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Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 AULA 01

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

AULA 01

IRPF: Contribuintes. Responsáveis. Domicílio Fiscal.

SUMÁRIO

PÁGINA

Introdução

03

Tributação das Pessoas Físicas

04

1. Contribuintes

04

1.1 Pessoas físicas residentes ou domiciliadas no Brasil

04

1.2 Pessoas físicas residentes ou domiciliadas no exterior

07

1.3 Disposições especiais

10

1.3.1 Rendimentos de menores e outros incapazes

10

1.3.2 Alimentos e pensões de outros incapazes

13

1.3.3 Rendimentos na constância da sociedade conjugal

14

1.3.4 Espólio

18

1.3.5 Bens em condomínio

22

1.3.6 Transferência de residência para o exterior

24

1.3.7 Transferência de residência para o Brasil

25

2. Responsáveis

26

2.1 Responsabilidade dos sucessores

27

2.2 Responsabilidade de terceiros

30

2.3 Responsabilidade de menores

32

3. Domicílio Tributário

33

Questões propostas

37

Gabarito

41

Questões comentadas

42

Olá, prezados alunos!

Agora começa pra valer o nosso curso de Legislação Tributária.

A partir deste momento, passaremos a estudar de forma mais aprofundada o Regulamento do Imposto de Renda.

Estudar legislação, principalmente um Regulamento, que reúne dispositivos de diversas leis em uma linguagem não muito agradável ao leitor, não é tarefa simples.

Por isso, a partir deste ponto, irei buscar simplificar ao máximo o estudo da Legislação Tributária. Isso não significa que seremos superficiais na nossa abordagem.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Ao contrário,

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Ao contrário, iremos abordar a matéria de forma completa e aprofundada. Contudo, buscarei trazer a legislação para nossa realidade, com exemplos práticos e questões que versem sobre situações do nosso dia a dia, a fim de tornar o estudo mais prazeroso.

A partir deste momento, é indispensável o acompanhamento do RIR. Recomendo que sempre que estudemos um dispositivo aqui, você vá até o seu Regulamento e faça as marcações e/ou anotações quando necessárias. Isso fará com que você assimile melhor o estudo e deixe seu RIR pronto para uma futura revisão.

No último concurso, disponibilizei um RIR Maceteado, filtrando os dispositivos exigidos pelo edital. Você poderá baixá-lo no link a seguir:

http://www.estrategiaconcursos.com.br/artigo/2560-rir-maceteado-

para-afrf

Tudo pronto? Passemos então à nossa aula.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Introdução

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Introdução

Com a ocorrência do fato gerador do tributo nasce a obrigação tributária. É pressuposto para existência dessa obrigação a relação entre duas pessoas distintas: o sujeito ativo e o sujeito passivo.

Desse modo, no que diz respeito à obrigação principal, temos que o sujeito passivo deve pagar algo ao sujeito ativo da obrigação.

PAGAMENTO
PAGAMENTO

SUJEITO

PASSIVO

SUJEITO

ATIVO

O CTN define, ainda, nos seus arts. 119 e 121, os sujeitos ativo e

passivo da obrigação tributária. Nos termos do Código, temos:

“Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direito público, titular da competência para exigir o seu cumprimento.

( )

Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.

Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se:

I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador;

II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.”

O contribuinte é aquele sujeito passivo que provoca a ocorrência do

fato gerador. Na dicção do CTN é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. No caso do IPVA, por exemplo, o contribuinte é o proprietário do veículo.

A definição de responsável é dada por exclusão, ou seja, é aquele

que, não sendo contribuinte, tem o dever legal de cumprir com a obrigação tributária. É o caso das empresas que, ao efetuarem o pagamento aos seus funcionários, têm o dever de reter na fonte o imposto de renda e proceder ao recolhimento.

Temos, portanto, que o sujeito passivo da obrigação tributária principal compreende os seguintes tipos:

SUJEITO PASSIVO CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino –

SUJEITO

PASSIVO

SUJEITO PASSIVO CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino –

CONTRIBUINTE SUJEITO PASSIVO RESPONSÁVEL Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

RESPONSÁVELSUJEITO PASSIVO CONTRIBUINTE Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

SUJEITO PASSIVO CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino –

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Quando apresenta relação pessoal e direta com o fato gerador.

Quando, não sendo contribuinte, tem o dever de pagar expresso em lei.

Tributação das Pessoas Físicas

1. Contribuintes

O Regulamento do Imposto de Renda define como contribuintes

pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil e também pessoas

domiciliadas ou residentes no exterior.

Vamos seguir a ordem do Regulamento e analisar de forma separada

os contribuintes do IRPF. Ao final, faremos um comparativo entre

eles.

1.1 Pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil

O RIR define em seu art. 2º:

“Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão (Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 43, e Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art.

4º).

§ 1º São também contribuintes as pessoas físicas que perceberem

rendimentos de bens de que tenham a posse como se lhes pertencessem, de acordo com a legislação em vigor (Decreto-Lei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 45).

§ 2º O imposto será devido à medida em que os rendimentos e

ganhos de capital forem percebidos, sem prejuízo do ajuste estabelecido no art. 85 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 2º).”

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Em primeiro

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Em primeiro lugar, devemos perceber que o RIR confirma o que estudamos na aula anterior: o conceito de acréscimo patrimonial, ao definir que são contribuintes as pessoas físicas titulares da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos.

Vale observar, ainda, que a tributação do IRPF tem por regra a disciplina constitucional de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.

Nesse sentido, a legislação estabeleceu os contribuintes do imposto em consonância com o art. 43, §1º do CTN, segundo o qual a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.

Logo, podemos concluir que são contribuintes do IRPF todos os residentes ou domiciliados no Brasil que aqui percebam rendimentos, ou até mesmo se este for originário de fonte no exterior, independente de nacionalidade, sexo, idade ou até mesmo capacidade civil.

O que é importante guardarmos para a prova é que os residentes ou domiciliados no Brasil são contribuintes do imposto de renda tanto para os rendimentos auferidos no país como para os rendimentos recebidos no exterior.

Assim, se um jogador italiano for contratado por um time de futebol no Brasil, o rendimento estará sujeito ao IR. Da mesma forma, se ele for patrocinado por uma empresa italiana, que o pague mensalmente para usar seus produtos, terá esses rendimentos tributados pelo IR.

Isso ocorre porque, apesar de ser italiano, o jogador adquiriu a condição de residente ao vir trabalhar no Brasil. Sendo assim, seus rendimentos estarão sujeitos ao IRPF, independente da nacionalidade da fonte pagadora.

Vamos fixar este entendimento de forma esquematizada:

Vamos fixar este entendimento de forma esquematizada: RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo)

BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Rendimentos auferidos no Brasil Rendimentos auferidos no

Rendimentos auferidos no Brasil

Rendimentos auferidos no exterior

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Vale observarmos

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Vale observarmos que os rendimentos auferidos no exterior por residentes no Brasil sujeitam-se à tributação pelo imposto de renda. Esta é a regra geral, que pode ser excepcionada em função de previsão em acordo, tratado ou convenção internacional para evitar a bitributação. Assim prevê a IN 208/2002:

“Art. 1º Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, inclusive de órgãos do Governo brasileiro localizados fora do Brasil, e os ganhos de capital apurados na alienação de bens e direitos

situados no exterior por pessoa física residente no Brasil, bem assim

os rendimentos recebidos e os ganhos de capital apurados no País

por pessoa física não-residente no Brasil estão sujeitos à tributação pelo imposto de renda, conforme o disposto nesta Instrução

Normativa, sem prejuízo dos acordos, tratados e convenções

internacionais

de

firmados

pelo

Brasil

ou

da

existência

reciprocidade de tratamento.” (grifos acrescidos)

Entendida a condição de contribuinte dos residentes ou domiciliados no Brasil, convém analisarmos, então, o que vem a ser considerado residente ou domiciliado no país para fins de tributação do imposto de renda. Essa definição está na Instrução Normativa nº 208/2002, alterada pela Instrução Normativa nº 1.150/2011:

“Art. 2º Considera-se residente no Brasil, a pessoa física:

I - que resida no Brasil em caráter permanente;

II - que se ausente para prestar serviços como assalariada a

autarquias ou repartições do Governo brasileiro situadas no

exterior;

III - que ingresse no Brasil:

a) com visto permanente, na data da chegada;

b) com visto temporário:

1. para trabalhar com vínculo empregatício, na data da chegada;

2. na data em que complete 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses;

3. na data da obtenção de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses;

IV - brasileira que adquiriu a condição de não-residente no Brasil e

retorne ao País com ânimo definitivo, na data da chegada;

V - que se ausente do Brasil em caráter temporário ou se retire em caráter permanente do território nacional sem entregar a Comunicação de Saída Definitiva do País, de que trata o art. 11-A

da Instrução Normativa SRF nº 208/2002, durante os primeiros 12

(doze) meses consecutivos de ausência.”

Vejamos como essas disposições poderiam ser exigidas em prova.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 (GF) -

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(GF) - 2012

Assinale a alternativa correta, de acordo com as disposições do Regulamento do Imposto de Renda.

Sujeitar-se-á à tributação pelo imposto de renda, como residente, a pessoa física proveniente do exterior que ingressar no Brasil, com visto temporário, qualquer que seja o motivo, e aqui permanecer por período superior a:

a) 65 dias, consecutivos ou não, no intervalo de 12 meses.

b) 98 dias, consecutivos ou não, no intervalo de 12 meses.

c) 125 dias, consecutivos ou não, no intervalo de 24 meses.

d) 150 dias, consecutivos ou não, no intervalo de 24 meses.

e) 183 dias, consecutivos ou não, no intervalo de 12 meses.

Comentários

O Regulamento do Imposto de Renda estabelece em seu art.

19:

“Art. 19. Sujeitar-se-á à tributação pelo imposto de renda, como residente, a pessoa física proveniente do exterior que ingressar no Brasil, com visto temporário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 12):

I - para trabalhar, com vínculo empregatício, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir da data de sua chegada;

II - por qualquer outro motivo, e aqui permanecer por período superior a cento e oitenta e três dias, consecutivos ou não, contado, dentro de um intervalo de doze meses, da data de qualquer chegada, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir do dia subseqüente àquele em que se completar referido período de permanência.”

Podemos perceber que estas disposições foram confirmadas na

IN 208/2002.

Desse modo, se o estrangeiro chega ao Brasil com visto temporário, a princípio será considerado não-residente, até completar 183 dias de permanência no país. A partir do 184º dia será considerado residente para fins de tributação pelo IRPF.

Gabarito: E.

1.2 Pessoas físicas domiciliadas ou residentes no exterior

Acabamos de analisar o tratamento tributário conferido aos residentes ou domiciliados no Brasil. Para estes valerá a condição de contribuinte tanto para os rendimentos recebidos no país como para os rendimentos auferidos em fonte situada no exterior.

Situação diferente ocorre com os não-residentes no país. Para estes, vale o disposto no art. 3º do RIR:

“Art. 3º A renda e os proventos de qualquer natureza percebidos no País por residentes ou domiciliados no exterior ou a eles

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 equiparados, conforme

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equiparados, conforme o disposto nos arts. 22, § 1º, e 682, estão sujeitos ao imposto de acordo com as disposições do Livro III (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 97, e Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 3º, § 4º).”

Podemos observar que os não-residentes apenas serão contribuintes se auferirem rendimentos no Brasil. Ou seja, para os rendimentos oriundos no exterior, valerá a legislação tributária do país onde estiver situada a fonte pagadora.

Logo, temos:

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR

(independente da nacionalidade do sujeito

NO EXTERIOR (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Apenas rendimentos auferidos no Brasil Assim como

passivo)

Apenas rendimentos auferidos no Brasil

Assim como para os residentes ou domiciliados no Brasil, a legislação define o que vem a ser considerado não-residente, para fins de tributação do IRPF. Trata-se do disposto na IN 208/2002:

“Art. 3º Considera-se não-residente no Brasil, a pessoa física:

I -

enquadre nas hipóteses previstas no art. 2º;

II - que se retire em caráter permanente do território nacional, na

data da saída, ressalvado o disposto no inciso V do art. 2º;

III - que, na condição de não-residente, ingresse no Brasil para prestar serviços como funcionária de órgão de governo estrangeiro situado no País, ressalvado o disposto no inciso IV do art. 2º;

em caráter permanente e não se

que não resida

no Brasil

IV

- que ingresse no Brasil com visto temporário:

a)

e permaneça até 183 dias, consecutivos ou não, em um período

de

até doze meses;

b)

até o dia anterior ao da obtenção de visto permanente ou de

vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias,

consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses;

V - que se ausente do Brasil em caráter temporário, a partir do dia

seguinte àquele em que complete doze meses consecutivos de

ausência.”

Nessa linha, se um brasileiro consegue o visto temporário para ir aos EUA e resolve não voltar mais, a partir de 12 meses consecutivos de afastamento do país passaria a ter o mesmo tratamento tributário dos não-residentes.

Uma dúvida pode surgir em relação a esse prazo, se um simples retorno ao país interromperia ou não a contagem. Decidindo a questão, o antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), manifestou seu entendimento:

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 “NORMAS DE

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“NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – NÃO-RESIDENTES – Para os fins tributários, considera-se não-residente a pessoa física que se ausentou do País, mesmo em caráter temporário, a partir do primeiro dia subsequente àquele em que se completarem os doze primeiros meses de ausência, contados da data de sua saída. Para efeito da caracterização da condição de não-residente no País, a contagem do prazo de doze meses não se interrompe em virtude de eventuais retornos da pessoa física ao Brasil.” (1º Conselho de Contribuintes. 2ª Câmara. Acórdão 106-14.625 em 18.05.2005. Publicado no DOU em 12.07.2005)

Da mesma forma, se um estrangeiro vem para o Brasil em caráter temporário, será considerado não-residente até 183 dias. Perderá a condição de não-residente caso venha a obter o visto permanente ou conseguir trabalho com vínculo empregatício, situações em que passaria a ter o mesmo tratamento tributário conferido aos residentes ou domiciliados no Brasil.

Dada a importância da identificação do tratamento tributário dos residentes e não-residentes, vamos comparar as duas situações:

e não-residentes, vamos comparar as duas situações: RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo)

BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Rendimentos auferidos no Brasil Rendimentos auferidos no

Rendimentos auferidos no Brasil

Rendimentos auferidos no exterior

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR

(independente da nacionalidade do sujeito

NO EXTERIOR (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Apenas rendimentos auferidos no Brasil Esse simples

passivo)

Apenas rendimentos auferidos no Brasil

Esse simples esquema resume toda a condição de contribuinte do IRPF em relação aos residentes e não-residentes. Essa condição de contribuinte apresenta grandes possibilidades de serem cobradas em questão de prova. E foi o que ocorreu recentemente no concurso para Analista Tributário da Receita Federal em 2012. Senão, vejamos:

(ESAF) ATRF/2012

São contribuintes do Imposto de Renda da Pessoa Física

a) as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil,

titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou

proventos de qualquer natureza.

b) as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, e

aquelas que mesmo sem serem residentes no País, sejam titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza percebidos no exterior.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 c) as

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c) as pessoas físicas brasileiras domiciliadas ou residentes no

Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza. d) as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil,

titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza que percebam os rendimentos somente de fontes situadas no País.

e) as pessoas físicas brasileiras domiciliadas ou residentes no

Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, que percebam rendimentos, independentemente da localização da fonte.

Comentários

Alternativa A – Correta. Esta é a definição do RIR. Os residentes ou domiciliados no Brasil são contribuintes do IRPF tanto para os rendimentos auferidos no país, como para aqueles auferidos no exterior.

Alternativa B – Errada. Os não-residentes apenas serão considerados contribuintes para os rendimentos auferidos no Brasil.

Alternativa C – Apesar de não haver erro na afirmação ela está incompleta. Não são apenas as pessoas físicas brasileiras que são contribuintes do imposto de renda. Também serão contribuintes os estrangeiros residentes no Brasil. A condição de contribuinte não é revelada pela nacionalidade da pessoa física.

Alternativa D – Errada. Como vimos, os residentes ou domiciliados no Brasil são contribuintes do IRPF tanto para os rendimentos auferidos no país, como para aqueles auferidos no exterior.

Alternativa E – Mais uma vez a ESAF seguiu a literalidade do RIR. Não se pode dizer que a assertiva está errada, pois as pessoas citadas são contribuintes do IRPF. A banca considerou errada por entender que a alternativa restringiu os contribuintes às pessoas físicas brasileiras.

Gabarito: A.

1.3 Disposições Especiais

1.3.1 Rendimentos de Menores e outros incapazes

O Código Civil, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, estabelece que:

“Art. 3 o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:

I - os menores de dezesseis anos;

II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos;

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 III -

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III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir

sua vontade.

Art. 4 o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de

os exercer:

I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

II -

deficiência mental, tenham o discernimento reduzido;

III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;

IV - os pródigos.”

os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por

Por outro lado, conforme estudamos no Direito Tributário, o CTN define que:

“Art. 126. A capacidade tributária passiva independe:

I - da capacidade civil das pessoas naturais;

II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que importem

privação ou limitação do exercício de atividades civis, comerciais ou

profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios;

III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando

que configure uma unidade econômica ou profissional.”

do fato gerador é interpretada

abstraindo-se:

I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos

contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do

seu objeto ou dos seus efeitos;

II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorrido

“Art.

118.

A

definição

legal

Desse modo, a norma tributária impositiva vislumbra apenas os aspectos econômicos da hipótese de incidência. Nessa linha, não obstante a incapacidade civil, os menores e outros incapazes apresentam capacidade tributária ativa, vale dizer, a aptidão para figurar como sujeito passivo da obrigação tributária, bastando que ensejem a situação prevista em lei para que se considere ocorrido o fato gerador do tributo.

Com fundamento nesses dispositivos, o RIR estabelece em seu art. 4º que os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares menores e outros incapazes serão tributados em seus respectivos nomes, com o número de inscrição próprio no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF.

Ou seja, se os menores ou outros incapazes auferirem rendimentos sujeitos ao imposto de renda serão considerados contribuintes e tributados em seu próprio nome.

Ocorre que o próprio artigo 4º do Regulamento disciplina o recolhimento e o modo como serão declarados esses rendimentos:

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 “Art. 4º

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

“Art. 4º ( )

§ 1º O recolhimento do tributo e a apresentação da respectiva declaração de rendimentos são da responsabilidade de qualquer um dos pais, do tutor, do curador ou do responsável por sua guarda (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 192, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I e II).

§ 2º Opcionalmente, os rendimentos e ganhos de capital percebidos

por menores e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de isenção (art. 86), poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes.

§ 3º No caso de menores ou de filhos incapazes, que estejam sob a

responsabilidade de um dos pais, em virtude de sentença judicial, a opção de declaração em conjunto somente poderá ser exercida por aquele que detiver a guarda.”

Podemos verificar que, uma vez havendo rendimentos, estão estes sujeitos à tributação, ainda que o titular da disponibilidade seja menor ou incapaz. No entanto, existe a faculdade de o responsável apresentar estes rendimentos à tributação em sua própria declaração, constando o menor ou incapaz como dependente nesta declaração.

Suponha o caso do Neymar ou do Gabriel Medina (para quem não conhece, a grande revelação do surf brasileiro), que com apenas 17 anos já auferiam rendimentos na casa dos milhões por ano.

Diante da situação, na época, sendo os filhos menores, os pais do Neymar e do Gabriel eram responsáveis pelo recolhimento e pela apresentação das respectivas declarações. Opcionalmente, poderiam ter apresentado os rendimentos dos filhos juntamente com os próprios rendimentos em suas declarações anuais de ajuste, deixando de fazer declaração em separado para apresentar uma declaração única com o rendimento de ambos.

Vamos verificar como poderia ser cobrado pela ESAF?

(GF) - 2012

Acerca dos rendimentos auferidos por menores ou outros incapazes, assinale a alternativa incorreta.

a) Os rendimentos e ganhos de capital de que sejam titulares

menores e outros incapazes serão tributados em nome dos seus respectivos pais, tutores ou curadores.

b) O recolhimento do tributo e a apresentação da respectiva

declaração de rendimentos são da responsabilidade de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador.

c) Os rendimentos e ganhos de capital percebidos por menores

e outros incapazes, ainda que em valores inferiores ao limite de

isenção, poderão ser tributados em conjunto com os de qualquer um dos pais, do tutor ou do curador, sendo aqueles considerados dependentes.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 d) No

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d) No caso de menores ou de filhos incapazes, que estejam sob a responsabilidade de um dos pais, em virtude de sentença judicial, a opção de declaração em conjunto somente poderá ser exercida por aquele que detiver a guarda.

e) A apresentação da respectiva declaração de rendimentos poderá ser feita pelo responsável pela sua guarda.

Comentários

Alternativa A – Incorreta. De acordo com o caput do art. 4º do RIR, os rendimentos serão tributados em nome do próprio menor ou incapaz, recolhidos no seu próprio CPF, e não em nome dos respectivos responsáveis.

Alternativa B – Correta. Literalidade do art. 4º, §1º. Apesar

de ter

(contribuinte), o ato do recolhimento e a apresentação da

declaração é de responsabilidade dos pais, curadores, ou tutores.

Alternativa C – Correta. Esta é uma opção que o RIR confere, prevista no art. 4º, §2º.

Alternativa D – Correta. A situação é semelhante ao exemplo que acabamos de ver do Neymar. No entanto, quando a responsabilidade pelo menor ou incapaz decorre de decisão judicial, apenas aquele que detém a guarda, ou seja, aquele que consta no Termo de Guarda Judicial, poderá incluí-lo como dependente em sua declaração. Se assim optar, deverá informar todos os rendimentos auferidos pelo menor ou incapaz.

incapaz

o

tributo recolhido em

nome do menor ou

Alternativa E – Correta. O §1º, do art. 4º, do RIR/99, também elenca como um dos obrigados ao recolhimento e apresentação da declaração o responsável pela guarda, além dos pais, tutores e curadores.

Gabarito: A.

1.3.2 Alimentos e pensões de outros incapazes

A situação é semelhante à que acabamos de estudar. A diferença é que o rendimento do incapaz decorre de pensão alimentícia judicial, cuja disciplina está no art. 5º do RIR:

“Art. 5º No caso de rendimentos percebidos em dinheiro a título de alimentos ou pensões em cumprimento de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, inclusive alimentos provisionais ou provisórios, verificando-se a incapacidade civil do alimentado, a tributação far-se-á em seu nome pelo tutor, curador ou responsável por sua guarda (Decreto-Lei nº 1.301, de 1973, arts. 3º, § 1º, e

4º).

Parágrafo único. Opcionalmente, o responsável pela manutenção do alimentado poderá considerá-lo seu dependente, incluindo os rendimentos deste em sua declaração (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, incisos III a V, e VII).”

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 A tributação

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

A tributação far-se-á em nome do incapaz, sendo do tutor, curador ou responsável por sua guarda a obrigação de efetuar o recolhimento.

Em relação à declaração, o responsável pela manutenção do alimentado poderá considerá-lo seu dependente, incluindo os rendimentos deste em sua declaração. Trata-se, portanto, de uma faculdade do responsável e não uma obrigação. Dessa forma, se optar por incluir o alimentado como dependente na sua declaração, deverá incluir os rendimentos deste último.

Bastante atenção a este dispositivo.

O responsável pela manutenção do alimentado aqui é quem reside

com ele e não quem paga a pensão.

Imaginemos um casal que acabou de se separar judicialmente e

possui um filho menor. Ficou determinado o pagamento de pensão alimentícia pelo pai em relação ao filho, cuja guarda ficou com a mãe. Nessa situação, a mãe será responsável pela declaração do IRPF do filho. Porém, opcionalmente, poderá incluí-lo como dependente em sua declaração, quando, então, deverá informar todos os rendimentos recebidos por ele. O pai não poderia incluí-lo como dependente, pois

já faz jus à dedução pelo pagamento da pensão.

1.3.3 Rendimentos na constância da sociedade conjugal

A tributação deve ocorrer de acordo com o art. 6º do Regulamento do Imposto de Renda. Vejamos:

“Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º):

I - cem por cento dos que lhes forem próprios;

II - cinquenta por cento dos produzidos pelos bens comuns.

Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges.”

Dessa forma, pela regra geral, cada cônjuge é contribuinte pelos seus rendimentos recebidos individualmente e responde por 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.

seus

rendimentos próprios oriundos do trabalho e um imóvel comum

Vamos

imaginar

um

casal,

Pedro

e

Renata.

Ambos

têm

alugado:

- Renda de Pedro: R$ 150.000 no ano

- Renda de Renata: R$ 180.000 no ano

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 - Valor

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

- Valor do imóvel: R$ 300.000

- Valor do rendimento de aluguel: R$ 36.000 no ano

Por força do art. 6º que acabamos de ver, pela regra geral assim ficaria a tributação e a consequente declaração dos rendimentos:

DECLARAÇÃO DE PEDRO

RENDIMENTOS

150.000 (rendimento individual de Pedro) 18.000 (50% do rendimento do aluguel)

TOTAL

168.000

DECLARAÇÃO DE RENATA

RENDIMENTOS

180.000 (rendimento individual de Renata)

18.000 (50% do rendimento do aluguel)

TOTAL

198.000

Ocorre que o casal poderia optar pela tributação dos rendimentos dos bens comuns em apenas uma das declarações.

Dessa maneira, tanto Pedro como Renata poderiam sofrer a tributação sobre os R$ 36.000 do aluguel, enquanto que o outro apenas teria a tributação do seu rendimento do trabalho.

No que diz respeito à declaração dos bens do casal, há que se observar as disposições do art. 7º, §3º:

“Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.

§ 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinquenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento.

§ 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento.

§ 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentá-la.”

Significa que, mesmo a tributação sendo repartida entre os cônjuges (regra geral), na ficha de bens, o imóvel comum deverá constar na declaração de apenas um deles.

Desse modo, o valor de R$ 300.000 referente ao imóvel não será repartido em R$ 150.000 para cada um. Ao contrário, constará integralmente na declaração de Pedro ou na declaração de Renata.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Por fim,

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Por fim, devemos observar que as disposições sobre o que se consideram bens comuns estão no Código Civil.

Para a comunhão universal, consideram-se comuns todos os bens, independente da data de aquisição.

Art. 1.667. O regime de comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passivas.

Art. 1.639. É lícito aos nubentes, antes de celebrado o casamento, estipular, quanto aos seus bens, o que lhes aprouver.

Para a comunhão parcial, os bens adquiridos antes do casamento pertencem a quem os adquiriu. Serão comuns os bens adquiridos a partir do casamento.

Art. 1.658. No regime de comunhão parcial, comunicam-se os bens que sobrevierem ao casal, na constância do casamento, com as exceções dos artigos seguintes.

Art. 1.659. Excluem-se da comunhão:

I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe

sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão,

e os sub-rogados em seu lugar;

Art. 1.660. Entram na comunhão:

I - os bens adquiridos na constância do casamento por título oneroso, ainda que só em nome de um dos cônjuges;

Na separação, cada cônjuge possui patrimônio próprio.

Art. 1.687. Estipulada a separação de bens, estes permanecerão sob a administração exclusiva de cada um dos cônjuges, que os poderá livremente alienar ou gravar de ônus real.

No caso de separação, devem ser observadas as regras do art. 9º do RIR:

“Art. 9º No caso de dissolução da sociedade conjugal, por morte de um dos cônjuges, serão tributadas, em nome do sobrevivente, as importâncias que este perceber de seu trabalho próprio, das pensões de que tiver gozo privativo, de quaisquer bens que não se incluam no monte a partilhar e cinqüenta por cento dos rendimentos produzidos pelos bens comuns, observado o disposto no § 3º do art. 12 (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 68).

§ 1º Tratando-se de separação judicial, divórcio, ou anulação de

casamento, a declaração de rendimentos passará a ser apresentada

em nome de cada um dos contribuintes.

§ 2º No caso de separação de fato, deverão ser observadas as disposições contidas nos arts. 6º a 8º.”

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Com isso,

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Com isso, temos que:

CONTRIBUINTE VIÚVO - Deverá apresentar a declaração de rendimentos com CPF próprio, contendo bens e rendimentos próprios e também os provenientes de bens não integrantes do inventário do cônjuge falecido.

CONTRIBUINTE DIVORCIADO OU SEPARADO JUDICIALMENTE - Deverá apresentar a declaração de rendimentos de acordo com as instruções para o contribuinte na condição de solteiro, podendo incluir dependentes que vivam sob sua guarda.

CONTRIBUINTE SEPARADO DE FATO - Deverá apresentar a declaração de rendimentos de acordo com as instruções para contribuinte casado.

O art. 10 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que as disposições sobre a sociedade conjugal aplicam-se, no que couber, à união estável, reconhecida como entidade familiar.

Uma grande controvérsia surgiu em relação à união homoafetiva. Haveria ou não aplicação dos arts. 6º a 8º?

Em outras palavras, poderiam os contribuintes se valer das deduções legais a título de dependente com companheiro do mesmo sexo?

Após inúmeros processos administrativos, a Procuradoria da Fazenda Nacional emitiu Parecer, pacificando o entendimento na esfera administrativa:

Parecer PGFN/CAT nº 1503/2010 - "No silêncio da legislação tributária quanto aos limites imanentes do conceito de companheiro ou companheira, há de compreendê-lo no contexto do núcleo econômico e estável da união, não da figura jurídico-biológica da relação, calcada em noção de sexualidade por vezes arcaica. O direito tributário não se presta à regulamentação e organização das conveniências ou opções sexuais dos contribuintes. O que importa,

em sítio tributário, é a capacidade contributiva vinculada à união de

) Opina-

afeto, sem qualquer adstrição à sexualidade das partes. (

se pela juridicidade da inclusão cadastral de companheira homoafetiva como dependente de servidora pública federal para efeito de dedução do Imposto de Renda, desde que preenchidos os demais requisitos exigíveis à comprovação da união estável disciplinada nos arts. 4º, III e 8º, II, "b" e "c" da Lei nº 9.250/95, e no art. 77 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99)."

No mesmo sentido, o Plenário do STF concluiu o julgamento da ADI 4.277 e da ADPF 132, reconhecendo a união estável para casais do mesmo sexo. A decisão tem efeito vinculante e se estende para toda sociedade. Com isso, os Ministros estão autorizados a decidir processos pendentes individualmente. (Notícia veiculada pelo site do STF em 06.05.2011)

Prof. George Firmino

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1.3.4 Espólio Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

1.3.4 Espólio

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

O art. 2º da Instrução Normativa nº 81/2001 considera o espólio

como o conjunto de bens, direito e obrigações da pessoa falecida. Assim, o espólio compreende os bens e direitos deixados pelo de cujus (falecido).

Com a morte, é aberta a sucessão, mas até que ocorra a partilha dos bens há uma série de formalizações a serem cumpridas.

Ocorre que, durante este período compreendido entre a abertura da sucessão e a partilha, o patrimônio deixado estará sujeito à tributação. Assim, quem será o responsável pelos tributos devidos?

Vamos entender a situação de forma gráfica:

ABERTURA DA SUCESSÃO

SENTENÇA DE PARTILHA

DE CUJUS COMO CONTRIBUINTE ESPÓLIO COMO CONTRIBUINTE SUCESSORES COMO CONTRIBUINTES
DE CUJUS COMO
CONTRIBUINTE
ESPÓLIO COMO
CONTRIBUINTE
SUCESSORES COMO
CONTRIBUINTES

Até a data da abertura da sucessão, o de cujus é o contribuinte.

Aberta a sucessão, o espólio passa a ser contribuinte para os tributos cujos fatos geradores ocorrerem entre a abertura da sucessão e a partilha.

Nesse sentido, dispõe o art. 11 do Regulamento do Imposto de Renda:

“Art. 11. Ao espólio serão aplicadas as normas a que estão sujeitas as pessoas físicas, observado o disposto nesta Seção e, no que se refere à responsabilidade tributária, nos arts. 23 a 25 (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 45, § 3º, e Lei nº 154, de 25 de novembro de 1947, art. 1º).”

Na sequência, o RIR estabelece as obrigações quanto à apresentação

da declaração:

“Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao ano-calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º).

§ 1º Serão também apresentadas em nome do espólio as declarações não entregues pelo falecido relativas aos anos anteriores ao do falecimento, às quais estivesse obrigado.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 § 2º

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§ 2º Os rendimentos próprios do falecido e cinqüenta por cento dos

produzidos pelos bens comuns no curso do inventário deverão ser, obrigatoriamente, incluídos na declaração do espólio.

§ 3º Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns

poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome do espólio.

§ 4º Na hipótese do parágrafo anterior, o espólio poderá:

I - compensar o total do imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns;

II - deduzir o valor a título de dependente em relação aos seus

próprios dependentes, ao cônjuge sobrevivente e respectivos

dependentes, se os mesmos não tiverem auferido rendimentos ou,

se

os perceberem, desde que estes sejam incluídos na declaração

do

espólio.

 

§

Os

bens

incluídos

no

monte

a

partilhar

deverão

ser,

obrigatoriamente, declarados pelo espólio.

§ 6º Ocorrendo morte conjunta dos cônjuges, ou em datas que

permitam a unificação do inventário, os rendimentos comuns do casal poderão ser tributados e declarados em nome de um dos falecidos.”

Pelas disposições do RIR, o espólio passa a ser o responsável pela entrega da declaração referente ao período compreendido entre o falecimento e a data da homologação da partilha.

Podemos perceber que, por força do art. 11, a declaração a ser apresenta pelo espólio obedece às mesmas disposições que valeriam para a pessoa física, ou seja, tributação da totalidade dos bens próprios e 50% dos bens comuns, opção para tributar a totalidade em nome do espólio, compensação do imposto retido na fonte, etc.

Esse assunto pode facilmente ser tema de uma questão da ESAF. Vejamos como poderia ser cobrado.

(GF) - 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas. Em seguida, marque a alternativa que responde corretamente as assertivas. Na situação em que temos o espólio como contribuinte, a disciplina do Regulamento do Imposto de Renda é no sentido de que:

( ) A declaração de rendimentos, deverá ser apresentada em

nome do espólio apenas a partir do exercício seguinte àquele correspondente ao ano-calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens.

( ) Serão apresentadas em nome do espólio as declarações não

entregues pelo falecido relativas aos anos anteriores ao do falecimento, às quais estivesse obrigado.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 ( )

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( ) Obrigatoriamente, os rendimentos produzidos pelos bens

comuns serão ser tributados, em sua totalidade, em nome do espólio.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

Como vimos, o tema é disciplinado no art. 12 do RIR:

“Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao ano-calendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (Decreto-Lei n.º 5.844, de 1943, art. 45, e Lei nº 154, de 1947, art. 1º).

§ 1º Serão também apresentadas em nome do espólio as declarações não entregues pelo falecido relativas aos anos anteriores ao do falecimento, às quais estivesse obrigado.

§ 2º Os rendimentos próprios do falecido e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns no curso do inventário deverão ser, obrigatoriamente, incluídos na declaração do espólio.

§ 3º Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome do espólio.”

Item I – Falso. A declaração de rendimentos deve ser apresentada em nome do espólio a partir do exercício correspondente ao ano-calendário do falecimento e não do seguinte. Assim, supondo que o falecimento (de cujus) ocorreu em 2010, a declaração deverá ser apresentada em nome do espólio a partir do exercício 2011, ano-calendário 2010.

Item II – Verdadeiro. Literalidade do art. 12, §1º. Conforme estudamos no Direito Tributário, o espólio assume a qualidade de responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão (CTN art. 131, III) e detém a condição de contribuinte desta data até a partilha.

Item III – Falso. A regra geral é que os rendimentos próprios do falecido e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns no curso do inventário deverão ser, obrigatoriamente, incluídos na declaração do espólio (§2º, do art. 13). Contudo, o §3º, permite que seja declarado a totalidade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. Ressalte-se que o dispositivo confere uma faculdade, e não uma obrigação como afirma a alternativa. É a mesma situação do casal, a diferença é que um dos dois faleceu e no seu lugar passa a figurar o espólio.

Gabarito: C.

A disciplina quanto à apresentação das declarações do espólio está na Instrução Normativa nº 81/2001:

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 “Art. 3°

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“Art. 3° Consideram-se declarações de espólio aquelas relativas aos anos-calendário a partir do falecimento do contribuinte.

§ 1º Ocorrendo o falecimento a partir de 1º de janeiro, mas antes

da entrega da declaração correspondente ao ano-calendário anterior, esta não se caracteriza como declaração de espólio, devendo ser apresentada como se o contribuinte estivesse vivo e assinada pelo inventariante, cônjuge ou convivente, sucessor a qualquer título ou por representante do de cujus.

§ 2° As declarações de espólio são classificadas como:

I - inicial, a que corresponder ao ano-calendário do falecimento;

II

- intermediárias, as referentes aos anos-calendário seguintes ao

do

falecimento e até o anterior ao da decisão judicial transitada em

julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens;

III - final, a que corresponder ao ano-calendário em que for proferida a decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens.

§ 3° Aplicam-se, quanto à obrigatoriedade de apresentação das

declarações de espólio inicial e intermediárias, as mesmas normas previstas para os contribuintes pessoas físicas.

( )

Art. 4° As declarações de espólio devem ser:

I - apresentadas com o nome do espólio, endereço e número de inscrição no Cadastro das Pessoas Físicas (CPF) do de cujus;

II - assinadas pelo inventariante, que indicará seu nome, CPF e

endereço.”

Percebemos que há 3 tipos de declarações a serem apresentadas em nome do espólio: INICIAL, INTERMEDIÁRIA e FINAL.

Vamos entender melhor por meio de um exemplo. Antes, porém, precisamos saber o que significa ano-calendário e exercício.

Ano-calendário é aquele ao qual os rendimentos se referem. Exercício é ano de entrega da declaração. Assim, agora em 2013 nós iremos apresentar a declaração referente aos rendimentos que recebemos em 2012 (ano-calendário). Note que o ano-calendário é sempre anterior.

Vejamos agora um exemplo para entender a disciplina da IN 81/2001.

José da Silva faleceu em 15/08/2008. A partir daí, o espólio passa a ser responsável pela apresentação das declarações.

Desse modo, a declaração INICIAL deve ser apresentada no exercício 2009, referente ao ano-calendário 2008 (ano do falecimento). A partir da declaração exercício 2010, ano-calendário 2009, deverão ser apresentadas, a cada ano, declarações INTERMEDIÁRIAS, que apenas encerrarão com a apresentação da declaração FINAL, a ser entregue no exercício que corresponda ao ano-calendário da decisão judicial transitada em julgado. Se a decisão foi proferida em 2011, por

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 exemplo, a

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exemplo, a declaração final de espólio deveria ter sido entregue no exercício 2012, eis que é referente ao ano-calendário 2011.

Vale observar, ainda, que a IN 81/2001 disciplina que a Declaração Final de Espólio deve ser transmitida pela Internet ou apresentada, em mídia removível, nas unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Além disso, o contribuinte deverá utilizar o Programa Gerador da Declaração Final de Espólio do ano-calendário correspondente ao que for proferida a decisão judicial ou a lavratura da escritura pública, que estará disponível no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB).

Por fim, a declaração final deve abranger os rendimentos recebidos no período compreendido entre 1° de janeiro e a data da decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens inventariados, aplicando-se-lhe as normas estabelecidas para o ano-calendário em que ocorrer o termo final.

1.3.5 Bens em condomínio

Nós estudamos que os bens de propriedade comum do casal serão tributados em 50% para cada um dos cônjuges, independentemente da parcela que couber a cada um.

Nos bens em condomínio, ou seja, quando a propriedade for de mais de uma pessoa, a tributação será de forma proporcional à propriedade de cada um.

Uma grande controvérsia ainda existe sobre o rendimento auferido pelo aluguel da área comum de condomínio edilício. Isso porque quando o RIR determina a tributação proporcional à parcela de cada proprietário, se refere aos rendimentos auferidos pelo bem como um todo (partes autônomas e partes comuns).

Seria o caso de uma família que construiu várias casas de campo para passar os finais de semana. Depois de um tempo, não tinham mais aquela animação toda para ficar viajando e resolveram alugar o condomínio para uma empresa realizar a confraternização dos seus funcionários. O valor acertado foi pela locação de toda a área, o que inclui cada uma das casas (áreas autônomas, ou individuais) e a área comum (de uso de todos os condôminos em igualdade de direitos).

Nesse caso, a tributação obedece ao art. 15 do RIR, devendo ocorrer de forma proporcional à propriedade de cada condômino.

Por outro lado, como seria a tributação se a mesma família continuasse frequentando o condomínio e o síndico, no intuito de arrecadar para cobrir as despesas, resolvesse alugar apenas a área de lazer (área comum)? Deveriam todos os condôminos ser tributados? E quem não aceitou a locação?

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Apreciando o

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Apreciando o tema em processo administrativo, a Receita Federal firmou entendimento, que resultou no Ato Declaratório Interpretativo nº 02/2007:

“O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe

confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria

da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005 , e tendo em vista o que consta no processo nº 10980.010644/2005-96, declara:

Artigo único. Na hipótese de locação de partes comuns de condomínio edilício, será observado o seguinte:

I - os rendimentos decorrentes serão considerados auferidos pelos condôminos, na proporção da parcela que for atribuída a cada um, ainda que tais rendimentos sejam utilizados na composição do fundo de receitas do condomínio, na redução da contribuição condominial ou para qualquer outro fim;

II - o condômino estará sujeito ao cumprimento de todas as

exigências tributárias cabíveis, relativamente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), especialmente no que tange às normas contidas na legislação do imposto sobre a renda referentes à tributação de rendimentos

auferidos com a locação de imóveis.”

Podemos perceber que para a Receita Federal pouco importa se o rendimento teve origem apenas na área comum. A tributação incidirá sobre todos os condôminos, proporcionalmente à sua propriedade.

Para muitos, este ADI é flagrantemente ilegal. Assim entende Alberto Nogueira:

"(

dívidas fiscais que tenham por fato gerador a propriedade das unidades autônomas dos condôminos, é o condomínio edilício, e não os condôminos, o sujeito passivo da relação jurídica tributária surgida em razão da aquisição de rendimentos provenientes da locação de áreas comuns do prédio para fins de imposto de renda; e

é ainda o condomínio, e não os condôminos, quem, por ser o sujeito passivo daquela obrigação tributária, deve encontrar-se sujeito a

Na verdade, o que o

Ato Declaratório Interpretativo da Secretaria da Receita Federal nº 02/2007 está a fazer é estender a legitimidade passiva tributária dos condôminos para além dos fatos geradores advindos da propriedade ou da posse das suas respectivas 'unidades autônomas', e com isto violando-se não apenas a norma contida no art. 11 da Lei nº 4.591/64, mas também a estatuída no art. 15 do RIR. Não se pode presumir que o condomínio tenha auferido alguma renda como resultado da locação de áreas comuns pelo condomínio edilício; haverá necessidade inafastável de se determinar se houve, ou não, efetiva disponibilidade daquela receita em benefícios dos condôminos" (Da ilegalidade do ato interpretativo SRF nº 2/2007, Alberto Nogueira, 21/02/2008).

prestar as informações fiscais pertinentes. (

assim como o condomínio horizontal não responde pelas

)

)

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Não obstante

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Não obstante as várias criticas ao ADI 02/2007, não há decisão judicial afastando a sua aplicação, razão pela qual continua válido e deve ser observado.

1.3.6 Transferência de residência para o exterior

O Regulamento do Imposto de Renda estabelece em seu art. 16 que os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter definitivo do território nacional no curso de um ano-calendário, além da declaração correspondente aos rendimentos do ano-calendário anterior, ficam sujeitos à apresentação imediata da declaração de saída definitiva do País correspondente aos rendimentos e ganhos de capital percebidos no período de 1º de janeiro até a data em que for requerida a certidão de quitação de tributos federais.

Podemos, então, esquematizar as exigências para a saída do país em caráter definitivo:

Apresentação da DIRPF referente ao ano-calendário anterior à saída.

Apresentação da Declaração de Saída Definitiva do País.

Requerimento da Certidão Negativa de Tributos Federais (CND).

Em processo de Consulta Externa, a Receita Federal já se posicionou no sentido de que, ocorrendo a saída definitiva do país com o cumprimento de todas as formalidades, o recebimento de rendimentos de fontes situadas no Brasil não descaracteriza a condição de não-residente. Senão, vejamos:

“TRANSFERÊNCIA DE RESIDÊNCIA PARA O EXTERIOR - CARACTERIZAÇÃO - A pessoa física que se retirar do território nacional em caráter permanente e até a data da saída entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, é considerada, para fins tributários, residente no exterior, ainda que continue com vínculo empregatício e recebendo remuneração no Brasil. Caso a pessoa física se retire em caráter permanente do território nacional sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, é considerada residente no Brasil durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência, devendo tributar os rendimentos auferidos no exterior através do recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) e na Declaração de Ajuste Anual.” SRRF / 8a. Região Fiscal.

Com efeito, cumpre-nos observar que a regra acima não é aplicável aos ausentes no exterior a serviço do País, por força do art. 17 do Regulamento do Imposto de Renda. A tributação dos rendimentos auferidos nessa situação será objeto de estudo futuro.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 1.3.7 Transferência

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1.3.7 Transferência de residência para o Brasil

O Regulamento do Imposto de Renda estabelece as regras para a aquisição da condição de residente, diferenciando os que no país ingressarem com visto permanente dos que ingressarem com visto temporário.

Aqueles que ingressarem no Brasil com visto permanente terão o mesmo tratamento tributário conferido aos residentes no país, desde a sua chegada. Em outras palavras, desde a entrada no território nacional já serão considerados residentes, para fins de tributação do imposto de renda.

Já os que ingressarem no Brasil com visto temporário, serão considerados residentes a depender do objetivo do ingresso:

- se aqui ingressarem para trabalhar com vínculo empregatício, serão considerados residentes desde a data da chegada.

- se ingressarem por qualquer outro motivo, serão considerados residentes a partir do 184º dia, consecutivo ou não, no intervalo de 12 meses.

Essas são as regras estabelecidas no art. 19 do RIR. Entretanto, há que se observar que, ainda que o estrangeiro ingresse no Brasil por qualquer outro motivo, mas durante sua permanência arrumar emprego com vínculo empregatício, passará à condição de residente. Isso ocorre porque, embora não haja esta previsão expressa no art. 19, tem sua disciplina no art. 2º da IN 208/2002:

“Art. 2º Considera-se residente no Brasil, a pessoa física:

) (

III - que ingresse no Brasil:

) (

b) com visto temporário:

) (

3. na data da obtenção de visto permanente ou de vínculo empregatício, se ocorrida antes de completar 184 dias, consecutivos ou não, de permanência no Brasil, dentro de um período de até doze meses;

Nessa linha, aquele que ingressar no Brasil com visto temporário, irá adquirir a condição de residente a partir do 184º dia no período de 12 meses, ou a partir da data em que passar a trabalhar com vínculo empregatício, se esta for anterior à primeira.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 2. Responsáveis

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2. Responsáveis

Conforme estudamos, para ser responsável é necessária a previsão expressa em lei. Nesse sentido, o art. 128 do CTN disciplina a responsabilidade tributária, nos seguintes termos:

“Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.”

Inicialmente, verifica-se que, além da necessidade de previsão expressa em lei, há exigência do CTN no sentido de o responsável ser pessoa vinculada ao fato gerador.

Ora, mas já estudamos que quem tem relação pessoal e direta com o fato gerador é o contribuinte e que o responsável não se reveste dessa qualidade. Como pode o CTN definir que o responsável é vinculado ao fato gerador?

Pessoa vinculada ao fato gerador não significa o contribuinte, pois, se assim o fosse, não poderia ser responsável. Pessoa vinculada ao fato gerador significa que a lei não pode atribuir a responsabilidade de forma aleatória a qualquer pessoa. Deve-se observar certa relação com a situação que deu origem ao fato gerador.

Assim, o responsável deve estar ligado de forma indireta ao fato gerador. Perceba que esta é a grande diferença entre as duas espécies de sujeito passivo, enquanto o contribuinte tem relação direta e pessoal com o fato gerador, o responsável tem relação indireta.

com o fato gerador, o responsável tem relação indireta. DEFINIÇÃO EM LEI CONTRIBUINTE RELAÇÃO PESSOAL E
com o fato gerador, o responsável tem relação indireta. DEFINIÇÃO EM LEI CONTRIBUINTE RELAÇÃO PESSOAL E

DEFINIÇÃO EM LEI

CONTRIBUINTE

tem relação indireta. DEFINIÇÃO EM LEI CONTRIBUINTE RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA RESPONSÁVEL VINCULADO, DE FORMA

RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA

RESPONSÁVEL

EM LEI CONTRIBUINTE RELAÇÃO PESSOAL E DIRETA RESPONSÁVEL VINCULADO, DE FORMA INDIRETA FATO GERADOR Prof. George

VINCULADO, DE FORMA INDIRETA

FATO GERADOR

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 O art.

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O art. 128, do CTN, apresenta, ainda, importantes definições sobre o

grau de intensidade em que a obrigação recai sobre o responsável, ao dispor que a lei pode excluir a responsabilidade do contribuinte ou atribuir a este em caráter supletivo. Na esteira desse entendimento, temos os seguintes tipos de responsabilidade:

exclui por

completo a obrigação do contribuinte. Nessa situação, o responsável responde de forma pessoal, vale dizer, a Fazenda Pública exigirá a obrigação principal exclusivamente do responsável.

– Ocorre quando

a obrigação recai sobre o responsável somente naquelas hipóteses em que se torna impossível exigir do contribuinte. Nessa situação, a Fazenda Pública direciona todos os seus esforços para a cobrança do contribuinte. Não obtendo sucesso, o foco passa a ser o responsável.

da

responsabilidade subsidiária, não há benefício de ordem. Nessa linha, pode a Fazenda Pública exigir a obrigação principal tanto do contribuinte como do responsável.

Responsabilidade PESSOAL

– Ocorre

quando

a

lei

Responsabilidade SUBSIDIÁRIA ou SUPLETIVA

Responsabilidade

SOLIDÁRIA

Diferentemente

2.1 Responsabilidade dos sucessores

O

Código Tributário Nacional define a responsabilidade dos sucessores

de

forma genérica, aplicável a todos os tributos:

“Art. 131. São pessoalmente responsáveis:

I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; (Redação dada pelo Decreto-lei nº 28, de

14.11.1966)

II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação;

III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.”

O

Regulamento do Imposto de Renda, por sua vez, reforça as

disposições do CTN, filtrando o que é aplicável ao IRPF:

“Art. 23. São pessoalmente responsáveis (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 50, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III):

I - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação;

II - o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.”

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Estudamos a

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Estudamos a condição de contribuinte do espólio para os fatos geradores ocorridos entre a abertura da sucessão e a partilha, inclusive quanto à apresentação das respectivas declarações.

Cabe aqui verificarmos a condição de responsáveis, tanto do espólio como dos sucessores a qualquer título. Vamos, então, de acordo com a regra do art. 23 do RIR, completar o quadro que vimos anteriormente:

ABERTURA DA SUCESSÃO

SENTENÇA DE PARTILHA

DE CUJUS COMO CONTRIBUINTE ESPÓLIO COMO CONTRIBUINTE SUCESSORES COMO CONTRIBUINTES ESPÓLIO COMO RESPONSÁVEL
DE CUJUS COMO
CONTRIBUINTE
ESPÓLIO COMO
CONTRIBUINTE
SUCESSORES COMO
CONTRIBUINTES
ESPÓLIO COMO
RESPONSÁVEL
SUCESSORES COMO
RESPONSÁVEIS
SUCESSORES COMO
RESPONSÁVEIS

Até a data da abertura da sucessão, o de cujus é o contribuinte.

Aberta a sucessão, o espólio passa a ser contribuinte pelos tributos cujos fatos geradores ocorrerem entre a abertura da sucessão e a partilha e passa a ser responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a abertura da sucessão.

Proferida a sentença de partilha, os contribuintes passam a ser os sucessores. Estes respondem pessoalmente pelas dívidas remanescentes do período anterior à partilha.

Ademais, há que se observar que, com fundamento no art. 134, IV, do CTN, a Instrução Normativa nº 81/2001 estabelece:

“Art. 23: São pessoalmente responsáveis:

( )

c) o inventariante, pelo cumprimento das obrigações tributárias do espólio resultantes dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei.

§ 1º Na impossibilidade de se exigir, do espólio, o pagamento do imposto, o inventariante responde solidariamente com ele quanto aos atos em que intervier ou pelas omissões de que for responsável, não se sujeitando à multa de ofício.”

Vamos praticar esses conhecimentos com uma questão?

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 (GF) -

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(GF) - 2012

Tratando-se de responsabilidade por sucessão, julgue as assertivas e assinale a alternativa correta.

( ) O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro são pessoalmente responsáveis pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, de forma ilimitada.

( ) O espólio é pessoalmente responsável pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha.

( ) Apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de

cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e multa.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

Esta questão pode ser respondida apenas com o conhecimento de Direito Tributário (responsabilidade dos sucessores, CTN art. 131). De qualquer forma, o Regulamento do Imposto de Renda assim estabelece:

“Art. 23. São pessoalmente responsáveis (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 50, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III):

I - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação;

II - o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão.

§ 1º Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar-se-á do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto- Lei nº 5.844, de 1943, art. 49).

§ 2º Apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de

cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e da multa prevista no art. 950, observado, quando for o caso, o disposto no art. 874.

§ 3º Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da

abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, observado o disposto no inciso I.”

Item I – Falso. A responsabilidade dos sucessores é limitada ao montante do quinhão recebido. Assim, tendo recebido um valor de R$50.000,00 a título de herança, não pode o herdeiro responder por um débito de R$80.000,00.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Item II

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Item II – Falso. O espólio é responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão e não até a data da partilha.

Item III – Verdadeiro. Art. 23, §2º. Essa disposição decorre da própria responsabilidade pessoal do espólio.

Gabarito: E.

2.2 Responsabilidade de terceiros

A

Tributário Nacional:

responsabilidade

de

terceiros

também

é

prevista

no

Código

Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis:

I

- os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores;

II

- os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados

ou

curatelados;

III

- os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos

por

estes;

IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio;

V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida

ou

pelo concordatário;

VI

- os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos

tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles,

em

razão do seu ofício;

VII

- os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas.

Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório.

Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:

I

- as pessoas referidas no artigo anterior;

II

- os mandatários, prepostos e empregados;

III

- os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas

de

direito privado.”

Da mesma forma como na responsabilidade dos sucessores, o Regulamento do Imposto de Renda repete as disposições do CTN, novamente filtrando apenas o que diz respeito ao IRPF:

“Art. 24. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento

da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente

com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis (Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I a IV):

I - os pais, pelo tributo devido por seus filhos menores;

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 II -

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II - os tutores, curadores e responsáveis, pelo tributo devido por seus tutelados, curatelados ou menores dos quais detenham a guarda judicial;

III

- os administradores de bens de terceiros, pelo tributo devido

por

estes;

IV - o inventariante, pelo tributo devido pelo espólio.

Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório (Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, parágrafo único).”

De início, devemos atentar para algo importante. Apesar das normas citadas atribuírem o termo “solidariamente” para a responsabilidade de terceiros, os próprios dispositivos condicionam a cobrança do responsável à impossibilidade de se exigir do contribuinte. Logo, não estaríamos diante de uma responsabilidade do tipo solidária, eis que esta não comporta benefício de ordem. Seria o caso de responsabilidade do tipo subsidiária.

Em provas de concursos públicos, é muito importante ficar atento ao que se pede no enunciado. Se estiver sendo cobrada a literalidade da norma, deve-se assinalar como correta a responsabilidade solidária. Em questões mais aprofundadas, convém verificar o contexto, a fim de identificar o real sentido dos referidos dispositivos. Vejamos duas questões sobre o tema.

(FCC) Auditor Fiscal – SEFIN RO/2010

Considere os itens a seguir, sobre responsabilidade de terceiros:

I. Os pais, tutores e curadores são responsáveis pelos tributos devidos por seus filhos menores, tutelados e curatelados, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis.

Comentários

Correto. A responsabilidade dos pais por obrigação tributária principal de filho menor por atos em que intervierem, de acordo com a literalidade do art. 134, I, do CTN, é solidária. A assertiva não entra no mérito do tipo de responsabilidade. No entanto, não estaria incorreto afirmar que esta responsabilidade é do tipo subsidiária, eis que o próprio art. 134 condiciona a cobrança do responsável à impossibilidade de exigência do contribuinte, configurando benefício de ordem, o que não é possível na solidariedade.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 (CESPE) Auditor

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(CESPE) Auditor Fiscal Ipojuca – PE/2009

A responsabilidade dos pais pelos tributos devidos por seus filhos menores, prevista no Código Tributário Nacional, é subsidiária.

Comentários

Inicialmente, o CESPE deu por certa a questão. O entendimento da banca foi que, apesar de trazer o termo “solidariamente”, a responsabilidade prevista no art. 134 é do tipo subsidiária, uma vez que o próprio art. 134 dispõe que somente será exigido do responsável nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte.

Entretanto, após os recursos, banca mudou o gabarito para “ERRADA”. Provavelmente, o argumento acatado foi a literalidade do art. 134, ao prever “solidariamente”.

Ocorre que, no meu ponto de vista, não é a literalidade do art. 134 o argumento mais forte para o erro da questão, mas sim a previsão do art. 135. Nos termos deste artigo, os pais podem responder pelos tributos devidos pelos filhos menores de forma PESSOAL. Como o enunciado apenas pede “a responsabilidade prevista no Código Tributário Nacional”, sem, contudo, mencionar o artigo. Não se pode afirmar que é do tipo subsidiária, eis que há previsão no CTN também para responsabilidade pessoal.

Assertiva errada.

2.3 Responsabilidade de menores

O RIR prevê que os rendimentos e os bens de menores só

responderão pela parcela do imposto proporcional à relação entre seus rendimentos tributáveis e o total da base de cálculo do imposto,

quando declarados conjuntamente com o de seus pais, na forma do art. 4º, § 3º.

Isso significa que se o pai declara como dependente um filho menor que auferiu rendimentos, este último somente responderá na proporção dos seus rendimentos tributáveis. Vejamos um exemplo.

José Carlos é pai de Adriano, menino de 16 anos que começou a jogar futebol em março, em um time que lhe paga R$3.000,00 por mês. Ao final do ano, Adriano recebeu R$30.000,00 e seu pai R$70.000,00.

Nessa situação, apurada a base de cálculo do IRPF em R$100.000,00 (desconsidere qualquer dedução, ou seja, todo o rendimento era

tributável), caso o resultado seja imposto a pagar, Adriano apenas poderá responder por 30% do valor, por força do disposto no art. 23

do RIR.

Prof. George Firmino

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Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 3. Domicílio

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3. Domicílio tributário

Para que alguns atos se tornem eficazes, torna-se necessária a ciência do sujeito passivo. Esta, por sua vez, ocorre com a regular notificação efetuada pela Fazenda Pública. Assim ocorre com as intimações, com as notificações de lançamento, ciência de decisão em processo administrativo, etc.

Nesse sentido, deve existir algum endereço onde o contribuinte possa ser localizado para efeito de ciência dos atos realizados na sua relação com o Fisco. É o que se denomina domicílio tributário.

O CTN define as regras para determinação do domicílio no art. 127:

“Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal:

I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade;

II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas

individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos

que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento;

III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas

repartições no território da entidade tributante.

§ 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer

dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação.

§ 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito,

quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior.”

Analisando o caput do art. 127, verificamos que a regra geral é a escolha do domicílio pelo próprio contribuinte ou responsável. Na omissão destes em manifestar sua vontade, passam a valer as regras descritas no artigo. De forma esquematizada, temos:

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 REGRA GERAL

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

REGRA GERAL NA FALTA DE ELEIÇÃO Escolha do próprio contribuinte ou responsável Pessoa natural: o
REGRA GERAL
NA FALTA DE ELEIÇÃO
Escolha do próprio
contribuinte ou
responsável
Pessoa natural: o local de sua residência
habitual; sendo esta incerta ou
desconhecida, o centro habitual de suas
atividades.
Pessoa jurídica de D. Privado: o lugar da
sede ou de cada estabelecimento.
Pessoa jurídica de D. Público: qualquer
de suas repartições no território da
entidade tributante.
NA RECUSA
A autoridade pode
recusar a opção do
contribuinte quando
NA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO
a
arrecadação ou
fiscalização.
esta dificulte
O domicílio será o local dos bens ou da
ocorrência do fato gerador.

Seguindo esta determinação, o RIR define o que deve ser considerado residência habitual, em seu art. 28:

“Art. 28. Considera-se como domicílio fiscal da pessoa física a sua residência habitual, assim entendido o lugar em que ela tiver uma habitação em condições que permitam presumir intenção de mantê- la (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 171).”

Continua o mesmo artigo 28:

“§ 1º No caso de exercício de profissão ou função particular ou pública, o domicílio fiscal é o lugar onde a profissão ou função estiver sendo desempenhada (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 1º).

§ 2º Quando se verificar pluralidade de residência no País, o domicílio fiscal será eleito perante a autoridade competente, considerando-se feita a eleição no caso da apresentação continuada das declarações de rendimentos num mesmo lugar (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 2º).”

Conforme estudamos, as definições quanto ao domicílio fiscal constam no CTN, sendo a regra geral o domicílio eleito pelo contribuinte. Quando o RIR, ato infralegal, determina em seu art. 28, §1º, o domicílio para certas situações, não pode contrariar as disposições do CTN, prevalecendo o domicílio de eleição previsto no Código.

Devemos, então, entender o §1º do art. 28 como a confirmação do art. 127, I, do CTN, ou seja, aplicável na falta de eleição do sujeito passivo.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Já o

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Já o §2º é no sentido de que, possuindo o contribuinte mais de um imóvel e neles residindo por temporada, deve eleger qual deles será o seu domicílio tributário.

No entanto, em termos práticos, este dispositivo tem pouca aplicabilidade nos dias de hoje.

Antes do advento das facilidades da internet, a declaração era entregue pelo sujeito passivo nas repartições da RFB. A entrega continuada da declaração em uma mesma repartição configurava escolha do domicílio tributário pelo sujeito passivo.

Hoje em dia, apesar da entrega ser feita pela internet, o contribuinte deve preencher obrigatoriamente o campo endereço e informar se houve mudança de domicílio ou não, a cada exercício.

Convém observarmos que, não atualizando o seu endereço nas declarações anuais, para todos os efeitos legais, o domicílio do contribuinte será o último informado. Assim já foi decidido em processo administrativo:

PRELIMINAR DE CONHECIMENTO DE RECURSO - DOMICÍLIO FISCAL

- Não havendo o contribuinte requerido alteração do endereço

constante de suas declarações de rendimentos, prevalece este sobre qualquer outro para efeito de notificação. 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102-45.980 em 19/03/2003. Publicado no DOU em: 02.06.2003.

O RIR estabelece, ainda, que o contribuinte tem o dever de informar à repartição fiscal a sua ausência:

“Art. 29. O contribuinte ausente de seu domicílio fiscal, durante o prazo de entrega da declaração de rendimentos ou de interposição de impugnação ou recurso, cumprirá as disposições deste Decreto perante a autoridade fiscal da jurisdição em que estiver, dando-lhe conhecimento do domicílio do qual se encontra ausente (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 194).”

Caso não proceda de acordo com a disciplina do Regulamento, as intimações, despachos decisórios e outros documentos expedidos pela repartição seguirão para o seu endereço e, certamente, não tomará conhecimento, o que não afastará a ciência dos atos. Em outras palavras, o contribuinte que não comunicou que estava ausente do seu domicílio não poderá alegar esta ausência para dizer que não tomou ciência das decisões ou intimações. Senão, vejamos a jurisprudência administrativa:

“NOTIFICAÇÃO - VIA POSTAL - ENDEREÇO INDICADO PELO CONTRIBUINTE - VALIDADE - Considera-se válida a

correspondência fiscal enviada através de aviso postal com prova de recebimento, na data de sua entrega no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, através da declaração de rendimentos, confirmado com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, se o contribuinte não informou

a alteração de seu endereço junto à repartição fiscal. 1º CC / 6a. Câmara Especial / Acórdão 196-00005 em 08.08.2008.”

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 “NULIDADE -

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“NULIDADE - AUTO DE INFRAÇÃO CIENTIFICADO POR VIA POSTAL E RECEBIDO POR TERCEIRO NO DOMICÍLIO ELEITO PELO SUJEITO PASSIVO - É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula nº 9 do 1CC). 1º CC / 2a. Câmara / Acórdão 102-48129 em 24.01.2007.”

Com efeito, podemos notar que se o contribuinte viajar e, durante sua ausência, for emitida uma intimação fiscal para o seu endereço, será considerada válida a ciência e passará a contar o prazo para atendimento, mesmo que a correspondência não tenha sido recebida por representante. Bastaria, nesse caso, que o porteiro do seu condomínio, por exemplo, recebesse e assinasse o aviso de recebimento.

O art. 30 do RIR institui ainda que o contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias. O parágrafo único do mesmo artigo prevê, porém, uma flexibilização quanto a este prazo, ao dispor que a comunicação poderá ser efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas.

Podemos então concluir que ficou sem sentido a exigência da comunicação em 30 dias, já que o mesmo artigo que a estabelece flexibiliza o prazo. Com isso, na prática, as alterações de endereço se efetivam juntamente com a apresentação da declaração anual de ajuste (DIRPF).

Por fim, a última regra aplicável ao domicílio das pessoas físicas diz respeito aos residentes ou domiciliados no exterior. Estabelece o RIR em seu art. 32 que o domicílio fiscal do procurador ou representante de residentes ou domiciliados no exterior é o lugar onde se achar sua residência habitual ou a sede da representação no País, aplicando-se, no que couberem, as disposições sobre o domicílio fiscal das demais pessoas físicas.

Caso o residente no exterior permanecer no território nacional e não tiver procurador, representante ou empresário no País, o domicílio fiscal é o lugar onde estiver exercendo sua atividade.

Aqui chegamos ao final da abordagem dos assuntos reservados a esta aula.

Vamos agora praticar o que estudamos por meio de questões.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Questões propostas

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Questões propostas

Questão 01 – (GF) 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas, de acordo com a tributação das pessoas físicas, disposta no

Regulamento do Imposto de Renda. Em seguida, marque a alternativa que responde corretamente as assertivas.

( ) São contribuintes do IRPF os titulares de disponibilidade econômica ou jurídica, exceto ganhos de capital.

(

) Os estrangeiros residentes no Brasil são considerados contribuintes do IRPF.

(

) O menor incapaz não é considerado contribuinte do imposto de renda.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Questão 02 - INÉDITA (GF) 2012

Assinale a alternativa correta em relação ao tratamento tributário conferido

ao

as disposições do

Regulamento do Imposto de Renda.

a) Não é contribuinte do imposto, em qualquer situação

b) É contribuinte do imposto, em qualquer situação

c) É contribuinte do imposto quando o rendimento é de fonte no exterior

d) É contribuinte do imposto apenas quando o rendimento tem origem no Brasil

e) A condição de contribuinte depende da sua nacionalidade

residente

no

exterior,

em

conformidade

com

Questão 03 – (GF) 2012

Reza o at. 45, parágrafo único, do CTN, que a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Com base nesse dispositivo, julgue as seguintes assertivas:

( ) Quando a lei atribui a uma outra pessoa, indiretamente ligada ao fato gerador, a responsabilidade pelo pagamento do tributo, cria uma relação tributária autônoma.

( ) Na verdade, o contribuinte não é excluído da relação tributária obrigacional.

( ) A relação que se estabelece entre a União e a fonte pagadora é apenas um desdobramento da relação nascida com a disponibilidade da renda.

a) V, V, V

b) V, F, F

c) F, V, V

d) F, F, F

e) F, F, V

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Questão 04

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Questão 04 – (ESAF) ATRF/2012

É pessoalmente responsável pelo pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física

a) o sucessor a qualquer título quando se apurar, na abertura da sucessão, que o

de cujos não apresentou declaração de rendimentos de exercícios anteriores, caso em que responde por toda a dívida.

b) o espólio, pelo tributo devido pelo de cujos, quando se apurar que houve falta de

pagamento de imposto devido até a data da abertura da sucessão, sendo que, nesse caso, não serão cobrados juros moratórios e multa de mora.

c) o cônjuge meeiro, quando se apurar, na abertura da sucessão, que o de cujos

apresentou declaração de exercícios anteriores com omissão de rendimentos,

mesmo que a declaração tenha sido em separado.

d) o sucessor a qualquer título, pelo tributo devido pelo de cujos até a data da

partilha ou da adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão,

do legado ou da herança.

e) o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro quando se apurar, na abertura

da sucessão, que o de cujos não apresentou declaração de rendimentos de exercícios anteriores ou o fez com omissão de rendimentos, caso em que

respondem por toda a dívida.

Questão 05 – (GF) 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas. Em seguida, marque a alternativa que responde corretamente as assertivas. No caso de rendimentos percebidos em dinheiro a título de alimentos ou

pensões em cumprimento de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, inclusive alimentos provisionais ou provisórios, verificando-se a incapacidade civil do alimentado:

( ) A tributação far-se-á em nome do incapaz apenas quando conste em decisão

judicial.

( ) A tributação far-se-á em nome do tutor, curador ou responsável por sua guarda. ( ) Obrigatoriamente, o responsável pela manutenção do alimentado deverá

considerá-lo seu dependente, incluindo os rendimentos deste em sua declaração.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Questão 06

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Questão 06 – (GF) 2012

Considere a seguinte situação hipotética: Antonio e Luciana são casados e possuem três imóveis, sendo um deles bem comum do casal, outro pertencente a Antônio e o último pertencente a Luciana. Os três imóveis estão alugados, de modo que no ano produziram os seguintes rendimentos:

Imóvel comum: R$ 36.000,00

Imóvel de Antonio: R$ 24.000,00

Imóvel de Luciana: R$ 12.000,00

Dessa forma, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, a quem cabe a condição de contribuinte por cada rendimento auferido?

a) Caberá a Antonio, pois é proprietário do imóvel que obteve maior rendimento.

b) Os dois serão tributados pela totalidade dos rendimentos.

c) A tributação será na proporção de 50% para cada cônjuge pela totalidade dos

rendimentos auferidos.

d) O cônjuge que transmitir primeiro a sua declaração poderá eleger o percentual

de participação, restando ao outro a parcela restante.

e) A tributação ocorrerá para cada cônjuge em 100% dos bens próprios e em 50%

dos bens comuns.

Questão 07 – (GF) 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas. Em seguida, marque a alternativa que responde corretamente as assertivas. No caso de rendimentos produzidos por bens na constância da sociedade

conjugal, a apresentação de declaração em separado de bens do casal, obedecerá aos seguintes preceitos:

( ) Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.

( ) Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se

ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentá-la.

( ) O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens

comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a

retenção ou efetuado o recolhimento.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Questão 08 – (GF) 2012

Os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter

definitivo do território nacional no curso de um ano-calendário ficarão sujeitos à apresentação e/ou requisição de:

a) Declaração correspondente aos rendimentos recebidos no ano-calendário anterior

e declaração de saída definitiva do país.

b) Apenas declaração de saída definitiva do país.

c) Apenas declaração correspondente aos rendimentos recebidos no ano-calendário

anterior. d) Declaração correspondente aos rendimentos recebidos no ano-calendário

anterior, declaração de saída definitiva do país e certidão de quitação de tributos federais.

e) Certidão de quitação de tributos federais e declaração de saída definitiva do país.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Questão 09

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Questão 09 – (GF) 2012

De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, em matéria de IRPF, nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação

principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis, exceto:

a) os administradores de bens de terceiros, pelo tributo devido por estes.

b) os pais, pelo tributo devido por seus filhos menores.

c) o inventariante, pelo tributo devido pelo espólio.

d) os tutores, curadores e responsáveis, pelo tributo devido por seus tutelados, curatelados ou menores dos quais detenham a guarda judicial.

e) o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida.

Questão 10 - (GF) 2012

Relativamente ao domicílio fiscal da pessoa física, complete a lacuna de acordo com as disposições do Regulamento do Imposto de Renda. Considera-se como domicílio fiscal da pessoa física

,

em condições

assim entendido o lugar em que ela tiver

que permitam presumir intenção de mantê-lo (a).

a) o local da ocorrência do fato gerador; exerça suas atividades.

b) a sua residência habitual; uma habitação.

c) aquele escolhido pelo contribuinte; um endereço fixo.

d) o local das suas atividades habituais; trabalho fixo.

e) o município onde possua imóvel que gere rendimentos, pelos tributos devidos

pela massa falida.

Questão 11 – (GF) 2012

Em relação ao domicílio tributário das pessoas físicas, julgue as assertivas e assinale a alternativa correta.

( ) No caso de exercício de profissão ou função particular ou pública, o domicílio

fiscal é o lugar onde a profissão ou função estiver sendo desempenhada.

( ) Quando se verificar pluralidade de residência no País, o domicílio fiscal será eleito perante a autoridade competente.

( ) Quando houver pluralidade de residência no país, considera-se feita a eleição no caso da apresentação continuada das declarações de rendimentos num mesmo lugar.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Questão 12

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Questão 12 – (GF) 2012

De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, julgue as assertivas

no que diz respeito à mudança de domicílio da pessoa física.

( ) O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes.

( ) Havendo mudança de domicílio dentro do mesmo município não há necessidade

de comunicação.

( ) A regra geral é de que a mudança de domicílio seja comunicada à repartição competente no prazo de 60 dias. No entanto, poderá ser efetuada quando da entrega da declaração.

a) V, V, V

b) V, F, F

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

 

Gabarito

 

01

02

03

04

05

06

 

07 08

09

10

 

11 12

C

D

C

D

D

E

 

A D

E

B

A B

 
Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Questões comentadas

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Questões comentadas

Questão 01 – (GF) 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas, de acordo com a tributação das pessoas físicas, disposta no Regulamento do Imposto de Renda. Em seguida, marque a alternativa que responde

corretamente as assertivas.

( ) São contribuintes do IRPF os titulares de disponibilidade econômica ou jurídica, exceto ganhos de capital.

( ) Os estrangeiros residentes no Brasil são considerados contribuintes do IRPF. ( ) O menor incapaz não é considerado contribuinte do imposto de renda.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

O Regulamento do Imposto de Renda define os contribuintes no art. 2º, nos seguintes termos:

“Art. 2º As pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, titulares de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, inclusive rendimentos e ganhos de capital, são contribuintes do imposto de renda, sem distinção da nacionalidade, sexo, idade, estado civil ou profissão.”

Vale observar que a tributação do IR tem por regra a disciplina constitucional de que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Nesse sentido, a legislação estabeleceu os contribuintes do imposto em consonância com o art. 43, §1º do CTN, segundo o qual a incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção.

Logo, podemos concluir que são contribuintes do IR todos os residentes e domiciliados no Brasil que aqui percebam rendimentos, ou mesmo se este for originário de fonte no exterior, independente de nacionalidade, sexo, idade ou até mesmo capacidade civil.

Item I – Falso. Os ganhos de capital não estão fora da incidência do imposto. É o caso da venda de um imóvel por R$600.000,00, quando este foi adquirido por R$550.000,00. Sobre o ganho auferido (R$50.000,00) haverá a incidência do IR.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Item II

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Item II – Verdadeiro. Os estrangeiros residentes ou domiciliados no Brasil são considerados contribuintes pela legislação do imposto de renda. Ou você acha que o Seedorf (jogador do Botafogo de nacionalidade holandesa) não paga imposto de renda?

Item III – Falso. O art. 2º do RIR/99 corrobora o disposto no art. 126, I, do CTN, segundo o qual a capacidade tributária passiva independe da capacidade civil das pessoas naturais.

Gabarito: C.

Questão 02 - INÉDITA (GF) 2012

Assinale a alternativa correta em relação ao tratamento tributário conferido ao residente no exterior, em conformidade com as disposições do Regulamento do Imposto de Renda.

a) Não é contribuinte do imposto, em qualquer situação

b) É contribuinte do imposto, em qualquer situação

c) É contribuinte do imposto quando o rendimento é de fonte no exterior

d) É contribuinte do imposto apenas quando o rendimento tem origem no Brasil

e) A condição de contribuinte depende da sua nacionalidade

Comentários

Acabamos de estudar na questão anterior o tratamento conferido ao residente no Brasil. Na condição de residente ou domiciliado no país, são contribuintes do imposto, independente da nacionalidade, aqueles que auferirem rendimento, seja este de fonte no Brasil ou no exterior.

Situação diferente ocorre com os não-residentes no país. Para estes, vale o disposto no art. 3º do RIR:

“Art. 3º A renda e os proventos de qualquer natureza percebidos no País por residentes ou domiciliados no exterior ou a eles equiparados, conforme o disposto nos arts. 22, § 1º, e 682, estão sujeitos ao imposto de acordo com as disposições do Livro III (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 97, e Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 3º, § 4º).”

Podemos observar que os não-residentes apenas serão contribuintes se auferirem rendimentos no Brasil. Ou seja, para os rendimentos oriundos no exterior, valerá a legislação tributária do país onde estiver situada a fonte pagadora.

Assim, para não esquecer, vamos esquematizar a incidência do imposto de renda e a consequente condição de contribuinte de residentes e não residentes no Brasil, de acordo com o Regulamento do Imposto de Renda:

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Rendimentos auferidos no exterior

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Legislação Tributária para
RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Legislação Tributária para

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo)

BRASIL (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof.

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Rendimentos auferidos no Brasil

Rendimentos auferidos no exterior

RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR

(independente da nacionalidade do sujeito

NO EXTERIOR (independente da nacionalidade do sujeito passivo) Gabarito: D. Apenas rendimentos auferidos no Brasil

passivo)

Gabarito: D.

Apenas rendimentos auferidos no Brasil

Questão 03 – (GF) 2012

Reza o at. 45, parágrafo único, do CTN, que a lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Com base nesse dispositivo, julgue as seguintes assertivas:

( ) Quando a lei atribui a uma outra pessoa, indiretamente ligada ao

fato gerador, a responsabilidade pelo pagamento do tributo, cria uma relação tributária autônoma.

( ) Na verdade, o contribuinte não é excluído da relação tributária obrigacional.

( ) A relação que se estabelece entre a União e a fonte pagadora é

apenas um desdobramento da relação nascida com a disponibilidade

da renda.

a) V, V, V

b) V, F, F

c) F, V, V

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

Questão fundamentada na doutrina de Hugo de Brito Machado. Vejamos o que diz o eminente doutrinador.

“ quando a lei atribui a uma outra pessoa, indiretamente ligada ao fato gerador da obrigação tributária, a responsabilidade pelo

pagamento do tributo, não cria uma relação obrigacional autônoma, mas simplesmente uma relação obrigacional tributária inerente àquela da qual depende, cuja estrutura agora tornada complexa

passa a integrar. (

relação obrigacional tributária pela norma que atribui à fonte pagadora da renda a responsabilidade pelo pagamento do imposto respectivo, e por isto mesmo não fica na curiosa situação de ser contribuinte sem ser sujeito passivo. Continua sendo contribuinte e,

)

Na verdade o contribuinte não é excluído da

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 como tal,

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

como tal, sujeito passivo da relação obrigacional tributária, embora sem responsabilidade pelo pagamento do imposto, eis que tal responsabilidade foi por lei atribuída à fonte pagadora, sem qualquer ressalva. É certo que no pagamento da renda instaura-se, em decorrência da norma que instituiu o imposto de renda na fonte, uma relação jurídica entre a União e a fonte pagadora. Tal relação, porém, não tem existência autônoma até porque não se justifica por si mesma, posto que não se trata de um imposto diverso. ( ) Exatamente porque não se trata de um imposto diverso, a relação que se estabelece entre a União e a fonte pagadora da renda é apenas um desdobramento da relação obrigacional tributária nascida com a aquisição da disponibilidade da renda, que tem como objeto o imposto sobre renda e proventos de qualquer natureza, como sujeito ativo a União e como contribuinte o beneficiário da renda.” (MACHADO, Hugo de Brito. O contribuinte e o responsável no imposto de renda na fonte, RDDT nº 70, julho/01, p. 109/116)

Gabarito: C.

Questão 04 – (ESAF) ATRF/2012

É pessoalmente responsável pelo pagamento do Imposto de Renda da Pessoa Física

a) o sucessor a qualquer título quando se apurar, na abertura da

sucessão, que o de cujos não apresentou declaração de rendimentos

de

exercícios anteriores, caso em que responde por toda a dívida.

b)

o espólio, pelo tributo devido pelo de cujos, quando se apurar que

houve falta de pagamento de imposto devido até a data da abertura da sucessão, sendo que, nesse caso, não serão cobrados juros moratórios e multa de mora.

c)

o cônjuge meeiro, quando se apurar, na abertura da sucessão, que

o

de cujos apresentou declaração de exercícios anteriores com

omissão de rendimentos, mesmo que a declaração tenha sido em

separado.

d) o sucessor a qualquer título, pelo tributo devido pelo de cujos até a

data da partilha ou da adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado ou da herança.

e) o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro quando se apurar,

na abertura da sucessão, que o de cujos não apresentou declaração de rendimentos de exercícios anteriores ou o fez com omissão de rendimentos, caso em que respondem por toda a dívida.

Comentários

Alternativa A – Errada. Nos termos do §1º, do art. 23, do Regulamento do Imposto de Renda, quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrar-se-á do espólio o imposto respectivo.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Alternativa B

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Alternativa B – Errada. O §2º, do art. 23, do RIR, estabelece que, apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e de multa.

Alternativa C – Errada. Como vimos na alternativa A, a responsabilidade neste caso será do espólio.

do

Alternativa D – Correta. Esta é a Regulamento do Imposto de Renda.

Alternativa E – Errada. O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro apenas responderão pelo imposto até o limite do quinhão, legado ou herança.

Gabarito: D.

disciplina do art.

23,

I,

Questão 05 – (GF) 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas. Em seguida, marque a alternativa que responde corretamente as assertivas. No caso de rendimentos percebidos em dinheiro a título de alimentos ou pensões em cumprimento de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, inclusive alimentos

provisionais ou provisórios, verificando-se a incapacidade civil do alimentado:

( ) A tributação far-se-á em nome do incapaz apenas quando conste

em decisão judicial.

( ) A tributação far-se-á em nome do tutor, curador ou responsável por sua guarda.

( ) Obrigatoriamente, o responsável pela manutenção do alimentado

deverá considerá-lo seu dependente, incluindo os rendimentos deste em sua declaração.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

A resposta para esta questão está no art. 5º do RIR:

“Art. 5º No caso de rendimentos percebidos em dinheiro a título de alimentos ou pensões em cumprimento de acordo homologado judicialmente ou decisão judicial, inclusive alimentos provisionais ou provisórios, verificando-se a incapacidade civil do alimentado, a tributação far-se-á em seu nome pelo tutor, curador ou responsável por sua guarda (Decreto-Lei nº 1.301, de 1973, arts. 3º, § 1º, e

4º).

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Parágrafo único.

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Parágrafo único. Opcionalmente, o responsável pela manutenção do alimentado poderá considerá-lo seu dependente, incluindo os rendimentos deste em sua declaração (Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, incisos III a V, e VII).”

Item I – Falso. A tributação far-se-á sempre em nome do incapaz.

Item II – Falso. A tributação far-se-á em nome do incapaz, sendo do tutor, curador ou responsável por sua guarda a obrigação de efetuar o recolhimento.

Item III – Falso. Trata-se de uma faculdade do responsável e não uma obrigação. Dessa forma, pode o responsável incluir o alimentado como dependente na sua declaração, situação em que deverá incluir os rendimentos deste último.

Gabarito: D.

Questão 06 – (GF) 2012

Considere a seguinte situação hipotética: Antonio e Luciana são casados e possuem três imóveis, sendo um deles bem comum do casal, outro pertencente a Antônio e o último pertencente a Luciana. Os três imóveis estão alugados, de modo que no ano produziram os seguintes rendimentos:

Imóvel comum: R$ 36.000,00 Imóvel de Antonio: R$ 24.000,00 Imóvel de Luciana: R$ 12.000,00 Dessa forma, nos termos do Regulamento do Imposto de Renda, a quem cabe a condição de contribuinte por cada rendimento auferido?

a) Caberá a Antonio, pois é proprietário do imóvel que obteve maior

rendimento.

b) Os dois serão tributados pela totalidade dos rendimentos.

c) A tributação será na proporção de 50% para cada cônjuge pela totalidade dos rendimentos auferidos.

d) O cônjuge que transmitir primeiro a sua declaração poderá eleger

o percentual de participação, restando ao outro a parcela restante.

e) A tributação ocorrerá para cada cônjuge em 100% dos bens próprios e em 50% dos bens comuns.

Comentários

A situação exposta na questão demonstra que há três imóveis, sendo

um de cada cônjuge e o outro comum aos dois.

A tributação deve ocorrer de acordo com o art. 6º do Regulamento do

Imposto de Renda. Senão, vejamos:

“Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º):

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 I -

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

I - cem por cento dos que lhes forem próprios;

II - cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns.

Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges.”

Dessa forma, no caso em questão, pela regra geral, assim ficaria a condição de contribuinte pelos rendimentos:

Antônio: R$ 24.000 (rendimento do seu imóvel) + R$ 18.000 (50% do imóvel comum).

Luciana: R$ 12.000 (rendimento do seu imóvel) + R$ 18.000 (50% do imóvel comum).

Além da divisão acima, o RIR permite que a totalidade dos rendimentos pudesse ser tributada em nome de apenas um dos cônjuges. Nessa linha, tanto Antonio como Luciana poderiam assumir, individualmente, a tributação sobre o valor de R$ 36.000, sem que o outro sofresse a incidência.

Vale observar, ainda, que o art. 10 do RIR estabelece que esta disposição aplica-se, no que couber, à união estável, reconhecida como entidade familiar (CF, art. 226, § 3º, e Lei nº 9.278, de 10 de maio de 1996, arts. 1º e 5º).

Gabarito: E.

Questão 07 – (GF) 2012

Julgue as assertivas abaixo, assinalando “V” para as verdadeiras e “F” para as falsas. Em seguida, marque a alternativa que responde corretamente as assertivas. No caso de rendimentos produzidos por bens na constância da sociedade conjugal, a apresentação de declaração em separado de bens do casal, obedecerá aos seguintes preceitos:

( ) Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. ( ) Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentá-la. ( ) O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. a) V, V, V

b) V, F, V c) F, V, F d) F, F, F e) F, F,

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

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Comentários

Vimos na questão anterior quem é o contribuinte para cada rendimento produzido pelos bens do casal.

No que diz respeito à declaração destes rendimentos, a declaração deve seguir o art. 7º do RIR:

“Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.

§ 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento.

§ 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento.

§ 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentá-la.”

Item I – Verdadeiro. Literalidade do caput do art. 7º. Esta é a regra geral. No exemplo anterior, teríamos que Antônio iria declarar R$42.000,00 e Luciana R$30.000,00.

Item II – Verdadeiro. Representa a disposição do §3º, do art. 7º. Significa que, mesmo a tributação sendo repartida entre os cônjuges, na ficha de bens, o imóvel comum deverá constar na declaração de apenas um deles.

Vamos ilustrar a situação do exemplo anterior simulando a DIRPF de Antonio e de Luciana, supondo que o bem comum foi declarado por Antonio:

DECLARAÇÃO DE ANTONIO Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula

DECLARAÇÃO DE ANTONIO

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DECLARAÇÃO DE LUCIANA

RENDIMENTOS

 

RENDIMENTOS

 

24.000

(imóvel de Antonio)

12.000

(imóvel de Luciana)

18.000

(50% do imóvel comum)

18.000

(50% do imóvel comum)

TOTAL

42.000

TOTAL

30.000

BENS

BENS

Imóvel de Antonio Imóvel comum

240.000

360.000

 

Imóvel de Luciana

120.000

 
 

Item III – Verdadeiro. Literalidade do §1º, do art. 7º. Significa que, embora apenas um dos cônjuges declare como bem o imóvel comum, como cada um dos proprietários declarou 50% dos rendimentos auferidos por este imóvel, sendo consequentemente tributado por este valor, as retenções na fonte devem ser aproveitadas na mesma proporção. Lembre que o imposto de renda retido na fonte (IRRF) é uma antecipação do pagamento, já que o valor recebido será descontado do IR, e será utilizado na declaração para abater do imposto devido.

No exemplo anterior, teríamos que tanto Antonio como Luciana declararam R$18.000,00 de rendimento pelo bem comum. Supondo que houve retenção na fonte de R$1.000,00, cada um aproveitaria R$500,00 na sua declaração.

Gabarito: A.

Questão 08 – (GF) 2012

Os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em

caráter definitivo do território nacional no curso de um ano- calendário ficarão sujeitos à apresentação e/ou requisição de:

a) Declaração correspondente aos rendimentos recebidos no ano-

calendário anterior e declaração de saída definitiva do país. b) Apenas declaração de saída definitiva do país.

c) Apenas declaração correspondente aos rendimentos recebidos no ano-calendário anterior.

d) Declaração correspondente aos rendimentos recebidos no ano-

calendário anterior, declaração de saída definitiva do país e certidão

de quitação de tributos federais.

e) Certidão de quitação de tributos federais e declaração de saída

definitiva do país.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 Comentários

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

Comentários

Os residentes ou domiciliados no Brasil que saírem a título definitivo, deverão apresentar a declaração de ajuste anual referente ao ano- calendário anterior ao da saída e a declaração de saída definitiva e requerer a certidão de quitação de tributos federais. Assim, determina o art. 16 do RIR/99:

“Art. 16. Os residentes ou domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter definitivo do território nacional no curso de um ano- calendário, além da declaração correspondente aos rendimentos do ano-calendário anterior, ficam sujeitos à apresentação imediata da declaração de saída definitiva do País correspondente aos rendimentos e ganhos de capital percebidos no período de 1º de janeiro até a data em que for requerida a certidão de quitação de tributos federais para os fins previstos no art. 879, I, observado o disposto no art. 855 (Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, art.

17).

§ 1º O imposto de renda devido será calculado mediante a utilização dos valores da tabela progressiva anual (art. 86), calculados proporcionalmente ao número de meses do período abrangido pela tributação no ano-calendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 15).

§ 2º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos após o requerimento de certidão negativa para saída definitiva do País ficarão sujeitos à tributação exclusiva na fonte ou definitiva, na forma deste Livro, e, quando couber, na prevista no Livro III (Lei nº 3.470, de 1958, art. 17, § 3º, Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 78, incisos I a III, e Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 18).

§ 3º As pessoas físicas que se ausentarem do País sem requerer a certidão negativa para saída definitiva do País terão seus rendimentos tributados como residentes no Brasil, durante os primeiros doze meses de ausência, observado o disposto no § 1º, e, a partir do décimo terceiro mês, na forma dos arts. 682 e 684 (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 97, alínea "b", e Lei nº 3.470, de 1958, art. 17).”

Gabarito: D.

Questão 09 – (GF) 2012

De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, em matéria de IRPF, nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis, exceto:

a) os administradores de bens de terceiros, pelo tributo devido por

estes.

b) os pais, pelo tributo devido por seus filhos menores.

c) o inventariante, pelo tributo devido pelo espólio.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 d) os

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d) os tutores, curadores e responsáveis, pelo tributo devido por seus

tutelados, curatelados ou menores dos quais detenham a guarda judicial.

e) o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida.

Comentários

Outra situação prevista no RIR que representa disciplina do CTN. Deve-se observar que esta disposição do Regulamento, prevista no art. 24, diz respeito aos responsáveis pelo imposto da pessoa física. Já o CTN define a responsabilidade de forma genérica.

Assim, não consta no art. 24 do RIR a responsabilidade do síndico e o comissário pelos tributos devidos pela massa falida. Esta situação configura responsabilidade pelos tributos da pessoa jurídica e não do imposto de renda pessoa física como pede a questão.

Assim estabelece o RIR/99:

“Art. 24. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis (Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, incisos I a IV):

I - os pais, pelo tributo devido por seus filhos menores;

II - os tutores, curadores e responsáveis, pelo tributo devido por seus tutelados, curatelados ou menores dos quais detenham a guarda judicial;

III - os administradores de bens de terceiros, pelo tributo devido por estes;

IV - o inventariante, pelo tributo devido pelo espólio.

Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório (Lei nº 5.172, de 1966, art. 134, parágrafo único).

Gabarito: E.

Questão 10 - (GF) 2012

Relativamente ao domicílio fiscal da pessoa física, complete a lacuna de acordo com as disposições do Regulamento do Imposto de Renda. Considera-se como domicílio fiscal da pessoa física

, assim entendido o lugar em que ela tiver em condições que permitam presumir intenção de mantê-lo (a).

a) o local da ocorrência do fato gerador; exerça suas atividades.

b) a sua residência habitual; uma habitação.

c) aquele escolhido pelo contribuinte; um endereço fixo.

d) o local das suas atividades habituais; trabalho fixo.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 e) o

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e) o município onde possua imóvel que gere rendimentos, pelos tributos devidos pela massa falida.

Comentários

Sabemos que a regra geral do domicílio do sujeito passivo é a eleição (CTN art. 127). O próprio Código Tributário Nacional define que, na falta de eleição, o domicílio da pessoa física será o a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade.

Seguindo esta determinação, o RIR define o que deve ser considerado residência habitual, em seu art. 28:

“Art. 28. Considera-se como domicílio fiscal da pessoa física a sua residência habitual, assim entendido o lugar em que ela tiver uma habitação em condições que permitam presumir intenção de mantê- la (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 171).”

Perceba que a questão não pede a regra geral, mas o que consta no

RIR/99.

Gabarito: B.

Questão 11 – (GF) 2012

Em relação ao domicílio tributário das pessoas físicas, julgue

as assertivas e assinale a alternativa correta.

( ) No caso de exercício de profissão ou função particular ou pública, o domicílio fiscal é o lugar onde a profissão ou função estiver sendo desempenhada.

( ) Quando se verificar pluralidade de residência no País, o domicílio fiscal será eleito perante a autoridade competente.

( ) Quando houver pluralidade de residência no país, considera-se

feita a eleição no caso da apresentação continuada das declarações de

rendimentos num mesmo lugar.

a) V, V, V

b) V, F, V

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

O Regulamento do Imposto de Renda, assim dispõe em seu art. 28:

“§ 1º No caso de exercício de profissão ou função particular ou pública, o domicílio fiscal é o lugar onde a profissão ou função estiver sendo desempenhada (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 1º).

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 § 2º

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

§ 2º Quando se verificar pluralidade de residência no País, o domicílio fiscal será eleito perante a autoridade competente, considerando-se feita a eleição no caso da apresentação continuada das declarações de rendimentos num mesmo lugar (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 171, § 2º).”

Item I – Verdadeiro. Literalidade do §1º, do art. 28.

Item II – Verdadeiro. §2º, do art. 28. Significa que possuindo o contribuinte mais de um imóvel e neles residindo por temporada, deve eleger qual deles será o seu domicílio tributário.

Item III – Verdadeiro. No entanto, em termos práticos, este dispositivo tem pouca aplicabilidade nos dias de hoje.

Antes do advento das facilidades da internet, a declaração era entregue pelo sujeito passivo nas repartições da RFB. A entrega continuada da declaração em na mesma repartição configurava escolha do domicílio tributário pelo sujeito passivo.

Hoje em dia, apesar da entrega ser feita pela internet, o contribuinte deve preencher obrigatoriamente o campo endereço e informar se houve mudança de domicílio ou não, a cada exercício.

Gabarito: A.

Questão 12 – (GF) 2012

De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda, julgue as assertivas no que diz respeito à mudança de domicílio da pessoa física.

( ) O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes.

( ) Havendo mudança de domicílio dentro do mesmo município não há

necessidade de comunicação.

( ) A regra geral é de que a mudança de domicílio seja comunicada à

repartição competente no prazo de 60 dias. No entanto, poderá ser

efetuada quando da entrega da declaração.

a) V, V, V

b) V, F, F

c) F, V, F

d) F, F, F

e) F, F, V

Comentários

O Regulamento do Imposto de Renda dispõe no art. 30 acerca das obrigações do sujeito passivo quando da mudança de domicílio. Na prática, este artigo apenas tem sido observado pelos contribuintes no seu parágrafo único. Senão, vejamos:

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01 “Art. 30.

Legislação Tributária para AFRF Teoria e Questões Prof. George Firmino – Aula 01

“Art. 30. O contribuinte que transferir sua residência de um município para outro ou de um para outro ponto do mesmo município fica obrigado a comunicar essa mudança às repartições competentes dentro do prazo de trinta dias (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 195).

Parágrafo único. A comunicação será feita nas unidades da Secretaria da Receita Federal, podendo ser também efetuada quando da entrega da declaração de rendimentos das pessoas físicas.”

Item I – Verdadeiro. Ocorrendo mudança no domicílio, o contribuinte deverá efetuar a comunicação ao órgão fazendário.

Item II – Falso. O art. 30 estabelece que a mudança, mesmo dentro dos limites do município, deve ser comunicada.

Item III – Falso. A regra geral é de que a mudança seja comunicada no prazo de 30 dias. Na parte final, a assertiva está correta, pois o RIR permite que a alteração seja comunicada quando do envio da declaração anual.

Gabarito: B.

Meus amigos,

Chegamos ao final da nossa aula.

Espero vocês em breve na nossa próxima aula, para darmos continuidade ao nosso estudo.

Até lá.

Um grande abraço e bons estudos!