Fundamentos da Educação Brasileira

Brasília-DF, 2010.

Direito reservado ao POSEAD.

Pós-Graduação a Distância
1

Organização:

Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo
Colaboração:

Andréa Studart Corrêa Galvão Elias Alexandre Maysa Barreto Ornelas
Produção:

Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração

Fundamentos da Educação Brasileira
2

..................................................................................................... Capítulo 14 – Ética nas Relações ....... Capítulo 4 – A Função Social da Escola e dos demais Espaços Educativos no Mundo Contemporâneo ................................................... Capítulo 8 – Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais ............................................................................................................................... 04 05 06 08 11 11 14 21 23 31 33 35 38 39 43 47 47 52 56 59 65 65 70 73 76 79 Pós-Graduação a Distância 3 ............................. Para (não) Finalizar ...............................Sumário Apresentação..................................................................................................................................... Capítulo 16 – Formação Continuada do Profissional de Educação ............................................................................ Capítulo 13 – Tecnologias na Educação: Inclusão Digital ......................................... Capítulo 11 – A Inclusão: Valorização das Diferenças ............................................................... Capítulo 6 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a LDB em Foco ........................................................................................................... Unidade IV – A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas ............................ Capítulo 12 – Autonomia dos Espaços Educativos ......................... Capítulo 9 – O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE ......................................................... Capítulo 15 – Práxis Pedagógica – Ação-Reflexão-Ação ............................................................................ Organização da Disciplina ............................... Capítulo 7 – O Plano Nacional de Educação – PNE .................... Capítulo 5 – A Constituição Federal ................................................. Unidade I – Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo ....... Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa ................................................................................................................................................................................ Capítulo 10 – A Construção da Educação de Qualidade ................. Capítulo 1 – Fundamentos da Educação ........................................................ Referências .................................... Capítulo 3 – Educação x Instrução .......................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................... Capítulo 2 – Os Saberes Necessários à Educação para o Século XXI ..................................................................................................... Introdução ......................................................... Unidade III – Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico ............................................................................................................... Unidade II – Fundamentos Legais da Educação Brasileira ....................................................

material elaborado com o objetivo de contribuir para a realização e o desenvolvimento de seus estudos. que farão parte das atividades avaliativas do curso. Bem-vindo à disciplina Fundamentos da Educação Brasileira. serão indicadas também fontes de consulta para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. podemos estar muito próximos. há uma data limite para a conclusão do curso. Desejamos a você um trabalho proveitoso sobre os temas abordados nesta disciplina! Lembre-se de que. apesar de distantes. Eles serão abordados por meio de textos básicos. cabendo a você administrar seu tempo conforme a sua disponibilidade.Apresentação Caro aluno. A carga horária desta disciplina é de 60 (sessenta) horas. que contém as respectivas pontuações e prazos determinados. lembre-se. conheça os objetivos da disciplina. Mas. com questões para reflexão. Os conteúdos foram organizados em unidades de estudo. a organização dos temas e o número aproximado de horas de estudo que devem ser dedicadas a cada unidade. assim como para a ampliação de seus conhecimentos no tocante ao ensino de Fundamentos da Educação Brasileira. implicando a apresentação ao seu tutor das atividades avaliativas indicadas na folha anexa. Para que você se informe sobre o conteúdo a ser estudado nas próximas semanas. A Coordenação do PosEAD Fundamentos da Educação Brasileira 4 . subdivididas em capítulos de forma didática. Este é o nosso Caderno de Estudos. objetiva e coerente.

Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Apresentação: Mensagem da Coordenação do PosEAD. Organização da Disciplina: Apresentação dos objetivos e da carga horária das unidades. Sugestão de leituras. com a intenção de instigá-lo a prosseguir com a reflexão. Introdução: Contextualização do estudo a ser desenvolvido por você na disciplina. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. filmes. para lhe apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico. com o objetivo pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem. Textos para leitura complementar: Novos textos. exemplos e sugestões. ao final do Caderno. Para refletir: Questões inseridas durante o estudo da disciplina. O importante é verificar seus conhecimentos. Pós-Graduação a Distância 5 Praticando: Atividades sugeridas. para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. Registre sua visão. conceitos de dicionários. Referências: Bibliografia citada na elaboração do curso. . Ícones utilizados no material didático Provocação: Pensamentos inseridos no material didático para provocar a reflexão sobre sua prática e seus sentimentos ao desenvolver os estudos em cada disciplina. no decorrer das leituras. sites e pesquisas: Aprofundamento das discussões. indicando a importância desta para sua formação acadêmica. sem se preocupar com o conteúdo do texto. Sintetizando e enriquecendo nossas informações: Espaço para você fazer uma síntese dos textos e enriquecê-los com sua contribuição pessoal. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. suas experiências e seus sentimentos. Para (não) finalizar: Texto. trechos de textos referenciais.

Fundamentos Legais da Educação Brasileira. metodológicos e éticos que regem a educação brasileira e a sua aplicabilidade na ação educativa. novas tecnologias de comunicação e competências na formação do profissional de educação. Unidade I – Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Carga horária: 10 horas Conteúdo Fundamentos da Educação Os Saberes Necessários à Educação para o Século XXI Educação x Instrução A Função Social da Escola e dos demais Espaços Educativos no Mundo Contemporâneo Capítulo 1 2 3 4 Unidade II – Fundamentos Legais da Educação Brasileira Carga horária: 20 horas Conteúdo A Constituição Federal A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a LDB em foco O Plano Nacional de Educação – PNE Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE Capítulo 5 6 7 8 9 Fundamentos da Educação Brasileira Unidade III – Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Carga horária: 20 horas Conteúdo A Construção da Educação de Qualidade A Inclusão: Valorização das Diferenças Autonomia dos Espaços Educativos Tecnologias na Educação: Inclusão Digital Capítulo 10 11 12 13 6 . • Refletir sobre os fundamentos legais que regem a educação brasileira na atualidade. Objetivos: • Ampliar conhecimentos teóricos acerca das concepções de educação no mundo contemporâneo. inclusão. Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico e suas Implicações na Ação Educativa. • Aprofundar conhecimentos teóricos sobre as tendências atuais do pensamento pedagógico com enfoque na construção da educação de qualidade. • Estimular a reflexão crítica sobre aspectos relacionados aos fundamentos teóricos.Organização da Disciplina Ementa: Concepções de Educação no Mundo Contemporâneo. • Refletir sobre as questões pertinentes à ação docente e às tendências pedagógicas desenvolvidas no espaço escolar.

Organização da Disciplina Unidade IV – A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Carga horária: 10 horas Conteúdo Ética nas Relações Práxis Pedagógica – Ação-Reflexão-Ação Formação Continuada do Profissional de Educação Capítulo 14 15 16 Pós-Graduação a Distância 7 .

com enfoque na inclusão digital. embasadas na ação-reflexão-ação.Introdução O Caderno de Estudos da disciplina Fundamentos da Educação Brasileira tem como foco os estudos da concepção pós-crítica e seus reflexos na prática docente. aqui. ainda. da tecnologia na educação. ainda. Em cada unidade. nosso primeiro contato. você tenha ampliado seus conhecimentos sobre os fundamentos da educação brasileira e refletido sobre a sua função de educador. discorremos sobre assuntos que favorecem o aprofundamento de conhecimentos direcionados às reflexões acerca das concepções de educação do Mundo Contemporâneo. Tratam. Antes de virar esta página. discorrer sobre as práxis pedagógicas. A primeira unidade enfoca estudos que indicam novos parâmetros para a prática pedagógica oriundos de saberes necessários à educação para o século XXI e. leia a mensagem a seguir: “A vida também requer reflexões. reflexões sobre olhares e práticas educacionais que reverberam na função social da escola e dos demais espaços educativos. Relembra as diretrizes e os Parâmetros Curriculares como referencial para as atividades do educador em exercício. amizade e aceitação. e repensar a formação continuada do profissional de educação como fonte de interação em um mundo em constantes mudanças. redirecionamentos. Iniciamos. ao promover reflexões acerca da ética nas relações. às tendências atuais do pensamento pedagógico e à ação docente e tendências pedagógicas. paciência. Na segunda unidade. As tendências atuais do pensamento pedagógico. ao término desta disciplina. e das competências do profissional de educação. As instâncias hierarquicamente definidas garantem o cumprimento de normas educativas de modo a favorecer uma atuação profissional de qualidade no espaço escolar. os fundamentos legais da educação brasileira foram abordados considerando a importância de preservar aspectos definidos por lei e o seu reflexo na prática docente. Na quarta unidade. aos fundamentos legais da educação brasileira. da inclusão como maneira de minimizar as diferenças. Esperamos que. Possibilita. enfocam a construção da educação de qualidade com a proposta de participação ativa da comunidade nas decisões que garantam a autonomia e a gestão democrática.” Denise Raposo Fundamentos da Educação Brasileira 8 . discute ações docentes instrutivas transformadas em educativas. a ação docente e as tendências pedagógicas finalizam as discussões deste Caderno. na terceira unidade.

mas pediu que não fosse nomeado o parafuso. capaz de produzir com qualidade todos os móveis. pois ela era muito áspera no tratamento com os demais. Pós-Graduação a Distância 9 • o metro era preciso e exato. 57-580) . alegando que ele fazia muitas voltas para atingir seus objetivos. Os argumentos foram: fazia demasiado barulho e. 2008. Quando o marceneiro foi embora. gerando muitos atritos. como se fosse o único perfeito. mas por sua vez pediu que não indicasse a lixa para a presidência. em vez de pensarmos em nossas fraquezas. ficou demonstrado que temos defeitos. basicamente. aceitação e acolhimento das diferenças são elementos indispensáveis para o trabalho em equipe (. juntou todas as ferramentas e iniciou o seu trabalho. que sempre media os outros segundo a sua medida. o parafuso. Blumenau-SC: Odorizzi. uma reunião para ouvir as observações de seus companheiros de trabalho.. E a rústica madeira se converteu em belos móveis. O martelo estava exercendo a presidência. e perceberam que respeito. A lixa acatou.).. • a lixa era especial para limpar e afinar asperezas. Fonte: (Extraído do texto de RAMOS. Diante da colocação do martelo. Portanto. passava todo tempo golpeando os objetos. entrou o marceneiro. além do mais. com a condição de que não se nomeasse o metro.. devemos nos concentrar em nossos pontos fortes. mas os companheiros exigiram que ele renunciasse. mas o marceneiro trabalhou com nossas qualidades. O martelo aceitou sua culpa.. as ferramentas voltaram à discussão. Sentiram-se como uma equipe. o parafuso concordou. as ferramentas de uma marcenaria fizeram uma assembléia.. Então a assembléia entendeu que: • o martelo era forte. Foi. Educação Inclusiva: histórias que (des)encantam a educação. Utilizou o martelo. ressaltando nossos pontos valiosos.Introdução Unidade na Diversidade Com o propósito de acertar suas diferenças.. a lixa o metro. Neste momento. Mas o serrote adiantou-se e disse: — Prezados companheiros. Paulo. • o parafuso unia e dava força.

Fundamentos da Educação Brasileira Introdução 10 .

sociológicas. começar nossa reflexão respondendo às seguintes questões: • Educar para quê? • Educar quem? • Educar para que tipo de sociedade? • Educar a partir de quais princípios e valores? Conseguiu responder às questões? A que conclusões você chegou? Pós-Graduação a Distância 11 Educação e sociedade De acordo com Silva (2001).Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Unidade I Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Capítulo 1 – Fundamentos da Educação Andréa Studart Corrêa Galvão “Toda educação varia sempre em função de uma concepção de vida.) Você concorda com essa ideia? Justifique seu pensamento. pela estrutura da sociedade (. com vistas à atuação objetiva na realidade educacional. é necessário refletir sobre questões filosóficas. é conhecer e compreender os alicerces do processo educativo. então. históricas. 1931.). 1931). Vamos. Dessa forma. a filosofia predominante determinada a seu turno. em cada época.. Tratar dos Fundamentos da Educação é tratar de concepções de vida e de sociedade. (Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova.. refletindo.” (Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. ela visa promover mudanças relativamente permanentes nos indivíduos. de modo a favorecer . teóricas e pedagógicas da Educação. Para tanto. a educação tem como finalidade formar o ser humano desejável para um determinado tipo de sociedade. econômicas.

questões histórico-sociais. raça. gênero. colocando em pauta temas relacionados ao poder. cada época irá enunciar as suas finalidades.. libertar-se das opressões sociais e culturais e atuar no desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária. alteridade. visando respeito. Isso envolve questões filosóficas como valores. multiculturalismo. consequentemente. etnia. adotando determinada tendência pedagógica.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I o desenvolvimento integral do homem na sociedade. a relações e classes sociais.blogger. A ideia central é a de que por meio da educação o indivíduo acolha e respeite as diferenças. pois “sob a aparente diferença há uma mesma humanidade” (SILVA. Fundamentos da Educação Brasileira Figura 1 Disponível em: <http://bp3. se essa for a sua finalidade. podem-se identificar várias concepções. por meio de um conjunto de relações estabelecidas nas diferentes formas de se adquirir. ao capitalismo. saber e poder. cultura. Portanto. de forma a acolher a diversidade do mundo contemporâneo. diferenças. teóricas e pedagógicas que estão na base do processo educativo. 86) Assim. sociais. p. de forma a conscientizar o educando acerca das desigualdades e injustiças sociais. Além disso. transmitir e produzir conhecimentos busca-se a construção de uma sociedade. 2001. A concepção pós-crítica foca temas relacionados a identidade. questões econômicas. o educando será capaz de emancipar-se. Assim. à participação etc. A concepção tradicional enfatiza o ensino e a aprendizagem de conteúdos a partir de uma metodologia rigorosamente planejada. é fundamental que a educação atinja a vida das pessoas e da coletividade em todos os âmbitos. tendo em vista os ideais da formação do homem para a sociedade de cada época. a crítica e a pós-crítica. com foco na eficiência. Silva (ibidem) afirma que as principais correntes pedagógicas identificadas no Brasil são: a tradicional.bmp> 12 . Na história da educação brasileira.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. subjetividade. tolerância e convivência pacífica entre as diferentes culturas. A concepção de educação está diretamente relacionada à concepção de sociedade. A partir do desenvolvimento da consciência crítica e participativa. visando à expansão dos horizontes pessoais e. ela pode favorecer o desenvolvimento de uma visão mais participativa. A concepção crítica aborda questões ideológicas. crítica e reflexiva dos grupos nas decisões dos assuntos que lhes dizem respeito.

de acordo com a concepção de vida e com a estrutura da sociedade. apontando-a como uma das alternativas para a formação da dignidade da pessoa humana.php?script=sci_arttext&pid=S010288392000000200002&lng=pt&nrm=iso>.394/96).scielo. São Paulo Perspectivas. 1º da Constituição Federal de 1988 que. que trata das Diretrizes e Bases da Educação Nacional. pensando no desenvolvimento que educa e em educação que desenvolve. São Paulo. 2. Perspectivas atuais da educação. em seu bojo. 14. v. As concepções atuais da educação apontam para o desenvolvimento do ser humano como um todo. Em seus primeiros artigos há a seguinte notação: “a educação. portanto. Agora responda à seguinte questão: Quais são as concepções da Educação Básica? Será que os seus elementos se diferem dos da educação de modo geral? Há questões específicas? Quais? Vejamos como exemplo o Inciso III do art. de 20 de dezembro de 1996. é a Lei nº 9. abordaremos os quatro pilares da educação. de seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (Lei nº 9. no Brasil. Uma educação que carrega. privilegia a educação. Disponível em: http://www. mais conhecida como LDB. n. Torna-se imprescindível. Moacir. será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade.br/scielo. visando ao pleno desenvolvimento da pessoa. reafirmando seu papel nas transformações pelas quais vêm passando as sociedades contemporâneas e assumindo um compromisso cada vez maior com a formação para a cidadania. direito de todos e dever do Estado e da família. Reflita sobre as concepções que foram descritas e procure relativizar à sua formação acadêmica.394.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Antes de continuar. que façamos uma conexão entre educação e desenvolvimento. Pós-Graduação a Distância 13 No próximo capítulo. 2000. a utopia de construir essa sociedade como forma de vida tem como tema constitutivo o desenvolvimento integral do ser humano. . dentro da concepção pós-crítica. Como vimos. faça a seguinte reflexão: Identificamos alguns elementos que envolvem as concepções da educação de modo geral. a fim de vislumbrarmos uma sociedade mais democrática e justa. GADOTTI. ao tratar de seus fundamentos essenciais. encontrar-se-ão fundamentos para o desenvolvimento do ser humano. qualquer que seja o ângulo pelo qual observamos a educação. de acordo com as mudanças propostas para o século XXI. Outro texto jurídico que analisa as finalidades da educação.

decidir a melhor maneira de intervir para obter bons resultados com eficácia e economia de meios. sensoriais. considerando o uso popular do conceito. sobre saberes e saber-fazer dentro da concepção pós-crítica. p.). 14 . mais especificamente. 2-3): a competência já era utilizada na Idade Média pela linguagem jurídica: os juristas designavam tribunais “competentes” para um determinado tipo de julgamento a pessoas ou instituições “com competência” para realizar certos atos juridicamente válidos (ISAMBERT-JAMATI. Fundamentos da Educação Brasileira Agora que já conhecemos a origem e o significado da noção de competência. para a Educação. de tal forma que essa pessoa saiba: identificar aspectos pertinentes ou disfunções ligadas a diversas situações próprias dessa área de domínio. em 1990. de modo a aproveitar e explorar. A diversificação desses assuntos contribui para a transformação da visão das pessoas que se interessam em compreender a realidade. em que foram discutidos e definidos os quatro pilares da educação. ocorrida em Jomtien. tem percebido as mudanças que têm proporcionado à sociedade experienciar novas maneiras de acesso a conhecimentos. fundamentados em estudos disponibilizados nas diferenciadas redes de informações. 1 Relatório elaborado na Conferência Mundial de Educação para o Século XXI. Ainda hoje. reflita sobre a seguinte questão: Em quais ações você se considera mais competente no campo profissional? Continuando as nossas reflexões acerca das mudanças na atualidade. aprofundamento. dentro da concepção pós-crítica adequada à civilização cognitiva – fundamenta as bases das competências do futuro. é importante recorrer ao Relatório de Delors1. reconhecer uma pessoa com competência é atribuir-lhe um domínio suficiente em uma determinada área. o conceito de competência foi sendo vinculado. as oportunidades de atualização. Segundo Araújo (2003. a uma capacidade reconhecida de ação ou de expressão sobre determinados assuntos. idem). enriquecimento de conhecimentos e de adaptação ao mundo em constantes mudanças (DELORS. na Tailândia. in: ARAÚJO. 2001). Antes de continuarmos as nossas reflexões sobre as concepções de educação contemporânea. ao longo da vida. a Ciência e a Cultura. comportamentais etc. bem como a trajetória histórica das concepções de mundo. a origem e o significado da noção de competências. 2003). Ao longo dos anos. certamente. compreenda. Como você tem experienciado essas mudanças em sua prática profissional? Essa massificação de informações – ao disponibilizar saberes e saber-fazer. utilizar técnicas e métodos definidos. modificar e combinar vários esquemas (lógicos. 1997. coordenada por Jacques Delors (2001) e entregue à Unesco – Organização das Nações Unidas.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Capítulo 2 – Os Saberes Necessários à Educação para o Século XXI Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Você. ajustandoos em função do uso requerido a cada situação (ISAMBERT-JAMATI. de forma mais geral.

A Comissão defende a concepção de que esse mundo é compreendido a partir do aumento de saberes que ampliam o nosso campo de conhecimento. reanimar e fortalecer o seu potencial criativo – revelar o tesouro escondido em cada um de nós” (DELORS.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. p. possibilita-se o desenvolvimento da capacidade de discernir decorrente da autonomia para visualizar ambientes sob diferenciados pontos de vista. denominadas os quatro pilares da educação: aprender a conhecer – adquirir os instrumentos da compreensão. a visão de educação ultrapassaria o sentido puramente instrumental e chegaria à sua plenitude ao desenvolver a realização pessoal do indivíduo. o aprender a fazer. Considerando a concepção de aprender a conhecer. a vontade de aprender. Desse modo. A Comissão propôs. entre outros aspectos que permitam ao indivíduo compreender o real. os educadores deverão ser competentes e sensíveis às necessidades. aprender a fazer – agir sobre o meio envolvente. também. respeitando as estratégias. de modo a exercitar a atenção. visto que pode ser enriquecida à medida que interagimos com o mundo que nos cerca. aprender a ser – integrar as três precedentes. Um outro aspecto importante proposto pela Comissão para aprender a conhecer se refere ao desenvolvimento da pesquisa científica como fonte de conhecimento.90). aprender a viver junto – participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas. Em sentido mais amplo. op. que ambos são necessários à organização do pensamento. primeiro pilar proposto. ainda. Ao compilarem os resultados das propostas de novos objetivos para a educação. A combinação dos dois métodos científicos antagônicos – dedutivo e indutivo – aplicados aos processos relacionados à aprendizagem ao longo da vida pode ser pertinente ao conhecimento na medida em que se observa. às dificuldades e à diversidade dos aprendizes. Ao iniciarmos o estudo do segundo pilar da educação.. na maior parte das vezes. multifacetada e inacabada. de modo a querer sempre saber mais e melhor. cabe uma reflexão: O “aprender a conhecer” pode estar dissociado do “aprender a fazer”? Figura 2 Disponível em: < http://bp3. os ritmos e os estilos de aprendizagem de cada educando e. a capacidade de aprender a aprender.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I A proposta dos membros dos países signatários (países que assinaram o relatório) que participaram da Comissão Mundial sobre Educação foi a de enfrentar os desafios para o século XXI e indicar novos objetivos direcionados à educação. apresentando metodologias que proporcionem o desejo de conhecer. a aprendizagem do conhecimento é contínua. pode-se desenvolver. de construir as suas próprias opiniões e seu pensamento crítico. a Comissão compreendeu que a educação deve estar organizada em quatro aprendizagens fundamentais. Com isso. a memória e o pensamento.bmp> Pós-Graduação a Distância 15 . “devia fazer com que todos pudessem descobrir. bem como o despertar da curiosidade intelectual. Ao despertar no aprendiz esse processo.blogger. A aprendizagem direcionada para esse foco está relacionada aos processos cognitivos por excelência. aprender a conhecer pode significar aprender a aprender. Para tanto. mais especificamente. disponibilizar uma nova concepção de maneira ampliada sobre a educação. cit.

na capacidade de iniciativa. pense um pouco sobre a seguinte questão: Como contribuir para “aprender a viver junto” com as outras pessoas? Fundamentos da Educação Brasileira Figura 3 Disponível em: <http://bp3. Partindo do pressuposto de que o aprender a fazer está intimamente ligado ao aprender a conhecer. Imagine como seria essa aprendizagem. esse profissional deve ter competências “que se apresentam como uma espécie de coquetel individual. Entretanto. Pense em um profissional de educação que irá mediar saberes sobre determinado assunto e que não tenha conhecimento teórico que fundamente a sua ação docente.bmp> 16 . p.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I É importante refletir sobre a questão apresentada e elaborar uma síntese pessoal a esse respeito. A Revolução Industrial do século XX substituiu o trabalho humano por máquinas e provocou a necessidade de se desenvolver tarefas repetitivas para atuar nas fábricas. no gosto pelo risco” (Ibid. As mudanças no campo profissional decorrentes de progresso técnico e tecnológico modificam as exigências de qualificação.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. no relatório. o aprender a fazer. 94). pela busca do compromisso pessoal do trabalhador. no comportamento social. ainda em grande escala. vamos retornar ao relatório elaborado pela Comissão Mundial de Educação e identificar qual foi a linha de pensamento que fundamentou tal pilar.93). Agora que você concluiu suas reflexões sobre o segundo pilar da educação. 2001. p. Para atender a essas exigências. “o caso das economias industriais onde domina o trabalho assalariado do das outras economias onde domina. na aptidão para o trabalho em equipe. em sentido estrito. combinando a qualificação. aprender a fazer não pode ser mais direcionado para práticas rotineiras que impossibilitem as pessoas de refletir sobre a sua ação. 2001.blogger. o trabalho independente ou informal” (Ibid. A referida Comissão menciona. em todos os níveis. adquirida na formação técnica e profissional.

caracterizadas pelo clima de concorrência. e ao longo de toda a vida. p. p. pela comunidade e em espaços educativos. de modo que crianças. reforçam a competição e. espiritualidade” (Ibid 2001. 2001. para nenhuma “comportamentos sociais ao longo de toda a vida” (DELORS. a participação em projetos comuns que para ser um método eficaz deve evitar ou resolver conflitos latentes. iniciando pela família.com/_mmP80g0QO-U/R1KAnPYXk7I/AAAAAAAACA0/O6H-g_p6mmI/s400/MAFA. A Comissão Mundial de Educação destacou que na história da humanidade sempre houve conflitos violentos. O que fazer para melhorar a situação? (Ibidem. o trabalho em conjunto ameniza as diferenças. inteligência. torna-se fundamental pensar em como o ensino e a aprendizagem influenciam no terceiro pilar. pois. Entretanto. Num primeiro nível. bem como as desigualdades sociais.blogger. a educação deve aproveitar todas as possibilidades para que a aprendizagem ocorra a partir das descobertas de si com e para com o outro. sobremaneira. sentido estético. a Comissão de países signatários foi contundente no sentido de reafirmar que a “educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo. o sucesso individual. mais fortalecidos na atualidade. aprender a viver juntos ou a conviver. O terceiro pilar reforça o propósito de aprender a conviver como forma de minimizar conflitos no processo de aprendizagem e na convivência com os outros. a descoberta progressiva do outro. Ao refletir sobre a afirmativa anterior. levantamos o seguinte questionamento: Antes de aprender a conviver não temos de aprender a ser? Figura 4 Disponível em: <http://bp3. consequentemente. Num segundo nível. p. As tentativas de ensinar a não violência nos espaços educativos foram consideradas uma maneira positiva de se lutar contra preconceitos que geram conflitos. Nessa perspectiva. responsabilidade pessoal.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Ao refletir sobre a questão posta. as atividades econômicas desenvolvidas no interior de cada país. 97): Parece. do ponto de vista macro. quando tende a atingir objetivos comuns. perpassando pela escola.bmp> Ao iniciar as discussões na Conferência Mundial de Educação. adolescentes. Portanto. especialmente entre as pessoas com as quais convive. Pós-Graduação a Distância 17 . o que contribuirá. em virtude do potencial de destruição evidenciado nos séculos XX e XXI. adultos e pessoas da terceira idade desenvolvam atitudes de empatia. sensibilidade. 98). 2001. que a educação deve utilizar duas vias complementares. as quais “divide nações do mundo e exarceba as rivalidades históricas”. podendo até desaparecer em alguns casos. 99).

discernimento e responsabilidade pessoal. aprender a fazer. 100). complementar e multifacetada. tomar decisões nas diferenciadas situações do cotidiano. aprender a ser. • Aprender a viver juntos desenvolve a compreensão do outro e a percepção das interdependências – realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos – no respeito pelos valores do pluralismo. em detrimento de outras formas de aprendizagem. O que também significa: aprender a aprender. Mencionaram como preocupação para este século. cidadão. Para isso. na educação. a Comissão postula: O desenvolvimento tem por objeto a realização completa do homem. desde a juventude. membro de uma família e de uma coletividade. p. não negligenciar. • Aprender a fazer. fruto do contexto local ou nacional. para beneficiar-se das oportunidades oferecidas pela educação ao longo de toda a vida. 2001. p. inventor de técnicas e criador de sonhos (Ibid. donos do seu próprio destino” (Ibid. no futuro. • Aprender a ser. Desse modo. de uma maneira mais ampla. Na perspectiva dos quatro pilares da educação. de maneira multifuncional. E. quer espontaneamente. Essa perspectiva deve. no âmbito das diversas experiências sociais ou de trabalhos que se oferecem às pessoas. que o ser deve ter “liberdade de pensamento. produto. competências que tornem a pessoa apta a enfrentar numerosas situações e a trabalhar em equipe. aprender a viver juntos.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Os membros participantes da Conferência consideram que todo o ser humano deve ser preparado. da compreensão mútua e da paz. para melhor desenvolver a sua personalidade. p. ainda. importa conceber a educação como um todo. • Numa altura em que os sistemas educativos formais tendem a privilegiar o acesso ao conhecimento. em toda a sua riqueza e na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos: indivíduo. discernimento. suficientemente vasta. nenhuma das potencialidades de cada indivíduo: memória. graças ao desenvolvimento do ensino alternado com o trabalho. quer formalmente. Fundamentos da Educação Brasileira 18 . combinando uma cultura geral.101). aprender a fazer. não somente uma qualificação profissional mas. capacidades físicas. sentimento e imaginação de que necessitam para desenvolver os seus talentos e permanecerem. aptidão para comunicar-se. raciocínio. para a formulação de juízos de valor e. sentido estético. tanto em nível da elaboração de programas quanto na definição de novas políticas pedagógicas. atinge a relação com o outro a partir de uma construção social interativa. também. Mas. desse modo. • Aprender a conhecer. Fonte: Delors (2001. com a possibilidade de trabalhar em profundidade um pequeno número de matérias. para o desenvolvimento de pensamentos autônomos e críticos. assim. 2001. a completude do ser humano ao longo do ciclo de vida se apóia em um processo dialético que parte do conhecimento de si e. a fim de adquirir. tanto quanto possível. é estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia. Pistas e recomendações: • A Educação ao longo de toda a vida baseia-se em quatro pilares: aprender a conhecer. a necessidade de fornecer às pessoas forças e referências intelectuais de modo a compreenderem e comportarem-se no mundo que os cerca como atores responsáveis e justos. Portanto. o desenvolvimento se dá em todo momento e em todos os lugares. inspirar e orientar as reformas educativas. 101-102).

ocorria em horários rígidos de início e fim dos momentos de estudo. Assim. massas de estudantes coordenadas por professores. Ao longo deste capítulo. A escola surgiu no século XVIII. reflita sobre a seguinte questão: Como podemos vivenciar as mudanças na concepção de educação no ambiente escolar? Para entender as mudanças propostas no relatório da Unesco. foi criado um sistema educacional que reuniu. A partir da síntese desse exercício. em um mesmo espaço. é importante retornar à história da educação para compreender o ambiente no qual a escola está inserida. elabore uma proposta de trabalho indicando como você poderia direcionar suas ações nas quais atua. Para minimizar o tempo e aumentar os lucros. os membros da Comissão pensaram em uma educação que proporcione ao ser humano o desenvolvimento na sua integralidade. as mudanças na educação ainda são incipientes considerando que replicamos aquilo que nos parece familiar e o que comumente não nos exige o confronto com novas situações cotidianas. você refletiu sobre as questões abordadas nos Quatro Pilares da Educação. às estratégias e aos estilos de aprendizagem. . com carteiras enfileiradas em lugares predeterminados. Para reforçar seus conhecimentos. de modo que todos os estudantes aprendessem as mesmas coisas.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Como vimos. desconsiderando a individualidade e as diferenças dos aprendentes no que se refere aos ritmos. ao mesmo tempo. faça. Essa padronização de conteúdos e metodologias de ensino. no contexto histórico da Revolução Industrial. Será que estamos falando sobre a realidade educacional vivenciada no século XVIII ou no século XXI? Pós-Graduação a Distância 19 Como podemos observar. dentro da complexidade de um mundo voltado para o trabalho repetitivo. o aprendizado foi hierarquizado em séries. na Inglaterra. atividade a seguir: Embasado nos quatro pilares da educação.

Brasília. atualmente. Para saber mais sobre os Quatro Pilares da Educação. Algumas ações dos educadores ainda persistem com o tempo.com. Educação: um tesouro a descobrir. 20 . 6.br/images?as_st=y&gbv=2&um=1&hl=pt-BR&client=firefox-a&channel=s&rls=org. No próximo capítulo. São Paulo: Cortez. Jacques (org). sugerimos a leitura da obra: Fundamentos da Educação Brasileira DELORS.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Antes de continuarmos. Entretanto.google. vivenciamos a concepção pós-crítica. qual seria objetivo do trabalho docente: a educação ou a instrução? Figura 5 Fonte: <http://images. ed. Nesse contexto. DF: UNESCO. abordaremos a relação educação x instrução com o intuito de refletirmos sobre o trabalho docente e as possibilidades de mudanças no ambiente educativo.faça uma breve reflexão: As concepções de educação se diversificaram ao longo da história da humanidade. 2001.mozilla%3Apt-BR%3Aofficial&q= %22desenho+animado%22+%22escola+ao+ar+livre%22&btnG=Pesquisar+imagens>. Lembre-se de que a proposta dos quatro pilares da educação é decorrente de discussões que buscam ampliar as possibilidades de transformação de um ensino instrucional para uma educação que busque o desenvolvimento integral de seus educandos.

é fundamental compreender que há diversos conceitos de educação. é. “instruir” e “treinar”? Quais? Justifique. Acrescenta que os mestres desempenham o papel de executores de planos e projetos elaborados por outrem e. visto que utiliza o reflexo condicionado. e de se adaptar a um mundo em mudança. trabalhador capaz de realizar tarefas repetitivas com perfeição. são destinados às avaliações escolares e direcionados à identificação de indicadores de desempenho dos alunos. tornou-se necessário preparar indivíduos que sustentassem o sistema econômico com mão de obra qualificada. Entretanto. Delors (2001) menciona que a educação não pode ser reduzida ao acúmulo de conhecimentos para o desenvolvimento de projetos individuais e coletivos.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Capítulo 3 – Educação X Instrução Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Ao iniciarmos os estudos sobre a relação entre educação e instrução. Pós-Graduação a Distância 21 . aprofundar e enriquecer esses primeiros conhecimentos. as mudanças que ocorreram na sociedade nos últimos séculos trouxeram uma nova concepção de educação. evidenciadas nas interações que ocorrem no ambiente escolar. com a expansão do capitalismo. Gómez (1998) nos ajuda a reforçar a distinção entre instrução e educação quando afirma que a segunda trata de um processo para além da transmissão e da troca de conhecimentos. passou ser sinônimo de educação. ou seja. necessário estar à altura de aproveitar e explorar. A instrução. e que não previa educação escolar para os filhos de trabalhadores. e consequentemente. do comércio e da indústria.. a escola pode contribuir para que o aluno construa sua autonomia como aprendiz e aprenda o sentido da participação. nesse contexto. do começo ao fim da vida. todas as ocasiões de atualizar. Demo (1994) ressalta que a habilidade obtida em processos direcionados apenas ao ensino e à aprendizagem mecânica pode ser configurada como uma cópia ou imitação.. dos valores de interação social etc. Isso nos conduz a refletir sobre esse fenômeno de maneira mais abrangente. antes. Trata-se do período pré-industrial em que o clero era responsável pela educação de pessoas. os quais ultrapassam os muros da escola e são vivenciados ao longo da vida. Afirma que conteúdos abordados oficialmente nos currículos. Nesse sentido.” Você concorda com a afirmativa de Delors? Por quê? Voltemos ao contexto histórico em que foram submetidos os estudos direcionados à produção para atender ao mundo capitalista. conforme estudamos nos capítulos 1 e 2. do respeito à diferença. deste caderno. da solidariedade. o aluno é considerado “treinado”. Figura 6 – Reflexo condicionado Existe diferença entre os termos “educar”. comumente. “ensinar”. Afirma que “. naquele contexto. Embora determinada socialmente. Contudo. e que esses conteúdos podem ser rapidamente esquecidos.. das normas.

Em uma concepção de formação “do professor como intelectual crítico. como forma de superar a ruptura entre a formação do professor e a do aluno. instruir (se). como você descreveria a distinção entre instrução e educação? Dentro desse contexto de constantes mudanças nas práticas pedagógicas. 2003. É nessa perspectiva que surgiu a Lei de Diretrizes e Bases – LDB.: trenar] treinamento sm. Adquirir conhecimento (p. V. lecionar. instruir. qual é a função social da escola na educação contemporânea? . Lei nº 9. 185). e p. 1. p. de modo que suas práticas pedagógicas estejam em consonância com a construção de competências e habilidades. adestrar. Orientação Educacional. Goiânia: Alternativa. de 20 de dezembro de 1996. profissional reflexivo. ensinar. ou sua própria educação. consideramos que há entre elas aproximações (quanto aos seus fins) e especificidades (quanto aos seus sentidos). Adestrar. Planejamento Educacional. a formação continuada de profissionais de educação que atuam em diferenciadas áreas do conhecimento.t. 3. Castigar. instruir e treinar recorremos ao dicionário FERREIRA (1989) e encontramos as seguintes definições: a) Educar v. 1. educador (o) adj. b) Ensinar v. 2. focando na adequação de práticas pedagógicas voltadas para a construção de competências e habilidades. 4. 2. [Var. também integra a LDB. Exercitar-se para jogos desportivos ou para outros fins. (p. c) Instruir v. ensinar. 66).t. Fundamentos da Educação Brasileira 22 Após os estudos deste capítulo. José Carlos. 1. 4. Esclarecer. LIBÂNEO. Int. Educação para a Terceira Idade e a Educação Comunitária. Organização e gestão da escola. Promover a educação de (alguém). Lecionar (2) (p. Educação Profissional e Tecnológica.394. Ao observar a semântica dessas quatro palavras. 2003. Educação de Jovens e Adultos. (p. com vistas a subsidiar a reflexão sobre sua prática docente. habilitar. 3. d) Treinar v. treinar.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Para fundamentar a distinção entre educar. Transmitir conhecimento a. 2. participante qualificado na organização e gestão da escola” (LIBÂNEO. entendemos o papel fundamental da formação continuada desse profissional. 5. Tornar apto para determinada tarefa ou atividade. Pedagogia Hospitalar.t. pesquisador e elaborador de conhecimentos. Int. tais como: Gestão Escolar. e sm. Transmitir conhecimento a.t. 290). Educação Corporativa. informar. 508). 199). Ministrar o ensino de. Em um sentido mais amplo.

senta na cadeira e fica corrigindo as provas das outras salas e a gente não entende nada. nem craque nem lanterninha. mas na escola não sei nada. que é a Diretora de Ensino. tudo. Na vida da rua nunca precisei dessa coisa e também nunca vi ninguém fazendo aquilo. apresentamos uma carta escrita pelo aluno João dos Santos. Diretora. passa o exercício no quadro para a gente copiar.. 14 de novembro de 1995. tem merenda e às vezes livro e caderno. A professora dá a aula dela lá no quadro ou na carteira dela. mas eu não entendo nada e só tiro nota baixa. Rio de Janeiro. entendida esta como o conjunto de conhecimentos. solicitando aos dirigentes ajuda para lhe explicar a dicotomia por ele observada entre o aprendizado construído fora do ambiente escolar e os conteúdos abordados em sala de aula. enfim. De noite faço a lição quando tem o livro ou dever no caderno. faço o raciocínio de cabeça e não erro. só tiro 1 ou 2. Ela grita. os burros que estudem mais para aprender. Eu não sou inteligente para o ensino dela. mas configurado como agência educativa e cultural. Entrego o dinheiro à minha mãe e sempre está tudo certo. ciência. Por isso a professora disse pra eu escrever para senhora. porque não vou passar de ano outra vez. A turma toda está do mesmo jeito e todo mundo vai levar pau. João. eu vou pra escola de manhã e de tarde vou vender cafezinho na Lapa. que é produzido pelo homem em sua transcendência de natureza e que o constitui como ser histórico” (PARO. Nessa perspectiva. Fonte: Neubauer (2005. mas que “tá” ruim “tá”. filosofia. 2007. Vou me virar na rua. estudante da 5ª série. Se eu perder de novo. valores. Partindo da concepção da função social da escola descrita por Paro (2007). E por que eu aprendo a me virar na rua? Não sei se a senhora vai ajudar. Não tenho quem me leve e também não sei se é certo falar com a autoridade. crenças. Quando vendo o café. Mas de uns tempos pra cá estou com vontade de largar a escola. Pós-Graduação a Distância 23 . Sendo um dos indicadores da qualidade da escola. Conversei com a professora de religião e ela me disse para falar o problema na Secretaria. não quero mais saber de escola.16). que ensina mais que a escola. arte..Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Capítulo 4 – A Função Social da Escola e dos demais Espaços Educativos no Mundo Contemporâneo Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo A reflexão sobre a função social da escola pode ser iniciada pelo ambiente escolar. p. Sempre gostei da escola porque conheço muitas pessoas. nem seu Antônio lá do armazém. A “pro” diz que ela só passa quem sabe. Os problemas de Matemática não sei entender e nem sei para que servem aquelas expressões tão grandes. a educação é um processo de apropriação de cultura “. p. diz que com ela é assim. Diretora Estudo na 5ª série e sou um aluno médio. não tem jeito de passar com essa “pro”. porque ela viu a senhora falando com as Diretoras sobre os alunos que tomam pau na escola. esse ambiente não deve ser reduzido a um espaço de provimento de informações. 33). os professores ajudam a gente. Será que a Secretaria não pode mandar umas aulas a mais para ver se a gente aprende? Ou então será que não podia a gente passar e no outro ano a gente dava conta da Matemática com a ajuda da secretaria? Diretora. Sra.

20 linhas.. Ao considerar os conhecimentos construídos ao longo da vida. e sim de superá-los de maneira a alcançar as metas de uma educação integral e integrada.36) em uma determinada escola. entendemos que essas duas dimensões justificam os questionamentos de João. Nesse ponto. com uma professora e uma coordenadora pedagógica: a) Professora: Eu acho que em alguns momentos ela tá preparando muito. reflita: A escola prepara a pessoa para a vida? A vida prepara a pessoa para a escola? Sobre a primeira questão. aproximadamente. constatamos que duas docentes de Educação Básica – uma professora e uma representante da coordenação escolar – que trabalham diretamente com alunos. porque o professor desacredita que ele chegue lá.. Eu acho que a escola tem o papel fundamental de formação desse sujeito. no mundo. considerando as dimensões: individual e social. nas relações. aqui. Paro (2007. mas não se tem mais nem essa perspectiva. . a dissociação desses saberes desfavorece o entendimento da história de vida do ser humano.]. respectivamente.. p. citamos uma pesquisa efetuada por Paro (2007. para além de um ensino conteudista. conceitos e conhecimentos pra que ele possa. Encaminhe para o e-mail do tutor da disciplina. mas em alguns não [.. é impressionante.. retomamos a questão proposta: A escola prepara para a vida? Como? Para tentar respondê-la. Então. vestibular. b) Coordenadora Pedagógica: Eu acho que é desenvolver habilidades. por um lado.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Após a leitura da carta de João dos Santos. Por outro lado. 34) argumenta que em uma sociedade democrática a função social da escola pode ser sintetizada na formação do cidadão. sozinho. p. se defender. uma experiência pedagógica pessoal. na medida em que não há. Partindo desse pressuposto. e sim uma complementaridade. a educação realmente possibilitará ao aluno ser sujeito de sua aprendizagem. muito bem.) Acho que o que seria dado como preparo seria a postura mesmo. (. bem como os resultados e as suas considerações a respeito. Fundamentos da Educação Brasileira 24 E você? Como pode contribuir para que essa cultura seja transformada na escola? Descreva. em qualquer circunstância. Entre os resultados oriundos dos participantes da investigação. as ações planejadas e o que realmente foi realizado.) necessidade de convivência livre (entendida a liberdade como construção histórica) entre os sujeitos individuais e coletivos”. A primeira consiste na ação de protagonista de sua própria história e a segunda compreende a “(. uma fragmentação entre o saber e o saber-fazer. como a pessoa saber se comportar em determinados locais. ou que você conheça que tenha proporcionado mudanças do ponto de vista da função de um espaço educativo. não acreditam em suas potencialidades. Pontue com clareza o contexto em que foi desenvolvida a atividade.. nem tem mais essa preocupação. no mundo do trabalho. em. Quanto a formar para o vestibular. destacamos dois trechos das entrevistas realizadas. no trabalho. A partir dos trechos destacados. que às vezes ela não sabe se comportar. É importante ressaltar que não se trata de desconsiderar os conteúdos das disciplinas oferecidas nas matrizes curriculares.

por exemplo. hoje. 15) “. o trabalho e as práticas sociais (BRZEZINSKI. Assim. as taxas de repetência. em geral quantitativa. Além desses dois fatores. em virtude das repetências e do ingresso fora da idade adequada. apesar de a legislação educacional e de as orientações curriculares preconizarem o contrário? A LDB de 1996.br/Files/Site/Download/Nota_Tecnica_IDEB. foi desenvolvido o IDEB. Como podemos mudar essa realidade? Até o momento refletimos sobre questionamentos e possibilidades para mudar o rumo da realidade das escolas brasileiras. Segundo Januzzi (2004. a melhoria desses resultados implica. Nesse contexto. 1997). Apesar de o acesso à escola não ser considerado. como a Prova Brasil e o Enem (Inep/MEC).. a distorção idade-série também é considerada relevante. abandono e a baixa proficiência dos alunos ainda continuam elevadas. Por que isso ainda ocorre.pdf Estudos e pesquisas que definiram o IDEB indicam que estudantes reprovados na Educação Básica contribuem para o abandono da escola antes da completude das séries regulares. indicador que sistematiza informações relacionadas ao desempenho de exames padronizados que disponibilizam o rendimento escolar (taxa média de aprovação dos estudantes na etapa de ensino). 3º.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Agora que já socializamos experiências sobre a função social da escola. dotada de significado social substantivo. observamos que a vida tem lhe proporcionado aprendizagens desconsideradas ou mal-articuladas no currículo escolar. proposto pelo Ministério de Educação – MEC. a escola. abandono e com qualidade. em seu art. Esses estudos contribuíram para a formação do Índice de Desenvolvimento de Educação Básica – IDEB. Outro fator que chama a atenção nesses estudos se refere às pontuações insuficientes dos alunos em exames padronizados. essa realidade tem sido alvo de diversas avaliações visando compreender o porquê do elevado desempenho de algumas escolas em provas institucionais.. um problema. O IDEB é um indicador de qualidade educacional que combina informações de desempenho em exames padronizados (Prova Brasil ou Saeb) – obtido pelos estudantes ao final das etapas de ensino (4ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 3ª do Ensino Médio) – com informações sobre rendimento escolar (aprovação). respalda João dos Santos quando prevê em seus incisos X – valorização da experiência extra-escolar. Como você já deve ter ouvido falar.inep. repetência.” Pós-Graduação a Distância 25 . em acesso e permanência de crianças e adolescentes no ambiente escolar sem desperdício de tempo. Mas. tais como a Prova Brasil e o Enem. o que é um indicador? Vamos dar uma pausa para compreender o que significa Indicador.. de interesse teórico (para pesquisa acadêmica) ou programático (para formulação de políticas). um Indicador Social é uma medida. usada para substituir. vamos à segunda questão anteriormente proposta: A vida prepara a pessoa para a escola? De acordo com a carta de João dos Santos..gov. quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato. Fonte: http://ideb. necessariamente. p. e XI – vinculação entre a educação.

vamos retornar ao seu relato de experiência causadora de mudanças na escola em que você participa. resultados da Prova Brasil e do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). além do número de instituições de Ensino Superior existentes no local. Procure no site www. como fazer para que todos tenham acesso e possam permanecer na escola com oferta de um ensino de qualidade? Fundamentos da Educação Brasileira 26 Ao longo da história da educação. é bastante preocupante.73).39). Fonte: <http://portal. mas porque se supõe que a educação é formação do cidadão em sua integralidade. foram gerados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Agora que você já conhece o IDEB.mec. áreas remanescentes de quilombos e comunidades indígenas. média de alunos por turma. reprovação e abandono por série. as taxas de aprovação. da Europa e dos Estados Unidos – todas muito semelhantes. distorção idade-série e distorção idade-conclusão.” .mec. É possível ainda saber se na rede municipal ou estadual há escolas localizadas em áreas rurais. comparando-os com a sua experiência na referida escola. Índice de Desenvolvimento da Infância (IDI) e taxa de analfabetismo. Nesse sentido. sistematicamente. Especificamente sobre as redes de ensino. provoca o abandono dos estudos pelos alunos ao longo dos anos. Produto Interno Bruto (PIB). Constam ali também. a função educativa da instituição escolar não pode ser reduzida ao provimento de informações aos alunos com o intuito de prepará-los para o próximo período escolar ou mesmo para o mercado de trabalho. Há. o número de escolas e matrículas em cada nível de ensino da Educação Básica oferecida no município. Analise os resultados encontrados. ainda. seus estudantes e.gov. por um lado. são apresentadas as taxas de escolarização nos Ensino Fundamental e Médio.php?option=com_content&task=view&id=88 66&Itemid=&sistemas=1>. O conjunto de tabelas que constituem o IDEB traz informações sobre população. observa-se que a escola tem sido pensada como “um lugar capaz de solucionar alguns problemas da sociedade” (OLIVEIRA. também não é desejável que um aluno conclua seus estudos e não atinja um índice de proficiência satisfatório. Entretanto. “As chamadas ‘novas’ funções da escola são necessárias e importantes. Os indicadores.br/index. consequentemente. cuja fonte dos dados não é indicada nas tabelas. média diária de horas/aula e a relação matrícula/função docente. Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). número de matrículas em Programas de Correção de Fluxo. Por outro lado. constatar a existência de um sistema educacional que reprova. assentamentos. não apenas na dotação de informações. não apenas porque os tempos mudaram. vinculadas ao pensamento liberal – cabia-lhes o poder de resolver os problemas da sociedade e de fazer circular as informações.gov. Você já parou para pensar sobre as reprovações existentes nas escolas? Pensando bem.br os resultados do Ideb da escola relatada. 2003. Do ponto de vista das escolas públicas republicanas da França. p. p. Segundo Paro (2007.

Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Você sabia que nos 5.inep. supervisão e orientação educacional para a Educação Básica. planejamento. Ao longo da história. mas não com a mesma intensidade. garantida em seu Art.820 no Ensino Médio? E que a escola relatada por você integra um total aproximado de 235. a escola foi se constituindo em local privilegiado de convivência de crianças e jovens em razão da transformação/ restrição do espaço urbano. Psicopedagogo. Supervisor Escolar.gov. n. o que a transformou em espaço social privilegiado de convivência e em ponto de referência fundamental para a constituição de identidades. os processos de urbanização parecem ter outorgado à escola. a função de formação integral dos sujeitos. Atualmente. sugerimos a leitura do seguinte livro: Agora que refletimos sobre a função social da escola. enquanto isso. a escola se constitui.394/96. 2001. 64: “A formação de profissionais de educação para administração. no ano de 2006 (Inep.000 unidades de ensino do país? Fonte: http://www. Função social da escola e organização do trabalho pedagógico. de informação dos sujeitos. Assim. Professor. que integra diversificadas funções.282. a seguir. Curitiba.047 alunos na Educação Básica. Pode-se dizer que. José Geraldo Silveira. reflita sobre a função do educador em diferenciados espaços. 14. a despeito do nível de consciência dos dirigentes e professores das escolas. cada vez mais.944. embasada na proposta da LDBEN – 9. será feita em cursos de graduação em Pedagogia ou em Pós-Graduação a Distância 27 BUENO. inspeção.564 municípios do Brasil. foram matriculados 55.br/censo/basica/dataescolabrasil/ Leia o trecho. acerca da função da escola na atualidade. sendo 33. 101-110. a escola se constituiu no locus privilegiado de acesso aos bens culturais produzidos pela humanidade. p. 2001. Orientador Educacional. p.663 nas séries iniciais do Ensino Fundamental. nas regiões metropolitanas densamente povoadas.906. Educar em Revista. Para saber mais sobre a função social da escola. Isso ocorria no passado? Claro que sim. ou seja. no único espaço social de convivência de crianças desde os seis/sete anos de idade (BUENO. hoje. . 17. 2006). 105).063 de 5ª a 8ª e 8. outros espaços sociais e comunitários (como a ‘família ou a vizinhança’) detinham o papel de formação desses mesmos sujeitos. no mundo contemporâneo.942. Coordenador Pedagógico. tais como Gestor Escolar.

os quais se envolvem na troca de saberes entre a escola e a comunidade. que atendem a esses grupos tradicionalmente excluídos de seus direitos. favorecem a superação dessa realidade. garantida. É nesse contexto que esses profissionais. e portanto sejam. a Educação para a Terceira Idade e que elabora Planejamentos Educacionais. esse processo é ainda mais complexo porque exige que se passe de uma realidade dada como conhecida e certa para o desconhecido. em ambientes que se tornem espaços de aprendizagem e que atendam aos preceitos legais. em uma perspectiva mais abrangente. a influência. em proveito apenas de quem já detém a riqueza. para o imprevisível. complexidades e singularidades dessa realidade. também está relacionada ao contexto de inclusão educacional? No que se refere à educação profissional. Como o Pedagogo poderá transformar outros ambientes que não o da escola. Nessa perspectiva. Fundamentos da Educação Brasileira 28 Mas. a Educação Profissional e Tecnológica. que trabalha com a Educação de Jovens e Adultos. no reconhecimento do valor de cada um e na capacidade que cada um tem de ajudar no processo de crescimento e desenvolvimento dos membros da comunidade. de forma a inseri-los dignamente na sociedade em que vivem. Diante da possibilidade de uma educação que vai além dos muros da escola. Implicam. as minorias. é capaz de reorganizar o ambiente hospitalar e propiciar assistência pedagógica à pessoa internada. As ações educativas propostas por meio de processos intencionais estruturados e sistematizados. a base comum nacional”. podemos pensar na função do Educador Comunitário. também. em espaços educativos? A LDB propõe que crianças e jovens disponham de oportunidades possíveis para que os processos de desenvolvimento e aprendizagem não sejam suspensos. por meio de uma relação dialógica e comprometida com o desenvolvimento integral do ser humano. o meio ambiente. Nesse contexto. o poder. para atender aos obstáculos que pessoas adultas experienciam por não terem acesso a um sistema de educação que os acolha. os interesses locais. portanto. Nesse contexto. . nesta formação. a educação profissional não precisa se colocar contra a abertura mundial da produção e dos intercâmbios. a inclusão educacional acontece a partir do entendimento de que o ato educativo torna-se responsabilidade do Estado e das pessoas especializadas para realizar ações. a critério da instituição de ensino. orientado por outros paradigmas.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I nível de pós-graduação. bem como fortalecer a política de inclusão de alunos e enfatizar a visão humanística nessa modalidade de ensino. mas deve contribuir para a existência de uma nova forma de mundialização que não esmague o trabalhador. protagonismos de todos os envolvidos. cumprindo a sua missão de promotores das mudanças que se fazem necessárias e buscando a sua autorrealização. o profissional especializado na Educação de Jovens e Adultos também atua em diferentes espaços educativos. de acordo com o local no qual o indivíduo está inserido. são consideradas adequadas em virtude de as possibilidades suprirem as necessidades do educando. o profissional especializado em Pedagogia Hospitalar. Além dos educadores comunitários e pedagogos hospitalares. Pressupõe. é fundamental que os profissionais dessa área estejam. a Educação Corporativa. Atendendo ainda a LDB. do profissional. do Pedagogo Hospitalar. e a educação profissional. podemos mencionar o campo de atuação de profissionais que trabalham com educação comunitária. Nesse sentido. preparados para assumir o importante papel que lhes cabe. a substituição da concepção de educação referenciada como produto acabado e finito por um processo contínuo. competente e habilitado para reconhecer as especificidades.

partindo da relação e inter-relação de estado. necessitam ser conhecidas e compreendidas de modo a atender à demanda emergente de profissionais que atuam na área do desenvolvimento da idade adulta e do envelhecimento. p. com ênfase no desenvolvimento de qualificações isoladas e restritas às salas de aulas. agir e se adaptar rapidamente às mudanças na sociedade. estadual. a qualidade e o controle do desempenho desses ambientes educativos para a população. de modo que construam conhecimentos acerca de políticas públicas em educação. Esse autor argumenta. Pós-Graduação a Distância 29 Lembre-se: todas as escolas brasileiras estão respaldadas pela legislação educacional vigente. o trabalhador deve ser um indivíduo criativo. com a finalidade de prover as organizações dos recursos humanos capacitados para acompanharem o ritmo das mudanças que ocorrem no ambiente da organização. de modo que ampliem sua visão acerca do contexto atual da educação brasileira e possam atuar no âmbito de suas localidades de origem. que propiciem uma organização que atenda a diversificação do contexto educativo. focados nas áreas de negócios das empresas e alinhados aos seus objetivos e estratégias. municipal e privada. Outro campo de atuação do educador está relacionado ao atendimento da população idosa no Brasil.Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Esse novo contexto tecnológico redefine também as características do trabalho. evidenciar capacidade para transmitir seus conhecimentos e trabalhar cooperativamente para gerar soluções inovadoras. aprofundar os estudos sobre essas leis? . Nesse contexto de discussão de atuação do pedagogo. sociedade e educação. nas esferas públicas federal. bem como na avaliação de políticas públicas. portanto. Concluímos a primeira Unidade recorrendo aos estudos de Libâneo (2006. Para cada nível e modalidade de ensino há leis que garantem o acesso. Na era do conhecimento. “é pedagoga toda pessoa que lida com algum tipo de prática educativa relacionada com o mundo dos saberes e modos de ação. Libâneo afirma que a formação de educadores extrapola a dimensão da educação formal e “pode desdobrar-se em múltiplas especializações profissionais. sociedade e família. que são reconhecidas variedades de práticas sociais e educativas e. saber aprender de forma não convencional. com olhar na legislação educacional e organização de ensino. administradores e engajados nessa proposta de mudança. vem sendo complementado ou substituído pelo desenvolvimento e aplicação de programas de educação continuada. estar preparado para tomar decisões. Entre a dinâmica demográfica e as políticas sociais decorrem transformações no interior das estruturas familiares. de modo a elaborar projetos e práticas pedagógicas direcionadas para a terceira idade. Esse cenário organizacional. 850-851). a legislação que ampara essa população e as relações entre velhice. que desenvolve métodos de treinamento e aperfeiçoamento de pessoas em empresas. que discute a questão da formação do pedagogo ao mencionar a abrangência existente no campo conceitual e prático de sua atuação. não restritos à escola”. sendo a docência uma entre elas”. a permanência. nos fundamentos e níveis de planejamentos educacionais. No âmbito de planejamentos de políticas públicas. É essencial que você envie suas atividades para o e-mail do tutor. emerge a necessidade de profissionais da educação. com profissionais especializados em Pedagogia Coorporativa. então. que se coloca como um dos grandes desafios que as sociedades mais industrializadas. As tendências demográficas da população idosa brasileira. Vamos.

Concepções da Educação no Mundo Contemporâneo Unidade I Fundamentos da Educação Brasileira 30 .

Estados e Municípios). ainda. precisa ser regulada legalmente. segundo o parágrafo único do art. o exercício desses elementos se dá na relação estabelecida pelo tipo de poder ao qual o povo esteja subordinado. além de estabelecer um padrão mínimo de qualidade para o sistema educacional brasileiro. um Estado Democrático de Direito. Hoje temos uma gama considerável de leis relacionadas à educação e que impactam diretamente o dia a dia de nossas escolas. os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs e o Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE. evitando a descontinuidade das ações educativas. o fato de que “Todo poder emana do povo. o Plano Nacional de Educação – PNE. Garantem. com percentuais predefinidos quanto aos recursos financeiros (oriundos de receitas públicas das três esferas: União. tendo como característica principal. que a educação ganhou importância nas leis brasileiras. nem sempre a educação mereceu esse cuidado no arcabouço jurídico nacional. Pós-Graduação a Distância 31 Mas. a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 9. Portanto. O Brasil é uma República Federativa. democrática e capaz de cooperar com o desenvolvimento das pessoas. em particular.394/96. os deveres e a forma do exercício da cidadania são determinados pelo próprio povo e materializados por meio de leis. Nesse contexto. em geral – conheça a legislação educacional. Foi no início do século passado. Isso significa que os direitos. contemplamos nos capítulos desta Unidade o estudo da seguinte legislação: a Constituição de 1988. como são elaboradas as leis? . As normas e os preceitos legais relativos à educação visam garantir a oferta de ensino público à população.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Unidade II Fundamentos Legais da Educação Brasileira lias Alexandre Quais são as leis que podem me ajudar a fazer um trabalho pedagógico de melhor qualidade? Iniciaremos os estudos relacionados às leis que regem a educação brasileira de modo a compreender a importância de cada uma para a prática profissional. por ser direito de todos e dever do Estado. a legislação educacional estabelece os princípios e os objetivos que a nação deseja alcançar com a educação desenvolvida no país. Entretanto. bem como determina quem são os responsáveis por esse trabalho. a fim de exercer de maneira consciente seu trabalho pedagógico. Como sabemos. com o surgimento de pensadores e educadores preocupados com o progresso do país. a educação formal. 1º da Constituição de 1988. Embora o processo educativo ocorra de muitas formas e em diversos espaços. que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente nos termos desta constituição”. Para tanto. que os governantes invistam na educação. e do país. é de fundamental importância que o educador – comprometido com uma escola cidadã.

podem ser criadas por iniciativa da população. um parlamentar.gov. certos tipos de leis que só podem ser criadas por solicitação do poder legislativo. outras. Existem. No caso dos municípios. a Constituição Federal. uma norma hierarquicamente inferior não deve entrar em conflito com a que lhe é superior. onde se dá o rito do processo legislativo determinado em lei. O processo culmina com a publicação da lei no Diário Oficial. que deve seguir a mesma ordem (à exceção da medida provisória. Assim.interlegis.senado. Distrito Federal e Municípios) tem competências legislativas específicas. ainda. outorgadas pela Constituição. ou um governador ou um prefeito – quando a iniciativa for de sua competência – também pode elaborar um projeto de lei e encaminhar à casa legislativa correspondente. No entanto.br 32 . por ser privativa do Presidente da República) e sempre estará subordinada à lei máxima do País. Para saber mais sobre o tema. quando assume força jurídica. cada estado. ou por demanda de grupos sociais. consulte os sites indicados a seguir: Fundamentos da Educação Brasileira www.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Inicialmente. suas leis também estarão subordinadas à legislação estadual. cabe lembrar que cada um dos entes federativos (União.br www. Além disso. apresenta um projeto de lei à casa legislativa.gov. as quais são estabelecidas por meio de uma ordem hierárquica e de importância. pela iniciativa exclusiva de representante do poder executivo. Observe abaixo a hierarquia das leis: CONSTITUIÇÃO FEDERAL EMENDAS CONSTITUCIONAIS LEIS COMPLEMENTARES LEIS ORDINÁRIAS LEIS DELEGADAS MEDIDAS PROVISÓRIAS DECRETOS LEGISLATIVOS RESOLUÇÕES Essa relação hierárquica é relativa ao ordenamento jurídico federal. também. já a LDB afeta a toda a sociedade brasileira e tem determinação constitucional. Desse modo. o Distrito Federal e os municípios também possuem legislação própria. Você sabia que um projeto de lei surge para atender a uma necessidade social além de atender aos princípios estabelecidos no texto constitucional? Por exemplo: as cotas para deficientes físicos em concursos públicos atendem ao interesse específico dos deficientes físicos. outras. ouvindo especialistas no assunto. faz-se necessário lembrar que existem diversos tipos de leis. O presidente. com objetivos e formas de produção diferenciadas. Estados.

Fruto de um intenso trabalho político. os artigos 205 ao 214 são dedicados exclusivamente à educação. . Teve seu texto composto de 07 incisos e 03 parágrafos expandido e explicitado pela LDB. função e características das universidades. a Carta atual avançou bastante na garantia de direitos educacionais. muitos com interesses conflitantes. como os defensores da escola pública e os do ensino privado. pesquisas e negociações políticas entre diversos grupos sociais. parágrafos. Assunto Conceituação. além do amadurecimento das relações políticas. entendida como Sofreu alteração pela EC 19/1998. Desde a promulgação. princípios e objetivos da educação nacional. o texto constitucional já sofreu várias modificações por meio de emendas constitucionais. É Sofreu alteração pela EC 14/1996. Como parte do capítulo III do Título VIII. trazendo maior clareza para determinados assuntos. deflagrado com a abertura política e o fim do período do regime militar. Especifica os deveres do Estado para com a educação. A seguir. O objetivo foi adequar a norma básica legal do país às mudanças ocorridas na sociedade. O resultado foi um texto conciso e preciso em determinados temas e vago e impreciso em outros. um resumo do texto constitucional: 206 207 208 Pós-Graduação a Distância 33 Artigo 205 Especificidade Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. os de luta pela democratização da educação e por uma escola de qualidade. repetido e expandido pela LDB. normalizando áreas até então esquecidas e sem respaldo legal suficiente para garantir uma educação de qualidade. deixando por conta da legislação infraconstitucional a resolução dos conflitos pós-constituinte. Composto de 07 incisos. Isso é um fato importante. O texto original foi educação escolar. Mas.. Trata da natureza. foi o marco do retorno da democracia política no País. os de escolas laicas e os de ensino de caráter confessional e/ou religioso. referente à Ordem Social no Brasil. entre eles. que acrescentou os dois Possui dois parágrafos. e as Constituições elaboradas ao longo da história do Brasil? Em relação às constituições anteriores.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 5 – A Constituição Federal Elias Alexandre Como vimos. Foi alterado pela EC 11/1996. Exemplo disso foi a definição clara da vinculação percentual mínima na receita de impostos dos entes federativos destinados à manutenção e ao desenvolvimento da educação. Trata dos princípios para ministrar o ensino. promulgada em 1988. trouxe esperança e expectativa para os diversos movimentos sociais.. pois mostra ser possível modificar a norma legal quando esta não for mais condizente com a realidade. O texto constitucional foi resultado de intensos debates. a Constituição Federal.

exclusivamente. Possui 05 parágrafos. consulte os sites indicados abaixo: www.gov.gov. Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. Fundamentos da Educação Brasileira Para saber mais sobre o FUNDEB. Trata dos fundamentos e mecanismos de financiamento para a manutenção e desenvolvimento do ensino. Sofreu alteração pela EC 14/1996.gov.br www. A referida emenda criou o Fundo Nacional para a Manutenção e o Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério – Fundef. estaduais e municipais para serem aplicados. Possui 02 incisos e 02 parágrafos.424/1996. Estabelece o Plano Nacional de Educação. Possui 02 parágrafos.fnde. do art.br 34 . 60 do Ato das Disposições Transitórias. Sofreu alteração pela EC 14/1996. Teve seu texto expandido e explicitado pela LDB. Define as competências e institui o regime de colaboração federativa dos sistemas de ensino. 212 da Constituição. Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais.172/2001. não contemplou a Educação Infantil e o Ensino Médio. Possui 04 parágrafos. Para atender a Educação Básica do País. Mantém o texto integral. Possui 02 incisos. Esse fundo trouxe uma considerável mudança na qualidade do ensino e melhorias nos salários de professores de vários municípios de pequeno porte. Foi cumprido com a promulgação da Lei nº 10. Previa uma cesta de recursos oriundos de impostos federais. Teve seu texto expandido e explicitado pela LDB. na manutenção e no desenvolvimento do Ensino Fundamental e na valorização do magistério. por meio da Emenda Constitucional nº14/1996. entretanto. que criou o Fundo Nacional para a Manutenção e o Desenvolvimento da Educação Básica e Valorização do Magistério – Fundeb. cabe ressaltar a inserção no texto constitucional.br/seb www. Vários de seus parágrafos foram objetos de leis ordinárias. Por fim. de 2006.gov.interlegis. O texto detalhava alguns aspectos do art. que contém orientações para a criação de um fundo especial de manutenção e desenvolvimento do ensino e valorização do magistério. Trata do financiamento público para o ensino privado. Estabelece os princípios para a organização curricular do Ensino Fundamental. Especificidade Mantém o texto integral e é sempre mencionado nas leis infraconstitucionais. com duração até 2006. a Emenda Constitucional nº 53.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Artigo 209 210 211 212 213 214 Assunto Trata da participação da iniciativa privada na oferta do ensino.senado.mec. com expectativas de forte impacto na qualidade dessa etapa educacional do País. instituído pela Lei nº 9. ampliando o atendimento a toda a educação básica.br www.

a LDB deve conter princípios (base da educação) e diretrizes. regulamenta a educação brasileira em todos os níveis e em todas as modalidades de educação e ensino. de fato. de nº 9394/96. estaduais e municipais do ensino. As diretrizes. especificam: • a organização e o funcionamento dos níveis e modalidades de ensino. As diretrizes. (iii) padrões mínimos de qualidade do ensino. • o dever e a liberdade de educar. Nela estão explicitados os princípios e fins da educação. Detêm um conteúdo de concepção política. Em outras palavras. • os mecanismos de ensino. que deu especial importância à educação e trouxe relevantes mudanças ao cenário educacional. Carneiro (2000. que os grandes eixos da Lei nº 9. A LDB surgiu oito anos após a promulgação da Constituição de 1988. Carneiro esclarece. • as formas de gestão. Traduzem-se em modalidades de organização. das escolas e dos docentes. As bases explicitam: • os fins da educação. (vii) configuração dos sistemas federal. detêm um conteúdo de formulação operativa. (iv) pluralidade de formas de acesso aos diversos níveis de ensino. a sua organização. por sua vez. entre outras definições. (ii) vinculação da educação com o mundo do trabalho e com as diferentes práticas sociais. 9) explica que essa Lei foi alicerçada em quatro grandes eixos a fim de conferir à educação brasileira as condições necessárias às mudanças consideradas imprescindíveis: i) descentralização da gestão educacional. uma educação de qualidade. (ii) democratização e flexibilização do sistema nacional de educação. ainda. Por definição. (ix) reconfiguração de toda a base curricular da educação básica. Pós-Graduação a Distância 35 • os profissionais de educação.394/1996 estão identificados.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 6 – A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a LDB em Foco Maysa Barreto Ornelas A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. • os recursos para o ensino. Bases são os fundamentos da educação. os profissionais e os recursos financeiros para a educação. por outro lado. dos Estados. • os direitos. dos Municípios. articulação entre os sistemas de ensino etc. ordenamento da oferta. . (iii) garantia de insumos básicos a fim de se oferecer. (iv) desenvolvimento de um sistema de avaliação. invocam dimensões adjetivas da educação organizada. (v) avaliação da qualidade do ensino pelo Poder Público. (viii) mapa conceitual da educação escolar e da educação básica. o direito à educação e o dever de educar. capaz de conferir o adequado acompanhamento dos processos educacionais. (vi) definição das responsabilidades da União. sua função substantiva. de 20 de dezembro de 1996. p. pelas seguintes: (i) conceito abrangente de educação.

Além disso. Sobre esse aspecto é significativo recorrer ao trecho do texto de Ivany Pino (1997. Prevê campos e setores de regulação mínima indispensável abaixo da qual não se pode falar nem em lei e muito menos em lei nacional. Isso pode ser realizado a partir Fundamentos da Educação Brasileira 36 . inscritos em uma LDB. o registro de diplomas. bem como a busca do entendimento de suas entrelinhas. • Instituição da Década da Educação. torna-se imperativo aos educadores uma leitura detalhada dessa Lei. entre outros aspectos.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Pode-se dizer que as principais contribuições da LDB são: • Inserção da Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica. • Valorização da educação profissional e do Ensino Superior. como profissional de educação. Dessa forma. expressa na combinação dos artigos: 9º e 16. poderá criar contextos de relações estruturais de transformação. pois isso influi de forma decisiva no modo como se percebe a gestão da qualidade na educação. cabe aos referidos sistemas criar mecanismos de validação dos conhecimentos ali gerados. concomitantemente ou com prevalências. a LDB regula todos os ângulos da avaliação. Esquematicamente. de reforma e de inovação educacionais como parte do processo de “regulação social”. O texto legal também inclui a delegação de competências para escolas e docentes participarem mais ativamente na organização e na condução das ações pedagógicas. Outro ganho advindo com a LDB. das estratégias e dos mecanismos de controle social desenvolvidos pelos diferentes protagonistas e das dinâmicas sociais que darão forma aos diversos níveis de relações sociais. 15): Seria ingenuidade atribuir a esta lei força ou mesmo potencialidade para provocar uma revolução da educação do país. perpassando pela avaliação institucional até a avaliação do desempenho dos docentes. Nesse sentido. p. o reordenamento dos sistemas educativos. É importante ressaltar que essas aparentes “novidades” da LDB de 1996 fazem parte de um percurso histórico formado pelas leis educacionais que a antecederam. em seu art. Embora se mostre flexível. o fim de currículos mínimos. Estado e educação e das suas relações. a LDB contribuiu para o fortalecimento do fenômeno da “desescolarização”. depende de vários fatores. entre eles as concepções que os atores sociais envolvidos – oriundos do Estado. • Gestão democrática do ensino público. dos interesses. 24. desde a avaliação do rendimento escolar. a construção da proposta pedagógica da escola. encontramos a descentralização das competências. 10º e 17. No que se refere ao eixo da flexibilidade. conheça a Magna Lei Educacional Brasileira e suas interferências na prática escolar. 43 foi a possibilidade de abrir espaço de formação esporádica e pontual para a sociedade em geral. • Oferta de ensino noturno regular. De acordo com o disposto no art. 11 e 18. compreendida como o reconhecimento – por parte dos sistemas de ensino – de práticas educativas desenvolvidas fora do sistema formal. a LDB cria um forte sistema de regulação a cargo dos órgãos normativos e das instâncias competentes pela interpretação dos artigos. segundo Cury (2002). Soma-se a isso a autonomia das instituições. é fundamental que você. a ocorrência desses processos. Diante do exposto e considerando a importância da LDB para o cotidiano pedagógico. do campo educacional e de outros grupos da sociedade – têm da sociedade. com impacto direto na organização curricular. • Incentivo ao desenvolvimento e à veiculação de programas de ensino a distância e de educação continuada. dos partidos políticos. • Garantia do padrão de qualidade. pode-se dizer que a LDB está fundada em dois eixos principais: flexibilidade e avaliação. Entretanto.

CURY. Consulte também: www. (apresentação). Rio de Janeiro: DP&A. J. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9. São Paulo: Cortes Editora.planalto. - Pós-Graduação a Distância 37 . LDB interpretada : diversos olhares se entrecruzam.394/96. ed. 5. R.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm Você concorda com a importância dada a essas leis na organização da educação brasileira? Justifique.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II do auxílio de diversos pensadores que vêm. I. C. contribuindo com especificidades e potencialidades da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.gov. BRZEZINSKI. 2002. nesses últimos dez anos. 1997.

O Plano Nacional de Educação 2001-2010 entra na história da educação brasileira com seis qualificações que o distinguem de todos os outros já elaborados: é o primeiro plano submetido à aprovação do Congresso Nacional. A referida lei complementar visa à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do poder público. envolve o Poder Legislativo no acompanhamento de sua execução. fixa diretrizes. Estaduais e Municipais nos próximos dez anos. a cada dia. de 09 de janeiro de 2001. objetivos e metas para um período de dez anos. www. chama a sociedade para acompanhar e controlar a sua execução. §1º). O PNE – com o amparo legal da Constituição e da LDB – busca materializar os direitos e os deveres educacionais outorgados à sociedade brasileira por esses dois instrumentos legais.172. art. cumpre um mandato constitucional (artigo 214 da constituição Federal de 1988) e uma determinação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB. define objetivos.gov.planalto.htm Fundamentos da Educação Brasileira 38 .br/ccivil_03/Leis/LEIS_2001/L10172.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 7 – O Plano Nacional de Educação – PNE Elias Alexandre Para atender as determinações do artigo 214 da Constituição Federal. 87. ele deve representar para aqueles que pisam a sala de aula. da gestão e financiamento e da avaliação. tem força de lei. portanto. um vislumbre da educação que se deseja e os caminhos a serem trilhados para alcançá-la. o que garante continuidade da política educacional e coerência nas prioridades durante uma década. contempla todos os níveis e modalidades de educação e os âmbitos da produção de aprendizagens. objetivando a melhoria da qualidade da educação nacional. uma possibilidade de nortear suas ações e cobrar das instâncias competentes o efetivo cuidado para com a educação brasileira. diretrizes e metas a serem cumpridos pelos governos Federal. Assim. o Plano Nacional de Educação – PNE foi aprovado pela Lei nº 10. Mais do que uma carta de intenções. O PNE representa para os educadores um caminho.

objetivos. de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos. Construído a partir de estudos e pesquisas de uma equipe de consultores do Ministério da Educação. critérios de avaliação. o Enade etc. embora diferentes e construídos por processos distintos. conforme apontado por Bonamino e Martinez (2001. o Enac. como a Prova Brasil. O objetivo principal das Diretrizes Curriculares é estabelecer diretrizes e princípios para a organização curricular e para a prática pedagógica de cada nível/modalidade de ensino. Sua principal função é cumprir a determinação constitucional presente no artigo 210. Os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs. este último com diretrizes específicas de formação por tipo de curso e área de saber. Ensino Indígena. Organizadas de acordo com os níveis e as modalidades de ensino. 1998). o Saeb. Você tem consultado os Parâmetros Curriculares para desenvolver sua prática docente? As Diretrizes Curriculares Nacionais constituem-se em instrumentos normativos elaborados pelo Conselho Nacional de Educação com base nos princípios emanados pela Constituição e pela LDB. de maneira a assegurar aos estudantes uma formação básica comum e o respeito aos valores culturais e artísticos. que determina a fixação de conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental. ou uma proposta de diretrizes curriculares. São dois instrumentos legais de grande impacto no cotidiano da ação pedagógica das salas de aula brasileiras. A ideia foi organizar os PCNs com propostas abertas. compreendeu-se a impossibilidade de dissociar o que se ensina de como se ensina (SANCHEZ. que contém diretrizes axiológicas. nacionais e regionais. p. e uma complexa proposta curricular. Com base nessas diretrizes. por sua vez. as Secretarias de Educação e as Instituições de Ensino Superior organizam seus currículos e orientam suas práticas pedagógicas. nacionais e regionais. com nítida diferença das Diretrizes. indicam diretrizes curriculares para: Educação Infantil. são normas juridicamente inferiores à LDB. Educação de Jovens e Adultos. A versão final dos PCNs está fundamentada na avaliação das análises críticas e nas sugestões dos especialistas pareceristas. conteúdos. 374): Quem conhece os PCNs pode perceber claramente a distância existente entre o que poderia ser um conjunto de conteúdos mínimos e obrigatórios para o Ensino Fundamental. o Eneja. Referem-se a princípios e orientações para a prática pedagógica. Ensino Fundamental. conteúdos específicos de todas as áreas de ensino e conteúdos a serem trabalhados de modo transversal na escola. Ensino Médio. articulando concepções.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 8 – Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais Elias Alexandre Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as Diretrizes Curriculares Nacionais. de modo a subsidiar as reflexões e as discussões da comunidade escolar com vistas à construção do seu Pós-Graduação a Distância 39 . avaliações e orientações. com educadores selecionados de diversas partes do Brasil. Educação a Distância e Ensino Superior. orientações metodológicas. Outra função reside no fato de servirem de parâmetro à realização das diversas modalidades de avaliações institucionais promovidas pelo Ministério da Educação. 1997). foram elaborados pelo Ministério da Educação. bem como no acompanhamento e na avaliação de sua implementação (BRASIL. o Enem. Ensino Especial.

II – conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. 26 da LDB). a compreensão do significado da ciência. assim. Eles expressam conceitos e valores importantes à democracia e à cidadania e são bem amplos de modo a suscitar o debate na sociedade. de eixos norteadores que favorecem a organização e a autonomia do trabalho pedagógico dos professores. sugerindo competências e habilidades: a) Linguagens. b) Ciências da Natureza. Meio Ambiente. a organização curricular. A parte diversificada do currículo atende a características regionais e locais da sociedade. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. É nesse contexto que as Diretrizes Curriculares do Ensino Médio. Trata-se. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. embora seja muito útil e importante para o fortalecimento das práticas pedagógicas. compostas por disciplinas potenciais. os conteúdos. a utilização dos Parâmetros Curriculares requer do professor uma postura crítica constante. No caso da Educação de Jovens e Adultos – EJA. em consonância com a comunidade escolar. portanto. que são fundamentais as especificidades da realidade social e que nesses processos se desenvolvem as práticas educativas. É fundamental que um profissional da Educação tenha conhecimentos sobre a legislação que respalda a oferta de EJA. Saúde. Para tanto. É preciso entender que não existem receitas prontas para o desenvolvimento de processos educativos de qualidade. Códigos e suas Tecnologias. a Resolução CNE/CEB nº 1. A base nacional comum determinada na LDB para a organização curricular do Ensino Fundamental e do Ensino Médio deve assegurar que as finalidades da referida lei sejam alcançadas. a partir das quais o educador constrói a sua prática com vistas à melhoria da qualidade do seu trabalho pedagógico. das letras e das artes. Nos PCNs estão inclusos também alguns temas – os chamados temas transversais – que são considerados fundamentais para a sociedade brasileira.. os PCNs foram organizados em áreas. revigorando a integração dos conhecimentos de maneira contínua. c) Ciências Humanas e suas Tecnologias. No processo de ensino-aprendizagem. estabelece Diretrizes Curriculares Nacionais. da cultura. apontam para uma organização das disciplinas além da fragmentação dos saberes. na prática social e no mundo do trabalho. Os parâmetros devem representar indicações. Pluralidade Cultura e Orientação Sexual. a contribuição da Educação Básica para o desenvolvimento de competências e habilidades básicas no educando...Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II projeto educativo. garantindo. de modo que os conhecimentos sejam aprimorados ao longo da vida. [. por meio da inter e transdisciplinaridade. as metodologias e as formas de avaliação serão organizados de tal forma que ao final do ensino médio o educando demonstre: I – domínio dos princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção moderna. 36 da LDB refere-se ao currículo do Ensino Médio ao mencionar que: [. Matemática e suas Tecnologias e. a língua portuguesa como insrumento de comunicação. É importante ressaltar que.] destacará a educação tecnológica básica. da economia e da clientela (art.] § 1º Os conteúdos. de 5 de julho de 2000. de acordo com os seguintes critérios: Fundamentos da Educação Brasileira 40 .. São eles: Ética. III – domínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. a metodologia e a avaliação devem favorecer o desenvolvimento integral do aluno. O art.

4º.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Art. aprendizagem e formação profissional vinculadas ao sistema sindical (“Sistema S”). e II – educação profissional técnica de nível médio. o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA. § 2º Os cursos e programas do PROEJA deverão considerar as características dos jovens e adultos atendidos. da Educação Profissional. do Decreto nº 5. § 2º Estas Diretrizes se estendem à oferta dos exames supletivos para efeito de certificados de conclusão das etapas do ensino fundamental e do ensino médio da Educação de Jovens e Adultos. 1º Fica instituído. direitos dos inscritos nessa modalidade de ensino. e poderão ser articulados: I – ao ensino fundamental ou ao ensino médio. no âmbito federal. de 13 de julho de 2006. para a Educação de Jovens e Adultos. e 87 e. objetivando a elevação do nível de escolaridade do trabalhador. matrículas. incisos I e II. 37. § 1º Estas Diretrizes servem como referência opcional para as iniciativas autônomas que se desenvolvem sob a forma de processos formativos extraescolares na sociedade civil. 4º As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio estabelecidas e vigentes na resolução CNE/CEB 3/98. sem prejuízo do disposto no § 4º deste artigo.154. § 3º O PROEJA poderá ser adotado pelas instituições públicas dos sistemas de ensino estaduais e municipais e pelas entidades privadas nacionais de serviço social. avaliação. suas respectivas resoluções e as orientações próprias dos sistemas de ensino. se estendem para a modalidade de Educação de Jovens e Adultos no ensino médio. Art. Pós-Graduação a Distância 41 . 5º. § 1º. que acompanha a presente Resolução. o Decreto nº 5. nos termos do art. Art. nos termos do art. no que couber. § 1º O PROEJA abrangerá os seguintes cursos e programas de educação profissional: I – formação inicial e continuada de trabalhadores. 38. predominantemente.154. em especial dos seus artigos 4º. por meio do ensino. 2º A presente Resolução abrange os processos formativos da Educação de Jovens e Adultos como modalidade da Educação Básica nas etapas dos ensinos fundamental e médio. § 2º. competências para a validação dos cursos. de 2004. essa resolução estabelece diretrizes para duração dos cursos. No que tange à integração entre a Educação Básica na modalidade de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional e Tecnológica. de forma integrada ou concomitante. nos termos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. referências das Diretrizes Curriculares Nacionais. no caso da formação inicial e continuada de trabalhadores. conforme as diretrizes estabelecidas neste Decreto. 1º Esta Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos a serem obrigatoriamente observadas na oferta e na estrutura dos componentes curriculares de Ensino Fundamental e médio dos cursos que se desenvolvem. estabelece as seguintes diretrizes: Art. em instituições próprias e integrantes da organização da educação nacional nos diversos sistemas de ensino. de 23 de julho de 2004. CNE/CEB 15/98 e CNE/CEB 16/99. 3º. Art. 3º As Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental estabelecidas e vigentes na Resolução CNE/ CEB 2/98 se estendem para a modalidade da Educação de Jovens e adultos no ensino fundamental. Art. entre outras. e II – ao ensino médio. aos objetivos e às diretrizes curriculares tais como formulados no Parecer CNE/CEB 11/2000. nos pareceres CNE/CEB 4/98. 5º Os componentes curriculares conseqüentes ao modelo pedagógico próprio da educação de jovens e adultos e expressos nas propostas pedagógicas das unidades educacionais obedecerão aos princípios. à luz do caráter próprio desta modalidade de educação. Além desses artigos.840. do Decreto nº 5.

entende-se por diretriz o conjunto articulado de princípios. inclusive quando envolver articulações interinstitucionais ou intergovernamentais. integrada às diferentes formas de educação.br/secad/ Fundamentos da Educação Brasileira http://www.gov.mec. em qualquer caso.mec.br/index.gov.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II § 4º Os cursos e programas do PROEJA deverão ser oferecidos.br/seb/index. 1º A presente Resolução institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico.mec. objetiva garantir ao cidadão o direito ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva e social.br/pdf/es/v23n80/12937. Art.pdf 42 .gov.gov. definição de competências profissionais gerais do técnico por área profissional e procedimentos a serem observados pelos sistemas de ensino e pelas escolas na organização e no planejamento dos cursos de nível técnico. A RESOLUÇÃO CNE/CEB N.mec. entre no seguinte endereço eletrônico: http://portal.php?option=com_ content&task=view&id=132 www.pdf http://www.gov.mec. Disponível em: >http://portal.php?option=com_content& task=view&id=264&Itemid=254 Para maiores informações consulte: http://portal.php?option=com_content&task=view&id=819&Itemid=929>. 2º Para os fins desta Resolução.gov. Parágrafo único.br/pdf/es/v23n80/12926. Para acessar os PCNs.scielo.scielo. A educação profissional.scielo.br/pdf/es/v23n80/12926. Disponível em: <http://portal. critérios.br/seb/index.br/setec/ http://portal.br/setec/index. à ciência e à tecnologia.php?option=com_content&task=view&id=819&Itemid=929>. ao trabalho.php?option=content&task=vie w&id=78&Itemid=221 http://portal.pdf http://portal.gov. a partir da construção prévia de projeto pedagógico integrado único.º 04/99 estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico: Art.mec.br/setec/index.mec.

onde reside a maior parte das pessoas sem escolaridade. Além dele. mais de 50% desses profissionais ganham menos de R$ 800. A alfabetização de jovens e adultos também receberá atenção especial. está recebendo alterações para melhorar seus resultados. Investir na Educação Básica significa investir na Educação Profissional e na Educação Superior. sobre as ações que estão sendo desenvolvidas para o alcance dos objetivos propostos. não se conseguirá atingir a qualidade que se deseja à educação brasileira.00 por 40 horas de trabalho). científica e tecnológica. a principal iniciativa do PDE é a criação dos institutos federais de educação profissional. Na educação profissional. outra medida adotada pelo governo federal é a criação de uma avaliação para crianças dos seis aos oito anos de idade. Isso significa envolver todas as pessoas que têm o propósito de que seja oferecida uma Educação de Qualidade e. possibilitar o acesso e a permanência do aluno na escola. Se as iniciativas do MEC não chegarem à sala de aula e beneficiarem a criança. Química e Biologia. Hoje. O objetivo é verificar a qualidade do processo de alfabetização dos alunos no momento em que ainda é possível corrigir distorções e salvar o futuro escolar da criança. O Que é o Plano de Desenvolvimento da Educação? Uma Educação Básica de qualidade é a prioridade do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). pais. Os institutos serão instalados em cidades de referência regional. ampliação do acesso dos educadores à universidade. desse modo. pois propicia à sociedade informações acerca do que ocorre dentro e fora das escolas. o Ministério da Educação pretende mostrar à sociedade tudo o que se passa dentro e fora da escola. para que contribuam com o desenvolvimento das comunidades próximas e ajudem a resolver a falta de professores em disciplinas como Física. porque elas estão ligadas. é importante a participação de toda a sociedade no processo. A proposta é ampla e democrática. A criação de um piso salarial nacional dos professores (atualmente. melhorias no transporte escolar para os alunos residentes em áreas rurais e qualificação da saúde do estudante são outras ações desenvolvidas dentro do PDE. Entre as mudanças. garantia de acesso à energia elétrica para todas as escolas públicas. realização de uma Olimpíada de Língua Portuguesa. como a já existente Olimpíada de Matemática. e a produção de material didático específico para esse público. direta ou indiretamente. Significa também envolver todos. realizando uma grande prestação de contas. estão a ampliação de turmas nas regiões do interior do país. Com o PDE. A intenção é que essas instituições funcionem como centros de excelência na formação de profissionais para as mais diversas áreas da economia e de professores para a escola pública. instalação de laboratórios de informática em escolas rurais.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II Capítulo 9 – O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo O Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE é uma prioridade do Ministério da Educação e tem o objetivo de ampliar qualitativamente a Educação Básica em nosso País. O Compromisso Todos pela Educação deu o impulso a essa ampla mobilização social. O Programa Brasil Alfabetizado. Por isso. em iniciativas que busquem o sucesso e a permanência do aluno na escola. professores e gestores. há poucos livros produzidos em benefício do público adulto que está aprendendo a ler e a fazer cálculos. criado pelo MEC para atender os brasileiros com dificuldades de escrita e leitura ou que nunca frequentaram uma escola. alunos. Pós-Graduação a Distância 43 .

ignorar que tal formação não pode ser aligeirada só poderá conduzir a uma nova modalidade de insucesso. ainda. Assim. não recomenda. Estudamos neste capítulo as principais leis e normas educacionais de nosso País.gov. é preciso cuidado também com outro sentido de pensar como curar. encontraremos constituições estaduais e leis orgânicas municipais. é necessária a participação da sociedade. O passado de reformas educacionais. bem como uma série de leis locais referentes à educação. Curar do peso que ficou nas costas dos docentes de leis que os obrigam a um fardo que eles não ajudaram a montar. professores e pesquisadores de diferentes áreas do ensino foram convidados a contribuir para a construção do plano. Mas lembre-se de que não existem apenas leis federais. vamos tratar de cada um desses documentos legais. Cuidado provém de cogitare (pensar). Para alguns. Também cria uma base sobre a qual as famílias podem se apoiar para exigir uma educação de maior qualidade. Tem de ser um projeto de todos os brasileiros. Isso porque o regime federativo brasileiro delegou determinadas competências aos Estados. Logo. 22) sobre as leis: Diálogo exige cuidado. acompanhamento e assessoria aos municípios com baixos indicadores de ensino.html Depois dessa visão geral. Para que todos esses objetivos sejam alcançados. que é pensar com zelo ante uma situação que exige cautela. No caso da nova lei. Tanto é que ex-ministros da Educação. Ignorar o passado omisso a este respeito. em uma expressão pode ser resumida em co-responsabilidade civil e responsabilização estatal. A responsabilidade pela implementação de uma lei exige tudo isso e. mas.br/arquivos/pde/livro/index. 44 .) http://portal. conhecer a legislação educacional é questão fundamental para melhorar a qualidade do seu trabalho pedagógico. O plano prevê.mec. como dito no começo desta unidade.br/index. Qual é a importância dessas legislações para a sua prática pedagógica? Registre suas reflexões no fórum. Dessa forma. o nosso cotidiano e boa parte das nossas relações sociais são determinados por leis. desse ponto de vista. p.mec.Fundamentos Legais da Educação Brasileira Unidade II O PDE inclui metas de qualidade para a Educação Básica. Fundamentos da Educação Brasileira Finalizamos com as considerações de Cury (2002. Cada estado e cada município também tem sua legislação. É preciso haver e acontecer formação. Dentro desse desafio há que apontar a formação de docentes. a cura deve ser vista como remédio do que veio antes e prevenção para o presente que ora se inicia. Isso contribui para que as Escolas e Secretarias de Educação se organizem no atendimento aos alunos.php?option=c ontent&task=view&id=593&Itemid=910&sistemas=1>. ao Distrito Federal e aos Municípios. E que essa formação dê conta efetiva das exigências que a nova LDB põe para a educação nacional. pode não ser um assunto muito atrativo. o PDE não pode ser apenas um projeto do governo federal. para um educador. (Fonte: <http://portal. Para se resolver a enorme dívida que o Brasil tem com a educação.gov. mas que foram obrigados a transportar.

Fundamentos Legais da Educação Brasileira

Unidade II

Legislação da Educação Brasileira: saberes necessários
Maysa Barreto Ornelas

A educação brasileira - tal como a conhecemos hoje – é sistematizada por meio de leis específicas que a organizam de acordo com as demandas sociais e econômicas do nosso país. Um dos aspectos que contribuem para a construção de uma educação de qualidade é a legislação que organiza suas diretrizes e bases, bem como as orientações pedagógicas nacionais que buscam retratar a realidade educacional brasileira atual. Este é o primeiro passo para uma gestão de qualidade na escola: conhecer os fundamentos legais da educação brasileira. Para organizar e orientar o nosso sistema educacional, contamos atualmente com uma vasta legislação, a qual é necessário conhecer e colocar em prática nos diversos âmbitos. Neste momento tomamos contato com três relevantes documentos norteadores das políticas educacionais vigentes: Lei nº 9394/96, Plano Nacional de Educação e os Parâmetros Curriculares Nacionais.

Parabéns! Você chegou ao final de mais uma unidade! Lembre-se de postar as suas reflexões no fórum para que possa interagir com seus colegas de turma! Na próxima Unidade, abordaremos a materialização das legislações educacionais vigentes no Brasil, à medida que estudarmos as Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico, organizado em cinco capítulos: A construção da educação de qualidade; A inclusão: valorização das diferenças; Autonomia dos espaços educativos; Tecnologias na educação: inclusão digital.

Pós-Graduação a Distância
45

Fundamentos Legais da Educação Brasileira

Unidade II

Fundamentos da Educação Brasileira
46

Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico

Unidade III
Unidade III

Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico
Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo

Como você pensa a educação de qualidade? Você concorda com a inclusão educacional? Você tem contribuído para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que atendam às necessidades da sociedade?

Esperamos que as reflexões contidas nos próximos textos o auxiliem em sua prática pedagógica, bem como contribuam para que você se posicione com mais propriedade frente ao desafio de transformar a educação brasileira.

Capítulo 10 – A Construção da Educação de Qualidade

A palavra de ordem no mercado consumidor atual é qualidade. Praticamente tudo na atualidade, seja nas relações de consumo, comerciais, sociais ou pessoais está pautado por questões qualitativas. O consumidor exige qualidade nos produtos que compra ou nos serviços que utiliza, os amigos julgam uma relação afetiva pela qualidade dos sentimentos que perpassam o cotidiano da relação, o indivíduo se torna cidadão à medida que se vê sujeito de direitos e garantias a serem efetivadas com qualidade pelo Estado. Dentro dessa ótica da qualidade, as ações educativas são impelidas a demonstrar resultados, a atender às expectativas da sociedade e dos sistemas educacionais. Cada resultado de um processo de avaliação como a Prova Brasil e o ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio –, põe em prova a capacidade do estabelecimento de ensino em cumprir sua função social e de oferecer educação de qualidade. Certamente, muitos dirão que o fundamental para a qualidade do ensino de uma escola está em um corpo docente bem preparado e num excelente currículo. Outros dirão na necessidade de bons equipamentos, de material didático adequado e de uma gestão de qualidade. É nesse emaranhado de impressões e ideias que a questão da qualidade da educação está sempre presente.

Pós-Graduação a Distância
47

Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico

Unidade III

Mas o que vem a ser qualidade?

Segundo o dicionário Ferreira (1988, p.418), qualidade é: 1. Propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas que as distingue das outras e lhes determina a natureza; 2. Dote, virtude. Vejamos com mais atenção a primeira definição. Você percebe que essa definição não determina se qualidade é um algo “bom” ou “ruim”? Tudo depende do referencial estabelecido pelo sistema e dos valores atribuídos à noção de qualidade utilizada. Portanto, sugerimos uma profunda reflexão acerca do conceito de qualidade na educação escolar. Segundo Paro (2007, p.20), em virtude de os conceitos de qualidade do ensino estarem “fundamentados em revisões críticas das concepções existentes, em especial, o paradigma neoliberal que associa o papel da escola ao atendimento das leis de mercado”, é importante que contribuamos para a elaboração de um conceito de qualidade que atenda às proposições de políticas públicas consistentes e realistas para a educação. Nesse contexto, a qualidade é considerada passível de ser medida pela quantidade de informações exibidas pelos sujeitos presumivelmente educados. Ao afirmar que a educação escolar não se restringe apenas a informações, Paro (2007, p.21) afirma que “se a educação é atualização histórico-cultural, supõe-se que os componentes de formação que ela propicia ao ser humano são algo muito mais rico e mais complexo do que simples transmissão de informações”. Acrescenta, ainda, que “como mediação para a apropriação histórica da herança cultural a que supostamente têm direito os cidadãos, o fim último da educação é favorecer uma vida com maior satisfação individual e melhor convivência social” (idem). Paro (2007, p.22) menciona em suas colocações
Tudo isso não se dá como simples aquisição de informação, mas como parte da vida de cada um, nunca esquecendo que “cada um” não vive sozinho, sendo então preciso pensar o viver de forma social, em companhia e em relação com pessoas, grupos e instituições. Assim, a educação se faz, também, com a assimilação de valores, gostos e preferências.

Partindo desse pressuposto, uma educação de qualidade está para além dos muros da escola. Acontece em todos os lugares, de acordo com as possibilidades e as necessidades do aprendiz e das pessoas que estão prontas para o trabalho pedagógico. Segundo Corrêa (2007, p.54) na percepção de Capistrano (2005), o conceito de qualidade requer ser compreendido para além do estabelecimento e da aplicação de técnicas, parâmetros ou padrões. Para essa autora, no âmbito educativo, a qualidade necessita ser abordada na dimensão humana:
A busca da sensibilidade humana, que ainda se faz pouco presente em nossas pesquisas ou estudos sistematizados, a qualidade em vir a ser a escola um espaço de ludicidade, prazer, cooperação, conflitos e busca. Algo que possa ultrapassar os muros da escola e contaminar a sociedade na procura de novas formas de viver e ser feliz. A qualidade da educação baseada na qualidade de vida, na relação com o outro, nas alegrias, na busca do conhecimento, nas brincadeiras e conflitos que o cotidiano pode nos proporcionar.

Fundamentos da Educação Brasileira
48

Para ilustrar nossos argumentos, convido-o a refletir sobre um profissional que tem muito conhecimento sobre reciclagem de lixos, mas não tem formação específica na área. Vamos compreender um pouco mais sobre esse assunto revendo os paradigmas em educação.

Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Paradigmas em Educação Elias Alexandre – Ter conhecimento dos princípios e das metodologias experienciados ao longo da História da Educação é suficiente para o exercício de uma prática pedagógica de qualidade? – Os paradigmas que regem a Educação na atualidade são os mesmos do início do Século XX? O momento atual caracteriza-se por grandes conquistas tecnológicas. pela insensibilidade aos valores. evidenciados pela democratização do conhecimento. geradoras de mudanças em todas as áreas de atuação do homem. Num passado recente. as mudanças de paradigmas. as experiências e os fenômenos soberanos convivem com seus opostos. Vamos ver mais detalhadamente cada um deles: a) Paradigma orgânico: caracterizado pelo teocentrismo e pelo autoritarismo na organização social. que influenciam o pensamento e a ação de uma comunidade. Esse paradigma dominou a civilização ocidental da Idade Média ao início da Era Moderna. é preciso reconhecer que o paradigma mecanicista foi essencial para o desenvolvimento das ciências e da tecnologia. valores. Ele ocasionou grandes saltos evolutivos na história das civilizações. não se ajustam ao novo paradigma. técnicas etc. b) Paradigma mecanicista: marcado pelo antropocentrismo. as necessidades individuais subordinavam-se às da comunidade e as questões divinas sobrepunham-se às humanas e éticas. de um grupo ou até mesmo de um indivíduo. de maneira ampla. necessariamente. sistêmica e integradora da realidade. O paradigma pode ser entendido. Entretanto. o processo de mudança não ocorre de forma linear. na qual os fenômenos materiais e espirituais eram atribuídos a Deus. pelo surgimento de técnicas extremamente eficazes para a construção de novas experiências. pela crença no progresso imaterial ilimitado. pela presença de um espírito científico de investigação aberta e pela validação pública do conhecimento. A par dessas questões e até por causa delas. o pensamento científico concebia os grandes sistemas paradigmáticos como excludentes. Esses princípios traduzem-se nas diversas áreas de atuação humana. ou seja. na Sociedade Ocidental. pela visão dualista do homem e da realidade. a busca da qualidade da educação inicia-se pela revisão do paradigma que lhe dá sustentação. Dessa forma. isto é. as teorias. como um conjunto de crenças. o cenário mundial exige um novo homem e uma nova base de valores para a sua atuação. mecanicista e holístico. Observa-se que a preocupação com a qualidade da educação é crescente. Por isso. a escolha de um determinado conjunto de crenças. os conceitos. com o sistema e com o ser humano integral sobrepondo-se à visão das partes. de sua transitoriedade do conhecimento e de sua necessidade de aprender sempre. Recorria-se a Ele para explicar a natureza. do seu compromisso social. c) Paradigma holístico: caracterizado pelo holocentrismo e por uma visão mais ampla. predominaram os seguintes paradigmas: orgânico. com o Renascimento. Pós-Graduação a Distância 49 . Dessa forma. Observa-se nelas a preocupação com o todo. um homem consciente da sua historicidade. implicaria a negação dos outros conjuntos. pela valorização do racionalismo e da experimentação científica para explicar a realidade. pode-se dizer que. Discutir as mudanças de paradigmas já se tornou lugar comum nas diversas áreas. Historicamente.

O entendimento da dinâmica das mudanças ocorridas na sociedade como um todo. Cada indivíduo cria suas experiências. como afirma Boff (1998) a transcendência é. valorização de todas as dimensões do homem – razão. A existência humana se constrói na medida em que o homem reage. e na educação em particular. sentimento. construir e reconstruir o saber acumulado. e evidenciado por meio de pressupostos pedagógicos inovadores como: prática pedagógica construtivista. interacionista. Gestão escolar. http://www. Nesse sentido. é vista como um direito da sociedade. considerada “dever do Estado”. ao qual nos referiremos como Paradigma Educacional Emergente. desvinculação entre conhecimento e realidade. A educação. por sua vez.acaoeducativa. sujeito ativo.pdf http://www. Caracterizado como uma prática pedagógica aliada à pesquisa e à abordagem progressista. a qual. ênfase na aprendizagem.pr. intuição. • Prática educacional transcendente – indica que a prática educativa transcende às limitações das relações humanas. rejeita e modela a realidade. buscando de forma prazerosa sistematizar. sensação. Fonte: COSTA NETO (2002). é imprescindível para uma ação educativa direcionada e comprometida com a transformação social. histórico-social e transcendente. construção de aprendizagens significativas. redução da educação ao ensino. assume. tais como: compartimentalização dos conhecimentos. de reconstrução. Vitor Henrique. uma unidade biológica indissociável. sua realidade experimental e. que se expressam por meio de: desenvolvimento integral do homem. situações vividas como oportunidades de aprendizagem.gov. e um implica o outro. obra eternamente inacabada. ênfase na retenção de informações.br/batebyte/edicoes/1995/bb44/significado. atuante sobre o mundo. ao construir o próprio conhecimento. 2007. • Prática educacional histórico-social – implica entendimento da prática educativa contextualizada. assim caracterizadas: • Prática educacional construtivista – pressupõe o indivíduo como centro decisório do processo de aprendizagem. possivelmente. não tem deveres para com ela. valores. que possui uma capacidade de renovação.org/Moacir_Gadotti/Artigos/Portugues/ Curriculo/Indicadores_de_qualidade_da_educ_escolar.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III É preciso estar atento ao fato de que encontraremos na Educação diversas manifestações dos princípios mecanicistas.org. pois o organismo e o meio em interação constituem um único sistema. São Paulo: Ática. Educadores e educandos posicionam-se como investigadores nessa prática.br/indicadores/ http://www. Essa prática considera o processo e as ações mais importantes que o produto ou as estruturas dele resultantes. o desafio mais secreto e escondido do ser humano.paulofreire. Fundamentos da Educação Brasileira Sugerimos um aprofundamento teórico sobre o assunto a partir da leitura da sua obra completa: PARO. democracia e qualidade do ensino.htm 50 . constrói o mundo. considerando as contradições e os conflitos como mecanismos para o favorecimento da compreensão do mundo. cultura etc. Observe os princípios holísticos na prática educacional. • Prática educacional interacionista – pressupõe a não preexistência do conhecimento à atuação do sujeito. a visão holística vem consolidando um novo paradigma educacional. transmitir. ênfase nas funções intelectuais e sensoriais.

especialmente. para a Terceira Idade.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Você já pensou se todos os educadores tivessem consciência sobre o que significa Qualidade de Ensino? É comum ouvirmos falar sobre o entendimento de profissionais da educação do que vem a ser Qualidade de Ensino. Entretanto. Escola de Qualidade. Profissional e Tecnológica. Corporativa. Jovens e Adultos. além de funções desenvolvidas dentro do ambiente escolar. também atua em diferenciados campos do saber. É sobre esse tema que iremos tratar no próximo capítulo. considerando que todos os conceitos podem ser compreendidos e operacionalizados de diferenciadas maneiras. Um dos pontos fundamentais para que a educação seja de qualidade se refere à aceitação das diferenças. Qualidade da Educação. Convido-o a contribuir com suas reflexões acerca das diferenças que ocorrem em ambientes educativos como forma de valorizar a diversidade e a inclusão. tais como: Educação Comunitária. Você se recorda da história de João dos Santos descrita no início dos estudos deste Caderno? Como podemos considerar uma educação de qualidade se alguns alunos aprendem e outros não? A transição de modelos que perpetuam as diferenças deve ser mudada? Qual é a sua concepção de educação de qualidade? Pós-Graduação a Distância 51 . Lembre-se de que um educador. as mudanças dos referenciais construídos ao longo da história da educação brasileira devem ser conquistadas no âmbito do sistema educacional e. Hospitalar. no ambiente escolar.

princípios partilhados por um grupo de pessoas. crenças. Dentro dessa perspectiva de mudanças de paradigmas. É nesse contexto de mudanças educativas que surge a inclusão. São. e sim a valorização da diferença. Independente da maneira com que ocorrem as mudanças. mas. um conjunto de normas. enfim. surgem novas alternativas de conhecimentos em torno daqueles que antes norteavam os fenômenos da realidade. em determinado momento da história. A ruptura organizacional da escola e as novas maneiras de gestão contribuíram para mudanças substanciais de paradigmas. As mudanças de paradigmas que fundamentam as revoluções científicas são as mais difíceis. . As antigas grades curriculares. ainda. as incertezas e as inseguranças certamente ocorrem. Nessa lacuna – em busca do entendimento de como aprendemos e compreendemos a nós e ao mundo que nos cerca – é que aparecem as diferenças de si e do outro. quando as rupturas são abruptas denominam-se revoluções científicas. 16) “as diferenças culturais. valores. Fundamentos da Educação Brasileira 52 A velocidade com que as informações estão adentrando os espaços da sociedade na atualidade modifica as redes de relações humanas dentro e fora do espaço escolar. em virtude de desconstruir estudos comprovados cientificamente e levantar dúvidas acerca da veracidade dos dados. contribuindo para mudanças de comportamentos até que ocorram outras ideias. a escola tem sido espaço de muitas mutações desde a sua criação. que se materializam no mundo e servem de referencial para as pessoas. de gênero. defendidas e confirmadas como mais adequadas e/ou atuais que as anteriores. sociais. Segundo Mantoan (2003. de modo que os grupos se unifiquem e adotem um novo paradigma que os norteará ao longo de determinado tempo. regras. com conteúdos legalmente predeterminados e uma estrutura organizacional que atribuía à direção da escola todos os poderes sobre os demais segmentos da comunidade escolar.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Capítulo 11 – A Inclusão: Valorização das Diferenças Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Conforme estudamos no capítulo anterior. os paradigmas podem ser configurados como modelos e ideias em torno de determinado assunto. sustentavam uma estrutura burocrática e elitista. a diversidade humana está sendo cada vez mais desvelada e destacada e é condição imprescindível para se entender como aprendemos e como compreendemos o mundo e a nós mesmos”. com disciplinas bem delimitadas e fechadas. religiosas. de certa forma. Como mudar paradigmas plasmados ao longo da história da humanidade? O momento de questionamentos acerca dos paradigmas atuais é conhecido como crise de concepção e. desconstruídos e reconstruídos continuamente. e assim sucessivamente. Quando compreendemos que o outro é diferente e que nós também o somos. Essas novas ideias são discutidas. p. visto que na atualidade os paradigmas são construídos. não há distinção. étnicas.

Na inclusão. 2003. aprender. desde o começo da vida escolar” (MANTOAN. “(. 2001). sem estabelecer regras específicas para se planejar. . em classes especiais. ao contrário. é o de não deixar ninguém no exterior do ensino regular.) sem trabalhar à parte com algumas pessoas. São pontos de vista que nos fazem refletir sobre o que vem a ser diferença e inclusão. Mas quem definiu esse modelo? Será que as pessoas que defendem determinados modelos sustentariam outros? O que pode ser considerado melhor ou pior dentro de um ambiente educativo se está nos referindo aos nossos irmãos. temos de reformar as mentes. mas por que temos que defender a inclusão se já sabemos que somos diferentes e que temos as mesmas funções biológicas e os mesmos direitos e deveres? É nesse contexto de inclusão e exclusão que iniciaremos um estudo sobre a diversidade. os ambientes educativos devem atender os educandos sem discriminar. ibidem . Nesse caso. avaliar (currículos. plena. Que somos diferentes todos nós sabemos. a maneira com que nos consideramos diferentes vem sempre de um modelo paradigmático preestabelecido na sociedade. filhos dos amigos.19-20) acrescenta que: “Se o que pretendemos é que a escola seja inclusiva. ressaltamos a inserção Pós-Graduação a Distância 53 A integração é entendida como a inserção de pessoas com deficiência em ambientes educativos ou mesmo em Escolas de Educação Especial.. o que vem a ser integração e inclusão? Considerando a inclusão. mas não se pode reformar as mentes sem uma prévia reforma das instituições (MORIN. Talvez esteticamente você aparente uma visão mais interessante do seu ponto de vista. sobrinhos. Chegamos a um impasse pois. é urgente que seus planos se redefinam para uma educação voltada para a cidadania global.24). Seu objetivo é “inserir um aluno. atividades. O mote da inclusão. p. Nesse contexto. para se reformar a instituição.. amigos. como fica a atuação docente nessa perspectiva? Em um contexto inclusivo. netos. um referencial que nos rotula como diferente. p.. Nessa perspectiva. ou um grupo de alunos. avaliação da aprendizagem para educandos com deficiência e com necessidades educacionais especiais) (Idem. pais. não se distingue a modalidade de ensino (especial e regular).25). ou mesmo apresenta algum tipo de deficiência. filhos. Somos diferentes de algo.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Pense um pouco sobre a sua diferença física em relação ao outro. a prática docente transforma as ações comumente desenvolvidas em espaços educativos que não tenham o foco na inclusão e abre um leque de possibilidades no sentido de promover situações de aprendizagem em que todas as pessoas envolvidas possam interpretar e compreender as diversidades por meio da cooperação. que já foi anteriormente excluído. será que podemos dizer que uma pessoa seja melhor que outra? Ao refletirmos um pouco mais. mas o outro pode ter uma facilidade no aprendizado de algo que você não domina.. ou seja. livre de preconceitos e que reconhece e valoriza as diferenças”. p. Mantoan (2003. por sua vez.

jpg>.educared. <http://portales.jpg> c) de profissionais em serviço.net/aulashospitalarias/upload/noticias/afiche.educared. <http://portales.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III a) da comunidade em diferenciados espaços públicos e privados. d) do ensino profissionalizante e tecnológico. b) do enfermo interno em hospital. Fundamentos da Educação Brasileira 54 .net/aulashospitalarias/upload/noticias/afiche.

3º da Lei nº 9. VI – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. elege como um dos princípios “a igualdade de condições de acesso e permanência na escola”. Como podemos constatar. cor. a legislação assegura.. inciso I. em âmbito federal.].Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Salientamos. essa garantia está prevista na Constituição Federal de 1988. [. a inserção de idosos em ambientes de apoio que promovam opções saudáveis de vivência. raça. descrita no art. 208. ainda. sem preconceitos de origem. o educador tem o papel de possibilitar a liberdade e a diversidade de opiniões dos educandos. Além do direito à igualdade. Pós-Graduação a Distância 55 Mas como viabilizar o acesso e a permanência de todos a espaços educativos? . IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância.. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB. No art. sexo. Em sentido mais amplo. que menciona como objetivos fundamentais da Educação a promoção do bem de todos. inciso V. III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas. 206. da pesquisa e da criação artística. idade e quaisquer outras formas de discriminação.br/artigo. art. a arte e o saber. segundo a capacidade de cada um. <http://www. preceitua que o dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de “acesso aos níveis mais elevados do ensino. V – coexistência de instituições públicas e privadas de ensino.org.php?en=amaja&id=162> Nesse sentido. 3º.amaja. pesquisar e divulgar a cultura.394/96. o pensamento. Para Montoam (2005). estabelece que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola. a primeira tarefa do educador é a de construir uma proposta pedagógica que atenda a todos e ofereça uma educação de qualidade seja qual for o ambiente educativo. ensinar. a garantia de direitos de acesso e permanência educativa.” O art. inciso IV. II – liberdade de aprender.

br/pdf/epsic/v9n1/22386.org.pdf Como vimos em nossos estudos sobre a inclusão. uma maneira de superação das desigualdades está no trabalho docente. Maria Teresa Eglér. Fundamentos da Educação Brasileira 56 .scielo. Inclusão escolar: o que é? por quê? como fazer? São Paulo: Moderna.com/Arquivo/projeto/pdf/Expectativas%20 sociais.com/Arquivo/projeto/pdf/A%20escola%20 e%20familia.br/textos. Para tanto.amemdf.pro-inclusao. que vivenciamos ao longo da história da educação brasileira. 2003.amemdf.pdf http://www.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Para complementar os estudos referentes à Inclusão.html http://www. a prática pedagógica também necessita ser redirecionada no sentido de transpor as barreiras da fragmentação do saber. É nesse sentido que discutiremos no próximo capítulo possibilidades de mudanças no trabalho pedagógico. http://www. sugerimos a leitura dos seguintes textos: MANTOAN. o qual deve ser direcionado ao atendimento das diferenças em qualquer ambiente educativo.pdf http://www.

contradições e estratégias. Dessa forma. como gestor do funcionamento da escola. torna-se fundamental o entendimento da autonomia e das suas implicações na organização escolar. tal como num mosaico que só faz sentido visto pelo conjunto. Nesse sentido. uma ocorrendo como desdobramento de outras. A gestão escolar. segundo Lück (2000).. sendo dirigida pela consciência individual ou da instituição. também. pensar no significado do princípio da autonomia dos diversos atores envolvidos na ação educativa da organização escolar. Pós-Graduação a Distância 57 Mas será que a autonomia é alcançada pelo simples processo de decisão legal ou política? Certamente que não. Krawczyk (1999) afirma que: (. a das secretarias de educação na condução de suas políticas. realizada por meio da superação de naturais ambiguidades. procure responder aos questionamentos a seguir.. Implica. entendida como sinônimo de administração de uma organização que persegue determinados fins. Ora. pensar em gestão democrática implica. uma vez que limitam a participação e a criatividade necessárias para a construção social. A autonomia tem estado em voga no pensamento pedagógico dos dias atuais e perpassa praticamente todos os níveis e instâncias. consideramos de fundamental importância compreender os desafios e as possibilidades na construção da autonomia de espaços educativos. necessariamente. a da escola no desenvolvimento de seu trabalho. associa-se imediatamente à imagem de uma empresa e evoca a figura do diretor.) a gestão autônoma é aquela que está isenta da intervenção e do controle do poder político. Por isso é que estamos nos referindo aos desafios e às possibilidades na construção da autonomia da instituição e de espaços educativos. bem como os atores educativos. a efetivação da autonomia. sendo normas e regulamentos inócuos e até mesmo contraproducentes. Entre essas características ressaltam-se as seguintes: . a dos docentes na condução de seu trabalho pedagógico. mediante ação coletiva competente e responsável. pensar os limites e as possibilidades de autonomia dessa organização para a realização de sua função social. Trata-se de uma construção processual. sem planta pré-traçada. • Autonomia é construção: a autonomia é um processo que se constrói no dia a dia. Para iniciarmos os nossos estudos. principalmente. Discute-se a autonomia do educando frente ao seu processo de aprendizagem. está associada a uma série de características. entre outras discussões sobre o assunto. – Qual é a diferença fundamental entre autonomia e independência? – Como conciliar a autonomia da escola com as imposições dos órgãos gestores de políticas educacionais? – Trabalhar com autonomia exige alguma responsabilidade por parte de quem a exerce? Como mencionamos.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Capítulo 12 – Autonomia dos Espaços Educativos Elias Alexandre Ao refletirmos sobre a gestão democrática.

• Autonomia é um processo contraditório: como a liberdade e a flexibilidade são componentes imprescindíveis para a construção da autonomia. estabelecendo. a determinação externa dos seus destinos. mais amplo e complexo. Em vista disso. de responder por suas ações. um equilíbrio dinâmico nos sistemas de ensino e suas escolas. desse modo. Não se trata. vão agir para realizá-la. com sua competência. • Autonomia é expressão da cidadania: a consciência de que. A interdependência é regra geral que rege todas as organizações sociais. o poder de decisão sobre o seu trabalho. é pré-condição para a efetivação da autonomia. vivendo nesse ambiente. Fundamentos da Educação Brasileira • Autonomia é transparência: não basta assumir uma responsabilidade. de prestar contas de seus atos.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III • Autonomia é ampliação das bases do processo decisório: ao se construir a autonomia da escola. processo por si só pedagógico. entre os diversos detentores de influência (externa e interna). e à medida que se constrói a autonomia da escola. A mediação implica um processo de ganha-ganha. Consequentemente. tal como ocorre nas células. em que todos os seguimentos envolvidos têm suas necessidades mais importantes reconhecidas e atendidas. ampliando-as e compartilhando-as. de modo a enfrentar reveses e dificuldades. em conjunto. sem desconsiderá-los. com a autonomia. quanto privada. • Autonomia implica responsabilização: não ocorre autonomia quando não existe a capacidade de assumir responsabilidades. amplia-se. que exige uma atitude crítica e reflexiva sobre os processos e resultados de cada escola. para a efetivação da educação. em desconsideração ao contexto de que a escola faz parte. direitos que justificam pelos deveres assumidos. Por conseguinte. daí por que é uma expressão da cidadania. avaliação e comunicação de ações e seus resultados. Tal situação seria irreal na dimensão social. a intensidade da autonomia está diretamente relacionada com a intensidade dessa responsabilização. é natural que seja um processo acompanhado de manifestações contraditórias. em cuja medida se articulam direitos e deveres. Esse processo de decisão torna-se. entre estes e a comunidade escolar (incluindo os pais) a respeito de que tipo de educação a escola deve promover e de como todos. mas de desdobrá-las. Isso porque a autonomia é o resultado do equilíbrio de forças numa determinada escola. de um processo de repartir responsabilidades. sempre estará legitimamente presente na gestão da escola. os alunos aprendem. a heteronomia. Quando. • Autonomia pressupõe um processo de mediação: dados os conflitos. o exercício da prática de autonomia implica a necessidade da prática de mediação que envolve saber equilibrar interesses diversos. isto é. de realizar seus compromissos e de estar comprometido com eles. • Autonomia e heteronomia se complementam: autonomia da escola não significa total e absoluta capacidade de direito de condução de seus próprios destinos. o espírito da cidadania. sim. vivendo em um contexto. as contradições e as tensões decorrentes do próprio processo de aprender a trabalhar de forma compartilhada. É preciso dar conta dela e prestar contas para a sociedade do que é feito em seu nome. por levar em consideração múltiplos aspectos que constituem o tecido social. que se processa mediante o envolvimento de grupos que expressam diferentes interesses. 58 . Quando a escola se propõe a promover a cidadania crítica e competente em seus alunos ela emerge como condição natural de sua autonomia. até mesmo para fora do estabelecimento de ensino. tanto pública. e por articular diversos grupos de interesse não consiste na divisão limitada de poder e. • Autonomia é um processo de mão dupla e de interdependência: não se constrói a autonomia da escola senão mediante um entendimento recíproco entre dirigentes do sistema e dirigentes escolares. na expansão dele. assim como contribuem. temos em relação a ele. Estas fazem parte do processo e saber utilizar a sua energia e reconhecer as suas tendências é condição para o bom encaminhamento do processo. Em última instância. portanto. a sua prática envolve monitoramento. autonomia e transparência implicam abrir a “caixa preta” da escola para a comunidade e a do sistema de ensino para a sociedade. isto é.

scielo.org.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III • Autonomia implica gestão democrática : autonomia é um processo coletivo e participativo de compartilhamento de responsabilidades emergentes do estabelecimento conjunto de decisões. Fonte: Lück. (2000) Para você se aprofundar acerca da autonomia de espaços educativos sugerimos a consulta ao seguinte endereço eletrônico: http://www.org.asp?id=266 http://www. com foco na inclusão digital. para algum grupo.br www. na efetivação desse processo.com. Não se trata. em nome da sociedade.anpae. de a escola ser autônoma para alguém.br/pdf/spp/v14n2/9782. desse modo caracterizando-se como gestão democrática.br/eb/dic/dicionario. a elaboração e execução do plano de desenvolvimento da escola de forma articulada para realizar uma proposta educacional compatível com as amplas necessidades sociais.anped.br Ao longo deste Caderno de Estudos da Disciplina Fundamentos da Educação Brasileira discutimos as mudanças que estão ocorrendo na sociedade em busca da qualidade na educação. como forma de estabelecer uma relação mais estreita entre a aprendizagem e as novas tecnologias aplicadas à educação. O conjunto de avanços tecnológicos que transformam as relações de trabalho e as educacionais será discutido no próximo capítulo ao abordarmos as tecnologias na educação. mas de ser autônoma para todos. gestão compartilhada e participativa.pdf www. Gestão democrática implica a participação de todos os segmentos da unidade escolar. Pós-Graduação a Distância 59 . isto é.educabrasil.

alunos e comunidade possam estar conectados às informações que são rapidamente processadas no mundo virtual. Em segundo lugar. compreender as possibilidades das tecnologias em ambientes educativos. as novas tecnologias da informação.19).br/04-atualizese/modulo1p1. 2005). que a emergência dos conglomerados internacionais de multimídia é a chave para a difusão da informação.) (Adaptado por Maysa Barreto Ornelas) O que é uma tecnologia? Fundamentos da Educação Brasileira 60 Olhe ao seu redor. oriundas do mundo globalizado.educamidia. da microeletrônica à digitalização.pdf>. observaremos. 1997. . Que tecnologias você reconhece na sua casa e em outros ambientes? Você nota diferenças na forma como usa a televisão em casa e na escola? Você já ouviu a expressão “sociedade tecnológica”? O que entende por ela? “As tecnologias invadem nosso cotidiano”. A globalização significa que as atividades industriais e econômicas se desenvolvem em escala global e não regional. É nesse contexto de mudanças no cotidiano das pessoas que o profissional em educação procura se manter atualizado. em primeiro lugar. Ademais. Essa é uma das frases mais utilizadas hoje em dia para se referir aos equipamentos com os quais lidamos em nossas atividades rotineiras. considera-se de fundamental importância mencionar as facilidades de acesso a informações em tempo real. As tecnologias da informação favorecem ou desfavorecem a prática docente? Por quê? Tecnologias no cotidiano: desafios para o educador (Texto extraído do curso “TV na Escola e os Desafios de Hoje” (MEC. buscando dialogar com os educandos que estão em contato permanente com diversas fontes de informação. neste capítulo. Pensadores contemporâneos e a mídia em geral falam que estamos em plena “sociedade tecnológica”. de forma que educadores. É nessa perspectiva que procuraremos. a vida fora da escola pode se tornar mais interessante do que a própria escola no que se refere aos novos conhecimentos. p. De acordo com as reflexões de Moraes (1997). em parceria com a Universidade de Brasília.unb. têm um impacto social de efeitos quase impossíveis de prognosticar em toda a sua magnitude (MORAES. se atentarmos para as características da globalização em relação à informação e à comunicação. <www. desde os satélites a cabo.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Capítulo 13 – Tecnologias na Educação: Inclusão Digital Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Ao iniciarmos os estudos sobre Tecnologias na Educação.

formas e técnicas de fazer as coisas. agir. O avanço científico da humanidade amplia o conhecimento sobre esses recursos e cria tecnologias cada vez mais sofisticadas. As primeiras ferramentas A utilização dos recursos naturais para atingir fins específicos ligados à sobrevivência da espécie foi a maneira inteligente que o homem encontrou para não desaparecer. em cada época. em que predominam as tecnologias eletrônicas de comunicação e informação e a utilização da informação como matéria-prima que o homem transita culturalmente por intermédio das tecnologias. talheres. A evolução tecnológica e a transformação do comportamento A própria evolução social do homem confunde-se com as tecnologias desenvolvidas e empregadas em cada época. a divisão social do trabalho. Importante: quando falamos da maneira como utilizamos cada ferramenta para realizar determinada ação. máquina fotográfica. Elas transformam suas maneiras de pensar. ou seja. dotados de um alto grau de inteligência. Contava o homem primitivo com duas grandes ferramentas naturais e distintas das demais espécies: o cérebro e a mão criadora. tendo em vista a rapidez das inovações tecnológicas. A tecnologia é o conjunto de tudo isso: a ferramenta e os usos que destinamos a ela. do ferro. galhos e troncos de árvores foram transformados em ferramentas pelos nossos ancestrais pré-históricos. telefone.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Essas referências encaminham-nos para um pensamento de oposição entre a nossa natureza humana e a “máquina”. sabonetes. costumes e hábitos sociais. televisor. a momentos em que esses recursos foram transformados e utilizados como tecnologias pelos homens. transmitidas de geração em geração. Importante: criaram culturas. Frágil em relação aos outros animais. boa parte daquilo que utilizamos em nossa vida diária. Idades da pedra. procuravam superar suas fragilidades físicas em relação às demais espécies. como algumas de suas características. conjunto de conhecimentos. livros. Tornam-se mediáticas após a união da informática com as telecomunicações e os audiovisuais. em diferentes épocas. Geram produtos informacionais que têm. Essa relação apresenta-se até na forma como as diferentes épocas da história da humanidade são reconhecidas pelo avanço tecnológico correspondente. refletem os usos que os homens fazem das tecnologias que estão na base do sistema produtivo. A evolução tecnológica impõe-se e transforma o comportamento individual e social. Com esses materiais. giz e apagador. Mudam também suas formas de se comunicar e de adquirir conhecimentos. de alimentação e de ataque de outros animais. lápis. o homem precisava de equipamentos que ampliassem as suas competências. a neve –. até o momento atual. Pós-Graduação a Distância 61 . a possibilidade de interação comunicacional e a linguagem digital. 1 Observação nossa: o termo “novas tecnologias” não mais se aplicam nos dias de hoje. O homem primitivo contava também com o seu caráter natural de agregação social para superar as dificuldades e os desafios climáticos. muito superior à do “homem comum”. A economia. na verdade. papel canetas. pessoal e profissional – utensílios. correspondem. Desde o período inicial da Revolução Industrial – baseada na mecanização da indústria têxtil e no uso industrial da máquina a vapor –. sistemas de comunicação e crenças. do bronze. filósofo francês. DVD. a política. ou seja. Na perspectiva de Gilbert de Simodon. Se olharmos à nossa volta. Pedras. Com o passar do tempo. tratamento e difusão da informação. Importante: as Novas1 Tecnologias da Informação e da Comunicação – NTIC articulam várias formas eletrônicas de armazenamento. a diferenciação de seus comportamentos em relação aos dos demais animais. o homem iniciou seu processo de humanização. forma concreta com que a tecnologia é reconhecida. sentir. Não podia garantir sua sobrevivência e superioridade apenas pela conjugação das possibilidades do seu raciocínio com a sua habilidade natural. referimo-nos à técnica. sem condições para suportar os fenômenos da natureza – a chuva. esses grupos foram evoluindo socialmente e aperfeiçoando suas ferramentas e utensílios. Os romances e os filmes de ficção científica exploram esse antagonismo e assustam-nos com ameaças de domínio do homem e da Terra por robôs e outros equipamentos sofisticados. o frio. escovas de dente. ossos. a partir do momento em que utilizou os recursos existentes na natureza em benefício próprio. computador – são formas diferenciadas de ferramentas.

computador multimídia. Diante dele. Esses comportamentos são bem diferentes do processo linear. Internet. videogame – que nem sempre são acessíveis a todas as pessoas.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III As tecnologias da comunicação evoluem sem cessar e com muita rapidez. A distância existente entre as especificidades das aprendizagens realizadas a partir das mediações televisivas e as metodologias de ensino tradicionais de sala de aula constitui um grande desafio para o educador. custamos a nos lembrar que é apenas um filme. aparentemente. As imagens são construídas em nossa mente a partir dos estímulos visuais oferecidos na tela. na produção e no consumo de bens. a pessoa pode passar a ignorá-lo ou pode vê-lo como oportunidade para a realização de parcerias. A imagem é percebida pelo telespectador por meio da junção de pontos dispersos na tela. sua linguagem e maneiras particulares de comunicar-se com o homem por meio de suas capacidades perceptivas. Quando estamos envolvidos com o enredo de um filme de terror. Ao contrário da leitura de livros. cognitivas e comunicativas. orientada no sentido do alfabeto (horizontalmente. Tecnologias não se limitam a suportes Essa nova sociedade – essencialmente diferente da sociedade industrial que a antecedeu. não precisamos de instruções ou treinamento. oferecem formas novas de aprendizagem: novas lógicas. Geram produtos diferenciados e sofisticados – telefones celulares. Ver televisão é interagir permanentemente com as imagens apresentadas na tela. no papel atribuído ao conhecimento científico. em um processo dinâmico e veloz. Mas é. Como afirma Kerckhove. Primeiro assustamo-nos e só depois analisamos o que vemos na mídia. A leitura requer prática repetitiva e capacidade interpretativa. Não dá certo. às NTIC e nas formas de acesso. baseada nas possibilidades de informação e comunicação da mídia. competências e sensibilidades. Neste novo momento social. que irá ficar gravada em nossa lembrança. integrando as práticas e os saberes escolares às possibilidades de aprendizagem oferecidas pela televisão. sobretudo. Desafios para o educador Fundamentos da Educação Brasileira 62 As tecnologias de comunicação e informação que utilizamos. privilegiados pelas formas regulares de ensino. bastante acostumadas com a percepção das imagens televisivas. realidade virtual. As crianças. da esquerda para a direita). utilizando nosso raciocínio. Recordações e posicionamentos pessoais dão um sentido peculiar à informação. vídeos. diz-nos Kerckhove. diariamente. por exemplo. A compreensão da televisão como um dos principais meios de aquisição de informações orienta a nossa observação para a forma especial como essa aquisição acontece. Sociedade tecnológica e do conhecimento A sociedade tecnológica. televisão interativa. O que se forma é a imagem. emocionais. a ‘leitura’ televisiva ocorre por meio de ‘olhadelas rápidas’. caracteriza-se por uma articulação global do mercado econômico mundial e por mudanças significativas na natureza do trabalho e sua organização. pelos seus altos preços e pela necessidade de conhecimentos específicos para sua utilização. Nossa primeira forma de compreender é emocional. mesmo sem a compreendermos totalmente. Para ver televisão. aquisição e utilização dessas informações que é possível observar os novos fatores de mudança e de dinamismo econômico e social. baseada na produção e no consumo de produtos iguais. como a televisão. tentam utilizar o mesmo processo para a leitura dos textos impressos. a imagem formada não precisa necessariamente fazer sentido para nós. softwares. em massa – caracteriza-se pela velocidade das alterações no universo informacional e na necessidade de permanente atualização do homem para acompanhar essas mudanças. “o elemento comum subjacente aos diversos aspectos de funcionamento das sociedades emergentes é o tecnológico”. A televisão – como tecnologia – é um desses fatores de mudança que há muito tempo abandonou suas características de mero suporte e criou sua própria lógica. fax. As tecnologias da informação e da comunicação são intermediárias entre quem aprende e os conteúdos por elas veiculados. sistemático e previsível das aprendizagens em que predominam os aspectos supostamente racionais. Esse desafio pode ser encarado como um obstáculo intransponível. Os acervos de lembranças e .

organizando experiências nas quais os alunos possam trabalhar sua postura crítica diante da massa de informações e mensagens que os bombardeiam sem cessar todo dia. que são compatíveis com o modo capitalista de consumo. é o de formar o cidadão. mesmo que essa história seja pura ficção. Nessas respostas emocionais há também um lado coletivo. podem nos induzir ao vício. de tal sorte que a educação mobilize a sociedade. o papel do professor também se altera. O papel da educação. Para que todos possam ter informações e utilizar de modo confortável as novas tecnologias. sem se deixar levar pelo poder econômico ou político. a dos professores leigos. A emoção pode provocar uma aproximação maior entre a informação e a pessoa. Podemos debater sobre aquelas que nos induzem a uma visão de mundo. a ponto de podermos chamar nossa sociedade de “sociedade de aprendizagem”. para fomentar a transparência de políticas e ações de governo e para incentivar a mobilização dos cidadãos e sua participação ativa nas instâncias cabíveis. tornando a mensagem original e individualizada. por outro lado. entendido como “barulho” e.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III de conhecimentos vivenciados. a padrões de relacionamento menos adequados a valores democráticos. buscando compreender a forma com que são construídas e as maneiras com que interferem em nossas vidas. Muitos professores já sentiram que precisam mudar a sua maneira de ensinar. volta-se para a construção de uma sociedade que tenha a inclusão social como prioridade absoluta. trazem à consciência as emoções e as circunstâncias do momento em que ocorreram. Na sociedade tecnológica. Pós-Graduação a Distância 63 . e que. a escola pode contribuir para formar cidadãos autônomos e conscientes. As tecnologias para a formação da cidadania O papel do professor no atual estágio da sociedade tecnológica. adequado às novas exigências sociais e profissionais. Democratização do acesso A democratização do acesso a esses produtos tecnológicos é um grande desafio para a sociedade atual e demanda esforços e mudanças nas esferas econômica e educacional. Assim. Querem se adaptar ao ritmo e às exigências educacionais dos novos tempos. São respostas afetivas individualizadas às provocações comunicacionais proporcionadas pela mídia de maneira geral. Como as tecnologias estão permanentemente em mudança. para outros. como “música”. Diante dessa realidade. Colocam-se profissionalmente como mestres e aprendizes. com a expectativa de que por meio da interação estabelecida na “comunicação didática” com os alunos a aprendizagem aconteça. a dos portadores de necessidades especiais. a aprendizagem contínua é consequência natural do momento social e tecnológico que em vivemos. As tecnologias da informação e da comunicação devem ser utilizadas para integrar a escola e a comunidade. Podemos também aprender a apreciar. Entendemos que a inclusão social pressupõe formação para a cidadania. para uns. Anseiam por oferecer um ensino de qualidade. Diante de uma mesma história algumas pessoas sorriem e outras choram. podemos entender como nossas experiências e nossa identidade são socialmente construídas. Esse clima de identidade e empatia vivenciado com as imagens televisivas pode facilitar a adoção de “modelos de comportamentos”. o que significa que as tecnologias da informação e da comunicação devem ser utilizadas também para a democratização dos processos sociais. um mesmo som pode ser. Modelos que precisam ser vistos com cuidado para não se afastar demais da realidade próxima das pessoas a quem o programa se dirige. Um clima de identidade em que a pessoa funde suas próprias experiências e anseios na história contada e vivida por outrem. a decodificar e a interpretar as imagens. Isso exige acesso à informação e a capacidade de processá-la judiciosamente. para ambos. a condutas indesejáveis. apto a tomar decisões e a fazer escolhas bem-informadas acerca de todos os aspectos da vida em sociedade que o afetam. transferidos da narrativa do vídeo para a vida real. como a dos analfabetos. nesse sentido. é preciso um grande esforço educacional. ao serem recuperados. a um estilo de vida. Por meio da leitura crítica de imagens. baseada nas tecnologias da informação e da comunicação.

MASETTO. Wilson. a práxis e a formação são essenciais para a prática docente. Na última Unidade da Disciplina Fundamentos da Educação Brasileira. Educação a distância. aquifolium.br/educacional/artigos/entruvb. Comunidades virtuais precisam de animadores da inteligência coletiva: entrevista concedida ao portal da UVB (Universidade Virtual Brasileira).com. A vanguarda (tecnológica) do atraso (pedagógico): impressões de um educador online a partir do uso de ferramentas de courseware.asp?id=266 BELLONI. Novas tecnologias e mediação pedagógica.com. Disponível em: <www. ed.Tendências Atuais do Pensamento Pedagógico Unidade III Ao ter acesso à trajetória sobre a evolução histórica das tecnologias e vivenciar o reflexo dessas mudanças no cotidiano. Marcos.html> _____. assista e acesse: http://www. Campinas: Autores Associados. MORAN. BEHRENS.com. 7. . abordaremos a Ética nas Relações. lançamos a seguinte questão: Como abordar com os alunos a importância da conduta ética para o desenvolvimento humano? Leia. Marilda.br/eb/dic/dicionario. É essencial que você envie suas atividades para o e-mail do tutor. José Manuel.html>.br/educacional/artigos/vanguarda. Maria Luisa. São Paulo: Papirus. Você concluiu seus estudos desta terceira Unidade. AZEVÊDO. Disponível em: <www. Fundamentos da Educação Brasileira 64 Preparado? Então vamos iniciar a nossa última Unidade. aquifolium. 2003. a práxis pedagógica na perspectiva da ação-reflexão-ação e a formação continuada do profissional de educação.educabrasil. Lembre-se de que em um mundo globalizado a ética. 1999.

A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Unidade IV A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Capítulo 14 – Ética nas Relações Conhece-te a ti mesmo! Sócrates – Você concorda com essa afirmativa oriunda dos ensinamentos de Sócrates? – Qual é a relação dessa afirmativa com a ética? – Como avaliar as situações que se referem aos procedimentos. O filósofo Sócrates. considerado o pai da ética. As questões éticas estão relacionadas ao bem e ao mal? Pós-Graduação a Distância 65 . afirmava que a partir da compreensão racional o ser humano poderia agir de forma correta. condutas e valores que estão velados na sociedade? Iniciamos os estudos deste capítulo com questionamentos que nos conduzem a pensar se pequenas atitudes podem nos ajudar a ter uma conduta ética na vida.

que é uma teoria. O que você entende por ética? Fundamentos da Educação Brasileira Para compreender o significado de ética recorremos ao dicionário de SOARES (1968) o qual apresenta 33 definições para a palavra ética. As éticas teológicas. Entretanto.br/images?q=etica&ie=UTF-8&oe=utf-8&rls=org. o “puro bem”. nos levam a dissentir de um modelo humano possível e aceitável para a realidade que vivemos?` Todos sentem as consequências dessas transformações e sua influência em nossos conceitos e relações. Trata-se de saber se a moral é um dado a priori. O surgimento e o desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação. é preciso considerar o que permanece e o que precisa ser transformado. é importante compreender a origem da ética descrita pelo referido autor: Origem da ética – Rigorosamente. encontram-se rasgos apriorísticos: o “sentido do verdadeiro”. o problema é o da genealogia da moral. de Aristóteles. resultando numa cibercultura. absolutamente empírico. nas formas de utilização desse conhecimento. Quais valores já não servem mais? Quais outros precisam ser acatados? Quais os valores perenes e universais que. em Platão. como algo universal. tais como: ética dos valores. novos valores se impõem. não há problema da origem da ética. e esta relacionada a outros aspectos. a “essência da natureza humana”. forma de arquétipo. seja impositivo universal. as transformações aceleradas no campo da tecnologia e da informação demonstram claramente uma mutação no conhecimento humano e. quer a 66 . mas a questão maior é “como viverão nossos filhos?” Há questões éticas que precisam ser definidas e respondidas em frente às condutas a serem assumidas em todas as instâncias de relacionamentos. Estamos em um momento de mudança de paradigma: antigos valores estão sendo questionados.com. ética e moral.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Figura 8 <http://images. Já não podemos mais viver “como nossos pais”. ou um dado da experiência. de Sócrates. se desconsiderados. seja fenômeno da essência do homem. principalmente.google. a expansão do ciberespaço. causaram transformações culturais que repercutem nas relações sociais de maneira extensa e profunda. ética e o dever. Nas éticas antigas. Em tempos como os nossos. a criação da Web.mozilla:pt-BR:official&client=firefoxa&um=1&sa=N&tab=wi&ei=8KqoSNz_AqbcesW1vZYB&gbv=2> Ao nosso redor.

cujo objetivo moral consistia em considerar o trabalho um bem e ver no bem todo significado da virtude. . 94).. p. na situação de brinquedo manipulável por quem se julga superior a ele”. é o moderno defensor da ética apriorística. diferenciadas culturas e processos com os quais se relacionam é essencial para que as relações humanas ocorram de maneira harmoniosa e com autonomia moral. costumes. Fonte: Soares (1968. Introd. independente de considerações morais). Pós-Graduação a Distância 67 Ao refletir sobre essas atitudes. Fichte. são meios indispensáveis.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV pitagórica. Não nega o sentimento. que impõe deveres adstritos à função do cientista de trabalhar pelo conhecimento. não um ato de procedimento. 314. políticas ou religiosas a causaram parece mui aceitável. Kant.. Em que situações você considera que os sujeitos não tenham agido com postura ética? Conhecer pessoas. tendo em vista os maiores interessados: os sujeitos concretos que agem no mundo”? (Ibidem. funções e fins. Külpe. p. p. mas proclama o predomínio da reflexão). como a dos cínicos. “Como concepção histórica da origem de uma obrigação moral. não podemos esquecer de situações do nosso cotidiano.45). Também da posição de uma concepção pedagógica se pode admitir que influências heterônomas. em Brasília. das crenças e dos valores para determinados grupos e para o grupo no qual está inserido? Em face do que foi abordado “acerca das caracterizações de ética e de moral. para desenvolver disposições e orientações volitivas morais”. cabe perguntar até que ponto a distinção entre elas adquire importância social. Leibniz. a suposição de que originariamente determinações sociais. Entretanto. p. o que significa ética? “(. às vezes. mas os princípios que constituem a razão de ser da moral. científica (ética de função. Dá-se o mesmo com as éticas de Descartes.) A ética tem por objeto. são apriorísticas. crenças e valores que permitem colocar o outro. encontrando a origem da moral num dado experimental: ética intelectualista (a que se caracteriza pela reflexão. evolucionista (os instintos morais são variações fortuitas conservadas e aprofundadas pela seleção natural) etc. A origem da ética descrita por Soares (1968. sua origem. Mas será que todas as pessoas reconhecem essa diversidade e a importância da cultura.94) possibilita uma visão das correntes de pensamento de filósofos de todas as épocas.45) ressaltam: “O que está em jogo em episódios dessa natureza é toda uma visão de mundo construída sobre hábitos. É uma ciência”. Schopenhauer e outros pertencem a esse círculo ético. A maioria das éticas atuais é empírica. pela compreensão e deliberações racionais.. A adiaforia cínica é uma “conseqüente”. grupos. para quem todas as leis morais são imperativos categóricos. A atitude desses adolescentes pode ser considerada como a de sujeitos que deixaram de se comportar com ética ou negaram a condição de sujeitos morais? A esse respeito Nascimento e Olbrzymek (2007. o diferente. o caso dos jovens rapazes que atearam fogo em um índio da tribo Pataxó que descansava em um ponto de ônibus. quer a medieval. Também na Antigüidade assinalam-se éticas empíricas. ensino e exemplos de outros. Spinoza. Por exemplo. processando estudos e descobertas. não compreendemos facilmente. as quais.

A ética. A ética é uma das áreas da filosofia que investiga sobre o agir humano na convivência com os outros e a moral que surge. tradicionalmente. é incorporada pelo indivíduo por meio da educação. pautado pelos contatos primários. de forma a discernir sobre valores e regras sociais que não coadunam com o princípio da vida e da dignidade humana. O homem é um ser moral. ele situa-se em uma vertente que não é a mesma das prescrições. que significa hábitos. formais. suas funções nesses novos tempos. ou seja. há urgência em conhecer desde as definições gerais da Filosofia da Educação até as condutas do dia a dia: atitudes. O processo educativo foi. elaborar um modelo ético de relação educativa. exortações e práticas morais. a ponto de não ter receio de transgredir tais prescrições e práticas. Para o autor. Essa alteração nos tipos de contatos sociais muda os atributos necessários para preservar a Ética nas relações educativas. 2 68 . Fundamentos da Educação Brasileira É imprescindível avaliar as alterações nos contatos sociais e identificar os seus efeitos. com base emocional. Nessa perspectiva.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV As autoras contribuem destacando a distinção entre ética e moral: Embora os termos ética e moral por vezes sejam usados como sinônimos há uma distinção entre eles. ela a precede na ordem do fundamento” (Ibidem. A palavra moral provém do latim moralis e significa costume. Ética é uma construção pessoal. Ao fazer referência à lei simbólica – que rege o princípio da ética – o autor reconhece a capacidade do indivíduo de ter percepção crítica do mundo. 14): A questão da ética leva-nos a nos interrogarmos sobre os princípios que são de natureza diferente das “necessidades” ou ‘pseudonecessidades’ enfatizadas pela moral. Imbert (2001) faz uma clara distinção entre ética e moral. Nesse âmbito. Intensifica-se o uso da modalidade denominada Educação a Distância – EaD2. 1 Imbert (2001) concebe Lei-simbólica como constituinte do desejo e da palavra e seu desafio é a ex-sistência do sujeito e o reconhecimento da sua liberdade e singularidade. formas de relacionamento. A palavra ética provém do grego ethos. por sua vez. regida por regras sociais. p. A partir da Revolução Tecnológica passaram a prevalecer os contatos secundários. A anterioridade da ética em relação à moral refere-se ao fato de que a primeira é própria da condição humana – regida por “leis simbólicas”1 –. forjada de forma refletida e consciente. Diz Imbert (Ibidem. procedimentos. uma síntese elaborada pelo próprio indivíduo. iniciando-se principalmente com a educação formal. É nessa perspectiva que a afirmativa de Sócrates “Conhece-te a ti mesmo” é compreendida. utilitários. É fundamental estabelecer com clareza o que se espera da educação formal. podendo opor-se a regras e aos seus efeitos. Moral é o conjunto de normas e condutas reconhecidas como adequadas ao comportamento humano por uma dada comunidade humana. 16). a partir de sua experiência de vida. e se refere à moradia de um povo ou sociedade. entendendo-se a ética como uma construção resultante da dialética entre o ideário e a vivência. definir o papel da escola. Sobre esse assunto. para. ações. art. pois a ética não pode ser delegada ao outro como responsável por suas atitudes ou interferências em si. entretanto. impessoais. calculados mais como um meio para se atingir um fim. O processo de educação é profundamente afetado por todas essas mudanças e. precisa ser questionado. um ser que avalia sua ação a partir de valores. consequentemente. principalmente as iniciais. diz respeito às proposições fundadoras das condutas humanas. pessoais. A moral estabelece princípios de vida capazes de orientar o homem para uma ação moralmente correta. O autor afirma que a ética “situa-se antes de qualquer conformidade moral. consideradas válidas para uma determinada realidade. O engajamento ético difere da obediência às regras. diretos. por isso. não pode ser aprendida de fora para dentro. conduta. consulte a LDB nº 9394/96. a moral refere-se à aquisição de bons hábitos e de um conjunto de regras prescritas. costumes. a construção da ética está mais na dimensão humana do que na dimensão social ou política. o indivíduo é livre para fazer suas escolhas e responsável por elas.80. em que as pessoas envolvidas compartilhavam suas experimentações. p. a segunda. A Ética.

A indiferença não constrói nada. atitudes que desencadearam tal fenômeno.php?pid=S0101-73302001000 300016&script=sci_arttext http://www. crenças. um processo de transformação qualitativa em direção à excelência humana. maior a impressão que causa na vivência do educando. apesar disso. aptos. Quanto mais suas relações estão fundadas no campo afetivo.com/vdletras7/monica. assume-se a Ética. como educador tem a responsabilidade sobre o modelo de ser humano que apresenta ao aluno. Um professor pode marcar a história de um aluno. há princípios dos quais não podemos prescindir porque são inerentes à própria essência daquilo a que se referem. O professor possui uma dupla função: como instrutor tem de mediar a construção de conteúdos. Meios e métodos podem ser alterados por condições circunstanciais.exec. A Ética está ligada ao que é imprescindível. favoráveis ao Planeta em que vivemos. que se inicia com o aprendizado da moral e tem continuidade com a formação da Ética. as práticas pedagógicas. a qualidade do que faz com que a educação eduque. a ética perpassa todas as ações do ser humano. não se conduzem eticamente.scielo. mas para ser um referencial e servir como modelo vivo de maturidade e autorrealização. mas pautam a conduta da individualidade que se forma. Como a prática pedagógica pode contribuir para a formação de cidadãos que saibam se conduzir diante de situações que envolvem questões éticas? Para saber mais sobre ética sugerimos a leitura dos artigos disponíveis em: www. Todos os questionamentos evidenciados. Essa busca incessante tem se agravado a partir das situações conflituosas de pessoas que representam as sociedades nas quais vivem e que.php?rpa_chave= d9ce46773524d0ac4408 http://www. Que se formem seres humanos pertinentes. têm sido focos de discussões de interessados sobre o assunto. a preparação de profissionais educadores deve estar pautada em referenciais éticos construídos a partir de reflexões acerca de situações do cotidiano. Metas e finalidades podem ser ajustadas.com. Há uma evolução. Aprende-se a moral. não para ser apreendido em sua personalidade. de maneira incessante. pode ser um referencial para o resto da vida.br/hp/revista/download. Essas impressões podem ter efeitos agradáveis ou desagradáveis.br/scielo. Ele se oferece como paradigma. como aprendiz. É preciso reconhecer o essencial. o aluno aprenda. discutiremos. Pode-se dizer que ao aluno. terem um grau maior ou menor de consciência. neste capítulo. cabe exercitar a ética.icpg.hottopos. serem determinadas por fixação ou por rejeição.htm Pós-Graduação a Distância 69 Como vimos. no próximo capítulo. para que essa construção se enraíze e proporcione ao educando uma referência ética e moral. o professor ensine. Nesse contexto.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV No contexto escolar. buscando sempre refletir sobre as questões éticas que embasam o trabalho docente. discussões dos valores. independente do lugar que ocupa na sociedade. . técnicas e habilidades para desenvolver o potencial de cada aluno. no sentido de encontrar caminhos éticos que sejam percorridos ao longo da vida. quanto ao professor compete a assunção da Ética. entretanto.

Enquanto a primeira anuncia a supremacia do objeto sobre o sujeito (o indivíduo conhece a partir da realidade existente). a segunda preconiza o contrário: o sujeito é quem possui supremacia sobre o objeto (o indivíduo apresenta capacidades inatas e 1 2 ORNELAS. refletimos sobre a ética na relação com o outro e consigo. várias tentativas para explicar a origem e a essência do processo cognoscente. recorremos sempre aos estudos de Paulo Freire.” No capítulo anterior. e não porque agimos. bastando apenas ser “despertado”. em que os conhecimentos podem ser inscritos. Fundamentos da Educação Brasileira 70 . Articular a ética às práticas pedagógicas requer do professor reflexão crítica sobre a ação de modo que favoreça a manutenção ou o redirecionamento das ações posteriores à reflexão. pelo que os sentidos podem captar. essa é uma questão fácil de ser respondida. no que se refere ao sentido necessário da eticidade na prática educativa. não importa se trabalhamos com crianças. Assim. ou seja. “tábula rasa”. mas. morre torto. pelo qual se entende que o conhecimento está na realidade externa e é transmitido ao sujeito por meio de informações captadas pelos sentidos. Freire (1996. Leite. mimeo. cujo conhecimento acontece porque o sujeito já o tem de forma inata ou hereditária. É nesse contexto que dialogaremos a concepção da práxis pedagógica na formação docente e na prática educativo-crítica. O indivíduo. que devemos lutar.16) afirma que “É por esta ética inseparável da prática educativa. ao primeiro enfrentamento analítico percebe-se que não há uma resposta que dê conta de todas as suas dimensões e. nessa concepção. influenciando de forma direta os fazeres da sala de aula: empirismo. “Água mole em pedra dura. Do Conhecimento à Sala de Aula: Concepções do Professor. tanto bate até que fura. inatismo e construtivismo. como um programa de capacidades determinadas.”2 Esse conhecido provérbio parece representar bem o princípio do empirismo (ou behaviorismo).” Esse segundo provérbio traduz a concepção denominada inatismo (ou apriorismo. Esses modos de conhecer estão histórica e ideologicamente abrigados em três grandes correntes ou teorias. você está convidado a ler o texto a seguir. meditando sobre a sua prática docente. Maysa Barreto. As relações estabelecidas entre esse provérbio (bem como os seguintes) e as concepções epistemológicas são de autoria da pesquisadora Mª Isabel F. Os empiristas acreditam que o conhecimento se dá porque nós vemos.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Capítulo 15 – Práxis Pedagógica – Ação-Reflexão-Ação “A verdadeira amizade chega quando o silêncio entre duas pessoas é agradável” Paulo Freire Ao refletirmos sobre a ética no exercício de nossa tarefa docente. “Pau que nasce torto. UNICAMP / SP. os inatistas consideram que o conhecimento está no sujeito. Neste capítulo. Brasília: 2001. tateamos. jovens ou com adultos. é considerado como “cera virgem”. ou racionalismo). P.. sim. ouvimos etc. p. dependendo apenas da maturação para “aflorar espontaneamente”. especialmente. Do Conhecimento à Sala de Aula: Concepções do Professor1 Maysa Barreto Ornelas Como conhecemos? À primeira vista. A abordagem empirista opõe-se visivelmente à inatista quanto à relação estabelecida entre sujeito e objeto. “folha de papel em branco”.

A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV conhece por meio da razão). por meio da qual o conhecimento se constrói. E não perguntes quem és àquele que sabe a resposta. atende a essas e a outras questões. 41) nos faz refletir sobre a transitoriedade do conhecimento. de forma a estabelecer relações contínuas e dialógicas entre esses elementos. entre eles. seu aluno) conhece. conceber uma visão transformista do universo. com maior adequação. o dinamismo da nossa história e a incerteza das nossas verdades. Aprende a ler e a escrever de novo. como arte por terminar. ou seja. O homem se diz ao se desdizer: no gesto de apagar o que acaba de ser dito. tende a direcionar o seu fazer pedagógico. e principalmente. Perde-te na biblioteca. da vida. a concepção epistemológica que.. Assim. em busca do conhecimento em todos os espaços educativos. sua prática pedagógica. podemos identificar. os pressupostos que embasam a ação docente. corre o machado de perder o fio. recorda que a verdade costuma ser uma arma dos poderosos e pensa que a certeza impede a transformação. no momento histórico em que vivemos. Aprender a ser um educador construtivista significa. do conhecimento sobre as coisas.. Exercita-te no escutar. para que a página continue em branco. no limiar de um novo século. Recorda-te de teu futuro e caminha até a tua infância. propõem uma visão passiva do conhecimento. posto que não as responde. ousamos afirmar que o construtivismo é. porém. Sê tu mesmo a pergunta. E queima-a logo que a tenhas escrito. faz-se necessário retornar às clássicas perguntas: Que indivíduo queremos formar? Em que escola? Para que sociedade? Apoiados nessas reflexões. Conta-te a ti mesmo a tua própria história. “O mesmo risco que corre a lenha de ser cortada. mas uma relação de interação entre eles. nem mesmo a essa parte de ti mesmo que sabe a resposta. como instalação definitiva na certeza de si. porque a resposta poderia matar a intensidade da pergunta e o que se agita nessa intensidade. à medida que nos reconheçamos incompletos. p. e melhor o faremos. na tão cantada sala de aula. conhecemos à medida que construímos relações significativas. para o qual as condições de ocorrência estão previamente determinadas. O que essas relações têm a ver com a prática pedagógica? A concepção de conhecimento que o educador adota para si. Larrosa (2001. Não há supremacia do sujeito ou do objeto. Ambas. prende a atenção ao que inquieta. a todo tempo. O homem se faz ao se desfazer: não há mais risco. independente da atividade do indivíduo. Não sejas nunca de tal forma que não possas ser também de outra maneira. Pós-Graduação a Distância 71 . do outro e de si mesmo. Nessa concepção. determina em grande parte. no sentido de que a aprendizagem ocorra. o desconhecido que volta a começar. Frente à autoconsciência como repouso. por meio das falas e das práticas em ambientes educativos. mas indica amplos caminhos para que se possa forjar as próprias trilhas. A partir daí. mesmo que de forma inconsciente. a forma como ele entende que o indivíduo (no caso. o conhecimento é o resultado de uma construção a partir das interações contínuas que se estabelecem entre o sujeito e o mundo que o cerca. como verdade. Nessa perspectiva. pois. segundo o construtivismo.’’ Esse provérbio revela o entendimento de como se conhece.

reflita sobre a importância da atualização permanente em sua prática docente. a formação. 1996. o educador tem a possibilidade de ressignificar sua prática educativa de modo que aprenda a partir da reflexão com o outro.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Na primeira Unidade. Freire (1996. Nesse ponto de vista. E. Para saber mais sobre a práxis pedagógica. o aluno. p. dentro da concepção pós-crítica. sugerimos a leitura da seguinte obra: FREIRE. a aprendizagem ocorre tanto no discente quanto no docente. podemos entender como práxis pedagógica a ação-reflexão-ação do educador. Lembre-se de que a atualização do docente é essencial para atender às exigências de um mundo em constante mutação. na qual foram suscitados elementos que apontam para uma nova concepção. São Paulo: Paz e Terra.23) menciona que formar não é “transferir conhecimentos. você estudou a relação entre Educação e Instrução. Fundamentos da Educação Brasileira 72 . ao ser aprendente. Paulo. conteúdos. de acordo com as mudanças propostas para o século XXI. Nesse sentido. abordaremos a formação continuada do profissional de educação. nem formar é ação pela qual um sujeito criador dá forma. Para esquentar. No próximo capítulo. e que tenha a oportunidade de refletir sobre o que media na relação com o aluno. Pedagogia da Autonomia. estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado”. no capítulo 3.

A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV Capítulo 16 – Formação Continuada do Profissional de Educação Denise Maria dos Santos Paulinelli Raposo Chegamos ao último Capítulo do Caderno de Estudos da disciplina Fundamentos da Educação Brasileira com a tarefa de refletirmos sobre a formação continuada do profissional de educação. de modo a promover mudanças que favoreçam a melhoria da qualidade da educação. ainda. procuramos destacar a importância do docente. a qual “refere-se ao ensino de conhecimentos teóricos e práticos destinados à formação profissional. Fundamentado em sua visão de formação continuada. visto que trata da reflexão sobre a prática. entendida como prolongamento da formação inicial visando ao aperfeiçoamento profissional teórico e prático no próprio contexto de trabalho. Com isso. a prática se articula à teoria como complementaridade. freqüentemente completados por estágios”. a formação continuada. especificamente. p. entre outros assuntos – quando discutidos por pessoas com experiências similares – é bastante válida pela possibilidade de troca de experiências e busca de soluções embasadas em conhecimentos teóricos. acesso a novas tecnologias e impactos dessas informações em ambientes educativos. para além do exercício profissional. em diversos lugares e pessoas. tendências pedagógicas. a reflexão sobre a legislação vigente no Brasil relacionada a educação. É nesse contexto que a formação continuada torna-se fundamental. metodologias de ensino. torna-se imediatamente possível a prática reflexiva (práxis) em seus ambientes de trabalho. articula teoria e prática durante todo o processo de mediação de conhecimentos com os alunos. criar e recriar procedimentos e estratégias de trabalho. também se torna essencial de modo a acompanhar as mudanças que ocorrem a todo o momento. compreender o seu contexto. Você considera importante a formação continuada para a sua prática pedagógica? Os estudos de Libâneo (2003. Libâneo reforça. Entretanto. com embasamento teórico no contexto do trabalho pedagógico. Acrescenta que é no contexto de trabalho que as pessoas envolvidas com o processo educativo têm a possibilidade de promover mudanças pessoais e profissionais. disso. a importância da formação inicial.189) contribuem para o entendimento de que a formação continuada “é a condição para a aprendizagem permanente e o desenvolvimento pessoal. Além. e ao desenvolvimento de uma cultura geral mais ampla. Partindo desse pressuposto. ao compartilhar com profissionais que vivenciam situações semelhantes. Você concorda com essa afirmativa? . cultural e profissional”. O educador. Pós-Graduação a Distância 73 Libâneo (2003) afirma que o educador é um profissional que tem como prática a sua atividade para o ensino. A cada capítulo estudado. resolver problemas.

nas reuniões pedagógicas. atitudes e convicções que fazem parte da identidade profissional do sujeito. 2003. nos conselhos de classe etc. visto que ambas se complementam para dar sentido à prática profissional. entretanto. observe um trecho do artigo publicado por Libâneo (2003). é na formação continuada que ocorre a consolidação dessa identidade. p. 2003. Para esse autor (Ibidem. na organização e articulação do currículo. p. A profissionalização trata das condições ideais que venham a garantir o exercício profissional de qualidade e. Antes de tudo. Ela visa ao desenvolvimento pessoal e profissional mediante práticas de envolvimento dos professores na organização da escola. no contexto do seu ambiente de trabalho.63). portanto. Fundamentos da Educação Brasileira 74 . Nessa perspectiva. em sua tese de doutorado. relaciona-se ao “desempenho competente e compromissado dos deveres e responsabilidades que constituem a especificidade de ser professor e ao comportamento ético e político expresso nas atitudes relacionadas à prática profissional” Ibidem. nas atividades de assistência pedagógico-didática junto com a coordenação pedagógica. Um ponto em comum entre essas ações consiste em possibilitar ao docente a reflexão. complementaridade entre as noções apresentadas. o papel da escola como contexto de ação e de formação continuada de educadores. cursos).66): A formação continuada é uma maneira diferente de ver a capacitação profissional de professores.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV O autor menciona que a profissionalidade significa um conjunto de requisitos profissionais que o tornam educador. ressalta-se que a formação continuada refere-se às ações de formação que ocorrem dentro da jornada de trabalho (no ambiente escolar) e fora (congressos. Constata-se. Para subsidiar nossas reflexões. ao mencionar os estudos de Abdalla (1999). na medida em que integra o desenvolvimento pessoal e profissional no ambiente de trabalho. Além de ser papel da instituição proporcionar ao professor eventos de formação profissional. a formação inicial favorece a construção de conhecimentos. o profissionalismo. em que analisou. o próprio docente deve ser responsável por buscar aprimorar sua formação. O professor deixa de estar apenas cumprindo a rotina e executando tarefas. o qual supõe a profissionalização e o profissionalismo. A profissionalidade é de fundamental importância para a educação ou formação continuada. sem tempo de refletir e avaliar o que faz. a discussão e a confrontação das experiências oriundas da prática profissional e articulá-las às teorias que existem no tema em foco.

aí. 194-195). pois.A Ação Docente e as Tendências Pedagógicas Unidade IV 1. Essa cultura interna influi no desenvolvimento pessoal e profissional do professor (positivamente ou negativamente). novas perspectivas. também. 2. Procure relatar os aspectos positivos e negativos que você considera importante para a sua prática profissional. Isso significa que as próprias formas de organização da escola não só têm a ver com esses comportamentos (ou habitus) como a própria escola vai formando uma cultura própria a partir desses comportamentos. maneiras de pensar e agir. dessa reflexão sobre ação. nas escolas. novos habitus. Isto acontece desse jeito porque em todas as instituições há sempre um campo de relações. podem nascer mudanças na estrutura de relações vigente na escola visando criar uma nova cultura organizacional. mas os professores também podem produzir esse espaço cultural da escola. Reaparece. 3. mas. experiências subjetivas etc. Fonte: Libâneo (2003. Essas características provêem das crenças. que faz parte da cultura da escola. ou seja. p. valores. que é o conjunto das relações sociais. Poste no fórum reflexões acerca dos estudos realizados no Caderno de Fundamentos da Educação Brasileira. Isso quer dizer que. modos de pensar que vão se formando na vivência da cultura dos grupos dos quais fazem parte e se expressam em comportamentos e modos de agir. seu envolvimento com o trabalho. não visível. em que os professores podem desenvolver novas necessidades. interesses. há uma estrutura administrativa e pedagógica que é visível e outra estrutura não formalizada. a necessidade de as escolas cultivarem momentos de prática reflexiva. um espaço de mudança e inovação. constitui-se de um espaço não apenas de relações de poder. Ficaremos aguardando as suas contribuições! Pós-Graduação a Distância 75 . O sistema de organização e gestão. As necessidades. as experiências subjetivas e as perspectivas dos professores afetam seu desempenho profissional. significados. de todas as relações que derivam das características do grupo social que atua nela. nesse espaço é possível a criação e desenvolvimento de novos comportamentos. obviamente articuladas com a cultura da comunidade e da sociedade como um todo.

Dessa forma. ainda. Ao longo dos estudos desta disciplina. Vimos. Estudamos que as tecnologias da informação estão disseminadas por toda parte.. derivada de uma condição interior do indivíduo. compromete o docente à manutenção de atitudes sensatas em todas as situações de interação com o aprendiz. delegando poderes de decisão para a sua autonomia e democratização. com continuidade na formação ética. o educador deve sempre instigar reflexões acerca do que leu e replicou aos colegas dentro e fora do ambiente escolar.Para (não) Finalizar Parabéns! Você chegou ao final do Caderno de Estudos da Disciplina Fundamentos da Educação Brasileira. os projetos e a cultura da comunidade.. pensamos com carinho sobre os conteúdos a serem abordados de modo a aprofundar conhecimentos que possibilitassem a construção de novos referenciais e contribuíssem para mudanças significativas em sua prática profissional. jovens e adultos.. recorremos a Drummond. ou quem sabe. Pensando nisso. Vimos que a construção de um ambiente educativo de qualidade perpassa por diferenciadas possibilidades de tornar-se um espaço de realização de atividades na qual a comunidade participa e discute as responsabilidades com os diferentes agentes educativos. e pelo espaço e tempo de que dispomos. que influenciam no processo de desenvolvimento integral do ser humano. foram ditas coisas demais. que a Ética. as competências e o compromisso dos envolvidos com as necessidades. fortalecendo o mundo globalizado. Com a participação da comunidade escolar nas discussões e decisões há maior possibilidade de oferecer um ambiente educativo de qualidade. Fundamentos da Educação Brasileira 76 Parece que ficaram coisas sem serem ditas. direcionamos o foco para a concepção atual de educação. cabe a você aprofundar as discussões de acordo com o seu interesse e ação pedagógica. para aprendizados de cunho moral. Desse modo. Dentro desse contexto. as possibilidades de novos fazeres pedagógicos fundamentados e alinhados em direção ao crescimento e ao desenvolvimento do ser humano passam de um processo de acúmulo de conhecimentos. a pós-crítica. até mesmo porque isso seria impossível pela amplitude e complexidade de cada um deles. ao lidar com conhecimentos extraídos de fontes de informações digitalizadas. . que possam contribuir para uma construção ética na conduta ao longo da vida. com o intuito de fortalecer as instituições escolares.. especialmente ao desenvolver trabalhos docentes pautados na ação-reflexão-ação. Lembramos que não tivemos a intenção de esgotar os assuntos abordados. Partimos do pressuposto de que espaços educativos são locais privilegiados de convivência de crianças. de modo a definir qual a função social do local que almejam. Relembramos que as mudanças de concepções estão fundamentadas em leis que regem a educação brasileira e buscam atender às demandas da sociedade. bem como as responsabilidades. A cada capítulo.

Lia e para todas as crianças. seu próprio corpo... Mas que ensinasse primeiro pela observação. a amar e preservar. o ar. os conceitos de números. Deus... Eu queria uma escola que lhes ensinasse a usarem bem a nossa língua. pela descoberta.. as operações... Raquel.. pedrinhas. a matéria. Normal Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a natureza. como também a aceitar. Carlos Drummond de Andrade Eu queria uma escola que cultivasse a curiosidade de aprender que é em vocês natural.. as plantas. a procurar soluções. Eu queria uma escola que lhes ensinassem a pensar. só porcarinhas!. a pensarem e a se expressarem com clareza. pela experimentação. Oh! meu Deus! Deus que livre vocês de uma escola em que tenham que copiar pontos. Pós-Graduação a Distância 77 . E que dessas coisas lhes ensinasse não só o conhecer.Para (não) Finalizar Para Sara.. a raciocinar. fazendo vocês aprenderem brincando. Eu queria uma escola que educasse seu corpo e seus movimentos: que possibilitasse seu crescimento físico e sadio. Eu queria uma escola que desde cedo usasse materiais concretos para que vocês pudessem ir formando corretamente os conceitos matemáticos. os animais. Eu queria uma escola que lhes ensinasse tudo sobre a nossa história e a nossa terra de uma maneira viva e atraente.

Que lhes desse múltiplos meios de vocês expressarem cada sentimento.. fatos. repetindo. a saber viver em comunidade. Eu também queria uma escola que ensinasse a conviver. datas. Deus que livre vocês de ficarem passivos. Fundamentos da Educação Brasileira 78 . repetindo.. nomes... ouvindo e repetindo. a coooperar. Ah! E antes que eu me esqueça: Deus que livre vocês de um professor incompetente. Que vocês aprendessem a transformar e criar. a esperar. cada emoção. cada drama. Deus que livre vocês de aceitarem conhecimentos “prontos”. em união.Para (não) Finalizar Deus que livre vocês de decorar sem entender. mediocremente embalados nos livros didáticos descartáveis. a respeitar.

CURY. Leonardo. Instituto de Psicologia. Minidicionário da Língua Portuguesa. Compreender e transformar o ensino. DELORS. I. 17. Carlos Roberto Jamil.gov. A. I. 1998. DF: UNESCO. PÉREZ GÓMEZ. P. Educação: um tesouro a descobrir. _____. Moacir Alves. 2007. 4. DECRETO nº 5. LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. 2003. 2002. O Brincar e a Qualidade na Educação Infantil: concepções e prática do professor. As funções sociais da escola: da reprodução à reconstrução crítica do conhecimento e da experiência. Função social da escola e organização do trabalho pedagógico. 2002. 13-26. p. 101-110. O despertar da águia: o dia-bólico e o sim-bólico na construção da realidade. Brasília. Paulo. Fabiana Pereira. RJ: Vozes.. de 13 de julho de 2006. M. J. ed. Pedro.394/96. Alicia e MARTINEZ. Universidade de Brasília/Faculdade de Educação.php?option=com_ content&task=view&id=819&Itemid=929>. Disponível em: <http://portal. Jacques (org). COSTA NETO. São Paulo: Cortes. M. 80. 1998. São Paulo: Vozes. CARNEIRO. Petrópolis. GÓMEZ. In: Educação e Sociedade. Paulo de Martino. Antônio da.br/setec/index. – número especial. Campinas: Alínea. José Geraldo Silveira. Indicadores Sociais no Brasil. DEMO. (2003). BOFF. 2005. Brasília: Ceteb. 371-388. Psicologia escolar e o desenvolvimento de competências: uma opção para a capacitação continuada. ed. Secretaria de Educação Fundamental. 2001. JANUZZI. LDB fácil: leitura crítico-compreensiva: artigo a artigo. Curitiba. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação – Lei 9. n. Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa. Paradigmas em educação no novo milênio. volume 23. 2001. Educar em Revista. Rio de Janeiro: DP&A. 6. C. São Paulo: Paz e Terra.mec. Dissertação de Mestrado. BRZEZINSKI. 1996. Universidade de Brasília. Brasília: MEC/SEF. A. 1997. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Silvia Alicia.Referências ARAUJO. Brasília. 1998.840. FERREIRA. 2004. BONAMINO. Pós-Graduação a Distância 79 FREIRE. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. Brasília. São Paulo: Cortez. 1998. . BRASIL. n. BUENO. Diretrizes e Parâmetros curriculares nacionais para o ensino fundamental: a participação das instâncias políticas do Estado. Revista CEDES. Porto Alegre: ArtMed. Ministério da Educação e do Desporto. Set/2002. 1994. CAPISTRANO. Aurélio Buarque de Holanda Ferreira. 1988. In: GIMENO SACRISTÁN. Maria Theresa de Oliveira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. A Qualidade na Educação Infantil. São Paulo: Paz e Terra. I. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais. CORRÊA. Goiânia: Kelpo. Tese de Doutorado. Revista quadrimestral de Ciências da Educação. Pesquisa e construção do conhecimento: metodologia científica no caminho de Habermas. p.

os sistemas. Organização e gestão da escola. Acesso em: 01 abr.php?script=sci_arttext&pid=S010173301999000200005&Ing=pt&nrm=iso>. 20. Educ. LIBÂNEO. Campo Grande: Letra Livre. 2003. 2. 2008. 2003. Rose (Org). MG: Autêntica. Ana. 1999. 45-48. Goiânia: Alternativa. Notas para uma dialógica da transmissão. A escola. 57-580. O debate sobre o estudo científico da educação: ciência pedagógica ou ciencias da educação? In: Revista Espaço Pedagogico. 0. Dicionário de Filosofia. Dar a palavra. Petrópolis: Vozes. Maria Teresa Eglér. MORIN. Introdução ao pensamento complexo. natureza. Brasília. v. SC: Odorizzi. São Paulo: Cortes Editora. São Paulo: Fundação Victor Civita. MASETTO. 3. Órris. Pedagogia Interdisciplinar: Fundamentos teórico-metodológios. OLIVEIRA. J. doi: 10. (Org. 80 . A ética na educação escolar. p. SKLIAR. 2001. BEHRENS. as comunidades: identidade. A gestão escolar: um campo minado. Conferência Nacional de Educação. LDB interpretada: diversos olhares se entrecruzam. 1997. Educação Inclusiva: histórias que (des)encantam a educação. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG.. Margaret Dias. 11-33. PARO. Disponível: <http://www. Cultura e Desporto. Barbosa de. democracia e qualidade do ensino.Referências KRAWCZYK. J. jul/dez 2003. ed. Coordenação de Publicações.pro.. Campinas. Resolução CNE/CEB n./2007. Ofício de Gestor: Escola de A a Z. n. ed. Globalização. José Manuel. Tomaz Tadeu da. São Paulo: Papirus. SILVA. 2008. 3 n.-jun. 1999. Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as críticas apresentadas. p. Nora. São Paulo: Ática. de 5 de julho de 2000. 1968. 2001. Edgar. Ivany. MEC/Universidade de Brasília.br/scielo. Disponível em: <http://www. SANCHEZ.). Passo Fundo. SOARES. _____. ed. Belo Horizonte. MANTOAN. v. v. fev/jun. Paulo. _____. Ano 1 n. 2005. 1997. Soc. Heloísa. In BRZEZINSKI. Inês. Perspectivas da gestão escolar e implicações quanto à formação de seus gestores. MORAN.scielo. Revista Pátio. Brasília: Câmara dos Deputados. Lisboa: Instituto Piaget. A lei de diretrizes e Bases da Educação: uma ruptura do espaço social e a organização da educação nacional. Análise das propostas de 11 municípios brasileiros. mídia e cultura contemporânea. Vitor Henrique. 281-295. 72. 17. 10 – jan. OLBRZYMEK... In: Uma Escola para a Inclusão Social. p. Rio de Janeiro: INL.br/heb07a. n. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2003.1590/S0101-73301999000200005 LARROSA.). Habitantes de Babel: políticas e poéticas da diferença. Marilda Regiani. 2001. v. 2. 67. 177p. 2000. Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova. Marilda. José Carlos. 2007. Novas tecnologias e mediação pedagógica. 10. 2003.pedagogiaemfoco.htm>. C. Belo Horizonte: Autêntica. MORAES. LÜCK. Blumenau. Em Aberto. Denis de (Org. Inclusão escolar: o que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna. 1. 7. 1931. NEUBAUER. 1977. TV na Escola e os Desafios de Hoje. p. In: LARROSA. PINO. Marcos. autonomia. 2005. Gestão escolar. n. Fundamentos da Educação Brasileira RAMOS. NASCIMENTO. Fev/Abr. I.

br/ccivil_03/Leis/L9394.pdf http://www.br/hp/revista/download.htm www.gov.gov.org.br www.br/pdf/es/v23n80/12926.mec.icpg.php?option=com_search&Itemid=99999999&searchword=parametros+curric ulares&searchphrase=any&ordering=newest&submit=Pesquisar http://www.scielo.mec.scielo.fnde.php?option=com_content&task=view&id=132 www.anped.gov.gov.br Pós-Graduação a Distância 81 .gov.br/scielo.interlegis.mec.anpae.com.gov.inep.mec.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73301999000200005&Ing=pt&nrm=iso http://ideb.br/Files/Site/Download/Nota_Tecnica_IDEB.br/eb/dic/dicionario.gov.php?option=com_content&task=view&id=8866&Itemid=&sistemas http://www.gov.br www.br/seb/index.org.br/pdf/spp/v14n2/9782.gov.gov.inep.pdf http://portal.scielo.educabrasil.php?rpa_chave=d9ce46773524d0ac4408 http://portal.br/censo/basica/dataescolabrasil/ www.mec.br www.com.asp?id=266 http://portal.br/seb www.planalto.pdf www.br/seb/index.php?option=com_content&task=view&id=264&Itemid=254 http://portal.br/seb/index.gov.br www.senado.exec.br/index.Referências Sítios consultados: http://www.

Fundamentos da Educação Brasileira Referências 82 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful