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Do Livro: A Franco-Maçonaria Tornada Inteligível aos seus Adeptos Oswald Wirth

Aos Novos Iniciados

(Prefácio à edição de 1931)

Queridos Irmãos,

Em vos iniciando em seus mistérios, a Franco-Maçonaria convida-vos a tornar-vos homens de elite, sábios ou pensadores elevados acima da massa dos seres que não pensam.

Não pensar é consentir em ser dominado, conduzido, dirigido e tratado, muitas vezes, como animal de carga.

É por suas faculdades intelectuais que o homem se distingue do bruto. O pensamento torna-o livre: ele lhe dá o império do mundo. Pensar é reinar.

Mas o pensador foi sempre uma exceção. Outrora, o homem tinha a possibilidade de entregar-se ao recolhimento, perdendo-se no sonho; em nossos dias, ele cai no excesso contrário. A luta pela vida absorve-o, a ponto de não lhe restar tempo algum para meditar com calma e cultivar a Arte suprema do Pensamento.

Ora, esta Arte, chamada a Grande Arte, a Arte Real ou a Arte por excelência, pertence à Franco-Maçonaria fazê-la reviver entre nós.

A intelectualidade moderna não pode continuar a se debater entre dois

ensinamentos que excluem um e outro o pensamento: entre as igrejas baseadas na fé cega e as escolas que decretam os dogmas de nossas novas crenças científicas.

Quanto então tudo conspira para poupar aos nossos contemporâneos o trabalho de pensar, é indispensável que uma instituição poderosa reanime a tocha das tradições esquecidas. São-nos necessários pensadores, e não é nosso ensino universitário que os forma.

O pensador não é o homem que sabe muito. Ele não tem a memória

sobrecarregada de lembranças amontoadas. É um espírito livre que não tem necessidade de catequizar nem de doutrinar.

O pensador faz-se a si mesmo: ele é filho de suas obras. A Franco- Maçonaria sabe-o, ela também evita inculcar dogmas. Contrariamente a todas as igrejas, ela não se pretende na posse da Verdade. Em Maçonaria, limitamo- nos a estar em guarda contra o erro, a seguir, exorta-se cada um a procurar o Verdadeiro, o Justo e o Belo.

À Franco-Maçonaria repugnam as frases e as fórmulas das quais os espíritos vulgares se apoderam, para ataviarem-se de todos os ouropéis de um falso saber. Ela quer obrigar seus adeptos a pensar e não propõe, em consequência, seu ensinamento, senão velado sob alegorias e símbolos. Ela convida assim a refletir, a fim de que se nos apliquemos a compreender e adivinhar.

Esforçai-vos, pois, queridos Irmãos, por mostrar-vos adivinhos, no sentido mais elevado da palavra. Vós não conhecereis, em Maçonaria, senão aquilo que houverdes descoberto vós mesmos.

Rigorosamente, deveria ser supérfluo dizer-vos mais. Todavia, dadas as disposições tão pouco meditativas de nossos tempos, Maçons experientes acreditaram dever vir em auxílio do pensador comum do espírito atual.

Eles, então, empreenderam tornar A FRANCO-MAÇONARIA INTELIGÍVEL AOS SEUS ADEPTOS. Depois de já haverem publicado um Ritual Interpretativo para o Grau de Aprendiz, eles fizeram aparecer o presente Manual, seguido do LIVRO DO COMPANHEIRO e do LIVRO DO MESTRE.

Sua tarefa é ingrata, mas eles contam com o apoio e o concurso de todos aqueles que sentem a necessidade de uma regeneração iniciática da Franco- Maçonaria. Mostrar-se-ão profundamente reconhecidos pelos conselhos e esclarecimentos que se fizerem chegar à

Loja TRABALHO E VERDADEIROS AMIGOS FIÉIS.

Oswald WIRTH.