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  • AULA 1 – O QUE É ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA
  • AULA 2 – VARIANTES LINGUÍSTICAS
  • AULA 3 – O ENSINO DA ORALIDADE
  • AULA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS
  • AULA 5 – COMO ENSINAR A ESCREVER - Paródia
  • AULA 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ESCRITA DOS PCNS
  • AULA 7 – COM FAZER A CORREÇÃO /REVISÃO TEXTUAL
  • AULA 8 – COMO ENSINAR A LER: FORMAS DE LEITURA E INCENTIVO
  • AULA 9 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE LEITURA
  • AULA 10 – O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA
  • AULA 11 – PRODUZINDO UM LIVRO INFANTIL/GIBI
  • AULA 12 – CONHECENDO A GRAMÁTICA (ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA)
  • AULA 13 – CONHECENDO MELHOR AS PARTES DA GRAMÁTICA
  • AULA 14 – RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DE CONTEÚDOS GRAMATICAIS
  • AULA 15 – APRESENTAÇÃO DE JOGOS DE GRAMÁTICA
  • AULA 16 – A GRAMÁTICA NOS PCNS
  • AULA 17 – DEBATE DO FILME “crianças invisíveis”
  • AULA 18 – ATIVIDADE SOBRE O FILME
  • AULA 19 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
  • AULA 20 – RECURSOS DIDÁTICOS E SUA UTILIZAÇÃO

PEDAGOGIA

DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

PROFª NÁDIA C. LAURITI

2011

PLANO DE ENSINO 1 sem 2011 CURSO: PEDAGOGIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
POSIÇÃO NA GRADE DO CURSO: 5o. semestre

CÓDIGO

CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 80 horas

EMENTA: O ensino da Língua Portuguesa: seu estado atual e alternativas de transformação; preconceito linguístico; níveis de linguagem e variantes linguísticas; gêneros textuais; o ensino da gramática; o ensino da leitura; o ensino da escrita; questões de letramento; PCN de Língua Portuguesa. OBJETIVOS: A disciplina pretende, a partir da leitura de textos de estudiosos no campo da linguagem e da educação, refletir sobre as formas com o ensino da Língua Portuguesa vem se organizando na escola, tendo em vista aspectos históricos, políticos e culturais. Discutir e propor alternativas para um ensino da Língua Portuguesa voltado para a formação do cidadão comunicativo e crítico.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: CRONOGRAMA
SEMA NAS: 1º 2º CONTEÚDO
Apresentação da disciplina; O ensino de Língua Portuguesa; PCNs: Objetivos do ensino da LP. Conceitos linguagem. Variação linguística; Níveis de linguagem; Gênero receita. Preconceito lingüístico; Pcns: língua oral e língua escrita; Gênero carta Trabalhando os vários gêneros textuais; gênero: poesia infantil; Como ensinar a escrever: paródia de fábulas; O tratamento didático para ensinar a escrever. Orientações dos PCNs. Como fazer a correção/ refação: PCNs sobre avaliação.. Como ensinar a ler: formas de leitura, objetivos e incentivo. A leitura oral. O tratamento didático para ensinar a ler. Orientações dos PCNs. Como ensinar a compreender

SEMA CONTEÚDO NAS: 11º Conhecendo a gramática
Conhecendo melhor alguns conteúdos gramaticais do Ensino Fundamental 1. Resolução de exercícios de gramática.

12º

3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º

13º 14º 15o 16o 17o Elaboração de um gibi sobre conteúdos gramaticais determinados. A gramática nos PCNs. Discussão do filme “crianças invisíveis”, relacionando-o às questões da disciplina.
Atividade sobre aspectos teóricos da disciplina presentes no filme

18º 19º 20º

Letramento X Alfabetização: atividades diferenciadas.
Recursos didáticos que auxiliam no ensino da Língua Portuguesa As tecnologias e a Língua Portuguesa na alfabetização. PCNs: comparação entre 1o. e 2o. ciclos.

10º

METODOLOGIA DE ENSINO: Por meio de aulas expositivas, debates abertos, atividades direcionadas individuais e em grupo, produção de materiais didáticos, apresentação de vídeos e apresentação de seminários, tudo relacionado aos referenciais teóricos, pretende-se atingir os objetivos propostos. AVALIAÇÃO: O processo avaliativo será composto pela soma das notas dos alunos em atividades distintas: provas dissertativas individuais de compreensão conceitual dos temas abordados nas aulas e nos PCNs; trabalhos de transposição didática realizados na sala de aula, em grupo, sobre o referencial teórico; AV1 – prova individual sobre variantes lingüísticas, o ensino da escrita e da leitura e trabalho em grupo sobre preconceito lingüístico e formas de avaliação de uma redação; AV2 –avaliação integrada constituída por questões específicas e interdisciplinares de múltipla escolha ; AV3 – avaliação integrada constituída por questões específicas da disciplina, interdisciplinares e propostas de intervenção, referentes à análise teórica do filme “Crianças Invisíveis”.
Bibliografia básica: GERALDI, João Wanderley (org.) O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2007. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: Língua portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998. TARDELLI, Marlete Carboni. O ensino da língua materna: interações em sala de aula. São Paulo: Cortez, 2002 (Coleção Aprender e ensinar com textos; Vol 9) Bibliografia complementar: ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Práticas de alfabetização e letramento. São Paulo: Cortez, 2006. GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Curitiba: IBPEX, 2007. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas: Pontes, 1998. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: ALB, 1998. Profs. responsáveis:

Nádia Lauriti Adriana Lílian Garcia Elenice Alves da Costa Elisabeth Márcia Ribeiro Machado Niuza Barone Joel Rosa Taís Lírio

DOWNLOAD DOS PCNs de Língua Portuguesa (1o. e 2o. ciclos) http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf

PROGRAMAS DE VÍDEO DOS PCNs DE LP (em Biblioteca Virtual do Estudante de LP) http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/usp/segundo_trimestre/videos/tv_escola/tv_escol a.html#linguaport

reler para compreensão. ler por prazer estético. ler para obter informação geral. ler oralmente para apresentar um texto (sarau. seleção de hipóteses inferência e avaliação). C – Procedimentos de leitura (finalidades) ler para estudar. A essas finalidades correspondem vários procedimentos a) Leitura integral de um texto. Compreensão – relacionadas às estratégias cognitivas da leitura (antecipação. ler para revisar um texto. confrontar com outros leitores sua interpretação. Essas capacidades se inter-relacionam e a mobilização de algumas auxiliam na constituição de outras.OS CONTEÚDOS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ORGANIZAÇÃO GERAL Profª Nádia C. ler para obter informação específica.AULA INTRODUTÓRIA . Interação entre texto e leitor – (apreciação e réplica) relacionadas à reconstrução do sentido do texto. b) Leitura inspecional (para a escolha de um texto). compartilhar a leitura com outros. . comparar o que se leu com outras obras. jornal). frequentar bibliotecas (de classe ou não). recomendar livros ou outras leituras que considera valiosas. c) Leitura tópica (para identificar informações pontuais). B – Comportamentos leitores e de escrita (valores em relação à leitura) Refere-se ao que Lerner (2002) aponta como dimensão social da leitura: socializar critérios de apreciação estética da leitura. ler para aprender. comentar o que se está lendo.2011 QUADRO GERAL DE CONTEÚDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA 1 – CONTEÚDOS DE LEITURA E ESCUTA A – Capacidade de leitura e escuta Decodificação – relacionadas à compreensão do sistema. Lauriti . ler trechos de textos que o aluno gostou para os colegas.

Leitura em voz alta – Permite o trabalho com aspectos da oralização do texto escrito (dicção. textualização (oral/escrito). entre outros). para que o professor tenha uma referência do tipo de leitura que já é de competência autônoma dos alunos.d) Leitura de revisão (para corrigir inadequações no texto). Leitura em voz alta feita pelo professor – Explicitar critérios de escolha da obra como (autor. gravar CD de divulgação. a professora as discute com os alunos para construção do sentido. possibilitando o contato com textos de boa qualidade para ampliação do repertório. f) Leitura expressiva. Atividades seqüenciadas de leitura – Possibilitar o estudo de determinado tema por meio de uma sequência de atividades que preveem a leitura de textos com grau crescente de aprofundamento de informações. ler em saraus literários. dramatização. se o tema for socializado e combinado previamente. revisão de texto (processual e final). jornal da escola entre outros. ilustrações). D – Atividades de leitura Leitura diária ou semanal – Trata-se de instituir um dia fixo na semana. gênero. Leitura de escolha pessoal – Possibilitar aos alunos a escolha livre de textos de acordo com suas preferências. quanto os alunos. no qual se leia em determinado horário. Leitura programada – Ampliar a proficiência a partir da leitura prévia de cada parte do livro. e) Leitura item a item (para realizar uma tarefa). considerando os aspectos focalizados na revisão. anunciar produtos. refacção de textos. Aspectos que devem ser considerados na produção de textos: . Leitura colaborativa – Trabalhar com o texto coletivamente. Roda de leitores – Possibilitar a socialização das leituras realizadas de maneira independente para observar os comportamentos leitores já construídos pelos alunos. Os leitores podem ser tanto o professor. É preciso que o contexto faça sentido como: ler em comemorações. Leitura individual com questões para interpretação escrita – Trata-se de verificação de competência já construída não só de leitura como de produção de textos. mobilizando nos alunos as estratégias necessárias para a construção coletiva do sentido. 2 – PRODUÇÃO DE TEXTOS Procedimentos. entonação. comportamentos e capacidades de escrita e de fala (no que couber): a) b) c) d) planejamento de texto para cada linguagem (prévio e processual).

Discursivos – relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. mesa-redonda etc). B – PRODUÇÃO COLETIVA ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características do gênero e a modelização dos aspectos de revisão processual e final do texto. por exemplo. F – PRODUÇÃO DE PARTES DO TEXTO QUE NÃO SE CONHECE. estilísticas. O foco desta atividade é o textual (coesão. assim como procedimentos de escritor: planejamento. C – ESCRITA DE TEXTO QUE SE SABE DE MEMÓRIA (escrita de próprio punho) – Possibilitar a apropriação das características do sistema de escrita. 3 – CONTEÚDOS DE ANÁLISE E REFLEXÃO LINGUÍSTICA ATIVIDADES: A – REVISÃO – São atividades de análise do texto produzido pelos alunos para a aprendizagem de conteúdos gramaticais. adequação do gênero solicitado). com qual finalidade. progressão temática. coerência e seleção lexical). organização sintática. Gramaticais – ortografia. Notacionais – relativos à compreensão do sistema da escrita. Considerações importantes: . textuais e discursivos. focalizando apenas uma parte do texto. Textuais – relativos à coesão e coerência textuais. morfologia. G – TEXTO DE AUTORIA – Possibilitar ao aluno a produção de textos na qual se articulem produção temática e textual. Pragmáticos – características da situação comunicativa do texto (sarau. apresentando-se ao aluno contos em que falte a parte que se deseja tematizar. APRESENTANDO-SE AS DEMAIS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de determinadas partes de um texto organizado em determinado gênero. seminário. D – REESCRITA DE TEXTO QUE NÃO SE SABE DE MEMÓRIA – Possibilitar ao aluno apropriação de recursos de aspectos textuais e gramaticais. utilizando léxico adequado. como se o aluno fosse o autor do texto. o que diminui a complexidade em relação à produção totalmente de autoria. revisão processual e final. E – REESCRITA COM MODIFICAÇÕES (mudar o final. por exemplo) – PRODUÇÕES HÍBRIDAS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de procedimentos de textualização e criatividade. ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE TEXTO A – RECONTO ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características da linguagem escrita por meio do reconto oral. semântica. coesão e coerência. focalizando apenas uma parte de sua organização interna. na aprendizagem do conto de fadas é possível focalizar o cenário. complicação ou resolução. prova escrita. pontuação. em qual portador circulará. acentuação.

coerência.No processo de revisão. As atividades devem proporcionar aos alunos uma reflexão cada vez mais ampliada de determinado conteúdo (acentuação.. b) Exercitação dos conteúdos estudados. B) Ação do aluno a) Análise do corpus. após as experiências de manipulação do aspecto selecionado.). os dois alunos devem revisar um texto.. . a cada aluno reescreve o seu texto.. para que o aluno possa perceber as regularidades.Quando em duplas. primeiro. grupo / duplas e individual. os vários conteúdos gramaticais devem ser contemplados. Devem prever estudo concentrado em espaço não muito longo de tempo. b) Isolamento do fato linguístico a ser estudado. ortografia. . o que altera é o grau de aprofundamento metalingüístico (concordância nominal e verbal. tomar como critérios os relativos à: adequação do texto ao contexto de produção. d) Construção de um corpus que leve em conta a relevância. sejam eles discursivos. Após a indicação dos aspectos a serem ajustados. indicando aspectos que precisem de ajustes e. o outro texto. b) Organização e registro das conclusões. para tal organizam-se sequências didáticas que são atividades elaboradas com a finalidade de se estudar determinado conteúdo de linguagem. pontuação. Esse movimento metodológico prevê as seguintes etapas: 1ª ETAPA: A) Ação do professor a) Levantamento das necessidades (avaliação diagnóstica). .Selecionar conteúdos específicos para fazer a revisão. a quantidade e a qualidade dos dados. na prática da escrita e da leitura ou na prática de produção de textos orais e escritos. coesão. concordância. colocação de pronomes. O professor precisa possibilitar ao aluno o acesso a diversos textos que contemplem os conteúdos selecionados. 2ª ETAPA: A) Ação do professor a) Apresentação da metalinguagem (regras gramaticais). promovendo o agrupamento dos dados a partir das indicações das regularidades observadas (observação + comparação). B) Ação do aluno a) Reinvestimento dos diferentes conteúdos exercitados em atividades mais complexas. uso de conectores. pontuação. adequação do texto aos aspectos textuais e gramaticais discutidos em aulas anteriores. ortografia. gramaticais ou textuais. c) Priorização e Planejamento dos conteúdos a serem trabalhados. para que o aluno se aproprie efetivamente das descobertas feitas.Organizar a revisão nos três momentos de agrupamento: coletivo / classe. tomando como ponto de partida as capacidades já dominadas pelo aluno. depois. . seleção lexical etc).

lendo e a escrever.Qual é o assunto do livro? . Ele necessita de coesão e coerência. demonstrativos. hiperônimos. expressão. escrevendo”.LEMBRETES IMPORTANTES “Aprende-se a ler. 2. repetições ou desvios lógicos. são aspectos que se espera que os alunos aprendam (conceitos e atitudes). música que trate do tema. ter continuidade. seleção de hipóteses. progressivamente. autor. inferência e avaliação do sentido). As ideias devem se completar. Elabore perguntas que utilizem as estratégias de leitura (antecipação. Ao exercer o comportamento de leitor e de escritor possibilita-se que os alunos se apropriem dos traços distintivos dos diferentes gêneros para ir detectando progressivamente as características da “linguagem que se escreve” que se diferenciam da oralidade coloquial. Por meio dela o texto encaixa-se nas macro-categorias específicas do texto. Ela não se lembrava de como fora parar ali. da coesão. Envolve o trabalho com pronomes pessoais. Ao atuarem como leitores e escritores. A B Exemplo: A jovem acordou sobressaltada. os quais serão referência para a produção e revisão dos textos. Crie uma estratégia de sedução para a leitura do texto (jogo de adivinhação. transformando-se em fonte de reflexão metalinguística (estudo da gramática. fantoche. ilustrações. Tarefas: 1. da coerência etc). operadores argumentativos (conjunções). filme. dramatização. Exemplo: Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos. concordância e pontuação. Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas. caixinha de surpresa entre outros). COESÃO – Refere-se à forma como os elementos linguísticos presentes na superfície do texto se interligam. personagens. advérbios de lugar. sinônimos. Um texto não é uma soma de frases. durante e depois da leitura. contracapa. Exemplos: . possessivos. não apresentar contradições. os alunos têm a oportunidade de se apropriarem dos conteúdos linguísticos que adquirem sentido nas práticas de leitura e escrita. utilizando análise da capa. COERÊNCIA – Refere-se às condições de interpretabilidade lógica do texto. É preciso instalar as práticas de leitura e escrita como objeto de ensino. relativos. ATIVIDADE 1 – CONTEÚDO DE LEITURA E ESCRITA A – Escolha um livro de literatura infantil e elabore com seu grupo uma aula (ou sequência didática) de leitura e escrita para apresentação para um grupo maior. recuperando em uma sentença B um elemento presente na sentença A. dança. Antes. É importante organizar os registros de reflexão sobre a língua dos conteúdos discutidos.

O que eles têm de igual? Quais são as diferenças? c) Você já passou por uma situação semelhante à apresentada pelo livro? Escreva sobre isso. carta. b) Faça uma mímica que caracterize cada personagem.. I – Qual a situação inicial (O que aconteceu? Onde? Quando? Como?) II – Qual é o problema (conflito) do texto? III – O que aconteceu para resolver o problema? IV – Como o problema foi resolvido? V – Qual é o tipo de texto? (conto.). dedoches. sacos de papel. d) Como você faria uma nova capa para o livro. Explicar de forma simples a estrutura do texto. crie uma letra sobre o texto que estamos estudando.Para quem o livro foi escrito? Por que o autor o escreveu? .. fábula. d) Para trabalhar a interdisciplinaridade proponha questões relacionadas às outras disciplinas sugeridas pelo livro. FRUIÇÃO CINESTÉSICA a) Dramatize o texto. VI – O autor escreveu esse texto para falar sobre qual idéia? (TEMA: conceito mais importante). FRUIÇÃO AUDITIVA a) Quantas vozes diferentes aparecem no livro? b) Como você imitaria a voz do narrador? E dos personagens? Por quê? c) Essa história faz você lembrar de algum som ou música em especial? Faça a trilha sonora para o texto. poesia. meias. usando máscaras de papel sulfite. FRUIÇÃO VISUAL a) Se a história fosse representada em uma revista em quadrinhos como seria? b) Qual a ilustração mais bonita no livro? Por quê? c) Ilustre o trecho do texto de que você mais gostou.Quem é o narrador do texto? E o(s) herói(s)? E o(s) vilão(ões)? . TEMAS TRANSVERSAIS. d) Partindo de uma música conhecida.Resumir o enredo usando uma ou duas frases apenas. sucata.O que mais chamou sua atenção? . AULA 1 – O QUE É ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA . receita). sem usar a voz. INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE a) Você conhece outras histórias sobre o mesmo tema deste livro que tenham personagens diferentes? b) Compare o livro lido com outro texto que possua o mesmo tema. fantoches..

em escolas do primeiro ao terceiro graus.. que tá todo mundo passando fome....Entendi. É claro que você precisa falar direitinho.. Epa. trabalhos publicados etc..Texto 1 ENSINAR PORTUGUÊS? Milton José de Almeida Português: uma só língua? Comecemos a conversa... você não quer que eu vá falar com o diretor daquela indústria ali. Soou um pouco estranho.. a meio caminho entre o sério e o cômico (também trágico...Como assim? . ..Vê se não goza. nem uma boa colocação. somente em alguns lugares e com algumas pessoas. ganhar bem... .Ah!.... Desculpe-me. que todo mundo já nasce falando e uma outra. corretamente... né?! Não é só isso. cursos de aperfeiçoamento.. .Então você sabe português perfeitamente. você está equivocado. . isso que você acabou de me falar está nessa língua estrangeira? ...Tem mais? . Que já falam português!. mal vestido e falando de qualquer jeito. pára. tenho diploma.Ora. estrangeira.... não é? -Sou. vá! .Sim. não? . conversinhas banais.Ué. natural. ... Portanto.. claro. preciso me expressar corretamente... . às vezes mais chiques. mas até que bonito. . com palavras bonitas e gramaticalmente bem colocadas.). por exemplo. . não consegue passar num concurso. não! . Você é professor de português. até pra reclamar.Ora.É claro. Alguém pergunta a um professor de português. há aulas de português.. Você fala assim na sua casa.Claro que não. Existem duas línguas com o mesmo nome "português": uma nacional. vão ter que saber português. além de estrangeiros interessados. esse assunto não é exatamente como você está colocando. outras mais populares. Ah! Então eles não falam bem português?! . lá vem você de novo com questões que não dizem respeito ao ensino de português.Ah! Então você troca de língua como troca de roupa. pô! Você não entendeu? .Ensina-se mesmo português.. . . Um momento. Então esses milhões de desempregados que estão por aí foram despedidos porque não sabiam escrever e falar corretamente! Eles não podem voltar pra escola?. .Claro! Por exemplo. Mas pra subir na vida.. desde crianças.. claro que falam. que a indústria dele joga todo dia esse cheiro de bosta no nariz de todo mundo. que enquanto ele viaja de Mercedes você anda a pé......Ô meu. você não arranja um bom emprego.. .. que é preciso ir à escola aprender.Não simplifica...Ah! Entendi.. Quando esses caras quiserem novamente emprego. imaginando um diálogo.Ô meu. outras mais esportivas.. se você não souber falar e escrever direito.. .Serve sim. né? Você já tá baixando o nível.. essa língua que a gente usa todo dia? . deixe-me começar novamente a frase. se eu vou falar com um cara tão importante.. não? ....Bem.Poxa! Agora estou entendendo melhor: pra arranjar um bom emprego. Então é por isso que se ensina português: para as pessoas aprenderem a falar direitinho com os patrões! . não.Agora me lembrei. . a língua que a gente usa não serve. .Mesmo se você vai lá pra dizer que os salários estão horríveis.Claro que não.Claro.. também? .Então você poderia abrir um cursinho de português para desempregados!. pera aí! num é bem assim. . . ensina-se principalmente a brasileiros... .A quem se ensina português? . mas só pra coisinhas.Ah! Entendi. .

. vão passando de ano sem saber nada.. ...Não querendo te gozar.Poxa. Só têm tempo para ganhar e gastar. de boa família...Então já sei: boa família é uma família com dinheiro. . Você sabe.Tudo isso pra ganhar metade de um salário mínimo! . e nem fez teste de português? . Parece que você ainda é adolescente. enxergando só um lado das coisas.. é evidente que não! Na escola estadual. O Estado paga mal. têm dinheiro para comprar livros. Gente imatura é que é assim. mas não entende quase nada de educação.. Tudo tem seu lado ruim e seu lado bom. . hum.Ah! lá é diferente. nem esse da escola.E daí? ... .. trabalharam o dia inteiro. obediente e fazer tudo para o bem da empresa. que você mostrou agorinha.. todo mundo tem que falar igual. então só se fala bem nas boas famílias? O que é uma boa família? .. Quero que os meus alunos cheguem até onde estão os alunos ricos. Está muito agressivo e complicando. o resto não é necessário.Chega. o diretor daquela indústria.Eu tenho que dar um curso mais fraco. . bastante dinheiro.. tudo mais. ou melhor. você vai lá e explica pro sujeito na língua dele. .. não é isso. lêem bastante. .Ah! quer dizer que você deve ganhar super bem.. se ele tivesse sido meu aluno.. ordenado altíssimo. Nesse ponto você está no mesmo ponto do seu aluno que não sabe ler. com motorista. .Ah!. fazer mil cursinhos. .É mesmo! Sabe que um amigo meu foi contratado numa indústria prum cargo ótimo. não têm base. -.Então suas aulas na escola estadual são mais baratas.. etc.. . Vem logo ironizando. de estudos sociais... E ele ganha muito mais que nós todos juntos. onde todos falam bem e corretamente... Por exemplo.. têm muita cultura. chega! Não quero mais papo com você hoje. não sabe falar português nenhum. mordomias.. Eles lêem muito mais. quase dormem na aula.... o curso anda bem. colocação de pronomes.Bem. não... .Mas os mais ricos são os que menos lêem.. ...Nem sei direito..Bem.. você não agüenta mesmo levar um papo sério... estadual. menos estudam. vende aulas em duas escolas: uma particular.. .. aprendem tudo igualzinho? .PÔ.. meu! . não? Fiquei até com vontade de fazer um curso de Letras. é de uma boa família. de estudo.. e que os alunos mais pobres devem se esforçar para chegar lá...Claro que é! O português é uma língua só.Quer dizer que os alunos das duas escolas são iguais. então devem ter selecionado só os muito bons! Tá vendo.Não. todos são educados..Não. mas me diga só uma outra coisa. É só falar e escrever bem. por exemplo.. cheio de perguntas sobre orações subordinadas. rebelde. ..Tá legal. caríssima. que sabe tantos tipos de português. Garanto que ela ficará menos chateada. O português que você ensina é o mesmo. a vida...Então. ..... . mas você. etc. onde vai a vírgula... é isso aí: uma boa família. . ele não precisou fazer teste de português porque de certo só no contato já perceberam que ele era uma pessoa educada. os tempos verbais.. .Ah! agora entendi bem.Não quero te deixar chateado. eles falam e escrevem bem. Mas me lembrei de outra coisa: um vizinho meu foi procurar emprego de office-boy deram um teste de gramática pra ele. . não têm tempo de ler. .. Você dá aulas. quando uma pessoa vai ser mandada embora. numa e noutra? . .Ah!.. Você acha que a língua dos ricos é melhor. eles vêm cansados. que na escola particular tem um nível mais alto. Mas isso não é problema meu. usa menos material e. .... ahn. um monte de coisas... exagerando.. radicalizando. Que pena! Em nosso país há pouquíssimas boas famílias e milhões de péssimas. .Você sabe. e outra.você tá um saco hoje... não...PÔ. Parece que tinha uns mil na fila. ensinar menos coisas. mas sabe. dar mais bases e. pode arranjar um bom emprego lá. já vêm com muitas informações.. . É com o professor de história. nem aquele vulgarzinho. ..Bem. onde dou aula à noite.Ah. onde estão aqueles.E ele passou? . não é bem assim.A única coisa que ele teve que demonstrar era que ia ser um diretor bom. .Puxa! Já vi que você pode entender muito de português. vamos mudar de assunto... sobre a sociedade. mas continuam sendo de uma boa família. não se faça de bobo! Você... ehr.. freqüentar faculdades.E na escola particular? . Também é necessário que eles saibam muitas outras coisas. que eles consigam acompanhar o meu curso.Bem.Pera aí. estudar.. tá legal. você capricha menos.é? ...

a escola considera todo e qualquer conteúdo válido. Sem fazer a crítica verdadeira. • valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais. credo. indecente. adequados a seus destinatários. histórica. Para que essa expectativa se concretize. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração. contrapondo-os quando necessário. esquemas. O texto na sala de aula. inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente.33) Ao longo dos oito anos do ensino fundamental. A menos que. experiências. compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes... • valorizar a leitura como fonte de informação. mas nunca serão os sujeitos das suas próprias histórias. sabendo assumir a palavra e produzir textos — tanto orais como escritos — coerentes. espera-se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em relação à linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana. sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos. São Paulo: Ática. etc. e encara-o como problema pedagógico. aos objetivos a que se propõem e aos assuntos tratados. elaborar roteiros. o ensino de Língua Portuguesa deverá organizar-se de modo que os alunos sejam capazes de: • expandir o uso da linguagem em instâncias privadas e utilizá-la com eficácia em instâncias públicas. . 2007. tragicamente. (GERALDI. via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética.) Texto 2 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (PCN. coesos. depois de aulas onde não faltam castigos e broncas. que esboçamos anteriormente. fazer resumos. muitas vezes baseado em preconceitos. impõe-lhes modelos de ensino e conteúdos justamente produzidos para a conservação dessa situação injusta. sabendo como proceder para ter acesso. do saber que coloca aos alunos. sendo capazes de expressar seus sentimentos. sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam. interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz.. E assim vemos muitos professores de português. ensinando análise sintática a crianças mal alimentadas. compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes. • utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem. • conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado. Sem o menor respeito pelas condições de vida de seus freqüentadores. condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. p.p. organizar notas. interpretar e considerar os dos outros. gênero ou etnia. • conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe. • compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social. • utilizar diferentes registros. 10 a 16. ignorâncias. João Wanderley(org). ter acesso aos bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado.E a escola? Muitas vezes a escola esquece que educação é um problema social. que acabam. • usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para expandirem as possibilidades de uso da linguagem e a capacidade de análise crítica. dogmáticas. pálidas. idéias e opiniões. verdades incontestáveis. índices. bem como de acolher.

Na frase 1 temos uma economia lingüística que torna a frase mais compreensível a todos os ouvintes. de idade diferente. Esta variação tende a minimizar-se devido à mídia (meio de comunicação de massa). os gestos. a pintura. As línguas fornecem também meios de constituição de identidade social. a dança.se você ver o Antônio diz pra ele que eu quero falar com ele. assim como um bancário ou um operário não têm o mesmo nível de linguagem. Seu idioleto (saber linguístico individual) varia de acordo com a sua cultura. Normalmente o grau de escolaridade está associado à classe econômica do falante) . um chefe de Estado. Existem muitos tipos de linguagem: a fala. As variações linguísticas Todas as línguas variam. advogados. a oposição linguagem do homem/ linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis. isto é. devido a certos tabus morais. o código Morse. entendendo-se como tal um vocabulário com gírias. essas diferenças se refletem na linguagem. 2007. As variações linguísticas são condicionadas por fatores internos da língua ou por fatores sociais. em especial no campo do vocabulário. 35) Variedades ligadas ao falante ou a aspectos socioculturais: Idade (considerando-se o locutor adulto. Por isso. um dirigente industrial. posição social e instrução. ambulantes. p. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. as variações devidas às faixas etárias se limitam muito mias ao vocabulário e nem sempre são fáceis de perceber. Muitos meninos não podem usar a chamada linguagem correta na escola sob pena de serem marcados pelos colegas. ou por ambos ao mesmo tempo. embora possam conviver na mesma comunidade em que atuam. Um político. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel. o que limita o tipo de ouvinte capaz de entendê-la. a música. fala-se muito em uma linguagem jovem. muitas vezes percebem-se diferenças na fala das pessoas de classes diferentes. de sexo diferente. o código de trânsito etc. porque em nossa sociedade a correção é considerada uma marca feminina. que têm exercido um papel nivelador. aos colégios mistos e aos movimentos feministas. uma autoridade falar como um marginal social etc. de etnia diferente.AULA 2 – VARIANTES LINGUÍSTICAS VARIAÇÕES DE LINGUAGEM Linguagem é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas. (GERALDI. um velho falar como uma criança. A variedade linguística é o reflexo da variedade social e. Por isso seria estranho. quando não ridículo. à mulher trabalhar fora do lar. Raça (ligada a fatores etnológicos ou culturais) Profissão (linguagem técnica – jargão técnico . Modernamente. militares. Já a frase 2 demonstra domínio das formas lingüísticas ausentes na linguagem popular. mais empregado pelos indivíduos dessa faixa etária) Sexo (de acordo com a comunidade. etc.ou profissional em que os falantes utilizam um vocabulário condizente com sua atividade: médicos. policiais) Posição social (O status do falante também exige dele um cuidado com a linguagem a fim de ser distinguido dentro do grupo em que atua. João Wanderley(org). o desenho. Grau de escolaridade (observe: 1. 2se você vir o Antônio diga-lhe que quero falar-lhe.

Optamos por este nível ao escrevermos requerimentos. seminários palestras etc. aprendida fora da escola com pessoas próximas. Caracteriza-se por maior rigor no uso do vocabulário e pela obediência às regras gramaticais adquiridas por anos na escola. fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida. como uma gradação: Registro formal ou culto: é o nível de linguagem utilizado em situações formais. Registro coloquial ou popular: é a maneira informal de se comunicar no dia-a-dia. meios de comunicação de massa. termos chulos. o emissor segue a sua gramática interior. Ao usar esse registro. utilizar a língua de maneira diferente cria vários níveis de linguagem. a mais adequada a cada contexto. Falar uma língua é parecido com vestir-se: assim existe uma roupa adequada para cada situação. mas sim. NÍVEIS DE LINGUAGEM O fato de cada pessoa. pois recebe influência direta de fatores culturais como escolas. ADEQUAÇÃO Diante de tantas variantes lingüísticas. Soa como pretensioso. escrevendo bilhete para a namorada. textos acadêmicos e ao fazermos discursos em formaturas. provas escolares. é inadequado em situação formal usar gírias. próprio da língua escrita formal. desrespeitosos. intimidade e vocabulário do que para outros) Estado emocional do falante (quando estamos nervosos usamos uma linguagem mais eufórica. linguagem rural: mais conservadora e isolada. Resposta: não existe a mais correta em termos absolutos. por exemplo) Época (o português de nossos antepassados é diferente do que falamos hoje) Tema (para alguns temas temos mais facilidade. pedante. Por outro lado. artificial. fugir afinal das normas típicas dessa situação. ou grupo de pessoas. também existe uma variedade lingüística adequada a cada situação. é inevitável perguntar qual delas é a correta. literatura etc. com mais adjetivos e até palavrões do que quando estamos calmos) Grau de intimidade entre os falantes. documentos. “batendo papão” com colegas etc. do mais formal ao mais informal. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização) Variedades ligadas à situação: Ambiente (falamos diferentemente em casa e no trabalho. por pessoas escolarizadas.Local em que reside (linguagem urbana: mais próxima da linguagem comum. LINGUAGEM FORMAL Hierarquia de poder (não igual) Contato não freqüente Pouco envolvimento afetivo Léxico formal (formas não abreviadas e não emprego de gírias) Emprego de apelidos e diminutivos Emprego de títulos Expressões de afeto e despreocupação com a Expressões de deferência e preocupação com a polidez polidez Uso de expressões que indicam opinião Uso de expressões que indicam sugestão LINGUAGEM INFORMAL Poder igual entre os falantes Contato freqüente Grande envolvimento afetivo Léxico coloquial (abreviações e gírias) . Usar o português rígido. intuitiva. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. jogando bola com os amigos. Dessa maneira.

ele deve saber usar convenientemente os níveis de linguagem. . elementos próprios da linguagem informal e. Assim preparado o material. Cubra. portanto. Assim. Faça incisões cuidadosas em forma de losangos sobre a superfície da peça. bastante culta e inadequada para o seu público leitor. Retire do recipiente o produto cozido. vertendo sobre ele cerca de 250 ml de H2O. Tome 125 ml de licor de Genebra e faça uma aspersão sobre a superfície da peça. a seguir. Coloque num forno préaquecido a 150º. devidamente afiado. devemos ficar atentos para não utilizar. Com um instrumento cortante. Reescreva o texto utilizando uma linguagem mais apropriada. inadequados à linguagem acadêmica ou empresarial. deixando-o exposto à temperatura ambiente até que seja atingido o equilíbrio térmico. pressionando manualmente. Insira em cada ponto de intersecção das linhas de incisão um cravo aromático (botão seco da Eugenia caryophylatta) de que foi previamente retirado o elemento esférico superior. adequando-os ao interlocutor e à situação de comunicação. O texto abaixo é uma receita. destaque o couro que deve recobrir a estrutura muscular do trem posterior de um suíno. A fusão completa do melaço marca o fim da preparação. Recoloque a peça no recipiente utilizado anteriormente. Atividade Vamos ver como você se sai na cozinha. na redação de nossos textos na universidade ou na empresa. coloque-o num recipiente metálico de proporções adequadas. Faça voltar ao forno por 15 minutos a uma temperatura de 220º. porém escrita em linguagem científica. bem como parte do revestimento adiposo. Corte ananás sativus em secções delgadas e aplique estas secções sobre a peça.Se o objetivo de um indivíduo é falar para ser bem compreendido pelo ouvinte. esta superfície com melaço de açúcar bruto queimado. durante 60 minutos.

AULA 3 – O ENSINO DA ORALIDADE Texto 1 Que fala cabe à escola ensinar (PCN. diálogos com autoridades. pois seria descabido ―treinar‖ o uso mais formal da fala. Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas. É saber. um político. Quando se usa aqui a expressão ―de fato‖. um feirante. é produzir o efeito pretendido. denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos. todos aqueles que tomam a palavra para falar em voz alta. possui muitas variedades dialetais 13. 14. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato14 . mas de sua adequação às circunstâncias de uso. do que se sente. um repórter. seria preciso ―consertar‖ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que. em contextos mais formais. debates.26) A Língua Portuguesa. do que se é. sua existência no interior de práticas sociais comunicativas não-escolarizadas. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo. do contexto e dos interlocutores a quem o texto se dirige. um professor. Variedades dialetais ou dialetos são compreendidos como os diferentes falares regionais presentes numa dada sociedade. no Brasil. mas saber qual forma de fala utilizar. tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes.39 a 41) Não é papel da escola ensinar o aluno a falar: isso é algo que a criança aprende muito antes da idade escolar. a intenção é marcar a existência sociocultural extra-escolar dessas atividades discursivas. 13. a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ―certa‖ de falar — a que se parece com a escrita — e o de que a escrita é o espelho da fala — e. portanto. etc. enfim. seminários. dificilmente ocorrerá se a escola não tomar para si a tarefa de promovê-la. quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em função da intenção comunicativa. num dado momento histórico. dramatizações. um radialista. de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar adequadamente. Talvez por isso. Quando o fez. Identificam-se geográfica e socialmente as pessoas pela forma como falam. Isso se conquista em ambientes favoráveis à manifestação do que se pensa. Assim. como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. com a esperança de evitar que escrevessem errado. etc. As instituições sociais fazem diferentes usos da linguagem oral: um cientista. por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico. Ao longo deste documento a expressão foi usada também referindose a textos. a usos da linguagem. e também para poder ensinar Língua Portuguesa. sendo assim. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado. Expressar-se oralmente é algo que requer confiança em si mesmo. Texto 2 LÍNGUA ORAL: USOS E FORMAS (PCN – p. o . a escola não tenha tomado para si a tarefa de ensinar quaisquer usos e formas da língua oral. saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. Mas há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar: é muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas. Reforçou assim o preconceito contra aqueles que falam diferente da variedade prestigiada. especialmente nas mais formais: planejamento e realização de entrevistas. Para isso. na escola. foi de maneira inadequada: tentou corrigir a fala ―errada‖ dos alunos — por não ser coincidente com a variedade lingüística de prestígio social —. A questão não é de correção da forma. A própria condição de aluno exige o domínio de determinados usos da linguagem oral. ou seja. considerando as características do contexto de comunicação. A aprendizagem de procedimentos eficazes tanto de fala como de escuta. considerando a quem e por que se diz determinada coisa. ou seja. um religioso. além de desvalorizar a forma de falar do aluno.p. utilizam diferentes registros em razão das também diferentes instâncias nas quais essa prática se realiza. a circunstâncias de enunciação. A questão não é falar certo ou errado.

por meio das chamadas apresentações de trabalho. a diferença e a diversidade. e um grande empenho por ensinar-lhes o exercício da adequação aos contextos comunicativos. atividades sistemáticas de fala. É fundamental que essa tarefa didática se organize de tal maneira que os alunos transitem das situações mais informais e coloquiais que já dominam ao entrar na escola a outras mais estruturadas e formais. sobretudo. coloquiais. da relação entre os interlocutores e da intenção comunicativa. Não basta deixar que as crianças falem. pois atravessa todas as áreas do conhecimento. Mas. a tomada de decisões sobre encaminhamentos. Considerar objeto de ensino escolar a língua que elas já falam requer. A capacidade de uso da língua oral que as crianças possuem ao ingressar na escola foi adquirida no espaço privado: contextos comunicativos informais. familiares. apenas o falar cotidiano e a exposição ao falar alheio não garantem a aprendizagem necessária. A exposição oral ocorre tradicionalmente a partir do 4º ano. escuta e/ou reflexão sobre a língua. diante de diferentes interlocutores. escuta e reflexão sobre a língua. de observação de diferentes usos. • atividades de produção oral de planejamento de um texto. de suas comunidades. mas que tenham sempre sentido de comunicação de fato: exposição oral. na sala de aula. Eleger a língua oral como conteúdo escolar exige o planejamento da ação pedagógica de forma a garantir. portanto. se feita em grupo. sobre temas estudados apenas por quem expõe. de certa forma. a divisão de tarefas. boa parte dessas situações também tenha lugar no espaço escolar. por sua vez. comparação e confronto de procedimentos empregados. dentro dos mais diversos projetos: • atividades em grupo que envolvam o planejamento e realização de pesquisas e requeiram a definição de temas. a explicitação do que se deve ensinar e de como fazê-lo. é necessário diversificar as situações propostas tanto em relação ao tipo de assunto como em relação aos aspectos formais e ao tipo de atividade que demandam — fala. etc. Possivelmente por se imaginar que a boa . cuja finalidade é a exposição de temas estudados. ensinar-lhe a utilizar adequadamente a linguagem em instâncias públicas. Ainda que. de elaboração propriamente e de análise de sua qualidade. de reflexão sobre os recursos que a língua oferece para alcançar diferentes finalidades comunicativas. Supõe também um profundo respeito pelas formas de expressão oral trazidas pelos alunos. Em geral o procedimento de expor oralmente em público não costuma ser ensinado. • atividades dos mais variados tipos. a coordenação da fala própria com a dos colegas — dois procedimentos complexos que raramente se aprendem sem ajuda. descrição do funcionamento de aparelhos e equipamentos em situações onde isso se faça necessário. a fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente. • atividades de resolução de problemas que exijam estimativa de resultados possíveis. verbalização. Esse tipo de tarefa requer preparação prévia. depende de a escola ensinar-lhe os usos da língua adequados a diferentes situações comunicativas. quer sejam da área de Língua Portuguesa. a apresentação de resultados. São essas situações que podem se converter em boas situações de aprendizagem sobre os usos e as formas da língua oral: atividades de produção e interpretação de uma ampla variedade de textos orais. quer sejam das demais áreas do conhecimento. fundamentais para a realização de aprendizagens de natureza lingüística. A linguagem tem um importante papel no processo de ensino. narração de acontecimentos e fatos conhecidos apenas por quem narra. Para isso. É preciso que as atividades de uso e as de reflexão sobre a língua oral estejam contextualizadas em projetos de estudo. As situações de comunicação diferenciam-se conforme o grau de formalidade que exigem. não se trata de reproduzi-las para ensinar aos alunos o que já sabem. mas o contrário também vale: as atividades relacionadas às diferentes áreas são. para que possam conhecer seus modos de funcionamento e aprender a utilizá-las. E isso é algo que depende do assunto tratado. a partir de intenções de natureza diversa.desenvolvimento da capacidade de expressão oral do aluno depende consideravelmente de a escola constituir-se num ambiente que respeite e acolha a vez e a voz. considerando o nível de conhecimento do interlocutor e. É preciso. portanto. A produção oral pode acontecer nas mais diversas circunstâncias. De nada adianta aceitar o aluno como ele é mas não lhe oferecer instrumentos para enfrentar situações em que não será aceito se reproduzir as formas de expressão próprias de sua comunidade.

exposição oral decorra de outros procedimentos já dominados (como falar e estudar). No entanto, o texto expositivo — tanto oral como escrito — é um dos que maiores dificuldades apresenta, tanto ao produtor como ao destinatário. Assim, é importante que as situações de exposição oral freqüentem os projetos de estudo e sejam ensinadas desde as séries iniciais, intensificando-se posteriormente. A preparação e a realização de atividades e projetos que incluam a exposição oral permitem a articulação de conteúdos de língua oral e escrita (escrever o roteiro da fala, falar a partir do roteiro, etc.). Além disso, esse tipo de atividade representa um espaço privilegiado de intersecção entre diferentes áreas do conhecimento, pois são os assuntos estudados nas demais áreas que darão sentido às atividades de exposição oral em seminários. O trabalho com linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas: seminários, dramatização de textos teatrais, simulação de programas de rádio e televisão, de discursos políticos e de outros usos públicos da língua oral. Só em atividades desse tipo é possível dar sentido e função ao trabalho com aspectos como entonação, dicção, gesto e postura que, no caso da linguagem oral, têm papel complementar para conferir sentido aos textos. Além das atividades de produção é preciso organizar situações contextualizadas de escuta, em que ouvir atentamente faça sentido para alguma tarefa que se tenha que realizar ou simplesmente porque o conteúdo valha a pena. Propostas desse tipo requerem a explicação prévia dos seus objetivos, a antecipação de certas dificuldades que podem ocorrer, a apresentação de pistas que possam contribuir para a compreensão, a explicitação das atitudes esperadas pelo professor ao longo da atividade, do tempo aproximado de realização e de outros aspectos que se façam necessários. Mais do que isso, é preciso, às vezes, criar um ambiente que convide à escuta atenta e mobilize a expectativa: é o caso, por exemplo, dos momentos de contar histórias ou relatos (o professor ou os próprios alunos). A escuta e demais regras do intercâmbio comunicativo devem ser aprendidas em contextos significativos, nos quais ficar quieto, esperar a vez de falar e respeitar a fala do outro tenham função e sentido, e não sejam apenas solicitações ou exigências do professor.
6. Registro refere-se, aqui, aos diferentes usos que se pode fazer da língua, dependendo da situação comunicativa. Assim, é possível que uma mesma pessoa ora utilize a gíria, ora um falar técnico (o “pedagoguês”, o “economês”), ora uma linguagem mais popular e coloquial, ora um jeito mais formal de dizer, dependendo do lugar social que ocupa e do grupo no qual a interação verbal ocorrer. 7. Interação verbal, aqui, é entendida como toda e qualquer comunicação que se realiza pela linguagem, tanto as que acontecem na presença (física) como na ausência do interlocutor. É interação verbal tanto a conversação quanto uma conferência ou uma produção escrita, pois todas são dirigidas a alguém, ainda que esse alguém seja virtual. 8. Coesão, neste documento, diz respeito ao conjunto de recursos por meio dos quais as sentenças se interligam, formando um texto. 9. O termo “gênero” é utilizado aqui como proposto por Bakthin e desenvolvido por Bronckart e Schneuwly.

ATIVIDADE a) Carta da mãe portuguesa Querido filho: Escrevo-te estas linhas para que saibas que a mãe está viva. Como sei que não consegues ler rápido, vou me pôr a escrever bem devagar. Estas bem? Faz tempo que não sei o que anda a acontecer contigo. Caso estejas sem tempo de escrever à mãe, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranqüilo vais mandar notícias. Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos. Temos agora uma maquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem. Na semana passada pus lá catorze camisas e apertei um botão e nunca mais as vi. Vai ver que essa marca Hydra não é das melhores. Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se vais ser tio ou tia. Teu pai arranjou um bom emprego. Tem 2.300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte de grama no cemitério. Quem anda sumido é seu tio Venâncio, que morreu ano passado e teu primo Jacinto que sempre acreditou ser mais rápido que um touro. Bem que se viu que não era. Lembras-te do tio Joaquim? Então, afogou-se mês passado num depósito de vinho.Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles. O corpo foi cremado há duas semanas. Levaram oito dias para apagar o incêndio. Estou preocupada com o nosso cachorro, ele não para de perseguir os carros parados. Os engarrafadores de refrigerantes aqui finalmente tiveram a grande idéia de colocar uma indicação na tampinha, dizendo "Abra por aqui". Facilitou-nos muito a vida. Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja difícil para

ti, a mãe te manda algumas garrafas. Teu irmão, João, continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave, para pode tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar. Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho. Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante três dias. Na segunda, choveu durante quatro dias. A política neste país continua a mesma de sempre. Há poucos dias houve a eleição para presidente do sindicato dos metalúrgicos. Ganhou o Manuel Inácio Da Silva, o Mula. Esta carta mando-te através do Gabriel, que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto? Lembrei-me de uma coisa importante: terás um problema para falar com a mãe, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço. Se encontrares a Tereza, dê um alô de minha parte. Caso não a encontres, não precisas dizer nada. Adeus. Tua mãe que te ama... Ps. Ia te mandar 2000 escudos, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope.

Atividade: Após este exemplo, escreva uma carta para os pais da escola de EI onde você trabalha comunicando uma epidemia e a consequente suspensão das aulas por 1 semana.

AULA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS
A VARIEDADE DE TEXTOS: OS GÊNEROS TEXTUAIS Os gêneros devem ser adequados à idade dos alunos, fazerem parte da realidade social e escolar dos alunos. QUADRO DE GÊNEROS TEXTUAIS:
Domínios sociais Aspecto de comunicação tipológico Cultura literária NARRAR ficcional Capacidades de linguagens dominantes Imitação da ação através da criação da intriga. (fictício) Exemplos de gêneros orais e escritos

Documentação ou RELATAR memorização das ações humanas

Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo. (real)

Discussão de ARGUMEN problemas sociais TAR

Sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição. (defesa de idéias)

Transmissão construção saberes

e EXPOR de

Apresentação textual de diferentes formas dos saberes. (científico)

Conto maravilhoso Conto de fadas Fábula Lenda Narrativa de aventura Narrativa de ficção científica Narrativa de enigma Histórias engraçadas Biografia romanceada Romance Romance histórico Novela Conto Paródia Adivinha Piada Crônica literária Relatos de experiências vividas Relatos de viagem Diário íntimo Testemunho Anedota Autobiografia Curriculum vitae Notícia Reportagem Crônica mundana Crônica esportiva Históricos Relatos históricos Textos de opinião/ diálogo argumentativo Carta de leitor Carta de reclamação Carta de solicitação Debate regrado Editorial Discurso de defesa (advocacia) Requerimento ensaio Resenhas críticas Texto expositivo Conferência Entrevista de especialista Texto explicativo Resumo de textos expositivos e explicativos

que permite o acesso à informação escrita com autonomia. Por isso. Sem negar a importância dos que respondem a exigências práticas da vida diária. ensinar a produzi-los e a interpretá-los. E essa capacidade.25. é condição para o bom aprendizado. portanto. mas é a de Língua Portuguesa que deve tomar para si o papel de fazê-lo de modo mais sistemático. bem como a constituição de práticas que possibilitem ao aluno aprender linguagem a partir da diversidade de textos que circulam socialmente. comparar diferentes pontos de vista. apresentar uma informação nova. . se ela acha que está certo. a necessidade de atender a essa demanda. Pode ser que o seu aluno não apresente essas fases assim descritas e já vá direto ao processo quase formal da escrita. é necessário observar as fases do processo. implica uma revisão substantiva das práticas de ensino que tratam a língua como algo sem vida e os textos como conjunto de regras a serem aprendidas. descrever um problema. e nessas aulas também não. pois não há um trabalho planejado com essa finalidade. se ela tem dúvida no que fez. não se ensina a trabalhar com textos expositivos como os das áreas de História. Não há problema. todas as disciplinas têm a responsabilidade de ensinar a utilizar os textos de que fazem uso. Cabe. ao exercício da reflexão. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas. os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada. o aluno não se torna capaz de utilizar textos cuja finalidade seja compreender um conceito. mesmo assim. Geografia e Ciências Naturais. Em conseqüência. Atualmente exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes e muito superiores aos que satisfizeram as demandas sociais até bem pouco tempo atrás — e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e. pois considera-se que trabalhar com textos é uma atividade específica da área de Língua Portuguesa. o mais importante é que você saiba reconhecer as fases que são normais e comuns. Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais — que podem estar relacionadas às ações efetivas do cotidiano. os textos são produzidos. lidos e ouvidos em razão de finalidades desse tipo. essas diferenças existirão mesmo. não consegue manejar. são os textos que favorecem a reflexão crítica e imaginativa.Instruções prescrições e Descrever ações Regulação mútua de comportamento (instrucional) Resenhas Relatório científico Relato de experiências (científicas) Instrução de uso Instrução de montagem Receita Regulamento Regras de jogo Texto 1 (PCNs p. Para a escola. · Tome o cuidado de estar sempre perguntando para a criança se isto é igual àquilo. o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas. Um exemplo: nas aulas de Língua Portuguesa. argumentar a favor ou contra uma determinada hipótese ou teoria. como espaço institucional de acesso ao conhecimento. por que fez assim e não de outra maneira.26) Diversidade de textos A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente. De modo geral. pois dela depende a possibilidade de aprender os diferentes conteúdos. Texto 2 CONCEITOS IMPORTANTES PARA A FORMAÇÃO DO ALFABETIZADOR Reconhecimento das fases da escrita Para que você possa acompanhar o processo de aquisição e desenvolvimento da escrita. dependendo dos estímulos e do ambiente alfabetizador de onde ele vem. à transmissão e busca de informação.

é uma história real ou não. para que eles realmente as percebam. vale a pena discutir o assunto e resgatar junto com eles qual é o sentido da escola. Atitudes pedagógicas Há uma série de procedimentos que devem nortear a atitude profissional do professor nas suas práticas diárias numa turma de alfabetização. da proposta-base do professor modificada com a interferência dos alunos. Tem de haver um propósito plausível. quem era ele. principalmente. se tiver feito desenhos. sua construção e as diferenças entre textos anteriormente acessados por ele. Deixe que proponham e. mas antes garanta que eles estabeleçam um propósito possível para eles e dê-lhes condições para alcançá-lo. certamente já estaremos dando condições de o aluno perceber melhor aquilo que estamos propondo. se quiser. Se não se coloca um título.Mas. de quem veio. um nome de programa de televisão. o que de conteúdo. · Chame a atenção dos alunos para o título do texto ou para o título daquilo que se propõe a escrever ou a ler. sobretudo. por que o meu registro tem só duas marcas? Ao refletir. baseados na realidade de cada um. às vezes. até modifiquem a sua intenção. Eles podem escolher livros. Se todos os dias tivermos essa atitude mínima. possam tomar significados maiores. . assim. mas o aluno que a trouxe sabe. · Procure estimulá-los e fazê-los lembrar de coisas que começam pela mesma sílaba e. uma comida que nunca comemos etc. Caso essas escolhas estejam muito fora do contexto da escola ou da sala de aula. · Sempre faça a apresentação do texto. · Cuide para que os apontamentos feitos pelos alunos. faça desenhos para facilitar o trabalho de percepção. das colocações feitas pelos alunos e. em letra de forma e em cursiva. eles já dominam. mas cuide para sempre registrar as colocações no formato de listas. textos. quais são as diferenças culturais e sociais entre eles e. o texto pode ficar sem sentido. não é possível saber para onde se quer ir e. A flexibilidade costuma dar melhores resultados. alguém saberia contar uma história parecida. Depois dos títulos vêm as tramas dos textos (os problemas enfrentados pelas personagens). escreva abaixo deles. Faça seu trabalho com base nisso. Quando estiver trabalhando com a escrita. ela elabora uma percepção mais consistente em relação à fala e à escrita. Os títulos são as principais percepções dos alunos no início do trabalho. você irá perceber as coisas que eles vivem. do desenho ou figura numa conversa informal com seus alunos. palavras que querem estudar.· É importante fazer a criança refletir: se eu ouvi cinco pausas na leitura da professora. · Justificar a leitura e a escrita que foram propostas é sempre uma postura louvável por parte do professor. coisas que querem fazer. sua apresentação. Não seja rígido nas suas propostas. sua forma. · Escreva sempre a sílaba que estiver trabalhando. sempre buscando evidenciar os elementos que estruturam um texto. · Leia para os alunos e com eles. da história.Não ser arbitrário nessa questão faz diferença no bom relacionamento com a turma. apresentando no quadro as respectivas grafias em maiúscula e minúscula. Assim. É necessário que o professor abra espaços para que os alunos possam colocar-se como agentes ativos no processo. é referente a um fato. Se um aluno trouxer uma palavra que é usada lá na zona onde vive e há uma variação lingüística ali ou um desconhecimento geral sobre o significado dela. é necessário construir essa habilidade na prática diária da leitura. assim por diante. mude um pouco a atividade e dê uma atenção maior àquilo que acabou de surgir e que despertou a curiosidade. O importante é justificar o porquê daquela palavra-chave e o porquê daquela sílaba específica. já lemos outro texto assim. é importante deixar claro que o título aponta para o caminho que o escritor irá percorrer. Questões pertinentes podem ser: Vocês repararam que esta história tem várias partes? Alguém pode dizer onde estão elas? Onde está o começo da história? Em que parte aconteceu tal coisa?Em que parte as personagens brigam? Onde alguém conta o que viu? · É importante identificar o texto ou a escrita: para quem é. É como se essa atitude fosse a nossa mais básica obrigação diária. · O isolamento e o destaque da sílaba que devemos trabalhar deve ser fruto dessas conversas informais. em relação a sua temática do dia. uma comida de que todos gostem. sempre fazendo ligações com outras coisas já vistas por eles: um nome de alguém da escola.

É dessa forma que as tentativas dos alunos de produção de textos se tornarão mais compreensíveis e claras para o professor. "e então". lendas. é imprescindível que. Além disso. » relatos: diários. despertando. testemunhos. ensaios. por isso. Mas a prioridade deve ser resgatar a compreensão e a interpretação deles para cada um dos tipos textuais. Concentre-se nos aspectos da leitura. biografias. convocações. Assim. uma farta diversidade de gêneros literários e vários tipos textuais. o professor chame a atenção para eles. nos momentos de leitura compartilhada. regras de jogo. · Deixe sempre à disposição dos alunos um canal para consulta. reportagens. Essas questões ajudarão a desenvolver um comportamento salutar em relação à clareza da escrita. não se pode jogá-la fora. bulas de remédios. "causos". daí ele saiu". Mesmo que os alunos ainda não consigam perceber a distinção entre eles. Produção textual A compreensão dos conteúdos que estão envolvidos na produção textual é fundamental para o trabalho de alfabetização. aventuras. os artigos. manuais de operação e de uso. · Crie situações naturais ou artificiais que tornem a escrita fundamental para que os alunos possam perceber as suas aplicabilidades. Faça-lhes sempre perguntas para ajudá-los a perceber se o que está sendo apresentado por eles. os alunos começam a fazer tentativas de escrita em várias direções. Isso se deve ao fato de que a coordenação motora nesta fase ainda está em desenvolvimento e. · Espaçamento entre palavras e entre linhas: depois da direção vem a etapa do espaçamento. desenvolvimento e conclusão. editoriais. sejam eles o escriba ou não. as conjunções. piadas. crônicas. Quando a criança ainda não os domina é comum aparecer nos textos as expressões: "e aí". ficção. determinar claramente qual é o objetivo da escrita ou qual é a idéia que percorrerá a leitura antes de iniciá-la pode resolver uma série de questões acerca do entendimento prévio necessário para que o aluno acompanhe. daí ele fez aquilo. Os alunos em alfabetização também costumam escrever tudo junto (eugostodemelcommamão). o próprio professor ou qualquer outro material para que ele possa recorrer num momento de dúvida. qualquer que seja o processo. Caso contrário. depoimentos. eles desenvolverão uma percepção somente da trama principal e deixarão de lado as minúcias. regimentos e estatutos. » textos instrucionais: receitas. petições). sem linhas e sem marcas). se necessário. no entanto. inventários. "daí ele fez isso. cartas (pessoais. Essas são dicas de que a criança não tem a menor idéia do que seja um elemento de coesão nos textos escritos. · Direção da escrita: primeiramente. de reclamação. resenhas. ou ainda. Deixe que os alunos saboreiem livremente cada um dos textos e depois. fábulas. » textos expositivos: verbetes de dicionário. no trabalho diário. assim. dentro de cada gênero. com as mesmas características. como as preposições. trechos de livro didático. . dando sentido ao texto. é muito difícil para a criança desenvolver o traço dentro de espaços tão pequenos como os determinados pelas linhas. » textos argumentativos: diálogos. seja um dicionário. artigos opinativos. de que para sempre necessitarão.· Os textos têm uma idéia central e uma porção de outras que se desenrolam em torno dela. avisos. relatórios de experiências. Com o tempo. A escrita tem de ser uma necessidade para a criança. etc. contos de fadas. Cuide para que os alunos percebam também as nuanças e os detalhes de uma boa narrativa. É a arbitrariedade do professor que vai direcionar esta produção. autobiografias. » textos narrativos: contos. eles começarão a perceber que essa ordem dá uma organização final que é imprescindível para que todos possam ler aquilo que eles escrevem. Tome o cuidado de escolher bons textos de cada tipo. pequenas delícias do texto secundário. · Elementos de coesão: são aqueles elementos da escrita que ligam umas idéias nas outras. · Sequência lógica: o texto exige uma seqüência lógica: introdução. · Paragrafação: a idéia de parágrafo não deve ser trabalhada tão cedo. · Apresente-lhes. Resgate-as. faça o trabalho de produção textual. é compreensível por parte de quem ouve. eles amontoam um pouco a primeira linha com a segunda e assim por diante (lembrando que no início da alfabetização trabalhamos com folhas sem pauta. o desejo de dominá-la. notícias. os pronomes e uma porção de outros elementos das mais diferentes classes de palavras. com a qual o aluno precisa ter contato desde o começo.

A criança tem em média 12anos de escolarização para ter um bom domínio da língua pátria. sempre apresentará uma série de erros ortográficos. uma vez que tenha consciência do mundo e do papel que pode desempenhar nele. É a vida que surge da palavra. mas sobretudo aguda ou fina. certamente o objetivo será alcançado ao final. discute-se o conceito de poesia e obra literária. · Busca-se. o trabalho com coordenação motora global. Mas isso não é tudo. · O letramento é composto pelas experiências de vida da criança dentro e fora da escola. É importante que a criança tenha este tipo de trabalho motor. · Erros ortográficos: O texto produzido livremente. jogos e atividades lúdicas ajudam muito. quais interferências lhe são possíveis. Brincadeiras infantis. Geraldo Peçanha de. Isso é normal. Não se esqueça de que até aos 12 anos a criança pode mudar a mão com a qual se sente melhor para escrever. · A vivificação exige um compromisso de que todas as atividades sejam estruturadas como situações de desafio. evitando o estado de passividade. Assim. Sempre aponte para a criança os erros e os acertos. mas não tenha uma preocupação excessiva com essa questão. ajudam na tonicidade muscular. como ela elabora suas ações. como a letra entra no cotidiano dela.· Legibilidade da letra: o traçado da letra é primeiramente uma habilidade motora. sob orientação e de forma contextualizada. sejam próximos ou mais distantes da realidade da criança. mais ação. em desordem. Depois. não só mecânico. tudo isso aliado aos aspectos de caráter crítico-social. por meio da interferência dela própria. P. situações-problema que cobrem dos alunos mais participação. Mas não seja negligente. mas o processo precisa ser cognitivo. Depois ele passa a ser uma parte da nossa personalidade. inicialmente. É a vivificação da alfabetização. na escola. É a dominância hemisférica que irá definir a opção. você tem de unir os tipos de trabalho. Trabalhar com eixos norteadores É preciso que o professor desenvolva uma percepção dos eixos norteadores e geradores acerca do letramento. sem deixar que se percam a beleza da palavra e o prazer do texto. seja ele oral ou escrito. na firmeza e na destreza das mãos. . para obter melhor resultado. mais atividade. (ALMEIDA. se o trabalho for intensificado aos poucos.com a vivificação da alfabetização. tendo como ponto de partida temas sociais de toda natureza. Letramento é a letra que ganha vida ativa. como elemento desencadeador da ação.levar a criança à superação do espontaneísmo e da mera permanência no senso comum e na reprodução mecânica da escola. e deve colocá-los na ordem que julgar melhor. Por isso. por exemplo. E para desenvolvê-lo é necessário constituir eixos geradores. Não se desespere. A forma como a criança vive. Pode-se fazer um sarau de poesias infantis com os livros trazidos pelos colegas . Letramento é a função social da escrita na vida da criança. Nossa letra tem uma relação direta com aquilo que somos. · Essa vivificação do alfabeto torna o texto elemento central do trabalho. dá boas condições motoras para a execução do traço.10 a 17) Atividade Cada dupla ou grupo recebe um poema separado em versos soltos. · Esse trabalho deve ser baseado em critérios criativos e lúdicos.

O nome que assina um desenho.AULA 5 – COMO ENSINAR A ESCREVER . a unidade básica de ensino só pode ser o texto. mas isso não significa que não se enfoquem palavras ou frases nas situações didáticas específicas que o exijam. mural) Gênero (conto. Dentro desse marco. todos são textos. conto de fadas. como os escritos das cartilhas. A palavra ―pare‖. um conto ou um romance. Um texto não se define por sua extensão. Precisa ser articulado Precisa ser articulado Plano da forma/expressão (como dizer) Determinado pelo texto original Possibilita tratar de aspectos coesivos da língua Definido pelo texto modelo . criança) O meio de divulgação: suporte (carta. é necessário explicitar para o aluno: Quem será o leitor/receptor (prof. resumos) Decalque (modelos lacunados: cartas comerciais. no lugar de aproximar as crianças dos textos de qualidade. livro. às vezes. lazer) A necessidade de revisão (processual e final) e refacção. é um texto cuja extensão é a de uma palavra. Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre crianças e textos há um equívoco de origem: tenta-se aproximar os textos das crianças — simplificandoos —. proposta pelo professor. nem sequer podem ser considerados textos. prova. que é questão central. ―Textos‖ que não existem fora da escola e.Paródia Antes da produção. 28 e 29) O TEXTO COMO UNIDADE DE ENSINO O ensino da Língua Portuguesa tem sido marcado por uma seqüenciação de conteúdos que se poderia chamar de aditiva: ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras. de se comover. não é nem um texto nem parte de um texto. paródias) Autoria (a tarefa do sujeito torna-se complexa) Texto 1 (PCN p. permite que o aluno se concentre no que tem a dizer. relato. reportagem) Objetivo/finalidade (convite. desconhecido. de poucas frases. Essa visão do que seja um texto adequado ao leitor iniciante transbordou os limites da escola e influiu até na produção editorial: livros com uma ou duas frases por página e a preocupação de evitar as chamadas ―sílabas complexas‖. aviso. pouco têm a ver com a competência discursiva 21 . adulto. Analisando os textos que costumam ser considerados adequados para os leitores iniciantes. no mínimo. pintada no asfalto em um cruzamento. remota. descontextualizadas. não é possível tomar como unidade básica de ensino nem a letra. amigo.. a lista do que deve ser comprado. nem a frase que. pois não se insere em nenhuma situação comunicativa de fato. A produção de textos escritos Categorias didáticas de práticas de produção escrita Transcrição Reprodução (paráfrases. Se o objetivo é que o aluno aprenda a produzir e a interpretar textos. nem a sílaba. Ao aluno são oferecidos textos curtos. em geral. A possibilidade de se divertir. novamente aparece a confusão entre a capacidade de interpretar e produzir discurso e a capacidade de ler sozinho e escrever de próprio punho. jornal. Essa abordagem aditiva levou a escola a trabalhar com ―textos‖ que só servem para ensinar a ler. a juntar palavras para formar frases e a juntar frases para formar textos. de fruir esteticamente num texto desse tipo é. O mesmo ―pare‖. simplificados. até o limite da indigência. nem a palavra. Plano do conteúdo (o que dizer) Determinado pelo texto original Definido pelo texto modelo Em suas aplicações mais criativas. numa lista de palavras começadas com ―p‖. pois não passam de simples agregados de frases.

com alteração de significado (paródia) e incluindo elementos de outros contos (intertextualidade).Não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos. Atividade Após assistir ao DVD com várias fábulas tradicionais e ler as fábulas trazidas pelos colegas. Competência discursiva. neste documento. considerando todos os aspectos e decisões envolvidos nesse processo. a qualidade de suas idas melhora com a leitura. 21. de alguma forma. justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. pede-se que cada grupo faça uma nova versão de um deles. está sendo compreendida como a capacidade de se produzir discursos — orais ou escritos — adequados às situações enunciativas em questão. . As pessoas aprendem a gostar de ler quando.

 Pragmáticos: características da situação comunicativa do texto (sarau. a eficácia da escrita se caracteriza pela aproximação máxima entre a intenção de dizer. a outros textos quando precisa utilizar fontes escritas para a sua própria produção. se é enviar notícias a familiares. mesa-redonda etc). É. e a escrita não é o espelho da fala. Um escritor competente é alguém que planeja o discurso e conseqüentemente o texto em função do seu objetivo e do leitor a que se destina. o que efetivamente se escreve e a interpretação de quem lê.  Notacionais: relativos à compreensão do sistema de escrita. morfologia. nos últimos vinte anos. capaz de recorrer. obscuro ou incompleto. TEXTO 1 (PCN p. escreverá uma carta. estilística. em qual portador circulará. conhecendo possibilidades que estão postas culturalmente. adequação ao gênero solicitado. que não se aprende a ortografia antes de se compreender o sistema alfabético de escrita. 47 a 53) Prática de produção de textos O trabalho com produção de textos tem como finalidade formar escritores competentes capazes de produzir textos coerentes. com sucesso. o escritor competente selecionará um gênero que lhe possibilite a produção de um texto predominantemente argumentativo. coesos e eficazes.AULA 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ESCRITA DOS PCNS Aspectos que devem ser considerados na produção de texto:  Discursivos: relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. ainda. As pesquisas na área da aprendizagem da escrita. semântica. é necessário ter acesso à diversidade de textos escritos. arriscar-se a fazer como consegue e receber ajuda de quem . com qual finalidade. Para aprender a escrever. sem desconsiderar as características específicas do gênero. que o domínio da linguagem escrita se adquire muito mais pela leitura do que pela própria escrita. que sabe esquematizar suas anotações para estudar um assunto. Um escritor29 competente é alguém que. pontuação. também. prova escrita. ao mesmo tempo. que é possível saber produzir textos sem saber grafá-los e é possível grafar sem saber produzir. têm provocado uma revolução na forma de compreender como esse conhecimento é construído. Por exemplo: se o que deseja é convencer o leitor.). que sabe expressar por escrito seus sentimentos.  Gramaticais: ortografia. experiências ou opiniões. O conhecimento a respeito de questões dessa natureza tem implicações radicais na didática da alfabetização. capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso. Hoje já se sabe que aprender a escrever envolve dois processos paralelos: compreender a natureza do sistema de escrita da língua — os aspectos notacionais — e o funcionamento da linguagem que se usa para escrever — os aspectos discursivos. o que pretendem dizer e a quem o texto se destina — afinal. É alguém que sabe elaborar um resumo ou tomar notas durante uma exposição oral. Ao contrário. ao produzir um discurso. redundante. acentuação. sabe selecionar o gênero no qual seu discurso se realizará escolhendo aquele que for apropriado a seus objetivos e à circunstância enunciativa em questão. se é fazer uma solicitação a determinada autoridade. ambíguo. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a escrever em condições semelhantes às que caracterizam a escrita fora da escola.  Textuais: relativos à coesão e coerência textuais. defrontar-se com as reais questões que a escrita coloca a quem se propõe produzi-la. provavelmente redigirá um ofício. seminário. um leitor competente. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a escrever. considerando. escrevendo‖. É preciso que se coloquem as questões centrais da produção desde o início: como escrever. A principal delas é que não se deve ensinar a escrever por meio de práticas centradas apenas na codificação de sons em letras. testemunhar a utilização que se faz da escrita em diferentes circunstâncias. Um escritor competente é. É preciso que aprendam os aspectos notacionais da escrita (o princípio alfabético e as restrições ortográficas) no interior de um processo de aprendizagem dos usos da linguagem escrita. Ou seja: é capaz de revisa-lo e reescrevê-lo até considerá-lo satisfatório para o momento.

encontram-se também enormes dificuldades no que diz respeito à segmentação do texto em frases. por sua vez. Quando ainda não se sabe escrever. envolvendo-se com cada um. Sendo assim. TRATAMENTO DIDÁTICO Alguns procedimentos didáticos para implementar uma prática continuada de produção de textos na escola: • oferecer textos escritos impressos de boa qualidade. uma prática continuada de produção de textos na sala de aula. que escreve. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de utilizar a escrita com eficácia. por meio da leitura (quando os alunos ainda não lêem com independência. São situações em que um aluno produz e dita a outro. É necessário. além de oferecer a ajuda que se fizer necessária durante a atividade. para um colega que já saiba escrever ou para ser gravado em fita cassete é uma forma de viabilizar isso. para quem. • propor situações de produção de textos. o professor tem um papel decisivo tanto para definir os agrupamentos como para explicitar claramente qual a tarefa de cada aluno. • solicitar aos alunos que produzam textos muito antes de saberem grafá-los. isso se torna possível mediante leituras de textos realizadas pelo professor. São esses textos que podem se converter em referências de escrita para os alunos. esse é o início de um caminho que deverão trilhar para se transformarem em cidadãos da cultura escrita. Experimentando esses diferentes papéis enunciativos. Diferentes objetivos exigem diferentes gêneros e estes. Compreendida como um complexo processo comunicativo e cognitivo. Quando se analisam as principais dificuldades de redação nos diferentes níveis de escolaridade. momentaneamente. grafar e revisar. portanto. Formar escritores competentes. numa atividade colaborativa. mesmo que não o faça convencionalmente. enquanto um terceiro revisa. Nessas situações. supõe. a cada vez. mesmo que não saiba grafá-los. cartas que não parecem cartas. 29. Como já foi explicado anteriormente. por exemplo. é preciso aproximá-los. principalmente quando são iniciados ―oficialmente‖ no mundo da escrita por meio da alfabetização. portanto. Eles podem. como atividade discursiva. têm suas formas características que precisam ser aprendidas. em pequenos grupos. ser uma prática continuada e freqüente). ouvir alguém lendo o texto que produziu é uma experiência importante. ao agrupamento dessas em parágrafos e à correção ortográfica. Além disso. tão logo o aluno chegue à escola. o tratamento que se dá à escrita na escola não pode inibir os alunos ou afastá-los do que se pretende. . Afinal. bem como as condições nas quais é produzida: para que. ensinar os alunos a lidar tanto com a escrita da linguagem — os aspectos notacionais relacionados ao sistema alfabético e às restrições ortográficas — como com a linguagem escrita — os aspectos discursivos relacionados à linguagem que se usa para escrever. Essa é uma estratégia didática bastante produtiva porque permite que as dificuldades inerentes à exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo sejam divididas entre os alunos. o que precisa. freqüentemente se encontram narrações que ―não contam histórias‖. que tenham condições de assumir a palavra — também por escrito — para produzir textos adequados. situações de produção de uma grande variedade de textos de fato e uma aproximação das condições de produção às circunstâncias nas quais se produzem esses textos. Uma das prováveis razões dessas dificuldades para redigir pode ser o fato de a escola colocar a avaliação como objetivo da escrita. a prática de produção de textos precisa realizar-se num espaço em que sejam consideradas as funções e o funcionamento da escrita. a escrever como lhe for possível. onde e como se escreve. Ditar para o professor. nas quais os alunos compartilhem as atividades. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. e apesar de todas as correções feitas pelo professor. embora realizando diferentes tarefas: produzir propriamente. dedicar-se a uma tarefa mais específica enquanto os outros cuidam das demais. textos argumentativos que não defendem nenhum ponto de vista. textos expositivos que não expõem idéias. Para tanto é preciso que. podem ir construindo sua competência para posteriormente realizarem sozinhos todos os procedimentos envolvidos numa produção de textos.já sabe escrever. também. o termo ―escritor‖ está sendo utilizado aqui para referir-se não a escritores profissionais e sim a pessoas capazes de redigir. seja solicitado a produzir seus próprios textos. ao contrário.

• o exercício de o escritor ajustar o texto à imagem que faz do leitor fisicamente ausente permite que o aluno aprenda a produzir textos escritos mais completos. • por intermédio dos projetos é possível uma intersecção entre conteúdos de diferentes áreas: por um lado. e de haver um produto final em torno do qual o trabalho de . etc. com características de textos escritos mesmo. um panfleto. poderá pôr em evidência o fato de que praticamente todos os cartazes são escritos com letras grandes — para permitir a leitura a distância — e com mensagens curtas — para que o leitor. lá. Quando está acabado. ou um panfleto com estatísticas a respeito de um assunto discutido. ao final ou durante o trabalho. a explicitação das dificuldades e a discussão de certas fantasias criadas pelas aparências. Por exemplo. esconde o processo pelo qual foi produzido. produção de textos orais. carregam exigências de grande valor pedagógico: • podem apontar a necessidade de ler e analisar uma grande variedade de textos e portadores do tipo que se vai produzir: como se organizam. escuta de leituras. privilegiam assuntos de outras áreas. que características possuem ou quais têm mais qualidade. um mural. Os projetos. ALGUMAS SITUAÇÕES DIDÁTICAS FUNDAMENTAIS PARA A PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTOS Projetos Os projetos30 são excelentes situações para que os alunos produzam textos de forma contextualizada — além do que. desde o início. uma cartilha sobre cuidados com a saúde. uma revista sobre vários temas estudados. que a correta ortografia pode ajudar na compreensão de quem lê. • os projetos favorecem o necessário compromisso do aluno com sua própria aprendizagem. Sendo assim. lá. Por exemplo: fazer um diário de viagem (pelos lugares que estão sendo estudados). dificilmente. não é fácil para ninguém. estudo. que não se pode ser tão redundante a ponto de correr o risco de o leitor desistir de ler o texto. Este. o texto praticamente não deixa traços de sua produção. lendas.).). por exemplo. em função do objetivo de trabalhar com textos informativos. sua importância e instruções para realização. 30. é fundamental que os alunos saibam que escrever. um livro sobre um tema pesquisado.• a conversa entre professor e alunos é. elaborar uma cartilha sobre o que é a coleta seletiva do lixo. por exemplo.) sem que o referente já tenha aparecido anteriormente no texto (quem é ele. além de oferecerem reais condições de produção de textos escritos. por exemplo. de uma atividade de reflexão sobre aspectos próprios do gênero que será produzido. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham‖. ―a característica básica de um projeto é ter um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. Isso poderá alertar tanto alunos como professores sobre o fato de que cartazes produzidos com textos longos e letra manuscrita pequena (como algumas vezes se pode observar nos corredores das escolas) não são eficazes. exigem leitura. pois a legibilidade passa a ser um objetivo deles também e não só do professor. a necessidade de revisão e de cuidado com o trabalho se impõe. ainda que gratificante para muitos. é imprescindível que se faça uso do registro escrito como recurso de documentação e de estudo. as pessoas suportam ler textos cuja letra é incompreensível. • quando há leitores de fato para a escrita dos alunos. pesquisa ou outras atividades. contos de assombração ou de fadas. dependendo de como se organizam. etc. Esse registro pode resultar na elaboração de portadores de textos específicos. deve aprender que não poderá usar dêiticos (ele. Podem ser de curta ou média duração. que. possa ler. também. etc. onde é aqui. um folheto informativo. envolver ou não outras áreas do conhecimento e resultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de um mesmo gênero (poemas. Trata-se. uma importante estratégia didática em se tratando da prática de produção de textos: ela permite. muito mais que mostra. há os projetos da área de Língua Portuguesa que. dos temas transversais. nesse caso. escrever um livro sobre as grandes navegações. O fato de o objetivo ser compartilhado. os cartazes de divulgação de uma festa na escola ou um único cartaz. um jornal mensal. Conforme já especificado anteriormente. ela. A tarefa de fazer um cartaz.Por outro lado. no ensino das outras áreas. mesmo caminhando. ela. Uma delas é a da facilidade que os bons escritores (de livros) teriam para redigir. aqui.

Produção com apoio A constatação das dificuldades inerentes ao ato de escrever textos — dificuldades decorrentes da exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo — requer a apresentação de propostas para os alunos iniciantes que. O termo ―rascunho‖ está sendo usado aqui com o sentido de ―esboço‖ e não com o sentido que lhe é habitual em muitas escol as de texto escrito com ―letra feia‖ que precisa ser ―passado a limpo‖. determinadas práticas habituais que não fazem qualquer sentido quando trabalhadas de forma descontextualizada podem ganhar significado no interior dos projetos: a cópia. do que quando essas são definidas pelo professor. uma notícia informando a respeito do desfecho de uma trama. o ditado. Isso em nada contribui para o texto ser entendido como processo ou para desenvolver a habilidade de revisar. cada vez mais. adiante. de modo que. É importante que essas situações sejam planejadas de tal forma que os alunos apenas se preocupem com as variáveis que o professor priorizou por se relacionarem com o desenvolvimento do conteúdo em questão. muitas vezes. a produção coletiva de textos. revisar. para que se concentrem em outras. 31. a revisão do texto32 assume um papel fundamental na prática de produção. transformar uma entrevista em reportagem e vice-versa. a exigência de uma ortografia impecável.. • produzir textos a partir de outros conhecidos: um bilhete ou carta que o personagem de um conto teria escrito a outro. possam ―eliminar‖ algumas delas. 32. a própria escola sugere esse procedimento. é preciso também oferecer condições . etc. uma mensagem de alerta sobre os perigos de uma dada situação. depende de o escritor.todos se organiza. Textos provisórios A materialidade da escrita. É preciso ser sistematicamente ensinada. A maioria dos escritores iniciantes costuma contentar-se com uma única versão de seu texto e. Ver. tomar nas mãos o seu próprio processo de planejamento. escrita e revisão dos textos. assuma sua real função: monitorar todo o processo de produção textual desde o planejamento. Isso significa deslocar a ênfase da intervenção. Essa possibilidade cria um efeito de distanciamento que permite trabalhar sobre o texto depois de uma primeira escrita.. O trabalho com rascunhos 31 é imprescindível. por exemplo) para que depois cada aluno escreva a sua versão (ou que o façam em pares ou trios). pode assumir um papel mais intencional e ativo no desenvolvimento de seus procedimentos de produção. • planejar coletivamente o texto (o enredo da história. etc. ao longo de todo o processo: antes. • dar o começo de um texto para os alunos continuarem (ou o fim. Situações de criação Quando se pretende formar escritores competentes. de certa forma. para que escrevam o início e o meio). que faz do seu produto um objeto ao qual se pode voltar. É uma excelente estratégia didática para que o aluno perceba a provisoriedade dos textos e analise seu próprio processo. permite separar não só o escritor do destinatário da mensagem (comunicação a distância). para o processo de produção. Por exemplo: • reescrever ou parafrasear bons textos já repertoriados mediante a leitura. • transformar um gênero em outro: escrever um conto de mistério a partir de uma notícia policial e viceversa. Nesse sentido. durante e depois. uma crônica sobre acontecimentos curiosos. Quando isso ocorre. nesse caso. o item ―Revisão de texto‖. separando produtor e produto. contribui muito mais para o engajamento do aluno nas tarefas como um todo. ou seja. a correção exaustiva do produto final. desde o planejamento. progressivamente. leitor e avaliador do seu próprio texto. A melhor qualidade do produto. de tal maneira que o escritor possa coordenar eficientemente os papéis de produtor. etc. no produto final. como também permite romper a situação de produção do texto. um trecho do diário de um personagem.

Uma oficina é uma situação didática onde a proposta é que os alunos produzam textos tendo à disposição diferentes materiais de consulta. dicionários. formar bons escritores depende não só de uma prática continuada de produção de textos. revistas e todo tipo de fonte impressa eventualmente necessária (até mesmo um banco de personagens criados e caracterizados pelos próprios alunos para serem utilizados nas oficinas). pontuação) 3) Superestrutura esquemática (características de cada tipo de texto) CRITÉRIOS PARA CORREÇÃO DE UM TEXTO NARRATIVO Descrição Código dos alunos (A1. Esse trabalho de explicitação permite que. é preciso escrever unicamente para aprender. Emprego de mecanismos de sequenciação. Paragrafação bem delineada. AULA 7 – COM FAZER A CORREÇÃO /REVISÃO TEXTUAL Para escrever/corrigir. Propriedade vocabular. os procedimentos de análise propostos pelo professor se incorporem à prática de reflexão do aluno. personagens.de os alunos criarem seus próprios textos e de avaliarem o percurso criador. criar. fazer com que os alunos exponham suas preferências. não seja necessário analisar unidades como as palavras e até mesmo as sílabas. favorecendo um controle maior sobre seu processo criador. é dar sentido às atividades de escrita. enciclopédias. Adequação do título à narrativa. recriar as próprias criações. seja por meio de um contato direto. eventualmente. A3. entrevistas. Linguagem clara. de qualquer forma. A4. idéia) 2) Microestrutura (forma. jornais. Domínio das técnicas de construção de discursos (direto e indireto) Uso freqüente de sinais de pontuação. seja por meio de textos por eles escritos sobre o tema ou de vídeos. deve-se orientar/observar: 1) Macroestrutura (conteúdo. com o tempo.) Organização e conteúdo Forma e linguagem Texto organizado em parágrafos. LEGENDA: N: não. Suficiente domínio das normas de convenção ortográfica. desenvolvimento e conclusão. . Presença de narrador. Uma forma de trabalhar a criação de textos são as oficinas ou ateliês de produção. enredo (introdução. em função do que vão produzir: outros textos do mesmo gênero. etc. tempo. mas de uma prática constante de leitura. clímax e desfecho). Evidentemente. A2. Por isso. A possibilidade de avaliar o percurso criador é importante para a tomada de consciência das questões envolvidas no processo de produção de textos. Por outro lado.. é importante destacar que nem todos os conteúdos são possíveis de serem trabalhados por meio de propostas que contextualizem a escrita de textos: às vezes. O importante. assunto. S: sim. espaço. Uma contribuição importante é conhecer o processo criador de outros autores.. considerar o texto como unidade básica do ensino de Língua Portuguesa não significa que. que lhes permita recriar. Isso é algo que depende de o professor chamar a atenção para certos aspectos. ortografia. Finalmente. dificuldades ou as alternativas escolhidas e abandonadas — o percurso propriamente. desenvolvimento. É importante que nunca se perca de vista que não há como criar do nada: é preciso ter boas referências. “e então”. isso só se torna possível se tiverem constituído um amplo repertório de modelos. como “e depois”. “e daí”. indicadores de início. atlas.

é possível. como situação didática. ocasião em que o professor pode desempenhar um importante papel de modelo de revisor.PCN (p. Pressupõe a existência de rascunhos sobre os quais se trabalha. sistematizar os resultados do trabalho coletivo e devolvê-lo organizadamente ao grupo de alunos. Dessa perspectiva. identificar os problemas do texto e aplicar os conhecimentos sobre a língua para resolvê-los: acrescentando. produzindo alterações que afetam tanto o conteúdo como a forma do texto. paragrafação. apontar aspectos a serem melhorados. suficientemente bem escrito. isto é. pois não é possível tratar de todos ao mesmo tempo. Quer seja com toda a classe. deve-se: considerar sempre o aspecto positivo primeiro (elogiar). a revisão de texto seria uma espécie de controle de qualidade da produção. ATIVIDADE . ao fim da tarefa. necessário desde o planejamento e ao longo do processo de redação e não somente após a finalização do produto. fazer considerações sobre a forma de escrita (microestrutura – gramática. precisam aprender a detectar os pontos onde o que está dito não é o que se pretendia. colocando sugestões efetivas para a modificação da qualidade do texto.235) Sobre os bilhetes do professor ao aluno.. p. Durante a atividade de revisão.(esses critérios foram estabelecidos pela professora doutora Maria Antônia Granville. Nesse caso. a pontuação. que permitem e exigem uma reflexão sobre a organização das idéias. produção escrita e reflexão sobre a língua (e mesmo de comparação entre linguagem oral e escrita) é o das atividades de revisão de texto. nas quais são trabalhadas as questões que surgem na produção. com o objetivo de torná-lo mais legível para o leitor. retirando. a discussão sobre os textos alheios e próprios. pois requer distanciamento do próprio texto. procedimento difícil especialmente para crianças pequenas. colocando boas questões para serem analisadas e dirigindo o olhar dos alunos para os problemas a serem resolvidos. além do objetivo imediato de buscar a eficácia e a correção da escrita. relembrar o compromisso com o leitor: letra. fazer considerações sobre a proposta: conteúdo abordado (macroestrutura). os procedimentos de coesão utilizados. Ou bem se foca a atenção na coerência da apresentação do conteúdo. Essas situações. Esse procedimento — parte integrante do próprio ato de escrever — é aprendido por meio da participação do aluno em situações coletivas de revisão do texto escrito. etc. deslocando ou transformando porções do texto. série e nos diálogos mantidos com as professoras titulares das turmas –IN: Teorias e práticas na formação de prof. Para os escritores iniciantes. tem objetivos pedagógicos importantes: o desenvolvimento da atitude crítica em relação à própria produção e a aprendizagem de procedimentos eficientes para imprimir qualidade aos textos. Para tanto. para melhorar sua qualidade. bem como em atividades realizadas em parceria e sob a orientação do professor. é interessante utilizar textos alheios para serem analisados coletivamente. A revisão de texto. ou na ortografia. apresentação. para o momento. com base nas produções textuais dos alunos de 5 a. dão origem a um tipo de conhecimento que precisa ir se incorporando progressivamente à atividade de escrita. os alunos e o professor debruçam-se sobre o texto buscando melhorá-lo. Texto 1. exige que o professor selecione em quais aspectos pretende que os alunos se concentrem de cada vez. quando se toma apenas um desses aspectos para revisar. Chama-se revisão de texto o conjunto de procedimentos por meio dos quais um texto é trabalhado até o ponto em que se decide que está. esta pode ser uma tarefa complexa. nos aspectos coesivos e pontuação. assim mesmo. a ortografia. O que pode significar tanto torná-lo mais claro e compreensível quanto mais bonito e agradável de ler. quer seja em pequenos grupos. ortografia). E.54 e 55) Revisão de texto Um espaço privilegiado de articulação das práticas de leitura. estética.

5) Regular TOTAL (0. preenchendo a fixa abaixo. discutese as formas de avaliação vigentes e sugeridas pelos PCNs.0) BILHETE DO GRUPO CORRETOR: Aspectos positivos a serem mantidos na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ Aspectos negativos a serem alterados na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ INTEGRANTES DO GRUPO CORRETOR _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ . juntamente com a redação já corrigida por um professor (xérox). Então cada grupo faz a correção de uma fábula de outro grupo elaborada na aula anterior.0) superestrutura Adequação ao gênero macroestrutura Adequação à proposta Coesão e coerência microestrutura Adequação da linguagem Correção gramatical Muito bom (0.25) (5. Depois. CORREÇÃO DA PARÓDIA (título): Ótimo (1. carta de aluno “PARA PAPAI NOEL”.75) Bom (0.Cada grupo deve fazer e apresentar para a classe a correção das redações “MINHAS FÉRIAS” .

22 a 29) Atividade 1 De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea. (Bamberger. ocorre a transferência para conceitos intelectuais. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. atividades de atenção e concentração. fundem-se no ato da leitura. Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 1. não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso. decorrente de uma extensa leitura silenciosa. Staiger (120. de modo a influir ao máximo no seu bem-estar e levá-lo à auto-realização. Antes de mais nada. análise do conteúdo. a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. tais processos não podem separar-se um do outro. Exercícios especiais (exercícios para fixação rápida ) também concorrem para o aperfeiçoamento. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa.61-8) salienta quatro pontos: a) Incentivo ao pleno uso das potencialidades do indivíduo em sua leitura. é um processo perceptivo durante o qual se reconhecem símbolos. o objetivo da educação literária é também importante para um ensino eficaz. O processo mental. O objetivo do ensino da leitura Além da orientação relativa à natureza e ao processo da leitura. c) Ampliação constante dos interesses de leitura dos estudantes. p. Estímulo a atitudes que levem a um interesse permanente da leitura de muitos gêneros e para inúmeros fins. b) Emprego eficiente da leitura como um instrumento de aprendizado e crítica e também de relaxamento e diversão. p. não ahca? Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito. Em seguida. mas a plravaa cmoo um tdoo.AULA 8 – COMO ENSINAR A LER: FORMAS DE LEITURA E INCENTIVO Ao ensinar leitura. devemos nos preocupar com: incentivo. 2. A ampliação do período de fixação e da capacidade de armazenagem resulta de um ―efeito prático‖. Para todas as finalidades práticas. mas também na sua interpretação e avaliação.1995. mas no ―reconhecimento imediato de grupos armazenados de palavras‖. usar textos diversificados. Cruisoo. Processo complexo. R. A habilidade de ler perfeitamente não consiste na capacidade bem treinada de ―combinar sons em palavras e palavras em unidades de pensamento‖. no entanto. Conceito e natureza da leitura O ensino da leitura deveria corresponder à percepção que conseguimos da natureza da leitura. 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 . Essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo à proporção que as idéias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. não consiste apenas na compreensão das idéias percebidas. a leitura compreende várias fases de desenvolvimento.

leitura para revisão (para corrigir inadequações no texto). segundo Nicolelis. e o Hospital Sírio-Libanês. perto de Natal. pessoas com lesões na coluna que as tenham deixado paraplégicas ou tetraplégicas ou os que perderam a movimentação por doenças degenerativas do sistema nervoso. ler por prazer estético. O investimento será. mas o cientista acabou optando pelo Sírio-Libanês. que pretende oferecer educação integral e atendimento de saúde à população carente da região. 44. jornal). Texto 2 Passe os olhos pelo texto abaixo e diga. dentro de três anos. ler para revisar um texto. Para o projeto. que classificou o pesquisador da Duke de "maior cientista brasileiro vivo".CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO. superintendente corporativo do Sírio-Libanês. "Nada impede que esse valor seja ampliado no decorrer do trabalho". assinado por Nicolelis em nome da ONG Associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa. "Vamos tentar fazer história". ler para obter informações gerais. ler para aprender.folha. resumiu Ceschin. A ESSAS FINALIDADES CORRESPONDEM VÁRIOS PROCEDIMENTOS: leitura integral de um texto. beneficiará também o instituto de neurociências que o pesquisador paulistano pretende fundar em Macaíba (RN). leitura inspecional (para a escolha de um texto). ler oralmente para apresentar um texto (sarau. A técnica poderia ajudar pacientes com membros amputados. Nicolelis primeiro tentou acertar uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. O acordo. OBJETIVOS: ler para estudar. UMA INTENÇÃO. leitura item a item (para realizar uma tarefa). leitura tópica (para identificar informações pontuais). Esse é o objetivo de uma parceria firmada ontem entre o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3. destinado ao enfoque social do instituto. da Universidade Duke (EUA). ler para obter informações específicas. disse o gastroenterologista Mauricio Ceschin.br/folha/ciencia/ult306u13300. S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO.uol. reler para compreensão. que segundo ele estava em maior sintonia com suas preocupações sociais. os neurologistas do Sírio-Libanês receberão treinamento para lidar com a tecnologia de eletrodos e modelagem matemática que permitirá. (http://www1. rapidamente.Paulo) O primeiro ser humano a movimentar um braço robótico apenas com a força da própria mente poderá ser brasileiro --e se transformar em ciborgue num hospital de São Paulo. leitura expressiva.shtml) . O hospital se comprometeu a investir US$ 1 milhão nos próximos três anos. em grande parte. No acerto. que informações serão encontradas no texto? De onde ele foi retirado (fonte) e qual o objetivo do autor? 17/06/2005 .com. C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5! LER EXIGE UMA PROPOSTA.09h45 Brasileiro quer desenvolver ciborgue humano em três anos REINALDO JOSÉ LOPES (da Folha de S. a transferência de informações do cérebro do paciente para um membro robótico.

Concentre seu pensamento na leitura estabelecendo um objetivo para a sessão com o livro ou o artigo. uma só vez. que permite a busca de informações específicas. LEITURA DETALHADA A leitura para adquirir conhecimento começa com a resenha e a leitura superficial pelo material para se ter uma visão geral e intuir o ponto de vista do escritor. Então você faz anotações para rever ou para melhorar a compreensão. Podemos fazer a resenha lendo os inícios de alguns parágrafos ou alguns parágrafos inteiros. que possibilita uma apreensão maior das partes do texto. concentra sua atenção e elimina o acúmulo mental de informações. Dica: para fazer uma leitura detalhada pergunte-se: por que leio isso? Para que me serve isso? Assim você estará fixando algumas metas. Depois comece de novo. mas que o faça esforçar-se um pouco. Esquadrinhar (ou scanning) o texto é uma dessa formas de leitura. Esse tipo de leitura exige de nós maior atenção. sumário. Fixe um tempo ou limite de quantidade. ENCONTRAR UM PERSONAGEM EM UM DESENHO. em que buscamos verbetes que nos façam lembrar do possível conteúdo do texto todo. OBSERVAR MUDANÇAS NOS COLEGAS. que se trata de uma notícia de jornal retirado da Folha de São Paulo e que por isso o objetivo do autor deve ser informa o leitor sobre o assunto em questão. acalme-se da melhor maneira (sem álcool ou calmantes). Estudos de leitura (Kleiman. possivelmente você deve ter respondido que serão encontradas informações sobre robótica. É simples: folheie algum livro ou jornal sem se deter por mais de alguns minutos e logo a seguir veja se é capaz de dizer qual o assunto do livro ou de alguma notícia. capa. desenhos e legendas. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. pára-se o fluxo de leitura para obter um ponto de apoio em algo que pensa que deveria saber muito bem ou que deseja compreender de maneira mais completa. com muita atenção. você focaliza sua atenção em uma pequena quantidade de informações. Fixe uma meta realista e possível. diagramas etc. . quadros. Ela economiza tempo. como nomes de títulos ou capítulos. A seguir.Mesmo sem que você tenha lido o texto todo. ESCRAVOS DE JÓ. Faça uma limpeza mental. Consiste em passar os olhos a procura de material relevante. Assim você terá feito uma leitura informativa e estará pronto para fazer ou não uma leitura mais detalhada. Prepare-se para ler. temos também a leitura superficial (ou mapeamento conceitual). manchetes. 1998) mostram que somos capazes de lembra melhor daquilo que nos propomos a entender. sem voltar ao texto. e da resenha. Isso aconteceu porque temos duas formas de ler: leitura informativa e leitura detalhada. uma meta a atingir com a atividade de leitura (como identificar a opinião do autor ou seus argumentos). Outras metas podem ser atingidas se mos perguntarmos também: o que é importante? O que é imediatamente necessário? Qual a sua função? E principalmente: o que eu quero extrair dessa leitura? PARA TER ATENÇÃO/ CONCENTRAÇÃO Para prestar atenção você deve se comprometer totalmente. caso você estivesse interessado(a) em comprar a casa descrita no texto abaixo. Já a Resenha lhe dá a oportunidade de decidir o que ler superficialmente e o que ler em profundidade. Quando se lê para conhecer. nome do autor. pois estamos em busca de informações importantes para nossa formação e para isso é preciso estabelecer um objetivo. Identifique um alvo: o título ou o resumo do material serve de pista. COMO ENCONTRAR OS 7 ERROS. Atividade 2 INSTRUÇÃO PARA GRUPO 1: leia o texto abaixo. Ao esquadrinhar. que é de nosso interesse e estamos motivados para saber. LEITURA INFORMATIVA Esse tipo de leitura é bem rápida e não exige grande reflexão do leitor ou memória para os fatos lidos. Ela é importante para auxiliá-lo a decidir o que deseja aprender dos materiais que tem à mão. Para fazermos essa leitura ainda não precisamos ter um objetivo. apenas estamos tendo contado com o material impresso para saber do que se trata. A leitura informativa serve para selecionarmos o que deve ser lido com prioridade e o que deve ser descartado. FAÇA EXERCÍCIOS DE CONCENTRAÇÃO USANDO RECURSOS VISUAIS. Além do esquadrinhamento.

como o resto do primeiro andar. Havia portas na frente e atrás e uma parta lateral que levava à garagem. disse Eduardo. que estava revestido de mármore. desde que meu pai mandou revestir com pedras essa parede lateral e colocou uma lareira". disse Marcos. In: KLEIMAN. Ouvir ou olhar – ler – discutir. disse Eduardo. Exposições de livros. mas ela está mais bonita agora. Começaremos com as atividades a seguir: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) Leitura em voz alta e relato de histórias. 1989) Texto 3 Atividades para promover o interesse pela leitura Para que se revelem vantajosas as pesquisas no campo da leitura e a experiência do ensino da leitura.80 a 88) . Altos arbustos escondiam a entrada da casa. não era lugar para brincar: os garotos foram para a cozinha e fizeram um lanche. acrescentou. A sala de jantar. exceto pela televisão com Atari. (Bamberger. é preciso encontrar meios de aplicá-las no trabalho prático. Autores lêem trechos de suas obras. R. Programas de livros nos meios de comunicação de massa. uma vez que o encanamento arrebentara. uma só vez. Desenhando histórias. “Veja. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. 1997:69. Clubes do livro e de leitura. e tampouco constitui uma “receita de êxito”. "Aqui é onde meu pai guarda a coleção de selos e coisas raras". a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui". Eduardo disse que não era para usar o lavabo. A seguir.INSTRUÇÃO PARA O GRUPO 2: leia o texto acima. Propaganda de livros. Marcos se sentiu mais confortável. Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. "Eu não sabia que sua casa era tão grande". na biblioteca e nos grupos de jovens. Este breve apanhado das várias possibilidades de ativação do trabalho com os livros está longe de ser completo. os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. Journal of Psychology. eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui". J.1995. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. havia três quartos no andar superior da casa. com toda a porcelana. Fez-se tão somente uma tentativa para descrever atividades que já foram testadas em trabalhos práticos e para proporcionar estímulo a um trabalho adicional nessa direção. desde que outro fora construído no quarto de suas irmãs. Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado onde havia jóias. Texto e Leitor. Não era tão bonito como o de seus pais. exceto pelas três bicicletas com marchas guardadas aí. Eduardo explicou que ela ficava sempre aberta para suas irmãs mais novas entrarem e saírem sem dificuldade. Cursos. prata e cristais. Pontes Editores. Os dois garotos correram até a entrada da casa. Os livros como base de discussão. que estava vazia. sem voltar ao texto. São necessárias as atividades que põem os jovens em contato direto ou indireto com livros. Estava recém-pintada. enquanto eles davam uma olhada no escritório. & Anderson. "Não se preocupe. "Mamãe nunca está em casa na quinta-feira". "Taking different perspectives on a story. caso você estivesse interessado(a) em roubar a casa descrita no texto abaixo. gritou Eduardo. O quarto de suas irmãs não era tão interessante. ao observar que nenhuma casa poderia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim. Campinas. Além do escritório. porque ele ficara úmido e mofado. Mostras de livros com discussões. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu. (traduzido e adaptado de Pitchert. sobretudo na escola. Círculos de livros ou “indução à leitura”. Eles entraram pela porta lateral. mas para ele era a melhor coisa do mundo. "É. p. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. reuniões e outros acontecimentos informativos sobre o conteúdo da leitura das crianças. Então. A. Marcos queria ver a casa.

alegre e receoso. acontecia que.D. por vezes. Em primeiro lugar. Como um romance) Atividade: Realizar uma biblioteca de classe (simulação) com livros infantis trazidos pelos colegas. desde que tivesse meditado o tempo bastante e começasse a falar. absorto em suas palavras. (Pennac. Principiava sempre com algo que os olhos pudessem ver. 6) O direito ao bovarismo (satisfação imediata de nossas sensações). na boca dos precipícios florestas. representando. domina a técnica e está convenientemente preparado para contá-la. onde essa função é altamente apreciada e seus praticantes são considerados uma espécie de magos. Mas ele balançava a cabeça e respondia. sua postura vai influenciar muito: sempre no mesmo nível dos ouvintes. Um narrador não se agita. Além do conjunto de técnicas que a Didática ensina. A caça brava fica escondida e é preciso armar emboscadas e ficar de tocaia horas e horas a fio.desde a pequena folha de grama até o azul da abóbada celeste(. Jamais começava suas histórias em países estranhos. Se o contador vivencia o enredo com interesse e entusiasmo. há determinadas qualidades que contribuem para a eclosão desse talento e podem ser estimuladas. Ele é apenas o transmissor. Deixa-me.. o espírito já vagava. O direito de reler.Texto 4 Os direitos imprescindíveis do leitor 1) 2) 3) 4) 5) O direito de não ler.Você deve ter um pouco mais de paciência. o tempo que levava em sua meditação era longo demais para ela. para onde o espírito do ouvinte não podia voar com força própria. naturalidade depende de segurança e esta é adquirida através da certeza de que conhece a história. por conseguinte requer certa tendência inata. de preferência sentado. Por isso. impassível: . levava a imaginação dos ouvintes para onde muito bem ele queria. Quem o escutava. não se movimenta para um . conta o que aconteceu .e o faz com naturalidade. pois aprendera a arte de narrar no Oriente. de modo que a narrativa transcorria com naturalidade. pelas regiões mais fascinantes. latente aliás em todo educador. São também indispensáveis sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal. Texto 5 O CONTADOR DE HISTÓRIAS . ele estabelece sintonia com o auditório. desenvolvidas. embora continuasse tranqüilamente sentado. depois. imperceptivelmente.respondia-lhe. . pois. Contar histórias é uma arte. Os caçadores mais apressados e impetuosos afugentam a caça e nunca obtêm os melhores exemplares.). sem artificialismos. que se zangava. 9) O direito de ler em voz alta. que corria ininterrupta e fluente como um rio descendo montanha abaixo e em cujas águas tudo se reflete. Contar com naturalidade implica ser simples. O direito de ler qualquer coisa. Assim era a maneira de ele contar suas histórias. não mais parava enquanto não tivesse contado a história completa. uma predisposição.Tenho de pensar! . Ora. o contador precisa estar consciente de que a história é que é importante. O direito de não terminar um livro.. É necessário exercitar a criatividade para recriar o texto com originalidade. pensar! Mas. O direito de pular páginas.Conta-me uma história . embora emocionalmente envolvido com a narrativa. Convertia-se num ser todo-poderoso assim que iniciava mais uma demonstração de sua arte. sem afetação. Uma boa história é como uma boa montaria. 10) O direito de calar. sem modificar a estrutura essencial.pedia-lhe a moça. em toda pessoa que se propõe a lidar com crianças. Eu diria ainda que um bom contador de histórias não pode proceder como se estivesse num palco. deixando as palavras fluírem. 7) O direito de ler em qualquer lugar. 8) O direito de ler frase aqui e outra ali. Ora.

sem jamais tomar-se estridente. dissimula 'seu' corpo. E a emoção chega aos pequenos". (COELHO. de maneira íntima e pessoal. cheio de medo".lado e para outro. tem de saber modulá-la de acordo com o que está contando. flores.O timbre de voz varia na razão direta da distância de quem fala a quem ouve. suscita em troca uma realidade simbólica dotada de uma intensidade tal que as reações que nela se dão podem tomar um matiz às vezes fascinante. juntamente com o ritmo. Há vários tipos de vozes: sussurrante. reflete a esperança em sua singeleza. a inflexão e as entonações. cálida. ora mais forte. Vamos refletir sobre O peixe Pixote (33):vivia num lago e sentia. num tom mais baixo. É a voz que sugere o que aconteceu. todo ele. Não apenas as crianças. "sempre sozinho. se aos personagens da história. para melhor escolher as histórias. Até que um dia. evitando repetições desnecessárias. Era tudo tão belo! "De repente." Nadava até a margem." E era assim a vida de Pixote. (. monocórdicas. tão claro! "Mas tinha de voltar pra água. então. que esquece 'seu' rosto. Betty. senão as crianças não saberão a quem acompanhar. Contar histórias é uma prática tão gratificante. acabo por encontrar em cada uma dessas histórias um motivo que me toca particularmente. impostação de voz. o narrador reveste-se de ternura. folclore e possuir noções básicas de psicologia evolutiva. 1997.Significa boa dicção. sem vibrações. recorrendo-se quando preciso aos cursos de foniatria. eriçada. sem consistência.. sem modulações. vibrante.)Todos os elementos são sugeridos pela voz e pela mímica do narrador. Noto que existe em mim uma certa preferência por determinadas histórias.. se a quem narra. Pixote descobriu o que tinha acontecido e começou a rir: 'Lógico! Eu só nadava de olho fechado!' Sendo a literatura infantil portadora de verdades eternas. suave. o narrador engrossa a voz. em pincel e paleta.se infeliz. nada disso funciona se ele não gosta de crianças. que volta a crescer. Durante cursos de treinamento. A propósito.. torna-a mais grave. Refletindo sobre tais impressões. aí sim. inconfundível. principal instrumento do narrador. suave. seres delicados. se não se diverte tanto quanto elas com a história. forma e emoção. que chega a produzir no narrador uma catarse dos conflitos mais íntimos. correção de linguagem. Tudo alegre. considerando os seguintes aspectos: Intensidade . ora mais pausada. p. "Será que fui parar em outro lago sem saber?" indagou-se surpreso. nadando. Se o foco da narrativa gira em tomo de crianças. pra não morrer. defeitos esses que podem ser corrigidos com disciplina. das trevas da água à claridade da margem.CII" som. mas também adultos podem descobrir numa história a solução de algum problema e guardo depoimentos valiosos que confirmam isso.). Isso é muito importante. inexpressivas. quando é capaz de sentir que o ato de narrar é uma interação integral. parece-me esclarecedora: "O 'Era uma vez' levanta a cortina de um mundo novo que. de captar com sensibilidade a mensagem narrativa. Funciona. exercícios califásicos. uma passagem de Alícia Prieto (57) em artigo recentemente publicado. O narrador tem de expressar-se numa voz definida. Entretanto. E lobos falam? Nunca escutei a voz de um porco. As emoções se transmitem pela voz. se escapa à realidade imediata. Clareza . reflete a força irresistível da confiança que provoca em cada ser a descoberta de sua própria força. botava a cabeça para fora e achava tudo lindo a sua volta. reparou em outros peixes que brincavam contentes nas águas claras e límpidas. O narrado r conta o que o lobo disse ao porquinho e sendo o lobo um animal de maior porte que assume na história um papel violento. apreciar os comentários das crianças e avaliar as suas reações. 49 a 52) . os chamados "tiques" de linguagem. aí. Conhecimentos . sem falsear a voz. Saber modular a voz e tomá-la expressiva deverá constituir um treino constante para que ela possa ser utilizada em toda a sua plenitude. varia também conforme a emoção que se quer passar. irritante ou de falsete. os cacoetes (certo?. espinhenta. adocicada.Evidentemente o narrador precisa aprofundar-se nos estudos de literatura infantil. pra respirar. esquece 'sua' voz. inertes. intensa. para converter-se. metálica. que conto talvez com vibração mais intensa. entenderam? etc.. (. "Lá era muito escuro e Pixote morria de medo do escuro. algumas pessoas perguntam como se faz a voz do lobo ou do porquinho.

baseadas nas sugestões que o enredo oferece: dramatização. de bom gosto. brincadeiras. com tratamento literário. bem trabalhado. festas. modelagem. 1997. objetos. *histórias de crianças. São atividades espontâneas. Então. animais e encantamento *aventuras no ambiente próximo: família. animais domésticos. mitos e lendas (COELHO. *histórias de fadas *histórias de fadas com ambiente mais elaborado *histórias humorísticas *histórias de fadas *histórias vinculadas à realidade *aventuras.inspirando cada pessoa a manifestar-se. jamais funcionando como imposição e delas participam apenas os que quiserem. narrativas de viagens. o que contar tendo em vista a quem contar? FAIXA ETÁRIA E INTERESSE *histórias de bichinhos. construção de maquetes. convém propor atividades subseqüentes. explorações. Betty. Ela permanece na mente da criança. seres da natureza (humanizados) *histórias de crianças *histórias de repetição e acumulativas *histórias com ritmo *histórias de fadas *histórias de repetição e acumulativas *histórias de crianças. Os recursos onomatopaicos e as repetições contribuem para tornar a história mais interessante e dão força às expressões. de acordo com sua preferência.59) . brinquedos. comunidade. dobradura. Betty. A história é um alimento da imaginação da criança e precisa ser dosada conforme sua estrutura cerebral. alimentos. Se é original. 1997. As chamadas atividades de enriquecimento ajudam a “digerir” esse alimento num processo de associação a outras práticas artísticas e educativas. (COELHO. A linguagem deve ser correta. precisamos saber se se trata de assunto interessante. Mas ainda é necessário respeitar o estágio emocional da criança. pantomima (mímica) desenhos.Texto 6 INDICADORES QUE POSSIBILITAM A ESCOLHA DE UM LIVRO Antes de contar uma história. simples sem ser vulgar nem rebuscada. criação de textos orais e escritos. p. circo.14 e 15) Pré-escolares Até 3 anos: fase pré-mágica (ela vive o enredo) 3 a 6 anos: fase mágica 7 anos 8 anos Escolares 9 anos 10 anos em diante Texto 7 ATIVIDADES A PARTIR DAS HISTÓRIAS CONTADAS A história não acaba quando chega ao fim. p. Sempre que possível. invenções *fábulas. que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora. recortes. A história funciona então como agente desencadeador de criatividade. se demonstra riqueza de imaginação e se consegue agradar às crianças. expressivamente. Há vários tipos de atividades que podem ser desenvolvidas.

e métodos usados. os textos feitos em casa.1995. . contar e ler histórias em voz alta e falar sobre livros de gravuras é importantíssimo para o desenvolvimento do vocabulário. interpretativa. informativa. b) Superar o dogmatismo metodológico quando se alfabetiza: a abordagem deve ser multilateral para todos os alunos. meios para evitar a leitura mecânica de sílabas e palavras e para aumentar a compreensão. Motivação e uma atitude questionadora favorecem a leitura como “processo mental”. ecléticos. crítica. isso também deveria ocorrer na sala de aula. e textos tirados da vida prática. c) Leitura em unidades de pensamento: no processo de alfabetização é preciso encontrar. p. i) Seleção de material de leitura para o ensino: além do material didático. g) Treinamento sistemático da consecução da leitura. A leitura silenciosa é a base da educação individual da leitura. (Bamberger. e) Ensino individualizado da leitura em todos os níveis de escolarização: os relatórios das pesquisas concordam em que o prazer e o interesse da leitura e o desenvolvimento do hábito de ler se alcançam muito melhor pelo método individualizado de ensino da leitura do que pelo ensino sistemático de toda a classe. Cuidados especiais e métodos para o ensino da leitura Conquanto o método a ser utilizado dependa muitíssimo do professor e do material de leitura disponível. a velocidade de leitura pode ser desenvolvida de forma sistemática. os grupos de palavras armazenados são percebidos em unidades de pensamento num duplo impulso – visualmente e através da pronúncia. a) Promover a prontidão para a leitura em todos os níveis: Na idade pré-escolar e nos primeiros anos da escola. avançando da compreensão de palavras para a leitura compreensiva. desde o princípio. desde o princípio. Quando a leitura oral é bem feita. h) Medindo e avaliando o progresso: visto que a educação literária precisa ser revertida para o padrão alcançado pelos estudantes individualmente. 2) Velocidade: através do treinamento faz habilidades envolvidas na leitura (ampliação do período de fixação e aumento da concentração – portanto menos regressão). d) Leitura oral ou silenciosa na sala de aula? Como na vida adulta a leitura silenciosa vai predominar. é importantíssimo que a medida do rendimento e a interpretação dos resultados sejam feitas regularmente. 3) Compreensão: o contato com o conteúdo do texto deve progredir à proporção que progride a concepção de leitura. 4) Leitura informativa ou dirigida para o fato: reserva-se principalmente para do quinto ao nono ano da escola. f) Adaptar as habilidades envolvidas na leitura ao material e aos objetivos da leitura: julga-se melhor o grau de perfeição na leitura considerando-se a maior ou menor facilidade com que o leitor adapta suas habilidades de leitura (velocidade. devem ser usados. certos princípios fundamentais são sempre importantes. criativa e estética. e deve ser desenvolvida em combinação com vários assuntos. na linguagem das crianças. e mais importante ainda para a motivação da leitura.AULA 9 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE LEITURA Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 3. concentração na compreensão) à dificuldade e à importância do material e às suas próprias intenções.40 a 47) Prática de leitura O trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e. 22 a 29) TEXTO 2 (PCNs – p.

avaliar e utilizar informação. O uso dessas estratégias durante a leitura não ocorre de forma deliberada — a menos que. O termo ―portador‖ está sendo utilizado aqui para referir-se a livros. quando não participam de práticas onde ler é indispensável. Qualquer leitor experiente que conseguir analisar sua própria leitura constatará que a decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê: a leitura fluente envolve uma série de outras estratégias como seleção. Essa pode ser a única oportunidade de esses alunos interagirem significativamente com textos cuja finalidade não seja apenas a resolução de pequenos problemas do cotidiano. ou dados para a solução de um problema. que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto. Para que possa constituir também objeto de aprendizagem. Por outro. As estratégias são um recurso par a construir significado enquanto se lê. os suportes em que os textos foram impressos originalmente. etc. 27. evidentemente. Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê. aqueles que podem atender a uma necessidade sua. sobre o autor. portanto. sem as quais não é possível rapidez e proficiência28 . a formação de escritores26. Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato. intencionalmente. informar-se. ou seja. a objetivos de realização imediata. se pretenda fazê-lo para efeito de análise do processo. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. do sistema de escrita. 28. desprezando os irrelevantes. fundamentalmente. por um lado. ou o significado implícito nas entrelinhas. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. os diferentes ―para quês‖ — resolver um problema prático. decodificando-a letra por letra. oferecer-lhes os textos do mundo: não se formam bons leitores solicitando aos alunos que leiam apenas durante as atividades na sala de aula. jornais e outros objetos que usualmente portam textos. Esse trabalho pode envolver todos os alunos. Tratase de uma atividade que implica. arriscarse diante do desconhecido. se a escola pretende converter a leitura em objeto de aprendizagem deve preservar sua natureza e sua complexidade. É o uso desses procedimentos que permite controlar o que vai sendo lido. apenas porque o professor pede. Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles. isto é. sem descaracterizá-la. a atividade de leitura deve responder. do portador 27 . espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras. compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita. que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos. Não se trata. inferência e verificação. que possa aprender a ler também o que não está escrito. de inferência permitem captar o que não está dito explicitamente no texto e de verificação tornam possível o ―controle‖ sobre a eficácia ou não das demais estratégias. revistas. antecipação. do seu ponto de vista. um objeto de ensino. Significa trabalhar com a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura. É preciso. por iniciativa própria. apenas no livro didático. etc.conseqüentemente. de formar escritores no sentido de profissionais da escrita e sim de pessoas capazes de escrever com eficácia. Eis a primeira e talvez a mais importante estratégia didática para a prática de leitura: o trabalho com a . pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura. divertir-se. contribui para a constituição de modelos: como escrever. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. buscar no texto a comprovação das suposições feitas. de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero. A leitura. TRATAMENTO DIDÁTICO A leitura na escola tem sido. que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente. nos fornece a matéria-prima para a escrita: o que escrever. inclusive aqueles que ainda não sabem ler convencionalmente. estudar. Uma estratégia de leitura é um amplo esquema para obter. escrever ou revisar o próprio texto — e com as diferentes formas de leitura em função de diferentes objetivos e gêneros: ler buscando as informações relevantes. 26. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores. do seu conhecimento sobre o assunto. Estratégias de seleção possibilitam ao leitor se ater apenas aos índices úteis. Como se trata de uma prática social complexa. modelos de leitores proficientes e práticas de leitura eficazes. é necessário que faça sentido para o aluno. necessariamente. dentre os trechos que circulam socialmente. isto é. a partir dos seus objetivos. a escola deve oferecer materiais de qualidade. tomar decisões diante de dificuldades de compreensão. Um leitor competente é alguém que. de antecipação permitem supor o que ainda está por vir. identificando elementos implícitos. é capaz de selecionar. palavra por palavra.

diversidade textual. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar. o desejo é deixa-las para depois. a despeito disso. uma situação de aprendizagem. outras em que o esforço é mínimo e. voltando atrás para certificar-se do entendimento. Para aprender a ler. Há leituras em que é necessário controlar atentamente a compreensão. Isso não significa que na escola não se possa eventualmente responder a perguntas sobre a leitura. de vez em quando desenhar o que o texto lido sugere. O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam. Ler é resposta a um objetivo. conseqüentemente. favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. Trata-se de uma situação na qual é necessário que o aluno ponha em jogo tudo que sabe para descobrir o que não sabe. testemunhar a utilização que os já leitores fazem deles e participar de atos de leitura de fato. Ao contrário. buscando-se a informação necessária. agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles. desempenha a função adicional de permitir que o professor não seja o único informante da turma. modalidades e textos que caracterizam as práticas de leitura de fato. Entre a condição de destinatário de textos escritos e a falta de habilidade temporária para ler autonomamente é que reside a possibilidade de. portanto. como prática social. que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem. Sem ela pode-se até ensinar a ler. No entanto. Há leituras que requerem um enorme esforço intelectual e. Para aprender a ler. Há textos que podem ser lidos apenas por partes. por sua vez. dentro de uma prática ampla de leitura. portanto. com a ajuda dos já leitores. que verifiquem suas suposições — tanto em relação à escrita. sobretudo em classes numerosas nas quais não é possível atender a todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo. da colaboração e. se pedagogicamente bem explorada. converter letras em sons. quanto ao significado. nunca um fim. uma prática constante de leitura não significa a repetição infindável dessas atividades escolares. contribuindo para que o aluno construa uma visão empobrecida da leitura. exige uma modalidade de leitura. Essa circunstância requer do aluno uma atividade reflexiva que. sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. Fora da escola. não se lê de uma única forma. propriamente. ou ler em voz alta quando necessário. é preciso agir como se o aluno já soubesse aquilo que deve aprender. Diferentes objetivos exigem diferentes textos e. portanto. . é sempre um meio. procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca. Há textos que se pode ler rapidamente. De certa forma. outras em que se segue adiante sem dificuldade. Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor. outros devem ser lidos devagar. não se decodifica palavra por palavra. por sua vez. cada qual. mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler. é preciso interagir com a diversidade de textos escritos. de compreender a natureza e o funcionamento do sistema alfabético. entregue apenas ao prazer de ler. A leitura. que deverá colocar-se na situação de principal parceiro. aprender a ler pela prática da leitura. é preciso negociar o conhecimento que já se tem e o que é apresentado pelo texto. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a ler. mas certamente não se formarão leitores competentes. não se faz desenho sobre o que mais gostou e raramente se lê em voz alta. não se lê só para aprender a ler. Os materiais feitos exclusivamente para ensinar a ler não são bons para aprender a ler: têm servido apenas para ensinar a decodificar. da própria aprendizagem. APRENDIZADO INICIAL DA LEITURA É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. Uma prática constante de leitura na escola pressupõe o trabalho com a diversidade de objetivos. é preciso que o aluno se defronte com os escritos que utilizaria se soubesse mesmo ler — com os textos de verdade. mesmo assim. a uma necessidade pessoal. lendo‖: de adquirir o conhecimento da correspondência fonográfica. outros precisam ser lidos exaustivamente e várias vezes. A heterogeneidade do grupo. É preciso que antecipem. não se responde a perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas exaustivas. se deseja ler sem parar. Por conta desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de ―leitores‖ capazes de decodificar qualquer texto. recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes. o que está atrás e diante dos olhos.

o aluno tem oportunidade de ler 35 títulos. Algumas dessas condições: • dispor de uma boa biblioteca na escola. É necessário que o professor tente compreender o que há por trás dos diferentes sentidos atribuídos pelos alunos aos textos: às vezes é porque o autor ―jogou com as palavras‖ para provocar interpretações múltiplas. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também. só cumprem suas finalidades se houver compreensão do que deve ser feito. no segundo apenas um. • planejar as atividades diárias garantindo que as de leitura tenham a mesma importância que as demais. • quando houver oportunidade de sugerir títulos para serem adquiridos pelos alunos. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura junto com outras pessoas da casa — principalmente quando se trata de histórias tradicionais já conhecidas. Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente. a partir não só do que está escrito. algo que. dará autonomia e independência. • construir na escola uma política de formação de leitores na qual todos possam contribuir com sugestões para desenvolver uma prática constante de leitura que envolva o conjunto da unidade escolar. Formar leitores é algo que requer. O significado. o uso que se faz dos livros e demais materiais impressos é o aspecto mais determinante para o desenvolvimento da prática e do gosto pela leitura. compreende mal. pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer esforço. é necessário que isso se preserve na escola. optar sempre pela variedade: é infinitamente mais interessante que haja na classe. • organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. a escola terá de mobilizá-los internamente. que não conhecem o valor que possui. • dispor. portanto. por exemplo. pois outra concepção que deve ser superada é a do mito da interpretação única. na verdade. Além das condições descritas. 35 diferentes livros — o que já compõe uma biblioteca de classe — do que 35 livros iguais. o gosto e o compromisso com a leitura —. Há textos nos quais as diferentes interpretações fazem sentido e são mesmo necessárias: é o caso de bons textos literários. o autor. por exemplo. Tanto quanto for possível. No primeiro caso. fruto do pressuposto de que o significado está dado no texto. mas do conhecimento que traz para o texto. condição para poderem se desafiar a ―aprender fazendo‖. às vezes é porque o leitor tem pouco conhecimento sobre o assunto tratado e. é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que conquista por meio dela. Precisará torná-los confiantes. são necessárias propostas didáticas orientadas especificamente no sentido de formar leitores. se estão entendendo e outras questões. pois. conquistado plenamente. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e desafiador. Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura. às vezes é porque o texto é difícil ou confuso. condições favoráveis para a prática de leitura que não se restringem apenas aos recursos materiais disponíveis. que podem servir de referência para a geração de outras propostas. A seguir são apresentadas algumas sugestões para o trabalho com os alunos. • possibilitar aos alunos a escolha de suas leituras. a obra ou o gênero são decisões do leitor. Para tornar os alunos bons leitores — para desenvolver. nos ciclos iniciais. • garantir que os alunos não sejam importunados durante os momentos de leitura com perguntas sobre o que estão achando.Uma prática constante de leitura na escola deve admitir várias leituras. • possibilitar aos alunos o empréstimo de livros na escola. Leitura diária . constrói-se pelo esforço de interpretação do leitor. muito mais do que a capacidade de ler. enunciados de atividades e problemas matemáticos. de um acervo de classe com livros e outros materiais de leitura. a despeito do seu esforço. Há outros que não: textos instrucionais. no entanto. Fora da escola.

e • pela escuta de alguém que lê. alguns cuidados são necessários: • toda proposta de leitura em voz alta precisa fazer sentido dentro da atividade na qual se insere e o aluno deve sempre poder ler o texto silenciosamente. a interpretação de sentido figurado. dividir e redimensionar as tarefas. Esse é um procedimento especializado que precisa ser ensinado em todas as séries. a inferência sobre a intencionalidade do autor. individualmente. portanto. São coisas muito diferentes ler para se divertir.O trabalho com leitura deve ser diário. É completamente diferente ler em busca de significado — a leitura. Trata-se. etc. pois a leitura pode ser realizada: • de forma silenciosa. • é necessário refletir com os alunos sobre as diferentes modalidades de leitura e os procedimentos que elas requerem do leitor. para os quais a leitura colaborativa tem muito a contribuir. etc. ler para escrever. variando apenas o grau de aprofundamento em função da capacidade dos alunos. É particularmente importante que os alunos envolvidos na atividade possam explicitar para os seus parceiros os procedimentos que utilizam para atribuir sentido ao texto: como e por quais pistas lingüísticas lhes foi possível realizar tais ou quais inferências. por exemplo. leitura e produção de textos se inter-relacionam de forma contextualizada. fazer com que os alunos levantem hipóteses sobre o tema a partir do título. durante a leitura. de uma excelente estratégia didática para o trabalho de formação de leitores. ler para revisar. dar conhecimento do assunto previamente. • em voz alta (individualmente ou em grupo) quando fizer sentido dentro da atividade. Além disso. com antecedência — uma ou várias vezes. antecipar determinados acontecimentos. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham. a diferenciação entre realidade e ficção. escrever para não . oferecer informações que situem a leitura. Projetos de leitura A característica básica de um projeto é que ele tem um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. São situações lingüisticamente significativas. a identificação de elementos discriminatórios e recursos persuasivos. etc. em que faz sentido. linguagem escrita. de um modo geral — e ler em busca de inadequações e erros — a leitura para revisar. É interessante.. ler para descobrir o que deve ser feito. A possibilidade de interrogar o texto. • nos casos em que há diferentes interpretações para um mesmo texto e faz-se necessário negociar o significado (validar interpretações). os projetos permitem dispor do tempo de uma forma flexível. escrever para ler. ler para escrever. Quando são de longa duração têm ainda a vantagem adicional de permitir o planejamento de suas etapas com os alunos. Leitura colaborativa A leitura colaborativa é uma atividade em que o professor lê um texto com a classe e. ler para decorar. questiona os alunos sobre as pistas lingüísticas que possibilitam a atribuição de determinados sentidos. Os projetos são situações em que linguagem oral. • ao propor atividades de leitura convém sempre explicitar os objetivos e preparar os alunos. ler para estudar. são alguns dos aspectos dos conteúdos relacionados à compreensão de textos. pois quase sempre envolvem tarefas que articulam esses diferentes conteúdos. por exemplo. essa negociação precisa ser fruto da compreensão do grupo e produzir-se pela argumentação dos alunos. ler buscando identificar a intenção do escritor. posicionando-se apenas quando necessário. pois o tempo tem o tamanho necessário para conquistar o objetivo: pode ser de alguns dias ou de alguns meses. criar um certo suspense quando for o caso. Há inúmeras possibilidades para isso. avaliar os resultados em função do plano inicial. A compreensão crítica depende em grande medida desses procedimentos.São ocasiões em que eles podem tomar decisões sobre muitas questões: controlar o tempo. No entanto. Ao professor cabe orientar a discussão. validar antecipações feitas.

escritas e em outras linguagens.. por exemplo.‖ (histórias. Os alunos escolhem o que desejam ler. Quando for pertinente. etc. o exercício da fantasia e da imaginação. planejando as pausas. uma circunstância interessante se apresenta: o fato de os interlocutores não estarem fisicamente presentes obriga a adequar a fala ou a leitura a fim de favorecer sua compreensão. mas não têm um produto final predeterminado: neste caso o objetivo explícito é a leitura em si. Nos projetos em que é preciso expor ou ler oralmente para uma gravação que se destina a pessoas ausentes. rastreamento da obra de escritores preferidos. ainda que nem sempre sejam capazes de lê-los sozinhos. atitudes e procedimentos que os leitores assíduos desenvolvem a partir da prática de leitura: formação de critérios para selecionar o material a ser lido.esquecer. a atividade pode se realizar semanalmente ou quinzenalmente. • estimular o desejo de outras leituras. No dia combinado. produção de vídeos (ou fitas cassete) de curiosidades gerais sobre assuntos estudados ou de interesse. Os projetos de leitura são excelentes situações para contextualizar a necessidade de ler e. . ou seja. curiosidades científicas. o que pensou. podem vir a encantá-los. inclusive —. É o caso da leitura compartilhada de livros em capítulos. Funcionam de forma parecida com os projetos — e podem integrá-los. Na escola. um determinado autor ou um tema de interesse. etc. muitas vezes. • possibilitar a vivência de emoções. na classe. • possibilitar produções orais. temporariamente. sugere outros títulos do mesmo autor ou conta uma pequena parte da história para ―vender‖ o livro que o entusiasmou aos colegas.. em determinados casos. etc. Leitura feita pelo professor Além das atividades de leitura realizadas pelos alunos e coordenadas pelo professor há as que podem ser realizadas basicamente pelo professor. pode incluir também uma breve caracterização da obra do autor ou curiosidades sobre sua vida. mais incomum se torna. uma prática de leitura intensa é necessária por muitas razões. • permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido. constituição de padrões de gosto pessoal. o que não deveria acontecer. ler em voz alta em tom adequado. Nas atividades seqüenciadas de leitura pode-se. uma parte deles relata suas impressões. Alguns exemplos de projetos de leitura: produção de fita cassete de contos ou poemas lidos para a biblioteca escolar ou para enviar a outras instituições. Um exemplo desse tipo de atividade é a ―Hora de. Ela pode: • ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada. que possibilita aos alunos o acesso a textos bastante longos (e às vezes difíceis) que. A leitura em voz alta feita pelo professor não é uma prática muito comum na escola. são os alunos maiores que mais precisam de bons modelos de leitores. Atividades permanentes de leitura São situações didáticas propostas com regularidade e voltadas para a formação de atitude favorável à leitura. Atividades sequenciadas de leitura São situações didáticas adequadas para promover o gosto de ler e privilegiadas para desenvolver o comportamento do leitor. • informar como escrever e sugerir sobre o que escrever. notícias. eleger um gênero específico. • expandir o conhecimento a respeito da própria leitura. levam o material para casa por um tempo e se revezam para fazer a leitura em voz alta. analisando o tom de voz e a dicção. promoção de eventos de leitura numa feira cultural ou exposição de trabalhos. quanto mais avançam as séries. pois. por um ou mais alunos a cada vez. a entonação. Outro exemplo é o que se pode chamar ―Roda de Leitores‖: periodicamente os alunos tomam emprestado um livro (do acervo de classe ou da biblioteca da escola) para ler em casa. a própria leitura oral e suas convenções. por sua qualidade e beleza. E. comenta o que gostou ou não.). • aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares — condição para a leitura fluente e para a produção de textos. Dependendo da extensão dos textos e do que demandam em termos de preparo.

necessária. Estratégias de inferência permitem captar o que não está dito no texto. SAIBA MAIS 01 Quando lemos um texto fácil cujo conteúdo é conhecido. Não se entende um texto escrito decodificando letra por letra ou palavra por palavra. do sistema de escrita. na perspectiva de favorecer o acesso e o desenvolvimento progressivo da capacidade da criança de compartilhar significados da cultura. é previsível que encontraremos determinados personagens e que alguma travessura ocorrerá. a prática da leitura não significa a repetição dessas atividades escolares. Não se lê só para aprender a ler. da língua. mas não está escrito. sílabas e palavras. não se fazem desenhos para mostrar o que mais gostou se raramente se lê em voz alta. não se respondem perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas. só nos damos conta delas quando analisamos nosso processo de leitura. Utilizamos todas as estratégias de leitura mais ou menos ao mesmo tempo sem ter consciência disso. • possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita. antecipamos significados. maior a eficácia da leitura. Estratégias de antecipação que tornam possível prever o que está por vir. As crianças aprendem a ler. São elas: Estratégias de seleção que permitem que o leitor se atenha aos elementos úteis e despreze o que é irrelevante.• ensinar a estudar. Estratégias de verificação tornam possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias. outros recursos para construir significados. Dois fatores determinam a leitura: o texto impresso. é aquilo que lemos. Ex: Nosso cérebro sabe que não precisa se deter na letra que vem após o ―q‖. do gênero. A leitura como prática social é sempre um meio. Não se lê de uma única forma. Para se ler a decodificação é apenas um dos procedimentos que se utiliza. Quanto mais os olhos puderem se apoiar naquilo que faz sentido para quem vê. isto é. Uma prática intensa de leitura na escola é. do autor. porque ler ensina a ler e a escrever. a partir do conhecimento que já possui a respeito do assunto. A leitura envolve outras estratégias. . A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. AULA 10 – O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA Objetivo: . ou seja. junto com pessoas que já dominam esse conhecimento. pois o movimento dos olhos é mais rápido do que a emissão das palavras. pois certamente será o ―u‖. permitindo confirmar ou não as inferências. suas características etc). nunca um fim. São adivinhações baseadas em pistas dadas pelo próprio texto como em conhecimentos que o leitor possui. conhecimento acerca da linguagem e da própria leitura (organização do texto. sobretudo. podemos ler até 200 palavras por minuto – a leitura em voz alta demora mais. Além de letras. Conseguimos eliminar letras em cada uma das palavras escritas e até mesmo uma palavra a cada cinco outras. com base em informações explícitas e em suposições. que implica familiaridade com o assunto tratado. que é visto pelos olhos. desenvolver atitudes e construir estratégias de organização do trabalho com a leitura. • favorecer a aquisição de velocidade na leitura. participando de atividades de uso da escrita. • favorecer a estabilização de formas ortográficas. do portador. Ao ler Monteiro Lobato.Definir objetivos. e aquilo que está por trás dos olhos: o conhecimento prévio do leitor. não se codifica palavra por palavra.

podendo ocorrer muito antes da decifração dos códigos. porque ela é a base da escrita. Material escrito. A sala de aula deve dar continuidade à leitura prazerosa. atribuir a ela uma vivência pessoal e interiorizá-la. Ler. é interpretar a mensagem. Isso permite que os alunos possam aprender comportamentos de leitor. em duplas. colocando em jogo aquilo que já construíram sobre o sistema alfabético. marcas. certamente. Ainda assim.É preciso ensinar a ler com diferentes objetivos. além de decifrar. aquele material ainda não parecia ser suficientemente interessante ou não era adequado ao seu ―estágio‖ de leitor. a criança escolhe um livro e troca-o logo em seguida sem ter feito um bom uso dele porque. • fazer uso de estratégias de leitura (seleção. a leitura crítica. A leitura faz parte da rotina diária da criança e ela não espera receber instruções de outra pessoa para iniciá-la. livros didáticos de diferentes anos escolares precisam estar presentes na classe. curiosos e observadores. para que possa questionar e opinar sobre o conteúdo implícito e explícito do texto. a completar frases transcritas diretamente do texto ou a responder perguntas que. decifrando ou não a sua escrita. modalidades e textos. para se divertir. principalmente quando são apresentados textos pouco significativos para elas. como algo interessante e desafiador. comentando e recomendando leituras para os colegas. ler não deve se resumir a decifrar caracteres. letreiros. possibilitam (ou direcionam . simplesmente. As competências dos alunos que estão sendo alfabetizados devem ser desenvolvidas. O professor precisa incentivar o gosto pela leitura. sempre que possível. o que significa: • atribuir significado a textos de gêneros variados. títulos e todos os objetos constantes no seu dia a dia transmitem uma significação própria e se tornam tão familiares que sua leitura é espontânea. algumas crianças ficam bloqueadas para a leitura. desde o início. Intuitivamente. Muitas vezes. que a finalidade da leitura é a aquisição de habilidades de decodificação ou pretextos para exercícios escolares. o aluno precisa ter liberdade de escolher e de usar diferentes modelos de escrita e isso deve ser feito de modo que ele não sinta. decodificação. que aguça sua curiosidade. para compreender etc. As crianças demonstram ser leitores atentos. No entanto. Por exemplo. Assim. folhetos. a maioria das crianças lê a palavra Coca-Cola. aquela que estimula a criança. jornais. A interpretação não deve se resumir. gibis. opiniões e interpretações. desde que o material a ser lido seja interessante e desafie sua inteligência. procurando desenvolver. na escola. embalagens. • colocar em ação diferentes tipos de leitura. • apropriar-se das convenções e das estruturas características de cada gênero textual. coletivamente ou em pequenos grupos) de textos de gêneros variados e com diferentes propósitos. páginas e letras.). distinguir símbolos e sinais. ela escolhe o material escrito de acordo com suas necessidades e opta por livros com maior ou menor número de desenhos. Placas. artigos. no aluno. Bilhetes e comunicados dirigidos aos pais devem ser lidos junto com as crianças. programas de TV. inferência e verificação). • confrontar ideias. antecipação. unir letras e emitir sons correspondentes: isso é muito mais um trabalho de discriminação visual e auditiva que antecede a leitura propriamente dita. não importando se a criança está ―pronta‖ para lê-los. visivelmente. Essas situações ocorrem tanto em momentos nos quais os alunos leem com a ajuda do professor como também quando eles são desafiados a lerem sozinhos. revistas. em função do texto e dos objetivos de leitura (ler para buscar informação. como livros de histórias. Os alunos devem ter confiança para enfrentar o desafio e ―aprender fazendo‖. sensibilizando-a de alguma maneira. a partir de atividades de leitura desenvolvidas pelo professor e pelo próprio aluno (de forma individual.

.Ler textos que a criança tem na memória (pseudoleitura).Ler palavras ou frases que formam o Banco de Palavras. Para crianças de 6 anos.Com o professor.Recortar de jornais e revistas somente as palavras ou frases que saiba ler e fazer a leitura para o professor. para que depois ele possa externar suas opiniões. de alguma forma. Em seguida. mas deve. até porque a maioria já passou por muitas experiências frustrantes e já conhece os nomes das letras. Deve ser aflitivo para essas crianças ter sempre a sensação de começar do zero. um anúncio ou um bilhete sejam mais atraentes. . poemas. . além de algumas palavras simples ou sílabas. . . trava-línguas. histórias vivenciadas pela classe. . aprendendo coisas novas. faça a leitura didática. Nesse caso. uma letra de rap ou de uma canção. . mostrando os espaços em branco entre as palavras.Ler textos produzidos pelos próprios alunos e fazer a interpretação oral ou escrita. o tema e os significados do texto escolhido são decisivos. receitas de culinária. os espaços existentes entre elas no papel é uma das características da língua escrita. as atividades de reflexão sobre a língua ou mesmo quaisquer outros trabalhos ligados às diferentes áreas de estudo. embalagens e avisos são elementos que oferecem uma base interessante para se fazer. que já passaram por vários métodos e cartilhas. estar baseada no que o texto transmite ao aluno enquanto indivíduo. fazer a leitura dialogada: o professor lê um texto e incentiva o diálogo.para) uma única resposta. .Antecipar uma história com base no título e/ ou na capa do livro. Faça uma leitura normal. tornando o texto coerente. que estão iniciando o processo de alfabetização cheias de curiosidade e disposição para aprender. regras de jogos. canções de roda. há muitas escolhas: histórias. Em se tratando de crianças grandes. etc. além da interpretação. do que gostam. Sugestões de tipos de leitura .Ler o que está fixado nas paredes: ler e interpretar o material que faz parte do ambiente alfabetizador. que seja uma novidade para elas. . contos de fada.Leituras silenciosa ou em voz alta. Como começar a estudar o texto? O professor pode escrever o texto na lousa. ele ―participe‖ do texto que está sendo lido. Trata-se de dar a essas crianças a certeza de que estão avançando. deve-se conversar sobre a vida deles. usado na vida social. fluente e converse com a turma sobre o texto. repetentes. . lançando perguntas e desafiando os alunos a sugerir uma continuidade para a história. apontando as palavras com o dedo ou com a régua. . sim. Ao fazer a leitura. portanto é bom escolher um texto diferente. numa cartolina grande ou em papel manilha. Leituras de letras de música.Leituras individual ou coletiva. Assim. A escolha dos textos Que textos escolher para as crianças? No momento de começar o ensino sistemático da leitura. se trabalham. o professor precisa respeitar as interferências do aluno e garantir que. o que fazem fora da escola.Ler frases fora de ordem e organizá-las. uma piada. talvez uma notícia sobre futebol. Mostre aos alunos que quando falamos as palavras parecem emendadas umas nas outras. a separação entre as palavras. manchetes de jornal.Ler um texto e reduzir (resumir) as informações.

fábulas. começando pelo texto natural. letras e regras ortográficas. etc. um anúncio. Histórias assim podem ser retrabalhadas para ficar de acordo com as convenções da escrita. . podem ser usados para iniciar a atividade. Produção de um texto a partir de um título dado: títulos de histórias conhecidas como histórias de fadas. uma notícia jornalística. um texto didático. Referências bibliográficas CARVALHO. 2005. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. o que realmente não pode faltar. uma poesia. Resumo: propor resumos orais de uma história. sílabas. Alfabetização: um processo em construção. Sugestões para o trabalho com a leitura e a oralidade Paráfrase: pedir ao aluno que diga a mesma coisa lida de um outro jeito. DE OLHO NA PRÁTICA – ATIVIDADE INTEGRADORA: 1) Selecione dez livros infantis que você utilizaria para o ensino da leitura para o 1º ano. uma receita. com suas próprias palavras. Para isso. São Paulo: Saraiva. Maria Inês Aguiar. Reprodução de histórias: No exemplo abaixo. Quando é que elas vão começar a ler realmente? As crianças estarão lendo quando forem capazes de perceber como as letras funcionam para representar os sons da língua e ao mesmo tempo possam entender o que diz o texto. Não é uma questão de adivinhação da criança. lendas. Petrópolis: Vozes. explicar de que tipo de texto se trata: uma narrativa. que a mesma letra pode representar mais de um som de acordo com o contexto e o mesmo som pode ser representado por mais de uma letra. é conhecimento sistemático. RUSSO. que tem que ser passado por uma pessoa que conheça o código alfabético. que conte uma história. um capítulo de novela ou uma notícia. Ensinar que no resumo destacamos aquilo que consideramos mais importante. Maria de Fátima e VIAN. há muitas repetições e modos de dizer típicos da língua oral. Classificação dos diversos tipos de textos: cada vez que apresentar um texto. significativo (e não por um texto acartilhado) e caminhar gradativamente na direção do conhecimento de palavras. Brincadeiras com palavras: pedir a dois alunos que digam cada qual uma palavra e a partir daí deixar a turma criar uma história. pode-se sistematizar o ensino da leitura e da escrita. Marlene. 2001. narrada pela professora.Como fazer para mostrar os sons das letras? Aprender a ler envolve aprender que as letras representam sons.

com letra maiúscula. não fazem muita diferença. fez esta interpretação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. Atividades A) Pontue o texto abaixo. O sobrinho fez a seguinte pontuação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não.AULA 11 – PRODUZINDO UM LIVRO INFANTIL/GIBI CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE Gênero livro infantil ou gibi. não a meu sobrinho. Que competências os alunos desenvolvem ao realizarem essas provas? Faça com capricho e atenção. quem ficará com a herança? Um homem rico estava muito doente. Nada aos pobres”. sabido. Um deles. veja. Transposição didática Produzir um livro infantil sobre as novas normas ortográficas TRAZER NA PRÓXIMA AULA Trazer uma BOA gramática (POR GRUPO) AULA 12 – CONHECENDO A GRAMÁTICA (ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA) Gramática é a descrição completa da língua. dos princípios de organização da língua. pediu papel e caneta e assim escreveu: “Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”. jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada. isto é. Nada aos pobres”. Agora tente responder às questões abaixo e ANALISE essas provas. Aos pobres”. Jamais será paga a conta do alfaiate. Aí. Morfologia: estuda a estrutura da palavra e sua classificação. por serem pequenos. Nada aos pobres”. Quando ocorrer ponto. no exemplo abaixo. Estilística: estuda a organização da linguagem do ponto de vista de seu conteúdo afetivo. A irmã chegou logo em seguida e pontuou assim o escrito: “Deixo meus bens à minha irmã. a palavra seguinte: 1) Quem ensina ou orienta ( ) precisa desenvolver ( ) a habilidade de ser empático ( ) a empatia ( ) consiste ( ) na capacidade de colocar-se ( ) no lugar do outro ( ) de ver as coisas da perspectiva dele ( ) por exemplo ( ) uma professora ( ) ao avaliar um novo jogo de palavras cruzadas destinado a ampliar ( ) o vocabulário de suas crianças ( ) pode achá-lo fascinante ( ) mas deve perguntar-se ( ) se as crianças lidarão bem com o novo jogo ( ) será que elas vão gostar ( ) será que vão entender as regras de funcionamento ( ) será que o vocabulário vai realmente ser ampliado ( ) B) Se você acha que os sinais de pontuação. não é necessário corrigir. Sintaxe: define a organização dos elementos internos da frase estabelecendo a relação entre eles. Semântica: estuda a relação entre conteúdos e significados. Divisão da gramática normativa Fonologia: estabelece os princípios que regulam a estrutura sonora da língua. Para quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes. Jamais será paga a conta do alfaiate. a meu sobrinho. chegaram os descamisados da cidade. utilizando-se de todos os sinais gráficos.1 . O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa pra sua sardinha: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Morreu antes de fazer a pontuação. pois erros de ortografia serão descontados em 0.

h. (cada item vale 1 ponto. sementes más. j. não tem duas. avistei o sinal vermelho. no planeta do principezinho havia. u. ch. Não é necessário repeti-los. escreva se há dígrafos ou encontros consonantais e em seguida circule-os (lembre-se que há dígrafos vocálicos). . completando-as com as letras adequadas (l. ç. (cada 0. escrevendo por que elas são acentuadas ou porque não têm acentos. como em todos os outros planetas. Você só tem uma vida.Boa prova. ou seja.0) a) reporter b) cafe c) medico d) tuneis e) album f) hifen g) paroxitona h) moeda i) sofa j) proton 4) Justifique a acentuação das palavras do exercício anterior. sementes boas. Por conseguinte.1) a) No quinta____ havia um pequeno ba___de furado.2 = 4. e lança timidamente para o Sol um inofensivo galhinho. a) b) c) d) e) f) Sorriso Submarino Exceção Braço Longe Caminho h) flecha i) Brasil j) pneu k)querer l) olho m) lâmpada 2) Classifique os ditongos destacados seguindo o código abaixo: (cada item 0.0) 5) Reescreva. Então ela espreguiça. de ervas más.0) 1. s.” (O Pequeno Príncipe) 7)Reescreva todos os substantivos que aparecem no texto acima. (cada 0.3 = 3. Rapidamente. z.ditongo nasal decrescente 3) Reescreva as palavras acentuando-as se necessário. Ele observa todas as etiquetas das roupas novas. Mas as sementes são invisíveis. ss) (cada palavra 0. ervas boas e más. na folha de respostas. de ervas boas. x.2 = 2. g. o. Elas dormem no segredo da terra até que uma queira despertar.ditongo nasal crescente a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) freqüência ciência água mais 3. preso a um ca____le.ditongo oral crescente 2. diga a que classe gramatical cada uma pertence. Total de 5 pontos) a) b) c) d) Eu fiquei muito aborrecido. 6) Leia o texto abaixo e responda às questões 1 e 2 . (turma A) 1) Para cada palavra abaixo. apenas as palavras que faltam letras. b) O rapa___ chegou atra___ado porque o pára-___oque tra___eiro de seu carro estava ama___ado. (vale 1 ponto) 8) Faça a classificação morfológica de cada palavra sublinhada nas frases abaixo.ditongo oral decrescente 4. “Com efeito.

ou se põe o anel verde e não se calça a luva branca! Quem sobe nos ares não fica no chão.. Depois. adjetivos. Ou guardo o dinheiro e não compro os dez doces. ou compro os dez doces e gasto o dinheiro. Quem fica no chão não sobe nos ares.e) O vento frio agitava as águas daquele enorme lago.. pronomes e numerais) e classifique as palavras do texto nessas colunas. (3 pontos) Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva branca e não se põe o anel verde. Ou trabalho com amor e não vivo com tristeza. . Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo. 9) Leia o texto com atenção. faça 4 colunas (substantivos. Nem todas as palavras serão classificadas. ou vivo com tristeza e não trabalho com amor.

pontuação. TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 15 – APRESENTAÇÃO DE JOGOS DE GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA Gênero gibi e morfologia. aspectos gramaticais.br) AULA 16 – A GRAMÁTICA NOS PCNS CONTEÚDO A reflexão sobre a língua. . ortografia. o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição verbal de regras. pontuação.AULA 13 – CONHECENDO MELHOR AS PARTES DA GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) morfologia. 57 a 60) Ortografia De modo geral.maquinadequadrinhos. ortografia. TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) TEXTO 1 (PCNs p. E. seguida de uma tarefa onde o aluno copia várias vezes as palavras que escreveu errado. com sentido de ―fórmulas‖. ortografia. pontuação. Fazer exercícios de gramática trazidos pelo professor.com. e da correção que o professor faz de redações e ditados. Estudo em grupo de alguns conteúdos gramaticais. Elabora um gibi no site da Mônica (www. AULA 14 – RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DE CONTEÚDOS GRAMATICAIS CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE morfologia. PCNs ATIVIDADE Leitura interpretativa e debate sobre o texto. sobre conteúdos já estudados anteriormente.

as formas ortográficas mais freqüentes na escrita devem ser aprendidas o quanto antes. QU. RIQUE(Z)A.: o uso de RR. a consulta a fontes autorizadas e o esforço de memorização. por exemplo. É preciso que se diferencie o que deve . em ortografia. NH. comparem com a escrita convencional e tomem progressiva-mente consciência do funcionamento da ortografia). obrigando uma escrita de memória. as regras do tipo morfológico são as que remetem aos aspectos morfológicos e à categoria gramatical da palavra para poder decidir sua forma ortográfica (ex. M/N antes de consoante. o ensino da ortografia deveria organizar-se de modo a favorecer: 37. FIZE(SS)E. apesar de se encontrar no sistema alfabético mais de um grafema para notar o mesmo fonema. Os casos em que as regras existem podem ser descritos 38 como produzidos por princípios geradores ―biunívocos‖. Ainda que tenha um forte apelo à memória. É importante que as estratégias didáticas para o ensino da ortografia se articulem em torno de dois eixos básicos: • o da distinção entre o que é ―produtivo‖ e o que é ―reprodutivo‖ 37 na notação da ortografia da língua. OUVI(SS)E: imperfeito do subjuntivo. E. Em função dessas especificidades. O princípio gerador biunívoco é o próprio sistema alfabético nas correspondências em que a cada grafema corresponde apenas um fonema e vice-versa. etc. em primeiro lugar. A aprendizagem da ortografia das palavras irregulares — cuja escrita não se orienta por regularidades da norma — exige. a norma restringe os usos daqueles grafemas formulando regras que se aplicam parcial ou universalmente aos contextos em que são usados. As regras do tipo contextual (ex. não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma e. GU. o que se pode gerar a partir de regras . para a qual a intervenção pedagógica tem muito a contribuir. independentemente de serem regulares ou irregulares — definidas por regras ou não —.).: ANDA(R). nesses casos. É produtivo. e • a distinção entre palavras de uso freqüente e infreqüente na linguagem escrita impressa. • a inferência dos princípios de geração da escrita convencional. a escrita inadequada de ―quando‖ e de ―questiúncula‖. É importante observar que a realização desse tipo de trabalho não requer necessariamente a utilização de nomenclatura gramatical. por fim. PORTUGUE(S)A. mas de tratar diferentemente. ―contextuais‖ e ―morfológicos‖. POBRE(Z)A: substantivos terminados em /eza/. a partir da explicitação das regularidades do sistema ortográfico (isso é possível utilizando como ponto de partida a exploração ativa e a observação dessas regularidades: é preciso fazer com que os alunos explicitem suas suposições de como se escrevem as palavras.o que permite a escrita de palavras nunca antes vistas por escrito . a consciência de que não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma. INGLE(S)A: adjetivos gentílicos terminados em /esa/. • a tomada de consciência de que existem palavras cuja ortografia não é definida por regras e exigem. portanto. Não se trata de definir rigidamente um conjunto de palavras a ensinar e desconsiderar todas as outras. PENSA(R): verbos no infinitivo. permitindo no primeiro caso o descobrimento explícito de regras geradoras de notações corretas e. etc. de ―hoje‖ e de ―homilia‖ — dada a enorme diferenciação da freqüência de uso de umas e outras.e reprodutivo o que não se pode gerar. um posicionamento do professor a respeito de quais dessas formas deverão receber um maior investimento no ensino.) são aquelas em que. os alunos — se bem que capazes de ―recitar‖ as regras quando solicitados — continuam a escrever errado. em segundo lugar. a tomada de consciência de que. a aprendizagem da ortografia não é um processo passivo: trata-se de uma construção individual. quando não.apesar do grande investimento feito nesse tipo de atividade. A posição que se defende é a de que. reflitam sobre possíveis alternativas de grafia.

que os verbos não aparecem flexionados. Pontuação O ensino da pontuação tem-se confundido com o ensino dos sinais de pontuação. Desse momento em diante costuma-se esperar que os alunos incorporem a pontuação a seus textos. ou seja. a ponto de alguns gramáticos45 apresentarem-na como ―a arte de dividir. O texto não é uma soma de frases. Frases que se agrupam tipograficamente em parágrafos 44 . A pontuação aparece sempre em posições que indicam fronteiras sintático-semânticas. Aprender a pontuar é aprender a partir e a reagrupar o fluxo do texto de forma a indicar ao leitor os sentidos propostos pelo autor. Isso faz com que o ensino da ortografia possa desenvolver-se por meio tanto de atividades que tenham o texto como fonte de reflexão como de atividades que tenham palavras não necessariamente vinculadas a um texto específico. sobre as quais esta didática se apóia. pois. diferentemente de outros aspectos da notação escrita — como a pontuação —. A partir da compreensão de que o procedimento de pontuar é parte da atividade de textualização39 . por meio de sinais gráficos. incorporou ao texto um aparato gráfico cuja função é indicar ao leitor unidades para o processamento da leitura 41 . A primeira delas é que a pontuação serviria para indicar as pausas na leitura em voz alta e a segunda é que o que se pontuam são as frases. essa abordagem se mostra inadequada e indica a necessidade de rever algumas idéias. em situações em que os alunos tenham razões para escrever corretamente. que caracteriza a forma moderna de ler 40. A consulta ao dicionário pressupõe conhecimento sobre as convenções da escrita e sobre as do próprio portador: além de saber que as palavras estão organizadas segundo a ordem alfabética (não só das letras iniciais mas também das seguintes). é um fluxo contínuo que precisa ser dividido em partesfrase que podem ou não conter partes também — os apostos. O trabalho com a normatização ortográfica deve estar contextualizado. Assim. as restrições da norma ortográfica estão definidas basicamente no nível da palavra. portanto. mais de uma possibilidade de pontuar um texto. basicamente. em que a legibilidade seja fundamental porque existem leitores de fato para a escrita que produzem. o manejo do dicionário precisa ser orientado. O costume de ler apenas com os olhos. não é essa sua função no texto escrito43 . nem sempre explícitas. O escritor indica as separações (pontuando) e sua natureza (escolhendo o sinal) e com isso estabelece formas de articulação entre as partes que afetam diretamente as possibilidades de sentido. quase sempre. A história da pontuação é tributária da história das práticas sociais de leitura. Utilizou-se aqui a descrição proposta por Artur Gomes de Morais e Ana Teberosky. por exemplo. Não se trata. que o significado da palavra procurada é um critério para verificar se determinada escrita se refere realmente a ela. pois requer a aprendizagem de procedimentos bastante complexos. Na página impressa. é preciso saber. etc. Deve estar voltado para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação à própria escrita. de indicar pausas para respirar. Por isso — ao contrário da ortografia — na pontuação a fronteira entre o certo e o errado nem sempre é bem definida. Tudo o mais são possibilidades. as partes do . por exemplo. é principalmente para isso que ela serve: para separar. 38. Há. de preocupação com a adequação e correção dos textos. ainda que um locutor possa usar a pontuação para isso. as conexões intelectuais ou discursivas do raciocínio. A única regra obrigatória da pontuação é a que diz onde não se pode pontuar: entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e seu complemento. obtendo assim efeitos estilísticos. No entanto. A uma apresentação do tipo ―serve para‖ ou ―é usado para‖ segue-se uma exemplificação cujo objetivo é servir de referência ao uso. a pontuação — aí considerados os brancos da escrita: espaços entre parágrafos e alíneas42 — organiza o texto para a leitura visual fragmentando-o em unidades separadas de tal forma que a leitura possa reencontrar. Aliás. na articulação visual da página.estar automatizado o mais cedo possível para liberar a atenção do aluno para outros aspectos da escrita e o que pode ser objeto de consulta ao dicionário.

torna-se necessário saber. Um procedimento que só é possível aprender sob tutoria. esta função. uma metalinguagem. sujeito. etc. enquanto o escritor monitora a própria escrita para assegurar sua adequação. atividade discursiva e textualidade‖. isto é. coesão e correção. Por exemplo. O critério de relevância dos aspectos identificados como problemáticos — que precisam. O critério do que deve ser ou não ensinado é muito simples: apenas os termos que tenham utilidade para abordar os conteúdos e facilitar a comunicação nas atividades de reflexão sobre a língua excluindo-se tudo o que for desnecessário e costuma apenas confundir os alunos. Julio Ribeiro (ALMEIDA. é uma unidade tipográfica de várias frases. 1994) e Napoleão Mendes de Almeida. 42. ser ensinados prioritariamente — deve ser composto pela combinação de dois fatores: por um lado. pertence ao escritor. nas séries iniciais. — observando os usos característicos da pontuação nos diferentes gêneros e suas razões (a grande quantidade de vírgulas/aposições nas notícias jornalísticas como instrumento para condensar o texto.discurso que não têm entre si ligação íntima. A propriedade que a linguagem tem de poder referir-se a si mesma é o que torna possível a análise da língua e o que define um vocabulário próprio. o que pode contribuir para maior adequação e legibilidade dos textos e. 1988). predicado. Hoje. empregando bem esses conhecimentos. o que seria inconcebível por escrito. Aprender a pontuar não é. ao mesmo tempo que é fonte de conteúdos a serem trabalhados. É comum. por exemplo. Saber o que é substantivo. 43. O estudo de textos antigos mostra que quem pontuava o texto não era o escritor e sim o leitor . A prática de leitura silenciosa disseminou-se a partir da produção de livros em escala industrial. que ganham utilidade os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais. 40. fazendo juntamente com quem sabe: — conversando sobre as decisões que cada um tomou ao pontuar e por quê. artigo. o contrário não é verdadeiro. se é verdade que sempre que há uma vírgula (no escritor) há uma pausa (no oral). no fim de um processo em que os alunos. por outro. portanto. não se deve sobrecarregar os alunos com um palavreado sem função. . embora seja peculiar a situações de análise lingüística (em que inevitavelmente se fala sobre língua). — analisando alternativas tanto do ponto de vista do sentido desejado quanto dos aspectos estilísticos e escolhendo a que parece melhor entre as possíveis. não significa ser capaz de construir bons textos. analisam e estabelecem regularidades na acentuação de palavras e chegam à regra de que são sempre acentuadas as palavras em que a sílaba tônica é a antepenúltima. sem precisar passar pela sonoriz ação do que está escrito. Isso porque os aspectos gramaticais — e outros discursivos como a pontuação — devem ser selecionados a partir dos das produções escritas dos alunos. quando o texto impresso é formado para ser lido diretamente pelo olho. O parágrafo. de estreitar o campo das possibilidades de interpretação indicando graficamente as unidades de processamento e sua hierarquia interna. adjetivo. Em relação a essa terminologia característica. por exemplo). Também é possível ensinar concordância sem necessariamente falar em sujeito ou em verbo. coerência. — analisando os efeitos estilísticos obtidos por meio da pontuação pelos bons autores. Convém lembrar que. verbo. justificado exclusivamente pela tradição de ensiná-lo. portanto. aprender um conjunto de regras a seguir e sim aprender um procedimento que incide diretamente sobre a textualidade. é preciso considerar que. o que é ―proparoxítona‖. 44. Usou-se o termo ―alínea‖ para designar o recurso da linha no início dos parágrafos. a capacidade dos alunos em cada momento. Ele lia. Aspectos gramaticais É no interior da situação de produção de texto. sob orientação do professor. 45. Quando se enfatiza a importância das atividades de revisão é por esta razão: trata-se de uma oportunidade privilegiada de ensinar o aluno a utilizar os conhecimentos que possui. 39. 41. Ver capítulo ―linguagem. segundo Todorov (DUCROT e TODOROV. e de mostrar do modo mais claro as relações que existem entre essas partes‖. fazer uma pausa (no oral) entre o sujeito e o predicado de uma oração. preposição. Até então o ato de ler se confundia com o ato de recitar o texto em voz alta. estabelecia a su a interpretação e preparava a leitura em voz alta marcando de próprio punho as pausas que considerava necessárias ao bom entendimento pelos ouvintes.

repetir. Nada disso se faz na vida real. de busca de alternativas. E. ainda que os conteúdos relacionados a esse tipo de prática estejam organizados num bloco separado. de colaboração entre os alunos para a resolução de tarefas de aprendizagem.. e. Na verdade.] De fato. às vezes. morfologia ou sintaxe. pretende-se que o aluno evolua não só como usuário mas que possa assumir.Isso não significa que não é para ensinar fonética. de verificação de diferentes hipóteses. aprendem suas línguas exatamente porque não são ensinadas – exatamente porque pais não agem com elas como se houvesse necessariamente fases. construir uma frase com palavras dispersas. aumentativos.. mas por práticas significativas. Deixados de lado detalhes (às vezes certamente importantes). um pouco mais maldosos .. por mais que haja entre eles atividades lingüísticas. Se o objetivo é que os alunos utilizem os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para melhorar a capacidade de compreensão e expressão. separar sílabas. é constante. mesmo. dizer alguma coisa vinte ou cem vezes. de comparação de diferentes pontos de vista. fazer frases interrogativas. mais fundamental ainda . negativas. que seria: não se aprende por exercícios. mas que elas devem ser oferecidas à medida que se tornarem necessárias para a reflexão sobre a língua. e sem ser ensinados. a partir dos três anos de idade. ou. E. difícil. eles devem remeter-se diretamente às atividades de uso da linguagem. o que há nela eventualmente de inato. de qualquer forma temos que reconhecer que os adultos não propõem exercícios de linguagem às crianças na vida cotidiana. o monitoramento da própria atividade lingüística. Alguns. não há nada que se assemelhe a um ensino formal de uma disciplina. Ou. quer sejamos inatistas. Isso não significa que se aprenda facilmente. APRENDE-SE [. interacionistas ou comportamentalistas. Tudo isso se faz nas escolas. O princípio didático básico das atividades não apenas deste bloco. pelo menos. devem estar a seu serviço. [. em maior ou menor quantidade. dar diminutivos. progressivamente. Leitura complementar LÍNGUA NÃO SE ENSINA. o que podemos observar é que ocorre um uso efetivo da linguagem. algo que se assemelhe a exercícios. Tudo isso são exemplos de exercícios. Mais do que isso. por mais que seja efetiva e constante a presença dos adultos junto às crianças. porque nada disso ajuda ninguém a aprender uma língua. certamente. coisas como as seguintes: propor a uma criança de dois anos (ou menos) que faça tarefas como completar. tanto em situações de comunicação escrita quanto oral.é uma atividade significativa. tipicamente. mas de todos os outros. uma tentativa forte de dar sentido ao que o outro diz etc. é preciso voltar a enfatizar o papel que o trabalho em grupo desempenha em atividades de análise e reflexão sobre a língua: é um espaço de discussão de estratégias para a resolução das questões que se colocam como problemas. Principalmente. ninguém sabe muito bem o que se passa na mente humana.] O que é ainda mais espantoso é que todos aprendem com velocidade espantosa um objeto complexo.mas talvez não muito distantes da verdade . não ensinam as línguas às crianças. Não. de todas as épocas. isto é. de herança biológica. Finalmente. muito menos. poderíamos enunciar uma espécie de lei. ou adultos em geral. nenhum de nós faria. Esta parece ser a questão principal e crucial. Qualquer que seja a teoria que adotemos sobre o que seja uma criança . Nesse sentido. procurar palavras de um certo tipo num texto. Observemos como esta afirmação fica quase óbvia se pensarmos em como uma . numa escola. Em resumo. o trabalho dos adultos e das crianças é contínuo e. métodos. é sempre o mesmo: partir do que os alunos já sabem sobre o que se pretende ensinar e focar o trabalho nas questões que representam dificuldades para que adquiram conhecimentos que possam melhorar sua capacidade de uso da linguagem.. exercícios. nem conhece quem faça. decorar conjugações verbais etc. De fato.talvez venham a pensar que as crianças do mundo todo. e muito. copiar. e bem. os pais. um uso sempre contextualizado. com todas as variações que esses rótulos permitem. afirmativas. O fato observável é que todos falam.já falamos disso mais acima -. se entendermos por ensino aquele conjunto de atividades que se dão. é preciso organizar o trabalho educativo nessa perspectiva. Sendo assim.

não são exercícios. parece-me que a atitude dos profissionais dos diversos escalões. dizendo e sendo corrigidas quando utilizam formas que os adultos não aceitam. e sendo corrigidos. O que já é sabido não precisa ser ensinado. Nos cursos de didática que fazemos nas faculdades ou nos cursos de magistério. aprendemos a elaborar planos de cursos. a menos praticada. Em relação às outras. Ler e escrever são trabalhos. Na minha opinião. como escrevem. Como aprendemos a falar? Falando e ouvindo. Por isso. o que se faz é falar e ouvir. após determinado número de anos na escola. Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. A escola poderia aprender muito com os procedimentos "pedagógicos" de mães. Por isso. desde que não pense só em listas de conteúdos e em avaliação "objetiva" SABEMOS O QUE OS ALUNOS AINDA NÃO SABEM? De uma certa forma. são um pouco heterogêneas. as atitudes. na rua. Mas não existe reprovação. ou significativamente. jornalistas. No processo de aquisição fora da escola existe correção. desde os das Secretarias de Educação até os professores. desses programas pré-fabricados para ir do simples ao complexo. e tendo nossos textos lidos e comentados muitas vezes. É que pode não parecer. O modo de conseguir na escola a eficácia obtida nas casas e nas ruas é "imitar" da forma mais próxima possível as atividades lingüísticas da vida. A escola pode muito bem agir dessa forma. babás e mesmo de crianças. pelo menos nos estágios iniciais . trata-se de trabalho e papelada inúteis. contextualizadas. passando por coordenadores e diretores.criança aprende a falar com os adultos com quem convive e com seus colegas de brinquedo e de interação em geral. as práticas mais relevantes serão. nas casas. Só depois escrevem. mas que veríamos claramente que conhecem. significativas. Por exemplo: para descobrir o que os alunos de uma próxima sexta série já sabem e o que ainda não sabem. Se não passarem de exercícios eventuais. Na vida. por comparação com o projeto da escola. de bom senso. ou como se escreve de fato "na vida" . e reescrevendo. escrever e ler. Descobriremos que livros já leram. Como aprenderemos a escrever? Escrevendo e lendo. exercícios de fixação e de recuperação etc. e depois reescrevem. Eles pesquisam. basta analisar os cadernos e demais materiais dos que acabaram de concluir a quinta série na mesma escola. portanto. bem ou mal. portanto. Eles não fazem redações. com um professor conhecido na escola e com quem se pode discutir alternativas. é de "seriedade" e cerimônia tamanha que merece ser desmistificada. se examinássemos sua fala com cuidado. Nada de consultar manuais e guias para saber o que se deve ensinar. Adotando esse critério para todas as séries. numa sexta série. O fato de que as crianças não façam exercícios. Com base em tal levantamento. lêem outros livros.. e mostram para colegas ou chefes. Mas. presos a uma tradição que não se justifica a não ser por ser tradição. com uma freqüência semelhante à freqüência da fala e das correções da fala. De todas as teses sobre língua e seu ensino que estou defendendo aqui. vou fornecer aqui uma "receita" óbvia para estipular programas de ensino para língua materna nos diversos anos escolares (com a ressalva de que jamais me refiro à alfabetização. os programas anuais poderiam basear-se num levantamento bem feito do conhecimento prático de leitura e escrita que os alunos já atingiram e. crianças com alguns anos de idade utilizam o tempo todo formas que sequer imaginamos. certamente sua contribuição para o domínio da escrita será praticamente nula. basta que verifiquemos como escrevem os que escrevem: escritores. saberemos o que os alunos já dominam realmente e o que lhes falta ainda. repito. ouvem suas opiniões. talvez o que se vai ver agora seja ainda mais óbvio. não repitam formas fora de um contexto significativo não significa que não sejam expostas suficientemente às línguas. Para se ter uma idéia do que significaria escrever como trabalho. e depois reescrevem de novo. tudo o que foi dito anteriormente são apenas coisas óbvias.refiro-me. apenas para avaliação. Mas. lêem arquivos. a que se segue é a mais evidente de todas e. ouvem os outros. uma avaliação do que ainda lhes falta aprender. Mas. Nélson Rodrigues diria que se trata do óbvio ululante. em relação aos conteúdos de ensino. com objetivos e estratégias. em relação ao português padrão (escrito. por exemplo. e lêem e relêem. Como aprenderam? Ouvindo. mas falamos tanto e as regras são relativamente tão poucas que acabamos por aprender. organizaremos os "problemas" em séries. portanto. talvez. Nada. Na escola. segundo sua especificidade e eventual . em geral. O princípio é o mais elementar possível. Falar é um trabalho (certamente menos cansativo que outros).. a programas de português para alunos que já lêem e escrevem minimamente). humilhação. O domínio de uma língua. quais os principais problemas que ainda têm (se ainda os houver). é o resultado de práticas efetivas. Sendo corrigidas: isto é importante. vão à rua. principalmente). Seguindo esse princípio. A escola é um lugar de trabalho. castigo.

se ficar claro que conhecer uma língua é uma coisa e conhecer sua gramática é outra. que se trabalhe sobre eles. no Brasil. Que saber uma língua é uma coisa e saber analisá-la é outra. basta dar-se conta de que é em circunstâncias e com sentidos diferentes que dizemos "que corpinho!"e" há corpúsculos visíveis apenas com instrumentos como os microscópios". . na maioria absoluta dos casos em que a estrutura da língua prevê a ocorrência do fenômeno da concordância. os erros sejam pouco numerosos. Só vale a pena trabalhar sobre tais questões para chamar a atenção para os valores de tais formas. não serão os prioritários numa determinada série). haverá problemas apenas nos lugares de sempre: palavras com" gênero duvidoso" (ou seja. é necessário estar atento ao uso e ao sentido reais de tais palavras. para que se possa perceber claramente qual é o espírito que preside o ensino de língua materna para alunos que já falam. porque. para que não ocorra que se ensine que "corpúsculo" é o diminutivo de "corpo" em qualquer contexto. concordância etc. Assim. por exemplo.. Por exemplo: é provavelmente uma enorme perda de tempo ensinar a alunos de primeiro grau que existem diminutivos e aumentativos. para que insistir em estudar o gênero de "vaca" ? Vou fazer uma comparação com o ensino de outra língua para que as coisas fiquem bem claras. Por que temos que "começar do começo" nas aulas de inglês? Porque nossos alunos não falam inglês. exatamente aqueles que achamos que alunos típicos de determinada série podem eliminar. aprendem a distinguir estilos diversos e avaliá-los. para o fato de que há formas peculiares (como "copázio" e "corpúsculo". aparecessem nas nossas escolas falando em inglês. por alguma razão. Em resumo. Outros. Que saber usar suas regras é uma coisa e saber explicitamente quais são as regras é outra. Se não ocorrerem. além disso. parece razoável ensinar apenas quando os alunos erram.dificuldade. se a escola tiver um projeto de ensino interessante. além de descobrir o valor social associado a tais recursos . Se ocorrerem problemas. por um lado.isto é. definida com base também na psicologia de aprendizagem que adotamos na escola. Tentemos colocar-nos em outra posição. Mas. para efeito de raciocínio: pensemos o que seria ensinar inglês. para isso. Ou seja: há uma grande probabilidade de que.ou puderem ser convencidos . Diria que estes casos não são do tipo em que é melhor prevenir do que remediar. é perfeitamente possível saber muito" sobre" uma língua sem saber dizer uma frase nessa língua em situações reais. poderão ser deixados para séries mais avançadas (ou. Se fizermos este tipo de levantamento de forma adequada por vários anos. em seguida. o aumento da idade dos jovens implica numa diversificação e sofisticação da interação social. para crianças que. que essas estruturas sejam objeto de trabalho. não há porque trabalhar com eles. o que acarreta uma multiplicação dos recursos de linguagem que eles aprendem a manipular. a tradição é tão forte que não conseguimos ver o que de fato fazemos quando ensinamos uma língua que os alunos conhecem fazendo de conta que eles não a conhecem. Certamente. e que. por exemplo). não lhes ensinaríamos o que lhes ensinamos. com variação de gênero). isto é. pelo menos. que o passar do tempo é um fator importante de aprendizado lingüístico. número. Que se pode falar e escrever numa língua sem saber nada “sobre" ela. Mesmo nesses casos. Para dar um exemplo óbvio. Além disso. se os alunos falam português o tempo todo? Não seria melhor ensinar-lhes apenas o que não sabem? ENSINAR LÍNGUA OU ENSINAR GRAMÁTICA? Todas as sugestões feitas nos textos anteriores só farão sentido se os professores estiverem convencidos . Não se pode esquecer. por outro lado. por que fazemos coisas semelhantes nas aulas de português. na nossa sociedade. a não ser quando os alunos efetivamente erram e naqueles casos em que erram. na qual se usam as formas padrões que a escola quer que ele aprenda. mas se nunca dizem" vaca preto" . uma língua "desde o início" . através da leitura esse aluno terá tido cada vez mais contato com a língua escrita. para. Neste último caso. solicitar que efetuem exercícios do tipo" dê o diminutivo de" .de que o domínio efetivo e ativo de uma língua dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica. casos de sujeitos compostos com elementos masculino e feminino e alguns outros casos raros. O mesmo vale para numerosas outras lições de gramática normativa. alguns dos problemas serão postos como prioritários. Provavelmente haverá mais casos problemáticos de concordância verbal do que de concordância nominal. Em geral. Assim. exatamente como fazem os adultos com as crianças. provavelmente concluiremos que não é necessário estudar gênero. Em outras palavras. "dê o aumentativo de". cada escola acabará por saber com bastante clareza o que lhe cabe no ensino do padrão e o que os alunos aprendem fora da escola. Se os alunos utilizam estruturas como "os livro" . como em outras.

nos quais seria impossível ser aprovado sem saber gramática. A maior prova disso é que em muitos lugares do mundo se fala sem que haja gramáticas codificadas. mas é preciso distinguir seu papel do papel da escola . Mas há também questões de literatura e de interpretação de textos. Mas. como os concursos públicos. não é só entre os que poderiam ser chamados preconceituosamente de primitivos que isso ocorre. para os escritores latinos. Sírio. 1998. façam o mesmo com os alunos certamente fracassará. Qualquer projeto que não considere como ingrediente prioritário os professores desde que estes. principalmente porque se sabe que refletir sobre a língua é uma das atividades usuais dos falantes e não há razão para reprimi-Ia na escola. Claro que este fato deve ser considerado. não é verdade que crucial para a aprovação é a gramática. se se quiser analisar fatos de língua. vestibulares incluídos. Se verificássemos os fatos e não nossa representação deles (fora o achismo!). eles sabiam grego). logo se levantam objeções baseadas nos vestibulares e outros testes. isto é. então. o que se vê são alunos que. como poderiam os novos falantes entender textos antigos? Ou seja. criar condições para seu uso efetivo. damos tanta ênfase à gramática. Por isso. Falar contra a "gramatiquice" não significa propor que a escola só seja "prática" . não faz sentido ensinar nomenclaturas a quem não chegou a dominar habilidades de utilização corrente e não traumática da língua. mas para organizar certos princípios de leitura que permitissem ler textos antigos. há questões de gramática. não existiam gramáticas gregas (a não ser na cabeça dos falantes.não reflita sobre questões de língua. Mas. dando mais espaço em nossas aulas à literatura e à interpretação de textos? c) em muitos testes. já há condições de fazê-lo segundo critérios bem melhores do que muitos dos utilizados atualmente pelas gramáticas e manuais indicados nas escolas. mas é menos. e não surgem para que possam ser aprendidas pelos falantes. Ou será que não é porque não sabem gramática que têm notas baixas? Se for. reclamar ou brincar. e não os escritores que consultam os gramáticos para saber que regras devem seguir. xingar.). (POSSENTI. do que alguém que tenha estudado a gramática do inglês durante anos. As primeiras obras que poderiam ser chamadas de gramáticas (mas. isto é.. Quando se discute ensino de língua e se sugere que as aulas de gramática sejam abolidas. para coroar uma série de obviedades. b) em muitos vestibulares e outras provas. p. de alterar prioridades (discutir os preconceitos é certamente mais importante do que fazer análise sintática . é verdade. os gregos escreveram muito antes de existir a primeira gramática grega. nas quais não há escrita e muito menos gramáticas. É perfeitamente possível aprender uma língua sem conhecer os termos técnicos com os quais ela é analisada. Portanto. adequadamente. Trata-se apenas de reorganizar a discussão. professores de português .basta. veríamos que o conhecimento explícito de gramática não é tão relevante nessas circunstâncias. Espero que ninguém diga que não sabem sua língua os falantes de sociedades ágrafas. isto é.eu disse mais importante. o mesmo valendo. que os especialistas mudem de estratégia de avaliação. e sem as quais evidentemente não pode haver aulas de gramática como as que conhecemos.. sem poder aprender o grego antigo. mesmo assim. Mas. Seria contraditório propor esta atitude. d) admitindo que a gramática fosse importante. a redação é eliminatória.sabe evidentemente mais inglês uma criança de três anos que fala inglês usualmente com os adultos e outras crianças para pedir coisas. só há uma explicação: é que as provas não são compostas apenas de questões de gramática. Por várias razões: a) quem elabora provas de português são.. mas não tem condições de guiar um turista americano para passear numa cidade brasileira. portanto. depois de uma década de aulas de gramática. pelo menos. espanhóis etc. Tentemos responder à seguinte pergunta: que gramáticas do grego consultaram Ésquilo e Platão? Ora. surgem no segundo século antes de Cristo apenas. Por último. em geral. ao invés de invertermos ou pelo menos equilibrarmos os critérios de importância. Além do mais. 45 a 56) . ou abolidas nas séries iniciais ou. no sentido de listas de regras ou procedimentos de análise. por sua vez. portugueses. Não vale a pena recolocar a discussão pró ou contra a gramática. o que significa que a análise sintática é importante. tiram notas mais próximas de um do que de dez. então. que não sejam as únicas aulas existentes na escola. deveríamos estar formando alunos que teriam notas próximas de dez em provas de gramática. então. Seria interessante que ficasse claro que são os gramáticos que consultam os escritores para verificar quais são as regras que eles seguem. Por que. evidentemente. uma última: as únicas pessoas em condições de encarar um trabalho de modificação das escolas são os professores. eram bastante diferentes das nossas). exatamente porque o grego ia mudando e. Mas.que é ensinar língua padrão..

principalmente. que foram feitas buscas em dicionários da língua portuguesa quanto ao significado da palavra. PCNs/ vídeo ATIVIDADE A critério do professor TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 19 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Texto 1 http://www. É neste ponto que entra a grande questão da intervenção do educador e a inclusão da prática geradora do letramento. e então passou a ter veiculação no setor educacional.org. com edição constando de mais de um século. Há alguns anos.br/viiicnlf/anais/caderno09-06. através do Programa semanal “Fantástico”. 2001) cerca de 980. o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete. no dicionário Aurélio. pode-se dizer que menos de vinte. Ela ressalta. não foi encontrado o verbo “letrar”. Ivan Batista da Silva (FAFIA). para os acadêmicos desse setor.AULA 17 – DEBATE DO FILME “crianças invisíveis” CONTEÚDO Perceber as diferentes formas de “ler” o filme e relacioná-lo à disciplina PCNs/ vídeo ATIVIDADE Debate sobre o filme TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 18 – ATIVIDADE SOBRE O FILME CONTEÚDO Relacionar cenas do filme com a disciplina. fez uma pesquisa intitulada “Provão do Fantástico” aplicada em 27 capitais brasileiras (somente em escolas públicas). e avaliou que mais da metade dos alunos não é capaz de responder a questões que requerem raciocínio e 60% só conseguem identificar informações muito simples. tanto de crianças que saem da escola e de outros que não tiveram a oportunidade de se apropriarem do saber da leitura e escrita.org.html LETRAMENTO: VOCÊ PRATICA? Cyntia Santuchi Peixoto (FAFIA).org. A mesma registra. como e por que foi criado este termo? O vocábulo é um tanto quanto fora do comum para muitos profissionais da área da educação e. Recentemente.filologia.html http://www. Letramento: onde. por exemplo. esse vocábulo surgiu entre os lingüistas e estudiosos da língua portuguesa. nesta obra. Eliane Bisi da Silva (FAFIA).br/viiicnlf/anais/caderno09-06. bem como também.000 crianças na 4ª série do ensino fundamental não sabem ler. Kato. seriam apenas mais alguns dados para pessoas comuns.600 são capazes de ler apenas frases simples. mas é algo extremamente alarmante para o educador. . Esses.filologia. a Rede Globo.html http://www. Constatou-se que uma das primeiras menções feitas deste termo ocorreu em No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística (1986) por Mary A. contém o verbete com o simples significado de “escrita”. segundo Magda Soares (2003: 15). Luciano Dutra Ferreira Não é novidade que o Brasil ainda enfrenta insistentemente o problema do analfabetismo.br/viiicnlf/anais/caderno09-06. nada foi encontrado. porém. De acordo com informações (MEC/INEP. É fato que o nosso país possui um número significativo de indivíduos que não adquiriram o saber necessário para atender às exigências de uma sociedade letrada. e mais de 1.filologia.

Com isso. fica subentendido. Ora. que a alfabetização do individuo. ou qualidade de ser literate. em “Letramento e alfabetização” (1995). sabemos que todo indivíduo possui. com a denotação supracitada. não há um ponto final. gerou-se uma crescente preocupação em desenvolver um controle sobre essa questão. têm-se conhecimento sobre a problemática da falta do saber ler e escrever. logo. conceitos em que a alfabetização é estabelecida em termos mecânicos e funcionais. depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras. está sendo mal entendida: Há duas formas segundo as quais comumente se entende a alfabetização: ou como um processo de aquisição individual de habilidades requeridas para a leitura e escrita. através de muitos estudos e ações com o objetivo de erradicar o problema. é algo que nunca será alcançado por completo. foi muito bem discorrido por Paulo Freire: O ato de ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. condição. Até mesmo historicamente. ampliando a abrangência da alfabetização. com a representação etimológica de estado. este está em constante processo de transformação. que no mesmo dicionário esse vocábulo é classificado como “antiquado”. portanto. E. logo. ou como um conjunto de práticas culturais que promove a mudança emancipadora” (DONALDO. foi preciso criar um termo e fazê-lo conhecido no campo da pesquisa. ou como um processo de representação de objetos diversos. Não que o educando não tenha qualquer saber antes da alfabetização. A realidade é que existe a extensão e a amplitude da alfabetização no educando. e. afirma que a alfabetização. de alguma forma. Mas. no que diz respeito às práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. não se diz que é o que adquiriu o estado ou condição de quem se apossou da leitura e da escrita. por que este termo tem sido utilizado agora com certa freqüência nos campos educacionais e lingüísticos? Devemos esclarecer que esse vocábulo não tem sido usado. Então. Leda Verdiani Tfouni. Como processo que é parece-me antes que o que caracteriza a alfabetização é a sua incompletude. Mas. por muitas vezes. e assim. e literate é definido como educado. de naturezas diferentes. considerá-la como a relação entre os educandos e o mundo. para ler e escrever. o processo que levará ao crescimento e desenvolvimento. 1990: 10). níveis de conhecimento. e que responde de maneira satisfatória as demandas das práticas sociais. observou-se que para o estado / condição daquele que sabe ler e escrever. isto. pelo aspecto sociointeracionista. pelo contrário. pois. Nos dicionários da língua portuguesa o termo alfabetizado diz respeito ao indivíduo que somente aprendeu a ler e escrever. O mal-entendido que parece estar na base da primeira perspectiva é que a alfabetização é algo que chega a um fim. e incisivos. Ainda. muitos estudiosos discutem a necessidade de se transpor os rígidos conceitos estabelecidos sobre a alfabetização. que responde de maneira ampla e satisfatória as demandas sociais fazendo uso de alguma maneira da leitura e . Neste âmbito. atualmente. os seres humanos primeiro mudaram o mundo. através da atualização individual. por que e para que surgiu o que se denominou letramento? Por todo o tempo em que já vivemos como uma sociedade grafocêntrica. e pode. Esse é um ponto de suma importância para aqueles que pretendem despojar-se dos restritos. especialmente. este termo caiu em desuso há bastante tempo em nossa língua. afinal. Com isso. E o indivíduo para não ser atropelado e marginalizado pelas mudanças sociais deverá acompanhar. ser descrita sob a forma de objetivos instrucionais. O termo se originou de uma versão feita da palavra da língua inglesa “literacy”.ainda. podemos analisá-la à medida que esta reproduz a “formação social existente. surgindo o “analfabetismo”. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra.

devemos separá-los quanto ao seu abarcamento. portanto. surpreendente porque: como podem ter altos níveis de analfabetismo países em que a escolaridade básica é realmente obrigatória e. devido as suas distinções já mencionadas anteriormente. com freqüência. e salienta as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social.10 anos nos Estados Unidos e na França. a França. Pois. gerando novos termos específicos. Por outro lado. O letramento é um fenômeno de cunho social. se trabalham os dois simultaneamente? . se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo. Então. Um exemplo do que acabamos de mencionar (SOARES. o nome letramento surgiu mediante a esta nova constatação.. Ou seja. 11 anos na Inglaterra). estes dois processos estão diretamente ligados.) quando os jornais noticiam a preocupação com altos níveis de „analfabetismo‟ em países como os Estados Unidos. ou grupo. não é com os níveis de analfabetismo. 2003: 56-57): Analfabetismo no primeiro mundo? (. históricas? Ainda quanto às diferenças entre letramento e alfabetização é necessário alertar que. a Inglaterra. 1995). saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz. Na verdade. freqüentes mudanças sociais geram novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita. nos países citados. o número de pessoas que não sabem ler ou escrever aproxima-se de zero.. isto é. Letramento e alfabetização: onde está a diferença? A alfabetização. e denota estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de grafia. Mais tarde. necessário é saber fazer uso do ler e do escrever. o que se observa é que isso tem gerado mudanças sociais e culturais. É que.os níveis de letramento é que são baixos. praticamente toda a população conclui o ensino fundamental (que. é satisfatório saber também. 2003). mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. estes dois de maneira confusa têm sido fundidos como um só processo. logo. como já mencionamos. ou surgem novas idéias à respeito de fenômenos. traduz illiteracy (inglês) e illetrisme (francês) por analfabetismo. onde entra a alfabetização? E o letramento? Ou. depara-se com a necessidade de se criar novos vocábulos ou nomes para se tratar com determinados assuntos (SOARES. pois. ainda não havia uma denominação. Ele é o resultado da ação de ensinar e/ou de aprender a ler e escrever. as diferenças que há em avaliar níveis de letramento e níveis de alfabetização. mas com os níveis de letramento. Quando fatos “novos” são constatados. mas demonstra claramente as diferenças entre os dois processos acima citados. Essa confusão implica no exercício de um e de outro. quando a nossa mídia traduz para o português a preocupação desses países. e. Há verificações de que a concepção de alfabetização também reflete diretamente no processo de letramento. inclusive. que já existem mudanças consideráveis em nossos parâmetros. preencher um formulário. o que também se observa é que. Enquanto o letramento “focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade” (TFOUNI. tem duração maior que a do nosso ensino fundamental . a preocupação. registrar a candidatura a um emprego . é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever.escrita. e por que não dizer. isso se fez necessário devido à constatação de uma nova situação: de que não basta apenas o saber ler e escrever. Apesar da constatação de que os critérios de avaliação deles não se assemelham muito aos nossos quanto à alfabetização. mas enfrentam dificuldades para escrever um ofício. não existe analfabetismo nesses países. O exemplo acima são verificações feitas fora do Brasil. contudo. e ainda. com a dificuldade que adultos e jovens revelam para fazer uso adequado da leitura e da escrita: sabem ler e escrever.

Sociedade letrada/iletrada: indivíduo letrado/iletrado Há uma definição única e restrita quanto ao conceito de sociedade letrada/iletrada. já quase desconhecida. mesmo que seja só encenação. ou seja. Com isto. ela também pode ser considerada letrada. sinalizações diversas. O mesmo faz quando pede para alguém ler alguma carta que recebeu. analfabeto ou quase”. criando seus próprios textos “lidos”. que talvez não tenha sido percebido por quem assistiu. um escriba. e que não saiba ainda ler e escrever. ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar. contudo. mesmo que indiretamente. mesmo que tudo seja carregado de suas particularidades. assim ele poderá alfabetizar letrando. ou texto que contém informações importantes para ele: seja uma notícia em um jornal. mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto. jornais. não possui a tecnologia da decodificação dos signos. apresentam grandes dificuldades para interpretar textos lidos. E. Esse exemplo nos remete a outro. pois já defendemos que todo tipo de indivíduo possui algum grau de letramento. no dicionário Aurélio o verbete letrado é definido como “que ou quem é versado em letras.Se afirmamos que a alfabetização é algo que não tem um ponto final. visto de uma maneira prática e real. itinerário de transportes. logo. iletrado “que ou quem não tem conhecimentos literários. também. informativos. então dizemos que ela tem um continuum. E ainda. a de se corresponder. utiliza a escrita para escrever uma carta através de um outro indivíduo alfabetizado. bem como indivíduo letrado/iletrado? Os dicionários da língua portuguesa definem os vocábulos letrado e iletrado. placas. contudo. Ao saber de algumas distinções básicas destes dois termos poderíamos. manuais de instrução. Ainda na nota de Magda Soares (2003: 47) eles também exemplificam o caso de uma criança que mesmo antes de estar em contato com a escolarização. presencia a prática de leitura. por acreditarmos que a possibilidade de uma pessoa possuir grau zero de letramento não exista. revistas. . e estão eles ligados às necessidades e exigências de uma sociedade e de cada indivíduo no seu meio social. Todavia. este é letrado. ou seja. No entanto. é a personagem de Fernanda Montenegro no filme “Central do Brasil” de Walter Salles. Este indivíduo é analfabeto. Uma nota no livro “Letramento: um tema em três gêneros” de Magda Soares (2003: 47) faz um apanhado. ouve histórias lidas por pessoas alfabetizadas. ou de escrita. pelo qual estamos tratando. muito conhecido. Os indivíduos que a usavam como ferramenta para se envolver em uma prática social. O que pretendemos é incentivar o educador a fazer uso do conhecimento nato de mundo que o educando possui e sua relação com a língua escrita. receita do médico. logo. mas. porém. como também podem não ser capazes de sequer escrever uma carta ou bilhete. não possuem habilidades para práticas que envolvem a leitura e a escrita: não lêem revistas. O texto exemplifica como um adulto pode até ser analfabeto. Mediante essas definições percebemos que esses adjetivos não tem relação com o sentido do letramento. por exemplo. Ele demonstra com isso que conhece. todavia. pode ser letrado. ou seqüência. ele não aprendeu a ler e escrever. que fez uso de sua capacidade de ler e escrever uma profissão. mesmo que seja mínimo. porém não com plenitude. ele possui um certo grau de letramento devido a sua experiência de vida em uma sociedade que é atravessada pela escrita. Estes. mas não é letrada. poderíamos dizer que este é o letramento. são capazes de ler e escrever. há casos de indivíduos com variados níveis de escolarização e alfabetização que apresentam níveis baixíssimos de letramento. bulas de remédios. e a partir daí também se interessa por ler. a de “escriba”. e ainda. há pelo menos uma constatação: existem diferentes tipos e níveis de letramento. acordamos que os dois processos andam de mãos dadas. tem contato com livros. livros diversos. erudito”. de forma peculiar a sua condição eles demonstram possuir características de grupos letrados. utilizavam os códigos da escrita. sobre o assunto. as estruturas e funções da escrita. em se tratando deste viver em uma sociedade grafocêntrica. gostaríamos de destacar que nessa nota acima mencionada diz também que esse tipo de indivíduo pode ser uma pessoa alfabetizada. em que a personagem escrevia correspondências para pessoas analfabetas em troca de dinheiro. alguns “quase” nenhum. Não queremos estabelecer uma ordem. neste ponto divergimos. de alguma forma. Com tudo isso. levantar questões sobre as desigualdades de alfabetizado para letrado.

do livro “Letramento e Alfabetização”. como também. O profissional de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade. Comenta a autora que Menochio não foi condenado apenas por saber ler e escrever. e ainda. constatar para mudar. Achavam eles que. 1990). e ali. mais crítica ela se tornará” (FREIRE. A lingüista comenta que essa história demonstra como o termo “letrado” não pode ter um sentido único. é o mesmo da autora. nem transmissão de idéias. e principalmente. nós. A alfabetização com a prática do letramento. é que a autora conclui e propõe que não deve ser usado o termo “iletrado”. no que diz respeito à sociedades tecnologizadas. trará ao indivíduo capacidades. de Leda Verdiani Tfouni. . que necessariamente. o termo “iletrado”. que devemos analisar bem antes de aplicar o termo letrado. instintivo. Então. que com certeza lucrará com esse desenvolvimento. é uma contribuição no “processo de humanização”. só os eclesiásticos católicos detinham o poder de interpretação da Bíblia Sagrada. o ato de aprender “é construir. iletrado. gerará novos conhecimentos. Afinal. do tipo: níveis ou graus de letramento. o que não era muito comum naquela época. o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. Já mencionamos por várias vezes que o letramento é um fenômeno social. No nosso ponto de vista. bem como “iletramento” é impraticável. Isso quer dizer que o indivíduo não é um depósito vazio e zerado antes da alfabetização. Ele pertencia à classe subalterna. e. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra”. acredita-se que é inconveniente afirmar que existe “nível zero” de letramento. são abordados em trabalhos sobre o letramento não se assemelham ao dos dicionários. logo. O papel do educador no letramento como “professor-letrador” Paulo Freire afirma que para o educador. e ainda. Levando assim. mesmo que estas sejam consideradas muito boas. o que se propõe é o uso de termos próprios. “o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”. e isto. “quanto mais inquieta for uma pedagogia. XVI chamado Menocchio que foi perseguido. e condenado à morte porque suas idéias foram consideradas ofensivas e cheias de heresias. porque fazia suas próprias interpretações dos textos bíblicos e da religião. O mesmo afirma que a pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas. e que para isso se torna um instrumento de cooperação para o crescimento dos seus educandos. Esta constatação não está relacionada somente ao educando. centrada na escrita. pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos. normalmente. não há veracidade nessa afirmação. resulta em mudanças de vários aspectos. educadores. não seria adequado a utilização do mesmo em uma sociedade considerada moderna e/ou industrializada. também poderíamos considerá-los como novos vocábulos. através de uma escolarização. necessário é que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação.Os termos que. estaremos enchendo-o com informações mecânicas e institucionais. lançando-se a novos saberes. gera o enriquecimento tanto para o educador quanto para o educando. “o ato de aprender a ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. competências. das gerações de camponeses”. reconstruir. mas sabia ler e escrever. torturado. Por isso. mas sim. pois sabemos que o educador tem que estar sempre adquirindo novos aprendizados. ou seja. é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. Ao contrário. habilidades diversas para que este se envolva com as variadas demandas sociais de leitura e escrita. Vimos. foi considerado perigoso por que entendeu que quem tivesse a capacidade de domínio e transmissão da cultura escrita teria o poder. A partir disso. em consideração o que Paulo Freire muitas vezes insistiu em sua pedagogia “de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. foi isto o que fomentou uma sumária perseguição por parte da Inquisição. essa intervenção que se faz necessária pode ser proporcionada por ele. pois a possibilidade de existir indivíduos que não possuem nem um grau sequer de letramento é quase impossível. levando-os a criar seus próprios conceitos e conhecimento. anteriormente. o que certamente. para dizer que um indivíduo não está num estado pleno de letramento. Processo este de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos para o desenvolvimento humano. Ela registra em sua obra algumas passagens de Ginszburg (1987). assim. Ele já possui sua peculiar capacidade de leitura dentro do seu contexto social para sobreviver em meio ao grupo em que vive. Então. dentre elas a história de um homem que viveu no séc. Ele. como também particularizou a releitura dos mesmos textos com “materialismo elementar. e isto.

pois sabemos que alguns desses profissionais. mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade. autônoma e ativa. baseados na descontextualização. esse conhecimento. por parte do professor. que geram subsídios-suportes. descobridora. 6) não ser julgativo. pois essas falhas são mais enraizadas. fundamentalmente. ainda não finalizada. . 9) ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem. a variedade de discursos e linguagens diferentes. as insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada. adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados. Entretanto. 3) desenvolver no aluno. pois o conhecimento nunca se completa. Reconhecidamente. mas vamos neste trabalho nos ater nesse meio por considerar que cabe à escola. Para o educador se tornar um “professor-letrador” necessário se faz que. como tal. ou se finda. e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo.O letramento não está restrito ao sistema escolar. a sua aplicação. é lógico que a cristalização dos saberes do educador é um equívoco. completos de suas certezas. nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino” (KLEIMAN. neste ponto entendemos que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. atentando-se para a pluralidade de vozes. implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico. 1995: 47). inclusive na escola. as suas dimensões e. interpretação e produção de diferentes gêneros de textos. se há mutações contínuas na sociedade contemporânea. levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo. 4) incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita. 5) recognição. ou a prática do letramento por parte do professor. e 10) reconhecer a importância do letramento. obtenha informações a respeito do tema. levar os seus educandos a um processo mais profundo nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. Saber ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada. medrar subsídios para educadores é uma tarefa difícil de ser exercida. de forma criativa. 2) planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la. Porém. requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam. habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade. já que a linguagem é interação e. e respeitar. porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino. através da leitura. e o letramento é um exemplo claro disso. acima de tudo. primeiramente. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e investigação. se colocam em uma posição quase inatingível. Contudo. sobretudo. ser professor-aprendiz tanto quanto os seus educandos. num determinado momento. e essas refletem em todos os setores. destacamos alguns passos fundamentais para o desempenho do papel do “professor-letrador”: 1) investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno. 7) avaliar de forma individual. enfatizamos a importância da aplicação. crítica. 8) trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar. e em análise.

seremos aptos a promover o letramento. jovens e adultos. gerarão pessoas com capacidades múltiplas de interação com a sociedade.Quando nos dermos conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano é massacrado pela escola. mas este trabalho visa dar um suporte para os educadores que desejam reconstruir suas propostas pedagógicas. e por suas equivocadas práticas de ensino. para que incorporem uma nova educação para crianças. os acadêmicos da área de educação promovem a distância entre a assimilação prática e conceitual do letramento. suas dimensões e o mais intrigante. pois esse abre caminho para o indivíduo estabelecer conhecimentos do mundo em que vive. o que nos interessa no âmbito a que nos propusemos neste trabalho. Pretende ainda. é de informar descritivamente sobre o letramento quanto a etimologia. Como também o seu abarcamento. sabemos que o processo é lento devido a situação atual do sistema escolar e da formação profissional do professor. De certo. Possibilitar a esses uma reflexão sobre a visão de mundo e de alfabetização. informando-se para gerar conhecimento crítico e analítico quanto às atividades do letramento versus a pedagogia mecânica e institucional por tanto tempo praticada em nossas escolas. reformular e construir a compreensão acerca das bases teóricas da aprendizagem. ainda. o seu surgimento e as suas diversificadas práticas sociais. . promovendo novas formas de relações no processo do letramento. como estar desenvolvendo-o na sala de aula. Com isso. somos levados a considerar a hipótese de que o despreparo e desinformação dos profissionais e. pois o preparo dos educadores proporcionará alterações no ensino / aprendizagem dos educandos e desenvolverá o letramento de ambos os envolvidos. mas reais possibilidades têm-se mostrado como verdadeiras mudanças educacionais. Subsidiar seria uma pretensão. Na intenção de compreender os caminhos percorridos (ou perdidos) para a transformação da escolarização. De qualquer forma. e analisando especificamente o recorte investigado neste trabalho.

é importante que esses textos.AULA 20 – RECURSOS DIDÁTICOS E SUA UTILIZAÇÃO TEXTO 1 (PCNs – p. Ao contrário. para a organização de critérios de seleção de material impresso de qualidade e para a orientação dos alunos. enciclopédias. ilustrações. também aqueles que são produzidos pelos alunos — produtos dos mais variados projetos de estudo — podem compor o acervo da biblioteca escolar: coletâneas de contos. revistas (infantis. revistas de literatura de cordel. . por exemplo. estantes e disposição dos livros. etc. agrupamentos dos livros no espaço disponível. O papel da escola (e principalmente do professor) é fundamental. fotografias. dessa forma. A utilização de textos autênticos pressupõe cuidado com a manutenção de suas características gráficas: formatação. brincadeiras e jogos infantis. Entre os principais recursos que precisam estar disponíveis na escola para viabilizar a proposta didática da área. etc. nessa perspectiva. diários de viagens. consulta a diferentes fontes de informação. As bibliotecas — escolar e de classe — são. e • as necessidade colocadas pelas situações de ensino e aprendizagem. Além disso. seleção de textos adequados às suas necessidades. cartazes. Da mesma forma. Entre as diferentes possibilidades — slides. O emprego de recursos audiovisuais pode ser de grande utilidade na realização de diversas atividades lingüísticas. dicionários. utilização de índices. a aprendizagem de procedimentos de utilização de bibliotecas (empréstimo. romances. em algumas situações. revistas. livros de consulta das diversas áreas do conhecimento. desenhos gráficos. em quadrinhos. tanto no que se refere à biblioteca escolar quanto à de classe. Na biblioteca escolar é necessário que sejam colocados à disposição dos alunos textos dos mais variados gêneros. o gravador e o vídeo merecem destaque: além de possibilitarem o acesso a textos que combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação (o que é importante do ponto de vista comunicativo).). diferentes elementos utilizados para atribuição de sentido — como fotografias. textos gravados em áudio e em vídeo. etc. entre outros. paginação. fundamentais para um trabalho como o proposto por este documento. um volume para cada aluno de um único título: nesse caso. Do acervo da classe também podem constar produções dos próprios alunos. a organização do espaço físico — iluminação. o gosto pela leitura. respeitados os seus portadores: livros de contos. piadas. dossiês sobre assuntos específicos. de palavras cruzadas e outros jogos). jornais. Também é possível que se tenha. 61 e 62) Os recursos didáticos e sua utilização Ao selecionar recursos didáticos para o trabalho pedagógico na área de Língua Portuguesa. poesia. Mais do que isso: deve possibilitar ao aluno o gosto por freqüentar aquele espaço e. trava-línguas. transparências de textos para serem utilizadas no retroprojetor. e a constituição de atitudes de cuidado e conservação do material disponível para consulta. etc. A biblioteca de classe não precisa ser excessivamente ampla no que se refere ao número de volumes disponíveis. sempre que possível. — deve garantir que todos os alunos tenham acesso ao material disponível. o que permite uma diversificação de leitura aos alunos. jornais. é preciso que a variedade de materiais e títulos esteja garantida. —. de forma a promover a leitura autônoma. possuem aplicações didáticas interessantes para a organização de situações de aprendizagem da língua. almanaques. estão os textos autênticos. livros de narrativas ficcionais. para atender a necessidades específicas dos projetos de estudo). Além dos materiais impressos que se pode adquirir no mercado. etc. mobiliário. é preciso que se tenha propostas específicas de trabalho que justifiquem essa opção. deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: • sua utilização nas diferentes situações de comunicação de fato. sejam trazidos para a sala de aula nos seus portadores de origem (ainda que em algumas situações possam ser agrupados segundo gênero ou tema. seleção de repertório.

sobretudo a leitura. Campinas: Mercado das Letras. Finalmente. países. O mais importante. São Paulo: Loyola.) A prática da linguagem em sala de aula. Rio de Janeiro: Rocco. E ZILBERMAN. São Paulo: EDUC. São Paulo: Ática. COELHO. Richard. Práticas de alfabetização e letramento. KATO. BAGNO. 2000. a redundância no uso de certos termos e a organização do discurso. ed. ZÓBOLI. é fundamental que sejam adequados à proposta didática a ser desenvolvida: há ocasiões em que é possível utilizar materiais do entorno próximo. 1995. 2000. Além disso. 1997. Os significados do letramento. Belo Horizonte: Autêntica. Contar histórias: uma arte sem idades. é possível que os alunos revisem esses textos de maneira a centrar sua atenção sobre alguns aspectos específicos da produção oral: a entonação. 1998. 1999. São Paulo: Ática. 2003. 1999. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo. São Paulo: Ática. outros. por exemplo. O vídeo também pode ser útil nas atividades de revisão de texto: permite que se volte sobre as produções orais dos alunos para analisar tanto aspectos lingüísticos como nãolingüísticos (gesto. Ler e escrever na escola: o real. Porto Alegre: Artmed. Ana Luiza Bustamante. 1997. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Ao serem gravadas leituras expressivas de textos. Como um romance. pastas de determinados gêneros de textos. simulações de anúncios e programas de rádio e entrevistas. Ângela. M. Sírio. Na alfabetização inicial. cadernos de textos conhecidos pela classe. 1999. Campinas: ALB. 2002. Preconceito lingüístico: o que é. Maria Lúcia de Castro. como se faz. MORAIS. KLEIMAN. Geraldo Peçanha de. Artur Gomes de (org. PENNAC. SMOLKA. haverá necessidade de se recorrer a materiais produzidos com finalidades especificamente didáticas. Campinas: Mercado de Letras. em outras. Betty. R. 1995. São Paulo: Cortez. etc. tendo como critério a qualidade tanto do ponto de vista lingüístico quanto gráfico. 1988. Roxane (org. estados. 2007. o possível e o necessário. expressão facial. Campinas: Pontes. jogos didáticos que proponham exercícios lingüísticos. possibilitam o trabalho com aprendizagens específicas. é realizar uma boa seleção dos materiais que se incorporarão à aula. Por que (não) ensinar gramática na escola. BAMBERGER. Mary A No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. Bibliografia de apoio (para leituras complementares) ALMEIDA. dicionários organizados pelos alunos com suas dificuldades ortográficas mais freqüentes. outros permitem a comunicação com alunos de outras escolas. Curitiba: IBPEX. São Paulo: Cortez. LENER.) O aprendizado da ortografia. Marcos. Delia. GOMES. São Paulo: Ática.O gravador é um recurso bastante útil nas atividades de revisão de textos orais produzidos pelos alunos. SOARES. Literatura infantil brasileira: histórias & histórias. postura corporal. Práticas de ensino: subsídios para a atividade docente. _______. Como incentivar a leitura. POSSENTI. é necessário que se faça menção ao computador: alguns programas possibilitam a digitação e edição de textos produzidos pelos alunos para publicações internas da classe ou da escola. . São Paulo: Ática. Magda. Oficina de leitura: teoria & prática. 1998. Graziella.) da produção do discurso. ROJO. crachás ou cartazes com os nomes dos alunos. Belo Horizonte: Autêntica. 2a. LAJOLO. Letramento: um tema em três gêneros. ainda. Daniel. 2006. no entanto. alguns materiais podem ser de grande utilidade ao professor: alfabetos. 2007. o ritmo. por exemplo.

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