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Vice-Presidente da Assembleia da República visita

Agrupamento de Escolas de Gandarela Está bem... façamos de conta


Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport.
“Há autarcas em Portugal que Que não houve invulgaridades no processo de
licenciamento e que despachos ministeriais a três dias
apresentam sinais exteriores de riqueza do fim de um governo são coisa normal. Que não houve
tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a
incompatíveis com os seus rendimentos” referir montantes de milhões (contos, libras, euros?).
Façamos de conta que a Universidade que licenciou
Deputado Nuno Melo sensibilizou os alunos para uma maior José Sócrates não está fechada no meio de um caso de
polícia com arguidos e tudo.
participação na vida cívica, cultural e associativa da sua comunidade Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar
O Deputado e vice-presidente do parlamento Nuno Melo, afirmou no passado dia 9 de Março na Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que,
Escola EB 2 e 3 de Gandarela de Basto que há autarcas em Portugal que apresentam sinais pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos
exteriores de riqueza incompatíveis com os rendimentos que auferem como eleitos. Aquele de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do
parlamentar do CDS/PP, que detém uma das quatro vice-presidências da Assembleia da Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo
República, falava numa Conferência/Debate subordinada ao tema “Participação dos Jovens na numa das “melhores posições no Mundo” para enfrentar a crise devido aos prodígios
vida Pública” que reuniu cerca de 70 alunos e professores daquele Agrupamento de Escolas. académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma
o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos
Porque é que as pessoas têm uma imagem de conta que o “Magalhães” é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados
tão má dos políticos, associando-os muitas para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta
vezes a casos de corrupção? que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que
Foi a esta questão colocada por uma aluna há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que “quem se mete com
do 9º Ano de escolaridade que Nuno Melo o PS leva”. Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava
procurou dar resposta. Na sua mesmo era de “malhar na Direita” (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda).
perspectiva, “não há nenhum regime que Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de
funcione sem uma justiça forte. É represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta
absolutamente inadmissível que haja que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por
tantas notícias sobre corrupção na vida “onde é que eu ia começar” a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a
pública que saem nos órgãos de Vice-Presidente da Assembleia da República telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem
comunicação social e depois essas encantou os jovens da Escola da Gandarela confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está
mesmas pessoas nada lhes aconteça e não preocupado com a “falta de liberdade”. E Manuel Alegre também. Façamos de conta que
sejam responsabilizadas pela justiça. É necessário que haja uma justiça forte para que não não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus.
se instale nos cidadãos um sentimento de impunidade e a ideia de que tudo é permitido aos Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve
políticos, mesmo enriquecer, servindo-se da sua função para proveito próprio”. indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta
Recordando que a política deve ser entendida como uma actividade nobre, Nuno Melo incentivou que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa
os jovens a participar e envolverem-se na vida associativa, cultural e desportiva da sua freguesia prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta
e do seu concelho, incentivando o voluntariado e o serviço cívico àqueles que mais precisam. que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR
Referiu ainda que é membro de um pequeno partido, mas que apesar de ser Deputado à sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada
Assembleia da República nunca deixou de exercer advocacia, pois tem escritório na cidade disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já
de Guimarães, onde procura desenvolver a sua vida normal fora da actividade política. que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos
Contra o fim das reprovações no ensino básico e contra o regime de faltas proposto pelo Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos
Ministério da Educação por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta
Questionado por um professor sobre o que pensa da ideia do Ministério da Educação acabar que votamos. Mário Crespo (in Jornal de Notícias de 09/02/2009)
com as reprovações até ao 9º Ano de escolaridade, Nuno Melo não tem dúvidas: “a Educação
deve ser pautada pela exigência e não pelo facilitismo. Se criarmos condições para que toda a
gente passe, mesmo sem saber estamos única e exclusivamente a trabalhar para as estatísticas Serão as coisas passadas hoje
(o que é muito bonito, mas não resolve o problema) mas não estamos a facilitar a vida àqueles
jovens que dentro de poucos anos vão entrar no mercado de trabalho. Para haver emprego é
necessário jovens qualificados, caso contrário a situação agravar-se-á consideravelmente.
impossíveis?
Sobre o novo regime de faltas que tem sido contestado pelos alunos do ensino básico e Vamos ver.
secundário, Nuno Melo é peremptório: “ter colocado as faltas por doença dos alunos a contar Introduzo história e depois o presente
para a reprovação por falta de assiduidade, foi um erro e ainda bem que o Governo recuou, pois Acompanhem-me, pois, nesta viagem.
não se esperava outra coisa. É preciso distinguir muito bem aquele aluno que falta porque está Os herdeiros políticos de Júlio César do partido dos populares,
doente e não pode ir à aula, do aluno que falta sistematicamente, não estando doente”. decapitaram a oposição (havia dois partidos, os optimates e os populares,
uma espécie de direita e esquerda) proscrevendo centenas de cidadãos
Um sonho antigo tornado realidade… *António Basto Romanos influentes, incluindo Marco Túlio Cícero, expoente máximo
do republicanismo. De seu corpo, teve a cabeça e mãos expostas na
Mondinense inaugura relvado tribuna rostrada (palanque no Fórum Romano onde ele havia pronunciado as célebres Filípicas)
intencionalmente transformado em patíbulo, para se patentear, pelo macabro simbolismo, o
com vitória sobre o Prado violentíssimo sinal da absoluta censura política. Tomado o consulado, magistratura outorgada com
uso de violência sobre o Senado (…disse o centurião mostrando o gládio: “se o não fizerdes este
O Mondinense, única equipa das Terras de Basto que disputa o Campeonato Nacional de
o fará”, relata-nos Seutónio na sua biografia de César Augusto, in As Vidas dos Doze Césares),
Futebol da III Divisão, série A, acaba de inaugurar o relvado do Estádio Municipal,
assume César o poder sem oposição, e com a sua maioria no Senado reduz quase a formalidades as
assinalando o feito com uma vitória sobre o Prado por 3-1.
instituições republicanas de Roma, deste modo enfraquecidas. Para ele isso era uma questão de
A inauguração do tapete verde, contou com
governabilidade, afirma-o a seu modo o mesmo Seutónio. Note-se que foi um César que, provada
a presença de numeroso público e da massa
a inocência da sua mulher num caso de alegado adultério, repudiou-a, dizendo - “À mulher de
associativa que nunca deixou de apoiar a
César não basta ser séria é necessário parecer”.
equipa presenciando um momento histórico
desta colectividade, que é das mais antigas Movida a escala do tempo, afastada a violência física da política daquelas remotas épocas, (restando
e populares da região de basto. a violência verbal) passo ao presente.
Refira-se que o Mondinense tem jogado Ora, que temos hoje em Sócrates, herdeiro político de Guterres? Hoje, tomado o poder com a
grande parte da época fora do seu terreno, violência das falsas promessas, munido da sua maioria, ele, com o seu executivo, legisla (a qualidade
precisamente em virtude de terem decorrido parece duvidosa) na completa surdez, ou mesmo desdém relativamente às contribuições das
obras de arrelvamento do Estádio Mondim de Basto tem finalmente um relvado outras forças partidárias expressas na Assembleia (por cá não se chama Senado). Onde está a
Municipal. No aspecto desportivo e ao em excelentes condições para a prática separação de poderes? O poder executivo e o legislativo, ainda que não formalmente, estão na
contrário do que sucedeu na última época, desportiva prática nas mãos do governo, isto é, são aqueles dois poderes de um só – Sócrates. Escapa-lhe (ao
onde o clube atingiu um feito histórico, ao que parece) apenas o poder judicial, valha-nos! È a República enfraquecida. Eis a governabilidade.
classificar-se no 7º lugar da classificação, na presente época as coisas não têm corrido de
Teremos agora, note-se, em Sócrates, mutatis mutandis, o estilo César acima aludido quanto à
feição para o clube, que ocupa a ante-penúltima posição da tabela classificativa, preparando-
questão que só aos outros é que não basta só ser sério…?
se agora para disputar a “poule” de permanência no Nacional da III Divisão.
Retirando-se que as coisas passadas não são hoje impossíveis, cada um que entreveja a verdade
O relvado e o regresso a casa do Mondinense serão agora um importante estímulo para que sob o manto deste paralelo onde a história e o presente se enlaçam.
o clube consiga atingir o seu objectivo, que passa pela manutenção no Nacional de Futebol.

6 20 de Março de 2009