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Sete motivos pelos quais pesquisadores brasileiros podem ter dificuldade ao tentar publicar em re- vistas internacionais de alto impacto

Muitas vezes pesquisadores brasileiros que são bem sucedidos com publicações em revistas brasileiras acabam tendo dificuldade quando tentam publicar em revistas de maior impacto a nível internacional. Abaixo estão algumas das razões mais frequentes pelas quais isso pode ocorrer:

1. Não focar em uma verdadeira lacuna na literatura

Por definição, um artigo original tem de se concentrar em algo que seja realmente novo. Apesar da necessidade de focar em algo novo, muitos pesquisadores só realizam uma revisão superficial de literatura no início do projeto. Como consequência, muitas vezes eles acabam descobrindo ao final do projeto que a idéia já havia sido explorada em várias outras publicações, reduzindo a possibilidade de publicação em uma revista de alto impacto internacional. Alguma soluções possíveis:

Realizar uma revisão de literatura minuciosa no início do seu projeto. Se a pergunta já foi respondida por outra pessoa, então esse é o momento perfeito para mudar a sua abordagem.

Se alguém já fez o que você estava pensando em fazer, use aquele artigo como base e partir dele foque em algo que ainda não foi explorado, utilize uma metodologia mais sofisticada, ou mude a sua pergunta de pesquisa completamente.

2. Não focar em problemas que possam ser generalizados para além do Brasil

Embora focar a sua pesquisa em um problema que esteja presente apenas no Brasil seja perfeitamente válida, ao tentar publicar este artigo internacionalmente o editor da revista pode afirmar que como o foco é restrito ao Brasil você deveria publicá-lo em uma revista brasileira. Alguma soluções possíveis:

Se você focar o seu projeto em um problema que é exclusivamente local, tente tirar conclusões que possam ser generalizadas para outros países com condições semelhantes. Por exemplo, uma doença que é comum no Brasil também pode ser comum na Rússia ou China. O sistema de saúde brasileiro pode ser semelhante a outros países da América Latina.

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Evite argumentar que a lacuna no conhecimento que o seu artigo aborde seja a ausência de informação somente no contexto brasileiro. Enquanto

você certamente deve mencionar que o seu estudo foi realizado no Brasil, se você enfatizar que a principal lacuna abordada pelo seu estudo é que

o assunto nunca foi estudado no Brasil, isso provavelmente vai diminuir

o interesse do editor já que os leitores ao redor do mundo não vão estar interessados no que você tem a dizer.

3. Não seguir as normas internacionais sobre como reportar

um artigo utilizando uma determinada metodologia

Ao longo da última década, uma série de normas internacionais sobre como reportar artigos científico foram publicadas, e algumas dessas normas são inclusive mandatórias para certas revistas. Isto significa que se você desenhar ou reportar o seu estudo sem levar essas normas em consideração, o seu artigo pode não ser nem enviado aos revisores, o editor rejeitando o artigo já em uma primeira instância. Alguma soluções possíveis:

Esteja ciente sobre as normas existentes. Um ótimo site sobre essas normas é a [Equator Network] (http://www.equator-network.org/), que é provavelmente a maior coleção de normas desse tipo na Web

Estude o padrão em detalhes quando você estiver desenhando o seu estudo,

e não apenas depois de completar a coleta de dados e análise. Embora

as normas destinem-se para fins de como reportar um artigo, se você não seguir estas normas desde o início do seu projeto, você provavelmente não terá coletado as informações necessárias para poder seguir essas mesmas normas.

4. Não escrever usando um “português americanizado”

Com as ferramentas de tradução automática ficando melhor a cada dia, e tradutores profissionais de qualidade disponíveis via a internet, os pesquisadores muitas vezes pensam que escrever um artigo científico com o mesmo estilo ou estrutura de qualquer outro documento em português seja satisfatório. A má notícia é que não é bem assim. Se você usar uma estrutura normal da língua portuguesa e depois tentar a tradução via um tradutor automático como o [Google Translate] (http://translate.google.com/) ou mesmo tendo tradutor profissional revisando o seu trabalho, os resultados tendem a ser de ruins a desastrosos. Alguma soluções possíveis:

Escreva em seu próprio idioma, mas usando um “português americanizado”. Isto significa que você deve ter não só frases curtas, mas escrever em voz ativa e acima de tudo evitar palavras desnecessárias.

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Muito cuidado com as palavras técnicas, já que normalmente nem tradu- tores automáticos nem profissionais sabem como traduzi-los seguindo o que normalmente é feito dentro de um determinado campo científico.

5. Não trabalhar em uma verdadeira colaboração com os chamados cientistas de dados

Antigamente, pesquisadores não quantitativos muitas vezes desenhavam seus estudos, coletavam seus dados e ao final enviavam tudo para um estatístico. Nesse momento, os estatísticos se queixavam de que eles não estavam envolvidos desde a fase de desenho, mas eles também não faziam qualquer esforço para ensinar os pesquisadores sobre os conceitos básicos de estatística, ja que isso poderia fazer com que eles perdessem a sua função. Este tipo de “colaboração” claramente não funciona. Alguma soluções possíveis:

Se você não é um pesquisador quantitativo, você necessariamente tem de aprender o mínimo necessário para ser capaz de estabelecer uma conversa com o cientista de dados ou estatístico no seu grupo. Esse conhecimento mínimo significa, pelo menos, saber em que situações certos modelos de testes estatísticos devem ser utilizados e, em seguida, como interpretar os resultados provenientes deles. Resumindo: Se você atualmente tem confi- ança de que o seu estatístico entende todos os aspectos não quantitativos do seu estudo necessários para fazer uma análise adequada, você está se enganando.

Se você não é um assim chamado cientista de dados ou estatístico e você está fazendo a sua análise sozinho, pare imediatamente. Só porque você pode clicar nos botões do SPSS não significa que você deve estar trabalhando sozinho. Há uma série de pressupostos e complexidades inerentes a interpretação da maioria das análises que podem levá-lo a erros grosseiros de interpretação. Resumindo: você deve trabalhar em equipes. É mais divertido e definitivamente levará a um melhor aproveitamento do tempo de todos.

6. Não alinhar a lacuna, objetivo e principais resultados do seu artigo

Muitos livros e cursos sobre escrita científica irão dizer que o seu artigo deve ser focado num único tópico ou que ele deveria dizer uma coisa única. Eles estão certos quando dizem isso, mas a imensa maioria nunca realmente especificam exatamente o que isso significa. Aqui está uma breve descrição do que isso quer dizer na prática:

Seu artigo deve ser focado em uma lacuna existente na literatura, algo sobre o qual outros pesquisadores não tenham focado antes.

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No decorrer do artigo a sua lacuna irá se transformar no objetivo de estudo. Gap e objetivo são, literalmente, um o espelho do outro. Isso significa que você não deve direcionar a atenção do leitor para uma lacuna a menos que você não pretenda fazer dessa lacuna um objetivo do seu estudo

Os seus três ou quatro resultados principais devem estar alinhados ao objetivo que você definiu anteriormente. Quando todos os três componentes estão alinhados, o seu editor e leitores irão sentir que o seu trabalho tem um foco único já que todos estão falando sobre a mesma coisa.

7. Não desenvolver uma estória narrativa ao discutir a literatura

Ao rever a literatura em um artigo original, muitas vezes é tentador começar a ler um determinado artigo, adicionar um pedaço de informação dele no seu artigo, depois de ler outro artigo e imediatamente inserir mais um pedacinho, e assim por diante. O resultado final, frequentemente, é um texto aos pedaços que soa desconectado. Soluções:

1. Não escreva a sua revisão de literatura na introdução ou discussão até que você tenha um conhecimento profundo da literatura.

2. Depois de uma revisão da literatura, desenvolva um esboço do que você gostaria de dizer. Tenha em mente que a revisão da literatura para a Introdução e a Discussão têm papéis completamente diferentes e por isso devem ser escritas de modo diverso.

3. A partir do seu esboço, desenvolva uma narrativa que conte uma história que possa manter os seus leitores interessados.

Todos esses temas e muito mais serão abordados em posts futuros. Então, fique atento e se junte ao nosso grupo no Facebook, de modo que você possa saber cada vez que algo novo surgiu. Espero que gostem.

escrito por Ricardo Pietrobon

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