P. 1
APRENDIZAGEM E RELACIONAMENTO PARA ALÉM DA SALA DE AULA CONVENCIONAL – RELATO DE EXPERIÊNCIA - ISSN 2237/8693

APRENDIZAGEM E RELACIONAMENTO PARA ALÉM DA SALA DE AULA CONVENCIONAL – RELATO DE EXPERIÊNCIA - ISSN 2237/8693

|Views: 199|Likes:
Publicado poralexandre_silva9643
No presente artigo apresentamos relato de experiência acerca de uma pesquisa qualitativa on-line numa abordagem de estudo de caso acerca da utilização de ferramentas tecnológicas como suporte para estratégias de flexibilização de espaços educativos num curso de educação profissional do SENAI. Nesse sentido, buscou-se as premissas metodológicas do SENAI para formação profissional com base em competências, bem como refletir sobre como a entidade, a partir de documentos institucionais, está sintonizada com as mudanças paradigmáticas na educação, reconhecendo os novos cenários e posturas necessárias frente ao advento e imersão das novas tecnologias da informação e comunicação para a (re)construção de saberes, buscando enxergar as pessoas, muito além de meros profissionais, mas sujeitos capazes em sua essência de ressignificar o contexto no qual estão inseridos, promovendo assim o crescimento pessoal e com isso a valorização do potencial humano existente em nossa instituição de ensino profissional. Os resultados de nossa pesquisa apontam que a flexibilização de espaços educativos contribui de forma significativa para o aprendizado dos alunos, assim como estratégia para estreitar o relacionamento entre professor e alunos. A partir desta pesquisa, foi possível identificar diferentes formas de utilizar as atuais tecnologias disponíveis para fins educacionais, que podem ser abordadas em novas pesquisas.
No presente artigo apresentamos relato de experiência acerca de uma pesquisa qualitativa on-line numa abordagem de estudo de caso acerca da utilização de ferramentas tecnológicas como suporte para estratégias de flexibilização de espaços educativos num curso de educação profissional do SENAI. Nesse sentido, buscou-se as premissas metodológicas do SENAI para formação profissional com base em competências, bem como refletir sobre como a entidade, a partir de documentos institucionais, está sintonizada com as mudanças paradigmáticas na educação, reconhecendo os novos cenários e posturas necessárias frente ao advento e imersão das novas tecnologias da informação e comunicação para a (re)construção de saberes, buscando enxergar as pessoas, muito além de meros profissionais, mas sujeitos capazes em sua essência de ressignificar o contexto no qual estão inseridos, promovendo assim o crescimento pessoal e com isso a valorização do potencial humano existente em nossa instituição de ensino profissional. Os resultados de nossa pesquisa apontam que a flexibilização de espaços educativos contribui de forma significativa para o aprendizado dos alunos, assim como estratégia para estreitar o relacionamento entre professor e alunos. A partir desta pesquisa, foi possível identificar diferentes formas de utilizar as atuais tecnologias disponíveis para fins educacionais, que podem ser abordadas em novas pesquisas.

More info:

Published by: alexandre_silva9643 on Apr 02, 2012
Direitos Autorais:Traditional Copyright: All rights reserved

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF or read online from Scribd
See more
See less

06/06/2015

Universidade Federal de Sergipe - Centro de Educação Superior à Distância - Universidade Aberta do Brasil

1º ENCONTRO ESTADUAL DE EAD 24 a 26 - Nov/2011
Educação, pesquisa e diversidade regional

APRENDIZAGEM E RELACIONAMENTO PARA ALÉM DA SALA DE AULA CONVENCIONAL – RELATO DE EXPERIÊNCIA
José Alexandre Rabelo da Silva – SENAI-AL Israel Silva de Macedo – SENAI/AL – UFAL

Resumo Introdução No presente artigo apresentamos relato de experiência acerca de uma pesquisa qualitativa on-line numa abordagem de estudo de caso acerca da utilização de ferramentas tecnológicas como suporte para estratégias de flexibilização de espaços educativos num curso de educação profissional do SENAI. Nesse sentido, buscou-se as premissas metodológicas do SENAI para formação profissional com base em competências, bem como refletir sobre como a entidade, a partir de documentos institucionais, está sintonizada com as mudanças paradigmáticas na educação, reconhecendo os novos cenários e posturas necessárias frente ao advento e imersão das novas tecnologias da informação e comunicação para a (re)construção de saberes, buscando enxergar as pessoas, muito além de meros profissionais, mas sujeitos capazes em sua essência de ressignificar o contexto no qual estão inseridos, promovendo assim o crescimento pessoal e com isso a valorização do potencial humano existente em nossa instituição de ensino profissional. Os resultados de nossa pesquisa apontam que a flexibilização de espaços educativos contribui de forma significativa para o aprendizado dos alunos, assim como estratégia para estreitar o relacionamento entre professor e alunos. A partir desta pesquisa, foi possível identificar diferentes formas de utilizar as atuais tecnologias disponíveis para fins educacionais, que podem ser abordadas em novas pesquisas. Palavras-chave: TICs, educação, relacionamento, mudança de paradigmas. É indiscutível a relevância das estratégias de relacionamento em qualquer modalidade educativa, ora presencial, ora virtualmente. Na educação on-line esse relacionamento é constituído entre o professor virtual e seus alunos, mediante o uso de artefatos midiáticos que podem favorecer “a um bom relacionamento e facilitar a compreensão dos temas discutidos” (COSTA, PARAGUAÇÚ E PINTO, 2009, p. 122). Nessa perspectiva Mauri e Ornubia (2011, p. 118) reforçam a idéia de que a docência virtual deve ser exercida “como meio para fazer com que venham à tona os fatores próprios da aprendizagem eficaz”. Para que esse relacionamento seja maximizado de maneira positiva, segundo estudos de Costa, Paraguaçú e Pinto (2009) é imprescindível que o professor virtual mantenha um diálogo constante com os aprendizes, seja atencioso, oportunize reflexões, possibilite um ambiente harmonioso, tenha o comprometimento de responder aos alunos no prazo mais curto possível, considerando-os como sujeitos únicos, “tendo em mente que seu grupo de alunos está inserido em um grupo social particular, o que leva à construção de um sujeito transcendental específico” aspectos estes, convergentes às táticas de relacionamento (MORETTO, 2010, p. 17). Para Silva (2008) o cerne da questão, entretanto, está no uso adequado das ferramentas dentro de uma seqüência lógica a partir da customização. Ou seja, customizar o aprendiz “é fazê-lo aprender a usar o produto ou os serviços oferecidos” especificamente no contexto em que está inserido. Entretanto, faz-

121

se necessário atrair o aprendiz para o aprendizado, motivando-o a permanecer de maneira efetiva sua participação na sala de aula virtual, focando-o como fundamento das estratégias que serão utilizadas. Esse pressuposto leva o professor perceber o nível de fidelização do aprendiz no processo de ensinoaprendizagem virtual, quais ferramentas devem ser disponibilizadas e os serviços postos à disposição dos alunos. Silva (2008, p. 109) em seus postulados acerca da customização, fidelização e relacionamento afirma que “precisa-se conhecer seus hábitos, [...] sua percepção, [...] seus valores e suas metas intrínsecas.” A partir dessas percepções, é possível que o professor exercite sua prática docente como o mediador, orientador, consultor, problematizador e mobilizador do conhecimento a ser construído. Nesse contexto, o uso de ferramentas interativas como suporte à aprendizagem podem favorecer a flexibilização de espaços educacionais, sejam eles Blog, Twitter, Wiki, Facebook, Youtube, Skype, Google, Mundos Virtuais 3D, Games, Realidade Aumentada e Ambientes Pessoais de Aprendizagem (PLEs)1. Nossa pesquisa baseia-se no estudo do relacionamento entre professor e aluno e as possibilidades de aprendizagem que podem ser estabelecidas por meio de uma comunidade criada na rede social Facebook, que conforme Mattar (2012, p. 93), torna-se uma “oportunidade para estender a aprendizagem para fora das paredes da sala de aula tradicional ou mesmo do LMS2”. O novo paradigma, portanto, possibilita uma abordagem de currículo flexível e aberto, no qual, embora haja componentes comuns e necessários ao desenvolvimento de competências que correspondem ao perfil profissional de conclusão definido, o aluno tenha à sua disposição oportunidades diversificadas que atendam às suas condições individuais.
1 Outra tendência na EaD é o desenvolvimento dos ambientes pessoais de aprendizagem (PLEs; em inglês, Personal Learning Enviroments). Como o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs), o aluno pode agora organizar seu próprio ambiente de aprendizagem, escolhendo as plataformas, as ferramentas e os conteúdos que mais lhe interessam e que estejam mais em sintonia com seus estilos de aprendizagem preponderantes. Plataformas conhecidas como mashups (por exemplo, o Netvibes), que incluem leitores de RSSs, e a facilidade de integração entre diversas ferramentas possibilitam que o aluno acesse, agregue, configure e manipule conteúdos de acordo com seus interesses (MATTAR, 2012, p. 114). 2 Learning Management System – Há denominações alternativas para Learning Management Systems (LMSs; em português, Sistemas de Gerenciamento de Aprendizagem), cujos significados às vezes variam, como, por exemplo, Course Management System (CMS) e Learning Content Management System (LCMS). Em português, a denominação mais comum é Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs) (MATTAR, 2012, p. 75).

De acordo com Peters (2004, p. 235), a “flexibilidade é uma característica que faz parte de qualquer empreendimento pedagógico” principalmente quando esta flexibilidade direciona-se a favorecer um melhor relacionamento entre os atores no processo de ensino-aprendizagem. Para Litto (2010, p. 28), “a flexibilidade, isto é, a possibilidade de escolher em que dia e em que horário aprender, começou a atrair muitos aprendizes em potencial”, como também o apoio das TICs, sejam como suporte pedagógico favorecendo o relacionamento entre professores e alunos, seja no ensino virtual ou presencial. Assim, vale destacar que a problemática dessa pesquisa direciona-se às seguintes inquietações: Que possibilidades de aprendizagem podem ser favorecidas por meio de ferramentas e ambientes midiáticos usados como suporte na aprendizagem presencial? Qual a relevância de estratégias pedagógicas de relacionamento utilizadas pelos professores num contexto de sala de aula virtual? Essa pesquisa de natureza qualitativa on-line por meio de uma comunidade virtual criada na rede de relacionamento Facebook aborda a importância da interação entre os atores no processo de ensinoaprendizagem, quais suas contribuições e as possíveis estratégias que podem ser adotadas pelos professores numa respectiva sala de aula virtual, tendo suporte o uso de ferramentas midiáticas disponíveis na rede. O uso dessas interfaces é justificável no sentido que “as atividades de grupo e a criação de espaços para convivência plural e para o compartilhamento de idéias devem ser estimulados, de modo a gerar processos de construção colaborativa de pessoas” (SENAI/DN, 2008, p. 56). Relacionamento e flexibilidade pedagógica na sala de aula Em se tratando do relacionamento que deve ser estabelecido pelo professor virtual, é relevante frisar que sua relação com os alunos não deve ser apenas centrada na apresentação e transmissão de recursos e/ou nos esclarecimentos de dúvidas. Muitas instituições de ensino a distância, tem essa errônea idéia, acreditam que para professorar virtualmente, faz-se necessário apenas focar nesses aspectos, tendo-os como o cerne da aprendizagem. Assim, negligenciam o uso e as competências que devem ser desenvolvidas pelo professor virtual na busca de maximizar ou estreitar o relacionamento com seus alunos. Conforme Peters (2004, p. 251),

122

o modo como os estudantes têm usado a rede para seus propósitos de aprendizagem mostra de forma veemente como seu comportamento de aprendizagem pode ser desenvolvido e melhorado simplesmente porque a rede permite mais flexibilidade do que as formas tradicionais de aprendizagem, proporciona um espaço ilimitado e estimula os estudantes a ficar ativos, a tentar novas e inusitadas abordagens e a se aventurar na auto-aprendizagem.

Além disso, o autor afirma que “os estudantes tem a chance de se comunicar e de cooperar com muito mais frequência e facilidade com os professores, tutores e colegas do que no campus, tomar decisões pedagógicas e, ainda mais importante, assumir responsabilidade por sua própria aprendizagem” (PETERS, 2004, p. 254). Essa maneira de se tratar a aprendizagem gera resultados diferenciados, pois de acordo com nossas pesquisas, melhora a interação entre professor/alunos, alunos/alunos e permite que estes consigam resolver os problemas e situações propostas de modo diverso ao que o professor esperava. Nessa perspectiva, conforme Mattar (2012) o professor virtual executa diferentes papéis simultaneamente: o papel organizativo, tecnológico, social, pedagógico e intelectual. Em nossos estudos realizados no SENAI-Arapiraca/Alagoas, acerca de 02 anos, percebemos que diversos fatores contribuem de maneira decisiva para o desenvolvimento profícuo no processo de ensino e aprendizagem de cada aprendiz. Dentre esses elementos focados na metodologia por competência, destacamos a importância da relação existente entre professores e alunos como um aspecto crucial para a obtenção significativa e apropriada da aprendizagem. Analisando as pesquisas e estudos de Costa, Paraguaçú, Pinto (2009), Mattar (2012) e documentos institucionais do SENAI/DN (2007; 2008; 2009) constatamos que o professor que faz uso ou não de ferramentas interativas como suporte as aulas presenciais deve estar comprometido e desenvolver as seguintes habilidades e competências: a. ter conhecimento e prática dos recursos e ferramentas midiáticas disponibilizadas aos alunos - entendemos que isso deve ser desenvolvido anteriormente à realização do curso e/ou disciplina em que o professor será responsável, com o objetivo de favorecer a aprendizagem dos alunos. Possuir o conhecimento das interfaces que serão 123

disponibilizadas na sala de aula virtual ou presencial usadas como suporte na aprendizagem do aluno é uma tarefa que certamente será o diferencial entre uma disciplina e outra. Nessa concepção convergindo com as premissas do Serviço Nacional de Aprendizagem Nacional (SENAI/AL) na ótica da metodologia por competência, “a sala é qualquer lugar onde possam ser desenvolvidas situações de aprendizagens planejadas que propiciem o desenvolvimento de competências profissionais” (SENAI/DN, 2008, p. 41). Sejam eles “espaços concretos ou, até, virtuais, reais ou simulados, desde que permitam a contextualização dos conteúdos favorecendo a construção de aprendizagens significativas para o aluno” (SENAI/DN, 2008, p. 42). b. Empatia que deve ser adquirida mesmo presencial e/ou virtualmente: O professor deve ter em mente ou provisionar quais as deficiências que podem ser encontradas pelos alunos em seu processo de aprendizagem na sala de aula virtual e/ou presencial, mesmo que a utilize apenas como apoio ao relacionamento com seus alunos. c. Conhecimento pedagógico: Outra característica em inúmeras plataformas de aprendizagem virtual é a ausência de uma metodologia que contemple especificamente os aspectos pedagógicos, ou seja, conhecer o aprendiz, suas limitações e experiências anteriores. Isso é um desafio, pois “na aprendizagem virtual, da mesma maneira que na modalidade presencial, quanto mais os professores conhecem seus alunos e são capazes de apoiá-los, melhor é o desempenho deles” (SENAI/DN, 2008, p. 102). Nesse sentido, em cursos que usem ferramentas virtuais como suporte “são componentes críticos para uma efetiva permanência dos alunos o suporte que lhes é oferecido e as oportunidades de interação que lhes são dadas” (SENAI/DN, 2008, p. 101). d. Flexibilidade 3: Tendo em vista que “os participantes dos cursos do SENAI têm características diversificadas [...] as mais variadas, [...] nesse sentido, impõem-se estratégias pedagógicas que permitam variações nos percursos formativos” (SENAI/DN, 2008, p. 11), entendemos que nesse contexto a sala de aula está para além das estruturas físicas ou do próprio ambiente virtual de aprendizagem. O professor deve compreender que o aprendiz necessita de um acompanhamento onde a rota de sua aprendizagem seja desenvolvida e
3 Flexibilizar a educação profissional implica promover cursos ofertados de variadas formas, rompendo com o uso tradicional de espaços e tempos, e incorporando metodologias e processos de avaliação que dêem aos alunos condições para traçar, de forma autônoma, seus próprios percursos de aprendizagem (SENAI/DN, 2008, p. 25).

direcionada em consonância com alguns princípios organizacionais: a) incentivar o aluno a se tornar organizado, sugerindo e indicando-o ferramentas apropriadas para tal organização; b) estimulá-lo a coordenar sua própria aprendizagem de forma a perceber seu próprio desenvolvimento; c) direcionálo aos percursos necessários para a obtenção de um conhecimento adequado para se estudar e aprender em variados ambientes flexíveis, assim como o trajeto individual e coletivo para maiores ganhos cognitivos sejam por meio da aprendizagem colaborativa, de mapas, simulações, situações problemas, estudos de casos; e d) apresentar modelos de controles de aprendizagem, para que o aluno perceba a relevância do fator temporal na evolução de seus estudos, assim como o estabelecimento de metas para atingir o resultado almejado no processo de ensino- aprendizagem. De acordo com as diretrizes do SENAI (2008, p. 39),
a escolha do recurso ou conjunto de recursos didáticos deve, pois, considerar, de forma integrada, o que vai ser abordado (conteúdo), para quem (o público usuário) e as características da situação em que será utilizado; precisa valorizar os conhecimentos, habilidades e atitudes do aprendiz, proporcionando a reconstrução de outros, favorecendo a sua inter-relação e aplicação na vida pessoal e profissional do aluno.

Qualificação, aperfeiçoamento e especialização profissional [...] ações de formação profissional, que visam o desenvolvimento de competências profissionais requeridas pelo mercado de trabalho. (SENAI/ DN, p. 103-104).

Flexibilizando educativos

práticas

e

espaços

A Organização Internacional do Trabalho e Secretaria Internacional do Trabalho – OIT/ CINTERFOR, publicou em 2007 documento sobre o impacto das TICs no âmbito do trabalho, analisando suas implicações sobre a maneira de aprender, refletindo sobre as mudanças pelas quais as Instituições de Formação Profissional (IFP) em todo o mundo devem estar “conectadas”, preconizando que
o âmbito cultural no que estamos hoje submersos é o apogeu tecnológico com sua difusão em massa da informática, a telemática e a mídia audiovisual que habilitam novos canais de comunicação (redes) e imensas fontes de informação; potentes instrumentos para o processamento da informação; novos valores e códigos de comportamento social; novos símbolos, estruturas expositivas e formas de organizar a informação; dinheiro eletrônico, etc. [...] Essa nova cultura modifica o “que aprender” e “como aprender” e, consequentemente, a organização da formação (OIT/CINTERFOR, 2007, p. 23) (grifo nosso).

Experiência de flexibilidade em espaços educativos na modalidade de aprendizagem industrial Um Breve Histórico A presença do SENAI na região do agreste alagoano se deu pelo crescimento industrial na região e a consequente necessidade de mão de obra compatível às necessidades do setor. Em 2009, foi inaugurada a nova unidade SENAI Alagoas na cidade de Arapiraca, buscando ampliar ainda mais a oferta de qualificação de mão-de-obra para a região. Atualmente, a unidade desenvolve cursos nas seguintes modalidades de ensino:
Aprendizagem Industrial [...] principal compromisso do SENAI para o atendimento às demandas da indústria. Trata-se de formação técnico-profissional, [...] destinada a jovens na faixa etária de 14 a 24 anos, mediante a celebração de contrato de aprendizagem com empresa ou instituição.

Esta nova didática de ensinar e aprender dispõe que teoria e prática podem favorecer o processo de (re)construção de saberes sejam eles individuais ou coletivos, desde que seja promovido “aproveitando as relações entre conteúdos e contextos, sobretudo viabilizada por metodologias que integram a vivência e a prática profissional ao longo do curso” (SENAI/DN, 2008, p. 42). Percurso metodológico Especificamente no caso aqui descrito, enfatizamos as estratégias desenvolvidas numa turma presencial de Tecnologia da Informação na modalidade de aprendizagem industrial. O objetivo dessa pesquisa foi disponibilizar aos alunos um espaço virtual, onde os mesmos pudessem (re) discutir suas práticas e fazer parte de um ambiente muito próximo à sua realidade sócio-tecnológica.

124

Todo esse trabalho baseia-se nas premissas de que “o mundo virtual amplia as potencialidades das linguagens visuais, do movimento e do som, trazendo, também, oportunidades de incentivo à autoria e co-autoria” (SENAI/DN, 2008, p. 32). Na idéia de flexibilização de espaços de aprendizagem por meio de ferramentas com apoio das TICs tem-se por intenção transpor os limites dos módulos de ensino pré-estabelecidos, ou seja, fazer com que a interação entre professores e alunos suplantem os limites estabelecidos nas cargas horárias de cada módulo, assim como o espaço habitual – portas e paredes – da sala de aula. Materiais e Métodos A presente pesquisa, de caráter qualitativo on-line, tendo como objeto de pesquisa a comunidade virtual “TI Interativo”, criada na rede de relacionamento Facebook, usada como suporte nas aulas presenciais do curso citado, teve por objetivo: - levantar dados que possam analisar o impacto na utilização de ferramentas tecnológicas, especificamente em nossa pesquisa o Facebook, como suporte às aulas presenciais; - constatar as possibilidades de aprendizagem na

percepção do aluno, por meio do Facebook; - analisar como as interações são estabelecidas numa comunidade virtual e sua influência na aprendizagem do aluno. Escolhemos a pesquisa qualitativa on-line em convergência à concepção de Freitas et al. (2004) que afirma que esse tipo de pesquisa pode oferecer inúmeras vantagens em relação as demais pesquisas qualitativas, além do pesquisador ter a possibilidade de acesso às ferramentas e recursos disponíveis que em outro método seria impossível. Outra característica importante é que o sujeito da pesquisa pode ser motivado de diferentes maneiras, processos e mídias, incentivando-o a colaborar com a pesquisa. Esse estudo foi desenvolvido numa turma presencial de Tecnologia da Informação na modalidade de aprendizagem industrial. A turma é composta por 12 alunos, na faixa etária de 16 a 20 anos. O curso tem carga horária diária de 04 horas e tem duração de 02 anos, totalizando uma carga horária de 1800 horas/aula. No primeiro ano do curso, são ministrados conteúdos formativos na unidade do SENAI, a outra metade do curso é realizado na empresa que contratou os alunos (aprendizes). Com a criação da comunidade no Facebook, foram enfatizados os seguintes mecanismos:

Mecanismos norteadores de ações para pesquisa
Ação compartilhada Criação comunidade Facebook da no Intencionalidade Fazer com que cada aluno, a partir de sua experiência tecnológica, tenha a percepção de que a criação da comunidade não é apenas virtual, mas que esta pode se tornar um espaço de interação para a construção conjunta de saberes, na medida em que o professor incentiva a colaboração entre alunos e com ele. Possibilitar escolhas por meio da comunidade virtual, gerando o elo social, negociação, compartilhamento de idéias e saberes. A escolha do nome da comunidade torna esse processo perceptível ao aluno. Através dessa coleta de dados, o professor poderá traçar o perfil do aluno, por meio de suas perspectivas com relação ao curso, à disciplina, metodologia, etc. O contrato pode ser remodelado no início de cada módulo de ensino, tornando-se mais significativo para o grupo. Orientações pedagógicometodológicas do SENAI/DN “Além de aprender a fazer, o profissional deve aprender a aprender de maneira grupal, coletiva, com uma visão ampla do processo produtivo” (SENAI/DN, 2008, p. 25). “É preciso considerar que este alunado já possui uma trajetória, com experiências que devem ser consideradas e integradas nos processos de aprendizagem” (SENAI/DN, 2008, p. 51). “A realização de atividades em grupo e a criação de espaço para a convivência plural e para o compartilhamento de idéias devem ser estimuladas, de modo a gerar processos de construção colaborativas das competências” (SENAI/DN, 2008, p. 56) “A utilização das tecnologias comunicação e da informação como recursos didáticos deve ser acompanhada por mudanças nos papéis dos professores e alunos” (SENAI/DN, 2008, p. 33) [...] cabe destacar dois eixos a serem considerados: a interdisciplinaridade e a contextualização. (SENAI/DN, 2008, p. 25)

Escolha do nome da comunidade

Apresentação pessoal dos alunos no ambiente virtual Desenvolvimento coletivo de contrato didático presencial e virtual Participação no fórum

É importante destacar a importância do fórum não como mera ferramenta pergunta-resposta. Nesse sentido, o professor deve incentivar reflexões, questionamentos, provocando o aprendiz e mobilizando o conhecimento.

Utilização da Fazer com que o ambiente virtual sirva como comunidade em suporte nos módulos do curso. outros módulos posteriores do curso Fonte: os pesquisadores

125

A criação da comunidade serviu como instrumento para os objetivos dessa pesquisa. O uso da

mesma foi iniciado na disciplina de Ética e Cidadania. Abaixo se encontra a imagem da comunidade:

Quando a Comunidade Virtual “TI interativo” foi criada, oportunizou-se a todos a definição coletiva do contrato didático, disponibilizando um

documento on-line na comunidade virtual, permitindo a participação ativa do aluno, conforme figura abaixo:

Após o término do módulo de Ética e Cidadania, começou o módulo de Sistemas Operacionais, com uma carga horária de 100 horas. A primeira iniciativa foi utilizar o contrato didático que já ex126

istia e a partir da comunidade virtual criada no Facebook disponibilizar um arquivo para construção coletiva, onde todos tinham acesso simultâneo.

É importante registrar nesta pesquisa, como a construção em coletivo do contrato didático ganhou significado para os alunos no decorrer do novo módulo. Outro aspecto interessante foi a possibilidade de inserção de materiais de ensino em diversos formatos a partir da interação na comunidade vir-

tual. Analisando a figura abaixo, observa-se um link que foi disponibilizado aos alunos para acesso a questões de concursos públicos e outro link para que os alunos pudessem postar questões para esclarecer dúvidas. Depois do tempo estabelecido, tudo aquilo postado como dúvida foi utilizado em momentos presencial para debate.

Em outro momento, usamos outro link na comunidade virtual, apresentando algumas questionamentos aos alunos por meio de um fórum virtual, com as seguintes indagações: Um bom relacionamento estabelecido entre professor e aluno na rede interfere na sua aprendizagem? O aluno X respondeu:
Claro que sim. Porque uma boa relação professor-aluno, faz com que a ligação entre os mesmos seja melhor. Abrindo novas portas para resoluções de dúvidas, por não haver a timidez. Dentre outras coisas como debater sobre demasiados assuntos e interagir de maneiras diferentes entre si.

A fala do aluno X mostra a importância do 127

relacionamento do professor, seja presencial ou virtualmente, como um mecanismo que pode influenciar em sua aprendizagem. Outra evidência é nítida quando “o aluno X” usa o termo “interagir de maneiras diferentes”, o que se traduz na relevância da criação e uso de outros espaços de aprendizagem, além da sala de aula física, pois “é preciso romper com o conceito restrito de sala de aula enquanto espaço físico” (SENAI/DN, 2009, p. 41). Nessa perspectiva, professorar presencial ou virtualmente, já não se restringe ao ensinar, tal como tradicionalmente esteve, mas sim, à adoção estratégias pedagógicas que promovam aprendizagens significativas. Em outras palavras, “as situações de aprendizagem devem considerar um conjunto de estratégias que coloquem o aluno como sujeito do processo de construção de competências” (SENAI, DN, 2008, p. 56).

Em seguida, o aluno foi questionado sobre: Quais as características para um bom relacionamento entre professor e aluno num ambiente virtual de aprendizagem? O aluno X respondeu:
Adequação à linguagem, interatividade, dinamismo, orientação, alto nível de conhecimento proporcionando variados assuntos de conversa.

E para finalizar, foi realizada outro questionamento: Quais estratégias o professor poderia utilizar? Aluno X: Mostrar que o professor estar no mesmo nível do aluno.
Aluno Y: Ter uma boa interatividade

Além do aluno X, foi constatado que todos os alunos deram respostas similares, cada um respondendo a partir de suas características pessoais. O aluno Y respondeu da seguinte forma:
Simpatia, companheirismo e em todos os aspectos de respeito entre duas pessoas inteligentes e profissionais, trazendo então um conforto amigável entre as partes.

E assim tivemos mais duas respostas, que servem para que possamos perceber o nível em que os alunos, a partir do momento que é dada a oportunidade, se expressam:
Aluno Z: saber respeitar as diferenças de cada um, saber ouvir opinião. Aluno W: Paciência, Carisma, Sabedoria, Bom ensinamento, Compreensivo, Simpático, Amigo.

Esses questionamentos nortearam nossa pesquisa no sentido de observar quanto as estratégias e metodologias aplicadas realmente criaram novos significados para os alunos. Para que essas metodologias pudessem ocorrer, foi imprescindível alicerçar essas pesquisas na participação ativa do aluno, na busca de um melhor relacionamento e construção coletiva de materiais, disponibilização de outros e, principalmente, fazer o aluno perceber qual a importância desse aprendizado para sua vida pessoal e profissional. Essas prerrogativas estão ancoradas em documentos institucionais sobre a flexibilidade na educação profissional, que orienta,
atender às exigências de mudança na educação profissional, no entanto, é necessário que se tenha um posicionamento dialético acerca das transformações em curso e suas demandas, superando a visão de que à educação profissional cumpre somente atender ás necessidades do mercado de trabalho. Pensar na relação desta modalidade de ensino requer pensar o mundo do trabalho em dimensão ampliada e nas mudanças requeridas como relações vivas de transformação num processo contínuo de influências. (SENAI/DN, 2009, p. 25).

No trecho acima, constatamos palavras oriundas de uma pessoa que é respeitada e se sente a vontade para falar. Através dessa mediação de significados, vemos a importância em respeitar a pessoa do aluno, pois segundo diretrizes metodológicas:
Nesse contexto, os alunos desenvolvem a capacidade de respeitar-se mutuamente, uma vez que aprendem a levar em consideração a capacidade de respeitar-se mutuamente, uma vez que aprendem a levar em consideração pontos de vista diferentes dos seus (SENAI/ DN, 2009, p. 25).

Considerações Finais A presente pesquisa se baseou nas diretrizes e recomendações presentes nos documentos do SENAI, trazendo suas valiosas orientações para um sentido mais prático, a fim de cumprir seus objetivos e missões institucionais. A criação da comunidade virtual atendeu a essas diretrizes, pois “os espaços virtuais também se apresentam como alternativa de flexibilização” (SENAI/DN, 2008, p 43). A mais de 60 anos trabalhando na formação de mão-de-obra qualificada, o SENAI, a partir de suas inovações, reafirma seu compromisso com a formação não apenas de um funcionário padrão, mas na formação de um sujeito maior, capaz de analisar seu contexto social e transformar sua própria realidade,
além da expansão da educação adequada às necessidades atuais e futuras do mercado, o

A terceira pergunta foi: Quais características de relacionamento você encontrou no professor?
Aluno Y: um bom conservador dos alunos em todos os aspectos; Aluno X: ele é comunicativo, amigável, e uma pessoa que procura entender o que os alunos pensam e respeita a opinião deles.

128

Programa prevê a modernização e otimização da infra-estrutura das escolas e laboratórios, a flexibilização no formato e metodologias educacionais, e o desenvolvimento dos docentes. (SENAI/DN, 2008, p. 7)

a nova indústria. Educação profissional para a nova indústria nº 1. Brasília: SENAI/DN, 2008. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Estratégias flexíveis. Educação profissional para a nova indústria nº 3. Brasília: SENAI/DN, 2008. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. SENAI 24 Horas. Educação profissional para a nova indústria nº 4. Brasília: SENAI/DN, 2008. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. SENAI Didática. Educação profissional para a nova indústria nº 7. Brasília: SENAI/DN, 2008. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Metodologias SENAI para formação profissional com base em competências: elaboração do desenho curricular. Volume 2. 3 ed. Brasília: SENAI/DN, 2009. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Metodologias SENAI para formação profissional com base em competências: norteador da prática pedagógica. Volume 3. 3 ed. Brasília: SENAI/DN, 2009. SILVA, José Aragão da. Marketing: uma estratégia para eficácia organizacional. Arapiraca: Center GrafEditora, 2008.

Dentro dessa premissa, trazer as TICs para utilização em sala de aula torna-se mais que apenas mudar práticas, mas também (re)construir o conhecimento para os jovens, que aprendem de forma totalmente diferente daquela que aprendemos. Referencias ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini. As teorias principais da andragogia e heutagogia. In: Educação a distância: o estado da arte. LITTO, Fredric M, FORMIGA, Marcos (orgs.). São Paulo: Pearson Education do Brasil, p. 105-111, 2009. Learning, 2011. FREITAS, H.; JANISSEKMUNIZ, R.; ANDRIOTTI, F. K.; FREITAS, P.; COSTA, R. S. Pesquisa via Internet: características, processo e interface. Revista Eletrônica GIANTI, Porto Alegre, 2004. LITTO, Fredic M. Aprendizagem a distância. São Paulo: Imprensa Oficial de São Paulo, 2010. MATTAR, João. Tutoria e interação em educação à distância. São Paulo: Cengage Learning, 2012. MAURI, Teresa; ORNUBIA. O professor em ambientes virtuais: perfis, condições e competências. In: COLL, César; MONEREO, Carles (orgs). Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e da comunicação. Porto Alegre: Artmed, 2010, p. 118-135. MORETTO, Vasco Pedro. Planejamento: planejando a educação para o desenvolvimento de competências. 6. Ed. Petropólis, RJ: Vozes, 2010. PERRENOUD, Philippe. 10 novas competências para ensinar: convite à viagem. Porto Alegre: Artmed, 2000. PETERS, OTTO. A educação a distância em transição. São Leopoldo: Unisinus, 2004. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. SENAI em sintonia com 129

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->