Você está na página 1de 39
Apostila de experimentos Físico-Química 2 (Cinética) Responsável: Prof. Dr. Leonardo S. Andrade

Apostila de experimentos Físico-Química 2 (Cinética)

Responsável: Prof. Dr. Leonardo S. Andrade

Apostila de experimentos Físico-Química 2 (Cinética) Responsável: Prof. Dr. Leonardo S. Andrade
Apostila de experimentos Físico-Química 2 (Cinética) Responsável: Prof. Dr. Leonardo S. Andrade
Apostila de experimentos Físico-Química 2 (Cinética) Responsável: Prof. Dr. Leonardo S. Andrade

SUMÁRIO

PRÁTICA 1. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS I

3

PRÁTICA 2. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS II

6

PRÁTICA 3. CINÉTICA DE REIDRATAÇÃO DE SAIS HIDRATADOS

8

PRÁTICA 4. DETERMINAÇÃO DA LEI CINÉTICA PARA A DEGRADAÇÃO DO CRISTAL VIOLETA

11

PRÁTICA 5. DETERMINAÇÃO DO MECANISMO DE REAÇÃO DE HIDRÓLISE ALCALINA DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO A PARTIR DE DADOS CINÉTICOS

15

PRÁTICA 6. EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE I)

19

PRÁTICA 7. EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE II)

24

PRÁTICA 8. CATÁLISE I (HOMOGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO

27

PRÁTICA 9. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE I)

31

PRÁTICA 10. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE II)

 

35

PRÁTICA 11. PRÁTICA LIVRE

 

38

REFERÊNCIAS GERAIS DE CINÉTICA QUÍMCIA

 

39

PRÁTICA 1. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS (
PRÁTICA 1. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS (

PRÁTICA 1. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS (Reações de ordem zero e de 1ª ordem)

1. APECTOS GERAIS Uma reação de 1ª ordem é aquela na qual a velocidade é diretamente proporcional à concentração do reagente. Ou seja:

v [

] n sendo n = 1

A lei da velocidade de uma reação de primeira ordem é uma das formas mais comuns da lei da velocidade. Por exemplo, para uma reação simplificada geral do tipo:

A B

a lei da velocidade de primeira ordem é escrita pela equação:

-d[A]/dt = k[A] Esta lei de velocidade pode ser rearranjada para:

d[A]/[A] = -kdt

a qual por integração de ambos os lados com a concentração variando de [A] 0 até [A] t e o tempo de zero à t fornece:

ln[A] t = ln[A] 0 kt ou ln([A] t /[A] 0 ) = -kt

Nesta expressão, [A] 0 e [A] t são as concentrações do reagente A no início da reação (t = 0) e no tempo t, respectivamente, t é o tempo da reação e k é chamado de constante de velocidade de reação. Portanto, os dados

experimentais resultantes de uma reação de primeira ordem resultará uma linha reta decrescente se valores medidos tanto de ln[A] ou ln([A]/[A] 0 ) forem colocados em um gráfico em função do tempo, tal como exemplificado na figura abaixo:

função do tempo, tal como exemplificado na figura abaixo: Figura 1. Típico gráfico de uma reação

Figura 1. Típico gráfico de uma reação de 1ª ordem.

É importante ressaltar também que neste gráfico, o valor do coeficiente angular obtido desta reta é a constante de velocidade k.

2. OBJETIVO

Esta prática tem como objetivo aprender como trabalhar os dados experimentais de uma reação química do ponto de vista cinético. Todos os gráficos deverão ser feitos em folha de papel milimetrado durante a aula de laboratório.

3. PROCEDIMENTO

De acordo com os dados experimentais de uma reação do tipo R P:

t / min

[R]

I

[R]

II

[R]

III

0

548

274

183

5

325

162

108

10

213

107

71

20

92

46

31

30

31

16

10,5

40

14

 

7

 

5

50

5

2,5

 

2

70

0

 

0

 

0

a) Determine a velocidade inicial em cada um dos experimentos (I, II e III) utilizando o método das velocidades iniciais. Para isso, construa os gráficos [R] I × t; [R] II × t e [R] I × t.

b) Determine a ordem da reação e a constante de velocidade a partir da construção de um gráfico de d[R]/dt × [R] 0 .

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 2. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS II
PRÁTICA 2. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS II

PRÁTICA 2. ELABORAÇÃO DE GRÁFICOS DE VELOCIDADES DE REAÇÃO A PARTIR DE DADOS EXPERIMENTAIS II (Reações de 2ª ordem)

1. APECTOS GERAIS

Uma reação é de 2ª ordem quando sua velocidade é diretamente

proporcional ao quadrado da concentração de um reagente ou é proporcional

ao produto das concentrações de dois reagentes. Por exemplo, se uma temos

uma reação de 2ª ordem do tipo:

A Produtos

A lei de velocidade para esta reação de 2ª ordem pode ser escrita como:

-d[A]/dt = k[A] 2

Esta lei de velocidade pode ser rearranjada para:

d[A]/[A] 2 = -kdt

a qual por integração de ambos os lados com a concentração variando de [A] 0

até [A] t e o tempo de zero à t fornece:

1/[A] 1/[A] 0 = kt ou 1/[A] = 1/[A] 0 + kt

Nesta expressão, [A] 0 e [A] t são as concentrações do reagente A no

início da reação (t = 0) e no tempo t, respectivamente, t é o tempo da reação e

k é chamado de constante de velocidade de reação. Portanto, os dados

experimentais resultantes de uma reação de segunda ordem resultará uma

linha reta crescente se valores medidos 1/[A] forem colocados em um gráfico em função do tempo, tal como exemplificado na figura abaixo:

função do tempo, tal como exemplificado na figura abaixo: Figura 1. Típico gráfico de uma reação

Figura 1. Típico gráfico de uma reação de 2ª ordem.

É importante ressaltar também que neste gráfico, o valor do coeficiente angular obtido desta reta é a constante de velocidade k.

2. OBJETIVO

Esta prática tem como objetivo aprender como trabalhar os dados experimentais de uma reação química do ponto de vista cinético. Todos os gráficos deverão ser feitos em folha de papel milimetrado durante a aula de laboratório.

3. PROCEDIMENTO Medidas da decomposição do NO 2 , formando NO e O 2 , forneceram os

seguintes dados:

t / s

[NO 2 ] / mol/L

0

0,10

5

0,017

10

0,009

15

0,0062

20

0,0047

a) Determine se a reação de decomposição do NO 2 é de 1ª ou 2ª ordem.

b) Determine a a constante de velocidade.

4. REFERÊNCIAS Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 3: CINÉTICA DE REIDRATAÇÃO DE SAIS HIDRATADOS 1. INTRODUÇÃO Vários sais inorgânicos, durante seu
PRÁTICA 3: CINÉTICA DE REIDRATAÇÃO DE SAIS HIDRATADOS 1. INTRODUÇÃO Vários sais inorgânicos, durante seu

PRÁTICA 3: CINÉTICA DE REIDRATAÇÃO DE SAIS HIDRATADOS

1. INTRODUÇÃO

Vários sais inorgânicos, durante seu processo de formação, incorporam moléculas de água em sua estrutura cristalina. Estes sais designam-se por sais hidratados e as moléculas de água chamam-se água de cristalização. Na escrita da fórmula química as moléculas de hidratação indicam-se com um ponto, seguido pelo número de moléculas de água. Por exemplo, o sulfato de cobre penta-hidratado, o cloreto de cobre dihidratado e o cloreto de cobalto hexa-hidratado escrevem-se como CuSO 4 5H 2 O, CuCl 2 2H 2 O, CoCl 2 6H 2 O, respectivamente. No cálculo da massa molar do sal tem que se considerar a água de cristalização. Por exemplo, a massa molar do NiCl 2 .6H 2 O é:

58,7 + 2 x 35,5 + 6 x (2 x 1,0 + 16,0) = 237,7 g/mol

Os cristais hidratados decompõem-se a quente com a liberação de água. Portanto, é possível determinar o teor de água de cristalização destes compostos bem como a cinética de reidratação, quando expostos ao ar. Por exemplo, o sulfato de cobre penta-hidratado, que possui uma coloração azul, quando aquecido perde suas águas de hidratação transformando-se em anidro que possui coloração branco-acizentada (Equação 1). No caso do sulfato de cobre penta-hidratado, apesar de sua temperatura de fusão ser de 150 o C, ele decompõe-se antes de se liquefazer, perdendo as cinco águas de hidratação em temperaturas em torno de 200 °C.

CuSO 4 5H 2 O (s) Azul
CuSO 4 5H 2 O (s)
Azul

CuSO 4(s) + branco-acizentada
CuSO 4(s)
+
branco-acizentada

5H 2 O (g)

Entretanto, é importante ressaltar que a água de cristalização de uma substância difere-se da água higroscópica, pois esta, além de não ser indicada na fórmula química, é eliminada quando a substância encontra-se em local seco, sendo função principalmente da umidade do ar.

2. OBJETIVO

O objetivo deste experimento é estudar a cinética de reidratatação do

sulfato de cobre pentahidratado.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- CuSO 4 5H 2 O

- Balança

- Vidro de relógio

- Estufa

- Dessecador

- Cronômetro

- Espátula

4. PROCEDIMENTO

a) Pese 2 g de CuSO 4 5H 2 O em um vidro de relógio limpo de seco e anote

o valor exato da massa de sal pesada. Mantenha a tara da balança

conforme ela foi inicialmente usada, pois a massa de reidratação do sal será medida utilizando o mesmo vidro de relógio. Isso evitará perdas por transferência.

b) Transfira o vidro de relógio contendo o CuSO 4 5H 2 O para uma estufa a uma temperatura de 250 o C. Deixe-o por um tempo de 10 min.

c) Retire o vidro de relógio contendo o sulfato de cobre (agora anidro) da estufa com cuidado (estará muito quente) e o coloque dentro de um dessecador até que ele tenha esfriado. Deixe-o por um tempo de 20 min para esfriar.

d) Em seguida, coloque o vidro de relógio no prato da balança, acione o cronômetro, e faça leituras a cada 2 min por um tempo total de 50 min.

e) Determine a cinética da reação com relação a formação do sal hidratado, ou seja, da variação da massa de CuSO 4 5H 2 O formada em função do tempo:

CuSO 4(s) + branco-acizentada
CuSO 4(s)
+
branco-acizentada

5H 2 O (g)

CuSO 4 5H 2 O (s)
CuSO 4 5H 2 O
(s)

Azul

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 4. DETERMINAÇÃO DA LEI CINÉTICA PARA A DEGRADAÇÃO DO CRISTAL VIOLETA 1. INTRODUÇÃO A
PRÁTICA 4. DETERMINAÇÃO DA LEI CINÉTICA PARA A DEGRADAÇÃO DO CRISTAL VIOLETA 1. INTRODUÇÃO A

PRÁTICA 4. DETERMINAÇÃO DA LEI CINÉTICA PARA A DEGRADAÇÃO DO CRISTAL VIOLETA

1. INTRODUÇÃO

A determinação da ordem de uma reação bem como da dedução da sua

lei de velocidade, pode ser feita a partir de reações que ocorrem com mudança

de coloração. Neste caso, o parâmetro a ser estudado, que é a concentração

de uma das substâncias, pode ser monitorada por meio da sua absorbância,

desde que siga a lei de Lambert-Beer.

A lei de Lambert-Beer relaciona a absorbância medida com a

concentração da espécie absorvente, e consiste na equação fundamental da

colorimetria e da espectrofotometria. Se uma solução obedece a lei, a

absorbância de um elemento presente nesta solução é proporcional à sua

concentração.

Para isso, o uso de um equipamento denominado espectrofotômetro

pode ser utilizado no sentido de acompanhar a cinética de reação em função

da mudança da coloração ao longo de uma determinada reação. Isso porque a

mudança de coloração pode ser considerada como um dos indicativos de que

uma determinada reação está acontecendo.

Esta experiência envolve o acompanhamento da reação do cristal violeta

(CV), o qual é fortemente colorido, com o hidróxido de sadio (incolor), a qual

gera um produto carbinólico desprovido de coloração, tal como especificada na

Figura 1.

Figura 1. Reação entre o Cristal Violeta e NaOH. A lei de velocidade para esta
Figura 1. Reação entre o Cristal Violeta e NaOH. A lei de velocidade para esta

Figura 1. Reação entre o Cristal Violeta e NaOH.

A lei de velocidade para esta reação pode ser expressa da seguinte

forma:

v = - d[CV] / dt = k [CV] n [OH - ] m

Quando a [OH - ] é muito maior do que a [CV], tem-se que:

v = k 2 [CV] n , onde k 2 = k [OH - ] m

A identificação da ordem da reação, bem como da determinação da constante de velocidade pode ser feita pelo método integral. Este método consiste na determinação da quantidade de substância que é decomposta após vários intervalos de tempo, supondo-se uma determinada ordem para a reação em questão e analisando-se a validade ou não dessa suposição, relacionando- se à equação de velocidade integrada.

2.

OBJETIVO

O objetivo deste experimento é investigar e deduzir a lei cinética de degradação do cristal violeta, que possui coloração roxa, a partir do hidróxido de sódio, que é incolor. Como o produto desta reação é incolor, a análise da velocidade da reação será feita pela mudança de cor da solução.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- Solução estoque de Cristal Violeta 0,015 g/L

- Solução de NaOH 0,1 mol/L

- 2 Erlenmeyer de 125 mL ou 250 mL

- Colorímetro

- 2 Provetas de 50 mL

- 2 Cubetas de vidro

- 1 Cronômetro

- 2 Béqueres de 25 mL

- 1 Pipeta de 10 mL

- 2 balões de 50 mL

4. PROCEDIMENTO

a) Em um balão de 50 mL, diluir 10 mL da solução estoque de cristal violeta com água destlidada. Paralelamente, em outro balão (também de 50 mL) diluir 4,0 mL de solução 0,1 mol/L de NaOH.

b) Transfira a solução de NaOH preparada para um frasco de erlenmeyer e a solução de cristal violeta para uma proveta de 50 mL.

c) Adicione a solução contida na proveta (cristal violeta) à solução de NaOH, acionando-se o cronômetro. Agitar a mistura reacional para que

seja homogeneizada (isso pode ser feito manualmente) e transferi-la rapidamente (e com cuidado) para a cubeta do espectrofotômetro.

d) Colocar a cubeta no espectrofotômetro e efetuar a primeira leitura em 30 s. Note que o tempo necessário para a realização do item c, após o acionamento do cronômetro, deve ser inferior à 30 s. Realizar as leituras a cada 30 s durante um tempo total de 15 min. Lembre-se que antes de fazer a leitura no espectrofotômetro, uma amostra de água destilada (branco) deverá ser medida no aparelho com o comprimento de onda de 580 nm previamente selecionado.

e) Repetir todo o procedimento, dobrando-se a concentração inicial de NaOH.

f) Lave todas as vidrarias utilizadas. Para limpar as vidrarias contendo o cristal violeta use um pouco de água sanitária.

g) Determine a cinética da reação com relação à diminuição da concentração do cristal violeta pelo método integral.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 5. DETERMINAÇÃO DO MECANISMO DA REAÇÃO DE HIDRÓLISE ALCALINA DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO A PARTIR
PRÁTICA 5. DETERMINAÇÃO DO MECANISMO DA REAÇÃO DE HIDRÓLISE ALCALINA DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO A PARTIR

PRÁTICA 5. DETERMINAÇÃO DO MECANISMO DA REAÇÃO DE HIDRÓLISE ALCALINA DO ÁCIDO ACETILSALICÍLICO A PARTIR DE DADOS CINÉTICOS

1. INTRODUÇÃO

O ácido acetil salicílico (AAS), também conhecido como aspirina, é, sem

dúvida alguma, o remédio (analgésico) mais consumido em todo mundo. Muito

antes da descoberta da aspirina (1763) curavam-se dores de cabeças, e

abaixavam-se febres com chá de casca de uma árvore (Salix sp), o salgueiro

ou com um chá das flores de um arbusto (Spiria sp). Mais tarde, isolou-se da

casca de Salix, o glicosídio do ácido salicílico, que é a substância responsável

pela ação antipirética do chá. Possui fórmula molecular C 9 H 8 O 4 , massa molar

180,16 g/mol e temperatura de fusão de 135 o C. Apresenta-se como um pó

cristalino branco, é inodoro e estável ao ar, mas na presença de umidade

hidrolisa-se formando ácido salicílico e ácido acético. É ligeiramente solúvel em

água (1g em 300 mL à 25 o C) e altamente solúvel em etanol (1 g / 5 mL).

O AAS é um éster fenílico substituído e pode sofrer hidrólise alcalina

originando ácido salicílico (AS) e o íon acetato Ac - , de acordo com a equação

global abaixo:

AAS + OH - AS + Ac -

A equação de velocidade dessa reação pode ser escrita como:

- d[AAS] / dt = k [AAS] n [OH - ] m

Onde n e m são as ordens da reação com relação à aspirina e o iíon hidroxila, respectivamente. Entretanto, a rota pela qual esta reação de hidrólise ocorre pode ser proposta via 2 mecanismos alternativos, SN 1 ou SN 2 :

1. Mecanismo SN 1 (Substituição nucleofílica unimolecular):

lenta

AAS

AAS Salic + + Ac - (Eq. 1)

Salic +

+

Ac -

(Eq. 1)

Salic +

+ OH -

+ OH -

AS

2. Mecanismo SN 2 (Substituição nucleofílica bimolecular):

lenta
lenta

Para o primeiro mecanismo envolvendo a rota SN 1 , a reação deve ocorrer em duas etapas, sendo que a primeira delas é a etapa determinante da velocidade da reação, ou seja, a mais lenta. Esta etapa (Eq. 1) refere-se à saída do grupo abandonador e formação do carbocátion. Portanto, para um mecanismo do tipo SN 1 a ordem da reação será dependente da concentração de AAS e independente da concentração do NaOH (será de ordem zero em relação ao NaOH). Por outro lado, para um mecanismo do tipo SN 2 , a reação ocorrerá em uma única etapa, ou seja, tanto a adição do NaOH (nucleófilo) como a eliminação do Ac - (grupo abandonador) ocorrerão simultaneamente. Neste caso, a reação será dependente tanto da concentração do AAS como do NaOH. Cabe ressaltar que quando a substituição ocorre no grupo carbonila (como é o caso para a hidrólise em questão), o grupo acila (R-CO-) sofre o que se conhece como uma sustituição nucleofília acílica. De qualquer forma, para ambos os mecanismos, a ordem global da reação será a mesma da etapa determinante da velocidade da reação, ou seja, da etapa mais lenta.

2.

OBJETIVO

O objetivo deste experimento é estudar e verificar o tipo de mecanismo envolvido na reação de hidrólise do ácido acetilsalicílico com hidróxido de sódio a partir de dados cinéticos a partir do monitoramento do produto formado, ou seja, do ácido salicílico.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- Ácido acetilsalicílico

- Soluções de NaOH 0,10 mol/L e 0,15 mol/L

- 2 Erlenmeyers de 125 mL

- Colorímetro

- 2 Provetas de 50 mL

- 2 Cubetas de vidro

- 1 Cronômetro

- 2 Béqueres de 25 mL

- 1 Pipeta de 10 mL

- 2 balões de 50 mL

4. PROCEDIMENTO

a) Em um balão de 50 mL, prepare uma solução de ácido acetilsalicílico de concentração 1,5 × 10 -3 mol/L. Para isso, primeiramente dissolva a massa de AAS em, no máximo, 5 mL de etanol e então complete o volume com água destilada. Paralelamente, em proveta de 50 mL, reserve 30 mL de solução de NaOH na concentração de 0,1 mol/L.

b) Transfira a solução de NaOH preparada para um frasco de erlenmeyer e 15 mL da solução de ácido acetilsalicílico para uma proveta de 50 mL.

c) Adicione a solução de AAS contida na proveta à solução de NaOH, acionando-se o cronômetro. Agite a mistura reacional manualmente

(máximo de 10 s) e transfira-a rapidamente (e com cuidado) para a cubeta do espectrofotômetro aparelho com o comprimento de onda de 296 nm previamente selecionado. A leitura do branco deve ser feita utilizando-se a solução de AAS 1,5 × 10 -3 mol/L.

d) Colocar a cubeta no espectrofotômetro e efetuar a primeira leitura em 30 s. Realizar as leituras a cada 30 s durante um tempo total de 6 min.

e) Decorridos 6 min de reação continue anotando o valor da absorbância até que ele se mantenha constante por, pelo menos, 2 min. Anote este

valor (Abs ). O valor da Abs corresponde à concentração final do ácido salicílico que foi formada.

f) Repetir todo o procedimento, agora com a concentração de NaOH 0,15 mol/L.

g) Determine a cinética da reação com relação à diminuição da concentração do AAS.

h) Para obter o valor da concentração de AAS, basta subtrair o valor da

Abs pelo valor da Abs t . Construa gráficos para 1ª e 2ª ordens e verifique para qual deles a cinética da reação com relação ao AAS concorda.

i) A partir da determinação gráfica dos valores de k 2 e k 2 ’ determine a ordem da reação com relação ao NaOH bem como da reação global. (Lembre-se que a concentração do NaOH é muito maior do que a do ácido acetilsalicílico ver o exemplo no roteiro do Experimento 4).

j) A partir do tratamento cinético dos dados experimentais determine qual o tipo de mecanismo seguido pela reação da hidrólise alcalina do ácido acetilsalicílico.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 6: EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE
PRÁTICA 6: EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE

PRÁTICA 6: EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE I)

1. ASPECTOS GERAIS

A hidrólise do acetato de etila é uma reação química muito lenta e

quando é catalisada, por exemplo, a partir de um ácido, tem uma velocidade de

reação que é mensurável em temperaturas em torno de 25°C. A equação

estequiométrica é dada por:

em torno de 25°C. A equação estequiométrica é dada por: A reação é reversível e a

A reação é reversível e a velocidade da hidrólise em um tempo qualquer

é determinada pela diferença entre as velocidades direta e inversa, ou seja, da

velocidade de decomposição e de saponificação, respectivamente. Assim, sua

lei de velocidade pode ser escrita como:

-d[Ac. etila]/dt = k 1 [água] [Ac. etila] k -1 [etanol] [Ac. acético]

Para o caso de soluções diluídas, a concentração da água estará em

excesso e, portanto, sua variação com o tempo pode ser desprezada com

relação à da concentração do éster. Desta forma, a equação de velocidade

pode ser reescrita como:

-d[Ac. etila]/dt = k 1 [Ac. etila] k -1 [etanol] [Ac. acético]

reação é lenta, nos tempos iniciais da hidrólise as

concentrações de etanol e de ácido acético são muito pequenas, podendo ser desprezadas. Assim, a lei da velocidade pode ser novamente reescrita como:

Como

a

-d[Ac. etila]/dt = k 1 [Ac. etila]

O que caracteriza uma reação de pseudo primeira ordem.

O monitoramento da concentração do acetato de etila com o tempo é

mais adequado quando feito a partir do monitoramento da concentração do produto formado. Entretanto, cabe ressaltar que como uma mistura entre o

acetato de etila e um ácido não caracteriza-se como uma solução ideal, haverá, neste caso, uma contração de volume. Assim, a uma temperatura de 25 ºC, o volume da solução inicialmente formada por uma mistura de, por exemplo,

100

mL de HCl 1,0 mol/L com 5,0 mL de acetato de etila será diferente de

105

mL. Neste caso, este volume pode ser designado por V s e será igual a

104,6 mL. Outro ponto que deve ser levado em conta é que quando a cinética da hidrólise ácida do acetato de etila é monitorada em função da quantidade de ácido acético que é formada (ver Eq. 1), o procedimento requer uma titulação com uma base, por exemplo o NaOH. No entanto, é preciso lembrar ainda que nestas alíquotas estão presentes, não somente ácido acético, mas também, o catalisador HCl. Assim, considera-se V x como sendo o volume do NaOH 0,25 mol/L necessário para neutralizar uma alíquota de 5 mL de HCl 1,0 mol/L. Portanto, desde que o volume total da mistura da reação pemaneça constante durante a hidrólise, o volume de NaOH necessário para neutralizar somente o HCl presente na alíquota da reação é dado por (V x 100/V s ) mL, onde o termo 100/V s corresponde o teor de HCl presente na mistura, ou seja, 100 mL de HCl em 104,6 mL (ou V s ) da mistura.

A massa de 5 mL de acetato de etila é dada por 5 2 , onde 2 é a

densidade do acetato de etila (0,92454 g/mL a 25 ºC) e o número de mols em 5 mL da amostra é dado por 52 /M 2 , onde M 2 é a massa molar do acetato de etila. Assim, a quantidade de matéria (em número de mols) de acetato de etila inicialmente presente numa alíquota de 5 mL da mistura em reação é dada por:

5 5

2

M V

2

s

Desde que (1mol × 1000/Y) mL de NaOH de concentração Y mol/L sejam necessários para titular o ácido acético produzido na hidrólise de 1 mol de acetato de etila, um volume correspondente a [(1000/Y) × 5 × 52 /M 2 V s ] mL são necessários para titular o ácido acético produzido na hidrólise completa do acetato de etila inicialmente contido na alíquota de 5 mL da mistura em reação. Portanto, o volume total de NaOH (V ) necessário para titular uma alíquota contendo 5 mL da mistura reacional (HCl + ácido acético produzido) na hidrólise completa do acetato de etila é dado por:

100 1000 25  V   V  2 x V Y M V
100 1000 25 
V   V
2
x
V Y M V
s
2
s
Volume
necessário para
titular todo o HCl
Volume
necessário para
titular todo o HAc

Outra maneira de se determinar V seria esperar pelo término da

reação, o que pode levar dias para acontecer, dependendo das concentrações

e da temperatura da reação de hidrólise.

2. OBJETIVO Determinar a ordem e a constante de velocidade da hidrólise de um éster catalisada por ácido em uma dada temperatura.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- 2 balões volumétricos de 100 mL

- 1 bureta de 25 mL

- 2 pipetas graduadas de 5 mL

- 2 erlenmeyers de 125 mL

- 1 proveta de 10 mL

- 1 recipiente para banho de gelo

- Gelo

- NaCl (comercial)

- Cronômetro

- Solução de NaOH 0,25 mol/L padronizada

- Solução de HCl 1,0 mol/L

- Acetato de etila

- Solução de fenolftaleína

- Termômetro

- 2 agitadores e 2 barras de agitação

3.1 PROCEDIMENTO

a) Colocar em um erlenmeyer contendo água destlilada uma alíquota de 5 mL da solução de HCl 1,0 mol/L e titular com NaOH 0,25 mol/L, usando fenolftaleína como indicador. Repetir mais uma vez e tirar a média dos resultados.

b) Colocar em um erlenmeyer 100 mL de HCl 1 mol/L (que deverá estar a temperatura ambiente, 35 °C ou 45 °C) e em outro erlenmeyer, 6 mL de acetato de etila. Deixe ambos os frascos em um banho com água à temperatura ambiente, até alcançarem o equilíbrio térmico (anote a temperatura) tal como esquematizado abaixo:

Acetato de etila Agitador magnético
Acetato de etila
Agitador magnético

Termômetro

HCl Água
HCl
Água

c) Em seguida adicione 5,0 mL de acetato de etila no erlenmeyer contendo HCl 1,0 mol/L sob agitação. Quando a pipeta com acetato de etila estiver pela metade, acione o cronômetro e mantenha a mistura reacional sob forte agitação.

d) Retire alíquotas de 5 mL do meio reacional após 5, 15, 30, 45 e 60 min. Cada alíquota deve ser colocada imediatamente em um erlenmeyer já contendo 20 mL de água destilada e fenolftaleína (previamente deixado num banho de gelo picado com um pouco de NaCl), tal como esquematizado na Figura 1. Considera-se que ao adicionar a alíquota no sistema frio a reação de hidrólise praticamente cessa. Aguarde cerca de 20 s para homogeneizar a alíquota e então, titule rapidamente (e com atenção!) com o NaOH 0,25 mol/L. O gelo deverá permanecer até o fim da titulação.

Água destilada,

fenolftaleína

e

alíquota

Água destilada, fenolftaleína e alíquota NaOH 0,25 mol/L Banho com água, gelo e NaCl Figura 1.
Água destilada, fenolftaleína e alíquota NaOH 0,25 mol/L Banho com água, gelo e NaCl Figura 1.

NaOH 0,25 mol/L

Banho com água, gelo e NaCl

Figura 1. Representação esquemática para a titulação das alíquotas.

e) Calcule V e faça um gráfico de ln (V - V t ) em função do tempo.

f) Determine a ordem de reação obtida.

g) Tampe o erlenmeyer contendo a mistura reacional e deixe-o em repouso por 2 dias. Em horário disponível, titule novamente uma alíquota e

compare o valor calculado de V com o valor experimental.

4. REFERÊNCIAS

Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 7: EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE
PRÁTICA 7: EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE

PRÁTICA 7: EFEITO DA TEMPERATURA NA CINÉTICA DE HIDRÓLISE ÁCIDA DO ACETATO DE ETILA (PARTE II)

1. ASPECTOS GERAIS

Por ser uma reação muito lenta, a hidrólise do acetato de etila é uma

reação química que pode ser catalisada, não apenas, a partir de um ácido, mas

também pelo aumento da temperatura da reação. Isso porque a velocidade da

maioria das reações químicas aumenta à medida que a temperatura também

aumenta. Svante Arrhenius foi o primeiro cientista a reconhecer a dependência

da constante de velocidade com a temperatura, através da expressão

matemática:

k = A e -E a /RT

(Eq.1)

onde, k é a constante de velocidade, A é conhecido como constante de

Arrhenius ou fator pré-exponencial, E a corresponde à energia de ativação, R é

a constante dos gases (8,314 J K -1 mol -1 ) e T é a temperatura absoluta.

Multiplicando-se os os 2 termos da Eq.1 por ln obtém-se:

ln(k) = ln(A) E a /RT

Portanto, a construção do gráfico referente à expressão de Arrhenius

fornece uma dependência linear e decrescente de ln(k) com o inverso da

temperatura, tal como:

ln k

lnA

Inclinação = -E a /R 1/T (K -1 )
Inclinação = -E a /R
1/T (K -1 )

Figura 1. Representação esquemática do perfil de um gráfico de Arrhenius.

Neste gráfico, ambos parâmetros cinéticos de Arrhenius A e E a podem ser obtidos experimentalmente a partir dos coeficientes linear e angular da reta, respectivamente.

2. OBJETIVO

Verificar a dependência da velocidade da reação de hidrólise do acetato de etila com a temperatura e determinar os parâmetros de Arrhenius da hidrólise de um éster catalisada por ácido em diferentes temperaturas.

4. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- 2 balões volumétricos de 100 mL

- 2 buretas de 25 mL

- 2 pipetas graduadas de 5 mL

- 4 erlenmeyers de 125 mL

- 2 provetas de 10 mL

- 2 recipientes para banho de gelo

- Gelo

- NaCl (comercial)

- 2 Cronômetros;

- Solução de NaOH 0,25 mol/L padronizada;

- Solução de HCl 1,0 mol/L

- Acetato de etila

- Solução de fenolftaleína

- Termômetro

3.1 PROCEDIMENTO

a) Repetir

o

procedimento

descrito

temperaturas de 35 °C e 45 °C.

no

experimento

anterior

para

as

b) Para isso, mantenha a água do banho na temperatura de trabalho renovando-a constantemente com água quente (70 °C).

c) Faça um

gráfico de ln

(V

-

V t ) em função do tempo

para cada

temperatura em um mesmo papel de gráfico.

d) Calcular a constante de velocidade para cada temperatura.

e) Faça um gráfico de ln k em função do inverso da temperatura e calcule os parâmetros de Arrhenius para a hidrólise do acetato de etila.

4. REFERÊNCIAS

Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 8. CATÁLISE I (HOMOGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO 1. ASPECTOS GERAIS Muitas
PRÁTICA 8. CATÁLISE I (HOMOGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO 1. ASPECTOS GERAIS Muitas

PRÁTICA 8. CATÁLISE I (HOMOGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO

1. ASPECTOS GERAIS

Muitas reações químicas, por serem muito lentas, necessitam da adição

de uma substância que, sem ser consumida durante a reação, aumente a sua

velocidade. A essa substância dá-se o nome de catalisador.

Embora à primeira vista este fenômeno possa parecer impossível, de

fato, pode ocorrer, pois o catalisador é uma substância a qual é usada em uma

etapa do mecanismo da reação e é regenerada na etapa posterior. Por

exemplo, considerando-se o seguinte processo elementar:

A + B Produtos

(lento)

Admitindo-se que este processo apresente uma energia de ativação

elevada, a partir da adição de um catalisador C à mistura reagente, um novo

mecanismo irá predominar e será constituído de duas etapas:

Etapa 1:

A + C AC

(rápida)

Etapa 2:

AC + B Produtos + C (mais rápida)

A etapa determinante da velocidade será a Etapa 1, ou seja, a mais

lenta (neste caso pode ser melhor definida como a menos rápida) e possuirá

uma energia de ativação menor do que a reação não-catalisada. Portanto,

ambas as energias de ativação são baixas e cada reação é mais rápida do que

a reação original, não-catalisada. A reação global permanecerá inalterada, pois

o catalisador C, usado na Etapa 1, é regenerado na Etapa 2. A equação de velocidade da reação não-catalisada é:

v = k [A] [B]

E, para a reação catalisada:

v = k’ [A] [C]

Portanto, um catalisador atua em uma reação química tornando possível um novo mecanismo de reação, mas com uma energia de ativação menor. Como a energia de ativação da reação catalisada será menor do que a da não-catalisada, em uma dada temperatura, um maior número de moléculas reagentes possuirá a energia de ativação necessária para a reação catalisada. Assim, o mecanismo catalisado irá predominar, possibilitando, desta maneira, um novo mecanismo mais rápido.

1.2 CATÁLISE HOMOGÊNEA

Em uma catálise homogênea o catalisador e os reagentes estarão presentes em uma mesma fase. Neste experimento será estudada a cinética de decomposição do peróxido de hidrogênio em meio aquoso:

H 2 O 2(aq) H 2 O (l)

1/2O 2(g)

A cinética de catálise homogênea desta reação será investigada na presença e na ausência de um catalisador, o FeCl 3 - cloreto de ferro (III) e a concentração de H 2 O 2 será monitorada a partir de sua reação com permanganato de potássio em meio ácido:

2MnO 4 - (aq) + 5H 2 O 2(aq) + 6 H + (aq) 2Mn 2+ (aq) + 8H 2 O (l)

5O 2(g)

Caso a concentração de permanganato seja conhecida, fica possível monitorar a concentração de peróxido de hidrogênio com o tempo a partir da estequiometria da reação balanceada.

2.

OBJETIVO

O objetivo deste experimento é investigar a influência de um catalisador

homogêneo na velocidade de decomposição do peróxido de hidrogênio em

solução.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- 1 erlenmeyer de 125 mL

- 1 balão volumétricos de 100 mL

- 1 bureta de 25 mL

- 1 pipeta graduada de 20 mL

- 6 béqueres de 50 mL

- 1 Cronômetro

- 1 agitador e barra magnética

- Solução de KMnO 4

-

-

- FeCl 3

H

H

2

2

O 2

SO 4

3.1. PROCEDIMENTO

a) Colocar em cada um dos 6 béqueres um volume de 5 mL de solução de

H 2 SO 4 25% (v/v).

b) Em um erlenmeyer de 125 mL transferir 100 mL de uma solução aquosa

de H 2 O 2 0,025 mol/L (densidade do H 2 O 2 puro = 1,4 g/mL) e em

seguida 10 mL de solução de FeCl 3 6% (m/v) mantendo o sistema

reacional sob agitação. Acionar o cronômetro quando 5 mL da solução

de FeCl 3 tiverem sido adicionados.

c) Retirar alíquotas de 15 mL do erlenmeyer nos tempos de 0 min, 5 min,

10 min, 20 min, 30 min e 40 min e tranferir cada uma destas alíquotas

para os béqueres citados no item (a). Atente para o fato de que a

alíquota do tempo zero (t = 0 min) deve ser retirada antes da adição do catalisador.

d) Titular cada uma destas alíquotas com solução de KMnO 4 8,0 × 10 -3 mol/L e anotar o volume gasto.

e) Repetir os procedimentos descritos nos itens (a), (b), (c) e (d) na ausência do catalisador.

f) Determine as concentrações de H 2 O 2 em cada alíquota e faça os gráficos da cinética da reação adequados para determinar a ordem da reação de decomposição do peróxido de hidrogênio.

g) Calcule as constantes de velocidade na presença e na ausência do catalisador.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ver referências gerais de cinética química.

PRÁTICA 9. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE I) 1. ASPECTOS
PRÁTICA 9. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE I) 1. ASPECTOS

PRÁTICA 9. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE I)

1. ASPECTOS GERAIS

O peróxido de hidrogênio decompõe-se produzindo água (no estado líquido) e oxigênio (no estado gasoso), liberando calor, de acordo com a seguinte equação química:

H 2 O 2(aq) H 2 O (l) + 1/2O 2(g)

É muito comum encontrar a concentração de H 2 O 2 expressa em termos

de uma certa quantidade de volumes. Esta quantidade refere-se ao volume de O 2 que é gerado considerando sua decomposição completa, de acordo com a equação acima. Por exemplo, a decomposição completa de 1 mL de uma solução de H 2 O 2 nominalmente referida como 10 volumes (ou 3% m/v), produzirá 10 mL de O 2(g) . Da mesma forma que 1 mL de uma solução de H 2 O 2

nominalmente referida como 20 volumes (ou 6% m/v), produzirá 20 mL de O 2(g) .

A velocidade de decomposição do H 2 O 2 depende de vários fatores tais

como temperatura, concentração do peróxido, presença de luz, pH e também da presença de catalisadores ou estabilizantes. Como geralmente o processo é muito lento (da ordem de 0,05% por ano), estudos cinéticos envolvendo sua decomposição necessitam, fundamentalmente, do uso de catalisadores para tornarem-se possíveis. Estes catalisadores podem ser de natureza homogênea ou heterogênea. Tal como foi estudado em experimento anterior (Experimento

8 da apostila) em uma catálise homogênea o catalisador e os reagentes estão presentes na mesma fase. Por outro lado, em uma catálise heterogênea catalisador e reagentes estarão presentes em fases diferentes. Um catalisador heterogêneo fornece uma superfície sobre a qual as moléculas podem reagir mais facilmente. A catálise heterogênea inicia-se com a adsorção de uma molécula reagente sobre a superfície do catalisador. A reação torna-se mais rápida, pois a adsorção de moléculas reagentes sobre a superfície de um catalisador enfraquece suas ligações (das moléculas), diminuindo, portanto, a energia de ativação para o processo. Esta adsorção poderá ser química (quimissorção) ou física (fisissorção). Uma adsorção química difere-se de uma adsorção física pela força com que as moléculas reagentes estão adsorvidas sobre a superfície do catalisador. Enquanto, para uma adsorção química as moléculas estão mais fortemente adsorvidas, para uma adsorção física as forças que predominam são mais fracas e do tipo van der Waals. Tal evidência é comprovada considerando-se que durante a quimissorção a quantidade de calor desprendida é consideravelmente maior do que a fisissorção. Neste experimento, a velocidade de decomposição de H 2 O 2 será monitorada por meio do volume de oxigênio formado com o tempo. Por tratar- se de uma reação onde a espécie a ser monitorada é o volume de um gás, a reação deverá ser realizada à temperatura e pressão constantes. O sistema experimental a ser utilizado nesta prática está esquematizado na figura abaixo:

Seringa com 1,0 mL de H 2 O 2 Mangueira Bureta Septo Nivelador Catalisador disperso
Seringa com
1,0 mL de H 2 O 2
Mangueira
Bureta
Septo
Nivelador
Catalisador
disperso em H 2 O
Água
Mangueira

Figura 1: Representação esquemática do sistema experimental.

Sempre que o líquido presente na bureta estiver nivelado com o frasco nivelador (representado como um funil de separação na Figura 1), a pressão do gás, dentro da bureta será a atmosférica. Como a pressão parcial da H 2 O à temperatura constante é constante, a pressão parcial do O 2 também será constante nessas condições experimentais. Desta forma, o volume de gás desprendido será medido à pressão constante a partir da variação de altura do líquido na bureta.

2. OBJETIVO

Este experimento tem como objetivo verificar experimentalmente a influência da adição diferentes catalisadores heterogêneos na velocidade de

decomposição do peróxido de hidrogênio em solução bem como selecionar o catalisador que for mais eficiente segundo critérios pertinentes.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- 1 kitassato de 125 mL

- 1 bureta de 25 mL

- 1 funil de separação

- 1 béquer de 10 mL

- 1 Cronômetro

- 1 agitador e barra magnética

- H 2 O 2 (3% m/v, ou 10 volumes) e H 2 O destilada

- MnO 2 e PbO 2 (em pó)

3.1. PROCEDIMENTO

a) Coloque em um kitassato 15 mL de H 2 O destilada e 0,05 g de MnO 2 (catalisador). Deixe agitando por 5 min em banho à temperatura ambiente.

b) Tampe o kitassato com um septo de borracha, conecte a mangueira de

silicone em sua saída e deixe-o fixado no suporte universal tal como mostrado na Figura 1. O restante do sistema já estará montado. c) Acerte o nível de água e conecte a mangueira de silicone à entrada

superior da bureta.

d) Com auxílio de uma seringa, transfira 1,0 mL da solução de H 2 O 2 3%

m/v (10 volumes) para o frasco reacional (kitassato) e acione o cronômetro. Para isso, fure o septo com a agulha da seringa e, então, adicione a solução de peróxido pressionando o êmbolo da seringa.

e) Faça leituras de volumes a cada 30 s por um tempo total de 10 min ou

até quando não se verifique mais variação de volume na bureta. Anote

o valor deste volume pois este é o V . Durante a reação, o gás O 2

formado pela decomposição do H 2 O 2 entrará na bureta e diminuirá o nível do líquido. É importante salientar que, para que a pressão na reação se mantenha constante, é necessário que o frasco nivelador seja continuamente ajustado ao mesmo nível do líquido na bureta.

f) Repita todo o procedimento para verificação da reprodutibilidade das

medidas.

g) Para facilitar o acompanhamento da leitura do volume de gás desprendido, antes de iniciar o experimento, ou seja, antes da adiçaõ de 1,0 mL de H 2 O 2 , acerte o nível de água para 1 mL a menos da marca 0 mL da bureta. Isso porque, o início do experimento se dará quando 1,0 mL da solução de peróxido for injetado para dentro do kitassato. Esta injeção por si só deslocará o volume do líquido na bureta em 1,0

mL fazendo com que a reação se inicie na marcação de 0 mL da bureta.

h) Repita todo o procedimento utilizando 0,05 g de PbO 2 como catalisador.

i) Faça os gráficos da cinética da reação adequados, calcule as constantes de velocidade para cada catalisador e escolha o melhor catalisador para

a realização do próximo experimento.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ver referências gerais de cinética química.

PRÁTICA 10. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE II) 1. ASPECTOS
PRÁTICA 10. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE II) 1. ASPECTOS

PRÁTICA 10. CATÁLISE II (HETEROGÊNEA): DECOMPOSIÇÃO CATALÍTICA DO PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO (PARTE II)

1. ASPECTOS GERAIS

Para um catalisador, quanto maior for a superfície disponível para a adsorção de reagentes maior será a sua conversão em produtos (caso fenômenos difusivos não estejam envolvidos). Entretanto, um catalisador não possui sua superfície energeticamente homogênea, ou seja, com todos os seus sítios de adsorção equivalentes e com a mesma quantidade de energia para interagir com as moléculas do reagente. Se fosse completamente homogênea, sua área específica seria diretamente proporcional a sua atividade como catalisador, o que nem sempre acontece. Neste experimento, a variação de massa do catalisador empregado na reação de decomposição do peróxido de hidrogênio será investigada. Como o catalisador empregado está na forma de um pó fino, é teoricamente plausível que sua massa esteja diretamente relacionada com sua área ativa, ou seja, com sua superfície de contato. O catalisador a ser utilizado neste experimento será escolhido pelo próprio grupo, sendo a escolha baseada nos resultados obtidos em experimento anterior (Prática 9), onde foram avaliados os catalisadores PbO 2 e MnO 2 .

2. OBJETIVO

Este experimento tem como objetivo verificar experimentalmente a influência da adição diferentes massas de catalisador heterogêneo (diferentes

áreas superficiais) na velocidade de decomposição do peróxido de hidrogênio em solução.

3. PARTE EXPERIMENTAL

3.1 Material necessário

- 1 kitassato de 125 mL

- 1 bureta de 25 mL

- 1 funil de separação

- 1 béquer de 10 mL

- 1 Cronômetro

- 1 agitador e barra magnética

- H 2 O 2 (3% m/v, ou 10 volumes) e H 2 O destilada

- MnO 2 ou PbO 2 (em pó)

3.1 PROCEDIMENTO

a) Coloque em um kitassato 15 mL de H 2 O destilada e 0,05 g de MnO 2 ou

PbO 2 (catalisador). Deixe agitando por 5 min em banho à temperatura

ambiente.

b) Tampe o kitassato com um septo de borracha, conecte a mangueira de

silicone em sua saída e deixe-o fixado no suporte universal tal como mostrado na Figura 1 da Prática 9. O restante do sistema já estará montado.

c) Acerte o nível de água e conecte a mangueira de silicone à entrada superior da bureta.

d) Com auxílio de uma seringa, transfira 1,0 mL da solução de H 2 O 2 3% m/v

(10 volumes) para o frasco reacional (kitassato) e acione o cronômetro. Para isso, fure o septo com a agulha da seringa e, então, adicione a solução de peróxido pressionando o êmbolo da seringa.

e) Faça leituras de volumes a cada 30 s por um tempo total de 10 min ou até

quando não se verifique mais variação de volume na bureta. Anote o valor

deste volume, pois este é o V. Durante a reação, o gás O 2 formado pela decomposição do H 2 O 2 entrará na bureta e diminuirá o nível do líquido. É importante salientar que, para que a pressão na reação se mantenha constante, é necessário que o frasco nivelador seja continuamente ajustado ao mesmo nível do líquido na bureta.

g) Para facilitar o acompanhamento da leitura do volume de gás desprendido,

antes de iniciar o experimento, ou seja, antes da adição de 1,0 mL de H 2 O 2 , acerte o nível de água para 1 mL a menos da marca 0 mL da bureta. Isso porque, o início do experimento se dará quando 1,0 mL da solução de peróxido for injetado para dentro do kitassato. Esta injeção por si só deslocará o volume do líquido na bureta em 1,0 mL fazendo com que a reação se inicie na marcação de 0 mL da bureta.

h) Repita todo o procedimento utilizando 0,025 g e 0,075 g de catalisador.

i) Faça os gráficos da cinética da reação adequados, calcule as constantes de velocidade de cada reação bem como os tempos de meia vida.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ver referências gerais de cinética química na última página da apostila.

PRÁTICA 11. PRÁTICA LIVRE OBJETIVO: Neste experimento cada grupo de alunos irá propor antecipadamente um
PRÁTICA 11. PRÁTICA LIVRE OBJETIVO: Neste experimento cada grupo de alunos irá propor antecipadamente um

PRÁTICA 11. PRÁTICA LIVRE

OBJETIVO: Neste experimento cada grupo de alunos irá propor antecipadamente um experimento no qual deseja realizar. Reagentes e equipamentos deverão ser verificados antes da proposição desta prática para que ela possa ser executada com segurança. Para isso, o grupo de alunos deverá consultar o professor sobre a proposição e execução da prática em questão, com no máximo uma semana de antecedência (ao final da prática n o

10).

REFERÊNCIAS GERAIS DE CINÉTICA QUÍMICA

1. CORSARO, G.A. Colorimetric Chemical Kinetics Experiment. Journal of

Chemical Education, 41: 48-50, 1964.

2. DE SOUZA, AA & FARIAS RF, Cinética Química Teoria e Prática, Editora

Átomo, pag 72, 2008.

3. BUENO, W. A. E DEGREVE, L. Manual de Laboratório de Físico-Química.

Brasil. McGraw-Hill do Brasil. 1980.

4. DANIELS, F., ALBERTY, R. A., WILLIAMS, J. W., CORNWE, C. D.;

BLENDER, P. AND HARRIMAN, J. E. Experimental Physical Chemistry, 7 a ed.,

Japão, Kogakusha Ltda. 1970.

5. ATKINS, P. JONES, L. ATKINS P; PAULA J; Físico-Química, 8°, Rio de

Janeiro ed. LTC, 2008.