Os meninos cantores do Ghetto de Varsóvia, Arquivo Yad Vashem, Israel

ECCO EDUCATIVO. Volume 30
Exposição “Os Desenhos das Crianças de Terezín”
XVI JORNADA INTERDISCIPLINAR SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO

Brasília, abril/maio de 2011

Material didático para educadores Como Ensinar e Estudar o Holocausto no Século XXI

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ÍNDICE
SOBRE AS JORNADAS INTERDISCIPLINARES ...................................................................................................................................3 APRESENTAÇÃO ....................................................................................................................................................................................3 NAZISMO E ANTISSEMITISMO TEORIAS E PRÁTICAS DA EXCLUSÃO, Profª. Drª. Maria Luiza Tucci Carneiro .............................................................................4 1. Da reflexão à ação .............................................................................................................................................................4 2. Temas transversais: nazismo, antissemitismo e Direitos Humanos ..............................................................................5 AS CRIANÇAS DE TEREZIN Arte e criatividade em tempos de intolerância, Profª. Silvia Rosa Nossek Lerner .....................................................................7 A Infância no Campo ..............................................................................................................................................................8 As atividades das crianças ....................................................................................................................................................9 a) Apresentação teatral ................................................................................................................................................9 b) Os desenhos ..............................................................................................................................................................9 c) Poesias .......................................................................................................................................................................10 d) As publicações ..........................................................................................................................................................10 e) Música .......................................................................................................................................................................11 LEITORES DE DRAMAS E MEMÓRIAS RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA, Profª. Silvana Feitosa ...................................................................................................................13 1. Justificativa .........................................................................................................................................................................13 2. Objetivos .............................................................................................................................................................................14 3. Metodologia........................................................................................................................................................................14 4. Materiais utilizados para a realização da atividade em sala de aula ............................................................................16 5. Avaliação das atividades realizadas .................................................................................................................................16 DESAFIOS DO ENSINO DA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO (Shoah) DA “QUESTÃO JUDAICA” à SOLUÇÃO FINAL, Prof. Dr. Marcelo Vieira Walsh ...............................................................................17 1. O papel do educador na construção da Memória do Holocausto (Shoah) ....................................................................17 2. Educação em prol da promoção da Cultura de Paz, dos Direitos Humanos, Coexistência e Diálogo ...........................................................................................................................................................18 3. Holocausto (Shoah): como foi possível acontecer?.........................................................................................................19 4. O Terceiro Reich e o Antissemitismo: ...............................................................................................................................20 5. A Segunda Guerra Mundial e a “Solução Final” na Conferência de Wannsee (1942) .................................................21 LEITURAS COMPLEMENTARES ............................................................................................................................................................24 AS LEIS DE NUREMBERG A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA EXCLUSÃO DE MINORIAS, Prof. Tulio Chaves Novaes ..................................................................24 1. PROPOSTA PEDAGÓGICA: Uma abordagem histórica sobre o processo de construção dos direitos humanos na modernidade................................................................................................................................24 2. Noções Teóricas Sobre Direitos Humanos Fundamentais .............................................................................................25 3. As Leis de Nuremberg .......................................................................................................................................................26 4. Premissas Discriminatórias de Nuremberg .....................................................................................................................27 5. A Efetivação Obrigatória dos Direitos Humanos Fundamentais .....................................................................................29 6. Ações Afirmativas e Oportunidades Sociais.....................................................................................................................29 7. Considerações finais sobre o tema ...................................................................................................................................30 SOLIDARIEDADE EM TEMPOS SOMBRIOS “JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES” e “SALVADORES DE JUDEUS” Profª. Drª. Helena Lewin ...............................................................30 EXERCÍCIOS ............................................................................................................................................................................................35 GLOSSÁRIO.............................................................................................................................................................................................43 FICHA TÉCNICA ......................................................................................................................................................................................44

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SOBRE AS JORNADAS INTERDISCIPLINARES
Acreditamos que através da história, do teatro, da dança, da música, do cinema, das artes, da literatura e, inclusive, das ciências exatas e biológicas, poderemos promover a CULTURA DE PAZ e contribuir para o desenvolvimento de uma consciência universal de respeito aos povos ou nações, salvaguardando as suas identidades. As Jornadas Interdisciplinares vêm sendo desenvolvidas desde 2002 pela B’nai B’rith do Brasil em parceria com o LEER/USP – Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação , da Universidade de São Paulo, como segmento de um projeto maior intitulado Educando para a Cidadania e a Democracia. A B’nai B’rith – Filhos da Aliança, em hebraico, é uma entidade Judaica, presente em 54 paises e ativa no Brasil desde 1932. É membro permanente da Organização das Nações Unidas, como ONG e atua em inúmeros serviços sociais, contra o racismo, o antissemitismo e a discriminação, através de ações humanitárias e políticas, em favor do reconhecimento do valor da Declaração Universal dos Direitos humanos. O LEER tem sede no Departamento de História da FFLCH/USP sendo coordenado pela Profa. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro. Vários projetos são ali desenvolvidos reunindo pesquisadores de múltiplas áreas do conhecimento e alunos bolsistas, que têm participado e colaborado nos programas dedicados a promoção de valores democráticos e de cidadania. Sempre que possível, e assim tem acontecido, procuramos desenvolver as Jornadas em parceria com as Secretarias Municipais e Estaduais de Educação. Através deste intensivo programa de Jornadas Interdisciplinares visamos à capacitação dos educadores procurando minimizar as deficiências de formação e de material paradidático nas escolas que, nem sempre dispõem de condições para atualizar suas propostas pedagógicas. A atual realidade brasileira exige a revisão e a implementação do respeito aos valores e direitos humanos em prol da vida, da justiça social e da dignidade promovendo a CULTURA DE PAZ e da TOLERÂNCIA. Compreendemos que através da produção de atividades pedagógicas - que têm como motivo tema–matriz, a Shoah (Holocausto), além de outros genocídios e formas de intolerância no mundo contemporâneo – poderemos alertar as futuras gerações para os perigos das políticas racistas empreendidas por um Estado totalitário e, até mesmo, por uma sociedade desinformada, em vias de democratização. Profª. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro e Dr. Abraham Goldstein Coordenação Geral

SOBRE AS I JORNADA DE BRASÍLIA
Prezados professores, O material didático preparado para este XXX Encontro Técnico organizado pelo Espaço Cultural Contemporâneo - ECCO é todo em torno do tema “Como Ensinar e Estudar o Holocausto no Século XXI”. O evento é fruto de uma parceria realizada com a USP, a UNB e a Secretaria de Educação do GDF e constitui-se na XVI JORNADA INTERDISCIPLINAR SOBRE O ENSINO DA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO”. Paralelamente ocorrem 2 (duas) exposições sobre o tema, quais sejam: (i) “Os Desenhos das Crianças de Terezín“, em corealização com as Embaixadas de Israel e da República Tcheca, composta de desenhos feitos por milhares de crianças com idades entre 10 a 15 anos, que converteram-se em verdadeiro testemunho da experiência por elas vividas sob o rigor do cruel domínio nazista e (ii) “Variações Grünewald“, obra contemporânea em vídeo-arte e fotografia, do artista belga Geert Vermeire, em memória a um dos locais simbólicos do Holocausto, por meio de imagens e poesia. O vasto conteúdo teórico aqui reunido contém textos de grandes especialistas e poderá contribuir para complementar formação de educadores. A meta é reforçar a importância do ensino do tema do genocídio, fenômeno singular na história da Humanidade, para promover valores fundamentais como convivência, diversidade cultural e direitos humanos, bem como para reforçar a cultural da paz e da tolerância. Esperamos que o material, cujo teor é diretamente relacionado aos Parâmetros Curriculares Nacinais - PCN’s, sirva de subsídio para desenvolvimento de trabalhos em sala de aula, com exercícios interdisciplinares que incentivam aprendizagem por meio da arte, bem como colaborem para implementação do Concurso de Redação sobre o tema que é lançado com mo evento. Com este tipo de iniciativa, o ECCO reforça, ainda mais, o cumprimento de sua missão de formar público, educar com arte e gerar inclusão social, para formar cidadãos mais conscientes, colaborando de forma concreta para formação de uma sociedade melhor e mais justa. Dra. Karla Osorio Netto Coordenadora Regional Curadoria do ECCO

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O LEER tem sede no Departamento de História da FFLCH/USP sendo coordenado pela Profª. Dra. Maria Luiza Tucci Carneiro. Vários projetos são ali desenvolvidos reunindo pesquisadores de múltiplas áreas do conhecimento e alunos bolsistas que têm participado e colaborado nos programas dedicados a promoção de valores democráticos e de cidadania.

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NAZISMO E ANTISSEMITISMO TEORIAS E PRÁTICAS DA EXCLUSÃO Maria Luiza Tucci Carneiro2 1. Da reflexão à ação A julgar pelo número de pessoas que hoje negam o Holocausto ou que usam erroneamente o conceito de genocídio aplicando-o de forma deturpada à casos que não condizem com a realidade histórica, podemos afirmar que o antissemitismo e o negacionismo encontram-se na ordem do dia. Apesar dos movimentos sociais comprometidos com a luta contra a negação do Holocausto3 e o combate a intolerância, multiplicam-se pelo mundo -- incluindo aqui o Brasil -- os grupos neonazistas, os sites de exaltação ao nazismo, os atos de xenofobia e intolerância religiosa, racial ou étnica. As cartas abertas aos leitores para comentários junto aos grandes jornais brasileiros (impressos ou nos seus formatos virtuais) devem ser interpretadas como um termômetro expressivo do grau de ignorância e da força dos mitos que continuam a instigar o ódio e a violência contra as minorias. Valendo-se de uma linguagem reducionista, estes “leitores” defendem os feitos de criminosos nazistas minimizando a barbárie cometida em nome de uma ideologia. Ignoram, sem escrúpulos, ao plano de extermínio arquitetado pelo Terceiro Reich que, entre 1933-1945, culminou com a morte de 6 milhões de judeus e outros tantos milhares de ciganos e dissidentes políticos. O racismo teórico pregado por Hitler em Mein Kampf, infelizmente sobrevive movido por impulsos irracionais e/ ou acobertado por interesses políticos. Não devemos ser coniventes com a ideia de que, pelo fato de vivermos em uma democracia, temos “o direito ao erro” ainda que cada um “tenha o direito de viver segundo suas convicções”, retomando aqui o pensamento de Paulo Ricceur sobre a intolerância.4 Liberdade de expressão não deve ser confundida com a

cultura da indiferença ou com o silêncio proposital da História. E, com relação ao Holocausto, vivemos momentos críticos da ideia de verdade histórica esfoliada por discursos negacionistas sustentados por intelectuais e ativistas comprometidos com a reedição da demagogia totalitária5. Muitos, aproveitam-se da vulnerabilidade sociocultural dos cidadãos -- que nem sempre têm conhecimento do nosso passado histórico – para impôr versões maniqueístas, deturpadas por matrizes ideológicas comprometidas com avaliações simplistas. Enfim, as velhas intolerâncias, como muito bem ressaltou Elie Wiesel, “ainda estão presentes, como se sabe: as xenofobias, o medo ao estrangeiro, o ódio ao que não é como nós, o ódio racial, religioso, cultural, a exclusão. O ódio tem muitos nomes, mas nunca muda”.6 Aqueles que endossam o revisionismo histórico que nega o Holocausto, assim como outros genocídios e massacres -relembro aqui o genocídio armênio e o massacre de Ruanda - além de estarem endossando os crimes cometidos pelo Estado contra os cidadãos, estão também reforçando o ódio e as práticas de aniquilamento de um povo ou grupo. Na qualidade de educadores e profissionais identificados como “formadores de opinião” devemos ter em mente que certos valores são inegociáveis: negar o Holocausto é crime, assim como é crime admitir a apologia da crueldade e o ódio ao Outro. Para combater a intolerância precisamos ampliar os círculos de responsabilidades, pois cabe ao público e o privado gerar políticas comprometidas com o respeito aos Direitos Humanos. É com este objetivo – de incentivar o estabelecimento definitivo de sistemas educacionais que ensinem a não odiar – que proponho o ensino da História e a preservação da memória do Holocausto sob uma visão multidisciplinar. As universidades, assim como as escolas de ensino médio e fundamental, devem incentivar pesquisas e debates sobre este tema que extrapola os estudos sobre a Segunda Guerra Mundial. A realidade tem demonstrado que para combater a intolerância precisamos ampliar os círculos de responsabilidades para além do Estado. Não podemos nos

2 Historiadora, Professora Doutora e Livre Docente do Departamento de História (FFLCH/USP), coordenadora do LEER- Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação, onde desenvolve o projeto Arqshoah- Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo. Autora dos livros: O Anti-semitismo na Era Vargas (3ed. Perspectiva); O Veneno da Serpente. Reflexões sobre o Anti-semitismo no Brasil (Perspectiva); Holocausto, Crime contra a Humanidade (Ática), dentre outros. 3 Na primeira semana de agosto de 2010 foi firmado em Israel um compromisso de 87 países para lutar contra a negação do Holocausto e do antissemitismo no mundo. Uniram-se duas grandes entidades: a “Força de tarefas Internacional para a Memória do Holocausto (ITF) e o Bureau de Instituições Democráticas e Direitos Humanos (ODIHR), segmento executivo da Organização para a Segurança e Colaboração Mutua na Europa.” A ITF, que conta com 27 países membros, promove a memória do Holocausto através da educação, investigação e monumentos recordatórios, enquanto que a ODIHR, da qual são membros 57 países, ocupa-se de programas educativos e monitoração de manifestações de xenofobia e, em especial, de antissemitismo. 4 RICCEUR, Paul, “Etapa atual do pensamento sobre a intolerância”, em A Intolerância. Direção de Françoise Barret- Ducrocq. Foro Internacional sobre a Intolerância. Unesco, 27 de março de 1997. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 2000, p. 21. 5 Importante a leitura de VIDAL- NAQUET, Pierre. Os Assassinos da Memória: ‘Um Eichmann de papel” e outros ensaios sobre o revisionismo. Campinas, Papirus, 1988; FERRO, Marc. Os Tabus da História. A face oculta dos acontecimentos que mudaram o mundo. Rio de Janeiro, Ediouro, 2003. 6 WISSEL, Elie, “Debate entre Elie Wisel, Yehudi Menuhin e Jorge Semprun, conduzida pelo jornalista Guilhaume Durant”, em A Intolerância, op. cit., p. 209.

Velhos judeus deportados, Museu Lasar Segall, SP.

Coral de crianças em Terezín, Yad Vashem, Israel

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indígenas. Língua Portuguesa: o poder de persuasão da palavra Retomo aqui as conclusões de Philippe Douste-Blazy. A seguir apresentamos algumas possibilidades de cruzamentos temáticos que poderão integrar um projeto temático sobre o Holocausto. legislação discriminatória contra os judeus na Espanha e Portugal. a formação do Estado de Israel e os atuais conflitos no Oriente Médio. Para este ano de 2010. CARNEIRO. os atos de salvamento. possibilitando-nos refletir sobre a responsabilidade do Estado pela preservação da vida do cidadão. rappers. 1986. 2007. 9 Estas propostas foram por mim abordadas nos livros de minha autoria: Holocausto Crime contra a Humanidade. envolvendo um conjunto de disciplinas: História Contemporânea: que certamente colocará em discussão fatos sobre a República de Weimar. valorizando o resgate da memória histórica e o debate de idéias. Literatura e Tradução. enquanto genocídio singular na História da Humanidade. funkeiros). cuja aprendizagem e assimilação são consideradas essenciais para que os alunos possam exercer seus direitos e deveres”. imigração. 2005. o contrato dos cidadãos comprometidos com o respeito ao Outro. conteúdos que estejam em consonância com as questões sociais que marcam cada momento histórico. O local da diferença. Universidad Hebrea. necessariamente. darks. São Paulo. 5 . grupos e povos na construção e na reconstrução das sociedades. BANKIER. heavy metals. Yad Vashem. S. Aliás. Holocausto. 2003. 235. este é um dos objetivos da escola. o Nazismo e Segunda Guerra Mundial. educando para a democracia e a cidadania. com ênfase nos temas transversais e suas possibilidades de reflexões para um mundo mais tolerante. A elaboração de um projeto pedagógico multidisciplinar poderá envolver várias disciplinas de um programa escolar.Paulo. Rio de Janeiro. Memória. os grupos de jovens (punks. Cabe ao professor criar situações que deixem os alunos intrigados incentivando-os a fazer pesquisas. Ática. as ações de solidariedade. São Paulo. Campinas. pela compreensão dos Direitos Humanos. pois o tolerância assim como o racismo não nascem com o homem: são uma conquista para o bem ou para o mal. referências importantes para a reconstrução de um passado que nem todos querem lembrar. por parte da coordenação de São Paulo. Primeira Guerra Mundial e o Tratado de Versalhes. os autosde-fé enquanto formas de “purificação” da sociedade Ibérica. independente de qualquer religião. Arte. amarelos). no cap. História. Martin. estratégias de exclusão dos judeus obrigados a residir em guetos.). Tanto o debate sobre nazismo como o Holocausto passam. o Holocausto pode alertar sobre as conseqüências catastróficas dos regimes totalitários e autoritários. História Medieval e Moderna: a Inquisição Ibérica e a perseguição aos cristãos-novos. Curitiba e Porto Alegre. as comunidades religiosas (judaica. p. Reflexões sobre o Antissemitismo no Brasil. 63-80. eleger. compromissos e atitudes dos cidadãos. 2003. o professor poderá orientar o jovem aluno a posicionar-se de forma crítica. Editora da UNICAMP.8 Com este intuito elaboramos os programas das jornadas interdisciplinares sobre o ensino da história do Holocausto realizadas. assim como o perigo das idéias racistas. E esta moral -. o papel dos líderes e dos intelectuais nos regimes totalitário e democrático. através da história do nazismo e do Holocausto. El Holocausto. a luta pela preservação do judaísmo e da cultura judaíca. em A Intolerância. como objeto de ensino. Maria Luiza Tucci. 2003. indagar. etc. Múltiplas são as possibilidades pedagógicas. incentivá-lo a produzir um texto ou uma exposição iconográfica. Dependendo do conteúdo selecionado por cada disciplina. Holocausto. Márcio (org. os grupos raciais distintos (negros. símbolos e indumentária usada para discriminar os judeus e cristãos-novos. Através de uma análise crítica das teorias e práticas da exclusão implementadas pelo Terceiro Reich a partir de 1933 (e que culminaram com o extermínio de milhões de judeus e não judeus) podemos desenvolver atitudes que favoreçam a convivência democrática e a construção da cidadania. 2005. Ática. Jerusalém. 2000. ser um tema instigante para avaliarmos os limites da barbárie. Hucitec. o professor poderá orientar o aluno a fazer entrevistas com sobreviventes do Holocausto. optamos por trabalhar os temas da repressão e da resistência. 2010. a Partilha da Palestina. nazismo e antissemitismo nos oferecem amplas oportunidades para refletirmos sobre o caráter inato da intolerância. Perspectiva. Editora 34. até mesmo. etnia ou grupo político. são exemplos expressivos de resistência enquanto forma de luta para preservar a dignidade humana. responsável e construtiva em diferentes situações sociais. SELIGMANN-SILVA. antissemitismo e Direitos Humanos Os estudos sistemáticos sobre genocídio. A própria realidade em que vivemos pode se prestar como ponto de partida para a abertura do debate: as paisagens urbanas (com grafites e pichações preconceituosas). Temas transversais: nazismo. o papel dos líderes na História. o conceito de Estado Totalitário e Democrático. o mito ariano sacramentado através dos estatutos de pureza de sangue. muçulmana e pequenas seitas). em São Paulo. Editorial Magnes. pesquisar documentos e fotografias. Márcio. Imagens de morte em massa. nestes últimos anos. não podemos jamais perder a capacidade de nos indignarmos diante do ódio e dos sofrimentos que o homem inflige ao homem. Através do estudo dos fatos e do debate sobre o uso dos conhecimentos científicos e do abuso de poder. matrizes ideológicas. Mas como passar da reflexão à ação ? Ensinando.esquecer que “há uma moral universal do gênero humano e que essa moral deve ser ativamente defendida”7. católica. Por outro lado. 3 “A ação dos políticos”. História dos Judeus da Europa na Segunda Guerra Mundial. Daí a história do Holocausto. David. São Paulo. O essencial é que os educadores tenham consciência da importância desses conteúdos garantindo-lhes um tratamento apropriado. O Veneno da Serpente. Sobre este tema ver GILBERT. SELIGMANN-SILVA. o antissemitismo como um fenômeno político. Ensaios sobre Memória. A escola e a sociedade devem ser vistas como espaços vivos onde a cidadania pode ser exercida e aprendida.que implica num conjunto de leis universais que são os direitos do homem – deve integrar o contrato democrático ou seja. Se avaliado sob múltiplos aspectos. direitos humanos. 2. pp. Enfim. São Paulo. Crime contra a Humanidade. seguindo as propostas dos Parâmetros 7 8 Curriculares: “formar cidadãos capazes de atuar com competência e dignidade na sociedade atual. enquanto crime contra a Humanidade9. O Testemunho na Era das Catástrofes. selecionar matérias de jornais noticiando os fatos e. produtos a serem apresentados em um seminário. Literatura. Testemunhas de Jeová. Tradução Samuel Feldberg e Nancy Rosenchan. brancos. O desafio da escola está em reconhecer a diversidade etnocultural procurando superar qualquer tipo de discriminação. fome e degradação humana em todos os níveis se prestam para avaliarmos as consequências do nazismo para humanidade.

da exclusão e das minorias éticas consideradas como ‘indesejadas”. CARNEIRO. Universidad Hebrea. conceito endossado pelo governo brasileiro conforme documentação diplomática sob a guarda do Arquivo Histórico do Itamaraty (consultar o site www. estrela de David. David (org.). aqrshoah. ciganos. Geografia Física. autor popular na Alemanha nazista). “repugnante”. Os meios de comunicação e a propaganda política: o poder da máquina de propaganda do III Reich na formação de uma mentalidade racista. da desintegração do “eu” e da morte planejada pelo Estado nazista. a música de Richard Wagner à serviço do Terceiro Reich. Matemática: estatísticas populacionais e da barbárie nos campos de concentração/extermínio. São Paulo. Música: o jazz segundo o nazismo (enquanto música degenerada). judeus. Albert Einstein contra o nazismo. alterou o mapa populacional da Europa e de vários países das Américas. El Holocausto. entre 1937 e 1946. produzidos pela cineasta Leni Riefenstahl. São Paulo. gritos e aclamações) e símbolos enquanto expressão da mística nazista. Judeus e Judaísmo na obra de Lasar Segall. o conceito de países satélites na época da Segunda Guerra Mundial (Eslováquia. comunistas. os pogrons. o emprego de signos (efeitos ideológicos). Língua Estrangeira (alemão): estudo das expressões totalitárias (Heil Hitler!) e antissemitas (judenrein = limpa de judeus). 2003. 1986. Celso. comunistas. LAFER. militarismo e delimitação de fronteiras. etc).com. etc). como Joseph Goebbels e Adolf Hitler. os músicos judeus do campo de Terezin e os pequenos violinistas do gueto de Varsóvia. 2001. conceito de raça e minorias nacionais. as caricaturas antissemitas. em 1936. Importante analisar o espaço e a construção dos campos de concentração.br). o conceito de arte/raça pura e degenerada. Dia da Liberdade: Nosso Exército (Tag der Freiheit: Unsere Wehrmacht.objetivo. o papel social dos médicos e cientistas (os chamados “guerreiros biológicos”). cartografia da Europa antes da ascensão de Hitler. 200 6 . Importante discutir o uso que as fotografias podem ter se empregadas na construção da imagem do grande salvador (no caso Hitler) ou para identificar o inimigo . os padrões de beleza física adotados pelo III Reich (o culto ao classicismo. as leituras de Adolf Hitler (livros infantis. CARNEIRO.escrita e oral (discursos antissemitas). que teve várias de suas obras confiscadas pelos nazistas. São Paulo. A manipulação dos números e dos dados estatísticos pelas autoridades do III Reich com o objetivo de sensibilizar a opinião pública contra os judeus. a realidade forjada e filmada no campo 10 de concentração de Terezin. a morte nos campos de concentração. diários de memórias. o papel de Speer (o arquiteto oficial do Reich) que projetou a “nova Berlim” segundo o estilo idealizado pelo regime (o neoclassicismo monumental). 1933).10 Arquitetura: analisar a projeção do ideário do Estado alemão através da estética nazista. etc. as trilhas do avanço nazista (para o Leste) e as rotas de fuga dos refugiados judeus (Oeste). as várias edições dos Os Protocolos dos Sábios de Sião. “imperfeito”. a partir de 1933. etc. índices populacionais. Em alguns casos é possível interpretar o nazismo enquanto “empreitada para embelezar o mundo” ou a arquitetura à serviço do totalitarismo. BIBLIOGRAFIA BANKIER. Geometria: o poder simbólico das formas (suástica. o papel dos livros de infantis entre as crianças alemãs com suas histórias sobre os judeus e os arianos (ver livros de Karl May. Fotografia: a fotografia enquanto veículo de propagação do ideário nazista. radicado no Brasil. a imigração forçada dos judeus/apátridas que. Urbana e Humana: conceito de espaço vital. testemunhas de Jeová. A manipulação dos números e dos dados estatísticos pelas autoridades do III Reich com o objetivo de sensibilizar a opinião pública contra os judeus. os refugiados e os sobreviventes dos campos de concentração. No caso dos artistas judeus considerados pelo regime nazista como “produtores de arte degenerada” pode-se analisar o caso do pintor Lasar Segall. caveira). Romênia. 1935) e Olympia (1938). Cinema: o cinema enquanto veículo da ideologia nazista e registro da memória. Maria Luiza Tucci. retratou a guerra. Jerusalém. os “artistas frustrados do III Reich. no caso os judeus classificados como “raça inferior” pelo Estado nazista. e outros teóricos racistas do século XIX). obras antissemitas do compositor Richard Wagner. a moderna tecnologia a serviço da prática do extermínio. Perspectiv. ciganos. literatura sobre o Holocausto. em São Paulo. livrando-se de tudo que era considerado “impuro”. durante e no após-guerra. a mensagem dos posters políticos e antissemitas. __________ Holocausto. o conceito de “sujeira biológica” e de “limpeza racial”. os diferentes caminhos da estética. o III Reich fotografado por Heinrich Hoffmann (o fotógrafo oficial de Adolfo Hitler e membro da Comissão de Exploração da Arte Degenerada) ou as fotografias do “gueto” de Varsóvia enviadas pelo diplomara brasileiro Jorge Latour para o Itamaraty. campos de concentração e pontos de massacre. os livros e discursos antissemitas. Maria Luiza Tucci. Ciência Naturais/Biologia: ciência médica a serviço do nazismo. os jornais antissemitas enquanto formadores de opinião. __________ O Veneno da Serpente. crítica do discurso antissemita analisando os valores e personagens. O Anti-semitismo na Era Vargas. Artes Plásticas: o papel da arte enquanto instrumento de protesto e de crítica social. da arte e da arquitetura. dos guetos e as condições deterioração da vida humana marcadas pela proliferação da fome. Uma visita ao Museu Lasar Segall. Crime contra a Humanidade. o papel do rádio na transmissão de valores. ciganos. Hungria. cone. os programas de eutanásia. a força dos gestos (saudações. é uma oportunidade impar para o conhecimento da produção artística desse pintor que. Yad Vashem. composição plástica das cenas (a linguagem cinematográfica). mapeamento dos guetos. Reflexões sobre o Antisemitismo no Brasil (Perspectiva). Ateliê Editorial. 1935) e os filmes Vitória da Fé (Sieg des Glaubens. Estética: o nazismo como uma empreitada para “embelezar”o mundo. escultura e símbolos nazistas (águia. Editorial Magnes. das doenças. Este conjunto de imagens pode ser também consultado no livro Judeus e Judaísmo na Obra de Lasar Segall. 3ed. Nesta categoria se encaixam os documentários: O Triunfo da Vontade (Triumph des Willens. de Arthur de Gobineau. círculo) e das cores (identificação das minorias: homossexuais. triângulo. Matemática: estatísticas populacionais e da barbárie nos campos de concentração/extermínio.

2003. Rio de Janeiro.Ducrocq. em A Intolerância.Paulo. Judeus e Judaísmo na obra de Lasar Segall. 2005. GILBERT. Bertrand Brasil. durante a Segunda Guerra Mundial. fosse ela habitada por artistas. “Etapa atual do pensamento sobre a intolerância”. Unesco.). LAFER.identidade. Memória. CYTRYNOWICZ. AS CRIANÇAS DE TEREZIN arte e criatividade em tempos de intolerância Silvia Rosa Nossek Lerner11 Na cidade de Terezín. São Paulo.NAQUET. Campinas.” Ainda se observou que havia uma cozinha especializada preparando o alimento dos pequeninos. WISSEL. Rio de Janeiro. Hucitec. Maria Luiza Tucci. graduação em Licenciatura em Pedagogia pelo Instituto Isabel Centro de Ciências Humanas de Sociais (1979) e graduação em História pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1976). 2003. Muitos internos na qualidade de figurantes ganharam roupa nova e foram instruídos sobre como se comportar e os riscos de desobediência. GOLDHAGEN. Os Carrascos Voluntários de Hitler. Edusp. assim como os nazistas passaram a chamálo. Foram criadas oficinas de produção artística. Portugal. Maurice Rossel. SELIGMANN-SILVA. Rio de Janeiro. Trad. A escola parece bem equipada. Alegravam com pinturas os espaços superlotados dos dormitórios. democracia e cidadania. embora um cartaz assinalasse que as crianças “estavam em férias”. Literatura. Saúde e Sociedade da Universidade Veiga de Almeida . Campinas. Para dezenas de milhares de prisioneiros tratava-se de um campo de passagem para as câmaras de gás de Auschwitz. atuando principalmente nos seguintes temas: judeus . no relatório apresentado pelos visitantes constava “que o pessoal de ensino parece “extremamente qualificado” e o jardim da infância adequado e moderno. 1997. O depoimento registrado do médico da Cruz Vermelha. 27 de março de 1997. conduzida pelo jornalista Guilhaume Durant”. O Testemunho na Era das Catástrofes. Unesco. foi um aparelho de extermínio. Tradução Samuel Feldberg e Nancy Rosenchan. Roney. Editora 34. Márcio. Dr. Após a visita da Cruz Vermelha. velhos soldados ou crianças. como: jardineiras e balanços de crianças. Paul.Campus Tijuca / RJ. Praga. Elie. Bertrand Brasil. 2005. Os Assassinos da Memória: ‘Um Eichmann de papel” e outros Ensaios sobre o Revisionismo. Yad Vashem. Foro Internacional sobre a Intolerância.Ducrocq. S. rabinos. foi criado um gueto judaico em 10 outubro de 1941. A Face Oculta dos Acontecimentos que Mudaram o Mundo. os internos nada fizeram que despertasse suspeita. MILGRAM. Nova Stella. Possui graduação em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1973). judeus . Martin. Arte. não encontrara no seu bolso sequer um bilhetinho enfiado às pressas. São Paulo. Papirus. os barracões Sudeten e Madgeburg foram transformados em salões de concerto e um novo pavilhão foi construído. 2007 CARNEIRO. Marc. 2000. Daniel Johah. Ediouro. sábios. Direção de Françoise Barret.um jardim de infância para funcionar como escola. Os Tabus da História. Gradiva. era considerado o mais famoso ”campo cultural”. era um “campo-modelo” para mostrar ao mundo as condições dos guetos e campos de concentração sob domínio nazista. a 60 quilômetros da capital da então Tchecoslováquia. FERRO. Israel 11 Iniciou em agosto/2009 o Mestrado Profissional em Psicanálise. Salazar e os Judeus. O Local da Diferença. 2010 RICCEUR. e convencê – lo de que esses campos nada mais eram do que áreas de estabelecimento. Mas representavam o mundo que viam e escondiam suas melhores obras nos grandes portfólios da biblioteca ou nos desvãos dos Pôster ‘Dia do Boicote’. História dos Judeus da Europa na Segunda Guerra Mundial. “Debate entre Elie Wisel. Holocausto. Lúcia Liba Mucznik. 2004. desenhos técnicos. judaísmo. A verdade é que Theresienstadt. O Povo Alemão e o Holocausto. São Paulo. onde os internos exerciam seu próprio metier. grandes transformações foram introduzidas no campo. SELIGMANN-SILVA. 27 de março de 1997. 2000. Ateliê Editorial. Direção de Françoise Barret. Editora da UNICAMP. Memória da Barbárie.cultura. Atualmente. 1988.Ática. um coreto para música. confessava para a humanidade o engano em que incorrera: não observara nenhum ríctus nos rostos. A História do Genocídio dos Judeus na Segunda guerra Mundial. Ensaios sobre Memória. História. Celso. este campo foi usado para fazer um filme de propaganda chamado “O Führer dá uma cidade para os judeus” e para provar à Cruz Vermelha que os judeus eram bem tratados. cidade artificial criada para propaganda. São Paulo. Foro Internacional sobre a Intolerância. Companhia das Letras. 2010. Yehudi Menuhin e Jorge Semprun. Adolf Eichmann junto com Joseph Goebbels escolheram Theresienstadt como local para o campo de trânsito dos judeus do Protetorado e como moradia para os heróis (judeus) da Primeira Guerra pela Alemanha Em 1944. Na expectativa da visita-inspeção da Cruz Vermelha e preparando-se o cenário para o filme-propaganda. 7 . Márcio (org. em A Intolerância. Avraham. 2003. casas pintadas. pois esta havia recebido denuncia com informações do que realmente acontecia nos campos de concentração. Lisboa. fazendo projetos. Para o regime nazista. 1990. é professora da Sociedade Israelita de Ensino e Cultura Colégio A Liessin e professora do Colégio Talmud Torah Hertzlia. VIDAL. Pierre. gráficos para firmas alemãs. Literatura e Tradução. calçadas lavadas. O campo de Theresienstadt.

que se encarregava do policiamento. contudo. a corais. divulgando sua obra. O ensino da história. esse grupo foi rodeado por mestres devotados. adotou o filho de Bedrich. trabalho. mas por causa da fome. As crianças de Terezín eram crianças como o são em qualquer lugar. estreitos e super populosos. previamente combinado. No outono de 1944 os trens para Auschwitz levaram a maioria das crianças do gueto. Acusação: fazer propaganda mentirosa (Greuelpropaganda) para prejudicar a imagem do gueto. Esses concertos serviram de matéria prima para ilustrar o fraudulento filme de propaganda do Gueto Paraíso. A administração judaica (Judenrat). testemunhou sobre a vida das crianças em Terezin. Os instrutores faziam o máximo para transmitir tanto conhecimento quanto possível. encontrado em um depósito e aprovou a realização de concertos. Em comparação com os barracões em que os adultos viviam. Pinturas e desenhos se tornaram bastante popular entre as crianças de todas as idades e era permitido pelos nazistas. Bedrich Fritta. abastecimento. e seus pais só podiam vê-las algumas tardes na semana. cientistas. que sobreviveu. pela neve. Freddy acompanhou as crianças quando foram enviadas para Auchwitz. ensinando-lhes também a viver juntos. de onde não voltaram mais. sentimentos profundos desproporcionais à sua idade. bem como sua participação em atividades culturais dos adultos. nos deixou um retrato de Fritta e outro do seu filho Thomas. algumas chegaram com suas famílias. jovem esportivo e muito ligado aos alunos.” Os SS requeriam o trabalho das crianças maiores de 14 anos na produção de guerra e só permitiam o ensino do trabalho manual. sobre seus pensamentos. Aos poucos foram sendo tiradas das casernas superlotadas e sendo alojadas em blocos de moradia. responsável pela organização infantil de Terezín. À noite. pinturas e poemas. nos saraus. os judeus deixarão de existir. onde expressavam seus sentimentos. interno em 1941. jogos e canções para entretê-los e criou uma ilha de humanidade e de esperança dentro do sinistro espaço de Birkenau. assistiam também às cenas de deportação dos próprios pais. Essas representações nos contam sobre sua vida diária no gueto. por isso encontramos esse tipo de atividade feito em diferentes tipos de papel. Este jovem imaginativo inventou histórias. Bedrich expressou sua cólera em duzentos desenhos que enterrou no solo dentro de um cofre de ferro. Aos velhos eram dadas quantidades menores e assim rondavam as latas de lixo em busca de comida. ciências. ele se suicidou. com sua esposa Grete e o bebê de seis meses. Por isso encontramos em seus desenhos. Com o tempo percebeu-se que a ração alimentar média diária era insuficiente. muito se preocupava com o grande contingente infantil que ali chegava. As crianças. Algumas dessas crianças vieram de orfanatos judaicos de Praga. crianças com olhos que nos enviam mensagens aflitivas. Desde logo. colagens com papel usado e antigo. que sobreviveu. elas cresceram mais rápido tornando-se pequenos adultos. A Infância no Campo Aproximadamente 15 mil crianças viveram em Theresienstadt. Interrogados em presença de Adolf Eichmann foram aprisionados na Pequena Fortaleza com suas famílias. chegou a vez de partir também e foi no último comboio para Auschwitz. O vôo desses artistas se interrompeu em 1944 com a prisão de cinco membros do atelier. as crianças assistiam à leitura de poesias e histórias. a administração judaica conseguiu autorização da Gestapo para oficializar a realização de atividades musicais durante as horas de folga. O alto comando liberou os trabalhos de recuperação de um velho piano. As obras desse artista causam consternação e dor porque narram a verdade que os nazistas escondiam: filas de deportados fustigados pelas chuvas. As pinturas. militantes comunistas ou sionistas. economia. e sobre a partida de familiares e amigos. As crianças recebiam visitas de filósofos. lazer . sobre os transportes que saiam do gueto. músicos que tocam no Caféconcerto com rostos sem expressão. Para o administrador Redlich. Os outros foram deportados para Auschwitz onde Bedrich Fritta morreu. escritores e do humorista tcheco Karel Polácek com quem conversavam. isto dava uma certa tranquilidade para as crianças. línguas e literatura era clandestino. oferecendo-lhes um barracão para viverem entre elas. morrendo alguns meses depois. morte. medos. O atelier de desenho era dirigido por um artista extraordinário. onde viviam cerca de 100 crianças. Os nazistas diziam: “Deixem que eles se divirtam um pouco. encontrados nas oficinas. além das canções compostas no campo. Quando em 1944 os meninos foram conduzidos à câmara de gás. doenças e transportes. teatro de marionetes. saúde. Com o passar dos meses. Mas o material para desenhar não era abundante. Muitos deles. roubavam alimentos e carvão para se aquecer e presenciavam cenas que nenhum ser humano deveria presenciar. Leo Haas. Quando os campos de extermínio estiverem concluídos. outras possuíam seus pais no gueto (mas não podiam viver junto com eles). pelo frio. acreditavam numa sociedade fraternal a ser construída no futuro. separadas conforme a idade e o idioma que falavam. Seu nome verdadeiro era Fritz Taussig. tinha seu braço direito no alemão Freddy Hirsch. Havia um barracão para crianças a partir de 10 anos e havia o L318 para crianças até 10 anos. Egon Redlich. onde no Bloco das Crianças continuou sua obra de educação com esforços heróicos. E decidiu-se que os trabalhadores braçais e as crianças receberiam porções suplementares. Thomas e anos depois. outras sós. a administração judaica deu-lhes atividades educacionais e esportivas. Havia também jornais. 8 . viam mortos nas ruas. Os aspectos mais cruéis do gueto não lhes foram poupados. Seu discípulo e amigo Leo Haas. desenhos e poemas são a melhor forma de conhecer como as crianças se sentiam em Theresienstadt. Para essas crianças. histórias contadas. como que aguardando a morte. gráfico e caricaturista em Praga.Birkenau. em comunidade e encorajando-os para atividades culturais e esportivas. sonhos e esperanças.sótãos. pelos quarteirões e dormitórios. dele se ocupavam pedagogos conceituados da Europa. e até a óperas escritas para elas. ainda mais uma criança. que participara da seleção dos que iriam partir para o leste. Um deles Otto Ungar teve sua mão destruída para que não pudesse mais pintar.

assim como materiais combinados para formar textura. Esse material. crianças brincando. havia apresentação de marionetes. é nosso amigo e pode vir brincar conosco.com poucos gizes de cera e aquarelas. todas as crianças da rua uniram-se aos dois irmãos. O que mais aparecia nas pinturas eram funerais.AS ATIVIDADES DAS CRIANÇAS a) Apresentação teatral Hans Krasa escreveu a ópera infantil BRUNDIBÁR em 1938 e como prisioneiro de Terezín. Como exemplo dessas apresentações. Quando as crianças estavam no palco apresentando-a. Esses desenhos. as festividades em casa e a família em torno da mesa e temas ligados a paisagens de ruas e cidades. mas a maioria foram feitos por meninas de 10 a 15 anos de idade e. Todos ficaram muito bem impressionados. era uma das crianças que cantava na apresentação de Brundibár e sobreviveu para contar que “quando nós cantávamos. só cem sobreviveram. incentivando a sua imaginação e criatividade para expressar suas dificuldades. prados verdes. Das 15 mil crianças judias de Terezín.” Também nos seus pavilhões havia apresentação de teatro. Israel Representação teatral num celeiro Bedrich Fritta. A 55ª récita teve de ser cancelada por falta de cantores. Stein Weissberger. vencendo e expulsando Brundibár. de seus familiares. a ópera BRUNDIBÁR teve diferentes elencos. Israel 9 . de brincadeiras infantis. as crianças pintaram sobre quase qualquer superfície que tiveram por perto . que lhe permanece fiel e não tem medo. impedindo dois irmãos de nela poderem pedir algum dinheiro para ajudar a mãe doente. ainda mantêm o dramatismo da época e a tragédia que os determinou. nascida em Viena. Brundibár era o nome do terrível tocador de realejo que monopolizava a rua. A ópera se encerra com as palavras: “Aquele que ama a justiça. Para essa apresentação sempre havia um grande público. ora na própria apresentação. de imaginação e fantasia e de suas experiências de vida dentro do campo de concentração. as crianças colocavam nome e idade nos seus trabalhos. Curiosamente foi encontrado um Mickey desenhado numa lasca de madeira. não só pela alegria de cantar. como pelo reencontro. ali abandonados. Em Terezín levou as crianças a estudar as cores e a luz e a fazer colagens sobre desenhos. Anna Flachová sobrevivente do “lar de meninas” L410 de Terezín adorava Brundibár. temores e expectativas de retorno ao lar e o encontro com seus familiares. Na maioria das vezes. As crianças tiveram em Friedl Dicker-Brandeis (Frederieke Brandeis) uma mestra excepcional. Em Terezin. outras vezes escrito por adultos para as crianças apresentarem. citamos a peça Esther (uma peça tcheca que tem relação com a Ester bíblica) e que foi adaptada para as crianças de Terezin dirigida por Hans Jochowitz (interno do campo). saudades e esperanças e compartilhar suas ansiedades. mesmo mais de sessenta anos depois de realizados.. foram utilizados pelas crianças. pratos com muita comida. Com meios tão pobres a arte se Cartaz da opéra infantil Brundibár. de flores e animais. onde seguiu cursos com Paul Klee e outros mestres. Yad Vashem. Yad Vashem. sendo substituídos conforme as crianças eram enviadas para Auschwitz – e foi apresentada 54 vezes. Eram apresentações bastante encorajadas pelos adultos . crianças estudando sob a vigilância de soldados do gueto. era o único momento permitido para remover a estrela amarela. foi aluna da Bauhaus. Lideradas por animais domésticos. conforme atestam os desenhos infantis que hoje pertencem ao Memorial de Terezín. ainda que por alguns momentos. Ela ensinava as crianças a pintar e desenhar.. nós esquecíamos onde estávamos. procedeu a sua revisão adaptando-a aos instrumentos existentes entre os músicos prisioneiros e iniciando em seguida os ensaios com as crianças. acabou caindo nas mãos dos nazistas.” Brundibar foi apresentada para a Cruz Vermelha Internacional. Thomas Fritta-Haas. apesar da maioria das crianças não terem sobrevivido. b) Os desenhos No pavilhão das meninas L410 vivia a desenhista Friedl Dicker-Brandeis. que sobreviveu. embora não tivessem material suficiente naquele ambiente subumano. nós esquecíamos a fome. Nos primeiros tempos do gueto. muitas vezes com um repertório escrito pelas próprias crianças. recortados e aparecendo sob uma nova luz. em Weimar. Renomada arquiteta de interiores em Berlim. serve como testemunha silenciosa da riqueza interior de seus criadores em face de seu trágico destino. Os formulários da antiga guarnição da fortaleza. Viena e Praga. Encontramos desenhos feitos pelas crianças do barracão L318. ora na confecção de suas roupas. com a infância roubada: “Sentíamos falta de ser ainda crianças”. no dia 23 de junho de 1944. onde as crianças participavam. Ela. Frederieke Brandeis.

mais do que última . Pavel faleceu em Auchwitz. Talvez se as lágrimas do sol pudessem cantar E escorrer sobre a pedra branca. tanto quanto os desenhos evidenciam a recordação dos lares perdidos e da infância que lhes foi roubada. trecho do poema de Hanus Hachenburg (1929-1944). e as pessoas que trabalhavam nesses lugares eram entrevistadas. No gueto. quando não existe direito? Para que existe o sol. assim como a amargura de terem sido arrancados de sua vida normal.. Dentre os poemas encontrados. na Biblioteca e nas revistas que eles publicaram dentro do próprio gueto. Os meninos do Quarto 7 do Pavilhão L 417 publicaram o RIM.1. Era semanal e foi produzido por um periodo de 2 anos. o mais conhecido era VEDEM(Avante!) órgão da “República Skid”. Aquela borboleta foi a última. Israel Edita Polachova (02/07/1925 . Os desenhos eram povoados de imagens do lar perdido. aquarela. Friedl reuniu em 2 malas mais de 5000 trabalhos feitos pelas crianças.1944) .sobrevivente) Vista de Terezín a noite. Yad Vashem. porque desejava beijar o mundo pela última vez. RIM (sinal de reunião da turma) que publicou 21 números e os meninos do pavilhão de crianças Q 690 publicaram um jornal chamado Kamarád (“Amigos”) que chegou a 22 números e a publicação Noviny. Só que eu nunca mais vi outra borboleta. etc. Yad Vashem. Israel 10 .. suas súbitas iluminações é criminoso. cheia de encanto amarelo. RIM. O jornal inteiro. Outra publicação preparada pelas crianças do Pavilhão L 414 e que durou pouco tempo chamava-se BONAKO. incluindo desenhos e poemas das crianças. escrito em 1943.Antes de ser deportada para Auschwitz. da cidade amada para onde um dia queriam retornar. E que. Uma das seções chamava-se Passeando por Theresienstadt e compreendia descrição de diferentes lugares do gueto como padarias. esse material é de propriedade da Sinagoga Pinkas em Praga. Borboletas não vivem aqui. eu tenho certeza. incluindo desenhos. que teve pequena tiragem. Alguns poemas denotam infantilidade. que chegou a 55 números. a capela mortuária.sobrevivente) Paisagem Noturna. Terezín concentrou em si a resistência à “banalidade do Eva Riesova (25/07/1931 . c) Poesias “Para que serve o mundo. Há sete semanas eu vivo aqui. Mas eu encontrei minha gente aqui. como o abaixo encontrado no diário de Raya Englander(14 anos) e morta em 1944 em Auchwitz: Depois da tormenta vem o sol Depois do deserto vem a floresta Depois da sexta vem o shabat Depois do inverno a primavera bate na nossa porta Não fique deprimido. casa central de banhos. Devemos a Friedl Dikker-Brandeis o fato dos desenhos terem sido preservados. confiou a pessoas de sua confiança onde as malas estavam escondidas. Por que os adultos se apressam tanto em fazer com que as crianças se assemelhem a eles? Somos a tal ponto felizes e satisfeitos com nós mesmos?” Suas aulas serviam como um meio de reconstrução psicológica dos pequenos prisioneiros. aquarela. em 6 de abril de 1942 e que deu origem ao livro “I Have never seen a Butterfly around here” (Eu nunca vi uma borboleta aqui). acompanhados. em diferentes seções. quando não há dia”.faz e o seu amor pela liberdade de criação se expressa num texto de Brandeis chamado “Sobre a arte das crianças” onde ela questiona: “Dirigir os lampejos de inspiração das crianças. temos A Borboleta escrito por Pavel Friedmann (7. Tristemente dentro desse gueto. Atualmente. Cheia de vida e brilho. a BoRBoLETa A última. As flores me chamam E os galhos floridos das castanheiras no campo. mas a maioria mostra a espera por dias melhores. foi produto do trabalhos dos meninos do pavilhão L 417. Os poemas. d) As publicações Em relação aos jornais produzidos em Theresienstadt. em 1944. outros maturidade.9. não perca seu humor Segure-o que dias melhores virão. que amarelo! Foi carregada levemente para o alto Foi-se embora. muitas vezes. Os poemas foram encontrados nos sótãos. de desenhos.1922 – 29.

Revelavam o que foi o quotidiano no campo. Essas revistas em geral manuscritas eram ilustradas por lápis de cor e aquarela. na poesia a arte da denuncia. somente cem crianças sobreviverão.764 crianças e jovens. com as iniciais desse orfanato. “Als ob” schon morgen wär. deportadas entre 1942 e 1944 para os campos do leste. Nem todas as pessoas devem Nessa cidade morar Tem que ser eleito Para “como se” ter raça pura. Und mancher ist mit manchem Auch manchmal ziemlich grob Daheim war er kein Grosser. Por ocasião das festas judaicas.. O coro tinha um importante papel para manter as meninas unidas. Roth. através do trabalho e disciplina relatou que havia a responsabilidade entre os “camaradas” de querer transformar seu destino numa “realidade alegre e consciente”. uma nuvem sombria avançava sobre a Europa. Os jovens redatores de Kamarád nunca mais se verão numa certa rua de Praga. Ao Conselho dos Judeus coube a amarga tarefa de selecionar os que deviam partir nos comboios da morte.. Havia 2 professores de música que organizaram um coro. Enfim. Alguns professores se inspiravam em modelos de pedagogia soviética adaptados de comunidades de crianças abandonadas durante a guerra. Man stellt sich an um Suppe “Als ob” da etwas drin Und man geniesst die Dorsche “Als ob” Vitamin. Die menschen auf den strassen die laufen in galop wenn man auch nichts zu tun hat tut man doch so “als ob”. ja. Nem a valorosa República Skid virá cumprir suas promessas. um “sentimento coletivo elevado” animava os jovens e seus pedagogos. Hier macht er so “als ob”. Nicht alle leute durfen In diese Stadt hinein Es mussen Auser wahlte der “als ob” Rasse rein. Até a administração judaica é criticada: “sem proteção não se pode obter coisa alguma no gueto. Em 1943. Man legt sich auf dem Boden “Als ob” es wär ein Bett Und denkt an seine Lieben “Als ob” man Nachricht hätt. passavam à noite de mão em mão. os adolescentes do Bloco L 417 proclamaram em Terezin uma república de jovens que denominam República Skid. das 8. Os mais velhos apreciavam muito essa visita pelos momentos de prazer que lhes proporcionavam. Mas. para que elas tenham consciência do mundo fictício em que estavam vivendo. Vive-se lá sua vida “Como se“ isso fosse vida E se alegram com notícias 11 . Die leben dort ihr Leben “Als ob” ein Leben war. se escreviam aventuras em capítulos: viagens na estratosfera. Como se Eu conheço uma pequena cidade Uma cidade bem tip top Eu não me lembro qual seu nome Eu chamo a cidade “como se”.mal” apresentando-a em formas expressivas na música. piratas e far-west. na pintura. como podemos ler a seguir: als ob Ich kennn ein kleines stadchen ein Stadchen ganz tip top Ich nenn es nicht baim namen ich nennes die stadt “als ob”. Seus exemplares. A revista Kamarád ainda publica seu último número onde os amiguinhos prometem se reencontrar depois da guerra numa certa rua de Praga. “Als ob” nicht so schwer. Eles viam tudo. Und spricht von schöner Zukunft. No outono de 1944 os trens para Auschwitz levaram a maioria das crianças do gueto. Leo Strauss produziu uma música chamada Als Ob (Como se) e que foi apresentada. Em Leningrado havia um orfanato que recolheu meninos abandonados de guerra: era a “Escola (Shkola) de educação social e individual Dostoievski”. descobertas. alemão e hebraico. As meninas cantavam em tcheco. principalmente para as crianças. Des Morgens und des Abends trinkt man “als ob” Kafee Am Samstag. também se desenhava história em quadrinhos. as meninas visitavam os mais velhos e cantavam para eles. e) Música No pavilhão L410 também se fazia música. únicos. Man trägt das schewere Schicksal. O Conselho tentou reter as crianças até o fim. ou mesmo permanecer vivo”. o jovem Walter Roth. am Samstag Da gibt´s “als ob” Haché. Enquanto a República Skid afirmava seus princípios esperançosos na revista Vedem (Avante!). und freuen sich mit geruchten “Als ob” die Wahrheit war. sabiam tudo e observavam com aquela justiça insubornável das crianças. no teatro. Es Gibt auch ein kaffeehaus Gleich dem café l’ Europe Und bei Musikbegleitung Fühlt man sich dort “als ob”. explorações polares. E elegeram como presidente.

Colocamo-nos para a sopa. Nós nos acostumamos a ver pessoas morrer nos seus excrementos. E tem também uma cafeteria Igual o Café l’ Europe E no acompanhamento musical A gente se sente “como se”. fresca como maio? Que uso um mundo que é mera ilusão? Que uso o sol. O mundo uma fortaleza contra a luz? Saiba: todas as coisas são como são aqui Que você seja um homem! E lute! HANUS HACHENBURG. pequeno paciente. Quinze corpos que aqui querem viver. Apesar de tudo. que eu fique bom. nas canções e nas estórias que elas deixaram em Terezín.1929 -10. Nós nos acostumamos a bofetadas sem razão. Queria ficar aqui. encontrado no Pavilhão dos meninos L 410.7. As pessoas nas ruas Correm num galope Mesmo quando não se tem nada a fazer Finge-se “como se” tivesse. Quinze pessoas sem nenhuma linhagem. Nós dormimos sem cama. A noite é muito longa e o dia curto. saídas do cárcere. EM TEREZIN Quando chega uma nova criança Tudo parece estranho para ele Onde. Quinze placas com nomes. Cabeças raspadas. ora podemos caminhar na calçada. A beleza do ar. E UMa RESPoSTa. a DoR DE TEREZIN Quinze camas. de ver carroças cheios de corpos. A santidade do sofrimento. seus nomes ficaram para sempre gravados nos desenhos. sim aos sábados. A comida é um luxo aqui. “Como se” o amanhã tivesse chegado. Quinze corpos torturados com medicamentos. muito tempo. que não me importa. de ver doentes 12 . Lá tem “como se” fosse uma refeição. 12 . E alguns estão com outros Que por vezes se sentem grandiosos Em casa não era grandioso Aqui se comporta “como se”. Então eu gostaria de viver e voltar para casa. para ajudar aos pequenos sofredores. “Como se” não fosse tão pesado.“Como se” isso fosse a verdade. se a vida é tormento. no chão eu vou deitar? Todas essas atividades cessaram quando começaram os grandes transportes a partir do inverno de 1944. DEPOIMENTO DE PETR FISCHL (9/setembro /1929 – Auschwitz-1944) retirado do livro I Never Saw Another Butterfly. milhares de almas infelizes vindo para cá e outras milhares de almas infelizes que se vão e não voltarão. não quero ir embora e deixar os quartos com luz e os olhos ardentes. Camas manchadas com sangue de outros tempos. “Nós ficamos na fila das 7 da manhã até meio dia e de novo às 7 da noite. e depois de muito. Que uso tem a arte humana e a ciência? Beleza das mulheres. de Hana Volavkova.” Exemplo de alguns poemas escritos em Terezin: PERGUNTaS. tiros e execuções. saudando cada uniforme que passa. Porém. Nós nos acostumamos a ver isso o tempo todo. Trinta olhos que procuram a tranquilidade. que dia após dia cheira estranho e carbônico. “Como se” deles tivéssemos notícia. ora não caminhar na calçada. Autor desconhecido. no qual ele colcocam um pouco de água morna com sal. nos poemas. E se fala de um bonito futuro. Ficamos numa longa fila com um prato na mão. A manhã e a noite Bebe-se “como se” fosse café E aos sábados. entre sujeiras e imundícies e ver médicos sem ter o que fazer. quando não há dia? Para que serve D’s? Apenas para punir? Ou um nova humanidade para moldar? Ou somos apenas bestas que sofrem Para apodrecer sob a vontade da paixão? Para que serve a vida. A gente se deita no chão “Como se” fosse uma cama E pensa em seus amores. E se carrega o pesado destino.1944 ME DESTRÓI a DoR. enfermeiras que trazem os termômetros. talvez um pouco de batata e um copo com o que seria café. Mães que procuram por um sorriso. “Como se” lá tivesse algo E se se delicia com algo “Como se” fosse vitamina. As crianças nunca mais voltaram.7. enfermeiras que deixam para trás só uma sombra. aguardando a visita diária dos médicos.

la ilusión de los que perdieron. sueño de la vida y de la historia Leon Gieco 1. Você a acha em todo lugar.Comer batas pretas? Não! Não eu! Eu terei que ficar? Aqui está sujo! O chão.10.1944 DEPENDE DE CoMo SE VÊ I. isto é. eu tenho medo! Eu tenho que dormir nele? Eu vou ficar todo sujo! Aqui o som de gritos. Todos sabemos que moscas trazem doenças Oh! Algo me mordeu! Será que foi um besouro? Aqui em Terezin. ainda não posso dizer. minha terra nativa. choros. sendo portanto experimentos sociológicos. Morte. FRANTA BASS. Um quarteirão kilometros de terra Me tira do mundo que é livre II. Eu contemplo e contemplo em direção sul-leste. de nele suscitar a ação transformadora. O caminho que me aparece. E agarra qualquer um Que coloque seu semblante para fora. 30. Israel – Holocausto Y Memoria KUSHNER. o homem na condição de escravo de um sistema no qual se tornara praticamente difícil modificar a situação na qual vivia em conseqüência do sistema totalitário. Minha cidade. MIROSLAV KOSEK.1932 – 19. Como seria feliz se eu retornasse para você. culturais e individuais.1930 – 28. depois de tudo. BIBLIOGRAFIA VOLAVKOVA. mostra o comportamento do indivíduo em sociedade. A proposta se faz a partir da leitura vinculada aos seguintes questionamentos: • Como e qual seria o papel do indivíduo no processo de mudança social? • Como e em que condições ele “faz” a História? • Qual o papel de cada indivíduo em busca de construção da tolerância. especialista em Teatro-Educação. Perante seus olhos agora está claro E ao longo da rua a passos largos Muitos pés marchando eu ouço. é empoeirado.9. Sua estética teatral com intuito didático tem a intenção de apresentar um palco científico capaz de mostrar ao público a sociedade e a necessidade de transformá-la. formada pela Faculdade de Artes Dulcina de Morais. Outra opção de leitura foi direcionada ao estudo da obra literária É Isto um Homem?. Eu contemplo e contemplo em direção a meu lar. Susan Goldman – Fireflies in the Dark: The Story of Friedl Dicker-Brandeis 12 Arte Educadora. de Bertolt Brecht. Terezin está cheia de beleza. Hana . por meio da análise da representação cênica. professora do Centro de Ensino Médio Setor Oeste. do escritor italiano Primo Levi. todas las promesas que se van. A antropologia teatral. Essa e outras temáticas estão contidas na concepção épica de Brecht: o ser humano deve ser compreendido com base nos processos por meio dos quais existe. Brasília-DF. L 410. E oh! Tantas moscas. TEDDY. Essa prática transcende o espaço destinado à ilustração do texto escrito. deve ser concebido como conjunto de relações sociais. ao mesmo tempo. Brecht chamava suas peças de “experimentos”. vida é inferno E quando eu vou para casa. Hana – I never saw another Butterfly RUBIN. assim Isto talvez ajude a adoçar A dor e a tragédia do pobre homem.1944 HUPPERT. fazendo uma analogia com as Ciências Sociais. gritam todos.10. 4. 1943 LaR Eu contemplo e contemplo o largo mundo. possibilitando-lhe ser protagonista de mudanças sociais. olhe. numa construção cênica interativa entre atores e espectadores. No Gueto de Terezin. de ativar o público.The Holocaust Encyclopedia LEITORES DE DRAMAS E MEMÓRIAS RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA Silvana Feitosa12 Los viejos amores que no están. Jehuda and DRORI.3.Brundibar LAQUEUR. 13 . O grande e distante mundo. O largo e inteiro mundo está sob as regras De uma determinada justiça. Walter . Eu vislumbro meu lar Em direção a cidade onde nasci. torna-se um espaço privilegiado para se trabalhar a autenticidade das relações humanas.Theresienstadt GUTMAN. fornecendo-lhe recursos para avaliação do seu vínculo com o grupo. y los que en cualquier guerra se cayeron Todo está guardado en la memoria. JUSTIFICATIVA A proposta consiste na força tarefa de desenvolver uma experiência em sala de aula que desperte o interesse dos educadores a respeito das memórias do Holocausto e o dilema de sua transmissão na sociedade global da atualidade. Tony . do respeito e de convivência com o outro? Partindo de questionamentos dessa natureza fomos encontrar na obra O Terror e a miséria no III Reich.

e tenta demonstrar que é possível acreditar e apostar no homem após Auschwitz. roupas. conforme suas escolhas. do escritor italiano Primo Levi. do escritor italiano Primo Levi. solidária e igualitária. Durante 2 meses de leitura os alunos se dividiram em pequenos grupos para elaborar um roteiro de apresentação da peça como parte da avaliação do processo de aprendizagem. regras e valores.Sabe-se que. como são aplicadas as sanções? Qual a relação entre papéis. o indivíduo desenvolve seus papéis de acordo com normas. estudantes. e ter sido escrita entre 1935 e 1938. o controle de suas escolhas. 3. • Informar e educar o aluno sobre questões de tolerância. sendo necessária a cópia do texto para ser lido em sala. A leitura nos favorece uma imersão na situação dos jovens daquele tempo. como nos tornamos quem somos? O que é ser homem? O que é ser mulher? O que é ser branco? O que é ser negro? O indivíduo compartilha valores. idéias.Registro de comentários com as impressões pessoais e opiniões dos alunos na página de relacionamentos criada no Orkut para fins de diálogo pedagógico entre os alunos e professora. representações sociais que tendem a influenciar suas ações. os alunos foram convidados a ler o livro É Isto um Homem?. METODOLOGIA As atividades foram desenvolvidas dentro do tempo regular das aulas. As turmas escolhidas foram as turmas do 2º ano do ensino médio: 2º G. história de famílias. mas nunca aparecendo de fato. As tarefas relacionadas à leitura do livro são: tarefa 1 . A obra de Levi é otimista dentro deste universo literário. Foram selecionadas 9 cenas para a leitura. • Transformar a leitura em memória viva do Holocausto procurando avaliar as ideologias e controvérsias do Terceiro Reich utilizando o espaço cênico. religiosa e com as diferenças de orientação sexual e de gênero interfere na constituição dessa identidade? Como podemos constatar isso? Através dos papéis sociais representados por personagens das duas obras citadas acima podemos fazer as diversas leituras dos papéis sociais que representamos no meio em que vivemos. • Desenvolver o senso crítico e reflexivo de ações transformadoras das relações sociais através de leitura da obra É Isto um Homem?. sendo as dúvidas resolvidas no grupo respeitando o ponto de vista de cada um. comparando com os jovens de nossos dias cujo o papel procuramos enfatizar para a construção de uma sociedade mais justa.. que enriqueceu o debate reflexivo em torno da questão do Holocausto. tirei 25 cópias das cenas e montei o texto em recortes facilitando o acesso a leitura em sala. peça teatral contendo 24 cenas. etc. notícias recebidas da resistência. Após a leitura abrimos o debate para esclarecimentos de fatos e do próprio momento da vivência do autor.. • Contribuir para a formação de senso crítico contando e recontando a história com o propósito de promover a avaliar o passado para compreender o presente aprendendo com as lições a partir do Holocausto. coexistência e Direitos Humanos. Comprei o livro numa livraria virtual. por tratar do panorama da vida na Alemanha nazista. 2. nos grupos humanos. A etapa final se concretizou com a realização da leitura dramática da peça Terror e Miséria no III Reich. Nesta ocasião.com). são submetidos a um conjunto de sanções simbólicas e físicas evidentes em cenas que se desenrolam em campos de concentração: a substituição do nome por números. Mas. Fazendo um contraponto com o presente é possível avaliar a liberdade de escolhas. sempre citado. o que acontece com aquele que não se adapta? Em É Isto um Homem? podemos identificar as respostas para tais questionamentos. Daí. A abertura da roda de leitura foi com o poema do Primo Levi (. • Ensinar aos alunos os valores da democracia e dos Direitos Humanos. símbolos. fazendo uso de recortes de jornal. por isso. cultural. Dentre as peças de Brecht esta me chamou muito a atenção. normas e sanções? Nessa relação. no turno de atuação dos alunos (vespertino) de acordo com o cronograma das aulas de Artes Cênicas. Primo Levi foi deportado para o campo de concentração de Auschwitz com a idade de 24 anos. O Führer é um personagem de fundo. étnica. e para encorajá-los a repudiar o racismo e a promover a tolerância na sua respectiva sociedade.). utilizando-se 14 .Roda de leitura selecionando capítulos do livro É Isto um Homem? E poemas para debate com a presença do professor Marcelo Walsh – Pesquisador do LEI/USP: Linha de Pesquisa “Holocausto e Antissemitismo”(2008). Paralelo a leitura da peça. posicionamentos frente a aceitação de regras impostas por um sistema totalitário e antissemita. as personagens. detalhes expostos pelo professor Marcelo. H e I. O livro insere-se na vasta obra testemunhal escrita sobre a experiência dos campos de concentração e extermínio dos judeus e outras minorias pelos nazis. rádio ou qualquer forma que pudesse levar a informação além das fronteiras do Reich. Através desta leitura procuramos identificar e analisar os conceitos de liberdades individuais e invasão da esfera privada pelo Estado. professores e policiais. Nos grupos sociais em geral. que colaboram para formação da identidade individual e coletiva.seguida da leitura de trechos e passagens do livro pelos alunos. Alguns personagens não se ajustam a determinada norma e. • Desenvolver o bom hábito da leitura dramática através da obra O Terror e a miséria no III Reich do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Em seu texto apresenta diversas situações do cotidiano. Brecht vivia então na Dinamarca. cenários virtuais com referências imagéticas do contexto histórico das ações. as insígnias triangulares na cor verde. OBJETIVOS • Realizar em sala de aula a leitura de fragmentos selecionados das obras O Terror e a Miséria no III Reich e É Isto um Homem? Este exercício deverá ser realizado dentro de um processo de aprendizagem onde se busca a qualidade e a eficácia do ensino no cumprimento de competências e habilidades do programa de avaliação seriada promovido pela universidade federal (UNB) para que os alunos alcancem êxito em sua avaliação que ocorre de forma processual ao longo dos 3 anos do ensino médio. (endereço eletrônico: hypokrites. sentimentos. acessórios. A primeira etapa partiu da leitura da obra O Terror e Miséria no III Reich. qual seria o grau de autonomia do indivíduo? Por intermédio de que processos ele se torna membro da sociedade? Enfim. Como o encontro com a diversidade artística. Tarefa 2 . seremos capazes de responder de forma crítica e reflexiva aos inúmeros questionamentos aqui elencados. as estrelas vermelhas e amarelas para selecionar grupos étnicos.cemso@gmail.

vídeos com trechos de filmes e textos/poemas relacionados ao tema das cenas que seriam projetados simultaneamente ao tempo de duração da cena. p. • Criação de portfólio contendo atividades relacionadas às questões discutidas em sala – leitura da peça e do filme O Diário de Anne Frank (seriado). ela se lembra de seu amado e da terra que a acolheu. praticantes secretos da religião ancestral. O que será o Amanhã? Cada tarefa acompanha um comentário e uma ilustração. Numa narração caseira mostra-se ao espectador através das entrelinhas do texto. Hanukah em tempos de Holocausto. utilizando tecnologia da informação em programas como: Power Point e Movie Maker. Seus ossos foram desenterrados e queimados.O vídeo são fragmentos da obra O Cavaleiro da Esperança especificamente no momento em que Jorge Amado conta a uma amiga imaginária a captura de Olga Benário. imagens imaginárias de um tempo real e cruel vivido pela humanidade e que não poderá jamais apagar-se da nossa memória. (A Torá na Terra de Santa Cruz. como todos os de sua raça. eu não pretendi nada disso! Nunca pensei senão em viver conforme a minha natureza e o meu entendimento. amando Deus à minha maneira. de Frances Goodrich para leitura e montagem de fragmentos. condenada à fogueira pela Inquisição era uma mulher: a cristã-nova Ana Rodrigues. • Instalação malas e memórias – nesta tarefa os alunos transformam uma caixa de sapatos em uma mala onde selecionam objetos e pertences pessoais que tragam memórias de suas vidas. nasce o projeto O Dever da Memória com as seguintes estratégias metodológicas: • A partir do estudo do Teatro Épico e de leitura e montagem das cenas O Batalhão do Pântano e A Judia.dos recursos técnicos da metodologia didática do teatro de Brecht: uma leitura com cenários virtuais compostos de imagens. na coletividade humana.. 18-20). octogenária acusada de liderar uma família de judaizantes na Bahia. Com o objetivo de auxiliar os educadores que pretendam aplicar esta sugestão em sala de aula apresento a minha proposta seguida de alguns relatos expressivos desta experiência. Ainda em 2010 participei juntamente com dois alunos do concurso Jorge Amado promovido pela Companhia das Letras e os alunos ganharam o prêmio de 2º e 3º lugar respectivamente. Foi culpada mais de dez anos depois de sua morte. Como todos os que pretendem enfraquecer a religião e a sociedade pela subversão e pela anarquia. A pesquisa dos cenários foi realizada pelos alunos mais familiarizados com as habilidades em recursos audiovisuais. sabe ler e suas leituras mostram que seu espírito está minado por idéias exóticas. O enredo enfoca a personagem Branca Dias. Eu e meus amigos.. nem fazer mal algum a ninguém. Nas aulas de História o estudo partiu do capítulo 5 – A História dos Hebreus da antiguidade até a criação do Estado de Israel e perfazendo caminho sobre o conflito Árabe/Israelense. de Brecht. mãe de uma criança chamada Anita. A instalação de tribunais da Inquisição na Península Ibérica levou os cristãos novos . O 2º lugar coube a aluna que montou o vídeo sobre a obra O Cavaleiro da Esperança denominando-o de UM CAVALEIRO. uma judia do interior da Paraíba. cena 9 .descendentes dos judeus ibéricos – a serem perseguidos como “judaizantes”. Num dos determinados momentos em que Branca é interrogada pelo Tribunal do Santo ofício. morreu no cárcere. há desempenho de papéis e divisão de tarefas que por sua vez podem gerar desigualdades. (. nunca quis destruir nada. Em 2009 com objetivo de provocar questionamentos acerca de algumas questões inquietantes. tem instrução. companheira. A fogueira foi o destino de muitas mulheres. Branca responde: Mas senhores. esposa. A primeira vez que apresentei em sala de aula um tema dessa natureza relacionado com a questão do antissemitismo foi quando desenvolvi. cena 7 – Uma família no gueto. cena 8 – Os revolucionários. o Visitador (personagem que representa o Clero) diz: Acho que nos iludimos com ela desde o princípio. eu e Anne Frank. urgentes e precisas no espaço da escola como. Não se trata de uma provinciana ingênua e desorientada. cena 2 – Exortação à mocidade hitleriana. mas seu processo continuou. As caixas são cobertas conforme a criatividade de cada um. os indivíduos devem desenvolver papéis de acordo com normas. Declara-se ainda inocente porque quer impor-nos a sua heresia. • Conexão com outras disciplinas – Nas aulas de Filosofia o estudo se deu a partir do capítulo 16 – A Memória da autora Marilena Chauí – Editora Ática. O objetivo de resgatar a memória utilizando atividades que interagem entre si contribui para que os alunos percebam o passado não como um tempo longínquo onde a história registra fatos esquecidos e estagnados na lembrança morta. Sua obstinação e sua arrogância provam que tem absoluta consciência de seus atos. signos. As cenas foram apresentadas na seguinte ordem: Cena 1 – desfile do povo alemão. Presa e enviada para Lisboa. A obra é recheada de poemas que foram lidos antes de cada cena. mas que esta memória seja um bem imaterial dentro de cada um de nós e que através dela sejamos instrumentos de mudança no mundo. O que é o Hanukah. por representantes dos Nazis no Brasil. cenas 3/4/5/6 – Campo de concentração. • Escolha da peça O Diário de Anne Frank. reflexões a partir do livro O Diário de Anne Frank. A ESPERANÇA E UMA AMIGA . estará sendo partidário de 15 . São as seguintes tarefas: Quem eu sou. por exemplo. verdadeiras responsáveis pela transmissão do judaísmo. Portanto. Caso contrário. em 2002. regras e valores que preservem a dignidade do ser humano em todas as suas dimensões. Em 2011 buscando mais uma vez tratar do estudo do holocausto em sala de aula com as turmas de 2º Ano.) A primeira vítima do Brasil.A judia. • Do livro didático de História – autor Heródoto Barbeiro. Lá. vários cristãos-novos foram insistentemente denunciados. além do site YouTube. de Dias Gomes. isto é. ao discordar veementemente do padre Bernardo a respeito de suas convicções religiosas. sinal de que a Inquisição não estava alheia ao que acontecia na colônia portuguesa de além-mar. Olga Benário é uma mulher judia. das mais denunciadas durante a primeira visitação. Ela passa por horrores no campo de concentração para tentar sobreviver junto com sua filhinha. porque vivemos em grupo? O que significa dizer que o homem é um ser social? Que papel desempenhamos no meio em que vivemos? Importante ressaltar que precisamos perceber que. Os inquisidores tinham profunda convicção de que as mulheres eram os hereges mais perigosos. o projeto Teatro e Protagonismo Juvenil com a montagem cênica da peça O Santo Inquérito. condenada à fogueira por violar as leis do clero. Com a presença do Tribunal do Santo Ofício no Brasil. eu e o mundo.

trabalho com a pá. da discussão ética provocada pelos fatos ocorridos em função da violação dos direitos humanos durante a segunda guerra. O ruído é assustador. da série Panorama Histórico Brasileiro do Instituto Itaú Cultural. mais próximo estará o fim da guerra. ação. o poder centralizado na mão de contraventores de toda espécie. cenários. Os aviões passam sobre nossas cabeças. Numa outra análise foi sugerida a leitura do filme Ópera do Malandro.. Outro aspecto relevante de análise dentro do documentá- rio é a participação do Brasil na segunda guerra. meu ventre está inchado. ideias e representações sociais que possivelmente influenciem em suas ações colaborando para a formação da identidade e da memória (individual e coletiva) no contexto de uma sociedade democrática. se apresentar como um espaço social que valorize os aspectos aqui abordados de forma a incentivar o indivíduo a respeitar a diversidade.situações de exclusão e intolerância. já tenho a fome regulamentar.. objeto de estudo desta aula. (.” (Primo Levi. que fica dentro de cada fragmento de nossos corpos. meus membros ressequidos. uma vez que a obra está inserida como instrumento de avaliação do Programa de Avaliação Seriada – PAS. aprende-se em breve a apagar da nossa mente o passado e o futuro. da exploração do homem pelo homem. É Isto um Homem?) “Os ataques aéreos estão se tornando cada vez piores. os alunos puderam compreender e analisar criticamente a intenção do autor de provocar no espectador/leitor reflexões substanciais em torno da construção de identidade. retalhando ou desconstruindo a história no tempo. Através do filme e do documentário os alunos tiveram uma visão maior e mais esclarecedora dos fatos para resolver situações de ordem técnica e avançar na questão estética de suas criações. A escola deve. mesmo meu corpo já não é meu. outros cinzenta. das salas de aula.) Já apareceram. Empurro vagões. artista. 2) Anos 30: entre duas Guerras. onde a escola investe sistematicamente em manter seu projeto pedagógico em torno deste programa. malandro/protagonista da trama na Ópera do Malandro com o malandro político. dia e noite. de Ruy Guerra na perspectiva de mostrar a importância do cinema na colaboração das descobertas de novos caminhos de se pensar e olhar o mundo. personagem. dos papéis sociais representados. contrabandista brasileiro/ estrangeiro. 5. quando não nos vemos durante três ou quatro dias. 4.) Na opinião de Pim a guerra pode terminar de um momento para outro. meu rosto túmido de manhã e chupado à noite. tempo/espaço passando pela discussão da relação do contexto histórico e social da ação com o contexto histórico do país no percurso da ação. • Documentários: 1) No tempo da Segunda Guerra. dentro das escolas. então: no fundo do poço. desencadeando um processo de estudo detalhado da obra em seus aspectos estruturantes da linguagem dramática: enredo. a indústria nacional e a relação do papel social representado por Max Overseas. Só de farra. O critério de avaliação sistemática se dá através de uma ficha distribuída com a platéia para que a mesma pontuasse o desempenho de cada aluno/ator. quanto maior for o número de aviões.. Num outro encontro a proposta foi inserir a leitura do documentário No tempo da Segunda Guerra fazendo uma conexão com o papel social representado pela personagem Duran da obra Ópera do Malandro que estabelece uma relação simbólica de poder entre o personagem e sua idolatria em torno da figura personificada de Hitler. à noite. e por fim o autor e sua trajetória de vida. portanto. FRAGMENTOS DE OBRAS “Aqui estou. custamos a reconhecer-nos. de Ruy Guerra. da inserção da linguagem audiovisual como ferramenta de estudo no contexto da linguagem cênica para pesquisa de construção de personagens. o autor. perguntou noutro dia a 16 . Outra proposta de avaliação é o debate entre o grupo e alunos de outra escola vizinha à nossa através da apresentação do espetáculo culminando com debate em torno da obra. a escolha do texto. de Chico Buarque. no peito de meus pés. podem ser refletidas através da obra A Ópera do Malandro. a marginalização e discriminação de pessoas como prostitutas e homossexuais. de Chico Buarque de Holanda. etc.. indumentárias. Avaliação das atividades realizadas Nesta última etapa os alunos apresentaram um portfólio das atividades relacionadas à montagem cênica da Ópera do Malandro em recortes abordando todo o processo de construção da montagem que posteriormente seria avaliada na prática através de encenação pública para a escola. • Peça teatral Terror e Miséria no III Reich. Qual a repercussão da obra de um artista na formação da identidade de um grupo? De que forma a obra contribuiu para a “construção” de uma versão para História do Brasil? Onde encontramos os personagens deste enredo social? Eles estão somente no imaginário do autor ou são parte da realidade brasileira? É possível nos dias de hoje nos conectarmos com o tempo da obra? Essas perguntas podem ser respondidas ä medida que nos embrenhamos pelas entrelinhas do texto. Quinze dias depois da chegada. tudo isso num bojo de conflitos de identidade incessantes e pós-modernos bem próximos de nós. as torpes chagas que nunca irão sarar. alguns de nós têm a pele amarelada. Aqui.(. • Peça teatral e músicas da Ópera do Malandro. de Bertolt Brecht • É Isto um Homem?. Pim diz que para nós deveria soar como música. Como se dá o encontro da diversidade cultural? As diferenças de orientação sexual? Como estes valores interferem na construção das identidades e das memórias? No contexto da sociedade brasileira algumas facetas da desigualdade. tremo no vento. As atividades realizadas em sala de aula foram feitas em grupo partindo da leitura de partes do texto dramático Ópera do Malandro. do jogo político. desfaleço na chuva. que faz sonhar. essa fome crônica que os homens livres desconhecem. além de compartilhar valores. Materiais utilizados para a realização da atividade em sala de aula Os recursos materiais selecionados para a elaboração das aulas constituem-se do seguinte material audiovisual: • Audiovisuais: filme Escritores da Liberdade e Promessas de um novo mundo. entre duas Artes. a experiência de cada um. Como pano de fundo tem a grande questão social que não cala: a prostituição de adolescentes. Quando a necessidade aperta. de Primo Levi • Documentários da coleção HOLOCAUSTO • Filme Ópera do Malandro.

de F. Goodrich e A. Direitos Humanos.Há dez anos quando todos achavam que ninguém diria que eu era de raça judaica tu dizias logo: vê-se bem. na Polônia. que ocupa supostamente uma das cadeiras) . em cursos de graduação. inicia-se com o desmoronamento do império soviético e o fim da Guerra Fria. em 1948 – novas tragédias humanas não deixaram de se repetir: a ditadura de Josef Stálin (1928-1953). Racismo e Discriminação. que foram aniquilados pelo império do terror nazista do Terceiro Reich (19391945). intelectual judia alemã. Hackett).” (fragmento da peça teatral”. Esta data se complementa com o “Dia Internacional em Honra às Vítimas do Holocausto”. política e filosófica da tragédia humana e social da Segunda Guerra Mundial (1939-1945)16. Hannah Arendt (1906-1975). 1995. Marcelo Vieira. E isso dava-me alegria. A Noite de Cristal – A Primeira Explosão de Ódio Nazista contra os Judeus. Especialista em Análise de Informações Estratégicas (1995) (SAE-PR). instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).. Martin. em Taguatinga Sul (DF). São Paulo: Companhia das Letras. Conselho Fiscal). p. sem esforço. Era por encarar os fatos como fatos. DESAFIOS DO ENSINO DA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO (Shoah) Da “Questão Judaica” à Solução Final Marcelo Vieira Walsh13 1. episódio fabricado pelo regime nazista na Alemanha: A Kristallnacht ensinou. voltar ao colégio com minhas amigas. 16 HOBSBAWN. de Bertolt Brecht). Especialista em Prática de Contratos Internacionais (2001) (PUC-PR). 282. em 1991. Japão). data em que se presta homenagem aos mártires.. que foi o Nazismo. os regimes ditatoriais laicos e os fundamentalistas islâmicos do Oriente Médio.com. adolescentes e jovens)? Elas estariam restritas às comunidades judaicas pelo mundo? O que há de pedagógico nelas? E qual deverá ser o papel do docente no tocante à Memória do Holocausto ou Memória da Shoah? A propósito. Afinal. Política Internacional das Grandes Potências (Estados Unidos.. há o renovar de esperanças quanto à difusão universais dos valores da Democracia. capturado numa operação secreta do Mossad (Serviço de Inteligência Israelense) na Argentina . História da Política Exterior do Brasil. Coexistência. O Diário de Anne Frank. “O Papel do Docente na Construção da Memória do Holocausto”. da Universidade de São Paulo (LEER-USP).andar outra vez de bicicleta. que. pós-graduação e preparatórios. Era dos Extremos: O Breve Século XX (1914-1991). uma lição 13 histórica de que aquilo que começa como algo finito em matéria de destruição e limitado no tempo pode rapidamente evoluir para um monstro de extermínio em massa. Muito embora tivesse havido duas salutares reações mundiais – a instituição dos tribunais militares para julgar crimes de guerra.responsável direto pelo planejamento sistemático da “Questão Final” (eufemismo do plano de aniquilamento físico. referindo-se ao carrasco-chefe nazista. a tirania implacável de Mao Tse-Tung (1949-1976). Israel) (2010). História das Relações Internacionais. em 1945. O Longo Século XXI. recorda-se o Iom Hashoah. É membro da Associação Nacional dos Ex-Combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) (qualidade de descendente). para mim quanta coisa gostaria de fazer . Mas agora porque havemos de virar tudo ao contrário? Eu vou-me embora para não perderes o teu lugar de cirurgião –chefe. asp?cod=152>. o de Nuremberg. Foi dela a autoria da expressão “banalidade do mal”17. que o mal tem gradações. ficar aí de molho até não poder mais. as ditaduras de esquerda e de direita do Terceiro Mundo. resistentes e sobreviventes judeus dos anos 1930 e 1940.. com os seus nefastos Gulags (campos de concentração soviéticos) e KGB (Serviço de Inteligência soviético).15 Primeiramente. tecnólogo. apresenta um vigoroso espírito de renovar de esperanças. Especialista no Ensino da História do Holocausto (Shoah) (Yad Vashem. lamentavelmente. é o Dia da Recordação das Vítimas do Holocausto ou da Shoah.. que exterminaram milhões de opositores e civis inocentes. no livro de mesmo nome. de maneira especial. da Declaração Universal dos Direitos Humanos. É a data da revolta do Gueto de Varsóvia. Judite – (Ensaia o que vai dizer ao marido. Em 1961. Ambas as efemérides contêm um profundo significado e lição para o século XXI e servem como referências pedagógicas para os professores14. de Ian Flemming . Demonstra preferência pelos seguintes assuntos: Holocausto (Shoah). “alguém habituado a não pensar nas conseqüências dos seus atos” em nome do regime nazista do terror. de inquietações e de expectativas. de 1938. Igualdade e Fraternidade para países que experimentaram ou experimentam ainda regimes Docente superior. Atividades como pesquisador: Laboratório de Estudos sobre Etnicidade. para um mal ainda maior. através da sua Assembléia Geral. (. 14 WALSH. desde 1998. social e espiritual do povo judeu). rir até me doer a barriga. ela foi designada pela Revista New Yorker. Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR). Atua no magistério superior. em retrospecto. cabe refletir-se sobre as palavras de um dos mais notáveis historiadores britânicos e especialistas em Memória da Shoah. acarretou a morte de mais de 11 milhões de pessoas em campos de extermínios nazistas. e a aprovação.. cultural. Rio de Janeiro: Ediouro. lecionando no Centro de Ensino Médio Ave Branca (CEMAB). provocada pelo ímpio e execrável sistema político-ideológico totalitário... na III Seção Ordinária da Assembléia Geral da ONU (contando apenas com a abstenção de países socialistas). a segunda metade do século XX. Associação Nacional de Professores de História (ANPUH-DF. Antissemitismo. vestir roupa nova da cabeça aos pés – encher a banheira de água até transbordar.digno de filme do agente britânico 007.cada um de nós o que mais gostaríamos de fazer ao sair daqui.. medo e destruição18. afirma. por unanimidade. na sua privilegiada argúcia. 15 GILBERT. (fragmento da peça teatral O Terror e Miséria no Terceiro Reich. Mestre em História das Relações Internacionais (1994-1997) (UNB). 2006. constitui uma das maiores referências para os docentes do século XXI. que seja recordada sempre a tragédia da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Disponível em: <http://www.br/content/mail/press_especial. Martin Gilbert. mas também é um processo e pode mover-se suavemente. China. Bacharel em Relações Internacionais (1988-1992) (UNB). para cobrir o julgamento do criminoso nazista Adolf Eichmann. 17 . qual o significado dessas datas para esse início do século XXI? O que elas têm a ensinar às novas gerações (crianças. pelos Macabeus modernos. Enfim. meter-me dentro dela. iniciada em 1943. data de libertação do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau. De fato. na ótica historiográfica de Eric Hobsbawn. pelo exército vermelho. contra chineses opositores e tibetanos. O papel do educador na construção da Memória do Holocausto (Shoah) Na noite do dia 20 de abril. ao abordar a “Noite de Cristal” (Kristallnacht). A pensadora. à frente da República Popular da China. filósofa política de sua época. denominado pelo historiador britânico Eric Hobsbawn como “Século Sangrento”. e que se celebra anualmente no dia de 27 de janeiro.) Mas. Liberdade. demonstrou que a Humanidade ainda não aprendera a profunda lição histórica.bnai-brith. Acessado em 29/04/2011. Justiça. Eric. É professor concursado da Fundação Educacional do Distrito Federal.

. Manter acesa a chama da Memória da Shoah ou do Holocausto é perpetuar a chama da Vida! 2. E utilizando o Direito Internacional. Augusto Cury. os organismos internacionais contribuir para o amplo entendimento e consenso dos Estados soberanos quanto ao imperativo moral e à premência da observância dos Direitos Humanos. BASCOMB. Hannah. tolerante e assentado no princípio da paz.pdf>. pelas razões já expostas. de gangues neo-nazistas. utilizando-se dos inúmeros recursos didáticos. Educação em prol da promoção da Cultura de Paz. promulgada em 20 de dezembro de 1996). No Brasil. a não-indiferença. Rio de Janeiro: Sextante. Abraham. no moderno de ensino. Abraham. paz. na qualidade de líder e formador de gerações. na convivência humana. Eichmann em Jerusalém. A Memória da Shoah ou do Holocausto – das vítimas. p. nessa perspectiva. 7ª ed.. Realizada em Curitiba.22 Encontra-se praticamente superada. Cit. desde as tenras gerações do Ensino Fundamental até o nível do Ensino Superior. racistas como a organização norte-americana Klu Klux Klan). na abertura da V Jornada Interdisciplinar para o Ensino da História do Holocausto. xenofobia20. Deve ser lembrado. Entendemos que. 2001. Rio de Janeiro: Objetiva. encontra-se enraizado na promoção da cultura e da educação em prol da Paz. mas.como o caso do atual regime totalitário teocrático do Irã. o Genocídio de Ruanda (1991) e os atentados terroristas do 11 de Setembro de 2001 contra os Estados Unidos são exemplos de assustadores conflitos internacionais. Cit. coexistência e fraternidade universal. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas 17 ARENDT. A Memória do Holocausto ou Memória da Shoah pode contribuir. capacidade de falar ao coração. Hannah. baseados num nacionalismo exacerbado. dos Direitos Humanos. Mahamoud Ahmadinejad. de nossa nação. Augusto. FOXMAN. coexistência e diálogo entre os povos do mundo. SUBSECRETARIA DE INFORMAÇÕES. Caçando Eichmann – Como um Grupo de Sobreviventes do Holocausto Capturou o Nazista mais Notório do Mundo. 2005. 18 ARENDT.br/ arquivos/pdf/ldb. Nunca mais? – A Ameaça do Novo Anti-Semitismo. Op. O papel do Estado deve ser o de zelar e garantir a plenitude dos Direitos Humanos. Direitos Humanos. e na atuação passiva deste no processo de ensino aprendizagem. em 6 de junho de 2008. 23 BRASIL. na distante relação entre professor e aluno. Ora. O dever de também de estar vigilante às manifestações de intolerância – venham de indivíduos isolados. estaremos garantindo. Abraham Goldstein. combater e proporcionar uma resposta adequada e firme a toda e qualquer forma de intolerância religiosa. A sociedade internacional – gerenciado pelos Estados soberanos e organismos internacionais . a não-omissão e a imortal lição da Memória da Shoah ou do Holocausto. que a História apresenta um profundo conteúdo pedagógico. SENADO FEDERAL. segundo a vigente Lei de Diretrizes e de Base da Educação (Lei 9394. a antiga concepção do processo educacional centrado no simples transmitir de conhecimentos. justiça. no dia 06 de junho de 2008. em sua tarefa e responsabilidade de educar os filhos de nossa sociedade. assim define a Educação. Complementarmente. quanto mais consciente dos valores da democracia. para este importante processo. defendeu a seguinte posição: Todas estas iniciativas têm o principal objetivo de disponibilizar ferramentas que permitem ao educador aprofundar o seu trabalho em sala de aula com informações e referências a documentos e argumentos interpretativos que lhe apóiam. dos Direitos Humanos. antissemitismo. pelo contrário. Cit. sensibilidade. “Discurso de Abertura da V Jornada Interdisciplinar sobre o Ensino do Holocausto”.gov. São Paulo: Francis. psiquiatra e pedagogo entusiasta da análise sobre o imprescindível papel do professor na sociedade e da sua missão de formar as novas gerações. Tomando para si e não delegando a ninguém a sua capacidade de conduzir e progredir no convívio pluralista e integrador. Op. “Lei de Diretrizes e de Base da Educação”(Lei 9394/96). ela. coexistência e diálogo entre os todos os povos do mundo. no caput do Artigo 1º: A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. a recordação. de influenciar pessoas”21. heróis e sobreviventes do Holocausto judeu e de outros povos – torna-se um imperativo de toda a Humanidade. nas instituições de ensino e pesquisa. 2003. 72. enfatiza que o professor deve transmitir “sabedoria. racismo. neo-nazistas. São Paulo: Cia das Letras. para nossa sociedade. Abraham (Co-Presidente Nacional da B´nai B´rith Brasil). sua ampla vigência e constante aprimoramento. serenidade.tem o dever não só de recordar a tragédia singular do aniquilamento de mais de seis milhões de judeus (ou mais de 60% da população judaica da época). Coexistência e Diálogo Um dos principais pilares da Democracia e da Liberdade. 18 . quanto mais preparada para o exercício da cidadania estiver nossa sociedade.fechados.. Co-Presidente Nacional da B´nai B´rith Brasil. ensi- nar a Memória da Shoah ou do Holocausto. Acessado em 27/04/2011. Op.mec. o não-esquecimento. E expectativas de que novas conturbações possam abalar o sistema internacional . amor pela vida. A forma fratricida como ocorreu o desmoronamento da antiga Iugoslávia (1990-1991). que patrocina a máquina de terror (Hezbollah e Hamas) e apóia os grupos de intolerância (revisionistas europeus ou negacionistas do Holocausto. deverá ensinar às novas gerações o respeito. mas também para cultivar o mais profundo Humanismo – e com ele os valores e ideais universais da democracia. à pergunta essencial: qual deve ser o papel do docente. realizado em Curitiba. o de educar às novas gerações para uma Cultura de Paz. face ao desafio universal da Memória da Shoah ou do Holocausto? Deve-se referir ao papel do educador. presta-se não apenas a recordar a tragédia histórica da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). no quadro e giz. Neal. 21 CURY. 19 HOBSBAWN. se harmoniza e enriquece o seu rico acervo. afetividade. um Brasil sem discriminação. primeiramente. mais compreensiva e atuante ela o será em busca de justiça social. Disponível em: <http://portal. novamente. Pais Brilhantes e Professores Fascinantes. 22 GOLDSTEIN. no sentido de se evitar que novas tragédias se repitam e de se ensinar a combater todos os tipos de intolerância. organizações racistas e antissemitas ou de governos intolerantes (como o do Irã e o do Sudão). Os Direitos Humanos são universais e – ao contrário de ofuscar a diversidade cultural dos povos. promove o seu programa nuclear para fins militares e estimula o discurso de intolerância e de ódio antissemita do seu presidente. numa visão atualizada. no trabalho. 2010. Eric. Que se retorne. negador sistemático da existência da Shoah e do legítimo direito de existência do Estado de Israel19. O professor – tanto em sala de aula como em atividades extraclasses –. 20 FOXMAN. além da Paz Internacional. embates inter-étnicos e fundamentalismos religiosos.

Qualquer debate acerca de metas educacionais carece de significado e importância frente a essa meta: que Auschwitz não se repita. por meio da educação. Esta é a atitude social e individual imperativa para que a Barbárie não retorne e nem se imponham ditadores sobre a Humanidade. que novos preconceitos. portanto. Ben. muito menos. consciente das suas responsabilidades individuais e sociais. Este conflito culminou com o extermínio de mais de seis milhões de judeus e cinco milhões de não-judeus. ESCUELA INTERNACIONAL PARA EL ESTUDIO DEL HOLOCAUSTO. Refletindo sobre Auschwitz. A diversidade cultural – de religiões. ADORNO. desempenha uma função importante na promoção da tanto da Educação como da Cultura em prol da Paz. Apesar da nãovisibilidade atual dos infortúnios. harmonioso entre diferentes indivíduos. por sua extensão geográfica. Educar que o convívio pacífico e interativo entre pessoas de distintas condições constitui o fundamento da Democracia e dos Direitos Humanos. presente no mundo. Programa de Pós-Graduação em Educação. Holocausto (Shoah): como foi possível acontecer? A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) constituiu a maior tragédia da História da Humanidade. violências. ALMEIDA. nem omisso e. DEPARTAMENTO DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO. cultural. Através de uma análise crítica das teorias racistas implementadas pelo III Reich podem-se desenvolver atitudes que favoreçam a convivência democrática e a construção da cidadania. Holocausto: Crime contra a Humanidade.5. o pensador alemão argumenta: A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação. a pressão social continua se impondo./Theodor-Adorno-EducaCAo-ApOs-Auschwitz>. valores –.uma das principais líderes do Sionismo28. nos termos da história mundial. e construído no Monte da Recordação (Har Hazikarón). proposta pelo Prof. Ela impele as pessoas em direção ao que é indescritível e que. Disponível em: < www. 2005. e aprovada pelo Knesset (Parlamento israelense). Educação e Emancipação. No Brasil. Bauman e Adorno: Sobre a Posição do Holocausto em Duas Leituras da Modernidade. não importando a sua condição religiosa.. todos aqueles que não verão Israel”29. E pensei nos seis milhões de judeus que morreram. A Memória da Shoah ou do Holocausto não é.. Golda Meir (1898-1978) . Maria Luiza Tucci. Israel] 27 ISRAEL. em Jerusalém. a discriminação.. Fala-se da ameaça de uma regressão à barbárie.com/. social. sendo hoje o mais importante centro judaico e mundial da Memória da Shoah27. Não devemos nos esquecer. p. 1972. São Paulo: Ática. mas do pleno convívio pacífico. em 14 de maio de 1948. Dissertação de Mestrado. ABRAHAM. Theodor. levando-nos a refletir sobre a responsabilidade do Estado na preservação da vida do cidadão. a barbárie continuará existindo enquanto persistirem no que têm de fundamental as condições que geram esta regressão. expoente da Escola de Frankfurt. o estudo da história da Shoá desempenha um importante papel de conscientização. ADORNO. o preconceito. Médio e Superior. étnica.foi outra demonstração clara da urgência de resolver o proble- CARNEIRO. culminaria em Auschwitz. estudantes e visitantes do mundo inteiro.manifestações culturais. a construção de uma sociedade não apenas pluralista e tolerante. Não ser indiferente. mas envolve a formação do cidadão ético. “Monumento aos Nomes”) ou Museu do Holocausto. sintoma da persistência da possibilidade de que se repita no que depender do estado de consciência e de inconsciência das pessoas. que recebe grupos de educadores. a inclusão da temática da Memória da Shoah ou do Holocausto na grade curricular ou no conteúdo programático do Ensino Fundamental. pois Auschwitz 24 foi a regressão. Como afirma Maria Luiza Tucci Carneiro. através de uma sistemática política implementada pelo Terceiro Reich (1933-1945). Para que lo sepan las Generaciones Venideras: La Recordación Del Holocausto em Yad Vashem. Neste sentido. Justificá-la teria algo de monstruoso em vista de toda monstruosidade ocorrida.o massacre de milhões de judeus na Europa . 2008. 2010. dos Direitos Humanos. constitui um legado riquíssimo para a construção de pontes de entendimento. Ela foi a barbárie contra a qual se dirige toda a educação. genocídio não se repitam. discriminações. Felipe Quintão. Primeiro-Ministro israelense (1948-1952). não está voltada tão somente à colocação de profissionais competentes no mercado de trabalho. 2007. 25 19 . Ben Zion Dinur. entendia que deveria se desenvolver uma pedagogia universal em torno da tragédia humana e social incomensurável do Holocausto. instituições. 5ª Ed. De tal modo ela precede quaisquer outras que creio não ser possível nem necessário justificá-la. sexual ou outra. David Ben-Gurion (1886-1973).24 Theodor Adorno (1903-1969). Jerusalén: Yad Vashem. 3. no seu livro Holocausto – Crime contra a Humanidade: [O livro] pretende mostrar que aquele processo de extermínio de um povo passa pela compreensão dos direitos humanos. “Educação após Auschwitz”. em Hebraico. econômica. o mais ativo campo de extermínio nazista. Deve-se ensinar às novas gerações.. drásticas transformações sociais e conseqüências humanas. Acessado em 23/04/2011. …E o Mundo Silenciou. Universidade Federal de Santa Catarina. todos aqueles que deveriam estar aqui. Rio de Janeiro: Paz & Terra. Não consigo entender como até hoje mereceu tão pouca atenção. Mas não se trata de uma ameaça. destacado filósofo e sociólogo alemão do século XX.25 O Yad Vashem26 (literalmente. A Humanidade não pode ficar indiferente e nem ser omissa face às novas correntes de intolerâncias. compreensão e comunicação entre os povos. na perspectiva do Yad Vashem. apenas direcionada para o povo judeu. ao proferir a Declaração de Independência de Israel recordou a incomensurável tragédia humana que se abateu sobre o povo judeu nos 1930 e 194030: A catástrofe que recentemente caiu sobre o povo judeu . exclusões. Mas a pouca consciência existente em relação a essa exigência e as questões que ela levanta provam que a monstruosidade não calou fundo nas pessoas. converteu-se numa das principais referências internacionais de pesquisa e no estudo do Holocausto. YAD VASHEM. intensidade dos conflitos. ensinando que estes valores são o fundamento do convívio pacífico e harmonioso entre os povos. compactuar com a intolerância. chegou a comentar no momento da Independência de Israel. de fato.scribd. poderá contribuir para o aprofundamento da consciência histórica em prol dos Direitos Humanos. Theodor W. línguas. o diálogo deve estar plenamente incorporado como instrumento de aperfeiçoamento das instituições democráticas. O Yad Vashem. costumes. pois alerta a humanidade a não incorrer mais nos erros do passado. 26 O Yad Vashem foi criado em 1957. E isto que apavora. num misto de tristeza e alegria: “Pensei em meus filhos lutando e seus colegas morrendo nessa hora.23 O papel da educação. da Coexistência e do Diálogo. São Paulo: WG Comunicações e Produções. pela Lei da Recordação. mas também para a toda a Humanidade.

Edward McNall. sendo diversas coisas simultaneamente. etc. Tel Aviv. à dignidade humana.1948). ao próprio existir? • Qual a importância do resgate da memória histórica 28 do Holocausto (em hebraico.5. Standish. 2ª Ed. evangélicos. no caso da perseguição aos ciganos. Psicologia Social. Entre os autores que criticavam o alargamento desta definição estavam Stephen Katz e Yehuda Bauer. ideológicos. Ciência Política. Estatística Aplicada ao campo das Ciências Humanas. Estas perspectivas se chocam com as demandas de representantes destes grupos e acadêmicos como Donald Kenrick. ideologia e processo decisório32. à liberdade. continuaram a migrar para Eretz-Israel. Rio de Janeiro: Globo. enquanto genocídio singular. 1986. Direito Internacional. Richard Lukas. 1967.html>.9. Do outro lado. visão estratégica. Gratton Puxon e Ian Hancock. 20 . em Israel e em círculos judaicos fora de Israel. 4. o planejamento e a implementação de um plano de extermínio sistemático de milhões de pessoas (judeus. Mesmo assim. deve-se refletir acerca do significado de “ser judeu33”. comerciais. a qual significa: “aniquilação”. 1 DVD. Economia. Declaração de Independência (Governo de Israel. idosos e doentes)? • Como puderam ser implementados centenas de campos de extermínio que. no ano de 70 d.C/E. entre outros”. financeiros. Sobreviventes do holocausto nazista na Europa. Diante do reconhecimento de que o Holocausto. É. A sua origem etimológica no Grego holokausto. Acessado em 25/04/2011. midiáticos.C. dentre outros. opositores políticos. sempre houve uma presença ininterrupta de judeus na Terra Santa. caráter. com o lançamento do livro O Estado Judeu (Der Judenstaat) (1895) – que preconiza o direito à autodeterminação do Povo Judeu e à existência de um Estado judeu independente e soberano no território. & MEACHAM. Sob a perspectiva do pensamento de Pierre Renouvin e Jean-Baptiste Duroselle. etc. podemos refletir e discutir a História das Relações Internacionais como resultante da dialética entre as ”forças profundas” e o papel dos “homens de Estado”. dos homossexuais. JOHNSON. mais especificamente. moderno ou tradicional – com sua personalidade. o Judaísmo não é somente uma religião. com o sangue de seus soldados e seus esforços de guerra. “grave tragédia”. antropólogos e historiadores. Uma das inúmeras abordagens possíveis sobre este tema é à luz da História das Relações Internacionais que analisa a evolução da vida internacional no tempo histórico. sobre o Holocausto. garantiram a execução da última etapa do plano que ficou conhecida como “Solução Final”. Adam Kemp e Neil McDonald. A idéia de retorno ao seu espaço nacional encontra-se expresso na vida religiosa. Universidade Federal do Rio de Janeiro. portanto. a palavra Holocausto é a mais usada. Holocausto.. caracterizado como adepto de uma reli- Sionismo constitui movimento político e filosófico . Na Segunda Guerra Mundial. assim como os judeus do resto do mundo. A morte dos judeus não foi uma oferta. desígnios. no qual historicamente existiu o antigo Reino de Israel (Eretz Israel). Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia. BBC Worldwide. existem objeções ao seu emprego. Pierre & DUROSELLE. a qual divide teólogos (rabinos). Relações Internacionais. São Paulo: DIFEL. Antropologia Cultural. História. 30 ISRAEL. Tese de Doutorado. 2003. as pessoas optam por utilizar a palavra hebraica “Shoah”. demográficos. perguntamos: • Historicamente. atualmente. LERNER. inter e transdisciplinaridade. Por isso. Porém. uma questão identitária. Produtores Bill Locke e Chris Kelly.visaojudaica. No caso das “forças profundas” constituem um conjunto de fatores ou causas que desencadeiam o processo histórico: geográficos. Filosofia. muitos dos quais eram crianças. Shoah) e da construção de uma Cultura de Paz atrelada à valorização dos Direitos Humanos. liberdade e trabalho honesto em seu lar nacional. culturais. O Terceiro Reich e o Antissemitismo: Antes de qualquer abordagem sobre o antissemitsmo. as forças resistentes e o templo sagrado de Jerusalém. 2004. São Paulo: Imago. sob comando do general Tito. Paul. ciganos. origens étnicas – quanto à inclusão ou não de outros grupos além dos judeus enquanto vítimas [do Holocausto]. como foi possível a deliberação. foi um crime contra a Humanidade. envolvendo diversas áreas do conhecimento: Sociologia. católicos. restrições e perigos e nunca deixaram de assegurar o seu direito a uma vida de dignidade. BURNS. constituiria uma identidade inerentemente plural e. homossexuais. Disponível em: < http://www.cuja moderna corrente foi fundada por Theodor Herzl. dos poloneses. etc. social e política do Povo judeu que sofreu a Diáspora (Dispersão geográfica) Romana. LERNER. mulheres. importante assinalar. não se enquadrando em sistemas classificatórios rígidos e unívocos. filósofos. Gunter Grau. concebidos para tal fim. um modo especial de viver e encarar a vida. desde a ascensão de Hitler ao poder em 1933. 29 Criação do Estado de Israel. sociólogos.ma da falta de um lar através do reestabelecimento em Eretz-Israel do Estado Judeu. Para o Rabino Benjamin Blech. apesar das dificuldades. Robert E. negros. econômicos. sob a alegação de que isto enfraqueceria a singularidade da tragédia judaica. Produtores Executivos: Richard Bradley. Kátia Lerner destaca: “Um campo de disputa se formou entre historiadores de diferentes correntes – e. 32 RENOUVIN. aparece nos texto sagrados do Judaísmo (Torah) e no do Cristianismo (Antigo Testamento) com o significado “queimado em sacrifício de Deus”. p. A historiografia das Relações Internacionais permite delinear um quadro abrangente da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e. História da Civilização Ocidental – Do Homem das Cavernas às Naves Espaciais. sobre o Holocausto. 2º Volume. assim como do próprio Estado. Tendo em vista que o significado original da palavra Holocausto é “oferta sacrificial” em honra de D´us/Deus. sob a perspectiva da multi. Kátia.br/Abril2006/artigos/2. negar o direito dos judeus e não-judeus à vida.. São elementos que moldam as relações internacionais. 31 Os termos Holocausto e Shoah são empregados normalmente para representar a mesma idéia: a do genocídio cometido pelos nazistas contra judeus e não-judeus em campos da morte durante a Segunda Guerra Mundial. que abriria bem os portões da terra natal para todo judeu e conferiria ao povo judeu o status de membro privilegiado na comunidade de nações. há inúmeras reflexões suscitadas – ou ainda a serem suscitadas – a respeito da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e. ganhou o direito de ser reconhecida entre os povos que fundaram as Nações Unidas. nacionais. História dos Judeus. à propriedade. Para Bernado Sorj. em plena Segunda Guerra Mundial (19391945)? • O extermínio de milhões de seres humanos resultou de uma decisão momentânea ou de um longo e contínuo processo que antecedeu à própria eclosão da Segunda Grande Guerra (1939-1945)? • Qual o papel desempenhado pela Conferência de Wannsee (1942) na história do Holocausto? Em que contexto deve-se entender a “Solução Final da Questão Judaica” (Endlösung der Judenfrage)? • O estudo da história do Holocausto limitar-se-ia ao registro histórico e da justa homenagem às vítimas e sobreviventes ou transcenderia ao tempo histórico abarcando também o presente e o futuro? • Como entender o inexplicável? Como foi possível. 5 Iyar 5708. maçons. enfim. dispersando parte considerável dos judeus. aparece a figura do “homem de Estado” – democrático ou ditatorial. Jean-Baptiste. Introdução à História das Relações Internacionais.. Memória e Identidade Social: A Experiência da Fundação Shoah. 1995. além disso. O judeu seria. em especial. 14. quando os romanos destruíram a cidade. a comunidade judaica deste país contribuiu por completo com as nações que amam a paz e a liberdade contra as forças da tirania nazista e.com. da coexistência e do diálogo entre os povos de todas as nações? • Qual o papel da educação e dos educadores frente as questões colocadas?31 De fato.

C. Considerada a mais antiga forma de ódio social e individual.). Tanto o crescimento do nacional-socialismo assim como dos sentimentos de pangermanismo e antissemitismo devem ser compreendidos no conturbado contexto social.suposta culpa coletiva de morte de Jesus atribuída indiscriminada e continuamente contra os judeus -. “raça pura”.. Desde a Antigüidade.cit. Ministro da Propaganda. dos primórdios do Cristianismo ao fim da Idade Média. A primeira vez que os fundadores da nação de Israel aparecem na história é. podemos identificar diversas e contextuais manifestações antissemitas. 38 BLECH. se instaurou um Estado totalitário de direita. econômico e político da Europa no período do Entre-Guerras (1919-1939). Raquel.-313 a. Benjamin (Rabino). no desenvolvimento das ciências e das artes. supervisor do processo de extermínio contra os judeus42. um grupo de hebreus sob a chefia de Abraão se estabelecera ali”(BURNS. Mas também na criação do mundo moderno: na origem das idéias seculares. surgiu uma agressiva ideologia nacionalista. com o tempo. Já em 1800 a. por exemplo. Para compreendermos a persistência do antissemitismo e a execução da “Solução Final” devemos avaliá-los no contexto histórico do Terceiro Reich39 (1933-1945). JOHNSON. até a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). para o antissemitismo multifacetado: religioso. de fundamento religioso. “judeu capitalista”.C). O Ódio entre os Homens – Anti-Semitismo: o mais Longo dos Ódios. SORJ. produzida pela polícia secreta do Tzar Nicolau II. sobretudo a partir da Revolução Francesa (1789). otomano (1517-1917). com o Império Germânico (1871-1918). Rudolf Hess (1894-1987). desde o confronto entre o monoteísmo dos judeus e os politeísmos dos povos vizinhos. Assim. revolucionário e cosmopolita” contrário ao “espírito nacional alemão”. perdendo seus poderes originais45. São Paulo: Civilização Brasileira. mameluco (1291-1516). no Séc. LERNER. Maria Luiza Tucci.C. ou seja. São Paulo: Sefer. Por sua vez. suas ramificações. “judeu avarento”. não identificados com a cultura igualitária nacional. 21 . no qual habitavam homens-deuses. Comandante Supremo da SS (Reichsführer-SS) e elemento chave processo de execução do Holocausto. teria existido um continente [imaginário] denominado Thule. cruzado (1099-1291). incluindo Adolf Hitler (1889-1945). o NSDAP.. Ásia e Europa. de 1925 . A teoria da raça ariana. História da Civilização Ocidental – Do Homem das Cavernas às Naves Espaciais. assim como Edward Burns. Op. na obra apócrifa dos Protocolos dos Sábios de Sião. 2004. Paul Joseph Goebbels (1897-1945). o discurso antissemita encontrou um campo propício para proliferar identificando o judeu como “elemento degenerado.). A partir de então. Rio de Janeiro: Globo. romano (63 a. na narrativa das Sagradas Escrituras (no Livro da Torah/ no Antigo Testamento). alimentando esta nova expressão de antissemitismo que seria assimilada pelos nazistas a partir da criação do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP). do antisemitismo moderno. 1º Volume. Perspectiva.e por toda elite nazista. Edward McNall. com Otto Von Bismarck (1815-1898). seria a de redimir a “raça ariana”. a partir da segunda metade do século XIX. 2003.gião. da “superioridade da raça e sangue dos arianos”. desde o estabelecimento do povo judeu na Terra Prometida.35. com o processo de “purificação e 33 Edward Burns situa a origem do Povo hebreu/judeu em tempos históricos remotos: “A origem dos hebreus ainda constitui um problema confuso. Hermann Göring (1893-1946). bizantino (313-636). A maioria dos historiadores admite que o berço primitivo dos hebreus tenha sido o deserto da Arábia.. proliferou a ideia da “inferioridade racial” dos judeus e o mito político “conspiração judaico-maçônica”37 contra o mundo. Um dos principais fatores que explicam as invasões estrangeiras é a posição estratégica da Eretz Israel. Reinhard Tristan Eugen Heydrich (1904-1942). passando pela ideia do deícidio . 39 O Primeiro Reich ocorreu com o Sacro Império Romano-Germânico (962-1806) e o Segundo Reich. Benjamin (Rabino). Paul. 2006. o Cristianismo e o Islamismo. e. 37 Falsa idéia encontrada. deve-se mencionar a influência do intelectual britânico Houstin Stewart Chamberlain41 (18551927). São Paulo. Op. com sua obra Os Fundamentos do Século XX que exerceu grade influência sobre a elite do império alemão. com as conversões forçadas de judeus e a Inquisição. Mas. Certamente. Judaísmo para Todos. chanceler do Terceiro Reich. pelo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Alfred Rosenberg (1893-1946). no noroeste da Mesopotâmia. os judeus foram estigmatizados como “cosmopolitas”. o socialismo. 1986). Comandante da Luftwaffe e segundo homem importante da hierarquia nazista do Terceiro Reich. 3ed. Com o passar do tempo. Rio de Janeiro: Imago. Segundo Tucci Carneiro temos que estar atentos a essas definições que distinguem o antissemitimo tradicional. 34 BLECH. no Oriente Próximo. aparentemente. 2010. preconizava a idéia de que. social. Gerard. que o elegeu chanceler e fundindo com as funções de Presidente após a morte do Marechal Paul Von Hindenburg (1847-1934)43. cultural. Standish. 36 Sobre estes conceitos ver CARNEIRO. sobretudo. consolidado com a vitória eleitoral de Adolf Hitler. militarista e conservadora. Robert E. na evolução do capitalismo e sua contraparte ideológica. econômico. Benjamin (Rabino). 2004. Existem diversas motivações. História Geral do Anti-Semitismo. contudo. eles não possuíam quaisquer características físicas capazes de distingui-los nitidamente dos povos vizinhos. de funadamentação científica. persas e helênicos (538-142 a.C.36 Na Era moderna.).C. MESSADIÉ. no hemisfério Norte. ou pseudo-científica. Desta época. assim como os emigrantes e as futuras gerações germânicas seriam os representantes diretos da Nação e do Povo alemães44. XVIII a. com sua filosofia da teocracia democrática e sua noção de igualdade perante a lei. o antissemitismo tem suas origens remotas. Preconceito Racial em Portugal e Brasil Colônia. O Mais Completo Guia sobre Judaísmo. Heinrich Himmler (1900-1945). A missão mística do nazismo. e no impulsionamento da cultura contemporânea (JOHNSON.. 35 Muitos povos combateram os judeus e invadiram seu território ao longo dos séculos: babilônios (586-538 a. Sem contar o Mandato Britânico sobre a Palestina (1918-1948). & MEACHAM. fundado. Cit. um dos principais teóricos do nazismo. “judeu revolucionário” e/ou “judeu degenerado”38. Cit. Bernardo. assim como sobre a posterior elite intelectual nazista.. “racial” (étnico). endossada como elemento principal da ideologia nazista. em 1897. secretário particular e homem de confiança de Hitler. praticamente na ligação entre os três continentes: África. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. e sua língua pertencia à família semítica do Oriente Próximo. teriam se integrado às “raças inferiores” ou “bestiais”. Op. árabe (639-1099). As narrativas encontram-se impregnadas de estereótipos como. cuja plataforma política resultou do fortalecimento dos grupos da extrema-direita na Alemanha desde o final do século XIX. em parte. STIVELMAN. do “judeu errante”. BLECH. defendida por Adolf Hitler – ideário presente na sua obra Minha Luta (Mein Kampf). Do período da Unificação Alemã (1871-1918).cit. dos quais os alemães e demais povos de cultura alemã. e declinado. no entendimento de Raquel Stivelman. Op. Marechal do Reich. o historiador Paul Johnson destaca as inestimáveis contribuições dos judeus em legar ao mundo o monoteísmo ético. a produção dos Textos Sagrados. num tempo mítico – baseado em crenças das tradições nórdicas pagãs -. militarismo expansionista territorial e misto de conservadorismo tradicional. no contexto de intensa Revolução Industrial e (re) ordenamento da Alemanha no concerto entre as grandes potências européias40. assim como membro de grupo étnico e portador de uma identidade coletiva34. Paul. portanto. no nacionalismo exacerbado. político-ideológico. “arianos”.. O antissemitismo transformou-se em instrumento de poder do Terceiro Reich (1933-1945). O discurso nazista fortaleceu-se com base na ideia de revolução social e instauração de uma Nova Ordem Internacional fundamentada no mito do arianismo.C. liderado pelo Patriarca Abraão.

que chegaram a mais de 300 mil judeus. um dia após anunciar a declaração de guerra nazista contra os Estados Unidos.A História do Terceiro Reich. o extermínio de todos os judeus da Europa ocupada pela Alemanha nazista. devemos considerar uma somatório de elementos para conseguir entender como foi possível um Estado planejar o extermínio de um povo e de outras tantas minorias éticas e políticas. contando com o sucesso inicial da Operação Barbarossa. Até o mês de dezembro de 1941... financeira. John. São Paulo: Companhia das Letras. . contra a União Soviética – após ter ocupado a Polônia. 48 HOBSBAWN. Era dos Extremos: O Breve Século XX (1914-1991). imprimira uma roupagem ainda mais agressiva. de inteligência e científica a serviço dos esforços de guerra. Donald. com mais de 100 milhões de militares mobilizados47. extinguindo a antiga distinção entre recursos civis e militares na guerra48. um conflito militar efetivamente global. em Berlim. tecnologia militar avançada. Cit. de 1925. foi defendido pelo ditador Adolf Hitler e toda a elite do comando nazista. O antissemitismo não estava mais vinculado apenas à questão religiosa (na ideia do “deicídio”). etc. envolvendo a maioria das nações do mundo – incluindo todas as Grandes Potências –. RENOUVIN. iriam ter de enfrentar a própria aniquilação. da escala de produção de armamentos.). De fato. totalizando mais de setenta milhões de mortos49. As Forças Negras desencadeadas pelo Terceiro Reich. Além dos judeus. em 1º de setembro de 1939 e o ataque militar desferido contra a União Soviética. Joseph Goebbels (1897-1945) pronuncia as seguintes palavras. caminhando atrás das tropas do Exército alemão (Wehrmacht). Adolf Hitler tem uma reunião de alta-cúpula do partido nazista na Chancelaria do Reich. União Soviética e outros aliados) e o Eixo (Alemanha nazista. Norman. História das Relações Internacionais Contemporâneas –da Sociedade Internacional do Século XIX à Era da Globalização. 41 Casado com Eva Wagner. e atingindo a cifra total de mais de 1. tratava-se de uma “guerra total”.Cit. S. O Clã de Hitler. contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki. 1 DVD. A guerra mundial é uma realidade. mas somente simpatia por nosso povo alemão. neste estágio da Segunda Guerra Mundial (19391945). A essência desta forma de pensar se faz centrada no conceito de arianismo que tem sua origem nos tempos pagãos dos povos germânicos anteriores à sua conversão cristã.. contra judeus. José Flávio Sombra (Org. Op. homossexuais. 2007. 44 ROLAND. 43 KERSHAW. Hitler.). Rio de Janeiro: Record. Inicialmente. 2009. Neste contexto. Paul. na “forma industrial de larga escala” – a “Solução Final e da Questão Judaica (Endlösung der Judenfrage)”.d. com autorização do próprio ditador Adolf Hitler: Com relação à Questão Judaica. Pablo. Não apenas o Judaísmo foi eleito como inimigo principal do Estado nazista. A conseqüência necessária deve ser a aniquilação dos judeus. Itália fascista. Portanto. mas também o Cristianismo. 2008.destruição” dos elementos “não-arianos” seja da Alemanha ou do exterior. “o processo de massacres e genocídios – sobretudo. SARAIVA. sob as ordens de Heinrich Himmler. no geral. industrial. 2ª Ed. Op. o Führer [líder] está determinado a realizar uma limpeza completa. USA Filmes. ALLEGRITTI. 2006. evangélicos. Eric. Portanto.em larga escala. Cit. pertencente à Schutzstaffel (SS). a qual defendia que seria necessário expandir o espaço territorial do povo alemão. USA Filmes. 2009. Japão imperialista e aliados menores). caso os judeus viessem a causar outra guerra mundial. HOBSBAWN. tornou-se inevitável com o estabelecimento do regime totalitário nazista”46. Eric. José Flávio Sombra (Org. França. judeus. país HOBSBAWN. com a Operação Barbarossa. São Paulo: Companhia das Letras. na qual os principais envolvidos utilizaram toda sua capacidade econômica. só visavam homens adultos. Adolf Hitler seria uma espécie de “messias ariano”. 1995. Não eram ameaças vãs. Como Jacques Sémelin argumenta. A História do Terceiro Reich. The Complete Illustrated History of World War Two: An Authoritative Account of the Deadliest Conflict in Human History with Analysis of Decisive Encounters and Landmark Engagements. homossexuais. sistemática e implacável ao antissemitismo europeu. segundo o historiador John Keegan. 2009. Era dos Extremos: O Breve Século XX (1914-1991). a tropa de elite de Adolf Hitler. São Paulo: Saraiva. o regime nazista. SOMMERVILLE. esquadrões da morte (Einsatzgruppen). Rio de Janeiro: DIFEL. empreenderam massacres indiscriminados contra inúmeras comunidades judaicas do Leste Europeu. ciganos. Reino Unido. da Polícia de Segurança. incluindo o Holocausto e o uso pioneiro de armas nucleares. assassinados ao ar livre. São Paulo: Madras. A conclusão é de que se tornou o embate militar mais trágico. 2010. a Alemanha nazista preparou-se para uma ampla ofensiva militar em direção do Leste Europeu. Purificar e Destruir: Usos Políticos dos Massacres e dos Genocídios. O ministro da Propaganda.3 milhões de judeus até o final da Guerra. São Paulo: Planeta do Brasil. 47 SARAIVA. Essa questão deve ser encarada sem sentimentalismo. Não devemos nutrir simpatias pelos judeus.. Jacques. S. tecnológica. usar mão de obra escrava (eslavos e não-eslavos) 40 e eliminar os “indesejados sociais” ou “raças inferiores” (doentes mentais. em 12 de junho de 1941. 1995. no Japão em 1945. em 1941. Eric. 45 Idem 46 SÉMELIN. brutal e violento da História da Humanidade. 2003. Ele profetizou que.d. os ciganos e agentes políticos soviéticos também foram outros alvos51.52 Então. ciganos. O nazismo acreditava que judeus e cristãos eram “incapazes” de uma verdadeira espiritualidade [Sic]. cristãos ortodoxos.). Uma História da Guerra. Donald. Jean-Baptiste. A invasão da Polônia. 1 DVD. dos cinco continentes. Tempos Interessantes – Uma vida no Século XX. 22 . São Paulo: Companhia das Letras. New York: Lorenz Books. Esta estratégia baseava-se na doutrina geopolítica do Espaço Vital (Lebensraum). Caracterizado por significativos ataques contra civis. para depois também incluírem mulheres e crianças. Pierre & DUROSELLE. Nesta reunião foram discutidos o estado da guerra (com base em extenso relatório) e a questão dos judeus. 5. Op. Cumpre lembrar que Adolf Hitler. católicos. e ao alemão. organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados (Estados Unidos. econômica e tecnológica mundial. mas era reforçado por argumentos pseudo-científicos. eslavos. deficientes. 1995. Europa na Guerra (1939-1945). KEEGAN. como parte da sua estratégia para se tornar a superpotência militar. Ian. SOMMERVILLE. . etc. por fuzilamento. A Segunda Guerra Mundial e a “Solução Final” na Conferência de Wannsee (1942) A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) constituiu. Em 12 de dezembro do mesmo ano. 42 DAVIES. Revista e Atualizada. Desde então. marcam o início do processo de extermínio sistemático contra o povo judeu e outras “categorias sociais indesejáveis”50. na sua obra Mein Kampf (Minha Luta). São Paulo: Companhia das Letras. representou o conflito mais abrangente do ponto de vista geográfico.. propagandística. São Paulo: Companhia das Letras. filha do compositor alemão antissemita Richard Wagner (1813-1883). devido à sua origem teológica semítica e oposição ao paganismo. em especial.

Norman. tanto a ideologia como o regime totalitário. superando a quantidade de mil: isolamento e segregação dos judeus em relação às sociedades européias que os envolviam59. SS-Gruppenführer Otto Hofmann (Race and Settlement Main Office). sobretudo. SS-Sturmbannführer Dr. de países ainda não invadidos (o Reino Unido) e países neutros (Portugal.de maior contingente populacional judaico. 5º) A atuação dos esquadrões de extermínio (Einsatzgruppen) no Leste europeu. 3º) Noite de Cristais (Kristallnacht) (10 de novembro de 1938). 23 . por exemplo) e de países africanos (Marrocos. Standish. no paulatino. Dr. Reinhard Heydrich. Dr. o Acordo de Munique (1938) BURNS. se a Alemanha tivesse vencido a Guerra)53. a Lei da Cidadania do Reich (Reichsbürgergesetz). Martin Luther (Ministério do Exterior). embora tenebroso à razão humana e ao próprio pensamento humanista. República da Tchecoslováquia. e imbuído do mais extremado fanatismo pela ideologia nazista .. Josef Buhler (Governo do Governo Geral). Cit. as demais regiões do mundo)60: a “industrialização em larga escala” do extermínio dos judeus (sobretudo. a partir da Operação Barbarossa (12 de junho de 1941): o início do processo de assassinato em larga escala de comunidades judaicas. para que se alcançasse um “esboço de projeto” dos elementos essenciais – organizacional.. & MEACHAM.Companhia das Letras. 54 GILBERT. Wilhelm Stuckart (Ministro do Reich para o Interior). Hitler. Dela também participaram os seguintes nazistas: Gauleiter Dr. o enfraquecimento institucional e político da Liga das Nações (1919-1939). não inventou o antissemitismo alemão ou europeu. Reino Unido e França. ROSEMAN. com a devida premeditação e planejamento do Estado nazista: destruição e saque de mais de mil sinagogas e dezenas de milhares de lojas e lares judaicos. Erich Neumann (Chefe da secretaria do plano dos 4 anos). & MEACHAM. Roland Freisler (Ministro do Reich da Justiça). negligenciado pelos historiadores)57. O nazismo. 2003. muitas vezes. Nesta reunião. em seu cerne. factual e material – em relação à “Solução Final”. Há distintas formas de se abordar o processo de extermínio do povo judeu pelo Estado nazista. levaram às últimas conseqüências o ódio coletivo e institucionalizado aos judeus: a sua efetiva eliminação física. nacionalismos exacerbados. Pode-se propor a seguinte seqüência: 49 1ª) A divulgação propagandística (1925-1933) e a institucionalização (1933-1945) do mito ariano fortalecido com o livro Mein Kampf (1925). incluindo os territórios ocupados (Polônia. 1995. Reinhard Heydrich. ou seja. caso houvesse vitória da Alemanha nazista. Robert E. Nesta reunião. e como “Plenipotenciário para a Preparação da Solução Final da Questão Judaica Européia”. Alfred Meyer (Ministério do Reich para os territórios ocupados no Oeste). Dr. Cit. Karl Eberhard Schongarth (Comandante da SD). Mark. Argélia. cultural. compostas por três textos fundamentais adotados pelo Reichstag sob iniciativa de Adolf Hitler: a Lei da Bandeira do Reich (Reichsflaggengesetz). progressivo e tenaz processo de extermínio dos judeus do continente europeu e também do Norte da África (ponto este. 4ª) Processo de Guetorização: criação dos guetos. mas também da própria ideologia nazista. São Paulo: Companhia das Letras. Edward McNall. há dois milênios58. São Paulo: HUCITEC. Ibidem. e Tunísia). a deportação em massa das comunidades judaicas remanescentes e amplo processo de extermínio de mais de 11 milhões de judeus em toda a Europa.defendia a “Solução Final”. 2010. Edward McNall. Cit. Dr. detenção de mais de 30. Cit. a intensa polarização ideológica – totalitarismos de direita (Alemanha. Op. LERNER. com amplo consentimento e aprovação do ditador Adolf Hitler e de Heinrich Himmler. certamente. Reichsamtleiter Dr. tenha-se como ponto de partida. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. Op. SS-Oberführer Dr. Japão contra a China e outros países do Extremo Oriente. a Guerra Civil Espanhola (1936-1939). a qual apresentava. designado por Adolf Hilter e por Heinrich Himmler. Esta questão deve ser analisada. Martin. 52 GILBERT. Op. de Adolf Hitler. Espanha e Suíça.000 judeus para campos de concentração e quase 100 judeus assassinados – início do processo de eliminação física dos judeus. SOMMERVILLE. SS-Obersturmbannführer (Secretaria Central da Segurança (Gestapo)54. SS-Oberführer Gerhard Klopfer (Chancelaria do Partido). Heinrich Himmler e Hermann Göring e outros membros da cúpula nazista55. radial e sistemática versão do antissemitismo europeu em toda sua história. de países aliados (como a Hungria). a mais violenta. A Conferência de Wannsee (1942) constitui um pontochave.consolidou a ideia da eliminação do judeu. em 1938)56 até os extermínios promovidos pelos Einsatzgruppen. França). e Adolf Eichmann (1906-1962). interpretado como “inimigo da raça ariana”. principalmente) e Totalitarismo de esquerda (representado pela União Soviética). na Polônia e na União Soviética. da África do Norte (e. Martin. às margens do lago que leva este nome. 6º) Institucionalização dos Campos de Extermínio (Vernichtungslager): a tentativa de exterminar todos os judeus da Europa. num palacete em Wannsee. do contexto mundial. Itália e Japão) versus Democracias Liberais (Estados Unidos. BURNS.. na Alemanha nazista. Porém. funcionários civis graduados e oficiais da SS e do Partido Nazista. econômica e cultural do judeu da vida coletiva na Alemanha nazista. muito provavelmente. de direita.293. religiosa. Dez Decisões que Mudaram o Mundo (1940-1941). Ibidem. com certeza. agressiva. social. 2º Volume 51 KERSHAW. estes) e de todos os “inimigos da raça ariana”61. no mesmo ano. Ministerialdirektor Friedrich Wilhelm Kritzinger (Chancelaria do Reich). o combate rígido à “conspiração judaico-maçônica universal” e ao judeu “degenerado racial”.Alemanha anexando a Áustria. homem de confiança e provável sucessor do segundo. Robert E. homem de confiança de Adolf Hitler e Heinrich Himmler..um dos mentores da Conferência de Wannsee (1942). da vida européia (e. era de tornar factível a idéia de extermínio físico dos judeus defendida por Adolf Hitler. KERSHAW. Joseph Goebbels. a corrida armamentista e o expansionismo militarista agressivo . Ian. reuniram-se. Os Nazistas e a Solução Final – A Conspiração de Wannsee: do Assassinato em Massa ao Genocídio.. Donald. SS-Gruppenführer Heinrich Muller. p. desde a Kristallnacht (ou “Noite de Cristais”. histórica e econômica. com a participação de oficiais nazistas. Em 20 de janeiro de 1942. não apenas à luz dos assassinatos isolados ou em massas praticados contra os judeus. antes mesmo do advento do Cristianismo. Cit. O objetivo primordial da Conferência. União Soviética. Op.. 2º Volume. 2008. 50 DAVIES. tiveram participação ativa Reinhard Heydrich. Dentre as principais causas da eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) encontram-se: os defeitos do Tratado de Versalhes (1919). 2010. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Rudolf Lange (Comandante da SD para a Letônia). em 1938. Georg Leibbrandt (Ministro do Reich para os territórios ocupados no Leste). Ian. este já existia. LERNER. e a Lei da Proteção do Sangue e Honra Alemães (Gesetz zum Schutze des deutschen Blutes und der deutschen Ehre): normatização do processo de arianização da sociedade e Estado alemães e da crescente exclusão da vida social. São Paulo: Cia das Letras. Op. nos subúrbios de Berlim. dominado a França e enfraquecido o Reino Unido . 53 Idem. identitária. Itália em conflito contra a Líbia e a Etiópia. Dr. 55 Idem. e ocupando militarmente a Tchecoslováquia. orientado por Herman Göring. 2ª) Leis de Nuremberg (Nürnberger Gesetze) (1935). Standish.

2006.. Neal. Martin. 56 57 24 . Dissertação de Mestrado. 3ed.Adolf Eichmann tornou-se . Acessado em 23/04/2011.. Op. Cit. Gerard. Majdanek. A Noite de Cristal: A Primeira Explosão do Ódio Nazista contra os Judeus. Rio de Janeiro: Objetiva. Cit.por sua fidelidade a Reinhard Heydrich. Preconceito Racial em Portugal e Brasil Colônia. seja com a “industrialização em larga escala” da máquina da morte nos campos de extermínio nazistas (Vernichtungslager) .pdf>. eles não sangrarão outros povos até a morte. Richard. Benjamin (Rabino). Robert E. E – os judeus de todo o mundo podem até ter consciência de que – quanto mais se estendem as batalhas desta guerra. GILBERT.br/arquivos/pdf/ldb. Rio de Janeiro: Sextante. LERNER. a se transformar tanto na nova aristocracia como na classe de “sacerdotes” dos mistérios antigos teutônicos (anteriores à cristianização da Alemanha)64. depois de manifestar a “confiança da vitória” da Alemanha62: (. Martin. 5ª Ed. dez dias após a realização da Conferência de Wannsee (1942).. Rio de Janeiro: Ediouro. ___. promovidos pelo Terceiro Reich (1933-1945). São Paulo: Planeta. A Chegada do Terceiro Reich.o implacável antissemita. História da Civilização Ocidental – Do Homem das Cavernas às Naves Espaciais. A Noite de Cristal: A Primeira Explosão do Ódio Nazista contra os Judeus. Pablo. 62 GILBERT. Educação e Emancipação. Raquel. Maria Luiza Tucci. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. 1999. Paul. GOLDSTEIN. São Paulo: HUCITEC. GILBERT.. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. GILBERT. Rio de Janeiro: Ediouro. 63 EVANS. São Paulo. 2010. RHODES. São Paulo: Sefer. USA Filmes. Rio de Janeiro: Ediouro. pelo menos por mil anos. Hannah. será aplicada. 2010. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. & MEACHAM. ARENDT. EVANS. São Paulo: HUCITEC. São Paulo: HUCITEC. O Mais Completo Guia sobre Judaísmo. 2006. Op. CARNEIRO.. Europa na Guerra (1939-1945). Rio de Janeiro: Record. ADORNO. Rio de Janeiro: Globo. BURNS. Perspectiva. ___. Agora./Theodor-Adorno-EducaCAo-ApOs-Auschwitz>.com/. Concorrente ao poder das Forças Armadas tradicionais. a velha lei judaica de ‘olho por olho e dente por dente’. São Paulo: HUCITEC. Norman. 2006. ao Exército alemão (Wermacht). 58 MESSADIÉ. Cit. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. Ben. Disponível em: <www. FOXMAN. Abraham. Nunca mais? – A Ameaça do Novo Anti-Semitismo. A Conferência de Wannsee (1942) veio a confirmar o papel principal desempenhado pela SS no fortalecimento do Terceiro Reich (1939-1945). Martin. Richard. Dez Decisões que Mudaram o Mundo (1940-1941). pela primeira vez. com a eliminação dos arianos. Martin. 2003. ALLEGRITTI... mas. 2010.. E chegará a hora em que o mais vil inimigo universal de todos os tempos será derrotado. p. BLECH. SENADO FEDERAL. das Forças Armadas. o resultado desta guerra será a completa aniquilação dos judeus. Mestres da Morte – A Invenção do Holocausto pela SS Nazista. São Paulo: WG Comunicações e Produções. Felipe Quintão. São Paulo: Francis. Bauman e Adorno: Sobre a Posição do Holocausto em Duas Leituras da Modernidade. São Paulo: Ática. 2003. no mês de outubro de 1939 60 GILBERT.mec. BASCOMB. encontrava-se na centralidade do processo de arianização do Estado. Adolf Hitler assim expressava suas expectativas em relação ao rumo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e à Questão Judaica. 2º Volume. ROLAND. 2008. 2010. Bełżec. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. 2010. Sobibór e Treblinka. 2010. “Educação após Auschwitz”. GILBERT. A Chegada do Terceiro Reich. BRASIL. STIVELMAN. Standish. Holocausto: Crime contra a Humanidade. 2004 CURY. 61 KERSHAW. 59 As autoridades nazistas de ocupação estabeleceram o primeiro gueto na Polônia em Piotrków Trybunalski. SUBSECRETARIA DE INFORMAÇÕES. Caçando Eichmann – Como um Grupo de Sobreviventes do Holocausto Capturou o Nazista mais Notório do Mundo. Rio de Janeiro: Paz & Terra.. Abraham (Co-Presidente Nacional da B´nai B´rith Brasil). desde os tempos em que havia servido no Campo de Concentração de Dachau . 2006. Martin. Eichmann em Jerusalém – Um Relato sobre a Banalidade do Mal. A SS constituiu a peça-chave do processo de extermínio do povo judeu e de outros “inimigos da raça ariana”. “Discurso de Abertura da V Jornada Interdisciplinar sobre o GILBERT. 2004. São Paulo: HUCITEC. Martin. 2005. Acessado em 27/04/2011. …E o Mundo Silenciou. 2007. sendo a tropa de elite de confiança de Adolf Hitler. 2010. 1986. São Paulo: Companhia das Letras. GILBERT. Theodor. Theodor W. Em 30 de janeiro de 1942.d. Martin. Rio de Janeiro: Ediouro.297.) a guerra não terminará como imaginado pelos judeus.Auschwitz-Birkenau. REFERÊNCIAS ABRAHAM. S. pela primeira vez. Richard. Ian. São Paulo: Cia das Letras. Martin. GILBERT. de modo especial. Ele se alimentará em cada campo de prisioneiros e em cada família que descobrir a razão dos sacrifícios que são obrigados a fazer. 1972. 2006. A Noite de Cristal: A Primeira Explosão do Ódio Nazista contra os Judeus. Op. Pais Brilhantes e Professores Fascinantes. A Noite de Cristal: A Primeira Explosão do Ódio Nazista contra os Judeus.. Programa de Pós-Graduação em Educação. mais o antissemitismo se difundirá. 64 A História do Terceiro Reich. Universidade Federal de Santa Catarina. Além disso. em discurso proferido na Chancelaria. Martin. da sociedade e da cultura alemães.scribd. Chełmno. “Lei de Diretrizes e de Base da Educação” (Lei 9394/96). Martin. na cosmovisão da ideologia nazista. ALMEIDA. São Paulo: Planeta do Brasil. 2010. 2010. a SS desponta paulatinamente com uma importância estratégica crescente durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945)63.. Augusto. São Paulo: Planeta. 7ª ed.. Disponível em: <http://portal. ADORNO. GILBERT. Edward McNall. Mas não apenas isso: a SS estaria vocacionada. em comunicação interceptada pelo Serviço de Inteligência aliado. fanático nazista e obsessivo “arquiteto” da Solução Final. 2005. 1 DVD. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. O Clã de Hitler. São Paulo: HUCITEC.gov. O Holocausto: História dos Judeus na Europa na Segunda Guerra Mundial. seja com os esquadrões da morte (Einsatzgruppen). 2010. DAVIES. 2009.

São Paulo: Saraiva. São Paulo: Companhia das Letras. Levi. 2009. Ian. não é algo comprometido com a noção de bem ou mal – que são vetores morais contingentes à determinada conjuntura sócio-cultural. São Paulo: DIFEL. O Santo Inquérito. Assim. Pierre & DUROSELLE. sob certo viés analítico. RHODES. Mestres da Morte – A Invenção do Holocausto pela SS Nazista. 2003. Kátia. HOBSBAWN. 2008. Adam Kemp e Neil McDonald. São Paulo: Imago. foram praticados dentro da mais rigorosa aferição legal. RENOUVIN. Raquel. mestre em direitos fundamentais e relações sociais pela UFPA. 1967. Era dos Extremos: O Breve Século XX (19141991). Editora Rocco. ou arte tampouco. 2008. o direito. “O Papel do Docente na Construção da Memória do Holocausto”. 1995. SARAIVA. Produtores Bill Locke e Chris Kelly. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. História dos Judeus.. Bernardo. 2ª Ed. 2004. São Paulo: Madras.Ensino do Holocausto”.A .). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor. O Ódio entre os Homens – Anti-Semitismo: o mais Longo dos Ódios. 2º Ed. Primo.br/Abril2006/artigos/2.Coleção Teatro Moderno. Richard. LEITURAS COMPLEMENTARES AS LEIS DE NUREMBERG: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DA EXCLUSÃO DE MINORIAS Tulio Chaves Novaes65 1. 5ª Edição. Paul. Donald. KERSHAW. WALSH. ___. Uma História da Guerra. Editora Ediouro. História Geral do Anti-Semitismo. Memória e Identidade Social: A Experiência da Fundação Shoah. no dia 06 de junho de 2008. o aval oficial de uma lei nacional de referência funcionou como etapa estratégica pedagógica ao projeto progressivo de dominação global. Eric. ROSEMAN. este ramo do conhecimento humano em si não se confunde com ciência. O Diário de Anne Frank . Revista e Atualizada. 2009. filosofia. São Paulo: Companhia das Letras. Programa de PósGraduação em Sociologia e Antropologia.. Rio de Janeiro. 1988. por exemplo. Disponível em: < http://www. Marcelo Vieira. É Isto um Homem? . 27ª Edição 2006 Goodrich. Rio de Janeiro: DIFEL. 2010. Jacques. Paul. SUGESTÕES DE LEITURA Brecht. representa. 2003. ISRAEL. Declaração de Independência (Governo de Israel. STIVELMAN. S. História das Relações Internacionais Contemporâneas – da Sociedade Internacional do Século XIX à Era da Globalização. Purificar e Destruir: Usos Políticos dos Massacres e dos Genocídios. Dez Decisões que Mudaram o Mundo (1940-1941). BBC Worldwide. 1 DVD. visto como o conjunto de regras e princípios que regulamentam e organizam a vida social em determinado tempo e espaço. Criação do Estado de Israel. F e Hackett . Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mark. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Para que lo sepan las Generaciones Venideras: La Recordación Del Holocausto em Yad Vashem. KEEGAN. Gerard. no entanto. Hitler. John. Jerusalén: Yad Vashem. Apesar de admitir diversas abordagens metodológicas. 2003. SOMMERVILLE. Introdução à História das Relações Internacionais. José Flávio Sombra (Org. Rio de Janeiro: Imago. mecanismo instrumental 65 Tulio Chaves Novaes é bacharel em direito pela Universidade Federal do Pará (UFPA). DEPARTAMENTO DE EDUCACIÓN Y DESARROLLO.html>. proveniente de um conjunto de leis concebidas de maneira perfeitamente válida em sua aparência. 1995. JOHNSON. LERNER. Tempos Interessantes – Uma vida no Século XX. MESSADIÉ. SÉMELIN. doutorando em direitos humanos pela Universidade de São Paulo (USP) e membro do LEER/USP desde 2009.d. Rio de janeiro. apresentou-se durante o século XX como um dos instrumentos mais eficazes de sujeição e controle das pessoas através da força ou autoridade de determinado governo. YAD VASHEM. SORJ. 2008.1948). com. Os Nazistas e a Solução Final – A Conspiração de Wannsee: do Assassinato em Massa ao Genocídio. 1 DVD. realizados pelo Estado nazista no início da perseguição aos judeus.asp?cod=152>. ESCUELA INTERNACIONAL PARA EL ESTUDIO DEL HOLOCAUSTO. conduzido pelo poder totalitário. O Terror e a miséria no Terceiro Reich. 1995. Todos os atos opressivos. Gomes. Bertold. The Complete Illustrated History of World War Two: An Authoritative Account of the Deadliest Conflict in Human History with Analysis of Decisive Encounters and Landmark Engagements.. Judaísmo para Todos.com. Dias.bnai-brith. PROPOSTA PEDAGÓGICA: uma abordagem histórica sobre o processo de construção dos direitos humanos na modernidade O direito. New York: Lorenz Books. entendido como sinônimo de lei. USA Filmes.visaojudaica. mas de forma completamente deplorável em seu conteúdo. São Paulo: Civilização Brasileira. 2007. São Paulo: Companhia das Letras. 25 . As Forças Negras desencadeadas pelo Terceiro Reich. 2003. Portugália Editora. Tese de Doutorado. Editora Agir . Holocausto. São Paulo: Companhia das Letras. Jean-Baptiste. Realizada em Curitiba. 2003. 2010.br/content/mail/press_especial.5. FILMOGRAFIA A História do Terceiro Reich. Tel Aviv. 1975. Atualmente exerce a profissão de Promotor de Justiça e professor de Direito Constitucional e Administrativo na Universidade Luterana do Brasil em Santarém (PA). Acessado em 25/04/2011. ISRAEL. Acessado em 29/04/2011. 14. ROLAND. São Paulo: Cia das Letras. 2006. ___. Produtores Executivos: Richard Bradley. Disponível em: < http://www. Historicamente. 5 Iyar 5708.

destes três últimos elementos listados. E foi justamente através da via ideológica que o poder que oprime introduziu no direito posto suas regras de dominação. cit. dignidade é “a qualidade intrínseca e distintiva de cada ser humano que o faz merecedor de respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade. op. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais. igualdade e na dignidade67.conjunto mínimo de direitos necessário para assegurar uma vida do ser humano baseada na liberdade. em parte. no rol de suas causas essenciais. São Paulo: Editora Lazuli. as “Leis de Nuremberg” de 1935 representaram o passo fundamental ao reforço do discurso ideológico totalitário. resultante da superação de momentos históricos de opressão e do reconhecimento dos povos da necessidade de proteção de certos valores fundamentais à vida com dignidade. propostos pela Lei da Cidadania do Reich e pelas Leis para a Proteção do Sangue e Honra Alemã. Partindo deste ponto específico. explicitaremos algumas convicções generalizadas sobre a natureza de tais direitos para. da Universidade de São Paulo. tais direitos encontram-se vinculados em base socialmente verificável. os direitos humanos. 73 Ibidem. que. nem maquinista definido! Este papel estruturante referenciado não diminui a importância pragmática do universo jurídico na reprodução dos valores sociais vigentes.60 apud RAMOS. no seu conjunto.19. evidenciados pela sua necessidade de gozo ou efetivação. Assim. A complexa etiologia do holocausto inclui o incentivo pedagógico. Noções Teóricas Sobre Direitos Humanos Fundamentais66 Existem diversas explicações que procuram conceituar teoricamente o que seriam os Direitos Humanos Fundamentais. p. hodiernamente. apesar do grande malefício provocado ao povo judeu.indispensável à sistematização. tidos como pertencentes a todas as pessoas. A principal característica deste momento inicial. o qual. apresentamos a definição fornecida pelo professor André de Carvalho Ramos. estava na ausência de uma base normativa internacional capaz de aglutinar objetivamente estes direitos em espécie. sem freio. Ingo Wolfgang. 26 . 2. ou por algum outro tipo de fonte inspiradora politicamente conveniente. além de propiciar e promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os demais seres humanos” – SARLET. foram os mais diversos possíveis. 10 de Dezembro de 1948 – A Declaração Universal dos Direitos Humanos. que tipos de direitos seriam estes? Qual a sua ontologia? Para responder a estas perguntas acrescentaríamos à idéia conceitual inicial o referencial histórico que lhes condiciona e define o conteúdo. Segundo SARLET.. descendo uma ladeira íngreme. Mas. São Paulo: Boitempo. Entendidos desta maneira.. na sua RAMOS. com a presente exposição. Rio de Janeiro: Renovar. Conforme o nível de institucionalização dos vetores e necessidade de controle das massas. que culminou com o genocídio praticado nos campos de extermínio. André de Carvalho. bem como pela profundidade de conteúdo. propiciando seu condicionamento ideológico. tais elementos variaram da oficialização dos mitos sociais ao apelo ostensivo ao nacionalismo unificador do discurso do triunfo sobre o inimigo objetivo. André de Carvalho. proporcionou a cristalização moderna daquilo que costumeiramente chamamos direito internacional dos direitos humanos. Os mecanismos de ideologização do direito. 70 Para aprofundamento da temática vide: LÖWY. A partir do momento em que a violência tornou-se juridicamente institucionalizada. procuraremos demonstrar. correspondem à conquista moderna da sociedade humana. 2005. entender como a retirada da cidadania dos judeus representou etapa essencial ao processo 67 68 de desumanização perpetrado pelo Estado nazista. Muito pelo contrário. criando verdadeiras aberrações jurídicas do ponto de vista ético e moral. desta feita. um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. transformou-se em algo trivial. estes direitos especiais fornecem base concreta para a caracterização do valor dignidade humana68. o menosprezo pelo direito à diferença. 72 Para melhorar o entendimento sobre o tema vide PEDROSO. Sem o direito o poder é como um pesado vagão de trem. o resgate histórico da memória da legislação nazista dos anos 30. Walter Benjamin: Aviso de Incêndio: Uma Leitura das Teses “Sobre o Conceito de História”. como as referidas “Leis de Nuremberg”. Porto Alegre: Ed. Michael. praticado pelo governo nazista em nome da lei. em seguida. sem a memória dos fatos opressivos e sem consciência crítica para identificar e combater manifestações pragmáticas da intolerância moderna. série Rupturas. pois as mesmas são apresentadas como um conjunto de direitos. Na definição encontramos alguns elementos estruturais que denotam a raiz pragmática destes tipos especiais de normas. dado pela oficialização da discriminação através da promulgação de legislação nacional francamente racista e restritiva. 71 Mas o problema primordial não se resumia apenas na ausência de estrutura orgânica e funcional eficiente para implementar tais direitos – fato que vincula-se muito mais às controvérsias humanísticas de hoje em dia. que representava verdadeiro óbice a qualquer iniciativa de sistematização de leis. 2006. a história da discriminação e do preconceito. 2001. caminham quase sempre de mãos dadas. supranacionais. como veremos nos tópicos seguintes. organização e controle do poder. Regina Célia. da justiça e da desvirtuada razão de Estado. ditado pela cúpula da Igreja Católica Romana. Não fortuitamente. 2005. culminando com a bestialização de seres humanos. a razão de Estado define possibilidade de ingerência da política no sistema jurídico. Opressão institucionalizada e racismo. como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável. implicando neste sentido. encabeçadas pela Declaração Universal de 1948. que visam proteger certos valores históricos universais. como o castigo de Prometeu. Pela objetividade semântica e didática. como ocorria na Idade Média com o chamado direito natural. Ocorre que. tende a reproduzir em escala seus efeitos na atualidade. p. Livraria dos Advogados. o conjunto sistemático de normas positivas e princípios jurídicos. Ao contrário disto. promulgadas pelo Estado alemão em 24 de setembro de 1935. ou seja. de fato. nem trilho. Tendo a condição humana como única exigência. p. Além de reconhecer o papel da cidadania na construção dos direitos humanos fundamentais e na prevenção aos influxos autoritários do poder político. portanto. Não são direitos unilateralmente prescritos por uma mente privilegiada. o qual entende os direitos humanos da seguinte maneira: . determinada pelo consenso internacional e aprendizado histórico proveniente do reconhecimento de graves erros do passado. Na Alemanha nazista a desumanização do povo judeu não representou fenômeno vinculado somente a causas sociológicas ou culturais.20.

de associação. Com a proeminência de tal sistema jurídico específico a idéia westffaliana de soberania política. foram provenientes da declaração francesa de 1789 e representaram os valores relacionados à liberdade individual do cidadão frente ao Estado. Assim. cit. Por tal característica estes direitos são vistos como liberdades positivas. baseada na possibilidade irrestrita dos Estados gerenciarem a vida e os Citamos. a educação. Por isso tais direitos foram também qualificados como liberdades negativas. representada pela Declaração Universal de 1948 e seus documentos primordiais. tomando por base a Declaração Universal de 1948. diante da fragmentação da ordem política internacional – proveniente. de forma fundamental. Bem como outros direitos que venham à lume através do processo de desenvolvimento dialético histórico. 74 27 . a Assembléia Geral das Nações Unidas. Neste primeiro momento. 163-255. acaba por entender e determinar a existência de alguns bens que não se sujeitam a nenhum tipo de preterição ou pechincha. à segurança. à educação. ao contrário dos direitos individuais. a saúde. pp. das pilhagens e carnificinas organizadas. hoje em dia não mais entendida como sinônimo de poder absoluto. à nacionalidade. ocorrido em circunstâncias suspeitas em setembro de 1940. Esta base normativa internacional. qualificada pela doutrina kantiana como inegociável. a alimentação. ditos de primeira e segunda geração. ao repouso. à saúde. independentemente do que poderiam definir os Estados nacionais. a ordem jurídica internacional – simbolicamente através da negação dos campos de concentração. A exploração e a ausência de regulamentação da jornada de trabalho. o direito ao julgamento pelo juiz natural. Sociais e Culturais e o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (ambos ratificados pelo Brasil apenas em 1992). este conjunto de leis suscitou a subsistência de verdadeiro sistema mundial de disposições defensivas dos direitos humanos fundamentais. sugeria a necessidade de intervenção do Estado para o desenvolvimento de políticas públicas que dariam azo à diminuição de desigualdades e ao estabelecimento de melhores oportunidades de vida e subsistência. em primeiro momento. Já a idéia de dignidade suscitaria propriedade bem diferente. classicamente. mormente. que a base ético-material desta noção teórica permanece ligada à negação de todos os momentos históricos em que seres humanos foram tratados como objetos inanimados. ou brasileira de 1934. que foi aderida pelo Brasil também em 1992. qualificados como liberdades públicas essenciais. André de Carvalho. resultou em diversos outros documentos jurídicos internacionais74. à associação sindical. Assim. firma impossibilidade de se estabelecer qualquer tipo barganha com certos bens humanos tidos por inalienáveis. a liberdade de ir e vir. estas liberdades são as seguintes: liberdade pessoal. Estas disposições normativas. o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos. em resumo. passíveis de submissão ou destruição por parte de outras pessoas ou estruturas políticas totalitárias. 75 Rol apresentado por RAMOS. Esta característica ensejaria noção de preço. Os direitos de primeira geração. São espécies destes bens a liberdade. diferentemente do homem em suas relações interindividuais. parte 2. presunção de inocência. a regra passa pelo gerenciamento e controle por parte do Estado. fornecido por Walter Benjamim69 antes de seu suicídio. onde. igualdade. 2) O segundo momento só viria com o fim da Segunda Guerra Mundial. Diferentes em abrangência e importância temática. ano da fundação oficial do Estado de Israel em meio à dor proveniente das seqüelas incuráveis do pós-guerra e diante das imagens das atrocidades praticadas pelos nazistas nos campos de extermínio. foram concebidos a partir das conquistas trabalhistas do século XIX e XX. pode ser dividido em dois momentos estruturalmente distintos: 1) Antes deste marco. a privacidade. aos lazeres. na prática administrativa diária cada Estado ditava a solução mais conveniente no campo da preservação de valores essenciais70. em 10 de dezembro de 1948. a proteção por tribunais oficiais neutros. sob a pressão da invasão nazista à França e diante da instauração da ditadura de Vichy.essência. a não ser para reforçá-las e protegê-las. das disputas bélicas e econômicas que motivaram a Primeira Grande Guerra e da inexistência de estrutura supranacional consensual. promulgou a Declaração Universal dos Direitos do Homem. tínhamos o que se pode chamar de fase pré-jurídica. a liberdade de casar e os chamados direitos políticos18. necessária à imposição de certos deveres e obrigações jurídicas aos entes estatais –. a nacionalidade. proibição de prisões arbitrárias. não seria admissível qualquer intromissão estatal. Sua base subjetiva estabelecia um campo de garantias individuais imune à ingerência estatal.71 Tal documento jurídico coroava normativamente uma série de direitos fundamentais e inalienáveis. via de regra. que. O processo de construção do sistema jurídico internacional de direitos humanos fundamentais. provocaram lutas proletárias intensas que evidenciaram a necessidade de se resguardar direitos relacionados à esfera social das relações humanas. dos genocídios e etnocídios etc. tidos como pertencentes a todos os seres humanos. pela sua importância. fundada na legitimidade proveniente de concordância internacional. onde a força normativa de certos direitos tidos como inalienáveis ainda se sujeitava sobremaneira ao empirismo resultante do direito natural e às vicissitudes sócioculturais de cada país soberano no exercício de sua boa vontade. dos pogrons. ou seja. nem mesmo diante do dogma da soberania estatal. o direito ao asilo. nem tratado como coisa fungível ou descartável. por sua vez. ao sacralizar tais valores. o direito à vida. a segurança pessoal etc. A vida do homem em sociedade. –. O significado moral desta injunção reside no entendimento de que o ser humano não pode ser comparado. op. Igualmente mencionamos a Convenção americana sobre Direitos Humanos (conhecida com Pacto de São José da Costa Rica). ao direito ao trabalho. a liberdade de opinião. Na prática o diploma internacional referido sintetizou diversos direitos históricos. soa como verdadeira Constituição Mundial que. a integridade física e mental. correspondem à seguridade social. percebe-se. proibição de discriminações. Próximo ao conceito de história. o trabalho remunerado de forma justa. à vida cultural73. Em espécie. como as que resultaram na Constituição Mexicana de 1919. de reunião. o direito de propriedade. a família. em reação em cadeia. a propriedade. lugar onde. a liberdade de pensamento e de crença. Concomitantemente vieram os direitos de segunda geração. ou direitos sociais.

Indivisibilidade: pois nenhum dos direitos humanos pode ser separado do seu contexto conjuntural. II). não se pode agredir um determinado direito humano fundamental sem agredir os outros. Esta lei foi estabelecida nestes termos: artigo 1º: I) São proibidos os casamentos entre judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado. definidos pela ordem jurídica como oficiais. Complementando os objetivos discriminatórios da legislação apresentada. tais direitos são suscetíveis à evolução histórica e ao aprimoramento cultural. merecendo igual proteção. vedando-se aos Estados a possibilidade de diminuição ou aviltamento direto ou indireto do nível de proteção já alcançado. Eficácia horizontal: além de validade nas relações entre particulares e o poder público. Dentro da primeira definição. independentemente de assinaturas de tratados ou outros documentos internacionais. quem não se enquadrasse biologicamente dentro dos padrões étnicos e culturais. por sua conduta. Aplicabilidade imediata: tais direitos não dependem de outras leis ou quaisquer outros desdobramentos normativos para se efetivarem. por seu turno. na ocasião. Consistiram de per si em conjunto de normas jurídicas. Proibição de retrocesso: como patrimônio da humanidade. para rebaixar oficialmente os judeus à qualidade de cidadãos de terceira categoria. os mesmos direitos também valem e devem ser respeitados nas relações entre os próprios particulares. Os artigos desta lei afirmavam o seguinte: artigo 1º: I) Um sujeito do Estado é uma pessoa que pertence à união protetora do Reich alemão e que tem obrigações particulares com o Reich. representado por deveres e garantias que devem ser obedecidos por todos. também em 15 de setembro de 1935. em qualquer momento da história. Abertura: o valor que vivifica seu conteúdo não é imutável. outorgadas em 15 de setembro de 1935 na cidade de Nuremberg pelo Parlamento Alemão (o chamado Raichstag). objetivando diretamente à marginalização dos judeus. As chamadas “Leis de Nuremberg”. ou seja. 3. ou seja. estava composto por integrantes do partido nazista. As características primordiais dos direitos humanos fundamentais. pelo menos em tese. III)Somente o cidadão do Reich desfruta de Direitos políticos completos de acordo com as determinações das leis. Esta legislação discriminatória prenunciou a perseguição sistemática ao povo judeu. Exigibilidade: os direitos humanos fundamentais são eminentemente vinculados a uma necessidade ética. baseado na possibilidade de interferência internacional em qualquer lugar para a garantia destes direitos inalienáveis. que. cometidos em nome da lei contra direitos fundamentais. Desta forma. estaria completamente alijado da proteção estatal. podendo ser invocados de imediato nos Tribunais por parte dos interessados. ligadas a valores culturais segregacionistas e racistas. Desta forma. artigo 3º: O Ministro do Interior do Reich e o substituto do Führer emitirão os decretos legais e administrativos necessários para executar e completar esta lei. o governo nazista promulgou a chamada “Lei para a Proteção do Sangue e Honra Alemã”. que privava os judeus de quase todos os direitos civis individuais e políticos. modelando as regras da chamada “Lei da Cidadania do Reich”. criando um sistema racial de reconhecimento de cidadania.O status de sujeito é adquirido conforme providências do Reich e lei do Estado de Cidadania. Universalidade: os direitos humanos fundamentais extrapolam a órbita da nacionalidade. Adéquam-se a todas as pessoas. cedeu espaço a outro modelo protetivo. podem ser listadas didaticamente através dos seguintes pontos objetivos75: Superioridade normativa: no plano interno ou no internacional as regras e princípios de direitos humanos sempre ocupam lugar de destaque. sobretudo. que se integram e interagem em uma mesma base intercomplementar. os direitos humanos fundamentais só podem ser ampliados ou aperfeiçoados.direitos das pessoas sujeitas ao seu poder. cindiu-se a sociedade alemã. ou seja. em critérios relacionados à pureza de sangue. Caráter erga homnes: estes direitos foram criados para englobar não só as pessoas do mundo inteiro. Interdependência: não se podem desgarrar tais direitos. compunha a delimitação e identificação dos sujeitos destes direitos. Os casamentos celebrados apesar dessa proibição são nulos 28 . bem como a inexistência orgânica e funcional de sistema jurídico internacional apto a fazer valer suas prescrições normativas. A regulamentação informada estruturava-se em duas direções: uma se relacionava aos aspectos formais da concessão e do reconhecimento da cidadania alemã. As Leis de Nuremberg A vigência da noção da soberania estatal como poder absoluto. II) O Direito de cidadania é conseguido pela concessão dos documentos de cidadania do Reich. ninguém pode renunciar aos direitos humanos fundamentais. ou limites de tempo e espaço. a implementação prática de seus preceitos é crescente e obrigatória. determinaram exemplos históricos contundentes de abusos. sujeitando-se a qualquer tipo de anátema. revelando superioridade na hierarquia das normas. os direitos humanos fundamentais também denotam aspecto institucional. mas também todos os Estados nacionais. Com a iniciativa. não há nem mesmo a necessidade de assinatura de tratados internacionais para obrigar determinado Estado a respeitar os limites salutares à sobrevivência das pessoas. independentemente da idéia de soberania nacional ou idiossincrasias culturais. a outra. que deseja servir fielmente ao povo alemão e ao Reich. artigo 2º: I) Um cidadão do Reich é aquele sujeito que é alemão ou que é de sangue alemão e que provar. Dimensão objetiva: além de representarem direitos de pessoas. baseado. Indisponibilidade: em regra. hoje em dia. compostas pelo conjunto integrado de duas outras legislações – as Leis para a Proteção do Sangue e Honra Alemã e a Lei da Cidadania do Reich – representam um destes malsinados modelos. relegou-se discricionariamente ao Estado o poder para a concessão da cidadania alemã como condição ao exercício de certos direitos fundamentais e proteção estatal.

A introdução de tais elementos anímicos no direito posto. Parte do projeto de recrudescimento do poder político nazista. consistiu em etapa secundária dentro do programa de totalização do poder. passou pela perda gradual de cidadania e alcançou o paroxismo. fez parte de processo paulatino de transformação da consciência coletiva. e. Neste sentido. Com a noção de dignidade da pessoa humana. que não poderia ocorrer abruptamente de uma hora para outra. Em regra. aptas ao descarte através da chamada solução final. Perceba que a retirada oficial das faculdades que compõem a idéia de cidadania. a noção dogmática de homem para o direito positivo. o imaginário social. o que resta? Biologicamente vemos um membro da espécie humana. artigo 3º: Os judeus são proibidos de terem como criados em sua casa cidadãos de sangue alemão ou aparentados com menos de 45 anos. ou com os judeus que sofreram a perseguição nazista. percebemos diversos exemplos em que membros da espécie foram alijados da condição humana simplesmente por um capricho conceitual da legislação. sofrida pelos judeus que se encontravam sujeitos ao sistema de dominação nazista. Este termo. sobretudo. O início deu-se com o apelo simbólico a estigmas sociais personificadores do inimigo objetivo. mesmo que tenham sido contraídos no estrangeiro para iludir a aplicação desta lei. para o mundo cívico. artigo 6º: O Ministro do Interior do Reich. não temos nada além de um objeto76. A cidadania pode ser entendida como a possibilidade de realização do conjunto de prerrogativas legais individuais. políticos.Mas são autorizados a engalanarem-se com as cores judaicas. transformou-se em obrigação e meta política com a introdução de tais preceitos no sistema jurídico. mas o processo de desumanização permanece semelhante. da maneira como se deu a manipulação das consciências individuais. 4. políticas e sociais necessárias para que determinada pessoa possa usufruir os benefícios e gozar isonomicamente as oportunidades resultantes da vida em sociedade com justiça e equidade. ao descrever o 76 O que os direitos humanos procuram fazer é vincular parte significativa do potencial transformativo da ordem jurídica a serviço do próprio homem. 29 . II) Quem infringir os artigos 3º e 4º será condenado à prisão que poderá ir até um ano e multa. Assim ocorreu com as vítimas diretas do escravismo no Brasil. já estava preparado para receber tal legislação. desta maneira. à necessidade de oficialização dos valores antissemitas no seio da sociedade alemã. II) Só o procurador pode propor a declaração de nulidade. artigo 4º: I) Os judeus ficam proibidos de içar a bandeira nacional do Reich e de envergarem as cores do Reich. O fato histórico pode até mudar. com a transformação daqueles seres humanos em coisas completamente substituíveis.. Sem a possibilidade de realização das faculdades disponíveis e indisponíveis que compõem institucionalmente a figura do cidadão não há nem mesmo como assegurar a noção jurídica de pessoa. necessário ao projeto nazista de extermínio total. II). os direitos civis. os bens materiais etc. Aliás. por seu turno. no início do século XX. com a retirada completa de todos os direitos e garantias fundamentais. basta ser homem para ter direitos fundamentais indisponíveis assegurados. impregnado de referências simbólicas desqualificantes da comunidade judaica e de outras minorias étnicas. parece sempre representar o passo antecedente à transformação de seres humanos em coisas descartáveis. com o assentimento do representante do Führer e do Ministro da Justiça. somente uma pessoa física ou jurídica pode assumir estas qualidades. Primo Levi. por exemplo. são apenas objetos de direitos. nunca sujeitos. Assim. libertando sua definição das vicissitudes e conveniências de alguma legislação politicamente variante no tempo e no espaço. Para entender melhor a assertiva. oficializada com as “Leis de Nuremberg”. o que era antes considerado como simples conveniência social. relata com precisão este processo de degradação sofrido por todas as vítimas do holocausto. por sua vez. ou seja. físico e moral. do qual todos nós ainda hoje estamos sujeitos. Seguindo a lógica moral dos valores humanísticos fundamentais. publicará as disposições jurídicas e administrativas necessárias à aplicação desta lei. arregimentado por alguém durante sua existência – tal como o nome. com os negros americanos que vivenciaram as leis de “Jim Crow”. espalhados amiúde em diversos momentos históricos significativos. coisas e animais. mas. artigo2º: As relações extra-matrimoniais entre judeus e cidadãos de sangue alemão ou aparentado são proibidas. nesta situação. reconhecemos que o processo de desumanização sofrido pelo povo judeu. baseada no discurso da idéia de pureza de raça. os predicados pessoais de estado.e de nenhum efeito. individuais e sociais. revela-se como a somatória dos atributos físicos e morais que determinada ordem jurídica define como pertinente em momento específico. transmuta-se a idéia de homem do “ter” para o “ser”. em regra através de leis discriminatórias. a opinião amplifica-se em importância na medida em que se verifica que a desumanização derradeira. Desta maneira. artigo 5º: I) Quem infringir o artigo 1º será condenado a trabalhos forçados. As premissas que fundamentaram esta legislação extravagante ligavam-se. tal condição existencial pode ser simplesmente compreendida como capacidade de exercício de direitos e garantias essenciais à vida com dignidade. um dos poucos judeus que sobreviveram a Auschwitz. na prática. durante quase duas centenas de anos. imagine retirar todo o patrimônio jurídico. O exercício dessa autorização é protegido pelo Estado. Neste aspecto. relacionase à possibilidade de se titularizar direitos e de se vincular a obrigações em determinado cenário legislativo. Estes grupamentos humanos subordinados foram tendenciosamente identificados como inimigos do bem comum e como estorvo ao desenvolvimento sócio-econômico. Premissas Discriminatórias de Nuremberg O estudo e o reconhecimento pedagógico da importância da educação para os direitos humanos através do aprendizado histórico viabilizam a compreensão da cidadania como requisito imprescindível para se viver com dignidade. ou a uma ou outra destas duas penas. sob a ótica dos direitos humanos. a honra subjetiva. desenvolveu-se aos poucos a partir da decomposição gradual de aspectos centrais ao direito de cidadania daquelas pessoas.. passava de forma imprescindível pela necessidade de formação de mentalidade nacionalista.

78 30 . sua roupa. CARNEIRO. o mecanismo excludente de desumanização do outro permanece intocável na origem do problema. que vigorou por quase cem anos a partir de 1876. É Isto um Homem? Rio de Janeiro: Rocco. antes mesmo das leis discriminatórias se institucionalizarem em Portugal através da legislação geral. 67-68. formou verdadeiro sistema jurídico discriminatório em face de minorias étnicas existentes nos Estados Unidos.. do que éramos. Primo. os sapatos. a própria implementação destes respectivos LEVI. Meu nome é 174. 1998. ou favores. Maria Luiza Tucci. como etapa progressiva sintomática de determinado processo de dominação política autoritária. onde somente os bem nascidos teriam o merecimento suficiente para gerenciar os interesses da nação78. Ao impor regras para a seleção de seus membros. do outro lado temos os indivíduos e grupos minoritários marginalizados e renegados. passando a limitar as escolhas. 79 Ibidem.. não nos compreenderão. é significativa a seguinte constatação apresentada. Oficializou-se com tal modelo jurídico espécie de regime de apartheid naquele país da América do Norte.. às Ordens Militares e aos cargos de governos administrativos e militares. Roubarão também o nosso nome. emprestados pela estrutura de dominação aos desonrados que. A revogação completa de todas as outras demais disposições normativas segregacionista somente ocorreu mais tarde.. Mais uma vez percebemos a necessidade do estabelecimento de estrutura jurídica conveniente e de um sistema de leis compatível para se efetivar qualquer projeto totalitário de dominação e controle. Neste aspecto. podemos perceber como se processava o sistema de relações sociais articulado de forma a afastar os cristãos-novos do grupo de status.. que se disfarça na forma. vocacionada à preservação de certos valores humanos supremos e indisponíveis na sociedade mundial. 58-68. Em alguns outros exemplos históricos.mecanismo sistemático de desumanização que as pessoas submetidas aos campos de concentração sofreram no apogeu da administração nazista. exposta dentre outras pérolas através dos chamados “estatutos de pureza de sangue”. suscita a discriminação do cristão novo. fundamentalmente. Posições estas consideradas dignas apenas daqueles que não tinham “mancha” da raça da gente da Nação79. como o modelo deturpado de cidadania exposto nas chamadas leis de “Jim Crow”. esquecido de dignidade e discernimento. temos uma massa de pessoas que reproduzem o discurso dominante e que auferem as vantagens do poder. rigorosamente tudo que possuía. o qual faz questão de esconder sua verdadeira fisionomia. A autorização velada para a eliminação do diferente. no caso Brown versus Board of Education. demonstrou elementos jurígenos discriminatórios quase idênticos aos do projeto nazista. p. A legislação da ocasião. os direitos. A Efetivação Obrigatória dos Direitos Humanos Fundamentais Diante de sua dimensão ética. levaremos até a morte essa marca tatuada no braço esquerdo. diferenciando e segregando entre as hipotéticas raças os direitos de utilização do espaço e dos serviços públicos que. Apesar desta maquiagem perturbadora.. os cristãos-novos já eram proibidos de ocupar cargos eclesiásticos. pp. e sua conseqüente exclusão dos setores participativos da sociedade. percebemos que o viés discriminatório da legislação foi camuflado por concessões. se quisermos mantêlo. utilizada para disfarçar o espanto de suas incongruências morais. retratando com precisão o processo normativo de oficialização da exclusão e do racismo como peças integrantes de empreendimento mais amplo de controle absoluto social.77 A demonstração desta característica em vários outros momentos históricos da humanidade indica a discriminação de minorias como característica arquetípica constante no projeto multigeracional do poder totalitário. Identificada com o primeiro grupo – o dos preferidos – de um lado. o grande ativista menciona o seguinte: Condição humana mais miserável não existe. Essas coisas fazem parte de nós. de forma percuciente. seus hábitos. sob certa ótica salutar. analisando as características do processo de dominação do Brasil colônia pela coroa portuguesa. portando-se. Percebidos como inimigo objetivo. ele será um ser vazio. Este verdadeiro arquétipo da discriminação e dominação política institucionalizada pode também admitir variações quantitativas que servem utilitariamente para disfarçar qualquer vestígio de perplexidade capaz de dimanar crítica ao sistema de opressivo. mesmo diante disto. transformado em algo tão miserável. No início do século XVI. a mobilidade e o acesso de grupos de cristãos-novos a certas posições. permanecia como espécie de etapa necessária à solidificação da consciência nacional e ao desenvolvimento social inclusive no Brasil colonial. essas instituições definiam onde e como deveriam se processar as práticas sociais. são algo como os órgãos de nosso corpo. sujeitos à discriminação social e à perseguição pelos mecanismos de Estado. sem qualquer sentimento de afinidade humana. um homem privado não apenas dos seres queridos. tudo. do inimigo objetivo. 2005. não nos escutarão – e. 80 A Suprema Corte declarou a inconstitucionalidade da segregação escolar resultante destes dispositivos discriminatórios somente em 1954. se falarmos. mas permanece o mesmo no conteúdo. que até o mendigo mais humilde possui: um lenço. em todos esses objetos nossos. de ter acesso às confrarias. que facilmente se decidirá sobre sua vida e sua morte. e.. enfim. deveriam estar disponíveis a todo cidadão80. até os cabelos. deveremos encontrar dentro de nós a força para tanto. Mas que cada um reflita sobre o significado que se encerra mesmo em nossos pequenos hábitos de todos os dias. Dessa forma. para que.25. pp. sobre alguma coisa de nós. Preconceito Racial em Portugal e Brasil Colônia: Os Cristãos-Novos e o Mito da Pureza de Sangue. Nada mais é nosso: tiraram-nos as roupas. Para tanto. se nos escutarem.. uma velha carta. Este conjunto difuso de leis específicas. além do nome. permaneceram aquém da fronteira dos escolhidos. com o Civil Rights Act. São Paulo: Perspectiva. de 1964. A professora Maria Luiza Tucci Carneiro. a fotografia de um ser amado.. como a dos afro-descendentes americanos e asiáticos. Imaginese. as atitudes sociais contra o cristão-novo assumiram as características de um racismo institucional. agora. fomos batizados. como vetor importantíssimo na formação de espécie de cultura da desconfiança. não dá para imaginar. 5.. mas de sua casa. de forma contundente. reduzido a puro sofrimento e carência.517. pela mencionada Professora: Através do estudo das narrativas discursivas impressas na 77 legislação.

bem como a concentração de riquezas. não existem as condições mínimas para a solução pacífica dos conflitos. desta forma. apesar dos tropeços renitentes e cheios de opróbrio. culturais ou políticas. O Liberalismo Político. quanto a decisão judicial ou medida administrativa praticada pelo Estado. ligados de várias formas à cultura da paz e do respeito ao outro. servem justamente para balancear este desnível social de cidadania. não teríamos condições mínimas de conquistar este novo momento histórico. efetuadas pelas três esferas de poder. tende à conformação prática de nova geração de direitos. mas do mundo. ligado à necessidade de concretização da igualdade material em Estado comprometido com a implementação de valores democráticos. uma paz que não tenha a guerra como alternativa.direitos também se porta como direito humano fundamental. sem democracia. em linha geral. cujas causas podem ser históricas. que desde 1951 ensinava o seguinte: Direitos do homem. Legislativo e Judiciário. pp. relacionada à concretização destes direitos? Ou poderíamos entender a efetividade como parte de mudança estrutural na forma de interpretação da norma jurídica por parte dos administradores e aplicadores da lei? Acreditamos que a resposta à questão acaba por admitir as duas possibilidades tratadas nestes mesmos questionamentos. Amartya. Executivo. que não pode ferir a estrutura valorativa preexistente. somente quando existirem cidadãos não mais apenas deste ou daquele Estado. A Era dos Direitos. 2ª. Em outras palavras. e os súditos se tornam cidadãos quando lhes são reconhecidos alguns direitos fundamentais. originam ostensivas diferenças de oportunidades. demonstraram com precisão como a perda progressiva da cidadania. o que ocorre na prática é que as profundas desigualdades econômicas e sociais. contribuindo para a formação de cultura de inclusão e igualdade82. Ações Afirmativas e Oportunidades Sociais John Rawls. pp. 83 RAWLS. por vicissitudes inerentes ao poder totalitário. As ações afirmativas – como o regime de cotas para negros. e a segunda é que devem redundar no maior benefício possível para os membros menos privilegiados da sociedade. através da retirada das oportunidades de determinado grupo discriminado de pessoas. Apesar de todas as pessoas serem formalmente iguais diante da lei. ressaltamos que o processo de caminhada da humanidade. sem a efetivação propriamente dita dos direitos humanos fundamentais. não basta apenas perfeição formal. esta maneira vetusta de interpretar a norma jurídica foi amplamente utilizada pelos arquitetos do sistema nazista. A efetividade destes direitos é. Ações afirmativas. As “Leis de Nuremberg”. 85 SEN. na prática judiciária. Este segundo aspecto tratado é de suma importância. desenvolveu sua teoria da justiça baseando-se em dois princípios estruturais nodais. em detrimento do dever de efetivação dos direitos humanos fundamentais. As desigualdades sociais e econômicas devem satisfazer duas condições. 84 Tal legislação garante 30% no mínimo de presença feminina nas candidaturas dos partidos políticos. como as três esferas de competência tradicionalmente representativas do poder político no modelo constitucional brasileiro. A primeira é que devem estar vinculadas a cargos e posições abertos a todos e em condições de igualdade equitativa de oportunidades. pois a introdução da idéia de preservação de valores parece romper o paradigma técnico que enxerga na lei positivada em algum texto normativo o único limite ao direito e à justiça. o que é efetividade? Tal potencialidade admitiria apenas uma dimensão pragmática. 6. por exemplo –. John. Segundo princípio. 2000. Sem o cumprimento desta condição de fundo torna-se inválida tanto a regra produzida. devem contribuir igualmente dentro de suas funções para a efetivação destes direitos em todas as suas dimensões. importantíssima a seguinte lição do Veccio de Turim. 344-345. neste sentido. que alicerçaram todo o seu projeto de extermínio em estrutura legislativa kelseniana. é capaz de impossibilitar qualquer tentativa de concretização do ideal da dignidade humana que nos referimos acima. Neste sentido.no Legislativo: retirada do regime de cotas do Estatuto da Igualdade Racial e modificação da proposta inicial relacionada à Lei da Ficha Limpa. 2004. 3. pp. Poderíamos citar vários casos onde. da maneira como foram introduzidas na sociedade alemã pelo governo nazista. determinando antecipadamente tendência ao fracasso de uns e o sucesso de outros. assim.83 A idéia das ações afirmativas. São Paulo: Editora Companhia das Letras. Toda pessoa tem um direito igual a um sistema plenamente adequado de liberdades fundamentais iguais que seja compatível com um sistema similar de liberdades para todos. Amartya Sen. No primeiro aspecto suscitado. Desenvolvimento como Liberdade. O reconhecimento dos direitos fundamentais introduziu a necessidade de compatibilidade de conteúdo para a validação de determinadas disposições normativas.81 Ocorre que efetividade também indica necessidade de estabelecimento de nova forma menos dogmática de interpretação de preceitos jurídicos relacionados aos direitos humanos. encontra-se descrita no final do segundo princípio e surge como instrumento político. como instrumento de concretização de justiça equitativa. 18-19 81 82 31 . Assim. são discriminações positivas. Norberto. as estabelecidas pelo Estatuto do Idoso e como as gerenciadas pela Lei 9504/9684.01-02. 2. ed. Rio de Janeiro: Elsevier. São Paulo: Editora Ática. mas também compatibilidade material de conteúdo. Torna-se.no Executivo: Acordo assinado entre o Brasil e o Vaticano estabelecendo a volta do ensino religioso nas escolas públicas e a demolição de monumentos estéticos da opressão. democracia e paz são três momentos necessários do mesmo movimento histórico: sem direitos do homem reconhecidos e protegidos. perfeitamente válida do ponto de vista formal. informa que o desenvolvimento humano poderia ser visto como processo contínuo de expansão das liberdades substantivas reais que as pessoas deveriam desfrutar através do exercício de oportunidades sociais85. 2003. O BOBBIO. quais sejam: Primeiro princípio. percebemos francamente manifestações mais ou menos veladas de autoritarismo estatal no Brasil. necessárias à efetivação de direitos fundamentais. obrigatória.no Judiciário: decisão do STF que determinou a constitucionalidade da Lei de Anistia. Citamos alguns tristes exemplos: 1. haverá paz estável. Aliás. evidenciadas sintomaticamente pelo capitalismo tardio. a democracia é a sociedade dos cidadãos. não há democracia. ligada mais à preservação do conteúdo valorativo dos direitos fundamentais que à esterilidade estética de formas inanimadas. por exemplo. procurando entender o processo de formação das crescentes desigualdades sociais. Todavia.

2005. Da mesma maneira. São Paulo: Companhia das Letras. Estes direitos fundamentais. LEVI. que. São Paulo: Editora Lazuli. RAMOS. podendo comandar o próprio futuro e o dos seus semelhantes através do exercício da solidariedade. das Letras. sua dominação carismática dependia da devoção irracional e do fanatismo das mesmas. se social e politicamente cultivados. SARLET. 2000. Hitler jamais ocultou seu desprezo pelas massas visto considerá-las destituídas de heroísmo e inteligência. ou seja. Seu início já ocorre em 1933 cuja escalada observa-se a partir das Leis de Nurenberg de 1935. ed. A Era dos Direitos. 10 de Dezembro de 1948 – A Declaração Universal dos Direitos Humanos. fácil de ser alcançado e sobre o qual repousava a atribuição de inimigo da pátria. os nazistas decretaram “vocês não tem o direito de viver”. SEN. Livraria dos Advogados. Bens materiais e valorativos bons. O fato é que. retroalimentando-se de maneira a fechar a cadeia de eventos. Porto Alegre: Ed. afirma que na história européia houve três modalidades de política anti-judaica: conversão. por sua vez. o condutor das massas e não um representante destas. Raul Hilberg. alienálas completamente. diretora do Departamento de Sociologia e Política da PUC/RJ. O governante convertido em Führer. É Isto um Homem? Rio de Janeiro: Rocco. Hannah. São Paulo: Editora Ática. vice-presidente da Direção Executiva – (FIERJ). são gerenciados por discussões públicas e interações sociais contínuas. Também é presidente do Conselho Deliberativo da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ). ensejarão valores melhores ainda. Manoel Gonçalves. São Paulo: Boitempo. Se. SCHOENBERNER. A estimulação ao preconceito antissemita criou um inimigo visível. 1998. RAWLS. A Estrela Amarela: A Perseguição aos Judeus na Europa 1933-1945. Ingo Wolfgang.exercício de tais liberdades substantivas é mediado por valores. os dois grandes sistemas políticos vigentes: ora rotulado de capitalista explorador das finanças internacionais. fomentando-se a si mesmos como os galhos e folhas de uma mesma árvore. Amartya. Maria Luiza Tucci. estão dependentemente interligados. A destruição processada pelos nazistas não emergiu de um vácuo sócio-político.expulsão e eliminação. 2006. Por fim. assistência médica e outras correlacionadas. Rio de Janeiro:Elsevier. Desenvolvimento como Liberdade. mediante oportunidades sociais adequadas. ora de comunista responsável pela instabilidade mundial devido ao chamamento ideológico à luta de classes. aprimorando em verdadeira reação em cadeia a prática social existente. 10ª. Norberto. 1994. contraditoriamente. os seculares atestavam “vocês não têm o direito de viver entre nós”. contínuo e crescente. série Rupturas. Daí a importância de organizá-las. os indivíduos aprimoram sua capacidade de autodeterminação. ed. São Paulo: Perspectiva. O processo é cíclico e contínuo. 2ª. Preconceito Racial em Portugal e Brasil Colônia: Os Cristãos-Novos e o Mito da Pureza de Sangue. Direitos Humanos Fundamentais. 2003. através da expansão das liberdades substantivas interligadas – como a liberdade de participação política. LÖWY. o desenvolvimento humano pode e deve ser visto de maneira integrada. Dignidade da Pessoa Humana e Direitos Fundamentais. Primo. a eliminação. professora Titular da Universidade Federal Fluminense – UFF. em seu livro “The Destruction of the European Jews”. PEDROSO.uma nova era a ser instituída pela pretendida raça superior ariana. ou seja. 2004. BOBBIO. ao contrário do que ocorreu nos regimes de exceção que apresentamos nesta exposição. e exibindo poder inquestionável. Origens do Totalitarismo. CARNEIRO. 7. sempre em movimento cíclico. Considerações finais sobre o tema A presente reflexão histórica serviu para entendermos melhor como a necessidade de efetivação da cidadania e de aprimoramento dos direitos humanos fundamentais portamse como requisitos primordiais à valorização do homem como sujeito de direitos. Teoria Geral dos Direitos Humanos na Ordem Internacional. via de regra. São Paulo: Editora Cia. Assim. Rio de Janeiro: Renovar. por um lado. SOLIDARIEDADE EM TEMPOS SOMBRIOS “JUSTOS ENTRE AS NAÇÕES” e “SALVADORES DE JUDEUS” Helena Lewin86 O sistema político nazista estabeleceu-se ancorado em uma economia bélica tendo como foco o domínio mundial . Rio de Janeiro: Imago. Michael. só que em sentido contrário. aprimorando e expandindo a miséria como resultado material. André de Carvalho. o discurso dos missionários afirmava: “vocês não têm o direito de viver entre nós como judeus” correspondendo à etapa da conversão. deixando largos espaços não escritos para ações rotuladas de “espontâneas” praticadas 86 Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo – USP. 2005. 2008. devem ser estimulados e aprimorados substancialmente pelos gestores da coisa pública. ampliadas sucessivamente nos anos posteriores . Regina Célia. o instrumento utilizado foi a expulsão. membro do Conselho consultivo – (FIERJ) e membro do Diretório de várias Escolas Judaicas do Rio de Janeiro.. como fatores essenciais ao desenvolvimento da sociedade. nesse caso. 2001. de despojá-las de sentido crítico que porventura pudessem exibir. 1989. São Paulo: Saraiva.a Alemanha dos 1000 anos . Gerhard. 2005. FERREIRA FILHO. representou a culminação de uma tendência historicamente progressiva. por outro lado. na medida que aglutinava. contribuindo para a prevenção de novas possibilidades de opressão a grupos populacionais desfavorecidos. o estímulo às privações originarão outras privações maiores ainda. possui diversos livros e artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais. Correlacionando estas diferentes fases à legislação na Alemanha de Hitler. Por sua vez. colocava-se ditatorialmente acima do bem e do mal. O Liberalismo Político. BIBLIOGRAFIA ARENDT. 32 . verifica-se um processo de discriminação crescente. Segundo esse autor. o judeu. de receber educação básica. Walter Benjamin: Aviso de Incêndio: Uma Leitura das Teses “Sobre o Conceito de História”. pois. Coordenadora do Programa de Estudos Judaicos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. John.

O presente texto. e o formal. Em Israel foi criada. no processo de salvação de milhares de judeus concedendo-lhes visto de entrada em seus países apesar das proibições. expresso inicialmente pela legislação vigente que se auto-legitimava como um estado de direito embora calcado sobre um arcabouço autoritário. não-judeus que arriscaram suas vidas para salvar judeus durante o Holocausto. afirma que em certos casos. Todos os 117 habitantes desta pequena comunidade foram honrados como “Justos entre as Nações”. A esses cônsules e a todos aqueles que salvaram judeus da matança nazista. trata de recuperar historicamente o papel desses protagonistas nos tempos sombrios do Holocausto – o maior assassinato em massa perpetrado contra 6 milhões de judeus pela política antissemita nazista – livrando os judeus da perseguição e do extermínio iminente ao lhes conceder oportunidades reais para fugirem daquela Europa conflagrada ou para esconde-los em lugar seguro. faz-se necessário assinalar o desempenho de determinados consulados sediados na Europa. decorrente da sua atuação excepcional. de solidariedade e de compaixão além de sua postura políticoideológica democrática. nas pags. Julgavam tratar-se do clássico fenômeno do antissemitismo tão presente na historiografia do cotidiano das comunidades européias. implicando em perigos relativos à segurança de sua liberdade física. Este salvador geralmente construía um “bunker” para esconder o judeu que ali permanecia durante semanas. caminhando para uma planejada política de estado de destruição massiva dos judeus através de seu encarceramento em campos de trabalho e de aniquilamento. portanto. arriscando suas vidas e carreiras. entre 1942 e 1943 resolveram de forma conjunta que cada família ocultaria a uma família ou indivíduo judeu. os “Justos entre as Nações” conforme o título de homenagem a eles conferida. André Trocmé. meses ou anos. Quando um nome é proposto para receber o reconhecimento oficial do Yad Vashem.conforme acima mencionado. número que reúne 50 milhões de páginas de testemunhos. Bélgica e França que encontravam esconderijos para judeus. Noruega. em 1953. muitos deles. o aparelho de estado nazista utilizava dois mecanismos de repressão: o oficioso cujas ações eram acionadas para intervir com violência em movimentos de rua sobre aqueles marcados para morrer. suas comendas foram retiradas. Alguns dos judeus morreram depois da guerra ou mesmo durante a mesma. os judeus. seria impossível excluí-los da lista tendo em vista que foram punidos por seus governos por desobedecer às proibições emitidas no que se refere à concessão de vistos às minorias semitas. que não perecerá jamais” O Yad Vashem é também conhecido como o Museu do Holocausto de Jerusalém que abriga arquivos . ocultando um ou mais judeus em suas próprias casas. Outro salvamento coletivo teve lugar na aldeia francesa de Le Chambon-sur-Lignon. Neste contexto. organizou seus fiéis para prover esconderijo e assistência aos judeus que fugiam dos nazistas. a salvação veio de grupos como as unidades clandestinas de resistência existentes na Holanda. Essa atitude de conformidade das populações judaicas decorrente de leituras ingênuas da realidade social foi responsável pelo volumoso aporte demográfico na deportação para os campos de extermínio apesar dos movimentos de resistência que ocorreram. Desde 1960. denotando em meio à barbárie reinante seus sentimentos de humanidade. Na Dinamarca. cidadãos comuns transportaram 7200 dos 8000 judeus do país em lanchas pesqueiras até a Suécia em uma arriscada operação. vem funcionando uma comissão para a designação dos Justos. que oferece empatia. passando por drásticas necessidades financeiras. uma biblioteca que possui a mais importante documentação do mundo sobre o Holocausto. compaixão e ajuda a judeus em tempos de grandes dificuldades e perseguições. o Yad Vashem. Um dos casos mais impressionante foi o da pequena aldeia holandesa de Nieuwlande cujos habitantes. compartindo seu pão. O Parlamento israelense baseando-se na Lei de Recordação dos Mártires e Heróis definiu entre os objetivos do Yad Vashem a permanente celebração religiosa e histórica em memória das vítimas do terrível massacre nazista além de manifestar os agradecimentos a todos aqueles. Todos esses foram reconhecidos pelo Yad Vashem. não acreditavam que um país de alta cultura civilizatória como a Alemanha pudesse representar um perigo para com sua população judaica ou ser portador de atitudes de violência programada. um lugar e um nome ainda melhor do que o que dão os filhos e as filhas: Dar-lhes-ei um nome eterno. O título “Justo entre as Nações” designa uma pessoa de elevada moral. O número de judeus salvos por nãojudeus durante o Holocausto é impreciso. interpretando como uma onda que vem e que vai embora. contendo 80 mil livros e 4500 revistas especializadas nesta temática. em grande miséria. cursos e pesquisa. Até o início de 1941. sendo alimentado em tempo de grande escassez de comida. uma instituição especificamente dedicada à lembrança e estudo do Holocausto. perdendo seus postos de trabalho. A publicação SHOÁ. poderia resultar em impedimento à outorga do título na medida que aqueles que gozavam imunidade diplomática não estavam necessariamente ameaçados de riscos de vida. cujo pastor. e nas minhas muralhas a dentro. não 33 . publicando livros e realizando seminários. essa comissão analisa detalhadamente as provas e suas motivações acompanhadas do relato dos sobreviventes envolvidos que devem prestar testemunho sobre a veracidade dos argumentos declarados. Em muitos casos. Mais adiante os nomes dos principais cônsules brindados com o título de “Justos entre as Nações” serão brevemente apresentados. morrendo. 310/11. foram humilhados e discriminados. cidadãos comuns elegeram salvar judeus assumindo conscientemente todas as consequências de risco de vida que uma ação dessas implicava. O tema relacionado ao “risco” e ao “perigo de vida.pelas brigadas dos SA como a que ocorreu na Noite de Cristais. o respeito e admiração por seu silencioso trabalho de resgate de vidas sendo merecedores do título de heróis da 2ª Guerra Mundial. Porém. O nome Yad Vashem foi inspirado no livro de Isaias 56:5: “dar-lhes-ei na minha casa. considerando que os maiores salvadores de judeus em termos numéricos foram os cônsules sediados na Europa. principalmente os alemães. Assim. ética e profissional além de riscos de vida para aquele que se dispõe a salvar os judeus.

contemplando sua distribuição geográfica por país de origem desses diplomatas. A recuperação histórica do diplomata Souza Dantas. Morreu pobre e abandonado em Paris. até final do ano de 2003 haviam sido registrados como “Justos entre as Nações”. O governo brasileiro havia rompido com a Alemanha e a ela declarado guerra e a embaixada brasileira em Vichy não ficou livre da violência nazista. foi analisada no livro ”Anti-semitismo na Era Vargas” de autoria de Maria Luiza Tucci Carneiro e. o número atual de diplomatas condecorados alcança o número de vinte. que. embaixador brasileiro em Paris de 1922 a 1942. discretamente. Viveram em Hamburgo até quando regressaram ao Brasil. em 1954. que por medida de segurança não foram computados por conta de sua natureza secreta. os alemães romperam o armistício e invadiram a parte ainda não ocupada da França. por 14 meses. porém calcula-se que seu número deve ter alcançado a casa dos 1000. Porém. tornou-se tema da dissertação de mestrado de Fabio Koifman “Quixote nas Trevas”. embora estejam disponibilizados. trabalhou no consulado brasileiro em Hamburgo. não puderam ser nomeados institucionalmente como “Justos entre as Nações”. Este acontecimento marca o início da repressão sistemática contra os judeus que objetivava. Esses anônimos “Salvadores de Judeus”. Aracy ciente das proibições do Ministério das Relações Exteriores do Brasil que determinava a não concessão de vistos aos apátridas. Para tal. ter ciência da desobediência de Aracy e ter lhe dado pleno apoio. como chefe do serviço de vistos. em que cada árvore plantada constitui uma esperança no futuro e uma mensagem exemplar de paz. resolveu desobedecêlas. que tanto benefício aportou àqueles para os quais ele foi diretamente responsável pelo seu salvamento. elevada consciência moral e um incomensurável respeito à vida de seu semelhante. sem alarde. leia-se judeus. o diplomata brasileiro João Guimarães Rosa foi nomeado Cônsul-adjunto em Hamburgo que afirmou. Alemanha. seu nome é inscrito no Livro de Mérito Nacional. portanto não se julgavam merecedores de prêmio ou reconhecimento algum. alguns nomes foram selecionados visando apresentar. 20. Essas publicações foram responsáveis por trazer ao conhecimento público esse personagem. oriundos do Brasil. na Alemanha. por falta de provas e de testemunhos orais. Depredaram estabelecimentos comerciais e saquearam-nas. reconhecimento formal de seu elevado desempenho nos serviços prestados à Pátria. no silêncio de seus atos. denotando heroísmo e grandeza de caráter. Somente no dia 21 de dezembro de 1944. são os seus nomes. enviadas às embaixadas brasileiras instaladas na Europa. Segundo os dados contidos na Enciclopédia del Holocausto. Na impossibilidade de nominar cada um dos “Justos entre as Nações” em decorrência do difícil acesso aos arquivos do Yad Vashem. de forma religiosa ou secular. nas cerimônias dedicadas à Lembrança das vítimas da 2ª Guerra Mundial. através 34 . Mataram 90 pessoas com requinte de crueldade. Souza Dantas foi mantido no ostracismo da vida pública. todos os diplomatas sediados na França passaram a despachar em Vichy que foi tomada pelos nazistas. O simbolismo da plantação de árvores e seu conseqüente Bosque de Recordação estão intimamente associado ao significado de Vida que a árvore representa.uma prece especial é dedicada a esses Salvadores. há duas figuras marcantes. Certamente. elegeu-se uma pequena amostra de diplomáticos que atuaram significativamente no cenário europeu. Invadiram residências de judeus e violentaram mulheres e crianças. Em 1938. centenas deles não constam nos registros do Yad Vashem que. em 1942. Assim. um homem e uma mulher. entre outros refugiados. Enquanto durou o Estado Novo. Foi invadida e o Embaixador Souza Dantas juntamente com seus auxiliares foram presos. quando as relações diplomáticas entre a Alemanha e o Brasil foram rompidas. como é Israel. Casaram-se em 1940. Rebelou-se contra as determinações do governo de Getúlio Vargas que através de circulares secretas. determinava a proibição de atender solicitações de vistos a semitas para entrar no Brasil. Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. reconhecidos como heróis do povo judeu aos quais várias gerações lhe devem suas vidas. confinados em Bad Godesberg. a partir de 1934. silenciosamente. Multidões de nazistas enfurecidos atacaram sinagogas e queimaram objetos do ritual litúrgico judaico. serão apresentados na trajetória de quatro cônsules envolvidos no resgate de judeus. Reconhecido pelo Museu do Holocausto em Jerusalém (Yad Vashem) como “Justo entre as Nações” por ter emitido centenas de vistos durante os difíceis anos do domínio nazista na Europa. sendo que muitos deles foram convidados a plantar árvores em sua homenagem visando comemorar suas ações humanitárias. figura que sequer aparece nos livros didáticos brasileiros. em 1942. Grande foi a contribuição destes dois personagens no cenário da 2ª Guerra Mundial no que se refere a salvação de foragidos judeus. segundo os dados do Yad Vashem. sua “biografia de guerra”. Os vistos emitidos por Souza Dantas salvaram comprovadamente 478 pessoas. Quando. demonstraram enorme bravura. posteriormente. Do Brasil.200 nomes de homens e mulheres.que se estendeu por várias cidades da Alemanha e Áustria. Portugal e Suécia. Luis Martins Souza Dantas. Luis Martins de Souza Dantas e Aracy de Carvalho Guimarães Rosa. a facilitar a emissão de vistos a dezenas de pessoas que buscavam ajuda no consulado brasileiro de Hamburgo. Consta do Concise Encyclopedia of the Holocaust que Aracy de Carvalho Guimarães Rosa começou a ajudar os judeus depois do terrível “pogrom” na noite de 9 de novembro de 1938 que ficou conhecida como Kristallnacht – Noite dos Cristais .tendo sido possível obter testemunhas ou saber o nome desses salvadores. posteriormente. Muito deles preferiram manter-se anônimos mesmo depois da guerra afirmando que seu comportamento era ditado por princípios imperiosos de consciência frente o trágico silêncio da maioria dos europeus que não reagiam à brutalidade vigente contra os judeus e. Libertado. principalmente em uma terra árida. deixando claro que estes não esgotam o elenco de nomes a quem se deve o respeito e os agradecimentos pelo desempenho heróico de salvar vidas tanto de judeus como de não-judeus e que. Perplexa e indignada com as terríveis perseguições e matança de judeus promovidos pelo nazismo. esta é a única diplomata do sexo feminino de todo o grupo de diplomatas homenageados pelo Yad Vashem. de forma breve. Passou. celebradas em todas as comunidades judaicas de todo mundo. ele volta ao Brasil onde havia sido planejada uma recepção festiva que foi abortada por ordem de Getúlio Vargas.

nomenclatura usada para encobrir o uso da palavra objetivamente concreta de extermínio. Estes ofereceramlhe apoio e ajuda. Souza Mendes. consul português em Bordéus. muitas vezes. Esses albergues e espaços protegidos ficaram conhecidos como o “Gueto Internacional” em cujas janelas tremulavam bandeiras brancas como sinal de interdição de entrada aos alemães e seus aliados. Os milhares de vistos eram assinados de dia e de noite. Quando Adolf Eichman ordenou a “Marcha da Morte” dos judeus de Budapest até a fronteira austríaca.Esse sistema de abrigamento foi considerado como um espaço territorial neutro que teria que ser admitido por força das convenções internacionais. contou com a cumplicidade de um funcionário da polícia de Hamburgo que emitia passaportes para os judeus retirando do documento o “J” vermelho que os identificava como judeus. 2/3 dos judeus húngaros haviam sido deportados. Recebeu o título de honra “Justo entre as Nações” do Yad Vashem e era carinhosamente chamada de “o Anjo de Hamburgo” por todos aqueles a quem havia salvo. embora sem nenhuma repercussão na imprensa portuguesa. ele afirma que. as deportações foram reativadas em ritmo acelerado. abrigando judeus em sua própria casa ou de pessoas de sua confiança e garantindo sua saída da Alemanha. o espaço fora do domínio alemão na Europa se estreitava. o exército soviético invade a Hungria liberando-a do domínio nazista. Para tanto. os alemães já haviam deportado 435. sem respeitar suas imunidades diplomáticas. arriscou sua vida. Frente a essa conjuntura. ele declarou no seu processo de defesa a que foi submetido por ter descumprido as ordens governamentais. Observando a tragicidade do destino de grandes contingentes populacionais marcados para morrer. Os dados registrados nos arquivos de vários institutos de pesquisa histórica sobre a missão Wallenberg durante a 2ª Guerra Mundial. Esta decisão do Ministro das Relações Exteriores da Suécia converteu-se em um decisivo sinal para iniciar a operação de salvamento. Concomitantemente. agentes ou espiões alemães convocando-os a prestar esclarecimentos sobre sua conduta. diplomata da Embaixada da Suécia sediada na Hungria foi responsável pelo salvamento de milhares de Judeus em arriscadas operações de proteção contra o exército alemão nazista que ocupou este país em março de 1944. Portugal. Aristides de Sousa Mendes é o único português portador do título “Justo entre as Nações”. Desde 1967.000. vivendo em plena cena da guerra pode certificar-se das conseqüências terríveis que pudessem advir do avanço das tropas alemães no continente europeu. Em apenas dois meses. assinando vistos a quantos lhe solicitassem. a situação dos judeus remanescentes tornou-se ainda mais perigosa tendo em vista a subida ao poder do partido Cruz de Flechas. assinou milhares de vistos para fugitivos judeus. Souza Mendes ignorou as circulares governamentais passando a desrespeitálas. Wallenberg tentou negociar o destino dos judeus internados no “Gueto Internacional” e no “Gueto Principal da cidade de Budapest” argumentando que os primeiros tinham proteção do governo sueco enquanto portadores dos “passaporte de proteção” e os demais como refugiados de guerra ou/e apátridas dado o confisco de seus documentos pelos nazistas. sua mãe. Wallenberg teve apoio de diplomáticos de outros países. Em 1954. concedido pelo Yad Vashem de Jerusalém. também foram alvo de sua atividade de salvamento os judeus já embarcados em trens que se dirigiam à Auschwitz ou a campos de trabalho forçado que possuíam “passaporte de proteção”. a Embaixada da Suécia propôs emitir passaportes aos judeus húngaros que tivessem alguma vinculação com cidadãos suecos. Os soviéticos suspeitavam ser Wallenberg e os demais diplomatas suecos em Budapest. declaradamente antissemita e aliado dos nazistas. Em sua lápide foi inscrita uma passagem da Torá (Bíblia judaica) “Quem salva uma vida. cada vez mais. Aracy não emitia apenas os vistos. Ela protegia esses refugiados dando-lhes cobertura diplomática. ao transportar judeus no porta-malas de seu carro apesar da vigilância da Gestapo. Raoul Wallenberg perseguiu as colunas de judeus em marcha para a morte retirando aqueles que portavam os “passaportes de proteção” anteriormente expedidos e os conduziu de volta à capital. nomeando para assumir a chefia desta perigosa missão humanitária. Aracy revoltada não se intimidou e passou daí em diante a acelerar a emissão de vistos para os fugitivos judeus. entre os quais se sobressaiu Angel Sank Briz da Espanha. ou seja.000 judeus para os campos de extermínio. o que muito facilitou o estabelecimento de albergues e seus esquemas de vigilância. Até quando Portugal poderia se manter neutro? Esta era uma pergunta recorrente! E justificava sua pressa como um mandamento a ser cumprido! Quando inquirido sobre o porquê de seu comportamento. Entrevista realizada com seu filho. mas sobretudo política de resgate dos judeus húngaros. Raoul Wallenberg. Wallenberg resolveu intensificar seus esforços: durante os três meses seguintes emitiu milhares de passaportes denominados de “passaporte de proteção”(The Wallenberg‘s Passaport). contrariando as ordens expressas de Salazar. Percebeu que a rapidez na emissão dos vistos era crucial na medida que. transformara-se em a única porta de saída para o deslocamento destes refugiados tentando alcançar outros destinos fora da Europa. Grupos de voluntários se encarregaram da provisão de alimentos e atendimento médico formando uma subterrânea rede de solidariedade que ajudou a salvar os judeus aí abrigados. ele morre na mais extrema miséria. relatam que sua ação foi mais ampla: além de resgatar os judeus que compunham a Marcha da Morte. ignorando as determinações do Itamaraty. viabilizando a emissão de vistos nesses passaportes. todos os dias até a exaustão física. que as razões que o levaram a optar por tal atitude se vinculavam “à situação aflitiva de toda aquela gente que o comoveu profundamente”. como país neutro. Aristides de Souza Mendes foi considerado culpado no inquérito disciplinar tendo como pena a sua reforma compulsória com uma pensão reduzida que lhe impossibilitava sustentar sua família sendo socorrido por seu irmão e pela comunidade judaica de Lisboa. o extermínio total dos judeus da Europa. Eduardo de Carvalho Tess.da chamada “Solução Final”. Até ser afastado do cargo pelo ditador português. Da população nativa judaica sobraram apenas 200. Este foi o álibi! Paralelamente. salvando-os da morte certa se fossem enviados para os campos de concentração. salva o mundo” como reconhecimento de seus méritos. a Raoul Wallenberg. Em outubro do mesmo ano. Em janeiro de 1945. Oitenta judeus foram salvos por esta corajosa mulher aos quais se deve acrescentar muitos outros não-judeus perseguidos pelo nazismo. Aristides de Sousa Mendes. Um 35 .

Z Nativ Ediciones. Fábio – Quixote nas Trevas – o embaixador SOUZA DANTAS e os refugiados do nazismo – RJ: Record. Guerra Mundial. Nascida em 1910. seu nome está em ruas e praças de inúmeros países. Michel R. no departamento de História. 8a impressão. Condenada à morte. das famílias e dos conventos. 2004 36 . Ática. Prisioneiros de guerra alemães que retornaram das prisões soviéticas afirmaram ter visto Wallenberg e que o conheceram na prisão. Raoul Wallenberg é um dos maiores heróis daqueles tempos sombrios. essas já na condição de adultos quando descobriram sua história e identidade.& Samuel Spector (org) – Encyclopedia of the HolocaustJerusalem.grande mistério se abateu sobre o destino de Raoul Wallenberg que misteriosamente desapareceu sem deixar rastros. Segundo dados preliminares. as homenagens devidas. Quebraramlhe os ossos dos pés e das pernas. SP: Ed. 1aed. Assim. Lucy S. preferindo morrer juntos”. principalmente pelas crianças que havia salvo. seu número é significativo. resgatas pela mão de Irena Sendler. Depois da guerra.D. Ainda hoje permanece o dramático mistério! Wallenberg tem sido alvo de inúmeras manifestações de solidariedade e de admiração por seu corajoso papel no salvamento de milhares de vítimas da 2ª Guerra Mundial. Este visa identificar os inúmeros brasileiros “salvadores de judeus” que se dedicaram com afinco a buscar caminhos de salvação para minorar o terrível sofrimento dos judeus durante a 2a. REFERÊNCIAS Arendt. M. comportando-se da mesma maneira que uma anônima judia. Irena estudou na Universidade de Varsóvia. ela mesma desenterrou os frascos com os nomes das crianças. o governo sueco exigiu informações do governo soviético que. 2003 Rozett. agradecimentos e testemunhando suas heróicas ações.1986 Carneiro. foi muitas vezes entrevistada antes de morrer. Fora da órbita diplomática. após a data declarada pelo governo soviético. Como fazia? Dava-lhes um calmante e escondiaas dentro de malas. Este foi criado pelos nazistas e congregava no seu interior mais de 450 mil pessoas amontoadas em 4 kilometros quadrados. Sua modéstia era impressionante. Raul – The Destuction of European Jews – NY: Holmes & Méier Publ.1999 Bankier. “Perguntavam-me se eu lhes prometia que os filhos sobreviveriam. As mães não concebiam a idéia de se separar deles. Seu trabalho de salvamento não terminava com o resgate físico das crianças. Sua coragem e sua consciência democrática são modelo para todas as gerações e o Yad Vashem lhe outorgou merecidamente o título de “Justo entre as Nações”. Seu nome foi acolhido pela comissão do Yad Vashem de Jerusalém que a homenageou com o título de “Justo entre as Nações”. cabe uma importante menção ao nome de Irena Sendler que a partir de 1940 correu elevados riscos para levar víveres. Irena Sendler. Não obstante. ajudando as mães com conselhos e apoio. À época da invasão alemã na Polônia e a instalação do Gueto de Varsóvia. ia registrando os nomes das crianças e das famílias e dos conventos nas quais ficaram abrigadas anotando tudo em papéis que ia juntando e guardando em potes de vidro e os enterrando. sua família não acreditou nessas explicações baseando-se em informações de prisioneiros soviéticos ao afirmarem que ele ainda estaria vivo. medicamentos e roupas aos habitantes do Gueto de Varsóvia. 2000 Shoá – Enciclopedia del Holocausto –Jerusalem: E. mas Irena nada revelou. Durante anos. Como homenagem e como tributo a sua memória. R. Sua preocupação era com o registro das crianças. Sua atenção preferencial. quando sequer sabia se conseguiria sair do gueto?”.Holocausto – Crime contra a Humanidade. já exercia sua profissão atendendo os bairros pobres de Varsóvia onde viviam muitas famílias judias. 1985 Koifman.. tendo declarado que “podia ter feito mais!” Foi um exemplo de dignidade e de amor ao próximo. em sacos de batata e até de caixões que depois eram transportados pelos bombeiros ou em caminhões de lixo. a maior da Polônia. as reações eram trágicas. Irena e sua equipe de colaboradores fizeram sair do gueto de Varsóvia milhares de crianças judias que colocavam em casa de famílias polonesas e em conventos católicos. A partir destes testemunhos. Era extremamente perigosa a operação estabelecida por Irena para salvar este enorme contingente de crianças. David (org) – El Holocausto: Perpetradores -Vítimas -Testigos. em outubro de 1943. Assim o fazia para não chamar atenção dos soldados alemães. Começou a busca dos pais biológicos mas a maioria havia morrido nos campos de concentração. 1988 ---------------------. Ainda antes da 2ª Guerra Mundial. Afirmou em um de seus depoimentos que “quando propunha às famílias salvar-lhes os filhos. As que tomaram essa decisão demonstraram a maior coragem. SP: Brasiliense.2009 Davidovitch. afirmou Irena anos depois.Luiza Tucci – Anti-semitismo na Era Vargas. 2000 Marrus. aos 33 anos. dentro do projeto Arqshoá. ela dedicava às crianças trazendo alimentos e remédios às desnutridas e doentes. prestado-lhe homenagens. o futuro resgate de sua identidade passada. foi salva a caminho da execução por um soldado alemão subornado pela resistência polonesa. Hannah – Las Orígenes del Totalitarismo – Madrid: Alianza. Ao todo foram salvas cerca de 2500 crianças. Até 1943. 1988 Hilbert. A eles que sigilosamente desenvolveram importantes ações que se converteram em muitas vidas resgatadas. tendo os Estados Unidos lhe outorgado a distinção de Cidadão Honorário. confessou que ele havia sido preso e falecido na prisão em 1947. – The War Against The Jews – NY: Bantam Books. os soviéticos alegavam desconhecer seu paradeiro. quando ia visitar o Gueto para ajudar seus habitantes. Foi uma valorosa mulher! Uma ampla pesquisa está sendo realizada na USP.. tornado-se enfermeira diplomada do Departamento de Assistência Social desta cidade. Jerusalem:Magnes . somente após a morte de Stalin. – A Assustadora História do Holocausto – RJ: Ediouro. Irena Sendler usava a Estrela de David. Foi presa e torturada pela Gestapo. Tanto ela e sua equipe assim como as crianças retiradas do gueto corriam risco de vida. Que eu podia prometer.

Através da propagação de livros.EXERCÍCIOS (Questões a serem formuladas para o aluno com sugestões de respostas) Profª. culturais e políticas. de falsas estatísticas e de teorias racistas para impor a sua verdade criando um “mundo fictício” que compete com o mundo real. muitas vezes. reconhecer o perigo da proliferação das práticas racistas e totalitárias. por motivos políticos. e desenvolver uma atitude de solidariedade e capacidade de conviver com as diferenças étnicas. Esta questão poderá ser respondida a partir de um debate em classe durante o qual os alunos devem ser incentivados a dar sua opinião pessoal. No Estado totalitário pode ser observada uma dupla autoridade: do Partido e do Estado que convivem e atuam em nome da Ordem. apesar das diferenças ideológicas que os distinguem. Maria Luiza Tucci Carneiro Seguem aqui algumas sugestões de perguntas/respostas” ao professor que poderá ampliá-las discutindo junto aos seus alunos filmes. dirigido por Bob Fosse. raça. O povo acaba por viver uma verdadeira “guerra psicológica”. 2. em que o autoritarismo. O diálogo pode ser antecedido pela apresentação do filme “A Outra História Americana” que explora a história de um jovem neonazista nos EUA de hoje e proporciona a reflexão sobre o emprego da violência entre um grupo de skinhead. foram premiados com o Oscar 37 . Defina o conceito de Estado Totalitário em oposição ao conceito de Estado Democrático. No seu entorno sobrevive uma “elite paramilitar” composta de homens poderosos com qualidades demagógicas e burocráticas-organizacionais. Nazismo e Racismo . Para enriquecer esta questão. o Estado policial. tendo por base os termos da atual Constituição do seu país. 4. Tanto o Nazismo na Alemanha. (Sobre este conceito. por falta de orientação. citados na bibliografia. histórias em quadrinhos e revistas especializadas procuram impedir que outros cidadãos tomem consciência da verdade. países em conflitos no Oriente Médio e grupos partidários da extremadireita na França e Alemanha. o triunfo da vontade”. Filmes contemporâneos de ficção sobre o nazismo têm conseguido ilustrar o fascínio que o movimento nacional-socialista exerceu sobre os alemães valendo-se da idéia de espetáculo. o Estado detém o poder absoluto. com exceção dos centros de ensino gerenciados pela comunidade judaica que procura manter viva parte desta memória. O Estado Totalitário opõe-se ao Estado Democrático cujos fundamentos podem ser identificados na atual Constituição Brasileira: cidadania. Você considera importante o ensino do tema do Holocausto em sala de aula? Justifique. O Estado Republicano tem por objetivos: construir uma sociedade livre. valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. que avaliando os atos de barbárie praticados pelos nazistas teremos condições de refletir sobre o papel do Estado que deve preservar a vida do cidadão. O que você entende por “relativismo perverso”? Os adeptos do “relativismo perverso”costumam eximir a responsabilidade do regimes totalitários da responsabilidade dos crimes contra a Humanidade. Nos países de regime totalitário. Será importante o aluno comentar acerca dos seguintes itens: a conseqüência catastróficas dos regimes totalitários e das teorias racistas. apresentando imagens através de equipamentos de multimídia ou analisando textos de época em classe. de Volker Schlondorff e “Cabaret”. panfletos. Ao poder externo corresponde a ordem jurídica interna do Estado forte. Podemos afirmar que. promover o bem de todos. Solicitar aos alunos que pesquisem o texto original da atual Constituição Brasileira. idade e quaisquer outras formas de discriminação. sem preconceitos de origem. como o Stalinismo na ex-União Soviética. fábulas. de Steven Spilberg e “A Doce Vida”. Neste particular. de Alcir Lenharo “Nazismo. 3. dignidade da pessoa humana. proibindo toda e qualquer crítica ao regime. é que tais temas . Autores e professores (não-judeus) sempre se esquivaram deste debate e. justa e solidária. a importância de estudarmos o passado para evitarmos que crimes como o Holocausto sejam praticados contra a Humanidade. um agente de forças superiores. O III Reich pode ser considerado como a expressão máxima de um Estado totalitário. os discursos de Hitler e dos seus generais são verdadeiros “modelos de propaganda”. empregando a violência para assustar o povo. liberdade de expressão. pluralismo político. A hierarquia é rígida obedecendo o grau de militância dos seus membros. as massas são cooptadas por meio da propaganda e pelo terror. As respostas poderão ser ampliadas tendo como base as informações e análises aqui sugeridas: 1. o Führer) é apresentado como infalível. Como você situa o Brasil no debate sobre o Holocausto? É possível afirmar que “vivemos um eterno relativismo perverso”. são exemplos-padrão para os estudos sobre totalitarismo.como “A Lista de Schindler”. Totalitarismo pode ser entendido como um sistema de governo característico do século XX. É com esta intenção que os grupos de extrema-direita (como os neonazistas e os revisionistas) procuram banalizar o sofrimento dos povos calcados em falsas comparações estatísticas e históricas apresentando grandes dramas humanos (como o Holocausto) como “mero detalhe” ou “um mal menor”. Dentre estes filmes cabe lembrar “O Tambor”. Vale-se de uma pseudo-ciência. reduzir as desigualdades sociais e regionais. Neste caso. sofrendo ameaças.Holocausto. de Roberto Begnini. erradicar a pobreza e a marginalização. sagrado. Funciona como se fosse uma sociedade secreta mantida por uma Policia que é o principal braço repressor do Estado. Parte da população brasileira só tomou ciência dos fatos quando filmes -. o racismo e o anti-semitismo são encarados com grande benevolência? O tema do Holocausto é raramente debatido e estudado nas escolas estaduais e particulares. o professor pode debater com os alunos a situação vivenciada pelos negros no Brasil e nos Estados Unidos. Antes dos alunos responderem o questionário. tentam minimizar a catástrofe do Holocausto distorcendo os fatos. somente nesta última década. o professor poderá traçar comentários sugerindo novos conhecimentos e reflexões possíveis. o professor pode consultar a clássica obra de Hannah Arendt “O Sistema Totalitário”. Muitas vezes. países governados por uma democracia). cor.mereceram espaço especial junto aos livros didáticos. O chefe (no caso. Drª.

alegria e felicidade. vasculharam os arquivos secretos do extinto Reich. desde o final do século XIX. exigiram a diversificação dos campos de prisioneiros: campos de trabalhos forçados. lembrando a figura de Judas que segura as moedas que recebeu pela traição de Cristo. . fossem “reais ou imaginários”. vermes e serpentes viscosas. Confinada ao lar é apresentada como a fiel companheira do homem. campos para poloneses. Uma destas obras Holocausto: judeu ou alemão ? esteve entre os livros de não-ficção mais vendidos em novembro de 1987. os negros e os mulatos como “raças inferiores”. Obras anti-semitas. Castan chegou a publicar várias obras que tratam o Holocausto como a maior mentira do século. Esteticamente irradiam beleza. comunistas. As figuras das mulheres arianas (consideradas como as guardiãs da raça ariana) são perfeitas. do processo de Eichmann (julgado em Israel em 1961) e de pesquisas acadêmicas que. Valendo-se de elementos retirados da realidade. Os posters. Através das imagens reproduzidas por sofisticadas técnicas. os judeus são representados através de “traços negativos” que expressam a ideia de malignidade que lhes era atribuída pelo regime. Podemos lembrar aqui. físico proporcional. Durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945) vigoraram circulares secretas proibindo a entrada dos judeus e ciganos refugiados do nazismo. “O Anti-semitismo na Era Vargas”. animais perigosos. estes artefatos visuais se prestavam para influenciar a opinião pública colaborando para a sustentação de uma “estética nazista”. as fotografias impressas e os cartões –postais nazistas devem ser avaliados como representações visuais capazes de condensar uma síntese das principais idéias defendidas pelo regime. Os arianos. Nada disto era fortuito. se não avaliarmos o papel da propaganda. onde a comunhão entre o povo (ariano) e o Führer são divinos. são gordos e barrigudos representando a figura do capitalista. os guetos e os campos como “espaços da exclusão e da morte premeditada”. podemos identificar aqueles que foram “eleitos”pelo regime nazista para representar o belo. campos de concentração e campos de extermínio. cores e símbolos adotados pelo serviço de propaganda do Reich. por sua vez. Israel. Tais imagens se prestavam para justificar a prática da eutanásia e do extermínio. No Rio Grande do Sul. limitada à condição de “reprodutora de novos arianos”. negros e homossexuais. 1933. Raras são as pesquisas realizadas por historiadores brasileiros que tratam da nossa realidade racial e do passado racista do Brasil. o professor deve orientá-lo na observação dos cartazes e postais antissemitas que documentam este livro sobre Holocausto. acompanhada pelo avanço das tropas alemãs em direção ao Leste europeu. A instalação dos “campos da morte” inauguraram uma nova fase da metódica eliminação dos judeus na Europa. panfletos e propaganda racista circulam pela Internet (ainda que proibido por lei) propondo a morte de judeus. possibilitou a abertura dos primeiros campos de concentração que tinham como principal objetivo ‘eliminar os inimigos internos do regime. de propriedade de S. assumem o perfil de cidadãos “iluminados” envolvidos por signos nazistas. campos para prisioneiros de guerra. Nestas imagens os judeus têm o nariz adunco. Em outras situações. ambos desta autora) 5. dirigido por Goebbels. de Leni Riefenstal. Além destes existiam outros campos com especificidades próprias: campos de trânsito.E. saudáveis. explorador. a lei para a proteção do povo e do Estado. Yad Vashem. os álbuns de figurinhas.em 1994 e 1998. repelentes. Vale lembrar que. Os homens igualam-se aos heróis. o cigano). campos penais. homossexuais. Podemos afirmar que havia uma tipologia para os campos ? Você vê diferença entre campos de concentração e campos de extermínio? É impossível estudarmos o Holocausto enquanto fenômeno político. São jovens ingênuos. o puro. ávido de lucros. Testemunhas de Jeová. expressando altivez. 38 . Assim temos: Judeus Escoltados pela SA. nestas últimas décadas. Grande parte dos conhecimentos que temos do funcionamento deste aparato foram extraídos dos processos do julgamento de Nuremberg. Quais seriam as principais diferenças entre as imagens veiculadas sobre os judeus e os arianos na Alemanha nazista ? Observação: antes do aluno responder esta questão. dignos de respeito e confiança. campos para prisioneiros civis. saúde. ciganos. Nestes materiais de propaganda. a Editora Revisão. a perfeição (o ariano) em contraposição com o feio. Sua imagem vem sempre ligada ao dinheiro. pois um dos objetivos dos antissemitas é de identificá-los com seres inumanos. “O racismo na História do Brasil: Mito e Realidade”. olhos de ave de rapina. coragem e bravura. doentes mentais e físicos). de Pierre Vidal-Naquet. 6. (O professor pode ampliar suas leituras acerca deste tema lendo algumas obras básicas como: “Os Assassinos da Memória”. Algumas expressões fisionômicas se repetem com o objetivo de produzir no “leitor” um sentimento de aversão e ódio. A ideologia eliminacionista do Reich e as necessidades econômicas decorrentes de uma situação de guerra. a Polícia enquanto agente do terror . sua figura é animalizada tomando a forma de vampiros. louras de olhos azuis. o governo e intelectuais brasileiros discriminavam os japoneses. algumas cenas do filme O Triunfo da Vontade e Olympia. Em 28 de fevereiro de 1933. ao lucro fácil. Avaliar os personagens. A instalação destes campos acompanha as diferentes fases de perseguição aos “inimigos do regime” (judeus. o degenerado (o judeu. o perigoso.

Treblinka II(para onde foram os judeus do gueto de Varsóvia). Varsóvia (1940). Transilvânia e Frankfurt.inicialmente. Outras rebeliões foram registradas nos guetos de Minsk. 2ª etapa: 1939-1941 Campos de trabalho: já existiam na 1ª fase. passaram a ser empregadas câmaras de gás que tinham aparência de banheiro coletivo. Kovno e Zetl Campos de extermínio: às categorias identificadas nas fases anteriores somaram-se os campos de extermínio: Chelmno (1942: iniciou o extermínio dos judeus de parte da Polônia anexada pelo Reich). Heydrich ordenou que os judeus fossem reagrupados nos grandes centros ferroviários e ali concentrados nos guetos. Fossoli e Bolzono (norte da Itália). Discutir com os alunos o item “O aparato institucionalizado do terror: etapas da perseguição”. de extermínio. Deveriam construir fortificações para garantir uma infra-estrutura para a invasão alemã na ex-União Soviética. Columbia Haus (Berlim). 39 . diretor da WVHA. Guetos: Bairros fechados e reservados especilamente para os judeus. invadida pelos alemães em 1º de setembro de 1939. Vilna. foram criados campos de trabalho forçado para judeus. transformou-se no laboratório da “Solução final”. mas a tendência se acentou após 1942. -Os judeus eram exterminados. Campos para poloneses: criados durante o confronto com a Polônia em setembro de 1938. anarquistas. Oswald Pohl. Transilvânia e Frankfurt. Número de presos entre 1933-1939: cerca de 165 mil a 170 mil Supervisão: Dachau e Columbia Haus estavam sob a supervisão da AS que tinha Himmler como seu comandante. na 2ª etapa da guerra que exigia a abertura de estradas. nas proximidades da fronteira soviética. Ravesnsbrück (campo feminino) e Mauthausen. comunistas e seus simpatizantes. Um mês após a invasão da Polônia. Vilna. Lodz (1940). Em abril de 1943 ocorreu a rebelião do gueto de Varsóvia. Outros campos: Theresienstadt. Berlim. Belzec (para onde foram transportados os judeus de Lublin e Lvov). Letônia. homossexuais. O mesmo acontecendo nos campos para prisioneiros civis e campos de trânsito. Campos de trânsito na Europa ocidental e meridional para onde foram transladados milhares de judeus: Drancy (França). Em 1944. -Grupos de prisioneiros distintos: os Aussenkommando (levados para trabalhar fora dos campos cuidando da abertura e preservação de estradas. Algumas cenas do filme A Lista de Schindler podem ser avaliadas prestandose para os alunos observarem como os judeus eram empregados nas indústrias que serviam ao Estado e aos industriais nazistas. prestou-se como matriz para os demais campos). Há registros de revoltas nos campos de extermínio de Kruszyna. Treblinka e Auschwitz. Minsk-Mazowiwcki. Após a invasão da Polônia pelos alemães. social-democratas. Kyrchów. trincheiras e aeroportos) e os Firmenlanger (trabalhavam nos campos de empresas encarregadas de produzir material bélico). A Polônia. Outros morriam de fome. posteriormente. sendo Pruszkow o principal deles. Posteriormente. começaram a ser praticados. Outros campos: Lublin-Majdanek. Assassinatos esporádicos e.obra dos territórios ocupados. Oranienburg. Sobibor. morrendo por asfixiamento. etc. ciganos. Dados complementares Categoria dos presos: judeus. doenças e desespero. uma grande número de guetos foram alí construídos em: Pietskow (1939).Etapas da Perseguição 1ª etapa: 1933-1938 Categoria e identificação Campos de concentração: Dachau (criado em 1933. Königswusterhausen. alimentos e roupas para os soldados. Auschwitz-Birkenau (principal local de extermínio). foi encarregado de administrar os prisioneiros dos campos de concentração. Os Eizatzgruppen cuidaram dessa operação. Quednau. Westerbork (Holanda) e Breendonck (Bélgica). Letônia. Os demais campos foram assumidos pela SS. Bornim. Ali eram alojados cidadãos poloneses e prisioneiros de guerra que seriam deportados para a Alemanha. em caminhões a gás. Campos de concentração: passaram por uma reformulação em decorrência da política anti-semita e da situação de guerra. Entre 1940-1941. Kovno. Deveriam fazer uso da infra-estrutura e da mão-de. Hammerstein. 3ª fase: 1941-1945 Observação: o professor deverá orientar os alunos a observarem um mapa que identificando os locais de massacre (direção a leste) e os campos de extermínio. Sobibor. Kovno. Sugerir-lhes a montagem de um quadro seguindo o exemplo acima. fabricação de material bélico. Berlim. Após 1941 foram construídos na Estônia para onde levados os judeus dos campos de Theresienstadt. cerca de 13 campos de trânsito foram construídos em Varsóvia.

Aliás. homens comuns. Segundo a terminologia nazista. assumindo o cargo de “zelador de todo o treinamento e educação intelectual e espiritual do partido e das associações coordenadas”” . Hitler. Caso o professor queira ter maiores informações sobre este texto deverá consultar a obra “Europa Saqueada”. de Lynn H. raciais e ideológicos) deveriam ser eliminados. a vontade do Führer. poderão ser mostrados para os alunos abrindo o debate para esta questão. ARTE e ESTADO constituíram um trinômio inseparável no ideário nazista. Em 1914. foi o elemento detonador de uma mentalidade antissemita pré-existente. Conseguiu seguidores por toda a Europa e países da América. Nicholas. discussão que ganhou forças após o lançamento do livro Os Carrascos Voluntários de Hitler. comunistas. Com a ascensão dos nacionais-socialistas ao poder. comunistas. médicos. Estes mesmos critérios (de raça pura/superior e impura/ inferior) foi aplicada à arte. a um grupo de homens. Em 1913. o III Reich “estetizou” a vida alemã. especificamente. podemos definir o Holocausto como o produto de uma mente maquiavélica e calculista que. obtidas de textos médicos. neste caso. bela. a “culpabilidade” é um dos temas mais debatido nestes últimos anos. irresponsável pelos seus atos. Que papel tiveram os membros da SS na execução da “Solução Final” nos campos de extermínio? A questão da “Solução Final” não deve ser atribuída. Qual a relação deles com o programa de arianização idealizado pelo Reich? Um dos principais slogans anti-semitas do III Reich era o de construir uma Alemanha “limpa de judeus”. o antissemitismo deixaria de existir. Theodor Herzl fundou na Europa um movimento nacionalista judaico que tinha por objetivo o restabelecimento de um Lar Judaico na Palestina. galerias foram fechadas. POVO. Até novembro de 1941. Verdades sobre as raças puras e as raças inferiores” foram “construídas” com o apoio de cientistas. Explicações convencionais procuram mostrar que os alemães (enquanto coletividade nacional) adotaram posições neutras ou condenatória em relação ao genocídio. A tese defendida por Goldhagen é de que o Holocausto foi compartilhado pela maioria do povo alemão que não se limitou apenas a assistir o espetáculo do horror. sem degenerações de qualquer espécie (ideológicas. Munch e Picasso estavam entre as obras “expurgadas”. ciganos. A idéia de Herzl era de que. os homossexuais. Paul Schultze-Naumberg publicou o livro Arte e Raça. Importante papel tiveram os médicos e cientistas conhecidos como os “anjos da morte”. de Daniel Goldhagen (ver bibliografia citada). O destino dos tesouros artísticos europeus no Terceiro Reich e na Segunda Guerra Mundial. Slides das pinturas de Picasso. Alfred Rosenberg. fazendo valer a “vontade autoritária”. alegavam que estavam apenas “cumprindo ordens”. a partir do momento em que os judeus tivessem um lar próprio. selecionar e exterminar os cidadãos indesejáveis foram criados institutos de pesquisa e uma polícia especial. mas “limpa” de tudo que pudesse comprometer o projeto de arianização da Alemanha cujo povo deveria ser formado por elementos representativos de uma raça pura. controlada por Himmler e seu auxiliar Heydrich. eram colocadas lado a lado com pinturas e esculturas modernas. Em 1928. Van Gogh e outros. A SS. acusados de crimes contra a Humanidade. Muitos preferiram deixar a Alemanha pois sequer podiam comprar tintas e pincéis. espalhou o ódio contra judeus. Com a 40 . o ex-teórico da arte. chegaram a clamar por uma “depuração da arte” . as Testemunhas de Jeová. esses comandos haviam assassinado cerca de meio milhão de judeus. raciais. foram mobilizados pelo regime aderindo ao programa de extermínio. O extermínio de seis milhões de judeus foi decidido e executado por Hitler e seus homens (além de homens comuns do povo) entre 1939-1944. educadores e filósofos. Este se tornou vitorioso em 1948 com a criação do Estado de Israel. subsidiada pelo aparelho burocrático do Estado. 8. Essas ideias foram se tornando mais extremadas à medida que o movimento nazista ganhava forças. A partir de um projeto de arianização. Aqueles que apresentassem desvios (leia-se aqui “defeitos” morais. de gênere e culturais). os deficientes físicos e mentais. Críticos de arte. perfeito. também se proibia o jazz e a pintura moderna. Artistas “degenerados” perderam os seus cargos. 9. Coleções valiosas de obras confiscadas iam sendo empilhadas no Holfburg e no Kunsthistorisches Museum. Deu-se início a um programa de “purificação da arte” que corria paralelo ao “programa de purificação da raça”. Cézanne. estes homens (inferiores) formavam uma categoria biológica e cultural de sub-homens (os Untermenschen). Muitos daqueles que foram julgados no Tribunal de Nuremberg. Entre os indesejáveis (inimigos do regime) estavam: os judeus. contrários à arte impressionista. em que fotografias de pessoas doentes e deformadas. A Alemanha queria ser uma bloco coeso. São Paulo: Companhia das letras. O tratamento de “patológica” dado à arte moderna não foi uma invenção do nazismo.7. Não apenas de judeus. que “serviam à Pátria alemã”. 1996). a arte entrou em voga. Os comandantes da polícia política (os Eisatzgruppen) colocaram em execução as ordens recebidas de Heydrich. Qual a relação que pode ser feita entre a Shoah e a criação do Estado de Israel ? No final do século XIX. além do cidadão comum que foi cooptado pelo regime. Pilhagem e destruição marcou esta investida nazista contra objetos e pessoas. Explicavam que cabia aos membros da hierarquia nazista as “ordens”para a matança. ciganos e outras minorias. Dezenas de outros cidadãos. perfeita. resultantes de uma degeneração (um desvio). obras confiscadas e museus reformulados. tornouse cabeça intelectual do partido. Persistia o sentimento de que a multidão e a cultura alemãs deveriam formar um todo único. As obras de Matisse. Estes estavam divididos em dois grupos distintos: Wafen SS (que atuavam como divisões militares de guerra) e os Einsatztruppen (comandos especiais responsáveis pela execução da política de extermínio na Rússia ocupada e pela segurança dos campos de concentração). ideia pregada por intelectuais desde o século XIX. Van Gogh. O debate não era exclusivo da Alemanha: aconteceu em outros países que julgavam os artistas “degenerados” como produtos do liberalismo. o tema foi discutido no Reichstag e o parlamento aprovou uma resolução contra a “degeneração”da arte.Da mesma forma como se proibiam casamentos entre judeus e arianos. Matisse. Assim. Dois conceitos foram amplamente explorados pelo nazistas: o de raça degenerada e arte degenerada. foi realmente o maior braço de repressão do regime. sem desvios. um jornal alemão já havia classificado as obras de Kandinsky como “um sólido emaranhado de linhas” e o próprio artista como um “pintor insano”. Para avaliar.

Persistia nesta época a Política do Livro Branco que limitava a entrada de judeus na Palestina. Meses mais tarde. inclusive no Brasil. Paulo noticiou que “cerca de 600 jovens neonazistas desfilaram pela primeira fez. espaços de trabalho (fábricas. levados por outros meios.considerados como grupo de violência . 11. As cabeças raspadas compõem o seu visual. como aconteceu com o navio Êxodus em 1947. presidente da ala neonazista do Partido Nacional Democrático.). balneários) e espaços de educação (colégios) . Qual a similaridade das idéias defendidas por esses grupos com os princípios sustentados pelos nazistas nos anos 1930 e 1940 na Alemanha ? No dia 31 de janeiro de 2000. ciganos). decidiu por infringir as diretrizes dos Livros Brancos incentivando a imigração ilegal em massa para Eretz Israel. Têm seguidores em várias partes do mundo.defendem. 10. expressando seu ódio contra negros. confirmado pela maioria de dois terços na Assembléia Geral das Nações Unidas. os neonazistas portavam bandeiras imperiais alemãs e vestiam roupas pretas compondo uma “estética nazista”. oficinas. Seria interessante que. o jornal Folha de S. estrela-de-davi. Têm profanado cemitérios judaicos. . Alimentam seus seguidores distribuindo um farto material de propaganda racista e política que circula através da Internet. arrolados algumas elementos à serem observados como por exemplo: . selecionar alguns dos filmes para serem debatidos em classe. Entre o final da guerra e a criação do Estado de Israel (1948) uma imensa corrente emigratória Ilegal) se intensificou levando refugiados judeus até a “terra prometida”. a sacralização do Führer. 41 . A partilha da Palestina foi.Se a moral nazista e o discurso antissemita se fazem presentes nos diálogos. catálogos e fanzines (revistas produzidas manualmente). cinemas. Os neonazistas -. A agência clandestina Mossad Aliya Beit conseguiu fazer chegarem à Palestina cerca de 70. Você certamente já ouviu falar dos neonazistas. Em 1939. Prevendo um período transitório de 5 anos. etc). campos de concentração.ascensão de Hitler ao poder em 1933 e com o incremento da política anti-semita pelo Reich. campos de trabalho). uso de símbolos (suástica. Você já assistiu a algum filme sobre o Holocausto? Qual? Comente a respeito. hinos. o governo britânico limitou a imigração judaica e a aquisição de terras na Palestina. chefes nazistas.País ou cidade onde se desenvolve o filme procurando observar os diferentes espaços de segregação (guetos. Caberá ao professor. incendiado ambientes e pessoas consideradas como “indesejáveis”. indumentária dos diferentes grupos (SS. águia. Durante o ato de protesto. onde fazem ecoar as clássicas saudações nazistas: Heil Hitler! e Sieg Heil! Hitler é considerado o seu líder espiritual enquanto que seus atos são valorizados como expressão de heroísmo. um regime de mandato era estreitamente fundamentado na cooperação entre as autoridades britânicas e o movimento sionista. Adotam o nazismo e a Ku Klux Klan como modelos.000. mendigos e homossexuais. Londres decidiu encerrar o mandato e preparar o país para a independência. Até então. a figura do cidadão “ariano” e do cidadão “judeu”. foram conduzidos através deste portão que ficou fechado quase 50 anos.No caso de documentários observar o uso de luz e sombra. desde a Segunda Guerra Mundial. os judeus alemães perseguidos pelo nazismo – e adeptos da idéia de terem um lar em terras da Palestina – começaram a procurar refúgio na Terra de Israel (Eretz Israel). como os nazistas a supremacia da raça ariana. prisões militares. disse que esse projeto é “uma mancha indesejável na capital do Reich”. cenas de exaltação à Alemanha. . O grupo sionista mais radical liderado por Davi Bem Gurion. finalmente. espaços de lazer (praças públicas. Udo Voigt. O Livro Branco marcou o início da luta final pela formação de um Lar Nacional Judaico na Palestina e devem ser vistos como símbolo das restrições impostas pelos ingleses à emigração judaica durante a Segunda Guerra. antes da exibição. O comportamento e as idéias do neonazistas americanos poderão ser avaliadas através de um debate acerca do filme A Outra História Americana. nasceria o Estado de Israel. de forma a não alterar essa proporção. em conjunto com seus alunos e direção da escola. em 29 de novembro de 1948. tendo por base os índices demográficos do momento: 2/3 de árabes e 1/3 de judeus. AS.Reconstituição dos cenários da época (1933-1950): residências dos nazistas e dos judeus. judeus. num protesto contra um monumento em homenagem aos judeus mortos no Holocausto (futuro Memorial do Holocausto). Só foi reaberto após a queda do Muro de Berlim e o processo de reunificação do país. Vale ressaltar que diversos desfiles organizados pelo Partido nazista entre 1933-1945. judeus. A grande fuga dos judeus perseguidos pelos nazistas precipitou o fim desta política sustentada pelos ingleses. etc. Vários navios eram aprisionados com sobreviventes dos campos de concentração à bordo.000 pessoas que se somaram a outros 13. Organismos e comitês judaicos internacionais tentavam apoiar aqueles que estavam interessados em emigrar para a Palestina. proposta por um projeto encaminhado em 1º de setembro de 1947 pela Comissão de Inquérito das Nações Unidas (UNSCOP). através do Portão de Brandembrugo (Arco do século XVIII e o maior símbolo da nação alemã) em Berlim. além de portarem suásticas tatuadas no corpo.

Israel 42 .sobrevivente) Depois de uma tempestade no mar. SP Buchenwald. giz de cera. fornos crematórios. Israel Anna Flachová (26/11/1931 . Yad Vashem.22/10/1944) Feira. Yad Vashem. Yad Vashem. aquarela. Israel Ruth Reinová (19/02/1931 . Israel Deportação de judeus para os campos.Momentos antes da Câmara de Gás. Israel Desembarque de judeus para campo de concentração Yad Vashem. Museu Lasar Segall. Yad Vashem.

que muitas vezes é marcado por culto de personalidade. Massacre de Ruanda: Em Ruanda.“eikon” significa imagem e “graphia” significa escrita. na África. A guarda presidencial. religiosas e (por vezes) políticas. Foi promovido pela cúpula do partido também conhecido como partido (1915-1917). Tornou-se guia ideológico e de ação que até hoje influencia neonazistas e é chamado de “Bíblia Nazista”. a vigilância em massa e o disseminado o uso do terrorismo de Estado. exterminando deliberadamente. Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano). Antissemitismo: Preconceito ou hostilidade contra judeus baseada em ódio contra seu histórico étnico.GLOSSÁRIO Adolph Hitler: (1889-1945) Líder político alemão nascido em (Braunnau-Austria). facção ou classe. Mein Kampf (Minha Luta): Título do livro de dois volumes de autoria de Adolf Hitler.ª Guerra Mundial (19391945) promovendo o extermínio de cerca de 6 milhões de judeus. Xenofobia: Medo irracional. de pessoas ou populações. embora nascido em 1920. é amplamente utilizado na Alemanha Nazi. Genocídio Armênio: governista Ittihad dos Jovens Turcos deportação forçada origem armênia. poder instituído (ou constituído) ou decisão coletiva. e adotada pelo governo (1933 a 1945). com controle sobre a economia. nacionais. Foi a guerra mais abrangente da história. político. teve como sistema de governo o modelo parlamentarista democrático. parte do exército e muitos esquadrões da morte perseguiram. Após seis meses de negociações em Paris. Seu principal ponto determinava que a Alemanha aceitasse todas as responsabilidades por causar a guerra e que. doutrina totalitária desenvolvida por Benito Mussolini (1919) e o nazismo alemão. causando matança e de mais de um milhão de pessoas de Primeira Guerra Mundial: Com início do século XX. o tratado foi assinado como continuação do armistício de Novembro de 1918. logo “escrita da imagem”. aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros. Judaísmo: Nome dado à religião do povo judeu. negros. Arianismo: teoria nazista que afirmava a superioridade do povo ariano como suposta raça pura. primando sempre pela “raça pura ariana”. em muitos aspectos emulando a primeira. agressão e desenho de eliminar a sua presença para assegurar uma suposta pureza. Shoah: Corresponde à palavra holocausto em hebraico. encerrando oficialmente a Primeira Guerra Mundial. Pode manifestar-se de várias formas. a regulação e restrição da expressão. Regimes autoritários: Forma de governo caracterizada pela ênfase na autoridade do Estado em uma república ou união. Exposição iconográfica representa a exibição em forma de linguagem que agrega imagens na representação de determinado tema. República de Weimar: Instaurada na Alemanha após a Primeira Guerra Mundial. que tinha posto fim aos confrontos. Os regimes ou movimentos totalitários mantêm o poder político através de propaganda abrangente divulgada por meios de comunicação controlados pelo Estado com partido único. Terceiro Reich: Nome do período do governo estabelecidou na Alemanha (1933-1945) liderada por Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP). muito frequente em regimes autoritários e totalitários. Império Russo (até 1917) e Estados Unidos (a partir de 1917) que derrotou a Tríplice Aliança (liderada pelo Império Alemão. Em 1994. o presidente hutu Habyarimana foi morto. não reconhece limites à sua autoridade e se esforça para regulamentar todos os aspectos da vida pública e privada. Grupos Neonazistas: Associado ao resgate do nazismo tem suas origens assentadas na intolerância e em preceitos racistas. Imigação: Movimento de entrada. como homossexuais e outros não-heterossexuais ou não-cisgêneros. Os seguidores da doutrina promovem discriminação contra minorias e grupos específicos. Genocídio: Assassinato deliberado de pessoas motivado por diferenças étnicas. o avanço do capitalismo provocou uma disputa por novas áreas e mercados. Os indivíduos e grupos que optam pela dissidência são denominados dissidentes políticos. há dois grupos étnicos: a maioria hutu e o grupo minoritário de tutsis. caracterizado pelo uso do abuso de poder e da autoridade confundindo-se com o despotismo. Normalmente o conceito de direitos humanos engloba a liberdade de pensamento e de expressão. judeus e comunistas (bem como outras correntes políticoideológicas correlatas à esquerda política). Itália e Japão). o fascismo italiano. a mais antiga das três principais religiões monoteístas (as outras duas são o cristianismo e o islamismo). raciais. em Compiègne. incluindo o medo de perda de identidade. cultural ou religioso. Regimes totalitários: Sistema político em que o Estado. é a ideologia praticada pelo Partido Nazista da Alemanha. entre a Tríplice Entente (liderada pelo Império Britânico. racialistas. envolvendo todas as grandes potências – organizadas em duas alianças militares opostas: os Aliados (Império Britânico. ameríndios. quase um milhão de tutsis. nacionalistas e socialistas. além da igualdade perante a lei. sobre suas idéias anti-semitas. Instituiu na Alemanha o regime ditatorial nazista. Tratado de Versalhes: Tratado de paz assinado pelas potências europeias em 1919. com mais de 100 milhões de militares mobilizados. Segunda Guerra Mundial: Conflito militar global (19391945). sob os termos dos artigos 231-247. União Soviética e Estados Unidos) e o Eixo(Alemanha. liderando a 2. França. É sistema político controlado por legisladores não eleitos que usualmente permitem algum grau de liberdade individual. Direitos Humanos: São direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos. 43 . fizesse reparações a um certo número de nações da Tríplice Entente. de um país para outro. normalmente sob o controle de uma pessoa. formulada por Adolf Hitler. Dissidentes Políticos: Dissidência é o ato de discordar de uma política oficial. significando cremação dos corpos. adotadas pelo partido nazista. com ânimo permanente ou temporário e com a intenção de trabalho e/ou residência. França. Nazismo: Conhecido oficialmente na Alemanha como nacional-socialismo. A partir do século XIX passou a designar grandes massacres e após a Segunda Guerra Mundial foi utilizado especificamente para referirse ao extermínio de milhões de pessoas que compunham grupos politicamente indesejados pelo regime nazista. O Presidente da República nomeava chanceler que seria responsável pelo poder Executivo. Exposição Iconográfica: O termo “Iconografia” provém do grego . culminando no colapso de quatro impérios e mudando de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. Nazifascismo: Termo que designa em conjunto. O poder Legislativo era constituído por parlamento (Reichstag). A disputa pela hegemonia do continente causou grande guerra chamada Primeira Guerra Mundial. Pode ser definido como comportamento em que instituição ou pessoa se excede no exercício da autoridade que lhe foi investida. que.

gov. Embaixador Ivan Jancárek.abdv. Claudio Lottenberg. Agradecimentos Abraham Goldstein. Carmem Gramacho. Patrícia Lima Pederiva.br Realização Co-Realização Embaixada da República Tcheca Patrocínio Apoio Parceria Educativa Produção Secretaria de Estado de Educação . Rachel Becher. Natanry Osorio. Leo Vinovezky. Pereira e Luiz H. Flávia Santos. Jessica Paiva. Marcelo Vieira Walsh. Oliveira.ECCO Direção e Coodernação Geral Diva Maria Osorio Camargo Curadoria Karla Osorio Netto Coordenação Ivan Aires Produção Giselle Queiroz Ricardo Caldeira Equipe de Agendamento e Suporte Elizete Campos Melissa Resende Equipe de Apoio e Manutenção Abgail Sousa Meneses Edson Santos Equipe de Montagem Eduardo dos Santos Francisco Bento da Silva Rubens de Oliveira Teodoro Silva Vicente Pires Administração Cláudia Alves Domingos Lacerda Júnior Vilany Batista Programa ECCO Educativo Concepção de Conteúdo do Educativo Maria Luiza Tucci Carneiro Autores Colaboradores Helena Lewin Marcelo Vieira Walsh Silvana Feitosa Silvia Rosa Nossek Lerner Túlio Chaves Novaes Consultoria Ana Beatriz Goldstein Diretora da CAL – DEX/UnB Ana Queiroz Coordenadora Pedagógica da CAL – DEX/UnB Ariane Abrunhosa Supervisão Ana Cristina Caracol Mediadores Daniel Muniz. Janaina Botelho Jeremias Barros. Fábio Balestro. Sr. José Geraldo de Sousa Jr.FICHA TÉCNICA Comissão Organizadora da Jornada . Impressão em Braile na ABDV www.. Gicia Falcão. Adilson Cesár de Araújo. Embaixador Giora Becher. Mônica Vinovezky.Brasília Abraham Goldstein (B’nai B’rith do Brasil) Karla Osorio Netto (ECCO) Maria Luiza Tucci Carneiro (LEER/USP) Espaço Cultural Contemporâneo . Lunare G. Kanda Nehgme. Joe Valle. Jaime Spitzcovsky (CONIB). Renata Machado Roberta Zrycki e Wilder Santos. Regina Vinhaes Gracindo.

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