A influência da economia na qualidade das moradias é uma consideração óbvia e rende um caminho fecundo para analisarmos a história da habitação

no Brasil. A partir desse ponto de vista, observamos que o capitalismo exerceu um importante papel ao estabelecer que, as necessidades básicas do trabalhador deveriam ser produto do seu trabalho, adquiridos então pelo seu salário, entre essas necessidades estaria a moradia. Ela entretanto, é uma mercadoria diferente das demais, seja por seu vínculo ao solo –o que dificulta sua simples denominação de mercadoria- ou pela existência da propriedade privada da terra, que aumenta o preço da sua produção e obriga a classe mais pobre a residir nos piores lugares das cidades. É neste ponto, ao ver a grande maioria da população insatisfeita com as péssimas condições de moradia, que os governantes tomam para si a responsabilidade de solucionar “o problema da habitação”, começa então a incluir o tema em discursos, mas nem sempre o objetivo final de algumas políticas adotadas é realmente os descritos nestes discursos, muitas vezes a intenção destes programas é favorecer uma minoria detentora de empresas envolvidas nestes processos, e esse favoritismo encoberto pode fazer com que o governante não realize a política pública mais adequada àquele problema em questão. Segundo Villaça, está intrínseca no capitalismo a questão da concentração de riqueza nas mãos de poucos e por consequência o aumento da desigualdade social, sendo assim, este sistema socioeconômico não permite a todas as classes de trabalhadores a obtenção de certas condições básicas para a sobrevivência contrariando sua doutrina inicial de que o assalariado poderia comprar com o produto de seu trabalho o que necessitasse, como a habitação mínima, por exemplo, que deveria possuir características compatíveis com o tempo e local considerado, e que geralmente reflete uma realidade miserável. Um dos pontos defendidos por Villaça como agravante na urbanização excludente seria a existência da propriedade privada da terra e tudo o que dela advém, como o custo da moradia. Partindo do pressuposto de que o preço da terra urbana é resultado de diversos fatores, como a localização, que está diretamente ligada à disponibilidade de serviços públicos, e a renda fundiária que nada mais é do que os “rendimentos retirados dos setores produtivos auferidos pelo proprietário da terra” (VILLAÇA,) torna-se claro como a propriedade privada da terra funciona como um meio dos proprietários fundiários se apropriarem do fruto do trabalho que toda a sociedade aplicou na produção da cidade. Villaça afirma ainda que, o problema de habitação urbana no Brasil começa a surgir na segunda metade do século XIX, quando o capitalismo incentiva o crescimento das cidades, e com isso cria a necessidade de alojamentos para esses trabalhadores, começa então a afluir moradias alugadas, que se tornariam extremamente populares, os cortiços. Estes foram alvo de políticas ambíguas por parte da burguesia, que queriam distância destes focos de epidemias, mas ao mesmo tempo necessitava deles, para que dessem abrigo à classe trabalhadora. Outra tentativa capitalista de solucionar o problema de habitação foi a adoção de uma ideia advinda do socialismo utópico, as vilas operárias. Estas foram construídas em todo o mundo, assim como no Brasil, algumas foram feitas por indústrias e outras pelo governo e seu fracasso absoluto pode ser explicado pelo número pequeno de exemplares se comparado à necessidade, e pelo enorme controle que elas exerciam sobre a vida da comunidade que ali vivia. Subsídio é uma forma de aplicação do dinheiro público sem expectativa de retorno. Em relação à moradia, esse dinheiro é investido em moradias de classes baixa e média, pagas pela população em pequenas parcelas. É uma solução que vai contra os ideais da burguesia, pois não gera acumulação de capital. Uma forma de regulamentar o mercado habitacional privado é através do serviço de empresas imobiliárias, que fornecem habitação para a população, mediados pelo governo. Segundo Villaça esse atendimento jamais atenderá à demanda de moradias que existente, mas é preferível pela burguesia. Existem 3 tipos de Códigos que definem a legislação urbana: Posturas de Obras, Loteamento e Zoneamento. Na pratica esses códigos pouco influem, ainda que estes sejam difundidos no dia a dia como se funcionassem.

a importância da casa própria corresponde a relações reais. e assim surgem também o conceito de financiamento. demora de ser construída e também demora de ser consumida. mas essa tendência passou a dominar o setor de produção de habitações. e Estado. transformada em mercadoria e geradora de lucro ao capitalista. Não houve a extinção da casa de aluguel. a partir dos anos 70 um novo público que não possuía renda mínima nem para cortiços dando início às favelas e periferias. XIX e início do séc. diferente de outras mercadorias. ou melhor. Apesar de o cenário indicar avanços na compreensão do problema. deixam de atender as crescentes massas populares que se acumulam nas cidades. no entanto. chegaram a ser ativos durante a construção de Brasília. No entanto os objetivos acima mencionados não refletiam apenas demagogia populista. E assim a moradia no Brasil pode então assumir duas formas. Acredita-se que esse órgão surgiu com o intuito real de sanar a problemática da insatisfação popular com o governo mas hoje a politica habitacional populista é vista hoje como um fracasso. Foi entre as décadas de 1920 e 1950 que o modelo da casa própria tornou-se a forma de moradia da maioria da população urbana do país. e facilita as relações econômicas. expansão dos loteamentos “clandestinos”. auto-ajuda ou ajuda mútua. um artifício utilizado através de um novo intermediador entre comprador e vendedor. e a casa autoconstruída. e assim a função dos Códigos Urbanísticos é. portanto. fundada em 1º de maio de 1946 pelo Presidente Gaspar Dutra tinha. mais utilizada pela classe média. A moradia. junto com familiares e amigos. intervenção do Estado tanto na esfera jurídica como econômica para a afirmação do modelo da casa própria. desenvolvimento da prática da autoconstrução e englobamos sob essa denominação. onde custearam a construção de vários edifícios de apartamentos para a classe média. A verdade é que essas leis são feitas e cumpridas por uma minoria que participa do mercado. A Fundação da Casa Popular. que possibilita que o capitalista receba com maior velocidade o valor investido. Extinta em 1964. Os Institutos de Aposentadoria e Pensões. Villaça trata também da questão da ideologia da Casa Própria. já que o problema era extremamente complexo. a casa feita para ser negociada no mercado imobiliária. A “ideologia da casa própria” se difundiu bastante e parece ter recebido generalizada aceitação. abrindo as portas aos empréstimos e aos crediários e constitui não só uma forma bastante segura de investimento como uma eficaz defesa contra a . a produção da Fundação não chegou a 16. mas também ignorância da questão. é notável que poucas pessoas no Brasil têm a possibilidade de construir seus imóveis de acordo a essas normas.100 unidades. mantendo o ciclo de consumo. utilizada por classes baixas que adquirem um lote ilegal e constroem sua casa com a sua própria mão de obra. A política populista fez o Estado passar a agir no campo da produção de habitação popular a partir dos anos 40. a função de proporcionar moradia própria à população em zona urbana ou rural. A posse de uma casa dá status à família. Existe um grupo que sequer pode ter acesso a essa tipologia construtiva. optam por se instalarem em locais rejeitados pela propriedade privada e utilizam materiais de construção velhos e improvisados. principalmente no fator financeiro e econômico. e o declínio da construção de moradias de aluguel para a classe média. No entanto. inclusive as Prefeituras Municipais. Esse período foi cenário de diversos fenômenos simultâneos que contribuíram para o quadro da casa própria (autoconstruída ou comprada no mercado) como o desenvolvimento do capital financeiro. a indústria da construção civil e os empreendedores imobiliários abandonam. desenvolvimento da ideologia da casa própria. desenvolvimento dos transportes urbanos através dos bondes e com estes desbravam-se amplas fronteiras adequadas a loteamentos. regularizar e fiscalizar os padrões mínimos que toda edificação deve possuir. Entre o final do séc. todas as formas de mutirão. assume posição totalmente omissa face aos loteamentos ilegais. a população crescia desenfreadamente e em termos territoriais esse crescimento se deu principalmente através de loteamentos populares ilegais.Desde a década de 20 começou a surgir a produção de moradias como mercadoria. e seu problema habitacional fica sem solução. houve pouco progresso na questão. marcando o final da fase de transição entre as relações sociais feudais e capitalistas. segundo o mesmo. XX a oferta de moradias alugadas para a população de baixa renda era grande no país. Em cada local do país o fenômeno de moradia ocorria de uma maneira.

. as prefeituras de todo o país. através da legislação urbanística. É uma manifestação gritante da exploração que sofre sujeito o trabalhador brasileiro. cada vez menos aplicam essas mesmas leis para os loteamentos e para os bairros populares. e aí o Estado é solicitado a aparecer para. ou “mutirão”. Uma delas explora um suposto sentimento de solidariedade que se desenvolve em tomo da produção da casa pelo processo de “ajuda mútua”. A realidade é que a relação entre segurança e casa própria pode ser errônea. O cenário descrito acima propiciou que o lote barato se multiplicasse pelas periferias do país com rapidez. controlar as condições de venda e a qualidade do produto “lote”. a ideologia burguesa procura promover a aceitação dessa forma de submoradia. e do produto “casa” produzidos pela iniciativa privada. A favela desnuda a realidade de parte da população que não tem condições sequer comprar um lote a prestação na periferia. Só os loteamentos para as classes média e alta são aprovados ou sequer submetidos à aprovação. Diante de tantas contradições entre os interesses da burguesia e da classe de baixa renda.inflação. Com a forte presença da autoconstrução nas cidades. no entanto é interessante para o capital que essa ideia seja verdadeira. pois acredita que a autoconstrução ocorre sob o sacrifício do trabalho duro que consome as horas que deveriam ser de descanso. A urbanista Ermínia Maricato recusa essa conotação e esses termos. Para ser o mais barato possível tinha que ser de baixa qualidade. cada vez mais aprovam leis urbanísticas.

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