Você está na página 1de 46

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

CURSO DE FORMAÇÃO DE OPERADORES DE REFINARIA

ASPECTOS AMBIENTAIS DE UMA REFINARIA E RESPECTIVAS FORMAS DE CONTROLE

1
1
DE O PERADORES DE R EFINARIA A SPECTOS A MBIENTAIS DE UMA R EFINARIA E R
2
2

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

ASPECTOS AMBIENTAIS DE UMA REFINARIA E RESPECTIVAS FORMAS DE CONTROLE

E LOISIA B. A. P. C OELHO

Equipe Petrobras Petrobras / Abastecimento UN´s: Repar, Regap, Replan, Refap, RPBC, Recap, SIX, Revap

CURITIBA 2002

CURITIBA

2002

CURITIBA 2002
CURITIBA 2002
CURITIBA 2002
3
3

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Módulo Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

4
4

Ficha Técnica

Contatos com a Equipe da Repar:

Refinaria Presidente Getúlio Vargas – Repar Rodovia do Xisto (BR 476) – Km16 83700-970 Araucária – Paraná Mario Newton Coelho Reis (Coordenador Geral) Tel.: (41) 641 2846 – Fax: (41) 643 2717 e-mail: marioreis@petrobras.com.br Uzias Alves (Coordenador Técnico) Tel.: (41) 641 2301 e-mail: uzias@petrobras.com.br Décio Luiz Rogal Tel.: (41) 641 2295 e-mail: rogal@petrobras.com.br Ledy Aparecida Carvalho Stegg da Silva Tel.: (41) 641 2433 e-mail: ledyc@petrobras.com.br Adair Martins Tel.: (41) 641 2433 e-mail: adair@petrobras.com.br

UnicenP – Centro Universitário Positivo Oriovisto Guimarães (Reitor) José Pio Martins (Vice Reitor) Aldir Amadori (Pró-Reitor Administrativo) Elisa Dalla-Bona (Pró-Reitora Acadêmica) Maria Helena da Silveira Maciel (Pró-Reitora de Planejamento e Avaliação Institucional) Luiz Hamilton Berton (Pró-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa) Fani Schiffer Durães (Pró-Reitora de Extensão) Euclides Marchi (Diretor do Núcleo de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas) Helena Leomir de Souza Bartnik (Coordenadora do Curso de Pedagogia)

Marcos José Tozzi (Diretor do Núcleo de Ciências Exatas e Tecnologias) Antonio Razera Neto (Coordenador do Curso de Desenho Industrial)

Maurício Dziedzic (Coordenador do Curso de Engenharia Civil) Júlio César Nitsch (Coordenador do Curso de Eletrônica) Marcos Roberto Rodacoscki (Coordenador do Curso de Engenharia Mecânica) Carlos Alexandre Castro (Coordenador do Curso de Jornalismo) Eloisia B. A. P. Coelho (Autor) Marcos Cordiolli (Coordenador Geral do Projeto) Maria Zaclis Veiga (Coordenação de Fotografia) Iran Gaio Junior (Coordenação Ilustração, Fotografia e Diagramação) Carina Bárbara R. de Oliveira (Coordenação de Elaboração dos Módulos Instrucionais) Juliana Claciane dos Santos (Coordenação dos Planos de Aula) Luana Priscila Wünsch (Coordenação Kit Aula) Angela Zanin Leoni Néri de Oliveira Nantes Érica Vanessa Martins (Equipe Kit Aula) Carina Bárbara Ribas de Oliveira (Coordenação Administrativa) Cláudio Roberto Paitra Marline Meurer Paitra (Diagramação) Cláudio Roberto Paitra (Ilustração) Cíntia Mara Ribas Oliveira (Coordenação de Revisão Técnica e Gramatical) Contatos com a equipe do UnicenP:

Centro Universitário do Positivo – UnicenP Pró-Reitoria de Extensão Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza 5300 81280-320 Curitiba PR Tel.: (41) 317 3093 Fax: (41) 317 3982 Home Page: www.unicenp.br e-mail: mcordiolli@unicenp.br e-mail: extensao@unicenp.br

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Apresentação

É com grande prazer que a equipe da Petrobras recebe você. Para continuarmos buscando excelência em resultados, dife- renciação em serviços e competência tecnológica, precisamos de você e de seu perfil empreendedor. Este projeto foi realizado pela parceria estabelecida entre o Centro Universitário Positivo (UnicenP) e a Petrobras, representada pela UN-Repar, buscando a construção dos materiais pedagógicos que auxiliarão os Cursos de Formação de Operadores de Refinaria. Estes materiais – módulos didáticos, slides de apresentação, planos de aula, gabaritos de atividades – procuram integrar os saberes téc- nico-práticos dos operadores com as teorias; desta forma não po- dem ser tomados como algo pronto e definitivo, mas sim, como um processo contínuo e permanente de aprimoramento, caracterizado pela flexibilidade exigida pelo porte e diversidade das unidades da Petrobras. Contamos, portanto, com a sua disposição para buscar outras fontes, colocar questões aos instrutores e à turma, enfim, aprofundar seu conhecimento, capacitando-se para sua nova profissão na Petrobras.

Nome:

Cidade:

Estado:

Unidade:

Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo.

na Petrobras. Nome: Cidade: Estado: Unidade: Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo. 5
na Petrobras. Nome: Cidade: Estado: Unidade: Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo. 5
na Petrobras. Nome: Cidade: Estado: Unidade: Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo. 5
na Petrobras. Nome: Cidade: Estado: Unidade: Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo. 5
na Petrobras. Nome: Cidade: Estado: Unidade: Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo. 5
na Petrobras. Nome: Cidade: Estado: Unidade: Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo. 5
5
5

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Sumário

1

ASPECTOS AMBIENTAIS DE UMA REFINARIA DE PETRÓLEO, FORMAS DE CONTROLE E ATUAÇÃO DO OPERADOR

7

1.1 Introdução

7

1.2 Evolução dos conceitos sobre proteção ambiental

7

1.3 O Planeta Terra e seus Recursos Ambientais (Naturais)

8

1.4 Poluição Ambiental

13

1.4.1 Poluição química

13

1.4.2 Poluição Térmica

14

1.4.3 Poluição Radiativa

14

1.4.4 Poluição Sonora

15

1.4.5 Poluição Biológica

15

1.5 Legislação Ambiental

15

1.6 Monitoramento Ambiental

18

1.7 Efluentes Atmosféricos

18

1.7.1 Sistema de Contaminação do ar

18

1.7.2 Contaminantes Atmosféricos

19

1.7.3 Aspectos atmosféricos da contaminação do ar

20

1.7.4 Os efeitos da contaminação do ar

22

1.8 Efluentes Hídricos

24

1.8.1 Principais fontes de poluição hídrica em uma refinaria

24

1.8.2 Principais contaminantes encontrados nos efluentes hídricos de uma refinaria

25

1.8.3 Segregação de efluentes hídricos

26

1.8.4 Tratamentos Localizados

26

1.8.5 Estação de Tratamento de Efluentes Hídricos – ETEH

27

1.8.6 Tratamentos Secundários/Terciários

29

1.9 Resíduos Sólidos

32

1.9.1 Introdução

32

1.9.2 Resíduos Sólidos

33

1.9.3 Gerenciamento de resíduos sólidos

33

1.9.4 Alternativas de Disposição

34

1.10 Atuação do Operador

40

6
6

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador

de Controle e Atuação do

de Controle e Atuação do
Operador

Operador

de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador
de Controle e Atuação do Operador

Aspectos Ambientais de uma Refinaria de Petróleo, Formas

1

1.1 Introdução

O homem, hoje, mais do que nunca, deve

estar atento às alterações por ele provocadas no meio ambiente. Deve preocupar-se efeti- vamente, quando constatar qualquer rompi- mento, do equilíbrio, com a natureza, perse- guindo, então, soluções criativas e exeqüíveis. Assim é necessário ter sempre em mente que toda ação inteligente deve ser pensada e pla-

nejada antes de ser praticada. Toda atividade humana deve, portanto, buscar, como finali- dade, o bem estar da comunidade, e, desta for- ma, torna-se óbvio que o conhecimento minu- cioso do ambiente em que vivemos constitui

matéria de relevante interesse. Surge, então, à necessidade do respeito e culto à Ecologia, que deve ser posta entre as primeiras áreas no ramo das ciências.

A Ecologia estuda, entre outros assuntos,

a estrutura e o desenvolvimento das comuni-

dades em suas relações com o meio ambiente

e sua conseqüente adaptação a ele. Estuda, ain-

da, os aspectos a partir dos quais os processos

tecnológicos ou os sistemas de organização

social interagem com as condições de vida do homem.

A experiência constatou que a capacidade

do homem em prever as conseqüências de um

empreendimento em relação ao meio ambien-

te, até há pouco tempo, era muito limitada. Al-

gumas vezes, esta preocupação era relegada a

um plano secundário. Como conseqüência, o avanço tecnológico, sem preocupação ecoló- gica provocou, muito freqüentemente, a alte-

ração dos elementos naturais, atingindo, por vezes, situações irreversíveis, aniquilando- se bens essenciais à preservação da espécie.

A sociedade, estruturada sobre o conceito de

que os valores econômicos predominavam sobre todos os demais, começa a se modificar

pela própria conscientização do homem, no sentido de que toda alteração do meio ambien-

te deve sempre concorrer para a melhoria das

condições de vida presente e das gerações futuras.

Torna-se assim imperiosa, a qualquer cus-

to, a manutenção do equilíbrio entre o homem

e a natureza, como condição única de preser-

vação e melhoria da qualidade de vida. Para tanto, deve-se agir de forma ordenada, visan- do controlar ou eliminar os agentes modifica- dores do meio ambiente. Esta filosofia de ação traduz a convicção de que a atividade indus- trial, bem equacionada, não é incompatível com a preservação do meio ambiente. A in- dústria será uma contribuição à qualidade de vida do homem, desde que orientada para tal. Tendo em vista as presentes considerações,

é primordial que o homem exercite seus co- nhecimentos técnicos imensos para aplicá-los em benefício de sua própria sobrevivência, pois como a natureza não é uma fonte inesgo- tável de riquezas, deve ser preservada perma- nentemente.

1.2 Evolução dos conceitos sobre proteção ambiental

No período pós-guerra, a maior preocu- pação era a retomada do crescimento econô- mico, a reconstrução dos países que sofreram grandes perdas e o suprimento de toda uma demanda reprimida de consumo da população economicamente ativa dos Estados Unidos. A consciência ecológica era ainda incipiente, priorizava-se a construção de novas indústrias. Os aspectos ambientais podem ser dividos em quatro fases distintas.

O primeiro movimento na formação de

uma consciência ambiental foi a preocupação sobre os recursos hídricos e o saneamento bási- co. Este estágio foi denominado de conscienti- zação. Somente nos anos 70, com o aumento sig-

nificativo de indústrias poluidoras do ar e da água e com contaminações acidentais, o mun- do começou a se preocupar com os efeitos danosos da poluição.

A Conferência de Estocolmo (1972) tra-

tou, basicamente, do controle da poluição do

7
7
8
8

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

ar e da água. Nesta época, surgiram, também, os

primeiros organismos oficiais de controle da poluição. Já no final da década, verificou-se que, apenas com o controle da poluição, os impactos ambientais não conseguiriam ser evitados. Na década de 80, iniciou-se a fase de pla- nejamento ambiental, pois somente o controle da poluição gerada não era mais aceito como alternativa tecnicamente viável e acreditava- se que, com um planejamento adequado, os impactos poderiam ser minimizados. Esta dé- cada foi marcada por grandes desastres ecoló- gicos como o acidente da Union Carbide (em 84, na Índia), a explosão nuclear em Chénobil (em 86), o grande derramamento de óleo pro- vocado pelo navio Exxon Valdez (no Alasca, em 89) e pela identificação da degradação da camada de ozônio. O CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) passou a exigir o EIA (Estu- do de Impacto Ambiental), como instrumento obrigatório para o licenciamento ambiental de atividades poluidoras ou modificadoras do meio ambiente, em 1986. A indústria ainda adotava, em sua maioria, uma postura reativa em todo o mundo. Começaram a surgir as ONG`s (Organizações Não Governamentais)

e os partidos verdes, que levantaram a bandei-

ra ecológica e demonstraram ao mundo que somente o planejamento ambiental também não era suficiente para se prevenir impactos ambientais danosos à humanidade.

Os anos 90 trouxeram a globalização da economia e, por conseguinte, dos conceitos de gestão (por exemplo, a adoção mundial da sé- rie ISO 9000) e também a globalização dos conceitos relativos ao meio ambiente uma vez que, os aspectos ambientais podem ser globais

e não apenas locais. Iniciou-se a fase do cha-

mado gerenciamento ambiental, ou seja, da consideração da satisfação da parte interessa- da da sociedade, como integrante da gestão em- presarial. A conferência do Rio de Janeiro (ECO 92) trouxe o compromisso com o desenvolvimen- to sustentável, o tratado da Biodiversidade e o acordo para a eliminação gradual dos CFC`s. Posteriormente, foi editada a primeira nor- ma sobre gestão ambiental, a BS-7750, de ori- gem britânica.

Em 1993, surgiu o Sistema Europeu de Ecogestão e Auditorias (EMAS – Environment Management Audit Scheme) e, finalmente, em 1996, foram aprovadas no Rio de Janeiro as normas ISO 14000, representando o consenso mundial sobre gestão ambiental.

Nos dias atuais, não se admite mais que uma empresa seja administrada sem que a

questão ambiental seja considerada. Quanto maior o potencial poluidor ou extrativista das atividades da organização, maior ênfase deve ser dada à questão ambiental.

O mundo vive hoje grandes problemas

ambientais, que precisam ser revertidos ou contidos:

– Degradação da camada de ozônio;

– Efeito estufa (devido a CO 2 , CH 4 e NO x );

– Perda da biodiversidade (flora e fauna);

– Poluição do ar (CO, SO 2 , NO x );

– Poluição das águas (superficiais e sub- terrâneas);

– Disposição inadequada de resíduos tó- xicos e nucleares;

– Esgotamento de recursos naturais (combustíveis fósseis, água, florestas);

– Lixo urbano;

– Aumento do consumo de energia.

Como elementos formadores de grupos de

pressão para resolução dos problemas podem ser citados:

– Clientes (já se preocupam com o po- tencial de danos dos produtos ao meio ambiente);

– Investidores (desejam saber onde estão aplicando seus recursos);

– Agentes financeiros (exigem avaliação ambiental para liberar recursos);

– Seguradoras;

– Público em geral (cada vez mais cons- ciente);

– Leis e Regulamentos (cada vez mais restritivos);

– ONG`s (Organizações não governa- mentais).

1.3 O Planeta Terra e seus Recursos Ambientais (Naturais)

De uma forma geral, o Planeta Terra pode ser dividido nas seguintes partes: núcleo (in- terno e externo), biosfera, litosfera, hidrosfera e atmosfera.

Núcleo interno
Núcleo
interno

Crosta consiste nos continentes e nas bacias oceânicas

interno Crosta consiste nos continentes e nas bacias oceânicas Manto superior Manto inferior Núcleo externo líquido

Manto superior

Manto inferior

Núcleo externo

líquido

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Admite-se que o núcleo do planeta é cons- tituído de uma esfera de material sólido, mui- to denso e muito quente, possivelmente uma liga metálica formada por níquel (Ni) e ferro (Fe). Seu centro está a 6.350 km de profundi- dade (no centro do planeta) e tem raio de cer- ca de 1.225 km. Nesta região, é impossível a existência de qualquer vida conhecida atual- mente. Saindo um pouco do centro, encontra- se o núcleo externo, material líquido constituí- do de ferro (Fe) e Sulfeto de ferro II (FeS), ainda muito denso e quente. Esta região tem uma espessura de aproximadamente 2.260 km. No núcleo externo, também não há possibilida-

de de existir vida de acordo com o que se conhe- ce até o presente. A massa total do núcleo (inter- no e externo) é estimada em 1,94 x 10 24 kg, o que corresponde a cerca de 32,4% da massa do planeta. Indo em direção à superfície da terra, encontra-se o manto, cuja espessura cor- responde a cerca de 2.875 km. É constituído, principalmente, de silicatos de ferro e magné- sio, mas apresenta também pequena quantida- de de silicatos de cálcio, de alumínio e de sódio. A massa do manto é estimada em 4 x

10 24 kg, o correspondente a 67,2% da massa

do planeta. Também não existe vida no manto terrestre, pois não há água e a temperatura ain- da é elevada.

A crosta terrestre é uma fina camada de

no máximo 90 km de espessura, que apresen- ta grande variedade de materiais. Sua massa é estimada em 2,4 x 10 22 kg, ou seja, 0,4% de toda a massa do planeta. A crosta terrestre, ou litosfera, é constituída de rochas, minerais, matérias fossilizados e, na parte mais superfi- cial, o solo, formado da mistura de minerais, materiais orgânicos, tendo como característi- ca a existência de vida. Muitas vezes, os mi- nerais e matérias fossilizados podem ser en- contrados na formação de jazidas em quanti- dades suficientes para serem extraídos a cus- tos economicamente viáveis, e, nesse caso, são chamados minérios. São exemplos de jazidas:

Jazidas de carvão mineral – Também conhecido como hulha, o carvão mine- ral é um dos produtos de fossilização da madeira. Sólido, preto, opaco, in- flamável, seu constituinte principal é o carbono. As jazidas de carvão distribuem- se por todo o planeta e têm diferentes usos, como a siderurgia e a geração de energia;

concentra-se em porosidades de certas rochas um líquido viscoso, quase ne- gro: o petróleo. No passado, possuia pouca utilidade, era usado para ilumi- nação e impermeabilização de alguns materiais. Sem ele, o mundo, hoje, qua- se pararia de funcionar: praticamente, depende dele toda frota mundial de veículos, assim como grande parte das indústrias. Há várias hipóteses sobre como o petróleo se formou. As mais aceitas sugerem que tenha se formado, em um processo muito lento (centenas de milhares de anos), a partir da decom- posição de diversos organismos mor- tos, associada a continuas mudanças do ambiente terrestre. Por isso, não se pode esperar, em curto prazo , a reposição das jazidas que hoje vêm sendo explo- radas com rapidez muito maior do que aquela com que os processos geológi- cos naturais conseguem repor. O petró- leo é constituído, principalmente, por hidrocarbonetos, que podem ser repre- sentados por C x H y . Alguns exemplos de

tais substâncias são o Butano (C 4 H 10 ), um dos constituintes do gás liqüefeito de petróleo (GLP) e o isocotano

(C

), um dos constituintes da gaso-

lina automotiva. É pelo fato de serem constituídos por compostos de carbo- no e hidrogênio, que os componentes do petróleo são bons combustíveis;

Jazidas de Minerais de Ferro – Estas jazidas são constituídas de rochas que contêm teores elevados de minerais de ferro, como a hematita (Fe 2 O 3 ) e a magnetita (Fe 3 O 4 ). Misturados a estes minerais, há outros constituintes das rochas, como, por exemplo, silicatos diversos, sílica e alumínio. O ferro, tem grande importância industrial, pois além de seu uso em diversos equipa- mentos pesados, é matéria-prima para a produção de vários tipos de aço;

Jazidas de Ouro – O ouro é um ele- mento químico elementar, isto é, encon- tra-se na natureza sob forma não com- binada com outros elementos químicos. Na verdade, não é encontrado totalmente puro, mas sim misturado, em várias pro- porções, com prata, ferro, cobre, chum- bo e zinco. Em estado puro, o ouro é um sólido amarelo, resistente à corro- são atmosférica e insolúvel em água;

8 H 18

– Jazidas de Petróleo – Em algumas regiões do planeta e a diferentes profundidades,

Jazidas de Petróleo – Em algumas regiões do planeta e a diferentes profundidades,

– Jazidas de Petróleo – Em algumas regiões do planeta e a diferentes profundidades,
– Jazidas de Petróleo – Em algumas regiões do planeta e a diferentes profundidades,
9
9
10
10

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Jazidas de Argila – Componente de granulação mais fina do solo, a argila é formada por uma mistura heterogênea de muitos materiais em proporções va- riáveis. Seus principais componentes são misturas de diversos silicatos e óxi- dos (de alumínio, magnésio, zinco, cál- cio, potássio). Pode apresentar-se nas cores cinza, preta, vermelha, rosa, ama- rela, marrom, verde e branca. Utiliza- da para a produção de tijolos, telhas, ladrilhos, pisos cerâmicos e porcelanas.

A hidrosfera é constituída pelas águas do

planeta que podem ser subterrâneas e super- ficiais. Partindo-se do núcleo em direção a su- perfície, antes de chegar a esta, são encontra- das (águas subterrâneas), formando os len- çóis freáticos e preenchendo os poros de ro- chas que dão origem aos aqüíferos subterrâ- neos. Dos lençóis e aqüíferos subterrâneos, as águas podem caminhar e chegar à superfície (águas superficiais), se encontrarem falhas, poros ou fraturas em rochas (fontes) ou sendo captadas artificialmente através de poços. Che- gando à superfície terrestre, as águas ocupam três quartos desta e formam os oceanos, ma- res, rios, lagos e geleiras.

As águas dos oceanos e mares são salga- das, geralmente transparentes e, às vezes, com odor peculiar (maresia). As águas de rios e lagos são chamadas de “águas doces”, ou seja, possuem baixa salini- dade, que se define como a massa de sais dis- solvidos por quilograma de água. As geleiras existentes nos pólos e nos picos das montanhas são formadas por água em esta- do sólido, praticamente pura, pois apresentam quantidades muito pequenas de sais.

Tal como a litosfera, a hidrosfera também é fonte importante de materiais para a sobrevivên- cia humana, dentre os quais o principal é a própria água potável, obtida das águas doces. Outros com- postos importantes também são extraídos da hi- drosfera, como, por exemplo, o sal marinho.

A maior parte da superfície do planeta, cer-

ca de 71%, é coberta de água. Cerca de 97% desta água está nos oceanos e não pode ser prontamente utilizada pelos seres humanos para consumo. Apenas 0,0092% da água do planeta faz parte de lagos, e 0,0001%, dos rios. A água em nosso planeta age de forma marcante, transportando substâncias, atuando na constituição de paisagens, na formação de diver- sos materiais e também sofrendo transformações.

Uma maneira de compreender o papel des-

ta

substância na natureza é por meio do ciclo

da

água, ou ciclo hidrológico. As transforma-

ções que ocorrem em maior escala no ciclo

hidrológico são: a evaporação, a condensação,

o congelamento e a fusão.

Precipitação Condensação Enxuradas Vegetação Infiltração Solo Rios Oceanos Descarga
Precipitação
Condensação
Enxuradas
Vegetação
Infiltração
Solo
Rios
Oceanos
Descarga

A água muda de forma, isto é, passa de

um estado de agregação para outro, e ocupa

não apenas a hidrosfera, mas também a litos- fera, a biosfera e a atmosfera. É importante ressaltar a diferença entre o processo de condensação e o de precipitação.

A água na atmosfera provém da evaporação

das superfícies líquidas, do solo e da vegeta- ção. Quando o ar úmido sobe para as camadas mais altas da atmosfera, onde a temperatura é mais baixa, a água se condensa na forma de gotículas. As nuvens são grandes aglomera- dos dessas partículas líquidas em suspensão.

A precipitação ocorre quando gotículas de água

em suspensão (névoa) começam a se juntar umas com as outras, dando origem a gotas

maiores que caem na forma de chuva. As chu- vas são o resultado da evaporação de uma gran-

de quantidade de água e de sua posterior con-

densação e precipitação. A água que chega ao

solo pode se infiltrar ou correr pela superfície, atingindo rios, lagos ou diretamente os ocea- nos, que são, em qualquer caso, o destino fi- nal de toda a água de chuva, seja pelo subsolo ou pelos rios. As principais transformações químicas na natureza envolvendo a água são:

fotossíntese, na qual a água é reagente, e a res- piração, em que ela é sintetizada.

A superfície terrestre está envolvida por

uma camada gasosa, sem contornos definidos,

mas que se estende por vários quilômetros de altitude: a atmosfera.

O ar que respiramos é um fluido, geral-

mente sem cheiro, incolor e compressível. É essencial à vida da superfície terrestre, onde

se encontram diversos seres vivos, entre eles,

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

aqueles de formas microscópicas. Na tropos- fera (região mais baixa da atmosfera, que che- ga a cerca de 18 km de altitude), a atmosfera é formada por misturas de gases: nitrogênio (N 2 ), constituinte mais abundante, oxigênio (O 2 ), argônio (Ar), neônio (Ne), hélio (He), criptônio (Kr), xenônio (Xe), gás carbônico (CO 2 ), além de quantidades variáveis de água (H 2 O), a umidade do ar. Dependendo da região, podem ser encontradas também partículas sólidas (poei- ra), gotículas de materiais líquidos como a água, formando a neblina, por exemplo; e ga- ses como o dióxido de enxofre (SO 2 ), dióxido de nitrogênio (NO 2 ), monóxido de carbono (CO), ozônio (O 3 ), metano (CH 4 ) e muitos outros. Com o aumento da altitude, o ar vai ficando cada vez mais rarefeito, pois diminui

a quantidade total dos gases componentes.

Entretanto a quantidade de certos gases aumen- ta. Na estratosfera (região seguinte à tropos- fera), a quantidade de ozônio, por exemplo, aumenta muito em relação à que existe na su- perfície. Com o aumento da altitude, a homo- geneidade aumenta, pois deixam de existir as partículas sólidas e líquidas. Torna-se mistura de uma só fase, a gasosa, enquanto que, na tro- posfera, o sistema é trifásico, com sólidos, como a poeira, líquidos, como as nuvens e

gases constituintes do ar. O ar atmosférico tam- bém é fonte de materiais para a utilização hu- mana, entre os quais o oxigênio, o nitrogênio

e os gases nobres.

O oxigênio está presente no ar em con-

centrações da ordem de 20% em volume. O oxigênio combina-se com a grande maioria dos elementos químicos conhecidos, formando óxidos, e é o elemento mais abundante do pla- neta – está presente na hidrosfera, litosfera e atmosfera. Nas condições ambientais, é parcial- mente solúvel em água, o suficiente para man-

ter toda a vida aquática aeróbica, ou seja, que depende de oxigênio. O oxigênio puro tem grande importância na siderurgia (fabricação de aço). Na medicina (uso hospitalar) e em pro- cessos de soldas, como o realizado com os maçaricos oxi-acetileno.

O nitrogênio é o componente mais abun-

dante no ar atmosférico. Nas condições do am- biente, é relativamente pouco reativo quando comparado com o oxigênio. Essa é uma caracte- rística importante para a vida no planeta, pois se sua interação com o oxigênio, nessas condi- ções, resultasse em transformação química, não existiria oxigênio na atmosfera. Em tempera- turas mais altas, tais transformações ocorrem

mais facilmente, e essa é a principal razão da queima de combustíveis em veículos emitir óxidos de nitrogênio, poluentes do ar. O nitro- gênio atmosférico é essencial à vida, pois é fonte de compostos nitrogenados indispensáveis a todos os seres vivos. Por interação com a ele- tricidade, proveniente dos raios durante chuvas, esse gás, água e oxigênio transformam-se em amônia e óxidos de nitrogênio, que por sua vez, arrastados pela água das chuvas e interagindo com os componentes do solo, originam com- postos como nitratos e sais de amônio, todos indispensáveis para que os vegetais possam pro- duzir aminoácidos e proteínas e conseqüente- mente, os animais possam dispor dessas subs- tâncias, por meio da cadeia alimentar. Com o crescimento populacional huma- no, a quantidade de compostos nitrogenados obtidos por esse processo natural tornou-se in- suficiente, e sua produção industrial passou a ser necessária para utilização como fertilizan- tes na agricultura. O nitrogênio, quando puro, no estado líquido, é amplamente utilizado em processos criogênicos, ou seja, resfriamento a baixíssimas temperaturas. Os gases nobres, hélio, neônio, argônio, xenônio, criptônio e radônio são assim cha- mados porque se acreditava que eram elemen- tos químicos inertes. Hoje, tal visão não mais é aceita. Todos os gases nobres existem na at- mosfera em baixas concentrações. Na superfície terrestre, há várias formas de vida na litosfera, na hidrosfera e na atmos- fera. Estas três regiões do planeta estão inti- mamente relacionadas entre si, constituindo a biosfera, a região em que há vida. Aceita-se hoje que, entre as condições planetárias bási- cas para que possa existir vida , seja essencial:

– presença de água, no estado líquido, em quantidade suficiente;

– energia solar em quantidade adequada, fornecendo luz e calor;

– ocorrência de interações e transforma- ções entre materiais sólidos, líquidos e gasosos. Tais condições são essenciais para que os seres vivos possam se desenvolver e se repro- duzir, utilizando, transformando e produzin- do grande número e variedade de materiais dos quais dependem para sobreviver. Em seguida, alguns desses materiais serão exemplificados:

Carboidratos: Os vegetais produzem, a partir da fotossíntese, os chamados carboidratos ou hidratos de carbono:

a partir da fotossíntese, os chamados carboidratos ou hidratos de carbono: 11 – açúcares, amido e
11
11

açúcares, amido e celulose. Têm como

12
12

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

função fornecer parte da energia para a sobrevivência dos seres vivos, ou seja, função energética;

Óleos e gorduras: Têm como função armazenar energia para os organismos vegetais e animais;

Proteínas: As proteínas, misturas de composição variável, compõem um grupo de substâncias de fundamental importância na constituição da matéria viva. As proteínas, nos seres vivos, apresentam diversas funções, dentre as quais pode-se ressaltar: estruturação de tecidos e recuperação de lesões, atua- ção como catalizadores das relações biológicas (enzimas), funções hormo- nais, ação como anticorpos e composi- ção sangüínea. São polímeros (substân- cias formadas por muitos monômeros) resultantes da união de aminoácidos. De acordo com a visão sistêmica, a teia da vida consiste em redes dentro de redes. A tendência é de arranjar cada elo dentro do ou- tro, de forma hierárquica, de modo que os sis- temas menores estejam dentro dos maiores, conforme abaixo:

Macromoléculas – Células – Tecidos – Órgãos – Sistemas – Indivíduos – Populações – Co- munidades – Ecossistema – Biosfera. Na verdade, não há “acima” ou “abaixo”, somente redes alinhadas dentro de outras re- des. As redes de seres vivos têm a capacidade de manter-se em equilíbrio, desde uma célula até a biosfera. Toda comunidade tem a capaci- dade de auto-regulação dinâmica, isto é, deve manter seu estado de equilíbrio e recuperá-lo logo, se houver alguma perturbação no seu

habitat. Contudo, o homem pode provocar al- terações drásticas a ponto de afetar essa capa- cidade de equilíbrio. Para a ecologia, é muito importante ver a natureza como uma rede. Desequilíbrios ambientais localizados podem afetar todo o equilíbrio da rede.

É interessante lembrar que, de acordo com

a hipótese de Gaia, a própria terra comporta-

se como um ser vivo e faz parte desta rede. Em uma comunidade, é a diversidade de seres vivos que fornece indicações do equilíbrio em que ela se encontra. Porém, para atingir esse

estágio de maior equilíbrio, chamado de comuni- dade clímax, ela passa por estágios sucessivos. Quando atinge o último, é possível afirmar que esta passou a estável, compatível com as con- dições da região, mantendo a diversidade bio- lógica, conservando o mesmo tipo e número de espécies. Quanto maior o número de espé- cies, maior diversidade tem a comunidade.

O termo biodiversidade começou a ser usa-

do, na metade dos anos 80, pelos naturalistas que estavam preocupados com a rápida des- truição dos ambientes naturais e, conseqüen- temente, das espécies que neles viviam. A bio- diversidade ou diversidade biológica tem sido, então, relacionada somente ao número de es- pécies de um local. Os recursos biológicos são os próprios organismos ou mesmo elementos deles que tenham valor para a humanidade. Daí

a importância que essa biodiversidade tem,

sendo uma delas, o fornecimento de matéria prima para a fabricação de medicamentos. A biodiversidade regula o equilíbrio da natureza

e o ciclo hidrológico, portanto contribui para

a fertilidade e proteção dos solos, absorvendo e decompondo diversos poluentes orgânicos e minerais.

contribui para a fertilidade e proteção dos solos, absorvendo e decompondo diversos poluentes orgânicos e minerais.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

A população mundial está crescendo apro- ximadamente 1,8% ao ano. Isto significa que são introduzidas na população mundial 96 milhões de pessoas a cada ano. Entretanto, em relação às espécies de outros seres vivos, o panorama é de desaparecimento de 8 a 28 mil espécies por ano. Para satisfazer suas necessidades, o ser humano baseia-se em propriedades para ex- trair, purificar, misturar e/ou sintetizar materiais utilizando recursos do mundo físico. Com es- tes procedimentos, obtém, a cada dia, maior variedade e quantidade de materiais. Para isso, interfere no mundo físico, extraindo cada vez mais recursos naturais. Os alimentos de origem vegetal podem ser obtidos sazonalmente, entretanto, a produção

é limitada por zonas de superfície terrestre

onde há condições apropriadas (basicamente tipo de solo, água, energia, clima adequado). Alimentos de origem animal, para serem obti- dos, também dependem de condições apropria- das (espaço, alimento, água) para criação dos animais. Ambos são considerados recursos naturais renováveis. Minerais e combustíveis fósseis são considerados recursos naturais não renováveis, pois o planeta os contêm em quantidades fixas e, como vêm sendo extraí-

dos e consumidos pelos seres humanos de for- ma ininterrupta ao longo dos anos, seus esto- ques, conseqüentemente, estão diminuindo, o que pode, no futuro próximo, exaurí-los, caso

o consumo continue nos níveis atuais.

1.4 Poluição Ambiental

Há dois tipos de perturbações no ambien- te: as naturais e as decorrentes de atividades humanas : antrópica. As naturais, ou aconte- cem no decorrer do tempo geológico, ou re- sultam de cataclismos como vulcanismo, fu- racões, enchentes e terremotos, tais perturba- ções podem até ser previstas, mas não são con- troláveis. Já as perturbações decorrentes de atividades humanas podem ser previstas e con- troladas. O ser humano depende de materiais para a sua sobrevivência, utilizando-os con- forme as propriedades que apresentam, para isso, interfere no ambiente basicamente de duas formas: extraindo certos materiais (renováveis ou não) e lançando outros. Dessa interferên- cia podem decorrer problemas quanto à escas- sez de recursos naturais, caso a extração seja predatória e de poluição, se o lançamento de materiais no ambiente for feito sem controle.

Esse controle adquire cada vez mais impor- tância quando se pretende garantir um ambien- te de qualidade para as futuras gerações. Nes- se sentido, há necessidade de ações individuais, coletivas e governamentais, que envolvam di- ferentes interesses econômicos, políticos e sociais. Considerando-se a conceituação genérica de poluição como a introdução de agentes perturbadores ou modificadores nos quatro ambientes (atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera), têm-se, basicamente, os seguintes tipos de poluição:

– poluição química – introdução de agen- tes químicos;

– poluição térmica – aumento excessivo de temperatura do ambiente;

– poluição radiativa – introdução de agentes radiativos;

– poluição sonora – aumento excessivo de ruído no ambiente;

– poluição biológica – aumento excessi- vo de carga orgânica e nutrientes, e in- trodução de agentes patogênicos.

1.4.1 Poluição química

Serão considerados, a seguir, dois exem- plos de atividades do ser humano que acarre- taram e vêm acarretando perturbações sérias no meio ambiente: uso do praguicida DDT (Diclodifenilcloroetano) e a produção de ener- gia por combustão. Com estes exemplos, pode- se ter uma idéia da extensão dos problemas ligados à introdução de agentes químicos no ambiente.

Acombustão

O fenômeno da combustão, normalmente incompleta, que se dá nas fontes emissoras pode ser representado por:

Combustível + ar

emissoras pode ser representado por: Combustível + ar Óxidos de Carbono + Dióxido de Enxofre +

Óxidos de Carbono + Dióxido de Enxofre + Óxi- dos de Nitrogênio + Água + Fuligem + Hidrocar- bonetos + Energia Térmica

Entre os óxidos de carbono, o CO 2 (Dió- xido de Carbono), também conhecido como gás carbônico, vai para a atmosfera. Parte é absorvida pela hidrosfera, biosfera e litosfera, onde participa, por exemplo, do processo de fotossíntese e da formação de carbonato de cálcio, constituinte dos calcários e da carapa- ça de certos seres vivos. Parte permanece na

13
13
14
14

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

atmosfera. Embora tenha baixa toxicidade, apresenta perigo potencial para os seres vivos, pois está relacionado ao aumento da tempera- tura média da atmosfera terrestre. Isto ocorre porque o aumento de sua concentração inten- sifica o chamado “efeito estufa”. O efeito es- tufa é um fenômeno natural; sem ele as condi- ções de vida no planeta Terra seriam difíceis, pois é um dos principais responsáveis pela manutenção da temperatura terrestre em níveis apropriados à vida. O problema é decorrente da intensificação de tal efeito, provocada pelo aumento da concentração do gás carbônico na atmosfera e não da existência dele.

O monóxido de carbono também vai para

a atmosfera, onde pode permanecer por alguns

dias. Entretanto é muito tóxico por ser facil- mente absorvido pela hemoglobina do sangue, prejudicando no organismo humano sua fun- ção de transportar oxigênio a todas as células.

O dióxido de enxofre (SO 2 ), gás irritante aos

seres vivos vai para a atmosfera, interage com o oxigênio e com a água e pode gerar ácido sulfú-

rico, um dos responsáveis pela chuva ácida. O ácido sulfúrico é um poluente secundário.

O dióxido de nitrogênio (NO 2 ) também vai

para a atmosfera e nela chega a permanecer por cerca de 150 anos. Seus principais sorve- douros são suas interações com outras espécies químicas presentes na atmosfera, gerando po- luentes secundários como o ácido nítrico, ou- tro dos responsáveis pela chuva ácida.

A fuligem (fumaça negra) é formada por

partículas sólidas de carbono e é um dos prin-

cipais constituintes da poeira, chamada de material particulado (MP). Permanece por al- gum tempo no ar e seus principais sorvedou- ros são o solo e os seres vivos. Um dos principais problemas das grandes

metrópoles, decorrente da queima de com- bustíveis, é a dificuldade de dispersão dos po- luentes em certos períodos do ano, principal- mente no outono e inverno. Isto porque, nesta época, são freqüentes os eventos conhecidos como inversões térmicas. A inversão térmica

é um fenômeno natural em que, nas proximi-

dades da superfície terrestre, o ar fica mais frio do que em altitudes mais elevadas, o que dificulta sua circulação. Em outras palavras, o ar frio não sobe por ser mais denso que o ar quente.

O praguicida DDT

O DDT foi considerado, durante muito tempo, como muito eficaz para combater o

mosquito da malária, piolhos e pragas agríco- las. Entretanto, o uso indiscriminado mostrou que ele pode, por seu baixo potencial de de- gradação, permanecer muitos anos no solo bem como ser acumulado nos tecidos gordurosos dos seres vivos, pois apresenta solubilidade em meios apolares, como gordura. Como este praguicida não tem especifici- dade (não é absorvido apenas por determina- dos seres vivos), também contribui para ma- tar vários membros da cadeia alimentar e cau-

sar danos a quase toda a cadeia. O solo, a água

e os seres vivos são alguns dos sorvedouros

para o praguicida. A toxicidade aguda pode ocorrer pela inalação, pela absorção pela pele

ou pela ingestão de sementes ou vegetais.

A toxicidade também por ser crônica, ou

seja, pode provir da adsorção continuada de

pequenas quantidades do praguicida, que se vão acumulando nos organismos.

1.4.2 Poluição Térmica

A chamada poluição térmica decorre da

elevação da temperatura de um ambiente aci- ma dos níveis considerados normais, de for- ma que acarretam perturbações nesse ambien- te. Hoje estão bem estudados os efeitos em

ambientes aquáticos próximos a usinas gera- doras de eletricidade – termelétricas e nuclea- res. Tais usinas retiram água destes ambientes

e devolvem aquecida. A operação de tais usi-

nas acarreta diferentes tipos de perturbações, que podem afetar a flora e a fauna. Algumas dessas perturbações são mecânicas, provoca- das pela própria movimentação das águas nas proximidades das usinas. O arraste de sedimen- tos, por exemplo, torna as águas turvas e, con- seqüentemente, dificulta a fotossíntese e a ali- mentação dos seres vivos. Essa movimenta- ção também faz com que voltem, às águas, os poluentes que, anteriormente, estavam sedi- mentados no fundo do ambiente aquático. Outro tipo de perturbação é que a água fica aquecida e, com isso, parte dos gases nela dis-

solvidos, como oxigênio e gás carbônico, es- capa para o ar, comprometendo os processos de respiração e fotossíntese.

1.4.3 Poluição Radiativa

Há diversos materiais, naturais ou sinteti- zados pelo ser humano, que são radiativos, isto

é emitem radiações. As radiações conhecidas

como alfa, beta e gama têm várias caracterís- ticas , como por exemplo, o poder de penetração

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

em diferentes tecidos vivos e objetos. Fala-se em poluição radiativa quando atividades hu- manas ou acidentes, delas decorrentes, intro- duzem materiais radiativos no ambiente, e pro-

vocam um aumento nos índices de radiação. Estas atividades estão relacionadas à extração

e processamento de materiais radiativos; pro-

dução, armazenamento e transporte de com- bustível nuclear, produção, uso e testes de ar- mas nucleares, operação de reatores nuclea- res; e uso de materiais radiativos na medicina, na indústria e na pesquisa. Os efeitos da radia- ção nos organismos vivos são, entre outros, mutações genéticas, câncer, necroses e altera- ções de metabolismo. Conforme a intensida- de e a natureza da radiação, ela pode ser fatal.

1.4.4 Poluição Sonora

O som é um fenômeno físico ondulatório

periódico, resultante de variações da pressão em meio elástico que se sucedem com regula- ridade. Pode ser representado por uma série de compressões e rarefações do meio em que se propaga, a partir da fonte sonora. Não há deslocamento permanente de moléculas, ou seja, não há transferência de matéria, apenas de energia. Ruído é “qualquer sensação sono- ra indesejável”. Há quem considere o ruído como “um som indesejável que invade o am- biente e ameaça nossa saúde, produtividade, conforto e bem estar”. A ação perturbadora do som depende de suas características, como in- tensidade/duração, bem como da sensibilida- de auditiva, um parâmetro variável de pessoa para pessoa.

O trânsito é o grande causador do ruído

na vida das grandes cidades. As característi- cas dos veículos barulhentos são o escapamen- to furado ou enferrujado, as alterações no si- lencioso ou no cano de descarga, as alterações

no motor e os maus hábitos ao dirigir, como acelerações e freadas bruscas e o uso excessi- vo de buzina. A partida e a chegada de aviões

a jato são acompanhadas de ruídos de grande

intensidade, que perturbam, sobremaneira, os moradores das imediações.

O ruído gerado pelas indústrias também

pode atingir as comunidades vizinhas e preci-

sa ser controlado. Normalmente, é feito o enclausuramento das grandes máquinas.

A Resolução CONAMA Nº 001, de 08 de

março de 1990 estabelece os padrões para con- trole de ruído.

1.4.5 Poluição Biológica

Devido à precariedade da rede de esgotos sanitários em nosso país, grandes volumes de água contaminada com fezes humanas, restos de alimentos e detergentes são diariamente despejados sem tratamento em córregos, rios e mares, atingindo as formas de vida nesses ecossistemas aquáticos, além de comprome- ter seriamente a saúde humana. Os esgotos domésticos provocam três tipos de contami- nação das águas:

– contaminação por bactérias: principal- mente por coliformes presentes nas fe- zes humanas, responsáveis pela gran- de incidência de diarréias e infecções. Porcentagem considerável da mortali- dade infantil no país é atribuída a doen- ças transmitidas através de água conta- minada;

– contaminação por substâncias orgâni- cas recalcitrantes, ou de difícil degra- dação. Como exemplo, pode-se citar, os detergentes sulfônicos, cuja ação tóxica não é muito acentuada, mas os efeitos secundários são graves. Des- troem as células dos microorganismos aquáticos, o que impede a oxidação microbiológica dos materiais biodegra- dáveis contidos nos esgotos. Reduzem, também, a taxa de absorção de oxigê- nio, diminuindo a velocidade de auto- depuração dos rios;

– eutrofização de lagos e lagoas, devido ao excesso de nutrientes, com cresci- mento excessivo de espécies não de- sejáveis em detrimento de outras espé- cies (desequilíbrio do ecossistema).

1.5 Legislação Ambiental

No Brasil, a legislação ambiental teve iní- cio em 1934, através de dois decretos, um apro- vando o Código Florestal e o outro relativo ao Código da água. Relacionam-se, abaixo, os principais mar- cos da evolução da legislação ambiental bra- sileira.

1973 – Criação, no âmbito do Ministé- rio do Interior, da Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA.

1981 – Política Nacional do Meio Ambiente, Constituição do Sistema Na- cional do Meio Ambiente (SISNAMA), Criação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA).

15
15
16
16

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

1985 – Criação do Ministério do Desen- volvimento Urbano e Meio Ambiente.

1988 – A Constituição Federal aborda

a questão do Meio Ambiente, o con-

trole da poluição e a disposição final de resíduos sólidos, de maneira abrangente definindo:

Art. 225 – Todos têm o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial

à sadia qualidade de vida, impondo-se

ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Parágrafo 1 – Para assegurar a efetivi- dade desse direito, incumbe ao Poder

Público:

V– controlar a produção, a comerciali- zação e o emprego de técnicas, méto- dos e substâncias que comportem ris- co para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente.

1989 – Extinção da SEMA e criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambi- ente e dos Recursos Naturais Renová- veis (IBAMA), vinculado ao Ministé- rio do Interior, criação do Fundo Nacio- nal do Meio Ambiente (FNMA).

1990 – Criação da SEMAM/PR (Se- cretaria do Meio Ambiente da Presidên- cia da República).

1992 – Transformação

da SEMAM/

PR em Ministério do Meio Ambiente (MMA).

1993 – Criação, mediante transforma- ção, do Ministério do Meio Ambiente

e da Amazônia Legal.

– 1997 – Instituição da Política Nacio- nal de Recursos Hídricos e criação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, criação do Conse- lho Nacional de Recursos Hídricos.

1998 – Lei nº 9.605, de 12 de feverei- ro – Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas

e

atividades lesivas ao meio ambiente,

e

dá outras providências. Medida Pro-

visória nº 1.710, de 07 de agosto - Acrescenta dispositivo à Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrati- vas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.

1999 – Transformação do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos

e da Amazônia Legal em Ministério do

Meio Ambiente. Integram a estrutura básica do Minis- tério do Meio Ambiente, o Conselho Nacional do Meio Ambiente, o Conse- lho Nacional da Amazônia Legal, o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, o Comitê do Fundo Nacional do Meio Ambiente, o Instituto de Pes- quisas Jardim Botânico do Rio de Ja-

neiro e até cinco Secretarias. Constitui área de competência do Ministério do Meio Ambiente, a política nacional do meio ambiente e dos recursos hídricos; política de preservação, conservação e utilização sustentável de ecossistemas,

e biodiversidade de florestas; proposi-

ção de estratégias, mecanismos e ins- trumentos econômicos e sociais para a melhoria da qualidade ambiental e do uso sustentável dos recursos naturais; políticas para integração do meio am-

biente e produção; políticas e progra- mas ambientais para a Amazônia Legal;

e zoneamento ecológico-econômico.

2000 – Criação da Agência Nacional de Águas (ANA), entidade federal de implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos e de coordenação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos. Conforme pode ser verificado, a política nacional do Meio Ambiente está estabelecida legalmente desde 1981. O Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) é constituído pelos órgãos e entidades da União, dos Esta- dos, do Distrito Federal, dos Municípios e pe- las Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção e melhoria da qua- lidade ambiental. O SISNAMA apresenta a seguinte composição:

Conselho do Governo: Representado pe- los Ministros de Estado. Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA): 25 membros dos ministérios. O presidente é o Ministro de Meio Ambiente. É o órgão consultivo e deliberativo do SISNAMA e tem, através de resoluções, estabelecido nor- mas e padrões ambientais, destacando-se a classificação das águas doces, salobras e sali- nas do território nacional, padrões de qualida- de do ar, padrões de emissões atmosféricas; o Programa Nacional de Controle da Qualidade

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

do Ar (PRONAR), os critérios básicos e as diretrizes gerais para uso e implementação da Avaliação do Impacto Ambiental e o Progra- ma de Controle da Poluição por veículos Automotores (PROCONVE). Órgão Central: Ministério do Meio Am- biente. Órgão Executor: Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Re- nováveis – IBAMA. Órgãos Seccionais: Órgãos Ambientais Estaduais. Órgãos Locais: Órgãos ambientais Mu- nicipais. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recu- peração da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos inte- resses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidos os se- guintes princípios:

– Equilíbrio ecológico; racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; proteção dos ecossistemas; controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamen- te poluidoras; acompanhamento do es- tado da qualidade ambiental; recupe- ração de áreas degradadas; proteção de áreas ameaçadas de degradação e edu- cação ambiental em todos os níveis de ensino.

Tem como objetivos: a compatibilização do desenvolvimento econômico social, com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; subsidiar a atuação institucional para o cumprimento das prescri- ções constitucionais relativas ao princípio de que a defesa e preservação do Meio Ambiente cabem ao poder público e à sociedade civil; assessorar as ações governamentais para a priorização de programas e projetos; promo- ver a captação de recursos internos e exter- nos; financiar atividades pioneiras no desen- volvimento de pesquisas. Em relação à Lei Federal Nº 9.605, de fe- vereiro de 1998, denominada “Lei dos Crimes Ambientais”, tomando como base a indústria, é importante ressaltar os seguintes itens:

quem, de qualquer forma, concorre para

prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas penas a estes cominadas, na medida da sua culpabilidade, bem como

a

o

diretor, o administrador, o membro de

conselho e de órgão técnico, o auditor,

o

gerente, o preposto ou mandatário de

pessoa jurídica, que, sabendo da con- duta criminosa de outrem, deixar de im- pedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la;.

as pessoas jurídicas serão responsabi- lizadas administrativa, civil e penal- mente, conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a infração seja co- metida por decisão de seu representan- te legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua entidade;

a

responsabilidade das pessoas jurídi-

cas não exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo fato;

Penalidades.

Causar poluição de qualquer natureza, em níveis tais, que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição sig- nificativa da flora (Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa). Tomar uma área, urbana ou rural, impró- pria para a ocupação humana. Causar poluição atmosférica que provo- que a retirada, ainda que momentânea, dos ha- bitantes das áreas afetadas, ou que cause da- nos diretos à saúde da população. Causar poluição hídrica que torne neces- sária a interrupção do abastecimento público de água de uma comunidade. Dificultar ou impedir o uso público das praias. Lançar resíduos sólidos, líquidos ou ga- sosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleo- sas, em desacordo com as exigências estabe- lecidas em leis ou regulamentos (Pena – re- clusão, de um a cinco anos). Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competen- te, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível. Produzir, processar, embalar, importar, ex- portar, comercializar, fornecer, transportar, ar- mazenar, guardar, ter em depósito ou usar pro- duto ou substância tóxica, perigosa ou nociva

– esta lei trata das sanções penais e ad- ministrativas derivadas de condutas e atividades

– esta lei trata das sanções penais e ad- ministrativas derivadas de condutas e atividades lesivas

esta lei trata das sanções penais e ad- ministrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente;

– esta lei trata das sanções penais e ad- ministrativas derivadas de condutas e atividades lesivas
– esta lei trata das sanções penais e ad- ministrativas derivadas de condutas e atividades lesivas
17
17
18
18

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

à saúde humana ou ao meio ambiente, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou nos seus regulamentos (pena – reclu- são, de um a quatro anos, e multa). Nas mesmas penas, incorre quem aban- dona os produtos ou substâncias referidos, ou os utiliza em desacordo com as normas de se- gurança. Se o produto ou a substância for nuclear ou radioativa, a pena é aumentada de um sex- to a um terço.

Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do territó- rio nacional, estabelecimentos, obras ou ser- viços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais compe- tentes, ou contrariando as normas legais e re- gulamentares pertinentes (pena – detenção, de um a seis meses ou multa, ou ambas as penas cumulativamente).

É importante ressaltar que os órgãos de

controle ambiental estadual possuem legisla- ção ambiental própria baseada nas leis fede- rais. A legislação ambiental estadual pode ser igual ou mais restritiva que a federal, nunca mais permissiva. Com o processo de descen- tralização do controle ambiental, alguns mu- nicípios também possuem legislação própria e seguem a mesma hierarquia, ou seja, fede- ral, estadual, municipal.

1.6 Monitoramento Ambiental

O monitoramento ambiental está relacio-

nado com os aspectos ambientais significati- vos e com o atendimento à legislação ambien- tal vigente. São realizadas análises de labora- tório para verificar se os aspectos ambientais estão controlados e se os padrões estabeleci- dos pela legislação estão sendo atendidos. O monitoramento também pode ser realizado por analisadores contínuos.

Em uma refinaria, de uma forma geral, são realizados os seguintes monitoramentos:

– efluentes hídricos gerados nas unida- des de processo;

– entrada e saída das unidades de trata- mento de efluentes hídricos específicos;

– entrada e saída das diversas etapas da Estação de Tratamento de Efluente Hídrico – ETEH;

– qualidade do efluente final;

– qualidade da água do corpo receptor;

– qualidade das águas subterrâneas;

– gases de combustão dos equipamentos de combustão;

– condições operacionais dos equipa- mentos de combustão;

– qualidade do combustível e da maté- ria-prima;

– qualidade do ar;

– caracterização de resíduos sólidos.

Em relação à qualidade do efluente final e do corpo receptor, são realizadas além das aná- lises físico-químicas, análises biológicas e de toxicidade crônica. Dependendo do tipo de indústria, pode ser necessário o monitoramento ambiental das coberturas vegetais e da fauna.

1.7 Efluentes Atmosféricos

1.7.1 Sistema de Contaminação do ar

A contaminação do ar pode ser definida

como qualquer condição atmosférica em que certas substâncias alcancem concentração su- ficientemente elevada, acima do nível normal, aceita pela legislação, produzindo efeitos no homem, em animais, na vegetação e materiais. Por substância, entende-se qualquer elemento ou composto químico capaz de permanecer ou ser arrastado pelo ar. Estas podem existir na atmosfera em forma de gases, de gotas líqui- das ou de partículas sólidas.

A contaminação do ar pode ser represen-

tada como um sistema integrado de 3 compo- nentes básicos:

Fontes de

 

Atmosfera

   

Emissão

Emissão Receptores
Emissão Receptores

Receptores

Contaminantes

 

Mistura ou

Transformação

 

Química

Existe uma certa dificuldade de se de- monstrar claramente a relação entre os níveis de emissão e as concentrações atmosféricas, e entre as concentrações atmosféricas e os efei- tos desfavoráveis (principalmente à saúde hu- mana) dos contaminantes do ar.

O estudo das fontes de emissão, tais como

motores de combustão e queima de óleo em fornos e caldeiras, requer conhecimento tanto do funcionamento da máquina, quanto da en- genharia de projeto destes equipamentos. En- tender o comportamento físico e químico dos contaminantes na atmosfera exige conhecimen- tos de meteorologia, mecânica de fluidos, quí- mica, e física de aerossóis. Por último, a evolu- ção dos efeitos dos contaminantes nas pessoas, nos animais e nas plantas requer noções de fisiolo- gia, bioquímica, medicina e patologia vegetal.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

A contaminação do ar é um problema

mundial, e os contaminantes chegam a disper- sar em toda a atmosfera. A origem da contaminação do ar é a fonte de emissão. As fontes de emissão mais impor- tantes são:

– os veículos;

– a incineração de resíduos;

– consumo de combustíveis industriais;

– os processos industriais.

Entre os controle típicos de fonte, encon- tram-se os equipamentos de lavagem de ga- ses, a substituição de combustíveis por outro que cause menor contaminação, assim como modificações do próprio processo. Os conta- minantes são emitidos para a atmosfera, que serve como meio de transporte, diluição e transformação física e química. A melhor ma- neira de se combater a poluição do ar, é im- pedir que os contaminantes cheguem à atmos- fera.

1.7.2 Contaminantes Atmosféricos

Existe uma variedade tão grande das subs-

tâncias capazes de permanecerem no ar, que fica difícil estabelecer uma classificação or- denada. Entretanto, os contaminantes atmos- féricos podem ser divididos em dois grandes grupos:

contaminantes primários: proceden- tes diretamente das fontes de emissão.

contaminantes secundários: origina- dos por interação química entre os con- taminantes primários e os componen- tes normais da atmosfera.

primários e os componen- tes normais da atmosfera.   Contaminantes Contaminantes Fontes de Tipo
 

Contaminantes

Contaminantes

Fontes de

Tipo

Primários

Secundários

emissãoartificial

Compostos de

Enxofre

   

Queima de Com-

SO 2 , SO 3

H

2 SO 4

bustíveisquecon-

tenhamenxofre

     

Queima de com-

Compostos de

NO

NO 2

bustíveiseproces-

Nitrogênio

sos em altas tem- peraturas

Compostos de

Compostos

Aldeídos,

Queima de com-

bustíveis, uso de solventes

Carbono

Cl

– C 3

cetonas, ácidos

Óxidos de

CO, CO 2

 

Queima de

Carbono

 

combustíveis

Compostos de

HF,

HCI

 

Industrias

Halogênios

   

metalúrgica

Como representação dos óxidos de nitro- gênio, NO e NO 2 , é comum utilizar a fórmula abreviada NO x . Do mesmo modo, emprega-se a fórmula SO x para designar os óxidos de en- xofre SO 2 e SO 3 . Tanto o CO (monóxido de carbono) quanto o CO 2 (dióxido de carbono) são provenientes da combustão de produtos de carbono, especi- ficamente de sua combustão incompleta e com- pleta, respectivamente. Não se considera o CO 2 como um contaminante, entretanto, a concen- tração de CO 2 tem aumentado progressivamen- te, e seu possível efeito na meteorologia tem se transformado em um tema de inquietude. Alguns compostos de halogênios, tais como HF (ácido fluorídrico) e HCl (ácido clo- rídrico), originam-se em certas operações in- dustriais, entre elas, as metalúrgicas. Os com- postos de fluor são perigosos e irritantes para as pessoas, animais e plantas, mesmo quando presentes em concentrações muito baixas. Por partículas, entende-se qualquer subs- tância, com exceção da água pura, presente na atmosfera em estado sólido ou líquido, cujo tamanho é microscópio. Utilizam-se vários termos em relação às partículas no ar. Os contaminantes secundários resultam das reações químicas na atmosfera. Vários ti- pos de reações podem ocorrer: reações térmi- cas em fase gasosa, reações fotoquímicas em fase gasosa, reações térmicas em fase líquida. As reações térmicas em fase gasosa pro- vêm da colisão de duas moléculas com níveis de energia apropriados e constituem o tipo normal de reações químicas. As reações fotoquímicas implicam na dissociação e na excitação de uma molécula após absorção de certa radiação. As reações de fase líquida, geralmente de natureza iônica,

Principais produtores de CFC Principal emissão de carbono pelo desflorestamento tropical Emissões relativas de carbono
Principais produtores de CFC
Principal emissão de carbono pelo desflorestamento tropical
Emissões relativas de carbono pela queima de combustíveis
fósseis
As substâncias consideradas, normalmen-
te, como contaminantes atmosféricos, podem
ser classificadas conforme tabela a seguir:
19
19
20
20

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

podem ser catalisadas pelas substâncias pre- sentes no líquido.

A tabela a seguir mostra as diferenças de

concentração típicas entre o ar limpo e o ar

contaminado para os principais contaminan- tes atmosféricos.

Comparação dos níveis de concentração entre o ar limpo e o ar contaminado

Os efeitos micrometeorológicos ocorrem em questão de minutos e horas. Os mesome- teorológicos em horas ou dias e os macrome- teorológicos em dias ou várias semanas. Prever o transporte e a dispersão dos con- taminantes requer conhecimento dos efeitos dos ventos e da turbulência sobre o movimento das partículas ou moléculas de gás na atmosfera.

Componentes

 

Ar limpo

Ar contaminado

SO 2

0,001 – 0,01 ppm 310 – 330 ppm

0,02 – 2 ppm 350 – 700 ppm

CO

CO 2

1

ppm

5

– 200 ppm

NO

0,001 – 0,01 ppm

0,01 – 0,5 ppm

Hidrocarbonetos

1

ppm

1

– 20 ppm

Partículas

10

– 20ug/m³

70 – 700ug/m³

1.7. 3 Aspectos atmosféricos da contaminação do ar

Logo que são introduzidos na atmosfera, os contaminantes são submetidos ao processo

de dispersão. Simultaneamente, seu transpor- te pelo vento e a formação de uma mistura tur- bulenta dão origem a uma série de reações químicas que transformam os contaminantes primários em secundários. Os aspectos atmosféricos da contamina- ção do ar podem ser divididos de acordo com os seguintes tópicos:

– a química do ar;

– a meteorologia;

– o transporte e a dispersão dos contami- nantes.

A química do ar compreende o estudo dos

processos de transformação exercidos sobre os contaminantes atmosféricos. A duração des-

tes processos pode variar desde alguns segun- dos até várias semanas.

A meteorologia é o estudo da dinâmica,

em particular, em relação à quantidade de movimento e de energia. As escalas meteoro- lógicas de movimento podem classificar-se da seguinte forma:

Macroescala: fenômenos que ocorrem so- bre milhares de quilômetros, tais como as zo- nas de alta e baixa pressão, situadas sobre os oceanos e os continentes. Mesoescala: fenômenos que ocorrem so- bre centenas de quilômetros, tais como as bri- sas entre a terra e o mar, os ventos entre as montanhas e vales e as frentes migratórias de baixa e alta pressão. Microescala: fenômenos que ocorrem so- bre distâncias inferiores a 10 quilômetros, tais como a dispersão da fumaça de uma chaminé. Cada uma destas escalas de movimento desempenha um papel na contaminação do ar.

Fundamentos de meteorologia

A energia expendida nos processos atmos-

féricos é derivada originalmente do sol. Esta transferência de energia do sol para a terra é

feita por radiação do calor através das ondas eletromagnéticas. Uma parte desta radiação é

refletida pelo topo das nuvens e pelas superfí- cies do solo e água da terra.

A terra irradia energia em proporção à sua

temperatura. Devido a essa temperatura, a emissão corresponde à região infravermelho do espectro. O dióxido de carbono (CO 2 ), é um dos gases de maior importância, presentes na atmosfera, pois é invisível à radiação solar, mas absorve a maior parte da radiação infra- vermelho emitida pela terra, onde a energia calorífica é conservada. Este CO 2 , presente na atmosfera, é reciclado através dos oceanos e plantas, mas o desmatamento indiscriminado e a queima de cada vez mais combustíveis fosseis está au- mentando em muito as concentrações de CO 2 na atmosfera.

Sol CO 2 da queima O 2 Fotossíntese de combustivel CO 2 da respiração Respiração
Sol
CO 2
da queima
O 2
Fotossíntese
de combustivel
CO 2
da respiração
Respiração
CO 2
Fitóplancton
Matéria orgânica morta
e decompositora
Sedimentos
Carvão mineral e petróleo
Calcário
Luz solar Gases do efeito estufa 20% são absorvidos pela atmosfera 22% são refletidos pela
Luz solar
Gases do
efeito estufa
20% são absorvidos
pela atmosfera
22% são refletidos
pela atmosfera
17% escapam
para a atmosfera
49% são
absorvidos
Radiação
infravermelha
emitida por
nuvens e gotas
pela superfície
9% são refletidos
pela superfície ou
poeira e neblina
Radiação
infravermelha
83% são seguros
e reemitidos

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Para manter o balanço de calor da atmos- fera, existe a constante transferência de calor entre o Equador e os Pólos. Esta força de ba- lanço térmico é a principal causa do movimen- to atmosférico na terra. A porção da terra próxima ao Equador age como uma fonte de calor e, nos Pólos, como um absorvedor. Associados a esta circulação principal, existem os movimentos do ar provocados pela existência do gradiente de pressão. Existe uma força que empurra o ar das pressões mais altas (frio) para a mais baixa. O vento nada mais é do que o ar em movimento. Na camada inferior da atmosfera, esten- dendo da superfície até 2 km, a distribuição de temperatura varia consideravelmente, de- pendendo das características da superfície. Esta região, denominada baixa troposfera, é a de maior interesse na meteorologia da poluição do ar, uma vez que dentro dessa camada é onde ocorrem os fenômenos que interferem na dis- persão das poluentes atmosféricos. Na tropos- fera (0 a 18 km de altitude), existe uma varia- ção de temperatura com a altitude, mas, na baixa troposfera, esta taxa de variação não é observada e inversões de temperatura podem ocorrer.

Algumas Veículos de Regiões da importantes Densidade vôo Temperaturas Altitude atmosfera espécies do ar
Algumas
Veículos de
Regiões da
importantes
Densidade
vôo
Temperaturas
Altitude
atmosfera
espécies
do ar
médias
químicas
111 km
100°C
NO , O , O
+
+
+
2
93 km
Ionosfera
74 km
Termosfera
NO , O
+
+
O 3
55 km
2
–1°C
37 km
–35°C
Mesosfera
18 km
–55°C
10°C
Nível do mar
N , O
CO
,
2
2
, H O
2
2
Estratosfera
Troposfera
N , O CO , 2 2 , H O 2 2 Estratosfera Troposfera Uma vez
N , O CO , 2 2 , H O 2 2 Estratosfera Troposfera Uma vez

Uma vez que a atmosfera tem a tendência de aumentar ou diminuir os movimentos de ar através dos processos atmosféricos, seus efei- tos na poluição do ar são extremamente im- portantes. A estabilidade atmosférica é altamente dependente da distribuição vertical da tempe- ratura em função da altitude. Devido ao decréscimo de pressão com a altura, um volume de ar elevado a uma altitu-

de maior, encontrará a pressão decrescida, ex- pandirá, e devido a esta expansão, resfriará. Se esta expansão se der sem perda ou ganho de calor, a troca é adiabática. Similarmente, um volume de ar forçado para baixo encontra-

rá pressões altas, contrairá e aquecerá.

A curva que fornece a taxa de aquecimen-

to ou resfriamento é chamada curva adiabática

seca, e não deve ser confundida com a varia-

ção da temperatura com a altura num determi-

nado momento, que é chamada de curva am-

biente (real). A curva adiabática é função, prin- cipalmente, da temperatura do ar e da superfí- cie, sobre a qual ele está se movendo, e a troca de calor entre os dois.

Se a temperatura decresce mais rapida- mente com a altura do que a adiabática seca, o ar é instável, se decresce mais lentamente é estável e se a variação permanece igual a cur-

va adiabática seca, a atmosfera está em equilí- brio estável (neutro).

A velocidade do vento é responsável pela

diluição dos poluentes, ou seja, a concentra- ção de poluentes no ar é inversamente propor- cional à velocidade do vento. Devido à rugosidade do solo, a velocida- de do vento varia com a altura, é menor na superfície e cresce à medida que se afasta do solo.

21
21
do solo, a velocida- de do vento varia com a altura, é menor na superfície e
22
22

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

A dispersão vertical de poluentes do ar está

relacionada diretamente, às variações da tem- peratura com a altura, que condiciona o grau de estabilidade atmosférica e por sua vez, a concentração e dispersão dos poluentes através dos movimentos verticais das camadas de ar. Maior decréscimo de temperatura com a altura implica em melhor dispersão e menor decréscimo em pior dispersão. O caso extre- mo é a inversão de temperatura, que confina os poluentes numa camada próxima ao solo, aumentando em muito a concentração. As plumas, emitidas por uma chaminé, tomam diferentes formas segundo a variação vertical de temperatura, quando comparada com a curva adiabática seca. Um dos principais objetivos da meteoro- logia, aplicada à contaminação do ar, é a pre- visão da dispersão dos contaminantes. Esta dispersão depende dos seguintes fatores: na- tureza física dos contaminantes (gás, partícu- la), velocidade e dispersão dos ventos, estabi- lidade atmosférica, nível de turbulência, con- dições de emissão (velocidade de saída), tem- peratura.

1.7.4 Os efeitos da contaminação do ar

Existe evidência real de que a contamina- ção do ar afeta a saúde das pessoas e dos ani- mais, provoca danos à vegetação, deteriora os materiais, afeta o clima, reduz a visibilidade e a radiação solar. Alguns destes efeitos são mensuráveis, tais como os danos causados aos materiais e a redução de visibilidade, entretan- to a maioria deles é difícil de medir, como os danos causados à saúde humana e aos animais.

Efeitos da contaminação do ar sobre as proprie- dades atmosféricas

Os contaminantes do ar podem afetar as

propriedades atmosféricas das seguintes formas:

– redução da visibilidade;

– formação de neblina;

– redução da radiação solar;

– alteração das temperaturas e distribui- ção dos ventos. Talvez o efeito mais visível da contami- nação do ar sobre as propriedades da atmosfe- ra seja a redução da visibilidade que acompa-

nha, freqüentemente, o ar contaminado. A re- dução de visibilidade é esteticamente desagra- dável, assim como pode levar à situação de perigo.

A visibilidade é reduzida devido aos efei-

tos produzidos pelas moléculas gasosas e as

partículas sobre a radiação visível: a absorção

e a dispersão da luz. A dispersão da luz é a causa principal da falta de visibilidade.

Efeitos da contaminação do ar sobre os materiais

Os contaminantes atmosféricos podem afetar os materiais de forma a deteriorar sua composição química. As partículas ácidas ou alcalinas, em particular as que contêm enxo- fre, corroem os materiais.

Efeitos da contaminação do ar sobre a vegetação

Os contaminantes conhecidos como fito-

tóxicos (substâncias nocivas para a vegetação) são o dióxido de enxofre e o etileno. O cloro,

o cloreto de hidrogênio, o amoníaco e o mer-

cúrio são menos tóxicos. Em geral, os conta- minantes gasosos penetram na planta, junto com o ar, durante o processo normal de respi- ração da planta, destruindo a clorofila e inter- rompendo a fotossíntese. Os danos podem variar desde uma redução na velocidade de crescimento até a morte da planta. Os sinto- mas aparecem nas folhas e, em muitos casos, é possível conhecer os contaminantes por meio dos sintomas específicos.

Efeitos da contaminação do ar sobre a saúde hu- mana

Considerem-se os mecanismos pelos quais os contaminantes podem afetar o corpo humano. Os contaminantes penetram no corpo hu- mano através do sistema respiratório. O siste- ma respiratório divide-se em sistema respira- tório superior (cavidade nasal e traquéia) e sis- tema inferior (bronquíolos e pulmões). Na en- trada dos pulmões, a traquéia divide-se em, duas árvores de brônquios, formados por uma série de ramificações de diâmetro cada vez mais reduzido. A árvore bronquial completa consta de mais de 20 bifurcações terminadas nos bronquíolos, cujo diâmetro aproximado é de 0,05cm. Nas extremidades dos bronquíolos, encontra-se um grande número de diminutas cavidades chamadas alvéolos. É através das membranas alveolares que o oxigênio do ar contido nas cavidades difunde-se aos vasos capilares do pulmão, enquanto o dióxido de carbono difunde-se em sentido contrário. Ape- sar dos alvéolos terem um diâmetro aproxi- mado de apenas 0,02 cm, apresentam uma su- perfície total para transferência de gás de apro- ximadamente 50 m², devido ao número de al- véolos existentes.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Certos contaminantes afetam a resistên- cia dos pulmões.O sistema respiratório tem vários níveis de defesa contra a invasão de corpos estranhos. As partículas grandes são

filtradas pelos pêlos do nariz e são retiradas pela mucosa que cobre a cavidade nasal e a traquéia.

A maioria das partículas são eficazmente

eliminadas pelo sistema respiratório superior. As partículas menores atravessam, geral- mente, o sistema respiratório superior e não são retidas. Dentre essas, algumas partículas muito pequenas depositam-se nas paredes dos brônquios ou podem penetrar profundamente no pulmão. No caso dos gases, a proporção absorvida nas vias respiratórias superiores e a que chega às últimas cavidades dos pulmões é determi- nada pela Lei de solubilidade. Por exemplo, o SO 2 é muito solúvel, como conseqüência, será prontamente absorvido pelas vias respiratórias, causando um aumento da resistência destas vias, estimulando a secreção de mucosidade. Por outro lado, o CO (monóxido de carbono) e o NO 2 (dióxido de nitrogênio) são relativa- mente insolúveis e podem penetrar profunda- mente no pulmão. É importante notar que um mesmo efeito pode ser provocado por mais de um contaminante. Tanto o dióxido de enxo- fre, quanto o formaldeído, por exemplo, pro- duzem irritação e uma maior resistência das vias do sistema respiratório superior, e tanto o monóxido de carbono, quanto o dióxido de nitrogênio impedem o transporte de oxigênio pela hemoglobina. No caso da presença simultânea de vários contaminantes, os efeitos observados podem ser atribuídos à ação combinada de mais de um contaminante. Um bom exemplo deste fato é o caso do SO 2 (dióxido de enxofre) e as par- tículas. Os efeitos sobre a saúde são muito mais graves quando ambos estão presentes do que quando existe apenas um deles. Uma possível explicação deste efeito relaciona-se com o fato do SO 2 ser absorvido por partículas muito pe- quenas, que são capazes de alcançar zonas mais profundas dos pulmões.

capilares que unem as artérias com as veias. O monóxido de carbono é relativamente insolú- vel e chega facilmente aos alvéolos, junto com o oxigênio. O monóxido de carbono difunde- se através das paredes alveolares e compete com o oxigênio pela ligação com qualquer um dos quatro átomos de ferro da molécula de hemoglobina. A afinidade do átomo de ferro pelo CO é, aproximadamente, 210 vezes maior que pelo oxigênio, o que confere ao CO uma considerável vantagem nesta competição. Quando uma molécula de hemoglobina adquire uma molécula de CO, se converte em Carbo- xihemoglobina (COH b ). A presença de carbo- xihemoglobina diminui a capacidade total do sangue de levar oxigênio às células. Os sinto- mas de envenenamento por CO dependem da quantidade de COH b e do tempo de exposição.

A formação de COH b é um processo re-

versível, com vida média de duas a quatro ho- ras, após exposição a baixas concentrações. Níveis relativamente baixos de COH b po- dem afetar a habilidade para estimar interva- los de tempo e reduzir a sensibilidade visual.

Óxidos de enxofre

O dióxido de enxofre (SO 2 ) é altamente

solúvel e, como conseqüência, é absorvido nos condutos úmidos do sistema respiratório su- perior. Exposição a níveis de SO 2 da ordem de 1 ppm produz a constrição das vias respiratórias.

Níveis mais elevados de SO 2 estão associados com níveis elevados de partículas, favorecen- do o aumento de problemas respiratórios.

Óxidos de nitrogênio

O dióxido de nitrogênio (NO 2 ) transfor-

ma-se nos pulmões em nitrosoaminas, algu-

mas delas cancerígenas.

O NO 2 pode passar para o sangue, forman-

do um composto chamado metahemoglobina. Sabe-se que o dióxido de nitrogênio irrita os

alvéolos, produzindo sintomas parecidos aos do enfisema, após exposição prolongada a con- centrações da ordem de 1 ppm.

Gás sulfídrico

O gás sulfídrico é incolor, inflamável e

extremamente tóxico. A toxidade do H 2 S é igual a do HCN e seis vezes a do CO. Exposição à alta concentração de H 2 S pode causar a morte em pouco tempo. O sulfeto de hidrogênio tem um odor distinto e desagradá- vel (semelhante ao do ovo podre). Em baixas concentrações, pode ser sentido, entretanto al- tas concentrações paralisam os nervos aliáticos.

Monóxido de carbono (CO)

O

monóxido de carbono afeta a capacida-

de do sangue de transportar o oxigênio. Du-

rante o funcionamento normal, as moléculas de hemoglobina, contidas nos glóbulos verme- lhos do sangue, transportam o oxigênio para ser trocado por dióxido de carbono nos vasos

23
23

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

A concentração usualmente permitida para 8 horas de exposição é 20 ppm, e a relação entre toxidade e concentração pode ser obser- vada a seguir:

Toxidade

Concentração de H 2 S (ppm)

Fadiga após várias horas de exposição

70

– 150

Concentração limite para uma hora de exposição

170

– 300

Condições graves após 30 minutos

400

– 700

Morte em 30 minutos

Acima de 600

Sabe-se que em determinadas zonas, a concentração de certos contaminantes atmos- féricos tem alcançado níveis excessivamente altos durante várias horas ou vários dias. Por mais terríveis que sejam os resultados de um episódio ocasional de contaminação atmosférica, deve haver uma intensa preocu- pação também com os efeitos produzidos so- bre a população que vive em atmosfera conta- minada. Uma das tarefas mais difíceis é a ob- tenção de uma relação quantitativa da exposi- ção à contaminação atmosférica e seus efeitos

sobre a saúde. A dificuldade consiste em se- parar o efeito produzido pela contaminação atmosférica na saúde e aqueles causados por hábitos pessoais tais como: fumar, regimes alimentares, fatores hereditários. As enfermidades do sistema respiratório estão, geralmente, relacionadas com a conta- minação do ar. O sistema respiratório reage de maneira distinta aos contaminantes atmos- féricos, tais como bronquite, bronquite crôni- ca e enfisema. A bronquite é uma enfermida- de, caracterizada por inflamação da árvore bronquial, acompanhada de um aumento da produção de mucosidade e tosse, dificultando o funcionamento das vias respiratórias. O enfisema pulmonar é uma doença em que ocorre a des- truição dos alvéolos de forma progressiva. Os principais contaminantes do ar atmos- férico em uma refinaria são: dióxido de enxo- fre, monóxido de carbono, óxidos de nitrogê- nio, material particulado e hidrocarbonetos. As principais fontes de poluição atmosfé- rica são:

ContaminantesFontes

SO 2

NOx

CO *

Material Particulado Hidrocarbonetos

Fornos

X

X

X

X

Caldeiras

X

X

X

X

Regeneradores

X

X

X

X

Incineradores

X

   

X

Flare

X

X

X

X

Tanques de armazenamento

     

X

Separadores água/óleo

     

X

Unidade de Flotação

     

X

Lagoas de aeração

     

X

*queimaincompleta

Ações para redução da emissão atmosférica:

– Controle do combustível e matéria-prima;

– Controle das variáveis operacionais:

temperatura e viscosidade do combus- tível, relação combustível/vapor, pres- são do combustível;

– Instalação de sistemas de controle:

Lavadores de gás, Precipitadores Ele- trostáticos, Ciclones externos, selagem de tetos flutuantes, recuperação de ga- ses em tanques de armazenamento, co- bertura de separadores de água e óleo e flotadores.

24
24

1.8 Efluentes Hídricos

1.8.1 Principais fontes de poluição hídrica em

uma refinaria

– Vasos de topo das fracionadoras das Unidades de Destilação Atmosférica e a Vácuo, de Craqueamento Catalítico, de Coqueamento Retardado e de Hi-

drodessulfurização. Estas águas são al- tamente contaminadas com amônia, sulfeto, cianeto e fenóis;

– Dessalgadoras de Petróleo: A salmou- ra pode conter borras oleosas, óleo, amônia, sulfetos e fenóis;

– Tanques de petróleo, derivados e resí- duos: A água de drenagem pode conter borras oleosas, óleo, amônia, sulfetos;

– Equipamentos das unidades de processo:

A drenagem para liberação de equipa- mentos pode conter óleos, borras oleo- sas, águas contaminadas;

– Unidades de tratamento de produtos (gasolina, GLP e gás combustível):

Soda gasta contaminada com fenóis e mercaptans, DEA (dietanolamina);

– Amostradores: Hidrocarbonetos;

– Sistemas de Refrigeração: Purga do sis- tema contém fosfato e zinco (o fosfato pode ser aproveitado como nutriente nos sistemas de tratamento biológico);

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

– Caldeiras: Purga do sistema contém fosfato (o fosfato pode ser aproveitado como nu- triente nos sistemas de tratamento biológico);

– Laboratório: A drenagem contém hidrocarbonetos e produtos químicos diversos.

1.8.2 Principais contaminantes encontrados nos efluentes hídricos de uma refinaria

A tabela seguinte apresenta os principais contaminantes de efluentes hídricos de refinaria,

sua origem e efeitos.

Contaminante Origem Efeitos – todos os estágios de processamento; – tóxicos; Óleos e Graxas –
Contaminante
Origem
Efeitos
– todos os estágios de processamento;
– tóxicos;
Óleos e Graxas
– perda de óleo aceitável para o efluente hídrico:
– inibem os processos biológicos.
0,1 a 0,4%.
– unidades de processo que trabalham com tempe-
raturas altas e possuem fonte de oxigênio.
– mal gosto (50 a 100 ppb);
– mal cheiro (50 a 100 ppb);
Fenóis
– tóxicos;
– Concentrações acima de 5 ppm são prejudiciais aos peixes;
– Concentrações acima de 1000 ppm alteram o crescimento de ratos.
– petróleo;
– tóxicos;
– unidades de processamento;
– mal cheiro;
– reagemimediatamentecomooxigênio;
Mercaptans
– substituição de um hidrogênio dos hidrocarbone-
tos peloradical SH.
– correntes contendo altas concentrações se descartadas em canaletas
de drenagem emanam gases deste composto que são prejudiciais à
saúdehumana.
– petróleo;
– podemestar presentes na forma de sal devido à subs-
tituição do hidrogênio por um radical positivo.
– o gás sulfídrico (H 2 S) é tóxico, corrosivo e causa sérios problemas de
odor e sabor;
– letal aos peixes em concentração acima de 1 ppm;
Sulfetos
– demanda imediata de oxigênio que irá diminuir o oxigênio dissolvido
nos cursos de água;
– correntes contendo altas concentrações, se descartadas em canaletas
de drenagem, emanam gases deste composto prejudiciais à saúde hu-
mana, podendoser letais.
Cianetos
– unidades de processo que trabalham com tempe-
raturas altas a partir do nitrogênio orgânico.
– em condições de pH baixo, liberam gás cianídrico (HCN), altamente
tóxico; não deve, por isso, ser descartado em canaletas de drenagem
(pode ser letal).
– petróleo;
– acumulativo;
– etilação da gasolina (processo eliminado em todas
as refinarias).
– toxidez aguda: queimaduras na boca, sede intensa, inflamação do tra-
to gastrintestinal, ocasionando diarréias e vômitos;
Chumbo
– toxidezcrônica: náuseas, vômitos, doresabdominaisdiversas, parali-
sia, confusãomental, distúrbios visuais, anemias econvulsões;
Mercúrio
– petróleo.
– água de refrigeração (controle de corrosão).
– Cancerígeno quando na valência +6.
Cromo
– Nãoé mais utilizadonas refinarias.
– água de refrigeração (controle de corrosão).
– essencial e benéfico para o metabolismo humano, pois a atividade da
insulina e de diversos compostos enzimáticos depende da sua presença;
Zinco
– a deficiência nos animais conduz ao atraso do crescimento;
– o teor é limitado na água devido ao sabor.
– unidades de processo que trabalham com tempe-
raturas elevadas, que rompem as moléculas do
– nutrientebásico;
compostonitrogenadoefazemcomqueonitrogê-
– favorece o crescimento de algas em detrimento de outras espécies,
provocandoaeutrofizaçãodos corpos d'água;
nio orgânico ligue-se ao hidrogênio.
Amônia
– aderemà guelra dos peixes;
– tóxica aos peixes, quando na forma não ionizada;
– correntes contendo altas concentrações, se descartadas em canaletas
de drenagem, emanam gases deste composto que são prejudiciais à
saúde humana, podendoser letal.
25
– água de refrigeração e água de caldeira.
– nutrientebásico;
Fosfatos
– eutrofizaçãodos corpos d'água.
sistemas de tratamento biológico do efluente
hídrico(nitrificação).
Nitrito e Nitrato
alterações sangüíneas nas crianças (até três meses de idade). A
hemoglobina alterada não transporta adequadamente o oxigênio, o
queprovocaaasfixia.
26
26

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

1.8.3 Segregação de efluentes hídricos

Nas refinarias, os efluentes hídricos gera- dos devem ser segregados em sistemas dis- tintos, já que sua mistura tende a dificultar os tratamentos. Esta segregação visa à minimi- zação de investimentos, devido à facilidade que pode propiciar ao tratamento final. Normalmente, existem cinco sistemas de coleta, conforme descrito a seguir:

– Sistema de Efluentes de Processo – re- cebe os efluentes hídricos que tiveram contato com produtos (por exemplo:

lavagem de trocadores de calor, drena- gem de bombas, drenos de torres);

– Sistema de Efluentes Contaminados – recebe efluentes hídricos que podem ou não estar contaminados por produtos (por exemplo: água de chuva nos par- ques de armazenamento, tubovias, dre- nagem de tanques);

– Sistema de Esgoto Sanitário – recebe águas de banheiro, cozinhas, etc;

– Sistema de Soda Gasta – recebe efluen- tes hídricos oriundos do tratamento cáustico de produtos, bem como águas de lavagem do mesmo processo;

– Sistema de Águas Ácidas – coleta con- densados de topo de torres de fracio- namento. De forma geral, pode-se dizer que todas as correntes originadas dentro dos limites de uma indústria devem sofrer tratamento. Entre- tanto, o tratamento depende não só do volume da corrente mas também de sua qualidade. Após separar as correntes em conjuntos semelhantes, deve-se estudá-las de forma a identificar os produtos nelas contidos e esta- belecer os tipos de tratamento a serem empre- gados. Existe para determinadas correntes, a ne- cessidade de tratamentos especiais dados a cada uma no próprio lugar onde ela aparece. Estes tratamentos são chamados de tratamen- tos “in loco” ou “in situ” e são empregados para águas contendo produtos demasiadamente tóxicos ou em concentrações elevadas. Os sistemas de coleta são direcionados para a Estação de Tratamento de Efluentes Hídricos – ETEH. Nesta estação, estão incluídas as fa- ses de tratamento primário, secundário e ter- ciário. É bom observar que nem todas as in- dústrias necessitam dos mesmos tratamentos. Assim, as ETEH diferem nos seus componen- tes, não só pelos fatos alinhados acima (vazão e qualidade), mas também pela profundidade a

que se terá que levar o tratamento. Outro pon- to que cabe salientar é o fato de que, na maio- ria das vezes, a legislação local acaba por de- terminar a profundidade do tratamento, já que este será função dos níveis de poluentes pos- síveis de serem lançados nos corpos receptores. Os tratamentos primários têm como fina- lidade retirar os compostos em suspensão, tais como sólidos, óleos e graxas. Os tratamentos secundários removem, principalmente, compostos dissolvidos. Exis- tem diversas formas de tratamento secundá- rio, os métodos biológicos aeróbicos são os mais econômicos atualmente. Os processos terciários, também chama- dos de polimento, são especialmente dedica- dos a remover poluentes específicos. Os despejos industriais de refinarias pos- suem compostos instáveis, isto é, que, ao se- rem expostos ao ambiente, participam de rea- ções químicas e transformam-se em produtos estáveis. Como exemplo, podem ser citados os compostos orgânicos, que ao serem oxida- dos, formam, ao final do processo, CO 2 e H 2 O. No tratamento biológico, a oxidação é feita por microrganismos que consomem os po- luentes como nutrientes, obtendo de sua me- tabolização a energia necessária para sobrevi- ver e reproduzir. Alguns produtos são de metabolização difícil, como o óleo. A maioria dos microrga- nismos não faz sua assimilação, conseguindo, algumas vezes, uma transformação parcial, que converte o óleo para compostos orgânicos oxi- genados e possibilita, assim, sua total degra- dação por outros organismos. Um outro ponto de importância refere-se à qualidade nutritiva dos efluentes hídricos. Para o desenvolvimento de qualquer organis- mo vivo, são necessários três nutrientes bási- cos – nitrogênio, fósforo e potássio – ao lado de nutrientes secundários e micro-nutrientes. Nos efluentes hídricos de uma refinaria, já existe, normalmente, o nitrogênio e até o potássio, então é necessária apenas a adição de fósforo.

1.8.4 Tratamentos Localizados

Os tratamentos “in loco”, aplicáveis a uma refinaria de petróleo, serão descritos a seguir.

Unidade de Tratamento de Soda Gasta

Este tratamento possui duas etapas: oxi- dação e neutralização.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

A etapa de oxidação tem por finalidade

oxidar NaSH (sulfeto ácido de sódio) e Na 2 S (sulfeto de sódio). Esta oxidação é feita atra- vés da adição de ar. A torre de oxidação é composta de quatro seções, cada qual provida de distribuidores, destinados a promover a mistura de solução de soda gasta com ar. O gás residual é incine- rado e a soda tratada é enviada para a etapa de

neutralização. Nesta etapa, a soda gasta é mis- turada com um ácido forte. O ácido normal- mente usado é o ácido sulfúrico (H 2 SO 4 ). O pH é ajustado para valores próximos de 7,0. Após a neutralização, a corrente é encaminha- da para a ETEH.

de Efluentes Hídricos, onde são submetidas aos tratamentos finais necessários à remoção dos poluentes, de modo a enquadrá-las nos pa-

drões de qualidade definidos e pré-estabelecidos.

Os tratamentos são divididos em primários,

secundários e terciários ou de polimento.

A equalização dos efluentes tem como

objetivo minimizar ou controlar as variações de vazão e as concentrações dos poluentes, de modo que se atinjam as condições ótimas para

os processos de tratamento subseqüentes e haja melhoras na eficiência dos tratamentos primá- rios, secundários e terciários.

A equalização é geralmente obtida atra-

vés do armazenamento das águas residuais num tanque de grandes dimensões, a partir do qual o efluente é bombeado para a linha de tratamento.

Tratamentos Primários

Sua finalidade é remover, por meios pu- ramente mecânicos, todas as substâncias que possam dificultar os tratamentos secundários e terciários. As substâncias mais importantes aqui removidas são os óleos, graxas e os sóli- dos. A primeira etapa neste tratamento é a re- moção de sólidos grosseiros, através de gra- deamento. Depois do gradeamento, a água é enviada ao separador de água e óleo. Os sepa- radores de água e óleo removem o óleo livre e os sólidos em suspensão. Não removem o óleo emulsionado. Essa remoção evita mais emul- sionamento, uma vez que a água deverá sofrer agitação durante seu processamento nos trata- mentos secundários.

Separadores de Água e Óleo Os principais tipos são o API e o de Pla- cas Paralelas. Os modelos mais antigos eram do tipo API. Atualmente, é empregado o tipo placas, já que ele pode ser adaptado facilmen- te a caixas de tipo API já existentes, através de pequenas transformações, que permitem o aumento de sua capacidade.

Separadores tipo API Seu princípio de funcionamento reside na separação natural do óleo por diferença de densidades, ao se utilizar uma caixa com flu- xo perfeitamente laminar. O óleo, por ser mais leve do que a água, vai para a superfície, en- quanto que os sólidos vão para o fundo por serem mais densos. O processo é contínuo e lembra o empregado no clarificador conven- cional. O óleo é coletado por um tubo flauta

Unidade de Tratamento de Águas Ácidas

A finalidade da unidade de Tratamento de

Águas Ácidas é remover o sulfeto de hidrogênio (H 2 S), amônia (NH ) e o ácido cianídrico (HCN). Água ácida (sour water) é um nome gené- rico, não muito adequado, devido ao pH, nor- malmente acima de 7,0. O pH freqüentemente alcalino, deve-se à presença de amônia.

O processo utilizado para reduzir o teor

de contaminantes dos condensados de vapor d'água das torres fracionadoras, a fim de per-

mitir sua reutilização nas unidades de refino, ou seu descarte na rede de coleta, consiste em submeter a carga de águas ácidas a um siste- ma de aquecimento e de retificação ou esgota- mento, com vapor d'água.

A injeção de vapor d'água na torre retifi-

cadora tem duplo efeito, o de fornecer o calor necessário à vaporização dos contaminantes e

o de reduzir a pressão parcial dos mesmos.

O gás residual formado é queimado nos

fornos e a água retificada é utilizada no pro- cesso de dessalgação, para lavagem do petró-

leo e daí descartada para a ETEH.

O arraste de hidrocarbonetos representa o

maior problema para operação desta unidade,

pois irá aumentar a pressão na retificadora, e reduzir, conseqüentemente, a eficiência de esgotamento. Temperatura e a pressão são variá- veis importantes no processo de retificação.

A redução na pressão ou a elevação na tempe-

ratura aumentará a eficiência de remoção dos

3

contaminantes da carga.

1.8.5

Estação de Tratamento de Efluentes

Hídricos – ETEH

Todas as correntes poluídas, depois de coletadas em sistemas característicos e sepa- rados, são enviadas à Estação de Tratamento

27
27
28
28

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

(tubo ranhurado que trabalha no nível do óleo).

O separador de água e óleo é, na verdade, um

separador de água, óleo e sólidos. Os sólidos retirados são mais finos do que os removidos no gradeamento. Um raspador é montado so- bre uma ponte rolante que passeia entre os extremos do separador. Em um sentido, a ponte

raspa o óleo da superfície e, no outro, raspa os sólidos do fundo. O óleo é coletado num poço

e mandado para tratamento, já que é econômi-

co seu aproveitamento. Os sólidos são coleta- dos numa caixa própria nos extremos do separador e dispostos, geralmente, em Landfar- ming. Na entrada do separador, existe um ci-

lindro rotativo para retirada do óleo que já está sobrenadante. Há uma faca, sempre em conta-

to

com o cilindro, que raspa o óleo deste para

o

poço de óleo. O cilindro é feito de material

que possui a propriedade de reter facilmente,

porém retém pouquíssima água (20% água, 80% de óleo, aproximadamente).

O separador do tipo API é mais barato,

menos eficiente, necessita de área de instala- ção muito grande, apresenta necessidade de vários células para facilitar manutenção, sem prejudicar o funcionamento de toda a unidade.

Separador de Placas Paralelas

O funcionamento é diferente do tipo API.

Seu principal constituinte é um recheio de pla- cas planas ou corrugadas, colocadas e fixadas em um canal formado por um septo existente num tanque, onde a água também escoa em regime laminar. O óleo, por possuir menor densidade do que a água, cola nas superfícies dos canalículos e forma uma camada cada vez mais grossa. Devido ao empuxo, sobe até a superfície livre do líquido em forma de gran- des gotas. Com os sólidos, ocorre justamente o contrário, isto é, formam grandes camadas nas superfícies inferiores dos canalículos, es- corregam para baixo e depositam sobre o fun- do do tanque. A coleta do óleo também é feita por tubo flauta. O equipamento em si é muito

mais simples que o API moderno, por não pos- suir partes móveis. É muito compacto e pos- sui grande capacidade se comparado com o tipo API.

A seguir, são citados algumas vantagens:

Este separador, é mais eficiente, muito embora tenha alto custo inicial, apresenta fá- cil manutenção de suas placas. Esta pode ser feita externamente ao separador, o que afeta pouquíssimo seu funcionamento normal por parar uma pequena parte do separador.

O tipo API, funcionando bem, proporcio-

na 40 ppm ou menos de óleo na saída e mal operado resulta em 150 ppm. No tipo placas, admite-se 20 ppm ou menos quando funcio- nando bem. Normalmente, precisa-se maior segurança quanto ao teor de óleo presente no despejo. Essa segurança é proporcionada pelo uso de flotadores na cadeia de tratamento, após os separadores de água e óleo.

Flotadores

O princípio de funcionamento do flotador

reside na formação de bolhas de ar em torno das partículas de óleo, o que as torna muito mais leves pois o ar, por ser muito mais leve do que óleo, ocupa um volume apreciável e favorece a flutuação da gota de óleo. Desta forma, é possível sua fácil separação. Os flotadores são do tipo ar dissolvido ou do tipo ar disperso.

O flotador a ar disperso difere do de ar

dissolvido apenas na maneira de se injetar ar, já que este é injetado através de borbulhado- res de fundo que permitem bolhas de ar bas- tante pequenas. No flotador de ar dissolvido, há um dis- positivo que injeta ar comprimido na água pressurizada entre 2 a 4 kg/cm 2 . Na massa de água, como a pressão é elevada, a solubilida- de do ar aumenta. Em seguida, a mistura água- ar é bruscamente expandida numa válvula re- dutora de pressão, onde ocorre, então, o fenô- meno inverso, ou seja, ao abaixar a pressão, reduz também a solubilidade do ar na água. Logo, o excesso de ar é liberado em forma de pequenas bolhas. As bolhas são muito peque- nas e envolvem as menores gotículas de óleo, melhorando sua flutuabilidade. O óleo sobe à superfície, onde é separado da água pelo cole- tor de óleo. Com os sólidos presentes na água, acontece fenômeno idêntico ao descrito para o óleo, porém a separação dos sólidos é mais deficiente porque estes têm tendência forte de descer para o fundo. Antes da corrente a ser tratada entrar no flotador, é feita a adição de coagulantes, como sulfato de alumínio, sulfato ferroso ou orgâni- cos. A coagulação (floculação de água) possi- bilita o aumento das gotas de óleo por agluti- nação. Tal procedimento melhora muito a efi- ciência do processo. O óleo e os sólidos flota- dos são encaminhados para uma centrífuga para redução de volume e dispostos, então, em Landfarming.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Tratamento do Óleo Recuperado nos separadores de água e óleo

Os tratamentos de óleo recuperado nos separadores de água e óleo são do tipo con-

vencional e constam, basicamente, de: aque- cimento; injeção de diluentes; repouso e dre- nagem.

O aquecimento reduz a viscosidade da fase

oleosa, enfraquece o filme interfacial e, em decorrência disso, ocorre a separação das fa-

ses óleo e água. A temperatura do tanque deve ser controlada em 80ºC, para evitar a forma- ção de espuma. Os diluentes usados são produtos leves de baixa viscosidade (o querosene é o mais usa-

do), cuja finalidade é reduzir a viscosidade e a densidade da fase oleosa e, conseqüentemen- te, aumentar a absorção dos agentes emulsifi- cantes pelo óleo, de modo a facilitar a separa- ção das fases óleo/água.

A agitação proporciona uma homogenei-

zação da mistura emulsão/diluente, isto é, fa- vorece um bom contato destes produtos e, con- seqüentemente, uma boa eficiência no trata- mento.

O repouso permite a separação final das

fases água/óleo, a fim de possibilitar a drena-

gem da água.

O óleo recuperado é reprocessado nas

Unidades de Destilação.

1.8.6 Tratamentos Secundários/Terciários

A fase do tratamento secundário e/ou ter-

ciário é aquela em que os poluentes dissolvi- dos e/ou específicos devem ser eliminados ou reduzidos.

Tratamentos Biológicos

O sistema baseia-se em dois princípios

biológicos fundamentais: respiração e fotos- síntese. O primeiro constitui o processo pelo qual os organismos liberam, dos alimentos ingeridos ou acumulados, as energias neces- sárias às suas atividades vitais. A fotossíntese é o processo pelo qual, determinados organis- mos conseguem sintetizar matéria orgânica, portanto acumular energia potencial, utilizan- do a luz solar (ou artificial) como fonte de ener- gia. A maior parte dos seres fotossintetizantes desprende oxigênio, no meio, como subpro- duto de sua atividade. Estabelece-se, assim, na natureza, na at- mosfera, no interior de uma lagoa, uma espé- cie de círculo vicioso, em que os organismos fotossintetizantes sintetizam matéria orgânica,

liberando oxigênio no meio. Organismos he-

terótrofos alimentam-se da matéria orgânica, utilizam oxigênio para sua oxidação, obtendo

a energia necessária e liberando, como sub-

produto desta atividade, gás carbônico neces-

sário à fotossíntese.

A respiração aeróbica, isto é, a que é rea-

lizada em presença do oxigênio, compreende

a seguinte reação geral:

C 6 H 2 O 6

+

CO 2 6 CO 2 +

6 H 2 O

+

673 kcal

Implica, pois, na transformação prévia da

matéria orgânica em glicose, que será, por sua vez, “queimada”, com produção de calor útil.

A retirada de hidrogênio é o principal fenô-

meno a ocorrer em qualquer oxidação bioló- gica e, dentro desta concepção, a função do oxigênio é a de “aceptor de hidrogênio”. Rea- ções semelhantes podem ser realizadas, bio- logicamente , utilizando outras substâncias como aceptores de hidrogênio. Neste caso, tra- ta-se, então, de respiração anaeróbica, verifi- cada somente em ambiente destituído de oxi- gênio. Nitratos podem constituir aceptores de hidrogênio, sofrendo reações de redução a

nitritos; sulfatos são reduzidos a sulfetos (com

a conseqüente produção de odores de H 2 S); e CO 2 pode ser reduzido a metano. Em presen-

ça de oxigênio, entretanto, esses processos de

respiração (também denominados fermenta-

ção), característicos de certos tipo de bactérias, não se verificam, pois o oxigênio é extrema- mente tóxico aos chamados anaeróbios obri- gatórios. Já os anaeróbios facultativos dão pre- ferência ao oxigênio como aceptor, por ser o tipo de oxidação mais completo, em que toda

a matéria orgânica é transformada em CO 2 ,

com máximo aproveitamento de energia, isto

é, máximo rendimento térmico.

A respiração é um processo universal, pois

todos os seres vivos, vegetais ou animais, des- pendem energia. A obtenção de matéria orgâ- nica realiza-se através da nutrição. Organis- mos heterótrofos – animais e também vege-

tais, como fungos e grande parte das bactérias ingerem a matéria orgânica encontrada no meio, seja por predatismo, destruindo outros seres vivos, seja por saprofitismo, alimentan- do-se de produtos de decomposição de orga- nismos mortos. Os seres autótrofos, vegetais verdes e também muitas bactérias, pelo con- trário, sintetizam a matéria orgânica, aprovei- tando-se de energias dispersas, que passam a acumular na forma de moléculas de elevado conteúdo de energia potencial.

29
29
30
30

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

A reação geral da síntese orgânica pode

ser expressa de maneira exatamente oposta à da respiração:

6 CO 2 + 6 H 2 O + 673 kcal C 6 H 12 O 6 +

6 O 2

A fonte de energia pode ser a luz, nos ve-

getais clorofilados, em que, ocorre a fotossín- tese, ou pode ser uma reação de oxidação rea- lizada paralelamente ao processo de síntese, neste caso denominado-se de quimiossíntese.

O fenômeno básico de todo processo de

depuração biológica é a respiração. No caso de tratamento anaeróbio, trata-se de respira- ção anaeróbia, com conseqüente produção de gases combustíveis orgânicos, como subpro- dutos. No tratamento aeróbio, os subprodutos são água e gás carbônico.

A matéria orgânica do despejo industrial

serve de alimento a bactérias aeróbicas e anae- róbicas. Se a carga lançada a um corpo manter uma lagoa, por exemplo, não for muito eleva- da, o grande número de bactérias que será for- mada, por rápida produção, terá suficiente oxigênio dissolvido para suportar sua respira- ção e, nesta situação lagoa encontra-se aerada.

Quando, entretanto a carga introduzida é muito grande em relação ao volume de oxigê- nio dissolvido, as necessidades respiratórias, que são proporcionais ao consumo de matéria orgânica levam à extinção total do oxigênio do meio, e disto resulta o aparecimento de con- dições anaeróbicas.

A quantidade de oxigênio em uma lagoa

não é fixa e nem está sujeita apenas a ser redu- zida. Há uma compensação por difusão a par- tir da atmosfera, através da superfície líquida. Mas esta é extremamente lenta, de modo que, embora a película superficial, diretamente em contato com o ar atmosférico, esteja sempre saturada de oxigênio, as camadas subjacentes permanecerão pobres, a não ser que uma gran- de turbulência fragmente essa película super- ficial, levando suas partículas a regiões mais profundas. Em lagoas, a turbulência é despre- zível, no entanto pode ser aumentada pelo emprego de aeradores.

A classificação mais usada, para as lagoas

de estabilização, é a que reconhece três tipos fundamentais: aeróbias, anaeróbias e faculta- tivas. Estas últimas, são lagoas em que se de- senvolvem processos anaeróbicos junto ao fun- do e aeróbios nas regiões mais superficiais.

Processos Biológicos Anaeróbicos São aqueles em que não existe interferên-

cia do oxigênio da atmosfera, isto é, não exis-

te interferência de oxigênio livre dissolvido.

A oxidação dos despejos é feita através de

microrganismos que não utilizam o oxigênio atmosférico, e sim o que existe no próprio com- posto que vai degradar. É comum o metabolis- mo ser feito sem utilizar oxigênio nenhum. O método anaeróbico mais conhecido é o que se passa nas fossas sépticas. Estas, consti- tuem-se, simplesmente, de uma caixa fechada onde o despejo é introduzido e mantido por grande tempo de residência. Há formação de

gases como metano (CH 4 ), gás sulfídrico (H 2 S) e fosfina (PH 3 ), que devem ser ventados para a atmosfera ou queimados. O método não deve ser usado como único, uma vez que não con- segue fazer a purificação completa do despe- jo. A tendência do método anaeróbico é trans- formar compostos químicos de cadeia orgâni-

ca complexa em compostos de cadeia menor.

Não devem ser usados como processo princi- pal em efluentes industriais como os de refi- naria. Esses métodos são às vezes usados como fonte geradora de metano para ciclos térmicos por motivos econômicos.

Processos Biológicos Aeróbicos São os melhores e utilizam o oxigênio li- vre dissolvido, isto é, o oxigênio da atmosfera contido no despejo. O oxigênio é introduzido por meios naturais ou mecânicos, para então ser utilizado pelos microorganismos que le- vam os compostos químicos a CO 2 e H 2 O prin- cipalmente. Dentre os métodos aeróbicos, al- guns de importância mais acentuada estão des- critos a seguir:

Lagoas de Aeração Natural

Também conhecidas como lagoas de es-

tabilização, são seguras, de operação bastante simples, e pouco afetadas por variações brus- cas de carga. O tempo de residência é bastan-

te alto – acima de 30 dias.

Sua fonte de oxigênio pode ser o ar at- mosférico ou ainda a atividade dos organis- mos aquáticos clorofilados principalmente al- gas, através da fotossíntese. Devem ser rasas – 0,30 a 1,00 m – para que a luz e o oxigênio atinjam a todos os seus pontos. São bastante sensíveis à falta de luz, não operando com o mesmo desempenho à noite e em locais de clima frio. São pouco satisfatórias para despejos com alta carga

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

orgânica ou produtos demasiadamente tóxicos. Não são aplicadas como método principal para efluentes industriais.

Lagoas de Aeração Forçada

Também conhecidas como lagoas aeradas, são bacias dotadas de aeradores mecânicos tipo cascata, superfície, borbulhadores, etc. Atual- mente, os equipamentos mais utilizados são aeradores mecânicos de superfície. Sua prin- cipal fonte de oxigênio é o ar atmosférico in- troduzido por meios mecânicos. A atividade de fotossíntese não apresenta, portanto, impor- tância. São lagoas que pouco dependem de fatores climáticos, como ventos e luz, dentre outros. Como os aeradores conseguem forçar

o ar a profundidades bastante grandes e com

taxas bastante elevadas, essas lagoas têm tem- po de residência mais baixo e profundidades maiores que as lagoas naturais – 1 a 10 dias e até 3 m. Uma das grandes desvantagens desse

processo é o fato dele deixar sem reaproveita- mento os microorganismos especializados pro- duzidos no meio. Assim, existe sempre uma renovação dos mesmos o que impede um me- lhor desempenho. A remoção da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) nessas lagoas

é de 3 a 8 vezes maior que a obtida em lagoas de aeração natural por unidade de área. Este tipo de lagoa pode ser subdividido em dois outros, como segue:

a) lagoas de mistura completa – a po- tência de aeração é tal que permite a manutenção dos sólidos em suspensão.

b) lagoas facultativas – a potência de aeração é tal que não consegue manter os sólidos em suspensão, acarreta, en- tão, na deposição de sólidos no fundo onde os mesmos sofrem decomposição anaeróbica, ou são removidos durante limpeza da lagoa e dispostos em Lan- dfarming.

Lodos Ativados

Basicamente, uma unidade de lodos ativados utiliza em sua fase de oxidação bio- lógica, os mesmos componentes de uma la- goa de aeração forçada, com a diferença fun- damental de que o tanque de aeração opera com uma concentração maior de microorganismos. Além disto, os microorganismos aí presentes

são mais especializados que aqueles encontra- dos nas lagoas forçadas, como resultado do reciclo desses microorganismos do efluente para a fase de aeração. Devido a esta diferença o processo de lo- dos ativados necessita de um número muito maior de equipamentos do que nos processos com lagoa. Como a concentração de sólidos (microorganismos) no processo já é elevada,

a aeração deve normalmente ser precedida de

um clarificação ou até mesmo de filtração para remover os sólidos inertes. O processo de lo- dos ativados é modernamente o mais eficiente para despejos industriais, sendo entretanto de custo inicial e de operação elevados e bastan- te complexos.

Assim como no processo de lagoas força- das, o processo de lodos ativados utiliza como equipamentos de aeração, aeradores de super- fície, borbulhadores de fundo ou borbulhado- res e agitadores.

O efluente hídrico, antes de ser introduzi-

do na tanque de aeração, é misturado com o lodo recirculado do processo e separado do decantador secundário.

Tanto as Lagoas aeradas, quanto as uni- dades de Lodos Ativados são sistemas de biomassa em suspensão.

Unidade de Biodiscos

A unidade de biodiscos é composta, basi-

camente, de cilindros rotativos imersos 40% nas piscinas, por onde passa o efluente a ser tratado. É um sistema de biomassa fixa. A biomassa se desenvolve se fixando nos discos do cilindro formando-se um biofilme. O acio- namento é feito por ar, que também é utiliza- do pelas bactérias para degradação da matéria orgânica e/ou da amônia.

No caso de remoção de matéria orgânica, para qualquer sistema de tratamento é neces-

sária a adição de fosfato. No caso da nitrifica- ção em Unidade de Biodiscos, é necessária também a adição de bicarbonato de sódio para manutenção da alcalinidade. As bactérias nitrificantes utilizam o carbono inorgânico em seu metabolismo. Em lagoas e Lodos Ativados,

é

importante a correção de pH, normalmente

realizada através da adição de cal, para manu-

 

tenção da alcalinidade através da retenção do CO 2 produzido pelas bactérias no processo de respiração.

31
31
32
32

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle 1.9 Resíduos Sólidos 1.9.1 Introdução A disposição
Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle 1.9 Resíduos Sólidos 1.9.1 Introdução A disposição
Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle 1.9 Resíduos Sólidos 1.9.1 Introdução A disposição
Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle 1.9 Resíduos Sólidos 1.9.1 Introdução A disposição
Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle 1.9 Resíduos Sólidos 1.9.1 Introdução A disposição

1.9 Resíduos Sólidos

1.9.1 Introdução

A disposição final de resíduos sólidos tem se constituído num dos mais difíceis proble- mas de preservação ambiental. Até meados da década de setenta, a gera- ção e o descarte dos resíduos sólidos mereciam pouca ou nenhuma referência na legislação ambiental de quase todos os países. Não é de

surpreender, portanto, a existência generali- zada de situações de disposições irregulares desses resíduos em todo o mundo. No Brasil, o primeiro regulamento legal sobre o assunto foi a portaria do Ministério do Interior – Minter 053 de 01/03/79.

A geração de resíduos industriais, apesar

das aparências contrárias, não é um fato alheio ao universo cultural da sociedade em que ela se dá. A mentalidade que aceita conviver com

a geração desenfreada de resíduos, é a mesma que tolera a ineficiência e o desperdício. Por este motivo, o sucesso de qualquer

programa de gerenciamento de resíduos, seja em comunidades urbanas, seja em indústrias, está intimamente ligado a um avanço cultural da população envolvida. Por maiores que se- jam os investimentos em instalações e máqui- nas, não haverá chance de progresso sem mudança de comportamento.

A existência de estoque de resíduos indus-

triais em situação irregular ou inadequada é uma

realidade de âmbito mundial. Esses estoques são encontrados em praticamente todas as re- giões onde existam ou existiram atividades in- dustriais, anteriores à década de setenta. Eram disposições tidas como adequadas, mas que hoje, em função do avanço da legis- lação ambiental e da consciência, transforma- ram-se em problemas que requerem soluções

a médio prazo.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Outra característica universal é a dificul- dade de eliminação desses resíduos. No mun- do todo, as tecnologias disponíveis são, em geral, muito caras.

1.9.2 Resíduos Sólidos

De acordo com a norma NBR 10004, re- síduos sólidos apresentam-se em estado sóli- do e semi-sólido. Resultam de atividades da comunidade, de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e varrição. Ficam incluídos, nesta definição, os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e ins- talações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornam inviáveis seu lançamento em rede pú- blica de esgotos/corpos d'água, ou exijam para isso soluções técnicas economicamente viáveis face à melhor tecnologia disponível no mer- cado. Conforme a norma NBR 10004, os resí- duos são agrupados em três classes:

– Resíduos Classe I: Perigosos

– Resíduos Classe II: Não Inertes

– Resíduos Classe III: Inertes

Resíduos Classe I: são os resíduos sóli- dos ou misturas de resíduos que, em função de suas características de inflamabilidade, cor- rosividade, reatividade e patogenicidade, po- dem apresentar riscos à saúde pública, provo- cando ou contribuindo para um aumento de mortalidade ou incidência de doenças, e/ou apresentar efeitos adversos ao meio ambiente, quando manuseados ou dispostos de forma inadequada. As listagens 1 e 2 (a seguir) da referida norma, fornecem uma relação de resí- duos sólidos industriais reconhecidamente pe- rigosos.

Resíduos Classe II: são os resíduos sóli- dos ou misturas de resíduos sólidos que não se enquadram na Classe I (perigosos) ou na Classe III (inertes). Estes resíduos podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade ou solubilidade em água. Resíduos Classe III: quaisquer resíduos que, quando amostrados de forma representa- tiva (NBR 10007) e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, confor- me teste de solubilização (NBR10006), não ti- verem nenhum de seus constituintes solubili- zados a concentrações superiores aos padrões

de potabilidade da água, conforme listagem nº 3 (a seguir), excetuando-se os padrões de aspec- to, cor, turbidez e sabor. Como exemplo des- ses materiais podem ser citadas rochas, tijo-

los, vidros, certos plásticos e borrachas que não são facilmente decompostos.

A correta caracterização dos diferentes re-

síduos sólidos não deve ser tomada como ta-

refa sempre fácil, simples, rápida e barata. A heterogeneidade, muito freqüente dos lotes e inventários acumulados, acarreta sérias difi- culdades ao trabalho de coleta de uma amos- tra representativa.

O enquadramento de um resíduo na Clas-

se I ou II, freqüentemente, depende das con- centrações presentes de uma substância con- forme NBR 10004.

1.9.3 Gerenciamento de resíduos sólidos

Nos anos oitenta, foi desencadeadas uma

infinidade de programas de redução e elimi- nação de resíduos nas indústrias.

A coordenação das campanhas de redu-

ção de resíduos, normalmente, é confiada a um

comitê formado por altos gerentes, liderados

pelo superintendente e com a participação e auditoria do pessoal da administração central da companhia.

O trabalho sempre começa pela identifi-

cação dos resíduos gerados, caracterização, quantificação e localização das fontes gerado- ras. A seguir, vem a identificação das melho- res oportunidades de redução ou eliminação das gerações, ordenadas segundo o critério custo x benefício. Finalmente, são estabelecidos os planos de ação, com orçamentos e cronogramas a serem administrados pelos gerentes das instalações geradoras. Além das modificações nos procedimen- tos e adaptações nas unidades industriais, uma lista de alterações de maior profundidade é cria- da como um banco de oportunidades a serem analisadas, principalmente durante estudos de ampliação ou introdução de novos processos. Um programa semelhante, aplicado pela British Petroleum à sua refinaria de Belle Chasse (LA) listou como altamente prioritári- os os tópicos citados a seguir:

– eliminar tancagem intermediária;

– misturar em linha, não em tanque;

– operar os tanques de cru, sempre com os misturadores funcionando;

– segregar os esgotos oleosos e não oleosos;

33
33
34
34

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

– empregar captador flutuante (skimmer) na entrada do separador API;

– utilizar flotador por ar pressurizado após separador;

– enviar óleo recolhido nos sistemas de resíduos diretamente para as unidades de processamento.

A fase mais intensa dos trabalhos tem

duração em geral, de um a dois anos. Neste pe-

ríodo, desenvolve-se um grande esforço moti- vacional, a fim de integrar ao programa todos os gerentes, supervisores e executantes. Pas- sado esse período, considerado de implanta-

ção, os programas de redução de resíduos atin- gem o status de atividade permanente, inte- grados à rotina da empresa.

A literatura técnica especializada tem

apontado a tendência mundial ao tratamento e disposição final dos resíduos, no próprio local de geração e em instalações de propriedades das empresas geradoras. Grande parte de resíduos sólidos gerados numa refinaria chega até ela sob a forma de só- lidos dispersos no petróleo por ela processado. Uma segunda parte tem origem no pró- prio processo; são os catalisadores gastos e reagentes exaustos, são as borras, emulsões e águas oleosas oriundas de condensadores, des- salgadoras, lavagem de equipamentos, cole- tas de amostras, drenagens de tanques, vaza-

mentos, etc. Uma outra parte é constituída pelos resí- duos que são incorporados ao inventário de resíduos gerados no processo, por deficiência de instalações ou por procedimentos inadequa- dos – terras das ruas levadas pelas chuvas, ven- to, rede de drenagem em mau estado, etc. Por fim, tem-se as sucatas metálicas, li- xos de paradas e as embalagens descartáveis (caixas de madeira, de papelão ou plásticas, sacos de papel ou plástico, tambores de metal ou plásticos).

A relação seguinte mostra o elenco dos

principais resíduos gerados rotineiramente em uma refinaria:

Classe I (perigosos – listagem 1)

– materiais com amianto;

– cinzas de fornos e caldeiras;

– refratários usados;

– dissulfeto líquido (subproduto);
– borras oleosas;

– lã de rocha/vidro;

– embalagens de produtos químicos;

– catalisador de HDT (hidrodessulfuriza- ção de tratamento).

Classe II (não inerte – listagem 2)

– catalisador de UFCC (unidade de cra- queamento catalítico fluido);

– isolantes térmicos sem amianto;

– catalisador de HDT;

– lixo orgânico do refeitório;

– lixo doméstico não reciclável;

– lixo doméstico reciclável;

– resíduos vegetais de varrição e jardi- nagem.

Classe III (inerte – listagem 3)

– resíduos de construção civil;

– sucata metálica.

1.9.4 Alternativas de Disposição

As descrições a seguir são, na maioria, re- ferentes às borras oleosas, devido a este resí- duo ser o de maior volume gerado anualmente e, em conseqüência, ser o maior problema da refinaria, em termos de disposição final.

Reaproveitamento

Faz-se reaproveitamento de um resíduo, quando após passar por processo de separa- ção simples, como drenagem da água arrasta- da e sedimentação de detritos, é incorporado a algum estoque de produto acabado. Neste caso, o resíduo apenas passa pelo circuito dos resíduos oleosos, sem ser subme- tido a qualquer processo ou tratamento além de repouso e drenagem de fundo. Não fosse a degradação do produto original para um outro de menor valor agregado, que quase sempre acontece, esse processo ocorreria, praticamen- te, a custo zero. Os resíduos lançados na rede geral de es- goto oleoso, ao serem recuperados no Separador de Água e Óleo (SAO), via de re- gra, não podem ser reaproveitados por apre- sentarem elevado teor de água e sedimentos, indicativo da presença de emulsão. Sempre que for evitado o lançamento de qualquer derivado na rede oleosa, serão au- mentadas suas chances de ser reaproveitado. Genericamente, são adequados ao reaprovei- tamento, todas as correntes ou inventários des- viados de suas destinações regulares, ou por falha de especificação, seja por necessidade de esvaziamento de dutos e vasos. As principais características do resíduo que condicionam seu reaproveitamento são: o ponto de fulgor e o BSW (Bottom Sediment Water) .

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Atualmente, à luz das especificações dos

A melhor forma de reprocessamento é

derivados de petróleo, o principal (e pratica- mente único) meio de reaproveitamento de um resíduo é sua incorporação ao óleo combustí- vel. Nessa forma de reaproveitamento, o resí- duo desempenha o papel de diluente na redu- ção da viscosidade do óleo combustível.

aquela na qual o resíduo retorna ao processo produtivo logo em seguida à sua geração, na própria unidade em que se originou. Esta ope- ração, denominada reprocessamento interno, evita que a corrente desviada entre em contato com água e detritos, como ocorreria se atin-

 

O

teor máximo de diluente empregado gira

em torno de 2% do volume total da mistura, geralmente limitado pelo ponto de fulgor. As drenagens de equipamentos para se- rem entregues à manutenção, assim como os produtos desviados por estarem fora de espe- cificação, muitas vezes, deixam de ser reapro-

veitados por inexistência de interligações ade- quadas nas unidades de processo, que dispen- sem o uso da rede de drenagem oleosa. O aumento da taxa de reaproveitamento

gisse a rede de drenagem oleosa. Além dos resíduos leves limpos, impró-

prios ao reaproveitamento para incorporação ao óleo combustível (por apresentarem ponto de fulgor muito baixo), são candidatos natu- rais ao reprocessamento, os resíduos e mulsi- ficados, conhecidos genericamente como bor- ras oleosas. As principais fontes de borras oleosas de uma refinaria são as dessalgadoras, drenagens

de tanques de petróleo e limpeza de equipa-

de

resíduos, está intimamente relacionado com

seu não lançamento na rede de esgoto

mentos.

cia para o processamento desses resíduos: teor

o

O teor de BSW desses resíduos, variando

oleoso.O contato do resíduo com a água e os sólidos finamente divididos, sempre presen-

tes nessa rede, acarreta a emulsificação parcial

de 20 a 60 %, já denota uma forte presença de emulsão. Outras características, associadas e

do mesmo. Um programa de reaproveitamento deve

decorrentes dessas, são de máxima importân-

de cloretos e tendência à emulsificação.

ser complementar ao programa de redução de

O

reprocessamento dessas borras seria

geração. Em primeiro lugar, deve-se trabalhar

uma tarefa das mais simples, não fosse a pre-

pela não geração. Idêntico raciocínio deve pre- valecer quanto ao aperfeiçoamento dos pro- cedimentos de trabalho.

sença nas mesmas de uma fase emulsificada, bastante estável. Embora deva haver forma- ção de emulsão na rede de esgoto oleoso, a

A primeira tarefa é a introdução de proce-

dimentos que reduzam a geração; novos pro- cedimentos e investimentos para aumentar o reaproveitamento devem ser analisados e de- cididos numa segunda etapa.

principal fonte dessa emulsão é o petróleo.

A emulsão é resultante do encontro de

substâncias geradoras naturais do próprio pe- tróleo, partículas sólidas em suspensão e água, submetidos à ação mecânica (agitação) nas di- ferentes etapas do processo produtivo e meios de transporte do petróleo até a refinaria. As partículas finas, sob certas condições, podem estabilizar emulsões. Este fenômeno é particularmente importante no caso de emul- sões de água em óleo, formadas durante os pro- cessos especiais de recuperação do petróleo. Envolvem contato direto de água, óleo e de partículas finas – provenientes da formação (argilas, sílica, precipitados formados “in situ”, etc) – que devem contribuir para a formação e estabilização de emulsões. Nas condições normais de produção de petróleo, a tendência mais forte é a formação de emulsões de água em óleo. Para prevenir a formação dessas emulsões ou desestabilizar as que venham a se formar, são adicionadas aos petróleos substâncias tensoativas. As substâncias tensoativas (solúveis em água) promovem a formação de emulsões de

Reprocessamento

Consiste, essencialmente, no retorno do resíduo ao processo produtivo, como matéria- prima. O reprocessamento é sempre a alterna- tiva a ser examinada, após ser descartada a possibilidade de reaproveitamento.

O reprocessamento de um resíduo deve ser

fundamentado em critérios técnicos e econô- micos, uma vez que, além dos custos, deve-se considerar que o resíduo reprocessado pode estar deslocando do sistema produtivo igual volume de carga mais nobre.

 

À

vista da grande variabilidade de com-

posição desses resíduos, principalmente no que

se

refere à água e sedimentos, é da maior im-

portância que a refinaria disponha de insta- lações e procedimentos operacionais, que possibilitem destinações alternativas para os mesmos.

35
35
36
36

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

óleo em água e, conseqüentemente, sua pre-

sença na região interfacial não favorece a es- tabilização de emulsões do tipo água em óleo.

A afirmação acima levanta uma questão

importante até agora pouco conhecida nas re-

finarias:

– os desemulsificantes químicos, empre- gados nas regiões de produção de pe-

tróleo para eliminar emulsões de água em petróleo, favorecem a formação de emulsões de petróleo em água, que é, em termos de tratamento de resíduos,

o maior problema das refinarias.

No interior da refinaria, nas válvulas misturadoras das dessalgadoras, nos conden- sadores de topo e até nas torres retificadoras e seus respectivos trocadores de calor, existem contatos entre água e petróleo ou frações, em condições favoráveis à formação de emulsões. No escoamento dos resíduos líquidos, ao longo das redes de drenagens, até o recolhi- mento no SAO, a incorporação de sólidos finamente divididos – terra, poeira, areia – só

agrava a tendência à emulsificação. Com tantos agentes favoráveis à sua for- mação e estabilização, não é de surpreender

que, praticamente todas as refinarias da Petrobras, convivam com problemas crônicos relacionados à eliminação dos seus inventários de borras oleosas. A presença de uma fase emulsificada, com forte tendência a crescer após seu lançamento na rede de drenagem é inquebrável pelos pro- cessos tradicionais disponíveis na refinaria, monta o cenário conhecido como CICLO DA BORRA. Este fenômeno consiste na circula- ção da borra, sob a forma de emulsão, confor- me a seguinte seqüência:

a

borra emulsificada, recebida com o

petróleo de navio ou diretamente dos campos produtores, é drenada para o esgoto oleoso no parque de armazena- mento de cru da refinaria;

até chegar ao S.A.O, onde a emulsão é recolhida, o resíduo incorpora mais só- lido e mais água ao longo das canaletas;

após aquecimento, repouso e algumas drenagens, o resíduo retorna ao tanque de cru e daí é enviado para a unidade de destilação;

na unidade de destilação, ao ser sub- metido ao processo de dessalgação por lavagem com água, a emulsão reincor- pora a água que havia perdido nos pe- ríodos de aquecimento e repouso nos tanques de resíduo;

– como essa emulsão não é quebrada pela ação do campo elétrico da dessalgado- ra, só tem como alternativa ser nova- mente drenada para a rede oleosa, jun- tamente com a salmoura efluente, ar- rastando mais óleo para a rede de dre- nagem;

– na rede oleosa, a caminho do SAO, a emulsão entra em contacto com outros

agentes emulsificantes (sulfetos e mer- captans oriundos de outras correntes)

e estabilizadores de emulsão, tais como poeira e argila;

– devido à ação dos novos emulsifican- tes e estabilizantes de emulsão, incor- porados na rede de drenagem, a massa de resíduo oleoso que chega ao SAO e

é aí recolhida aos tanques, é maior do que o volume drenado dos tanques e das dessalgadoras;

– nos tanques de resíduos, essa emulsão

é submetida a aquecimento e drenagem

da água separada, sendo em seguida enviado para os tanques de petróleo, fechando assim o ciclo. Mesmo após a desemulsificação desse re- síduo, seu reprocessamento numa unidade de destilação atmosférica ainda se apresenta pro- blemático, uma vez que suas características

favoráveis à emulsificação não foram total- mente eliminadas:

– retornando ao tanque de petróleo, ree- mulsificará, incorporando a água do lastro;

– reinjetado diretamente na unidade, an- tes da dessalgadora, reemulsificará na válvula misturadora e sairá incorpora- do à água de lavagem da dessalgadora. O melhor e mais econômico caminho para eliminação das borras oleosas emulsificadas passa, necessariamente, pela quebra da emul- são, seja para a sua incorporação a um esto- que de produto acabado, seja para o reproces- samento do óleo recuperado.

Decantação e centrifugação

Geralmente, os resíduos recuperados no SAO são enviados para os tanques de resídu- os, onde são aquecidos e eventualmente dre- nados. Após período de aquecimento e decan- tação, são realizadas transferências para os tan- ques de petróleo a fim de serem reprocessados. Está comprovada a dificuldade em repro- cessar estas borras, após somente processo de aquecimento e decantação. As bibliografias

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

consultadas recomendam ainda a execução de

uma outra fase, como mais eficiente, a centri- fugação.

A centrifugação, tanto é aplicada aos ca-

sos em que há interesse na recuperação do óleo, como nas situações em que a redução do teor de água do resíduo facilitará sua incineração.

A carga, antes de chegar à centrífuga, é

aquecida e filtrada.

A carga processada na centrífuga gera três

correntes diferentes:

– óleo limpo (recuperado), com BSW menor que 1%, que pode ser reproces- sado ou utilizado como óleo de corte de viscosidade de combustíveis;

– água oleosa – esta corrente é gerada pela água contida na carga e parte da água de selagem;

– borra oleosa – é uma corrente oriunda da descarga pelos bicos da centrífuga, composta basicamente de água, sólidos e óleo arrastado. As correntes de água oleosa e borras são

misturadas e enviadas para um tanque de de- cantação. Após um tempo de decantação médio de 6 horas, obtêm-se três correntes:

borra decantada: a borra separada no tanque de decantação apresenta ainda um teor elevado de água e é enviada para Landfarming ou indústria cerâmica;

água decantada: parte da água é re- circulada para a centrífuga (como água de selagem) e o restante vai para o sis- tema de drenagem.

óleo decantado: o óleo decantado é reconduzido ao tanque de carga, ou al- ternativamente, ao tanque de resíduo limpo.

O segundo grupo é constituído pela bor-

ras oleosas de baixa concentração de óleo, em

geral menos de 20%. Para estes, nem sempre

é econômica a purificação para o reprocessa- mento ou reaproveitamento, cabendo melhor sua utilização como energético auxiliar.

O terceiro grupo é formado por catalisa-

dor gasto de UFCC e outros possíveis resíduos minerais, tais como refratários e alguns iso- lantes térmicos isentos de amianto. Algumas alternativas de reciclagem desses resíduos de- verão estar condicionadas aos resultados dos testes de solubilização e lixiviação.

A disposição deste último grupo de resí-

duos, via indústria de cimento ou artefatos de

cimento, na condição de carga inerte, é uma boa alternativa. Neste caso, o processo de des- carte leva em conta a quase total e definitiva imobilização do resíduo, agregado ao cimento.

A reciclagem dos resíduos sólidos, de

qualquer um dos grupos anteirormente descri-

tos, por mais simples que seja, exige sempre um mínimo de gerenciamento e instalações de apoio.

A identificação dos resíduos recicláveis,

identificação dos locais e processos de origem, quantificação e caracterização dos mesmos são aspectos de muita importância. A segregação dos resíduos recicláveis e a organização das instalações para acumulação temporária tam- bém são vitais para o bom andamento do pro- grama de reciclagem. A segregação deve ser implantada no local da geração, e isto consti- tui um excelente recurso para a racionaliza- ção dos descartes. Geralmente, quando são misturados dois ou mais resíduos, basta que apenas um deles seja perigoso, para que toda

a mistura resultante deva ser descartada como resíduo perigoso.

Reciclagem

Entende-se por reciclagem, o envio de um resíduo para reutilização em outra indústria, quer como matéria-prima, quer como fonte de energia ou, algumas vezes, até como carga inerte. Do ponto de vista da reciclagem, os resí- duos sólidos de refinarias subdividem-se em três grupos, em função das respectivas desti- nações citadas anteriormente. No primeiro grupo, são colocados os se- guintes materiais: papel, vidro, plástico, me- tais. Alguns catalisadores podem ser reutili- zados como fonte de micronutrientes na indús- tria de fertilizantes ou para recuperação de metais nobres.

Indústrias Cerâmicas

A reciclagem de resíduos, sólidos via in-

dústrias cerâmicas, está limitada aos resíduos oleosos, cujos componentes minerais sólidos

sejam de granulometria próxima da argila.

O descarte é feito pela adição do resíduo à

argila. Durante a operação de cozimento das

peças cerâmicas, a parte orgânica é queimada

e

a parte mineral fica incorporada à peça. A

composição dos resíduos descartados deve ser tal que não comprometa os padrões de emis-

 

são atmosférica da indústria e que seus produ- tos (telhas, ladrilhos ou blocos) sejam aprova- dos, quando submetidos a testes físicos e quí-

micos.

37
37
38
38

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

O poder calorífico da fração oleosa entra

no balanço energético do processo, economi- zando combustível. Ao ser incorporado à mas- sa, o resíduo oleoso reduz a viscosidade des- ta, o que redunda em economia de energia elé- trica (cerca de 30 %) nos sistemas de extrusão.

Indústria de Cimento Por se tratar de uma indústria com con- trole de qualidade da carga e do produto mais

rigoroso do que o praticado nas indústria ce- râmicas, é de se esperar que venha a oferecer também maiores exigências ao descarte dos resíduos. Podem ser dispostos via indústria cimen- teira, os seguintes resíduos:

– borras oleosas diversas;

– catalisador de Unidades de Craquea- mento Catalítico;

– alguns catalisadores de hidrogenação ou de outros processos como merox, etc. Atualmente, tem sido utilizada para co- processamento de borras oleosas e reciclagem de catalisador gasto das Unidades de Craquea- mento Catalítico.

Indústria de papel, plástico, vidro e metais

A reciclagem, através dessas indústrias,

em geral, dispensa maiores cuidados, além da simples segregação. Passa a merecer cuidados especiais, apenas quando os resíduos estive- rem contaminados com substâncias químicas. É o caso mais freqüente de embalagens do tipo tambores, bombonas plásticas, garrafões, etc. Nestes casos, o critério de descarte passa a ser ditado pelas características tóxicas dos conta- minantes presentes no resíduo. Via de regra, esses resíduos contaminados precisam passar por um processo para eliminação da toxidez.

em cada estágio, lavagem e neutralização dos gases de combustão, etc. A classificação do resíduo é determinante do tipo e complexida- de da incineração.

A disposição das cinzas geradas na inci-

neração deve ser objeto de decisão criteriosa

à luz das posturas legais relativas aos resíduos

sólidos. Em muitos casos, o que se consegue incinerando um resíduo é a redução do seu impacto ambiental ou às vezes, apenas redu-

ção da massa a ser descartada em seguida, sob

a forma de cinzas.

O emprego da incineração em indústrias

de petróleo é cada vez maior. Não existem características intrínsecas a um determinado resíduo que determine, de maneira inflexível, que o mesmo deva ser in- cinerado. Características tais como teor de água e poder calorífico, em princípio, apenas indicam o maior ou menor consumo de com- bustível auxiliar, que se traduz em custo. Freqüentemente, decidir entre incinerar ou não um resíduo, é apenas uma questão de aná- lise econômica. Em princípio, qualquer resíduo com po- der calorífico inferior (PCI) acima de 1.200 Kcal/kg pode ser incinerado, sem que seja ne- cessária a queima de combustível auxiliar. Decidir-se pela incineração de um resíduo, com PCI menor do que 1.200 Kcal/kg, muitas vezes é apenas uma questão de falta de folga no Landfarming ou disponibilidade de outro resí- duo, de poder calorífico mais alto, que exerça o papel de combustível auxiliar de baixo custo. Os custos de incineração de emulsões, borras e resíduos sólidos impregnados com substâncias orgânicas (oriundos de indústria química, petroquímica e de petróleo), situam- se na faixa de 40 a 100 dólares por tonelada.

Incineração

A incineração é um dos processos mais

abrangentes e de uso mais generalizado de eli- minação de resíduos, tanto sólidos como lí- quidos. A popularidade desse processo, sinal da sua versatilidade, pode ser avaliada pelo fato de que, em 1983, já havia no mercado americano 57 fabricantes de incineradores de resíduos perigosos.

A incineração pode ser praticada com o

emprego de diferentes tipos de equipamento e sob diferentes condições; desde a queima sim- ples com controle apenas do excesso de ar, até as incinerações de múltiplos estágios, com con- trole das temperaturas e tempos de residência

Compostagem

Compostagem é o processo de decompo-

sição biológica da matéria orgânica, que ocorre quando são dispostos, em camadas alternadas, restos vegetais e terra, com correção de pH e adição de nutrientes.

A compostagem é uma modalidade de bi-

odegradação de resíduos sólidos específica para restos vegetais e de alimentos. A com- postagem gera um produto útil e de valor co- mercial e pode ser considerada também um processo de reciclagem de resíduo.

O composto ou solo humificado, resultan-

te da compostagem, tem larga utilização tanto na agricultura como na jardinagem, como ele- mento enriquecedor de solo.

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Biodegradação

A biodegradação de borras oleosas con-

siste na decomposição de matéria orgânica pela ação de microorganismos do solo, estimulada por operações de aração e gradeamento e com adição de corretivos e nutrientes. Esse processo é internacionalmente conhecido pelo nome de Landfarming. Basicamente, consiste em se promover

uma mistura intima entre a borra e o solo, em condições favoráveis à biodegradação. Os microrganismos aeróbicos contidos em sua maioria na camada superior do solo (15 cm), após período de aclimatação, passam a consu- mir os hidrocarbonetos presentes na borra, transformando as cadeias carbônicas em com- postos simples. Constituem estes compostos

mais simples, basicamente, CO 2 , água, ácidos carboxílicos de cadeias carbônicas curtas, além de outros compostos que darão origem ao “húmus”, resultando em melhor estrutura e característica orgânica para o solo.

A decisão de destinar à biodegradação um

determinado resíduo é uma solução de com- promisso entre as suas características (teores

de óleo, água, sais dissolvidos, compostos inor- gânicos, metais), quantidade de resíduo a ser biodegradada, disponibilidade de área e custo do terreno. Mesmo sendo um processo de destruição de resíduos oleosos, por meio de microorga- nismos, não se deve tomar a biodegradação como um processo espontâneo, de custo irri- sório e aplicável a qualquer caso.

A implantação de um Landfarming deve

levar em conta a impermeabilidade do terre- no, como meio de proteção do lençol freático em relação à lixiviação de frações oleosas e íons de metais pesados. Normalmente, essa impermeabilização, se não existir naturalmen- te, deve ser obtida por meio de camada de ar- gila compactada. Apesar desses cuidados o Landfarming deve dispor de poços piezométricos para a monitorização da qualidade da água do lençol freático. Iguais cuidados devem cercar a drenagem de superfície; que deve ser conduzida ao sis- tema de águas contaminadas para tratamento apropriado. Devido aos riscos de contaminação, tanto do lençol freático, quanto das águas superficiais, são muitas e rigorosas as exigências legais, tanto no Brasil como no exterior em relação ao Lan- dfarming.

Em princípio, qualquer resíduo oleoso pode ser destinado à disposição em um Lan-

dfarming. Na prática, no entanto, existem cri- térios de gerenciamento conforme abaixo:

– quanto maior o teor de óleo do resíduo, maior a área requerida para o seu lan- çamento;

– a presença de cloretos no resíduo, aci- ma de 3.000 ppm no solo, reduz a ca- pacidade de biodegradação do solo;

– o tempo de degradação da borra oleosa é diretamente proporcional ao seu teor de óleo;

– os custos de nutrientes, corretivos e operações agrícolas são diretamente proporcionais também à carga de óleo aplicada.

Existem teores ótimos de óleo e cloretos nos resíduos a serem destinados a biodegra- dação. A taxa de aplicação média é de 0,046 m 3 de óleo/m 2 ; com aragem semanal, adição de nutrientes (fósforo e nitrogênio) e correti- vo de pH eventual. O período de degradação médio para bor- ras oleosas oriundas da Estação de Tratamen- to de Despejos Industriais (ETDI), de limpeza de tanques (exceto óleo combustível, que não é aplicável) é de oito meses. O teor médio de óleo é de 20% (Fonte: REGAP).

(exceto óleo combustível, que não é aplicável) é de oito meses. O teor médio de óleo
(exceto óleo combustível, que não é aplicável) é de oito meses. O teor médio de óleo
39
39
(exceto óleo combustível, que não é aplicável) é de oito meses. O teor médio de óleo
40
40

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Aterro Industrial (Resíduos Perigosos)

Em linhas gerais, um aterro para resíduos perigosos pode ser descrito como uma moda- lidade de disposição, que consiste na conten- ção dos resíduos em células, impermeabiliza- dos por meio de mantas plásticas contínuas, com monitorização das camadas de solo circundantes e do lençol freático da região.

Após a célula estar preenchida é, então, recoberta com terra na qual se recomenda plan- tação de grama como medida de retenção do solo.

A aplicação desse tipo de disposição é de

exigência restrita aos resíduos da Classe I.

É uma alternativa de destinação final de

resíduos industriais, utiliza técnicas que per- mitem a disposição de resíduos no solo, sem causar danos ou riscos à saúde pública e mini- mizando os impactos negativos.

Os aterros apresentam-se como forma de destinação mais barata e de tecnologia mais conhecida. Entretanto, cabe ressaltar que es- tes aterros não servem para disposição de to- dos os tipos de resíduos.

O aterro industrial, geralmente, é destina-

do para resíduos classe I (perigosos), mas pode também ser aplicado para resíduos classe II (não-inertes). São passíveis de disposição, resíduos cujos poluentes contidos podem so- frer alguma forma de atenuação no solo, seja por processos de degradação, seja por proces- sos de retenção (filtração, adsorção, troca iô- nica, etc.).

Na implantação de um aterro industrial,

devem ser consideradas algumas medidas de proteção ambiental, de forma a evitar impac- tos ao meio ambiente, tais como:

– localização adequada;

– elaboração de projeto criterioso;

adequada; – elaboração de projeto criterioso; Aterro Sanitário O aterro sanitário é uma modalidade de

Aterro Sanitário

O aterro sanitário é uma modalidade de

disposição de resíduos sólidos no solo, median- te a observação de alguns critérios construti- vos e operacionais. A disposição pura e sim- ples, em terreno não preparado e sem cuida- dos operacionais, caracteriza o que se costu- ma chamar por lixão.

A construção de um aterro sanitário deve

contemplar medidas de controle da prolifera- ção de vetores (moscas, baratas, ratos, etc.), proteção e monitoramento do lençol freático, recolhimento e tratamento do chorume (líqui- do gerado pelo processo de decomposição da matéria orgânica) e dispersão segura dos ga- ses (basicamente metano), também oriundos da decomposição da mesma.

1.10 Atuação do Operador

O operador de uma refinaria de petróleo

deve ter sempre em mente os três pilares que

sustentam a política ambiental. São eles:

– atendimento à Legislação Ambiental;

– prevenção da poluição;

– melhoria Contínua.

Para atender a estes itens, são necessárias

as seguintes práticas:

– implantação de infra-estrutura de apoio;

– implantação de obras de controle de po- luição e

– adoção de regras operacionais especí- ficas.

Na maioria dos aterros industriais (para resíduos perigosos – classe I), no Brasil, pre- domina o conceito de impermeabilização to- tal, com a adoção de uma membrana sintética de PEAD na base do aterro para impedir a con- taminação do lençol freático.

– conhecer e cumprir os procedimentos operacionais relativos às suas atividades;

– conhecer os aspectos ambientais e im- pactos decorrentes de suas atividades;

– levantar os aspectos e impactos ambien- tais e realizar análise preliminar de ris- co para atividades/tarefas não rotineiras;

– conhecer e praticar as medidas de con- trole para evitar ou minimizar os im- pactos ambientais relativos às suas ati- vidades;

– minimizar a geração de resíduos, sejam eles atmosféricos, hídricos ou sólidos;

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

– comunicar à supervisão as anormalida- des verificadas durante a realização de suas atividades;

– acompanhar os dados de monitoramen- to dos aspectos ambientais referentes às suas atividades ou sobre os quais tenham influência;

– corrigir os desvios apresentados pelos resultados obtidos no monitoramento ambiental;

– segregar resíduos sólidos industriais;

– participar efetivamente da coleta sele- tiva de lixo.

Exercícios

13. Qual a definição de Aspecto Ambiental?

14. Cite exemplos de aspectos e impactos que

podem ser objetos de planejamento anual de uma empresa.

15. Quais os três grupos básicos de informa-

ção para treinamentos em questões ambientais?

16. Em que formas podem ocorrer as susbtan-

cias que contaminam o ar?

17. Quais as fontes de emissão mais impor-

tantes que originam contaminação do ar?

01. Quais podem ser as conseqüências de avan-

ços tecnológicos sem a preocupação ecológica?

18. Que reações químicas podem originar os

contaminantes secundários do ar?

02. Quais são os grandes problemas ambien-

tais que precisam hoje, serem revertidos ou contidos?

03. Quais os tipos de poluição que perturbam

ou modificam os quatro ambientes?

04. Como a produção de energia por combus-

tão pode ocasionar introdução de agentes quí- micos no ambiente.

05. Quais as formas de perturbações que usi-

nas geradoras de eletricidade – termelétricas e nucleares podem ocasionar aos ambientes aquáticos?

06. Quais os efeitos das radiações nos orga-

nismos vivos?

19. Que fatores contribuem para a formação

de compostos secundários?

20. Em que escalas ocorrem os fenômenos

metereológicos?

21. Quais os efeitos de contaminação do ar?

22. Por quais mecanismos a poluição do ar

pode afetar o corpo humano?

23. Quais alguns efeitos que determinados

contaminantes de água de refinaria podem oca- sionar

24. Quais as finalidade dos tratamentos primá-

rios, secundários e terciários?

07. A ação perturbadora do som depende de

quais características?

25. Quais as formas de tratamento do óleo re-

cuperado nos Separadores de Água e Óleo?

08. Quais os problemas de lançamento de es-

gotos domésticos sem tratamento nos corpos de água?

09. Qual o objetivo da Política Nacional do Meio

Ambiente, que existe desde 1981 no Brasil.

26. Por que se adiciona coagulantes antes dos

tratamentos em flotadores?

27. Quais as vantagens das lagoas de aeração

forçada em relação as de aeração natural?

28. Quais os sistemas que utilizam biomassa

10.

A que se relaciona o Monitoramento Am-

biental?

em suspensão e biomassa fixa?

11. O que é Gestão Ambiental?

29.

Que são resíduos sólidos de acordo com

NBR 10004?

12. Que principios podem ser levados em con-

ta, para prevenir a poluição dentre de uma em- presa.

30.

Onde podem estar ou ser gerados os dife-

rentes resíduos sólidos de uma refinaria?

41
41
42
42

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

31. O que pode ocorre ao óleo combustível

quando nele for adicionado resíduos acima de 2% do volume total da mistura?

32. Onde pode ser aplicado a centrifugação?

33. Que aspectos devem ser considerados para

se efetuar Reciclagem de resíduos sólidos?

34. Como a Incineração pode ser usada para

eliminar resíduos sólidos?

35. O que é Compostagem?

36. Em que consiste a Biodegradação?

37. Quais os aspectos a serem observados para

a construção de aterros industriais para resi- duos perigosos?

38. Como deve ser construído um aterro sani-

tário?

39. O que é cadastramento dos resíduos sólidos?

40. Que aspectos deve contemplar a atuação

do operador de refinaria de petróleo?

Anotações

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

43
43
44
44

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

45
45
Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle 45

Aspectos Ambientais de uma Refinaria e Respectivas Formas de Controle

46
46