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UNIVERSIDADE FEDERAL DE S AO CARLOS

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CENTRO DE CI ENCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA

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PROGRAMA DE P OS-GRADUAC¸ AO EM MATEM ATICA

Leis de Conservac¸ao˜

Escalar : Formula´

Expl´ıcita e Unicidade

Alex Ferreira Rossini

˜

UNIVERSIDADE FEDERAL DE S AO CARLOS

ˆ

CENTRO DE CI ENCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA

´

˜

´

PROGRAMA DE P OS-GRADUAC¸ AO EM MATEM ATICA

Leis de Conservac¸ao˜

Escalar : Formula´

Expl´ıcita e Unicidade

Alex Ferreira Rossini

Dissertac¸ao˜ apresentada ao PPG-

M da UFSCar como parte dos

requisitos para a obtenc¸ao˜ do

t´ıtulo de Mestre em Matematica.´

Orientador: Prof. Dr. Cezar Issao Kondo

Sao˜

Carlos - SP

2011

Ficha catalográfica elaborada pelo DePT da Biblioteca Comunitária da UFSCar

R835Lc

Rossini, Alex Ferreira. Leis de conservacão escalar : fórmula explícita e

unicidade / Alex Ferreira Rossini. -- São Carlos : UFSCar,

2011.

81 f.

Dissertação (Mestrado) -- Universidade Federal de São Carlos, 2011.

1. Equações diferenciais parciais. 2. Leis de conservação. 3. Solução admissível. 4. Entropia. 5. Condição de Rankine- Hugoniot. I. Título.

CDD: 515.353 (20 a )

Dedico este trabalho a meus pais Orlando Rossini Filho e Maria Ferreira Rossini

Agradecimentos

Agradecimentos Agradec¸o primeiramente ao meu Senhor que sempre me deu forc¸as para seguir em busca dos
Agradecimentos Agradec¸o primeiramente ao meu Senhor que sempre me deu forc¸as para seguir em busca dos
Agradecimentos Agradec¸o primeiramente ao meu Senhor que sempre me deu forc¸as para seguir em busca dos
Agradecimentos Agradec¸o primeiramente ao meu Senhor que sempre me deu forc¸as para seguir em busca dos

Agradec¸o primeiramente ao meu Senhor que sempre me deu forc¸as para seguir em busca dos meus

objetivos, mesmo as`

vezes nao˜

merecendo suas grac¸as ele esteve ao meu lado.

Agradec¸o aos meus pais pelo carinho e por acreditar em mim, tambem´ por ter proporcionado a chance de continuar meus estudos mesmo quando parecia que nao˜ daria certo. Tambem´ agradec¸o a toda minha fam´ılia, em especial aos meus avos.´

Quero agradecer ao professor Cezar Kondo pela orientac¸ao˜ e contribuic¸ao˜ em meu crescimento matematico,´ agradec¸o toda a disponibilidade e pacienciaˆ para tirar duvidas´ que nao˜ eram poucas e por acreditar no meu trabalho com o passar do tempo.

Agradec¸o muito aos professores do curso de Matematica´ da UEMS unidade de Cassilandiaˆ por abrirem meus olhos para matematica´ e por todo incentivo que trouxe-me ate´ Sao˜ Carlos. Sou grato, especialmente, aos professores Marco, Wilson e Marcelo. Aproveito a oportunidade para agraceder to- dos aos meus amigos que fiz naquela cidade e ate´ hoje posso contar com eles e tambem´ aos amigos que tenho no DM que sempre me apoiaram em momentos desfavoraveis,´ a todos vocesˆ meu muito obrigado.

Finalmente, agradec¸o a` CAPES, Coordenac¸ao˜ pelo financiamento deste projeto.

de Aperfeic¸oamento de Pessoal de N´ıvel Superior,

iii

Resumo

Resumo Neste trabalho estudamos leis de conservac¸ao˜ escalar, com a deduc¸ao˜ de uma formula´ expl´ıcita de
Resumo Neste trabalho estudamos leis de conservac¸ao˜ escalar, com a deduc¸ao˜ de uma formula´ expl´ıcita de
Resumo Neste trabalho estudamos leis de conservac¸ao˜ escalar, com a deduc¸ao˜ de uma formula´ expl´ıcita de
Resumo Neste trabalho estudamos leis de conservac¸ao˜ escalar, com a deduc¸ao˜ de uma formula´ expl´ıcita de

Neste trabalho estudamos leis de conservac¸ao˜

escalar, com a deduc¸ao˜

de uma formula´

expl´ıcita de uma soluc¸ao˜

suave de suporte compacto, tambem´

apresentamos o comportamento

da soluc¸ao˜

dada pela formula´

quando o dado inicial e´ nulo fora de algum intervalo limitado e

por fim estudamos a unicidade para uma dada lei de conservac¸ao˜

sob certas hipoteses.´

Palavra-chave: Leis de Conservac¸ao,˜

e Soluc¸ao˜

Admiss´ıvel.

Condic¸ao˜

de Entropia, Relac¸ao˜

de Rankine-Hugoniot

iv

Abstract

Abstract We study scalar conservation laws, with the deduction of an explicit formula of a smooth
Abstract We study scalar conservation laws, with the deduction of an explicit formula of a smooth
Abstract We study scalar conservation laws, with the deduction of an explicit formula of a smooth
Abstract We study scalar conservation laws, with the deduction of an explicit formula of a smooth

We study scalar conservation laws, with the deduction of an explicit formula of a smooth

solution with compact support, we also present the behavior of the solution given by the formula

when the initial value is zero outside a finite interval. In order to study the uniqueness of a given

conservation law under certain hypotheses.

v

Sumario´

Sumario´ Introduc¸ao˜ 1 1 Resultados Basicos´ e Conceitos   3 2 Leis de Conservac¸ao˜ 15
Sumario´ Introduc¸ao˜ 1 1 Resultados Basicos´ e Conceitos   3 2 Leis de Conservac¸ao˜ 15
Sumario´ Introduc¸ao˜ 1 1 Resultados Basicos´ e Conceitos   3 2 Leis de Conservac¸ao˜ 15
Sumario´ Introduc¸ao˜ 1 1 Resultados Basicos´ e Conceitos   3 2 Leis de Conservac¸ao˜ 15

Introduc¸ao˜

1

1 Resultados Basicos´

e Conceitos

 

3

2 Leis de Conservac¸ao˜

15

2.1 Leis de Conservac¸ao˜

Escalar

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16

2.1.1.

Condic¸ao˜

para a nao-exist˜

enciaˆ

de soluc¸ao˜

global .

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17

2.1.2.

Reduc¸ao˜

do Problema de Cauchy a uma Equac¸ao˜

Impl´ıcita

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18

2.2 Fraca e Condic¸ao˜

Soluc¸ao˜

de Rankine-Hugoniot

 

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20

2.3 Exemplos de Soluc¸oes˜

Fracas .

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22

2.4 Conceitos e Condic¸ao˜

de Rankine-Hugoniot

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26

2.4.1.

Aplicac¸ao˜

da Condic¸ao˜

de Rankine-Hugoniot

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30

2.5 Entropia de Lax .

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31

3 Formula´

Expl´ıcita

34

3.1

Unicidade da Soluc¸ao˜

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52

 

vi

Sumario´

Sumario´

3.2

Decaimento da soluc¸ao˜

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63

A Justificativas

 

67

B Mais Alguns Casos

75

Referenciasˆ

Bibliograficas´

80

 

vii

Introduc¸ao˜

Introduc¸ao˜ A apresentac¸ao˜ deste trabalho inicia-se com um estudo sobre leis de conservac¸ao˜ escalar, mais
Introduc¸ao˜ A apresentac¸ao˜ deste trabalho inicia-se com um estudo sobre leis de conservac¸ao˜ escalar, mais
Introduc¸ao˜ A apresentac¸ao˜ deste trabalho inicia-se com um estudo sobre leis de conservac¸ao˜ escalar, mais
Introduc¸ao˜ A apresentac¸ao˜ deste trabalho inicia-se com um estudo sobre leis de conservac¸ao˜ escalar, mais

A apresentac¸ao˜

deste trabalho inicia-se com um estudo sobre leis de conservac¸ao˜

escalar,

mais especificamente estudamos a equac¸ao˜

u t + f(u) x = 0, para (x,t) R × (0, ) que e´ o mais

simples modelo de movimento de onda.

Escrevendo a equac¸ao˜

na forma diferencial u t + f (u)u x = 0, vimos que se u(x,t) e´ uma

soluc¸ao˜

suave para o problema de valor inicial, com dado inicial u(x, 0) = u 0 (x), a mesma e´

igual ao seu dado inicial sobre a reta x(t) satisfazendo a equac¸ao˜

dx dt = f (u(x,t)), tais retas sao˜

chamadas de caracter´ısticas.

Em geral, tal problema de Cauchy nao˜

possui soluc¸ao˜

suave globalmente definida, isto e,´

definida para todo t > 0, mesmo quando temos dados iniciais suaves. Este fenomenoˆ

de nao˜

existenciaˆ

de soluc¸ao˜

global, pode ser observada pelo fato que a inclinac¸ao˜

das retas carac-

ter´ısticas dependem da soluc¸ao˜

e assim podemos esperar que tais retas se interceptam e onde

isto ocorre nao˜

ha´ soluc¸ao˜

suave definida.

Interessados em definir soluc¸ao˜

para todo tempo, o conceito de soluc¸ao˜

para a equac¸ao˜

acima

deve ser enfraquecido, cedendo lugar a um novo conceito de soluc¸ao˜

chamada de soluc¸ao˜

fraca

ou generalizada o qual nos permite lidar com soluc¸oes˜

descont´ınuas. Este novo conceito de

soluc¸ao˜

significa satisfazermos nao˜

a equac¸ao˜

diferencial parcial em si, mas uma formulac¸ao˜

integral obtida a partir da mesma, de sorte que quando restrita a soluc¸oes˜

formulac¸ao˜

integral e´ equivalente a equac¸ao˜

diferencial original.

classicas´

(suaves) tal

Apos´

tal definic¸ao˜

de soluc¸ao˜

fraca demos alguns exemplos expl´ıcitos de soluc¸ao˜

1

fraca e

verificamos diretamente que as mesmas satisfazem a equac¸ao˜

integral a qual define soluc¸ao˜

fraca. Tambem´

demos um teorema, a saber teorema 2.1, qual nos permite construir soluc¸oes˜

fracas explicitamente.

O enfraquecimento do conceito de soluc¸ao˜

amplia nossa classe de candidatas a soluc¸ao,˜

mas

adotando este novo conceito perdemos unicidade para o problema, isto e,´ soluc¸oes˜

fracas nao˜

sao˜

unicamente determinadas por seus dados iniciais. Surge entao˜

a questao˜

a soluc¸ao˜

adequada ou fisicamente relevante, lembrando que nossa equac¸ao˜

de como escolher

e´ proveniente de

algum modelo f´ısico. Um criterio´

para a escolha da soluc¸ao˜

fisicamente relevante e´ dado quando

o fluxo f em questao˜

e´ convexo, tal criterio´

e´ chamado de condic¸ao˜

de entropia, dada por Lax .

Por fim apresentamos a deduc¸ao˜

de uma formula´

expl´ıcita de uma soluc¸ao˜

suave de su-

porte compacto para o problema de Cauchy com dado inicial limitado, tambem´

apresentamos o

comportamento da soluc¸ao˜

dada pela formula´

quando o dado inicial em questao˜

e´ nulo fora de

algum intervado limitado e estudamos um teorema de unicidade para a dada lei de conservac¸ao˜

u t + f(u) x = 0, sob certas hipoteses.´

Cap´ıtulo 1
Cap´ıtulo 1
Cap´ıtulo 1

Cap´ıtulo

1

Cap´ıtulo 1
Cap´ıtulo 1

Resultados Basicos´

e Conceitos

Cap´ıtulo 1 Resultados Basicos´ e Conceitos Neste cap´ıtulo estao˜ alguns resultados e definic¸oes˜ tambem´
Cap´ıtulo 1 Resultados Basicos´ e Conceitos Neste cap´ıtulo estao˜ alguns resultados e definic¸oes˜ tambem´
Cap´ıtulo 1 Resultados Basicos´ e Conceitos Neste cap´ıtulo estao˜ alguns resultados e definic¸oes˜ tambem´
Cap´ıtulo 1 Resultados Basicos´ e Conceitos Neste cap´ıtulo estao˜ alguns resultados e definic¸oes˜ tambem´

Neste cap´ıtulo estao˜

alguns resultados e definic¸oes˜

tambem´

alguns teoremas fundamentais para a obtenc¸ao˜

para a leitura dos demais cap´ıtulos e

de alguns resultados deste trabalho.

Definic¸ao˜ 1.1 Uma func¸ao˜ real g definida em um intervalo (a, b), onde a < b , e´ dita

convexa se para cada x, y (a, b) e cada 0 1 temos

g( x + (1 )y) g(x) + (1 )g(y).

(1.1)

Geometricamente, uma func¸ao˜

e´ chamada convexa quando seu grafico´

se situa sobre ou abaixo

de qualquer de suas secante, mais precisamente, se x < t < y entao˜

o ponto (t, g(t)) encontra-se

abaixo ou sobre a reta conectando os pontos (x, g(x)) e (y, g(y)) no plano.

Substituindo por < temos a definic¸ao˜

grafico´

de g nao˜

apresenta trechos retil´ıneos.

de func¸ao˜

estritamente convexa, neste caso, o

Teorema 1.1 Se g e´ convexa sobre (a, b) entao˜

g e´ cont´ınua sobre (a, b).

Prova:

Veja demostrac¸ao,˜

por exemplo, em [7], p.106.

3

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Teorema 1.2 Seja f : (a, b) R derivavel.´

Entao˜

a) f e´ convexa.

b) A derivada f (a, b) R e´ monotona´

crescente.

as seguintes afirmac¸oes˜

sao˜

equivalentes:

c) Para quaisquer u, v (a, b) tem-se f (u) f (v) + f (v)(u v).

Prova:

Veja demostrac¸ao,˜

por exemplo, em [7], p.106.

Teorema 1.3 Uma func¸ao˜ f : (a, b) R, duas vezes derivavel´

f (x) 0 para todo x (a, b).

Prova:

Veja demostrac¸ao,˜

por exemplo, em [7], p.106.

em (a, b) e´ convexa se, e so´ se,

Observac¸ao˜ 1.1 Se f (x) > 0 para todo x (a, b) entao˜ f e´ crescente, logo f e´ estritamente

convexa.

Teorema 1.4 Todo ponto cr´ıtico de uma func¸ao˜

convexa e´ um ponto de m´ınimo absoluto.

Prova:

Veja demostrac¸ao,˜

por exemplo, em [7], p.107.

Definic¸ao˜ 1.2 Uma func¸ao˜ g : (a, b) R diz-se concavaˆ

quando g e´ convexa.

Teorema 1.5 Todo ponto cr´ıtico de uma func¸ao˜

concavaˆ

e´ um ponto de maximo´

absoluto.

Demonstrac¸ao:˜

Segue da definic¸ao˜

de func¸ao˜

concavaˆ

e teorema anterior.

Lema 1.1 (Desigualdade de Jensen) Se g e´ convexa sobre (c, d) e se x, y, x ,y sao˜

(c, d) tais que x x < y e x < y y , entao˜

g(y) g(x)

y x

4

g(y ) g(x )

y x

pontos de

(1.2)

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Demonstrac¸ao:˜

Se x = x e y = y entao˜

nada temos a fazer. Observamos que se a < w < b

sao˜

quaisquer pontos de (c, d) pela definic¸ao˜

de func¸ao˜

convexa temos

g(w) b w g(a)+ w a g(b).

b a

b a

Entao˜

seguem as desigualdades

(b a)g(w) (b w)g(a)+(w a)g(b)

(b a)g(a)+(a w)g(a)+(w a)g(b)

ou seja,

(b a)(g(w) g(a)) (w a)(g(b) g(a)),

multiplicando a ultima´

desigualdade por

1

(w a)(b a) > 0 temos

g(w) g(a)

w a

g(b) g(a)

.

b a

Por argumento similar podemos concluir que

Portanto,

Por hipotese´

g(b) g(a)

b a

g(b) g(w)

.

b w

g(w) g(a)

w a

g(b) g(a)

b a

g(b) g(w)

b w

x < x < y entao˜

de (1.3) temos a desigualdade

g(x ) g(x)

x x

g(y ) g(x )

y x

.

5

.

(1.3)

(1.4)

(1.5)

(1.6)

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Caso tivermos x < y < x entao˜

por (1.5) e (1.6) obtemos

g(y) g(x)

y x

g(x ) g(x)

x x

g(y ) g(y)

y y

.

Caso x < x < y e x < y < y segue de (1.5) as desigualadades

g(y) g(x)

y x

g(y) g(x )

y x

g(y ) g(x )

y x

.

Portanto em qualquer dos casos vale o resultado. Alem´

disso, se g e´ estritamente convexa temos

que vale a desigualdade estrita com x < x < y e x < y < y em (c, d).

y ′ e x < y < y ′ em ( c , d ) .

Definic¸ao˜

1.3

Seja f : R R

de classe C 1 (R), e considere a aplicac¸ao˜

g e´ chamada de transformac¸ao˜

g(v) = sup

u

R (uv f (u)), v R

de Legendre associada a f .

Teorema 1.6 Seja f : R R continuamente diferenciavel´

e estritamente convexa de modo que

| u| f(u)/| u| = .

lim

Considere g a transformac¸ao˜

de Legendre associada a f . Entao,˜

a) g e´ convexa,

b) lim | v|→g(v)

|

v |

=

e g(f (v)) = f (v)v f(v), v R.

6

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Demonstrac¸ao:˜

Vamos provar que g(.) e´ convexa. Dados p, q R distintos e 0 1

entao˜

g(

p + (1 q))

=

=

R (u( p + (1 q)) f (u))

sup

u

sup R ( (up f (u)) + (1 )(uq f (u)))

u

sup R ( (up f (u)) + sup R ((1 )(uq f (u))

u

u

= g(p)+(1 )g(q).

Agora vamos mostrar que lim | v| g(v) = . Dado

|

v |

> 0, para p

= 0, temos :

g(p) = sup

q

R (qp f (q))

=

=

|

p p| p f

|

| p| 2 | p|

f

p

p|

p

|

p|

| p| − f

| p| p .

obtemos esta desigualdade considerando q =

|

p p| . Da´ı temos que

assim

Portanto,

logo

liminf

| p|→

g(p) | p| − max ] f,

[

,

g(p)

| p|

liminf

| p|→

liminf

| p|→

g(p)

| p|

,

liminf

| p|→

g(p)

| p|

max f | p|

=

0,

= .

.

7

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Segue da definic¸ao˜

de g e do fato que f (u) f (v) + f (v)(u v) a` igualdade

g(f (v)) = f (v)v f(v), v R.

Observac¸ao˜

1.2 Seja f : R R uma func¸ao˜

convexa satisfazendo

Seja f : R → R uma func¸ao˜ convexa satisfazendo f ′ ′ ( x )

f (x)

> 0

e

x

lim f (x)= ±

→±

e considere

g(v) = sup

u

R (uv f (u)), v R

a transformac¸ao˜

de Legendre de f (.), observamos que o supremo acima e´ na verdade um

maximo,´

pois considerando a func¸ao˜

real H(u) = uv f (u), u R, temos que H (u)= v

f (u), u R entao˜ H (b(v)) = 0, onde b(v) = ( f ) 1 (v), e como H(u), para cada v fixado, e´

concavaˆ

temos que o ponto cr´ıtico b(v) R e´ um ponto de maximo´

unico´

ponto cr´ıtico de H. Da´ı, podemos reescrever a transformac¸ao˜

g(v) = b(v)v f (b(v)).

global. Note que b(v) e´ o

de Legendre como segue

Assim, g (v) = b(v), o que implica g (v)= 1/f (b(v)) > 0. Portanto, a func¸ao˜

g(.) e´ estrita-

mente convexa e tambem´

temos lim ± g = lim ± b = ± .

Teorema 1.7 (Formula´

de Taylor com resto de Lagrange) Seja f : [a, b] R

n vezes de-

rivavel´

que

Prova:

no intervalo aberto (a, b), com f (n 1) cont´ınua em [a, b]. Entao˜ existe c (a, b) tal

f(a)= f(b)+ f (b)(a b) + ··· + f (n 1) (b) (a b) n 1 + f (n) (c) (a b) n .

(n 1)!

n!

Vide demostrac¸ao˜

em [7], p.104.

8

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Teorema 1.8 (Derivada de uma func¸ao˜

inversa) Seja f : X Y R uma func¸ao˜

que possui

inversa g : Y X R. Se f e´ derivavel´

no ponto a X X e g e´ cont´ınua em f (a) entao˜

admiti derivada em f (a) se e so´ se f (a)

= 0. Neste caso, g ( f (a)) =

1

f (a) .

g

Prova:

Veja demostrac¸ao˜

em [7], p.92.

Teorema 1.9 Se f : X R e´ derivavel´

a` direita (resp. a` esquerda) no ponto a X X + (resp.

a X X ) e tem a´ı um maximo´

local (resp. m´ınimo local) entao˜ f + (a) 0 (resp. f (a) 0. )

Prova:

Veja demostrac¸ao˜

em [7], p.94.

Teorema 1.10 (Teorema da Func¸ao˜

Impl´ıcita) Seja F : U R , de classe C k (k 1) no aberto

U R n+1 , seja (x 0 ,y 0 ) U, c = F(x 0 ,y 0 ) e F (x 0 ,y 0 ) = 0. Entao,˜ existem uma bola aberta

y

B

= B(x 0 , r) e um intervalo J = (y 0 ,y 0 + ) com as seguintes propridades:

B × J U e F (x,y)

y

= 0, (x,y) B × J;

Para cada x B existe um unico´

y = u(x) J tal que F(x, y) = F(x, u(x)) = c.

A func¸ao˜

u : B J, assim definida, e´ de classe C k e suas derivadas parciais em cada ponto

x B R n sao˜

dadas por

u

i (x)=

x

F

x i

(x, u(x))

F

y

(x, u(x)) .

Prova:

Veja demostrac¸ao˜

em [8], p.160.

Teorema 1.11 (Teorema da Divergenciaˆ

no Plano) Seja F = (P, Q) um campo vetorial de classe

C 1 num aberto

de R 2 e seja K um compacto, com interior nao-vazio,˜

contido em

, cuja

fronteira e´ imagem de uma curva fechada (t) = (x(t), y(t)), a t b, de classe C 1 , simples,

orientada no sentido anti-horario´

com (t)

= 0 no intervalo aberto. Seja n o normal unitario´

exterior a K, entao˜

F.nds = K divF dxdt.

9

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Demonstrac¸ao:˜

 

onde

F.nds =

a

b F( (t)).n( (t)) | (t)| dt,

n( (t)) =

1 (t)| (y (t), x (t))

|

Logo,

 

da´ı segue que

F.nds =

a

b

[P( (t))y (t) Q( (t))x (t)] dt,

Em vista do Teorema de Green

F.nds = Qdx+Pdy.

Portanto,

Qdx+Pdy = K x P+x Q dxdt.

F.nds = K divF dxdt.

Teorema 1.12 Sejam f , g C(X) func¸oes˜

toda

Prova:

C

(X) entao˜ f = g.

c

Veja demostrac¸ao˜

em [4], p. 15.

complexas onde X R n e X f dx = X g dx

10

f = g . c Veja demostrac¸ao˜ em [4], p. 15. complexas onde X ⊆ R

para

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

Teorema 1.13 Considere a aplicac¸ao˜ f : R × [a, b] R e assuma que a func¸ao˜ x f (x,t)

R mensuravel´

para cada t [a, b]. Suponha que para algum t 0 [a, b], a func¸ao˜ x f (x,t 0 )

seja integravel´

sobre R, que t f exista em R × [a, b], e que exista uma func¸ao˜ g(x) integravel´

em R tal que

Entao˜

a func¸ao˜

f

t

(x,t) g(x).

F(t) = R f (x,t) dx e´ diferenciavel´

em [a, b] e dF dt (t)= R

Prova:

Veja demostrac¸ao˜

em [3], p.54.

f

t

(x,t)dx.

Definic¸ao˜ 1.4 Seja u : R C e x R, definimos

T u (x) = sup n

1

| u(x j ) u(x j 1 )| : < x 0 < x 1 < ··· < x n = x, n N ,

T u (x) e´ chamada de func¸ao˜

variac¸ao˜

total associada a u. Observamos que T u e´ uma func¸ao˜

monotona´

crescente com valores possivelmente em [0, ]. De fato, note que a soma na definic¸ao˜

acima cresce se o numero´

de pontos x j na subdivisao˜

cresce, da´ı se a < b o supremo na definic¸ao˜

de T u (b) nao˜

e´ alterado se assumirmos que a e´ sempre um ponto da subdivisao,˜

pois dada uma

soma n | u(x j ) u(x j 1 )| a mesma e´ menor ou igual a outra soma onde algum x j = a. Entao,˜

1

segue que

T u (b)= T u (a) + sup n | u(x j ) u(x j 1 )| : a = x 0 < x 1 < ··· < x n = x, n N .

1

(1.7)

portanto T u e´ monotona´

crescente.

Dizemos que u e´ de variac¸ao˜ limitada sobre R, se T u () = lim x + T u (x) e´ finito, notac¸ao˜

u BV (R).

O supremo a` direita de (1.7) e´ chamado variac¸ao˜

total de u sobre [a, b], como tal supremo

so´ depende dos valores de u em [a, b], definimos BV [a, b] ser o conjunto das func¸ oes˜

sobre [a, b]

11

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

cuja variac¸ao˜

total em [a, b] e´ finita, em s´ımbolos

u

BV [ a , b ] ⇐⇒ TV u [a, b] =: sup n

1

| u(x j ) u(x j 1 )| : a = x 0 < x 1 < ··· < x n = x, n N < .

Teorema 1.14 Seja u : R R monotona´

crescente e (x) = u(x + ).

a) O conjunto dos pontos de descontinuidade de u e´ contavel.´

b) u e

sao˜

diferenciaveis´

q.t.p x, u e´ mensuravel,´

u 0 q.t.p x, e (x) = u(x) q.t.p.

Prova:

Veja demostrac¸ao˜

em [3], p.95.

Teorema 1.15 a) Se u BV, entao˜

todo x R.

u(x + ) = lim yx + u(y) e u(x ) = lim yx u(y) existem para

b) Se u BV entao˜

u e´ cont´ınua quase sempre.

c) Se u BV e

(x) = u(x + ), entao˜

u e existem quase sempre e sao˜

iguais quase sempre.

d) Se u : R R e´ BV existem func¸ oes˜ monotonas´

crescentes limitadas u 1 , u 2 : R R tais que

u = u 1 u 2 .

Prova:

Veja demostrac¸ao˜

em [3], p.98.

Teorema 1.16 Se f = f 1 f 2 : [ a , b ] −→ R e´ de variac¸ ao˜ limitada em [ a , b ] ent ao˜ f (x) existe

quase sempre e f L 1 [a, b]. Onde f i e´ como no teorema anterior.

Demonstrac¸ao:˜

Estenda f i pondo f i (x)= f i (a) para x a e

f i (x)= f i (b) para x b, com

i = 1, 2. Pelo teorema (1.15) f e´ diferenciavel´

quase sempre, pois f i BV (R). Portanto, as

func¸oes˜

k (x)= f i (x+1/k) f i (x)

f i

1/k

=

k(f i (x+1/k) f i (x))

(1.8)

12

Cap´ıtulo 1. Resultados Basicos´

e Conceitos

convergem pontualmente q.t.p para f (x) para k . Pelo Lema de Fatu, temos

i

0

a

b

f

i

(x) dx liminf

k

a

b

i

f k (x)dx

=

liminf k

k

b+1/k

a+1/k

f i (x)dx

k

a

=

liminf k

k

b

b+1/k

f i (x)dx k

a

b

f i (x)dx

a+1/k

f i (x)dx