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segredos e virtudes das plantas medicinais

SELECÇÕES DO READERS DIGEST

Selecções do Reader's Digest

1
CONSULTORES DA EDIÇÃO PORTUGUESA

J. A. Borralho da GRAÇA, professor catedrático de Farmacognosia da


Faculdade de Farmácia de Lisboa.
Luís Filipe M. AIRES, assistente responsável pela cadeira de
Botânica Farmacêutica da Faculdade de Farmácia de Lisboa.

REDACTORES DA EDIÇÃO ORIGINAL

Prof. Pierre DELAVEAU, Universidade René-Descartes,


Paris V, Faculdade >de Ciências Farmacêuticas e Biológicas: pp. 337-
348. Michelle LORRAIN, professor-assistente de Fisiologia
Vegetal e Farmacognosia, Instituto Europeu de Ecologia, Metz: pp.
11-15, 349-360.
François MORTIER, Faculdade de Ciências Farmacêuticas
e Biológicas, Nancy I: pp. 8-10.
Caroline RiVOLIER: pp. 43-46, 48-53, 55-60, 63-74,
76-84, 88-90, 92-95, 98, 99, 103, 106-108, 110,
112-114, 116, 117, 120-125, 128, 129, 131, 133-135,
137-140, 144-146, 148-166, 168-171, 173-182,
184-189, 192-196, 199-201, 203, 204, 216-218, 223,
227, 228, 231-234, 236-240, 242-252, 254-267,
269-282, 284, 286-290, 294, 299, 301, 303, 304. Doutor Jean RiVOLIER
e Caroline RiVOLIER: pp. 362-441.
Abade Rene SCHWEITZER, engenheiro-agrónomo: pp.
20-40, 47, 54, 61, 62, 67, 75, 185-87, 91, 96, 97,
100-102, 104, 105, 109, 111, 115, 118, 119, 126,
127, 130, 132, 136, 141-143, 147, 167, 172, 183,
190, 191, 197, 198, 202, 205-215, 219-222, 224-226,
229, 230, 235, 241, 253, 268, 283, 285, 291-293,
295-298, 300, 302, 442-453.

CONSULTORES DA EDIÇÃO ORIGINAL

Pierre BosSIaRDET, desenhador artístico, Centro Nacional


de Investigação Científica.
Renê H. DELÉPINE, professor-assistente, Universidade
Pierre-et-Marie-Curie, Paris VI, director da equipa de biogeografia
e ecologia bentónica.
Michel GuÉDÈS, professor-assistente, Museu Nacional de
História Natural, Paris, laboratório de fanerogân-kas. Prof. Paul
JOVET, director (honorário) do Centro Nacional de Investigação
Científica, Paris. Prof. René PARIS, Universidade René-Descartes,
Paris
V, Faculdade de Ciências Farmacêuticas e Biológicas.

ILUSTRAÇõES

David BAXTER: pp. 67, 72, 143, 209. FranÇoise BONVOUST: pp. 95, 96,
115, 132, 150, 159,
2
192, 198, 269, 284, 286, 295. Luc BOSSERDET: Pp. 92, 107, 110, 120,
126, 138, 146,
149, 151, 154, 163, 164, 230, 245, 265, 268Pierre BROCHARD: p. 50.
Jean COLADON: pp. 63, 70, 113, 148, 174, 205, 210,
211, 214, 226, 242, 252, 292, 442-452. François COLLET: Pp. 93, 158.
Philippe COUTÊ PP, 82, 106, 121, 157, 176, 237, 267,
278. FrançoiSC DE DALMAS: Pp. 103, 119, 156, 170, 183. Maurice
ESPÉRANCE: pp. 20-35, 47, 54, 61, 86, 87, 96,
111, 118, 132, 188, 197, 216, 219, 223, 227, 253,
289. lan GARRARD: pp. 53, 59, 79, 89, 122, 153, 171, 173,
184, 201, 271, 287. Odette HALMOS: pp. 177, 178, 229, 246, 276,
298. Madeleine HUAU: pp. 73, 147, 161, 162, 169, 172, 238,
279, 281, 304. Mette IVERS: pp. 49-51, 69, 97, 99, 109, 112, 124,
125,
129, 131, 141, 165, 166, 185, 186, 189, 200, 236,
239, 244, 255, 277, 305-336. Josiane LARDY: pp. 45, 57, 71, 77, 100,
114, 117, 143,
167, 175, 182, 187, 196, 202, 208, 218, 248, 251,
258, 260, 263, 273, 296, 299, 300. Annie LE FAou: pp. 43, 44, 56,
90, 108, 123, 130, 139,
144, 155, 190, 194, 207, 228, 254, 256, 264, 266,
272, 294. Yvon LE GALL: P. 102. Nadine LIARD: Pp. 193, 220, 222,
283. GUy MICHEL: pp. 60, 66, 91, 128, 133, 140, 142, 152,
168, 212-213, 232, 291, 297, 301, 302. Daniel MONCLA: Pp. 94, 134,
241, 274. Marie-Claire Nivoix: pp. 64, 78, 116, 160, 203, 215,
217, 258. Alain d'ORANGE: p. 101. Charles PICKARD: pp. 75, 98, 221,
233. Robert Rousso: pp. 48, 52, 180, 181. Jean-Paul TURMEL: pp. 58,
104, 141, 191, 195, 204,
206, 240, 243, 247. Denise WEBER: capa e pp. 46, 55, 62, 65,
74, 76, 80,
81, 83-85, 88, 127, 135, 179, 199, 224, 225, 231,
234, 249, 250, 257, 259, 261, 262, 269, 275, 280,
282, 288, 290, 303.

SEGREDOS E VIRTUDES DAS PLANTAS MEDICINAIS

uma edição de Selecções do Reader's Digest

1983, Selecções do Reader's Digest, SARL.

Rua de Joaquim António de Aguiar, 43 - Lisboa

Reservados todos os direitos. Proibida a reprodução, total ou


parcial, do texto ou das ilustrações, sem autorização, por escrito,
dos editores.

Composição: Fototexto, Lda. - Lisboa Impressão: Lisgráfica, SARL. -


Queluz de Baixo Encadernação: AMBAR - Porto
1.a edição, Maio de 1983. Depósito legal n.I 2130/83

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PRINTED IN PORTUGAL

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Índice

Prefácio

O reino dos simples


As plantas medicinais A fábrica vegetal Identificar, colher,
conservar
Guia das plantas a conhecer
As plantas espontâneas As plantas cultivadas As plantas tóxicas As
plantas exóticas
Os benefícios das plantas
O emprego do simples Dicionário da saúde
Os usos veterinários
Glossário

índice alfabético
Ao leitor

O aumento do consumo individual de medicamentos que se observa por


todo o Mundo tem originado nos últimos anos um interesse renovado
pelas plantas medicinais, um retorno às fontes naturais para o
tratamento de doenças. Este fenómeno poderá explicar-se pelo facto
de grande parte dos medicamentos ter tido origem precisamente em
espécies vegetais, pelo desejo de regressar à Natureza que se
observa no homem moderno e por uma certa desconfiança em relação aos
medicamentos de origem sintética de produção industrializada.

Esta obra, que não pretende substituir a medicina tradicional, foi


realizada sob a orientação de autores especializados que souberam
pôr os seus profundos conhecimentos nos campos da botânica e da
farmacognosia ao alcance e ao serviço do grande público. Nela se
explicam as possibilidades reais das plantas medicinais, se estimula
a sua colheita no meio natural e, simultaneamente, se desmistificam
as especulações pseudocientíficas que ensombram a divulgação séria
da medicina pelas plantas.

A identificação e a colheita das plantas adequadas constituem um


primeiro problema. Para o solucionar, recorreu-se a ilustrações de
grande qualidade e a descrições morfológicas minuciosas que permitem
distinguir as espécies benéficas das neutras e das nocivas. Oferecer
mapas exactos com a localização dos lugares de colheita de cada
planta seria pretensão irrealizável; mas o leitor encontrará
descritos os habitats característicos das diferentes espécies. A
obra assinala ainda em que altura e época devem ser colhidas as
plantas espontâneas e cultivadas e quais são as suas partes úteis.
E, uma vez colhidas e preparadas, ensina a conservar as substâncias
vegetais com propriedades medicinais.

Atitudes menos cuidadas quanto à colheita e preparação e menos


prudentes quanto à dosagem podem conduzir a riscos que deverão ser
evitados, para que, em vez de benefícios para a saúde e bem-estar,
se não colham antes prejuízos. Assim, ficando um tanto à mercê do
discernimento do leitor a maneira como aproveitar, com a maior
utilidade, o conteúdo da obra, os editores não poderão ser
responsabilizados pelas consequências que advenham da má utilização
das informações ou da negligência em relação a recomendações
insistentemente referidas ao longo do livro.

SELECÇõES Do READER,s DIGEST


Prefácio

Para a importação de novas drogas medicinais oriundas do Oriente, há


muito mantida pela Europa, deram os Portugueses uma contribuição
notabilissima, tornando-a mais variada e abundante à medida que as
foram procurando nas regiões africanas, asiáticas e sul-americanas a
que pela primeira vez aportavam.

Para além de quanto a África ia oferecendo de novidade, foi na índia


que se
encontrou maior variedade e riqueza desses produtos, os quais,
comercializados pelos Portugueses, passaram a ser quer conhecidos
pela primeira vez na Europa, quer mais abundantes e acessíveis.

Havia produtos que serviam de mezinhas, outros designados por


especiarias, conjunto na quase totalidade de origem vegetal, embora
os houvesse de origem animal ou mista, utilizados como condimentos,
masticatórios, excitantes, estupefacientes, perfumes, unguentos e
corantes, com propriedades exclusivas ou polivalentes.

Na preocupação que sempre existiu de ir descrevendo tudo quanto de


útil se descobria, foram enviados boticários nas naus que partiam a
caminho do Oriente, aos quais competia não só o desempenho das suas
funções durante as viagens e nos locais onde as tripulações se
instalassem, mas também a averiguação das mezinhas usadas nas
diversas zonas visitadas ou onde fosse possível obter notícia
fidedigna, e ainda descrever a natureza e origem das *drogas e cousas
medicinais+, as suas propriedades e aplicações.
Distinguiram-se nessa tarefa, em grande parte original, em primeiro
lugar Simão Alvares, boticário de profissão que chegou à índia em
1509, e Tomé Pires, feitor de drogas, que ali chegou em 1512 por
mandato do rei D. Manuel I e que seguiu mais tarde para a China como
embaixador, com a incumbência de procurar reconhecer as plantas
daquela região úteis para a medicina.

Mas foi Garcia de Orta quem mais se notabilizou no estudo das


espécies medicinais e de outros produtos semelhantes da índia, para
onde partiu em 1534, onde se fixou e onde morreu. Tendo nascido em
Elvas, Garcia de Orta tirara o curso de Medicina nas Universidades
de Salamanca e Alcalá, tendo ainda regido uma cadeira na
Universidade de Lisboa em 1530 antes de partir para o Oriente.

O seu livro Coloquios dos simples, e drogas he cousas mediçínais da


Indía publicado em 1563 em Goa, adquirefama internacional,
nomeadamente depois de ter sido traduzido em latim, francês e
italiano. Nesta obra se consignam, sob a forma de diálogo, todos os
conhecimentos científicos e práticos que o autor conseguiu reunir
sobre tais produtos e sua utilização.

O cientista francês Jules Charles de l'Écluse (Clúsio) publicou uma


edição latina simplificada, com o título Aromatum et Simplicium
Aliquot Medicamentorum Apud Indos Nascentium Historia, enriquecendo
com notas pessoais e desenhos a obra original.

Depois do que se ficou devendo a árabes, gregos e romanos, surge


assim a partir desta tão notável obra de Garcia de Orta a divulgação
escrita, em diversas línguas eformas, de quanto mais se passou a
conhecer depois da chegada dos Portugueses ao Oriente.

Entretanto, nasce em África, em local não conhecido, mas


possivelmente no Norte desse continente, um outro português,
Cristóvão da Costa, o qual, depois de estudar Medicina na
Universidade de Coimbra, parte para a índia, desembarcando em Goa em
1568, ainda a tempo de conviver com Garcia de Orta, de cujo saber
muito aproveitou certamente. Regressando à Europa, Cristóvão da
Costa fixou-se em Burgos, onde foi médico e cirurgião e escreveu e
imprimiu o seu Tractado Delas Drogas, y medicinas de las Indias
Orientales, con sus plantas debuxadas aí biuo por ChristouaI A Costa
medico y cirujano que Ias vio ocularmente. En el qual se verifica
mucho de lo que escrivio el Doctor Garcia de Orta ...,publicado em
1568, obra baseada na de Garcia de Orta que apresenta desenhos de
todos os produtos, alguns dos quais mais
ricamente pormenorizados e documentados que no livro em que se
fundamentou. Também a obra de Cristóvão da Costa foi traduzida em
latim, italiano e francês.

Entretanto, descoberto o Brasil, inicia-se também nos vastos


territórios sul-americanos uma primeira tentativa de inventário e
descrição das plantas medicinais da região, em relação às quais,
porém, não foi publicada qualquer obra em especial.

Sobre estudos de tal natureza no século XVII pouco haverá a dizer,


para além do notável trabalho do médico alemão Gabriel Grisley
intitulado Desingano para a Medícina ou Botica para todo o pai de
família (1656), onde o autor refere a flora médica portuguesa, além
de um outro, Viridarium Grísley Lusitanicum ... (1661), que
constitui a primeira lista das plantas de Portugal. Tendo-se
estabelecido em Portugal no
tempo do rei D. João IV, Grisley foi pelo monarca encarregado de
organizar um horto botânico em Xabregas.

À mesma época pertence o boticário francês João Vigier, também


radicado no
nosso país, autor da História das Plantas da Europa ... (1718).

São vários os nomes daqueles que no século XVIII se dedicaram à


botânica e deixaram obra com interesse para o estudo das plantas
medicinais de África e do Brasil, embora englobadas em trabalhos
menos especializados. De destacar em relação ao Oriente o jesuíta
João de Loureiro, que em 1735 seguiu como missionário para a China,
onde a necessidade de utilizar essas plantas no combate às doenças
lhe despertou o interesse pelo seu estudo, de que resultou a célebre
Flora Cochinchinensis, publicada em 1790 em Lisboa, onde são
referidas plantas da Cochinchina, China e África, obra reeditada em
Berlim em 1793.

Notabilizou-se sobretudo entre todos os botânicos portugueses do


século XVIII o abade Correia da Serra, nascido em Serpa em 1750, que
emigrou para Itália aos 6 anos com seu pai, fugido à Inquisição. Aí
adquiriu conhecimentos científicos e relacionou-se com o duque de
Lafões, com o qual, uma vez regressado a Portugal depois da morte de
D. José, fundou a Academia Real das Ciências.

Considerado pelo intendente Pina Manique como homem perigosíssimo,


Já que dera guarida em sua casa a um francês jacobino, viu-se de
novo obrigado a abandonar o País, passando parte da sua vida em
Inglaterra, França e por fim na América do Norte. Em todos esses
países o seu nome era altamente prestigiado pelas maiores
celebridades científicas da época ligadas à botânica, nomeadamente
em França, onde sempre recorriam ao seu conselho.

Mas foi na América que esse prestígio atingiu o expoente máximo,


como raramente terá acontecido com qualquer outro cientista
português. O desempenho da sua actividade pedagógica, os trabalhos
científicos realizados e a ajuda prestada ao presidente Jefferson,
de quem era íntimo amigo, na fundação da Universidade da Virginia
valeram-lhe ser considerado * o estrangeiro mais esclarecido que
jamais visitara os EUA +.

Surgira, entretanto, outro botânico português, Félix da Silva Avelar


Brotero, nascido em Santo Antão do Tojal em 1744, e que da mesma
maneira fora obrigado a emigrar para França, fugindo à perseguição
inquisitorial. Convivendo com os mais notáveis naturalistas
franceses da época, visitando a Holanda, Alemanha, Itália e
Inglaterra, só regressa ao País em 1790, depois de terminado o
período pombalino. A rainha D. Maria I nomeia-o professor da
Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra e encarrega-o da
regência da cadeira de Botânica e Agricultura.

Todavia, em relação às plantas medicinais, as obras destes dois


últimos botânicos portugueses, notáveis embora, não suscitam grande
interesse, ao contrário de outras publicadas já no século XIX, da
autoria do lente da Universidade de Coimbra Jerónimo Joaquim de
Figueiredo, intitulada Flora Farmacêutica e Alimentar Portuguesa
(Lisboa, 1825), do médico e lente da Universidade de Coimbra
Francisco Soares Franco, Matéria Médica (1816), e do professor da
Universidade do Porto Agostinho Albano da Silveira Pinto, Código
farmacêutico lusitano (1835).

Retomando o tema das plantas úteis do ultramar, o conde de Ficalho,


professor de Botânica da Universidade de Lisboa, publica a célebre
obra Plantas úteis da África Portuguesa (1884), culminando assim a
lista das contribuições de carácter histórico dos cientistas
portugueses para o conhecimento das plantas medicinais.

De então para cá têm sido publicados muitos outros estudos, de


conjunto ou contribuições de extensão e valor variados, mas já sem a
prioridade e o cunho de originalidade daqueles outros que no século
XVI nos colocaram em posição ímpar no mundo da ciência no
respeitante ao conhecimento dos produtos naturais aproveitados pela
medicina.
O reino dos simples

As plantas medicinais 8

A fábrica vegetal 11

Identificar, colher, conservar 16


As plantas medicinais

*O Senhor produziu da terra os medicamentos; o homem sensato não os


desprezará+, aconselha o Eclesiástico, 38, 4; no entanto, muito
antes desta alusão no texto sagrado à fitoterapia, ou medicação
pelas plantas, já fora criado, divulgado e transmítido, entre as
mais antigas civilizações conhecidas, o hábito de recorrer às
virtudes curativas de certos vegetais; pode afirmar-se que se trata
de uma das primeiras manifestações do antiquíssimo esforço do homem
para compreender e utilizar a Natureza, como réplica a uma das suas
mais antigas preocupações: a que é originada pela doença e pelo
sofrimento.

É admirável que todas as civilizações, em todos os continentes,


tenham desenvolvido, a par da domesticação e da cultura das plantas
para fins alimentares, a pesquisa das suas virtudes terapêuticas.
Mas é talvez ainda mais admirável que este conjunto de conhecimentos
tenha subsistido durante milénios, aprofundando-se e diversificando-
se, sem nunca, porém, cair totalmente no esquecimento.

A utilização das propriedades do ópio obtido da dormideira, 4000


anos antes de se conhecer o processo de extracção da morfina, é, sob
este ponto de vista, bem significativa da perenidade destes
conhecimentos, que durante muito tempo permaneceram empíricos e que,
desde há alguns séculos, o progresso das ciências modernas tornou
mais rigorosos.

Mesmo actualmente, apesar do espectacular desenvolvimento da


quimioterapia, a fitoterapia continua a ser muito utilizada,
readquirindo até um certo crédito desde que foram divulgadas as
consequências, por vezes nefastas, do abuso dos compostos químicos.

Para se ter uma visão de conjunto do progresso dos conhecimentos


humanos referentes às plantas medicinais, devem distinguir-se três
grandes períodos. Durante as Antiguidades Egípcia, Grega e Romana
acumularam-se numerosos conhecimentos empíricos que serão
transmitidos, especialmente por intermédio dos Árabes, aos herdeiros
europeus destas civilizações desaparecidas.

A partir do Renascimento, estes sábios ocidentais aproveitarão


utilmente a renovação do espírito científico e o surto das viagens
dos Descobrimentos para desenvolver consideravelmente estes
conhecimentos adquiridos e dar início a uma ordenação rigorosa de
todos os elementos saídos da experiência do passado.

Finalmente, e sobretudo desde o final do século xviIi, o progresso


muito rápido das ciências modernas veio enriquecer e diversificar em
proporções extraordinárias os conhecimentos sobre as plantas, os
quais actualmente se apoiam em ciências tão variadas como a
paleontologia, a geografia, a citologia, a genética, a histologia e
a bioquímica.

Em 1873, o egiptólogo alemão Georg Ebers comprou um volumoso rolo de


papiro; após ter decifrado a introdução, Ebers foi surpreendido por
esta frase: *Aqui começa o livro relativo à preparação dos remédios
para todas as partes do corpo humano.+ Provou-se que este escrito
era o primeiro tratado médico egípcio conhecido. Compunha-se de uma
parte relativa ao tratamento das doenças internas e de uma longa e
impressionante lista de medicamentos.

Actualmente, pode afirmar-se que, 2000 anos antes do aparecimento


dos primeiros médicos gregos, já existia uma medicina egípcia,
organizada como conjunto de conhecimentos e de práticas distintas
das crenças religiosas.
Duas das receitas incluídas no rolo de papiro de Georg Ebers são,
efectivamente, consideradas como remontando à 6. a dinastia, ou seja
a cerca de 24 séculos antes do nascimnento de Cristo! Sabe-se hoje
que, na época do antigo Império Egípcio, o palácio do faraó mantinha
um corpo de médicos, entre os quais se esboçavam já especializações
como a odontologia e a oftalmologia.

Muito tempo depois, em 450 a. C., Heródoto diria que *no Egipto cada
médico só trata de uma doença, pelo que constituem uma legião ... +.
Aproximadamente na mesma época, o Templo de Edfu desenvolveu uma
escola de medicina e mantinha um importante jardim de plantas
medicinais.

De entre as plantas mais utilizadas pelos Egípcios, é indispensável


citar o zimbro, as coloquíntidas, a romãzeira, a semente do linho, o
funcho, o bordo, o cardamomo, os cominhos, o alho, a folha de sene,
o lírio e o rícino. Um baixo-relevo proveniente de Akhetaton ostenta
uma planta medicinal que posteriormente desempenhou um papel
fundamental na farmacopeia da Idade Média: a mandrágora. Os Egípcios
conheciam també m as propriedades analgésicas da dormideira,
utilizada na preparação do *remédio contra as
crises anormalmente prolongadas+.

Mais notável ainda é o conhecimento progressivamente adquirido das


regras de dosagens específicas para cada droga; esta prática
ampliou-se ao fabrico e à administração de todos os remédios e pode
afirmar-se que nasceu assim a receita médica e a respectiva
posologia.

Estes conhecimentos médicos iniciados no antigo Egipto divulgaram-se


nomeadamente na Mesopotâmia. Em 1924, o Dr. Reginald
Campbell Thompson, do Museu Britânico, conseguiu identificar 250
vegetais, minerais e substâncias diversas cujas virtudes
terapêuticas os médicos babilónios haviam utilizado, especialmente a
beladona, administrada contra os espasmos, a tosse e a asma; os
pergaminhos da Mesopotâmia mencionam o cânhamo indiano, ao qual se
reconhecem propriedades analgésicas e que se receita para a
bronquite, o reumatismo e a insônia.

Foram sobretudo os Gregos, e mais tarde, por seu intermédio, os


Romanos, os herdeiros dos conhecimentos egípcios, desenvolvendo-os
até um elevado nível.
Aristóteles, espírito universal, estudou história natural e
botânica;

Hipócrates, frequentemente considerado *o pai da medicina+, reuniu


com os
seus discípulos a totalidade dos conhecimentos médicos do seu tempo
no conjunto de tratados conhecidos pelo nome de Corpus
Hippocraticum: para cada enfermidade descreve o remédio vegetal e o
tratamento correspondente.

Catão, o Antigo, no século II a. C., mencionou no seu tratado De Re


Rustica 120 plantas medicinais que cultivava no seu próprio jardim.

No início da era cristã, Dioscórides inventariou no seu tratado De


Materia Medica mais de 500 drogas de origem vegetal, mineral ou
animal; à semelhança dos seus predecessores, esforçou-se por ter em
conta o maravilhoso e separar o racional do irracional. Esta
preocupação científica nem sempre foi seguida por Plínio, o Antigo,
cuja monumental História Natural contém por vezes descrições de
algum modo fantasistas.

Finalmente, o grego Galeno, cuja influência foi tão duradoura como a


de Hipócrates, ligou o seu nome especialmente ao que ainda se
denomina a * escola galénica+ ou *farinácia galénica+.
Efectivamente, distingue-se o emprego das plantas *ao natural+, ou
seja sob a forma de pós, das *preparações galénicas+, em que
solventes como o álcool, a água ou o vinagre servem para concentrar
os componentes activos da droga, os quais serão utilizados para
preparar unguentos, emplastros e outras formas galénicas.

O longo período que se seguiu, no Ocidente, à queda do Império


Romano, designado universalmente por Idade Média, não foi
exactamente uma época caracterizada por rápidos progressos
científicos. Os domínios da ciência, da magia e da feitiçaria tendem
frequentemente a confundir-se; drogas como o meimendro-negro, a
beladona e a mandrágora serão consideradas como plantas de origem
diabólica.

Assim, Joana d'Arc será acusada de ter *atormentado os Ingleses pela


força e virtude mágica de uma raiz de mandrágora escondida sob a
couraça+. Contudo, não é possível acreditar que na Idade Média se
perderam completamente os conhecimentos adquiridos durante os
milénios precedentes. Os monges, devido aos seus conhecimentos do
latim e do
Grego, foram os detentores do saber da Antiguidade; grande número de
mosteiros vangloriava-se dos seus *jardins dos simples+, onde
cresciam as plantas utilizadas para o tratamento dos doentes.

Ainda actualmente se conserva a memória de Santa Hildegarda, a *santa


curandeira+ , cujos tratados, conhecidos pelo nome de Physica, além
de respeitarem os conhecimentos antigos, trazem à luz, pela primeira
vez, as virtudes de algumas plantas como a pilosela ou a arnica.

No entanto, a medicina da Idade Média foi sobretudo dominada pela


Escola de Salerno; os eruditos que ali trabalhavam deram a conhecer,
por intermédio de sábios (Avicena, Avenzoar e lbn-el-Beithar) e dos
textos ára bes, grande número de obras da medicina grega.

Rogério de Salerno, no início do século XII, contribuiu para os


consideráveis progressos da medicina do seu tempo.

Foi, no entanto, o Renascimento, com a valorização da experimentação


e da observação directa, com o surto das grandes viagens para as
índias e a América, que deu origem a um novo período de progresso no
conhecimento das plantas e das suas virtudes.

No início do século XVI, o médico suíço Paracelso tentou descobrir a


* alma+, a <quirita--essência+ dos vegetais, de onde irradiam as
suas virtudes terapêuticas. Não dispondo, evidentemente, dos meios
de análise que mais tarde seriam oferecidos pela técnica moderna,
tenta aproximar as virtudes das plantas das suas propriedades
morfológicas, da sua forma e cor: é a chamada *teoria dos sinais+.

O italiano Pier Andrea Mattioli, seu contemporâneo, comenta a obra


de Dioscórides e descobre as propriedades do castanheiro--da-índia e
da salsaparrilha-da-europa e descreve 100 novas espécíes.

Surgem os jardins botânicos: em 1544, Luca Ghini, professor em


Bolonha, funda o de Pisa; em 1590, Veneza confia a Cortuso o de
Pádua. Olivier de Serres reforma a agricultura francesa no reinado
de Henrique IV, criando também, na sua propiiedade de Pradel, em
Vivarais, um admirável jardim de plantas medicinais, imitado algum
tempo depois por Luís XIII, que funda em
Paris o Jardim do Rei, predecessor do actual Museu Nacional de
História Natural.

É também nesta época que têm cátedra em Mont.pellier todos os


grandes botânicos: MatIfias de Lobel, Guillaume Rondelet, Charles de
l'Écluse, Jean e Gaspard Bauliiii, os quais impulsionam os grandes
progressos da classificação sistemática dos vegetais, que se tornou
cada vez mais indispensável pelo grande conjunto de conhecimentos
adquiridos.

O desenvolvimento das rotas marítimas, abertas a partir do final do


século XV, coloca efectivamente a Europa no centro do Mundo; os
produtos dos países longínquos abundam e, de entre eles, as plantas
até aí desconhecidas, com virtudes por vezes surpreendentes; os
conquistadores suportaram eles próprios a experiência das
propriedades mortais do cura.
; a casca de quina é utilizada para fazer baixar a temperatura nas
febres palúdicas muito antes de se ter conhecimento de como dela
extrair a quinina; a América dá ainda a conhecer as virtudes
anestésicas e estimulantes da folha de coca. No encalce dos
descobridores prosseguem os exploradores, missionários como o padre
Plumier, botânicos como Tournefort, que, em 1792, regressa do
Oriente com 1356 plantas então desconhecidas na Europa.

Finalmente, os esforços de classificação culminam em 1735 com a


publicação do Systema Naturae, de Lineu. O grande naturalista sueco
adopta como princípio de distinção e classificação a distribuição
dos órgãos sexuais nas flores e as características dos órgãos
masculinos, os estames. Para ele, os dois grandes ramos em que se
divide o reino vegetal são o das Criptogâmicas, em que os estames e
o pistilo são invisíveis a olho nu, e o das Fanerogâmicas, em que
estes são visíveis. Dentro destas últimas, por sua vez, estabelecem-
se 23 classes, segundo critérios morfológicos. Depois de Lineu, os
trabalhos dos irmãos Jussieu, Joseph, Antoine e Bernard, bem como os
do seu sobrinho, Antoine Laurent de Jussieu, desenvolveram
ulteriormente a botânica descritiva e contribuíram para o
aperfeiçoamento da classificação sistemática, sem terem esgotado
todas as suas possibilidades.

Se se fizer uma retrospectiva do caminho percorrido desde as


primeiras receitas conhecidas da época da 6.1 dinastia egípcia,
verificar-se-á que foi uma longa caminhada; contudo, comprovar-se-á
que ela sempre se desenvolveu na mesma direcção, sem mudanças
radicais. O catálogo das plantas medicinais enriqueceu-se, a
descrição das características dos simples e a indicação das suas
utilizações foram aprofundadas, a classificação das suas espécies
foi feita com base científica. Todavia, nessa época continuam a
desconhecer-se as leis da sua evolução e, o que é mais importante
ainda, a sua estrutura íntima e os princípios que as fazem actuar no
tratamento das doenças: sabe-se que têm determinados efeitos e pouco
mais.

Esta revolução radical - o aprofundamento dos conhecimentos - vai


realizar-se nos dois últimos séculos. O estabelecimento das grandes
classificações, pondo em relevo as semelhanças que existem entre as
várias espécies, apenas separadas por uma característica distinta,
sugeria a ideia de uma evolução.

A paleontologia vegetal, ou estudo das floras antigas mercê dos


restos fósseis, contribuiu, no início do século XIX, para numerosos
conhecimentos de apoio a esta tese, conduzidos, nomeadamente, por
Adolphe Brongniart.

No final do século XIX, Gustave Thuret observava o processo da


fecundação numa alga, a bodelha. Pouco tempo antes, ao fazer
observações na ervilheira, o monge Mendel descobrira as leis das
transmissões e das mu-
10
tações hereditárias; os seus trabalhos foram esquecidos, e as leis
que têm o seu nome voltaram a ser descobertas no início do século
XX: nascera a genética.

Todas estas matérias esboçavam uma história do reino vegetal e das


suas espécies, enquanto Alphonse de Candolle e Henri Lecoq lançavam
as bases de uma geografia dos vegetais, ou fitogeografia.

A utilização de microscópios desde meados do século XVII


proporcionava um melhor conhecimento da complexa estrutura dos
vegetais. Porém, os seus progressos, desencadeando um aprofundamento
das observações, vão possibilitar, no início do século XIX, a
determinação da noção de célula, o elemento fundamental de todos os
tecidos, animais ou vegetais; são os primórdios da histologia, ou
ciência dos tecidos. A partir de
1800, Lamarck passou a usar uma palavra nova - biologia -,
aplicando-a ao estudo dos processos vitais dos reinos animal e
vegetal. Nomeadamente os progressos da química, e em especial os da
química da matéria viva, ou bioquímica, iriam possibilitar a
identificação e isolamento dos componentes activos das plantas
medicinais. Redescobrem-se a dormideira dos Egípcios e a quina dos
Incas, mas conhecendo-se agora o segredo da sua acção sobre o corpo
humano.

Assim, no começo do século XIX, o químico alemão Sertilrner isola a


morfina do ópio extraído da dormideira; em 1817, os farmacêuticos
Pierre Joseph Pelletier e Joseph Bienaimé Caventou extraem a emetina
da raiz da ipeca; em 1818, a estricnina da noz-vómica, e,
finalmente---em 1820, a quinina da quina. A partir de então,
aprende-se a reconhecer as virtudes terapêuticas de uma planta em
função dos compostos químicos que contém, e não das semelhanças que
Paracelso julgara ter notado.

Muitos destes compostos podem actualmente ser reproduzidos


artificialmente por síntese. Quererá isto dizer que as plantas, ao
perderem o seu mistério, perderam também a sua utilidade? Será
crível que os esforços do Dr. Cazin, no século XIX, ou do Dr.
Leclerc, no século xx, para defender e tornar célebre a fitoterapia,
estão condenados ao malogro? Assim não será, por diversos motivos.
Por um lado, determinados compostos químicos descobertos nas plantas
e utilizados em medicina não podem, por vezes, ser reproduzidos por
síntese; por outro, alguns produtos de síntese só podem ser obtidos
por meio de *precursores+ vegetais. Assim, por exemplo, as plantas
exóticas como o sisal e o inhame fornecem a matéria-prima básica
indispensável para fabricar depois, por semi-síntese, algumas
hormonas como a cortisona e os seus derivados. Finalmente, a droga
vegetal é um produto vivo, de onde se deve concluir que esta
*terapêutica suave+ é mais bem tolerada pelo organismo do que as
substâncias inteiramente sintéticas.

A medicina pelas plantas: um longo percurso que não está ainda


próximo do fim ...
A fábrica vegetal

As plantas verdes utilizam a água do solo, a energia solar e o gás


carbónico (Co2) do ar para fabricar glúcidos (açúcares). Esta
transformação de compostos orgânicos sob a acção da energia solar
chama-se fotossíntese e dá-se ao nível das folhas, nos cloroplastos,
que contêm a clorofila. A partir dos glúcidos, formam-se as reservas
energéticas e os compostos secundários: lípidos, essências e
heterósidos.

A célula vegetal, como qualquer célula


viva, respira, absorvendo oxigénio (o2) e expelindo dióxido de
carbono (Co2). Durante o dia estas trocas gasosas são mascaradas
pelas da fotossíntese. Desta actividade resulta, de dia, uma forte
emissão de oxigénio e, durante a noite, uma ligeira libertação de
dióxido de carbono.

Por um outro processo, as plantas verdes utilizam sais minerais e


nitratos, que absorvem pela raiz, para sintetizar prótidos e
alcalóides.
11
Os componentes activos das plantas

O metabolismo da planta verde produz principalmente glúcidos


(açúcares) e prótidos. Uma fracção dos glúcidos é seguidamente
transformada em diversos compostos, sendo os lípidos os mais
importantes para a planta. Contudo, o metabolismo fornece também
vários corpos secundários utilizados pelo homem para fins
terapêuticos; trata-se dos heterósidos, dos alcalóides, dos óleos
essenciais e dos taninos. Os vegetais fornecem também vitaminas,
oligoelementos e antibióticos.

Os heterósidos. Estes compostos são formados pela associação de um


glúcido e de um corpo não açucarado chamado genina, ou aglícona.
Pensa-se que as geninas são meros produtos de excreção e, nesse
caso, podem ser tóxicas para a planta, pelo que os glúcidos se lhes
associariam para as neutralizar, formando um heterósido não tóxico.
Deste modo, o loureiro-cereja produz heterósidos cianogenéticos. A
genina destes heterósidos, o ácido cianídrico, é um veneno violento
para o ser humano e do qual se deve recear. Grande número de
heterósidos tem aplicações medicinais: é o caso da digitalina, um
cardiotónico muito eficaz, ou do salicósido, precursor da aspirina.
Os heterósidos classificam-se segundo a natureza da sua genina, como
se indica no quadro a seguir.

Os alcaloides. São compostos azotados cuja função na planta está mal


esclarecida, pois pensa-se que se trata de produtos de excreção. A
sua química é complexa e classificam-se, segundo a composição do seu
núcleo, em cerca de 15 grupos diferentes. Encontram-se em diversas
partes, consoante a planta: a nicotina é sintetizada nas raízes da
planta do tabaco, mas acumula-se somente nas folhas. A dormideira
contém os alcalóides no fruto, os da quina estão na casca e os do
cafèzeiro na semente. Desde que se isolou a morfina do ópio, no
início do século XIX, os alcalóides (então chamados álcalis
vegetais) suscitaram o interesse da medicina,pois a sua acção no
organismo humano tem um efeito importante: actuam em doses reduzidas
e de um modo muito específico sobre uma determinada função do
organismo. Actualmente, conhecem-se mais de 1000 e calcula-se que 15
a 20% das plantas com flores ,contêm alcalóides. Só o látex que
escorre da cápsula imatura da papoila do ópio contém mais de 25 de
diversos tipos. Os alcalóides são frequentemente amargos. O seu
forte efeito torna o seu uso perigoso, e a posologia deve ser muito
cuidadosa. Alguns gramas de folha de cicuta podem provocar a morte.
Não deve esquecer-se a taça que foi fatal a Sócrates! Da estricnina
à efedrina, da teofilina à emetina, os alcalóides constituem a mais
importante fonte dos medicamentos naturais.

Os óleos essenciais. São também resíduos do metabolismo da planta.


Podem surgir como essências propriamente ditas ou misturadas com as
resinas. Estas apresentam-se sob a forma de emulsões que tendem a
formar pequenas gotas. Frequentemente, a planta escoa-as para o
exterior por meio de canais excretores. As essências, que são
voláteis, difundem-se através da epiderme das folhas e das flores.
Estas emanam por vezes um aroma muito forte e são responsáveis pelos
perfumes dos vegetais. As essências são compostos terpénicos, sendo
os terpenos longas cadeias de um hidrocarboneto dietilénico, o

ALGUNS HETERóSIDOS E SUA CLASSIFICAÇÃO

Tipo de heterásido

Heterósidos cianogenéticos

Heterósidos fenólicos

Heterósidos cumarínicos

Heterósidos esteróides

Heterásidos flavónicos

Exemplo de heterásido

Amigdalósido

Salicásido

Melilotósido

Digitoxina

Quercetósido

Genina, ou aglícona

Nitrilo mandélico

Saligenina

Cumarina

Digitoxigenina

Quercetol

Origem >vegetal

Amendoeira (amêndoa amarga)


Salgueiro-branco (casca)

Meliloto (parte aérea)

Dedaleira (folhas)

Carvalho (casca)

isopreno. Como os isoprenos podem combinar-se uns com os outros de


diversos modos, a variedade de essências é considerável. Quanto às
resinas, estão normalmente dissolvidas nas essências e apenas
aparecem sob a
forma de resíduo viscoso ou sólido quando estas se volatilizam. Por
esta razão, quando os óleos essenciais que exsudam naturalmente do
tronco do pinheiro atingem o exterior, as essências volatilizam-se e
deixam um resíduo viscoso - a resina. O haxixe é uma resina extraída
do cânhamo indiano. Os óleos essenciais têm uma acção anti-séptica
que retarda a putrefacção da madeira. São muito utilizados em
farmácia, como, por exemplo,
os rebentos de pinheiro impregnados de resina, com acção eficaz na
desinfecção das vias respiratórias.

Os taninos. São compostos fenólicos bastante diversos que coram de


castanho-avermelhado os órgãos que os contêm. Pensa-se que se trata
também de resíduos do metabolismo. Algumas espécies acumulam grande
quantidade de taninos: mais de 20% do peso seco do lenho de
quebracho, árvore originária da América do Sul, são constituídos por
taninos que, aliás, são utilizados na indústria de curtumes, pois
têm a propriedade de tornar imputrescíveis as peles de animais. O
tanino utiliza-se como reagente químico e, em medicina, como
adstringente e antiveneno. Existem outros corantes vegetais com
propriedades medicináis. É o caso dos flavonóides, pigmentos
amarelos afins dos taninos, utilizados para tratar a fragilidade dos
vasos capilares.

Vitaminas, elementos minerais, antibióticos. As plantas fornecem os


catalisadores bioquímicos indispensáveis que o organismo humano não
pode sintetizar - as vitaminas. Encontram-se em misturas
equilibradas nos frutos e legumes frescos.

Dos vegetais pode extrair-se também um grande número de elementos


minerais indispensáveis ao organismo: azoto, cálcio, potássio,
sódio, etc. Alguns destes elementos encontram-se em quantidades tão
pequenas no organismo humano, sem deixarem no entanto de ser
necessários, que se chamam oligoelementos: é o caso do zinco, ferro,
cobalto, cobre, manganés, lítio, césio, níquel, molibdénio, flúor,
etc. Um homem que ronde os 70 kg de peso tem aproximadamente 4,2 g
de ferro, dos quais 3 g na hemoglobina, 2,2 g de zinco e O,28 g de
manganés. As plantas fornecem misturas equilibradas de quase todos
os oligoelementos. Existem também diversos vegetais que produzem
antibióticos: a penicilina extrai-se de um fungo. As essências
sulfuradas do alho, alguns heterósidos da mostarda e alcalóides do
golfão, também possuem propriedades antibióticas.

As partes das plantas utilizadas em terapêutica

As substâncias activas não se encontram uniformemente distribuídas


pelas diferentes partes da planta. As que são utilizadas designam-se
por fármacos vegetais. A folha, base de todas as sínteses químicas,
é a parte mais utilizada, pois produz os heterósidos e a maior parte
dos alcalóides. O caule é apenas uma via de circulação entre as
raízes e as folhas, podendo conter componentes activos,
especialmente na casca. O alburno, parte do caule situada entre o
cerne e a casca, tem normalmente propriedades terapêuticas: é o caso
da tília, em que tem uma acção hipotensora. O lenho também pode ser
útil: o da bétula produz carvão vegetal. O caule termina numa gema
onde se localizam todas as potencialidades vegetativas da planta,
sendo esta um caule completo em miniatura. Algumas gemas são anti-
sépticas, como, por exemplo, as do pinheiro. Ao nível do solo
existem também caules especializados em armazenamento. São os
rizomas, os tubérculos e os bolbos. A sua missão essencial é
assegurar a sobrevivência das gemas durante o Inverno, após o
desaparecimento das folhas. Os tubérculos das batatas aumentam de
volume devido às moléculas glucídicas, o amido. As essências
sulfuradas acumulam-se nos bolbos do alho e da cebola. A raiz
absorve no solo a água e os sais minerais que envia para as folhas.
Armazena com mais frequência açúcares, e também vitaminas, podendo
ainda conter alcalóides. A flor possui a nobre missão de transmitir
a mensagem hereditária. Como está frequentemente repleta de
componentes activos, é muito apreciada em fitoterapia. As pétalas
coloridas são ricas em pigmentos: a corola da giesta contém
flavonóides, e a rosa-vermelha, taninos. As flores de alfazema são
muito ricas em essências. Geralmente, colhem-se as inflorescências
terminais. A mistura das pequenas folhas e dos pedúnculos florais
forma as sumidades floridas. Os pedúnculos florais também se chamam
pés: os de cereja e os estiletes do milho sã o diuréticos. O pólen é
rico em vitaminas e em oligoelementos. Se as flores não são
colhidas, transformam-se em frutos. Os frutos das umbelíferas, os
aquénios, contêm óleos essenciais. Além de outros, são normalmente
utilizados os aquênios do funcho, do anis e do cominho. Os frutos
carnudos constituem uma reserva de vitaminas, de ácidos orgânicos e
de açúcares. A cor violeta do arando, por exemplo, deve-se a um
pigmento próximo dos flavonóides, com forte actividade de vitamina
P. É também um antidiarreico com acção sobre certos bacilos
intestinais. A semente é um reservatório autónomo que contém os
alimentos necessários à futura planta, e nela se distribuem
harmoniosamente os glúcidos, os lípidos e os prótidos. A semente
fornece o amido e a maior parte dos óleos vegetais. As plantas
primitivas, que não têm flores, produzem esporos para se
multiplicarem. Estes são pequenos grãos amarelados semelhantes ao
pólen. Os esporos do licopódio, por exemplo, são utilizados em
pomada para tratar as irritações da pele.

Nem sempre as drogas vegetais são plantas ou partes delas; podem ser
secreções como as resinas e as gomas. A secreção viscosa alojada sob
a casca do azevinho - o visco - usa-se na confecção de cataplasmas
para produzir a maturação dos abcessos e dos furúnculos.
13
Léxico das propriedades medicinais das plantas

Absorvente. Nome dado ao medicamento que absorve os líquidos ou os


gases tanto em uso interno (tubo digestivo) como externo (feridas
supurativas).

Adípógeno. Propicia a acumulação de gorduras e, consequentemente, o


aumento do tecido adiposo.

Adsorvente. Que fixa à superfície uma substância líquida ou gasosa,


propiciando assim a sua eliminação.

Adstringente. Contrai os tecidos, os capilares, os orifícios e tende


a diminuir as secreções das mucosas. As plantas adstringentes são
frequentemente anti-hemorrágicas e podem provocar obstipação.

Afrodisíaco. Aumenta a potência e o desejo sexuais. Nenhuma planta é


efectivamente afrodisíaca.

Alérgeno ou alergénio. Susceptível de provocar reacções alérgicas.

Amargo. Estimula o apetite e activa as funções gástricas. As


chamadas plantas amargas também são aperitivas, tónicas e
frequentemente febrífugas. Devem o nome ao gosto que possuem.

Anabolizante. Promove o aumento de peso corporal por acréscimo do


anabolismo proteico.

Analéptico. V. Estimulante.

Analgésico. Calmante da dor.

Anestésico. Suprime a sensibilidade. A sua acção pode ser local ou


geral; neste caso, a consciência enfraquece, podendo mesmo ser
anulada.

Anorexigénio. Que reduz o apetite.

Antálgico. Combate a dor, quer ao nível do órgão dorido, quer do


sistema nervoso central.

Antianémico. Combate a anemia mediante um fornecimento de vitaminas


e minerais (ferro) que ajudam o sangue a reconstituir o seu teor em
glóbulos vermelhos.

Antidiabético. V. Hipoglicemiante.

Antidiarreico. Combate a diarreia devido a uma acção adstringente,


adsorvente, desinfectante ou moderadora do trânsito intestinal.

Antiescorbútico. Combate o escorbuto por meio de vitaminas,


especialmente a vitamina C.

Antiespasmódico. Descontrai certos músculos doridos. Ao actuar sobre


o influxo nervoso que comanda o ritmo da contracção muscular, acalma
espasmos e convulsões.

Antiflogístico. Reduz as inflamações, opondo-se às reacções naturais


do organismo.

Antigaláctico ou antilactagogo. Reduz a secreção do leite.

Antigotoso. Combate a gota, impedindo a formação de ácido úrico ou


baixando o seu teor sanguíneo.

Anti-helmíntico. V. Vermífugo.

Anti-hemorrágico. Impede a hemorragia,


14
facilitando a contracção dos capilares sanguíneos ou favorecendo a
coagulação do sangue.

Anti-infeccioso. V. Anti-séptico.

Anti-inflamatório. V. Antiflogístico.

Antilitiásico. Impede a formação de cálculos nas vias biliares ou


urinárias ou facilita a sua dissolução.

Antinauseoso. V. Antivomitivo.

Antinevrálgico. Combate as dores produzidas no trajecto dos nervos


sensitivos. Existem antinevrálgicos específicos, como, por exemplo,
a essência de cravinho, que, em aplicação externa, alivia as dores
de dentes.

Antipirético. V. Febrífugo.

Anti-séptico. Destrói os germes ou inibe o seu desenvolvimento, pelo


que evita o contágio; serve para desinfectar as feridas e certos
órgãos. O eucalipto e o pinheiro, por exemplo, são anti-sépticos das
vias respiratórias.

Anti-sudorífico. Diminui a secreção do suor.

Antitérmíco. V. Febrífugo.

Antiffissico. V. Béquico.
Antiulceroso. Melhora o estado das úlceras digestivas, quer baixando
o teor de acidez, quer protegendo a mucosa.

Antivomitivo. Combate as náuseas de origem nervosa ou espasmódica.

Aperitivo. Contém princípios amargos que estimulam o apetite e


preparam as operações digestivas.

Aromático. Contém óleos essenciais muito odoríferos. Os aromáticos


são tónicos, estimulantes e algumas vezes também estomáquicos.

Bactericída. V. Anti-séptico.

Balsâmico. Contém bálsamos que suavizam as mucosas respiratórias.

Béquico. Acalma a tosse e as irritações da faringe.

Calicida. Em aplicação externa, amolece e


facilita a extirpação dos calos.

Calmante. V. Sedativo.

Cardiotónico. Reforça, retarda e regulariza os batimentos do


coração.

Carminativo. Favorece a expulsão de gases do tubo digestivo. As


plantas carminativas são também geralmente aromáticas e
estimulantes,

Cicatrizante. V. Vulnerário.

Colagogo. Contrai a vesícula biliar, estimulando a evacuação da


bílis do canal colédoco para o intestino.

Colerético. Estimula a secreção da bílis pelo fígado, facilitando


assim a digestão dos corpos gordos.

Cordial. Activa a circulação do sangue e estimula as funções


digestivas.

Depurativo. Purifica o sangue, facilitando a eliminação dos resíduos


mediante uma acção diurética, laxativa ou sudorífica.

Desodorizante. Encobre ou remove os cheiros desagradáveis.

Detersivo. Limpa as feridas e as úlceras, facilitando assim a sua


cicatrização.

Diaforético. V. Sudorífico.
Digestivo. Auxilia a digestão, facilitando a actividade do estômago.

Diurético. Favorece a depuração do sangue, eliminando as toxinas que


este contém. Alguns diuréticos aumentam a excreção dos cloretos e
são úteis em caso de edema, outros a da ureia e outros ainda podem
simplesmente aumentar, durante algumas horas, o volume de urina.

Drástico. Provoca contracções enérgicas do intestino, com forte


evacuação de fezes.

Emenagogo. Facilita ou aumenta o fluxo menstrual.

Emético. Provoca vómitos, possibilitando o esvaziamento do estômago


em determinados casos de envenenamento.

Emoliente. Exerce um efeito calmante sobre a pele e mucosas


inflamadas.

Esternutatório. Provoca espirros.

Estimulante. Excita a actividade nervosa e vascular. Há estimulantes


específicos de certos órgãos, como, por exemplo, do tubo digestivo
ou do coração.

Estomáquico. V. Digestivo,

Eupéptico. V. Digestivo.

Eupneico. Regulariza a respiração e desobstrui as vias


respiratórias, Expectorante. Facilita a expulsão das secreçõ es
brônquicas e faríngeas.

Febrífugo. Combate a febre ou evita os seus acessos.

Fluidificante. Torna as secreções brônquicas menos espessas e,


portanto, mais fáceis de expelir. Alguns fluidificantes têm uma
acção depurativa do sangue.

Galactagogo. Facilita ou activa a secreção do leite durante a


lactação.

Hemolítico. Destrói os glóbulos vermelhos, provocando por vezes


icterícia e anemia.

Hemostático. Faz parar as hemorragias, quer por uma reacção


vasoconstritora, quer por meio de factores coagulantes (vitaminas K
e P).

Hepático. Auxilia as funções digestivas do fígado e da vesícula


biliar, especialmente a secreção e a evacuação da bílis.

Hipertensor. Provoca a elevação da pressão sanguínea nas artérias,


frequentemente devido a um efeito estimulante.

Hipnótico. Causa sono, quer por acção directa sobre o hipotálamo,


quer por uma acção sedante geral do organismo.

Hipocolesterolemiante. Baixa o teor de colesterol no sangue,


reduzindo os perigos da arteriosclerose.

Hipoglicemiante. Faz baixar o teor de glicose no sangue.

Hipotensor. Provoca um abaixamento da tensão arterial.

Insecticida. Mata determinados insectos. Geralmente, os componentes


activos estão contidos em óleos voláteis.

Laxativo. Facilita a evacuação, das fezes, quer aumentado o seu


volume, quer estimulando o movimento peristáltico do intestino.

Lenimento. V. Emoliente.

Lenitivo. V. Emoliente.

Mucilaginoso. Contém glúcidos que intumescem com a água, formando


uma solução viscosa, a mucilagem.

Narcótico. Provoca um sono pesado e artificial que frequentemente é


acompanhado de um entorpecimento da sensibilidade.

Oftálmico. Utilizado para tratar algumas afecções dos olhos e das


pálpebras.

Parasiticida. Que destrói parasitas (insectos, ácaros, vermes).

Peitoral. Exerce uma acção benéfica no aparelho respiratório. As


plantas béquicas e expectorantes são peitorais.

Purgante. Laxante forte que acelera o peristaltismo e irrita, por


vezes, a mucosa intestinal.

Refrescante. Acalma a sede e baixa a temperatura do corpo. As


plantas ácidas, que têm propriedades antiflogísticas, são também
refrescantes.

Relaxante muscular ou miorrelaxante. Descontrai os músculos,


acalmando as contracções por acção revulsiva e antiespasmódica.

Remineralizante. Que permite, pelo fornecimento de sais minerais e


oligoelementos, reconstituir o equilíbrio mineral do organismo.

Resolutivo. Facilita a resolução das tumefacções e inflamações,


possibilitando que os tecidos do organismo regressem ao seu estado
normal.

Revulsivo. Em uso externo, provoca a vermelhidão da pele acompanhada


de calor. Em uso interno, contribui para o descongestionamento dos
órgãos.

Rubefaciente. Produz a irritação e vermelhidão da pele.

Sedativo. Acalma e regulariza a actividade nervosa.

Sonífero. V. Hipnótico.

Sudorífico. Estimula a transpiração.

Tonicardíaco. V. Cardiotónico.

Tónico. Exerce uma acção fortificante e estimulante sobre o


organismo, diminuindo a fadiga.

Tranquilizante. V. Sedativo.

Vasoconstrítor. Provoca a contracção do calibre dos vasos


sanguíneos. Vasodilatador. Dilata os vasos sanguíneos, provocando a
turgescência dos tecidos irrigados.

Vermífugo ou vermicida. Expulsa os vermes do intestino. Utilizam-se


diferentes espécies de plantas, consoante o tipo de verme que é
necessário combater (áscaris, oxiúros ou ténia).

Vesicante. V. Rubefaciente.

Vomitivo. V. Emético.

Vulnerário. Contribui para a cicatrização das feridas, bem como para


o tratamento das contusões.
15
O reino vegetal compreende uma infinita variedade de formas, o que
pode fazer supor que o seu surpreendente capricho impede qualquer
classificação. Contudo, apesar da sua prodigalidade, a Natureza
actua segundo determinados modelos: o conhecimento destes e a
descoberta das suas relações mútuas são produto do estudo de
gerações sucessivas de cientistas, cuja preocupação comum foi
"compreender a ordem oculta sob a aparente diversidade e interpretar
a exuberante riqueza do reino vegetal.

Descartes, considerado, sob diversos aspectos, como o iniciador do


progresso das ciências modernas, escreveu: *As longas cadeias de
raciocínios, todos simples e fáceis, de que os geómetras costumam
servir-se para efectuar as mais difíceis demonstrações haviam-me
convencido de que todas as coisas que podem ser objecto do
conhecimento dos homens se interligam do mesmo modo."

A botânica seguiu a via indicada por Descartes para todas as


ciências do pensamento. O resultado deste longo esforço de
classificação e de correlação pode resumir-se a um quadro
classificativo.

Cada planta é considerada como pertencente a um certo número de


categorias subordinadas hierarquicamente e em que a espécie
constitui a unidade básica. As principais categorias são as
seguintes: espécie, género, família, ordem, classe e divisão. Estas
unidades podem definir-se, dizendo que cada uma delas é um conjunto
de unidades imediatamente inferiores. Exemplo: um gênero é um
conjunto de espécies; uma família é um conjunto de géneros. Se nos
limitarmos às plantas incluídas neste livro, não encontraremos mais
do que uma centena de famílias: Labiadas, Umbelíferas, Compostas,
Liliáceas, etc. A espécie, último termo da escala de classificação,
estabelece a identidade de um vegetal, impedindo qualquer confusão
com outra espécie. Os géneros de unia família têm um aspecto muito
diferente, enquanto as espécies de um mesmo género se assemelham,
pelo que pareceu lógica a attibuição a cada planta de dois nomes: um
que define o género, e outro, a espécie.

Para saber efectuar estas classificações, isto e, identificar


correctamente cada uma das plantas encontradas, é ainda necessário
éstudar e saber distinguir as suas partes constituintes: raiz,
caule, folha, flor, inflorescência e, finalmente, o fruto. As
caracterís~ ricas de cada uma destas partes, a sua disposição
relativa, a eventual inexistência de uma ou de várias,
possibilitarão o reconhecimento de cada espécie. Os fetos não têm
nem flor nem fruto; as folhas da gíesta-de-

16

-espanha são tão pequenas e dispersas que, à primeira vista, parecem


não existir; a cuscuta não lança as raízes no solo para se
alimentar, implantando os sugadores noutros vegetais que parasita;
uma determinada planta pode apresentar um caule oco e uma outra um
caule maciço. há plantas com flores isoladas e outras com cachos,
espigas e umbeIas. É necessária uma atenção extremamente minuciosa,
embora, para além disso, e deva estar familiarizado com os segredos
da organização vegetal.

Satisfeitas estas condições, será então possível ir para o campo,


onde se fará uma vez mais a descoberta de que o acaso não é
positivamente uma lei do mundo vegetal. Não é por acaso que se
realiza a distribuição geogr4fica das diferentes espécies, não é o
acaso que controla a distribuição aparentemente infinita das formas,
De facto, cada planta necessita, para se desenvolver, de condições
de solo e de clima muito especiais. Se umas necessitam de sombra,
outras, pelo contrário, procuram a luz. Não existe, aliás, nenhuma
região do Mundo, tórrida ou fria, seca ou húmida, de planície ou de
montanha, que não constitua o habitat privilegiado de qualquer
espécie vegetal, e as substituições são a maioria das vezes
inviáveis. Assim, seria impossível transplantar para regiões mais
hospitaleiras espécies que procedem de zonas aparentemente áridas e
hostis. Deverá, portanto, apreender-se os princípios rigorosos que
regem a implantação geográfica das espécies e as suas migrações.
Descobrir-se-ii que, tal como acontece

com as espécies animais, as espécies vegetais têm um habítat


específico e rigorosamente circunscrito. Seria um erro supor 1

primeira vista que uma planta deixou o seu próprio habitat para
escolher outro. Seguindo estes princípios, evitar-se-ão graves
confusões.

Cada espécie tem urna época própria colheita. Assim, determinados


períodos d ano são propícios à recolha e outros não pelo que se
inclui nesta obra um calendári de colheita que indica as estações
mais fav ráveis, o qual poderá ser consultado nas pp
38-39.

0 estudioso pode agora situar uma plan não só no reino vegetal, pela
determinaçdo seu gênero e espécie, como também

a n espaço geográfico, pelo conhecimento d seu biótopo, e até no


tempo, utilizando calendário. Finalmente, deverá conhecer técnicas
elementares de colheita e conseri, ção e os utensílios, tão simples,
necessári para a colheita. Poderá então começar o s trabalho.
16
As 100 famílias

Esta lista, baseada na classificação precedente, reagrupa por


famílias as plantas espontâneas, cultivadas e tóxicas segundo o nome
popular mais conhecido.

O sinal a indica as plantas tóxicas


*//* deverá ser visto com o livro, a lista que se segue.
Abietáceas

Abeto-brart o Pinheiro-bravo Pinheiro-silvestre Acantáceas

Acanto Amarilidáceas

Narciso-trombeta Anacardiáceas
O Fustete Apocináceas
O Loendro

Pervinca Aquifoliáceas

Azevinho Aráceas

Cálamo-aronlâtico Diefenbáquia
O Jarro Araliáceas

Hera-trepadora Aristoloquiáceas

Aristolóquia Ásaro

Berberidáceas

Uva-espim Betuláceas

Armeiro Aveleira Bétula (vidoeiro) Borragináceas

Aljôfar Borragem Buglossa Cinoglossa Consolda-maior Não-me-esqueças


Pulmonária Buxáceas

Buxo

Campanuláceas

Rapúncio Canabináceas

Cânhamo Lúpulo Caparldáceas

Alcaparreira Caprifoiláceas

Engos Madressilva Noveleiro Sabugueiro Viburno Carioffiáceas


Arenária Morugem Saboeira Celastráceas

Evónimo Cetrariáceas

Líquen-da-islândia Compostas

Abrotano Abrotano-fêmea Açafroa Alcachofra Alface Alface-brava-maior


Almeirão Arnica Artemísia Arternísia-dos-alpes Avoadinha Baisamita
Bardana Bonina

Cardo-de-santa-maria Cardo-estrelado Cardo-santo Carlina Çersefi


Enula-campana Escorcioneira Estragão Eupatória Fidalguinhos Girassol
Lapsana Losna Maccia Maravilhas Matricária Milfálio Pé-de-gato
Petasite-oficinal Pilosela Piretro Santónico Tanaceto Taráxaco
Tasneirinha Tupinambo Tussilagem Vara-de-ouro Convolvuláceas

Bons-dias Crassuláceas

Conchelos Erva-dos-calos Saião-curto Crticíferas

Agrião Bolsa-de-pastor Colza Couve Eruca Erva-alheira Erva-das-


colheres Erva-de-santa-bárbara Erva-sofia Goiveiro Juliana Mastruço
Mostarda-negra Rabanete Râbano Rábano-rústico Rinchão Cucurbitáceas

Abóbora Coloquíntida Melão Norça-branca Pepino Pepino-de-são-


gregório Cupressáceas

Cipreste Sabina Tuia-vulgar Zimbro Cuscutáceas

Linho-de-cuco

Dioscoreáceas

Norça-preta Dipsacáceas

Cardo-penteador Morso-diabólico Droseráceas

Rorela

Efedráceas

Éfedra Eleagnáceas

Hipofaé Equisetáceas

Cavalinha Ericáceas

Arando Arando-de-baga-vermelha Medronheiro Urze Uva-ursina


Escrofulariáceas
Becabunga
O Dedaleira

Escrofulária-nodosa Eufrásia Graciosa Verbasco Verónica Euforbiáceas


O Ésola-redonda

Eufórbia-marginada Mercurial Poinciana Rícino

Fagáceas

Carvalho Castanheiro Faia Fucáceas

Bodelha Fumariáceas

Fumária

Gencianáceas
Fel-da-terra Genciana Geraniáceas

Erva-de-são-roberto Gigartináceag

Musgo-da-irlanda Ginkgoáceas
O Ginkgo Globulariáceas

Globulária Gramíneas

Arroz Aveia Centeio Cevada Grama Milho Milho-miúdo Trigo

Hipericáceas

Hipericão Hipocastanáceas

Castanheiro-da-íridia,

Iridáceas

Açafrão Lírio-amarelo-dos-pântanos Lírio- florentino

Juglandáceas

Nogueira

Labiadas

Agripalma Alecrim Alfazema Basílico Betónica Búgula Carvalhinha


Dictamo-de-creta Erva-cidreira Erva-férrea
Escórdio Estaque Galeopse Hera-terrestre Hissopo Hortelã Hortelã-
pimenta Manjerona Marroio Marroio-negro Melissa-bastarda Néveda
Nêveda-dos- gatos Orégão Salva Salva-esclareia Segurelha Serpão
Tomilho Urtiga-branca Larninariáceas

Laminárias Lauráceas;

Loureiro Leguminosas

Acácia-bastarda Alcaçuz Alfarrobeira


0Codesso

Cornichão Ervilha Fava Feijão Feno-grego Galega Gatunha Giesteira-


das-vassouras aGiesteira-de-espanha

Lentilha Meliloto Sene-bastardo Soja Tremoço Vulnerária


Lentibulariáceas

Pinguícula Licopodiáceas

Licopódio Liliáceas

Açucena Alho Alho-porro Cebola Ceboleta Cebolinha


0Cólquico

Espargo-hortense Gilbarbeira Lírio-dos-vales


0Pariseta

Salsaparrilha-indígena Selo-de-salomão Veratro Lináceas

Linho Litráceas

Salgueirinha Lorantáceas

Visco

Malváceas

Alicia Malva Menjantáceas

Trevo-d'água Mirtáceas

Eucalipto Murta Moráceas

Amoreira Figueira

Ninfeáceas

Golfão
Olcáceas

Alfenheiro Freixo Jasmineiro Lilás Oliveira Onagráceas (Enoteráceas)

Epilóbio Onagra Orquidáceas

Satirião-macho osmundáceas

Feto-real Oxalidáceas
Aleluia

Papaveráceas

Celidónia Dormideira Papoila Passifloráceas

Passiflora Peoniáceas

Peónia Plantagináceas

Tanchagens Zaragatoa Poligaláceas

Polígala-aniarga Poligonáceas

Azedas Bistorta Labaçoi Pimenta-d'água Ruibarbo Sempre-noiva Trigo-


sarraceno Polipodiáceas

Avenca Escolopendra Feto-macho Polipódio Portulacáceas

Beldroega Primuláceas

Erva-dos-escudos Lisimáquia o Morrião

Primavera Punicáceas

Romãzeira

Quenopodiáceas

Acelga Armoles Beterraba Erva-formigueira Espinafre Quenopódio-bom-


henrique

Ranináceas

Armeiro-negro Espinheiro-cerval Ranunculáceas


0Acónito

Acteia Adónis-vernal Anémona-dos-bosques onsolda-real Erva-pombinha


Ficária Hepática Malmequer-dos-brejos
0Poinciana
Pulsátila
0Ranúnculo-acre

Vide-branca Rodomeláceas (Algas)

Musgo-da-córsega Rosáceas

Abrunheiro-bravo Agrimónia Alperceiro Arneixoeira. Amendoeira


Argentina Cerejeira Cerejeira-brava Cinco-em-rama Drias Erva-benta
Erva-ulmeira Framboeseiro oLoureiro-cerejeira

Macieira Marmeleiro Morangueiro Nespereira Pé-de-leão Pereira


Pessegueiro Pilriteiro Pimpinela Rosa-pálida Rosa-vermelha

Sanguissorba Silva Silva-macha Türmentila Tramazeira Rubiáceas

Amor-de-hortelão Aspérula-odorífera Erva-coalheira Ruiva-dos-


tintureiros Rutáceas
Arruda Bergamota Dictamo-branco Laranjeira-azeda Laranjeira-doce
Limoeiro

Salicáceas

Choupo-negro Faia-preta Salgueiro-branco Saxifragáceas

Groselheira Groselheira- negra Groselheira-vermelha Quaresmas


Solanáceas

Alquequenje Batateira
0Beladona

Beringela Dulcamara
0Erva-moura
0Espinheiro-alvar
0Estramónio
0Mandrágora
0Meimendro-negro

Pimentão QTabaco

Tomateiro

Taxáceas
O Teixo Tiliáceas

Tília Timeicáceas G Lauréoia-macha


O Mezereão Tropeoláceas

Chagas
Ulmáceas

Ulmeiro Uinbelíferas

Aipo Aipo-silvestre Alcaravia Âmio Angélica Anis-verde Canabrás


Cardo-corredor Cenoura Cenoura-brava Cerefólio
0Cicuta QCicuta-menor

Coentro cominho
0Embude

Endro Funcho Funcho-marítimo Imperatória Levístico Pastinaga


Pimpinela-magna Salsa Sanícula Urticáceas

Parietâria Urtigão

Veticrianáceas

Alface-de-cordeiro Valeriana Verbenáceas

Lúcia-lima Verbena Violáceas

Amor-perfeito-bravo Violeta Vitáceas Videira


IDENTIFICAR, COLHER, CONSERVAR

O baptismo de uma planta

Os cientistas tentaram desde a Antiguidade classificar as diversas


espécies vivas. Lineu, naturalista sueco do século XVIII, determinou
a noção de espécie e de género; o género é formado por espécies que
possuem características comuns e agrupam-se em famílias. As famílias
foram em seguida reunidas em ordens, as ordens em classes, as
classes em subdivisões, as subdivisões em divisões, formando o
conjunto o reino vegetal. Para a
nomenclatura, Lineu adoptou um sistema binário em que cada planta é
definida pelo nome do género e da espécie.

A nomenclatura

No decorrer de numerosos congressos de botânicos foi elaborada uma


nomenclatura, depois adoptada universalmente. Esta tem
progressivamente vindo a substituir as designações locais, pouco
concisas, permitindo uma classificação dos vegetais susceptível de
ser usada nas permutas internacionais. Adoptou-se o latim, que,
sendo uma língua morta, não está sujeito a deformações. Assim, cada
planta tem, actualmente, o seu nome erudito, possivelmente pouco
express ivo, porém mais estável do que as designações que lhe são
atribuídas nas diferentes regiões pelos que assistem ao seu
crescimento. Mesmo que se denomine, por exemplo, Arctosiaph -vIos
uva-ursi L. ou Taraxacum officinale Web., estes termos não
perturbarão o vulgar caminhante, e nos meios rurais continuarão a
chamar-lhe uva-ursina ou dente-de-leão. Porém, a designação dente-
de-leão não atravessa as fronteiras do território nacional, enquanto
Taraxacum é reconhecido em todo o Mundo.

Ao nome latino da planta segue-se, em abreviatura, o nome do


naturalista que pela primeira vez a descreveu. Neste livro figura
uma lista das abreviaturas dos nomes dos botânicos nele citados (v.
p. 19).

Paralelamente aos nomes científicos, existem inúmeros nomes


populares ou vernáculos, possivelmente mais expressivos em relação à
imaginação e à sensibilidade que o nome latino, uma planta pode ter
um ou
mais nomes vernáculos em cada região e vários na mesma região,
acontecendo ainda que um mesmo nome seja atribuído a várias plantas.
Um erro ou uma confusão, a própria devoção popular, o arrebatamento
de um doente confortado no seu sofrimento ou as semelhanças mesmo
superficiais estão frequentemente na origem de grande número de
nomes vernáculos. O alquequenje é também conhecido em França por
amor-prisioneiro, por ter o fruto encerrado no cálice. À dedaleira
também se chama luva-de-nossa-senhora, porque a corola tem a forma
do dedo de uma luva. Ao cornichão foi dado o nome de sapatos-do-
menino-jesus, porque o seu botão floral é delicadamente curvado e
bicudo. A Salvia sclarea L., outrora considerada como uma panaceia,
recebeu dos franceses o nome de boa-para-tudo; há, porém, outras
plantas botanicamente muito diferentes, como, por exemplo, espécies
do género Chenopodium, que possuem a mesma designação. Por vezes, o
humor também interfere: a norça-preta, Tamus comniunis L., foi
baptizada com o nome de erva-das-mulheres-açoitadas, pois a sua raiz
amassada curava as equimoses. Frequentemente, o nome popular é pouco
específico. Por exemplo, chama-se erva-do-carpinteiro a
algumas plantas em que se reconheceram propriedades hemostáticas,
porque este artesão era muitas vezes ameaçado por golpes e
hemorragias. Com este nome são simultaneamente designados a erva-de-
santa-bárbara e o milfólio.

Algumas desilusões terapêuticas podem ser atribuídas a confusões


provocadas pelos nomes populares. Para a erva-de-são-roberto,
Geranium robertianum L., têm sido propostas diferentes origens.
Segundo alguns estudiosos, o nome deriva da palavra latina ruber,
vermelho, pois o caule e os pecíolos, uma parte da folhagem e as
flores são avermelhados. Na Idade Média, chamava-se herba rubra e
mais tarde herba rubertiana; o u transformou-se em o, de onde herba
robertiana, que depois se tornou erva-de-roberto e erva-de-são-
roberto, em homenagem ao santo que no século XI fundou a Ordem de
Cister. Na vida do santo atribui-se-lhe uma cura milagrosa, e a
devoção popular deduziu que só com o Geranium poderia ter realizado
tal prodígio. Assim, só por acaso e capricho da História esta planta
pôde ser considerada como verdadeiramente medicinal.

Um outro ponto importante que merece uma explicação é o da origem do


género gramatical - masculino ou feminino - dos nomes das plantas.
Esse género não tem qualquer relação com o sexo das plantas, porque
a maioria possui estames e pistilo, sendo, pois, hermafroditas. No
entanto, por antropomorfismo, tornou-se hábito atribuir o género
masculino às espécies de aspecto sólido e maciço e o feminino às de
aparência delicada e frágil. É, por exemplo, o caso dos
17
fetos: o feto-macho, Eiryopterisfilix-mas (L.) Schott., e o feto-
fêmea, Athyrium filix-femina Roth. O erro é flagrante devido a uma
outra razão, pois um feto adulto não tem sexo; só os gametófitos
(protalos) resultantes da germinaçáo dos esporos são sexuados. O
aspecto das folhas da segunda espécie citada, mais delicadamente
recortadas que as da primeira, provocou esta atribuição do género
feminino, e a nomenclatura latina, como frequentemente sucede,
perpetuou este equívoco.

O modo científico de definir uma planta é atribuir-lhe o nome


latino, que pode ter as mais diversas origens. Uma personagem da
mitologia inspirou o nome do cardo-estrelado, Centaurea calcitrapa
L., que, segundo uma lenda, teria curado o centauro Quíron dos seus
ferimentos. A carvalhinha, Teucrium chamaedrys L., evoca um homem da
Antiguidade, Teucro, príncipe troíano a
quem se atribui a descoberta das virtudes medicinais da planta. Ao
baptizar as plantas do género Bartschia L., Lineu decidiu
imortalizar o nome do botânico holandês Bartsch, morto na Guiaria
aos 28 anos, em 1738. Lineu escolheu uma planta triste para
expressar a sua mágoa. Algumas vezes, o nome actual de uma planta
deriva directamente de um antigo nome vulgar. Ceterach officínarum
Wil]. provém da palavra árabe ceterach. O nome destaca por vezes uma
particularidade morfológica: o funcho, Foeniculum vulgare (Mili.)
Gacrtn., vem da palavra latinafoenum, feno, ou defuniculus, fio
delgado, numa alusão às suas folhas filiformes. O nome pode também
referir-se às virtudes medicinais: a tussilagem, Tussilagofarfara
L., por exemplo, deriva do latim tussis, tosse, e ago, eu expulso.
Uma infusão de flores de tussilagem acalma a tosse.

A classificação

Que espécie de planta é esta? Estas duas flores serão da mesma


espécie? Eis duas perguntas que qualquer pessoa pode fazer. Para
18
exemplificar, escolhemos uma planta bastante conhecida, o lírio-dos-
pântanos, com flores amarelas. Se colher alguns ramos, notará que
não são todos exactamente iguais: alguns têm mais 15 cm do que
outros; uns têm três flores abertas e dois botões, e outros têm
apenas uma flor. Excluindo estas diferenças individuais, trata-se
irrefutavelmente da mesma planta, também denominada ácor( -bastardo.
Estas variedades pertencem à mesma espécie, designada em latim por
iris pseudacorus L., sendo Iris o nome do género epseudacorus o da
espécie.

Ao percorrer outros locais húmidos ou, ao contrário, colinas áridas,


e nas proximidades de locais habitados, encontram-se outras plantas
com o mesmo aspecto geral, o mesmo porte, as mesmas folhas, a mesma
curvatura para cima das três pétalas da flor. Porém, a cor das
flores é diferente: na espécie florentina é branca; violeta na Iris
germanica; azul, violeta e esbranquiçada na Iris spuria, e azul-
clara na Iris pallida. Na totalidade, existem 17 espécies européias
com mais semelhanças entre si do que com os
gladíolos, Gladiolus L., ou com o açafrão, Crocus L. A fim de reunir
estas 17 espécies, constituiu-se o géneroIris L., que será definido
o melhor possível pelos pontos comuns de semelhança ou pelo conjunto
das características, sem, claro, mencionar a cor, visto que esta é
um mero elemento específico. Deve frisar-se que a noção de
semelhança tende cada vez mais a ser encarada pelos especialistas
num sentido lato, vinculando-a não apenas à morfologia externa, mas
também a grande número de características químicas.

O mesmo raciocínio é válido em relação a géneros próximos. Assim,


atende-se a características de semelhança menos precisas entre os
géneros Crocus L., Iris L. e Gladiolus L. para poder reuni-los
logicamente numa só família, as lridáceas. Poderá supor-se que teria
sido possível associar-lhes também os cólquicos, Colchicum L., que
se confundem facilmente com os Crocus L.; porém, essas aparencias
são ilusórias. Por outros motivos, os cólquicos estão agrupados na
família das Liliáceas. Contudo, as lridáceas e as Liliáceas têm em
comum um número suficientemente grande de características, o qual
permite a sua reunião na ordem das Liliales. Subindo assim na escala
da classificação, da ordem para a classe, da classe para a
subdivisão e desta para a divisão, poder-se-á estabelecer a ficha
sistemática do lírio-amarelo-dos-pântanos:

Espécie: pseudacorus L. (ácoro-bastardo, ou lírio-amarelo-dos-


pântanos).
Género: Iris.
Família: lridáceas.
Ordem: Liliales.
Classe: Monocotiledóneas.
Subdivisão: Angiospérmicas.
Divisão: Espermatófitas ou, segundo a designação antiga,
Fanerogâmicas.
Para identificar uma planta desconhecida com a ajuda de uma obra de
botânica ou de flora, é indispensável proceder em ordem inversa,
isto é, determinar primeiro a Adivisão, atendendo às características
que a definem, seguidamente a classe, a ordem, a família e, por fim,
no género Iris L., escolher entre as 17 espécies existentes nas
nossas regiões para encontrar o lírio- amarelo-
dos-pântanos.

Lista dos nomes dos principais botânicos e suas abreviaturas

A, Br. BRAUN Alexandre, 1805-1877.

Alemanha. Ali. ALLIONI Carlo, 1725-1804.


Itália. Andrz. ANDRZEIOWSKi Anton, 1785-1868.

Polónia. Aschers. AsCHERSON Paul Friedrich August,

1834-1913. Alemanha. Batsch BATSCH Auguste


Johann Georg

Karl, 1761-1802. Alemanha. Beauv. BEAUVOIs


Ambroise Marie François Joseph PALISOT DE, 1755-
1820. França. Benth. BENTHAmGeorge, 1800-1884.
GB. Berrili. BERNHARDI Johann Jacob, 17741850.
Alemanha. Boi kh. BORKHAUSEN Moritz Balthasar,

1760-1806. Alemanha. Br. R. BROWN Robert, 1773-


1858. GB. Burgsd. BURGSDORF Friedrich August
Ludwig von, 1747-1802. Alemanha. Chaix CHAix
Dominique, 1730-1800. Fr. Crantz CRANTz Heinrich
Johann Nepom

von, 1722-1797. Áustria. Cronq. CRONQUIST Arthur


John, nascido

em 1919. EUA. DC. DE CANDOLLE Augustin


Pyramus,

1778-1841. Suíça. Desf. DESFONTAINES, Renê


Louiche,

cognominado, 1750-1833. Fr. Duch. DUCHESNE


Antoine Nicolas, 17471827. França. Ehrh.
EHRHARTFriedrich, 1742-1795. AI. Endi.
ENDLICHER Stephan Ladislaus,

1804-1849. Áustria. Foslie FoSLIE Mikal


Heggelund, 18551909. Noruega. Gaertn. GAERTNER
Joseph, 1732-1791.
Alemanha. Gilib. GILIBERT Jean Etrimanuel,
17411814. França. Guim. GUNNERUS J. E., 1718-
1773. Nor. Haw. HAWORTH Adrian Hardy,
17681833. Grã-Bretanha. Hayek HAYEK August,
1871-1928. Áust. Herm. HERMANN Johann,
1738-1800.

Alemanha. Hili HILLJohn, 1716-1775. G13.


Hoffin. HOFI`MANN Georg Frariz, 17611826.
Alemanha. Houtt. HOUTTIJY1,1 Martinus, 1720-
1798.

Hotanda. Huds. HUDSON Williarti, 1730-1793. GB.


Hull HULL John, 1761-1843. G13. kicci.
JACQUIN Nicolaus Joseph, 17271817, Áustria. Koch ou K.
KOCH Karl Heiririch, 1809-1879. ou K. Koch
Alemanha. Kth. KUNTH Carl Sigismund,
17881850, Alemanha. Kuntzc KUNTZE OttO, 1843-
1907. AI. Kuitz KURTz Fritz, 1854-1920. AI.

LINNÉ Carl von, vulgarmente conhecido por Lineu, 1707-1778. Suécia.


Libill. LABILLARDIÈRE Jacques
Julien

HoUTTON DE, 1755-1834. Fr. Lam. ou Lamk. LAMARCK, Jean


Baptiste Antoine

Pierre de MONNET, cavaleiro de,


1744-1829. França. Larrix. LAMOUROUX Jean Felix
Vincent,

1779-1825. França. Latouiette LATOURETTE Marc


Antoine Louis

CLARET DE, 1729-1793. França. Leci s LEERS


Johann Damel, 1727-1774.

Alemanha. L'Hérit. L'HÉRITIER DE BRUTELLE Charies

Louis, 1746-1800. França. Lindi. LINDLEY John,


1799-1865. G13. Unk LINK Johann Heiririch
Friedrich,

1767-1851. Alemanha.

Loisel. ou Lois,

Lyngb.
Maxim.

Med. ou Medik.

Merr.

Mili. Moench Murr.

Murray

Mue11. Neck.

Osbeck Pall.

P. B. Peis.

Poir.

Poit. Poli.

Pres1

Raeusch.

R. Br. Rchb. Reichb. ou

Rchb. Rich. Reci. R@ss. Roth

Rotimi.

S. F. Gray

S. e Sm.

Salisb.

Schricid.

Schrad.

Schott

scop.

Sibth. Sieb. e Zucc.

Stri.

Soland.
Somm. Spreng. Trev. Tul.

Vahl viii.

Vis. Web. Willd.

LoiSELEUR-DESLONGCHAMPS Jean

Louis Auguste, 1774-1849. Fr. LYNGBY1E Hans Christian, 17821837.


Dinamarca. MAximowicz Karl Johann, 18231891. URSS. MEDIKUs Friedrich
Casimir, 17361808. Alemanha. MERRILL Elmer Drew, 1876-1956.

EUA. MILLER Philip, 1691-177 1. GB. MOENcH Konrad, 1744-1805. AI.


MURRAY Johann Andreas, 17401791. Alemanha. MURRAY Ivan J- cerca de
1898.

EUA. MUELLER 1., 1828-1896. Suíça. NECKER Joseph Noêl de, 17291793.
França. OSBECK Pehr, 1723-1805. Suécia. PALLAS Peter Simon, 1741-
1811.

Alemanha. V. Beativ. PERSOON Christian Hendrich, 17551837. Alemanha.


POIRET Jean Louis Marie, 17551834. França. POITEAU Antoine, 1766-
1854. Fr. POLLARD Charles Louis, 1872--EUA. PRESI, Karl Boriwog,
1794-1852.

Checoslováquia. RAEUSCHEL Errist Adolpit, cerca de

1772. Alemanha. V, Br. R. V. Reichb, REICHENBACH Heiririch Goulieb

Ludwig, 1793-1879. Alemanha. RiCHAP,D Achille, 1794-1852. França.


REQUIEN Esprit, 1783-1851. Fr. Pisso J. Antoine,tem 1889.França.
ROTH Albrecht Wilhelra, 17571834. Alemanha. ROTHMALER Werner, 1908-
1962.

Alemanha. GRAY Samuel Frederik, 1766-1828.

Grã-Bretanha. SIEiTHORP John, 1758-1796, e SMITH James Edward,


1759-
1828. Grã-Bretanha. SALISBURY Richard Anthony, 17611829. Grã-
Bretanha. SCI1NEIDER Camillo Kari, 18761951. Alentanha.
SCHRADER Heiririch Adolf, 17671836. Alemanha. SCHoTT Heiririch
Wilheim, 17941865. Áustria. SCOPOU Giovanni Antonio,
17231788. Itália. SIBTHORF, John, 1758-1796. G13 SIEBOLD Philipp
Franz von, 1741866, e ZUCCARINI Joseph Gerhard, 1798-1848. Alemanha.
SMITH James Edward, 1759-1828.

Grã-Bretanha. SOLANDER Daniel Carl, 1736-1782,

Grã-Bretanha. SOMNIER Stefano, 1848-1922. It. SPRENGEL Kurt, 1766-


1833. AI. TREVIRANus L. C., 1779-1864. Ai, TuLASNE Edmond Louis
Rene,

1815-1885. França. VABI, Martin, 1749-1804. Din. VILLARs Dominique,


1745-1814.

França. VISIANI,Roberto de, 1801-1878. lt, WEBER Friedrich, 1781-


1823. AI. WILLDENow Karl Ludwig, 17651812. Alemanha.

19
Zona de crescimento

A raÍz

É a principal parte subterrânea do vegetal. Tem como funções


essenciais a fixação ao solo e a absorção da água com as substâncias
minerais exigidas pelo metabolismo vegetal. Muitas vezes acumula
reservas alimentares. Em certos casos, pode constituir a parte
activa da planta medicinal. Seguem-se as diversas formas que uma
raiz pode apresentar:

Sistema axial: raiz principal que emite raízes secundárias.


1. Raiz aprumada, em que se distinguem nitidamente uma raiz vertical
mais importante do que as outras, a principal, ou mestra, que
prolonga o eixo do vegetal, e raízes secundárias, emitidas
lateralmente e ramificadas em radículas. O colo é o ponto de união
da raiz com o caule. A coifa é a parte terminal das raízes e das
radículas. A água e as substâncias minerais penetram na planta
através de pêlos absorventes.
2. Raiz aprumada tuberosa ou tuberculosa, isto é, repleta de
reservas alimentares, Ex.: a cenoura, o rabanete.
20
3. Raiz aprumada velha. Ex.: o carvalho.

Sistema fasciculado ou fibroso: conjunto de raízes, todas mais ou


menos do mesmo calibre, que partem do colo e se dividem em feixes.
4. A maioria das raizes das Gramíneas, cereais ou plantas
forrageiras, são do tipo fasciculado. Ex.: o trigo.
5. Algumas raízes fasciculadas acumulam matérias de reserva (raizes
tuberosas). Ex.: a ficária, a dália.

Raízes adventícias: estas raizes desenvolvem-se directamente num


caule subterrâneo ou aéreo, lateralmente, e não no prolongamento do
caule ou sobre outra raiz.
6. Ao longo de um caule prostrado, as raízes adventícias
desenvolvem-se ao nível de cada um dos nós. Ex.: o serpão, a
verónica.
7. Num caule subterrâneo horizontal ou rizoma, as raizes
desenvolvem-se nos nós. Ex.: a urtiga-branca, a grama, o selo-de-
salomão.
8. As raizes adventícias desenvolvem-se numa estaca cravada na
terra. Ex.: o salgueiro.
21
O caule

Suporte das folhas, o caule contém os vasos condutores, sendo


essencialmente uma via de circulação através da qual se efectuam a
subida e a descida da seiva na planta. Apresenta-se sob duas formas:
aéreo e subterrâneo.

Caules aéreos: são o prolongamento da raiz acima do colo.


9. O caule aéreo erecto pode ser herbáceo e, portanto, flexível,
frágil e efémero, ex.: o trigo, o milho; ou lenhoso e, portanto,
rígido, robusto e perene como os das árvores, ex.: a faia, o
castanheiro.
10. O caule aéreo trepador não tem por vezes resistência suficiente
para se manter sem apoio. Prende-se então de diversas formas, por
gavinhas (a videira), por raízes laterais (a hera) ou pelos pecíolos
das folhas (a vide-branca).
11. O caule aéreo volúvel agarra-se a um suporte, enrolando-se à sua
volta. Ex.: a madressilva.
12. O caule aéreo rastejante, ou estolho, alonga-se rente ao solo e
enraíza nos nós, de onde nascem folhas, pedúnculos e
inflorescências. Emite outros estolhos, os quais se desenvolvem do
mesmo modo. Ex.: o morangueiro, a violeta, a búgula, a erva-de-são-
lourenço.
22
caules subterrâneos: são os rizomas horizontais ou oblíquos que
todos os anos produzem novos caules numa das extremidades e se
extinguem na extremidade oposta. Podem ser tubérculos, partes
dilatadas do caule repletas de reservas nutritivas, ou bolbos, cujo
caule está reduzido a um núcleo fibroso (prato). Tanto uns como
outros possuem as características que seguidamente se indicam.
13. O caule subterrâneo, também chamado rizoma, rasteja à superfície
do solo. Ex.: a urtiga-branca.
14. No rizoma são visíveis as cicatrizes dos caules aéreos do ano
anterior e o botão que dará origem aos caules do ano seguinte, os
quais terminarão em inflorescências. Ex.: o selo-de-salomão.
15. Caule subterrâneo dilatado e transformado em tubérculos (a). Não
confundir com raízes. Apresentam botões e pequenas escamas que são
as folhas transformadas (b). Ex.: a batateira.
16. Bolbo sólido, não apresentando escamas carnudas (a). Corte de um
bolbo (b). Ex.: a túlipa.
17. Bolbo com escamas carnudas. Ex.: a cebola.
23
A folha (1)

A folha é um órgão fundamental da planta, geralmente de forma


laminar e de cor verde, que está intimamente ligado ao caule ao
nível do nó. Devido ao seu pigmento verde, chamado clorofila, capta
as radiações vermelhas do espectro solar, acumulando assim energia
para a síntese dos hidratos de carbono, ou glúcidos, e ainda dos
prótidos o dos lípidos.

Os componentes activos das plantas medicinais são muitas vezes


sintetizados pela folha. Todas as outras partes verdes da planta,
caules jovens, bainhas, estípulas e brácteas, participam nesta
função foliar, mas em
menor proporção.

A folha pode apresentar-se sob diversos aspectos, entre os quais são


ainda possíveis formas intermédias.

Para classificar uma folha, devem ter-se em consideração diversos


aspectos como: situação, disposição sobre o caule, posição,
diferenciação, divisão, forma do limbo, forma da base e do vértice,
nervação, consistência, presença ou ausência de indumento.

A gema: é a origem de um rebento; contém um caule com folhas no


estado rudimentar, protegido ou não por escamas.
19. A gema terminal está situada na extremidade do caule. o rebento
ou a inflorescência que o caule produz na Primavera prolongarão esse
caule. A gema axilar está situada no ângulo superior do pecíolo e do
caule, isto é, na axila da folha. chegando a Primavera, tornar-se-á
um ramo axilar folhoso ou transformar- se-á num esboço de botão
floral ou de inflorescência. Ex.: macieira, pereira.
Limbo
24
Ligação da folha ao caule:
20. Tipo de folha inteira, simples, com um

pecíolo que a liga ao caule, o limbo e a sua face dorsal.


21. A folha já não é simples, mas trifoliada, isto é, composta por
três folíolos. A base do pecíolo tem dois folíolos simplificados
chamados estípulas.
22. Na folha invaginante das Gramíneas não existe pecíolo. Uma parte
do limbo envolve o caule, ou colmo, numa extensão variável: é a
bainha.
23. A folha sem pecíolo denomina-se séssil (a): o limbo pode
prolongar-se à volta do caule, formando uma espécie de orelhas -

auriculada (h), ou ao longo do caule - decorrente (c).


24. 0 pecíolo da folha peltada une-se num

ponto central da face dorsal do limbo. Ex.: conchelos.

Nervação: o limbo é percorrido por nervu-

ras, prolongamentos e ramificações do pecíolo, mais ou menos


salientes, que formam simultaneamente o seu esqueleto e o sistema de
condução da seiva. A disposição das ner-

vuras é geralmente constante num género ou

numa família.
25. Disposição das nervuras mais ou menos paralelas (folhas
paralelinérveas). Ex.: a tanchagem, plantas das famílias das
Liliáceas e das Gramíneas.
26. Uma só nervura no limbo, que ficou reduzido a uma agulha (folhas
uninérveas). Ex.: o pinheiro, o zimbro, o abeto.
27. As nervuras estão dispostas como os

dentes de um duplo pente (folhas peninérveas). Ex.: a faia, o


castanheiro.
28. As nervuras estão dispostas como os
dedos de uma mão aberta (folhas palminérveas). Ex.: a malva, o
rícino.
25
A folha (2)

A forma do limbo e dos seus recortes serve de base à seguinte


classificação:

Folhas simples: a folha comporta um só limbo, cuja margem pode


apresentar recortes mais ou menos acentuados.
29. Limbo inteiro; bordo sem recortes. Ex.: o lilás.
30. Limbo dentado; margem apresentando recortes pontiagudos Ex.: o
castanheiro, a urtiga.
31. Limbo crenado; margem com recortes arredondados. Ex.: o choupo-
negro.
32. Limbo lobado; margem com largos recortes que não atingem metade
da aba da folha. Ex.: o carvalho.

As folhas simples penatipartidas e penatissectas distinguem-se pela


maior ou menor profundidade dos recortes do limbo.
33. A folha penatipartida é peninérvea e os recortes ultrapassam
metade do limbo.
34. Na folha penatissecta, o recorte atinge a
nervura central.
35. Esquema de uma folha com recortes triplos (tripenatissecta).

Folhas compostas: a folha diz-se composta quando cada um dos


recortes, transformado

26
em folíolo, se mantém nitidamente individualizado em forma de uma
pequena folha frequentemente provida do seu próprio pecíolo
(peciólulo).
36. Diz-se penaticomposta quando os folíolos estão dispostos de cada
um dos lados da nervura, à semelhança das barbas de uma pena de ave.
Ex.: a galega.
37. Diz-se palmaticomposta quando os folíolos se dispõem como os
dedos de uma mão aberta. Ex.: o castanheiro-da-índia.

A disposição das folhas: as folhas podem estar dispostas ao longo do


caule de diferentes modos: opostas, alternas e verticiladas.
38. Folhas opostas: dispostas aos pares ao nível de cada um dos nós
em face umas das outras. Ex.: o buxo e plantas da família das
Labiadas.
39. Folhas alternas: uma em cada nó, isoladas e dispersas pelo
caule. Ex.: a tília.
40. Folhas verticiladas: dispostas em cada um dos nós em grupos de
mais de duas folhas em volta do caule. Pode haver num mesmo
verticilo três ou mais folhas inseridas ao mesmo nível, formando uma
coroa. Ex.: a aspérula.
41. Folhas em roseta: dispostas em círculos próximo da base ao nível
do solo. Ex.: a pinguícula, a primavera.
27
Estigma

A flor (1)

Corola

Cálice

Calículo

Peciúriculo

A flor, espécie de botão muito especializado, é o órgão de


reprodução sexuada de uma planta; é o principal meio, mas não o
único, de perpetuar a espécie. Provida de estames, órgãos
masculinos, e de um pistilo, órgão feminino, é hermafrodita, se bem
que por vezes contenha apenas os órgãos de um só sexo. Uma flor
denomina-se completa quando é formada por cálice, corola, estames e
um pistilo; se a flor não possui um destes elementos, denomina-se
incompleta. Na base do seu suporte, o pedúnculo, encontra-se uma
pequena folha, a bráctea, diferente das outras folhas. A flor
denomina-se séssil se não tem pedúnculo. Finalmente, uma flor
denomina-se regular se a sua simetria é radial’ou irregular se a sua
simetria é bilateral. As flores podem ser solitárias ou agrupadas,
formando então inflorescências de formas variadas.

Flor completa:
42-43. Uma flor completa está provida de perianto, constituído pelo
cálice e pela corola, de androceu, ou conjunto dos estames, e de
gineceu, ou pistilo, composto pelo estigma, o estilete e o ovário.
44. A flor vista da parte inferior apresenta o perianto, conjunto
formado pelo cálice, constituído por sépalas, e pela corola, formada
por pétalas, além do pedúnculo, ramo ou caule que lhe serve de
suporte.

O cálice: invólucro mais externo da flor, é formado por uma ou


várias sépalas, geralmente de cor verde, sendo por vezes reforçado
por um calículo, ou epicálice. As sépalas da açucena são da mesma
cor das pétalas, razão por que são denominadas petalóides.
28
45. Cálice dialissépalo: as sépalas apresentam-se livres em relação
umas às outras. Ex.: a morugem.
46. Cálice gamossépalo: as sépalas unem-se
num ponto do seu comprimento, formando um tubo. Ex.: a erva-
saboeira.
47. Cálice em que uma das sépalas tem a
forma de capacete. Ex.: o acónito.

A corola: invólucro interno da flor, é formada pelo conjunto das


pétalas. O papel da corola é importante: a coloração viva das
pétalas, o perfume que exalam e o açúcar dos nectários da base das
diversas pétalas atraem os insectos, que propiciam a fecundação. No
entanto, os nectários podem também situar-se nas folhas ou nos
pecíolos.
48. Corola dialipétala: as pétalas apresentam-se livres. Ex.: a
tormentila, a erva-benta.
49. Corola gamopétala: as pétalas estão unidas em todo o seu
comprimento, constituindo uma corola em forma de funil. Ex.: os
bons~dias, o lírio- dos-vales.
50. Corola com uma pétala munida de esporão. Ex.: a ancólia, a
violeta.

Flor regular: a que possui um eixo de simetria, isto é, todos os


planos que passam por esse eixo dividem a flor em duas partes iguais
(48). Ex.: a erva-benta.

Flor irregular: apresenta uma simetria bilateral, isto é, em relação


a um plano. Assim, apresenta um lado esquerdo e um lado direito (51,
52). Ex.: o amor-perfeito-bravo, o morrião-d'água.
53. Vista de frente, apresenta uma simetria bilateral.
54. Flor irregular com corola bilabiada, da qual duas pétalas formam
o lábio superior e três o lábio inferior. Ex.: a urtiga-branca.
29
A flor (2)
*//* esta página deve ser refeita
O androceu e o gineceu são os órgãos, respectivamente, masculino e
feminino de reprodução da flor.
55. Corte de uma flor do abrunheiro-bravo. Vêem-se as sépalas, as
pétalas, os estames e o pistilo. Os estames, cujo conjunto forma
androceu, são formados por um filete e uma antera. No centro da
figura observam-se o pistilo, ou gineceu, formado pelo ovário (parte
arredondada que contém os óvulos), estilete e o estigma. Este
androceu e esta corola são perigínicos, porque os estames e as
pétalas estão inseridos em volta do ovário, sobre o cálice (a). Se o
cálice e o ovár estão soldados, o ová rio denomina-se ínfer( sendo
as restantes peças florais epigínic@ (b).
56. O androceu e a corola são hipogínico porque os estames e as
pétalas estão inser dos abaixo do ovário, que se denomina súper(

O androceu: os estames contém o pólen, o seu número é geralmente


característica é uma família ou de uma ordem, Assim, m
Dicotiledóneas, os números mais frequente são 2 e 5 e os seus
múltiplos, enquanto m

Monocotiledóneas predominam o 3 e os seu múltiplos.


57. Um androceu é monadelfo quando c

filetes dos estames estão unidos quer na bas (a), quer em todo o seu
comprimento (b).
58. Um androceu é diadelfo quando em 1 estames 9 estão unidos pelos
seus filetes e permanece livre. Ex.: o cornichão.
59. Um androceu é designado por poliadel fo quando os estames se
encontram agrupa

30
dos em vários feixes. Ex.: o hipericão.
60. Um androceu é sinantérico quando os filetes estão livres e as
anteras se unem, formando um invólucro que é atravessado pelo
estilete. Flor ligulada do taráxaco (a); flósculo da bonina (b).
61. O androceu é didinâmico se apresenta 4 estames, dos quais 2 são
pequenos e 2 grandes. Ex.: a dedaleira.
62. Diz-se que um androceu é tetradinâmico quando em 6 estames 4 são
grandes e 2 pequenos. Ex.: plantas da família das Crucíferas.

O gineceu, ou pistilo, é um órgão mais variável e complexo que o


androceu. Possuí, pelo menos, um carpelo (55), constituído por um
ovário, um estilete e um estigma; porém, na generalidade, tem vários
carpelos, livres ou unidos entre si.
63. Pistilo composto por numerosos carpelos livres como na ficária
(a); na anémona (b), cada um deles termina por um longo estilete
plumoso.
64. Pistilo composto por 5 carpelos, livres no vértice e unidos na
base. Ex.: o acónito (a), o heléboro-negro (b).
65. Pistilo composto por 5 carpelos com ovários soldados e 5
estiletes livres. Ex.: o linho-bravo.
66. Pistilo composto por 3 carpelos inteiramente unidos, como na
açucena. O ovário com 3 lóculos prolonga-se por um estilete único
que termina por um estigma globuloso trilobado Ex.: a túlipa.
67. Pistilo com estigmas radiantes sobre um disco séssil, chamado
estigmatífero, que coroa o ovário. Ex.:+a a papoila ordinária.

Anteras soldadas
64 b

31
A inflorescência

A parte floral da planta é composta quer por flores solitárias, quer


por uma ou mais inflorescências. Este último termo designa um
conjunto de flores suportadas por um pedúnculo comum. Se existir uma
só flor na extremidade do pedúnculo, a inflorescência diz-se
solitária; se houver várias, toma o nome de grupada. Alguns autores,
porém, consideram inflorescências somente as gruPadas, Quanto ao
tipo, as inflorescências podem ser definidas, ou cimeiras, e
indefinidas. No primeiro caso, trata-se de uma

cujo eixo termina por uma flor, que é a primeira a abrir. No


segundo, pode haver ou

não um eixo. Os tipos principais de inflorescências indefinidas são


o cacho, a espiga, a umbela e o capítulo,
68. Planta com uma flor solitária.

0 cacho é uma inflorescência formada por um determinado número de


flores cujos pedúnculos são sensivelmente de igual comprimento e
estão fixados sobre um eixo, ou caule, que prolonga o pedúnculo do
cacho. Geralmente, não existem flores terminais.
69. Esquema do cacho (a). Exemplo de cacho com caule e pedúnculo: a
groselheira-vermelha (b).
70. No cacho composto, os pedúnculos laterais podem apresentar-se
também ramificados em cachos e presos ao caule (pedúnculo
ramificado) do cacho primário. Ex.: a videira.
71. Uma panícula é um cacho composto com pedúnculos muito compridos
e desiguais, em forma de pirâmide. Ex.: a artemísia.

A espiga é formada por um grupo de flores sésseis, isto é,


directamente unidas ao eixo,
72. Esquema de uma espiga simples.
73. Esquema de uma espiga composta.
74. A espiga pode ser densa, longa e pendente, chamando-se
amentilho. Ex.: a aveleira.
0 corimbo é uma falsa umbela. Cacho cujos pedúnculos florais são de
dimensões diferentes, sendo os da base mais compridos, mos-

trando as flores à mesma altura.


75. Esquema de uma inflorescência em corimbo simples, ex.: a pereira
(a), e com corimbo composto, ex.: o milfólio (b).
32
A umbela é uma inflorescência em que todos os pedúnculos de igual
comprimento se inserem num mesmo ponto do eixo principal. Por vezes,
existe um invólucro na base.
76. Esquema de uma inflorescência com umbela simples. Ex.: a
cerejeira (a), a hera (b).
77. Existem também umbelas formadas por umbelas mais pequenas
(umbélulas), como na maioria das Umbelíferas. Ex.: o canabrás.
78. Na inserção dos pedúnculos da umbela, uma coroa de brácteas
forma o invólucro. Ex.: a cenoura-brava.
79. A cúpula da glande do carvalho é um
invólucro formado por escamas resistentes situado na base do fruto
para protecção.

Um capítulo é um grupo de pequenas flores, geralmente sésseis,


reunidas numa dilatação do pedúnculo, o receptáculo.
80. Esquema de um capítulo (a); se a compararmos com a violeta (68),
a bonina (b) apresenta-se não como uma flor solitária mas como um
grupo de flores: cada uma das lígulas brancas periféricas é uma
flor, cada uma das papilas amarelas do centro é também uma flor. Só
as amarelas têm estames, formando um androceu sinantérico (60 b).
81. Outra forma de capítulo: o dos fidalguinhos. Sob o capítulo,
está uma folha de dimensões reduzidas - a bráctea. O invólucro do
capítulo é formado por outras brácteas.

O espadice (82) é uma espiga com eixo carnudo, terminada no jarro


por uma clava estéril e envolvida por uma bráctea membranosa, a
espata.

A cimeira é uma inflorescência cujos eixos principais terminam numa


flor, ramificando-se em um, dois ou mais ramos laterais.
83. Uma cimeira é unípara quando do eixo principal nasce um único
secundário que termina numa flor e origina novo eixo que floresce.
Se o desenvolvimento sucessivo dos eixos se faz sempre do mesmo
lado, a cimeira é escorpióide. Ex.: não-me-esqueças.
84. Se o desenvolvimento se efectua alternadamente de ambos os
lados, a cimeira é helicóide. Ex.: os lírios.
85. Uma cimeira é bípara quando cada uma das flores tem dois ramos
laterais terminados por uma flor. Ex.: a morugem-vulgar.

Flores femininas

82

81

33
O fruto

0 fruto é o resultado final da maturação do ovário fecundado; contém


os óvulos transformados em sementes aptas a germinar, pelo menos
após algum tempo, para dar origem a outra planta da mesma espécie.
Há duas categorias de frutos: carnudos e secos.

Fruto carnudo: as sementes estão geralmente encerradas numa polpa


suculenta rodeada por uma pele fina. A semente pode igualmente estar
encerrada num caroço, por sua vez também situado no interior da
polpa. Atingido o estado de maturação, o fruto desprende-se e cai.
86. Estes dois esquemas apresentam o core de dois frutos carnudos:
são drupas, pois a
semente está inclusa no endocarpo, ou caro-

ço; este está por sua vez imerso no mesocarpo, ou polpa, e o fruto
está rodeado por u epicarpo, ou pele. Ex.: a azeitona (a), a cereja
(b).
87. Por vezes, o caroço tem uma parede dura. Ex.: o pêssego.
88. 0 endocarpo pode, em vez de apresentar-se duro, ser coriáceo.
Ex.: a maçã.
89. Quando as sementes, ou pevides, estão directamente incluídas na
polpa, os frutos são bagas. Ex.: a uva.

Nos frutos secos, as sementes não estao geralmente imersas na polpa.


0 invólucro seco e frequentemente duro protege o fruto e pode ou não
abrir-se espontaneamente.

Fruto seco indeiscente: o fruto não se abre para libertar as


sementes; desprende-se, por vezes, com a ajuda do vento, e cai ao
solo. Após a deterioração do invólucro, surge uma plântula
resultante da germinação da semente.
90. No aquênio, a semente única não adere à parede. 0 aquénio é,
neste caso, como em muitas Compostas, encimado por um papilho que
facilita a sua dispersão pelo vento.
91. Nas Labiadas, produzem-se quatro frutos por flor, formando um
tetraquénio.
34
92. Nas Umbelíferas, os frutos são muitas vezes dois aquénios
gemulados, os diaquénios, provenientes de uma só flor.
93. A cariopse é um fruto cujas paredes aderem solidamente à semente
única, como nas Gramíneas.
94. A sâmara é um aquénio rodeado por uma asa membranosa. Ex.: o
ulmeiro.
95. Por vezes, duas sâmaras provenientes de uma só flor são
gemuladas (dissâmara). Ex.: o bordo-comum.

Fruto seco deiscente- abre-se espontaneamente na maturação para


libertar as sementes.
96. A vagem é um fruto seco deiscente proveniente de um só carpelo
(a); na maturação, abre-se por duas fendas longitudinais (b); as
sementes estão inseridas em cada um dos bordos da valva. Ex.: a
ervilheira.
97. A síliqua tem no meio um falso septo que contém as sementes. A
deiscência faz-se geralmente por quatro fendas longitudinais, duas
de cada lado. Ex,: o goi v eiro- amarelo.
98. A cápsula é um fruto seco que deixa sair as sementes quer por
válvulas (a), ex.: a violeta, quer por poros (b), ex.: a papoila-
ordinária.

Frutos múltiplos: provêm de flores com carpelos livres que dão


origem ao mesmo número de frutos secos ou carnudos.
99. Corte da framboesa onde se distinguem as drupéolas ligadas ao
receptáculo.
100. O morango tem um grande receptáculo com polpa espessa e
suculenta quando maduro, sobre a qual afloram numerosos aquénios.

Infrutescências: provém de ovários mais ou menos concrescentes das


flores de uma inflorescência.
101. Drupéolas da inflorescência da amoreira-negra.
102. Frutos unidos entre'si e com as suas brácteas. Ex.: o ananás.
103. O figo tem um receptáculo carnudo e suculento cuja cavidade
está interiormente revestida de flores.

35
Onde encontrá-la?

As plantas estão estreitamente ligadas ao seu biótopo, ou meio


ambiente; por meio das raízes, utilizam os recursos do solo, e
através dos caules e folhas, os da atmosfera. Existe um considerável
número de factores com grande influência no desenvolvimento da
planta.

A natureza física do solo e a sua riqueza em elementos fertilizantes


são condições primordiais. Efectivamente, além do ar com o oxigénio
e o dió xido de carbono, o solo é a fonte nutritiva da planta, que
nele encontra a água e os elementos minerais indispensáveis à sua
vida. Assim, o regime das águas tem interesse essencial, devido às
suas diversas fases, como as precipitações (chuva e neve), a
evaporação, a humidade atmosférica e o orvalho. A temperatura do ar
é o outro ponto essencial, pois está sujeita a modificações
consoante a exposição solar e a luminosidade, a duração dos dias e a
acção do vento.

As plantas são, indubitavelmente, mais dependentes do meio ambiente


do que os animais, pois estes podem deslocar-se para regiões mais
propí cias quando a sua evolução biológica é dificultada por
condições desfavoráveis. Contudo, a planta compensa quase sempre os
inconvenientes do seu imobilismo devido a uma grande capacidade de
adaptação.

Quando necessita de resistir à aridez e pobreza do solo, as raízes


desenvolvem-se a maior profundidade e ramificam-se mais,
possibilitando assim a exploração de vastas camadas de terra e de
subsolo. Se, pelo contrário, o solo tem um excesso de água, a planta
reage por uma abundante transpiração e exsudação. A luta contra os
ventos áridos e o frio traduz-se por uma diminuição do seu porte.
Nas regiões onde o Verão é curto e a neve permanece por longos
períodos, como na zona alpina, há um encurtamento do ciclo
vegetativo, que se completa mesmo sob a neve. Finalmente, algumas
plantas lutam para evitar a sua extinção, produzindo uma grande
quantidade de sementes. Mesmo assim, há muitas espécies que
desaparecem devido a biótopos demasiado ingratos, e por vezes é a
presença do homem que contribui grandemente para acelerar este
desaparecimento. Assim, os fidalguinhos, que cresciam nas searas e
eram considerados uma erva daninha, foram sistematicamente
combatidos com herbicidas, do que resultou a sua evidente
rarefacção.

Para o desenvolvimento das plantas medicinais são necessárias


condições de crescimento extremamente propícias, se bem que um
crescimento muito intenso seja susceptível de conduzir a uma
diminuição do teor de componentes activos.

As plantas medicinais devem ser procuradas e colhidas nos locais


onde crescem espontaneamente e em abundância, apresentando todas as
características de uma grande vitalidade. Citam-se alguns exemplos
de biótopos: a calta, ou mal mequer-dos-brej os, adapta-se sobretudo
às margens dos pântanos e aos prados muito húmidos, encontra do-se
os seus caules quase sempre parcialmente imersos; a tussilagem
procura os terrenos argilosos, como as bermas das estradas e as
valas. As margens dos regatos tranquilos e dos pântanos são as zonas
escolhidas pelo ácoro-bastardo. A Dryas octopetala encontra-se junto
dos rochedos calcários das montanhas da Europa. A orvalhinha é uma
planta carnívora das turfeiras e dos pântanos, onde encontra
facilmente os insectos necessários ao seu desenvolvimento. 0 alecrim
só se dá nas charnecas e nos matagais da região mediterrânica, pois
é a aridez que mantém as suas propriedades aromáticas, cultivando-
se, no entanto, facilmente nos jardins de países tais como a França,
Espanha, Portugal e Itália. Outras plantas, como o visco, só se
encontram nas árvores que parasitam.

A frequência de plantas medicinais nos diversos meios que habitam é


variável. Em alguns casos é esporádica, sendo difícil prever a sua
migração, como, por exemplo, o aljôfar, o licopódio e o feto-real.
Estas plantas povoam quase sempre abundantemente o

seu novo biótopo. Pelo contrário, há outras plantas que são’


sedentárias, como a parietária, o taráxaco e as tanchagens. A
distribuição geográfica da planta pode ser um indicador do clima
mais propício ao seu desenvolvimento. Se determinada planta apenas
se encontra nas regiões mediterrânicas, pode concluir-se que este
clima é necessário à sua sobrevivência, e seria inútil procurá-la no
estado espontâneo num meio ambiente co o o da serra da Estrela; é
possível que ali exista, mas cultivada.

Há climas locais mais favoráveis que o clima regional onde se


manifesta uma ligeira diferença fenológica ou florística, isto >,
uma antecipação da floração para as plantas da região ou o
aparecimento de algumas espécies pouco frequentes que procuram
beneficiar de um aumento de calor e humidade.

0 teor em componentes activos nas plantas medicinais pode variar com


diversos factores, como, por exemplo, o local, a natureza do solo, o
perí odo de vegetação. É, assim, muito importante uma leitura
atenta`dos textos em caixa, a observação das fotografias do biótopo
de cada uma das plantas espontâneas estudadas nesta obra e uma
consulta cuidadosa do calendário da colheita: *As estações
favoráveis+ (pp. 38-39). Se o leitor tomar em consideração todas
estas indicações e características, ser-lhe-ão evitadas muitas
hesitações.
36
Colheita, secagem e conservação

Em primeiro lugar, dever-se-á determinar quais os simples, as


plantas medicinais que se desejam colher. A escolha da maioria das
pessoas recairá sobre as plantas necessárias ao uso doméstico. Quem
não prefere fazer
os seus próprios abastecimentos de tília, de hortelã-pimenta ou de
macela e deixar de comprar os saquinhos de aroma duvidoso e de
conteúdo suspeito?

Não seria lógico colher plantas sem utilidade e das quais algumas,
para cúmulo, fossem perigosas. É necessário ainda prever as
possíveis alterações provocadas pelo tempo, se bem que uma
conservação de vários anos se revele por vezes benéfica e quase
indispensável, como, por exemplo, a do amieiro-negro.

Assim, deverá colher todos os anos a quantidade a utilizar durante o


Inverno e destruir o que restar do ano anterior. Convém saber se os
simples que normalmente utiliza crescem perto da sua residência,
pois poderá também aproveitar as férias para alargar a zona de
colheita.

A colheita -- Após a escolha da colheita, é conveniente tomar um


certo número de precauções, confirmadas pela experiência. É
necessário identificar a planta sem hesitação quando esta ainda se
encontra no solo. Determinados erros em que se incorre no campo da
fitoterapia podem ter graves consequências.

Para evitar o apodrecimento, é essencial escolher um dia de bom


tempo e uma hora em que o orvalho esteja praticamente dissipado e as
flores abertas, por exemplo cerca das 9 ou 10 horas da manhã, ou no
fim do dia.

No desenvolvimento da planta há um período mais ou menos exacto em


que cada uma das partes contém o teor máximo de princípios activos
perfeitamente desenvolvidos.

De um modo geral, os caules colhem-se no Outono e os botões na


Primavera; a colheita das folhas faz-se no período que precede a
época da floração, altura em que são mais activas; as flores e as
sumidades floridas devem ser colhidas no início do seu desabrochar,
antes que as pétalas murchem e o
ovário dê origem ao fruto; os frutos carnudos e secos colhem-se na
maturação; quando a planta está seca, colhem-se as sementes; as
raízes desenterram-se fora do período de plena vegetação, isto é, no
Outono ou na Primavera; a casca retira-se durante quase todo o ano.

A floração é um período extremamente flutuante de espécie para


espécie. Assim, a tussilagem floresce entre Fevereiro e Abril,
surgindo em seguida as folhas e os frutos, e não dá mais nenhum
capítulo até ao Inverno seguinte, excepto em regiões de grande
altitude.

Para se orientar, consulte o calendário da colheita, que indica os


períodos favoráveis ou as *estações propícias+; podem ocorrer
variações de um mês, consoante a latitude e a altitude a que as
plantas se encontram.

Quando tiver identificado e referenciado a planta, é necessário não


cometer erros quanto à parte do vegetal a utilizar. Por vezes, usa-
se a planta inteira, mas geralmente apenas uma parte, como a raiz, o
caule, as folhas, as flores, a casca ou os frutos.

Finalmente, antes de ir para o campo, deverá munir-se de uma boa


faca de lâmina de aço, de uma pequena tesoura de podar, de fio e de
um cesto de vime sem tampa ou, em seu lugar, de um ou dois caixotes.

Simultaneamente à colheita, é necessário preparar a secagem em


condições apropriadas. As plantas que podem ser atadas em molhos,
por exemplo os caules folhosos da hortelã-pimenta e da erva-
cidreira, deverão ser preparadas do seguinte modo: atam-se cerca de
20 caules pela base com um fio, deixando livre um pé que tenha pelo
menos cerca de 20 cm. Deverá colocar cada um dos molhos no caixote,
de preferência ao sol, pois é extremamente vantajoso acelerar o
emurchecimento, primeira etapa da dessecação. Realizado rapidamente,
este emurchecimento diminuirá os perigos de fermentação se for
seguido de uma boa ventilação à sombra. Não é demais insistir que a
acção do sol, frequentemente preciosa nesta primeira fase, deverá
ser evitada, pelo menos no caso das plantas ricas em essências, como
as Umbelíferas ou as Labiadas, que, expostas ao sol, perderiam
muitos dos seus componentes.

A secagem -- À colheita sucede-se a secagem, que possibilita a


eliminação de uma certa quantidade de água retida pela planta. É uma
operação importante que deve ser realizada imediatamente. Assim,
antes ainda de dar início a
uma colheita, é necessário procurar um local apropriado e preparar
os meios para a secagem.

No decorrer desta operação, as espécies não devem ser misturadas;


por exemplo, uma planta aromática como a hortelã-pimenta não deve
juntar-se a uma planta sem perfume como o azevinho. As plantas
tóxicas não devem, sob nenhum pretexto, ser guardadas em casa. É
possível que um molho de plantas necessite de uma lavagem devido ao
pó ou à lama na folhagem; nesse caso, deverá proceder-se
imediatamente a uma seca
37
gem com ar quente, pelo menos até à fase do primeiro emurchecimento.
As próprias raízes devem, indispensavelmente, ser lavadas com muito
cuidado antes de serem postas a secar e, enquanto ainda estão
frescas, ser cortadas em fragmentos de 1 ou 2 cm. Esta operação deve
ser executada por dois motivos: os troços secarão mais rapidamente
que a raiz inteira e esta, depois de seca, seria muito difícil de
cortar.

A secagem, após um emurchecimento rápido, far-se-á à sombra, num


local bem arejado e seco. Um velho sótão, mesmo parcialmente repleto
de mobílias, ou um celeiro são óptimos locais de secagem. Se pelas
janelas ou frestas penetrarem na divisão alguns raios de sol, é
conveniente colocar, a certa distância, algumas serapilheiras
formando uma cortina que permita a circulação do ar, mantendo, no
entanto, as plantas à sombra.

Os molhos de plantas ou os ramos de árvores e de arbustos devem ser


pendurados, com a parte inferior para cima, em cordas ou arames
estendidos através da divisão à altura de um homem. As folhas e as
flores devem ser separadas do caule; os troços de raiz colocados,
sem os misturar, evidentemente, em caixotes cujo fundo foi
previamente forrado de juta. Ao mesmo tempo que deixa circular o ar
fresco vindo de baixo, este tecido segura os fragmentos, que
facilmente passariam pelos interstícios das tábuas do caixote. E
essencial que as camadas sejam finas; apenas devem ter 1 ou 2 cm de
espessura.

As bagas poderão ser colocadas numa grande caixa de cartão pouco


funda e de bordos muito direitos. Na altura da colheita, ficaram
certamente misturadas com restos de folhas; é fácil separá-las
inclinando adequadamente a caixa para que as bagas rolem para a
parte mais baixa e os detritos permaneçam no seu lugar. As bagas e
os frutos esféricos não necessitam, geralmente, de ventilação
inferior, pois a sua forma possibilita uma boa circulação do ar
fresco em redor. No decurso da secagem, todos os dias devem remover-
se levemente as camadas para que os elementos colocados a maior
profundidade entrem em contacto com ar renovado. A ventilação deve
ser suave, não sendo indicada uma corrente de ar muito forte. As
partes utilizáveis dos ramos deverão ser separadas logo de seguida,
especialmente no caso da tília, pois, devido às reservas de seiva
contidas nos ramos, a flor poderá transformar-se em fruto em vez de
murchar, o que seria desastroso, uma vez que a parte utilizada é a
flor seca. O mesmo sucede com a tasneirinha, que, se for colhida
antes de os capítulos estarem abertos e colocados em molhos
invertidos, pode cobrir-se de pequenos penachos brancos, as
sementes, que amadurecem rapidamente durante a agonia da planta.
Depois de formado o fruto, o vegetal perde grande parte do seu
valor.

A secagem permite, portanto, eliminar uma certa quantidade de água.


Uma planta de habitat terrestre contém cerca de 75 a
85% de água. Uma planta aquática pode ultrapassar os 90%.
Evidentemente que não é possível eliminar toda esta água. De facto,
mesmo quando se pensa que a planta está bem seca, contém ainda 10 a
12% de água, denominada de constituição, que só poderia ser
eliminada por meio de forte aquecimento. Há que contar, em média,
com uma perda de 50 a 90% em relação ao peso inicial. Por exemplo,
10 kg de plantas frescas das espécies a seguir indicadas dão, após a
secagem:

Golfão: 520 g; Borragem: 950 g; Tília: 3,200 kg; Sabugueiro: 3,300


kg; Verbena: 4,100 kg; Hipericão: 5 kg.

Além disso, a mesma planta colhida na Primavera perderá mais peso do


que se for colhida no Outono.
O tempo de secagem deve assim depender da quantidade de água a
eliminar e também da resistência da planta à evaporação. Nas
melhores condições, a secagem faz-se em 6 dias, e mais
frequentemente entre 10 e 12. Se o arejamento for suave, o único
inconveniente de prolongar a secagem é o perigo de acumulação de pó
nas plantas, pelo que é preferível não ultrapassar as três semanas.
Para avaliar o grau de dessecação das folhas e das flores, é
necessário que, ao tocar-lhes, não se sinta qualquer humidade e que
estejam rígidas, mas não quebradiças.

A conservação -- Quando estiverem bem secas, as plantas podem ser


conservadas, ao abrigo do ar, da luz, da humidade e do pó, em caixas
de **laU bem fechadas, em sacos de papel grosso fechados com uma
fita adesiva ou em saco de plástico. Se adoptar este último modo de
conservação, deverá ter muito cuidado e oito dias após a embalagem
das plantas observá-la com atenção. O mínimo depósito de vapor na
parte interna do saco indica que a dessecação não foi suficiente e
terá de ser concluída. Em cada uma das embalagen deverá colocar uma
etiqueta bem visível com o nome da planta e a data da colheita.

Não é conveniente cultivar os simples em sua casa. No entanto, se


tiver uma pequena horta, pode semear algumas plantas simultaneamente
condimentares e medicinais, como o cerefólio, a cebolinha, o
estragão, a manjerona, a salva, a salsa e o tomilho. É ainda
possível cultivar a macela, a hortelã-pimenta, e a erva-cidreira,
além dos legumes medicinais e de muitas outras plantas que, embora
menos activas do que as suas afins espontâneas, são de grande
utilidade.
40
Guia das plantas a conhecer

As plantas espontâneas

As plantas cultivadas

As plantas tóxicas

As plantas exóticas

43

305

337

349
As plantas espontâneas

Como utilizar o dicionário

As plantas espontâneas são apresentadas, por ordem alfabética, pelo


seu nom
vernáculo mais vulgarmente utilizado.

Sob esta designação figura, em itálico, o nome latino, seguido da


inicial do botânico que descreveu e deu o nome à planta.

Seguidamente, indicam-se os nomes vernáculos mais frequentemente


utilizados em Portugal e no Brasil.

A família a que a planta pertence está impressa a negro. Se quiser


saber quais as plantas afins de uma planta, consulte a lista de *As
100 famílias>, (p. viI e viii >

A gravura representa a planta descrita ou uma parte desta, se as


suas dimensões não permitem representá-la totalmente. A algumas
ilustrações foi acrescentado um pormenor, folha, flor, floração,
caule, semente, quando qualquer destes elementos constituía uma
informação importante que facilitasse a identificação.

A fotografia representa o biótopo, ou habitat geográfico da planta,


que possibi lita a sua procura e a sua identificação no meio onde é
mais frequente. O texto refere-se à história da relação homem-
planta.

No texto em caixa, na parte inferior da página, insere-se o *cartão


de identidade+ da planta, onde poderá encontrar todas as informações
úteis para a sua identificação e utilização, apresentadas do
seguinte modo:

* Componentes: consultar, nas pp.


e 13, *A fábrica vegetal+ para suas funções e definição.
* Propriedades: consultar nas pp. 14
15 as suas definições. U.l.: uso interno. UX.: uso externo. +
=utilização farmacêutica. V =utilização cosmética.
O =utilização veterinária. Ver: consultar, nas pp. 371-435,
termos inseridos no *Dicionário da saúde+.

O = Perigos, partes tóxicas, não confundir com ... Identificação:


descrição botânica do vegetal, dimensões, descrição do caule, das
folhas, das flores (cujo período de floração é indicado entre
parênteses), do fruto, da raiz, cheiro e sabor. Para as explicações
dos termos botânicos, consultar as pp. 20-35 do capítulo
"identificar, colher e conservar,> e, pp. 443-453, o *Glossário@>.
O Partes utilizadas: enumeração das partes utilizadas em fitoterapia
(o período da colheita é indicado entre parênteses).

Se, na presença de um vegetal, tiver dificuldades em identificá-lo,


deverá consultar em primeiro lugar o quadro dicotómico *As chaves da
classificação+ (pp . ), que, da morfologia da planta à família,
lhe possibilitará orientar a sua pesquisa. Em seguida, será
conveniente consultar o quadro *As 100 famílias+ finalmente, os
dicionários das plantas espontâneas, cultivadas e tóxicas.

Para facilitar a utilização dos dicionários, foi estabelecido um


índice (pp. onde se apresentam, por ordem alfabética, os nomes das
plantas, os nomes latinos e ainda os outros nomes vernáculos de
todas as plantas descritas ou citadas nestas três rubricas. As
siglas empregadas nesta parte são comuns ao conjunto da obra.
Abeto-branco

Abie.@ alba Mili.

Abeto-pectinado

Abietáceas

O abeto-branco já povoava a terra há 55 milhões de anos, e,


ultrapassando os formidáveis movimentos geológicos da era
quaternária, de descendência em descendência chegou até aos nossos
dias. Planta longeva que pode atingir os 800 anos, é uma magnífica
conífera. Pelo seu porte majestoso, o abeto-branco é sem exagero o
rei das florestas, perfeitamente piramidal, com enormes
ramos opostos regularmente abertos, estreitando-se para o vértice.
Estes grandes abetos formam frequentemente nas vertentes sombrias
dos maciços montanhosos cerradas florestas com sombras rectilíneas
que se estendem pelas encostas sem contudo atingir as planícies.
Outrora, os médicos utilizavam a terebintina com cheiro a limão
extraída da sua resina, mas actualmente esta substância foi posta de
parte, sendo substituída pela do pinheiro. Os fitoterapeutas
mantiveram-se fiéis não só à resina recente do abeto, mas também às
agulhas e aos gomos ainda fechados. Estes últimos, muito pequenos e
tão activos como os do pinheiro, são bastante difíceis de secar e
conservar, se bem que as suas importantes propriedades justifiquem
as precauções necessárias e uma atenta vigilância durante a
colheita. Têm cheiro levemente limonado e sabor ligeiramente acre.

Habitat: Europa Central e Meridional, montanhas; de 400 a 2000 m.


Identificação: até 50 m de altura. Árvore; tronco erecto, casca
lisa, esbranquiçada, seguidamente escurecida, ramos escalonados em
plano horizontal, concentrando-se no vértice com o decorrer dos
anos; gomos resinosos, agulhas simples, achatadas, dispostas em duas
filas, verde-escuras, lustrosas na página superior, persistindo
entre 8 e 11 anos; flores (Abril-Maio), monóicas, amentilhos
masculinos fixados na face interior dos ramos, amentilhos femininos
primeiramente vermelhos e depois
verdes e castanhos, formando em seguida longas pinhas erectas (16
cm), com brácteas acuminadas que caem com as sementes. Partes
utilizadas: agulhas, resina fresca, gomos (Primavera); secagem em
camadas finas.
O Componentes: óleo essencial, terebintina, provitamina A O
Propriedades: antiescorbútico, antiespasmódico, anti-séptico,
diurético, expectorante, revulsivo, sudorífico. U. L, U. E. + Ver:
banho, bronquite, cistite, enfisema, frieira, leucorreia,
menstruação, pé, sudação, úlcera cutânea, varizes.
43
Abrótano-fêmea

Santolina chama ecyparissus L. Guarda-roupa, pequeno-limonete,


roquete-dos-jardins

Bras.: santolina

Compostas

O aroma penetrante e intenso do abrótano-fêmea, a delicadeza do seu


aspecto aveludado e a harmonia dos seus caules finos encimados por
pequenos capítulos amarelos contribuíram para que os jardineiros o
elegessem como flor ornamental. No estado espontâneo, prefere o sol
mediterrânico, os rochedos e as encostas áridas, colonizando também
as campas e a terra dos cemitérios. Os etimologistas encontraram
para o seu nome duas origens possíveis: da palavra italiana santo,
santo, devido às suas múltiplas virtudes, ou da palavra grega
xanthos, amarelo, evocando a cor das suas flores. As sumidades
floridas, que se colhem em Julho, possuem uma acção estimulante,
estomáquica e emenagoga; são ainda antiespasmódicas, podendo também
ser utilizadas em infusão para as cólicas de estômago. Além disso, a
planta tem grande procura devido à acção vermífuga das suas
sementes, que podem substituir o sémen-contra, ou santónico,
medicamento obtido da variedade stechemanniana Besser de Artemisia
maritima L., das estepes do Turquestão Russo. Cazan receitava o
abrótano-fêmea para tratar a tinha. A denominação de guarda-roupa
foi-lhe atribuída porque, pendurado em ramos nos roupeiros e
armários, protege a roupa e o vestuário das traças.

Habitat: Europa, região mediterrânica, rochedos, colinas áridas e


calcárias; subespontâneo em algumas zonas da Beira Litoral,
Estremadura e Alentejo litoral; até 1000 m. Identificação: de O,20 a
O,50 m de altura. Vivaz, caule lenhoso na base, espesso, com
numerosos ramos erectos e pubescentes; folhas vilosas,
esbranquiçadas, pequenas, estreitas, penatifendidas, com dentes
obtusos; flores amarelo-douradas (Junho-Agosto), tubulosas, em
capítulos solitários, globosos, na extremidade dos ramos,
receptáculo vestido de brácteas interflorais; aquénio calvo com 4
ângulos, dos quais 2 são mais salientes. Cheiro intenso, sabor
amargo, acre e aromático. Partes utilizadas: sumidades floridas,
sementes e folhas (antes da floração); secagem errramos suspensos.
O Componentes: óleo essencial, resina, tanino, principio amargo O
Propriedades: antiespasmódico, emenagogo, estimulante, vermifugo@
LI. L, U. E. + Ver: fadiga, insectos, parasitose.

44
Abrunheiro-bravo

Prunus spinosa L.
Ameixeira-brava, acácia-das-alemãs

Rosáceas

Os abrunheiros-bravos formam, a partir de Março, nas falésias


marítimas, magníficas moi tas cor de neve repletas de ninhos de ave,
Plantas rústicas e invasoras, podem, se não forem controladas,
anexar vastíssimas áreas. Como o fra mboesei ro-selvagem, o seu
tempo de vida é aproximadamente igual ao do homem.

Os abrunhos, pequenas drupas redondas e azul-escuras, quando maduras


cobertas de uma pruína cerosa, são dotados de um encanto
irresistivel. Estes frutos não são comestiveis, mas raramente alguém
deixa de os provar, ao menos uma vez por ano, no Outono, para
saborear a sua aspereza. É necessário esperar que as primeiras
geadas moderem este gosto antes de colhê-los para a preparação de
licores ou aguardentes; as suas propriedades, adstringentes são
utilizadas em medicina, sendo indiferente que os
frutos estejam verdes, frescos, secos ou maduros. As flores, cujo
sabor a amêndoa amarga resulta da presença de uma substância
geradora de á cido cianídrico, são também utilizadas. A casca e as
folhas contêm igualmente esta substância; por esta razão, é
conveniente respeitar as doses indicadas. As folhas secas deste
arbusto são apreciadas por alguns fumadores de cachimbo. As flores
são colhidas em botão.

O Não ultrapassar as doses indicadas de cascas, flores e folhas.


Habitat: Europa, sebes, bermas; até 1600 m. Identificação: de 1 a 3
m de altura. Arbusto espinhoso; ramos patentes, vilosos quando
jovens, depois de um preto-brilhante; ramos espinhosos com folhas e
grande número de raminhos patentes (em ângulo quase recto), folhas
verde-escuras, pequenas, ovadas, serradas, pubescentes e em seguida
glabras, com pecíolo curto e estipulas vilosas; flores brancas
matizadas de cor-de-rosa (Março-Maio), antes das folhas, numerosas,
pequenas, pedunculadas, 5 sépalas campanuladas, 5 pétalas brancas, 1
estilete, numerosos estames, drupa azul-escura, glabra, recoberta de
uma camada cerosa (pruína), com caroço globoso quase liso; toiça com
turiões. Cheiro agradável; sabor áspero. Partes utilizadas: casca,
folhas, flores e frutos.
O Componentes: tanino, heterósidos, cianogenéticos, vitamina C O
Propriedades: adstringente, depurativo, diurético, laxativo,
sudorífico, tónico. U. I., U. E. kyj Ver: acrie, boca, crescimento,
cura de Primavera, fadiga, furúnculo,

45
Acácia-bastarda

Robinia pseudacacía L. Falsa-acácia, acácia-de-flores-brancas,


robínia

Leguminosas

Em 1601, Jean Robin, jardineiro do rei Henrique IV de França, que


tratava das plantas medicinais, recebeu, vinda dos montes Apalaches,
na América do Norte, uma semente que enterrou na Praça Dauphine, em
Paris. Trinta e cinco anos depois, a árvore nascida dessa semente
foi transplantada para o Jardim Botânico de Paris. Lineu baptizou a
planta com o nome de Robinia, em homenagem a Robin. Mais tarde, a
árvore tornou-se espontânea e difundiu-se por toda a Europa,
exceptuando o Norte, pois não suporta o frio, a humidade e sobretudo
os ventos, que quebram facilmente os seus
ramos e agitam com violência a sua bela copa. Tem preferência pelos
solos bem drenados, os quais, aliás, consolidam as suas raízes. As
abelhas têm uma preferência especial pelo rico néctar das flores da
acácia-bastarda. Com os cachos floridos podem preparar-se xaropes,
uma agradável água de toilette e um vinho tónico obtido pela
maceração de 15 a 20 g de flores em 1 1 de vinho tinto. As sementes
e a casca não devem ser ingeridas. A raiz é tóxica, não obstante ter
um sabor doce, pelo que deve ser proibida às crianças.

O Utilizar as sementes, a casca e a raiz apenas com receita médica;


cumprir as doses. Habitat: zonas temperadas da Europa, solos ricos e
profundos: em Portugal, cultivada como planta ornamental; até 700 m.
Identificação: de 10 a 30 m de altura. Árvore; tronco grosso,
ramificando-se bastante em baixo, ramos patentes, casca
profundamente gretada, ramos lisos; folhas grandes, imparipinuladas,
com 9 a 25 folíolos ovais, inteiros, tenros, com estipulas
transformadas em 2 espinhos persistentes entre os quais se dissimula
a gema; flores brancas (Maio-Junho), em cachos pendentes, cálice com
5 dentes, corola papilionácea vagem castanha, pendente, glabra, com
10 a l@ sementes duras; raizes vigorosas, que se prolon gam
horizontalmente, invasoras, com nodosidades. Cheiro penetrante e
aromático; sabor docE Partes utilizadas: flores (Maio-Junho) e
folhas.
O Componentes: heterásido, óleo essencial, enzima, compostos
cetónicos, tanino, pigmen tos flavónicos O Propriedades:
antiespasmódico, colagogo, emoliente, tónico. U. 1. + LN Ver:
anemia, cefaleia, estômago, fígado, indigestão.

46
Açafroa

Carthamus tinetorius L,

Aç afrão- bastardo, saflor, açafrol


Compostas

Planta tintorial tão importante como o índigo, esta espécie de cardo


com flores amarelo-alaranjadas, profusamente rodeadas de brácteas,
foi progressivamente abandonada desde a descoberta dos corantes
químicos. Originária do Oriente, subsiste no estado subespontâneo
nas searas do Alentejo, do Algarve e da Madeira.

A palavra Carthamus deriva do árabe kurthum, que, por sua vez,


deriva do hebraico kartami, tingir. Das flores resulta um primeiro
corante amarelo que não é apropriado para a tinturaria; segue-se-lhe
a cartamina, ou vermelho vegetal, que ainda é utilizado actualmente
pelos pintores e, na
Argélia, para o fabrico de cosméticos. Sob a designação de açafrão-
bastardo, as flores da açafroa já foram utilizadas em falsificações
de açafrão. As sementes, muito amargas, são, contudo, apreciadas
pelos papagaios, pelo que são também conhecidas por sementes de
papagaio. As folhas e as sementes contêm uma enzima que provoca a
coagulação do leite. Das sementes extrai-se um óleo que em algumas
regiões é utilizado para a iluminação e como purgativo, Largamente
cultivada na Índia, Hungria e Etiópia, é bastante rara no estado
espontâneo.

Habitat: Europa Mediterrânica, cultivada no Sul de França; taludes e


terrenos baldios. Identificação: de O, 10 a O,60 m de altura. Anual
ou bienal, caule glabro, ramificado; folhas serradas, espinhosas,
sésseis, ligeiramente amplexicaules, com rede de nervuras visível na
página inferior; volumosos capítulos isolados amarelo-alaranjados
(Julho-Setembro), emergindo de numerosas brácteas terminadas por um
apêndice celheado; aquénio escamoso-rugoso. Sabor amargo. Partes
utilizadas: folhas, flores (Julho-Setembro), sementes (Outubro).

O Componentes: glúcidos, lípidos, prótidos, celulose, enzima,


coagulante do leite (sementes), vitamina C (folhas), duas matérias
corantes, uma das quais a cartamina, ou vermelho vegetal (flores) O
Propriedades: purgativo. U. 1. + o Ver: intestino.
Acanto

A(-anthus moffis L.

Erva-gigante, gigante, branca-ursina

Bras.: acanto

Acantáceas

Bastante raro no estado espontâneo, o acan-

to é muito cultivado nos jardins corno planta ornamental pela


elegância das suas grandes flores brancas com veios apurpurados e
das suas folhas grandes e profundamente fendidas. Diz-se que a forma
das suas folhas, escuras e brilhantes, inspirou o escultor grego
Calímaco quando criou os motivos deco~ rativos do capitel coríntio.
0 acanto encon-

tra-se, aliás, em todo o litoral mediterrânico.

Os médicos da Antiguidade receitavam o

infuso da planta para numerosas finalidades. Dioscórides e Plínio


consideravam-na diurética, eficaz contra as irritações das vísceras
e até preventiva da tuberculose pulmonar. Na Idade Média, porém, o
acanto parece ter caído no esquecimento. Actualmente, é muito
utilizado para uso externo sob forma de banhos, cataplasmas,
compressas e gargarejos. Para que as flores conservem a sua máxima
eficácia, devem ser colhidas em plena antese e secas lentamente à
sombra. Pelo contrário, as folhas e as raízes devem ser secas em
estufas bastante quentes.

Habitat: Europa Mediterrânica, solos rochosos, entulhos; até 300 m.


Identificação: de 0,40 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule florífero,
erecto, robusto, com poucas folhas na base; folhas basais glabras,
muiHabrtat’ Eur o’ entu’ h os,até Idenlifi caÇão vaz, ca ulef1o
cas f o 1has na to grandes, pouco rígidas, profundamente fendidas;
flores brancas, frequentemente com estrias cor de púrpura (Julho-
Agosto), de 5 a 6 cm

de comprimento, sésseis, formando uma longa espiga de 4 a 6 fileiras


verticais muito diferenciadas, providas de uma bráctea espinhosa e
de duas bractéolas estreitas, cálice com 4 tobos desiguais, sendo o
supe ior muito grande

e violáceo; corola com um lábio inferior,comprido, papiráceo,


trilobado e 4 estames soldados à corola; cápsula castanha, lisa, de
deiscência explosiva, com 2 a 4 sementes grandes, castanhas e
brilhantes; toiça grossa com raizes grossas e esbranquiçadas. Partes
utilizadas: folhas recentes, flores, raiz.
0 Componentes: sais minerais, mucilagem, giúcidos, tanino,
substâncias amargas 0 Propriedades: aperitivo, colerético,
emoliente, vulnerário. U . I., U. E. Ver: anginas, contusão, dartro,
diarréia, digestão, picadas, queimadura.
Agrião

Nasturtium officinale R. Br.

Agrião-das-fontes, agrião-de-água

Para aproveitar ao máximo as importantes propriedades do agrião, é


necessário Utilizá-lo muito fresco e verde e lavá-lo previamente,
pois é susceptível de transmitir ao homem uma doença parasitária, a
distomatose. Se estas regras forem devidamente cumpridas, a planta
merece indubitavelmente a designação de *saúde do corpo+, que lhe é
atribuída nos meios rurais em França. É uma pequena planta vivaz,
aquática, cujo cheiro picante determinou o seu nome científico
Nasturtium, que deriva da expressão latina nasus tortus, nariz
torcido.

O agrião é uma planta de grande valor medicinal, pois a sua riqueza


em vitaminas e sais minerais confere-lhe propriedades de excelente
estimulante e antiescorbútico. A espécie cultivada tem as mesmas
propriedades. Para o encontrar em locais onde não é cultivado, são
necessários longos percursos pelos prados húmidos, até conseguir
colhê-lo numa nascente, numa fonte ou num pequeno regato. É
frequente encontrar próximo deste o falso-agrião, uma umbelífera
afim do aipo (Heloscyadium nodiflorum) que não é venenosa, sendo, no
entanto, aconselhável eliminá-la logo que identificada. As suas
flores estão dispostas em umbelas, e os seus folíolos dentados
adelgaçam-se progressivamente. Possui um sabor diferente do do
agrião.

O Interromper a utilização se surgir uma irritação dolorosa da


vesícula. Habitat: Europa; em Portugal, nos locais húmidos,
nascentes, regatos, valas; até 2000 m.

Identificação: de O,10 a O,80 m de altura. Vivaz, caule prostrado,


redondo, carnudo, glabro, parte inferior rastejante na água; folhas
verde-escuras, carnudas, glabras, pinuladas, com foHolos
arredondados ou ovais, sendo o terminal frequentemente maior; flores
brancas (Maio-Setembro), pequenas, em cacho denso, 4 sépalas iguais,
4 pétalas em cruz, 4 estames compridos e 2 curtos; síliqua curta
contendo 4
fileiras de sementes; raizes adventícias nas zonas rastejantes dos
caules. Cheiro picante; sabor picante. Partes utilizadas: caule com
folhas (Maio-Setembro). * Componentes: fósforo, ferro, iodo, cálcio,
heterósido sulfurado, vitaminas A, B2, C, E e PP O Propriedades:
depurativo, diurético, estimulante, febrífugo. U.l., U.E. + O Ver:
acne, apetite, boca, bronquite, cabelo, convalescença, dermatose,
escorbuto, fígado, pele, sarda.

49
AgrimÓNIA

Agrimonia eupatoria L. Eupatória, erv a- dos- gregos, erva-hepática

Bras.: agrimônia, eupatório

Rosáceas

Foram atribuídas ao nome do género várias etimologias gregas; de


facto, esta palavra pode derivar de agros, campo, e monias,
selvagem, em alusã o ao seu habitat, ou de argemone, mancha ocular,
evocando as propriedades oftalmológicas da planta. A designação
específica eupatoria pode ser referente a Mitridates Eupator, rei do
Ponto, que no
século 1 a. C. se supõe ter adoptado esta planta devido às suas
virtudes medicinais.

Conhecida desde a Pré-História, celebrizada na Antiguidade como


curativa dos venenos de serpente, das doenças de fígado, das
perturbações da visão e das falhas de memória, a agrimónia foi,
durante muito tempo, confundida nos textos escritos com a verbena.
Foram, porém, diferenciadas no século XV. Progressivamente, a planta
parece cair no

esquecimento, conservando, no entanto, até aos nossos dias os


créditos dos europeus do Norte, que consideram a sua infusão como um
tónico, e mantendo a reputação, entre actores e cantores, de ser o
anjo-da-guarda das suas vozes. Uma planta afim, a Agrimonia odorata
Mill., muito aromática, diferencia-se da agrimónia pela atracção por
locais sombrios e por ser totalmente desprovida de propriedades
medicinais.

Habitat: Norte da Europa, excepto nas regiões árcticas, solos


argilosos expostos ao sol; até
1000 m. Identificação: de 0,30 a 0,70 m de altura. Vivaz, caule
simples, viloso, erecto e cilíndrico; folhas pubescentes e
acinzentadas na página inferior, com estipulas amplexicaules de 5 a
9 folíolos oval- lanceolados, dentados, alternando com 5 a 10 mais
pequenos; flores amarelas (Junho-Setembro), em espiga alongada, 5
pétalas, 10 a 20 estames, 2 carpelos, cálice envolvido por um anel
de sedas assoveladas e gancheadas na extremidade, reunidas em vá~

rias ordens; 1 ou 2 aquénios cónicos; rizomas rastejantes grossos.


Cheiro levemente aromático; sabor acistringente e amargo. Partes
utilizadas: sumidades floridas, folhas mondadas (Junho-Agosto);
secagem à sombra.
* Componentes: tanino, óleo essencial, goma
* Propriedades: acistringente, anti-inflarnatório, cicatrizante,
diurético, resolutivo, vulnerário. LI. I., U. E. + o Ver: anginas,
contusão, diabetes, diarréia, entorse, enxaqueca, ferida, greta,
obesidade, rouquidão, voz.
Agripalma

Leonurus cardiaca L.

Cardíaca

Bras.: chá-de-frade, erva-rnacaé

Labiadas

O nome científico genérico da agripalma, Leonurus, é composto por


uma palavra latina, leo, leão, e uma palavra grega, oura, cauda.
Refere-se ao aspecto da sua inflorescencia. Quanto ao nome da
espécie, cardiaca, deriva da sua muito antiga reputação como
calmante das dores gástricas e cardíacas. Supõe-se, no entanto, que
a planta denominada kardiaca por Teofrasto não terá nada de comum
com a agripalma.

Oriunda, segundo se supõe, da Asia cerca do século Vii, a agripalma


difundiu-se seguidamente por quase toda a Europa, com excepção da
região mediterrânica. Planta de óptima reputação, foi cultivada no
século XV nos jardins dos mosteiros e mencionada por Ambroise Paré
100 anos depois; muito famosa e excessivamente louvada no século
XVIII, caiu progressivamente no esquecimento. É, contudo, muito
eficaz para perturbações cardíacas de carácter puramente nervoso
como as palpitações. Planta vivaz que se desenvolve à sombra das
sebes, tem porte erecto e piramidal e cresce nas casas em ruínas e
até nas ruas das aldeias, com as suas folhas verde-escuras
escalonadas ao longo do caule. O néctar das suas pequenas flores
cor-de-rosa atrai as abelhas.

Habitat: Europa, rara em Portugal e nas regiões mediterrânicas,


bermas dos caminhos, sebes, ruínas; até 1000 m. Identificação: de
O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, com caule rígido, de secção
quadrada, muito ramificado e folhoso; folhas verde-escuras por cima
e acinzentadas por baixo, pecioladas, serradas, recortadas,
possuindo as inferiores entre 5 e 7 pontas e as superiores apenas 3;
flores cor-de-rosa e púrpura (Junho-Setembro), em verticilos densos
ao longo de todo o caule, cálice com 5 dentes, sendo os 2 inferiores
curvados em forma de gancho, corola vilosa, com uma coroa interior
de pêlos. Cheiro intenso e desagradável, Partes utilizadas:
sumidades floridas (Junho-Setembro); devem ser utilizadas de
preferência frescas, pois as folhas escurecem com a secagem,
perdendo a eficácia.
O Componentes: óleo essencial, alcalóide, heterósidos, princípio
amargo, tanino O Propriedades: anti espasmódico, cicatrizante,
detersivo, emenagogo, expectorante, tónico. U. L, U. E. Ver:
bronquite, diarréia, ferida, menstruação, meteorismo, palpitações.
Aipo

Apium graveolens L.

A ipo-dos- charcos, aipo-dos-pântanos, aipo-silvestre,

salsa-do-monte Bras.: aipo-do-rio-grande

Umbelíferas

0 aipo-silvestre, cultivado a partir do século XVI, deu origem a


diversos produtos hortícolas conhecidos pelo nome de aipo e aipo-
nabo. 0 nome latino do aipo, Apiuni, deriva da palavra celta apon,
que significa água; efectivamente, esta planta aclimata-se bem nos
prados húmidos e nos solos impregnados de sal. Encontra-se na Europa
nas

proximidades dos pântanos salgados do Mediterrâneo, do oceano


Atlântico e no interior do continente próximo das fontes salinas. 0
aipo é conhecido desde a Antiguidade: os Egípcios, os Gregos, entre
os quais Homero, que o cita na Odisseia, e os Romanos reconheciam as
suas virtudes medicinais. Na Idade Média, foi progressivamente
utilizado como condimento, verdura e medicamento, pois acreditava-se
que podia curar a melancolia, acalmar as dores de dentes e,
sobretudo, beneficiar o funcionamento dos rins e do aparelho
urinário. Ainda actualmente, é esta a principal virtude atribuída à
planta, sobretudo nos meios rurais. A sua raiz faz parte da
composição de um xarope diurético, o xarope das cinco raízes, em
associação com raízes de espargo, funcho, salsa e gilbarbeira.

0 Não consumir a planta fresca. Habitat: Europa, solos salgados e


alagados até
100 m. Identificação: de 0,30 a 1 m de altura. Bienal, caule erecto,
cilíndrico, profundamente sulcado, glabro, oco e ramoso; folhas
verde-escuras, brilhantes, sendo as basilares pecioladas, divididas
em 5 segmentos ovais, e as superiores sésseis, com 3 segmentos mais
pequenos e estreitos; flores esbranquiçadas (Julho-Setembro),
pequenas, em umbelas pouco apertadas desprovidas de invólucro, por
vezes sésseis, com 6 a 12 raios desiguais, fruto cinzen-

to, glabro, com 5 costas filiformes; raiz aprumada, curta, castanha


na parte exterior, esbranquiçada no corte. Cheiro intenso e
característico; sabor muito aromático. Partes utilizadas: raiz,
folhas e frutos.
0 Componentes: óleo essencial, substâncias azotadas, oleorresina,
açúcares, cumarina, vitaminas B e C 0 Propriedades: carminativo,
depurativo, estomáquico, expectorante, febrífugo, resolutivo,
tónico. U. I., LI. E. + V Ver: albuminúria, artrite, contusão,
lactação, litíase, meteorismo, tez, tosse.
Alcaçuz

Glyeyrrhiza glabra L. Regoliz, regaliz, regaliz4, pau-doce, raiz-


doce

Bras.: madeira-doce, alcaçuz- da-europa

Leguminosas

Muitas pessoas experimentaram já mastigar o chamado pau-doce,


amarelo, fibroso e açucarado, obtido do alcaçuz. O género
Glycyrrhiza é constituído por cerca de uma dúzia de espécies,
distribuídas pelos cinco continentes; o alcaçuz é, porém, uma planta
mediterrânica, e os primeiros testemunhos da sua utilização
medicinal remontam ao Egipto antigo. Os povos antigos chamaram-lhe
raiz-doce, da palavra grega glukurrhidza, e apreciavam as suas
propriedades calmantes e o seu gosto suave.

A partir de 1950, descobriu-se que o alcaçuz tinha uma acção


benéfica nas úlceras do estômago. No entanto, os numerosos doentes
que o ingeriram em doses elevadas por longos períodos foram vítimas
de hipertensão arterial provocada pela planta. Para os grandes
consumidores de alcaçuz, geralmente os doentes de úlceras ou os
fumadores e alcoólicos que desejam mitigar as suas carencias,
existem comprimidos preparados em laboratório isentos da substância
que provoca aquela acção, o ácido glicirrízico, Ingerido em doses
moderadas, o alcaçuz não tem qualquer perigo.

O Não abusar do consumo. Habitat: Europa Meridional; em Portugal,


Beira, Estremadura e litoral do Alentejo; até 1000 m. Identificação:
de O,30 a 1 m de altura. Vivaz, caule erecto, estriado
longitudinalmente, robusto e oco; folhas pecioladas, compostas por
9 a 17 folíolos ovais ou oblongos, inteiros, verdes, viscosos na
página inferior; flores azul-claras ou lilás (Junho-Julho), em
cachos espiciformes cilindricos, pedunculados na axila das folhas,
cálice giboso, glanduloso, com 5 dentes, 2 lábios, corola
papilionácea, quilha aguda,
10 estames, dos quais 9 soldados e 1 liberto, estigma oblíquo; vagem
comprimida, linear, com 3 ou 4 sementes castanhas; rizoma tenhoso,
com turiões espessos, raizes finas > Partes utilizadas: raiz,
rizoma (Outono do terceiro ano); secagem ao sol.
O Componentes@ glúcidos, tanino, flavonóides, glicirrizina, ácido
glicirrízico, estrogéneos O Propriedades: antiespasmódico, béquico,
depurativo, digestivo, diurético, emoliente, expectorante, peitoral,
refrescante, tónico. U. I., U. E. + Lvi Ver: asma, boca, bronquite,
cistite, conjuntivite, espasmos, estômago, obstipação, tosse.

53
Alcaravia

Caruin carvi L.

Alcarovia, alcorovia, cherivia, cominhos-dos-prados,

alchirivia, alquirivia

Umbelíferas

Pequena umbelífera branca a que os Gregos chamaram karon e os Árabes


karwaia, e que na Idade Média era conhecida por carvi, encontra-se
geralmente em climas frios. Conhecido na Antiguidade devido às suas
virtudes carminativas, o fruto da alcaravia, de cheiro agradável, é
muito usado nos países nórdicos para aromatizar produtos de
pastelaria e charcutaria, pão e queijos fermentados, especialmente a
qualidade Munster. A planta inteira é uma boa forragem que deve ser
incluída nos prados destinados a pastagens; quando seca, facilita a
digestão e as secreções lácteas das vacas e das ovelhas; uma colher
de sopa bem cheia de sementes misturadas, durante uma semana, à
ração quotidiana de aveia é um tónico para os ca-

valos. Nociva para as aves pequenas, é tão apreciada pelos pombos


que um pouco de alcaravia adicionada à ração os conserva fiéis ao
pombal. A alcaravia diferencia-se da cenoura-brava pelas suas flores
brancas; as sementes são frequentemente confundidas com as dos
cominhos.

0 A essência da alcaravia é tóxica para o homem. Habitat: Europa


Setentrional e Central montanhas limitantes da Europa Mediterrânica,
caminhos e prados; até 2100 m. Identificação: de 0,30 a 0,60 m de
altura. Bienal ou plurianual, caule erecto, ramificado a partir da
base, glabro, canelado longitudinalmente; folhas recortadas em
lacínias estreitas, sendo as inferiores pecioladas e as superiores
sés@eis; flores brancas (Maio-Julho), em umbelas de 6 a 12 raios
muito desiguais; raiz fusiforme; fruto ovóide, acastanhado. Possui
um

cheiro extremamente aromático; sabor picante. Partes utilizadas:


fruto (Maio-Setembro, a partir do segundo ano), raiz; frutos
colhidos na umbela e seguidamente secos.
0 Componentes: essência com carvona e limoneno, ácidos gordos,
prótidos, glúcidos, tanino, celulose 0 Propriedades: carminativo,
digestivo, emenagogo, galactagogo. U. 1. + kli Ver: aerofagia,
digestão, lactação, menstruação, meteorismo.

54
ALecrim

Rosmarinus officinalis L.

Alecrinzeiro

Bras.: alecrim-de-jardim

Labiadas

Os atributos do alecrim são tão importantes como os da a spéru 1 a-


odorífera; datam do século xvii e vêm da Europa Central. Diz-se que
a rainha Isabel da Hungria, septuagenária e depauperada pela doença,
recuperou a saúde e rejuvenesceu graças ao alecrim. A receita da
água da juventude, a água da rainha da Hungria, que ela própria
preparava, está ao alcance de toda a gente, pois para a obter basta
juntar e misturar os alcoolatos de alfazema, alecrim e poejo.

Como muitas outras labiadas, o alecrim actua sobre o sistema


nervoso, pois estimula os asténicos, fortalece as memórias
enfraquecidas e eleva o moral dos deprimidos. A sua acção
terapêutica inicia-se com a colheita, que pode ser efectuada em
qualquer época do ano nas colinas meridionais. O estado espontâneo e
a liberdade da planta conferem-lhe vigor; transplantado para um
jardim, mantém-se bonito, conserva as suas características
aromáticas, mas é menos eficaz que o alecrim espontâneo. As abelhas
que o visitam produzem um excelente mel, de gosto intenso,
denominado mel de alecrim.

O Cumprir as doses e o tempo de duração dos

Habitat: Europa, litoral mediterrânico; charnecas e pinhais do


Centro e Sul de Portugal; até 1500 m, Identificação: de O,50 a 1,50
m de altura. Arbusto; caules lenhosos e folhosos; folhas sésseis,
coriáceas, estreitas, com bordos enrolados, e persistentes; flores
azul-claras e esbranquiçadas (todo o ano), em pequenos cachos
axilares, cálice curto, campanulado, com
3 dentes, corola longa, com 2 lábios, um com 2 lóbulos erectos e o
outro com 3 lóbulos, sendo o médio maior e côncavo, 2 estames.
Cheiro a
incenso e cânfora; sabor aromático. Partes utilizadas: planta
florida e folhas.
O Componentes: óleo essencial, ácidos orgânicos, heterósidos,
saponósidos, colina O Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico,
colagogo, diurético, estimulante, estomáquico, tónico, vulnerário.
U. I., U. E. + V IÍS Ver: asma, astenia, banho, cabelo, celulite,
colesterol, convalescença, coração, dentes, depressão, edema,
entorse, enxaqueca, fígado, frigidez, impotência, memória,
nervosismo, pele, ruga, sono, torcicolo.
Aleluia

Oxalis acetosella L.

Bras.: três-corações, trevo-azedo, azeda- de-três- folhas

Oxalidáceas

Para encontrar a aleluia, é necessário procurar nos bosques húmidos


ao nível do solo e identificá-la por comparação; as suas folhas,
semelhantes às do trevo, Trifolium L.,
têm o sabor da azeda, e as flores, comparáveis às do linho-bravo,
são, no entanto, cor-de-rosa. Desabrocham sempre pela Páscoa,
parecendo querer celebrar a Aleluia! Aparentemente, a aleluia prevê
as tempestades, pois afirma-se que à sua aproximação as folhas se
erguem.

As utilizações domésticas e medicinais da aleluia são inumeráveis.


Com esta pequena planta é possível preparar limonadas frescas e
tisanas para as pessoas febris. Adicionada às sopas, realça-lhes o
sabor e substitui o sumo de limão para temperar as saladas. Como o
ruibarbo, a azeda e o espinafre, a
aleluia contém ácido oxálico e está sujeita a idênticas regras de
utilização. Outrora, era matéria-prima para a extracção do ácido
oxálico, comercializado com o nome de sal de azedas, utilizado para
tirar as nódoas de tinta e de ferrugem das roupas e também para
limpar couros. É um mordente para as
tintas e óptimo para remover as incrustações dos radiadores dos
automóveis, sendo assim inimaginável o efeito que produziria no
estado puro sobre as paredes do estômago. No entanto, a posologia
medicinal é muito inferior às doses tóxicas.

O Planta proibida aos doentes de gota e litíase; respeitar a


posologia. Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, matas
húmidas; em Portugal, a sua existência é assinalada no Minho, mais
propriamente em Paredes de Coura; até 2000 m. Identificação: de O,05
a O,08 m de altura. Vivaz, acaule; folhas verde-claras, todas
basais, vilosas, pecioladas, com 3 folíolos cordiformes; flores
brancas matizadas de cor-de-rosa, por vezes de azul (Abril-Maio),
apenas uma em cada pé, longamente pedunculadas, 5 sépalas curtas, 5
pétalas grandes, 10 estames e 5 estiletes; cápsula ovóide acuminada,
com sementes estriadas; rizoma delgado, rastejante, com escamas
carnudas e vilosas. Sabor ácido. Partes utilizadas: folhas e raízes
frescas; perde as suas propriedades pela secagem.
O Componentes: oxalato ácido de potássio, vitamina C, mucilagem O
Propriedades: antiescorbútico, depurativo, diurético, febrífugo,
refrescante. U. L, U. E. Ver: boca, cura de Primavera, pele, sarna,
sede.
56
ALFACE-BRAVA-MAIOR
*//* faltaM OS OUTROS NOMES)

Se bem que a maioria das pessoas conheça a alface cultivada, com


interior frágil e tenro, o mesmo não sucede no caso da alface-brava-
maior. Em primeiro lugar, a alface-brava surpreende os que a não
conhecem devido às suas dimensões, pois algumas variedades atingem 3
m. Seguidamente, porque esta planta robusta exala um cheiro algo
desagradável. Caracteriza-se pelos seus capítulos amarelos bem
elevados, pelas grandes folhas ovais, recortadas e ligeiramente
lobuladas, que crescem em todas as direcções. Se se quebrar um ramo
ou uma folha, brota das zonas feridas um leite branco, o látexI-
produto de sabor amargo que contém todos os constituintes activos da
planta. O suco extraído dos caules, que depois de seco se denomina
lactucário, é conhecido desde a Antiguidade; faz parte, ainda
actualmente, de algumas preparações daFarmacopeia Portuguesa, entre
as quais um extracto e um xarope calmante onde é associado ao
lúpulo. A alface-brava-maior pode ser substituída por uma outra
espécie, a Lactuca scariola L., alface-brava-menor, que apresenta
propriedades terapêuticas idênticas. Esta espécie distingue-se pela
original disposição das folhas, cujas faces estão orientadas para
oeste-leste e cujos bordos têm a orientação norte-sul, engenhoso
meio de protecção contra os efeitos do sol.

O Respeitar a posologia, pois em doses elevadas o suco é tóxico.


Habitat: Europa Central e Meridional, solos calcários, terrenos
incultos e pedregosos, em Portugal, de Trás-os- Montes ao Alentejo;
até 1000 m. Identificação: de O,60 a 1,50 m de altura. Toda a planta
contém um látex branco. Bienal, caule verde, por vezes violáceo,
erecto, robusto, ramificado; folhas verde-escuras, grandes, inteiras
ou com lobos sinuosos, rodeando o caule por meio de 2 aurículas
lanceoladas, com bordos dentados, providas de uma fila de acúleos
sobre a nervura dorsal, flores amarelas (Junho- Setembro) em
pequenos capítulos, agrupadas numa grande panícula frouxa; aquénio
obovado-oblongo, de cor negro-púrpura com costas de bordos espessos,
encimado por um rostro e por um papilho branco; raiz fusiforme.
Cheiro desagradável; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas, látex.
O Componentes: clorofila, sais minerais, vitaminas, ácidos,
princípio amargo O Propriedades: balsâmico, hipnótico, sedativo. U.
I., U. E. + V Ver: acne rosácea, insônia, nervosismo, pele,
sono,tosse.

57
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Alfazema

Lavandula officinalis Chaix

Lavândula

Labiadas

Os nomes botânicos Lavandula spica L. e Lavandula officinalis Chaix


são sinónimos e indicam a mesma planta. A alfazema é uma das plantas
mais raras e encantadoras da nossa flora. Perante a sua vitalidade,
nas colinas calcárias é impossível deixar de admirar a sua
resistência ao sol abrasador e à aridez da pedra. É preciso saber
distingui-la do alecrim e do hissopo, além de outras plantas afins,
muito susceptíveis de confusão. Nos Pirenéus, encontra-se uma
variedade de alfazema mais pequena, com folhas mais estreitas e
inflorescências maiores; nos terrenos siliciosos cresce a LavanduIa
stoechas L., o rosmaninho, com flores cor de púrpura e aroma
penetrante; subindo mais a norte, mas não ultrapassando 1000 m
de altitude, encontra-se a alfazema-brava, Lavandula latifolia
Vill., maior, com folhas verdes, cheiro a cânfora e que floresce um
mês mais tarde do que as outras. As propriedades medicinais das
alfazemas são, além da sua acção anti-séptica e insecticida,
aproveitadas desde há séculos pelas donas de casa; as sumidades
floridas, colhidas antes do desabrochar, constituem um dos mais
preciosos componentes da farmácia caseira.

O Não ultrapassar as doses indicadas; incompatibilidade com o iodo e


os sais de ferro. Habitat: Europa Mediterrânica, solos áridos,
calcários, expostos ao sol; espontânea no Centro e Sul do País; até
1800 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Subarbusto;
frondoso na base com ramos nus, erectos, simples; folhas verde-
acinzentadas, estreitas, lanceoladas, com bordos enrolados; flores
azul-violáceas (Julho-Agosto) em espiga terminal de verticilastros,
brácteas castanhas, largas, cálice com 5 dentes, corola com 5
lóbulos de 2 lábios, 4 estames inclusos, 4 carpelos;
aquénio com 1 semente preta, lisa. Cheiro penetrante, aromático;
sabor ardente, amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas, flores
ripadas; secagem à sombra e ao ar livre.
O Componentes: princípio amargo, essência, cumarina O Propriedades:
antiespasmódico, anti-séptico, carminativo, cicatrizante, colagogo,
diurético, estimulante, insecticida, sudorífico. U. L, U. E. + V o
Ver: acne, asma, banho, bronquite, cabelo, ferida, ftiríase,
insectos, leucorreia, nervosismo, pulmão, reumatismo, tinha, tosse,
vertigem.

58
Alfenheiro

Ligustrum vulgare L.

Santantoninhas, alferiu

Oleáceas

O alfenheiro é uma planta flexível com casca branda e cinzenta que


os jardineiros talham e podam com facilidade. É também um arbusto
rústico que cresce espontaneamente entre as sarças e nas orlas dos
bosques. As folhas, verde-escuras, que se tornam víoláceas no
Outono, permanecem nos ramos durante todo o Inverno, bem como os
frutos, pequenas bagas pretas cuja toxicidade implica a sua
proibição às crianças. As flores desabrocham em Maio, amontoando-se
em píramides brancas semelhantes às do lilás. Recém-cortada, a
madeira do alfenheiro exala um cheiro intenso, o mesmo sucedendo com
as flores, as folhas e os frutos quando esmagados entre os dedos.

us ramos são utilizados em cestaria; da casca obtém-se um corante


amarelo, e as bagas possibilitam a preparação de uma tinta cor de
violeta e um corante para os vinhos.

Os fitoterapeutas apenas utilizam as flores ou as folhas secas.


Conhecido desde há séculos, o óleo de alfenheiro é ainda actualmente
utilizado em fricções para as dores, especialmente as dores de
celulite; as folhas servem para preparar um gargarejo que trata as
afecções crónicas da boca e da garganta, muito frequentes nos
fumadores.

O Nenhuma parte da planta fresca é comestível, Habitat: Europa,


matas; no Norte e Sul de Portugal surge espontâneo em sebes e
bosques; cultivado como planta ornamental; até 800 m. Identificação:
de 1 a 3 m de altura. Arbusto; lenho duro; ramos jovens, aveludados;
folhas opostas, ovais, lanceoladas, inteiras, com pecíolo curto,
glabras, verde-escuras e brilhantes na página superior, claras na
inferior; flores brancas (Maio-Junho), em panículas, curtas,
compactas, cálice pequeno com 4 dentes, corola tubulosa com 4
lóbulos côncavos, 2 estames inclusos e 1 estilete; baga globosa
preta, persistente, Cheiro difícil de suportar e adocicado (flores);
sabor amargo. Partes utilizadas: flores e folhas (Primavera);
secagem à sombra.
O Componentes: tanino, resina, heterósido, invertase, açúcares,
arsénico, vitamina C O Propriedades: adstringente, cicatrizante,
detersivo, vulnerário. LI. I., U. E. + Ver: afta, anginas, boca,
celulite, diarreia, escara, leucorreia, reumatismo, tabagismo,
59
PLANTAS ESPONTANEAS

Alforvas

Trigonella foenum-graecum L. Feno-grego, fenacho, ervinha, caroba,


alforna, alfarva

Bras.: alforgas

Leguminosas

As alforvas são pequenas plantas anuais que se encontram nos campos,


nos rochedos e nas charnecas do Sul da Europa. A planta identifica-
se pelos caules frágeis extremamente frondosos, pelas flores
esbranquiçadas dissimuladas pelas folhas superiores e
pelas compridas e curvas vagens terminadas por uma ponta aguçada. No
estado maduro, cada uma destas vagens abre-se em duas valvas, pondo
a descoberto uma fileira de sementes comprimidas. O cheiro
desagradável da planta espalha-se em seu redor, e é tão persistente
que se nota ainda em plantas secas há um século conservadas em
herbários. Para atenuar este cheiro nauseabundo, é necessário
escaldar as sementes. A utilizaçã o da alforva como planta medicinal
é conhecida desde a Antiguidade. Na Ásia Menor, de onde foi
importada para a Europa cerca do século IX, as sementes são ainda
utilizadas para conferir às mulheres um aumento de peso, muito
apreciado; esta acção é determinada pela presença de uma
substância que actua sobre o metabolismo das gorduras. As sementes,
aplicadas em cataplasmas, podem fazer desaparecer os abcessos e
reduzir as placas de celulite.

Habitat: Europa Mediterrânica, campos; em Portugal, encontra-se em


searas, terrenos incultos da Estremadura e do Alentejo. É também
cultivada como forraginosa; até 1000 m. Identificação: de O,10 a
O,50 m de altura. Anual, caule erecto e circular; folhas verdes,
abundantes, erectas, com 3 grandes folíolos ovais, pecíolo curto;
flores branco-amareladas (Abril-Junho), sésseis de 1 a 2 na axila
das folhas superiores, cálice pubescente, corola papilionácea,
estames diadelfos; vagem muito comprida (de 8 a 10 cm), erecta,
curva, terminada por uma ponta comprida de 2 a 3 cm, 1
fileira de 10 a 20 sementes comprimidas; raiz desenvolvida. Cheiro
intenso e nauseabundo; sabor desagradável. Partes utilizadas:
sementes secas, sumidades floridas (Abril-Junho).
O Componentes: substâncias azotadas e fosforadas, trigonelina,
essência O Propriedades: aperitivo, emoliente, hipoglicerniante,
laxativo, tónico. LI. I., U. E. + o Ver: anemia, apetite, astenia,
celulite, convalescença, diabetes, frigidez, furúnculo, panarício.

60
Alga-perlada

Chondrus crispus Lyngb. Musgo-branco, musgo-da- irlanda, botelho-


crespo,

carragaheen

Gigartináceas

Sobre os rochedos dos litorais do canal da Mancha e do oceano


Atlântico, visível na maré baixa, encontra-se em grande abundância
esta alga de cor vermelha, muito
ramificada, com segmentos achatados e bordos crispos. É fácil de
reconhecer devido à fronde, que pode medir entre 10 e 20 cm. O seu
aspecto e coloração são extremamente polimorfos. A consistência
cartilaginosa do talo conferiu-lhe o nome científico de género
Chondrus, que deriva do grego chondros, cartilagem.

As algas-vermelhas contêm nos seus tecidos corpúsculos clorofilinos


como os vegetais superiores, estando, no entanto, encobertos por
células especiais, os cromatóforos, que encerram um pigmento, o
qual, consoante a sua concentração e a intensidade da luz, modifica
a coloração das algas, desde um vermelho intenso ao castanho-escuro.

Durante todo o Verão faz-se a colheita a bordo de embarcações,


quando o tempo está húmido, utilizando ancinhos. Antes de utilizar a
alga-perlada é conveniente lavá-la na água do mar e deixá-la secar
durante 24 horas ao sol. Esta operação deve ser repetida três vezes.
A alga perde então a sua linda cor, adquirindo um branco-
acinzentado, quase translúcido. Como muitas outras algas, a alga-
perlada contém uma substância mucilaginosa que, após tratamento, é
utilizada na indústria alimentar, especialmente no fabrico de
chocolate de leite e cremes.

O Não consumir simultaneamente com plantas que contenham tanino.


Habitat: costas da Mancha e do Atlântico, sobretudo Finisterra e ao
longo da costa portuguesa. Identificação: de O,10 a O,20 m de
altura. Talo homogéneo, achatado, cor de púrpura; disco basilar;
fronde em forma de leque, erecta, ramificada; ramificações
dicotómicas, lobuladas, bordos crispados, sem nervura; lóbulo
bífido; cistocarpos na face inferior e tetrasporângios na superfície
do talo, alojados em protuberâncias ovóides.

Partes utilizadas: talo (Verão); secagem ao sol.


O Componentes: mucilagem, sais minerais, aminoácidos, iodo,
provitamina D O Propriedades: béquico, emoliente, expectorante,
laxativo. U. I., U. E. Ver: bronquite, conjuntivite, diarréia,
obesidade, obstipação, raquitismo.
61
Aliária

Affiaria officinalis Andrz.

Erva-alheira, erva-dos-alhos

Crucíferas

A aliária parece não ter sido conhecida na Antiguidade. As suas


flores, brancas, desabrocham na Primavera, invadindo as bermas dos
caminhos e os locais frescos. As flores são melíferas e muito
apreciadas pelo gado, que ingere a planta completa. A aliária exala
um cheiro a alho bastante intenso quando amachucada entre os dedos,
devendo a este facto o nome do género e alguns dos seus nomes
comuns, visto que Alliaria deriva de allium, alho. As suas sementes
substituem, por vezes, as da mostarda-negra.

Não é essencialmente uma planta medicinal, podendo, no entanto, ser


utilizada como anti-séptico, tanto para uso externo como interno. É
preferível colher a planta no momento de utilizá-la, pois, como a
maioria das crucíferas, perde as suas propriedades aquando da
secagem. Para uso interno, recomenda-se sobretudo a decocção da
planta fresca ou, melhor, o seu suco recente. Porém, segundo H.
Leclerc, os melhores resultados obtêm-se pela utilização de
compressas de folhas esmagadas ou alcoolatura de aliária.

Habitat: Europa, exceptuando a região mediterrânica, locais frescos,


sebes, bermas dos caminhos; em Portugal, encontra-se em quase todo o
País, excepto no Baixo Alentejo e Algarve; até 800 m. Identificação:
de O,50 a O,80 m de altura. Bienal, caule erecto, simples, folhoso;
folhas pecioladas, crenadas, sendo as basais reniformes e as outras
cordiformes; flores brancas (Março-Junho) em cacho terminal que se
alonga durante a floração, 4 sépalas, 4 pétalas, 6 estames, dos
quais 2 mais pequenos, 2 carpelos; síliqua comprida, erecta, sobre
pecúriculos
espessos, abrindo-se por 2 válvulas com 3 nervuras, sementes
estriadas, castanhas, dispostas em fileira. Cheiro a alho; sabor
picante e aliáceo. Partes utilizadas: planta inteira fresca ou seca,
sem a raiz, o Componentes: um beterósido azotado, óleo essencial,
enzimas O Propriedades: anti-séptico, detersivo, diurético,
estimulante, expectorante, vulnerário. U. I., U. E. + Ver: boca,
dentes, eczema, ferida, gengivas, pele.

62
Aljôfar

Lithospermuin offit-inale L.

Borragiináceas

Segundo a tradicional teoria médica que atribuía aos vegetais


virtudes de acordo com o aspecto ou cor que apresentavam, os frutos
do aljôfar, nacarados e duros como pérolas, foram considerados
durante muito tempo como as únicas partes úteis da planta, com
propriedades para dissolver os cálculos.

No entanto, ao longo dos séculos, tanto o empirismo como os estudos


sistemáticos foram insuficientes para confirmar as propriedades
dissolventes destes frutos. A planta revelou-se, porém,
verdadeiramente activa para outras perturbações renais e urinárias.
Além disso, o estudo de uma espécie exótica desta planta,
Lithosperinum ruderale L., utilizada pelos índios como
contraceptivo, permitiu detectar na planta substâncias inibidoras de
determinadas hormonas hipofisárias.

Com as folhas e as sumidades floridas secas do aljôfar prepara-se um


chá refrescante que não deve ser confundido com o chá-da-europa,
preparado a partir de uma espécie próxima com grandes flores
vermelhas que depois se tornam azuladas, o Lithosperinum purpureo-
caeruleuin L.

Habitat: Europa, solos calcários; em Portugal, surge espontâneo nos


arredores de Bragança e Vimioso; até 1400 m. Identificação: de O,40
a O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto, robusto, coberto de pêlos e
ramoso; folhas verde-escuras na página superior, mais claras na
inferior, alternas, sésseis, lanceoladas, ásperas, pubescentes, com
nervuras laterais salientes na página inferior; flores branco-creme
(Junho-Julho), pequenas, em compridos cachos folhosos em 2 filas,
cálice peludo com 5 divisões, corola tubular vilosa com 5 pregas
pubescentes, ultrapassando ligeiramente o cálice, e 5 estames
inclusos; tetraquénio branco- nacarado, duro, brilhante, cor de
pérola; raiz espessa, quase lenhosa. inodoro; sabor adstringente
(planta) e adocicado (fruto). Partes utilizadas: frutos, folhas,
sumidades floridas (Julho-Agosto). O Componentes: sais minerais,
mucilagens, pigmentos O Propriedades: diurético. U. L, U. E. Ver:
diurese, gota, olhos.
Almeirão

Cichorium int.\,bus L.

Chicória-do-café, chicória-brava Bras.: chicória-amarga, chicória

Compostas

Já conhecido em 4000 a. C., como refere o papiro Ebers, um dos mais


antigos textos egípcios que chegaram até à actualidade, o almeirão
permanece um remédio em que os médicos continuam a ter confiança.
*Arnigo do fígado+, segundo Galeno, é absolutamente inofensivo, pelo
que faz parte da composição de um xarope tradicional, frequentemente
receitado às crianças. É uma planta vivaz cujas flores, de um azul
muito puro, se associam em belos capítulos que se abrem de manhã,
cerca das 6 horas, e se fecham durante a tarde. 0 almeirão contém um
látex branco extremamente amargo, pelo que é conveniente colher as
folhas antes da floração, apos o que deixam de ser comestíveis, A
utilização alimentar desta chicória-brava data do século xvil;
cultivada nas hortas, deu mais tarde origem às inúmeras variedades
hortícolas actualmente conhecidas, como as escarolas, ou endívias,
as quais, devido a serem menos amargas, são também muito menos
activas.

Habitat: Europa; Centro e Sul de Portugal, bermas dos caminhos,


campos cultivados e incultos, solos secos, calcários e argilosos; é
também cultivado; até 1500 m. Identificação: de 0,30 a 1 m de
altura. Vivaz, caule rígido, anguloso, com numerosos ramos, hirtos,
frequentemente divergentes na base; folhas inferiores profundamente
divididas em dentes agudos, folhas superiores pequenas, lanceoladas,
semiamplexicaules, pubescentes, com lóbulos profundos; flores de um
azul vivo (Julho-Setembro), liguladas, em grandes capítulos; aquénio
com curtíssimo papilho, coroado

por minúsculas escamas, raiz aprumada, látex branco. Sabor muito


amargo. Partes utilizadas: folhas (Junho-Setembro, antes da
floração), raiz (Outono).
0 Componentes: sais minerais, glúcidos, lípidos, prótidos, vitaminas
B, C, P e K, aminoácidos, inulina, heterósido amargo 0 Propriedades:
aperitivo, colagogo, colerético, depurativo, diurético, estomáquico,
febrífugo, laxativo, tónico. u, 1. + o Ver: anemia, apetite,
astenia, cura de Primavera, diabetes, fígado, icterícia, obstipação,
tez.
Alquequenje

Physalis alkekengi L. Erva-noiva, cerejas-dejudeu

Solanáceas

O alquequenje floresce a partir de Maio nos solos calcários e nas


vinhas; durante o Verão, o cálice, inicialmente pequeno e verde,
aumenta de volume, adquirindo uma configuração semelhante à de uma
lanterna de papel, e a sua cor torna-se simultaneamente vermelho-
vivo. A esta característica se deve a designação do género,
Physalis, que deriva do grego phusaô, eu incho. No interior destes
leves invólucros, os frutos, que amadurecem em Setembro, assemelham-
se a cerejas. Podem ser ingeridos frescos, mas não mais de cerca de
30 por dia.

Conhecido de Dioscórides e Galeno, muito difundido na Ásia, Europa e


regiões mediterrânicas, o alquequenje nunca deixou de ser utilizado
para o tratamento da gota, de cálculos e de alguns edemas.
Actualmente, toda a planta, exceptuando a raiz, pode ser utilizada
para preparar um vinho diurético. A conservação da planta, depois de
colhida, é difícil, sendo necessário colocar as bagas em camadas
finas num forno; as folhas devem ser secas, lentamente, à sombra.
Depois de desidratadas, as bagas, que ficam muito enrugadas, devem
ser colocadas em frascos de vidro hermeticamente fechados ou
reduzidas a pó.

O Não confundir com a beladona, que é tóxica. Habitat: Europa


Continental, Meridional, solos secos, vinhas, olivais; até 1500 m.
Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule erecto,
simples ou ramificado, anguloso, ligeiramente pubescente; folhas
glabras, aos pares, pecioladas, oval- pontiagudas, com os bordos
ondulados; flores esbranquiçadas (Maio-Outubro), isoladas, pêndulas,
pequeno cálice pubescente; baga de um intenso vermelho-alaranjado,
carnuda, lisa, com 2 lóculos e numerosas sementes, encerrada no
cálice, que se desenvolve numa bolsa leve, com costela, que no
Outono se cobre de uma ténue rede escarlate; rizoma rastejante.
inodoro; a baga tem sabor ácido. Partes utilizadas: bagas libertas
dos cálices, caules, folhas (Setembro- Outubro). * Componentes:
vitamina C, ácido cítrico, ácido málico, carotenóides, glúcidos,
vestígios de alcalóides O Propriedades: depurativo, diurético,
emoliente, febrífugo, refrescante, sedativo. U. 1. + Ver: edema,
gota, icterícia, litíase, reumatismo, ureia.

65
Alteia

Althaea officinalis L.

Malvaísco

Malváceas

A alteia é famosa pelas suas virtudes béquicas e emolientes. Assim,


segundo algumas opiniões supera a malva nas suas virtudes. A
designação de malvaísco sugere uma relação entre estas duas plantas.
Efectivamente, as utilizações medicinais da malva, que pertence
também à família das Malváceas, são muito semelhantes às desta
planta. Proveniente das estepes asiáticas muito antes da era cristã,
a alteia aclimatou-se facilmente na Europa. Recenseada num dos
capitulares de Carlos Magno, cultivada durante toda a Alta Idade
Média, foi durante muito tempo aproveitada nos jardins dos
mosteiros, de onde se evadiu, tornando-se espontânea, e sendo
actualmente considerada como um dos simples mais apreciados. A
malva-da-índia, Althaea rosea L., um dos parentes da alteia, é muito
cultivada e conhecida; é a malva-real dos poetas, com folhas
lavradas e grandes flores de cor intensa. As flores cor de tijolo-
escura destas variedades podem substituir as flores da alteia; as
raízes e as folhas não são utilizadas.

O Incompatível com o álcool, o tanino e o ferro. Habitat: Europa,


zonas costeiras, margens dos cursos de água; em Portugal, nos locais
húmidos do Douro, Beiras e Estremadura; até 300 m. Identificação: de
O,60 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule robusto, cilíndrico, aveludado
e pouco ramificado; folhas verde-esbranquiçadas, pecioladas, largas,
espessas, lobadas, ovais, pontiagudas; flores brancas ou cor-de-rosa
(Junho-Setembro), em grupos de 3 na axila das folhas no cimo do
caule, pedunculadas, cálice com 5 sépalas revestido de epicálice
curto, corola com 5 pétalas cordiformes e numerosos estames;
poliaquénio tomentoso ( semente castanha; raiz aprumada, comprida e
carnuda. Cheiro suave; sabor mucilaginoso. Partes utilizadas: raiz
(Outono), flores (Julho -Agosto), folhas frescas ou secas (Junho)
secagem à sombra ou em estufa.
O Componentes: mucilagem, sais minerais glúcidos e vitamina C O
Propriedades: béqui co, calmante, emoliente. U. L, U. E. + V O Ver:
abcesso, acne rosácea, afta, anginas, cisti te, dentes, diarreia,
gengivas, obstipação, olhos, pele, sono, tosse.

66
Ami

Ammi majus L. Âmio-maior, âmio-vulgar

Umbelíferas

O ami é uma umbelífera bastante fácil de reconhecer devido às suas


folhas, que são visivelmente diferentes umas das outras. As da base
assemelham-se às folhas do trevo, e as da parte superior são
recortadas em lacínias muito estreitas. O seu nome genérico, Ammi,
deriva do grego ammos, areia, e indica a natureza dos solos de que a
planta habitualmente necessita.

Ignora-se a origem desta planta, supondo-se que no século XVI se


denominava assim a espécie egípcia afim, Ammi visnaga Lam., bisnaga,
ou paliteira. Originária da índia e da Etiópia, encontrando-se
actualmente muito difundida em Portugal, diferencia-se da anterior
por apresentar todas as folhas em lacínias.

As sementes, quando maduras, constituem a parte activa do ami. O


principal interesse desta planta, actualmente, consiste na sua acção
fotossensibilizadora devida à amoidina. Esta propriedade da planta é
especialmente utilizada pelos Árabes para tratar uma despigmentação
cutânea, o vitiligo. O ami também é utilizado para um bronzeamento
epidérmíco acelerado, sendo, no entanto, um processo arriscado.

O Ter em atenção as fotossensibilizações. Habitat: Europa Meridional


e Ocidental, Centro e Sul do Continente e Madeira, locais arenosos,
campos, culturas de luzerna e de trevo; até 800 m. Identificação: de
O,20 a O,80 m de altura. Anual, caule glabro, glauco, esguio,
florífero, ramoso e estriado; folhas serradas, sendo as basais
recortadas em segmentos bi ou trilobulados, ovais, as caulinares em
segmentos estreitos, as superiores em lacínias; flores brancas
(Julho-Setembro), em umbelas muito densas, com até 80 raios, com um
enorme invólucro de brácteas recortadas em lacínias filiformes, 5
pétalas caducas, crenadas; fruto ovói de e oblongo. Cheiro
suave; sabor acre e picante. Partes utilizadas: sementes (quando
maduras); secagem à sombra.
O Componentes: heterósido, composto cumarínico, amoidina O
Propriedades: carminativo, digestivo, emenagogo. U. 1. Ver:
bronzeamento, digestão.
Amieiro

Alnus glutinosa (L.) Gaertn.

Amieiro vulgar

Betuláceas

O amieiro pertence à mesma família da bétula e da aveleira; todos


têm flores masculinas e femininas que coexistem na mesma árvore. As
raízes apresentam nodosidades que contêm bactérias, as quais
possibilitam à árvore a fixação directa do azoto da atmosfera.
Quando jovem, a árvore ergue-se direita, com casca cinzenta lisa. Ao
envelhecer, estende os ramos, e a copa forma uma abóbada regular que
se mantém verde até à queda das folhas. A madeira do amieiro
geralmente não apodrece; nos países nórdicos, é utilizada para fazer
tamancos. Com a serradura defumam-se peixe e carne; a casca, que
serve para curtir os couros, produz, além disso, uma bela matéria
corante cinzenta. Um ramo de amieiro colocado num galinheiro afasta
os parasitas. As propriedades febrífugas da árvore conferiram-lhe a
denominação de quina-indígena, e o banho com folhas de amieiro,
previamente aquecidas no forno, continua a ser um remédio popular
eficaz para o reumatismo. Quanto à cataplasma de folhas frescas, já
era apreciada no século xil por Santa Hildegarda como remédio para
activar a cicatrização das úlceras.

Habitat: zonas temperadas da Europa, bosques húmidos, margens de


cursos de água; até 1200 m. Identificação: de 20 a 25 m de altura.
Árvore; pernadas tortuosas com ramificações delgadas; folhas escuras
na página superior, claras na inferior, dentadas, arredondadas,
chanfradas no vértice, pecioladas; flores esverdeadas ou
avermelhadas (Fevereiro- Março), em amentilhos pedunculados,
monóicos, os masculinos pendentes, caducos, com brácteas macias,
apresentando 3 flores com 4 estames, os femininos ovóides, erectos,
com brácteas apresentando 2 flores com 2 estiletes cada uma;
fruto pequeno, achatado, monospérmico, castanho-avermelhado, com asa
curta e coriácea; raiz com excrescências, as nodosidades de onde
partem ramificações secundárias. Cheiro agradável; sabor acre,
adstringente e amargo. Partes utilizadas: casca dos ramos jovens,
folhas (Fevereiro).
O Componentes: tanino, lípidos, pigmentos O Propriedades:
adstringente, cicatrizante, febrífugo, tónico. U. I., U. E. O Ver:
anginas, boca, febre, ferida, lactação, úlcera cutânea.

68
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Amieiro-negro

Frangula aInus Mili.

Sangui nho-de- água, lagarinho, frângula, zangarinho,

zangarinheiro, sangarinheiro, sangurinheiro,

sanguinheiro, fúsaro

Ramnáceas

O amieiro-negro agrupa-se em formações pouco densas nas matas


húmidas e próximo de pegos ou pântanos. Deve à fragilidade dos ramos
o nome do género, do latimfrangere, partir. Esta planta apresenta
semelhanças com o escambroeiro e o álamo. É, todavia, um arbusto
fácil de reconhecer pelas suas folhas ovaladas, marcadas na página
inferior por 8 a 12 pares de nervuras salientes e paralelas, e pelos
seus frutos vermelhos, do tamanho de ervilhas, que na maturação se
tornam negros. Ignorado ou menosprezado na Antiguidade, o amieiro-
negro é citado pela primeira vez num texto de Pietro Crescenzi,
agrônomo italiano dos inícios do século Xiv. Dois séculos mais
tarde, Mattioli codifica o seu uso com a indicação especial de não
utilizar a droga fresca. A parte utilizada é a segunda casca,
outrora denominada casca interior, seca, reduzida a pó e tamisada.
Se os modos de utilização e a posologia forem cumpridos, a sua acção
laxativa é constante e inofensiva.

Não comer a drupa; só utilizar a casca após um ano de secagem.

Habitat: Europa, solos ácidos, argilosos, siliciosos. Em Portugal,


encontra-se do Minho ao Algarve, nas margens dos rios, locais
húmidos e sebes; até 1000 m, Identificação: de 1 a 4 m de altura,
excepcionalmente 6 m. Arbusto; tronco erecto; ramos horizontais
flexíveis, alternos, não espinhosos; casca castanho-avermelhada
quando jovem e mais tarde cinzento-escura com estrias brancas;
folhas inteiras, membranosas, alternas, caducas, com 8 a 12 pares de
nervuras salientes, paralelas, quase rectas; flores esverdeadas
(Abril-Julho), hermafroditas, com 5 sépalas, 5 pétalas ovais, 5
estames, estilete simples, reunidas de 2 a 10 em cimeiras frouxas;
drupa verde e depois vermelha, preta na maturação. Praticamente
inodoro; sabor amargo e adstringente. Partes utilizadas: casca viva
dos caules (Maio-Agosto) seca em pequenos pedaços,
O Componentes: tanino, heterósidos, antracénicos, mucilagem, goma 6
Propriedades: cicatrizante, colagogo, laxativo, purgativo. U. I., U.
E. + O Ver: dartro, obesidade, obstipação, parasitose, sarna,
vesícula.biliar.
69
Amor-de-hortelão

Galium aparine L.

Rubláceas

O amor-de-hortelão prende-se obstinadamente, por meio dos caules,


das folhas e dos frutos, ao vestuário dos caminhantes desprevenidos
e ao pêlo dos animais. Esta planta, graciosa, macia e leve, serve-se
dos seus acúleos recurvados para se erguer, agarrando-se aos
arbustos próximos. É uma planta anual, extremamente invasora,
encontrando-se em todas as sebes e silvados, os quais cobre com as
suas minúsculas flores brancas durante longos meses. Os povos da
Antiguidade chamavam-lhe Apariné, que se agarra, palavra que se
tornou o nome da espécie. Dioscórides explica nos seus textos como
os pastores utilizavam os seus caules, atados em feixes, para
clarificar o leite. Dos frutos faz-se um sucedâneo do café, e a raiz
torrada pode substituir a chicória. Da raiz extrai-se ainda um belo
corante vermelho. Possui propriedades diuréticas e é eficaz nos
problemas circulatórios das pessoas idosas.
O suco fresco ou uma cataplasma de folhas verdes esmagadas colocados
sobre uma ferida, em caso de urgência, podem fazer parar uma
hemorragia.

Habitat: Europa, orlas dos bosques, sebes, moitas; frequente em


quase todo o território português; altitude média. Identificação: de
O,20 a 1,50 m de altura. Anual, caule delgado, ascendente ou
trepador, quadrangular, com acúleos nas arestas, intumescido, viloso
nos nós e ramoso a partir da base; verticilos de 6 a 8 folhas
compridas, lineares, com pontas rígidas, face superior e bordo
providos de pêlos gancheados; flores brancas (Maio-Outubro),
pequenas, em cimeiras pedunculadas na axila das folhas, corola com 4
pétalas, 2 carpelos unidos e com pêlos;
fruto de 3 a 4 mm, com pêlos, tuberculoso gancheado; raiz delgada.
Cheiro suave. Partes utilizadas: planta fresca (Maio-Setembro) e
seca, suco fresco; secagem rápida para evitar o enegrecimento das
flores; conserva em lugar seco.
O Componentes: heterósidos (asperulósido) 4 Propriedades: anti-
inflamatório, aperitivo, cica trizante, diurético, sudorífico,
vulnerário. U. L, U. E. + Ver: circulação, edema, icterícia, úlcera
cutâ nea.

70
Amor-perfeito-bravo

Viola tricolor L., ssp. arvensis Murr. Erva-da-trindade, amor-


perfeito-pequeno

Violáceas

O amor-perfeito-bravo, com as suas flores de tons escuros, é uma


preciosidade dos terrenos baldios. Existe uma grande quantidade de
espécies, às quais a infinita imaginação dos jardineiros acrescentou
um grande número de híbridos. O amor-perfeito-bravo é uma violácea
como as violetas, possuindo as
suas corolas cinco pétalas divididas em dois grupos; as quatro
superiores apresentam-se erectas, e a inferior, esporoada. Colher o
amor-perfeito revela-se uma operação delicada; é necessário colher
as flores de manhã, logo que o orvalho desapareça, manipulá-las
cuidadosamente e secá-las com rapidez para evitar que as flores
murchem e as cápsulas amadureçam; o colorido das flores quando secas
só se manterá se estas forem conservadas ao abrigo do ar.

A partir do Renascimento, o amor-perfeito, laxativo e depurativo,


foi também utilizado para tratar doenças de pele, sendo da tradição
tomar uma chávena de infusão e embeber uma compressa no mesmo
preparado para passar pela pele. Os tratamentos com o amor-perfeito-
bravo exigem perseverança, sendo ilusório esperar resultados antes
de 15 dias.

O Fresco, proibido às crianças. Habitat: Europa; até 1800 m.


Identificação: de O,05 a O,40 m de altura. Anual, caule erecto;
folhas ovais ou lanceoladas, com bordos crenados, estipulas com 3 a
8 lóbulos, sendo o terminal foliáceo; flores brancas, amarelas ou
cor de violeta (Abril-Outubro) com um comprido pedúnculo, pequenas,
5 sépalas verdes, desiguais, 5 pétalas, 4 erectas e 1 inferior,
pendente, provida de um esporão curto, 5 estames com anteras
amarelas, pistilo com estigma em forma de funil; cápsula glabra,
abrindo-se por 3 valvas, e sementes castanhas. Cheiro suave; sabor
amargo. Partes utilizadas: flores, suco fresco, planta florida
(Abril- Outubro); secagem rápida. * Componentes: ácido salicílico,
tanino, sais minerais, saponinas, heterósidos flavónicos, mucilagem,
vitamina C O Propriedades: antiespasmódico, cicatrizante,
depurativo, diurético, emético, febrífugo, laxativo, sudorífico,
tónico. U. I., U. E. Ver: acne, cura de Primavera, dartro, eczema,
ferida, herpes, indigestão, pele, psoríase, reumatismo, tinha,
urticária.
ANGÉLICA

Angelica archangelica L.

Erv a-do-espírito- santo Bras.: jacinto-da-índia

Umbelíferas

É raro encontrar a Angelica archangelica em estado espontâneo,


excepto em alguns vales dos Alpes e dos Pirenéus abrigados dos
ventos, aquecidos pelo sol e refrescados por um regato. Encontra-se
com mais frequencia uma outra angélica, Angelica silvestris L., mais
simples, menos perfumada, cujas folhas são verdes nas duas páginas.
As propriedades das duas especies são semelhantes; no entanto, não
haverá possibilidades de erro se uma só vez se tiverem contemplado
as magníficas umbelas amarelo-esverdeadas da Angelica archangelica
L. e aspirado o penetrante perfume almiscarado que exalam as suas
folhas quando esmagadas entre os dedos.

Diz-se que teria sido o arcanjo Rafael quem deu a conhecer aos
homens a angélica e as suas virtudes, enaltecidas pelos Antigos e
consideradas outrora miraculosas. Segundo esta crença, a angélica
afastava a peste, neutralizava o efeito dos venenos, prolongava a
duração da vida. Actualmente, a angélica é considerada, com maior
simplicidade, como um estimulante do aparelho digestivo e um anti-
séptico.

O Não tocar com as mãos descobertas. Suco irritante para a pele e as


mucosas. Habitat: Norte da Europa, Córsega, montanhas, solos
pantanosos, soalheiros; até 3000 m. Identificação: de 1,30 a 2,50 m
de altura. Bienal, caule avermelhado, muito robusto, ramificado;
folhas mais claras na página interior com 2 ou 3 recortes em
folíolos largos, dentadas; flores amarelo- esverdeadas (Junho-
Agosto), em largas umbelas hemisféricas, com 20 a 30 raios, vilosas
na extremidade, estilete muito curto; diaquénio achatado com asas
onduladas; raiz aprumada, volumosa, castanha, de fractura branca.
Aromático; sabor acre. Partes utilizadas: folhas (Maio-Junho), caule
(Junho-Julho), raiz (Outono), sementes (cortar as umbelas em Julho).
O Componentes: cumarina, ácidos, cera, tanino, glúcidos O
Propriedades: anti-séptico, aperitivo, carminativo, digestivo,
estomáquico, sudorífico, tó nico. U. L, U. E. + Ver: aerofagia,
apetite, asma, banho, cabelo, contusão, convalescença, coração,
digestão, epidemia, fadiga, ferida, gravidez, gripe, magreza,
menstruação, nervosismo, úlcera.

72
PLANTAS ESPONTANEAS

>

AntenÁria

Antennaria dioica (L.) Gaerm.

Pé-de-gato, griafálio

Compostas

Estas plantas dióicas, muito pequenas, formam por vezes nas


montanhas enormes tapetes com flores cor-de-rosa e brancas. Tudo
nelas evoca a graça e a suavidade, pois até o seu nome científico
alude à extremidade dos seus pêlos florais, dilatados na ponta como
as antenas das borboletas. As pequenas e fofas almofadas cor-de-rosa
formadas pelos capítulos florais conferiram-lhe o nome de pé-de-
gato. Estas plantas usufruíram outrora da reputação extraordinária -
e totalmente imerecida - de curar o cancro e os casos graves de
tuberculose pulmonar. Actualmente, são consideradas menos eficazes e
mesmo, segundo algumas opiniões, inactivas. Na realidade, a sua
acção medicinal, como a sua imagem, é extremamente suave: lenitiva e
emoliente, acalma a febre e a tosse e facilita a digestão. Apenas os
capítulos cor-de-rosa, isto é, os femininos, devem ser utilizados. A
medicina homeopática utiliza a tintura da antenária e as suas
flores, designadas por flores Pedis Cati. Estas fazem ainda parte da
composiçã o da tisana das quatro flores.

Habitat: Europa continental, montanhas, climas frios e temperados;


de 500 a 2800 m. Pouco frequente em Portugal. Identificação: de O,05
a O,20 m de altura. Vivaz, caule floral, simples, erecto e folhoso;
folhas em numerosas rosetas basais, espatuladas, verde-
esbranquiçadas na página superior, lanosas e acinzentadas na
inferior, com bordos celheados, sendo as caulinares lanceoladas,
aplicadas ao caule; flores (Maio-Julho), em capítulos, dióicas, com
brácteas brancas, obovadas nas masculinas, cor-de-rosa e lanceoladas
nas femininas; aquénio glabro, liso, com 1 papilho
sedoso; toiça estolhosa que emite renovos formando extensos tapetes
(Maio-Julho). Inodora; insulsa. Partes utilizadas: capítulos
femininos secos (Maio-Julho); secagem rápida à sombra, em camadas
finas.
O Componentes: tanino, resina, mucilagem, nitrato de potássio O
Propriedades: anti-séptico, béquico, colagogo, emoliente,
expectorante, febrífugo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: bronquite,
febre, ferida, tosse, traqueíte, vesícula biliar.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

AquilÉGía

Aquilegia vulgaris L. Erva-pombinha, aquilégia-vulgar, ancólia

Ranunculáceas

A aquilégia foi desde sempre alvo dos sonhos dos poetas, e nem
Ronsard nem Chateaubriand conseguiram resistir ao sortilégio
melancólico do seu nome. É uma planta romântica com folhagem
delicada que se dá bem nos locais frescos e à sombra. Nos fins da
Primavera, cobre-se de flores de cores suaves caprichosamente
formadas por cinco peças, cada uma delas prolongada por um
esporão recurvado. Foi certamente este esporão que conferiu à
aquilégia o nome do seu género, que deriva do latim aquila, águia,
pois a extremidade dos esporões da aquilégia é recurvada,
assemelhando-se ao bico e às garras dessa ave de rapina. Segundo
outras opiniões, esta denominação deve-se à reputação que a planta
tinha outrora de tornar o olhar mais penetrante.

A aquilégia foi utilizada intensamente e com sucesso, supõe-se, até


ao século xix. Os fitoterapeutas procuravam obtê-la devido às suas
numerosas propriedades; os homeopatas receitavam-na em alguns casos
de desequilíbrios nervosos. Actualmente, a sua utilização é
restrita, pois a planta, especialmente as partes aéreas e as
sementes, contém uma substância prejudicial. Assim, excepto com
indicação médica, só a raiz deve ser utilizada, e exclusivamente
para uso externo.

O Uso interno exclusivamente sob prescrição médica. Habitat: Europa,


bosques, prados, terrenos rochosos, sobretudo calcários; até 2000 m.
Espontânea ou subespontânea na Beira Litoral Identificação: de O,60
a O,80 m de altura. Vivaz, caules erectos, pubescentes, ramificados,
formando tufos; folhas ligeiramente glaucas na página inferior,
sendo as inferiores pecioladas, alternas, divididas em 3 a 9
folíolos lobulados, e as superiores sésseis; flores azul-violáceas,
cor-de-rosa ou brancas (Maio-Julho), pedunculadas, em panícula pouco
densa, 5 sépalas petalóides, 5 pétalas prolongadas por um esporão em
forma de báculo, numerosos estames salientes; fruto com 5 volumosos
folículos ventrudos, que se abrem pela face interior, numerosas
sementes; rizoma subterrâneo, espesso, oblíquo, raiz aprumada.
Cheiro agradável. Partes utilizadas: sementes, flores, folhas, raiz.
O Componentes: heterósido cianogenético, lípidos, enzimas, vitamina
C 4 Propriedades: adstringente, anti-séptico, calmante, detersivo.
U. L, U. E. + Ver: boca, sarna, tinha, úlcera cutânea.

74
Arando

Vaccinium myrtillus L. Uva-do-monte, mirtilo, erva-escovinha

Ericáceas

O arando, habitante dos terrenos siliciosos das florestas de


montanha, desenvolve-se frequentemente em densas manchas, não
deixando lugar para outras espécies vegetais. Os silvicultores
consideram este arbusto, de bagas azuis e sumarentas, uma planta
nociva, devido à rede formada pelos seus caules subterrâneos e à
densidade das suas partes verdes, que impedem o repovoamento das
florestas. As bagas, ricas em vitamina C, colhem-se com um sedeiro,
devem ser ingeridas aos punhados para melhor se apreciar o seu
incomparável sabor e são utilizadas em pastelaria e em compotas.
Suportam bem a congelação, pois não sofrem alteração.

Nos Vosges obtém-se por destilação do arando uma bebida muito


saborosa, o Heidelbeerwasser, semelhante ao kirsch. Outrora,
extraía-se uma substância corante azul-escura desta planta que,
aliás, deixa marcas
nos dentes e na língua dos seus apreciadores. Os Antigos não
conheciam o arando. Plínio fala de uma Vaccinia, que é uma planta
diferente. Os autores da Idade Média referem-se-lhe, ignorando, no
entanto, a sua principal acção, antidiarreica, que deve ter sido
descoberta por empirismo popular e foi comprovada por análise
científica.

Habitat: Europa; em França, Vosges, Alpes, Pirenéus; em Portugal,


aparece nos pinhais e matos das montanhas desde o Alto Minho à serra
da Estrela; entre 400 e 2500 m de altitude. Identificação: de O,30 a
O,60 m de altura. Subarbusto; caules ramosos verdes, ligeiramente
angulosos, folhas caducas, ovais, serrilhadas e curtamente
pecioladas; flores cor- de- rosa- claras (Abril-Julho), com cálice
reduzido a 5 dentes, corola gomilosa, caduca, solitária ou aos pares
na axila das folhas; baga globosa, muito sumarenta, comprimida na
extremidade, de cor negro-violácea, pruinosa, erecta e sementes
castanhas; rizoma enredado; sabor acidulado e açucarado (baga).
Partes utilizadas: folhas frescas e secas, bagas maduras (Julho a
Setembro),
O Componentes: pigmentos antociânicos, sais minerais, tanino,
vitamina C, provitamina A, ácidos (cítrico e málico) O Propriedades:
adstringente, antidiarreico, anti-hemorrágico, anti-séptico,
hipoglicemiante. U @ L, U. E. + V Ver: acne rosácea, afta, boca,
circulação, cistite, colibacilose, diabetes, diarreia, eczema,
hemorroidas, olhos, ureia.

75
Arando-de-baga-Vermelha

Vaccinium vitis-idaea L.

Arando-vermelho

Ericáceas

Este arando é uma pequena planta vivaz das montanhas que atapeta
dispersamente o solo das florestas de coníferas, espalhando as suas
manchas arbustivas pelos matagais e

campos de pastagem até ao limite das neves eternas. Assemelha-se à


uva-ursina, que pode, aliás, ser utilizada em seu lugar, sendo o
arando facilmente reconhecível por uma pontuação existente na página
inferior das suas folhas. Como o mirtilo, o arando pertence ao
género Vaccinium. Segundo algumas opiniões, esta palavra deriva de
vacca, vaca, pois estes animais pastam a planta. Segundo outras,
deriva de bacca, baga. De facto, os frutos são muito
característicos; têm a forma e a cor de uma cereja pequena, mas são
acídulos, farinhentos e muito refrescantes. As suas utilizações são
inúmeras. Podem ser ingeridos frescos ou servir para fabricar um
vinho muito agradável, conservados em vinagre e utilizados para
fazer doce ou compota para acompanhar pratos de carne. As folhas são
sobretudo utilizadas em medicina, apresentando, no entanto, em doses
elevadas, alguma toxici-

a Em doses elevadas as folhas são tóxicas. Habitat: Europa,


montanhas, solos ácidos, matagais, florestas, campos de pastagens;
entre 300 e 3000 m. Identificação: de 0,10 a 0,30 m de altura.
Subarbusto; caule prostrado arredondado, algo pubescente na planta
jovem, ramos erectos; folhas verdes e brilhantes na página superior,
esbranquiçadas e ponteadas na inferior, persistentes, coriáceas, com
os bordos enrolados, inteiras ou ligeiramente crenadas; flores
brancas ou rosadas (Maio-Julho), formando cachos terminais
pendentes, pedunculados, cálice

com 5 lóbulos, corola campanulada com 5 pontas recurvadas; baga


globosa, vermelha, com várias sementes castanho-avermelhadas; rizoma
ramificado. Inodoro; sabor ácido. Partes utilizadas: folhas (Maio-
Agosto), fruto (Agosto-Setembro), planta inteira.
0 Componentes: ácidos orgânicos, vitamina C, provitamina A, tanino,
heterósido 0 Propriedades: adstringente, aperitivo, anti-séptico,
depurativo, diurético, hipoglicemiante. U. 1. + Ver: cistite,
diarreia, gota, reumatismo.
Arenária

Spergularia rubra (L.) J. & C. Presi

Cariofiláceas

A Spergularia rubra, que pode encontrar-se em locais arenosos, mas


não salgadiços, de algumas regiões de Portugal, é conhecida com o
nome de arenária não só devido aos locais de crescimento, como
também ao seu nome inicial, Arenaria rubra, dado por Lineu.

É uma planta anual ou bienal que se encontra disseminada nos solos


arenosos de toda a Europa e, por vezes, nas costas marítimas. Os
fitoterapeutas e os ervanários apreciam muito esta cariofilácea
filiforme
com minúsculas flores vermelhas, que possui a importante virtude de
acalmar as dores das vias urinárias. A planta inteira e seca é
utilizada numa infusão à qual se adicionam geralmente folhas de uva-
ursina. Depois de seca, reduzida a pó e incorporada em azeite,
obtém-se uma pomada que atenua as manchas do rosto, nomeadamente as
sardas.

Habitat: Europa, solos siliciosos e arenosos; até 2200 m.


Identificação: de O,05 a O,25 m de altura. Anual ou bienal, caule
frágil, prostrado e seguidamente erecto; folhas lineares, pequenas,
finas, estipulas prateadas, membranosas, soldadas umas às outras em
cada um dos nós, flores cor-de-rosa (Abril-Setembro), pequenas, em
cimeira frouxa, foliada, 5 sépalas obtusas, marginadas de branco, 5
pétalas um pouco mais curtas que as sépalas, com 7 a 10 estames e 3
estiletes; cápsula que se abre por 3 valvas, numerosas sementes
negras não aladas. Esta planta tem um cheiro herbáceo e agradável.
Partes utilizadas: planta inteira (Maio-Junho); secagem à sombra.
O Componentes: resina, sais minerais 6 Propriedades: diurético,
sedativo. U. L, LI. E. + V Ver: cistite, gota, reumatismo, sarda.

77
Argentina

Potentilla anserina L.

Ansarinha

Rosáceas

Existem diversas espécies do género Potentilla; antes da


frutificação, assemelham-se ao morangueiro, com o qual não devem, no
entanto, ser confundidas. Apenas três possuem propriedades
medicinais: o cinco-em-rama, a tormentila e a argentina, que estão
incluídas nesta obra. O nome do género deriva da palavra latina
potens, poderoso, pois a sua acção é extremamente enérgica. O nome
específico, baseado na palavra latina anser, ganso, pode traduzir-se
por erva-dos-gansos.

A argentina, pequena planta vivaz, vigorosa e sedosa, forma por


vezes vastos tapetes prateadosà beira dos charcos, próximo das
quintas. E uma erva daninha como tantas outras, muito resistente,
que suporta sem

dano ser calcada pelos pés. Durante todo o

Verão as suas flores solitárias, de um arnarelo intenso, com cinco


pétalas bem visíveis, abrem de manhã e fecham ao cair da tarde,
mantendo-se fechadas quando está mau

tempo. Além dos gansos, todos os animais de capoeira e o gado a


apreciam. A raiz mastigada faz bem às gengivas, pois facilita o
nascimento dos dentes das crianças e protege os dos adultos da
descarnadura.

O Não preparar ou conservar em recipientes de ferro. Habitat:


Europa, excepto na região mediterrânica, solos ricos, terrenos
baldios, húmidos, bermas dos caminhos; assinalada em Portugal nas
margens do rio Douro; até 1700 m. Identificação: de O,20 a O,40 m de
altura. Vivaz, estolhos compridos e delgados; folhas radicais, por
vezes verdes na face superior e mais frequentemente prateadas,
acetinadas em ambas as páginas, estipuladas, compridas, grandes,
imparipinuladas, com 15 a 25 folíolos desiguais, serradas; flores de
um amarelo intenso (Maio-Setembro), nascendo sobre as rosetas de
folhas dos rebentos, pedunculadas, solitárias, cálice de 5 sépalas,
calículo, 5 grandes pétalas patentes, numerosos estames e carpelos
lisos; aquénio ovóide; rizoma lenhoso, com raízes adventícias.
Inodora. Partes utilizadas: flores, folhas, raiz.
O Componentes: tanino, flavona, álcool, resina, amido, colina O
Propriedades: acistringente, antiespas módico, estomáquico, tónico.
U. L, U. E. + Ver: anginas, diarreia, estômago, ferida, hemorragia,
leucorreia, menstruação, pulmão.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

AristolÓquia

Aristolochia clematitis L.

Bras.: calungo, cipó-mil-homens

Aristoloqueáceas

Ao formar as flores amarelo-douradas da aristolóquia, a Natureza


preparou uma perigosa armadilha. Logo que os insectos entram na
corola, deslizam no revestimento ceroso que enche o seu interior e
são impedidos de voltar ao exterior por uma barreira de pêlos. Mais
tarde, quando a flor murcha > os pêlos secam e os prisioneiros,
salpicados de pólen, são libertados, podendo então garantir a
fecundação. Planta vivaz que prefere o calor e os solos calcários,
encontra-se frequentemente nas vinhas da região mediterrânica, onde
é facilmente identificável devido às suas enormes folhas verde-
claras em forma de coração e ao seu cheiro nauseabundo.

Várias espécies de aristolóquias, já descritas na Antiguidade, foram


durante muito tempo utilizadas devido à sua pretensa acção
estimulante do trabalho de parto. Deste facto lhe advém o nome de
aristos, excelente, e lokia, parto. Além disso, as suas propriedades
adstringentes e vulnerárias propiciaram a sua utilização em medicina
até ao século XVIII, e mesmo até aos nossos dias em alguns meios
rurais. A sua raiz deve ser utilizada seca, pois é tóxica no estado
fresco tanto para o homem como para os animais.

Habitat: Europa Central e Meridional; nos terrenos pedregosos do


Centro de Portugal, vinhas, solos calcários; até 800 m.
Identificação: de O,20 a O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto,
simples; folhas grandes, com pecíolos compridos, cordiformes, com os
bordos denticulados; flores amarelas (Maio-Junho), pediceladas,
tubulosas, inchadas na base e linguiformes no cimo, de 2 a 8 na
axila das folhas superiores, 6 estames inclusos, anteras soldadas, 6
carpelos; cápsula pendente e carnuda; rizoma rastejante, profundo e
frágil. Esta planta vivaz tem um cheiro nauseabundo; o seu sabor é
acre. Partes utilizadas: folhas, rizorna (Outono); limpar o rizoma,
deixar secar em troços.
O Componentes: alcalóide tóxico (aristoloquina), princípio amargo,
óleo essencial, tanino, resina, glúcidos O Propriedades:
acistringente, emenagogo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: artrite,
ferida, gota, menstruação, prurido, reumatismo.
Arnica

Arnica montana L.

T abaco- dos- saboi anos, betónica-dos-saboianos,

dórico-da-alernanha, tabaco-dos-vosgos, tanchagem-dos-alpes, cravo-


dos-alpes, panaceia-das-quedas, quina-dos-pobres

Compostas

A origem do nome Arnica é bastante obscura. É possivelmente uma


deformação da palavra grega ptarmica, que significa que faz
espirrar. Desconhecida na Antiguidade, a planta foi pela primeira
vez citada por Santa Hildegarda e mais tarde utilizada pela Escola
de Salerno. No século Xvi, foi descrita e desenhada pelo médico e
botânico italiano Mattioli. Seguidamente, os médicos começaram a
receitá-la com critérios diversificados; simultaneamente, discutiam-
se até à exaustão as suas virtudes e também os seus perigos. A
planta, conhecida no século XIX

como a quina-dos-pobres devido às suas propriedades febrífugas,


expressão maliciosamente deturpada pelos seus detractores em *pobre
quina+ , é hoje considerada um tóxico violento que afecta quase
todas as vísceras e o sistema nervoso. Deste modo, a sua utilização
deve limitar-se ao uso externo, tanto para o homem como para os
animais, excepto por indicação médica. A arnica é uma planta vivaz
das montanhas cujas folhas são de há muito fumadas pelos camponeses,
sendo as-

sim um precioso auxiliar para uma cura de desintoxicação tabágica.

0 Excepto por receita médica, apenas uso externo. Habitat: Europa,


montanhas, solos ácidos; em Portugal, nos prados e pauis de quase
todo o País; de 600 a 2800 m. Identificação: de 0,20 a 0,60 m de
altura. Vivaz, caule floral erecto, simples, pubescente, glanduloso;
folhas basais em roseta, junto ao solo, ligeiramente consistentes,
ovais, sendo as caulinares mais pequenas, lanceoladas; flores
amarelo-alaranjadas (Maio-Julho), em grandes capítulos isolados, que
por vezes são completados inferiormente por 2 mais peque-

nos, opostos, com 15 a 20 flores liguladas na periferia, tubulosas


no centro; aquénio papilhoso; rizoma oblíquo, castanho. Cheiro
aromático; sabor muito amargo. Partes utilizadas: folhas secas,
flores (Julho), raiz (Setembro); secagem rápida à sombra.
0 Componentes: óleo essencial, resina, tanino, ácido málico, cera,
goma, silício, pigmentos
0 Propriedades: acistringente, cicatrizante,
esternutatório, sudorífico. U. L, U. E. + o Ver: acne, cabelo,
contusão, entorse, ftiríase, tabagismo.

80
Artemísia

Artemisia vulgaris L.

Artemísia-verdadeira, artemísia-comum, flor-de-sãojoão, erva-de-


fogo, erva-de-são-j.oão

Bras.: arternigem

Compostas

A artemísia cresce nas bermas dos caminhos florestais, ao longo dos


regatos e das vias férreas, e até nas casas em ruínas. Esta planta
vivaz semelhante à losna distingue-se desta pelas folhas,
pubescentes na página inferior. Supõe-se que a Artemisia, muito
apreciada pelos médicos da Antiguidade, não era a Artemisia vulgaris
L.; na Idade Média, é realmente à artemísia que se referem o poeta
Rutebeuf e, mais tarde, Ambroise Paré. A medicina oriental utiliza
uma espécie de artemísia na moxibustão, técnica semelhante à
acupunctura e que consiste em

atear pequenos montes de folhas colocados em pontos específicos do


corpo. Durante muito tempo utilizada para tratar a epilepsia

e a dança de S. Vito, a planta é ainda actualmente usada nos meios


rurais devido à sua acção no organismo feminino, propriedade comum a
todas as plantas que têm como protectora a deusa Artemisa. No campo,
suspensa em ramos nos estábulos e nas cavalariças, a artemísia atrai
as moscas, protegendo assim os animais.

O Proibida às mulheres grávidas, tóxica em doses elevadas, o pólen é


alergénico. Habitat: Europa, terrenos incultos. Em Portugal, sebes e
bermas no Minho e Beiras; até 1600 m. Identificação: de O,50 a 1,50
m de altura. Vivaz, caule avermelhado, herbáceo, ramoso; folhas
recortadas em lóbulos agudos, verde-escuras, glabras na página
superior, tomentosas e esbranquiçadas na inferior; flores amareladas
(Ju lho- Outubro), tulbulosas, em pequenos capítulos erectos, com
invólucro, reunidas em grandes panículas de espigas frouxas; aquénio
glabro; toiça lenhosa, espessa, sem estolhos.

Cheiro a especiarias; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas


mondadas, sumidades floridas (Julho-Outubro), raiz (Outubro);
reduzir a pó, conservar resguardada da luz (sumidades e folhas),
secar no forno (raiz).
O Componentes: óleo essencial, resina, tanino, mucilagem, inulina.
As folhas contêm vitaminas Al, B1, B2 e C O Propriedades:
antiespasmódico, emenagogo, febrífugo, tónico, vermífugo. LI. L, U.
E. + o Ver: apetite, epilepsia, febre, ferida, menstruação,
parasitose, parto, pé, úlcera cutânea, vesícula biliar, vómito.
Artemísia-dos-alpes

a) Artemisia glacialis L. b) Artemisia mutellina Vill. c) Artemisia


spicata Jacq.

Bras.: artemísia

Compostas

Existem várias espécies do género Artemisia que são anãs, vivem nas
altas montanhas, onde servem de pastagem às cabras-monteses, e
noutros locais. São espécies vivazes, com caules curtos e
tomentosos, que florescem em pleno Verão e se assemelham muito,
crescendo por vezes muito próximas nos entulhos e nos fragmentos de
rochas desolados, formando manchas sedosas escondidas nas fendas das
pedras. Aqui apresentam-se as três espécies que mais frequentemente
se encontram nos Alpes. Como a maioria das plantas de alta montanha,
estas artemísias foram, durante muito tempo, ignoradas na planície,
só tardiamente sendo estudadas pelos botânicos, sempre ávidos de
conhecer novas floras, que as descobriram em aldeias alcandoradas
(uma delas atinge as altitudes mais geladas, por vezes até 3400 m
nos Alpes), onde os camponeses as utilizavam para preparar licores e
também, por vezes, com resultados funestos, como remédio para os
resfriamentos. A sua acção, efectivamente forte, impõe o cumprimento
rigoroso das doses indicadas.

Actualmente, são muito pouco utilizadas, exceptuando nas suas


regiões de origem. São plantas raras, importantes e dispendiosas,
que devem ser protegidas, se bem que, com muita facilidade e menor
despesa, seja possível substituí-Ias por plantas mais vulgares, que
produzem resultados idênticos.

O Seguir rigorosamente as doses. Habitat: rochedos; de 1800 a 3400


m. Identificação: de O,04 a O,15 m de altura. Três espécies
herbáceas vivazes em pequenas moitas; caules floridos simples;
folhas laciniadas,
11S eg u,r r, g o'osamente asdo Habita . hed s d e >800 a
1

tlf >’roco o 6 04 a 15 den >caÇã de espé c@ es herbác ea


vvaz es etas’ ca u1es f1ondos s,@p1es branco-acinzentadas,
sedosas, em maior nú mero junto à base, e pecioladas; flores
tulbulosas amarelas (Julho-Setembro), em pequenos capítulos
subglobosos. Cheiro intenso a absinto; sabor amargo. a) Rosetas de
folhas com divisões trifurcadas; capítulos agrupados na extremidade
superior dos caules curtos com raras folhas; invó lucro marginado de
castanho;
b) folhas raras todas pecioladas, palmadas, com limbo curto; flores
amarelo-claras em pequenos capítulos solitários, quase todos
pedunculados; c) tufos isolados com 1 a 2 espigas compridas e
curvas, unilaterais, com capítulos enegrecidos, pequenos e sésseis.
Partes utilizadas: planta florida e raiz (Julho-Setembro); secagem à
sombra.
O Componentes: óleo essencial, princípios amargos O Propriedades:
aperitivo, emenagogo, estomáquico, sudorífico, tónico, vulnerário U.
L, U. E. Ver: apetite, astenia, menstruação.

82
ÁZARO
*//* faltam os outros nomes

O ásaro é uma pequena e caprichosa planta, facilmente identificável


entre as muitas

que atapetam o solo dos bosques de árvores frondosas. Floresce


precocemente no fim do Inverno, dissimulando as suas flores
campanuladas solitárias sob as brilhantes folhas reniformes.
Esmagada entre os dedos, toda a planta exala um perfume semelhante à
terebintina e o seu sabor acre provoca náuseas. A sua designação em
francês, asaret, deriva de uma palavra grega que significa
desagradável. Outro dos seus nomes vulgares em

francês, cabaret, evoca a utilização que outrora lhe davam os ébrios


para aliviar o estômago, dissipar a embriaguez e, por vezes, poderem
continuar a beber.

Planta vivaz, o ásaro é conhecido desde tempos remotos devido à sua


acção muito dinâmica, sendo classificado por Gilbert como *remédio
que cresce em todos os canteiros+. Efectivamente, o ásaro é
vomitivo, purgativo, diurético, expectorante e esternutatório. Para
além das suas aplicações medicinais, que devem ser prudentemente
vigiadas, o ásaro produz um corante de uma bonita cor verde-maçã que
serve para tingir lã.

O Venenoso. Perde parte da toxicidade e da

eficácia após a secagem. Habitat: Europa Central, sobretudo nas


montanhas, excepto na região mediterrânica, solos calcários,
florestas de árvores frondosas; até

Venen oso ef"á',a após Hab tat. Eurol:

1700 m. Identificação: de O,10 a O,15 m de altura. Vivaz, caules


rastejantes semi-subterrâneos, sendo os aéreos muito curtos e
escamosos; folhas verde-escuras, brilhantes, reniformes, com pecíolo
comprido e viloso; flor castanha e cor de púrpura na parte interior
(Março-Maio), solitária, pouco visível na base das folhas,

campanulada, Pubescente, pedunculada; cápsula rija, com 6 láculos


contendo cada um 2 fileiras de sementes; rizoma castanho, sinuoso.
Cheiro específico, apimentado, canforáceo; sabor acre e nauseabundo.
Partes utilizadas: folhas (Verão), rizoma, fresco ou colhido há
menos de 6 meses (Primavera ou Outono).
O Componentes: óleo essencial que contém asarona O Propriedades:
emético, esternutatório, expectorante, purgativo. LI. L, U. E. +
Ver: asma , bronquite, cefaleia.

83
Aspérula-odorífera

Asperula odorata L.

Rubiáceas

Esta graciosa planta dos frescos e sombrios bosques de faias tem, de


certo modo, os seus pergaminhos. No século XVIII, Estanislau
Leczinski, rei da Polónia, tomava todas as manhãs uma chávena de chá
de aspérula e afirmava que a sua robusta saúde se devia a este
simples hábito. Ainda hoje, na Alsácia, Bélgica e Alemanha o
macerado de toda a planta serve para preparar um vinho reputado
pelas suas virtudes tónicas e digestivas; é indispensável numa cura
de Primavera para eliminar as toxinas acumuladas durante o Inverno.
Misturadas com folhas de menta e de tussilagem, as folhas de
aspérula proporcionam aos fumadores inveterados um agradável
sucedâneo do tabaco que pode facilitar uma cura de desintoxicação.

Nos bosques, a aspérula é pouco aromática, só se desenvolvendo o seu


suave perfume após a secagem. Misturada com as forragens, a planta
dá ao leite das vacas um aroma delicioso. Os ramos de aspérula foram
utilizados durante séculos para defumar os quartos, perfumar a roupa
de casa e afugentar os insectos.

A a spéru 1 a- odorífera é facilmente identificável: as suas folhas,


opostas, formam estrelas com seis ou oito pontas, bastando fazer
deslizar o dedo indicador ao longo dos bordos e sob a nervura
central para sentir os finos relevos que inspiraram o seu nome; as
pequenas flores brancas, têm a forma de campainhas.

Habitat: zonas temperadas da Europa, com excepção da região


mediterrânica, bosques frescos, matas de faias, solos rochosos; até
1600 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, caule
erecto, simples, quadrangular, liso, com um anel de pêlos sob os
verticilos; folhas verde-escuras, lanceoladas, agudas, glabras, de 6
ou 8 em cada verticilo; flores brancas (Abril-Junho), pequenas, em
corimbos terminais, em tubo curto com 4 lóbulos; fruto formado por 2
carpelos globosos, aderentes, eriçados de pêlos recurvados; parte
subterrânea

delgada e rastejante. Cheiro aromático; sabor agradável e amargo.


Partes utilizadas: planta inteira (princípio da floração), excepto a
raiz; fazer ramos e suspendê-los; escurece ao secar.
O Componentes: cumarinas, lípidos, vitamina C (folhas), pigmentos O
Propriedades: anti-séptico, colagogo, depurativo, diurético,
sedativo, tónico, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: abcesso, cefaleia,
cura de Primavera, digestão, insectos, litíase, nervosismo,
palpitações, sono, tabagismo, vesícula biliar.
84
Aveleira

Corflus avellana L.

Avelaneira

Betuláceas

A aveleira é um dos vegetais mais antigos, pois já existia na era


terciária, tendo sido encontrados numerosos fósseis de folhas; os
povos pré-históricos ingeriam os seus frutos, que têm sido
descobertos em alguns túmulos neolíticos. Este arbusto, que floresce
em

Setembro e cujos amentilhos amarelos espalham, em pleno Inverno, o


pó dourado do seu pólen, é muito conhecido.

A palavra Corflus deriva do grego corYs, elmo; a avelã está, com


efeito, encerrada numa bráctea verde, como uma cabeça dentro de um
elmo.

Os médicos da Antiguidade tinham conceitos diversos sobre a


aveleira. Dioscórides opinava que era nociva para o estômago, mas
acalmava a tosse; Santa Hildegarda aconselhava-a como remédio para a
impo~ tência; Mattioli receitava-a, depois de moída e misturada com
gordura de urso, para o

repovoamento capilar; Amato Lusitano considerava-a infalível para


curar a *doença da pedra+; Craton indicava-a para as cólicas
nefríticas. Apesar de tudo, há pelo menos

uma certeza: a avelã é extremamente nutritiva, estimulante e menos


@ndigesta que a noz. A raiz com veios da aveleira é utilizada em
trabalhos de embutidos, e dos seus ramos flexíveis faz-se uma vara
bifurcada utilizada pelos vedores para descobrir veios de água,
extremamente importante nos meios rurais.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte, bosques, matas, sebes,


jardins e parques, margens dos riachos; disseminada principalmente
no Norte de Portugal; até 1500 m.

Identificação: de 3 a 5 m de altura. Arbusto, ou pequena árvore com


os rebentos revestidos de pêlos glandulosos; folhas moles, ovais,
terminadas em ponta, duplamente serradas, pubescentes quando jovens,
alternas; amentilhos masculinos amarelo-dourados (Setembro),
alongados e pendentes, e amentilhos femininos (Janeiro-Fevereiro)
apenas visíveis pelos estiletes salientes vermelhos; fruto seco
indeiscente encerrado no invólucro, cúpula foliacea, 1 semente e em
alguns casos 2. InodoraPartes utilizadas: amentilhos, casca dos
ramos jovens, folhas, sementes.
O Componentes: flavon6ides, tanino O Propriedades: acistringente,
anti-hernorrágico, anti-sudorífico, depurativo, febrífugo,
vasoconstritor. U. I., U. E. M Ver: circulação, edema, epistaxe,
febre, ferida, flebite, obesidade, olhos, pele, varizes.

85
Avenca

Adiantum capiflus veneris L.

Capilária; avenca-de-montpellier Bras.: avenca-cabelo-de-vénus

Polipodiáceas

É um pequeno feto também conhecido por capilária devido aos seus


pecíolos extremamente finos e ao seu suposto poder de impedir a
queda do cabelo. O nome popular de capilária foi também atribuído a
outros fetos de pequeno porte, se bem que pertencentes a outro
género. Quanto ao nome científico Adiantum, deriva do grego
adiantos, não molhado, pois as suas folhas, quando mergulhadas em
água, permanecem secas e as

gotas e c uva es izam so re elas sem as molhar. Em Portugal,


encontra-se nas fontes, poços e locais húmidos de quase todo o
território.

Foi outrora tão obstinadamente admirada que, no século XVII, Pierre


Formius a considerou *um segundo ouro+ que dominava todas as doenç
as dos pulmões; na realidade, é apenas um béquico ligeiramente
diurético, próprio para crianças. Em França, no século XVIII, sob a
Regência, popularizou-se uma

bebida, a bavaroise, feita com infusão de chá, xarope de avenca,


leite quente e açúcar. Esta planta deve ser utilizada fresca, pois
perde uma parte da sua eficácia quando seca.

Habitat: Europa Meridional, incluindo Portugal quase todo, Grã-


Bretanha, Sul de França, entrada de grutas, rochedos húmidos,
nascentes, poços, solos calcários; até 1300 m. Identificação: de
O,10 a O,40 m de altura. Feto em manchas pouco densas; pecíolos e
respectivas ramificações muito finos, pretos ou castanho-escuros,
lisos; frondes com folíolos triangulares, em forma de leque,
chanfrados em lóbulos, na extremidade dos quais nascem os
esporângios numa prega do bordo exterior, caules subterrâneos,
cobertos de escamas. Cheiro suave; sabor ligeiramente amargo.

Partes utilizadas: frondes (Junho-Setembro).


O Componentes: tanino, mucilagem, açúcar, ácido gálico, vestígios de
essência, capilarina, princípio amargo O Propriedades: béquico,
diurético, emenagogo, emoliente. U. L, U. E. + Ver: anginas,
bronquite, cabelo, tosse,
Avoadinha

Erigeron canadensis L. Bras.: cauda-de-raposa

Compostas Desconhecida na Europa até 1655, esta planta foi importada


da América do Norte para um jardim botânico francês. Dali colonizou
toda a Europa, pois encontra-se muito disseminada, excepto nas
florestas e nos prados naturais. Invade os terrenos e neles se
instala, povoando-os, por vezes, quase exclusivamente. Os seus
pequenos capítulos, de um branco-baço, e o longo caule fusiforme não
lhe conferem um aspecto agradável. Não obstante ser uma resinosa, a
planta resiste admiravelmente às queimadas para limpeza dos
terrenos.

Erigeron é o nome grego da avoadinha e

deriva de èr, Primavera, e de gêron, velho; é uma alusão à formação


de penachos brancos nos indivíduos jovens logo que as flores
murcham. Nos Estados Unidos e no Canadá, seus países de origem, a
avoadinha é muito apreciada devido às suas virtudes medicinais, pois
é um anti-hemorrágico e um vermífugo; a planta é geralmente
utilizada pelas suas propriedades diuréticas.

Habitat: Europa, extremamente vulgar, campos, terrenos baldios,


areias das arribas, caminhos, vias férreas; frequente em Portugal,
surgindo subespontânea nos campos cultivados, areias, entulhos e
terrenos incultos, do Minho ao Algarve; até 1000 m. Identificação:
de O,10 a 1 m de altura. Anual; caule erecto, único, peludo, muito
ramoso; folhas alongadas, estreitas, inteiras ou serradas no
vértice, verde-acinzentadas; flores esbranquiçadas (Junho-Outubro),
em longa panícula com grande número de pequenos capítulos,
tulbulosas, amarelas no centro, com lígulas curtas esbranquiçadas na
margem; aquénio com papilho esbranquiçado, de pêlos unisseriados,
Partes utilizadas: caule com folhas e flores e suco fresco.
O Componentes: tanino, resinas, ácido gálhico, óleo essencial O
Propriedades: anti-inflamatório, diurético. LI. 1. + Ver:
albuminúria, artrite, celulite, cistite, diarreia, gota, leucorreia.
Azedas

Rumex acetosa L.

Vinagreira Bras.: azedinha-da-horta

Poligonáceas

Aazeda pertence, como a bistorta e o labaçol, à família das


Poligonáceas. Muito difundida nos campos, é familiar às crianças,
que gostam de chupar as suas folhas ácidas, e nefasta para o gado,
pois provoca-lhe diarreia. Existem várias espécies cultivadas, não
ignorando os agricultores que as azedas que crescem ao sol são ainda
mais ácidas do que as que se desenvolvem à sombra.

Devido às suas propriedades depurativas e digestivas, as azedas


fazem parte da composição de um caldo de ervas, benéfico para
pessoas febris ou após um período de purga, para o que basta ferver
40 g de folhas jovens de azeda, 20 g de alface e de alho-porro, 10 g
de espinafres, 10 g de cerefólio, 10 g de acelga e uma noz de
manteiga. Apesar da sua grande utilidade, esta planta não é
totalmente benéfica, pelo que não deve ser ingerida em excesso; os
doentes de artrite, gota, litíase e reumatismo, além dos que sofrem
de hiperacidez gástrica, não devem utilizá-la.

0 pólen produzido pelas azedas em grande quantidade é susceptível de


causar alergias, podendo também provocar manifestações de polinose
nas pessoas sensíveis.

0 Vedada aos doentes de artrite, gota, litíase e reumatismo;


incompatível com as águas minerais; não utilizar recipientes de
cobre. Habitat: Europa; em quase todo o País; até 2300 m.
Identificação: de 0,30 a 1 m de altura. Vivaz, caules avermelhados,
estriados, ocos e ramificados; folhas grandes, verde-escuras na
página superior, glaucas na inferior, lanceoladas, com aurículas
acuminadas, estipulas soldadas formando bainha, folhas da base com
pecíolos compridos; flores verdes ou avermelhadas (Maio- Setembro),
em cachos compostos, pequenas, dióicas, 6 pétalas marcadas por
estrias

vermelhas com 2 verticilos, 6 estames pendentes, 3 estiletes e


estigmas em forma de pincel; aquénio trigonal e 1 semente; rizoma
castanho-escuro. Sabor ligeiramente ácido. Partes utilizadas: folhas
e caule frescos e raiz.
0 Componentes: oxalato de potássio, ácido oxálico, ferro, clorofila,
vitamina C 0 Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, depurativo,
digestivo, diurético, emenagogo, estomáquico, laxativo, refrescante,
tónico. U. I., U. E. + o Ver: abcesso, acne, apetite, cura de
Primavera, obstipação, pele, picadas, sede.
Azevinho

flex aquifoflum L.

Pica-folha, visqueiro, azevinho-espinhoso, zebro,

pica-rato, aquifólio, espinha- sempre- verde

Aquifoliáceas

Toda a gente conhece o azevinho, que normalmente ornamenta as


decorações das festas natalícias entrelaçado com o visco. É um dos
arbustos ornamentais mais cultivados nos jardins e parques das
regiões temperadas, onde, durante todo o Inverno, na axila das
folhas coriáceas, e parecendo encerados pela mão cuidadosa de uma
dona de casa, brilham os seus frutos maduros, semelhantes a pequenas
bolas vermelhas. O azevinho parece sempre verde, pois as suas
folhas, que têm mais de um ano de vida, não se renovam
simultaneamente. Planta de crescimento muito lento, pode tornar-se,
em climas que lhe sejam propícios, como o da Córsega, uma bela
árvore com cerca de 10 m de altura e viver até aos 300 anos. As
folhas das árvores jovens, sobretudo as dos ramos mais baixos, são
terrivelmente agressivas e picantes; porém, com a idade, tornam-se
macias e ovais e, à semelhança de todos os velhos, perdem os dentes.
As bagas não devem ingerir-se, pois são um purgativo violento.

44

O Não ingerir as bagas. Habitat: Europa temperada, matas; em todo o


território português, em bosques, sendo mais abundante na zona
norte; até 2000 m. Identificação: de 1 a 10 m de altura. Arbusto ou
pequena árvore; caule com casca lisa, glabro e lenho duro; folhas
verde-escuras na pá gina superior, mais claras na inferior,
extremamente onduladas, dentado-espinhosas, brilhantes, cerosas,
coriáceas e alternas, com pecíolo curto, persistentes, compridas,
sendo as superiores frequentemente ovais, inteiras e planas; flores
brancas ou cor-de-rosa (Maio-Junho), em corimbos na axila de folhas
subsésseis, peças florais em grupos de 4 e mais raramente de 5; baga
vermelha, madura em Setembro-Outubro, contendo de 4 a 5 caroços
triangulares. lnodoro; sabor amargo. Partes utilizadas: folha (todo
o ano), casca (Primavera); secagem à sombra ou ao sol.
O Componentes: tanino, ilicina O Propriedades: antiespas módico,
emoliente, febrífugo, tónico. U. L, U. E. + o Ver: bronquite,
diarreia, febre.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Becabunga

Veronica beccabunga L.

Morrião-d'água Bras.: verónica

Escrofulariáceas

As espécies de Veronica distinguem-se facilmente de outras flores


com quatro pétalas, principalmente das da família das Crucíferas,
porque, ao contrário destas, possuem duas pétalas de dimensões muito
diferentes. Além disso, a sua cor azul ou lilás é a mais frequente.

Supõe-se que o nome do género é uma alusão à toalha com que Santa
Verónica limpou o rosto de Cristo durante a sua Paixão e que
conservou as marcas de um rosto humano; assim, com alguma
imaginação, é possível observar, na corola bem aberta de certas
espécies de Veronica, uma fácies humana.

A becabunga cresce nos regatos e em águas de fraca corrente. Os seus


caules, primitivamente prostrados, tornam-se lentamente erectos.
Considerada depurativa, pode substituir o agrião; aliás, o gosto das
suas folhas frescas assemelha-se ao desta planta. Pode ser preparada
em salada só ou misturada com beldroegas e agriões. Uma outra
espécie aquática, a Veronica anagallis L., ligeiramente maior e com
folhas mais pontiagudas, possui as mesmas propriedades.

Habitat: Europa, nascentes, regatos, valas, pântanos; em Portugal,


surge nos locais húmidos, fontes, ribeiros, lameiros, a norte do
Tejo; até 2400 m. Identificação: de O,10 a O,60 m de altura. Vivaz,
caules prostrados, radicantes, seguidamente ascendentes, glabros,
cilíndricos, maciços ligeiramente ramificados; folhas opostas,
glaoras, com pecíolo curto, limbo carnudo, finamente crenadas, parte
superior arredondada; flores azuJ-claras (Maio- Sete m bro), em
pequenos cachos frouxos na axila das folhas superiores, corola
curta, 4 lóbulos desiguais, sendo

o superior formado pela união de 2 pétalas e o inferior mais pequeno


que os 2 laterais, 2 estames; cápsula arredondada, glabra, túrgida e
chanfrada. Partes utilizadas: caule e sumidades floridas, folhas
frescas ou secas (início da floração); secagem à sombra.
O Componentes: tanino, heterósido, aucubósido O Propriedades:
depurativo, detersivo, diurético, estimulante, resolutivo. U. I.,
LI. E. + V o Ver: dartro, hemorróidas, sarda, úlcera cutânea.

91
Bérberis

Berberis vulgaris L. Uva-espim, espinheiro-vinheto

Berberidáceas

O gosto agridoce e acidulado das bagas da bérberis conferiu-lhe a


designação de azeda-dos-bosques; é, no entanto, muito diferente da
azeda, com os seus frágeis e débeis ramos, os seus cachos de flores
amarelas que murcham rapidamente e as suas folhas pungentes que caem
no Outono. Tal como a primavera, o epilóbio, a salva e outras, a
bérberis faz parte do tipo de plantas que necessitam dos insectos
para efectuar a polinização; um leve atrito faz erguer os estames,
colocando-os em contacto com o estigma. Qualquer pessoa pode fazer
actuar este fascinante mecanismo com a ponta de um alfinete.

Este arbusto vivaz e ornamental era muito cultivado nos jardins até
à descoberta do seu papel na transmissão de um fungo causador de uma
grave doença dos cereais, a ferrugem negra, ou alforra negra. Os
seus usos dietéticos são variadíssimos, pois os frutos verdes,
conservados em vinagre, consomem-se como as alcaparras e quando
maduros servem para o fabrico de doces, geleias, pastilhas, antiga
especialidade da cidade francesa de Dijon, muito apreciada por
Voltaire, e xaropes.

Habitat: Europa, solos calcários, bosques, sebes, silvados; Norte de


Portugal; até 1900 m.

Identificação: de 1 a 3 m de altura. Arbusto erecto, casca cinzenta;


ramos canelados, lenho duro amarelo; folhas verde-claras rígidas,
desiguais, obovadas, marginadas de cílios espinhosos, venadas na
página inferior, reunidas em ramos ao nível de um espinho
tripartido; flores amarelo-vivo (Maio-Junho), cada uma delas
constituída por 6 sépalas, 6 pétalas e 6 estames em volta de um
carpelo encimado por um disco estigmatífero persistente, em cachos
pendentes mais compridos que as folhas; baga

cor de coral, ovóide (5 mm), com 2 ou 3 sementes. Inodora; sabor


extremamente ácido (baga) e amargo (casca). Partes utilizadas: fruto
(Setembro), folhas (Maio-Junho), casca da raiz fresca (Outono).
O Componentes: alcalóides, vitamina C O Propriedades: aperitivo,
colagogo, diurético, estomáquico, laxativo, tónico. U. 1. + Ver:
apetite, astenia, circulação, escorbuto, fígado, gota, gravidez,
hipertensão, litíase, menopausa, menstruação, obstipação, rubéola,
varizes.
Betónica

Stachys officinalis (L.) T@ev.

Cestro

Labiadas

A betónica é uma graciosa planta vivaz cujo frágil caule está


rodeado, na base, por folhas em forma de coração; a parte superior é
guarnecida por uma espiga compacta de flores cor de púrpura.
Encontra-se com frequência na Europa, exceptuando as regiões
mediterrânicas.

Os Egípcios já lhe atribuíam virtudes mágicas. Os Gregos e os


Romanos também a conheciam, e num texto atribuído ao médico de Nero
enumeram-se, pelo menos, 50 doenças que não resistiam à sua acção.
Actualmente, de todas as virtudes que os nossos antepassados
atribuíam à betó nica, muito poucas foram confirmadas. O uso interno
da raiz, devido à violência da sua acção e às perturbações que pode
provocar, ficou restringido a receita médica. No entanto, as
cataplasmas de folhas frescas são muito eficazes para acelerar a
cicatrização das úlceras. As folhas, fumadas em lugar de tabaco,
podem facilitar uma cura de desintoxicação. hai ainda quem as
coloque no forro dos chapéus para aliviar as dores de cabeça; para
desencadear espirros benéficos para a desobstrução nasal, devem ser
reduzidas a pó e inspiradas.

O A raiz provoca, por vezes, vómitos. Habitat: Europa, bosques


claros, solos argilo~ sos, siliciosos; até 1700 m. Identificação: de
O,30 a O,60 m de altura. Vivaz, caule erecto, delgado, quadrado,
simples, pouco folhoso; folhas verdes nas duas faces, com nervuras
nítidas, oblongas, as da base cordiformes, rugosas, recortadas,
sendo as da roseta basal pecioladas, as caulinares espaçadas,
progressivamente menos pecioladas, e as da espiga sésseis; flores
cor de púrpura, por vezes cor-de-rosa (Junho-Setembro), espiga
terminal densa, cálice curto, com 5 dentes,

corola tubulosa com o lábio superior longo e o inferior com 3


lóbulos; tetraquénio. Cheiro suave; sabor amargo e acre. Partes
utilizadas: raiz, folhas (Junho-Julho).
O Componentes: substância amarga, tanino, betainas, heterósido,
saponósido O Propriedades: acistringente, aperitivo, emético,
esternutatório, estomáquico, expectorante, purgativo, vulnerário. U.
L, U. E. Ver: abcesso, constipação, ferida, gota, tabagismo, úlcera
cutânea.
Bétula

Betula alba L.

Vidoeiro, bidoeiro, bédulo, vido

Betuláceas

A bétula é uma árvore muito conhecida, com cerca de 30 m de altura,


folhagem pouco espessa e amentilhos flexíveis que se desenvolve nos
terrenos frescos e arenosos entre outras espécies, das quais se
distingue facilmente devido ao seu aspecto gracioso. Esta árvore,
cuja origem remonta a mais de
30 milhões de anos, foi utilizada em todos os tempos para satisfazer
as necessidades do homem. Inicialmente, foi alimento vegetal e, mais
tarde, satisfez as exigências da técnica; a sua madeira e a sua
casca foram trabalhadas por tamanqueiros, carpinteiro@ carros,
pedreiros, marceneiros, tinturei curtidores e perfumistas de todo o
mu

ocidental. A sua ramagem é utilizada fabrico das varas com as quais


se açoitar apreciadores de sauna. Apesar do seu @

quíssimo passado utilitário, as aplica( medicinais da bétula são


mais recentes. ta Hildegarda, no século XII, citou pela meira vez a
acção cicatrizante das suas

res. Actualmente, utilizam-se também as lhas, a casca, as gemas e a


seiva. A seca

é realizada à sombra.

Habitat: Europa; até 2000 m. Identificação: de 20 a 30 m de altura.


Árvore; tronco esguio, ramos flexíveis, sendo os jovens pendentes;
casca lisa castanho-dourada e mais tarde branca e acetinada; depois
dos 20 anos, abre gretas e desprende-se em lacínias na base; folhas
glabras, brilhantes e escuras na página superior, triangulares ou
romboidais, dentadas no ápice, com nervuras espaçadas, caindo a
partir de Outubro; amentilhos masculinos (Abril-Maio), amarelo-
alaranjados e compridos, amentilhos femininos pedunculados, curtos,
com estigmas vermelhos, caducos na

maturação; aquénio pequeno e alado (a Cheiro levemente aromático e


penetrant, Partes utilizadas: gemas, casca e seiva (Pr mavera),
folhas (Junho-Setembro).
O Componentes: saponósido, tanino, resin óleo essencial, heterósidos
O Propriedade anti-séptico, cicatrizante, colerético, depura] vo,
diurético, estimulante, sudorífico. U. L, U. E. + V Ver: cabelo,
colesterol, cura de Primavera, da tro, edema, ferida, gota,
intoxicação, litías obesidade, pele, reumatismo, sarda, sudaçã tez,
ureia.

94
Bistorta

PolY,gonum bistorta L. Colubrina, serpentária-vermelha

Poligonáceas

A bistorta reconhece-se pelo caule simples e erecto, com nós bem


marcados, típicos da família, e por longas espigas de flores cor-de-
rosa-pálidas. E uma planta vivaz em cujos maciços zumbem as abelhas.
Abunda, a partir de 500 m de altitude, nas valas, nas margens dos
pegos e dos pâ ntanos, ao longo dos rios e nos prados das montanhas.
Procura os locais frescos e a sua própria presença indica a humidade
destes. A bistorta é culti~ vada nas hortas devido às suas folhas,
de gosto ligeiramente amargo, que são preparadas como os espinafres;
porém, quando nascidas nos prados, o gado não as aprecia. As
sementes constituem um alimento para as aves de capoeira.

As virtudes da planta são reconhecidas desde o Renascimento. O


rizoma é utilizado em medicina; castanho e carnudo, muito difícil de
arrancar, tem uma forma singular, sinuosa e, como indica o nome da
espécie, duas vezes torcida, pois bistorta é uma palavra formada
pelo prefixo bis, duas vezes, e torta, torcida. Antes da existência
dos antibióticos, era utilizada como tónico preventivo e no
tratamento da tuberculose. Arrancar o rizoma, lavar, cortar em
rodelas; secar rapidamente ao sol.

O Não deve estar em contacto com o ferro. Incompatível com a quina e


a cola. Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; próximo de
Montalegre; de 500 a 2400 m. Identificação: de O,30 a 1 m de altura.
Vivaz, caule simples, erecto, cilíndrico, estriado, nodoso,
ligeiramente folhoso; folhas basais verde-escuras e glabras na
página superior, glaucas na inferior, grandes, oblongas ou
lanceoladas, limbo com bordos ásperos, decorrente sobre o pecíolo,
as folhas superiores são sésseis e invaginantes; flores cor-de-rosa-
pálidas (Maio-Julho), em espiga terminal compacta, 5

divisões petalóides, 8 estames salientes, 3 es tiletes livres;


aquénio trígono, castanho, liso; rizoma carnudo, profundo,
bitorcido, castanho na parte exterior, avermelhado na interior.
Inodoro; sabor ácido (folhas), amargo (rizoma). Partes utilizadas:
rizoma (Outono).
O Componentes: tanino, glúcidos, vitamina C, ácido oxálico O
Propriedades: acistringente, antidiarreico, tónico, vulnerário. U.
L, U. E. + o Ver: anginas, boca, diarreia, enurese, ferida
hemorragia, hemorroidas, leucorreia.
Bodelha *//* refazer esta

Fueus vesiculosus L.

Botelho, sargaço-vesiculoso, vareque-ve@

alga-vesiculosa, carvalho-rriarinhc carvalhinho-do-mar, botilhão-


vesicul

Fucáceasp

Euma alga castanha das baixas pri des marítimas, extremamente


abun( rochedos, onde a sua acumulaçã vulgarmente de 15 a 20 cm de
espe

Plínio descreveu a bodelha com de Quercus marina; era então utili2


as dores das articulações. Muito p( século Xviii para o tratamento
dos escrofulosos, da asma e das doença@ o seu uso é abandonado nos
inícios i

XIX, quando Courtois descobre o


1811. No entanto, em 1862, Duch parc apercebe-se de que a bodelha tc
priedade de absorver as gorduras. mento faz-se por meio de pílulas,
su: primeiros sintomas de emagrecin cabo de 15 dias, por meio de ba
quais se adiciona um grande pur bodelha, ou ainda friccionando as
z( das com um punhado de bodelha 1 Fucus é arrancado aos rochedos
pel cheias e de novo lançado sobre e populações anglo-saxónicas do
litor@ vam-no na alimentação, e os Fr como adubo.

Habitat: costas do Atlântico e da Mancha; frequente nas praias de


toda a costa portuguesa. Identificação: de O,10 a 1 m de altura.
Alga castanha; talo achatado, foliáceo, regularmente dicotómico, com
pequenas vesículas repletas de ar dispostas ordinariamente aos pares
e servindo de flutuadores; talo fixo ao rochedo por um disco
basiliar provido de rizóides; quando se agitam os conceptáculos,
situados nas extremidades dos talos, libertam uma mucosidade
avermelhada ou amarelada, os anterídeos, elementos masculinos, e as
oosferas, elementos femininos: a fusão faz-se na

água, produzindo uma germinação im Cheiro marinho; sabor salgado,


insípido, laginoso. Partes utilizadas: talo inteiro (todo o an@
cagem ao sol.
O Componentes: iodo, bromo, sais mi aminoácidos, oligoelementos,
vitaminas E, provitamina A O Propriedades: depi. estimulante,
laxativo. LI. I., U. E. + O Ver: arteriosclerose, banho, bácio, c
obesidade, obstipação, psoríase.
Bolsa-de-pastor

Capsella bursa pastoris Moench.

Erva-do-born-pastor

Crucíferas

A bolsa-de-pastor floresce ao longo de todo o ano em todo o Mundo,


exceptuando as

regiões áridas. Conhecida desde tempos muito remotos, as suas


qualidades foram mal definidas na Antiguidade e na Idade Média. No
século XVI, Mattioli resumiu o juízo da época nesta afirmação: é um
bom hemostático. No decorrer da 1 Guerra Mundial, a medicina oficial
interessou-se profundamente por esta planta, a fim de tentar
substituir dois remédios clássicos: a cravagem do centeio e o
hidraste. H. Leclerc cita o caso de um pastor que curou uma jovem
que sofria de hemorragias uterinas, dando-lhe de hora a

hora uma colher de café de suco fresco de bolsa-de-pastor, o mesmo


remédio com que tratava as ovelhas.

O nome de bolsa-de-pastor deve-se à forma dos seus frutos, que se


assemelham à bolsa dos pastores, e Capsella deriva do latim e

significa pequeno cofre.

O Respeitar as doses. Habital: Europa; todos os terrenos não áridos,


culturas, jardins, bermas dos caminhos, muros velhos, terrenos
baldios, entulhos e interstícios do pavimento das ruas em quase todo
o território de Portugal; até 2300 m. Identificação: de O,08 a O,50
m de altura. Anual, caule florífero erecto, continuando a crescer
durante a floração; folhas da base em roseta junto ao solo; as
caulinares quase inteiras, sésseis, amplexicaules; flores brancas
(todo o ano, mesmo após a maturação dos frutos), pequenas, em cacho
pouco denso; silícula triangular. Inociora; sabor ligeiramente
salgado. Partes utilizadas: planta inteira sem a raiz, fresca ou
seca (todo o ano).
O Componentes: saponósido, tanino, potássio, ácidos málico, acético,
cítrico, fumárico, tiramina, colina O Propriedades: acistringente,
hemostático, tónico. U. L, LI. E. + o Ver: epistaxe, ferida,
hemorragia, menopausa,

97
Bonina

Bellis perennis L. Margarida, margarita Bras.: mãe-de-família,


margaridinha,

malmequer-branco

Compostas

Pequena e omnipresente mesmo em pastagens a grandes altitudes, a


bonina floresce a partir da Páscoa, muito antes das outras plantas e
durante quase todo o ano. Apesar do seu pequeno porte e do seu
aspecto frágil, suporta facilmente frios intensos, até aos 170C
negativos; durante a noite, ou quando chove, pende e fecha-se;
durante o dia segue o movimento do Sol, oferecendo-lhe os seus
delicados capítulos brancos com centro amarelo. 0 nome científico,
tanto o genérico como o da espécie, descreve bem esta viçosa planta
espontânea e as suas numerosas variedades cultivadas pelo homem:
bela e graciosa, Bellis, e vivaz, perennis. Conhecida desde o
Renascimento devido às suas virtudes medicinais, a bonina foi votada
ao ostracismo na Alemanha no século XVIII e sistematicamente
destruída, pois suspeitava-se, embora injustificadamente, dos seus
efeitos abortivos. As flores e folhas frescas esmagadas aliviam as
dores provocadas por contusões e entorses. A medicina homeopática
utiliza, devido à sua acção tónica sobre a musculatura vascular, uma
tintura preparada com a planta florida. Em casos de insuficiência
hepática, utiliza-se uma mistura de bonina, taráxaco e fumária. 0
chá de bonina, tomado três vezes por dia, entre as refeições, é
óptimo para crianças débeis.

Habitat: Europa, bosques, taludes, relvados; frequente em Portugal;


até 2400 m. Identificação: de 0,04 a 0,20 m de altura. Vivaz, caule
subterrâneo; folhas em roseta basal, pecioladas, largas,
espatuladas, pouco e largamente serradas, com pêlos curtos e uma só
nervura visível; flores amarelas e branco-rosadas (todo o ano), em
capítulos solitários, gamopétalas, receptáculo cónico com flores
tubulosas amarelas, rodeado por lígulas brancas matizadas de cor-de-
rosa na página inferior, invólucro com brácteas ovado-oblongas e
bisseriadas; aquénio oval seco, marginado,

isento de papilho, em que os da periferia são ligeiramente


pubescentes; toiça vivaz, com numerosos rebentos. Sabor adocicado,
tor- nando-se amargo. Inodora. Partes utilizadas: folhas, flores
(todo o ano).
0 Componentes: saponósido, óleo essencial, tanino, mucilagem,
princípio amargo, ácidos orgânicos, resina 0 Propriedades: anti-
infiamatório, depurativo, diurético, expectorante, sudorífico,
tónico, vulnerário. U. L, U. E. + V o Ver: anginas, bronquite,
edema, entorse, ferida, furúnculo, hipertensão, icterícia, sarda,
rim.
Borragem

Borrago officinalis L.

Borrage

Borragináceas

O facto de esta planta não ser citada em qualquer texto da


Antiguidade levou os historiadores a admitir que a borragem fora
importada de África na Idade Média. Alguns autores atribuíram-lhe
uma etimologia árabe, de abou, pai, e rash, suor, devido ao

carácter sudorífico, das flores, mas esta fabulosa ideia não teve
seguidores. Embora borragem proceda da palavra latina borrago, a sua
origem permanece uma incógnita.

Planta anual, forma enormes manchas que apresentam durante todo o


Verão as suas ingénuas flores azuis com estames escuros à beira dos
caminhos, nos jardins abandonados, próximo de paredes velhas ou em
ruínas.

A borragem é um remédio de acção-suave, muito apreciado na medicina


popular. Activa quando fresca, deve colher-se apenas a quantidade
necessária. As suas folhas podem ser ingeridas cruas em salada ou
cozidas em sopas; trituradas juntamente com agrião e taráxaco,
produzem um sumo depurativo excelente para a tez. Para aproveitar a
acção calmante e emoliente das suas flores, fazem-se excelentes
infusões para tratar a incómoda tosse das bronquites.

O Todas as preparações devem ser filtradas a fim de eliminar os


pêlos; quando seca, a planta perde as suas propriedades. Habitat:
Europa, escapada de jardins, terrenos incultos; frequente em quase
todo o País; até 1800 m, Identificação: de O,20 a O,60 m de altura.
Anual; eriçada de pêlos, caule espesso, peludo, ramificado; folhas
alternas ásperas e enrugadas, as basais pecioladas, as superiores
amplexicaules; flores azuis (Maio- Setembro), ligeiramente
pendentes, com 5 pétalas soldadas dispostas em estrela, anteras em
cone pontiagudo central cor de púrpura-escura,

agrupadas em inflorescência cimeira frouxa; carpelo castanho e


obtuso. Cheiro pouco intenso; sabor a pepino fresco. Partes
utilizadas: flores, suco das folhas e dos caules (Junho-Agosto).
O Componentes: tanino, resina, mucilagem, saponósido, nitrato de
potássio. O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente,
laxativo, sudorífico. U. I., + v IN Ver: cura de Primavera, edema,
enfisema, febre, gota, gripe, herpes, litíase, reumatismo, rubéola,
sudação, tez, tosse.
BugIossa

Anchusa officinalis L. Língua-de-vaca, oreaneta, borragern-bastarda,

erva-do-fígado, erva-sangue

Bras.: ancusa

Borragináceas

A palavra @<l3orragináceas+ sugere geralmente a @deia de plantas


mais ou menos guarnecidas de pêlos rígidos, corola em forma de tubo
alargado nas extremidades e lobulado em que se distinguem cinco
pétalas e um cálice persistente que rodeia o fruto. As flores da
bugIossa, ricas em néctar melífero, assemelham-se às da borragem,
sendo, no entanto, extensamente tubuladas e pubescentes. A palavra
*bugIossa+, de raiz grega, significa língua-de~vaca, aludindo assim
à forma das folhas e à sua rugosidade. Quando ainda não existiam
corantes químicos, extraía-se da raiz da buglossa uma tinta vermelha
com a qual as mulheres pintavam o rosto. Deste facto deriva o nome
de género Anchusa, da palavra grega ankousa, corar.

Esta planta com caule subterrâneo propaga-se em solos calcários ou


em terrenos incultos, nas bermas dos caminhos ou nos entulhos, não
se adaptando em altitudes. As suas folhas e flores possuem
propriedades sudoríficas e emolientes.

Habitat: Sul da Europa; é frequente no Sul e Centro de Portugal, nas


searas, vinhas, olivais, terrenos incultos; até 1800 m.
Identificação: de 0,30 a 0,60 m de altura. Vivaz, áspera ao tacto,
guarnecida de pêlos rígidos; caules floríferos ramosos; folhas oval-
alongadas, sendo as superiores sésseis e as inferiores com ligeiro
pecíolo; flores azuis (Junho-Agosto), cálice persistente, corola
tubulosa do mesmo comprimento do cálice; inflorescência escorpióide;
carpelo negro, rugoso. Partes utilizadas: folhas, flores (Junho-
Julho); secar com cuidado.

0 Componentes: mucilagem, colina, nitrato de potássio, alantoína,


vestígios de alcalóides o Propriedades: béquico, depurativo,
diuréticI, emoliente, laxativo, sudorífico. LI. 1. + v kV@ Ver: cura
de Primavera, diurese, gripe, nefrite. tez,tosse.
BTIGULA

Ajuga reptans L. Consolda-média, erva-de-são-lourenço, língua-de-


boi,

erva-carocha

Labiadas

Esta pequena planta gozou de fama imerecida em relação às suas


propriedades durante a Idade Média. Com efeito, nessa época era
conhecida por esta frase: *Quem tem a btigula e a sanícula diz adeus
ao cirurgião.+ Comparando este provérbio com os nomes ulgares, é
fácil concluir que a btigula era

considerada como vulnerária e cicatrizante. De toda esta celebridade


pouco resta actualmente. H. Lecierc considera-a como *a mais
deliberadamente inerte das plantas+.

Na verdade, a btigula é ligeiramente tónica, acistringente e


vulnerária, propriedades compartilhadas por todas as plantas que
contêm tanino. Uma espécie próxima, a Ajuga genevensis L.,
diferencia-se da btigula, Ajuga reptans L., por não possuir os
estolhos compridos e estéreis fixados na base do caule. Planta
melífera, tem ainda a propriedade de tingir o algodão de castanho na
presença de sulfato de ferro.

Habitat: Europa; em Portugal, encontra-se nos locais húmidos,


bosques de toda a região norte; até 2000 m. Identificação: de O,10 a
O,30 m de altura. Vivaz, estolhosa, com caules glabrescentes
cilíndricos; caule florífico tetragonal, erecto, pubescente nas duas
faces opostas, com alternância em cada um dos nós, pouco folhoso;
folhas oblongas, arredondadas no cimo e crenadas, sésseis, sendo as
inferiores pecioladas e em roseta; flores azuis (Abril-Julho), com
lábio superior muito reduzido, sendo o inferior trilobulado em

espiga interrompida na base, brácteas superiores azuladas, mais


curtas que as flores. Partes utilizadas: planta inteira sem a raiz
(Abril-Julho).
O Componentes: tanino, saponósido, colina, heterósidos, sais
minerais O Propriedades: acistringente, tónico, vulnerário. LI. L,
LI. E. + Ver: anginas, diarréia, ferida, hemorragia, leucorreia.
Buxo

Buxus sempervirens L.

Buxo-arbóreo

Buxáceas

O buxo, planta muito conhecida, tem desde a Antiguidade uma óptima


reputação, quer como planta ornamental, devido à sua bela folhagem
persistente de cor verde-escura, quer pela sua madeira de fino grão,
que é utilizada na arte de gravar e no fabrico de objectos
torneados.

As propriedades medicinais desta planta foram verificadas no século


XII por Santa Hildegarda. No Renascimento, era considerada como
remédio para a calvície. Um autor da época citou o drama de uma
jovem camponesa cujo crânio se tornou calvo como um ovo; a aplicação
da loçã o de buxo devolveu-lhe a magnífica cabeleira, mas o rosto e
o pescoço tornaram-se cabeludos como os de um símio. No século
XVIII, um charlatão de nacionalidade alemã monopolizou os
tratamentos com buxo, obtendo uma fortuna; José 11 comprou o seu
segredo por 1500 fiorins e seguidamente divulgou-o, o que provou o
total descrédito desta terapêutica.

Em doses elevadas, as preparações adquirem um gosto desagradável e a


planta torna-se tóxica não só para o homem como também para alguns
animais, como os camelos do Cáspio, que chegam a morrer em
consequência da sua avidez por esta planta.

O Utilizar com muitas precauções; não ultrapassar a dose prescrita.


Habitat: Europa Central e Meridional; charnecas e matagais de Trás-
os-Montes, Estremadura e Alentejo, cultivado em todo o País; até
1600 m. Identificação: de 1 a 6 m de altura. Arbusto de madeira
dura, folhagem persistente; folhas sésseis, inteiras, cerosas,
brilhantes e verde-escuras na página superior, verde-claras na
inferior; flores amarelas (Março-Abril), pequenas, apétalas,
pistiladas (a) ou estaminadas na axila das folhas; cápsula (b)
trivalve, explosiva,

com 6 sementes (c) pretas e brilhantes. Sabor muito amargo. Partes


utilizadas: casca da raiz, folhas.
O Componentes: alcalóides, vitamina C O Propriedades: colerético,
depurativo, febrífugo, laxativo, sudorífico. U. I., U. E. + Ver:
cabelo, cura de Primavera, epilepsia, febre, fígado.

102
PLANTAS ESPONTÂNEAS

CÁLAMO-AROMÁTICO

Acorus calamus L.

Cana-cheirosa, ácoro- verdadeiro, ácoro-cheiroso

Aráceas

Originário da Ásia, o cálamo-aromático foi introduzido na Europa


Oriental no século XIII pelos Tártaros, que o utilizavam para
desinfectar a água que bebiam. O cálamo adaptou-se e propagou-se
seguidamente por toda a

Europa. É uma planta aquática semelhante à cana, como o indica o


nome da espécie, calamus, que deriva do grego kalamos, cana. O
cálamo- aromático enraíza-se nos pegos ou nas margens das ribeiras
de correntes tranquilas. É uma planta bastante rara, não devendo ser
destruída. Efectivamente, nos climas europeus as sementes não
conseguem atingir o

estado de maturação, pelo que a planta só pode reproduzir-se através


das ramificações do seu rizoma.

O cheiro agradável do cálamo- aromático assemelha-se ao da


tangerina, mas tem um sabor amargo e picante. Em alguns países, o

cálamo-aromático é utilizado para aromatizar a cerveja e a


aguardente; também se faz doce com o rizoma. Crê-se que a planta
afasta os percevejos e protege as peles de abafo. A sua

reputação medicinal é muito sólida, pois data dos mais remotos


tempos e teve origem nos países mais longínquos, desde o Japão à
índia e à região siberiana.

O Em doses elevadas, o rizoma actua como emético. Habitat: Europa,


pântanos, pegos, ribeiras; até
1000 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, acaule;
folhas que partem da toiça, em forma de espada de dois gumes,
compridas, estreitas, invaginantes, avermelhadas na face inferior;
flores esverdeadas (Maio-Agosto), muito pequenas, em espadice
lateral, implantadas na base de wma espata erecta semelhante a uma
folha comprida, 6 estames e 1 estigma; cápsula pequena, em forma de
pirâmide

invertida; rizOma rastejante verde-acastanhado e articulado. Cheiro


agradável, semelhante ao

da tangerina; sabor picante e muito amargo. Partes utilizadas:


rizoma (Setembro-Outubro); de conservação difícil, muito atacado por
larvas.
O Componentes: amido, tanino, óleo essencial, heterósidos, colina,
mucilagem, bases orgânicas, resina O Propriedades: aperitivo,
carminativo, emenagogo, estomáquico, hemostático, sedativo,
sudorífico. U.l., U.E. + O Ver: digestão, gengivas, gota, insectos,
meteorismo, náusea, nervosismo, raquitismo, vómito, voz.
Camomila

Matricaria chamomilla L.

Camomila-vulgar, camomil a-dos- alemães, camomila-alemã, margaça-


das-bolicas, mançanilha

Compostas

De entre as diversas plantas vulgarmente designadas por macelas e


camomilas, e como tal utilizadas em farmacopeia familiar, são
possiveis inúmeras confusões. Estas confusões não têm geralmente
consequências graves, se bem que a camomila vulgar seja mais activa
que as suas afins, pelo que seria lamentável substituí-la por outra.
É fácil distingui-la devido a três características: as lígulas
brancas dos capítulos curvam-se para baixo no final da floração; o
receptáculo é cônico, oco e desprovido de brácteas entre as flores;
as folhas são recortadas em finas lacínias. Muito divulgada em
algumas regiões da Europa, é uma planta das searas, das bermas dos
caminhos e dos terrenos baldios. Na Grécia, a camomila florescia
abundantemente, distinguindo-se desde a Antiguidade pelo seu aroma
peculiar. É curioso verificar que as descobertas empíricas de
Dioscórides sobre a acção emenagoga desta pequena camomila foram
confirmadas por trabalhos laboratoriais 19 séculos mais tarde. As
pessoas nervosas são susceptíveis de, ao ingeri-Ia mesmo em doses
pouco elevadas, sentir uma excitação generalizada e insônias.

O Só ingerir entre as refeições. Habitat: comum na Europa, campos,


terrenos baldios, bermas dos caminhos; espontânea no Centro do País
e arredores de Lisboa, nas searas, campos cultivados e bermas; até
160 m. identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Anual, caule
glabro, erecto, muito ramificado; folhas verdes, bipenalissectas, em
delicadas lacínias lineares, lisas na página superior; flores
brancas, amarelas no centro (Maio-Outubro), em capítulos
pedunculados, tulbulosos no centro e ligulados na periferia, sobre
um receptáculo cónico e oco; aquénio arqueado e pequeno, com 5
costas e encimado por uma coroa escariosa. Cheiro aromático e
penetrante. Partes utilizadas: capítulos (Junho-Julho).
O Componentes: óleo essencial com camazuleno, que se torna castanho
com a luz, flavonóides, cumarina, álcool, ácidos gordos,
heterósidos, potássio, vitamina C O Propriedades: antálgico,
antiespasmódico, anti-infiamatório, anti-séptico, emenagogo,
eupéptico, sedativo, tónico. U. I., Li. E. Ver: boca, cabelo,
cefaleia, ferida, gripe, insolação, menstruação, nevralgia, pele.
Canabrás

Heracleum sphondylium L. Brarica-ursina, esfondílio

Umbelíferas

Designado por variadíssimos nomes, o canabrás pode ser definido por


cada um deles. Pelo nome do género, a planta foi consagrada a
Hércules numa evocação da sua robustez, da espessura do seu caule e
das suas folhas. O nome de espécie, sphondylium, que deriva de uma
palavra grega que significa vértebra, refere-se à solidez do seu
caule, semelhante à de uma coluna vertebral. O nome vulgar de
branca-ursina por que também é conhecido, derivado do latim popular
e do italiano, evoca a forma das suas folhas, semelhantes a uma pata
de urso. É uma das umbelíferas mais fáceis de identificar. Os
Polacos e os Siberianos fabricavam uma bebida ácida, o bartszcz, com
semelhanças entre a cerveja e um caldo, fervendo e seguidamente
deixando fermentar as folhas e as sementes. Pouco usado actualmente,
mas muito famoso durante o Renascimento, em crises depressivas e
nervosas o canabrás continua a ser utilizado nos países
escandinavos. H. Leclere, em 1926, ao descobrir as suas virtudes
excitantes, preparou a partir das suas sementes uma alcoolatura
afrodisíaca. É, porém, necessário ter cuidado durante a colheita com
os pêlos eriçados que cobrem o caule da planta e provocam reacções
alérgicas.

O Evitar a exposição ao sol após o consumo da planta. Habitat:


Europa, excepto na zona mediterrânica, prados, bosques húmidos; em
Portugal, pode encontrar-se em locais húmidos desde o Minho ao Alto
Alentejo; até 1700 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura.
Vivaz, caule erecto, rígido, canelado, oco, viloso; folhas verde-
acinzentadas, grandes, recortadas em 5 a 9 segmentos, crenados e
serrados; flores brancas (Junho-Setembro), em umbelas com 12 a 40
raios, invólucros e involucelos reduzidos, pétalas maiores na margem
das

umbélulas; diaquénio plano, chanfrado no vértice. Cheiro a formigas;


sabor acre, picante e irritante. Partes utilizadas: raiz, folhas,
frutos; secagem ao sol.
* Componentes: furocumarina, óleo essencial
* Propriedades: afrodisíaco, digestivo, emenagogo, estimulante,
hipotensivo. U. 1. + o Ver: astenia, digestão, frigidez,
hipertensão, impotência, menstruação.

105
Cardo-corredor

Eryngium campestre L. Bras.: gravatá-do-carripo, croatá-falso,


caraguatá

Umbelíferas

0 cardo-corredor é uma planta estranha, pois, sendo uma umbelífera,


assemelha-se a um cardo com umbelas brancas tão densas que mais
parecem os capítulos das compostas. As brácteas rígidas, as folhas
espinhosas, a raiz profunda e comprida, a sua característica
invasora e a tenacidade com que se

agarra aos solos despertam a inimizade dos agricultores.

Cardo rolante, cardo nómada, o cardo-corredor abandona, no Outono,


os seus caules secos e leves ao sabor do vento, que os transporta
para colonizar outros solos. É uma planta vivaz, muito apreciada
pelos médicos da Antiguidade devido às suas múltiplas propriedades,
de entre as quais apenas foram conservadas pelos modernos as acções
aperitiva e diurética, confirmadas ao longo dos séculos pela
experiência e mais tarde pela análise química das substâncias
contidas nos seus tecidos.

0 cardo-corredor desempenha ainda um papel na alimentação, sendo


também um condimento; dos jovens rebentos fazem-se saladas; as
folhas jovens, conservadas em vinagre, têm uma utilização idêntica à
do pepino e, conservadas em açúcar, são um manjar delicado. É muito
pouco provável que o cardo-corredor possua as características
afrodisíacas que lhe são atribuídas.

Habitat: Europa, planícies incultas, solos calcários, arenosos e


áridos; em quase todo o País, terrenos secos e incultos; até 1500 m.
Identificação: de 0,30 a 0,50 m de altura. Vivaz, caule erecto,
robusto, muito ramoso; folhas verde-esbranquiçadas, coriáceas,
onduladas, as basilares com o pecí olo comprido nu e os segmentos
mais ou menos decorrentes fendidos ou partidos e dentado-espinhosos;
flores brancas (Julho-Setembro), sésseis, em capítulos pedunculados,
ovóides, globosos, com invólucro espinhoso, de 3 a 6 brácteas
abertas e pontiagudas, cálice com dentes erec-

tos sobre o fruto, 5 pétalas chanfradas e 5 estames; diaquénio


coberto de escamas pontiagudas; raiz comprida e rastejante. Cheiro a
aimíscar; sabor primeiramente adocicado e depois amargo e acre.
Partes utilizadas: folhas (Julho-Agosto) e raiz (Pri mavera-
Outono).
0 Componentes: sais minerais (potássio, sódio e cálcio), óleo
essencial, saponósido 0 Propriedades: aperitivo, diurético,
emenagogo. U. 1. + Ver: albuminúria, apetite, diurese, edema,
icterícia, ureia.
Cardo-de-santa-maria

Silybum marianum Gaertn. Cardo-leiteiro, cardo-mariano

Compostas

Vagabundo da Europa, o cardo-de-santa-maria, originário das regiões


mediterrânicas, atingiu, através dos solos incultos e das bermas dos
caminhos, as longínquas terras dinamarquesas. É uma planta robusta,
com capítulos cor de púrpura, bem defendida pelas brácteas do seu
invólucro, curvadas em espinhos aguçados. Segundo a lenda, as
manchas leitosas que assinalam as folhas junto das nervuras são
vestígios de gotas de leite caídas do seio de Maria quando ocultava
Jesus das perseguições de Herodes.

Desde tempos muito remotos, a planta é conhecida nos meios rurais


pelo seu valor alimentar; das folhas jovens fazem-se saladas, e as
raízes e os capítulos são preparados por cozedura em água; a planta
inteira triturada serve de alimentação ao gado, e as aves de
capoeira apreciam imenso as suas sementes. O e ardo- de- sant a-mari
a, durante muito tempo preterido pelo cardo-santo, demonstrou
recentemente o seu efeito benéfico no aparelho cardiovascular e na
função hepática. Admite-se ainda que, ingerido oito dias antes de
uma viagem, possui uma acção preventiva con a os enjoos de
transporte.

O Não usar as sementes sem indicação médica. Habitat: Europa


Ocidental e Meridional, solos secos e rochosos; frequente em quase
todo o País, nos terrenos cultivados e incultos, sebes, entulhos,
beira dos caminhos; até 700 m. Identificação: de O,30 a 1,50 m de
altura. Bienal, caule erecto e robusto; folhas grandes, brilhantes,
verdes com manchas brancas ao longo das nervuras, margens onduladas
oriadas de espinhos e cílios; flores cor de púrpura-violácea (Julho-
Agosto), tulbulosas, em capítulos hemisféricos solitários, com
brácteas coriáceas

terminadas em espinho; aquénio preto, brilhante ou matizado de


amarelo, encimado por um papilho de pêlos denticulados; raiz
aprumada e grossa. Inodoro; sabor a alcachofra. Partes utilizadas:
folhas, raiz, sementes; secar e malhar os capítulos.
O Componentes: óleo essencial, princípio amargo, histamina,
silimarina, tiramina O Propriedades: colagogo, colerético,
diurético, hipertensor, tónico. U. 1. + o Ver: apetite, enjoo,
fígado, hemorroidas, hipotensão.
Cardo-estrelado

Centaurea calcitrapa L.

Calcatripa, calcitrapa

Bras.: abrolho

Compostas

Os capítulos cor-de-rosa desta planta possuem espinhos longos e


fortes, capazes de causar incómodas picadas aos passeantes que
desprevenidamente se aproximam das pequenas moitas que este cardo
forma nos terrenos maninhos e nas bermas dos caminhos.

Os agricultores consideram-no, injustamente, uma planta indesejável;


vive, pelo menos, dois anos, podendo ser útil por várias razões. A
raiz e as finas escamas do seu invólucro, com gosto semelhante ao da
alcachofra, são comestíveis; as folhas e as flores, com propriedades
febrífugas e tó nicas, são medicinais, e as sementes, diuréticas,
podendo ser incluídas na preparação de um vinho que se obtém pela
maceração de 4 g de sementes por cada litro de vinho branco. A
infusão das suas folhas adicionam-se, com frequência, angélica,
losna ou casca de salgueiro.

Habitat: frequente em quase todo o País, à beira dos caminhos, muros


e terrenos incultos; até 1000 m. Identificação: de 0,20 a 0,50 m de
altura. Bienal; caule rígido, vigoroso, muito ramoso a partir da
base; folhas verde-acinzentadas, ligeira- mente vilosas, pendentes,
rugosas, penatissectas; flores cor-de-rosa-violáceo (Agosto-
Setembro), tubulares, agrupadas em pequenos capítuios, subsésseis,
solitários e numerosos, dispostos em cimeira bípara; brácteas do
invólucro providas de um comprido e vigoroso espinho amarelo
canaliculado e de 4 a 6 espínu-

Ias; aquénio esbranquiçado, glabro, marcado com pequenas linhas


pretas; raiz robusta aprumada, Sabor das flores e folhas amargo,
raiz adocicada. Partes utilizadas: folhas, flores, fruto, suco
(Agosto-Setembro); raizes.
0 Componentes: princípios amargos, resina, goma, potássio 0
Propriedades: folhas e flores: aperitivas, febrífugas, tónicas,
vulnerárias; raiz e fruto: diuréticos. U. 1. + Ver: febre.
Cardo -pente ador-bravo

Dipsat us fullonum L.

Cardo-cardador

Dipsacáceas
O nome de cardo é vulgarmente atribuído às plantas com picos. O
cardo-penteador inclui-se nesse número. Esta planta possui grandes
capítulos ovóides providos de brácteas com espinhos pontiagudos e
curvos: o caule e as nervuras das folhas são espinhosos. O seu nome
científico deriva das palavras gregas dipsan akeomai, mato a sede;
as grandes folhas opostas que se soldam na base, formando um pequeno
reservatório de água das chuvas, justificam esta designação

A floração do cardo-penteador tem uma particularidade interessante:


as suas pequenas flores cor de malva surgem primeiro a meia altura
do capítulo, abrindo-se em seguida, progressivamente, para cima e
para baixo, pelo que a floração nunca é simultânea.

Outrora, os receptáculos dos capítulos de uma espécie cultivada,


Dipsacus sativus (L.) Honck, eram utilizados para cardar, isto é,
retirar o cardaço superficial dos tecidos e das lãs. Da utilização
manual passou-se depois à industrial em máquinas de cardar; o cardo-
penteador, que apenas vive dois anos, foi então cultivado
intensamente.

Habitat: Europa Central e Meridional; em Portugal, Minho, Trás-os-


Montes e Beiras, caminhos, valas, terrenos incultos, solos
argilosos; até 800 m. Identificação: de O,80 a 2 m de altura.
Bienal, robusto, armado em toda a parte aérea de acúleos curtos,
ramoso; caules erectos, pungentes, terminados em cabeças eriçadas,
ovóides, com invólucro de folíolos compridos; folhas inteiras
opostas, nervuras com picos, soldadas à base pelo limbo, formando um
recipiente que retém a chuva e o orvalho; flores cor de maiva ou
lilás (Julho-Agosto), curtas,

corola tulbulosa, 4 lóbulos, cálice muito reduzido; aquénio com 8


costas. Partes utilizadas: raiz (fim do Verão); secar em fragmentos.
O Componentes: heterósidos, sais minerais O Propriedades: aperitivo,
depurativo, diurético, sudorífico. U. 1. + o Ver: acne, eczema,
pele.
Cardo-santo

Cnicus benedictus L.

Bras.: Cardo-bento

Compostas

Este cardo muito popular, importado da índia, no século XV, para


tentar curar as terríveis enxaquecas de um imperador (Frederico 111
da Alemanha), possui uma estranha beleza que se revela nas enormes
folhas recortadas e espinhosas.

À primeira vista, pode confundir-se com a

açafroa, à qual se assemelha; porém, o suco da açafroa é vermelho,


as folhas, brandas e espinhosas, são mais pequenas, e as flores,
douradas.

0 cardo-santo era outrora considerado *o refúgio dos doentes, o


tesouro dos pobres, a panaceia dos pais de família+. Olivier de
Serres, agrônomo francês do século xvi, afirmava: *A semente do
cardo-santo, em pequena quantidade em vinho branco, fortifica a
memória.+ E Shakespeare celebriza-o na sua obra como calmante dos
corações ansiosos. É ainda um excelente febrífugo e um anti-séptico
para uso externo.

A planta, colhida em botão, deve ser reunida em ramos e suspensa em


cordas ao abrigo da luz e do pó. As preparações são amargas e
difíceis de beber; a mais aceitável é o vinho, do qual se pode tomar
um copo antes das refeições principais.

0 Não ultrapassar as doses indicadas; interromper o tratamento em


caso de náuseas ou de irritação do tubo digestivo. Habitat: Europa
Mediterrânica; em Portugal, de Trás-os-Montes ao Alto Alentejo; até
1000 m. Identificação: de 0,10 a 0,60 m de altura. Anual, caule
erecto e viloso; folhas verde-claras, compridas, lobuladas; flores
amarelas (Abril-Julho), em capítulos solitários, providos de folhas
e de brácteas externas foliáceas, sendo as interiores
lanceoladas e amarelas, maiores que o capítulo e terminadas em
espinho; aquénio castanho com costas finas e en-

cimadas por um curto papilho; raiz branca e aprumada. Cheiro suave,


pouco agradável, desaparecendo com a secagem; sabor amargo. Partes
utilizadas: sumidades floridas, folhas, caules descascados (no
princípio da floração); secar à sombra.
0 Componentes: princípio amargo, óleo essencial, mucilagem, sais
minerais, tanino, vitamina B1 0 Propriedades: anti-séptico,
digestivo, diurético, febrífugo, tónico. U. I., U. E. + Ver:
apetite, convalescença, digestão, febre, ferida.
Carlina

Carlina acaulis L.

Compostas

Só é possível encontrar esta planta ao nível do solo, pois a carlina


não possui caule ou este mantém-se no estado embrionário. Os
capítulos são rodeados por uma auréola prateada constituída pelas
brácteas e enquadrados por folhas graciosamente recortadas e
aderentes ao solo, que lhes conferem o seu singular aspecto. Esta
auréola permanece totalmente exposta ao sol quando o tempo está
seco; porém, ao entardecer, ou quando o tempo se torna húmido, as
brácteas dobram-se em forma de tenda cónica sobre o capítulo. Deste
fenômeno deriva o hábito, nos meios rurais, de observar a carlina
para fazer a previsão do tempo, o que em adivinhação se denomina
*botanomancia meteorológica+.

Esta planta foi tema das mais surpreendentes lendas: Carlos Magno,
em algumas versões, ou Carlos V, noutras, teria sido avisado por um
anjo de que a carlina curaria da peste os seus exércitos. Admitia-se
então que a carlina transmitia uma força invencível, sendo utilizada
em magia. Actualmente, apenas os burros comem a planta sem a
arrancar, e a raiz é ingerida pelos porcos.

Habitat: Europa Central e Mediterrânica, bosques pouco densos,


rochedos, pastagens de montanha, de preferência solos calcários; de
400 a 2000 m. Identificação: O,05 m de altura. Planta plurianual
reduzida a um grande capítulo de 6 a 12 cm de diâmetro, incluindo
as brácteas, praticamente acaule; folhas radiantes, extremamente
espinhosas; flores branco- esverdeadas ou prateadas (Julh o-
Outubro); aquénio coberto de pêlos amarelos prostrados, com papilho
com o dobro do comprimento; raiz arruivada, espessa, com látex. Raiz
com cheiro repugnante.

Parte utilizada: raiz (Outono); secagem no forno.


O Componentes: óleo essencial, inulina, tanino, resina, substância
antibiótica: o carlineno O Propriedades: cicatrizante, colagogo,
detersivo, diurético, estomáquico, sudorífico. U. L, U. E. + Ver:
acne, eczema, fígado, gripe.
CARVALHINHA
*//* FALTAM OS OUTROS NOMES
A carvalhinha deve o nome à semelhança das suas folhas com as do
carvalho, sendo efectivamente esta característica, já assinalada
pelos povos antigos, que exclui qualquer confusão com outras
espécies do mesmo

género. A descoberta das suas propriedades é atribuída a Teucro,


príncipe de Tróia.

Durante o Verão a carvalhinha cobre totalmente com as suas alegres


flores cor de púrpura os montes de entulho e as fendas dos velhos
muros.

Os povos antigos já lhe atribuíam propriedades febrífugas e


digestivas. Faz ] da composição de um licor denomi, chartreuse, de
vermutes e outros lic digestivos, aperitivos e tónicos. Existe vinho
tónico e depurativo, para ser ingi antes das principais refeições,
obtido maceração, durante 8 dias, de 50 g de c@

lhinha em 1 1 de vinho. Nas suas aplic-, medicinais a carvalhinha


pode ser subs da pelo Teucrium inarum L., com c mentolado, que
cresce nos rochedos do ral de algumas ilhas mediterrânicas.

Habitat: Europa, encostas calcarias, relvados, solos áridos;


terrenos áridos da faixa marítima entre os cabos Mondego e Espichei;
até 1500 m.

Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, caule verde com


estrias cor de violeta e

púrpura, prostrado e ascendente, delgado, lenhoso, ramoso e viloso;


folhas muito verdes, coriáceas, brilhantes na página superior,
vilosas na inferior, ovais, nervadas, crenadas e

com pecíolos curtos; flores purpúreas ou cor-de-rosa (Maio-


Setembro), agrupadas de 3 a 6 de um só lado, na axila das folhas em
cachos terminais, cálice avermelhado, campanulado,

viloso, corola sem lábio superior, lábio inferi, com 5 lóbulos e 4


estames salientes; fruto P piloso, castanho; caule rastejante.
Cheiro an

mático e suave; sabor acistringente e amarg Partes utilizadas:


sumidades floridas, folh@ (Maio-Setembro); secagem à sombra. o
Componentes: tanino, óleo essencial, pri cípios amargos O
Propriedades: anti-séptic colerético, estomáquico, febrífugo,
tónico, vi nerário. U. I., U. E. Ver: aerofagia, apetite, digestão,
úlcera.

112
Carvalhos

Quercus robur L. (sensu lato)

Carvalho-comum, carvalho-alvarinho, roble,

carvalheira

Fagáceas

Os botânicos confundiram durante muito tempo, sob a designação de


carvalho, duas espécies diferentes: o Quercus sessiliflora Salisti.,
com folhas brilhantes e pecioladas, com os frutos sésseis
aparentemente colados aos ramos, e o Quercus pedunculata Fhrh.,
cujas glandes se apresentam suspensas de um longo pedúnculo e com
folhas baças e

quase sésseis, como o que é representado na

gravura. O seu tempo de vida é de, pelo menos, 500 anos, atingindo
por vezes os

2000; a casca é extremamente dura, pelo que o visco, parasita de


mais de uma centena de árvores, só com enorme dificuldade consegue
penetrá-la.

Os seus ramos eram utilizados na Roma antiga para coroar os cidadãos


como reconhecimento dos seus méritos; houve épocas em que se fazia
justiça sob a sua sombra. Mesmo na era do aço, a resistência da sua
madeira continua a merecer confiança e esta

a ser utilizada em construções que suportam grandes pesos,


nomeadamente em travejamentos na construção civil e em cascos de
iates. Pertencem também ao género Quercus várias outras plantas
frequentes em Portugal, algumas produtoras de frutos comestíveis,
designadas não só por carvalhos, como o negral, Quercus toza Bosc.,
o português, Q. lusitanica Lam., o anão, ou carvalhiça, Q. fruticosa
Brot., mas também por sobreiro, Q. suber L., azinheira, Q. ilex L.,
e carrasqueiro, Q. coccifera L., quase todos com propriedades
terapêuticas e aplicações semelhantes.

O Evitar o contacto com os recipientes de ferro; não misturar com o


sal de cozinha, com plantas que contenham alcalóides ou com a alga-
periada; utilizar a casca com prudência, pois é irritante para o
tubo digestivo. Habitat: Europa, com excepção das regiões
mediterrânica e norte, colinas, florestas. Identificação: de 35 a 40
m de altura. Árvore; tronco grosso, casca cinzento-acastanhada,
escurecendo com a idade, fendas limitando escamas quadradas; folhas
glabras, verde-escuras e brilhantes na página superior, mais claras
na inferior, duras, obovadas com lóbulos

arredondados, caducas; amentilhos (Abril-Maio), sendo os masculinos


agrupados, pendentes; cada uma das flores femininas possui um
invólucro escamoso (Abril-Maio); glande ovóide encerrada numa cúpula
escamosa. Partes utilizadas: casca dos ramos jovens (Primavera),
folhas (Junho), giandes (Outono).
O Componentes: tanino * Propriedades: adstringente, anti-séptico,
febrífugo, tónico. U. L, U. E. + V O Ver: alcoolismo, anginas,
banho, cabelo, diarréia, epistaxe, frieira, gengivas, greta,
hemorragia, hemorróidas, intoxicação, leucorreia, sudação.

113
Castanheiro

Castanea saliva Miller

Castanheiro-comum

Fagáceas

Segundo se supõe, o castanheiro foi importado do Irão no século v a.


C. Esta árvore propagou-se, por meio de cultura, através de toda a
Europa, aclimatando-se principalmente nas montanhas siliciosas e em
todos os locais onde as suas raízes encontraram um solo profundo e
bem drenado, pois o solo calcário é funesto para esta árvore. O seu
crescimento é primeiro lento, acelerando-se em seguida, e a

árvore adquire, por volta dos 50 anos, o seu

porte definitivo. Se estiver isolado, o tronco mantém-se baixo, a


copa expande-se e a frutificação tem início aos 25 ou 30 anos. Se
fizer parte de uma floresta, cresce impetuosamente e dá frutos aos
40 ou 60 anos. As castanhas, que surgem em grupos de duas ou

três no interior dos seus ouriços hirsutos, não devem ser


confundidas com as castanhas-da-índia; comem-se assadas ou cozidas e
têm um grande valor nutritivo. Um castanheiro pode viver muitos anos
e em alguns casos

atingir 1000 anos de existência. Com o tempo, o tronco torna-se oco.


Há alguns anos

existia ainda na Sicília, nas encostas do Etna, um castanheiro cujo


tronco oco servia de abrigo a um rebanho de ovelhas e que, segundo
os camponeses, devia ter 4000 anos.

G A castanha é contra-indicada aos diabéticos. Habitat: Europa


Meridional, bosques, montanhas; em quase todo o País; até 1300 m.
Identificaçã o: de 25 a 35 m de altura. Árvore, tronco maciço,
madeira dura, casca jovem lisa e cinzenta, mais tarde castanha e
gretada; folhas pecioladas, compridas, de 10 a 25 cm, glabras,
brilhantes, com nervação paralela; flores claras (Junho-Julho),
perfumadas, dióicas; amentilho masculino, erecto; flores masculinas
com 5 a 6 divisões, 8 a 15 estames; flores femininas inseridas na
base dos amentilhos masculinos superiores, reunidas de 1 a 3

numa cúpula, cada uma com ovário com 6 1'culos e 7 a 9 estiletes,


que evoluem em fruto (ouriço) espinhoso que se abre por 2 a 4
valvas. Partes utilizadas: casca, folhas, amentilhos, frutos
(Setembro- Novembro). * Componentes: tanino (folhas, casca),
glúcidos, lípidos, prótidos (fruto), sais minerais, vitaminas B1, B2
e C * Propriedades: acistringente, estomáquico, remi neralizante,
sedativo, tónico. U. L, U. E. + V O Ver: astenia, cabelo,
convalescença, desmineralização, diarreia, esterilidade, faringite,
tosse.
Castanheiro-da-Índia

Aesculus hippocastanum L.

Hipocastanáceas

Esta bela árvore, uma das primeiras a abrir as folhas e as flores na


Primavera, é originária dos Balcãs, e não da índia. Bachelier
importou-a de Constantinopla, introduzindo-a em França em 1615. No
decorrer do século xviii, difundiu-se intensamente pelas avenidas e
parques, onde alguns exemplares têm actualmente mais de 250 anos de
existência. É conhecido por hippocastanum, castanheiro-de-cav alo,
porque os Turcos davam a comer as suas castanhas aos cavalos com
afecções pulmonares; Aesculus é onome de um carvalho que produz
glandes comestíveis. Apesar de ricas em amido, as castanhas frescas,
de onde é possível extrair um óleo para iluminação e um álcool, não
Nau comestíveis, devido ao seu intenso sabor amargo, apenas sendo
apreciadas pelas cabras, porcos e alguns peixes; porém, quando
libertas do seu constituinte amargo, fornecem um amido muito
agradável. A farinha, obtida por moagem, é utilizada em cosmética,
pois torna a pele brilhante, e a polpa, no

fabrico de sabões. Misturado na água das regas, o pó de castanhas


afasta as minhocas dos vasos de flores. Da casca da árvore obtém-se
uma tinta vermelha.

Habitat: Europa, parques, avenidas; em Portugal, também como planta


ornamental; até 800 m

identificação: de 10 a 30 m de altura. Arvore de copa regular;


tronco relativamente curto, por vezes torcido, ramos principais
geralmente horizontais; folhas opostas, com pecíolo comprido,
palmadas, com 5 a 7 folíolos oblongos e dentados; flores brancas
manchadas de arnarelo e vermelho (Abril-Maio), grandes, em cacho
composto, único, erecto, cálice de 5 dentes desiguais, corola
irregularmente enrugada com

4 pétalas desiguais, 7 estames e 1 estilete saliente, ovário com 3


lóculos; cápsula com casca espinhosa abrindo-se por 3 valvas que
contêm 2 a 3 castanhas. Sabor amargo (castanhas). Partes utilizadas:
casca, sementes (Outubro); secagem ao sol. o Componentes: tanino,
saponósidos, flavonóides, heterósidos cumarínicos O Propriedades:
acIstringente, anti-hemorrágico, anti-infiamatório, vasoconstritor.
U. I., U. E. + O Ver: acne rosácea, banho, circulação, febre,
frieira, hemorróidas, menopausa, obesidade, varizes.
Cavalinha

Equisetum arvense L.

Erva-carnuda, cauda-de-cavalo, cavalinha-dos-campos,

pinheirinha, rabo-de-asno, rabo-de-touro

Equisetáceas

Todaabiologia da cavalinha é surpreendente. Como os fetos e os


licopódios, e por pertencer às criptogâmicas vasculares, possui
raízes, nã o tendo flores e, consequentemente, sementes. A
reprodução é assegurada por esporos contidos nos esporângios,
situados na base de pequenos escudos agrupados numa espécie de
espiga terminal. Os próprios esporos são dotados pela Natureza de um
extraordinário sistema de propagação, pois o invólucro rasga-se em
quatro faixas elásticas que, ao deformarem-se por efeito do calor,
provocam a dispersão dos esporos. Uma outra particularidade da
cavalinha é a sucessão na mesma planta de dois tipos de caules. Os
primeiros, avermelhados e curtos, sem clorofila, brotam no início da
Primavera e apresentam na extremidade a espiga produtora de esporos
(estróbilo). Terminada a sua função, murcham e são substituídos por
caules verdes canelados muito ramificados, mais altos e divididos em
segmentos separados por nós: são os caules estéreis, única parte da
planta que possui propriedades medicinais. Devem ser colhidos na
Primavera e secos ao sol ou no forno.

Habitat: Europa, bermas dos caminhos, solos siliciosos; Norte e


Centro do País; até 2500 m. Identificação: de 0,20 a 0,65 m de
altura. Vivaz; sobre o mesmo rizoma em Março e Abril, caules
esporíferos de 10 a 25 cm, simples, avermelhados, com bainhas
castanhas, frouxas, com 6 a 12 dentes, apresentando uma espiga
obionga amarelo-acastanhada que desaparece no Verão; em seguida, de
Maio a Julho, caules estéreis, verdes, sulcados, ocos, com
verticilos de ramos delgados, simples, verde-claros, com 4 ângulos,
ásperos e articulados; esporângios agrupados sob as escamas em

forma de escudo da espiga; esporos providos de elatérios, filamentos


que se desenrolam quando o ar está seco; rizomas profundos, até 2 m.
Partes utilizadas: caules estéreis.
0 Componentes: sais minerais (silício), heterósidos, tanino, ácidos
orgânicos, princípio amargo 0 Propriedades: acistringente,
cicatrizante, diurético, hemostático, remi neralizante. U. I., U. E.
+ V kvj Ver: aerofagia, afta, albuminúria, banho, cistite, dentes,
desmineralização, epistaxe, estrias cutâneas, fractura, hemorragia,
litíase, menstruação, panarício, pé, sudação, unha.
celidÓnia

Chelidonium majus L.

Erva-andorinha, erva- da s- verrugas, quelidónia, quelidónia-maior,


grande-quelidónia, ceruda

Bras.: celidónia-maior

Papaveráceas

O género Chelidonium L. tem apenas uma espécie, que é a da


celidónia, que cresce nas paredes velhas. O nome deriva da palavra
grega chelidón, andorinha, pois a planta floresce na época da sua
migração. É uma planta vivaz que se desenvolve nas paredes, nos

entulhos e nos solos frescos. Nos meios rurais, todas as crianças a


conhecem, designando-a por erva-das-verrugas, porque o seu suco faz
desaparecer estas excrescências tão eficazmente como o poderoso
azoto líquido, utilizado pelos dermatologistas, se

bem que mais lentamente. A celidónia já era

conhecida dos médicos da Antiguidade, que a consideravam salutar


para as doenças dos olhos. Foi muito utilizada na Idade Média, pois
os alquimistas julgavam-na um dom do céu, coeli donum. Contudo, a
planta não é inofensiva. Pertence à família das dormideiras e
contém, como estas, alcalóides tóxicos, pelo que é absolutamente
desaconselhável ingerir a planta, fresca ou seca, excepto por
prescrição médica. Os homeopatas utilizam a raiz. O seu suco
cáustico, ao queimar a verruga ou o calo, pode atingir a

epiderme que o rodeia, pelo que não deve ser aplicado em chagas.

O Não utilizar para uso interno, excepto por prescrição médica.


Habitat: Europa, muros, entulhos, sebes, locais sombrios; do Minho
ao Algarve, nos muros, sebes e caminhos; até 1500 m

Identificação: de O,20 a 1 m de altura. Vivaz, caule ramoso


cilíndrico. viloso, frágil, quebradiço, nodoso, suco leitoso
amarelo-alaranjado; folhas penadas, lobadas como as do carvalho,
verde-claras na página superior, glaucas na inferior, moles; flores
amarelo-douradas (Maio-Setembro), 4 pétalas em volta do botão e

depois dispostas em cruz, agrupadas em umbelas paucifioras, com


numerosos estames, 2 sépalas amarelas caducas; síliqua estreita (3 a
4 cm), abrindo-se de baixo para cima; rizoma grosso e numerosos
caules. Cheiro nauseabundo; sabor acre e amargo. Partes utilizadas:
folhas, raiz, látex fresco (antes da floração); a raiz escurece no
decorrer da secagem.
O Componentes: 10 alcalóides, saponósido, pigmento O Propriedades:
antiespas módico, cáustico, colerético, hipotensor, purgativo. U.
I., U. E. + Ver: calo, calosidade, verruga.
Cenoura-brava

Daucus carota L.

Umbelíferas

As Umbelíferas constituem uma família complexa, pelo que são


possíveis algumas confusões. A cenoura-brava é fácil de distinguir
devido à mancha cor de púrpura que surge no centro das flores
brancas, dispostas em umbela rodeada de brácteas. Esta flor central
cor de púrpura impede que seja con-

fundida com a perigosa cicuta-menor Aethusa cynapium L. Após a


fecundação das flores, quando os frutos ovais eriçados de acúleos
amadurecem, os raios das umbelas fecham-se em forma de ninho de
ave. A raiz, branca, lenhosa, com cheiro desagradável e

sabor acre, nada tem de comum com a da cenoura cultivada, que se


tornou comestível após um lento processo de aperfeiçoamento da
espécie brava. Os povos antigos conheciam bem a cenoura e as suas
virtudes diuréticas, atribuindo-lhe também propriedades de
excitante; a palavra daucus deriva de daukos, nome dado pelos Gregos
a algumas umbelíferas, que por sua vez parece derivar de daiô, eu
excito. Plínio qualificou a sua raiz de pastinaca gaffica, alimento
dos Gauleses, mas só na Idade Média foi considerada hortaliça
comestível.

Habitat: Europa; em Portugal, em terrenos cultivados e baldios,


excepto a grandes altitudes. Identificação: de 0,30 a 0,80 m de
altura. Bienal, caule erecto; ramificado; folhas muito divididas,
moles, mais compridas na base; flores brancas (Maio-Outubro),
agrupadas em umbela, uma pequena flor estéril cor de púrpura-escura
sem estames nem pistilo no centro, invólucro com brácteas compridas
e profundamente divididas; fruto com costas providas de picos
assovelados; raiz aprumada fina, pouco corada. Cheiro pouco
agradável (raiz). Partes utilizadas: raiz (fim do Verão), semen-

tes na maturação, folhas frescas.


0 Componentes: sais minerais, pectina, glúcidos, provitamina A,
vitaminas B e C 0 Proprie~ dades: antidiarreico, carminativo,
diurético, emenagogo, galactagogo, hipoglicemiante, remineralizante.
U. L, U. E. Ver: cólica, eczema, furúnculo, menstruação, meteorismo,
prurido, queimadura.
Cerejeira

Prunus avium L.

Cerdeira

Rosáceas

A partir da cerejeira tem sido possível obter por selecção e enxerto


numerosas variedades. Cresce espontaneamente nos bosques, pode
atingir 20 m de altura e viver 300 anos. As suas flores são
melíferas e as pequenas cerejas negras podem ser ingeridas cruas, em
geléia ou em doce; quando destiladas, utilizam-se no fabrico do
kirsch. Se esta bebida alcoólica é natural, contém uma pequena
quantidade de ácido cianídrico, pelo que não é tóxica em doses
usuais. A sua madeira é utilizada pelos marceneiros e os torneiros;
porém, a madeira clara, geralmente conhecida como madeira de
cerejeira, utilizada no fabrico de mobiliário rústico, é, na
realidade, a madeira de uma outra espécie, Prunus mahaleb L. A
casca, as folhas e as flores foram utilizadas em medicina doméstica,
mas apenas os pedúnculos dos frutos conservaram até aos nossos dias
a sua reputação de diuréticos. A cerejeira é denominada em algumas
regiões c erej eira- brava; supôs-se durante muito tempo que a
árvore era originária da Ásia Menor, mas numerosos factos demonstram
a sua origem européia: efectivamente, têm sido encontrados em
diversas estações neolíticas ocidentais alguns caroços intactos.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte; florestas, sebes,


colinas; O Prunus avium var. silvestris (cerejei ra- brava) pode
encontrar-se no Gerês, onde o fruto recebe o nome de agriota, e a
variedade duracina (cerejeira-bical) é cultivada em várias regiões
do País; até 1700 m. Identificação: de 10 a 20 m de altura. Árvore;
tronco com casca acetinada, de cor castanho-brilhante, que se
fragmenta em lacínias horizontais; folhagem pouco densa, ramos
erectos; folhas verdes, baças, pubescentes na página inferior,
serradas, elípticas, com pecíolos munidos de glândulas no cimo;
flores brancas

(/Abril-Maio), pedunculadas, em cimeiras umbeliformes, 5 sépalas, 5


pétalas; drupa pequena vermelha, tornando-se depois preta,
monospérmica; raiz desprovida de rebentões. Inodora; sabor doce,
ligeiramente amargo. Partes utilizadas: frutos, suco, peclúnculo dos
frutos (Junho-Julho); secagem à sombra.
O Componentes: ácidos orgânicos, tanino, enzima, provitamina A O
Propriedades: diurético, laxativo, refrescante. U. 1. Ver: artrite,
digestão, gota, obesidade, obstipaçao.

119
Cersefi -bastardo

Tragopogon pratensis L.

Compostas

O cersefi-bastardo reconhece-se nos solos húmidos pelas suas folhas


compridas e estreitas, cujas bases rodeiam o caule, e pelas suas
flores amarelas, que se abrem de manhã e se fecham à tarde. Era
indubitavelmente conhecido pelos povos antigos, pois a sua raiz está
representada num fresco de Pompeia; os Italianos foram os pioneiros
da utilização da sua raiz castanho-clara na alimentação, tendo-lhe
atribuído o nome de sassefrica, isto é, a que roça as pedras, pois a
planta cresce nos solos pedregosos. A cultura do cersefi-bastardo
data, sem dúvida, de 1500. No século XVII, Olivier de Serre,
ministro do rei Henrique IV de França, distingue-a com o nome de
sersifi. A planta não teve sucesso como legume comestível, sendo
rapidamente substituída pela escorcioneira, Scorzonera hisparrica L.
O cersefi-bastardo é uma planta depurativa, diurética e

sudorífica. A sua raiz faz parte de inúmeras e deliciosas receitas


culinárias; a água da cozedura deve ser aproveitada, pois é uma

excelente base para sopa ou bebidas. O gosto das suas folhas


preparadas em salada assemelha-se ao da endívida ou ao da chicória.

O Não usar as sementes. Habitat: Europa, prados húmidos, bermas dos


caminhos; com o nome de cersefi, ou de barba-de-bode, ou barba-de-
cabra cultiva-se em Portugal o Tragopogon porrifoluis L.; até 2000
m. Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Bienal, caule erecto,
simples ou ramificado e glabro; folhas ascendentes ao longo do
caule, estreitas, amplexicaules, mais ou menos dilatadas na base,
muito pontiagudas; flores amarelas (Maio-Julho), liguladas, em
capítulos solitários sobre pedúnculos, ligeiramente dilatados sob o
invólucro, invólucro com compridas brácteas dispostas numa fila;
aquénio praticamente liso, encimado por um papilho plumoso; raiz
principal aprumada, fusiforme, grossa, casta- nho-clara e látex
branco. Inodoro; sabor agradável, ligeiramente amargo. Partes
utilizadas: folhas, raiz, suco.
O Componentes: glúcidos, prótidos, lípidos, celulose O Propriedades:
depurativo, diurético, sudorífico. U. L, U. E. V o Ver: astenia,
crescimento, fígado, gota, pele, reumatismo, verruga.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Choupo-negro

Populus nigra L. Álaino-negro, olmo-negro, álamo-líbico

Salicáceas

Supõe-se que muitas pessoas conhecem o


longilíneo choupo-da-itália, Populus italica Moench,
tradicionalmente plantado em alguns países quando nasce uma rapariga
para lhe assegurar um dote. O mesmo não sucede talvez com o choupo-
negro, que se aclimata à beira de água, atingindo cerca de 30 m de
altura, projecta os primeiros ramos para baixo e abre a ramagem para
poder captar bastante luz. Planta dióica, pelo que existem pés
masculinos e femininos, pode viver 300 anos. A sua utilização
remonta à Antiguidade; a casca dos ramos jovens, pulverizada e
misturada com a do carvalho e a do salgueiro-branco, constitui um
excelente febrífugo, sendo, porém, as suas gemas, colhidas antes do
desabrochar, no início dh- Primavera, que têm maior número de
aplicações. A madeira, da qual se obtém um carvão vegetal, é também
utilizada na indústria de marcenaria e no fabrico de papel, nas
indústrias de fabricação de celulose e de fósforos. O choupo-negro
é, porém, uma árvore frágil, exposta a enfermidades provocadas pelo
visco, por diversos cogumelos e por certos insectos que escavam
galerias no interior do tronco e

nos ramos. Habitat: Europa, planícies, solos húmidos; encontra-se,


quer espontâneo, quer cultivado, em quase todo o País; até 1800 m.
Identificação: de 20 a 30 m de altura. Árvore; tronco grosso,
ramagem esguia, irregular e aberta, casca gretada longitudinalmente,
ge- mas ovóides, curvas, com escamas viscosas e glabras; folhas
alternas, pecioladas, glabras, brilhantes, mais claras na página
inferior, delicadamente crenadas e limbo triangular; amentilhos
(Março-Abril), dióicos, pendentes, tendo os masculinos estames
vermelhos, 1 bráctea, e os femininos esverdeados, 1 bráctea; cápsuIa
com 2 valvas, pequenas sementes com finos pêlos brancos. Cheiro
baisâmico; sabor agridoce. Partes utilizadas: gemas (Março-Abril),
casca dos ramos com 2 ou 3 anos; secagem ao sol sobre caniços ou num
local arejado.
O Componentes: heterósidos, tanino, cera, óleo essencial, derivados
flavónicos O Propriedades: anti-séptico, digestivo, diurético,
expectorante, febrífugo, sudorífico, tónico, vulnerário. U. L, U. E.
+ V O Ver: bronquite, cabelo, dentes, fadiga, febre, greta,
intoxicação, meteorismo, nevralgia, reumatismo, urina.

121
Cinco-em-rama

Potentilla reptans L. Potentila, quinquefólio

Bras.: cinco-folhas

Rosáceas

A pentaphy11on dos discípulos de Hipócrates e de Dioscórides era,


sem dúvida, o vivaz cinco-ern-rama; esta erva daninha, inva-

sora e persistente, cobre os taludes e os canteiros mal protegidos


com a teia consolidada dos seus caules vermelhos. Muito vulgar,
encontra-se em toda a Europa, tendo prati-

ente colonizado o Mundo. Esta planta é considerada pelos botânicos


do tipo 5, ou seja o calículo tem 5 divisões mais compridas que as 5
sépalas do cálice e a corola é constituída por 5 pétalas amarelo-
claras. As folhas são também recortadas em 5 folíolos ovais e
alongados. As flores persistem durante todo o Verão, por vezes até
ao Outono, e pressagiam a chuva abrindo as pétalas.

Os fitoterapeutas utilizam sobretudo a raiz da planta, que pode ser


colhida em qualquer estação do ano e utilizada fresca ou seca,
indiscriminadamente para uso interno ou externo. É um excelente
remédio, dotado de propriedades adstringentes, podendo ser

associado à bistorta ou ao cardo-santo. A raiz, pulverizada e


misturada com a gema de um ovo fresco até adquirir a consistência de

uma massa e seguidamente aplicada sobre um panarício, pode obstar ao


seu desenvolvimento.

0 Não preparar ou conservar em recipientes de ferro. Habitat:


Europa, solos ricos; pode encontrar-se de norte a sul de Portugal,
nos prados, locais húmidos e margens dos rios; até 1700 m.
Identificação: até 1 m de altura. Vivaz, caule prostrado, radicante,
delgado, viloso, por vezes avermelhado; folhas longamente
pecioladas, com 5 folíolos ovados ou lanceolados, ligeiramente
vilosos, serrados, estipulas inteiras ou com 2 dentes; flores
amarelo-claras (Junho-Outubro), solitárias, pedunculadas, grandes,
cálice com 5 sépalas, calículos com 5 grandes

lóbulos, 5 grandes pétalas cordiformes, numerosos estames, numerosos


carpelos uniovulados; rizoma lenhoso, prostrado, castanho-escuro,
radicante nos nós; raiz avermelhada em corte. Sabor azedo e
acistringente. Partes utilizadas: rizoma, raiz (Outono); secagem à
sombra.
0 Componentes: tanino, álcool (tormentol), glúcidos 0 Propriedades:
adstringente, depurativo, febrífugo. U. L, LI. E. 0 Ver: afta,
diarreia, febre, ferida, panarício.
Cinoglossa

Cy,noglossum officinale L.

Língua-de-cão

Borragináceas

Todas as cinoglossas possuem folhas moles, macias e compridas, às


quais devem o nome de género; efectivamente, Cynoglossum deriva das
palavras gregas kuón, cão, e glótta, língua. A cinoglossa distingue-
se das espécies afins pelas suas cimeiras de flores cor de borras de
vinho e pelos seus frutos unilaterais providos de espinhos
recurvados. É uma planta bienal muito pouco comum e

mesmo rara em alguns locais; cresce nos entulhos, baldios e


frequentemente próximo das tocas dos coelhos e das raposas, que não
se interessam por ela, embora não pareça ser

tóxica para eles.

A cinoglossa era conhecida na Antiguidade; no século xvi, Ambroise


Paré utilizava-a já como sedativo sob a forma de pílulas cuja
utilização desafiou o tempo, pois contêm, além da cinoglossa, ópio,
meimendro-negro, açafrão, incenso e mirra.

Actualmente, a planta é vulgarmente utilizada para uso externo,


devido às suas propriedades adstringentes, calmantes e emolientes. A
raiz é utilizada fresca ou seca, e as folhas recentemente colhidas
servem para preparar uma cataplasma que acalma as dores de
queimaduras e de cieiro.

Habitat: Europa, excepto no litoral mediterrânico; Centro e Sul de


Portugal, terrenos incultos e cultivados, margens dos campos e
caminhos, terrenos calcários, baldios, muros; até 2000 m.
Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Bienal, caule vigoroso,
piloso, verde, ramificado na parte superior; folhas cinzento-
esverdeadas, compridas, macias, pilosas, sendo as inferiores ovais,
grandes, pecioladas, com nervuras secundárias distintas, e as
superiores lanceoladas, semiamplexicaules; flores vermelhas cor de
vinho (Maio-Julho), em cimeira espiralada, pedicelos curtos, cálice
piloso com 5 divisões iguais, corola com tubo curto de 5 lóbulos;
tetraquénio coberto de espinhos curtos e recurvados; raiz preta,
alongada e dura. Cheiro viroso; sabor fraco e depois amargo. Partes
utilizadas: raiz (Outono do segundo ano), folhas frescas; secagem
rápida, conservação em frascos de vidro hermeticamente fechados.
O Componentes: 2 alcalóides, mucilagem, resina, tanino, óleo
essencial O Propriedades: adstringente, calmante, emoliente. U. L,
LI. E. + Ver: boca, diarréia, greta, prurido, queimadura.
Cocleária

CochIearia officinalis L. Cocleária-maior, cocleária-oficinal, erva-


das-colheres

Crucíferas

Ao observar as folhas inferiores da cocleária, os botânicos do


século Xvi estabeleceram o seu nome científico a partir da palavra
latina cochIear, colher. Supõe-se que a planta não foi utilizada
antes dessa época, não sendo possivelmente conhecida. E, no entanto,
uma crucífera bastante difundida nas costas europeias e nas margens
dos regatos de montanha, escondida no fundo dos ro-

chedos, onde, a partir de Março, se cobre de flores brancas, apesar


dos aguaceiros e das rajadas de vento frio. Conhecem-se e utilizam-
se várias espécies, que apenas se distinguem por pequeníssimas
características botãnicas. Os fitoterapeutas utilizam as partes
aéreas da cocleária, sendo necessário colher diariamente a
quantidade necessária, pois só devem ser consumidas frescas. 0
processo mais simples é mastigar todas as

manhãs uma folha de cocleária; também pode ser preparada em saladas,


temperada com sumo de limão. A planta pode causar

surpresas, pois, quando amachucada, exala um cheiro intenso que


provoca lágrimas e espirros.

Habitat: Europa Ocidental, costas rochosas do Atlântico e da Mancha,


margens dos cursos de água de montanha, Pirenéus; até 1800 m.
Identificação: de 0,10 a 0,25 m de altura. Bienal, caule erecto,
glabro, ramoso; folhas verde-escuras, carnudas, lisas, brilhantes,
sendo as inferiores cordiformes, extensamente pecioladas, as da base
em roseta e as superiores amplexicaules, com lóbulos irregulares;
flores brancas ou cor-de-rosa (Março-Agosto), em cachos terminais
curtos, 4 sépalas verdes, 4 pétalas em cruz, 6 estames, ovário
globoso; silícula ovóide, quase esférica; raiz fina. Cheiro

irritante; sabor ardente, picante e acre. Partes utilizadas: planta


inteira fresca (Março-Agosto).
0 Componentes: iodo, sais minerais, tanino, vitamina C, heterósido
sulfurado 0 Propriedades: antiescorbútico, depurativo, detersivo,
estomáquico, eupéptico, rubificante. U. L, U. E. + Ver: boca,
dentes, digestão, escorbuto, úlcera cutânea.
124
Codesso-bastardo

Laburnum anagyroides Med. Codesso-dos-alpes, laburno, falso-ébano

Leguminosas

Os queijos outrora fabricados com o leite das cabras da ilha grega


de Kithnos eram famosos pelo seu aroma e pela delicadeza do seu
sabor, devidos, segundo se afirmava, aos codessos que abundavam na
ilha. Se bem que não haja a certeza de que o codesso celebrizado
pelos Antigos corresponda ao actual codesso-dos-alpes, as cabras e
os carneiros são sempre atraídos por ele, enquanto para outros
animais, como os cavalos, que não o apreciam, é um veneno; a casca,
as flores e as sementes são também perigosas para o homem. É
necessário tomar precauções, pois o codesso, além de não ser raro na
forma espontânea, é frequentemente cultivado nos jardins pela sua
beleza e o seu perfume. As crianças, naturalmente destituídas do
saber instintivo dos animais, confundem por vezes um ramo caído com
um pau de alcaçuz; os adultos, por falta de atenção, não distinguem
as suas flores depois de caídas das da giesteira-das-vassouras.
Apenas as folhas secas são utilizadas em fitoterapia, embora com
prudência, devido à sua acção sobre a vesícula biliar. Os médicos
homeopatas receitam ainda o codesso para certos estados depressivos,
sob a forma de uma tintura preparada a partir das flores e folhas
frescas.

O Deve utilizar-se com prudência; toda a planta é venenosa,


nomeadamente as sementes, a casca e a raiz. Habitat: Europa Central
e Meridional, solos calcários; até 2000 m. Identificação: de 3 a 10
m de altura. Arbusto; casca lisa, cinzento-esverdeada, lenho claro,
tornando-se acastanhado com o tempo; ramos pendentes; folhas
alternas com 3 folíolos peciolados, ovais, pontiagudos, verde-
escuros na página superior, verde-glaucos e pilosos na inferior;
flores amarelo-douradas (Abril-Junho), em cachos multifioros
pendentes, cálice campanulado e com 5 dentes desiguais, corola
papilionácea com estandarte levantado, 2 pétalas inferiores
soldadas, curvadas em bico, 2 pétalas laterais compridas, 10 estames
soldados pela base do filete; vagem castanha (5 a 6 cm), com a
margem superior espessada contendo entre
2 e 7 sementes castanho-escuras. Cheiro suave; sabor adocicado.
Partes utilizadas: folhas secas da árvore adulta.
O Componentes: alcalóides, sais minerais O Propriedades: colagogo,
purgativo. U. 1. + Ver: vesícula biliar.

125
Coffitea

Colutea arborescens L.

Espanta-lobos, sene-bastardo, falso-sene

Bras.: cliantos

Leguminosas

Quando se evocam recordações da infância, não deixará de pensar-se


no estalido entre os dedos produzido pelas vagens ventrudas e
cheias de ar do espanta-lobos. Entre as espécies de Colutea, é a
arborescens, como indica o nome, a que atinge maior altura, 4-5 m.

Nos meios rurais, a sua madeira é utilizada para fabricar cabos de


ferramentas. A colútea é um belo arbusto muito decorativo devido às
suas flores amarelas, às suas vagens, que ao amadurecer passam da
cor verde para o avermelhado, e às suas folhas compostas. Prefere os
solos calcários expostos ao sol e cresce espontaneamente na Europa
Central e Meridional.

A colútea não é mencionada nem na Antiguidade nem na Idade Média. Só


em 1554 o botânico Mattioli chama a atenção pela primeira vez para
as suas virtudes. E difícil aproveitar os benefícios desta planta,
pois as tisanas de folhas e sementes são difíceis de beber devido ao
seu cheiro nauseabundo e sabor amargo. Para evitar este
inconveniente, os médicos receitam o extracto da planta ou o pó da
semente misturado com mel. A sua acção é relativamente fraca, pelo
que pode ser facilmente substituída por outras plantas.

O Ingerir as sementes unicamente por receita médica. Habitat: Europa


Central e Meridional; em Portugal, nos terrenos áridos, encostas
calcarias, bosques expostos ao sol do Sul, proximidade de jardins e
parques; pode encontrar-se espontânea ou como planta ornamental; até
1500 m.

Identificação: de 1 a 5 m de altura. Arbusto; caule erecto; folhas


imparipinuladas, baças, estipuladas; flores amarelas (Maio-Julho),
em cachos, de 2 a 6 na extremidade de um pedúnculo comum, cálice
curto com 5 dentes desiguais; vagem vesiculosa; quando amadurece,

enche-se de ar contendo 2% de dióxido de carbono, pequenas sementes


lisas. Cheiro nauseabundo; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas,
sementes (só com receita médica).
O Componentes: tanino, óleo essencial, ácido coluteico, sais
minerais, vitamina C O Propriedades: laxativo. U. 1. Ver:
obstipação.
126
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Conchelos

Umbilicus rupestris (Salisbury) Dandy Sombreirinho-dos-telhados,


umbigo-de-vénus, orelha- de- monge, chapéu-dos-telhados, cauxilhos,

coucelos

Crassuláceas

Esta curiosa planta cresce em paredes velhas e em escarpas


siliciosas e ensolaradas, onde pode constituir povoamentos bastante
densos. O nome de Umbilicus, ou umbigo-de-vénus, advém-lhe do
aspecto singular das folhas, que partem todas da base e cujo pecíolo
se prende ao limbo pelo centro da face inferior. A folha apresenta-
se encovada e

em forma de cratera, assemelhando-se a um

umbigo. O caule, erecto, é guarnecido em

quase todo o seu comprimento por flores e botões pendentes formando


longos cachos branco- amarelados; as flores, antes de desabrocharem,
sã o horizontais; terminada a antese, ficam pendentes. A planta
perpetua-se mais pelos rebentos da raiz engrossada em tubérculo do
que pelas sementes. Já utilizados como diurético, os conchelos
revelaram-se no

século xix, segundo os autores da época, eficazes para certos casos


de epilepsia rebeldes a outros tratamentos. Actualmente, a planta só
é indicada para uso externo em feridas.

Habitat: Europa Meridional, Grã-Bretanha, paredes velhas, escarpas


abruptas, fendas de rochas; muito vulgar em Portugal, nos muros,
telhados e cascas de árvores; até 500 m. Identificação: de O,15 a
O,50 m de altura. Vivaz, planta suculenta, escapo floral
praticamente sem folhas; folhas carnudas na base e extensamente
pecioladas, peltadas, redondas, deprimidas, formando uma cratera
central; flores branco-brilhantes ou avermelhadas (Maio-Julho),
pendentes, peclúnculo curto, em longa espiga terminal, corola em
tubo alongado com
5 dentes e 10 estames; toiça espessa, em tubérculo, perpetuando a
planta através dos rebentos. Inodoro. Partes utilizadas: folhas
frescas, suco.
O Componentes: sais minerais (sobretudo de cálcio, de potássio e de
silício), ferro, tanino, trimetilamina O Propriedades: detersivo,
emoliente, resolutivo. U. E. Ver: calosidade, ferida, úlcera
cutânea.
Consolda-maior

Symphytum officinale L. Grande- consolda, con sólida- maior,


orelhas-de-asno

Bras.: consól ida- maior, língua-de-vaca

Borragináceas

Os caules vilosos e angulosos da consolda-Maior erguem-se à beira


das valas, dos ribeiros, próximo dos pântanos e nos solos alagados.

O nome que lhe foi atribuído, Symphytum, deriva do grego symphuô, eu


reúno, e alude à propriedade de consolidar e soldar os ossos
fracturados e os bordos das feridas, o que celebrizou a planta 20
séculos antes de Cristo. No entanto, só no século XX dois médicos
ingleses, A. W. Thitherley e N, G. S. Coppin, procederam à sua
análise, detectando no rizoma da consolda-maior a presença de
alantoína, substância utilizada em dermatologia devido às suas
propriedades cicatrizantes. O rizoma, que contém uma mucila- gem
viscosa com propriedades emolientes, utiliza-se fresco, em
cataplasma feita com a polpa, ou seco, em compressa para acalmar as
dores das queimaduras e acelerar a cicatrização das feridas.
Arrancados o rizoma e raiz, lavar, raspar, reduzir a fragmentos,
secar rapidamente ao sol e conservar em caixas bem fechadas.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, solos húmidos;


relvados e locais húmidos do Minho; até 1500 m. Identificação: de
O,30 a O,80 m de altura. Vivaz, caule robusto, erecto, quadrangular,
ramoso; folhas ovais, longamente decorrentes, espessas, guarnecidas
de pêlos ásperos, sendo as basais maiores; flores violáceas, rosadas
ou amareladas (Maio-Julho), reunidas em cimeiras espiraladas e
pendentes, corola campanulada com 5 dentes curtos, cálice com 5
sépalas lanceoladas; tetraquénio duro, brilhante, rodeado pelo
cálice persistente; toiça grossa, carnuda, preta à superfície,
branca e viscosa em corte. Inodora, sabor adocicado, muito levemente
acistringente. Partes utilizadas: rizoma e raiz (Primavera ou
Outono), fresca ou seca.
O Componentes: tanino, mucilagem, óleo essencial, alantoína,
glúcidos, alcalóide O Propriedades: acistringente, béquico,
cicatrizante, emoliente, suavizante. U. L, U. E. + O Ver: anginas,
dermatose, diarreia, entorse, estômago, greta, pele, psoríase,
queimadura, úlcera cutânea.
Consolda-real

Consolida regalis S. F. Gray Consólida-real, espora-dos-jardins,


papagaíto

Bras.: erva-do-cardeal, consólida

Ranunculáceas

Considerada pelos agricultores como uma erva daninha, a consolda-


real é uma planta espontânea com um comprido esporão floral erecto,
rica em néctar, originária da Ásia Menor, cuja variedade
aperfeiçoada, a espora-dos-jardins, é cultivada como planta
ornamental.

Nas regiões mediterrânicas, existe no estado espontâneo o paparraz,


Delphinium staphisagria L., planta perigosa e extremamente tóxica. A
consolda-real foi outrora

utilizada como diurético e vermífugo; porém, a presença de


alcalóides torna-a tóxica,

pelo que a fitoterapia clássica não a adoptou para uso interno; em


homeopatia utiliza-se com uma certa prudência. As sementes e as

flores são ainda utilizadas como antiparasitários em uso externo.


Esta consolda-real era

usada nas intervenções cirúrgicas de outrora, pois era considerada


imprescindível para consolidar as fracturas e sarar as chagas;
perdido o hábito desta prática, a planta foi completamente
abandonada, pois a sua toxicidade é elevada.

G Uso interno exclusivamente por indicação médica. Habitat: pouco


frequente nas searas e campos d do Alentejo e do Algarve, mas muito
cultivada nos jardins com fins ornamentais; até 1400 rn
oUSo’n’ernoex cu sivament’ mé dca Hab@tat poucofrequen te nass oAi
enteloed’AIg arve,mas nos1ardnscomf,ns ornament’

a o 6 Identificação: de O,10 a O,60 m de altura. Anual, caule


erecto, frágil, praticamente glabro e ramificado; folhas divididas
em longas lacínias estreitas, brácteas simples e curtas; flores
azuis (ju nho- Outubro), longamente pedunculadas, agrupadas de 6 a
10 em cacho terminal frouxo, 5 sépalas ovais e petalóides, corola
com 4 pétalas soldadas e prolongadas Por um

esporão (2 cm); folículo glabro, simples, sementes pretas, enrugadas


e escamosas; raiz
sera’z

aprumada. Inociora; sabor acre e amargo. Partes utilizadas: flores,


planta florida, sementes (Junho-Agosto). ^
@i;@ o Componentes: heterósidos, matéria gorda, alcalóides O
Propriedades: anti-inflamatório, parasiticida. U. L, U. E. + Ver:
ftiríase, olhos, sarna, urina.
Cornichão

Lotus corniculatus L.

Loto

Leguminosas

É uma das ervas mais vulgares nos nossos prados e uma das mais
bonitas devido à sua simplicidade. As folhas são trifoliadas como

do trevo; as flores estão em verticilos amarelo- alaranj ados; os


frutos, em forma de vagem, terminam por um pequeno bico; este
pormenor é confirmado pelo seu nome latino: corni.culatus deriva do
latim cornu, corno, ou chifre.

H. Leclerc descobriu por acaso as propriedades antiespas módicas do


cornichão: aconselhou a uma camponesa que sofria de conjuntivite e
simultaneamente de perturbações nervosas com insônias e palpitações
o tratamento dos olhos com uma loção de meliloto. A doente,
distraída, colheu o cornichão e fez uma tisana. Passados oito dias,
tanto as perturbações nervosas como as insónias tinham desaparecido.
Neste caso, foi um engano útil. 0 cornichão constitui uma óptima
forragem e é muito alimentício, sendo frequentemente incluído nas
misturas semeadas nos prados. É uma planta melífera quando cresce
nas grandes altitudes; nas

planícies só excepcionalmente é procurada pelas abelhas.

/Z

>Q4

N@’

Habitat: Europa, terrenos cultivados, campos, bosques abertos,


taludes, penhascos; em quase todo o território português, nos
relvados, lameiros, locais arenosos ou pedregosos, pinhais; até 3000
m. Identificação: de 0,15 a 0,30 m de altura. Vivaz, caule
ligeiramente prostrado ou ascendente, maciço, glabro, pouco ramoso;
folhas trifoliadas, pecíolo curto, 2 grandes estípulas; flores
amarelo-alaranjadas, por vezes manchadas de pú rpura (Maio-Agosto),
de 3 a 6 em umbeIas mais ou menos pedunculadas; vagem alongada,
terminada por um pequeno chifre;

abre-se e enrola-se em espiral quando está madura. Partes


utilizadas: flores (Maio-Agosto).
0 Componentes: substâncias cianogenéticas, flavonóides 0
Propriedades: antiespas módico, sedativo. U. I., U. E. + Ver:
angústia, depressão, nervosismo, palpitações, sono.
Drias

Drias <)<,topeiala L.

Rosáceas

A Dryas octopetala L. forma no Verão, na maioria das montanhas


europeias, sobretudo nos Alpes, vastos tapetes brancos sobre a erva
rasteira e os rochedos. É uma pequeníssima planta com raiz grossa e
fibrosa, caules prostrados no solo, muito resistentes às baixas
temperaturas, pois encontra-se desde as tundras boreais até às
costas do Árctico. Em

determinadas regiões tem uma duração de vida superior a 100 anos. As


folhas verdes, coriáceas e dentadas, assemelham-se às dos carvalhos;
as flores, se bem que muito diferentes, podem, vistas de longe,
confundir-se com as das anémonas; os frutos, que não se

abrem, são formados por numerosos carpelos, cada um deles encimado


por um penacho branco e sedoso. As aldeias alcandoradas das
montanhas de onde os primitivos apanhadores de plantas, nos meados
do século XVI, trouxeram a drias legaram-nos ainda a utilização
medicinal das suas folhas.

Estas são adstringentes e tónicas, e servem para preparar uma


infusão denominada chá

suíço, com efeito benéfico nas cólicas.

Habitat: nas zonas elevadas, nos Alpes e Apeninos. Tem uma certa
preferência pelos solos calcários a mais de 1200 m. ldentific@ção:
de O,05 a O,15 nn de altura. Vivaz, caule prostrado, trepador,
@enhoso, ramifi~ cado, folhas pecioladas, verdes na página superior,
brancas e tomentosas na inferior, coriáceas, obiongas (de 2 a 3 cm),
arredondadas na

base, regularmente crenadas, com estipulas soldadas no peciolo,


flores brancas (Junho-Agosto), grandes (de 2 a 4 cm), solitárias no

vértice de compridos peclúnculos vilosos, cálice com 7 a 9 lóbulos,


corola com 7 a 9 pétalas

ovais, numerosos estames, estiletes compridos, ovário livre; fruto


seco, composto Por numerosos carpelos, indeiscentes, terminado em
aristas plumosas, reunidas em feixes num mesmo receptáculo; raiz
grossa e fibrosa. Inodora, sabor acIstringente. Partes utilizadas:
folhas (junho-Agosto) o componentes: tanino, sais minerais O
Propriedades: acistringente, digestivo, tónico U. L, U. E. Ver:
afta, apetite, diarreia.
Dulcamara

Solanum dulcamara L.

Doce-amarga, uva-de-cão, erva- moura-de-trepa, vinha-da-índia,


vinha-da-judeia, vide-da-judeia

Solanáceas

É natural que muitas pessoas tenham experimentado, pelo menos uma


vez na vida, mastigar um caule de dulcamara para sentir o seu
inicial sabor adocicado, rapidamente substituído por um gosto
amargo. A planta é lenhosa e trepadora. Apenas os ramos do ano são
herbáceos. A dulcamara reconhece-se pelas suas flores cor de violeta
em forma de estrela com um centro amarelo e pelas bagas verdes, que
se tornam vermelhas depois de maduras. Além da sua utilização como
laxativo, vivamente recomendado desde a Antiguidade, as bagas eram
muito apreciadas na Idade Média como produto de beleza; actualmente,
porém, não são utilizadas, se bem que a sua toxicidade não esteja
claramente definida. Os ramos jovens e as folhas secas há menos de
um ano são vulgarmente utilizados. Devido aos alcalóides que contém,
a planta pode tornar-se perigosa, sendo de toda a conveniência não
exceder as doses indicadas. Mantidas as devidas precauções, a
dulcamara é um dos mais úteis remédios, eficaz sobretudo como
depurativo.

G Não utilizar as bagas. Habitat: Europa, sebes, margens dos


ribeiros, muros velhos; disseminada por quase todo o território
português; até 1700 m. Identificação: de 1 a 3 m de altura.
Subarbusto; caule lenhoso, trepador, sem gavinhas, enrolando-se nos
seus próprios suportes, folhas da base pecioladas, possuindo as
superiores aurículas estipuliformes; flores violáceas (Junho-
Setembro) em cimeira irregular, longamente pedunculadas, cálice com
5 dentes curtos, 5 pétalas maculadas em forma de estreia, estames
com anteras amarelas soldadas: baga

ovóide, brilhan te, verde e mais tarde vermelha. Sabor doce e


seguidamente amargo. Partes utilizadas: suco fresco, casca dos ramos
jovens, folhas secas (Primavera e Outono); secagem ao sol.
0 Componentes: glúcidos, gluco-alcalóides, saponósidos 0
Propriedades: antigalactagogo, depurativo, diurético, laxativo,
sudorífico. Li. I., J. E. + V Ver: abcesso, acne, albuminúria,
artrite, cura de Primavera, dartro, herpes, lactação, sarda.
Ébulo

Sambucus ebulus L.

Engos, sabugueirinho, erva-de-são-cristóvão

Bras.: sabugueiro

Caprifoliáceas

Existem na flora europeia três sabugueiros bastante diferentes, pois


dois deles são árvores. O ébulo, se bem que vivaz, não é mais do que
uma planta herbácea alta; cresce na orla dos bosques, nos campos de
solo fértil. Com efeito, quando da aquisição de um terreno, a
presença do ébulo, denunciando a

excelência do solo, é tida tradicionalmente como indício de boa


compra. O cheiro das folhas esmagadas do ébulo é intenso e
nauseabundo, e o das grandes umbelas de flores brancas ou rosadas
assemelha-se ao da amendoa amarga. Em Setembro, a planta cobre-se de
bagas pretas matizadas de cor de púrpura, repletas de um suco
vermelho-escuro do qual se pode extrair um corante conhecido desde a
Antiguidade e citado por Virgílio como sendo utilizado na pintura do
rosto do deus Pá. É necessário ter atenção e

não confundir as bagas do ébulo, extremamente nocivas, com as do


sabugueiro-negro. Toda a planta é tóxica quando ingerida em doses
elevadas ou tomada sistematicamente *I a posologia deve ser
integralmente respeitada.

O Não consumir os frutos, respeitar as doses e a duração dos


tratamentos. Habitat: Europa, solos argilo-calcários, frescos e
húmidos; até 1400 m. Identificação: de O,50 a 2 m de altura. Vivaz,
caule herbáceo, simples, rígido, sulcado, medula branca; folhas
verde-escuras, opostas, grandes, com 7 a 11 folíolos lanceolados e
serrados >flores brancas ou rosadas (Junho-Agosto), pequenas, em
grandes corimbos, com 5 sépalas curtas, 5 pétalas abertas, 5 estames
com anteras cor de violeta, ultrapassando as pétalas; baga preta,
globosa, brilhante, com

suco corante, contendo 3 sementes; rizoma fibroso, rastejante,


branco, extremamente invasor. Cheiro nauseabundo (toda a planta) a

amêndoa amarga (flores), sabor amargo. Partes utilizadas: raiz ou a


casca desta fresca ou seca, flores (Junho-Agosto) e folhas secas.
O Componentes: óleo essencial, glúcidos, ácidos, tanino, enzimas,
pigmentos antociânicos
O Propriedades: cicatrizante, purgativo, resolutivo, sudorífico. U.
I., U. E. + Ver: contusão, edema, entorse, obstipação, olhos, rim,
tosse.

133
Éfedra

Ephedra dista< h.va L. Bras.: morango-do-campo, cipó-da-areia

Efedráceas

Planta frágil, de aspecto singular e articulado, a éfedra, que se


assemelha a uma pequena giesteira, prefere as dunas secas e os
rochedos dos litorais atlântico e mediterrânico. Os amentilhos deste
arbusto dióico não resinoso são amarelo-esverdeados e opostos dois a
dois; os masculinos agrupam vários pares de flores, enquanto os
femininos, compostos apenas por duas flores, se transformam no mês
de Agosto em frutos vermelhos e globosos. Estas características
confe~ riram-lhe o nome de espécie, distachya, que deriva do latim
dis, duas vezes, e sta'chys, espiga. Em cada uma das suas
articulações, o caule é rodeado por duas pequenas escamas opostas:
são as folhas.

Existem em todo o Mundo várias espécies de éfedras, entre as quais a


Ephedra, sinica, a célebre Ma Houang, droga utilizada pelos Chineses
desde há milhares de anos para acalmar os ataques de asma e
designada por efedrina.

Esta espécie exótica, importada para a Europa no século xVIII,


satisfaz actualmente a maioria das necessidades da indústria
farmacêutica. A efedrina natural, extraída dos seus ramos, é
frequentemente utilizada em medicina devido à sua acção, comparável
à da adrenalina.

Habitat: lugares secos, areias do litoral mediterrânico e atlântico;


em Portugal, em zonas litorais do Baixo Alentejo e Algarve, encon~
tra-se a Ephedra fragilis Desf., conhecida vulgarmente por
cornicabra, ou gestrela. Identificação: de O,40 a 1 m de altura.
Arbusto: caule prostrado, ascendente; ramos verde-glaucos, opostos
ou fasciculados, constituídos por artículos rígidos de 2 a 4 cm e
estriados; folhas transformadas em 2 pequenas escamas opostas,
situadas na articulação dos ramos; flores amarelo- esverd eadas
(Maio-Junho), sem cálice nem corola, mas com escamas florais

arredondadas, aglomeradas em amentilhos pedunculados, sendo o


amentilho masculino ovóide com 4 a 8 pares de flores e o amentilho
feminino com 1 par de flores envolvido por escamas imbricadas; fruto
carnudo e vermelho-vinoso, pseuclodrupa globosa que envolve uma
semente nua. Sabor ligeiramente ácido e aromático. Partes
utilizadas: ramos.
O Componentes: efedrina, vitamina C O Propriedades: antiespasmódico,
eupneico. U. I., LI. E. + Ver: asma, urticária.
134
Endro

Anethum graveolens L.

Aneto, funcho-bastardo

Umbelíferas

Originário da Ásia Menor, aclimatado e


cultivado em todo o Sul da Europa, o endro evadiu-se rapidamente das
culturas para se disseminar e reproduzir. Prefere os solos áridos e
soalheiros, as searas e bermas dos caminhos. É uma planta anual,
muito aromática, cujo perfume se assemelha ao do funcho, com o qual
é muitas vezes confundido. O endro floresce no Verão, sendo o seu
néctar muito procurado pelas abelhas.

Conhecido desde a mais remota antiguidade, o endro figura na maioria


dos textos antigos e até no Evangelho segundo S. Mateus, onde se
refere que durante o século 1 estava sujeito a um imposto, tal como
o cominho e as mentas. Das suas sementes extrai-se um óleo essencial
já conhecido pelos gladiadores romanos, que com ele friccionavam os
membros antes dos combates. Actualmente, para além das suas
aplicações medicinais, semelhantes às do anis e do funcho, as
sementes do endro são utilizadas como condimento nas choucroutes e
nas marinadas; também servem para temperar os pickles em Inglaterra.

Habitat: Europa Meridional, pouco frequente em Portugal, surgindo em


algumas regiões a sul do Tejo, terrenos baldios, secos, searas; até
600 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Anual, caule
verde-escuro, delgado, estriado e oco; folhas pecioladas,
invaginando o caule, as superiores com bainha curta, divididas em
lacínias filiformes; flores amarelas (Abril-Julho), em umbelas com
15 a 30 raios desiguais,
5 pétalas inteiras com a ponta curvada para o lado de dentro;
diaquénio com 5 costelas de cada lado, 3 dorsais salientes e 2
marginais

mais claras em forma de asas, raiz delgada, aprumada e


esbranquiçada: cheiro intenso, semelhante ao do funcho; sabor
aromático e picante. Partes utilizadas: sementes (Setembro); secagem
à sombra.
O Componentes: óleo essencial, matérias azotadas, mucilagem, resina,
tanino O Propriedades: antiespasmódico, carminativo, estomáquico,
resolutivo. U. 1. + o Ver: aerofagia, lactação, meteorismo, soluço,
vómito.
Énula-campana

Inula helenium L.

Inula-campana Bras.: inula, inulina

Compostas

A énula-campana tem um passado maravilhoso. Teofrasto, Dioscórides e


Plínio na Antiguidade, Alberto, o Grande, e Santa Hildegarda na
Idade Média e Mattioli no Renascimento enalteceram os seus méritos,
e a sua fama manteve-se até à actualidade. Apenas a raiz é
verdadeiramente activa. Depois de colhida, é cortada em pedaços e
seca ao sol. Outrora, na Alemanha, possibilitava o fabrico de um
vinho de énula, também chamado *potio Paulina+, em memória da
recomendação de S. Paulo a Timóteo para beber um pouco de vinho a
fim de curar a debilidade do seu estômago. Na Alsácia, o reps é
ainda hoje obtido pela maceração da raiz de énula-campana em mosto.

O helenium deriva de helenion, nome grego da planta, que, por sua


vez, parece derivar de Elené; segundo a lenda, a planta nascera das
lágrimas de Helena, mulher de Menelau, causa da Guerra de Tróia.

A énula-campana é uma planta grande, outrora cultivada devido à sua


raiz medicinal; abandonou, porém, as antigas plantações,
encontrando-se actualmente muito difundida, embora desigualmente
distribuída.

Habitat: Europa, desigualmente distribuída, evadida das culturas


antigas, valas, sebes; cultivada em Portugal como planta ornamental;
até 800 m. Identificação: de 1 a 2 m de altura. Vivaz, caule
robusto, erecto; folhas dentadas, espessas, esbranquiçadas na página
inferior, sendo as caulinares sésseis, invaginantes, as da base
muito grandes, pecioladas; flores amarelas (Maio- Setembro), em
grandes capítulos, invólucro com brácteas desiguais, lígulas
compridas e numerosas; aquénio castanho, com papilho simples,
avermelhado; raizes grossas. Partes utilizadas: raiz.

O Componentes: inulina, matérias pécticas e resinosas O


Propriedades: antiespasmódico, béquico, colerético, sedativo,
tónico, vermífugo. LI. L, U. E. + O Ver: apetite, bronquite, dartro,
estômago, tosse, ureia, vómito.

136
EpilÓbio

Epilobium angustiplium L.

Onagráceas

O epilóbio é uma planta histórica, pois em


1793 possibilitou ao botânico alemão Christian Conrad Sprengel
enunciar a teoria da polinização das plantas pelos insectos,
retomada por Darwin no século XIX. Nas regiões com clima temperado,
existem cerca de 20 espécies de Epilobium, além de numerosos
híbridos. Todas dão flores de um cor-de-rosa intenso ou vermelho,
ricas em néctar, e possuem frutos com 4 valvas, que ao abrirem
libertam centenas de sementes leves encimadas por plumas sedosas.
Plantas vivazes de extrema beleza, difundem-se nas areias húmidas e
nas ravinas das montanhas, cujo frescor apreciam.

A medicina popular utiliza esta planta para lavagens da boca e


gargarejos, devido às suas propriedades adstringentes e
tensoactivas.

Na Europa do Norte, os rebentos e a medula dos caules são utilizados


em culinária para saladas ou cozidos como legumes. Com as folhas e
flores secas preparam-se infusões doces, extremamente salutares.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, taludes, solos


arenosos; até 2300 m. Identificação: de O,70 a 1,60 m de altura.
Vivaz, caule simples, avermelhado, rígido; folhas sésseis,
extensamente lanceoladas, inteiras, com nervuras salientes na face
inferior; flores cor-de-rosa intenso (Junho-Outubro), pendentes, em
comprida espiga terminal frouxa, cálice com 4 sépalas agudas,
coradas, corola com
4 pétalas quase iguais, abertas num plano vertical, 8 estames e
estilete com 4 estigmas em cruz pendentes > cápsula comprida e
estreita, com 4 valvas, que contêm várias centenas de

sementes providas de longos papilhos; toiça prostrada e longa. Sabor


adocicado (raiz). Partes utilizadas: raiz, flores, folhas secas.
O Componentes: tanino, pectina, mucilagem O Propriedades:
acístringente, emoliente, hemostático, vulnerário. U. I., U. E. Ver:
afta, diarréia, ferida.
Erva-coalheira

Galium verum L.

Erva-do-coalho, coalha-leite, galião

Rubiáceas

No leito de ervas espontâneas em que descansou Maria, mãe de Jesus,


encontrou-se, segundo uma lenda, um pé de erva-coalheira; deste
facto deriva um dos nomes da planta em língua inglesa, Lady's
Bedstraw, palha do leito de Nossa Senhora. À planta são ainda
atribuídos muitos outros nomes, geralmente ligados às suas
propriedades: coalha-leite, porque coagula o leite e também o
sangue; cardo-amarelo, devido aos seus cachos erectos com flores
douradas e aroma de mel. Planta vivaz, muito vistosa, oscila ao

vento de Verão os finos caules floridos e os ramos de folhas


estreitas e brilhantes dispostas em estrela. Na Antiguidade,
atribuíram-se à erva-coalheira propriedades tintoriais; a raiz dava
o vermelho, e as folhas, um amarelo-alaranjado. As sumidades
floridas conferem ao queijo de Chester a sua apreciada cor e o seu
sabor inimitável. Reabilitada no século XIX, após um longo período
de abandono, a planta foi utilizada como remédio para as convulsões.
Actualmente, reconhece- se- lhe menor número de propriedades, porém
mais eficazes; a erva-coalheira é considerada acistringente e
vulnerária para uso externo e antiespasmódica e diurética para uso
interno.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, bermas das


estradas, caminhos, campos, encostas; espontânea em Portugal, nos
prados, campos, sebes, muros, de Trás-os-Monlés ao Alentejo; até
2500 m. Identificação: de O,20 a O,80 m de altura. Vivaz, caule
erecto, frágil, circular, glabro e pouco ramificado; folhas
estreitas, lineares, mucronadas, de 6 a 12 em verticilos estrelados,
brilhantes na página superior, pubescentes na inferior e com bordos
enrolados; flores amarelas (Junho-Setembro), numerosas e pequenas,
em panículas densas erectas nas extremidades

superiores dos caules; fruto pequeno, liso, glabro; toiça grossa,


horizontal. Cheiro pouco intenso e agradável (a mel); sabor muito
particular, ácido. Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho-
Setembro); secagem à sombra ou ao sol; a planta escurece
rapidamente, perde o cheiro e as propriedades, pelo que deve ser
conservada apenas algumas semanas.
O Componentes: ácidos, lípidos, vitamina C O Propriedades:
adstringente, anti espasmódico, colagogo, diurético, vulnerário. U.
L, U. E. + Ver: dartro, diurese, epilepsia, nervosismo.
Erva-de-santa-bárbara

Barbarea vulgaris R. Br.

Erva-dos-carpinteiros
Bras.: agrião-da-terra

Crucíferas

Esta planta foi consagrada ao culto de Santa Bárbara, padroeira dos


artilheiros, dos mineiros e de todas as corporaçoes que se expõem
aos perigos da pólvora e do fogo. Efectivamente, as suas folhas
curam muito bem feridas, pelo que os carpinteiros antigos a utilizam
frequentemente em cataplasma.

É uma crucífera vivaz, com pequenas flores am arelo- douradas que


desabrocham durante todo o Verão e se encontram em toda a

parte onde haja humidade e frescura. No Outono, a erva-de-santa-


bárbara mantém-se verde, mesmo sob as primeiras neves, e até pelo
menos ao dia 4 de Dezembro, festa da santa sua padroeira. O sabor da
planta assemelha-se ao do agrião, pelo que foi durante muito tempo
cultivada nas hortas com o nome de agrião-da-terra. Deve ser
utilizada

fresca, pois a secagem elimina a sua actividade. Com a erva-de-


santa-bárbara pode fazer-se uma salada de gosto levemente amargo ou
um caldo. As suas folhas são consideradas medicinais, sobretudo
devido ao seu elevado teor de vitamina C. As sementes, esmagadas e
maceradas em vinho branco, produzem uma excelente bebida diurética.

Habitat: Europa; em Portugal, nos terrenos húmidos do Douro ao


Mondego, bermas dos caminhos pedregosos, margens arenosas, solos
argilosos, húmidos, azotados; até 1500 M.

Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. BieHab tat’Eu >0 humdos


do > camnho s p ed
1osarg,1os9s,
1dent fcaÇao

n a nal, polimorfa, caule verde, erecto, canelado, quase


glabro, folhoso; folhas lisas, brilhantes, oleosas, divididas em
segmentos desiguais, tendo as inferiores lóbulo terminal
arredondado, as superiores simples, fendidas, sésseis; flores
amarelo-vivo (Abril-Junho), em cacho terminal bastante grande,
sépalas erectas e caducas; síliqua erecta, com 2 valvas contendo

cada uma 2 fileiras de sementes. Cheiro suave; sabor vagamente


semelhante ao do agrião. Partes utilizadas: folhas frescas,
sementes; quando seca, perde as suas propriedades.
O Componentes: vitamina C O Propriedades: aperitivo, detersivo,
vulnerário. U. L, U. E. Ver: escorbuto, ferida, gota, litíase,
úlcera cutân ea.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Erva-de-são-roberto

Geranium robertianum L.

Erva-roberta, bico-de-grou

Bras.: gerânio

Geraffiáceas

As plantas que habitualmente os jardineiros designam por gerânios


pertencem, na realidade, ao género botânico Pelargonium, que, tal
como o Geranium, se integra na família das Geraniáceas. O género
Geranium, da palavra grega geranos, grou, reúne na Europa cerca de
30 espécies cujas flores se assemelham muito, formando no centro um
fruto composto por 5 carpelos que sugerem o bico de um grou. A
denominação robertianum é, segundo algumas opiniões, uma adulteração
de rupertianum, evocando o nome de S. Roberto, bispo de Salzburgo no
século vil, que teria descoberto as propriedades hemostáticas desta
erva avermelhada; segundo outras, a origem da palavra deriva do
latim ruber > vermelho. No século Xii, fazia já parte dos
remédios vegetais aconselhados pela erudita Santa Hildegarda,
abadessa do Mosteiro Beneditino de Rupertsberg, próximo do Reno.

A erva-de-são-roberto não sobrevive à floração, secando em seguida.


As suas folhas, de forma triangular e contorno profundamente
recortado, não devem confundir-se com as da cicuta. A parte aérea da
planta (Maio-Agosto), que tem cheiro intenso e acre e sabor amargo e
adstringente, é seca em molhos pendurados em local coberto e
arejado.

Habitat: Europa, terrenos baldios, matas, muros; frequente em quase


todo o País; até 1800 m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura.
Anual, caule avermelhado, delgado, intumescido nos nós, sobretudo na
base, viloso, ramoso e em moitas; folhas verde-claras, triangulares,
palmadas, com 3 a 5 segmentos lobados; flores cor-d e- rosa- maiva e
violáceas (Abril-Setembro), 2 por cada pedúnculo, 5 sépalas erectas,
5 pétalas inteiras e estriadas, 10 estames com anteras alaranjadas,
pistilo com 5 carpelos, 5 estigmas cor de púrpura na extremidade de
uma arista; fruto composto por 5 aquénios,

contendo cada um deles uma semente ejectada pela brusca divisão da


arista > raiz esbranquiçada, delgada e aprumada. Partes
utilizadas: parte aérea, fresca ou seca.
O Componentes: tanino, óleo essencial, resina, substância amarga,
vitamina C O Propriedades: acistringente, antiespasmódico,
diurético, hemostático, hipoglicemiante, tónico, vulnerário. U. L,
U. E. + krJ Ver: afta, anginas, boca, cancro, dartro, diabetes,
diarréia, ferida, hemorragia, nefrite, olhos, rouquidão, seio.

140
Erva-dos-escudos

LN,@iin,whia numinularia L.

Primuláceas

Para encontrar a erva-dos-escudos, é necessário procurá-la, pois


todo o comprido caule rastejante desta pequena planta permanece
colado ao solo e os pedúnculos florais não excedem 5 cm de altura.
Cresce em locais frescos e húmidos, frequentemente ao abrigo de
ervas de maior altura. Uma das suas particularidades botânicas
consiste em que raramente produz sementes, multiplicando-se por meio
de estolhos. O nome de LNIsimachia advém-lhe provavelmente de
Lysimachos, médico da Antiguidade, que, supõe-se, a descobriu e
revelou as suas propriedades; numniularia, do latim numinula,
pequena moeda, alude à forma das folhas, ligeiramente arredondadas
como uma moeda. O nome vulgar, erva-dos-cem-males, que lhe é
atribuído em França, lembra a fama

de panaceia de que a planta gozava na Idade Média e no século xvi.


Votadas ao esquecimento no século XIX, as suas propriedades foram de
novo reconhecidas por um

médico alemão. Os pastores dos arredores de Fleidelberga


administravam-na, depois de pulverizada, às ovelhas como preventivo
da tuberculose. Esta planta possibilita aos fitoterapeutas a
obtenção de curas espectaculares de doenças como a gota e o
reumatismo.

Habitat: Europa, exceplo nas montanhas, prados húmidos, pomares,


bosques húmidos com clareiras, bermas de fossos; até 1200 m.

Identificação: de O,20 a O,70 m de altura. Vivaz. caule rastejante


radicanie, folhas eliipticas, corditormes, opostas, subsésseis,
dispostas horizontalmente, flores amarelo-douradas (Junho-Agosto), 2
em cada nó, grandes, pedunculadas, cálices com 5 sépalas
cordiformes, corola de uma só peça com 5 lóbulos, 5 estames
inseridos na corola, ovário unilocular, cápsu@a rara nas regiões do
Sul, com numerosas sementes; multiplicação por fragmentação,

Partes utilizadas: planta inteira (Junho-Agosto), secagem à sombra.


O Componentes: anino, mucilagem, saponásido, enzima (primeverase),
sais minerais, principalmente de silicio e de p1ótássio O
Propriedades: acistringente, vulnerario. Li. I., LI. E. Ver: boca,
diarréia, ferida, hemorragia, hemorróidas.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Erva-férrea

Brunella vulgaris L.

Bruncla, prunela

Labiadas

O género Brunella compreende várias espécies e subespécies muito


semelhantes e que possuem as mesmas propriedades. Esta é uma planta
pequena, de i5 a 25 em, com grandes flores labiadas azul-violáceas,
cujo excelente néctar atrai com frequência as abelhas. A erva-férrea
confunde-se frequentemente com a búgula, de um género vizinho, se
bem que se distingam por duas características essenciais: a búgula
tem as flores verticiladas dispostas em vários planos, enquanto as
da erva-férrea se apresentam em cachos terminais; as folhas da
búgula estão ligadas ao caule por um pequeno estreitamento do limbo,
ao passo que as da erva-férrea são pecioladas. É possível que a
origem do nome, do alemão Braun, castanho, se deva à cor castanha do
cálice.

Esta planta foi sujeita a uma interessante experiência de adaptação


à altitude. Exemplares da planície, levados para os Alpes e para os
Pirenéus, produziram, ao fim de 20 anos, indivíduos mais fortes, com
uma cor mais viva e, sobretudo, anatomicamente mais bem organizados
para intensificar a sua função clorofilina. As flores maiores
possuíam cores mais intensas. A Antiguidade, a Idade Média e a época
contemporânea não se interessaram pela sua função medicinal; porém,
no século xvi foi largamente utilizada. Em alguns países, é hábito
confeccionar saladas com os rebentos jovens.

Habitat: Europa; frequente em Portugal em

locais húmidos, pinhais, caminhos de quase todo o País; até 2000 m.


Identificação: de O,05 a O,70 m de altura. Planta vivaz com poucos
pêlos > caule ascendente; folhas ovais, pecioladas, pouco
recortadas; flores (Junho~Outubro), cálice castanho com 2 lábios
distintos, corola azul-violácea, 4 estames, o lábio superior em
forma de elmo e o inferior trilobado, espigas providas na base de
brácteas compridas e contíguas às folhas superiores. Cheiro
levemente aromático. Partes utilizadas: planta inteira, sem a raiz

(Junho-Outubro); secagem à sombra em local

bem arejado.
O Componentes: tanino, vestígios de lípidos e

de essências, princípios amargos e resinosos


O Propriedades: acistringente, cicatrizante, detersivo, vulnerário.
U. I., U. E. Ver: anginas, boca, diarreia, ferida, hemorróidas.
Erva-formigueira

Chenopodium ambrosioides L. (sensu lato) Ambrósia-do-méxico, chá-do-


méxico, quenopódio,

erva-formiga Bras.: erva-de-santa-maria

Quenopodiáceas

No século XVII, os Jesuítas importaram do México a erva-formigueira


para cultivá-la como sucedâneo do chá; algumas pessoas preferem-na
ao chá verdadeiro. Pode associar-se à menta ou à quina. É uma planta
muito aromática com perfume a cânfora e caule avermelhado. Sob as
folhas encontram-se pequenas glândulas amarelo-douradas que exalam
um agradável perfume a erva-cidreira. Existe uma espécie americana
afim, a

Chenopodium ambrosioides L., ssp. anthelininti(-u@n, com odor muito


desagradável, que constitui um vermífugo poderoso. Devido à sua
elevada toxicidade, é muito importante saber diferenciá-la da erva-
formigueira. O seu caule é mais viloso, atingindo facilmente
1 m de altura; porém, a maioria das vezes basta cheirá-la para
evitar qualquer confusão. Outrora, empregava-se a erva-formigueira
para tratar as perturbações nervosas, histeria e algumas doenças de
peito mal definidas.

No Sul de França, fabrica-se com a ambrósia um licor denominado


moquine, em homenagem ao sábio, poeta e naturalista occitano Alfred
Moquin-Tandon.

Habitat: zonas temperadas da Europa Meridional; em todo o território


português, solos arenosos, entulhos; até 300 m. Identificação: de
O,30 a O,60 m de altura. Anual ou vivaz, caule erecto com estrias
verdes, frequentemente vermelho e pubescente na base, ramificado;
folhas obovadas inteiras ou com dentes irregulares e compridos,
tendo na página inferior glândulas com essência; flores esverdeadas
(Julho-Outubro), em panículas, com folhas pouco visíveis, perianto
com divisões e 6 estames; fruto com 1 semente brilhante, castanha.
Cheiro aromático e canforado.

Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas secas.


O Componentes. óleo essencial que contém escaridol, saponósido O
Propriedades: antiespasmódico, digestivo, emenagogo, tónico,
vermífugo. U. 1. Ver: asma, menstruação, parasitose, pulmão.
Erva-sofia

Descurainia sophia (L.) Web.

Sofia-dos-cirurgiões

Crucíferas

Esta crucífera com um bonito nome cresce ao longo dos caminhos e


entre os entulhos; necessita de grande quantidade de azoto, pelo que
procura os locais habitados. Assim, é muito frequente observar a
erva-sofia, que se introduz no interior das povoações, nas

ruas, nas praças e nos pequenos jardins. Esta grande planta verde
apresenta reflexos cinzentos devido aos pêlos curtos que a cobrem
totalmente.

Muito apreciada outrora, com a designação de sofia-dos-cirurgiões,


devido à acção eficaz das suas folhas frescas contusas na
cicatrização das chagas e feridas de guerra, a erva-sofia tratava
também as diarreias, as cólicas e os soluços. Era ainda muito
apreciada pelas damas atenienses e romanas, pois tornava as peles
sedosas e sem defeito. A receita para obter o resultado desejado
consistia na aplicação sobre o rosto, durante quatro noites
consecutivas, de uma máscara preparada com as folhas esmagadas.
Actualmente, esta planta dos terrenos baldios foi suplantada por
complexos tratamentos muito mais dispendiosos, mas nem sempre mais
eficazes. As sementes têm um sabor acre e ardente, semelhante ao da
semente da mostarda-negra.

Habitat: Europa, caminhos, terrenos baldios; espontânea em Portugal,


em locais pedregosos e muros da bacia do Douro e alto Tejo; até
2000 m. Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Anual, caule
erecto, descorado, verde-acinzentado, com pêlos estrelados, folhoso
e ramoso; folhas verde-acinzentadas, profundamente divididas em
lóbulos lineares muito finos; flores amarelo-claras (Abril-
Setembro), pequenas, em cachos terminais, 4 sépalas, 4 pétalas mais
curtas e 6 estames; síliqua estreita, arqueada, erecta sobre os
pedicelos afastados do eixo,

abrindo-se em 2 valvas trinérveas, sementes amarelas, lisas,


unisseriadas e comprimidas. Inociora; sabor acre e picante. Partes
utilizadas: planta sem a raiz e sementes.
O Componentes: derivados sulfurados O Propriedades: acistringente,
vermífugo, vulnerário. U. L, U. E. V Ver: diarréia, ferida, pele.
escórdio *//* FALTAM OS OUTROS NOMES

Por vezes completamente submerso na água, o escórdio é uma planta


herbácea e acetinada que enraíza no fundo dos pântanos e das valas,
bem como nos prados húmidos. Teofrasto já o denominava Skordion, da
palavra @_1reL,a skorodon, alho, devido ao cheiro aliáceo que as
suas folhas exalam quando amachucadas entre os dedos. Muito famosa
outrora, esta planta gozou da fama, provavelMente injustificada, de
impedir a putrefacçao, fazia parte, juntamente com várias dezenas de
outras plantas, carne de víbora e

Habitat: Europa Ocidental, Central e Meridional; valas, prados


húmidos e pantanosos; em Portugal, frequente nos locais húmidos do
Minho ao Algarve; até 1000 m.

Identificação: de O,10 a O,20 m de altura. Vivaz, caule verde,


matizado de uma cor violácea, viloso, acetinado, herbáceo e muito
ramoso; folhas verde- aci nzentadas, macias, vilosas, sésseis,
oblongas e serradas; flores cor de púrpura ou violáceas (Ju nho-
Setembro), solitárias ou agrupadas de 2 a 6 na axila das folhas, ao
longo do caule, cálice viloso, gilboso e com
5 dentes praticamente iguais; fruto castanho

Ossos de animais, da composição da famosa triaga de Veneza, que,


segundo se supunha, era um antídoto para grande número de doenças.
Fracastório, no século xi, incluiu a planta no seu Electuário
Diascordio, a qual, julgava-se, podia curar a peste. Presenteinente,
a utilidade do escórdio é muito mais

modesta. A planta deve ser utilizada fresca e

enquanto conserva o cheiro a alho. Em al- ,,uns países serve para


tingir as lãs de verdecom a adição de sulfato de ferro consegue-se
um belo verde-azeitona.

quando maduro, reticulado; estolhos que apresentam pequenas folhas,


raiz implantada no

lodo. Cheiro aliáceo; sabor aliáceo e amargo. Partes utilizadas:


sumidades floridas (Junho-Setembro), folhas. o Componentes:
princípio amargo, colina, tanino, essência O Propriedades:
febrífugo, tónico, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: astenia ,úlcera
cutânea.

145
Escrofulária-nodosa

Scrophularia nodosa L.

Bras.: betônica-aquática

Escrofulariáceas

As escrofulárias pertencem à mesma família da graciosa e das


belíssimas dedaleiras. Como estas plantas, contém substâncias que
actuam sobre o coração; é, no entanto, conveniente não ultrapassar
as doses. A planta, aliás, não estimula quaisquer excessos, pois, ao
ser amachucada entre os dedos, exala um cheiro repugnante; ingerida
em doses elevadas provoca vómitos e violentas diarreias. A
escrofulária-nodosa gozava outrora da fama de curar os tumores
ganglionares crónicos da tuberculose. No século XIX, ap,ós a
descoberta da acção hipoglicemiante da raiz, a

planta foi incluída na lista dos medicamentos antidiabéticos. De


entre as inúmeras escrofulárias medicinais outrora conhecidas, a
flora portuguesa possui também a erva-das-escaldadelas, ou
escrofulária, Scrophularia aquatica L. É uma planta vivaz, muito
verde e robusta, com caule oco, glabro, com ângulos agudos e
estreitamente alados, folhas com bordos crenados e raiz desprovida
de nós. Trata as mesmas doenças, aliviando--as de modo semelhante, e
a sua utilização deve ser igualmente moderada.

-Habitat: Europa, excepto, na região mediterrânica, florestas


húmidas; a Scrophularia aquatica L. surge em quase todõ-o País; até
1800 m. Identificação: de O,60 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule
duro, compacto e quadrangular; folhas simples, opostas, ovais,
pontiagudas, cordiformes, truncadas na base, glabras, serradas;
flores castanho-esverdeadas (Junho-Setembro), pequenas, em panículas
terminais frouxas, 5 sépalas ovais com bordos frisados, coroIa
bilabiada, sendo o lábio superior erecto com
2 lóbulos e o inferior mais curto, 4 estames e 1 estaminódio
soldados à corola; cápsula ovóide,

pontiaguda, bivalve e sementes pequenas; rizoma volumoso, nodoso e


castanho-acinzentado. Cheiro desagradável; amargo. Partes
utilizadas: rizoma, sumidades floridas secas, folhas frescas.
*Componentes: saponósidos, heterósidos, derivados antracénicos,
ácidos paimítico, butírico e málico, vitamina C, alcalóide O
Propriedades: cicatrizante, colerético, depurativo, diurético,
hipoglicemiante, vulnerário. U. I., U. E. + V Ver: dartro, diabetes,
diurese, edema, fígado, furúnculo, hemorroidas, sarda, sarna.

146
Espinheiro-cerval

Rhamnus cathartica L. Escambroeiro, espinha-cervina, espinha-de-


veado,

espinheiro-cambra

Ramináceas

Este arbusto de porte irregular e frondoso, com ramos terminados em


espinhos, desenvolve-se nas sebes e nos bosques. As folhas são
opostas ou aparentemente opostas, largas e com nervuras arqueadas.
As flores são pouco visíveis devido às suas pequenas dimensões e à
sua cor verde-amarelada; os frutos são drupas negras quando maduros.
Segundo uma antiga tradição, a coroa de espinhos de Cristo foi feita
com ramos de escambroeiro; porém, segundo outras versões, tratar-se-
ia de arbustos ainda mais espinhosos. Desconhecido na Antiguidade
como

planta medicinal, o espinheiro-cerval é mencionado no século XVI


como purgativo. Com as suas drupas fabrica-se, há muitos séculos, um
xarope, medicamento purgativo, actualmente utilizado sobretudo em
veterinária e

aconselhado por Alibert *aos homens robustos, difíceis de cornover+;


é, na verdade, um medicamento violento ao qual se deve preferir uma
planta da mesma família, o amieiro-negro. A sua madeira é utilizada
no fabrico de pequenos objectos torneados e no trabalho de
embutidos. Dos frutos, tratados com cal ou alúmen, extrai-se uma
matéria corante.

O Respeitar as doses; não utilizar a casca antes de decorridos 2


anos de conservaçao. Habitat: Europa, excepto no litoral do mar do
Norte, florestas, matas, sebes, todos os terrenos; em Portugal, na
Beira interior; até 1200 M.

Identificação: de 2 a 4 m, por vezes de 5 a


6 m, de altura. Arbusto; ramagem muito irregular, ramos espinhosos,
cobertos por uma casca castanho-escura e lisa quando jovem, mais
tarde fendida; folhas quase opostas, de 2 a

5 cm de largura e de 3 a 6 cm de comprimento, delicadamente


serradas, com nervuras arqueadas e salientes, estipuladas; flores
verde-amareladas (Abril-Junho), pequenas, unissexuadas ou
hermafroditas, na axila dos ramos jovens ou das suas primeiras
folhas, 4 sépalas,
4 pétalas, 4 estames; drupas com 3 a 4 caroços enrugados. Cheiro
nauseabundo (drupa); sabor adocicado e em seguida amargo (drupa).
Partes utilizadas: casca, fruto maduro (Setembro-Outubro), suco. o
Componentes: derivados antracénicos, heterósidos, vitamina C O
Propriedades: depurativo, diurético, laxativo, purgativo, revulsivo.
U. L, U. E. + O Ver: intestino.
Estaque

a) Stachys palustris L. b) Stachys silvatica L.

Labiadas

São plantas rústicas difundidas em toda a Europa. 0 nome de género,


que alude à forma da sua inflorescência, deriva da palavra grega
stakhy, espiga. Existem várias espécies de Stachys: algumas
aclimatam-se nos pântanos e nas matas húmidas, como a Stachys
palustris, com flores cor-de-rosa manchadas de branco; outras, como
a Stachys silvatica, com flores cor de púrpura e mau cheiro,
preferem os terrenos mais secos. Em Portugal, encontram-se as duas
espécies: a S. palustris, nos pântanos e vales da Beira Litoral; a
S. silvatica, nas sebes e vales da região de Bragança.

São plantas pubescentes que atingem facilmente 1 m de altura e cujos


caules angulosos apresentam na extremidade uma delicada
inflorescência. Os carneiros e as cabras apreciam-nas como pastagem
e são frequentemente visitadas pelas abelhas.

Algumas delas têm propriedades alimentares devido às suas raízes


carnudas e outras são medicinais. Efectivamente, a Stachys palustris
é utilizada do mesmo modo que o marroio, pois tem uma acção
antiespasmódica idêntica. É também um emenagogo, sendo geralmente
aplicada no tratamento das perturbações da menopausa.

Habitat: a) Europa, excepto na região mediterrânica, locais húmidos;


b) Europa, rara na região mediterrânica, bosques húmidos; em
Portugal, existem as duas espécies; até 1400 m. Identificação: de
0,40 a 1 m de altura. Vivazes, caules com folhas pubescentes, folhas
verdes: a) largas, cordiformes, pecioladas, b) dentadas, viloso-
pubescentes, sésseis, tendo as inferiores um pecíolo curto; flores:
a) cor-de-rosa-claras salpicadas de branco, b) cor de púrpura-escura
(Junho-Setembro), em espiga de verticilos folhosos: a) de 4 a 8
flores, b) de 3 a
6 flores, cálice viloso, a) 5 dentes iguais pican-

tes, b) glandulosos com dentes triangulares, corola com o dobro do


comprimento, 4 estames; carpelos ovóides, pretos; toiça grossa,
carnuda, de onde crescem renovos. Cheiro: a) fétido, b) inodoro;
sabor amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho-
Setembro).
0 Componentes: óleo volátil 0 Propriedades: a) antiespasmódico,
diurético; b) antiespasmádico, emenagogo, sedativo. U. 1. + Ver:
acufenos, espasmo, menopausa, menstruação.
Eucalipto

Eucalyptus globulus LabiII.

Bras.: eucaliptus

Mirtáceas

Existem no Mundo cerca de 600 espécies de eucaliptos, das quais 50


se aclimataram na bacia mediterrânica. Originário da Tasmânia, onde
chega a atingir 100 m de altura, o E. globulus foi introduzido na
Europa nos
meados do século XIX com vista ao saneamento das regiões pantanosas.
Efectivamente, as suas longas e sedentas raízes possibilitaram a
drenagem destes solos. Além disso, esta árvore robusta é muito
apreciada devido

ao seu rápido crescimento, ao seu cheiro aromático e à aversão que a


sua presença provoca nos insectos.

As longas folhas falciformes dos ramos

mais velhos são de preferência utilizadas para fins medicinais, pois


as folhas jovens são menos ricas em essência. De entre os
componentes activos detectados nesta essência, um dos mais enérgicos
é o euc-aliptol, que faz parte de inúmeras preparações
farmacêuticas, como pastilhas, xaropes, cál Ias, soluções
injectáveis, supositórios e dentifrícios. Como a colheita das folhas
se efectua no Verão, é apenas necessário, para que

as suas propriedades não se alterem, secá-las e conservá-las em


frascos de vidro.

Habitat: bacia mediterrânica; cultivam-se em Portugal numerosas


espécies; até 1000 m. Identificação: de 25 a 35 m de altura. Árvore;
tronco direito, casca lisa acinzentada e lenho avermelhado; folhas
das árvores jovens e dos rebentos da base oposta sésseis, claras e
cerosas; folhas das árvores mais velhas alternas, falciformes,
pecioladas, planas, pendentes, brilhantes; flores esbranquiçadas
(Maio-Julho), cálice quadrangular encimado por um opérculo coriáceo
que se destaca pela base após a fioração e numerosos estames
formando um penacho; cápsula glauca, dura, angulosa, verrugosa, com
4 lóculos, que contêm numerosas sementes escuras. Cheiro activo
extremamente aromático, sabor amargo e aromático. Partes utilizadas:
folhas adultas (Junho-Setembro).
O Componentes: tanino, essência, resina O Propriedades:
acIstringente, anti-séptico, aperitivo, bactericida, estimulante,
febrífugo. U. I., LI. E. + O Ver: asma, banho, boca, bronquite,
cabelo, desinfecção, epidemia, estômago, febre, feri- da, gripe,
insectos, sinusite.

149
Eufrásia

Euphrasia officinalis L. (sensu lato)

Consolo-da-vista

Escrofulariáceas

Existem numerosas espécies de eufrásias cuja maioria é tropical, se


bem que se encontrem algumas nos climas europeus. De entre estas,
destaca-se a Euphrasia officinalis, conhecida por consolo-da-vista,
que se desenvolve nas montanhas e nas pastagens até aos limites das
neves eternas. A espécie E. officinalis subdivide-se, por sua vez,
em diversas variedades que se diferenciam pela forma do caule, pelo
tamanho da flor e pela presença ou inexistência de glândulas; estas
pequenas e delicadas plantas cobertas de flores brancas raiadas de
cor de violeta são parasitas de outras plantas, das quais se
alimentam. Em grego, o nome genérico euphrasia significa alegria;
assim, parece evidente que a utilização da eufrásia provoca júbilo.
Como os fidalguinhos, é um *quebra-óculos+, já celebrado na Idade
Média por Santa Hildegarda; o seu efeito analgésico e anti-
inflamatório nos olhos irritados e lacrimejantes é incontestável.
Toda a planta tem aplicações medicinais: além das infusões e
decocções, existem numerosas preparaçoes laboratoriais, como a
alcoolatura, o hidrolato e a tintura, sendo esta muito utilizada nos
Estados Unidos, por deter o incómodo fluxo nasal provocado pelas
constipações.

Habitat: Europa, prados, relvados, charnecas; em Portugal, nos


lameiros da região de Vimioso encontra-se a E. hirtella Jord com
pêlos glandulosos, os quais, segundo alguns autores, contêm os
constituintes activos; até 3000 m. Identificação: de O,05 a O,30 m
de altura. Anual, caule erecto, ramificado; folhas verde-
acinzentadas, opostas, sésseis, ovadas, serradas e glandulosas;
flores brancas maculadas de cor de violeta com o centro amarelo
(Julho-Outubro), em cacho terminal, folhoso, corola com 2 lábios,
tendo o inferior 3 lóbulos chanfrados e o superior em forma de elmo,
tubo

que ultrapassa o cálice glanduloso e 4 estames; cápsula achatada,


pilosa e numerosas sementes; raiz provida de sugadores que se
prendem às raizes das plantas próximas. Sabor amargo e acre. Partes
utilizadas: planta inteira (Julho-Outubro); secagem rápida.
O Componentes: óleo essencial, tanino, heterósido, resina, pigmento
O Propriedades: adstringente, analgésico, anti-inflamatório. U. L,
U. E. + Ver: blefarite, boca, conjuntivite, constipação, faringite,
oftalmia, olhos, terçolho.
evónimo *//* FALTAM OS PRIMEIROS NOMES

Constituído por minúsculas flores e folhas, que, no Outono, adquirem


bonitas tonalidades vermelhas.

A toxicidade dos seus frutos parece ter sido conhecida pelos


Antigos, pois, mesmo ignorando as suas virtudes medicinais,
obstinaram-se em descrever os sintomas do envenenamento causado pela
sua ingestão e o

modo de tratamento. Actualmente, o evónimo só é utilizado em uso


interno por receita médica. O uso externo restringe-se a uma fricção
com frutos do evónimo para tratar a

sarna e a uma pomada caseira confeccionada

com o pó das sementes para matar piolhos. Da madeira carbonizada num


recipiente fechado resulta o carvão para desenhar.

O Toda a planta é tóxica; utilizar apenas em uso externo. Habitat:


Europa, sebes, matas, margens dos cursos de água; em Portugal,
encontra-se sobretudo em Trás-os-Montes. Identificação: de 2 a 4 m
de altura. Arbusto; casca lisa, esverdeada, ramos jovens
quadranguiares; folhas opostas, ligeiramente pecioladas,
lanceoladas, serradas, azul-esverdeadas na página inferior, amarelas
ou vermelhas no Outono e caducas; flores verde-claras (Maio-Junho),
reunidas de 2 a 5 em falsas umbelas com pedúnculo erecto na axila
das folhas do

ramo florífero, de 4 a 5 sépalas, pétalas e estames; cápsula cor- d


e- rosa- coral, carnuda, com 4 a 5 lóculos que contêm de 4 a 5
sementes amarelo-alaranjadas. Cheiro nauseabundo e

desagradável; sabor acre. Partes utilizadas: sementes, folhas.


O Componentes: tanino, lípidos, ácidos orgânicos, pigmentos,
vitamina C, alcalóides O Propriedades: colagogo, detersivo, emético,
insecticida, purgativo. U.E. O Ver: ftiríase, sarna, úlcera cutânea.

151.
Faia

Fagus silvatica L.

Faia-europeia

Fagáceas

As faias surgiram sobre a Terra na era terciária com o arrefecimento


do clima e o desenvolvimento da humidade. Povoam as regiões
temperadas frias do hemisfério norte, a cujas chuvas e brumas se
aclimataram. Nas montanhas, crescem junto às coníferas ou ainda a
maiores altitudes, formando então singulares bosquetes violentamente
agitados pelos ventos. Com grande frequência reunidas em florestas
de altitude onde podem viver três séculos, as grandes faias, de
formas harmoniosas, abrem serenamente a sua folhagem em copas
ovóides e densas. A sua sombra refrescante foi cantada pelos poetas.
*Feliz Títiro, assim deitado sob uma

grande faia, compões árias campestres com

a tua graciosa flauta pastoril+, escreve Virgílio no primeiro verso


das Bucólicas; porém, esta sombra é fatal para toda a vegetaçao
herbácea, e, sob os seus ramos frondosos, a faia ocupa
inequivocamente o seu

lugar, aniquilando rapidamente as anémonas, as primaveras e as


aspérulas que se

desenvolvam junto ao pé no início da Primavera.

O Não ingerir grande quantidade de frutos; não dar aos cavalos o


bagaço dos frutos após a extracção do óleo. Habitat: Europa, excepto
na regiã o mediterrânica, solos frescos e profundos; até 1700 m.
Identificação: de 35 a 40 m de altura. Árvore; tronco erecto,
cilíndrico até 20 m antes da ramificação, casca lisa, verde-escura
quando jovem e depois acinzentada; folhas verde-claras, mais claras
na página inferior, brilhantes, inteiras, ovais e pontiagudas, com
nervuras rectilíneas e bordos ondulados providos de pêlos sedosos;
amentilhos esbranquiçados

(Abril-Maio), monóicos, pedunculados, sendo

os femininos erectos, com 2 a 3 flores inseridas em 1 invólucro e


ovário com 3 lóculos; fruto trígono, oleoso, castanho, em grupos de
2 a
3 numa cúpula coriácea com espinhos flexíveis. Partes utilizadas:
casca dos ramos com 2 a 3 anos (Fevereiro), lenho.
O Componentes: tanino (casca), creosota (lenho) O Propriedades:
acistringente, anti-séptico, aperitivo, febrífugo. U. L, U. E. + o
Ver: boca, desinfecção, febre, pulmão.
Faia-preta

Populus tremula L. Choupo-tremedor

Salicáceas

A faia-preta reconhece-se pelo seu tronco


claro e liso, pela sua copa graciosa, pelas suas folhas arredondadas
que vibram incessantemente ao menor sopro de ar. É uma espécie que
dá preferência aos solos húmidos e às areias das planícies, mas
suporta igualmente a aridez e os solos pedregosos. Nas montanhas, a
árvore tem um desenvolvimento limitado em altura; as suas raízes
penetram então profundamente nas fendas dos rochedos, e quando
encontram um obstáculo, contornam-no ou elevam-se para se

expandir à superfície da terra.

Esta árvore multiplica-se e desenvolve-se rapidamente; porém, o


tronco engrossa pouco, e cerca dos 50 anos torna-se oco. A madeira,
desprovida de cerne, é macia e branda, sendo utilizada para o
fabrico de fósforos e papel; os pequenos roedores das florestas
apreciam a sua saborosa casca. A faia-preta suporta bem o frio,
sendo possível encontrá-la nas proximidades do cabo Norte; a

árvore vive cerca de 100 anos.

A medicina recorre às propriedades adstringentes e anti-sépticas da


casca e das folhas. Os Antigos já a conheciam. A faia-preta é o
Cercis citado por Teofrasto, filósofo e

botânico grego do século iv a. C. Os Latinos, que a supunham


originária da Líbia, chamavam-lhe choupo-líbio.

Habitat: Europa, florestas húmidas, margens dos rios; cultivada,


subespontânea e espontânea, pouco frequente nas margens dos rios do
Norte e Centro de Portugal; até 2000 m.

Identificação: de 20 a 30 m de altura. Árvore; tronco cilíndrico,


casca cinzenta, lisa, fendendo-se depois em losangos; ramos
patentes, gemas cobertas de escamas imbricadas e viscosas; folhas
extremamente móveis, cinzento-esverdeadas, claras na página
inferior, glabras, arredondadas, sinuosas, com pecíolo comprido,
frágil e achatado; flores acinzentadas (Março-Abril), em grandes
amentilhos dióicos, pendentes, formados por escamas incisas,
celheadas, contendo os masculinos 8 estames vermelhos e os femininos
4 estigmas cor de púrpura em cruz; cápsula glabra, ovóide, numerosas
sementes com pêlos; raizes superficiais invasoras. Sabor amargo.
Partes utilizadas: casca, alburno, folhas frescas.
O Componentes: heterósido, sais minerais, tanino, vitamina C O
Propriedades: anti-inflamatório, anti-séptico, febrífugo. U. L, U.
E. + Ver: cistite, escorbuto, febre, ferida.
Favária-maior

Sedum telephium L., ssp. purpureum Unk

Erva-dos-calos, favária-vulgar, teléfio

Crassuláceas

Cicatrizante, a bela favária-maior é uma planta suculenta com folhas


carnudas repletas de um líquido transparente e insípido. Durante
todo o Verão a planta exibe as suas pequenas flores de cores
diferentes consoante as variedades: nesta página está representada a
subespéciepurpureum, com flores cor de púrpura. A favária-maior
utiliza-se do mesmo modo que o saião.

As preparações destinadas a uso externo assemelham-se mais a


receitas culinárias do que a fórmulas fitoterapêuticas; as folhas
podem ser moídas com sal e vinagre, cozidas em leite ou ainda
maceradas em óleo; é o doce de favária dos ervanários. Da raiz,
cozida em banha, faz-se um puré e sopas.

Existem outras espécies do género Sedum, entre as quais se salienta


a pequena vermiculária, ou uva-de-cão, Sedum acre L., que cobre com
o seu espesso manto os muros em

ruínas. Esta crassulácea identifica-se pelos caules folhosos, pelas


flores em forma de estrela de um amarelo intenso e pelo sabor
picante; o seu suco destrói os calos e calosidades.

Habitat: Europa, especialmente nas regiões setentrional e central,


terrenos baldios; surge nos locais áridos e pedregosos da Beira Alta
e Estremadura; até 1800 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de
altura. Vivaz, caule erecto, duro, glabro, ligeiramente ramoso;
folhas alternas ou opostas, sésseis, planas, polposas, ovais,
ligeiramente dentadas; flores cor de púrpura nesta variedade,
esbranquiçadas, amarelo- esverdeadas ou rosadas noutras variedades
(Ju nho- Setembro), reunidas em corimbos, 5 sépalas curtas, 5
pétalas, 10 estames, 5 carpelos, sementes pequenas; rizoma robusto,
curto, raizes frequentemente engrossadas. lnodora; sabor doce
(folhas) e acre (raiz). Partes utilizadas: suco fresco, todas as
partes da planta seca, folhas frescas ou conservadas em óleo;
secagem difícil.
O Componentes: sais minerais, telefiósido, tanino, mucilagem,
açúcares O Propriedades: acistringente, detersivo, emoliente,
vulnerário. U. E. Ver: calo, calosidade, contusão, dartro, ferida,
greta, hemorroidas, queimadura, verruga.

154
Fel-da-terra

Erythraea centaurium Pers.

Centáurea-merior Bras.: chá-porrete

Gencianáceas

Ao considerar os nomes eruditos e vulgares do fel-da-terra,


facilmente se deduzem as suas múltiplas aplicações: planta
cicatrizante, ajudou, segundo a lenda, o centauro Quíron a curar a
ferida de um pé, causada por inadvertência, a Hércules. Em uso
interno é tónica e febrífuga. Conhecida por Dioscórides e Plínio,
muito apreciada pelos Gauleses, cultivada durante toda a Idade
Média, mantém-se extremamente popular nos meios rurais, onde é com
frequência utilizada como sucedâneo da genciana; entra na composição
de alguns aperitivos; devido ao seu

acentuado sabor amargo, devem adicionar-se-lhe, nas tisanas, plantas


de sabor mais agradável.

Nas regiões atlánticas é, por vezes, substituída pela centáurea


menos perfolhada, Chlora perfoliata L., menos amarga, de porte mais
humilde, flores de um amarelo intenso e folhas verde-claras
aproximadamente do tamanho dos entrenós.

Para preservar a linda cor-de-rosa-clara das flores do fel-da-terra,


estas devem ser

secas em pequenos sacos de papel. Conservadas depois em frascos de


vidro herméticos, mantém durante muito tempo o seu

aspecto agradável e as suas propriedades.

O Não exagerar: em doses elevadas é irritante p para o tubo


digestivo Habitat: Europa, bosques, charnecas; frequente em
Portugal, nos matos, bosques, pastagens, outeiros secos; até 1400 m.
oNaoexag er a’aotubod Habital.Europ te emPortug gensoute,ros
Identificação: de O,10 a O,50 m de altura. Biena], caule frágil,
glabro, quadrangular, ramos erectos no vértice e muito floridos;
folhas verde-claras, as basais em roseta, obovadas, as caulinares
mais pequenas, opostas, oblongas, e as superiores lineares; flores
cor-de_ rosa (J u nho- Setembro), curtamente pediceladas, em
corimbo denso, umbeliforme, cálice tulbuloso,

corola tubulada com 5 pétalas, 5 estames, anteras enroladas em


espiral; cápsula com numerosas sementes. Cheiro suave; sabor muito
amargo. Partes utilizadas: caules, sumidades floridas (junho-
Agosto). o Componentes: princípios amargos, resina O Propriedades:
aperitivo, carminativo, colerético, depurativo, estomáquico,
febrífugo, tónico, vermífugo. U. I., U. E. + Ver: apetite, cabelo,
convalescença, diarréia, febre, ferida
Feto-macho

Dryopterisfilix-mas (L.) Schott

Dentebrura, fento-macho

Polipodiáceas

0 belíssimo feto-macho não pertence ao

sexo masculino, do mesmo modo que o feto-fêmea não é uma planta


feminina. Distinguem-se nos bosques devido ao porte das frondes,
vigoroso e viril no primeiro, elegante e delicado no segundo. 0
ciclo de re-

rodução comum a todos os fetos realiza-se em duas fases. É


surpreendente ver surgir na Primavera ao nível do solo os tenros
rebentos do feto-macho em báculo e admirar a sua transformação em
poucas semanas em feixes de admiráveis frondes. Seria difícil
imaginar que as filas paralelas com manchas azuladas e salientes,
visíveis em cada uma das divisões das folhas, são os reservatórios
de esporos, sobre os quais se apoia todo o futuro da planta.
Efectivamente, no fim do Verão, a membrana dos esporângios abre-se,
espalhando milhares de esporos pelo solo. Se as circunstâncias são
propícias, o esporo geriiiina, dando uma plântula portadora de
elenientos sexuais aptos a dar origem a um futuro feto. 0 rizoma é
utilizado em medicina desde a mais remota antiguidade como
antiparasitário, pois contém uma substância que intoxica e paralisa
a ténia, facilitando a sua expulsão.

Q Não administrar a crianças; não ultrapassar as doses; não ingerir


álcool durante o tratamento. Habitat: Europa, excepto nas montanhas
a grande altitude, matas, em Portugal, no Norte e no Centro, em
locais húmidos e sombrios; até
1600 m. Identificação: de 1 a 1,40 m de altura. Vivaz, frondes
compridas, que atingem mais de 1 m, em tufo, e quando jovens em
forma de báculo, duplamente divididas em pínulas obtusas,
ligeiramente dentadas, lanceoladas e terminadas em ponta; soros
(Junho-Setembro), na página

inferior, alinhados em 2 fileiras, próximas da nervura; rizoma


acastanhado, esbranquiçado no interior, horizontal, espesso, com
raizes pretas. Cheiro característico. Partes utilizadas: rizoma,
folhas (todo o ano para utilização imediata e no Outono para
conservação); limpeza sem água, secagem à sombra, ao ar livre.
0 Componentes: filicina 0 Propriedades: antiparasitário, detersivo,
vermífugo. U. I., U. E. + kri Ver: ferida, gota, parasitose, pé,
reumatismo.
Feto-real

Osmunda regalis L.

Fento-real

Osmundáceas

Apesar da designação de feto-florido que lhe é atribuída, o feto-


real, como todos os outros fetos, não dá flores, merecendo, no
entanto, a denominação de real devido ao seu magnífico porte. Da sua
toiça, obliquamente implantada na turfa ou nas margens lodosas,
nasce todos os anos, na Primavera, um pequeno feixe de croças
claras, frágeis como fios de vidro, que se desenrolam lentamente;
porém, as frondes libertam-se progressivamente e algumas delas,
depois de desenroladas, atingem 2 m de comprimento, enquanto outras
se curvam de novo delicadamente em direcção ao solo. No fim do
período de crescimento, surgem por vezes surpreendentemente, na
extremidade de algumas delas, grandes espigas de cor bege-rosada,
que se podem confundir com flores

e que são, no entanto, as folhas férteis; estas estão cobertas de


esporângios que, no momento preciso, se abrem em duas valvas para
libertar os esporos.

O rizoma do feto-real é adstringente, diurético, purgativo e


vulnerário. Em alguns meios rurais de França conserva-se o costume
de encher com as magníficas folhas do feto-real os colchões das
camas das crianças débeis e dos doentes de reumatismo.

Habitat: Europa, pântanos e turfeiras; em Portugal, nos locais


húmidos do Minho ao Algarve; até 1500 m. Identificação: de O,60 a 2
m de altura. Vivaz, caule subterrâneo; frondes enroladas em báculo,
robustas, verde-avermelhadas, em seguida erectas, abertas, verdes,
em moitas, pecíolos robustos, limbo glabro, duplamente dividido em
folíolos inteiros ou delicadamente denticulados e praticamente
opostos, arredondados no vértice, truncados obliquamente ou
auriculados na base, pecíolos secundários com frondes férteis
diferenciadas numa comprida panícula terminal castanha coberta por
esporângios globulosos, tetraédricos, que se abrem em 2 vaivas
iguais, e esporos globulosos; rizoma oblíquo, espesso, volumoso e
provido de raizes. Partes utilizadas: rizoma e folhas; colher no fim
do Verão, lavar, secar rapidamente no forno, conservar ao abrigo do
ar.
O Componentes: tanino O Propriedades: acistringente, diurético,
purgativo, tónico, vulnerário. U. L, U. E. Ver: diurese ,ferida,
litíase, raquitismo, reuma tismo.

157
Ficária

Ficaria ranunculoides Roth.

Celi dónia- menor, queledónia-rnenor, erva-hemorroidal, ervas -das-


hemorrói das

Ranunculáceas

A ficária é muito vulgar na Europa, nos bosques e nos vales húmidos,


onde se abriga frequentemente junto às sebes. É uma planta vivaz
cujas flores estreladas, de um amare-

lo-brilhante, desabrocham a partir do mês de Março e cujas folhas se


assemelham, se bem que mais claras e delicadas, às da hera. Os
tubérculos asseguram a reprodução vegetativa, pois a maioria das
flores é estéril. 0 nome da ficária deriva da palavra latinaficus,
figo, provavelmente evocando o aspecto dos seus pequenos tubérculos
de alguns centímetros de comprimento. Evoca possivelmente também a
acção benéfica da planta sobre as volumosas verrugas dos bovinos, ou
o seu efeito descongestionante sobre as

hemorróidas, conhecido desde o século Xvii. A ficária contém


substâncias venenosas, pelo que deve ser sempre utilizada com muita
prudência; a raiz destina-se apenas ao uso

externo e, no caso de se ingerirem as folhas cruas, como é hábito em


alguns meios ru-

rais, estas devem ser colhidas jovens, antes da floração.

0 Consumir apenas as folhas muito jovens e recentemente colhidas.


Habitat: Europa, florestas, moitas, prados húmidos; frequente em
Portugal, distribuída por quase todo o País, nos matos, sebes e
campos; até 1600 m. Identificação: de 0,10 a 0,30 m de altura.
Vivaz, caule prostrado, glabro, mole, oco, com folhas frequentemente
com bolibilhos nos nós inferiores; folhas de um verde intenso,
brilhantes, cordiformes, inteiras, crenadas, nervadas, com compridos
pecíolos invaginantes; flores amarelo- brilhantes (Março-Abril),
isoladas, pe-

dúnculo comprido, erecto e esbranquiçado, cálice com 3 sépalas


verde-amareladas, corola com 6 a 12 pétalas estreitas com nectários;
aquénio, tubérculos alongados e intumescidos. Sabor acre e picante.
Partes utilizadas: tubérculo (após a floração), suco fresco, folhas
(antes da floração), secagem à sombra.
0 Componentes: óleo essencial, saponósido, vitamina C 0
Propriedades: analgésico, anti-inflamatório. U. L, U. E. + Ver:
hemorroidas.
Fidalguinhos

Centaurea cyanus L. Locos-dos-jardins, saudades, loios, ambretas,

fidalguinhos-dos-jardins Bras.: escovinha, centáurea-azul,


cinerária, centáurea,

sultana

Compostas

Os fidalguinhos pertencem ao género Centaurea, do qual apenas


algumas espécies possuem propriedades medicinais. O nome
do género foi-lhe atribuído em homenagem ao fabuloso centauro
Quíron, semi-hornem, semicavalo, sábio mestre de Aquiles e muito
versado em medicina. Muito conhecidas, as suas flores, de um azul-
forte, reservam frequentemente aos jardineiros a surpresa de se
tornarem cor-de-rosa quando são cultivadas em canteiros. Esta planta
tende a desaparecer devido à acção destruidora dos herbicidas.

Segundo a tradição, os fidalguinhos tratam os olhos azuis, enquanto


a tanchagem é melhor para os olhos castanhos. Não caindo no exagero,
é certo que a decocção das flores dos fidalguinhos é óptima para
fazer recuperar a vivacidade e o brilho aos olhos cansados e cura a
conjuntivite. Esta propriedade é partilhada com uma espécie próxima
que cresce nas montanhas, a Centaurea montana L.

Habitat: Europa, campos de cereais, solos ricos e leves; em


Portugal, aparecem subespontâneos nas searas; até 1800 m.
Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Bienal, caele erecto,
estriado, ramoso, coberto por uma penugem cinzenta; folhas verde-
acinzen- tadas, vilosas-lanuginosas, sendo as superiores sésseis,
inteiras, estreitas, e as inferiores pecioladas e divididas; flores
azul-forte (Maio-Setembro), em grandes capítulos, com brácteas
marginadas de celhas curtas, prateadas, tulbulosas, hermafroditas no
centro, estéreis e dispostas em raios na periferia; aquénio claro,

com papilho curto e duro, de cor ruiva; raiz aprumada e delgada.


Sabor amargo. Partes utilizadas: a planta inteira, flor, semente
(Junho-Agosto); secagem rápida ao ar livre.
O Componentes: tanino, heterósido, pigmento azul O Propriedades:
acistringente, depurativo, diurético, emoliente, purgativo. U. L, U.
E. + V Ver: cabelo, conjuntivite, edema, gota, ol os, reumatismo,
terçolho.
Framboeseiro

Rubus idaeus L.

Rosáceas

O framboeseiro é um arbusto de cuja toiça nascem todos os anos novos


caules (turiões), os quais dão frutos no decorrer do segundo ano
morrendo em seguida. Deste modo, é muito possível que, uma vez
localizado um exemplar espontâneo, se consiga voltar a colher frutos
regularmente na mesma moita. Existem, actualmente, várias centenas
de variedades cultivadas, cujos frutos variam da cor vermelho-
papoila ao branco.

A cultura do framboeseiro remonta à Idade Média, se bem que os


nossos antepassados pré-históricos já apreciassem o seu fruto
delicado.

As framboesas espontâneas, além de constituírem uma agradável


sobremesa, são refrigerantes e laxativas; muito utilizadas, servem
frequentemente para aromatizar preparações farmacêuticas destinadas
às crianças; fazem parte da receita de várias bebidas caseiras, como
o vinho ou o vinagre, xarope ou licores. Confeccionam-se ainda com a
framboesa excelentes doces e geleias. Como sucede com o morangueiro
e as silvas, apenas as folhas e as flores desta planta são
medicinais, se colhidas aquando da floração (Agosto- Setembro). A
secagem das folhas é feita à sombra.

Habitat: hemisfério boreal, florestas de planícies ou de montanhas;


de 400 a 2000 m. Identificação: de 1 a 2 m de altura. Arbusto com
toiça que emite estolhos e turiões bienais; caule azul-esverdeado,
lenhoso, erecto e provido de finos acúleos avermelhados; folhas
verde intenso na página superior, brancas e tomentosas na inferior,
imparipinuladas com 3 a 7 folíolos dentados; flores brancas (Maio-
Julho), pouco visíveis, em cacho, pedunculadas, com 5 sépalas
separadas, 5 pétalas pequenas, erectas, numerosos estames e
carpelos; fruto cor-de-rosa- escuro, ovóide, composto de várias
drupéolas aveludadas, destacando-se do receptáculo; toiça com
estolhos subterrâneos. Cheiro agradável e penetrante; sabor
adocicado e ácido. Partes utilizadas: flores, frutos, folhas.
O Componentes: ácido cítrico, vitamina C, açúcar, celulose, sais
minerais O Propriedades: adstringente, antiescorbútico, aperitivo,
depurativo, diurético, emenagogo, laxativo, refrescante, sudorífico,
tónico. U. L, U. E. + o Ver: anginas, astenia, boca, menstruação,
obstipação, olhos, pele, rim, seio.

160
Freixo

Fraxinus excelsior L.

Freixo-europeu

Oleáceas

O freixo cultivado pertence, como a oliveira, o lilás, o jasmineiro,


o alfenheiro e o aderno, à família das Oleáceas, q@e é constituída
por mais de 400 espécies. E uma bela árvore dos climas europeus,
devido ao seu tronco esbelto, à sua casca branda e acinzentada, aos
seus ramos frágeis e à sua folhagem graciosa. As folhas são
características, isto é, dividem-se num número ímpar de folíolos não
peciolados, e surgem tardiamente, no mês de Junho, muito depois das
flores. É necessário colhê-las jovens, ainda recobertas pelo
revestimento ligeiramente aderente e açucarado, e retirar o pecíolo
antes de as secar; com as folhas prepara-se um chá considerado uma
verdadeira bebida de rejuvenescimento. A casca e as sementes do
freixo são adstringentes e febrífugas. Outrora, atribuía-se à sua
madeira, aplicada sobre as mordeduras de serpente, o poder de evitar
o envenenamento.

Eta madeira flexível e resistente serviu durante muito tempo de


matéria-prima para o fabrico de esquis; actualmente, é ainda muito
utilizada em trabalhos de marcenaria.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, bosques húmidos,


ravinas, solos férteis; em Portugal, existe em quase todas as
regiões, sendo também cultivado; até 1400 m. Identificação: de 20 a
40 m de altura. Arvore; tronco erecto, nu, casca cinzenta e lisa que
depois se fende, copa pouco fechada, ramos cinzentos, glabros, gemas
negras, aveludadas, volumosas, quadradas; folhas pecioladas,
imparipinuladas, com 7 a 15 folíoios sésseis, verde-escuras na
página superior, mais claras na inferior, ovais e serradas; flores
acastanhadas (Abril-Maio), em panículas; reduzidas a 1 estigma e 2
estames com anteras quase sésseis; sâmara simples, em feixes
pendentes; raiz aprumada e robusta. lnodoro; amargo. Partes
utilizadas: sementes, folhas, seiva, casca dos ramos entre 2 e 3
anos (Abril).
O Componentes: heterásidos, açúcares, resina, ácido málico,
vitaminas C e P, tanino, sais minerais, pigmentos O Propriedades:
acistringente, diurético, laxativo, sudorífico, tónico. U. I., U. E.
+ V O Ver: celulite, colesterol, dor, envelhecimento, gota, hálito,
litíase, neviralgia, obesidade, obstipaçã o, reumatismo, ureia.
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Fumária

Fumaria officinalis L. Erva-molarinha, erva-pombinha, moleirinha


-Bras.: fel-da-terra, fumo-da-terra, molarinha, capnóida

Fumariáceas

É possível que o nome da fumária advenha da cor cinzenta e


indistinta das suas folhas, do seu sabor a fumo e fuligem ou
ainda da tradição popular, que atribui o nascimento da planta não a
uma semente, mas a uma emanação da terra.

A planta é conhecida desde a Antiguidade devido às suas propriedades


medicinais: Dioscórides, no século 1, e Galeno, no século li, citam
a sua acçã o sobre a secreção biliar e a função hepática; no século
x, os médicos árabes elogiam as virtudes da planta, e Mattioli, no
século Xvi, faz o seu panegí rico como remédio específico para as
perturbações das vísceras abdominais. Porém, o seu mais importante
segredo é que, além da angélica e do freixo, é um dos simples que
torna o homem centenário.

A fumária contém um alcalóide, a fumarina; é aconselhável usá-la sob


controle médico, pois a sua acção varia com a intensidade e a
duração do tratamento. As folhas, que se partem facilmente durante a
secagem, devem ser guardadas em recipientes de cerâmica ou vidro.

O Evitar o contacto com o ferro. Habitat: Europa, terrenos baldios,


taludes, campos, bermas dos caminhos; disseminada por quase todo o
territó rio português; até 1700 m. Identificação: de0,1 5 a0,70 m
dealtura. Anual, caule verde, frágil, glauco, erecto, ramoso; folhas
cinzento-esverdeadas, 2-3 vezes divididas em segmentos delgados,
glabros, peciolados; flores cor-de-rosa maculadas de cor de púrpura
(Abril-Setembro), pequenas, alongadas, reunidas em epiga, 2 sépalas
petalóides, pétalas irregulares prolongadas em esporão curto e 6
estames em 2 feixes; fruto globoso, com vertice deprimido; raiz
aprumada, de cor branco-amarelada. Cheiro acre (suco); sabor muito
amargo e salgado. Partes utilizadas: planta florida, excepto a raiz
(M aio- Setembro); secagem em cam ad as ou ramos. * Componentes:
tanino, alcalóides, potássio, ácido fumárico O Propriedades:
antiescorbútico, aperitivo, depurativo, detersivo, diurético,
estomáquico, laxativo, tónico. U. L, U. E. + V Ver: arteriosclerose,
astenia, cura de Primavera, dartro, eczema, obesidade, tez,
urticária, vesícula biliar.
Funcho

Foeniculum vulgare (Mill.) Caertn.

Umbelíferas

Filho do sol, espontâneo nas colinas mediterrânicas, o funcho


expandiu-se com o decorrer dos séculos para oeste. Encontra-se
geralmente nas bermas dos caminhos e próximo das povoações.

É uma grande umbelífera elegante e vivaz com largas folhas


recortadas em moles e finas lacínias e com pequenas flores amarelas
agrupadas. As suas características botânicas possibilitam a sua
fácil identificação e mesmo distingui-Ia do aneto, planta afim,
cujos frutos são rodeados por uma margem alada e cujas folhas
superiores estão providas de um limbo mais comprido que o pecíolo.
Existem diversas variedades espontâneas de funcho com frutos
ligeiramente doces, apimen tados ou amargos, e uma variedade
cultivada, muito doce, da qual é comestível a base carnuda das
folhas. 0 perfume aromático e o sabor picante da planta devem-se a
uma essência rica em anetol, substância estimulante e digestiva,
existente sobretudo nas sementes. A sua utilização tornou-se
clássica para aromatizar o peixe, as castanhas e as azeitonas. Nos
textos da medicina antiga é citado como curativo.

0 Sementes: não ultrapassar as doses. Habitat: Europa Meridional,


terrenos baldios, colinas secas; em Portugal, cresce especialmente
nas regiõ es do Norte e Centro. Identificação: de 0,80 a 2 m de
altura. Vivaz, caule ramoso, verde com estrias azuis, brilhante,
compacto; folhas verde- azul ado- escuras, brilhantes, com bainha
muito comprida e limbo curto, divididas em lacínias filiformes;
flores amarelas (Junho-Agosto), pequenas, com grandes umbelas
terminais; fruto cinzento-escuro, fusiforme, estriado, glabro, 2
estiletes curtos; bainhas da base carnudas sobre uma toiça

grossa, lenhosa, vigorosa. Cheiro aromático; picante e amargo.


Partes utilizadas: folhas frescas, raiz (fim do primeiro ano);
frutos (Setembro- Outubro). * Componentes: óleo essencial, sais
minerais, provitamina A, vitaminas B e C 0 Propriedades:
antiespasmódico, aperitivo, digestivo, emenagogo, expectorante,
galactagogo, tónico, vermífugo, vulnerário. U. I., U. E. + o Ver:
abcesso, aerofagia, bronquite,, diarreia, fadiga, frigidez,
impotência, lactação, meteorismo, obesidade, olhos, rouquidão,
tosse.
163
Funcho-marÍtimo

Crithmum maritimum L.

Perrexil-do-mar, funcho-marinho, funcho-do-mar,

bacila

Umbelíferas

O funcho-marítimo é uma pequena planta de caule estriado e carnudo


cuja raiz penetra nas mais pequenas fendas dos rochedos, podendo
atingir 5 m de comprimento. Necessita de grandes quantidades de
humidade, ambientes salgados, bem como da suavidade dos climas
marítimos, oceânicos ou mediterrânicos.

As suas folhas carnudas, espessas e brilhantes são utilizadas para


fins medicinais; devem ingerir-se cruas para melhor beneficiar das
suas acções aperitiva, tónica e antiescorbútica; porém, se os
efeitos desejados são o depurativo e o diurético, a preparação mais
indicada é o infuso da planta fresca. No entanto, é mais agradável
utilizar as folhas deste funcho marinadas em vinagre e
confeccionadas como os pepinos. Após a

preparação, os boiões devem ser hermeticamente rolhados e


conservados em lugar seco. No século xix, comercializavam-se estas
folhas em algumas aldeias mediterrânicas; os marinheiros levavam-nas
para bordo, pois apreciavam o sabor ligeiramente amargo e salgado,
mas extremamente agradável, do funcho.

Habitat: costas rochosas, ao alcance da brisa marítima; frequente


sobre os rochedos de toda a costa portuguesa. Identificação: de O,20
a O,50 m de altura. Vivaz, caule prostrado ou ascendente, estriado e
em ziguezague; folhas glaucas, difusas, carnudas, espessas,
brilhantes, glabras, bi ou tripinuladas em folíolos lineares,
erectas, pontiagudas; flores branco-esverdeadas (Julho-Outubro), em
umbelas com peclúnculo curto, com 10 a 20 raios grossos, invólucro e
involucelos com numerosas brácteas lanceoladas, pétalas
arredondadas; fruto volumoso ovóide, esponjoso,

assinalado por 10 costas salientes e aquilhadas. Cheiro ligeiramente


aromático; sabor amargo e salgado. Partes utilizadas: folhas. *
Componentes: essência, óleo, sais minerais, iodo, bromo, vitamina C
e Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, depurativo, diurético,
tónico. U. L, U. E. Ver: apetite, escorbuto, obesidade, parasitose.
Galega

Galega officinalis L. Caprária, falso-anil

Leguminosas

O género Galega é constituído na sua totalidade por cerca de uma


dezena de espécies cuja maioria se desenvolve na Europa e no
Oriente; nas regiõ es temperadas, apenas a

Galega offici,nalis se encontra no estado espontâneo. E uma bela


planta vivaz, com

caule vigoroso, que forma volumosos maciços nos prados sombrios ou


no fundo dos vales quentes, húmidos e bem abrigados. Os seus grandes
cachos floridos, ainda mais desenvolvidos do que as folhas muito
recortadas, são cor-de-rosa, cor de malva ou azul-claros.

Desconhecida na Antiguidade, a galega parece ter sido utilizada no


século xVI como remédio para diversas afecções; porém, os

resultados pouco concludentes da sua aplicação conduziram ao seu


quase total descrédito. No entanto, um estudo sistemático
empreendido no início do século XX detectou a sua acção estimulante
sobre a glândula mamária e a secreção láctica, bem como o

efeito hipoglicemiante das suas sementes. Actualmente, a galega é


utilizada racionalmente durante o aleitamento e mostra-se eficaz na
redução do teor de açúcar nos diabéticos. Com a continuação, a
planta provoca uma aversão difícil de superar.

O Não utilizar nenhuma parte da planta fresca, secar previamente.


Habitat: Sudeste da Europa, solos profundos e húmidos; espontânea em
Portugal, nas lezírias e locais húmidos do Centro e Sul; até 1000 m.
Identificação: de O,50 a 1 m de altura. Vivaz, caule herbáceo,
erecto, glabro, oco, tornando-se muito duro nas moitas; flores
glabras, imparipinuladas, com 11 a 19 folíolos providos de uma
pequena ponta fina (mucromados), estípuIas livres e pontiagudas;
flores azuladas ou, mais raramente, brancas (Junho-Agosto), em
grandes cachos pedunculados na axila das folhas, cálice com 5 dentes
finos, estandarte e quilha ultrapassando as asas; vagem muito
estreita, com 2 a 3 cm de comprimento, estriada obliquamente e
glabra; rizoma vigoroso. Cheiro aromático e desagradável; sabor
doce, tornando-se acre. Partes utilizadas: planta florida seca,
sementes (Ju lho- Setembro). * Componentes: derivados flavónicos,
alcalóide, vitamina C O Propriedades: diurético, galactagogo,
hipoglicemiante, sudorífico. U. 1. + o Ver: diabetes, lactação.
Galeopse

Galeopsis dubia Leers

Labiadas

O termo Galeopsis deriva das palavras gregas gale, lontra, e opsis,


aspecto. Os povos antigos denominaram assim várias labiadas em cuja
corola com dois lábios viam semelhanças com a boca aberta do pequeno
carnívoro. Existem seis espécies do género Galeopsis na flora
europeia. Todas elas são plantas anuais com flores cor-de-rosa ou
cor de púrpura, por vezes amarelas e matizadas de branco, vermelho
ou cor de violeta. A Galeopsis dubia Leers, uma das mais vulgares,
reconhece-se pelo caule pubescente, que não apresenta intumescências
ao nível dos nós, pelas folhas dentadas, sedosas e aveludadas,
especialmente na página inferior, e pela grande corola amarela
manchada de verme- lho no lábio inferior. A espécie que mais se lhe
assemelha é a Galeopsis ladanum L., cujo caule é quadrangular e
cujas folhas são estreitas e glabras. Uma outra espécie muito
conhecida é a Galeopsis tetrahit L.; as suas corolas cor-de-rosa
ultrapassam, por vezes, os cálices com dentes epinescentes, e o
caule apresenta intumescências nos nós. Todas as galeopses possuem
uma acção antianémica, remineralizante e acistringente, associada ao
seu elevado conteúdo em sílica e tanino.

Habitat: Europa Ocidental e Central, solos siliciosos; a Galeopsis


tetrahit L. surge em Portugal em algumas regiões elevadas,
especialmente no Minho; até 1300 m. Identificação: de O,10 a
O,50 m de altura. Anual, caule pubescente, com pequenos ramos
ascendentes; folhas opostas, pecioladas, lanceoladas, serradas,
sedosas, com nervuras muito salientes e próximas; flores amarelo-
claras ou rosadas (Julho-Outubro), em verticilos pouco densos,
grandes, erectas, cálice aveludado, com 5 dentes espinescentes quase
iguais, corola tubulosa 3 a 4 vezes maior que

o cálice, lábio superior convexo ligeiramente abobadado, sendo o


inferior provido de 2 dentes erectos. Cheiro intenso e pouco
agradável. Partes utilizadas: planta florida seca (Julho-Outubro); a
conservação dura no máximo 1 ano.
O Componentes: sílica, tanino, saponósidos O Propriedades:
acistringente, antianémico, expectorante, remi n eralizante. U. 1. +
Ver: anemia, bronquite.
Gatunha

ono@lis spinosa L. Unha-gata, resta-bOi, rilha-boi, gatinha

Leguminosas

A espécie O. spinosa é multiforme e agrupa@ pelo menos, seis


subespécies, algumas das quais são desprovidas de espinhos. Esta
planta cresce especialmente nas pastagens, nos taludes, nas
encostas, nos diques marítimos, nos carreiros e nos terrenos
incultos. Nas regiões alpinas e mediterrânicas, encontraril-se as
outras subespécies. A gatunha é muito apreciada pelos burros, pelo
que foi denominada Ononis, palavra que deriva do

grego onos, burro, e onimêmi, ser útil. Misturada com o feno seco,
os seus espinhos ferem as mucosas da boca dos animais, Impedindo-os
de pastar; as suas raizes, profundas e resistentes, bloqueiam as
charruas, interrompendo o trabalho dos bois. Por esta , a planta é
conhecida pelo nome de razão bois de trabalho
resta-boi, se bem que os tenham praticamente desaparecido. go do

Dioscórides, célebre botânico gre século i, escreveu a propósito da


gatunha: *A

da raiz macerada em vinho aumenta as casca urinas, reduz as areias e


limpa as margens das úlceras.+ Na Idade Média e no Renascimento, a
gatunha foi também muito utilizada.
O pólen das suas flores é muito apreciado pelas abelhas.

Habitat: quase toda a Europa; preferentemente em solos argilo-


calcários, campos, planícies de montanha, encostas, Pastos áridos,
bermas

dos caminhos e aeais marítimos; frequente em

Portugal; até 1500 m a O 80 m de altura SuIdentificação: de O,10


--barbusto; planta lenhosa na base; caules Prostrados ascendentes,
ramosos, culos ramos

abortados se transformam em espinhos, que são geralmente geminadoS;


folhas tdfoliadas, monofoliadas no cimo dos ramos; flores cor -de-
rosa (Abril-Setembro), isoladas na axila das folhas; vagem ovóide,
Cheiro desagradável.

Partes utilizadas: flores, folhas, raiz (todo o

ano). >do, hete-


9 Componentes: tanino > resina, ami
rósidos anonina, onocol O propriedades: adstringen@e, anti-séptico,
depuratiVO, diuréticO, sudorífico. W., U.E. Ver: anginas, cistite,
eczerna, ederna, litíase.
Genciana

Gentiana lutea L.

Genciana-das-farmácias, argençana, argençana-dos-pastores, genciana-


amareia,

grande-genciana Bras.: genciana-dos-jardins

Gencianáceas

Afamília das Gencianáceas compreende várias centenas de espécies de


Gentiana, das quais apenas cerca de 20 crescem na Europa. Crê-se que
deve o nome a Gentius, rei da Ilíria, que, segundo a lenda, no
século ti a. C., teria revelado a acção benéfica da planta.

Esta genciana, uma das mais belas, é uma grande planta vivaz dos
prados e das pastagens de alta montanha que cresce muito lentamente,
dá a primeira flor aos 10 anos e pode viver cerca de 60, produzindo
apenas, de 4 em 4 ou mesmo de 8 em 8 anos, um novo caule floral. É
necessária uma extrema atenção, pois próximo da genciana, com folhas
glabras e opostas, cresce uma liliácea Multo tóxica, o heléboro-
branco, com as folhas alternas e vilosas na página inferior; é mais
fácil distingui-Ias na época da floração, pois as flores do heléboro
são brancas. As suas propriedades medicinais, conhecidas desde
tempos muito antigos, têm sido consecutivamente confirmadas; a raiz
seca (Setei-nbro-Novembro) é um poderoso febrífugo e um excelente
estimulante das funções do aparelho digestivo.

O Não ultrapassar as doses indicadas ou o período recomendado para o


tratamento. Habitat: Europa Central e Meridional, prados, pastagens;
muito rara em Portugal, pode encontrar-se na serra da Estreia; de
700 a 2400 m. Identificação: de O,50 a 1,30 m de altura. Vivaz,
caule glauco, erecto, simples e oco; folhas verdes, opostas, largas
e ovais, amplexicaules, com 5 a 7 nervuras convergentes; flores
amarelas (Junho-Agosto), pedunculadas, em grupos de 3 a 10 na axila
das folhas, corola dividida em 5 a 9 lóbulos estreitos, abertos,
cálice membranoso e estames com anteras vermelhas; cápsula ovóide,
abrindo-se em 2 valvas, numerosas sementes aladas; raiz aprumada,
robusta, comprida, ramificada, amarela com casca cinzenta e enrugada
longitudinalmente. Cheiro intenso e acre; sabor muito amargo. Partes
utilizadas: raiz seca.
O Componentes: essência, alcalóide, pigmento, vitamina C, pectina,
heterósidos amargos O Propriedades: aperitivo, estomáquico,
febrífugo, tónico, vermífugo. U. I., U. E. + V O Ver: anemia,
apetite, astenia, convalescença, digestão, fadiga, magreza,
parasitose, sarda.

168
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Giesteira-das-vassouras

Cytisus scoparius (L.) Link Giesta, giesta-ribeirinha, giesta-brava,


giesteira-comum, retama, chamiça, maias

Bras.: codes so- bastardo

Leguminosas

Para utilizar a giesteira-das-vassouras em aplicações medicinais, é


indispensável saber identificá-la com exactidão. Para tanto é
necessário saber distingui-Ia de três plantas que pertencem à mesma
família: são a,giesteira-de-espanha, o codesso-bastardo e o tojo-
arnal, todos três tóxicos, embora em graus diferentes. Alguns
pormenores, no entanto, permitem a sua distinção: as folhas do tojo
(Ulex europaeus L.) são pontiagudas, o cálice das flores é bilabiado
até à base, sendo o superior bifendido e o inferior trifendido; as
folhas do codesso (Laburnum anagyroides Med.), descrito na p. 125,
formam tufos na extremidade de compridos pecíolos e os cachos das
flores são pendentes; a giesteira-de-espanha (Spartium junceum L.)
dá pequenos ramos glaucos cilíndricos praticamente sem folhas e as
vagens são desprovidas de pêlos.

A giesteira-das-vassouras não é totalmente inofensiva, pelo que


apenas as flores ainda em botão podem ser ingeridas. As sumidades
floridas fornecem à indústria farmacêutica a esparteína, substância
tonicardíaca, vasoconstritora e diurética, utilizada em medicina.

G Utilizar apenas as flores em botão antes do desabrochar. Não


exceder as doses indicadas, Habitat: Europa, solos não calcários ou
descalcificados; quase todo o País; até 500 m. Identificação: de
O,60 a 2 m de altura. Arbusto; caiWe verde, erecto, anguloso,
estriado longitudinalmente, rijo, com ramos consistentes e
flexíveis, folhas caducas, estipuladas, pequenas, pecioladas,
trifoliadas, sendo as superiores sésseis e simples; flores amarelo-
douradas (Maio-Junho), grandes, cálice glabro com 2 lábios curtos,
corola papilionácea, estandarte largo, quilha pendente, 10 estames
diadelfos;

vagem achatada, preta, hirsuta no bordo, com uma dúzia de sementes


castanhas. Cheiro suave. Partes utilizadas: flores em botão, ramos
jovens; secagem em forno tépido.
O Componentes: pigmentos flavónicos, alcaJóides, entre os quais a
esparteína, sais minerais, óleo essencial O Propriedades:
cardiotónico, depurativo, diurético, hipertensor, vasoconstritor. U.
I., U. E. + in Ver: abcesso, albuminúria, edema, fígado, gota,
hipotensão, litíase, mordedura, reumatismo, rim.
Gilbarbeira

Ruscus aculeatus L.

Gilbardeira, erva-dos-vasculhos, azevinho-rnenor

Liflúceas

Nas matas desoladas, distinguem-se ao longe, no Inverno, as manchas


sombrias e brilhantes da gilbarbeira, animadas pelo vermelho intenso
dos seus frutos. É um arbusto vivaz que forma moitas espessas,
frequentemente impenetráveis devido à rigidez dos seus ramos
axilares foliáceos e espinhosos, em cujo centro se implantam as
flores, aos quais os botânicos chamaram cladódios. A planta adapta-
se facilmente à aridez, aos

solos calcários e pobres, não resistindo, porém, ao frio intenso.

A utilização medicinal da gilbarbeira já era conhecida de


Dioscórides, que a denominava Ruscus. Os médicos clássicos, e também
os fitoterapeutas, aproveitam as

propriedades terapêuticas da planta utilizando as folhas e


especialmente o rizoma. Este, oblíquo e nodoso, exala um cheiro
pouco intenso a terebintina. É diurético, febrífugo e extremamente
estimulante para o sistema venoso, sobre o qual exerce um efeito
tónico ainda mais enérgico que o do castanheiro-da-índia. Utiliza-se
ainda na preparação do xarope das cinco raízes, do qual fazem parte
também funcho, aipo, espargo e salsa.

Habitat: Europa Central e Meridional, solos calcários, bosques; em


Portugal, cresce espontaneamente em quase todo o território; até 700
m. Identificação: de O,30 a O,90 m de altura. Arbusto; caule verde,
erecto, glabro, densamente provido de ramos foliáceos (cladódios) na
extremidade, com folhas verde-escuras, coriáceas, alternas, sésseis,
ovais, espinescentes; flores violáceas ou esverdeadas (Setembro-
Abril), muito pequenas, de 1 a 2 na axila de uma pequena bráctea,
situada no centro dos claciódios, dióicas, 3 sépalas, 3 pétalas
livres e persistentes; flores masculinas com 3 estames

e femininas com 1 ovário de 3 lóculos; baga redonda, vermelha, com 1


a 2 volumosas sementes amarelas; rizoma oblíquo, rastejante, branco-
acinzentado, nodoso, guarnecido de raizes acastanhadas. Cheiro pouco
intenso a terebintina; sabor adocicado e depois amargo. Partes
utilizadas: rizoma e raiz (Outono), folhas.
O Componentes: óleo essencial, resina, saponósido, cálcio, potássio
O Propriedades: aperitivo, diurético, febrífugo, vasoconstritor. U .
I., U. E. + Ver: edema, flebite, gota, hemorróidas, icterícia,
litíase, menopausa, varizes.
Globulária

Globularia vulgaris L.

Globulária-vulgar

Globulariáceas

Existem nas regiões europeias cerca de 15 espécies de globulárias,


assim denominadas devido às suas graciosas inflorescências em forma
de globo azul. São plantas vivazes, com caules curtos e folhas
glabras. De entre elas é útil saber identificar duas: a globulária-
vulgar e a Globularia alypum L.; ambas dão flor de um azul forte,
sendo no entanto plantas bastante diferentes do ponto de vista
botânico. Porém, as suas propriedades medicinais são análogas, se
bem que mais desenvolvidas e suaves no caso da primeira. A
globulária-vulgar é uma planta herbácea cujo caule floresce entre
Abril e Junho e se ergue no centro de uma roseta de folhas basilares
de cor verde matizadas de vermelho.
O caule está envolvido por minúsculas folhas pontiagudas,
apresentando na extremidade superior um capítulo azul característico
do género. Prefere os solos calcários e áridos. A extensão
geográfica da Globularia alypum L., pelo contrário, é muito mais
limitada: este pequeno arbusto encontra-se mais frequentemente nos
rochedos mediterrimicos. As suas folhas, esparsas e mucronadas,
persistem durante os meses frios e as flores, azuis, desabrocham no
Inverno e na Primavera.

Foi erradamente denominada pelos povos antigos erva terrível, pois


confundiam-na com uma outra planta com acção purgativa violenta, a
Globularia turbith. A Globularia alypum L. é, todavia, muito menos
activa que o sene, mas mais que a globulária-vulgar. Ao utilizá-la,
é conveniente dosear moderadamente as preparações.

O Não exceder as doses indicadas. Habitat: Europa Central e


Meridional, solos estéreis, calcários e rochedos; em Portugal,
encontra-se na regiã o de Miranda do Douro; até 1500 m.
Identificação: de O,05 a O,30 m de altura. Vivaz, caule floral
erecto e simples, folhas verdes, em roseta, pecioladas, ovais,
espatuiadas, chanfradas no vértice, sendo as caulinares numerosas,
sésseis, pequenas, ovais ou lanceoladas; flores de cor azul forte
(Abril-Junho) em pequenos capítulos esféricos, terminais,
solitários, cálice hirsuto com 5 divisões, corola

tulbulosa com 3 divisões compridas e 2 curtas e 4 estames desiguais;


aquénio incluso no cálice, 1 láculo e 1 semente; raiz aprumada,
ligeiramente lenhosa. Cheiro intenso; sabor acre e muito amargo.
Partes utilizadas: folhas.
O Componentes, heterósidos, tanino, resina, vitamina C O
Propriedades: colagogo, estomáquico, purgativo, sudorífico. U. 1.
Ver: obstipação.

171
Goiveiro-amarelo

Cheiranthus cheiri L.

Goivo-arnarelo

Crucíferas

O goiveiro-amarelo atapeta durante todo o


Inverno os cunhais dos velhos muros, e a partir do mês de Março
surgem as suas flores douradas anunciando a Primavera. Muito
abertas, as suas discretas corolas desenvolvem-se em cachos amarelos
no cimo do caule, acinzentado, inteiramente revestido de finas
folhas cinzentas. A partir desta espécie, os jardineiros obtiveram
variedades com Ilores dobradas, muito ornamentais. O goiveiro
espontâneo pode viver dois anos, devido às gemas situadas na base
dos seus numerosos caules lenhosos.

Se bem que muito utilizada na Grécia antiga e ainda pelos médicos


árabes como detersivo e emenagogo, supõe-se que a planta esperou
séculos antes de encontrar o seu justo lugar na fitoterapia.
Efectivamente, só no

limiar do século XX a análise química detectou a existência de uma


substância cardiotó- nica, a cheirotoxina, nas sementes, nas folhas
e em menor quantidade nas flores da planta. A presença desta
substância impõe a

maior prudência no consumo do goiveiro-amarelo, pelo que, excepto


por receita médica, só devem ser utilizadas as flores.

O Conservar a planta ao abrigo da luz; não exceder as doses


indicadas. Habitat: Europa Meridional e Central, solos áridos,
muros, proximidades de casas; subespontâneo de norte a sul de
Portugal, sendo também cultivado como planta ornamental; até 600 m.
Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Bienal, caules angulosos,
numerosos, cobertos de folhas com pêlos prostrados e ligeiramente
lenhosos na base; folhas oval- lan ceoladas, inteiras, verde-
acinzentadas e vilosas com pêlos bipartidos; flores amarelas ou
amarelo-alaranjadas a castanho (Março-Junho), grandes

(2-5 cm), em cachos cimeiros, cálice com 4

sépalas verdes, erectas, livres, corola com 4 pétalas, 6 estames,


dos quais 2 laterais mais curtos, com filete livre, estigma com 2
lóbulos arredondados; síliqua erecta, tetragonal, contendo sementes
castanhas aladas. Cheiro suave e aromático; sabor picante. Partes
utilizadas: sumidades floridas e frutos.
O Componentes: heterósido sulfurado, heterósidos cardiotónicos,
vitamina C * Propriedades: cardiotónico, diurético. U. 1. o Ver:
diurese.

172
Golfões

ti) Nymphaea alba L, b) Nuphar luteum (L.) S. et Sm. a) GolTão-


branco, golfo-branco, boleira, boleira-branca, lis-dos-tanques,
nenúfar b) Golfão-amareio, golfo-amarelo, boleira-amarela

Ninfeáceas

As lindas flores brancas ou amarelas dos golfões que surgem à


superfície das águas dos lagos de quase todos os parques públicos
são de extrema beleza. Embora pertencendo a dois géneros diferentes,
Nymphaea e Nuphar, têm propriedades comuns. Plantas de águas
estagnadas de charcos e lagos, o seu rizoma está mergulhado no lodo,
sendo os pecíolos e os pedúnculos suficientemente compridos para que
as folhas e as flores permaneçam à superfície das águas; as outras
folhas, translúcidas, estão imersas e desaparecem durante o Verão. A
palavra Nymphaea deriva de ninfas, divindades das águas; Nuphar,
nenúfar, deriva de ninufar, o nome da planta em árabe. Os Turcos
recolhem as flores do N. luteum na época da fioração, e com elas
preparam uma bebida gelada a que chamam pufer. Os médicos da
Antiguidade e da Idade Média deram muita importância à virtude
anafrodisíaca do *golfão, amante da mansão húmida, destruidor dos
prazeres e veneno do amor+. Mais tarde, ridicularizou-se este
conceito; porém, actualmente, a maioria dos fitoterapeutas adoptou
esta opinião, confirmada pelos estudos de Delphant e Balansard.

Habitat: Europa, charcos, lagos, ribeiras, águas paradas ou de


corrente muito fraca; ambos são frequentes nas águas estagnadas
desde o Minho ao Alentejo; (i) até 800 m, b) até 1100 m.
Identificação: altura segundo a profundidade da água. Vivazes,
aquáticas, caule subterrâneo, pecíolos muito compridos e
cilíndricos; folhas cordiformes, abertas à superfície da água,
carnudas, cerosas, de 10 a 30 cm; flores: ti) flor branca (Junho-
Agosto), diâmetro de 10 a 12 cm,
4 sépalas curtas e verdes na parte superior; b) flor amarela (Abri
I- Setembro), muito aromática, de 3 a 7 cm de diâmetro, 5 sépalas
grandes,

arredondadas, verdes na parte externa; fruto carnudo, indeiscente,


maturescente: ti) no fundo, b) à superfície com numerosas sementes;
rizomas mergulhados no lodo. Cheiro: b) intenso (flor). Partes
utilizadas: a) flor (Junho-Agosto), rizoma; b) rizoma.
O Componentes: tanino, alcalóides O Propriedades: antiespasmódico,
sedativo; b) antibiótico. U I., U. E. LvJ Ver: acne rosácea,
cabelo, leucorreia, nervosismo, pele, sono, tosse.

173
Graciosa

Gratiola officinalis L. Gracíola, cinifólio, erva-do-pobre, pequena-


dedaleira

Escrofulariáceas

A graciosa é uma pequena planta vivaz cujo caule mergulha nas valas
sombrias, onde aparece juntamente com grandes herbáceas, e também
nos canaviais das margens dos pântanos.

É uma das muitas plantas espontâneas que devem ser utilizadas com
prudência. Efectivamente, é um remédio muito violento, eficaz, mas
perigoso, que em doses excessivas pode provocar envenenamentos
mortais; não obstante, fazia outrora parte do arsenal farmacêutico
com o nome de graç a-de-deus, indicativo de quanto era apreciada. No
entanto, supõe-se que nos séculos XVI e XVII, época áurea das
sangrias, dos clisteres e das purgas, a planta tenha sido de algum
modo responsável pela morte de um certo número de infelizes
pacientes.

Nos meios rurais, a graciosa é conhecida por erva-do-pobre, pois


outrora apenas os pobres a utilizavam, por não poderem adquirir
remédios mais caros. A graciosa, que, como as dedaleiras, pertence à
família das Escrofulariáceas, contém substâncias que actuam sobre o
coração.

O Utilizar apenas a planta seca; não ultrapassar as doses


prescritas. Habitat: Europa Central e Meridional, à beira de águas
paradas, costas, prados húmidos; em Portugal, surge nas margens dos
rios e valas, sobretudo a norte do Teio; até 1500 m. Identificação:
de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, caule erecto, oco, cilíndrico na
base e anguloso no vértice; folhas verdes, opostas, sésseis,
lanceoladas, mais ou menos serrilhadas, com 3 a 5 nervuras
divergentes; flores amareladas, cor de maiva ou rosadas (Junho-
Setembro), isoladas na axila das folhas, cálice

com 5 dentes, provido de 2 brácteas estreitas, corola vilosa no


interior, lábio superior com 2 lóbulos e inferior com 3 lóbulos, 4
estames; cápsula com 2 lóculos e numerosas sementes; rizoma
estolhoso, rastejante e carnudo. Cheiro nauseabundo; sabor acre e
amargo. Partes utilizadas: planta florida seca (Julho); secagem em
estufa a 60'C.
O Componentes: heterásidos cardiotónicos O Propriedades:
cardiotónico, diurético, emético, purgativo. ILI. I., U. E. + Ver:
edema, intestino, úlcera cutânea.
PLANTAS ESPONTÂNEAS
GRAMA-FRANCESA *//* REFAZER todo o início da página, manualmente
Habitat: todos os terrenos; até 2000 m. Identificação: de O,40 a
1,20 m de altura. Vivaz, caule rizomatoso, duro, glabro; folhas de
um verde intenso e um verde-azulado, estreitas, planas, com
nervuras, ásperas na página superior; longas espigas verde-claras,
formadas por espiguetas sésseis, imbricadas, em 2 filas, alternas;
flores verdes (Junho-Setembro), de 4 a 6 por espigueta, cada uma
delas encerrada no conjunto de 2 glumas, com 5 a 7 nervuras e de 2
glumelas e 3 estames; cariopse obionga, com vértice viloso,
indeiscente; longos rizomas rastejantesÁ GRACIOSAPLANTA A SEGUIR ,
de cor branco-amarelada, coriáceos, providos de nós com raizes
adventicias. Sabor adocicado. Partes utilizadas: suco da planta
inteira, rizoma (Março-Abril ou Setembro-Outubro); lavar, secar ao
sol e pequeno período de conservação.
O Componentes: sais minerais, óleo essencial, triticina
(polissacárido, mucilaginoso) O Propriedades: depurativo, diurético,
emoliente, suavizante. U. L, U. E. + kri Ver: celulite, cistite,
eczema, icterícia, litíase, menopausa, obstipação, rim.
PLANTAS ESPONTÂNEAS
GRANZA *//* REFAZER A PLANTA ANTES DA GROSELHEIRA ESPINHOSA

contido na raiz provocou a queda da sua

comercialização. Desde então, a planta deixou de ser cultivada,


tornando-se progressivamente espontânea e difundindo-se por quase
toda a Europa.

Muito semelhante à granza devido à sua

acção medicinal, encontra-se nas regiões mediterrânicas uma planta


próxima, a granza-brava, ou Rubia peregrina L., cujas folhas,
providas de uma só nervura, persistem durante o Inverno. O
conhecimento das virtudes medicinais da granza remonta à época de
Hipócrates, que considerava a sua raiz diurética. Os Árabes
utilizam-na actualmente para facilitar o parto.

Habitat: Europa Meridional, subespontânea em França, solos


calcários; a Rubia peregrina L. existe em quase todo o território
português com os nomes de raspa-língua, ruiva-brava ou granza-brava;
até 1000 m. Identificação: de O,60 a 1 m de altura. Vivaz, caule
vermelho-acastanhado, trepador, ramoso, quadrangular e provido nos
ângulos de acúleos; folhas verticiladas em grupos de 6, gran- des,
lanceoladas, aculeadas nos bordos e na nervura central, nervuras
secundárias formando uma rede aparente; flores amarelas (Junho-
Agosto), pequenas, dispostas em cimeira na

axila das folhas e na extremidade dos ramos, cálice com 5 dentes,


corola com 5 pétalas soldadas na base, 5 estames e 2 carpelos; baga
arredondada, preta, do tamanho de uma ervilha; parte subterrânea,
rastejante, vermelha, desprovida de renovos. Cheiro a losna; sabor
acre. Partes utilizadas: raiz.
O Componentes: heterásidos antraquinónicos
O Propriedades: acistringente, aperitivo, colerético, diurético,
emenagogo, laxativo, tónico. U. 1. + Ver: menstruação, obstipação,
parto, rim.
Groselheira-espiM

Ribes uva-crispa L.

Saxifragáceas

Jehan Froissart, nos alvores do século XV, falava já na *groselheira-


espinhosa+ e, efectivamente, a Ribes uva-crispa L. é a única planta
desta espécie que possui espinhos. Outrora, na Suécia chamavam-lhe
Rips e na Dinamarca Ribs, sendo a partir destas designações que, em
1584, lhe foi atribuído o nome de género, Ribes. Arbusto de origem
setentrional, inexistente na bacia mediterrânica, foi ignorado pelos
gregos antigos. Há
muito tempo que os horticultores diligenciam multiplicar as
variedades hortícolas da planta. Assim, conseguiram obter frutos
progressivamente maiores. Existe mesmo uma variedade denominada
monstruosa com groselhas tão volumosas como as ameixas. É evidente
que os frutos da planta espontânea são muito mais pequenos,
aproximadamente do tamanho de uma ervilha. Devem procurar-se em
Junho e Julho nos bosques, nas sebes e mesmo nas árvores ocas.
Consomem-se frescos ou em sumo aquando de uma cura de Primavera.
Podem ainda ser utilizados na preparação de óptimas geleias e
compotas. Quando verdes, servem para confeccionar um molho muito
apreciado para acompanhar cavalas. No entanto, a ingestão de bagas
não maduras é pouco aconselhável, pois podem provocar graves
perturbações.

G Ingerir as bagas muito maduras. Habitat: Europa, rara na região


mediterrânica, florestas, matas, sebes; até 1800 m. Identificação:
de O,60 a 1,50 m de altura. Subarbusto; caule e ramos acinzentados e
espinhosos; folhas largas, palmadas, com 3 a 5 lóbulos serrados,
arredondados, que nascem na axila de espinhos tripartidos; flores
esverdeadas ou avermelhadas (Março-Maio), solitárias, ou geminadas,
ou em grupos de 3, cálice com sépaIas avermelhadas, corola com
pétalas mais pequenas que as sépalas, branco-amareladas,
5 estames; baga ovóicie, amarei o- averm elh ada,

eriçada de Pêlos, contendo várias sementes; rizoma estolhoso. Sabor


doce (fruto). Partes utilizadas: folhas, raizes, frutos; secar em
estufa e conservar em caixas.
O Componentes: sais minerais, vitaminas B e C, ácidos, glúcidos,
lípidos, celulose, provitamina A O Propriedades: acistringente,
aperitivo, depurativo, digestivo, diurético, laxativo, remi n
eralizante. ILI. I., U. E. Ver: albuminúria, apetite, convalescença,
cura de Primavera, diarréia, ferida, obesidade, obstipação, sede.

177
PLANTAS ESPONTÂNEAS

Groselheira-vermelha *//* REFAZER

Ribes rubrum L.

Groselheira-comum, groselheira-rubra,

groselheira-dos-cachos

Saxifragáceas

Pequeno arbusto desprovido de espinho com casca cinzento-clara,


prefere os bo ques frescos. As groselhas vermelhas am

durecem geralmente nos fins de Junho, i dia de S. João, pelo que o


seu nome popul na Alemanha é Johannisbeere, isto é, bag -de-são-
joão. São inúmeras as suas virtudi medicinais, conhecidas desde o
século x'v Depurativas e refrescantes, podem, alé disso, ser
consumidas pelos diabéticos, doe tes a quem são proibidos frutos
muito doce Se forem secas num forno, conservam-: optimamente,
podendo assim servir de bas no Inverno, a infusões digestivas de
agrad vel sabor. A geleia crua é uma iguaria de] ciosa e pouco
vulgar que conserva qualid des idênticas às do sumo fresco e que
prepara do seguinte modo: esmagar suav

mente as groselhas vermelhas com um ga to, de modo a manter as


sementes inteira peneirar e adicionar ao sumo obtido un quantidade
de açúcar igual ao dobro do s( peso; colocar em boiões. No dia
seguint, fechar hermeticamente; esta geleia deve s consumida
rapidamente.

Habitat: Europa Continental e Setentrional; bosques frescos,


abrigados, sebes e moitas; planta melífera cultivada em Portugal,
embora com pouca frequência; até 2000 m. Identificação: de 1 a 1,50
m de altura. Arbusto; caule desprovido de espinhos, casca cinzenta
rasgada em lacínias nos troncos velhos; grandes folhas alternas,
pubescentes na página inferior, palmadas, com 5 lóbulos serrados,
pecioladas e caducas; flores amarelo-esverdeadas (Abril-Maio), em
cachos pendentes, hermafroditas, cálice com sépalas esverdeadas ou
castanho-avermelhadas e com o dobro do

tamanho das pétalas; cachos com pequenas bagas vermelhas,


brilhantes, de polpa suculenta e contendo várias sementes; rizoma
estolhoso. Cheiro suave; sabor ligeiramente ácido. Partes
utilizadas: frutos (Julho-Agosto).
O Componentes: vitamina C, ácidos málico, cítrico e tartárico,
mucilagem, giúcidos O Propriedades: aperitivo, depurativo,
digestivo, diurético, laxativo, refrescante, tónico. U. 1. Ver:
apetite, artritismo, cura de Primavera, dartro, obesidade,
obstipação, reumatismo, sede.
Hepática

Hepatica nobilis Mill.

A ném orta- hepática

Ranunculáceas

A hepática é uma pequeníssima planta vivaz, muito rara nas


planícies, um pouco mais frequente nas montanhas cobertas de
bosques, onde atapeta o pé das árvores frondosas, e na frescura das
matas. Floresce logo que termina o Inverno, mas as suas graciosas
corolas, de cor lilás-azulada, pendentes para o solo, só vivem oito
dias. Esta planta é tão característica que não é possível confundi-
Ia com qualquer outra.

Sem utilização e certamente desconhecida na Antiguidade, supõe-se


que não foi considerada medicinal antes do século XV. Então,

a sua principal aplicação consistia no tratamento das doenças do


fígado. O nome de hepática advém-lhe desta qualidade, embora também
possa ser devido à forma das folhas, que se assemelham aos lobos do
fígado.

O Não utilizar nem a raiz nem a flor. Só utilizar a folha seca.


Respeitar as doses. Habitat: Europa, excepio no extremo norte,
sobretudo em regiõ es montanhosas, solos húmidos, matas calcárias;
entre 400 e 2200 m. Identificação: de O,08 a O,20 m de altura.
Vivaz, acaule; folhas basilares, persistentes, com longo pecíolo,
espessas, cordiformes, vilosas quando jovens e depois glabras,
divididas em 3 lóbulos iguais não recortados; flores de cor lilás-
azulada, por vezes cor-de-rosa ou brancas (Março-Abril), bastante
grandes, isoladas, com invólucro em forma de cálice, 6 a 9 sépalas

petalóides, 20 estames, numerosos carpelos com rostro curto. Sabor


amargo. Partes utilizadas: folhas (Maio-Julho).
O Componentes. heterósidos, enzimas, saponósido O Propriedades:
acistringente, cicatrizante, diurético. U. I., U. E. + Ver: ferida,
litíase.
Hera

Hedera helix L.

Aradeira, hereira, hedera, hedra, hera-dos-muros,

hera-trepadeira, heradeira

Araliáceas

À hera têm sido atribuídas as mais variadas designações, nomes


populares na sua maior parte femininos, como acontece em todas as
línguas românicas, com excepção do francês, que deu à planta um nome
masculino: lierre. Existem algumas pessoas que apreciam a hera,
permitindo que adorne com o seu manto sussurrante os caramanchões,
as grades ou as fachadas das suas casas; outras consideram-na uma
planta prejudicial e destroem-na. É certo que a hera deteriora as
paredes e que, quando invade o solo, nenhuma outra vegetação
consegue encontrar o seu caminho para a luz. No entanto, não é
parasita, pois, apesar de se agarrar às árvores, não se alimenta da
sua seiva. Esta hera pode viver muito tempo: conhecem-se alguns
exemplares com 400 anos; então, por vezes o caule adquire a
espessura de um tronco de árvore. Os frutos amadurecem na Primavera,
aconselhando-se prudência, pois são tóxicos, não devendo ser
consumidos.

Tradicionalmente, a hera escondia os duendes sob a sua folhagem,


protegia as casas dos espíritos malignos e era tida como símbolo de
fidelidade e longevidade. Juntamente com a vinha, associa-se ao deus
Baco.

O Nunca consumir os frutos; quanto às folhas, respeitar sempre as


doses indicadas. Habitat: Europa; frequente em quase todo o
território portuguê s; até 1000 m. Identificação: de 3 a 50 m de
altura. Arbusto, trepador ou rastejante; caule lenhoso, vigoroso,
trepa aos muros e às árvores por meio de raízes laterais; folhas
verde-escuras, brilhantes, coriáceas, alternas, pecioladas,
persistindo cerca de 3 anos, de triangulares a palmatilobadas, ovais
nas sumidades floridas; flores amarelo-esverdeadas (Setembro-
Outubro), em pequenas umbelas esféricas com numerosos

raios, cálice com 5 dentes curtos, soldados ao ovário, 5 pétalas


lanceoladas, reflexas; fruto globoso, preto, com 4 a 5 sementes cor-
de-rosa. Cheiro aromático; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas
novas, frescas.
O Componentes: estrogéneos, hederina O Propriedades: analgésico,
antiespasmódico, emenagogo. U. L, U. E. + V o Ver: banho, bronquite,
cabelo, calo, celulite, edema, estrias, hipertensão, menstruação,
queimadura, queimadura solar, reumatismo, tosse convulsa, traqueíte.
Hera-terrestre

Glechoma hederacea L.

Erva-de-sãojoão, malvela

Labiadas

bentos estéreis e igualmente prostrados. Espaçadamente, erguem-se


ramos curtos providos de pares de folhas arredondadas e crenadas em
cujas axilas desabrocham, a partir de Março, graciosas flores cor de
violeta.

Conhecida desde a Alta Idade Média como planta medicinal, a hera-


terrestre foi muito apreciada por Santa Hildegarda, no século xii,
devido a duas das suas actuais utilizações: peitoral e vulnerária.
No século XVI, era utilizada para tratar feridas internas e externas
e mesmo para combater a loucura. Cozida em leite, é ainda hoje um
dos remédios utilizados nos meios rurais para as afecções dos
brônquios.

A planta faz parte de uma preparação da Farmacopeia Francesa, o chá-


suíço, espécie de tónico fortificante, muito eficaz para recuperar
de qualquer tipo de comoção.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; espontânea em


locais húmidos e sombrios de Trás-os-Montes, Minho e Beiras; até
1600 m. Identificação: de O,05 a O,25 m de altura. Vivaz, caule
prostrado, radicante, piloso, sendo os floríferos erectos, simples;
folhas verdes, moles, crenadas, cordiformes, arredondadas;
flores azul-violeta maculadas de cor de púrpura, por vezes de cor-
de-rosa (Março-Maio), unilaterais, entre 2 e 4 na axila das folhas
superiores, cálice com 5 dentes, tubuloso, corola com 2 lábios,
sendo o superior chanfrado e o inferior trilobado, 4 estames, 2
maiores e 2

mais pequenos (didinâmicos), anteras com lóculos em ângulo recto;


tetraquénio com aquénios ovóides, lisos, castanhos. Cheiro intenso,
agradável; sabor quente, acre, amargo. Partes utilizadas: planta
fresca ou seca, suco fresco, folhas (no princípio da floração).
O Componentes: princípio amargo, óleo essencial, tanino, glúcidos,
potássio, resina O Propriedades: diurético, peitoral, tónico,
vulnerário. LI. L, U. E. + o Ver: asma, bronquite, constipação,
enfisema, estômago, furúnculo.

181
Hespere

Hesperis matronalis L.

Juliana, juliana-dos-jardins

Bras.: erva-alheira

Crucíferas

AHesperis matronalis L., de flores brancas, cor-de-rosa ou


violáceas, é um habitante selvagem das clareiras, onde exala o seu
perfume ao cair da tarde. Cultiva-se nos jardins para fazer
cercaduras nos canteiros, mas a
sua exuberância natural torna, por vezes, necessário limitar a sua
propagação. Então, com a ajuda das abelhas que a procuram,
ultrapassa facilmente as cercas e reconquista a sua liberdade ao
longo dos caminhos. Na Antiguidade, os naturalistas confundiam-na

com o goivo, sendo, no entanto, bem descrita na Idade Média.

Introduzida na Áustria a partir da Turquia, passou no século XVII à


França e depois à Itália.

No século XIX, o fitoterapeuta Cazin verificou as suas propriedades


terapêuticas, confirmando que a planta é diurética, expectorante e
sudorífica. O seu suco misturado com leite ou uma infusão das folhas
ou o vinho em que estas foram maceradas são bebidas agradáveis. As
cataplas m as de folhas picadas aceleram a maturação dos abcessos.
A sua eficácia só é real quando utilizada no estado fresco.

Habital: Europa Central e Meridional, com excepção da região


mediterrânica e da Córsega, solos calcários, sebes, moitas; até 1500
m. Identificação: de O,40 a O,80 m de altura. Bienal ou vivaz, caule
erecto, cilíndrico, ramificado na parte superior; folhas simples,
inteiras, lanceoladas ou oblongas, dentadas, hirsutas, rugosas, com
pecíolo curto; flores branco-rosadas, cor de púrpura ou violáceas
(Maio-Setembro), agrupadas em grandes panículas, 4 sépaIas, 4
pétalas em cruz, 6 estames, estigma fendido em 2 lobos; síliqua
comprida, erecta, glabra ou aveludada, abrindo-se em 2 valvas

contendo 1 fileira de sementes. Cheiro agradável, sobretudo à noite;


sabor acre. Partes utilizadas: parte aérea da planta fresca
(floração).
O Componentes: óleo, vitamina C O Propriedades: diurético,
expectorante, sudorífico. U. I., U. E. Ver: abcesso, gota, litíase,
pele.

182
Hipericão

kypericum perforatum L.

Milfurada, erva-de-sãojoão

Hipericáceas

O hipericão cresce geralmente em maciços, e a densidade da sua


floração é tão intensa que nas grandes extensões de terreno que
ocupa faz surgir enormes manchas amarelo-douradas e avermelhadas. Na
realidade, as flores estão abertas apenas um dia e murcham no dia
seguinte, adquirindo as pétalas sem viço a cor de ferrugem. Esta
planta tem uma particularidade interessante: o parênquima das folhas
está salpicado de pequenas glândulas de essência, translúcidas, que,
observadas à transparência, se assemelham a mil pequenos orifícios e
às quais deve o nome de milfurada. As flores contêm dois pigmentos,
um amarelo e outro vermelho; este último, denominado hipericina,
está encerrado em pequenos pêlos glandulosos presentes nas sépalas e
pétalas. Tem a propriedade de tornar a epiderme do animal que o
ingere sensível à luz solar; as zonas despigmentadas do corpo
expostas ao sol tornam-se um foco de pruridos. As folhas e sumidades
floridas são secas em ramos a sombra.

O chamado hipericão-do-gerês, ou androsemo, é obtido de uma outra


espécie, Hypericum androsaemum L., que pode ser encontrada nos
locais húmidos e sombrios e margens dos rios do Minho, Beiras e
Estremadura (Sintra).

Habitat: Europa, terrenos incultos, bosques pouco densos, clareiras,


prados secos, muros velhos; presente em todo o País; até 1600 m.
Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Vivaz, caule avermelhado,
sub-roliço, com 2 linhas longitudinais salientes, abundantemente
ramificadas; folhas opostas, sésseis, glaucas na página inferior,
cobertas de numerosas pontuações transiúcidas e salpicadas de pontos
negros; flores de um amarelo intenso (Junho-Setembro), grandes, em
panículas corimbiformes, 5 sépalas, 5 pétalas assimétricas, com

ntuações negras que são glândulas com um

corante vermelho, estames em 3 feixes; cápsula ovóide, estriada e


com vesículas; toiça com rebentos folhosos. Partes utilizadas:
folhas, sumidades floridas.
O Componentes: óleo essencial, hipericina, resina, tanino, vitamina
C O Propriedades: adstringente, anti-séptico, cicatrizante,
diurético, sedativo, vermífugo, vulnerário. U. L, U. E. + V Ver:
asma, banho, bronquite, cistite, entorse, enurese, ferida, frigidez,
impotência, leucorreia, parasitose, pulmão, queimadura, queimadura
solar, úlcera cutânea.
Hipofac

Hippophae rhamnoides L.

Eleagnáceas

É um arbusto espinhoso a cuja vida a luz é tão indispensável que


morre sob árvores de maior porte, e os seus ramos mais baixos
definham à sombra das suas próprias ramificações superiores.
Necessita de sol e de solos salgados, formando impenetráveis massas
arbustivas nas costas do mar da Mancha e do mar do Norte, onde as
suas raízes com numerosos rebentos se fixam no subsolo. É uma planta
dióica, cujas flores masculinas e femininas são produzidas por pés
diferentes. No Inverno, os pés femininos reconhecem-se facilmente,
pois os seus gomos florais são mais pequenos.

Na Antiguidade, devido à reputação tóxica dos seus frutos


encarnados, tinha o nome de Hippophae, das palavras gregas hippo,
cavalo, e phaó, eu mato, mas, a partir da Idade Média, a inocuidade
dos seus frutos foi reconhecida, descobrindo-se-lhes uma acção
adstringente. A sua utilizaçã o como remédio antiescorbútico e
antigripal é muito mais recente, visto que só no século XX foi

escoberto o seu elevado teor em vitamina C. Com o fruto do hipofaé


confeccionam-se compotas e doces caseiros, estando comercializado um
xarope que se recomenda durante os meses de Inverno.

Habitat: Europa, dunas, solos arenosos, aluviões dos grandes cursos


de água; até 1800 m. Identificação: de 1 a 3,50 m de altura.
Arbusto; tronco espinhoso com ramos soltos, castanho-escuros; folhas
alternas quase sésseis, aiongadas, verde-escuras na página superior,
prateadas e salpicadas de escamas de cor ruiva na inferior; flores
esverdeadas (Março-Maio), pequenas, dispostas na base dos ramos
jovens, que aparecem antes das folhas, dióicas, as masculinas em
amentilhos laterais com
4 estames sésseis na axila das escamas e as femininas solitárias com
1 estilete; fruto subgloboso, amarei o- ala ranjad o, com 1 semente
encerrada num cálice carnudo; estolhos subterrâneos com numerosos
turiões. Sabor ácido (fruto). Partes utilizadas: frutos (Setembro-
Outubro).
O Componentes: ácidos orgânicos, heterásidos flavónicos, provitamina
A, vitaminas B1, B2, B6, E e C O Propriedades: acistringente,
antiescorbútico, anti-séptico, tónico, vermífugo. U. 1. + Ver:
apetite, astenia, envelhecimento, escorbuto, gripe.
hissopo *//* refazer

áridas, tenha sido outrora tão venerada. O hissopo é, como a losna,


uma planta ambivalente; simultaneamente benéfica e maléfica, bela e
perigosa, está entre o número das plantas consideradas feiticeiras.
De entre os

remédios mais divulgados em medicina popular, o hissopo era


utilizado para tratar doenças como a asma e as afecções brônquicas e
pulmonares. E cultivado à escala industrial para uso farmacêutico.
Serve ainda para aromatizar licores e aperitivos e, em

cosmética, para preparar uma loção refrescante para as pálpebras e


tonificante para a

pele. Com 17 outras plantas, faz parte da composição do chá-suíço.

O As pessoas nervosas devem tomá-lo com precaução. Habitat: Europa


Meridional, solos calcários, paredes expostas ao sol; em Portugal,
cultiva-se como planta melífera e ornamental; até 2000 m.
Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule ascendente e
ramificado; folhas pequenas, inteiras e com nervura saliente; flores
azuis ou cor de violeta-escura (Junho-Setembro), em espiga
unilateral folhosa, cálice com 5 dentes, corola com 5 lóbulos, 4
estames cor de violeta e salientes; tetraquénio contendo 1 semente
preta e rugosa; raiz lenhosa.

Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas mondadas (na época da


florescência); secagem lenta à sombra; conservar em local seco em
pequenos sacos de papel colocados em frascos bem rolhados.
O Componentes: óleo essencial, heterósido, tanino, colina O
Propriedades: antiespasmódico, aperitivo, carminativo, depurativo,
estimulante, estomáquico, resolutivo, vulnerário. U. L, U. E. + o
Ver: asma, bronquite, contusão, cura de Primavera, digestão,
meteorismo, olhos, pele, rouquidão, tosse.

185
Imperatória

Peucedanum ostruthium Koch. (= Imperatoria

ostruthium L.)

Umbelíferas

Aimperatória encontra-se nos caminhos de montanha, formando altas e


espessas moitas extremamente aromáticas; o seu perfume assemelha-se
ao do aipo e também vagamente ao da angélica. O próprio nome da
imperatória revela as suas importantes virtudes.
O nome de espécie advém, por sucessivas transformações, do termo
alemão Meisterwurz, que foi traduzido para o latim medieval,
magistrantia, de onde derivou astrantia, que se transformou em
ostricium e finalmente em ostruthiuni.

No século xVII, a imperatória, então no

auge da sua fama, fazia parte da composição de uma das misturas mais
em moda na Europa, o orvietão, ou orvietano, composto por 54 plantas
diferentes amolecidas e amassadas com mel, ópio, vários óleos
essenciais e carne seca de víbora. Actualmente, a imperatória é um
dos remédios populares mais utilizados na Suíça, onde a sua raiz
cozida em vinho é considerada como um contraveneno e um tratamento
eficaz para as mordeduras de cão. As suas propriedades aperitivas e
expectorantes são indiscutíveis; mastigada, estimula a salivação. A
planta, utilizada também em culinária, serve para aromatizar alguns
tipos de queijo.

Habitat: Europa, montanhas, ravinas, prados húmidos, solos


siliciosos; até 2000 m. Identificação: de O,30 a 1 m de altura.
Vivaz, caule verde, erecto, cilíndrico, estriado, oco e folhoso;
folhas verdes nas duas páginas, frequentemente mais claras e
aveludadas na página inferior, moles, sendo as inferiores formadas
por 3 a 9 segmentos compridos, triangulares, lobulados, serrados, e
as superiores mais pequenas; flores brancas ou cor-de-rosa (Junho-
Agosto), em grandes umbelas planas, com
20 a 42 raios delgados, desiguais, sem invólucro de brácteas; fruto
curto, extensamente alado, chanfrado em ambas as extremidades;
rizoma anelado, castanho, estolhoso; suco leitoso. Cheiro aromático
e penetrante; sabor acre. Partes utilizadas: folhas frescas, rizoma;
na Primavera, secagem à sombra; no Outono, secagem ao sol.
O Componentes: óleo essencial, goma, resina, composto de natureza
cumarínica O Propriedades: aperitivo, estomáquico, expectorante,
sudorífico. U. L, U. E. Ver: apetite, bronquite, meteorismo,
mordedura, picadas.

186
Labaçol

Rumex obtusifolius L. Labaça-obtusa, manteigueira, ruibarbo-


seivagem,

erva-britânica, paciência-aquática

Poligonáceas

Parente das azedas com sabor desprovido de acidez, mas muito amargo,
o labaçol espontâneo possui grandes folhas em forma de coração e
pequenas flores com pétalas substituídas pelas três sépalas
interiores do cálice; as três sépalas exteriores, esverdeadas,
formam o invólucro característico do fruto, que permite aos
botânicos distinguir o labaçol das suas espécies próximas, dotadas
de propriedades medicinais semelhantes. Além do labaçol espontâneo,
podem encontrar~se nos jardins o Rumex patientia L. e nos cam~ pos o
Rumex crispus L., cujos frutos estão aqui representados. São plantas
vivazes, das quais se utilizam o suco fresco, as folhas e

as raízes secas, considerados remédios eficazes, só actuando, porém,


a longo prazo; assim, é necessário suportar pacientemente, durante
várias semanas, o repugnante sabor antes de sentir os seus efeitos.
Os farmacêu~ ticos preparam cápsulas medicinais com o pó da raiz
para engolir sem mastigar, destinadas às pessoas que não conseguem
suportar o sabor da planta. As folhas são depurativas, tónicas,
diuréticas e ligeiramente laxativas; servem-se em salada ou cozidas.

Habitat: Europa, excepto certas regiões mediterrânicas, à sombra,


bermas dos caminhos; em quase todo o País; até 1600 m.
Identificação: de O,50 a 1 m de altura. Vivaz, caule floral rígido,
robusto, canelado, corado de vermelho; folhas inferiores alternas,
pecioladas, de nervuras centrais avermelhadas, ovais e cordiformes;
flores esverdeadas (Junho-Setembro), com pedicelos filiformes,
reunidos em semivertici lastros, constituindo cachos interrompidos,
3 tépalas externas pequenas, 3 tépalas internas (valvas), incluindo
o fruto, 6 estames e 3 estiletes com estigmas;

aquénio trigonal com 1 semente, protegido pelas valvas; raiz


espessa, rugosa, castanha e amarela no corte. Cheiro acre; sabor
amargo. Partes utilizadas: folhas, suco fresco, raizes secas
(Outubro-Novembro); limpar sem lavar e secar ao sol.
O Componentes: compostos de ferro e de fósforo, tanóides,
heterósidos O Propriedades: acistringente, antianémico, depurativo,
diurético, laxativo, tónico. U. L, U. E. + V o Ver: anemia, cura de
Primavera, dartro, fígado, obstipação, pele, úlcera cutânea.
Laminárias

a) Laminaria saccharina Lam. b) Laminaria digitata (L.) Lam, c)


Laminaria hyperborea (Gunner) Foslie a) rabeiro, c) folha-de-maio,
chicote, taborro-de-pé

Laminariáceas

As laminárias surgem ao longo das costas da Europa, onde, na maré


baixa, é habitual vê-Ias brilhar sobre as rochas. Cientificamente,
pertencem ao grupo das algas-castanhas (feofíceas). Estas laminárias
identificam-se facilmente ao examinarem-se os seus estipes,
pseudocaules simples que se ramificam na base, constituindo um órgão
de fixaçao com aspecto de raiz, e na parte superior se diferenciam
dando uma fronde lamelar. O estipe da Laminaria saccharina é curto e
cilíndrico; a sua lâmina foliácea verde-azeitona-escura, ondulada
nos bordos, persiste e

cresce todos os anos ao nível da base. A Laminaria digitata possui


um pseudocaule longo e flexível e uma fronde espessa verde-azeitona
manchada de castanho. Na Laminaria hyperborea, o estipe é rugoso e
espesso. Nenhuma destas três laminárias é perigosa; pelo contrário,
a sua riqueza em sais minerais, em oligoelementos e em vitaminas
justifica as suas numerosas aplicações medicinais e a sua utilização
na indústria farmacêutica e alimentar.

Habitat: Europa; na costa portuguesa há a L. hyperborea (Gunner)


Foslie, a L. ochroleuca De Ia Pylaie e a L. saccharina (L.) Lamour.
Identificação: de 3 a 4 m de altura. Talo composto por um espique
cilíndrico e por grande fronde, alongada, recortada consoante as
espécies, contendo canais com mucilagem, cobertos por soros em
determinadas épocas. Cheiro marinho; sabor salgado; a) estipe curto;
fronde verde-azeitona-escura, comprida, achatada, apresentando à
superfície uma fileira de soros; b) pseuclocaule comprido, flexível,
coriáceo; fronde verde-azeitona manchada de

castanho, brilhante, espessa; apresenta soros ovais afastados uns


dos outros; c) estipe volumoso, rugoso; fronde apresentando à
superfície extensas fileiras de soros. Partes utilizadas: talo;
arrancar e secar.
O Componentes: pigmentos, ácido algínico, alginatos, oligoelementos,
vitaminas B, C e E
O Propriedades: anorexígeno, estimulante, remineralizante. U.l.,
U.E. V O Ver: arteriosclerose, banho, bócio, envelhecimento, fadiga,
hipotireoidismo, menopausa, obesidade, pele, raquitismo.

188
Lapsana

Lapsana communis L.

Labresto

Compostas

A lapsana é uma erva daninha, vulgar à beira dos caminhos, que se


apanha nos campos, constituindo um óptimo alimento para os coelhos.
Enorme planta anual, esbelta, as suas flores têm a característica
fascinante de abrir de manhã cerca das 6 ou 7 horas e de fechar ao
entardecer. As folhas têm a forma de uma lira e o caule, viloso,
contém um suco leitoso de gosto inesperado, simultaneamente amargo e
salgado, semelhante ao do taráxaco. Nos meios rurais, a lapsana é
consumida crua, temperada como uma salada.

O nome da lapsana deriva do grego Iapadzô, eu purgo. Foram-lhe


atribuídas propriedades emolientes. A planta é, de facto, utilizada
em medicina popular para aliviar os seios encaroçados das mulheres
que deixam de amamentar e também para curar as gretas cutáneas. Para
este efeito, utiliza-se quer em pomada obtida pela mistura do suco
fresco com uma matéria gorda, quer numa cataplasma feita com folhas
frescas picadas. A lapsana é utilizada num extracto fluido para
fazer baixar o teor de açúcar no sangue.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, terrenos incultos


ou cultivados, limites dos bosques, entulhos; bastante frequente em
Portugal nos locais sombrios, sebes e campos cultivados; até 1800 m.
Identificação: de O,20 a 1,20 m de altura. Anual, caule erecto,
ramificado na extremidade superior, folhoso, com suco leitoso;
folhas alternas, com dentes espaçados, as inferiores firadas, com
grande lóbulo terminal, as médias simples, ovais, pecioladas, e as
superiores lanceoladas, sésseis; flores amarelo-claras (Maio-
Setembro), de 8 a 12 em pequenos capítulos, sobre pedúnculos
delgados, dispostos em panículas, com 5 dentes; aquênio comprido,
estriado, brilhante, arredondado no vértice, sem papilho; raiz
aprumada, com raizes laterais. Sabor amargo e salgado (suco). Partes
utilizadas: folhas, suco.
O Componentes: princípio activo indeterminado O Propriedades:
antidiabético, emoliente, laxativo, refrescante, vulnerário. U. L,
U. E. + Ver: diabetes, fígado, greta, lactação, obstipação.
LevÍstico

Levisticum officinale Koch

Umbelíferas

Semelhante a um grande aipo-bravo devido ao seu aroma, dimensões e


folhagem, o levístico é raro no estado espontâneo; geralmente
evadido das suas antigas culturas, aclimatou-se nas montanhas, nas
sebes, nas lixeiras e nos prados. Outrora célebre pelas suas
virtudes medicinais, como indica o seu nome, Levisticum, que deriva
do latim levare, aliviar, esta planta foi provavelmente introduzida
na Europa Central pelos monges beneditinos. Cerca de 800,
encontrava-se já nos jardins imperiais de Carios Magno, embora
alguns autores suspeitassem que era

prejudicial à visão. Na Idade Média, atribuíam-se-lhe virtudes


estomáquicas e calmantes e utilizava-se em preparados cosméticos. No
século Xvi, a Escola de Salerno elogia as suas propriedades
emenagogas. Actualmente, parece ter caído no esquecimento, a não ser
nos países anglo-saxónicos, onde é uma hortaliça muito apreciada, e
a raiz, reduzida a pó, substitui a pimenta.

Na Suíça e na Alsácia, o caule oco do levístico é utilizado como


palhinha para beber leite quente para aliviar as afecções da
garganta.

Habitat: raro na Europa, semiespontâneo nos Alpes e nos Pirenéus,


solos incultos, sebes, planícies; até 1800 m. Identificação: de 1 a
2 m de altura. Vivaz, caule erecto, robusto, oco; folhas verdes,
brilhantes, grandes, na base dos ramos, triangulares, 2 a 3 vezes
recortadas em folíolos romboidais incisos; flores amareladas (Julho-
Agosto), em umbelas de 8 a 15 raios, com invólucro e involucelos
retroflectidos; fruto oval, com 10 costas aladas; raiz cinzento-
acastanhada, casca espessa. Cheiro intenso a aipo. Partes
utilizadas: raiz (Primavera), sementes,

por vezes as folhas (Setembro).


O Componentes: óleo essencial, cumarina, gomas, resinas, tanino,
amido, vitamina C O Propriedades: carminativo, digestivo, diurético,
emenagogo. U. 1. + Ver: edema, enxaqueca, fígado, menstruação,
meteorismo.
LicopÓdio

Lycopodium clavatum L.

Enxofre-vegetal

Licopodiáceas

As licopodiáceas são criptogâmicas, isto é, plantas sem flores que


se reproduzem por esporos, os quais são provenientes de esporângios
que surgem em forma de espiga terniinal num pedtInculo delgado e nu.
Frequente na Europa Central, o licopódio raramente se desenvolve no
litoral mediterrânico. No entanto, não é fácil encontrá-lo, pois
esconde-se entre as urzes, os arandos e por vezes entre o musgo,
apenas emergindo deste meio os esporângios, de uma bela cor amarelo-
clara. O crescimento da planta é extremamente lento, podendo o caule
rastejante atingir 1 m de comprimento. O nome de Lycopodium deriva
das palavras gregas pus e lycos, que significam, respectivamente, pé
e lobo, numa alusão ao aspecto dos ramos

jovens; clavatum deriva do latim clava, moca, pois os esporângios


têm, nas sumidades dos caules férteis, a forma de mocas. O pó dos
esporos é utilizado em farmácia como hidrófugo e em medicina para o
tratamento de algumas dermatites causadas pela humidade.
Recentemente, era ainda utilizado nas embalagens de pílulas para
evitar a sua aglutinação.

Se um pouco deste pó for lançado sobre uma chama, deflagra, emitindo


um clarão vivo; esta reacção é devida ao óleo essencial que contém.
Por esta razão, é utilizado pelos pirotécnicos no fabrico de peças
de fogo-de-artifício com chama colorida.

O Não aproximar o pó de uma chama. Habitat: Europa Central, vulgar


em França, bosques de solos siliciosos; em Portugal, na serra da
Estrela; até 2500 m. Identificação: pode atingir 1 m de comprimento.
Vivaz, caule ramoso, rastejante, radicante, com ramos ascendentes,
espaçados; folhas assoveladas, comprimidas, pequenas, irregularmente
imbricadas, terminando por um comprido pêlo hialino; ramos férteis,
folhosos, erectos, terminados por 1 a 3 compridas espigas de
brácteas triangulares que contêm os esporângios, amarelo-claros
(Julho-Outubro),

reniformes, encerrando inúmeros esporos; raiz vigorosa, bifurcada.


Partes utilizadas: esporos (Agosto-Setembro); peneirar o pó,
conservar em lugar seco.
O Componentes: celulose, prótidos, glúcidos, lípidos, sais minerais
O Propriedades: emoliente. U. E. Ver: eritema.

191
LÍNGUA-CERVINA *//* VER SE TEM OUTROS NOMES

A língua-cervina é um feto das paredes deterioradas, das abóbadas em


ruínas e das sombrias entradas das grutas que expelem cheiros
bolorentos. Esta planta, que deve ser protegida, mantém durante
todas as estações do ano as suas frondes, que no Verão se enchem de
soros. Os Antigos, que muito apreciavam a língua-cervina,
consideravam-na um

remédio para as obstruções intestinais e as

afecções do fígado e do baço; com os progressos da medicina, outros


remédios, mais convenientes, foram postos em prática. Por esta

razão, actualmente a planta é sobretudo utilizada devido às suas


propriedades emolientes, expectorantes e adstringentes. Os
homeopatas receitam uma tintura preparada a partir da planta -fresca
e os fitoterapeutas aconselham uma infusão das folhas, frescas ou
secas, em água ou, preferen temente, em leite. A língua-cervina faz
parte, com 16 outras plantas, todas espécies vulnerárias, da
composição do chá-suíço e é utilizada na preparação de um xarope de
chicória composta.

Habitat: Europa, ruínas; em Portugal, encontra-se, durante todo o


ano, nos locais húmidos e sombrios, poços, desde o Minho à
Estremadura; até 1800 m. Identificação: de O,20 a O,90 m de altura.
Vivaz, frondes em moitas inteiras, grandes, serradas, verde-
brilhantes, mais claras na página inferior, ligeiramente onduladas,
cordiforme-auriculares na base, com bordos lisos e pecíolos
escamosos; soros lineares na face inferior (Junho-Setembro),
paralelos entre si, obliquamente alinhados em relação à nervura
média, cobertos por indúsios; rizoma subterrâneo, avermelhado,
espesso, escamoso, fibroso e vertical. Cheiro herbáceo, tornando-se
aromático após a secagem; sabor doce. Partes utilizadas: folhas
frescas e secas (todo o ano para utilização imediata, ou em Setembro
para conservação).
O Componentes: mucilagem, tanino, glúcido, vitamina C, colina 6
Propriedades: acistringente, antilactagogo, béquico, diurético,
emoliente, expectorante, resolutivo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver:
boca, bronquite, diarreia, fígado, lactação, reumatismo.

192
Linho-bravo

Linum angustifoliuiv Huds.

Linho-galego-silvestre

Bras.: linho

Lináceas

A cultura do linho data dos primórdios da Humanidade. Desde então e


até meados do século XIX, época em que foi enormemente suplantado
pelo algodão, o homem cultivava o linho devido às suas fibras
têxteis, que eram fiadas, tingidas e tecidas. No século vi a. C., o
linho fazia parte da alimentação, e

no século v a. C. foi citado como remédio por Teofrasto na sua


História das Plantas.

Na Idade Média, os pintores substituíram uma parte do ovo, então


utilizado na composição da têmpera, por óleo de linhaça cozido e
decantado ao sol; este processo tornava as cores mais brilhantes e
mais fáceis de

usar.

A água de linho conheceu grande voga no

século XVIII como bebida para conservar a saúde. Este linho de


múltiplas aplicações foi denominado pelos botânicos Linum
usitatissimuin L., que quer dizer linho muito usado. Embora muito
cultivado, não suplantou o espontâneo, o Linum angustifolium Hucis.
Há ainda uma terceira espécie de linho medicinal, o linho-purgante,
Linum (-atharticum L., que é uma pequena planta com minúsculas
flores brancas.

O Nunca utilizar a farinha pouco fresca, bolorenta ou rançosa para


cataplasmas. Habitat: Europa Meridional; frequente em quase todo o
País; até 800 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Vivaz,
caule erecto ou ascendente, sem nós, glabro, com bastantes rebentos
basais, folhosos, estéreis; folhas verde-claras, lanceoladas,
estreitas, alternas, assinaladas por 1 a 3 nervuras; flores azul-
claras (Maio-Julho), grandes, com pedicelo comprido, fechadas se
está mau tempo, 5 sépalas ovais, pontiagudas, com 3 nervuras, 5
pétalas denticuladas, 2 vezes mais compridas, caducas, 5 estigmas,
estreitos, capitados, 5 estames férteis e 5 abortados sem antera;
cápsula acastanhada, com septos ciliados vilosos libertando 10
sementes alongadas, castanhas, brilhantes e lisas. Partes
utilizadas: sementes (Julho-Agosto).
O Componentes: mucilagem, pectina, lípidos, enzimas, heterósido,
vitamina F O Propriedades: diurético, emoliente, laxativo,
suavizante, vermífugo. U. I., U. E. + O Ver: abcesso, bronquite,
congestão, furúnculo, obstipação, parasitose, pele.
Linho-de-cuco

Cuscuta epith@Imum Murr. Linho-de-raposa, cabelos, cabelos-de-nossa-


senhora

Bras.: cipó-chumbo

Cuscutáceas

O linho-de-cuco é uma planta parasita que, embora desprovida de


clorofila, possui uma enorme vitalidade. No início do seu desen-
volvimento, uma minúscula raiz assegura as primeiras necessidades e,
seguidamente, a planta recém-nascida procura um suporte, fixando-se
fortemente e emitindo na direcção do sistema vascular do hospedeiro
um fino sugador nutritivo. A partir daí, o seu desenvolvimento é
rápido, os caules filiformes crescem, esgotando e asfixiando algumas
vezes a vítima na sua rede funesta. De entre as 100 espécies do
género Cuscuta existentes no Mundo, a Europa possui cerca de uma
dezena. A espécie representada ao lado parasita a giesteira-das-
vassouras, o

serpão e a urze. Todas as cuscutas são anuais, mas a Natureza dotou-


as de milhares de sementes que garantem a continuidade de inumeras
geraçoes. Os povos da Antiguidade confundiam várias espécies de
cuscutas sob a designação global de Epithvmon (epi, sobre, e thymon,
serpão) e utilizavam-nas acireditando que elas absorviam as
propriedades medicinais dos hospedeiros. Actualmente, há
conhecimento de que o linho-de-cuco possui as suas próprias
virtudes.

Habitat: Europa; todo o território português; até 200 m.


Identificação: altura indefinida. Anual, caule avermelhado ou
amarelado, filiforme, liso, trepador, afilo, provido de sugadores
com ramos entrelaçados; flores brancas ou rosadas (Junho-Setembro),
pequenas (5 mm), dispostas em glomé rulos ou corimbos na axila de
uma bráctea, cálice com 5 divisões, corola campanulada com 5
lóbulos, com o tubo fechado por escamas, 5 estames curtos, 2
estigmas; cápsula arredondada contendo 4 pequenas sementes
esféricas; raiz reduzida que morre logo que

a planta começa a ser afimentada pelo seu hospedeiro. Cheiro pouco


intenso; sabor amargo. Partes utilizadas: planta inteira; secagem à
sombra.
O Componentes: heterósido, resina, tanino, goma, enzima O
Propriedades: acistringente, carminativo, colagogo, detersivo,
laxativo. U. L, U. E. + Ver: abcesso, ferida, meteorismo,
obstipação.
Líquen-da-islândia

Cetraria islandica L.

Musgo-da-islândia, musgo-amargo, musgo-islândico

Parmeliáceas

Se bem que alguns autores tenham escrito que o líquen-da-islândia


não cresce no país cujo nome usa, encontra-se ali, bem como em toda
a Europa Setentrional até à Gronelândia e às Spitzberg. É uma
pequena planta franzina, sem raiz nem folhas, com lâminas
encarquilhadas, secas ao tacto e apresentando nas extremidades
minúsculos discos; forma no solo, nos rochedos e nas árvores
coberturas espessas, elásticas e resistentes. Supõe-se que a palavra
*líquen,> deriva do grego leikhô, eu roço; efectivamente, esta planta
roça a terra ou qualquer suporte, ao

qual adere sem parasitar. Necessita apenas de um pouco de água, de


ar e de luz. Extremamente robusta, respira e assimila mesmo a
temperaturas muito afastadas das do seu

óptimo vital. Fica assim cada vez mais enrugada devido à aridez; um
líquen pode permanecer em estado de vida latente durante cerca de um
ano.

Desconhecido na Antiguidade, o líquen-da-islândia é considerado


substância medicinal desde o século xvii. Hoje, pode ser utilizado
no tratamento de diversas doenças, pois as suas propriedades
curativas diferem consoante se eliminou ou não, por ebulição, o seu
princípio amargo.

O Contra~indicado para pessoas que sofrem de úlceras. l Europa


Setentrional, turfeiras, florestas, penhascos, árvores; em Portugal,
principalmente na serra da Estreia; até 2600 m.

Identificação: de O,03 a O,12 m de altura. Talo erecto que se divide


em lâminas achatadas, por sua vez divididas em numerosos lóbulos,
fimbriados nos bordos; lóbulos desde a cor verde-azeitona à verde-
acastanhada na parte superior, verde-prateada ou verde-acastanhado-
clara na parte inferior, com manchas esbranquiçadas, base e bordos
com tonalidade

parda; nos lóbulos terminais notam-se, na face superior, pequenos


corpos arredondados, amarelados, chamados apotécias, Cheiro suave a
algas; sabor amargo. Partes utilizadas: talo seco, desprovido ou não
dos seus componentes amargos (todo o ano).
O Componentes: ácidos, glúcidos, princípio amargo, mucilagem O
Propriedades: antiemético, antiespasmódico, anti-séptico, emoliente,
expectorante, tónico. U.1 + o Ver: convalescença, diarreia, enjoo,
fadiga, náusea, pulmão, tosse, tosse convulsa, vómito.

195
Lírio-amarelo-dos-pântanos

Iris pseudacorus L. Ácoro-bastardo, lírio-bastardo, lírio-dos-


charcos

Bras.: lírio-amarelo

lridáceas

O lírio-amarelo-dos-pântanos é uma belíssima planta espontânea que


povoa, juntamente com outras ervas mais modestas, as margens dos
charcos. O seu caule, alto e rígido, coberto de folhas cortantes
como lâminas de espadas, orna-se a partir de Junho com, flores
amarelas que florescem umas após outras, reflectindo no espelho das
águas a sua beleza efémera. No seu habitat natural, esta planta não
se confunde com nenhuma outra, supondo-se, no entanto, que outrora
os médicos e os farmacêuticos a identificaram com o cálamo-
aromático, do qual apenas conheciam a droga seca. Assim, a reputação
medicinal deste lírio foi constituída a partir de um erro, aliás
actualmente reconhecido, pelo que a sua utilização é extremamente
reduzida. O rizoma da planta, quando fresco, é de facto fortemente
emético e purgativo; só deve ser utilizado por receita do médico,
pois este deverá adaptar as doses à constituição física do doente. O
lírio-amarelo-dos-pântartos foi também utilizado nas

montanhas para tratar a tinha. O rizoma, fervido com limalha de


ferro, fornece um excelente corante para tingir tecidos de preto e
também para curtir couros.

G Não utilizar o rizoma fresco sem receita médica. Habitat: Europa,


margens dos cursos de água; frequente em todo o território
português, em rios e pântanos; até 800 m. Identificação: de O,50 a
1,20 m de altura. Vivaz, caule erecto, duro, ramificado; folhas
dísticas, rijas, quase tão compridas como o caule, ensiformes,
dobradas no sentido da nervura média; flores amarelas (Junho-Julho),
em grupos de 2 ou 3 na axila das espatas, 3 grandes sépalas
petalóides e pendentes, 3 pétalas estreitas, erectas, 3 peças
estigmáticas escondendo 3 estames, cápsula volumosa abrindo-se por 3
valvas e contendo 6 séries de sementes castanhas; rizoma horizontal,
vigoroso, carnudo, de fractura amarela, provido de numerosas raizes.
Inodoro; sabor acre. Partes utilizadas: rizoma (Outono); torna-se
vermelho ao secar.
O Componentes: tanino, lípidos, prótidos, glúcidos O Propriedades:
emético, esternutatório, purgativo, rubefaciente. U. L, U. E. + Ver:
cefaleia, ú lcera cutânea.
Lírio-dos-vales

Convallaria majalis L.

Convalária, lírio-de-maio, lírio-convale

Bras.: convalária, flor-de-rnaio

Lifiáceas

No 1.O de Maio, dia do trabalho, é tradição em França levar para


casa um pé ou um pequeno ramo de lírio-dos-v ales, símbolo da
felicidade. Pode encontrar-se quer em grandes manchas, quer
disperso, quase isolado. Se as condições de luz não são suficientes,
não floresce, produzindo apenas uma grande quantidade de folhas. O
nome de Convallaria deriva da sua antiga designação latina, Lilium
convallium, lírio-dos-vales-profundos. Lineu chamou-lhe majalis
porque floresce no mês de Maio. Esta planta não é citada nem pelos
Gregos nem pelos Romanos; as suas flores são desde tempos muito
remotos utilizadas pelos Russos como rernédio para determinadas
afecções cardíacas, em França, até ao século XIX, apenas se
conheciam as suas propriedades esternutatórias e antiespasmódicas. O
lírio-dos-vales contém uma substância que diminui e reforça o ritmo
cardíaco, sendo vulgarmente utilizada na terapêutica moderna. O
perfume desta planta pode causar perturbações; não introduzir na
boca as flores nem ingerir as bagas.

O Não consumir as bagas; respeitar as doses. Habitat: toda a Europa,


bosques frescos, matas de carvalhos e de faias; até 2000 m.
Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, com rizoma
rastejante; 2 folhas inteiras, alongadas, agudas no vértice, largas,
com nervuras não ramificadas, com pecíolo comprido e rodeado na base
do caule por bainhas membranosas encaixadas umas nas outras; flor de
um branco imaculado (Abril-Maio), dispostas num escapo em cacho
unilateral, campanuladas, muito perfumadas; baga arredondada verde e
mais tarde vermelha. Cheiro almiscarado,

adocicado e intenso. Partes utilizadas: as folhas e sobretudo as


flores (Abril-Maio), no início da floração; secagem à sombra.
O Componentes: saponósidos, heterósidos (convalatoxósido) O
Propriedades: antiespas~ módico, cardiotónico, diurético, emético,
purgativo. U. 1. + Ver: cefaleia, hipotensão, palpitações.

197
Lisimáquia

LYsimachia vulgaris L. Lisimáquia-vulgar, erva-moedeira, grande-


lisimáquia

Primuláceas

A lisimáquia-vulgar prefere os locais húmi dos; misturada com as


grandes plantas qu( habitualmente vivem nos solos lodosos, seu aspec
o imponente é extremamente de corativo. O caule, consistente e
erecto, é enci mado no Verão por uma inflorescência ama rela em
panícula piramidal, como uma man cha luminosa nos locais húmidos.
Algumw espécies de Lysimachia são frequentement@ cultivadas como
plantas decorativas nos jar dins e crescem à beira dos lagos. Supõe-
s( que os povos da Antiguidade não a conhe ciam; Plínio, ao falar da
lisimáquia, refe re-se na realidade à salgueirinha, Lythrun
salicaria L. Sem utilização na Idade Média foi mais tarde empregada
no tratamento da! febres e do escorbuto.

Todos os seus elementos são úteis aos tin tureiros: da raiz pode
extrair-se uma bonffi tinta castanha; as folhas e o caule serverr
para tingir de amarelo os tecidos de lã. @ semelhança da camomila,
uma infusão mui to densa das suas flores é utilizada para acla rar
os cabelos. As espécies de Lylsimachi(, cultivadas nos jardins
distinguem-se não s@ pelo porte herbáceo ou arbustivo, mas também
pelas várias cores das suas flores.

Habitat: Europa, beiras dos pegos, charcos, ribeiros, fossos; de


Trás-os-Montes ao Alentejo, nas margens dos cursos de água e locais
húmidos; até 1200 m. Identificação: de O,50 a 1,50 m de altura.
Vivaz, caule erecto, pouco ramificado, folhoso, de secção quase
quadrangular; folhas grandes, ovais ou oblongas, subsésseis, opostas
ou verticiladas em grupos de 3 a 4; flores amarelas (Junho-Agosto),
em panícula piramidal, 5 sépaIas agudas, rodeadas de pétalas
vermelhas soldadas na base, com 5 lóbulos bem abertos, estames
unidos pela base dos seus filetes e,

cada um deles, à base de cada uma das pétalas; 1 ovário súpero, sem
divisões, 1 estilete,
1 estigma; parte subterrânea rastejante. Partes utilizadas: folhas e
flores secas (Junho-Agosto); secagem à sombra e ao ar.
O Componentes: tanino, heterósidos, saponósido, enzima
(primaverase), vitamina C, açúcares O Propriedades: acIstringente,
vulnerário. U. I., U. E. Ver: afta, diarreia, hemorragia,
leucorreia.
Losna

Artemisia absinthium L.

Absinto, sintro, grande-absinto, acintro, losna-maior,

citronela-maior Bras.: absíntio

Compostas

Planta vivaz que pode viver 10 anos, a losna é famosa desde tempos
muito antigos pelas suas virtudes medicinais. Efectivamente, é
citada num papiro eg!pcio que data de
1600 a. C. Os Celtas e os Arabes aconselhavam o seu uso, e os
médicos da Antiguidade celebrizaram-na como panaceia. Em 1588, na
sua obra Novo Herbário Completo, Tabernaemontanus, médico e botânico
alemão, aconselhava-a até como remédio contra o mau gênio. No
entanto, a losna é de tal modo amarga que na Sagrada Escritura é
citada como símbolo das dificuldades e tristezas da vida. O seu
nome, traduzido do grego, significa *privado de doçura+, e, na

realidade, só com muita fé na sua eficácia é possível suportar o seu


desagradável sabor.

O licor de absinto, outro nome da losna, era uma bebida muito em


voga no século XIX, como se pode verificar pelo quadro de Manet,
pintado em 1876, O Absinto. Porém, a losna contém um óleo essencial
que, ingerido em doses elevadas, é um veneno cujo abuso provoca
graves intoxicaçõ es. Manifestam-se convulsões tetânicas e
perturbações psíquicas com alucinações. Por essa razão, o fabrico e
comercialização deste licor são proibidos em vários países europeus.

O Torna amargo o leite das mulheres que amamentam. A maioria das


pessoas não a tolera. Nunca prolongar o seu uso. Habitat: Europa,
excepto no Norte; espontânea em Portugal, no Minho, Trás-os-Montes e
Alto Douro, sendo também cultivada. Identificação: de O,40 a 1 m de
altura. Vivaz, caule verde-prateado, pubescente, erecto e canelado;
folhas cinzento-esverdeadas na página superior, brancas na inferior,
sedosas, pecioladas, profundamente fendidas em segmentos obtusos;
flores amarelas (Julho-Setembro), tubulosas, em capítulos pequenos,

globosos, pendentes, agrupados em panículas; aquénio liso. Cheiro


aromático; amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas.
O Componentes: óleo essencial, muito activo e tóxico, absintina,
resinas, tanino, ácidos, nitratos. A absintina revelou ser uma
mistura de, pelo menos, quatro substâncias com acção amarga O
Propriedades: anti-séptico, digestivo, emenagogo, estimulante,
tónico, vermífugo. U. I., U. E. + V o Ver: apetite, convalescença,
digestão, dor, enjoo, febre, ferida, gripe, insectos, magreza,
menstruação, parasitose, pele, picadas.

199
Loureiro

Laurus nobilis L.

Louro, sempre-verde, loureiro-comum,

loureiro-vulgar, loureiro-dos-poetas

Lauráceas

Oriundo da Ásia Menor, o melancólico e belo loureiro, ao passar pela


Grécia, criou uma história e uma lenda: dedicado a Apolo, ele
coroava os heróis gloriosos. A partir do Peloponeso invadiu a
Europa, e actualmente encontra-se em quase todos os jardins, desde o
Mediterrâneo às costas da Mancha e do Atlântico. O loureiro é
sobretudo conhecido pelo papel que desempenha na culinária, sendo
conveniente não confundir as suas folhas com as do loureiro-rosa e
do loureiro-cerejeira, que são plantas muito venenosas. Com o alho,
a salsa e o tomilho constitui o chamado ramo de cheiros, ignorando-
se por vezes que esta planta culinária é dotada de outras virtudes,
para além da de estimular agradavelmente as papilas gustativas dos
gastrónomos.

O loureiro é considerado um estimulante e um anti-séptico: as folhas


em infusão facilitam a digestão. O óleo extraído das suas bagas,
denominado manteiga de loureiro, produz um efeito benéfico nas dores
articulares. Em medicina veterinária é utilizado em fricções para o
mesmo fim. Uma ligeira camada deste óleo aplicada sobre o pêlo de um
animal protege-o das moscas.

Habitat: Europa, ravinas das montanhas da região mediterrânica; no


Centro e Sul de Portugal, espontâneo e subespontâneo nos locais
sombrios e margens dos cursos de água; cultivado em quase todo o
País; até 1200 m. Identificação: de 2 a 10 m de altura. Arvore;
caule glabro, de casca lisa e preta, madeira amarelo-pálida, ramos
erectos; folhas verde-escuras, brilhantes na página superior, baças
na inferior, coriáceas, lanceoladas, onduladas nos bordos, alternas,
persistentes; flores branco-amareladas (Abril-Maio), 4 a 6 por
umbela na axila das folhas, pequenas, pedunculadas, 4

sépalas petalóides, dióicas, masculinas, 8 a 12 estames, femininas,


1 carpelo com estilete curto; baga negra do tamanho de uma cereja
contendo 1 semente. Cheiro aromático (flores); sabor aromático
(folhas), acre, picante (fruto). Partes utilizadas: folhas sem
pecíolos (Verão), fruto (Outubro- Novembro). * Componentes: tanino,
princípio amargo, lipidos O Propriedades: anti-séptico, estimulante,
sedativo, sudorífico. U. I., U. E. + o Ver: astenia, desinfecção,
digestão, dor, fadiga, insectos, menstruação, reumatismo, sono.
200
Lúpulo

Humulus lupulus L. Vinha-do-norte, engatadeira, lúpulo-trepador,

pé-de-galo

Canabináceas

O lúpulo espontâneo é chamado em alguns países europeus pau-do-díabo


devido à forma rápida como trepa às árvores, sempre em sentido
inverso ao dos ponteiros do relógio. Prefere solos húmidos e
sombrios e a proximidade dos amieiros. A raiz, vivaz, emite todos os
anos um novo caule que, agarrando-se aos seus suportes, se eleva até
5 ou
6 m, murchando depois no fim do Verão. As folhas do lúpulo, ásperas
ao tacto, assemelham-se muito às da videira, sendo o seu pecíolo
mais fino, a base menos chanfrada e desprovida de gavinhas. Apenas
as inflorescências femininas desta planta dióica, os

cones, são utilizadas em medicina, além do pó dourado e resinoso que


as cobre, a lupulina. O lúpulo foi introduzido nas regiões europeias
no século xiii, passando a ser utilizado no fabrico da cerveja após
pesquisas realizadas pelos monges. A lupulina é um sedativo
poderoso. Aconselha-se às pessoas que sofrem de insônias a
utilização de uma almofada bem cheia de cones de lúpulo. Em certas
regiões, os jovens rebentos de lúpulo são servidos às refeições na
Primavera preparados como os espargos.

O Na época da colheita, as pessoas sensíveis podem sentir sonolência


ou cefaleias. Habitat: Europa, sebes, florestas, em culturas para a
produçã o de cerveja; em quase todo o País; até 1500 m.
Identificação: de 5 a 7 m de altura. Vivaz, caule volúvel,
sinistrorso (enrolando da direita para a esquerda), anguloso e
áspero; folhas verde-claras, opostas, pecioladas, estipuladas,
recortadas em 3 a 5 lóbulos, ásperas, palmadas, bordos serrados;
flores verde-amareladas, dióicas, tendo as masculinas 5 tépalas, 5
estames, erectos em panícula na axila das folhas, e as femininas
numerosas brácteas foliáceas, imbri ca das, envolvendo cada uma
delas 2 pistilos e formando cones pendentes cobertos por um pó
amarelo-dourado e resinoso, a lupulina. Cheiro intenso e aromático;
sabor amargo. Partes utilizadas: cones, lupulina (Setembro-Outubro);
não conservar durante muito tempo.
O Componentes: alcalóides, lupulina, estrogéneos O Propriedades:
antálgico, antiespasmódico, anti-séptico, aperitivo, digestivo,
sedativo. LI. L, U. E. + V N Ver: apetite, digestão, magreza,
nervosismo, nevralgia, pele, sono.
Macela *//* PARA REFAZER

Anthemis nobilis L.

Macela-dourada, riríacela-galega, macelão, macela-flor, camomila-


romana, camomila-de-paris, falsa-carriomila, marcela

Compostas

Com um aspecto muito diferente da can mila, os caules desta planta,


primeiro pr, trados, erguem-se seguidamente, formar numerosas
ramificações que se dispõem s rigidez e terminam em capítulos
solitár brancos, muito odoríferos. Desconhece-s, sua origem. Não é
mencionada pelos auto da Antiguidade nem pelos da Idade MéiÈ No
século Xvi, em Londres, é referenci; como erva daninha.

Para corresponder a necessidades med nais, é cultivada em Anjou,


França, uma riedade de flores duplas, todas liguladas que conferiu
celebridade à região e aos h@ tantes de Chemillé, os quais asseguram
ti a produção francesa.

Após a colheita, que deve ser feita c tempo seco, no início do


Verão, e à med que os capítulos se entreabrem, deve prc der-se
imediatamente à secagem à soni em lugar arejado; se esta é mal
executada flores escurecem e perdem as suas proprie des
estimulantes.

Habitat: Europa Ocidental, campos cultivados, relvados, margens


arenosas de rios, sobretudo siliciosas; frequente em Portugal, do
Minho ao Algarve, nos campos cultivados e incultos arenosos; até
1000 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz, vilosa,
com aspecto verde-esbranquiçado; caules prostrados ou erectos;
flores amarelas (Junho-Setembro), lígulas brancas, capítulo
solitário na espécie espontânea, receptáculo cónico provido de
pequenas brácteas entre as flores; folhas verde-esbranquiçadas, uma
ou duas vezes divididas em lóbulos curtos e ostreitos; aquénio
pequeno com 3 costas filiformes. Cheiro penetrante; sabor amargo.
Partes utilizadas: capítulos, caules com folhas e flores (Junho-
Setembro); secagem rápida.
O Componentes: óleo essencial, colina, enxofre, fósforo, ferro,
ácidos gordos, inositol, esteroi O Propriedades: antiespasmódico,
digestivo, emenagogo, estomáquico, febrífugo, vulnerário e, em doses
elevadas, vomitivo. U. I., U. E. + o Ver: apetite, cefaleia, cólica,
conjuntivite, depressão, digestão, dor, irritabilidade, menstruação,
nervosismo, olhos, pele, prurido.
Madressilva

Lonicera periclymenum L.

Madressilva-das-boticas Bras.: madressi Iva- dos-j ardi n s

Caprifoliáceas

Amadressilva pertence à mesma família do sabugueiro e do noveleiro.


É uma planta vivaz, cujos ramos volúveis se enrolam solidarnente em
redor dos seus suportes e que pode viver 40 anos. A Lonicera é já
citada nos textos de Dioscórides. Os Gregos designavam-na por
periclymenon, do vocábulo perikIeio, eu agarro-me, com evidente
referência à sua natureza de arbusto trepador de ramos flexíveis que
podem atingir 5-6 m.

Cresce na periferia dos bosques ou nas sebes de montanhas de baixa


altitude, cujas imediações são, a partir de Junho, perfumadas pelas
suas flores. Durante toda a Antiguidade Egípcia, Grega e Romana, a
sua casca foi utilizada, mas com o decorrer dos séculos perdeu
importância, já não sendo empregada na Idade Média. Actualmente,
atríbuem-se às folhas e flores propriedades anti-sépticas e
díurétícas. Em todas as suas utilizações, a madressilva pode ser
substituída pela madressilva-dos-jardins, Lonicera caprifolium L.,
que se evade frequentemente das culturas e floresce mais cedo que a
espontânea, perfumando o ar, sobretudo ao entardecer.

G Não utilizar as bagas. Habitat: toda a Europa, extremidades dos


bosques, solos argilosos, sebes; em Portugal, de Trás-os-Montes ao
Alentejo; até 1000 m. Identificação: de 1 a 5 m de altura. Arbusto;
caule volúvel; ramos jovens com extremidades pubescentes; folhas
opostas, curtamente pecioladas, sendo as superiores sésseis,
caducas, ovais, mais claras na página inferior; flores cor de
marfim, estriadas de vermelho (Junho-Setembro), sésseis, agrupadas
em glomérulos pedunculados; cálice curto com 5 dentes, coro~ Ia
tulbulosa, bilabiada, com o lábio superior com

4 lóbulos curtos e o inferior inteiro, com 5 estames; baga vermelha,


ovóide, com várias sementes; raiz com rebentos adventícios. Cheiro
agradável. Partes utilizadas: folhas, flores (Junho-Julho); secagem
à sombra.
O Componentes: ácido salicílico, mucilagem, essência, heterásido O
Propriedades: acistringente, anti-séptico, detersivo, diurético,
sudorífico. U. L, U. E. Ver: anginas, colibacilose, parto, tosse.

203
Malmequer-dos-brejos

Caltha palustris L. Calta, calta-dos-pântanos

Ranunculáceas

O malmequer-dos-brejos é uma planta vivaz, brilhante, mas nociva


para os prados, cujos caules, muito verdes, parcialmente imersos nos
pântanos, nas margens dos cursos de água e nos solos alagados,
florescem no início da Primavera. Nos meios rurais, é frequentemente
utilizado na alimentaçã o; as folhas são utilizadas em saladas ou
cozidas do mesmo modo que as hortaliças; as flores em botão,
conservadas em vinagre, substituem as alcaparras. Os agricultores
utilizam, por vezes, as flores, cor de ouro, para corar a manteiga.
O malmequer-dos-brejos pertence, como as anémonas, as clematites e
os ranúnculos, à bela e perigosa família das Ranunculáceas e contém
substâncias venenosas, pelo que não é conveniente, apesar das
opiniões das pessoas dos meios rurais, ingeri-lo fresco. Os
homeopatas receitam-no para uso interno sob a forma de tintura,
reservando-o a medicina tradicional para uso externo. Uma cataplasma
de folhas secas provoca uma revulsão local que pode minorar algumas
dores de origem reumática; no entanto, a sua mais importante
propriedade é a de, como a arnica e a tussilagem, facilitar as curas
de desintoxicação, como sucedâneo do tabaco.

O Uso interno apenas com receita médica. Habitat: toda a Europa,


pântanos, bosques húmidos; em Trás-os-Montes e Minho, nos regatos e
pauis; até 2500 m. Identificação: de O,20 a O,30 m de altura. Vivaz,
caule carnudo, sulcado, glabro, oco, prostrado, ascendente, por
vezes parcialmente imerso; folhas verde-escuras, grandes,
brilhantes, carnudas, cordiformes ou riniformes, cenadas,
pecioladas, sendo as da inflorescência sésseis; flores de um amarelo
luminoso (Março-Junho), grandes, solitárias, muito abertas em forma
de taça, 5 grandes sépalas petalóides, apétalas, numerosos estames,
carpelos erectos e arqueados; 5 a 10 folículos membranosos, livres,
verticilados, comprimidos, pros trados, enrugados transversalmente e
conten do cada um deles várias sementes; toiça curta e vertical.
Cheiro ténue; sabor ardente. Partes utilizadas: folhas secas.
O Componentes: protoanemonina, flavonas, saponósidos O Propriedades:
revulsivo. U. L, U. E. + Ver: reumatismo, tabagismo.

204
malvas *//* refazer

As malvas reconhecem-se pelas suas flores com cinco pétalas


afastadas, estreitas na base, largas e chanfradas na parte superior,
e pelos seus frutos rugosos, dispostos em

coroa no cálice persistente. A malva-silvestre, uma das mais comuns,


desenvolve-se nos solos abundantemente azotados dos jardins, de
antigas estrumeiras e nos baldios.

Esta planta é apreciada como hortaliça e

como remédio desde o século v111 a. C. Os rebentos, a parte


comestível, provocaram indigestão a Cícero, que muito os apreciava;
Marcial utilizava-os para uma dieta depois

das orgias, e, segundo Plínio, uma poção à base de suco de malva


evita as indisposições durante todo o dia. Os pitagóricos
consideravam-na uma planta sagrada que libertava o

espírito da escravatura das paixões; Carlos Magno não a dispensava


como planta ornamental nos seus jardins imperiais. Em Itália, no
século Xvi, denominava-se omnimorbia, isto é, remédio para todos os
males. A tisana das quatro flores é constituída por sete espécies: a
papoila, a tussilagem, a borragem, o verbasco, a alteia e a violeta,
além da malva.

Habitat: comum na Europa, caminhos, lixeiras, solos ricos em azoto;


frequente em Portugal do Minho ao Alto Alentejo; até 1300 m.
Identificaçã o: de O,20 a O,70 m de altura. Bienal, caule
parcialmente erecto, que se expande a partir do pé central,
pubescente; folhas com longos pecíolos, palmatilobadas, serradas,
com pêlos ásperos; flores cor de malva com nervuras mais escuras
(Maio-Agosto), grandes, em grupos de 2 a 4, cálice com 5 lóbulos,
epicálice com 3 folíolos estreitos, 5 pétalas bilobadas no vértice,
numerosos estames soldados pelos seus filetes, 12 estigmas; 12
carpelos que se

transformam em 12 aquénios reniformes. Sabor quase nulo. Partes


utilizadas: raiz, folhas, flores (antes da abertura); secagem ao ar
e à sombra, conservação difícil, tornando-se azuis com a secagem e
descorando por acção da luz.
O Componentes: mucilagens, antocianinas O Propriedades: calmante,
emoliente, laxativo. U. I., U. E. + V o Ver: abcesso, acne rosácea,
afta, asma, banho, boca, bronquite, dentes, faringite, furúnculo,
hemorróidas, nervosismo, obesidade, obstipação, olhos, picadas,
tosse.

205
Marroio

Marrubium vulgare L. Marroio-branco, marroio-vulgar, marroio-de-


frança,

erva-virgem Bras.: bom-homem, herva-virgem

Labiadas

Esta labiada apresenta grandes analogias com o marroio-fétido, que


igualmente se desenvolve em tufos densos, por vezes quase
arbustivos, nas ruas das povoações e nas encostas áridas.
Necessitando de luz intensa, o marroio tem um aroma semelhante ao do
tomilho. O seu sabor amargo determinou o nome científico, visto que
a palavra marrubium deriva do heloreu inar, amargo, e rob, suco. O
marroio é apreciado desde épocas muito remotas devido às suas
diversas virtudes medicinais; os antigos egípcios criam que era um
remédio para as perturbações respiratórias; no século IV a. C.,
Teofrasto cita-o também, confundindo-o, no entanto, com a Ballota
foetida Lam., também denominada marroio-negro. Dioscórides descobriu
mais tarde as suas virtudes emenagogas, bem como o perigo que
representa em

caso de lesões renais. No século ix, Estrabão cultivou-o no jardim


da Abadia de Reichenau, considerando-o *prodigiosamente forte+.
Mattioli aconselhava-o em pomada para a desobstrução dos canais dos
seios. Desde então, o

marroio não deixou mais de ser apreciado, utilizando-se a sua


infusão como expectorante.

Habitat: Europa, ruas das povoações, terrenos baldios, esgotos,


encostas áridas; frequente em quase todo o território português; até
1500 m.

Identificação: de O,30 a O,80 m de altura. Vivaz, caule erecto,


lanoso, ligeiramente ramoso; folhas esbranquiçadas, arredondadas,
pecioladas, crenadas, bolhosas na página superior e lanosas na
inferior; flores brancas (Junho-Agosto), em verticilos globosos,
compactos na axila das folhas superiores, cálice tomentoso, com 10
dentes gancheados, bractéoIas assoveladas, corola com lábio superior
ligeiramente chanfrado e lábio inferior trilobado,

com 4 estames inclusos. Cheiro intenso e pouco agradável; sabor


picante e amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas (Julho-
Agosto), folhas, secagem à sombra.
O Componentes: princípio amargo, colina, óleo essencial, saponósido,
glucósido, tanino, potássio, cálcio, vitamina C O Propriedades:
emenagogo, estomáquico, expectorante, febrifugo, sedativo, tónico,
U. 1. + IN Ver: apetite, asma, bronquite, celulite, coração,
enfisema, febre, menstruação, nervosismo, obesidade, paludismo,
pulmão, sono, tosse.

206
Marroio-fétido

Ballotafoetida Lam.

Labiadas

Segundo alguns autores, o marroio-negro e o marroio-fétido são a


mesma espécie; segundo outros, o marroio~fétido é uma subespécie do
marroio-negro. Na realidade, estas duas plantas apenas diferem em
pequenos pormenores. No entanto, basta cheirá-las para as distin-
uir. Muito intenso, mesmo a alguns passos de distância, no caso do
marroio-fétido, esse cheiro a bolor e fuligem só é perceptível Do
marroio-negro se for amachucado. Como todas as labiadas, as flores
do marroio oferecem às abelhas um excelente néctar.

As duas plantas têm as mesmas propriedades terapêuticas. O marroio é


especialmente um notável antiespasmódico, outrora utilizado contra a
epilepsia e a hipocondria. É geralmente consumido em infusão, sendo,
no entanto, uma experiência muito difícil abeirar-se dele e colhê-
lo, quanto mais bebê-lo! Por vezes, para evitar o gosto e o odor
desagradáveis, prepara-se uma alcoolatura. Sem dúvida devido a estas
características, o marroio-fétido não é geralmente apreciado pelo
gado.

Habitat: Europa, vulgar em França, sebes, ruas das aldeias, entulho,


na parte inferior dos muros, todos os solos; frequente em Portugal;
até 1500 m. Identificação: de O,60 a O,80 m de altura. Vivaz, caule
ascendente, ramificado, com muitas folhas; folhas pecioladas,
rugosas, pubescentes, serradas; flores cor-de-rosa ou cor de púrpura
(Maio-Setembro), em verticilos nos nós das folhas, entremeadas por
bractéolas curtas, cálice viloso, dilatado na fauce, com 5 dentes
largos, corola com lábio superior aveludado. Cheiro a mofo de cave
húmida; sabor acre e amargo.

Partes utilizadas: sumidades floridas (Julho-Agosto).


O Componentes: tanino, saponósido, fitosterol, colina, lectona, sais
minerais O Propriedades: antiespasmódico, colerético, sedativo. U.
L, U. E. Ver: acufenos, angústia, menopausa, nervosismo, sono, tosse
convulsa.
Matricária

Chrysanthemum parthenium Bernh.

Arternísia-dos-ervanários, artemísia-bastarda-dos-ervanários,
rnatricária-vulgar

Compostas
O nome do género, Chrysanthemum, que significa flor de ouro, não se
aplica à matricária, cujas lígulas são de um branco imaculado;
apenas o centro dos seus capítulos é amarelo. Originária da Ásia
Menor, foi, em

épocas remotas, introduzida na Grécia, onde, sob o nome de


parthenion, de parthenos, virgem, os Antigos a utilizavam para
tratar as doenças tipicamente femininas. Na Idade Média, atribuíram-
lhe propriedades de febrífugo, e desse facto deriva o seu nome em
língua inglesa feverfew.

A matricária é frequentemente confundida com a macela e com a


camomila devido à semelhança das suas flores; esta confusão pode ser
evitada pelo estudo das folhas da matricária, que se apresentam
divididas em lóbulos largos, têm textura branda e perfume forte; as
outras duas plantas, que pertencem aos géneros Anthemis e
Matricaria, têm folhas delicadamente recortadas em lacínias
estreitas.

O cheiro desagradável da matricária determina possivelmente a


preferência que actualmente se dá à macela, cuja acção medicinal é
análoga.

Habitat: Europa; em Portugal, desde Trás-os-Montes ao Alto Alentejo,


nas margens dos rios e nos rochedos. Identificação: de O,30 a O,80 m
de altura. Vivaz, herbácea, erecta, formando manchas; folhas tenras
recortadas em segmentos largos, sendo estes lobados, pecioladas,
verde-claras ligeiramente amareladas; flores centrais amarelas,
tulbulosas, sendo as da periferia liguladas, brancas (Julho-Agosto),
em capítulos de 12 a
15 mm de diâmetro, dispostos em corimbos com folhas; aquénio
castanho quando maduro,
5 a 7 costas brancas longitudinais com coroa

membranosa crenada. Cheiro penetrante e desagradável. Partes


utilizadas: sumidades floridas (Junho-Agosto)
O Componentes: óleo essencial rico em borneol (cânfora de
matricária), lípidos, glúcidos, sais minerais O Propriedades:
antiespasmódico, anti-séptico, emenagogo, febrífugo, insecticida,
tónico. W., U.E. Ver: banho, digestão, febre, insectos, raquitismo,
sono.
208
Medronheiro

Arbutus unedo L.

Ervodo, ervedeiro, ervedo Bras.: árvore-de- morangos

Ericáceas

Os Romanos chamaram ao abrunheiro Arbutus unedo. Virgílio, nas


Geórgicas, chama a esta pequena árvore, muito frequente em Itália,
arbustus; Plínio e alguns dos seus contemporâneos designam o
medronheiro, unedo, por unum edo, eu como um só, fazendo assim
referência ao gosto desagradável dos frutos. Abundante na região
mediterrânica, incluindo Portugal, onde se encontra em todas as
regiões, estende-se para a Europa Central e dissemina-se até à
Irlanda. Nas zonas protegidas, pode atingir 6 e até 10 m de altura,
mas a exploração e os incêndios das florestas mantêm-no entre 2 e 3
m, pois o seu crescimento é lento. O medronheiro é uma planta muito
decorativa, apesar da sua silhueta tortuosa, devido à sua folhagem
persistente e, sobretudo, aos seus frutos globosos de cor intensa,
que produz durante quase todo o ano; os mais jovens são verdes, os
mais maduros, vermelhos, e os intermédios, amarelos ou alaranjados,
surgem ao mesmo tempo que as flores.

Os médicos interessam-se pelo medronheiro devido, sobretudo, ao seu


elevado teor em tanino. Os seus frutos, considerados também
diuréticos, servem para preparar bebidas caseiras tão agradáveis
como úteis,

doces e saborosas compotas. A sua fina madeira é fácil de trabalhar


e polir; é utilizada no fabrico de objectos torneados, para
embutidos e marcenaria; além disso, é uma

óptima madeira para aquecimento e produz um excelente carvão de


lenha. As abelhas retiram das suas flores um néctar de excelente
qualidade.

Habitat: Europa Meridional; em quase todo o continente português,


bosques, matas, solos áridos, siliciosos; até 600 m. Identificação:
de 3 a 6 m de altura. Arbusto; caule tortuoso, erecto; ramos jovens
avermelhados; folhas serradas, simples, persistentes, coriáceas;
flores brancas e verdes (Outubro-Janeiro), em cachos pendèntes,
corola gomilosa com 5 dentes; fruto esférico, carnudo, denominado
medronho, provido de saliências piramidais, vermelho no estado
maduro, contendo de 20 a 25 sementes; raizes profundas. Sabor
farináceo, ligeiramente ácido e agradável

(frutos).
Partes utilizadas: raizes, folhas, casca, frutos.
O Componentes: tanino, arbutósido O Propriedades: acistringente,
anti-infiamatório, anti-séptico, depurativo, diurético. U. 1. Ver:
arteriosclerose, diarreia, fígado, rim.

209
Meliloto

Me1i1otu,@ offi< inalis (L.) Pail.

Trevo-de-cheiro, coroa-de-rei

Leguminosas

O meliloto distingue-se facilmente das outras leguminosas. É uma


planta herbácea que vive nos entulhos e nos terrenos cultivados,
sendo comum em solos calcários e arenosos; as folhas têm três
folíolos serrados e as pequenas flores amarelas erguem-se em

extensos cachos; a floração é contínua, prolongando-se por um largo


período. O nome

da planta deriva das palavras gregas mêli, mel, e Iótos, loto; na


realidade, o meliloto é uma das plantas espontâneas mais procuradas
pelas abelhas. Hipócrates e Teofrasto referem-se a um meliloto,
desconhecendo-se se se trata desta planta. Na Idade Média não foi
inventariada. Mais tarde, as opiniões dividem-se: enquanto, segundo
algumas, o meliloto seria tóxico, segundo outras é considerado
eficaz no tratamento de cólicas e nefrites. Foi ainda reputado como
remédio para a embriaguez. A sua propriedade antiespasmódica deve-se
ao seu teor em cumariria, mais elevado na planta fresca; a planta
pode tornar-se perigosa para o gado se, quando deteriorada, for
misturada com a forragem. O meliloto, tal como os fidalguinhos e a
tanchagem, tem tido larga aplicação ocular; uma infusão quente da
planta é benéfica para a vista cansada.

Habitat: Europa. solos calcários, campos, bermas dos caminhos,


terrenos baldios, vinhas, vias férreas; até 600 m, Identificação: de
O,50 a 1 m de altura. Bienal, caules erectos, muito ramificados,
folhas com
3 folio@os serrados, sendo o central peduncWacio, com estipulas
aderentes na base ao pecíolo, flores amarelas (Junho-Setembro), em
longos cachos axilares. frouxos, cálice curto, com 5 lóbulos, corola
papilionácea, asas mais compridas do que a carena pequena vagem
curta, glabra, castanho-clara, @nrugada, pendente; raiz vigorosa e
aprumada. Cheiro agradável,

Partes utilizadas: sumidades floridas (Junho-Setembro), secagem


rápida ao ar livre e à sombra.
O Componentes: cumarina, heterósidos, resina, flavonóides, vitamina
C O Propriedades: acistringente, antiespasmódico, anti-inflamatório,
diurético, sedativo. U. I., U. E. + Ver: Wefarite, bronquite,
cólica, conjuntivite, nervosismo, nevralgia, olhos, sono, varizes.

210
Melissa

Melissa officinalis L.

Erva-cidreira, limonete, chá-de-frança,

eitronela-menor

Labiadas

Amelissa, cujo nome evoca o mel, é efectivamente uma das melhores


plantas melíferas. Cresce em tufos nos jardins ou nos seus
arredores. Tem flores bastante pequenas de cor branca, que mais
tarde se torna rosada. Exala, enquanto nova, um aroma suave
semelhante ao do limão, que depois se torna desagradável,
desaparecendo com a secagem. Porém, após a secagem, a planta apenas

conserva o aroma primitivo durante um ano >

É mencionada pelos autores da Antiguidade, que aparentemente não


apreciaram as

suas virtudes. Os Árabes, no século X, elogiaram a sua acção como


cordial e remédio para a melancolia; este conceito é retomado por um
fitoterapeuta nos inícios do século xx, que reconhece à melissa
qualidades para fazer desaparecer as <@crises de mau humor nas
jovens e nas mulheres débeis+. A essência de erva-cidreira pode ser
considerada

como um estupefaciente ligeiramente tóxico; em pequenas doses


provoca torpor e diminuição das pulsações. A melissa faz parte da
composição de licores (chartreuse e beneditino) e da água de melissa
dos Carmelitas.

V. Melissa -bastarda, p. 214.

Habitat: Europa Meridional, escapada das culturas, sebes, próximo de


muros; no continente e Madeira, disseminada nos locais sombrios e
húmidos, sendo também cultivada; até 1000 m. Identificação: de O,20
a O,80 m de altura. Vivaz, caules em tufo, ramiticados a partir da
base, erectos; folhas grandes, ovais, pecioladas, serradas, com
nervuras salientes, reticuladas na página inferior; flores
amareladas, tornando-se brancas ou rosadas (Junho-Setembro), de 6 a
12 em verticilos ao nível das folhas, cálice revestido de pêlos, com
2 lábios, sendo o superior plano com 3 dentes e maior, corola
bilabiada e 4 estames; tetraquénio. Cheiro agradável, limonado;
sabor ligeiramente amargo. Partes utilizadas: caule florido, folhas
(Junho), secagem rápida,
O Componentes: óleo essencial, citroneial, tanino, resina, ácido
succínico O Propriedades: antiespasmódico, carminativo, colerético,
estomáquico, eupéptico, tónico. Li. I., U. E. + O Ver: acufenos,
anemia, apetite, asma, banho, estômago, fígado, gravidez, hálito,
indigestão, lipotimia, memória, picadas, pulmão, sono, vertigem.
Mentas

a) Mentha rotundifolia L.

Mentastro, mentrastro b) Mentha viridis L.

Hortelã-vulgar b’) Mentha crispata Schrad.

Hortelã-crespa c) Meniha longifolia (L.) Hucis.

Hortelã-silvestre d) Mentha pulegium L.

Poejo e) Mentha arvensis L. f) Mentha aquatica L.

Hortelã-d'água

Labiadas

Apalavra *menta+ deriva de Mintha, nome de uma ninfa que a deusa


grega Perséfone, por ciumes, transformou em planta. Supoe-se que
os povos da Antiguidade utilizavam o poejo, Mentha pulegium L.,
entrançando-o para fazer coroas que usavam em cerimônias e para
fins medicinais. Outrora, os Chineses faziam a apologia das
proprieHabital: Europa, Ásia, geralmente a baixas altitudes; não
ultrapassam 1800 m. Identificação: vivazes, locais permanentemente
húmidos; folhas planas, grandes e irregularmente serradas; numerosas
flores cor-de-rosa (Verão), em verticilos, pequenas, cálices com 5
dentes, corola regular com 4 lóbulos iguais ou praticamente iguais,
4 estames erectos, iguais, divergentes, salientes, 4 carpelos
ovóides e lisos; parte subterrânea estolhosa. Mentas com espiga: até
1800 m; ultrapassam
1 m de altura. Caules erectos; folhas sésseis; flores em espiga de
verticilastros terminais não folhosos, corola sem anel de pêlos no
interior. a) Mentha rotundifolia L. Valas, caminhos; folhas oval-
arredondadas, espessas, enrugadas, bolhosas, ligeiramente serradas,
com pêlos crespos, septados e ramificados; flores claras em espiga
comprida, estreita e pontiaguda, com grandes brácteas e cálice com
dentes triangulares; estolhos folhosos. Cheiro intenso e
desagradável. b) Mentha viridis L. Espontânea e rara nas montanhas,
cultivada noutros locais; planta com poucos pêlos (glabrescente);
folhas verdes nas duas páginas; flores em espigas frouxas e cálice
glabro com dentes estreitos. Cheiro suave e muito penetrante. b’)
Mentha crispata Schrad. Híbrida da precedente; espécie cultivada;
folhas curtas com bordos recortados, formando dentes curvos,
acinzentados na página inferior. c) Mentha longifolia (L.) Hucis.
Sebes e campos; folhas esbranquiçadas, tomentosas, lanceoladas,
agudas; flores em espiga compacta com bractéolas estreitas e
lanuginosas; cálice viloso com dentes compridos e estreitos.
212
dades calmantes e antiespasmódicas das mentas. Hipócrates
considerava-as afrodisíacas e Plímo apreciava a sua acção
analgésica. Actualmente, a menta é, além da verbena e da tília, um
dos chás mais apreciados para terminar uma refeição.

O género Veniha é um dos mais complexos do reino vegetal devido aos


inúmeros híbridos resultantes do cruzamento espontâneo das espécies,
os quais podem sumariamente distinguir-se do seguinte modo: as

mentas em espiga, com flores dispostas numa espiga terminal não


folhosa, e as mentas rasteiras, com flores dispostas em verticilos,
escalonados na axila das folhas pecioladas.

Na prática, todas as mentas têm virtudes medicinais semelhantes, as


quais se devem c

sencialmente ao álcool extraído da essên- %, cia, o nientol, que


parece ter sido obtido pela primeira vez na Holanda nos finais do
.século xviii. O mentol é um óptimo estimulante e,,tomáquico, um
anti-séptico e um

analgésico; porém, em doses elevadas põe em perigo o sistema


nervoso, pois pode causar a morte ao agir sobre o boibo raquidiano.

Mentas rasteiras: comuns em regiões de baixa altitude; até 1000 m;


caules prostrados ou ascendentes, folhosos, não atingindo 1 m de
altura; flores em verticilos na axila das folhas pecioladas. d)
Mentha pulegium L. Vales fluviais, locais inundados durante o
Inverno; caule curto, ramos floridos praticamente desde a base até à
extremidade; folhas pequenas, vilosas, acinzentadas, ligeiramente
serradas e subsésseis; cálice bilabiado, muito viloso internamente,
corola que se alarga bruscamente, gibosa de um lado, sem anel de
pêlos. Cheiro agradável.

e) Meniha arvelisis L. Espécie polimorfa, ramos não floridos nas


extremidades; folhas vilosas e largas; flores em pequenos verticilos
compactos mais curtos que as folhas; cálice pubescente, campanulado,
com dentes iguais, largos e curtos; anel de pêlos na corola. J)
Mentha aquatica L. Solos alagados; polimorfa, caules com pêlos
eriçados, bem como as folhas ovais muito pecioladas; flores em
verticilos pouco numerosos, globoso-capitados, cálice multinérveo
pubescente com dentes estreitos e anel de pêlos na corola; carpelos
verrucosos. Partes utilizadas: folhas e sumidades floridas (Julho-
Outubro); secagem em ramos.
O Componentes: mentol, tanino, d) carvona, mentona, pulegona O
Propriedades: analgésico, anestésico, anti espasmódico, anti-
séptico, carminativo, digestivo, estimulante, tónico. U. I., U. E. +
o Ver: apetite, asma, banho, boca, convulsão, digestão, enxaqueca,
hálito, insectos, lactação, nervos, nevralgia, pé, pele, pulmão,
soluço, tabagismo, tosse.
213
Melissa-bastarda

Melittis melissophy11um L.

Betónica-bastarda

Labiadas

Os nomes dos géneros Melittis e Melissa derivam ambos do grego e


significam abelha. Todavia, a melissa-bastarda e a erva-cidreira,
embora sejam duas plantas melíferas, poucas semelhanças apresentam
sob o
ponto de vista botânico. Efectivamente, as

flores da primeira são bonitas, grandes, de um intenso cor-de-rosa,


e agrupam-se duas a duas; as flores da melissa são pequenas, brancas
e em verticilos. A melissa-bastarda desenvolve-se em bosques pouco
densos, isolada ou em pequenos grupos, mas raramente em manchas como
a melissa. É uma

lindíssima planta labiada expressamente cultivada para ornamentar


jardins. As flores, ricas em néctar, são mais dificilmente
atingíveis pelas abelhas do que pelas borboletas nocturnas, as
quais, devido ao seu extenso órgão sugador, conseguem ter acesso à
tão apelecida reserva.

Os médicos da Antiguidade ignorara m

esta planta, sendo mencionada pela primeira vez em 1542 pelo


escritor Léonard Fuchs. Mais tarde, em 1715, Garidel tece-lhe
enormes elogios, pois considera-a com poderes para restabelecer a
secreção urinaria. A melissa-bastarda foi durante muito tempo um dos
remédios mais utilizados para o tratamento da gota e dos cálculos
das vias urinarias.

Habitat: Europa meridional e Central, solos calcários, bosques pouco


densos, ravinas, cotinas arborizadas, sebes do Minho ao Alto
Alentejo, locais sombrio@ e húmidos, principaimente nas montanhas;
até 7/00 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, caule
erecto, viloso, simples, folhas pecioladas. serradas, grandes, com
nervuras muito salientes, fiores de um cor-de-rosa intenso e brancas
(Mato-Julho), muito grandes, unilaterats, de 2 a 5 por nó na axila
das folhas, cálice amplo campanulado com 3 a 4 dentes largos, corola
bilabiada, com tubo saliente, 4 eslames

paralelos, anteras em cruz, tetraquénio globoso arredondado no cimo;


parte subterrânea rastejante. Cheiro intenso e desagradável sabor
acre e aromático. Partes utilizadas: toda a planta sem as raizes
(início da fioração).
O Componentes: cumarina O Propriedades anti-séptico. diurético,
emenagogo, sedativo. U. I., LI. E. Ver: angústia, conjuntivite,
digestão, menstruação, sono, vertigem.

214
Mercurial

Mercurialis annua L.

Urtiga-morta, urtiga-bastarda

Euforbiáceas

Existem na Europa duas mercuriais muito vulgares: a mercurial-dos-


jardins-e-dos-campos, a única que é fármaco, e a mercurial-vivaz,
Mercurialis perennis L., que habita as

matas. Ambas são dióicas e tóxicas. Distinguem-se do seguinte modo:


a mercurial-vivaz tem uma toiça rastejante e o caule não é
ramificado; a parte subterrânea da outra não se

estende horizontalmente e o caule é ramificado a partir da base.


Exala um cheiro repugnante, pelo que Olivier de Serres afirmava que,
quando a planta abundava nas vinhas, podia transmitir um aroma
desagradável ao vinho. Outrora provavelmente cultivada como

hortaliça, evadiu-se progressivamente das culturas, tornando-se


espontânea. No tempo de Hipócrates, a mercurial já era conhecida
como laxativa e atribuíam-se-lhe, erradamente, propriedades
ginecológicas. Dioscórides afirmava que a planta masculina, em
decocção, facilitava a procriaçã o de meninos,

e a planta feminina, a de meninas. Porém, além de confundir as


plantas, esqueceu-se de indicar qual dos cônjuges devia beber a
tisana. Devido às suas propriedades purgativas, esta planta deve ser
utilizada com moderação e prudência.

O Não ultrapassar a dose prescrita. Habitat: Europa Central e


Meridional, campos, jardins, vinhas, terras removidas, frequente em
quase todo o território portugues, nos campos incultos, entulhos,
muros e sebes; até 500 m. Identificação: de O,10 a O,50 m de altura.
Anual, caule herbáceo, ramificado e com folhas a partir da base, nós
bem marcados; folhas opostas com pecíolos curtos, oval- lanceoladas,
crenad o- serradas; flores esverdeadas (Abril-Novembro), dióicas,
cálice com 3 sépalas, as flores masculinas em glomérulos formando
uma espiga pedunculada, 10 estames, as femininas solitárias e
subsésseis; ovário bilocular; cápsulas com 2 lóculos guarnecidos de
pêlos, mais espessos na base, e 2 sementes ovóides ci nz ento-
claras. Cheiro repugnante; sabor amargo e salgado. Partes
utilizadas: a planta inteira fresca, com excepção da raiz, e o suco;
secagem rápida.
O Componentes: óleo essencial, heterósido flavónico, sais de
potássio O Propriedades: antilactagogo, diurético, purgativo. U. L,
LI. E. + Ver: intestino, lactação, menopausa.
MilfÓlio

Achillea millefolium L.

Milfolhada, mil-folhas, mil-em-rama, erva-das-cortadelas, erva-


carpinteira, erva-dos-militares, erv a-dos -soldados, erva-dos-
golpes, erva-do-bom-deus, erva-de-sao-joao,

pêl o-de- carneiro, prazer-das-damas,

salvação-do-mundo Bras.: botão-de-prata, mil-folhas

Compostas

Os múltiplos recortes das suas grandes folhas conferiram a esta


planta o nome de milfólio, e as suas propriedades medicinais são
conhecidas desde há muitos séculos. Deve o nome latino ao herói
grego Aquiles, que, tendo sido informado pelo centauro Quíron das
virtudes terapêuticas da planta, a utilizou, no decorrer de uma
batalha, para curar

as feridas do rei Telefo. Era também conhecida pelos Celtas, que


acompanhavam a sha colheita com ritos religiosos. Os caules de uma
outra espécie, que é esternutatória, a Achillea ptarmica L., outrora
considerada medicinal, mas pouco utilizada actualmente, produzem os
Che Pu, ou sejam as 50 varas utilizadas num método divinatório
praticado na China há mais de 3000 anos.

O milfólio é uma das mais importantes plantas da Farmacopeia. Nos


meios rurais, é utilizada não só devido às suas numerosas
propriedades medicinais, mas ainda para conservar o vinho,
introduzindo no tonel um pequeno saco com sementes.

o Evitar a acção do sol nas zonas da epiderme em contacto com o suco


da planta fresca. Habitat: Europa, prados, bermas dos caminhos e das
vias férreas; espontâneo no Norte e Centro de Portugal; até 2500 m.
Identificação: de O,30 a O,70 m de altura. Vivaz, caule erecto,
duro, folhoso; folhas pubescentes, compridas, tenras, com segmentos
delicadamente divididos; flores brancas ou cor-de-rosa (Maio-
Outubro), em corimbos densos, flores centrais tubulosas, entre 4 e 5
líguIas largas e curtas; aquénio esbranquiçado. Sabor acistringente
e amargo.

Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas, sementes (Ju nho-


Setembro).
O Componentes: óleo essencial, resina, tanino, alcalóide,
heterósido, ácidos orgânicos, fósforo, potássio, matérias azotadas O
Propriedades: acistringente, antiespasmódico, anti-séptico,
carminativo, cicatrizante, diurético, emenagogo, hemostático,
tónico, vulnerário. U. I., U. E. + V o Ver: acne, banho, cabelo,
celulite, circulação, ferida, greta, hemorroidas, menopausa,
menstruação, pele, reumatismo, sarna, seio, varizes.
MoranGueiro

Fragaria vesca L.

Moranga, fragária Bras.: morango

Rosáceas

Antes da frutificação, esta planta é susceptível de ser confundida


com uma outra rosácea, um falso morangueiro, Potentilla
fragariastrum Ehrh., com folhas azuladas mais vilosas, pequenas
pétalas brancas cordiformes e que não produz frutos comestíveis. No
entanto, toda a gente conhece os morangos, desde as variedades
cultivadas até à mais delicada de todas, com cheiro debar e de rosa,
o morango-silvestre. Em todos os tempos, as poesias, as canções
populares e até os filmes homenagearam os morangos inspirando-se nos
símbolos que estes representam. Os testemunhos das suas virtudes
benéficas são imensos, pois os nossos antepassados pré-históricos já
os apreciavam; Fontenelle, que viveu 100 anos, adorava-os; o célebre
botânico Lineu utilizou-os no tratamento de uma gota dolorosa. No
entanto, do ponto de vista medicinal utilizam-se principalmente os
rizomas e as folhas da planta; ricos em tanino, fazem parte de
inúmeras preparações, pois têm'propriedades diuréticas e
adstringentes. Com a infusão das folhas confecciona-se um chá muito
agradável e refrescante.
âm0 Não consumir os morangos logo que surjam sintomas de
intolerância. Habitat: Europa, bosques, bermas dos caminhos; todo o
território português; até 1600 m. Identificação: de O,05 a O,25 m de
altura. Vivaz, caule curto e viloso; folhas verde-claras, brilhantes
na face superior, mais claras e pubescentes na inferior,
trifoliadas, serradas e pecioladas; flores brancas (Maio-Junho),
cálice de 5 sépalas, alternando com os folíolos do epicálice, 5
pétalas obovadas, numerosos estames amarelos; carpelo cobrindo o
falso fruto (morango) num receptáculo carnudo, vermelho

e ovóide rizoma castanho, estolhoso. Ch,,iro agradávei e suave


(morango); sabor acIstririgente (rizoma e folha). Partes utilizadas:
folhas (Primavera), frutos e rizomas (antes do aparecimento das
folhas).
O Componentes: vitamina C, sais minerais, glúcidos, proteínas,
tanino O Propriedades: acistringente, calmante, depurativo,
diurético, tónico. U. I., LI. E. O Ver: acne rosácea, anginas,
astenia, convalescença, dentes, diarreia, ferida, greta, leucorreia,
litíase, pele, rim, sede, tez.

217
Morso-diabólico

Succisa praemorsa (Gilib.) Aschers.; sin.: Succisa

pratensis Moench

Morte-do-diaho, roída-do-diabo, morso-do-djabo,

escabiosa-mordida

Dipsacúceas

Segundo conta uma lenda, o Diabo, enraivecido por ser obrigado a


reconhecer as propriedades medicinais da planta, cortou-lhe a

raiz com uma dentada, dotando assim o morso-diabólico de um rizoma


aparentemente seccionado a alguns centímetros do caule. Quanto ao
nome de escabiosa que por vezes se lhe atribui, que deriva da
palavra latina scabies, sarna, justifica-se pela utilização da
planta na Idade Média para curar afecções da pele ou manifestações
cutâncas de doenças mais genéricas, como a peste ou a sífilis.
Desconhecido dos Antigos, o morso-diabólico era no século XVI muito
apreciado por Olivíer de Serres, que considerava úteis todas as suas
partes. Actualmente, é receitado pelos homeopatas, sob a forma de
tintura, para tratar certas dermatoses. Os fitoterapeutas utilizam
as propriedades expectorantes e

fluidificantes das flores e folhas para o tratamento de bronquites e


afecções das vias respiratórias. A raiz, depurativa e digestiva,
pode servir de base a um excelente licor. O morso-diabólico é uma
planta vivaz com

belas flores azuis que cresce nas pastagens húmidas, por vezes em
grandes quantidades, sendo apreciado pelo gado quando tenro.

Habitat: Europa, solos húmidos; espontâneo em Portugal, nos


arreivados e solos húmidos do Minho, Beiras, Estremadura e litoral
do Alentejo; até 2000 m. Identificação: de O,30 a 1,25 m de altura.
Vivaz, caule com ramos verticais, glabro ou pubescente; folhas
opostas, ovaJ-oblongas e inteiras; flores azul-violáceas
(Julho~Outubro), todas semelhantes, em capítulos solitários,
globosos, com as brácteas do invólucro herbáceas e receptáculo
guarnecido por bractéolas interflorais, cálice com limbo com 4 ou 5
dentes aristados, corola tubulosa com 4 lóbulos e

4 estames > aquénio; rizoma truncado junto do colo, escuro, não


estolhoso. Cheiro fraco e agradável. Insípido. Partes utilizadas:
suco fresco, capítulos, folhas e raiz seca.
O Componentes: heterósido (escabiósido), amido, sais minerais,
saponósidos, tanino O Propriedades: acistringente, depurativo,
estomáquico, expectorante, sudorífico, tónico, vulnerário. U. I., U.
E. + Ver: afta, asma, bronquite, dartro, pele, prurido.
Morugem-vulgar

Stellaria media (L.) Vill.

Morugerri-branca, morugem-verdadeira,

orelha-de-toupeira

Carriofiláceas

O nome desta planta é revelador de algumas das suas características:


Stellaria deriva da palavra latina stella, estrela, pois as flores
têm a forma de estrelas brancas.

A morugem caracteriza-se pelos seus caules tenros, que permanecem


rentes ao solo se este não tiver outra vegetação, só se tornando
erectos se a grande densidade da vegetação que os rodeia os
comprime, forçando-os a procurar a luz. As flores são por natureza
pouco visíveis, devido ao seu pequeno tamanho, facto que é acrescido
pela queda prematura das pétalas brancas, restando apenas o cálice
verde confundido entre a folhagem; além disso, as flores fecham~se
ao crepúsculo e em tempo chuvoso. A sua enorme vitalidade torna
possível a

existência de cinco gerações instaladas no

mesmo pé no decorrer do ano.

Os autores da Antiguidade e da Idade Média desconheciam certamente a


morugerri, pois não lhe fizeram qualquer referência; no século xix,
o fitoterapeuta bávaro Kneipp considerou-a um calmante para as

afecções das vias respiratórias. Outrora, era muito utilizada nos


meios rurais para saladas ou cozida como sucedâneo dos espinafres.

Habitat: vulgar na Europa, solos húmidos, campos, jardins, bermas


dos caminhos, frequente em quase todo o território português; até
2000 m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. Anuai, caules
tenros, em tufos, rastejantes ou ascendentes, com nós bem definidos;
folhas gialbras, inteiras, geralmente pecioladas e opostas; flores
brancas (Fevereiro-Novemb@o), pedunculadas, na axila das folhas da
extremidade do caule, em forma de estreia, 5 pétalas curtas, 3
estiletes, cápsula com 6 valvas. Sementes reniformes.

Partes utilizadas: planta fresca ou seca, suco fresco (todo o ano),


secagem à sombra e ao ar.
O Componentes: sais minerais, principalmente de silício e de
potássio O Propriedades: antilactagogo, diurético, tónico,
vulnerário. U. I., U. E. + V O Ver: anemia, contusão, convalescença,
estômago, hemorragia, hemorróidas, lactação, pele.

219
Mostarda-negra

Brassica nigra (L.) Koch (= Sinapis nigra L.)

Mostarda-preta, mostarda-ordinária

Crucíferas

Amostarda é um condimento muito conhecido e apreciado na culinária


moderna; é obtida de uma grande planta crucífera actual~ mente muito
vulgar no estado espontâneo em toda a Europa. Porém, em épocas
anteriores à intervenção do homem na expansão da sua cultura só
existia nos países mediterrânicos e no Oeste da Ásia. Teofrasto
alude à sua cultura no século IV a. C.; é a mostarda do Evangelho;
Columela refere-se à sua

utilidade como condimento, que era então constituído pelas folhas


conservadas em vinagre. O emprego da massa condimentar obtida pela
trituraçã o das sementes em agraço ou em mosto de uvas difundiu-se
cerca do século XIII, e a palavra *mostarda+, mosto ardente, isto é,
picante, surgiu pela primeira vez num texto datado de 1288. A
mostarda é actualmente um dos mais divulgados condimentos no
Ocidente; a espécie próxima Sinapis alba L., mostarda-branca >
com sabor menos intenso, é cultivada para abastecer a indústria
alimentar.

Em doses moderadas, este condimento estimula a digestão; deve ser


excluído da alimentação dos dispépticos, pois é irritante.

C Não deve ser usada por doentes com infla~ mações das vias
urinarias e do tubo digestivo, sendo proibida a dispépticos; a
temperatura da água destinada à preparação dos sinapismos não deve
ser superior a 50'C; conservar a farinha em local seco. Habitat:
Europa Central, Ocidental e Meridional; em Portugal, além de
cultivada, surge espontânea no Minho, Estremadura e Alentejo; até
1000 m. Identificação: de O,20 a 1 m de altura. Anual, caule erecto,
ramos patentes; folhas pecioladas, liradas; flores amarelas (Abril-
Junho) em

cachos terminais em corimbo, abrindo-se uma a uma e precedendo o


crescimento do escapo floral, que imediatamente se cobre de síliquas
com rostro curto e que contém várias sementes castanho-escuras.
Partes utilizadas: sementes (maturação).
O Componentes: heterósido azotado (sinigrásido), mucilagem,
alcalóides, enzima O Propriedades: mostarda-negra: revulsivo,
vomitivo; mostarda-branca: purgativo. U. L, U. E. + O Ver: banho,
bronquite, congestão, intestino, nevralgia, pé, pulmão, reumatismo.
Murta

Myrtus communis (L.) Herm.

Murta-ordinária, murta-dos-j ardi n s, murteira

Mirtáceas

A murta é um arbusto muito glosado pelos poetas; é o myrtos dos


Gregos, que o ofertavam aos seus mortos e que Electra reclamava para
os manes de seu pai, Agamémnon: *Nem libações nem ramos de murta ...
+

Símbolo da glória e do amor feliz, com a

murta se entrançavam as coroas para os heróis que recebiam o ovatio


e para as desposadas. É ainda a murta do Antigo Testamento, usada em
grinalda nas bodas pelas jovens de Israel.

A madeira dos seus caules incensou inúmeras cerimônias religiosas.


Das suas folhas e flores destiladas fazia-se uma água famo- sa, a
água-de-anjo, utilizada como produto de beleza. Na Córsega, onde a
murta cresce, como em todas as regiões do Mediterrâneo, em matas ou
em charnecas, é muito vulgar um licor com virtudes estomáquicas
obtido pela maceração das bagas.

Este arbusto sempre verde desenvolve-se em moitas fechadas, cobertas


de folhas brilhantes e aromáticas que, observadas à transparência,
revelam a existência de pequenas glândulas; a partir de Maio, as
flores brancas desabrocham, formando pequenas borlas perfumadas, e
no Outono amadurecem as bagas escuras.

Habitat: litoral da Europa Mediterrânica, matas, charnecas;


espontânea nos matos, sebes, charnecas do Centro e Sul de Portugal;
também é cultivada; até 800 m. Identificação: de 2 a 3 rn ou mais de
altura. Arbusto; caule muito ramificado; folhas persistentes,
coriáceas, brilhantes, opostas 2 a 2, raramente 3 a 3, lanceoladas,
inteiras, subsésseis, providas na espessura do limbo de glândulas de
essência, visíveis à transparência; flores brancas (Maio-Julho),
pedunculadas, solitárias na axila das folhas, 5 pétalas e 5 sépalas,
estames numerosos e compridos, estilete saliente; baga negra. Cheiro
aromático, apimentado (flores); sabor desagradável e resinoso
(bagas). Partes utilizadas: folhas (Agosto), frutos (Setembro-
Outubro), essência, flores.
O Componentes: tanino, óleo essencial, resina, ácidos (cítrico,
málico), vitamina C O Propriedades: acistringente, anti-séptico. U.
L, U. E. + Ver: banho, bronquite, constipação, contusão, ferida,
hálito, hemorroidas, leucorreia, psoríase, sinusite, tosse.
Musgo-da-córsega

Alsidium helminthocorton (Latourette) Kurtz

Alga-da-córsega

Rodomeláceas

O homem dedicou-se desde os mais remo- tos tempos à pesquisa de


antiparasitários, nomeadamente para os vermes intestinais. O

reino vegetal forneceu-lhe um determinado número, como, por exemplo,


a artemísia, o santónico, o tanaceto, alguns fetos e algas, de entre
as quais o musgo-da-córsega, designação absolutamente errada, pois
esta planta nada tem de comum com os musgos. A designação
corresponde, na realidade, a um conjunto de 22 pequenas algas-
vermelhas. Cresce em grande abundância nas costas mediterrânicas e
tem o aspecto de uma almofada com filamentos delgados e emaranhados;
a colheita deve ser feita, de preferência, com um ancinho, sendo
conveniente em seguida libertar as algas de todas as conchas que a
ela se prendem.

Já conhecido por Teofrasto, muito utilizado na Idade Média, este


vermífugo parece ter caído no esquecimento no decorrer dos séculos
seguintes, e só em 1775 um médico grego, Stephanopoli, chama de novo
as atenções para o Alsidium helmiiithocortoti (Latourette) Kurtz e o
divulga com o nome actual. Rico em iodo, é um óptimo estimulante
para o funcionamento da tireóide. Segundo a tradição, era
frequentemente utilizado por Napoleão.

O musgo-da-córsega é usado actualmente sob as mais diversas formas:


em decoeção, em pó ou em leite vermífugo, sendo muito bem tolerado
pelas crianças.

Habitat: rochedos das costas da Provença e da Córsega.


Identificação: de O,02 a O,04 m de altura. Alga, talo vermelho-
escuro, ramificado em filamentos rastejantes, entrelaçados, e mais
tarde erectos, frágeis, dicótomos, cilíndricos, carnudos; raros
cistocarpos, subglobosos, colocados nas extremidades dos talos;
provido de rizóides. Cheiro intenso a iodo; sabor salgado. Partes
utilizadas: talo (todo o ano); secagem rápida ao sol; conservar seco
em caixas de madeira.
O Componentes: substâncias mucilaginosas e

resinosas, iodo, ferro, cálcio, sódio O Propriedades: vermífugo, U.


L, U. E. + Ver: bácio, parasitose.
Não-me-esqueças

Myosotis scorpioides (L.) HilI, ssp. palustris (L.)

Herm,

Bras.: miosótis

Borragináceas

Uma lenda persa narra que um anjo expulso do Paraíso por estar
apaixonado por uma mortal teve como penitência a tarefa de semear o
encantador não-me-esqueças em

todo o Mundo. Cumprida a penitência, regressou com a companheira


coroada com as mesmas flores que haviam espalhado pela Terra, e
junto dela, tornada por sua vez imortal, reencontrou a paz eterna do
Paraíso. E é certamente nesta lenda que se encontra a explicação
para o nome vulgar da planta, comum a muitas línguas em todo o
Mundo, evocação do amor fiel e eterno: *Ame-me; não me esqueça. @> Ao
longo de todo o Ve~ rão, o azul singelo pontilhado do amarelo das
suas corolas invade os solos húmidos. Muitos poetas cantaram esta
flor pela sua beleza e pelo símbolo de amor que representa.

Além disso, o não-me-esqueças é útil sob outros aspectos; seco,


revela-se um excelente sucedâneo do meliloto para as inflamações dos
olhos; nos anos 60, o Prof. Léon Binet, da Faculdade de Medicina de
Paris, recomendou-o como antiasténico eficaz nas manifestações
funcionais de atonia, devido à sua riqueza em sais de potássio.

Habitat: comum na Europa, arribas e taludes, prados alagados; até


2000 m. Identificação: de O,15 a O,40 m de altura. Vivaz, caule
anguloso, muito folhoso; folhas tenras, obiongas, lanceoladas, com
pêlos duros, extremidade obtusa, envolvendo o caule, flores azuis
(Maio-Agosto), agrupadas em espigas terminais espiraladas, corolas
com iimbo plano, com 5 lóbu@os. de 5 a 8 mm de largura, cálice
coberto de pêlos curtos encostados, esWete comprido; ovário com 4
carpelos livres, trígonos lisos >torça oblíqua, rastejante,
esbranquiçada, estolhosa. Cheiro herbáceo.

Partes utilizadas: folhas, sumidades floridas (Maio-Agosto), secagem


em ramos suspensos.
O Componentes: potássio O Propriedades: anti-infiamatório, sedativo,
tónico. U . L, U. E. Ver: astenia, conjuntivite, olhos, ouvido.
Narciso-trombeta

Narcissus pseudo-narcissus L.

Narciso-bravo Bras.: narciso-dos-prados, narciso

Amarilidáceas

O narciso-trombeta é uma flor primaveril e

das mais populares nas regiões onde cresce; a maioria das vezes o
entusiasmo da colheita impede que se pense na toxicidade do seu

bolbo, que não deve ser arrancado com as mãos desprotegidas, pois é
de facto um perigo real. O perfume das flores provoca também uma
espécie de sonolência que a

própria palavra *riarciso+ evoca, pois deriva do grego narkè, sono.


Narciso é ainda o fascinante jovem que, ao contemplar-se na

água de uma fonte, se apaixonou pela sua própria imagem; desesperado


por não poder apoderar-se de si próprio, entristece e morre

de desgosto (só ressuscitando nas palavras dos poetas e nos


conceitos dos psiquiatras e

dos psicanalistas).

Dioscórides foi, de entre os autores antigos, o primeiro a assinalar


o poder vomitivo do bolbo do narciso; simultaneamente, aconselhava a
sua utilização para tratar queimaduras, luxações e abcessos.
Esquecido em seguida até ao século xix, o narciso entrou, embora
tardiamente, na farmacopeia francesa devido às suas propriedades
antiespasmódicas. Planta não melífera, cultivada para ornamentação,
o seu esplendor decora, no estado natural, os prados e as matas.

O Não utilizar o bolbo, nem tocar-lhe com as mãos desprotegidas.


Habitat: Europa Central e Meridional, prados e matas pouco densos;
existe em Portugal em vários locais, desde o Minho ao Alentejo; até
2000 m. Identificação: de O,20 a O,40 m de altura. Vivaz, buiboso, 2
a 4 folhas em lacínias muito compridas, obtusas no vértice; flor
amarela (Abril-Maio), solitária, grande, pendente, espata
invaginante, cálice e corola soldados em tubo com a forma de um
funil (infunclibuliforme), de cuja base irradiam 6 divisões
petalóides, com coroa longa crenada, ovário ínfero; cápsula globosa-
trigonal; boibo ovóide, liso. Inodoro; sabor amargo e acre (boibo).
Partes utilizadas: flores secas (Março); secagem em tempo seco para
não perder as propriedades.
O Componentes: matéria gorda, cera, caroteno, óleo essencial O
Propriedades: antidiarreico, antiespasmódico, sedativo. U. 1. + Ver:
asma, diarréia, nervosismo, paludismo, tosse convulsa.
Nespereira-da-europa

Mespilus germanica L.

Rosáceas

Não sendo o orgulho dos pomares, a nespereira é uma árvore de fruto,


outrora muito apreciada, embora actualmente cresça apenas nas sebes.
Não deve ser confundida com a nespereira-do-japão, ou magnólio,
Eriobotrya J.aponica L., que pertence à mesma

família botânica e de cultura mais frequente em Portugal. As suas


flores brancas são grandes e os seus frutos assemelham-se a pequenas
maçã s castanhas encimadas por uma larga coroa de sépalas
persistentes. Quando maduros, não são comestíveis, sendo necessário
esperar que estejam sorvados, pois adquirem então um sabor
agradável.

Muito pouco se sabe das utilizações da nespereira-da-curopa na


Antiguidade, pois a árvore foi motivo de inúmeras confusões. A
partir da Idade Média. os seus frutos foram utilizados para tratar
febres e diarreias; devido às suas propriedades acistringentes, são
eficazes para regularizar as funções intestinais; os frutos frescos
são bem digeridos mesmo pelos estômagos delicados. Preparam-se com
os frutos compotas e xaropes.

Habitat: Sul e Sudoeste da Europa, rara nas regiões mediterrânicas,


florestas, bosques pouco densos, sebes; é uma planta pouco cultivada
em Portugal; até 800 m.

Identificação: de 3 a 6 m de altura. Arbusto; tronco sinuoso, ramos


com pêlos e espinhos; folhas grandes, simples, inteiras ou
ligeiramente dentadas, com pecíolos curtos, baças e glabras na
página superior, ligeiramente pubescentes na inferior; flores
brancas (Maio-Junho), de 3 cm de diâmetro, solitárias, subsésseis,
rodeadas por folhas grandes nas extremidades dos ramos, 5 sépalas
compridas, persistentes, e 5 pétalas onduladas, numerosos estames,
ovário ínfero; pomo bronzeado, achatado na extremidade, coroado
pelas sépalas, 5 caroços com 1 semente ovóide e comprimida. Partes
utilizadas: frutos (após as primeiras geadas), caroços, folhas,
casca; apanhar os frutos sorvados.
O Componentes: tanino, ácidos (acético, cítrico, fórmico, málico,
tartárico), matérias pécticas, açúcar, vitamina C O Propriedades:
adstringente, diurético. U. L, U. E. V Ver: afta, boca, diarreia,
estômago, ferida, pele.

225
Nieveda

Calaminiha officinalis Moench. Erva-das-azeitonas, calaminta

Labiadas

Da mesma família das mentas e dotada de um aroma semelhante, foram


durante muito tempo confundidas; no entanto, as flores da nêveda são
muito maiores e mais separadas umas das outras. Esta confusão é
ainda justificada pela palavra Calamintha, que deriva do grego kalé,
belo, e minthê, hortelã. A planta, muito conhecida na Antiguidade e
na Idade Média, era usada como remédio para os zumbidos do ouvido,
as eructações, os soluços, as dores abdominais e os espasmos de
origem nervosa, sendo também utilizada como tónico, digestivo e
estimulante. Aemilius Macer, em 1477, louvava ingenuamente o efeito
curativo da nêveda contra a elefantíase, <espécie de lepra que
excede qualquer doença@, do mesmo modo que o elefante sobressai
entre os outros animais, Em 1890, Cadéac nota que os animais que
pastam a

nêveda *têm um aspecto animado e inteligente, parecem felizes com a


sua vitalidade, deslocam-se com prazer, passeiam com orgulho, têm um
porte altivo e domínador, A análise química da planta não revela
qualquer substância susceptível de produzir tão espectaculares
resultados.

Habital: Sul de Inglaterra, Europa Central; em Portugal, é frequente


nos locais secos e áridos; até 1500 m. Identificação: de O,15 a O,30
m de altura. Vivaz, ramificada; caule herbáceo; folhas pecioladas,
finamente serradas; flores cor de púrpura (Julho), de 10 a 12 mm,
pediceladas sobre um pedúnculo comum, cálice erecto com dentes
desiguais, celheados, corola mais comprida, com o lábio inferior
trilobulado. Cheiro semelhante ao da hortelã e da erva-cidreira.
Partes utilizadas: caule com folhas e flores (Julho); secagem à
sombra.

O Componentes: essência, enzimas O Propriedades: antiespasmódico,


estomáquico, tónico. U. 1. + Ver: acufenos, aerofagia, digestão,
espasmo, estômago, fadiga, soluço.

226
Nêveda-dos-gatos

Nepeta caiaria L. Ervd-clos-gatos, erva-,-ateira, catéria

Bras.: mentrasto

Labiadas

A planta - cujo nome de espécie botânica, cuiaria, deriva do latim


catus, gato - exerce uma irresistivel atracção sobre estes felinos,
e, ao contrário da valeriana, que é dotada do mesmo poder, mas tem
um cheiro desagradável, a nêveda-dos-gatos exala um perfume a
hortelã muito agradável.

Esta planta vivaz, originária do Mediterrâneo Oriental, foi durante


muito tempo cultí~ vada para usos medicinais; mais tarde, escapou-se
dos jardins, disseminando-se caprichosamente por diversos locais.
Encontra-se facilmente nos entulhos, nas bermas dos cami:nhos. sebes
e nos arredores dos cemitérios. A nêveda-dos-gatos assemelha-se à
melissa, ou erva-cidreira, diferenciando-se, no entanto, facilmente
devido às suas flores cor-de-rosa com cachos terminais e ao lábio
inferior, concavo e trilobado das suas corolas. É uma planta
calmante e digestiva, com a qual se preparam óptimas tisanas. Para
aliviar uma dor de dentes, podem mastigar-se algumas folhas frescas
de nêveda-dos-gatos. Em medicina popular, emprega-se em casos de
bronquite crónica e para a diarreia. E, evidentemente i

se houver um gato em casa, é aconselhável esfregar com a planta o


pedaço de madeira onde se pretende que ele afie as unhas.

Habitat: Europa, excepto em altitude; em Por~ tuga), de Trás-os-


Montes ao Alentejo; terrenos baldios, bermas, locais pedregosos.
Identificação: de O,50 a 1 m de altura. Vivaz; caule viloso,
acinzentado, erecto, ramoso; folhas pecioladas, largas (2 a 5 cm),
crenado- -serradas, verde-acinzentadas na página superior,
esbranquiçadas na inferior, cordiforme-ovadas; flores brancas
pontuadas de cor de púrpura (Junho-Setembro), em verticilos densos,
cálice viloso quase recto quinquedentado ou quinquefundido, corola
ultrapassando levemente o cálice, com lábio superior chanfrado,

lábio interior côncavo, trilobado, 4 estames, dos quais 2 mais


compridos; 4 aquénios trigonos, castanhos, lisos. Cheiro forte;
sabor amargo, picante e acre. Partes utilizadas: sumidades floridas
(Junho-Setembro), planta inteira (Verão).
O Componentes: carvacrol, timol, lactona, ácido nepetálico O
Propriedades: antiespasmódico, carminativo, emenagogo, estomáquico,
tónico, vulnerário. U. L, U. E. + o Ver: dentes, estômago, ferida,
menstruação, nervosismo, soluço, sono, tosse, tosse convulsa.
Norça-preta

Tamus communis L.

Uva-de-cão, arrebenta-boi, ramo, baganha

Dioscoriáceas

Seria difícil imaginar, ao observar o frági caule da norça-preta


enrolado em volta da árvores ou revestindo os pilares dos cara

manchões, que é a única planta europei aparentada com os inhames


tropicais; as rai zes de ambos, semelhantes a volumoso nabos, são
extremamente parecidas. Pc vezes muito carnudas, podem atingir várie
quilos de peso. Como a raiz do inhame, muito tóxica quando crua; no
entanto, é po@ sível ingeri-Ia sem consequências graves apé demorada
cozedura em várias águas. D ponto de vista medicinal, apenas o uso
ex

terno da planta foi mantido. O rizoma, mo

do, amassado, fervido e aplicado em cat@ plasma sobre as contusões,


faz desaparece o rubor e os hematomas. Celso, médic latino
contemporâneo do imperador Augustc

secava a planta, obtendo um pó insecticid@

Obedecendo ao princípio de tratar o m, com o mal em doses


infinitesimais, os hc meopatas receitam por vezes, para as insc
lações, uma tintura extraída da norça-pret@

Os frutos são pequenas bagas brilhante muito apreciadas pelos tordos


e melros. absolutamente necessário avisar as crianç@ de que estas
bagas, facilmente confundi& com groselhas, são venenosas e muito per
gosas.

O Não engolir. Habitat: Europa Central e Meridional, orlas dos


bosques, moitas; em quase todo o território português, nas margens
dos campos e sebes; até 1200 m. Identificação: de 2 a 4 m de altura.
Vivaz, caule herbáceo, cilíndrico, delgado, volúvel, sinistrorso,
ramoso, desprovido de gavinhas; folhas alternas, pecioladas,
simples, ovado-cordiformes, com a ponta para baixo, verdes,
brilhantes, finas, com 5 a 7 nervuras; flores verde-claras (Março-
Julho), dióicas, em espigas frouxas, na axila das folhas, sendo as
femininas curtas e as

masculinas compridas; baga vermelha e brilhante; raiz volumosa e


tuberosa, napiforme, carnuda, escura externamente e de fractura
esbranquiçada. Cheiro suave; sabor acre, amargo (raiz), acídulo e
depois ardente (baga). Partes utilizadas: rizoma (Dezembro);
conservar no estado fresco, mergulhado em areia, ou cortado em
rodelas e seco no forno.
O Componentes: oxalato de cálcio, substância de tipo histamínico,
mucilagem, glúcidos O Propriedades: hemolítico, resolutivo. U. E. +
Ver: artrite, contusão.
Noveleiro

Vibiít-tití@?i opulus L.

Bola-de-neve, rosas-de-gueldres

Bras.: espinhei ro- negro

Caprifoliáceas

Este arbusto de 3 a 4 m de altura reconhece-se facilmente devido às


suas flores desiguais, dispostas numa falsa umbela; as da periferia
são bastante grandes, brancas e estéreis; as restantes são pequenas,
porém completas e fecundas. Existe uma variedade hortícola de
noveleiro cujas flores são todas grandes, estéreis e agrupadas numa
inflorescência esférica: é o Viburnum opulus L., var.

sterile DC., cultivado nos jardins e parques.

Viburnum deriva da palavra latina vincio, eu entranço, eu ligo, e de


facto certos ramos desta planta, extremamente flexíveis, podem ser
utilizados como os do vimeiro. Opulus é o nome latino do ácer,
existindo na realidade uma analogia entre as folhas destes dois
arbustos. Os frutos, que amadurecem em Setembro, de cor vermelha
intensa e do

tamanho de ervilhas, são venenosos para o homem, sendo ingeridos


pelas aves apenas em épocas de escassez. No entanto, em alguns
países balcânicos são preparados em compota e utilizados como
condimento. A sua madeira só serve para aquecimento; os caules são
utilizados no fabrico de tubos para cachimbos. O noveleiro não ocupa
lugar de relevo na história da medicina. Apenas a casca e muito
raramente a flor são utilizadas.

Habital: Europa, excepto na região mediterrânica, locais frescos,


sebes, bosques abertos, especialmente solos calcários; cultivado em
Portugal; até 1400 m. Identificação: de 3 a 4 m de altura. Arbusto;
casca cinzento-clara e seguidamente amarelo-acastanhada, fendida
longitudinalmente; ramos frágeis e glabros; folhas opostas,
pecioladas, com estipulas delicadas e 3 lóbulos dentados; flores
brancas (Maio-Junho), em falsa umbela, com 6 a 7 raios, sendo as
exteriores estéreis e as centrais pequenas e férteis; baga globosa
com 1 semente vermelha quando

madura. Inodoro. Partes utilizadas: casca seca e, por vezes, as


flores.
O Componentes: resina, ácidos, açúcares, tanino, heterásido,
antocianina, princípio amargo
O Propriedades. antiespasmódico, sedativo. U. 1. Ver: menopausa,
menstruação.

229
Onagra

Oenothera biennis L.

Erva-dos-burros, zécora, canárias

Bras.: minuana

Enoteráceas

Originária da América do Norte e importada da Virgínia, a onagra


surgiu na Europa em 1619 num jardim de Pádua. A partir de então,
difundiu-se por todo o continente, onde se adaptou tão bem como
qualquer das plantas indígenas. O seu único caule, erecto,
ligeiramente ou nada ramificado, é guarnecido por folhas alternas e
possui longos escapos florais amarelos, em forma de funil, que se
abrem ao entardecer, assim permanecendo durante duas noites
consecutivas, pelo que os Ingleses lhe chamam evening star, estrela
da tarde. O pólen é transportado pelas abelhas e pelas borboletas
nocturnas. A raiz, carnuda e avermelhada, é por vezes cozinhada do
mesmo modo que a do cersefi; segundo um antigo provérbio alemão, uma

libra (cerca de 500 g) de raiz de onagra alimenta mais do que um


quintal de carne de vaca! A origem do nome Oenothera pode explicar-
se de diversos modos: das palavras gregas onos, asno, e thera,
presa, correspondendo assim ao nome vulgar de erva-dos-burros, ou
ainda de oinos, vinho, e thèi-, anirinal selvagem, pois uma infusão
da raiz em vinho amansava as feras. Os caracteres genéticos
particulares da onagra tornaram-na útil para a investigação das leis
da hereditariedade.

Habitat: Europa, jardins, escarpas, vias férreas, terrenos baldios,


ribanceiras; cultivada e subespontânea em várias regiões de
Portugal; até 1000 m. Identificação: de O,40 a 1,50 m de altura.
Bienal, caule erecto, quase simples e folhoso; folhas pubescentes,
ovais, aiongadas, pontiagudas, sé sseis, sendo as da base
pecioladas; flores amarelas (Junho-Setembro), grandes, em espiga
erecta de floração nocturna, 4 pétalas em taça, chanfradas no
vértice, 4 sépalas estreitas, permanecendo frequentemente soldadas
pela ponta, 8 estames em forma de T e 4

estigmas em cruz; cápsula espessa, erecta, séssil, 4 valvas,


numerosas e pequenas sementes; raiz carnuda e avermelhada. Cheiro
suave (flor) a vinho (raiz); sabor agradável (raiz). Partes
utilizadas: raiz e folhas.
O Componentes: mucilagem, tanino O Propriedades: antiespasmódico,
depurativo. U. 1. Ver: espasmo.
Orégão-vulgar

Origanum vulgare L. Manjerona-brava, m anjerona-selv agem

Bras.: orégano

Labiadas

No estado espontâneo, o orégão é uma planta da montanha, como indica


o nome, derivado das palavras oros, montanha, e ganos, esplendor; o
orégão chegou à actualidade através da história dos simples, porém
sempre acompanhado de uma certa imprecisão científica; os textos
médicos antigos fazem efectivamente numerosas referências a um
oregão com flores brancas cujas corolas são cor-de-rosa-púrpura, que
não corresponde ao orêgão-vulgar. Além disso, é frequentemente
confundido com a manjerona, que, no

entanto, só sobrevive nos climas europeus quando cultivada. Porém,


as propriedades medicinais do orégão contidas nas sumidades floridas
são irrefutáveis; os fitoterapeutas utilizam-nas, estando a maioria
das suas importantes virtudes ligada a uma acção estimulante sobre o
sistema nervoso. Possuem ainda uma acção antálgica; uma pequena
almofada feita com as sumidades floridas recentemente colhidas e
aquecidas durante um breve momento numa frigideira alivia qualquer
torcicolo. Destas sumidades floridas também se pode obter uma bebida
doce, aperitiva, digestiva e béquica pela maceração de 50 g em 1 1
de vinho durante 10 dias. Cheiro aromático, sabor amargo.

superior erecto e chanfrado, sendo o inferior trilobado, e 4 estames


divergentes; tetraquénio, sendo cada uma das partes ovóide e lisa;
rizoma rastejante, escuro e com raízes fibrosas. Partes utilizadas:
folhas, sumidades floridas.
O Componentes: óleo essencial, tanino, resina, goma O Propriedades:
antálgico, antiespasmódico, anti-séptico, emenagogo, estomáquico,
expectorante, parasiticida, tónico. U. I., U. E. + V O Ver:
aerofagia, apetite, boca, cabelo, celulite, dentes, epilepsia,
estômago, ftiríase, menstruação, nevralgia, torcicolo, tosse,
traqueíte.

231
Papoila

Papaver rhoeas L.

Papoila-ordinária, papoi 1 a-das- searas, papoila-vermelha, papoila-


rubra, papoila-brava

Bras.: papoula

Papaveráceas

Os herbicidas selectivos expulsaram-na das searas, onde as suas


frágeis pétalas de um vermelho intenso estremeciam entre as espigas
douradas. Actualmente, a papoila acolhe-se ao longo das estradas e
das vias férreas. Planta anual, tem uma vida curta e não tardará a
tornar-se rara, como muitas outras ervas daninhas infestantes das
searas.

Originária do Mediterrâneo Oriental, a

papoila parece ter sido introduzida na Europa com a cultura dos


cereais. Utilizada desde os mais remotos tempos, esta flor peitoral
faz parte actualmente da mistura das sete plantas que constituem a
*tisana das quatro flores, É conveniente respeitar as doses
prescritas, pois em doses elevadas pode tornar-se tóxica.

Se bem que a atraente cor destas frágeis flores incite a colhé-las


em ramos, é necessário identificar com exactidão as suas
características distintivas, pois para fins terápétiticos não são
indicadas as flores de cor mais desmaiada e mais pequenas com
cápsula pilosa ou estrangulada no vértice.

O Respeitar as doses indicadas. Habitat: Europa; frequente em quase


todo o País; até 1700 m. Identificação: de O,25 a O,80 m de altura.
Anual, caule erecto, piloso, ramoso, com látex esbranquiçado; folhas
vilosas, recortadas em lóbulos lanceolados triangulares, sendo as
inferiores muito recortadas; flores vermelhas, frequentemente
maculadas de preto na base (Maio-Julho), solitárias na extremidade
de um comprido pedúnculo, efémeras, cálice com 2 sépalas, corola com
4 pétalas, com pré-floraçao enrugada, estames preto-azulados,
cápsuIa curta, ovóide, glabra, deiscente por poros abertos sob o
disco estigmatífero, numerosas sementes pretas. Cheiro pouco
intenso, viroso; sabor amargo. Partes utilizadas: pétalas (na
floração), dispor em camadas finas, conservar em seco.
O Componentes: vestígios de alcalóides, pigmentos antociânicos O
Propriedades: antiespasmódico, emoliente, hipnótico, peitoral,
sedativo, sudorífico. LI. I., LI. E. + V UZ Ver: anginas, bronquite,
cólica, nervosismo, ruga, sono, tosse.
Parietária

Parietaria officinalis L.

Alfavaca-de-cobra, erva-das-muralhas, erva-fura-paredes, erva-dos-


muros, erva-de-santa-ana,

erva-de-nossa-senhora, erva-das-paredes, helxina,

cobrinha, pulitaina, pulitária

Bras.: erva-de-santa-ana

Urticáceas

É uma planta vivaz, de origem mediterrânica, que seguiu o homem até


ao extremo norte da Europa, vagueando de povoação em povoação e
instalando-se em moitas nas paredes deteriorada@. Em fitoterapia,
são utilizadas duas variedades: uma delas com caules grandes e
inflorescências densas e uma outra com caules mais difusos e
glomérulos pendentes. As suas propriedades medicinais são idênticas
e ambas podem provocar manifestações de polinose. As virtudes da
parietária são conhecidas desde a Antiguidade; no

século 1, Plínio relata a eficácia desta planta no tratamento de um


escravo que caíra do cimo de um muro. Emoliente e diurética, é mais
activa quando utilizada no estado fresco; seca, conserva apenas
algumas das suas propriedades se for guardada num frasco
hermeticamente fechado. Adicionando à parietária a cavalinha, a
urtiga-branca, a urze e

a barba de milho, prepara-se uma infusão de sabor desagradável,


utilizada no tratamento da cistite. A planta tem cheiro insípido e

sabor a erva, ligeiramente salgado.

Habitat: Europa; em todo o País; até 700 m Identificação: de O,10 a


O,30 m de altura. Vivaz, caule avermelhado, erecto ou difuso (isto
é, com os ramos dispostos sem ordem e bastante abertos), por vezes
pendente, pubescente; folhas alternas, pecioladas, inteiras, ovais
ou em forma de losango, finas, com 2 ou
3 nervuras guarnecidas na página inferior de pêlos aderentes; flores
esverdeadas (Junho-Outubro), com glomérulas em grupos de 5 a 6 na
axila das folhas, pequenas, acompanhadas de brácteas inteiras ou
celheadas, hermafroditas ou unissexuadas, estando as femininas
sempre

situadas no centro, 4 sépalas, 4 estames, 1 ovário unilocular, 1


estilete terminado por 1 estigma plumoso, aquénio pequeno, preto,
brilhante e comprimido; toiça vivaz e robusta. Partes utilizadas:
parte aérea da planta, folhas mondadas, suco; secagem rápida à
sombra.
O Componentes: nitrato de potássio, cálcio, pigmentos flavónicos,
enxofre, mucilagem O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente,
ref rescante. U. L, U. E. + V o Ver: albuminúria, cistite, dentes,
edema, hemorróidas, litíase, sarda.

233
Pé-de-leão

Alchemilla vulgaris L. (sensu lato)

Rosáceas

A abundância de orvalho que as grandes folhas do pé-de-leão retêm


durante a noite torna-o facilmente reconhecível. Este orvalho era
outrora muito apreciado pelos alquimistas, que o utilizavam com a
designação de água celeste, além de muitos outros ingredientes, na
sua infatigável procura da pedra filosofal. Actualmente, considera-
se de grande requinte secar estas folhas sem quaisquer precauções e,
juntamente com algumas folhas de primavera, adicioná-las ao chá da
China para lhe dar um paladar leve e refinado.

O pé-de-leão, pequena planta vivaz das zonas frescas e húmidas, não


aparece na região mediterrânica. Encontra-se em Portugal,
principalmente no Alto Alentejo. Outrora considerado sagrado na
Islândia, teve durante todo o Renascimento a fama de restituir a
virgindade e devolver a beleza aos seios flácidos devido à idade ou
à maternidade. Embora seja improvável que o pé-de-leão produza estes
resultados, a sua utilizaçao foi reconhecida pela medicina moderna
para a solução de grande número de problemas relacionados com a
saúde e a beleza femininas.

Habitat: Europa, sobretudo nas montanhas, prados e clareiras; entre


100 e 2600 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura. Vivaz,
caule verde-claro raiado de vermelho, delgado; folhas grandes, quase
circulares, de 7 a
11 lóbulos serrados, plicados e com estipulas; flores verde-claras
(Maio-Outubro), minúsculas, em cimeira corimbiforme difusa,
apétalas, cálice com 4 sépalas simulando a corola, epicálice com 4
dentes, 4 estames curtos e 1 estilete; fruto encerrado no cálice e 1
semente; rizoma enegrecido, forte, dando origem a vários caules.
lnodoro; sabor ligeiramente azedo e acre.

Partes utilizadas: toda a planta (Junho-Agosto).


O Componentes: ácidos orgânicos, tanino, lilu nho-Ag os3’ tann O,
lio p pidos, glúcidos, saponósidos, resina O Pro- ;
ropriedades: acistringente, anti-inflamatório, cicatrizante,
estomáquico, sedativo, vulnerário. U. I., U. E. + V O Ver: anginas,
arteriosclerose, conjuntivite, contusão, diabetes, diarreia,
enxaqueca, estrias cutâneas, ferida, leucorreia, menopausa,
menstruação, meteorismo, obesidade, parto, prurido, seio.
Pepino-de-são-gregÓrio

Fcbaliffim elaierium A. Rich.

Momórdica, pepino-selvageni

Cucurbitáceas

O Ecballium é citado nos manuais de botânica como exemplo da


deiscência brusca de um fruto. Não é fácil imaginar uma cápsula
verde, com o volume de uma bolota grande, que bruscamente se separa
do pedúnculo e

projecta ruidosamente a longa distância uma

substância mucilaginosa que contém as sementes, lançando


simultaneamente o invólucro vazio na direcção oposta, a 1 m de
distância; este surpreendente fenômeno é causado pela pressão do gás
contido no interior. Planta dos países mediterrânicos, era já
utilizada pelos Egípcios, Gregos e Romanos como purgante drástico. O
uso interno e mesmo externo desta planta tem alguns riscos; assim,
um certo Dr. Dickson relata, em
1888, que, por ter colocado um fragmento de pepino~de-são-gregório
fresco entre a cabeça e o chapéu, foi acometido de fortes
enxaquecas, seguidas de cólicas e diarreia, durante um dia; e não
consumira, no entanto, a mínima parcela da planta! Actualmente, os
fitoterapeutas raramente receitam esta planta, sendo, no entanto,
utilizada, especialmente na Grã-Bretanha, numa preparação oficinal à
base do fruto denominada Elaterium.

O Não ingerir sem indicação médica, nem lhe tocar sem as mãos
protegidas. Habitat: Europa Mediterrânica, terrenos incultos,
limites de campos; Centro e Sul de Portugal em terrenos próximos de
habitações, entulhos e muros; até 400 m. Identificação: de O,20 a
O,60 m de altura, Vivaz, caule prostrado ou ascendente, glauco,
coberto de pêlos ásperos, ramos floríferos erectos; foffias
espessas, triangulares, sinuosas; flores amareladas, raiadas de
verde (Maio-Setembro), monóicas; fruto esverdeado, verrugoso-
híspido, alongado, pendente da extremidade do pedúnculo erecto, que
expulsa as sementes ao desprender-se; raiz carnuda, comprida. Cheiro
repugnante; sabor acre. Partes utilizadas: suco do fruto, raiz
fresca, cozida ou seca.
O Componentes: elaterina, cucurbitacina, ácidos gordos O
Propriedades: emético, purgativo, resolutivo, rubefaciente. U. I.,
U. E. + Ver: nevralgia, sarna.

235
Pervinca

Vinca ininor L.

Congossa, vinca

Apocináceas

Apervinca forma frequentemente Dos bosques vastos tapetes


perpetuamente verdes de onde surgem, a partir de Fevereiro, curtos
ramos sustentando flores solitárias com corolas de um raro azul. É a
flor dos feiticeiros e dos poetas e, na Idade Média, fazia parte da
composição dos filtros de amor. A sua utilização em medicina é
também muito antiga: Agricola, em 1539, aconselhava-a para o
tratamento de anginas, e Mattioli, em 1554, para as hemorragias
nasais. Durante muito tempo acreditou-se na sua eficácia para o
tratamento das doenças pulmonares. Efectivamente, a pervinca é um
óptimo tónico amargo, justificando-se o seu uso para o tratamento de
anemias vulgares, convalescenças difíceis ou falta de apetite.
Modernamente, as investigações detectaram a acção de um alcalóide
extraído da pervinca, a vincamina, que faz baixar a tensão arterial
e dilata os vasos, pelo que foi imediatamente incluída no arsenal
terapêutico. Além disso, certas substâncias extraídas de uma espécie
exótica de Vinca demonstram actualmente grande utilidade na luta
contra diversas formas de cancro.

Habital: Europa Central e Meridional, florestas, sebes, solos


argilosos ou calcários; em Portugal, sebes, margens dos rios, campos
de Bragança, Buçaco, Fundão; cultivada também como planta
ornamental; até 1300 m. Identificação: de O,15 a O,20 m de altura.
Vivaz, caule prostrado de 1 a 3 m e radicante; folhas opostas,
elípticas ou ovado-oblongas, brilhantes e persistentes; flores azul-
violáceas (Fevereiro- Maio, por vezes uma segunda floração no
Outono), solitárias, pedunculadas na axila das folhas, 5 sépalas
pontiagudas, 5 pétalas cortadas obiiquamente, 5 estames, 1 estilete,
1

estigma liso; raramente frutifica, folículo duplo com várias


sementes. Partes utilizadas: folhas mondadas (todas as estações do
ano, Março para a conservação).
O Componentes: glúcidos, sais minerais, ácidos orgânicos, vitamina
C, pectina, tanino, flavonõides, alcalóide (vincamina) O
Propriedades: acistringente, antidiabético, antilactagogo,
hipotensor, vasodilatador, vulnerário. U. L, U. E. + In Ver: anemia,
anginas, apetite, contusão, convalescença, diabetes, hipertensão,
indigestão, lactação, paludismo, vertigem.
Petasite

Petasites hybridus (L.) Gacrtri.

Compostas

A petasite forma grandes colónias junto dos regatos, à beira dos


pântanos ou no lodo das valas, geralmente locais onde a sua vigorosa
raiz encontra solos profundos e a humidade de que necessita. Esta
planta prefere os locais sombrios. O caule, oco, é guarnecido por
escamas de cor ruiva e as flores, temporãs e cor-de-rosa,
desabrocham em cachos no início da Primavera. São, porém, as enormes
folhas, semelhantes às do ruibarbo e que surgem após a floração, que
conferem à planta o seu aspecto característico e às quais deve o
nome genérico: petasos, já que para os Gregos era o nome de um
enorme chapéu.

Os fitoterapeutas utilizam diversas partes da planta para vários


fins: a infusão de folhas e flores secas alivia as irritações dos
brônquios; as cataplasmas de folhas frescas acalmam algumas dores
articulares e facilitam a cicatrização das feridas; a raiz é dotada
de propriedades antiespasmódicas, sendo utilizada pelos homeopatas
sob a forma de tintura para combater diversas formas de nevralgia.
Também se atribuem ao extracto inúmeros sucessos no tratamento da
gaguez.

Com o nome de sombreiro, aparece subespontáneo nas margens dos


ribeiros, charcos e matas das Beiras, Estremadura e Ribatejo o
Petasites fragrans (Villars) Presl., que possui flores com cheiro a
baunilha.

Habital: Europa, à beira de água, aterros; até


1400 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Vivaz, escapo
floral viloso, oco e guarnecido de escamas de cor ruiva; folhas
basilares, surgindo após a floração, enorme limbo em forma de
coração invertido, verde-acinzentado e lanoso na parte inferior,
longo pecíolo em forma de goteira; flores cor- de- rosa-vi oláceas
(Março-Maio), tubulosas, em capítulos agrupados em tirsos terminais,
alguns pés com flores hermafroditas, outros com flores hermafroditas
no centro e flores femininas na margem, receptaculo nu; aquénio
encimado por um papilho sedoso; rizoma espesso, rastelante e raiz
carnuda. Cheiro suave (raiz) e repugnante (pecioto)’sabor amargo.
Partes utilizadas: folhas e flores (Março-Maio) e raizes.
O Componentes: inulina, resina, mucilagem, tanino O Propriedades:
adslringente, diurético, emenagogo, expectorante, sudorífico,
vulnerário. U. L, U. E. + Ver: ferida, pele, tosse.

237
Pilosela

Hiera(ium pilosella L.

Pilosela-das-farrriácias, orelha-de-lebre Bras.: orelha-de- lebre,


orelha-de-rato, murugem

Compostas

O género HieraCium compreende mais de


100 espécies, subespécies e variedades muito difíceis de distinguir
umas das outras, todas plantas vivazes com flores amarelas. Apenas
cerca de uma dezena de espécies possui propriedades medicinais, de
entre as quais a mais pequena é a frágil pilosela. Nos solos
pedregosos e nos prados de altitude, forma frequentemente enormes
tapetes aveludados salpicados de capítulos amarelos, cujas flores
são substituídas no Outono por frutos encimados por sedosos e macios
papilhos. Esta planta, à qual nenhum texto antigo se refere, surge
num documento do século xil escrito pela abadessa Santa Hildegarda,
provavelmente a primeira mulher médica. A partir de então, a
pilosela não mais deixou de ser utilizada, embora prudentemente
devido à sua extrema adstringencia. Nos meios rurais, é hábito
utilizar o

seu suco fresco para fortalecer a vista e curar as feridas. O nome


do género . que pertence refere-se a esta virtude, pois Hieracium
deriva de hierax, gavião; segundo uma

crença popular, estas aves bebiam o suco da planta para fortalecer a


visão. A planta fresca tem uma acção muito eficaz no tratamento da
brucelose, tanto no homem como nos animais, e especialmente da febre
de Malta. Reduzida a pó, detém as hemorragias nasais.

Habital: Europa, excepto na região mediterrânica, solos áridos,


charnecas, aterros; em Portugal, encontra-se em terrenos secos,
arenosos ou pedregosos das zonas montanhosas de Trás-os-Montes,
Minho e Beiras; até 3000 m. Identificação: de O,10 a O,15 m e
excepcionalmente O,30 m de altura. Vivaz, acaule, pedúnculo floral
viloso e sem folhas; folhas em roseta, unidas ao solo, inteiras,
oblongas, acinzentadas na página inferior, coroadas de pêlos
setiformes e compridos; flores amarelo-claras (Maio-Setembro),
liguladas, em capítulo solitário e erecto e invólucro viloso;
aquénio encimado por um papilho de sedas iguais, simples, cinzento-
esbranqu içado, com estolhos aéreos e folhosos. Sabor amargo. Partes
utilizadas: toda a planta fresca e suco fresco (Junho-Outubro).
O Componentes: substância antibiótica, umbeliferona, mucilagem,
tanino, flavona, resina, manganésio O Propriedades: acistringente,
anli-infeccioso, colagogo, diurético. U. L, U. E. + Ver:
albuminúria, brucelose, celulite, convalescença, diarreia, edema,
enurese, epistaxe, fadiga, hemorragia, hipertensão, ureia, urina.
Pimenta-d'água

Pol)Igonum hYdropiper L. Persicária- mordaz, pensicária-urente


Bras.: potincoba, erva-de-bicho, pimenta-aquática

Poligonáceas

A pimenta-d'água é, como a bistorta e a sempre-noiva, uma


poligonácea; o vínculo familiar reconhece-se facilmente devido aos
caules nodosos e às folhas alternas e inteiras, providas, no ponto
de inserção, de pequenas bainhas celheadas; as folhas são
semelhantes às do pessegueiro. As minúsculas flores sem corola e
inodoras da pimenta-d'água são picantes e queimam a língua, aliás
como toda a planta, que, seca e pulverizada, pode substituir para
fins culinários a pimenta. Supõe-se que os homens da Pré-História já
utilizavam as sementes para condimentar os alimentos. Dioscórides e
Galeno aconselhavam a sua utilização como revulsivo; no
Renascimento, a medicina considerava que as manchas cor de ferrugem
das folhas eram indicadoras de uma propriedade hemostática,
curiosamente confirmada aquando de um estudo sistemático que
detectou também uma acção vasoconstritora. A pimenta-d'água deve ser
utilizada fresca. Para uso externo, as espécies Poly,gonum
persicaria L. e Polygonum miteschrank, ambas insípidas, podem
substituir a espécie acre.

O Em uso interno respeitar as doses. Habitat: Europa temperada,


ribanceiras, à beira de água quase todo o País; até 1200 m.
ldentific@ção: de O,20 a O,80 m de altura. Anual, caule florífero,
erecto ou ascendente, avermelhado e nodoso; folhas alternas, lisas,
verdes, por vezes manchadas de cor de ferrugem, lanceoladas ou
lineares, atenuadas na base, bainhas (ócreas) glabras com celhas
curtas; flores branco- esverdeadas ou rosadas (Julho-Outubro),
pequenas, espigas delgadas, axilares, frouxas, arqueadas,
inclinadas, 5 sépalas cobertas de pontos amarelos transparentes
(glândulas), sem corola, com 6 a 8 estames; fruto escuro, rugoso,
ovóide ou trígono, pontuado, cálice persistente e 1 semente; raiz
fibrosa. Sabor apimentado. Partes utilizadas: toda a planta, fresca
(Verão).
O Componentes: tanino, óleo essencial, heterásidos, ácido gálico,
ferro O Propriedades: acistringente, depurativo, diurético,
hemostático, revulsivo, vasoconstritor. U. I., U. E. + Ver:
bronquite, edema, ferida, hemorragia, hemorróidas, litíase,
menopausa, menstruação, reumatismo, varizes.

239
Pimpinela

Sanguisorba minor Scop. Pimpinela-hortense, pimpinela-menor

Rosáceas

Apimpinela foi desde sempre alvo de uma


certa confusão devido em parte às sucessivas designações que lhe
foram atribuídas no decorrer dos séculos. Os Romanos já denominavam
esta pequena rosácea Pimpinella, em alusão ao seu papel condimentar,
de piper, pimenta. Mais tarde, Lineu retirou-lhe este nome, que
destinou à Pimpinella magna (uma umbelífera), e chamou-lhe Poterium
sanguisorba L., nome que conservou durante um determinado período.
Tempos depois, pareceu lógico reunir no género Sanguisorba as duas
espécies de pimpinelas, a menor e a

oficinal, tendo esta última adoptado o nome

de Sanguisorba officinalis L., enquanto a

menor conservava o de Sanguisorba minor scop.

Esta última, aqui representada na gravura, é uma planta espontânea e


graciosa com as suas pequenas inflorescências compactas, verdes do
lado da sombra e tornando-se púrpuras no lado virado ao sol; não tem
néctar ou perfume. A pimpinela detém as hemorragias, sendo também
diurética e muito útil em perturbações do aparelho digestivo.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte, prados, solos incultos e


áridos; frequente em quase todo o País; até 1800 m. ldentificaçâo:
de O,20 a O,70 m de altura. Vivaz, caule anguloso, erecto, por vezes
prostrado e frequentemente avermelhado; folhas verde-claras,
compostas, com 9 a 25 folfolos ovais, e serradas; flores esverdeadas
(Maio-Junho), monóicas, sem corola, com capítulos compactos,
ovóides, terminais: num mesmo capítulo, flores superiores femininas,
com 2 a 3 carpelos e 2 a 3 estigmas plumosos cor de púrpura, sendo
as médias bissexuadas, com 4

estames, e as inferiores masculinas, com 15 a


30 estames muito salientes; fruto indeiscente, com superfície
enrugada, contendo 2 ou 3 sementes; toiça sublenhosa. Cheiro
herbáceo e suave; sabor a pepino salgado. Partes utilizadas: planta
inteira.
O Componentes: tanino, óleo essencial, vitamina C O Propriedades:
adstringente, carminativo, digestivo, diurético, hemostático,
vulnerário. U. L, U. E. + úy Ver: diarréia, ferida, hemorragia,
hemorroidas, menopausa, meteorismo, queimadura.
Pimpinela-magna

Pimpinefia magna L.

Umbelíferas

O género Pimpinella é bastante complexo e

compreende dois grupos de espécies: as que possuem o vértice do


caule e os frutos g Iabros, como a Pimpinella magna L. e a
Pinipinella sa-vifraga L., e as que os apresentam cobertos de pêlos,
como o anis-verde, Pimpinella anisum L., que é uma planta cultivada
devido às suas numerosas propriedades.

São plantas bastante frágeis, mas que se mantêm erectas, com umbelas
brancas ou rosadas. As folhas são recortadas em lobos largamente
dentados. com bainhas dilatadas e ligeiramente invaginantes. Uma
roseta basal de folhas (v. gravura ao lado) subsiste no Inverno até
à eclosão das novas folhas. A raiz torna-se azul em contacto com o
ar e tem um característico cheiro a bode.

A pimpinela-magna foi mencionada pela primeira vez como planta


medicinal no século XVI, época em que gozou de uma grande faina,
imerecida se tivermos em conta as suas reais propriedades
terapêuticas; na Alernanha, foram-lhe mesmo atribuídos, durante
ai,gum tempo, poderes mágicos.

ra e Outono), sumidades floridas.


O Componentes: tanino, resina, óleo essencial, saponósido, princípio
amargo O Propriedades: aperitivo, emenagogo, emoiiente,
expectorante, galactagogo, sedativo, sudorífico, vulnerário. U. I.,
U. E. Ver: anginas, boca, diarreia, olhos, palpitaçóes, rouquidão,
tosse.

241
Pingulicula *//* para refazer

Pinguicula vulgaris L.

Lentibulariáceas

Muito pequena, frágil e brilhante, oculta frescura das nascentes e


das cascatas, a pi guícula faz lembrar a violeta pela sua c violeta
e púrpura; no entanto, é uma plai carnívora, armadilha fatal para
todos os i sectos que consegue capturar.

Efectivamente, como a rorela, esta piar pode digerir, por meio das
enzimas segre@ das pelas glândulas das folhas, os inseci que caem na
sua armadilha viscosa. Ao ( bater-se, a vítima despoleta o lento me(
nismo do enrolamento das folhas; em horas fica encerrada e ao cabo
de 3 dias e saparece. Quando as folhas se desenrok pelo mesmo
processo lento, do prisionei apenas restam as asas e as patas.

Um exame microscópico das folhas pinguícula possibilitou o cálculo


do núme de glândulas digestivas, tendo revela
25 000 por centímetro quadrado. Agressi para os insectos no estado
natural, a pingi cula é urna planta medicinal dotada das m:
pacíficas e calmantes virtudes. Além dis@ o seu suco contém uma
enzima análoga renina do estômago dos jovens ruminam( que tem uma
acção coagulante sobre o lei

Habitat: Europa, prados húmidos, pântanos, turfeiras, nascentes de


montanha; locais húmidos e margens dos cursos de água de Trás-os-
Montes; de 500 a 2300 m. Identificação: de O,05 a O,15 m de altura.
Vivaz, caule subterrâneo, curto, com escapos florais finos e
frágeis; folhas amareladas ou verde-claras, em rosetas basilares,
aplicadas ao solo, sésseis, ovais, viscosas, com a margem enrolada
para a parte superior; flor cor de violeta e púrpura (Maio-Julho),
solitária, quase horizontal, cálice com 5 sépalas, bilabiado, corola
bilabiada com fauce vilosa prolongada por um

esporão frágil e comprido, arqueado para a base, com 5 pétalas


soldadas em 2 lábios, dos quais o superior tem 2 lóbulos e o
inferior 3, 2 estames e 2 carpelos; cápsula com 1 lóculo, piriforme,
abrindo-se em 2 valvas com numerosas sementes. Partes utilizadas:
folhas frescas ou secas.
O Componentes: mucilagem, tanino, sacarose, enzimas O Propriedades:
antiespasmódico, béquico, cicatrizante, emoliente, febrífugo. LI. L,
U. E. + V O Ver: cabelo, nervosismo, tosse convulsa, úlcera cutânea.
Pinheiro-bravo

Pinus pinaster Soland. Pinheiro-marítimo, pinheiro-das-landes

Pináceas

O género Pinus, que faz parte da grande família das Pináceas, é o


que conta maior número de espécies na Europa, pois existem cerca de
uma dezena, incluindo os híbridos, cujas características bem
distintas possibilitam identificá-las mediante alguma atenção.
Apenas o pinheiro-bravo e o pinheiro-silvestre possuem propriedades
medicinais.

O primeiro, que cresce espontaneamente em todo o litoral


mediterrânico, adapta-se a

solos pobres, necessitando, porém, de luz e

um mínimo de calor. Em tempos de D. Dinis passou-se à sementeira do


pinheiro-bravo na mata de Leiria, onde até então predominava o
pinheiro-manso, de vegetação espontânea. Quer se deva a este rei,
quer a seu pai, D. Afonso 111, este famoso pinhal ocupa actualmente
uma extensa área do litoral (cerca de 11 000 ha). É explorado para
extracção da terebintina, uma oleorre- ,,iria localizada nos canais
secretores do lenho que é recolhida por meio de incisões. Das gemas,
frescas ou secas, preparam-se, além de infusões, xaropes, pastilhas,
muito utilizadas no Inverno para tratar as bronquites, e também
banhos medicinais relaxantes. A secagem é feita sobre caniços,
durante um ou dois meses, ou em forno tépido.

Habitat: Europa, litoral mediterrânico e atlântico; frequente em


solos não calcários, até 1600 m.

Identificação: de 30 a 40 m de altura. Arvore, tronco direito,


esguio, copa grande e arejada, folhas acerosas muito aiongadas
(agulhas), rígidas, verde-esbranquiçadas, de 20 cm de comprimento,
iigeiramente curvadas, aos pares, com base inclusa numa bainha
membranosa; amentilhos (Abril-Maio), monóicos, sendo os masculinos
amarelados, com estames escamiformes, em espiga densa, e os
femininos com escamas avermelhadas ou violáceas, cada uma delas
contendo 2 óvulos; pinha castanho-avermeihada-briihante, de 12 a 18
cm de comprimento, escudos das escamas salientes e piramidais;
semente grande e ovóide, com uma asa 4 ou 5 vezes mais comprida.
Partes utilizadas: agulhas (todo o ano), gemas (antes do
desabrochar), seiva e lenho.
O Componentes: óleo essencial, resina, heterósidos, vitamina C O
Propriedades: anti-séptico, baisâmico, diurético, excitante,
expectorante, rubetaciente. U. I., U. E. + IN Ver: banho, bronquite,
cabelo, cistite, fadiga, gota, pé, reumatismo, @udação.
243
Pinheiro-silvestre *//* para refazer

Pinus silvestris L.

Pinheiro-selvagem, pinheiro-de-riga, pinheiro-de-casquinha,


pinheiro-vermelho-do-báltic(

pinheiro-flandrês, pinheiro-da-escócia

Pináceas

O pinheiro- silvestre é considerado o m@ importante de todos os


pinheiros. Além i

oleorresina que dele se pode extrair, embo não seja explorada


industrialmente, a mad< ra produz um alcatrão, as pequenas agulh
perfumam, purificam e tratam e as gem são ricas em constituintes
activos. Com( cialmente, foi-lhes erradamente atribuído nome de
turiões, renovos ou gomos. É n cessário arrancá-las dos ramos no mês
Abril, antes do desabrochar, colocá-las e caniços numa única camada
fina e deixá-l secar, removendo-as com frequência, dura te um a dois
meses. A secagem é mais rá1 da quando efectuada num forno tépido. 1
tas gemas têm utilizações diversas: em ml são, em macerações, em
vinho ou cerve >

decocção, inalação, fumigação, gargarejo@ em banhos, misturadas com


casca de salgu ro-branco e de carvalho e folhas de nogu, ra. O
pinheiro-silvestre é uma bela e r@ árvore cultivada nas planícies,
desenvolve do-se espontaneamente nas montanhas, at( orla das
florestas. Muito resistente às secz ao calor e ao frio, não suporta
a carência luz, sobretudo quando jovem, pois mesm( sombra de outras
ramagens lhe é prejudici

Habitat: Europa, nas montanhas espontâneo; no Geres; de 800 a 2100


m. Identificação: de 20 a 45 m de altura. Árvore; tronco erecto,
copa jovem, cónica, desenvolvendo os ramos verticilados quando o
ápice deixa de crescer, agulhas reunidas aos pares, curtas, de 4 a 6
cm de comprimento, verde-glaucas; amentilhos (Maio-Junho), monóicos,
sendo os masculinos em espiga na base dos ramos nascidos no próprio
ano e os femininos arredondados, violáceos, isolados nas
extremidades dos rebentos > pinha pequena de 3 a
6 cm, ovóide, baça, pendente; escudos das

escamas convexos com mamilos obtusos, maturação ao fim do 3.’ ano;


semente pequena, com uma asa 3 vezes mais comprida; raiz aprumada,
robusta, sendo as secundárias mais compridas. Partes utilizadas:
seiva, lenho, agulhas, gemas (Abril).
O Componentes: óleo essencial, resina, heterósidos O Propriedades:
anti-séptico, baisâmico, diurético, estimulante, expectorante. U.
I., U. E. + V k"J Ver: asma, banho, bronquite, cabelo, cistite,
gota, pé, reumatismo, rouquidão,
Pirliteiro

a) Crataegus monogyna Jacq. b) Crataegus oxyacantha L. Pifiriteiro,


espinheiro-alvar, escambrulheiro, cambrocira, espinheiro-branco,
abronceiro, espinheiro-ordinário, espinha-branca, estrepeiro,

escalheiro

Rosáceas

As duas espécies são belas plantas celebradas por poetas e


romancistas sob os mais diversos nomes. Estes arbustos, apesar da
idade avançada que podem atingir - por vezes 500 anos -, dos seus
espinhos e da sua madeira dura como o ferro, continuam a ser o
símbolo da delicadeza e da mais viçosa beleza. Contudo, era da sua
madeira dura como o ferro que outrora se cortavam os cepos dos
suplícios. As duas espécies aqui representadas desenvolvem-se nos
mesmos

locais e possuem propriedades medicinais idênticas. Alimento para os


homens da Pré-História, como o comprovam os vestígios de

caroços encontrados nas ruínas das cidades lacustres, os frutos


vermelhos do pirliteiro são, desde há muito, utilizados pelas suas
aplicações diuré ticas e acistringentes. Recentemente, médicos
americanos puseram em

evidência a sua poderosa acção cardíaca.

Este género botânico possui várias espécies, todas próprias das


regiões temperadas, que apresentam um lenho muito duro e têm
crescimento lento.

O Respeitar as doses. Habitat: Europa, todos os solos; em Portugal,


o mais frequente é o C. até 1600 m.

Identificação: de 2 a 4 m de altura. Arbusto, casca jovem cinzento-


clara, lisa, mais tarde castanha, fendida; folhas caducas: a) com 3
a 7 lóbulos muito profundos, não dentados; b) com
3 a 5 lóbulos pouco profundos, ligeiramente serrados; flores brancas
ou rosadas (Abril-Junho), em corimbos, 5 sépalas, 5 pétalas livres:
W 1 estilete branco-esverdeado, estames violáceos; b) 2 a 3
estiletes, estames vermelhos; drupa ovóide, farinácea, vermelha: a)
1 caroço;

b) 2 a 3 caroços. Cheiro pouco intenso, b) pouco agradável; sabor


doce. Partes utilizadas: flores em botão, drupas (fins de Setembro),
casca dos ramos jovens.
O Componentes: pigmentos flavónicos, aminas, derivados terpénicos,
histamina, tanino, vitamina C O Propriedades: acistringente,
antiespasmódico, diurético, febrífugo, hipotensor. U. I., U. E. +
kvJ Ver: acufenos, anginas, angústia, arteriosclerose, banho,
celulite, coração, diarréia, espasmo, hipertensão, litíase,
menopausa, nervosismo, obesidade, palpitações. sono.

245
Pollgala-amarga

Polygala amara L.; sin.: Polygala amarella Crantz

Polligaláceas

Apolígala, cujo nome deriva das palavras gregas pol@, muito, e gala,
leite, era outrora administrada às vacas, às cabras e às amas para
aumentar a secreção láctea, sendo, no entanto, duvidosa a sua acção
galactagoga. Não está mesmo provado que as polígalas descritas pelos
autores antigos correspondam às plantas actualmente conhecidas por
esse nome. A polígala-amarga é muito rara na Europa, onde cresce
cerca de uma dúzia de espécies e diversas variedades da planta.
Existem no Mundo mais de 450 espécies, de entre as quais a polígala-
da-virgínia, Polygala senega L, originária dos Estados Unidos e do
Canadá, utilizada durante muito tempo pelos índios para tratar a
tosse e as mordeduras de serpentes. A polígala-amarga utiliza-se na
Europa devido às suas propriedades expectorantes. Planta bastante
comum, identifica-se pelos belos cachos'compostos de flores de cor
azul.

A planta tem ainda uma particularidade fisiológica: as suas sementes


só germinam em contacto com a luz.

Em fitoterapia, utiliza-se toda a planta (Maio-Agosto), sobretudo em


decocção, misturada por vezes com o hipericão, a hera-terrestre, o
hissopo e a tussilagem. A medicina homeopática recorre ao emprego de
uma tintura preparada a partir da raiz.

Habitat: Europa, solos húmidos, sobretudo argilosos ou calcários; em


Portugal, o nome de polígala aplica-se à Pol)Igala vulgarix L.
Identificação: de O,05 a O,15 m de altura. Vivaz, caule prostrado,
ascendente na floração, rígido, curto, não ramificado; folhas verde-
claras, inteiras, moles, sendo as inferiores em roseta basal
abundante, ovais, arredondadas no vértice e afiladas na base, e as
caulinares alternas, lanceoladas, pequenas, glabras, curtamente
pecioladas; flores azuis e raramente cor-de-rosa ou brancas (Maio-
Agosto), oblongas, pequenas, em cachos, 5 sépalas desiguais, sendo
as 2 internas grandes, coradas, em forma de pétalas, marcadas com 3
nervuras; 3 pétalas desiguais, 8 estames; cápsula pequena,
comprimida, abrindo-se por 2 valvas que contêm 2 sementes
pubescentes; raiz aprumada e delgada. Sabor acre e amargo. Partes
utilizadas: toda a planta e raiz.
O Componentes: saponósidos, óleo essencial, princípio amargo,
resina, glúcidos O Propriedades: diurético, emoliente, estomáquico,
expectorante, laxativo, tónico. U. 1. + in Ver: asma, bronquite,
pulmão, tosse.

246
PolipÓdio

Polypodium vulgare L. Poli pódio-do-carv alho, fentelha, filipode,


feio-doce

Polipodiáceas

Supõe-se que foi Teofrasto quem primeiro mencionou o uso do


polipódio. Mais tarde, Dioscórides e Galeno, ao descreverem a planta
de modo preciso e inequívoco, enumeraram as suas propriedades
medicinais e

referiram as suas aplicações, nenhuma das quais sofreu alterações


substanciais passados quase 2000 anos. O polipódio tem acção
colagoga, laxativa suave e vermífuga, tornando-o o seu sabor a
alcaçuz facilmente aceite pelas crianças. Este belo feto é uma

das raras espécies européias de um género que está representado no


Mundo por várias centenas. As suas frondes robustas cobrem os
rochedos, agarram-se aos troncos gretados dos carvalhos, revestindo
mesmo o cimo das paredes deterioradas no centro das cidades. À
semelhança dos outros fetos, o polipódio não tem flor e, con s
equente mente, pólen e sementes: reproduz-se devido aos

esporos contidos nos soros, pequenos reservatórios arredondados


visíveis na página inferior das folhas, onde se acumulam em séries
paralelas. De cor amarela, que se torna depois castanha, libertam os
esporos quando maduros.

Habitat: Europa, bosques, troncos, paredes deterioradas; vulgar em


quase todo o País, nos muros, rochas, árvores e sebes; até 2000 m.
Identificação: de O,10 a O,50 m de altura. Vivaz, frondes
primeiramente enroladas em báculo e ligeiramente coriáceas,
aiongadas e triangulares, com pecíolo inserido sobre o rizoma, com 1
divisão quase até à nervura central, 20 a 40 segmentos lanceolados,
dentados ou não, página inferior com soros lenticulares em 2 séries
de ambos os lados da nervura, primeiramente amarelos e depois
castanhos, sem indúsio, esporângios pedicelados; esporos amarelados,
dispersando-se na Primavera; rizoma espesso, carnudo, prostrado,
coberto de escamas castanho-avermelhadas, esverdeado no corte.
Cheiro desagradável: sabor semelhante ao do alcaçuz. Partes
utilizadas: rizoma seco (Março-Abril e Setembro-Outubro).
O Componentes: essência, lípidos, tanino, resina, saponósido,
mucilagem, sais minerais O Propriedades: colagogo, expectorante,
laxativo, vermífugo. U. 1. + Ver: bronquite, fígado, obstipação,
parasitose.

247
Primavera

Primula veris L.

Prímula

Primuláceas

Vivamente recomendada por Santa Hildegarda desde o século X11 como


remédio para a melancolia, a primavera é na Europa uma das primeiras
flores a abrir. Das suas flores secas prepara-se um chá de aroma
incomparável, destituído de qualquer acção excitante. Esta planta
serve ainda para perfumar a cerveja e melhorar o bouquet dos vinhos.
Envolvidas em açúcar, as flores constituem ainda deliciosos
rebuçados. Uma espécie próxima, a pri mavera-dos-j ardi ri s,
Primula elatior Jacq., que se encontra aproximadamente nos mesmos
locais e não ultrapassa em estatura a primavera, pode substituí-Ia.
Distingue-se da primavera pelas corolas grandes e

de limbo plano, pelo cálice bicolor, verde-claro nos sulcos e escuro


nas arestas, pelas

folhas verdes em ambas as páginas e por ser completamente inodora. A


partir destas duas espécies e de outras, os floricultores
conseguiram obter, após demoradas selecções, variedades muito
decorativas, de flores grandes e de diversas cores, mas que não têm
propriedades medicinais e possuem, como as urtigas, um revestimento
de pêlos glandulosos cujo contacto provoca, na maioria das pessoas,
uma erupção do tipo urticário.

Habitat: Europa, rara no litoral mediterrânico; Minho e Trás-os-


Montes; até 2000 m Identificação: de O,08 a O,30 m de altura. Vivaz,
escapo floral; folhas em roseta, ovais, verdes, acinzentadas na
página inferior, rugosas e pecioladas; flores de um amarelo intenso
(Abril-Maio), agrupadas em umbelas simples sobre um pedúnculo
radical nu, cálice intumescido, com 5 aristas e 5 lóbulos, corola
pequena, côncava, 5 pétalas amarelas maculadas de cor de laranja,
estilete comprido com 5 estames curtos, ou estilete curto com 5
estames compridos; ovário livre; cápsula erecta, ovóide, inclusa no
cálice, que se abre por 5 valvas e numerosas sementes; rizoma
espesso. Cheiro suave, raiz com cheiro a anis; sabor agradável.
Partes utilizadas: flores com o cálice (Abril-Maio), folhas, raiz,
rizoma (Inverno).
O Componentes: pigmentos flavónicos, heterósidos, enzimas, vitamina
C, saponósidos, sais minerais O Propriedades: antiespasmódico,
calmante, diurético, expectorante, febrífugo. U. L, U. E. + O Ver:
bronquite, cefaleia, cólica, constipação, contusão, indigestão,
reumatismo, tosse, tosse convulsa.

248
Pulmonária

Pulmonaria officinalis L. Erva-dos-bofes, salsa-dejerusalém,

erva-leiteira-de-nossa-senhora

Borragináceas

Da família do ri ão-me- esqueças, da cinoglossa e da borragem, a


pulmonária tem uma cobertura de pêlos ásperos e prefere a sombra ou
os locais frescos. As suas flores, vermelhas, campanuladas, com
cambiantes azul-violáceos, são semelhantes às da primavera.
Aproximadamente no mês de Julho, o caule floral seca e desaparece,
sendo substituído por uma roseta de folhas basais matizadas de
branco, às quais deve o nome de pulmonária, pois, segundo os
partidários da medicina dos sinais, representam a imagem de pulmões
doentes. A pulmonária usufruía outrora de uma reputação exagerada e
decepcionante, pois supunha-se que curava a tuberculose, para a qual
só se encontrou remédio na
2.a metade do século XX. Segundo se crê em alguns meios rurais, um
tampão de folhas frescas esmagadas, colocado sobre a região do
coração, é suficiente para abrandar o seu ritmo.

Do mesmo modo que a salgueirinha, a pulmonária foi dotada pela


Natureza de uma particularidade extraordinária que consiste em
oferecer aos insectos que a visitam três espécies de flores providas
de estames desiguais e de estiletes com três comprimentos
diferentes, ou sejam 18 possibilidades de disseminação do pólen.

Habitat: Europa, bosques pouco densos, solos calcários; até 1000 m.


Identificação: de O,15 a O,30 m de altura. Vivaz, caule simples e
viloso; folhas manchadas de branco, mais claras na página inferior,
sendo as radicais pecioladas, peludas, ásperas, ovadas ou
cordiformes e as caulinares sésseis, ovais, ligeiramente decorrentes
e vilosas; flores primeiramente vermelhas, tornando-se depois azuis
(Março-Maio), reunidas em cimeiras terminais unilaterais, cálice com
5 lóbulos, coroIa tulbular com 5 pétalas, 5 escamas, 5 estames,
ovário com 1 estilete e 4 carpelos; tetraquénio

ováide e pontiagudo; rizoma delgado. Sabor mucilaginoso. Partes


utilizadas: sumidades floridas (Março-Abril), folhas da roseta (fim
do Verão); secagem à sombra e ao ar; as folhas enegrecem.
O Componentes@ mucilagem, tanino, sais minerais, saponósido O
Propriedades: acistringente, diurético, emoliente, expectorante,
sudorífico. U. L, U. E. Ver: bronquite, dartro, frieira, greta,
hemorróidas, palpitações.
Pulsátila

Pulswilla vulgaris Mifi. Anémona-pulsátila, anémona-dos-jardins,

flor-do-vento, flor-de-páscoa

Ranunculáceas

Se bem que exista de modo disperso na Europa, a pulsátila não é


muito vul@gar, e sucede frequentemente procurar-se em vão

as suas campainhas de cor violeta que se agitam ao menor sopro de


vento. Qu2:ndo as

flores murcham, esta planta vivaz, sedosa e

frágil, cobre-se de enormes penachos formados pelos frutos plumosos


que o vento destrói a pouco e pouco. O seu sabor é ião acre que
mesmo os animais a evitam nos prados.

Outrora, era utilizada para tratar várias doenças, como a paralisia,


a cegueira ou os

estados de melancolia. Actualmente, os fitoterapeutas receitam-na,


por vezes, para os espasmos viscerais, e os homeopatas utilizam a
sua essencia para tratar as varizes. As folhas, em cataplasma,
actuam sobre as nevralgias e as dores articulares. As flores, secas
num forno e pulverizadas, produzem um pó esternutatório, muito
conhecido nos

nicios rurais, para aliviar as enxaquecas. Quando verde, a planta é


tóxica.

O A planta verde é muito perigosa em uso interno. Habilat: Europa,


excepto na região mediterrânica, pastagens, planícies secas,
colinas; cultivada em Portugal; até 800 m. Identificação: de O,10 a
O,30 m de altura. Vivaz, acaule; folhas em roseta, prateadas,
vilosas, pecioladas, profundamente divididas 2 a 3 vezes; flores
violeta e cor de púrpura (Março-Maio, por vezes segunda floração no
Outono), grandes, erectas e depois pendentes, sobre um peclúnculo
radical, provido de um invólucro lacinioso, 6 sépalas petalóides,
estames dourados; numerosos aquénios com cabeça esférica, oblongos,
vilosos; toiça oblíqua, enegrecida, espessa, ramificada. Inodora;
sabor ácido. Partes utilizadas: toda a planta (Maio-Julho).
O Componentes: anemonina, enzimas, tanino, saponina, esteróis, corpo
gordo O Propriedades: antiespasmódico, diaforético, diurético,
expectorante, revulsivo, sedativo. U. I., U. E. + V Ver: dartro,
enxaqueca, espasmo, febre, menstruação, sarda, tosse.
250
Quaresmas

Sa-tifraga granulata L, Sanícula-dos-montes, saxífraga-branca

Saxifragáceas

O género Saxiftaga engloba diversas plantas ornamentais que se


distribuem por numerosas espécies polimorfas. A mais utilizada em
fitoterapia, que está representada nesta página, é característica: a
base do caule está provida de boibilhos, os quais inspiraram
provavelmente o seu nome específico e a sua utilização. Na verdade,
a medicina dos sinais atribuía-lhe a faculdade de dissolver os
cálculos da vesícula. É uma planta das valas lodosas, totalmente
revestida de pêlos viscosos.

Existem outras espécies que são também utilizadas como plantas


medicinais. Assim, a Sa.vifraga trida(-tyylites L., pequena planta
anual com flores brancas, atapeta os muros deteriorados e os solos
arenosos; muito famosa outrora como tratamento da icterícia, era
administrada numa infusão em cerveja. Outra espécie muito
interessante, a saxífraga-da-sibéria, Bergenia cordifolía Haw.,
encontra-se em estado espontâneo nos Alpes e é frequentemente
cultivada nos jardins como planta ornamental. É uma pequena planta
vivaz com flores cor-de-rosa, cujas grandes folhas são consideradas
antidiarreicas quando preparadas em infusão. Podem substituír a hera
em tratamentos anti-sépticos.

Habitat: Europa, excepto a zona árctica, prados húmidos; em todo o


território português, especialmente na zona norte, em muros,
rochedos, locais húmidos e sombrios; até 800 m. Identificação: de
O,20 a O,50 m de altura. Bienal, caule floral simples, erecto,
glanduloso-viscoso, boIbilhos na base; folhas basilares, pecioladas,
grandes, palmadas, reniformes, com bordos crenados, sendo as
caulinares superiores raras, subsésseis, trilobadas, e as inferiores
com lóbulos pontiagudos; flores brancas (Abril-Maio), grandes, em
corimbos terminais, 5 sépalas ovais, 5 pétalas muito

compridas, 10 estames e 2 carpelos; cápsula bicorne e numerosas


sementes. Cheiro agradável (flor); sabor amargo e acre. Partes
utilizadas: raiz, flores e folhas frescas.
O Componentes: vitamina C O Propriedades: acistringente, aperitivo,
colagogo, diurético. U. 1. Ver: diurese, fígado.
QuenopÓdio-bom-henrique

Chenopodium bonus-henricus L.

Quenopodiáceas

Lineu designou esta planta em homenagem a Henrique IV de Navarra,


protector dos botânicos. Aliás, dava-se outrora o nome de Henrique
às plantas que escolhiam o seu

habitai próximo da habitação humana. O quenopódio-bom-henrique


encontra-se, pois, geralmente próximo de casas, muros, lixeiras e
principalmente, nas montanhas alpinas, nas imediações das cabanas de
pastores: é

raro a altitudes baixas. Excelente sucedâneo dos espinafres e


igualmente rico em ferro, o quenopódio trata as anemias; é ainda um
óptimo remédio emoliente e laxativo, sendo, no entanto,
desaconselhável aos doentes de gota e dos rins. Em uso externo,
aplicam-se as folhas frescas em cataplasmas nos abcessos, a fim de
conseguir a sua maturação e acalmar as dores. O Chenopodium album
L., com compridas folhas dentadas e inflorescências que parecem
polvilhadas de açúcar refinado, frequente em Portugal, tem
propriedades medicinais muito semelhantes às do Chenopodium bonus-
henricus L. e

pode perfeitamente substituí-lo.

Habitat: Europa, excepto nas baixas planícies, locais habitados.


Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule verde,
glabro, canelado de castanho e avermelhado, folhoso; folhas verdes,
grandes, carnudas, inteiras, pecioladas, triangulares, pontiagudas,
lanceoladas na base, margens onduladas, folhas jovens farinhosas na
página inferior, ligeiramente viscosas; flores esverdeadas (Maio-
Agosto), pequenas, numerosas, em cachos terminais especiformes,
cónicos; fruto contendo uma semente brilhante. Inodoro e insípido.

Partes utilizadas: toda a planta (Maio-Agosto).


O Componentes: saponósido, sais minerais (ferro), vitamina C O
Propriedades: depurativo, emoliente, laxativo. U. L, U. E. + Ver:
abcesso, anemia, obstipação.

252
Rapúncio

Campanula rapunculus L. Rapôncio, campainha-rabanete

Bras.: campainha

Campanuláceas

Facilmente reconhecível pelas suas flores campanuliformes azuis ou


lilases, erectas OU pendentes, o rapúncio, robusto e decorativo,
possui mais qualidades estéticas que virtudes medicinais.

A forma da corola inspirou o nome de género, Campanula, procedente


do latim e

que significa pequeno sino. Em algumas regiões da Europa, é


cultivado para consumo dos seus suculentos rebentos e,
especialmente, da raiz, da qual se faz uma salada muito saborosa. O
uso culinário das raízes conferiu-lhe o nome científico de espécie,
rapunculus, que deriva da palavra latina rap@1, rábano.

E uma forragem sazonal muito apreciada pelo gado. Outrora, o


rapúncio e outras espécies, como a Campanula trachelium L. e a
Campanula cervicaria L., foram utilizados em gargarejos para tratar
as anginas. A razão por que o rapúncio está actualmente em

desuso deve-se sem dúvida ao pouco mérito das suas propriedades ou


porque as mesmas se encontram muito mais activas noutras plantas,
como a agrimónia e a aspérula-odorífera.

O Destinado a uso externo. Habitat: Europa; frequente em quase todo


o

País nos bosques, caminhos e locais húmidos; até 1000 m.


Identificação: de O,40 a 1,80 m de altura. Bienal, caule viloso,
alongado e anguloso; folhas estreitas e alongadas, sésseis,
levemente onduladas, pecioladas; flores azuis ou violaceas (Maio-
Agosto), pedunculadas, em cacho frouxo alongado, muito ramoso, com
poucas folhas, de menos de 2 cm de comprimento, cálices com divisões
assoveladas, corola mais comprida que larga, com lóbulos pouco
separados, 5 estames livres com estiletes dilatados na base, 3
estigmas; cápsula erecta; raiz carnuda fusiforme. Partes utilizadas:
raiz, folhas frescas (Maio-Agosto).
O Componentes: inulina, vitamina C O Propriedades: acIstringente,
anti-séptico, refrescante, vulnerário. LI. I., LI. E. O'J Ver:
anginas ,sede, verruga.
Rinchão

Sisymbrium officinale (L.) Scop.

Erva-dos-cantores, erísimo

Bras.: agrião

Crucíferas

Citado e utilizado desde a Antiguidade, só a partir do século XVI o


rinchão foi definitivamente identificado. Efectivamente, as

provas irrefutáveis dos seus sucessos datam do Renascimento,


descritas por Jacques Dalechamps, testemunha laudatória do seu
confrade de Montpellier, Guillaume Rondelet, que, graças ao rinchão,
restituíra a sua bela voz de anjo a um menino de coro. No século
XVII, o próprio Racíne aconselhou este remédio a Boileau, que se
lamentara de estar afónico. A partir de então, o rinchão tornou-se a
planta dos oradores, actores e cantores. A sua acção sobre a voz
deve-se à presença de compostos sulfurados; o enxofre é um
medicamento frequentemente utilizado pela medicina clássica, sendo
receitados tratamentos nas estações termais dotadas de águas
sulfurosas para afecções das vias respiratórias superiores. O
rinchão deve ser, tanto quanto possível, utilizado fresco, se bem
que, quando seco, não perca os seus princípios activos. O seu sabor
não é nada agradável, pelo que, se for necessário ingerí-lo, é
preferível adicionar-lhe alcaçuz ou mel muito aromático.

Habitat: Europa, caminhos, entulhos; em quase todo o território


português, em terrenos incultos, restolhos, entulhos, sebes e muws;
até
1700 m. Identificação: de O,30 a O,60 m de aftura. Anual, caule
rígido, erecto, viloso, ramos qua~ se perpendiculares ao caule
(patentes); folhas da base pecioladas, muito recortadas, com lóbulos
serrados, sendo o terminal maior; flores amareio-claras (Maio-
Setembro), pequenas, reunidas em cachos, 4 sépalas, 4 pétalas e 6
estames; síliqua curta, erecta, com 2 valvas convexas trinérveas,
contendo cada uma delas

1 série de sementes; raiz rija e branca. Inodoro. Sabor picante e


acre. Partes utilizadas: sumidades floridas, folhas frescas, suco
fresco (Julho-Agosto); secagem cuidadosa, conservação ao abrigo do
ar, da luz e da humidade.
O Componentes: derivados sulfurados, cardenólidos nas sementes O
Propriedades: antiescorbútico, béquico, diurético, estomáquico,
expectorante, tónico. U. I., U. E. + Ver: acne, bronquite, cura de
Primavera, laringite, rouquidão, tosse, traqueíte, voz.
254
Rorela

Drosera rotundifolia L.

Orvalhinha, dróscru, orvalho-do-sol Bras.: drosera, erva-do-orvalho,


rossolis

Droseráceas

As pequenas rorelas agrupadas sobre os

musgos nos pântanos e nas turfeiras desdobram ao nível do solo as


suas rosetas de folhas redondas, das quais se destacam os frágeis
caules florais. As folhas estão cobertas de cílios vermelhos,
sensíveis e móveis, terminados por pequenas glândulas repletas de um
suco brilhante, aos quais a planta deve o encantador nome de
orvalho-do-sol; foi outrora muito utilizada pelos alquimistas e mais
tarde, nos meios rurais, pelos bruxos e adivinhos. Contudo, é no seu
meio natural que a rorela se revela verdadeiramente temível;
efectivamente, esta planta carnívora pode capturar, segundo se crê,
2000 insectos num só Verão, pois as folhas viscosas e os cílios são
uma armadilha mortal. A planta atrai, prende e seguidamente digere
os insectos por meio de uma enzima análoga à pepsina do suco
gástrico humano.

Na prática da medicina geral, todos os

médicos têm conhecimento da acção calmante da sua tintura nos


acessos de tosse convulsa. Uma infusão das folhas frescas produz um
efeito análogo. Nos meios rurais, o

seu suco é utilizado para tratar as verrugas.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; em Portugal,


locais húmidos e pantanosos das montanhas elevadas de Trás-os-
Montes, Minho e Beiras; até 2000 m, Identificação: de O,10 a O,20 m
de altura, Vivaz, caule floral verde ou avermelhado, frágil, glabro,
erecto; folhas longamente pecioladas, em roseta basilar aberta sobre
o musgo, redondas, cobertas de cílios tentaculares com glândulas
arruivadas e viscosas mais compridas nas margens; flores brancas
(Julho-Agosto), pequenas (de O,5 a O,8 cm), em cimeiras faucifloras,
5 sépalas, 5 pétalas, 5 estames e 3

estiletes; cápsula alongada, abrindo-se por 3 a


5 valvas, com numerosas sementes aladas; parte subterrânea frágil,
com ordens anuais sobrepostas de delgadas raizes adventícias.
Inodora; sabor acistringente e amargo. Partes utilizadas: parte
aérea da planta (Junho-Setembro), fresca ou seca, suco fresco.
O Componentes: tanino, naftoquinona, pigmentos flavónicos O
Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico, béquico, febrífugo. U.
I., LI. E. + O Ver: calo, pulmão, rouquidão, tosse, tosse convulsa,
verruga.

255
Saboeira

Suponaria officinalis L. Erva-saboeira, saponária, saboneira

Cariofiláceas

A saboeira saltou as vedações dos jardins mediterrânicos onde


outrora era cultivada e, vagabundeando pelas margens arenosas ou
pedregosas dos rios, à beira das valas e dos cursos de água e pelas
bermas dos caminhos, invadiu a Europa temperada. É uma

planta rústica, com belas flores de um cor-de-rosa muito claro que,


à sombra, se torna ainda mais pálido. O ciclo vegetativo da saboeira
conclui-se em Outubro, quando, destruídos os cálices, murchas as
pétalas, se deixa desfolhar pelo vento e seca inteiramente. É nesta
época que o rizoma desta planta, tão útil às lavadeiras e que já era
utilizado muito antes de se conhecer o sabão para lavar as lãs, deve
ser colhido. O rizoma, que já era outrora conhecido, pois Hipócrates
menciona-o quatro séculos antes de Cristo, é um remédio utilizado
pela medicina após a secagem. A planta é depurativa, tónica, reanima
as funções dos fígados lentos e confere beleza à tez, podendo
associar-se, em infusão, às folhas do agrião e às sumidades floridas
da centáurea-menor. Uma água saponácea, obtida por decocção da
planta, constitui um óptimo champô indicado para cabelos frágeis.

O Não macerar em água; preparar e utilizar. Habitat: Europa; Norte e


Centro de Portugal, margens dos campos e dos rios; até 1600 m.
Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Vivaz, numerosos caules,
erectos, cilíndricos, dilatados nos nós, robustos e avermelhados;
folhas glabras, sésseis, verde-claras, grandes, ovais ou
lanceoladas, com 3 a 5 nervuras; flores cor- d e- rosa- claras
(Junho-Setembro), grandes, pedunculadas, em cimeiras corimbiformes,
cálice tulbuloso, 5 dentes, 5 pétalas inteiras ou chanfradas, 10
estames, 2 estiletes; cápsula oblonga, abrindo-se por 4

valvas, numerosas sementes reniformes castanhas; rizoma prolífico


castanho-avermelhado, amarelo no corte. Cheiro agradável (flores);
sabor amargo e desagradável. Partes utilizadas: caule folhoso (antes
da floração), descora ao secar; rizoma (Outono), raiz.
O Componentes: saponósido, resina, vitamina C O Propriedades:
colerético, depurativo, diurético, sudorífico, tónico. U. L, U. E. +
V Ver: acne, anginas, artrite, cabelo, cura de Primavera, dartro,
eczema, fígado, herpes, icterícia, psoríase, reumatismo.
Sabugueiro

Sambucus nigra L. S abugueiro- negro Bras.: sabugueirinho

Caprifoliáceas

A história do sabugueiro é, sem dúvida, tão longa como a do homem,


pois foram encontrados alguns vestígios desta árvore em estações
arqueológicas da Idade da Pedra na Suíça e no Norte de Itália. Sabe-
se também que os Gregos na Antiguidade a utilizavam vulgarmente, bem
como os habitantes da antiga Roma. O sabugueiro encontra-se
frequentemente na Europa pró ximo das povoações, porque outrora era
ali plantado para atrair os espíritos do bem. A partir do século
XVI, popularizou-se como planta decorativa. Nos meios rurais, as
crianças fazem apitos com a madeira quebradiça e leve do sabugueiro.
Com os seus frutos preparam-se doces com uma bela cor vermelho-
violácea. As suas propriedades medicinais são inúmeras: as flores,
as bagas, as folhas e a segunda casca fazem parte de grande número
de preparações. As flores são também utilizadas para a conservação
das maçãs, devendo ser colocadas em camadas alternadas em caixas de
cartão, que seguidamente se fecham.

Habitat: Europa Central, matas, sebes; em Portugal, é cultivado,


surgindo também espontâneo. Identificação: de 2 a 5 m, por vezes 10
m, de altura. Arbusto ou árvore; caule com casca cinzento-
acastanhada, verrugosa, ramos fracos e quebradiços, com medula
branca; folhas pecioladas, com 5 a 7 folíolos compridos e serrados;
flores brancas (Junho), pequenas, em cimeiras corimbiformes planas,
com 5 raios principais, 5 sépalas, 5 pétalas, 5 estames com anteras
amarelas, 3 carpelos, 3 estigmas sésseis; baga preto-violácea, com 3
sementes. Cheiro intenso; sabor acíclulo.

Partes utilizadas: flores, folhas, frutos maduros, segunda casca


seca; secar ao ar.
O Componentes: nitrato de potássio, óleo essencial, alcalóide,
heterósido, tanino, mucilagem, vitamina C, pigmentos flavónicos e
antociânicos O Propriedades: depurativo, diurético, emoliente,
laxativo, sudorífico. U. L, U. E. + V O Ver: abcesso,
arteriosclerose, bronquite, cistite, coração, cura de Primavera,
epistaxe, fígado, frieira, gota, hemorróidas, obstipação, olhos,
pele, picadas, pontos negros, queimadura, rim, reumatismo, sudação,
tabagismo, terçolho.

257
Saião-curto

Sempervivum tectorum L. Sempre-viva-dos-telhados

Bras.: saiao

Crassuláceas

O saião-curto é mais frequente nas planícies, embora surja por vezes


nas montanhas, alapardado nas cavidades dos penhascos, de onde os
seus rebentos extravasam para colonizar tudo o que os cerca. Tem u
Iria preferência especial pelos muros velhos e sobretudo pelos
telhados, aos quais se agarra, consolidando-os e protegendo-os do
escoamento rápido das chuvas, como indica claramente o nome da
espécie. A designação barbas-de-júpiter, que os Franceses lhe
atribuem, deriva possivelmente da expressão latina Jovis barba,
barba de Júpiter, deus dos céus, senhor dos relâmpagos; assim, cria-
se outrora que a sua presença nos telhados protegia as casas dos
raios.

É uma planta vivaz, resistente, semelhante a uma alcachofra, muito


conhecida, mas cujas importantes qualidades medicinais são, na maior
parte dos casos, ignoradas. Não é necessário colhê-la numa data
fixa, aplicar processos especiais ou tomar precauções na secagem:
basta estender a mão e colher uma folha fresca. Não é possível
imaginar uma terapêutica mais simples. O saião-curto é um calicida,
tratando também dartros e queimaduras. Esta simplicidade de
utilização harmoniza-se com a vida da planta, pois alimenta-se
apenas de grande quantidade de sol, alguns gramas de terra ou de pó
e de pequenas gotas de água. Melhor ainda, quanto mais árida for a
terra, mais numerosas e belas são as suas flores.

Habitat: Europa Central e Meridional, telhados, muros velhos,


penhascos; em Portugal, é espontâneo e subespontâneo e, por vezes,
cultivado nos jardins; até 2800 m. Identificação: de O,20 a O,50 m
de altura. Vivaz, caule floral erecto, carnudo, com muitas folhas;
folhas da base em roseta, sésseis, densas, imbricadas, obiongas, com
pontas aguçadas, por vezes vermelhas, faces glabras e bordos
ciliados; flores cor-de-rosa estriadas de cor de púrpura (Junho-
Agosto), subsésseis ou ligeiramente pecioladas em corimbo terminal,
8 a 20 sépalas, 8 a 20 pétalas abertas, 2 vezes

mais compridas que as sépalas, 16 a 40 estames, 8 a 20 carpelos


divergentes; folículo que se abre por uma fenda, contendo numerosas
sementes dispostas em 2 fileiras: a toiça emite rebentos. Cheiro
suave; sabor acidulado. Partes utilizadas: folhas frescas, suco
fresco.
9 Componentes: tanino, mucilagem, ácidos málico e fórmico O
Propriedades: acistringente, antiespasmódico, emoliente, vulnerário.
U. L, U. E. + Ver: calo, dartro, diarréia, ferida, greta,
hemorróidas, olhos, picadas, queimadura.

258
Salgueirinha

Lvthrum salicaria L. Erva-carapau, salicária

Bras.: erva-da-vida

Litráceas

Outrora, os Alemães chamaram à salgueirinha o altivo-henrique,


enquanto o útil quenopódio era conhecido pelo bom-henrique. Nos
meios rurais, acreditava-se então que a salgueirinha era o refúgio
secreto dos duendes que guardavam as minas de ouro. Actualmente, à
semelhança de tantas outras plantas úteis, a salgueirinha é
considerada pelos agricultores como uma erva daninha que deve ser
destruída.

Cresce entre os salgueiros, e da semelhança das folhas de ambas as


plantas lhe adveio o nome. Foi durante muito tempo confundida com a
lisimáquia-vulgar. O primeiro autor que a identificou com exactidão
foi Mattioli, no século xvi. Desde essa época, a salgueirinha
manteve, sem qualquer declínio, o seu lugar entre as plantas
medicinais. Muito eficaz quer fresca, quer seca, esta planta, dotada
de propriedades adstringentes e hemostáticas, é também considerada
um óptimo remédio para as cólicas dos recém-nascidos. Geralmente,
entra em preparações com a papoila e a alteia. Algumas pessoas
apreciam os seus jovens rebentos ou

a medula do caule cozidos à maneira de hortaliças e preparam um chá


com as folhas. As flores são utilizadas como corante para os
rebuçados vermelhos.

Habitat: Europa, beira de água, fossos, pântanos; em Portugal,


margens dos rios, vales e locais húmidos; até 1400 m. Identificação:
de O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule erecto, robusto,
quadrangular, pubescente, ramificado na parte superior; folhas com
pêlos, oval- lan ceoladas ou cordiformes, opostas ou verticiladas em
grupos de 3, sendo as superiores alternas; flores cor-de-rosa-
violáceas (Ju n ho- Setembro), grandes, hermafroditas, verticiladas,
em grupos de 3 a 10 numa comprida espiga terminal, cálice pubescente
com 8 a 12 dentes desiguais, corola com 6

pétalas alongadas, 6 estames curtos e 6 salientes; cápsula obionga


contendo numerosas sementes; toiÇa espessa. Inodora; sabor
mucilaginoso, levemente acistringente e herbáceo. Partes utilizadas:
sumidades floridas, caules jovens com folhas e suco fresco.
O Componentes: tanino, açúcares, heterósidos (salicarina), colina,
provitamina A, ferro, oxalato de cálcio O Propriedades:
acistringente, hemostático, tónico. U. I., U. E. + o Ver: diarréia,
eczema, epistaxe, leucorreia, úlcera cutânea.
Salgueiro-branco

Salix alba L.

Sinceiro, vimeiro-branco

Salicáceas

Planta característica do hemisfério norte, o

género Salix é constituído por cerca de 200 espécies difíceis de


determinar, das quais algumas, de menor porte, resistem ao frio e
aos climas de altitude. De entre os salgueiros da Europa, o maior e
o mais comum no estado espontâneo é o salgueiro-branco; porém, o
mais conhecido é uma espécie cultivada, o salgueiro-da-babilónia,
Salix babvlonica L., ou chorão, com longa ramagem pendente. Os
amigos do poeta romântico Alfred de Musset plantaram um salgueiro-
branco, após a sua morte, junto do seu túmulo, no Cemitério do Père-
Lachaise, em Paris, cumprindo um pedido que o poeta lhes fizera numa
estrofe melancólica.

Os médicos da Antiguidade recorriam com frequência ao salgueiro, sem


contudo precisar quais as espécies utilizadas; com efeito, todos os
salgueiros de folhas estreitas têm na prática propriedades
medicinais idênticas. Mattioli assinalava, no século XVI, a eficácia
das folhas de salgueiro contra as insônias; no século XVII, a sua
casca era utilizada como febrífugo. Sabe-se actualmente que este
efeito se deve à sua riqueza em ácido salicílico; um seu derivado é
um dos medicamentos mais utilizados no Mundo e universalmente
conhecido pelo nome de aspirina.

Habitat: Europa, bosques húmidos, ribanceiras; em Portugal,


sobretudo em zonas do Centro e do Sul, margens dos rios, vales; até
1800 m. Identificação: de 6 a 25 m de altura. Árvore; casca gretada
quando velha, ramos erectos, flexíveis, ramos jovens guarnecidos de
pêlos finos; folhas com pecíolo curto, lanceoladas, acuminadas,
acetinadas, prateadas pelo menos na página inferior, bordos inteiros
ou serrados; flores amarelas ou esverdeadas (Abril-Maio), dióicas,
com amentilhos erectos, sedosos, flor masculina reduzida a 2 estames
e uma glândula nectarífera, flor feminina reduzida a um pistito,
protegidas por uma escama celheada caduca; cápsula glabra, quase
séssil, bivalve, e numerosas sementes tomentosas. Inodoro; sabor
amargo. Partes utilizadas: casca, folhas, amentilhos.
O Componentes: salicósido, tanino, sais minerais O Propriedades:
acistringente, anestésico, antiespasmódico, anti-reumatismal,
febrífugo, hemostático, sedativo, tónico. LI. L, U. E. + Oli Ver:
banho, dor, eritema, febre, gripe, nervosismo, pé, pele, psoríase,
reumatismo, sono, úlcera cutânea.
260
Salsaparrilha-bastarda

Smilax aspera L. Legação, alegra-campo, recama, salsaparrilha-


indígena, alegação

Bras.: japecanga

Liliáceas

Existem cerca de 200 espécies do género Smilax difundidas pelas


regiões quentes e

húmidas do Globo. Algumas delas são medicinais e fazem parte das


plantas exóticas importadas. Na Europa, encontra-se esta espécie,
cujo nome científico a qualifica como rude e áspera. A planta
prefere o calor e geralmente prende-se às árvores e aos arbustos na
região mediterrânica. Para mais facilmente a identificar, é
necessário examinar o seu caule anguloso e pungente, as folhas
triangulares orladas de acúleos, as flores simples que subsistem até
ao mês de Outubro e as bagas vermelhas com as dimensões de uma
ervilha, muito semelhantes às da groselheira.

Como os seus parentes exóticos, a salsaparrilha-bastarda possui


propriedades depurativas, diuréticas e sudoríficas, porém em menor
grau. No século XVI, Mattioli atribuiu-lhe uma acção anti-sifilítica
que nunca

foi confirmada. A raiz, branco-acinzentada, seca e moída é indicada


para os asmáticos, que se sentirão confortados se a fumarem.

Q Não confundir a raiz com as das norças, branca e preta. Habitat:


Europa Meridional; espontânea no Centro e Sul de Portugal, muros e
bermas; até 300 m. Identificação: de 1 a 2 m de altura. Subaribusto;
caule sarmentoso, sinuoso, anguloso e provido de acúieos; folhas
persistentes, pecioladas, brilhantes, cordiformes, maculadas de
branco ou preto, aculeadas, com 5 a 7 nervuras e 2 gavinhas na base
do pecíolo; flores branco-esverdeadas (Agosto- Outubro), em umbelas
paniculadas na axila das folhas e na extremidade dos ramos, 6 peças
petalóides, patentes, flores

masculinas: 6 estames, flores femininas: ovário com 3 estigmas; baga


vermelha com 1 a 3 sementes redondas e castanhas; rizoma ]enhoso,
geralmente muito comprido, com raízes adventícias, raizes branco-
acinzentadas ou castanhas. Cheiro agradável. Partes utilizadas:
raiz.
O Componentes: glúcidos, colina, saponósidos, tanino, sais minerais
(potássio, cálcio) O Propriedades: depurativo, diurético,
sudorífico. U. 1. + Ver: artrite, asma, gota, gripe, herpes,
nefrite, pele, urina.
Salva

Salvia officinalis L.

Erva-santa, salva-mansa, salva-menor, salva-das-farmácias, salva-da-


catalunha, grande-salva,

chá-da-europa, chá-da-grécia, chá-da-frança

Labiadas

Segundo Saint-Simon, Luís XIV bebia todas as manhãs, ao levantar,


duas chávenas de salva e verónica. A salva goza de enorme prestígio
desde tempos imemoriais; a Escola de Salerno, que a denominou Salvia
salvatrix, herdou-a de Santa Hildegarda, atribuindo-lhe este axioma
exemplar: *Se existisse algum remédio contra o poder da morte, o
homem não morreria no jardim onde cresce a salva.+ Todas as espécies
de salva são extremamente aromáticas, e a officinalis é importante
mesmo do ponto de vista culinário. O nome Salvia deriva do latim
salus, saúde, alusão às propriedades curativas da planta. Tem
variadíssimas aplicaçõ es domésticas: para aromatizar os alimentos,
sanear os armários e proteger as roupas, preservar a beleza e tratar
as indisposições. Crê-se que cura os ataques de melancolia e acalma
as crises de asma. O cheiro e sabor aromáticos tornam-na muito
agradável, mas

não convém abusar. Com efeito, a essência de salva contém a mesma


substância tóxica que a losna, não sendo o seu uso aconselhado aos
temperamentos sanguíneos e hipertensos.

O Mulheres que amamentam; evitar o contacto com o ferro. Habitat:


Europa Meridional; até 800 m. Identificação: de O,30 a O,70 m de
altura. Subarbusto; caule ramoso e tomenlo@o-pubescente; folhas
grandes, oblongas, pecioladas, verde-esbranquiçadas, persistentes,
espessas, crenadas; flores azul-violáceas (Maio-Julho), em grupos de
3 a 6 por verticilo, em espigas terminais com brácteas violáceas
caducas, cálice bilabiado, corola comprida com 2 lábios, sendo o
inferior trilobado, com o lobo médio maior. Partes utilizadas:
folhas mondadas (antes da

floração), sumidades floridas.


O Componentes: ácido rosmarínico, flavonóides, saponósido O
Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico, anti-sudorífico,
carminativo, colerético, emenagogo, estimulante, estomáquico,
hipoglicemiante, vulnerário, U. L, U. E. + V O Ver: asma, astenia,
banho, cabelo, convalescença, depressão, desinfecção, diabetes,
enfisema, entorse, esterilidade, frigidez, gengivas, impotência,
lactação, leucorreia, menopausa, menstruação, nervosismo, parto, pé,
picadas, sudação, tabagismo, tez.
262
Salva-esclareia

Salvia selarea L.

Labiadas

A salva-esclareia é uma magnífica planta vivaz, alta e vigorosa, com


grandes folhas ovadas, cujas flores com corola de lábios cor-de-
rosa-pálido são dotadas de brácteas cordiformes. Toda a planta é
viscosa e odorífera, exalando um perfume a almíscar. Encontra-se nas
colinas áridas, na base dos muros e ao longo dos caminhos, sendo
cultivada desde a Antiguidade, época em que a sua fama era idêntica
à da Salvia officinalis L. Em 795, com o nome de Sclareiam, fazia
parte das plantas cuja cultura era aconselhada no Capitular de
Villis. Actualmente, é cultivada à escala industrial para extracção
da sua essência. Em fitoterapia, a salva-esclareia é essencialmente
emenagoga e estimulante e um óptimo remédio para o cansaço. Pode
substituir a salva em todas as suas utilizações, porém em doses um
pouco mais elevadas. Crê-se que a sua essência é menos tóxica, não
apresentando a sua utilização qualquer perigo. A semente da salva--
esclareia, tal como a do aljôfar, é rica em mucilagem, podendo ser
utilizada para extrair corpos estranhos dos olhos: colocada sob a

pálpebra, incha, atrai o pó e provoca lágrimas, arrastando assim o


corpo estranho.

Habitat: Europa Meridional, colinas áridas; em Trás-os-Monies, em


lugares secos; até 1000 m. Identificação: de O,30 a 1,20 m de
altura. Vivaz, caule robusto, quadrangular, viloso, ramoso; folhas
pecioladas, grandes, ovadas, cordiformes, rugosas, vilosas,
acinzentadas, crenuladas, rede saliente de nervuras; flores brancas
maculadas de cor-de-rosa ou azul (Maio-Setembro), em espigas de
verticilastros, formando uma panícula densa e viscosa, com grandes
brácteas cor-de-rosa-violáceas, cordiformes, celheadas, cálice
espinhoso, bilabiado, corola comprida, glandulosa, bilabiada, lábio
superior

fauciforme, sendo o inferior trilobado, 2 estames; tetraquénio


castanho, brilhante, sementes brilhantes; toiça vivaz e raiz
aprumada. Cheiro a aimíscar; sabor ardente e acre. Partes
utilizadas: folhas (antes da floração), sumidades floridas e
sementes.
O Componentes: óleo essencial, tanino, saponósido, colina,
heterósido, mucilagem O Propriedades: antiespasmódico, anti-
sudorífico, detersivo, emenagogo, estimulante. U. L, U. E. + Ver:
convalescença, edema, menstruação, olhos, tosse convulsa, úlcera
cutânea, vómito.
Sanamunda

Geum urbanum L.

Erva-benta, cariofilada, cravoila

Rosáceas

No Verão, é fácil reconhecer a sanamunda entre as outras plantas


vivazes nas bermas dos caminhos e nas orlas dos bosques. É uma
pequena planta rústica, de porte erecto, ligeiramente túrgida, com
folhas finas e tripartidas e discretas flores amarelas. Os frutos,
encimados pelo seu estilete recurvado, formam, na extremidade dos
caules, pequenas esferas cobertas de pêlos.

Muitos séculos atrás, acreditava-se que a presença de uma raiz de


Geum em casa afastava o demónio e os animais peçonhentos. Supõe-se
que as virtudes da planta foram pela primeira vez mencionadas na
História Natural de Plínio, o Antigo. No século Xil Santa Hildegarda
chamou-lhe Benedicta.

Quase abandonada pelos médicos a partir do século XVI, a sanamunda


manteve-se muito popular nos meios rurais, se bem que, segundo uma
lenda, a planta possa, por vezes, enfeitiçar o seu possuidor.
Actualmente, bem estudada do ponto de vista químico, reconquistou a
simpatia dos fitoterapeutas.

O Não utilizar recipientes de ferro e não ultrapassar as doses


prescritas. Habitat: Europa, Norte e Centro de Portugal,
especialmente nas regiões montanhosas, solos húmidos, sombrios; até
1300 m. Identificação: de O,20 a O,60 m de altura. Vivaz, caule
erecto, ramoso, pubescente; folhas radicais, penatissectas, com 5 a
7 folíolos desiguais, sendo o terminal maior e serrado; flor amarela
(Maio- Sete m bro), solitária, calículo com 5 divisões, 5 sépalas
pendentes após a fioração, 5 pétalas separadas, numerosos estames e
carpelos; aquénio viloso, encimado por

um comprido estilete recurvado; rizoma curto, rugoso, castanho na


parte exterior, roxo quase castanho no corte, Cheiro aromático a
cravinho; sabor amargo e acistringente. Partes utilizadas: folhas
(na floração); rizoma (antes da floração).
O Componentes; tanino, resina, princípio amargo, heterósido,
vitamina C O Propriedades: acIstringente, febrífugo, estomáquico,
sudorífico, tónico, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: astenia,
cefaleia, conjuntivite, depressão, diarréia, digestão, estômago,
ferida.

264
Sanguissorba-oficinal

Sanguisorba officinalis L.

Rosáceas

A sanguissorba é uma rosácea vivaz que prefere os prados húmidos, os


pântanos e as turfeiras. Permanece florida durante todo o Verão,
difundindo o aroma suave das suas flores hermafroditas cor de
púrpura-escura, comprimidas numa densa inflorescência. A medicina
dos sinais interpretava a rutilância das suas corolas como um sinal
da sua acção sobre os derramamentos de sangue. Mais tarde, a análise
química da planta revelou a presença de tanino, produto que poderá
provocar esse efeito. A planta é eficaz em todos os tipos de
hemorragias: dos aparelhos digestivo e respiratório, dos órgãos
genitais e dos rins; também tem efeito benéfico nos casos de
diarreia e leucorreia.

A sanguissorba serve de base a um exce~ lente chá digestivo, o qual


pode ser aromatizado adicionando-lhe anis-verde, mentas ou angélica.
O seu sabor, extremamente suave, semelhante ao do pepino, torna mais
gostoso o tempero das saladas. Numa urgencia, a raiz fresca,
descascada, pode ser aplicada numa queimadura recente para aliviar o
ardor e facilitar a cura.

Habitat: Europa, prados húmidos (argila, turfa); até 1800 m.


Identificação: de O,30 a 1,50 m, por vezes 2 m, de altura. Vivaz,
caule erecto, ramificado, oco, glabro, ligeiramente folhoso; folhas
de 30 a
40 cm, glabras, imparipinuladas, com 5 a 15 folíolos ovais,
dentados, verde-claros na página superior e mais claros na inferior,
flores vermelho-sanguíneo (J ulho- Setembro), minúsculas,
bissexuadas, agrupadas em espigas capitadas, ovóides, cálice viloso
no vértice; fruto liso, castanho, quadrangular, contendo 1 semente;
toiça subterrânea, castanha e rastejante. Cheiro suave; sabor
salgado e amargo. Partes utilizadas: toda a planta e raiz (antes da
floração, no Outono), suco fresco; a conservação é impossível.
* Componentes: tanino, saponósido, flavonas
* Propriedades: acistringente, digestivo, estomáquico, hemostático.
U. L, U. E. + Ver: diarréia, ferida, hemorragia, hemorroidas,
leucorreia, menopausa, queimadura.

265
Sanícula

Sanicula europaea L.

Sanícula-vulgar

Umbelíferas

Denominada erva-de-são-lourenço em França devido às suas virtudes


cicatrizantes, e invocando o mártir que foi colocado numa grelha de
ferro em brasa pelo prefeito de Roma no século til, a sanícula foi
muito apreciada pela Escola Médica de Salerno. Se bem que o seu nome
derive da palavra latina sanare, curar, e a sua eficácia seja
indubitável, é por vezes substituída pela agrimónia

ou a sempre-noiva. Não deve, no entanto, ser menosprezada.

Cresce nos bosques sombrios e frescos, sob as árvores frondosas,


nomeadamente as faias. O caule, verde, apresenta na base folhas
largas e palmadas dispostas em roseta; as do vértice do caule são
pequenas e sésseis. Permanecem verdes durante todo o ano, podendo
ser colhidas em qualquer estação. Esmagadas cruas e aplicadas sobre
contusões e hematomas, facilitam a sua reabsorção. A sua infusão
serve para lavar as

feridas, que, deste modo, cicatrizam sem

supuração. Fervidas em leite e adoçadas com mel, estas mesmas folhas


constituem um excelente gargarejo (que não deve ser engolido) para
tratar as anginas.

Habitat: Europa, florestas de árvores frondosas; espontânea em Trás-


os-Montes, Minho e

Beiras; até 1500 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura.


Vivaz, caule erecto, glabro, frágil e simples; folhas verde-escuras,
brilhantes, palmatipartidas, quase todas basilares, com pecíolo
comprido, sendo as caulinares O, 1 ou 2, quase sésseis; flores
branco-rosadas (Maio-Julho), pequenas, sésseis, em capítulos
reunidos em umbelas irregulares, com 3 ou 5 raios muito desiguais, 5
pétalas curvadas para o centro, hermafroditas, sésseis no centro,
possuindo as da margem

estames; diaquénio globoso coberto de acúleos gancheados; rizoma


castanho com raizes nodosas e fibrosas. Cheiro intenso; sabor amargo
e acistringente. Partes utilizadas: raiz (Outono), toda a planta
(Maio-Julho) e suco.
O Componentes: saponósidos, tanino, óleo essencial, princípio amargo
O Propriedades: acistringente, cicatrizante, detersivo, vulnerário.
U. I., U. E. + Ver: anginas, contusão, diarreia, ferida, leucorreia.
SantÓnico

Artemisia inaritima L.

Barbotina, semencina, sérnen-contra,

sementes-de-alexandria Bras.: artemísia-marítima

Totalmente coberto por uma penugem branca, o santónico é, tal como o


nome da espécie indica, uma planta das costas marítimas. Na Europa,
encontra-se nos litorais da Mancha e do Atlântico, nos solos
salgados e nos pântanos. É uma planta extremamente aromática. No
Outono, exibe as suas flores amarelo- acastanhadas, agrupadas em
capítulos apenas num dos lados dos seus ramos inclinados, formando
cachos pouco densos. Os capítulos devem ser colhidos antes de as
flores desabrocharem: devido às suas pequenas dimensões, supôs-se
durante muito tempo que eram sementes, pelo que o santónico foi
conhecido por semencina (do italiano semenzina, diminutivo de
semente).

É uma planta bastante activa e um vermífugo muito utilizado nas


regiões litorais para as ascárides e os oxiúros. Estas propriedades
são devidas à santonina que contém. Uma outra espécie, importada da
Ásia, Artemisia cina Berg., possui virtudes idênticas; porém, quando
utilizadas para o mesmo efeito, o santónico é mais bem tolerado. No
entanto, para evitar riscos de toxícidade, não deve ser administrado
a crianças. Em uso externo a planta é absolutamente inofensiva.
Entra como componente de uma cataplasma que se

aplica sobre o abdômen de crianças portadoras de parasitas


intestinais.

G Não ultrapassar as doses indicadas. Não deve ser administrado a


crianças. Habitat: costas européias, excepto no litoral
mediterrânico. Identificação: de O,30 a O,60 m de altura. Vivaz,
caules herbáceos, floríferos, aveludados, vilosos, esbranquiçados,
prostrado-ascendentes e ramosos; folhas curtas, tomentosas,
esbranquiçadas nas duas páginas, recortadas em lacínias estreitas,
sendo as inferiores e as médias pecioladas e as superiores sésseis;
flores amarelo-acastanhadas (Setembro- Outubro), pequenas, em
capítulos de 3 a 5 flores, ovójdes, unilaterais, inclinados,
reunidos numa panícula de numerosos cachos arqueado-pendentes, pouco
densos, com folhas simples; raiz delgada e lenhosa. Cheiro aromático
e intenso; sabor amargo e canforáceo. Partes utilizadas: sumidades
floridas secas.
O Componentes: santonina, sais minerais, colina, essência O
Propriedades: vermífugo, vulnerário. U. I., U. E. Ver: ferida,
parasitose.
267
Satirião-macho

Orchis mascula L.

Salepeira-maior, satírio-macho, salepo-maior,

pata-de-lobo, escroto-canino

Orquidáceas

As Orquidáceas constituem a mais numerosa família de todo o reino


vegetal; a elas pertencem várias espécies espontâneas de Orchis
muito disseminadas, sendo mais frequentes em terras altas. Se bem
que seja difícil distingui-Ias entre si, é extremamente fácil
identificar uma devido às suas flores irregulares, simetricamente
dispostas segundo um plano vertical: três sépalas coradas e

três pétalas, das quais duas laterais e uma maior, o labelo, em


forma de avental com três lobos, um dos quais termina em esporão. O
satirião-macho possui um duplo tubérculo globoso subterrâneo que,
não sendo bifurcado nem palmado, deu origem ao

nome de Orchis, testículo; as folhas da base apresentam


frequentemente manchas castanho-avermelhadas, e as do caule não se
desenvolvem, ficando reduzidas às bainhas. Dos tubérculos das
diversas espécies extrai-se desde épocas remotas uma farinha
alimentar, o salepo, sahlap em língua árabe, muito famosa outrora,
especialmente no

Oriente. Na realidade, o salepo e a excelente geleia de salepo não


são mais nutritivos que a fécula de batata. O satirião-macho é uma
planta refrescante com a qual os Orientais preparam uma bebida muito
agradável.

O Planta rara que se desenvolve lentamente e não resiste às


devastações. Habitat: Europa, bosques, prados, pastagens;
disseminado em Portugal; até 2000 m. Identificação: de O,15 a
O,25 m de altura. Vivaz, caule espesso e suculento, com escapo
floral; todas as folhas da base erectas, aiongadas, frequentemente
manchadas de castanho-avermelhado, nervação paralela; flores cor de
púrpura ou violáceas (Maio-Junho), em espiga cilíndrica, brácteas
violáceas, 3 sépalas abertas, coradas, esporão comprido, inteiro e
erecto, tabelo pontuado oe cor púrpura, levemente

chanfrado, pólen aglutinado em duas massas chamadas polinídias;


tubérculos em grupos de
2, ovóides e acastanhados. Cheiro agradável; sabor amargo. Partes
utilizadas: tubérculo (após a floração); escolher bem para apenas
conservar os tubérculos intumescidos, escaldar, retirar a pele,
secar sobre panos ao sol ou no forno.
O Componentes: mucilagem, amido, prótidos, lípidos, sais minerais,
cumarina O Propriedades: antidiarreico, emoliente, refrescante. U.
1. Ver: convalescença,.fadiga, impotência.

268
Satureja-das-montanhas

Satureia montana L.

Bras.: segurelha

É uma planta soalheira que perfuma as colinas áridas de toda a


região mediterrânica. Existe uma outra espécie, a segurelha,
Satureia hortensis L., planta herbácea, mais pequena e delicada,
ligeiramente baça, evadida das hortas e que apenas vive um ou dois
anos. Estas duas plantas aromáticas têm propriedades semelhantes.
Com efeito, contêm substâncias bastante activas, também presentes no
tomilho, no eucalipto e no serpão, que lhes conferem propriedades
anti-septicas, expectorantes e tónicas. De há muito consideradas
estimulantes psíquicos e físicos e até afrodisíacos, contribuíram
para que alguns etimologistas associassem o nome

genérico Satureia com a palavra *sátiro+. A s aturej a- das


-montanhas é um óptimo condimento devido às suas propriedades
carminativas, que tornam os legumes que contêm féculas mais
digeríveis; pelo seu valor antibiótico, permitem aos aparelhos
digestivos mais delicados tolerar as carnes de caça retardadas. Para
obter melhores resultados, é necessário conservar a saturej a-das-
montanhas em ramos e moê-la sobre os alimentos na altura da
preparação.

Habitat: Europa Meridional, encostas calcarias e áridas; até 1500 m.


Identificação: de O, 10 a O,40 m de altura. Subarbusto; caule
ascendente ou erecto, com ramos rígidos; folhas coriáceas,
brilhantes, glabras, estreitas, pontiagudas, celheadas; flores cor-
de-rosa, brancas ou lilases (Julho-Setembro), em espiga folhosa,
terminal, unilateral, cálice tulbuloso com 5 dentes quase iguais,
corola saliente bilabiada, sendo o lábio superior erecto, o inferior
trilobado e o médio maior, 4 estames; tetraquénio preto. Cheiro
aromático; sabor amargo e ardente.

Partes utilizadas: sumidades floridas (Verão); secagem em ramos


sobre uma fonte de calor.
O Componentes: essência (carvacrol e cimeno), hidrocarbonetos,
nitrofenol, enzima O Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico,
carminativo, estimulante, estomáquico, expectorante. U. L, U. E. +
Ver: anginas, astenia, banho, bronquite, diarreia, espasmo,
estômago, ferida, frigidez, impotência, insectos, meteorismo,
picadas.

269
Selo-de-salomão

Polvgonatum offi< inale Desf.

Lifiáceas

O vigoroso rizoma do selo-de-salornão dá origem todos os anos a um


novo caule que, ao desaparecer antes do Inverno, deixa uma marca
como a de um sinete; esta cicatriz confere ao caule subterrâneo da
planta um

aspecto muito peculiar. As partes aéreas são também de tal modo


características que, depois de se ter visto uma vez esta planta

rígida à sombra de uma mata, não é possível deixar de reconhecê-la


imediatamente. Em Junho, surgem os frutos, azul-escuros, do tamanho
de ervilhas. Estas tentadoras bagas são perigosas para as crianças,
tendo já provocado, como os frutos vermelhos do lírio-dos-vales,
envenenamentos fatais.

No século 1, Dioscórides afirmava que o

selo-de-salornão activava a cicatrização das feridas e fazia


desaparecer os sinais do rosto. Na cosmética moderna, o rizoma serve
de base a uma água de beleza indicada para peles sem brilho.

Este rizoma, depois de cozido e esmagado, tem um efeito benéfico


quando colocado sobre contusões e inchaços, pois atenua as dores.

O Não utilizar as bagas. Habitat: Europa, solos frescos, florestas;


nas regiões montanhosas de Trás-os-Montes e Alto Alentejo, em locais
sombrios; até 2000 m. Identificação: de O,20 a O,50 m de altura.
Vivaz, caule glabro, erecto, arqueado, anguloso, tolhoso; folhas
alternas, erectas, ovais, subsésseis ou amplexicaules, com nervuras
longitudinais convergentes, dispostas em 2 filas opostas; flores
brancas orladas de verde (Abril-Junho), pedunculadas, pendentes, 1
ou 2 sob o caule na axila de cada uma das folhas, em tubo de 6 lobos
formado por 3 sépalas petalóides e

3 pétalas soldadas, 6 estames glabros; baga azul-escura, redonda,


pendente, contendo de
3 a 6 sementes, rizoma carnudo, horizontal, nodoso e fibroso. Cheiro
agradável (flores), inodoro (rizoma); sabor amargo, acre e
nauseabundo. Partes utilizadas: rizoma (Outono),
O Componentes: saponósido, mucilagem, tanino, oxalato de cálcio O
Propriedades: hemolítico, hipoglicemiante, resolutivo. U. E. V Ver:
abcesso, contusão, panaricio, pele, reumatismo, sarda.
Sempre-noiva

Polygonum aviculare L. Corriol a-bas tarda, erva-da-muda, persi cári


a- sempre- noiva, erva-da-saúde, centinódia,

sanguinha, erva- dos -pas sari nhos, sanguinária, se mpre- noiva-


dos -modernos, erva-das-galinhas

Poligonáceas

Como a persicáría-mordaz, a bistorta, a azeda e o labaçol, a sempre-


noiva pertence à família das Poligonáceas e caracteriza-se pelos
seus caules muito nodosos. Densa e resistente, propaga-se
rapidamente, cobrindo vastas áreas e suportando, sem prejuízo, ser
pisada.

Muito apreciada pelos agricultores, é o maná do gado e a erva dos


porcos. As aves alimentam-se com as suas pequenas sementes
castanhas. Para os apreciadores de simples, toda a planta é útil,
devendo ser colhida durante o período de floração. Para a

medicina antiga, era um remédio hemostático, pelo que os Latinos a


denominaram Sanguinaria. Durante muito tempo utilizada para conter
as hemoptises e tratar a tuberculose pulmonar, foi objecto de um
escandaloso comércio à custa da credulidade dos doentes.
Actualmente, a sempre-noiva é utilizada para o tratamento da
diabetes, pois faz diminuir a sede, um dos sintomas desta doença.

Habitat: Europa, terrenos baldios, ruas; frequente em quase todo o


território português; até 2300 m. Identificação: de O,10 a O,50 m de
altura. Anual, numerosos caules prostrados, delgados, estriados,
verdes; folhas alternas, sésseis, pequenas, lanceoladas, nervadas na
página inferior, com a base rodeada por uma bainha membranosa
prateada e com nervura; flores brancas ou cor-de-rosa (Junho-
Novembro), pequenas, quase sésseis, em grupos de 1 a 4 na axila das
folhas, ao longo do caule, 5 sépaIas sem corola, 8 estames, 3
estigmas; aquénio castanho pequeno, trígono, com 1 seme te. Sabor
adstringente. Partes utilizadas: suco fresco, toda a planta (Junho-
Novembro), raiz (Outono); secagem em ramos num local coberto.
O Componentes: tanino, resina, óleo essencial, silício, mucilagem,
pigmentos flavónicos O Propriedades: acistringente, diurético,
hemostático, laxativo, sedativo, vulnerário. U. L, U. E. + o Ver:
celulite, diabetes, diarreia, diurese, epistaxe, ferida, gota,
leucorreia, litíase.

271
Serpão

Thymus serpyllum L. (sensu lato) Serpilho, serpol, serpil, erva-ursa

Bras.: tomilho

Labiadas

O serpão é uma pequena labiada aromática como o alecrim, a erva-


cidreira e o hissopo que os botânicos classificaram, juntamente com
o tomilho, no género Thymus. Na Antiguidade, o nome Thymus referia-
se a diversas plantas aromáticas das quais também fazia parte a
segurelha; actualmente, abrange apenas algumas espécies, das quais
as duas mais importantes, o tomilho e o serpão, se distinguem
facilmente. Não obstante, os especialistas têm enormes dificuldades,
pois o serpão é uma planta polimorfa, diferente consoante as regiões
e os climas. Assim, a sua altura varia, os ó rgãos modificam-se, as
flores mudam de cor e até o perfume se altera, assemelhando-se ao da
erva-cidreira, do orégão ou do limão. O serpão foi desde sempre
utilizado pela medicina sem qualquer receio. Supõe-se que o mais

indicado para este fim é o serpão com cheiro a tomilho. Esta planta
é fácil de distinguir, pois os seus caules são longos, com raízes, e
as folhas igualmente glabras em ambas as faces. No seu Terceiro
Livro, Rabelais, que também se interessava pelos nomes das plantas,
faz referência ao serpão. *0 serpão+, escreve, *rasteja pelo solo+,
frase que deu origem ao nome da planta. Efectivamente, herper, em
francês arcaico, derivava do grego herpein, rastejar, que foi
traduzido para o latim por serpy11um, palavra já usada por Virgílio
nas suas Éclogas.

Habitat: Europa, bosques, solos áridos; espontâneo no Norte e Centro


de Portugal; até 2500 m. Identificação: de O,10 a O,50 m de altura.
Vivaz, poiimorfo, caule prostrado, ascendente na extremidade
superior, pubescente; folhas pequenas, inteiras, oblongas, planas ou
com bordos ligeiramente enrolados, celheadas na base; flores cor-de-
rosa-lilás (Junho-Outubro), pequenas, em espigas, cálice
ligeiramente pubescente com 2 lábios, 3 dentes em cima e
2 em baixo, corola bilabiada, sendo o lábio superior erecto e o
inferior com 3 lóbulos e 4 estames; tetraquénio castanho; raiz
delgada e lenhosa. Cheiro e sabor agradáveis e aromáticos. Partes
utilizadas: sumidades floridas (Julho-Agosto); secagem em
ramalhetes.
O Componentes: óleo essencial, contendo timol e carvacrol, tanino,
resina, saponósido O Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico,
carminativo, diurético, expectorante, hemostático, tónico,
vermífugo. U. L, U. E, + V Ver: artrite, asma, astenia, banho,
bronquite, cabelo, convalescença, epistaxe, estômago, fadiga,
meteorismo, obstipação, reumatismo, seio, tosse.
272
Silva

Rubusfruticosus L. (sensu lato)

Sarça Bras.: nhambuí

Rosáceas

Somente os especialistas, munidos de minúsculas pinças, lupas e de


todo o seu saber, podem reconhecer as subtilezas botânicas que
diferenciam as diversas silvas. Existem mais de 100 espécies
diferentes e mais de
1000 variedades e híbridos. Todas estas formas intermédias têm a
aparência de verdadeiras espécies, mas diferem de local para local.
São plantas vivazes, vigorosas, exuberantes, de compridos caules
arqueados providos de acúleos cruéis. As flores, pequenas, brancas
ou levemente rosadas, são inodoras. Os frutos, as deliciosas amoras
aromáticas e refrescantes, negras e brilhantes, são apreciados pelo
homem desde a Pré-História; os frutos da Rubus caesius L. estão
cobertos por uma pruína azulada. Independentemente de servirem para
confeccionar doces e compotas, as amoras são a base de um xarope
utilizado como adstringente. Da infusão das folhas misturadas com as
do framboeseiro obtém-se um chá delicioso. O seu cozimento constitui
um adstringente muito enérgico; pode ser utilizado como loção para o
rosto ou em gargarejos para as doenças da boca. Todas as preparações
de vem ser cuidadosamente filtradas para eliminar os espinhos.

O Filtrar as preparações mesmo para uso externo. Habitat: Europa,


sebes, matas; presente em quase todo o território português; até
2300 m. Identificação: de O,20 a 2 m de altura. Subarbusto
sarmentoso, aculeado, rebentos (turiões) erectos; folhas estipuladas
com 3, 5 ou 7 folíolos, serrados, peciolados, por vezes
esbranquiçados na página inferior, pecíolos e nervuras aculeados;
flores brancas ou cor-de-rosa (Maio-Agosto), em cachos alongados ou
piramidais, 5 sépalas frequentemente cinzento-esbranquiçadas, 5
pétalas enrugadas, numerosos estames e carpelos; fruto globoso,
composto de drupéolas carnudas, preto-azuladas, comprimidas sobre um
receptáculo (amora). Sabor adocicado e levemente acistringente.
Partes utilizadas: flores em botão, folhas (antes da floração),
turiões, frutos (Setembro),
O Componentes: ácidos salicílico, oxálico, cítrico e málico, tanino,
glúcidos O Propriedades: acistringente, antidiabético, depurativo,
detersivo, diuré tico, tónico. U. I., U. E. + o Ver: afta, anginas,
diabetes, diarréia, gengivas, leucorreia, rouquidão, úlcera cutânea.

273
Silva-macha

Rosa canina L.

Rosa-canina, roseira-de-cão, silvão

Bras.: roseira, rosa-bandalha

Rosáceas

A silva-macha aqui representada é uma das muitas espécies


espontâneas que crescem nos campos europeus. Planta vivaz que pode
atingir alguns metros de altura, forma nas orlas dos bosques
barreiras impenetráveis. Os jardineiros constroem com ela sebes
decorativas para embelezar e perfumar os jardins; os cultivadores de
roseiras utilizaram-na como cavalo no enxerto para numerosas
variedades de roseiras cultivadas. As flores e as folhas da silva-
macha, bem como os frutos, denominados cinorrodos, e as galhas,
excrescência que se desenvolve nos ramos apó s a picada de um
insecto, são utilizados em medicina. Colhidos na Primavera e secos à
sombra, os botões florais e as folhas são laxantes suaves; podem
tamb >em aplicar-se nas feridas como agentes cicatrizantes. As
galhas, remédio muito vulgar desde a Antiguidade, são, devido ao seu
elevado teor em tanino, adstringentes e tónicas. Os cinorrodos
frescos são, pela sua riqueza em vitamina C, a base de um tratamento
para o cansaço e o escorbuto. Libertos dos pêlos internos, podem ser
utilizados em compotas ou em tisanas.

Habitat: Europa; frequente em Portugal nos bosques e margens dos


campos; até 1600 m. Identificação: de 1 a 5 m de altura. Vivaz,
caule esverdeado; ramos erectos e pendentes providos de acúleos;
folhas pinuladas com 5 a 7 folíolos serrados, ovais, glabros,
estipulas alongadas; flores cor-de-rosa-claro (Junho-Julho),
solitárias ou em corimbo, grandes (de 2 a 8 cm), sépalas
triangulares com estipulas compridas,
5 pétalas, numerosos estames; aquénio peludo com pericarpo duro,
encerrado num falso fruto ovóide, vermelho quando maduro, carnudo e
liso. Cheiro suave; sabor ligeiramente ácido.

Partes utilizadas: botões florais, folhas, fruto (Agosto- Outubro),


galhas; secagem rápida depois de ter aberto o fruto e retirado os
pêlos; longa conservação em local seco.
O Componentes: vitaminas B, C, E, K e PP, provitamina A, tanino,
pectina O Propriedades: aestringente, antiescorbútico, cicatrizante,
diurético, laxativo, tónico. U. I., U. E. + o Ver: angústia,
astenia, cura de Primavera, diarreia, fadiga, ferida, hemorragia,
litíase, parasitose, queimadura.
Tanchagens

a) Plantago major L. b) Plantago lanceolata L.

c) Plantago media L. a) Tanchagem- maior, chantage, tanchage b)


Tanchagem-menor, corrijó, carrajó, erva-de-ovelha, calracho,
tanchagem-terrestre, tanchagem-das-boticas

c) Tanchagem-média Bras.: a) transagem

Plantagináceas
O nome do género desta planta, Plantago, alude à forma de um pé,
semelhança difícil de encontrar. As três espécies aqui representadas
fazem parte do grupo das tanchagens comuns e possuem propriedades
idênticas. Os Antigos já as consideravam importantes e activas, quer
para uso externo, quer para uso interno. Conhece-se há muito o
efeito repousante de um colírio preparado com folhas de tanchagem
para os olhos cansados; nos meios rurais, é hábito encher o canal

auditivo com raiz de tanchagem ralada para acalmar as dores de


dentes, embora a eficácia deste tratamento não esteja comprovada.

As folhas de tanchagem podem ser colhidas durante 10 meses por ano e


utilizadas frescas em saladas ou sopas, e secas para fins
medicinais. As sementes, que devem ser colhidas muito maduras e em
tempo seco, são apreciadas pelas aves domésticas.

O Não esquecer que o pólen das tanchagens é um dos mais propagados


agentes da polinose. Habitat: Europa, bermas dos caminhos, solos
áridos; a tanchagem-maior e a menor são frequentes em Portugal; até
2000 m. Identificação: de O,10 a O,60 m de altura. Três espécies
vivazes: as hastes florais ultrapassam as folhas; acaules; flores em
espiga (Abril-Novembro). Inodoras. a) Folhas espessas, ovais com
pecíolos compridos e em roseta; corola acinzentada e avermelhada; b)
folhas lanceoladas, pecíolos delgados; corola esbranquiçada;

c) folhas ovais com pecíolos curtos e em roseta; corola branca.


Partes utilizadas: suco fresco, toda a planta, folhas (Primavera, na
floração), raizes (todo o ano), sementes maduras em tempo seco.
O Componentes: mucilagem, glúcidos, tanino, sais minerais, enxofre O
Propriedades: adstringente, cicatrizante, depurativo, diurético,
emoliente, expectorante, resolutivo. U. I., U. E. + V IN Ver: acne,
bronquite, conjuntivite, constipação, dentes, diarreia, epistaxe,
ferida, flebite, mordedura, obstipação, olhos, picadas.

276
Taráxaco *//* para refazer

Turaxacum officinale Web. (sensu lato) Dente-de-leão, coroa-de-


monge, frango, quartilho

Bras.: alface-de-coco

Se o taráxaco tivesse sido coi)lie,-ido tia Antiguidade, é provável


que zilLLiii,, ie o

mencionassem. Porém, neidium hoiani,@o ou médico cita esta planta


aiiic,, tio ,ék,tilo \\ Para Bock, em 1546, é um diur@iiço. Para
Tabernaemontanus, farma,@éulico ;ilciii,-'Ikl do século XVI,
doutorado em Medicina em Paris, o taráxaco constitui um @u1ncrario.
Único no seu género. A medi,:ina de-preza-o, mas o
taráxaco @oniinua a curar oficiosamente os doentes. \ti inicio do
culo xx, foi bruscamente universal foi o reconhe,-ini,,nio kl;l,
1,11U1,

propriedades que todas as terapêuticas em que era utilizado passaram


a chamar-se taraxacoterapias ... A partir de então, este prestígio
não diminuiu, pois o taráxaco permanece um dos simples mais úteis e
mais populares.

No taráxaco, a qualidade e a quantidade estão equiparadas: cresce em


toda a parte, durante quase todo o ano, vivaz, fresco, fechando-se
durante a noite e abrindo-se ao alvorecer. Oferece-se
indistintamente às abelhas, cumulando-as de néctar; às crianças,
recreando-as; aos citadinos, fornecendo-lhes saladas, e aos
apreciadores de plantas singelas. Embora existam muitíssimas
espécies de taráxacos, de grande porte ou

anãs, com folhas ovais muito pouco desenvolvidas, com frutos


brancos, vermelhos ou cinzentos, é impossível confundi-lo com

qualquer outra planta.

Habitat: Europa; frequente no País; até 2000 m. Identificação: de


O,05 a O,50 m de altura. Vivaz, folhas em roseta basilar densa,
glabras, compridas, diversamente roncinadas (com os segmentos
laterais virados para a base); flores de um amarelo intenso (Março-
Novembro), liguladas, formando um grande capítulo num comprido
pedúnculo radical, liso, oco, capítulo com invólucro duplo de
brácteas externas mais curtas; aquértio cinzento-azu lado, ovóide,
um pouco espinhoso na extremidade superior; rizoma espesso, grossa
raiz aprumada, castanho-escura e esbranquiçada no corte, látex
branco.

Partes utilizadas: raiz, folhas (Primavera), suco (Outono); cortar a


raiz em rodelas ou longitudinalmente, secá-la ao ar ou ao calor de
um forno.
O Componentes: clorofila, alcalóide, óleo essencial, inulina,
tanino, glúcidos, sais minerais, provitamina A, vitaminas B e C O
Propriedades: antiescorbútico, aperitivo, colerético, depurativo,
diurético, estomáquico, laxativo, tónico. UA., U.E. + V O Ver:
arteriosclerose, astenia, celulite, colesterol, cura de Primavera,
fígado, gota, hemorróidas,icterícia, litíase, obesidade, obstipação,
paludismo, pele, reumatismo, sarda, tez, ureia, varizes, verruga.

277
Tasneirinha

Senecio vulgaris L.

Cardo-morto Bras.: senécio

Compostas

A tasneirinha prolifera em todos os locais habitados; para os


jardineiros, é uma erva daninha fácil de eliminar que floresce em
qualquer estação do ano e se propaga velozmente. Como a mercurial e
a bolsa-de-pastor, a tasneirinha é uma planta adventícia que cresce
e se propaga em solos recentemente arados, especialmente nas
hortas;

como a papoila, aparece nas searas ou procura ainda as clareiras


das florestas, à semelhança do morangueiro- selvagem ou das
giestas. O conjunto dos frutos da tasneirinha forma uma cabeça
branca, desgrenhada, como o crânio de um velho aureolado por cabelos
frágeis e ralos; aliá s, o seu nome latino deriva de senex, velho.
Na Grécia antiga, gêraion significava velho, e gêreion, penacho,
lembrando a cabeça branca da tasneirinha. Dioscórides chamava a esta
planta erigeron, que se pode traduzir por velho primaveril.

Quando os textos antigos falam das aplicações medicinais da


tasneirinha, confundem frequentemente com a pequena tasneirinha uma
espécie vivaz de caule alto e anguloso, a tasna, ou tasneira,
Senecio jacobaea L., conhecida em França por erva-de-sant'iago, que
floresce aproximadamente a
25 de Julho, dia da festa deste santo apóstolo. As duas plantas são
principalmente emenagogas e aliviam as dores da menstruação,
regularizando simultaneamente os períodos. Ingerida em doses
elevadas, a tasneirinha pode ser perigosa.

Habitat: Europa; todo o País; até 2000 m Identificação: de O,04 a


O,60 m de altura. Anual, caule erecto, folhoso em quase toda a sua
extensão e ramoso; folhas espessas, recortadas em lóbulos desiguais
e irregulares, dentadas, sendo as inferiores atenuadas em curtos
pecíolos e as superiores sésseis e amplexicaules; flores amarelas
(todo o ano), pequenas, tubulosas, em capítulos cilíndricos,
reunidos em corimbos densos, invólucro com brácteas formando 2
séries, manchadas de preto na extremidade, sendo as superiores
compridas e as inferiores curtas; aquénio costado, encimado

por um papilho peludo plurisseriado; raiz aprumada. Partes


utilizadas: planta inteira florida antes do desabrochar dos
capítulos, folhas e suco (todo o ano).
O Componentes: sais minerais, mucilagem, tanino, resina, alcalóides
O Propriedades: adstringente, emenagogo, emoliente, expectorante,
vermífugo, vulnerário. U. L, U. E. + Ver: anginas, circulação,
diarreia, hemorroidas, lactação, mal da montanha, menstruação,
nervosismo, picadas, tosse.
Tília

Tilia cordata MiII.

Tifiáceas

Árvore sagrada das antigas civilizações germânicas, dotada de uma


longevidade pouco vulgar, a tília, como o carvalho, é uma árvore
histórica e lendária. Para Siegfried, herói dos Nibelungos,
desempenha o

mesmo papel nefasto da mãe de Aquiles ao pousar a mão sobre o


calcanhar de seu filho; efectivamente, Siegfried, tornado
invulnerável por um banho de sangue, morreu de uma ferida entre as
omoplatas, no local onde, no momento do banho, se fixara uma pequena
folha de tília. Como o ulmeiro-campestre, a tília é uma imponente
árvore venerada no centro das povoações e frequentemente plantada em
renques nas álcas dos parques e jardins públicos. Até à 11 Guerra
Mundial, a cidade de Berlim orgulhou-se da sua Unter

den Linden (Sob as Tílias), uma magnífica alameda de cerca de 1 km


de extensão fianqueada por filas destas árvores seculares.

É uma das plantas mais solicitadas nas lojas de ervanário. É


necessário trepar à árvore para colher as suas flores aromáticas, e
seguidamente deixã -las secar à sombra. As flores da Tilia
platyphy11os Scop., a tília de folhas grandes, têm utilizações
idênticas.

Habitat: Europa; cultivada em Portugal como árvore de sombra e


ornamental; até 1800 m. Identificação: de 15 a 40 m de altura.
Árvore; tronco erecto, casca lisa e gretada a partir dos
20 anos; folhas alternas, pecioladas, inteiras, cordiformes,
serradas, glabras na página inferior e glaucas; gemas glabras, com 2
escamas; flores branco-baças (Junho-Julho), efémeras, em grupos de 5
a 10 num peclúnculo comum soldado a meio de 1 bráctea, 5 sépalas, 5
pétalas e numerosos estames; fruto globoso, com
4 ou 5 costas pouco salientes. Cheiro agradável; sabor mucilaginoso.

Partes utilizadas: inflorescências jovens com brácteas (Junho-


Julho), casca, seiva e lenho; conservação ao abrigo do ar e da luz.
O Componentes: óleo essencial, mucilagem, tanino, pigmentos
flavónicos, manganésio e Propriedades: antiespasmódico, colerético,
emoliente, hipnótico, sedativo, sudorífico. U. L, U. E. + V Ver:
acne rosácea, albuminúria, angústia, banho, cefaleia, convulsão,
estômago, fígado, gota, indigestão, lumbago, nervos, nervosismo,
olhos, palpitações, pele, reumatismo, ruga, sarda, sono.

279
Tomilho

Thymus vulgaris L. Tomilho-vulgar, tomilho-ordinário, arçã, arçanha

Bras.: poejo, segurelha

Labiadas

O tomilho possui todas as propriedades terapêuticas do serpão, com


acção mais eficaz; a relação das suas propriedades medicinais é
extensa. A dificuldade no seu uso não reside em saber quais os casos
em que deve ser utilizado, mas em saber controlar as doses e a
duração do tratamento.

Com efeito, o tomilho contém substâncias bastante activas, de entre


as quais se salientam dois fenóis: um deles, o timol, anti-séptico,
antiespasmó dico e vermífugo, faz parte da preparação de numerosos
medicamentos comuns para usos interno e externo (é também um dos
ingredientes utilizados pelos embalsamadores modernos); o outro, o
carvacrol, é um anti-séptico muito utilizado em perfumaria. Em
fitoterapia, utilizam-se. as sumidades floridas, que podem ser
colhidas a partir do mês de Abril e durante todo o Verão.

O tomilho é originário da bacia mediterrânica ocidental; encontra-se


abundantemente em todo o Sul de França, Espanha, Portugal e Itália,
nas colinas áridas onde as suas moitas lenhosas e baixas com folhas
perenemente verdes exalam ao sol o seu aroma. Faz parte, além do
loureiro, do tradicional ramo de cheiros utilizado em culinária; o
café e o chá podem ser agradavelmente substituídos por uma infusão
de tomilho. Tem cheiro aromático e sabor amargo.

Habitat: Europa, região mediterrânica, colinas áridas; subespontâneo


em Portugal; até 1500 m. Identificação: de O,10 a O,30 m de altura.
Subarbusto; caules tortuosos, lenhosos, ramos acinzentados, erectos
e compactos; folhas pequenas, sésseis, lanceoladas, tomentosas,
esbranquiçadas na página inferior; flores rosadas ou brancas (Maio-
Outubro), pequenas, em espiga na axila das folhas maiores, cálice
giboso com pêlos duros, com 3 dentes superiores largos e 2 ínferos
agudos, corola bilabiada e 4 estames; tetraquénio castanho e glabro.
Partes utilizadas: caule florido e folhas.

O Componentes: óleo essencial, álcoois, hidrocarbonetos, resina,


tanino, saponósido O Propriedades: antiespasmódico, anti-séptico,
aperitivo, béquico, carminativo, cicatrizante, colerético,
desodorizante, diurético, emenagogo, estomáquico, hemolítico,
revulsivo, tónico, vermífugo. U. L, U. E. + O Ver: anemia, apetite,
astenia, banho, cabelo, convalescença, dentes, epidemia, estômago,
feridas, ftiríase, gripe, hálito, lumbago, menstruação, meteorismo,
parasitose, picadas, reumatismo, sarna, sinusite, tosse, tosse
convulsa.
Tormentila

Potentilla erecta (L.) Raeusch.

Tormentilha, tormentiria, sete-ern-rarna,

consolda-vermelha, solda

Rosáceas

Esta original Potentilla distingue-se dos seus parentes, o cinco-em-


rama e a argentina, pois as suas flores têm quatro peças, enquanto
as dos outros dois possuem cinco. A origem dos nomes da planta
indica a grande importância atribuída às suas propriedades
medicinais. Potentilla deriva da palavra latinapotens, poderoso.
Tormentila deriva de tormen, cólica; este qualificativo é atribuído
às plantas cujas propriedades adstringentes tratam as cólicas.
Ignorada pelos Antigos, a tormentila foi considerada no século XVI
de grande utilidade para diversas dores violentas, como as de dentes
e, evidentemente, as cólicas. O rizoma é utilizável logo após a
secagem, sendo portanto inútil guardar grandes quantidades. O seu
elevado teor em tanino torna a tormentila incompatível com outras
substâncias, como o ferro, os compostos alcalinos, o iodo, certos
metais pesados, como o bismuto e o cobre, e com outras plantas
medicinais, como o aloés-do-cabo, a macela e a alga-perlada.
Utilizada durante muito tempo como antidiarreico, a tormentila foi
substituída pela ratânia, planta exótica que faz parte de numerosas
preparações oficinais.

O Não utilizar recipientes de ferro na conservaçao ou na preparaçao.


Habitat: Europa, rara na região mediterrânica; em quase todo o País;
até 2200 m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. Vivaz, caules
erectos ou patentes, delgados, ramosos, folhosos; folhas alternas,
pecioladas, trifoliadas, serradas, tendo as caulinares pecíolo curto
com 2 estipulas incisas; flores amarelas (Maio-Outubro), pequenas,
solitárias, longamente pedunculadas, epicálice com 4 divisões
estreitas, 4 sépalas maiores, 4 pétalas pequenas e chanfradas,
numerosos carpelos;

aquénio liso; rizoma espesso, curto, nodoso, acastanhado na parte


exterior; de fractura é branco- esverdeado, tornando-se rapidamente
vermelho. Inodoro; sabor acistringente. Partes utilizadas: rizoma
seco (Março-Abril); retirar as raizes e o caule, secar ao sol ou em
estufa tépida,
O Componentes: tanino, tormentol, pigmento, amido O Propriedades:
acistringente, cicatrizante, hemostático. U. L, U. E. + Ver: afta,
diarreia, ferida, gengivas, hemorróidas, leucorreia.
Tramazeira

Sorbus aucuparia L. Cornogodinho, escancerejo, sorveira-dos-


passarinhos

Bras.: sorveira-brava

Rosáceas

Não é necessário ser um subtil observador da Natureza para notar a


sombra trespassada pelo sol das tramazeíras ao longo das estradas
rurais. São pequenas árvores pouco densas cujas flores brancas
cheiram a pirliteiro. No decorrer do Verão, as flores são
substituídas pelas bagas, semelhantes a pequenas maçãs ácidas, não
comestíveis cruas, excepto pelas aves, para as quais constituem um
autêntico manjar. Aliás, os passarinheiros cultivam frequentemente a
tramazeira para utilizar os seus frutos como engodo nas armadilhas.
Os pássaros ingerem os frutos e asseguram a disseminação da planta
ao expulsarem as sementes não digeridas. A sorveira, Sorbus
domestica L., planta próxima da tramazeira, produz pequenos frutos
em’ forma de pêra, semelhantes às nêsperas, que são comestíveis. As
propriedades medicinais de ambas as espécies são semelhantes-. os
frutos são adstringentes e têm as mais diversãs utilizações,
servindo para preparar compota ou geleia e para decocções quando
secos. Utilizam-se também na preparação de vinagre, aguardentes ou
licores.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, especialmente nas


montanhas; bosques das regiões montanhosas de Trás-os-Montes e
Beiras interiores; até 2000 m. Identificação: de 2 a 8 m, por vezes
15 m, de altura, Árvore; casca cinzenta e lisa; gemas vilosas;
folhas alternas, grandes, pinuladas, com 11 a 17 folíolos
lanceolados, serradas, com bordos assimétricos; flores brancas
(Maio-Julho), pequenas, em corimbos, cálice com 5 dentes erectos, 5
pétalas, 3 estiletes; pomo alaranjado (Setembro), pequeno, globoso e
liso. Cheiro suave; sabor açucarado, acre e azedo. Partes
utilizadas: folhas secas, frutos cozidos ou secos.
O Componentes: ácidos parassárbico, málico, cítrico e tartárico,
açúcar, pectina, vitamina C, tanino O Propriedades: acIstringente,
antiescorbútico, anti-hernorrágico, diurético, emenagogo, laxativo.
U. 1. Ver: diarréia, tosse.

282
TREPADEIRA

Convolvulus sepiut?i L. = Cal)Istegia sepium (L.) R. Br. Bons-dias,


trepadeira-das-balsas, trepadeira- da s- sebes,

trepadeira-dos-tapurnes

Planta volúvel com grandes flores brancas em forma de funil, invade


as pequenas matas, as sebes e até as vedações gradeadas de arame;
não tem gavinhas, mas enrola-se em volta dos seus suportes, sendo
vulgar que se enlace também com uma congénere. Este facto explica,
aliás, o nome científico da planta, pois Convolvulus deriva do latim
convolvere, enrolar-se; sepiunt, sebe, indica o seu habitat
preferido.

Se bem que pouco apreciada pelos jardineiros, esta planta deu origem
a diversas variedades muito decorativas, com flores

coloridas. Desde tempos muito antigos, a trepadeira é apreciada


devido às propriedades laxativas das suas raízes e folhas. Também os
médicos á rabes da Idade Média utilizavam as suas raízes para tratar
a icterícia. Um autor do século X1 descobriu nesta raiz um remédio
contra as febres *pútridas e biliosas@>. Actualmente, os Alemães
ainda utilizam uma infusão das suas folhas para tratar a leucorreia.
Estes órgãos vegetais, mesmo depois de secos e reduzidos a pó,
conservam

durante muito tempo as suas propriedades curativas.

Habitat: Europa, excepto no extremo norte, locais frescos, jardins,


pequenas matas dos taludes, matas, sebes vivas, caniçados; frequente
em todo o território português, até
1500 m. Identificação: de 1 a 5 m de altura. Vivaz, caule trepador,
volúvel, dextrorso (que enrola da esquerda para a direita), glabro,
anguloso; folhas grandes, cordiformes, aurículas arredondadas ou
angulosas, pecíolos compridos; flores brancas (Junho-Setembro),
axilares, solitárias, 2 estigmas, cálice com 5 sépalas, oculto por 2
brácteas opostas, grandes, corola 4 vezes mais comprida, afunilada,
com 5 pregas; cápsula semiglobosa, contendo 3 a 4 sementes; rizoma
comprido, branco, carnudo, da mesma grossura do caule aéreo. Partes
utilizadas: raiz, folhas (Junho-Setembro); secagem à sombra.
O Componentes: resina, tanino, sais minerais, heterósidos O
Propriedades: colerético, laxativo. LI. I., N Ver: fígado,
obstipação.

283
Trevo-cervino

Eupatorium cannabinum L.

Eupatóri o- de-avi cena Bras.: charrua, cipó~capa-de-horriem

Compostas

O eupatório dos Árabes não deve ser confundido com o eupatório dos
Gregos, Agrimonia eupatoria L., que até ao século xVII conservou o
nome de uma planta actualmente conhecida por agrimónia. O trevo-
cervino, que, como o nome da espécie indica, tem muitas semelhanças
com o cânhamo, é de entre as cerca de 100 espécies de Eupatori um a
única que cresce espontaneamente nas regiões europeias. Aclimata-se
especialmente nos locais inundados, nos prados alagados, nas
margens dos regatos; a sua

presença numa mata é um indicador de humidade. A maioria dos


animais não aprecia as suas folhas amargas; só a cabra, animal
conhecido pela sua voracidade, as pasta com apetite. Quando frescas,
as folhas têm uma acção cicatrizante, e supõe-se que os veados
feridos as utilizam para tratar as chagas.

Os fitoterapeutas apenas utilizam as folhas e as raízes do trevo-


cervino; as raízes frescas são difíceis de suportar, pois têm um

cheiro e gosto muito desagradáveis. No entanto, devem ser utilizadas


o mais rapidamente possível após a colheita, pois, quando secas,
perdem as propriedades.

Habitat: Europa, solos húmidos, matas; frequente nas margens dos


rios, valas, lugares húmidos, bosques no Norte e Centro de Portugal;
até 1700 m. Identificação: de O,60 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule
folhoso, erecto, avermelhado, pubescente; folhas com 3 a 5 folíolos,
opostas, com bordos crenados, glanclulosas na página inferior,
curtamente pecioladas; flores vermelho-claras ou cor de púrpura (Ju
lho- Setembro), regulares, em minúsculos capítulos, agrupados em
corimbos densos; aquénio preto com 5 ostas, com papilho; toiça
ramosa, raiz branco-acinzentada, fibrosa, oblíqua, da grossura de um
dedo. Cheiro repugnante (raiz); sabor amargo. Partes utilizadas:
folhas (antes da floração), raiz (Primavera ou Outono); lavar e
cortar a raiz às rodelas. Iii Componentes: resina, tanino, essência,
inulina, ferro, princípio amargo O Propriedades: aperitivo,
colagogo, depurativo, estimulante, laxativo, vulnerário. U. L, U. E.
+ V Ver: acrie rosácea, colesterol, convalescença, ferida, fígado,
obstipação, vesícula biliar.
Trevo-d’água

Menyanthes triftjliata L. Fava-d'água, trifólio-fibrino, fava-dos-


pântanos,

trevo- dos-ch arcos, menianto Bras.: trevo-aquático, eupatário-de-


avicena

G encianáceas

Quem já teve oportunidade de contemplar um trevo-d'água não poderá


esquecê-lo ou confundi-lo com qualquer outra planta. O caule
subterrâneo, por vezes completamente coberto por 2 ou 3 ru de água,
tem ramos florais extremamente elegantes e é desprovido de folhas,
ostentando uma bráctea sob cada uma das flores. As folhas estão
providas de grandes bainhas e de um limbo trifoliado. E, por isso,
frequentemente cultivado para ornamentar lagos e jardins. O trevo-
d'água só pode ser colhido introduzindo os pés na água, pois, no
estado silvestre, não se desenvolve apenas nos meios húmidos,
necessitando ainda de águas estagnadas, como as dos charcos, das
turfeiras ou dos prados alagados. O seu nome deriva das palavras
gregas mén, mês, e anthos, flor, ou seja flor do mês. Segundo
algumas opiniões, este nome é uma alusão ao tempo da floraçâo; para
outros, refere-se à acção da planta sobre a menstruação. As suas
virtudes para o tratamento da atonia digestiva e das febres foram
progressivamente descobertas e confirmadas pela prática. Afirma-se
ainda que uma chávena de trevo-d'água ingerida diariamente pode
prolongar o tempo de vida.

Habitat: Europa Ocidental, charcos, pântanos, turfeiras, valas;


espontânea no Alto Minho e na serra da Estreia. Identificação: de
O,20 a O,40 m de altura. Aquática, vivaz, caule grosso, rastejante,
enterrado no lodo, com folhas escamosas e resíduos fibrosos dos
órgãos precedentes alongando-se por artículos; folhas grandes,
trifoliadas, pecioladas; flores branco-rosadas (Abril-Junho),
pediceladas, em cacho erecto sobre um escapo que sai do caule
prostrado, cálice verde com 5 lóbulos, corola caduca, dividida em. 5
pétalas cobertas por grandes cílios crespos,

anteras arroxeadas; cápsula com 2 valvas Sabor acre. Partes


utilizadas: folhas (Abril-Maio); secagem rápida à sombra.
O Componentes: heterósido, meniantina, heterósidos flavónicos,
colina, vitamina C, iodo, enzimas O Propriedades: antiescorbútico,
aperitivo, depurativo, emenagogo, estomáquico, febrífugo, tónico. U.
I., U. E. + Ver: apetite, asma, digestão, enjoo, febre, menstruação.

285
TussilaGem

Tussilagolárfiira L.

Unha-de-cavalo, unha-de-asno. erva-de-são-quirino,

farfara

Compostas

Filitis ante patrem, nome medieval da tussilagem, significa o filho


antes do pai, e efectivamente os seus capítulos amarelos, que têm
certas semelhanças com os do taráxaco, nascem muito antes das
folhas, a partir do mês de Fevereiro. A tussilagem é vivaz e

resistente. Desenvolve-se em locais frescos, à beira dos caminhos,


em areias e argilas, desde as orlas marítimas até ao cimo das
montanhas. As suas flores, que desabrocham no Inverno, permitem
reconhecê-la facilmente.

É uma planta extremamente útil. Utilizada em cosmética, faz


desaparecer as rugas. Dá beleza à voz. Na verdade, uma infusão das
flores é benéfica para a tosse, do mesmo modo que a arnica cura os
inchaços e a nêveda-dos-gatos trata as cólicas.

Éconveniente coar as infusões de tussilagem para eliminar os pêlos


dos papilhos, que podem provocar irritações de garganta. Das
folhas obtém-se um *tabaco+ delicioso que ajuda os fumadores no
decorrer de uma cura de desintoxicação difícil,

Habitat: Europa, solos argilosos ou calcários; em Portugal,


sobretudo no Minho; até 2400 m.

Identificação: de O,08 a O,30 m de altura. Vivaz, caules floridos,


erectos, tomentosos, cobertos de brácteas, corados de vermelho;
folhas em roseta, pecioladas, largas, espessas, poligonais, com
bordos sinuosos, dentados, verdes na página superior, brancas na
inferior; flores amarelo-douradas (Fevereiro-Abril), em capítulos
solitários, sendo as do centro masculinas, tubulosas, e as da
periferia femininas, muito numerosas, com compridas lígulas
estreitas; aquênio castanho, com papilho sedoso; rizoma

carnudo. Cheiro apimentado; sabor amargo. Partes utilizadas: folhas,


flores em botão, raízes e suco.
O Componentes: mucilagem, tanino, inulina, pigmentos, óleo
essencial, sais minerais, especialmente potássio e também cálcio,
enxofre, ferro O Propriedades: depurativo, emoliente, expectorante,
resolutivo, sudorífico. U. L, U. E. + V O Ver: abcesso, asma,
bronquite, entorse, ferida, pé, pele, ruga, tabagismo, tosse,
traqueíte, voz.

286
Ulmeira

Filipendula ulinaria (L.) Maxim. Erva-ulmeira, rainha-dos-prados,


erva-das-abelhas

Rosáceas

A ulmeira é uma planta altiva e delicada que prefere os solos


húmidos e frescos. Não obstante já ser conhecida pelos botânicos
medievais, as suas propriedades medicinais só foram descobertas no
Renascimento. Após uma época de celebridade, seguida do total
esquecimento, nos inícios do século XIX a planta é reabilitada por
um pároco. Desde então, a sua importância terapêutica não mais
deixou de se confirmar. Após persistentes estudos, descobriu-se na
planta fresca a presença de compostos salicilados que lhe conferem
uma acção benéfica nas dores das articulações. Além disso, é um
vasodilatador, um tónico do coração e activa a diurese. Devido às
suas numerosas propriedades, é ainda considerada um excelente
remédio para a celulite e a obesidade.

A ulmeira deve ser utilizada fresca ou recentemente colhida e seca.


A secagem deve ser rápida e a sua conservaçao não deve ultrapassar
um ano. As suas flores, muito perfumadas, conferem ao vinho comum
aroma e sabor muito apreciados.

O Nunca ferver a planta. Habitat: Europa, excepto na região


mediterrânica; até 1800 m. Identificação: de 1 a 1,50 m de altura.
Vivaz, caule robusto, duro e sulcado; folhas grandes, verde-escuras
na página superior, brancas na inferior, compostas por 5 a 17
folíolos, desiguais, serrados, sendo o terminal trilobado, estipulas
em forma de meia-coroa e serradas; flores b ran co- amareladas
(Junho-Agosto), pequenas, em cimeiras paniculadas, 5 sépalas,
5 pétalas obovadas, estames mais compridos, 5 a 9 carpelos glabros;
semente castanha; raizes fibrosas. Cheiro e sabor agradáveis e
aromáticos. Partes utilizadas: sumidades floridas (antes do
desabrochar), folhas e raiz.
O Componentes: tanino, sais minerais, aldeíclo salicílico,
salicilato de metilo, heterósidos flavónicos, vitamina C O
Propriedades: acistringente, antiespasmódico, cicatrizante,
diurético, sudorífico, tónico. U. I., U. E. + V o Ver: acne rosácea,
arteriosclerose, banho, celulite, diarreia, diurese, edema, ferida,
gota, hipertensão, litíase, obesidade, reumatismo, rubéola, ureia.
Ulmeiro

Ulmus campestris L.

Olmo, ulmo, negrilho, lamegueiro, mosqueiro

Umáceas

Na Gália Franca, no século v, era frequente fazer justiça sob os


ramos do ulmeiro, e sabe-se que a partir do século IX esta árvore
venerada abrigou à sua sombra as justas pacíficas dos trovadores.
Era então costume plantá-la nas povoações, no centro das praças
públicas, e desses tempos longínquos ficou o hábito de as pessoas se
reunirem à sua volta todas as tardes para comentarem os
acontecimentos do dia. Existem na Europa três espécies de ulmeiros,
que tendem a desaparecer: o u 1 meiro-peduncu lado, o ulmeiro-de-
montanha e o ulmeiro-campestre, aqui representado. Este ulmeiro, de
madeira vermelha, é muito apreciado pelos marceneiros. Encontra-se
na orla dos bosques, onde a sua folhagem, disposta em mosaico, capta
mais luz do que as de outras espécies.

O ulmeiro instala-se e desenvolve-se nos locais onde o vento


dispersa os seus frutos alados. Pode viver 500 anos, e é uma árvore
apreciada pelas suas virtudes desde a Antiguidade; as folhas tinham
a reputação de curar o mau humor; supunha-se que a raiz fazia
crescer o cabelo; mesmo as galhas, espécie de abcessos provocados
pelas picadas de um insecto nas folhas, e a água de ulmeiro que
estas contêm eram utilizadas para tratar os olhos; os fitoterapeutas
usam principalmente a casca e as folhas, cujas propriedades, embora
não muito eficazes, são consideradas válidas para manter a boa
aparencia e a saúde. As crianças gostam de roer os frutos do
ulmeiro.

Habitat: Europa, planícies, solos frescos; espontâneo, subespontâneo


ou cultivado em quase todo o País; até 1300 m. Identificação: de 15
a 35 m de altura. Árvore; tronco cilíndrico, erecto, casca escura,
áspera e rugosa, com sulcos longitudinais, raminhos apertados,
dispostos num mesmo plano; folhas pecioladas, dísticas com base
assimétrica, ovadas, acuminadas, baças, duplamente serradas, mais
claras e peludas na página inferior, na axila de nervuras
bifurcadas; flores vermelho-escuras (Fevereiro-Abril),
hermafroditas, quase sésseis, em pequenos fascículos alternados,

sépalas soldadas, 5 estames; sâmara arruivada, quase séssil, com 1


semente excêntrica, rodeada de uma grande asa, plana, glabra e
chanfrada; toiça com turiões. Inodoro; sabor amargo, acre e
mucilaginoso. Partes utilizadas: casca mediana e folhas.
O Componentes: mucilagem, tanino, silício, potássio O Propriedades:
adstringente, cicatrizante, depurativo, sudorífico, tónico. U. L, U.
E. + V o Ver: contusão, dartro, diarréia, leucorreia, olhos, pele,
reumatismo.
URTIGA-BRANCA *//* PARA REFAZER
A sua flor branca, com a forma de uma boca aberta, deu o nome à
urtiga-branca. Lâmia surge na mitologia grega como uma jovem amada
por Zeus, cuja mulher, a deusa Hera, impetuosa e ciumenta, manda
matar o

filho ilegítimo. Lárnia sente então tal inveja das mães felizes que,
transformando-se em

ogra, começa a roubar e a devorar crianças. A urtiga-branca


desenvolve-se perto das casas, à beira dos caminhos, nas clareiras
e, apesar da lenda, revela-se totalmente inofensiva. Distingue-se
das urtigas, suas parentes picantes, devido às suas características
fiores, com uma grande pétala superior formando uma abóbada, e às
folhas, de um verde muito claro. A urtiga-branca é de certo modo uma
urtiga morta, designação por que é também conhecida em vários
países, pois nenhum dos seus pêlos pica. Esta erva vivaz, invasora e
vulgar é muito utilizada nos meios rurais, e justificadamente, pois
é um bom acistringente, tónico e vulnerário. As suas sumidades,
colhidas antes da floração, podem ser consumidas do mesmo modo que
os espinafres ou em sopa. As suas flores são muito visitadas pelas
abelhas.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrâ~ nica, bermas dos


caminhos, clareiras, entulhos; até 2200 m. Identificação: de O,20 a
O,60 m de altura. Vivaz, caule rígido, viloso, oco; folhas ovais,
cordiformes, serradas, vilosas, pecioladas; flores branco-amareladas
(Abri I- Setembro), 5 a 8 por verticilo na axila das folhas, cálice
com 5 dentes compridos, corola arqueada com o lábio superior peludo,
em elmo, e o inferior com 2 lóbulos, 4 estames com anteras vilosas,
castanhas; tetraquénio truncado no cimo; rizoma estolhoso e
esbranquiçado. Cheiro intenso, semelhante ao do mel; sabor
ligeiramente amargo. Partes utilizadas: planta inteira, sumidades
floridas (Abril-Maio); secagem difícil, à sombra para evitar o
enegrecimento.
O Componentes: mucilagem, tanino, glúcidos, aminoácidos, óleo
essencial, potássio O Propriedades: acistringente, anti-
inflamatório, depurativo, expectorante, hemostático, resolutivo,
vulnerário. U. L, U. E. + Ver: anemia, cabelo, cistite, diarreia,
hemorragia, hemorróidas, leucorreia, menstruação.

289
UrtiGão *//* PARA REFAZER

Urtica dioica L.

Urtiga-maior Bras.: urtiga-mansa

Urticáceas

Muitas pessoas desconhecem que o urtig inimigo tradicional do homem,


que o pe gue onde quer- que se estabeleça, é u planta com
inúmeras propriedades, imo zada em grande número de t >s’
Por'é

e"xto faz parte da sua natureza picar o@ desas dos; este facto deve-
se na realidade a u mistura química contida nos pêlos ocos c

ponta frágil localizados -nos pecíolos folhas, da qual apenas um


décimo de mi grama é suficiente para provocar um aurde prurido. Além
do urtigã o, que na realid apenas é preciso saber colher, existe u

pequena urtiga cuja folhagem é totalme coberta por um manto destes


pêlos urtica tes: é a urtiga-menor, Urtica urens L., q tem de ser
colhida com especial prudênc

Ambas as espécies são importantes, n

apenas pelas suas propriedades medicina mas também pelas suas


qualidades nutri vas; é aconselhável consumi-Ias, em sopa cozidas,
12 horas depois de colhidas. L gamente utilizadas na indústria para
a e

tracção da clorofila, as suas fibras, dep de tecidas, fornecem ainda


uma singular t verde extremamente durável. O sumo azedas é muito
eficaz para suavizar o ar

provocado pelas picadas destas plantas.

O Não consumir as sementes. Habitat: Europa temperada; em Portugal,


locais cultivados, húmidos e sombrios; até 2400 m. Identificação: de
O,50 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule erecto e simples; folhas
opostas, estipuladas, ovais, sendo as da base cordiformes, com
dentes triangulares, peludas e pecioladas; flores verdes (Junho-
Outubro), dióicas, em espigas ramosas, minúsculas, 4 sépalas, 4
estames, ovário supero, estigma em forma de pincel; aquénio ovóide,
1 semente; rizoma rastejante. Sabor acIstringente e ligeiramente
azedo. Partes utilizadas: planta jovem, folhas (todo o

ano), rizoma e raízes (Outono); secagem rápida à sombra; os pêlos


secos não são picantes.
O Componentes: acetilcolina, histamina, áci- dos fórmico e gálico,
caroteno, vitamina C, clorofila, tanino, potássio, cálcio, ferro,
enxofre, manganésio, silício O Propriedades: adstringente,
antianémico, antidiabético, depurativo, diurético, galactagogo,
hemostático, revulsivo. U. L, U. E. + V OW Ver: afta, anemia,
cabelo, ciática, cura de Primavera, diabetes, diarreia, edema,
enurese, epistaxe, hemorragia, leucorreia, menopausa, pele, picadas,
psoríase, reumatismo, urticária.
Urze

CaIluna vulgaris (L.) Flull Torga-ordinária, mongariça, magoriça,


quebra-panelas, queiró, carrasca, carrasquinha,

urze-do-monte, barba-do-niato

Ericáceas

Pelo seu aspecto decorativo, muito semelhante ao de outras urzes do


género Erica, a

Cafluna vulgaris confere aos locais que habita um encanto especial;


arribas, charnecas, bosques pouco densos de solos pobres alegram-se
no fim do Verão com os tons das suas flores cor de violeta. Algumas
espécies cinegéticas do género tetraz vivem nesta vegetação.

A urze é um excelente nectarífero, pois fornece enn abundância às


abelhas a substância para o fabrico de um mel castanho muito
apreciado na confecção de bolos. As raízes são utilizadas no fabrico
de cachimbos e as ramagens servem, na Bretanha, para cobrir os
celeiros em substituição do colmo.

Para cultivar muitas espécies de plantas de interior, os jardineiros


utilizam a terra de urze, formada pela decomposição deste vegetal
nas camadas superficiais do solo.

Os cachos floridos colhidos quando a flor começa a desabrochar


constituem um remédio.para diversas afecções renais.

Habitat: Europa; frequente em quase todo o País, nas terras áridas e


incultas, pobres em calcário; até 2500 m. Identificação: de O,20 a 1
m de altura. Subarbusto lenhoso, sinuoso, podendo viver 40 anos;
folhas persistentes, opostas, imbricadas, lineares, sésseis,
côncavas; flores cor-de-rosa (Julho-Outubro), em cachos
sensivelmente unilaterais, corola campanulada de 4 lóbulos, com
metade do comprimento do cálice petalóide, provido na base de
pequenas brácteas verdes. Partes utilizadas: sumidades floridas com
as

folhas (Julho-Outubro), devendo ser utilizadas frescas.


O Componentes: arbustósido, resina (ericolina), óleo (ericinol),
tanino, ácidos (fumárico e cítrico), caroteno, amido, goma O
Propriedades: acistringente, anti-séptico, diurético. U. I., LI. E.
+ V Ver: acrie, albuminúria, banho, cistite, dartro, diarréia,
enurese, nefrite, reumatismo.
Uva-ursina

Art-tostaph-Nllos uva-urvi (L.) Spreng.

Uva-de-urso, medronheiro-ursino, buxulo

Ericáceas

A uva-ursina, pequeno arbusto de caules rasteiros, cresce em densos


maciços ou em

vastas manchas. Apenas os ramos floríferos se erguem ligeiramente.


Da planície à montanba pode invadir, em povoamento exclusivo,
grandes extensões de matas e rochedos. Prefere os locais pedregosos,
secos e sombrios.

No século XVI, a Escola de Mompellier enalteceu as propriedades da


uva-ursina co.mo diurético, dissolvente dos pequenos cálculos e
desinfectante das vias urinárias. Porém, no século XVIII esta planta
perdeu prestígio, provavelmente após qualquer erro no modo de
utilização.

O tanino contido nas folhas serve, no Norte da Europa, para preparar


as peles com que se fabrica o couro da Rússia. Além disso, obtêm-se
das folhas tintas castanhas, cinzentas ou pretas, dependendo do
reagente utilizado.

A uva-ursina foi importada em grandes quantidades da Ásia para a


Europa com o

nome de ja(-kash(ípuk para ser misturada com o tabaco.

O nome de uva-de-urso refere-se aos seus frutos farinhentos e


apetitosos, segundo se supõe muito apreciados pelos ursos. Sabe-se,
no entanto, que as abelhas visitam as suas

flores melíferas.

Habitat: Europa, com excepçao da zona sudeste; charnecas e matas das


montanhas do Norte de Portugal; até 2400 m. Identificação: de O,15 a
O,30 m de altura. Subarbusto lenhoso com caules compridos e
prostrados; folhas persistentes, coriáceas, espessas, com pecíolo
curto e inteiras; flores de corola de cor rosada (Abril-Maio),
gomilosa, caduca, levemente dentada, dispostas em cachos densos;
baga globosa, de 4 a 6 mm de diâmetro, tornando-se vermelha na
maturação. Partes utilizadas: folhas, secagem ao ar livre e ao sol.

O Componentes: tanino, peterósidos, sais minerais e ácidos málico,


gálico e cítrico O Propriedades: acistringente, anti-séptico,
diurético. U. 1. + o Ver: cistite, enurese, rim, ureia.
Valeriana

Valeriana <?fficinalis L.

Valeriana-menor, valeriana-silvestre, valeri ana-selv agem, erva-


dos-gatos

Valerianáceas

Atingindo por vezes 2 m de altura, a valeriana é uma planta de porte


majestoso, folhagem graciosa e flores pequenas e numerosas. Prefere
as valas, os taludes ligeiramente frescos e a orla dos bosques,
instalando-se por vezes também em locais secos.

Foi mencionada pela primeira vez por Isaac, o Judeu, um médico


egípcio do século ix. Na Idade Média, foi considerada uma panaceia
e, em 1592, Fábio Colonna atribuiu a cura da epilepsia à utilização
da valeriana. Nos inícios do século XIX. a valeriana era usada como
febrífugo, em substituiçã o da quinina. Actualmente, é um dos
melhores sedativos para desequilíbrios nervosos.

Diferentes espécies de valeriana possuem propriedades análogas. Os


índios do México, por exemplo, recorriam a uma espécie indígena para
suportar as fadigas e as privações. Pode também ser utilizada como
moderador do apetite; porém, em virtude da sua acção sobre os
centros nervosos, um tratamento deste tipo não deve prolongar-se por
mais de oito dias consecutivos. O cheiro peculiar desta planta
exerce uma curiosa acção sobre os gatos, que, ao pressenti-Ia, nela
se roçam com gosto.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica, prados húmidos,


orlas dos bosques, taludes sombrios, valas; até 2000 m.
Identificação: de O,80 a 1,50 m de altura. Vivaz, caule erecto,
robusto, oco, canelado, pouco ramificado, folhoso; folhas opostas,
imparipinuladas, com 5 a 11 folíolos largos ou 11 a
23 estreitos, serrados; flores brancas ou cor-de-rosa (Maio-Agosto),
pequenas, reunidas em cimeiras umbeliformes, corola tulbulosa com 5
lóbulos e esporão, 3 estames; fruto coroado por um papilho plumoso;
rizoma curto, ramoso. Cheiro desagradável e intenso.

Partes utilizadas: rizoma, com as raizes, no estado fresco


(Primavera ou Outono do segundo ou terceiro anos); limpar
imediatamente e secar ao ar.
O Componentes: óleo essencial, ácido valeriânico, alcalóides O
Propriedades: antiespasmódico, hipnótico, sedativo. U. L, U. E. + O
Ver: angústia, apetite, asma, banho, celulite, cólica, contusão,
convulsão, depressão, menopausa, nervos, nervosismo, obesidade,
palpitações, sono.
Vara-de-ouro

Solidago virga aurea L.

Virgáurea, verga-de-ouro, erva-forte

Bras.: solidago

Compostas

A vara-de-ouro é uma planta vivaz que cresce nas matas de coníferas,


em solos ricos e leves. Existem diversas espécies, distribuídas pelo
Antigo e o Novo Mundo. Os seus portes são muito variáveis, todas
tendo de comum a época da floração, só no fim do Verão desabrochando
as suas radiosas flores douradas. Os botânicos consideram o género
Solidago de difícil identificação; assim, devem observar-se de
preferência as partes visíveis da planta e dar menor importância aos
pormenores microscópicos.

Algumas qualidades medicinais da vara-de-ouro são já assinaladas em


textos do século XIII, se bem que só no fim do século XIX a planta
venha a ser utilizada em fitoterapia.

Actualmente, todos os médicos a conhecem devido ao seu pólen, uma


das principais causas da febre- dos-feno s, e também graças à sua
benéfica acção adstringente, que se

manifesta com suavidade nos aparelhos digestivo e urinário e acalma


as diarreias que muitas vezes acompanham a dentição das crianças.

Uma espécie americana faz parte dos remédios tradicionais utilizados


pelos Índios para mordeduras da cascavel.

Habitat: Europa; Minho, Beira e litoral do Alentejo, em terrenos


pedregosos e rochedos: até 2800 m. Identificação: de O,30 a 1 m de
altura. Vivaz, polimorfa, caule erecto, cilíndrico, glabro ou
ligeiramente pubescente, ramos floridos erectos, agrupados na
extremidade superior do caule; folhas ovais, sésseis, compridas,
inteiras ou serradas, acuminadas, ligeiramente pubescentes; flores
amarelas (Julho-Outubro), de 10 a 20 em capítulos agrupados em
cachos ou em panículas terminais, com brácteas, flores do centro
tubulosas com estames e pistilo e as da margem com 5 a 10 estames;
aquénio

cilíndrico, com 8 a 12 costas, encimado por um papilho de pêlos


desiguais, celheados; rizoma nodoso e numerosas raízes. Sabor
amargo. Partes utilizadas: sumidades floridas, a planta inteira com
a raiz.
O Componentes: óleo essencial, tanino, saponósidos, pigmentos
flavónicos, ácidos cítrico, oxálico e tartárico O Propriedades:
acistringente, anti-inflamatório, diurético, expectorante,
vulnerário. U. I., U. E. Ver: albuminúria, boca, cistite,
colesterol, diarreia, eczema, edema, nefrite, úlcera, ureia.

294
Verbasco

Verbascum ihapsus L.

Barbasco, tróculos-brancos, erva-de-são-fi acre,

v ela-de-nossa- senhora

Escrofutariáceas

Sob a designação comum de verbasco, confundem-se frequentemente três


ou quatro espécies do género Verbascuin, o que não é relevante, pois
todas têm propriedades semelhantes. De um modo geral, a planta evoca
a forma de um círio; o caule, não ramificado é guarnecido de flores
até ao seu terço supe: rior e de grandes folhas tomentosas na base.
É uma planta melífera. Plínio aconselhava a

utilização do verbasco para tratar lesões ou afecções pulmonares.


Além de possuir óptimas propriedades béquicas, é um emoliente
eficaz. Note-se, no entanto, que uma infusão de verbasco só deve ser
ingerida depois de coada por um pano fino, para eliminar os pélos do
cálice e dos estames, que provocam irritações na garganta e no
aparelho digestivo. Além das flores, que fazem parte da composição
da *tisana das quatro flores,>, as folhas eram outrora utilizadas
como pavios para lamparinas de azeite, e os

escapos florais, para o aquecimento dos fornos dos padeiros.

As folhas e flores desta planta de cheiro agradável devem ser secas


ao sol durante algumas horas e seguidamente à sombra e

conservadas na obscuridade.

O Coar todas as preparações para eliminar os pêlos. Habitat: Europa,


terrenos incultos, clareiras de bosques e nos limites de campos;
encontra-se de Trás-os-Montes e Minho ao Alentejo, embora não seja
muito frequente; até 400 m. Identificação: de O,80 a 2 m de altura.
Bienal, caule único vigoroso, erecto; folhas espessas cobertas de
pêlos densos, enfeitrados, grandes, pecioladas, estreitas na base e
decorrentes; flores amarelo-claras (Junho- Novembro), em grossas
espigas compactas, 1 estilete, cálice pubescente, persistente, com 5
sépalas,

corola caduca, com 5 pétalas em forma de taça,


5 estames, dos quais 3 mais curtos com filetes cobertos de pêlos
lanosos; cápsula oval. Partes utilizadas: folhas e flores (Julho-
Setembro).
O Componentes: óleo, mucilagem, saponósidos O Propriedades:
depurativo, diurético, emoliente, peitoral, refrescante, sedativo.
U. L, U, E. + Ver: abcesso, asma, bronquite, cistite, cólica,
frieira, furúnculo, hemorroidas, nevralgia, prurido, pulmão,
queimadura, rouquidão, sono, tosse, traqueíte.
Verbena

Verbena officinalis L. Urgebão, ulgebrão, gervão, gerivão, erva-


sagrada,

algebrado Bras.: verbena-sagrada, erva-do-figado

Verbenáceas

*Um caule delgado e rígido, folhas medíocres, alguns ramos frágeis e


hirtos e flores pequenas e inodoras, dir-se-ia um arame.+ Assim
descreve P. Fournier a verbena. Na verdade, o seu porte pouco airoso
não é atraente. Porém, na antiga civilização romana as aparências
tinham pouca importância e a verbena foi eleita planta sagrada, com
a qual era hábito tocar os textos dos pactos para lhes conferir uma
maior autoridade. O nome de Verbena, atribuído nesse tempo a

todas as plantas sagradas utilizadas para este efeito, foi


conservado na actual verbena. As coroas dos embaixadores eram
entrançadas com verbenas floridas. A planta era também utilizada
para purificações de pessoas, casas e dos altares das divindades
romanas.

Os Celtas e os Germanos utilizavam-na

nas suas práticas de magia e feitiçaria, considerando-a uma poderosa


panaceia. Mas toda esta celebridade da verbena caiu no esquecimento.
As infusões de verbena, tão vulgares actualmente, não são preparadas
com esta singular planta, mas com a Verbena odorata L., espécie
muito mais aromática.

Habitat: Europa, entulhos, baldios, taludes, bermas dos caminhos,


frequente em quase todo o território português, preferindo locais
húmidos e sombrios, sebes, caminhos; até
1500 m. Identificação: de O,35 a O,80 m de altura. Vivaz, caule
fino, erecto, quadrangular, canelado, áspero nos ângulos; ramos
delgados e afastados do caule; folhas inferiores opostas, mais ou
menos profundamente lobadas; flores lilases (Junho-Outubro), em
espigas ao longo dos ramos, cálice pubescente com 5 dentes, corola
tulbulosa com 5 lobos desiguais, 4 estames inclusos; cápsula com 4
sementes. Inodora; sabor amargo. Partes utilizadas: planta inteira
(na floração), secagem muito fácil.
O Componentes: tanino, mucilagem, saponásido, verbenalósido O
Propriedades: acIstringente, antiespasmódico, febrífugo, tónico. U.
L, U. E. + 2@ Ver: celulite, ciática, contusão, febre, lactação,
litíase, lumbago, nervosismo, nevralgia, ouvido, reumatismo.
Verónica

Veronica officinalis L.

Verónica-das-farmácias, verónica-da-alemanha, chá-da-europa,


verónica-macho, carvalhinha,

erva-dos-leprosos

Escrofulariáceas

Averónica é uma pequena planta rastejante das clareiras e dos cortes


das florestas.

A planta conheceu um período áureo na


Alemanha nos séculos XVI e XVII. Os médicos deste país consideravam-
na um remédio miraculoso para a tísica e muitas outras afecções
respiratórias e digestivas. Em
1690, Johann Franke consagrou-lhe exclusivamente uma obra de 300
páginas, o que confirma o alto apreço atribuído às suas

propriedades. Actualmente, porém, é quase desconhecida. Para


compreender este facto, é de admitir uma confusão de nomes ou que os
autores nã o se referissem à mesma planta, ou ainda, mais
provavelmente, a existência de condições excepcionais de vegetação

-4.x

de que a planta necessita, apenas verificadas em certas regiões e em


determinadas épocas. É possível também que a verónica tenha
efectuado outrora a síntese de princípios activos que actualmente
não produz em quantidades doseáveis.

A verónica é um excelente sucedâneo do chá, como o confirma um dos


seus nomes vernáculos. Após a colheita, que se efectua durante a
floraçã o, eliminam-se as folhas murchas e seca-se a planta em
ramalhetes.

Habitat: Europa, excepto na região mediterrânica; matas abertas,


orlas, clareiras, pastagens pobres, à beira das valas; em Trás-os-
Montes , Minho e Beiras, bosques, charnecas e montanhas; até 1000
m. Identificação: de O,10 a O,40 m de altura. Vivaz, caules duros,
prostrados, enraizados nos nós; folhas opostas, acinzentadas,
vilosas, com pecíolo muito curto ou nulo, limbo oval, ligeiramente
serrilhadas, por vezes arredondadas no vértice; flores azul-malva
muito claras (Maio-Julho), em pequenos cachos erectos, pedunculados,
pouco densos, terminais ou
inseridos nos nós; fruto viloso, triangular, com um chanfro largo e
pouco fundo. Sabor amargo e acistringente. Partes utilizadas:
sumidades floridas, folhas (Maio-Julho); secagem em molhos.
O Componentes: tanino, resinas, princípio amargo, aucubósido, ácidos
orgânicos O Propriedades: aperitivo, depurativo, estomáquico,
expectorante, galactagogo, vulnerário. U. I., U. E. + O Ver:
aerofagia, apetite, bronquite, fadiga, fígado, icterícia,
queimadura, rim, úlcera.

297
Viburno

Viburnum lantana L.

Caprifoliáceas

Mais pequeno que o noveleiro, o viburno distingue~se deste sobretudo


pelos seus ramos recobertos de pêlos estrelados. Os frutos, ovais ou
ligeiramente achatados, são pretos quando maduros. Pouco saborosos,
são comestíveis logo que apresentam um começo de fermentação. A
palavra lantana parece derivar da palavra latina lantare, dobrar,
aludindo assim à flexibilidade dos ramos jovens da planta. O viburno
tem uma

notável particularidade botânica: as gemas, cobertas de escamas


durante o período de crescimento, perdem-nas antes do início do
Inverno. As duas primeiras folhas nascem, permanecendo, no entanto,
atrofiadas, e medem cerca de 1 cm; envolvem então a parte restante
da gema e a futura inflorescência que nela está encerrada,
segregando uma espécie de pruína amarelada e viscosa que constitui
um revestimento protector contra o frio. A segunda casca da raiz
contém uma substância viscosa que produz uma

espécie de cola. As flores não possuem néctar, pelo que só são


procuradas pelas abelhas devido ao pólen.

O Uso interno apenas com receita médica. Habitat: Europa, bosques,


sebes, silvados; até
1500 m. Identificação: de 2 a 3 m de altura. Arbusto; ramos
tomentosos, com pêlos cinzentos e estrelados, folhas grossas, quase
brancas na página inferior, com nervuras salientes, pecioladas,
opostas, evadas, inteiras, denticuladas; flores brancas (Abril-
Maio), muito pequenas, cimeiras umbeliformes, baga verde,
seguidamente vermelha e preta na maturaÇão. Cheiro intenso (flores);
sabor acre (bagas). Partes utilizadas: folhas e bagas.

O Componentes: ácido vilbúrnico O Propriedades: acistringente,


refrescante. U. E. M Ver: anginas, gengivas.
Vide-branca

Gematis vitalba L.

Cipó-do-reino, clernatite-branca

Bras.: cipó-cruz, cipó-una

Ranunculáceas

A vide-branca é uma das trepadeiras da flora europeia. Esta planta


pode viver 25 anos, adquirindo o caule, com a idade, a espessura de
um arbusto. No Inverno, é reconhecível nos bosques devido ao manto
de suaves novelos prateados que a cobre inteiramente. Letal para os
arbustos que a rodeiam, em volta dos quais se enrolam os pecíolos
das suas folhas, a vide-branca é também perigosa para o ser humano
e, excepto opiniã o médica contrária, é preferível destiná-la apenas
a uso externo. Mesmo neste caso, a sua utilização é arriscada; as
folhas, aplicadas sobre a pele, provocam uma revulsão local, sendo
outrora utilizadas pelos mendigos profissionais para manter as
chagas. A Gentatis recta L., que não é uma planta trepadeira, mas
forma moitas possui propriedades análogas às da Clema;is vitalba L.
Em baixo, à esquerda, está ilustrado um pequeno ramo da primeira
destas espécies.

G Estritamente reservada ao uso externo. Habitat: Europa Central e


Meridional, solos calcários, azotados, bosques, moitas; de Trás-os-
Montes ao Alentejo, nas sebes, muros e rochedos; até 1500 m.
Identificação: de 15 a 20 m de alturq. Arbusto; caule trepador,
lenhoso, anguloso, robusto, que trepa por meio dos pecíolos das
folhas; folhas verdes, opostas, pinuladas, com 3 a 9 folíolos,
serrados ou crenados, ovais, pontiagudos ou cordiformes; flores
brancas (Junho-Agosto), apétalas, com 4 sépalas em cruz, tomentosas
nas 2 faces, numerosos estames,

flores dispostas em panículas; poliquénio com compridos apêndices


plumosos. Cheiro agradável, pouco intenso, semelhante ao do
pirliteiro; sabor picante e acre. Partes utilizadas: folhas (Verão).
O Componentes: saponósido, alcalóide, protoanemonina O Propriedades:
revulsivo. U. E. + Ver: dor, nevralgia, úlcera cutânea.

299
Violeta

Viola odorata L.

Viola, violeta-de-cheiro, violeta-roxa

Violáceas

Existem numerosas espécies de violetas, muitas das quais são


inodoras ou ligeiramente aromáticas. Esta espécie é sem dúvida,
entre todas, a que possui o aroma mais delicado.

Os Antigos entrançavam-nas em coroas

com as quais cingiam a testa durante as orgias para dissipar as


dores de cabeça provocadas pela ressaca. Além disso, a raiz, que
contém violina, é um vomitivo, embora esta propriedade fosse
desconhecida de Hipócrates, Dioscórides e dos autores do século XII,
tendo sido detectada pelos médicos árabes da Idade Média. O xarope
de violeta, ainda hoje preparado, já era conhecido no século XVI. À
família das Violáceas pertencem cerca de 1000 espécies agrupadas em
16 géneros; são plantas vivazes que se desenvolvem

em todos os continentes. Os Gregos na Antiguidade eram mestres na


destilação de p@rfumes a partir das flores, entre as quais se

salientavam a violeta, a alfazema, a melissa e a rosa. Os


astrólogos, que consagram algumas flores aos signos do zodíaco,
associam a violeta aos nativos do Sagitário, grandes apreciadores da
Primavera e da vida ao ar livre. As flores fornecem às abelhas uma
das suas primeiras colheitas de néctar entre Março e Abril.

Habitat: Europa, sebes, prados, relvados, charnecas, bosques


abertos; disseminada por todo o território português, sendo também
frequentemente cultivada; até 1000 m. Identificação: de O,10 a O,15
m de altura. Vivaz, sem caules aéreos, estolhos alongados,
radicantes e floríferos; folhas em roseta, longamente pecioladas,
sendo as adultas cordiforme-arredondadas e as outras reniformes;
flores cor de violeta-escuras (Março-Abril), solitárias sobre um
pedúnculo radical, 5 sépalas obtusas, 5 pétalas, 2 superiores
erectas, 2 laterais, 1 inferior chanfrada, com esporão; cápsula

pubescente com 3 valvas. Cheiro agradável (flores). Partes


utilizadas: flores, folhas, raiz, sementes (Julho-Setembro); secagem
difícil à sombra, em camadas finas, virar frequentemente e secar as
sementes à parte.
O Componentes: salicilato de metilo, saponásido, vitamina C,
mucilagem O Propriedades: emético, emoliente, expectorante,
purgativo, sedativo, sudorífico. U. L, LI. E. + Ver: bronquite,
greta, indigestão, intoxicação, olhos, tosse.

300
Visco-branco

Viscrim album L.

Lorantáceas

O visco-branco pertence a uma enorme família de cerca de 1400


espécies que vivem todas parasitariamente, podendo instalar-se em
mais de uma centena de espécies de árvores sobre cujos ramos formam
volumosas manchas arredondadas que se conservam verdes durante todo
o ano. A disseminação da planta é assegurada pelas aves, sobretudo
pelos tordos e melros, que ingerem os seus frutos, deixando sobre os
ramos onde pousaram as sementes não digeridas. Estas germinam,
produzem um haustório que penetra na

casca e que, por sua vez, emite raízes que se introduzem na madeira.
O carvalho é uma das árvores que, na maior parte dos casos, resiste
ao visco; devido à sua raridade, o visco do carvalho era considerado
sagrado pelas civilizações antigas, havendo conhecimento de um
cerimonial de purificação indispensável entre os druidas para fazer
a sua colheita.

Desde então, o visco conservou um papel tradicional de portador de


felicidade para os lares que ornamenta aquando das festas de fim de
ano. O visco-branco tem cheiro desagradável quando seco e possui um
sabor amargo.

O Não utilizar os frutos; as folhas não devem ser escaldadas ou


fervidas. Habitat: Europa, excepto o extremo norte, sobre a tília, a
macieira, a pereira, o choupo; parasita de macieiras e pereiras,
principalmente no Alto Minho e Estremadura; até 1300 m.
Identificação: de O,20 a O,50 m de altura. Subarbusto; caules
verdes, articulados, lenhosos e em tufos esféricos; ramos espessos e
cilíndricos; folhas opostas, persistentes, oblongas e carnudas;
flores amarelo-esverdeadas (Março-Abril), em fascículos sésseis,
tendo as masculinas 4 sépalas e 4 estames e as femininas 4

dentes que envolvem 2 carpelos soldados; baga redonda com polpa


viscosa, branca e transiúcida; raiz curta, espessa, peneirando no
tecido vivo do seu hospedeiro. Partes utilizadas: folhas mondadas,
frescas ou secas (antes da formação dos frutos).
O Componentes: colina, derivados triterpénicos, alcalóide O
Propriedades: antiespasmódico, diurético, hipotensor, purgativo. U.
L, U. E. + o Ver: albuminúria, arteriosclerose, circulação, edema,
epilepsia, frieira, hipertensão, leucorreia, menopausa, nervos,
tosse.

301
Vulnerária

Anthy11is vulneraria L.

Leguminosas

A vulnerária desenvolve-se frequentemente em densas moitas,


rente ao solo, erguendo seguidamente os seus caules floridos
e dourados e formando autênticos tapetes de magnífico aspecto. A
origem da palavra Anthy1lis é grega e deriva de anthos, flor, e
ioulos penugem, numa alusã o ao seu cálice viloso Assim, o néctar
das suas flores melíferas não está ao alcance das abelhas. Nos
prados, a vulnerária é avidamente pastada pelo gado, para o qual
constitui um excelente alimento; no entanto, o seu rendimento como
forragem não é importante, pois, se

bem que a sua folhagem seja densa, o seu

desenvolvimento em altura é muito limitado. Estas plantas


demonstraram um curioso mimetismo. Uma colónia de vulnerárias
transplantada de uma planície para 2400 m de altitude

adquiriu totalmente, ao cabo de 12 anos, a mesma coloração vermelha


das flores de uma, espécie vizinha, Anthy11is dillenii Schultes.

Os Antigos e os médicos da Idade Média não deram qualquer


importância à vulnerária. Nos meios rurais, as suas propriedades
vulnerárias foram descobertas por empirismo; as suas flores fazem
parte da composição do chá-suíço, depurativo muito utilizado.

Habitat: Europa, relvados secos, taludes, rochedos, solos calcários;


em Portugal, cresce em matos, pinhais, locais áridos e secos do
Norte e Centro; até 3000 m. Identificação: de O,05 a O,40 m de
altura. Bienal ou vivaz, caules prostrados ou ascendentes, folhas em
roseta basilar, tendo as inferiores um só folíolo, sendo as outras
compostas por 3 a 6 pares de folíolos e a terminal maior; flores
amarelas (Maio-Setembro), na extremidade de um caule floral erecto,
com inflorescência globosa rodeada de brácteas verdes, cálice muito
viloso com 2 lábios, com uma intumescência

em forma de bexiga, corola papilionácea com estandarte curto vagem


inclusa com 1 ou 2 sementes. Sabo@ amargo. Partes utilizadas: toda a
planta, flores, inflorescências; secagem à sombra em camadas finas;
mexer o menos possível para evitar que as flores caiam.
O Componentes: tanino, saponósidos, flavonóides O Propriedades:
acistringente, depurativo, vulnerário. Li. E. Ver: contusão, ferida.

302
Zaragatoa

Plantago psyllium L. Psílio, erva- das-pulg as, erva-pulgueira

Plantagináceas

Azaragatoa pertence ao mesmo género das tanchagens, sendo, no


entanto, muito diferente destas ^devido ao seu caule extensamente
coberto de folhas e às suas frágeis espigas de flores brancas.
Espontânea, cresce nos solos áridos e arenosos e nos entulhos. Das
sementes brilhantes, pequenas e coroadas de Astanho advém-lhe o nome
de psyllium, da palavra grega psylla, pulga; a sua semelhança com
este insecto inspirou os nomes vernáculos. As sementes, que contêm
abundante mucilagem, têm a propriedade de regularizar o
funcionamento dos intestinos, acção já conhecida, aliás, pelos
médicos egípcios há mais de 10 séculos antes de Cristo.
Maceradas em água, produziam uma loção calmante para os olhos
fatigados de cor escura; para os olhos claros, utilizavam- .se de
preferência os fidalguinhos. Misturadas com outras sementes,
constituem a alimentaçã o das aves em cativeiro.

A zaragatoa é cultivada em quantidade para satisfazer as


necessidades farmacêuti-cas. Outrora, a indústria utilizava-a também
no acabamento das musselinas. Das folhas jovens e frescas,
misturadas com o taráxaco na Primavera, faziam-se saladas,
apreciadas pelas suas virtudes depurativas.

Habitat: região mediterrânica, solos pobres e arenosos; frequente em


Portugal, terrenos incultos, searas, muros e areias; até 1000 m.
Identificaçã o: de O,10 a O,35 m de altura. Anual, caule herbáceo,
erecto ou ascendente, folhoso, pubescente e pouco ramificado; folhas
sésseis, opostas ou verticiladas em grupos de
3, lisas, pubescentes e glandulosas; flores esbranquiçadas (Abril-
Julho), pequenas, em espigas globosas, pedunculadas, com brácteas
curtas, cálice com sépalas iguais, corola com tubo enrugado
transversalmente; pixídio que se abre por uma fenda circular e
contendo

2 sementes brilhantes, castanhas, lisas, marcadas dorsalmente por


uma linha média clara e longitudinal, esbranquiçada e esbatida na
face oposta; raiz delgada. Partes utilizadas: sementes (Outono);
conservação em sacos de papel ao abrigo da humidade.
O Componentes: mucilagem, óleo O Propriedades: emoliente, laxativo.
LI. L, U. E. O Ver: diarréia, obstipação, queimadura, úlcera
cutânea.
Zimbro-comum

Juniperus communis L.

Zimbro

Coníferas

Esta espécie encontra-se na Europa, onde pode sobreviver a grandes


altitudes, geralmente até 2500 m, embora nessas regiões geladas
apresente um aspecto definhado e irregular, em formas prostradas e
contorcidas. Em climas menos rigorosos desenvolve-se com um certo
vigor e assume aspectos diferentes conforme a espécie. Possuindo
pequenas agtk4has aceradas, o zimbro tem o aspecto de um silvado
agreste no meio do qual amadurecem, no decorrer do segundo ano de
vida > frutos azul-escuros, cobertos de uma pruína baça; são as
*bagas+ de zimbro.

O seu sabor conferiu à planta o nome científico da espécie, derivado


da palavra celta juneprus, acre.

Estas falsas bagas tiveram na Idade Média uma extraordinária


celebridade, pois supunha-se que faziam curas miraculosas. No século
xvi, eram consideradas como uma panaceia e um antídoto universal.
Actualmente, sã o utilizadas devido às suas virtudes diuréticas e
aperitivas e às suas propriedades culinárias, pois entram na
confecção de alguns pratos da cozinha curopeia e servem para
condimentar o presunto fumado e a
choucroute; constituem ainda o elemento base na preparação do gin.

Em doses elevadas, os frutos podem provocar irritações no aparelho


urinário; proibido às grávidas. Habitat: Europa, terrenos expostos
ao sol; Minho e Trás-os-Montes; até 2500 m. Identificação: de O,50 a
6 m de altura. Arbusto; tronco com casca rugosa, cinzenta, pernadas
erectas e ramos jovens com secção triangular; folhas de cor verde-
glauca e brancas, muito epinescentes, inseridas em grupos de 3;
flores amareladas (Abril-Maio), dióicas, pouco visíveis, agrupadas
em pequenos amentilhos na axila das folhas; fruto (gálbula) verde e
depois azul-escuro, com pruína, tendo no ápice uma fenda estrelada
com 3 sementes triangulares. Partes utilizadas: ramos folhosos,
frutos; secagem em camadas finas em local arejado; remover com
frequência; conservação difícil.
O Componentes: óleo essencial, resina, glúcidos, ácidos orgânicos O
Propriedades: aperitivo, carminativo, depurativo, diurético,
emenagogo, rubefaciente. U. I., U. E. + V M Ver: acne, apetite,
bronquite, cistite, desinfecÇão, edema, ferida, hálito, menstruação,
reumatismo.

304
As plantas cultivadas
PLANTAS CULTIVADAS

Abóbora

Cucurbita pepo L.

Abóbora-amarela, abóbora-porqueira, curcúbita

Bras.: jerimum, jerimu, abóbora-amarela,

abóbora-moranga

Cucurbitáceas

A abóbora foi um dos primeiros legumes importados do Novo Mundo;


originária da América Central, chegou à Europa no século XVI, bem
como a sua parente próxima, a

abóbora-menina, Cucurbita maxima Duch. Aquosa, pobre em prótidos e


lípidos, pouco doce, a sua polpa tem um fraco valor nutritivo.
Contém, no entanto, vitaminas A e C, enzimas e numerosos
oligoelementos. Bastante agradável ao paladar e muito digestiva, a
abóbora bem cozida, preparada em puré ou em sopa, é um alimento
adequado para estômagos sensíveis, não sendo, no entanto,
estimulante do apetite: um pouco de tomilho e de hortelã fresca
compensam a insipidez do seu sabor. A abóbora-menina é um pouco mais
nutritiva. As sementes, tóxicas para os

vermes como a ténia e os áscaris, são inofensivas para o homem.

o Propriedades: emoliente, laxativo, verinífugo. U.l., U.E. + O Ver:


cistite, diarreia, nefrite, obstipação, parasitose, queimadura,
reumatismo.
Abrótano

Artemisia abrotonum L.

Abrótano-macho, erva- lombrigueira

Compostas

Esta espécie de Artemisia, de folhas delicadamente divididas em


lacínias glabras, e

com o aroma viçoso do limão, era outrora muito cultivada como planta
medicinal e

aromática em extensas zonas da Europa. Não é conhecida em parte


alguma no estado espontâneo. Deriva possivelmente de uma

espécie disseminada na Europa Oriental e na

Sibéria. Embora cresça ainda actualmente nos jardins q, mais


raramente, nos cemitérios, perdeu quase completamente a sua antiga
reputação de planta medicinal. Efectivamente, o abrótano tinha na
Idade Média um grande prestígio, sendo receitado tanto para dores de
estômago e mordeduras de serpentes, como para os possessos do
Demónio. Embora ainda apreciada no Renascimento, passou no século
XVIII a ser apenas considerada um sucedâ neo da losna, porém

com gosto agradável. Como a losna, o abrótano é estimulante,


especialmente do aparelho digestivo; porém, tal como aquela planta,
deve ser utilizado com prudência e moderação. Outrora, era hábito
colocar ramos de abrótano nos armários para perfumar a

roupa e afastar os insectos, pelo que esta planta também é conhecida


por guarda-roupa. o Propriedades: anti-séptico, cicatrizante,
emenagogo, estimulante, sudorífico, verinífugo, vulnerário. U.l.,
U.E. + V O Ver: anemia, apetite, cabelo, ferida, inénstruação,
meteorismo, parasitose.

Açafrão

Crocus sativus L.

Erva-ruiva, açaflor Bras.: açafrão-oriental, flor-da-aurora, flor-


de-hércules

Iridáceas

No Outono, as flores cor de violeta desta bela planta originária do


Mediterrâneo Oriental apresentam um estilete frágil dividido no cimo
em três ramificações dilatadas e alaranjadas, os estigmas. Estes
constituem o açafrão-oficinal e condimentar, produto extremamente
caro em todas as é pocas, pois são necessárias entre 120 000 e 140
000 flores para obter 1 kg de açafrão seco. Deve a sua cor vibrante
à presença de um carotenóide. Citado no papiro egípcio de Ebers, no
Cântico dos Cánticos e na Ríada, o açafrão teve outrora,
conservando-as até ao século xVIII, mais aplicações medicinais do
que condimentares. Dioscórides, no século 1, considerava-o
antiespasmódico; a medicina árabe atribuía-lhe propriedades
emenagogas; durante a Idade Média e também no Renascimento, era
receitado para tratar inúmeras doenças.

Os estigmas contêm óleo essencial aromático, irritante, associado a


um heterósido amargo. Mantendo um preço mais elevado que as outras
especiarias, o açafrão não é utilizado em todas as aplicações para
que tem qualidades. o Propriedades: emenagogo, estimulante,
hipnótico, sedativo, tónico. UA, U.E. + Ver: apetite, bronquite,
digestão, frigidez, gengivas, impotência, menstruação, tosse.

AcelGa

Beta vulgaris L., var. cicla Pers.

Celga

Quenopodiáceas

De entre o grande número de verduras de origem exótica, a acelga


singulariza-se pela sua origem europeia. Deriva, na realidade,
306
denominadas impropriamente folhas, e a

folha larga e muito recortada, unida ao caule, que é a parte


utilizada em medicina. A alcachofra-verdura, especialmente quando
crua, possui ,se bem que menos eficazes, as propriedades das folhas.
É um alimento que pode ser consumido pelos diabéticos. Depois de
cozida, a alcachofra altera-se muito rapidamente e produz toxinas,
pelo que, após a cozedura, deve ser imediatamente consumida. Aliás,
o vegetal é menos indigesto se for submetido a uma cozedura rápida.
A sua acção prejudica a secreção láctea, pelo que não deve ser
ingerido durante a lactação. Supõe-se que a infusão das folhas,
extremamente amarga, tem uma actividade benéfica sobre as paredes
vasculares, pois parece fazer baixar o teor de colesterol sanguíneo.
o Propriedades: antidiarreico, aperitivo, colagogo, colerético,
depurativo, diurético, hipoglicemiante, tónico. U.l. + V O Ver:
arteriosclerose, celulite, colesterol, diabetes, esterilidade,
fígado, gota, obesidade, ureia, vesícula biliar.

Alcaparra

Capparis spinosa L.

Bras.: alcaparro

Caparidáceas

Subarbusto indígena das costas mediterrânicas, cresce junto aos


muros, que ornamenta com as suas flores brancas. Cultivada desde a
Antiguidade na sua área de origem, foi uma das plantas condimentares
mais apreciadas pelos Gregos e Latinos, que consumiam os seus tenros
botões florais. Os médicos antigos utilizavam a casca da sua raiz,
que consideravam diurética, tónica, adstringente e antiespasmódica,
e receitavam-na para doenças do fígado e do baço, certas paralisias
e estados histéricos e depressivos. Para uso externo, a decocção da
raiz era utilizada para a lavagem de feridas e úlceras. As
alcaparras frescas contêm um teor bastante elevado de um flavonóide
que fortalece as paredes dos capilares e a sua tonicidade. o
Propriedades: antiespas módico, aperitivo, detersivo, diurético,
tónico. U.l., UX. Ver: apetite, úlcera cutânea.

Alface-de-cordeiro

Valerianella olitoria (L.) Poll.

Alface-de-coelho

Valerianáceas

Segundo Alphonse de Candolle, historiador


308
de plantas cultivadas dos finais do século passado, esta humilde
planta, parente da valeriana, seria originária da Sardenha e da
Sicília, de onde a sua cultura se expandira posteriormente por
grande parte da Europa. Actualmente, de qualquer modo, além da sua
característica hortícola, a alface-de- cordeiro surge vulgarmente na
Primavera, nos campos, nos jardins e até em muros velhos. No século
XVI, o poeta Ronsard mencionou pela primeira vez esta pequena planta
silvestre que a selecção hortícola mais tarde transformou em
deliciosa hortaliça, ligeiramente mucilaginosa, que lamentavelmente
não se encontra com facilidade. A alface-de-cordeiro preparada em
salada é bem tolerada pelos estômagos sensíveis. A sua riqueza em
provitamina A confere-lhe propriedades que contribuem para o
equilíbrio do crescimento, a luta contra as infecçõQs, a beleza da
pele e a cicatrização de feridas. A alface-de-cordeiro tem inúmeras
plantas espontâneas afins na flora européia, entre as quais a
Valerianella carinata Lois., a Valerianella discoidea Lois., a V.
coronata (L.) DC., a V. microcarpa Lois. e outras. o Propriedades:
depurativo, emoliente, laxativo. U.l. Ver: artritismo, cura de
Primavera, obesidade.

Alfaces

Lactuca sativa L., alface, alface-hortense Lactuca scariola L.,


alface-brava-menor,

alface-silvestre

Compostas

A alface-brava deriva de uma espécie espontânea muito vulgar nos


baldios das regiões temperadas da Europa e da Ásia; a alface
cultivada, de forma repolhuda, pelo contrário, tem uma origem
imprecisa, provavelmente da Ásia Ocidental. Aliás, é possível que se
ligue geneticamente à primeira. Os Gregos e os Romanos já comiam
alfaces, e

inúmeras selecções hortícolas diversificaram-nas tanto que seria


quase impossível fazer o censo de todas as suas variedades.

Com 95% de água, a alface, um alimento de fraco valor, é, no


entanto, aperitiva e

refrescante. Aliás, seria errado negligenciar as suas vitaminas, os


seus minerais e os seus oligoelementos, sobretudo o iodo, o níquel,
o cobalto, o manganésio e o cobre. Cozida e aplicada em cataplasma
sobre a epiderme, tem um efeito suavizante. Tal como as espécies
bravas, mas em menor quantidade, as alfaces cultivadas contêm
lactucário no seu suco leitoso. Este produto, cuja composição é
complexa, exerce uma acção analgésica, sedativa e hipnótica que
torna a salada salutar, ingerida na refeição da noite, para as
pessoas nervosas e que sofrem de insônias.
Cozida ou em puré, a alface constitui uma refeição excelente e leve
de fácil digestão. o Propriedades: analgésico, antiespasmódico,
emoliente, hipnótico, sedativo. U.l., U. E. + V O Ver: acrie, acne
rosácea, nervosismo, pele, sono, tosse convulsa.

Alfarrobeira

Ceratonia siliqua L. Figueira-do-egipto Bras.: figu eira- do-


egipto, fruto- de-pitágoras

Legumiriosas

Esta pequena árvore sempre verde, originária da região mediterrânica


oriental, estende-se até aos confins do Sara e à Ásia Ocidental. É
árvore subespontânea em Portugal, cultivada especialmente no
Algarve, onde se distinguem desde tempos imemoriais quatro formas de
alfarrobeira: mulata, de burro, canela e galhosa, sendo a primeira a
mais frequente. Introduzida na Península na Idade Média pelos
Árabes, a cultura da alfarrobeira tornou-se ali regressiva, aliás
como em todas as costas do Norte do Mediterrâneo. Nas regiões mais
desfavorecidas, mantém-se como cultura complementar apreciável. As
alfarrobas, que parecem ter sido alimento de S. João Baptista no
deserto, são longas vagens de cor castanha enegrecida que contêm
entre 12 e 16 sementes duras mergulhadas numa polpa avermelhada,
primeiro amarga, depois adocicada. Laxativas no estado fresco, as
alfarrobas são antidiarreicas quando secas. A farinha da polpa seca,
que actua como uma autêntica esponja em relaçã o às toxinas do tubo
digestivo, dá excelentes resultados no tratamento das infecções
intestinaís, especialmente em crianças pequenas. o Propriedades:
antidiarreico, emoliente, laxativo. U.l. + O Ver: diarréia,
obesidade.

Alho

Allium sativum L.

Liliáceas

Provavelmente originário das estepes da Ásia Central, cultivado


desde tempos muito remotos e aperfeiçoado até à obtenção de
variedades caracterizadas por um enorme bolbo no Próximo Oriente e
no Mediterrâneo Oriental, introduzido na Europa logo nos primórdios
da agricultura, o alho é, indubitavelmente, o mais importante dos
condimentos -remédios. Embora actualmente seja apenas utilizado em
culinária, as suas virtudes medicinais são inúmeras. Ao incluí-lo em
profusão na ementa dos construtores da pirâmide de Gizé, os Egípcios
no
5.O milénio a. C. já reconheciam as suas propriedades estimulantes.
Aquando do Êxodo, os Hebreus consideravam-no uma das mais preciosas
riquezas que foram forçados a abandonar no Egipto. Símbolo da força
física para Aristófanes, o alho é citado por todos os médicos e
naturalistas da Antiguidade. No século 1, Dioscórides considerava-o
uma panaceia. Porém, os deuses não apreciavam os efeitos que
provocava no hálito, e assim aos fiéis que o ingeriam era interdita
a entrada nos templos. Preventivo, mas não curativo, da peste na
Idade Média, o alho permaneceu, nos meios rurais, o remédio quase
universal.

O cheiro especial e a maioria das propriedades do alho devem-se à


presença no bolbo de uma essência sulfurada, cujo produto activo, a
alicina, revela uma considerável acção antibiótica. Contém ainda
enzimas, hormonas sexuais, as vitaminas B 1, B2, PP e C, provitamina
A, sais minerais e oligoelementos.

Antibiótico, o suco fresco de dente de alho, mais enérgico que a


essência isolada, dificulta o desenvolvimento de inúmeros germes
patogénicos. O princípio activo da alicina, volátil, determina a sua
acção anti-séptica, mesmo a uma certa distância; assim, a máscara
repleta de alho usada pelos médicos medievais desempenhava um papel
de protecção evidente. Durante a 11 Guerra Mundial os soldados
russos estavam providos de dentes de alho que esmagavam nos bordos
das feridas para evitar as infecções. o Propriedades: antidiabético,
antiespasmódico, anti-séptico, calicida, diurético, estimulante,
expectorante, hipotensor, tónico, vermífugo. UA, U.E. + O Ver:
abcesso, apetite, arteriosclerose, asma, cancro, circulação,
coração, diarréia, enfisema, epidemia, ferida, gota, hipertensão,
litíase, ouvido, parasitose, picadas, pulmão, réumatismo, tabagismo,
tosse convulsa, úlcera.

Alho-poRRo

Alhum porrum L.

Porro-hortense

Bras.: alho-macho, alho-poró

Liliáceas

Existem muitas razões para acreditar que o


alho-porro deriva do porro-bravo, Allium ampeloprasum L., espécie
propagada em

toda a região mediterrânica e festim na Primavera para os


apreciadores de plantas silvestres. A sua cultura é tão antiga como
a da

cebola, e tanto a história dietética como a terapêutica dos dois


legumes são similares.
O alho-porro exerce uma acção diurética; muito aquoso, é no entanto
bastante rico em mucilagem, contém numerosos sais minerais e, como
os outros Allium, enxofre. Bem

309
PLANTAS CULTIVADAS

cozido, é um alimento fácil de digerir. As suas propriedades


medicinais são inúmeras e

valiosas. A água da sua cozedura, se tiver pouco sal, tem um elevado


poder diurético.
O bolbo cru acalma rapidamente as picadas dos insectos. *
Propriedades: anti-séptico, diurético, emoliente, expectorante,
laxativo, resolutivo. U.I., U.E. + V Ver: abcesso, albuminúria,
alcoolismo, anginas, arteriosclerose, artritismo, bronquite, cabelo,
convalescença, digestão, diurese, edema, esterilidade, ferida,
furúnculo, obesidade, obstipação, panarício, pele, picadas, rim,
tez, tosse, ureia.

Ameixeira

Pruntis domestica L.

Ameixoeira, ameixieira

Rosáceas

É muito provavelmente um híbrido derivado do abrunheiro-bravo,


Prunus spinosa L., e

do Prunus cerasifera Ehrh., que crescem conjuntamente no Sudeste


Europeu e na Ásia Ocidental. A ameixeira é cultivada desde tempos
remotos no Médio Oriente, sendo já conhecida pelos Latinos no século
I. Dela deriva o abrunheiro, Prumís domestica L., Subespécie
insititia Schneid., com frutos bastante pequenos, globosos,
geralmente de cor

azul-escura ou púrpura. A amêndoa dos caroços contém uma substância


que produz ácido cianídrico, pelo que pode ser perigosa. A ameixa
fresca contém 84% de água, entre 8 e 11% de glúcidos, 1,5% de ácidos
orgânicos, uma quantidade notável de provitamina A, os minerais
clássicos e um pigmento. A ameixa passada, ou seja seca, tem uma
percentagem de glúcidos de cerca de 60%, dos quais 44% são açúcar,
tornando-se assim um

alimento de elevado valor energético, tónico e depurativo e um


laxante de fama milenar. o Propriedades: depurativo, estimulante,
febrífugo, laxativo, tónico. U.l. Ver: fadiga, febre, fígado,
obstipação.

Amendoeira

Pruntis amygdalus Batsch (= Amygdalus communis L.)


Bras.: amêndoas

Rosáceas

A amendoeira está difundida no estado espontâneo, sob diversas


formas, do mar Egeu ao Pamir. Cultivada desde há milénios na Ásia e
introduzida na Europa pelos Gregos nos séculos v ou vi a. C., é
actualmente cultivada e está aclimatada em todas as regiões
meridionais. Existem duas variedades morfologicamente indistintas; a
mais semelhante ao tipo espontâneo tem sementes amargas, e

a outra, sementes doces.


Rica em óleo, proteínas e glúcidos, com

grande quantidade de vitaminas BI, B2, PP, B5, B6, provitamina A e


substâncias minerais, a amêndoa doce é um alimento de elevado valor
nutritivo. Contudo, deve ingerir-se moderadamente, no máximo 12 a 15
amêndoas por dia. A amêndoa seca é indigesta, pelo que deve ser
consumida depois de torrada.

O leite de amêndoas obtido pela trituração da semente pelada com


açúcar, seguida de diluição da pasta resultante em água, tinha
outrora numerosas aplicações. O óleo de amêndoas doces ou amargas,
extraído por pressão (após destilação das substâncias tóxicas), é um
óptimo laxativo. Reputado cosmético desde há séculos, amacia e
tonifica as peles secas, acalma os pruridos e acelera a cura das
dermatoses e das queimaduras superficiais. As amêndoas amargas,
outrora frequentemente receitadas devido às

suas propriedades antiespasmódicas e sedativas, contêm, como muitas


outras sementes do género Prutius, uma substância que produz ácido
cianídrico em teor elevado: basta a ingestão de 10 amêndoas, ou até
de menor quantidade, para causar graves perturbações, e 20 podem ser
fatais. Grande número de amendoeiras, outrora plantadas para
extracção do óleo, nas regiões meridionais dão amêndoas amargas. o
Propriedades: antianémico, antiespasmódico, emoliente, laxativo,
remineralizante, sedativo. U.l., U.E. + V O Ver: alcoolismo, anemia,
astenia, convalescenç a, crescimento, digestão, eritema, gravidez,
greta, obstipação, pele, prurido, queimadura, sono, tosse.

Amoreira-ne

ra

Morus nigra L. Amoreira-preta Bras.: amora-preta, amora-da-silva

Moráceas

Esta frutífera pouco conhecida não deve ser


confundida com a sua parente próxima, a amoreira-branca, Morus alba
L., alimento do bicho-da-seda, que dá também geralmente frutos
negros em forma de amora alongada. Os frutos (soroses) da amoreira-
negra, desprovidos de pedúnculo, são grandes e muito ácidos antes da
maturação, tornando-se depois agridoces; os frutos da amoreira-
branca, sempre pedunculados, são mais pequenos, insípidos e depois
doces e sem acidez. Árvore oriunda da Ásia Ocidental, a amoreira-
negra foi há muito introduzida na Europa Mediterrânica. Os Gregos e
os Romanos apreciavam os seus frutos, sempre abundantes, de gosto
delicioso, misto de groselha e

310
framboesa. Porém, as amoras são de difícil conservação e sujam de
uma cor púrpura-escura as mãos de quem as colhe. Por estas razões,
possivelmente, a árvore está em vias de extinção. Apenas se
encontram alguns exemplares nas regiões meridionais. A amora contém
cerca de 10% de açúcar e, em pequena quantidade, vitaminas. As
crianças apreciam o seu xarope, refrescante, e a sua

excelente geleia. As folhas, outrora consideradas febrífugas e


adstringentes, são há muito utilizadas como antidiabético nos
Baleãs. o Propriedades: adstringente, hipoglicemiante, laxativo,
refrescante. U.l., UX. O Ver: afta, anginas, boca, obstipação.

Anis

Pimpinella anisum L.

Anis-verde, erva-doce

Uinbelíferas

O anis é cultivado em todo o Sul da Europa e um pouco também mais ao


norte. Evadindo-se das plantações e jardins, desenvolve-se
espontaneamente, se bem que de modo esporádico. A sua origem
permanece um mistério, pois, introduzido na Ásia em tempos muito
remotos, desconhece-se qualquer zona onde exista no estado
espontâneo.

Dos frutos, a única parte da planta utilizada, ricos em óleo e


proteínas, obtém-se, por destilação pelo vapor, uma essência de
aroma e sabor característicos e que em doses elevadas é tóxica,
sobretudo quando alterada devido à exposição ao ar e à luz. Era um
dos mais nocivos componentes do absinto e entra ainda na composição
de alguns aperitivos.

O anis, perfeitamente inofensivo em doses medicinais, é um excelente


estimulante da digestão. Antiespas módico, é indicado para tratar
perturbaçõ es nervosas ligeiras, distúrbios gastrintestinais de
origem nervosa e

espasmos do aparelho respiratório. O anis é utilizado para mascarar


o gosto desagradável de algumas preparações farmacêuticas. o
Propriedades: anti espasmódico, carminativo, estimulante,
expectorante, galactagogo. UA, U.E. + O Ver: aerofagia, contusão,
dentes, espasmo, estômago, flebite, indigestão, lactação,
meteorismo, soluço, tosse, vómito.

Armoles

Atriplex hortensis L.
Erva-armoles

Quenopodiáceas

Hortaliça muito antiga, originária do Sudeste Europeu e da Ásia


Ocidental, provavelPLANTAS CULTIVADAS

mente cultivada pelas colónias neolíticas > a

armoles tinha as utilizações culinárias do espinafre antes da


introdução deste último na Europa, na Idade Média. Se bem que
praticamente em desuso nos nossos dias, esta planta era ainda muito
apreciada no século passado.
A armoles era outrora utilizada na preparação de caldos destinados
aos doentes do estômago e intestinos; associando-a à mercurial,
obtinha-se uma decocção laxativa que não provocava irritações.
Considerada actualmente uma erva daninha dos jardins e locais
habitados, a armoles identifica-se pelas suas folhas triangulares
verde-glaucas, não pulverulentas na página inferior, produzindo na
maturação frutos alados de 1 a 1,5 cm de comprimento. O sumo fresco
contém uma notável percentagem de vitamina C. É errado não a
cultivar, pois, além do seu sabor agradável e propriedades
alimentares semelhantes às do espinafre, mas mais doce, é um produto
hortícola de cultura muito fácil, de crescimento rápido, que resiste
à aridez e susceptível, devido ao seu porte elevado, de proteger as
plantas sensíveis ao

vento suão, especialmente nas hortas das zonas meridionais. o


Propriedades: diurético, emoliente, refrescante. U.l., UX. Ver:
dartro, diarreia, queimadura.

Arroz

Orvza sativa L.

Gramíneas

Cereal básico na alimentação das civilizações da Ásia Meridional e


do Extremo Oriente, desde sempre cultivado na índia e na China, o
arroz é actualmente conhecido sob milhares de variedades em todas as
regiões intertropicais e temperadas quentes. Se bem que tenha
começado a ser conhecido como alimento na Europa no tempo de
Alexandre Magno, só foi cultivado a partir do século VIII, época em
que os Árabes o introduziram no Sul de Espanha, atingindo
rapidamente a França e a Itália. O arroz branco, polido e glaceado,
totalmente desprovido das camadas proteicas externas e do germe, é
apenas amido e, como tal, não deve constituir a base exclusiva de
uma dieta alimentar. Pelo contrário, o arroz integral é um alimento
mais rico; a sua composição, no entanto > torna-o muito inferior
ao trigo como elemento de equilíbrio nutricional. O arroz integral
possui numerosas propriedades; o arroz

branco, menos indigesto, é mais conveniente para os doentes de


dispepsia e úlceras. o Propriedades: antidiarreico, hipotensor,
suavizante. UA, U.E + V O Ver: crescimento, diarreia, meteorismo,
pele, ureia.

311
PLANTAS CULTIVADAS

Aveia

Avena sativa L.

Gramíneas

Muito provavelmente derivada da aveia-doida, Avena fatua L., ou de


híbridos desta última com o balanco, Avena sterilis L., a

aveia cereal surge no início dos tempos históricos no Mediterrâneo


Oriental.

É utilizada em fitoterapia devido às suas propriedades energéticas e


nutritivas. Todas as suas partes têm utilidade: as sementes, pela
sêrnola e farinha; a palha e as glumas (invólucros externos dos
grãos que caem

aquando da debulha); o fruto contém grande quantidade de amido,


cerca de 12% de prótidos, 5% de lípidos, dos quais quase 25% de
lecitina, 2 a 5% de açúcares, sais minerais, fósforo, magnésio,
cálcio, aminoácidos, numerosas enzimas, uma hormona sexual feminina,
as vitaminas BI, B2, PP e

provitaminas A e D. A casca do grão, ou farelo, contém um alcalóide


e um elevado teor em saponósidos; a palha, rica em sílica, contém
ainda provitaminas A e D. O grão, excepcionalmente nutritivo, é o
alimento tradicional de Inverno nos países setentrionais, sob a
forma de papas ou de flocos constituídos por grãos achatados. A
palha > que é sedativa, pode ser utilizada como sucedâneo da
cavalinha; porém, sendo rica em minerais, é contra-indicada para os
doentes de reumatismo. o Propriedades: antiasténico, emoliente
estimulante, hipoglicemiante, sedativo. @.Í.’ U. E. V O Ver:
astenia, banho, convalescença, crescimento, diabetes,
envelhecimento, esterili~ dade, impotência, pele, sono, surmenage.

Balsamita

Chry,sunthemum balsamita Baili.

Tanacetum balsamita L.)

Hortelã-francesa

Conipostas

Esta grande composta vivaz é muito semelhante ao tanaceto devido aos


seus medíocres capítulos de centro amarelo formado por flores de
corola tubulosa. Porém, as suas consistentes folhas são ovais,
simples, de limbo crenado.

Toda a planta está revestida de um indumento viloso. Quando apertada


entre os

dedos, exala um aroma penetrante, misto de hortelã e limão.


Originária da Ásia Menor e

do Norte do Irão, a balsamita é cultivada desde a Antiguidade nas


regiões meridionais da Europa, onde ainda é possível encontrá-la
também no estado subespontâneo. Muito difundida na Idade Média,
época em que era vulgarmente utilizada como vulnerário, sob a forma
de *óleo de bálsamo+, obtido pela maceração das folhas e das
sumidades floridas em óleo, perdeu, nos nossos dias, gran-. de parte
da sua reputação. o Propriedades: antiespasmódico, carminativo,
diurético, estimulante, vermífugo, vulnerário. U.l. Ver: aerofagia,
bronquite, depressão, estômago, litíase, meteorismo, nervosismo,
parasitose, tosse.

B atateira

Solanum tuberosum L.

Batata

Solanáceas

Seria quase supérfluo recordar que esta planta, que adquiriu uma
importância capital na alimentação do mundo ocidental, foi
introduzida em Espanha provavelmente cerca de
1580, após a conquista do Peru pelos soldados de Pizarro.

A sua cultura propagou-se com bastante rapidez em Espanha, na


Alemanha e em Itália para alimentação dos animais. Em 1763,
Parmentier, prisioneiro de guerra na Alemanha, provou ali a batata,
empreendendo então a difícil tarefa de a difundir e desenvolver a
sua cultura em França com o beneplácito de Luís XVI. Actualmente,
existem cerca de 2000 variedades de batata em todo o Mundo.

O tubérculo é um alimento muito nutritivo, perfeitamente digerível,


energético, revigorante, inofensivo em qualquer caso, mesmo para os
que sofrem de dispepsia e úlceras. É preferível cozer as batatas ou
assá-las com a pele no forno, na brasa ou em vapor. Fortemente
mineralizante, menos rica do que os

cereais íntegros, como os grãos de cevada, trigo e aveia, a batata


não deve ser preferida em relação a estes últimos numa alimentação
equilibrada.

Muitas pessoas desconhecem que é conveniente ter cuidado com todas


as partes verdes da planta, sobretudo as bagas antes da maturação e
os brolhos do tubérculo, pois contêm uma substância venenosa, a
solanina, que já tem provocado algumas intoxicações fatais. o
Propriedades: cicatrizante, diurético, emoliente, suavizante. U.l.,
U.E. + V O Ver: cólica, diabetes, esterilidade, estômago,
obstipação, olhos, pele, queimadura, queimadura solar.

312
PLANTAS CULTIVADAS

Beldroega

Portulaca oleracea L.

Brus.: beldroega-pequena

Portulacáceas

Esta erva muito antiga, utilizada em saladas e sopas, com pequenas


folhas carnudas, é actualmente mais frequente naturalizada nas

velhas hortas e nas imediações de locais habitados do que cultivada.


Originariamente espontânea da Grécia à China, a beldroega é hoje uma
erva infestante propagada em

grande parte do Mundo.

Um teor importante de substâncias mueilaginosas determina as


diversas propriedades da beldroega. Outrora, prescrevia-se não só o
seu suco, mas também a decocção das suas sementes como vermífugos
infantis. A cultura desta planta é extremamente fácil, merecendo um
lugar nas hortas. Crua, misturada em saladas, ou cozida com
espinafres, é reguladora da função intestinal. o Propriedades: anti-
infiamatório, depurativo, diurético, emoliente, refrescante,
vermífugo@ U.l. Ver: bronquite, cistite, febre, parasitose, sede.

Beringela

Solanum melongena L.

Bras.: beringela-rosa, berengena, tongu, macumba

Solanáceas

Esta planta, da mesma família do tomate e da batata, é desde há


muito cultivada na índia. Os Árabes trouxeram-na para o Ocidente; no
entanto, nã o apareceu na Europa antes do século XV, e só depois de
1825 surgiu nos mercados. É cultivada em quase todas as

regiões temperadas quentes,

O seu valor nutritivo é insignificante, o

que não sucede relativamente ao seu interesse terapêutico. Embora as


partes verdes, que contêm alcalóides, sejam tóxicas como na maioria
das solanáceas, a polpa do fruto contém substâncias do grupo dos
saponósidos e na pele existem pigmentos, ácidos orgânicos e um
álcool. A beringela cozida com pele e
sem excesso de gorduras pode ser aconselhada para tratar a atonia
hepatobiliar. o Propriedades: colerético, diurético, emoliente,
hipocolesterolemiante, laxativo. U.l.

Ver: colesterol, fígado, obesidade, obstipação.

Ber amota
Citrus bergamia Riss. et Poit.

Vergamota

Rutáceas

É um parente próximo da laranjeira-doce e

de origem idêntica, apenas se parecendo com ela pelos seus ramos,


por vezes espinhosos, e pelos frutos, de cor amarelo-pálida, de 7 a
10 em de comprimento e frequentemente em forma de pêra. A bergamota
só é cultivada nas regiões meridionais mais quentes da Europa,
especialmente no Sul de Itália, na Calábria. Os frutos, muito
aromáticos e ácidos, impróprios para consumo, apenas se colhem pela
casca, que contém cerca de O,5% de uma essência que confere à planta
as suas propriedades terapêuticas e aromáticas. Utilizada em
perfumaria para fabricar águas-de-colónia, em confeitaria na
confecção de caramelos, serve ainda para perfumar alguns chás como o
Earl Grey, que, tomado em excesso, pode ser nocivo. A cosmetologia
inclui a essência de bergamota em certos produtos bronzeadores, que
devem ser utilizados com precaução, pois podem fazer surgir manchas
cutâncas muito inestéticas e difíceis de desaparecer devido ao
bergapteno contido no óleo essencial. o Propriedades:
antiespasmódico, anti-séptico, fotossensibilizador. U.l., UX. Ver:
bronzeamento, cólica, frieira.

Beteua-ba-sacarina

Beta vulgaris L., var. rapaceu Koch

Bras.: beterraba

Quenopodiáceas

As variedades de raiz grossa, carnuda e variavelmente adocicada da


Beta vulgaris, conhecidas sem dúvida desde a Antiguidade, mas pouco
cultivadas, propagaram-se cerca do século X111 a partir da Germânia,
onde os

camponeses pobres as utilizavam consideravelmente. Mencionada pela


primeira vez em
França por Olivier de Serres, em 1600, a beterraba tornou-se
rapidamente conhecida, A beterraba-açucareira tornou-se famosa no

século XIX, e a hortícola, reservada durante muito tempo às mesas


modestas, foi redescoberta e dada a conhecer pela dietética moderna.

Com os seus açúcares, sobretudo a sacarose, os seus pigmentos, o


grande número de aminoácidos, as suas vitaminas BI, B2, PP, C, a sua
provitamina A, os seus sais minerais e os seus oligoelementos, muito
raros, como o bromo, o manganésio, o lítio, o estrôncio, o rubídio,
a beterraba tem um grande valor nutritivo e energético. A variedade
hortícola, de sabor agradável e polpa vermelha, é um aperitivo.
Muito digestiva, deve ser preferentemente ingerida crua e

finamente picada, misturada com as saladas.

No começo do Inverno, é benéfica como

313
PLANTAS CULTIVADAS

preventivo de viroses. Do melaço, resíduo da indústria açucareira,


extraem-se a betaína, substância que estimula e restabelece o
equilíbrio da célula hepática, e o ácido glutâmico, um aminoácido
muito importante para o funcionamento cerebral, sendo também muito
utilizado em produtos farmacêuticos. o Propriedades: anti-séptico,
aperitivo, colagogo, remineralizante, tónico. U.l. + O Ver: anemia,
astenia, desmineralização, epidemia, fígado.

Cânhamo

Cannabis sativa L.

Linho-cânhamo, cânhamo~europeu

Canabináceas

Originário da Ásia Central e Ocidental, cultivado no Oriente há


milhares de anos, o cânhamo já era conhecido dos povos da Idade do
Bronze cerca de 1000 a. C. Esta planta têxtil desenvolveu-se
intensamente na Europa até ao século XIX, mas a concorrência e o
advento das fibras artificiais provocaram o declínio da sua cultura.
Actualmente, a palavra *cânhamo+ sugere mais rapidamente droga do
que planta industrial. Na verdade, não existem grandes diferenças
morfológicas entre o cânhamo comum e a sua espécie asiática,
Cannabis indica L., ou

cânhamo-indiano (bras.: maconha, fumo-de-angola, cânhamo~da-índia,


fumo-bravo), de que é extraído o haxixe. O cânhamo-europeu não é
estupefaciente; provoca, no entanto, uma ligeira euforia, e existem
inúmeros casos de trabalhadores que outrora se sentiam perturbados
nos campos de cultura do cânhamo. As sementes do cânhamo são muito
apreciadas pelas aves. o Propriedades: analgésico, antiespasmódico,
sedativo. UA, UX. O Ver: abcesso, anginas, dartro, furúnculo, sono.

Cebola

Alhum cepa L.

Liliáceas

Botanicamente, a cebola distingue-se dos alhos propriamente ditos


devido às suas folhas tubulosas e ocas. De entre as numerosas
espécies do género Allium, a cebola é, sem

dúvida, a que é cultivada há mais tempo. Derivando de cebolas


silvestres da Ásia Ocidental, já era cultivada na Caldeia há
4000 anos. Está representada frequentemente nos frescos dos túmulos
egípcios. Os Gregos e os Romanos comiam grande quantidade de
cebolas, e. os apreciadores da boa mesa na Idade Média davam-lhe
grande importância. Actualmente, este condimento é ainda a base da
cozinha européia mediterrânica. Cultivam-se numerosas variedades,
desde a enorme cebola-doce-de-espanha até aos pequenos bolbos
propositadamente ma cuidados - semeiam-se tarde e são escassamente
regados - para os conservar em vinagre. Para usos medicinais, em
cru, deve preferir-se a cebola de cor vermelho-vivo, mais rica em
essências. A chalota, Allium ascalonicum L., desconhecida no estado
espontâneo, é provavelmente apenas uma

variedade de cebola, originária talvez do Nordeste Africano.

Os mais antigos textos de medicina atribuem à cebola propriedades


diuréticas que continuam a ser-lhe reconhecidas. Quando fresca,
contém uma grande quantidade de água, glúcidos, lípidos, prótidos,
sais minerais, numerosos oligoelementos, enxofre, provitamina A,
vitaminas B 1, B2, PP, B5, C, E e flavonóides. O seu sabor picante
deve-se à presença de um óleo volátil análogo ao do alho. É um condi
mento-remédi o de grande valor, não sendo, porém, aconselhado aos

doentes de dispepsia, aos que têm frequentemente hemorragias ou


sofrem de dermatoses. As pessoas irritáveis ou de temperamentos
sanguíneo e bilioso só a devem ingerir com moderação. o
Propriedades: antiescorbútico, anti-séptico, antitússico, calicida,
cardiotónico, cicatrizante, diurético, emoliente, estimulante,
expectorante, hipog licemi ante, laxativo, resolutivo, revulsivo.
U.l., U.E. + O Ver: abcesso, acufenos, albuminúria, alcoolismo,
astenia, bronquite, calo, cancro, cieiro, diabetes, edema, ferida,
frieira, meteorismo, mordedura, obstipação, ouvido, panarício,
parasitose, picadas, pulmão, queimadura, reumatismo, sarda, tosse,
úlcera cutânea, ureia, verruga.

Ceboleta-de-frança

Allium schoenoprasum L.

Cebolinha- miúda, cebolinha-galega Bras.: alho-grosso-de-espanha,


alho-mourisco,

alho-rocambole, alho-espanhol

Liliáceas

A ceboleta-de-frança é uma pequena planta folhosa apenas no quarto


inferior que apresenta graciosas umbelas globosas com flores cor-de-
rosa ou cor de púrpura. Parente da cebola, mas desprovida do caule
dilatado e

314
fusiforme, a ceboleta-de-frança é indígena de todo o Norte da Europa
e da Ásia, propagando-se para sul através dos maciços montanhosos.
Cresce também na América do Norte. Resistente ao frio, suporta
facilmente o Inverno quando cultivada sob a protecção de um simples
caixilho envidraçado. As suas aplicações medicinais são idênticas às
da cebola. o Propriedades: antiescorbútico, anti-séptico,
antitüssico, calicida, cardiotónico, cicatrizante, diurético,
emoliente, estimulante, expectorante, hipoglicemi ante, laxativo,
resolutivo, revulsivo. U.l., U.E. Ver: alcoolismo, calo, meteorismo,
picadas.

Cebolinha-comum

Alliumfistulosum L.

Cebolinho

Lifiáceas

Planta afim da cebola, mas com bolbo oblongo, flores amarelo-


esverdeadas, a cebolinha-comum não é conhecida em parte alguma no
estado espontâneo. Possivelmente originária de um Allium da Ásia
Oriental, foi introduzida na Europa nos séculos XVI ou XVII e é
actualmente uma planta-condimento vulgar, fácil de picar, fresca e
verde, substituindo em culinária as cebolas. As suas aplicações são
muito semelhantes às da cebola, sendo, porém, mais bem tolerada
pelos estômagos sensíveis. o Propriedades: antiescorbútico, anti-
séptico, antitússico, calicida, calmante, cardiotónico,
cicatrizante, diurético, emoliente, estimulante, expectorante,
hipoglicemi ante, laxativo, resolutivo, revulsivo. U.l., UX. Ver:
alcoolismo, calo, meteorismo, picadas.

Cenoura

Daucu,@ sativus Hayek

Umbelíferas

A cenoura é uma das plantas silvestres mais divulgadas no mundo


antigo; a subespécie comestível, de raiz carnuda e adocicada,
cultivada na Europa há 2000 anos, foi possivelmente seleccionada na
Ásia Central. Durante muito tempo em competição com o

nabo, Brassica napus L., e a chirivia, começou a ser apreciada a


partir do Renascimento e conheceu grande difusão no início do século
Xix.

A raiz fresca das espécies cultivadas, que deve a sua cor vermelha a
um alto teor em carotenos que o organismo transforma em vitamina A,
é utilizada em fitoterapia. A cenoura contém também as vitaminas BI,
PLANTAS CULTIVADAS

B2, PP, B5, B6 e E, provitamina D, numerosos oligoelementos,


prótidos e poucos lípidos. Estes diversos componentes, e sobretudo
os carotenos, contribuem para a sua fama medicamentosa. Crua, ralada
com pele ou

em suco, é especialmente recomendada às crianças, aos adolescentes,


aos convalescentes, às mulheres grávidas e às pessoas idosas.

A polpa fresca aplicada em cataplasma é calmante e cicatrizante; em


máscara, tonifica e alimenta a epiderme. Os frutos secos,
estimulantes, diuréticos, galactagogos, têm aplicações análogas às
do anis-verde e do funcho. o Propriedades: antianémico,
antidiarreico, anti-séptico, cicatrizante, detersivo, diurético,
emoliente, estimulante, galactagogo, laxativo, remi neral izante,
sedativo, tónico, vermífugo. U.l., U.E. + V O Ver: abcesso, anemia,
astenia, bronquite, bronzeamento, convalescença, crescimento, cura
de Primavera, diarréia, envelhecimento, epidemia, estômago, ferida,
fígado, frieira, intestino, lactação, obstipação, olhos,
parasitose, pele, prurido, queimadura, seio, tosse, úlcera cutânea.

Centeio

Secale cereale L,

Gramíncas

É possível que, originariamente, o centeio fosse apenas uma erva


daninha dos campos de trigo, tendo-se revelado mais rústico que este
último e mais resistente em solos áridos e climas rudes. Este
cereal, proveniente do Oeste Asiático, actualmente desconhecido no
estado espontâneo, só tardiamente atingiu a Europa, sem dúvida nos
finais da Idade do Bronze. Amplamente difundido pelos Eslavos e
Gauleses, depressa se revelou como o mais apropriado cereal para
sementeiras em

solos pobres.

Utilizados para fazer pão, os grãos de centeio são muitas vezes


misturados aos do trigo. A composição do centeio é muito semelhante
à do trigo, mas o seu germe é menos rico em proteínas, em lípidos e
sobretudo em vitaminas, contendo, no entanto, bastante fósforo,
potássio, magnésio, cálcio, ferro e cobre, além de pequena
quantidade de iodo. É um alimento energético, de digestibilidade
média, cujo uso regular é considerado preventivo das afecções
cardiovasculares.

Quando parasitadas pelo fungo Claviceps purpurea Tul., as espigas do


centeio apresentam esporões negros cuja elevada toxicidade está na
origem do ergotismo, outrora denominado mal ardente, felizmente
quase desaparecido nos nossos dias. Os alcalóides do esporão do
centeio, ou cravagem, têm importantes aplicações terapêuticas.

315
PLANTAS CULTIVADAS

o Propriedades: emoliente, laxativo, remineralizante, resolutivo.


U.l. O Ver: arteriosclerose, desmineralização, enuresia,
hipertensão, obstipação.

Cerefólio

Anthriscus cerefolium (L.) Hoffm.

Cerefolho, cerefolho-das-hortas

Umbelíferas

Esta planta aromática, cultivada na maioria das hortas, se bem que


muitas vezes considerada como parente pobre da salsa, a sua

grande rival, cresce espontaneamente no Sudoeste da Europa, no


Cáucaso e nas montanhas da Ásia Ocidental. Os Romanos já a

apreciavam. Na Idade Média, foram-lhe atribuídas inúmeras virtudes.

Para fins aromáticos ou medicinais, o cerefólio só se emprega fresco


e cru, pois o

calor volatiliza o componente aromático. A planta contém um


importante teor de vitamina C, um princípio amargo e o mesmo
heterósido flavónico que a salsa. Recomenda-se prudência, pois é
possível que nos jardins ou próximo deles cresçam umbelíferas
selvagens do mesmo género Anthriscus ou

do género vizinho Chaerophy11uni. Algumas destas plantas são


tóxicas, e nenhuma delas tem o cheiro agradável do cerefólio.
Aperitivo devido ao seu sabor, o cerefólio é também um bom
estimulante da digestão. É utilizado com vantagem nas curas
depurativas de Primavera. O suco fresco misturado com leite ou com
uma infusão tépida acalma a tosse. o Propriedades: antiasténico,
antilactagogo, anti-séptico, aperitivo, colerético, depurativo,
diurético, estimulante, resolutivo. U.I., U. E. + V Ver: bronquite,
contusão, fígado, herpes, icterícia, lactação, nariz, oftalmia,
pele, prurido, rim, ruga, seio, tosse.

Cerejeira

Prunus avium L.

Cerdeira

Rosáceas
Existem numerosas variedades desta planta. A c erej eira- molar,
Prunus juliana Rchb., que dá frutos de polpa tenra e doce, vermelhos
ou vermelho-anegrados, e a cerejeira-bical, Prunus duracina Rchb.,
de drupas com polpa clara e consistente, derivam, por selecção, da
cerejeira-brava, Prunus avium L. A ginjeira-garrafal, Prunus
gondouinú Relider, é um híbrido da cerejeira-brava e da ginjeira-
galega, ou de-folha, Prunus cerasus

316

L. Esta, espontânea na Ásia Ocidental, foi conhecida na Europa desde


a Antiguidade. As utilizações medicinais das diversas variedades são
idênticas.
A cereja, aquosa e pouco nutritiva apesar dos seus açúcares,
fornece, no entanto, ao organismo uma quantidade notável de
provitamina A, além de vitaminas do grupo B, ácidos orgânicos,
tanino e flavonóides. A amêndoa do caroço contém uma pequena
quantidade de ácido cianídrico, nã o devendo portanto ser ingerida.
A cereja é um fruto recomendado para curas aos doentes pletóricos e
reumáticos e, devido às suas vitaminas, à s crianças e aos
adolescentes. O sumo, convertido em xarope, é uma bebida
refrescante. A polpa fresca, aplicada em máscara no rosto, tonifica
a epiderme. A infusão de pés de cereja é um diurético de comprovado
uso popular. a Propriedades: depurativo, diurético, laxativo,
refrescante. U.l. + V O Ver: anemia, celulite, cistite, crescimento,
diurese, gripe, litíase, obesidade, obstipação, reumatismo, rim.

Cevada

Hordeum vulgare L. e H. distichum L.

Gramíneas

A história da cevada cultivada é muito semelhante à do trigo.


Originária do Próximo Oriente, a cevada deve ter sido semeada nos
primeiros campos neolíticos, há possivelmente 7000 anos,
Actualmente, está muito difundida em grande parte do Mundo em

numerosas variedades.

A cevada foi rapidamente suplantada pelo trigo, cereal nobre, na


alimentação humana. Os homens das mais antigas civilizações
destinavam-na à alimentação do gado; porém, as classes
desfavorecidas, que a consumiam com frequência, preparavam-na sob a
forma de papas e bolos. A sua utilização como planta para o fabrico
de bebidas remonta à Pré-História: por fermentação em água, os seus
grãos torrados e esmagados transformavam-se numa bebida espumante, a
antepassada da cerveja. A cevada pode ser

consumida sob diferentes formas: em farinha; em grãos descascados e


esmagados, os

flocos; em grãos descascados e polidos à máquina, a cevadinha, ou


cevada perlada. E um alimento rico e reconstituinte. As enzimas que
se desenvolvem especialmente no

grão germinado, ou malte, transformam o amido em substâncias muito


fáceis de assimilar pelo tubo digestivo. Deste facto resulta a
utilidade do malte na alimentação dos doentes, convalescentes,
pessoas idosas ou

crianças de tenra idade. O malte torrado serve para preparar um


agradável, nutritivo e

digestivo sucedâneo do café. O germe con-


têm um alcalóide, a hordeína, não tóxico em doses medicinais e
alimentares, que exerce uma acção semelhante à de uma hormona, a
adrenalina. O decocto de cevada descascada, o cozimento de cevadinha
dos médicos antigos, tem uma justificada reputação de remédio
reconstituinte e emoliente. Para uso externo, tanto esta preparação
como a farinha de cevada em cataplasmas quentes actuam como
sedativos e resolutivos. o Propriedades: antidiarreico,
cardiotónico, emoliente, resolutivo, sedativo. U.l., UX. +0 Ver:
abcesso, anginas, bronquite, cistite, convalescença, coração,
crescimento, diarreia, estômago, lactação.

Chagas

Tropaeolum majus L.

Mastruço-do-peru, capuchinhas, chagueira

Tropeoláceas

Esta planta sul-americana, hoje tão vulgar nos nossos jardins,


aclimatou-se na Europa no século xvii. A Tropaeolum minus L.,
espécie muito semelhante, tem utilizações idênticas. A parte
utilizável das chagas são as folhas frescas e as sumidades floridas.
Um heterósido sulfurado, idêntico ao componente activo do agrião,
confere-lhe um

sabor fresco e picante, podendo provocar as

mesmas pequenas perturbações que aquela planta em pessoas sensíveis.


As flores e os frutos concentram este composto num óleo essencial;
as folhas contêm, além disso, uma quantidade notável de vitamina C.
As folhas e flores das chagas, misturadas em saladas, abrem o
apetite, auxiliam a digestão e, na refeição da noite, favorecem o
sono. O seu suco fresco facilita a expectoração e acalma a tosse.
Recentemente, foi isolada da planta uma substância antibiótica. o
Propriedades: antiescorbútico, emenagogo, expectorante, tónico,
vesicante. U.l., U. E. + V Ver: apetite, bronquite, cabelo,
colibacilose, enfisema, menstruação, raquitismo, tosse.

Cipreste

Cupressus sempervirens L.

C i preste -dos-cem i téri os

Bras.: cipreste-da-itália, cipreste-comum

Cupressáceas

Espontâneo nas ilhas do mar Egeu, na Síria e no Irão, o cipreste,


que ocupava um lugar importante nos ritos funerários dos povos
antigos, propagou-se desde há muito por todas as costas do
Mediterrâneo, pela Ásia e

PLANTAS CULTIVADAS

até pela China. É uma das plantas medicinais mais antigas: está
mencionado num escrito assírio com 35 séculos. Os discípulos de
Hipócrates conheciam já as suas características de adstringente e o
seu poder anti-hemorrágico.

Os ramos novos com folhas e os frutos, denominados gálbulas, são


utilizados em fitoterapia; as gálbulas devem ser colhidas antes da
maturação, no Inverno. Além de uma elevada percentagem de tanino, o
cipreste contém um óleo essencial muito aromático com o qual os
Romanos fabricavam perfumes. O cipreste é essencialmente uma

planta vasoconstritora devido ao conjunto dos seus componentes. o


Propriedades: antidiarreico, antiespasríiódico, anti-séptico,
cicatrizante, vasoconstritor. UA, U.E. + Ver: circulação, diarreia,
enurese, hemorragia, hemorróidas, menopausa, tosse convulsa,
varizes.

Coentro

Coriandrum sativum L.

Coriandro

Umbelíferas

Propagado por meio da cultura e esparsamente espontâneo numa extensa


zona da bacia mediterrânica, na Ásia e na América, o coentro é
provavelmente nativo do Próximo Oriente. O seu emprego como planta
aromática e medicinal, ainda habitual entre os Árabes, remonta a
tempos muito remotos. A medicina antiga foi muito contraditória no
que se lhe refere. Para uns o coentro era uma planta venenosa, para
outros um simples com capacidade para curar a peste e a epilepsia e
suprimir as dores do parto. Consideravam-no simultaneamente
afrodisíaco e calmante. As partes verdes, frescas, têm utilização na
cozinha regional. Os frutos secos, a parte da planta mais utilizada
na Europa, dão, após destilação, entre O,4 e 1 % de uma essência
menos tóxica do que a da maioria das essências das umbelíferas
aromáticas, que é, no entanto, um excitante para o homem. Tomada em
doses excessivas, esta essência pode provocar perturbações e lesões
renais; em doses medicinais, é um excitante, anti-séptico e
vulnerário, indicado para estados de choque ou em casos de
enfraquecimento geral associado a graves doenças infecciosas. Os
frutos servem para temperar guisados, caça, caldos, conservas em
vinagre e purés de batata. O coentro é assim uma
planta aromática frequentemente utilizada. Mastigada, disfarça o mau
hálito provocado pela ingestão de alhos. o Propriedades: antiespas
módico, anti-séptico, carminativo, estimulante, excitante,
vulnerário. U.l. + O

317
PLANTAS CULTIVADAS

Ver: aerofagia, arteriosclerose, digestão, dor, espasmo, fadiga,


gripe, meteorismo, vertigem.

Coloquíntidas

Citruflus colocywhis Sebrad.

Maçã-coloquíntida

Cucurbitáceas

Cultivada nas regiões mediterrânicas mais quentes, bem como no Oeste


e Sudoeste da Ásia, a coloquíntida só é provavelmente espontânea na
Á frica desértica, sobretudo no Sara.

Esta planta, parente próxima da melancia, Citruflus vulgaris


Schrad., com frutos esféricos de 8 a 12 cm de diâmetro, casca
coriácea e amarelada, polpa esbranquiçada excessivamente amarga, não
deve ser confundida com as diversas cucurbitáceas ornamentais como a
cabaça, às quais se atribui, por vezes erradamente, o seu nome.

As coloquíntidas são um dos mais violentos purgantes do reino


vegetal devido aos

heterósidos amargos que contêm. Efectivamente, nos tempos remotos em


que a purga era a base de qualquer terapêutica, e em que este fruto
fazia parte de numerosas receitas, provocava desconfiança. Pouco
usada actualmente, figura na lista de substâncias tóxicas da
farmacopeia francesa. a Propriedades: drástico, insecticida. UA, U.
E. + Ver: insectos.

CoIza

Brassica napus L., var. oleifera DC.

Couve-nabiça Bras.: nabo

Crucíferas

Variedade do nabo de raiz esguia, planta próxima da couve-nabo, a


colza é igualmente oriunda das regiões de climas continentais da
Europa e da Á sia Ocidental. É simultaneamente uma planta utilizada
como forragem e oleaginosa. O óleo transparente e semi-secativo
fornecido pelas suas sementes tem numerosas aplicações na
alimentação, tais como para mistura dos óleos de mesa

vulgares, fabrico de margarinas, de chocolate e de bolachas de preço


acessível. Porém, os métodos actualmente utilizados para a
extracção industrial dos óleos tornam duvidosa a qualidade de todos
aqueles cujo processo de obtenção utiliza calor, estando o

óleo de colza incluído nesse número. Contém, além disso, várias


substâncias que se revelaram tóxicas quando em ingestão prolongada,
não apresentando assim garantias suficientes para ser utilizado em
culinária. A sua utilização em fitoterapia é, porém, absolutamente
justificada. o Propriedades: cicatrizante, emoliente, Iaxativo.
U.l., U.E. Ver: bronquite, frieira, traqueíte.
Cominhos

Cuminum qminum L.

Urnbelíferas

Especiaria muito antiga, nativa da Ásia Ocidental, especialmente do


Turquestão, o cominho ocupava um lugar muito importante na
gastronomia e na medicina da Antiguidade. Citado pelo profeta
Isaías, os seus frutos também foram encontrados nos túmulos
egípcios; os Romanos, na época da decadência, utilizavam-no como
auxílio para a digestão após os festins. Na Idade Média, o uso do
cominho era ainda muito requintado na Europa, e só com a evolução do
gosto acabou por ser considerado uma trivial erva aromática. A
alcaravia passou a ser utilizada em seu lugar e geralmente é
confundida com o cominho. Os frutos desta pequena planta esguia,
bastante semelhantes aos da alcaravia, são, porém, guarnecidos por
numerosos pêlos rijos e curtos, têm aroma mais forte e menos
agradável e um sabor mais quente e acre. o Propriedades:
carminativo, digestivo, galactagogo, sudorífico. UA. + O Ver:
apetite, digestão, estômago, lactação, meteorismo.

Couve

Brassica oleracea L.

Crucíferas

Nativa da Europa, a couve encontra-se no estado espontâneo nas


falésias e rochedos do litoral da Mancha, do Atlântico e do
Mediterrâneo Ocidental. No seu habitat natural, é uma planta de
caule grosso, semilenhoso e ligeiramente prostrado, com folhas
esparsas, sendo as inferiores, por vezes, profundamente recortadas,
de cor verde e textura carnuda. Nela se reconhece facilmente o
protótipo da couve forrageira não repolhuda. Cultivada há milhares
de anos, muito apreciada pelos povos celtas e os Romanos, a couve
existe em centenas de variedades, hoje difundidas pelos campos e
hortas de todo o Mundo.

Hortaliça popular por excelência, a couve


teve um lugar cimeiro no seu importante papel de alimento e remédio.
Catão, o Anti318
go (séculos III e II a. C.), utilizava-a como panaceia. Plínio, no
século I, considerava-a uma planta mílagrosa que permitira aos

Romanos viver sem médicos durante seis séculos. Hieronymus Bock,


célebre médico alemão do Renascimento, considerava ainda a couve-
roxa como um vulnerário: na sua opinião, a urina das pessoas que a
comessem adquiria o poder de curar os tumores externos. Porém, o
cepticismo do século XIX relegou a couve para as cozinhas, tornando-
se, quando muito, um remédio caseiro. Parece, no entanto, que a sua
função terapê utica não terminou, pois os fitoterapeutas actuais
reconhecem-lhe a maioria das propriedades que já os Antigos lhe
atribuíam.

Pelo que se conhece da composição quimica da couve, não é possível


explicar exactamente a sua actividade terapêutica. Além de cerca de
92% de água, a couve contém, como a maioria das crucíferas
hortícolas, pequena quantidade de uma essência sulfurada, entre 1 e
4% de prótidos, 5 e 7% de glúcidos, entre os quais as mucilagens,
O,3% de lípidos, minerais: fósforo, cálcio, iodo, etc., pequenas
quantidades de provitamina A e

vitamina B e grande quantidade de vitamina C: entre O,05 e O,08%. As


suas inumeráveis propriedades e a sua actividade antiescorbútica são
há muito conhecidas: devido ao uso da couve fermentada nos navios,
foi finalmente possível vencer o *escorbuto marinho+. É importante
salientar que a couve mais benéfica é a couve-roxa consumida crua
ou, em caso de intolerância, cozida. Numa obra recente, um médico
francês atribui-lhe cerca de 80 aplicações distintas. o
Propriedades: antianémico, antidiarreico, antiescorbútico,
cicatrizante, depurativo, diurético, emoliente, hipoglicemiante,
peitoral, vermífugo, vulnerário. U.I., U.E. + O Ver: abcesso, acrie,
alcoolismo, anemia, astenia, bronquite, ciática, contusão, díabetes,
diarreia, escorbuto, ferida, fígado, frieira, gota, impetigo,
lumbago, parasitose, pele, picadas, queimadura, reumatismo, rim,
úlcera cutânea, urina.

PLANTAS CULTIVADAS

ria. No final do 3.1 milénio a. C. - pelo que se lê nos textos


antigos -, o damasco era já servido à mesa dos imperadores da China.
No entanto, a árvore só começou a

ser cultivada nos pomares chineses três séculos antes de Cristo. Do


Extremo Oriente propagou-se à Ásia Ocidental, e, devido ao seu
enorme desenvolvimento na Arinénia, os Romanos chamaram-lhe
Armeniacum malum, maçã-da-arménia. Citado pelos Romanos desde o
século 1, o damasqueiro foi difundido por todas as suas possessões
da bacia mediterrânica. É actualmente uma das árvores de fruto mais
cultivadas nas regiões meridionais da Europa, podendo os seus frutos
ser consumidos quer frescos, quer em conserva.
O damasco é um fruto de grande valor nutritivo. Especialmente rico
em provitamina A, à qual se associam as vitaminas B I, B2, PP, B5 e
C, açúcares, sais minerais e numerosos oligoelementos, é,
efectivamente, um poderoso antianémico. O damasco é geralmente bem
tolerado, podendo, porém, como o morango, provocar reacções
alérgicas. Consumido cru, é antidiarreico, mas depois de seco e
submetido à mesma preparação que as ameixas torna-se laxativo. O
sumo fresco, aplicado no rosto sob a forma de loção, é um excelente
tónico. A amêndoa do caroço, bastante oleaginosa, é comestível se
for doce; porém, é mais frequente ser amarga, contendo, nesse caso,
uma substância que produz ácido cianídrico, um veneno violento. Deve
ter-se a maior prudência, pois este caroço já provocou acidentes
mortais, especialmente em crianças. o Propriedades: adstringente,
antianémico, laxativo. U.l., U.E. + V Ver: acufenos, anemia,
astenia, convalescença, envelhecimento, nervosismo, pele.

Dictamo-branco

Dictamnus albus L.

Dictamno-branco, fraxincla

Damasqueiro

Prurius armeniaca L.

Albricoqueiro, alperceiro, alpercheiro

Bras.: damasco, abricot

Rosáceas

O damasqueiro, cujos frutos são geralmente pequenos e ácidos, cresce


espontaneamente na região que se estende do Irão à ManchúRutáceas

Espontâneo no Sul e Centro da Europa, assim corno na Ásia temperada,


o dictamo-branco é uma planta rara, cultivada simultaneamente pela
sua beleza e as suas propríedades medicinais. Grande erva vivaz, tem
as folhas superiores compostas por 7 a

15 folíolos denticulados, pontuados de glândulas bem visíveis à


transparência, e enormes flores cor-de-rosa ou brancas, exalando um
penetrante aroma a canela tão volátil que nas noites de Verão a
essência libertada pode perceber-se à distância. Os Antigos
desconheciam o dictamo-branco. No Renascimento, os médicos
atribuíam-lhe múltiplos poderes. A casca da raiz fazia parte de
numerosas fórmulas farmacêuticas.

319
PLANTAS CULTIVADAS

o Propriedades: anti espasmódico, digestivo, estimulante, tónico,


vermífugo. U.l. Ver: anemia, indigestão, parasitose, verti- gem.

Dictamo-de-creta

Origanum dictamnus L. [@Amara(-us dictamnus (L.) Benth.1

Labiadas

Esta espécie xerófita com um indumento lanoso branco, de base


lenhosa, com pequenas flores rosadas, formando espigas opostas
guarnecidas de grandes brácteas cor de púrpura, cresce no estado
endémico em Creta. Considerado uma panaceia pelos Gregos e

Latinos, mas muitas vezes confundido pelos Antigos com outras


labiadas odoríferas, o dictamo-de-creta era ainda no século XVIII
vulgarmente cultivado nos jardins e fazia parte das receitas de
determinado número de preparações farmacêuticas como o orvietão

ou a opiata-de-salornão. A medicina moderna reconhece somente


propriedades aromáticas a esta labiada. Semelhante, nos seus
componentes químicos, ao poejo, o dictamo-de-creta tem possibilidade
de substituí-lo nas

indicações terapêuticas. o Propriedades: antiespas módico, colagogo,


emenagogo, vulnerário. UA, UX. + Ver: bronquite, contusão,
menstruação, tosse, vesícula biliar.

Dormideira

Papaver somniftrum L.

Papoila-da-índia Bras.: papoula

Papaveráceas

A dormideira inclui-se neste capítulo devido às suas sementes


oleaginosas. Nas volumosas cápsulas de todas as variedades de
Papaver somniferum L. amadurece um grande número de minúsculas
sementes, ricas num óleo, denominado óleo de papoilas, muito
semelhante ao óleo de girassol. Este óleo contém uma substância rica
em fósforo, a

lecitina. Fluido, quase incolor, de sabor agradável quando resulta


de uma primeira pressão a frio, o óleo de papoila é perfeitamente
indicado para a alimentação. Pouco utilizado, poderia ser, no
entanto, muito eficaz numa dieta hipocolesterolemi ante. Na Europa
Central, as sementes da dormideira são frequentemente utilizadas em
pastelaria e no fabrico do pão. a Propriedades: emoliente,
hipocolesterolemiante. U.l., UX. Ver: colesterol, fígado, greta,
queimadura.

Eruca

Erucu sativa Milí.

Fedorenta

Crucíferas
Com as suas grandes flores brancas ou amareladas raiadas de roxo e
as folhas profundamente lobadas, a eruca é muito semelhante a um
rabanete bem desenvolvido. Distingue-se, no entanto, pelo seu cheiro
forte e picante. Planta hortícola, condimentar e de aplicações
medicinais, outrora muito vulgar nas regiões mediterrânicas da
Europa e da Ásia Ocidental, é actualmente pouco conhecida. Apesar de
rara nas hortas, é, por vezes, cultivada em certa escala como
sucedâneo da mostarda-negra. A cruca deve o seu sabor picante e as
suas propriedades tónicas e excitantes a um heterósido gerador de
uma essência sulfoazotada. As suas utilizações são por isso muito
semelhantes às das diversas crucíferas, como a mostarda-negra, o

mastruço e o rábano. o Propriedades: depurativo, digestivo,


estimulante, tónico. U.l., U.E. Ver: astenia, cabelo, cura de
Primavera, impotência.

Ervilheira

Pisum saffi,um L.

Ervilha

Leguminosas

Na Idade do Cobre, os homens das cidades lacustres cultivavam já a


ervilheira, além do trigo, da cevada e do milho-miúdo. Pode assim
afirmar-se que a domestícação desta planta, originária das regiões
mediterrânicas, onde aparecem ainda espécies congéneres no estado
espontâneo, se perde num passado longínquo. Os Egípcios já a
conheciam. Cultivada pela sua utilidade na alimentação, recurso de
grande importância nas épocas em que, com excepção da base
cerealífera, poucos alimentos vegetais podiam ser consumidos no
Inverno, a ervilha foi durante muito tempo o único legume seco. Mais
tarde, na Idade Média, adquiriu-se o hábito de comê-la verde.

Rica em glúcidos e em prótidos, com 1,5% de lípidos e 3% de sais


minerais, um terço dos quais sob a forma de fosfatos e grande
quantidade de ferro, a ervilha-de-quebrar é um alimento quase tão
nutritivo como a lentilha. Após a secagem, deve de preferência ser
descascada.

320
De muito mais fácil digestão depois de reduzida a puré, não é
aconselhável às pessoas que sofrem de dispepsia ou às que têm uma
actividade física reduzida. A ervilha verde contém glúcidos,
prótidos, fósforo e vitaminas B 1, B2, PP e provitaminas A e D.
Indicada para anêmicos e convalescentes, também é aconselhável para
os trabalhadores manuais e intelectuais. o Propriedades: resolutivo,
tónico. U.l., U. E. + Ver: digestão, pontos negros.

Escorcioneira

Scorzonera hispanica L.

Compostas

Muito semelhante ao cersefi, do qual se distingue pelas suas flores


amarelas e raízes escuras, a escorcioneira é uma planta indígena do
Sul e do Centro da Europa, pouco modificada pela cultura. Citada
pela primeira vez em França, como remédio, no século XVI, só um
século depois foi reconhecida como hortaliça. Actualmente, aprecia-
se o sabor da sua raiz, que é bem digerida por estômagos sensíveis.
A água da cozedura, se não contiver sal, é diurética. Esta raiz,
rica em mucilagem e contendo prótidos e glúcidos, era outrora tida
como um antídoto de venenos. Das folhas novas fazem-se excelentes
saladas. o Propriedades: diurético, emoliente, peitoral, sudorífico.
UA, UX. Ver: bronquite, gota, pele, tinha.

Espargo-hortense

Asparagus officinalis L.

Bras.: aspargo

Liliáceas

O espargo-hortense encontra-se um pouco por toda a parte,


propagando-se espontaneamente, pelo que é muito difícil determinar a
sua origem. Já era cultivado no antigo Egipto, no Médio Oriente e na
Grécia antiga. Introduzido em França na época galo-romana, a sua
cultura só começou a ser estável a partir do século XV. Este espargo
cultivado, geralmente aclimatado em solos arenosos, tem várias
espécies próximas espontâneas na flora europeia. A mais notável, o

espargo-bravo- menor, Asparagus acutifolius L., é um subarbusto


perpetuamente verde, muito disseminado na região mediterránica.

A análise dos turiões comestíveis revelou um grande número de


componentes: provitamina A, vitaminas BI e B2, aminoácidos,
numerosos oligoelementos, etc. A toiça, espessa, provida de
numerosas raizes carnuPLANTAS CULTIVADAS
das, contém, além disso, um elevado teor de açúcares, um saponósido
e vestígios de óleo essencial; outrora, era utilizada na composição
do xarope das cinco raízes, do qual faziam também parte o aipo, a
gilbarbeira, o funcho e a salsa. O espargo, diurético por excitação
directa do rim, não é aconselhado aos doentes de gota, litíase e
reumatismo. Consumido cru, provoca por vezes reacções alérgicas. a
Propriedades: depurativo, diurético. UA. +0 Ver: anemia, diurese,
fígado, gripe, intestino, pulmão.

Espinafre

Spinacia oleracea L.
Quenopodiáceas

Esta planta hortícola, de origem persa, foi introduzida em Espanha


pelos Árabes apenas no século XI. No século XIII, alcançou a França
e seguidamente atingiu o resto da Europa. Muito rica em sais
minerais, contém também aminoácidos, vitaminas BI, B2, C, PP,
carotenos e glúcidos. Devido à sua alta mineralização e
especialmente aos seus oxalatos, o espinafre deve ser evitado pelos
doentes reumáticos, do fígado e dos rins e diabéticos, bem como em
estados inflamató~ rios do tubo digestivo e vias urinárias. o
Propriedades: antianémico, estimulante, hipotensor, laxativo,
remineralizante. UA, U.E. O Ver: acne, anemia, convalescença,
crescimento, desmineralização, hipertensão, obstipação, queimadura,
raquitismo.

Estragão

Artemisia dracunculus L.

Compostas

Esta espécie de Artemis@a deliciosamente aromática, originária da


Rússia Meridional e da Sibéria, era muito apreciada pelos Árabes sob
o nome de tarkum antes de atingir o

Ocidente, talvez aquando das invasões mongólicas, mas mais


provavelmente trazida pelos cruzados no século XII. No século XIII,
tinha o nome de tarcon, e no XIV, o de targon, origens do seu nome
actual.

Remédio apreciado pelos Árabes e mesmo considerado por Avicena, no


século XI, como preventivo contra a peste, o estragão foi
progressivamente abandonado na Europa para fins medicinais,
conquistando, no entanto, os seus elevados privilégios culinários.
Contudo, as análises atestam a exactidão de muitas das antigas
indicações terapêuticas.

321
PLANTAS CULTIVADAS

O seu uso é benéfico para faltas de apetite ou más digestões; picado


com abundância sobre legumes, peixes e carnes, melhora
agradavelmente a insipidez dos alimentos nas dietas sem sal. o
Propriedades: antiespas módico, anti-sép~ tico, aperitivo,
emenagogo, estimulante, vermífugo. U.l. + Ver: aerofagia, apetite,
astenia, digestão, menstruação, meteorismo, parasitose, soluço.

Faveira

Vicia faba L.

Fava

Leguminosas

Este antigo legume, parente próximo de espécies espontâneas da


região mediterrânicá, já era cultivado na Idade do Bronze. A sua
importância alimentar era grande entre os Antigos, embora tivesse a
fama de albergar as almas dos mortos e de provocar sonhos funestos.

A fava tem um elevado valor nutritivo, pois @ontém 23% de prótidos e


55% de glúcidos. E muito agradável crua quando nova, tornando-se
depois de retirada a pele, temperada com sal e azeite, bastante
indigesta. Cozida com a vagem, apresenta uma digestibilidade
satisfatória. Quando seca, é necessário demolhá-la durante 24 horas
para ser

possível extrair a epiderme coriácea; cozinha-se em puré, sopa e


guisada, digerindo-se mais facilmente se for temperada com

ervas aromáticas estimulantes, como a segurelha e a salva. As flores


e vagens verdes da fava são utilizadas em fitoterapia. A ingestão da
fava ou a simples inalação do pólen da planta florida pode, por
vezes, provocar uma rápida intoxicação, o favismo. o Propriedades:
antiespas módico, diurético, sedativo. U.l. O Ver: albuminúria,
cistite, litíase.

Feijoeiro

Phaseolus vulgaris L.

Feijão-de-trepa

Leguminosas

O feijão, originário do México e do istmo da América Central, era,


além do milho, o alimento base das antigas civilizações do Novo
Mundo. Após a sua aclimatação na Europa,
onde foi introduzido pelos conquistadores espanhóis no início do
século XVI, o feijão produziu inúmeras variedades hortícolas.
Conhecido no passado sobretudo como legume seco de fácil
conservação, preferem-se actualmente as suas vagens inteiras
colhidas antes da maturaçao.

Quando verde, o feijão é um bom alimento, apesar do seu fraco


conteúdo calórico; rico numa substância que corrige as perturbações
metabólicas, protege o tecido hepático e fortifica o coração; contém
ainda numerosos aminoácidos, carotenos, vitaminas C, E e todas as do
grupo B, sais minerais e oligoelementos. A semente crua contém uma
substância que tem a propriedade de restabelecer a percentagem de
leucócitos em caso

de queda patológica ou iatrogénica, após um tratamento com


determinados antibióticos’. Muito nutritivo, o feijão seco digere-se
com

mais facilidade se for temperado com

condimentos adequados, como a salva e a segurelha. o Propriedades:


depurativo, diurético, emoliente, estimulante, hipoglicemiante,
tónico. U.l., UX. + Ver: albuminúria, arteriosclerose,
convalescença, diabetes, fígado, insectos, mordedura, queimadura,
reumatismo, ureia.

Figueira

Ficus carica L.

Bras.: figueira-de-europa, figueira-de-baco

Moráceas

Com os seus pequenos frutos esponjosos e

não comestíveis, a figueira-brava existe nos

locais rochosos virados ao sol de toda a bacia mediterrânica, onde


se mistura com inúmeros pés naturalizados que derivam de variedades
cultivadas. Estas últimas são provavelmente originárias da Ásia
Ocidental. A figueira é uma das mais antigas árvores de fruto: uma
pintura egípcia de Beni-Hassan, com 4500 anos, representa uma

colheita de figos; no Antigo Testamento surge como um dos símbolos


da abundância da Terra Prometida. Os figos tiveram, além do trigo e
da azeitona, um papel importante na alimentação dos antigos povos
mediterrânicos, sobretudo da Grécia e de Roma.
Particularmente rico em açúcar, proteínas, lípidos, grande
quantidade de fósforo e cálcio, além de oligoelementos, o figo é um

alimento muito nutritivo e de fácil digestão. Uma elevada


percentagem de vitamina C, quando fresco, associada aos carotenos e
vitamina B, contribui para que o figo seja um remédio contra a
fadiga. As suas propriedades são numerosas: as sementes exercem uma
acção laxativa; a decocçã o do figo seco é emoliente quer para uso
externo, quer interno. O fruto cozido é resolutivo. O látex

322
branco que brota dos ramos partidos ou do pecíolo das folhas é ácido
e irritante; contém enzimas com capacidades para tornar mais tenra a
carne e uma outra que coagula o leite. Destrói calos e verrugas. O
contacto com as folhas pode provocar reacções alérgicas cutâneas. *
Propriedades: calicida, emoliente, estimulante, laxativo,
resolutivo. U.l., UX. + O Ver: abcesso, astenia, calo,
convalescença, crescimento, envelhecimento, gengivas, gravidez,
obstipação, tosse, verruga.

Girassol

Helianthus annuus L.

Helianto

Compostas

A grande flor do girassol é, na realidade, um capítulo constituído


por uma parte central formada por inúmeras pequenas flores tubulosas
rodeadas por uma coroa de flores petalóides. Originário da América
Tropical, chegou à Europa no princípio do século xvi. Durante muito
tempo tida como simples planta ornamental que segue o curso do Sol,
o girassol foi reconhecido, no século passado, como uma das mais
importantes oleaginosas.

A saborosa amêndoa dos frutos do girassol contém entre 3 5 e 5 5 %


de óleo, de 23 a 3 1 % de prótidos e cerca de 20% de glúcidos,
podendo assim ser considerada como complemento nutritivo. O seu óleo
é hipocolesterolemiante, e quando de boa proveniência, extraído por
simples pressão, é uma das melhores matérias gordas alimentares.

A medicina popular russa utiliza as folhas e as flores para tratar


as doenças pulmonares e as afecções de garganta. Durante a colheita
o contacto das flores e das sementes pode provocar reacções
alérgicas cutâneas. o Propriedades: febrífugo,
hipocolesterolemiante. U.l. + O Ver: anginas, arteriosclerose,
colesterol, enfisema, febre, hipertensão, nervosismo, paludismo.

Groselheira-negra

Ribes nigrum L.

Saxifragáceas

A gro s elheira- negra é espontânea no Norte, Centro e Leste da


Europa e no Norte e CenPLANTAS CULTIVADAStro da Ásia. A cultura
propagou-a muito para além da sua zona original, através de uma
grande parte do hemisfério norte temperado.

O pequeno fruto aromático e ácido é mais conhecido pela sua


importância na indústria de licores e na confeitaria do que pelas
suas propriedades dietéticas e terapêuticas, que são, no entanto, as
mais consideráveis. Rica em vitamina C, particularmente resistente
ao

calor e à oxidação, e portanto com óptimas condições de conservação


nos xaropes e compotas, a baga contém também um óleo essencial,
glúcidos e muitos pigmentos antociânicos que lhe conferem uma acção
vitamínica P. A decocção das bagas frescas ou

secas é utilizada em gargarejos para tratar doenças de garganta. As


folhas, cujo aroma é agradável, são diuréticas e estão normalmente
associadas às curas de Primavera. As gemas, em gemoterapia, actuam
como estimulante das glândulas supra-renais. a Propriedades:
adstringente, antiescorbútico, anti-hernorrágico, diurético,
estimulante, refrescante. UA, UX. + V O Ver: arteriosclerose,
celulite, circulação, epidemia, fígado, gota, hipertensão,
obesidade, olhos, picadas, reumatismo, rim, seio, ureia.

Hortelã-pimenta

Mentha piperita L.

Labiadas

Híbrido da hortelã-aquática e da hortelã-comum, a hortelã-pimenta


foi possivelmente descoberta nas imediações das culturas desta
última, em Inglaterra, nos finais do século XVII. Estéril como
muitos híbridos, esta hortelã, o peppermint dos Anglo-Saxões, foi
desde então propagada por via vegetativa em numerosos países
temperados. Um grande centro de produção continua a ser, no entanto,
a região de Mitcham, próximo de Londres. Por vezes, surge
espontaneamente nos

locais em que os seus progenitores crescem juntos.

A hortelã-pimenta deve o seu perfume intenso e o seu sabor picante a


uma essência dotada de propriedades anti-sépticas. A planta contém
também flavonóides. Excitante do sistema nervoso periférico, mas com
capacidades de moderar a acção dos nervos em caso de excitação
patológica, a hortelã é simultaneamente estimulante, sedativa e
antiespasmódica; estimula as funções digestivas. É utilizada no
fabrico de licores e em confeitaria e também na indústria
farmacêutica. o Propriedades: antálgico, antiespas módico, anti-
séptico, digestivo, estimulante, sedativo. U.l., UX. + O Ver:
aerofagia, cefaleia, digestão, espasmo, hálito, impotência,
indigestão, insectos,

323
PLANTAS CULTIVADAS

meteorismo, nevralgia, palpitações, parasitose, pé, pele, pulmão,


sarna, soluço, tabagismo, tosse convulsa, vertigem, vómito.

Jasmineiro- galego

Jasminum officinale L.

Jasmim-de-itália

Bras.: jasmim-trepador, jasmi neiro-dos- aç ores

Oleáceas

Esta planta trepadeira de caule delgado e flores brancas


agradavelmente perfumadas parece ter sido importada da índia no
decorrer do século XVI. Cultivado como espécie ornamental no Sul da
Europa, o jasmineiro-galego serve de cavalo para enxerto do
jasmineiro-de-espanha, Jasminum grandiflorum L., originário do
Nepal, cujas flores, maiores e

rosadas, são utilizadas no fabrico de perfumes. A região de Grasse,


em França, é o

grande centro europeu de produção de essência de jasmim. O chá de


jasmim, aromatizado com as flores do Jasminum odoratissimuni L., é
cultivado sobretudo na Formosa.

Em fitoterapia, a infusão das flores é considerada como sedativa e


excelente para as dores de cabeça. O óleo obtido pela maceração das
flores em azeite durante pelo menos seis semanas é um bom remédio
para fricções, na ocorrência de dores nevrálgicas. o Propriedades:
antiespasmódico, aromático, hipnótico. U.l., UX. + Ver: cefaleia,
dor, sono, tosse.

B6, C e E, açúcares, ácidos orgânicos, aminoácidos, pectina e sais


minerais. Além disso, antes da maturação, estado em que as

suas virtudes atingem o apogeu, contêm heterósidos flavónicos que


lhes conferem uma acção vitamínica P protectora dos capilares e

preventiva de hemorragias. A polpa da laranja é tónica,


antiescorbútica, alcalinizante. É bem tolerada pelos gastrálgicos e
favorável aos hepáticos. Os diabéticos devem ingeri-Ia com
moderação. As suas utilizações em cosmética são análogas às da polpa
do pepino.

Com a casca preparam-se, por destilação, essências aromáticas: a


essência de laranja doce, ou de Portugal, no caso da laranjeira-
doce, e a essência de laranja amarga, no

caso da 1 aranj eira- amarga. A casca da laranja amarga, outrora


muito utilizada, é actualmente mais apreciada pelo seu sabor do que
pelas suas propriedades. A casca da laranja doce tem propriedades
semelhantes, porém mais atenuadas. As folhas e os ramos

jovens da laranjeira-amarga produzem uma

essência muito aromática, além de uma saborosa infusão sedativa


recomendável às pessoas nervosas. Das flores, tão sedativas e
antiesp as módicas como as folhas, é extraída uma essência que entra
na composição da água-de-colónia. Destiladas em presença da água,
fornecem a água de flores de laranjeira, de utilização quase
exclusivamente aromática. o Propriedades: antiescorbútico,
antiespasmódico, anti-hemorrágico, aperitivo, colagogo, cosmético,
digestivo, febrífugo, hipnótico, sedativo, tónico, vermífugo. U.l. +-
0 Ver: aerofagia, alcoolismo, apetite, crescimento,
desmineralização, envelhecimento, epilepsia, estômago, febre,
fígado, hemorragia, nariz, nervosismo, nevralgia, palpitações,
parasitose, pele, soluç o, sono, vómito.

Laranjeira-doce e

amarga

Citrus sinensis Osbeck e Citrus bigaradia Duhamel

Rutáceas

As laranjeiras e os limoeiros têm um passado comum. Árvores


originárias do Sueste Asiático Tropical e Subtropical, cultivadas
desde tempos remotos em todo o Extremo Oriente, atingiram o Ocidente
pela mesma

via. A laranj eira- amarga chegou à Europa nos alvores dos tempos
históricos, muito antes da doce, introduzida pelos Árabes na África
do Norte e na Península no século XV.

Frutos de luxo, reservados às pessoas abastadas até uma época


recente, as laranjas nunca tiveram utilizações populares. Contêm
carotenos, vitaminas BI, B2, PP, B5,

Lentilha

Lens culinaris Med. (=Ervum lens L.)

Leguininosas

A flora mediterrânica e a da Ásia Ocidental albergam grande número


de lentilhas-bravas, de entre as quais os agricultores neolíticos
seleccionaram algumas espécies; assim se obteve a lentilha
cultivada, inexistente no estado espontâneo. A lentilha faz parte
dos mais antigos legumes secos. Os Egípcios já se alimentavam de
lentilhas; alimento vulgar entre as classes pobres na Grécia e em
Roma, a lentilha foi desacreditada pelos médicos dessa época. No
século li, foi acusada de provocar tumores. Um autor do Renascimento
aconselha ainda a sua cozedura, depois de descascada, em água da
chuva com numerosas ervas aromáticas, a fim de fazer desaparecer a
sua nocividade. Eram-lhe

324
também reconhecidas virtudes terapêuticas, tais como a de curar a
varíola e de minorar a acção dos venenos. No século XIX, um
charlatão fez fortuna comercializando farinha de lentilhas sob um
nome misterioso e apresentando-a como um remédio universal!

A lentilha é um alimento de elevado valor nutritivo. Assim, 100 g de


lentilhas equivalem, no plano calórico, a 150 g de carne e
150 g de pão integral. É rica em fósforo, ferro e em vitaminas do
grupo B. As pessoas que sofrem de dispepsia devem preferentemente
ingeri~la sob a forma de farinha. A salva e a segurelha facilitam
bastante a sua digestão. o Propriedades: galactagogo, resolutivo.
U.l., UX. O Ver: abcesso, astenia, lactação.

Lilás

Syringa vulgaris L.

Lilaseiro

Oleáceas

Na Primavera, este arbusto tem floração exuberante e perfume


intenso; cultivado outrora pelos Árabes, o lilás crescia nos jardins
de Constantinopla pouco depois da conquista turca, daí se difundindo
pela Europa a

partir do século XVI.

A casca nova, as folhas e os frutos verdes são extremamente amargos


devido a uma substância especial, a siringopicrina, e a um

heterósido; estas substâncias fazem do lilás uma planta medicinal de


acção tónica muito útil. As flores contêm uma essência utilizada em
perfumaria. Na Rússia, faz-se uma maceração com as flores, o óleo de
lilás, anti-reumático. * Propriedades: antinevrálgico, febrífugo,
sedativo, tónico. U.l., U.E. Ver: ciática, febre, reumatismo.

Limoeiro

Citrus limonum Riss.

PLANTAS CULTIVADAS

-amarga foram introduzidas na Europa após as conquistas de


Alexandre, difundindo-se rapidamente para oeste, pelas costas do
Mediterrâneo, visto que os seus frutos já estão representados em
mosaicos romanos do século 1. O limoeiro, difundido pelos Árabes no
Egipto e na Palestina cerca do século X, é uma conquista das
Cruzadas.
O limão, fruto medicinal por excelência, ao

qual ainda hoje se recorre naturalmente para tratar as gripes,


gozava de grande reputação entre os médicos latinos, gregos e árabes
da Antiguidade, que o consideravam um antídoto contra venenos de
origem animal, além de um preventivo contra epidemias. Modernamente,
a análise do limão demonstrou o seu excepcional valor. O suco contém
ácido cítrico, ácido málico, citratos de potássio e

de cálcio, cerca de 8% de glúcidos, matérias pécticas, mucilagem,


sais minerais, oligoelementos e vitamina C. O limão contém ainda,
tal como a laranja, heterósidos flavónicos com acção vitamínica P.
Do pericarpo extrai-se, por destilação, uma essência muito
perfumada, de grande poder anti-séptico, normalmente utilizada em
perfumaria e como aromatizante. Pelas suas propriedades, o

consumo regular de limões, de alho e tomilho é indicado em períodos


de epidemias. O limão é um excelente anti-séptico e um tónico geral
do organismo e do aparelho digestivo. Resulta eficazmente no
tratamento de doenças inflamatórias da boca e da garganta. Cosmético
de tradicional reputação, o limão amacia a pele das mãos, fortifica
as unhas frágeis, tonifica as peles oleosas, diminuindo-lhes a
seborreia, torna a tez radiante e encobre as sardas. Misturado com a
água de enxaguar o cabelo, torna-o brilhante. o Propriedades:
antiescorbútico, anti-hemorrágico, anti-séptico, febrífugo,
refrescante, tónico. U.l., U.E. + V O Ver: acne, afta, alcoolismo,
anginas, apetite, arteriosclerose, astenia, banho, boca, cabelo,
celulite, circulação, colesterol, dentes, diarreia, digestão,
epidemia, epistaxe, escorbuto, fadiga, ferida, greta, gripe,
insectos, intoxicação, lipotimia, meteorismo, obesidade, olhos,
ouvido, parasitose, pele, picadas, reumatismo, sarda, soluço, unha,
vómito.

Rutáceas

Os citrinos são originários da Ásia Meridional e do Sueste. O


limoeiro e um parente próximo, a cidreira, Citrus medica L., cujos
frutos possuem casca muito espessa e irregular e polpa pouco ácida,
crescem espontaneamente nas florestas quentes do sopé do Himalaia
Indiano e nas montanhas do Norte da Península Indochinesa.
Cultivados desde há milhares de anos da índia à China, os

Citrus foram durante muito tempo conhecidos na Europa apenas como


árvores míticas que davam flores e frutos todo o ano. Cerca do
século IV a. C., a cidreira e a laranjeiraLírio-florentino

Irisflorentina L.

Lírio-branco
1ridáceas

O nome oficinal de lírio-florentino abrange várias espécies


cultivadas e variedades hortícolas de origem provavelmente híbrida,
das quais a mais conhecida é o lírio-cárdano, Iris germanica L.,
planta cujo nome não é elucidativo, pois não existe no estado es325
PLANTAS CULTIVADAS pontânco na Europa Central. De origem
mediterrânica, este último, bem como o Iris fiorentina L. e Iris
pallida Lamk., é há séculos cultivado na Ásia Ocidental e em grande
parte da Europa. O rizoma espesso, única parte utilizável, com aroma
desagradável quando fresco, adquire depois de seco um forte perfume
de violeta, Este cheiro é devido à presença de um óleo essencial, a
essência de lírio, de composiçã o muito complexa. Considerado pela
medicina antiga como o melhor dos purgativos, o rizoma do lírio, uma
vez seco e reduzido a pó, actua como expectorante e diurético,
tornando-se vomitivo em doses fortes. Actualmente, os lírios são
cultivados mais pela beleza das suas flores e pela sua utilização em
perfumaria. o Propriedades: aromático, diurético, expectorante, U.l.
+ Ver: asma, bronquite, cefaleia, tosse convulsa.

Lúcia-lima

Lippia citriodora L.

Bela-luísa, doce-lima, erva-luísa, limonete

Bras,: erva-cidreira

Verbenáceas

Este arbusto chileno é cultivado na Europa Meridional desde os fins


do século XVIII. A lúcia-lima, muito decorativa, tem folhas com
perfume intenso; um complexo óleo essencial determina o forte aroma
a limão e as propriedades da planta. Devido aos seus componentes e
utilizações, tem muitas semelhanças com a melissa. Combate,
sobretudo, as perturbações digestivas e nervosas ligeiras.
Desaconselha-se o seu emprego prolongado devido aos riscos de
perturbações gástricas, e mesmo gastrites. o Propriedades:
antiespasmódico, estomáquico. U.l. + Ver: actifenos, cefaleia,
indigestão, meteorismo, palpitações, vertigem, vómito.

Macieira

Malus communis Poir.

Maceira, maçãzeira

Rosáceas

De origem complexa, a macieira, que conta actualmente com mais de


1000 variedades, deriva simultaneamente de espécies da Ásia

Central e Ocidental, onde a sua cultura é muito antiga, e dos seus


híbridos com as macieiras europeias. A maçã é um dos frutos
indígenas mais apreciados; além de 85% de água, contém 12% de
açúcar, ácidos orgânicos, pectina, tanino, vitaminas BI, B2, PP, C e
E e provitamina A. O seu aroma é devido a uma essência existente
sobretudo na pele. Refrescante pelo seu abundante suco, ligeiramente
ácido, estimula as glândulas digestivas e protege a mucosa gástrica.
Os dispépticos deveriam comer uma maçã ralada e já um pouco
escurecida pela exposição ao ar no início de cada refeição. O sumo
de maçã fresco, numa cura de Primavera, tem-se revelado muito
salutar. É um excelente alimento complementar que favorece
especialmente a assimilação do cálcio.’ A maçã tem numerosas
utilizações externas tradicionais: a sua polpa cozida é calmante e
resolutiva, e o seu suco fresco retarda o aparecimento de rugas e a
flacidez da epiderme. o Propriedades: antidiarreico, anti-séptico,
aperitivo, diurético, emoliente, febrífugo, hemostático, laxativo,
refrescante, resolutivo, tónico. U.l., U.E. + V Ver: anemia,
artritismo, astenia, bronquite, cansaço, convalescença, coração,
crescimento, cura de Primavera, diarreia, diurese, envelhecimento,
estÔmago, hipertensão, litíase, nervosismo, obesidade, obstipação,
pele, reumatismo, seio.

Manj eric ão- grande

Ocimum basilicum L.

Basílico, alfádega, manjerico-de-folha-grande,

alfavaca

Bras.: manj.cricao-roxo

Labiadas

É uma planta de origem africana e indiana que se aclimatou na Europa


há muitos séculos. É cultivada para aromatizar saladas, sopas,
pratos de carne e para extracção da essência no aro do Mediterrâneo
e na maioria das regiões temperadas quentes do Globo. Além do
manjericão-grande, Ocimum basilicum L., com folhas de 2 a 5 cm de
comprimento, cultiva-se ainda o manjericão, Ocimuni minimum L.,
espécie muito semelhante, com folhas de 1 a 2 cm e aroma muito mais
suave. O seu delicioso perfume, semelhante ao do estragão, deve-se à
presença na planta de uma essência rica em estragol, em eugenol,
base da essência do cravo-da-índia, e ainda em timol, que faz parte
dos componentes da do tomilho. A planta, que deve de preferência ser
utilizada fresca, pois perde as suas propriedades ao secar, é, em
doses medicinais, estimulante, antiespasmódica e

sedativa, pelo que era outrora receitada para o tratamento da


histeria. As folhas frescas

326
esmagadas acalmam as irritações cutâneas. o Propriedades: antiespas
módico, esternutatório, galactagogo, peitoral, sedativo. UA, U. E. +
V Ver: aerofagia, afta, astenia, cabelo, cefaleia, constipação,
espasmo, estômago, insectos, lactação, meteorismo, nervosismo,
picada, sono, terçolho, tosse, tosse convulsa, vómito.

Manjerona

Origanum majorana L. (= Majorana hortensis

Moench)

Bras.: manjerona-verdadeira, ourégão-vulgar,

manjerona-inglesa, flor-de-hirrieneu,

manjerona-hortensis, amaracus

Labiadas

Esta pequena labiada aromática, com folhas aveludadas, flores


minúsculas, brancas ou rosadas, agrupadas em espigas oblongas, muito
juntas e com grandes brácteas côncavas, só se cultiva na Europa. No
Sul, contudo, surge por vezes escapada das culturas. O seu habitat
natural estende-se do Nordeste de África à índia; introduzida no
Ocidente na Idade Média, possivelmente pelos cruzados, o seu nome
foi depois atribuído ao vulgar orégão indígena. Este facto originou
confusões seculares que ainda persistem. o Propriedades: antálgico,
antiespasmódico, anti-séptico, hipotensivo. U.l., U.E. + Ver:
angústia, astenia, banho, cefaleia, estômago, nervosismo, sono,
vertigem.

Maravilhas

Calendula officinalis L.

Maravi lha s -bastardas, caléndula-hortense, boas-noites

Bras.: calêndula, mal-me-quer, bem-me-quer

Compostas

As belas maravilhas dos jardins, flores vulgares dos canteiros,


raramente são conhecidas pelas suas virtudes medicinais.
Inexistentes no estado espontâneo, parecem derivar da erva-vaqueira
dos campos do Sul da Europa, Calendula arvensis L., começando a

ser utilizadas em medicina na Idade Média.

Pigmentos flavónicos, um princípio amargo, um saponósido, uma


resina, um óleo essencial, ácidos, álcoois e vestígios de-ácido
salicílico numa associação perfeita fazem das maravilhas um remédio
excepcional. Para além das aplicações especiais em ginecologia, são
um dos melhores vulnerários anti-sépticos, anti-infiamatórios e
cicatrizantes da flora europeia. o Propriedades: antiespasmódico,
anti-inflarnatório, anti-séptico, calicida, cicatrizanPLANTAS
CULTIVADAS

te, depurativo, emenagogo, emoliente, sudorífico, vulnerário. U.l.,


UX. + V O Ver: calo, contusão, ferida, fígado, frieira, furúnculo,
menopausa, menstruação, pele, picadas, queimadura, ú lcera cutânea,
verruga.
Marmeleiro

Cydonia vulgaris Pers. (= C. oblonga Miller)

Rosáceas

As maçãs de ouro do Jardim das Hespérides, representado nos altos-


relevos do Templo de Zeus, em Olímpia, em 450 a. C., assemelham-se
muito aos marmelos. Os Gregos conheciam estes frutos pelo menos
desde o século vil a. C. Eram oriundos da Ásia Ocidental, onde o
arbusto é espontâneo, desde a

Turquia até ao Norte do Irão e à Transcaucásía. Durante um longo


período os marmelos, mais apreciados pelo seu aroma do que pelas
suas qualidades alimentares ou medicinais, foram oferecidos aos
deuses. Para o

povo, oferecer um marmelo era uma prova de amor: um decreto de


Sólon, no século vi, oficializava a função do marmelo nos ritos
nupciais. Desde a época de Hipócrates até ao século XVIL, este fruto
foi considerado um dos mais sãos e úteis, tendo lugar de destaque na
medicina antiga pela sua adstringência; durante muito tempo, pensou-
se que se tratava de um antídoto de venenos.

Algumas variedades dão frutos comestíveis (como as gamboas), se bem


que normalmente sejam consumidos cozidos. Apesar de perdida a sua
antiga reputação, o marmeleiro continua a ser cultivado por toda a
Europa, sendo os seus frutos utilizados na preparação de geleias
alimentares e em fitoterapia. o Propriedades: adstringente,
antidiarreico, calmante. UA, UX. + V Ver: afta, anginas, banho,
boca, cólica, frieira, greta, hemorróidas, leucorreia, pele,
queimadura, ruga.

Mastruço

Lepidium sativum L.

Agrião-mouro, mastruço-ordinário
Crucíferas

Desde os mais remotos tempos cultivado no

Irão, de onde é sem dúvida originário, o

mastruço conquistou a Ásia e a Europa na Antiguidade. Suplantado nos


mercados pelo agrião, também chamado agrião-de-água, o

mastruço merecia ser mais conhecido, visto que se adapta a todos os


tipos de solos e a

quase todos os climas, desenvolvendo- com uma rapidez surpreendente.


Muito utilizado pelos Gregos e Romanos, que apre3',27
PLANTAS CULTIVADAS

ciavam iguarias condimentadas e saladas picantes, servido nas mesas


reais na Idade Média, o mastruço gozou de justa fama. o
Propriedades: antiescorbútico, depurativo, estimulante. U.l., UX.
Ver: apetite, boca, convalescença, fígado, pele.

Melão

Cucumis melo L.

Cucurbitáceas

Como o pepino, espécie do mesmo género, o melão é originário da Ásia


Ocidental e Meridional, sendo um dos frutos mais apreciados desde a
Turquia à China; existe também em África no estado espontâneo.
Cultivado pelos Romanos, o melão desapareceu depois das culturas
europeias, só reaparecendo nos finais da Idade Média e no
Renascimento. Os apreciadores, ao ingeri-lo, cometiam uma
temeridade, pois os médicos da época consideravam o melão um dos
mais nocivos alimentos e responsabilizavam-no pela morte de quatro
imperadores e dois papas. Contra-indicado aos que sofrem de
dispepsia, de diabetes e em todos os casos de irritação do aparelho
digestivo, o melão é para os que não sofrem destes males, apesar da
sua difícil digestão, um fruto agradável, refrescante, diurético e
laxativo. As suas utilizações em cosmética são análogas às do
pepino, estando o melão especialmente indicado para as peles secas,
o Propriedades: diurético, laxativo, refrescante. UA., U.E. V Ver:
fígado, pele, queimadura.

Milho

Zea mays L.

Milho-grosso, milho-maês Bras.: cabelo-de-milho, barba-de-milho,

estigma-de-milho

Gramíneas

Os índios da América consideravam o milho um dom do deus Hiawatha.


Na verdade, o milho é desconhecido em todo o Mundo no estado
espontâneo e distingue-se perfeitamente das gramíneas que mais se
lhe assemelham. A América Central e principalmente o México foram
provavelmente os locais de difusão da cultura da planta. Em estações
pré-históricas do Novo México foram encontrados restos de milho com
7500 anos, supondo-se que algumas tribos índias do Sudoeste dos
Estados Unidos já o conheciam há milénios. Nestas civilizações, o
milho tem a mesma importância que o trigo para os
Europeus. Hoje, é um cereal cultivado em todo o Mundo, especialmente
na Europa, onde é utilizado para a alimentação do gado.

O grão de milho-doce-da-américa, consumido em verde, é tão saboroso


como as ervilhas. Muito energético e nutritivo, é menos equilibrado
que o trigo; se bem que diminua a actividade da tireóide e actue
como moderador do metabolismo, o milho não é comparável ao trigo
como base alimentar exclusiva. O amido do milho faz parte da
composição de numerosos produtos dietéticos para lactentes. O germe
de grão de milho contém um óleo que, como o do girassol, possui uma
acção anticolesterolémica. Os estiletes que guarnecem as espigas
frutíferas, chamados barbas de milho, têm uma acção diurética e
emoliente. Contêm ácido salicílico, que é analgésico, e vitamina K.
o Propriedades: analgésico, anti-hemorrágico, diurético, emoliente,
hipocolesterolemiante, hipoglicemi ante. U.l. + O Ver: albuminúria,
cistite, colesterol, diabetes, edema, gota, litíase, nefrite,
obesidade, pele, reumatismo, rim.

Milho-miúdo

Panicum miliaceum L.

Milho-de-canário, milho-alvo, pão-de-passarinho,

milhete

Gramíncas

Além do milho-grosso, várias outras gramíneas foram ou são ainda


cultivadas sob a designação genérica de milho. As duas mais
importantes são o milho-miúdo, Panicum miliaceum L., e o milho-
paínço, Setaria italica P. B.; são plantas que nascem
espontaneamente em diversas regiões da Ásia, em

zonas temperadas no primeiro caso e quentes no segundo. A sua origem


perde-se com a da história dos povos deste continente. Os Chineses
cultivavam o Panicum miliaceum L. há 5000 anos. Foram encontrados
restos de Setaria italica P. B. em Chassey, França, que devem datar
do 3.O milénio a. C,

Os milhos-miúdos desapareceram praticamente da alimentação


ocidental, pois não são panificáveis. Continuam, no entanto, a ser
intensamente cultivados na Ásia, em África e também na Europa
Oriental, sobretudo o Panicum miliaceum L. Possuem qualidades
alimentares aproximadas às do trigo e têm um sabor doce e agradável.
Negligenciam-se erradamente nos países ricos, onde apenas os
vegetarianos os apreciam. Os seus

grãos são cozinhados em papas, bolos ou do mesmo modo que o arroz. O


Milium effusum L., milho-miúdo-silvestre dos bosques frescos de todo
o hemisfério norte temperado, pouco semelhante aos já mencionados,
foi muitas vezes utilizado como alimento em períodos de escassez.

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o Propriedades: antianémico, diurético, estimulante, resolutivo,
sudorífico. U.l., U.E. o Ver: actiferios, convalescença, diarreia,
gripe.

Nogueira

Juglans regia L.

Bras.: nogueira-da-índia

Juglandáceas

Árvore do Sudeste Europeu e Asiático, cujo vasto habitat se estende


dos Balcãs e de Creta até ao Norte da China, a nogueira foi extinta
na Europa Ocidental pela última glaciação quaternária, reaparecendo
no fim da Idade do Bronze.

Pouco reputada, como a maioria dos frutos, na opinião dos médicos da


Antiguidade e da Idade Média, a noz teve, contudo, um papel
importante na alimentação dos nossos antepassados, especialmente
através do seu óleo, outrora utilizado, juntamente com o do fruto da
faia, na Europa não Mediterrânica. A noz

é dos frutos secos mais nutritivos, pois contém, além de prótidos e


glúcidos, sais minerais, sobretudo zinco e cobre, vitaminas BI, B2,
B5 e PP e carotenos. Reconstituinte, deve fazer parte da ementa de
carenciados, convalescentes, crianças e idosos; é um

vermífugo eficaz contra a ténia. As folhas e a casca verde dos


frutos, o pericarpo, constituem a sua principal utilidade medicinal.
A nogueira é aconselhada para combater a

queda do cabelo e a caspa, mas o seu poder corante limita o seu uso
aos morenos. Existem incompatibilidades entre a nogueira e plantas
como o aloés-do-cabo, o musgo-da-Irlanda, o condurango, a quina,
além de alguns sais minerais ou substâncias medicamentosas. Nunca se
deve associar a outros medicamentos sem indicação médica. o
Propriedades: adstringente, anti-séptico, cicatrizante, depurativo,
detersivo, hipoglicemiante, tónico, vermífugo. U.l., U.E. +-0 Ver:
anemia, anginas, astenia, banho, cabelo, conjuntivite, crescimento,
diabetes, diarreia, edema, ferida, fígado, frieira, hemorróidas,
leucorreia, parasitose, pele, raquitismo, úlcera cutânea.

Oliveira

Olea europaea L.

Oleáceas

Símbolo da agricultura antiga nas regiões mediterrânicas, a oliveira


foi domesticada há milhares de anos na Ásia Ocidental, onde os

protótipos das raças cultivadas existem no

PLANTAS CULTIVADAS

estado espontâneo. O Génesis fala de um

óleo extraído provavelmente do seu fruto. A árvore atingiu a Itália


na 1.1 metade do
1.O milénio a. C. e actualmente é cultivada em cerca de 30 países
dos 5 continentes. Além de água, óleo, glúcidos e prótidos, a

azeitona contém numerosos minerais, especialmente cálcio, ácidos


orgânicos, enzimas, vitaminas B I, B2 e PP e provitamina A.

O azeite é um alimento precioso quando é feito com rigor. As


azeitonas comercializadas são frequentemente submetidas a lavagens
químicas que destroem alguns elementos importantes. O poder
nutritivo das azeitonas pretas é muito superior ao das verdes; basta
recordar que, na área mediterrânica, constituíam outrora, com a
cebol >a e o pão de centeio, o alimento principal da gente do
campo. O azeite extraído por pressão a frio é o único que oferece
garantias sob o ponto de vista dietético e medicinal. Muito
digerível cru, poderia substituir todas as gorduras alimentares se
tivesse as características anticolesterolemi antes dos óleos de
milho e girassol. Teve outrora numerosas aplicações terapêuticas,
tanto para uso interno como externo. Entre os Romanos, a unção com
azeite tinha funções de um verdadeiro banho de juventude. A folha de
oliveira, além da sua antiga fama de febrífuga e vulnerária, deve a
descobertas modernas a reputação de ser um dos hipotensores vegetais
europeus de maior interesse. o Propriedades: colagogo, colerético,
diurético, emoliente, hipoglicemi ante, hipotensor, laxativo,
resolutivo. U.l., U.E. + V O Ver: abcesso, arteriosclerose,
bronzeamento, cabelo, diabetes, diurese, eritema, fígado, greta,
gripe, hipertensão, litíase, obesidade, obstipação, ouvido, pele,
picadas, reumatismo, úlcera cutânea, unha.

Passifiora

Passiflora incarnala L.

Martírios, flor-da-paixão

Bras.: maracujá

Passifioráceas

Esta graciosa trepadeira provida de gavinhas, com folhas recortadas


e persistentes, deve o
nome às suas enormes e maravilhosas flores, cujas diversas peças
fazem lembrar os * trumentos da Paixão de Cristo. Originária da
América Tropical, necessitada de temperaturas elevadas, a família
das Passifioráceas só se aclimata bem nas regiões temperadas
mediterrânicas.

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PLANTAS CULTIVADAS

Em 1867, os estudos de um investigador americano chamaram a atenção


para a passiflora e demonstraram o seu grande interesse para a
medicina como sedativo e antiespasmódico. Esta planta não tóxica
pode ser de grande utilidade para determinadas intoxicações, como o
alcoolismo ou a morfinomania. Além disso, o seu fruto, que é ovóide,
amarelo, do tamanho de um ovo, contém uma polpa comestível levemente
viscosa, muito refrescante e rica em vitamina C. o Propriedades:
analgésico, antiespasmódico, hipnótico, hipotensor, sedativo. UA. +0
Ver: alcoolismo, angústia, cólica, coração, enxaqueca, espasmo,
fadiga, nervosismo, nevralgia, sono.

Pastinaga

Pastinaca sativa L.

Chirivia

Umbelíferas

Derivando de uma espécie silvestre muito conhecida na Europa, a


pastinaga apenas difere dela pela sua aromática raiz carnuda, de cor
branco- amarelada; consumida ainda fresca, tem um sabor muito
agradável. Bastante apreciada pelos Latinos, foi uma das plantas
mais difundidas até ser suplantada pela cenoura no século XI.

Mais rica do que esta em açúcares e proteínas, a pastinaga é um


alimento de valor aproximadamente igual, se bem que contenha menos
vitaminas. É necessária muita prudência ao colhê-la, pois há
possibilidades de se fazerem trágicas confusões entre a pastinaga e
outras umbelíferas tóxicas, como o embude, ou rabaças, Oenanthe
crocata L., e

a cicuta, C