XI Encontro de Pesquisa em Ensino de Física – Curitiba – 2008

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AVALIANDO A PRESENÇA DAS TIC NOS CURSOS DE FÍSICA DO IF-UFBA EVALUATING THE PRESENCE OF TIC IN THE COURSES OF PHYSICS OF IF-UFBA
Dielson P. Hohenfeld 1 Jancarlos M. Lapa2 Maria Cristina Martins Penido 3.
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CEFET - BA/Departamento de Ciências Aplicadas, dph@cefetba.br

UFBA/ Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências , janlapa@ufba.br
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UFBA/Departamento de Física Geral/Instituto de Física , mcristi@ufba.br

Resumo Este trabalho integra nossa pesquisa de mestrado, que tem como objetivo central investigar a formação dos futuros professores de Física da Bahia. Visando analisar como estão sendo preparados para inserir as tecnologias de informação e comunicação (TIC) na sua prática pedagógica cotidiana. Essa inserção deve possibilitar alternativa s de estruturação de uma outra relação de ensino nas atuais aulas de Física. Aqui mostramos a análise documental dos projetos pedagógicos dos cursos de Física da UFBA onde discutimos, desde a sua estrutura curricular passando pelo perfil esperado do licenciado, até suas ementas e conteúdos das disciplinas do curso de licenciatura em Física. Utilizamos nossa revisão bibliográfica para mostrar o diálogo existente entre os estudiosos, tanto no que se refere aos aspectos teóricos voltados para as necessidades curriculares de uma forma geral, quanto na possibilidade da utilização das mídias no ensino de Física. Para tal dialogamos com pesquisadores como Belloni (2001), Carvalho (2002), Pretto (1996), Bonilla (2005) que discutem as questões sobre o papel do professor neste contexto da sociedade digital e Linhares (2002), Araújo & Vianna (2003), Viet (2002), dentre outros , que estão preocupados com a formaç ão do futuro professor de Física com relação à utilização d essas tecnologias. Integra essa análise questionários onde colhemos dados sobre o “currículo vivo”. Buscamos nessa reflexão contribuir com a formação dos professores de Física na Bahia, os dados apontam para a necessidade de intensificar a prática com as TIC em sala de aula. Palavras-chave : TIC, Formação de Professores, Ensino de Física. Abstract This work integrates our master's degree research, that has as central objective to investigate the futures teachers' of Physics of Bahia formation. Seeking to analyze how they are being prepared to insert the technologies of information and communication (TIC) in his/her daily pedagogic practice. That insert should make possible alternatives of structuring of another teaching relationship in the current classes of Physics. Here we showed the documental analysis of the pedagogic projects of the courses of Physics of UFBA where we discussed, from his/her structure curricular going by the licentiate's expected profile, until their menus and contents of the disciplines of the degree course in Physics. We used our bibliographical revision to show the existent dialogue so much among the specialists in what refers to the theoretical aspects returned for the needs curriculares in a general way as in the possibility of the use of the medias in physics teaching. For

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such we dialogued with researchers like Belloni (2001), Carvalho (2002), Pretto (1996), Bonilla 2005 that discuss the subjects on the teacher's paper in this context of the digital society and Linhares (2002), Araújo & Vianna (2003), Viet (2002), among others that are concerned with the formation of the future teacher of Physics regarding the use of those technologies. He/she integrates that analysis questionnaires where we picked data on the " alive " curriculum. We looked for in that reflection to contribute with physics teachers' formation in Bahia, the data appear for the need of intensifying the practice with T IC in classroom. Keywords: T IC , Analysis, Formation of Teachers, Teaching of Physics words. Introdução Nos últimos anos percebe-se um relativo crescimento de investigações no ensino de Física, acerca da inserção das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) nas aulas. Destas destacamos, Rezende (1999), Makiuchi (1999), Barros (2002), Gobara (2002), Linhares (2002), Medeiros (2002), Moreira (2002) e Angotti (2002), onde são discutidos desde a presença das tecnologias contemporâneas de comunicação nas práticas pedagógicas até o papel do professor neste contexto. Em particular, nas questões sobre planejamento de aulas, estruturadas em pressupostos pedagógicos e conhecimento Físico, apropriados para desenvolver atividades utilizando as TIC no ensino. Com respeito aos pressupostos, Lapa (2007) ao pesquisar o uso de simulações nas aulas de Física em escolas do nível médio em Salvador-BA mostra a necessidade de uma formação mais consistente do professores nos aspectos teóricos acerca dos fundamentos pedagógicos. Por outro lado do ponto de vista da formação os cursos de licenciatura devem preparar os seus estudante s de forma mais completa e atual possível. Mas, estas licenciaturas, estão atentas à problemática do uso das TIC no ensino de Física? Elas abordam essa questão na formação desses professores? Como? O domínio técnico das tecnologias de informação na graduação é suficiente para atender as necessidades de desenvolvimentos posteriores? Linhares (2002), investigando a região do norte fluminense, aponta para três questões básicas na introdução das TIC no ensino de Física; 1) a necessidade de formação tecnológica do professor de Física do nível médio; 2) a disponibilidade de material didático adequado ao emprego de inovações tecnológicas; 3) e o desenvolvimento de novas abordagens pedagógicas para sustenta r novas práticas p edagógicas. Dentro dessas questões apontadas estamos situados na formação do professor de Física. Nossa pesquisa tem como objetivo principal analisar a formação nos cursos de licenciatura da Bahia para discutir como estão sendo preparados esses professores. Buscando construir um referencial teórico que contribua nesta formação para que os estudantes ao se tornarem professores do ensino médio, superem a simples incorporação das tecnologias nos processos tradicionais e que estejam realmente preparados para aproveitarem as potencialidades das tecnologias de informação e comunicação – TIC. Dentro dessa perspectiva surgiram questões que orientaram nossos caminhar metodológico em busca de argumentos e considerações para uma maior compreensão e aprofundamento a cerca do problema. Dentre elas estão as seguintes: - Qual o perfil dos projetos pedagógicos dos cursos de licenciatura em Física da Bahia?

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- Nesses projetos existe uma preocupação com a inserção das tecnologias no contexto da formação dos p rofessores? - Existem disciplinas, que visam preparar o licenciando para o uso das tecnologias? Como “aparecem” no currículo? (optativas, obrigatória, eletivas, outras) E quais os seus objetivos? Descrição metodológica Neste artigo investigamos os doc umentos institucionais dos cursos de licenciatura em Física da UFBA, para mostra r a análise realizada nos projetos pedagógicos, nas matrizes curriculares, planos de curso, ementa e súmula de disciplinas. Além disso, consideramos importante investigar os docentes que trabalham nessa instituição de formação de professores em Física. Para tal foi aplicado um questionário. No Instituto de Física da UFBA no período de investigação a composição do quadro era por 55 docentes do quadro efetivo, organizados em três departamentos; Departamento de Física do Estado Sólido com 23 docentes efetivos, Departamento de Física da Terra e do Meio Ambiente com 15 docentes, Departamento de Física Geral com 15 docentes efetivos e 2 visitantes. Ao investigarmos os projetos dos curs os de licenciatura pudemos avaliar as propostas do ponto de vista da matriz curricular. Mas , partindo da premissa que em educação, como em outros fenômenos sociais, os projetos te óricos normalmente sofrem influências de diversos fatores no momento de sua execução. Então, além do estudo dos projetos pedagógicos dos cursos, buscamos formas de adquirir outros dados para a nossa pesquisa que fornecessem mais subsídios para a compreensão do problema. Dessa forma fazemos uma distinção entre o currículo do projeto e o currículo praticado nas aulas, ou seja, o “Currículo Vivo”. Para realizarmos essa análise resolvemos distinguir as disciplinas das matrizes curriculares classificandoas por quatro categorias descritas conforme Hohenfeld (2007) apresentado no VI ENPEC. Por outro lado o questionário da pes quisa foi elaborado após análise de alguns instrumentos similares aplicados em pesquisas de mesmo teor. Dentre os questionários estudados tomamos como referência principal o aplicado pelo Ministério da Educação de Portugal através do Departamento de Avaliação Prospectiva e Planejamento, pois nele Paiva (2002) descreve os objetivos dessa pesquisa, que ao analisamos percebemos uma boa concordância com o nosso problema. Tais objetivos são destacados a seguir: Conhecer de forma quantitativa o uso do computador pessoal feito pelo professor para realizar variadas tarefas, especialmente as que se relacionam com a sua atividade docente; Inferir o modo como é feita a formação de professores para o uso das tecnologias de comunic ação e informação; Quantificar e tipificar tanto os professores que as usam na sua prática letiva quanto o uso e os formatos das tecnologias em contexto educativo quer seja disciplinar ou transdisciplinar; Inferir as razões que levam a não utilização des sas tecnologias em contexto educativo;

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Reconhecer os aspectos nos quais os professores sentem maiores necessidades intervenção na formação dos estudantes; E inferir as possibilidades de incrementar o uso dessas tecnologias em contexto educativo. Com esses pressupostos o questionário ficou estruturado em 3 blocos: no primeiro buscamos informações básicas sobre o docente, sua formação e sua relação com o uso da tecnologia; no segundo o objetivo é saber a opinião dos docentes em relação à inserção das TIC na formação de professores de Física; o terceiro bloco visa perceber a atitude dos docentes face ao uso das TIC na formação dos futuros professores. A validação do questionário foi feita através de uma amostra de população semelhante a nossa população inves tigada. Foram enviados por e-mail a 10 professores de cursos de licenciatura em Matemática e Biologia tanto de instituições públicas como privadas , alguns estudantes do nosso Programa de Pesquisa dos quais tivemos resposta de todos os questionários e após análise dos resultados concluímos que o instrumento atendia nossas necessidades. E nesse momento não se verificou a necessidade de modificar nenhum item do questionário, embora em alguns itens por vezes, eram assinalados mais de uma resposta. Consideramos então que esse problema é resolvido na análise dos dados. A aplicação do questionário foi feita por meio eletrônico. Os endereços dos docentes da UFBA foram obtidos através da página do Instituto na internet. As TIC no Currículo da UFBA

1. Análise documental Na Universidade Federal da Bahia o principal responsável pela formação dos licenciados em Física é do Instituto de Física da UFBA (IFUFBA) que foi criado em 1968. Ele está localizado no Campus Universitário de Ondina, na Rua Barão de Geremoabo s/n, constando de um prédio de 5 pavimentos e do Laboratório de Física Nuclear Aplicada. Nas suas instalações físicas, encontramos biblioteca, laboratórios didáticos, de informática e de pesquisa, salas de aula, oficinas de apoio, sala de docentes e de alunos de pós-graduação e outras instalações destinadas a atender as necessidades de ensino pesquisa e extensão. Tanto o curso diurno quanto o noturno de Física são estruturados em forma de créditos/carga horária, conforme os demais cursos da instituição. Para seu ingresso os estudantes passam por um processo de seleção onde para o curso diurno temos um acesso ao curso para as habilitações de Licenciatura e Bacharelado num total de 50 vagas anuais. No curso noturno temos o acesso já definido no ingresso para o curso de licenciatura e não há o bacharelado, sendo oferecidas 40 vagas anuais . No curso diurno a opção por uma das habilitações (licenciatura ou bacharelado) é realizada ao longo do curso. Até o 4º semestre temos o núcleo comum, mas no 5º semestre iniciam-se as disciplinas diferenciadas voltadas para cada habilitação. Embora possam acontecer inserções entre as disciplinas de habilitações distintas o projeto deixa claro que não é possível a integralização das duas habilitações ao mesmo tempo. A partir do 5o semestre inicia-

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se a parte diferenciada das duas habilitações que pode, ainda, ter interseções. Ressaltando-se que a integralização das duas habilitações ao mesmo tempo, não é permitida. O projeto estima que em 4 anos seja possível completar a integralização curricular. Já no curso noturno o tempo estimado é de 5 anos. Devido à carga horária semanal noturna ser menor que no diurno, diante desse problema o projeto apresenta uma solução singular, pois a escolha dos conteúdos é mais criteriosa colocando os assuntos mais importantes nas disciplinas obrigatórias e os demais assuntos em disciplinas optativas. Deve-se também buscar um acompanhamento mais efetivo de cada estudante para reconhecer suas necessidades e características para apontar as disciplinas optativas mais indicadas para o mesmo. Destacamos no projeto pedagógico a descrição do perfil esperado para o graduado em licenciatura na UFBA tanto diurno quanto noturno:
O curso de licenciatura visa formar profissionais que, tendo o domínio sobre os princípios fundamentais e gerais da Física, detenham habilidades na transmissão do conhecimento da ciência para jovens cursando o Ensino Médio, no desenvolvimento de materiais experimentais ou metodológicos/didáticos e na divulgação do saber científico para a sociedade, bem como possam desenvolver pesquisas no campo do Ensino de Física . (IF-UFBA, 1999 pg.5)

Para alcançar esse perfil desejado são previstas habilidades essenciais e habilidades específicas a serem desenvolvidas ao longo do curso de graduação. Os docentes do Instituto de Física através do projeto pedagógico dos cursos de licenciatura se mostram atentos e bastante favoráveis à discussão sobre a inserção das TIC no ensino, como destacamos no trecho abaixo:
Os docentes do IF-UFBa têm discutido a necessidade de incluir inovações pedagógicas e/ou melhorias das condições de oferecimento de disciplinas. De um lado, o desenvolvimento da informática tem permitido a realização de simulações de problemas físicos. Algumas investidas neste sentido já foram realizadas e existem atualmente cursos virtuais, de autoria de alguns docentes, implantados em páginas da WEB. Uma versão preliminar de um software educativo, sobre oscilações, resultado de um projeto de iniciação científica, foi também desenvolvido e está a disposição dos alunos. (IF-UFBA, 1999 , pg.10)

Sobre esses cursos virtuais não encontramos nenhuma referência no site do IF -UFBA 1 local esperado para hospedar o curso, supomos então que esse curso atualmente não esteja disponível ou então está em processo de atualização. Quanto ao software, segundo um docente “é utilizado muito raramente em disciplinas de Física Geral”. Comparando as cargas horárias do curso diurno e noturno percebemos uma diferença de 330h (a menos no curso noturno) essa diferença é evidenciada no núcleo bás ico na carga horária das disciplinas; Física Geral, Matemática e pela ausência d a Introdução à Computação c onforme tabela a seguir:

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Site <www.fis.ufba.br> acesso em 15 setembro de 2007.

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Tabela 01 - Carga Horária Obrigatória
Lic. Diurna Lic. Noturna Diferença de C.H. 120 - 120 90 90 60 90 330

Física Geral Física Básica Fis. Clássica Fis. Moderna Matemática Computação Total

600 --180 180 420 150 1.170

480 120 90 90 360 60 840

Então ao utilizarmos referenc iais teóricos como Gil-Pérez e Carvalho (2000) que apontam a necessidade do professor conhecer a matéria a ser ensinada e Valente (1996) que mais especificamente relata que um dos obstáculos na utilização da informática na educação por parte de professores é “a necessidade de um maior domínio da disciplina a ser ensinada” podemos ver que há uma diferença entre a carga horária do diurno e noturno. Entretanto as Físicas gerais do noturno são complementadas com Físicas Básicas ficando no final a mesma carga. Nas Físicas Clássica e Moderna há uma defasagem de 180 horas, bem como, na Matemática onde faltam 60 horas. A ausência de uma disciplina que proponha a introdução de conhecimentos técnicos em informática no quadro acima, indica que na preparação dos estudantes de licenciatura noturna, o currículo mostra-se aparentemente desfavorável para a inserção das tecnologias de informação e comunicação na sua prática pedagógica. No entanto existe a disciplina FIS 146 – Informática Aplicada à Física com carga horária de 60 h compondo o elenco de disciplinas complementares obrigatórias. Além disso, temos as disciplinas complementares optativas conforme tabela 2: Tabela 02 - Carga Horária Optativas

Código EDC266 EDC 142 EDC 001 MAT045

Disciplinas Optativas Introdução à informática na educação Técnica e Recursos Audiovisuais Ed. Aberta continuada e à distância Processamento de dados

CH 90 105 60 60

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Notamos então a presença de disciplinas específicas pedagógica em informática educativa e/ou comunicação e também em técnica de recursos audiovisuais. Essas disciplinas como já foi discutido anteriormente buscam a integração das TIC no processo de ensino. E ainda a presença da disciplina de Processamento de Dados na categoria formação técnica em informática e/ou comunicação que trabalham linguagens, programação, aquisição e análise de dados, sem preocupar-se com as questões da prática pedagógica. 2. Análise dos questionários Dos 55 questionários enviados aos professores da UFBA recebemos 17 questionários que corresponde a uma amostra de 30,9%. A amostragem características: revelou um perfil de docente com as seguintes

a) Predominânc ia masculina, 94% e 6% feminino; b) Faixa etária mais representada está acima de 55 anos (47%), seguida pela faixa de 46 - 55 anos (41%) ficando (12%) para as demais faixas; c) Maioria tem vinculação efetiva com a instituição 94% e os demais são visitantes; d) Com formação inicial no bacharelado em Física 76%, em Licenciatura em Física 14% e os demais 10% em áreas afins. Sendo que destes 16% pós-doutores, 41% são doutores, 40 % mestres e 16% especialistas; e) 94% dos docentes usam bastante o computador para múltiplas tarefas, e os 6% restantes usam pouco; f) Com relação ao acesso à internet 88% dos docentes que usam em casa e no trabalho. A outra resposta mais escolhida foi 12% que usam apenas no trabalho; Para efeito desse artigo estamos analisando apenas os dados inerentes á utilização das TIC, visto que nossos referenciais mostram a necessidade de que os futuros professores , enquanto estudantes percebam as potencialidades dessas tecnologias na construção do seu próprio conhecimento, ou seja, a inserção das TIC no cotidiano acadêmico dos cursos de licenciatura e ainda precisamos que tais estudantes percebam essa utilização como um importante aliado no processo de ensino. Para que os estudantes de graduação tenham a dimensão das TIC na sua prática pedagógica é preciso saber se os docentes estão inseridos nesse mundo da informação e comunicação. De forma geral os professores da UFBA estão inseridos no contexto digital independentemente da Idade, sexo ou formação. Podemos perceber então que a não utilização das TIC em interação direta com os estudantes no momento da aula não se deve a falta de conhecimento dos recursos tecnológicos essas afirmações são feitas pela análise das questões E, F, G, H, I, e J. Onde sintetizamos os dados na tabela abaixo:

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Tabela 03 – Questões E a J

Resultados das Questões
Usam bastante o computador para múltiplas tarefas. Acesso a Internet + 20 h no computador Usa e-mail com a instituição Pesquisa para as aulas Usa o computador em aula 94% 100% 70% 59% 50% 18%

Poderíamos pensar que pelo fato dos docentes estarem na faixa etária maior (88% na faixa de 45 a +55) deveriam ficar menos horas ao computador, porém nossos dados revelam que não tem relevância a faixa etária para essa questão. Além disso, apresenta-se nesta tabela uma pequena contradição, pois embora os docentes tenham uma boa inclusão digital percebemos que ela não se estende para sua prática pedagógica de forma direta em sua sala de aula. E a interação fora da sala de aula tem percentual mais favorável de 50% esse dado nos permite inferir a respeito da dificuldade de utilização direta das TIC em sala de aula cruzando esses dados com o dado onde os docentes informam qual o principal obstáculo na formação dos licenciandos com relação à preparação para as TIC. Percebemos que a falta de recurso aparece como terceiro obstáculo, concluímos então que a falta de recurso embora não seja determinante, apresenta-se como dificuldade na utilização das TIC na interação direta com os estudantes. Embora existam disciplinas obrigatórias e complementares de cunho específico para preparar os es tudantes sobre as TIC no ensino, segundo os docentes o principal obstáculo é a falta de professores preparados para ensinar a disciplina específica. Ou seja, na visão desses professores embora tenha disciplina específica ela parece não ser trabalhada de forma significativa para a formação dos futuros professores.

Considerações Finais Os resultados indicam inicialmente que os docentes, ao serem questionados, passaram a fazer uma reflexão sobre o tema pesquisado, revertendose assim numa primeira contribuição desse trabalho de pesquisa. De forma alguma, as estratégias de ensino utilizadas através das TIC irão mascarar uma formação específica deficiente ou a falta de condições de trabalho dos professores, muito pelo contrário, elas exigem uma sólida base específica aliada às tecnologias digitais. Em compensação os conflitos no trabalho docente tornam-se mais aparentes, pois os desconhecimentos de conteúdo ficam marcados . Para a superação desses conflitos, podemos perceber a iminência de uma lógica educacional, resgatando o ambiente escolar modificando principalmente a atuação do professor. Que necessita de uma ação formativa multifacetada tanto nos

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aspectos do seu conhecimento da disciplina específica, quanto nas questões didáticas, metodológicas e tecnológicas de ensino. Consideramos importante que o estudante durante a sua formação tenha potencialmente percebido a importância da presença das tecnologias digitais no processo de construção do seu conhecimento, pois dessa forma ira favorecer a inserção desses elementos na sua prática pedagógica enquanto professor de Física no ensino médio. Nossos dados permitem percebermos que os professores do IFUFBA estão inseridos no contexto das TIC no que diz respeito à inclusão dessas tecnologias no seu ambiente de trabalho tanto nos aspectos de pesquisa quanto de ensino. Porém, as interações diretas de caráter mais formativo com seus estudantes para a inclusão d TIC no processo de ensino parecem muito tímidas. Isso se as evidencia no questionário aplicado, onde percebemos a concepção de que a formação deva acontecer em disciplina específica eximindo então as demais da responsabilidade de preparar os futuros professores no intuito de possibilitar que o mesmo estruture atividades de ensino com as TIC. Percebemos também a dificuldade de recursos digitais, na ação dire ta com os estudantes, quando ao compararmos as atividades estruturadas com as TIC no momento de aula com a extra-sala da aula onde temos um percentual mais significativo. E ainda ao citar a falta de recurso com o terceiro motivo que dificulta a inserção das TIC no processo de formação dos estudantes. Daí nossa principal indicação para contribuir para a ormação dos futuros f professores na expectativa que estes possam desenvolver práticas pedagógicas utilizando as tecnologias contemporâneas é que devem ser intensificadas as vivências de construção do conhecimento dos estudantes de licenciatura através das TIC. E a busca da efetiva triangulação entre conhecimento científico, formação técnica em informática e comunicação e reflexões sobre a prática pedagógica utilizando as TIC. Assim teremos aspectos mais favoráveis para que os futuros professores interajam com seus alunos no ensino médio com metodologias e estratégias de ensino coerentes com as tecnologias contemporâneas.

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GOBARA, Shirley Takeco; PIUBÉLI, Umbelina Giacometti; ROSA, Paulo Ricardo da Silva; BONFIM, Aline kassab: Estratégias para utilizar o programa prometeus na alteração das concepções em mecânica. In: Vianna, D. M.; Peduzzi, L. O. Q.; Borges, O. N.; Nardi, R. (Orgs.). Atas do VIII Encontro de Pesquisa em Ensino de Física. São Paulo: SBF, 2002. HOHENFELD, Dielson ; MARTINS, M. C. M. ; LAPA, J. M. . As tecnologias de Informação e comunicação no curso de Física da UEFS. In: VI Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências, 2007, Florianópolis. Caderno de Resumos. Belo Horizonte : ABRAPEC, 2007. v. 1. p. 172-172. INSTITUTO DE FÍSICA - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, Projeto Pedagógico do Curso Diurno de Física. Salvador, 1999. INSTITUTO DE FÍSICA - UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA, Projeto Pedagógico do Curso Noturno de Licenciatura em Física. Salvador, 1999. LAPA, J. M. ; MARTINS, M. C. M. ; Dielson Hohenfeld . Laboratórios virtuais no ensino de Física: uma possibilidade de aprendizagem significativa. In: VI Encontro nacional de pesquisa em educação em Ciências, 2007, Florianópolis. Caderno de Resumo. Belo Horizonte : ABRAPEC, 2007. v. 1. p. 298-298. LINHARES, Marília da Paixão; RAPKIEWICZ, Clevi Elena; REIS, Ernesto Macedo: Uma proposta para formação tecnológica integrada de professores de ciências do ensino médio no norte fluminense através de um ambiente virtual com ênfase no meio ambiente. In: Vianna, D. M.; Peduzzi, L. O. Q.; 2002. PAIVA, Jacinta. AS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO UTILIZAÇÃO PELOS PROFESSORES. Lisboa: Ministério da Educação, 2002. MAKIUCHI, Nilo; O uso da Internet nas aulas de Física básica. In: Simpósio Nacional de Ensino de Física. 13, 1999, Brasília – Distrito Federal. Atas do XIII simpósio Nacional de Ensino de Física - “Ensino de Física: em busca da sua identidade”. Brasília; SBF, 1999. p.33 -35. MEDEIROS, Alexandre; MEDEIROS, Cleide Farias: Possibilidades e limitações das simulações computacionais no ensino da Física. Revista Brasileira de Ensino de Física. V. 24, nº 2; p.77 – 86, Jun/2002. REZENDE, Flávia; Novas Tecnologias: Velhas Práticas?. In: Simpósio Nacional de Ensino de Físicas 13, 1999; Brasília – Distrito Federal. Atas do XIII simpósio Nacional de Ensino de F ísica - “ Ensino de Física : em busca da sua identidade”. Brasília; SBF, 1999. p.82 – 85. SOUZA, C. A. ; BASTOS, F. P. ; ANGOTTI, J. A. P. . As Mídias e suas Possibilidades: desafios para o novo educador. In: José André Peres Angotti / Mikael Frank Rezende Junior. (Org.). Prática de Ensino de Física. 1 ed. Florianópolis: FAPEU, 2001, v. único, p. 46-70. VEIT, E. A.; ARAUJO, I.S. Modelagem Computacional no Ensino de Física. In: Revista do Centro de Educação d a Universidade Federal de Alagoas. CEDU – n.21 – Maceió: Imprensa Universitária. UFAL. 2004. VEIT E. A., P. M. MORS e V. D. TEODORO. Ilustrando a Segunda Lei de Newton no Século XXI, Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 4, n. 2, p. 176-184, 2002.

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Anexo Questões de E a J E - Como definiria a sua relação com o computador? 1 : Não trabalho com o computador 2 : Raramente uso o computador 3 : Uso o computador apenas para processar texto 4 : Uso bastante o computador para realizar múltiplas tarefas 5 : Outra situação F - Quantas horas por semana utiliza o computador? 1 : De 0h a 10h 3 : De 20h a 30h G - Usa a Internet? 1 : Não 2 : Sim, em casa 3 : Sim, no trabalho 4 : Sim, em casa e no trabalho 5: Sim, em outros locais. 4 : Apresentações audiovisuais (Power Point, etc.) 5 : Outra situação J - Utiliza o computador em interação direta com os estudantes, no decorrer das suas aulas e no âmbito da(s) disciplina(s) que leciona? 1 : Sim 2 : Não 2 : De 10h a 20h 4 : Mais de 30h H - Com quem mais se comunica por e-mail? 1 : Não uso e-mail 2 : Com professores, funcionários e estudantes 3 : Com amigos 4 : Outros___________ I - Na preparação das suas aulas com que fins usa o computador? 1 : Não uso o computador para preparar as minhas aulas 2 : Elaboração de fichas e/ou testes 3 : Pesquisas na Internet de assuntos da minha disciplina

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