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  • AULA 1 – O QUE É ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA
  • AULA 2 – VARIANTES LINGUÍSTICAS
  • AULA 3 – O ENSINO DA ORALIDADE
  • AULA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS
  • AULA 5 – COMO ENSINAR A ESCREVER - Paródia
  • AULA 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ESCRITA DOS PCNS
  • AULA 7 – COM FAZER A CORREÇÃO /REVISÃO TEXTUAL
  • AULA 8 – COMO ENSINAR A LER: FORMAS DE LEITURA E INCENTIVO
  • AULA 9 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE LEITURA
  • AULA 10 – O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA
  • AULA 11 – PRODUZINDO UM LIVRO INFANTIL/GIBI
  • AULA 12 – CONHECENDO A GRAMÁTICA (ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA)
  • AULA 13 – CONHECENDO MELHOR AS PARTES DA GRAMÁTICA
  • AULA 14 – RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DE CONTEÚDOS GRAMATICAIS
  • AULA 15 – APRESENTAÇÃO DE JOGOS DE GRAMÁTICA
  • AULA 16 – A GRAMÁTICA NOS PCNS
  • AULA 17 – DEBATE DO FILME “crianças invisíveis”
  • AULA 18 – ATIVIDADE SOBRE O FILME
  • AULA 19 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO
  • AULA 20 – RECURSOS DIDÁTICOS E SUA UTILIZAÇÃO

PEDAGOGIA

DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA

PROFª NÁDIA C. LAURITI

2011

PLANO DE ENSINO 1 sem 2011 CURSO: PEDAGOGIA DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
POSIÇÃO NA GRADE DO CURSO: 5o. semestre

CÓDIGO

CARGA HORÁRIA SEMESTRAL: 80 horas

EMENTA: O ensino da Língua Portuguesa: seu estado atual e alternativas de transformação; preconceito linguístico; níveis de linguagem e variantes linguísticas; gêneros textuais; o ensino da gramática; o ensino da leitura; o ensino da escrita; questões de letramento; PCN de Língua Portuguesa. OBJETIVOS: A disciplina pretende, a partir da leitura de textos de estudiosos no campo da linguagem e da educação, refletir sobre as formas com o ensino da Língua Portuguesa vem se organizando na escola, tendo em vista aspectos históricos, políticos e culturais. Discutir e propor alternativas para um ensino da Língua Portuguesa voltado para a formação do cidadão comunicativo e crítico.

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO: CRONOGRAMA
SEMA NAS: 1º 2º CONTEÚDO
Apresentação da disciplina; O ensino de Língua Portuguesa; PCNs: Objetivos do ensino da LP. Conceitos linguagem. Variação linguística; Níveis de linguagem; Gênero receita. Preconceito lingüístico; Pcns: língua oral e língua escrita; Gênero carta Trabalhando os vários gêneros textuais; gênero: poesia infantil; Como ensinar a escrever: paródia de fábulas; O tratamento didático para ensinar a escrever. Orientações dos PCNs. Como fazer a correção/ refação: PCNs sobre avaliação.. Como ensinar a ler: formas de leitura, objetivos e incentivo. A leitura oral. O tratamento didático para ensinar a ler. Orientações dos PCNs. Como ensinar a compreender

SEMA CONTEÚDO NAS: 11º Conhecendo a gramática
Conhecendo melhor alguns conteúdos gramaticais do Ensino Fundamental 1. Resolução de exercícios de gramática.

12º

3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º

13º 14º 15o 16o 17o Elaboração de um gibi sobre conteúdos gramaticais determinados. A gramática nos PCNs. Discussão do filme “crianças invisíveis”, relacionando-o às questões da disciplina.
Atividade sobre aspectos teóricos da disciplina presentes no filme

18º 19º 20º

Letramento X Alfabetização: atividades diferenciadas.
Recursos didáticos que auxiliam no ensino da Língua Portuguesa As tecnologias e a Língua Portuguesa na alfabetização. PCNs: comparação entre 1o. e 2o. ciclos.

10º

METODOLOGIA DE ENSINO: Por meio de aulas expositivas, debates abertos, atividades direcionadas individuais e em grupo, produção de materiais didáticos, apresentação de vídeos e apresentação de seminários, tudo relacionado aos referenciais teóricos, pretende-se atingir os objetivos propostos. AVALIAÇÃO: O processo avaliativo será composto pela soma das notas dos alunos em atividades distintas: provas dissertativas individuais de compreensão conceitual dos temas abordados nas aulas e nos PCNs; trabalhos de transposição didática realizados na sala de aula, em grupo, sobre o referencial teórico; AV1 – prova individual sobre variantes lingüísticas, o ensino da escrita e da leitura e trabalho em grupo sobre preconceito lingüístico e formas de avaliação de uma redação; AV2 –avaliação integrada constituída por questões específicas e interdisciplinares de múltipla escolha ; AV3 – avaliação integrada constituída por questões específicas da disciplina, interdisciplinares e propostas de intervenção, referentes à análise teórica do filme “Crianças Invisíveis”.
Bibliografia básica: GERALDI, João Wanderley (org.) O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 2007. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Parâmetros curriculares nacionais: Língua portuguesa. Brasília: Ministério da Educação, 1998. TARDELLI, Marlete Carboni. O ensino da língua materna: interações em sala de aula. São Paulo: Cortez, 2002 (Coleção Aprender e ensinar com textos; Vol 9) Bibliografia complementar: ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Práticas de alfabetização e letramento. São Paulo: Cortez, 2006. GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Curitiba: IBPEX, 2007. KLEIMAN, Ângela. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas: Pontes, 1998. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola: o real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: ALB, 1998. Profs. responsáveis:

Nádia Lauriti Adriana Lílian Garcia Elenice Alves da Costa Elisabeth Márcia Ribeiro Machado Niuza Barone Joel Rosa Taís Lírio

DOWNLOAD DOS PCNs de Língua Portuguesa (1o. e 2o. ciclos) http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/portugues.pdf

PROGRAMAS DE VÍDEO DOS PCNs DE LP (em Biblioteca Virtual do Estudante de LP) http://www.seed.pr.gov.br/portals/portal/usp/segundo_trimestre/videos/tv_escola/tv_escol a.html#linguaport

2011 QUADRO GERAL DE CONTEÚDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA 1 – CONTEÚDOS DE LEITURA E ESCUTA A – Capacidade de leitura e escuta Decodificação – relacionadas à compreensão do sistema. confrontar com outros leitores sua interpretação. jornal). A essas finalidades correspondem vários procedimentos a) Leitura integral de um texto. ler para obter informação geral. Interação entre texto e leitor – (apreciação e réplica) relacionadas à reconstrução do sentido do texto.AULA INTRODUTÓRIA . b) Leitura inspecional (para a escolha de um texto). ler para revisar um texto.OS CONTEÚDOS DE ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA: UMA ORGANIZAÇÃO GERAL Profª Nádia C. Essas capacidades se inter-relacionam e a mobilização de algumas auxiliam na constituição de outras. reler para compreensão. comparar o que se leu com outras obras. ler para obter informação específica. seleção de hipóteses inferência e avaliação). Lauriti . compartilhar a leitura com outros. ler por prazer estético. ler para aprender. frequentar bibliotecas (de classe ou não). . recomendar livros ou outras leituras que considera valiosas. c) Leitura tópica (para identificar informações pontuais). ler trechos de textos que o aluno gostou para os colegas. Compreensão – relacionadas às estratégias cognitivas da leitura (antecipação. comentar o que se está lendo. B – Comportamentos leitores e de escrita (valores em relação à leitura) Refere-se ao que Lerner (2002) aponta como dimensão social da leitura: socializar critérios de apreciação estética da leitura. ler oralmente para apresentar um texto (sarau. C – Procedimentos de leitura (finalidades) ler para estudar.

gênero. dramatização. f) Leitura expressiva. entonação. 2 – PRODUÇÃO DE TEXTOS Procedimentos. para que o professor tenha uma referência do tipo de leitura que já é de competência autônoma dos alunos. entre outros). se o tema for socializado e combinado previamente. refacção de textos. ilustrações). mobilizando nos alunos as estratégias necessárias para a construção coletiva do sentido. É preciso que o contexto faça sentido como: ler em comemorações. considerando os aspectos focalizados na revisão. comportamentos e capacidades de escrita e de fala (no que couber): a) b) c) d) planejamento de texto para cada linguagem (prévio e processual). Os leitores podem ser tanto o professor. anunciar produtos. Atividades seqüenciadas de leitura – Possibilitar o estudo de determinado tema por meio de uma sequência de atividades que preveem a leitura de textos com grau crescente de aprofundamento de informações. ler em saraus literários. revisão de texto (processual e final). a professora as discute com os alunos para construção do sentido.d) Leitura de revisão (para corrigir inadequações no texto). Leitura programada – Ampliar a proficiência a partir da leitura prévia de cada parte do livro. e) Leitura item a item (para realizar uma tarefa). quanto os alunos. D – Atividades de leitura Leitura diária ou semanal – Trata-se de instituir um dia fixo na semana. Leitura em voz alta feita pelo professor – Explicitar critérios de escolha da obra como (autor. no qual se leia em determinado horário. gravar CD de divulgação. Leitura individual com questões para interpretação escrita – Trata-se de verificação de competência já construída não só de leitura como de produção de textos. Aspectos que devem ser considerados na produção de textos: . Leitura colaborativa – Trabalhar com o texto coletivamente. Leitura em voz alta – Permite o trabalho com aspectos da oralização do texto escrito (dicção. possibilitando o contato com textos de boa qualidade para ampliação do repertório. jornal da escola entre outros. Roda de leitores – Possibilitar a socialização das leituras realizadas de maneira independente para observar os comportamentos leitores já construídos pelos alunos. Leitura de escolha pessoal – Possibilitar aos alunos a escolha livre de textos de acordo com suas preferências. textualização (oral/escrito).

focalizando apenas uma parte do texto. estilísticas. pontuação. complicação ou resolução. organização sintática. coerência e seleção lexical). Considerações importantes: . mesa-redonda etc). Pragmáticos – características da situação comunicativa do texto (sarau. progressão temática. prova escrita.Discursivos – relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. morfologia. por exemplo) – PRODUÇÕES HÍBRIDAS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de procedimentos de textualização e criatividade. B – PRODUÇÃO COLETIVA ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características do gênero e a modelização dos aspectos de revisão processual e final do texto. E – REESCRITA COM MODIFICAÇÕES (mudar o final. revisão processual e final. o que diminui a complexidade em relação à produção totalmente de autoria. C – ESCRITA DE TEXTO QUE SE SABE DE MEMÓRIA (escrita de próprio punho) – Possibilitar a apropriação das características do sistema de escrita. em qual portador circulará. Notacionais – relativos à compreensão do sistema da escrita. F – PRODUÇÃO DE PARTES DO TEXTO QUE NÃO SE CONHECE. focalizando apenas uma parte de sua organização interna. ATIVIDADES DE PRODUÇÃO DE TEXTO A – RECONTO ORAL (tendo o professor como escriba) – Possibilitar a apropriação das características da linguagem escrita por meio do reconto oral. com qual finalidade. apresentando-se ao aluno contos em que falte a parte que se deseja tematizar. Gramaticais – ortografia. semântica. APRESENTANDO-SE AS DEMAIS – Possibilitar ao aluno a aprendizagem de determinadas partes de um texto organizado em determinado gênero. coesão e coerência. acentuação. textuais e discursivos. adequação do gênero solicitado). 3 – CONTEÚDOS DE ANÁLISE E REFLEXÃO LINGUÍSTICA ATIVIDADES: A – REVISÃO – São atividades de análise do texto produzido pelos alunos para a aprendizagem de conteúdos gramaticais. O foco desta atividade é o textual (coesão. seminário. assim como procedimentos de escritor: planejamento. por exemplo. utilizando léxico adequado. D – REESCRITA DE TEXTO QUE NÃO SE SABE DE MEMÓRIA – Possibilitar ao aluno apropriação de recursos de aspectos textuais e gramaticais. Textuais – relativos à coesão e coerência textuais. na aprendizagem do conto de fadas é possível focalizar o cenário. G – TEXTO DE AUTORIA – Possibilitar ao aluno a produção de textos na qual se articulem produção temática e textual. como se o aluno fosse o autor do texto.

pontuação. colocação de pronomes. O professor precisa possibilitar ao aluno o acesso a diversos textos que contemplem os conteúdos selecionados. sejam eles discursivos. adequação do texto aos aspectos textuais e gramaticais discutidos em aulas anteriores. . pontuação. Após a indicação dos aspectos a serem ajustados. . indicando aspectos que precisem de ajustes e. o outro texto. tomar como critérios os relativos à: adequação do texto ao contexto de produção. o que altera é o grau de aprofundamento metalingüístico (concordância nominal e verbal.Organizar a revisão nos três momentos de agrupamento: coletivo / classe. seleção lexical etc). após as experiências de manipulação do aspecto selecionado. concordância. b) Isolamento do fato linguístico a ser estudado. ortografia. Esse movimento metodológico prevê as seguintes etapas: 1ª ETAPA: A) Ação do professor a) Levantamento das necessidades (avaliação diagnóstica). Devem prever estudo concentrado em espaço não muito longo de tempo. os vários conteúdos gramaticais devem ser contemplados. na prática da escrita e da leitura ou na prática de produção de textos orais e escritos. c) Priorização e Planejamento dos conteúdos a serem trabalhados. uso de conectores. grupo / duplas e individual. b) Exercitação dos conteúdos estudados. coerência.). 2ª ETAPA: A) Ação do professor a) Apresentação da metalinguagem (regras gramaticais). promovendo o agrupamento dos dados a partir das indicações das regularidades observadas (observação + comparação). a cada aluno reescreve o seu texto. primeiro. gramaticais ou textuais. B) Ação do aluno a) Reinvestimento dos diferentes conteúdos exercitados em atividades mais complexas.. b) Organização e registro das conclusões. B) Ação do aluno a) Análise do corpus. para que o aluno se aproprie efetivamente das descobertas feitas.Selecionar conteúdos específicos para fazer a revisão. As atividades devem proporcionar aos alunos uma reflexão cada vez mais ampliada de determinado conteúdo (acentuação.. . depois. d) Construção de um corpus que leve em conta a relevância. ortografia. coesão.No processo de revisão.Quando em duplas. para que o aluno possa perceber as regularidades. a quantidade e a qualidade dos dados. . para tal organizam-se sequências didáticas que são atividades elaboradas com a finalidade de se estudar determinado conteúdo de linguagem.. tomando como ponto de partida as capacidades já dominadas pelo aluno. os dois alunos devem revisar um texto.

concordância e pontuação. As ideias devem se completar. Exemplo: Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos. progressivamente. os alunos têm a oportunidade de se apropriarem dos conteúdos linguísticos que adquirem sentido nas práticas de leitura e escrita. Tarefas: 1. Ao atuarem como leitores e escritores. durante e depois da leitura. É preciso instalar as práticas de leitura e escrita como objeto de ensino. Ele necessita de coesão e coerência. Envolve o trabalho com pronomes pessoais. É importante organizar os registros de reflexão sobre a língua dos conteúdos discutidos. são aspectos que se espera que os alunos aprendam (conceitos e atitudes).Qual é o assunto do livro? . Por meio dela o texto encaixa-se nas macro-categorias específicas do texto. da coerência etc). caixinha de surpresa entre outros). repetições ou desvios lógicos. 2. COESÃO – Refere-se à forma como os elementos linguísticos presentes na superfície do texto se interligam. operadores argumentativos (conjunções). Ao exercer o comportamento de leitor e de escritor possibilita-se que os alunos se apropriem dos traços distintivos dos diferentes gêneros para ir detectando progressivamente as características da “linguagem que se escreve” que se diferenciam da oralidade coloquial. filme. dramatização. Exemplos: . transformando-se em fonte de reflexão metalinguística (estudo da gramática. Um texto não é uma soma de frases. Ela não se lembrava de como fora parar ali. autor. COERÊNCIA – Refere-se às condições de interpretabilidade lógica do texto. possessivos. lendo e a escrever.LEMBRETES IMPORTANTES “Aprende-se a ler. hiperônimos. expressão. da coesão. dança. não apresentar contradições. utilizando análise da capa. inferência e avaliação do sentido). Elabore perguntas que utilizem as estratégias de leitura (antecipação. Crie uma estratégia de sedução para a leitura do texto (jogo de adivinhação. fantoche. música que trate do tema. A B Exemplo: A jovem acordou sobressaltada. Os comportamentos do leitor e do escritor são conteúdos e não tarefas. demonstrativos. recuperando em uma sentença B um elemento presente na sentença A. contracapa. advérbios de lugar. ilustrações. escrevendo”. ATIVIDADE 1 – CONTEÚDO DE LEITURA E ESCRITA A – Escolha um livro de literatura infantil e elabore com seu grupo uma aula (ou sequência didática) de leitura e escrita para apresentação para um grupo maior. Antes. personagens. sinônimos. ter continuidade. os quais serão referência para a produção e revisão dos textos. relativos. seleção de hipóteses.

Para quem o livro foi escrito? Por que o autor o escreveu? . fantoches. dedoches.. INTERTEXTUALIDADE E INTERDISCIPLINARIDADE a) Você conhece outras histórias sobre o mesmo tema deste livro que tenham personagens diferentes? b) Compare o livro lido com outro texto que possua o mesmo tema. FRUIÇÃO CINESTÉSICA a) Dramatize o texto. sem usar a voz. receita). b) Faça uma mímica que caracterize cada personagem.Resumir o enredo usando uma ou duas frases apenas. I – Qual a situação inicial (O que aconteceu? Onde? Quando? Como?) II – Qual é o problema (conflito) do texto? III – O que aconteceu para resolver o problema? IV – Como o problema foi resolvido? V – Qual é o tipo de texto? (conto. AULA 1 – O QUE É ENSINAR LÍNGUA PORTUGUESA . fábula. meias.O que mais chamou sua atenção? .Quem é o narrador do texto? E o(s) herói(s)? E o(s) vilão(ões)? . crie uma letra sobre o texto que estamos estudando. d) Para trabalhar a interdisciplinaridade proponha questões relacionadas às outras disciplinas sugeridas pelo livro. O que eles têm de igual? Quais são as diferenças? c) Você já passou por uma situação semelhante à apresentada pelo livro? Escreva sobre isso. poesia. sucata. VI – O autor escreveu esse texto para falar sobre qual idéia? (TEMA: conceito mais importante). carta. TEMAS TRANSVERSAIS.. d) Partindo de uma música conhecida.). d) Como você faria uma nova capa para o livro. FRUIÇÃO AUDITIVA a) Quantas vozes diferentes aparecem no livro? b) Como você imitaria a voz do narrador? E dos personagens? Por quê? c) Essa história faz você lembrar de algum som ou música em especial? Faça a trilha sonora para o texto. FRUIÇÃO VISUAL a) Se a história fosse representada em uma revista em quadrinhos como seria? b) Qual a ilustração mais bonita no livro? Por quê? c) Ilustre o trecho do texto de que você mais gostou. usando máscaras de papel sulfite.. Explicar de forma simples a estrutura do texto. sacos de papel.

Como assim? . preciso me expressar corretamente.Vê se não goza. pera aí! num é bem assim.. ... deixe-me começar novamente a frase.. outras mais populares. não.. Um momento. Você fala assim na sua casa. somente em alguns lugares e com algumas pessoas.. ..Então você poderia abrir um cursinho de português para desempregados!. que tá todo mundo passando fome. Mas pra subir na vida. Então esses milhões de desempregados que estão por aí foram despedidos porque não sabiam escrever e falar corretamente! Eles não podem voltar pra escola?.Não simplifica.Serve sim..Mesmo se você vai lá pra dizer que os salários estão horríveis. mas até que bonito.. ganhar bem.. conversinhas banais.... desde crianças.. se eu vou falar com um cara tão importante. por exemplo. com palavras bonitas e gramaticalmente bem colocadas...Ora.. ...Ah!. não? .. que a indústria dele joga todo dia esse cheiro de bosta no nariz de todo mundo. Que já falam português!. . que enquanto ele viaja de Mercedes você anda a pé.... pára... .Bem. às vezes mais chiques. . isso que você acabou de me falar está nessa língua estrangeira? . a meio caminho entre o sério e o cômico (também trágico..Ué.. pô! Você não entendeu? .. você não quer que eu vá falar com o diretor daquela indústria ali.. Existem duas línguas com o mesmo nome "português": uma nacional. há aulas de português.. . mal vestido e falando de qualquer jeito. Quando esses caras quiserem novamente emprego. Soou um pouco estranho. . Então é por isso que se ensina português: para as pessoas aprenderem a falar direitinho com os patrões! . ensina-se principalmente a brasileiros.Claro! Por exemplo. ..Texto 1 ENSINAR PORTUGUÊS? Milton José de Almeida Português: uma só língua? Comecemos a conversa...Claro que não... claro. Alguém pergunta a um professor de português.. .Claro. Desculpe-me. .Ô meu.A quem se ensina português? .Ô meu. também? .Agora me lembrei. além de estrangeiros interessados. não? . que todo mundo já nasce falando e uma outra. Você é professor de português.. você está equivocado. Portanto. em escolas do primeiro ao terceiro graus. Ah! Então eles não falam bem português?! . a língua que a gente usa não serve.Ah! Então você troca de língua como troca de roupa. estrangeira. tenho diploma. trabalhos publicados etc.... você não arranja um bom emprego.É claro. cursos de aperfeiçoamento.Ah! Entendi..Claro que não. outras mais esportivas. não! .Ensina-se mesmo português.Ah! Entendi...Então você sabe português perfeitamente.Entendi.. né?! Não é só isso.. natural. mas só pra coisinhas. vão ter que saber português. não consegue passar num concurso... Epa.Ora.Poxa! Agora estou entendendo melhor: pra arranjar um bom emprego. imaginando um diálogo. corretamente. se você não souber falar e escrever direito. . . até pra reclamar. esse assunto não é exatamente como você está colocando.. vá! .). . . nem uma boa colocação. .Sim. essa língua que a gente usa todo dia? . É claro que você precisa falar direitinho. ... claro que falam... que é preciso ir à escola aprender.. .Tem mais? . não é? -Sou. né? Você já tá baixando o nível.. lá vem você de novo com questões que não dizem respeito ao ensino de português. .

Bem.Quer dizer que os alunos das duas escolas são iguais.. freqüentar faculdades.. Mas me lembrei de outra coisa: um vizinho meu foi procurar emprego de office-boy deram um teste de gramática pra ele. ... não.. vão passando de ano sem saber nada. trabalharam o dia inteiro. . .Então.Eu tenho que dar um curso mais fraco. sobre a sociedade.Tudo isso pra ganhar metade de um salário mínimo! ..Ah. que eles consigam acompanhar o meu curso. e outra. não? Fiquei até com vontade de fazer um curso de Letras. de estudo. mas não entende quase nada de educação. usa menos material e. rebelde. pode arranjar um bom emprego lá. .. com motorista. . mas continuam sendo de uma boa família. meu! . colocação de pronomes.Ah! agora entendi bem.Puxa! Já vi que você pode entender muito de português. então devem ter selecionado só os muito bons! Tá vendo.Claro que é! O português é uma língua só. lêem bastante. . Parece que tinha uns mil na fila.. .Então já sei: boa família é uma família com dinheiro. etc. Tudo tem seu lado ruim e seu lado bom.. Eles lêem muito mais.. dar mais bases e. onde todos falam bem e corretamente. ..E ele passou? . é isso aí: uma boa família... nem aquele vulgarzinho.. Vem logo ironizando.. e que os alunos mais pobres devem se esforçar para chegar lá. . .PÔ...Nem sei direito. mas você. não sabe falar português nenhum. radicalizando. . têm muita cultura.Pera aí. Também é necessário que eles saibam muitas outras coisas.. O português que você ensina é o mesmo. já vêm com muitas informações. ensinar menos coisas. ordenado altíssimo. ou melhor. -. . aprendem tudo igualzinho? . todos são educados. menos estudam. se ele tivesse sido meu aluno. quase dormem na aula. o resto não é necessário. .. todo mundo tem que falar igual.. de estudos sociais. eles falam e escrevem bem. eles vêm cansados. ... . Quero que os meus alunos cheguem até onde estão os alunos ricos. Você sabe. não têm tempo de ler. onde dou aula à noite.. chega! Não quero mais papo com você hoje. mordomias. Nesse ponto você está no mesmo ponto do seu aluno que não sabe ler. enxergando só um lado das coisas.. . Você acha que a língua dos ricos é melhor... vamos mudar de assunto. É só falar e escrever bem.... numa e noutra? . . de boa família..Mas os mais ricos são os que menos lêem. etc. bastante dinheiro. .. Você dá aulas..Não quero te deixar chateado.... o diretor daquela indústria.. . Que pena! Em nosso país há pouquíssimas boas famílias e milhões de péssimas...PÔ.Bem.. onde estão aqueles.Não querendo te gozar..E na escola particular? ... .Bem... e nem fez teste de português? . .Ah!. não é isso. É com o professor de história. tá legal. Garanto que ela ficará menos chateada. mas sabe. não têm base..Ah! lá é diferente.. Só têm tempo para ganhar e gastar..Bem. é evidente que não! Na escola estadual. é de uma boa família.....E daí? . . ... um monte de coisas.. quando uma pessoa vai ser mandada embora.A única coisa que ele teve que demonstrar era que ia ser um diretor bom. ele não precisou fazer teste de português porque de certo só no contato já perceberam que ele era uma pessoa educada..você tá um saco hoje.... não se faça de bobo! Você. que na escola particular tem um nível mais alto. Gente imatura é que é assim.. têm dinheiro para comprar livros.Você sabe. fazer mil cursinhos. então só se fala bem nas boas famílias? O que é uma boa família? ....Poxa..Tá legal. E ele ganha muito mais que nós todos juntos. ahn. o curso anda bem.. Está muito agressivo e complicando.. Mas isso não é problema meu. você vai lá e explica pro sujeito na língua dele.É mesmo! Sabe que um amigo meu foi contratado numa indústria prum cargo ótimo..Não. cheio de perguntas sobre orações subordinadas.Não. tudo mais. nem esse da escola. vende aulas em duas escolas: uma particular.Chega. onde vai a vírgula. mas me diga só uma outra coisa.. não é bem assim. que sabe tantos tipos de português.Então suas aulas na escola estadual são mais baratas.Ah! quer dizer que você deve ganhar super bem.é? .. Por exemplo. . você capricha menos. você não agüenta mesmo levar um papo sério. caríssima.. ehr... exagerando.. Parece que você ainda é adolescente. não.. por exemplo.. estadual. os tempos verbais. hum.Ah!. estudar.. a vida. O Estado paga mal. obediente e fazer tudo para o bem da empresa.. . .. que você mostrou agorinha.

interpretando-os corretamente e inferindo as intenções de quem os produz. experiências. fazer resumos. inclusive os mais formais da variedade lingüística valorizada socialmente. • utilizar a linguagem como instrumento de aprendizagem. . gênero ou etnia. a escola considera todo e qualquer conteúdo válido. • usar os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para expandirem as possibilidades de uso da linguagem e a capacidade de análise crítica.. impõe-lhes modelos de ensino e conteúdos justamente produzidos para a conservação dessa situação injusta. elaborar roteiros. A menos que. sabendo assumir a palavra e produzir textos — tanto orais como escritos — coerentes. coesos. o ensino de Língua Portuguesa deverá organizar-se de modo que os alunos sejam capazes de: • expandir o uso da linguagem em instâncias privadas e utilizá-la com eficácia em instâncias públicas. • conhecer e respeitar as diferentes variedades lingüísticas do português falado. Sem o menor respeito pelas condições de vida de seus freqüentadores. O texto na sala de aula. que esboçamos anteriormente. idéias e opiniões. que acabam.. interpretar e considerar os dos outros. compreender e fazer uso de informações contidas nos textos: identificar aspectos relevantes. ignorâncias. tragicamente. compor textos coerentes a partir de trechos oriundos de diferentes fontes. índices. do saber que coloca aos alunos. etc. muitas vezes baseado em preconceitos. Essas crianças passarão alguns anos na escola sem saber que poderão acertar o sujeito da oração. via de acesso aos mundos criados pela literatura e possibilidade de fruição estética.E a escola? Muitas vezes a escola esquece que educação é um problema social.p. espera-se que os alunos adquiram progressivamente uma competência em relação à linguagem que lhes possibilite resolver problemas da vida cotidiana. dogmáticas. p. • valer-se da linguagem para melhorar a qualidade de suas relações pessoais. contrapondo-os quando necessário. • utilizar diferentes registros. 2007. (GERALDI. credo. bem como de acolher. e encara-o como problema pedagógico. ter acesso aos bens culturais e alcançar a participação plena no mundo letrado. histórica. organizar notas. adequados a seus destinatários. • compreender os textos orais e escritos com os quais se defrontam em diferentes situações de participação social. indecente. verdades incontestáveis. sendo capazes de expressar seus sentimentos.33) Ao longo dos oito anos do ensino fundamental. sendo capazes de recorrer aos materiais escritos em função de diferentes objetivos. mas nunca serão os sujeitos das suas próprias histórias. ensinando análise sintática a crianças mal alimentadas. esquemas. depois de aulas onde não faltam castigos e broncas. 10 a 16.) Texto 2 OBJETIVOS GERAIS DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL (PCN. E assim vemos muitos professores de português. condicionadas a distinguir o sujeito de uma oração. pálidas. aos objetivos a que se propõem e aos assuntos tratados. sabendo como proceder para ter acesso. • conhecer e analisar criticamente os usos da língua como veículo de valores e preconceitos de classe. • valorizar a leitura como fonte de informação. Sem fazer a crítica verdadeira. sabendo adequá-los às circunstâncias da situação comunicativa de que participam. São Paulo: Ática. João Wanderley(org). Para que essa expectativa se concretize..

o desenho.ou profissional em que os falantes utilizam um vocabulário condizente com sua atividade: médicos. o código Morse. muitas vezes percebem-se diferenças na fala das pessoas de classes diferentes. ambulantes. 2se você vir o Antônio diga-lhe que quero falar-lhe. Muitos meninos não podem usar a chamada linguagem correta na escola sob pena de serem marcados pelos colegas. as variações devidas às faixas etárias se limitam muito mias ao vocabulário e nem sempre são fáceis de perceber. os gestos. a oposição linguagem do homem/ linguagem da mulher pode determinar diferenças sensíveis. 35) Variedades ligadas ao falante ou a aspectos socioculturais: Idade (considerando-se o locutor adulto. não existe nenhuma sociedade ou comunidade na qual todos falem da mesma forma. em especial no campo do vocabulário. As variações linguísticas são condicionadas por fatores internos da língua ou por fatores sociais. a pintura. a dança. o código de trânsito etc. devido a certos tabus morais. um chefe de Estado. As variações linguísticas Todas as línguas variam. entendendo-se como tal um vocabulário com gírias. porque em nossa sociedade a correção é considerada uma marca feminina. 2007. advogados. ou por ambos ao mesmo tempo. de sexo diferente. um velho falar como uma criança. o que limita o tipo de ouvinte capaz de entendê-la. etc. Por isso. Esta variação tende a minimizar-se devido à mídia (meio de comunicação de massa). Seu idioleto (saber linguístico individual) varia de acordo com a sua cultura. embora possam conviver na mesma comunidade em que atuam. a música. que têm exercido um papel nivelador. Normalmente o grau de escolaridade está associado à classe econômica do falante) . à mulher trabalhar fora do lar. assim como um bancário ou um operário não têm o mesmo nível de linguagem. isto é. uma autoridade falar como um marginal social etc.se você ver o Antônio diz pra ele que eu quero falar com ele. Modernamente. como em todas as sociedades existe alguma diferença de status ou de papel. Um político. (GERALDI. quando não ridículo. de etnia diferente. Raça (ligada a fatores etnológicos ou culturais) Profissão (linguagem técnica – jargão técnico . Grau de escolaridade (observe: 1. essas diferenças se refletem na linguagem. p. policiais) Posição social (O status do falante também exige dele um cuidado com a linguagem a fim de ser distinguido dentro do grupo em que atua. fala-se muito em uma linguagem jovem. Por isso seria estranho. João Wanderley(org). Existem muitos tipos de linguagem: a fala. mais empregado pelos indivíduos dessa faixa etária) Sexo (de acordo com a comunidade. aos colégios mistos e aos movimentos feministas. militares. Na frase 1 temos uma economia lingüística que torna a frase mais compreensível a todos os ouvintes.AULA 2 – VARIANTES LINGUÍSTICAS VARIAÇÕES DE LINGUAGEM Linguagem é a representação do pensamento por meio de sinais que permitem a comunicação e a interação entre as pessoas. de idade diferente. Já a frase 2 demonstra domínio das formas lingüísticas ausentes na linguagem popular. As línguas fornecem também meios de constituição de identidade social. A variedade linguística é o reflexo da variedade social e. um dirigente industrial. posição social e instrução.

Local em que reside (linguagem urbana: mais próxima da linguagem comum. mas sim. pedante. ou grupo de pessoas. Resposta: não existe a mais correta em termos absolutos. o emissor segue a sua gramática interior. a mais adequada a cada contexto. Por outro lado. Ao usar esse registro. aprendida fora da escola com pessoas próximas. extinguindo-se gradualmente com a chegada da civilização) Variedades ligadas à situação: Ambiente (falamos diferentemente em casa e no trabalho. desrespeitosos. também existe uma variedade lingüística adequada a cada situação. Usar o português rígido. com mais adjetivos e até palavrões do que quando estamos calmos) Grau de intimidade entre os falantes. documentos. meios de comunicação de massa. intimidade e vocabulário do que para outros) Estado emocional do falante (quando estamos nervosos usamos uma linguagem mais eufórica. fugir afinal das normas típicas dessa situação. jogando bola com os amigos. Dessa maneira. Optamos por este nível ao escrevermos requerimentos. por pessoas escolarizadas. por exemplo) Época (o português de nossos antepassados é diferente do que falamos hoje) Tema (para alguns temas temos mais facilidade. LINGUAGEM FORMAL Hierarquia de poder (não igual) Contato não freqüente Pouco envolvimento afetivo Léxico formal (formas não abreviadas e não emprego de gírias) Emprego de apelidos e diminutivos Emprego de títulos Expressões de afeto e despreocupação com a Expressões de deferência e preocupação com a polidez polidez Uso de expressões que indicam opinião Uso de expressões que indicam sugestão LINGUAGEM INFORMAL Poder igual entre os falantes Contato freqüente Grande envolvimento afetivo Léxico coloquial (abreviações e gírias) . Registro coloquial ou popular: é a maneira informal de se comunicar no dia-a-dia. do mais formal ao mais informal. fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida. pois recebe influência direta de fatores culturais como escolas. literatura etc. termos chulos. como uma gradação: Registro formal ou culto: é o nível de linguagem utilizado em situações formais. textos acadêmicos e ao fazermos discursos em formaturas. Soa como pretensioso. artificial. seminários palestras etc. é inadequado em situação formal usar gírias. intuitiva. Falar uma língua é parecido com vestir-se: assim existe uma roupa adequada para cada situação. “batendo papão” com colegas etc. próprio da língua escrita formal. provas escolares. é inevitável perguntar qual delas é a correta. escrevendo bilhete para a namorada. Caracteriza-se por maior rigor no uso do vocabulário e pela obediência às regras gramaticais adquiridas por anos na escola. utilizar a língua de maneira diferente cria vários níveis de linguagem. ADEQUAÇÃO Diante de tantas variantes lingüísticas. NÍVEIS DE LINGUAGEM O fato de cada pessoa. numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. linguagem rural: mais conservadora e isolada.

Cubra. ele deve saber usar convenientemente os níveis de linguagem. bem como parte do revestimento adiposo. Insira em cada ponto de intersecção das linhas de incisão um cravo aromático (botão seco da Eugenia caryophylatta) de que foi previamente retirado o elemento esférico superior. pressionando manualmente. inadequados à linguagem acadêmica ou empresarial. devidamente afiado. esta superfície com melaço de açúcar bruto queimado. Corte ananás sativus em secções delgadas e aplique estas secções sobre a peça. Reescreva o texto utilizando uma linguagem mais apropriada. porém escrita em linguagem científica. destaque o couro que deve recobrir a estrutura muscular do trem posterior de um suíno. Retire do recipiente o produto cozido. Atividade Vamos ver como você se sai na cozinha. bastante culta e inadequada para o seu público leitor. a seguir. durante 60 minutos. Assim. O texto abaixo é uma receita. coloque-o num recipiente metálico de proporções adequadas. Assim preparado o material. A fusão completa do melaço marca o fim da preparação.Se o objetivo de um indivíduo é falar para ser bem compreendido pelo ouvinte. na redação de nossos textos na universidade ou na empresa. Faça voltar ao forno por 15 minutos a uma temperatura de 220º. deixando-o exposto à temperatura ambiente até que seja atingido o equilíbrio térmico. Com um instrumento cortante. Tome 125 ml de licor de Genebra e faça uma aspersão sobre a superfície da peça. devemos ficar atentos para não utilizar. Faça incisões cuidadosas em forma de losangos sobre a superfície da peça. . portanto. Coloque num forno préaquecido a 150º. vertendo sobre ele cerca de 250 ml de H2O. adequando-os ao interlocutor e à situação de comunicação. Recoloque a peça no recipiente utilizado anteriormente. elementos próprios da linguagem informal e.

Texto 2 LÍNGUA ORAL: USOS E FORMAS (PCN – p. com a esperança de evitar que escrevessem errado. um radialista. sendo assim. um professor. mas saber qual forma de fala utilizar. denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos. O problema do preconceito disseminado na sociedade em relação às falas dialetais deve ser enfrentado. É saber coordenar satisfatoriamente o que falar e como fazê-lo. utilizam diferentes registros em razão das também diferentes instâncias nas quais essa prática se realiza. do que se sente. A questão não é de correção da forma. Para isso. foi de maneira inadequada: tentou corrigir a fala ―errada‖ dos alunos — por não ser coincidente com a variedade lingüística de prestígio social —. um feirante. no Brasil. Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que. de utilização eficaz da linguagem: falar bem é falar adequadamente. considerando a quem e por que se diz determinada coisa. e também para poder ensinar Língua Portuguesa. Variedades dialetais ou dialetos são compreendidos como os diferentes falares regionais presentes numa dada sociedade. a usos da linguagem. Mas há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar: é muito comum se considerarem as variedades lingüísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas. além de desvalorizar a forma de falar do aluno. num dado momento histórico. Assim. por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico. dramatizações. a intenção é marcar a existência sociocultural extra-escolar dessas atividades discursivas. A própria condição de aluno exige o domínio de determinados usos da linguagem oral. etc. o . todos aqueles que tomam a palavra para falar em voz alta. um religioso. especialmente nas mais formais: planejamento e realização de entrevistas. Quando o fez. diálogos com autoridades. Reforçou assim o preconceito contra aqueles que falam diferente da variedade prestigiada. 13. Ao longo deste documento a expressão foi usada também referindose a textos. como parte do objetivo educacional mais amplo de educação para o respeito à diferença. um político. ou seja. A questão não é falar certo ou errado. saber adequar o registro às diferentes situações comunicativas. dificilmente ocorrerá se a escola não tomar para si a tarefa de promovê-la. a escola não tenha tomado para si a tarefa de ensinar quaisquer usos e formas da língua oral. enfim. É saber. mas de sua adequação às circunstâncias de uso. um repórter.39 a 41) Não é papel da escola ensinar o aluno a falar: isso é algo que a criança aprende muito antes da idade escolar. é produzir o efeito pretendido. Quando se usa aqui a expressão ―de fato‖.p. a escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma ―certa‖ de falar — a que se parece com a escrita — e o de que a escrita é o espelho da fala — e.26) A Língua Portuguesa. considerando as características do contexto de comunicação. Isso se conquista em ambientes favoráveis à manifestação do que se pensa. Expressar-se oralmente é algo que requer confiança em si mesmo. Cabe à escola ensinar o aluno a utilizar a linguagem oral nas diversas situações comunicativas. Identificam-se geográfica e socialmente as pessoas pela forma como falam. quais variedades e registros da língua oral são pertinentes em função da intenção comunicativa. Trata-se de propor situações didáticas nas quais essas atividades façam sentido de fato14 . 14. pois seria descabido ―treinar‖ o uso mais formal da fala. etc. a circunstâncias de enunciação. A aprendizagem de procedimentos eficazes tanto de fala como de escuta. seminários.AULA 3 – O ENSINO DA ORALIDADE Texto 1 Que fala cabe à escola ensinar (PCN. portanto. ou seja. As instituições sociais fazem diferentes usos da linguagem oral: um cientista. na escola. do contexto e dos interlocutores a quem o texto se dirige. Talvez por isso. tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes. seria preciso ―consertar‖ a fala do aluno para evitar que ele escreva errado. possui muitas variedades dialetais 13. em contextos mais formais. debates. do que se é. sua existência no interior de práticas sociais comunicativas não-escolarizadas.

portanto. São essas situações que podem se converter em boas situações de aprendizagem sobre os usos e as formas da língua oral: atividades de produção e interpretação de uma ampla variedade de textos orais. a divisão de tarefas. coloquiais.desenvolvimento da capacidade de expressão oral do aluno depende consideravelmente de a escola constituir-se num ambiente que respeite e acolha a vez e a voz. escuta e reflexão sobre a língua. Em geral o procedimento de expor oralmente em público não costuma ser ensinado. a diferença e a diversidade. sobre temas estudados apenas por quem expõe. apenas o falar cotidiano e a exposição ao falar alheio não garantem a aprendizagem necessária. se feita em grupo. Eleger a língua oral como conteúdo escolar exige o planejamento da ação pedagógica de forma a garantir. quer sejam da área de Língua Portuguesa. descrição do funcionamento de aparelhos e equipamentos em situações onde isso se faça necessário. Esse tipo de tarefa requer preparação prévia. Mas. narração de acontecimentos e fatos conhecidos apenas por quem narra. A capacidade de uso da língua oral que as crianças possuem ao ingressar na escola foi adquirida no espaço privado: contextos comunicativos informais. mas o contrário também vale: as atividades relacionadas às diferentes áreas são. de reflexão sobre os recursos que a língua oferece para alcançar diferentes finalidades comunicativas. por meio das chamadas apresentações de trabalho. etc. • atividades de produção oral de planejamento de um texto. depende de a escola ensinar-lhe os usos da língua adequados a diferentes situações comunicativas. na sala de aula. de observação de diferentes usos. familiares. a fazer uso da língua oral de forma cada vez mais competente. Possivelmente por se imaginar que a boa . A exposição oral ocorre tradicionalmente a partir do 4º ano. de certa forma. considerando o nível de conhecimento do interlocutor e. dentro dos mais diversos projetos: • atividades em grupo que envolvam o planejamento e realização de pesquisas e requeiram a definição de temas. de suas comunidades. boa parte dessas situações também tenha lugar no espaço escolar. por sua vez. • atividades de resolução de problemas que exijam estimativa de resultados possíveis. comparação e confronto de procedimentos empregados. não se trata de reproduzi-las para ensinar aos alunos o que já sabem. A linguagem tem um importante papel no processo de ensino. De nada adianta aceitar o aluno como ele é mas não lhe oferecer instrumentos para enfrentar situações em que não será aceito se reproduzir as formas de expressão próprias de sua comunidade. é necessário diversificar as situações propostas tanto em relação ao tipo de assunto como em relação aos aspectos formais e ao tipo de atividade que demandam — fala. a tomada de decisões sobre encaminhamentos. a coordenação da fala própria com a dos colegas — dois procedimentos complexos que raramente se aprendem sem ajuda. A produção oral pode acontecer nas mais diversas circunstâncias. atividades sistemáticas de fala. É fundamental que essa tarefa didática se organize de tal maneira que os alunos transitem das situações mais informais e coloquiais que já dominam ao entrar na escola a outras mais estruturadas e formais. As situações de comunicação diferenciam-se conforme o grau de formalidade que exigem. pois atravessa todas as áreas do conhecimento. a apresentação de resultados. • atividades dos mais variados tipos. Supõe também um profundo respeito pelas formas de expressão oral trazidas pelos alunos. a partir de intenções de natureza diversa. portanto. É preciso que as atividades de uso e as de reflexão sobre a língua oral estejam contextualizadas em projetos de estudo. fundamentais para a realização de aprendizagens de natureza lingüística. E isso é algo que depende do assunto tratado. sobretudo. para que possam conhecer seus modos de funcionamento e aprender a utilizá-las. verbalização. Não basta deixar que as crianças falem. Ainda que. de elaboração propriamente e de análise de sua qualidade. diante de diferentes interlocutores. da relação entre os interlocutores e da intenção comunicativa. Considerar objeto de ensino escolar a língua que elas já falam requer. mas que tenham sempre sentido de comunicação de fato: exposição oral. e um grande empenho por ensinar-lhes o exercício da adequação aos contextos comunicativos. a explicitação do que se deve ensinar e de como fazê-lo. ensinar-lhe a utilizar adequadamente a linguagem em instâncias públicas. cuja finalidade é a exposição de temas estudados. Para isso. quer sejam das demais áreas do conhecimento. escuta e/ou reflexão sobre a língua. É preciso.

exposição oral decorra de outros procedimentos já dominados (como falar e estudar). No entanto, o texto expositivo — tanto oral como escrito — é um dos que maiores dificuldades apresenta, tanto ao produtor como ao destinatário. Assim, é importante que as situações de exposição oral freqüentem os projetos de estudo e sejam ensinadas desde as séries iniciais, intensificando-se posteriormente. A preparação e a realização de atividades e projetos que incluam a exposição oral permitem a articulação de conteúdos de língua oral e escrita (escrever o roteiro da fala, falar a partir do roteiro, etc.). Além disso, esse tipo de atividade representa um espaço privilegiado de intersecção entre diferentes áreas do conhecimento, pois são os assuntos estudados nas demais áreas que darão sentido às atividades de exposição oral em seminários. O trabalho com linguagem oral deve acontecer no interior de atividades significativas: seminários, dramatização de textos teatrais, simulação de programas de rádio e televisão, de discursos políticos e de outros usos públicos da língua oral. Só em atividades desse tipo é possível dar sentido e função ao trabalho com aspectos como entonação, dicção, gesto e postura que, no caso da linguagem oral, têm papel complementar para conferir sentido aos textos. Além das atividades de produção é preciso organizar situações contextualizadas de escuta, em que ouvir atentamente faça sentido para alguma tarefa que se tenha que realizar ou simplesmente porque o conteúdo valha a pena. Propostas desse tipo requerem a explicação prévia dos seus objetivos, a antecipação de certas dificuldades que podem ocorrer, a apresentação de pistas que possam contribuir para a compreensão, a explicitação das atitudes esperadas pelo professor ao longo da atividade, do tempo aproximado de realização e de outros aspectos que se façam necessários. Mais do que isso, é preciso, às vezes, criar um ambiente que convide à escuta atenta e mobilize a expectativa: é o caso, por exemplo, dos momentos de contar histórias ou relatos (o professor ou os próprios alunos). A escuta e demais regras do intercâmbio comunicativo devem ser aprendidas em contextos significativos, nos quais ficar quieto, esperar a vez de falar e respeitar a fala do outro tenham função e sentido, e não sejam apenas solicitações ou exigências do professor.
6. Registro refere-se, aqui, aos diferentes usos que se pode fazer da língua, dependendo da situação comunicativa. Assim, é possível que uma mesma pessoa ora utilize a gíria, ora um falar técnico (o “pedagoguês”, o “economês”), ora uma linguagem mais popular e coloquial, ora um jeito mais formal de dizer, dependendo do lugar social que ocupa e do grupo no qual a interação verbal ocorrer. 7. Interação verbal, aqui, é entendida como toda e qualquer comunicação que se realiza pela linguagem, tanto as que acontecem na presença (física) como na ausência do interlocutor. É interação verbal tanto a conversação quanto uma conferência ou uma produção escrita, pois todas são dirigidas a alguém, ainda que esse alguém seja virtual. 8. Coesão, neste documento, diz respeito ao conjunto de recursos por meio dos quais as sentenças se interligam, formando um texto. 9. O termo “gênero” é utilizado aqui como proposto por Bakthin e desenvolvido por Bronckart e Schneuwly.

ATIVIDADE a) Carta da mãe portuguesa Querido filho: Escrevo-te estas linhas para que saibas que a mãe está viva. Como sei que não consegues ler rápido, vou me pôr a escrever bem devagar. Estas bem? Faz tempo que não sei o que anda a acontecer contigo. Caso estejas sem tempo de escrever à mãe, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranqüilo vais mandar notícias. Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos. Temos agora uma maquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem. Na semana passada pus lá catorze camisas e apertei um botão e nunca mais as vi. Vai ver que essa marca Hydra não é das melhores. Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se vais ser tio ou tia. Teu pai arranjou um bom emprego. Tem 2.300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte de grama no cemitério. Quem anda sumido é seu tio Venâncio, que morreu ano passado e teu primo Jacinto que sempre acreditou ser mais rápido que um touro. Bem que se viu que não era. Lembras-te do tio Joaquim? Então, afogou-se mês passado num depósito de vinho.Oito compadres dele tentaram salvá-lo, mas o tio lutou bravamente contra eles. O corpo foi cremado há duas semanas. Levaram oito dias para apagar o incêndio. Estou preocupada com o nosso cachorro, ele não para de perseguir os carros parados. Os engarrafadores de refrigerantes aqui finalmente tiveram a grande idéia de colocar uma indicação na tampinha, dizendo "Abra por aqui". Facilitou-nos muito a vida. Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja difícil para

ti, a mãe te manda algumas garrafas. Teu irmão, João, continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave, para pode tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar. Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho. Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante três dias. Na segunda, choveu durante quatro dias. A política neste país continua a mesma de sempre. Há poucos dias houve a eleição para presidente do sindicato dos metalúrgicos. Ganhou o Manuel Inácio Da Silva, o Mula. Esta carta mando-te através do Gabriel, que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto? Lembrei-me de uma coisa importante: terás um problema para falar com a mãe, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço. Se encontrares a Tereza, dê um alô de minha parte. Caso não a encontres, não precisas dizer nada. Adeus. Tua mãe que te ama... Ps. Ia te mandar 2000 escudos, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope.

Atividade: Após este exemplo, escreva uma carta para os pais da escola de EI onde você trabalha comunicando uma epidemia e a consequente suspensão das aulas por 1 semana.

AULA 4 – GÊNEROS TEXTUAIS
A VARIEDADE DE TEXTOS: OS GÊNEROS TEXTUAIS Os gêneros devem ser adequados à idade dos alunos, fazerem parte da realidade social e escolar dos alunos. QUADRO DE GÊNEROS TEXTUAIS:
Domínios sociais Aspecto de comunicação tipológico Cultura literária NARRAR ficcional Capacidades de linguagens dominantes Imitação da ação através da criação da intriga. (fictício) Exemplos de gêneros orais e escritos

Documentação ou RELATAR memorização das ações humanas

Representação pelo discurso de experiências vividas, situadas no tempo. (real)

Discussão de ARGUMEN problemas sociais TAR

Sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição. (defesa de idéias)

Transmissão construção saberes

e EXPOR de

Apresentação textual de diferentes formas dos saberes. (científico)

Conto maravilhoso Conto de fadas Fábula Lenda Narrativa de aventura Narrativa de ficção científica Narrativa de enigma Histórias engraçadas Biografia romanceada Romance Romance histórico Novela Conto Paródia Adivinha Piada Crônica literária Relatos de experiências vividas Relatos de viagem Diário íntimo Testemunho Anedota Autobiografia Curriculum vitae Notícia Reportagem Crônica mundana Crônica esportiva Históricos Relatos históricos Textos de opinião/ diálogo argumentativo Carta de leitor Carta de reclamação Carta de solicitação Debate regrado Editorial Discurso de defesa (advocacia) Requerimento ensaio Resenhas críticas Texto expositivo Conferência Entrevista de especialista Texto explicativo Resumo de textos expositivos e explicativos

e nessas aulas também não. E essa capacidade. à transmissão e busca de informação. não se ensina a trabalhar com textos expositivos como os das áreas de História. lidos e ouvidos em razão de finalidades desse tipo. pois considera-se que trabalhar com textos é uma atividade específica da área de Língua Portuguesa.25. essas diferenças existirão mesmo. argumentar a favor ou contra uma determinada hipótese ou teoria. o exercício de formas de pensamento mais elaboradas e abstratas.Instruções prescrições e Descrever ações Regulação mútua de comportamento (instrucional) Resenhas Relatório científico Relato de experiências (científicas) Instrução de uso Instrução de montagem Receita Regulamento Regras de jogo Texto 1 (PCNs p. o mais importante é que você saiba reconhecer as fases que são normais e comuns. · Tome o cuidado de estar sempre perguntando para a criança se isto é igual àquilo. por que fez assim e não de outra maneira. Isso inclui os textos das diferentes disciplinas. é condição para o bom aprendizado. . como espaço institucional de acesso ao conhecimento. se ela tem dúvida no que fez. bem como a constituição de práticas que possibilitem ao aluno aprender linguagem a partir da diversidade de textos que circulam socialmente. mesmo assim. se ela acha que está certo. Um exemplo: nas aulas de Língua Portuguesa. mas é a de Língua Portuguesa que deve tomar para si o papel de fazê-lo de modo mais sistemático. são os textos que favorecem a reflexão crítica e imaginativa. os textos são produzidos. Geografia e Ciências Naturais. pois dela depende a possibilidade de aprender os diferentes conteúdos. os mais vitais para a plena participação numa sociedade letrada. não consegue manejar. Não há problema. Toda educação verdadeiramente comprometida com o exercício da cidadania precisa criar condições para o desenvolvimento da capacidade de uso eficaz da linguagem que satisfaça necessidades pessoais — que podem estar relacionadas às ações efetivas do cotidiano. pois não há um trabalho planejado com essa finalidade. à escola viabilizar o acesso do aluno ao universo dos textos que circulam socialmente. é necessário observar as fases do processo. dependendo dos estímulos e do ambiente alfabetizador de onde ele vem. implica uma revisão substantiva das práticas de ensino que tratam a língua como algo sem vida e os textos como conjunto de regras a serem aprendidas. comparar diferentes pontos de vista. ao exercício da reflexão. todas as disciplinas têm a responsabilidade de ensinar a utilizar os textos de que fazem uso. portanto. que permite o acesso à informação escrita com autonomia. a necessidade de atender a essa demanda. Sem negar a importância dos que respondem a exigências práticas da vida diária. Para a escola. Em conseqüência. Atualmente exigem-se níveis de leitura e de escrita diferentes e muito superiores aos que satisfizeram as demandas sociais até bem pouco tempo atrás — e tudo indica que essa exigência tende a ser crescente. Pode ser que o seu aluno não apresente essas fases assim descritas e já vá direto ao processo quase formal da escrita. ensinar a produzi-los e a interpretá-los. apresentar uma informação nova. com os quais o aluno se defronta sistematicamente no cotidiano escolar e.26) Diversidade de textos A importância e o valor dos usos da linguagem são determinados historicamente segundo as demandas sociais de cada momento. o aluno não se torna capaz de utilizar textos cuja finalidade seja compreender um conceito. Cabe. Texto 2 CONCEITOS IMPORTANTES PARA A FORMAÇÃO DO ALFABETIZADOR Reconhecimento das fases da escrita Para que você possa acompanhar o processo de aquisição e desenvolvimento da escrita. descrever um problema. De modo geral. Por isso.

você irá perceber as coisas que eles vivem.Não ser arbitrário nessa questão faz diferença no bom relacionamento com a turma. Não seja rígido nas suas propostas. principalmente. Se um aluno trouxer uma palavra que é usada lá na zona onde vive e há uma variação lingüística ali ou um desconhecimento geral sobre o significado dela. escreva abaixo deles. assim por diante. · Escreva sempre a sílaba que estiver trabalhando. um nome de programa de televisão. ela elabora uma percepção mais consistente em relação à fala e à escrita. até modifiquem a sua intenção. baseados na realidade de cada um. sua construção e as diferenças entre textos anteriormente acessados por ele. sua forma. é referente a um fato. Se não se coloca um título. · Chame a atenção dos alunos para o título do texto ou para o título daquilo que se propõe a escrever ou a ler. é uma história real ou não.Mas. mas o aluno que a trouxe sabe. Tem de haver um propósito plausível. não é possível saber para onde se quer ir e. da proposta-base do professor modificada com a interferência dos alunos. mude um pouco a atividade e dê uma atenção maior àquilo que acabou de surgir e que despertou a curiosidade. Assim. Deixe que proponham e. faça desenhos para facilitar o trabalho de percepção. Faça seu trabalho com base nisso. · Cuide para que os apontamentos feitos pelos alunos. apresentando no quadro as respectivas grafias em maiúscula e minúscula. o que de conteúdo. em letra de forma e em cursiva. Se todos os dias tivermos essa atitude mínima. possam tomar significados maiores. de quem veio. uma comida que nunca comemos etc. assim. para que eles realmente as percebam. textos. Os títulos são as principais percepções dos alunos no início do trabalho. já lemos outro texto assim. do desenho ou figura numa conversa informal com seus alunos. Eles podem escolher livros. da história. vale a pena discutir o assunto e resgatar junto com eles qual é o sentido da escola. mas antes garanta que eles estabeleçam um propósito possível para eles e dê-lhes condições para alcançá-lo. É como se essa atitude fosse a nossa mais básica obrigação diária. se tiver feito desenhos.· É importante fazer a criança refletir: se eu ouvi cinco pausas na leitura da professora. · O isolamento e o destaque da sílaba que devemos trabalhar deve ser fruto dessas conversas informais. Caso essas escolhas estejam muito fora do contexto da escola ou da sala de aula. · Justificar a leitura e a escrita que foram propostas é sempre uma postura louvável por parte do professor. se quiser. Depois dos títulos vêm as tramas dos textos (os problemas enfrentados pelas personagens). Atitudes pedagógicas Há uma série de procedimentos que devem nortear a atitude profissional do professor nas suas práticas diárias numa turma de alfabetização. É necessário que o professor abra espaços para que os alunos possam colocar-se como agentes ativos no processo. · Leia para os alunos e com eles. Quando estiver trabalhando com a escrita. quais são as diferenças culturais e sociais entre eles e. O importante é justificar o porquê daquela palavra-chave e o porquê daquela sílaba específica. o texto pode ficar sem sentido. uma comida de que todos gostem. coisas que querem fazer. · Procure estimulá-los e fazê-los lembrar de coisas que começam pela mesma sílaba e. em relação a sua temática do dia. das colocações feitas pelos alunos e. é necessário construir essa habilidade na prática diária da leitura. palavras que querem estudar. sempre fazendo ligações com outras coisas já vistas por eles: um nome de alguém da escola. sua apresentação. às vezes. certamente já estaremos dando condições de o aluno perceber melhor aquilo que estamos propondo. A flexibilidade costuma dar melhores resultados. alguém saberia contar uma história parecida. quem era ele. eles já dominam. por que o meu registro tem só duas marcas? Ao refletir. é importante deixar claro que o título aponta para o caminho que o escritor irá percorrer. mas cuide para sempre registrar as colocações no formato de listas. . · Sempre faça a apresentação do texto. sempre buscando evidenciar os elementos que estruturam um texto. Questões pertinentes podem ser: Vocês repararam que esta história tem várias partes? Alguém pode dizer onde estão elas? Onde está o começo da história? Em que parte aconteceu tal coisa?Em que parte as personagens brigam? Onde alguém conta o que viu? · É importante identificar o texto ou a escrita: para quem é. sobretudo.

· Apresente-lhes. etc. as conjunções. Produção textual A compreensão dos conteúdos que estão envolvidos na produção textual é fundamental para o trabalho de alfabetização. Cuide para que os alunos percebam também as nuanças e os detalhes de uma boa narrativa. "daí ele fez isso. os artigos. » textos expositivos: verbetes de dicionário. » textos argumentativos: diálogos. despertando. Essas questões ajudarão a desenvolver um comportamento salutar em relação à clareza da escrita. aventuras. relatórios de experiências. é muito difícil para a criança desenvolver o traço dentro de espaços tão pequenos como os determinados pelas linhas. os alunos começam a fazer tentativas de escrita em várias direções. dentro de cada gênero. · Direção da escrita: primeiramente. Concentre-se nos aspectos da leitura. A escrita tem de ser uma necessidade para a criança. Faça-lhes sempre perguntas para ajudá-los a perceber se o que está sendo apresentado por eles. seja um dicionário. editoriais. é compreensível por parte de quem ouve. ensaios. » textos instrucionais: receitas. no entanto. daí ele saiu". eles desenvolverão uma percepção somente da trama principal e deixarão de lado as minúcias. Além disso. Quando a criança ainda não os domina é comum aparecer nos textos as expressões: "e aí". Os alunos em alfabetização também costumam escrever tudo junto (eugostodemelcommamão). regimentos e estatutos. não se pode jogá-la fora. regras de jogo. bulas de remédios. testemunhos. com a qual o aluno precisa ter contato desde o começo. no trabalho diário. nos momentos de leitura compartilhada. inventários. trechos de livro didático. determinar claramente qual é o objetivo da escrita ou qual é a idéia que percorrerá a leitura antes de iniciá-la pode resolver uma série de questões acerca do entendimento prévio necessário para que o aluno acompanhe. Mas a prioridade deve ser resgatar a compreensão e a interpretação deles para cada um dos tipos textuais. desenvolvimento e conclusão. Tome o cuidado de escolher bons textos de cada tipo. dando sentido ao texto. eles amontoam um pouco a primeira linha com a segunda e assim por diante (lembrando que no início da alfabetização trabalhamos com folhas sem pauta. reportagens. de que para sempre necessitarão. pequenas delícias do texto secundário. · Espaçamento entre palavras e entre linhas: depois da direção vem a etapa do espaçamento. "causos". cartas (pessoais. » textos narrativos: contos. "e então". · Paragrafação: a idéia de parágrafo não deve ser trabalhada tão cedo. autobiografias. daí ele fez aquilo. biografias.· Os textos têm uma idéia central e uma porção de outras que se desenrolam em torno dela. É a arbitrariedade do professor que vai direcionar esta produção. · Elementos de coesão: são aqueles elementos da escrita que ligam umas idéias nas outras. Essas são dicas de que a criança não tem a menor idéia do que seja um elemento de coesão nos textos escritos. por isso. se necessário. assim. resenhas. de reclamação. eles começarão a perceber que essa ordem dá uma organização final que é imprescindível para que todos possam ler aquilo que eles escrevem. contos de fadas. · Crie situações naturais ou artificiais que tornem a escrita fundamental para que os alunos possam perceber as suas aplicabilidades. lendas. Mesmo que os alunos ainda não consigam perceber a distinção entre eles. ou ainda. notícias. crônicas. o próprio professor ou qualquer outro material para que ele possa recorrer num momento de dúvida. qualquer que seja o processo. · Deixe sempre à disposição dos alunos um canal para consulta. » relatos: diários. Deixe que os alunos saboreiem livremente cada um dos textos e depois. artigos opinativos. convocações. Assim. ficção. os pronomes e uma porção de outros elementos das mais diferentes classes de palavras. manuais de operação e de uso. Isso se deve ao fato de que a coordenação motora nesta fase ainda está em desenvolvimento e. É dessa forma que as tentativas dos alunos de produção de textos se tornarão mais compreensíveis e claras para o professor. uma farta diversidade de gêneros literários e vários tipos textuais. o desejo de dominá-la. com as mesmas características. depoimentos. sem linhas e sem marcas). Caso contrário. é imprescindível que. sejam eles o escriba ou não. faça o trabalho de produção textual. fábulas. Resgate-as. · Sequência lógica: o texto exige uma seqüência lógica: introdução. . petições). como as preposições. Com o tempo. avisos. o professor chame a atenção para eles. piadas.

· A vivificação exige um compromisso de que todas as atividades sejam estruturadas como situações de desafio. você tem de unir os tipos de trabalho. como a letra entra no cotidiano dela. É a dominância hemisférica que irá definir a opção. seja ele oral ou escrito. sempre apresentará uma série de erros ortográficos. . jogos e atividades lúdicas ajudam muito. mais atividade. Isso é normal.levar a criança à superação do espontaneísmo e da mera permanência no senso comum e na reprodução mecânica da escola. É a vida que surge da palavra. Depois. como elemento desencadeador da ação. discute-se o conceito de poesia e obra literária. Por isso. sem deixar que se percam a beleza da palavra e o prazer do texto. sob orientação e de forma contextualizada. Mas isso não é tudo. uma vez que tenha consciência do mundo e do papel que pode desempenhar nele. É a vivificação da alfabetização. ajudam na tonicidade muscular. Geraldo Peçanha de. dá boas condições motoras para a execução do traço. inicialmente. por exemplo. o trabalho com coordenação motora global. e deve colocá-los na ordem que julgar melhor. A criança tem em média 12anos de escolarização para ter um bom domínio da língua pátria. Mas não seja negligente. A forma como a criança vive. em desordem. tudo isso aliado aos aspectos de caráter crítico-social. P. · Busca-se. Não se desespere. (ALMEIDA.· Legibilidade da letra: o traçado da letra é primeiramente uma habilidade motora. se o trabalho for intensificado aos poucos. mais ação. por meio da interferência dela própria. evitando o estado de passividade. Trabalhar com eixos norteadores É preciso que o professor desenvolva uma percepção dos eixos norteadores e geradores acerca do letramento. para obter melhor resultado. não só mecânico. Letramento é a letra que ganha vida ativa. certamente o objetivo será alcançado ao final. na firmeza e na destreza das mãos.com a vivificação da alfabetização. situações-problema que cobrem dos alunos mais participação. E para desenvolvê-lo é necessário constituir eixos geradores. Assim. mas sobretudo aguda ou fina. mas o processo precisa ser cognitivo. Depois ele passa a ser uma parte da nossa personalidade. Brincadeiras infantis. na escola. como ela elabora suas ações. Pode-se fazer um sarau de poesias infantis com os livros trazidos pelos colegas . · Essa vivificação do alfabeto torna o texto elemento central do trabalho. Sempre aponte para a criança os erros e os acertos. · Esse trabalho deve ser baseado em critérios criativos e lúdicos. Nossa letra tem uma relação direta com aquilo que somos. · O letramento é composto pelas experiências de vida da criança dentro e fora da escola. mas não tenha uma preocupação excessiva com essa questão.10 a 17) Atividade Cada dupla ou grupo recebe um poema separado em versos soltos. sejam próximos ou mais distantes da realidade da criança. Não se esqueça de que até aos 12 anos a criança pode mudar a mão com a qual se sente melhor para escrever. É importante que a criança tenha este tipo de trabalho motor. tendo como ponto de partida temas sociais de toda natureza. quais interferências lhe são possíveis. · Erros ortográficos: O texto produzido livremente. Letramento é a função social da escrita na vida da criança.

em geral. que é questão central. todos são textos. Plano do conteúdo (o que dizer) Determinado pelo texto original Definido pelo texto modelo Em suas aplicações mais criativas. Essa visão do que seja um texto adequado ao leitor iniciante transbordou os limites da escola e influiu até na produção editorial: livros com uma ou duas frases por página e a preocupação de evitar as chamadas ―sílabas complexas‖. pouco têm a ver com a competência discursiva 21 . Analisando os textos que costumam ser considerados adequados para os leitores iniciantes. lazer) A necessidade de revisão (processual e final) e refacção. relato. resumos) Decalque (modelos lacunados: cartas comerciais. nem a sílaba. pintada no asfalto em um cruzamento. paródias) Autoria (a tarefa do sujeito torna-se complexa) Texto 1 (PCN p. Se o objetivo é que o aluno aprenda a produzir e a interpretar textos.Paródia Antes da produção. desconhecido. aviso. pois não passam de simples agregados de frases. A possibilidade de se divertir. 28 e 29) O TEXTO COMO UNIDADE DE ENSINO O ensino da Língua Portuguesa tem sido marcado por uma seqüenciação de conteúdos que se poderia chamar de aditiva: ensina-se a juntar sílabas (ou letras) para formar palavras. no mínimo. é necessário explicitar para o aluno: Quem será o leitor/receptor (prof. criança) O meio de divulgação: suporte (carta. nem sequer podem ser considerados textos. jornal. numa lista de palavras começadas com ―p‖. proposta pelo professor. prova. um conto ou um romance. pois não se insere em nenhuma situação comunicativa de fato. amigo. no lugar de aproximar as crianças dos textos de qualidade. até o limite da indigência. nem a frase que. adulto. remota. Precisa ser articulado Precisa ser articulado Plano da forma/expressão (como dizer) Determinado pelo texto original Possibilita tratar de aspectos coesivos da língua Definido pelo texto modelo . mas isso não significa que não se enfoquem palavras ou frases nas situações didáticas específicas que o exijam. A palavra ―pare‖. de se comover. nem a palavra.. novamente aparece a confusão entre a capacidade de interpretar e produzir discurso e a capacidade de ler sozinho e escrever de próprio punho. Ao aluno são oferecidos textos curtos. mural) Gênero (conto. às vezes. A produção de textos escritos Categorias didáticas de práticas de produção escrita Transcrição Reprodução (paráfrases. Por trás da boa intenção de promover a aproximação entre crianças e textos há um equívoco de origem: tenta-se aproximar os textos das crianças — simplificandoos —. Dentro desse marco. simplificados. não é nem um texto nem parte de um texto. Essa abordagem aditiva levou a escola a trabalhar com ―textos‖ que só servem para ensinar a ler. O mesmo ―pare‖. ―Textos‖ que não existem fora da escola e. permite que o aluno se concentre no que tem a dizer. é um texto cuja extensão é a de uma palavra. reportagem) Objetivo/finalidade (convite. como os escritos das cartilhas. a juntar palavras para formar frases e a juntar frases para formar textos. não é possível tomar como unidade básica de ensino nem a letra. descontextualizadas. de poucas frases.AULA 5 – COMO ENSINAR A ESCREVER . conto de fadas. de fruir esteticamente num texto desse tipo é. O nome que assina um desenho. a lista do que deve ser comprado. a unidade básica de ensino só pode ser o texto. livro. Um texto não se define por sua extensão.

justamente no momento em que as crianças são iniciadas no mundo da escrita. de alguma forma. neste documento. com alteração de significado (paródia) e incluindo elementos de outros contos (intertextualidade). pede-se que cada grupo faça uma nova versão de um deles. As pessoas aprendem a gostar de ler quando. a qualidade de suas idas melhora com a leitura.Não se formam bons leitores oferecendo materiais de leitura empobrecidos. Atividade Após assistir ao DVD com várias fábulas tradicionais e ler as fábulas trazidas pelos colegas. 21. considerando todos os aspectos e decisões envolvidos nesse processo. está sendo compreendida como a capacidade de se produzir discursos — orais ou escritos — adequados às situações enunciativas em questão. . Competência discursiva.

é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a escrever em condições semelhantes às que caracterizam a escrita fora da escola. e a escrita não é o espelho da fala. o que pretendem dizer e a quem o texto se destina — afinal. Por exemplo: se o que deseja é convencer o leitor. prova escrita.  Textuais: relativos à coesão e coerência textuais.  Pragmáticos: características da situação comunicativa do texto (sarau. a outros textos quando precisa utilizar fontes escritas para a sua própria produção. o escritor competente selecionará um gênero que lhe possibilite a produção de um texto predominantemente argumentativo. O conhecimento a respeito de questões dessa natureza tem implicações radicais na didática da alfabetização. escrevendo‖. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a escrever. o que efetivamente se escreve e a interpretação de quem lê.). ainda. que é possível saber produzir textos sem saber grafá-los e é possível grafar sem saber produzir. sabe selecionar o gênero no qual seu discurso se realizará escolhendo aquele que for apropriado a seus objetivos e à circunstância enunciativa em questão. obscuro ou incompleto.AULA 6 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE ESCRITA DOS PCNS Aspectos que devem ser considerados na produção de texto:  Discursivos: relativos ao contexto de produção (para quem se escreve. é necessário ter acesso à diversidade de textos escritos. também. capaz de recorrer. mesa-redonda etc). 47 a 53) Prática de produção de textos O trabalho com produção de textos tem como finalidade formar escritores competentes capazes de produzir textos coerentes. nos últimos vinte anos.  Notacionais: relativos à compreensão do sistema de escrita. adequação ao gênero solicitado. defrontar-se com as reais questões que a escrita coloca a quem se propõe produzi-la. É preciso que se coloquem as questões centrais da produção desde o início: como escrever. morfologia. É preciso que aprendam os aspectos notacionais da escrita (o princípio alfabético e as restrições ortográficas) no interior de um processo de aprendizagem dos usos da linguagem escrita. Ou seja: é capaz de revisa-lo e reescrevê-lo até considerá-lo satisfatório para o momento. se é enviar notícias a familiares. Hoje já se sabe que aprender a escrever envolve dois processos paralelos: compreender a natureza do sistema de escrita da língua — os aspectos notacionais — e o funcionamento da linguagem que se usa para escrever — os aspectos discursivos. considerando. TEXTO 1 (PCN p. que o domínio da linguagem escrita se adquire muito mais pela leitura do que pela própria escrita. que sabe expressar por escrito seus sentimentos. pontuação. arriscar-se a fazer como consegue e receber ajuda de quem . com sucesso. semântica. coesos e eficazes. Um escritor competente é alguém que planeja o discurso e conseqüentemente o texto em função do seu objetivo e do leitor a que se destina. seminário. que não se aprende a ortografia antes de se compreender o sistema alfabético de escrita. em qual portador circulará. se é fazer uma solicitação a determinada autoridade. Para aprender a escrever. ambíguo. redundante. A principal delas é que não se deve ensinar a escrever por meio de práticas centradas apenas na codificação de sons em letras. testemunhar a utilização que se faz da escrita em diferentes circunstâncias. Um escritor29 competente é alguém que. conhecendo possibilidades que estão postas culturalmente. As pesquisas na área da aprendizagem da escrita. provavelmente redigirá um ofício. capaz de olhar para o próprio texto como um objeto e verificar se está confuso. ao mesmo tempo. a eficácia da escrita se caracteriza pela aproximação máxima entre a intenção de dizer. ao produzir um discurso. acentuação. sem desconsiderar as características específicas do gênero. Ao contrário. têm provocado uma revolução na forma de compreender como esse conhecimento é construído. Um escritor competente é. É alguém que sabe elaborar um resumo ou tomar notas durante uma exposição oral. estilística. um leitor competente. experiências ou opiniões. É.  Gramaticais: ortografia. com qual finalidade. escreverá uma carta. que sabe esquematizar suas anotações para estudar um assunto.

• solicitar aos alunos que produzam textos muito antes de saberem grafá-los. por meio da leitura (quando os alunos ainda não lêem com independência. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de utilizar a escrita com eficácia. . Para tanto é preciso que. cartas que não parecem cartas. São esses textos que podem se converter em referências de escrita para os alunos. Compreendida como um complexo processo comunicativo e cognitivo. por exemplo. Quando ainda não se sabe escrever. 29. o tratamento que se dá à escrita na escola não pode inibir os alunos ou afastá-los do que se pretende. encontram-se também enormes dificuldades no que diz respeito à segmentação do texto em frases. isso se torna possível mediante leituras de textos realizadas pelo professor. Além disso. nas quais os alunos compartilhem as atividades. Sendo assim. freqüentemente se encontram narrações que ―não contam histórias‖. mesmo que não o faça convencionalmente. situações de produção de uma grande variedade de textos de fato e uma aproximação das condições de produção às circunstâncias nas quais se produzem esses textos. o termo ―escritor‖ está sendo utilizado aqui para referir-se não a escritores profissionais e sim a pessoas capazes de redigir. Ditar para o professor. como atividade discursiva. ser uma prática continuada e freqüente). esse é o início de um caminho que deverão trilhar para se transformarem em cidadãos da cultura escrita. Quando se analisam as principais dificuldades de redação nos diferentes níveis de escolaridade. em pequenos grupos. mesmo que não saiba grafá-los. para um colega que já saiba escrever ou para ser gravado em fita cassete é uma forma de viabilizar isso. que tenham condições de assumir a palavra — também por escrito — para produzir textos adequados. bem como as condições nas quais é produzida: para que. numa atividade colaborativa. seja solicitado a produzir seus próprios textos. que escreve.já sabe escrever. ouvir alguém lendo o texto que produziu é uma experiência importante. textos argumentativos que não defendem nenhum ponto de vista. ao agrupamento dessas em parágrafos e à correção ortográfica. Diferentes objetivos exigem diferentes gêneros e estes. enquanto um terceiro revisa. São situações em que um aluno produz e dita a outro. dedicar-se a uma tarefa mais específica enquanto os outros cuidam das demais. o que precisa. por sua vez. e apesar de todas as correções feitas pelo professor. embora realizando diferentes tarefas: produzir propriamente. uma prática continuada de produção de textos na sala de aula. portanto. a cada vez. Uma das prováveis razões dessas dificuldades para redigir pode ser o fato de a escola colocar a avaliação como objetivo da escrita. • propor situações de produção de textos. principalmente quando são iniciados ―oficialmente‖ no mundo da escrita por meio da alfabetização. ao contrário. o professor tem um papel decisivo tanto para definir os agrupamentos como para explicitar claramente qual a tarefa de cada aluno. Como já foi explicado anteriormente. a prática de produção de textos precisa realizar-se num espaço em que sejam consideradas as funções e o funcionamento da escrita. grafar e revisar. Eles podem. além de oferecer a ajuda que se fizer necessária durante a atividade. envolvendo-se com cada um. textos expositivos que não expõem idéias. Essa é uma estratégia didática bastante produtiva porque permite que as dificuldades inerentes à exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo sejam divididas entre os alunos. podem ir construindo sua competência para posteriormente realizarem sozinhos todos os procedimentos envolvidos numa produção de textos. ensinar os alunos a lidar tanto com a escrita da linguagem — os aspectos notacionais relacionados ao sistema alfabético e às restrições ortográficas — como com a linguagem escrita — os aspectos discursivos relacionados à linguagem que se usa para escrever. portanto. Nessas situações. Formar escritores competentes. Experimentando esses diferentes papéis enunciativos. momentaneamente. a escrever como lhe for possível. para quem. também. têm suas formas características que precisam ser aprendidas. tão logo o aluno chegue à escola. É necessário. Afinal. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. onde e como se escreve. TRATAMENTO DIDÁTICO Alguns procedimentos didáticos para implementar uma prática continuada de produção de textos na escola: • oferecer textos escritos impressos de boa qualidade. supõe. é preciso aproximá-los.

lendas. etc. possa ler. muito mais que mostra. contos de assombração ou de fadas. no ensino das outras áreas. a explicitação das dificuldades e a discussão de certas fantasias criadas pelas aparências. uma cartilha sobre cuidados com a saúde. os cartazes de divulgação de uma festa na escola ou um único cartaz. Por exemplo: fazer um diário de viagem (pelos lugares que estão sendo estudados). mesmo caminhando. por exemplo.). que não se pode ser tão redundante a ponto de correr o risco de o leitor desistir de ler o texto. um folheto informativo. sua importância e instruções para realização. Os projetos. por exemplo. ainda que gratificante para muitos. Podem ser de curta ou média duração.) sem que o referente já tenha aparecido anteriormente no texto (quem é ele.• a conversa entre professor e alunos é. exigem leitura. pois a legibilidade passa a ser um objetivo deles também e não só do professor. um livro sobre um tema pesquisado. que características possuem ou quais têm mais qualidade. nesse caso. que. onde é aqui. dos temas transversais. estudo. pesquisa ou outras atividades. com características de textos escritos mesmo. que a correta ortografia pode ajudar na compreensão de quem lê. Conforme já especificado anteriormente. Quando está acabado. 30. Este. carregam exigências de grande valor pedagógico: • podem apontar a necessidade de ler e analisar uma grande variedade de textos e portadores do tipo que se vai produzir: como se organizam. poderá pôr em evidência o fato de que praticamente todos os cartazes são escritos com letras grandes — para permitir a leitura a distância — e com mensagens curtas — para que o leitor. um jornal mensal. uma importante estratégia didática em se tratando da prática de produção de textos: ela permite. Trata-se. Uma delas é a da facilidade que os bons escritores (de livros) teriam para redigir. o texto praticamente não deixa traços de sua produção. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham‖. privilegiam assuntos de outras áreas. etc. uma revista sobre vários temas estudados. deve aprender que não poderá usar dêiticos (ele. • quando há leitores de fato para a escrita dos alunos. ela. as pessoas suportam ler textos cuja letra é incompreensível. a necessidade de revisão e de cuidado com o trabalho se impõe. escrever um livro sobre as grandes navegações. também. é fundamental que os alunos saibam que escrever. lá. Isso poderá alertar tanto alunos como professores sobre o fato de que cartazes produzidos com textos longos e letra manuscrita pequena (como algumas vezes se pode observar nos corredores das escolas) não são eficazes. ela. etc. • os projetos favorecem o necessário compromisso do aluno com sua própria aprendizagem. ao final ou durante o trabalho. ALGUMAS SITUAÇÕES DIDÁTICAS FUNDAMENTAIS PARA A PRÁTICA DE PRODUÇÃO DE TEXTOS Projetos Os projetos30 são excelentes situações para que os alunos produzam textos de forma contextualizada — além do que. é imprescindível que se faça uso do registro escrito como recurso de documentação e de estudo. há os projetos da área de Língua Portuguesa que. Por exemplo. ―a característica básica de um projeto é ter um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. elaborar uma cartilha sobre o que é a coleta seletiva do lixo. A tarefa de fazer um cartaz. Sendo assim. em função do objetivo de trabalhar com textos informativos. aqui.Por outro lado. ou um panfleto com estatísticas a respeito de um assunto discutido. e de haver um produto final em torno do qual o trabalho de . um mural. escuta de leituras. além de oferecerem reais condições de produção de textos escritos. envolver ou não outras áreas do conhecimento e resultar em diferentes produtos: uma coletânea de textos de um mesmo gênero (poemas. Esse registro pode resultar na elaboração de portadores de textos específicos. um panfleto. dependendo de como se organizam. esconde o processo pelo qual foi produzido. • o exercício de o escritor ajustar o texto à imagem que faz do leitor fisicamente ausente permite que o aluno aprenda a produzir textos escritos mais completos.). de uma atividade de reflexão sobre aspectos próprios do gênero que será produzido. dificilmente. não é fácil para ninguém. desde o início. • por intermédio dos projetos é possível uma intersecção entre conteúdos de diferentes áreas: por um lado. produção de textos orais. O fato de o objetivo ser compartilhado. por exemplo. lá.

como também permite romper a situação de produção do texto. transformar uma entrevista em reportagem e vice-versa. de certa forma. etc. 31. a correção exaustiva do produto final. a revisão do texto32 assume um papel fundamental na prática de produção. do que quando essas são definidas pelo professor. Produção com apoio A constatação das dificuldades inerentes ao ato de escrever textos — dificuldades decorrentes da exigência de coordenar muitos aspectos ao mesmo tempo — requer a apresentação de propostas para os alunos iniciantes que. escrita e revisão dos textos. no produto final. nesse caso. A maioria dos escritores iniciantes costuma contentar-se com uma única versão de seu texto e. é preciso também oferecer condições . de tal maneira que o escritor possa coordenar eficientemente os papéis de produtor. pode assumir um papel mais intencional e ativo no desenvolvimento de seus procedimentos de produção. Ver. a produção coletiva de textos. a própria escola sugere esse procedimento. Nesse sentido. um trecho do diário de um personagem. revisar. Textos provisórios A materialidade da escrita. etc. Isso significa deslocar a ênfase da intervenção. por exemplo) para que depois cada aluno escreva a sua versão (ou que o façam em pares ou trios). Por exemplo: • reescrever ou parafrasear bons textos já repertoriados mediante a leitura. permite separar não só o escritor do destinatário da mensagem (comunicação a distância). assuma sua real função: monitorar todo o processo de produção textual desde o planejamento. uma crônica sobre acontecimentos curiosos. cada vez mais.. para que escrevam o início e o meio). progressivamente. É preciso ser sistematicamente ensinada. 32. separando produtor e produto.todos se organiza. para que se concentrem em outras. • dar o começo de um texto para os alunos continuarem (ou o fim. ou seja. leitor e avaliador do seu próprio texto. que faz do seu produto um objeto ao qual se pode voltar. uma mensagem de alerta sobre os perigos de uma dada situação. etc. o ditado. É uma excelente estratégia didática para que o aluno perceba a provisoriedade dos textos e analise seu próprio processo. muitas vezes. tomar nas mãos o seu próprio processo de planejamento. O trabalho com rascunhos 31 é imprescindível. contribui muito mais para o engajamento do aluno nas tarefas como um todo. • produzir textos a partir de outros conhecidos: um bilhete ou carta que o personagem de um conto teria escrito a outro. Isso em nada contribui para o texto ser entendido como processo ou para desenvolver a habilidade de revisar. desde o planejamento. o item ―Revisão de texto‖. É importante que essas situações sejam planejadas de tal forma que os alunos apenas se preocupem com as variáveis que o professor priorizou por se relacionarem com o desenvolvimento do conteúdo em questão. adiante. • transformar um gênero em outro: escrever um conto de mistério a partir de uma notícia policial e viceversa. ao longo de todo o processo: antes. para o processo de produção. depende de o escritor. A melhor qualidade do produto. determinadas práticas habituais que não fazem qualquer sentido quando trabalhadas de forma descontextualizada podem ganhar significado no interior dos projetos: a cópia. possam ―eliminar‖ algumas delas. Quando isso ocorre. Situações de criação Quando se pretende formar escritores competentes.. a exigência de uma ortografia impecável. O termo ―rascunho‖ está sendo usado aqui com o sentido de ―esboço‖ e não com o sentido que lhe é habitual em muitas escol as de texto escrito com ―letra feia‖ que precisa ser ―passado a limpo‖. • planejar coletivamente o texto (o enredo da história. Essa possibilidade cria um efeito de distanciamento que permite trabalhar sobre o texto depois de uma primeira escrita. uma notícia informando a respeito do desfecho de uma trama. durante e depois. de modo que.

espaço. favorecendo um controle maior sobre seu processo criador. Uma forma de trabalhar a criação de textos são as oficinas ou ateliês de produção. Finalmente. é preciso escrever unicamente para aprender. dicionários. desenvolvimento. assunto. enciclopédias. Por isso. A2. A4. deve-se orientar/observar: 1) Macroestrutura (conteúdo. desenvolvimento e conclusão. entrevistas. criar. Suficiente domínio das normas de convenção ortográfica. jornais. Esse trabalho de explicitação permite que. indicadores de início. Presença de narrador. Linguagem clara. Paragrafação bem delineada. não seja necessário analisar unidades como as palavras e até mesmo as sílabas. atlas. formar bons escritores depende não só de uma prática continuada de produção de textos. A possibilidade de avaliar o percurso criador é importante para a tomada de consciência das questões envolvidas no processo de produção de textos. isso só se torna possível se tiverem constituído um amplo repertório de modelos. que lhes permita recriar. considerar o texto como unidade básica do ensino de Língua Portuguesa não significa que. Uma oficina é uma situação didática onde a proposta é que os alunos produzam textos tendo à disposição diferentes materiais de consulta. Isso é algo que depende de o professor chamar a atenção para certos aspectos. de qualquer forma. idéia) 2) Microestrutura (forma.) Organização e conteúdo Forma e linguagem Texto organizado em parágrafos. . seja por meio de um contato direto. é dar sentido às atividades de escrita.. os procedimentos de análise propostos pelo professor se incorporem à prática de reflexão do aluno. Por outro lado. pontuação) 3) Superestrutura esquemática (características de cada tipo de texto) CRITÉRIOS PARA CORREÇÃO DE UM TEXTO NARRATIVO Descrição Código dos alunos (A1. seja por meio de textos por eles escritos sobre o tema ou de vídeos. ortografia.de os alunos criarem seus próprios textos e de avaliarem o percurso criador. dificuldades ou as alternativas escolhidas e abandonadas — o percurso propriamente. fazer com que os alunos exponham suas preferências. com o tempo. A3. O importante. Propriedade vocabular. em função do que vão produzir: outros textos do mesmo gênero. S: sim. Uma contribuição importante é conhecer o processo criador de outros autores. Domínio das técnicas de construção de discursos (direto e indireto) Uso freqüente de sinais de pontuação. Emprego de mecanismos de sequenciação.. eventualmente. clímax e desfecho). enredo (introdução. AULA 7 – COM FAZER A CORREÇÃO /REVISÃO TEXTUAL Para escrever/corrigir. como “e depois”. LEGENDA: N: não. personagens. “e então”. etc. revistas e todo tipo de fonte impressa eventualmente necessária (até mesmo um banco de personagens criados e caracterizados pelos próprios alunos para serem utilizados nas oficinas). tempo. recriar as próprias criações. “e daí”. Evidentemente. É importante que nunca se perca de vista que não há como criar do nada: é preciso ter boas referências. Adequação do título à narrativa. mas de uma prática constante de leitura. é importante destacar que nem todos os conteúdos são possíveis de serem trabalhados por meio de propostas que contextualizem a escrita de textos: às vezes.

colocando boas questões para serem analisadas e dirigindo o olhar dos alunos para os problemas a serem resolvidos. sistematizar os resultados do trabalho coletivo e devolvê-lo organizadamente ao grupo de alunos. fazer considerações sobre a forma de escrita (microestrutura – gramática. deslocando ou transformando porções do texto. exige que o professor selecione em quais aspectos pretende que os alunos se concentrem de cada vez. Ou bem se foca a atenção na coerência da apresentação do conteúdo. apresentação. ou na ortografia. assim mesmo. os alunos e o professor debruçam-se sobre o texto buscando melhorá-lo. precisam aprender a detectar os pontos onde o que está dito não é o que se pretendia.235) Sobre os bilhetes do professor ao aluno. p. deve-se: considerar sempre o aspecto positivo primeiro (elogiar). colocando sugestões efetivas para a modificação da qualidade do texto. série e nos diálogos mantidos com as professoras titulares das turmas –IN: Teorias e práticas na formação de prof. Essas situações. tem objetivos pedagógicos importantes: o desenvolvimento da atitude crítica em relação à própria produção e a aprendizagem de procedimentos eficientes para imprimir qualidade aos textos. A revisão de texto. bem como em atividades realizadas em parceria e sob a orientação do professor. é possível. identificar os problemas do texto e aplicar os conhecimentos sobre a língua para resolvê-los: acrescentando. produzindo alterações que afetam tanto o conteúdo como a forma do texto. E. O que pode significar tanto torná-lo mais claro e compreensível quanto mais bonito e agradável de ler. para melhorar sua qualidade. apontar aspectos a serem melhorados. fazer considerações sobre a proposta: conteúdo abordado (macroestrutura). pois não é possível tratar de todos ao mesmo tempo. a ortografia. quando se toma apenas um desses aspectos para revisar. Texto 1. Quer seja com toda a classe. necessário desde o planejamento e ao longo do processo de redação e não somente após a finalização do produto. Esse procedimento — parte integrante do próprio ato de escrever — é aprendido por meio da participação do aluno em situações coletivas de revisão do texto escrito.54 e 55) Revisão de texto Um espaço privilegiado de articulação das práticas de leitura. a discussão sobre os textos alheios e próprios. produção escrita e reflexão sobre a língua (e mesmo de comparação entre linguagem oral e escrita) é o das atividades de revisão de texto. a pontuação. com o objetivo de torná-lo mais legível para o leitor. suficientemente bem escrito. estética. além do objetivo imediato de buscar a eficácia e a correção da escrita. procedimento difícil especialmente para crianças pequenas. isto é. para o momento. nos aspectos coesivos e pontuação. paragrafação. etc. nas quais são trabalhadas as questões que surgem na produção. com base nas produções textuais dos alunos de 5 a. como situação didática. os procedimentos de coesão utilizados. que permitem e exigem uma reflexão sobre a organização das idéias. ortografia). é interessante utilizar textos alheios para serem analisados coletivamente. Durante a atividade de revisão. dão origem a um tipo de conhecimento que precisa ir se incorporando progressivamente à atividade de escrita. quer seja em pequenos grupos. relembrar o compromisso com o leitor: letra. Nesse caso. pois requer distanciamento do próprio texto. Chama-se revisão de texto o conjunto de procedimentos por meio dos quais um texto é trabalhado até o ponto em que se decide que está. Para os escritores iniciantes. Para tanto. Pressupõe a existência de rascunhos sobre os quais se trabalha. ocasião em que o professor pode desempenhar um importante papel de modelo de revisor.PCN (p. ATIVIDADE . retirando.(esses critérios foram estabelecidos pela professora doutora Maria Antônia Granville.. ao fim da tarefa. a revisão de texto seria uma espécie de controle de qualidade da produção. esta pode ser uma tarefa complexa. Dessa perspectiva.

carta de aluno “PARA PAPAI NOEL”.25) (5. discutese as formas de avaliação vigentes e sugeridas pelos PCNs.0) superestrutura Adequação ao gênero macroestrutura Adequação à proposta Coesão e coerência microestrutura Adequação da linguagem Correção gramatical Muito bom (0. preenchendo a fixa abaixo.5) Regular TOTAL (0. juntamente com a redação já corrigida por um professor (xérox). Depois. CORREÇÃO DA PARÓDIA (título): Ótimo (1.75) Bom (0.0) BILHETE DO GRUPO CORRETOR: Aspectos positivos a serem mantidos na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ Aspectos negativos a serem alterados na refacção: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ INTEGRANTES DO GRUPO CORRETOR _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ . Então cada grupo faz a correção de uma fábula de outro grupo elaborada na aula anterior.Cada grupo deve fazer e apresentar para a classe a correção das redações “MINHAS FÉRIAS” .

o objetivo da educação literária é também importante para um ensino eficaz. p.AULA 8 – COMO ENSINAR A LER: FORMAS DE LEITURA E INCENTIVO Ao ensinar leitura. (Bamberger. Estímulo a atitudes que levem a um interesse permanente da leitura de muitos gêneros e para inúmeros fins. Antes de mais nada. 22 a 29) Atividade 1 De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea. não consiste apenas na compreensão das idéias percebidas. Para todas as finalidades práticas. tais processos não podem separar-se um do outro. 2. análise do conteúdo. atividades de atenção e concentração. fundem-se no ato da leitura. usar textos diversificados. 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 . mas no ―reconhecimento imediato de grupos armazenados de palavras‖. O processo mental. de modo a influir ao máximo no seu bem-estar e levá-lo à auto-realização. O objetivo do ensino da leitura Além da orientação relativa à natureza e ao processo da leitura. Processo complexo. Staiger (120. não ahca? Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua mente leia corretamente o que está escrito. c) Ampliação constante dos interesses de leitura dos estudantes. Exercícios especiais (exercícios para fixação rápida ) também concorrem para o aperfeiçoamento. R. Conceito e natureza da leitura O ensino da leitura deveria corresponder à percepção que conseguimos da natureza da leitura. A ampliação do período de fixação e da capacidade de armazenagem resulta de um ―efeito prático‖.61-8) salienta quatro pontos: a) Incentivo ao pleno uso das potencialidades do indivíduo em sua leitura. não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso. é um processo perceptivo durante o qual se reconhecem símbolos. ocorre a transferência para conceitos intelectuais. Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 1.1995. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa. mas também na sua interpretação e avaliação. a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. a leitura compreende várias fases de desenvolvimento. p. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. no entanto. devemos nos preocupar com: incentivo. Cruisoo. decorrente de uma extensa leitura silenciosa. Essa tarefa mental se amplia num processo reflexivo à proporção que as idéias se ligam em unidades de pensamento cada vez maiores. A habilidade de ler perfeitamente não consiste na capacidade bem treinada de ―combinar sons em palavras e palavras em unidades de pensamento‖. Em seguida. mas a plravaa cmoo um tdoo. b) Emprego eficiente da leitura como um instrumento de aprendizado e crítica e também de relaxamento e diversão.

No acerto. A ESSAS FINALIDADES CORRESPONDEM VÁRIOS PROCEDIMENTOS: leitura integral de um texto. O hospital se comprometeu a investir US$ 1 milhão nos próximos três anos. M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3. O acordo. ler oralmente para apresentar um texto (sarau. destinado ao enfoque social do instituto. "Vamos tentar fazer história". ler para revisar um texto. Nicolelis primeiro tentou acertar uma parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein. ler para obter informações gerais. leitura para revisão (para corrigir inadequações no texto). que pretende oferecer educação integral e atendimento de saúde à população carente da região. Esse é o objetivo de uma parceria firmada ontem entre o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis. UMA INTENÇÃO. OBJETIVOS: ler para estudar.folha.com. leitura item a item (para realizar uma tarefa). segundo Nicolelis. ler para obter informações específicas. perto de Natal. Para o projeto. que segundo ele estava em maior sintonia com suas preocupações sociais. leitura expressiva. A técnica poderia ajudar pacientes com membros amputados. mas o cientista acabou optando pelo Sírio-Libanês. reler para compreensão. 44. C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5! LER EXIGE UMA PROPOSTA.shtml) .CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO. leitura tópica (para identificar informações pontuais). em grande parte. que classificou o pesquisador da Duke de "maior cientista brasileiro vivo". disse o gastroenterologista Mauricio Ceschin. Texto 2 Passe os olhos pelo texto abaixo e diga. "Nada impede que esse valor seja ampliado no decorrer do trabalho". beneficiará também o instituto de neurociências que o pesquisador paulistano pretende fundar em Macaíba (RN). ler para aprender.uol.br/folha/ciencia/ult306u13300. resumiu Ceschin.09h45 Brasileiro quer desenvolver ciborgue humano em três anos REINALDO JOSÉ LOPES (da Folha de S. S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO. dentro de três anos.Paulo) O primeiro ser humano a movimentar um braço robótico apenas com a força da própria mente poderá ser brasileiro --e se transformar em ciborgue num hospital de São Paulo. rapidamente. os neurologistas do Sírio-Libanês receberão treinamento para lidar com a tecnologia de eletrodos e modelagem matemática que permitirá. O investimento será. leitura inspecional (para a escolha de um texto). pessoas com lesões na coluna que as tenham deixado paraplégicas ou tetraplégicas ou os que perderam a movimentação por doenças degenerativas do sistema nervoso. assinado por Nicolelis em nome da ONG Associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa. ler por prazer estético. e o Hospital Sírio-Libanês. a transferência de informações do cérebro do paciente para um membro robótico. que informações serão encontradas no texto? De onde ele foi retirado (fonte) e qual o objetivo do autor? 17/06/2005 . superintendente corporativo do Sírio-Libanês. (http://www1. jornal). da Universidade Duke (EUA).

É simples: folheie algum livro ou jornal sem se deter por mais de alguns minutos e logo a seguir veja se é capaz de dizer qual o assunto do livro ou de alguma notícia. Dica: para fazer uma leitura detalhada pergunte-se: por que leio isso? Para que me serve isso? Assim você estará fixando algumas metas. desenhos e legendas. Esse tipo de leitura exige de nós maior atenção. que é de nosso interesse e estamos motivados para saber. como nomes de títulos ou capítulos. ESCRAVOS DE JÓ. Para fazermos essa leitura ainda não precisamos ter um objetivo. Estudos de leitura (Kleiman. que permite a busca de informações específicas. Prepare-se para ler. Identifique um alvo: o título ou o resumo do material serve de pista. Quando se lê para conhecer. sem voltar ao texto. Ela é importante para auxiliá-lo a decidir o que deseja aprender dos materiais que tem à mão. Fixe um tempo ou limite de quantidade. manchetes. Faça uma limpeza mental. A leitura informativa serve para selecionarmos o que deve ser lido com prioridade e o que deve ser descartado. mas que o faça esforçar-se um pouco. OBSERVAR MUDANÇAS NOS COLEGAS. pára-se o fluxo de leitura para obter um ponto de apoio em algo que pensa que deveria saber muito bem ou que deseja compreender de maneira mais completa. Concentre seu pensamento na leitura estabelecendo um objetivo para a sessão com o livro ou o artigo. em que buscamos verbetes que nos façam lembrar do possível conteúdo do texto todo. concentra sua atenção e elimina o acúmulo mental de informações. com muita atenção. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. Depois comece de novo. sumário. uma meta a atingir com a atividade de leitura (como identificar a opinião do autor ou seus argumentos). Fixe uma meta realista e possível. diagramas etc. Outras metas podem ser atingidas se mos perguntarmos também: o que é importante? O que é imediatamente necessário? Qual a sua função? E principalmente: o que eu quero extrair dessa leitura? PARA TER ATENÇÃO/ CONCENTRAÇÃO Para prestar atenção você deve se comprometer totalmente. uma só vez. você focaliza sua atenção em uma pequena quantidade de informações. Ela economiza tempo. COMO ENCONTRAR OS 7 ERROS. Isso aconteceu porque temos duas formas de ler: leitura informativa e leitura detalhada. Assim você terá feito uma leitura informativa e estará pronto para fazer ou não uma leitura mais detalhada. Esquadrinhar (ou scanning) o texto é uma dessa formas de leitura. Ao esquadrinhar. nome do autor. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. . Atividade 2 INSTRUÇÃO PARA GRUPO 1: leia o texto abaixo. ENCONTRAR UM PERSONAGEM EM UM DESENHO. Podemos fazer a resenha lendo os inícios de alguns parágrafos ou alguns parágrafos inteiros. quadros. pois estamos em busca de informações importantes para nossa formação e para isso é preciso estabelecer um objetivo. LEITURA INFORMATIVA Esse tipo de leitura é bem rápida e não exige grande reflexão do leitor ou memória para os fatos lidos. LEITURA DETALHADA A leitura para adquirir conhecimento começa com a resenha e a leitura superficial pelo material para se ter uma visão geral e intuir o ponto de vista do escritor. capa. 1998) mostram que somos capazes de lembra melhor daquilo que nos propomos a entender. Além do esquadrinhamento. temos também a leitura superficial (ou mapeamento conceitual). FAÇA EXERCÍCIOS DE CONCENTRAÇÃO USANDO RECURSOS VISUAIS. que possibilita uma apreensão maior das partes do texto. A seguir. possivelmente você deve ter respondido que serão encontradas informações sobre robótica. e da resenha. acalme-se da melhor maneira (sem álcool ou calmantes). caso você estivesse interessado(a) em comprar a casa descrita no texto abaixo. Então você faz anotações para rever ou para melhorar a compreensão. Já a Resenha lhe dá a oportunidade de decidir o que ler superficialmente e o que ler em profundidade. apenas estamos tendo contado com o material impresso para saber do que se trata. Consiste em passar os olhos a procura de material relevante. que se trata de uma notícia de jornal retirado da Folha de São Paulo e que por isso o objetivo do autor deve ser informa o leitor sobre o assunto em questão.Mesmo sem que você tenha lido o texto todo.

Marcos queria ver a casa. prata e cristais. Eduardo começou a mostrá-la pela sala de estar. Desenhando histórias. Além do escritório. Marcos se sentiu mais confortável. Eles entraram pela porta lateral. Círculos de livros ou “indução à leitura”. Programas de livros nos meios de comunicação de massa. Mostras de livros com discussões. exceto pela televisão com Atari. Clubes do livro e de leitura. relacione todos os dados da casa que você puder lembrar. Texto e Leitor. Eduardo explicou que ela ficava sempre aberta para suas irmãs mais novas entrarem e saírem sem dificuldade. Eduardo disse que não era para usar o lavabo. a casa mais próxima está a meio quilômetro daqui". Eduardo mostrou a Marcos o closet de sua mãe cheio de roupas e o cofre trancado onde havia jóias. disse Eduardo. O quarto de suas irmãs não era tão interessante. Havia portas na frente e atrás e uma parta lateral que levava à garagem. acrescentou. (traduzido e adaptado de Pitchert. Começaremos com as atividades a seguir: a) b) c) d) e) f) g) h) i) j) k) l) Leitura em voz alta e relato de histórias. "Taking different perspectives on a story. Eduardo comentou que o melhor de tudo era que o banheiro do corredor era seu. (Bamberger. Ouvir ou olhar – ler – discutir. havia três quartos no andar superior da casa. sobretudo na escola. porque ele ficara úmido e mofado. "É. tentando memorizar tudo aquilo que seria interessante. e tampouco constitui uma “receita de êxito”. Autores lêem trechos de suas obras. “Veja. com toda a porcelana. Altos arbustos escondiam a entrada da casa.INSTRUÇÃO PARA O GRUPO 2: leia o texto acima. "Aqui é onde meu pai guarda a coleção de selos e coisas raras". é preciso encontrar meios de aplicá-las no trabalho prático. R. Fez-se tão somente uma tentativa para descrever atividades que já foram testadas em trabalhos práticos e para proporcionar estímulo a um trabalho adicional nessa direção. como o resto do primeiro andar. na biblioteca e nos grupos de jovens. A seguir. "Mamãe nunca está em casa na quinta-feira". ao observar que nenhuma casa poderia ser vista em qualquer direção além do enorme jardim. Este breve apanhado das várias possibilidades de ativação do trabalho com os livros está longe de ser completo. os meninos podiam correr no jardim extremamente bem cuidado. 1997:69. caso você estivesse interessado(a) em roubar a casa descrita no texto abaixo. exceto pelas três bicicletas com marchas guardadas aí. J. uma vez que o encanamento arrebentara. A. gritou Eduardo. Então. Os dois garotos correram até a entrada da casa. In: KLEIMAN. Não era tão bonito como o de seus pais. Exposições de livros. Pontes Editores. Cursos. mas ela está mais bonita agora. "Não se preocupe. não era lugar para brincar: os garotos foram para a cozinha e fizeram um lanche. uma só vez. disse Eduardo. "Eu não sabia que sua casa era tão grande". eu disse a você que hoje era um bom dia para brincar aqui". São necessárias as atividades que põem os jovens em contato direto ou indireto com livros. Journal of Psychology. Eduardo ligou o som: o barulho preocupou Marcos. enquanto eles davam uma olhada no escritório.1995. disse Marcos. 1989) Texto 3 Atividades para promover o interesse pela leitura Para que se revelem vantajosas as pesquisas no campo da leitura e a experiência do ensino da leitura. Campinas. Estava recém-pintada. A sala de jantar. reuniões e outros acontecimentos informativos sobre o conteúdo da leitura das crianças. que estava vazia. & Anderson. desde que meu pai mandou revestir com pedras essa parede lateral e colocou uma lareira". p. Os livros como base de discussão. desde que outro fora construído no quarto de suas irmãs. mas para ele era a melhor coisa do mundo. que estava revestido de mármore. sem voltar ao texto.80 a 88) . Propaganda de livros.

ele estabelece sintonia com o auditório. (Pennac.desde a pequena folha de grama até o azul da abóbada celeste(.). Texto 5 O CONTADOR DE HISTÓRIAS . domina a técnica e está convenientemente preparado para contá-la. Em primeiro lugar.Conta-me uma história . Se o contador vivencia o enredo com interesse e entusiasmo. Os caçadores mais apressados e impetuosos afugentam a caça e nunca obtêm os melhores exemplares. não mais parava enquanto não tivesse contado a história completa. Um narrador não se agita. Contar histórias é uma arte. depois. 8) O direito de ler frase aqui e outra ali.Texto 4 Os direitos imprescindíveis do leitor 1) 2) 3) 4) 5) O direito de não ler. embora continuasse tranqüilamente sentado. Por isso. Ora. há determinadas qualidades que contribuem para a eclosão desse talento e podem ser estimuladas. para onde o espírito do ouvinte não podia voar com força própria.D. 9) O direito de ler em voz alta. O direito de pular páginas. . O direito de ler qualquer coisa. imperceptivelmente. Contar com naturalidade implica ser simples. Eu diria ainda que um bom contador de histórias não pode proceder como se estivesse num palco. Uma boa história é como uma boa montaria. pois. sem modificar a estrutura essencial. acontecia que. Além do conjunto de técnicas que a Didática ensina. levava a imaginação dos ouvintes para onde muito bem ele queria. por conseguinte requer certa tendência inata. sem artificialismos.respondia-lhe. uma predisposição. alegre e receoso. onde essa função é altamente apreciada e seus praticantes são considerados uma espécie de magos.Tenho de pensar! . conta o que aconteceu . O direito de não terminar um livro. Ora. por vezes. o tempo que levava em sua meditação era longo demais para ela. embora emocionalmente envolvido com a narrativa. sua postura vai influenciar muito: sempre no mesmo nível dos ouvintes. Mas ele balançava a cabeça e respondia. impassível: . representando. Como um romance) Atividade: Realizar uma biblioteca de classe (simulação) com livros infantis trazidos pelos colegas. o espírito já vagava. desenvolvidas. em toda pessoa que se propõe a lidar com crianças. Deixa-me. de modo que a narrativa transcorria com naturalidade. O direito de reler. Assim era a maneira de ele contar suas histórias. Principiava sempre com algo que os olhos pudessem ver. naturalidade depende de segurança e esta é adquirida através da certeza de que conhece a história. que corria ininterrupta e fluente como um rio descendo montanha abaixo e em cujas águas tudo se reflete. 10) O direito de calar. pelas regiões mais fascinantes. São também indispensáveis sobriedade nos gestos e equilíbrio na expressão corporal. o contador precisa estar consciente de que a história é que é importante. latente aliás em todo educador. não se movimenta para um . que se zangava. Ele é apenas o transmissor.. de preferência sentado. 7) O direito de ler em qualquer lugar. pensar! Mas. Jamais começava suas histórias em países estranhos. na boca dos precipícios florestas.Você deve ter um pouco mais de paciência. É necessário exercitar a criatividade para recriar o texto com originalidade. A caça brava fica escondida e é preciso armar emboscadas e ficar de tocaia horas e horas a fio. sem afetação. desde que tivesse meditado o tempo bastante e começasse a falar.. 6) O direito ao bovarismo (satisfação imediata de nossas sensações). deixando as palavras fluírem. absorto em suas palavras.pedia-lhe a moça. Quem o escutava. Convertia-se num ser todo-poderoso assim que iniciava mais uma demonstração de sua arte.e o faz com naturalidade. pois aprendera a arte de narrar no Oriente.

que conto talvez com vibração mais intensa.lado e para outro. que esquece 'seu' rosto. suave. "sempre sozinho.Evidentemente o narrador precisa aprofundar-se nos estudos de literatura infantil. sem vibrações. Isso é muito importante. então. Contar histórias é uma prática tão gratificante.)Todos os elementos são sugeridos pela voz e pela mímica do narrador.. É a voz que sugere o que aconteceu. tem de saber modulá-la de acordo com o que está contando. (COELHO. suscita em troca uma realidade simbólica dotada de uma intensidade tal que as reações que nela se dão podem tomar um matiz às vezes fascinante. aí." E era assim a vida de Pixote. o narrador engrossa a voz. (. esquece 'sua' voz. pra não morrer..Significa boa dicção.). sem modulações. vibrante. folclore e possuir noções básicas de psicologia evolutiva. que chega a produzir no narrador uma catarse dos conflitos mais íntimos. num tom mais baixo. de captar com sensibilidade a mensagem narrativa. defeitos esses que podem ser corrigidos com disciplina. tão claro! "Mas tinha de voltar pra água. aí sim. Há vários tipos de vozes: sussurrante. espinhenta. das trevas da água à claridade da margem. se a quem narra. "Lá era muito escuro e Pixote morria de medo do escuro. apreciar os comentários das crianças e avaliar as suas reações. se escapa à realidade imediata. Saber modular a voz e tomá-la expressiva deverá constituir um treino constante para que ela possa ser utilizada em toda a sua plenitude. irritante ou de falsete. reflete a força irresistível da confiança que provoca em cada ser a descoberta de sua própria força. flores. p. Pixote descobriu o que tinha acontecido e começou a rir: 'Lógico! Eu só nadava de olho fechado!' Sendo a literatura infantil portadora de verdades eternas. principal instrumento do narrador. evitando repetições desnecessárias. exercícios califásicos. E lobos falam? Nunca escutei a voz de um porco. metálica. cheio de medo". Betty. Até que um dia.. nadando. As emoções se transmitem pela voz. para melhor escolher as histórias. Era tudo tão belo! "De repente. ora mais forte. varia também conforme a emoção que se quer passar. de maneira íntima e pessoal. sem jamais tomar-se estridente. Durante cursos de treinamento. parece-me esclarecedora: "O 'Era uma vez' levanta a cortina de um mundo novo que. adocicada. mas também adultos podem descobrir numa história a solução de algum problema e guardo depoimentos valiosos que confirmam isso. Vamos refletir sobre O peixe Pixote (33):vivia num lago e sentia. quando é capaz de sentir que o ato de narrar é uma interação integral. reflete a esperança em sua singeleza. nada disso funciona se ele não gosta de crianças. botava a cabeça para fora e achava tudo lindo a sua volta. recorrendo-se quando preciso aos cursos de foniatria. cálida. Conhecimentos . juntamente com o ritmo. seres delicados. "Será que fui parar em outro lago sem saber?" indagou-se surpreso. O narrado r conta o que o lobo disse ao porquinho e sendo o lobo um animal de maior porte que assume na história um papel violento. os chamados "tiques" de linguagem. para converter-se. torna-a mais grave. E a emoção chega aos pequenos".CII" som. o narrador reveste-se de ternura." Nadava até a margem. sem falsear a voz. ora mais pausada. algumas pessoas perguntam como se faz a voz do lobo ou do porquinho. se aos personagens da história. Entretanto. senão as crianças não saberão a quem acompanhar. Não apenas as crianças. 1997. dissimula 'seu' corpo. sem consistência. Clareza .O timbre de voz varia na razão direta da distância de quem fala a quem ouve. intensa. todo ele. A propósito. Se o foco da narrativa gira em tomo de crianças. em pincel e paleta. reparou em outros peixes que brincavam contentes nas águas claras e límpidas. inertes.. 49 a 52) . (. forma e emoção. inexpressivas. entenderam? etc. pra respirar. considerando os seguintes aspectos: Intensidade . Funciona. eriçada. Refletindo sobre tais impressões.se infeliz. correção de linguagem. a inflexão e as entonações. que volta a crescer. O narrador tem de expressar-se numa voz definida. suave. inconfundível. monocórdicas. os cacoetes (certo?. Tudo alegre. uma passagem de Alícia Prieto (57) em artigo recentemente publicado. Noto que existe em mim uma certa preferência por determinadas histórias. se não se diverte tanto quanto elas com a história. impostação de voz. acabo por encontrar em cada uma dessas histórias um motivo que me toca particularmente.

animais e encantamento *aventuras no ambiente próximo: família. *histórias de crianças. 1997. Ela permanece na mente da criança. de bom gosto. narrativas de viagens. Sempre que possível. Se é original.14 e 15) Pré-escolares Até 3 anos: fase pré-mágica (ela vive o enredo) 3 a 6 anos: fase mágica 7 anos 8 anos Escolares 9 anos 10 anos em diante Texto 7 ATIVIDADES A PARTIR DAS HISTÓRIAS CONTADAS A história não acaba quando chega ao fim. baseadas nas sugestões que o enredo oferece: dramatização. recortes. Betty. *histórias de fadas *histórias de fadas com ambiente mais elaborado *histórias humorísticas *histórias de fadas *histórias vinculadas à realidade *aventuras. criação de textos orais e escritos. brinquedos. explorações. convém propor atividades subseqüentes.59) . comunidade. A história é um alimento da imaginação da criança e precisa ser dosada conforme sua estrutura cerebral. p. brincadeiras. (COELHO. que a incorpora como um alimento de sua imaginação criadora. 1997. simples sem ser vulgar nem rebuscada. mitos e lendas (COELHO. se demonstra riqueza de imaginação e se consegue agradar às crianças. Betty. São atividades espontâneas. construção de maquetes. Há vários tipos de atividades que podem ser desenvolvidas.inspirando cada pessoa a manifestar-se. precisamos saber se se trata de assunto interessante. festas. bem trabalhado. p. circo. animais domésticos. objetos. Mas ainda é necessário respeitar o estágio emocional da criança. As chamadas atividades de enriquecimento ajudam a “digerir” esse alimento num processo de associação a outras práticas artísticas e educativas. dobradura. Então. expressivamente. de acordo com sua preferência. jamais funcionando como imposição e delas participam apenas os que quiserem. pantomima (mímica) desenhos. A linguagem deve ser correta. com tratamento literário. Os recursos onomatopaicos e as repetições contribuem para tornar a história mais interessante e dão força às expressões. invenções *fábulas. modelagem. o que contar tendo em vista a quem contar? FAIXA ETÁRIA E INTERESSE *histórias de bichinhos.Texto 6 INDICADORES QUE POSSIBILITAM A ESCOLHA DE UM LIVRO Antes de contar uma história. alimentos. A história funciona então como agente desencadeador de criatividade. seres da natureza (humanizados) *histórias de crianças *histórias de repetição e acumulativas *histórias com ritmo *histórias de fadas *histórias de repetição e acumulativas *histórias de crianças.

f) Adaptar as habilidades envolvidas na leitura ao material e aos objetivos da leitura: julga-se melhor o grau de perfeição na leitura considerando-se a maior ou menor facilidade com que o leitor adapta suas habilidades de leitura (velocidade. c) Leitura em unidades de pensamento: no processo de alfabetização é preciso encontrar. ecléticos. b) Superar o dogmatismo metodológico quando se alfabetiza: a abordagem deve ser multilateral para todos os alunos.AULA 9 – SUGESTÕES DE ATIVIDADES DE LEITURA Texto 1 O ensino eficaz da Leitura 3. 3) Compreensão: o contato com o conteúdo do texto deve progredir à proporção que progride a concepção de leitura. contar e ler histórias em voz alta e falar sobre livros de gravuras é importantíssimo para o desenvolvimento do vocabulário. e deve ser desenvolvida em combinação com vários assuntos. . isso também deveria ocorrer na sala de aula. criativa e estética. (Bamberger. Motivação e uma atitude questionadora favorecem a leitura como “processo mental”. p. desde o princípio. os grupos de palavras armazenados são percebidos em unidades de pensamento num duplo impulso – visualmente e através da pronúncia. a velocidade de leitura pode ser desenvolvida de forma sistemática. informativa. h) Medindo e avaliando o progresso: visto que a educação literária precisa ser revertida para o padrão alcançado pelos estudantes individualmente. meios para evitar a leitura mecânica de sílabas e palavras e para aumentar a compreensão.40 a 47) Prática de leitura O trabalho com leitura tem como finalidade a formação de leitores competentes e. e) Ensino individualizado da leitura em todos os níveis de escolarização: os relatórios das pesquisas concordam em que o prazer e o interesse da leitura e o desenvolvimento do hábito de ler se alcançam muito melhor pelo método individualizado de ensino da leitura do que pelo ensino sistemático de toda a classe. e mais importante ainda para a motivação da leitura. avançando da compreensão de palavras para a leitura compreensiva. 22 a 29) TEXTO 2 (PCNs – p.1995. Cuidados especiais e métodos para o ensino da leitura Conquanto o método a ser utilizado dependa muitíssimo do professor e do material de leitura disponível. Quando a leitura oral é bem feita. certos princípios fundamentais são sempre importantes. a) Promover a prontidão para a leitura em todos os níveis: Na idade pré-escolar e nos primeiros anos da escola. interpretativa. e textos tirados da vida prática. i) Seleção de material de leitura para o ensino: além do material didático. na linguagem das crianças. concentração na compreensão) à dificuldade e à importância do material e às suas próprias intenções. os textos feitos em casa. d) Leitura oral ou silenciosa na sala de aula? Como na vida adulta a leitura silenciosa vai predominar. devem ser usados. 4) Leitura informativa ou dirigida para o fato: reserva-se principalmente para do quinto ao nono ano da escola. é importantíssimo que a medida do rendimento e a interpretação dos resultados sejam feitas regularmente. crítica. A leitura silenciosa é a base da educação individual da leitura. 2) Velocidade: através do treinamento faz habilidades envolvidas na leitura (ampliação do período de fixação e aumento da concentração – portanto menos regressão). e métodos usados. g) Treinamento sistemático da consecução da leitura. desde o princípio.

buscar no texto a comprovação das suposições feitas. escrever ou revisar o próprio texto — e com as diferentes formas de leitura em função de diferentes objetivos e gêneros: ler buscando as informações relevantes. contribui para a constituição de modelos: como escrever. Formar um leitor competente supõe formar alguém que compreenda o que lê. oferecer-lhes os textos do mundo: não se formam bons leitores solicitando aos alunos que leiam apenas durante as atividades na sala de aula. que saiba que vários sentidos podem ser atribuídos a um texto. 27. As estratégias são um recurso par a construir significado enquanto se lê. Se o objetivo é formar cidadãos capazes de compreender os diferentes textos com os quais se defrontam. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade. a partir dos seus objetivos. estudar. decodificando-a letra por letra. modelos de leitores proficientes e práticas de leitura eficazes. Principalmente quando os alunos não têm contato sistemático com bons materiais de leitura e com adultos leitores. compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita. Um leitor competente só pode constituir-se mediante uma prática constante de leitura de textos de fato. por iniciativa própria. identificando elementos implícitos. de antecipação permitem supor o que ainda está por vir. informar-se. O uso dessas estratégias durante a leitura não ocorre de forma deliberada — a menos que. portanto. etc. dentre os trechos que circulam socialmente. aqueles que podem atender a uma necessidade sua. a partir de um trabalho que deve se organizar em torno da diversidade de textos que circulam socialmente. jornais e outros objetos que usualmente portam textos. tomar decisões diante de dificuldades de compreensão. nos fornece a matéria-prima para a escrita: o que escrever. pois a possibilidade de produzir textos eficazes tem sua origem na prática de leitura. Esse trabalho pode envolver todos os alunos. divertir-se. necessariamente. intencionalmente. Tratase de uma atividade que implica. por um lado. de inferência permitem captar o que não está dito explicitamente no texto e de verificação tornam possível o ―controle‖ sobre a eficácia ou não das demais estratégias. sobre o autor. ou dados para a solução de um problema.conseqüentemente. a atividade de leitura deve responder. do portador 27 . A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. revistas. avaliar e utilizar informação. Um leitor competente é alguém que. desprezando os irrelevantes. 26. se pretenda fazê-lo para efeito de análise do processo. a formação de escritores26. apenas porque o professor pede. Significa trabalhar com a diversidade de objetivos e modalidades que caracterizam a leitura. É preciso. isto é. Qualquer leitor experiente que conseguir analisar sua própria leitura constatará que a decodificação é apenas um dos procedimentos que utiliza quando lê: a leitura fluente envolve uma série de outras estratégias como seleção. Eis a primeira e talvez a mais importante estratégia didática para a prática de leitura: o trabalho com a . etc. TRATAMENTO DIDÁTICO A leitura na escola tem sido. ou o significado implícito nas entrelinhas. que estabeleça relações entre o texto que lê e outros textos já lidos. que possa aprender a ler também o que não está escrito. A leitura. quando não participam de práticas onde ler é indispensável. sem as quais não é possível rapidez e proficiência28 . Isso significa trabalhar com a diversidade de textos e de combinações entre eles. a escola deve oferecer materiais de qualidade. a objetivos de realização imediata. é preciso organizar o trabalho educativo para que experimentem e aprendam isso na escola. de formar escritores no sentido de profissionais da escrita e sim de pessoas capazes de escrever com eficácia. inclusive aqueles que ainda não sabem ler convencionalmente. 28. fundamentalmente. É o uso desses procedimentos que permite controlar o que vai sendo lido. que consiga justificar e validar a sua leitura a partir da localização de elementos discursivos. de tudo o que sabe sobre a língua: características do gênero. Estratégias de seleção possibilitam ao leitor se ater apenas aos índices úteis. Não se trata simplesmente de extrair informação da escrita. apenas no livro didático. palavra por palavra. inferência e verificação. O termo ―portador‖ está sendo utilizado aqui para referir-se a livros. os diferentes ―para quês‖ — resolver um problema prático. Não se trata. espaço de construção da intertextualidade e fonte de referências modelizadoras. Como se trata de uma prática social complexa. ou seja. é necessário que faça sentido para o aluno. os suportes em que os textos foram impressos originalmente. do seu conhecimento sobre o assunto. evidentemente. um objeto de ensino. do sistema de escrita. isto é. se a escola pretende converter a leitura em objeto de aprendizagem deve preservar sua natureza e sua complexidade. Essa pode ser a única oportunidade de esses alunos interagirem significativamente com textos cuja finalidade não seja apenas a resolução de pequenos problemas do cotidiano. sem descaracterizá-la. Por outro. Uma estratégia de leitura é um amplo esquema para obter. antecipação. Para que possa constituir também objeto de aprendizagem. arriscarse diante do desconhecido. do seu ponto de vista. é capaz de selecionar.

portanto. É disso que se está falando quando se diz que é preciso ―aprender a ler. Há leituras em que é necessário controlar atentamente a compreensão. ou ler em voz alta quando necessário. sendo a compreensão conseqüência natural dessa ação. mas com enormes dificuldades para compreender o que tentam ler. que verifiquem suas suposições — tanto em relação à escrita. Trata-se de uma situação na qual é necessário que o aluno ponha em jogo tudo que sabe para descobrir o que não sabe. outras em que o esforço é mínimo e. Há textos que se pode ler rapidamente. desempenha a função adicional de permitir que o professor não seja o único informante da turma. é preciso negociar o conhecimento que já se tem e o que é apresentado pelo texto. lendo‖: de adquirir o conhecimento da correspondência fonográfica. contribuindo para que o aluno construa uma visão empobrecida da leitura. É preciso que antecipem. não se lê só para aprender a ler. se pedagogicamente bem explorada. cada qual. Ler é resposta a um objetivo. não se responde a perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas exaustivas. com a ajuda dos já leitores. de compreender a natureza e o funcionamento do sistema alfabético. Os materiais feitos exclusivamente para ensinar a ler não são bons para aprender a ler: têm servido apenas para ensinar a decodificar. por sua vez. entregue apenas ao prazer de ler. favorece a evolução de suas estratégias de resolução das questões apresentadas pelos textos. de vez em quando desenhar o que o texto lido sugere. outros precisam ser lidos exaustivamente e várias vezes. Essa circunstância requer do aluno uma atividade reflexiva que. o desejo é deixa-las para depois. A leitura. da colaboração e. a uma necessidade pessoal. como prática social. O conhecimento atualmente disponível a respeito do processo de leitura indica que não se deve ensinar a ler por meio de práticas centradas na decodificação. De certa forma. A principal delas é a de que ler é simplesmente decodificar. voltando atrás para certificar-se do entendimento. sobretudo em classes numerosas nas quais não é possível atender a todos os alunos da mesma forma e ao mesmo tempo. é preciso interagir com a diversidade de textos escritos. é sempre um meio. APRENDIZADO INICIAL DA LEITURA É preciso superar algumas concepções sobre o aprendizado inicial da leitura. se deseja ler sem parar. Uma prática constante de leitura na escola pressupõe o trabalho com a diversidade de objetivos. não se decodifica palavra por palavra. da própria aprendizagem. modalidades e textos que caracterizam as práticas de leitura de fato. Essa atividade só poderá ser realizada com a intervenção do professor. outras em que se segue adiante sem dificuldade. mesmo assim. é preciso agir como se o aluno já soubesse aquilo que deve aprender. uma situação de aprendizagem. buscando-se a informação necessária. Há textos que podem ser lidos apenas por partes. recebendo incentivo e ajuda de leitores experientes. Para aprender a ler. é preciso que o aluno se defronte com os escritos que utilizaria se soubesse mesmo ler — com os textos de verdade. Por conta desta concepção equivocada a escola vem produzindo grande quantidade de ―leitores‖ capazes de decodificar qualquer texto. quanto ao significado. Fora da escola. aprender a ler pela prática da leitura. que façam inferências a partir do contexto ou do conhecimento prévio que possuem. uma prática constante de leitura não significa a repetição infindável dessas atividades escolares. não se lê de uma única forma. testemunhar a utilização que os já leitores fazem deles e participar de atos de leitura de fato. Entre a condição de destinatário de textos escritos e a falta de habilidade temporária para ler autonomamente é que reside a possibilidade de.diversidade textual. o que está atrás e diante dos olhos. converter letras em sons. dentro de uma prática ampla de leitura. a despeito disso. . exige uma modalidade de leitura. agrupar seus alunos de forma a favorecer a circulação de informações entre eles. Isso não significa que na escola não se possa eventualmente responder a perguntas sobre a leitura. Sem ela pode-se até ensinar a ler. é preciso oferecer aos alunos inúmeras oportunidades de aprenderem a ler usando os procedimentos que os bons leitores utilizam. Há leituras que requerem um enorme esforço intelectual e. por sua vez. portanto. propriamente. Para aprender a ler. mas certamente não se formarão leitores competentes. conseqüentemente. Ao contrário. não se faz desenho sobre o que mais gostou e raramente se lê em voz alta. outros devem ser lidos devagar. que deverá colocar-se na situação de principal parceiro. nunca um fim. procurar garantir que a heterogeneidade do grupo seja um instrumento a serviço da troca. Diferentes objetivos exigem diferentes textos e. A heterogeneidade do grupo. No entanto. portanto.

A seguir são apresentadas algumas sugestões para o trabalho com os alunos. de um acervo de classe com livros e outros materiais de leitura. enunciados de atividades e problemas matemáticos. Algumas dessas condições: • dispor de uma boa biblioteca na escola. O significado. no segundo apenas um. • garantir que os alunos não sejam importunados durante os momentos de leitura com perguntas sobre o que estão achando. • planejar as atividades diárias garantindo que as de leitura tenham a mesma importância que as demais. Para os alunos não acostumados com a participação em atos de leitura. Há textos nos quais as diferentes interpretações fazem sentido e são mesmo necessárias: é o caso de bons textos literários. algo que. se estão entendendo e outras questões. Para tornar os alunos bons leitores — para desenvolver. é fundamental ver seu professor envolvido com a leitura e com o que conquista por meio dela. o gosto e o compromisso com a leitura —. Precisará torná-los confiantes. no entanto. compreende mal. por exemplo. é necessário que isso se preserve na escola. que não conhecem o valor que possui. que podem servir de referência para a geração de outras propostas. dará autonomia e independência. por exemplo. são necessárias propostas didáticas orientadas especificamente no sentido de formar leitores. No primeiro caso. às vezes é porque o texto é difícil ou confuso. a despeito do seu esforço. só cumprem suas finalidades se houver compreensão do que deve ser feito. fruto do pressuposto de que o significado está dado no texto. muito mais do que a capacidade de ler. Precisará fazê-los achar que a leitura é algo interessante e desafiador. o autor. Leitura diária . • construir na escola uma política de formação de leitores na qual todos possam contribuir com sugestões para desenvolver uma prática constante de leitura que envolva o conjunto da unidade escolar. conquistado plenamente.Uma prática constante de leitura na escola deve admitir várias leituras. a escola terá de mobilizá-los internamente. • possibilitar aos alunos a escolha de suas leituras. Bons textos podem ter o poder de provocar momentos de leitura junto com outras pessoas da casa — principalmente quando se trata de histórias tradicionais já conhecidas. constrói-se pelo esforço de interpretação do leitor. • quando houver oportunidade de sugerir títulos para serem adquiridos pelos alunos. condição para poderem se desafiar a ―aprender fazendo‖. o aluno tem oportunidade de ler 35 títulos. • dispor. pois. 35 diferentes livros — o que já compõe uma biblioteca de classe — do que 35 livros iguais. Além das condições descritas. pois outra concepção que deve ser superada é a do mito da interpretação única. Ver alguém seduzido pelo que faz pode despertar o desejo de fazer também. a partir não só do que está escrito. • possibilitar aos alunos o empréstimo de livros na escola. É necessário que o professor tente compreender o que há por trás dos diferentes sentidos atribuídos pelos alunos aos textos: às vezes é porque o autor ―jogou com as palavras‖ para provocar interpretações múltiplas. a obra ou o gênero são decisões do leitor. condições favoráveis para a prática de leitura que não se restringem apenas aos recursos materiais disponíveis. optar sempre pela variedade: é infinitamente mais interessante que haja na classe. • organizar momentos de leitura livre em que o professor também leia. o uso que se faz dos livros e demais materiais impressos é o aspecto mais determinante para o desenvolvimento da prática e do gosto pela leitura. nos ciclos iniciais. às vezes é porque o leitor tem pouco conhecimento sobre o assunto tratado e. portanto. Fora da escola. Há outros que não: textos instrucionais. pois aprender a ler (e também ler para aprender) requer esforço. Tanto quanto for possível. na verdade. Uma prática de leitura que não desperte e cultive o desejo de ler não é uma prática pedagógica eficiente. Formar leitores é algo que requer. mas do conhecimento que traz para o texto.

São situações lingüisticamente significativas. a inferência sobre a intencionalidade do autor. ler buscando identificar a intenção do escritor. etc. posicionando-se apenas quando necessário. São coisas muito diferentes ler para se divertir. a interpretação de sentido figurado. os projetos permitem dispor do tempo de uma forma flexível. • nos casos em que há diferentes interpretações para um mesmo texto e faz-se necessário negociar o significado (validar interpretações). escrever para não . É completamente diferente ler em busca de significado — a leitura. portanto. variando apenas o grau de aprofundamento em função da capacidade dos alunos. individualmente. pois quase sempre envolvem tarefas que articulam esses diferentes conteúdos. etc. ler para descobrir o que deve ser feito. em que faz sentido.O trabalho com leitura deve ser diário. essa negociação precisa ser fruto da compreensão do grupo e produzir-se pela argumentação dos alunos. alguns cuidados são necessários: • toda proposta de leitura em voz alta precisa fazer sentido dentro da atividade na qual se insere e o aluno deve sempre poder ler o texto silenciosamente. É interessante. etc. escrever para ler. dar conhecimento do assunto previamente. pois a leitura pode ser realizada: • de forma silenciosa. Projetos de leitura A característica básica de um projeto é que ele tem um objetivo compartilhado por todos os envolvidos. Há inúmeras possibilidades para isso. que se expressa num produto final em função do qual todos trabalham. ler para escrever. fazer com que os alunos levantem hipóteses sobre o tema a partir do título. por exemplo. por exemplo. questiona os alunos sobre as pistas lingüísticas que possibilitam a atribuição de determinados sentidos. a diferenciação entre realidade e ficção. • ao propor atividades de leitura convém sempre explicitar os objetivos e preparar os alunos. Além disso. a identificação de elementos discriminatórios e recursos persuasivos. Ao professor cabe orientar a discussão. criar um certo suspense quando for o caso. Quando são de longa duração têm ainda a vantagem adicional de permitir o planejamento de suas etapas com os alunos. ler para decorar. validar antecipações feitas. para os quais a leitura colaborativa tem muito a contribuir. Leitura colaborativa A leitura colaborativa é uma atividade em que o professor lê um texto com a classe e. É particularmente importante que os alunos envolvidos na atividade possam explicitar para os seus parceiros os procedimentos que utilizam para atribuir sentido ao texto: como e por quais pistas lingüísticas lhes foi possível realizar tais ou quais inferências. • em voz alta (individualmente ou em grupo) quando fizer sentido dentro da atividade. Esse é um procedimento especializado que precisa ser ensinado em todas as séries. leitura e produção de textos se inter-relacionam de forma contextualizada. A compreensão crítica depende em grande medida desses procedimentos. ler para revisar. No entanto. antecipar determinados acontecimentos. com antecedência — uma ou várias vezes. ler para estudar. oferecer informações que situem a leitura. de uma excelente estratégia didática para o trabalho de formação de leitores. A possibilidade de interrogar o texto.São ocasiões em que eles podem tomar decisões sobre muitas questões: controlar o tempo. são alguns dos aspectos dos conteúdos relacionados à compreensão de textos. Os projetos são situações em que linguagem oral. pois o tempo tem o tamanho necessário para conquistar o objetivo: pode ser de alguns dias ou de alguns meses. ler para escrever. durante a leitura. dividir e redimensionar as tarefas. avaliar os resultados em função do plano inicial. Trata-se. de um modo geral — e ler em busca de inadequações e erros — a leitura para revisar. • é necessário refletir com os alunos sobre as diferentes modalidades de leitura e os procedimentos que elas requerem do leitor. e • pela escuta de alguém que lê. linguagem escrita..

muitas vezes. promoção de eventos de leitura numa feira cultural ou exposição de trabalhos. quanto mais avançam as séries. a própria leitura oral e suas convenções.. Um exemplo desse tipo de atividade é a ―Hora de. A leitura em voz alta feita pelo professor não é uma prática muito comum na escola. atitudes e procedimentos que os leitores assíduos desenvolvem a partir da prática de leitura: formação de critérios para selecionar o material a ser lido. uma parte deles relata suas impressões. Quando for pertinente. uma prática de leitura intensa é necessária por muitas razões. na classe. o que pensou. comenta o que gostou ou não. É o caso da leitura compartilhada de livros em capítulos. ler em voz alta em tom adequado. Os alunos escolhem o que desejam ler. a entonação. mais incomum se torna. . • aproximar o leitor dos textos e os tornar familiares — condição para a leitura fluente e para a produção de textos. etc. • permitir a compreensão do funcionamento comunicativo da escrita: escreve-se para ser lido. pode incluir também uma breve caracterização da obra do autor ou curiosidades sobre sua vida.. • informar como escrever e sugerir sobre o que escrever. Funcionam de forma parecida com os projetos — e podem integrá-los. Dependendo da extensão dos textos e do que demandam em termos de preparo. Nas atividades seqüenciadas de leitura pode-se. No dia combinado. Atividades permanentes de leitura São situações didáticas propostas com regularidade e voltadas para a formação de atitude favorável à leitura. levam o material para casa por um tempo e se revezam para fazer a leitura em voz alta. que possibilita aos alunos o acesso a textos bastante longos (e às vezes difíceis) que. Os projetos de leitura são excelentes situações para contextualizar a necessidade de ler e. constituição de padrões de gosto pessoal.esquecer. produção de vídeos (ou fitas cassete) de curiosidades gerais sobre assuntos estudados ou de interesse. E. curiosidades científicas. analisando o tom de voz e a dicção. uma circunstância interessante se apresenta: o fato de os interlocutores não estarem fisicamente presentes obriga a adequar a fala ou a leitura a fim de favorecer sua compreensão. • possibilitar produções orais. um determinado autor ou um tema de interesse. Leitura feita pelo professor Além das atividades de leitura realizadas pelos alunos e coordenadas pelo professor há as que podem ser realizadas basicamente pelo professor. por exemplo. o exercício da fantasia e da imaginação. são os alunos maiores que mais precisam de bons modelos de leitores. mas não têm um produto final predeterminado: neste caso o objetivo explícito é a leitura em si. ainda que nem sempre sejam capazes de lê-los sozinhos. • estimular o desejo de outras leituras. temporariamente. pois. por sua qualidade e beleza. • possibilitar a vivência de emoções. inclusive —. Na escola. planejando as pausas. notícias. Outro exemplo é o que se pode chamar ―Roda de Leitores‖: periodicamente os alunos tomam emprestado um livro (do acervo de classe ou da biblioteca da escola) para ler em casa. eleger um gênero específico. sugere outros títulos do mesmo autor ou conta uma pequena parte da história para ―vender‖ o livro que o entusiasmou aos colegas. podem vir a encantá-los. o que não deveria acontecer. escritas e em outras linguagens. por um ou mais alunos a cada vez. etc. • expandir o conhecimento a respeito da própria leitura. Atividades sequenciadas de leitura São situações didáticas adequadas para promover o gosto de ler e privilegiadas para desenvolver o comportamento do leitor. a atividade pode se realizar semanalmente ou quinzenalmente.‖ (histórias. Ela pode: • ampliar a visão de mundo e inserir o leitor na cultura letrada. em determinados casos. rastreamento da obra de escritores preferidos. Nos projetos em que é preciso expor ou ler oralmente para uma gravação que se destina a pessoas ausentes. ou seja.). Alguns exemplos de projetos de leitura: produção de fita cassete de contos ou poemas lidos para a biblioteca escolar ou para enviar a outras instituições. etc.

Definir objetivos. Ao ler Monteiro Lobato. Ex: Nosso cérebro sabe que não precisa se deter na letra que vem após o ―q‖. Conseguimos eliminar letras em cada uma das palavras escritas e até mesmo uma palavra a cada cinco outras. Estratégias de antecipação que tornam possível prever o que está por vir. Estratégias de verificação tornam possível o controle da eficácia ou não das demais estratégias.• ensinar a estudar. conhecimento acerca da linguagem e da própria leitura (organização do texto. participando de atividades de uso da escrita. A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. não se codifica palavra por palavra. Não se lê só para aprender a ler. outros recursos para construir significados. Além de letras. do sistema de escrita. suas características etc). a prática da leitura não significa a repetição dessas atividades escolares. mas não está escrito. do autor. pois o movimento dos olhos é mais rápido do que a emissão das palavras. Dois fatores determinam a leitura: o texto impresso. • favorecer a aquisição de velocidade na leitura. isto é. na perspectiva de favorecer o acesso e o desenvolvimento progressivo da capacidade da criança de compartilhar significados da cultura. Para se ler a decodificação é apenas um dos procedimentos que se utiliza. é aquilo que lemos. com base em informações explícitas e em suposições. do portador. • favorecer a estabilização de formas ortográficas. que é visto pelos olhos. e aquilo que está por trás dos olhos: o conhecimento prévio do leitor. do gênero. da língua. é previsível que encontraremos determinados personagens e que alguma travessura ocorrerá. Não se lê de uma única forma. junto com pessoas que já dominam esse conhecimento. não se respondem perguntas de verificação do entendimento preenchendo fichas. desenvolver atitudes e construir estratégias de organização do trabalho com a leitura. antecipamos significados. Quanto mais os olhos puderem se apoiar naquilo que faz sentido para quem vê. ou seja. Utilizamos todas as estratégias de leitura mais ou menos ao mesmo tempo sem ter consciência disso. Uma prática intensa de leitura na escola é. São adivinhações baseadas em pistas dadas pelo próprio texto como em conhecimentos que o leitor possui. A leitura envolve outras estratégias. . SAIBA MAIS 01 Quando lemos um texto fácil cujo conteúdo é conhecido. AULA 10 – O ENSINO-APRENDIZAGEM DA LEITURA Objetivo: . • possibilitar ao leitor compreender a relação que existe entre a fala e a escrita. pois certamente será o ―u‖. As crianças aprendem a ler. nunca um fim. que implica familiaridade com o assunto tratado. não se fazem desenhos para mostrar o que mais gostou se raramente se lê em voz alta. podemos ler até 200 palavras por minuto – a leitura em voz alta demora mais. porque ler ensina a ler e a escrever. sílabas e palavras. permitindo confirmar ou não as inferências. Não se entende um texto escrito decodificando letra por letra ou palavra por palavra. só nos damos conta delas quando analisamos nosso processo de leitura. A leitura como prática social é sempre um meio. São elas: Estratégias de seleção que permitem que o leitor se atenha aos elementos úteis e despreze o que é irrelevante. necessária. sobretudo. Estratégias de inferência permitem captar o que não está dito no texto. maior a eficácia da leitura. a partir do conhecimento que já possui a respeito do assunto.

como livros de histórias. embalagens. Bilhetes e comunicados dirigidos aos pais devem ser lidos junto com as crianças. em duplas. Ler. a leitura crítica. colocando em jogo aquilo que já construíram sobre o sistema alfabético. decodificação. • confrontar ideias. gibis. não importando se a criança está ―pronta‖ para lê-los. folhetos. na escola. Os alunos devem ter confiança para enfrentar o desafio e ―aprender fazendo‖. visivelmente. para compreender etc. curiosos e observadores. Muitas vezes. • fazer uso de estratégias de leitura (seleção. A interpretação não deve se resumir. páginas e letras. procurando desenvolver. para se divertir. revistas. comentando e recomendando leituras para os colegas. aquela que estimula a criança. coletivamente ou em pequenos grupos) de textos de gêneros variados e com diferentes propósitos. ela escolhe o material escrito de acordo com suas necessidades e opta por livros com maior ou menor número de desenhos. desde o início. modalidades e textos. letreiros. a criança escolhe um livro e troca-o logo em seguida sem ter feito um bom uso dele porque. a partir de atividades de leitura desenvolvidas pelo professor e pelo próprio aluno (de forma individual. possibilitam (ou direcionam . certamente. a completar frases transcritas diretamente do texto ou a responder perguntas que. no aluno. inferência e verificação). Assim. aquele material ainda não parecia ser suficientemente interessante ou não era adequado ao seu ―estágio‖ de leitor. A sala de aula deve dar continuidade à leitura prazerosa. como algo interessante e desafiador. Isso permite que os alunos possam aprender comportamentos de leitor. é interpretar a mensagem. As crianças demonstram ser leitores atentos. para que possa questionar e opinar sobre o conteúdo implícito e explícito do texto. algumas crianças ficam bloqueadas para a leitura. atribuir a ela uma vivência pessoal e interiorizá-la. programas de TV. podendo ocorrer muito antes da decifração dos códigos.É preciso ensinar a ler com diferentes objetivos. O professor precisa incentivar o gosto pela leitura. jornais. Por exemplo. que a finalidade da leitura é a aquisição de habilidades de decodificação ou pretextos para exercícios escolares. ler não deve se resumir a decifrar caracteres. o que significa: • atribuir significado a textos de gêneros variados. em função do texto e dos objetivos de leitura (ler para buscar informação.). principalmente quando são apresentados textos pouco significativos para elas. além de decifrar. No entanto. o aluno precisa ter liberdade de escolher e de usar diferentes modelos de escrita e isso deve ser feito de modo que ele não sinta. • colocar em ação diferentes tipos de leitura. Material escrito. livros didáticos de diferentes anos escolares precisam estar presentes na classe. que aguça sua curiosidade. Intuitivamente. A leitura faz parte da rotina diária da criança e ela não espera receber instruções de outra pessoa para iniciá-la. porque ela é a base da escrita. desde que o material a ser lido seja interessante e desafie sua inteligência. sempre que possível. sensibilizando-a de alguma maneira. a maioria das crianças lê a palavra Coca-Cola. artigos. • apropriar-se das convenções e das estruturas características de cada gênero textual. Placas. Ainda assim. títulos e todos os objetos constantes no seu dia a dia transmitem uma significação própria e se tornam tão familiares que sua leitura é espontânea. antecipação. decifrando ou não a sua escrita. As competências dos alunos que estão sendo alfabetizados devem ser desenvolvidas. unir letras e emitir sons correspondentes: isso é muito mais um trabalho de discriminação visual e auditiva que antecede a leitura propriamente dita. marcas. Essas situações ocorrem tanto em momentos nos quais os alunos leem com a ajuda do professor como também quando eles são desafiados a lerem sozinhos. simplesmente. opiniões e interpretações. distinguir símbolos e sinais.

histórias vivenciadas pela classe. .Ler um texto e reduzir (resumir) as informações. . Em se tratando de crianças grandes. Como começar a estudar o texto? O professor pode escrever o texto na lousa. os espaços existentes entre elas no papel é uma das características da língua escrita. que estão iniciando o processo de alfabetização cheias de curiosidade e disposição para aprender. receitas de culinária. uma piada. estar baseada no que o texto transmite ao aluno enquanto indivíduo. fluente e converse com a turma sobre o texto.Ler frases fora de ordem e organizá-las. . . se trabalham. Ao fazer a leitura.Leituras silenciosa ou em voz alta. mostrando os espaços em branco entre as palavras. . etc. . fazer a leitura dialogada: o professor lê um texto e incentiva o diálogo. contos de fada. Para crianças de 6 anos. faça a leitura didática. as atividades de reflexão sobre a língua ou mesmo quaisquer outros trabalhos ligados às diferentes áreas de estudo. manchetes de jornal.para) uma única resposta.Ler palavras ou frases que formam o Banco de Palavras.Ler textos produzidos pelos próprios alunos e fazer a interpretação oral ou escrita. tornando o texto coerente. . há muitas escolhas: histórias. . um anúncio ou um bilhete sejam mais atraentes. Deve ser aflitivo para essas crianças ter sempre a sensação de começar do zero. que seja uma novidade para elas. o professor precisa respeitar as interferências do aluno e garantir que. o que fazem fora da escola. Faça uma leitura normal. regras de jogos. Mostre aos alunos que quando falamos as palavras parecem emendadas umas nas outras. apontando as palavras com o dedo ou com a régua. Trata-se de dar a essas crianças a certeza de que estão avançando. mas deve. Sugestões de tipos de leitura . Em seguida. . sim. do que gostam. que já passaram por vários métodos e cartilhas.Leituras individual ou coletiva. para que depois ele possa externar suas opiniões. usado na vida social. talvez uma notícia sobre futebol.Recortar de jornais e revistas somente as palavras ou frases que saiba ler e fazer a leitura para o professor. ele ―participe‖ do texto que está sendo lido.Ler textos que a criança tem na memória (pseudoleitura). aprendendo coisas novas. Nesse caso. numa cartolina grande ou em papel manilha. além da interpretação. lançando perguntas e desafiando os alunos a sugerir uma continuidade para a história. uma letra de rap ou de uma canção. Leituras de letras de música. . a separação entre as palavras. até porque a maioria já passou por muitas experiências frustrantes e já conhece os nomes das letras. além de algumas palavras simples ou sílabas.Ler o que está fixado nas paredes: ler e interpretar o material que faz parte do ambiente alfabetizador. . de alguma forma.Antecipar uma história com base no título e/ ou na capa do livro. deve-se conversar sobre a vida deles. poemas. portanto é bom escolher um texto diferente.Com o professor. canções de roda. repetentes. A escolha dos textos Que textos escolher para as crianças? No momento de começar o ensino sistemático da leitura. o tema e os significados do texto escolhido são decisivos. trava-línguas. Assim. embalagens e avisos são elementos que oferecem uma base interessante para se fazer.

Maria Inês Aguiar. podem ser usados para iniciar a atividade. RUSSO. uma notícia jornalística. Histórias assim podem ser retrabalhadas para ficar de acordo com as convenções da escrita. Petrópolis: Vozes. letras e regras ortográficas. o que realmente não pode faltar. começando pelo texto natural. Classificação dos diversos tipos de textos: cada vez que apresentar um texto. Produção de um texto a partir de um título dado: títulos de histórias conhecidas como histórias de fadas. significativo (e não por um texto acartilhado) e caminhar gradativamente na direção do conhecimento de palavras. São Paulo: Saraiva. explicar de que tipo de texto se trata: uma narrativa. Maria de Fátima e VIAN. que conte uma história. Brincadeiras com palavras: pedir a dois alunos que digam cada qual uma palavra e a partir daí deixar a turma criar uma história. uma poesia. Quando é que elas vão começar a ler realmente? As crianças estarão lendo quando forem capazes de perceber como as letras funcionam para representar os sons da língua e ao mesmo tempo possam entender o que diz o texto. etc. sílabas. fábulas. uma receita. Sugestões para o trabalho com a leitura e a oralidade Paráfrase: pedir ao aluno que diga a mesma coisa lida de um outro jeito. que a mesma letra pode representar mais de um som de acordo com o contexto e o mesmo som pode ser representado por mais de uma letra. Ensinar que no resumo destacamos aquilo que consideramos mais importante. Resumo: propor resumos orais de uma história. . pode-se sistematizar o ensino da leitura e da escrita. 2005.Como fazer para mostrar os sons das letras? Aprender a ler envolve aprender que as letras representam sons. que tem que ser passado por uma pessoa que conheça o código alfabético. lendas. Referências bibliográficas CARVALHO. narrada pela professora. DE OLHO NA PRÁTICA – ATIVIDADE INTEGRADORA: 1) Selecione dez livros infantis que você utilizaria para o ensino da leitura para o 1º ano. um texto didático. há muitas repetições e modos de dizer típicos da língua oral. Para isso. é conhecimento sistemático. com suas próprias palavras. um anúncio. Não é uma questão de adivinhação da criança. Alfabetização: um processo em construção. um capítulo de novela ou uma notícia. Reprodução de histórias: No exemplo abaixo. 2001. Alfabetizar e letrar: um diálogo entre a teoria e a prática. Marlene.

Transposição didática Produzir um livro infantil sobre as novas normas ortográficas TRAZER NA PRÓXIMA AULA Trazer uma BOA gramática (POR GRUPO) AULA 12 – CONHECENDO A GRAMÁTICA (ANÁLISE E REFLEXÃO SOBRE A LÍNGUA) Gramática é a descrição completa da língua. isto é. O alfaiate pediu cópia do original e puxou a brasa pra sua sardinha: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate. Para quem deixava ele a fortuna? Eram quatro concorrentes. utilizando-se de todos os sinais gráficos. Atividades A) Pontue o texto abaixo. não a meu sobrinho. por serem pequenos. jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada.AULA 11 – PRODUZINDO UM LIVRO INFANTIL/GIBI CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE Gênero livro infantil ou gibi. Aí. Nada aos pobres”. veja. A irmã chegou logo em seguida e pontuou assim o escrito: “Deixo meus bens à minha irmã. Agora tente responder às questões abaixo e ANALISE essas provas. sabido. Jamais será paga a conta do alfaiate. O sobrinho fez a seguinte pontuação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não. Que competências os alunos desenvolvem ao realizarem essas provas? Faça com capricho e atenção. Estilística: estuda a organização da linguagem do ponto de vista de seu conteúdo afetivo. a meu sobrinho. fez esta interpretação: “Deixo meus bens à minha irmã? Não! A meu sobrinho. pois erros de ortografia serão descontados em 0. Morfologia: estuda a estrutura da palavra e sua classificação. Nada aos pobres”. Sintaxe: define a organização dos elementos internos da frase estabelecendo a relação entre eles. dos princípios de organização da língua. no exemplo abaixo. Morreu antes de fazer a pontuação. pediu papel e caneta e assim escreveu: “Deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”. Aos pobres”. Quando ocorrer ponto. com letra maiúscula. chegaram os descamisados da cidade. Semântica: estuda a relação entre conteúdos e significados. não fazem muita diferença. Jamais será paga a conta do alfaiate. Divisão da gramática normativa Fonologia: estabelece os princípios que regulam a estrutura sonora da língua. Nada aos pobres”.1 . a palavra seguinte: 1) Quem ensina ou orienta ( ) precisa desenvolver ( ) a habilidade de ser empático ( ) a empatia ( ) consiste ( ) na capacidade de colocar-se ( ) no lugar do outro ( ) de ver as coisas da perspectiva dele ( ) por exemplo ( ) uma professora ( ) ao avaliar um novo jogo de palavras cruzadas destinado a ampliar ( ) o vocabulário de suas crianças ( ) pode achá-lo fascinante ( ) mas deve perguntar-se ( ) se as crianças lidarão bem com o novo jogo ( ) será que elas vão gostar ( ) será que vão entender as regras de funcionamento ( ) será que o vocabulário vai realmente ser ampliado ( ) B) Se você acha que os sinais de pontuação. quem ficará com a herança? Um homem rico estava muito doente. Um deles. não é necessário corrigir.

Então ela espreguiça. e lança timidamente para o Sol um inofensivo galhinho. escreva se há dígrafos ou encontros consonantais e em seguida circule-os (lembre-se que há dígrafos vocálicos).0) 1. ch. não tem duas.2 = 4.ditongo oral decrescente 4. a) b) c) d) e) f) Sorriso Submarino Exceção Braço Longe Caminho h) flecha i) Brasil j) pneu k)querer l) olho m) lâmpada 2) Classifique os ditongos destacados seguindo o código abaixo: (cada item 0.” (O Pequeno Príncipe) 7)Reescreva todos os substantivos que aparecem no texto acima. diga a que classe gramatical cada uma pertence. escrevendo por que elas são acentuadas ou porque não têm acentos. “Com efeito.3 = 3. ss) (cada palavra 0. h. como em todos os outros planetas. completando-as com as letras adequadas (l. b) O rapa___ chegou atra___ado porque o pára-___oque tra___eiro de seu carro estava ama___ado. g. apenas as palavras que faltam letras. no planeta do principezinho havia.1) a) No quinta____ havia um pequeno ba___de furado. de ervas boas.0) a) reporter b) cafe c) medico d) tuneis e) album f) hifen g) paroxitona h) moeda i) sofa j) proton 4) Justifique a acentuação das palavras do exercício anterior. sementes más. Rapidamente.0) 5) Reescreva.Boa prova. avistei o sinal vermelho. Não é necessário repeti-los. ou seja. Por conseguinte. (vale 1 ponto) 8) Faça a classificação morfológica de cada palavra sublinhada nas frases abaixo. o. Elas dormem no segredo da terra até que uma queira despertar. sementes boas. u. x. (cada 0. ç. Total de 5 pontos) a) b) c) d) Eu fiquei muito aborrecido. . na folha de respostas. j. Ele observa todas as etiquetas das roupas novas. (cada item vale 1 ponto.2 = 2. (cada 0.ditongo nasal decrescente 3) Reescreva as palavras acentuando-as se necessário. Você só tem uma vida. (turma A) 1) Para cada palavra abaixo.ditongo nasal crescente a) b) c) d) ( ( ( ( ) ) ) ) freqüência ciência água mais 3.ditongo oral crescente 2. de ervas más. preso a um ca____le. s. z. ervas boas e más. 6) Leia o texto abaixo e responda às questões 1 e 2 . Mas as sementes são invisíveis.

Depois. 9) Leia o texto com atenção. . faça 4 colunas (substantivos.e) O vento frio agitava as águas daquele enorme lago. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo.. Nem todas as palavras serão classificadas. (3 pontos) Ou se tem chuva e não se tem sol ou se tem sol e não se tem chuva! Ou se calça a luva branca e não se põe o anel verde. adjetivos. pronomes e numerais) e classifique as palavras do texto nessas colunas. ou compro os dez doces e gasto o dinheiro.. ou vivo com tristeza e não trabalho com amor. Quem fica no chão não sobe nos ares. Ou guardo o dinheiro e não compro os dez doces. Ou trabalho com amor e não vivo com tristeza. ou se põe o anel verde e não se calça a luva branca! Quem sobe nos ares não fica no chão.

PCNs ATIVIDADE Leitura interpretativa e debate sobre o texto.AULA 13 – CONHECENDO MELHOR AS PARTES DA GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) morfologia. . 57 a 60) Ortografia De modo geral. Estudo em grupo de alguns conteúdos gramaticais. E. ortografia. Fazer exercícios de gramática trazidos pelo professor. Elabora um gibi no site da Mônica (www. sobre conteúdos já estudados anteriormente. aspectos gramaticais. ortografia. com sentido de ―fórmulas‖. pontuação. e da correção que o professor faz de redações e ditados.com. AULA 14 – RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS ESPECÍFICOS DE CONTEÚDOS GRAMATICAIS CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE morfologia. pontuação. pontuação. o ensino da ortografia dá-se por meio da apresentação e repetição verbal de regras.br) AULA 16 – A GRAMÁTICA NOS PCNS CONTEÚDO A reflexão sobre a língua. TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 15 – APRESENTAÇÃO DE JOGOS DE GRAMÁTICA CONTEÚDO PCNs ATIVIDADE TRAZER NA PRÓXIMA AULA Gênero gibi e morfologia. ortografia. TRAZER NA PRÓXIMA AULA (POR GRUPO) TEXTO 1 (PCNs p.maquinadequadrinhos. seguida de uma tarefa onde o aluno copia várias vezes as palavras que escreveu errado.

PORTUGUE(S)A. OUVI(SS)E: imperfeito do subjuntivo. POBRE(Z)A: substantivos terminados em /eza/. em segundo lugar. o ensino da ortografia deveria organizar-se de modo a favorecer: 37.: ANDA(R). É produtivo. os alunos — se bem que capazes de ―recitar‖ as regras quando solicitados — continuam a escrever errado. as regras do tipo morfológico são as que remetem aos aspectos morfológicos e à categoria gramatical da palavra para poder decidir sua forma ortográfica (ex. NH. a tomada de consciência de que.) são aquelas em que. por fim. a escrita inadequada de ―quando‖ e de ―questiúncula‖. por exemplo. • a tomada de consciência de que existem palavras cuja ortografia não é definida por regras e exigem. o que se pode gerar a partir de regras . em primeiro lugar. para a qual a intervenção pedagógica tem muito a contribuir. A posição que se defende é a de que. ―contextuais‖ e ―morfológicos‖. A aprendizagem da ortografia das palavras irregulares — cuja escrita não se orienta por regularidades da norma — exige. PENSA(R): verbos no infinitivo. a norma restringe os usos daqueles grafemas formulando regras que se aplicam parcial ou universalmente aos contextos em que são usados. O princípio gerador biunívoco é o próprio sistema alfabético nas correspondências em que a cada grafema corresponde apenas um fonema e vice-versa. quando não. GU. É importante que as estratégias didáticas para o ensino da ortografia se articulem em torno de dois eixos básicos: • o da distinção entre o que é ―produtivo‖ e o que é ―reprodutivo‖ 37 na notação da ortografia da língua. não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma e. QU. as formas ortográficas mais freqüentes na escrita devem ser aprendidas o quanto antes. etc. apesar de se encontrar no sistema alfabético mais de um grafema para notar o mesmo fonema. a aprendizagem da ortografia não é um processo passivo: trata-se de uma construção individual.o que permite a escrita de palavras nunca antes vistas por escrito . a consulta a fontes autorizadas e o esforço de memorização. mas de tratar diferentemente. comparem com a escrita convencional e tomem progressiva-mente consciência do funcionamento da ortografia). reflitam sobre possíveis alternativas de grafia. portanto. É preciso que se diferencie o que deve . obrigando uma escrita de memória. a consciência de que não há regras que justifiquem as formas corretas fixadas pela norma. de ―hoje‖ e de ―homilia‖ — dada a enorme diferenciação da freqüência de uso de umas e outras. M/N antes de consoante. • a inferência dos princípios de geração da escrita convencional.apesar do grande investimento feito nesse tipo de atividade. E. É importante observar que a realização desse tipo de trabalho não requer necessariamente a utilização de nomenclatura gramatical. etc. INGLE(S)A: adjetivos gentílicos terminados em /esa/. Não se trata de definir rigidamente um conjunto de palavras a ensinar e desconsiderar todas as outras. em ortografia. e • a distinção entre palavras de uso freqüente e infreqüente na linguagem escrita impressa. permitindo no primeiro caso o descobrimento explícito de regras geradoras de notações corretas e. Os casos em que as regras existem podem ser descritos 38 como produzidos por princípios geradores ―biunívocos‖.: o uso de RR.). a partir da explicitação das regularidades do sistema ortográfico (isso é possível utilizando como ponto de partida a exploração ativa e a observação dessas regularidades: é preciso fazer com que os alunos explicitem suas suposições de como se escrevem as palavras. nesses casos. independentemente de serem regulares ou irregulares — definidas por regras ou não —. As regras do tipo contextual (ex. RIQUE(Z)A. Em função dessas especificidades. FIZE(SS)E.e reprodutivo o que não se pode gerar. Ainda que tenha um forte apelo à memória. um posicionamento do professor a respeito de quais dessas formas deverão receber um maior investimento no ensino.

A pontuação aparece sempre em posições que indicam fronteiras sintático-semânticas. é principalmente para isso que ela serve: para separar. O texto não é uma soma de frases. Na página impressa. em que a legibilidade seja fundamental porque existem leitores de fato para a escrita que produzem. é preciso saber. o manejo do dicionário precisa ser orientado. sobre as quais esta didática se apóia. A consulta ao dicionário pressupõe conhecimento sobre as convenções da escrita e sobre as do próprio portador: além de saber que as palavras estão organizadas segundo a ordem alfabética (não só das letras iniciais mas também das seguintes). incorporou ao texto um aparato gráfico cuja função é indicar ao leitor unidades para o processamento da leitura 41 . O costume de ler apenas com os olhos. que caracteriza a forma moderna de ler 40. Aliás. por exemplo. as partes do . é um fluxo contínuo que precisa ser dividido em partesfrase que podem ou não conter partes também — os apostos. ainda que um locutor possa usar a pontuação para isso. No entanto. de indicar pausas para respirar. Deve estar voltado para o desenvolvimento de uma atitude crítica em relação à própria escrita. Tudo o mais são possibilidades. Aprender a pontuar é aprender a partir e a reagrupar o fluxo do texto de forma a indicar ao leitor os sentidos propostos pelo autor. portanto. Desse momento em diante costuma-se esperar que os alunos incorporem a pontuação a seus textos. quase sempre. essa abordagem se mostra inadequada e indica a necessidade de rever algumas idéias. Frases que se agrupam tipograficamente em parágrafos 44 . A primeira delas é que a pontuação serviria para indicar as pausas na leitura em voz alta e a segunda é que o que se pontuam são as frases. A história da pontuação é tributária da história das práticas sociais de leitura. por meio de sinais gráficos. não é essa sua função no texto escrito43 . basicamente. ou seja. Por isso — ao contrário da ortografia — na pontuação a fronteira entre o certo e o errado nem sempre é bem definida. a ponto de alguns gramáticos45 apresentarem-na como ―a arte de dividir. pois. de preocupação com a adequação e correção dos textos. A única regra obrigatória da pontuação é a que diz onde não se pode pontuar: entre o sujeito e o verbo e entre o verbo e seu complemento. Assim. etc. Não se trata.estar automatizado o mais cedo possível para liberar a atenção do aluno para outros aspectos da escrita e o que pode ser objeto de consulta ao dicionário. as conexões intelectuais ou discursivas do raciocínio. mais de uma possibilidade de pontuar um texto. em situações em que os alunos tenham razões para escrever corretamente. Há. a pontuação — aí considerados os brancos da escrita: espaços entre parágrafos e alíneas42 — organiza o texto para a leitura visual fragmentando-o em unidades separadas de tal forma que a leitura possa reencontrar. Pontuação O ensino da pontuação tem-se confundido com o ensino dos sinais de pontuação. 38. O trabalho com a normatização ortográfica deve estar contextualizado. O escritor indica as separações (pontuando) e sua natureza (escolhendo o sinal) e com isso estabelece formas de articulação entre as partes que afetam diretamente as possibilidades de sentido. Utilizou-se aqui a descrição proposta por Artur Gomes de Morais e Ana Teberosky. A partir da compreensão de que o procedimento de pontuar é parte da atividade de textualização39 . A uma apresentação do tipo ―serve para‖ ou ―é usado para‖ segue-se uma exemplificação cujo objetivo é servir de referência ao uso. por exemplo. que os verbos não aparecem flexionados. que o significado da palavra procurada é um critério para verificar se determinada escrita se refere realmente a ela. Isso faz com que o ensino da ortografia possa desenvolver-se por meio tanto de atividades que tenham o texto como fonte de reflexão como de atividades que tenham palavras não necessariamente vinculadas a um texto específico. obtendo assim efeitos estilísticos. na articulação visual da página. pois requer a aprendizagem de procedimentos bastante complexos. diferentemente de outros aspectos da notação escrita — como a pontuação —. as restrições da norma ortográfica estão definidas basicamente no nível da palavra. nem sempre explícitas.

por outro. de estreitar o campo das possibilidades de interpretação indicando graficamente as unidades de processamento e sua hierarquia interna. verbo. coerência. sob orientação do professor. 40. . Em relação a essa terminologia característica. e de mostrar do modo mais claro as relações que existem entre essas partes‖. o que seria inconcebível por escrito. aprender um conjunto de regras a seguir e sim aprender um procedimento que incide diretamente sobre a textualidade. embora seja peculiar a situações de análise lingüística (em que inevitavelmente se fala sobre língua). Isso porque os aspectos gramaticais — e outros discursivos como a pontuação — devem ser selecionados a partir dos das produções escritas dos alunos. — analisando alternativas tanto do ponto de vista do sentido desejado quanto dos aspectos estilísticos e escolhendo a que parece melhor entre as possíveis. por exemplo). ao mesmo tempo que é fonte de conteúdos a serem trabalhados. Saber o que é substantivo. torna-se necessário saber. O critério de relevância dos aspectos identificados como problemáticos — que precisam. uma metalinguagem. pertence ao escritor. Usou-se o termo ―alínea‖ para designar o recurso da linha no início dos parágrafos. a capacidade dos alunos em cada momento. Quando se enfatiza a importância das atividades de revisão é por esta razão: trata-se de uma oportunidade privilegiada de ensinar o aluno a utilizar os conhecimentos que possui. Aprender a pontuar não é. o que pode contribuir para maior adequação e legibilidade dos textos e. Aspectos gramaticais É no interior da situação de produção de texto. não se deve sobrecarregar os alunos com um palavreado sem função. por exemplo. 1994) e Napoleão Mendes de Almeida. A propriedade que a linguagem tem de poder referir-se a si mesma é o que torna possível a análise da língua e o que define um vocabulário próprio. coesão e correção. não significa ser capaz de construir bons textos. É comum. 45. portanto. O critério do que deve ser ou não ensinado é muito simples: apenas os termos que tenham utilidade para abordar os conteúdos e facilitar a comunicação nas atividades de reflexão sobre a língua excluindo-se tudo o que for desnecessário e costuma apenas confundir os alunos. isto é. segundo Todorov (DUCROT e TODOROV. 1988). o contrário não é verdadeiro. Um procedimento que só é possível aprender sob tutoria. empregando bem esses conhecimentos. se é verdade que sempre que há uma vírgula (no escritor) há uma pausa (no oral). justificado exclusivamente pela tradição de ensiná-lo. Hoje. — observando os usos característicos da pontuação nos diferentes gêneros e suas razões (a grande quantidade de vírgulas/aposições nas notícias jornalísticas como instrumento para condensar o texto. Também é possível ensinar concordância sem necessariamente falar em sujeito ou em verbo. o que é ―proparoxítona‖. estabelecia a su a interpretação e preparava a leitura em voz alta marcando de próprio punho as pausas que considerava necessárias ao bom entendimento pelos ouvintes. artigo. Até então o ato de ler se confundia com o ato de recitar o texto em voz alta. quando o texto impresso é formado para ser lido diretamente pelo olho. que ganham utilidade os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais. nas séries iniciais. O estudo de textos antigos mostra que quem pontuava o texto não era o escritor e sim o leitor . é uma unidade tipográfica de várias frases. 42. etc. adjetivo.discurso que não têm entre si ligação íntima. sem precisar passar pela sonoriz ação do que está escrito. portanto. é preciso considerar que. analisam e estabelecem regularidades na acentuação de palavras e chegam à regra de que são sempre acentuadas as palavras em que a sílaba tônica é a antepenúltima. ser ensinados prioritariamente — deve ser composto pela combinação de dois fatores: por um lado. Por exemplo. 44. 41. — analisando os efeitos estilísticos obtidos por meio da pontuação pelos bons autores. Ver capítulo ―linguagem. no fim de um processo em que os alunos. 43. Ele lia. fazendo juntamente com quem sabe: — conversando sobre as decisões que cada um tomou ao pontuar e por quê. Convém lembrar que. fazer uma pausa (no oral) entre o sujeito e o predicado de uma oração. 39. enquanto o escritor monitora a própria escrita para assegurar sua adequação. atividade discursiva e textualidade‖. Julio Ribeiro (ALMEIDA. sujeito. preposição. predicado. O parágrafo. esta função. A prática de leitura silenciosa disseminou-se a partir da produção de livros em escala industrial.

interacionistas ou comportamentalistas.] O que é ainda mais espantoso é que todos aprendem com velocidade espantosa um objeto complexo. [. é sempre o mesmo: partir do que os alunos já sabem sobre o que se pretende ensinar e focar o trabalho nas questões que representam dificuldades para que adquiram conhecimentos que possam melhorar sua capacidade de uso da linguagem. Principalmente. Se o objetivo é que os alunos utilizem os conhecimentos adquiridos por meio da prática de reflexão sobre a língua para melhorar a capacidade de compreensão e expressão. uma tentativa forte de dar sentido ao que o outro diz etc. é preciso organizar o trabalho educativo nessa perspectiva. de qualquer forma temos que reconhecer que os adultos não propõem exercícios de linguagem às crianças na vida cotidiana. de verificação de diferentes hipóteses. a partir dos três anos de idade. de colaboração entre os alunos para a resolução de tarefas de aprendizagem.] De fato. e. poderíamos enunciar uma espécie de lei. numa escola. Nada disso se faz na vida real. separar sílabas. Finalmente. pelo menos.talvez venham a pensar que as crianças do mundo todo. afirmativas. Tudo isso são exemplos de exercícios.já falamos disso mais acima -. exercícios. é preciso voltar a enfatizar o papel que o trabalho em grupo desempenha em atividades de análise e reflexão sobre a língua: é um espaço de discussão de estratégias para a resolução das questões que se colocam como problemas. às vezes. Mais do que isso. Deixados de lado detalhes (às vezes certamente importantes). não há nada que se assemelhe a um ensino formal de uma disciplina.mas talvez não muito distantes da verdade . tanto em situações de comunicação escrita quanto oral. se entendermos por ensino aquele conjunto de atividades que se dão. progressivamente. é constante. devem estar a seu serviço. repetir. O princípio didático básico das atividades não apenas deste bloco. nem conhece quem faça. coisas como as seguintes: propor a uma criança de dois anos (ou menos) que faça tarefas como completar. com todas as variações que esses rótulos permitem. tipicamente. APRENDE-SE [. dizer alguma coisa vinte ou cem vezes. ninguém sabe muito bem o que se passa na mente humana. o monitoramento da própria atividade lingüística. porque nada disso ajuda ninguém a aprender uma língua.. um uso sempre contextualizado. o que há nela eventualmente de inato. Tudo isso se faz nas escolas. os pais. o que podemos observar é que ocorre um uso efetivo da linguagem. O fato observável é que todos falam.é uma atividade significativa. mas por práticas significativas. o trabalho dos adultos e das crianças é contínuo e. mas de todos os outros. aprendem suas línguas exatamente porque não são ensinadas – exatamente porque pais não agem com elas como se houvesse necessariamente fases. ou. Leitura complementar LÍNGUA NÃO SE ENSINA. copiar. ou adultos em geral. decorar conjugações verbais etc. eles devem remeter-se diretamente às atividades de uso da linguagem. construir uma frase com palavras dispersas. Em resumo. Na verdade. De fato. pretende-se que o aluno evolua não só como usuário mas que possa assumir. de comparação de diferentes pontos de vista. E. por mais que seja efetiva e constante a presença dos adultos junto às crianças. Isso não significa que se aprenda facilmente. Não. muito menos. aumentativos.. negativas. métodos. mesmo. dar diminutivos. e muito.Isso não significa que não é para ensinar fonética. um pouco mais maldosos . ainda que os conteúdos relacionados a esse tipo de prática estejam organizados num bloco separado. Esta parece ser a questão principal e crucial. mas que elas devem ser oferecidas à medida que se tornarem necessárias para a reflexão sobre a língua. Alguns. e sem ser ensinados. por mais que haja entre eles atividades lingüísticas.. não ensinam as línguas às crianças. certamente. e bem. de busca de alternativas. que seria: não se aprende por exercícios. Ou. de todas as épocas. Observemos como esta afirmação fica quase óbvia se pensarmos em como uma . difícil. Qualquer que seja a teoria que adotemos sobre o que seja uma criança . nenhum de nós faria. isto é. mais fundamental ainda . algo que se assemelhe a exercícios. quer sejamos inatistas. Sendo assim. fazer frases interrogativas. E. em maior ou menor quantidade. procurar palavras de um certo tipo num texto.. de herança biológica. Nesse sentido. morfologia ou sintaxe.

No processo de aquisição fora da escola existe correção. Sendo corrigidas: isto é importante. A escola é um lugar de trabalho. os programas anuais poderiam basear-se num levantamento bem feito do conhecimento prático de leitura e escrita que os alunos já atingiram e. crianças com alguns anos de idade utilizam o tempo todo formas que sequer imaginamos. Falar é um trabalho (certamente menos cansativo que outros). Como aprenderemos a escrever? Escrevendo e lendo. e tendo nossos textos lidos e comentados muitas vezes. trata-se de trabalho e papelada inúteis. Ler e escrever são trabalhos. parece-me que a atitude dos profissionais dos diversos escalões. O modo de conseguir na escola a eficácia obtida nas casas e nas ruas é "imitar" da forma mais próxima possível as atividades lingüísticas da vida. Só depois escrevem. a programas de português para alunos que já lêem e escrevem minimamente). bem ou mal. e sendo corrigidos. em relação aos conteúdos de ensino. castigo. Eles não fazem redações. Ler e escrever são trabalhos essenciais no processo de aprendizagem. ouvem suas opiniões. escrever e ler. e lêem e relêem. a que se segue é a mais evidente de todas e. talvez. quais os principais problemas que ainda têm (se ainda os houver). em geral. Na escola. Na vida. uma avaliação do que ainda lhes falta aprender. tudo o que foi dito anteriormente são apenas coisas óbvias. talvez o que se vai ver agora seja ainda mais óbvio. Como aprenderam? Ouvindo. Com base em tal levantamento. é o resultado de práticas efetivas. Mas. basta que verifiquemos como escrevem os que escrevem: escritores. basta analisar os cadernos e demais materiais dos que acabaram de concluir a quinta série na mesma escola. na rua. a menos praticada. De todas as teses sobre língua e seu ensino que estou defendendo aqui. Por exemplo: para descobrir o que os alunos de uma próxima sexta série já sabem e o que ainda não sabem. ouvem os outros. Mas. com um professor conhecido na escola e com quem se pode discutir alternativas. com objetivos e estratégias. A escola pode muito bem agir dessa forma. Na minha opinião. O domínio de uma língua. não são exercícios. e reescrevendo. Como aprendemos a falar? Falando e ouvindo. principalmente). pelo menos nos estágios iniciais . não repitam formas fora de um contexto significativo não significa que não sejam expostas suficientemente às línguas. saberemos o que os alunos já dominam realmente e o que lhes falta ainda. Em relação às outras. as práticas mais relevantes serão. Nada. Por isso. e depois reescrevem de novo. Para se ter uma idéia do que significaria escrever como trabalho. significativas. O que já é sabido não precisa ser ensinado. passando por coordenadores e diretores. apenas para avaliação.criança aprende a falar com os adultos com quem convive e com seus colegas de brinquedo e de interação em geral. Descobriremos que livros já leram. O princípio é o mais elementar possível. desde que não pense só em listas de conteúdos e em avaliação "objetiva" SABEMOS O QUE OS ALUNOS AINDA NÃO SABEM? De uma certa forma. A escola poderia aprender muito com os procedimentos "pedagógicos" de mães. Nada de consultar manuais e guias para saber o que se deve ensinar. Por isso. vão à rua. lêem outros livros. Adotando esse critério para todas as séries. e depois reescrevem. após determinado número de anos na escola. babás e mesmo de crianças. são um pouco heterogêneas. ou como se escreve de fato "na vida" . desses programas pré-fabricados para ir do simples ao complexo. o que se faz é falar e ouvir. segundo sua especificidade e eventual . lêem arquivos. se examinássemos sua fala com cuidado. dizendo e sendo corrigidas quando utilizam formas que os adultos não aceitam. vou fornecer aqui uma "receita" óbvia para estipular programas de ensino para língua materna nos diversos anos escolares (com a ressalva de que jamais me refiro à alfabetização. Nos cursos de didática que fazemos nas faculdades ou nos cursos de magistério. mas falamos tanto e as regras são relativamente tão poucas que acabamos por aprender. mas que veríamos claramente que conhecem. O fato de que as crianças não façam exercícios.refiro-me. em relação ao português padrão (escrito. organizaremos os "problemas" em séries. Mas não existe reprovação. certamente sua contribuição para o domínio da escrita será praticamente nula. aprendemos a elaborar planos de cursos.. Seguindo esse princípio. como escrevem. por comparação com o projeto da escola. desde os das Secretarias de Educação até os professores. de bom senso. com uma freqüência semelhante à freqüência da fala e das correções da fala. Nélson Rodrigues diria que se trata do óbvio ululante. portanto. Mas. é de "seriedade" e cerimônia tamanha que merece ser desmistificada. Eles pesquisam. as atitudes. por exemplo. e mostram para colegas ou chefes. É que pode não parecer. exercícios de fixação e de recuperação etc.. humilhação. numa sexta série. contextualizadas. jornalistas. portanto. portanto. presos a uma tradição que não se justifica a não ser por ser tradição. repito. Se não passarem de exercícios eventuais. nas casas. ou significativamente.

por que fazemos coisas semelhantes nas aulas de português. "dê o aumentativo de". a não ser quando os alunos efetivamente erram e naqueles casos em que erram. Mesmo nesses casos. Assim. para efeito de raciocínio: pensemos o que seria ensinar inglês. na maioria absoluta dos casos em que a estrutura da língua prevê a ocorrência do fenômeno da concordância. e que. além de descobrir o valor social associado a tais recursos . Se fizermos este tipo de levantamento de forma adequada por vários anos. Em resumo. haverá problemas apenas nos lugares de sempre: palavras com" gênero duvidoso" (ou seja. Diria que estes casos não são do tipo em que é melhor prevenir do que remediar. alguns dos problemas serão postos como prioritários. para.. porque. definida com base também na psicologia de aprendizagem que adotamos na escola. Que saber uma língua é uma coisa e saber analisá-la é outra. Se ocorrerem problemas. o que acarreta uma multiplicação dos recursos de linguagem que eles aprendem a manipular. a tradição é tão forte que não conseguimos ver o que de fato fazemos quando ensinamos uma língua que os alunos conhecem fazendo de conta que eles não a conhecem. pelo menos. número. O mesmo vale para numerosas outras lições de gramática normativa. que o passar do tempo é um fator importante de aprendizado lingüístico. Mas. poderão ser deixados para séries mais avançadas (ou. por exemplo). Certamente. Outros. Em geral. . se os alunos falam português o tempo todo? Não seria melhor ensinar-lhes apenas o que não sabem? ENSINAR LÍNGUA OU ENSINAR GRAMÁTICA? Todas as sugestões feitas nos textos anteriores só farão sentido se os professores estiverem convencidos . Não se pode esquecer. Provavelmente haverá mais casos problemáticos de concordância verbal do que de concordância nominal. como em outras. Ou seja: há uma grande probabilidade de que. basta dar-se conta de que é em circunstâncias e com sentidos diferentes que dizemos "que corpinho!"e" há corpúsculos visíveis apenas com instrumentos como os microscópios".isto é. para que se possa perceber claramente qual é o espírito que preside o ensino de língua materna para alunos que já falam. para que insistir em estudar o gênero de "vaca" ? Vou fazer uma comparação com o ensino de outra língua para que as coisas fiquem bem claras. Que saber usar suas regras é uma coisa e saber explicitamente quais são as regras é outra. que essas estruturas sejam objeto de trabalho. por outro lado. exatamente como fazem os adultos com as crianças. provavelmente concluiremos que não é necessário estudar gênero. Por que temos que "começar do começo" nas aulas de inglês? Porque nossos alunos não falam inglês. Neste último caso. Tentemos colocar-nos em outra posição.ou puderem ser convencidos . Além disso. concordância etc. com variação de gênero). além disso. Se os alunos utilizam estruturas como "os livro" . Assim. não lhes ensinaríamos o que lhes ensinamos. não há porque trabalhar com eles. na qual se usam as formas padrões que a escola quer que ele aprenda. Para dar um exemplo óbvio. no Brasil. exatamente aqueles que achamos que alunos típicos de determinada série podem eliminar. cada escola acabará por saber com bastante clareza o que lhe cabe no ensino do padrão e o que os alunos aprendem fora da escola. se a escola tiver um projeto de ensino interessante. solicitar que efetuem exercícios do tipo" dê o diminutivo de" . não serão os prioritários numa determinada série). para que não ocorra que se ensine que "corpúsculo" é o diminutivo de "corpo" em qualquer contexto. Por exemplo: é provavelmente uma enorme perda de tempo ensinar a alunos de primeiro grau que existem diminutivos e aumentativos. aparecessem nas nossas escolas falando em inglês. Se não ocorrerem. em seguida. que se trabalhe sobre eles. para isso. através da leitura esse aluno terá tido cada vez mais contato com a língua escrita. Em outras palavras. Que se pode falar e escrever numa língua sem saber nada “sobre" ela. para crianças que. Só vale a pena trabalhar sobre tais questões para chamar a atenção para os valores de tais formas. aprendem a distinguir estilos diversos e avaliá-los.de que o domínio efetivo e ativo de uma língua dispensa o domínio de uma metalinguagem técnica. mas se nunca dizem" vaca preto" . se ficar claro que conhecer uma língua é uma coisa e conhecer sua gramática é outra. para o fato de que há formas peculiares (como "copázio" e "corpúsculo". o aumento da idade dos jovens implica numa diversificação e sofisticação da interação social. por um lado. por exemplo. casos de sujeitos compostos com elementos masculino e feminino e alguns outros casos raros. é necessário estar atento ao uso e ao sentido reais de tais palavras. é perfeitamente possível saber muito" sobre" uma língua sem saber dizer uma frase nessa língua em situações reais. por alguma razão. parece razoável ensinar apenas quando os alunos erram. uma língua "desde o início" . os erros sejam pouco numerosos. isto é.dificuldade. na nossa sociedade.

Mas há também questões de literatura e de interpretação de textos. e não os escritores que consultam os gramáticos para saber que regras devem seguir. isto é. dando mais espaço em nossas aulas à literatura e à interpretação de textos? c) em muitos testes. por sua vez. Por último. sem poder aprender o grego antigo.. Claro que este fato deve ser considerado. nas quais não há escrita e muito menos gramáticas. portanto. É perfeitamente possível aprender uma língua sem conhecer os termos técnicos com os quais ela é analisada. 45 a 56) . não existiam gramáticas gregas (a não ser na cabeça dos falantes. então. Espero que ninguém diga que não sabem sua língua os falantes de sociedades ágrafas. Falar contra a "gramatiquice" não significa propor que a escola só seja "prática" . deveríamos estar formando alunos que teriam notas próximas de dez em provas de gramática. façam o mesmo com os alunos certamente fracassará. exatamente porque o grego ia mudando e. o mesmo valendo.basta. se se quiser analisar fatos de língua. só há uma explicação: é que as provas não são compostas apenas de questões de gramática. não é verdade que crucial para a aprovação é a gramática. b) em muitos vestibulares e outras provas. 1998. espanhóis etc.que é ensinar língua padrão. Por isso. não é só entre os que poderiam ser chamados preconceituosamente de primitivos que isso ocorre. há questões de gramática. Se verificássemos os fatos e não nossa representação deles (fora o achismo!). professores de português . mesmo assim. Mas. veríamos que o conhecimento explícito de gramática não é tão relevante nessas circunstâncias. Por que. depois de uma década de aulas de gramática. Além do mais. tiram notas mais próximas de um do que de dez. surgem no segundo século antes de Cristo apenas. p. não faz sentido ensinar nomenclaturas a quem não chegou a dominar habilidades de utilização corrente e não traumática da língua. A maior prova disso é que em muitos lugares do mundo se fala sem que haja gramáticas codificadas. portugueses.. nos quais seria impossível ser aprovado sem saber gramática.. eram bastante diferentes das nossas). criar condições para seu uso efetivo. como poderiam os novos falantes entender textos antigos? Ou seja. isto é. mas não tem condições de guiar um turista americano para passear numa cidade brasileira. Sírio. no sentido de listas de regras ou procedimentos de análise. e sem as quais evidentemente não pode haver aulas de gramática como as que conhecemos. isto é. Por várias razões: a) quem elabora provas de português são. reclamar ou brincar. já há condições de fazê-lo segundo critérios bem melhores do que muitos dos utilizados atualmente pelas gramáticas e manuais indicados nas escolas. então. mas para organizar certos princípios de leitura que permitissem ler textos antigos. mas é preciso distinguir seu papel do papel da escola . para coroar uma série de obviedades. do que alguém que tenha estudado a gramática do inglês durante anos. ou abolidas nas séries iniciais ou. e não surgem para que possam ser aprendidas pelos falantes. vestibulares incluídos. o que significa que a análise sintática é importante. evidentemente. logo se levantam objeções baseadas nos vestibulares e outros testes. principalmente porque se sabe que refletir sobre a língua é uma das atividades usuais dos falantes e não há razão para reprimi-Ia na escola. (POSSENTI. Mas. então. damos tanta ênfase à gramática. Quando se discute ensino de língua e se sugere que as aulas de gramática sejam abolidas. Seria interessante que ficasse claro que são os gramáticos que consultam os escritores para verificar quais são as regras que eles seguem.eu disse mais importante. os gregos escreveram muito antes de existir a primeira gramática grega. Ou será que não é porque não sabem gramática que têm notas baixas? Se for. que não sejam as únicas aulas existentes na escola. Tentemos responder à seguinte pergunta: que gramáticas do grego consultaram Ésquilo e Platão? Ora. eles sabiam grego). adequadamente. Portanto. Qualquer projeto que não considere como ingrediente prioritário os professores desde que estes. é verdade.). d) admitindo que a gramática fosse importante. Trata-se apenas de reorganizar a discussão. mas é menos.não reflita sobre questões de língua. Seria contraditório propor esta atitude. o que se vê são alunos que. para os escritores latinos. a redação é eliminatória. que os especialistas mudem de estratégia de avaliação. em geral. uma última: as únicas pessoas em condições de encarar um trabalho de modificação das escolas são os professores. Não vale a pena recolocar a discussão pró ou contra a gramática.. de alterar prioridades (discutir os preconceitos é certamente mais importante do que fazer análise sintática . ao invés de invertermos ou pelo menos equilibrarmos os critérios de importância. como os concursos públicos. Mas. xingar. Mas.sabe evidentemente mais inglês uma criança de três anos que fala inglês usualmente com os adultos e outras crianças para pedir coisas. As primeiras obras que poderiam ser chamadas de gramáticas (mas. pelo menos.

segundo Magda Soares (2003: 15). . principalmente. Ivan Batista da Silva (FAFIA). Recentemente.br/viiicnlf/anais/caderno09-06.html http://www.br/viiicnlf/anais/caderno09-06.org. seriam apenas mais alguns dados para pessoas comuns.br/viiicnlf/anais/caderno09-06. não foi encontrado o verbo “letrar”. porém. contém o verbete com o simples significado de “escrita”. no dicionário Aurélio.filologia. e avaliou que mais da metade dos alunos não é capaz de responder a questões que requerem raciocínio e 60% só conseguem identificar informações muito simples. por exemplo. esse vocábulo surgiu entre os lingüistas e estudiosos da língua portuguesa. através do Programa semanal “Fantástico”. nesta obra.org. PCNs/ vídeo ATIVIDADE A critério do professor TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 19 – ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO Texto 1 http://www. Há alguns anos. pode-se dizer que menos de vinte. Kato.org. com edição constando de mais de um século.html LETRAMENTO: VOCÊ PRATICA? Cyntia Santuchi Peixoto (FAFIA). Letramento: onde. e mais de 1. para os acadêmicos desse setor.000 crianças na 4ª série do ensino fundamental não sabem ler. Constatou-se que uma das primeiras menções feitas deste termo ocorreu em No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística (1986) por Mary A. É fato que o nosso país possui um número significativo de indivíduos que não adquiriram o saber necessário para atender às exigências de uma sociedade letrada. o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete. tanto de crianças que saem da escola e de outros que não tiveram a oportunidade de se apropriarem do saber da leitura e escrita. É neste ponto que entra a grande questão da intervenção do educador e a inclusão da prática geradora do letramento.600 são capazes de ler apenas frases simples.AULA 17 – DEBATE DO FILME “crianças invisíveis” CONTEÚDO Perceber as diferentes formas de “ler” o filme e relacioná-lo à disciplina PCNs/ vídeo ATIVIDADE Debate sobre o filme TRAZER NA PRÓXIMA AULA AULA 18 – ATIVIDADE SOBRE O FILME CONTEÚDO Relacionar cenas do filme com a disciplina. Luciano Dutra Ferreira Não é novidade que o Brasil ainda enfrenta insistentemente o problema do analfabetismo. e então passou a ter veiculação no setor educacional. Eliane Bisi da Silva (FAFIA). A mesma registra. bem como também. Ela ressalta.filologia. fez uma pesquisa intitulada “Provão do Fantástico” aplicada em 27 capitais brasileiras (somente em escolas públicas). nada foi encontrado. a Rede Globo.filologia. que foram feitas buscas em dicionários da língua portuguesa quanto ao significado da palavra. mas é algo extremamente alarmante para o educador. Esses. De acordo com informações (MEC/INEP. 2001) cerca de 980.html http://www. como e por que foi criado este termo? O vocábulo é um tanto quanto fora do comum para muitos profissionais da área da educação e.

e. com a representação etimológica de estado. pois. e incisivos. E. atualmente. têm-se conhecimento sobre a problemática da falta do saber ler e escrever. e que responde de maneira satisfatória as demandas das práticas sociais.ainda. especialmente. conceitos em que a alfabetização é estabelecida em termos mecânicos e funcionais. através de muitos estudos e ações com o objetivo de erradicar o problema. Mas. em “Letramento e alfabetização” (1995). E o indivíduo para não ser atropelado e marginalizado pelas mudanças sociais deverá acompanhar. por que e para que surgiu o que se denominou letramento? Por todo o tempo em que já vivemos como uma sociedade grafocêntrica. surgindo o “analfabetismo”. Como processo que é parece-me antes que o que caracteriza a alfabetização é a sua incompletude. Com isso. Não que o educando não tenha qualquer saber antes da alfabetização. para ler e escrever. que responde de maneira ampla e satisfatória as demandas sociais fazendo uso de alguma maneira da leitura e . é algo que nunca será alcançado por completo. pelo contrário. O mal-entendido que parece estar na base da primeira perspectiva é que a alfabetização é algo que chega a um fim. que no mesmo dicionário esse vocábulo é classificado como “antiquado”. pelo aspecto sociointeracionista. Nos dicionários da língua portuguesa o termo alfabetizado diz respeito ao indivíduo que somente aprendeu a ler e escrever. logo. foi muito bem discorrido por Paulo Freire: O ato de ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. depois revelaram o mundo e a seguir escreveram as palavras. está sendo mal entendida: Há duas formas segundo as quais comumente se entende a alfabetização: ou como um processo de aquisição individual de habilidades requeridas para a leitura e escrita. e assim. não se diz que é o que adquiriu o estado ou condição de quem se apossou da leitura e da escrita. Neste âmbito. através da atualização individual. afinal. 1990: 10). e literate é definido como educado. isto. logo. que a alfabetização do individuo. de alguma forma. ou como um conjunto de práticas culturais que promove a mudança emancipadora” (DONALDO. O termo se originou de uma versão feita da palavra da língua inglesa “literacy”. ou como um processo de representação de objetos diversos. ampliando a abrangência da alfabetização. podemos analisá-la à medida que esta reproduz a “formação social existente. muitos estudiosos discutem a necessidade de se transpor os rígidos conceitos estabelecidos sobre a alfabetização. A realidade é que existe a extensão e a amplitude da alfabetização no educando. ou qualidade de ser literate. Esse é um ponto de suma importância para aqueles que pretendem despojar-se dos restritos. Ainda. no que diz respeito às práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. foi preciso criar um termo e fazê-lo conhecido no campo da pesquisa. Então. Com isso. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra. afirma que a alfabetização. este termo caiu em desuso há bastante tempo em nossa língua. não há um ponto final. Mas. este está em constante processo de transformação. fica subentendido. os seres humanos primeiro mudaram o mundo. de naturezas diferentes. considerá-la como a relação entre os educandos e o mundo. ser descrita sob a forma de objetivos instrucionais. sabemos que todo indivíduo possui. Até mesmo historicamente. observou-se que para o estado / condição daquele que sabe ler e escrever. o processo que levará ao crescimento e desenvolvimento. portanto. por que este termo tem sido utilizado agora com certa freqüência nos campos educacionais e lingüísticos? Devemos esclarecer que esse vocábulo não tem sido usado. por muitas vezes. e pode. com a denotação supracitada. Leda Verdiani Tfouni. condição. gerou-se uma crescente preocupação em desenvolver um controle sobre essa questão. níveis de conhecimento. Ora.

. Por outro lado. depara-se com a necessidade de se criar novos vocábulos ou nomes para se tratar com determinados assuntos (SOARES. praticamente toda a população conclui o ensino fundamental (que. é o estado ou condição de quem não apenas sabe ler e escrever. nos países citados. gerando novos termos específicos. não é com os níveis de analfabetismo. Apesar da constatação de que os critérios de avaliação deles não se assemelham muito aos nossos quanto à alfabetização. Ele é o resultado da ação de ensinar e/ou de aprender a ler e escrever. Enquanto o letramento “focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade” (TFOUNI. com freqüência. o que também se observa é que. mas enfrentam dificuldades para escrever um ofício. Ou seja. registrar a candidatura a um emprego . pois. as diferenças que há em avaliar níveis de letramento e níveis de alfabetização. freqüentes mudanças sociais geram novas demandas sociais de uso da leitura e da escrita. a Inglaterra. é satisfatório saber também. a preocupação. o que se observa é que isso tem gerado mudanças sociais e culturais. 2003: 56-57): Analfabetismo no primeiro mundo? (. É que. e denota estado ou condição em que um indivíduo ou sociedade obtém como resultado de ter-se “apoderado” de um sistema de grafia. tem duração maior que a do nosso ensino fundamental . contudo. inclusive.) quando os jornais noticiam a preocupação com altos níveis de „analfabetismo‟ em países como os Estados Unidos. preencher um formulário. logo. onde entra a alfabetização? E o letramento? Ou. traduz illiteracy (inglês) e illetrisme (francês) por analfabetismo. históricas? Ainda quanto às diferenças entre letramento e alfabetização é necessário alertar que. necessário é saber fazer uso do ler e do escrever. Quando fatos “novos” são constatados. se trabalham os dois simultaneamente? . Pois. ou grupo. devemos separá-los quanto ao seu abarcamento. o número de pessoas que não sabem ler ou escrever aproxima-se de zero.os níveis de letramento é que são baixos. Letramento e alfabetização: onde está a diferença? A alfabetização.10 anos nos Estados Unidos e na França. e ainda. devido as suas distinções já mencionadas anteriormente. isso se fez necessário devido à constatação de uma nova situação: de que não basta apenas o saber ler e escrever. que já existem mudanças consideráveis em nossos parâmetros. 11 anos na Inglaterra). mas cultiva e exerce as práticas sociais que usam a escrita. quando a nossa mídia traduz para o português a preocupação desses países. mas demonstra claramente as diferenças entre os dois processos acima citados. estes dois processos estão diretamente ligados. portanto. a França. Essa confusão implica no exercício de um e de outro. como já mencionamos. saber responder às exigências de leitura e de escrita que a sociedade faz. Na verdade. 1995). Então.. e. 2003). com a dificuldade que adultos e jovens revelam para fazer uso adequado da leitura e da escrita: sabem ler e escrever. e salienta as características sócio-históricas ao se adquirir um sistema de escrita por um grupo social.escrita. se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo. estes dois de maneira confusa têm sido fundidos como um só processo. ou surgem novas idéias à respeito de fenômenos. não existe analfabetismo nesses países. e por que não dizer. o nome letramento surgiu mediante a esta nova constatação. Mais tarde. surpreendente porque: como podem ter altos níveis de analfabetismo países em que a escolaridade básica é realmente obrigatória e. ainda não havia uma denominação. O letramento é um fenômeno de cunho social. O exemplo acima são verificações feitas fora do Brasil. Um exemplo do que acabamos de mencionar (SOARES. isto é. mas com os níveis de letramento. Há verificações de que a concepção de alfabetização também reflete diretamente no processo de letramento.

por exemplo. mesmo que tudo seja carregado de suas particularidades. a de “escriba”. O texto exemplifica como um adulto pode até ser analfabeto. todavia. sinalizações diversas. Uma nota no livro “Letramento: um tema em três gêneros” de Magda Soares (2003: 47) faz um apanhado. jornais. por acreditarmos que a possibilidade de uma pessoa possuir grau zero de letramento não exista. apresentam grandes dificuldades para interpretar textos lidos. ele não aprendeu a ler e escrever. E ainda. também. em se tratando deste viver em uma sociedade grafocêntrica. E. criando seus próprios textos “lidos”. em que a personagem escrevia correspondências para pessoas analfabetas em troca de dinheiro. Todavia. revistas. presencia a prática de leitura. visto de uma maneira prática e real. são capazes de ler e escrever. então dizemos que ela tem um continuum. iletrado “que ou quem não tem conhecimentos literários. Com isto. e que não saiba ainda ler e escrever. neste ponto divergimos. ele lança mão de todos os recursos necessários da língua para se comunicar. sobre o assunto. tem contato com livros. Sociedade letrada/iletrada: indivíduo letrado/iletrado Há uma definição única e restrita quanto ao conceito de sociedade letrada/iletrada. livros diversos. utiliza a escrita para escrever uma carta através de um outro indivíduo alfabetizado. e a partir daí também se interessa por ler. de alguma forma. ouve histórias lidas por pessoas alfabetizadas. . um escriba. bulas de remédios. acordamos que os dois processos andam de mãos dadas. O que pretendemos é incentivar o educador a fazer uso do conhecimento nato de mundo que o educando possui e sua relação com a língua escrita. Com tudo isso. gostaríamos de destacar que nessa nota acima mencionada diz também que esse tipo de indivíduo pode ser uma pessoa alfabetizada. Este indivíduo é analfabeto. levantar questões sobre as desigualdades de alfabetizado para letrado. Ele demonstra com isso que conhece. ou texto que contém informações importantes para ele: seja uma notícia em um jornal. assim ele poderá alfabetizar letrando. itinerário de transportes. analfabeto ou quase”. informativos. a de se corresponder. que fez uso de sua capacidade de ler e escrever uma profissão. logo. muito conhecido. receita do médico. não possui a tecnologia da decodificação dos signos. ou seja. Ainda na nota de Magda Soares (2003: 47) eles também exemplificam o caso de uma criança que mesmo antes de estar em contato com a escolarização. ou de escrita. no dicionário Aurélio o verbete letrado é definido como “que ou quem é versado em letras. ou seja. bem como indivíduo letrado/iletrado? Os dicionários da língua portuguesa definem os vocábulos letrado e iletrado. é a personagem de Fernanda Montenegro no filme “Central do Brasil” de Walter Salles. de forma peculiar a sua condição eles demonstram possuir características de grupos letrados. manuais de instrução. erudito”. ele possui um certo grau de letramento devido a sua experiência de vida em uma sociedade que é atravessada pela escrita. porém. contudo. mas não é letrada. mesmo que seja só encenação. Esse exemplo nos remete a outro. mas é necessário enfatizar que é o próprio analfabeto que dita o seu texto. mas. este é letrado. pois já defendemos que todo tipo de indivíduo possui algum grau de letramento. já quase desconhecida. pelo qual estamos tratando. pode ser letrado. que talvez não tenha sido percebido por quem assistiu. Estes. Mediante essas definições percebemos que esses adjetivos não tem relação com o sentido do letramento. como também podem não ser capazes de sequer escrever uma carta ou bilhete. mesmo que indiretamente. alguns “quase” nenhum. ou seqüência. Não queremos estabelecer uma ordem. ela também pode ser considerada letrada. não possuem habilidades para práticas que envolvem a leitura e a escrita: não lêem revistas. e estão eles ligados às necessidades e exigências de uma sociedade e de cada indivíduo no seu meio social. No entanto. utilizavam os códigos da escrita. as estruturas e funções da escrita. Ao saber de algumas distinções básicas destes dois termos poderíamos. e ainda. logo.Se afirmamos que a alfabetização é algo que não tem um ponto final. placas. há pelo menos uma constatação: existem diferentes tipos e níveis de letramento. O mesmo faz quando pede para alguém ler alguma carta que recebeu. mesmo que seja mínimo. há casos de indivíduos com variados níveis de escolarização e alfabetização que apresentam níveis baixíssimos de letramento. poderíamos dizer que este é o letramento. Os indivíduos que a usavam como ferramenta para se envolver em uma prática social. porém não com plenitude. contudo.

assim. foi isto o que fomentou uma sumária perseguição por parte da Inquisição. do livro “Letramento e Alfabetização”. Ao contrário. XVI chamado Menocchio que foi perseguido. Ela registra em sua obra algumas passagens de Ginszburg (1987). são abordados em trabalhos sobre o letramento não se assemelham ao dos dicionários. 1990). Vimos. que com certeza lucrará com esse desenvolvimento. e isto. não há veracidade nessa afirmação. Achavam eles que. e ainda. coisa que os seres humanos fazem antes de ler a palavra”. habilidades diversas para que este se envolva com as variadas demandas sociais de leitura e escrita. como também particularizou a releitura dos mesmos textos com “materialismo elementar. Levando assim. anteriormente. gera o enriquecimento tanto para o educador quanto para o educando. e. Esta constatação não está relacionada somente ao educando. Ele já possui sua peculiar capacidade de leitura dentro do seu contexto social para sobreviver em meio ao grupo em que vive. Isso quer dizer que o indivíduo não é um depósito vazio e zerado antes da alfabetização. também poderíamos considerá-los como novos vocábulos. competências. nós. Ele pertencia à classe subalterna. pois a possibilidade de existir indivíduos que não possuem nem um grau sequer de letramento é quase impossível. pois o ato de educar não é uma doação de conhecimento do professor aos educandos. centrada na escrita. do tipo: níveis ou graus de letramento. . mas sabia ler e escrever. e que para isso se torna um instrumento de cooperação para o crescimento dos seus educandos. de Leda Verdiani Tfouni. mesmo que estas sejam consideradas muito boas. A alfabetização com a prática do letramento. e ali. o que não era muito comum naquela época. Ele. é uma contribuição no “processo de humanização”. necessário é que o educador atente-se para aquilo que é sumariamente importante na sua formação. nem transmissão de idéias. O mesmo afirma que a pedagogia se tornará crítica se for investigativa e menos certa de certezas. não seria adequado a utilização do mesmo em uma sociedade considerada moderna e/ou industrializada. estaremos enchendo-o com informações mecânicas e institucionais. das gerações de camponeses”. o ato de aprender “é construir. o que certamente. para dizer que um indivíduo não está num estado pleno de letramento. lançando-se a novos saberes. “o ato de aprender a ler e escrever deve começar a partir de uma compreensão muito abrangente do ato de ler o mundo. é bem mais elevado do que simplesmente se enquadrar na mesma. acredita-se que é inconveniente afirmar que existe “nível zero” de letramento. só os eclesiásticos católicos detinham o poder de interpretação da Bíblia Sagrada. Comenta a autora que Menochio não foi condenado apenas por saber ler e escrever. mais crítica ela se tornará” (FREIRE. Processo este de fundamental papel no exercício de educador que acredita na construção de saberes e de conhecimentos para o desenvolvimento humano. o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito”. porque fazia suas próprias interpretações dos textos bíblicos e da religião. em consideração o que Paulo Freire muitas vezes insistiu em sua pedagogia “de que a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Então. Já mencionamos por várias vezes que o letramento é um fenômeno social. o termo “iletrado”. educadores. através de uma escolarização. pois sabemos que o educador tem que estar sempre adquirindo novos aprendizados. é o mesmo da autora. trará ao indivíduo capacidades. normalmente. e isto. bem como “iletramento” é impraticável. A partir disso. O profissional de educação deve ser capaz de fazer sua interferência na realidade. No nosso ponto de vista.Os termos que. O papel do educador no letramento como “professor-letrador” Paulo Freire afirma que para o educador. ou seja. o que se propõe é o uso de termos próprios. gerará novos conhecimentos. e ainda. Então. é que a autora conclui e propõe que não deve ser usado o termo “iletrado”. levando-os a criar seus próprios conceitos e conhecimento. e principalmente. A lingüista comenta que essa história demonstra como o termo “letrado” não pode ter um sentido único. foi considerado perigoso por que entendeu que quem tivesse a capacidade de domínio e transmissão da cultura escrita teria o poder. e condenado à morte porque suas idéias foram consideradas ofensivas e cheias de heresias. como também. que devemos analisar bem antes de aplicar o termo letrado. mas sim. “o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática”. torturado. no que diz respeito à sociedades tecnologizadas. resulta em mudanças de vários aspectos. essa intervenção que se faz necessária pode ser proporcionada por ele. Afinal. “quanto mais inquieta for uma pedagogia. reconstruir. logo. que necessariamente. constatar para mudar. Por isso. dentre elas a história de um homem que viveu no séc. instintivo. iletrado.

requer a participação transformadora dos sujeitos sociais que a utilizam. 7) avaliar de forma individual. 4) incentivar o aluno a praticar socialmente a leitura e a escrita. baseados na descontextualização. enfatizamos a importância da aplicação. obtenha informações a respeito do tema. a sua aplicação. acima de tudo. neste ponto entendemos que surge a necessidade de se letrar os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem. como tal. e respeitar. ser professor-aprendiz tanto quanto os seus educandos. e o letramento é um exemplo claro disso. e 10) reconhecer a importância do letramento. mas desenvolver uma metodologia avaliativa com certa sensibilidade. ou a prática do letramento por parte do professor. levando em consideração as peculiaridades de cada indivíduo. inclusive na escola. Contudo. Para o educador se tornar um “professor-letrador” necessário se faz que. ainda não finalizada. pois sabemos que alguns desses profissionais. 1995: 47). se colocam em uma posição quase inatingível. autônoma e ativa. destacamos alguns passos fundamentais para o desempenho do papel do “professor-letrador”: 1) investigar as práticas sociais que fazem parte do cotidiano do aluno. levar os seus educandos a um processo mais profundo nas práticas sociais que envolvem a leitura e a escrita. e em análise. atentando-se para a pluralidade de vozes. as suas dimensões e. interpretação e produção de diferentes gêneros de textos. ou se finda. e essas refletem em todos os setores. 3) desenvolver no aluno. é lógico que a cristalização dos saberes do educador é um equívoco. 2) planejar suas ações visando ensinar para que serve a linguagem escrita e como o aluno poderá utilizá-la. medrar subsídios para educadores é uma tarefa difícil de ser exercida. Reconhecidamente. habilidades de leitura e escrita que funcionem dentro da sociedade. num determinado momento. mas vamos neste trabalho nos ater nesse meio por considerar que cabe à escola. e abandonar os métodos de aprendizado repetitivo. fundamentalmente. Entretanto. 8) trabalhar a percepção de seu próprio valor e promover a auto-estima e a alegria de conviver e cooperar. nem das falhas num currículo que não instrumentaliza o professor para o ensino” (KLEIMAN. pois essas falhas são mais enraizadas. adequando-as à sala de aula e aos conteúdos a serem trabalhados. completos de suas certezas. Porém. já que a linguagem é interação e. as insuficiências do sistema escolar na formação de indivíduos absolutamente letrados não sucedem somente pelo fato de o “professor não ser um representante pleno da cultura letrada. . pois o conhecimento nunca se completa. implicando assim o reconhecimento daquilo que o educando já possui de conhecimento empírico. de forma criativa. Essa última é desenvolvida através de pesquisas e investigação. crítica.O letramento não está restrito ao sistema escolar. descobridora. 9) ativar mais do que o intelecto em um ambiente de aprendizagem. porque são produtos do modelo imposto pelo sistema padrão de ensino. 5) recognição. 6) não ser julgativo. a variedade de discursos e linguagens diferentes. primeiramente. Saber ler e escrever um montante de palavras não é o bastante para capacitar o indivíduo para a leitura diversificada. que geram subsídios-suportes. sobretudo. por parte do professor. através da leitura. esse conhecimento. se há mutações contínuas na sociedade contemporânea.

para que incorporem uma nova educação para crianças. Como também o seu abarcamento. ainda. seremos aptos a promover o letramento. pois o preparo dos educadores proporcionará alterações no ensino / aprendizagem dos educandos e desenvolverá o letramento de ambos os envolvidos. Na intenção de compreender os caminhos percorridos (ou perdidos) para a transformação da escolarização. Pretende ainda. e por suas equivocadas práticas de ensino. Possibilitar a esses uma reflexão sobre a visão de mundo e de alfabetização. é de informar descritivamente sobre o letramento quanto a etimologia. o seu surgimento e as suas diversificadas práticas sociais. e analisando especificamente o recorte investigado neste trabalho. mas reais possibilidades têm-se mostrado como verdadeiras mudanças educacionais. o que nos interessa no âmbito a que nos propusemos neste trabalho. promovendo novas formas de relações no processo do letramento. suas dimensões e o mais intrigante. De certo. pois esse abre caminho para o indivíduo estabelecer conhecimentos do mundo em que vive.Quando nos dermos conta de que o processo natural de desenvolvimento do ser humano é massacrado pela escola. Subsidiar seria uma pretensão. jovens e adultos. reformular e construir a compreensão acerca das bases teóricas da aprendizagem. somos levados a considerar a hipótese de que o despreparo e desinformação dos profissionais e. os acadêmicos da área de educação promovem a distância entre a assimilação prática e conceitual do letramento. gerarão pessoas com capacidades múltiplas de interação com a sociedade. De qualquer forma. . mas este trabalho visa dar um suporte para os educadores que desejam reconstruir suas propostas pedagógicas. sabemos que o processo é lento devido a situação atual do sistema escolar e da formação profissional do professor. como estar desenvolvendo-o na sala de aula. Com isso. informando-se para gerar conhecimento crítico e analítico quanto às atividades do letramento versus a pedagogia mecânica e institucional por tanto tempo praticada em nossas escolas.

e • as necessidade colocadas pelas situações de ensino e aprendizagem. seleção de repertório. de forma a promover a leitura autônoma. de palavras cruzadas e outros jogos). A biblioteca de classe não precisa ser excessivamente ampla no que se refere ao número de volumes disponíveis. o gravador e o vídeo merecem destaque: além de possibilitarem o acesso a textos que combinam sistemas verbais e não-verbais de comunicação (o que é importante do ponto de vista comunicativo). o que permite uma diversificação de leitura aos alunos. e a constituição de atitudes de cuidado e conservação do material disponível para consulta. jornais. transparências de textos para serem utilizadas no retroprojetor. desenhos gráficos. Ao contrário. paginação. para atender a necessidades específicas dos projetos de estudo). piadas. Além disso. diários de viagens. um volume para cada aluno de um único título: nesse caso. O papel da escola (e principalmente do professor) é fundamental.). sejam trazidos para a sala de aula nos seus portadores de origem (ainda que em algumas situações possam ser agrupados segundo gênero ou tema. fotografias. deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: • sua utilização nas diferentes situações de comunicação de fato. ilustrações. é preciso que se tenha propostas específicas de trabalho que justifiquem essa opção. dossiês sobre assuntos específicos. almanaques. brincadeiras e jogos infantis. em algumas situações. — deve garantir que todos os alunos tenham acesso ao material disponível. romances. Mais do que isso: deve possibilitar ao aluno o gosto por freqüentar aquele espaço e. poesia. 61 e 62) Os recursos didáticos e sua utilização Ao selecionar recursos didáticos para o trabalho pedagógico na área de Língua Portuguesa. diferentes elementos utilizados para atribuição de sentido — como fotografias. Entre os principais recursos que precisam estar disponíveis na escola para viabilizar a proposta didática da área. Na biblioteca escolar é necessário que sejam colocados à disposição dos alunos textos dos mais variados gêneros. por exemplo. fundamentais para um trabalho como o proposto por este documento. etc. Da mesma forma. . livros de consulta das diversas áreas do conhecimento. Além dos materiais impressos que se pode adquirir no mercado. As bibliotecas — escolar e de classe — são. possuem aplicações didáticas interessantes para a organização de situações de aprendizagem da língua. —. revistas de literatura de cordel. sempre que possível. Também é possível que se tenha. Do acervo da classe também podem constar produções dos próprios alunos. textos gravados em áudio e em vídeo. estão os textos autênticos. etc. etc. trava-línguas. entre outros. etc. também aqueles que são produzidos pelos alunos — produtos dos mais variados projetos de estudo — podem compor o acervo da biblioteca escolar: coletâneas de contos. utilização de índices. estantes e disposição dos livros. em quadrinhos. tanto no que se refere à biblioteca escolar quanto à de classe. respeitados os seus portadores: livros de contos. mobiliário. A utilização de textos autênticos pressupõe cuidado com a manutenção de suas características gráficas: formatação. cartazes. jornais. é preciso que a variedade de materiais e títulos esteja garantida. Entre as diferentes possibilidades — slides. O emprego de recursos audiovisuais pode ser de grande utilidade na realização de diversas atividades lingüísticas. dessa forma. consulta a diferentes fontes de informação. revistas. para a organização de critérios de seleção de material impresso de qualidade e para a orientação dos alunos. enciclopédias. etc.AULA 20 – RECURSOS DIDÁTICOS E SUA UTILIZAÇÃO TEXTO 1 (PCNs – p. a organização do espaço físico — iluminação. seleção de textos adequados às suas necessidades. o gosto pela leitura. é importante que esses textos. dicionários. a aprendizagem de procedimentos de utilização de bibliotecas (empréstimo. revistas (infantis. nessa perspectiva. agrupamentos dos livros no espaço disponível. livros de narrativas ficcionais.

no entanto. Belo Horizonte: Autêntica. PENNAC. 1995. Ao serem gravadas leituras expressivas de textos. KATO. SMOLKA. cadernos de textos conhecidos pela classe. POSSENTI. é realizar uma boa seleção dos materiais que se incorporarão à aula. ed. Os significados do letramento. Por que (não) ensinar gramática na escola. Como incentivar a leitura. . é necessário que se faça menção ao computador: alguns programas possibilitam a digitação e edição de textos produzidos pelos alunos para publicações internas da classe ou da escola. Oficina de leitura: teoria & prática. Campinas: Mercado de Letras. Daniel. Rio de Janeiro: Rocco. Finalmente. Na alfabetização inicial. M. São Paulo: Ática. é fundamental que sejam adequados à proposta didática a ser desenvolvida: há ocasiões em que é possível utilizar materiais do entorno próximo. Belo Horizonte: Autêntica. BAGNO. Campinas: Pontes. 2006. jogos didáticos que proponham exercícios lingüísticos. _______. ZÓBOLI. etc. Betty. Práticas de ensino: subsídios para a atividade docente. GOMES. estados. O mais importante. Richard. haverá necessidade de se recorrer a materiais produzidos com finalidades especificamente didáticas. São Paulo: Ática. 1998. sobretudo a leitura. Graziella. O vídeo também pode ser útil nas atividades de revisão de texto: permite que se volte sobre as produções orais dos alunos para analisar tanto aspectos lingüísticos como nãolingüísticos (gesto. Maria Lúcia de Castro. Como um romance. 2007. o possível e o necessário. Geraldo Peçanha de. expressão facial. 1988. alguns materiais podem ser de grande utilidade ao professor: alfabetos. São Paulo: Cortez. KLEIMAN. outros. BAMBERGER. LAJOLO. São Paulo: Loyola. Roxane (org. Marcos. simulações de anúncios e programas de rádio e entrevistas. 1999. o ritmo. MORAIS. Preconceito lingüístico: o que é. possibilitam o trabalho com aprendizagens específicas. Campinas: ALB. pastas de determinados gêneros de textos. SOARES. São Paulo: Ática. por exemplo. é possível que os alunos revisem esses textos de maneira a centrar sua atenção sobre alguns aspectos específicos da produção oral: a entonação. tendo como critério a qualidade tanto do ponto de vista lingüístico quanto gráfico. Delia. LENER. Além disso. 1997. 2a. COELHO. 2002. outros permitem a comunicação com alunos de outras escolas. Práticas de alfabetização e letramento. São Paulo: Ática. Literatura infantil brasileira: histórias & histórias. R. como se faz. crachás ou cartazes com os nomes dos alunos. Mary A No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. 2000. Campinas: Mercado das Letras. Ler e escrever na escola: o real. 1995. ainda. São Paulo: EDUC. 2003. São Paulo: Ática. dicionários organizados pelos alunos com suas dificuldades ortográficas mais freqüentes.) A prática da linguagem em sala de aula. 1999. Letramento: um tema em três gêneros. Porto Alegre: Artmed. Magda. Ana Luiza Bustamante. 2007. postura corporal. 1998. Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa. Ângela. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo.) O aprendizado da ortografia. ROJO. Curitiba: IBPEX. São Paulo: Cortez.O gravador é um recurso bastante útil nas atividades de revisão de textos orais produzidos pelos alunos. 2000. Bibliografia de apoio (para leituras complementares) ALMEIDA. E ZILBERMAN. países. a redundância no uso de certos termos e a organização do discurso. em outras. 1997. Contar histórias: uma arte sem idades. por exemplo. Artur Gomes de (org.) da produção do discurso. 1999. Sírio.

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