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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA QUÍMICA
ENGENHARIA QUÍMICA














Adsorção
















Relatório de aula prática de laboratório de engenharia química
Aula: 4ª
Professores: Nelson
Aluno: Josivan Pedro da Silva




Recife, 15 de maio de 2010
1. INTRODUÇÃO

Interações envolvendo contato de componentes em fases distintas como as ocorridas entre superfícies de sólidos
e líquidos podem desencadear um processo de adsorção das espécies da fase líquida que aderem e podem ser
retidas na superfície do sólido por dois tipos principais de interação: De natureza física, é dito adsorção física.
Interações mais fortes, em níveis energéticos de reações químicas são identificadas como adsorção química.
Os processos elementares de adsorção e dessorção podem ser utilizados para a operacionalização de
processos de separação, em catálise, como técnicas analíticas e em tratamentos de remoção de impurezas e sub-
produtos. Caracterizado o potencial de materiais para aplicação como adsorvente, busca-se viabilizar suas
aplicações como agentes determinantes nos processos adsortivos. A nível de quantização de desempenho dos
adsorventes é necessário encontrar-se os parâmetros que caracterizam a cinética de contato entre as espécies.
O experimento atual recorre a um sistema líquido-sólido, levantando dados que descrevem os
comportamentos cinéticos e de equilíbrio das correspondentes interações de adsorção. Os modelos em estudo
devem se adequar aos dados experimentais, fornecendo valores dos parâmetros característicos em cada caso.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Para que seja possível o dimensionamento de um equipamento que envolva Adsorção/dessorção se faz
necessário o conhecimento do comportamento do processo, isso influencia, por exemplo, na determinação da
quantidade de adsorvente utilizado.
Em geral, para a adsorção física em uma superfície homogênea e em baixas concentrações, a isoterma toma
uma forma linear com uma inclinação limite constante, e a relação pode ser expressa pela Lei de Henry, dada
pela seguinte relação:

.
n A
A
As
q
K C
q
=

2.1 - Isoterma de Langmuir

O modelo mais simples das isotermas de adsorção é o modelo de Langmuir. A teoria de Langmuir assume
que todas as forças que atuam na adsorção são similares em natureza àquelas que envolvem uma reação
química. Este modelo tem as seguintes considerações implícitas:

- Um sistema ideal;
- As moléculas são adsorvidas e aderem à superfície do adsorvente em sítios definidos e localizados, com
adsorção em monocamada;
- Cada sítio só acomoda uma única molécula;
- A energia da molécula adsorvida é a mesma em todos os sítios da superfície e não depende da presença ou
ausência de outras moléculas adsorvidas nos sítios vizinhos, ou seja, a interação entre as moléculas
adsorvidas é desprezível.

Esta isoterma pode ser representada por:

Onde q é a carga de adsorbato, C é a concentração no fluido, e K é a constante de adsorção. Esta isoterma é
do tipo favorável. Quando K é grande e K.C t 1, a isoterma é extremamente favorável, e quando K.C < 1, a
C K
C K
q
q
sat
. 1
.
+
=
isoterma é aproximadamente linear. A isoterma de Langmuir é derivada assumindo uma superfície uniforme,
mas a relação funciona regularmente bem para gases que são fracamente adsorvidos.
Contudo, poucos sistemas ajustam-se perfeitamente ao modelo de Langmuir. Este modelo fornece uma
simples representação qualitativa do comportamento de muitos sistemas.
2.2 - Isoterma de H. Freundlich
H. Freundlich, estudando o fenômeno da adsorção, quantitativamente, chegou à seguinte equação:
1
m
x
K C
m
= ·


Onde x é a massa da substância adsorvida, m é a massa do adsorvente sólido (nesse caso tem-se m=1,logo
x=q
Sat
), c é a concentração da solução e K e n são constantes. Após uma linearização, a equação 6 se torna:

1
log log log
sat
q K C
m
= +

Para um dado sistema a quantidade de soluto adsorvido é função da quantidade e da superfície do
adsorvente (fase sólida), da concentração do adsorvato e da temperatura. Assim, quando a adsorção, medida por
log (x/m), é dada em função do logaritmo da concentração a uma temperatura fixa, tem-se uma reta denominada
isoterma de adsorção.
A combinação das isotermas de Langmuir com a formulação de Freunlich, obtém-se a isoterma de
Langmuir-Freundlich, A qual na forma linearizada está representada pela equação posterior.

n
eq A
n
eq A
s
C K
C K
q
q
+
=
1


n
eq
A sat eq
C K q q
|
|
.
|

\
|
+ =
1
.
.
1 1 1


Onde q é a carga de adsorbato, C é a concentração no fluido, K
A
é a constante de adsorção e n é a ordem da
reação. Esta isoterma é do tipo favorável. Quando K é grande e K.C > 1, a isoterma é extremamente favorável, e
quando K.C < 1, a isoterma é aproximadamente linear qs é o limite de saturação e K
A
uma constante de
equilíbrio que está diretamente relacionada com a constante de Henry.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1 Equipamentos e vidrarias

- 1l de Ácido acético
- 1l de Hidróxido de sódio 0,05M
- 50 ml de Fenolftaleína a 1%
- 20g de Carvão ativado
- 10 Papeis de filtro
- 01 Cronômetro

3.2 Soluções e Reagentes

- De 10 a 20 Erlenmeyers de 125mL/250mL
- 10 Balões volumétricos
- 10 Pipetas volumétricas de 10mL
- 01 Pipeta graduada de 10mL
- 01 Bureta

3.3 Procedimentos

- Preparar 10 soluções de ácido acético com concentrações de 0,01M; 0,02M; 0,03M 0,04M; 0,05M;
0,06M; 0,07M; 0,08M; 0,09M e 0,1M.
- Em 10 erlenmeyers, colocar 1g de carvão ativado granulado em cada um e adicionar as correspondentes
soluções preparadas. Marcar a hora de início da operação.
- A cada 5 min agitar os erlenmeyers até completar 1,5 h de tempo. Deixar em repouso ½ h e filtrar as
soluções.
- Tomar uma alíquota de 10 mL de cada filtrado e titular com uma solução de hidróxido de sódio 0,05M,
em presença de fenolftaleína, e anotar o volume gasto.

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Utilizando o Excel
(R)
foi possível tratarmos os dados para que pudéssemos gerar os gráficos com informações
uteis, o primeiro gráfico foi relativo a isoterma onde foi plotado “q” em função da concentração de equilíbrio
utilizando os dados da tabela a seguir:

Conc. Inicial Conc. Final q
0,0097 0,0055 0,0126
0,0194 0,0130 0,0192
0,0291 0,0225 0,0198
0,0388 0,0294 0,0282
0,0485 0,0400 0,0255
0,0582 0,0471 0,0332
0,0679 0,0578 0,0305
0,0776 0,0627 0,0449
0,0873 0,0765 0,0324


4.1 MODELO DE POTÊNCIA

Utilizando o modelo de potência foi possível encontrarmos uma relação entre “q” e a concentração de material
sendo adsorvido (como expresso na fundamentação teórica), os dados encontrados experimentalmente e
tratados posteriormente foram:
Log q Log Concentração Final
-1,8993 -0,4812
-1,7164 -0,1076
-1,7030 0,1306
-1,5495 0,2468
-1,5932 0,3805
-1,4782 0,4517
-1,5161 0,5400
-1,3479 0,5754
-1,4892 0,6621
y = 0.3367x + 0.0141
R² = 0.714
0.0000
0.0100
0.0200
0.0300
0.0400
0.0500
0.0000 0.0200 0.0400 0.0600 0.0800 0.1000
q

Concentração de Equilibrio
Isoterma




E os valores encontrados para q
max
e K
eq
foram:

1/m

=0,4106
K
eq
= 0,020068

4.2 MODELO DE LANGMUIR

Utilizando o modelo de langmuir foi possível encontrarmos uma relação entre “1/q” e a “1/C” o inverso da
concentração de material sendo adsorvido (como expresso na fundamentação teórica), os dados encontrados
experimentalmente e tratados posteriormente foram:

1/q 1/Cfinal
79,3122 3,0283
52,0486 1,2812
50,4714 0,7402
35,4374 0,5665
39,1896 0,4164
30,0778 0,3534
32,8188 0,2884
22,2817 0,2659
30,8436 0,2177


E os valores encontrados para q
max
e K
eq
partindo das informações do ajuste (como encontrado na
fundamentação teórica) foram:

q
max
=0,03692
K
eq
= 1,48011




y = 0.4106x - 1.6975
R² = 0.8652
-2.4
-1.6
-0.8
0.0
-1.0 -0.5 0.0 0.5 1.0
L
o
g

q

Log da Concentração de Equilibrio
Modelo de Potência
y = 18.039x + 27.055
R² = 0.893
0.0
20.0
40.0
60.0
80.0
100.0
0.0 1.0 2.0 3.0 4.0
1
/

q

1/C
Modelo de Langmuir
4.2 ESTUDO CINÉTICO

Para o regime cinético os valores experimentais encontrados foram:
Concentração tempo (min)
0,01 0
0,010625 5
0,0095 10
0,009 15
0,017 20
0,0145 40
0,0135 60
0,01 80
0,0095 100
0,0095 120

Com esses dados deveriamos encontrar parâmetros como o K de adsorção e o K de desorção, porem deveríamos
nos basear na seguinte equação (substituindo seus elementos por elementos de valor conhecido):



O decréscimo na concentração deveria ser cada vez menor e sempre negativo, porem quando calculamos as
derivadas para os dados experimentais encontramos:

delta c/delta t
0,000125
-0,000225
-1E-04
0,0016
-0,000125
-5E-05
-0,000175
-0,000025
0
7,91667E-05
Variações aleatórias e sem sentido na taxa de
variação da concentração, fica evidente o erro na
forma como o experimento foi executado, os
parâmetros gerados a partir daí também não
apresentam significado lógico.
Portanto essa parte não pôde ser concluída.






5. CONCLUSÕES

Com o desenvolvimento da prática foi possível concluir que a partir de experimentos simples em laboratório
podemos encontrar parâmetros para os processos adsortivos, parâmetros os quais podem ser utilizados para o
projeto de um tanque de adsorção (por exemplo).
Certo rigor poderia ser aplicado ao experimento para erros como o ocorrido durante o estudo do regime cinético
não voltassem a se repetir.

6. REFERÊNCIAS

LEVENSPIEL, O., Engenharia das reações químicas, Editora Edgard Blücher LTDA, São Paulo, 1974.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Adsor%C3%A7%C3%A3o

http://w3.ufsm.br/juca/adsorcao.pdf