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DELEGADO CIVIL Matéria: Direito Penal Geral Professor: André Estefam Data:17/08/2012 Aula :XX

DELEGADO CIVIL Matéria: Direito Penal Geral Professor: André Estefam

Data:17/08/2012

Aula :XX

RESUMO

SUMÁRIO Continuaçção dos Princípios. Histórico do Direito Penal no Brasil.

Taxatividade.

A lei tem conteúdo determinado.

A taxatividade resulta na proibição de tipos penais vagos diferente de tipos abertos - o que é valido/ permitido. Possue um amplo alcance, mas seu conteúdo é determinado. Ex: define os crimes culposos como homicídio culposo que abarca várias situações. OBS: O TIPO VAGO É DIFERENTE DE CRIME VAGO (permitido) Crime vago é o tem como sujeito passivo um ente sem personalidade jurídica. Ex: Crimes contra a família; Drogas: tem como a coletividade como sujeito passivo.

Princípio da Culpabilidade

Não há responsabilidade penal sem culpabilidade. Segundo parte da doutrina não há crime sem culpabilidade (nullum crimen sine culpa). Outra parcela da doutrina diz que não há pena sem culpa (nulla poena sine culpa). A primeira corrente pertence aos adeptos da teoria tripartida, que diz que culpa é requisito do crime, já a segunda corrente é adepta da corrente bipartida, que alega que a culpa é pressuposto do crime.

O fundamento constitucional do princípio da culpabilidade encontra-se no art. 5, inciso LVII da CF/88.

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”

Esse dispositivo diz que a pessoa somente será considerada culpada após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, é o princípio da presunção da inocência, estado de inocência ou princípio da não culpabilidade. Deriva desse princípio que uma pessoa somente poderá ser condenada se agir com culpabilidade.

A concepção atual de culpabilidade considera que o dolo e a culpa não são seus elemento

Delegado Civil Anotador(a): Daniella Ag. Vila Complexo Educacional Damásio de Jesus

Por esse motivo, é melhor se referir à proibição de responsabilidade penal objetiva como princípio

Por esse motivo, é melhor se referir à proibição de responsabilidade penal objetiva como princípio da responsabilidade penal subjetiva.

A responsabilidade penal exige a presença dos elementos da culpabilidade.

Quais sejam, imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa.

Imputabilidade; Potencial consciência da ilicitude; Exigibilidade de conduta diversa.

A responsabilidade penal deve ter como base a gravidade do fato cometido, ou seja, quanto mais grave o fato

maior deve ser a pena. OBS: Não há responsabilidade penal sem dolo ou culpa- vedação da responsabilidade penal objetiva- Princípio da responsabilidade penal Subjetiva.

Princípio da insignificância

Condutas que produzam lesões insignificantes aos bens juridicamente tutelados são consideradas penalmente atípicas.

Tipicidade material é a lesão ou perigo de lesão ao bem juridicamente tutelado.

A insignificância conduz à atipicidade material da conduta. Isso que dizer que mesmo que a conduta se enquadre no tipo penal ela não poderá ser punida, visto que não apresenta lesão juridicamente relevante ao bem juridicamente tutelado.

Segundo o STF devem ser examinadas os seguintes vetores para aplicação do princípio da insignificância, são

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Reduzida periculosidade social da ação; Baixo grau de reprovabilidade da conduta; Ínfima lesão ao bem jurídico; e Ausência de ofensividade.

Para aplicação do princípio também deve ser observada a eventual primariedade do agente, isso porque não deve ser admitido o princípio para agentes reincidentes.

Aplica-se o princípio ao crime definido na lei anti-drogas em seu art. 28, porte para consumo pessoal?

R: Não, uma vez que o bem jurídico protegido é a saúde pública.

No caso de descaminho (334 do CP) é aplicado o princípio da insignificância quando o valor do tributo e acessórios não ultrapassa R$ 20.000,00 (vinte mil reais), anteriormente eram 10.000,00 (dez mil reais).Isso ocorre porque a União autoriza a Fazenda Pública a não executar ação fiscal por valores menores do que 20.000,00 (vinte mil reais), de modo que senão há cobrança fiscal não deve haver persecução penal. No caso, o princípio que deve ser aplicado é o da subsidiariedade do Direito Penal, visto que o Direito Penal é a “ultima ratio”.

Princípio da adequação social

Condutas socialmente adequadas devem ser consideradas penalmente atípicas, ou seja, o Direito Penal deve punir o que é inadequado à vida social, não se justificando punir condutas adequadas socialmente. Condutas socialmente adequadas devem ser penalmente consideradas ATÍPICAS.

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Desvirtuamento. Importante frisar que não se pode confundir leniência com adequação social. Como exemplos podemos

Desvirtuamento.

Importante frisar que não se pode confundir leniência com adequação social. Como exemplos podemos citar:

casas de prostituição (229 do CP),

jogos de azar ou jogo do bixo,

violação de direitos autorais (184 do CP).

“Casa de prostituição Art. 229. Manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente:

Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa”

“Violação de direito autoral Art. 184. Violar direito de autor de obra literária, científica ou artística:

Pena - detenção de três meses a um ano, ou multa”

Em todos esses casos o STF e o STJ rechaçaram o princípio da adequação social.

Princípio da alteridade

O Direito Penal deve punir somente condutas que produzam lesões a bens alheios, ou seja, a conduta deve ter

periculosidade para bens jurídicos alheios. Lesões a bens próprios não podem ser criminalizadas.

A auto-lesão é considerado FATO ATÍPICO.

Atente-se que no caso da auto-lesão visando fraudar seguro deve ser entendido como crime tipificado no art. 171, § 2º, inciso V do CP, senão vejamos:

“Estelionato Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento:

§ 2º - Nas mesmas penas incorre quem:

Fraude para recebimento de indenização ou valor de seguro. V - destrói, total ou parcialmente, ou oculta coisa própria, ou lesa o próprio corpo ou a saúde, ou agrava as conseqüências da lesão ou doença, com o intuito de haver indenização ou valor de seguro;

Também não pode ser punível a tentativa do suicídio, visto que o suicida apenas lesa bem jurídico a ele pertencente, o que é punível é participação em suicídio alheio. Art. 122CP.

Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio

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Art. 122. Induzir ou instigar alguem a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Art. 122. Induzir ou instigar alguem a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Com relação ao consumo de drogas, não deve ser punido, pois a pessoa só faz mal a si mesmo. O que se pune é o porte, segundo o art. 28 da Lei 11.343/2006, pois o que está em risco é a potencialidade de circulação da droga, que ofende a saúde pública.

Princípio da Exclusiva proteção de bens jurídicos.

“Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas:”

O Direito Penal não pode punir atos meramente/ exclusivamente imorais, pecaminosos, anti éticos ou anti-

sociais. Somente aqueles que realmente atinjam o bens juridicamente tutelados, assegurados expressamente ou implicitamente na CF.

Princípio da subsidiariedade

O Direito Penal por ser o ramo que aplica as sanções mais graves, somente deve tutelar so bens jurídicos mais

importantes .

O Direito Penal deve atuar como “ultima ratio”, ou seja, somente deve ser utilizado quando os demais ramos

jurídicos não derem solução adequada ao comportamento ilícito.

Princípio da ofensividade ou lesividade

Não há crime sem efetiva lesão ou perigo concreto ao bem juridicamente tutelado -“Nullum crimen sine injuria”.

Por este princípio, vedam-se crimes de perigo abstrato ou presumido. Solução : exigi-se a demonstração de perigo concreto/ real em todo crime de perigo.

Perigo concreto (real) – o perigo figura como elementar do tipo e, portanto, exige efetiva comprovação. Perigo abstrato (presumido) – não figura como elementar do tipo, pois o legislador presume que a conduta é por si só perigosa. Ex. embriaguês ao volante, art. 306 CTB

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“Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro

“Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a influência de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Regulamento

Penas - detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor.”

Crimes de lesão – são aqueles que consumam-se apenas com a efetiva lesão ao bem tutelado;

Crimes de perigo (ameaça) – Sua consumação se dá com a exposição do bem tutelado a uma situação de risco ou perigo. Ex. art. 132 do CP

“Perigo para a vida ou saúde de outrem Art. 132. Expôr a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente:

Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitue crime mais grave”

Há aceitação doutrinária,porém o STF e o STJ NÃO adotam tal princípio.

Histórico do Direito Penal no Brasil.

Direito Penal Indígena.

A partir do descobrimento o Brasil recebeu as ordenações do Reino:

1ª AFONSINAS 2ª MANOELINAS 3ª FILIPINAS 1603-1830, porém em nada eram obedecidas, prevalecia a lei do mais forte.

Características:

1º Era dividida em livros. 2º Falta de sistematização: Direito material e processual misturados. Não havia divisão entre Parte Geral e Especial. 3º Os tipos penais conferiam privilégios à determinadas classes/ pessoas.

Código criminal de 1830.

Muito elogiado, uma evolução para a época.

Características:

1º Sistematização. 2º Inspiração e influência Iluminista- direito penal humanitário. 3º MANTEVE A PENA DE MORTE. 4º Regulamentava os crimes de imprensa -estabeleceu a responsabilidade penal sucessiva.

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Código Penal de 1890 (Proclamação da República em 1889 ). Muito criticado, foi elaborado antes

Código Penal de 1890 (Proclamação da República em 1889).

Muito criticado, foi elaborado antes da Constituição, feita em 1981 às pressas.

Caracteristicas:

1º ABOLIU A PENA DE MORTE. 2º Previsão da pena de multa. 3º nos crimes de imprensa estabeleceu a responsabilidade SOLIDÁRIA ( responsabilidade penal objetiva párea todos os envolvidos). 4º Havia uma excludente de ilicitude diferente “ Perturbação dos sentidos” art. 24, p. 4º CP de 1890.

Consolidação das leis penais 1932.

É a organização do Código de 1890.

Código Penal de 1940. Decreto – lei 2848/1940

Caracteristicas:

1ª Limitação da PPL em 30 anos. 2ª Maioridade para 18 anos completos; 3ª Eliminou a excludente “perturbação dos sentidos”, a paixão e a emoção não excluem o crime.

Reforma da Parte Geral em 1984- Lei 7209/84 Criação da LEP em 1984 – Lei 7210/84

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