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TEMA

Eu sou o que sou (1Cor 15,1-10)

INTRODUÇÃO

O Papa Bento XVI proclamou um "Ano Paulino" para celebrar os 2000


anos do nascimento de São Paulo. São Paulo foi o Apóstolo que mais
influenciou a Igreja nascente. Considerando--se a si mesmo o Apóstolo
dos gentios, alargou os horizontes do Povo de Deus, percebendo que as
suas novas fronteiras são as da fé em Jesus Cristo. Na Igreja, novo
Povo de Deus, "Israel de Deus", não interessa a raça, o sexo, a situação
social. Interessa a fé, que faz de todos "concidadãos" dos santos.

Paulo é realmente um modelo de várias dimensões constitutivas da


Igreja nascente e de todos os tempos:
Modelo de conversão. A partir do encontro com Cristo na Estrada de
Damasco, fica completamente possuído por Ele, a sua vida começa de
novo e o seu sentido está agora na missão e na identificação com
Cristo.
Modelo de evangelizador. É essa relação forte com Cristo vivo que
o leva a evangelizar, com paixão, com ousadia, com método, com
dedicação total da vida.
Modelo de aprofundamento da fé. Judeu culto, formado nas
escolas rabínicas, Jesus Cristo abre-lhe um novo horizonte de
compreensão da fé. A fé cristã gera uma nova sabedoria, onde
enraízam todas as suas expressões: a participação na missão, a moral
cristã, o sentido de Igreja, a escatologia. Diz claramente que foi de Jesus
Cristo que aprendeu o Evangelho que prega. Por isso São Paulo
oferece-nos um caminho de aprofundamento da fé, um autêntico
itinerário catequético.

Depois das cartas de Paulo, o livro do NT que mais nos fala dele são os
Actos dos Apóstolos. É introduzido em 7, 49 e 8, 3, por ocasião da
morte de Estêvão; reaparece em 9, 1-31, a propósito da sua conversão;
vai-se tornando figura dominante a partir de 13, Iss, com a primeira
viagem missionária e a reunião apostólica em Jerusalém; e desde 15,36
até ao fim, em 28,31, não há acontecimento, tanto das suas segunda e
terceira viagens missionárias como da prisão que o leva de Jerusalém a
Roma, no qual ele não assuma um papel determinante.
Paulo foi assim um dos que mais contribuiu para a realização do programa
missionário que, conforme descrição dos Actos, Jesus Ressuscitado deixou
aos Apóstolos, antes da sua ascensão: Ides receber uma força, a do
Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em
Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra (1,8).
Se nos lembrarmos de que hoje vivemos nesses confins da terra, então
é sobretudo a ele que temos de agradecer a vida que temos em Cristo.
Ou melhor: é ao próprio Cristo. Foi Ele quem fez de Paulo testemunha do
seu Evangelho, aliás numa intervenção decisiva para a expansão da fé
cristã.

Tarso era capital da província romana da cilícia, a sudeste da actual


Turquia. Além de ficar perto do Mediterrâneo, era servida por vias
que uniam várias partes do império. Daí o seu intenso comércio e o
fácil escoamento para os seus principais produtos: Tecidos de linho
e de crinas de cabra (o cilicio) e curtumes. À riqueza material
juntava-se a cultural, alimentada sobretudo por escolas de filosofia
e de retórica.
Foi aí que Paulo nasceu de pais judeus, possivelmente entre o ano
5 e 10 da nossa era cristã, e adquiriu os conhecimentos da língua
grega e da arte e norma de retórica antiga que irá manifestar,
nomeadamente, nas suas cartas.

A/ Desenvolvimento do tema

• Leitura do texto: 1Cor 15,1-10


• S. Paulo encontra-se já numa fase algo avançada da sua
vida e reflexão teológica e eclesial. A sua afirmação insere-
se dentro de um texto em que reflecte e associa 3 pontos
importantes:
- O mistério pascal de Jesus, fonte de vida e salvação (vv 1-7)
- A sua vocação a caminho de Damasco (vv 8-9)
- A sua missão para os gentios (vv 1-3.9-10)
• S. Paulo compreende e manifesta o que é, somente nesta
tríplice relação. Só aí encontra pleno sentido para a sua
vida e tudo o que tem vivido e feito.

B/ O que foi: Fil 3,4-6; Gal 1,11-14


• Fariseu, filho de fariseus. A sua origem é de uma família
pelo menos da classe média, versada no conhecimento das
escrituras, alfabetizado, minimamente conhecedor da
realidade social, política e religiosa do país
• Originário de Tarso, cidade importante, rica. Daí o contacto
com o exterior e realidades diversas.
• Discípulo de Gamaliel. Um mestre reputado em Israel e
escutado tanto pela sua classe (fariseus) com por outras
classes
• Muito zeloso e defensor da sua fé a ponto de perseguir os
seguidores da “via”, os discípulos de um certo Cristo.

C/ o que é: Fil 3,7-11; Gal 1,15-24


• apóstolo, anunciador de Jesus – Gal 1,15-16
• zeloso defensor da sua missão de apóstolo dos gentios,
não se considerando menor que os outros, pelo menos não
com menor entusiasmo e dedicação (!Cor 15 9-10). Não se
poupa a esforços para viver fiel á sua vocação e missão.
• Um único objectivo: evangelizar – 1Cor 9,16: ai de mim se
não evangelizar
• Confiança absoluta em Jesus Cristo – 2Cor 12,1-10
• Comunhão íntima e total com Cristo – Fil 1,21: para mim
viver é Cristo
• Comunhão universal – 1Cor 9,19-23: Fiz-me tudo em todos

D/ Experiência transformadora
• o encontro com “aquele que perseguia” no caminho de
Damasco – Act 9,1-18; Gal 1,11-24
• Salientar o zelo, o encontro com Cristo, a abertura para o
que viria e ser. O zelo de antes transformou-se, mudou de
fonte e objectivo, mas continua com o mesmo entusiasmo
e dedicação.

III/ Reflexão pessoal:


• Reler alguns textos propostos: 1Cor 15,1-10 (nosso texto
base); Fil 3,2-11; Gal 1,11-24 (Paulo conta o que era e o
que é). Act 22,3-21; 26,2-23 (Lucas conta a experiência
transformadora). Outros textos interessantes: 1Cor 9,19-
23 – Paulo Faz-se tudo para todos; 2Cor 12,1-10 – Paulo
gloria-se unicamente no Senhor. Só nele se sente forte.

• Que te impressiona mais na vida de S. Paulo? Há algo em


que te podes identificar com ele? Onde encontrava ele a
força do seu zelo apostólico?
• Lê os textos de Daniel Comboni que te foram dados. Em
que é que Comboni se assemelha a Paulo? Que podes tirar
de Comboni e de Paulo para a tua vida?

• MENSAGEM DE DANIEL COMBONI Nºs.


• 227. Toda a nossa confiança está naquele que morreu
pelos pretos, que escolhe os meios mais débeis para fazer
as suas obras, porque quer demonstrar que é Ele o autor
do bem e nós, sozinhos, não poderemos fazer senão o mal.
Tendo-nos Ele chamado a esta obra, com a sua graça
triunfaremos dos paxás, dos mações, dos governos ateus,
dos tortos pensamentos dos bons, da astúcia dos maus e
das insídias do mundo e do inferno: só o ultimo alento da
nossa vida nos deterá a marcha.
• 228. A minha obra é por si mesma árdua e difícil e só a
omnipotência divina pode levá-la para a frente; por isso
coloquei toda a minha esperança no Coração de Jesus e na
intercessão de Maria e estou pronto a sofrer tudo pela
salvação das nações que me foram confiadas, convencido
de que a cruz é o sigilo das obras divinas, desde que não
seja provocada pela nossa imprudência ou maldade, e
confortado pelo oráculo divino:
• 231. Mas o Senhor que inquieta e alegra, enquanto com
uma mão me oferece uma cruz, à qual me submeto com
entusiasmo de um espírito que aceita voluntariamente um
seguro penhor de protecção, com a outra mostra-me as
razões para ter esperança e consolação.
Tenho a absoluta confiança de que o Divino Coração de
Jesus com a sua infinita misericórdia e bondade reparará
todos os prejuízos, porque Ele com a Sua graça sempre
guiou e guiará a Obra Santa.