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Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

CAPÍTULO 3
DIREÇÃO DEFENSIVA

1. Introdução

Como motorista de uma ambulância, além de dominar todas as habilidades indis-


pensáveis à prática da direção segura de veículos em geral, você deverá estar familiariza-
do com conceitos próprios da condução de uma vítima e da equipe que lhe oferece aten-
dimento, pois na qualidade de motorista você é responsável pela sua própria vida e das
outras pessoas presentes no trânsito. Além disso, você é responsável pela segurança da
sua equipe de socorristas e pelo bem estar da vítima conduzida no interior da ambulância.

2. Direção e Segurança

A maioria dos acidentes de trânsito, decorrem em sua maioria de erros humanos,


pelos seguintes motivos:
● Desrespeito as Leis, Normas e regulamentos de trânsito;
● Abuso dos limites operacionais de segurança do veículo;
● Pressa excessiva em querer chegar no local da ocorrência, e posteriormente
ao hospital;
● Descortesia no trânsito: ser cortês alivia o stress do trânsito, demonstra alto
nível de educação e elevação social.
● Irresponsabilidade agindo com negligência, imprudência ou imperícia;
● Condição física do condutor, como cansaço, sonolento e sob efeito de dro-
gas em geral (álcool, medicamentos, etc.)

3. Elementos de Direção Defensiva

Direção defensiva é dirigir de modo a evitar acidentes, apesar das ações incorretas
(erradas) dos outros e das condições adversas (contrárias), que encontramos nas vias de
trânsito.

Existem alguns elementos fundamentais para a boa prática da direção defensiva,


com a observação dos mesmos o risco é diminuído, são eles.

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Direção Defensiva

3.1. Conhecimento

É o ato de estar sempre consciente das noções exigidas para a habilitação, os con-
teúdos do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e as informações sobre os riscos e a me-
lhor forma de evitá-los. Embora a experiência seja uma fonte importantíssima de conheci-
mento, demonstra-se que, o programa de treinamento aumenta em muito a capacidade
defensiva do motorista.

3.2. Atenção

Enquanto dirige, o motorista tem que estar alerta o tempo todo, zelando pela sua
própria segurança, dos passageiros e da vítima que está transportando, bem como pelos
demais presentes no trânsito. Estar alerta significa estar com a atenção concentrada todo
o tempo no ato de dirigir, sem distrações, vendo tudo o que se passa adiante, atrás (espe-
lhos retrovisores) e nas laterais do veículo. O pensamento deve ocupar-se exclusivamen-
te do ato de dirigir e não de outros assuntos. Atento, o motorista pode reconhecer situa-
ções de perigo potencial, reagir em tempo e agir de modo a prevenir acidentes.

3.3. Previsão

É a capacidade de antecipar ou antever situações e eventos, são muitas vezes fra-


ções de segundos, porém, tendo em mente uma atitude de previsibilidade, será suficiente,
para tentar uma reação positiva, evitando um acontecimento. Se o motorista, vistoria o
veículo antes de assumir o serviço, programa o itinerário, reduz a velocidade próximo a
áreas de risco como cruzamentos, escolas, hospitais, etc., se o motorista, ao ver uma cri-
ança brincando na calçada, antevê a possibilidade de que ela possa atravessar a rua re-
pentinamente e diminuí a velocidade, terá melhores condições de frenagem ou desvio do
veículo caso o inesperado aconteça.

3.4. Decisão

É a possibilidade da ação de decidir, diante de uma situação de risco. É saber es-


colher dentre as opções possíveis a de maior segurança naquele momento específico.

3.5. Habilidade

É o requisito desenvolvido através do aprendizado e do treinamento. Conduzir um


veículo de socorro, é um ato de muita responsabilidade, muitas vezes a emergência, a
adrenalina, o stress, tendem a dominar a situação, porém o bom motorista, se mantém
paciente e calmo, não deixando-se dominar por sensações que tendem a alterar seu esta-
do psicológico e as funções mecânicas do corpo físico. Necessitando o motorista, desen-
volver a habilidade de realizar manobras entre veículos, ultrapassagens, cruzamentos, ca-
naletas de expresso, entre outros. Mas, com condições, é fundamental demonstrar as
suas ações para os outros motoristas, o que pretende fazer, qual a atitude que pretende
tomar, lembre-se as outras pessoas não são obrigadas a adivinhar seu pensamento.

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4. Direção em Condições Adversas

Algumas condições climáticas e naturais afetam as condições de trânsito. Sendo


fatores ou combinações de fatores que contribuem para aumentar as situações de risco
no trânsito, podendo comprometer a segurança. Sob estas condições, o motorista da am-
bulância, deverá adotar atitudes preventivas que garantam, como já foi visto, a segurança
da equipe, da vítima e dos demais usuários das vias públicas.

4.1. Chuva

Reduz a possibilidade de ver e ser visto de todos os condutores, pelo acúmulo de


água nos para-brisas e pelo embaçamento dos vidros no carro fechado, causado pela res-
piração de seus ocupantes. Além disso, deposita uma lâmina de água sobre a pista, o que
modifica a aderência dos pneus, dificultando a frenagem e favorecendo derrapagens, pro-
porcionando a ocorrência de hidro ou aquaplanagem.

4.1.1. Atitudes defensivas do motorista:


● Conserve e revise constantemente os limpadores de pára-brisas e seu siste-
ma de acionamento e fusíveis;
● Ao dirigir redobre os cuidados e a atenção;
● Reduza a velocidade para aumentar a aderência dos pneus ao solo, evitan-
do derrapagens e favorecendo as ações dos freios;
● Aumente a distância com o veículo à frente, e evite ficar ao lado de outros
veículos;
● Se possível, deixe dois centímetros das janelas abertas, para evitar o emba-
çamento e acione os dispositivos desembaçadores disponíveis;
● Acenda os faróis baixos;
● Não freie bruscamente, acione o freio suave e gradativamente;
● Em caso de chuva torrencial ou chuva de granizo, que impeçam a direção
com segurança e a perda de visibilidade, estacione em local seguro, acione
as luzes de alerta, e aguarde que o tempo melhore.
4.2. Aquaplanagem

É quando o veículo flutua na água, perdendo a aderência do pneu com o solo, o


motorista perde totalmente o controle do veículo, podendo ocorrer em qualquer tipo de pi-
so.

4.2.1. Atitudes defensivas do motorista:


● Observar com atenção presença de poças de água sobre a pista, mesmo
não havendo chuva;
● Reduzir a velocidade antes de entrar na área empoçada;

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● Quando o veículo estiver na poça, não utilize os freios, segure firmemente o


volante, procurando mantê-lo reto com a pista, até conseguir novamente a
aderência do veículo;
● Sempre verifique a profundidade dos sulcos dos pneus da ambulância;
4.3. Vento

Produzido por condições climáticas ou pela passagem de outros veículos, pode


deslocar o seu veículo, reduzindo e ocasionando a perda de estabilidade e o descontrole
do veículo.

4.3.1. Atitudes defensivas do motorista:


● Acostume-se a olhar a vegetação ao redor da pista, é um bom indicativo da
velocidade dos ventos e sua direção;
● Ao perceber um grande veículo em sentido contrário ou ultrapassando-o, re-
duza a velocidade;
● Tome o controle firme do volante, afaste-se um pouco para a direita;
● Cuidado especial com pontes e viadutos.
4.4. Neblina ou Cerração

4.4.1. Atitudes defensivas do motorista:


● Ligue os faróis baixos (a luz alta causa o fenômeno da reflexão, causando
ainda menos visibilidade), ou a luz de neblina se tiver;
● Redobre a atenção e o cuidado, diminuindo a velocidade;
● Evite realizar ultrapassagens;
● Caso não haja condições mínimas de segurança e visibilidade, estacione, e
aguarde melhores condições de dirigibilidade;
● Caso seja absolutamente necessário dirigir, procure seguir um veículo maior
como caminhão ou ônibus, com certa distância segura;
● Atenção com frenagens bruscas ou até mesmo paradas repentinas dos veí-
culos à frente.
4.5. Iluminação

A intensidade da luz modifica a possibilidade de ver e ser visto. A luz em excesso


ofusca a visão e a penumbra oculta as pessoas e outros veículos.

4.5.1. Atitudes defensivas do motorista:


● Em condições de iluminação inadequada reduza a velocidade;
● Havendo excesso de luz, abaixe o papa sol, em certos casos use óculos es-
curos (crepúsculo matutino ou vespertino);
● Desvie o olhar da fonte luminosa e busque referências, como o meio fio ou o
traçado lateral da via;

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● À noite, use faróis baixos ao cruzar veículos e desvie o olhar do foco dos fa-
róis que cruzam com você;
● Em condições de penumbra deixe as luzes do veículo acessas, facilitando
ser visto.
4.6. Condições Adversas da Via

O motorista da ambulância deve estar, atento as inúmeras alterações das condi-


ções das vias, que são muito variáveis nos atendimentos das ocorrências, como:
● Largura insuficiente;
● Ponte estreita;
● Trechos escorregadios;
● Má conservação da pista;
● Falta de acostamento;
● Curvas mal dimensionadas;
● Força centrífuga;
● Falta de placas de sinalização;
● Vegetação muito alta e muito próxima da pista;
● Drenagem insuficiente.

5. Orientações Para Evitar o Desgaste Físico ao Dirigir


● Dirija com os braços e pernas ligeiramente flexionados e relaxados, evitando
tensões;
● Apóie o corpo junto ao banco o mais próximo de um ângulo de 90º;
● Procure manter a cabeça junto ao encosto, sem forçar a musculatura do
pescoço;
● A posição das mãos sobre o volante, deve estar na posição do relógio, às 09
horas e 15 minutos;
● Procure manter os calcanhares apoiados sobre o assoalho, evite manter os
pés sobre os pedais quando não estiver usando-os;
● Nunca dirigir ao fazer uso de bebidas alcoólica ou drogas;
● Nunca dirigir fumando ou ao telefone celular;
● Nunca dirigir se estiver utilizando remédios que modifiquem o comportamen-
to psicofísico, de acordo com o seu médico;
● Evite dirigir após ter participado de discussões com seus familiares ou no
trabalho;
● Evite dirigir sob forte tensão, ou acometido de forte emoção;

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● Evite dirigir quando estiver com sono, os ficar muito tempo sem dormir, dor-
mir pouco ou dormir mal;
● Evite dirigir logo após realizar refeições muito pesadas, que induzem ao
sono;
● Certificar-se que não há nenhum objeto que possa ser deslocado quando
em movimento;
● Dirigir com roupas confortáveis, e adequadas a temperatura ambiente, para
não sentir muito frio e nem muito calor;
● Sempre faça check-up completo para constatar problemas, como histórico
de problemas cardio-vasculares, pressão arterial fora dos padrões normais,
com suspeita de epilepsia, ou qualquer outro que possa colocar em risco as
seguras condições de direção. Ao constatar, solicite imediatamente afasta-
mento das funções de motorista, desde que comprovadamente orientado por
médico responsável;
● Esteja sempre em dia com os exames oftalmológicos, para uso de óculos ou
lentes corretivas;
● Enquanto dirige converse apenas o indispensável com a equipe de serviço;
● Quando a ambulância em movimento, o rádio deverá ser acionado por outro
integrante da equipe;

6. Inspeção Veicular

Todo veículo, inclusive a ambulância, dispõe de equipamentos e sistemas impor-


tantes para evitar situações de perigo que possam levar a acidentes, como pneus, siste-
ma de freios, iluminação, suspensão, direção, etc.

Todos os componentes e equipamentos do veículo, se desgastam com o uso; o


desgaste de um componente pode prejudicar o funcionamento de outros e comprometer a
segurança. Isso deve ser evitado, observando-se a vida útil e a durabilidade definida pe-
los fabricantes dos componentes, dentro de condições específicas de uso.

É de responsabilidade do motorista, em toda passagem de serviço, ao assumir a


ambulância, realizar a manutenção preventiva e verificar o funcionamento de itens obriga-
tórios. A observação é simples seja pela inspeção do painel ou inspeção visual/manual.

Realizar uma ficha de vistoria da ambulância, para facilitar o acompanhamento das


manutenções e as condições gerais da ambulância, onde deverá conter: Identificação da
ambulância, kilometragem, data, nome do motorista e deixar um espaço para anotar ob-
servações apontadas pelo motoristas que está saindo de serviço.

Deverá ainda verificar obrigatoriamente:


● Indicador do nível de combustível;

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● Observar os reservatórios do nível de óleo do motor, do sistema de freio, di-


reção hidraúlica e sistema de transmissão (câmbio);
● Certifique-se que não há vazamentos presentes, ou sinais de consumo ex-
cessivo;
● Aferir as condições dos filtros de ar e óleo; marcar na ficha de apontamentos
a quilometragem para a troca destes itens;
● Nível do reservatório da água do radiador e do reservatório do limpador do
pára-brisa;
● Palhetas do limpador do pára-brisa, se estiverem danificadas ou ressecadas,
solicite a substituição;
● Funcionamentos das luzes dos faróis, luzes baixa, média e alta;
● Funcionamento dos piscas, da luzes traseira, luz de ré e de freio;
● Verificar sirene,luzes de emergência;
● Pneus : verifique as condições gerais, desgastes, profundidade dos sulcos,
existência de deformidades;
● Calibragem: deve ser feita para as ambulâncias, pelo menos uma vez a
cada três dias, siga as recomendações do fabricante para as libras de pres-
são necessárias (não esqueça do estepe);
● Verifique, os cintos de segurança, freio de mão, espelhos retrovisores, extin-
tor de incêndio;
● Verificar as mangueiras (combustível, óleo e água), procurando por vaza-
mentos, ressecamentos e encaixes, os quais podem romper as mesmas;
● Verificar visualmente as correias, atenção para a kilometragem recomenda-
da para troca pelo fabricante.
Importante, é anotar todas as alterações encontradas, repassar imediatamente ao
responsável para que providencie a imediata substituição, avise sempre durante a passa-
gem de serviço, mostrando a ficha de apontamentos para o motorista que estará assumin-
do a ambulância; quando houver qualquer alteração das peças acima, bem como a troca
ou complemento do óleo da e água, também deverá ser anotado para controle. Perceben-
do qualquer tipo de situação anormal com a ambulância, barulhos que não são normais,
falhas de acionamento elétrico ou do motor, sons estranhos, etc., comunicar imediatamen-
te, para evitar que o problema se agrave. Não se esqueça a vítima pode ser você. Assim
você estará fazendo a sua parte, cuidando do bem público, aumentando a vida útil do veí-
culo.

7. Velocidade e Tempo de Reação

Do ponto de vista da segurança devemos estar sempre muito atentos na condução


de um veículo, pois a qualquer momento pode ser necessário tomar uma ação rápida
para evitar se envolver em um acidente de trânsito. Quando um motorista precisar frear

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bruscamente, o seu automóvel deve ter uma distância mínima do veículo que segue à
frente para garantir a sua segurança e a dos outros. Mesmo que as condições do motoris-
ta, do automóvel, dos freios, dos pneus e do asfalto sejam as melhores possíveis, existe
um determinado tempo para que o motorista possa reagir a uma situação de risco. Esse
tempo é denominado TEMPO DE REAÇÃO que varia de pessoa para pessoa (+ ou – de
0,75 a 1,5 segundo) e é decorrente de um estímulo e uma reação efetiva do condutor
(resposta). Já a DISTÂNCIA DE REAÇÃO é o espaço percorrido pelo veículo no instante
em que o motorista percebeu uma situação de risco potencial a sua frente, até o momento
em que ele acionou o sistema de freios do seu veículo. Do momento em que o motorista
acionou o pedal de freios até o ponto em que o veículo parou – nesse segmento, que va-
ria segundo o estado dos freios, dos pneus, das condições da via pública (seca, rugosa,
lisa, molhada, aclive, declive) – essa distância percorrida pelo veículo é chamada de DIS-
TÂNCIA DE FRENAGEM. Para sabermos qual é o espaço necessário para parar o veícu-
lo, deve-se somar a distância de reação à distância de frenagem. Quando estamos logo
atrás de outro veículo é indispensável que exista uma distância de segurança que nos
permita imobilizar o automóvel sem colidir com o veículo da frente, em caso de uma frea-
da ou manobra brusca. Essa distância varia de acordo com a velocidade desenvolvida e a
permitida para o local. A tabela 3.1 nos proporcionará uma idéia dos tempos de reação,
distância de reação e de velocidade, necessários para um veículo parar em diferentes ve-
locidades:
Tabela 3.1
Tabela comparativa entre velocidade e distância de parada para automóveis
Velocidade Distância de Distância de Distância de
Km/h reação 3/4s.(m) frenagem (m) parada (m)
40 8,33 7 15,33
50 10,41 13 23,41
60 12,50 18 30,5
70 14,58 25 39,58
80 16,67 33 49,67
90 18,75 41 59,71
100 20,83 51 71,83
110 22,91 62 84,91
120 25,00 74 99
130 27,08 87 114,08
140 29,16 100 129,16
150 31,24 115 146,24
160 33,32 131 164,32
170 35,41 149 184,41
180 37,48 167 204,48

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Existem vários tipos de colisão que podem acontecer com o seu veículo, e os com-
portamentos perigosos dos condutores nas vias também são bem variados, mas o fator
mais comum nos acidentes é não ter conseguido desviar ou parar a tempo o seu veículo,
evitando a colisão.

8. Como Parar

Você, condutor defensivo, deve conhecer os tipos de paradas do veículo, tempo e


distância necessários para cada uma delas.

Fig 3.1 – Esquema de distancias para parar


● Distância de seguimento – É aquela que você deve manter entre o seu
veículo e o que vai à frente, de forma que você possa parar, mesmo numa
emergência, sem colidir com a traseira do outro. O ideal é manter a distância
de aproximadamente dois segundos em relação a um ponto fixo.
● Distância de reação – É aquela que seu veículo percorre, desde o momen-
to que você vê a situação de perigo, até o momento em que pisa no freio.
Ou seja, desde o momento em que o condutor tira o pé do acelerador até
colocá-lo no freio. Varia de pessoa para pessoa, mas no geral está entre
0,75 e 1,5 segundos.
● Distância de frenagem – É aquela que o veículo percorre depois de você
pisar no freio até o momento total da parada. Você sabe que o seu veículo
não pára imediatamente, não é mesmo?
● Distância de parada – É aquela que o seu veículo percorre desde o mo-
mento em que você vê o perigo e decide parar até a parada total do seu veí-
culo, ficando a uma distância segura do outro veículo, pedestre ou qualquer
objeto na via. Ou seja, é a soma da distância da reação com a distância da
frenagem.

9. Distância Segura

Para você saber se está a uma distância segura dos outros veículos, vai depender
das condições climáticas (sol ou chuva), da velocidade, das condições da via, dos pneus
e do freio do carro, da visibilidade e da sua capacidade de reagir rapidamente.

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Existem tabelas e fórmulas para


você calcular esta distância, principalmen-
te nas rodovias, mas como elas variam
muito, e dependem além do tipo e peso
do veículo, de outros fatores que também
variam muito, o melhor é manter-se o
Fig 3.1 – Esquema de distancia segura
mais longe possível (dentro de um juízo
de bom senso), para garantir a sua segurança.

Porém, para manter uma distância segura entre os veículos nas rodovias, sem a
utilização de cálculos, fórmulas ou tabelas, vamos lhe ensinar a usar "o ponto de refe-
rência fixo":
● Observe a estrada à sua frente e escolha um ponto fixo de referência (à
margem) como uma árvore, placa, poste, casa, etc.
● Quando o veículo que está à sua frente passar por este ponto, comece a
contar pausadamente: mil e um, mil e dois. (mais ou menos dois segundos).
● Se o seu veículo passar pelo ponto de referência antes de contar (mil e um e
mil e dois), deve aumentar a distância, diminuindo a velocidade, para ficar
em segurança.
● Se o seu veículo passar pelo ponto de referência após você ter falado as
seis palavras, significa que a sua distância, é segura.
● Este procedimento ajuda você a manter-se longe o suficiente dos outros veí-
culos em trânsito, possibilitando fazer manobras de emergência ou paradas
bruscas necessárias, sem o perigo de uma colisão.

10. Dirigindo uma Ambulância

10.1. Responsabilidade do Motorista de uma Ambulância

No atendimento pré-hospitalar a vítimas de emergências, o papel do motorista da


equipe reveste-se especial importância, sem ele a unidade de atendimento não se deslo-
ca e dele depende a segurança do conjunto socorrista-vítima, adotado em sua cidade:

Para desempenhar bem o seu papel o motorista da unidade de emergência deve:


● Ser habilitado, atualmente o CTB, exige a categoria “D”, para ser motorista
de ambulância;
● Ter feito pelo menos um curso de direção defensiva;
● Conhecer a cidade e dominar seu sistema viário, conhecendo as principais
referências para se situar em qualquer bairro;
● Saber situar com rapidez o destino para o qual é despachado e saber obter
informações adicionais da central de operações, via rádio, para melhor loca-
lizar o destino exato;

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● Decidir-se pelo caminho mais rápido e seguro e dirigir-se diretamente para o


local;
● Dirigir com a rapidez possível, dando prioridade total á segurança da ambu-
lância e sua equipe, dos demais veículos e seus ocupantes e dos pedestres;
● Estacionar a ambulância cuidadosamente e em segurança;
● Participar do atendimento da vítima (o ideal é que o motorista também seja
socorrista);
● Conhecer as lesões apresentadas pela vítima e o tipo de atendimento que
deverá receber em rota, dirigindo de modo compatível com a segurança;
● Cuidados com freadas bruscas, lombadas, deformações na pista, evitando
agravar as lesões;
● Usar o caminho menos acidentado e mais direto para o hospital destinado a
receber vítima;
● Usar de modo apropriado a sinalização da ambulância;
● Administrar seu tempo de folga garantindo repouso pessoal adequado a um
desempenho seguro.
10.2. Sinalização da Ambulância

A sinalização da ambulância tem por finalidade assinalar aos demais motoristas e


pedestres a presença de um veículo deslocando-se em regime de urgência, seja para
chegar a um local onde um atendimento foi requisitado, seja por estar transportando uma
pessoa em estado crítico, necessitando chegar a um hospital ao menor tempo possível,
com segurança máxima. Somente nestes casos está indicado e justificado o uso da sinali-
zação especial do veículo.

A sinalização tem limitações no seu alcance, não garante que todos irão percebe-
la, nem tampouco garante que aqueles que perceberam vão colaborar e lhe dar passa-
gem. Ou seja, embora usando toda a sinalização disponível, ainda assim o condutor da
ambulância deve tomar todos os cuidados prescritos pela prática da direção defensiva.

A luz vermelha é mais eficaz como sinalização dirigida para os veículos que transi-
tam em sentido oposto. A sirene é mais efetiva para alertar os motoristas dos veículos à
frente da ambulância, devendo ser ligada com antecedência, para ser ouvida de longe
(acionar a sirene logo atrás do veículo da frente pode assustar o motorista, fazendo-o fre-
ar bruscamente, com risco de colisão). O comportamento desejado (e nem sempre produ-
zido) é de que o condutor do veículo à frente libere a passagem, retirando seu veículo o
mais o para a direita possível e parando até que o veículo de emergência ultrapasse.
Quando mais de um veículo de emergência está em deslocamento, a distância mínima
entre eles deve ser de 150 metros. Veículos de emergência não devem se ultrapassar.

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10.3. Transportando uma Vítima

Poucas emergências exigem o deslocamento urgente para o hospital. Entre elas


destaca-se a hemorragia incontrolável e os casos de nível 3. Mesmo neste caso, entretan-
to, a segurança continua tendo prioridade sobre a urgência, uma vez que um acidente en-
volvendo a ambulância produzirá considerável atraso na chegada da vítima ao seu desti-
no.

Nas emergências em que o diagnóstico pré-hospitalar da vítima não seja muito gra-
ve (nível 1 e 2), portanto, em que a urgência seja relativa, o deslocamento suave impede
que as lesões apresentadas pela vítima sofram agravos secundários, decorrentes de sola-
vancos, deslizamentos e deslocamentos, sendo de todo desejável. Isto é particularmente
verdadeiro se a vítima apresenta fraturas, especialmente aquelas com lesão associada de
vasos sangüíneos e nervos.

Nos pacientes com problemas cardiológicos, o tranporte deve ser o menos turbu-
lento possível. São pacientes que experimentam uma aguda sensação de morte iminente,
que pode ser acentuada pela remoção tumultuada. Em princípio está contra indicado o
uso da sinalização da ambulância, especialmente a sirene. Se o paciente encontra-se em
parada cardio-respiratória, é claro que há urgência em se chegar ao hospital. Entretanto,
a equipe não pode manter uma RCP adequada se a ambulância estiver se deslocando
em alta velocidade, o que impede manobras efetivas.

Pacientes psiquiátricos também se sentem melhor e mais cooperativos se transpor-


tados sem a sinalização sonora.

Nas emergências obstétricas, o transporte também deve ser calmo e cuidadoso. Se


o parto se desencadeia, o melhor a fazer é estacionar a ambulância em segurança e aju-
dar na realização do mesmo e no cuidado do recém-nato, após o que pode-se prosseguir
até o hospital.

10.4. Seqüência de Procedimentos ao Estacionar a Ambulância


● Aproximar-se do local da emergência com cautela;
● Avaliar a área de estacionamento a ser utilizada;
● Observar as condições de risco do local para pessoas e coisas;
● Decidir sobre o local de estacionamento com base no emprego da ambulân-
cia, facilitando o embarque da vítima;
● Avisar o COBOM de sua chegada e das condições encontradas;
● Estacionar de forma que se permita , se possível, a fluidez do trânsito, dei-
xando espaço para outras viaturas;
● Posicionar as viaturas de forma a proteger as guarnições;
● Calçar a viatura e estabilizá-la quando for o caso;
● Sinalizar a viatura e o local escolhido;

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● Isolar a área;
● Informar o COBOM sobre as áreas de estacionamento, e qualquer informa-
ção que auxilie as outras viaturas que poderão ser deslocadas ao sinistro.

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