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INTRODUÇÃO

A mineração é um conjunto de atividades que possuem como objetivo a extração de substâncias minerais úteis existentes na superfície ou no interior da terra. As duas primeiras fases de uma mineração são pesquisa mineral e lavra. Tecnicamente, estas duas fases podem ser divididas da seguinte maneira:

Prospecção e Exploração (Avaliação)

Pesquisa

Desenvolvimento e Lavra

Lavra

1) Prospecção: São atividades que têm por objetivo encontrar a substância mineral útil.

2) Exploração (Avaliação): Consiste no estudo da substância mineral encontrada. O objetivo do estudo é concluir se corpo mineral é ou não economicamente aproveitável. Se for economicamente aproveitável denomina-se jazida. Caso contrário é chamado de ocorrência. A prospecção e a avaliação devem ser bem executadas, uma vez que elas decidirão se haverá ou não a lavra do corpo mineral pesquisado. Em caso negativo, ocorrerá o abandono da ocorrência. O avanço da tecnologia, a demanda do mercado e a evolução dos equipamentos podem transformar ocorrências em jazidas.

O contexto básico da prospecção e exploração é frequentemente a geologia e a geofísica. A razão para isso é claramente aparente um detalhamento no conhecimento geológico e físico das propriedades da terra é normalmente requerido na análise da complicada natureza das ocorrências minerais. Devido a esse fato, é essencial que o estudante de mineração tenha um fundamental conhecimento sobre a geologia física, rochas e minerais, geologia estrutural e depósitos minerais.

3) Desenvolvimento: É a fase que antecede a lavra. Nesta fase são realizados trabalhos de desmatamento, decapeamento, abertura de vias de acesso de superfície ou subterrâneas, drenagem, entre outros trabalhos. Uma jazida integralmente desenvolvida para dar início à lavra é um procedimento raro, porque é demorado e antieconômico uma vez que só se gasta sem obter retorno financeiro. O normal é que o desenvolvimento esteja convenientemente defasado da lavra, para que os serviços não se interfiram, prejudicando a produção.

4) Lavra: É conjunto de operações necessárias à extração industrial de substâncias minerais das jazidas. Ela inclui os trabalhos do desmonte do material, bem como as operações necessárias à segurança durante à extração. O sinônimo explotação também é usual. Na lavra

de material rochoso, três operações fundamentais ocorrem invariavelmente: desmonte, carregamento e transporte. Quando o material não é friável ocorre a perfuração, desmonte, carregamento e transporte. Estes trabalhos são muito dispendiosos, assim a execução da lavra deve ser cuidadosamente planejada de modo eficiente, barato e seguro. A opção por um determinado método de desmonte é função de diversas variáveis, tais como: volume a ser desmontado, disponibilidade de recursos, método de lavra, mão de obra, características físicas do material a desmontar, finalidade do material, entre outras variáveis.

PROPRIEDADES FÍSICAS DAS ROCHAS

As propriedades físicas das rochas são de extrema importância, principalmente na escolha de um método de desmonte. Isto porque as rochas variam muito no que diz respeito a estas propriedades, uma vez que elas dependem da composição mineralógica, estrutura e grau de decomposição. Às vezes, em função destas propriedades, é escolhido um método de lavra.

Estudaremos as seguintes propriedades físicas das rochas: coesão, dureza, elasticidade, plasticidade, peso específico, porosidade, empolamento, ângulo de repouso natural, explodibilidade, estabilidade e recalque.

1) Coesão: Refere-se à força que une as partículas das rochas. Sob o ponto de vista da coesão, as rochas podem ser coerentes como os gnaisses, granitos e basaltos, desde que não estejam decompostas. As rochas são incoerentes se forem como a terra, areias e argilas.

2) Dureza: É a resistência oferecida pela rocha à penetração de uma ferramenta mineira. Esta propriedade está intimamente ligada ao conceito de perfurabilidade, que é o tempo necessário para perfurar uma unidade de comprimento na rocha considerada.

3) Elasticidade: É a mudança de forma ou volume de uma rocha, quando submetida a forças extremas, retornando, em seguida, às condições iniciais, quando retiradas as forças que causaram a deformação.

4) Plasticidade: É a propriedade que tem a rocha de tomar qualquer forma, quando submetida a forças externas, e conservar esta forma, mesmo depois de removida a causa da deformação.

5) Peso específico: É o peso por unidade de volume da rocha. Pode ser determinado experimentalmente ou verificado com uso de tabelas encontradas no handbook.

6) Porosidade: É a relação entre volume de poros e fissuras para o volume de rocha que contém. É muito variável. Influi na resistência mecânica e na capacidade de absorção de água pela rocha.

7) Empolamento: É o aumento aparente de volume que a rocha apresenta depois de fragmentada, ou, mais amplamente, é o volume em relação a um estado anterior de maior compactação. Este aumento está ligado ao grau de fragmentação da rocha. De um modo geral, quando mais fragmentado , maior o empolamento. É propriedade muito importante quando do dimensionamento de equipamentos de carregamento e transporte. O material rochoso, quando “in situ”, é dito “no corte”. E, uma vez retirado do “corte” e fragmentado, está “solto” ou empolado.

Sabemos que a massa do material na bancada, e a massa após o material se desagregar são as mesmas. O que modifica é o volume, visto que o material desagregado apresenta maior espaço entre suas partículas e, portanto, possui um volume maior. Vamos chamar de o volume de material solto e o volume de material no corte, ou seja, na bancada. O peso específico é normalmente conhecido como a densidade quando esta é relacionada com a gravidade do planeta Terra. Utiliza-se normalmente a letra rô para representar o peso específico. Vamos chamar de o peso específico de material solto e o peso específico de material no corte. Sendo assim:

Como a massa é constante, vamos isolá-la:

Igualando os dois termos acima:

Denomina-se fator de convenção a seguinte relação:

Denomina-se fator de empolamento a seguinte relação:

Repare que:

A porcentagem de empolamento é dada por:

8) Ângulo de repouso natural: É o ângulo máximo que faz a superfície inclinada de uma pilha de material com um plano horizontal. Varia com as diferentes rochas, com a forma e tamanho das partículas. É também conhecido como ângulo de talude natural.

9) Explodibilidade: é a maior ou menor dificuldade que uma rocha oferece ao desmonte com explosivos. Caracteriza-se pela quantidade de explosivo necessária para arrancar uma unidade de peso ou de volume da rocha “in situ”. Esta quantidade é também conhecida como “razão de carregamento”. Experiência em mineração de pedreiras a céu aberto tem apresentado os seguintes valores para “razão de carregamento”:

- Granito, gnaisse, basalto: 120 a 270 g/m³

- Rocha decomposta: 250 a 340 g/m³

- Arenito e folhelho: 200 a 300 g/m³

- Hematita compacta: 100 a 135 g/m³

- Calcário: 75 a 110 g/m³

10) Estabilidade: É a propriedade das rochas de se manterem em equilíbrio sob várias condições de exposição. É propriedade que pode influenciar muito na escolha de um método de lavra. Considerando a estabilidade, as rochas podem ser classificadas como:

a) Muito estáveis: Não há necessidade de escorar as aberturas abertas na rocha.

b) Estáveis: Escoramento em alguns pontos apenas.

c) Mediante estáveis: Permitem aberturas sem escoramento imediato. O escoramento se fará

após relativamente longo tempo de exposição.

d) Instáveis: Requer escoramentos fortes e imediatos.

11) Recalque: É a contração volumétrica após a compactação ou adensamento. Pode-se entender como se fosse o contrário do empolamento.

contração volumétrica após a compactação ou adensamento. Pode-se entender como se fosse o contrário do empolamento.