UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC CENTRO DE ARTES – CEART FUNDAÇÃO DE ARTE E TECNOLOGIA - FUNDARTEC CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO: A LINGUAGEM

PLÁSTICA CONTEMPORÂNEA

RELEITURA NÃO É CÓPIA: REFLETINDO UMA DAS POSSIBILIDADES DO FAZER ARTÍSTICO

Valeska Bernardo

Florianópolis, dezembro de 1999.

RELEITURA NÃO É CÓPIA: REFLETINDO UMA DAS POSSIBILIDADES DO FAZER ARTÍSTICO Valeska Bernardo
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Maria Cristina Alves dos Santos Pessi

ABSTRACT: This article has the objective of clearing up some frequent mistakes among art educators from the late 1980’s, in Brazil. Among those mistakes are: 1) to consider that rereading is a copy; 2) to consider that Art Production corresponds only to the practice of rereading and 3) to consider that rereading is associate only to make, to the act of producing an art object. Other mistakes are being cleared up in this context, for example call Proposta Triangular erroneously by Metodologia Triangular, and apply it in a unique and constant sequence: 1º) appreciation, 2º) contextualization and 3º) production. These reflections are based theoretically and founded in my own teaching practice experience, about which I describe an experience on project named: “Reread is not a copy”, developed at Escola Técnica Federal de Santa Catarina. To reflect the close relation between theory and practice in my pedagogical action, that was the challenge that I faced when I began my research, which I present in this article. KEY WORDS: art education, Proposta Triangular, art production, rereading, copy. RESUMO: O presente artigo tem por objetivo elucidar alguns equívocos freqüentes entre os arte-educadores, a partir do final da década de 80, no Brasil. Entre esses equívocos estão: 1) considerar que releitura é cópia; 2) considerar que o Fazer Artístico corresponde apenas à prática da releitura; 3) considerar que a releitura está associada apenas ao fazer, a produzir um objeto artístico. Nesse contexto vão sendo elucidados outros mal entendidos, como chamar a Proposta Triangular de Metodologia Triangular, e aplicá-la em uma sequência única e constante: 1º) apreciação, 2º) contextualização 3º) produção. Estas reflexões estão embasadas teoricamente e fundamentadas na minha própria prática pedagógica, desenvolvida na experiência de um projeto intitulado: “Releitura não é cópia” desenvolvido na Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Refletir a íntima relação entre teoria e prática na ação pedagógica por mim praticada, eis o desafio que me propus ao iniciar as pesquisas que apresento neste artigo. PALAVRAS-CHAVE: arte-educação, Proposta Triangular, fazer artístico, releitura, cópia.

Graduada em Licenciatura Ed. Artística – Artes Plásticas/UDESC (1997), Professora de Artes da Escola Técnica Federal de Santa Catarina, em artigo apresentado para obtenção do título de especialista no curso “A Linguagem Plástica Contemporânea”/UDESC (1999).
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Orientadora da pesquisa, Professora do CEART/UDESC, e mestranda no curso “Educação e Cultura” -UDESC.

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O presente artigo tem por objetivo refletir questões pertinentes ao campo da Arte Educação, referentes à interpretação frequentemente errônea que se faz do Fazer Artístico, um dos pilares da Metodologia Triangular. Essa má interpretação restringe o Fazer Artístico à prática da releitura, e define esta apenas como a produção de um objeto artístico. Mas o equívoco mais comum é achar que releitura significa cópia. Este artigo não pretende condenar a cópia, mas procurar esclarecer qual é o verdadeiro significado da releitura. A cópia também é um recurso didático possível, quando queremos realizar estudos de estilo, de técnica, estudos comparativos, mas não deve estar associada à releitura, que requer não copiar a obra escolhida, mas recriá-la sob uma nova ótica, a ótica do fruidor-produtor, e não somente do artista. Destacamos ainda que todas estas discussões ganharam corpo a partir da década de 80, no Brasil, com a divulgação da Metodologia Triangular, através de Ana Mae Barbosa, que introduziu esta experiência no MAC – Museu de Arte Contemporânea da USP. Esta Proposta Triangular (que foi apelidada erroneamente de Metodologia, como veremos adiante), está apoiada em três pilares: a Apreciação, a História da Arte, e o Fazer Artístico. A leitura da imagem entraria na categoria Apreciação, e a releitura entraria no Fazer Artístico. À História da Arte, caberia não apenas o estudo dos Movimentos Artísticos e seus respectivos artistas, mas também o contexto em que surgiram. Aliás, esta Proposta foi disseminada entre os arte-educadores brasileiros, que em alguns casos a adotaram sem refletir sobre as possibilidades de adequação à sua própria realidade. Mesmo porque esta Proposta requer recursos mínimos, como por exemplo, a utilização de reproduções de obras de arte a serem apreciadas, ou as obras originais que se encontram nos museus. Quando o professor não tem a disposição ou condições para mostrar aos alunos as reproduções ou as originais, o que fazer? É o que veremos adiante, quando ampliamos o sentido de leitura de imagens, restritas à obra de arte, para a leitura de imagens do mundo. Outro equívoco frequente é a aplicação da Proposta Triangular, na seguinte ordem: apreciação, contextualização (História da Arte) e fazer artístico, como se fosse a única sequência possível. Por fim, estaremos resgatando uma experiência realizada na Escola Técnica Federal de Santa Catarina, com o projeto entitulado “Releitura não é cópia”. Este projeto foi desenvolvido junto às turmas das Primeiras Fases do Ensino Médio, no ano de 1998. Na verdade, este artigo é fruto de minhas inquietações e dúvidas a cerca da prática da releitura, fruto de discussões com outros arte-educadores, quando estes 3

por arte educadores de todo Brasil. ler e produzir um objeto artístico. leitura da obra de arte e contextualização histórica. pois perpassam pelos professores de Arte e seus alunos. In. A triangulação fica por conta dos três eixos do ensino/aprendizagem: criação (fazer artístico). para que sirva de estímulo para reavaliarem sua própria prática pedagógica. 4 . 98 – 105. Maria Heloísa & FUSARI. Ou seja. nitidamente cópias. portanto. que também estava permeada por dúvidas semelhantes. Quando Ana Mae Barbosa amplia o conceito de Metodologia para Proposta está justamente querendo alertar que esta não envolve apenas contextualizar. da sistematização a partir de três outras abordagens epistemológicas: as Esculeas al Aire Libre mexicanas. métodos e os meios de comunicação escolares 1 Barbosa. os métodos de ensino e aprendizagem e os meios de comunicação escolares em arte. 22 FERRAZ. existem alguns componentes curriculares básicos que se articulam nas aulas de Arte. de Rezende. mas subscrevo a designação triangular"1. o Critical Studies inglês e o DBAE americano. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. 238. conteúdos. Estes componentes vão mais além do que métodos e técnicas. todo esse processo é o que poderíamos chamar de proposta. São Paulo: Cortez. prescritiva e pedagogizante. Da Metodologia Triangular: e das mazelas de sua má interpretação Metodologia ou Proposta Triangular? As confusões já começam aí. que enquanto agentes atuantes no processo ensinoaprendizagem estabelecem os objetivos educacionais. Segundo Ferraz & Fusari2. que anos mais tarde assume que falhou ao permitir que os arte-educadores tenham "apelidado" assim o que seria uma proposta "culpo-me por ter aceitado o apelido. Maria F. e não apenas metodologia.: Arte na Escola: Anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. pág. o que seria restritivo. Metodologia do Ensino em Arte. Espero assim poder partilhar com arte educadores e demais interessados estas reflexões. O que a princípio era para ser uma proposta. Hoje recuso a idéia de metodologia por ser particularizadora. Contribuiu para este equívoco a própria Ana Mae Barbosa. como sendo releituras. bem como por sua origem.apresentavam trabalhos de seus alunos. A pesquisa e leituras que apresento neste artigo serviram. pág. Ana Mae. para reavaliar a minha própria prática pedagógica. 1993. Todo esse processo seria esvaziado de sentido se não temos bem claros objetivos. os conteúdos. foi interpretada e disseminada como uma Metodologia. 1995.

o que contribuiu para que seus estudos ficassem em voga e fossem rapidamente assimiladas por um público ávido por novas metodologias de ensino. receitas padrão de sucesso para serem aplicadas em sala de aula. Uma das primeiras autoras. Projeto Arte na Escola. 1989. 4. contribuiu para a adoção da Proposta Triangular como modelo.A e Inglaterra respectivamente. Este processo de liberação das artes. é que contribuiu para reduzir a Proposta Triangular a uma fórmula.U. A Proposta Triangular tem como uma das bases mais influentes o DBAE (Discipline-Based Art Education). a ânsia dos professores por aplicar fórmulas prontas e eficazes. e que na década de 80 passa a ser reavaliado com o Movimento Arte Educação. 4 EISNER. Estas pesquisas são relativamente recentes.em Artes. 5 . para conhecer por meio da imagem"3. ou Educação Artística como Disciplina. nos E. o que é importante ensinar e como o respectivo conteúdo pode ser organizado"4. Segundo as palavras do próprio Elliot Eisner. único padrão viável a aplicação em sala de aula. Porto Alegre. pág. uma vez sistematizado na forma de Metodologia. Ana Mae. da livre expressão foi desencadeado com o fim do regime militar no Brasil. foram desenvolvidos por Manuel Barkan e Elliot Eisner. In: DUKE. o que não existia até então. viria a dar o merecido valor e respaldo a Arte Educação. teorias e fatos sobre como as crianças aprendem. Ana Amélia Bueno Buoro. Além disso. Os princípios teóricos do DBAE. na década de 60. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº037/1993. ou que a Proposta Triangular. e assim foi por um longo período. 4. The Getty Center for Education in the arts and Discipline-Based Art Educacion. A procura por fórmulas. Parecia a única saída para o laisse-faire de até então. Lilani Lattin. Seminário Arte na Escola. Ana Mae Barbosa define a Proposta Triangular como “uma proposta para conhecer a linguagem das artes plásticas. ela é "um conjunto de recursos desenvolvidos a partir de um conjunto de convicções. não é uma receita padrão para o sucesso. do fazer artístico. Metodologia Triangular: exemplos de estratégias. e que muito produz na área é Ana Mae Barbosa. Outro fator que intensificou este processo é a falta de pesquisas na área de ArteEducação. Um estudo mais aprofundado desta teoria está sendo fomentado desde a sua criação em 1982. pelo Getty Center for Education in Arts. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº017/1993. Denyse. Não podemos. pág. entre outras com pesquisas recentes e diversificadas no campo da ArteEducação. porém ignorar a contribuição das professoras Analice Dutra Pillar. para ver. Anotações da palestra de BARBOSA. Miriam Celeste Martins. que representava a censura e o ensino tecnicista. Aplicada em sala de aula 3 VIEIRA.

Na adaptação feita para o caso brasileiro da Proposta Triangular. ou seja. na Proposta Triangular. Crítica de Arte e Estética transformaram-se em Leitura da Imagem. O DBAE baseia o seu conteúdo em quatro disciplinas interelacionadas: História da Arte. acaba apelando para alguma fórmula eficaz pelo menos para manter o controle da turma. “a História da Arte. à Contextualização. adiando este contato para as fases finais do curso. históricos e sociais que permeiam a produção de determinada imagem. temos assim correspondente à História da Arte. Barkan. de História da Arte para Contextualização e de Fazer Artístico para Produção Artística. que vem em grande parte do Magistério em sua maioria (sendo assim habituados a fórmulas. conforme quadro comparativo abaixo. ampliou de Leitura da Imagem para Apreciação. Sendo assim. em 1999 no Brasil. Ou então formados nos cursos de Licenciatura. Crítica de Arte. 80 -Brasil ) PCNs Parâmetros Curriculares Nacionais (MEC-1999/Brasil) História da Arte Crítica da Arte Estética Produção Artística História da Arte Leitura da Imagem Fazer Artístico Contextualização Apreciação Produção Artística Portanto. e de que maneira esta se relaciona com nosso contexto atual. A nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação prevê a ampliação da carga horária para os estágios. receitas prontas). não é tratada numa 6 . que pouco aproximam o futuro professor da realidade da sala de aula. o que fez com que as Universidades reformulassem seus currículos possibilitando o contato com a sala de aula em outras fases do curso não somente na última. Estética e Produção Artística. Quando este se depara com a realidade. analisar uma imagem no contexto em que foi produzida. principalmente pela precária formação dos professores. Analisamos desse modo através das imagens. DBAE Arte Educação como Disciplina (Hamilton. os aspectos culturais. papéis mimeografados. Os Parâmetros Curriculares Nacionais divulgados pelo MEC. Eisner déc 60 -Inglaterra/EUA ) PROPOSTA TRIANGULAR (Ana Mae Barbosa – déc.nem sempre da maneira mais eficaz.

O Vídeo e a Metodologia Triangular no Ensino da Arte. através de uma leitura crítica. pois não existe uma leitura única e correta sobre uma imagem. Esta seria a definição primordial da releitura: uma nova leitura. mas sempre existirão múltiplas leituras possíveis. ao contextualizarmos as imagens. da técnica entre outros. 6 Idem: 10. Mas acima de tudo devemos conceber a Proposta Triangular como um processo. Esta nova leitura não precisa necessariamente ficar restrita a produção artística. mas também deverá ser capaz de julgar e interpretar esta imagem. portanto a Crítica e a Estética. de uma imagem. 10. que deve ser reavaliado e adaptado conforme a realidade a qual será aplicada.abordagem puramente cronológica e sim contextualiza o artista e sua obra no meio sócio cultural”5. que derivou da Crítica de Arte e Estética (DBAE). mental ou ainda uma nova experiência estética ao 5 PILLAR. estabelecer uma experiência estética que transcende o objeto. a releitura. Pode ser um novo olhar sobre algo já lido anteriormente. 1992. a imagem lida. a obra. Deste modo. pág. E a cada nova leitura irão surgindo novas e diversificadas interpretações. ler novamente. como seleção de materiais a serem utilizados. onde entraria. restrita a imagem em si. “histórica e culturalmente. suas interpretações no trabalho produzido. podendo assim aprender sobre os diferentes aspectos que envolvem este processo. Essa nova leitura poderá ser verbal. o contexto. Apreciar o todo. objetiva e interpretativa poderemos diminuir a distância criada entre o trabalho do artista e o entendimento do público em relação à produção artística”7. Porto Alegre: UFRGS: Fundação Iochpe. Ele agora poderá traduzir plasticamente o que não comporta apenas em palavras ou gestos. uma vez que necessitamos de uma primeira leitura para que possamos realizar uma nova leitura. Idem: 10. ao colocar suas vivências. No Fazer Artístico – Produção Artística. O aluno deverá estabelecer uma leitura não apenas formal. compreendendo os elementos e as relações estabelecidas no todo do trabalho” 6. de uma obra. o aluno é colocado em contato com o processo de criação. escolha do tema. ou seja. 7 7 . Analice. julgar e interpretar as qualidades das obras. reler. destacamos “as habilidades de ver. Na Leitura da Imagem – Apreciação. Da leitura Antes de falarmos da releitura cabe definir o que entendemos por leitura.

por exemplo. Isto não é falar sobre uma pintura. resultando ou não em uma produção plástica. e não apenas produção artística. Podemos ainda atribuir outros significados ao ato da leitura como decifrar ou interpretar o sentido. portanto. Ana Mae. Jean Marie. ou pintado. explicar. A leitura é.) ler é. leitura da imagem é "construir uma metalinguagem da imagem. perceber. Não podemos esquecer que a leitura sempre será produção de significados.º 006/1993. In: Estudos Avançados. 178. A leitura de textos escritos nos permite aprender sobre determinado assunto. algumas vezes gráfico. para que um amontoado de letras e regras gramaticais façam sentidos. de saber. 9 BARBOSA. Esta definição é importante quando encontramos muitos arte-educadores querendo que os alunos descubram “qual a intenção do artista ao produzir aquela obra”. subjetiva? Segundo Ana Mae Barbosa. uma leitura mais atenta. portanto um fator cultural. Seria a releitura portanto. Esse processo. “não é encontrar o sentido desejado pelo autor (. não faz sentido algum a um brasileiro. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. ler as imagens? De que maneira? Seria pois um mero exercício de domínio e decodificação de códigos? Ou implicaria a leitura das imagens em uma leitura também subliminar. uma vez que possuímos diversificados códigos lingüísticos. reconhecer. o que seria esta primeira leitura? O que é ler? Que implicações envolvem o ato da leitura? Podemos ler uma imagem? Ou ler restringi-se apenas a textos escritos? Ao ler. pág. Esta leitura pode ser silenciosa ou não. In. procurando observar aspectos não lidos anteriormente. que para serem compreendidos em determinadas culturas precisam de um processo de "iniciação" dos indivíduos para identificar esses códigos. pág.. Arte-Educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras. 108. 8 . Um texto em chinês. está intrinsecamente ligado a aquisição de conhecimento. portanto.. constituir e não reconstituir um sentido”8. estamos reconhecendo através da visão o que está escrito. Sendo assim leitura e releitura podem ser interpretadas por um “discurso silencioso”. Brasília: Estação Liberdade. às vezes silencioso.: Práticas da Leitura. 8 GOULEMOT. mas falar a pintura num outro discurso. ou ainda “o que o artista quis dizer com tal obra”.identificarmos detalhes que possam ter passado despercebidos numa primeira leitura. Mas para isso é primordial reconhecer os códigos de linguagem. e verbal somente na sua visibilidade primária" 9. Mas e as imagens? Podemos então. Se a releitura seria uma segunda leitura. a menos que este domine os códigos que permitam decifrá-lo. “Da Leitura como produção de sentidos”.

mas inclui também uma leitura subjetiva. o não domínio dos códigos da linguagem visual determinaria a impossibilidade de ler estas mesmas imagens? Acreditamos que não. E para os não iniciados na arte de decorar restam alguns recursos de emergência tais como a calculadora. Cortez. etc. apreender informações. 'não equivale a reproduzir com a boca o que o olho reconhece visualmente'12. 1990. Porto Alegre. decompô-la para aprendê-la enquanto objeto a conhecer” 10. equivaleria a decorar a tabuada. para o sujeito se apropriar de um determinado objeto de conhecimento ele constrói representações e as interpreta. interpretála. 9 . São Paulo.º 007/1993. na História da Arte e no cotidiano dos alunos leitores? Avaliar a quantidade de variações de linhas que o aluno é capaz de (re)produzir. no entanto. 12 13 PILLAR. linha. que fundamentados em Kant e na teoria construtivista de Piaget. Porto Alegre. Para estes pesquisadores. A autora destaca ainda que os pesquisadores do Projeto Zero de Harvard consideram a leitura “uma atividade simbólica tão importante quanto a produção artística porque ela é que possibilita interpretar as imagens”11. a leitura é uma atividade complementar a produção.Segundo Analice Dutra Pillar. uma aula onde fossem apresentados os elementos da linguagem visual como ponto. estudos de cores. E para aqueles que não memorizaram todas as 10 PILLAR. 11 Idem. Mas como se apresentam estes elementos? Onde se apresentam. Projeto Cultural Arte na Escola. Devemos ensinar a ler e não a decorar a tabuada ou o alfabeto para posteriormente repeti-lo mecanicamente sem maiores significações para o aluno. O que foi excluído. pág. 1. ou seja. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n.º 007/1993. seria pouco produtivo para o processo de ensino-aprendizagem bem como para seus agentes envolvidos. Reflexões sobre alfabetização. Assim. 1985. Do mesmo modo com relação às Artes. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. Analice Dutra. 1990. Projeto Cultural Arte na Escola. pág. Leitura da Imagem. ou mesmo a contagem com o auxílio dos dedos. As representações possuem algumas propriedades dos seus referentes e excluem outras. ler é compreender. ler não é decifrar. Leitura da Imagem. descrevê-la. 1. ressurge na interpretação. isto porque a atividade de leitura supõe a compreensão do modo de construção seja de um texto ou de uma imagem"13 Se ler não é meramente decifrar. uma leitura do processo de construção de um texto/imagem. 55. “numa visão construtivista. no ato da leitura. FERREIRO. Analice Dutra. Emília. P. selecioná-las e reconstruir o objeto analisado. ler uma imagem seria “compreendê-la.

com o tema "Trabalhos por Projetos”. Este processo de simplificação está presente nas escolas de um modo geral e em outras disciplinas. em 01 e novembro de 1999. 24. possui o poder de emitir opiniões. linhas e superfícies. Pág. um significado mais amplo do que a mera decodificação de códigos. no mais complexo. orações. na formação de palavras. PUC. 15 Em palestra proferida na UFSC. ritmos. o que provavelmente resultaria em uma leitura superficial da imagem. Leitura de Imagens para a Educação. Assim. Defendemos aqui a formação de um cidadão que por sua capacidade crítica.quando a televisão divulga as comemorações dos 500 anos de Brasil. restam os manuais de leitura de imagem ou uma visita guiada ao museu. de atribuir significado. isto graças a Psicologia principalmente com Piaget que determinou a capacidade de apreensão das crianças conforme a idade” 15. ou ainda nas palavras de Hernández. vogais. experiências relacionais com o mundo das imagens. 10 . além de Artes. cores. através de suas vivências. Segundo Fernando Hernández. Tese de Doutorado. O autor defende ainda que o que os alunos podem ou não podem compreender em determinadas séries é questionável. Se podemos ler uma imagem sem o domínio prévio dos códigos seria importante reavaliar os processos de aprendizagem em Artes que priorizam o domínio dos fundamentos da linguagem visual. Estaríamos subestimando. reflete um processo de simplificação. Neste sentido determinamos o que ensinar a nossas crianças conforme sua "capacidade" de aprender determinado assunto. Mesmo porque atribuímos à leitura de imagens.variações possíveis de retas. descontextualizados de suas funções. "o complexo já está no simples. juízos de valor. etc. São Paulo. "infantilizando as crianças. Precisamos reverter o conceito de que estudar não significa memorizar dados e sim compreender processos14. Como ela vai assimilar então centena e milhar se só foi a ela permitida aprender contar até 30? Outro processo de simplificação é o de começar a ensinar a ler pelas unidades mínimas do alfabeto. pontos. caindo nas leituras meramente formais esvaziadas de significados. as crianças da 1ª série do ensino fundamental só aprendem contar até 30 . planos. para depois chegar no todo. consoantes. ou a virada do milênio para o ano 2000. texturas. 1998. não é do mais simples que se chega ao complexo". Restringir o aprendizado em Artes a um mero domínio dos fundamentos da linguagem visual. Do mesmo modo não estaríamos subestimando nossos leitores aos lhes impor uma aprendizagem que passe primeiro pelo domínio dos códigos para posterior leitura da imagem? É sabido que não devemos considerar nosso aluno uma “uma folha em branco”. Sandra R. ou seja. que possa estabelecer 14 RAMALHO e OLIVEIRA.

quer dizer. Sandra R. portanto uma experiência estética. PUC. não aparentes. Pág. contribuindo assim para a elitização da Arte se considerarmos que só é capaz de ler uma imagem aquele que domine os códigos de apreensão desta linguagem. a memória de leituras anteriores e de dados culturais”17. 113. como qualquer outra área de conhecimento. de procedimentos pedagógicos para conduzí-los”16. pág. é possível que tenham. alguma interpretação para a imagem a qual estão sendo apresentados. Conhecimentos estes. que no caso das Artes. Creio que para os não iniciados no âmbito das Artes. o conceito de leitura de uma imagem ou de uma obra de arte seria o ato de decifrar. etc. Jean Marie. ou seja. E o que carecemos justamente é de uma educação estética que leve a níveis mais aprofundados de leitura.uma primeira leitura. Se esta leitura puder ser mais aprofundada tanto melhor será para seu leitor fruidor. Se considerarmos que a Arte é uma linguagem e que. ler nas entrelinhas.: Práticas da Leitura. Caso contrário. interpretar baseado nos seus conhecimentos previamente adquiridos. In. 22. linha. dos códigos apresentados. uma leitura subjetiva dos dados. é possível que sejam capazes de esboçar algum sentido. Tese de Doutorado. plano. não se restringem especificamente a conceitos e conteúdos do âmbito das Artes. entendemos por estes códigos específicos os Fundamentos da Linguagem Visual (ponto. Em Artes Visuais. São Paulo. portanto possui códigos específicos para ser apreendida. Brasília: Estação Liberdade. A esse respeito RAMALHO E OLIVEIRA. captar o significado oculto das formas. é necessária a regra de articulação. portanto. Segundo Goulemot . A leitura implica ainda em uma interpretação. “ler será. 11 . o que desconsideraria a bagagem que o aluno já possui. fazer emergir a biblioteca vivida. “Da Leitura como produção de sentidos”. Daí a justificativa do ensino de arte. um primeiro contato com a obra. cores. apresenta um estudo esclarecedor onde propõe justamente o ensino dos códigos e não a alfabetização dos códigos. 17 GOULEMOT. interpretar. como os elementos se organizam para gerar significação. Mas seria a leitura de uma imagem meramente o reconhecimento destes fundamentos? Sabemos que não. um leigo jamais seria capaz de ler uma imagem. 1998. Afinal "ninguém ignora tudo. Além disso.). decodificar esta imagem através de seus códigos específicos. Leitura de Imagens para a Educação. que ele se permita a num primeiro momento estabelecer suas próprias relações e significados. Ou seja. com a imagem. Defende ainda que “é um processo que necessita. Ninguém sabe 16 RAMALHO e OLIVEIRA.

estes pobres serão mais facilmente manipulados"19. Cortez. (. Analfabetos da palavra. seria contribuir para esta manipulação. pág. 12 . pág. julgar. em três artigos que se completam. é que. Paulo. 4ªed. a alfabetizar-se é. Esse discurso reproduz uma ideologia onde exclui os não iniciados neste processo. de estética e de crítica de arte”21. é desconsiderar sua bagagem histórico-cultural. de produção de significado. interpretar. Cortez. 19 Barbosa. E aprender a ler. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. A Importância do Ato de Ler. assim. artistas. os pobres precisam somente aprender a ler. compreender o seu contexto. significar a linguagem do mundo cabe ao (arte) educador. In. formar um cidadão leitor. São Paulo: Perspectiva. 241. história da arte. 1999. O que eles não dizem. fruidor. Ignorar que os não iniciados sejam capazes de emitir alguma opinião. história e crítica de arte. aprender a ler o mundo. que lhe permite estabelecer relações entre a imagem lida e suas vivências. escrever e contar. pág . Ana Mae. “o importante não é ensinar estética.. 1999. do mundo em que está inserido. 64.. ou os fundamentos da linguagem visual. conhecer. Segundo Ana Mae Barbosa. não só no campo das artes visuais. "sonegação de informação das elites para as classes populares é uma constante no Brasil. desenvolver a capacidade de formular hipóteses. 21 BARBOSA. São Paulo. Para diminuir este abismo. A Imagem no Ensino da Arte. antes de tudo. não numa manipulação mecânica de palavras. mas numa relação dinâmica que vincula linguagem e realidade"20 Perceber. mas.tudo. E ainda segundo Ana Mae Barbosa. A Importância do Ato de Ler. condená-los a analfabetos da imagem artística por considerá-los incapazes de leitura. 69. 1995. contribuindo assim para ampliar o abismo que separa cidadãos comuns do acesso a Arte. iniciar seu aluno neste processo. Paulo. Todos nós sabemos alguma coisa. Pág. justificar e contextualizar julgamentos acerca de imagens e de arte. 8.) segundo eles. Ana Mae. 1999. In: FREIRE. a escrever. em três artigos que se completam. mais do que conhecer técnicas. Antônio Joaquim. sobre a leitura de uma dada imagem. mais da cultura visual como um todo e que seja capaz de interagir criticamente neste contexto "isto porque a leitura da palavra é sempre precedida da leitura do mundo. Todos nós ignoramos alguma coisa"18. mas só nós sabemos. 18 FREIRE. 20 SEVERINO. certamente não são analfabetos da imagem. cabe a Arte Educação.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. Para isso usa-se conhecimentos de história. São Paulo.

Ler antes de tudo é um ato de cidadania. "num país onde os políticos ganham eleição através da televisão. compreender o contexto ao qual se está inserido é antes de tudo um ato político "a aprendizagem da leitura e a alfabetização são atos de educação e educação é um ato fundamentalmente político" 22 O domínio dos códigos de linguagem. entenda-se aqui por analfabetos não só os que não sabem ler e escrever. Sandra R. Tese de Doutorado. além das manifestações do código visual. PUC. em leitura da cultura visual. São Paulo. 1995.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. mas os que não conseguem realizar uma leitura crítica do mundo que os cerca. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. incluem-se também. PUC. "Abordagem Triangular não é receita pronta". 1998. 25 RAMALHO e OLIVEIRA. Ou seja. decorar a tabuada. 22 Idem. 40. Pág. Sandra R. musical e mesmo o verbal”25 Mas se estamos aqui falando em leitura do contexto. a alfabetização para leitura da imagem é fundamental e a leitura da imagem artística humanizadora" 24. quando repassados de maneira superficial privilegiam alguns grupos e excluem outros. P 240. Talvez este quadro possa ser revertido. tomando-se como ponto de partida algumas iniciativas onde se busca a leitura de textos do cotidiano do aluno. Leitura de Imagens para a Educação. 1998. Assim têm-se a ilusão de que o aluno é capaz de realizar uma leitura de uma imagem. Tese de Doutorado. Ana Mae. Igualmente cria-se a falsa ilusão de que estamos alfabetizando nossos alunos quando vemos na verdade cada dia mais diminuírem os níveis de conhecimento de Língua Portuguesa23 Isto contribui para aumentar a massa de analfabetos deste país. não apenas da Literatura oficial. seja ela uma obra de arte ou não. aquelas pertencentes aos sistemas cênico. Leitura de Imagens para a Educação. empurrando-lhe os fundamentos da linguagem visual. São Paulo. Isso talvez ocorra porque há uma distância significativa entre a maioria das cartilhas e a realidade de nossos alunos. 13 . Pág. 24 Barbosa. Estas imagens são em sua maioria figurativas. 3. 23 RAMALHO e OLIVEIRA. cabe reavaliarmos nossa prática pedagógica onde a leitura ficou restrita a reproduções fixas de obras de arte em sala de aula. In. O que de mesmo modo se aplica no caso das Artes ao ampliarmos o conceito de imagem como sendo “toda e qualquer imagem estética produzida pelo homem.

Para o professor que poderá atingir seu público com mais eficácia. linhas. etc. sem produção. ao artelier. E a imagem móvel? O cinema? E a fotografia? E as paisagens urbanas? E a televisão? As novelas? E a cultura visual que nos rodeia? Como ler estes e outros textos que nos rodeiam?26 Ana Mae Barbosa contribuiu e muito com o seu trabalho "A Imagem no Ensino da Arte". ao tratar de imagens que o aluno estará vivenciando em tempo e espaço real.) a produção associada às imagens pode colaborar para a construção de formas com 26 A este respeito ver HERNÁNDEZ.(. Os próprios alunos estranham e cobram do professor quando elaboramos uma aula teórica. São Paulo. Tese de Doutorado. porém cabe ampliar este leque de textos passíveis de serem lidos. mas de qualquer outra imagem que lhe atribua significação. Agora. tanto melhor para o aluno e para o professor. quais são seus objetivos. pontos. (. de seus diferentes materiais e instrumentos. Faz-se necessário colocar o aluno diante da obra e não apenas da reprodução. Da releitura Antes de entrarmos no mérito da releitura convém esclarecer o que é o Fazer Artístico um dos eixos da Proposta Triangular.porque assim é mais fácil decodificá-las detectar. ao fazer. Na inexistência de museus próximos. As aulas de Arte parecem estar quase sempre associadas ao Fazer Artístico. PUC. pode-se colocar o aluno diante da leitura do mundo. Dentro da Proposta Triangular. a produção. Sandra R. e Projeto de Trabalho. O aluno ainda perceberá que poderá ter uma experiência estética não apenas diante de um quadro. e para o aluno que descobrirá uma maneira prazerosa de interpretar a realidade em que vive. Fernando.) é somente através do fazer que a criança e o adolescente podem descobrir as possibilidades e limitações das linguagens expressivas. quando possível. Leitura de Imagens para a Educação. para a introdução de imagens no aprendizado da Arte. Mudança Educativa.. e onde entra a releitura neste contexto.. Na verdade a produção faz parte. Cultura Visual. 1998. o Fazer Artístico é encarado como “interpretação e representação pessoal de vivências numa linguagem plástica. 14 . mas não deve ser o único momento em uma aula de Artes. das imagens do cotidiano do seu contexto.. planos. Porto Alegre: Artes Médicas: 2000. e análise de reproduções ao mesmo tempo. E também RAMALHO e OLIVEIRA. Sendo possível a visita ao museu..

8. escolas. ao mesmo tempo em que estimula o pensar sobre a criação visual ”27 Como o aluno poderá perceber “as possibilidades e limitações das linguagens expressivas”. Música. ou lendo sobre História da Arte? Observamos então que na Proposta Triangular. apenas olhando reproduções de obras de arte.maior força expressiva. Literatura de variados gêneros. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Fundação Iochpe. reforçado pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. pág. Analice Dutra. Dança. que deve ser assimilado como exercício e não como um quadro definitivo e completo. que se relacionam na construção do conhecimento. fazendo. e que tem por ações básicas: Apreciar Assistir Escutar Ler Contemplar Fazer (inclui) Encenar Atuar Cenografar Iluminar Musicar Dançar Coreografar Interpretar Compor Reger Performar Escrever Publicar Instalar Pintar Desenhar Gravar Imprimir Esculpir Modelar Construir Fotografar Expor Filmar Montar Exibir Contextualizar Continente País Estado Cidade Bairro Família Etnia Línguas Credos Faixa etária Gênero Ideologias Temas Etc. O vídeo e a Metodologia Triangular no ensino da Arte. Literatura e Artes Visuais. Dança. Teatro. procedências. 15 . o Fazer está relacionado com a aprendizagem da História da Arte e a Leitura de Imagens. nos propõe um esquema bastante esclarecedor. História da Arte Crítica e estética Corresponde ao campo das práticas artísticas Bastante diversificado este quadro nos coloca diante de mais um problema da Arte Educação. 1992. períodos. Se entendermos por Arte. Aprender a fazer. artistas. meios. qual será o perfil do Arte Educador? Um sujeito polivalente que transitaria com maestria por todas as áreas? Qual 27 PILLAR. Christina Rizzi. Com relação ao Fazer Artístico. Segundo este esquema a Arte envolveria não só as Artes Visuais mais ainda Teatro. Música.

No DBAE. Esta proposta ainda sugere que professor deva levantar com os estudantes algumas questões sobre o artista e seu trabalho.desenvolver qualidades pessoais requeridas para um trabalho artístico com sucesso. Além deste alerta o quadro aponta as múltiplas formas possíveis do Fazer Artístico. Isto inclui as histórias culturais das quais os artistas tiraram inspiração e idéias"28. Porque? Para que fazer uma gravura? Para conhecer a técnica? Para estudar luz e sombra? Para conhecer os primórdios da imprensa? Para conhecer a técnica utilizada por determinado artista? Para fazer pesquisa de matrizes possíveis de serem gravadas? Para conhecer a Literatura de Cordel do Nordeste brasileiro? Temos aqui várias entradas que possibilitem a construção do conhecimento em Artes. aprendendo sobre suas vidas e suas contribuições para a sociedade. É o que nos propõe o DBAE (Disipline-Based in Art Education).apreciar as contribuições de um trabalho artístico feito por seu treinamento artístico e experiência.seria então sua formação? "Artes ". e . ferramentas. . corresponde a disciplina do art-making. tais como persistência. . estudadas e experimentadas: “.entender a motivação dos artistas. tais como referentes aos materiais. e apontar saídas para que em última instância o aluno não seja prejudicado com esta polivalência. ou seja.aprender como expressar idéias e sentimentos em formas visuais. "o criativo processo através do qual os artistas produzem imagens em vários materiais produzindo efeitos visuais desejados". Dança. em julho de 1997. . Entre elas: 28 Estas idéias foram extraídas do "The DBAE Handbook" de Stephen Mark Dobbs. 16 . Artes Plásticas. propositor dos Parâmetros. . com uma habilitação por semestre? Ou estaríamos aqui falando em uma escola ideal com um professor para cada habilitação? O MEC (Ministério da Educação e Cultura). pág.aprender sobre tradições do artesanato. desenvolvendo suas habilidades no fazer artístico. o Fazer Artístico denominado "Art Production". Destacamos algumas das muitas facetas da Produção Artística que podem ser exploradas. 22. que estabelecem como sendo Artes – Música. Teatro. paciência. e atitudes tidas pelos artistas sobre seus trabalhos. deverá entrar em acordo com escolas. e compiladas no material de apoio distribuído no curso de verão oferecido pelo Savannah Institute for Education in the Arts. O objetivo deste fazer tem que estar bem claro para o professor. equipamentos e técnicas”.familiarizar-se com uma ampla variedade de materiais artísticos. e auto crítica. um Fazer Artístico fundamentado em questões que orientarão este fazer. enquanto os alunos estão praticando.

246. o que é muito comum. ou partir de algum aspecto interior ou exterior a ela. o movimento artístico entre outros. e a refletir sobre sua prática artística e que nesse processo ele seja capaz de emitir algum juízo crítico sobre o que lhe foi proposto. Este Fazer deve estar bem fundamentado. e 5) contextualizar/ fazer/ apreciar30. Temos que ampliar o conceito de Fazer Artístico que por anos ficou associado a prática da releitura.A idéia do artista é nova. 4) fazer/ contextualizar/ apreciar. ou como veremos mais adiante partir dos referenciais do artista (máscaras africanas que inspiraram Picasso). Temos que deixar claro para o aluno o que está sendo proposto.O trabalho é bem feito.Que mudanças podem ser feitas para fortalecer o trabalho? "29 Temos assim um Fazer fundamentado. contextualização e por último o fazer artístico. e o produto final consistente com os altos padrões da obra de arte? . . E não simplesmente deixar uma reprodução de uma obra na frente do aluno com uma folha em branco na mão e pedir que ele faça uma releitura. "A Proposta Triangular do Ensino da Arte neste 'Último Período da Era da Escrita Impressa'". como o contexto histórico. In. Outro equívoco a ser esclarecido é o fato do fazer artístico constituir a última atividade dentro da Proposta Triangular. e na cópia. depois da Leitura e da Contextualização. 2) apreciar/ fazer/ contextualizar. Assim não caímos no fazer por fazer. não tem que obrigatoriamente partir da obra que foi lida anteriormente. portanto.Quais são os passos envolvidos em modelar um determinado material e a aplicação de técnicas para produzir uma composição artística?”. Pág. Christina. O Fazer Artístico. anteriores a obra. Pode partir da representação de um dos aspectos da contextualização.“. 1995. portanto pode partir da obra lida. por exemplo.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. Quando na verdade existem outras cinco sequências possíveis: 1) fazer/ apreciar/ contextualizar. a biografia. orientado por questões básicas que poderão ser reformuladas pelo professor conforme os objetivos traçados anteriormente com seus alunos. uma variação ou uma idéia já estabelecida ou uma repetição do trabalho de alguém? . e orientado por questionamentos que instiguem o aluno a produzir algo. na livre-expressão. 30 RIZZI. Este vício ficou formatado no trinômio: leitura (apreciação). 3) contextualizar/ apreciar/ fazer. Deixar claro para o aluno o que é uma releitura. A motivação. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. 17 . 29 Idem: 22.

nesta releitura. uma nova forma de representação. sua linguagem e suas experiências sobre a obra escolhida. A Imagem no Ensino da Arte. É como uma música que pode ser cantada por vários intérpretes. uma leitura nunca será igual a outra leitura. vivenciamos outras experiências. O produto final da releitura pode levar ou não ao reconhecimento da obra escolhida. Ana Mae. e 31 GOULEMOT. que se amplia a cada nova leitura. Reler é interpretar a obra.: Práticas da Leitura. suas críticas. temos aí a cópia. contando para isso com a autonomia que cerca a prática pedagógica dos professores de Artes da Escola Técnica. pois a obra observada é suporte interpretativo e não modelo para os alunos copiarem”32. uma nova leitura sobre a obra já existente. Uma versão preliminar do presente artigo foi apresentada na forma de comunicação por ocasião do III Congresso Internacional de Arte e Ensino. pelas professoras de Artes da Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Deste modo. E é este novo texto que diferencia uma releitura de uma cópia. Podemos então definir a releitura. 18 . novembro de 1999. com uma técnica diferenciada. Sendo assim. Ela foi elaborada por um compositor. e ainda no X Encontro Técnico da Rede Arte na Escola. Jean Marie. O importante é “que o professor não exija representação fiel. outubro de 1999. Artes Plásticas no Ensino Médio da Escola Técnica Federal de Santa Catarina33 Artes Plásticas e Ensino Técnico: seria esta uma parceria possível? Incompatíveis no passado recente da história da Arte Educação brasileira. 32 33 BARBOSA. uma nova construção. Brasília: Estação Liberdade. portanto. por exemplo. 4ªed. Reler uma obra subentende adquirir conhecimento sobre o artista e a contextualização histórica. Não é cópia. o que já foi lido muda de sentido.Mas o que seria então a releitura? Seria uma nova leitura sobre o texto anteriormente lido. Pois a cada leitura vamos ampliando nossa significação do objeto analisado. In. torna-se outro”31. mas ganha diferentes versões a cada vez que é efetuada pelo intérprete. Se ao contrário identificarmos neste novo texto. uma nova leitura. Gizely Cesconetto e Valeska Bernardo. esta parceria encontra agora subsídios necessários para ser ampliada. “a cada leitura. pois a cada leitura estamos modificados. É uma nova visão. novos elementos que foram acrescentados ou retirados. em Florianópolis. em Jacareí/SP. ampliamos nossa bagagem cultural. pág. a uma releitura. como uma atualização do olhar que se transforma. São Paulo: Perspectiva. temos então uma releitura. é colocar sua visão do mundo. 116. um novo texto. pág. um novo significado. 107. Se apresentar como resultado a reprodução da obra escolhida. “Da Leitura como produção de sentidos”. 1999. Releitura no sentido do Fazer Artístico significa fazer a obra de novo acrescentando ou retirando informações. adquirimos outros conhecimentos. A releitura seria.

A vinculação com o mundo do trabalho é garantida pela sintonia constante com as transformações e avanços no campo tecnológico. de São José e Jaraguá do Sul (unidades descentralizadas). Sendo assim. A Escola cumpre ainda uma função social.ainda com uma boa dose de força de vontade e persistência. nada mais justo e louvável que as Artes tenham retomado fôlego. Vamos conhecer agora um pouco desta prática que culminou em um projeto. O espaço é aberto a todos. A teoria. pois se tem a consciência de que a Escola é pública e público deve ser o ensino. Tais atividades têm divulgado o nome da Escola e ampliado o conceito da mesma perante a comunidade local e do próprio estado. O tempo escasso para desenvolvermos um projeto mais aprofundado fez com que lutássemos pela ampliação da carga horária. o Teatro e as Oficinas de Artes. possibilitando o acesso de pessoas com baixo poder. que teve por principal objetivo desvincular o significado releitura como sendo cópia. já que todas as atividades na área de Artes são oferecidas gratuitamente. 19 . denominada como Escola de Aprendizes e Artífices. o que contribuiu significativamente para a divulgação e ampliação da Arte no Ensino Técnico. e o contexto institucional que permitiu tal prática. gratuita e de qualidade. cada fase equivale a um semestre letivo. Uma das formas de integração da Escola com a comunidade acontece através da realização de atividades como o Coral. Fundada em 23 de setembro de 1909. portanto aplicada na prática. A Escola tem como missão “gerar e difundir conhecimento tecnológico e formar indivíduos para o exercício da cidadania e da profissão”. ao longo da história possuiu várias outras denominações até que em 1968 passou a chamar-se Escola Técnica Federal de Santa Catarina. entre outras. Atualmente a Escola passa por um processo para tornar-se Centro Federal de Educação Tecnológica. porém vamos conhecer as origens. A instituição ETF/SC enquanto escola pública. As aulas curriculares são ministradas nas turmas de primeira fase do Ensino Médio de nossa escola. Atualmente. Antes. Hoje o sistema ETF/SC é formado pelas Unidades de Florianópolis (Sede). a Banda. no primeiro semestre do ano 2000. o aluno tem as seguintes opções: Artes Plásticas e Música. Numa escola que já abrigou em seu quadro docente o artista plástico catarinense Franklin Cascaes. principalmente a partir de 1998 com a criação das Oficinas de Artes. desenvolvido ao longo de um semestre. bem como pela avaliação periódica de seus cursos e a criação de outros que venham ao encontro das necessidades da sociedade catarinense. na disciplina de Artes. oferece e desenvolve cursos de qualificação/requalificação de profissionais.

entre outros. que atendem a Escola (funcionários. desenhos. criado em 1995 com a proposta de “humanizar” o ensino técnico. pela artista Marlene Karin Werner. que participou de modo determinante na divulgação da poesia em todos os campos. o senso crítico. O Projeto Estação das Artes concretiza toda a labuta desenvolvida. Outra atividade que vem se destacando desde 1998 são as Oficinas de Artes. Junto à Mostra foi homenageado o poeta catarinense Lindolf Bell. entre outros. que aconteceu em julho de 1999. que se desenvolvem sob o sistema de ateliers onde incentivamos o aluno a desenvolver uma linguagem própria. pois tais atividades propiciam a reflexão. O aluno participa com sugestões. a honestidade. poesias impressas em camisetas. a autocrítica. criação de poemas. decidindo em grupo a obra a ser lida e como será a apresentação perante a turma. A iniciativa partiu do projeto de português “Vivendo Prazerosamente a Leitura”. Destacam-se ainda a Banda e o Coral. O envolvimento do aluno é total. constituindo assim a terceira opção para os alunos de primeira fase. desenho. culminando com o Festival de Teatro que contou com a participação de um grande número de grupos de teatro de escolas públicas e particulares de Florianópolis. Nesse sistema o professor orienta o aluno sem se impor. este último com 20 anos de serviços prestados à comunidade escolar estendendo-se a todo o estado de Santa Catarina. demonstrando técnicas e dando dicas que irão enriquecer o seu trabalho plástico. Um evento importante que resultou em uma grande Mostra de todas as atividades culturais e artísticas desenvolvidas na escola foi o “Estação das Artes”. gravações em vídeo. falecido em 10/12/98. o auto conhecimento. sendo o fundador do movimento Catequese Poética e Corpoemas. Dentre as homenagens destacou-se a apresentação dos alunos da ETF/SC com a peça “Menor que meu sonho não posso ser”. a mostra denúncia do 20 .contaremos com a disciplina de Artes em duas fases. reportagens. a interpretação plástica da obra poética “As Annamárias”. São oferecidos cursos de pintura. professores e alunos) e a comunidade em geral. palestras e resenhas. gravura. Outra opção já aprovada e em fase de implantação é a opção por Artes Cênicas. a responsabilidade e outros valores necessários para a formação de um cidadão consciente. inspirada e não copiada de outros artistas. numa demonstração valiosa do talento e força de vontade dos alunos envolvidos. sugerindo leituras. onde se desenvolvem atividades como dramatização. Além da disciplina curricular. a ETF/SC conta ainda com o trabalho do Grupo Teatral “Boca de Siri”. proporcionando a todo o corpo discente um contato contínuo com as artes cênicas.

Nos detivemos no artista Pablo Picasso. Isso refletiu positivamente nos resultados. Utilizamos como motivação à prática da releitura as máscaras africanas. negação dos direitos. Instigamos os alunos a identificarem sua verdadeira identidade sem a utilização de máscaras. período de intensas mudanças físicas e psicológicas. Nossos alunos são adolescentes na faixa etária de 14 a 16 anos. seja de violência. o contexto histórico e o fazer artístico por vezes esbarram na própria má formação dos professores. Na releitura. Na prática artística o aluno dividiu a máscara em duas faces. Nesse intuito. a Proposta Triangular vem sendo aplicada pelos professores de Artes nem sempre da maneira mais produtiva. Do Projeto: Releitura não é cópia Amplamente divulgado no Brasil pela professora Ana Mae Barbosa. as características principais do movimento e os principais artistas. não podemos restringir o fazer artístico à releitura. Pensando nisso. de conflitos e de construção e afirmação da personalidade. correspondendo cada 21 . Garantimos assim uma prática criadora onde o aluno conseguiu se afastar da cópia. Os trabalhos desenvolvidos pelos alunos das Oficinas de Artes também estavam expostos. entre outros. trabalhamos no primeiro semestre de 98 com um projeto que culminou na realização de releituras de obras de artistas plásticos escolhidos pelos alunos. Fizemos a leitura da obra e em seguida partimos para a releitura. que ainda confundem releitura com cópia. colocamos também como proposta ao desenvolvimento das máscaras os questionamentos “quem sou eu” e “como eu gostaria de ser”. Para a confecção das máscaras utilizamos a técnica do balão com jornal e cola. Além disso. de profissão. destacamos como tema gerador os referenciais africanos utilizados por Picasso.Grupo Pandorgas Partidas da UFSC. apresentou-se em duas etapas: a primeira etapa serviu de orientação para o trabalho que os alunos desenvolveriam posteriormente. que tem por objetivo sensibilizar todos os moradores de Florianópolis e região para os graves problemas que vêm acontecendo. por seu destaque dentro do movimento. destacando o contexto histórico. Essa diversidade cultural e artística constitui-se em fonte preciosa para o desenvolvimento do projeto que veremos a seguir. Iniciamos com uma aula expositiva sobre o Cubismo. A partir de sua vida e obra chegamos ao ponto marco do Cubismo que foi a obra “Les Demoiselles d’Avigon”. de amizade. A leitura da imagem. O projeto. ou falta de educação e saúde. uma vez que percebemos que o ser humano está habituado a utilizar-se de máscaras conforme os seus relacionamentos: de família. metodologicamente.

Como exemplos da segunda etapa destacamos a releitura da pintura a óleo “O Quarto de Van Gogh em Arles” (Figura 2). sendo investigado pelo personagem (detetive). portanto refiro-me aqui sem a conotação de cópia. inserir texturas. Os alunos contextualizaram. portanto da técnica utilizada pelo artista. Neste momento esclarecemos que releitura não é cópia. Nesse trabalho os alunos mesclaram informações e novas tecnologias. políticos e culturais. objetos. o que acontecia no Brasil e no mundo naquela época. que requer uma nova interpretação da obra escolhida. diferenciando. A Segunda etapa iniciou-se com uma exposição resumida (através de textos e imagens) dos movimentos artísticos do Neoclássico à Pop-Art. fazendo antes uma leitura da imagem descrevendo as suas características gráficas e simbólicas. artistas e obras. e foi estimulado a utilizar diversas linguagens plásticas. do qual deveria destacar vida e obra (pequena biografia. Através dessas informações os alunos divididos em grupos escolheram um desses movimentos artísticos para trabalharem. como a utilização de personagens de história em quadrinhos. tendo como referencial a primeira etapa.uma aos questionamentos “quem sou eu” e “como eu gostaria de ser” (Figura 1). Na parte teórica os alunos caracterizaram o movimento (qual o movimento. bem como a obra “Campo de trigo com corvos”. O argumento utilizado pelos alunos foi o suicídio do artista no seu próprio quarto. aonde o investigador chega na cena do crime e encontra o registro do local 22 . fatos sociais. esculturas. de Vincent Van Gogh. principais obras e características do estilo). Resgatamos aqui o significado de releitura discutido anteriormente. o projeto como um todo resultou em dois trabalhos práticos: o da primeira etapa (as máscaras) e o da segunda etapa. típica cena do cinema policial americano dos anos 90. quando aconteceu e onde). com manchas de sangue ao redor. econômicos. instalações. onde os alunos apresentaram uma versão em Corel Draw (Figura 3). cores. Chamamos essa segunda etapa de “Trabalho Teórico-Prático sobre os Movimentos Artísticos”. datas. destacando suas principais características. O detetive tem como pistas os quadros pendurados nas paredes entre eles o auto-retrato de Van Gogh. Destaca-se ainda o contorno do corpo do artista estendido no chão. uma gravura japonesa (referenciais do artista). Os alunos escolheram um artista pertencente ao movimento. que teria sido sua última obra antes de cometer suicídio. Portanto. happenings. Na parte prática os alunos selecionaram uma obra do artista escolhido e realizaram uma releitura. e que. infoarte entre outros). as releituras baseadas nos Movimentos Artísticos (pinturas. materiais de sucata etc.

criando um discurso próprio.onde foi encontrado o corpo. Há quem acredite que a mão contém o segredo da nossa alma. que me ocorrem as idéias mais geniais da minha vida. formando um quadrado maior como num mosaico. Na avaliação deste projeto destacamos a criatividade dos alunos. um ir e vir. mas chegando à Gare de Perpinhão dá-se uma verdadeira ejaculação mental que atinge então a maior e mais sublime eminência especulativa"34 Os alunos atribuíram a sua releitura o nome de "Portal" (Figura 5). ele representa a falta de perigo ao estar no mundo dos pesadelos. Na primeira etapa percebemos que os questionamentos “quem eu sou” e “como eu gostaria de ser” provocaram mais respostas acerca dos biótipos. Alemanha: Taschen. da obra de Van Gogh e anterioridades vividas pelos alunos. A imagem refletida nesses cacos de espelhos é dúbia. estabelecendo de maneira poética uma nova leitura da obra de Dalí. 1996: pág. atribuindo significados a elementos simbólicos na releitura. Essa passagem seria tão rápida e. em Bolou.. Para Dalí. por onde a parte física pode 'olhar' sem perigo permitindo que lembremos dos sonhos e pesadelos ao acordarmos”. Gilles. como pequenos quadrados de espelho dispostos no centro do quadro. Observamos que os alunos transcendem a imagem da Gare. sonho ou fantasia. por esse motivo está no quadro a representação de um olho na parte inferior do quadro. como a mão e o olho. que estabeleceu o elo de ligação com todos os elementos da composição. 23 . fragmentada. 88. que no Fazer se identificaram enquanto grupo de adolescentes que comungam de anseios semelhantes e como estes se relacionam e constróem sua própria identidade. ao mundo dos sonhos e da realidade.. reforçando a dúvida entre ficção e realidade. imperceptível para nós. Destacamos ainda que elaboraram um roteiro fictício (suicídio do artista no próprio quarto com posterior investigação). No exemplo seguinte os alunos apresentaram uma releitura da obra "A Gare de Perpinhão" (1965) de Salvador Dalí (Figura 4). Notamos também que nem todos os 34 NÉRET. Salvador Dalí. Na verdade a alma abre uma janela ao cérebro. o meu cérebro começa a pôr-se em movimento. consequentemente. 'é sempre na Gare de Perpinhão. Segundo estes alunos: "O Portal seria a entrada para o lugar que chamamos de sonho. Quando perceberíamos já estaríamos no sonho. "a Gare de Perpinhão é umbigo do universo. Esse vai e vem acaba sendo reforçado pelos aspectos plásticos da releitura. Já alguns kilômetros antes. Percebemos então uma mescla de referências. Nesta releitura temos uma instabilidade constante. e as próprias palavras de Dalí.

os resultados apresentados nos mostraram que os alunos compreenderam o significado de reler uma obra. principalmente. onde se trabalhou a releitura dos Movimentos Artísticos.alunos aceitaram trabalhar estes questionamentos. Como representação prática apresentaram resultados diversos e. vida e morte. distintos dos exemplos do artista escolhido. desenvolvendo as máscaras somente com a temática dualidade. pobreza e riqueza. entre outros. Na segunda etapa. por exemplo: amor e ódio. felicidade e tristeza. 24 .

Como pudemos constatar. ao reelaborarmos. Reavaliar. nosso processo de criação que é ao mesmo tempo artístico e pedagógico. reavaliar: um processo contínuo Um processo contínuo e que. É necessário ter bem definidos os objetivos do ensino. E. eis a questão. e de um de seus pilares História da Arte. Não tomar as teorias e metodologias existentes como sendo únicas possibilidades a serem trabalhadas. E é assim que crescemos e construímos uma prática pedagógica mais consciente e eficaz. a prática pedagógica precisa estar bem fundamentada para termos um aprendizado consistente e consciente em Arte. É importante salientar que as mesmas estão sendo constantemente reavaliadas por seus propositores. Não tenho a pretensão de encerrar a discussão neste texto. É preciso termos coerência entre conteúdos e metodologias. que passou a ser entendido como Contextualização. portanto. 25 . tornando-a significativa. conquistas e aprendizados com outros arteeducadores. não se esgota no presente artigo.Reler. como no caso da Metodologia Triangular que teve seu conceito ampliado para Proposta Triangular. reavaliarmos. recriar. principalmente procurando compartilhar das dúvidas. É preciso planejar e reavaliar constantemente nossa prática pedagógica. mas continuar aprofundando leituras e pesquisas dialogando sempre com a prática pedagógica.

realizada na Primeira parte do Projeto: Releitura não é cópia. O Quarto de Van Gogh em Arles. Art Institute of Chicago 26 .Figura 1 – Máscara elaborada pelo aluno Aurélio. Óleo sobre tela. a partir dos referenciais africanos de Picasso na obra “Les Demoiseles de Avignon”. 73 x92cm. Figura 2 – Vicent Van Gogh.

45 cm ) 27 .16 x 0.Figura 3 – Releitura elaborada pelos alunos Pedro e Felipe. a partir da obra “O Quarto de Van Gogh em Arles” ( 0.

Técnica mista.Figura 4 .73 x 0. A Gare de Perpinhão. Óleo sobre tela. elaborada pelos alunos Marlom.65 cm 28 . 0. 295 x 406 cm. Museu Ludwig Figura 5 – Portal. Releitura da obra A Gare de Perpinhão de Dalí. Iôran e Ricardo.Salvador Dalí.

PILLAR. 1993: Metodologia do Ensino em Arte. Gilles. Lilani Lattin. 4ªed. 1999: A Imagem no Ensino da Arte. 29 . Analice Dutra. BARBOSA. In: PILLAR. Emília. Analice Dutra. 1992: O vídeo e a Metodologia Triangular no Ensino da Arte. 1997: "The DBAE Handbook”. The Getty Center for Education in the arts and Discipline-Based Art Educacion. Projeto Cultural Arte na Escola. 1996: “Da Leitura como produção de sentidos”. Leitura da Imagem. Cortez. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul: Fundação Iochpe.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARBOSA. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº037. EISNER. 1990. São Paulo: Perspectiva. 1993: Reflexões sobre alfabetização. de Rezende. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. Stephen Mark. 1985. 1996: Salvador Dalí.º 007.º 006. 1999: A Importância do Ato de Ler. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n. Brasília: Estação Liberdade. In: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. Porto Alegre. São Paulo. In: Estudos Avançados. Jean Marie. BARBOSA. DOBBS. FERRAZ. São Paulo. Maria Heloísa & FUSARI. 1995: Abordagem Triangular não é Receita Pronta. FREIRE. Ana Mae. Alemanha: Taschen. FERREIRO. Maria F. Ana Mae. Idéias principais foram compiladas no material de apoio distribuído no curso de verão oferecido pelo Savannah Institute for Education in the Arts. Ana Mae. Paulo. Cortez. NÉRET. Eliot 1993: In: DUKE. São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. em três artigos que se completam. São Paulo: Cortez.: Práticas da Leitura. In. GOULEMOT. 1993: Arte-Educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras.

In. 30 . São Paulo: Universidade Cruzeiro do Sul. 1998: Leitura de Imagens para a Educação. Ana Mae. Denyse. 1993: Leitura da Imagem. São Paulo: Cortez.º 007. Paulo. 1999: In: FREIRE. Tese de Doutorado. 1989. Banco de Textos do Projeto Arte na Escola n.: Arte na Escola: anais do primeiro seminário nacional sobre o papel da arte no processo de socialização e educação da criança e do jovem. Anotações da palestra de BARBOSA. São Paulo. VIEIRA. Antônio Joaquim. 1995: "A Proposta Triangular do Ensino da Arte neste 'Último Período da Era da Escrita Impressa'". Christina. RAMALHO E OLIVEIRA. Metodologia Triangular: exemplos de estratégias. RIZZI.PILLAR. Porto Alegre. In: Banco de Textos do Projeto Arte na Escola nº017/1993. Seminário Arte na Escola. PUC SP. Analice Dutra. Projeto Arte na Escola. Porto Alegre. Projeto Cultural Arte na Escola. Sandra R. A Importância do Ato de Ler: em três artigos que se completam. SEVERINO.

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