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OS TRÊS HERÓIS DE O SENHOR DOS ANÉIS Pereira, André L. R. M.(IC); Volobuef, Karin(O)
OS TRÊS HERÓIS DE O SENHOR DOS ANÉIS Pereira, André L. R. M.(IC); Volobuef, Karin(O)

OS TRÊS HERÓIS DE O SENHOR DOS ANÉIS

Pereira, André L. R. M.(IC); Volobuef, Karin(O) andrelrmp@yahoo.com.br Departamento de Letras Modernas, Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara

Publicado entre os anos de 1954 e 1955, O Senhor dos Anéis figura, hoje, como a principal obra literária do escritor e filólogo John Ronald Reuel Tolkien (1892 – 1973) e uma das principais obras de seu gênero, o romance de fantasia. Entretanto, o enquadramento da obra em determinado gênero literário não é tão simples, visto que a construção de O Senhor dos Anéis é o resultado da influência de vários gêneros, como a epopéia, os romances de cavalaria e os contos de fadas, por exemplo. Northrop Frye propõe, em Anatomia da Crítica (1973) uma abordagem de gênero através da classificação do herói, que pode pertencer a cinco categorias, que o descrevem desde a sua forma mais elevada, típica do mito, na qual ele se aproxima de um ser divino, sendo superior aos outros homens e ao meio em que habita; até o herói inferior ao homem comum, figura típica do modo irônico. Em O Senhor dos Anéis, porém, o papel de herói não é centralizado, sendo dividido por pelo menos três personagens: Gandalf, Aragorn e Frodo – cada um deles pertencendo a uma categoria diferente das propostas por Frye. O mago Gandalf é o mais elevado. Ele é o enviado divino dos Valar para combater o mal de um vilão que é igualmente superior aos outros homens e ao meio, possuindo também o seu caráter de divindade. Aragorn é semelhante ao herói da lenda, dos contos populares e das novelas de cavalaria. A ele estão ligados símbolos de nobreza e coragem que o qualificarão tanto como um rei guerreiro, quanto como o rei que cura e traz esperanças de renovação à terra devastada. Frodo, por sua vez, é o mais frágil das três personagens, sendo muito semelhante ao homem comum. É ele quem se oferece para cumprir a missão de destruir o Anel e assume a responsabilidade sobre o destino de toda a Terra-Média. Durante toda a narrativa, ele é a personagem que mais sofre, não somente por causa do longo e difícil caminho que deve percorrer, mas pela luta interna que deve travar para destruir o Anel, um objeto ao mesmo tempo temido e desejado. Dessa forma, Tolkien coloca, no centro de sua obra, três personagens de grandezas diferentes com uma estreita relação de interdependência, em que o mais frágil se torna o responsável pelo sucesso ou fracasso dos outros. Além disso, deve-se destacar que cada uma dessas personagens segue uma trajetória paralela, cujo principal elemento é uma “morte ritual”, experimentada de diferentes formas pelos três heróis. Assim, Gandalf morre e é mandado de volta à Terra- Média após a luta com o Balrog; Frodo quase morre e fica muito tempo inconsciente após ser atacado por Laracna; e Aragorn, cuja experiência de morte e retorno a vida é simbolizada pela travessia das Sendas dos Mortos. Ao colocar essas três personagens de estaturas diferentes no centro de sua obra, Tolkien promove um resgate das tradições do mito e dos romances medievais, fazendo uma atualização do gênero pela inserção de uma personagem muito semelhante ao homem moderno, dividido entre seus anseios e temores e desprovido de quaisquer poderes especiais.

FAPESP

CONGRESSO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, 16., 2008, São Carlos. Anais de Eventos da UFSCar, v. 4, p. 716, 2008