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Contra o Cigarro

http://www.brasilescola.com/doencas/cigarro.htm

Câncer
O fumo é responsável por 30% das mortes por câncer e 90% das mortes
por câncer de pulmão. Os outros tipos de câncer relacionados com o uso
do cigarro são: câncer de boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim,
bexiga e colo de útero.
Doenças Coronarianas
25% das mortes causadas pelo uso do cigarro provocam doenças
coronarianas tais como angina e infarto do miocárdio.

Doenças Cerebrovasculares
O fumo é responsável por 25% das mortes por doenças
cerebrovasculares entre elas derrame cerebral.
Doenças Pulmonares Obstrutivas Crônicas
Nas doenças pulmonares obstrutivas crônicas tais como bronquite e
enfisema 85% das mortes são causadas pelo fumo.
Outras doenças que também estão relacionadas ao uso do cigarro e
ampliam a gravidade das conseqüências de seu uso são:

Aneurismas arteriais; úlceras do trato digestivo; infecções respiratórias...

Informação retirada da Isto É: A Organização Mundial da Saúde (OMS)


deu mais um golpe duríssimo contra o cigarro. Os 192 países integrantes
da entidade aprovaram um tratado mundial antitabaco cujo objetivo é
reduzir o número de mortes relacionadas ao produto, estimado hoje em
cerca de cinco milhões de vidas perdidas por ano no mundo. Pelo menos
30% do tamanho das embalagens deverá conter alerta sobre os
malefícios do fumo e os governos se comprometeram a endurecer o
combate ao contrabando de cigarro, entre outras ações. “Agimos para
salvar milhões de vidas e para proteger a saúde das gerações futuras. A
aprovação do tratado foi um momento histórico”, disse Gro Brundtland,
diretora da OMS.
O porquê de não fumar:
Fumantes têm 50% a mais de chances de terem infarto que os não
fumantes;
Fumantes têm 5 vezes mais chances de sofrer de bronquite crônica e
enfisema pulmonar que os não fumantes;
Dependendo do grau de enfisema pulmonar, mesmo que o indivíduo
suspenda o uso do cigarro se torna irreversível o processo (largar o
quanto antes... os alvéolos uma vez danificados nunca se regeneram!);
Efeitos no Metabolismo:
O custo metabólico da respiração pode ser reduzido significativamente
como resultado da abstinência. Observou-se uma redução de CO2 em
apenas um dia de abstinência. Durante um exercício a 80% da
Capacidade Aeróbica Máxima (VO2 máx), o custo da ventilação
pulmonar representa 14% do consumo de O² em fumantes e de apenas
9% em não fumantes.
Atletas envolvidos em eventos que requerem resistência nunca fumam.
Isto pode ser explicado pelo fato da fumaça do cigarro causar redução
na função pulmonar e aumentar a quantidade de carboxiemoglobina,
dificultando o transporte de O² do sangue.
Pesquisas apontaram uma melhora no desempenho de nadadores,
velocistas, ciclistas em geral, apenas pela abstinência ao fumo. E eles
reportaram terem se sentido melhor exercitando-se em uma condição de
não fumante.

Dicas para PARAR de fumar:

• Preparar-se para fugir das armadilhas (colegas oferecendo,


companhias que fumam, etc...);
• Fumantes têm 10 vezes a mais de chances de ter câncer de
pulmão;
• Beber muita água;
• Mastigar chicletes e balas ou chicletes de nicotina como
substituição ao cigarro;
• Exercícios aeróbicos e relaxamento;
• Evitar bebidas alcoólicas e café;
• Escovar os dentes imediatamente após as refeições (quem fuma
não tem paladar e quem fuma costuma substituí-lo após as
refeições pelo cigarro);
• Ficar atento a situações de estresse para não ter uma recaída;
• Conscientizar-se dos males do cigarro e pensar negativamente
nele, realmente enojar-se;
• Pratique sempre um novo esporte (para ficar estimulado);

Métodos para PARAR de fumar:

• Contrato de amigos (um ajuda o outro a parar);


• Associação do cigarro com a aversão;
• Diminuição controlada com Cardiologista;
• Hipnose;
• Acumputura;
• Apoio social (grupos específicos);
• Auto Ajuda;
• Auto monitorização (lista de atividades e momentos que mais
fuma);
• Acompanhamento psicológico;

Efeitos
Nos olhos, o fumo produz a ambliopia tabágica, que representa a
debilitação do sentido da visão e distorção do ponto de foco visual.
Quanto ao olfato, o fumo irrita a mucosa nasal e distorce a função
olfativa.
Na boca ocorrem os cânceres dos lábios, língua, além de enfermidades
nas gengivas, incluindo até perda de dentes.
Na laringe, o fumo dilata as cordas vocais, e produz rouquidão, não
sendo raro o câncer nesse local derivado do uso do cigarro.
Nos pulmões, a sucessão de enfermidades produzidas pelo hábito de
fumar é notória: enfisema, bronquite, asma e o mortal câncer pulmonar.
No aparelho circulatório ocorrem o aumento da pressão arterial,
obstrução de vasos sangüíneos, aumento de colesterol, todos fatores
conducentes a ataques cardíacos.
Nos órgãos digestivos o fumo produzi a úlcera péptica dado o aumento
da acidez, além de distúrbios vários no duodeno, e câncer do estômago.
No útero, ocorre aceleração das batidas do feto. Os bebês nascem com
menos peso e ocorre probabilidade maior de nascimentos prematuros.
Nos órgãos urinários pode ocorrer o adenocarcinoma, uma forma de
câncer.
A qualidade do leite materno é afetada para a mãe fumante, pois
substâncias tóxicas são transmitidas à criança, o que lhe causa
irritabilidade e transtornos digestivos. Também o hábito de fumar tende
a diminuir a quantidade de leite.
Componentes do cigarro:
Na fumaça do cigarro já se isolaram 4.720 substâncias tóxicas, as quais
atuam sobre os mais diversos sistemas e órgãos; Contém mais de 60
cancerígenos, sendo as principais:
Nicotina - é a causadora do vício e cancerígena;
Benzopireno - substância que facilita a combustão existente no papel
que envolve o fumo;
Nitrosaminas;
Substâncias Radioativas - polônio 210 e carbono 14;
Agrotóxicos - DDT;
Solventes - benzeno;
Metais Pesados - chumbo e o cádmio (um cigarro contém de 1 a 2 mg,
concentrando-se no fígado, rins e pulmões, tendo meia-vida de 10 a 30
anos, o que leva a perda de capacidade ventilatória dos pulmões, além
de causar dispnéia, enfisema, fibrose pulmonar, hipertensão, câncer nos
pulmões, próstata, rins e estômago);
Níquel e Arsênico - armazenam-se no fígado e rins, coração, pulmões,
ossos e dentes resultando em gangrena dos pés, causando danos ao
miocárdio etc..;
Cianeto Hidrogenado;
Amônia - utilizado em limpadores de banheiro;
Formol - componente de fluído conservante;
Monóxido de Carbono - o mesmo gás que sai dos escapamentos de
automóveis, e como tem mais afinidade com a hemoglobina do sangue
do que o próprio oxigênio, toma o lugar do oxigênio, deixando o corpo
do fumante, ativo ou passivo, totalmente intoxicado.
Causas
Por sua ação vasoconstritora, a nicotina diminui o calibre da artéria do
cordão umbilical e a irrigação sanguínea da placenta. Como
conseqüência, o bebê recebe menos nutrientes, a oxigenação fica
comprometida e a criança pode nascer com peso menor. Nos EUA, um
de cada seis nascimentos de crianças com baixo peso é devido ao fumo.
Os filhos de mães fumantes correm 64,8% mais riscos de morrer após o
nascimento do que os bebês daquelas que não fumaram durante a
gravidez.
Os riscos de ocorrência de defeitos congênitos são de 1,7 a 2,3% mais
altos entre os bebês de mães fumantes.
As mulheres que fumam 20 cigarros por dia têm 61% mais chances de
sofrerem um aborto do que as não fumantes.
Drogas - Brasil Escola
http://drauziovarella.ig.com.br/artigos/cigarro_histori
a.asp

Fraude, corrupção e mentiras


Os fabricantes de cigarro levaram 40 anos para admitir o que já sabiam desde os
anos 1950: o fumo causa câncer de pulmão. Nesse período, "a indústria do tabaco
cometeu uma sucessão de fraudes, propagou mentiras com ares de controvérsia
científica e enganou os consumidores num nível provavelmente inédito na história
do capitalismo". Assim começa o excelente livro "O Cigarro" (Publifolha, 87 pág.),
de Mario Cesar Carvalho.

Nele, o autor conta a história do cigarro desde suas origens. Diz que o capelão da
primeira expedição francesa ao Brasil, em 1556, já relatou seu uso entre os
tupinambás. Daqui, o fumo emigrou clandestinamente para Portugal e para a
Espanha.

Fumar cigarro era raridade até o final do século 19. Em 1880, cerca de 58% dos
usuários de tabaco eram mascadores de fumo, 38% fumavam charuto ou
cachimbo, 3% cheiravam rapé e apenas 1% era fumante de cigarro. Nesse ano, o
americano James A. Bonsack inventou uma máquina capaz de enrolar 200 cigarros
por minuto, o que criou condições para o aparecimento da indústria.

Então veio a distribuição de cigarros aos soldados nas trincheiras, durante a


Primeira Guerra, e seu uso, que se achava restrito às camadas marginais das
sociedades americana e européia, explodiu. Em 1900, o consumo anual americano
era de cerca de 2 bilhões de cigarros; em 1930, chegou a 200 bilhões. As duas
guerras mundiais, que afrouxaram a oposição ao cigarro, a urbanização acelerada,
a criação do mercado de massa e a expansão do mercado de trabalho, criaram as
condições para que a epidemia do fumo se espalhasse pelo mundo, envolta em
glamour por Hollywood, como símbolo de modernidade.

Descrito com clareza o cenário que levou à disseminação dessa praga do século 20
pelos cinco continentes, o autor mostra como ocorreu a tomada de consciência da
sociedade em relação aos malefícios do fumo e como a indústria boicotou as
informações científicas que esclareciam a associação do cigarro com o câncer e
com as doenças cardiovasculares. Até a década passada, por exemplo, a indústria
se negava a reconhecer até o mais óbvio: que a nicotina provoca dependência,
num deboche cínico aos que enfrentam o tormento de parar de fumar.

Essa guerra suja, engendrada por executivos de terno e gravata e por


pesquisadores sem escrúpulos alugados por eles, é apresentada de forma sucinta
e contundente, justificando plenamente a conclusão inicial de que a indústria
enganou de forma vil os consumidores, provocando milhões de mortes evitáveis.

A estratégia de rebater todas as evidências de que o cigarro provoca doenças


mortais conseguiu assegurar aos fabricantes o direito de manter, por muitos anos,
a propaganda do cigarro pelos meios de comunicação de massa, com mensagens
dirigidas a adolescentes, concebidas para aliciá-los à escravidão da dependência de
nicotina. Existe, na história do capitalismo, exemplo mais abominável de crime
contra as crianças, perpetrado em nome do lucro?

Nos dias de hoje, esse aliciamento criminoso se faz sentir especialmente nos
países em desenvolvimento, nos quais a defesa da saúde pública ensaia os
primeiros passos e a vida humana parece valer menos. Conformada com a perda
de mercado nos países industrializados, a indústria do fumo descarrega seu poder
de fogo para conquistar novos dependentes nos países pobres.

No Brasil, apesar do avanço inegável dos últimos anos, a adoção de medidas


restritivas à publicidade do cigarro aconteceu com 30 anos de atraso em relação
aos Estados Unidos, como nos lembra o autor. Desde 1971, é proibido anunciar
cigarro na TV americana; no Brasil, a proibição foi feita há pouco mais de um ano.
Durante 30 anos, nossas crianças foram bombardeadas com mensagens para
induzi-las a fumar, enquanto as americanas eram protegidas pela legislação de seu
país.

Da mesma forma, atualmente, enquanto as multinacionais da indústria de tabaco


concordaram em pagar 246 bilhões de dólares para convencer os 50 estados
americanos a desistir de mover contra elas ações por fraude contra a saúde
pública, aqui não arcam nem sequer com um centavo das despesas com o
tratamento das doenças provocadas pelo cigarro. Por quê? Para essas companhias,
a vida de um cidadão americano vale mais?

Nesse campo vale a pena acompanhar com todo o cuidado a ação que a
Associação em Defesa da Saúde do Fumante (Adesf) move contra a Souza Cruz e
a Philip Morris e que conseguiu, no Supremo Tribunal, a inversão do ônus da
prova, isto é, as companhias é que terão de provar que cigarro não vicia. Foi uma
ação similar a essa que possibilitou o acordo de US$ 246 bilhões nos Estados
Unidos, como bem ressalta Carvalho.
O ponto alto do livro, no entanto, está no capítulo "Por que o Cigarro Conquistou o
Mundo". Nele, o autor toca num ponto quase nunca lembrado, mas absolutamente
fundamental para entender qualquer dependência química: o usuário sente prazer
ao consumir a droga.

No caso da nicotina, esse prazer está ligado à sua interação imediata com
receptores dos neurônios situados em áreas do cérebro associadas às sensações
de prazer e de recompensa e à busca da repetição do estímulo que provocou o
prazer. Se um cigarro for consumido em dez tragadas, o autor calcula, o cérebro
do fumante de um maço por dia verá esse circuito repetir-se 73 mil vezes por ano.
E pergunta com lógica cristalina: que outra droga provoca 73 mil impactos de
prazer num ano? Nessa pergunta elementar está a resposta à dificuldade
enfrentada pelos 80% ou mais dos que fracassam na tentativa de abandonar o
cigarro. Nela está a explicação de por que é mais difícil largar do cigarro do que do
álcool, da maconha, da cocaína, da heroína, da morfina ou do crack.

Área de entrevistas:
Daniel Deheinzelin é professor de Pneumologia da Faculdade de Medicina da USP e
médico do Hospital do Câncer e do Hospital Sírio-Libanês.

Ação da nicotina no aparelho respiratório


Drauzio - A dependência da nicotina, em geral, começa na adolescência. O que
acontece com o pulmão do adolescente quando começa a fumar?
Deheinzelin - Tão logo a pessoa começa a fumar, tem início uma reação
inflamatória provocada, em primeiro lugar, pela temperatura elevada da fumaça
que queima não só os pulmões, mas toda a via aérea. Prova de que isso acontece
é o reflexo de tosse que acompanha as baforadas dos principiantes. Depois, os
sintomas desagradáveis desaparecem e progressivamente vai aumentando o
número de cigarros fumados por dia.

A combustão gera partículas de oxigênio, os radicais livres, que oxidam as


estruturas celulares, destruindo parte da arquitetura dos pulmões. Dizer que o
cigarro faz mal para o pulmão é tratar de uma parte do problema. O cigarro
danifica a via respiratória inteira, porque seu revestimento interno não suporta a
toxicidade nem a alta temperatura da fumaça e começa a sofrer um processo de
substituição de células. Além disso, a produção de muco aumenta muito. Por quê?
Porque o muco funciona como uma capa protetora do tecido epitelial, que reveste
as vias aéreas, e pode ajudar a expelir os elementos irritantes que foram inalados.

Nos brônquios, a fumaça também provoca uma reação inflamatória que ocasiona
sua destruição progressiva.

Portanto, desde o dia em que a pessoa começa a fumar, a integridade de seu


aparelho respiratório fica comprometida por duas razões: os alvéolos passam a ser
agredido constantemente, o que provoca sua gradual destruição; ocorre uma
mudança na composição do revestimento dos brônquios, desencadeando uma
doença conhecida como bronquite.

Aparecimento dos sintomas


Drauzio - A partir de quando isso pode ser detectado por um clínico?
Deheinzelin - O problema é que as manifestações clínicas custam a aparecer. O
pulmão tem uma reserva funcional muito grande. O indivíduo vai perdendo área de
troca gasosa, mas consegue manter a atividade física. "Eu fumo, mas não tenho
nenhum problema. Faço tudo o que sempre fiz, nado, jogo bola". Isso pode até ser
real naquele momento, mas 10 anos mais tarde haverá uma diferença radical
entre seu condicionamento e o de quem não fumou. E não se pode esquecer de
que ele pensa realizar tudo normalmente porque não sabe como faria se não
fumasse.

Estudos que tiveram como referência gêmeos univitelinos, pessoas praticamente


idênticas, demonstraram que a função pulmonar do fumante apresenta sempre
alterações importantes em relação à do que não fuma.

Comprometimento da função pulmonar


Drauzio - Comparando garotas adolescentes com 16 anos, uma fumante há um
ano, com outra não-fumante, as provas de função pulmonar das duas já
apresentam alguma diferença?
Deheinzelin - Isso depende do método empregado. Nessa faixa etária, não se
consegue detectar a diferença. No entanto, se compararmos exames realizados em
várias épocas distintas, consegue-se facilmente identificar a que fuma, porque nela
a perda da função pulmonar é maior. Seus pulmões envelhecem mais depressa do
que os pulmões da não-fumante.

Drauzio - Como se reflete essa perda da função pulmonar no dia-a-dia do


fumante?
Deheinzelin - A capacidade de fazer exercícios fica mais restrita. Aos 30 anos, um
simples lance de escadas derruba o atleta de poucos anos atrás. E, como já
dissemos, o problema não está só nos pulmões. Ele se torna hipertenso e sofre
alterações cardiovasculares, pois o sistema funciona em uníssono. É impossível
imaginar pulmão e coração funcionando como órgãos independentes. Aos poucos,
a máquina toda passa a apresentar defeitos. Aí, ele argumenta, na vã tentativa de
consolar-se: "Tenho 30 anos e ainda consigo jogar bola, uma vez por semana, com
a turma da faculdade", mas é incapaz de imaginar como o faria se não fumasse.

Drauzio - Qual resposta você dá ao fumante que lhe pergunta quanto mal o
cigarro já causou para seu organismo?
Deheinzelin - Essa pergunta é muito difícil de responder. Para ser exato, seria
necessário repetir sistematicamente os testes de esforço para acompanhar a
evolução do caso. Não existe um exame isolado que possibilite determinar a área
lesada do pulmão. Na verdade, o interesse das pessoas resume-se no seguinte:
saber o tamanho do estrago, porque sempre há a esperança de não ter havido
estrago algum. Desse modo, a decisão de largar de fumar pode ser adiada para
quando os sintomas da doença forem mais evidentes.

Drauzio - Existe, na cabeça de alguns fumantes, uma lógica que não é correta:
"Fumo há 40 anos e o cigarro só danificou esse tanto. Para estragar o dobro, vai
levar mais 40 anos. Daqui a 40 anos, estarei morto com certeza. Então, posso
continuar fumando que não fará a menor diferença".
Deheinzelin - Faz muita diferença. Há um momento em que o estrago cresce de
forma exponencial, não é mais somatório. Esse é um problema sério para as
pessoas com 50, 60 anos que fumam desde a juventude e procuram o médico
porque já apresentaram alguma manifestação da doença. Quando alertadas que a
tendência é piorar se continuarem fumando, retrucam: "Ah! Mas eu já fumei 30
anos e só agora senti alguma coisa. Por que tenho de parar de fumar agora se, por
certo, não viverei mais 30 anos?" Sinto dizer que essas contas nunca estão
corretas. Às vezes, basta um ano para o quadro deteriorar irremediavelmente.

O apoio para quem tenta parar


Drauzio - O que acontece quando uma pessoa de 50 ou 60 anos, que fumou
desde a juventude, pára de fumar?
Deheinzelin - Os benefícios são muitos. Apesar de não ser possível fazer regredir
a doença causada pelo cigarro, por exemplo, as áreas pulmonares destruídas pelo
enfisema não voltarão a ser sadias, há uma tendência para significativa melhora
funcional. Depois de 5 anos de abstinência, pode-se dizer que a recuperação é tão
boa que vale a pena parar de fumar, seja qual for a idade do paciente.

E os benefícios não se restringem apenas ao aparelho respiratório. Sentidos, como


paladar e olfato, também saem lucrando. Quem fuma não consegue apreciar o
sabor dos alimentos, nem sente cheiros porque boca e nariz estão impregnados de
fumaça.
Luta contra a dependência
Drauzio - Vamos imaginar pacientes com enfisema pulmonar em grau avançado, a ponto de mal
conseguirem movimentar- se, e com muita falta de ar. De acordo com sua experiência, na média, c
eles se comportam quando são informados da necessidade premente de parar de fumar?
Deheinzelin - É muito difícil estabelecer uma média, porque as reações variam muito. Alguns enten
se dispõem a lutar contra o cigarro. Nesse momento, porém, estão debilitados e ansiosos, o que tor
tudo mais complicado. Outros dizem: "Já entendi. Se estou mesmo perdido, por que tenho de me im
sacrifício de não fumar?", e continuam fumando.

No entanto, algumas situações estão associadas ao sucesso na iniciativa de parar de fumar. Mulhere
fumantes, geralmente, conseguem parar durante a gravidez. Talvez, o instinto materno fale mais alt
Porém, depois do nascimento da criança, impelidas por condições ambientais de estresse ou pelas
dificuldades inerentes ao pós-parto, elas voltam a fumar.

Outro grupo que costuma vencer a dependência de nicotina é constituído pelas pessoas com doença
coronariana. Ao se conscientizarem de que os próximos cigarros podem provocar um acidente vascu
fatal, muitas deixam de fumar.

Drauzio - Não são todas com doença coronariana que deixam de fumar?
Deheinzelin - Não, das pessoas que participam de programas para parar de fumar, mais ou menos
alcançam seu objetivo. Os outros, mesmo diante da ameaça de morte, continuam fumando. Como s
impulso é tão forte, que contraria o mais primário dos instintos, o da sobrevivência.

Drauzio - É uma dependência brutal a ponto de vencer a preocupação com a própria sobrevivência
verdade?
Deheinzelin - Ninguém mais discute que o cigarro seja um fator de risco para a doença coronarian
exames que comprovam isso claramente. O indivíduo dá uma tragada, o médico injeta o contraste e
observa as reações na tela à sua frente. O cigarro é um poderoso vasoconstritor. Não são apenas as
coronárias que se fecham. Contraem-se todas as artérias do corpo, entre elas as artérias cerebrais e
que vão para o pênis, por exemplo. Por isso, além de infartos e derrames, o tabaco é responsável p
comprometimento da potência sexual.

Programa de ajuda ao fumante


Drauzio - No Hospital ACCamargo,mais conhecido por Hospital do Câncer, em São
Paulo, há um ambulatório para o tratamento dos dependentes de nicotina. Como
funciona?
Deheinzelin - Esse ambulatório foi criado porque não dá para pensar em
tratamento do câncer, sem investir na profilaxia e, como todos estão cansados de
saber, o cigarro é uma das principais causas de câncer. Para ter-se uma idéia, a
cada três casos de câncer, um está ligado ao consumo de tabaco.

Para participar desse programa promovido pelo hospital, é necessário preencher


um requisito básico: o fumante deve ter superado a fase que chamamos de
contemplação, representada pela frase, "preciso parar de fumar qualquer dia", e
ingressado na fase de ação, "o que preciso fazer para deixar de fumar
definitivamente?" (Saiba mais sobre as fases do processo de abandono no
artigo). Só assim ele é admitido e passa por uma consulta clínica a fim de
detectar os problemas de saúde relacionados com o cigarro (hipertensão,
insuficiência coronariana, doença pulmonar obstrutiva) que demandem tratamento
imediato. Simultaneamente, realiza-se uma avaliação psiquiátrica, pois uma
proporção significativa de distúrbios psiquiátricos está associada ao tabagismo e,
se não forem tratados, dificultarão o trabalho. Não se trata de psicoterapia. São
tratamentos de curta duração, à base de medicamentos, para pessoas
extremamente ansiosas ou deprimidas.

Feito isso, a pessoa está pronta para ingressar no programa propriamente dito.
Sabe-se que o consumo de tabaco, por questões sociais, está ligado a dois fatores
importantes: dependência de nicotina e habito de acender um cigarro. Às vezes, a
pessoa age compulsivamente. Isso ocorre não só pela carência imperiosa de
nicotina, mas pelo mecanismo automático de pegar o cigarro e acendê-lo. A
pessoa toma café e acende o cigarro. Vai falar ao telefone, acende um cigarro.
Entra no carro, senta-se diante do computador ou da máquina de escrever, liga a
televisão, acende o cigarro. Esses gestos automáticos precisam ser interrompidos.
Por isso, o tratamento é comportamental, visando a mudar os hábitos do fumante.
Paralelamente, prescreve-se o uso de emplastros transdérmicos (adesivos), que
liberam nicotina em pequenas doses através da pele, preservando os pulmões dos
efeitos da fumaça.

Drauzio - Qual a duração do tratamento e o que deve fazer quem se interessa em


participar desse programa?
Deheinzelin - Durante 5 semanas, a pessoa deve ir ao hospital para discutir o
problema do automatismo e encontrar um caminho que lhe permita desenvolver
novos comportamentos. No mundo inteiro, esse tipo de programa tem-se
mostrado eficiente para ajudar os fumantes a libertarem-se dos males que o
cigarro traz.

As pessoas interessadas em participar desse programa devem entrar em contato


com o Departamento de Tórax o Hospital ACCamargo, telefone 3272-5000

http://www.areaseg.com/toxicos/fumo.html
Sobre o cigarro

O cigarro é, hoje, o maior problema de saúde pública mundial. Mata mais que a Aids, a Malária
e a Baríola, juntas. No Brasil, morrem cerca de 105 mil pessoas por ano ( fonte INCA- MS),
tendo dedos, pernas, braços amputados; sem poderem respirar por conta de câncer de pulmão
ou enfisema; sem mandíbulas; com o rosto desfigurado; sem esôfago; com câncer de próstata,
etc. Imagine um Maracanã lotado, em dia de final de campeonato. Um ano depois, imagine-o
vazio, triste e escuro. Todos se foram por conta do cigarro. E depois de uma carga enorme de
sofrimentos.

E, infelizmente, quem paga esta conta é o povo brasileiro. Todos nós: você e eu, através dos
impostos. Vamos fazer os fabricantes de cigarros pagarem isto. Vamos punir quem deve ser
punido. Afinal de contas, eles faturam e nós pagamos as contas? Não deixe isto continuar,
principalmente se você já conviveu com - e pagou por - este tipo de problema.

• Nos últimos 30 anos, o fumo provocou um milhão de óbitos no Brasil e o prognóstico


para os próximos quinze anos é de mais sete milhões de mortes;
• Há no cigarro 4.730 produtos tóxicos, como a nicotina, o alcatrão, agrotóxicos,
substâncias radioativas, metais pesados e monóxido de carbono;
• O fumo provoca infarto, efisema pulmonar, derrame cerebral, osteoporose, e
sobretudo cânceres (pulmão, laringe, esôfago, estômago, pâncreas, colo do útero,
bexiga). E também impotência, menopausa precoce, rugas, aborto espontâneo,
prematuridade e morte perinatal;
• A fumaça lateral do cigarro, assimilada pelo fumante passivo, tem três vezes mais
nicotina e cinqüenta vezes mais substâncias cancerígenas do que a expirada pelos
tabagistas;
• Num recinto onde o fumo é permitido, ao final de oito horas o não fumante terá
consumido quatro cigarros, aumentando em até duas vezes sua chance de ter câncer
de pulmão;
• O dinheiro gasto anualmente com exames, internações e medicamentos decorrentes
de doenças do fumo é suficiente para construir quinze hospitais.
• O consumo de tabaco porá fim prematuramente à vida de dez milhões de pessoas
até 2020, caso a tendência atual continue.
• É o único produto legal que causa a morte da metade de seus usuários regulares.
Isto significa que de 1,3 bilhão de fumantes no mundo, 650 milhões vão morrer
prematuramente por causa do cigarro, diz a OMS.
• O tabaco causa prejuízos de mais de 200 bilhões de dólares ao ano no mundo. No
Egito, o custo anual do tratamento de doenças vinculadas ao tabagismo chega a 545
milhões de dólares e na China a 6,5 bilhões de dólares, segundo os últimos números
disponíveis.
• Mais de um milhão de pessoas de 350 milhões de fumantes morrem vítimas do
tabagismo a cada ano na China e, segundo a OMS, este número poderia chegar a três
milhões em 2050

Composição do cigarro

• Nicotina. É a causadora do vício;


• Benzopireno. Substância que facilita a combustão existente no papel que envolve o
fumo;
• Nitrosaminas;
Fumo, Cigarro e Suas
Conseqüências
1. Introdução

O cigarro é um dos produtos de consumo mais vendidos no mundo. Comanda


legiões de compradores leais e tem um mercado em rápida expansão.
Satisfeitíssimos, os fabricantes orgulham-se de ter lucros impressionantes, influência
política e prestígio. O único problema é que seus melhores clientes morrem um a um.
A revista The Economist comenta: “Os cigarros estão entre os produtos de
consumo mais lucrativos do mundo. São também os únicos produtos (legais) que,
usados como manda o figurino, viciam a maioria dos consumidores e muitas vezes o
matam.” Isso dá grandes lucros para a indústria do tabaco, mas enormes prejuízos
para os clientes.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, dos Estados Unidos, a
vida dos fumantes americanos é reduzida, coletivamente, todo ano, em uns cinco
milhões de anos ,cerca de um minuto de vida a menos para cada minuto gasto
fumando.“ O fumo mata 420.000 americanos por ano”, diz a revista Newsweek. “Isso
equivale a 50 vezes mais mortes do que as causadas pelas drogas ilegais”.

2. O Que Vai no Cigarro

Até setecentos aditivos químicos talvez entrem nos


ingredientes utilizados na fabricação de cigarros, mas a lei
permite que os fabricantes guardem a lista em segredo. No
entanto, constam entre os ingredientes matais pesados,
centenas de
pesticidas e inseticidas. Alguns são tão tóxicos que é ilegal substâncias nocivas
despejá-los em aterros. Aquela atraente espiral de fumaça está estão presentes no
repleta de umas 4.000 substâncias, entre as quais acetona, cigarro.
arsênico, butano, monóxido de carbono e cianido. Os pulmões
dos fumantes e de quem está perto ficam expostos a pelo
menos 43 substâncias comprovadamente cancerígenas.

3. O Que Há por Trás do Cigarro


No mundo todo, três milhões de pessoas por ano -seis por minuto- morem por
causa do fumo, segundo o livro Mortality From Smoking in Developed Countries 1950-
2000, publicado em conjunto pelo Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, da Grã-
Bretanha, pela OMS(Organização mundial de Saúde) e pela Sociedade Americana do
Câncer. Essa análise das tendências mundiais com relação ao fumo, a mais
abrangente até a presente data, engloba 45 países. “Na maioria dos países”, adverte
Richard Peto, do Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, “o pior ainda está por vir.
Se persistirem os atuais padrões de tabagismo, quando os jovens fumantes de hoje
chegarem à meia-idade ou à velhice, haverá cerca de 10 milhões de mortes por ano
causadas pelo fumo - uma morte a cada três segundos.
O fumo é diferente de outros perigos”, diz o Dr. Alan Lopez, da OMS. “Termina
matando um em cada dois fumantes”. Martin Vessey, do Departamento de Saúde
Pública da Universidade de Oxford, diz algo parecido: “Essas constatações no período
de 40 anos levam à terrível conclusão de que metade de todos os fumantes terminará
morrendo por causa desse hábito – uma idéia muito aterradora.” Desde a década de
50,60 milhões de pessoas morreram por causa do fumo. Essa idéia é muito aterradora
também para a indústria do tabaco. Se todo ano, no mundo todo, três milhões de
pessoas morrem por motivos ligados ao fumo, e muitas outras param de fumar, então
todo ano é preciso encontrar três milhões de novos fumantes.
Uma fonte de novos fumantes surgiu por causa do que a indústria do tabaco
aclama como liberação das mulheres. O fumo entre as mulheres é fato consumado já
por alguns anos nos países ocidentais e agora está ganhando terreno em lugares em
que se via nisso um estigma. Os fabricantes de cigarro pretendem mudar tudo isso.
Querem ajudar as mulheres a comemorar a prosperidade e a liberação recém –
conquistadas. Marcas especiais de cigarro que alegam ter baixos de nicotina e
alcatrão engodam as mulheres que fumam e que acham esse tipo de cigarro menos
prejudicial. Outros cigarros são perfumados ou então são longos e finos – o visual que
as mulheres talvez sonhem conseguir fumando. Os anúncios de cigarro na Ásia
apresentam modelos orientais, jovens e chiques, elegante e sedutoramente vestidas
no estilo ocidental.

No entanto, o saldo de mortes relacionadas com o fumo ganha terreno, junto com
a “liberação” feminina. O número de vítimas de câncer de pulmão entre as mulheres
dobrou nos últimos 20 anos na Grã-Bretanha, no Japão, na Noruega, na Polônia e na
Suécia. Nos Estados Unidos e no Canadá, os índices aumentaram 300%. “Você
percorreu um longo caminho, garota!”, diz um anúncio de cigarro. Alguns fabricantes
de cigarro têm sua própria estratégia. Certa empresa nas Filipinas, país
predominantemente católico, distribuiu calendários gratuitos em que logo abaixo da
imagem da Virgem Maria aparecia, descaradamente, o logotipo do cigarro.
“Nunca tinha visto nada igual”, disse a Dra.Rosmarie Erban, conselheira de saúde
da OMS, na Ásia. “Estavam tentando relacionar o ícone ao fumo, para que as
mulheres filipinas não se sentissem culpadas diante da idéia de fumar.” Na China,
calcula-se que 61% dos homens adultos fumam, contra apenas 7% das mulheres. Os
fabricantes ocidentais de cigarro estão de olho na “liberação” dessas belas orientais,
milhões das quais por muito tempo foram privadas dos “prazeres” desfrutados pelas
glamorosas ocidentais. Mas há uma pedra enorme no caminho: o fabricante estatal de
cigarro supre o mercado com a maior parte do produto.

As empresas ocidentais, porém, estão gradualmente conseguindo abrir as portas.


Com oportunidades limitadas de publicidade, alguns fabricantes de cigarro procuram
preparar o terreno para ganhar futuros clientes à surdina. A China importa filmes de
Hong Kong, e em muitos deles os autores são pagos para fumar – um marketing sutil!
Em vista do aumento das hostilidades em seu próprio país, a próspera indústria norte-
americana do tabaco está estendendo seus tentáculos para aliciar novas vítimas. Os
fatos mostram que os países em desenvolvimento são seu alvo, não importa o custo
em vidas humanas.
No mundo todo as autoridades sanitárias soam o alarme. Algumas manchetes:
“África combate nova praga: o fumo.” “Fumaça vira fogo na Ásia enquanto o mercado
tabagista dispara.” “Índices de consumo de cigarro na Ásia causarão epidemia de
câncer.” “A nova batalha do Terceiro Mundo é contra o fumo” O continente africano
tem sido castigado por secas, por guerras civis e pela epidemia da AIDS. No entanto,
diz o Dr.Keith Ball, cardiologista britânico, “com exceção da guerra nuclear ou da
fome, o fumo é a maior ameaça para a saúde da África no futuro”.
Gigantes multinacionais contratam lavradores para cultivar tabaco. Estes
derrubam árvores cuja madeira é extremamente necessária para cozinhar, aquecer
ambientes e construir casas e a usam como combustível para a cura do tabaco.
Cultivam lucrativas plantações de tabaco em vez de produtos alimentícios menos
lucrativos. Os africanos pobres geralmente gastam grande parte de sua escassa
renda em cigarro. As famílias africanas definham, desnutridas, enquanto os cofres dos
fabricantes ocidentais de cigarro engordam com os lucros.

4. A Praga se Espalha Pelo Mundo

A África, a Europa Oriental e a América Latina são o alvo dos fabricantes ocidentais
de cigarro, que vêem nos países em desenvolvimento uma gigantesca oportunidade
comercial. Mas a populosa Ásia é de longe a maior mina de ouro de todos os
continentes. Só a china atualmente tem mas fumantes do que toda a população dos
Estados Unidos – 300millhões. Eles fumam o total assombroso de 1,6 trilhão de
cigarro por ano, um terço do total consumido no mundo!

“Os médicos dizem que as implicações do estouro do fumo na Ásia são nada menores
que aterradoras”, diz o jornal New York Times Richard Peto calcula que, dos dez
milhões de mortes relacionadas com o fumo que se espera que ocorram todo ano nas
próximas ou três décadas, dois milhões se darão na China. Cinqüenta milhões de
crianças chinesas hoje vivas podem vir a morrer de doenças ligadas ao fumo, diz
Peto. O Dr.Nigel Gray resumiu isso nas seguintes palavras: “A história do fumo nas
últimas cinco décadas na China e na Europa Oriental condena esses países a uma
grande epidemia de doenças ligadas ao fumo.

“Como pode um produto que é a causa de 400 mil mortes prematuras por ano nos
EUA, um produto que o Governo norte-americano quer a todo custo que seus
cidadãos deixem de consumir, de repente tornar-se diferente fora das fronteiras
americanas!”, perguntou o Dr.Prakit Vateesatokit, da Campanha Antifumo da Tailândia.
“Será que a saúde se torna irrelevante quando o mesmo produto é exportado para
outros países?.
A próspera indústria de tabaco tem no governo dos Estados Unidos um aliado
poderoso. Juntos lutam para ganhar terreno no exterior, especialmente nos mercados
asiáticos. Por anos os cigarros americanos foram impedidos de entrar no mercado do
Japão, Taiwan (Formosa), Tailândia e outros países, porque alguns desses governos
tinham seus próprios monopólios sobre produto do tabaco. Grupos antifumo protestam
contra as importações, mas a administração norte-americana usou uma arma
persuasiva: tarifas punitivas .

A partir de 1985, sobre intensa pressão do Governo dos Estados Unidos, muitos
países asiáticos abriram as portas, e os cigarros americanos estão invadindo o
mercado. As exportações americanas de cigarro para a Ásia aumentaram 75% em
1988.
Talvez as vítimas mas trágicas da competitividade no mundo do fumo sejam as
crianças um estudo divulgado na revista The Journal of the American Medical
Association diz que “as crianças e os adolescente constituem 90% de todos os novos
fumantes.
Um artigo na revista U.S.News & Would Report calcula em 3,1 milhões a
quantidade de fumantes adolescente nos Estados Unidos. Todo dia, 3.000 jovens
começam a fumar – 1.000.000 por ano. A publicidade de certo cigarro apresenta a
imagem de um personagem de desenhos animados, muitas vezes com um cigarro na
boca, um camelo que adora se divertir e vive atrás dos prazeres da vida. Essa
publicidade é acusada de engodar crianças e adolescentes, tornando-os escravos da
nicotina, antes que compreendam os riscos para a saúde. Em apenas três anos de
divulgação dessa publicidade, o fabricante teve um aumento de 64% nas vendas para
adolescentes. Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da Geórgia (EUA)
constatou que 91% das crianças de seis anos de idade que foram avaliadas
conheciam esse camelo fumante.

Outro personagem muito conhecido no mundo do cigarro é o cowboy machão,


despreocupado, cuja mensagem, nas palavras de um rapaz, é: “quando você está
fumando, ninguém o segura”. Consta que o produto de consumo mais vendido no
mundo é um cigarro que controla 69% do mercado entre os fumantes adolescentes e
que a marca que mais investe em publicidade. Como um incentivo a mais, todo maço
traz cupons que podem trocados por jeans, bonés e roupas esportivas do gosto da
moçada.
Reconhecendo o tremendo poder da publicidade, grupos antifumo conseguiram
que se proibissem em muitos países os anúncios publicitários de cigarro na televisão
e no rádio. Mas um jeito que os espertos anunciantes de cigarro acharam de driblar o
sistema foi colocar outdoors em pontos estratégicos em eventos esportivos. É por isso
que numa partida de futebol televisionada para uma grande audiência de jovens talvez
apareça, em primeiro plano, a imagem do jogador favorito desses telespectadores,
prestes a fazer uma jogada, e em segundo plano, sorrateiramente, um enorme
outdoor.

Aqui no Brasil, a minissérie Presença de Anita , chamou a atenção aos vários


cigarros consumidos pela protagonista de apenas 18 anos. A representação foi
tamanha, ao ponto da própria atriz tornar-se dependente. A mensagem descarada é
que fumar dá prazer, boa forma, virilidade e popularidade. “Onde eu trabalhava”, disse
um consultor de publicidade, “tentávamos de tudo para influenciar a garotada de 14
anos a começar a fumar”. Os anúncios na Ásia apresentam ocidentais atléticos,
saudáveis e cheios de juventude, divertindo-se a valer em praias e quadras esportivas
– fumando, é claro. “Top models e estilos de vida ocidentais criam padrões
glamorosos a imitar”, comentou um informe de marketing, “e os fumantes asiáticos
nunca se fartam disso”.

5. Não Fumantes em Risco

Você mora, trabalha ou viaja com fumantes inveterados? Então talvez corra o risco
ainda maior de contrair câncer de pulmão ou doenças cardíacas. Um estudo realizado
em 1993 pela Agência para Proteção do Meio ambiente (EPA, em inglês) concluiu que
a fumaça de cigarro no ambiente é um carcinógeno do Grupo A, o mais perigoso. O
relatório analisou exaustivamente os resultados de 30 estudos da fumaça produzidas
pelo cigarro em repouso e da fumaça expelida depois de tragada.
A EPA diz que a inalação passiva da fumaça de cigarro é responsável pelo câncer
de pulmão que mata 3.000 pessoas todo o ano nos Estados Unidos. A Associação
Médica Americana confirmou essas conclusões, em junho de 1994, com a publicação
de um estudo que revela que as mulheres que nunca fumaram, mas que inalam
fumaça de cigarro no ambiente, correm um risco 30% maior de contrair câncer de
pulmão do que outras pessoas que também nunca fumaram.

No caso das crianças pequenas, a fumaça de cigarro resulta em 150.000 a


300.000 casos anuais de bronquite e pneumonia. A fumaça agrava os sintomas de
asma em 200.000 a 1.000.000 de crianças todo o ano nos Estados Unidos. A
Associação Cardíaca Americana calcula que ocorram, todo o ano, 40.000 mortes por
doenças cardiovasculares causadas pela fumaça de cigarro no ambiente. Um
levantamento feito pela equipe de José Rosember, pneumologista brasileiro, avaliou
os efeitos do tabagismo na saúde de 15 mil crianças entre zero e um ano. Nas
famílias em que o pai fuma, cerca de 25%das crianças apresentou problemas
respiratórios. Quando a mãe é fumante o número passa para 49%, pois ela tem mais
contato com

Em 2002, o governo brasileiro estampará nos maços de cigarro, imagens e alertas


aterradores, como por exemplo uma doente grave aparecendo num leito de hospital
com câncer de pulmão. Terá também imagens de crianças prematuras para alertar o
fumo durante a gravidez e frases de efeito como “Fumar causa impotência sexual”.
Será a maior ofensiva contra os mais de 30 milhões de viciados, que segundo o
Ministério da Saúde mata 80 mil brasileiros por ano.
Mas, para quem quer se livrar da dependência, a medicina está trazendo
tratamentos desde terapias e antidepressivos até chicletes e adesivos de nicotina. Já
existem várias alternativas contra o cigarro, segundo o psiquiatra Montezuma Ferreira,
do Ambulatório de Tabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo “Hoje é mais fácil
parar de fumar”.

Algumas dessas alternativas se baseiam na reposição de nicotina. O fumante é


poupado dos efeitos da interrupção repentina do hábito, como a irritabilidade. Então,
se oferece ao corpo a nicotina mas em doses menores até que ele dispense a
substância, como é o caso do chiclete e do adesivo de nicotina. Há outros tratamentos
que usam antidepressivos, com bupropriona (Zyban, da empresa Glaxowellcome).
Mas ainda não se sabe como ele funciona contra a dependência. Acredita-se que a
droga aumente o efeito de substâncias como a seretonina e a dopanina. Assim, o
fumante teria as mesmas sensações de bem-estar causadas pela nicotina. Porém,
esses tratamentos são recomendados para pacientes que fumam mais de quinze
cigarros por dia, ou seja, um alto grau de dependência.

Há até técnicas para quem, durante o tratamento, sente um desejo incontrolável de


fumar. Trata-se de um sray de nicotina. Ao bater aquela vontade de tragar, o fumante
pode borrifar um pouco do líquido no nariz. Mas esse produto só existe nos Estados
Unidos. Já descobriu-se que o cérebro possui receptores de nicotina, espécies de
fechadura localizadas nas células nas quais o composto se encaixa. A partir daí
começam a ser liberadas no corpo substâncias como a seretonina, catecolamida e
dopamina. Elas estão envolvidas no processamento de sensações como bom-humor e
relaxamento. Com o tempo, o corpo se acostuma com a nicotina e precisa cada vez
mais dela para sentir as mesmas coisas. Está consolidada a dependência.
Sabe-se também que além da nicotina, o outro vilão é o alcatrão. Ele causa
alterações nas células que podem levar ao desenvolvimento de vários tipos de câncer
como o de pulmão e o de boca.

6. Constatações de 50.000 Estudos

A seguir temos uma pequena amostra do que preocupa os pesquisadores com relação
ao fumo e à saúde:

• Câncer de Pulmão:
87% das mortes por câncer de pulmão ocorrem entre os fumantes.

• Doenças Cardíacas:
os fumantes correm um risco de 70% maior de apresentar doenças cardíacas

• Câncer de Mama:
as mulheres que fumam 40 ou mais cigarros por dia têm uma probabilidade
74% maior de morrer de câncer de mama.

• Deficiências Auditivas:
os bebês de mulheres fumantes têm maiores dificuldades em processar sons.

• Complicações da Diabetes:
os diabéticos que fumam ou que mascam tabaco correm maior risco de ter
graves complicações renais e apresentam retinopatia (distúrbios da retina) de
evoluções mais rápidas.

• Câncer de Cólon:
dois estudos com mais de 150.000 pessoas mostram uma relação clara entre o
fumo e o câncer de cólon.

• Asma:
a fumaça pode piorar a asma em crianças

• Predisposição ao Fumo:
as filhas de mulheres que fumavam durante a gravidez têm quatro vezes mais
probabilidade de fumar também.

• Leucemia:
suspeita-se que o fumo cause leucemia mielóide.

• Contusões em Atividades Físicas:


segundo um estudo do Exército dos Estados Unidos, os fumantes têm mais
probabilidades de sofrer contusões em atividades físicas.

• Memória:
doses altas de nicotina podem reduzir a destreza mental em tarefas
complexas.

• Depressão:
psiquiatras estão investigando evidências de que há uma relação entre o fumo
e a depressão profunda, além da esquizofrenia.

• Suicídio:
um estudo feito entre enfermeiras mostrou que a probabilidade de cometer
suicídio era duas vezes maior entre as enfermeiras que fumavam.

• Outros perigos a acrescentar à lista:


câncer da boca, laringe, gargantas, esôfago, pâncreas, estômago, intestino
delgado, bexiga, rins e colo do útero; derrame cerebral, ataque cardíaco,
doenças pulmonares crônicas, distúrbios circulares, úlceras pépticas, diabetes,
infertilidade, bebês abaixo do peso, osteoporose e infecções dos ouvidos.
Pode-se acrescentar ainda o perigo de incêndios, já que o fumo é a principal
causa de incêndios em residências, hotéis e hospitais.

7. O Pulmão e o Coração

O pulmão humano é composto de pequenos glóbulos


chamados alvéolos. O fluxo de sangue e a irrigação
sanguinia entre o coração e o pulmão são intensos. A
fumaça do cigarro prejudica diretamente o
funcionamento do sistema coração-pulmão. Com o
passar do tempo os alvéolos pulmonares vão sendo
cimentados pelos componentes da fumaça do cigarro,
deixando de fazer sua função. O organismo então
passa a ter menor oxigenação dos tecidos, resultando
em maior facilidade de cansaço para o fumante. O
Ilustração do cigarro também causa inúmeros danos ao coração, tal
Pulmão Humano como infarto.

8. É Possível Libertar-se

Milhões de pessoas conseguiram se libertar do vício da nicotina. Se você


fuma, você também poderá largar esse hábito prejudicial.
Aqui vão algumas dicas:

• Saiba de antemão o que esperar. Os sintomas de abstinência podem incluir


ansiedade, irritabilidade, tontura, dor de cabeça, insônia, distúrbios
estomacais, fome, fortes desejos de fumar, talvez por causa de um momento
estressante (lembre-se de que o impulso em geral passa dentro de cinco
minutos), dificuldade de concentração e tremores. Isso não é nada confortável,
mas os sintomas mais intensos duram apenas alguns dias e vão
desaparecendo à medida que o corpo vai se livrando da nicotina.
• Analise sua rotina para ver quando você procurava um cigarro e altere esse
padrão, pois a mente estava condicionada por comportamentos associados ao
fumo. Por exemplo, se fumava logo após as refeições, crie a determinação de
levantar-se logo em seguida e caminhar ou lavar os pratos. Se estiver
desanimado por causa de recaídas, não desista.
O importante é continuar tentando.
• Parar de fumar é uma coisa. Largar de uma vez por todas o fumo é outra
coisa. Estabeleça alvos de abstinência: um dia, uma semana, três meses, para
daí então parar de fumar para sempre.
• Se a idéia de engordar o incomoda, lembre-se de que os benefícios de parar
de fumar superam esses quilinhos a mais. É bom ter frutas e hortaliças à
disposição. E beba muita água.

E falando em benefícios ao parar de fumar saiba mais sobre isso:

• Vinte minutos depois de deixar o cigarro, a pressão arterial e os batimentos


cardíacos retornam ao normal
• Um dia depois de largar o vício, as chances de infarto começam a se reduzir
• Após três dias, há um aumento da capacidade respiratória
• De duas a 12 semanas a circulação sangüínea melhora
• No intervalo de 1 a 9 meses a tosse e as infecções das vias aéreas vão
cessando. A capacidade física melhora
• Em um ano diminui o risco de doença coronariana em 50% Em dez anos caem
as chances do aparecimento de câncer

• No período de dez a 15 anos o perigo de desenvolver problemas cardíacos se


iguala ao de uma pessoa que nunca fumou.
9. Estatísticas

Mais de 300 pessoas morrem por dia no Brasil em conseqüência ao hábito de fumar. A
Organização Mundial de Saúde prevê que, se nada for feito, em 2020 o vício do cigarro levará mais
de 10 milhões de pessoas à morte, por ano.

Estatísticas Sobre Uso do Cigarro

10.Conclusão

O fumo e seus derivados fazem parte do grupo de drogas consideradas de alta


periculosidade a saúde humana. Vidas são tragadas pelos malefícios do fumo a cada
minuto. Entretanto o lucro gerado pelo fumo movimenta bilhões de dólares todos os
anos. Milhares de horas de propaganda a favor do fumo são veiculadas nos meios de
comunicação de massa toda semana buscando novos mercados consumidores. Se o
fumo é um mal para uns, faz muito bem a outros tantos que usufruem do lucro gerado
pelo fumo e seus derivados. A grande maioria entretanto, morre e adoece todos os
dias. O fumo traz inúmeras despesas à nossa sociedade.

www.veja.abril.com.br

Medicina

Por que elas não


devem fumar
A incidência de câncer de pulmão cresce
mais entre as mulheres do que entre os
homens. A culpa é do cigarro

Gabriela Carelli
VEJA Saúde:
reportagens e links
sobre câncer

O índice de mortes
causadas pelo câncer de
pulmão entre os homens
tem declinado desde os
anos 80. Entre as
mulheres, ao contrário, o
número de mortes
cresceu 600% entre 1930
e 1997. Só nos últimos
vinte anos, o aumento foi
de 150%. Essa doença
mata hoje mais mulheres
que os cânceres de
mama, útero e todos os
demais tumores
ginecológicos juntos. Num
artigo publicado em sua
última edição, em que faz
a resenha de
pesquisas e
levantamentos
recentes, o Jornal
da Associação
Médica Americana
(Jama) diz que o
câncer de pulmão
atingiu as
dimensões de uma
epidemia entre as
americanas. Esse é
um fenômeno que
também se verifica
no Brasil. Estimativas do
Instituto Nacional do
Câncer (Inca) indicam
que nas últimas duas
décadas a incidência de
casos da doença cresceu
57% entre homens e
134% entre as brasileiras.

Assim como ocorre com


os homens, o cigarro é
apontado como a principal
causa do aumento desse
tipo de tumor entre as
mulheres. Nove de cada
dez cânceres de pulmão
estão associados ao
tabagismo. O risco de
surgir um tumor
pulmonar para quem
fuma três cigarros por dia
é quatro vezes maior do
que para um não-
fumante. A probabilidade
aumenta para 24 vezes
para quem consome um
maço diário. "As
pesquisas mostram que o
avanço da doença está
relacionado ao fato de as
mulheres terem
começado a fumar mais
cigarros nos últimos trinta
anos", diz Mark G. Kris,
oncologista do Memorial
Sloan-Kettering Cancer
Center, de Nova York.
"Enquanto a quantidade
de fumantes masculinos
caiu pela metade nesse
período, o número de
mulheres fumantes
aumentou 25%", diz ele.
Várias pesquisas sugerem
que as mulheres são em
média duas vezes mais
suscetíveis a ter a doença
do que os homens.
Mesmo aquelas que não
fumam, mas que são
expostas à fumaça do
cigarro, têm maior
possibilidade de
desenvolver um tumor do
que homens que nunca
fumaram. "Não se sabem
as causas, mas suspeita-
se que hormônios sexuais
femininos, como o
estrógeno, interfiram no
metabolismo de
substâncias químicas do
cigarro", diz o oncologista
Jefferson Luiz Gross, do
Hospital do Câncer de São
Paulo.
A única informação
positiva nessa estatística
trágica é que as mulheres
com câncer de pulmão em
geral vivem por um
período um pouco maior
que os homens com a
doença. O câncer de
pulmão é um dos mais
letais. Perto de 90% dos
pacientes morrem num
período de cinco anos
após ele ser identificado.
Por ser de difícil
diagnóstico e ter sintomas
iniciais geralmente
negligenciados, como
tosse e falta de ar,
também é de difícil
prevenção. Não é só com
o câncer de pulmão que
as fumantes devem se
preocupar. Pesquisas
mostram que os efeitos
do tabagismo são mais
devastadores para a
saúde das mulheres que
para a dos homens. O
fumo dobra a
probabilidade de câncer
de mama, aumenta em
cinco vezes o risco de
câncer de colo do útero e
triplica a incidência de
ataques cardíacos e
derrames. Um perigo que,
combinado à pílula
anticoncepcional, pode
ser dez vezes maior