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FENÔMENOS DOS TRANSPORTES

FENÔMENOS DOS TRANSPORTES Eduardo Emery Cunha Quites

Eduardo Emery Cunha Quites

FENÔMENOS DOS TRANSPORTES

O processo de transporte é caracterizado pela tendência ao equilíbrio, que é uma condição onde não ocorre nenhuma variação. Os fatos comuns a todos processos de transporte são descritos na tabela 1.1:

Tabela 1.1 Fatos comuns aos processos de transporte

A Força Motriz

O movimento no sentido do equilíbrio é causado por uma diferença de potencial

O Meio

A massa e a geometria do material onde as variações ocorrem afetam a velocidade e a direção do processo

O Fenômeno de Transporte

Alguma quantidade física é transferida

Alguns exemplos de processos de transporte:

Os raios solares aquecem a superfície externa de uma parede e o processo de transferência de calor faz com que energia seja transferida através da parede, tendendo a um estado de equilíbrio onde a superfície interna será tão quente quanto à externa.

Quando um fluido está entre duas placas paralelas e uma delas se movimenta, o processo de transferência de quantidade de movimento faz com que as camadas de fluido adjacentes à placa se movimentem com velocidade próxima à da placa, tendendo a um estado de equilíbrio onde a velocidade do fluido varia de V na superfície da placa em movimente até 0 na superfície da placa estacionária.

Uma gota de corante é colocada em recipiente com água e o processo de transferência de massa faz com que o corante se difunda através da água, atingindo um estado de equilíbrio, facilmente detectado visualmente.

1. TRANSFERÊNCIA DE CALOR

1.1. INTRODUÇÃO

1.1.1. O QUE É e COMO SE PROCESSA?

Transferência de Calor (ou Calor) é energia em trânsito devido a uma diferença de temperatura. Sempre que existir uma diferença de temperatura em um meio ou entre meios ocorrerá transferência de calor. Por exemplo, se dois corpos a diferentes temperaturas são colocados em contato direto, como n a figura 1.1, ocorrera uma transferência de calor do corpo de temperatura mais elevada para o corpo de menor temperatura até que haja equivalência de temperatura entre eles. Dizemos que o sistema tende a atingir o equilíbrio térmico.

T1 T2 Se T 1 >  > T > T 2 T 1 [
T1
T2
Se
T 1 >
>
T
>
T 2
T 1
[ figura 1.1 ]
T T T 2
T T
T 2

Está implícito na definição acima que um corpo nunca contém calor, mas calor é indentificado com tal quando cruza a fronteira de um sistema. O calor é então um fenômeno transitório, que cessa quando não existe mais uma diferença de temperatura. Os diferentes processos de transferência de calor são referidos como mecanismos de transferência de calor. Existem três mecanismos, que podem ser reconhecidos assim:

Quando a transferência de energia ocorrer em um meio estacionário, que pode ser um sólido ou um fluido, em virtude de uma diferença de temperatura, usamos o termo transferência de calor por condução. A figura 1.2 ilustra a transferência de calor por condução através de uma parede sólida submetida à uma diferença de temperatura entre suas faces.

condução através de uma parede sólida submetida à uma diferença de temperatura entre suas faces. [

[ figura 1.2 ]

Quando a transferência de energia ocorrer entre uma superfície e um fluido em movimento em virtude da diferença de temperatura entre eles, usamos o termo transferência de calor por convecção. A figura 1.3 ilustra a transferência de calor de calor por convecção quando um fluido escoa sobre uma placa aquecida.

convecção quando um fluido escoa sobre uma placa aquecida. [ figura 1.3 ]  Quando, na

[ figura 1.3 ]

Quando, na ausência de um meio interveniente, existe uma troca líquida de energia (emitida na forma de ondas eletromagnéticas) entre duas superfícies a diferentes temperaturas, usamos o termo radiação. A figura 1.4 ilustra a transferência de calor por radiação entre duas superfícies a diferentes temperaturas.

entre duas superfícies a diferentes temperaturas. [ figura 1.4 ] A tabela 1.2 resume as principais

[ figura 1.4 ]

A tabela 1.2 resume as principais características dos três mecanismos descritos, em termos dos fatos comuns dos processos de transporte, e que serão discutidos mais a fundo nos próximos capítulos:

Tabela 1.2 Características dos mecanismos de transferência de calor

 

Condução

Convecção

Radiação

A

Força Motriz

A diferença de temperatura

A diferença de temperatura

A diferença de temperatura

O

Meio

Meio estacionário

Fluido em movimento

Não precisa de meio

O

Fenômeno

Choque entre partículas

Condução + transporte de massa

Ondas Eletromagnéticas

2.4. MECANISMOS COMBINADOS

Na maioria das situações práticas ocorre que dois ou mais mecanismos de transferência de calor atuam ao mesmo tempo. Nos problemas da engenharia, quando um dos mecanismos domina quantitativamente, soluções aproximadas podem ser obtidas desprezando-se todos, exceto o mecanismo dominante. Entretanto, deve ficar entendido que variações nas condições do problema podem fazer com que um mecanismo desprezado se torne importante. Portanto, o bom senso e o conhecimento físico do sistema em estudo são fundamentais para determinar os mecanismos dominantes. Como exemplo de um sistema onde ocorrem, ao mesmo tempo, vários mecanismos de transferência de calor, considere uma garrafa térmica. Neste caso, podemos ter a atuação conjunta dos seguintes mecanismos esquematizados na figura 1.5. Notemos que tanto no frasco plástico quanto na capa plástica não pode ocorrer convecção ( meio sólido) e radiação (material opaco). Portanto nestes meios somente importa a condução. Outras melhorias que podem ser introduzidas no exemplo com intuito de reduzir ainda mais a taxa de transferência de calor para o ambiente externo são: (1) uso de superfícies aluminizadas para a capa plástica de modo a reduzir a radiação e (2) evacuação do espaço com ar para reduzir a convecção natural.

q 1 : convecção natural entre o café e a parede do frasco plástico q

q 1 : convecção natural entre o café e a parede do frasco

plástico q 2 : condução através da parede do frasco plástico

q 3 : convecção natural do frasco para o ar

q 4 : convecção natural do ar para a capa plástica

q 5 : radiação entre as superfícies externa do frasco e

interna da capa plástica q 6 : condução através da capa plástica

q 7 : convecção natural da capa plástica para o ar ambiente

q 8 : radiação entre a superfície externa da capa e a

vizinhança

[figura 1.5]

1.1.3. SISTEMAS DE UNIDADES

Unidades são meios de expressar numericamente as dimensões. As dimensões fundamentais (previamente definidas) são quatro: tempo, comprimento, massa e temperatura. As unidades são agrupadas em sistemas coerentes. Apesar de ter sido adotado internacionalmente o sistema de unidades denominado Sistema Internacional (S.I), o Sistema Inglês e o Sistema Métrico ainda são amplamente utilizados em vários paises do mundo. Na tabela 1.3 estão as unidades fundamentais para os três sistemas citados:

Tabela 1.3 - Unidades fundamentais dos sistemas de unidades mais comuns

SISTEMA

TEMPO

COMPRIMENTO

MASSA

TEMPERATURA

S.I.

segundo, s

metro, m

quilograma, kg

Kelvin, K

INGLÊS

segundo, s

pé, ft

libra-massa, lbm

Farenheit, °F

MÉTRICO

segundo, s

metro, m

quilograma, kg

Celsius, °C

[1 pé (ft) = 12 polegadas (inch)

[1 ft = 0,305 m]

ou

[1 lbm = 0,45 kg]

1’ = 12’’ ] [T(K) = T(°C) + 273]

As unidades derivadas mais importantes para a transferência de calor, mostradas na tabela 1.3, são obtidas por meio de definições relacionadas a leis ou fenômenos físicos:

Força: as unidades de força são definidas a partir da Segunda Lei de Newton (F = m.a):

newton (N) é a força necessária para acelerar uma massa de 1 Kg a uma taxa de 1 m/s 2 .

a = 1 m/s 2 1 kg
a = 1 m/s 2
1 kg

F = 1 N

1 N = 1 kg . 1 m/s 2

kilograma-força (kgf) é a força necessária para acelerar uma massa de 1 utm (=9,8 kg) a uma taxa de 1 m/s 2 .

a = 1 m/s 2 1 utm
a = 1 m/s 2
1 utm

F = 1 kgf

1 kgf = 9,8 kg . 1 m/s 2

ou

1 kgf = 1 utm . 1 m/s 2

libra-força (lbf) é a força necessária para acelerar uma massa de 1 slug (=32,2 lbm) a uma taxa de 1 ft/s 2 .

a = 1 ft/s 2 1 slug
a = 1 ft/s 2
1 slug

F = 1 lbf

1 lbf = 32,2 lbm . 1 ft/s 2

ou

1 lbf = 1 slug . 1 m/s 2

O peso de um corpo (G) é freqüentemente usado incorretamente para expressar a massa (m) como nas balanças de banheiro. Na verdade o peso (G) é uma força resultante da aceleração gravitacional (g) e sua intensidade é determinada pela segunda lei de Newton (G = m.g). Ao nível do mar uma massa de 1 kg pesa 9,8 N:

2

G m.g 1 kg . 9,8m/ s 9,8N

N kg.m/ s

2

A mesma massa de 1 kg (1 kg = 1/9,8 utm) pesará 1 kgf em unidades do sistema métrico.

G m.g

1

9,8

utm

. 9,8

m

/

s

2

1

kgf

kgf utm m s

.

/

2

Pressão é a relação entre a força normal aplicada e a área (P = F/A), então:

pascal (Pa) é a pressão resultante quando uma força normal de 1 N é aplicada em uma área de 1 m 2.

F N = 1 N P = 1 Pa A = 1 m 2
F N = 1 N
P = 1 Pa
A = 1 m 2

1 Pa = 1 N / 1 m 2

( 1 kPa = 1000 Pa)

Kgf/m 2 é a unidade no sistema métrico, porém Kgf/cm 2 é mais usado (1 Kgf/cm 2 = 10000 Kgf/m 2 ).

lbf/pol 2 (psi pound per square inch) é a unidade mais comum no sistema inglês.

Trabalho (uma forma de Energia) é definido como produto da força pela distância (= F.x), então:

joule (J) é o trabalho ou a energia despendida por uma força de 1 N em um deslocamento de 1 m.

F = 1 N F = 1 N x = 1 m
F = 1 N
F
= 1 N
x = 1 m

1 J = 1 N . 1 m

kgf.m (kgm) é a unidade no sistema métrico, kilocaloria (kcal) é mais usada ( 1 kcal = 1000 calorias).

lbf.ft é a unidade no sistema inglês, porém o Btu (British thermal unity) é mais usado.

As unidades mais usuais de energia (Btu e Kcal) são baseadas em fenômenos térmicos, e definidas como:

Btu é a energia requerida na forma de calor para elevar a temperatura de 1lb de água de 67,5 ° F a 68,5 ° F

kcal é a energia requerida na forma de calor para elevar a temperatura de 1 kg de água de 14,5 ° C a 15,5 ° C

Potência é a capacidade de realizar trabalho na unidade de tempo (= / t), então:

watt ( W ) é a potência dissipada quando um trabalho de 1 J é realizado em 1 s

F = 1 N F = 1 N x = 1 m
F = 1 N
F
= 1 N
x = 1 m
de 1 J é realizado em 1 s F = 1 N F = 1 N

t = 1 s

1 W = 1 J / 1 s

kcal/h é a unidade mais comum no sistema métrico.

Btu/h é a unidade mais comum no sistema inglês.

Tabela 1.3 - Unidades derivadas mais comuns em fenômenos dos transportes

SISTEMA

FORÇA, F

PRESSÃO, P

ENEGIA, E

POTÊNCIA,

S.I.

newton, N

Pascal, Pa

Joule,J

Watt,W

INGLÊS

libra-força, lbf

lbf/pol 2

lbf-ft (Btu)

Btu/h

MÉTRICO

kilograma-força, kgf

Kgf/cm 2

kgm (kcal)

kcal/h

No estudo da transferência de calor veremos que o fluxo ou taxa de calor transferido ( q) é a quantidade de calor (Q) transferido na unidade de tempo (t). Neste caso, as seguintes unidades são, em geral, utilizadas:

q

Q

t

,

onde :

q

Q

fluxo de calor transferido (potência):W, Btu/h,Kcal/h (potência) quantidade de calor transferido (energia) :J, Btu,Kcal (energia)

Algumas relações de conversão entre os sistemas de unidades:

Força:

1 N

= 0,102 kgf

= 0,225 lbf

Pressão:

1 Pa

= 0,102 kgf/m 2

= 0,000145 lbf/pol 2

Energia:

1J

= 0,000948 Btu

= 0,000239 Kcal

Potencia:

1 W

= 3,412 Btu/h

= 0,860 Kcal/h

= 0,00136 CV

= 0,00134 HP

Tabela de prefixos padrão do Sistema Internacional

Múltiplo

10

12

10

9

10

6

10

3

10

2

10

1

10

-1

10

-2

10

-3

10

-6

10

-9

10

-12

Prefixo

tera,T

giga,G

mega,M

kilo,k

hecto,h

deca,da

deci,d

centi,c

mili,m

micro,µ

nano,n

pico,ρ

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS:

Exercício R.1.1.1. Converter para o sistema internacional (SI) a seguinte massa especifica: = 62,4 lb/ft 3 , sendo dado que: 1 kg = 2,205 lb e 1 m = 3,281 ft.

62,4

ft lb

3

1

kg

2,205 lb

   3,281

1

ft

m

   999,53

kg

m

3

Exercício R.1.1.2. Determinar a unidade de peso específico () no SI a partir da formula: = . g , sendo dado

que:

[F] = [m] . [a] , ou seja :

1 N = 1 Kg . 1 m/s 2 e

[g] = m/s 2 .

.

g

kg

m 1

m

3

m s

2

3

kg

m

s

2

 

N

3

m

Exercício R.1.1.3. Converter para o SI o seguinte coeficiente de película: h = 10 Kcal/h.m 2 .°C , sendo dado que:

1 W = 0,86 Kcal/h e 1 K = 1 °C. (Nota: 1 °C equivale dimensionalmente a 1 K, porém para converter uma temperatura em Celsius para Kelvin devemos somar uma constante : T[°C] = T[K] + 273 )

Kcal 1 W 1 o C h  10    11,63 h .
Kcal
1
W 1
o C
h 
10
 11,63
h
.
m
2
.
o C
0,86 Kcal
1
K
h

W

2

m

.

K

Exercício R.1.1.4. Determinar a unidade de energia cinética (E c ) no SI a partir da formula: E c = ½m.v 2 , sendo

dado que:

[F] = [m] . [a] , ou seja :

1 N = 1 Kg . 1 m/s 2 e

[v] = m/s.

E

c

m

 

.

v

2

kg

m

s

2

kg

2

m

s

2

kg

m

s

2

 m

N

m

J

Exercício R.1.1.5. Determinar a unidade de fluxo de calor ( q) no SI e no Sistema Métrico a partir da formula: q = Q/t , onde: Q = quantidade de calor ( Kcal, J ) e t = tempo

SI :



q

  

Q

t

J

s

W

Metrico

:



q

  

Q

t

Kcal

h

Exercício R.1.1.5. Se uma maçã pesa 100 g (0,1 kg), quantas maçãs são aproximadamente necessárias para que o peso total seja equivalente a 1 N, 1 lbf e 1 kgf?. Dado: g = 9,8 m/s 2 (SI e métrico) e g = 32,2 ft/s 2 (sist. Inglês) e 1 lbm = 0,45 kg.

G

G

G

m.g

m.g m.g

 

(0,1.x) kg . 9,8m/ s

(0,1.x) (0,1.x)

2

kg.m/ s

2

0,45 9,8  utm 32,2 . 9,8 m / slug . s 32,2  1  9,8  utm 32,2 . 9,8 m / slug . s 32,2  1 9,8 utm 32,2 . 9,8m/ slug . s 32,2 1kgf ft / s

1N

2

N

x

1,02

1maçã

2

kgf utm.m/ s

1lbf

2

lbf slug.ft / s

x

2

2   kgf utm . m /  s  1 lbf 2  
2   kgf utm . m /  s  1 lbf 2  

10 maçãs 4,5 maçãs

x

1.2. CONDUÇÃO

1.2.1. LEI DE FOURIER

A lei de Fourier foi desenvolvida a partir da observação dos fenômenos da natureza em experimentos.

Imaginemos um experimento onde o fluxo de calor resultante é medido após a variação das condições experimentais. Consideremos, por exemplo, a transferência de calor através de uma barra de ferro com uma das extremidades aquecidas e com a área lateral isolada termicamente, como mostra a figura 1.6:

lateral isolada termicamente, como mostra a figura 1.6: [ figura 1.6 ] Com base em experiências,

[ figura 1.6 ] Com base em experiências, variando a área da seção da barra, a diferença de temperatura e a distância entre as extremidades, chega-se a seguinte relação de proporcionalidade:

q

A

.

T

x

A proporcionalidade pode se convertida para igualdade através de um coeficiente de proporcionalidade e a Lei de Fourier pode ser enunciada assim: A quantidade de calor transferida por condução, na unidade de tempo, em um material, é igual ao produto das seguintes quantidades:

k . A . d T dx

k. A. dT

dx

( eq. 1.1 )

onde, q , fluxo de calor por condução ( Kcal/h no sistema métrico); k, condutividade térmica do material; A, área da seção através da qual o calor flui, medida perpendicularmente à direção do fluxo ( m 2 ); dT dx, razão de variação da temperatura T com a distância, na direção x do fluxo de calor ( o C/m )

a distância, na direção x do fluxo de calor ( o C/m )  A razão
a distância, na direção x do fluxo de calor ( o C/m )  A razão

A razão do sinal menos na equação de Fourier é que a direção do aumento da distância x deve ser a direção

do

fluxo de calor positivo. Como o calor flui do ponto de temperatura mais alta para o de temperatura mais baixa

(gradiente negativo), o fluxo só será positivo quando o gradiente for positivo (multiplicado por -1).

O fator de proporcionalidade k (condutividade térmica) que surge da equação de Fourier é uma propriedade de

cada material e vem exprimir maior ou menor facilidade que um material apresenta à condução de calor. Sua unidade é facilmente obtida da própria equação de Fourier, por exemplo, no sistema prático métrico temos:

    dT q  Kcal h Kcal   q  
dT
q 
Kcal h
Kcal
q
 
k A
.
.
k


k
dx
dT
o
o
C
h m
.
.
C
A .
2
m
dx
m

W
W
Nosistema internacional (SI), fica assim:
k
K
m.K
m
2
.
m

Os valores numéricos de k variam em extensa faixa dependendo da constituição química, estado físico e temperatura dos materiais. Quando o valor de k é elevado o material é considerado condutor térmico e, caso contrário, isolante térmico. Com relação à temperatura, em alguns materiais como o alumínio e o cobre, o k varia muito pouco com a temperatura, porém em outros, como alguns aços, o k varia significativamente com a temperatura. Nestes casos, adota-se como solução de engenharia um valor médio de k em um intervalo de temperatura

1.2.2. CONDUÇÃO DE CALOR EM UMA PAREDE PLANA

Consideremos a transferência de calor por condução através de uma parede plana submetida a uma diferença de temperatura. Um bom exemplo disto é a transferência de calor através da parede de um forno, como pode ser visto na figura 1.7, que tem espessura L, área transversal A e foi construído com material de condutividade térmica k. Do lado de dentro do forno uma fonte de calor mantém a temperatura na superfície interna da parede constante e igual a T 1 enquanto que a temperatura da superfície externa permaneça igual a T 2 .

da superfície externa permaneça igual a T 2 . [ figura 1.7 ] Aplicado a equação

[ figura 1.7 ]

Aplicado a equação de Fourier, tem-se:

qk.A.

dT

dx

Fazendo a separação de variáveis, obtemos :

q.dx k.A.dT

( eq. 1.2 )

Na figura 1.7 vemos que na face interna ( x=0 ) a temperatura é T 1 e na face externa ( x=L ) a temperatura é T 2 . Para a transferência em regime permanente o calor transferido não varia com o tempo. Para a área transversal da parede Ae condutividade kconstantes, a integração da equação 1.2, fica assim:

.

q

L

0

dx

k A

 .

.

T

T

1

2

q.L k.A. T T

1

2

dT

q. L 0 k.A. T T

2

1

Considerando que ( T 1 - T 2 ) é a diferença de temperatura entre as faces da parede (T ), o fluxo de calor a que atravessa a parede plana por condução é :

k A . q   . T L
k A
.
q  
. T
L

( eq. 1.3 )

Para melhor entender o significado da equação 1.3 consideremos um exemplo prático. Suponhamos que o engenheiro responsável pela operação de um forno necessita reduzir as perdas térmicas pela parede de um forno por razões econômicas. Considerando a equação 1.3, o engenheiro tem as opções listadas na tabela 1.3:

Tabela 1.3- Possibilidades para redução de fluxo de calor em uma parede plana.

OBJETIVO

VARIÁVEL

AÇÃO

Reduzir k

trocar a parede por outra de menor condutividade térmica

Reduzir q

Reduzir A

reduzir a área superficial do forno

Aumentar L

aumentar a espessura da parede

Reduzir T

reduzir a temperatura interna do forno

OBS: A colocação de isolamento térmico sobre a parede cumpre ao mesmo tempo as ações de redução da condutividade térmica e aumento de espessura da parede.

Exercício R.1.2.1. Um equipamento condicionador de ar deve manter uma sala, de 15 m de comprimento, 6 m de largura e 3 m de altura a 22 o C. As paredes da sala, de 25 cm de espessura, são feitas de tijolos com condutividade térmica de 0,14 Kcal/h.m. o C e a área das janelas são consideradas desprezíveis. A face externa das

paredes pode estar até a 40 o C em um dia de verão. Desprezando a troca de calor pelo piso e teto, que estão bem isolados, pede-se o calor a ser extraído da sala pelo condicionador ( em HP ). Dado: 1HP = 641,2 Kcal/h

k 15m T 1 q T 2 3m 6m L
k
15m
T 1
q
T
2
3m
6m
L
o  40 C T  22 T 1 2 k  0 14 ,
o
40
C
T
22
T 1
2
k  0 14
,
Kcal h m
.
.
L
25 cm
0 25
,
m
sala :
6 
15
3 m

o

C

o C

Desconsiderando a influência de janelas, a área lateral das paredes, desprezando o piso e o teto, é :

A 263 2153 126m

.

2

o C

Utilizando a equação 1.3, temos:

q

k A

.

L

. T

1

T

2

0,14

q   k A . L  . T 1  T 2  

Kcal h m

.

126

2

m

0,25 m

 T 2   0,14  Kcal h m .   126 2 m

1270

1 HP Kcal h  641 2 , Kcal
1 HP
Kcal
h 
641 2
,
Kcal

h

1 979

,

HP

40

22

o

C

1270

Portanto, o fluxo de calor a ser extraído da sala para mantê-la refrigerada é:

Kcal h  2 HP
Kcal h
 2 HP

Exercício R.1.2.2. As faces internas das paredes de uma casa devem ser mantidas a 20 ° C, enquanto que a

temperatura média nas faces externas é -20 o C. Para isto, um sistema de aquecimento utiliza óleo combustível. As paredes da casa medem 25 cm de espessura, e foram construídas com tijolos de condutividade térmica de 0,75 W/m.K.

a) Calcular a perda de calor para cada metro quadrado de superfície por hora.

b) Sabendo-se que a área total de transferência de calor da casa é 250 m 2 e que o poder calorífico do óleo combustível é de 37215 kJ/litro, determinar a quantidade de óleo combustível a ser utilizada no sistema de aquecimento durante um período de 24 h. Supor o rendimento do sistema de aquecimento igual a 70%.

h. Supor o rendimento do sistema de aquecimento igual a 70%. T 1  20 o

T 1 20

o

C

2 20

T

o

C

k

0,75

a 70%. T 1  20 o C 2  20 T o C k 

W m K

.

L

25

cm

0,25

m

a) Desprezando o efeito do canto das paredes e a condutividade térmica da argamassa entre os tijolos, aplica-se a

equação de Fourier para paredes planas

q

k A

.

L

. T

1

T

2

Portanto, o fluxo de calor transferido por cada metro quadrado de parede é:

Para

A

1

m

2 , temos:

q

0,73(

W

de parede é: Para A  1 m 2 , temos: q   0,73( W

m K

.

) 1

2

m

0,25 m

20

20

o C

q

120 W

p/ de área

2

m

b) Esta perda de calor deve ser reposta pelo sistema de aquecimento, de modo a manter o interior a 20 o C. A perda pela área total do edifício é:

A

250

2

m

então,

q

t

120

250

30000

W

30000

J

30

kJ

 

s

s

O tempo de utilização do sistema de aquecimento é 24 horas. Neste período a energia perdida para o exterior é:

q

Q

t

Q

q t

.

30

KJ

s

24

h

60

min

h

60

s

min

2592000 kJ

Com o rendimento do sistema é 70% a quantidade de calor a ser fornecida pelo carvão é :

Q f

Q

2592000

0,7

3702857 kJ

Cada quilo de carvão pode fornecer 37215 kJ/litro, então a quantidade de óleo combustível é:

QT carvão

3702857 kJ

35215

kJ litro

/

99,5 litros

1.2.3. ANALOGIA ENTRE RESISTÊNCIA TÉRMICA E RESISTÊNCIA ELÉTRICA

Dois sistemas são análogos quando eles obedecem a equações semelhantes. Por exemplo, a equação 1.3 que fornece o fluxo de calor através de uma parede plana pode ser colocada na seguinte forma:

q

T

L

k A

.

( eq. 1.4 )

O denominador e o numerador da equação 1.4 podem ser entendidos assim :

( T ) , a diferença entre a temperatura é o potencial que causa a transferência de calor

( L / k.A ) é equivalente a uma resistência térmica (R) que a parede oferece à transferência de calor

Portanto, o fluxo de calor através da parede pode ser expresso da seguinte forma :

q

T

R

onde,

T

é o potencial térmico e

R

é a resistência térmica da parede

( eq. 1.5 )

Se substituirmos na equação 1.5 o símbolo do potencial de temperatura T pelo de potencial elétrico, isto é, a diferença de tensão U, e o símbolo da resistência térmica R pelo da resistência elétrica R e , obtemos a equação 1.6 ( lei de Ohm ) para i, a intensidade de corrente elétrica :

i

U

R

e

( eq. 1.6 )

Dada esta analogia, é comum a utilização de uma notação semelhante à usada em circuitos elétricos, quando representamos a resistência térmica de uma parede. Assim, uma parede de resistência R, submetida a um potencial T e atravessada por um fluxo de calor q , pode ser representada como na figura 1.8 :

de calor q , pode ser representada como na figura 1.8 : [ figura 1.8 ]
de calor q , pode ser representada como na figura 1.8 : [ figura 1.8 ]

[ figura 1.8 ]

1.2.4. ASSOCIAÇÃO DE PAREDES PLANAS EM SÉRIE

Consideremos um sistema de paredes planas associadas em série, submetidas a uma diferença de temperatura. Assim, haverá a transferência de um fluxo de calor contínuo no regime permanente através desta parede composta. Como exemplo, analisemos a transferência de calor através da parede de um forno, que pode ser

composta de uma camada interna de refratário ( condutividade k 1 e espessura L 1 ), uma camada intermediária de isolante térmico ( condutividade k 2 e espessura L 2 ) e uma camada externa de chapa de aço ( condutividade k 3 e espessura L 3 ). A figura 1.9 ilustra o perfil de temperatura ao longo da espessura desta parede composta :

k T k k 1 3 2 1 T 2 T 3 T 4 L
k
T
k
k
1
3
2
1
T
2
T
3
T
4
L
L
2
3

.

q

[ figura 1.9 ] O fluxo de calor que atravessa a parede composta pode ser obtido em cada uma das paredes planas individualmente:

q

k

1

.

A

1

L

1

.(

T

1

T

2

);

q

k

2

.

A

2

L

2

.(

T

2

T

3

);

q

k

3

.

A

3

L

3

.(

T

3

T

4

)

( eq. 1.7 )

Colocando em evidência as diferenças de temperatura nas equações acima e somando, obtemos:

q L

. 1 ( T ) T 1   2 k . A 1 1
.
1
(
T )
T
1
2
k
.
A
1
1
q
.
L
2
(
T
T
)
2
3
k
.
A
2
2
q
.
L
3
(
T
T
)
3
4
k
.
A
3
3
q
.
L
q  L
.
q L
.
1
2
3
T
T
T
T
T
T
1
2
2
3
3
4
k A
1
.
k
.
A
k
.
A
q
L
q
L
q
L
1
2
2
3
3
T
T
1
2
3
1
4
k
A
k
A
k
A
1
1
2
2
3
3

ou,

( eq. 1.8 )

3 1 4 k A k A k A 1 1 2 2 3 3 ou,

Colocando em evidência o fluxo de calor q e substituindo os valores das resistências térmicas em cada parede na equação 1.8, obtemos o fluxo de calor pela parede do forno :

T1 T4 q.(R1 R2 R3 )

q
q

T

1

T

4

R

1

R

2

R

3

( eq. 1.9 )

Portanto, para o caso geral em que temos uma associação de paredes n planas associadas em série o fluxo de calor é dado por:

T

R

t

n

i 1

q

total

, ondeR

t

R

i

R

1

 

R

2



R

n

 

( eq. 1.10 )

Exercício R.1.2.3. Uma parede de um forno é constituída de duas camadas: 0,20 m de tijolo refratário (k = 1,2

kcal/h.m. o C) e 0,13 m de tijolo isolante (k = 0,15 kcal/h.m. o C). A temperatura da superfície interna do refratário é 1675 o C e a temperatura da superfície externa do isolante é 145 o C. Desprezando a resistência térmica das juntas de argamassa, calcule :

a) o calor perdido por unidade de tempo e por m2 de parede;

b) a temperatura da interface refratário/isolante.

parede de refratário : L parede de isolante : 1  0,20 m k 1

parede de refratário :

L

parede de isolante :

1 0,20

m

k

1

L

2

T

1

0,13

m

1675

o

C

1,2

1  0,20 m k 1 L 2 T 1  0,13 m  1675 o

Kcal h m

.

.

o C

k  0,15 Kcal h m . . o C 2 o T  145
k
0,15
Kcal h m
.
.
o C
2
o
T
145
C
3
q 
1480,6
Kcal h p

a) Considerando uma área unitária da parede ( A=A 1 =A 2 =1 m2 ), temos :

q

b)

T

total

T

1

T

3

T

1

T

3

1675

145

 

R

t

R

ref

R

iso

L

1

L

2

 

0,20

0,13

k

1

.

A

k

2

.

A

1,2

1

0,15

1

m

2

O fluxo de calor também pode ser calculado em cada parede individual. Na parede de refratário, obtemos :

q

T

1

T

2

T

1

T

2

k

1

.

A

R

ref

L

1

L

1

 

k

1

. A

 

. T

1

T

2

1480,6

1,2

1

0,20

1675

T

2

T 2 1428,2

o C

1.2.5. ASSOCIAÇÃO DE PAREDES PLANAS EM PARALELO

Consideremos um sistema de paredes planas associadas em paralelo, como na figura 1.10 e submetidas a uma diferença de temperatura constante e conhecida. Assim, haverá a transferência de um fluxo de calor contínuo no regime permanente através da parede composta. Faremos as seguintes considerações:

Todas as paredes estão sujeitas a mesma diferença de temperatura;

As paredes podem ser de materiais e/ou dimensões diferentes;

paredes podem ser de materiais e/ou dimensões diferentes; [ figura 1.10 ] O fluxo de calor

[ figura 1.10 ] O fluxo de calor que atravessa a parede composta pode ser obtido em cada uma das paredes planas individualmente:

q 1
q
1

k

1

. A

1

L

1

.(

T

1

T

2

);

q 2
q
2

k

2

. A

2

L

2

.(

T

1

T

2

)

O fluxo de calor total é igual a soma dos fluxos da equação 1.11 :

k

1

.

A

1

.(

T

1

1

T

2

)

k

.

A

R

L

k

A

2

.

2

L

2

.(

T

1

T

2

)

q

q

1

q

2

k

.

A

L

1

L

Como R

Substituindo a equação 1.13 na equação 1.12, obtemos :

q

1

R

1

1

R

2

.(

T

1

T

2

)

(

T

1

T

2

)

R

t

onde,

1

t

R

1

R

1

k

A

1

.

1

L

1

1

R

2

k

2

.

A

2

L

2

.( T

1

T

2

 

(

eq. 1.11 )

)

(

eq. 1.12 )

(

eq. 1.13 )

Portanto, para o caso geral em que temos uma associação de n paredes planas associadas em paralelo o fluxo de calor é dado por :

  T  1 n 1 1 1 1 R t R R R
 T
1
n 1
1
1
1
R t
R
R
R
R
R
t
i  1
i
1
2
n

q

total

, onde



( eq. 1.14 )

Exercício R.1.2.4. Uma camada de material refratário ( k=1,5 kcal/h.m. o C ) de 50 mm de espessura está localizada entre duas chapas de aço ( k = 45 kcal/h.m o C ) de 6,3 mm de espessura. As faces da camada refratária adjacentes às placas são rugosas de modo que apenas 30 % da área total está em contato com o aço. Os espaços vazios são ocupados por ar ( k=0,013 kcal/h.m. o C ) e a espessura média da rugosidade de 0,8 mm. Considerando que as temperaturas das superfícies externas da placa de aço são 430 o C e 90 o C, respectivamente; calcule o fluxo de calor que se estabelece na parede composta. OBS : Na rugosidade, o ar está parado (considerar apenas a condução)

k  45 Kcal h m . . o C k  1,5 Kcal h
k
45
Kcal h m
.
.
o
C
k
1,5
Kcal h m
.
.
o
C
aço
ref
k
 0,013
Kcal h m
.
.
o
C
ar
L
 50
mm
ref
L
6,3
mm
0,0063
m L
0,8
mm
0,0008
m
aço
rug
L
50
2
0,8
48,4
mm
0,0483
m
ref
o
o
T C
430
T
90
C
1
2
Cálculo das resistências térmicas ( para uma área unitária ) :
0,0063
0,0008
L aço
L rug
o
o
R
 0,00014 .
h
C Kcal
R
 0,0018 .
h
C Kcal
1
3
k
.
A
45
1
 
k
.
A
1,5
0,3
1
aço
ref
0,0008
0,0484
L rug
L ref
o
o
R
 0,08791 .
h
C Kcal
R
 
 0,0323 .
h
C Kcal
2
1
k
. A
0,013
0,7
1
. A
1,5
 1
ar
k ref

A resistência equivalente à parede rugosa ( refratário em paralelo com o ar ) é :

R

 

//

R

R

 

,

, 

R

 

//

 

,

h

o

.

 R   //    , h o . C Kcal A resistência

C Kcal

A resistência total, agora, é obtida por meio de uma associação em série:

agora, é obtida por meio de uma associação em série: R t  R  

Rt

R

R

//

// , .

R

R

R

h

o

/ /     ,  . R R R h o C Kcal

C Kcal

Um fluxo de calor é sempre o (DT) total sobre a R t , então :

q

T

total

T

1

T

2

430

90

R

t

R

t

0,0361

q  9418Kcal h
q  9418Kcal h

Exercício R.1.2.5. A figura abaixo mostra um corte em uma parede de 1 metro de altura, 1 metro de largura e espessura total mede 16 cm. A parede é composta por vários materiais associados e as condutividades térmicas de cada material da parede são indicadas na tabela abaixo. Para uma temperatura da face quente de 1000 °C e da face fria de 100 °C, determine o fluxo de calor transferido através da parede composta:

Material a b c d e f g k (W/m.K) 100 40 10 50 30

Material

a

b

c

d

e

f

g

k (W/m.K)

100

40

10

50

30

40

20

Usando a analogia elétrica, o circuito equivalente à parede composta fica assim:

o circuito equivalente à parede composta fica assim: Para uma área unitária de transferência de calor

Para uma área unitária de transferência de calor ( A = 1 m 2 ) , as áreas de cada camada são:

a 1

A A

e

  

1

1m

2 A

b

A

d

20

100

 

1

0,2m

2 A

60

c 100

 

1

0,6m

2

A

f

A

g

50

100

resistências térmicas de cada parede individual são :

R a

 

0,03

m

0,0003

K W

K W

 

R

0,02

 

100

W

m K

.

 1 m

2

   

b

40

0,2

R

0,02

0,003333

 0,003333 K W

K W

 

R

d

0,02

 

c

10

0,6

 

50

0,2

R

0,03

 

0,001

 0,001 K W

K W

R

0,08

0,004

R  0,03    0,001 K W R  0,08  0,004

e

30

1

f

40

0,5

 

Para os circuitos paralelos:

 
 

1

1

1

1

 

1

1

1

 

 

   

R

bcd

R

b

R

c

 

R

d

0,0025

 

0,003333

 

0,002

 

1

1

1

1

1

90

R

R

fg

R

f

 

R

g

0,004

0,008

 

 

fg

0,002

K W

0,0025

0,008      fg  0,002 K W  0,0025 K W K W R

K W

     fg  0,002 K W  0,0025 K W K W R g

K W

R g

   fg  0,002 K W  0,0025 K W K W R g 

K W

R

0,08

bcd

20

0,5

0,008

K W K W R g  K W R  0,08 bcd 20  0,5
K W K W R g  K W R  0,08 bcd 20  0,5

K W

0,000833

1200

K W

0,002667

Para os circuitos em série:

R t

R

a

R

bcd

Portanto,

R

q

e

R

fg

0,0003 0,000833 0,0010,002667 0,0048

  T    1000  100  K total R 0,0048 K
 T
 
1000
 100
K
total
R
0,0048 K W
t

187500 W

1000  100  K total R 0,0048 K W t  187500 W K W

K W

 

1

0,5

2

m

1.2.6. CONDUÇÃO DE CALOR ATRAVÉS DE CONFIGURAÇÕES CILÍNDRICAS

Consideremos um cilindro vazado submetido à uma diferença de temperatura entre a superfície interna e a superfície externa, como pode ser visto na figura 1.11.

[ figura 1.11 ] O fluxo de calor que atravessa a parede cilíndrica poder ser

[ figura 1.11 ]

O fluxo de calor que atravessa a parede cilíndrica poder ser obtido através da equação de Fourier, ou seja :

q
q

 

 

dT

dT

k. A.

onde

 

dr

dr

é o gradiente de temperatura na direção radial

Para configurações cilíndricas a área é uma função do raio :

A 2..r.L

Substituindo na equação de Fourier, obtemos :

.

q



k. 2.

.r.L .

dT

dr

Fazendo a separação de variáveis e integrando entre T 1 em r 1 e entre T 2 em r 2 , chega-se a:

.

q

.

r

2

dr

r

1

r

q. ln r

2

 k

.2.

.

L

.

T

T

1

2

.

dT

ln r

1

 k.2..L. T T

2

1

Aplicando-se propriedades dos logaritmos, obtemos :

.

q

. ln

r

2

r

1

k.2.

.L. T

1

T

2

O fluxo de calor através de uma parede cilíndrica será então :

  ln

 

r

r 1

2

q

k

.2.

.

L

. T

1

q   k .2.  . L  . T 1  T 2 
q   k .2.  . L  . T 1  T 2 

T

2

( eq. 1.15 )

O conceito de resistência térmica também pode ser aplicado à parede cilíndrica. Devido à analogia com a eletricidade, um fluxo de calor na parede cilíndrica também pode ser representado como :

q

T

R

onde,

T

é o potencial térmico e R é a resistência térmica da parede cilíndrica

Então para a parede cilíndrica, obtemos:

q

k

.2.

.

L

ln

r

2

r

1

.  

T

T

R

 ln   r 2   r  R  1 k .2.
ln   r
2
r
R 
1
k
.2.
.
L

( eq. 1.16 )

Para o caso geral em que temos uma associação de paredes n cilíndricas associadas em paralelo, por analogia com paredes planas, o fluxo de calor é dado por:

 

T

 

n

q

total

onde, R

t

R

i

R

t

i 1

R

2

R

n

 

( eq. 1.17 )

Exercício R.1.2.6. Um duto industrial tem a configuração de paredes cilíndricas conforme esquema simplificado da figura abaixo. Sendo fornecidos os dados abaixo, calcular o fluxo de calor transferido por metro de comprimento do tubo.

fluxo de calor transferido por metro de comprimento do tubo. r 1  90 mm 

r

1

90

mm

0,09

m

r

2

100

mm

0,10

m

r

3

k

k

k

A

B

C

T

1

T

2

120

mm

0,12

m

r

4

130

mm

22,0

0,051

W W W
W
W
W

m K

.

m K

.

0,212

m K

.

(tubometálico)

(isolante)

(revestimento)

210

o

C

( superf.internado tubo)

0,13

m

30

o

C

(

superf.externa do revestiment o )

Considerando um comprimento do duto de um metro ( L = 1 m ), temos:

 r   ln  2   0,10 ln  r 1 
r
ln
2
 0,10
ln
r
1
0,09
K
R
 0,00762
R
A
B
W
k A .2.
. L
22
2.
.
L
r
4
ln
 0,13
ln
r
3
0,12
K
R
0,0601
C
W