Você está na página 1de 2

Reflexão sobre o texto “As Novas Tecnologias na Prática Pedagógica sob a Perspectiva Construtivista”

de Flávia Rezende – (Fórum)


____________________________________________________________________________

As novas tecnologias da informação e da comunicação não podem ser


encaradas como um processo autónomo do processo educativo sob o risco de se
incorrer na “iliteracia informática” e na info-exclusão, dos/as jovens cujos pais e
Encarregados de Educação não dispõem de meios económicos que lhes permitam
assegurar o acesso às TIC, na chamada “sociedade da informação e do
conhecimento”.
A ONU estabeleceu que um dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio
(2000-2015) é tornar acessível a todas as pessoas as tecnologias da informação e
comunicação, com o objectivo de diminuir a exclusão social.
A utilização das novas tecnologias da informação e da comunicação deve ser
encarada no processo educativo não só como estratégia de inclusão social, uma vez
que, segundo a perspectiva construtivista, “o indivíduo [é] agente activo do seu próprio
conhecimento”, mas também como uma estratégia promotora da igualdade de
oportunidades entre raparigas e rapazes no sistema educativo, tal como é defendido
pela ONU, nos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, a saber: a promoção da
igualdade de género; e pela Lei de Lei de Bases do Sistema Educativo, no art.º 3.º
“assegurar a igualdade de oportunidades para ambos os sexos, nomeadamente
através das práticas de coeducação e da orientação escolar e profissional.
O currículo formal, das várias disciplinas, designadamente a disciplina de
História, deverá proporcionar aos/às alunos/as as competências de utilização das TIC
enquanto ferramentas que os/as tornem mais eficientes nos diversos lugares que
ocupam na sociedade, nomeadamente quando chegam ao mundo do trabalho.
A introdução das TIC, segundo Flavia Rezende, é “fundamental para questionarmos o
paradigma tradicional de ensino ainda hegemónico no contexto educativo” com
enfoque nos professores e nos conteúdos veiculados nos manuais.
O currículo da disciplina de História, e o conhecimento veiculado nos manuais
escolares, não é neutro, nem apolítico e tem uma grande importância na construção
da identidade de género. Segundo Irene Vaquinhas:

“pelos textos escolhidos ou por aqueles que se ocultam, pelos factos que se
evocam ou por aqueles que se silenciam, os programas escolares e os órgãos
privilegiados de difusão, os manuais, são um dos principais valores que transmite a
instituição escolar”1

1
VAQUINHAS, Irene, Breves palavras a propósito da invisibilidade das mulheres nos programas de
história dos ensinos básico e secundário, in Cadernos da Condição Feminina, n.º 42, Em Busca de Uma
Pedagogia da Igualdade, Lisboa, Ed. CIDM, 1995.

10
Reflexão sobre o texto “As Novas Tecnologias na Prática Pedagógica sob a Perspectiva Construtivista”
de Flávia Rezende – (Fórum)
____________________________________________________________________________
A sociedade da Informação e do Conhecimento, no século XXI, exige dos/as
cidadãos/ãs proficiência na manipulação das TIC. O recurso à utilização precoce das
TIC pelos/as alunos/as deverá ser entendido como potenciador dessa competência, e
enquanto tal promotora da igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.

Célia Costa

11