodologicamente. Nossos alunos são adolescentes na faixa etária de 14 a 16 anos. Os trabalhos desenvolvidos pelos alunos das Oficinas de Artes também estavam expostos. Nesse intuito. seja de violência. uma vez que percebemos que o ser humano está habituado a utilizar-se de máscaras conforme os seus relacionamentos: de família. que ainda confundem releitura com cópia. correspondendo cada 21 . Do Projeto: Releitura não é cópia Amplamente divulgado no Brasil pela professora Ana Mae Barbosa. Nos detivemos no artista Pablo Picasso. Garantimos assim uma prática criadora onde o aluno conseguiu se afastar da cópia. por seu destaque dentro do movimento. colocamos também como proposta ao desenvolvimento das máscaras os questionamentos “quem sou eu” e “como eu gostaria de ser”. apresentou-se em duas etapas: a primeira etapa serviu de orientação para o trabalho que os alunos desenvolveriam posteriormente. destacamos como tema gerador os referenciais africanos utilizados por Picasso. que tem por objetivo sensibilizar todos os moradores de Florianópolis e região para os graves problemas que vêm acontecendo. Além disso. Para a confecção das máscaras utilizamos a técnica do balão com jornal e cola. A leitura da imagem. Na releitura. a Proposta Triangular vem sendo aplicada pelos professores de Artes nem sempre da maneira mais produtiva.Grupo Pandorgas Partidas da UFSC.

O detetive tem como pistas os quadros pendurados nas paredes entre eles o auto-retrato de Van Gogh. fatos sociais. cores. Destaca-se ainda o contorno do corpo do artista estendido no chão. objetos. de Vincent Van Gogh. destacando suas principais características. Chamamos essa segunda etapa de “Trabalho Teórico-Prático sobre os Movimentos Artísticos”. Resgatamos aqui o significado de releitura discutido anteriormente. quando aconteceu e onde). artistas e obras. principais obras e características do estilo). Nesse trabalho os alunos mesclaram informações e novas tecnologias. portanto da técnica utilizada pelo artista. Os alunos escolheram um artista pertencente ao movimento. o projeto como um todo resultou em dois trabalhos práticos: o da primeira etapa (as máscaras) e o da segunda etapa. aonde o investigador chega na cena do crime e encontra o registro do local 22 . instalações. Neste momento esclarecemos que releitura não é cópia. diferenciando. como a utilização de personagens de história em quadrinhos. A Segunda etapa iniciou-se com uma exposição resumida (através de textos e imagens) dos movimentos artísticos do Neoclássico à Pop-Art. esculturas. que requer uma nova interpretação da obra escolhida. típica cena do cinema policial americano dos anos 90. portanto refiro-me aqui sem a conotação de cópia. econômicos. inserir texturas. que teria sido sua última obra antes de cometer suicídio. Na parte teórica os alunos caracterizaram o movimento (qual o movimento. tendo como referencial a primeira etapa. onde os alunos apresentaram uma versão em Corel Draw (Figura 3). e foi estimulado a utilizar diversas linguagens plásticas. materiais de sucata etc. infoarte entre outros). bem como a obra “Campo de trigo com corvos”. uma gravura japonesa (referenciais do artista). datas. e que. fazendo antes uma leitura da imagem descrevendo as suas características gráficas e simbólicas. Os alunos contextualizaram. as releituras baseadas nos Movimentos Artísticos (pinturas. happenings. O argumento utilizado pelos alunos foi o suicídio do artista no seu próprio quarto.uma aos questionamentos “quem sou eu” e “como eu gostaria de ser” (Figura 1). com manchas de sangue ao redor. políticos e culturais. o que acontecia no Brasil e no mundo naquela época. sendo investigado pelo personagem (detetive). Como exemplos da segunda etapa destacamos a releitura da pintura a óleo “O Quarto de Van Gogh em Arles” (Figura 2). do qual deveria destacar vida e obra (pequena biografia. Através dessas informações os alunos divididos em grupos escolheram um desses movimentos artísticos para trabalharem. Na parte prática os alunos selecionaram uma obra do artista escolhido e realizaram uma releitura. Portanto.

23 . Notamos também que nem todos os 34 NÉRET. Quando perceberíamos já estaríamos no sonho. sonho ou fantasia. fragmentada. Alemanha: Taschen. Destacamos ainda que elaboraram um roteiro fictício (suicídio do artista no próprio quarto com posterior investigação). mas chegando à Gare de Perpinhão dá-se uma verdadeira ejaculação mental que atinge então a maior e mais sublime eminência especulativa"34 Os alunos atribuíram a sua releitura o nome de "Portal" (Figura 5). 88. Na avaliação deste projeto destacamos a criatividade dos alunos. ao mundo dos sonhos e da realidade. Esse vai e vem acaba sendo reforçado pelos aspectos plásticos da releitura. Essa passagem seria tão rápida e. formando um quadrado maior como num mosaico. Salvador Dalí. que estabeleceu o elo de ligação com todos os elementos da composição. por onde a parte física pode 'olhar' sem perigo permitindo que lembremos dos sonhos e pesadelos ao acordarmos”. que no Fazer se identificaram enquanto grupo de adolescentes que comungam de anseios semelhantes e como estes se relacionam e constróem sua própria identidade. Há quem acredite que a mão contém o segredo da nossa alma. e as próprias palavras de Dalí. como a mão e o olho. Gilles.onde foi encontrado o corpo. No exemplo seguinte os alunos apresentaram uma releitura da obra "A Gare de Perpinhão" (1965) de Salvador Dalí (Figura 4). consequentemente. da obra de Van Gogh e anterioridades vividas pelos alunos. reforçando a dúvida entre ficção e realidade. Na primeira etapa percebemos que os questionamentos “quem eu sou” e “como eu gostaria de ser” provocaram mais respostas acerca dos biótipos. Observamos que os alunos transcendem a imagem da Gare. Na verdade a alma abre uma janela ao cérebro. estabelecendo de maneira poética uma nova leitura da obra de Dalí. Já alguns kilômetros antes. "a Gare de Perpinhão é umbigo do universo. 'é sempre na Gare de Perpinhão. 1996: pág. Segundo estes alunos: "O Portal seria a entrada para o lugar que chamamos de sonho. atribuindo significados a elementos simbólicos na releitura. Percebemos então uma mescla de referências. Nesta releitura temos uma instabilidade constante. um ir e vir. em Bolou. que me ocorrem as idéias mais geniais da minha vida.. criando um discurso próprio. A imagem refletida nesses cacos de espelhos é dúbia. o meu cérebro começa a pôr-se em movimento. como pequenos quadrados de espelho dispostos no centro do quadro. ele representa a falta de perigo ao estar no mundo dos pesadelos. imperceptível para nós. por esse motivo está no quadro a representação de um olho na parte inferior do quadro. Para Dalí..

Na segunda etapa. principalmente. vida e morte. os resultados apresentados nos mostraram que os alunos compreenderam o significado de reler uma obra. desenvolvendo as máscaras somente com a temática dualidade. pobreza e riqueza. onde se trabalhou a releitura dos Movimentos Artísticos. felicidade e tristeza. por exemplo: amor e ódio. entre outros. 24 . Como representação prática apresentaram resultados diversos e.alunos aceitaram trabalhar estes questionamentos. distintos dos exemplos do artista escolhido.

Reavaliar. recriar. a prática pedagógica precisa estar bem fundamentada para termos um aprendizado consistente e consciente em Arte. É preciso planejar e reavaliar constantemente nossa prática pedagógica. E é assim que crescemos e construímos uma prática pedagógica mais consciente e eficaz. É preciso termos coerência entre conteúdos e metodologias. É importante salientar que as mesmas estão sendo constantemente reavaliadas por seus propositores. ao reelaborarmos. Não tenho a pretensão de encerrar a discussão neste texto.Reler. É necessário ter bem definidos os objetivos do ensino. mas continuar aprofundando leituras e pesquisas dialogando sempre com a prática pedagógica. nosso processo de criação que é ao mesmo tempo artístico e pedagógico. eis a questão. reavaliar: um processo contínuo Um processo contínuo e que. principalmente procurando compartilhar das dúvidas. como no caso da Metodologia Triangular que teve seu conceito ampliado para Proposta Triangular. conquistas e aprendizados com outros arteeducadores. Como pudemos constatar. que passou a ser entendido como Contextualização. tornando-a significativa. E. e de um de seus pilares História da Arte. Não tomar as teorias e metodologias existentes como sendo únicas possibilidades a serem trabalhadas. portanto. reavaliarmos. não se esgota no presente artigo. 25 .

73 x92cm. a partir dos referenciais africanos de Picasso na obra “Les Demoiseles de Avignon”. realizada na Primeira parte do Projeto: Releitura não é cópia.Figura 1 – Máscara elaborada pelo aluno Aurélio. O Quarto de Van Gogh em Arles. Óleo sobre tela. Figura 2 – Vicent Van Gogh. Art Institute of Chicago 26 .

a partir da obra “O Quarto de Van Gogh em Arles” ( 0.45 cm ) 27 .Figura 3 – Releitura elaborada pelos alunos Pedro e Felipe.16 x 0.

Salvador Dalí. Releitura da obra A Gare de Perpinhão de Dalí. Museu Ludwig Figura 5 – Portal. 0. Técnica mista. Óleo sobre tela. Iôran e Ricardo. 295 x 406 cm. elaborada pelos alunos Marlom. A Gare de Perpinhão.65 cm 28 .73 x 0.Figura 4 .

Cortez. Porto Alegre. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. Cortez.: Práticas da Leitura. Brasília: Estação Liberdade.º 006. In: PILLAR. Ana Mae. Ana Mae. Maria F. FERREIRO. Stephen Mark. 4ªed. 1993: Arte-Educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras. BARBOSA. PILLAR. São Paulo. Analice Dutra. São Paulo. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº037. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. FREIRE. 1992: O vídeo e a Metodologia Triangular no Ensino da Arte. The Getty Center for Education in the arts and Discipline-Based Art Educacion. São Paulo: Perspectiva. Alemanha: Taschen. Emília. 1985. BARBOSA. 1996: “Da Leitura como produção de sentidos”. Projeto Cultural Arte na Escola. GOULEMOT. Jean Marie. DOBBS. de Rezende. Maria Heloísa & FUSARI. Idéias principais foram compiladas no material de apoio distribuído no curso de verão oferecido pelo Savannah Institute for Education in the Arts. In: Estudos Avançados. Gilles. 1999: A Importância do Ato de Ler. Analice Dutra. In: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. São Paulo: Cortez. Eliot 1993: In: DUKE. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Fundação Iochpe. 1990. In. NÉRET. EISNER.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA. 1996: Salvador Dalí.º 007. 1995: Abordagem Triangular não é Receita Pronta. FERRAZ. 1999: A Imagem no Ensino da Arte. 29 . Ana Mae. 1993: Reflexões sobre alfabetização. em três artigos que se completam. Leitura da Imagem. 1997: "The DBAE Handbook”. 1993: Metodologia do Ensino em Arte. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. Paulo. Lilani Lattin.

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